Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Relatório diz que há provas contra 75 sanguesugas

Relatório diz que há provas contra 75 sanguesugas

  Folha Imagem
Documento produzido pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sub-relator da CPI das Sanguessugas, concluiu que há provas para a abertura de processos de cassação contra 75 dos 90 parlamentares que se encontram sob investigação por suposto envolvimento na máfia das ambulâncias. O texto ficou pronto na noite de domingo.

Em entrevista ao blog, Sampaio reconheceu que 15 congressistas podem ser inocentados por falta de provas. Embora os nomes dos 90 investigados já tenham sido divulgados pela CPI em duas oportunidades (veja as listas aqui e aqui), o deputado esquivou-se de revelar quais os colegas que estão enrolados e os que podem se safar.

 

Escolhido para a tarefa de realizar o cruzamento de provas graças à experiência como integrante do Ministério Público, Sampaio não se furtou a dar detalhes acerca do seu relatório. O documento servirá de base para a elaboração do texto com os primeiros resultados da CPI, a ser divulgado no próximo dia 10. Leia abaixo a entrevista:

 

- O que diz o seu relatório?

É uma radiografia da participação de cada parlamentar, com o grau de envolvimento e a forma como cada um dos 90 investigados foi mencionado nos mais variados depoimentos, ou referidos em gravações, planilhas e livros caixas.

- Em quantos casos as provas são irrefutáveis?

Há 40 contra os quais as provas documentais são muito fortes. Quinze receberam depósitos em suas próprias contas ou nas contas de parentes próximos. Outros 25 receberam depósitos em contas de assessores.

- Pode-se alegar que os assessores agiram por conta própria, não?

Pensando nisso, fizemos um trabalho circunstanciado. Tive de correr atrás de outros elementos circunstanciais para demonstrar que o depósito foi para o parlamentar. Além dos depósitos, mostramos que o parlamentar é mencionado na escuta telefônica, no livro caixa ou na planilha apreendida no computador da Planam; que Maria da Penha Lino (ex-assessora do Ministério da Saúde) reconhece o parlamentar como sendo alguém envolvido no esquema; que Maria Estela, participante do esquema pela Planam, disse que o parlamentar entregou a senha para ela... Assim, o conjunto probatório é suficiente para demonstrar que eventuais negativas são infundadas.

- Só há provas contra esses 40?

Não. Há um outro grupo de oito parlamentares que recebeu contrapartidas em bens ou serviços. Não recebeu dinheiro, mas recebeu bens –uma BMW, um equipamento para uma indústria, etc. Também nestes casos, eu faço um paralelo com todas as demais referências: depoimentos de Maria da Penha e Maria Estela, degravação da escuta telefônica, livro caixa e planilha da Planam.

- Chegamos a 48 congressistas. Há mais?

Temos mais seis parlamentares que receberam depósito na conta de terceiros. Nem é parente nem assessor. Fizemos em relação a esse grupo o mesmo cruzamento de provas feito nos demais casos. De maneira que o envolvimento deles está situado no mesmo grau de relevância dos outros. O beneficiário do depósito também poderá dizer: ‘Em que pese eu conhecer o parlamentar, recebi por serviços prestados, sou advogado, sou engenheiro, etc. Mas se é assim, eu pergunto: por que o parlamentar foi referido em todos os outros contextos de provas produzidas.

 

Leia a continuação abaixo...

Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Pedidos de cassação só serão julgados em 2007

Pedidos de cassação só serão julgados em 2007

- Até qui, falamos de  54 casos. E quanto aos demais?

Outros 21 parlamentares são mencionados de uma maneira em que a produção de prova é um pouco mais difícil, mas não impossível. Nesses casos, o dinheiro foi pago ao parlamentar pessoalmente e em espécie. Mas, também aqui, fez-se o cruzamento com todos esses elementos outros elementos que constituem provas evidentes. Eu pergunto: por que o (Luiz Antônio) Vedoin (chefão da Planam) mentiria em seu depoimento à Justiça em relação a esses 21, se nos demais apontamentos probatórios eles também aparecem. Nos casos em que os depósitos foram feitos em contas bancárias, o Vedoin demonstrou os pagamentos com comprovantes. Nesses casos 21 casos ficará a palavra dele contra a dos parlamentares. Mas temos todos os outros elementos a que já me referi.

- Muito bem, chegamos a 75 congressistas. E o resto?

Há nove que não foram mencionados como tendo recebido qualquer benefício ou recursos. Alguns apresentaram emendas, outros aparecem em degravações da escuta telefônica em contextos que não são suficientes para evidenciar o envolvimento no esquema. O próprio Vedoin isenta essas pessoas de responsabilidade. Se ele complica a vida dos outros 75, não há razão para imaginar que ele estaria livrando esses nove apenas por librar.

- Ainda faltam seis para completar a lista de 90 investigados.

Esses últimos seis não foram referidos pelo Vedoin, mas seus nomes constam da lista de 57 parlamentares que o procurador-geral da República pediu ao STF a instauração de inquérito. Solicitou diligências. O procurador se referiu a 57, o Vedoin menciona 90. E desses 90, seis não estavam na lista de 57 do procurador. Li todo o pedido do procurador. Ele incluiu todos os que foram mencionados em degravações. No caso desses seis, a função do procurador é solicitar inquérito para chegar à exata elucidação do caso. Às vezes as pessoas entendem que o pedido de instauração de inquérito equivale a uma denúncia ou a uma caracterização de envolvimento. Não é assim. Às vezes o inquérito é pedido para evidenciar o envolvimento ou, ao contrário, para demonstrar que não houve envolvimento.

- Portanto, há 15 deputados em relação aos quais não há provas?

Sim. Diria que tem 15 que estão referidos sem elementos mais convincentes para atestar o envolvimento concreto.

- A CPI irá inocentá-los?

Na grande parte, provavelmente sim. Há outros depoimentos que iremos analisar e uma nova inquirição que faremos nesta terça-feira do Luiz Vedoin. Pode ser que a gente encontre informações adicionais em relação a alguns desses 15.

- Não lhe parece que falta tempo para produzir cassações nesta legislatura?

Até o próximo dia 10, o relatório será lido. É perfeitamente possível encaminhar às Mesas da Câmara e do Senado pedidos de abertura do processo de cassação nesta legislatura. O que não se pode é concluir os processos. Ainda assim, me parece fundamental que falemos sobre os 90 para que o eleitor tenha a possibilidade de cassar no voto aqueles que julgar indignos de exercer a representação parlamentar. O eleitor será informado antes da eleição.

- Os processos podem migrar de uma legislatura para a outra?

Sim. Há precedente. O deputado Pinheiro Landin foi acusado de negociar a venda de habeas corpus na Justiça. Ele renunciou na legislatura passada. Foi reeleito. E, na atual legislatura, fizemos investigação em 30 dias e ele acabou renunciando de novo. Consultado, o STF se manifestou favoravelmente ao prosseguimento do processo.

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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Uma notícia boa e outra ruim

O signatário do blog vai tirar férias da realidade. Este recanto virtual permanecerá inativo pelos próximos 15 dias, eis a notícia boa. Não podendo levá-los consigo, o repórter oferece aos seus 22 leitores a oportunidade de realizar a sua própria fuga. Vai abaixo um lote de sugestões:

·         Hubble site: imagens pescadas pelo telescópio no Sistema Solar e em pontos distantes da Galáxia;

·         Davis Station: estação de pesquisa australiana na Antártida;

 

·         Ambienty: consultas sobre paisagismo e informações acerca do trato com as plantas;

 

·         Aíla: organiza campanhas pelo bem-estar dos animais;

 

·         Rádio Pakistan: a melhor maneira de esquecer Lula e Alckmin. Só toca notícias sobre o Paquistão. Sempre com o enfoque do governo local;

 

·         Accent 4: só música clássica –24 horas por dia. Direto da Áustria;

 

·         Emusic: clicando-se Verdi no campo ‘Track Search’ chega-se a um lote de arquivos MP3. De graça.

 

·         The Three Stooges: quase tudo sobre ‘Os Três Patetas’;

 

·         George Bush: as principais gafes do companheiro Bush;

 

Agora, a má notícia: o blog volta à realidade no início de agosto. Pode-se tirar férias do trabalho. Das dívidas, ainda não.

Escrito por Josias de Souza às 23h16

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O Brasil ama o caos

O Brasil ama o caos

No Planalto

 

 

Em respeito aos cadáveres produzidos pela onda de violência que engolfa o cotidiano de São Paulo a nação deveria responder algumas perguntas cruciais: quando começa o caos? Será que já começou? Teria o país realizado o desejo que persegue desde 1500?

 

Foge-se das respostas por medo de que elas conduzam à grande revelação. Que levem à verdade irrefutável. Que guiem à percepção de que o Brasil encontrou-se, finalmente, com o insondável. É uma pena. Corre-se o risco de deixar escapar a última chance para recomeçar do zero. Da capo, como dizem os músicos.

 

Se era de caos que o país precisava para construir um recomeço, haveria matéria-prima de sobra. A lógica deveria dar a luz a um entendimento. Mas a política, parafuso espanado que rodopia a esmo, não segue a lógica.

 

A lógica pede um compartilhamento de culpas. E, como sabem todos, ninguém é culpado pelo caos. Ou, por outra, todos são culpados, menos o último entrevistado. O caos é sempre culpa do outro. Não há quem se disponha a partilhar o caos.

 

De resto, um eventual entendimento deixaria os gestores do caos sem ter o que debater. Se o caos fosse eliminado eles seriam forçados a se dedicar a tarefas menores. Trabalhar, por exemplo. A resolução do caos transformaria o Brasil num tedioso inferno de problemas resolvidos.

 

O fim do caos também não faria bem à religião. Edir Macedo não teria mais demônios a exorcizar. E a manutenção da mansão de Miami ficaria comprometida. O extermínio do caos não dá lucro. Que seria da indústria de grades, de porteiros eletrônicos e de alarmes sem o caos? A que reengenharias teriam de se submeter as firmas de segurança privada, muitas delas comandadas por ex-comandantes da polícia?

 

A eliminação do caos também não interessa à academia. O caos é a musa dos intelectuais. Proporciona-lhes uma reconfortante sensação de utilidade. Dá-lhes boa consciência. Sem o caos, faltaria inspiração para as grandes teses. Haveria uma legião de doutorados no inócuo.

 

A imprensa tampouco se interessa pelo fim do caos. Sem a ameaça à ordem social, os Jornais não teriam o que pendurar nas manchetes. O caos dá às primeiras páginas a estética da urgência que seduz os leitores. Artigos como esse que você está lendo perderiam o sentido.

 

Como a ninguém interessa acabar com o caos, resta ao Brasil cumprir o seu destino de nação inviável. O caos eterno é a prova de que países também podem ficar de miolo mole, sair do sério e cometer suicídio. O Brasil é a inviabilidade "full time". Por sorte, o país é feito à base de caos. Se fosse feito de lógica, faltaria material.

Escrito por Josias de Souza às 23h02

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MP acusa funcionários da USP de desviar verbas

MP acusa funcionários da USP de desviar verbas

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Investigação realizada pelo Ministério Público comprovou o desvio de dinheiro público num núcleo de pesquisas da USP. O caso é antigo. Vinha sendo apurado desde 99, depois de ter sido noticiado pela Folha. Mas só no último dia 9 de junho o procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado protocolou a denúncia na Justiça Federal.

A acusação envolve o Napio (Núcleo de Apoio e Pesquisas de Implante Odontológico). Começou a operar em 91, na Faculdade de Odontologia de Bauru, uma das unidades que a USP mantém no interior paulista. Embora formalmente fechado em 96, operou, na prática, até 99.

O Napio movimentou pelo menos US$ 2 milhões. Em 98 recebeu R$ 311.762,45 em convênios de dois ministérios (Saúde e Ciência e Tecnologia). É sobre esse montante, sujeito a correções, que versa a denúncia do Ministério Público. A verba destinava-se a financiar pesquisas na área de implantes odontológicos.

Mas, de acordo com a denúncia, migrou para contas particulares. Entre as irregularidades detectadas estão: ausência de licitação, uso de notas frias, sumiço de equipamentos e beneficiamento de empresas que tinham professores e amigos como sócios.

Chama-se Aguinaldo Campos Júnior o professor que gerenciava o Napio. Foi demitido após a revelação do caso pela Folha. Auditoria da própria universidade constatou que o núcleo do professor Campos Júnior andara fora dos padrões. Referiu-se assim à gestão do Napio:

 

“Tudo considerado, a inevitável conclusão da sindicância: essas operações caracterizaram o desvio de finalidade da verba destinada a projetos de pesquisa, sugerindo o repasse desse numerário das contas de fomento para as contas particulares ou de empresas das quais os interessados participam – desvio de dinheiro.”

 

Ouvido à época pela Folha, Campos Júnior disse que estava sendo vítima de “perseguição política” dentro da universidade. O Napio fora extinto sob elogios do Conselho Universitário. Só depois da exposição pública da encrenca a USP acordou. A despeito disso, a universidade não é alvo da denúncia do Ministério Público.

 

Procurada pelo blog, a direção da USP informou, por meio da assessoria de imprensa, que a denúncia do procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado está sendo analisada por seu Departamento Jurídico. E não quis se manifestar. Além de Campos Júnior, o Ministério Público denunciou outras cinco pessoas (pressione aqui para ir à íntegra da ação).

 

A Procuradoria pede, entre outras coisas: a devolução do dinheiro desviado, a perda da função pública daqueles que eventualmente ainda a detenham e a suspensão dos direitos políticos por cinco anos.

Escrito por Josias de Souza às 22h59

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Lula libera R$ 100 mi para área da segurança em SP

  Folha Imagem
O governo federal resolveu, finalmente, transformar em cifrões a oferta de ajuda ao Estado de São Paulo, às voltas com a administração de uma encrenca que se tornou inadministrável: a segurança pública.

Após reunir-se pela enésima vez com o governador Cláudio Lembo, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou que Brasília decidiu liberar R$ 100 milhões do Fundo de Segurança Pública para São Paulo (clica). A pergunta óbvia é a seguinte: por que só agora?

 

Segundo Bastos, liberação desse porte é coisa inédita. Algo parecido só foi feito na época da desativação do Carandiru. Metade do dinheiro será usada na reconstrução de cadeias destruídas em rebeliões. A outra metade será aplicada na aquisição de equipamentos para a área de inteligência da polícia.

 

O ministro e o governador realizaram uma das reuniões mais produtivas desde o início da crise, no início de maio. Fizeram-se acompanhar de autoridades ligadas à segurança nas esferas estadual e federal. Do lado de Thomaz Bastos estavam, por exemplo, o chefão da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e o comandante militar do Leste, general Geraldo Carvalho, maior autoridade do Exército em São Paulo.

 

O ministro da Justiça manteve a oferta de pôr nas ruas de São Paulo homens da Força Nacional de Segurança e do próprio Exército. Mas repetiu que a providência depende de requisição de Lembo. E o governador conservou o mesmo discurso que vem mantendo até aqui: julga o reforço desnecessário.

 

Lembo evoluiu, porém, num ponto. Perguntou-se a ele se considerava que a situação em São Paulo “está sob controle”. E o governador: “Essa frase eu não uso nunca mais”. A crise, como se vê, já serviu para alguma coisa.

 

De resto, Lembo disse que São Paulo e Brasília mantêm a colaboração na área de inteligência. E não descartou a hipótese de, “se e quando necessário”, requisitar contingente do Exército. Revelou que passará a manter diálogo direto com o general Carvalho.

 

O governador também confirmou que São Paulo discute com o governo federal a transferência de presos do PCC para o presídio federal de Catanduvas (PR). Disse, contudo, que não há ainda nenhuma lista de presos sobre a mesa. Por ora não há senão “uma solicitação verbal”.

 

Thomaz Bastos também deu a entender, sem oferecer muitos detalhes aos jornalistas, que a Receita Federal e o Departamento de Recuperação de Ativos do ministério da Justiça tentarão fechar o cerco ao esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado paulista. O trabalho, disse ele, vem sendo feito há três anos e meio. Mas insinuou que agora será focado em São Paulo. Alvíssaras!

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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PT protocola ação contra Serra na Justiça Eleitoral

  Tuca Vieira/F.Imagem
O PT protocolou nesta sexta-feira no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo uma notícia crime contra José Serra, candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes. A ação foi encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral. Acusa Serra de "difamação e difusão de fatos sabidamente inverídicos".

 

A ação sustenta que Serra atentou contra “a honra e moral do PT e de todos os seus filiados” ao vincular o partido ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Pressione aqui para ler o que disse o candidato tucano.

 

“Ao afirmar que há ligações entre o PT e o PCC, o candidato José Serra atribuiu a filiados do PT a co-autoria de crime de dano; incêndio; explosão; motim de presos e tantos outros praticados pela horda conhecida como Primeiro Comando da Capital”, diz o texto da ação. Assina-o Paulo Frateschi, presidente do PT em São Paulo.

 

O PT alega que, além de ofender o partido, Serra incitou a violência contra militantes petistas: “Importante observar que a conduta do candidato José Serra coloca em risco toda a militância do PT, visto que desperta sentimentos de repulsa da já castigada população de São Paulo contra o PT, o que pode, sem exagero, incitar agressões contra filiados, animosidades ou outro processo violento, mormente pelo fato de que desperta sentimentos conservadores e que podem adentrar às sendas do preconceito”.

 

Decidiu-se acionar Serra perante a Procuradoria Eleitoral por entender que suas declarações têm vínculo com a eleição. Diz o texto da notícia crime: “Uma vez que Geraldo Alckmin encontra-se umbilicalmente ligado à questão da segurança pública de São Paulo - visto que era Governador reeleito do Estado até março – e sendo natural o questionamento do PSDB (partido que ocupou a chefia do Poder Executivo Estadual pelos últimos 12 anos) quanto à sua responsabilidade política nos lastimáveis eventos, tratou o sr. José Serra de inocular a vacina para o possível desgaste político (que repercutiria no seu desempenho das pesquisas eleitorais)”.

 

O  texto da ação do PT prossegue: “E a solução encontrada foi a seguinte: fazer verdadeira propaganda eleitoral negativa em desfavor do PT e de seus filiados. De fato, atrelando o PT e seus filiados aos atentados do PCC, o desgaste político decorrente da crise da segurança pública seria transferida a outrem, o que favoreceria eleitoralmente o candidato José Serra. A conotação eleitoral de sua conduta é clara (...)”.

 

Cabe agora à Procuradoria Eleitoral decidir se a ação é ou não procedente. Curiosamente, o PT não moveu, por ora, nenhuma ação contra Jorge Bornhausen SC), presidente do PFL. Foi ele o primeiro a apontar, sem provas, a suposta vinculação do petismo com o PCC (leia). 

Escrito por Josias de Souza às 14h26

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Bandidos lutam com governo pelo controle dos transportes

 

- Folha: Ataques deixam 2 milhões a pé

 

- Estadão: Lembo: 'Lula está desequilibrado'

 

- Globo: Ordem para ataques em SP passou por advogados

 

- Correio: São Paulo é vítima de terrorismo eleitoral

 

- Valor: Governo prepara plano com subsídio às tarifas de ônibus

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Na alça de mira!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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PMDB anti-Lula prepara manifestação pró-Alckmin

Daniel Kfouri/Folha Imagem
 

 

Em reação ao jantar oferecido por Lula ao PMDB governista, a ala do partido alinhada à candidatura Geraldo Alckmin decidiu realizar um ato público de apoio ao presidenciável tucano. Acontecerá dentro de duas semanas.

 

A manifestação pró-Alckmin está sendo organizada pelo presidente e pelo segundo vice-presidente do PMDB, respectivamente Michel Temer (SP) e Eliseu Padilha (RS). Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), ofereceu-se para ser o anfitrião do ato, no Recife.

 

Temer e Padilha combinaram a estratégia com o próprio Alckmin, em reunião realizada na última quarta-feira, dois dias depois de o presidente do PMDB ter declarado apoio ao candidato tucano. Os três combinaram a divulgação de um manifesto contendo seis itens. Alckmin se comprometeu a incorporá-los ao seu programa de governo.

Na verdade, algumas das sugestões, por óbvias, já contavam das diretrizes do programa de Alckmin. São esses os tópicos: 1) limitação do uso de medidas provisórias; 2) investimentos maciços e redefinição da política federal de segurança pública; 3) prioridade à reforma política; 4) manutenção do Bolsa Família, com aumento do valor do benefício; 5) compromisso com o desenvolvimento econômico.

A idéia dos peemedebistas pró-Alckmin é marcar uma diferença em relação aos partidários de Lula. Pretende-se passar a impressão de que o primeiro grupo baseia o seu apoio numa agenda programática, enquanto o segundo deixa-se seduzir pela caneta do presidente e pelo Diário Oficial.

O PMDB avesso a Lula levou a Alckmin uma planilha com a posição dos diretórios do partido nas 27 unidades da federação. O documento traça um mapa da divisão do PMDB. Dez diretórios estaduais estariam fechados com Lula; dez seriam favoráveis a Alckmin. E sete constam da lista como indecisos.

Eis os dez diretórios que a contabilidade dos aliados de Alckmin atribui a Lula: Minas Gerais, Ceará, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Amazonas, Sergipe, Amapá e Roraima. Juntos, correspondem a 27,47% dos 125,9 milhões de eleitores do país.

Os diretórios que estariam majoritariamente com Alckmin são: Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Espírito Santo, Piauí, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. Abrigam 26,70% do eleitorado.

Estariam indecisos ou em posição de neutralidade, sempre de acordo com a planilha do grupo pró-Alckmin: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Tocantins. Somam 48,83% do eleitorado. Curioso que se tenha incluído a Bahia na lista. O PMDB local encontra-se formalmente coligado à candidatura do petista Jaques Wagner ao governo da Bahia.

Os partidários de Alckmin têm a pretensão de arrastar para o ato de Pernambuco, além de representantes dos diretórios que tucanaram, lideranças regionais de Estados que estão neutros ou que apóiam Lula. A tática é semelhante à que foi adotada pelo lulistas para adensar a lista de presenças do encontro da Granja do Torto.

Recomenda-se ao leitor que não se deixe impressionar pela divisão esquemática do PMDB entre um e outro candidato. Depois da eleição, vencendo Lula ou Alckmin, a maioria do partido tende a caminhar em direção ao vitorioso. A atração do PMDB pelos cargos e oportunidades proporcionados pelo poder tem marcado a trajetória da legenda nas últimas duas décadas.

Escrito por Josias de Souza às 00h02

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Para Lula, vinculação do PT ao PCC é ‘insanidade’

O PT marca o início da campanha reeleitoral de Lula com um jantar de adesão em São Bernardo. Ricardo Berzoini abriu o encontro pedindo aos presentes que fizessem um minuto de silencia “pelas vítimas da violência em São Paulo, em condições mal explicadas”.

 

O ambiente encontrava-se eletrificado pelas declarações de Jorge Bornhausen (PFL-SC) e José Serra (PSDB-SP). Ambos atribuíram ao PT vínculos com a onda de ataques do PCC. O petismo está inconformado.

Lula queixou-se em discurso do "jogo rasteiro" dos adversários. "É no mínimo insanidade querer vincular o PT ao crime organizado quando eles cuidam há 12 anos das cadeias de São Paulo. Por favor, leviandade também tem limite", disse Lula.

Ao chegar para o jantar, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) já resumira o sentimento de indignação com as declarações tucano-pefelistas. Mas o partido não deve ficar só na reação verbal. Paulo Frateschi, presidente do diretório paulista da legenda anunciou a intenção de processar Bornhausen e Serra.

 

O restaurante escolhido para o repasto petista pertence à família Demarchi, velha amiga de Lula. É o mesmo estabelecimento em cujas mesas o PT foi idealizado, nos idos de 80. Escolheu-se o dia 13 porque esse é o algarismo eleitoral do PT.

 

O cardápio evoca os tempos de vacas magras do PT: polenta frita e frango a passarinho. Cada um dos presentes desembolsou R$ 200. A tesouraria da campanha espera amealhar pelo menos R$ 600 mil.

Enquanto o PT aguardava pela chegada de Lula em São Bernardo, o alto comando do tucanato saboreava numa reunião em Brasília, com a presença de Geraldo Alckmin, o resultado da última pesquisa eleitoral. Realizada pelo Vox Populi, foi divulgada pela TV Bandeirantes. 

Mostra que a vantagem de Lula sobre Alckmin caiu para 10 pontos percentuais. É a menor diferença já constatada entre os dois. A pesquisa atribui a Lula 42% das intenções de voto. Alckmin teria 32%. O tucanto enxergou nos números da sondagem eleitoral os primeiros albores do segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 23h41

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Bomba explode num shopping-center de São Paulo

Era só o que faltava: a onda de violência chegou ao templo da classe média. Uma bomba de fabricação caseira explodiu na noite desta quinta-feira no shopping Aricanduva, na zona leste de São Paulo. Não houve feridos. Feita de modo artesanal, a bomba atingiu apenas carros e a vidraça de uma loja.

 

Na primeira onda de ataques atribuídos ao PCC, em maio, privilegiaram-se alvos policiais. Dessa vez, os atentados visaram, sobretudo, alvos civis. Foram ônibus, bancos, supermercados, postos de gasolina e até, veja você, uma ambulância. Agora, vêm os shoppings (clica).

Escrito por Josias de Souza às 21h09

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Alckmin tem três minutos a mais que Lula na TV

O TSE divulgou nesta quinta-feira o rateio de tempo da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Geraldo Alckmin terá três minutos a mais que Lula. Entre os quatro principais candidatos a distribuição ficou assim:

 

·         Geraldo Alckmin: 10 minutos e 22 segundos;

 

·         Lula: 7 minutos e 21 segundos;

 

·         Cristovam Buarque: 2 minutos e 23 segundos;

 

·         Heloisa Helena: 1 minuto e 11 segundos.

 

A propaganda eletrônica começa a ser veiculada no dia 15 de agosto. Os candidatos venderão o seu peixe às terças, quintas e sábados, informa Andreza Matais. Serão dois blocos diários de 25 minutos –o primeiro de 13h às 13h25 e o segundo das 20h30 às 20h55. Assim, o tempo de cada candidato será dobrado.

 

O cálculo leva em conta o tempo de cada coligação. O horário dos partidos que não concorrem à presidência foi dividido entre os candidatos. Além do programa maior, os presidenciáveis vão dispor de 540 inserções curtas no rádio e na TV durante 45 dias.

 

Serão 12 inserções diárias de 30 segundos cada. Na divisão desse bolo, Alckmin ficou com 2 minutos e 29 segundos por dia; Lula, 1 minuto e 45 segundos; Cristovam, 34 segundos; e Heloisa, 17 segundos.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

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Governo estuda FGTS menor para as domésticas

Depois de impor o veto ao aumento de 16,67% às aposentadorias e pensões superiores a um salário mínimo, Lula busca uma alternativa que evite um novo desgaste eleitoral, dessa vez com as empregadas domésticas. Tenta-se encontrar uma alternativa que assegure a inserção das domésticas no cadastro do FGTS.

 

O governo cogita criar um sistema especial de FGTS para as domésticas. Uma das hipóteses, informa Julianna Sofia, é a fixação de alíquotas iniciais de 2% ou 4% que, gradativamente, chegariam ao recolhimento mensal de 8% pago aos demais trabalhadores com carteira assinada.

 

Seria uma alternativa ao projeto aprovado pelo Congresso, que tornou obrigatório o FGTS para as domésticas e impôs o pagamento de multa de 40% para as demissões sem junta causa. Lula vetaria o projeto e enviaria uma nova proposta ao Legislativo. Conteria apenas o pagamento escalonado de FGTS, sem a multa de 40%.

Escrito por Josias de Souza às 16h34

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O crime é organizado; a política, esculhambada

São Paulo vice uma quinta-feira de ressaca. Fugindo do fogo, grande parte dos ônibus evitou sair às ruas. No novo porre de ataques que o PCC dá em São Paulo, os ônibus tornaram-se alvos preferenciais. Virou moda também atear fogo em agências bancárias.

 

O enredo da violência paulista é uma fita esquemática. Como nos filmes exibidos diariamente na TV, a platéia sabe de antemão que são os bandidos: os políticos e gestores públicos. Agora mesmo, não podendo estreitar inimizades para encaminhar uma solução de longo prazo, os políticos trocam sopapos.

 

Em entrevista a Eliane Cantanhede, Jorge Bornhausen (PFL-SC) socou abaixo da cintura: "O PT pode estar manuseando, manipulando essas ações." O petismo contra-atacou: “Lamento que um senador da República aja de forma tão irresponsável e golpista”, disse Ricardo Berzoini (PT-SP). "Eu acho que são declarações que não merecem resposta, porque são de um quilate tão rebaixado, de uma postura tão autoritária e tão caluniosa," ecoou o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

 

Tarso Genro reiterou a "disposição irrestrita" do governo Lula de ajudar São Paulo. "A orientação que o presidente da República deu para o ministro Márcio Thomaz Bastos [Justiça] é que ele se colocasse à total disposição do governador [Cláudio] Lembo [São Paulo], e que a disposição do governo federal era irrestrita em ajudar a solucionar a crise da segurança pública em São Paulo".

 

Em São Paulo, na saída de um encontro com Lembo, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin deu indicações de que não enxerga a disposição de ajuda manifestada pela Brasília petista. "Nós estamos no mês de julho, e, mesmo com os problemas que o Estado teve há três meses, não foi sequer assinado convênio de dois fundos constitucionais, o Fundo de Segurança e o Fundo Penitenciário", disse ele.

 

Alckmin prosseguiu: "Você tem dois fundos condicionais, pequenos, que podem gastar isso, nós já estamos no segundo semestre e nem convênio foi assinado. Se quer ajudar, por que não ajuda?" Pesquisa feita no Siafi, o sistema informatizado que guarda os dados sobre gastos do governo mostra que a crítica de Alckmin não é vã. O dinheiro dos fundos está parado nos cofres de Brasília 

 

Como se vê, não é difícil entender porque só o crime é organizado.

Escrito por Josias de Souza às 15h08

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As manchetes desta quinta

- JB: Lula promete abono a aposentado e compensação a domésticos

- Folha: Novos ataques do PCC matam 8

- Estadão: 72 ataques e 7 mortos em nova onda de terror em SP

- Globo: Crime organizado faz 71 ataques e mata 8 em SP

- Correio: Terrorismo brasileiro

- Valor: Mercado de debêntures inicia semestre aquecido

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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A necropsia da Viúva!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Marcola teme virar ‘morto vivo’ em prisão federal

  Rogério Cassimiro/FI.
Ouvido pela CPI do Tráfico de Armas no último dia 8 de junho, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, fez um pedido aos deputados no final da inquirição: “Posso fazer uma pergunta?” O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), presidente da CPI, aquiesceu: “Pode”. E Marcola: “Pode ser em off, entre nós?” Moroni, de novo, concordou: “Então, eu vou encerrar aqui (...)”.

 

Essas foram as últimas palavras registradas na gravação feita nas dependências da prisão de Presidente Bernardes, onde o líder do PCC foi ouvido. Moroni mandou desligar o gravador. E Marcola, que passara quatro horas e treze minutos respondendo a perguntas, inverteu os papéis: “Como é o regime de segruança da prisão de Catanduvas?”

 

O prisioneiro parecia pressentir o que o futuro lhe reservava: uma transferência para o primeiro presídio federal de segurança máxima. Foi inaugurado pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) no mês passado. Fica no município paranaense de Catanduvas, a 438 km de Curitiba.

 

Marcola quis saber se, em Catanduvas, seria submetido a um regime mais draconiano que o de Presidente Bernardes. Os deputados responderam que o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), praticado na prisão paulista, está previsto numa lei (10.792), editada sob Lula em dezembro de 2003. Portanto, as condições carcerárias de Catanduvas, não poderiam exceder os termos da lei.

 

Livre do gravador, o líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) disse aos deputados, segundo relato de dois deles ao blog, que receia tornar-se um “morto vivo” caso seja levado para Catanduvas. Os temores de Marcola não são infundados. Sua transferência, junto com outros líderes de sua facção criminosa, está sendo acertada entre o governo de São Paulo e o Ministério da Justiça.

 

A operação, noticiada em reportagem de André Caramante nesta quarta-feira, já havia sido esboçada em 24 de junho no sítio da Federação Nacional dos Policiais Federais. Escutas telefônicas realizadas pelo setor de inteligência da polícia de São Paulo teriam detectado o receio do isolamento em Catanduvas. O governo paulista atribui a isso a retomada da onda de ataques criminosos do PCC –foram 73 atentados nas últimas 48 horas, com pelo menos oito mortos (incluindo dois cadáveres não contabilizados no levantamento oficial).

 

Trancafiados em Catanduvas, criminosos como Marcola serão privados de exercer o controle sobre a maioria dos cerca de 140 mil presos detidos em São Paulo. No depoimento à CPI, cujos principais trechos foram divulgados em três despachos aqui no blog (um, dois, três), Marcola deixa claro o controle que o PCC exerce sobre o cotidiano dos cárceres paulistas.

 

A leitura do depoimento (clique para ir à íntegra. O pedido de Marcola para desligar o gravador encontra-se na última página, de número 205) deixa claro que o PCC impõe a sua própria disciplina aos presídios. Marcola conta, por exemplo, que a facção proibiu o uso do crack e o homossexualismo entre os presos (páginas 26 e 27 do depoimento). Disse que as decisões foram adotadas após consultas feitas aos presídios por meio de telefones celulares.

 

Nas palavras de Marcola, ao fixar regras de convivência nos cárceres, o PCC “tirou a autoridade do Estado”. Para o criminoso, será “difícil” o poder público voltar a impor a sua vontade nas prisões. Uma coisa é possível intuir: a simples transferência de Marcola e seus comparsas não vai resolver a encrenca da segurança pública em São Paulo. Em atividade há mais de uma década, a usina do PCC não tardará a fabricar novos Marcolas. (Leia mais no despacho abaixo) 

Escrito por Josias de Souza às 01h35

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Prisão federal segue modelo das ‘supermax’ dos EUA

  Paulo H. Carvalho
A penitenciária federal de Catanduvas (PR) é a primeira de um lote de cinco que o governo Lula prometeu construir. Tem capacidade para abrigar 208 presos. Segue o modelo de prisões de segurança máxima dos EUA. São chamadas de “supermax”, abreviatura de Super Maximum Security. A mais famosa fica em Florence (Colorado).

 

Catanduvas é uma cidade com cerca de 8 mil habitantes. Vivem sobretudo da lavoura. Prometido para 2004, o presídio foi entregue com quase dois anos de atraso. Está assentado no alto de uma colina. A construção ocupa 16.800 metros quadrados.

 

No caminho até a cela, o preso percorrerá um corredor com 17 portões de ferro (veja foto acima). O governo importou dos EUA equipamento de vigilância eletrônica. Captará imagens dentro e fora do presídio. As cenas serão transmitidas em tempo real para a Polícia Federal e para o Departamento Penitenciário Nacional, em Brasília.

 

A prisão tem em suas quinas quatro guaritas. Serão ocupadas por sentinelas da Polícia Federal. O governo informa que a vigilância noturna será reforçada com a ronda de veículos. Serão usados também cães adestrados.

 

O planejamento prevê também que a guarda permanente da cadeia será exercida por 200 agentes, quase um para cada preso (208). Diz-se que foram submetidos a treinamento intensivo em Brasília.

 

As visitas serão precedidas de revista e cadastramento, com identificação digital. A exemplo do que ocorre nas prisões norte-americanas, o preso será separado do visitante por uma parede de vidro. As conversas se darão por meio de um aparelho de telefone, sob monitoramento.

 

Comum em qualquer prisão brasileira, os celulares serão banidos de Catanduvas. Pelo menos foi o que disse o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) na solenidade de inaguração da “supermax” brasileira: “Não vai entrar celular no presídio. Vamos desligar esses criminosos de suas quadrilhas, que não podem continuar funcionando como desagregadores dentro do sistema prisional”.

 

As celas de Catanduvas seguem o padrão norte-americano. São individuais. O piso e as paredes foram construídos com argamassa reforçada com uma liga de aço. Clicando na foto ao lado, você terá acesso a um sítio que oferece uma visão panorâmica das instalações da “supermax” do Colorado, nos EUA.

 

Famosas pelo rigor imposto aos presos, as super-cadeias norte-americanas são criticadas por movimentos de direitos humanos. Acusações de torturas são comuns. Não há regras de ressocialização de presos. Diz-se que muitos, depois de cumprirem a pena, deixam o cárcere loucos.

 

No Brasil, o governo diz que vai seguir o que manda a Lei de Execuções Penais. Oferecerá aos presos que desejarem trabalho e estudo. O Ministério da Justiça ainda não divulgou as regras que irão imperar nos presídios federais brasileiros.

Escrito por Josias de Souza às 01h19

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Denunciados membros da Mesa diretora da Câmara

  Folha Imagem
PPS, PV e PSOL protocolaram nesta quarta-feira no Conselho de Ética da Câmara uma representação contra os deputados João Caldas (PL-AL), à esquerda na foto, e Nilton Capixaba (PTB-RO), à direita. Pilhados no escândalo da compra superfaturada de ambulâncias, os dois são acusados de quebra do decoro parlamentar.

Caldas e Capixaba integram a mesa diretora da Câmara. O primeiro é quarto secretário. O outro, segundo secretário. Para evitar constrangimentos, ambos decidiram não participar das reuniões da Mesa até a conclusão dos trabalhos da CPI das Sanguessugas (clica).

Realizou-se nesta quarta-feira a primeira reunião da direção da Câmara sem a presença dos dois. Foram analisadas representações contra deputados envolvidos em outras perversões: B. Sá (PSB-PI) e Domiciano Cabral (PSDB-PB) (leia).

A despeito da aparente inapetência do Congresso para apurar ilicitudes, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) anunciou ter reunido assinaturas para abrir mais uma CPI no Senado. O objetivo é apurar supostas irregularidades na execução do Orçamento pelo Executivo (veja).

Escrito por Josias de Souza às 18h43

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Lula cobra solidariedade de nações ricas à Africa

 

Falando a delegações africanas reunidas numa conferência em Salvador, Lula cobrou nesta quarta-feira solidariedade das nações ricas à África. O discurso foi feito 48 horas antes de o presidente viajar para uma reunião do G8, o grupo que congrega as nações mais ricas do mundo.

"Parece que ninguém hoje tem responsabilidade”, disse Lula, segundo o repórter Marcos de Moura e Souza. “Parece que não aconteceu nada, que a África é pobre porque é um continente negro; que a África é pobre porque não tem escola; que a África é pobre porque não tem desenvolvimento e ninguém assume a responsabilidade de dizer que a África é pobre porque durante mais de 300 anos mulheres, crianças e jovens eram tornados escravos para construir algumas das nações que são ricas hoje".

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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São Paulo rima com calamidade

São Paulo rima com calamidade

 

Logo que os ataques do PCC começaram, em 12 de maio, São Paulo não se deu conta do tamanho da encrenca. Viu chuvisco onde havia tempestade.

 

Cláudio Lembo brindou o Estado com palavras tranqüilizadoras: Está tudo “sob controle”. Enxergou como momentâneo algo que duraria uma eternidade.

 

Ao se dar conta de quem realmente estava no “controle”, o “poder”  público abriu um  diálogo com a bandidagem. Tratou criminoso com cordialidade.

 

Às voltas com o monturo de corpos de dezenas de colegas, policiais passaram a puxar o gatilho a  esmo. Igualaram-se ao inimigo em atrocidade.

 

Para livrar a própria cara, Lula pôs à disposição de São Paulo o Exército e a Guarda Nacional. Não resolve. Mas dá discurso. Tratou o adversário com “lealdade”.

 

Lembo recusou a generosidade. Alegou que a polícia de São Paulo é numerosa e bem preparada. Vê nos acenos de Brasília astúcia sem densidade.

 

Geraldo Alckmin finge-se de morto. Joga a encrenca para o plano federal. Diz que Lula reteve verbas da segurança. Falta-lhe meio quilo de hombridade.

 

O Congresso simulou consternação. Prometeu votar a toque de caixa um pacote de segurança. Era conversa mole. Onde só há inércia não pode haver agilidade.

 

Em meio ao festival de fatuidade, fatigado da viscosidade, espantado com a boçalidade, farto da licenciosidade, cansado da generalidade, exausto da imoralidade, estarrecido com a mortandade, ferido em sua integridade, ameaçado em sua propriedade e pressentindo a orfandade, o cidadão paulista é compelido a constatar, com uma ponta de incredulidade, a dura realidade: São Paulo rima com calamidade.

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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Em São Paulo, tudo volta a ficar ‘sob controle’

  Bruno Miranda/F.Imagem
O PCC voltou à carga. Os ataques em série, um tipo de barbárie que São Paulo conheceu no início de maio, foram reiniciados entre a noite de terça e a madrugada desta quarta-feira. Foram contados 48 atentados. Atingiram 53 alvos. Produziram cinco cadáveres (clica).

 

Os criminosos transformaram em alvos bases da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, além de delegacias, agências bancárias, lojas de automóveis e supermercados. Pelo menos 12 ônibus foram carbonizados.

 

Ontem, numa entrevista em Campinas, o governador Cláudio Lembo (PFL) disse que o PCC “não domina mais os presídios”. E repetiu o que vem se caracterizando como um bordão para tempos de crise: “A situação está sob controle” (Leia).

 

Na manhã desta quarta, em Salvador, Lula disse uma obviedade –os bandidos “estão aterrorizando São Paulo”—e uma platitude –“temos de tomar atitudes”. Lamentou que o governo de São Paulo recuse o envio de homens da Força Nacional de Segurança. Lembo disse, em nota, que o reforço "nao é oportuno nem necessário (veja). Geraldo Alckmin, sócio da encrenca, ainda não deu o ar da graça. Está em algum ponto entre Bruxelas e o inferno paulistano.

Escrito por Josias de Souza às 10h33

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As manchetes desta quarta

- JB: Quadrilha controla quatro ministérios

- Folha: Bombas em trens matam 179 na Índia

- Estadão: Atentados matam 174 na Índia

- Globo: Advogada entregava clientes para facção do tráfico em SP

- Correio: A marca do terror na Índia

- Valor: OCDE melhora avaliação do risco de emprestar ao Brasil

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

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Relação indigesta!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Geraldo Alckmin precisa ouvir o Bussunda

Artigo de Elio Gaspari (na Folha, para assinantes):

Você sabia que o Pão de Açúcar tem 396 metros de altura e o índice de fuga de presos em São Paulo é 0,13?

Geraldo Alckmin dá a impressão de reencarnar do sujeito que decorou a letra R da enciclopédia. Com uma diferença: memoriza números. O Estado que governou por cinco anos teve cerca de 50 agentes da ordem assassinados em menos de 90 dias, 1.500 presos foram confinados como bichos num espaço onde caberiam 150 e ele tem o seguinte a dizer: "A fuga no Estado de São Paulo no ano passado foi 0,13. Isso é número europeu".

Se o doutor estivesse no mundo do futebol, poderia anunciar que formará um time que faça muitas faltas, dê poucos passes e recue a bola sempre que possível. Um levantamento de 1.500 partidas feitos pelo Datafolha, mostra que essas são as características de 53% a 67% dos vencedores. E daí?

Quando os bandidos soltos matam policiais e agentes penitenciários na porta de suas casas, o índice de fugas é uma irrelevância. Quando os presos são tratados como bichos, transformando o poder coercitivo do Estado em selvageria, degrada-se o governo. Um cidadão disposto a apoiar medidas repressivas contra o crime organizado pode defender a pena de morte, a prisão perpétua ou os cárceres de segurança máxima.

São pontos de vista legítimos. Esse mesmo cidadão nada tem a ver com as práticas do presídio de Araraquara. Um homem de bem não se associa ao que se fez lá. Pena que o advogado Cláudio Lembo tenha deixado sua biografia escorregar numa administração na qual bandidos exterminam policiais e presos são vilipendiados.

As platitudes do candidato Alckmin fazem do conselheiro Acácio um James Joyce. Coisa assim, dita na convenção de Belo Horizonte: "Tenho uma visão de Estado que não comporta amadorismos". Ou assim, dita em Lisboa: "Nós estamos dando grande destaque à maior inserção internacional do Brasil. Queremos a busca de mercado internacional, acordos comerciais importantes". Fora disso, recita meia dúzia de números e supõe ter mostrado preparo para discutir a questão.

O índice europeu de fugas dos presídios paulistas tem pouco a ver com o que acontece no Brasil. Muito mais relevante é a indicação de que aqui morrem mais policiais do que em qualquer outro país. Isso numa cultura de segurança que mata mais cidadãos que todas as polícias da Europa somadas. Alckmin sabe que o eixo da discussão é esse. Seu secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu, a quem chamou de "servidor público número um", também sabe. A patuléia não está aí para ser ludibriada com números europeus em conserva.

O candidato do PSDB recitou o "0,13" antes de embarcar para Bruxelas e Lisboa. Na volta, poderá dizer se notou outra semelhança entre a segurança européia e a de São Paulo.

Alckmin cultiva um mantra de campanha. Seja qual for o tema, diz que Lula é omisso e que no seu governo haverá estudo, firmeza e determinação. No caso da segurança, por mais omisso que seja o Nosso Guia, o pudim paulista é de Geraldo Alckmin. A ruína não começou com ele, mas foi com ele quem cevou um modelo truculento e espalhafatoso que acabou em fracasso. Conseguiu o impossível: tornou-se páreo para Anthony Garotinho.

Alckmin deve uma caridade às platéias. Enquanto houver policiais espingardeados nas ruas de São Paulo, ao tratar de segurança, poderia atender ao pedido do Bussunda: "Fala sério".

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Sem votos no Brasil, Alckmin faz campanha lá fora

  Daniel Kfouri/F.Imagem
Embora esteja em franca desvantagem em relação a Lula na preferência do eleitorado, o candidato tucano Geraldo Alckmin resolveu fazer campanha no exterior. Concluiu nesta terça-feira uma viagem de dois dias à Europa. Seu último compromisso foi um encontro com o português José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia.

 

À saída, Alckmin desancou a política externa de Lula. Disse que a "obsessão" do presidente por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU pôs em segundo plano os interesses comerciais do Brasil.

“A Alca não andou, o acordo com a União Européia também não, acordos bilaterais também não andaram. Eles ficaram mais limitados”, disse Alckmin, conforme relato da repórter Márcia Bizzotto. “Vejo que houve uma obsessão pela questão da cadeira no Conselho de Segurança da ONU e não houve, na prática, a concretização de nenhum acordo comercial.”

O que Alckmin esqueceu de mencionar é que a “obsessão” pela cadeira na ONU começou na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. Ignorando o companheiro de partido, o candidato disse que, se eleito, vai priorizar a busca de novos mercados para produtos brasileiros.

“Temos que deixar de ser exportadores apenas de produtos primários”, disse ele. “Nesse caso, o mercado dos Estados Unidos é fundamental, porque a maior parte as nossas exportações para lá é de produto acabado, enquanto que a União Européia compra produtos agrícolas”.

Alckmin aproveitou para tirar uma casquinha de Lula e faturar junto ao eleitorado de pijama. Disse “lamentar profundamente” o veto do presidente ao aumento de 16,67% para os aposentados que recebem mais de um salário mínimo. Se fosse presidente, disse ele, teria criado condições para melhorar a situação dos aposentados. Como é só candidato, eximiu-se de dizer como faria a mágica de arrumar os R$ 7 bilhões que Lula diz não ter para pagar o reajuste das aposentadorias.

Alckmin também desdenhou do apoio da ala governista do PMDB ao adversário. Disse que as maiores lideranças do partido estão com ele. Citou Jarbas Vasconcellos (PE), Joaquim Roriz (DF) e Luiz Henrique da Silveira (SC). Desinformado, o candidato tucano esqueceu de incluir na sua lista o nome de Michel Temer (SP).

O presidente do PMDB declarou nesta terça-feira seu apoio formal ao presidenciável do PSDB. Não é, convenhamos, uma informação que um candidato tão necessitado de adesões devesse ignorar.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Empresários pró-Lula propõem reforma trabalhista

Empresários pró-Lula propõem reforma trabalhista

Empresários do comitê pró-Lula reúnem-se nesta quinta-feira para iniciar a elaboração de reformas que desejam ver inseridas no programa de governo do PT. Tratarão de temas polêmicos. O mais espinhoso é uma proposta de flexibilização das leis trabalhistas, com a desoneração da folha salarial e a eliminação de direitos.

O grupo chegou a congregar 30 empresários em 2002. Rearticulou-se agora com 11. O mais conhecido é Lawrense Pih, dono do maior moinho de trigo da América Latina, o Pacífico. Os empresários encontraram-se há três semanas com Ricardo Berzoini, presidente do PT. Foi quando combinaram que sugeririam reformas. O blog ouviu Laurence Pih. Leia abaixo a entrevista:

 

- Que áreas pretendem abordar no documento?

Os problemas que qualquer governo terá que enfrentar, seja do Lula, do Geraldo Alckmin ou da Heloisa Helena. Reforma tributária, trabalhista previdenciária e política.  

- Que tipo de reforma trabalhista?

É importante desonerar a folha. As contribuições sociais chegam a quase 100% dos salários. Temos também que flexibilizar a legislação. O mundo está mudando e o Brasil precisa acompanhar. Há setores, como o têxtil e o de calçados, que não são competitivos no mercado mundial e estão deixando de ser também no mercado interno. Tem país que coloca o mesmo produto aqui com qualidade boa e mais barato.

- Refere-se à China?

A China o principal exemplo. Nós temos custos que eles não têm. E por isso somos menos competitivos.

- Mas na China não há direitos trabalhistas.

A China não é um bom modelo, mas os produtos deles estão indo para o mundo inteiro, inclusive para cá. Na área trabalhista eles são um exemplo negativo. Não têm rede de proteção social. E acho que tem que haver algum tipo de proteção.

- Mudar a lei significa extinguir benefícios?

É o que estamos analisando. O que sei é que, hoje, a legislação trabalhista está amarrada. Tornando as leis mais flexíveis, evidentemente, não vai ser possível impor tantos privilégios.

- O que chama de privilégios?

Todo mundo quer dar benefício para o trabalhador. Isso significa renda. Mas precisamos perguntar: vamos conseguir nos inserir no mercado mundial dessa forma? A resposta é que não estamos conseguindo. Somos exportadores de matéria prima e bens primários. Ou enfrentamos a concorrência mundial, que é impiedosa, ou garantimos direitos e privilégios. Depois, não poderemos reclamar que estamos crescendo a 3,5% 4% ao ano.

- Em que áreas há privilégios a eliminar?

Tanto na previdência como no sistema tributário, como na reforma política, do Judiciário e trabalhista. São questões importantes para o país, não apenas para a classe empresarial. Ou o Brasil enfrenta esses desafios ou fica a reboque. Tem que ter vontade política para fazer. Não depende só do Executivo, mas também do Legislativo.

- Não acha complicado que um partido que se diz “dos trabalhadores” concorde em eliminar direitos trabalhistas?

Isso é difícil para qualquer governo. Foi difícil para Fernando Henrique, para Itamar, para os governos militares. Mas o nosso arcabouço legal não atende à realidade do século 21, emperra o avanço econômico.

- Em relação a tributos a idéia é diminuir a carga?

Tem que tributar o consumo, não a produção.

- Farão manifesto de apoio à reeleição?

Isso deve ocorrer. Vai ser discutido nesta semana.

Escrito por Josias de Souza às 00h08

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BNDES negocia empréstimos ao governo da Bolívia

BNDES negocia empréstimos ao governo da Bolívia

Deve-se ao repórter Agnaldo Brito (para assinantes do Estadão) a revelação de que o BNDES negocia a concessão de empréstimos à Bolívia de Evo Morales, que acaba de romper contratos que mantinha com a Petrobras. A negociação causou espanto. E o blog foi ouvir Demian Fiocca, presidente do BNDES. Leia abaixo a entrevista:

- Por que o BNDES foi à Bolívia?

Integramos missões organizadas pelo Itamaraty. É uma política permanente do governo para abrir oportunidades de negócios para empresas brasileiras. Estivemos também na Argentina. E iremos ao Paraguai.

- Houve um pedido do presidente Lula?

Não. A visita à Bolívia estava marcada há um mês.

- Fechou-se algum negócio na Bolívia?

Não. Os bolivianos disseram que estão pensando em comprar 300 tratores. O BNDES explicou quais são as suas linhas de financiamento. Falou-se também sobre a construção de uma estrada. Eles devem fazer concorrência. E esperamos que empresas brasileiras ganhem. Só neste caso o BNDES vai financiar.

- O investimento seria de quanto?

No caso dos tratores é de US$ 25 milhões. Quanto à estrada, ainda não sabemos. Está em fase de pré-viabilidade.

- Por que a Bolívia?

Temos a pretensão de fazer no mundo todo. Por ora, onde as empresas brasileiras já conseguiram conquistar mais espaço e o BNDES atua como financiador é na América do Sul. Mas temos alguma coisa na América Central, na África, no Oriente Médio e na China. Depende do sucesso de empresas brasileiras em ganhar concorrências.

- Essa política é nova?

Não. Vem sendo praticada há cerca de 20 anos. Foi intensificada nos últimos cinco ou seis anos.

- Há prejuízo às linhas de crédito no Brasil?

Não estamos racionando nenhuma linha. Não temos escassez de recursos. Todos os projetos que se enquadram nas nossas políticas operacionais têm sido financiados, aqui e lá fora.

- Qual é o volume da carteira de empréstimos do BNDES?

A carteira ativa é de cerca de US$ 1,3 bilhão.

- Não receia que a Bolívia rompa contratos, como fez com a Petrobras?

Não. O BNDES tem utilizado um tipo de garantia eficaz. Chama-se CCR (contratos de créditos recíprocos). Envolve um compromisso dos bancos centrais dos países, que se comprometem a honrar os compromissos. Faz-se um encontro de contas a cada quatro meses. Em duas décadas, o BNDES só teve um caso de inadimplência.

- E se o banco central boliviano também se recusar a honrar o compromisso?

Não contemplo essa hipótese. Mesmo no caso da Petrobras, que teve uma exploração política, creio que vai se chegar a um ponto de equilíbrio. Nem haverá racionamento de gás nem vai se deixar de estabelecer preços razoáveis.

Escrito por Josias de Souza às 22h57

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Lula: ‘oposição pode tudo, governo não pode nada’

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

Uma das intervenções feitas por Lula durante a reunião ministerial desta terça-feira, ganhou um tom de desabafo. Deu-se no instante em que eram discutidas as limitações impostas pela lei eleitoral ao presidente e aos seus ministros. Lula afirmou: “A oposição pode tudo, o governo não pode nada”.

 

O presidente prosseguiu: “A oposição pode aprovar um aumento para os aposentados, sabendo que não tem dinheiro no orçamento, que é inconstitucional. E não acontece nada, mesmo sendo período eleitoral”.

 

Lula disse que a responsabilidade do cargo o obrigou a vetar o reajuste de 16,67% aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Segundo informou o ministro Guido Mantega (Fazenda) durante o encontro, o impacto orçamentário oscilaria entre R$ 7 a R$ 8 bilhões.

 

E o presidente: “É inconstitucional. A oposição sabia que eu teria que vetar. E isso também tem conseqüências eleitorais. Mas nada acontece com a oposição”. As afirmações de Lula foram feitas em meio a uma sessão de esclarecimentos de dúvidas quanto ao que os agentes públicos, incluindo o presidente e os ministros, podem ou não fazer nesta fase eleitoral.

 

As dúvidas foram tiradas pelo ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça), auxiliado por Sérgio Renault, assessor jurídico da Casa Civil. Recomendaram aos 30 ministros que evitem dar declarações ou produzir decisões que possam ser interpretadas como gestos eleitorais. Thomaz Bastos deu o tom: “Na dúvida, é melhor não fazer.”

 

As queixas de Lula são procedentes. A oposição aprovou o aumento dos aposentados apenas para impor ao presidente o constrangimento do veto. O diabo é que, quando estava na oposição, Lula e o PT não faziam outra coisa.

 

Lula cobrou de seus ministros empenho na defesa do governo durante a campanha. Após o encontro, os ministros Guido Mantega e Dilma Roussef concederam uma entrevista coletiva. Na exposição que fez aos colegas de ministério, o ministro da Fazenda previu que o crescimento da economia brasileira em 2006 será de algo entre 4% e 4,5%. Para 2007, Mantega prognosticou que a alta do PIB ficará entre 4,5% e 5%. Para 2008, anteviu uma taxa de até 5,5%.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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Assembléia de Mato Grosso proíbe acesso ao blog

Parlamentares da CPI das Sanguessugas encontram-se em Cuiabá para colher o depoimento de personagens do escândalo da compra superfaturada de ambulâncias. Aproveitando-se de um intervalo, um dos congressistas valeu-se de um computador ligado à rede interna da Assembléia Legislativa de Mato Grosso para buscar informações na internet.

 

O parlamentar acessou a página da Folha Online. Em seguida tentou entrar neste blog. O acesso foi bloqueado. Surgiu na tela a seguinte mensagem: “Por determinação da mesa diretora, as páginas que possuem conteúdo inadequado, tais como pornografia, pedofilia, violência, divertimentos, jogos, música e salas de bate-papo terão acesso bloqueado dentro da rede corporativa (...)”.

 

Intrigado, o deputado recorreu a outros blogs noticiosos. Conseguiu entrar em todos eles. Informado a respeito, o signatário do blog passou a ruminar uma dúvida. O que teria levado a Assembléia mato-grossense a vetar o acesso a este recanto virtual? Só pode ter sido a pornografia. As relações políticas andam mesmo desavergonhadas nos últimos tempos.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

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Michel Temer declara apoio a Geraldo Alckmin

 

 

Poucas horas depois de Lula ter recebido o PMDB governista em jantar na Granja do Torto, o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP) declarou apoio formal ao candidato tucano Geraldo Alckmin. Fez questão de dizer que seu gesto visa demonstrar que o apoio peemedebista a Lula é parcial.

 

"Eu hoje estou declarando meu apoio a Geraldo Alckmin por duas razões: primeiro, para revelar que nem todo o PMDB optou por uma candidatura e, segundo, para revelar que há muitas divergências nos Estados quanto a isso." Pelas contas do presidente do PMDB, o partido está com Lula em nove Estados. Noutras sete unidades da federação, o PMDB apóia Alckmin. E nos outros 11 Estados, o partido tem palanque duplo ou ostenta posição de neutralidade.

 

Temer criticou a recente nomeação de quatro apadrinhados do PMDB lulista para a direção dos Correios. Disse que, numa fase eleitoral, a sedução política deveria basear-se não na entrega de cargos, mas na discussão de programas de governo. Temer falou também sobre a articulação da ala governista para destituí-lo da presidência do partido.

 

Conforme divulgado aqui no blog há dois dias, integrantes do grupo governista deram início a uma articulação para substituir Temer nas eleições internas do PMDB, que ocorrerão em março de 2007. O deputado diz que ouve boatos nesse sentido há três anos. Admitiu discutir o tema caso Lula venha a ser eleito.

 

Apontado por peemedebistas pró-Lula como favorito a substituir Temer na presidência do PMDB, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não gostou de ver o seu nome exposto no noticiário. Disse a correligionários que é cedo para tratar desse assunto. Valeu-se de uma expressão regional para indicar qual será o seu comportamento: “Vou ciscar para dentro”, disse Renan.

 

O próprio Renan traduziu a expressão. Ao dizer que ciscará para dentro indica que tentará unificar o partido em torno de Lula. Confia na reeleição do presidente. Acha que há chances para que o partido se reunifique. Por isso condena a precipitação do movimento contrário à permanência de Temer na direção do partido.

 

Simultaneamente à declaração de apoio de Temer à candidatura Alckmin, o presidente do diretório paulista do PMDB, Orestes Quércia, reuniu nesta segunda-feira a Executiva estadual do partido. Aprovou uma posição de neutralidade do PMDB paulista em relação ao primeiro turno da disputa presidencial. Nada foi decidido, porém, quanto à posição a ser adotada pelos peemedebistas de São Paulo num eventual segundo turno.

 

No jantar da noite passada, conforme noticiado aqui no blog, Lula classificou como “muito boa” a decisão de Quércia de concorrer ao governo de São Paulo. Acha que a entrada dele na disputa levará a eleição paulista para um confronto de segundo turno entre o petista Aloizio Mercadante e o tucano José Serra. E disse que conta com o apoio de Quércia a Mercadante e a ele próprio, caso a disputa nacional também vá para o segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 17h02

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Denunciados à Justiça 81 baderneiros do MLST

A invasão às dependências da Câmara, no dia 6 de julho, rendeu processos judiciais contra 81 baderneiros do MLST. O Ministério Público formulou 116 denúncias. Algumas pessoas responderão pela prática de mais de um crime.

 

O petista Bruno Maranhão é a estrela da lista de réus. Figura na denúncia como mentor da baderna. Embora afastado da função de secretário de Movimentos Sociais do PT, Maranhão continua filiado ao partido.

 

"No desempenho da função de líder”, diz o Ministério Público, “coube ao denunciado Bruno Maranhão as tarefas de planejamento, obtenção de fundos, arregimentação de pessoal, incentivo e participação na execução dos atos criminosos, funções que efetivamente desempenhou no episódio da invasão e depredação do prédio da Câmara dos Deputados".

Leia aqui a lista de denunciados.

Escrito por Josias de Souza às 15h14

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Alckmin mantém-se vivo, mas Lula ainda é favorito

Saiu mais uma pesquisa de opinião. Foi feita pelo instituto Sensus, por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes. Nada de novo sob o Sol.

 

Lula tem 41,1% das intenções de voto. Segue bem à frente de Alckmin, com 27,2%. Atrás deles vêm Heloisa Helena (5,4%) e Cristovam Buarque (1,4%).

 

Esta é a primeira pesquisa realizada depois do registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. O Sensus informa que não é possível fazer comparações com resultados de sondagens anteriores. A relação de candidatos é diferente. Roberto Freire e Eneas, por exemplo, abandonaram a  disputa.

 

Abstraindo-se os rigores científicos, pode-se afirmar que, a exemplo do que já fizera o Datafolha, o Sensus captou uma ascensão de Alckmin. Mas o movimento não chega a ameaçar o favoritismo de Lula. Longe disso.

 

Se a eleição fosse hoje, o presidente seria reeleito com 55,1% dos votos válidos (excluindo brancos e nulos). Também na simulação de segundo turno o presidente conserva a dianteira, embora o adversário tenha encurtado a diferença.

 

Lula manteve-se estável na casa dos 48,6%. E Alckmin subiu de 31,3%, número detectado em maio, para 35,8% agora em julho. Melhoraram também outros indicadores relacionados a Alckmin.

 

A rejeição ao tucano –índice de pessoas que declaram que jamais votariam nele—caiu de 40,6% para 35,8%. O índice de desconhecimento do candidato caiu de 12,2% para 7,1%. Pode-se concluir:

 

1.      A eleição continua polarizada entre Lula e Alckmin;

 

2.      Embora em franca desvantagem, Alckmin mantém-se no jogo;

 

3.      Não se pode excluir a hipótese de que a eleição venha a ser decidida em segundo turno. A preferência do eleitorado tende a sofrer alterações depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a partir de 15 de agosto;

 

4.      Por ora, as pesquisas servem apenas para orientar os candidatos, indicar aos financiadores de campanha quais os presidenciáveis que valem o investimento, manter jornalistas ocupados e desorientar o eleitorado.

Escrito por Josias de Souza às 14h40

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Erro e obscenidade

Coluna de Clóvis Rossi (para assinantes da Folha):

Uma última palavra sobre o equívoco a respeito da redução da desigualdade no Brasil a partir de 1995, quando começam, no governo FHC, as bolsas-esmola, que Lula ampliou.

Ajuda-memória: a única fonte para medir a redução da desigualdade é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, que tem um grave problema: quem vive só de salário (ou de doações do governo) tende a declarar tudo o que ganha.

Quem, além da renda de sua atividade, recebe também juros de aplicações financeiras, tende a não declarar pelo menos parte do ganho. Estudo de economistas do Ipea demonstrou que 90% desses rendimentos não são declarados.

Conseqüência: aumenta a renda dos mais pobres (por causa das bolsas), que é totalmente declarada, mas aumenta igualmente a renda dos sem-bolsa mas com-juros, que é subdeclarada. Cai a desigualdade na pesquisa, mas não na vida real.

Agora, um estudo do economista Marcio Pochmann, que é petista e, portanto, insuspeito de participar da suposta conspiração contra o governo Lula, prova que os 10% mais ricos do país e que têm dinheiro aplicado a juros obtiveram um rendimento médio financeiro real (acima da inflação) de 65,8% entre 2001 e 2004, ao passo que os 20% mais pobres (que vivem da renda do trabalho) tiveram um aumento nos ganhos de 19,2%.

Ou, posto de outra forma: a renda dos ricos cresceu três vezes mais que a renda dos pobres. Não há hipótese, nas circunstâncias apontadas, de que se reduza de fato a desigualdade.  

Não se trata de interesse meramente acadêmico. O brasileiro tolerou tempo demais uma desigualdade obscena. Supor, equivocadamente, que ela está caindo, mesmo microscopicamente, só reforçaria a tolerância. E a obscenidade.

Escrito por Josias de Souza às 08h12

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As manchetes desta terça

- JB: Cinco mil imóveis vazios atraem invasores no Rio

- Folha: 96% dos deputados disputarão as eleições

- Estadão: Lula manda e BNDES oferece dinheiro emprestado à Bolívia

- Globo: Lula veta reajuste de 16,67% dos aposentados

- Correio: Aposentados viram moeda eleitoral

- Valor: Bancos adaptam carteiras e mantêm 'spread' elevado

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h06

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Presídio de segurança mínima!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Um tucano milionário pousou na campanha do Ceará

Você ficou espantado com o patrimônio declarado por Orestes Quércia à Justiça Eleitoral? Pois ainda não viu nada. Perto da declaração de bens do tucano Jorge Alberto Vieira Studart Gomes, candidato a vice-governador na chapa de Lucio Alcântara (PSDB), no Ceará, a fortuna visível de Quércia (R$ 111,5 milhões) é café pequeno.

 

Conhecido como Beto, o vice de Alcântara tem 60 anos. Informou ao TRE cearense que é feliz detentor de um patrimônio de R$ 457,8 milhões. O candidato ganha a vida como empresário. Mantém há 37 anos uma fábrica de defensivos agrícolas. Chama-se Agripec. Ostenta um faturamento anual de cerca de R$ 200 milhões.

 

Novesfora aplicações financeiras de R$ 184 milhões, o rol de bens de Beto, informa a Agência Nordeste (para assinantes), inclui 126 itens. Há na lista 32 apartamentos, quatro casas em área urbana, duas residências de veraneio, um flat, um jet-ski e 17 terrenos. Esta é a primeira vez que Beto aventura-se no mundo da política.  

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Lula diz contar com Quércia num eventual 2º turno

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Reunido com os governistas do PMDB na Granja do Torto, Lula formalizou na noite desta segunda-feira o convite para que o grupo indique representantes para o seu comitê de campanha. Em longa exposição, o presidente analisou suas relações com o PMDB em cada Estado. Ao falar de São Paulo, classificou de “muito boa” a iniciativa de Orestes Quércia de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

Lula avaliou que a candidatura Quércia deve levar o candidato do PT, Aloizio Mercadante, para o segundo turno contra o tucano José Serra. E insinuou que, embora Quércia ostente uma posição de neutralidade no primeiro turno, espera o apoio dele ao PT num eventual segundo round da eleição. Os presentes entenderam que Lula se referia à disputa paulista e também à eleição presidencial, polarizada entre ele e o adversário tucano Geraldo Alckmin. Não havia na reunião nenhum representante de São Paulo.

 

O presidente fez uma revelação que até os peemedebistas desconheciam. Informou, com uma ponta de satisfação, que teriam sido abertos em São Paulo comitês para fazer campanha conjunta de Lula para presidente e Quércia para governador. Atribuiu a iniciativa ao MR 8, um grupo que tradicionalmente opera para Quércia.

 

Iniciada pouco depois das 19h, a reunião se estendeu por quase quatro horas. Foi servido um jantar. Lula reafirmou a intenção de compor com o PMDB um governo de coalizão caso venha a ser reeleito. Reafirmou que irá incorporar os nomes indicados pelos peemedebistas ao seu comitê de campanha. Terão liberdade, segundo disse, para opinar tanto na definição dos rumos da campanha quanto na formulação do programa de governo.

 

Os nomes serão definidos em encontros que o PMDB lulista fará a partir desta terça-feira. A tendência é de que sejam dois parlamentares –um da Câmara e um do Senado. Dar-se-á preferência a políticos que não estejam em campanha. Renan Calheiros já se auto-excluiu da lista. Considera-se impedido por estar exercendo a presidência do Congresso. José Sarney, candidato ao Senado, também está fora.

 

Lula mostrou-se otimista quanto às chances de ser reeleito. Acha que três temas vão preponderar no embate eleitoral: economia, segurança pública e ética. Julga-se preparado para discorrer sobre qualquer dos quesitos. Enfatizou que não receia o debate sobre ética. E repisou uma tecla que vem se tornando sua obsessão: avalia que sua gestão supera os oito anos da era FHC em todas as áreas.

 

O presidente tentou mostrar que fala a sério quando menciona a intenção de estabelecer com o PMDB uma parceria preferencial na campanha e num eventual segundo mandato. Chegou a dizer que, mesmo nos Estados em que há disputas com o PT, deseja manter relações amistosas com candidatos do PMDB. Havendo um segundo turno com candidatos não-petistas, prometeu postar-se sempre do lado do PMDB.

 

Citou três exemplos: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. No Rio, o candidato do PT ao governo é Vladimir Palmeira. Lula celebrou um acordo paralelo com Marcelo Crivella (PRB). E informou que vai procurar o candidato do PMDB, Sérgio Cabral. No Rio Grande do Sul, onde seu amigo Olívio Dutra (PT) disputa com Germano Rigotto (PMDB), disse que já fez uma aproximação com o segundo.

 

O presidente foi mais enfático em relação a Goiás. Afirmou que desejava que o petismo goiano tivesse celebrado um acordo com Maguito Vilela (PMDB). Houve, porém, desencontro quanto ao nome do vice. E o PT aliou-se a Barbosa Neto, do PSB. “O PT tem esse compromisso, mas eu não tenho compromisso nenhum”, disse, sinalizando o apoio a Maguito.

 

O PMDB governista desistiu de divulgar um manifesto formal de apoio a Lula, como prometera. Seus líderes argumentam que o encontro de hoje já explicitou o apoio do grupo à reeleição do presidente. Embora ninguém tenha feito uma contagem formal, informa-se que estiveram no jantar desta segunda-feira lideranças de algo como 17 a 19 Estados. Nem todos dispuseram-se a firmar um manifesto. Daí a desistência.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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Ministros serão liberados para subir em palanque

Lula reúne o ministério nesta terça-feira para estabelecer limites à ação dos auxiliares durante a campanha eleitoral. Os ministros serão aconselhados a evitar declarações de apoio à reeleição quando estiverem no exercício de suas funções. Mas serão liberados para fazer campanha fora do expediente. Quem quiser, poderá inclusive subir nos palanques de Lula.

O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou ao blog que o governo elaborou uma cartilha de orientação para os agentes públicos, especialmente ministros de Estado. “Eles não podem usar atos normais de administração para fazer campanha. Mas, fora disso, fora do horário de trabalho, podem fazer campanha normalmente”, disse ele.

 

Discutiu-se também a conveniência de editar uma portaria para regular especificamente o que Lula pode e o que não pode fazer à luz da legislação eleitoral. O tema foi debatido em reuniões de advogados da Casa Civil e da AGU (Advocacia Geral da União) na última sexta-feira e nesta segunda.

 

O blog ouviu um dos advogados que participaram das reuniões. Ele informou que o governo já editou três instruções normativas. Uma delas fixa limites para a ação dos agentes públicos, inclusive ministros. Outra, regula a transferência de recursos para Estados e municípios por meio de convênios. E uma terceira impõe limites à veiculação de publicidade oficial.

 

Quanto ao presidente, concluiu-se que, do ponto de vista estritamente técnico, não haveria necessidade de edição de uma nova medida. Concluiu-se que a lei eleitoral é suficientemente clara. Eventuais dúvidas seriam elucidadas à medida que fossem surgindo. Caberá a Lula, porém, decidir se a portaria será ou não ser editada.

 

Com ou sem portaria, o presidente, a exemplo de seus ministros, terá de observar uma série de restrições impostas pela lei. Por exemplo: Lula pode vistoriar obras, mas deve evitar discursos para grupos de eleitores. Ainda que a platéia seja arregimentada por prefeitos ou lideranças políticas locais, o discurso de Lula o sujeitaria a ações da oposição na Justiça Eleitoral.

 

Há dúvidas quanto a uma das principais táticas adotadas por Lula: a comparação de sua gestão com a do antecessor Fernando Henrique Cardoso. Para os advogados do governo, o presidente deveria evitar esse tipo de analogia nos pronunciamentos feitos em solenidades públicas, reservando-a para os palanques. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) pensa de forma distinta. Acha que a comparação é um direito do presidente como administrador. E poderia ser feita tanto nos ambientes oficiais como nos de campanha.

 

Todos esses detalhes serão esmiuçados na reunião desta terça. O objetivo do governo é o de criar uma “jurisprudência” que possa ser observada em administrações futuras caso o instituto da reeleição venha a ser mantido. Lula é o segundo presidente a disputar um segundo mandato no exercício do cargo. O primeiro, FHC, não deixou nenhum ato formal regulando a matéria.  

 

“É preciso criar hábitos”, diz Thomaz Bastos. O presidente, durante o trabalho, continua sendo candidato. E quando está em campanha, não deixa de ser presidente. Então é imperativo a harmonização das duas coisas.”

 

A reunião começa às 9h e se prolongará por todo o dia. Além da exposição sobre as limitações impostas pela lei eleitoral, a ser feita por Thomaz Bastos e por Tarso Genro, a reunião servirá também para que Lula ouça relatos dos presentes sobre a gestão de cada ministério. Os primeiros a falar devem ser Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil). 

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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Lula vai vetar FGTS para empregadas domésticas

  Folha Imagem
No mesmo dia em que o Diário Oficial trouxe o veto ao reajuste de 16,67% para os aposentados e pensionistas que recebem mais do que o salário mínimo, o governo sinaliza a intenção de vetar também o FGTS para empregadas domésticas. Segundo o ministro Nelson Machado (Previdência), serão vetadas todas as medidas que possam inibir a assinatura da carteira de trabalho das domésticas.

 

"Vetaremos aquilo que não tem condição de levar à formalização ou que contrarie a formalização nesse momento", disse o ministro, conforme relata Ana Paula Ribeiro. Ele diz que, reconhecido o direito ao FGTS, a regularização do mercado de trabalho doméstico poderia não ocorrer na proporção desejada pelo governo. Hoje, uma legião de 6 milhões de empregadas atuam em domicílios brasileiros. Só 1,8 milhão tem registro em carteira de trabalho.

 

Quando enviou a medida provisória 284 ao Congresso, a idéia do governo era conceder um estímulo para que os empregadores registrassem as suas empregadas. Permitiu-se a dedução no Imposto de Renda das contribuições previdenciárias das domésticas, limitada a um salário mínimo. Ao injetar na medida o FGTS e a multa de 40% em casos de demissão imotivada o Congresso terminou impondo obrigações que, na opinião do governo, irão tonificar a informalidade, não reduzi-la, como se pretendia.

 

A idéia do governo é a de criar um grupo de trabalho para discutir a concessão de direitos às domésticas. "Não estamos pedindo para que abram mão dos direitos, só estamos dizendo que não estava na pauta inicial", tentou justificar o ministro da Previdência.

 

Ouvida, a representante da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Ione Santana de Oliveira, acha positivo que o governo tenha aberto a possibilidade de diálogo. Mas avisa: "Nós não abrimos mão do nosso direito. Continuamos trabalhando para que ele seja regulamentado".

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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PMDB recorre a artifício para inflar apoio a Lula

Decido a deitar-se aos pés de Lula, o PMDB governista desdobra-se em criatividade. Prometera a Lula que 21 diretórios estaduais do partido apoiariam a reeleição. Era parola. Instados a mostrar o tamanho da sua adesão num jantar na Granja do Torto, nesta segunda-feira, os bajuladores inflam artificialmente o coro dos contentes.

 

Não podendo levar a Lula diretórios fechados com a reeleição, os adesistas injetam na lista de convidados políticos vindos de Estados onde o PMDB ou está dividido ou alinhado a Geraldo Alckmin. Não se vai chegar à meta de 21 diretórios. Mas haverá salamaleques, rapapés, mesuras e blandícias em quantidade suficiente para enlevar a alma de Lula.

 

O excesso de esmero submete os puxa-sacos a um grande risco. Exaltam Lula com tanta ênfase que o elogiado vai acabar acreditando nos méritos que lhe atribuem. Ficará de tal modo convencido que pode julgar desnecessário recompensar os aduladores.

Escrito por Josias de Souza às 14h36

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Lula veta reajuste de 16,67% para aposentados

Quem na juventude comete a imprevidência de achar que na velhice vai contar com a Previdência acaba descobrindo que não há senão a providência. E logo se dá conta de que ela tampouco é divina. 

 

O “Diário Oficial” publica nesta segunda-feira o veto de Lula ao reajuste de 16,67% para aposentados e pensionistas que recebem acima do salário mínimo. A medida havia sido aprovada pelo Congresso na semana passada (clica).

Escrito por Josias de Souza às 11h25

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As manchetes desta segunda

- JB: Eleições - Prática desmente o discurso dos candidatos

- Folha: PT e PSDB dividem as alianças com mensaleiros

- Estadão: Desembargadores vão lutar pelos salários acima do teto

- Globo: Petrobras elevará em 153% produção de gás

- Correio:Bolsa família é paga até a morto

- Valor: Crescimento faz trabalho dar um salto de qualidade

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h23

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Alpinismo social!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Tudo está ‘sob controle’; não do governo, claro

 

No início de maio, em meio a corpos ensangüentados e a ônibus carbonizados, o governador Cláudio Lembo (São Paulo) foi aos microfones para dizer que a situação estava “sob controle”. Tinha razão. Só não disse que quem “controla” a situação não é o Estado.

 

Nos últimos dez dias, mais oito corpos de agentes da lei foram à mesa do IML -cinco funcionários de penitenciárias e três policiais militares. Estes últimos tombaram entre a noite de sábado e a madrugada de domingo (clica). Suspeita-se que as mortes sejam obra do mesmo PCC que barbariza São Paulo há dois meses.

Enquanto o PCC invade a área, o candidato tucano Geraldo Alckmin, sócio do desastre, ajeita o meião. Anotou num esboço de programa de campanha meia dúzia de palavras sobre segurança pública. Insinua que a encrenca é federal, não estadual. Promete criar um conselho. Acena com mudanças na legislação. E acha que o blábláblá assegura-lhe o direito de assistir à distância aos gols do adversário.

Lula vê a anarquia paulista pelo lado mais conveniente. Aposta que roubará votos do tucanato (leia-se José Serra e Alckmin). Alega ter feito o que estava ao seu alcance. Refere-se ao descalabro como coisa estadual, não federal. E finge-se de morto.

 

A política do "não tenho nada a ver com isso" pode servir de biombo eleitoral. Mas não resolve o problema. Os candidatos de 2006 têm muito a aprender com o Píer Paolo Pasolini de 1968. Numa época em que seus patrícios achavam bonito ver a estudantada apedrejando policiais, o cineasta italiano lembrou que policial é trabalhador. E solidarizou-se, em artigo, com os apedrejados.

 

Entre nós, os policiais não vêm sendo alvo de pedras. Tratam-nos à bala. Quem puxa o gatilho não é a mocidade, mas a bandidagem. E ainda se encontra gente disposta a fingir que a coisa está “sob controle”.

 

Basta ler o depoimento que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, prestou à CPI do Tráfico de Armas para descobrir quem, de fato, exerce o controle. Você não leu ainda? Pois então leia aquiaqui e aqui.

Escrito por Josias de Souza às 00h38

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PMDB vai a Lula e quer tirar Temer da presidência

Em encontro previsto para as 19h desta segunda-feira, o naco governista do PMDB discutirá com Lula os termos do manifesto pró-reeleição a ser divulgado nos próximos dias. O mesmo grupo trama a destituição do deputado Michel Temer (SP) e de seu grupo da direção do partido.

O PMDB terá de eleger um novo comando em março de 2007. Desde já, os governistas maquinam contra a sobrevivência de Temer na presidência do partido. À surdina, o nome de Renan Calheiros (PMDB-AL) freqüenta os diálogos privados como alternativa.

 

A sucessão presidencial levou ao paroxismo a divisão interna do PMDB. Temer manteve um flerte com Geraldo Alckmin (PSDB) mesmo na fase em que tentava pôr de pé um presidenciável peemedebista. Junto com José Sarney (PMDB-AP), Renan entregou-se ao assédio de Lula, dono de um dote atraente.

 

A troca de Temer por Renan interessa a Lula. O presidente deseja dar ao diálogo que mantém com o PMDB ares institucionais. Algo que seria obtido com a acomodação de um de seus interlocutores na direção da legenda. Lula tentou atrair o PMDB para um casamento formal, de papel passado. Mas a divisão do parceiro, levada às últimas conseqüências nas alianças estaduais, não permitiu.

 

Tenta-se agora firmar uma parceria que, embora informal, pareça estável. A maneira encontrada para dar aparência sólida a algo que é gelatinoso foi a elaboração de um manifesto. Programado para sair nos dias subseqüentes ao lançamento da candidatura reeleitoral de Lula, o documento vem sendo postergado. O motivo é constrangedor.

 

Em reunião com Lula, há cerca de três semanas, Sarney prometera agregar ao manifesto a assinatura de 21 presidentes de diretórios estaduais do PMDB. Era um blefe. Àquela altura, o cacife dos governistas resumia-se a onze fichas. E eram fichas de pouca densidade eleitoral. O Estado de maior peso era a Bahia.

 

Com algum esforço, o PMDB de Lula conseguiu arrastar para o pano verde mais duas fichas. E se esforça para agregar pelo menos mais quatro diretórios. Do eixo Sul-Sudeste, o que mais interessa a Lula, só Minas prometeu assinar o documento. O Paraná hesita. Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ficar de fora.

 

O PMDB governista vai a Lula nesta segunda-feira para acertar os termos do manifesto. Espera-se que o presidente autorize o uso de termos capazes de retirar da zona cinzenta as suas intenções em relação ao PMDB.

 

Além de confirmar a participação de representantes do partido no comitê de campanha e no grupo que elabora o programa de governo, deseja-se dar nitidez à perspectiva de divisão de poder num eventual segundo mandato de Lula. Depende da clareza do texto a atração de novos signatários.

 

A troca de comando no PMDB está condicionada às chances eleitorais de Lula. Se o presidente prevalecer sobre Alckmin nas urnas, dificilmente o grupo de Temer conseguirá reter a direção do partido. Animado com a tênue recuperação de Alckmin nas pesquisas, o PMDB não-governista descruzou os braços.

 

Auxiliado pelo deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos mais profundos conhecedores da máquina partidária, o grupo anti-Lula arma suas barricadas. Enfrenta uma arma letal para um partido de matiz fisiológico: a caneta de Lula. Com um único movimento de pena, o presidente acomodou nos Correios quatro apadrinhados do PMDB que lhe é fiel.

 

Lula, por pragmático, dá mais atenção à feitura do manifesto do que à biografia de seus mentores. Na reunião de hoje, além de Renan e Sarney, o presidente puxará a cadeira para personagens como Jader “Sudam” Barbalho e Ney “Sanguessuga” Suassuna.

Escrito por Josias de Souza às 23h21

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A exemplo de Lula, Serra hesita em ir a debates

  Raimundo Pacco/Folha Imagem
Candidato ao Palácio dos Bandeirantes, José Serra (PSDB) vive em São Paulo uma situação análoga à vivida por Lula (PT) na disputa presidencial. Freqüenta as pesquisas de opinião como franco favorito. E, assim como Lula, Serra hesita em participar de debates televisivos com os demais candidatos ao governo paulista.

Consultado em reserva, Serra vem evitando dar uma resposta taxativa em relação à presença nos debates. Receia fazer o jogo dos adversários. Três emissoras já manifestaram o desejo de promover confrontos entre os candidatos paulistas: Globo, Bandeirantes e SBT.

 

Já a situação de Aloizio Mercandate (PT) assemelha-se à de Geraldo Alckmin (PSDB). A exemplo do presidenciável tucano, Mercadante ocupa nas sondagens eleitorais a segunda posição. Tenta amealhar votos suficientes para provocar o segundo turno. E vê nos debates uma oportunidade de escalar sobre os índices do adversário.

 

Em viagem à Venezuela, Lula foi questionado diretamente, no início da semana acerca da estratégia que irá adotar em relação aos debates. O presidente disse que gosta de debater. Mas reconheceu que ainda não decidiu se vai ou não comparecer. Alegou desconhecimento das regras.

 

Serra adota, entre quatro paredes, um comportamento igualmente cauteloso. Ouvido pelo blog, um aliado do candidato tucano revelou que uma alternativa em análise é a de limitar a participação de Serra a apenas um debate. A tática evitaria a exposição desnecessária do candidato e, ao mesmo tempo, coibiria o discurso dos adversários de que Serra foge ao contraditório.

Escrito por Josias de Souza às 15h57

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As manchetes deste domingo

- JB: Políticos animam invasão  

- Folha: Aumento da renda tira 6 milhões da classe D/E

- Estadão: Investimento cresce, mas cria pouco emprego

- Globo: Sete milhões de pessoas sobem para a classe média

- Correio: Ligações explosivas da máfia dos combustíveis

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Vira-casaca!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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Polícia negociou com PCC antes e depois de ataques

  Rogério Cassimiro/Folha Imagem
A cúpula da polícia de São Paulo não negociou com criminosos só depois de deflagrada a onda de ataques que aterrorizou São Paulo no início de maio. Sentou-se com líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) também antes do agravamento da crise.

Detalhes das duas tentativas de entendimento constam de depoimento que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, prestou a deputados da CPI do Tráfico de Armas. Acusado de ter ordenado os ataques, Marcola foi ouvido em sessão reservada, no dia 8 de junho, na penitenciária de Presidente Bernardes (SP).  

 

A inquirição foi gravada. Durou quatro horas e 13 minutos. A transcrição ocupa 205 páginas (leia a íntegra aqui). Marcola contou que, em 12 de maio, dia em que começaram os ataques do PCC, foi levado à presença de Godofredo Bittencourt, diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado).

 

Em encontro testemunhado por cerca de 15 autoridades policiais, Godofredo perguntou a Marcola o que poderia ser feito para estancar as rebeliões em presídios e os assassinatos em série de policiais. Àquela altura, só havia duas cadeias rebeladas –Iaras e Araraquara; contavam-se quatro policiais mortos.  

 

Marcola diz ter pedido comida, cobertores e direito a banho de sol para 765 presos que haviam sido transferidos na véspera para uma cadeia de Presidente Vesceslau. Pediu também que fosse mantida a visita do Dia das Mães. Seria no domingo seguinte. E fora cancelada. Atendidas às reivindicações, prometeu interceder pelo fim da violência.

 

Conforme o relato de Marcola à CPI, o diretor do Deic concordou com as exigências. “O dr. (Godofredo) Bittencourt falou pra mim: ‘Concordo com você e vou passar isso pro Nagashi (Furukawa, então secretário de Administração Penitenciária de São Paulo)’. Aí ele ligou pro Nagashi, e o Nagashi falou simplesmente que não iria fazer concessão nenhuma, que não tava ali pra negociar”.

 

Marcola disse aos deputados que sempre se entendera com Nagashi. Estranhou a “intransigência”. Disse que a transferência dos presos foi interpretada nas cadeias como um “gesto político” do secretário de Administração Penitenciária.

 

“A gente tem noção política, somos politizados”, disse o líder do PCC. “Então a gente sabe, em determinado momento, se faz uma situação (...) que nem essa transferência do Nagashi. A gente sabia que ali era uma forma de ele dar uma resposta pra sociedade, dizendo ‘ó, tranquei toda uma liderança, isolei todos e tal’, e pronto”.

 

O relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), perguntou a Marcola se o objetivo do governo paulista teria sido o de “dar uma demonstração de força”. E o criminoso: “Pra promover o (Geraldo) Alckmin (candidato do PSDB à presidência). Certo que o tiro saiu pela culatra. E como! A gente é usado. Ou não é usado?” Marcola não foi contestado por nenhum dos inquiridores.

 

Dois dias depois da negociação malograda do Deic, a cúpula da polícia paulista dobrou os joelhos. Autoridades policiais voaram, em avião do Estado, da capital paulista para Presidente Bernardes, para onde Marcola fora levado. Estava também a bordo a advogada Iracema Vasciaveo. Reuniram-se com Marcola à noite, na sala da direção do presídio. Àquela altura, havia 52 pessoas mortas e 57 cadeias rebeladas.

 

Marcola foi instado a se comunicar, pelo celular, com líderes do PCC em outras cadeias, para avisar que não sofrera agressões físicas. Seria a senha para acabar com a onda de ataques. Recusou-se. Mas indicou outra pessoa para falar ao telefone: o preso LH, iniciais de Luiz Henrique, que se encontrava na mesma prisão de Presidente Bernardes. Contou aos membros da CPI que a ligação foi feita. Recusou-se, porém, a informar o nome de quem estava do outro lado da linha (Leia mais abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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‘E os deputados o que fazem? Roubam para caralho’

A sessão reservada de inquirição de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, transcorria em tom cordial. Súbito, o presidente da CPI do Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE) alteou o timbre de voz. Tentava arrancar do interrogado o reconhecimento de que comanda o PCC. Acusou a facção criminosa de aproveitar-se dos presos, obrigando-os a reincidir no crime depois de libertados da cadeia, para financiar o PCC. Marcola não gostou nem do tom de voz do deputado nem das observações. E pediu respeito. Abaixo, o trecho mais elétrico da discussão:

 

- Moroni: O que existe é uma organização criminosa.

- Marcola: Vamos parar o grito (...).

- Moroni: Uma organização criminosa.

- Marcola: Vamos gritar. É isso que o senhor quer?

- Moroni: Eu falo do jeito que eu quiser (...).

- Marcola: Não grita, pô!

(...)

- Moroni: Agora eu quero dizer, com todo o respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.

- Marcola: E o que é que os deputados fazem? Não roubam também? Roubam para caralho, meu!

- Moroni: É, isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também.

- Marcola: Só porque deputado rouba eu vou ser indiciado?

- Moroni: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.

- Marcola: Que moral tem algum deputado para vir gritar na minha cara? Nenhuma.

- Moroni: Todo homem de bem tem moral de falar.

- Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem? Todo bandido fala que é homem de bem.

 

Antes do término da inquirição Marcola desculpou-se com Moroni. Lamentou ter conspurcado o seu depoimento com um “palavrão”. Não foi indiciado. As acusações que dirigiu aos congressistas ficaram flutuando na atmosfera da sala do presídio de Presidente Venceslau. Impunes.

 

(Leia mais abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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‘A culpa pelo caos é do Marcola, não é do Alckmin’

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, tentou negar aos membros da CPI do Tráfico de Armas que fosse o líder máximo do PCC. Insinuou que o “mito” é obra do governo de São Paulo. O nome do candidato tucano Geraldo Alckmin foi mencionado quatro vezes. Sempre em tom pejorativo.

 

Marcola declarou aos deputados, com um riso nos lábios: “Fui criado por determinadas pessoas, agindo de má-fé para ter um bode expiatório. E cada vez que as coisas dessem errado e eles não soubessem como controlar e a quem punir, tinha lá o Marcola.

 

“É muito fácil ter um cara igual a mim”, prosseguiu o bandido. “Se eu fosse político, eu ia arrumar um Marcola também. Se eu fosse um governador, ter um Marcola, não é bom, não? A segurança pública tá um caos, a culpa é do Marcola, não é do Alckmin. Nunca. Infelizmente. Essa é a realidade (...) Então, quem lidera é o Alckmin”.

  

À medida que o depoimento avançou, Marcola foi revelando os traços do líder que alega ser “fabricado”. Disse que a idéia do PCC nasceu em 93, época em que estava nas ruas, assaltando bancos. A facção tomou corpo em 95, quando já se encontrava preso. Admitiu ter sido um dos formuladores da “parte ideológica” da facção.

 

Apresentando-se como “autodidata” –“O Estado nunca me deu nada”—, Marcola ofereceu aos deputados pistas da origem da “ideologia” do PCC. “A gente leu muito sobre Lenin, sobre a formação do Partido Comunista Brasileiro”. Disse ter buscado outras inspirações. A estrutura do PCC “não é só leninista”. Citou Mao Tse-tung.

 

Segundo Marcola, o PCC formou uma rede de proteção à população carcerária de São Paulo. A facção é sustentada financeiramente por bandidos que agem fora das cadeias. Negou-se a mencionar valores. “É muito dinheiro”, limitou-se a dizer. A assistência é estensiva às famílias dos detentos.

 

Marcola também admitiu que os presos passaram a enxergá-lo como líder depois do desgaste de Geleião, o primeiro mandachuva do PCC. Geleião caiu porque adotava métodos terroristas –“Ele quis explodir a Bolsa de Valores”— e extorquia os presos. Alçado à testa da facção, Marcola disse ter descentralizado a liderança. Instado a nominar os integrantes da cúpula, ele riu. E disse: “Com todo respeito, senhor deputado, o senhor quer me matar ou o senhor quer fazer o quê comigo?

 

Perguntou-se a Marcola o que achou da troca de comando na secretaria de Assuntos Penitenciários –saiu Nagashi Furukawa e entrou Luiz Carlos Catirse. A resposta do criminoso embutiu uma ameaça de recrudescimento da violência:

 

A gente sabe que ele (Catirse) tem pouco tempo, 6 meses, inclusive ele tem uma situação muito complicada na mão: são várias penitenciárias destruídas, eleições daqui a 3 meses, ele não pode muito com repressão porque as coisas podem voltar a acontecer novamente. Então, eu acho que ele está numa situação difícil, o secretário”.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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O ex-guerrilheiro virou lobista

O ex-guerrilheiro virou lobista

No Planalto

 

Deve-se ao repórter Fabiano Maisonnave a descoberta da última peripécia de José Dirceu. O ex-chefão da Casa Civil esteve na Bolívia nos dias 23 e 24 de abril. Uma semana depois, o companheiro Evo Morales decretou a nacionalização das reservas de gás e de petróleo, impondo a refinarias da Petrobras uma incômoda ocupação militar.

 

Descobriu-se que Dirceu teve reuniões com o presidente boliviano e com políticos de oposição. Embora afastado do governo há um ano, apresentou-se como emissário de Lula. O Planalto negou ter dado procuração a Dirceu.

 

Em nota, o ex-ministro reconheceu que esteve na Bolívia. Negou o encontro com Morales. Disse ter desempenhado “atividades profissionais”. E informou que fez outras viagens, sempre “de caráter profissional”, aos EUA e ao México.

 

Por delicadeza, ninguém disse ainda o óbvio: de político, de coordenador eleitoral e de funcionário público, Dirceu converteu-se em lobista. Repetindo: o ex-guerrilheiro é hoje um dos mais ativos lobistas em atividade no país. Vale-se de sua experiência governamental e da proximidade com o petismo para fazer negócios.

 

Dirceu voou para La Paz a bordo de um jatinho da MMX, empresa de Eike Batista. O mesmo que foi impedido pelo governo Morales de instalar uma siderúrgica na Bolívia. Em 25 de abril, Eike anunciou que desistira do projeto. Um indicativo de que as investidas de Dirceu foram malsucedidas.

 

Também em abril, Dirceu voara em jato particular para Belo Horizonte. No caminho, desceu em Juiz de Fora para tricotar com Itamar Franco. De novo, falou em nome de Lula. Depois, irritou-se com quem se atreveu a perguntar quem custeara a viagem.

 

Alegou que a aeronave pertencia a um empresário que o havia contratado para fazer uma “consultoria”. E subiu no caixote: “Estou indignado com essa invasão de minha privacidade. Não sou ministro e nem deputado. Não devo explicações de minha vida privada. Sou advogado, consultor de empresas (...). Querem que eu pare de fazer política? Como paguei o avião é um problema meu. Faço minhas declarações de renda todo ano e não vou explicar como viajo, como freqüento restaurantes.”

 

Ninguém pode negar a Dirceu o direito encher a geladeira como bem entender. Mas o desejo de continuar fazendo política e a mania de apresentar-se como enviado de Lula tornam o ex-ministro uma figura pública. É pena que os negócios do “advogado” e “consultor” não possam ser expostos à luz do sol.

 

Vale lembrar que foi justamente a ausência de “explicações” plausíveis que acomodou Dirceu na constrangedora posição de “chefe de quadrilha” numa denúncia que o Ministério Público levou ao STF. Talvez convenha a Dirceu dedicar-se exclusivamente à sua nova carreira. E não terá mais de dar explicações a ninguém. Só ao fisco, naturalmente.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Quércia informa que seu patrimônio soma R$ 111 mi

Orestes Quércia (PMDB) é, entre os principais candidatos ao governo de São Paulo, disparado o mais risco. Informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de vistosos R$ 111,5 milhões. Em comparação com 2002, ano em que disputou o Senado, houve um crescimento de 71,92%. Naquela ocasião, Quércia informara possuir um patrimônio de R$ 64,8 milhões.

 

O rol de bens e aplicações de José Serra (PSDB) soma R$ 873 mil. Um crescimento de 13,10% em relação aos 771,7 mil que informara ao TRE paulista em 2004, quando disputou a prefeitura de São Paulo. Aloizio Mercadante diz possuir bens avaliados em R$ 754 mil. Em 2002, quando disputou o Senado, a conta era de R$ 465 mil –crescimento de 62,05%. Pressione aqui para ler os detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 19h35

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AS manchetes deste sábado

- JB: Tráfico barra imprensa e permite entrada de Crivella

- Folha: Ataques matam 5° agente penitenciário em 10 dias

- Estadão: Governo quer trocar cotas raciais por sociais

- Globo: Bomba em trem e ataques do tráfico amedrontam SP

- Correio: Quinze traficantes de classe média na cadeia

- Valor: Computador barato sai do papel, mas enfrenta desafio

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Cada um dobra como pode!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Alckmin recebe oferta e recusa doação no caixa dois

Alckmin recebe oferta e recusa doação no caixa dois

A julgar pelo que se diz no comitê de Geraldo Alckmin (PSDB), os últimos escândalos não foram suficientemente didáticos para parte do empresariado. Ainda há na praça quem prefira fazer doações eleitorais por baixo da mesa. A campanha tucana já recebeu inclusive uma oferta de contribuição clandestina. É o que diz o vereador José Aníbal, membro da equipe financeira de Alckmin.

 

Aníbal não menciona nomes. Diz apenas que a oferenda foi recusada. Conta a reação de Alckmin: “Esse cara é maluco de fazer proposta de contribuição no caixa dois. Não pode. Acabou”. Aníbal reúne-se nesta segunda-feira com o advogado Miguel Reale Jr. para discutir detalhes do funcionamento da tesouraria de Alckmin. Leia abaixo a entrevista que concedeu ao blog:

 

- Será possível fazer a campanha sem caixa dois?

Vai ter que ser. A decisão do Geraldo (Alckmin) é inabalável. Ele nem discute isso. Campanha, só no caixa um.

- R$ 85 milhões não é dinheiro demais?

Esse é o teto. A campanha ficará dentro disso para menos. O que está claro é que todos os recursos que entrarem terão de ser reconhecidos formalmente, seja sob a forma de dinheiro, de papel, de impressos, seja lá o que for. Tudo registrado.

- A disposição de gastar menos é real?

Estamos imaginando operar na faixa dos R$ 60 milhões. Ainda vamos estudar isso. Tenho uma pessoa que está fazendo orçamento com vários fornecedores, para saber quanto vai ficar todo o material.

- Há disposição do empresariado de contribuir?

Sim. Mas tem muita gente imaginando que ainda pode fazer contribuição sem registrar. Há ainda a perspectiva de que isso possa acontecer de um modo ou de outro. No nosso caso só vai ser feito de uma maneira, no caixa um.

- Houve oferta de doação no caixa dois?

Já teve menção. Uma pessoa disse: ‘Olha, queremos colaborar, mas não queremos ser expostos’. Nós dissemos: ‘então, tudo, bem. Não queremos a sua colaboração. Esquece’. O Geraldo (Alckmin) inclusive disse: ‘Esse cara é maluco de fazer proposta de contribuição no caixa dois. Não pode. Acabou’. O Brasil está em transe com isso. Vamos admitir isso? Não. Não vamos fazer.

- Já foi aberta a conta bancária da campanha?

Isso está sendo providenciado.

- E como estão sendo pagas as viagens do candidato?

Pelo partido. Vemos quanto estamos gastando, R$ 20 mil, R$ 30mil, R$ 40 mil. E vamos atrás de contribuições. Foram feitos jantares de adesão, que resultaram em recursos. Está tudo na contabilidade do partido.

- O contato com o empresariado é sua atribuição?

Não só minha. Não definimos exatamente. Conversas com empresários eu vou fazer. Outros também vão fazer. Tudo registrado, anotado, checado. Não vamos deixar margem para dúvidas. Tudo será feito na maior transparência.

- A lei prevê duas prestações de contas na Internet, em agosto e setembro. O partido tenciona prestar contas em periodicidade menor?

Não digo que posso fazer porque não entendemos ainda como tudo vai funcionar. Creio que temos condições de fazer em prazos curtos. Mas não quero avançar para não cometer fanfarronices, prometer coisas que depois não dê para fazer.  

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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Inquérito da Nossa Caixa termina antes da eleição

O promotor Sérgio Turra pretende concluir antes das eleições de outubro o inquérito que apura irregularidades na Nossa Caixa, o banco estatal vinculado ao governo de São Paulo. Apura-se o suposto direcionamento políticos de verbas publicitárias da casa bancária.

 

Deve-se ao repórter Frederico Vasconcelos o lançamento de fachos de luz sobre o borderô publicitário da Nossa Caixa. Jaime de Castro, ex-funcionário da instituição disse que parte da verba de publicidade era carreada para emissoras de rádio indicadas por políticos vinculados à base de sustentação do então governador Geraldo Alckmin na Assembléia Legislativa paulista.

 

Castro disse também que empresas de publicidade cujos contratos já haviam expirado continuavam executando tarefas e recebendo faturas da Nossa Caixa. O governo e o banco negaram as denúncias. Alckmin disse que não havia o que investigar. Alegou que o caso já fora apurado em sindicância interna.

 

O promotor Sérgio Turra discordou. E abriu inquérito. Nesta sexta-feira, ele informou que vai ouvir nos próximos dias o ex-presidente da Nossa Caixa, Valdery de Albuquerque. Em seguida, dará por encerrada a fase de coleta de depoimentos. Planeja concluir a investigação entre o final de agosto e o início de setembro. O eleitor agradece.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Em campanha, Lula agora adota agenda itinerante

  Ricardo Stuckert/PR
É infinita a criatividade dos políticos em campanha. Lula decidiu adotar uma inusitada prática de gestão. Em vez de despachar com seus ministros entre as quatro paredes do gabinete presidencial, vai percorrer a Esplanada. Ouvirá explanações sobre o andamento dos projetos governamentais em reuniões públicas, diante das câmeras.

 

Nesta sexta-feira, Lula esteve no DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes). Ouviu de Paulo Sérgio Passos, seu obscuro ministro dos Transportes, uma exposição sobre os resultados da operação tapa-buracos.

 

A recuperação das estradas foi iniciada em janeiro. Desde então, o ministério vem divulgando informes parciais sobre a execução das obras. Lula deu as caras pela primeira vez.

 

Durante a exposição do ministro, o presidente exibiu um ar de enfado. Bocejou várias vezes. O pescoço parecia causar-lhe incômodo. Depois de ouvir o auxiliar, Lula passou-lhe uma carraspana: "Eu pensei que você iria fazer uma apresentação do conjunto do Ministério dos Transportes (...), o que está acontecendo com as ferrovias, com nossos portos. Se não fez dessa vez, faça da outra."

 

A rispidez não combina com Lula, sempre lhano e brincalhão no trato. Mas tem explicação. A agenda itinerante do presidente será exibida no programa eleitoral do candidato. O Lula com pose de chefe severo visa causar boa impressão ao eleitor.

 

Lula lembrou que o DNIT, que antigamente chama-se DNER, não tinha boa imagem na praça. A repartição sempre foi vista como antro de corrupção. O presidente acha que a coisa mudou: "Tenho orgulho em ver o DNIT provar que é uma instituição que vale a pena apostar nela."

Em seguida o presidente queixou-se do brasileiro. Lamentou o fato de os patrícios terem perdido o "hábito de agradecer”. As pessoas “apenas cobram", disse ele. Como se ao brasileiro em dia com seus impostos não fosse permitido exercer o legítimo direito (ou seria obrigação?) da cobrança.

 

Antes de deixar o DNIT, Lula explicou porque levou a mão ao pescoço por várias vezes durante a solenidade. "Apesar de eu não ter jogado a Copa do Mundo, estou com o pescoço duro de olhar para o gol para ver se a gente marcava e não marcamos. Fiquei com o pescoço meio duro".

Escrito por Josias de Souza às 00h33

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Derrotado, Itamar deixa PMDB; PDT já o assedia

  Lula Marques/F.Imagem
Derrotado por Newton Cardoso na disputa pela vaga de candidato ao Senado por Minas Gerais, Itamar Franco anunciou nesta sexta-feira o seu desligamento do PMDB. Não disse para onde vai. Mas não deve ficar sem partido por muito tempo.

 

O ex-presidente receberá, já neste sábado, um convite para ingressar no PDT. Em viagem pelo interior de Minas Gerais, o senador Cristovam Buarque, candidato do PDT à presidência da República, fará pessoalmente o convite a Itamar. Cristovam falará em nome do presidente do PDT, Carlos Lupi, com quem conversou por telefone.

 

Itamar pode até ir para o PDT. Ou para qualquer outra legenda. Mas o leitor não deve espantar-se se amanhã ele retornar ao PMDB. É a terceira vez que o ex-presidente deixa o partido. Ele sai, faz jogo de cena, ocupa o noticiário e, passado algum tempo, volta.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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Campanha brasileira é mais cara que as européias

As eleições presidenciais brasileiras podem custar mais do que do que as do Reino Unido e da Alemanha. De acordo com as previsões de gasto levadas à Justiça Eleitoral pelo PT (R$ 89 milhões) e pelo PSDB (R$ 85 milhões), Lula e Geraldo Alckmin, os candidatos mais competitivos, podem gastar, juntos, R$ 174 milhões.

No Reino Unido, os dois maiores partidos –Trabalhista e Conservador— torraram nas eleições de 2005 o equivalente a R$ 144 milhões. Ou seja, R$ 30 milhões a menos que as previsões de gastos de petistas e tucanos. A campanha vitoriosa do primeiro-ministro Tony Blair custou R$ 72 milhões. Seus adversários gastaram uma cifra idêntica.

Na Alemanha, os partidos de Angela Merkel e de Gerhard Schröder investiram, ao todo, cerca de 134 milhões (R$ 40 milhões a menos que os dois principais candidatos brasileiros). O ex-primeiro-ministro Schröder, que não conseguiu se reeleger, gastou R$ 70 milhões. A vitoriosa Merkel, R$ 64 milhões (23 milhões de euros).

Reino Unido e Alemanha têm populações infinitamente menores que a brasileira. Mas suas economias são mais bem mais pujantes. A economia britânica, por exemplo, é três vezes e meia maior que a brasileira. De resto, as eleições nos dois países são distritais. Significa dizer que os gastos das campanhas para primeiro-ministro incorporam despesas das disputas para o Legislativo.

Quando comparadas com a campanha eleitoral dos EUA, as arcas eleitorais brasileiras viram café pequeno. Em 2004, George W. Bush e John Kerry investiram mais de R$ 1,5 bilhão. É um borderô nove vezes maior que o do PT e do PSDB somados. Só Bush torrou R$ 785 milhões em sua reeleição. A população norte-americana é 60% maior que a brasileira. Os dados comparativos foram recolhidos pelo repórter Daniel Gallas (clica).

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Agora que pode pedir votos, Lula não tem pressa

  AFP
Quando Lula ainda não podia fazer campanha, todos diziam que ele não cuidava de outra coisa. Agora que pode, parece não estar muito interessado. O presidente só abrirá formalmente os trabalhos eleitorais na quinta-feira da semana que vem. Assim mesmo, num evento fechado –um jantar de adesão, em São Bernardo (SP), para cerca de 3.000 pessoas.

Não é só: o presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que boa parte dos eventos de campanha do partido terá de ser feita sem a presença do candidato. “Vamos fazer uma agenda que seja intensa, mas sem a obsessão de estar a cada momento com a presença física do presidente”, afirmou. “A campanha não se dá só pela presença física do candidato. Na outra eleição, ele tinha todo o tempo para fazer campanha. Agora evidentemente ele sabe que tem de conciliar a agenda de presidente com a de candidato”.

Berzoini falou à repórter Denize Bacoccina (clica). Num instante em que todos imaginavam que Lula guindaria os programas sociais e o crescimento econômico à condição de prioridade, o presidente do PT diz que o principal tema da campanha será a “educação”. Nos campos econômico e social, considera que “os grandes desafios conjunturais de curto prazo foram superados com sucesso”.

Ele enumera os “desafios” que foram “superados”: “Restabelecer a credibilidade da economia brasileira, tanto no plano interno como externo, evitar o risco de esgotamento da dívida interna que existia concretamente em 2002, melhorar o perfil das contas externas, voltar a gerar emprego, implantar programas sociais de largo alcance como o Bolsa Família e o ProUni. Todos esses desafios foram enfrentados, e em larga medida alcançado sucesso desses temas”.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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Lembo passa a tratar Lula a vassouradas

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), que vinha trocando afagos verbais com Lula, resolveu descer-lhe a ripa. Em encontro de partidos apoiadores de José Serra (PSDB), ele desancou o governo petista. Chegou mesmo a ressuscitar Jânio Quadros:

 

"O Brasil está deformado, mergulhado na corrupção, totalmente sem valores éticos. Como um amigo meu falava, nós precisamos passar uma vassoura em Brasília", disse o governador, referindo-se ao mote de campanha de Jânio, o presidente que prometia varrer a corrupção do país e terminou varrendo-se a si mesmo de Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 12h22

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Na TV, Requião vira 'Requiinho'

Da coluna Painel (para assinantes da Folha)

Vale tudo- O governador Roberto Requião (PMDB-PR) ligou da Argentina para Alckmin. Prometeu apoio ao tucano e disse: "Votei no Lula duas vezes. Não voto mais". Alckmin não se convenceu.

Nanico- O desespero de Requião se deve ao fato de que, sem aliança com o PSDB local, seu tempo de TV será o quarto no Estado, atrás de Osmar Dias (PDT), Flávio Arns (PT) e Rubens Bueno (PPS).

Escrito por Josias de Souza às 11h56

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As manchetes desta sexta

- JB: Governo se une contra empregados e aposentados

- Folha: Lula dá Correios ao PMDB em troca de apoio

- Estadão: Mercado interno faz indústria crescer mais que o esperado

- Globo: Lula entrega a PMDB estatal que deu origem a escândalo

- Correio: PMDB recebe primeira fatura do apoio a Lula

- Valor: Computador barato sai do papel, mas enfrenta desafio

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

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Central de horrores!

Angeli
 

 

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Alckmin quer 35% dos votos para forçar o 2º turno

  Orlando Brito/OBritoNews
Avaliações feitas a portas fechadas levaram o comando de campanha do PSDB a fixar uma meta para o presidenciável Geraldo Alckmin. Ele precisa obter pelo menos 35% dos votos para levar a disputa com Lula para o segundo turno. O percentual equivale a cerca de 43 milhões de votos, num universo de 123 milhões de eleitores.

 

A equipe de marketing do comitê tucano estima que, se Alckmin chegar ao dia 15 de agosto com 25% nas pesquisas de opinião, o segundo turno será favas contadas. A data não foi escolhida ao acaso. É nesse dia que começa a propaganda eleitoral eletrônica.

 

Baseando-se na experiência de campanhas anteriores, os marqueteiros que prestam serviço ao tucanato concluíram que, nas próximas semanas, Alckmin precisa se segurar nas pesquisas com índices de até 25%. Avaliam que, a partir desse patamar, será fácil obter, a partir da exposição do candidato no rádio e na televisão, os dez pontos percentuais que vão assegurar o segundo turno.

 

Nas duas últimas pesquisas, divulgadas em 30 de junho, Alckmin obteve mais do que 25%. O Datafolha lhe atribuiu 29% das intenções de voto. O Vox Populi, 32%. Os índices foram tonificados graças à superexposição que o candidato obteve nas inserções televisivas que o PSDB levou ao ar ao longo do mês de junho.

 

Os especialistas consultados pelo comitê de campanha de Alckmin informaram, de novo escorados na experiência de campanhas passadas, que as taxas registradas nas últimas sondagens eleitorais podem refluir. O desafio de Alckmin é reter pelo menos 25% da preferência do eleitorado.

 

O candidato joga todas as suas fichas no “palanque eletrônico”. Nas viagens que realizará até meados de agosto, dará preferência às cidades que têm emissoras locais de rádio e TV, com capacidade para transmitir para além das suas fronteiras. Na última segunda-feira, reunido com a equipe que elabora o seu programa de governo, Alckmin destilou confiança. E contou um caso que ajuda a explicar porque aposta na TV.

 

Alckmin disse ter recebido os números do Datafolha e do Vox Populi durante uma visita ao município amazonense de Parintins. Desceu de barco o rio Paraná Limão. No meio do trajeto, resolveu visitar uma palafita. Como o calado do barco não permitia chegar até a margem, foi de canoa, na companhia de um barqueiro e do senador Arthur Virgílio (veja foto acima).

 

Ele descreveu a cena. Disse ter encontrado uma habitação extremamente simples. Ao chegar, foi recebido por uma adolescente. Ela gritou: “Mãe, está aqui aquele homem que apareceu na televisão!” Convidado a entrar, Alckmin enxergou, num canto do cômodo, uma TV. Na falta de luz elétrica, o aparelho funciona conectado a uma bateria de automóvel. “Vivemos num país televisivo”, disse Alckmin. "A televisão está em toda parte, mesmo nos locais mais improváveis".

 

Os marqueteiros do PSDB não são os únicos a considerar o segundo turno como algo plausível. Lula e seus principais colaboradores também passaram a trabalhar com essa hipótese. Preparam-se para uma disputa longa, em dois turnos. E pretendem agregar à exposição televisiva uma seqüência manifestações de de rua em apoio à releição de Lula.

 

O petismo continua confiando que o favoritismo de Lula o conduzirá à reeleição. Acha que os índices atribuídos ao presidente pelo Datafolha (46%) e pelo Vox Populi (45%) indicam que seu eleitorado se solidificou. Por esse raciocínio, Alckmin teria crescido porque o adversário atraiu votos antes destinados a candidatos que se retiraram da disputa –Roberto Freire (PPS) e Enéas (Prona), por exemplo.

Escrito por Josias de Souza às 00h46

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Morre em Cuiabá o ex-governador Dante de Oliveira

  Folha Imagem
Morreu nesta quinta-feira o ex-governador Dante de Oliveira (Mato Grosso), 54 anos. Ele concorreria nas eleições deste ano a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PSDB.

 

Dante fora internado pela manhã no hospital Jardim Cuiabá. Ele sofria de diabetes e havia contraído uma pneumonia. Apresentava um quadro febril. À tarde, foi levado para a UTI em estado grave.

 

À noite, quando os médicos discutiam a hipótese de transferir o paciente para São Paulo, Dante morreu. Deu-se por volta das 22h. Não resistiu às complicações de uma infecção generalizada.

 

Dante de Oliveira ganhou projeção nacional em 1983, no ocaso da ditadura militar. Foi o autor da emenda das "Diretas Já", que propunha a realização eleições diretas para presidente da República em 1985.

 

A emenda foi rejeitada em 1984. Mas, mercê do apoio popular que obteve, ajudou a sepultar o regime. E desembocou na escolha, pela via indireta do colégio eleitoral, do presidente Tancredo Neves. Morreria antes de assumir, legando a presidência ao vice, o ex-arenista José Sarney.

 

Desde de 2003, a biografia de Dante vinha sendo assediada pela acusação de que uma de suas campanhas para governador fora irrigada com dinheiro sujo de João Arcanjo Ribeiro, o comendador do crime organizado de Mato Grosso. Um ex-gerente de Arcanjo revelou o suposto malfeito em depoimento à Justiça. Dante negou.

Escrito por Josias de Souza às 22h42

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Políticos envolvidos em escândalos vão às urnas

Humberto de Campos conta em “O Brasil Anedótico” que D. Pedro 2º (1825-1892), em reunião com seus ministros, disse o seguinte: “As eleições, como elas se fazem no Brasil, são a origem de todos os nossos males políticos”.

 

Muitas mudanças foram implementadas desde o Império, mas eleições, ontem como hoje, continuam sendo a “origem” de todos os males. Agora menos pelas distorções do processo eleitoral e mais pela inapetência do eleitorado para exercer convenientemente o seu direito.

 

Nas eleições deste ano, vários políticos envolvidos em escândalos vão tentar a sorte nas urnas. Entre eles o ex-ministro Antonio Palocci e 12 congressistas mensaleiros. Ganharam legenda graças à desfaçatez de seus respectivos partidos.

 

Aí reside toda a graça da eleição. O eleitor é o sujeito que desfruta do sagrado privilégio de votar em alguém escolhido pelos outros. Se os partidos não tiveram a decência de vetar candidatos indignos, você pode fazê-lo. Portanto, vote direito.

Escrito por Josias de Souza às 17h54

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Coalizão de Lula evolui para o velho toma-lá-dá-cá

Lula ainda nem foi reeleito e já deu início à “coalizão” que prometera ao PMDB. A coabitação governamental começa sob um teto amaldiçoado: a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O presidente nomeou um novo presidente e três diretores para os Correios. Foram indicados pela ala governista do PMDB.

 

Quem não se lembra da imagem de Maurício Marinho recebendo propina de R$ 3.000 nas dependências dos Correios? O funcionário foi ao noticiário, em meados do ano passado, como apadrinhado de Roberto Jefferson (PTB-RJ). Sentindo a corda apertar o seu pescoço, Jefferson levou os lábios ao trombone. Pôs na rua a engrenagem do mensalão.

 

Em meio à algaravia, o PTB foi desalojado dos Correios. Entregou-se a presidência da empresa a Janio Pohren, funcionário da casa há 23 anos. Nesta quinta-feira, Janio foi substituído por Carlos Henrique Almeida Custódio. Além do novo presidente, o PMDB emplacou três dos seis diretores dos Correios: Carlos Roberto Samartine Dias, Menessés Leon Nahmias e Samir de Castro Hatem.

Espécie de mercador da coalizão, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) vem dizendo que o objetivo da nova sistemática é o extermínio de uma das maiores pragas da política nacional: o toma-lá-dá-cá. Em vez de ceder a pedidos de lideranças regionais, o governo negociaria com as direções partidárias. A discussão do programa de governo viria antes dos cargos.

 

Dá-se, porém, o oposto. A nova composição dos Correios atende a um pedido chancelado pelos chefes regionais José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AP). Alguns dos indicados têm vínculos com Romero Jucá (PMDB-RO) e Jader Barbalho (PMDB-PA).

 

Jucá teve de deixar a pasta da Previdência da gestão Lula depois que uma avalanche de denúncias caiu-lhe sobre a cabeça. Jader traz a biografia enodoada por negócios espúrios que patrocinou na Sudene sob FHC. Difícil saber que inovações programáticas os indicados do PMDB imprimirão às atividades dos Correios, um naco da administração pública de perfil técnico.     

É curioso que, nas pegadas de tantos escândalos, o governo ainda se anime a levar certas áreas da engrenagem estatal ao balcão político. O discurso da renovação das práticas perde-se na reiteração dos maus costumes. A perversão não é um defeito genético do petismo. Sob FHC, o tucanato fez o mesmo. Com uma diferença: o presidente-sociólogo gostava de recorrer à erudição. Citava Weber e a ética da responsabilidade para justificar a inevitabilidade da fisiologia.

Os escândalos não foram suficientes, como se vê, para eliminar a grande contradição que envenena as relações do Executivo com o Legislativo: entra presidente, sai presidente e o governo continua trabalhando por um Brasil novo sem chutar o Brasil arcaico. A coisa tende a piorar. Nos próximos dias, o PMDB lulista vai divulgar um manifesto de apoio à reeleição do presidente Lula. E logo terá novos cargos: Ministério da Saúde, Eletrobras, Eletronorte, Anatel... Brasília mostra-se incapaz de desarmar a central de escândalos.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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PPS processa sanguessugas da direção da Câmara

O PPS decidiu encaminhar à Corredoria da Câmara pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra dois interegrantes da mesa diretora da Casa: Nilton Capixaba (PTB-RO) e João Caldas (PL-AL), respectivamente segundo e quarto secretários da Câmara.

Em telefonema ao presidente do PPS, Roberto Freire (PE), o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI das Sanguessugas, contou ter ficado "chocado" com o grau de envolvimento de Capixaba e Caldas no caso da troca de emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias por propinas. Daí a decisão de representar ao Conselho de ética contra os dois.

Decidiu-se agir antes mesmo do encerramento da CPI para tentar forçar a saída de Capixaba e Caldas dos cargos que ocupam na direção da Câmara. Busca-se ainda o apoio do PV e do PSOL à iniciativa. Mas o PPS assinará sozinho a representação, se for o caso. Aberto o processo, os dois secretários da Mesa terão de se afastar de suas funções. A Corregedoria é um órgão vinculado à Mesa.

Escrito por Josias de Souza às 13h45

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Governo Lula dá prêmio à prefeitura de Serra

Nota publicada na coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):

Dormindo com o inimigo: Por essa nem o presidente Lula esperava: o governo dele acaba de conceder um prêmio à Prefeitura de SP, do adversário José Serra (e hoje nas mãos do PFL) por "práticas inovadoras na gestão do programa Bolsa Família". É isso mesmo: em 400 experiências analisadas em cidades de todo o país, 12 foram selecionadas para ganhar o diplominha. Mais da metade das cidades -sete -eram de administrações do PT. Outras eram de aliados do governo Lula. "Inimiga" mesmo, só SP.

Prêmio petista: Além das cidades, quatro Estados ganharam o prêmio, que leva a assinatura de Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: o Acre, administrado pelo PT, o Rio Grande do Norte, nas mãos do PSB, Tocantins, governado pelo PFL -e o Ceará, governado por um PSDB "lulista", digamos assim.

Escrito por Josias de Souza às 12h28

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As manchetes desta quinta

- JB: A Copa é azul

- Folha: Patrimônio de Lula dobra na Presidência

- Estadão: Inflação em SP fica perto de zero no semestre

- Globo: Efeito mensalão: candidatos aumentam previsão de gastos

- Correio: Alckmin e Lula farão campanha milionária

- Valor: Inflação resiste à alta da renda e cai ainda mais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h14

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Companhia de alta periculosidade!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h45

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PT organiza mega-passeatas pró-Lula para agosto

  Tuca Vieira/F.Imagem
O PT fecha até o final da próxima semana um calendário de grandes manifestações de rua que pretende realizar ao longo do mês de agosto em apoio à reeleição de Lula. O planejamento envolve entidades sindicais como a CUT, estudantis como a UNE e sociais como o MST.

Pretende-se estabelecer um contraponto com a campanha de Geraldo Alckmin. Enquanto o candidato tucano aposta suas fichas na campanha eletrônica, que começa em 15 de agosto, o PT quer levar milhares de pessoas às ruas em pelo menos cinco datas diferentes, sempre com a participação de Lula.

 

“Vamos mostrar que campanha não se faz apenas no rádio e na televisão”, diz João Felício (na foto), responsável pela comissão de mobilização do comitê reeleitoral de Lula. Ex-presidente da CUT, Felício afirma que serão feitas “dezenas de manifestações simultâneas em todo país, especialmente nas grandes cidades”.

 

Felício afirma que o PT deseja fazer “uma campanha diferente” da que realizou em 2002. Ele não menciona o escândalo do mensalão, que tisnou a imagem do PT. Mas depreende-se de suas palavras uma tentativa do partido de reencontrar-se com sua militância. “Vamos recuperar aquilo que os militantes sempre representaram no passado nas campanhas do Lula”, diz ele.

 

Nesta sexta-feira, Felício discutirá a estratégia com representantes do movimento sindical, em encontro na sede paulista do PT. Na terça-feira da semana que vem, ele se reúne com de entidades que têm assento na CMP (Central dos Movimentos Populares). Inclui da turma dos “sem” –sem terra, sem teto e sem emprego—a organizações estudantis e de defesa dos direitos das mulheres e dos negros.

 

O plano prevê a organização de manifestações de rua setoriais: de sindicalistas, da juventude estudantil, das mulheres, dos negros e, fechando a série, uma grande mobilização nacional de todos os movimentos sociais. Felício não quis fazer previsões sobre o número de pessoas que se animarão a ir às ruas por Lula. “Vai ser muita gente”, limitou-se a dizer.

 

O blog quis saber de Felício quem vai pagar a conta da organização e da realização das mobilizações. E ele: “Você sabe que não se pode utilizar recursos do movimento sindical em favor de candidaturas. Quem vier às nossas reuniões, será por conta própria. É uma campanha de militância. Na convocação das passeatas, teremos de confeccionar cartazes. Esse material será pago pela coordenação da campanha”.

 

O blog insistiu: não há o risco de as passagens de participantes das reuniões de planejamento serem custeadas por sindicatos e entidades sociais. E Felício: “Da mesma maneira que o Alckmin faz reuniões com empresários, banqueiros e latifundiários e ninguém pergunta quem financia essas atividades, não vou perguntar a quem vier às nossas reuniões de onde ele tirou o dinheiro. Não posso saber se ele usou recursos do sindicato, espero que não”.

 

E quanto ao financiamento dos deslocamentos para as manifestações? “Eu espero que não ocorra (uso indevido de recursos de entidades). Fui presidente da CUT e isso nunca ocorreu, apesar do carimbo que nos colocam na testa, de apoiadores do governo Lula. Jamais usamos a estrutura sindical. Quem apóia o Lula são as pessoas. Como essas pessoas se movimentam para participar dos eventos é um problema delas. A campanha não vai custear esse tipo de coisa”.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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Lula é R$ 147 mil mais rico do que Geraldo Alckmin

A julgar pelos informações levadas aos arquivos do TSE nesta quarta-feira, Lula, o “candidato dos pobres”, é um homem mais rico do que Geraldo Alckmin, o “candidato das elites”. O patrimônio do presidente da República supera o de seu adversário em R$ 147.334,53.

Em três anos e meio de exercício da presidência da República, o patrimônio de Lula praticamente dobrou. Na eleição de 2002, era de R$ 422.949,32. Hoje, soma R$ 839.033,52. O de Alckmin era, em 2002, de R$ 554.458,48. Agora, é de R$ 691.698,99. Em nota, o PT explicou a evolução patrimonial de Lula (clica).

O presidenciável mais rico é Luciano Bivar (PSL), com R$ 8,7 milhões. Só fica atrás do vice de Lula, o empresário José Alencar (Coteminas), cujo patrimônio pessoal declarado é de 12,5 milhões.

 

Terceira colocada nas pesquisas de opinião, a candidata do PSOL, Heloisa Helena tem o patrimônio mais modesto: R$ 89.750,00. Cristovam Buarque, do PDT, fica entre Alckmin e Lula, com R$ 769.198,70. Quer mais detalhes? Então, clica.

Escrito por Josias de Souza às 18h49

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Comitê de Heloisa Helena recusa doação de empresa

Comitê de Heloisa Helena recusa doação de empresa

Mário Agra, tesoureiro do PSOL e membro do comitê financeiro da presidenciável Heloisa Helena, diz que o partido não vai aceitar doações de empresas, só pessoas físicas. Ainda assim, não é qualquer pessoa que pode contribuir. Se o banqueiro Olavo Setúbal (Itaú) decidisse fazer uma doação a Heloisa Helena, o dinheiro seria recusado. Leia abaixo a entrevista que Agra concedeu ao blog:

 

-Qual é a previsão de gastos da campanha de Heloisa Helena?

Informamos ao TSE um teto de R$ 5 milhões.

- Acha que será difícil arrecadar esse dinheiro?

Teremos muita dificuldade. Decidimos não aceitar contribuições de empresas, só de pessoas físicas. Vamos contar com a contribuição dos amigos e de quem queira contribuir.

- Por que o veto a empresas?

A maioria das contribuições de empresas a gente sabe o que significa. Por menor que seja a estrutura, o objetivo é fazer a política da boa vizinhança para obter vantagens depois na administração pública.

- Se Olavo Setúbal decidir doar como pessoa física vocês aceitam?

A gente prefere não receber. Temos também o critério de que pessoas ligadas ao empresariado também não nos interessam. Preferimos não receber. Sobretudo quando são ligadas ao setor financeiro.

- Então será uma campanha magra, não?

Sim. Pela lei, as pessoas só podem doar até 10% da renda declarada no Imposto de Renda do ano anterior. Significa dizer que vamos ter que mobilizar muita gente. Será uma campanha modesta. Mas temos muita gente disposta a contribuir com R$ 1.000 ou R$ 2.000. Se tivermos mil pessoas dispostas a doar R$ 1.000, já teremos R$ 1 milhão. Sem contar muitos que contribuirão com menos: R$ 50, R$ 100, R$ 500...

- O partido tem como ajudar?

Não. O partido foi constituído há pouco mais de um ano e a receita é muito pequena. Nós restringimos muito as filiações. E a nossa receita também é muito pequena. Não podemos usar o fundo partidário em campanha. Só para atividades e manutenção do partido. Ainda assim, o que recebemos do final do ano passado até agora do fundo partidário gira em torno de R$ 12 mil. Dá só para manter a sede do partido.

- A verba da campanha nacional será repartida com candidaturas estaduais?

Nos partidos tradicionais, se não tiver repasse da campanha majoritária nacional não tem campanha nos estados. Nós não vamos repassar nada. Vai acontecer o contrário. Nossos candidatos proporcionais e majoritários nos Estados farão material de campanha com foto de Heloisa Helena, pedindo votos também para ela. Isso vai ser contabilizado nos Estados. É um orçamento indireto para nós.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Berzoini diz que Lula não decidiu se vai a debates

  Tuca Vieira/Folha Imagem
Confirmando o que foi publicado aqui no blog há dois dias, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que Lula ainda não decidiu se vai participar dos debates televisivos com seus adversários na disputa presidencial. E já começou a ensaiar a desculpa.

 

Para Berzoini, se Lula decidir não participar, o tucanato não tem do que se queixar. "Se essa for a decisão, que autoridade eles terão para criticar?", indagou, referindo-se ao fato de que, na eleição de 98, Fernando Henrique Cardoso também esquivou-se dos debates.

 

Em viagem à Venezuela, Lula foi questionado diretamente. Perguntou-se ao presidente se irá aos debates. E ele: “Não sei”. Alegou que desconhece as regras que estão sendo debatidas entre as emissoras e as assessorias dos candidatos. Depois, disse que gosta de debater: “Não tenho problema com debate. Aliás, gosto muito de debater".

 

Ora, se é assim, não há porque fugir. A despeito do treinamento a que os marqueteiros costumam submeter os candidatos antes de cada debate, essa modalidade de exposição pública é bem mais útil para o esclarecimento do eleitor do que a propaganda de rádio e TV.

Escrito por Josias de Souza às 17h09

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Campanha movimenta R$ 279,1 milhões no caixa um

Começou o jogo de esconde-esconde. Os comitês eleitorais informaram à Justiça Eleitoral nesta quarta-feira quanto planejam gastar nas eleições de 2006. Só no certame presidencial estimam-se gastos de até R$ 279,1 milhões. Por cima da mesa, bem entendido. Sem incluir o caixa dois.

 

A campanha com o borderô mais polpudo é a de Lula (PT): R$ 89 milhões. A de Geraldo Alckmin (PSDB) vem logo a seguir: R$ 85 milhões. Cristovam Buarque (PDT) diz que gastará, no máximo, R$ 20 milhões. O comitê financeiro de Heloisa Helena (PSOL) entregou ao TSE uma previsão de gastos de R$ 5 milhões.

O senso comum indica que os candidatos prestariam um inestimável serviço a si mesmos se fechassem o porão. Mas seria ingenuidade acreditar que o caixa dois foi extinto. Resta, assim, difundir um aviso: Lula e o PT podem ter desperdiçado as últimas gotas de tolerância com as chamadas “verbas não contabilizadas”.

Os últimos escândalos produziram pelo menos uma redução da taxa de cinismo. Na eleição de 2002, Lula disse ao TSE que gastou R$ 39 milhões. José Serra, o tucano que concorreu naquele ano, informou que teve despesas de R$ 35 milhões. Ou seja, para uma campanha que se previa como mais barata -estão proibidos os showmícios e os outdoors- PT e PSDB vitaminaram os seus borderôs em R$ 50 milhõoes cada um. Ainda assim, nada faz supor o sumiço do dinheiro por baixo da mesa. 

Fernando Collor esqueceu de maneirar e teve o mandato ceifado. Deve-se à repórter Andréa Michael a descoberta de um naco das arcas clandestinas de FHC. Coisa de R$ 10 milhões, registrados numa planilha eletrônica. Passou batido. A traição de Roberto Jefferson expôs os R$ 55 milhões que transitaram pelos subterrâneos do PT. Esfolou-se Delúbio Soares. E ficou nisso. Expôs-se também um fundilho a descoberto da campanha tucana de Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 98. E nada de punição.

O próximo inquilino do Planalto, seja ele quem for, dificilmente escapará de um impeachment se ficar constatado que recebeu malas por baixo da mesa. Assim, não parece razoável sujeitar o mandato ao arrependimento de um tesoureiro, à indiscrição de um fornecedor descuidado, à sanha de um procurador ou à curiosidade de um repórter.

Escrito por Josias de Souza às 14h57

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Aas manchetes desta quarta

 

- JB: Avanti, Azzurra

- Folha: Lula vai vetar aumento de 16,67% para aposentados

- Estadão: Sanguessugas agiram também na Educação e na Ciência

- Globo: Congresso dá a aposentados 16,6% e deixa veto para Lula

- Correio: Nove dias de trabalho, três meses de salário

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Nem pão nem circo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Alckmin, Lula e as formigas da Guiana

André Porto/Folha Imagem
 

 

Artigo de Elio Gaspari (na Folha, para assinantes):

 

“Na noite em que chegou a 45 o número de policiais e agentes penitenciários assassinados em São Paulo em menos de dois meses, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que enfrentará a crise da segurança criando um conselho. Mais um. Logo Alckmin, legatário do mingau em que se transformou a segurança dos agentes da ordem pública no Estado que governou por cinco anos.

 

Para se ter uma idéia do que significam 45 mortos em 60 dias, em toda a década de 1920, quando o crime organizado parecia controlar Nova York, morreram 57 policiais. Número inédito, nunca igualado. (O "choque de gestão" de Alckmin arrisca derrubar essa marca antes de outubro.)

 

A fala pausada, numérica e oca do grão-tucano é apenas um dos aspectos da ruína. O outro é o triunfalismo de Luís 15, na versão Inácio: "Antes de mim, o dilúvio. Depois de mim, outro dilúvio". Alckmin não quer explicar por que sua política de gatilho rápido resultou em insegurança. Lula quer ficar a léguas de distância do tema. É preferível entender que o governador Cláudio Lembo tem razão: ou o andar de cima se mexe, ou o que vai mal haverá de piorar. Ou há segurança para todo mundo, ou não há para ninguém.

 

No mercado financeiro existe uma expressão banal para designar multidões que correm numa direção, sem saber direito o porquê. É o "efeito manada". Pensando bem, a manada pode ser sábia. Quem fugiu do dólar de R$ 1,20 da ekipekonômica tucana de bobo não tinha nada.

 

O que o andar de cima nacional faz em matéria de segurança parece mais com as formigas de Kartabo, na floresta da Guiana. De repente, uma delas perde o caminho e vai adiante. As outras, disciplinadas, vão atrás. Quando um naturalista observou esse fenômeno, elas percorriam um círculo com 365 metros de extensão. Levavam duas horas e meia para completá-lo, recomeçando-o ao longo de todo um dia. A maioria morria. A manada vai atropeladamente para não se sabe onde. As formigas da Guiana vão calmamente para onde estavam.

 

Outro dia o "Jornal Nacional" mostrou a família de um agente penitenciário abandonando uma casa pobre, de poucos móveis, porque a bandidagem deu-lhe um prazo, ao fim do qual iria matá-la. Causou a mesma perplexidade que a desclassificação da Arábia Saudita.

 

Não ocorre ao andar de cima mobilizar-se para mostrar aos bandidos que nunca mais uma família de um agente da ordem será desestruturada por falta de apoio. De quem? Das guildas patronais que gastam os tubos em pesquisas eleitorais, dos bancos que fazem obras sociais nos espaços nobres da publicidade, dos magnatas que andam com o papagaio do Estado mínimo no ombro. Enfim, de quem achar que não lhe fica bem ajeitar o meião quando Zidane centra para Henry.

 

O que falta em matéria de segurança é raça. Alguém que diga: a família do agente penitenciário que foi obrigada a deixar sua casa recebeu um apartamento e nele viverá o tempo que for necessário. Mais: as famílias de servidores públicos mortos pelos bandidos terão suas dívidas imobiliárias quitadas e seus filhos receberão bolsas de estudo até o último ano do curso superior. É complicado de fazer? Sem dúvida, por isso a formiga número 2 foi atrás da número 1.”

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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Lula e Alckmin marcam primeiros atos de campanha

Lula e Geraldo Alckmin, os dois presidenciáveis mais bem-postos nas pesquisas, já decidiram quais serão os seus primeiros atos explícitos de campanha. Pela lei, os candidatos estão autorizados a pedir votos a partir desta quinta-feira. Lula optou por abrir a campanha num jantar de adesão marcado para quinta-feira da próxima semana. Será em São Bernardo, berço de sua trajetória sindical.

 

Em desvantagem nas pesquisas, Alckmin tem mais pressa. Estará, já nesta quinta-feira, em Santa Catarina. O Estado não foi escolhido a esmo. É a praça em que o candidato tucano conseguiu organizar o palanque mais amplo. Ali, PSDB, PFL e PPS reuniram-se em torno de Luiz Henrique, do PMDB, que disputa a reeleição para o governo do Estado.

 

Lula abre formalmente a cruzada de 2006 num evento fechado, no restaurante no São Judas Tadeu -o  mesmo em que reuniu amigos para comemorar, em 2002, seu aniversário de 50 anos. Alckmin preferiu o espalhafato público. Será recepcionado no aeroporto de Florianópolis por militantes dos quatro partidos que se juntaram na aliança catarinense. Do aeroporto, seguirá em carreata para um evento político que deve transformar-se em ato anti-Lula.

 

O PT ainda não definiu o preço do jantar de adesão de São Bernardo. O mais provável é que seja fixada uma escala variável de contribuição, conforme o poder aquisitivo de cada um dos convidados. Em tempos de "contribuições não contabilizadas", tenta-se passar a idéia de que a campanha petista de 2006 será custeada também com dinheiro saído dos bolsos da "militância".

 

Ao programar o jantar para uma quinta-feira, Lula quebra uma promessa feita há duas semanas. O presidente informara que só se dedicaria à refrega política nos finais de semana. Agora, já se admite que ele pode fazer campanha também em dias úteis, depois do expediente.

Escrito por Josias de Souza às 01h15

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Lula prioriza a Bahia para tentar derrotar ACM

Ricardo Stuckert/PR
 

A Bahia tornou-se uma das prioridades de Lula nas eleições deste ano. O presidente avalia que o Estado ganhou importância “simbólica”. Move-o uma obsessão: quer impor uma derrota ao grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que o chama ostensiva e reiteradamente de “ladrão”.

No segundo turno das eleições de 2002, Lula obteve na Bahia 65,7% dos votos, quase o dobro da votação do tucano José Serra (34,3%), seu adversário de então. Hoje, o presidente aparece nas pesquisas com índices de intenção de voto que roçam a casa dos 60%. Vai se empenhar para transferir parte desse prestígio para o ex-ministro Jaques Wagner, do PT (na foto, ao lado de Lula).

Wagner reedita na eleição deste ano a mesma queda de braço que travou na eleição de quatro anos atrás. Disputa o governo baiano com Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM. Em 2002, Souto (53,7% dos votos) derrotou Wagner (38,5%) ainda no primeiro turno. As pesquisas informam que o preferido de ACM tem tudo para repetir o feito.

As sondagens eleitorais realizadas na Bahia atribuem a Souto taxas de intenção de voto suficientes para ser reeleito, de novo, em primeiro turno. Mas Lula e o PT acham que Wagner entra na disputa deste ano em condições bem mais confortáveis do que as de 2002. A começar pela aliança política que dá suporte à sua candidatura.

O candidato petista ao Palácio de Ondina produziu na Bahia a aliança dos sonhos de Lula. Reuniu em torno de si todos os partidos que o presidente gostaria de ter arrastado para a coligação nacional. Estão com Wagner, além do PT e do PCdoB, o PMDB, o PSB, o PTB e, de quebra, o PMN. Em 2002, Wagner contava com o apoio de sete prefeitos baianos. Hoje, contabiliza 70.

O roteiro de viagens de Lula ainda não está definido. Mas o presidente já decidiu que a Bahia estará na lista. Decidiu também gravar participações para o programa eleitoral de TV de Wagner. Em diálogos reservados, Lula atribui à Bahia uma importância quase tão grande quanto a de São Paulo.

Não pelo relevo econômico – a Bahia tem apenas o sexto maior PIB do país; contribui com cerca de R$ 75 bilhões na medição da riqueza nacional –, mas pela relevância “simbólica” que representaria, politicamente, a imposição de uma derrota a ACM. Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, e Jaques Wagner foram os únicos petistas envolvidos em disputas estaduais que apareceram no programa televisivo que o PT exibiu em rede nacional no mês de maio.

Pesquisa feita por encomenda do PT indica que algo como 80% do eleitorado baiano, o maior do Nordeste (pouco mais de 9 milhões de eleitores), deseja “renovação”. No poder há 16 anos ininterruptos –com Paulo Souto, ACM e César Borges— o PFL enfrentaria uma fadiga semelhante àquela que acometeu o petismo no município de Porto Alegre (RS). O problema é que nenhum candidato conseguiu até aqui se firmar como alternativa real ao grupo de ACM.

Lula tem relações amistosas com Paulo Souto. Acha que o governador adota métodos que o distanciam de ACM. Mas irritou-se com um dos motes de campanha do PFL baiano, que acusa o governo federal de discriminar o Estado da Bahia. Decidiu-se que Jaques Wagner fará campanha escorado nas “realizações” de Lula no Estado.

Reprisando a estratégia nacional, o carro chefe da plataforma petista na Bahia será a prioridade que o governo federal deu à educação e aos brasileiros mais pobres. Wagner diz que Lula criou na Bahia três novas universidades. Sustenta que foram distribuídos no Estado 1,2 milhão de benefícios do Bolsa Família. E afirma que o programa Luz Para Todos levou energia elétrica a 100 mil residências, beneficiando cerca de 500 mil baianos.

ACM não se dá por achado. Responde ao discurso petista lembrando que a rede de proteção social que deu origem ao Bolsa Família nasceu sob FHC, a partir de um fundo de pobreza que ele conseguiu aprovar no Congresso. E diz que o Luz Para Todos foi idealizado pelo ex-ministro Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), seu apadrinhado, também na gestão FHC.  

Escrito por Josias de Souza às 00h39

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Alckmin lança contra-ofensiva para atrair o PMDB

  Folha Imagem
Escorado na melhoria de seus índices nas pesquisas de opinião, o candidato tucano Geraldo Alckmin iniciou uma contra-ofensiva para tentar impedir que Lula avance sobre a ala não-governista do PMDB. Em telefonemas a líderes do partido, Alckmin assume o compromisso de contemplar o PMDB na formação do governo caso venha a ser eleito. É um discurso semelhante ao de Lula, que promete guindar o PMDB à posição de parceiro preferencial de um governo de “coalizão”.

 

Nesta terça-feira, Alckmin telefonou para o deputado Wellington Moreira Franco (PMDB-RJ). Ele é amigo do presidente do PMDB, Michel Temer, mais identificado com o tucanato. Mas vinha flertando nas últimas semanas com o governo. Embora negue em público, Moreira Franco chegou a acalentar o desejo de ser nomeado por Lula, antes mesmo da eleição, para o posto de ministro da Saúde.

 

A nomeação, porém, não saiu. E Moreira refluiu. Daí o telefonema de Alckmin. Foi uma tentativa de quebrar o gelo. Não se sabe, por ora, se bem ou mal sucedida. O naco do PMDB que pende para Alckmin monitora também a elaboração do manifesto pró-Lula idealizado pelos senadores lullistas Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP). Aklckmin foi informado de que o documento resultará em fiasco.

 

Em reunião no Planalto, há cerca de três semanas, Sarney dissera a Lula que o documento traria a assinatura de 21 diretórios estaduais do PMDB. Porém, as adesões obtidas até aqui são mais modestas. Há onze assinaturas garantidas. Virão dos diretórios de Rondônia, Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Paraíba, Alagoas, Bahia e Tocantins. Outros dois diretórios podem aderir: o do Paraná e o de Minas Gerais.

 

A inclusão dos diretórios paranaense e mineiro é vista como vital. Do contrário, os Estados representados no manifesto reunirão algo como 35% do eleitorado. Longe de parecer uma demonstração de força, a iniciativa pró-Lula soaria como um traque. Ficaria evidenciado que os diretórios dos demais Estados –65% do eleitorado— estaria ou em posição neutra ou ao lado de Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 19h50

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Senado aprova reajuste de 16,67% para aposentados

Antônio Cruz/ABr
 

 

Para desassossego de Lula, o Senado aprovou nesta terça-feira a medida provisória que reajusta os vencimentos de todos os aposentados e pensionistas do INSS em 16,67%. A medida já havia sido aprovada pela Câmara. Segue agora para a sanção –ou veto— do presidente.

Só neste ano, o reajuste provocaria um gasto adicional de R$ 7 bilhões. Uma importância que o governo diz não ter. Antecipando-se à decisão de Lula, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) disse que a medida será vetada.

 

É a segunda bola quadrada que o Congresso passa para Lula no intervalo de uma semana. A primeira foi o projeto que concede às empregadas domésticas o direito ao FGTS e à multa de 40% em caso de demissão imotivada.

 

A medida provisória dos aposentados nasceu no Executivo. O governo propusera que o reajuste de 16,67% fosse concedido apenas aos aposentados que recebem o equivalente ao salário mínimo (R$ 350). Porém, os congressistas estenderam o reajuste a todos os demais aposentados.

 

Em ano eleitoral, não é fácil para o presidente, candidato à reeleição vetar uma medida como essas. Lula encontra-se premido entre a responsabilidade fiscal e a conveniência eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Venezuela formaliza sua adesão ao Mercosul

  AP
A Venezuela formalizou nesta terça-feira o ingresso no Mercosul. O país do presidente Hugo Chavéz passa a ser o quinto membro do bloco regional. Do ponto de vista estritamente econômico, a novidade pode ser benéfica. Sobretudo para países como Brasil e Argentina, cujas exportações para a Venezuela têm tudo para ser tonificadas. Há, porém, riscos políticos.

"Do ponto de vista comercial e econômico, a Venezuela é um agregado positivo”, diz, por exemplo, Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington. “Trata-se de um grande mercado para o qual se pode exportar mais".

"Mas o problema que se cria é político porque Chávez é um presidente polêmico”, completa Barbosa. “Ele deve levar ao bloco uma série de assuntos que ninguém quer discutir, como as relações entre a Venezuela e os EUA" (clica).

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Ministro do Trabalho investe contra as domésticas

  Elza Fiúza/ABr
Lula ainda não decidiu para que lado vai descascar o abacaxi que o Congresso acomodou no seu colo. Terá de decidir se veta ou sanciona o projeto que reconhece o direito das empregadas domésticas ao FGTS. O governo pende para o veto. A inclinação ficou clara a partir de declarações feitas nesta terça-feira pelo ministro Luiz Marinho (Trabalho).

 

"A avaliação técnica é que haverá a diminuição da formalidade, vai aumentar a informalidade. Os especialistas têm se manifestado na imprensa, e está de acordo com a análise técnica que nós fazemos", disse Marinho, conforme relato de Patrícia Zimmermann. Ele pretende buscar apoio para o veto, veja você, até junto a entidades sindicais que representam as domésticas.

 

O ministro aproveitou para criticar o Congresso: "Isso foi feito em defesa da categoria das domésticas ou foi feito simplesmente pensando no constrangimento político de um veto para desgastar o governo? Os parlamentares necessitam, quando votam, votar pensando no objetivo, na responsabilidade que têm perante a sociedade brasileira, e não em criar um constrangimento ou não para o governo num momento pré-eleitoral".

 

Constrangimento verdadeiro deve estar enfrentando o ex-sindicalista Luiz Marinho. Tão combativo ao tempo em que presidia a CUT e agora advogando contra os interesses de milhares de trabalhadoras humildes. O signatário do blog sugere ao ministro um discurso alternativo.

 

Tudo bem que as domésticas não tenham acesso ao FGTS. Porém, em nome da igualdade de direitos, o benefício deveria ser negado também a todas as demais categorias. A CUT decerto não negará a Marinho um carro de som para que ele defenda a tese nas portas de fábrica do ABC paulista.

Escrito por Josias de Souza às 14h54

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Ministério Público investiga novo tesoureiro de Lula

O que o dinheiro faz pelas campanhas políticas não é nada em comparação com o que os políticos fazem pelo dinheiro. Veja-se o caso de José de Filippi Jr., o tesoureiro escolhido por Lula para fornir as arcas da campanha reeleitoral. Mal foi alçado das sombras da prefeitura de Diadema para a cena nacional e sua biografia já exibe um brilho ofuscante.

 

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar a origem de R$ 183 mil. A grana foi usada por Filippi Jr. para pagar uma multa que lhe foi imposta pela Justiça. O prefeito cedera outdoors da prefeitura para uma propaganda da CUT. Por isso foi multado.

 

Em agosto de 2003, o agora tesoureiro de Lula pediu à Justiça o parcelamento da multa. Queria pagar R$ 2 mil por mês. Não foi atendido. Três meses depois, Filippi Jr. fez o depósito integral da multa. O gesto pareceu suspeito ao Ministério Público.

 

No curso do processo de cobrança da multa, a Justiça encontrara nas contas bancárias do prefeito só R$ 25 mil. Dispunha, de resto, de um imóvel qualificado como "bem de família". Impenhorável, portanto. Numa curta nota oficial, a assessoria de Filippi Jr. disse que o prefeito dará explicações ao Ministério Público antes de conversar com a imprensa.

 

Como gestor das arcas da campanha de Lula, Felippi Jr. verá passar por suas mãos importâncias que podem oscilar de R$ 50 milhões a R$ 80 milhões. É quanto o PT estima que pode gastar na campanha reeleitoral (clica).

Escrito por Josias de Souza às 14h19

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As manchetes desta terça

- JB: Sem-teto planejam mais invasões no Rio

- Folha: PT e PSDB querem mudar aposentadorias

- Estadão: TSE recebe lista de 2,9 mil que podem ficar inelegíveis

- Globo: TCU denuncia 2.900 políticos mas a lei eleitoral não pune

- Correio: Lula gastará mais que FHC antes da eleição

- Valor: Apesar das turbulências, empresas captam R$ 34 bi

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Varal do fiasco!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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Lula hesita em comparecer a debates televisivos

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Franco favorito em todas as pesquisas de opinião, Lula ainda não definiu se vai ou não participar de debates na televisão com os demais candidatos. Está convencido de que será transformado em saco de pancadas por todos os adversários. E hesita, por ora, em dar uma palavra final sobre o seu comparecimento nos debates.

 

O dilema é uma novidade para Lula. Nas quatro campanhas presidenciais que disputou como candidato de oposição ele sempre pugnou pela realização de debates. Agora, cavalgando um favoritismo que lhe atribui intenções de voto suficientes para vencer a eleição em primeiro turno, Lula é mais cauteloso.

 

A TV Globo promoveu no último dia 30 de junho uma reunião com os marqueteiros dos principais candidatos. Compareceram representantes dos comitês de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Heloisa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT). Discutiu-se um pacote de entrevistas para o Jornal Nacional e um confronto direto entre os candidatos, agendado pela emissora para o dia 28 de setembro.

 

Acertaram-se as entrevistas. Ficou definido, por sorteio, que Alckmin será o primeiro a ser ouvido, no dia 7 de agosto. Lula será o último, no dia 11. Diferentemente dos demais concorrentes, que serão argüidos no estúdio da Globo, Lula será entrevistado no Palácio da Alvorada. Na hora de acertar o debate, porém, João Santana, o marqueteiro de Lula, esquivou-se de assumir qualquer tipo de compromisso. Não disse nem sim nem não. Afirmou apenas que o assunto ainda estava em discussão.

 

A Globo entregou aos marqueteiros um documento contendo as regras das entrevistas e do debate. Combinou-se que, depois de lido, o papel deveria ser assinado por prepostos autorizados pelos candidatos. Cristovam e Heloisa Helena já deram indicações de que nada têm a opor. Consultado nesta segunda-feira, Alckmin também confirmou à sua assessoria que irá ao debate. Só Lula ainda não deu a palavra final.

 

O debate da Globo não é o mais espinhoso. A data escolhida para o evento –28 de setembro— coincide com o penúltimo dia da propaganda eleitoral dos partidos na TV. Dificilmente uma eventual derrapada verbal do presidente seria explorada pelos adversários. O problema é que outras emissoras também desejam promover debates. A Bandeirantes organiza o seu para os primeiros dias de agosto, antes do início oficial da propaganda gratuita, marcada para 15 de agosto. O SBT também já contatou os comitês de campanha, manifestando o interesse em promover um embate ao vivo.

 

O excesso de debates deixa Lula com um pé atrás. Ele acha que está condenado a virar alvo. Expulsa do PT no início da gestão Lula, Heloisa Helena não tem motivos para contemporizar. Demitido do Ministério da Educação pelo telefone, Cristovam também não morre de amores pelo presidente. Ávido por recuperar terreno nas pesquisas, Alckmin tampouco tem razões para exibir um comportamento dócil.

 

Para complicar, Lula ainda rumina um trauma em relação à Globo. Atribui a derrota para Fernando Collor nas eleições presidenciais de 89 a uma edição “injusta” de um debate que travou com o adversário. Foi ao ar no Jornal Nacional do dia 15 de dezembro, antevéspera do segundo turno da eleição, ocorrido no dia 17 de dezembro de 89, um domingo.

 

Lula e o PT acusam a Globo de ter veiculado um extrato do debate que teria sido editado com o objetivo deliberado de favorecer Collor. Nos próximos dias, o presidente terá de se definir. Conforme o acerto pactuado na reunião do último dia 30 de junho, a Globo ficou de cobrar dos comitês dos candidatos uma posição em relação ao documento que estipula as regras para as entrevistas no Jornal Nacional e para o debate do dia 28 de setembro.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Alckmin diz que é a favor de manter reeleição

  Lula Marques/Folha Imagem
Após meses de tergiversação, Geraldo Alckmin declarou na noite desta segunda-feira que é contra o fim da reeleição. “Sempre fui favorável à reeleição”, disse ele. Defendeu o aperfeiçoamento da legislação, para evitar o uso da máquina pública. “Não podemos ficar dependendo da virtude de cada candidato. Precisamos ter regras claras, para saber o que pode e o que não pode”.

Alckmin deu as declarações durante entrevista ao Roda Viva, programa da TV Cultura. Lembrou-se ao candidato que desagradaria a dois companheiros de tucanato: José Serra e Aécio Neves. Ambos ambicionam disputar a presidência 2010. E não querem que Alckmin, caso venha a ser eleito, os obrigue a esperar por mais quatro anos, disputando a reeleição.

 

“A Constituição brasileira não pode andar ao sabor do oportunismo político, da vontade de ‘A’ ou ‘B’; as regras precisam ser claras”, respondeu Alckmin. Deixou claro que, chegando à presidência, não moverá uma palha pela aprovação do projeto do deputado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA), aliado de Serra, que institui o fim da reeleição. Disse que o problema é do Congresso: "O presidente não vota e nem veta". E ressalvou que "ninguém é obrigado a ser candiato à reeleição". Não disse, porém, qual será o seu comportamento caso venha a ser eleito.  

 

Alckmin pretende enviar ao Congresso um projeto de reforma política. Mas só vai conter questões que chamou de “programáticas” –fidelidade partidária e sistema de governo, por exemplo. Declarou-se parlamentarista. Disse, de resto, que é contra a dilatação do mandato presidencial de quatro para cinco anos, como quer Lula.

 

O candidato tucano afirmou que pretende “governar para os mais pobres”. Algo que passa pelo “crescimento da economia”. Prometeu “dobrar” o crescimento do PIB. Não disse de que patamar irá partir. O governo Lula prevê que irá crescer acima de 4% em 2006. Tampouco explicou em quanto tempo chegaria ao dobro. Prometeu “manter, melhorar e ampliar” o Bolsa Família. Quer agregar mecanismos de “emancipação” dos beneficiários do programa.

 

Sobre a intenção de Lula de promover uma comparação entre a gestão petista e a administração tucana de FHC, Alckmin disse: “Não me envergonho do governo Fernando Henrique. É um atraso não reconhecer o que foi feito pelo governo anterior. Muitos dos frutos que hoje o Brasil colhe foram plantados lá atrás. A estabilização da moeda, por exemplo”.

 

“Podemos recuar ao governo Itamar, ao governo Sarney (...)”, prosseguiu Alckmin. “Se o Lula quiser discutir o passado, problema dele. Eu vou discutir o futuro. O que interessa é quem pode fazer mais no governo do Brasil nos próximos quatro anos”. Sobre o futuro, disse que fará o oposto de Lula na área econômica: “Vamos reduzir os gastos correntes do governo, baixar os juros e aumentar os investimentos”.

 

Para atenuar o déficit da previdência, disse que planeja propor a constituição de fundos de previdência para o setor público. Não deu detalhes. Mas insinuou que novos contratados do governo precisariam contribuir para os fundos se quisessem aposentadorias maiores. Repisou o bordão do “choque de gestão”. Provocado, disse que a racionalização administrativa não passa pela demissão de funcionários públicos.

 

Provocado a falar de segurança pública, Alckmin defendeu o modelo paulista, cuja eficiência é desafiada pelo PCC. Disse que, desde 99, quando era vice de Mario Covas, até hoje, houve uma redução de 60% no número de homicídios em São Paulo –de 12.800 pessoas mortas por ano para 7.286. “Nesse ritmo, o número deve cair para 6.270 em 2006”. Atribuiu o resultado ao incremento da prisão de bandidos. E disse que o PCC reage porque seus líderes estão trancafiados em presídios de segurança máxima.

 

Afirmou ainda que, se eleito, vai criar o “Conselho Nacional de Segurança” e promover reformas legais. Mencionou a intenção de instituir uma Polícia de Fronteiras, para coibir o contrabando de armas. “O que faz o governo federal hoje?”, provocou. “Não faz nada. Lula não dá uma palavra. Parece que Brasil não tem problema com a segurança. Eu vou fazer contrário: a responsabilidade será minha”.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Que aulas, afinal, Lula ministrou a Roberto Carlos?

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

No esforço que empreendeu para vincular sua imagem à da seleção brasileira, Lula tabelou com Ricardo Teixeira, o mandachuva da CBF. Pediu para ser visitado por um grupo de jogadores antes da viagem à Alemanha. Combinou-se que Roberto Carlos e Robinho iriam ao Palácio da Alvorada. Na última hora, Robinho escapou da armadilha.

 

Restou Roberto Carlos. O casal Silva cercou-o de mesuras, num encontro convenientemente aberto para a imprensa. Em dado momento, dirigindo-se aos fotógrafos, Lula disse que eles já haviam ganhado o dia. E pediu que o deixassem a sós com o lateral. Iria "ensinar" a ele como deveria jogar para “ganhar a Copa”.

 

Nesta segunda-feira, Roberto Carlos anunciou que, passado o fiasco, pretende aposentar-se da seleção brasileira. Às voltas com a campanha eleitoral, Lula decerto não dispõem de tempo para receber novamente o jogador. Se reeleito, terá ainda mais afazeres.

 

Porém, se for aposentado pelas urnas, Lula terá tempo de sobra para trocar impressões com Roberto Carlos. Pode questionar, por exemplo, por que os “ensinamentos” conduziram ao fiasco. Pode perguntar também que diabos fazia o pupilo abaixado no instante em que o francês Henry invadiu a área para mandar à gaveta a cobrança de falta impecável de Zidane.

Escrito por Josias de Souza às 20h04

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Sobre Alckmin, emendas parlamentares e ilusões

  Ayrton Vignola/F.Imagem
O candidato tucano Geraldo Alckmin disse nesta segunda-feira que, se eleito, vai controlar todas as emendas de congressistas ao Orçamento da União. “Eu pretendo exercer um controle sobre todas as emendas: custo, destino e avaliação. Não sou contra emenda parlamentar. Agora, precisa ter um controle", disse Alckmin.

 

O comentário de Alckmin não passa de mais uma tentativa de fustigar o adversário Lula, por conta do escândalo dos congressistas sanguessugas –aqueles deputados e senadores que trocaram emendas orçamentárias destinadas à compra de ambulâncias por propinas.

 

Antes mesmo de eleito, Alckmin incorre num tipo de ilusão comum a todo novo presidente: a ilusão de que, chegando a Brasília, vai presidir. Os presidentes não costumam controlar nem mesmo os quatro andares do Palácio do Planalto. Lula que o diga!

 

De resto, a perversão praticada por meio das emendas parlamentares decorre de um modelo que prevalece em Brasília pelo menos desde a presidência de José Sarney. O esquemão sobreviveu a Collor, Itamar, FHC e Lula. Não será diferente com Alckmin. Recorde-se, por oportuno, que as emendas que resultaram na malfeitoria das ambulâncias começaram a aportar no Ministério da Saúde numa época em que a pasta era comandada pelo grão-tucano José Serra.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Cristovam informa ao TSE que vai gastar R$ 20 mi

  Carlos Eduardo/Folha Imagem
O presidenciável Cristovam Buarque (PDT) informou ao TSE que pretende gastar em sua campanha, no máximo, R$ 20 milhões. Se um candidato que figura nas pesquisas com 1% das intenções de voto estima gastos dessa magnitude, o eleitor já pode imaginar quanto vai custar as campanhas de Lula e de Geraldo Alckmin.

 

Pernambucano, Cristovam tirou a segunda-feira para fazer campanha no Recife. Comentou o seguinte sobre o borderô do seu comitê eleitoral. “Eu não vou ter recursos para percorrer o país todo e nem tempo. Nós colocamos R$ 20 milhões no documento que mandamos ao TSE, mas certamente será menor que isso”. A declaração foi registrada pela Agência Nordeste (para assinantes).

 

Cristovam faz da defesa da educação o principal mote de sua campanha. Foi a Recife para acentuar a prioridade. Encontrou-se com Elba Gallindo, 74. Ela foi sua primeira professora, quando tinha escassos cinco anos. Havia mais de três décadas que os dois não se viam.

 

Sábia, a professora Gallindo não permitiu que o encontro com o ex-aluno fosse filmado. Cristovam teve de contentar-se com o registro fotográfico, feito com uma máquina de uso pessoal. Falando ao blog do jornalista Magno Martins, o candidato comentou: “Nordestino não chora, mas não posso negar que fiquei bastante emocionado”.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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‘Maioria da mídia é contra Lula’, diz Tarso Genro

  Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), “a imprensa é majoritariamente contra Lula” e “gostaria de ter (Geraldo) Alckmin como presidente”. Acha, porém, que o PT cometeria um erro se caísse no “simplismo” de acusar a existência de uma “conspiração midiática” contra Lula e seu partido.

“Se formos portadores desta visão confundiremos a nossa base de apoio, como se estivéssemos justificando condutas confessadas publicamente”, diz Tarso Genro, referindo-se ao questionamento ético iniciado a partir do escândalo do mensalão.

“A população sabe que a imprensa é majoritariamente contra Lula e que gostaria de ter Alckmim como presidente”, diz o ministro, “mas sabe, igualmente, que a liberdade de imprensa -mesmo que eventualmente sirva para caluniar - é imprescindível num regime democrático: ela ajuda a combater ilegalidades e abusos que qualquer governo tende a fazer (ou tolerar), independentemente da vontade do próprio presidente”.

As opiniões do ministro constam de um artigo divulgado nesta segunda-feira no sítio do PT na internet. Tarso Genro faz uma análise da conjuntura política. Anota que as sondagens do Datafolha e do Vox Populi “indicam o patamar real de disputa entre os dois candidatos ‘competitivos’ à presidência”. Atribui o crescimento de Alckmin à “migração de votos dos candidatos desistentes”. E acha que “a base social” de Lula “está praticamente consolidada”.

Tarso Genro anota ainda no texto que os adversários de Lula tentam difundir uma “visão ideológica” para seduzir o eleitorado de classe média. Aproveitam-se da atmosfera de “insegurança” que acossa a população para vender a tese de que a vinculação de Lula ao eleitorado mais pobre representaria um risco. "(...) ‘Se Lula é o candidato dos pobres, Lula é um estranho para nós’, pode pensar o cidadão médio que vive uma vida tensa e preocupada (...)”, escreveu o ministro.

O objetivo da estratégia, na opinião do ministro, seria fazer prevalecer a idéia de que a reeleição de Lula dividiria a sociedade. “(...) Está pronto o ambiente para dizer que Lula está ‘dividindo a sociedade entre pobres e ricos’”. Para se contrapor a essa visão "absurda", o ministro acha que cabe aos partidos que dão suporte à reeleição de Lula mostrar que a divisão não decorre das políticas sociais, mas da “brutal desigualdade de renda que envergonha o país e é originária dos modelos de desenvolvimento, adotados desde a era Collor”.

O ministro faz menção a outra estratégia dos adversários: “Como a oposição tucano-pefelista tentou atingir o presidente com o tema da corrupção e não conseguiu, começam, agora, a atacar a questão dos juros e das taxas de crescimento, abrindo uma crítica à política econômica que antes diziam ser deles”.

“Na verdade”, prossegue o ministro, “embora a política monetária fosse semelhante - aliás aplicada hoje por todos os países endividados que não faliram - o conjunto da política econômica foi diferente. Os resultados estão aí para provar. É por causa destes resultados, aliás, que o candidato da oposição tucana não quer olhar para o passado”. Contra essa tática, que tenta grudar na esquerda a pecha de “inepta”, Tarso Genro recomenda a comparação dos resultados obtidos pela gestão Lula com os dados relativos aos oito da era FHC.

“Sem salto, sem raiva, mas com firmeza, encaremos a campanha que começou”, anota o ministro. “Ela será mais um jogo de inteligência do que um duelo de trabucos. Todos os nossos números, e todos os resultados sociais destes números, são melhores para nós”. O artigo traz uma tabela comparativa. Pressione aqui para ler a íntegra. 

Escrito por Josias de Souza às 16h09

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Governo dá novo refresco aos sonegadores

O leão da Receita tem algo em comum com os leões da Roma antiga. Ambos são adeptos da predação seletiva. Os leões romanos jamais mastigaram um César. O de Brasília também só morde cristãos indefesos.

 

Para fazer jus à tradição, o governo acaba de lançar mais um programa de refinanciamento de dívidas tributárias. É a terceira iniciativa do gênero nos últimos seis anos. O Refis III faculta às empresas o parcelamento de dívidas em até 130 meses.

 

Poderão requerer o refresco mesmo as empresas que, tendo aderido às mamatas anteriores, voltaram a sonegar tributos. Estima-se que o novo parcelamento possa envolver a bagatela de R$ 230,3 bilhões. É um tapa na cara dos assalariados, que não têm como fugir à mordida, e dos empresários que se matam para ficar em dia com as suas obrigações tributárias (clica).

Escrito por Josias de Souza às 14h39

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As manchetes desta segunda

- JB: Vício Infantil - Criança alcoólatra preocupa psicólogos

- Folha: Lula ajuda TVs com as concessões ameaçadas

- Estadão: 20% do Congresso está sob investigação

- Globo: PT e PSDB comandam disputas nos estados

- Correio: Congresso cria brecha para desvio de verbas

- Valor: Dólar atual ainda remunera a maioria dos exportadores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h44

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Cenário pós-Circo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h38

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Lula quer ‘colar’ sua imagem à de candidatos do PT

Lula Marques/Folha Imagem
 

Numa tentativa de reforçar o cesto de votos do PT, Lula quer colar sua imagem à de candidatos petistas nas eleições de 2006. Tenta transferir para o partido parte de seu prestígio pessoal, refletido no favoritismo das pesquisas de opinião. A estratégia tem dois objetivos: atenuar o vexame do PT nas disputas pelos governos Estaduais e vitaminar as bancadas do partido na Câmara e no Senado.

Lula encomendou ao PT um mapa eleitoral, para decidir as viagens que fará até a eleição de outubro. A logística da campanha começa a ser esboçada nesta terça-feira, em reunião da coordenação nacional da campanha petista, em Brasília. Na sexta-feira, o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, reúne-se, também em Brasília, com representantes de 26 diretórios estaduais do partido, além do Distrito Federal.

Pela lei, os candidatos estão autorizados a realizar campanha de rua a partir de quinta-feira. Conforme noticiado aqui no blog no sábado, também a coordenação da campanha tucana define nesta semana o roteiro das próximas viagens do candidato. Pretende-se que Geraldo Alckmin visite 90 municípios considerados como pólos difusores de informação.

No caso de Lula, decidiu-se concentrar as viagens de cunho eleitoral nos sábados e domingos. Algo que deixou preocupados os dirigentes petistas. São 12 os finais de semana que restam até a eleição de outubro. Ou seja, excluindo-se os deslocamentos que fará nos meios de semana, em tese relacionados apenas ao desempenho das funções presidenciais, Lula teria escassos 24 dias para percorrer o país em campanha.

Daí o desejo do presidente de estabelecer prioridades. E o receio de diversos diretórios estaduais de serem preteridos. Somando-se as unidades da federação em que o PT concorre ao governo encabeçando a chapa ou indicando o vice, chega-se a 21 Estados. Alguns deles, por prioritários, Lula quer visitar mais de uma vez –São Paulo, Minas e Rio, por exemplo.

Assim, a menos que seja revista a decisão de só fazer campanha em finais de semana, vários Estados podem ficar de fora do roteiro reeleitoral. Há outro problema a administrar. Além dos candidatos petistas, Lula decidiu prestigiar aliados que considera relevantes politicamente. Três casos apresentam-se como mais delicados: Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro.

Em Pernambuco, reivindicam o apoio de Lula os ex-ministros Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB). No Rio, Vladimir Palmeira (PT) e Marcelo Crivela (PRB). No Maranhão, Roseana Sarney (PFL) e Edson Vidigal (PSB). Para tentar conciliar interesses, o presidente decidiu que, nesses Estados, terá palanque próprio, abrindo-o a todos os aliados.

A encrenca é maior no Rio e no Maranhão. Lula enviou à convenção que homologou a candidatura de Crivella (PRB) e a de Roseana (PFL) cartas expressando sua solidariedade. Palmeira e Vidigal não mereceram a mesma deferência. A irritação do petismo maranhense é ainda maior. Roseana é filiada ao PFL, partido aliado nacionalmente ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin.

Estimativas internas do PT indicam que o partido tem chances reais de eleger governadores apenas em três Estados: Piauí, Sergipe e Acre. De resto, o partido imagina que pode reverter o quadro adverso que enfrenta em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Lula manifesta enorme preocupação também com a bancada que o PT será capaz de eleger para o Congresso.

O presidente expressa, em reserva, o receio de que o escândalo do mensalão faça murchar a representação congressual do seu partido. O quadro é mais dramático no Senado. O PT teme que só irá eleger três ou quatro senadores, entre eles Eduardo Suplicy (SP). A conta sobe para cinco ou seis quando são incluídos na lista candidatos que, embora concorram por outras legendas, apresentam-se como aliados de Lula. Por exemplo: Jandira Feghali (PCdoB), no Rio; e Newton Cardoso (PMDB), em Minas.  

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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FGTS para empregadas domésticas divide governo

  Folha Imagem
Ao contrário do que declarou o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), Lula ainda não decidiu se vai vetar ou sancionar o projeto aprovado pelo Congresso na última quarta-feira, que tornou obrigatório o recolhimento de FGTS para empregadas domésticas. O blog ouviu neste domingo um assessor do presidente. Ele disse que o governo está dividido em relação à conveniência da medida.

 

Uma parte do governo receia que a obrigatoriedade do FGTS para as domésticas iniba a formalização desse tipo de atividade. O projeto será enviado nesta semana ao Palácio do Planalto. Lula terá 15 dias para decidir o que fazer. O prazo é contado a partir do dia do recebimento.

 

Além dos aspectos econômicos, serão sopesadas as conseqüências políticas da decisão. Sancionando a lei, Lula fica bem com a fatia mais pobre do eleitorado, com a qual busca identificar-se. Mas receia desagradar os eleitores de classe média, que passariam a suportar um ônus adicional no orçamento doméstico.

 

Afora o recolhimento de 8% relativos ao FGTS, o projeto aprovado no Congresso estendeu às domésticas um outro direito dos demais trabalhadores com carteira assinada: a multa obrigatória de 40% nas rescisões de contratos de trabalho sem justa causa.

 

A ala do governo contrária à sanção do projeto argumenta que a extensão desses direitos trabalhistas às domésticas surtirá um efeito contrário ao pretendido pelo governo. O FGTS e a multa por demissão injustificada foram injetados pelos parlamentares na Medida Provisória 284, elaborada para facultar aos empregadores o desconto no Imposto de Renda dos encargos resultantes da assinatura da carteira de empregados domésticos.

 

O receio é o de que a sanção do projeto na forma como os congressistas o aprovaram termine por impor ao empregador um ônus maior do que o benefício, estimulando ainda mais a informalidade que se pretendia combater. Por esse raciocínio, os benefícios, ainda que sancionados, não sairiam do papel. Pior: poderia levar patrões que hoje assinam a carteira de suas empregadas a deixar de fazê-lo.

 

Como se vê, os dignos representantes da Casa Grande –todos eles com carteiras devidamente assinadas e FGTS garantido—, apegam-se ora a raciocínios eleitorais ora a argumentos pseudo-racionais para negar ao quartinho dos fundos, versão moderna da senzala, os direitos inalienáveis de qualquer trabalhador.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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As manchetes deste domingo

- JB: Vergonha

- Folha: Previdência reduz mais a pobreza que o Bolsa-Família

- Estadão: Dívida já consome metade da receita da agricultura

- Globo: Dos bancos escolares à disputa presidencial

- Correio: Partidos do mensalão no palanque de Lula

- Valor: Liberalização do câmbio sai, mas deve ser parcial

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 10h37

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Toma que o filho é teu!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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PT volta a unir o caixa do partido ao da campanha

Virou pó a promessa do PT de separar a tesouraria do partido do caixa da campanha eleitoral. Convidado por Lula para atuar como tesoureiro da reeleição, o prefeito de Diadema, José de Filippi Jr., cuidará só da arrecadação de fundos. Os gastos serão concentrados nas mãos de Paulo Ferreira, sucessor de Delúbio Soares na Secretaria de Finanças do PT.

 

Na prática, a tesouraria de Filippi Jr. funcionará como fonte adicional de receita para Ferreira gastar. Nada impede que, na ponta da despesa, os dois caixas –o da campanha e o do partido— sejam utilizados para custear a reeleição de Lula. A lei eleitoral não proíbe que partidos custeiem campanhas de seus candidatos. Mas o PT, constrangido pelo escândalo do valerioduto, prometera que não repetira a prática.

 

Há duas semanas, em conversa com o blog, o próprio Paulo Ferreira dissera que as arcas da campanha de Lula não se misturariam à contabilidade do PT. Informou que atuaria apenas como administrador das finanças partidárias. “O responsável pelos fundos da campanha vai ser outro”, disse. Houve, porém, uma mudanças de planos.

 

Ouvido em reserva, um membro da direção nacional do PT confirmou que a legenda decidiu incumbir Ferreira da centralização de todos os gastos, inclusive os da campanha. Alegou que a providência se deve à capacidade gerencial do secretário de Finanças petista. E disse que a alteração de rota não muda o plano original de manter a caixa da campanha isolado das finanças do partido. A separação é, porém, teórica.

 

Pilhado no escândalo do mensalão, o PT alegou que não comprara deputados. Contraíra “empréstimos” nos Bancos Rural e BMG para ajudar políticos, inclusive de outros partidos, a pagarem gastos atrasados de campanha. Somavam R$ 55 milhões. Delúbio Soares, o antecessor de Paulo Ferreira, teria agido à revelia da direção do partido. Valera-se “irresponsavelmente” da intermediação de Marcos Valério.

 

Depois, quando Valério foi à Justiça para cobrar a dívida –R$ 100 milhões, incluindo juros e correção monetária—, o PT renegou a tese do caixa dois de campanha e recusou-se a assumir as dívidas. Reconheceu apenas o débito que se encontrava escriturado nos livros do partido. Dessa dívida, aliás, remanesce um passivo de R$ 45 milhões, que Paulo Ferreira tenta renegociar.

 

Delúbio Soares foi expulso. A direção do PT foi renovada. E o novo presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), assegurou que, mercê do trauma, o petismo não incorreria no “erro” de misturar de novo a contabilidade da campanha reeleitoral de Lula à do partido. O Palácio do Planalto chegou a difundir a informação de que Lula convidaria um empresário para cuidar das arcas de sua campanha.

 

Em vez do empresário, escolheu-se o prefeito de Diadema, um quadro partidário. E entregou-se a gestão dos gastos ao sucessor de Delúbio. O blog tentou ouvir, nesta sexta-feira, Filippi Jr. e Paulo Ferreira. O primeiro não quis falar. Sua assessoria disse que ele prepara um plano de ação para submeter à direção do PT. E só vai falar depois que o plano for aprovado. O segundo encontrava-se “em trânsito” entre São Paulo e Brasília. Ficou o recado. Mas não houve resposta.

 

A estruturação das finanças da campanha de Lula será discutida em Brasília na próxima semana. A reunião está marcada para terça-feira.

Escrito por Josias de Souza às 22h30

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Sobre Lulas, FHCs, Itamares e outros azares

Sobre Lulas, FHCs, Itamares e outros azares

No Planalto

 

Na política, o melhor amigo do homem é a conveniência. Por isso é que inimizades profundas entre políticos evoluem para amizades jucundas. Os exemplos são incontáveis. Em sua fase de barbudo radical, Lula referia-se a Sarney, então presidente da República , como “ladrão”. Hoje, chama-o de “fiel aliado”.

Fernando Henrique Cardoso construiu sua biografia política do lado oposto ao de Paulo Maluf. Um dirigiu ao outro os piores desaforos. Mas FHC, na presidência, não teve pejo de receber Maluf para trocar verbas por votos apoio no Congresso. Nem se constrangeu de posar ao lado do desafeto numa foto que Maluf, candidato ao governo de São Paulo, exibiu em outdoors como um troféu visual, para desespero do tucanato.

 

Em sua primeira campanha para o Senado, FHC teve em Lula um cabo eleitoral entusiasmado. O então sindicalista chegou mesmo a distribuir panfletos e pedir votos para FHC nas portas das fábricas de São Bernardo. Hoje, Lula faz da comparação dos seus 42 meses de gestão com os oito anos do antecessor o seu principal mote de campanha. E FHC reconhece que o rival o superou, sim, mas só “em corrupção”.

 

Fez-se toda essa introdução para chegar a um personagem que costuma vender a coerência pessoal como um fator de diferenciação sobre os colegas de ofício. Chama-se Itamar Franco. O ex-presidente levou, na última quinta-feira, uma coça de Newton Cardoso. Os dois disputaram a vaga de candidato ao Senado pelo PMDB de Minas Gerais. E Newtão, como é conhecido o ex-governador mineiro, prevaleceu sobre o ex-presidente Itamar com 390 votos contra 141.

 

Newtão e Itamar protagonizaram um desses casos de inimizades que se estreitam graças à conveniência política. Na campanha para o governo de Minas, em 1986, o tratamento mais delicado que Newton mereceu de Itamar foi o de "corrupto". Na propaganda televisiva, a equipe de marketing de Itamar chamou o adversário de "estelionatário" e "estuprador". Newton respondeu no mesmo tom. Duas eleições depois, Itamar e Newton dividiam a mesma chapa. Elegeram-se, respectivamente, governador e vice-governador de Minas.

 

Constrangido pela derrota desta quinta-feira, Itamar está de novo pintado para a guerra. Voltou a falar horrores de Newton Cardoso. O grupo político do ex-presidente ameaça ora abrir uma dissidência no PMDB mineiro ora deixar o partido. Mas o eleitor não deve espantar-se se, amanhã, Itamar surgir de mãos dadas com Newton. A política brasileira transformou-se numa roleta em que todos os resultados conduzem à incoerência.

Escrito por Josias de Souza às 19h51

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Lula diz que pesquisas prenunciam ‘campanha dura’

Na avaliação de Lula, a última rodada de pesquisas aproximou a disputa eleitoral da “realidade”. Para o presidente, a pesquisa foi “boa” porque deixou claro para os seus aliados que a campanha será mais “dura” do que todos estavam imaginando.

Ao analisar o resultado das pesquisas reservadamente com auxiliares, Lula considerou “natural” o crescimento de Alckmin –entre sete e nove pontos percentuais, dependendo da pesquisa. “Junho foi o mês deles”, disse referindo-se à enxurrada de comerciais institucionais veiculados pelo PSDB e pelo PFL.

 

O presidente festejou o fato de ter se mantido “acima de 40%”. –45%, segundo o Datafolha; 46% de acordo com o Vox Populi. Acha que ficou demonstrada a “fidelidade” de seus eleitores, que não estariam suscetíveis à propaganda adversária.

 

Ainda assim, Lula acha que os responsáveis por sua campanha precisam entrar na briga conscientes de que a disputa presidencial pode deslizar para o segundo turno. As pesquisas mostraram, disse ele, que o “quadro é móvel”.

Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Denúncia: o Brasil derrotado pela França é falso

Denúncia: o Brasil derrotado pela França é falso

Reuters
 

 

Em futebol, quando se começa a duvidar de um time já não há a menor dúvida. Mas não se deve crucificar apressadamente a seleção brasileira pelo infortúnio deste sábado. Impossível analisar em termos técnicos e táticos o desempenho de um time que não entrou em campo. O Brasil não compareceu ao compromisso, eis a verdade.

 

A França enfrentou um falso selecionado. Não era o Brasil. O escrete original é superior à França em todos os quesitos: no cotejo de estrelas, na técnica, na ginga, na agilidade... A falsa seleção já entrou em campo derrotada. A pátria foi defendida por onze pares de pernas tomadas por um surto de tremedeira.

 

O Brasil jogara mal as partidas anteriores, não há dúvida. Mas a pane coletiva deste sábado evidencia a falsidade do time. Zidane não faria de gato e sapato um Gilberto Silva original. Não teria dado aquele chapéu magistral num Ronaldo autêntico. O craque francês prevaleceu sobre clones.

 

E onde diabos está a seleção verdadeira? O signatário do blog suspeita que um agente contratado pela França passou pelo hotel em que se abrigava a seleção adversária antes do jogo. Convidou os pop-stars brasileiros para estrelar comerciais milionários de cervejas, de refrigerantes e de casas bancárias. E mandou para o estádio o selecionado de clones.

 

Só há um modo de desmascarar o espetáculo farsesco. Sugere-se um exame coletivo no Brasil inautêntico que entrou em campo. Não um exame de doping convencional. Não, não. Exige-se um teste de DNA.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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As manchetes deste sábado

- JB: É com você, Ronaldo!

- Folha: Ou vai ou racha

- Estadão: A seleção em busca do erro zero

- Globo: Argentina cai; Brasil é o continente hoje

- Correio: A segunda chance de Ronaldo

- Valor: Liberalização do câmbio sai, mas deve ser parcial

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Distorção de imagem!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h48

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Alckmin visitará 90 pólos ‘difusores de informação’

  Sérgio Lima/F.Imagem
A subida de Geraldo Alckmin nas pesquisas –sete pontos percentuais, segundo o Datafolha, ou nove pontos, de acordo com o Vox Populi— deu ânimo novo ao comando da campanha tucana. Numa tentativa de difundir ainda mais a imagem do candidato, marcou-se uma reunião para definir a estratégia a ser adotada até o dia 15 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral no rádio e na TV.

O alto comando da campanha tucana imagina ter descoberto uma fórmula para manter Alckmin na mídia até o início da propaganda oficial. O plano será discutido na próxima segunda-feira, em Brasília, num encontro com a presença do candidato. Havendo necessidade, a discussão será retomada na terça. Serão escolhidos 90 municípios que, por prioritários, receberão visitas der Alckmin até 15 de agosto.

 

São cidades que têm emissoras de TV e rádio locais com capacidade de transmissão para regiões que extrapolam as suas fronteiras. O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha de Alckmin, chama esses municípios de “pólos difusores de informação”. Acredita que, visitando-os, Alckmin se tornará, pouco a pouco, mais conhecido do eleitor.

 

O grão-tucanato festeja também o aparente engajamento de dois integrantes ilustres do PSDB que vinham mantendo um pé atrás em relação a Alckmin: o ex-prefeito José Serra, candidato do partido ao governo de São Paulo, e o governador Aécio Neves (Minas), candidato à reeleição. Sob desmentidos de ambos, difunde-se a informação de que, de olho na sucessão presidencial de 2010, eles estariam dando de ombros para a candidatura de Alckmin.

 

A última vez que Serra e Alckmin fizeram campanha juntos foi há 16 dias, em Catanduva (SP). Voltam a unir as agendas a partir deste sábado. Irão a São Caetano do Sul. Trata-se de um município do ABC Paulista. Uma cidade na qual candidatos tucanos costumam obter boas votações.

 

Aécio tomou a iniciativa de discar para Tasso Jereissati, presidente do PSDB, para informar que também deseja unir a sua campanha à de Alckmin. Cavalgando índices de intenção de voto superiores a 70%, Aécio disse que quer percorrer pelo menos quatro municípios mineiros com alta concentração de eleitores tendo Alckmin a tiracolo.

 

De resto, o tucanato espera que a recuperação de Alckmin, embora insuficiente para dissipar o favoritismo de Lula, leve a um arrefecimento das críticas do PFL. O aliado vinha se queixando da falta de disposição do PSDB para reproduzir a aliança nacional em vários Estados. O acordo nacional só foi reproduzido em 14 unidades da federação. Em outras 12, os partidos vão às urnas em lados opostos. Tenta-se construir um pacto de não-agressão nos Estados em que não houve acerto.

 

O PFL reclamava, de resto, de uma suposta falta de tônus no discurso do candidato. Cobravam mais tenacidade nas referências contra Lula. A cobrança esbarra na linha traçada pela equipe de marketing a serviço de Alckmin. Em vez de atacar Lula, preferiu-se difundir a biografia do candidato tucano no programa de TV e nas inserções publicitárias institucionais do PSDB exibidas ao longo do mês de junho. Uma fórmula que, a julgar pelo resultado das últimas pesquisas, mostrou-se acertada.

 

O esforço para pacificar o PFL passa também pela tentativa de envolver mais o partido nas decisões estratégicas de campanha e na elaboração do programa de governo de Alckmin. O programa é visto como peça estratégica. Até agora, o PSDB vinha priorizando a massificação da imagem de seu candidato. Agora, acha necessário colocar na sua boca motes de campanha capazes de seduzir o eleitorado.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Celular e álcool têm o mesmo efeito sobre motorista

Você gosta de falar ao celular enquanto dirige? Pois tome cuidado. Estudo realizado pela Universidade de Utah, nos EUA, revela que a prática é tão perigosa quanto dirigir depois de beber. Nem o uso de equipamentos de viva-voz atenua os riscos.

A pesquisa envolveu 40 voluntários. Foram convidados a pilotar simuladores. Dividiram-se em quatro grupos: uma parte dirigiu em condições ideais (sem celular e livre dos efeitos de bebidas alcoólicas); outro grupo, com celular; um terceiro, com viva-voz; e o último grupo, depois de ingerir uns tragos.

Verificou-se que, falando ao telefone, com ou sem viva-voz, a atenção dos motoristas foi tão comprometida quanto a daqueles que dirigiram bêbados. No Brasil, como se sabe, é proibido dirigir automóveis com o celular grudado na orelha. Mas quem respeita?

Clique aqui para ler o estudo da universidade norte-americana. Infelizmente, foi escrito em língua inglesa.

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Vaticano abre parte de seus arquivos secretos

Uma boa notícia para a historiografia mundial: o Vaticano anunciou nesta sexta-feira que vai abrir os seus arquivos referentes ao período de 1922 a 1939. Com isso, virão à luz documentos do pontificado de Pio 11.

Há nos baús da Igreja registros de todos os decretos papais, encíclicas e correspondência diplomática do Vaticano. Entre os papéis que, segundo se espera, serão liberados, está uma encíclica elaborada sob Pio 11.

Sob o título "Humani Generis Unitatas" ("A Unidade da Raça Humana"), o texto contém críticas ao racismo e ao nacionalismo alemão. Acabou não vindo a público. O papa morreu antes.

Pio 12, o papa seguinte, passou à história em posição incômoda. É acusado de ter negado auxílio aos judeus durante o holocausto promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Não por acaso, a notícia sobre a abertura do baú surge pouco depois de o papa Bento 16 ter visitado, em 28 de maio, o campo de extermínio nazista de Auschwitz.

Resta agora saber até onde vai o ímpeto de transparência da Santa Madre Igreja. Informou-se que papéis que contenham dados mais “sensíveis” continuarão guardados em segredo. A despeito de pedidos feitos por rabinos e historiadores judeus ao papa Bento 16 (clica).

Escrito por Josias de Souza às 23h42

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Procurador representa contra mais 42 sanguessugas

 

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou nesta sexta-feira ao STF pedido de abertura de inquérito contra mais 42 congressistas sanguessugas. Com a provável autorização do Supremo, vai subir para 57 o número de chupa-sangues sob investigação –15 já estão respondendo a processo. Por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, os nomes dos suspeitos são mantidos sob sigilo (clica).

Escrito por Josias de Souza às 23h09

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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