Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Gol de mão

Gol de mão

No Planalto

 

Cartões/Quadro de Jô Soares

 

Ronaldinho Gaúcho faz fila. Dribla o primeiro, entorta o segundo, dá uma caneta no terceiro... De repente, na entrada da grande área, o craque pega a bola com as mãos. Arremessa-a para Kaká que, também com as mãos, acerta o ângulo da meta adversária. O locutor grita: Gooooool! Os jogadores põem-se a festejar, uns pulando sobre os outros.

 

O juiz, entre irritado e estupefato, mostra o cartão vermelho a Ronaldinho e Kaká. Embora expulsos, os dois permanecem em campo. Deslizam sobre a grama como se nada tivesse acontecido. O árbitro os persegue, apitando incessantemente. E nada. O jogo segue o seu curso.

 

A cena descrita jamais acontecerá. No futebol, há regras. E elas são respeitadas. Aqui e ali, um ou outro jogador tenta enganar o juiz. Alguns até conseguem. Maradona, por exemplo, fez o seu gol de mão. “Foi a mão de Deus”, diria depois. Mas, quando pilhados em falta, jogadores costumam aceitar, ainda que contrafeitos, a punição.

 

Na política, dá-se o oposto. Jogadores faltosos continuam jogando. Mesmo quando flagrados. Há regras e juízes também na política. Mas elas, as regras, são ignoradas. E eles, os juízes, mostram-se impotentes para restabelecer a ordem em campo. Os jogadores fazem as suas próprias regras.   

 

Agora mesmo, a Receita Federal realiza uma auditoria fiscal em nove partidos políticos. Constam da lista PSDB, PFL, PMDB, PT, PTB, PP e PL. Em princípio, seriam investigadas apenas as legendas envolvidas no escândalo do mensalão. Mas, iniciado o trabalho, os auditores do fisco se deram conta de que há indícios de irregularidades nas contas de praticamente todas as legendas.

 

Santo Agostinho ensinou que os criminosos, quando tomados isoladamente, não representam um risco à sociedade. O crime é algo intrínseco à alma humana. Mas quando o número de infratores, por exagerado, foge ao controle do Estado, estabelece-se um poder paralelo, com leis próprias, que conduzem à impunidade.

 

Não há, por ora, indicações de que a recente superexposição de malfeitorias tenha servido para estabelecer uma rotina civilizada nas campanhas eleitorais e no relacionamento entre partidos e governos. O país não se havia refeito da descoberta dos “recursos não contabilizados” de Delúbio Soares quando veio à luz a notícia das verbas de má origem da frustrada pré-campanha presidencial de Anthony Garotinho. A poeira levantada pelas CPIs resultantes do mensalão ainda não assentou e o Congresso já ensaia a instalação da comissão das sanguessugas.

 

O STF manuseia a denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão. A Receita diz que, concluída a sua auditoria, enviará ao TSE os nomes dos partidos que praticaram delitos fiscais. São duas oportunidades para que os juízes esbocem uma tentativa de impor algum tipo de autoridade no jogo político. Cartão amarelo já não resolve. Só o vermelho. A alternativa é a sociedade continuar perdendo de goleada. Uma goleada de gols de mão.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Ex-petista e ex-ministro do governo do PT, o senador Cristovam Buarque acha que, se eleito em primeiro turno, Lula vai sofrer uma “forte tentação autoritária”. Pode governar valendo-se de um misto de “populismo e chavismo”, referência ao estilo do presidente venezuelano Hugo Chávez.

 

Cristovam ostenta algo como 1% nas pesquisas. Em manifesto, 12 deputados e três senadores do PDT posicionaram-se contra sua candidatura. Ainda assim, Cristovam diz que não vai desistir. O embate será resolvido na convenção nacional do PDT, marcada para segunda-feira. Leia abaixo a entrevista do senador ao blog:

 

- Vai retirar a candidatura?

Não há hipótese.

- E quanto ao manifesto contrário?

A candidatura própria não atrapalha o cumprimento da cláusula de barreira. A direção do partido acha que nossa bancada vai aumentar de 21 deputados para 30.

- O manifesto não o preocupa?

Ao contrário. Estou aliviado. O debate vai levar à reflexão. E os convencionais tomarão uma decisão amadurecida.

- Por que disputar se as pesquisas indicam que não vai vencer?

Um partido só se consolida nacionalmente se tiver um programa nacional. Se desistirmos da candidatura, abrimos mão de seis minutos diários de televisão.

- E o que dizer na TV?

Alckmin e Lula não vão propor nenhuma mudança. Vão propor mais crescimento, mais infra-estrutura, continuar essa melhorazinha na educação. Nenhuma ruptura. A minha ruptura vai ser na educação.

- Mas as chances de vitória do PDT são próximas de zero.

Se tivermos poucos candidatos –só Alckmin, Lula, Heloisa Helena e Zé Maria Eymael—não tem segundo turno. E tenho uma preocupação.

- Que preocupação?

Se Lula ganha no primeiro turno, com expressiva maioria, tendo minoria no Congresso, vai sofrer forte tentação autoritária. Alguém que chega ao governo com 60 milhões de votos e fica com 60 deputados ou menos na Câmara, qual é a tentação dele? Convocar plebiscitos, convocar uma nova constituinte.

- Refere-se a um populismo à Hugo Chávez?

Sim, populismo e chavismo juntos. Lula terá um grande aliado, que é a desmoralização do Congresso. Se ele propuser um plebiscito para cancelar os mandatos dos deputados e fazer outra eleição, vai passar.

-Acha que Lula seria capaz?

Não creio que ele esteja arquitetando isso, como fez o Chávez. Mas não tenho dúvida de que ele cederia à tentação. O PT tentou controlar a imprensa e o Ministério Público.

- Parte do PDT o acusa de neoliberal. O que acha?

Veja a contradição. Alguns que não querem a minha candidatura falam contra o consenso de Washington. E querem se aliar ao PSDB nos Estados! Vou continuar defendendo a responsabilidade fiscal. O neoliberalismo provocou um retrocesso tão grande que, hoje, estou mais próximo de Joaquim Nabuco do que de Carlos Prestes. Meu líder hoje é Mandela. E Mandela não fez revolução na economia. A gente tem é que acabar o apartheid social. E o caminho é a educação.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

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Alckmin diz que tem ‘obsessão pelo crescimento’

  Orlando Brito/OBritoNews
Em campanha por municípios gaúchos, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin privilegiou neste sábado a divulgação de sua plataforma eleitoral. Repetindo um bordão que consta de suas diretrizes de governo, divulgadas no último dia 11, o candidato disse que tem “obsessão pelo crescimento” econômico.

Ao enumerar os setores que necessitariam de impulso, Alckmin ateve-se aos ramos que têm peso decisivo para a economia gaúcha: “É preciso voltar nossa atenção à agricultura, especialmente a de grãos”, disse ele. Listou ainda os setores as indústrias têxtil, calçadista, de móveis e máquinas.

Em entrevista, Alckmin foi instado a falar sobre segurança pública. O tema tornou-se uma espécie de nervo exposto de sua candidatura depois que o PCC deu mostras de que, se quiser, pode virar São Paulo de ponta-cabeça. O candidato tenta transferir o debate do plano Estadual para o federal.

Reportando-se a pontos inscritos nas diretrizes de seu programa, Alckmin disse que “é preciso rever a legislação federal”. De resto, disse que, se eleito, irá liberar as verbas do Fundo Penitenciário no primeiro mês de governo.

Não há na pregação do candidato nenhuma idéia empolgante, capaz de reverter as curvas das pesquisas de opinião, hoje favoráveis ao adversário Lula. Mas pelo menos Alckmin pendurou, por um instante, as luvas de boxe. Luvas que, nas últimas 48 horas, vinham prevalecendo sobre o conteúdo programático. Alckmin visitou os municípios de Rio Grande, Pelotas e Bagé.

Escrito por Josias de Souza às 17h52

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Morre na Alemanha o humorista Bussunda

Morreu na manhã deste sábado, na cidade alemã de Munique, o humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda do programa Casseta & Planeta. Ele teve um infarto. 

Bussunda completaria 44 anos no próximo dia 25. Seu corpo será trasladado para o Brasil ainda neste sábado. Outros três integrantes do Casseta & Planeta, que realizavam junto com Bussunda gravações para o programa na Copa do Mundo, também retornam para o Brasil neste sábado.

Escrito por Josias de Souza às 08h28

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As manchetes deste sábado

- JB: Tango arrasador

- Folha: Oposição não tem caráter e faz jogo rasteiro, diz Lula

- Estadão: Importação sustenta crescimento do comércio

- Globo: Mundo tem 1/3 da população urbana em favelas

- Correio: Crise na Varig atinge segurança dos vôos

Leia os destaques de capa dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Traje típico!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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O arraial do Torto

  Alan Marques/Folha Imagem
Lula promoveu na noite passada a festa junina da Granja do Torto, um hábito que introduziu na corte brasiliense desde sua chegada ao poder, em 2003. Nesta terceira edição, o arraial do casal Silva foi mais animado do que o do ano passado, ocorrido nas pegadas do escândalo do mensalão.

 

Vitaminado pelas pesquisas que o colocam em posição confortável na disputa contra o adversário tucano Geraldo Alckmin, Lula recebeu amigos, auxiliares e respectivos familiares de alma leve. Ouvido pelo blog, um dos participantes dos festejos contou que o presidente não se furtou a bebericar algumas doses de quentão.

 

Aos risos, Lula fez troça da provocação de José Jorge (PFL), candidato a vice de Alckmin, que o acusara na véspera de "beber muito": “Essa vai em homenagem aos meus opositores desesperados”, brincou, antes do primeiro gole.

 

A festa deste ano foi marcada por uma outra peculiaridade: a ausência de grão-petistas como José Dirceu e Antonio Palocci, cujas cabeças foram ceifadas pelos escândalos. Além de personagens conhecidos, como o vice-presidente José Alencar, Lula viu-se rodeado de auxiliares inexpressivos. Entre eles o ministro dos Esportes (na foto), o desconhecido Orlando Silva e seu colega da Previdência, Nelson Machado.

 

Atendendo a uma recomendação expressa no convite, que traz a foto de Lula e Marisa em trajes caipiras, parte dos convivas do presidente vestiu-se a caráter. Na entrada, os convidados cruzaram um pórtico em forma de arco, feito de varas de bambu. No trajeto entre a portaria e a sede do Torto, percorreram cerca de duzentos metros de bandeirolas verdes e amarelas, as cores do selecionado brasileiro na Copa do Mundo.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Lula fará ‘aliança branca’ com PMDB já no 1º turno

  Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Às voltas com o risco de não ter do seu lado nem o PC do B nem o PSB, Lula informou a um dirigente do PT que decidiu fazer uma “aliança branca” com o PMDB ainda no primeiro turno da eleição presidencial. A convite do presidente, a ala governista do PMDB indicará um representante para o staff político de sua campanha. Participará do comitê da reeleição com direito a opinar nas decisões estratégicas. O nome ainda não foi escolhido.

 

O naco lulista do PMDB designará também pessoas para participar da formulação do programa de governo de um eventual segundo mandato de Lula. O documento está em fase de elaboração, sob a coordenação do petista Marco Aurélio Garcia, professor de história e assessor da presidência para assuntos internacionais.  

 

A decisão de Lula foi comunicada também aos líderes da ala governista do PMDB: os senadores Renan Calheiros (AL), José Sarney (AP) e Ney Suassuna (PB); e os deputados Jader Barbalho (PA) e Wilson Santiago (PB). O acerto informal é uma resposta do presidente à decisão desse grupo de divulgar um manifesto de apoio à sua candidatura.

 

Em reunião realizada há três dias, no Palácio do Planalto, Lula alinhavou os últimos pontos do acerto com o PMDB. Numa última tentativa de viabilizar uma aliança formal com o partido, o presidente instou os aliados a tentar aprovar em convenção a indicação de um vice para a sua chapa. Sarney e Renan disseram-lhe que dispõem de maioria para evitar a lançamento de um candidato do PMDB à presidência, mas não têm votos suficientes impor ao partido uma coligação formal com o PT.

 

Lula lamentou: “Se soubesse que chegaríamos a isso, eu teria dado um jeito para acomodar o Nelson Jobim em outro partido”. Jobim era o vice dos sonhos de Lula. Ele renunciou à presidência do STF e pediu aposentadoria da magistratura para filiar-se ao PMDB. Mas a divisão do partido impediu o avanço da articulação para fazê-lo vice.

 

Em contrapartida, Renan e Sarney informaram a Lula acerca da decisão de divulgar um manifesto de apoio à sua reeleição. Otimista, Sarney disse que o documento trará a assinatura de representantes de 21 diretórios estaduais do PMDB. Lula recebeu o número com um pé atrás. Sua confiança não é despropositada. Por ora, só 14 diretórios se dispõem a apoiar o manifesto pró-Lula.

 

Seja como for, Lula considerou que a iniciativa do manifesto é o bastante para legitimar a participação do PMDB no seu comitê de campanha e na discussão do seu programa de governo. Com esse gesto, espera seduzir todo o partido para a coalização que tenciona compor para um eventual segundo ciclo de governo. Acha que, depois de eleito, as parcelas do PMDB que, por conveniências regionais, preferem manter distância virão para o seu lado por gravidade, atraídas pela perspectiva de integrar o governo.

 

Os peemedebistas que se compuseram com o presidente tencionam planejam divulgar o manifesto logo depois da oficialização do nome de Lula como candidato à presidência pelo PT, na convenção marcada para daqui a uma semana. Até lá tentarão colecionar novas adesões ao documento. Esperam atrair para o manifesto diretórios que, nos Estados, farão coligação com PSDB e PFL, partidos comprometidos com a candidatura do tucano Geraldo Alckmin.

 

O PMDB governista invoca o exemplo de Renan e Sarney. O primeiro, a despeito de estar associado à candidatura do tucano Teotônio Vilella Filho ao governo de Alagoas, assinará o manifesto. O segundo, aliado à candidatura da filha Roseana Sarney (PFL) ao governo do Maranhão, também firmará o documento.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Lula reage a ataques com ‘carinho, alegria e amor’

  Bruno Miranda/Folha Imagem
Em viagem a Recife, Lula reagiu nesta sexta-feira aos ataques que recebeu na véspera de adversários do PSDB e do PFL. O presidente evitou mencionar os nomes de seus críticos. Limitou-se a dizer que “tem gente nervosa” no cenário político.
"Todo dia aparece alguém para me agredir”.

Lula disse que não entrará no “jogo rasteiro”, informa a Agência Nordeste (para assinantes). Vai se limitar a "transmitir mais carinho" e “trabalhar mais”. Discursando para uma platéia de moradores de palafitas beneficiados por programas de reurbanização do governo federal, Lula disse, sob aplausos:

"A resposta é a gente trabalhar mais, é a gente mostrar mais amor com o povo desse país, é mostrar mais alegria, porque na verdade estão torcendo é que a gente fique nervoso e faça o jogo rasteiro que estão fazendo. Eu não vou fazer isso porque o povo merece respeito, merece ser tratado com dignidade e é por isso que eu estou aqui hoje. Onde eles estão? Eu estou aqui, no meio de vocês".

Nesta quinta-feira, durante convenção do PFL de Brasília, o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), disse que Lula é preguiçoso e bebe muito. "Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira". Alckmin completou: "Vamos tratar de trabalhar e acabar com a roubalheira".

 

Para Lula, os ataques dos adversários não são motivados nem por suas viagens nem pelo suposto excesso de bebida nem pela alegada roubalheira. Ele acha que está sendo alvejado “possivelmente porque essas pessoas estão perguntando assim: ‘Puxa vida, nós estamos governando aqui desde que Cabral pôs os pés e nós não conseguimos fazer, por que esse metalúrgico está fazendo?’" O presidente respondeu a si mesmo: "Esse metalúrgico está fazendo porque esse metalúrgico tem uma coisa que eles não têm. Esse metalúrgico tem caráter".

Antes de enveredar pela troca de desaforos que vem marcando este princípio de campanha, Lula realçou a “importância” dos programas de reurbanização financiados com recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Ele foi a Recife para anunciar a liberação de R$ 74 milhões desse fundo, aprovado no ano passado pelo Congresso, depois de uma tramitação de 13 anos.

Lula não perdeu a oportunidade de criticar o descaso de governos anteriores com o saneamento básico. "Durante muitos e muitos anos não se investiu em saneamento nesse país. Porque político nesse país muitas vezes não gosta de gastar dinheiro em tubo que vai embaixo da terra porque não dá pra colocar o nome da mãe, o nome do tio, o nome do parente que vai homenagear. Preferem construir ponte e viaduto".

Lula, como se vê, não esqueceu os ensinamentos de Duda Mendonça. Reza a cartilha do marqueteiro que ataques pessoais não ganham eleição. Funcionou para Lula em 2002. E, a julgar pelas pesquisas, vai funcionando também em 2006.

PS.: No atual estágio da política nacional, para começar uma briga, basta uma palavra. Ou qualquer outra. No caso do líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), a palavra que o deixou hirto de cólera foi "caráter". Virgílio achou que, ao dizer que os adversários o desancam porque sabem que ele tem caráter, Lula quis insinuar que falta caráter à oposição. E o tucano pôs-se a bicar (leia). 

Escrito por Josias de Souza às 15h17

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Ai que inveja!

Nada mais conveniente do que os sonhos. No curto intervalo de uma noite, pobre fica rico, cego volta a enxergar, feio transa com beldades, gordos emagrecem, etc. O brasileiro, desde o início da Copa, vem contando carneirinhos. São 22 –onze titulares e onze reservas. Todos magros, lépidos e saudáveis.

 

Súbito, acorda-se pela manhã sob o impacto de um pesadelo: a Argentina produziu uma vistosa goleada. Seis a zero. Fora o baile. Vai-se à internet e descobre-se que o PIB da Argentina cresceu 8,6% no primeiro trimestre do ano. No Brasil, só 3,4%. Dá uma inveja! E uma vontade de voltar a dormir!

Escrito por Josias de Souza às 14h26

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Brasil terá 55 milhões de favelados em 2020

  BBC
Relatório da ONU divulgado nesta sexta-feira estima que, em 2020, haverá 55 milhões de brasileiros –25% da população—morando em favelas. Embora o número seja desalentador, o estudo anota que a taxa de crescimento das favelas no Brasil, hoje na casa de 0,34% ao ano, está praticamente estabilizada. No ano passado, os moradores de favelas somavam 52,3 milhões. Ou 28% da população.

 

Ou seja, a despeito do crescimento do número absoluto de habitantes de favelas, eles representam um percentual cada vez menor da população do Brasil. O relatório chama-se “O Estado das Cidades do Mundo 2006-2007”. Foi elaborado pelo programa Habitat. Informa que quem mora em favelas passa mais fome, tem menos acesso à educação e menores chances de conseguir emprego formal.

 

O Brasil é citado no documento como exemplo em políticas de urbanização, saneamento básico e orçamento participativo. A par dos elogios, o texto afirma que as condições de vida dos moradores das favelas brasileiras continuam piorando (clica). Numa dessas felizes coincidências, enquanto a ONU divulgava o seu relatório, em Londres, Lula comandava, em Pernambuco, uma cerimônia de liberação de R$ 74,9 milhões do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social para urbanização de palafitas e outros assentamentos precários (leia).

Escrito por Josias de Souza às 13h42

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As manchetes desta sexta

- JB: "Ninguém merece essa pressão"

- Folha: Vice de Alckmin diz que Lula só viaja e bebe muito

- Estadão: Bolsas dos EUA sobem com fala de Bernanke

- Globo: Meio ambiente mata 13 milhões por ano

- Correio: Ultimato a Ronaldo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Gordo, eu?!?!?!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

A Receita Federal realiza em segredo uma devassa nas contas dos mais importantes partidos políticos do país. Encontram-se sob auditoria nove agremiações. Entre elas  PSDB, PFL, PT, PMDB, PTB, PL e PP. Busca-se comprovar a prática de caixa dois.

 

A investigação foi aberta a partir de iniciativa do senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin. Em 22 de agosto de 2005, quando Alckmin ainda não era candidato, José Jorge encaminhou um ofício ao secretário da Receita, Jorge Rachid. Seu alvo era o partido de Lula.

 

José Jorge mencionou apenas o PT. Anotou no texto que o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares reconhecera a existência de um caixa dois de R$ 55 milhões no Partido dos Trabalhadores. E pediu providências.

 

O fisco abriu a sindicância em setembro de 2005. Por sua conta, incluiu na lista, conforme já noticiado, outras três legendas envolvidas no mensalão: PTB, PP e PL. A novidade é que, depois, os fiscais detectaram indícios de irregularidades em outras cinco legendas, inclusive na do denunciante. Foi então que, entre outros, PSDB, PFL e PMDB foram postos também sob auditoria fiscal. O procedimento é inédito. O fisco jamais fiscalizara partidos políticos antes. E decidiu agir à grande.

 

Se os indícios detectados pelos fiscais –de movimentações bancárias atípicas a fraudes contáveis—forem caracterizados como delitos fiscais, os partidos perderão a imunidade tributária. E a Receita terá de comunicar os ilícitos à Justiça Eleitoral que, pela lei, é obrigada a cassar os registros que autorizam o funcionamento dos infratores.

 

A Receita baseia a sua ação numa legislação que, até hoje, só havia sido aplicada na parte que beneficia os partidos. A Constituição Federal proíbe, no parágrafo 6º do artigo 150, a cobrança de impostos de organizações de assistência social, templos religiosos, sindicatos e partidos políticos.

 

Mas, para fazer jus à imunidade, tais entidades têm de seguir três regras previstas no artigo 14 do Código Tributário Nacional, uma lei de 1966. São elas: 1) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; 2) aplicar os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 3) manter escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

 

Suspeita-se que os partidos tenham infringido pelo menos a terceira regra. Seus livros contábeis não resistiriam a uma inspeção. A ser verdade, terão de pagar, com multa de 150%, todos os tributos que deixaram de recolher, por força da imunidade constitucional, no período sob investigação: de 2000 a 2005.

 

A auditoria está mais avançada em relação às quatro legendas que começaram a ser investigadas no ano passado: PT, PTB, PL e PP. O PT, inclusive, já foi intimado a dar explicações ao fisco, conforme noticiado aqui há dois dias. Mas, para evitar que seu trabalho seja usado politicamente, a direção da Receita decidiu que o resultado da apuração só será divulgado depois que o trabalho tiver sido esgotado em relação a todos os partidos. O que só irá ocorrer depois das eleições de outubro. Talvez depois da posse do próximo presidente.  

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Ronaldinho entra no rol de celebridades da Forbes

Ronaldinho entra no rol de celebridades da Forbes

A revista norte-americana Forbes acaba de divulgar a sua lista anual das 100 celebridades mais poderosas do planeta. O craque Ronaldinho Gaúcho estréia no ranking. Ocupa o 53º lugar. Seu faturamento anual é estimado pela revista em notáveis US$ 26 milhões.

 

O Brasil está representado na lista com outros dois nomes. A modelo Gisele Bündchen, que no ano passado ocupava o 77º lugar, avançou seis casas. Agora é a 77ª celebridade mais poderosa do mundo. Fatura anualmente, segundo a Forbes, os mesmos US$ 26 milhões atribuídos a Ronaldinho.

 

A bela Bündchen ganhou a companhia de outra formosura nacional. A modelo Adriana Lima entra pela primeira vez no ranking. É a 99ª colocada. Em primeiríssimo lugar está o ator Tom Cruise –faturamento anual estimado em US$ 67 milhões.

 

Cruise desbancou a apresentadora de TV Oprah Winfrey. A despeito de faturar mais –US$ 225 milhões por ano—, ela caiu da 1ª para a 3ª colocação. No 2º lugar está a banda de rock dos Rolling Stones, que não figurava na lista do ano passado. Os Stones faturam, segundo a Forbes, US$ 90 milhões por ano.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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Vice de Alckmin diz que Lula não trabalha e bebe

Nesta quinta-feira dedicada à celebração do corpo de Cristo, a dobradinha Geraldo Alckmin (PSDB)-José Jorge (PFL) dedicou-se crucificar Lula. Pregaram na candidatura do adversário adjetivos pouco condizentes com o dia santo.

 

Deu-se em Brasília, durante a convenção em que o PFL lançou para o governo local a chapa puro-sangue composta pelo deputado José Roberto Arruda (governador) e pelo senador Paulo Octávio (vice-governador). Discursando para uma platéia estimada em 30 mil pessoas, José Jorge (PFL-PE) disse que Lula é preguiçoso e bebe muito.

"Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira", afirmou o vice do candidato tucano.

Geraldo Alckmin manteve o tom. "Vamos tratar de trabalhar e acabar com a roubalheira", discursou, com a voz alterada. Aproveitando-se da presença de Ana Cristina Kubitschek, neta do ex-presidente Kubitschek e mulher de Paulo Octávio, Alckmin disse que, se chegar ao Planalto, “o Brasil voltará a reviver o sonho do Juscelino: trabalho, emprego, desenvolvimento”.

Depois da convenção, retomando o timbre ameno, Alckmin disse, em entrevista, que vai privilegiar durante a campanha as propostas em detrimento dos ataques pessoais. "O tom da campanha é projeto, é trabalho", disse ele. A tônica propositiva do tucanato é mesmo perceptível.

No último domingo, em Belo Horizonte, ao discursar na convenção nacional do PSDB, Alckmin insinuou que Lula é ladrão. Agora diz que vai acabar com a “roubalheira”. Seu vice afirma que Lula “bebe muito”. Haja proposta!

Só há um problema: Lula foi à cruz no ano passado, depois que Roberto Jefferson (PTB-RJ) revelou que o milagre da maioria congressual estava escorado no pecado do mensalão. A despeito dos ataques, a maioria do eleitorado vê Lula como um Cristo, não como um Lázaro. Tudo indica que a reiteração dos ataques não é a melhor tática para evitar o fenômeno da ressurreição do mandato.

PS.: Informado de que José Jorge dissera que Lula não trabalha, só viaja e bebe muito, o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), classificou a declaração como algo “algo típico do PFL, um partido de pessoas arrogantes e autoritárias, que não toleram ver um trabalhador na Presidência e muito menos o apoio do povo brasileiro a esse trabalhador”. O nervosismo de José Jorge, disse Berzoini, deve-se ao fato de que ele “é vice numa chapa que não tem a confiança do povo brasileiro.” Depois, no horário nobre da TV, o PFL usou os onze minutos de que dispunha para alvejar Lula e seu governo.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Morales ameaça ir às ‘armas’ contra o ‘império’

 

 

A pretexto de festejar o 78º aniversário de nascimento de Che Guevara, o presidente Evo Morales (Bolívia) viajou à localidade de La Higuera, onde o guerrilheiro lendário foi executado, em 1967. Em discurso, Morales disse estar disposto a ir às “armas” para defender o seu país, a Venezuela e Cuba de eventuais ataques do “império” norte-americano.

 

Segundo Morales, diferentemente do que ocorria à época de Che, “agora não são os povos que levantam as armas contra o império. O que estamos vendo é que o império é que levanta as armas contra os povos”. E bravateou: “Se o fizerem em Cuba, Venezuela ou Bolívia, estamos dispostos a enfrentar e a defender também com armas a pátria e os recursos naturais e outras transformações sócias”.

 

Referindo-se ao seu próprio triunfo nas urnas e à ação do presidente venezuelano Hugo Chávez, Morales lembrou que, há dez anos, previra que, em pouco tempo, haveria “muitas Cubas na América Latina”. Ele completou: “Se antes quase todos os países estavam submetidos a um império, a um modelo econômico, agora estamos em outros tempos, em tempos de mudança, em tempos de liberação.”

 

Morales fez troça de expressão cunhada pelo presidente George Bush, dos EUA. Em alternativa ao “eixo do mal” propôs que se passe a falar em “eixo da humanidade”. Em seguida agradeceu a ajuda que Cuba e Venezuela vêm prestando à Bolívia ns áreas de educação e saúde.

 

De resto, o presidente boliviano informou que estará em Havana no próximo dia 13 de agosto, para os festejos do aniversário de 80 anos de Fidel Castro. Levará um presente especial para o companheiro-ditador: um pastel feito à base de folhas de coca.

 

A essa altura, Bush há de estar tremendo. Às voltas com a ameaça atômica do Irã, o “império” terá agora de preparar-se para o eventual embate com as “armas” da Bolívia. Era só o que faltava.

 

Num ponto o companheiro-índio tem razão. Não há propriamente um “eixo do mal” na América Latina. A trinca Chávez-Fidel-Morales constitui no máximo um eixo do humor. Não fosse pela má qualidade das piadas, rivalizaria com outra trinca: Moe, Larry e Curly.

Escrito por Josias de Souza às 15h58

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PFL pratica tiro ao 'Lulalvo' na TV

Seqüência de notas da Coluna Painel (para assinantes da Folha):

 

Na testa - O programa do PFL que vai ao ar hoje (15/06) em rede nacional é um petardo com um único alvo: Lula. Toda a peça foi costurada para mostrar as relações, descritas como íntimas e pessoais, entre o presidente, os denunciados no escândalo do mensalão e um novo personagem: o petista Bruno Maranhão, incluído na última hora depois da invasão do MLST à Câmara.


Estão lá imagens de Lula chamando o ex-tesoureiro petista de "nosso Delúbio", Palocci de "mais que irmão" e fotos do presidente ao lado de outros da "quadrilha dos 40", denunciada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando. O PFL aponta, ainda, uma antiga sociedade entre Lula e Paulo Okamotto, que diz ter pago dívida do presidente com o PT.

Compacto - O programa pefelista terá 11 minutos, e não os 20 habituais. O partido perdeu o restante por decisão da Justiça Eleitoral. No final, os produtores gostaram do formato mais curto: acham que, em tempos de Copa, pode agradar ao telespectador.

Platéia - A pesada propaganda do PFL foi exibida ontem na reunião do conselho político de Geraldo Alckmin. O coordenador da campanha, Sérgio Guerra, vibrou. O presidenciável não comentou.

Escrito por Josias de Souza às 09h54

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As manchetes desta quinta

- JB: Crateras afundam o Rio

- Folha: Estrangeiros tiram R$ 1 bi da Bovespa em dez dias

- Estadão: Juiz negocia para tentar salvar a Varig

- Globo: Juiz adia solução para Varig, agora sem prazo

- Correio: Sinal verde para 166 condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h59

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Banho de sangue!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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PC do B rediscute apoio ao PT e Lula pode ficar só

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

A nove dias da convenção que vai oficializar o seu nome como candidato à reeleição, Lula ainda não atraiu para a sua chapa nenhum partido político. Corre o risco de disputar a eleição com o apoio solitário do PT. O PC do B, única legenda que admitira a hipótese de coligar-se à sua candidatura, ameaça dar meia-volta.

 

Nesta quarta-feira, o presidente do PC do B, Renato Rabelo, informou ao blog que seu partido decidiu rediscutir o casamento de papel passado com Lula. Sente-se desprestigiado pelo PT. Alega ter reivindicado a reciprocidade do “parceiro” em três localidades –Brasília, Tocantins e Ceará. Não foi atendido em nenhuma das três solicitações. Rabelo travou com o blog o seguinte diálogo:

 

- Essas pendências podem levar o PC do B a não se coligar com Lula?

Adiamos a nossa convenção (de 14 para 29 de junho) em parte por isso. O risco existe.

- A resolução das pendências é pré-condição para o acerto com Lula?

É essa a questão que temos levantado. Em toda aliança tem que haver reciprocidade. Não pode existir só bônus ou ônus para um dos lados. Os ganhos têm que ser recíprocos. Por isso adiamos a convenção, para ver que posição adotar.

- Lula pode disputar a eleição só com o PT?

Esse risco existe.

 

Para o governo de Brasília, o PC do B pediu o apoio do PT à candidatura do ex-ministro Agnelo Queiroz (Esportes). O “aliado” preferiu lançar o nome da petista Arlete Sampaio, deputada distrital. Para o governo de Tocantins, o PC do B lançou o senador Leomar Quintanilha. Sem candidato, o PT preferiu associar-se à campanha do governador Marcelo Miranda (PMDB), candidato à reeleição.

 

No Ceará, PT e PC do B patrocinam a candidatura a governador de Cid Gomes (PSB). O PC do B quer que a vaga de senador seja entregue ao deputado Inácio arruda, dos seus quadros. Mas o PT prefere apoiar para o Senado o nome do ex-ministro Eunício Oliveira (Comunicações), do PMDB.

 

Por razões diversas, também o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos (PE), informou a Lula, em reunião realizada na segunda-feira, que seu partido não deve participar da coligação nacional com o PT. “Precisamos ter atenção para a realidade dos Estados e para a necessidade de cumprir a cláusula de barreira”, disse Campos.

 

A exemplo do PC do B, o PSB reclama da falta de disposição do PT para se compor nos Estados. Entre eles Pernambuco, onde Campos disputa o governo local. A pedido de Lula, o presidente da CNI, Armando Monteiro, que concorria ao governo pernambucano pelo PTB, renunciou em favor do candidato petista Humberto Costa. O gesto envenenou as relações do PSB com o Planalto.

 

A julgar pelas pesquisas de opinião, com ou sem PC do B e PSB, Lula pode bater o adversário tucano Geraldo Alckmin ainda no primeiro turno. O problema é que, coligado ao PFL, Alckmin dispõe de 9 minutos e 2 segundos para fazer campanha no rádio e na TV a partir de 15 de agosto. Aliando-se aos comunistas e aos socialistas, Lula já teria um tempo menor: 8 minutos e 22 segundos. Concorrendo só com o PT, o tempo de propaganda do presidente cai para 5 minutos e 44 segundos, quase quatro minutos a menos que Alckmin.

 

No início do ano, Lula planeja disputar a reeleição coligado a seis partidos além do PT: PC do B, PSB, PTB, PP, PL e PMDB. Em encontro nacional realizado no final de abril, o PT aprovou resolução favorável a uma política ampla de alianças. Abriu-se inclusive a possibilidade de composição com as legendas do mensalão.

 

Porém, a resolução não foi seguida de uma estratégia capaz de casar o interesse nacional com as conveniências regionais. E Lula desdobra-se agora para salvar ao menos o acordo com o PC do B, uma legenda que o apoiou em todas as suas quatro campanhas presidenciais anteriores. De resto, se Lula confirmar José Alencar como seu vice em 2006, somará ao apoio do PT o suporte do insignificante PRB, partido de seu provável companheiro de chapa.  

Escrito por Josias de Souza às 00h06

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‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

  Alan Marques/F.Imagem
Convidado a integrar o comitê financeiro da campanha presidencial do PSDB, o advogado Miguel Reale Júnior diz que não será nem tesoureiro nem coletor de verbas eleitorais. “Serei uma espécie de auditor”, afirmou.

 

Ao convidá-lo, Geraldo Alckmin lhe assegurou que não fará caixa dois. “A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise”, disse Reale. Leia abaixo a entrevista que ele concedeu ao blog:  

 

- Já aceitou o convite?

Aceitei.

- E o risco do caixa dois?

Na conversa que teve comigo, o Geraldo (Alckmin) disse que não fará, em nenhuma hipótese, caixa dois. Não se vai comprar, na expressão do Geraldo, nem um grampo que seja pelo caixa dois. Será tudo pela contabilidade oficial, devidamente registrada.

- Como garantir que isso ocorra?

Todos os gastos, qualquer que seja a natureza, mesmo o pagamento de uma pessoa, só serão feitos com nota fiscal ou com recibo. São cuidados mínimos. E se não houver saída por fora, não há justificativa para ter entrada por fora.

- Já tem noção do custo da campanha?

Não. O partido só deve fixar esse montante quando requerer o registro da candidatura.

- Vai atuar como tesoureiro?

Não. Haverá um grupo de técnicos que fará esse trabalho de contabilidade.

- Vai captar recursos para a campanha?

Não serei captador de recursos. Serei uma espécie de auditor. Vou supervisionar as contas.

- Vai pôr as contas da campanha na internet?

Tem que colocar, até porque a lei exige.

- Mas a lei exige apenas duas prestações de contas.

Se houver condições técnicas gostaria de ter uma periodicidade menor.

- Diária?

Acho que isso é tecnicamente difícil de ser viabilizado. Ma se puder ter uma prestação de contas quinzenal seria conveniente.

- Ao aceitar a incumbência, não receia legitimar a acusação de que pregou o impeachment de Lula apenas para servir à causa do PSDB?

Não. Chega um momento que há uma opção eleitoral a ser feita. Se nosso movimento luta por transparência nas eleições, no momento em que aparece uma oportunidade de dar efetividade a isso, seria contraditório que eu me abstivesse. Seria uma covardia.

- A crise serviu para alguma coisa?

A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise. A crise gera, de um lado, a impunidade do presidente. Mas, de outro, gera comportamentos positivos. A crise tem dois lados.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Lula compara Petrobras a Ronaldinho

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em viagem ao Rio de Janeiro, Lula esforçou-se, uma vez mais, para fixar vínculos entre o ufanismo que envolve a seleção brasileira e supostos êxitos de seu governo. Discursando durante o lançamento da pedra fundamental de um novo pólo petroquímico da Petrobras, em Itaboraí (RJ), Lula comparou a estatal ao craque Ronaldinho, o magro.

 

Para Lula, a Petrobras é "um filho que todo mundo gostaria de ter, ela é uma espécie de 'Ronaldinho' da indústria brasileira". Ele disse que a empresa teve de ser “reeducada” durante a sua gestão. Antes, por “orientação não sei de que governo”, a empresa só investia na prospecção de petróleo, disse o presidente. Agora, investe também no desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como o biodiesel.

 

O presidente aproveitou a passagem pelo Rio para lançar uma intriga na seara do adversário tucano Geraldo Alckmin. Mencionou elogios que teria recebido do prefeito carioca César Maia (PFL) que, embora integrado à campanha de Alckmin, tem se notabilizado pelas críticas ao comportamento de líderes do PSDB.

 

"O prefeito César Maia é do PFL”, disse Lula, “mas já me mandou duas cartas e já fez uns dez discursos dizendo que nos últimos 36 meses, no meu mandato, a cidade do Rio de Janeiro recebeu mais dinheiro do que nos 20 anos antes de eu ser presidente da República".

 

Na cerimônia da Petrobrás, Lula posou para fotos segurando uma camisa verde-amarela com o mais famoso dos Salmos: “O Senhor é o meu pastor. Nada me faltará”. Difícil saber se Deus é mesmo o pastor de Sua Excelência. Mas não há dúvidas de que nada lhe tem faltado. Sobretudo, a julgar pelas pesquisas, votos.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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‘Que país é esse?’

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) lamentou há pouco, da tribuna do Senado, que o povo brasileiro tenha energias para se mobilizar para a Copa do Mundo e não demonstre a mesma disposição para reagir “à corrupção e aos desmandos que infelicitam o país.”

 

“Que país é esse?”, perguntou o senador. “Entusiasmar-se com a seleção, torcer, sofrer, tudo bem. Mas é lamentável que o povo brasileiro não tenha a mesma energia e responsabilidade para mudar o país. Importante mesmo é a Copa. Valerioduto, mensalão, absolvição de mensaleiros, essas coisas são relegadas a plano secundário”.

 

Jefferson Peres atribuiu à “prostração” da sociedade o fato de Lula figurar nas pesquisas de opinião como favorito à reeleição. Segundo ele, todos sabem que houve corrupção. Sabem também que o presidente teve conhecimento dos malfeitos. Mas não se dispõem a agir.

 

“As pessoas enchem as ruas para acompanhar a seleção, mas contra o presidente ninguém protesta. O lula é o tal. Vai ficar mais quatro anos aí, com o PT enfraquecido, desmoralizado, dependendo do PMDB, que vai ao palácio, mais uma vez, para negociar cargos. Presidente que recebe partido para isso... Vai ficar dependendo do fisiologismo do Congresso por mais quatro anos. O que vai fazer, sem poder realizar as reformas de que o país precisa? Vai ficar na barganha, na troca de favores, relacionando-se com políticos da pior espécie, que são os políticos que tem esse país.”

 

Não fosse pela TV Senado, que transmitiu o seu discurso, Jefferson Peres teria falado para as paredes. Há poucas almas no Congresso. Ele próprio realçou o oco do parlamento em sua fala.

 

“Ontem, fiquei desolado na Comissão de Assuntos Econômicos (do Senado). Seis diretores do Banco Central, inclusive o seu presidente (Henrique Meirelles), estiveram aqui, convidados por nós, para falar sobre a política de juros. E só havia cinco senadores na comissão. Havia mais diretores do Banco Central do que senadores. Por que? Ora, porque havia um jogo de futebol à tarde. E vejam que a sessão da comissão era de manhã. O mesmo se repete agora. Só há dez senadores aqui presentes (no plenário do Senado)”.

 

“Sou torcedor de futebol, apaixonado pelo Botafogo do Rio, adoro futebol”, prosseguiu Jefferson Peres, “mas causa-me perplexidade que os três Poderes da República estejam esvaziados por causa da Copa do Mundo. A Câmara não obteve quorum para votar. Está parada. O Fundeb (fundo destinado ao ensino básico) está parado aqui no Senado. Mas os olhos estão postos na Alemanha. E por isso não se pode trabalhar. Não conheço outro país do mundo que fique paralisado por causa do futebol. Que país é esse? É por isso que o Lula está aí em cima!”

Escrito por Josias de Souza às 16h10

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PT gasta R$ 600 mil em convenção nacional

A convenção nacional do PT que irá confirmar o nome de Lula como candidato à reeleição vai custar ao partido R$ 600 mil. O dinheiro sairá dos cofres do partido. O encontro está marcado para o próximo dia 24 de junho, um sábado.

 

Os organizadores do encontro petista festejam o fato de o borderô ter ficado aquém do custo da convenção do PSDB, realizada em Belo Horizonte, no último domingo. O tucanato gastou cerca de R$ 1 milhão no evento que ratificou as candidaturas de Geraldo Alckmin (Presidência) e de Aécio Neves (governo de Minas).

 

Equacionadas as questões financeiras, o PT tenta agora aparar as pendências políticas. A principal delas é o fechamento da coligação partidária que dará suporte à candidatura Lula. O petismo esperava atrair pelo menos mais dois partidos para a aliança em torno de Lula, o PC do B e o PPS.

 

Por ora, só o PC do B indicou que deve integrar a coligação. O PPS, ao contrário, sinaliza a intenção de participar das eleições sem se atrelar a nenhuma candidatura presidencial. A convenção dos comunistas está marcada para o próximo dia 29. A dos socialistas será na véspera, dia 28.

Escrito por Josias de Souza às 14h29

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CPI das Sanguessugas começa a andar

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-RS), leu agora há pouco, no plenário do Senado, o requerimento de criação da CPI das Sanguessugas. O gesto é o primeiro passo para a instalação da nova comissão.

 

Agora, os líderes partidários terão uma semana para indicar os seus representantes na CPI. Serão 11 deputados e 11 senadores. Se alguma legenda descumprir o prazo, caberá a Calheiros escolher, a seu talante, os nomes.

 

A comissão vai investigar malfeitorias patrocinadas por congressistas que injetaram no orçamento da União verbas que, depois, foram desviadas em compras superfaturadas de ambulâncias para prefeituras. Os autores das emendas agiram em troca de propinas.

 

Pretende-se que a CPI conclua suas atividades em, no máximo, 60 dias. É pouco tempo para muita lambança. A essa altura, é improvável que, faltando poucos meses para o fim da legislatura, algum sanguessuga venha a ser cassado. Por sorte, o Ministério Público já está cuidando da matéria.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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As manchetes desta quarta

 

- JB: Kaká Brasil

 

- Folha: Justiça dos EUA dá tempo para Varig para achar comprador

 

- Estadão: Brasil estréia com uma vitória suada

 

- Globo: Uma vitória magra na largada

 

- Correio: Se não fosse Kaká...

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Bola cheia!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Lula confunde Congresso e torcida

Artigo de Elio Gaspari (na Folha, para assinantes):

 

“Lula está construindo uma relação imperial e desrespeitosa com o Congresso. Disse o seguinte na semana passada, um dia depois de uma decisão da Câmara que estendeu aos aposentados o reajuste de 16,6% concedido aos trabalhadores que ganham salário mínimo:

 

'Eu digo sempre, a votação do salário mínimo no Congresso Nacional, ontem, não foi uma coisa séria, porque o que estava lá para ser votado era um acordo que tinha sido feito pela primeira vez na história do Brasil, com todas as centrais sindicais e todos os aposentados, representados pelas centrais sindicais'.

 

Lula oferece um reajuste de 5% aos 13 milhões de aposentados do INSS. Os 16,6% da Câmara custariam R$ 8 bilhões anuais. A maior parte desse dinheiro iria para cidadãos que ganham menos de R$ 500 por mês. Nada a ver com o Bolsa-Ditadura de Nosso Guia (R$ 4.294 mensais, em maio passado). Há fortes argumentos contra o novo índice de reajuste, e o presidente da República dispõe do poder de veto para esterilizar a iniciativa.

 

Como o próprio Lula diz, 'quando a gente é oposição, pode gargantear, pode blefar'. Quando a mesma gente é governo, o presidente não deve dizer que uma votação da Câmara 'não foi uma coisa séria'. Nem mesmo quando os deputados absolvem seus companheiros do mensalão.

 

Lula tem 30 anos de vida pública, 27 dos quais na oposição. Só ele sabe quanto tempo consumiu garganteando e blefando. Parolagens e mistificações não são atributos exclusivos do governo (como achava Lula) nem da oposição (com acha Nosso Guia). As 53 palavras do seu discurso carregam um entendimento desordenado do que é o Congresso e do que são as entidades que defendem interesses de corporações.

 

'O que estava lá para ser votado' não era um acordo. Era uma medida provisória do Poder Executivo. O Congresso não vota acordos, nem de centrais sindicais, nem de torcidas organizadas. As centrais sindicais não representam 'todos os aposentados'. Representam, quando muito, os sindicatos a elas filiados. Quem representa aposentados, vendedores de rapadura e donos de oficinas mecânicas é o Congresso, poder republicano estabelecido para isso.

 

Lula abusa da proteção da inimputabilidade cultural. Quando revela que Napoleão foi à China e Oswaldo Cruz inventou a vacina da febre amarela, pode-se fingir que isso não tem importância. Contudo, quando o presidente da República, formado nas mumunhas do sindicalismo, sugere que um acordo de centrais sindicais é uma peça legislativa, o erro deixa de ser banal. É confusão funcional. Chama-se fascismo a organização política na qual o Poder Executivo embaralha centrais sindicais e Poder Legislativo. O Brasil viveu esse sonho de governantes e pelegos durante o Estado Novo.

 

Lula vem cozinhando uma reforma sindical que tunga os trabalhadores e amplia o poder das centrais. Ele sabe o que está fazendo. Fortalecer agrupamentos amigos é hábito antigo.

 

Em 1979, o governo federal e a indústria paulista louvaram um acordo feito pela Federação dos Metalúrgicos. Ela representava 29 sindicatos. O de São Bernardo pulou, foi à greve e projetou nacionalmente a imagem de um sindicalista que inebriava a multidão no estádio de Vila Euclides. Foi a primeira experiência de Lula com o êxtase do fracasso, mas essa é uma história velha.”

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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TSE pede explicações a Lula sobre propaganda

A Justiça eleitoral decidiu notificar Lula para que ele preste esclarecimentos sobre os gastos do governo em publicidade nos últimos três anos. O Planalto terá cinco dias para responder, a contar da data do recebimento da notificação.

A decisão foi tomada pelo ministro Carlos Ayres Brito, do TSE. Ele é relator de uma ação movida pelo PSDB e pelo PFL no último dia 31 de maio. Os partidos levantam a suspeita de que o governo tenha tonificado os gastos em propaganda nesta fase pré-eleitoral.

 

Conforme noticiado aqui na semana passada, levantamento feito por técnicos a serviço do tucanato estima que o governo gastou R$ 5 milhões por dia em publicidade nos primeiros quatro meses de 2006. A decisão de notificar Lula não significa que Ayres Brito tenha concordado com a suspeita dos opositores de Lula. O ministro explica, segundo a repórter Isabel Braga, que apenas está assegurando a Lula o direito ao contraditório e à ampla defesa.

 

Também nesta terça-feira, o TSE concedeu uma liminar pedida pelo PT para retirar do sítio do PFL na internet mensagens ofensivas a Lula e a um grupo de petistas. O ministro Marcelo Ribeiro entendeu que as menções feitas pelo PFL configuram propaganda eleitoral antecipada. Entre as frases que os pefelistas terão de retirar de sua página virtual está a seguinte: “Chega de corrupção! Em 2006, Lula não!”

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Intimado, PT responde ao fisco e pode ser autuado

A Receita Federal intimou o PT a prestar esclarecimentos sobre irregularidades fiscais detectadas em auditoria feita na contabilidade do partido. A secretaria de Finanças do PT já encaminhou ao fisco um rol de explicações. Deu-se há pouco mais de um mês. Às voltas com um esforço para equacionar uma dívida de cerca de R$ 45 milhões em suas contas, a legenda de Lula aguarda agora a palavra final da Receita.

 

A auditoria na contabilidade do PT foi aberta pelo fisco em setembro do ano passado, nas pegadas das confissões de Delúbio Soares. Em depoimentos ao Ministério Público e às CPIs dos Correios e dos Bingos, o ex-tesoureiro do partido reconheceu ter movimentado R$ 55 milhões pelo caixa dois, que ele preferiu chamar de “recursos não contabilizados.”

 

Os fiscais trabalharam durante um período na sede do PT, em São Paulo. Em dezembro, recolheram livros contábeis da legenda. No início de janeiro de 2006, conforme noticiado aqui, a direção da Receita foi informada de que haviam sido descobertas impropriedades na escrituração do partido. Envolviam valores movimentados entre 2002 e 2005. Daí o pedido de explicações.

 

Ouvido pelo blog, o secretário nacional de Finanças do PT, Paulo Ferreira, disse: “Fomos notificados e respondemos. Justificamos tudo o que foi pedido. Estamos convencidos de que, à luz da legislação, não cometemos nenhuma irregularidade fiscal. Agora, estamos aguardando para saber o que eles (os auditores) acharam das nossas respostas”.

 

Segundo Ferreira, o partido está “preocupado”, mas tem tranqüilidade quanto à “legalidade de seus procedimentos”. Ele diz que, “se a Receita vier a autuar o PT”, a legenda ainda terá a “oportunidade de se defender.” Afirma que “são defensáveis todos os gastos da instituição”.

 

Além de lidar com a Receita, o PT esforça-se para equacionar a dívida herdada da fase em que sua tesouraria esteve sob a responsabilidade de Delúbio Soares. O passivo encontra-se hoje na casa dos R$ 45 milhões. O montante não inclui os R$ 100 milhões que o empresário Marcos Valério cobra na Justiça (leia). Essa dívida o PT não reconhece. Questiona sua legitimidade na Justiça, em processo ainda pendente de julgamento.

 

Depois de um processo de enxugamento que envolveu a demissão de funcionários o cancelamento de contratos de serviços, o PT conseguiu equilibrar seus gastos correntes. Mas não arrecada o suficiente para abater a dívida. Tenta negociar com seus credores os valores e a forma de pagamento.

 

A receita média mensal do PT é de cerca de R$ 3,2 milhões, para um gasto de R$ 2,1 milhões. Ou seja, sobra mensalmente cerca de R$ 1,1 milhão, quantia insuficiente para liquidar as dívidas. Assim como as demais agremiações políticas, o PT terá de encaminhar em 15 de julho uma prestação de contas à Justiça Eleitoral. Até lá, espera ter acertado com todos os seus credores um plano de reescalonamento da dívida.

 

A exemplo do PT, também o PP, o PL e o PTB, legendas envolvidas no escândalo do mensalão, encontram-se sob auditoria da Receita. O escândalo resultou na abertura de 98 fiscalizações. Por ora, foram encerradas 14 auditorias. Lavraram-se autos de infração que somam R$ 16 milhões. Foram punidas 500 pessoas físicas e jurídicas, entre políticos, empresários e funcionários públicos. E a fiscalização ainda está longe de acabar.

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Em seleção de Ronaldos, brilha o Dida

Em seleção de Ronaldos, brilha o Dida

Em Gool!, quadro de Maria Bonomi

 

O signatário do blog pede licença aos seus 22 leitores para falar de futebol. Se, na véspera, alguém perguntasse quem seria o destaque do jogo de estréia contra a Croácia, o Brasil cairia na mais ignara das perplexidades se alguém ousasse pronunciar o nome “Dida”. A menção soaria absurda. Não encontraria nenhuma acústica. Seria abafada pelos risos.

 

Não que Dida não seja conhecido e que sua competência não seja reconhecida. Não, não. Absolutamente. Mas o arqueiro do escrete é um desses conhecidos que a torcida desconhece. Fátima Bernardes perguntou a Dida outro dia se ele se considera um ídolo. E o goleiro, de bate pronto, como a isolar uma bola em tiro de meta: “Não”. Ídolos, disse ele, entre tímido e constrangido, são Ronaldo, Ronaldinho...

 

Pois vejam as ironias do futebol. Numa seleção de Ronaldos cintilantes, brilhou um Dida obscuro. A linha dos sonhos produziu um mísero gol, obra da chuteira esquerda de Kaká. E, não fosse pela ação da torre de ébano, que agarrou, com unhas e dentes, três ou quatro petardos croatas, o Brasil estaria amargando agora o constrangimento de um pesadelo inaugural.

 

Numa partida em que todos só tinham olhos para os pés milionários, o destaque foi o um par de mãos. Diz-se que o Brasil é favorito. De fato, é o que dita a lógica. Mas o caneco dificilmente virá se a seleção de Ronaldos continuar escorada em Dida nas próximas partidas.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

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Meirelles defende tese rejeitada pelo PT

  Antônio Cruz/ABr
Uma fatia considerável do PT jamais aturou o presidente do Banco Central. Mas Henrique Meirelles sempre teve em Antonio Palocci um anteparo a resguardá-lo de dardos petistas. Expurgado do Ministério da Fazenda depois de ordenar a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci deixou o subordinado à mercê dos críticos.

 

Nesta terça-feira, Meirelles foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Convocaram-no para que falasse acerca da atuação do Copom, aquele conselho integrado por diretores do BC que joga para cima ou para baixo as taxas de juros. Mas o tema que mais constrangeu Meirelles foi uma declaração feita na véspera pelo grão-petista Ricardo Berzoini.

 

O presidente do PT dissera que o partido não vai incluir em seu programa de governo a independência do Banco Central, uma tese das mais caras à equipe que hoje dirige a instituição. Instado a comentar o assunto, Meirelles não se furtou a defender a autonomia da autoridade monetária. Acha que facilitaria a gestão do sistema de metas de inflação. "É importante que se dê autonomia e que se cumpra a meta de inflação estabelecida pela Conselho Monetário Nacional", disse ele, conforme relato da repórter Ana Paula Ribeiro.

 

Abriu-se a oportunidade para que os senadores argüissem Meirelles e os diretores do BC que o acompanharam. Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, preferiu destilar sarcasmo. “Aconselho todos vocês a procurarem emprego em caso de vitória de Lula, porque a base do governo não está satisfeita com a política conduzida pelos senhores”, disse Jereissati, insinuando que Meirelles e seus auxiliares receberão cartão vermelho num eventual segundo mandato de Lula.

 

Não houve quem quisesse recordar, mas Meirelles tem origens tucanas. Em 2002, elegeu-se deputado federal pelo PSDB de Goiás. Convidado a integrar a equipe de Lula, desfiliou-se do partido. Mas não abandonou as velhas amizades. Há cerca de dois meses, esteve em Goiânia, para o aniversário do governador tucano Marconi Perillo, hoje candidato ao Senado. Sentiu-se à vontade no antigo ninho. E retornou a Brasília a bordo do jato particular de Jereissati.

 

É lícito supor que, se Geraldo Alckmin virasse presidente, Meirelles nem precisaria procurar emprego, como sugeriu Jereissati. Teria lugar garantido no novo governo. O diabo é que, para azar do tucano infiltrado -ou petista convertido, conforme o ponto de vista-, o candidato ‘chuchumbo’ não se mexe nas pesquisas. E quando se mexe, oscila para baixo.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Em 7 meses, Lula ganhou 16 pontos; Alckmin parou

Em nova pesquisa, o Ibope informa que, se as eleições fossem realizadas hoje, Lula derrotaria Geraldo ‘chuchumbo’ Alckmin no primeiro turno. Teria 48% das intenções de voto , contra 19% atribuídos ao adversário. Uma diferença de 29 pontos.

 

A pesquisa foi divulgada pela CNI. Considerando-se a série das últimas três pesquisas feitas pelo Ibope por encomenda da Confederação das Indústrias, verifica-se que Lula ganhou 16 pontos percentuais em sete meses. Saiu de um patamar de 32% em dezembro de 2005 para 48% neste mês de junho de 2006.

 

Quanto a Alckmin, manteve-se em situação de incômoda estabilidade no mesmo período. Em dezembro de 2005, desfrutava de 20% da preferência do eleitorado. Agora, tem 19%. A nova pesquisa foi feita entre 5 e 7 de junho. Ouviram-se 2.002 eleitores em 143 municípios.

 

A imobilidade de Alckmin nas pesquisas inquieta o tucanato. Para tentar fazer o seu candidato alçar vôo, o PSDB transformou-o em estrela de sua publicidade institucional. Em 2006, o partido tem direito a 60 minutos no rádio e na TV.

 

As inserções estão distribuídas assim: um programa de 20 minutos, a ser exibido no horário nobre da noite do dia 22 de junho, e mais 40 minutos distribuídos em oito dias (cinco minutos por dia, fatiados em cinco peças de um minuto ou dez de 30 segundos).

 

O PSDB já utilizou em abril três dos oito dias de propaganda de cinco minutos. Restaram cinco datas: 8, 13, 20, 27 e 29 de junho. Sem contar o programa mais extenso (20 minutos), do dia 22.

 

O campo da pesquisa Ibope foi fechado na véspera do início da exibição das peças publicitárias do PSDB. A publicidade do PT foi usada pelo partido em maio. Se Alckmin não crescer nas próximas sondagens, a inquietação do tucanato evoluirá para o desespero.

Escrito por Josias de Souza às 14h14

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As manchetes desta terça

 

- JB: Chegou a hora

 

- Folha: Varig cancela vôos à espera de decisão da Justiça

 

- Estadão: Juiz adia por 48 horas desfecho do caso Varig

 

- Globo: Crime tem no Rio até 150 motos em ação

 

- Correio: Haja coração

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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A hora do gordo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Sem alternativa, Lula pode manter Alencar na vice

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Sentindo-se rejeitado por Lula na composição da chapa que disputará o segundo mandato, o vice-presidente José Alencar tentou, na última hora, pôr de pé uma candidatura ao Senado. Mas, em viagem a Minas Gerais, seu Estado, ele se deu conta de que o jogo das composições políticas mineiras já está jogado.

 

Estimulado por Lula, Alencar esteve, há cerca de duas semanas, com o governador tucano de Minas, Aécio Neves. Perguntou-lhe se haveria espaço para o lançamento do seu nome ao Senado no “chapão” suprapartidário que se formou em torno de Aécio, franco favorito à reeleição, com mais de 70% das intenções de voto. O governador respondeu que a vaga de senador estava compromissada com o PMDB. O candidato deve ser o ex-presidente Itamar Franco.

 

Informado a respeito, Lula condoeu-se. Disse a um político que priva da sua intimidade que não se sentiria bem se deixasse o “velho” – como se refere, na informalidade, a Alencar — “na chuva”. Sem a possibilidade de uma composição nacional com o PMDB e diante das resistências internas ao nome de Ciro Gomes (PPS), reconheceu que talvez tenha mesmo de repetir a dobradinha de 2002.

 

Em articulação que contou com a ajuda do Planalto, tentou-se convencer o PMDB a apoiar Alencar. Acenou-se com a hipótese de o atual vice-presidente, hoje no minúsculo PRB, transferir-se para o PMDB depois das eleições. As gestões resultaram, porém, em fracasso. O PMDB nacional e o de Minas deram de ombros para Alencar.

 

Assim, não resta agora ao atual vice-presidente senão confiar na propensão de Lula de abrigá-lo sob o guarda-chuva da chapa reeleitoral de 2006. Do contrário, ele se verá na contingência de voltar para casa, já que a hipótese de disputar uma vaga de deputado federal não lhe passa pela cabeça.     

 

Lula prometera, em reserva, que tiraria sua candidatura à reeleição do armário nesta quarta-feira, 14 de junho. Discursando como convidado de honra na convenção nacional do PC do B, o presidente assumiria publicamente a condição de candidato. Porém, o PC do B decidiu, há uma semana, adiar a convenção para o dia 29 de junho.

 

E a esperada assunção do Lula candidato foi postergada mais uma vez. Se depender do petismo, Lula admite a própria candidatura no início da próxima semana. O presidente, porém, ainda não de indicações de que pretenda fazê-lo. Até a tarde de segunda, planejava resguardar-se até 24 de junho, data da convenção nacional do PT.

 

Lula disse que concordara em revelar-se candidato no dia 14 apenas porque o PC do B formalizaria na convenção o apoio à sua reeleição. E não faria sentido que a legenda aliada apoiasse uma candidatura fantasma. Entende que o adiamento do encontro dos comunistas livrou-o do compromisso. Ganhou pelo menos mais dez dias para decidir o que fazer com Alencar.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Alckmin convida Reale Jr. para comitê financeiro

  Alan Marques/F.Imagem
Por indicação de Geraldo Alckmin, o advogado Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso, vai integrar o comitê tripartite que cuidará das finanças da campanha presidencial do PSDB. Os outros dois nomes podem ser indicados pelo PFL.

 

O início da montagem do comitê financeiro de Alckmin ocorre no instante em que a Polícia Federal se prepara para inquirir os responsáveis pelo caixa dois na campanha do senador tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Serão ouvidas cerca de 80 pessoas, informa o repórter Jailton Carvalho.

 

Em meio às definições dos nomes que irão atuar no seu comitê de campanha, Alckmin informa que irá propor o fim do estatuto da reeleição. É uma maneira de atrair o apoio efetivo de dois grão-tucanos, José Serra e Aécio Neves, ambos de olho na presidência em 2010. Eis o que informa a repórter Catia Seabra (para assinantes da Folha):

 

“Geraldo Alckmin declarou ontem que incluirá o fim da reeleição, com mandato de quatro anos, na proposta de reforma política que enviará ao Congresso caso seja eleito. A medida interessaria aos tucanos Aécio Neves e José Serra, apontados como pré-candidatos ao Planalto. O texto seria apresentado no início de 2007.

Ao longo do processo de escolha do candidato tucano, Alckmin concordou com a idéia logo após uma visita a Aécio, em Minas. Dias depois, disse que a decisão caberia ao Congresso. Agora, num momento em que depende do apoio dos dois, Alckmin reafirmou a defesa do fim da reeleição. Sua proposta de governo incluirá também a fidelidade partidária e o voto distrital misto.

Pelo menos três colaboradores do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) vão participar do comando central da campanha de Alckmin. Segundo desenho traçado ontem por Alckmin e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, a coordenação administrativa ficará a cargo de José Lucena Dantas, chefe de gabinete de FHC.

A coordenação financeira ficará por conta do ex-ministro da Justiça de FHC Miguel Reale Junior. Como integrante do comitê financeiro, ele deverá ser o responsável pela prestação de contas da campanha. O PSDB estaria com dificuldade de definir outros dois voluntários para compor o comitê.

Já o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas ocupará uma subcoordenação, possivelmente a de logística, da área operacional.

Para a coordenação operacional, Tasso deverá convidar um antigo colaborador do Ceará. O jornalista Luiz Gonzalez comandará a coordenação de comunicação, que deverá reunir cerca de 20 empresas, incluindo quatro diferentes institutos de pesquisa. Para assumir a função, ele se desligará de sua empresa, a Lua Branca.

Coordenador-geral da campanha, Sérgio Guerra deverá acumular a coordenação política. Pelo organograma de Tasso, Guerra está subordinado apenas ao conselho político formado por líderes e presidentes de partidos. Sob seu comando estão as coordenações e três assessorias diretamente vinculadas: a jurídica, chefiada pelos advogados Ricardo Penteado e Eduardo Alckmin; a de agenda,de Felipe Sigollo; e a de programa de governo, exercida por João Carlos Meirelles (...)”. 

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Vem aí o bolsa-privilégio

Acontece freqüentemente à maioria dos deputados não pensar em nada. O que, convenhamos, já é um avanço se considerarmos que muitos deles simplesmente não pensam. Mas, para infortúnio do erário, há também os deputados que pensam. Ou, por outra, pensam que pensam quando, na verdade, estão apenas rearrumando os seus privilégios.

 

Deu-se que, de tanto matutar, o grupo que pensa que pensa terminou pensando uma idéia. Pior: constituiu um grupo técnico com o objetivo de transformar o pensamento em ação. Resultado: a Mesa Diretora da Câmara está na bica de agir sem pensar.

 

Pretende-se, veja você, instituir uma espécie de bolsa-privilégio. Cada deputado receberia mensalmente, além do salário, uma verba de R$ 38.500, para gastar como bem entendesse. A iniciativa surge nas pegadas da revelação de que muitos deputados estavam desviando para outros fins uma verba mensal de R$ 15 mil que recebem para encher os tanques de seus carros.

 

O signatário do blog pensou em qualificar a idéia. Mas lembrou-se de Descartes. E concluiu: Penso, logo desisto. Leia aqui detalhes sobre a novidade. E pense por si mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 23h50

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Programa do segundo mandato de Lula sai em agosto

O eleitor indeciso terá dificuldades para optar entre Geraldo Alckmin e Lula se for basear o seu voto apenas na plataforma de governo dos dois candidatos. No rastro da divulgação das diretrizes do programa do presidenciável do PSDB, dirigentes do PT falaram nesta segunda-feira sobre as idéias que irão nortear a campanha do partido à reeleição. A idéia mestra será a promoção do “crescimento econômico com distribuição de renda”. A mesma tese de fundo do ideário do tucanato.

As intenções do petismo foram esboçadas em entrevista do deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, e Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente para assuntos internacionais e coordenador da elaboração do programa de governo. Eles informaram, segundo relato do repórter Ricardo Amaral, que o documento, cujo conteúdo está sendo negociado com PC do B e PSB, será divulgado na segunda quinzena de agosto.

Berzoini e Garcia ironizaram pontos da plataforma do adversário. Entre eles os que prevêem a extinção de contribuições e tributos, a redução de gastos públicos e a diminuição do número de ministérios.  

"A oposição precisa dar mais seriedade e consistência a suas propostas. Isso me parece um choque de gestão de apenas dez volts", desdenhou Garcia. "Propor corte de impostos agora é voltar à velha fórmula liberal, depois da forte elevação da carga tributária nos oito anos de governo Fernando Henrique, aumento que foi insignificante no governo Lula".

"O país tem problemas mais sérios para se preocupar além de reformas cosméticas", continuou Garcia. Ele não excluiu, porém, a hipótese de que o próprio Lula venha a enxugar a Esplanada caso seja reeleito: "Extinguir ministérios é algo que poderemos fazer ou não." Berzoini ecoou Garcia: "A oposição precisa largar essa esquizofrenia: ou quer cortar ministérios ou quer criar novos".

Quanto à idéia de cortar gastos públicos, o presidente do PT afirmou: "Corte de custeio no Brasil, historicamente, tem significado diminuir os gasto sociais". O PT, segundo Berzoini, trabalha com a perspectiva de que os juros reais estejam "entre 7,5 por cento e 8 por cento" no próximo quadriênio, o que não exigiria um aperto fiscal maior que a meta em vigor (4,25 por cento de superavit primário).

"Essa política tem nos permitido enfrentar as necessidades de redução da dívida pública brasileira em relação ao PIB", disse o presidente do PT. "Pode haver divergências quanto à intensidade, mas revertemos o quadro da economia neste governo".

Ainda segundo Berzoini, a reforma política será guindada à condição de prioridade num eventual segundo mandato de Lula. "Vamos propor três eixos: fidelidade partidária rigorosa; finaciamento público de campanhas para a eleição por meio de listas partidárias e não de candidatos individualmente; e maior controle público sobre a atividade política".

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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O bolerão do PMDB continua na vitrola

A maneira mais divertida de lidar com o PMDB é lançando mão do ceticismo. Pode-se, por exemplo, brincar com a tese da candidatura própria do partido à maneira da roleta russa. Sabe-se que o projeto está completamente descarregado de sinceridade.

 

Nesta segunda-feira, a Executiva do PMDB reuniu-se para decidir, pela enésima vez,  se terá ou não candidato à Presidência da República. Adivinha o que ficou acertado? Sim, isso mesmo. O partido não terá candidato.

 

De início, a decisão deveria ter sido referendada em convenção marcada para o último domingo. Mas na última reunião da Executiva, há 15 dias, adiara-se a convenção para 29 de junho. E, nesta segunda, cancelou-se de vez o encontro. Avaliou-se que é desnecessário reunir a instância máxima do partido para deliberar sobre algo que não existe.

 

Os 22 leitores do blog já devem estar de saco cheio dessa lengalenga do PMDB. Mas vai aqui um aviso: a coisa ainda não acabou. Pedro Simon (RS), o último presidenciável da legenda, está na bica de jogar a toalha. Mas Anthony Garotinho, o penúltimo, ameaça manter na vitrola o mesmo velho disco arranhado de sempre.

 

O grupo de Garotinho anuncia a intenção de recorrer à Justiça. Já havia obtido uma liminar mantendo a data da convenção para o próximo dia 22. O PMDB deu de ombros para a decisão. Michel Temer, presidente da agremiação, disse que vai recorrer. Alega que não cabe à Justiça decidir sobre questões da economia doméstica do partido.

 

A turma de Garotinho não dá o braço a torcer. Assim, o bolerão da candidatura própria vai continuar soando em Brasília pelo menos até o final do mês. Ignore-o. Preste atenção apenas aos Estados. Ali, os caciques regionais do PMDB já dançam em outro ritmo. O ritmo de um funk que extrapola Tim Maia. É o vale-tudo das alianças para os governos estaduais. Vale até dançar homem com homem e mulher com mulher.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Lula já planeja pacote de reformas do 2º mandato

Em encontro privado que manteve com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro, Lula falou como se considerasse a eleição para o segundo mandato como favas contadas. Disse que, depois de eleito, planeja enviar ao Congresso um pacote de reformas constitucionais.

O blog apurou que, sem detalhar as propostas, o presidente mencionou a Monteiro três itens que constarão do seu cesto de reformas. Ele quer mexer na legislação trabalhista, na configuração tributária e, de novo, na Previdência Social. Em meio à exposição, Lula fez um pedido a Armando Monteiro.

 

Candidato ao governo de Pernambuco pelo PTB, o presidente da CNI ouviu de Lula um apelo para que abdique da pretensão em favor de um outro candidato: o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, do PT. Lula o "intimou" a concorrer a uma vaga de deputado federal. “Preciso de uma bancada forte no Congresso, para votar as reformas”, disse.

 

O pedido do presidente da República será atendido ainda nesta segunda-feira. Os sismógrafos de Pernambuco já começam a captar os tremores políticos. Monteiro anunciará publicamente três decisões:

 

1. desistiu de concorrer ao governo pernambucano;

 

2. apoiará a candidatura de Humberto Costa;

 

3. disputará uma vaga de deputado federal.

 

Ou seja, tudo o que Lula lhe pediu. Na avaliação do presidente da República e do PT, o apoio de Monteiro, que tem entre 5% e 7% nas pesquisas de opinião, praticamente coloca Humberto Costa no segundo turno da disputa pelo governo de Pernambuco, contra o adversário Mendonça Filho, do PFL.

 

Se o petismo estiver certo, o maior prejudicado Eduardo Campos, amigo e aliado de Lula. O deputado Campos, presidente do PSB, também concorre ao governo de Pernambuco. Mede forças com Humberto Costa para tentar passar à disputa de segundo turno conta Mendonça Filho.

 

Ouvido pelo blog, Eduardo Campos declarou: "Não acredito que o presidente tenha tomado partido aqui em Pernambuco. Ouvi dele que, embora ele quisesse um candidato único, não interferiria no processo se houvesse mais de uma candidatura." 

 

O comando de campanha do presidente do PSB está debruçado sobre a máquina de calcular. Pelas primeiras contas, a interferência de Lula pode render novas adesões a Eduardo Campos. Dos dez deputados estaduais que apoiavam Armando Monteiro -dois do PMN, dois do PDT e seis do PTB- pelo menos seis rejeitam a hipótese de apoiar o PT de Humberto Costa. 

Escrito por Josias de Souza às 10h35

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Para presidente da República, o sanduíche!

Molière (1622-1673) ensinou numa de suas memoráveis peças (Anfitrião) que “todos os discursos são tolices, quando ditos por gente sem brilho; e seriam palavras deliciosas se fossem ditos por gente ilustre”.

 

Na convenção que ratificou de Geraldo 'chuchu' Alckmin como candidato do PSDB à presidência da República, o mais saboroso não foi o discurso do candidato. Foi o sanduíche. Veja abaixo o que informa a Folha (para assinantes):

 

“A maioria das pessoas que empunhavam bandeiras de Geraldo Alckmin na convenção admitiu ter ouvido o nome do candidato tucano à Presidência pela primeira vez. Levadas a Belo Horizonte de ônibus, disseram que a viagem foi motivada pelas promessas de lanche grátis e de emprego na campanha.

 

A distribuição dos lanches, que começou às 9h, por pouco não causou um grande problema: ela foi interrompida por volta das 11h, para que as pessoas voltassem ao pavilhão para acompanhar os discursos. A paralisação gerou reclamações, xingamentos, empurra-empurra e bate-boca entre os organizadores. Após 30 minutos, a distribuição dos lanches foi retomada.

 

Segundo a empresa Anjos da Guarda, que prestou segurança ao evento, a convenção reuniu 6.000 pessoas. O presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, falou em 15 mil. O custo das convenções nacional e estadual foi de R$ 1 milhão, segundo o PSDB.

 

Os ônibus fretados pelos diretórios tucanos -a reportagem contou cerca de 200- começaram a chegar a Belo Horizonte às 8h. Uma hora depois teve início a convenção estadual do PSDB, que referendou o nome do governador Aécio Neves à reeleição.

 

Foram confeccionadas 10 mil bandeiras com o rosto de Alckmin. A Folha ouviu pelo menos 20 pessoas que carregavam essas bandeiras nas filas das barracas que distribuíam feijão tropeiro, sanduíche de pernil, espetinho de porco, cachorro-quente e refrigerante. Nenhuma conhecia Alckmin. Esse "desconhecimento" também era visível nas faixas penduradas no local, que grafavam seu nome de várias formas.

 

‘Eu não o conheço nem nunca vi na TV’, disse Laura Gomes, 43, atraída ao local pela promessa de trabalho. ‘Foi a primeira vez agora’, disse Nilvânia da Silva, 34. Os adolescentes Shirlene Basílio, 17, e Jéssico Emílio Simão, 21, afirmaram que, além dos sanduíches, receberiam R$ 10 cada um na volta para casa. O presidente do PSDB mineiro negou o pagamento: ‘O PSDB ofereceu lanche e transporte, não existe nada sobre pagamento’”.

Escrito por Josias de Souza às 07h50

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As manchetes desta segunda

- JB: FH foi a estrela na festa da candidatura Alckmin

- Folha: Assalto do BC pagou ataques do PCC, afirma Polícia Federal

- Estadão: Números mostram que ajuste fiscal é frágil

- Globo: Rio terá força-tarefa contra a sonegação

- Correio: Alckmin: "Onde está o chefe dos 40 ladrões?"

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h16

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Programa Bolsa Copa!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Fazenda ignora textos que dificultam leilão da Varig

 

A Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu em 7 de junho, às vésperas do leilão da Varig, um parecer que isenta o eventual comprador da companhia de responsabilidade por um passivo tributário bilionário. O documento contraria frontalmente outros três textos redigidos pela mesma Procuradoria da Fazenda.

 

O blog obteve cópias dos documentos que, embora tenham sido elaborados para subsidiar a decisão da Fazenda Nacional sobre a dívida da Varig, acabaram sendo ignorados. Sustentam a tese de que quem arrematar a Varig levará junto o passivo tributário. É o oposto do que foi consignado no parecer oficial do órgão.

 

A Varig deve cerca de R$ 7,9 bilhões ao governo e a empresas estatais e privadas. Só os débitos inscritos no cadastro da Dívida Ativa da União, que se encontram em fase de cobrança judicial, somam cerca de R$ 2 bilhões. O passivo era um entrave à venda da companhia.

 

Na última quinta-feira, dia do leilão, o juiz Luiz Roberto Ayoub, que conduz a tentativa de recuperação da Varig, distribuiu entre os candidatos à compra o parecer que a Fazenda Nacional emitira na véspera. Foi uma tentativa de dar aos interessados a certeza de que, batido o martelo, não herdariam o passivo tributário da Varig.

 

No documento, assinado por Luis Inácio Lucena Adams, procurador-geral da Fazenda, o governo informa que a divisão da Varig em duas companhias –uma antiga, que manteria a dívida, e outra nova, a ser leiloada—não caracteriza uma “cisão” empresarial, “(...) não havendo que se falar (...) em sucessão tributária”.

 

Os pareceres ignorados pelo procurador-geral Lucena Adams anotam entendimento bem diferente. Um deles diz o seguinte: “Em que pese não estar consignado no referido plano o termo ‘cisão’, a operação a que se reporta a ‘Velha’ Varig está (...) caracterizada como tal”.

 

A “cisão resultará na responsabilidade solidária da Nova Varig pelos débitos tributários da sucedida (‘Velha’ Varig), por força da determinação legal (...)”, conclui o documento, datado de 10 de outubro de 2005. Os outros dois textos que foram ignorados pelo procurador foram redigidos, respectivamente, em 15 de setembro e 17 de outubro de 2005.

 

Nessa época, o procurador-geral da Fazenda era Manoel Felipe Brandão. Ele deixou o posto antes que pudesse se manifestar formalmente sobre a responsabilidade solidária das dívidas tributárias da Varig. Foi substituído por Lucena Adams, procurador da confiança do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Sob Lucena Admans, as notas, pareceres e relatórios que embasariam a palavra final do antecessor Manoel Felipe foram à gaveta. E sobreveio o novo parecer, que isenta o eventual comprador da “nova” Varig da encrenca tributária. O documento anota que, qualquer que seja o resultado da recuperação da Varig, “serão obrigatoriamente mantidos” na companhia “ativos e meios operacionais suficientes para, em conjunto com o valor mínimo em moeda corrente nacional estipulado para a alienação judicial, proporcionar meios para o integral pagamento dos credores (...)”.

 

Um dos pareceres desconsiderados diz coisa distinta. Informa que o patrimônio da Varig, avaliado em 257,7 milhões, é “manifestamente insuficiente” para quitar a dívida da empresa inscrita em dívida ativa (R$ 2 bilhões), “sem considerar aqueles débitos sob administração da Receita Federal e do INSS”. O juiz Luiz Roberto Ayoub ficou de dar uma palavra final sobre a venda da Varig nesta segunda-feira. No dia do leilão, só o consócio de trabalhadores da Varig se animou a fazer uma oferta pela companhia: R$ 1,01 bilhão.

Escrito por Josias de Souza às 01h19

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PT lança Mercadante e deputados mensaleiros

O senador Aloizio Mercadante foi confirmado neste sábado, em convenção do PT paulista, como candidato oficial do petismo ao governo de São Paulo. Na mesma convenção, o partido homologou os nomes de seu candidato ao Senado, Eduardo Suplicy, e dos concorrentes à Câmara dos Deputados.

 

Para a Câmara, o PT lançou vários nomes cujas biografias foram tisnadas por escândalos. Entre eles os deputados mensaleiros João Paulo Cunha, Professor Luizinho e José Mentor (na foto-montagem).

 

Também disputarão mandatos de deputado federal o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente do PT José Genoino. Palocci foi afastado do Ministério da Fazenda depois que se descobriu que ele ordenou a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Genoino renunciou à presidência do PT após a descoberto de que assinara um dos empréstimos contraídos por Marcos Valério no Banco Rural a pedido de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido (clica).

Escrito por Josias de Souza às 15h37

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Alckmin sugere que Lula é ‘líder dos 40 ladrões’

Marcelo Botelho
 

 

Discursando em Belo Horizonte, logo depois de ter sido confirmado como candidato à presidência pela convenção nacional do PSDB, Geraldo Alckmin referiu-se ao governo Lula como um período “que não tem paralelo na história” do país. “Nunca houve tanta desfaçatez e tanto banditismo em esferas tão altas da República”, afirmou. Alckmin insinuou que Lula é “o líder dos 40 ladrões”.

 

“Que tempos são esses, em que um procurador-geral da República denuncia uma quadrilha de 40 criminosos e no meio da lista estão ministros, auxiliares do presidente, amigos do presidente?”, perguntou o candidato. “Que tempos são esses, no Brasil, em que a cada vez que ouvem uma notícia sobre a quadrilha dos 40, os brasileiros pensam automaticamente, em silêncio: e o chefe? Onde está o chefe, o líder dos 40 ladrões?”

 

Alckmin se auto-atribuiu a missão de “restaurar a confiança dos brasileiros no Governo da República. Devolver dignidade e seriedade ao cargo”. E, por meio de um jogo de palavras, montado com o nítido propósito de esquivar-se de processos judiciais, deu a entender que Lula é corrupto, mentiroso, preguiçoso, omisso, enganador, e cínico. Eis o que declarou o candidato tucano:

 

“O povo brasileiro não é corrupto. O povo brasileiro não é mentiroso. O povo brasileiro não é preguiçoso. O povo brasileiro não é omisso. O povo brasileiro não é enganador.O povo brasileiro não é cínico. O seu presidente também não pode ser”.

 

Alckmin discursou diante da platéia de convencionais que inclui os principais líderes do tucanato, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o presidente do PSDB, Tasso Jereissati; o ex-prefeito José Serra; e o governador Aécio Neves (Minas). A tônica de todas as manifestações foi o anti-lulismo.

 

Alckmin disse que deseja “ser um presidente à altura do Brasi”. E voltou a ironizar Lula: “Um líder verdadeiro, um presidente como o Brasil precisa e merece, não pode se omitir; não pode dizer que ‘não sabia’; não pode fingir que não tem responsabilidade sobre as coisas; não pode achar que nada é com ele. Não sou assim. Não serei assim na presidência”.

 

Num dos mais incisivos ataques à gestão de seu rival, Alckmin afirmou que “o aparelho de Estado foi tomado de assalto por quem deveria geri-lo”. Ele pronunciou uma lista de escândalos. Incluiu mesmo os que não restaram comprovados, como a denúncia dos dólares supostamente vindos de Cuba, para a campanha de Lula. Dólares que teriam sido transportados em caixas de bebidas de Brasília para São Paulo.

 

Eis a relação: “Mensalão, corrupção nas estatais, dólar na cueca, dólar em caixa de bebida, malas de dinheiro, propinas, compra de deputados, sanguessugas do dinheiro público”. Ao dizer que o “Estado foi tomado de assalto”, Alckmin valeu-se de um complemente que remete às cores do PT: “(...) especialmente por um partido político que deixou o Brasil vermelho de vergonha”.

 

Os ataques a Lula e ao PT foram reservados para a parte final do pronunciamento. Antes, o candidato discorrer sobre a sua plataforma de governo. Leia a íntegra aqui. As diretrizes do programa de governo de Alckmin foram detalhadas pelo blog em quatro despachos anteriores: um, dois, três e quatro.

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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As manchetes deste domingo

- JB: Polícia Federal investiga fraude na urna eletrônica.

- Folha: Lula cria 'renda chinesa', mas reduz investimentos

- Estadão: Alckmin promete devassa da gestão Lula

- Globo: Imposto sobre consumo cresce 89% em 10 anos

- Correio: Campanha com dinheiro público

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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O Lula e o polvo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Alckmin promete cortar gastos e extinguir tributos

Daniel Kfouri/Folha Imagem
 

 

Chama-se “Caminhos para o Desenvolvimento” o documento que expõe as diretrizes do programa de governo de Geraldo Alckmin. Será divulgado neste domingo, em Belo Horizonte. Prevê a extinção de ministérios e órgãos públicos. Promete também a simplificação do “sistema tributário” por meio da eliminação de “muitas contribuições e impostos”, para “reduzir custos e facilitar a vida das empresas”. 

 

O documento, obtido pelo blog, não informa que “contribuições e impostos” seriam extintos. Quanto à estrutura administrativa, informa que será eliminado, “no mínimo, o mesmo número de ministérios e de órgãos que foram criados pelo atual governo”.

 

Ao tomar posse, em 2003, Lula criou nove novas pastas, incluindo as secretarias com status de ministério. O número de postos de primeiro escalão, que era de 26 ao final do governo Fernando Henrique, foi elevado para 35. Ao longo de seu mandato, porém, o próprio Lula eliminou três deles.

 

Um dos lemas da plataforma de Alckmin é: “Mais crescimento econômico com mais oportunidades”. Informalmente, os formuladores do programa de governo do tucanato mencionam o objetivo de atingir um nível de crescimento “chinês”.

 

Não há no texto, porém, nenhuma meta numérica. Tampouco há indicações objetivas que permitam concluir como Alckmin irá lograr a façanha de fazer com que o PIB do Brasil alcance o da China. As previsões mais otimistas indicam que a economia brasileira crescerá em torno de 3,5% em 2006. O crescimento chinês oscila entre 9% e 10%.

 

A plataforma do tucanato promete, em timbre ufanista, “reinventar o Estado brasileiro”. Informa que, se eleito, Alckmin irá “propor, negociar e aprovar no Congresso Nacional um novo ciclo de reformas institucionais”, capazes de dotar o país de “uma política econômica maiúscula”. O texto menciona, sem oferecer maiores detalhes, a intenção de promover o “enxugamento da gordura clientelista da máquina administrativa”.

  

Como complemento à eliminação de tributos, promete-se o “corte de gastos irrelevantes”, reduzindo “o peso da máquina pública inútil”, definindo “prioridades na alocação dos recursos”. Diz o documento: “À medida que o gasto (público) for sendo racionalizado, o ônus tributário será reduzido, contribuindo para estimular ainda mais o crescimento”.

 

Ao definir o papel do Estado numa eventual gestão Alckmin, o documento anota que o novo governo não cederá nem à tentação do “estatismo” nem à defesa do “fundamentalismo de mercado”. Reconhecerá “as funções do Estado” como “regulador e estimulador da atividade econômica e promotor da justiça social”. “A livre empresa”, diz ainda o texto, “deve ser o motor do crescimento e da inovação”.

 

Alckmin promete, de resto, “repensar o modelo de desenvolvimento regional” e “definir marcos regulatórios apropriados, que estimulem os investimentos”. O documento informa que, se o eleitor devolver a presidência ao tucanato, o governo vai transferir para Estados e Municípios os “serviços e ações” que eles “puderem executar”. Junto com os encargos, diz texto, serão enviados a governadores e prefeitos “os recursos” financeiros.

 

O documento será homologado neste domingo na mesma convenção que vai oficializar o nome de Alchimin como candidato do PSDB à presidência. Nase semanas seguintes, o texto, por ora um mero rol de inteções, será adensado em discussões com o PFL, que já decidiu se coligar ao tucanato, e com o PPS, que acena com a intenção de fazer o mesmo (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Programa de Alckmin incorpora teses caras a Lula

As diretrizes do programa de governo de Geraldo Alckmin (PSDB) incorporam, na área social, idéias presentes também na plataforma de Lula (PT), seu maior rival nas eleições presidenciais deste ano. A principal delas é o Bolsa Família, que paga entre R$ 15 e R$ 95 para famílias com renda mensal de até R$ 120 por pessoa.

 

O primeiro documento formal com as metas de governo de Alckmin promete: “Continuaremos e ampliaremos os programas de proteção social, como as bolsas.” O texto diz que a iniciativa não é de Lula, mas de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. As bolsas “são criaturas do PSDB”, diz o programa tucano.

 

O documento realça uma preocupação também presente no discurso do PT: a necessidade de emancipar as pessoas que hoje recebem o auxílio governamental. “Não queremos condenar as famílias eternamente à ajuda do governo (...)”, anota o texto. “A rede de proteção social representa um avanço importantíssimo mas por si só não responde ao desafio da inclusão”.

 

“Pobreza não é só falta de renda”, prossegue o documento. “É falta de renda e de trabalho, habitação, segurança, educação, saúde e saneamento. Dificilmente a situação de uma família pobre vai melhorar significativamente por receber uma bolsa do governo. Pior ainda, a bolsa não romperá a armadilha da pobreza se as crianças continuarem a receber educação de má qualidade e se não forem criadas ― por meio do crescimento econômico ― oportunidades para trabalhar e empreender”.

 

Alckmin promete manter um outro programa caro a Lula: o Pronaf, que financia com empréstimos públicos subsidiados a agricultura familiar. Diz o texto: “Os agricultores familiares continuarão a receber apoio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar”. De novo, o documento preocupa-se em esclarecer que o benefício não é obra de Lula. Foi “criado pelo PSDB”, sob FHC.  

 

Sem mencionar explicitamente o quebra-quebra promovido pelo MLST nas dependências da Câmara dos Deputados e as invasões de terras feitas pelo MST, o programa do tucanato dá uma estocada em Lula. Diz que um eventual governo Alckmin não descuidará da reforma agrária. Mas ela “não será feita sob o acicate (espora de um só aguilhão) de pressões que desvelam para a violência e desrespeito às instituições democráticas. Seremos intransigentes com a violência no campo e não admitiremos a ilegalidade como meio de ação”.

 

Em nova estocada na gestão Lula, às voltas com críticas dos grandes produtores rurais, Alckmin promete “fortalecer” o “agronegócio”. “Não apenas para produzir alimentos para o mercado doméstico e mundial como também para gerar a energia do futuro, limpa e renovável, que, aos poucos, substituirá o petróleo e seus derivados”. Mais uma similitude com a plataforma de Lula, que não se cansa de defender o biodiesel como fonte alternativa de energia (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Na educação, prioridade para o ensino fundamental

Num eventual governo chefiado pelo tucano Geraldo Alckmin, o Ministério da Educação dará prioridade ao nível intermediário do ensino. “Os recursos federais”, diz o documento com as diretrizes do candidato, “devem ser destinados primeiro a melhorar a qualidade do ensino fundamental”.

 

O texto relaciona, em termos genéricos, um elenco de objetivos: “Qualificar e remunerar melhor os professores da rede pública; estender progressivamente o turno escolar, começando pelas áreas mais pobres e expostas à violência; completar a informatização das escolas e facilitar o acesso pessoal dos seus professores à internet; abrir as portas das escolas às famílias dos alunos e à comunidade local; melhorar a gestão escolar incorporando processos de avaliação e incentivos focados no aproveitamento dos estudantes”.

 

Alckmin se propõe também a “expandir” o ensino médio. Dará ênfase “tanto à formação do cidadão quanto à capacitação do trabalhador”. Uma capacitação capaz de responder “às necessidades da economia em rápida transformação e encarar o trabalhador como empreendedor, um agente da inovação, seja na condição de autônomo, empregado ou empregador”.

 

Sob Alckmin, as universidades federais serão “estimuladas a se engajar crescentemente no desenvolvimento do ensino básico”, por meio da “formação e aperfeiçoamento de professores e instrutores”. O documento menciona também o “ensino técnico” que, segundo Lula, foi “desmontado” durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

 

Diz o documento: “No Brasil o ensino técnico desviou-se de sua missão primordial e foi principalmente utilizado como meio apenas para o ingresso dos estudantes no ensino superior. As escolas técnicas não podem ser vistas como concorrentes ou substitutas do ensino médio, mas como complementar e voltadas para qualificar os jovens e permitir sua inserção ao mercado cada vez mais exigente em termos de capacitação técnica”.

 

“Para Geraldo Alckmin”, prossegue o texto, “educação para o emprego é, de imediato, instrumento prioritário de inclusão social dos jovens. Também abre novas perspectivas e oportunidades de progresso e ascensão profissional e social para aqueles que busquem dar continuidade ao processo educacional” (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Alckmin promete ‘indulgência zero’ com impunidade

Nas pegadas da onda de ataques do PCC às forças de segurança de São Paulo, Geraldo Alckmin incluiu no documento que expõe as suas diretrizes de governo uma espécie de "pacote anti-Marcola" de combate ao crime organizado. “Mais do que a severidade da pena”, diz o texto, “é a certeza da punição que pode desencorajar a prática do crime”. Para o candidato tucano, o exemplo precisa vir de cima.

 

“Geraldo Alckmin vai praticar a indulgência zero, começando pelos políticos”, anota o texto do PSDB. Como que desejoso de atenuar as responsabilidades do governo paulista, gerido pelo PSDB por 12 anos, pela ação do PCC, o tucanato anotou em sua plataforma de governo o seguinte: “O primeiro passo para enfrentar a crise é cada nível de governo, começando pelo federal, assumir com clareza suas responsabilidades específicas pela segurança pública”.

 

No trecho dedicado à segurança pública, a plataforma do PSDB é permeada de alfinetadas na gestão Lula: “O governo federal, na gestão Geraldo Alckmin, vai fazer sua parte: tirar do papel as penitenciárias prometidas e não construídas pelo atual governo; descontingenciar os recursos do Fundo Penitenciário Nacional para os Estados; apoiar junto ao Congresso as mudanças necessárias na Lei de Execução Penal, para cortar a comunicação entre chefes criminosos presos e seus comandados nas ruas”.

 

O documento não poupa nem mesmo a Polícia Federal, orgulho do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Afirma que o órgão “tem mostrado mais êxito contra a corrupção do que contra o tráfico de drogas e armas”. E completa: “É preciso reforçar a inteligência da Polícia Federal e estreitar sua cooperação com outros órgãos federais (Receita, Banco Central, COAF, Abin, Forças Armadas), as polícias estaduais e o Ministério Público". E, para não soar displicente com o enfrentamento dos escândalos, complementa: "O combate à corrupção será intransigente, mesmo porque é por meio dela que o crime organizado se infiltra no aparelho do Estado”.

 

O texto do PSDB lembra que “o capítulo de segurança pública da Constituição prevê duas leis que até hoje não foram aprovadas: uma para definir a competência da Polícia Federal em relação às ‘infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme’; outra que ‘disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades’”.

 

“Geraldo Alckmin”, anota o esboço de programa de governo, “dará urgência à elaboração dessas leis, visando criar uma base jurídica sólida para integrar e dar foco às ações dos órgãos federais e estaduais de segurança no combate ao crime organizado. E levará adiante a atualização do Código de Processo Penal com vistas a desburocratizar e tornar mais expeditas a investigação e julgamento dos delitos”.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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