Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Mais uma pesquisa aponta para a vitória de Lula

O Vox Populi divulgou nesta quinta-feira sua mais nova pesquisa presidencial. Confirmando tendência detectada por outros institutos, a sondagem aponta para a vitória de Lula em primeiro turno. O presidente subiu de 45% para 50%. Geraldo Alckmin oscilou para cima –de 24% para 25%. Heloisa Helena, para baixo –de 11% para 9%. Os números do Vox Populi estão mais próximo dos dados levantados pelo Datafolha do que dos índices apurados pelo Sensus.

Escrito por Josias de Souza às 20h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Denunciados à Justiça mais 59 sanguessugas

O Ministério Público Federal de Mato Grosso encaminhou à Justiça nesta quinta-feira denúncia contra mais 59 pessoas por suposto envolvimento com a máfia das sanguessugas. São nove ex-deputados federais, 49 assessores parlamentares e um funcionário do Ministério da Saúde.

Entre os ex-parlamentares, o mais conhecido é Emerson Kapaz. Convidado a participar do comitê financeiro do presidenciável tucano Geraldo Alckmin, ele desistiu depois que seu nome passou a ser vinculado ao escândalo.

Com a nova ação, sobe para 140 o número de suspeitos denunciados formalmente à primeira instância do Judiciário. Entre os réus há agora 19 ex-parlamentares, 79 assessores do Congresso e cinco funcionários da pasta da Saúde.

No texto da nova ação, a Procuradoria da República lembra que a máfia das ambulâncias produziu desvios de verbas públicas estimados em R$ 110 milhões nos últimos cinco anos. Sustenta que a quadrilha empurrou ambulâncias superfaturadas a prefeituras de municípios localizados em 26 das 27 unidades da federação.

O rol de crimes cometidos pela máfia inclui, segundo o Ministério Público, lavagem de dinheiro e fraude em licitações para a compra de ambulâncias, ônibus de transporte escolar, veículos para o programa de inclusão digital e equipamentos hospitalares.

A quadrilha começou a ser desbaratada em 2002, numa investigação que incluiu, além do Ministério Público, a Receita Federal e a Polícia Federal. As principais provas que fundamentam as denúncias feitas até agora foram obtidas no último mês em maio. Naquele mês, cumprindo mandados judiciais, a PF prendeu três dezenas de suspeitos, apreendeu documentos e computadores.

Afora os ex-parlamentares, assessores legislativos, funcionários do governo e empesários já denunciados, há inquéritos em andamento contra 84 congressistas. Nestes casos, como os suspeitos estão no exercício de seus mandatos, dispõem de foto privilegiado. Só podem ser processados perante o STF.

Atendendo a solicitações do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, autorizou a abertura de inquéritos contra todos parlamentares sob suspeição. São acusados de ter destinado verbas à quadrilha, por meio de emendas ao Orçamento da União. O Ministério Público aguarda a conclusão das investigações para propor novas denúncias.

Também nesta quinta-feira, a CPI das Sanguessugas produziu levantamento indicando que 21 municípios têm envolvimento direto com parlamentares sob suspeição. Como se fosse pouco, a CGU (Controladoria Geral da União) encaminhou ao Ministério Público e à PF resultados de uma apuração ao mesmo tempo reveladora e desoladora.

 

Segundo a CGU, além da Planam, empresa já bem conhecida do brasileiro, um outro grupo empresarial teria vendido ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Chama-se Grupo Domanski.

 

Leia abaixo os nomes que constam da nova denúncia.

Escrito por Josias de Souza às 17h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conheça os nomes dos novos denunciados pelo MP

Ex-Deputados Federais: CLEUBER BRANDÃO CARNEIRO;EBER SILVA;EMERSON KAPAZ;GESSIVALDO ISAÍAS DE CARVALHO SILVA; JOSÉ ALEKSANDRO DA SILVA;LUIS EDUARDO ALMEIDA DE OLIVEIRA;MATUSAEL DO NASCIMENTO;NAIR MARIA XAVIER NUNES OLIVEIRA LÔBO; PAULO CÉSAR MARQUES DE VELASCO;

 

Assessores parlamentares: ALESSANDRO REZENDE GONÇALVES; ANA TEREZINHA MAFORTE FERREIRA; ANDERSON LUIS BRUSAMARELLO; ANDRÉ SANGALI DE SOUZA; ANDREY BATISTA MONTEIRO DE MORAIS; ANTÔNIO CARLOS MACHADO; ARTUR PAULO DOS SANTOS MATOS; DANIELLE SURRAGE BUENO PIRES; DIVALDO MARTINS SOARES JÚNIOR; EDNA GONÇALVES SOUZA INAMINE; EDSON SIQUEIRA MENEZES; ELIZÂNGELA PATRÍCIA FURTADO LIMA; FÁBIO PEREIRA DA SILVA; FLÁVIO LUIZ SANTOS DA SILVA; FRANCISCO JALCY XAVIER MOREIRA; GIZELLE CUNHA DE CARVALHO; INALDO JOSÉ SANTOS SILVA FERREIRA DE ARAÚJO; IOMAR DE OLIVEIRA TAVARES FILHO; IZILDINHA ALARCON LINARES; JACKSON PIRES CASTRO; JAMIL FÉLIX NAGLIS NETO; JOSÉ LUIZ BATISTELLO; JUSSARA SIQUEIRA DE ALMEIDA; LARA DE ARAÚJO AMORIM; LÁZARO MARTINS RAMOS FILHO; LEOZIR BUENO MEIGA; LIRA JOSÉ DUARTE FERNANDES; LUCIANA DE ANDRADE; LUIS MARQUES SANTOS; MANOEL GAIA FARIAS; MÁRCIA BARIFALDI HIRS; MARCOS AURÉLIO DE BRITO DUARTE; MARILENE MARIA DA SILVA; ORLANDO GERVÁSIO DE DEUS; PATRÍCIA PEREIRA RIBEIRO; PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA CORRÊA; RAIMUNDO NONATO FRANCO DA SILVA; RAIMUNDO TORRES DA COSTA FILHO; RANIER DE OLIVEIRA SOUZA; RICARDO JARDIM DO AMARAL MELLO; ROBSON RABELO DE ALMEIDA; ROGÉRIO CORRÊA JANSEN; SUELY ALMEIDA BEZERRA; TEREZA NORMA ROLIM FÉLIX; VALDECIR ALVES FROIS; VERA LÚCIA PINTO; WELITON BRITO DAVID CARVALHO; WYLERSON MOREIRA DA COSTA; ZÉLIA MARIA BARBOSA HENRIQUES;

 

Servidor público do Ministério da Saúde: ROBERTO GONÇALVES.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin volta à carga contra Lula na TV

Geraldo Alckmin manteve em seu programa televisivo desta quinta-feira o timbre ácido adotado na publicidade de terça-feira. Disse que Lula não pode continuar fingindo que não viu e não sabe de nada.

 

Mencionou vários personagens denunciados pelo Ministério Público por envolvimento no escândalo do mensalão: José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoino e Delúbio Soares. Citou também o ex-ministro Humberto Costa (Saúde), indiciado pela PF no caso dos Vampiros. E pespegou: "Tantos ministros envolvidos e Lula não sabia de nada? Ele não merece o seu voto."

 

O petismo continua dando de ombros para a pancadaria adversária. "Esse massacre político não preocupa, as críticas estão acontecendo há mais de um ano. Com uma semana de crise política, o Fernando Henrique disse que este governo tinha acabado", disse o ministro petista Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que na véspera recomendara à oposição atear "fogo no palheiro", voltou à carga na noite passada. Em encontro com intelectuais e artistas tucanos (olha eles aí de novo!), disse que os petistas “perderam o respeito, podem não ter perdido ainda a popularidade".

 

Agradecido, Alckmin disse que a gestão FHC, diferentemente da administração de seu sucessor, é digna de defesa. "Não se trata de defender seu governo, mas de fazer justiça a ele". O candidato poderia homenagear o companheiro de partido levando-o à televisão, na propaganda eleitoral. Mas o seu esforço para “fazer justiça a ele” não chega a se sobrepor aos dados que constam de pesquisas feitas por encomenda do tucanato. Mostram que FHC, por impopular, não dá voto.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sai mais um PIBizinho miudinho; é de chorar

 

O PIB brasileiro teve um crescimento super-hiper pequenininho no segundo trimestre deste ano da graça de 2006: 0,5%. É o pior desempenho da economia desde o vexame do terceiro trimestre de 2005, quando o PIB recuou 1,2%. Boa para a oposição, ruim para Lula e péssima para os brasileiros, a notícia balançou a cena eleitoral nesta quinta-feira.

 

O IBGE divulgou a notícia para o distinto público horas depois de Lula ter dito o seguinte: “(...) Nenhum [país emergente] tem a conjuntura de fatores positivos que tem a macroeconomia brasileira (...)”.

 

Falando ao Jornal da Globo, Lula disse mais: “Eu tenho pedido para economistas meus amigos analisarem, desde que foi proclamada a República até os dias de hoje, se houve algum momento na história do Brasil que a economia brasileira tenha tantos fatores positivos combinando entre si”.

 

Por ora, a combinação mágica festejada por Lula –carga tributária crescente, câmbio defasado e juros ainda lunares apesar das reduções—vem produzindo o mesmo desempenho pífio que marcou a gestão econômica da era FHC.

 

Antes de deixar a pasta da Fazenda, Antonio Palocci previra que a coisa melhoria em 2006. O PIB repetiria o desempenho de 2004 (4,9%). Ao assumir, Guido Mantega rebaixou a aposta: 4,5%. Agora, fala em 4%. O mercado, por sua vez, projeta crescimento de 3,5%.

 

Como em todo exercício de futurologia, as previsões de Palocci, Mantega e do mercado estão certas, desde que o tempo não as desminta. De concreto, tem-se uma única certeza: está definido que o futuro próximo reserva para o brasileiro notícias terríveis.

 

Para patrícios como os 1.800 demitidos da Volkswagen o futuro chegou mais cedo. O calendário andou mais rápido também para os 2.000 funcionários que as Casas Bahia colocarão no olho da rua. Animado com os mais promissores indicadores econômicos “desde que foi proclamada a República”, o presidente sabe bem do que se trata.

 

Em depoimento a Denise Paraná, levado à página 83 do livro “Lula, um filho do Brasil”, sua Excelência contou: “Em 1975, eu fiquei parado um bom tempo. Era uma situação muito difícil (...). Eu me lembro das andanças que eu fazia (...). Saía às 6 horas da manhã, pegava a pé a via Anchieta e andava. Eu me lembro que eu andava mais de dez quilômetros, andava de fábrica em fábrica (...)”.

 

“Chegava na fábrica, entregava a carteira profissional, o cara olhava a certeira e dizia que não estava precisando, que já preencheu a vaga (...). O cara desempregado, sem dinheiro, sem cigarro, sem poder tomar sua cervejinha é uma situação realmente de muita tristeza para um trabalhador.”

 

Por sorte, o Brasil hoje é outro. Dias atrás, o IBGE revelou que a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país subiu de 10,4% em junho para 10,7% em julho. Mas não há razões para preocupação. O ex-sindicalista Luiz Marinho, hoje ministro do Trabalho, disse que não sabe de onde o instituto governamental retirou os seus números.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Falcatruas no mercado imobiliário

- Folha: Horário eleitoral só muda voto de 6%

- Estadão: Perto da eleição, BC corta 0,5 ponto no juro

- Globo: Bolsa Família: gastos subiram 60% no 1º mês de campanha

- Correio: BC corta juros e faz a alegria de Lula

- Valor: Copom sustenta ritmo de corte e juro cai a 14,25%

leis os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sua excelência o fantoche!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula para chilenos: ‘O Chile é uma merda’

Lula virou notícia no Chile. A edição desta quinta-feira do jornal El Mercurio, o mais influente diário chileno, reproduz trechos do livro “Viagens com o Presidente”, escrito pelos repórteres Eduardo Scolese e Leocencio Nossa.

 

O texto que está sendo consumido hoje no Chile mostra um Lula diferente do presidente que se esconde atrás das regras do cerimonial (leia). Reportando-se a notícia publicada na véspera pela Folha, El Mercurio realça comentários feitos pelo presidente durante um jantar na embaixada brasileira em Tóquio, em maio de 2005. Lula tomara três doses de uísque. Empunhava o quarto copo.

 

Eis os comentários que o jornal chileno destacou, em negrito:

 

·         "O Chile é uma merda. O Chile é uma piada. Eles fazem os acordos lá deles com os americanos. Querem mais é que a gente se foda por aqui. Eles estão cagando para nós";

·         "Tem horas, meus caros, que eu tenho vontade de mandar o [Néstor] Kirchner [presidente da Argentina] para a puta que o pariu";

 

·         "Aquele lá [Jorge Battle, então presidente do Uruguai] não é uruguaio porra nenhuma. Aquele lá foi criado nos Estados Unidos. É filhote dos americanos."

El Mercurio também reproduz diálogo que, de acordo com o livro de Scolese e Nossa, Lula manteve com antecessor Fernando Henrique Cardoso depois de ter recebido dele a faixa presidencial:

 

--"Fernando, como você faz para dar uma escapadinha?"

--"É impossível, Lula...impossível...Aqui tem ajudante-de-ordens para todos os lados".

 

A notícia escalou a primeira página do jornal chileno. Isso ainda acaba em crise diplomática. Madame Bachelet deve estar horrorizada.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula diz que não lhe cabe julgar aliados suspeitos

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Em seu primeiro mandato, Lula formou no Congresso um consórcio político que empurrou a sua gestão para o colo das legendas mensaleiras. A despeito disso, não vai recusar o apoio de políticos suspeitos caso venha a ser reeleito. “Eu tenho alianças com quem quiser me apoiar”, disse o presidente, no início da madrugada desta quinta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo (leia e assista). Disse que tem "orgulho" dos apoios que recebe.  

“Tem muita gente que gostaria que eu tivesse aliança com o PSDB. O PSDB virou o nosso adversário principal”, afirmou. “Possivelmente, tem muita gente que quisesse aliança com o PFL. Não é possível, porque é adversário nosso”. As considerações de Lula foram feitas em resposta a uma pergunta sobre a presença de dois políticos de biografia turva em seu conselho de campanha: os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Ney Suassuna (PMDB-PB). Mencionou-se também o apoio do ex-governador mineiro Newton Cardoso.

 

Investigado por supostos desvios no Banpará, o banco estatal do Pará, Jader chegou a ser preso pela Polícia Federal. Envolveu-se também no escândalo da Sudam. Teve de renunciar ao mandato de senador em 2001. Suassuna é apontado como "sanguessuga". Newtão era chamado de “ladrão” pelo PT mineiro.

 

Apesar do histórico, Lula afirmou: “(...) O conselho político é um conselho de pessoas representadas pelos partidos que me apóiam, e dentro do PMDB tem uma parte que me apóia, que é uma parte que tem a representação do presidente do Senado, Renan Calheiros, do presidente José Sarney e de outra metade do PMDB na Câmara e no Senado. Eu não escolho quem participa das reuniões. E também não veto, porque eu não sou juiz para julgar as pessoas”.

 

Sobre a idoneidade dos aliados, o presidente comentou: “As pessoas estão exercendo o seu mandato, foram eleitas democraticamente pelo povo, e o que você pensa ou o que eu penso das pessoas se torna uma coisa muito subjetiva se as pessoas reconquistaram o direito de ser mandatários de um cargo público (...). Eu tenho as alianças com quem quer me apoiar”.

Questionado sobre o caráter "assistencial" do programa Bolsa Família, uma das principais críticas da oposição, Lula afirmou: “Não adianta eu ficar falando em avanços tecnológicos se eu não garanto dar para as pessoas um pão e um copo de leite de manhã para as crianças".

"Então, quando eu resolvi priorizar a política social – saímos de um gasto de R$ 7 bilhões para R$ 22 bilhões – , é porque eu sei o que é a fome", acrescentou Lula. "Eu sei o que é uma mãe ver cinco ou seis filhos agarrados no rabo da sua saia pedindo um pedaço de pão, e não ter para dar”. O presidente disse que, no segundo mandato vai priorizar a abertura de “portas de saída”, para que s pessoas não precisem mais “do apoio do governo”.

Perguntou-se também ao presidente Lula sobre as 1.800 demissões promovidas pela Volkswagen no ABC paulista, berço do sindicalista Lula. “Eu já fui chorar na porta da Volkswagen quando ela mandou embora, de uma única vez, oito mil trabalhadores. Eu já chorei na porta da Mercedes, quando ela mandou embora seis mil trabalhadores”, recordou Lula. Disse que a degola atual se deve a um projeto equivocado da Volks. E contrapôs o argumento de que, ao longo de sua gestão, criaram-se no setor automobilístico 27 mil novos empregos. Como se isso fosse atenuar o drama dos 1.800 metalúgicos postos no olho da rua.

Logo na primeira pergunta, Lula foi instado a comentar o crescimento econômico brasileiro em comparação com o de outras nações emergentes. Mencionaram-se China, Índia e Venezuela. Lula recusou as comparações. Disse que o Brasil deve ser cotejado consigo mesmo. E emendou, em timbre triunfante: “De todos esses países, pode ter alguns crescendo mais do que o Brasil. Mas nenhum tem a conjuntura de fatores positivos que tem a macroeconomia brasileira (...). Eu tenho pedido para economistas meus amigos analisarem, desde que foi proclamada a República até os dias de hoje, se houve algum momento na história do Brasil que a economia brasileira tenha tantos fatores positivos combinando entre si”.

 

Ao discorrer sobre educação, Lula alfinetou o tucanato. Disse que durante a sua gestão, o Ministério da Educação passou a avaliar a qualidade do ensino público por meio de testes com alunos da 4ª e da 8ª séries, em 41 mil escolas. Um avanço em relação ao governo de Fernando Henrique Cardoso, que submetia a teste apenas os alunos de 6 mil escolas 4ª série. Aproveitou para espicaçar Geraldo Alckmin:

 

"Somente o Estado de São Paulo se recusou a participar do programa, talvez temendo revelar que, embora sendo o Estado mais rico, não liderava o ranking da educação (...). Depois o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio mostrar que São Paulo está na oitava posição no país." O presidente mostrou-se seguro. Saiu-se melhor do que na entrevista que concedera ao Jornal Nacional, cuja pauta centrou-se nos escândalos da era Lula.  

Escrito por Josias de Souza às 00h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Romano vê má-fé em ação de intelectuais pró-Lula

Romano vê má-fé em ação de intelectuais pró-Lula

El Roto/El Pais
 

 

Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp, enxerga uma diferença na tentativa de artistas de justificar desvios éticos na política e no manifesto assinado por 213 intelectuais em apoio à candidatura Lula. Acha que os artistas apenas exercitam a sua “ignorância crassa”. Avalia que o caso dos intelectuais é mais grave. Sabem do estão falando. E agem movidos por “oportunismo e má-fé”. Menciona especificamente Marilena Chauí, de quem foi aluno. “Ela não é jejuna em matéria de filosofia”. Leia abaixo a entrevista:

 

- O que achou da tentativa de artistas de justificar transgressões à ética e do encontro em que Lula recebeu um manifesto de apoio de 213 intelectuais?

Há que distinguir os dois grupos. As manifestações do Paulo Betti –‘Não dá para fazer política sem botar a mão na merda’— e  de Wagner Tiso –‘Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética (...). O PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país”—são toscas. Mostram uma ignorância crassa. Eles vivem no universo do slogan, no mundo das palavras de ordem. Isso é uma herança que vem da prática totalitária, tanto de direita como de esquerda. Tenta-se justificar o injustificável. O custo desse discurso é o estímulo à imbecilidade geral.

- Por que distinguir os intelectuais?

No caso dos intelectuais, não se trata de ignorância. Conheço os personagens, sobretudo a professora Marilena Chauí, que foi minha professora. Ela não é uma jejuna em matéria de filosofia. Conhece a ética de Spinoza melhor do que eu, conhece a ética cartesiana, conhece a ética de São Thomás de Aquino, conhece Aristóteles. Quando uma pessoa tem esse grau de conhecimento se alia a uma coisa dessas, está agindo com oportunismo e pela má-fé. Não tenho outra qualificação.

- Que conseqüências podem advir do gesto dos intelectuais?

Lula e todos esses intelectuais vão desaparecer. Quem vai responder por tudo o que está ocorrendo no Brasil no momento em que os costumes hoje abençoados por eles –o mensalão, a ocultação da verdade, a perseguição à imprensa— quando tudo isso tiver se transformado em costume? É um mau irreparável. O intelectual sabe que um ato pode se transformar em costume. Sabe também que um costume é difícil de ser mudado. Esse intelectual tem a obrigação de verificar as conseqüências dos atos. Não poderão dizer depois que são inocentes. Eles sabem o que estão fazendo. Abençoar desvios éticos, brincar de militante é o mesmo que abdicar da função essencial do intelectual, que é a crítica, a análise, a discussão.

- Um intelectual não pode apoiar o presidente Lula?

Acho perfeitamente lícito que apóie. Mas acho que o apoio só é razoável até o ponto em que o intelectual não se transforme numa espécie de ventríloquo do partido ou do indivíduo a quem ele apóia.

- No caso específico chegou-se a esse ponto?

Sem dúvida. Diria que a reunião dos intelectuais com Lula foi uma espécie de encontro mediúnico. Quem falou foi o Lula, pela boca dos intelectuais. Os presentes racionalizaram o discurso do presidente. Aí eu me lembro de Sartre, para diferenciar o filósofo do ideólogo. O filósofo é aquele que critica, que analisa, que se informa, que coloca matizes, que procura a diferença. O ideólogo é aquele que repete as palavras de ordem. Tem a função de tentar racionalizar o que é irracional. (Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 22h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

‘Intelectuais estão brincando de Maquiavel’

‘Intelectuais estão brincando de Maquiavel’

Continuação da entrevista do professor Roberto Romano:

-Os intelectuais estariam confundindo os papéis?

Esses intelectuais estão brincando de ser Maquiavel. E agem em nome alheio. Há uma atitude muito errada dos intelectuais brasileiros. Eles se colocam muito facilmente na posição de tutores do povo, da opinião pública e da República. É uma arrogância. Julgam-se no direito de definir aquilo que é bom e aquilo que é errado.

-A intelectualidade tucana não tem o mesmo defeito?

Não digo que não tenha. Esse problema não é só dos intelectuais petistas.

-Houve transgressões éticas também sob FHC –fisiologia, Sudam, privatizações feitas ‘no limite da irresponsabilidade’, compra de votos da reeleição... Eticamente, o que diferencia FHC de Lula?

Em primeiro lugar, por mais encantos que tenha o Fernando Henrique, ele não encarna a figura do carismático. Ele teve muitos problemas, inclusive do ponto de vista acadêmico. Recebeu críticas e as devolveu. Segundo, do ponto de vista da investigação dos acontecimentos, o máximo que pode ser dito é que ele teve um engavetador-geral da República, que servia como anteparo das investigações. Mas não houve uma ação coordenada dos tucanos para inocentar o Fernando Henrique.

-Há uma ação coordenada para inocentar Lula?

Quando você pega o José Genoino, o Delúbio Soares, o José Dirceu e o Antonio Palocci é como se eles estivessem pagando com o próprio sangue a sobrevivência do Lula.

-Diria que as perversões éticas da era FHC foram pecadilhos?

Não foram pecadilhos. Mas foram menores. Nunca vi tentativas dos tucanos de enquadrar a imprensa para controlar as investigações. Desde que o Lula tomou posse, todo ano aparece uma iniciativa nova de calar a boca da imprensa e do Ministério Público. É nessa linha que vejo diferenças. Vamos supor que tenha existido uma série de irregularidades e até de crimes no período Fernando Henrique. Mas não houve essa tentativa sistematicamente organizada de impedir a divulgação dos crimes. Do ponto de vista ético isso é muito mais grave.

-Se Alckmin o convidasse para uma reunião de apoio, iria?

Não iria. Nem para o Alckmin nem para a Heloísa Helena nem para o Serra, que é o meu candidato preferido. Era o meu candidato preferido também para a presidência da República. Não participaria de um encontro com esse padrão de apoio.

-O apoio público leva à perda de isenção crítica?

Não é só perda de isenção crítica. O intelectual tem todo o direito de defender e dizer em quem vai votar. Mas reunir-se enquanto corporação e dizer: nós, intelectuais, estamos apoiando é o mesmo que abdicar da autoridade ética e moral para, amanhã, criticar. O presidente da República de ontem era o Fernando Henrique, hoje é o Lula, amanhã pode ser outro. O problema não está no ocupante empírico do cargo, mas na ação que está sendo desenvolvida.    

PS.: Sobre o assunto da entrevista, leia mais aqui.

Escrito por Josias de Souza às 22h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Comitê de Alckmin tenta estancar ‘debandada’

Às voltas com traições de políticos “aliados”, o comitê de Geraldo Alckmin decidiu realizar um esforço emergencial para tenta apagar os “incêndios” regionais que consomem a campanha do candidato tucano. Os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI), coordenadores nacionais de Alckmin, percorrem o Nordeste há três dias. É naquela região que os problemas são mais acentuados.

O objetivo da missão de Guerra e Heráclito é contabilizar os estragos e tentar envolver as lideranças do PSDB e do PFL na campanha presidencial. A inanição do candidato nas pesquisas tem levado os comandos regionais das duas legendas a priorizar as campanhas locais, em detrimento da presidencial.

Em vários Estados, evita-se deliberadamente a associação dos candidatos aos governos e ao Congresso com Alckmin. Em outros tantos, líderes do PSDB e do PFL atuam em campos opostos, alimentando um cipoal de desavenças que termina por excluir Alckmin de todos os palanques.

 

Na segunda-feira, os dois senadores estiveram em Teresina (PI), São Luiz (MA) e Natal (RN). Na terça, passaram por João Pessoa (PB). Nesta quarta, eles percorrem os municípios Salvador (BA), Aracaju (SE) e Maceió (AL). Em vários Estados, Guerra e Heráclito detectaram um quadro de rivalidade incontornável.

 

Concluíram que o único modo de resolver o problema é a escolha de um coordenador local que se dedique exclusivamente à campanha de Alckmin. Estão à procura de nomes. “Em alguns lugares, os problemas, de fato, são irreconciliáveis”, disse Heráclito ao blog. “Mas não podemos deixar a campanha do presidente à mercê dessas desavenças. Precisamos colocar a campanha nacional na rua”.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aviso aos 'navegantes'

Problemas técnicos impediram a veiculação de notícias neste recanto virtual ao longo da tarde desta quarta-feira. As dificuldades ainda não foram inteiramente contornadas. Mas já é possível divulgar despachos esporádicos. O signatário do blog torce pela normalização dos trabalhos. E pede desculpas aos seus 22 leitores.  

Escrito por Josias de Souza às 18h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Noticiário de Lula é mais negativo que o de Alckmin

Levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia oferece mais uma evidência da irrelevância da mídia. Mercê dos escândalos que rondaram a administração petista, os principais jornais brasileiros (Folha, Globo e Estadão entre eles) têm publicado mais notícias negativas do que positivas no acompanhamento que realizam da campanha releitoral de Lula (clica).

 

Dá-se um movimento inverso em relação a Geraldo Alckmin. Exceto na semana de 18 a 25 de agosto, os textos de teor positivo prevaleceram sobre os negativos no noticiário sobre o presidenciável tucano. Na única semana em que foi aos jornais em situação desconfortável, Alckmin amargou um movimento de deserções de aliados no Nordeste.

 

As notícias, portanto, remam na contramaré das pesquisas. "Desde 21 de julho, a cobertura do Lula candidato tem sido sempre mais negativa do que positiva", diz Alexandre Nascimento, pesquisador do Observatório Brasileiro de Mídia. "Na cobertura do Alckmin, a mudança se deu na última semana, quando saiu pesquisa com avaliação muito positiva do governo Lula e aumentou a possibilidade de reeleição no primeiro turno" (leia).

Escrito por Josias de Souza às 16h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

'Ninguém é ligeiramente virgem'

  Edvard Munch
Nesses tempos de intenso debate acerca de moral e ética, políticos e partidos admitem perder tudo, menos a honestidade. Ainda não a encontraram. Mas continuam procurando. Até lá, segue o alarido suscitado pelo ator Paulo Betti, precursor da mais nova linha de pensamento político-filosófico: o neo-amoralismo. A discussão, por altiva, desceu à região genital. Eis o que nos conta a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha):

Na pré-estréia do filme "O Maior Amor do Mundo", de Cacá Diegues, na noite de anteontem, em SP, um dos assuntos era a polêmica frase do ator Paulo Betti, segundo o qual "não dá para fazer política sem botar a mão na merda".

 

"Espero que ele tenha feito uma crítica e que não acredite nisso", dizia José Wilker, protagonista do filme. "Não posso admitir que precisem se enlamear para fazer política. Teoricamente, eles [políticos] me representam. Não posso aceitar ser um cidadão enlameado." Sobre a afirmação do cineasta Luiz Carlos Barreto, para quem o mensalão é do "jogo político, não é roubo", o ator afirma: "Crime é crime. Ninguém é ligeiramente virgem".
 
 

Cacá pouco dizia: "Bota aí que não quero polemizar, por favor! Não ouvi o que o Betti disse, não sei o contexto". O ator John Herbert, "da esquerda liberal", diz "não discordar" de Betti. "No Brasil, malandragem é cultural. Todos são desculpados, são imunes e impunes. Não vou votar [para presidente]. Tenho 77 anos e a lei me permite isso. Graças a Deus."

Escrito por Josias de Souza às 08h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Horas brutais

- Folha: Lula mantém vitória no primeiro turno

- Estadão: Programa do 2º mandato de Lula não prevê corte de gasto

- Globo: Lula e Alckmin esquentam debate sobre a corrupção

- Correio: Mais três na mira da CPI dos Sanguessugas

- Valor: CVM mantém juízo a favor de minoritários da Arcelor

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Estrela cadente!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin, enfim, chama Lula para a briga na TV

Alea Jacta Est! A sorte está lançada. A propaganda televisiva de Geraldo Alckmin atravessou, finalmente, o Rubicão. Mencionou clara e explicitamente os principais escândalos da era Lula. Pôs “todos os talheres na mesa”, como pedira o prefeito César Maia (PFL), do Rio. Chamou Lula para a briga.

 

Deu-se no rastro da divulgação do novo Datafolha, no Jornal Nacional (leia e assista). Desde a última sondagem, feita há uma semana, Alckmin subiu tímidos dois pontos –de 25% para 27%. Mas não pôde nem abrir o champanhe.

 

Lula também oscilou para cima –de 49% para 50%. E Heloisa Helena, para baixo –de 11% para 10%. São variações na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. De resto, considerando-se o ponto para cima de Lula e o ponto para baixo de HH, os dois pontos acrescidos ao cesto de Alckmin não serviram para coisa nenhuma. Ficou tudo no mesmo ponto. Para Lula, o ponto de exclamação. Para Alckmin, o ponto de interrogação. Quiçá o ponto final.

 

Iniciado na seqüência do “boa noite” de Fátima Bernardes e Willian Bonner, o programa eleitoral veio repleto de novidades. Conforme fora noticiado aqui no blog, o PSDB serviu ao telespectador, pela primeira vez, chuchu com pimenta. Um Alckmin de aparência mais vivaz reclamou da carga de impostos.

 

"O governo nunca pegou tanto dinheiro dos brasileiros", disse o candidato do PSDB, que chamou Lula de "o presidente do imposto cada vez mais alto". Apresentou-se como um gestor público capaz de manejar o dinheiro público de modo mais eficiente do que Lula.

 

Reservou-se a pancadaria para o finalzinho do programa. Os golpes vieram na voz de um locutor, não na de Alckmin. O narrador percorreu toda a via de escândalos: Waldomiro Diniz, a quadrilha do mensalão, os dólares na cueca, os sanguessugas... Disse que muitas negociações foram feitas na sala ao lado da do presidente, que nada sabe, nada viu. Gastou-se mais com os desvios, disse o locutor de Alckmin, do que com o Bolsa Família.

 

O programa ficou a cara do Antonio Carlos Magalhães. Entre todos os mandachuvas da pefelândia, o morubixaba baiano era o que demonstrava maior impaciência com a programação “água-com-açúcar” que Alckmin vinha levando ao ar. Nesta terça-feira, ACM chegou mesmo a protagonizar, diante dos olhos da imprensa, um arranca-rabo com Tasso Jereissati.

 

Os marqueteiros de Lula não se deram por achados. Era como se tivessem recebido alguma informação de cocheira acerca dos planos da equipe adversária. Colada ao programa de Alckmin, a propaganda de Lula foi inaugurada nesta terça com a voz de um narrador: "Começa agora o programa do candidato que não agride e não calunia".

 

A menos que Alckmin reaja nas próximas pesquisas, será sempre assim: ataques de um lado, propaganda governamental do outro. Ninguém vai ao Rubicão para beber água. Alckmin tomou um caminho sem volta. Tende a mover-se nas sondagens eleitorais. Resta saber se o movimento será ascendente ou descendente.

Escrito por Josias de Souza às 23h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula decide deixar Alckmin esbravejando sozinho

“Começou a apelação”, disse Lula a um auxiliar depois de assistir ao programa eleitoral levado ao ar pelo seu adversário nesta terça-feira. A opção do tucanato pela agressividade já era esperada pelo presidente. O que fazer? Aconselhado por sua equipe de marketing, Lula vai ignorar Geraldo Alckmin na TV.

As respostas às “provocações” de tucanos e pefelistas serão dadas em entrevistas e discursos feitos longe do vídeo. Lula e o alto comando petista tratarão a estratégia do comitê de Alckmin como “gesto desesperado” de um candidato “a caminho da derrota”. Os advogados do partido analisarão nesta quarta-feira, de resto, a hipótese de recorrer à Justiça Eleitoral para barrar os ataques e exigir direito de resposta.

 

Na propaganda televisiva, até segunda ordem, seguem os comerciais sobre os “feitos” da gestão Lula e os planos do presidente para o futuro. Entende-se que, seguindo essa linha, as peças funcionam como “um complexo multivitamínico” de aspectos positivos do governo, para imunizar Lula contra os ataques. A expressão de teor medicinal foi mencionada ao blog na noite desta terça-feira por um dos mais influentes conselheiros da campanha de Lula.

 

O presidente analisou com sua assessoria a nova linha da campanha de Alckmin. Concluiu-se que a opção pela pancadaria, em vez de alavancar os índices do tucano nas pesquisas, tende a puxá-lo para baixo. Lula ouviu dos especialistas em pesquisas que estão a seu serviço a seguinte análise:

 

Alckmin já não é o candidato desconhecido do início da campanha. Sua taxa de conhecimento roçaria hoje a casa dos 70%. Ocorre que a maioria do eleitorado o conhece de modo superficial. Lula, em contrapartida, é conhecido por praticamente 100% dos brasileiros. E seu governo é bem avaliado por cerca de 50% da população. Assim, nas palavras de um dos especialistas ouvidos por Lula, o eleitor tenderia a perguntar: “Quem é esse cara (Alckmin) para atacar o presidente?”

 

Na opinião da equipe de Lula, Alckmin começou a bater no pior momento de sua campanha. E arrisca-se a beijar a lona. De fato, a marquetagem do tucanato tencionava abrir a sua caixa de ferramentas apenas no início de setembro. Supunha que, até lá, Alckmin teria adquirido musculatura nas pesquisas. Os pés de chumbo do candidato, o crescimento de Lula e a pressão dos aliados, sobretudo do PFL, levaram à antecipação dos tiros.

 

Nos próximos dias, o comitê de Lula vai monitorar os efeitos dos golpes desferidos pela propaganda de Alckmin. O trabalho é meticuloso e profissional. A reação dos eleitores será aferida por meio de pesquisas quantitativas, iguais às sondagens que os institutos divulgam semanalmente, e qualitativas.

 

Nas pesquisas qualitativas –ou “qualis”, no jargão do marketing—grupos de eleitores são reunidos em salas equipadas com um vidro semelhante àquele que a polícia instala nos ambientes destinados ao reconhecimento de criminosos.

 

Assim como as vítimas identificam os bandidos sem ser vistas por eles, também os marqueteiros observam os eleitores através do vidro sem ser notados. Registram comportamentos, anotam reações. Depois, tiram as suas conclusões. O time de Alckmin dispõe dos mesmos recursos. O ritmo da campanha será, agora mais do que nunca, ditado pela sintonia fina das pesquisas.

Escrito por Josias de Souza às 23h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT teme que Alckmin tente fabricar um ‘fato novo’

Em meio à reiteração do favoritismo de Lula nas pesquisas, uma expressão passou a ser repetida nos comitês do PT e do PSDB. As duas trincheiras compartilham uma mesma percepção: só um “fato novo” pode levar à alteração da cena eleitoral.

 

O comitê de Alckmin busca freneticamente o “fato novo”. O time de Lula diz que o “fato novo” não existe. Mas receia que, no desespero, o tucanato invente um. O principal temor de Lula e de seus auxiliares é o de que os adversários retirem da cartola um coelho chamado PCC.

 

Disseminou-se entre os petistas a sensação de que o adversário esforça-se para associar Lula e seu partido à facção criminosa que promoveu três ondas de ataques em São Paulo. Informado acerca de uma investigação aberta pela Polícia Civil de São Paulo, o PT paulista está especialmente atento à movimentação do secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro.

 

Em diálogos com Lula, os auxiliares de marketing da campanha da reeleição avaliaram que não são negligenciáveis as chances de que, no desespero, o tucanato tente “fabricar” um “fato novo”. O risco aumenta, acham os marqueteiros do PT, à medida que se solidifica a percepção de que as denúncias antigas –Waldomiro Diniz, mensalão e dólar na cueca, por exemplo—não grudaram na imagem de Lula. Avalia-se, porém, que a novidade, por inconsistente, acabaria se voltando contra os acusadores.

 

Antecipando-se a eventuais manobras do tucanato, o petismo já esboçou a tática da reação. Qualquer tentativa de associação do partido com o PCC será refutada por meio de ações judiciais. Como já foi feito, aliás, com José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo. No front político, a iniciativa será tratada como mero produto do “desespero de um perdedor”.

Escrito por Josias de Souza às 19h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Programa de Lula evita compromissos numéricos

  Ichiro Guerra
Como previsto, Lula e o PT divulgaram nesta terça-feira o programa de governo para um segundo mandato que as pesquisas prenunciam como cada vez mais provável. O texto peca pela generalidade. Esquiva-se de compromissos vinculados a metas numéricas. Acena em direção ao
"desenvolvimento com distribuição de renda e educação".

Pressionando aqui, você tem acesso a um resumo preparado pela agência Reuters. Clicando aqui, você vai à página do PT. Ali, encontrará um texto de apresentação, com links para a íntegra do documento. Na opinião de Geraldo Alckmin, seu adversário continua sem programa.

Programa por pragrama, Alckmin também não divulgou o seu. Diferentemente de Lula, o tucano preferiu soltar a sua proposta em fatias, não de uma única vez. Seja como for, programas de governo não costumam ser levados em conta pela maioria dos eleitores na hora de definir o voto. Numa fase em que todas as propostas são assemelhadas -a favor do crescimento econômico, do emprego e da educação; contra o câncer o chope quente e a sopa fria- elege-se normalmente a melhor encenação, não o melhor programa.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

FHC: ‘Não sou igual a ele, não sou igual a ele...’

  Folha Imagem
Deliberadamente escondido por seu partido na propaganda eleitoral televisiva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu as caras nesta terça-feira num evento de campanha. Participou de um almoço para coleta de fundos com empresários. Serviu aos presentes um discurso que apimentou o repasto. Disse tudo aquilo que, a seu juízo, o candidato de seu partido não tem vocalizado convenientemente.

 

Na presença de Alckmin, como a ensiná-lo, FHC vociferou contra os escândalos da era Lula. Refutou o raciocínio difundido pelo presidente de que a perversão deriva das falhas do sistema político. A moral, disse ele, “é individual”.

 

"Me dói ver agora o próprio presidente da República dizer: 'não, todos são iguais'. Iguais não. Eu não sou igual a ele! Eu não sou igual a ele! Eu não sou igual a ele!", enfatizou, arrancando aplausos dos comensais reunidos no Jockey Club de São Paulo.

 

Com uma ponta de inveja pelo passado de Lula, FHC declarou: "Eu o acompanhei nas greves quando havia ditadura. Eu queria ter sido igual a ele naquele tempo. Mas ele mudou. Ele hoje prega e faz tudo que combateu. E quando há um desvio, quando há alguma coisa equivocada, ele passa a mão na cabeça e diz: 'o companheiro errou'. O companheiro errou, não. O senhor errou porque não puniu o companheiro". A platéia, de novo, aplaudiu.

FHC disse que Alckmin será eleito para mostrar à opinião nacional que, “sem decência”, não se pode governar o país. É pena que, em privado, o ex-presidente venha desdenhando da capacidade do presidenciável tucano de prevalecer sobre o adversário. O ministro Tarso Genro, a propósito, atribuiu o destempero de FHC ao "desespero".

Escrito por Josias de Souza às 17h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tasso e ACM sobem à tribuna para esculachar Lula

Num dia em que novas pesquisas renovam o favoritismo de Lula, dois pesos pesados da aliança formada em torno de Geraldo Alckmin subiram à tribuna do Senado para achincalhar o presidente e seu governo. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) dirigiram a Lula as críticas mais incisivas que jamais haviam ousado fazer.

 

ACM foi mais enfático: chamou o presidente de “indigno”, “mentiroso” e “ladrão”. De quebra, insinuou que ele é alcoólatra. "Antes de falar, ele sempre utiliza álcool. Disse também que o lugar de Lula “é na cadeia”. Tasso, embora mais polido, não foi menos indelicado. O presidente do PSDB afirmou que Lula está incutindo na cabeça dos brasileiros mais pobres e humildes três “nefastos” tipos de cultura:

 

1) a "cultura do não-trabalho", difundida por meio da distribuição de dinheiro das bolsas assistenciais e da falsa ilusão de crédito fácil do empréstimo consignado; 2) a cultura da corrupção, reforçada pelo “falso argumento” de que todos os políticos, todos partidos e todos os governos roubam; 3) a cultura da mentira. “O presidente vai à televisão e mente. Depois, se desmente. No dia seguinte, mente de novo, e se desmente...”

 

O morubixaba pefelista desfiou da tribuna acusações que vem fazendo há meses. Só que, dessa vez, ACM foi à jugular. Disse falava em “nome da Bahia”. E, ignorando os índices das pesquisas, que indicam uma preferência por Lula de mais de 60% dos baianos, disparou: “O povo da Bahia não gosta de ladroeira (...). Mas eles [Lula e o PT] estão limpando os cofres. Eles são catedráticos em arrombamentos. Não há governo que tenha roubado tanto na história do país”.

 

Tasso, a pretexto de relatar contatos que teve com a população sertaneja do interior do Ceará, disse que Lula está revivendo no Nordeste uma prática de 30 anos atrás. A exemplo do que faziam os coronéis políticos de antigamente, disse ele, o presidente está distribuindo dinheiro em troca de votos.

 

Segundo Tasso, Lula “dobrou” o número de benefícios do Bolsa Família entre junho e julho. E “mais do que dobrou” a concessão de créditos pelo Pronaf. Um crédito, segundo disse, concedido a “juros negativos”. “O sujeito é cadastrado pelos sindicatos locais e recebe R$ 1.000, para pagar, depois de dois anos, R$ 700.” O dinheiro, que deveria ser aplicado em pequenas propriedades rurais, estaria “indo para o consumo”.

 

“É exatamente o que faziam os coronéis no passado”, disse Tasso. “É o renascimento da indústria da seca, com a distribuição de dinheiro em época eleitoral. Lembro de um coronel que, na minha terra, dizia que esperava que Deus lhe concedesse a graça de uma seca antes da eleição, para que ele pudesse distribuir dinheiro e assegurar a vitória. A mesma coisa está sendo feita agora.”

 

Lula apanhou indefeso. Não se ouviu uma única voz petista em sua defesa. Nesse momento, encontra-se na tribuna o senador César Borges (PFL-BA), do grupo de ACM. Segue na mesma toada de achincalhamento. Diz que Lula distribui dinheiro para “comprar consciências”. Por ora, Lula segue desamparado.

Escrito por Josias de Souza às 17h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin, finalmente, voa; tirou os pés da realidade

Todo mundo tem um quê de louco. A loucura particular de cada um aflora quando alguém pisa no calo certo. No caso de Geraldo Alckmin, o calo são as pesquisas de opinião. A cada nova sondagem, o presidenciável põe-se a declarar coisas estranhas. Soa cada vez mais esquisito.

 

Semana passada, diante de um Datafolha amargo, delirou: Agora, é  para cima e para o alto”. Noite passada, no Jornal da Globo, tresvariou: “Nós estamos crescendo, todas as pesquisas indicam. Vai ter segundo turno, não tenho a menor dúvida (...). E no segundo turno nós vamos ganhar a eleição”.

 

Vá lá que candidatos precisem simular otimismo. Mas Alckmin sabia que o instituto Sensus divulgaria, nesta terça, outra pesquisa. Não deu outra: Lula, em alta, bateu nos 51,4%. Amealharia agora mais votos do que colecionou em 2002. Considerando-se apenas os votos válidos (excluindo-se brancos e nulos), ele teria hoje 62,3%; na eleição passada obteve 61,3%. Alckmin, empacado, cravou 19,6%. É menos do que os 20,8% registrados por José Serra na eleição presidencial passada.

 

Diante de quadro tão adverso, Alckmin roça a última fronteira da sanidade. É até compreensível que um tucano sem asas conviva com surtos momentâneos de demência. Porém, o que ele precisa no momento é tirar os pés do chão, não da realidade.

 

Levando-se em conta que o Jornal Nacional divulga logo mais os dados de outro levantamento do Datafolha, o tucanato deveria tirar o seu candidato de circulação por algumas horas. É muita contrariedade para um dia só. Não há chuchu, por mais serenamente insosso, que agüente.

Escrito por Josias de Souza às 15h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Descoberta, afinal, a utilidade dos intelectuais

Descobriu-se, finalmente, para que servem os intelectuais: eles são as lavadeiras da República, os faxineiros da realpolitik. Dedicam-se a limpar a biografia de governantes que, no dizer casual-escatológico de Paulo Betti, viram-se forçados a “botar a mão na merda”.

 

No encontro que manteve com a intelectualidade simpática ao petismo, Lula disse que fez “o jogo real da política”. Deu a entender que não teve alternativas: "Política a gente faz com quem a gente tem, não com quem a gente a gente quer".

 

Revelou-se um adepto da linha Wagner Tiso. “O PT fez o que tinha que fazer para governar”, regera o maestro na semana passada. Lula seguiu os movimentos da batuta: "Esse é o jogo real da política e precisou ser feito por quatro anos para que nós pudéssemos chegar hoje numa situação altamente confortável do ponto de vista econômico, político e social".

 

O fato é que, a despeito do cocô, das más companhias e do jogo bruto, os intelectuais limparam toda réstia de nódoa que ainda pudesse haver no prontuário da era Lula. Lavaram, engomaram e passaram a ferro os escândalos. De quebra, emitiram um certifiado de garantia à ética petista válido por pelo menos mais quatro anos. Em manifesto no qual se penduraram 213 assinaturas, a intelectualidade reclama apoio a Lula.

 

O texto faz menção a "recentes escândalos”. Faz uma concessão às “perplexidades" que despertaram. Mas dribla-se o mal-estar com elogios à PF e à CGU. De resto, apela-se ao povo ignaro: "As próximas eleições, que não se reduzem ao nível federal, poderão, através do voto, afastar políticos corruptos, tarefa difícil, porém indispensável", diz o texto.

Lula, evidentemente, não tem nada a ver com coisa nenhuma. Antes, nem tomara conhecimento do mensalão. Agora, suspeita até que se tratava de uma lenda. É uma petulância imaginar que o presidente poderia ter sido ao menos omisso. Para a protopetista Marilena Chuaí, críticas a Lula soam a "preconceito de classe". O PT, diz ela, "sabe o que ética na política. Por isso pode enfrentar de cabeça erguida as acusações de corrupção".

Mudam os faxineiros, mas o sabão é sempre o mesmo. Nos dias que correm, recorre-se à beira do tanque metafórico da intelectualidade ao mesmo tipo de sabão usado há bem pouco, por exemplo, por José Arthur Giannotti. Também ele justificou, sob espuma retórica, as incursões do amigo FHC pelo universo da amoralidade.

Escrito por Josias de Souza às 08h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Bombas do PCC armam crime no Rio

- Folha: BNDES adia empréstimo à Volks

- Estadão: Mais de 1/3 dos paulistas já foi vítima de assalto

- Globo: Sanguessugas fazem Senado abrir processos de cassação

- Correio: Planalto pressiona BC a baixar juros

- Valor: Ações judiciais ameaçam o novo leilão de energia

Leis os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bichado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Serra imita Lula e foge do debate aberto e franco

Em posição análoga à de Lula nas pesquisas, o tucano José Serra, favorito na disputa pelo governo de São Paulo, presta à democracia o mesmo desserviço que o PSDB impingiu ao presidente: foge do debate como o vampiro corre da estaca.

 

Ausente do confronto promovido na noite desta segunda-feira pela TV Bandeirantes, Serra, assim como Lula, foi espinafrado por toda a concorrência. Geraldo Alckmin apanhou por tabela. A política do governo de São Paulo, até bem pouco chefiado pelo presidenciável tucano, para as áreas de segurança pública e educação foi duramente criticada.

 

Como não pôs os pés no ringue, o tucanato foi à lona sem levantar os punhos. E o eleitor foi, mais uma vez, privado do estabelecimento do contraditório.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin promete reduzir até o Imposto de Renda

O presidenciável tucano Geraldo Alckmin vem prometendo desde o início da campanha que, se eleito, reduzirá a carga tributária. Imagina-se que desejava facilitar a vida das empresas. No início da madrugada desta terça-feira Alckmin aditou ao compromisso um quindim direcionado à classe média: incluiu no rol de tributos que tenciona podar até mesmo o Imposto de Renda. Leia aqui. E assista aqui.

 

Deu-se na entrevista que Alckmin concedeu ao Jornal da Globo. Diferentemente da pedreira do Jornal Nacional, esse segundo compromisso foi adocicado com perguntas voltadas a esmiuçar os planos de governo. Algo mais aprazível do que as explicações que teve que dar sobre, por exemplo, as irregularidades cometidas na Nossa Caixa e o engavetamento de 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo.

 

Duas intenções restaram nítidas no passeio em que se transformou a entrevista: 1) Alckmin foi aos estúdios da Globo decidido a fixar-se como o oposto de Lula; 2) confrontado com dados negativos do governo tucano de FHC, esquivou-se de defender o companheiro de partido. Foram duas as oportunidades. Preferiu desfiar números da sua administração em São Paulo.

 

Willian Waack disse a Alckmin que o tucanato vem repetindo que Lula copiou a política econômica de FHC. E pespegou: “Afinal, a política é boa ou ruim?”. E Alckmin: “A política é ruim”. Condenou o aumento de impostos, os juros lunares e o câmbio desvalorizado. Bateu em Lula e, de cambulhada, em FHC.

 

Waack disse que, embora o entrevistado prometa reduzir impostos, o PSDB elevou a carga tributária de 29,5% para 35,5% quando ocupou, sob FHC, a presidência da República. Alckmin limitou-se a reafirmar que vai reduzir “todos os impostos”, inclusive o IR. E disse que, em São Paulo, baixou o ICMs do álcool de 25% para 12%, zerou os impostos das micro-empresas, etc e tal. Espinafrou Lula: “A carga tributária hoje é de quase 40% e dizem que não tem dinheiro para investimentos”. E, de novo, não pronunciou uma mísera palavra em defesa de FHC.

 

Curiosamente, na hora de discorrer sobre o Bolsa Família, mola propulsora de Lula nas pesquisas, Alckmin referiu-se à apropriação que o adversário fez de coisas que são “nossas”. Referiu-se aos programas sociais que, criados sob FHC, foram unificados por Lula: Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Não fez elogios a FHC, mas, assim como Lula, apropriou-se dos programas sociais dele.

 

Instado a falar sobre reforma política, Alckmin esmerou-se em desqualificar o discurso de Lula, que atribui os escândalos que turvaram o seu governo a falhas do sistema partidário. O tucano defendeu mudanças, mas disse que “corrupção não se combate com reforma política. Corrupção se combate com cadeia.” Desmereceu também a idéia da Constituinte exclusiva: “Veja que absurda essa proposta do candidato Lula: você pára o Brasil para fazer uma outra Constituição”.

 

Questionado sobre a crise da segurança pública em São Paulo, Alckmin voltou a retirar do embornal o seu rosário de números: prendeu bandidos, construiu presídios, blá, blá e blá. Em seguida, acusou Lula de omisso e chegou muito próximo de acusar o PT de envolvimento com o PCC.

 

“O problema da segurança está hoje em todo país. Se é um problema do Brasil inteiro, é um problema do presidente da República, que não pode se omitir (...)”, alfinetou. Quanto ao PCC, disse: “Eles querem interferir no processo eleitoral (...). Sabem que comigo (na presidência) não vai ter omissão, nós vamos agir duro contra o crime organizado”. Ou seja, deixou no ar duas insinuações: 1) ao virar São Paulo de ponta-cabeça, o PCC quer prejudicá-lo, beneficiando Lula e o PT; 2) no exercício da presidência, Lula deu refresco à criminalidade.

 

Começou, como se vê, o jogo de chicotinho-queimado, aquela brincadeira infantil em que uma criança tenta alcançar a outra batendo com um lenço enrolado, em forma de chicote.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Programa de Lula lista prioridades em seis áreas

·         Desenvolvimento

·         Inclusão social

·         Educação

·         Presença soberana no mundo

·         Segurança Pública

·         Democracia

 

Lula divulga ao meio-dia desta terça-feira o seu programa de governo. Os seis tópicos constituem os pilares do texto. O candidato realçará três. O nome do segundo mandato, repetirá, é desenvolvimento, com inclusão e educação.

 

Não há nas cerca de 30 páginas do programa nenhuma meta numérica. Evitou-se deliberadamente pendurar na peça algarismos e percentuais que possam vir a se transformar em constrangimentos futuros, como a promessa de criar 10 milhões de empregos, feita em 2002.

 

A idéia que perpassa o documento é a de uma obra em movimento. “Conquistas” do primeiro período são apresentadas como alicerce para o segundo, durante o qual o país daria "um salto de qualidade”.

 

No item “Desenvolvimento”, o programa projeta taxas de crescimento mais vigorosas do que as que verificadas nas “últimas décadas”. Sem comprometer o equilíbrio macroeconômico do país. Acena com o financiamento público a investimentos em infra-estrutura (energia, transportes e telecomunicações).

 

No “Inclusão social”, o documento realça o processo de “distribuição de renda” já deflagrado. Cita aferições da pesquisa PNAD, do IBGE. Embora celebre o êxito do Bolsa Família, o documento realça outros fatores que teriam levado à melhoria do quadro social –recuperação do salário mínimo, redução dos preços da cesta básica e aumento do emprego formal, por exemplo.

 

O documento anota que os programas de transferência de renda serão mantidos, mas devem ser associados a políticas públicas que conduzam a um mercado de consumo de massa. Fala em estimular o cooperativismo, a capacitação de trabalhadores para gerir pequenos negócios e a expansão do crédito popular.

 

No capítulo “Educação”, mencionam-se o Fundeb, o Prouni e o incremento da pesquisa científica e tecnológica. A reforma política encontra-se enganchada no tópico “Democracia”. Mencionam-se três objetivos: financiamento público de campanhas, fidelidade partidária e a votação pelo sistema de listas.

Escrito por Josias de Souza às 23h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em queda, 'aliado' de Alckmin vai a Lula

  Antônio Cruz/ABr
Três dias depois de ter amargado a notícia de que despencou nas pesquisas, o governador tucano Lúcio Alcântara (Ceará) foi a Lula. O pretexto foi a discussão de temas institucionais ligados à liberação de verbas para o complexo portuário de Pecém.

 

Além de verbas –R$ 500 milhões em convênios—, o encontro rendeu para Alcântara uma foto ao lado de Lula e o reforço da linha esgrimida pelo marketing de sua campanha. O tucano quer porque quer convencer o eleitor cearense de que, reelegendo-o, estará mantendo no governo do Ceará um administrador tão próximo da Brasília petista como seria seu adversário Cid Gomes (PSB), o predileto de Lula na briga pelo governo do Ceará.

 

Os jornalistas perguntaram a Alcântara se considera Lula um bom puxador de votos. E ele: “Basta ver as pesquisas”. Ele disse ter injetado imagens de Lula na sua propaganda eleitoral televisiva para desmontar a pregação do adversário. Disse que Cid Gomes “pretende monopolizar a figura do presidente”.

 

Alcântara disse não ter sido admoestado pela direção do PSDB. Não se considera um quinta-coluna. “Não sou traidor de maneira nenhuma, se houver algum traidor, certamente não sou eu”, disse, em clara referência à tentativa de Tasso Jereissati, presidente do PSDB, de fazê-lo desistir da candidatura ao governo estadual, abrindo caminho para um acordo branco do tucanato cearense com Cid Gomes, irmão de seu amigo fraterno Ciro Gomes.

 

Questionado sobre os efeitos do seu esforço para vincular-se a Lula na campanha de Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido, Alcântara deu de ombros: “Não vejo assim. Sou do PSDB, apóio Geraldo Alckmin, que tem sido muito bem recebido e bem tratado por mim no Ceará”. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 17h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma gentileza que rende votos

O Ministério da Previdência fará neste ano uma gentileza inédita: vai antecipar para setembro, mês que antecede a eleição presidencial, o pagamento de parte do 13º salário de 20,8 milhões dos 24,2 milhões de brasileiros aposentados. Na maior parte dos casos, o adiantamento será de 50%. Além de rechear os bolsos dos aposentados, o gesto da Previdência tende a adensar as urnas de Lula, já tão abonadas.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois dos artistas, Lula encontra os intelectuais

Difícil definir um intelectual. Alguns dizem que é aquele que pensa. Ora, todos pensam. Outros dizem que é o sujeito que tem idéias inovadoras. Bem, o pessoal do PCC também partiu de uma nova idéia –a subversão da ordem urbana pelo terror—para virar São Paulo de ponta-cabeça. Por último, afirma-se que intelectual é aquele que lê muito. Ler, de fato, é bom. Mas, em muitos casos, substitui o pensamento. Erudição facilita na hora de fazer citações, mas não se confunde com o exercício do intelecto.

Seja como for, Lula prepara-se para beber, daqui a pouco, da vasta fonte que nasce da cabeça da intelectualidade petista. Uma semana depois de avistar-se com cerca de 80 artistas no Rio, o presidente se encontra, às 18h, num hotel de São Paulo, com 50 intelectuais. Lá estarão, entre outros, Ariano Suassuna, Fernando Moraes, Marilena Chauí, Frei Beto e Luiz Felipe de Alencastro.

A história brasileira recente mostra que a proximidade dos formuladores do pensamento nacional com o poder é perigosa, muito perigosa, perigosíssima. FHC não foi senão a intelectualidade no poder. Sem intermediários. E deu no que deu. Aferrado à ética da responsabilidade de que falava Max Weber, FHC evoluiu muito. Depois de negar a existência Dele em entrevista a Boris Casoy, acabou aceitando Deus. Aceitou também o PFL, o PMDB e outras cositas.

Resta torcer para que os intelectuais petistas não repitam certos artistas que, depois de encontrar Lula, lançaram uma nova linha de pensamento: o neo-amoralismo.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin teoriza sobre o improvável

  Apu Gomes/F.Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin caminhou nesta segunda-feira pelas ruas do centro comercial de Mogi das Cruzes (SP). Discursou numa pequena praça. Previu uma situação “dificílima” para Lula no segundo turno. "Quando você simula o segundo turno, a situação do candidato Lula fica dificílima. Por isso, o desespero dele de não querer segundo turno, porque no segundo turno perde a eleição."

 

O problema para Alckmin é que Lula parece não ser o único brasileiro que não deseja o segundo turno. A julgar pelas últimas pesquisas –Datafolha e Ibope— 49% do eleitorado deseja liquidar a pendenga no round inicial. À medida que vai se aproximando o dia da eleição, as chances de reversão do quadro são menores.

 

Note-se, por exemplo, o que diz o prefeito carioca César Maia eu seu ex-blog: “A cada dia, o número de jogadas disponíveis para os candidatos que estão mais atrás é menor”. Insiste na tese da pancadaria: “A campanha de Alckmin, ao não colocar em cima da mesa –com todos os talheres— o mensalão e a corrupção do governo Lula, ajuda a transferir ao Congresso a responsabilidade, fazendo, ingenuamente, o jogo eleitoral de Lula”.

 

Maia levanta um segundo tormento para Alckmin: a “estabilização” de Heloisa Helena nas pesquisas, em percentuais que variam entre 9% e 11%. “É a pior notícia que a candidatura de Alckmin poderia receber”. No dizer do prefeito, “o segundo turno –para dormir tranqüilo— precisa de HH com 15%”.

 

Na caminhada de Mogi, após criticar Lula, Alckmin deu a entender que ainda resiste em levar à mesa “todos os talheres”. Repetiu: "Eu sou paz, amor e trabalho". Sua equipe, porém, já está pintada para a guerra.

Escrito por Josias de Souza às 15h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na política, todas as diferenças se igualam

“É diferente!” Sob esse lema, Luciano Bivar, o presidenciável do PSL apresenta-se ao eleitor como timoneiro de uma nau novidadeira. O mandachuva do PSL dispõe-se a renovar o país. O candidato do partido de Bivar ao governo de Goiás, Osvaldo Pereira, é menos ambicioso. A restauração de sua conta bancária já o deixaria realizado.

Pereira foi pilhado em reportagem do Fantástico. Tentou vender o tempo do PSL goiano na propaganda eleitoral televisiva. Pediu R$ 1,3 milhão, parte em dólares, parte em reais. O repórter que se passou por “comprador” regateou. E ele ofereceu um desconto de R$ 50 mil. A coisa é chocante. Se você não viu, clique aqui para assistir. É imperdível.

O PSL abriu um procedimento para apurar as estripulias de seu filiado. A dúvida que remanesce é: quantos Osvaldos há que, escondidos atrás de legendas de aluguel, mercadejam tempo de televisão país afora?

Escrito por Josias de Souza às 14h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Poder é dinheiro

Além de desorientar a cabeça do tucanato, as pesquisas de opinião têm orientado os financiadores da canmpanha presidencial. Dono de um faro aguçado, o dinheiro sabe para quem abanar o rabo. Na hora própria, saberá também a quem morder. Veja o que conta a coluna de Mônica Bergamo (assinantes da Folha) sobre as conta$:

QUINZE- A campanha de Lula arrecadou oficialmente, do começo de agosto até agora, cerca de R$ 15 milhões.

DEZ- A campanha de Geraldo Alckmin arrecadou oficialmente, no mesmo período, cerca de R$ 10 milhões.

MEIO- Os dados definitivos da arrecadação das duas campanhas em agosto serão divulgados no próximo dia 6 de setembro. Em julho, cujos dados foram divulgados em 6 de agosto, Lula tinha arrecadado oficialmente cerca de R$ 9 milhões. Gastou oficialmente R$ 7 milhões e ficou com saldo de R$ 2 milhões. Alckmin arrecadou R$ 1,3 milhão, gastou R$ 1,8 milhão e ficou devendo R$ 500 mil.

Escrito por Josias de Souza às 07h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: Eleições 2006 - Jobim e Varella no ministério da reeleição.

- Folha: Governo dá bolsas para 237 cursos mal avaliados

- Estadão: Setor de energia teme novo apagão

- Globo: Procuradoria vai à Justiça para fechar bingos ilegais

- Correio: Orçamento - Licitações sob suspeita no Maranhão

- Valor: Serviço público ainda descumpre teto salarial

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sem pão, sem manteiga e sem votos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Partidos nanicos tramam contra cláusula de barreira

Arma-se nos subterrâneos do Congresso um complô contra a principal novidade das eleições legislativas de 2006: a cláusula de barreira. O mecanismo foi criado para dificultar a vida de legendas sem voto e possibilitar uma drástica redução do número de partidos políticos em funcionamento no país. Para driblar a regra, trama-se a aprovação de um projeto que institui a “federação de partidos”.

Funcionaria assim: agremiações que não obtivessem nas urnas votos suficientes para ultrapassar a cláusula de desempenho, poderiam se juntar em “federações” de dois ou mais partidos. No Legislativo, atuariam em conjunto, sob liderança única. Mas manteriam os seus nomes, a personalidade jurídica, e a direção autônoma. São entusiastas da idéia o PV e o PPS. Flertam também com a manobra o PC do B e o PSB.

Para que as “federações partidárias” possam ser constituídas, é preciso aprovar uma lei no Congresso. Os defensores da novidade não terão nem mesmo que se dar ao trabalho de apresentar um projeto. Já há um em tramitação na Câmara. Leva o número 2.679/03. Traz a idéia da "federação" pendurada em seu artigo 3º. O relator da proposta é o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, está pronta para ir a voto no plenário.

Há hoje no Brasil 29 partidos com registro no TSE. Desse total, 17 têm representação na Câmara e/ou no Senado. Ainda que essa representação seja ridícula, simulam existência plena, com direito a assento no colégio de líderes. São beneficiários do escárnio, por exemplo, o Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional, com dois deputados), o PTC (Partido Trabalhista Cristão, um deputado) e o PRB (Partido Republicano Brasileiro, um deputado e dois senadores).

Se a cláusula de barreira for respeitada, só conservarão o direito à existência congressual, às verbas do fundo partidário e à aparição no rádio e na TV os partidos que obtiverem 5% da votação total para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em pelo menos nove Estados. Pelo projeto de Caiado, bastaria que um partido cumprisse a segunda exigência (2% de votos) e elegesse pelo menos um representante em cinco Estados, para continuar existindo, desde que unido em regime de "federação" a uma ou mais legendas.

Excetuando-se os quatro grandes –PMDB, PT, PFL e PSDB—todos os demais partidos estão com a corda no pescoço. Em público, alguns deles, como PSB e PPS, ainda simulam otimismo. Em privado, porém, já buscam parcerias para formar "federações". O PSB flerta com o PC do B. O PPS, com o PV.

Há outras fórmulas em discussão para tentar salvar os sem voto do patíbulo. Uma delas prevê a aprovação de um projeto modificando a lei que criou a cláusula de barreira. A conjunção aditiva que separa as duas exigências impostas aos partidos seria substituída por uma conjunção alternativa.

Assim, onde se lê na lei que o partido teria de obter 5% dos votos para a Câmara “e” 2% dos votos em nove Estados, seria escrito 5% “ou” 2%. A simples troca de conjunções livraria da forca, além de PSB, PC do B, PPS e PV, legendas como o PSOL e o PDT. E, também neste caso, a intenção disciplinadora da cláusula de barreira seria enviada às calendas. Resta agora saber se haverá votos suficientes para aprovar tais brincadeiras.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Agora é para baixo e para o chão

Confrontado com os números do Datafolha, na semana passada, o presidenciável tucano disse: “Agora é para cima e para o alto”. Os números não justificavam o otimismo. Lula prevalecia sobre o adversário na proporção de 49% das intenções de voto contra 25%. Uma nova pesquisa, feita pelo Ibope, foi divulgada neste domingo pelo Estadão (assinantes). De novo, os dados sugerem um movimento inverso ao que fora previsto por Alckmin ou, no máximo, a cristalização do quadro já detectado.

O Ibope contabilizou os mesmos 49% que o Datafolha atribuíra a Lula. Quanto a Alckmin, apontou percentual ainda mais modesto: 22%. Heloisa Helena, a terceira colocada, aparece nesta nova pesquisa com 9%. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas entre os dias 23 e 25 de agosto. Percorreram 140 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Escrito por Josias de Souza às 20h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vendem-se terrenos na Lua!

Vendem-se terrenos na Lua!

No Brasil, quando se deseja enfatizar que alguém foi passado pra trás, é comum dizer-se que o sujeito comprou um terreno na Lua. Pois saiba que há mais otários no mundo do que você pode imaginar.

 

Mais de 2,5 milhões de pessoas de 180 países já compraram glebas na Lua e em Marte, informa o sítio Space. Por US$ 19,99, pode-se “adquirir” um torrão de 4.046 metros quadrados na Lua. Pagando-se US$ 22,49, assegura-se o direito à inscrição do nome do comprador em sua “propriedade”.

 

Chama-se Dennis Hope o espertalhão que está loteando a Lua. Administra o sítio Lunar Embassy (Embaixada Lunar). Ele se autoproclama dono da Lua, de Marte e de todos os demais planetas do Sistema Solar, exceto a Terra.

 

Gestor de uma fraude, Hope assegura que irá plantar na Lua, até o final do ano, a bandeira do “Governo Galáctico”, denominação que escolheu para definir o seu território. Só no ano passado, faturou US$ 1 milhão. As vendas são feitas pela Internet.

 

Afora as dificuldades atmosféricas de plantar um casebre em outro planeta, os compradores desconsideram um detalhe jurídico: o “Tratado do Espaço Exterior”, firmado em 1967 pela ONU, estabelece que nenhum país pode reclamar a soberania dos corpos celestes.

 

Hope argumenta que o tratado foi omisso em relação a empresas privadas. Enviou cartas à ONU e aos governos da Rússia e dos EUA avocando para si o direito de propriedade sobre o Sistema Solar. Como não obteve respostas, considera-se o legítimo dono.

 

A espertalhona Lunar Embassy não está só no promissor negócio da venda de terrenos em outros planetas. Enfrenta a concorrência de outros sítios. Alguns, como lunarregistry, não chegam a se considerar donos do Sistema Solar. Outros, como o Buyuranus, fazem pilhéria. Hope, o embaixador da Lua, acusa a "concorrência" de plágio. Diz já ter gasto US$ 70 mil para defender sua propriedade. E depois ainda dizem que os brasileiros é que são malandros!

Escrito por Josias de Souza às 19h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Datafolha antecipa avalanche de votos nulos

A reiteração dos escândalos que infelicitam a política brasileira vai consolidando na cabeça do eleitor um sentimento de desolação. Tonifica-se a impressão de que candidatos em campanha simulam interesse em melhorar o Brasil, mas na verdade querem mesmo é melhorar as suas contas bancárias. Vem daí que pesquisa Datafolha detectou a perspectiva de um aumento extraordinário dos votos nulos nas eleições de outubro próximo.

 

Nada menos que 18% do eleitorado manifesta a intenção de anular o voto na eleição para a Câmara Federal. E 16% dos entrevistados informam que votarão nulo também na hora de escolher os deputados estaduais. Para dimensionar o desastre, basta lembrar que, nas eleições de 2002, os votos nulos somaram 2,9%. Mesmo incluindo na conta os votos em branco, chega-se a um percentual de votos inválidos de 7,9%.

 

Um impressionante contingente de 49% do eleitorado declarou que não votaria se as eleições não fossem obrigatórias. Você se animaria a deixar o aconchego do seu lar para optar entre os candidatos indesejáveis e os impensáveis se o voto não fosse uma imposição legal?

 

Não é à toa que, segundo a mesma pesquisa, 57% dos eleitores brasileiros não se lembram dos candidatos que elegeram para a Câmara dos Deputados e para as Assembléias Legislativas em 2002. Essa amnésia coletiva tem um quê de vergonha pelas opções inconfessáveis.

Escrito por Josias de Souza às 17h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Acusação à Petrobras reaviva conflito com Bolívia

  Alan Marques/F.Imagem
O governo de Evo Morales voltou ao centro das preocupações do Palácio do Planalto e do Itamaraty. A Bolívia acusou formalmente a Petrobras de ter burlado a legislação do país. A estatal brasileira teria firmado com uma subsidiária da Repsol YPF, empresa petrolífera de capital espanhol e argentino, um “pacto secreto” que resultou em suposto prejuízo estimado entre US$ 160 e US$ 190 milhões aos cofres do Estado boliviano.

 

A acusação consta de uma representação encaminhada ao Ministério Público boliviano pelo ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz. O documento sustenta que a Repsol YPF vendeu ao Brasil, por meio da Petrobras, gás natural boliviano a preços inferiores aos que foram estabelecidos em tratado firmado em 2002 pelos governos de La Paz e de Brasília. Em conseqüência, teriam sido sonegadas taxas e tributos ao governo boliviano. 

 

Na última sexta-feira, a Promotoria da cidade boliviana de Santa Cruz invadiu os escritórios da Andina, uma subsidiária da Repsol YPF. A ação durou quatro horas. Acompanhados de policiais, os promotores confiscaram documentos e deram voz de prisão a Saúl Encinas Miranda, funcionário da Andina que teria firmado o contrato “secreto” com a Petrobras.

 

Encinas Miranda ficou detido por 24 horas nas dependências da FELCC (Força Especial de Luta Contra o Crime). Foi liberado no sábado (26-8) por um juiz de Santa Cruz, que fixou uma série de restrições ao funcionário da Andina: Não poderá, por exemplo, deixar a Bolívia. E terá de apresentar-se ao Ministério Público uma vez por semana.

 

O caso ganhou as páginas dos jornais bolivianos. Foi manchete, por exemplo, no caderno de Economia do diário La Razón, um dos mais prestigiosos da Bolívia. Antecipando-se ao governo brasileiro, que por ora apenas monitora a nova encrenca, a Espanha fez chegar ao gabinete do presidente Evo Morales o seu descontentamento com a apreensão de papéis e a prisão do funcionário da subsidiária da Repsol YPF.

 

Em encontro com empresários, na última sexta-feira, o presidente Evo Morales foi questionado acerca dos riscos de recrudescimento da crise com a Espanha. Disse que o Executivo não vai interferir nas investigações do Ministério Público. E acrescentou: “Estamos dispostos a dialogar no marco do que significa um trato justo e eqüitativo, porque nós queremos sócios justos e não patrões”. Suas declarações foram registradas pelo jornal boliviano El Diario.

 

Na véspera da operação do Ministério Público boliviano nos escritórios da Andima, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera reunira-se em Brasília com autoridades do governo brasileiro e com o próprio presidente Lula. Veio queixar-se das resistências da Petrobras em aceitar os termos da repactuação proposta pela administração Morales dos preços do gás vendido ao Brasil.      

 

Morales quer aumentar de US$ 4 para até US$ 8 o preço por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU) de gás natural. A Petrobras argumenta que não há nos contratos nenhuma razão que justifique o reajuste. Brasília fareja na denúncia do Ministério de Hidrocarbunetos da Bolívia contra a Andima e a Petrobras o cheiro da retaliação.

Escrito por Josias de Souza às 17h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Rio faz as pazes com Lula

- Folha: Maioria não lembra voto para deputado

- Estadão: Um agente para cada 10 km, e passa tudo pela fronteira

- Globo: Ilegais, bingos faturam R$ 1 bi com liminares

- Correio: Parentes de deputados também são fantasmas

- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pirâmide social!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Planalto não desistiu do projeto da Constituinte

  Beto Barata/F.Imagem
O Palácio do Planalto continua acalentando a idéia da convocação de uma Câmara Constituinte exclusiva para aprovar, no primeiro semestre de 2007, uma reforma política. Lançada no último dia 2 de agosto, depois da visita de um grupo de advogados a Lula, a proposta foi à geladeira por conta da saraivada de críticas que suscitou. Mas pode sair do freezer depois das eleições de outubro.

 

O blog perguntou ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) se a tese da constituinte fora abandonada. E ele: “Eu não abandonei. Acho que a idéia de uma Câmara Constituinte especial é não só constitucional como vigorosa do ponto de vista político. Apenas acho que não pode ser imposta. Tem que ser um acordo entre os partidos”.

 

O ministro coordenou, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a elaboração de um plano estratégico de ação governamental com metas até o ano de 2022. Foi entregue a Lula na última quinta-feita. Genro celebra o fato de o documento ter contemplado um “enunciado” sobre a reforma política. Acha que ela deve ser feita, seja qual for o presidente eleito, no primeiro semestre de 2007.

 

Em defesa da Constituinte exclusiva, Tarso Genro lança no ar uma série de perguntas: “O problema que fica posto para nós no próximo período é: será que o Congresso vai fazer uma reforma suficientemente profunda? Será que vai alterar inclusive algumas normas que são preciosas para a legislatura atual?”

 

O ministro toca num assunto que está na raiz do escândalo dos congressistas sanguessugas: “Será que numa reforma política feita pelo atual Congresso ou pelo próximo a ser eleito em outubro as emendas individuais [ao Orçamento da União] terão tratamento diferente do que têm agora? Eu acho que deveria ter. Mas não sei se terão”.

 

O ministro ressalta que seus raciocínios compõem apenas “a opinião de um quadro político do Executivo”. Diz que a natureza da reforma política terá de ser definida pelo próprio Legislativo, inclusive os instrumentos que serão usados para promover as mudanças”. Para Genro, mais importante do que os meios, é a efetivação da reforma, hoje “uma necessidade consensual”.

 

Não por acaso, a pregação do “quadro político” coincide com a do chefe do Executivo. Lula vem se esgrimindo um discurso que desqualifica o Congresso ordinário como operador do processo de reforma política. Em encontro com prefeitos paulistas, em Campinas, o presidente disse, no último dia 5 de agosto, que a estrutura política do Brasil está “apodrecida”.

 

"Se depender do Congresso, teremos arremedo, e não reforma política", disse Lula. Depois de defender a Constituinte, o presidente valeu-se de um argumento que vem repisando desde então: a tese de que as malfeitorias que rondaram o seu governo decorrem dos defeitos do sistema, não da ação isolada de deputados ou de um partido.

 

"A crise política que vivemos não é crise política de agora. É crise política que levou Getúlio [Vargas] à morte, que levou Juscelino [Kubitschek] a ser esculachado como era todo santo dia, que levou João Goulart a cair. A crise não é de um deputado ou de um partido político. É uma crise do sistema político brasileiro. A estrutura está apodrecida e nós temos que mudá-la."

A idéia da Constituinte exclusiva foi congelada porque provocou reação intensa e generalizada. Resta saber se o Congresso que tomará posse em 2007 resistirá ao poder de sedução de um Lula eventualmente reeleito em primeiro turno. Um outro auxiliar do presidente ouvido pelo blog aposta que não: “Uma coisa é o cenário atual. Outra coisa bem diferente é a cena que será inaugurada com a posse de um presidente reeleito com cerca de 55 milhões de votos.”

Escrito por Josias de Souza às 02h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula e Alckmin perdem-se discutindo o nada

Os dois presidenciáveis mais bem-postos nas pesquisas travaram neste sábado uma refrega em torno do nada. Num comício realizado em Campinas, Lula disse que governa para os pobres. Em dado momento, cutucou Geraldo Alckmin.

 

A repórter Andréa Catão informa que, ao comentar a declaração do adversário de que, nos 12 anos de governo tucano em São Paulo, construíram-se 250 mil tetos para famílias pobres, o presidente desafiou: "Eu desconfio que quem investiu esse dinheiro foi a Caixa Econômica Federal, pois só no Estado de São Paulo 388 mil famílias foram beneficiadas com moradias populares."

Informado acerca do desdém de Lula, Alckmin autorizou o seu comitê a liberar a seguinte nota: "Em 12 anos de governo (do PSDB em São Paulo), foram construídas 225 mil unidades habitacionais, e não 250 mil como disse o presidente, via Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano. Com isso, o Estado investiu R$ 5,7 bilhões em habitação. Somente nos últimos três anos e meio, foram investidos R$ 3 bilhões do Estado em habitação, enquanto no mesmo período, via governo federal, o investimento foi de R$ 2,5 bilhões".

O torneio ao redor da origem das verbas deixa em segundo plano o essencial, que é o atendimento ao naco da população que não tem acesso a uma moradia própria. Pouco importa saber de onde veio o dinheiro. Somando-se as casas que Lula e Alckmin dizem ter erguido, chega-se a 613 mil novas moradias. A simples existência de um autodenominado “Movimento dos Sem-teto”, especialmente forte em São Paulo, é a mais eloqüente evidência de que o problema do déficit habitacional está longe de ser resolvido.

 

Ou seja, do ponto de visto de um brasileiro que ainda não foi bafejado pela ventura de obter um telhado, interessa saber o que será feito para atenuar-lhe o drama do desabrigo. Portanto, a pergunta que precisa ser respondida é: por que Lula e Alckmin, no curso de suas administrações, não colocaram suas diferenças partidárias de lado para levantar, em parceria, um número ainda maior de paredes? A resposta é: porque políticos brasileiros governam olhando mais para o próprio umbigo do que para os pobres.

Escrito por Josias de Souza às 20h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Imunidade para falar ‘merda’

Imunidade para falar ‘merda’

A obra de grandes artistas e intelectuais costuma redimi-los de seus pecados. O “reacionarismo” de Nelson Rodrigues, por exemplo, foi soterrado pelo brilhantismo de sua produção jornalístico-literária. A alegada simpatia de Martin Heidegger pelo nazismo perdeu-se nos desvãos de sua eloqüente contribuição ao pensamento filosófico do Século 20. Basta um quadro de Pablo Picasso para apagar o mau-caratismo que permeia a sua biografia.

 

Escudados nessa, digamos, imunidade intelectual e artística, representantes da cultura brasileira aventuram-se a promover uma releitura dos conceitos tradicionais da ética. Deu-se na noite da última segunda-feira (19-08), depois de um encontro de Lula com cerca de 80 artistas, na casa do ministro Gilberto Gil (Cultura), no Rio.

 

Deve-se ao repórter Marcelo Carnaval a inauguração de uma polêmica ilustrativa. Instados a se manifestar sobre as perversões do petismo, à saída do encontro com o presidente, o compositor Wagner Tiso e os atores Paulo Betti e José de Abreu falaram com desassombrado pragmatismo.

 

“Ninguém nunca falou do caixa dois da reeleição do Fernando Henrique”, disse Wagner Tiso. Confrontado com o argumento de que pregação ética do ex-PT reclamava um comportamento diferente, Tiso exaltou-se: “Eu não estou preocupado com isso. Estou preocupado com o jogo do poder”.

 

O maestro esmiuçou o seu raciocínio: “Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética. Para mim, isso não interessa. Eu acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país, entendeu?” Caprichando no jogo metafórico da imundície, Paulo Betti envolveu a teoria de Tiso em uma camada de matéria fecal: “Política não existe sem mãos sujas. Não dá para fazer sem botar a mão na merda”.

 

O ator José de Abreu, que, no encontro com Lula, pedira uma homenagem a José Dirceu, José Mentor e José Genoino, teorizou sobre a ideologia do excremento: “Eu acho difícil fazer política sem colocar a mão na merda, mas acho que tem que tentar ter mãos beatas", disse. Mas “como é que você vai conversar com alguns deputados que só pensam em dinheiro? Aí você vai ter que colocar a mão na merda."

 

No limite, os raciocínios tísicos de Tiso, a frase bestial de Betti e o complemento desabrido de Abreu tentam validar a tese, sempre em voga na política nacional, de que os políticos que roubam mas fazem também têm o direito de ser recobertos pelo manto diáfano da imunidade artística. “O povo está feliz”, chegou a dizer Tiso, como a justificar a cultura da substituição da ética pelo proveito eventual da perversão.

 

Recomenda-se aos porta-vozes do neo-amoralismo uma dose de cautela. O tempo, sempre tão generoso, talvez não apague gestos como de Wagner Tiso, dos três o mais talentoso. Arrisca-se demais o maestro ao ceder a sua obra como trilha sonora de uma era que começou com a coletoria clandestina de Delúbio Soares e terminou na denúncia da “quadrilha” dos 40, patrocinada pelo Ministério Público. É “merda” que, por volumosa e malcheirosa, a tímida produção artística ou intelectual de seus defensores não consegue redimir.

Escrito por Josias de Souza às 19h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Diap prevê renovação de 62% do Congresso. Será?

Oscar Niemeyer
 

 

O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) estima que, nas eleições de 2006, a Câmara dos Deputados será renovada em 62%. É um índice bem maior do que o verificado em 2002: 46%.

 

A repórter Andreza Matais informa que os técnicos do Diap crêem que o eleitor negará voto a candidatos envoltos na suspeição de envolvimento em escândalos como o mensalão e o caso das sanguessugas.

 

O signatário do blog, pessimista incorrigível, aposta que previsões assim tão otimistas tendem a ir se diluindo à medida que se aproxima o dia da posse dos “novos” deputados. E devem se esvair por completo depois que a “nova” legislatura mostrar a sua verdadeira cara, no exercício cotidiano das traficâncias congressuais.

 

A futurologia da reprovação de congressistas indignos na boca da urna é algo que o tempo talvez frustre. De resto, esses índices de “renovação” tendem a desconsiderar o fato de que, por trás das supostas faces “novas”, escondem-se na verdade políticos profissionais. São ex-deputados, ex-secretários de governos estaduais, ex-isso, ex-aquilo. Gente que traz espetados na biografia vícios iguais ou mais graves do que os dos congressistas substituídos.

 

De todo modo, não custa renovar os votos de que o eleitor leve a mão à consciência em outubro. Convém informar-se previamente. Ferramentas não faltam. Neste sábado, por exemplo, o UOL pôs no ar o sítio “Políticos do Brasil”. Vale a visita.

 

Traz “25 mil registros das eleições de 1998, 2002 e 2006”. Inclui do CPF dos políticos às declarações de rendimentos. Informações recolhidas em trabalho exaustivo do repórter Fernando Rodrigues. Vêm somar-se aos dados expostos pela Transparência Brasil em seu projeto Excelências. Não será por falta de informação que o eleitor deixará de exercer dignamente o seu sagrado direito ao voto.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Imagem de guerra: verdade ou mentira?

Imagem de guerra: verdade ou mentira?

Joe Rosenthal/AP
 

Morreu no último dia 20 de agosto, aos 94 anos, Joe Rosenthal. É dele a foto acima. Chama-se “Raising the Flag on Iwo Jima” (Subindo a Bandeira em Iwo Jima). A serviço da Associated Press, Rosenthal clicou-a em 23 de fevereiro de 1945, em meio à batalha de Iwo Jima, que opôs tropas dos EUA e do Japão na Campanha do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial.

A foto, sacada no topo do Monte Subirachi, valeu a Rosenthal o Premio Pulitzer daquele ano. E tornou-se o símbolo do triunfo dos marines norte-americanos sobre a soldadesca japonesa. Foi explorada à saciedade como tônico da nacionalidade pelo governo dos EUA.

Neste sábado, o Washington Post publica artigo de Susan D. Moeller. É diretora de um centro de estudo dos meios de comunicação da Universidade de Maryland. Escreveu o livro “Shooting War: Photography and the American Experience of Combat”.

Em seu artigo, Moeller analisa os efeitos que a imagem captada por Rosenthal exerceu sobre a opinião pública dos EUA. Lembrou que, além de transmitir aos americanos uma idéia do que se passava na frente de combate, vendeu-lhes a impressão de que seus soldados estavam vencendo a guerra. Algo conveniente para o governo, que arrostava a contrariedade da sociedade norte-americana.

Moeller realça em seu texto um aspecto importante das guerras. Valia para os conflitos de ontem. Continua valendo para os atuais. Ela reproduz um memorando escrito por Eisenhower antes da invasão da Normandia: “Correspondentes têm numa guerra papel tão essencial quanto os militares. Fundamentalmente, a opinião pública ganha guerras”.

Não foi por outra razão que a foto de Rosenthal tornou-se símbolo de uma campanha publicitária aprovada pessoalmente pelo presidente Roosevelt. Foi reproduzida em adesivos colados em mais de um milhão de vitrines, 200 mil fábricas e 30 mil estações ferroviárias. E ajudou a atenuar a repercussão negativa dos 6.812 marines que voltaram para casa ensacados depois do desfecho da Campanha do Pacífico.    

A autora do artigo passa ao largo de uma polêmica gerada pela foto de Rosenthal. Os americanos convivem até hoje com uma dúvida: a imagem resultou de um instantâneo casual ou de uma armação? Para a ensaísta Susan Sontag, prevalece a segunda versão.

Sontag sustenta que “a célebre fotografia do soerguimento da bandeira americana em Iwo Jima em 23 de fevereiro de 1945 resultou da reconstituição de uma cerimônia matutina de hasteamento da bandeira, que se seguiu à conquista do Monte Suricachi”. O gesto, realizado naquele mesmo dia, foi simplesmente reconstituído, “só que mais tarde e com uma bandeira maior”. Apenas para que Rosenthal produzisse o “flagrante”. Poucas imagens de guerra, acredita Sontag, resistiriam a um confronto com a verdade.

Rosenthal, evidentemente, desceu a cova sustentando versão distinta. Em quem acreditar? Eis uma dúvida que o tempo ainda não foi capaz de eliminar.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Até tu, Lembo?

  Bruno Miranda/F.Imagem
Cláudio Lembo declarou, em entrevista ao repórter Bob Fernandes, que acredita na vitória de Lula em primeiro turno. “Não vejo condições de haver segundo turno nesse momento.” O governador paulista do PFL virou, instantaneamente, destaque no sítio do presidenciável petista: "Até Lembo diz que Lula deve vencer no primeiro turno".

Lembo tornou-se também alvo de reprimendas dos seus pares. Algumas vieram embrulhadas em ironia fina: "Nunca vi o Lembo ter acertado uma previsão eleitoral. A notícia chega em boa hora", disse Jorge Bornhausen, presidente do partido de Lembo. Vai bem, como se vê, a campanha de Geraldo Alckmin. "Agora", como diz o candidato, "é para cima e para o alto".

Escrito por Josias de Souza às 10h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Novos pardais vão arrecadar R$ 66 milhões

- Folha: PF indicia ex-ministro da Saúde de Lula

- Estadão: TSE torna mais difícil candidatura de suspeito

- Globo: PF indicia ex-ministro e Delúbio por 'vampiros'

- Correio: Arruda mantém 54% e venceria no 1° turno

- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dupla personalidade!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para FHC, falta 'energia' a Alckmin para deter Lula

  Folha Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin desdobra-se nos últimos dias para reverter a atmosfera de desânimo que impregnou o seu comitê de campanha. Prevê, em público e entre quatro paredes, que as pesquisas vão começar a lhe sorrir a partir de setembro. Sua pregação não convence nem mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB.

 

O blog ouviu duas pessoas que conversaram com FHC nas últimas 72 horas. Descobriu que o ex-presidente descrê da capacidade de Alckmin de prevalecer sobre Lula. Todos os raciocínios desfiados por ele conduzem à impressão de que já jogou a toalha. Afirma, por exemplo, que falta “energia” a Alckmin para estabelecer o contraditório com Lula.

 

Para complicar, FHC avalia que sobra no adversário o vigor que escasseia no candidato de seu partido. Sem o “necessário contraponto”, Lula estaria conseguindo difundir livremente a idéia de que todos os partidos e todos os políticos “são iguais” na perversão. A tese, acredita FHC, já foi passivamente comprada pelo eleitorado. Daí a consolidação do favoritismo de Lula, a despeito de todos os “escândalos” que marcaram a gestão petista.

 

Para exemplificar a “falta de tônus” do discurso de Alckmin, FHC mencionou num de seus diálogos privados o debate promovido pela TV Bandeirantes no último dia 15 de agosto. Acha que o presidenciável tucano perdeu uma grande oportunidade para desqualificar Lula de forma “vigorosa”.

 

Disse que Alckmin, dirigindo-se diretamente à cadeira vazia reservada ao adversário, deveria ter “desmentido” as afirmações feitas por Lula na entrevista que concedera dias antes ao Jornal Nacional. Referiu-se à afirmação de Lula de que demitira os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil). “Não demitiu coisa nenhuma. Eles saíram quando bem entenderam, sob elogios e afagos do chefe”.

 

A pregação de FHC situa-se a meio caminho entre o que vêm dizendo o prefeito do Rio, César Maia (PFL), e o jornalista Luiz González, responsável pelo marketing da campanha tucana. Como Maia, FHC acha que Alckmin teria de ser mais “enfático” na condenação a escândalos como “mensalão e sanguessugas”. Mas compartilha com González a impressão de que a crítica em timbre ácido não pode ser levada à propaganda televisiva enquanto Alckmin não adquirir musculatura nas pesquisas de opinião. Sob pena de aumentar as taxas de rejeição do candidato.

 

FHC acha que, mesmo fora da TV, seria possível “desqualificar” o discurso de Lula. Mas a personalidade de Alckmin, “consolidada e imutável”, não combina com o “espírito guerreiro” que a cena eleitoral “exige”. Daí a sua impressão de que dificilmente o favoritismo de Lula será revertido.

 

O que falta à análise de FHC é uma boa dose de autocrítica. O discurso da “indiferenciação” esgrimido por Lula encontra eco no eleitorado em parte por conta das práticas e costumes que vicejaram também sob a era FHC.

 

O mesmo balcão de negócios no Congresso. A mesma partilha de ministérios, rateados sem cerimônia entre representantes de partidos adeptos da fisiologia. E escândalos em quantidade nada negligenciável: Sudam, Sudene, compra de votos da emenda da reeleição, privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”... A comparação joga água no moinho que “absolve” Lula e o petismo de seus pecados.

Escrito por Josias de Souza às 01h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em Sergipe, Ibope aponta vitória de Déda, do PT

  José Cruz/ABr
Não chegam a encher os dedos de uma mão os petistas com alguma chance de vencer eleições para os governos estaduais. O ex-prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, é um dos felizardos. Ele concorre ao governo de Sergipe. Pesquisa Ibope divulgada na noite desta sexta-feira revela que aumentou a vantagem que o separa de seu principal oponente, o governador João Alves (PFL).

 

O Ibope atribui a Déda 48% das intenções de voto dos sergipanos. No início do mês, ele tinha 44%. Alves aparece com 36% dos votos, o mesmo percentual que ostentava no começo de agosto. A diferença entre os dois passou de oito para 12 pontos percentuais. Considerando-se apenas os votos válidos, o candidato do PT seria eleito no primeiro turno (assinantes da Agência Nordeste), com 55% da preferência do eleitorado.

Escrito por Josias de Souza às 22h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cid Gomes ultrapassa Lúcio Alcântara no Ceará

Acaba de ser divulgada uma pesquisa Datafolha feita no Ceará. Mostra uma virada espetacular do candidato Cid Gomes (PSB), que disputa o governo do Estado com o governador tucano Lúcio Alcântara. Cid, antes em segundo lugar, ultrapassou o adversário e abriu larga vantagem. Tem agora 50% das intenções de voto, contra 37% atribuídos a Alcântara.

 

Esboça-se um quadro de definição no primeiro turno. Mas o Datafolha mediu também a propensão do eleitorado cearense num eventual segundo turno. De novo, Cid Gomes, coligado ao PT e apoiado por Lula, prevaleceria sobre o adversário tucano na proporção de 53% contra 39%.

 

Esta é a segunda rodada do Datafolha no Ceará. A primeira sondagem, feita entre os dis 7 e 8 de agosto, trouxe Lúcio Alcântara (44%) na frente de Cid Gomes (35%). A virada ocorre dias depois de o governador tucano ter levado ao ar em sua propaganda eletrônica imagens de Lula elogiando-o no lançamento da pedra fundamental da Ferrovia Transnordestina. Deu as costas para Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido.

 

Como se vê, a esperteza de Alcântara está engolindo o dono. Tasso Jereissati, o presidente do PSDB, deve estar rindo de orelha a orelha. Tentou convencer Alcântara a candidatar-se ao Senado. O tucanato cearense faria uma aliança branca com Cid, irmão de Ciro Gomes, velho amigo de Tasso. Alcântara bateu o pé. Rompeu com Tasso e lançou-se à reeleição. A prevalecer o quadro atual, vai ficar sem mandato.

Escrito por Josias de Souza às 18h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

HH vende-se como única alternativa a PT e PSDB

  Folha Imagem
Dando seguimento à sua estratégia de distribuição eqüitativa de pancadas em Lula e em Geraldo Alckmin, a presidenciável Heloísa Helena apresentou-se nesta sexta-feira como única alternativa de oposição ao modelo econômico aplicado pelos governos do tucano e petista. "Sou a alternativa ao cinismo do Lula e à gentileza do Alckmin", disse ela.

 

HH falou numa sabatina promovida pelo Estadão. Em dado momento, a candidata soou mais ácida em relação a Lula. Disse que o presidente tem "mel na boca e bile no coração." Ao traçar o seu próprio perfil, disse, conforme relato do repórter Maurício Savarese, que é "uma moça doce", "uma fofa", uma "pimentinha apenas com gente de mau caráter".

 

Confrontada com a evidência de que, eleita, teria de lidar com uma incômoda minoria congressual, HH deu de ombros: "Eu precisarei do Congresso para aprovar uma reforma tributária... mas de resto eu quero um Congresso independente. Eu quero até mais: eu quero o Congresso na oposição à presidenta Heloísa Helena, fiscalizando." Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 17h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PF indiciou ministro do PT no caso dos vampiros

  Folha Imagem
Humberto Costa, ex-ministro da Saúde de Lula, hoje candidato do PT ao governo de Pernambuco, foi indiciado pela Polícia Federal por suposto envolvimento com a quadrilha dos vampiros. A PF o acusa da prática de três crimes: formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude em licitações.

O próprio Humberto Costa convocou uma entrevista para tratar do tema. Revelou que seu indiciamento ocorreu em 27 de julho. Foi lançado no rol dos suspeitos junto com outras 41 pessoas. A PF confirmou a informação. Entre os indiciados está também, veja você, o ex-gerente das arcas petistas Delúbio Soares.

 

Humberto Costa teve lá as suas razões para destampar a panela em que o seu prestígio político arde em banho-maria. O caso deve vir à tona em reportagem de uma revista no final de semana, eis o motivo. Numa tentativa de imunizar-se contra o escândalo, o ex-ministro exibiu aos jornalistas uma carta anônima que teria recebido em 2002. O texto denunciava a fraude das ambulâncias. Costa disse que entregou a carta à PF, para que o caso fosse investigado.

 

O candidato considera-se vítima de uma “perseguição política”. Disse: "Seria burro e insano da minha parte pedir para a PF investigar se eu estivesse envolvido com o caso." Encomendou à sua advogada, Marília Fragoso, providências para exibir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da mulher, e de três filhos.

 

Ficou boiando no ar uma incômoda pergunta: Quem estaria perseguindo Humberto Costa? A Polícia Federal de Lula?

Escrito por Josias de Souza às 17h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Você viu um deputado sanguessuga por aí?

A democracia, como se sabe, é um regime político que está saindo pelo ladrão. Neste ano da (des)graça de 2006, você está escalado para votar. Terá de optar entre o lamentável e o inadmissível. Convém prestar atenção, para não confundir os infortúnios.

 

Dos 86 congressistas encrencados no escândalo da máfia das ambulâncias, pelo menos 58 estão com a cara na TV, pedindo o seu voto. Você pode entregar. Não deixa de ser uma opção. Mas estará renovando um mandato com fins lucrativos.

 

Evidentemente, todos os sanguessugas negam que tenham trocado emendas ao Orçamento por propinas. Para facilitar a sua vida, a repórter Alessandra Bastos colecionou os nomes dos inocentes culpados –ou culpados inocentes—que vão às urnas. Sirva-se.

Escrito por Josias de Souza às 14h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A aventura gastronômica de Garibaldi Alves

O político, como se sabe, é um animal que come sapos. Ex-relator da CPI dos Bingos, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) passou meses tentando virar o petismo e o governo de ponta-cabeça. Hoje, candidato ao governo de seu Estado, Garibaldi está tendo que engolir Lula. Eis o que informa o Painel (assinantes da Folha)

Guinada 1: A onda Lula atingiu até o ex-relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves. Candidato ao governo do Rio Grande do Norte, o senador peemedebista vinha perdendo a dianteira na disputa para Wilma Faria (PSB), aliada oficial do presidente.

Guinada 2: Na estratégia para manter a liderança, Garibaldi liberou aliados para colocar elogios a Lula na propaganda dos candidatos do PMDB à Assembléia e à Câmara. Ele permanece "neutro", mas a sigla toda "lulou", capitaneada pelo deputado Henrique Eduardo Alves.

Escrito por Josias de Souza às 09h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Duplicam prisões por crimes de luxo

- Folha: Desemprego é o mais alto em 15 meses

- Estadão: Lula fala em cortar impostos; carga tributária bate recorde

- Globo: Lula: mais investimentos, menos gastos e impostos

- Correio: Fantasmas pelo ralo

- Valor: União está perto de revés bilionário sobre a Cofins

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rabo solto!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MP vai ao TSE para barrar candidatura de Maluf

MP vai ao TSE para barrar candidatura de Maluf

  Joel Silva/Folha Imagem
O Ministério Público Eleitoral ingressará nesta sexta-feira com recurso para tentar barrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a candidatura de Paulo Maluf a deputado federal. O ex-prefeito de São Paulo é acusado na ação de omitir na declaração de bens que apresentou à Justiça Eleitoral peças de antiguidades, jóias e obras de arte avaliadas em US$ 2,3 milhões.

De acordo com o Ministério Público, os bens foram adquiridos por Maluf na Sotheby´s, casa de leilões novaiorquina. A acusação é baseada em documentos remetidos ao Brasil pela Promotoria de Nova York em 31 de janeiro de 2006. O DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional), órgão do Ministério da Justiça, obteve nos EUA autorização para que os papéis fossem usados contra Maluf junto à Justiça Eleitoral brasileira.

 

Pela lei, os candidatos a cargos eletivos são obrigados a anexar nos seus pedidos de registro de candidatura, entre outros documentos, a declaração de bens. O Ministério Público sustenta que a declaração apresentada por Maluf é “inidônea”. Além de omitir bens, o candidato não declarou os recursos que movimentou no exterior para honrar os negócios que realizou com a Sotheby´s. Tentou-se impugnar a candidatura de Maluf no TRE. Mas o tribunal manteve o ex-prefeito na disputa. Daí o recurso ao TSE. Para baixar para o seu computador a ação em que a Procuradoria Eleitoral expôs os seus argumentos ao TRE, pressione aqui.

 

O DRCI, órgão do Ministério da Justiça responsável pelo acordo firmado com a promotoria norte-americana, enviou ao Ministério Público Eleitoral paulista documento que detalha negócios fechados por Maluf com a casa de leilões de Nova York. Um deles foi a aquisição da obra “Unter Freuden, um óleo sobre tela de 47 cm X 51 cm pintado por Lasar Segal.

 

A Sotheby´s levou a peça ao martelo em 20 de novembro 2000. Foi arrematada por US$ 69,7 mil. No dia do leilão, Maluf recebeu por fax um “relatório de condições da obra”. Estava hospedado no Hotel St. Regis, de Nova York. Em 29 de novembro de 2002, já em São Paulo, Maluf recebeu por fax a fatura da compra. Foi enviada para o telefone 011-3083 7487. Na folha de rosto do fax, escrita à mão, a funcionária da Sotheby´s dirige-se a Maluf com intimidade. Chama-o “Pablito”.

 

Sete meses antes, em 2 de maio de 2000, Maluf já havia adquirido num pregão da Sotheby´s dois relógios. Pagou US$ 98,7 mil. Dias antes, em 27 de abril, recebera da casa de leilões um relatório detalhando as características das peças. O documento chegou-lhe, de novo, por fax. Maluf se encontrava no apartamento 420 do Hotel Plaza Athenee, de Paris.

 

O leilão ocorreu na filial da Sotheby´s em Hong Kong. A fatura da compra foi emitida em 14 de novembro de 2000. Descreve os relógios em detalhes. Um deles, arrematado por US$ 36.094, tem bracelete de ouro, diamante e esmeralda. A marca é Breguet, modelo Marine. O outro, um Patek Philippe com bracelete de platina, saiu por US$ 62.611. No mesmo dia, “Pablito” recebeu um fax em São Paulo, detalhando o esquema de entrega dos relógios.

 

Para evitar o pagamento de tarifas alfandegárias e imposto de importação, Maluf pediu para receber a mercadoria no aeroporto de Zurique, na Suíça, no intervalo de uma conexão para a cidade francesa de Nice. Voou pela Swissair. Chegou a Zurique às 6h10. Embarcou para Nice às 10h (Leia mais no texto abaixo).

 

PS.: Conforme noticiado acima, o recurso contra Maluf foi protocolado no final da tarde desta sexta-feira (25-08). Pressione aqui para baixar, na página do Ministério Público Eleitoral, a íntegra da ação.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

'Relacionamento de Maluf com Sotheby´s foi longo'

'Relacionamento de Maluf com Sotheby´s foi longo'

No documento que encaminhou ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo, o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) do Ministério da Justiça anota que “Paulo Maluf manteve um longo relacionamento com a Sotheby´s”.

 

Assinado por Antenor Madruga, diretor do DRCI, o relatório informa também que “os documentos recebidos em cooperação internacional dos EUA descrevem outras propriedades, que ainda estão sob análise.” A parte já analisada demonstra que as relações de Maluf com a casa de leilões não se limitou a operações de compra.

 

O ex-prefeito de São Paulo tentou vender dois anéis de sua propriedade. A exemplo do que ocorre com os bens adquiridos por Maluf, não há vestígio das jóias na declaração de bens que ele encaminhou à Justiça Eleitoral. Em 27 de novembro de 2003, Maluf assinou um “Contrato Especial de Consignação” para a alienação dos anéis. Queria US$ 245 mil por um e US$ 300 mil pelo outro, diz o documento do DRCI.

 

Levadas ao martelo num leilão batizado de “Magnificent Jewels”, em 11 de dezembro de 2003, as peças não encontraram comprador. Era a terceira tentativa. Os mesmos anéis haviam sido oferecidos pela Sotheby´s em pregões realizados em 30 de maio e entre os dias 11 e 14 de junho de 2003.

 

Durante o processo de negociação, Maluf sofreu um revés. Laudo emitido American Genealogical Laboratories a pedido da Sothebys informara que o rubi que ornava um dos anéis que Maluf queria passar adiante não era da Birmânia, como informara o vendedor. Era africano. O valor cairia entre US$ 100 mil e US$ 120 mil. Maluf encaminhou por fax um certificado para tentar sustentar a origem birmanesa do rubi. Por precaução, retirou os anéis do catálogo de ofertas da Sotheby´s.

 

Afora os negócios de Maluf com a empresa de Nova York, o Ministério Público Eleitoral de São Paulo aponta suposta inconsistência em relação ao valor de bens declarados pelo ex-prefeito. São duas casas situadas no Jardim América, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista.

 

Nas eleições de 2002, Maluf informara que o imóvel localizado no número 146 da Rua Costa Rica valia R$ 2.97 milhões. No pleito de 2004 e neste ano de 2006, encaminhou à Justiça Eleitoral declarações de bens em que o mesmo imóvel é avaliado em R$ 1.344 milhão. Uma depreciação de R$ 1.626 milhão.

 

Outra casa, situada no número 126 da mesma Rua Costa Rica, valia na declaração que Maluf apresentou em 2002 R$ 1.680 milhão. Nas declarações de 2004 e 2006, passou a valer R$ 462.9 mil. Neste caso, a depreciação foi de R$ 1.217 milhão.

 

Ou seja, somando-se as diferenças verificadas nos valores das duas casas, Maluf teria amargado um prejuízo de R$ 2.843 milhões numa área em que a valorização imobiliária é intensa. Para o Ministério Público Eleitoral, trata-se de mais uma evidência de que a declaração de bens de Maluf é "inidônea" (Leia mais no texto abaixo). 

Escrito por Josias de Souza às 02h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Argumentos contra Maluf não convenceram TRE

Argumentos contra Maluf não convenceram TRE

As “evidências” que o Ministério Público Eleitoral julga ter reunido contra Maluf não sensibilizaram o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. A candidatura do ex-prefeito à Câmara dos Deputados foi confirmada pelo tribunal. Por isso os procuradores Mario Luiz Bonsaglia e Isabel Cristina Groba Vieira, autores da ação, decidiram recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

Esta sexta-feira é o último dia para a apresentação do recurso. Será protocolado à tarde. Maluf terá três dias para apresentar defesa. Pela lei, o prazo para que o TSE julgue o caso termina em 20 de setembro.

 

Maluf vem sustentando em suas manifestações públicas a tese de que sofre uma "perseguição política" do Ministério Público de São Paulo. No último mês de janeiro, quando decidiu concorrer às eleições de 2006, o ex-prefeito disse, em entrevista ao blog, que, na política, só perdeu dinheiro. "Não vou dizer que estou pobre. Mas digo que estou muito menos rico", disse ele (leia).

 

O blog não conseguiu ouvir os advogados de Maluf nesta sexta-feira. Mas a linha de defesa que o ex-prefeito levará ao TSE deve repetir a estratágia bem-sucedida que foi adotada no TRE. Entre os argumentos que o Ministério Público Eleitoral tentará refutar no recurso ao TSE está a tese, defendida por Maluf no julgamento da primeira instância, de a documentação enviada ao Brasil pela Promotoria de Nova York não pode ser utilizada em processo de cunho eleitoral.

 

Ao julgar o caso, o TRE considerou que, de fato, os procuradores não conseguiram demonstrar que a Justiça dos EUA autorizara o uso dos papéis neste processo. Determinou que os documentos sejam “desentranhados” dos autos. A decisão deixou inconformados os procuradores Mario Bonsaglia e Isabel Groba.

 

Num primeiro recurso encaminhado ao TRE, Bonsaglia e Groba haviam solicitado que o tribunal colhesse os depoimentos do próprio Maluf e do diretor do DRCI, Antenor Madruga, responsável pela negociação do governo brasileiro com as autoridades norte-americanas. Não foram atendidos.

 

Quanto aos fatos específicos levantados pelo Ministério Público, Maluf contrapõe o seguinte: 1. O óleo sobre tela “Unter Freuden”, de Lasar Segal, não consta de sua declaração de bens porque foi remetido a um amigo no Líbano; 2. os dois relógios adquiridos no leilão de Hong Kong teriam sido roubados na Europa; 3. as jóias oferecidas à venda em leilões da Sotheby´s não pertenceriam a ele, mas à mulher, Silvia Maluf.

 

Em relação à depreciação dos dois imóveis do Jardim América, argumentou-se que, na declaração bens de 2006, Maluf apenas reproduziu valores que já havia anotado na declaração de 2004. O prazo para contestações teria expirado.

 

No recurso ao TSE, os procuradores tentarão ressuscitar os argumentos levados ao TRE paulista. O Ministério Público considera que o caso de Maluf é exemplar no esforço que empreende para tornar mais rigorosos os registros de candidatos à eleição de 2006.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

IBGE: desemprego sobe; governo dá de ombros

  Folha Imagem
Num instante em que a propaganda eleitoral petista martela a tese de que, sob Lula criaram-se seis milhões de novos empregos –a taxa real é, por ora, de pouco mais de quatro milhões—, o IBGE trouxe uma má notícia: a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país subiu de 10,4% em junho para 10,7% em julho.

 

Trata-se da maior taxa registrada desde abril de 2005 (10,8%). O que se esconde atrás do dado é a impressão de que o número de vagas criadas é, ainda, muito inferior à quantidade de pessoas que ingressam mensalmente no mercado de trabalho. Não procede, assim, a expectativa de que o flagelo do desemprego esteja cedendo.

 

Curiosamente, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) reagiu à pesquisa do IBGE com ironia. "Não sei onde o IBGE encontrou esses números", disse Marinho. Ele argumentou que o levantamento do instituto vinculado ao governo não cobre todo o terrritório nacional. Não captaria, portanto, a tendência da evolução do emprego no país.

De resto, Marinho, que convive com a perspectiva de manter o próprio emprego caso Lula venha a ser reeleito, disse que os dados do IBGE "não são o fim do mundo". Sugere-se ao ministro que pergunte a um trabalhador desempregado o que seria, afinal, “o fim do mundo”. Nos seus tempos de sindicalista, Marinho certamente não ousaria pronunciar tamanho disparate.

Escrito por Josias de Souza às 18h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Impugnadas 526 candidaturas no Rio e em São Paulo

Os Tribunais Regionais Eleitorais de São Paulo e do Rio de Janeiro indeferiram 526 registros de candidaturas para as eleições deste ano. Em São Paulo, o tribunal indeferiu 425 registros de um total de 2.979 solicitações de candidaturas. No Rio, foram impugnadas 101 candidaturas entre os 1.712 casos levados a julgamento.

Graças sobretudo ao trabalho do Ministério Público Eleitoral, o número de impugnações deste ano é maior do que o verificado em eleições passadas. Em São Paulo, por exemplo, o percentual de candidaturas indeferidas em 2006 foi de 14,31%. Em 2002, fora de 9,55%. E em 1998, de 10,38%.

 

É cedo, porém, para soltar fogos. A peneira da Justiça deixou escapar um bom lote de candidatos indignos do encontro com as urnas. O Ministério Público está preparando recursos ao Tribunal Superior Eleitoral. Do mesmo modo, os candidatos impugnados podem recorrer. Assim, é preciso aguardar por aquilo que os advogados chamam de “trânsito em julgado” dos processos.

 

Só então saberemos qual é a taxa real de pilantragem sujeita a voto. Restará, então, confiar na capacidade de discernimento do eleitor. O histórico não recomenda o otimismo. Uma pena. Vão às urnas, por exemplo, vários congressistas mensaleiros e sanguessugas. Todos negam envolvimento nas perversões. Os processos correm no STF. Na dúvida, caberia ao eleitor agir em benefício próprio, negando-lhes um novo mandato. Até a CNBB resolveu entrar na biga.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin é o candidato preferido dos jornalistas

A revista Imprensa revela: pesquisa feita entre 407 jornalistas indica que, na contramão das sondagens eleitorais, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin prevalece sobre Lula nas redações dos meios de comunicação. Se a eleição fosse definida apenas pelo voto dos jornalistas, Alckmin seria eleito com 31,7% dos votos, contra 20,6 atribuídos a Lula.

Na cola do presidente, Heloisa Helena amealhou 16,2% dos votos dos jornalistas. Cristovam Buarque foi brindado com 3,2% das preferências. Para sorte de Lula, conforme já comentou o signatário do blog, a imprensa tornou-se irrelevante aos olhos da sociedade.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula atribui crise ética ao ‘sistema’, não ao PT

  Sérgio Lima/F.Imagem
Na célebre definição de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”. A ser verdade, o ego de Lula é o sistema métrico da desfaçatez. O presidente repetiu nesta quinta-feira a lorota de que a “crise ética” é conseqüência do sistema político.

 

Ora, não há dúvida de que o sistema político reclama ajustes. Os dois principais presidenciáveis, Lula e Alckmin, defendem a providência. Mas o que o torna imperfeito não são as regras que explicita, mas o uso que os homens fazem delas.

 

E 'homo-petistas' não fez senão desvirtuá-las em benefício próprio e a serviço do governo. Só Lula, como a Carolina de Chico Buarque, não viu a banda que passou sob sua janela.

 

O raciocínio torto de Lula foi despejado em discurso feito no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Conforme noticiado aqui no blog na noite passada, o Conselhão entregou ao presidente um plano estratégico de desenvolvimento com metas que se estendem a um longínquo 2022.

 

Como que inspirado na largueza de horizontes contida no documento, Lula disse que precisa de mais tempo para seguir “contribuindo” com o país, informa a repórter Gabriela Guerreiro. Fez um apanho de suas “realizações” e pontificou:

 

"Avançamos muito nos últimos três anos e meio, mas precisamos de mais tempo para avançar mais (...) Meu sonho é continuar contribuir humildemente para que o Brasil encontre o desenvolvimento sustentável".

Escrito por Josias de Souza às 15h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CM manda novo torpedo virtual para HH

Aferrado à nova tendência política que ele próprio lançou –a linha do amor livre eleitoral— o prefeito Cesar Maia, embora casado com a candidatura Alckmin, continua se desdobrando em mesuras e aconselhamentos dirigidos a HH.

 

Em seu boletim eletrônico desta quinta-feira, o alcaide do Rio diz à sua candidata preferida: “Não se conforme com este patamar atual de 11%, 12%”. Pede a HH que preste atenção às campanhas do PSOL nos Estados.

 

CM recomenda a substituição das “besteiras bakunistas” (alusão a Mikhail Bakunin) por mensagens de apoio de HH aos candidatos do PSOL. “Estas imagens nos programas deles ajudaria a todos e, naturalmente, à sua candidatura”.

No finalzinho do boletim, depois que já havia até mudado de assunto, CM volta, como que obcecado, a ela: “Um bilhete apenas, a Heloisa Helena”, escreve o prefeito. “Aquele seu ‘nem um nem outro’, no debate da Band, pegou bem. Por que sua TV abandonou esta linha? Isso lhe daria pelo menos mais dois pontos e daria caminho para os que não sabem se votam ou anulam”.

 

Na prática, CM mostra-se informado com o fato de HH bater apenas em Lula. Ele a incita a descer o sarrafo também em Alckmin. Um conselho cuja reiteração, diga-se, é desnecessária. O PSOL já está mesmo na bica de abrir baterias contra o “aliado” de CM. Aliás, já está ensaiando.

 

O signatário do blog desconfia que HH não o lê com a mesma freqüência e atenção com que desliza os olhos pelos escritos de CM. Ainda assim, vai aqui uma recomendação de cunho humanitário: HH deveria dar um telefonema para o seu admirador político. Se não receber um fiapo de atenção, CM, já tão desgostoso com os rumos da candidatura Alckmin, acaba tendo um troço até o dia da eleição.

Escrito por Josias de Souza às 13h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Faroeste cabloco

A televisão brasileira causou-se de exibir filmes de segunda mão. Globo e Bandeirantes promovem agora o seu próprio bang-bang. O tiroteio está esquentando, informa Mônica Bergarmo (assinantes da Folha):

A história: A Band pretende esticar a corda na disputa com a TV Globo: a emissora carioca está questionando na Justiça se a Band se referia a ela ao publicar anúncio com referências como "a Band entrevista exilados de volta ao Brasil [1979]. Eles silenciam." e "a Band denuncia o Proconsult [fraude eleitoral de 1982] no Rio. Eles silenciam". A TV quer saber se o "eles" se refere a ela, Globo. 

A Band estuda não responder, provocando a Globo a abrir processo contra ela para então apresentar "farta documentação" sobre os episódios históricos elencados no anúncio.

Escrito por Josias de Souza às 07h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Em processo inédito, Supremo julga 84 políticos

- Folha: Serra mantém vitória no 1° turno

- Estadão: Despesa do governo cresce 14,8% com eleição

- Globo: Rio veta candidaturas de Eurico e 4 sanguessugas

- Correio: MP sai à caça de fantasmas, STF aperta sanguessugas

- Valor: Importação de máquinas cresce em mercado retraído

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Atestado de maus antecedentes!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin decide divulgar seu programa ‘em fatias’

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

O presidenciável tucano Geraldo Alckmin prometera divulgar o seu programa de governo até 15 de agosto. Já estamos no dia 24. E nada. Em decisão compartilhada com os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati; do PFL, Jorge Bornhausen; e do PPS, Roberto Freire, Alckmin decidiu fatiar o programa, eis a novidade.

O candidato achou melhor dar publicidade ao projeto de governo de maneira escalonada. A decisão foi inspirada pelo receio de que, divulgado de uma só vez, o calhamaço –cerca de 150 páginas— teria menor impacto.

“Se nós soltássemos um baita livro, um conjunto de fascículos, seria natural que cada jornalista, cada político se detivesse em partes específicas do texto. Grande parte das propostas se diluiria”, justifica João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo tucano. “Conversando com os três presidentes de partidos (PSDB, PFL e PPS), surgiu a idéia de apresentar o programa por capítulos.”

Assim, Alckmin divulgará semanalmente, fatias de sua proposta, aproveitando os eventos previstos em sua agenda eleitoral. São 30 capítulos no total. Alguns deles se desdobram em subtítulos. Pretende-se que tudo esteja na rua antes do final da campanha.

“Na terça-feira”, diz Meirelles, “falando no Clube da Aeronáutica, no Rio, o candidato apresentou a parte do programa relativa à segurança nacional. Nesta quarta, em Brasília, num evento promovido por Hospitais Filantrópicos e Santas Casas, ele tratou da parte referente ao setor de saúde. Na seqüência, os temas foram expostos na página do candidato na Internet. Faremos assim com os outros capítulos também.”

“Fazendo assim, tema por tema em vez de 30 tópicos de uma vez, daremos mais sentido à divulgação”, alega Meirelles. “Colocando no site do candidato à medida que os assuntos forem sendo levantados, aproveitamos melhor as críticas e contribuições ao programa de governo”.

O signatário do blog visitou o sítio de Alckmin. Passados três dias do evento no Clube da Aeronáutica, não há vestígio do programa de governo de Alckmin para a Defesa Nacional. Quanto ao capítulo da saúde, mencionado no encontro com gestores de hospitais nesta quarta, há apenas um texto, batizado de “Introdução”. Nem sinal do resto do “capítulo”. Há também um outro texto, que se pretende "noticioso".

No mesmo local, à esquerda, há links para outros temas –de “Crescimento Econômico” a um “Desafio da Sgurança Pública”. São meras diretrizes, que já haviam sido divulgadas em 11 de junho, quando Alckmin discursou na convenção que oficializou sua candidatura, em Belo Horizonte. Mais nada.

Nesta quinta-feira, informa Meirelles, Alckmin discursará no Instituto Ethos. Vai falar sobre “eficiência na gestão pública”. É outro tópico de seu programa de governo. Inclui mudanças no sistema de compras públicas, redução dos chamados cargos de confiança, transparência na gestão de convênios, etc.

Meirelles assegura que o assunto será esmiuçado em seguida na página de Alckmin na internet. Resta aguardar. E conferir. Lula, o candidato favorito nas pesquisas, também prometera divulgar um programa de governo até meados de agosto. O anúncio foi, depois, previsto para esta semana. Na segunda-feira, adiou-se para a semana que vem.

PS.: A assessoria de Alckmin escreve na manhã desta quinta-feira (24-08), para informar: 1. O capítulo sobre Defesa Nacional, que não estava no sítio do candidato, foi adicionado hoje. Desdobra-se em Introdução, Objetivos e Desafios/Propostas. Quanto ao capítulo da Saúde, sobre o qual o repórter só encontrara a Introdução, há também a parte relativa a Diagnósticos, Desafios e Propostas.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em campanha morna, quem não bate apanha

  Folha Imagem
Uma coisa a campanha eleitoral já ensinou a Geraldo Alckmin: o pior tipo de solidão é a companhia de uma coligação de tucanos e pefelistas. Outra coisa o candidato vai aprender nos próximos dias: quem não bate apanha.

 

Terceira colocada na corrida presidencial, Heloisa Helena vinha se especializando em espinafrar Lula. Só de raro em raro dava uma estocada no ninho tucano. Assim mesmo, alvejava mais o bico de FHC do que o de Alckmin. A coisa agora vai mudar.

 

Cansada de olhar para Alckmin de baixo para cima, HH quer tomar-lhe o segundo lugar nas pesquisas. E decidiu descer a lenha no presidenciável tucano. O repórter Fábio Amato informa que o PSOL vai pisar nos calos de Alckmin.

 

O coordenador da campanha de HH, Martiniano Cavalcante, revelou alguns pontos que serão realçados na campanha do PSOL: o caos no setor de segurança pública em São Paulo e as 69 CPIs levadas à gaveta pelos partidos que davam suporte ao governo Alckmin na Assembléia Legislativa paulista.

 

A turma do PSOL anda lendo a cartilha do prefeito César Maia. Fará com Alckmin, tudo o que o alcaide carioca gostaria que Alckmin fizesse com Lula. Nesta quarta-feira, no boletim diário que despeja numa rede de mais de 10 mil correios eletrônicos, CM ensinou o que Alckmin precisa fazer para encurtar a distância que o separa de Lula:

 

“(...) Aumenta ainda mais a necessidade da campanha de Alckmin desconstruir Lula, dizer ao eleitor -claramente- porque não deve votar em Lula e o desastre que seria um hipotético segundo governo Lula (...). É inacreditável que o governo que viveu em suas entranhas o mais amplo quadro de corrupção na história do Brasil, tenha chegado ao quarto dia de programa de TV, incólume. Aguardar para bater mais na frente, pode levar a que críticas contundentes sejam vistas como apelação de candidato perdedor”.

 

Heloisa Helena e seu partido também acham que passou da hora de bater. Por isso vão começar na semana que vem a “desconstruir” Alckmin. O pior é que o candidato tucano não pode nem gritar socorro. Pode aparecer algum “aliado”. César Maia, por exemplo.

Escrito por Josias de Souza às 22h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Revelados os nomes do último lote de sanguessugas

A CPI das Sanguessugas divulgou a lista dos outros 27 congressistas que estão sendo investigados pelo Ministério Público por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias. Os novos inquéritos foram autorizados pelo STF, a pedido do procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza. No Senado, o Conselho de Ética desmontou a manobra protelatória desencadeada na véspera pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Escrito por Josias de Souza às 19h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula recebe plano para crescer 6% ao ano até 2022

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Nas pegadas da última pesquisa Datafolha, que atribuiu índices confortáveis para Lula e seu governo, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) divulga nesta quinta-feira um plano estratégico para o desenvolvimento do país nos próximos 15 anos. Prevê um crescimento econômico mínimo de 6% entre 2008 e 2022. Estima investimentos de R$ 650 bilhões em projetos de desenvolvimento financiados pelo BNDES nos próximos dez anos.

O plano projeta também uma redução da taxa de juros de 10% no final de 2010 para 3% em 2010. Hoje, os juros são de 14,75%. A meta de superávit primário, a economia que o governo precisa fazer para pagar o serviço da dívida pública, é mantida em 4,25% do PIB, um percentual que o Ministério da Fazenda já pratica hoje.

 

O documento prevê que a taxa de crescimento econômico de 2007, primeiro ano do próximo governo, será de 4,5%. A partir de 2008, o crescimento mínimo seria de 6% anuais até 2022. Mantendo-se esses parâmetros, calcula o plano, a relação dívida/PIB, hoje da ordem de 50%, chegaria em 2010 a 39%.

 

Com isso, o governo economizaria na rolagem da dívida pública um total de R$ 180 bilhões até 2010. Um dinheiro que seria usado para financiar projetos estratégicos. A isso se somariam os R$ 650 bilhões de que o BNDES diz dispor para emprestar nos próximos dez anos. Ouvido pelo blog, o presidente do BNDES, Demian Fioca, disse que o dinheiro virá da amortização da carteira de empréstimos do banco e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). "A previsão é bem realista", disse Demian. 

 

Feito sob a coordenação da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o plano é de responsabilidade do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), um organismo que pende do organograma da pasta chefiada por Tarso Genro. Lula participará da solenidade de divulgação da peça, batizada de “Plano Estratégico de Crescimento com Distribuição de Renda”. Depois de discursar, o presidente receberá formalmente o trabalho.

 

A preparação do plano estratégico para o pós-2006 foi noticiada aqui no blog em maio. Tarso Genro diz que as idéias contidas no documento podem ser apropriadas por qualquer presidente que venha a ser eleito em outubro. Pretende que o trabalho sirva de base para o que chama de “grande concertação nacional”. Mostra-se preocupado em desvincular a iniciativa do calendário eleitoral.

 

“Não queremos aprovar nada nessa reunião de amanhã. Vamos desvincular esse assunto da campanha política”, disse Tarso Genro ao blog. Divulgaremos para abrir a discussão. O trabalho pode ser apropriado por qualquer governo. Daremos continuidade à discussão. E aprovaremos o plano na última reunião do conselho, em dezembro.

 

O documento é dividido em três partes: enunciados políticos, modelos de desenvolvimento econômico e objetivos estratégicos. Contém metas para os próximos oito, doze e quinze anos. O principal tópico da parte inicial é a reforma política. Defende a votação em lista, financiamento público de campanha e fidelidade partidária.

 

“Embora tenha um grau de generalidade, o enunciado sobre reforma política é bstante concreto”, disse Tarso Genro. "A partir disso, podemos formar uma grande frente política no próximo governo, ultrapassando inclusive a frente de apoio do presidente Lula caso ele venha a ser reeleito. O (Geraldo) Alckmin também já se manifestou favoravelmente à reforma política. Precisa ser feita no primeiro semestre do próximo ano. Já há trabalhos no Congresso a esse respeito. Não vejo razões para não avançarmos nessa discussão”.

 

De acordo com Tarso Genro, após receber o documento do Conselhão, Lula fará "a mediação com as forças que o apóiam, para verificar os pontos que podem ser aproveitados em seu programa de governo". Ele acha que "o documento contém enunciados realistas". Por isso, crê que "será aproveitado”. Além da FGV, participaram da elaboração os membros do Conselhão, o Banco Central e os ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Escrito por Josias de Souza às 18h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin: ‘Agora, é para cima e para o alto’

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Geraldo Alckmin é mesmo um otimista. Enxergou na pesquisa Datafolha o “início de um processo de crescimento”. Pensando bem, ele tem razão. Olhando direitinho ao seu redor, vê-se a imagem do caos. O que não falta é matéria-prima para a reconstrução.

Os “aliados” o abandonam nos Estados, ocasião ideal para que Alckmin interrompa o “tour-de-farsa”. Lula abriu uma vantagem de 24 pontos percentuais, oferecendo ao adversário um enorme caminho a percorrer. De resto, a aparência de defunto eleitoral oferece a Alckmin a oportunidade de operar o milagre da ressurreição.

Talvez por isso o presidenciável tucano tenha se animado a dizer: "Nós já iniciamos um processo de crescimento. Cresci um pouquinho porque só tiveram três programas no horário gratuito da TV. A partir de agora, é para cima e para o alto".

Declarando-se de “excelente humor”, Alckmin falou sobre as cobranças para que eleve o tom em relação a Lula. Explicou que, antes de mudar o estilo, precisa tornar-se mais conhecido dos eleitores. "Isso é o que vai dar credibilidade para fazer o contraditório”, disse ele. “E, no segundo turno, Lula não tem como fugir do contraditório". Como se vê, está mesmo otimista. Acha até que vai haver segundo turno!

Alckmin falou aos jornalistas, informa a repórter Natuza Nery, depois de um encontro com representantes de hospitais filantrópicos e Santas Casas, em Brasília. Apresentou suas propostas para a área da saúde. Prometeu reajustar a tabela do SUS; regulamentar a emenda 29, que vincula nacos do orçamento a investimentos na saúde; e a criação de um Proer para o setor hospitalar.

À saída do encontro, o repórter Sérgio Lima fotografou Alckmin visto a partir do retrovisor do carro que o transportava. Não poderia haver moldura mais adequada para o retrato de um candidato que, com uma eleição pela frente, tem a cara de um passado que está só esperando a hora de acontecer.

Escrito por Josias de Souza às 15h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Invadido por hackers, sítio do PT sai do ar

O sítio do PT foi invadido por hackers. Os intrusos substituíram notícias e publicidade do PT por uma mensagem agressiva contra Lula e seu partido. No instante em que o despacho do blog foi escrito, o portal do PT encontrava-se fora do ar. Exibia aviso reproduzido aí à esquerda.

O texto injetado pelos invasores na página do PT na internet referia-se a Lula como “desgraça”. Anotava: “Alguns países sofrem com guerras, outros com atentados terroristas, alguns com terríveis terremotos, outros com tsunami, tem até uns que sofrem com furacões e tornados e nós de Brasil temos o Lula".

PS.: Depois de oito horas fora do ar, o sítio do PT foi restabelecido. O partido anunciou que pedirá à Polícia Federal uma investigação para identificar os responsáveis pela invasão.

Escrito por Josias de Souza às 14h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quem não tem Lula caça com Mercadante

Impossibilitado de usar a imagem de Lula, que seu padrinho ACM chama de "ladrão" dia sim e outro também, o candidato ao senado Rodolpho Tourinho reza para Nosso Senhor do Bonfim e acende velas para santos menos requisitados do sacrário petista, informa Mônica Bergamo (assinantes da Folha). A tática mostra-se ineficaz. Tourinho come poeira nas pesquisas baianas. 

Terra em Transe: O candidato de ACM ao Senado na Bahia, Rodolpho Tourinho (PFL-BA), está usando depoimentos de petistas para alavancar sua candidatura. Já colocou no ar elogios feitos a ele pelos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Delcídio Amaral (PT-MS).

Cadê o meu: Tourinho tem 4%, de acordo com o Ibope. Empata tecnicamente com o cantor Juca Chaves, com 2%. Chaves já declarou que vai levar a Brasília o MST (Movimento dos Sem Teatro) "para quebrar as portas do Senado", além de "lutar para receber R$ 100 mil do Governo do Estado, que me deve de uma campanha que eu fiz e não recebi".

Escrito por Josias de Souza às 07h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De atacado, Eduardo Jorge vira modelo de Dirceu

Enquanto se defende da acusação de chefiar a "quadrilha" do mensalão, formulada pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, o ex-chefão da Casa Civil José Dirceu fará uma cuzada judicial. Sairá no encalço de jornalistas, informa o Painel (para assinantes da Folha):

Dirceu, a missão: José Dirceu prepara ofensiva judicial contra a cobertura jornalística do mensalão e da crise política que resultou em sua queda da Casa Civil e na cassação de seu mandato de deputado. O pacote inclui ações por danos morais contra veículos de comunicação, a começar pela revista "Veja". O advogado encarregado da empreitada é Fernando Lottenberg. Ele tentará trilhar o caminho de Eduardo Jorge, ex-secretário-geral de FHC que processou publicações que o acusaram de cometer irregularidades no governo -na época, Dirceu esteve na vanguarda da crucificação de EJ. Enquanto busca indenização, Dirceu trabalha para recuperar os direitos políticos em duas frentes: no STF e via anistia pela Câmara a partir do ano que vem.

Idéia fixa: Sem prejuízo da artilharia costumeira contra os tucanos, a atual obsessão de José Dirceu em seu blog é outra: "desconstruir" Heloísa Helena (PSOL), que ele tanto lutou para expulsar do PT.

Escrito por Josias de Souza às 06h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Desviaram R$ 1,8 milhão. Juram inocência

- Folha: Aprovação sobe e Lula amplia vantagem

 

- Estadão: Agronegócio cai 1,9% e perde R$ 10,2 bilhões

 

- Globo: Câmara abre processo de cassação de 69 deputados

 

- Correio: Fantasmas e sanguessugas se divertem

 

- Valor: Crédito rural recua pela primeira vez em 10 anos

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Liquidação eleitoral!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tarso: adesão de inimigos sinaliza coalizão maior

  Ricardo Nogueira/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) vê com “naturalidade” o esforço que adversários políticos do PT realizam em alguns Estados para associar sua imagem à de Lula na propaganda eleitoral eletrônica. Acha que o fenômeno aponta para a formação de uma coalizão partidária maior do que se imagina em torno de Lula caso o presidente venha a ser reeleito em outubro.

 

O blog instou Tarso Genro a analisar o fato de políticos "aliados" do tucano Geraldo Alckmin estarem tentando associar suas imagens à de Lula na propaganda de rádio e televisão. “Nós encaramos com naturalidade”, disse o ministro. “Isso mostra que a figura do presidente é muito mais ampla do que o PT e a base social que o apóia”.

 

“De outra parte”, prosseguiu Tarso Genro, “o fenômeno evidencia que o sistema de alianças e coalizões para o próximo período de governo ainda não está definido. Até porque a cláusula de barreira vai reorganizar o sistema político no país. É natural que haja esse tipo de preocupação de partidos presumidamente adversários em regiões do país em que o presidente Lula tem uma aliança mais restrita”.

 

O blog mencionou especificamente os casos do Ceará e de Pernambuco. São Estados onde governadores que teoricamente deveriam apoiar Alckmin –o tucano cearense Lúcio Alcântara e o pefelista pernambucano Mendonça Filho—deram as costas para o presidenciável do PSDB e levaram ao ar no rádio e na TV imagens e áudios de Lula.

 

Embora os petistas de Pernambuco e do Ceará tenham recorrido à Justiça Eleitoral para obter a proibição da apropriação indébita da imagem do presidente, o ministro encara a iniciativa como algo natural. “É democrático que isto esteja acontecendo, disse ele. “Embora saibamos que o episódio mostra a debilidade do sistema político atual, que está muito constrangido por limitações regionais acentuadas nesse período eleitoral”.

 

Para o ministro, a iniciativa dos "aliados" de Alckmin prenuncia “a necessidade de uma reforma política, para que os partidos tenham mais clareza programática e ideológica e não sejam meras articulações regionais, que se fazem e se desfazem ao sabor das eleições”.

 

O jornalista perguntou ao ministro: “Então quer dizer que o senhor acha que o fenômeno indica que a composição em torno do governo será maior depois das eleições?” E Tarso Genro: “Minha opinião é de que sim, porque a clausula de barreira vai reorganizar o sistema partidário imediatamente”.

 

Na opinião do ministro, antes mesmo da reforma política, o tropeço de algumas legendas na cláusula de desempenho (obrigatoriedade de obter pelo menos 5% dos votos na eleição para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em nove Estados) vai rearrumar o quadro partidário “num patamar superior ao sistema atual”. Ele conclui: “Se essa reorganização tiver um cunho mais programático e menos regionalizado, não vejo razões para não pensar que o sistema de alianças em torno do governo pode ser renovador”.

 

A coalizão em torno de Lula vai incorporar políticos que hoje são vistos como adversários?, insistiu o repórter. “Deixo essa conclusão por sua conta”, esquivou-se Tarso Genro. O ministro poderia ter dito simplesmente “não”. Sua esquiva indica que conta com a incorporação de pretensos opositores à base que dará suporte político a Lula num eventual segundo mandato.

Escrito por Josias de Souza às 00h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Deus e o Diabo na terra das trevas

Deus e o Diabo na terra das trevas

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Deus, evidentemente, existe. Mas essa história de que Ele está em toda parte é bobagem. No Congresso quem manda é o Diabo. No início da noite desta terça-feira (22/08), dia em que foram abertos os processos contra os sanguessugas, o Todo-Poderoso cuspiu um raio sobre o templo do adversário. Soou como se quisesse brigar pelo território. Fácil. Não se diz que a voz do povo é a voz de Deus? Pois basta Ele mandar o povo consultar um fonoaudiólogo antes das eleições de outubro.

Escrito por Josias de Souza às 22h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Com a cara na TV, Alckmin conserva pés de chumbo

O Jornal Nacional acaba de divulgar os números da nova pesquisa Datafolha. A exposição no rádio e na TV não vem surtindo o efeito que o presidenciável tucano Geraldo Alckmin imaginava. A cara e a biografia de Alckmin vêm sendo esfregadas no nariz e nas orelhas do eleitor há uma semana. A despeito disso, o candidato continua ostentando pés de chumbo. Vai aumentar a debandada dos aliados que receiam afundar junto com ele nos Estados.

 

Lula conserva a condição de favorito à vitória em primeiro turno. O presidente vem oscilando para cima desde junho. Tinha 44%, foi a 47% e agora está com 49%. Alckmin caíra de 28% para 24% e hoje obtém 25%. É pouco, muito pouco, pouquíssimo para alguém que precisa chegar a pelo menos 35% para provocar um segundo turno. Só para comparar: em agosto de 1998, quando FHC disputava a reeleição, o Datafolha lhe atribuiu 42% das intenções de voto. Lula, seu adversário de então, tinha 26%, um ponto a mais do que a taxa de Alckmin. E foi derrotado no primeiro turno.

 

Para complicar a situação do tucano, o percentual de eleitores que avaliam o governo Lula como ótimo ou bom, que era de 45% no início do mês, saltou para 55% -índice notável para um presidente em fim de mandato. É a melhor taxa de avaliação já atribuída a um presidente desde que o Datafolha começou a fazer esse tipo de medição, em 1990. Em agosto de 1998, no final de seu primeiro mandato, FHC era aprovado por 42% dos brasileiros, uma marca 13 pontos abaixo da que Lula festeja hoje.

 

Por todas as razões, o resultado do Datafolha vai adensar a crise que se formou em torno de Alckmin. A pesquisa não estimula o estancamento da sangria imposta ao presidenciável tucano nos Estados. Ao contrário. A deserção e o corpo mole devem aumentar. De resto, vai se intensificar no eixo tucano-pefelista o já enfadonho debate sobre o tom da propaganda eletrônica.

 

A equipe de marketing de Alckmin decidira “apimentar” a publicidade no rádio e na TV, levando ao ar peças concebidas para refrescar a memória do eleitor em relação aos escândalos da era Lula. Porém, o time que cuida da publicidade eletrônica do tucano programara-se para abrir baterias só dentro de cerca de duas semanas, depois que o candidato adquirisse musculatura nas pesquisas.

 

O problema é que, pesquisa vem, pesquisa vai, Geraldo “Chuchumbo” Alckmin exibe a mesma inanição crônica. E a ensurdecedora cobrança pela antecipação da artilharia vai se intensificar. Aumentará também o drama dos marqueteiros de Alckmin. Receiam que, levando o candidato ao ringue antes do tempo, acabem por consumar o nocaute.

 

O comitê de Lula chega mesmo a torcer para que Alckmin ceda à tentação de iniciar a pancadaria. Ali, avalia-se que, cedo ou tarde, as menções aos escândalos virão. Melhor que seja cedo, acredita o time de marketing de Lula. A tática reforçaria na cabeça do eleitor a impressão de “desespero” do tucanato, facilitando o contra-ataque.

Logo depois do Jornal Nacional, o eleitor foi submetido novamente à propaganda televisiva dos presidenciáveis. Na abertura do programa do PSDB, o locutor disse que, à medida que vai conhecendo a biografia do candidato, o eleitor gosta cada vez mais do “Geraldo”. Não é o que indica o gráfico de mais esta pesquisa.

Escrito por Josias de Souza às 19h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Abertos processos contra deputados sanguessugas

  Alan Marques/F.Imagem
Foram formalmente abertos os processos no Conselho de Ética da Câmara contra os 67 congressistas sanguessugas. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), programou para os dias 4 e 5 de setembro reuniões para o sorteio dos relatores de cada processo.

 

A confiança na impunidade conteve a onda de renúncias massivas que era esperada até a semana passada. Os acusados não se deram nem a trabalho de fugir. No Senado, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), patrocinou uma manobra protelatória que beneficia os três senadores implicados no caso. Renan tentou explicar-se aos jornalistas. Não conseguiu.

Escrito por Josias de Souza às 19h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB do Ceará continua preferindo Lula a Alckmin

O governador tucano do Ceará, Lúcio Alcântara, candidato à reeleição, não parece dar crédito às ameaças de intervenção nos diretórios estaduais do PSDB. Ele continua de costas para Geraldo Alckmin, o presidenciável de seu partido. Só Lula tem vez na propaganda eletrônica de Alcântara.

 

Nesta terça-feira, Alcântara tem direito a veicular quatro inserções publicitárias de 30 segundos cada uma –duas no rádio e duas na TV. As duas primeiras foram ao ar pela manhã. Em ambas a voz e a imagem de Lula irromperam diante do eleitor, tecendo elogios ao governador (para assinantes da Agência Nordeste).

 

Se o tucanato não toma nenhuma providência, o PT apressa-se em agir. Associado à candidatura de Cid Gomes (PSB), o partido de Lula e seus aliados cearenses ingressaram com uma representação contra Alcântara. Querem que a Justiça Eleitoral proíba o candidato tucano de usar a imagem de Lula.

O ex-ministro Eunício Oliveira, que preside o PMDB cearense, outro aliado de Cid Gomes, comentou a estratégia do adversário: “Lúcio quer pegar garupa na popularidade de Lula no Ceará”. Acha que a estratégia “não vai colar” (assinantes da Agência Nordeste). 

Brigado com Lúcio Alcântara, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), mandou um recado ao ex-aliado na noite passada. Discursando no município cearense de Tianguá, Tasso declarou: “Voto PSDB de cabo a rabo”. No comitê de Lúcio Alcântara, aposta-se que, na hora de escolher o governador, Tasso não irá pressionar o número do PSDB na urna eletrônica. Como o voto é secreto, só Tasso e a consciência dele dispõem da resposta. Os grão-tucanos Aécio Neves e José Serra fizeram declarações apaziguadoras. Tentaram minimizar a polêmica em torno da estratégia adotada por Lúcio Alcântara.

Em Pernambuco, outro Estado em que “aliados” de Alckmin vêm preferindo a associação à imagem de Lula no horário eleitoral, o candidato do PFL ao governo estadual, Mendonça Filho, e o candidato ao Senado pelo PMDB, Jarbas Vasconcelos, informaram ao comitê de Alckmin que o candidato será mencionado na propaganda eletrônica mais à frente. Resta saber se não será tarde demais.

Candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo presidenciável do PSDB, o senador pernambucano José Jorge (PFL) aceitou os argumentos de que a utilização da imagem de Lula no pragrama que deveria dar suporte a Alckmin foi taticamente necessária. Ele tem dúvidas quanto à eficácia da estratégia. Mas confia na promessa de que Alckmin será mencionado na propaganda eleitoral pernambuca mais adiante.

"Os candidatos a deputado da coligação já começaram a falar do Alckmin. E o risco de que ele não seja citado no programa das candidaturas majoritárias é zero", disse o senador ao blog. Segundo José Jorge, o PFL enviou aos Estados material de campanha do comitê de Alckmin, com a recomendação de que as peças sejam exibidas nos intervalos entre as inserções dos candidatos a deputado federal. Resta agora saber se a "recomendação" será seguida à risca numa região como o Nordeste, onde Lula prevalece sobre Alckmin na proporção média de 60% a 10%.    

Escrito por Josias de Souza às 17h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Justiça Eleitoral barra candidatura de João Paulo

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

A Justiça Eleitoral negou nesta terça-feira o registro da candidatura do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). O ex-presidente da Câmara, como se sabe, responde a uma denúncia do Ministério Público por suposta participação na “quadrilha” do mensalão. Mas a impugnação de sua candidatura não tem nada a ver com as perversões mensaleiras.

 

João Paulo foi barrado por conta de multas eleitorais que, segundo a Justiça, ele deixou de pagar. O deputado encaminhou ao TRE paulista documentos que atestariam a quitação das multas. Não colou. A impugnação foi mantida. O petista diz que vai recorrer. Em contrapartida, a Justiça Eleitoral manteve o registro da candidatura de Paulo Maluf. O eleitor, se quiser, que o casse na urna.

Escrito por Josias de Souza às 14h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

HH passa Alckmin em pesquisa feita na Bahia

Valter Campanaro/ABr
 

 

Parece que vai se repetindo na Bahia algo que já aconteceu no Rio: o presidenciável Geraldo Alckmin escorrega para o terceiro lugar na preferência do eleitorado. Entre os baianos, depois de Lula agora vem Heloisa Helena.

 

Pesquisa feita pela empresa P&A sob encomenda da TV Itapuã (Rercord) informa que, na Bahia, Lula continua sendo o campeão de intenções de voto: 55,9%. Em segundo lugar viria Heloisa Helena, com 15%. Em terceiro, lá atrás, estaria Geraldo "Chuchumbo" Alckmin: 9,7%.

 

A pesquisa também mediu a preferência do eleitorado baiano na disputa pelo governo do Estado. Paulo Souto (PFL), o candidato do grupo de ACM, lidera com folgas: 55,6%. O segundo colocado é o petista Jaques Wagner, apoiado por Lula: 19,5%. Mantendo-se esse cenário, Souto pode mandar confeccionar a faixa. Será reeleito no primeiro turno.

 

Os números da sondagem baiana, divulgados nesta terça pela Agência Nordeste (para assinantes), contrastam com o otimismo de Alckmin. O candidato diz e reafirma que vai subir nas pesquisas. A Bahia está entre os sete Estados que o comitê tucano vem monitorando com pesquisas diárias.

 

De três uma: ou a P&A, empresa local que fez a pesquisa, errou ou o otimismo de Alckmin está escorado em dados recolhidos nos outros seis Estados em que seu comitê realiza pesquisas ou o candidato tucano ainda não se deu conta do que o espera.   

Escrito por Josias de Souza às 11h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Trair e coçar é só começar

Numa prova de que traição não tem cor partidária, o mesmo tipo de punhal que espeta o costado de Geraldo Alckmin roça o dorso de Aloizio Mercadante. Veja o que informa a seção Painel (para assinantes da Folha):

- Plano B: Com todo o cuidado para não melindrar Aloizio Mercadante, a direção nacional do PT discute alternativa para fortalecer a campanha de Lula em São Paulo: Orestes Quércia. Os dirigentes alegam que o Estado, maior colégio eleitoral do país, é um dos poucos em que o presidente tem apenas um candidato, hoje muito distante do líder, José Serra (PSDB).

O partido espera crescimento de Mercadante, até porque o senador ainda está abaixo da votação histórica do PT em São Paulo, mas entende que, se isso não ocorrer, Lula poderia ganhar votos no interior em parceria "branca" com Quércia. Fala-se até em comitês suprapartidários, como ocorreu em 2002, com material de campanha compartilhado.

Escrito por Josias de Souza às 07h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

 

- JB: Sanguessugas apostam no tempo para evitar punição

 

- Folha: Senado vai abrir processo de cassação de 3 senadores

 

- Estadão: MP pede à Justiça anulação da escolha de TV digital

 

- Globo: Banco Mundial vai negar dinheiro a país corrupto

 

- Correio: Nunca o brasileiro pagou tanto imposto

 

- Valor: Mittal nega oferta aos minoritários da Arcelor Brasil

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rastros da Guerra!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e PFL discutem idéia de intervir nos Estados

A deserção de políticos do PSDB e do PFL à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin abriu na cúpula dos dois partidos uma discussão sobre a conveniência de intervir em diretórios estaduais. A idéia, debatida em segredo, soa mais como ameaça vã do que como algo efetivo. Além de não ser consensual, a tese esbarra na resistência do grupo de auxiliares mais próximos a Alckmin.

Embora desconsolados, os assessores mais chegados ao candidato fazem uma leitura realista do quadro eleitoral. Acham que o apoio a Alckmin não virá por decisões impostas manu militari. Avaliam que eventuais intervenções em diretórios estaduais apenas agravariam o problema. O único modo de conter a debandada seria uma recuperação nas pesquisas de opinião.

 

A crise em torno de Alckmin cresceu por conta de uma decisão tomada pelo governador tucano do Ceará, Lúcio Alcântara. Rompido com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), Alcântara, além de esconder Alckmin na sua propaganda eletrônica, levou ao ar nesta segunda-feira imagens do adversário Lula.

 

Dando corda à disseminação no Estado de comitês batizados de Lu—Lu (Lula para a presidência e Lúcio para o governo), Alcântara expôs na televisão imagens de um discurso em que Lula cobre-lhe de elogios. Foi feito por no município cearense de Missão Velha em 6 de junho, no lançamento da pedra fundamental da Ferrovia Transnordestina. Logo a Transnordestina, uma das obras que compõe o discurso negativo usado pelo tucanato para tentar desqualificar Lula. O próprio Alckmin já mencionou o projeto ao listar o que chama de realizações “de mentirinha” do governo petista, uma “propaganda enganosa”.

 

Alcântara realçou no programa o entendimento "permanente" dos governos estadual e federal. Disse possuir "ótimo relacionamento" com Lula. E arrematou: "Quero continuar contando com a parceria do governo federal e, sobretudo, com a parceria do povo cearense (...)".

 

Entre quatro paredes, Tasso Jereissati destila irritação ao referir-se a Alcântara. O ex-aliado dá de ombros. Ouvido pelo blog, um auxiliar de Alcântara disse que Tasso perdeu a autoridade para palpitar sobre os rumos da campanha ao tentar retirar o governador da disputa à reeleição. Quis convencê-lo a concorrer ao Senado, facilitando a candidatura adversária de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes.

 

Ao tentar associar a sua imagem à de Lula, Alcântara repete expediente usado por Mendonça Filho (PFL) em Pernambuco, Estado do vice de Alckmin, José Jorge (PFL), e do coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra (PSDB). Há uma semana, Mendonça, em tese um aliado de Alckmin, também levou ao ar imagens de Lula.

 

Acionada, a Justiça Eleitoral proibiu o PFL pernambucano de mostrar Lula em seu programa. Para contornar a proibição, a propaganda de Mendonça passou a citar Lula. Nesta segunda-feira, o locutor do programa realçou a suposta “parceria” que une Mendonça a Lula. Mencionou duas “obras importantes”: a Refinaria da Petrobras e, de novo, a mesma Transnordestina que o tucanato chama de “obra de papel”.

 

Repete-se com o PSDB o fenômeno que infelicitou a candidatura presidencial de José Serra em 2002. Alckmin acha que os quintas-colunas mudarão de comportamento a partir de sua recuperação nas pesquisas. Munido de dados internos, o candidato confia que a subida virá. O otimismo depende, porém, do teste das pesquisas.

Uma nova sondagem será divulgada pelo Datafolha nesta semana. Também o instituto Sensus registrou no TSE uma nova pesquisa. Haverá ainda dois levantamentos de âmbito estadual. A pedido do Diário do Grande ABC, o instituto Toledo e Associados fará uma pesquisa em São Paulo. Perguntará sobre a intenção de voto para presidente e para governador. O mesmo será feito em Goiás pela firma Serpes Pesquisas de Opinião, contratada pelo jornal O Popular.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Só dois sanguessugas renunciam ao mandato

 

 

Dos 72 parlamentares acusados pela CPI das Sanguessugas de envolvimento com a máfia das ambulâncias só dois renunciaram ao mandato. Um deles, Coriolano Sales (PFL-BA), batera em retirada na semana passada. O outro, Marcelino Fraga (PMDB-ES), fugiu da raia pouco antes da meia-noite desta segunda-feira, prazo limite para a renúncia antes da abertura dos processos por quebra de decoro parlamentar.

 

Na semana passada, esperava-se por uma fuga em massa. Mas a maioria dos acusados achou melhor se defender no exercício do mandato. A decisão nada tem a ver com convicções pessoais de inocência. Longe disso. Baseia-se num cálculo político.

 

Os acusados concorrem à renovação dos mandatos nas eleições de outubro. Renunciando agora, interromperiam o processo no Conselho de Ética. Mas eles serão reabertos na próxima legislatura. Assim, a fuga seria inútil. Melhor permanecer no Congresso, desfrutando de salários, gabinete, funcionários pagos com verbas públicas, auxílio moradia e cotas de telefone e de correspondências.

 

Atendendo a um pedido do Ministério Público, o STF autorizou a abertura de inquérito para aprofundar as investigações em relação a mais 27 sanguessugas. 

Escrito por Josias de Souza às 00h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Genoino reaparece e diz que mensalão não existiu

Depois de um ano de reclusão, o ex-presidente do PT José Genoino, candidato a deputado federal, reapareceu em público na noite desta segunda-feira. Foi a uma livraria para o lançamento do livro “Entre o Sonho e o Poder”, escrito a partir de uma coletânea de depoimentos que deu à jornalista Denise Paraná.

Genoino autografou o livro ao lado de Paraná. Entre as pessoas que fizeram fila para obter uma dedicatória estavam petistas que vão às urnas –Aloizio Mercadante (governo de São Paulo), Eduardo Suplicy (Senado) e Ângela Guadagnin (Câmara)— e um petista que já não pode disputar eleições –José Dirceu.

Assediado por jornalistas, Genoino voltou a negar que o PT, sob sua presidência, tenha se envolvido em corrupção. "O PT não praticou mensalão, o PT não comprou voto de deputado, o PT não fez troca financeira no Congresso Nacional", disse. Ele não chegou a dar detalhes sobre a origem e o destino dos R$ 55 milhões em verbas de má origem que Delúbio Soares injetou nas arcas do PT.

Resta ler o livro. Talvez haja em suas páginas alguma explicação lógica. No mais, convém aguardar pela defesa de Genoino e de outros grão-petistas no processo aberto em Brasília a partir da denúncia do Ministério Público contra os 40 integrantes daquilo que o procurador-geral Antonio Fernando de Souza chamou de “quadrilha” do mensalão.

Escrito por Josias de Souza às 23h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula recebe apoio de artistas no Rio

Reunidos com Lula na noite desta segunda-feira, cerca de 40 artistas deram seu apoio à reeleição. Deu-se no Rio, na casa do ministro Gilberto Gil (Cultura). Mal as cortinas se abriram, Gil foi tratando de deixar clara a motivação do encontro. "Isso aqui é uma reunião de trabalho eleitoral, trabalho pela reeleição", disse, sob aplausos dos presentes. Entre os presentes estavam: os cantores Otto e Jorge Mautner, o cineasta Roberto Farias, as atrizes Letícia Sabatella e Renata Sorrah e os atares Tonico Pereira, Sérgio Mamberti e Marcos Winter.

PS.: o Estadão (para assinantes) desta terça-feira trouxe uma lista mais fornida do beija-mão: "Estiveram presentes, entre outros, os atores Paulo Betti, Arlete Salles, Renata Sorrah, José de Abreu, Tonico Pereira e Bete Mendes; os músicos Jards Macalé, Jorge Mautner, Rildo Hora, Zeca Pagodinho (com o filho Eduardo), Alcione e Fernanda Abreu; a modelo Luiza Brunet, com o marido Armando Fernandez; o casal de produtores de cinema Lucy e Luiz Carlos Barreto; os cineastas Roberto Farias e Katia Lund; e os teatrólogos Augusto Boal e Amir Haddad".

Escrito por Josias de Souza às 23h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Esquecido, Francenildo vive drama do desemprego

Folha Imagem
 

 

Passada a fase dos holofotes, Francenildo dos Santos Costa, o caseiro que destronou o ex-todo-poderoso Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, migrou da condição de herói da oposição para a de abandonado. Desempregado, Francenildo vive de bicos em Brasília.

 

O último trabalho que o caseiro obteve foi a limpeza de um jardim. Deu-se há duas semanas. O dinheiro que recebera do pai entre janeiro e março –R$ 25 mil—, está nas últimas. E o inquérito que apura as responsabilidades pela violação ilegal de seu sigilo bancário encontra-se na mesma situação de quatro meses atrás.

 

Francenildo ganhou notoriedade ao desmentir Palocci publicamente. Afirmou que, ao contrário do que dissera, o então ministro esteve, sim, na mansão do lobby em que integrantes da República de Ribeirão Preto promoviam negócios e festas em Brasília. Depois, teve o seu sigilo bancário violado. E, a partir da publicação de reportagem da revista Época, em março, passou a conviver com a suspeita de que recebera os R$ 25 mil para denunciar Palocci.

 

Inquirido pela PF, o pai biológico de Francenildo, Eurípedes Soares da Silva, confirmou ter enviado o dinheiro para Francenildo, derrubando as suspeitas de que os depósitos tivessem vindo de políticos da oposição. Em 19 de abril, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da Polícia Federal, responsabilizou Palocci, em relatório parcial, pela violação do sigilo de Francenildo. Apresentou o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, e o ex-assessor de imprensa da Fazenda, Marcelo Netto, como co-autores.

Palocci foi indiciado pela prática de quatro crimes: violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário, prevaricação e denunciação caluniosa. Mattoso foi indiciado por violação de sigilo funcional e quebra de sigilo bancário, este último crime também imputado a Marcelo Netto.

O relatório subiu para as mãos da juíza Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa, da 10ª da Justiça Federal de Brasília. A papelada foi manuseada por procuradores do Ministério Público, retornou à Justiça e, desde 12 de julho, está à espera de um despacho da juíza devolvendo-o ao delegado Carneiro Gomes, para que ele conclua o inquérito.

 

Só então o Ministério Público poderá denunciar Palocci, Mattoso e Netto, transformando o inquérito num processo judicial. Será aberto prazo para a inquirição dos réus e das testemunhas arroladas por eles. Vai daqui, vai dali, estima-se que o veredicto não será conhecido antes de dois anos.

 

Enquanto Francenildo engrossa as estatísticas do desemprego, Palocci está na bica de obter um emprego novo. Candidato a deputado federal pelo PT de São Paulo, o ex-ministro é visto por seu partido como um dos favoritos na guerra por uma vaga na Câmara. Se obtiver êxito, além do mandato, ganha foro privilegiado. Só poderá ser julgado pelo STF.

 

Assessorado pelo advogado Wlício Chaveiro Nascimento, Francenildo foi à Justiça para exigir indenização da revista Época (R$ 4 milhões) e da Caixa (R$ 17,5 milhões). O processo corre em Brasília. Enquanto aguarda por uma decisão, o caseiro continua procurando emprego. Seu advogado acha que são escassas as chances de que venha a ter sucesso:

 

“Por sua qualificação técnica, o trabalho que procura é braçal. Mas ficou a imagem de que ele é uma pessoa que fala, além da suspeita infundada de que recebeu dinheiro para falar. Mesmo no meu meio, as pessoas dizem: ‘Ah, eu jamais empregaria um cara desses’.”, diz Wlício.

 

E quanto à oferta de ajuda feita por ex-integrantes da CPI dos Bingos? “Vários políticos disseram que ele precisava de ajuda –uma casa, um emprego. Mas isso foi na época. Hoje, ele está encarando sozinho a verdadeira dificuldade”, diz o advogado.

Escrito por Josias de Souza às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Assessor de Lula já teve os seus dias de Serra

Abespinhada com a exploração que o petismo faz da frase que José Serra disse em entrevista à Globo, a assessoria do candidato tucano julga ter encontrado munição para o revide. O tucanato tirou do baú uma batatada pronunciada em 7 de fevereiro de 2003 por José Graziano, então ministro da Fome de Lula.

 

Graziano participara de encontro promovido pela Fiesp. Defendeu o desenvolvimento de áreas pobres do Nordeste. Em seguida, pespegou: "Temos que criar emprego lá, temos que gerar oportunidade de educação lá, temos que gerar cidadania lá. Porque, se eles continuarem vindo pra cá (São Paulo), nós vamos ter de continuar andando de carro blindado."

 

A frase causou muito barulho. Graziano viu-se obrigado a dar explicações. Divulgou, no mesmo dia, uma nota. Disse que não teve a intenção de soar preconceituoso em relação aos nordestinos. O caso foi bem relatado em texto do repórter João Batista Natali, na Folha.

Escrito por Josias de Souza às 16h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vista todos têm, visão nem todos

O senador Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato favorito ao governo do Rio, participou nesta segunda-feira de sabatina promovida pela Folha. Apoiado pelo casal Garotinho, Cabral disse que não vê problema na associação de seu nome ao de Anthony e Rosinha. Eis aí o grande problema: o fato de o candidato não enxergar nenhum problema.

Escrito por Josias de Souza às 15h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Festas brasileiras

Artigo de João Sayad na Folha desta segunda (assinantes):

"Todos os anos, o Carnaval é a mesma coisa. Mudam as cores das plumas, os sambas-enredo são diferentes, mas é a mesma coisa. Em junho, as festas caipiras. Homens com bigodes pintados a carvão, meninas com tranças e laços de fita, "padre", quadrilha e casamento. Há muito tempo, iguais.

Difícil interpretar o significado dessas festas. No caso do Carnaval, uma catarse coletiva com data marcada. Nas festas caipiras, homenagem a santo Antônio, que pregava para os peixes, a são João e a são Pedro.

Antigamente, era a revista "Manchete" que publicava as fotos dos concursos de fantasia no Teatro Municipal do Rio. Asas, paetês, caudas imensas e os mesmos comentários-fantasias caríssimas, trabalho de ano inteiro etc.

Hoje, Carnaval e festas juninas saem na "Caras" e em jornais que ninguém lê no Carnaval. São fotos de caipiras sorridentes, de calça remendada e camisa xadrez (mais "country" do que caipira). Nas fotos carnavalescas, sorrisos debochados ou provocantes. Difícil saber do que estão rindo. O sentido de uma festa é a própria festa. Não adianta procurar por mais nada.

A propaganda eleitoral que começou na semana passada virou uma festa brasileira. Brasileiros brancos, negros, evangélicos, ex-funcionários públicos, aposentados, políticos desde sempre, gordos e magros, com barba ou sem ela, caras comuns ou surpreendentes, surgem na televisão, falando as mesmas coisas. Sou o candidato do desenvolvimento, da saúde, da educação, do combate à corrupção, da mudança. Não esqueça, vote no 45, no 13, no 70. Vote no 2512, dia do Natal, fácil de lembrar.

Falam depressa, olhar fixo no "prompter", como artistas amadores, representando um personagem difícil e que não conhecem. Depois vêm os filmes -campos de soja com imensas colheitadeiras, fábricas modernas, favelados agradecidos, operários de uniforme, agricultores sorridentes, estradas bem pavimentadas, acompanhados por jingles em ritmo de samba ou de baião.

Desta vez, poucos candidatos professores universitários. Nenhum padre, nenhum intelectual. Números diferentes e discursos iguais. Os programas eleitorais nos enchem de ternura igual à que sentimos quando pegamos a roupa de um filho jogada no chão, o cigarro do pai no cinzeiro, a bolsa da mulher cheia de coisas inúteis. Parecem coisas vivas, a presença concreta da pessoa querida através de seus pequenos defeitos.

No horário eleitoral, o Brasil em pessoa, sonhando com as mesmas coisas de sempre, entra na sala pela televisão como uma porta-bandeira rebolando ou um Jeca Tatu de camisa xadrez".

Escrito por Josias de Souza às 07h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

 

- JB: A fatura da bancada da arma

 

- Folha: Em reduto mensaleiro, Lula esconde ex-líder do PT;

 

- Estadão: Líbano diz que punirá quem atacar Israel;

 

- Correio: Aumenta pressão contra terceirização do Estado

 

- Valor: Governo quer mudar lei para acelerar licitações

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais. 

Escrito por Josias de Souza às 06h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois do Delúbio, a bonança!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oito ex-ministros de Lula são candidatos à derrota

Lula ostenta nas pesquisas entre 45% e 47% das intenções de voto. Sua gestão é bem avaliada por mais 40% dos brasileiros. O prestígio não foi, porém, transferido aos políticos que passaram pelo primeiro escalão do governo. Oito ex-ministros de Lula concorrem aos governos de seus respectivos Estados. Todos arrostam dificuldades eleitorais. A maioria flerta com a derrota.

São cinco petistas – Olívio Dutra (RS), Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE), Nilmário Miranda (MG), e José Fritch (SC) –, um socialista –Eduardo Campos (PE)— e dois peemedebistas –Romero Jucá (RR) e Amir Lando (RO). De todos, Olívio Dutra é o que exibe condição menos vexatória.

Ex-ministro das Cidades, Dutra disputa o governo do Rio Grande do Sul com Germano Rigoto (PMDB). Os dois travam uma espécie de tira-teima. Rigoto derrotou outro petista, Tarso Genro, em 2002. Agora, O Ibope atribui a Rigoto 28% das intenções de voto, contra 21% de Dutra, que se mantém vivo na disputa.

Em Pernambuco, Humberto Costa, ex-ministro da Saúde, epicentro do escândalo das sanguessugas, disputa o governo com Mendonça Filho (PFL). Na última pesquisa do Ibope, Costa oscilou para baixo –foi de 24% para 22%. Mendonça Filho moveu-se para cima, de 32% para 34%. O pefelista cavalga o prestígio do ex-governador Jarbas Vasconcelos, de quem foi vice. Jarbas deixou o governo com índices de aprovação roçando a casa dos 70%. Disputa o Senado com 69% da preferência do eleitorado.

Na terceira posição em Pernambuco vem Eduardo Campos (PSB), outro ex-ministro de Lula. Ocupou a pasta da Ciência e Tecnologia. Escalou cinco pontos, subindo de 14% para 19%. Numa projeção de eventual segundo turno, Mendonça Filho bateria os dois ex-auxiliares de Lula se a eleição fosse agora. Venceria Costa por 47% a 37%. Contra Campos, emergiria das urnas com margem mais folgada: 49% a 34%. 

Descendo no mapa, chega-se à Bahia do petista Jaques Wagner. Ali, O Ibope informa que ex-ministro das Relações Institucionais de Lula pode perder no primeiro turno para Paulo Souto (PFL), candidato do grupo de ACM. As pesquisas dão ao ex-ministro 21% dos votos. Seu adversário desfruta de folgados 56%. Lula atribui à Bahia importância estratégica. Gostaria de impor uma derrota a ACM, que o chama de “ladrão” dia sim e outro também. O presidente fez comício em Salvador e gravou uma mensagem de apoio a Wagner. Mas, por ora, mantém-se o cenário de derrota.

 

Outros quatro ex-ministros arriscam-se a extrair das urnas vexames homéricos. Em Minas, o petista Nilmário Miranda (Direitos Humanos) freqüenta as pesquisas com 7%, percentual irrisório diante dos 72% atribuídos ao tucano Aécio Neves. Em Santa Catarina, o também petista José Fritsch (Pesca) figura nas sondagens em terceiro lugar, com 5% dos votos. O primeiro colocado, Luiz Henrique (PMDB), tem 39%.        

Em Roraima o ex-ministro Romero Jucá, que representou o PMDB na pasta da Previdência, perde para Ottomar Pinto (PSDB) de 37,8% por 14%. E em Rondônia, o senador Amir Lando, outro peemedebista que passou Previdência está cerca de 45 pontos percentuais atrás de Ivo Cassol (PPS). Isso a despeito das suspeitas que rondam Cassol, investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento nas malfeitorias detectadas pela Operação Dominó.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula ataca Serra; Alckmin defende e alfineta Lula

Lula fez comício em Osasco (SP) neste domingo. É o reduto eleitoral do deputado João Paulo “R$ 50 mil” Cunha. A estrela mensalista do PT encontrava-se no palanque, escondido atrás de outros candidatos a deputado federal. Lula tratou de ignorá-lo.

 

Pediu voto para Aloizio Mercadante, candidato ao Palácio dos Bandeirantes, e Eduardo Suplicy, que concorre ao Senado. E nada de João Paulo. "Eu não posso ficar fazendo propaganda de deputado porque tem muitos aqui atrás do palco", justificou-se, conforme relato do repórter Raimundo de Oliveira.

 

Lula aproveitou para tirar uma casquinha de José Serra, o adversário de Mercadante. Evocou a entrevista em que Serra atribuiu à migração as deficiências do sistema educacional do Estado. "Há candidato em São Paulo que vai para a TV vomitar preconceito contra o povo nordestino que tanto ajudou a construir São Paulo", bateu Lula. "Sou nordestino de Pernambuco e tudo o que tenho devo a São Paulo."

 

Coube a Geraldo Alckmin sair em defesa de Serra. O presidenciável tucano classificou de "totalmente descabida" a afirmação de Lula. "Se há um povo que não tem preconceito é o povo brasileiro", disse Alckmin, durante visita à escola de samba paulistana Império da Casa Verde.

Ensaiando o novo timbre de sua campanha, noticiado aqui no blog, Alckmin disse que Lula deu as costas para o povo brasileiro, para a Justiça e para os bons costumes. "Ele trabalhou ao lado do Waldomiro [Diniz], do mensalão, dos sanguessugas, de todos esses escândalos. Isto que é o fato, isto que é grave."

A despeito da inanição que ostenta nas pesquisas de opinião, Geraldo “Chuchumbo” Alckmin disse estar otimista. E acrescentou: "Tem candidato aí com o salto 15, eu vou nas sandálias da humildade."

Escrito por Josias de Souza às 19h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin vira ‘Álckmi’ nos muros de Belo Horizonte

 

 

O comitê de campanha do presidenciável tucano fez bem em enfatizar na publicidade oficial o “Geraldo” em detrimento do “Alckmin”. A foto acima, enviada ao blog por um de seus 22 leitores, mostra que, nos muros de Belo Horizonte, o candidato do PSDB vem sendo rebatizado de “Álkimi”. Se é assim em Minas, terra de José Maria Alckmin, o político que chegou ao Ministério da Fazenda sob Juscelino Kubitschek, imagine-se o que deve estar ocorrendo, por exemplo, no Nordeste, a região em que o candidato, além de desconhecido, é solenemente ignorado até pela propaganda eletrônica de seus aliados!  

Escrito por Josias de Souza às 18h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ipea: Brasil continua vulnerável a crises externas

Autoridades do governo Lula vêm sustentando há meses a tese de que a economia brasileira, por “sólida”, está imune aos efeitos de uma eventual crise financeira internacional. Estudo feito pelo Ipea, instituto de pesquisas vinculado ao Ministério do Planejamento, revela que a coisa não é bem assim.

O estudo analisa os fatores que pesaram na definição das taxas de risco de 24 países emergentes no período de 1998 a 2005. Ao final, o documento lista as nações que estão “mais vulneráveis a um choque de percepção de liquidez e risco”. As economias mais expostas a eventuais crises externas são: Nigéria, Brasil, Equador, Ucrânia, Venezuela, Uruguai, Panamá, Argentina, Rússia, Turquia, Bulgária, Indonésia, Peru e Colômbia.

O estudo traz a assinatura de quatro economistas: Kátia Rocha, Roberto Siqueira, Felipe Pinheiro e Leonardo Carvalho. Anotam que, em 2006, os países emergentes lograram alcançar “o nível mais baixo de spreads soberanos de todos os tempos”. Chegou-se a esse cenário graças a “uma conjuntura extremamente favorável”, que combina “alta liquidez internacional” e “baixa percepção de risco dos investidores”, além da melhoria relativa dos fundamentos econômicos dos países.

“Todavia”, anota o texto do Ipea, “a questão crucial para esses mercados (emergentes) recai na sustentabilidade dos níveis dos spreads em razão de diversos choques externos como os de liquidez, aversão ao risco e os referentes à desaceleração econômica mundial capitaneada pelo alto preço do petróleo”. A resposta encontrada foi a de que os países em desenvolvimento, o Brasil entre eles, estão, sim, vulneráveis a uma eventual crise externa.

Na lista dos países que seriam mais afetados por uma crise internacional de liquidez o Brasil aparece em sétimo lugar, atrás apenas de Ucrânia, Nigéria, Rússia, Equador, Bulgária e Turquia. No quadro das nações mais vulneráveis a eventuais choques de risco, o Brasil é o segundo da lista, depois da Nigéria.

Entre os fatores de risco que pesaram na definição da vulnerabilidade a que cada país está exposto pesaram fatores ligados às boas técnicas de “governança”. Incluem a eficiência dos governos, a qualidade da regulação estatal, o aparato legal e o controle da corrupção.

Pressione aqui para ler a íntegra do estudo do Ipea. É leitura para especialistas. A peça está impregnada de fórmulas matemáticas. Contém termos tais como “heterocedasticidade” e “autocorrelação serial dos resíduos”.

Escrito por Josias de Souza às 18h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Os cegos decerto estão adorando

A julgar pelas avaliações de Cesar Maia, poucos eleitores estão gostando da propaganda presidencial televisiva: só os cegos. O grau de aprovação cresce entre os cegos que são também surdos. Abaixo, a visão do alcaide sobre o programa da noite de sábado:

 

1. As primeiras damas –senhoras Marisa e Lu— ainda não apareceram. Nas campanhas presidenciais nos EUA a esposa é presença obrigatória;

2. Lula continua mostrando o que fez nos últimos 50 anos;

3. Alckmin continua com sua biografia. Agora sabemos onde ficava o barbeiro da cidade em que nasceu;

4. Finalmente alguém trata de segurança pública. E foi a Heloisa Helena em seu minguado minuto;

5. Sempre que seu bebê estiver com dificuldade para dormir, embale-o durante o programa do Cristovam Buarque. Vai dormir logo.

 

Quem não é cego logo vê que CM só tem olhos para HH.

Escrito por Josias de Souza às 11h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Mutilados da guerra brasileira

- Folha: Endividamento chega ao limite e inibe crescimento

- Estadão: Atividade cai e PIB não deve passar de 3,5%

- Globo: Eleições - Justiça investiga 43% da bancada federal do Rio

- Correio: Parentes de deputados na farra das nomeações

- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Robô anti-roubo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula já tem pronta uma estratégia contra baixaria

À espera de uma bateria de ataques de Geraldo Alckmin, que considera “previsíveis”, Lula definiu com sua equipe a estratégia da reação. Decidiu-se que, em princípio, o revide será feito fora dos programas de rádio e televisão. Concluiu-se que o uso da propaganda eletrônica para responder a eventuais investidas de Alckmin daria ao oponente um cartaz que as pesquisas de opinião não lhe atribuem.

 

Os responsáveis pelo marketing da campanha de Lula repassaram-lhe a avaliação de que a opção pela “baixaria”, longe de melhorar a posição de Alckmin, tende a complicar-lhe a vida. Passará ao eleitorado a sensação de “desespero” diante da perspectiva da derrota.

 

A equipe de Lula considera, de resto, que o presidente, sob bombardeio intenso desde maio do ano passado, está imune a questionamentos no campo da ética. Escândalos como o do mensalão e o da máfia das ambulâncias, que o comitê de Alckmin decidiu explorar, atingem mais o Congresso do que o Executivo.

 

Reza a boa técnica do marketing que, antes de chamar o oponente ao ringue, o candidato desafiante precisa fortalecer a sua musculatura. Algo que, na opinião do comitê de Lula, Alckmin ainda não conseguiu. As pesquisas feitas por encomenda da equipe de marketing do PT indicam que o presidenciável tucano já desfruta de taxas de conhecimento superiores a 60%. A imagem que o eleitorado tem dele, porém, é fluida. A maioria ouviu falar de Alckmin, mas não o identifica como uma alternativa consistente a Lula.

 

Em bom marquetês, a língua dos marqueteiros, diz-se que a imagem de Alckmin ainda não estaria “implantada” na cabeça do eleitor. Partir para a briga em tais condições, segundo o raciocínio da equipe de Lula, é algo tão arriscado quanto o desafio de um peso pena a um peso pesado do boxe. Avalia-se também que: 1) Alckmin não tem o perfil de um “brigador”; 2) a munição de que dispõe é velha; e 3) Lula teria desenvolvido “anticorpos”.

 

Decidiu-se tentar reforçar nos próximos programas de rádio e televisão a “taxa de imunização” de Lula contra o esperado surto de agressões do tucanato. Debruçados sobre as pesquisas, os marqueteiros de Lula concluíram que o governo recebe aprovação superior a 40% da população mais por conta de iniciativas tópicas como o Bolsa Família e o Pró-Uni do que por sua consistência global.

 

A intenção é levar ao ar peças publicitárias que concebidas para convencer o eleitor de que a gestão Lula, para além dos programas pontuais, seria ampla, coordenada e consistente. Combinaria a solidez econômica à perseguição de objetivos sociais. Imagina-se que, vendida essa idéia, reduz-se enormemente a chance de que os ataques dos adversários venham a ameaçar as pretensões eleitorais de Lula.

 

Sob a aparente tranqüilidade do comitê de Lula esconde-se um arsenal contra Alckmin. “Ninguém vai à guerra sem reunir munição”, disse ao blog um dos cabeças da campanha reeleitoral. Os disparos só serão feitos, porém, caso as avaliações iniciais se mostrem equivocadas. O "Plano B" prevê investidas contra a imagem de bom administrador que Alckmin se esforça em propalar.

 

O auxiliar de Lula informou qual seria a linha de um eventual contra-ataque: “Se tiver que bater, o primeiro passo é abrir um debate político-administrativo. Desconstruir o governo Alckmin é muito fácil. Sua administração em São Paulo está repleta de obras de papel. Passa pelos setores de segurança, saúde e educação”.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A irrelevância da mídia

A irrelevância da mídia

No Planalto

 

A indústria da informação, sobretudo a impressa, está numa encruzilhada. Com a circulação estagnada, os jornais lutam para seduzir novos leitores. O público, porém, emite sinais de que considera o conteúdo dos jornais cada vez mais irrelevante.

 

Na época em que o país estava submetido a três poderes efetivos –Exército, Marinha e Aeronáutica— costumava-se atribuir à imprensa importância capital na cruzada da resistência. Ao ecoar as ruas na campanha das Diretas-já, os jornais ajudaram a empurrar a farda de volta para os quartéis.

 

Restabelecida a democracia, o Collorgate tonificou a musculatura dos meios de comunicação. Teve-se a impressão de que a imprensa exercia, de fato, o quarto poder.

 

Sob FHC, a imprensa tardou a acordar. Só depois de uma fase de namoro se deu conta de que estava diante de um presidente afeito à maleabilidade ética.

 

A caída em si não foi generalizada. Alcançou apenas parte da mídia. Ainda assim, sobrevieram os escândalo da compra de votos da reeleição, as privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”, as malversações da Sudam e outras cositas.

 

Graças à exposição negativa, FHC é hoje um dos ex-presidentes mais impopulares. Tão impopular que o PSDB cuida de escondê-lo na campanha. Escalando essa aversão, Lula chegou à presidência em 2002. E com ele veio a má notícia para a imprensa: o brasileiro deu as costas para o noticiário, eis a novidade.

 

Poucos governos mereceram da mídia exposição tão negativa quanto a administração petista. As perversões atribuídas ao PT e a Lula foram alardeadas à saciedade. A despeito disso, o eleitorado atribui ao presidente um volume de intenções de voto que, por ora, humilha os concorrentes. Humilha também a mídia.

 

Poder-se-ia argumentar que o eleitor pobre de Lula não lê jornal. Bobagem. A crise ética ganhou também nos meios de comunicação eletrônicos. E não há casebre brasileiro que não disponha de um aparelho de rádio ou de televisão.

No segundo semestre de 2005, os analistas políticos tiraram do noticiário que produziram as suas próprias confusões. Onze em cada dez comentaristas difundiu a idéia de que a reeleição de Lula estava ameaçada.   

Vítima de si mesma, a mídia está na bica de virar, ela própria, notícia. Sua “desimportância” reclama estudos e análises aprofundadas. Seu propalado poder de influência, seu festejado papel de formador de opinião está em xeque.

Como que exausto da reiteração dos escândalos, o (e)leitor emite sinais de que já não vê diferença entre os políticos. Considera-os, indistintamente, corruptos. Priorizam os seus interesses pessoais em detrimento de valores coletivos como a ética.

Se os meios de comunicação fossem levados a sério, Lula deveria estar debatendo agora com os tribunais, não com os eleitores. Acomodados num dos pratos da balança, em contraposição aos escândalos, os feitos de seu governo até poderiam conferir-lhe certa competitividade eleitoral. Mas o favoritismo que ostenta, por ora acachapante, é o sinal mais eloqüente de que os meios de comunicação tornaram-se irrelevantes aos olhos da maioria da sociedade.

Escrito por Josias de Souza às 20h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Vedoin continua com o ‘falador’ aberto

  Sérgio Lima/F.Imagem
Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e chefão da máfia das ambulâncias, deu entrevista à Veja (para assinantes). Encrencou mais um senador –Antero Paes de Barros (PSDB-MT)—, deu detalhes sobre a atuação facilitador José Airton Cirilo, do PT cearense, e reafirmou que o ex-deputado Emerson Capaz (PSDB e, posteriormente PPS) –“Tratei diretamente”. Leia abaixo algumas das declarações de Vedoin:

- Campanhas e negócios: Um candidato a deputado federal gasta entre 2 e 3 milhões para se eleger. Como vai pagar essa dívida com um salário de R$ 15 mil? Ele já chega tentando fazer algum tipo de negócio (...). Muitos tinham total familiaridade com o esquema das emendas. Alguns já diziam: "Eu quero um porcentual da emenda que for indicada, te levo aos prefeitos para você armar as licitações e fazer a venda". Era negócio, um toma-lá-dá-cá. Não tinha amizade, não tinha conversa. Em geral, eles recebiam 10% do valor da emenda apresentada.  

- Presentes: O deputado Wanderval Santos (PL-SP) pediu para pagarmos uma parcela da prestação da BMW dele – e nós pagamos cerca de R$ 50 mil. No caso do Lino Rossi (PP-MT), ele tinha se separado e estava montando uma nova casa. Passou numa loja, gastou 7.000 reais em fogão, geladeira, microondas, cafeteira, e pediu para a gente pagar. Tínhamos um acordo maior com o Lino Rossi.

- Antero: No caso de Mato Grosso, além das emendas individuais, havia as emendas de bancada. Foi aí que entraram outros parlamentares, como o senador Antero (Paes de Barros, PSDB-MT). Meu pai conversou pessoalmente com o senador, que era o líder da bancada do estado. O acordo era para a totalidade das emendas da bancada, que somavam 3,8 milhões de reais. Antero apresentou R$ 400 mil e tínhamos de dar R$ 40 mil de comissão. Ele pediu para passarmos o dinheiro diretamente para o Lino Rossi, que, naquele tempo, era do mesmo partido que ele (PSDB). Todos ali tinham consciência do que estava sendo feito.  

- José Airton Cirilo: Ele dizia que a liberação de nosso dinheiro no ministério só sairia com o pagamento de um porcentual. E conseguiu liberar não só esse dinheiro, mas vários empenhos de emendas ao Orçamento. O Cirilo não tinha nem mandato, mas atuava em vários órgãos (...). No Ministério das Comunicações, na gestão de Eunício Oliveira (PMDB), ele conseguiu liberar o empenho para a compra de alguns ônibus. Ele dizia que tinha canal direto com o ministro. Só sei que o empenho saiu e nós pagamos um porcentual ao Cirilo.  

- Kapaz: Tratei diretamente. Assim que fui apresentado, ele logo falou em comissão. Lembro que até paguei parte de um flat que ele havia comprado, em Brasília. Nesse caso, inclusive, houve pagamento a mais, porque as emendas dele não saíram, por causa de cancelamento.  

- Escândalo acabará com os desvios do Orçamento? Eu gostaria, mas acredito que não. Se acabarem as emendas individuais, ainda continuarão as emendas de bancada, os recursos extra-orçamentários. Sempre vai haver um conchavo, uma negociata.

Escrito por Josias de Souza às 20h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Llosa: sem Fidel, Cuba vira ditadura capitalista

 

 

O jornal argentino La Nacion publica neste sábado artigo em que Mario Vargas Llosa discorre sobre o que, a seu juízo, deve ocorrer em Cuba depois da morte de Fidel Castro. Chama-se "O princípio do fim". Se o escritor estiver certo em suas digressões, o povo cubano está condenado a escorregar de uma ditadura de esquerda para outra de direita, capitalista, controlada pelos mesmos militares que hoje se excedem em mesuras ao redor do leito de Fidel Castro. Com o apoio dos EUA.

 

Vargas Llosa se exime de especular sobre as reais condições de saúde de Fidel. Limita-se a fazer considerações sobre o que pode ocorrer depois da morte do ditador. “Cuba será livre, sem dúvida, mais cedo do que tarde”, diz o escritor, “mas não por pressão de um povo sedento de liberdade, nem pelo heroísmo de grupos de cidadãos idealistas”. O processo será “tão pouco ideológico como uma hemorragia intestinal do companheiro chefe”.

 

Para Vargas Llosa, a sociedade cubana está anestesiada. “Quase meio século de regulamentação, doutrinamento, tutela, censura e medo adormecem o espírito crítico e até a mais elementar aspiração de liberdade de um povo que, por três gerações, não conhece outra verdade que não as mentiras da propaganda oficial nem parece ter outros ideais que não os mínimos da sobrevivência cotidiana ou a fuga desesperada até as praias do inferno capitalista” dos EUA.

 

Remando contra a maré, Vargas Llosa anota em seu artigo que o governo Bush está menos interessado na democratização de Cuba do que tenta fazer crer. “Não só o pequeno círculo de oligarcas comunistas que cercam Fidel Castro acende velas nesses dias para as virgens e os santos do céu marxista, para que sua vida se prolongue; Bush e companhia também”, afirma.

 

“A triste verdade”, escreve Vargas Llosa, “é que a democratização de cuba, nos momentos atuais, para os EUA só significaria uma monumental dor de cabeça”. O receio de uma migração massiva de cubanos para as suas praias imporia aos norte-americanos a “monumental tarefa de ajudar a ressuscitar uma economia combalida por “quase cinqüenta anos de centralismo, estatismo e dirigismo”.

 

A hipótese de Cuba adotar o modelo chinês –economia capitalista sob um governo comunista— é tratada por Vargas Llosa como “ilusória”. Uma abertura econômica tão radical, diz ele, teria em Cuba, à diferença do que ocorreu na China, “efeitos políticos imediatos e provocaria uma agitação social atiçada desde Miami que dificultaria e paralisaria os investimentos indispensáveis para assegurar o crescimento econômico e a criação de emprego”.

 

O mais provável, é que “se estabeleça em Cuba uma ditadura militar de corte clássico, que, prescindindo de cartadas ideológicas, busque um acordo com os EUA, prometa evitar as migrações massivas para o Norte e, para manter as aparências, organize eleições 'democráticas' de maneira ritual, como as que organizava o PRI, no México, durante o seu reinado de 70 anos.” É, na opinião de Vargas Llosa, “a pior desgraça” que poderia suceder ao “infeliz povo cubano”: passar de uma ditadura comunista a uma ditadura capitalista, sob jugo militar.

 

“A democratização, quando vier, adotará uma trajetória sinuosa, confusa, pouco heróica, e talvez se dê a dolorosa circunstância de que aqueles que a propiciem e administrem não sejam um punhado de resistentes, de limpas e generosas credenciais, mas, principalmente, os próprios cachorros da ditadura, esses filhos da revolução que (...) rivalizam agora no servilismo ao redor da cama de Fidel Castro”. Uma gente que, avalia Vargas Llosa,  “já começa a sentir-se, no fundo da alma, cada vez menos comunistas e cada vez mais (...) social-democrata (a maneira politicamente correta de dizer capitalista)”.

 

“Oxalá me equivoque”, finaliza Vargas Llosa, "mas creio que Cuba ainda tem um enorme caminho a percorrer antes de –como diria Borges– merecer a democracia”.

Escrito por Josias de Souza às 19h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em vídeo, Lula chama os Sarney de 'mentirosos'

 

Alinhados com Lula no plano nacional, PT, PSB e PC do B impuseram ao presidente um enorme constrangimento no Maranhão. Levaram ao ar na propaganda eleitoral televisiva um vídeo de 2002 que mostra Lula desancando a família Roseana Sarney e o pai dela, José Sarney. Chama-os de mentirosos.

 

Lula discursava num comício em Imperatriz (MA). Ele viajara à cidade para dar apoio ao petista Jomar Fernandes, que disputava a prefeitura local. A certa altura, pôs-se a teorizar sobre o prestígio de Roseana, à época governadora do Maranhão.

 

“Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês”, disse Lula. “Eu, quando vejo na imprensa de São Paulo as pesquisas dizendo que a Roseana Sarney é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão... Eu conheço o Maranhão, gente. Eu já andei de carro e de ônibus neste Estado (...). Aí eu fico imaginando por que é que ela aparece bem nas pesquisas. Sabe por que? Por que a Globo é do pai dela, o SBT é do (Edson) Lobão, a Bandeirantes é não sei de quem. Ou seja, é a televisão falando bem deles o tempo inteiro. É por isso que ela lidera as pesquisas. Porque passa o tempo inteiro, descaradamente, mentindo na televisão”.

 

O descompostura de Lula foi levada ao ar na noite desta sexta-feira (18-8), no programa eleitoral de Edson Vidigal. Ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Vidigal disputa o governo maranhense contra Roseana, numa coligação que reúne, além do PSB, seu partido, o PT e o PC do B. Pressione aqui para assistir à peça de campanha que inclui a fala de Lula.

 

Seis anos depois de chamar os Sarney de “mentirosos”, Lula é hoje um aliado da família. Em junho, enviou uma carta à convenção do PFL que sacramentou o nome de Roseana como candidata ao governo maranhense. Diz o texto: “Não podendo, infelizmente, comparecer à convenção que a escolherá como candidata ao governo do Maranhão, pedi para me representar o senador José Sarney. Ninguém poderia exercer esse papel melhor do que ele, seu pai, o meu prezado amigo senador José Sarney, que tem apoiado e defendido meu governo em todos os momentos”.

 

Lula anotou ainda na carta: Sarney “transmitirá, em meu nome, os meus votos de sucesso e de congratulações ao povo do Maranhão”. Inconformado, o PT local acusou Sarney de falsificar a assinatura do presidente no documento. O Planalto, porém, confirmou que o texto e a assinatura eram autênticos.

 

De acordo com o Ibope, Roseana vai às urnas como favorita à vitória no primeiro turno. Teria 63% das intenções de voto. O segundo colocado é Jackson Lago (PDT), com 23%. Vidigal surge em terceiro, com 3%. A sondagem do Ibope será questionada na Justiça Eleitoral na próxima semana.

 

Embora seu partido (PFL) esteja aliado no plano nacional a Geraldo Alckmin, Roseana esquiva-se de vincular a sua campanha à do presidenciável tucano. O pefelê local prefere vincular sua candidata a Lula. Daí a decisão de Vidigal de expor as contradições de Lula na TV. Curiosamente, Vidigal ingressou na política pelas mãos de Sarney, a quem serviu como assessor na presidência da República. Ingressou na magistratura também graças a Sarney. Hoje, é um dos mais ferrenhos opositores da família no Maranhão.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em discurso, Lula diz que vence no primeiro turno

  Alan Marques/F.Imagem
Lula sempre recomendou aos aliados que reagissem com comedimento ao favoritismo de sua candidatura. Pedia ao petismo que evitasse o salto alto. Pois na noite passada o presidente escalou, ele próprio, o sapato.

 

Falando a uma platéia de sindicalistas, em São Paulo, Lula cantou vitória. Previu que baterá Geraldo Alckmin. Evocou uma parceria com o Todo-Poderoso para fazer votos de que o triunfo ocorra em primeiro turno.

"Um general que tem a tropa que eu tenho, representada por vocês, não tem que ter medo da disputa. A luta poderá ser até difícil, mas a vitória é certa. Muito obrigado companheiros e até a vitória, se Deus quiser em primeiro de outubro", disse Lula.

 

Lula recomendou aos aliados que coloquem a caneleira: "Eu sei que eles (a campanha de Geraldo Alckmin) vão vir para cima de nós dando canelada, porque time que está perdendo parte para o ataque, chuta, quer dar cabeçada. O meu papel é ficar tranquilo, não fazer falta, não agredir ninguém, não sofrer pênalti.... Pode colocar caneleira que eles vão vir com tudo", afirmou.

 

A turma de Geraldo Alckmin está, de fato, afiando as chuteiras. Mas, por ora, quem desce a porrada mesmo são os seguranças contratados pelo PT para proteger-se de enxeridos em seus eventos. Um grupo de trabalhadores ousou portar uma faixa com dizeres que não agradaram ao petismo. Levou chutes, socos e empurrões. Deu-se antes da chegada de Lula. Imagine se o presidente já estivesse lá... 

Escrito por Josias de Souza às 09h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Contas do crime serão rastreadas

- Folha: Governo quer congelar as contas de facção criminosa

- Estadão: SP finaliza projeto que privatiza presídios

- Globo: TRE do Rio ameaça proibir sanguessugas em eleição

- Correio: Severino é rei na farra dos cargos

- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lamaçal eleitoral!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comitê de Alckmin decide apimentar programa de TV

   Daniel Kfouri/F.Imagem
Parodiando Lula, Geraldo Alckmin disse em duas oportunidades (aqui e aqui) que o lema de sua campanha seria “paz, amor e trabalho”. O comitê eleitoral tucano resolveu acrescentar um ingrediente à mistura: pimenta. O resultado vai ao ar no programa televisivo de Alckmin dentro de cerca de duas semanas.

 

Para tornar a propaganda eletrônica mais picante, a equipe de marketing que assessora Alckmin decidiu preparar peças tratando dos principais escândalos que permearam a gestão Lula: caso Waldomiro Diniz, corrupção nos Correios, mensalão, dólar na cueca e até o caso dos congressistas sanguessugas.

 

O que se discute agora é como e quando fazer. Os próximos programas de Alckmin continuarão martelando a biografia do candidato e seus planos para o Brasil. Avalia-se que essa é a combinação que pode levar a eleição para o segundo turno. A menção aos escândalos virá como tática subsidiária.

 

Não há a intenção de transformar o programa de Alckmin num festival de denúncias. Mas concluiu-se que, para se contrapor ao argumento de Lula de que os escândalos são mera decorrência das deficiências do modelo político, convém refrescar a memória do eleitor.

 

Os casos devem ir ao ar na voz do locutor, não na de Alckmin. O comitê tucano dispõe de uma fornida videoteca das CPIs. As fitas contêm cenas como a confissão de Duda Mendonça de que recebeu dinheiro de má origem de Marcos Valério no exterior (assista aqui e aqui). Mas não há, por ora, intenção de levá-las ao ar.

 

A invasão de militantes do MLST às dependências do Congresso, outro episódio que servirá de condimento para o programa televisivo de Alckmin, deve ter tratamento diverso. Neste caso, não se exclui a hipótese de exibir as cenas na televisão. A intenção é associar o líder do movimento, Bruno Maranhão, ao PT e ao próprio Lula.

 

Quanto ao timing, os planos da equipe de marketing não contemplam a exploração dos “pontos fracos” de Lula antes de 15 ou 20 dias. Antes do início da "fase chuchu com pimenta" Até lá, imagina-se no comitê de Alckmin, o presidenciável tucano terá crescido nas pesquisas. De acordo relato feito por integrante da equipe de Alckmin ao blog, parte-se do raciocínio de que, antes de lançar o candidato ao ringue, é preciso fortalecer-lhe a musculatura.

 

Nesta sexta-feira, Alckmin recebeu de sua equipe os resultados de uma pesquisa telefônica feita pelo Ibope, por encomenda do comitê, em sete capitais. Os números pareceram-lhe alvissareiros. Vêm sendo consultadas diariamente 2.000 pessoas. A média ponderada dos últimos dois dias indicaria um crescimento do presidenciável tucano. Alckmin aparece com 30%; Lula com 44%.

 

Os percentuais destoam da pesquisa do Ibope divulgada na noite desta sexta pelo Jornal Nacional (textovídeo) –21% para Alckmin e 47% para Lula. Embora esta sondagem seja mais confiável –foi feita em todo território nacional e não é telefônica— o time de marketing de Alckmin informou ao candidato que seus números, mais recentes, captariam uma tendência de alta. Algo que só as próximas pesquisas nacionais poderão atestar. O Datafolha fará novo levantamento na semana que vem.

 

A decisão de “apimentar” o programa televisivo de Alckmin é um indicativo de que os políticos que cercam o candidato começam a exercer maior influência sobre o marketing da campanha. Até aqui, os marqueteiros vinham resistindo à idéia de veicular ataques diretos a Lula. Pretendem fazê-lo à sua maneira, relegando as menções aos escândalos a um segundo plano na programação geral, que manterá a linha “propositiva”. Mas o simples fato de admitirem o uso da pimenta é uma evidência de que a campanha de Alckmin está na bica de transpor o rubicão. Algo que vem sendo reivindicado sobretudo pelos aliados do PFL.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Com TV, Alckmin não caiu, mas também não subiu

A última pesquisa Ibope, divulgada há pouco pelo Jornal Nacional trouxe uma má notícia para o candidato tucano Geraldo Alckmin. O início da exposição no rádio e na televisão ainda não lhe rendeu um mísero ponto percentual nas pesquisas.

Alckmin continua com os mesmos 21% que ostentava antes do horário eleitoral eletrônico. Lula oscilou para cima, dentro da margem de erro da pesquisa. Foi de 46% para 47%.

 

No comitê de campanha do tucanato, argumenta-se que só as próximas pesquisas irão captar convenientemente os efeitos da propaganda do candidato. O Datafolha fará nova sondagem na semana que vem.

 

Enquanto isso, o barco de Alckmin vai fazendo água nos Estados. Embora associados ao PSDB, candidatos a governos estaduais, à Câmara e ao Senado esquivam-se de grudar a imagem pessoal ao semblante de um “aliado” que, por ora, tem a cara da derrota.

 

Heloísa Helena manteve os 12% que detinha na pesquisa anterior. A despeito da pregação cívica de Cristovam Buarque em favor da educação, o candidato conservou a mesma estatura dos outros dois nanicos do pleito, Luciano Bivar e José Maria Eymael. Todos têm 1%.

 

O Ibope foi à rua no dia 15, mesmo dia da estréia dos presidenciáveis no rádio e na TV. Ouviu 2.002 eleitores até o dia 17. Seus pesquisadores percorreram 140 municípios.

 

Na corrida para o governo de São Paulo, o Ibope detectou uma oscilação para baixo nos índices de intenção de voto de José Serra. Mas o candidato tucano mantém o favorismo

Escrito por Josias de Souza às 19h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mercadante e Serra se ‘engalfinham’ no rádio

O velho Mao Tse-Tung dizia que “a política é guerra sem derramamento de sangue, enquanto que a guerra é a política com derramamento de sangue”. Os dois principais contendores da disputa pelo governo de São Paulo enveredaram por um caminho que, se mantido, pode subverter a lógica do Mao.

 

Nesta sexta-feira, a propaganda de Aloizio Mercadndato (PT) levou ao ar no rádio a polêmica suscitada pela frase de José Serra (PSDB) acerca dos efeitos da migração na qualidade do ensino público em São Paulo: “É um absurdo achar que a má qualidade do ensino é culpa do aluno. É como falar que o fracasso da seleção brasileira na Copa é culpa dos torcedores brasileiros".

Na opinião de Mercadante, a encrenca da educação não é do migrante, mas dos 12 anos de sucessivos governos tucanos em São Paulo. Depois, os locutores do programa radiofônico de Serra o defenderam: "Já começaram a inventar um monte de mentira sobre Serra, porque ele está lá em cima nas pesquisas. Mas mentira tem perna curta." 
Essa briga promete (clica).

Escrito por Josias de Souza às 16h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Eleições de 2006 viram jogo de esconde-esconde

À medida que vai evoluindo a propaganda eletrônica, as eleições de 2006 vão se transformando num imenso e constrangedor jogo de esconde-esconde. Lula esconde o PT. Alckmin esconde FHC. “Aliados” do PSDB se escondem de Alckmin nos Estados. Mensalistas, sanguessugas e outros bichos escondem o passado e o presente. Só ao eleitor não é dado o direito de se esconder.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Obcecado por HH, CM dedica-se ao amor livre

O alcaide Cesar Maia (PFL) segue cultivando o seu amor eleitoral platônico pela presidenciável do PSOL. Afaga e aconselha Heloisa Helena quase que diariamente em seu boletim eletrônico, distribuído via e-mail. Nesta sexta-feira, ele anotou:

 “Cara senadora Heloisa Helena, sabia que seu crescimento entre os evangélicos é significativo? Talvez por seu 'quase não maquiar'. Pelas pernas sempre cobertas. Por seu 'quase terninho branco'. Pelo seu jeito 'obreira' ou 'pastora' de ser.

 

Lembro que, outro dia, você dizia que seu socialismo você aprendeu na Bíblia. Uma sugestão. Fale isso mais vezes e use personagens e referências como exemplos. Entre os evangélicos você está passando para segundo e pode ser mais rápido”.

 

O alto tucanato desconfia que CM aderiu a uma nova modalidade de relacionamento político: o amor livre eleitoral. Um grão-tucano disse ao blog: “Vá lá que o prefeito não queira ajudar o Geraldo (Alckmin). É homem e é feio. Mas se ele se julga tão entendido em marketing, deveria ensinar o caminho à juíza Denise Frossard, que é candidata dele.”

 

Taí, faz sentido! Coligada ao PFL de CM, Frossard come poeira na disputa pelo governo do Rio. Em respeito à fidelidade eleitoral, o prefeito talvez se anime a ensinar a ela, por exemplo, o que deve ser feito para arrancar os votos evangélicos do Rio do colo de Marcelo Crivella (PRB). A juíza não tem a cara lavada de HH, mas também traz “as pernas sempre cobertas”. E tem um quê de "obreira" ou de "pastora".

Escrito por Josias de Souza às 14h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

3,2 mi fogem da propaganda política em SP

É compreensível que o brasileiro fuja do horário eleitoral televisivo. Nem todo mundo gosta do que vê quando está diante do imenso espelho em que se transformou o hilário, digo, o horário eleitoral. Daí o fenômeno relatado pelo repórter Daniel Castro (na Folha, para assinantes):

"Pelo menos 3,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo deixaram de assistir à TV aberta entre 20h30 e 21h20 nos dois primeiros dias de horário eleitoral. Cerca de 45% dessa população simplesmente desligou a TV. O restante manteve a TV ligada, mas não em canais abertos _provavelmente, em DVDs, videogames e TV paga.

Na terça-feira anterior à da estréia da propaganda política, dia 8, 72% dos televisores da Grande SP estavam ligados entre 20h30 e 21h20. Na última terça, com o horário eleitoral, esse índice caiu para 59%. Ou seja, 13% do total de televisores da Grande SP, que representam cerca de 1,4 milhão de telespectadores, foram desligados.

Dos 59% de televisores ligados, só 43% sintonizaram no horário eleitoral. Isso quer dizer que 16% de todas as residências da Grande SP mantiveram suas TVs ligadas, mas em outras mídias (DVD, videogame etc). Esses 16 pontos percentuais representam 880 mil domicílios.

Como no horário nobre é razoável calcular dois telespectadores por domicílio, isso quer dizer que mais 1,8 milhão de pessoas não viram a propaganda eleitoral, embora tenham usado o televisor. Anteontem, os números repetiram os de terça. A novela das oito da Globo, "Páginas da Vida", diferentemente dos programas das outras TVs exibidos depois do horário eleitoral, vem mantendo a mesma audiência da semana anterior".

Escrito por Josias de Souza às 07h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: PM usa 420 homens em bloqueio a Copacabana

- Folha: Acordos salariais batem inflação, diz Dieese

- Estadão: Exército do Líbano volta ao sul; ONU faz apelo

- Globo: TSE diz que candidatos fazem propaganda enganosa na TV

- Correio: Silêncio indecente

- Valor: Guerra judicial marca campanhas eleitorais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Federalização da delinqüência!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Abandonado no Nordeste, Alckmin tenta conter crise

  Lula Marques/F.Imagem
A campanha de Geraldo Alckmin está, de novo, em crise. O presidenciável tucano vê na propaganda televisiva um trampolim capaz de levá-lo ao segundo turno. A expectativa não é, porém, compartilhada por seus “aliados” nos Estados. Os políticos resistem em associar sua imagem à de Alckmin.

Esperava-se que a propaganda eletrônica de Alckmin fosse ecoada nas inserções publicitárias estaduais. Mas os candidatos que integram a aliança dão de ombros para Alckmin. Fogem da associação com um presidenciável que freqüenta as pesquisas com cara de derrotado.

 

O fenômeno é mais forte no Nordeste, região em que Lula ostenta índices de intenção de voto que oscilam na faixa de 60% a 70%, contra percentuais de 11% a 15% atribuídos a Alckmin. Ouvido pelo blog, Agripino Maia, líder do PFL no Senado, esboçou uma explicação:

 

“Os candidatos proporcionais (postulantes à cadeira de deputado estadual e federal) estão no fio de navalha. Qualquer fator negativo pode tirá-los da disputa. Por essa razão, têm o receio de se escorar em quem está por baixo nas pesquisas”. Acha que a sistuação vai se inverter no instante em que Alckmin recuperar terreno nas pesquisas. A dúvida é: será que ele sobe?

 

O Alto comando do tucanato enxergou a luz vermelha nesta quinta-feira, ao constatar o comportamento de seus aliados em Pernambuco. Além de ignorar Alckmin, a publicidade televisiva do governador Mendonça Filho (PFL), candidato à reeleição numa coligação que inclui o PMDB e o PSDB, levara ao ar na véspera imagens de Lula.

 

Para o PSDB, a aliança pernambucana era a mais azeitada do Nordeste. É de Pernambuco o candidato a vice de Alckmin, senador José Jorge (PFL). É pernambucano também o senador Sérgio Guerra (PSDB), coordenador da campanha de Alckmin. De resto, a aliança em Pernambuco conta com o ex-governador Jarbas Vasconcelos, ferrenho defensor da opção por Alckmin no PMDB.

 

Com tantos fatores favoráveis, Pernambuco era o último Estado em que o PSDB esperava arrostar o abandono prematuro que se espraia por todo Nordeste. O blog ouviu também Jarbas Vasconcelos. O Ibope atribui a ele 69% das intenções de voto na disputa por uma cadeira no Senado. Funciona como uma espécie de pé-de-cabra para a candidatura governamental de Mendonça Filho (PFL).

 

A exemplo de Agripino, Jarbas atribui as dificuldades de Alckmin às pesquisas: “O presidente Lula está lá em cima”, diz ele. Em Pernambuco, o presidente prevalece sobre Alckmin na proporção de 70% contra 11%. Mas Jarbas nega que tenha abandonado Alckmin. Diz ter levado Lula ao ar por necessidade tática.

 

Jarbas explicou que o PT difunde em Pernambuco a idéia de que as obras mais vistosas do Estado devem-se a Lula. A imagem exibida na propaganda eleitoral de Mendonça Filho mostrou o presidente na solenidade de lançamento da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobrás. Ao lado de Jarbas, Lula disse que sua colaboração foi fundamental para a viabilização da obra.

 

“O PT se comporta como se Lula tivesse chegado a Pernambuco antes de Cabral. Foi preciso botar a imagem do Lula dizendo que eu tinha sido um parceiro fundamental para que a refinaria tivesse vindo para cá”, disse Jarbas. “Entendo a preocupação do comitê nacional de Alckmin. Mas é preciso entender que precisamos consolidar a nossa posição antes de ajudar o candidato à presidência”.

 

Jarbas diz que Alckmin aparecerá no programa da coligação pernambucana “no momento oportuno”. Alega que enfrenta dois aliados “competitivos” de Lula: Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB). Ambos candidatos ao governo. “Fazemos uma campanha racional”, diz ele. Acha que, para ser útil a Alckmin, precisa primeiro se contrapor ao petismo local. Mas promete: “Não vamos esconder o candidato à presidência. Se Alckmin realizar aqui qualquer evento de campanha, vai entrar na televisão com destaque”.

Escrito por Josias de Souza às 03h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MP pede inquérito contra mais 27 sanguessugas

Conforme antecipado aqui no blog no último dia 10, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou nesta quinta-feira ao STF um novo lote de pedidos de inquérito contra congressistas sanguessugas. Somaram-se aos 57 parlamentares contra os quais já há inquéritos abertos outros 27 nomes.

 

Caso o Supremo autorize os novos inquéritos, a lista de parlamentares sob investigação por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias subirá para 84. É um número maior do que os 72 que a CPI das Sanguessugas implicou em seu relatório. Fernando de Souza manteve os nomes dos novos encrencados sob sigilo.

Escrito por Josias de Souza às 23h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TSE condena Lula a pagar multa de R$ 900 mil

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em julgamento realizado na noite desta quinta-feira, o TSE condenou Lula a pagar uma multa de R$ 900 mil. É mais do que todo o patrimônio declarado do presidente, de R$ 839 mil. A decisão foi tomada pela maioria dos ministros que compõem o plenário do tribunal. Foram quatro votos pela condenação e dois pelo arquivamento do processo.

 

O julgamento é resultado de uma representação protocolada no TSE pelo PSDB sob o número 875. O tucanato acusou o presidente de fazer propaganda eleitoral antecipada ao editar, em dezembro de 2005, um jornal em formato tablóide que enaltecia os feitos de seu governo.

 

Sob o título “Brasil, um país de todos”, com 36 páginas, o jornal foi planejado e distribuído pelo Gabinete Civil da Presidência (Dilma Rousseff), Ministério do Planejamento (Paulo Bernardo) e Secretaria Geral da Presidência (Luiz Dulci). A condenação imposta a Lula equivale ao custo estimado da publicação, que teve um milhão de exemplares.

Relator do caso, o ministro José Delgado deu razão ao tucanato. Considerou que o tablóide da Casa Civil infringiu a lei eleitoral. Disse estar convencido de que o tablóide do governo faz "louvor aos feitos do chefe do Poder Executivo, longe de se caracterizar como propaganda de cunho educativo".

O ministro anotou ainda em seu voto: "Reconheço a direta responsabilidade do presidente da República pela concretização da propaganda, uma vez que a responsabilidade pela publicação e distribuição é da chefia da Casa Civil, de seu secretário-geral e do ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, órgãos sob as ordens diretas do representado".

Gerardo Grossi, um dos ministros que se opôs ao voto do relator, tentou argumentar que, o tablóide fizesse alusão ao governo de Fernando Henrique Cardoso, seria natural que um governo fizesse comparações com o outro. Disse, de resto, que, à época da publicação (dezembro), Lula ainda não era candidato. Haveria apenas uma expectativa de candidatura à reeleição.

Não colou. Além de Grossi, só o ministro Ricardo Lewandowski divergiu do relator. Os demais acompanharam a decisão favorável à condenação de Lula. O blog apurou que Lula irá recorrer da decisão ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Escrito por Josias de Souza às 22h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Petista do RN apóia Garibaldi, algoz de Lula

  Roosewelt Pinheiro/ABr
A direção Nacional do PT descobriu a presença de um “cavalo de Tróia” nas suas fileiras. Deu-se no Rio Grande do Norte. João Dehon da Silva, ex-prefeito do município de Grossos e líder destacado do PT no interior do Estado, está trabalhando em favor da candidatura de Garibaldi Alves (PMDB).

 

Ex-relator de uma CPI que causou grandes dores de cabeça a Lula –a comissão dos Bingos—, Garibaldi é, por ora, favorito na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. Está coligado com o PFL, que apóia nacionalmente a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. É adversário da governadora Wilma Faria (PSB), que disputa a reeleição com o apoio do PT. O petismo começou a se articular para expulsar o ex-prefeito Dehon, que anunciou publicamente o apoio a Garibaldi na terça-feira.

 

Entre todos os expoentes de CPIs que apuraram perversões do PT e do governo Lula, só Garibaldi vai às urnas de 2006 em condições competitivas. O petista Delcídio Amaral, que presidiu a comissão dos Correios, disputa o governo de Mato Grosso do Sul. Por ora, é batido nas pesquisas por André Puccinelli, do PMDB.

 

Amir Lando (PMDB), ex-presidente da CPI do Mensalão e, mais recentemente, relator da comissão das Sanguessugas, concorre ao governo de Rondônia em franca desvantagem em relação ao favorito Ivo Cassol (PPS). A despeito das suspeitas de envolvimento no escândalo descortinado pela “Operação Dominó”, Cassol lidera as pesquisas.

As pesquisas não vêm premiando também outros parlamentares que, embora não tenham ocupado postos de direção nas CPIs, tiveram farta exposição na bancada de inquisidores. É o caso de Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado. Na corrida pelo governo do Amazonas, Virgílio é o terceiro colocado. Está atrás de Eduardo Braga (PMDB) e Amazonino Mendes (PFL).

O mesmo ocorre com Denise Frossard (PPS) e Eduardo Paes (PSDB), respectivamente terceira e quarto colocados nas sondagens eleitorais que medem as intenções de voto na disputa pelo governo do Rio. Perdem para Sérgio Cabral Filho (PMDB), favorito, e Marcelo Crivella (PRB), segundo colocado.

 

Como se vê, ao contrário do imaginam muitos, os holofotes de CPIs não iluminam o caminho que conduz aos votos.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Oposição pede inquérito contra Paulo Okamotto

  Sérgio Lima/F.Imagem
PSDB, PFL e PPS acabam de ingressar no Ministério Público Federal com uma representação contra Paulo Okamotto, presidente do Sebrae. Acusam-no de ter prestado falso testemunho ao depor à CPI dos Bingos em novembro do ano passado.

A ação é assinada pelos presidentes do PSDB, Tasso Jereissati; do PFL, Jorge Bornhausen (SC); e do PPS, Roberto Freire (PE). Este último, em viagem a Curitiba, é representado, por meio de procuração, por Bruno Medeiros, advogado do PPS. A representação contém em seus anexos vídeos e transcrições do depoimento de Okamotto à CPI e da entrevista de Lula ao Jornal Nacional, no último dia 10.

Depondo à CPI sob juramento, Okamotto, amigo de Lula, reconheceu ter liquidado uma dívida do presidente com o PT no valor de R$ 29,4 mil. Apertado pelos parlamentares, disse ter agido à revelia de Lula. Negou que houvesse conversado com o presidente a respeito do débito e de sua decisão de pagá-lo.

O tema voltou à tona na 11ª pergunta da entrevista de Lula ao JN. Fátima Bernardes perguntou: “O seu amigo Paulo Okamoto disse que teria pago uma dívida do senhor de R$ 30 mil, uma dívida que o senhor nem reconhece. Pelas suas declarações entregues à Justiça Eleitoral o senhor poderia até ter pago essa dívida. Por que o senhor deixou então ele arcar com esse prejuízo?

E Lula: “Primeiro, porque ele admite que cometeu um erro de não ter descontado na minha indenização quando eu me afastei do PT. Segundo, eu não devo ao PT, portanto eu não deveria pagar. O que eu disse é o seguinte: quer pagar você paga porque eu não vou pagar, porque não devo ao PT”.

Ou seja, Lula desmentiu o amigo Okamotto. A oposição enxergou na contradição uma oportunidade para devolver ao noticiário um tema que considera espinhoso para o Planalto. Para Tasso Jereissati, “ou Okamotto cometeu perjúrio, ou Lula mentiu”. Acha que, se Okamotto não desmentir Lula, “deve ir para a cadeia”.

Pela lei, o crime de falso testemunho sujeita o infrator a pena de um a três anos de reclusão. Antes, é necessário que o Ministério Público acolha a representação dos partidos oposicionistas. Mais que isso: é preciso que se convença de que, de fato, Okamotto mentiu à CPI.

“O país precisa ser levado a sério”, diz Roberto Freire. “O presidente da República não pode ser desmentido por um funcionário qualquer. Do mesmo modo que um funcionário, sob juramento numa CPI, não pode cometer crime de perjúrio sem que isso seja esclarecido. Okamotto disse que Lula não sabia de coisa nenhuma. Lula disse que sabia e que mandou que ele fizesse o que bem entendesse. Isso não pode ficar sem esclarecimento. O Ministério Público tem que abrir o inquérito para apurar”.

PSDB, PFL e PPS enxergam na representação levada ao Ministério Público a oportunidade de retomar o debate acerca da necessidade de quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto. A CPI dos Bingos tentou. Mas foi barrada pelo STF. A suspeita é a de que Okamotto tenha resgatado a dívida de Lula com verbas provenientes do valerioduto.

A senadora Ideli Salvati (SC), líder do PT no Senadora, disse que a representação contra Okamotto serve apenas para demonstrar o "desespero" da oposição, que insiste numa tática que já se demonstrou "absolutamente improcedente".

Escrito por Josias de Souza às 16h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Verdades que se esqueceram de acontecer

Os eleitores mais céticos ainda não enxergaram na publicidade televisiva dos candidatos muitas verdades nas quais se deva acreditar. Mas já começam a ser detectadas mentiras inacreditáveis.

 

Lula, por exemplo, parece não ter aprendido nada com 2002. Prometera criar 10 milhões de empregos. Como a verdade se esqueceu de acontecer, ele agora diz no programa de TV que criou 6 milhões de novos empregos.

 

Em estatística divulgada no mês de maio, o Ministério do Trabalho previra fechar o ano com 5 milhões de empregos. E de onde vem o resto? A assessoria de Lula diz que considerou também os empregos informais. Ah, bom! Falta só explicar qual foi o levantamento formal de que se valeu a campanha para mensurar o emprego informal. 

 

A exemplo de Lula, Alckmin também conhece mais coisas do que a realidade é capaz de demonstrar. Sua propaganda televisiva contou, por exemplo, que o tucanato fez 19 novos hospitais em São Paulo. Noves fora os prédios inacabados, cujas obras foram retomadas, e os que foram ampliados, os hospitais verdadeiramente novos são contados em dois. O programa de Alckmin também fala em 225 mil casas populares entregues. O portal do governo paulista diz que foram 165.608. Quer mais? Então, clica.

Escrito por Josias de Souza às 14h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cadeia, um lugar dos bandidos ou do Estado?

Geraldo Alckmin parece mesmo decidido a jogar em costas alheias as culpas pelo descalabro da segurança pública de São Paulo. No programa eleitoral televisivo deste início de tarde, repisou a tecla de que, uma vez eleito, mudará a legislação. Quer endurecer o tratamento dispensado aos presos. O bandido precisa saber, disse Alckmin, que “o lugar dele é na cadeia”. O discurso está invertido. A bandidagem presa já trata a cadeia como um lugar todinho seu. É de lá que o crime coordena as ações que lhe dão projeção global. A dúvida é saber se o Estado ainda consegue provar que a cadeia é sua, não dos marginais. 

Escrito por Josias de Souza às 12h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

É tão bom que Lula parece não acreditar

Quem informa é o Dieese: as negociações salariais do primeiro semestre de 2006 foram as melhores já obtidas pelos trabalhadores nos últimos dez anos. Das 271 negociações para recomposição salarial monitoradas pelo Dieese nos primeiros seis meses deste ano, algo como 96% resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação (leia o estudo completo). A notícia é tão boa que Lula não acredita. No programa eleitoral televisivo da hora do almoço, o presidente falou justamente de salários. Mas mirou suas atenções só no mínimo, “um dos melhores dos últimos 40 anos”.

Escrito por Josias de Souza às 12h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Efeito Lula

Muita gente só vê televisão para fugir da realidade. Por sorte, a realidade também começou a fugir da televisão. Subiu no telhado o debate entre os presidenciáveis organizado pela Record. A emissora avalia que, com a fuga de Lula, talvez dê mais audiência manter o telespectador no mundo da Lua. Leia o que informa Daniel Castro (para assinantes da Folha):

"A decisão do presidente Lula de não participar de debates no primeiro turno e a falta de confronto no evento realizado pela Band na última segunda-feira levaram a Record a reavaliar se realiza ou não o seu, agendado para o próximo dia 4. Uma reunião foi convocada para a próxima segunda para bater o martelo sobre o assunto.

As chances de a Record promover um encontro entre os presidenciáveis caíram a "menos de 50%" nesta semana, de acordo com um executivo da rede, depois do debate da Band, que, avalia, foi apenas um bate-papo entre candidatos.

A Record teme principalmente que, sem Lula, seu debate dê menos de dez pontos no Ibope, o que derrubaria sua média das noites de segunda e favoreceria o SBT. O debate da Band deu quatro pontos.

A Record também poderá cancelar o debate entre candidatos ao governo de São Paulo, previsto para 11 de setembro. A emissora tem que convidar 13 dos 16 candidatos, mas só quer reunir os seis mais bem colocados nas pesquisas. O problema é que não está conseguindo costurar um acordo de compensação de tempo de exposição na TV com os "nanicos".

A estréia do horário eleitoral, anteontem, marcou 42 pontos no Ibope na edição noturna. Na terça anterior, as TVs abertas somaram 68 pontos no mesmo horário (20h30/21h20)".

Escrito por Josias de Souza às 11h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Câmara mantém ‘cabidão’ de 600 apaniguados

Assim, não há cafezinho que chegue. Reportagem de Fabíola Góis e Lucio Vaz, do Correio Braziliense (para assinantes), informa o seguinte:

"Seiscentos cargos de confiança criados para assessorar órgãos técnicos da Câmara dos Deputados estão loteados politicamente entre 149 deputados e 24 ex-parlamentares — números que correspondem a um terço da Casa. Com salários entre R$ 1,9 mil e R$ 8,2 mil, esses assessores estão efetivamente acomodados nos gabinetes dos deputados, nos cargos da Mesa Diretora, nas lideranças partidárias e até nos escritórios dos deputados nos seus estados de origem.

 

Há cargos ocupados por parentes de parlamentares, sem contar os funcionários fantasmas. Somados, resultam numa despesa extra mensal de R$ 1,6 milhão — ou R$ 20 milhões por ano. O campeão de nomeações é o primeiro-secretário da Câmara, Inocêncio Oliveira (PL-PE), com 55 cargos.

Levantamento dos cargos de natureza especial (CNEs) da Câmara, obtido com exclusividade pelo Correio, traz uma informação inédita. Ao lado do nome do assessor, da lotação oficial (órgão técnico) e da lotação efetiva, aparece o nome do parlamentar que fez a indicação. Depois de Inocêncio, um ex-presidente da Câmara, aparece o corregedor da Casa, Ciro Nogueira (PP-PI), com 39 cargos. Ele é o responsável pela abertura de processo contra deputados por quebra de decoro parlamentar.

 

Em seguida, vem o segundo secretário da Câmara, Nilton Capixaba (PTB-RO), com 31 cargos. O petebista é um dos parlamentares que responderão a processo no Conselho de Ética sob acusação de envolvimento com a máfia dos sanguessugas.

O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), também aproveitou a oferta de cargos. Indicou dois para a Procuradoria Parlamentar e um para o próprio Conselho de Ética. Como havia uma forte demanda, ou seja, a necessidade de julgar muitos casos de deputados que faltaram com a ética, o conselho aproveitou a brecha para o desvio de função e reforçou o seu quadro de assessores.

A Câmara conta com 15,6 mil funcionários na ativa. Apenas 3.579 são efetivos (contratados mediante concurso público). Nos gabinetes, estão lotados 9.821 secretários parlamentares, com salários entre R$ 300 e R$ 4 mil. São de livre nomeação. Além desse quadro, existem mais 2.266 CNEs, espalhados principalmente pelos cargos da Mesa Diretora e pelas lideranças partidárias, mais órgãos técnicos.

 

São igualmente cargos de livre nomeação. Seus ocupantes podem ser demitidos a qualquer momento. Inicialmente, os CNEs foram criados para suprir uma carência de pessoal na Casa, enquanto não havia concurso público. As seleções públicas começaram, as contratações ocorreram, mas os parlamentares continuaram se valendo dos cargos para empregar quem bem entendem. (...)

 
A Presidência da Câmara, por intermédio da sua assessoria de imprensa, afirmou que o levantamento do preenchimento dos CNEs foi feito pela Diretoria Geral da Casa, a partir de uma solicitação de informações feito a pedido do Ministério Público Federal. Constatados os atuais casos de desvio de função, a Diretoria da Casa vai elaborar agora um estudo para dar 'um novo perfil e uma nova configuração jurídica' para os CNEs, segundo informou a assessoria. Esse trabalho será concluído em outubro".

Escrito por Josias de Souza às 06h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: O grande golpe das importações

- Folha: PF prende 97 acusados de fraude de R$ 500 milhões

- Estadão: Planalto finaliza MP para tentar baixar juro

- Globo: PF desmantela máfia de fraude em importação

- Correio: A farra das nomeações na Câmara

- Valor: Componentes poderão ter isenção total de impostos

Leis os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arapuca eletrônica!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT empurra seus sanguessugas com a barriga

  Tuca Vieira/F.Imagem
Ricardo Berzoini, o presidente do PT, dissera dias atrás que aguardaria a conclusão da CPI das Sanguessugas para decidir como o partido se posicionaria em relação aos petistas acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Nesta quarta-feira, Berzoini mudou o rumo de sua prosa. Já não tem pressa.

 

São dois os petistas encrencados: a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), acusada de receber R$ 35 mil da quadrilha das ambulâncias superfaturadas, e deputado João Grandão (PT-MS), apontado como beneficiário de R$ 25 mil.

 

"Nossa posição com relação a essas pessoas é que eles têm o direito de defesa, que vão exercer junto ao parlamento e a Justiça', disse Berzoini, conforme relato de Andreza Matais. Quanto ao julgamento político do PT, nem há prazo para que ocorra "nem a preocupação de resolver isso agora".

 

O PT segue o padrão adotado em relação à sua bancada mensaleira. No rastro das revelações de Roberto Jefferson (PTB-RJ), o petismo ensaiara um comportamento mais condizente com o seu passado. Em rápida interinidade na presidência do PT, Tarso Genro prometera “refundar” a legenda. Congressistas suspeitos não disputariam a eleição de 2006 à sombra da estrela e do número 13.

 

Durou pouco, pouquíssimo, a disposição moralizadora. Guindado à presidência do PT, Berzoini passou a administrar o fenômeno do mensalismo com a barriga. Jogou-se Delúbio ‘dinheiro não contabilizado’ Soares ao mar. Silvinho ‘Land Rover’ Pereira pulou do navio antes que fosse empurrado. E ficou nisso.

 

Hoje, os petistas encalacrados, além de concorrer à reeleição, contam com a defesa intransigente do partido. O partido não hesitou, por exemplo, em mover ação contra a Transparência Brasil por conta de uma campanha em que a entidade desaconselha o voto em mensaleiros e outros bichos.

 

O PT indignou-se com a louvável iniciativa da Transparência de levar à sua página na internet o “Projeto Excelências”, que oferece informações ao eleitorado acerca da biografia dos candidatos à Câmara Federal. Ou seja, além de preservar os seus filiados suspeitos, o partido deseja sonegar ao público o sagrado direito à informação.

Escrito por Josias de Souza às 01h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para PSDB, Lula explora eleitoralmente ações da PF

O alto comando do comitê de Geraldo Alckmin (PSDB) está convencido de que as operações da Polícia Federal tornaram-se peças de campanha do presidente Lula, candidato à reeleição. Privadamente, os mais exaltados levantam a suspeita de que o governo estaria manipulando a PF com propósitos eleitorais. Os mais comedidos evitam falar em direcionamento da polícia. Mas afirmam que Lula aproveita-se das ações da política para aplacar os escândalos que tisnaram a imagem de sua gestão.

 

A suspeita do tucanato é inspirada pela suposta intensificação do trabalho da PF nas últimas três semanas. Do dia 26 até hoje, a polícia realizou nove operações especiais. Cinco delas ganharam o noticiário como ações de combate à corrupção – Operação Saúva, Isaías, Dominó, Mão-de-obra e, nesta quarta, Dilúvio.

 

Os tucanos mais exaltados, que acusam o governo de “manipular” a PF, guardam as suspeitas para os seus diálogos privados. Não chegam a contestar as operações em si. Falam de um suposto "casamento" da agenda da polícia com o calendário eleitoral. Os mais moderados não hesitam em alfinetar o adversário em público. O coordenador nacional da campanha de Alckmin, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), disse ao blog: “Não tenho elementos para dizer que a polícia está sendo manipulada. Mas que as ações vêm servindo à campanha do presidente, não há dúvida”.

 

“Até alguns dias atrás, a campanha do presidente Lula tinha um gancho, que era o Bolsa Família”, completa Guerra. “Agora, ele tem um outro gancho, que é Polícia Federal. Quando ele era atacado no plano social e econômico, ele se pendurava na Bolsa Família. Agora, quando é questionado no campo ético, ele se segura nas ações da Polícia Federal”.

 

“De fato, o governo vem se utilizando eleitoralmente dessas operações”, ecoa Jutahy Magalhães (BA), líder do PSDB na Câmara e membro do conselho político do comitê de Alckmin. “Não creio que a PF esteja sendo direcionada. Mas Lula utiliza-se das operações para encobrir os seus próprios erros. Trata os sanguessugas e os mensaleiros como problemas do Congresso, como se os parlamentares não fossem da base dele e como se o governo não tivesse comprado apoio no Congresso”.

 

Sob o anonimato, um dos mais destacados aliados de Alckmin identificou uma “estranha coincidência” entre o discurso proferido por Lula num comício em Fortaleza, no sábado, e a Operação Dilúvio, deflagrada pela PF nesta quarta-feira. “Quatro dias depois de Lula ter dito que não deixa lixo embaixo do tapete, a PF sai à rua para prender 95 pessoas. É muito estranho”, disse o grão-tucano. O desassossego do PSDB tem uma motivação prática. A equipe de marketing que assessora Alckmin mostra-se convencida de que as operações da PF vêm contribuindo para puxar para cima os índices de Lula nas últimas pesquisas de opinião.

 

No comício de sábado, Lula dissera que "vai aparecer ainda muita corrupção no Brasil". Seu governo, disse ele, "nunca fica lixo embaixo do tapete". Afirmara mais: "Nós levantamos o sofá e varremos a sujeira inteira. Então, pode ficar certo que vai continuar, porque nós vamos continuar desbaratando toda e qualquer coisa que aparecer (...)”.

 

Márcio Thomaz Bastos desdenha da pregação do tucanato. Afirma que as operações da PF têm um tempo de maturação. O ritmo é ditado pelo avanço das apurações, não pela vontade do governo. Repete um bordão que lhe é característico: “Neste governo, a Polícia não persegue nem protege ninguém, cumpre a sua obrigação com isenção.”

 

O ministro diz que a PF, modernizada e reaparelhada, não começou a trabalhar agora. Afirma que as suspeitas não resistem a uma análise do quadro de operações executadas pela PF desde 2003, quando Lula assumiu a presidência. Excluindo-se a ação desta quarta, realizaram-se 280 operações especiais, 111 das quais relacionadas a casos de corrupção. Foram presas 3.740 pessoas. Desse total, 783 são servidores públicos. Pressione aqui para ler o levantamento oficial do Ministério da Justiça.

 

O blog tentou ouvir o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que tem se esmerado em rebater insinuações políticas dos adversários. Não obteve sucesso.

Escrito por Josias de Souza às 23h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin esquiva-se de autocrítica na segurança

  Bruno Miranda/F.Imagem
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin participou nesta quarta-feira de uma sabatina promovida pelo Estadão. Tentou-se arrancar do candidato uma auto-crítica em relação à gestão da segurança pública ao tempo em que governou São Paulo. Alckmin não se deu por achado: "Se eu tivesse (erros), eu já teria corrigido".

 

De quebra, Alckmin ainda elogiou o secretário de Segurança Saulo de Castro. Nomeado na sua gestão, foi mantido na administração-tampão de Cláudio Lembo (PFL). "Eu sou admirador do Saulo. Claro que ele tem personalidade controvertida. Os estilos são diferentes, mas é um bom gestor", disse Alckmin.

 

Como se vê, nem Alckmin nem o PSDB têm responsabilidade pelo descalabro que levou ao assanhamento do PCC. Afora os “equívocos” e as “omissões” do governo Lula, a encrenca se deve aos incontáveis “acertos” do tucanato nos 12 anos em que deu as cartas no governo de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 19h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin definha em sua principal cidadela

Um dos principais motes da propaganda eletrônica do presidenciável tucano Geraldo Alckmin é o de que a população de São Paulo, que o conhece, o aprova. A mais vistosa trincheira do tucanato começou a ser invadida pelo adversário Lula.

Pesquisa feita sob o patrocínio da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) mostra que, em 30 dias, Alckmin o índice de intenções de voto de Alckmin entre os eleitores da capital de São Paulo caiu 7,3 pontos. Lula cresceu 4,5 pontos percentuais.

 

O tucano continua à frente do petista, mas a vantagem vai se estreitando. De acordo com a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, Alckmin teria 39,9% dos votos dos paulistanos, contra 31,6% atribuídos a Lula. Há um mês, Alckmin tinha 46,9% e Lula 27,1%.

 

Ainda que se considere que a pesquisa abrange apenas o universo da capital e não do Estado, os dados não são negligenciáveis. Desde que virou candidato, Alckmin vem dizendo que cresceria nas pesquisas a partir do início do horário eleitoral televisivo. A hora chegou. O estrago proporcionado pelas ações do PCC parece ser maior do que se imaginava.

Escrito por Josias de Souza às 17h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Serra diz que problema da Educação é o ‘migrante’

O tucanato se esbaldou com os deslizes de Lula na entrevista ao Jornal Nacional. O presidente disse que a única coisa que está caindo no Brasil são os salários. Afirmou que combateu a ética. Coisas assim. Mas nenhum dos deslizes de Lula se compara à derrapagem de José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, na entrevista que concedeu nesta quarta-feira ao SP/TV, da Globo (leia a íntegra e assista ao vídeo).

 

Serra foi questionado sobre o mau desempenho de São Paulo em avaliações nacionais de ensino feitas pelo Ministério da Educação. Respondeu o seguinte: "Diferentemente dos Estados do Sul (que ocupam as primeiras colocados na avaliação), São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema."

 

A migração que incha o Estado é, como se sabe, majoritariamente de nordestinos. Ou seja, para Serra, o problema da má qualidade da educação em São Paulo é o Nordeste. Além de preconceituosa, a avaliação é equivocada. Um nordestino não é mais burro do que um paulista. Só é mais pobre. E para crianças pobres o que São Paulo oferece são escolas públicas indigentes. Um problema que não vai ser resolvido apenas colocando dois professores em cada sala de aula, como prometeu Serra na entrevista.

 

A avaliação “Prova Brasil”, feita pela pasta da Educação no final de 2005, mostrou que a 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo, gerida até bem pouco por Serra e, antes dele pela petista Marta Suplicy, está entre as sete piores do país em comparação com a das outras capitais. Com média 160,42 em português e 166,86 em matemática, os alunos das escolas municipais de São Paulo não lograram atingir a metade dos pontos possíveis em cada prova (350). Desnecessário mencionar que o PSDB governou Sãio Paulo por arrastados 12 anos.

Serra também foi espremido quanto à disposição de permanecer no Palácio dos Bandeirantes até o último dia de gestão caso venha a ser eleito. Candidato não-declarado à presidência da República, o tucano escorregou: "2010 está muito longe, nem você sabe onde você vai estar. Eu vou trabalhar bastante para corresponder à expectativa das pessoas".

 

O ex-prefeito parece ter aprendido com os próprios erros. Em 2004, na campanha pela prefeitura de São Paulo, comprometera-se a permanecer no cargo até o final. Deu a palavra por escrito, em sabatina realizada pela Folha. Veja o documento abaixo:

 

Inquirido sobre a quebra da palavra empenhada, Serra saiu-se com essa: “Naquela época, eu disse totalmente a verdade do que eu pensava. O que houve de lá pra cá foi uma mudança nas circunstâncias". Em seguida, emendou: "O trabalho do Estado é crucial para a prefeitura. Eu achei que poderia ajudar muito mais a população tendo um prefeito parceiro, que é meu sucessor (Gilberto Kassab, do PFL)".

 

O comportamento de Serra, muito encontradiço entre os políticos, mostra que, nesse universo, a palavra sempre vale menos do que a conveniência. Depois de ter assinado o documento na sabatina da Folha, serra participou de um debate na TV Record. De novo, comprometeu-se a ficar na prefeitura até o encerramento do mandato. Clique aqui para ouvir a declaração. Não é à toa que agora Serra foge dos debates.

 

PS: No final da tarde, Serra tentou explicar-se. Toda declaração que precisa de muita explicação não é coisa que sirva a um candidato em busca de votos.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para eliminar dúvidas, Cuba libera vídeo de Fidel

 

Abespinhado com as dúvidas levantadas por oposicionistas acerca da autenticidade das fotos de Fidel Castro em seu leito pós-operatório, o regime cubano decidiu liberar imagens. Mostram a visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao colega cubano no último domingo, dia em que Fidel completou 80 anos.

 

Depois de ter sido recebido no aeroporto de Havana por Raúl Castro, Chávez passou pouco mais de três horas com Fidel. Fez à beira do leito afagos verbais que soaram como uma declaração de amor ao ditador cubano.

 

No dizer de Chávez, aquela foi a “a melhor de todas as visitas que fiz em minha vida”. Disse que nem o encontro com sua primeira namorada causou-lhe tanta expectativa. Levou de presente um retrato de Fidel rabiscado pelo artista venezuelano José Antonio Quintero.

 

Chávez confessou a Fidel que tentara pintar ele próprio um retrato do amigo. Desistiu na madrugada do dia 13, diante de uma obra inacabada. Pressione aqui para assistir ao vídeo.

Escrito por Josias de Souza às 15h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Stroessner encontra a mãe de todos os déspotas

  Reuters
O ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989), que um dia ousou impor sua tirania ao povo paraguaio, encontrou-se nesta quarta-feira com o árbitro equânime de todas as misérias do homem: a morte.

 

Habituado a impor a sua vontade na marra, Stroessner, 93 anos, viu-se impotente diante de sua algoz. Exilado no Brasil desde 89, foi ao leito do hospital em 29 de julho. Definhava havia dias. Estava pesando escassos 45 quilos.

 

Em seus últimos minutos de vida, Stroessner há de ter perguntado aos botões de seu pijama: Por que eu? Por que assim? Deu-se conta de que a morte, como o regime que dirigiu, mata. Encontrou uma déspota à sua altura.

 

Stroessner ao menos tinha onde cair morto. Mercê da fortuna que logrou amealhar, levava uma vida confortável em Brasília. A grossa maioria dos paraguaios não pode se dar a esse luxo.

Escrito por Josias de Souza às 15h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Erramos

O signatário do blog cometeu um erro ontem. Ao referiu-se à campanha de José Nobre Guimarães, candidato a deputado federal pelo PT do Ceará, informou erroneamente que se tratava do personagem pilhado com dólares na cueca em julho do ano passado. Em verdade, o petista da cueca é José Adalberto Vieira, à época assessor parlamentar de Nobre Guimarães na Assembléia Legislativa do Ceará.

 

Em mensagem eletrônica ao blog, Nobre Guimarães afirma que não teve “qualquer envolvimento com o caso”. Diz ter demitido o assessor. Anota que um pedido disciplinar apresentado contra ele pelo PSDB cearense foi arquivado pelo conselho de ética da Assembléia Legislativa. Considera “inaceitável” que seu nome continue sendo vinculado ao episódio.

 

“Tenho feito minha campanha de cara limpa e peito aberto, em todo o meu Estado, pois quem tem a minha história de militância, luta popular e iniciativas voltadas para o interesse coletivo deverá sempre ser visto como
homem público de respeito, com muitos serviços prestados ao meu Estado”, diz o candidato.

Escrito por Josias de Souza às 13h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PF e Receita caçam 118 sonegadores de impostos

A Polícia Federal parece estar fazendo hora-extra. Despejou nas ruas nesta quarta-feira a “Operação Dilúvio”. Destina-se a desbaratar, com o auxílio da Receita Federal, "o maior esquema já constatado de fraudes no comércio exterior" brasileiro. Estima-se que tenham sido sonegados ao fisco algo como R$ 500 milhões.

Uma legião de policiais (950) e de auditores fiscais (350) foi à boca do palco para executar um roteiro ao qual o brasileiro vai se habituando: a execução de mandados de prisão –hoje são 118— e de busca e apreensão de papéis e computadores (220). A ação desenrola-se em oito Estados (clica).

 

PS.: No início da noite, a PF já havia levado às grades 95 pessoas.

Escrito por Josias de Souza às 12h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Petrobras prepara aumento da gasolina

- Folha: Greve no metrô de SP prejudica 1,6 milhão

- Estadão: Greve política no metrô tumultua SP

- Globo: Na propaganda de TV, Lula apaga o PT de sua história

- Correio: Casamento em troca de votos

- Valor: Inco abre negociação com a Vale e Teck eleva oferta

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Candidato ao erro!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Partido de Collor crê que ele concorrerá ao Senado

 

Convencido de que os escândalos que se seguiram ao Collorgate como que o redimiram de seu passado, Fernando Collor de Mello rumina o desejo de retornar a Brasília. Repete privadamente uma frase que cunhou nos tempos acerbos do impeachment: “O tempo é senhor da razão”. Cogita candidatar-se a uma cadeira de senador por Alagoas.

 

O blog conversou nesta terça-feira com o advogado Eraldo Firmino de Oliveira, presidente do diretório de Alagoas do PRTB. É o partido ao qual Collor está filiado. O ex-presidente será candidato ao Senado? Firmino de Oliveira respondeu: “Acredito que ele será candidato. O momento político é bastante favorável a ele, que tem um carisma muito forte aqui no nosso Estado”.

 

Firmino contou que a direção alagoana do PRTB tem instado Collor a concorrer às eleições deste ano. O assunto voltou à tona depois que a Justiça Eleitoral impugnou a candidatura ao Senado do ex-governador alagoano Ronaldo Lessa (PSB), favorito em todas as pesquisas de opinião realizadas no Estado.

 

Os advogados de Lessa não jogaram a toalha. Prometem resistir até o último recurso. Mas Firmino de Oliveira afirma que a decisão judicial em relação a Lessa é, a essa altura, irrelevante. Collor estaria considerando a hipótese de lançar-se candidato com ou sem a participação do ex-governador na disputa. Firmino afirma que, embora derrotado nas eleições para o governo de Alagoas em 2002, Collor amealhou 450 mil votos. “Se repetir a votação agora, está eleito para o Senado”, calcula.

 

O candidato do PRTB ao Senado era Givaldi Francisco da Silva. Mas ele também amargou uma impugnação da Justiça Eleitoral. Pela lei, só brasileiros com 35 anos ou mais podem tornar-se senadores. E Francisco da Silva só tem 31 anos. Firmino de Oliveira, o presidente alagoano do PRTB, assumiu a vaga. Mas insiste para que Collor tome o seu lugar. Neste caso, passaria à condição de suplente.

 

A troca de candidatos pode ser feita até a véspera da eleição. Mas o TRE alagoano informou ao PRTB que o ideal seria que a substituição fosse feita até 30 dias antes do pleito. Firmino de Oliveira reuniu-se com Collor na última sexta-feira. O ex-presidente pediu detalhes sobre as datas. Informado, disse: “Vamos aguardar mais um pouco”.

 

Firmino deixou o encontro animado. “Ele não disse que não queria. Nós, do partido, passamos a trabalhar com a hipótese de ele disputar. É grande a probabilidade”. O blog conversou também com outro político que priva da intimidade de Collor. Sob a condição do anonimato, afirmou: “Ele ainda não se definiu. Mas sinto que a possibilidade de uma candidatura dele ao Senado não é desprezível”.

 

Collor parece ter encontrado na crise ética do PT e do governo Lula ânimo para a tentativa de ressurreição. Ele vem repetindo em diálogos privados raciocínios que desenvolvera numa entrevista concedida em abril à Rádio Mix (106,3 FM), emissora que retransmite a sua programação para uma rede de 113 coligadas espalhadas pelo país.

 

O ex-presidente falou ao Programa do Mução. Caracterizado pelo humor e pela irreverência, Mução rodou para Collor uma entrevista que Lula concedera em 1992, pouco depois do impeachment. Lula dissera na ocasião que tinha pena de Collor. Acusou-o de formar uma “quadrilha”, movido pela “ganância” e pela “vontade de roubar e praticar a corrupção”.

 

Em resposta, Collor disse ter sido vítima de um “golpe parlamentar”, do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu, hoje “enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação”. O ex-presidente citou ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente. “Quadrilha quem montou foi ele”, disse, referindo-se a Lula. Pressione aqui para ouvir a entrevista.

 

O blog tentou ouvir Collor sobre a candidatura ao Senado. Discou para o escritório dele, no jornal Gazeta de Alagoas. Deixou recado com a secretária. Mas o ex-presidente não respondeu ao chamado. Nas pegadas do mensalão, do mensalinho, do Ribeirãogate, do caseirogate, dos sanguessugas e do Rondoniagate, o país é submetido a mais esse suspense macabro.  

Escrito por Josias de Souza às 00h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Renuncia o primeiro deputado sanguessuga

Foi aberta a temporada de renúncias para fugir ao processo de cassação por conta do escândalo das sanguessugas. O deputado Coriolano Sales (PFL-BA) renunciou ao mandato nesta terça-feira. Acusado de ter recebido propinas de R$ 172,4 mil em troca de emendas ao orçamento para a compra de ambulâncias superfaturadas, o parlamentar tenta preservar os seus direitos políticos.

 

O Conselho de Ética da Câmara planeja abrir na próxima terça-feira os processos contra os deputados sanguessugas. Uma vez iniciado o julgamento, os deputado não podem mais renunciar. Izar prevê que outros parlamentares seguirão o exemplo de Coriolano.

 

A estratégia do deputado fujão pode malograr caso o PFL cumpra a promessa de expulsá-lo do partido. Nessa hipótese, Coriolano perderia a legenda e não poderia concorrer às eleições deste ano.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PFL de Pernambuco foge de Alckmin na televisão

Uma das principais fragilidades da campanha presidencial do tucano Geraldo Alckmin foi evidenciada nesta terça-feira na campanha eletrônica do Estado de Pernambuco. No papel, o PFL pernambucano apóia Alckmin. Na prática, os candidatos pefelistas à Câmara dos Deputados fogem do tucano como o diabo se esquiva da cruz.

Os candidatos à Câmara pela coligação “União por Pernambuco”, encabeçada pelo governador Mendonça Filho (PFL), favorito à reeleição para o governo do Estado, esquivaram-se de mencionar o nome de Alckmin na TV. No intervalo entre a aparição de um e de outro candidato, o locutor fez insistentes referências a Mendonça Filho e ao peemedebista Jarbas Vasconcelos, que concorre ao Senado. E nada de Alckmin.

De acordo com o relato da repórter Natália Kozmhinsky (para assinantes da Agência Nordeste), houve uma escassa exceção. Só Bruno Araújo, candidato a deputado pelo PSDB e também integrante da coligação de Mendonça, animou-se a incluiu o companheiro de partido em sua propaganda: “Estou com Jarbas, Alckmin e Mendonça”. 

Deu-se o oposto na campanha televisiva dos postulantes à Câmara que integram a chapa do ex-ministro Humberto Costa, candidato do PT ao governo pernambucano. O nome de Lula foi citado à saciedade. Todos fizeram questão de associar a imagem pessoal à do presidente da República.

O fenômeno tem uma explicação simplória: as pesquisas indicam que Lula tem em Pernambuco índices de intenção de voto que chegam a 67%. Alckmin figura nas sondagens eleitorais com um percentual bem mais modesto: Daí a aversão dos candidatos pefelistas ao nome do presidenciável tucano.

O receio do alto comando da campanha de Alckmin é o de que o modelo pernambucano acabe se espraiando por todos os Estados Nordestinos. O Nordeste é a região do país em que o predomínio de Lula sobre Alckmin nas pesquisas é mais nítido.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT da cueca e das ambulâncias diz ter apoio de Lula

Postulantes a cadeiras de deputado federal pelo PT do Ceará, José Nobre Guimarães e José Airton Cirilo apresentaram-se em seus programas eleitorais de rádio e TV como candidatos de Lula. Guimarães é o petista cujo assessor parlamentar envolveu-se no escândalo dos dólares na cueca. Cirilo é protagonista do escândalo da máfia das ambulâncias.

 

Guimarães e Cirilo foram aconselhados a não subir no palanque de Lula em comício que o presidente realizou na cidade de Fortaleza (CE) no último sábado. A despeito disso, ambos se apresentaram aos eleitores cearenses como candidatos de Lula. A notícia foi distribuída nesta terça-feira pela Agência Nordeste (para assinantes).

 

O petista Guimarães teve um assessor, José Adalberto Vieira, pilhado em julho do ano passado, no auge do escândalo do mensalão, com US$ 100 mil grudados nos arredores do seu órgão genital. Demitiu-o. O outro é apontado como operador da liberação de verbas do Ministério da Saúde, injetadas no orçamento por congressistas sanguessugas e destinadas à compra de ambulâncias superfaturadas.

 

O PT poderia ter negado a legenda a ambos. A exemplo do que fez com os mensaleiros, preferiu deixar que participassem das eleições à sombra da estrela e do número 13. Nem Lula nem o seu partido têm, portanto, do que se queixar.

Escrito por Josias de Souza às 17h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Candidatos adotam discurso soft na televisão

Começou nesta terça-feira a propaganda eletrônica. Os presidenciáveis levaram à TV discursos suaves. Apresentaram-se ao eleitor. Realçaram a “origem humilde”. Lula, Alckmin e Heloísa Helena, os três candidatos mais bem-postos nas pesquisas afagaram o eleitor nordestino. A a corrupção fez as vezes de tema coadjuvante. Não houve artilharia pesada.

 

Dono de sete minutos e 23 segundos, o comitê de Lula (PT) apresentou-o como o menino pobre de Caetés (PE) que chegou à Presidência. E passou a jogar com a idéia de que, a despeito do sucesso, o presidente não deu as costas para o seu passado: “Lula tem a cara do Brasil e o Brasil tem a cara do Lula”. O Bolsa Família esteve entre as iniciativas governamentais festejadas pelo petismo na propaganda eleitoral.

 

Não por acaso, o programa petista foi apresentado por três personagens de feições marcantes: uma apresentadora negra, um índio e um branco. As três raças que, miscigenadas, deram “cara” ao povo brasileiro. Exaltaram-se as “realizações” do primeiro mandato. E jogou-se no ar uma tese que deve ser martelada até o dia da eleição: "Peço que reflitam”, disse Lula, de viva voz, “é melhor avançar ou começar do zero como querem alguns candidatos?"

 

Sem mencionar pelo nome o principal escândalo que marcou a sua gestão –“mensalão— Lula disse ter a “consciência tranqüila”. Listou entre suas prioridades a reforma política. Em outros tempos, Lula esforçava-se para apresentar o seu PT como uma legenda pura, diferente das demais. Agora, joga na indiferenciação: “(...) A crise de ética que observamos é uma crise de todo o sistema político e não só de partidos".

Dono de um tempo mais generoso –10 minutos e 22 segundos—, o tucanato apresentou o seu candidato pelo pré-nome: Geraldo. A forma que programa encontrou para estabelecer vínculos do paulista de Pindamonhangaba com o Nordeste foi exibir depoimentos de migrantes nordestinos. Foram apresentados como “brasileiros de São Paulo”, um Estado que é o retrato do Brasil.

 

Alckmin (PSDB) comprometeu-se a priorizar o desenvolvimento econômico e os investimentos em saúde, educação e infra-estrutura. Numa tentativa de anular aquele que parece ser o o principal diferencial a sustentar a liderança de Lula nas pesquisas, Alckmin prometeu manter e ampliar o programa Bolsa Família.

 

Sem mencionar o nome de Lula, Alckmin roçou o tema das perversões éticas: “Queremos um país mais justo, com mais oportunidades, sem corrupção e mensalão. Se a gente tem dinheiro para o desperdício, por que não temos dinheiro para ajudar os que precisam?" No rádio, o tema também foi abordado sem menções diretas a Lula: "O novo conceito de ética é a competência, a eficiência. A primeira coisa que vou fazer é o respeito pelas pessoas, varrendo a corrupção."

 

Com escasso um minuto e 11 segundos, Heloisa Helena (PSOL) também evitou os ataques frontais aos adversários. Apresentou-se como filha de uma família humilde, uma cidadã comum, uma mãe que "ensinou seus filhos a não roubar". Se eleita, disse, cumprirá a obrigação de ser honesta, combatendo qualquer tipo de corrupção.

 

Cristovam Buarque (PDT) –dois minutos e 23 segundos— deu curso à sua pregação monotemática. Apresentou como o presidente que fará a “revolução na educação”. José Maria Eymael (PSDC) reiterou o bordão que fala em transformar o Estado em “servidor”. Rui Costa Pimenta (PCO) prometeu elevar o salário mínimo para R$ 1.900,00. Luciano Bivar (PSL) espinafrou a imprensa, em especial a Folha, que não o estaria tratando com o devido respeito.

Escrito por Josias de Souza às 16h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Deputados de RO fraudaram também empréstimos

Além de desviar dinheiro público por meio de uma folha de pagamento paralela, a quadrilha dos deputados estaduais de Rondônia montou a fraude dos empréstimos. Consistia em obter na rede bancária empréstimos com desconto consignado em folha. Embora contraído em nome de assessores, o dinheiro ia direto para os deputados.

 

Montado em 2003, logo depois da eleição da impressionante fornada de parlamentares corruptos de Rondônia, o esquema rendeu à quadrilha R$ 4,7 milhões. Mas o prejuízo ao erário é maior. Até liquidar todos os empréstimos fraudulentos, a Assembléia terá repassado aos bancos R$ 7,3 milhões.

 

Os detalhes do descalabro rondoniense estão narrados numa denúncia que a subprocuradora-geral da República Deborah Duprat remeteu ao Superior Tribunal de Justiça nesta segunda-feira (14-08). Dez dias depois da prisão de duas dezenas de envolvidos nas malfeitorias de Rondônia, Duprat denunciou os cabeças da quadrilha e seus cúmplices no poder Judiciário e no Ministério Público.

 

São eles: o deputado estadual Carlão de Oliveira, presidente da Assembléia; o desembargador Sebastião Teixeira Chaves, presidente do Tribunal de Justiça; o juiz José Jorge Ribeiro da Luz; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Edílson de Souza Silva; e o procurador de Justiça José Carlos Vitachi.

 

Ao discorrer sobre a fraude dos empréstimos consignados, a procuradora Duprat conta que a encrenca começava no contra-cheque dos servidores. Embutiam dados falsos sobre o valor dos salários. Eram vitaminados para viabilizar os empréstimos. Muitos dos "donos" dos contra-cheques não pertenciam ao quadro real de funcionários.

 

Em vários casos os titulares dos empréstimos nem davam as caras no banco. Os contratos eram encaminhados ao gabinete do presidente da Assembléia, Carlão de Oliveira, que providenciava as assinaturas. Rastreando o caminho do dinheiro, a Polícia Federal descobriu que os empréstimos passaram longe das contas de seus reais tomadores.   

 

Nada menos que 18 empréstimos foram depositados em duas contas bancárias pertencentes às empresas Montenegro Comércio e Serviços Ltda e Porto Fitas Importação e Exportação Ltda. Ambas pertencem a Antonio Spegiorim. Ouvido, ele reconheceu ter cedido as contas para a Moisés de Oliveira. Vem a ser irmão e assessor do deputado Carlão de Oliveira, o presidente da Assembléia rondoniense.

 

No curso da apuração, a polícia descobriu que o empresário Spegiorim não se limitara a aceder as contas bancárias de suas empresas. Ele era, na verdade, credor de vários deputados da quadrilha. Fornecera material gráfico para a campanha eleitoral de 2002. Parte do dinheiro desviado serviu para cobrir essas dívidas.

 

Não é só: servidores inquiridos pela PF informaram que os valores dos empréstimos retornaram diretamente para os parlamentares ou para pessoas por ele indicadas. Embora a polícia tenha informado que os desvios de Rondônia somam R$ 70 milhões, a denúncia do Ministério Público menciona uma cifra menor: R$ 50 milhões. Pressione aqui para ler a íntegra da denúncia.

Escrito por Josias de Souza às 13h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

HH amplia as suas fronteiras eleitorais à direita

A coerência política, como se sabe, é uma velha maluca que faz tricô enredada nas linhas de suas próprias contradições. Mas Roberto Jefferson exagera na sua incoerência. Decidiu votar, veja você, em Heloisa Helena. E fará publicidade do gesto. Eis o que informa a coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):

"Roberto Jefferson vai votar em Heloisa Helena, do PSOL, para presidente. E deve tornar a opção pública, explicando os "motivos", num blog que vai estrear esta semana na internet. Será um contraponto ao blog de José Dirceu: Jefferson colocará a "atração" no ar uma semana depois da estréia do blog do ex-ministro".

Escrito por Josias de Souza às 07h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: O eterno retorno

- Folha: Trégua começa; Hizbollah e Israel declaram vitória

- Estadão: Libaneses voltam para casa; os dois lados falam em vitória

- Globo: Presídio federal de segurança máxima tem apenas um preso

- Correio: Clones de políticos dão golpe de R$ 40 milhões

- Valor: Novo PIS-Cofins ainda é incógnita para as empresas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crime de alta resolução!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Debate não tem ganhador, só perdedor: Lula

  Marlene Bergamo/F.Imagem
A ausência de Lula transformou o debate da TV Bandeirantes num encontro de comadres. Não houve um vencedor. Mas houve um perdedor: Indefeso, Lula apanhou até dos nanicos. De resto, perdeu o eleitor, desrespeitado em seu direito de ouvir meia dúzia de explicações do candidato favorito ao Planalto.

 

Até o inexpressivo José Maria Eymael (PSDC) tirou uma casquinha de Lula: “O presidente nunca viu nada, nunca soube de nada. Talvez não soubesse que hoje tinha debate”. O presidente perdeu duplamente: além da surra coletiva, deixou escapar a oportunidade de ocupar um espaço para expor os seus planos de governo. Foi o que fizeram os demais.

 

Heloisa Helena ainda tentou arrastar Alckmin para o tatame. Tratou PSDB e PT como farinha do mesmo saco. O presidenciável tucano, porém, fez ouvidos moucos para as provocações. Falou diretamente para a câmera. Usou as perguntas dos adversários e dos jornalistas como escada para atingir o seu objetivo: a exposição máxima de propostas.

 

Só os termos acerbos dirigidos a Lula quebraram a atmosfera água-com-açúcar que permeou o debate. HH realçou a “tristeza e indignação de não ter aqui ao lado o presidente Lula. Não aceito que a arrogância dele o faça pensar que é maior do que os outros. Ou que nós tenhamos que pensar que ele está fugindo, que está com medo”.

 

Instado por Eymael a explicar a crise de segurança sob os 12 anos de gestão tucana em São Paulo, Alckmin saiu pela tangente: lamentou “a ausência do Lula, que deveria prestar contas de por que se omitiu na questão da segurança pública”. Desviou-se de sua responsabilidade culpando a “omissão federal” no controle da entrada de armas e drogas pelas fronteiras, na falta de liberação de verbas e na ausência de reformas de leis federais.

 

Cristovam Buarque só abandonou sua cantilena cívica em favor da “revolução educacional” numa única oportunidade. Disse o seguinte: “Minha decepção maior é com a ausência dele (Lula) naquela cadeira. Ele não tem o direito de fugir do povo”.

 

Voltando-se para a câmera, Cristovam bateu mais: “Você tem o direito de olhar no olho do candidato. A ausência é uma falta de muito grande com processo democrático e com o eleitor (...). Você não recebeu o respeito dele de olhar nos seus olhos”.

 

No mais, cada candidato usou o tempo de que dispôs para vender o seu peixe. A experiência mostra que, em encontros do gênero, sem o predomínio nítido de uns sobre os outros ou de um sobre os demais, os expectadores tendem a considerar como vitorioso aquele candidato que já era o seu preferido. Nesse sentido, tiram maior proveito Alckmin e HH, que ocupam a segunda e a terceira posição nas pesquisas. Com alguma sorte, os dois podem ter beliscado um ou voto indeciso.

 

O pior, no caso de Lula é que nenhum dos presentes mostrou-se à altura de sua habilidade retórica, construída sobre os caminhões de som dos sindicatos e nos embates que se viu forçado a travar em campanhas anteriores, quando não ostentava a condição de favorito. Não havia na bancada da Bandeirantes nenhum polemista à altura de Lula.

 

O que diferencia o velho Lula do candidato à reeleição é a posição que ocupa no ringue. Ontem, estava no ataque. As encrencas colecionadas no Planalto o colocaram na defensiva. Lula está habituado a alfinetar, não a ser alfinetado. Por isso limitará a sua participação na campanha aos comícios e ao horário eleitoral partidário. Lula quer falar sozinho.

 

O apego ao monólogo é próprio dos candidatos que estão de bem com as pesquisas. Foi assim com FHC em 98. É assim com José Serra em 2006. É um vício suprapartidário. Para sorte dos faltosos, o eleitor menos esclarecido não costuma dar atenção a debates televisivos. O prejuízo maior é junto ao eleitorado mais escolarizado. Ou seja, a minoria.

Escrito por Josias de Souza às 00h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sua casa será invadida por uma coleção de grotescos

Começa nesta terça-feira a propaganda eleitoral eletrônica. Candidatos à presidência, aos governos estaduais e ao Congresso vão despejar um lodaçal de discursos no tapete da sua sala.

Não é a primeira vez que isso acontece. O brasileiro já se vai habituando ao exercício da democracia. Nem por isso o telespectador, o ouvinte de rádio deixará de se espantar com a coleção de grotescos que virá lhe pedir o voto.

 

É desagradável. Mas não tem outro jeito. Ainda não inventaram nada melhor do que a democracia para reger a vida em sociedade. Assim, é melhor prestar atenção. Ria do grotesco. Mas abra bem os olhos. Você talvez descubra, entre um pretensioso e um vigarista, uma vocação genuína de estadista. Nunca se sabe.

 

Há uma segunda razão a justificar a sua concentração. Quem paga o espetáculo é você. A coisa é chamada de “propaganda eleitoral gratuita”. Mas, como você sabe, nada é de graça. Para transmitir o festival dos candidatos, as emissoras desfrutam de isenção fiscal. Significa dizer que compensam os supostos prejuízos no Imposto de Renda.

 

Pelas contas da Receita Federal, o horário eleitoral custará à Viúva neste ano R$ 191,6 milhões. É quanto as emissoras, que funcionam em regime de concessão do Estado, deixarão de recolher em impostos. Há um detalhe que costuma escapar ao comum dos mortais: a operação eleitoral pode resultar em lucros para as empresas de rádio e TV.

 

Analisando a legislação eleitoral, Samuel Possebon, estudioso da Universidade de Brasília, verificou que os números que fundamentam o cálculo da isenção tributária são fornecidos pelas próprias emissoras. Levam em conta as suas tabelas de preços de publicidade. Veja o raciocínio desenvolvido por Possebon, ouvido pela repórter Marcela Rebelo:

 

“Se você fosse um anunciante privado e fosse contratar 50 minutos por dia ao longo de 45 dias, a emissora certamente daria um desconto bem camarada, porque é uma contratação por um volume que elas não costumam ter no dia-a-dia”.

 

A legislação eleitoral, de fato, não faz menção a descontos. Prevê apenas que as emissoras não poderão descontar nos tributos a comissão de 20% que costumam pagar às agências de publicidade que fazem a intermediação das peças publicitárias comerciais. Ou seja, além de pagar, você paga mais caro.

Escrito por Josias de Souza às 17h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre crime organizado, eleições e conveniências

  Alan Marques/F.Imagem
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse nesta segunda-feira em São Paulo que o combate ao PCC é dificultado pelo calendário eleitoral. Afirmou que a união de esforços dos governos federal e estadual é envenenada pela eleição.

O problema não é só de dinheiro, disse o ministro. A questão é que é “muito difícil” montar uma estratégia de ação conjunta em meio à refrega que antecede a votação de outubro. Nas palavras de Thomaz Bastos, as eleições “incendeiam as imaginações”.

“O fato é que nós, que somos agentes políticos, temos a obrigação de trabalhar neste sentido. De não politizar essa questão, de não torná-la objeto nem sujeito de uma guerra eleitoral", disse o ministro.

Desgraçadamente, o ministro tem razão. Beneficiando-se dos desencontros políticos, o PCC faz gato-sapato do Estado. Enquanto os “agentes políticos” se acocoram, como que a buscar refúgio atrás de falsas conveniências eleitorais, o crime se agiganta.

O presidenciável tucano Geraldo Alckmin leva a tiracolo a mais eloqüente evidência da falência do Estado. Penúltimo gestor da encrenca da segurança pública, ao tempo em governou São Paulo, Alckmin agora caminha pelas ruas sob a proteção de dois agentes da Polícia Federal. Ao menos neste caso, a colaboração do governo federal não foi recusada. É pena que o privilégio não possa ser estendido aos demais habitantes do Estado.

Escrito por Josias de Souza às 15h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Debate transforma-se em Casablanca sem Bogart

A Bandeirantes transmite nesta segunda-feira, às 22h, o primeiro debate televisivo entre os presidenciáveis. O programa ainda nem foi ao ar e já há um grande perdedor: o telespectador. A platéia será privada da presença de Lula, o candidato favorito. Guardadas as proporções, é algo como ver Casablanca sem Humphrey Borgart.

 

Nosso ‘Bogart’ eleitoral fugiu da fita. Sabia que não haveria no cenário da Bandeirantes nenhuma Ingrid Bergman com quem pudesse trocar afagos. Longe disso. Concluiu que seria transformado em saco de pancadas. De bem com as pesquisas, preferiu não correr riscos.

 

Há no PT quem avalie que a fama de fujão não é boa para Lula. Mas prevaleceu a tese de que uma eventual surra coletiva seria pior ainda. A avaliação embute um exagero. Embora menos sujeitos a controles do que a propaganda partidária, os debates televisivos seguem regras acertadas previamente com as assessorias dos próprios candidatos.

 

Ainda que desejassem, os adversários de Lula não poderiam se juntar para dar-lhe uma surra coletiva. As regras foram traçadas de modo a evitar a manobra. No caso da Bandeirantes, sob mediação de Ricardo Boechat, o debate terá cinco blocos.

 

No primeiro, os candidatos responderão a uma pergunta comum a todos, formulada pela emissora. No segundo e no terceiro blocos, mediante sorteio, candidatos perguntarão a candidatos. No terceiro, os presidenciáveis responderão a perguntas dos jornalistas José Paulo Andrade, Franklin Martins e Joelmir Beting. O último bloco será reservado para as considerações finais dos postulantes ao Planalto.

 

A ausência não livrará Lula dos ataques. Ao contrário. Eles tendem a ser maiores e mais generalizados. Com uma desvantagem: o alvo ficará indefeso. O prejuízo será ainda maior se a Bandeirantes mantiver no cenário uma cadeira vazia, com o nome de Lula sobre a bancada. O petismo sempre poderá argumentar que FHC também correu dos debates em 98. A estratégia é repetida em São Paulo por José Serra. Mas Lula vendia-se como algo diferente na política. Vai ficando cada vez mais igual a qualquer coisa.

 

Lula decerto assistirá ao debate sentado numa das confortáveis poltronas do Alvorada. É provável que se faça acompanhar dos assessores mais chegados. Não se exclui a hipótese de que grave a refrega, para ver e rever depois. “Play it again, Gushiken”, dirá, parodiando a frase mais famosa de Bogart. Uma frase que, diga-se, jamais foi pronunciada.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As fantasminhas camaradas de Rondônia

Há mais mistérios por trás das fechaduras da Assembléia Legislativa de Rondônia do que pode imaginar a vã filosofia do contribuinte. São coisas insondáveis, como o caso das fantasminhas mencionadas na coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):

- Gasparzinhas: Na caça por focos de desvio de dinheiro público em Rondônia, a PF descobriu que moças que sequer moram na capital, Porto Velho, figuravam na folha de pagamento de gabinetes de deputados. Duas delas, lotadas na presidência da Assembléia Legislativa, recebiam salários de R$ 3 mil e de R$ 5 mil. A PF não quer ultrapassar a fronteira da vida pessoal dos parlamentares. As moças devem ser tratadas como "fantasmas" e vão responder por peculato.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: A vez dos jornalistas

- Folha: Combates crescem antes de cessar-fogo no Líbano

- Estadão: Ataques crescem na véspera do cessar-fogo

- Globo: Bandidos usam seqüestro para negociar privilégios

- Correio: O terror mostra sua cara

- Valor: Vale deslancha a ofensiva para tentar comprar Inco

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Plin-plin!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC liberta repórter seqüestrado no sábado

Foi libertado por volta de meia-noite e meia desta segunda-feira o repórter da Globo Guilherme Portanova, que fora seqüestrado na manhã de sábado. Ele foi deixado no bairro paulistano do Morumbi.

 

De carona, o repórter conseguiu chegar à sede da Globo em torno de uma da madrugada. A polícia ainda não conseguiu identificar os seqüestradores, que só liberaram Portanova depois que a Globo exibiu, na madrugada de sábado para domingo, um vídeo em que bandido encapuzado leu um comunicado do PCC.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MP analisa inquérito e denúncia contra Suassuna

MP analisa inquérito e denúncia contra Suassuna

O Ministério Público pode impor nas próximas semanas mais dois constrangimentos ao senador Ney Suassuna (PB). Encontram-se sob análise um pedido de abertura de inquérito e o oferecimento de uma denúncia contra o líder do PMDB no Senado. Os procedimentos devem ser remetidos ao STF.

Suassuna já tem contra si um inquérito que apura suposto envolvimento dele com a máfia das ambulâncias. A investigação foi pedida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, e autorizada pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes.

 

O nome de Suassuna foi incluído também no rol de congressistas implicados pela CPI das Sanguessugas, com sugestão de cassação do mandato. Em discursos na tribuna do Senado, Suassuna vem negando que tenha recebido propinas em troca de emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas. Pressione aqui para ler um desses discursos.

 

O novo pedido de inquérito que pode ser formulado contra Suassuna diz respeito à suspeita de envolvimento do senador num suposto “esquema de corrupção” montado para favorecer uma empresa privada. O caso foi noticiado aqui no blog em novembro do ano passado.

 

A firma que teria sido beneficiada chama-se Embrasc (Empresa Brasileira de Assessoria e Consultoria Ltda). Tem sede em Santos (SP). Vende assessoria fiscal para que empresas enrascadas com o fisco se livrem de passivos tributários.  

 

Em depoimento ao Ministério Público Federal, Norma Boffa dos Santos, uma ex-diretora da Embrasc, contou que a empresa pagou suposto pedágio a Suassuna em troca da intermediação de um contrato firmado com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio), em janeiro de 2000.

 

O senador, de novo, nega. Leia as manifestações de Suassuna aqui e aqui. Ele apresentou defesa ao procurador-geral Fernando de Souza, a quem caberá agora dar a palavra final sobre o encaminhamento de pedido de aprofundamento das investigações ao Supremo.

 

Com o auxílio da Polícia Federal, o Ministério Público está concluindo também uma investigação que envolve suposta remessa irregular de dinheiro para uma conta de Suassuna no exterior. As remessas ocorreram entre 1998 e 2003, para uma conta chamada Key West, no Delta Bank de Miami (Flórida).

 

O caso começou a ser investigado no final de 2004, quando a conta de Suassuna foi descoberta em meio à documentação que a CPI do Banestado recebera do Ministério Público dos EUA. O assunto chegou a ser noticiado pelo repórter Amaury Ribeiro Júnior. Em discurso no Senado, Suassuna, de novo, negou o malfeito (leia).

 

O problema é que o Ministério Público julga ter reunido evidências contra o senador. Neste caso, trabalha-se com a hipótese de encaminhar ao STF uma denúncia formal, não mais um pedido de abertura de inquérito. A palavra final também caberá ao procurador-geral Fernando de Souza.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Maus gestores concorrem às eleições de 2006

Se você permitir, caro eleitor, gestores públicos condenados por malversação do dinheiro da Viúva podem ganhar cadeiras na Câmara e nas Assembléias Legislativas nas eleições deste ano. Levantamento feito pela repórter Alessandra Bastos identificou nada menos que 14 candidatos a deputado federal e 51 a deputado estadual que foram condenados em última instância pelo Tribunal de Contas da União.

Condenações impostas pelo TCU, um tribunal auxiliar do Congresso Nacional, podem ser questionadas na Justiça. Em função disso, gestores encrencados podem concorrer a novos mandatos eletivos. Por ora, só você tem o poder de decidir se eles devem ou não preservar suas carreiras políticas. Veja aqui a lista dos 14 condenados que concorrem à Câmara Federal. E aqui a relação dos 51 enroscados que disputam mandatos de deputado estadual.

Escrito por Josias de Souza às 22h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quem venceu, afinal, o embate do Jornal Nacional?

Com a experiência de quem conhece a TV por dentro, Marcelo Tas fez uma avaliação do desempenho dos presidenciáveis nas entrevistas que concederam ao Jornal Nacional. Ele desdenha do que muitos jornalistas consideraram como pontos falhos dos candidatos. E realça pontos que, a seu juízo, passaram em branco para os analistas.

 

Noves fora o desempenho de Fátima e Bonner –o casal “esteve impecável”— Tas acha que, "de forma geral, todos os candidatos se saíram bem". Não se exime, porém, de construir o seu próprio ranking de desempenho. Para ele, Heloisa Helena foi quem se saiu melhor. Alckmin viria em segundo lugar. Lula, em terceiro. Pressione aqui para ler as avaliações de Tas.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fidel a cubanos: ‘Preparem-se para uma má notícia’

Fidel Castro completa 80 anos neste domingo. O jornal cubano Juventud Rebelde traz uma edição que pode ser vista com otimismo ou pessimismo, dependendo da disposição de quem lê. Estampa quatro fotos de Fidel, tiradas supostamente na véspera.

 

São as primeiras imagens do ditador cubano desde que foi submetido a uma cirurgia no abdômen e teve de passar o poder ao irmão Raúl Castro, em 31 de julho. Além das fotos, o jornal publica uma mensagem de Fidel.

 

O texto atribuído a Fidel desliza sobre a corda bamba: "Dizer que a estabilidade melhorou consideravelmente não é mentira. Dizer que o período de recuperação será breve e que já não existe mais risco seria absolutamente incorreto. Sugiro que vocês sejam otimistas e, ao mesmo tempo, se mantenham sempre preparados para receber uma má notícia".

 

Escrito por Josias de Souza às 17h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Radiobras impõe cobertura apartidária da eleição

Radiobras impõe cobertura apartidária da eleição

Em protocolo divulgado na sua página na internet, a Radiobras baixou regras para a cobertura das eleições presidenciais. Prevêem do “apartidarismo” do noticiário à proibição de envolvimento de funcionários com comitês eleitorais. Presidente da estatal desde janeiro de 2003, o jornalista Eugênio Bucci (ex-Abril, Folha, JB e Estadão) disse ao blog que o combate ao jornalismo oficial chapa-branca é uma “exigência da vida democrática brasileira”. Abaixo, a entrevista:

- O que está acontecendo com a Radiobras?

Não é mérito da direção da Radiobras. É exigência da vida democrática brasileira. Em algumas regiões afastadas, as pessoas só têm notícias da Radiobras. Se recebessem informação deliberadamente distorcida, seriam lesadas no direito à informação.

- Antes de sua gestão não havia isenção na Radiobras?

O segundo governo do FHC teve na Radiobras a presidência do jornalista Carlos Zarur. Foi uma gestão muito boa. Já caminhava na direção do apartidarismo.

- Como vai ser a cobertura da campanha de 2006?

A gente tenta dar espaços iguais para todos os candidatos a presidente.

-Cobre o dia a dia dos comitês?

Não temos estrutura para isso. Fazemos uma cobertura seletiva. E produzimos reportagens que não têm merecido atenção de outros veículos. Fizemos, por exemplo, uma longa matéria sobre candidatos que têm problemas no TCU. Fizemos também reportagens sobre a história das eleições.

- Vão noticiar pesquisas de opinião?

Nenhuma linha. Não temos condições de contratar pesquisas próprias. E não vemos sentido em reproduzir números que outros veículos já deram.

- Qual é a linha editorial?

Só cobrimos as campanhas a partir de fatos que se relacionam ao calendário oficial. Não cobrimos especulações. Tem a convenção partidária? É aí que sai oficialmente o candidato? Então a gente cobre, de maneira eqüitativa.

- Vão veicular o tiroteio eleitoral?

Só daremos denúncias que forem acatadas formalmente pelo TSE.

- Quantos jornalistas foram destacados para a eleição?

Montamos uma editoria multimídia com cerca de 20 pessoas. Vai aumentar.   

- Cobrem as viagens que Lula faz como candidato?

De jeito nenhum. Decidimos não cobrir nenhum candidato em viagem. Foi uma escolha em cima de prioridades. A Radiobras tem o dever de acompanhar todas as atividades do presidente. Não como candidato.

- Alguém no governo já reclamou dessa linha?

Não recebemos nenhuma queixa em função da separação do que é campanha daquilo que é oficial. Nenhuma reclamação.

- Cobriram o escândalo do mensalão?

A partir da entrevista do Roberto Jefferson a Agencia Brasil veiculou 3.500 matérias relacionadas ao tema só em 2005. Demos também no rádio e na televisão. Publicamos, por exemplo, quando o Roberto Jefferson disse que José Dirceu era ‘chefe da quadrilha’.

Escrito por Josias de Souza às 15h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Esquerda envelhece, se esconde e definha

Percebendo que a velha ideologia não dava mais para o gasto, políticos do PSDB e do PT trocaram-na por uma nova, em alta. A julgar pelas cotações do mercado, devem estar satisfeitos com a opção que fizeram.

 

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo revela: 47% do eleitorado brasileiro se define com sendo de "direita". Outros 23% de "centro" e apenas 30% de "esquerda" (leia). Comparada com levantamentos anteriores, a sondagem mostra que o perfil conservador do eleitor sobressai desde a década de 90.

Escrito por Josias de Souza às 11h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC seqüestra e, como resgate, exige sair na Globo

O PCC se deu conta de que, na sociedade moderna, não há existência fora da mídia. Sabe que passou a ser visto pela sociedade. Agora, quer mais. Deseja editar a imagem. O crime já não se contenta com o papel de figurante do mal. Quer ser protagonista.

 

Atendendo a exigências feitas por bandidos que seqüestraram um repórter da casa, a Globo viu-se compelida a exibir, à 0h30 deste domingo, um vídeo em que suposto integrante do PCC (na foto) fez um "comunicado" à sociedade. Pediu revisão das penas dos presos e reclamou das condições carcerárias.

 

A gravação chegou à sede da Globo, em São Paulo, por volta de 22h30. Levou-a um auxiliar técnico da emissora que fora seqüestrado pela manhã junto com um repórter. Liberado pelos criminosos, o técnico foi transformado em pombo correio dos seqüestradores.

 

Mandaram dizer que, se o vídeo não fosse ao ar, o repórter seria morto. A Globo resolveu ceder à exigência. Difícil julgar a emissora. Agiu bem? Deveria ter resistido? A emissora explicou, em nota oficial, os motivos que a levaram a ceder à exigência dos bandidos.

 

De concreto tem-se o seguinte: os criminosos tiveram o que queriam. Saíram na Globo, nas condições e na hora que bem entenderam. É o impensável levado às suas últimas conseqüências.

Escrito por Josias de Souza às 10h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Medo movimenta R$ 112 bi

- Folha: 47% dos brasileiros se dizem de direita

- Estadão: Só os bancos suíços são mais rentáveis que os do Brasil

- Globo: Tráfico arma e treina 1 em cada 5 meninos infratores

- Correio: R$ 145 milhões sugados da Saúde

- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Córner da desonra!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TCU contesta avaliação positiva de Lula sobre DNIT

TCU contesta avaliação positiva de Lula sobre DNIT

  Alan Marques/F.Imagem
Para exibir os “êxitos” de seu governo sem ferir a lei eleitoral, Lula adotou a tática de visitar repartições públicas. O primeiro alvo de sua agenda itinerante foi o DNIT. Visitou o órgão que cuida das estradas no último dia 7 de julho. Depois de ouviu um relato sobre a operação “tapa-buracos”, o presidente exultou: “Tenho orgulho em ver o DNIT provar que é uma instituição que vale a pena apostar nela”.

Relatório aprovado pelo plenário do TCU na última quarta-feira faz uma avaliação bem diferente da repartição que inspirou o sentimento de “orgulho” no presidente. “São tantas as irregularidades e apenações que, pelo visto, não causa mais constrangimento ao DNIT inobservar leis e prescrições do TCU”, anota o documento.

 

Lula insinuou que, sob sua gestão, o DNIT converteu-se num modelo de gestão. “No Brasil, temos o hábito de, quando uma coisa não dá certo, a primeira coisa que a gente faz é desacreditar a instituição”, disse o presidente. “Já se fechou uma enormidade de coisas que se não funcionava bem, mas não era por causa da instituição, mas das pessoas que a comandavam".

 

De novo, o relatório do TCU desenha um quadro diferente. Em 23 de julho de 2003, o tribunal encaminhara ao governo um relatório no qual apontava um impressionante conjunto de irregularidades praticadas no DNIT em gestões anteriores à do PT. O texto continha uma série de determinações para a correção dos problemas. Lula assumira a presidência havia sete meses. Faltam três meses para o fim do governo. E nada foi feito.

 

O TCU monitorou o cumprimento das determinações que fizera em 2003. No julgamento da última quarta-feira, o tribunal analisou os resultados. “As respostas do DNIT (...) ficaram muito aquém do desejado”, diz o texto do ministro Marcos Vilaça, relator do caso. “São quase todas vagas, desacompanhadas de providências concretas.”

 

O ministro Vilaça desancou até a operação que levou Lula ao êxtase na visita ao DNIT. Escreveu que “os tapa-buracos” são “medidas de grande efeito visual, porém de resultados bastante limitados (...). Consomem muito dinheiro, mas só se ocupam das conseqüências dos problemas, ao invés das suas causas”.  

 

É desolador o cenário pintado no relatório do TCU de 2003 (pressione aqui para ler a íntegra). Dos 56 mil quilômetros de estradas federais pavimentadas no país, algo entre 66% e 85% encontravam-se em condições insatisfatórias. O percentual varia conforme a metodologia utilizada no cálculo. Em São Paulo, excluindo-se as rodovias conservadas por empresas privadas mediante cobrança de pedágio, “praticamente não há estradas federais em boas condições (97,7% da extensão são considerados ruins ou regulares, segundo o DNIT)”.

 

Entre outras causas do descalabro o TCU apontou: ausência de balanças de pesagem de veículos com excesso de peso, deficiência na elaboração dos projetos das rodovias, ausência de responsabilização das empreiteiras por defeitos nas obras rodoviárias, falta de dinheiro e desmontagem da estrutura do DNIT e o esvaziamento do Instituto de Pesquisas Rodoviárias.

 

E o que fez o governo Lula? Diz o TCU: Quanto à pesagem de veículos, “continua irrisório o número de balanças em operação”; “não há indícios de que tenham sido tomadas atitudes firmes” para corrigir falhas de projeto e responsabilizar empreiteiras; “nada foi feito” em relação ao Instituto de Pesquisas Rodoviárias; para reaparelhar o DNIT, abriram-se 2.400 novas vagas, a serem preenchidas gradualmente –“Portanto”, diz o TCU, “é algo que também não foi completamente resolvido”.

 

O tribunal deu 360 dias para que o DNIT revigore o seu instituto de pesquisas e apresente estudo com soluções tecnológicas para aumentar a durabilidade das estradas. E incluiu o órgão no seu cronograma de novas inspeções. Se Lula vier a ser reeleito, decerto terá tempo para adotar providências capazes de deixá-lo ainda mais orgulhoso do DNIT.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Dicionário de campanha

Falta um mês e meio para o momento mágico em que você, já no interior da cabine eleitoral, visita sua alma. Súbito, descobre que esqueceu a consciência em casa. Estica o dedo em direção à urna eletrônica e vota a esmo. Transfere o problema para a divina providência. Meses depois, descobre que Deus está morto. Foi assassinado pela omissão coletiva. Não resta senão sentar, rezar, pedir perdão e expiar os pecados. Nesses tempos de culto à hipocrisia, o repórter gosta de reeditar um dicionário que vem colecionando e atualizando.

 

É uma maneira de homenagear a insensatez. A providência é desnecessária. A barafunda nacional não existiria se o eleitor já não estivesse compenetrado no exercício do seu papel. Mesmo assim, aí vão alguns verbetes para aujudá-lo em sua (des)orientação:

 

- Alckmin: nome mais cotado para transformar o adversário em vitorioso;

- Candidato: pretensioso que diz coisas definitivas sem definir as coisas;

- Campanha: período em que um grupo de loucos apresenta no rádio e na TV sua plataforma para dirigir o hospício;

- Coerência: velha maluca que faz tricô enredando-se nas linhas de suas próprias contradições;

- Coligação: aliança partidária com fins lucrativos;

- Democracia: regime político que saiu pelo ladrão; espécie de luta de boxe em que a sociedade entra com a cara;

- Eleição: uma loteria sem prêmio no final;

- Eleitor: cidadão escalado para optar entre o lamentável e o impensável;

- Heloisa Helena: Pseudonovidade no seio da política; a inconseqüência com saliências e reentrâncias;

- Lula: ex-operário que se converteu em compositor. Compõe com qualquer um.

- Marketing político: técnica que consiste em enfeitar a forca, conferindo-lhe a aparência de inofensivo instrumento de cordas;

- Pesquisa eleitoral: estatística que antecipa o nome do herói que será chamado de ladrão depois da posse;

- Petista: tucano que conseguiu pôr a mão na chave do cofre;

- Programa de governo: tratado de verdades que se esquecerão de acontecer;

- Tucano: linhagem de políticos com os pés no chão. E as mãos também;

- Voto: equívoco renovado de quatro em quatro anos;

 

Por último, vai aqui uma recomendação: na manhã de 1º de outubro, depois de escovar os dentes e lavar o rosto, olhe fixamente para o espelho. Talvez você enxergue o reflexo de um culpado.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lembo admite ajuda federal, mas recusa tropas

Maurício Lima/France Presse
 

 

Um dia depois de encontro que manteve com Lula, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), anunciou neste sábado a intenção de ampliar a colaboração com o governo federal no combate ao PCC. Os detalhes do plano de ação conjunta serão revelados na próxima semana. A cooperação envolverá a PM paulista e o Exército.

 

Porém, Lembo descartou uma vez mais a hipótese de que tropas do Exército saiam às ruas: "Nós avisamos vocês dia e hora de eventual acontecimento. Vai existir, claro”, disse Lembo a respeito do projeto de cooperação. “Sempre vamos trabalhar nesta linha. Se precisar de tropas do Exército vamos chamar, mas é desnecessário. O Exército também tem essa consciência" (leia).

Escrito por Josias de Souza às 17h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula desafia oposição e desanca o Congresso

 

Numa eleição presidencial, a humildade de um candidato depende muito do tamanho do adversário. O principal adversário de Lula é Geraldo Alckmin. O que faz com que o presidente seja 100% pretensão.

 

Neste sábado, discursando num comício em Salvador, Lula afirmou que, a despeito de ter sido submetido a “um ano e meio de massacre político”, não será vingativo. Fará a campanha “sem falar de ninguém”. Lançou uma espécie de desafio à oposição:

 

“Se eles quiserem me derrotar, vão perceber uma coisa: uma coisa é derrotar um presidente encastelado em Brasília. Outra coisa é derrotar um presidente no meio do povo".

 

Abespinhado com Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que o chama de “ladrão” pelo menos uma vez por semana, Lula pediu votos para o petista Jaques Wagner. Ele disputa o governo da Bahia com Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM.

 

"É preciso desmontar essa panela e colocar gente nova para temperar melhor a Bahia", disse o presidente. O grupo de ACM governa a Bahia há 16 anos. Antes, falando a prefeitos baianos, Lula havia desancado o Congresso. Usou ternos duros.

 

Disse que a imunidade parlamentar não pode servir de biombo para a “safadeza”. "A coisa é tão absurda que deputado ou senador pode achincalhar o presidente da República, como vocês sabem que eu fui achincalhado, e não posso abrir um processo porque tem imunidade", afirmou. "A imunidade é para proteger a classe política do arbítrio, mas não para proteger da safadeza".

 

Lula disse ainda que duvida da capacidade do Legislativo de aprovar uma reforma política. "Tenho dúvidas que o Congresso Nacional fará a Reforma Política de verdade, tenho dúvida porque eles estarão legislando em causa própria e poderão fazer muito arremedo em benefício deles próprios", disse.

 

De resto, insinuou que a corrupção generalizou-se entre os partidos por conta das disfunções do sistema político. O problema, disse ele, não é "de um partido ou de uma pessoa, é da estrutura política, que é assim há muitos anos".

 

Como se vê, Lula permitiu que as pesquisas lhe subissem à cabeça. Que o bordel partidário funciona “há muitos anos” não há dúvida. FHC que o diga! Foi para interromper a suruba que o eleitor confiou em Lula e no PT em 2002. Deu-se, porém, o inesperado: a freirinha da política nacional foi pilhada em pleno bacanal.

 

Quanto à reforma política, Lula prometeu realizá-la no início de sua gestão. Pressione aqui para ouvir o discurso de posse de Sua Excelência. Mudou de idéia. Em vez de buscar a moralização, preferiu servir-se dos vícios da “estrutura política”. Encostou a barriga no balcão de oportunidade$ em que são trançadas as relações do Executivo com o Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 17h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Grupo de militares desvia R$ 53 milhões do Exército

- Folha: ONU aprova cessar-fogo e envio de tropa ao Líbano

- Estadão: Israel aceita acordo, mas ataca mais

- Globo: Depois dos Sanguessugas, PF prende quadrilha de "saúvas"

- Correio: DF registra mais mortes em rodovias

- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sede de sangue!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bahia vive um sábado de guerra de presidenciáveis

  Ricardo Stuckert/PR
Lula, Geraldo Alckmin e Heloisa Helena, os três candidatos mais bem-postos nas pesquisas eleitorais, promovem neste sábado a "guerra do acarajé". Os três resolveram medir forças na Bahia. Antecipando-se ao congestionamento, Cristovam Buarque chegou ao Estado nesta sexta-feira.

Entre os três principais candidatos, Lula é o que desfruta de maior prestígio entre os baianos. A última pesquisa pública, com registro na Justiça Eleitoral, é de 24 de julho. Foi feita pelo Ibope. Atribuiu 62% das intenções de voto no Estado ao presidenciável petista. Alckmin obteve escassos 14%. Heloisa Helena, 8%.

 

A viagem à Bahia entrou na agenda de Lula por conta de uma obsessão. Conforme já noticiado aqui no blog, o presidente atribui ao Estdo uma importância “simbólica”. Move-o o desejo de impor uma derrota ao grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que o chama ostensivamente de “ladrão”.

 

Lula tenta transferir o seu prestígio pessoal para o candidato do PT ao governo da Bahia, o ex-ministro Jaques Wagner. Trata-se de uma tarefa hercúlea. Na mesma pesquisa em que mediu a popularidade dos presidenciáveis, em julho, o Ibope perguntou aos baianos em quem votariam no pleito de governador.

 

Candidato à reeleição, Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM, obteve confortáveis 56%, contra 13% de Wagner. O petismo baiano diz dispor pesquisas mais recentes e menos desfavoráveis. Souto estaria agora com 51%, em queda. Wagner teria 20%, em alta. O governador pefelista desdenha dos números: “Só acredito nas pesquisas que posso ver.” O Ibope deve fazer uma nova sondagem no início da próxima semana.

 

Num esforço para transferir parte de seu prestígio pessoal para o pupilo Wagner, Lula gravou mensagem de apoio a ser exibida no programa eleitoral que começa na próxima terça-feira. Neste sábado, posará com seu candidato a tiracolo. Participará de um café da manhã com prefeitos e de uma caminhada pelas ruas de Salvador, que vai desembocar num comício na Praça Castro Alves.

 

  Orlando Brito
Informado acerca da agenda do adversário, o comitê de campanha de Alckmin providenciou a ida à Bahia no mesmo dia. A tática do tucano é inversa à de Lula. Alckmin tenta atrair para si parte da popularidade de Souto. Para evitar dissabores, o tucanato cuidou para que seu candidato ficasse geograficamente longe de Lula. Alckmin evitará Salvador. Fará dois comícios no interior: às 18h em Juazeiro e às 21h em Itabuna.

 

O comitê de Heloisa Helena não teve os mesmos pruridos. A exemplo de Lula, a candidata do PSOL fará caminhada em Salvador pela manhã. Ele caminhará pela Cidade Alta. Ela, pela Cidade Baixa. Sem a mesma estrutura do petismo, Helena não prevê a realização de comício. Deu-se o mesmo com Cristovam. Ignorado pelo prefeito de Salvador, João Henrique, de seu partido, o candidato do PDT limitou-se a fazer uma peregrinação no interior de um shopping (Iguatemi) e uma visita a um projeto educacional gerido pelo grupo afro Ilê Aiyê. Neste sábado, vai a Vitória da Conquista.

 

Souto e ACM acompanharão Alckmin nos comícios de Juazeiro e Itabuna. Todos irão discursar. O esforço do PFL é no sentido de reunir nos dois eventos um público maior do que o que irá prestigiar Lula na Praça Castro Alves.

 

De Salvador, Lula viajará para o Ceará. Deve fazer um comício em Fortaleza ao lado do ex-ministro Ciro Gomes, candidato a deputado, e do irmão dele, Cid Gomes, que disputa o governo cearense pelo PSB. Alckmin, por sua vez, passará por Alagoas antes de rumar para Salvador. Ali, enfrentará uma saia justa. Teotônio Vilela Filho, o tucano que concorre ao governo de Alagoas, é apoiado por Renan Calheiros, lugar-tenente de Lula no PMDB.   

Escrito por Josias de Souza às 01h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em São Paulo, Alckmin chama Lula de mentiroso

  Sérgio Lima/F.Imagem
Abordado por repórteres durante uma caminhada que realizou nesta sexta-feira pela região do Largo 13 de Maio, na capital paulista, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin chamou Lula de mentiroso. Acusou-o de mentir sobre a demissão dos ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil) na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional.

Lula dissera que Palocci e Dirceu –o primeiro acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e o segundo enredado no escândalo do mensalão— foram demitidos por ele. Até então, o governo permitira que prevalecesse a tese de que os dois auxiliares haviam pedido demissão.

Não foi, na opinião de Alckmin, a única “mentira” pronunciada pelo oponente: "Ele mentiu quando disse que criou a Controladoria Geral da União, que foi criada no governo anterior. Ele mentiu quando disse que demitiu o ministro José Dirceu. Ele (Dirceu) pediu demissão e o presidente ainda mandou uma carta toda apaixonada. Disse que demitiu o Palocci, e o Palocci pediu demissão e ele ainda lamentou. Há um abismo verdadeiro entre o que se fala e a realidade."

Alckmin aproveitou-se de um deslize cometido por Lula durante a entrevista para tirar outra casquinha do adversário: “O presidente disse que combateu a ética, né? Não foi isso que ele falou? Ele disse que combateu a ética, ele mentiu várias vezes."

A agressividade de Alckmin é, neste caso, estéril. É bobagem um candidato chamar o outro de mentiroso. Todos, em alguma medida, são. A diferença é que Lula parece ter desenvolvido melhor a arte. As pesquisas estão aí para comprovar que o número de eleitores dispostos a acreditar nele é, hoje, bem maior. Alckmin precisa ensaiar melhor o seu repertório.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quando o anormal torna-se corriqueiro

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira mais uma de suas operações. A Operação Saúva (Clique para ler o relato da repórter Kátia Brasil). Foram em cana 30 pessoas. São acusadas de fraudar licitações públicas que somam R$ 126 milhões.

 

A quadrilha superfaturava, veja você, alimentos destinados à merenda escolar, aos quartéis do Exército e a famílias carentes. Além de vender mais caro, o bando entregava alimentos impróprios. Enviou-se ao Exército, por exemplo, açúcar contaminado por fezes de rato, arroz com parasitas e peixe com larvas.

 

A ação da PF estendeu-se por sete unidades da federação: Amazonas, Rondônia, Rio, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Entre os suspeitos que foram à garra estão dez militares do Exército, empresários, um assessor do vice-governador do Amazonas e o subsecretário da Secretaria de Fazenda do Estado.

As tentativas de governo no Brasil, em âmbito federal, estadual e municipal, sempre começam com um projeto administrativo e evoluem para a depravação. Mas nos últimos tempos o pessoal está esquecendo de maneirar.

 

A corrupção vai deixando a condição de anormalidade para tornar-se algo perigosamente usual, corriqueiro. A administração pública ganha contornos de Cosa Nostra. Triste.

 

Nas pegadas da nova operação policial, Lula aproveitou um comício em Niterói (RJ) para responder aos que acusam o seu governo de praticar perversões éticas. Ele disse o seguinte:

 

"Até quando os adversários falarem em corrupção, não tenham medo, porque quem está tirando o lixo do tapete somos nós. 80% de tudo que foi desvendado de corrupção começou em 80, 85, 87, 90 e 92. Até o processo dos sanguessugas começou lá atrás. Nós estamos levantando o tapete. Só vamos ser um país de verdade se tivermos a coragem de eliminar esse tumor da corrupção, doa a quem doer, seja companheiro nosso ou não."

Escrito por Josias de Souza às 16h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conselho da ONU condena Israel! E daí?

No front de batalha diplomática, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou, nesta sexta-feira, uma declaração que condena Israel pelos ataques militares no Líbano. O documento aponta "violações maciças aos direitos humanos".

Aprovou-se também a criação para investigar os "assassinatos e ataques sistemáticos" contra civis libaneses por Israel. Nada menos que 27 países –entre eles Rússia, China, Índia— votaram a favor do texto.

No front de guerra, Israel atacou mais 130 alvos nas últimas 24 horas. O Hizbollah também lançou 15 foguetes contra Haifa, cidade ao norte de Israel. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o Ministro da Defesa, Amir Peretz, ordenaram ao Exército a preparação de uma ofensiva terrestre ampliada no Líbano.

 

Como se vê, a ONU precisa mesmo passar por uma reforma. Uma reformulação capaz de torná-la menos inútil. Poderia, por exemplo, pensar em transformar aquele seu prédio maravilhoso, assentado no coração de Nova York, num hotel de luxo. As dores do mundo não seriam atenuadas. Mas daria um bom dinheiro.

 

PS.: horas depois da divulgação do despacho acima, o Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução pedindo o fim dos confrontos entre o Exército israelense e o grupo terrorista libanês Hizbollah. O documento pede também que Israel retire suas tropas do Líbano. E autoriza o envio de 15 mil soldados de uma força de paz das Nações Unidas.

 

A resolução chega com um atraso de quatro semanas. O confronto começou em 12 de julho. Kofi Annan, o secretário-geral da ONU, se disse frustrado. Reconheceu que a inércia da ONU “abalou extremamente a confiança do mundo sobre sua autoridade e integridade". Nada comparável ao que pode acontecer se Israel der de ombros para a resolução. O assunto será discutido pelo gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert no domingo. Até lá, seguem os bombardeios.

Escrito por Josias de Souza às 15h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Collor ameaça retornar ao Congresso Nacional

O brasileiro, como se sabe, é um sujeito otimista. Nos momentos mais obscuros, consegue enxergar a luz no fim do túnel. Deve andar, porém, angustiado, sem saber o que fazer agora que, em meio ao sururu de mensaleiros e sanguessugas, roubaram o túnel.

 

E quando se imaginava que o país atingira, finalmente, o caos político que persegue há 500 anos, descobre-se que a coisa ainda não se deteriorou o bastante. O que vai de mal a pior pode ir de pior a muito pior ainda. Fernando Collor está na bica de retornar à política!

 

O ex-presidente almeja uma cadeira de senador por Alagoas. Decerto pôs na balança todas as perversões praticadas depois dele e achou que tem direito a uma segunda chance. Tem gente que não gosta mesmo de ficar atrás. Difícil para Collor será vestir o paletó por cima das asas de anjo que lhe brotam das costas.

Escrito por Josias de Souza às 10h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Terror no ar

- Folha: Inglaterra diz que evitou atentado

- Estadão: Ingleses frustram maior plano terrorista desde 11/09

- Globo: CPI quer cassar 72 , mas eleitor pode punir antes

- Valor: Nova redução de tributos causa atritos no governo

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 05h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Leitura dinâmica!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 05h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula evita confirmar presença em debate da Band

Luiz Parra/Folha Imagem
 

 

A TV Bandeirantes promoverá na próxima segunda-feira, às 22h, o primeiro debate entre os presidenciáveis. Todos os candidatos já confirmaram presença. Menos Lula. Na última terça-feira, a assessoria do candidato petista prometera informar em 48 horas se o presidente participaria ou não do embate com os adversários. O prazo já expirou. E nada.

 

A assessoria de Lula está dividida. Uma parte acha que a ausência no debate terá um custo político. O presidente passaria à opinião pública a impressão de que foge do confronto porque receia eventuais questionamentos éticos. Argumenta-se que Lula, escolado no manuseio das palavras desde os tempos em que discursava em cima de caminhões nas portas de fábricas (veja foto acima), não tem razões para alimentar temores.

 

Outro grupo, por hora majoritário, avalia que, cotado para ser reeleito em primeiro turno, Lula não deve se expor desnecessariamente. Nesta quinta-feira, o Ibope divulgou mais uma pesquisa que atesta o favoritismo de Lula. Caberá ao candidato dar a palavra final.

 

Nas duas ocasiões em que foi questionado diretamente acerca da disposição de comparecer a debates, Lula desconversou. Disse que gosta de debater. Mas condicionou a participação à análise das regras dos confrontos. Além da Bandeirantes, outras três emissoras organizam programas do gênero –SBT, Globo e Gazeta.

 

No caso da Bandeirantes, o PT não tem razões para invocar restrições às regras como justificativa à eventual ausência do candidato. Representantes do comitê de campanha petista participaram de todas as reuniões convocadas especificamente para a definição das regras. O próprio presidente do PT, Ricardo Berzoini, esteve num dos encontros.

 

É de Berzoini, aliás, a autoria de uma sugestão que, aceita pelos demais, resultou na fixação de um critério que privilegia a exposição de programas de governos, com perguntas de candidato para candidato. Atenta à hesitação do petismo, a assessoria do presidenciável tucano Geraldo Alckmin tenta obter da Bandeirantes o compromisso de manter no estúdio uma cadeira vazia e o nome de Lula na bancada.

 

Para fundamentar sua reivindicação, o tucanato invoca um trecho do documento que explicita as regras. Diz o texto que haverá no estúdio uma cadeira para cada candidato, com a respectiva identificação. Para o comitê de Alckmin, se Lula não der as caras o assento dele deve ser exibido, vazio, aos telespectadores.

 

Os petistas contrários à participação de Lula argumentam que falta moral ao PSDB para explorar politicamente eventual ausência do candidato. Lembram que FHC, em posição análoga à de Lula nas pesquisas, recusou-se a comparecer a debates na campanha presidencial de 98. Argumentam ainda que o tucano José Serra, favorito na disputa pelo governo de São Paulo, também vem se esquivando dos debates.

 

De fato, Serra faltou ao primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista. Deu-se na TV Gazeta, na noite de quarta-feira. Serra não demonstra intenção de comparecer a outros encontros do gênero.

 

A Bandeirantes decidiu aguardar por uma resposta de Lula até o último minuto. O blog perguntou a um diretor da emissora se haverá uma cadeira vazia no estúdio caso Lula não apareça. Eis a resposta: “Nós não estamos trabalhando com a hipótese de o presidente não comparecer.”

Escrito por Josias de Souza às 23h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

JN ressuscita Lula ‘não sabia de nadinha’ da Silva

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

A entrevista de Lula ao Jornal teve uma única e escassa serventia: promoveu a exumação de um personagem que parecia enterrado sob a avalanche de pesquisas eleitorais. Está-se falando daquele presidente da República cego que o país conhecera no ano passado. O Lula ‘não sabia de nadinha’ da Silva.

 

No embalo de uma bateria de perguntas sobre o mensalão, perguntou-se a Lula se num eventual segundo mandato não poderia ser “surpreendido” novamente por malfeitorias praticadas à sua volta.

 

O presidente ensaiou um blábláblá. “Tenho responsabilidade por qualquer erro que qualquer funcionário público cometer. Direta ou indiretamente, eu tenho responsabilidade”.

 

Súbito, Lula foi atalhado por Fátima Bernardes: O sr. errou? O que faria de diferente? Entrou em cena o cego: “Só poderia fazer diferente se soubesse antes. Soube depois que aconteceu”. Devagarinho, o lero da responsabilidade solidária foi se dissolvendo:

 

“Tá cheio de famílias que tem problema dentro de casa e a família não sabe (...). Como pode as pessoas exigir que o presidente saiba o que está acontecendo agora na Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, ligada ao Ministério da Agricultura. Como posso saber o que faz um ministro que não está aqui?”

 

A secretaria mencionada é vinculada ao governador Cláudio Lembo, não à pasta da Agricultura. E as perversões do mensalão não foram urdidas assim tão longe de Brasília. Noves fora a conexão feita na Minas de Valério, passaram pela ante-sala do gabinete presidencial.

 

De resto, a evocação do ambiente familiar não é conveniente. Família, neste caso, traz à memória a imagem siciliana do capo. Além disso, não se estava falando de quaisquer filhos. Não, não. Alguns deles eram os preferidos do pai.

 

Já na primeira pergunta, como zagueiro de time de várzea, Willian Bonner fora à canela do entrevistado. Delimitara o terreno da entrevista. Mencionara a denúncia do Ministério Público contra os 40 integrantes da “quadrilha” do mensalão. Deu nome aos petistas da boiada: José Dirceu, José Genoino, Silvio Pereira, Delúbio Soares... Permitiu-se recolher fragmentos da peça do procurador-geral da República.

 

Coisas assim: “... desviar recursos de órgãos públicos e estatais, para pagar dívidas do PT. Dívidas antigas e novas. Tanto do PT como de partidos aliados. Garantir que o PT continuasse no poder comprando apoio...”  Lula tratou de afastar o cálice de si: “Lamento que companheiros tenham feito coisas que ainda vão ser julgadas”.

 

Na seqüência, revelou-se preocupado com aspectos que, embora relevantes, não costumavam impressioná-lo na fase do mata-e-esfola do PT oposicionista: lembrou que ninguém foi condenado. E que todos têm o direito de se defender.

A sorte de Lula é que o eleitorado parece estar anestesiado. Valoriza outros temas em detrimento da ética. Pesquisa feita pela Fundaçao Perseu Abramo, vinculado ao PT, revelou que 50% da população não acredita na parola de que Lula não sabia das perversões mensaleiras. A mesma pesquisa informa que a grossa maioria (69%) acha que todos os governos são corruptos.

Você também não viu nada? Então pressione aqui para assistir à entrevista.

Escrito por Josias de Souza às 21h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Amir 'Guillotin' Lando

No início da semana, o senador Amir Lando (PMDB-RO) era chamado por alguns de seus pares de "Hamlet de Rondônia". Uma dúvida roía-lhe a alma: ser ou não ser implacável com os colegas encrencados no caso da máfia das ambulâncias.

O relatório de Lando será lido, finalmente, nesta quinta. Estima-se que, sobrevivendo às pressões, recomendará que sejam passados na lâmina os mandatos de pelo menos 71 congressistas. O que já lhe rendeu uma mudança de apelido. Chamam-no agora de "Doutor Guillotin dos trópicos". Uma referência a Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814), na imagem ao lado.

Vem a ser o médico que, por alegadas razões humanitárias, sugeriu, à época da Revolução Francesa, a volta de um aparelho de cortar cabeças. Usado muitos séculos antes, o artefato abreviaria o sofrimento dos sentenciados à morte. Incomodava ao Dr. Guillotin a agonia imposta pelo enforcamento e a imprecisão dos golpes de machado.

Lando não deve abespinhar-se com as provocações. No caso do Congresso brasileiro há garantias humanitárias adicionais. Quem vai à fila do patíbulo não costuma chegar à lâmina. É salvo pela cumplicidade corporativa. Entre nós, só os escrúpulos de consciência vão à guilhotina.

PS.: horas depois da veiculação deste despacho, Amir Lando divulgou, finalmente o seu relatório. Incrimina 72 congressistas. Foi aprovado pela quase totalidade dos integrantes da CPI das Sanguessugas (clica). Dos 72 que vão ao Conselho de Ética, 63 integram o consórcio partidário que dá suporte ao governo Lula no Congresso. A oposição foi à lista com nove nomes (leia).

Escrito por Josias de Souza às 08h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Réquiem para HD

Vai abaixo a imperdível coluna de Clóvis Rossi na Folha (para assinantes):

"Há um Honesto Desconhecido, doravante tratado por HD, à solta por aí. Mais exatamente, em Rondônia. É o único dos 24 deputados estaduais não acusado de trambiques. É tamanha a podridão no país tropical que conseguiu violentar uma das regras fundadoras do jornalismo.

Jornalismo é, na essência, o relato da anomalia. Notícia é avião que cai ou atrasa muito, não aviões que decolam e pousam mais ou menos no horário, aliás a avassaladora maioria. Em Rondônia, a avassaladora maioria dos deputados é trambiqueira, mas, mesmo assim, os nomes dos 23 saíram no jornal. O da anomalia, o honesto desconhecido, ficou no anonimato.

Consta até que está cadastrado no Ibama, como espécime ameaçada de extinção. Receberá, quando seu nome for conhecido, pulseirinha com a inscrição "político honesto 0001". O fabricante das pulseiras avisa que descontinuou a produção. Falta demanda.

O anonimato protege as crianças de HD. Já imaginou a reação dos coleguinhas ao verem chegar os filhos da anomalia? "Ói, lá, o filho do honesto", dirão, escandindo as palavras como antigamente se fazia com "filho da puta".

Protege também a mulher do indigitado. Poupa-a do vexame de, ao entrar no cabeleireiro, ser recebida com olhares irônicos das mulheres dos 23 trambiqueiros e com a dúvida da dona do salão: "Mulher de honesto tem dinheiro para pagar pelo menos a unha?".

HD disfarça-se para freqüentar seu local de trabalho, a Assembléia Legislativa. Um colega, outro dia, disse-lhe que não poderia mais tratá-lo como "excelência". Emendou: "Sua honestidade é uma vergonha para a categoria". HD pensa em pedir asilo. De cara, descartou Brasília. Mas está difícil encontrar-se em qualquer ponto do Brasil. É um aleijão. Agride a "normalidade" da pátria.

Escrito por Josias de Souza às 07h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Lotéricas anunciam greve para segunda

- Folha: Serra mantém vantagem em São Paulo e ganha no 1º turno

- Estadão: Israel amplia ofensiva no sul do Líbano

- Globo: Rosinha prorroga a farra das vans até 2011 no Rio

- Correio: CPI propõe cassação de 73 Sanguessugas

- Valor: Enxurradas de dólares leva o risco-país a recorde baixo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Guerra urbana!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MP enviará novo lote de sanguessugas ao STF

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, encaminhará nos próximos dias ao STF uma nova fornada de pedidos de abertura de inquéritos contra congressistas sanguessugas. Será a terceira leva de nomes contra os quais o Ministério Público pede autorização do Supremo para aprofundar investigações. A lista terá entre 25 e 33 nomes.

 

Fernando de Souza já encaminhara uma primeira lista com 15 parlamentares. Relator do caso no Supremo, o ministro Gilmar Mendes autorizou a abertura de inquérito contra todos eles. Depois, o procurador encaminhou os nomes de mais 42 congressistas acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias. De novo, Gilmar Mendes mandou que os inquéritos fossem abertos, elevando para o rol de investigados para 57 nomes.

 

Na semana passada, o procurador-geral Fernando de Souza recebeu novas provas produzidas no inquérito que corre no Mato Grosso contra a quadrilha das ambulâncias. Entre elas sete depoimentos prestados por supostos integrantes da quadrilha. Os mesmos que foram repassados à CPI das Sanguessugas. Folheando o papelório, os procuradores que cuidam do caso concluíram que há elementos para requisitar a abertura de novos inquéritos.

 

A análise ainda não foi concluída. Deve consumir pelo menos mais uma semana de trabalho dos procuradores. Mas o blog apurou que, por ora, a tendência é de seja requisitada a abertura de inquérito contra até mais 33 congressistas. O que elevaria para 90 a relação de investigados.

 

Os novos depoimentos sob análise do Ministério Público complementam investigações realizadas anteriormente. A íntegra dos documentos foi divulgada no último dia 2 de agosto no blog do repórter Fernando Rodrigues. A peça mais importante é um interrogatório feito com Luiz Vedoin, sócio da Planam (leia). Interrogou-se também o empresário Ronildo Medeiros (clica). Há ainda três oitivas de Darci Vedoin, outro sócio da Planam (