Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Alckmin se diz ‘surpreso’ com subida nas pesquisas

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

O presidenciável tucano Geraldo Alckmin disse ter recebido com “surpresa” a informação de que subira nas pesquisas –sete pontos, segundo o Datafolha; nove, conforme o Vox Populi. "Recebi hoje cedo os resultados (...) com muita humildade e surpresa, pois esperava chegar à véspera do horário eleitoral gratuito na faixa dos 20%", disse ele.

 

Alckmin, que fez campanha nesta sexta-feira em Paritins (AM), acrescentou: "Enquanto nossos adversários caminham com salto 15, continuaremos usando as sandálias da humildade".

 

Sandálias da humildade?!?!?!?!? Menos, Alckmin, menos.

Escrito por Josias de Souza às 22h52

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PT já fala em disputa longa, com eventual 2º turno

Tuca Vieira/Folha Imagem
Em reunião de sua Executiva Nacional, o PT analisou nesta sexta-feira o resultado da última rodada de pesquisas de opinião. O partido começou a descer do salto. Prepara-se agora para uma disputa renhida, com eventual segundo turno.

 

O próprio presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reconheceu que o petismo trabalha com a hipótese de que a eleição presidencial escorregue para o segundo turno. Berzoini avaliou assim as novas pesquisas: "Evidentemente mostram um quadro muito mais realista do que será a eleição do que as pesquisas anteriores".

 

"Vencer no primeiro turno”, disse Berzoini, “é uma possibilidade. Acreditamos que as pesquisas de hoje mostram uma vitória no primeiro turno, mas vamos trabalhar porque a campanha é longa".

 

Foram duas as sondagens eleitorais que vieram a público nesta sexta. Uma, do Datafolha, mostra que Alckmin subiu sete pontos percentuais. Foi de 22% para 29%. Lula, porém, manteve-se estável. Oscilou de 45% para 46%. Quando computados apenas os votos válidos (excluindo-se os brancos e nulos), Lula fica com 54%. Venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje.

 

A outra pesquisa é do instituto mineiro Vox Populi. Informa que Lula perdeu quatro pontos percentuais. Desceu de 49% para 45%, taxa semelhante à que foi apurada pelo Datafolha. Quanto a Alckmin, teria subido nove pontos: de 23% para 32%. Posição um pouco mais confortável do que a que foi atribuída a ele pelo Datafolha.

 

Os políticos que comentaram os resultados das pesquisas chegaram a uma conclusão óbvia: o crescimento de Alckmin se deve à exposição do candidato na TV. Em junho, Alckmin estrelou um programa de 20 minutos e inserções de um minuto e de 30 segundos espalhadas ao longo do mês (clica).

 

Pela lei, os candidatos começam a se expor diariamente na TV e no rádio a partir de 15 de agosto. Não é à toa que Lula se empenhou tanto para obter o apoio formal do PSB. Não conseguiu. E vai à TV com 6 minutos e 34 segundos. Alckmin terá pouco mais de 9 minutos.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Tasso anula coligação do PSDB com Requião no PR

Folha Imagem
 

 

Azedaram as relações entre o tucanato e o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Em convenção realizada na noite passada, o PSDB do Paraná aprovou uma coligação formal com Requião, candidato à reeleição. Acomodou-se na vice de Requião o deputado estadual tucano Hermas Brandão. Em ofício enviado há pouco para o diretório do PSDB do Paraná, Tasso Jereissati, presidente do partido, anulou o resultado da convenção.

 

A anulação foi feita sob o pretexto de que Requião, amigo de Lula, não assumiu o compromisso de apoiar o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. O pedido de intervenção da direção nacional foi encaminhado a Brasília na manhã desta sexta-feira pelo advogado João Graça, ligado ao deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).

 

Antes de anular a convenção, Tasso conversou por telefone com Álvaro Dias, candidato do PSDB ao Senado. Ele se posicionou favoravelmente à anulação. E Tasso bateu o martelo. O resultado da convenção foi apertado. A diferença foi de escassos cinco votos: 205 convencionais tucanos votaram a favor da coligação com Requião; 200 posicionaram-se contra. No recurso encaminhado a Tasso, o advogado João Graça anexou várias declarações de Requião de que manteria no Paraná uma posição de neutralidade em relação à disputa presidencial.

 

O advogado lembrou que o PSDB tem direito a cerca de 1.000 inserções publicitárias no rádio e na TV. Informou que há no Paraná 31 emissoras de TV e 310 de rádio. Assim, Requião ganharia 31.000 minutos na TV e 310 mil minutos no rádio para falar bem de si mesmo sem fazer uma única menção a Alckmin. Os argumentos sensibilizaram a direção nacional.

 

Liderada pelo tucano Hermas Brandão, presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, a ala do PSDB ligada a Requião pode recorrer à Justiça para tentar manter o resultado da convenção. Caso prevaleça a anulação determinada pela direção nacional, o PSDB vai às urnas no Paraná sem candidato ao governo. Uma ala fará campanha para Osmar Dias (PDT), irmão de Álvaro Dias, candidato tucano ao Senado. Outro grupo fará campanha para Requião. Mas nenhum dos candidatos poderá usar o tempo a que o partido tem direito na propaganda eleitoral.

 

Com a anulação determinada por Tasso, o PSDB pode ter evitado que Requião utilize o tempo de propaganda do PSDB para fazer campanha disfarçada de Lula. Mas, concretamente, Geraldo Alckmin ficou sem palanque no Paraná. Lula, além do apoio político de Requião, terá do petista Flácio Arns, que disputa o governo paranaense coligado ao PL e ao PCdoB.

Escrito por Josias de Souza às 17h36

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Graças a Lula, PCdoB ganha vaga ao Senado no CE

  Roberto Barroso/ABr
A decisão do PCdoB de coligar-se formalmente com Lula rendeu ao partido um mimo de Lula. O presidente discou para Eunício Oliveira (na foto). Ex-ministro das Comunicações, Eunício pretendia concorrer ao Senado pelo PMDB do Ceará, em coligação com Cid Gomes, candidato ao governo do Estado pelo PSB. A pedido de Lula, desistiu da idéia.

 

Abriu espaço para a candidatura de Inácio Arruda (PCdoB-CE) ao Senado. Assim, fechou-se o palanque de Lula no Ceará. A chapa majoritária é composta por Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes, para o governo; Francisco Pinheiro (PT), para vice; e Arruda para o Senado.

 

O deputado federal Eunício vai às urnas como candidato à Câmara. Com o seu gesto, o ex-ministro tornou-se credor de Lula. Integrante do escalão avançado do governismo no PMDB, credenciou-se para voltar à Esplanada dos Ministérios caso Lula ganhe do eleitor um segundo mandato.

Escrito por Josias de Souza às 16h39

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Novo ministro da Agricultura é simpático ao MST

  Lula Marques/Folha Imagem
Chama-se Luiz Carlos Guedes Pinto o novo ministro da Agricultura. Ele era o segundo de Roberto Rodrigues, que se demitiu há dois dias. Tomará posse na próxima segunda-feira, às 17h.

 

Guedes Pinto será ministro por seis meses. É improvável que Lula o mantenha caso venha a obter um segundo mandato. O governo esforça-se para passar a impressão de que nada mudou.

 

O novo ministro descarta a hipótese de promover mudanças na pasta. E diz ter recebido orientações de Lula para manter bom relacionamento com a bancada ruralista do Congresso.

 

No mesmo tom, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), afirma que Guedes Pinto dará curso à “mesma linha técnica e política” de Roberto Rodrigues. “Não vai haver nenhuma ruptura”, diz.

 

Não é sem motivo que o governo tenta vender Guedes Pinto como um prosseguimento de Roberto Rodrigues. Os dois são bem dessemelhantes. Diferentemente do ex-titular, vinculado ao agro-negócio, o novo ministro possui laços com o MST (clica).

Escrito por Josias de Souza às 15h02

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As manchetes desta sexta

- JB: Espetáculo

- Folha: Alckmin sobe; Lula vence no 1º turno

- Estadão: Lula critica limite da Lei Fiscal

- Globo: Lula dá aumento pré-eleitoral de até 190% para servidores

- Correio: Reajuste do servidor varia de 2,6% a 190%

- Valor: Liberalização do câmbio sai, mas deve ser parcial

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Em velocidade eleitoral!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Pesquisa informa a Lula que Alckmin não está morto

 

 

O resultado da última pesquisas Datafolha, realizada na quarta e na quinta-feira, oferece a Geraldo Alckmin a possibilidade de retomar o controle da campanha de Geraldo Alckmin. Para o candidato, é uma notícia quase tão importante quanto a escalada de sete pontos percentuais –de 22% para 29%— na escada que leva ao coração do eleitor.

 

Desde que foi escolhido para representar a oposição nas urnas de 2006, Alckmin vem se deixando anular por um conciliábulo composto por grão-tucanos e sábios pefelistas. Parte do grupo quis transformar o candidato em ventríloquo do ódio. Deve-se ao jornalista Luiz González a desmontagem da armadilha.

 

González assumiu o marketing da campanha tucana sob olhares desconfiados. Poderia ter desperdiçado a sua hora. Mas, numa fase em que virou moda dizer que Lula cercou-se de uma cáfila de corruptos, preferiu levar à TV peças publicitárias que enalteceram o seu “produto” sem diminuir a mercadoria da concorrência.

 

Retirou-se a raiva do discurso, eis o principal mérito de González. Alckmin continua na lona. Se a eleição fosse hoje, Lula (46% das intenções de voto) ainda beliscaria 54% dos votos válidos, numa conta que exclui os brancos e nulos. Ganharia no primeiro turno. Mas ficou claro que a oposição tampouco foi a nocaute. Ficou evidente também que a distribuição de socos a esmo, ao estilo PFL, não vai arrancar Alckmin do córner.

 

Se a satanização de Lula rendesse votos, o presidente já teria virado pó. Não se faz outra coisa desde maio do ano passado. A oposição vinha esquecendo que sua obrigação é oferecer uma mercadoria que anda em falta: alternativas. Podendo oferecer opções, PSDB e PFL vinham levando ao balcão raiva e tensão.

 

Nesse instante Lula vai á convenção petista e diz que “o sonho não acabou e a esperança não morreu”. E afirma que é candidato de novo “porque o Brasil, hoje, está melhor do que o Brasil que encontrei três anos e meio atrás, mas pode --e precisa-- melhorar muito mais”.

 

Conforme noticiado aqui, pesquisa feita por encomenda do próprio PT mostrou que 50% dos brasileiros acham que Lula sabia que seu partido comprou deputados. Mas 41% avaliam que o nível de corrupção atual é idêntica à que havia antes. Ou seja, o raciocínio do eleitor é o seguinte: ladrão por ladrão, ainda fico com a “esperança” representada por Lula. Cabe a Alckmin oferecer um “sonho” mais sedutor.

 

Qual é o nome do sonho alternativo? O próprio Luiz Gonzáles disse, em reuniões fechadas, que o tema da campanha ainda não foi definido. Nos mesmos diálogos, o jornalista, que já intuía o crescimento de Alckmin, afirmou que as pesquisas não poderiam conduzir à euforia.

 

González fala com conhecimento de causa. Em 2004, comandou a campanha de José Serra à prefeitura de São Paulo. Na fase de pré-campanha, valendo-se de programas institucionais do PSDB, fez a popularidade de Serra crescer 10%. Nas pesquisas seguintes, porém, cinco pontos foram para o espaço.

 

Cavalgando a experiência de campanhas anteriores, González repete entre quatro paredes aquilo que todo mundo já sabe: a campanha será decidida na TV, a partir de 15 de agosto. Aposta no crescimento de Alckmin. Mas diz que ele não virá do dia para a noite. O tempo de maturação da mensagem televisiva seria de 20, 30 dias.

 

Resta saber se o que Alckmin dirá na TV soará tão sedutor quanto o que Lula vem dizendo. Mais: é preciso verificar se Alckmin terá pulso para assumir as rédeas de sua campanha. Na disputa interna que travou com José Serra para tornar-se o presidenciável do PSDB, portou-se como um leão. Depois, passou a exibir um comportamento de gatinho manso.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Lula concede aumentos a 1,7 milhão de servidores

A 94 dias das eleições, Lula tornou-se um poço de gentilezas. Editará nesta sexta-feira mais seis medidas provisórias concedendo reajustes salariais a 1,7 milhão de funcionários públicos civis e militares. A providência custará ao erário R$ 16,5 bilhões nos anos de 2006 e 2007. Serão contempladas 33 categorias. Algumas delas terão seus contracheques tonificados em 190%.

 

O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio de Mello, enxerga motivações eleitorais por trás da súbita generosidade de Lula. Diz, porém, que um posicionamento de todo tribunal dependeria da disposição de algum partido político de representar contra os aumentos. Só que partido nenhum será louco de se indispor com quase 2 milhões de funcionários públicos. Resta saber se o Ministério Público tomará a iniciativa (clica).

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Sérgio Guerra: ‘há mais apoio agora que em 2002’

O coordenador nacional da campanha de Geraldo Alckmin, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), disse ao blog que o PSDB amealhou mais apoios para a campanha deste ano do que para a eleição presidencial de 2002, na qual José Serra foi derrotado por Lula. “Neste ano temos muito mais estrutura de apoio nos Estados do que tivemos quatro anos atrás”, diz ele.

 

A propósito de notícia divulgada aqui a respeito de divergências entre PSDB e PFL na composição de palanques estaduais, o senador afirmou o seguinte: “Em época de convenções crises pontuais são naturais. Rusgas vão existir durante todo tempo. Não foram inventadas agora nem vão acabar agora”.

 

Na opinião de Sérgio Guerra, “não é fácil juntar nacionalmente dois partidos com as dimensões do PSDB e do PFL”. Ele compara a situação da campanha que coordena à do principal concorrente: “Veja o caso do Lula. Não conseguiu atrair ninguém. Só se compôs com o PC do B e com o PRB”.

 

Sérgio Guerra reconhece que as divergências, ainda que pontuais, não ajudam na campanha. Mas insiste em comparar o quadro atual com o de 2002. “Os apoios agora são infinitamente maiores”. Sem mencionar números, ele afirma que levantamentos internos do PSDB indicam um encurtamento da distância que separa Alckmin de Lula no Nordeste.

 

Em contato com o blog, também o senador Antonio Carlos Magalhães tentou amenizar a aparência de crise interna. Disse que suas relações de amizade com Tasso Jereissati, presidente do PSDB, mantêm-se inalteradas. Considera-se atendido regionalmente com a intervenção de Tasso e Alckmin para que o PSDB baiano não lançasse candidato ao governo da Bahia. Afirmou que os comentários a ele atribuídos em relação a Tasso não foram traduzidos fielmente.

 

Também o governador tucano do Ceará, Lúcio Alcântara, apressou-se em informar que o esfriamento de suas relações com Tasso Jereissati, que tentou impedir sua candidatura à reeleição, não o impedirão de fazer campanha para o presidenciável do partido. Sua disposição ficará demonstrada quando Alckmin for ao Ceará durante a campanha.

 

O senador Sérgio Guerra tem razão quando diz que o tucanato logrou reunir mais apoios na campanha de 2006 do que na de 2002. Há quatro anos, nem o PSDB apoiava integralmente a candidatura presidencial de José Serra. Tasso, por exemplo, jogou contra. O que rendeu a Serra uma retumbante derrota no Ceará. O problema agora é saber se apoios formais serão traduzidos em campanha efetiva.

 

Embora formalmente coligado ao PSDB, o PFL sente-se desatendido em vários Estados. Em muitos deles, talvez não se sinta estimulado a arregaçar as mangas por Alckmin. Lula, embora formalmente aliado apenas ao PC do B e ao PRB, coleciona apoios informais. Estima-se que a campanha reeleitoral mobiliará, por exemplo, pelo menos 14 diretórios estaduais do PMDB. Não é pouca coisa.

 

Uma subida expressiva de Alckmin nas pesquisas ajudaria a aplacar as rusgas que contaminam a sua campanha. Mas, como disse um líder do PFL ao blog, o fechamento das convenções estaduais dá à eleição uma aparência de jogo jogado. A recuperação de Alckmin teria de ser acachapante para reverter o placar da partida. Em poucas horas serão divulgados os números de mais uma pesquisa Datafolha. No final de semana sai outra sondagem do Vox Populi. Os dados dirão para que lado sopram os ventos. 

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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De repente, os políticos enxergam as domésticas

Você decerto já ouviu falar dele. Claro, não há dúvida. Ele jamais foi tão comentado como agora. Parece que ele já vem misturado à saliva, tamanha a naturalidade com que escorre dos lábios mais improváveis.

 

Ele virou unanimidade nacional. Ele é mencionado em discurso, artigos de jornal, cartazes, convites para aniversário de criança... Lula não fala em outra coisa. Alckmin idem. Ninguém é contra ele.

 

Mas quem é, afinal, este “ele” de quem falamos? Ora, ainda não adivinhou? Estamos nos referindo, obviamente, ao social. Sim, ele mesmo, o social. De uns meses para cá, mata-se e morre-se pelo social.

 

Até o Congresso, com a reputação ao rés do chão, decidiu cuidar do social. Concluiu-se ontem a votação da medida provisória baixada para beneficiar as empregadas domésticas. O governo propusera estímulos à formalização do trabalho doméstico.

 

Ao analisar a medida, os congressistas decidiram ir além. Além da assinatura em carteira, aprovaram a obrigatoriedade da inclusão das domésticas no regime do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

 

Súbito, passou-se a difundir a tese de que o Congresso exagerara. Mas como? Até FGTS? Não, não. Isso é demais. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PPS-RS) disse que Lula poderia vetar a medida: "Isso será analisado. Não temos compromisso com a sanção".

 

Nesta sexta-feira, o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse algo diferente. O governo, segundo ele, não deve vetar “os pontos essenciais do projeto”. Que assim seja. O signatário do blog acendeu uma vela. E, mãos postas, reza pelas domésticas.

 

Em ''Política como Vocação'', Max Weber anotou: ''A política é como perfuração lenta de tábuas duras (...) o homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível''.

 

Nada parece tão impossível entre nós quanto a perspectiva de tornar visíveis esses seres invisíveis que perambulam pelas residências brasileiras. Em silêncio, elas cozinham, lavam, passam e criam os filhos das famílias bem-postas. Merecem mais do que o FGTS. Merecem respeito.  

Escrito por Josias de Souza às 15h38

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Depois de fazer-se de difícil, PC do B vai a Lula

Amigo eterno de Lula e do PT, o PC do B passou as últimas duas semanas batendo o pezinho. Parecia cansado da convivência. Acenou com o rompimento. Era tudo charminho.

 

O PC do B pedia a reciprocidade do PT na composição de chapas eleitorais em três praças: Brasília, Tocantins e Ceará. Não foi atendido em nada. Ainda assim, o partido aprovou nesta quinta-feira, em convenção nacional, o apoio formal à reeleição de Lula.

  

Para que ninguém pense que comunista é um ser volúvel, o PC do B foi ao colo de Lula sob uma condição: "Nós defendemos um redirecionamento da política macro (econômica) com crescimento mais forte", disse Renato Rabelo, presidente da legenda. Ah, bom!

 

Com a adesão do PC do B, Lula passa a dispor de 6 minutos e 34 segundos de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Geraldo Alckmin, seu principal adversário, tem cerca de nove minutos.

Escrito por Josias de Souza às 14h23

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As manchetes desta quinta

 

- JB: Campo entra em alerta

 

- Folha: Governo acelera Bolsa-Família a 3 meses da eleição

 

- Estadão: Ministro da Agricultura sai para evitar pressões de Lula

 

- Globo: Congresso torna obrigatório pagar FGTS para domésticos

 

- Correio: Arruda sai na frente na corrida pelo GDF

 

- Valor: Turbulências e fuga ao risco paralisam captação externa

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h20

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No ataque!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Campanha de Alckmin vive sua mais grave crise

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) são fraternais amigos. Ambos têm reservas ao tucano José Serra. Por isso, tramaram juntos a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência. Nas últimas 48 horas, as referências pouco lisonjeiras que ACM faz a Tasso dão uma idéia da deterioração que consome a campanha de Alckmin.

 

Em diálogos privados, ACM diz que Tasso porta-se de maneira “frouxa” na condução da campanha de Alckmin. Acusa-o de “falta de pulso”. Diz que o presidente do PSDB não conseguiu pôr ordem nem no próprio “terreiro”, o Ceará. E difunde a impressão de que Alckmin terá no Nordeste uma votação “vexatória”.

 

Desde que decidiram se unir, PSDB e PFL dedicam-se a administrar a própria desunião. Dizia-se que, passadas as convenções de junho, as rusgas estariam superadas. As últimas convenções realizam-se nesta sexta-feira. E a crise, longe de estar sanada, acentuou-se.

 

O discurso da unidade é mera fachada. Nos subterrâneos, tucanos e pefelistas perdem-se na troca de farpas. O desencontro brota das desavenças regionais. E deságua na campanha nacional. Sob a condição do anonimato, um senador com assento na Executiva do PFL resumiu: “Como o candidato é frágil, as seções regionais entraram num clima de salve-se quem puder. Cuidam dos seus interesses e mandam o Alckmin para o beleléu”.

 

No Ceará de Tasso, o governador tucano Lucio Alcântara, candidato à reeleição, dá as costas para Alckmin. De olho na popularidade de Lula, estimula a formação de um palanque informal batizado de “Lu-Lu” (Lúcio e Lula). Costura alianças com prefeitos de todos os partidos, inclusive do PT. Nesta quinta-feira, obteve o apoio do prefeito petista do município de Amontoada, Edvaldo Assis.

 

No Rio Grande do Norte, o tucano Geraldo Melo lançou-se ao Senado escorado na governadora Wilma Maia (PSB), candidata à reeleição com o apoio de Lula. Em Sergipe, o tucano Albano Franco simula entendimento com a campanha à reeleição do governador João Alves (PFL). Mas, irritado com o veto à sua candidatura ao Senado, Albano concorre à Câmara e, por baixo do pano, celebra uma aliança branca com Marcelo Déda, candidato de Lula ao governo sergipano.

 

No Piauí de Heráclito Fortes, que representante o PFL no comitê de Alckmin, o PSDB deu de ombros para os pefelistas. Para o governo, lançou o tucano Firmino Filho. Para o senado, indicou o também tucano Freitas Neto. E negocia a vice com PPS e PV. No Maranhão, a candidatura de Roseana Sarney (PFL) foi homologada no domingo em convenção que teve como ponto alto a leitura de uma carta de Lula desejando êxito à filha do aliado José Sarney. O PFL maranhense arma palanque para Lula.

 

A quem reclama das desavenças, Alckmin promete intervir. Mas a solução, na maioria dos casos, não vem. Nesta quinta-feira, evitou-se um incêndio na Bahia. O tucanato local foi demovido da idéia de lançar um candidato ao governo, contra Paulo Souto (PFL). Mas não deixou de fustigar ACM com a formalização da candidatura de Antonio Imbassahy, desafeto do morubixaba baiano, ao Senado. O PSDB da Bahia cobra atenção de Alckmin. E ACM diz que, se as mesuras forem maiores do que a cortesia dispensada ao seu grupo, dará o troco. Paulo Souto, de resto, fará campanha sem hostilizar Lula, detentor de 55% dos votos baianos.

 

O recrudescimento da crise ocorre num instante em que o PSDB diz dispor de pesquisas internas que indicam um início de crescimento de Alckmin. Um senador pefelista disse ao blog que, ainda que salte de 20% para 30%, Alckmin não ganha de Lula sem a máquina de cabos eleitorais do PFL nordestino. "Passadas as convenções, o jogo está jogado", disse ele. “E o resultado não parece nada favorável ao Alckmin”.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Para Lula, críticas da oposição fogem do razoável

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Lula esteve nesta quarta em Minas Gerais. O propósito oficial da viagem era uma visita à Usina Presidente Arthur Bernardes, do grupo Gerdau. Ali, Lula discursou e conversou com os operários. Mas, quebrando a promessa que fizera de só cuidar de assuntos relacionados à campanha reeleitoral nos fins de semana, Lula pôs-se a fazer política.

 

Reuniu-se num hotel de Contagem (MG) com lideranças do PT e do PMDB. As duas legendas se uniram em torno do candidato petista Nilmário Miranda, para tentar fazer sombra ao favoritismo do governador Aécio Neves (PSDB), que disputa a reeleição. Antes, Lula esteve em Belo Horizonte. Reuniu-se a portas fechadas com o próprio Aécio.

 

Para desassossego de Geraldo Alckmin, o teor do diálogo do presidente com Aécio ainda é desconhecido. Quanto à conversa com peemedebistas e petistas, soube-se que Lula fez queixas ao tom que a oposição vem utilizando quando se refere a ele. Acha que a coisa está “ultrapassando as raias do razoável”, informa o repórter Paulo Peixoto.

 

Lula não citou nem partidos nem pessoas. Mas decerto referia-se ao senador José Jorge (PFL-PE). Em declaração recente, o vice de Geraldo Alckmin disse que Lula viaja muito, trabalha pouco e bebe em demasia. O presidente também mencionou a pretensão de certos opositores de abrir um processo de impeachment contra ele. A idéia só não prosperou, disse, porque não encontrou eco na sociedade popular.

 

Referindo-se à campanha mineira, Lula disse que não se deve desdenhar das chances de Nilmário Miranda. A despeito de Aécio Neves desfrutar de índices de intenção de voto de mais de 70%, Lula afirmou que a eleição não está definida. Comparou a situação do governador tucano à de um barco em alto mar, suscetível a reviravoltas em caso de marola. Depois, disse que Aécio está nadando sozinho numa piscina.

 

Transpostas para o cenário nacional, as metáforas de Lula poderiam ser usadas contra ele próprio. Alckmin, com seus 20% nas pesquisas, encontra-se em situação bem mais confortável que Nilmário Miranda, que ainda não atingiu nem a marca de 10%. De resto, os cerca de 45% atribuídos a Lula não chegam a roçar os mais de 70% de Aécio.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Goldman será vice de Serra; Afif disputa o Senado

  José Cruz/ABr
Terminou a novela. O tucanato disputará o governo de São Paulo com uma chapa puro-sangue. O vice de José Serra será o também tucano Alberto Goldman, hoje deputado federal.

 

A decisão será anunciada nesta quinta-feira. Para honrar o acordo celebrado com o PFL, o PSDB não lançará candidato ao Senado. Apoiará a candidatura do empresário Guilherme Afif Domingos, informa Epaminondas Neto.

 

Diz-se nos arredores de Serra que, antes de acertar-se com Goldman, o candidato sondou para a vaga de vice, veja você, a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Sim, isso mesmo, a mulher de FHC. Que, a propósito, detestava ser chamada de primeira-dama. Imagine-se, então, de ex-primeira dama.

 

Amiga de Serra, cujo nome defendia para a disputa presidencial, Ruth, ao que tudo indica, recusou a oferta. E Serra foi de Goldman. O deputado freqüentava o topo da lista de cotados. Torcia para receber o convite. Ele se diz cansado da rotina parlamentar.

Escrito por Josias de Souza às 22h46

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‘Minha missão está cumprida’, diz Roberto Rodrigues

Lúcio Távora/Folha Imagem
 

 

Em sua primeira entrevista depois de ter pedido demissão do cargo de ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues disse que sua saída nada tem a ver com os problemas de saúde de sua mulher. Sai porque não se julga mais útil ao governo. A gestão do principal problema afeto à sua pasta –a crise no setor agrícola— fugiu-lhe do controle.

 

"Há uma crise profundíssima, e o governo tem seus instrumentos. Mas muitos temas transcendem a agricultura", disse o ministro demissionário, segundo relato de Patrícia Zimmermann. O ministro foi delicado. Disse que a resolução da encrenca passa pela adoção de "medidas macroeconômicas". Medidas que, segundo diz, estariam sendo discutidas em âmbito técnico. O que dispensa a sua participação.

 

"Considero minha missão cumprida no Ministério da Agricultura", disse Rodrigues. Provocado pelos repórteres, ele reconheceu que já havia colocado o cargo à disposição em outras quatro oportunidades (clica).

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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PT acusa Sarney de falsificar assinatura de Lula

  José Cruz/ABr
O senador José Sarney (AP), um dos principais aliados de Lula no PMDB, está sendo acusado pelo PT do Maranhão de falsificar a assinatura do presidente da República numa carta em apoio à candidatura de sua filha, Roseana Sarney (PFL), ao governo do Maranhão. A carta foi lida no último domingo na convenção que homologou a candidatura de Roseana.

 

“A falsificação é grosseira”, disse ao blog o secretário-geral do PT maranhense, Franklin Douglas. “Basta comparar a assinatura da carta com a assinatura verdadeira do presidente, divulgada no site oficial da presidência da República. O senador Sarney é useiro e vezeiro nesse tipo de manipulação”.

 

O documento que pôs o PT do Maranhão em estado de guerra contém uma mensagem de Lula dirigida a Roseana Sarney. Diz o seguinte: “Não podendo, infelizmente, comparecer à convenção que a escolherá como candidata ao governo do Maranhão, pedi para me representar o senador José Sarney. Ninguém poderia exercer esse papel melhor do que ele, seu pai, o meu prezado amigo senador José Sarney, que tem apoiado e defendido meu governo em todos os momentos”.

 

Antes da assinatura cuja autenticidade o PT local contesta, Lula afirma que Sarney “transmitirá, em meu nome, os meus votos de sucesso e de congratulações ao povo do Maranhão”. O eventual sucesso de Roseana, se vier a ser confirmado nas urnas, significará o infortúnio da candidatura rival, encabeçada pelo ex-presidente do STJ, Edison Vidigal. Ele concorre ao governo maranhense pelo PSB, com o apoio do PT e do PC do B.

 

O gabinete de Sarney informa que a carta e a assinatura de Lula são autênticas. O secretário-geral do PT do Maranhão duvida: “O presidente Lula é um homem sério. Não enviaria mensagem desejando sucesso à convenção de um partido como o PFL, que lhe fez oposição, e que apóia o seu principal adversário, o conservador Geraldo Alckmin”.

 

O blog ouviu também o Palácio do Planalto. Obteve a confirmação de que, de fato, Lula enviou uma mensagem à convenção do PFL em que a candidatura de Roseana foi oficializada. Não foram fornecidos detalhes acerca do conteúdo do texto. Informou-se apenas que o gesto do presidente é um reconhecimento ao apoio que Rosena, hoje senadora, vem dando ao governo federal.

 

O Planalto nada se disse também a respeito da assinatura de Lula. Franklin Douglas, o secretário-geral do PT maranhense, comentou: “Se a carta for verdadeira, a assinatura é falsa. A menos que o presidente tenha duas assinaturas, uma para os documentos oficiais e outra para os seus aliados políticos. Algo em que não acreditamos”.

 

A confusão maranhense é um reflexo da balbúrdia partidária em que se transformaram as eleições de 2006. Lula prevalece sobre Alckmin nas pesquisas feitas no Maranhão na proporção de 68% contra 22%. Para o governo local, Sarney apóia a filha, que é do PFL. Em âmbito nacional, dá suporte a Lula, em cujo governo injetou uma penca de apadrinhados.

 

O PT local esperava que Lula apoiasse de forma explícita a candidatura de Vidigal. O nome do ex-presidente do STJ será homologado em convenção a ser realizada nesta quinta-feira. Não há, por ora, notícia de nenhuma carta do presidente da República em apoio a Vidigal. Assim, PSB, PT e PC co B devem divulgar durante a convenção uma moção de repúdio à suposta falsificação feita por Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Tasso contém, por ora, a ira de ACM

  Lula Marques/F.Imagem
Em conversa com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ter resolvido o problema que ameaçava o apoio da pefelândia ao presidenciável Geraldo Alckmin na Bahia. Tasso disse a ACM que enquadrou o tucano Jutahy Magalhães (BA), líder do PSDB na Câmara e aliado de José Serra, candidato do partido ao governo de São Paulo.

Jutahy lançara a candidatura de José Fernandes, um obscuro vereador do PSDB da Bahia, ao governo do Estado, contra o governador Paulo Souto (PFL), que postula a reeleição. ACM subiu nas tamancas. Ameaçou retirar o apoio de seu grupo a Alckmin. Reteve, por ora, a ira. Tasso disse-lhe que convenceu Jutahy a desistir da idéia de lançar candidato ao governo da Bahia. Jutahy ouviu também um apelo do presidenciável Geraldo Alckmin. E ACM decidiu aguardar.

PS.: À noite, Jutahy Magalhães Jr. confirmou que cedeu aos pedidos de Tasso e Alckmin. O PSDB baiano desistiu de lançar candidato ao governo da Bahia. Homologou em sua convenção, porém, o nome de Atonio Imbassahy para o Senado, contra o candidato de ACM, Rodolfo Tourinho. De resto, Jutahy declarou que, em Paulo Souto, o preferido de ACM para o governo, não vota. Nem que Senhor do Bonfim lhe peça.

Escrito por Josias de Souza às 15h59

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Ministro da Agricultura pede demissão; Lula aceita

  Eduardo Knapp/Folha Imagem
Responda rápido: como se chama o ministro da Saúde de Lula? Qual é o nome do ministro da Previdência? Quem ocupa a pasta da Ciência e Tecnologia? Não sabe? Acalme-se. Ninguém sabe.

 

Lula assumira em 2003 prometendo governar com um “ministério de notáveis”. Há seis meses do final do governo, ele comanda uma Esplanada de anônimos. Inútil tentar enxergar os seus ministros. Na maioria dos casos o olhar vai bater no couro do espaldar da poltrona.

 

Na noite passada, um dos poucos sobreviventes visíveis, o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura), pediu o boné. Pretextou razões pessoais. Sua mulher está doente. Parlamentares ligados ao ministro informam que ele sai, na verdade, porque o governo o deixou falando sozinho.

 

Numa administração marcada pelo aparelhamento petista, a nomeação de Rodrigues foi uma das poucas surpresas que Lula produziu em 2003. Ao escolher o engenheiro agrônomo, fazendeiro, com densa folha corrida de serviços prestados a entidades de representação corporativa do agro-negócio, Lula sinalizou que não pretendia brincar de ideologia nos campos do Senhor.

 

A recompensa veio na forma de sucessivos superávits na balança comercial, vitaminados pelas exportações agrícolas. Mas Rodrigues nunca esteve confortável no governo. Considerava-se vítima de uma política fiscal “burra”, que impunha cortes orçamentários lineares mesmo a áreas que deveriam ser prioritárias.

 

Mercê da falta de dinheiro para a fiscalização, sobreveio a crise da febre aftosa. Rodrigues pensou em deixar o governo no auge da encrenca. Foi demovido da idéia por Lula e por liberações orçamentárias feitas a toque de caixa pelo Ministério da Fazenda. Nos últimos meses, Rodrigues vinha se queixando da cegueira do governo em relação à crise do setor agrícola. Adotaram-se medidas tópicas. Mas ele as considerou insuficientes.

 

No início, o primeiro escalão de Lula tinha apenas dois rostos: Antonio Palocci e José Dirceu. Antes que os escândalos os soterrassem, eram eles que davam as cartas. Os demais colegas de ministério tiveram de se contentar com a função de gestores do efêmero. A política de cintos apertados lhes impôs um modelo de gestão peculiar: o método da barriga.

 

Funciona assim: faltou dinheiro para pôr fiscais no encalço de rebanhos bovinos? Empurre-se o problema com a barriga. Não há como estimular a agroindústria? Barriga. Isso? Barriga. Aquilo? Barriga. Roberto Rodrigues parece ter cansado de administrar com o abdômen.

Escrito por Josias de Souza às 14h38

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As manchetes desta quarta

- JB: A hora da revanche

 

- Folha: Brasil vence de 3 a 0,...

 

- Estadão: Brasil vence fácil, mas não empolga

 

- Globo: Sábado, a revanche

 

- Correio: ...A revanche!

 

- Valor: Leilão inicia capitalização de R$ 5,5 bilhões da Cesp

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

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No andar de baixo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Ministros executam tarefas eleitorais e ferem lei

Remunerados pelo contribuinte, ministros e auxiliares diretos de Lula vêm executando tarefas eleitorais no horário do expediente. A prática é proibida pela legislação. Funcionários públicos a serviço de engrenagens eleitorais -comitês de campanha, partidos ou coligações- são obrigados a pedir licença de seus cargos.

 

Pelo menos dois ministros vêm executando tarefas ligadas à campanha reeleitoral de Lula: Tarso Genro (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência). O mesmo ocorre com Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais.

 

A lei eleitoral (número 9.504, de 1997) proíbe em seu artigo 73, inciso 3º que funcionários públicos sejam cedidos “para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado”. O inciso 1º proíbe o uso “em benefício de candidato” de “bens móveis ou imóveis” pertencentes ao Estado.

    

Oficialmente, o coordenador da campanha de Lula é o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele vem sendo auxiliado, porém, por Tarso Genro. A pretexto de compor uma “coalizão política” para um eventual segundo mandato de Lula, o ministro participa de reuniões e distribui telefonemas. Envolveu-se também nas articulações para a escolha do tesoureiro da campanha de Lula, José de Filippi Jr., prefeito petista de Diadema.

 

Junto com o colega Luiz Dulci, Tarso dedicou-se ainda, durante mais de uma semana, à redação do primeiro discurso de Lula como candidato. A peça foi lida por Lula na convenção nacional do PT, no último sábado. O texto, redigido originalmente por Dulci e revisado por Tarso, estava recheado de dados sobre o desempenho dos primeiros 42 meses do governo. Os números foram recolhidos por funcionários públicos.

 

Marco Aurélio Garcia coordena a elaboração do programa de governo de Lula. Dedica-se à tarefa desde o final do ano passado. Deu forma final às sugestões encaminhadas pelos diretórios Estaduais do PT. Depois, redigiu as diretrizes aprovadas no encontro Nacional do PT, no final de abril. Agora, coordena o trabalho de 32 comissões temáticas incumbidas pelo partido de elaborar, até 30 de julho, o programa de governo definitivo.

 

Não é só. O PT serviu-se dos cadastros do governo para selecionar beneficiários de programas oficiais levados à convenção do último sábado. Foram citados nominalmente por Lula e chamados ao palco. Em declaração veiculada pela Folha em sua edição de domingo, o ministro petista Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) reconheceu: "(...) No caso do Bolsa-Família o contato foi feito pelo nosso ministério”.

O blog ouviu dois especialistas na matéria. Um deles é ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O outro é ministro titular do tribunal. Ambos disseram, sob a condição do anonimato, que a execução de tarefas partidárias e de campanha obrigaria o pedido de licença dos ministros e funcionários públicos que as executam.

 

Também a resolução número 7, baixada pelo Conselho de Ética Pública, órgão da presidência da República, anota que “a atividade político-eleitoral da autoridade não poderá resultar em prejuízo do exercício da função pública, nem implicar o uso de recursos, bens públicos de qualquer espécie ou de servidores a ela subordinados”.

 

O PT e o governo chegaram a discutir a possibilidade de licenciamento dos ministros e assessores mais diretamente vinculados à campanha de Lula. A conclusão foi de que a providência não seria necessária. Argumentou-se que as atividades de cunho partidário e eleitoral seriam executadas fora do horário de expediente. Algo que, convenhamos, é de difícil comprovação. 

Escrito por Josias de Souza às 01h18

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Para Alckmin, Lula fala de FHC por medo do presente

A noite de Brasília arde no ritmo de uma das festas mais tradicionais da corte: os festejos juninos promovidos pelo senador José Jorge (PFL-PE). A edição deste ano tem como estrela não o velho e bom São João, mas Geraldo Alckmin, de quem o anfitrião é companheiro de chapa na corrida presidencial.

 

Logo na chegada Alckmin desqualificou os esforços de Lula para grudar sua imagem à de FHC. "Essa obsessão de falar do passado é medo do presente. Ele tem medo de discutir a corrupção, o desgoverno, a ineficiência, a falta de equipe e a falta de projeto. É um equívoco. Eu vou falar de futuro", disse ele. Como se vê, ou FHC arregaça as mangas ou vai ficar indefeso (clica).

Escrito por Josias de Souza às 23h57

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Gabeira obtém dados sigilosos dos 'sanguessugas'

  Valter Campanaro/ABr
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) entrega nesta quarta-feira ao presidente da CPI das Sanguessugas, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), um lote de doze CDs. Contêm toda a documentação reunida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal nas investigações da chamada máfia das ambulâncias.

 

Gabeira voou para Cuiabá (MT) na segunda-feira. Recebeu os CDs das mãos do procurador da República Mario Lucio Avelar, que investiga a quadrilha desde 2004, com o auxílio da PF. O material servirá de base para o trabalho da comissão parlamentar.

 

Membro da CPI, Gabeira vai sugerir na reunião desta quarta que a comissão faça um “cerco de quatro anéis” aos congressistas sob suspeição: 1) a análise das emendas que cada um apresentou ao Orçamento da União; 2) o rastreamento da execução dos gastos pelo Executivo; 3) a audição dos grampos telefônicos feitos com autorização judicial); e 4) a verificação dos dados que constam do livro-caixa da Planam, a empresa que comandava as licitações viciadas para a compra de ambulâncias.

 

Para Gabeira, a comissão deve se eximir de divulgar os nomes dos supostos envolvidos antes da conclusão dos trabalhos. “Não se trata de realizar um trabalho secreto”, disse o deputado ao blog. “Apenas acho que toda a transparência deve ser dada depois que chegarmos às conclusões definitivas.”

Escrito por Josias de Souza às 23h43

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Jefferson Peres deve ser o vice de Cristovam

  José Cruz/ABr
O PDT decidiu compor uma chapa puro-sangue para a disputa presidencial. ‘Decidiu’ é modo de dizer. Não teve alternativa. Nenhuma outra legenda se dispôs a abraçar a candidatura do presidenciável Cristovam Buarque (PDT-DF). O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) informa que o vice será o senador Jefferson Peres (PDT-AM). O anúncio deve ser feito nesta quarta-feira.

 

Peres chegou a disputar com Cristovam a cabeça da chapa. Perdeu. Há uma semana, assinara um manifesto contrário à homologação do nome de Cristovam pela convenção do PDT. Perdeu de novo. Agora, torna-se vice. A julgar pelas pesquisas, que apontam para uma polarização entre Lula e Alckmin, Peres vai a nocaute uma terceira vez, agora junto com Cristovam. Não há de ser nada. Diferentemente do companheiro de chapa, Peres ainda tem quatro anos de mandato no Senado.

Escrito por Josias de Souza às 23h04

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Punição de sanguessugas, se vier, fica para 2007

A CPI das Sanguessugas mal começou a funcionar e já produziu a primeira polêmica. A encrenca pode ser resumida numa pergunta: se a comissão comprovar as malfeitorias dos congressistas sugadores de verbas públicas, será possível cassar-lhes os mandatos?

 

Há no Congresso um incômodo consenso: ninguém será punido antes das eleições de outubro. Não haveria tempo para abrir os processos, ouvir os parlamentares e suas testemunhas na Comissão de Ética e depois submetê-los à guilhotina em plenário.

 

Impõe-se, assim, uma segunda pergunta: os congressistas que trocaram emendas ao orçamento por propinas resultantes da compra superfaturada de ambulâncias poderiam ser cassados na legislatura a ser inaugurada em 2007? O raciocínio lógico conduziria a uma resposta afirmativa. Mas a política, como se sabe, nem sempre se pauta pela lógica.

 

O presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), acha que, sim, os parlamentares poderiam ser punidos na nova legislatura. Mas ele próprio diz que o tema é polêmico, informa Andreza Matais.

 

"Se a CPI chegar à conclusão de que 40 foram responsáveis e, nas urnas, eles forem consagrados e retornarem é uma questão que vai ser colocada para 2007. O grande questionamento jurídico será a respeito da possibilidade de iniciar-se numa legislatura posterior um processo por quebra de decoro por uma conduta praticada num período anterior", disse Biscaia.

Ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Biscaia afirmou que a decisão dependerá ainda de uma interpretação jurídica: "Tenho minha convicção de que isso é perfeitamente possível, mas não basta minha convicção, [a decisão] tem que resultar de uma interpretação jurídica e da Casa".

 

A experiência mostra que o eleitor brasileiro não costuma render homenagens à ética e à moral. Parlamentares indignos são reeleitos com hedionda naturalidade. Por sorte, além da CPI, também o Ministério Público apura as perversões dos parlamentares que têm o diâmetro do cérebro menor do que a circunferência do bolso. Resta confiar na Justiça. Ela tem sido lenta, como sempre. Mas nos últimos tempos mostra-se mais efetiva do que outrora.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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Alckmin acha ‘difícil’ acerto com PMDB em SP

  Sérgio Lima/F.Imagem
Escassas 48 horas depois de se envolver pessoalmente nas articulações para tentar fechar um acordo com o PMDB em São Paulo, o candidato tucano Geraldo Alckmin jogou a toalha nesta terça-feira. Disse, em entrevista, que considera “muito difícil” um acerto com Orestes Quércia.

O PSDB mantém os esforços para atrair o PMDB para a chapa tucana encabeçada por José Serra. Mas as chances de êxito, reconhece Alckmin, são próximas de zero: "Não acho provável. Acho mais provável a aliança já formatada, PSDB-PFL-PPS e PTB", afirmou ele, conforme relato de Epaminondas Neto.

Adversário de Serra na disputa pelo governo paulista, o petista Aloizio Mercadante disse que vai trabalhar para obter o apoio do PMDB no segundo turno da eleição, informa Regiane Soares. Um segundo turno que, sem a entrada de Quércia no páreo, as pesquisas indicam que poderia não ocorrer.

Escrito por Josias de Souza às 17h15

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ACM ameaça retirar apoio a Alckmin na Bahia

As relações entre PSDB e PFL estão prestes a azedar na Bahia, Estado em que a coligação parecia mais bem resolvida. Irritado com a decisão do tucanato baiano de lançar o vereador José Carlos Fernandes para o governo baiano, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ameaça:

 

“Se eles querem prejudicar o Geraldo Alckmin, podemos até ajudar. Se a direção nacional do PSDB, o meu amigo fraternal Tasso Jereissati e o próprio Alckmin ficarem de braços cruzados, nós também vamos cruzar os braços. E eles vão ter na Bahia uma derrota pior do que a do Ceará”, disse ACM ao blog.

 

A menção ao Ceará, Estado de Jereissati, presidente nacional do PSDB não pingou dos lábios de ACM de graça. Assim como na terra de Jereissati, Lula prevalece sobre Alckmin na Bahia por larga margem de votos. As pesquisas atribuem ao candidato tucano percentuais que variam entre 15% e 17% das intenções de votos dos eleitores baianos. Lula oscila entre 55% e 60%.

 

O candidatura do vereador tucano José Fernandes é obra do grupo do deputado Jutahy Magalhães Jr. (BA), líder do PSDB na Câmara. Em âmbito nacional, Jutahy é um velho aliado de José Serra. Na Bahia, é tradicional adversário de ACM e do governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição.

 

“Isso é fruto da descoordenação e da falta de coragem da direção do PSDB”, afirmou ACM. “Acho que o Tasso e o Alckmin já deveriam já deveriam ter tomado providências mais sérias. Se eles deixam deteriorar, quem perde é o Alckmin. Eles precisam dizer que o Jutahy não vale nada para eles aqui na Bahia. Precisam declarar isso publicamente. O Alckmin já declarou apoio ao Paulo Souto. Mas para nós isso é muito pouco”.

 

O movimento de Jutahy é uma resposta à articulação do grupo de ACM para arrastar o PSDB para uma coligação formal com o PFL baiano por meio de uma dissidência aberta pelo deputado estadual tucano João Almeida. O grupo de Jutahy argumenta que o acordo nacional não previa uma aliança formal no Estado. O tucanato baiano comprometera-se a não lançar um candidato contra Paulo Souto. Mas não assumira o compromisso da aliança formal no Estado.

 

Para ACM, Jutahy age movido ódio. Um “ódio fingido, porque não tem motivos para isso”, afirma o senador. “Na realidade, a irritação dele se deve ao fato de que, embora seja um Magalhães, ele não é meu parente. E os Magalhães do meu lado sempre foram maiores do que os Magalhães do lado dele”.

 

ACM prossegue: “Esse ódio dele só tira votos. Eu passei a ser maior do que o avô dele (Juracy Magalhães), passei a ser maior do que o pai dele (Jutahy Magalhães). Depois, meu filho Luiz Eduardo foi maior do que ele. E agora o ACM Neto é maior do que ele. Eles querem levar o Alckmin para o mesmo caminho que leva à perda de votos aqui na Bahia. Se isso é feito com as bênçãos da direção do PSDB, nós vamos dar o troco”.

 

O cacique do PFL baiano afirma que se Alckmin der atenção a Jutahy e ao grupo dele nas visitas que fizer à Bahia, será ignorado pelo PFL. “Quero que o Alckmin chegue aqui e não veja nem o Jutahy nem esse candidato laranja que eles lançaram. Do contrário, ele não vai me ver”.

 

ACM deve chega a Brasília na noite desta terça-feira. Pretende reunir-se nas próximas horas com Tasso Jereissati. Condiciona a manutenção do apoio a Alckmin na Bahia ao resultado desse encontro.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Lula diz que pegou Brasil como avião desmontado

Antônio Cruz/ABr
 

 

Voando baixo, Lula voltou a bombardear a administração de Fernando Henrique Cardoso. Comparou o Brasil que lhe foi entregue pelo antecessor a um avião com peças desmontadas. Disse ter conseguido “arrumar a coisa”. Imodesto, afirmou que os críticos do passado estão de cabeça virada. “(...) Não sabem como explicar como é que a gente resolveu o problema da economia brasileira”.

 

Confirmado como candidato reeleitoral, Lula passou a pilotar no sábado a própria candidatura. Desde então, parece ter ajustado o computador de bordo. Mirou em FHC e ligou o automático. Age como se o adversário Geraldo Alckmin não existisse. Nesta terça-feira, informa Andreza Matais, o presidente discursou durante a 1ª Conferência Nacional de Economia Solidária.

 

Disse que, antes dele, "o Brasil não estava preparado para cuidar da parte mais pobre do país". E enalteceu a “inclusão bancária” que, segundo ele, facultou a seis bilhões de pessoas o acesso a instituições bancárias. "Até então o pobre não sabia entrar na agência porque não era atendido. Não tinha café no bule".

Escrito por Josias de Souza às 13h45

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As manchetes desta terça

 

- JB: A primeira decisão

 

- Folha: Polícia mata 13 e diz que evitou ação do PCC

 

- Estadão: Polícia surpreende PCC e mata 13 em tiroteio

 

- Globo: Um Brasil conservador contra Gana

 

- Correio: Duelo cheio de mandinga

 

- Valor: Nova consolidação no setor de minérios gira US$ 75 bi

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h55

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'Lulabrão' e o Bolsa-Canaã!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Lula vai constranger Alckmin comparando-o a FHC

“Eles morderam a isca”. Com essa frase, dita em reserva a um assessor, Lula festejou nesta segunda-feira a reação de Fernando Henrique Cardoso ao discurso que pronunciara no sábado, ao ser aclamado como candidato à reeleição na convenção nacional do PT. Para constranger o adversário Geraldo Alckmin, Lula decidiu intensificar uma linha de campanha que já havia definido: a comparação de seus 42 meses de governo com os oito anos da era FHC.

 

Com sua estratégia, Lula quer grudar a imagem de Alckmin à de FHC, cuja impopularidade resultou, no final de 2002, na ascensão do PT ao poder. Porém, ao contrário do que faz supor a conclusão do presidente, nem Alckmin nem os integrantes do comando de sua campanha “morderam a isca”. O candidato tucano está decidido, agora mais do que antes, a não cair no que chama de “jogo do PT”. Quer dissociar sua campanha do governo FHC.

 

Embora não vá deixar de se solidarizar com FHC, o alto comando da campanha tucana decidiu que cabe ao ex-presidente, não ao candidato, responder às provocações de Lula. A partir de 15 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, o programa de TV de Alckmin vai seguir a linha das peças publicitárias exibidas pelo PSDB neste mês de junho. Alckmin será vendido como uma liderança nova, com biografia independente e com uma obra própria a exibir: o governo de São Paulo.

 

O receio do tucanato de ver Alckmin tachado como um prosseguimento de FHC, anima ainda mais Lula a dar curso à tática da comparação. Nesta segunda-feira, depois de participar de uma reunião do comitê gestor do governo, com a presença de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) esboçou a estratégia. Referindo-se a um fragmento de uma das frases ditas por FHC –“Eu quero a comparação. Venham com qualquer tema (...)”— Tarso disse que o ex-presidente “foi corajoso”.

 

Em timbre estudado, Tarso soou irônico: "Ao invés de se ater à sua condição de ex-presidente, Fernando Henrique respondeu pelo Alckmin. Tiro disso duas conclusões: Alckmin não quer se responsabilizar pelo governo de FHC e FHC quer fazer essa colagem".

 

Ao tentar arrastar o adversário para um canto da arena eleitoral que o tucanato rejeita, Lula imagina que irá imprimir à campanha um tom crítico sem que os os partidários de Alckmin possam acusá-lo de ter cedido à “baixaria”. Irá ao ataque valendo-se de uma arma que define como “programática”. Não fará senão a defesa dos projetos que julga ter implementado, comparando os resultados de sua gestão com os da administração FHC.

 

Depois de insinuar que Lula o venceu “na corrupção”, FHC chamou o sucessor de “incompetente”. Disse: "É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um ‘boom’ econômico no mundo todo. Incompetentes."

 

O petismo desdenha dos argumentos econômicos de FHC. Alegam que, no biênio 95-96, auge do plano real, com um cenário internacional mais favorável do que o atual, a gestão tucana exibiu números menos favoráveis que os de Lula.

 

No livro "Brasil, Primeiro Tempo", lançado há cerca de um mês e meio, o petista Aloizio Mercadante anota que, nos primeiros três anos da gestão Lula, as exportações brasileiras aumentaram 96%. Mais do que a média internacional, de 60%. Em contrapartida, no biênio de ouro de FHC, sem crises internacionais, as exportações brasileiras cresceram só 9,6%, contra uma média mundial de 26%. “Aproveitar cenários favoráveis não é, pois, algo fácil e automático”, escreveu Mercadante, que hoje disputa com o tucano José Serra o governo de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Sanguessugas desafiam as teorias de Darwin

É pena que Charles Darwin (1809-1882) já não esteja entre nós. A análise da espécie das sanguessugas congressuais lhe renderia valiosos estudos. Resultariam numa nova e revolucionária teoria antidarwiniana.

 

Como se sabe, o notável naturalista inglês participou, entre 1831 e 1836, de uma expedição a terras exóticas, entre elas o Brasil. A bordo do Beagle, escreveu um rico diário.

 

Ao lado de observações sobre a fauna, a flora e a geologia dos lugares que visitou, Darwin anotou observações sobre os homens que lhe cruzaram o caminho. Enxergou virtudes morais nos índios e escravos que não conseguiu ver nos brancos opressores.

 

Nos trechos dedicados ao Brasil, Darwin demonstrou certo encantamento pelas florestas. E um claro desencanto pelos homens. Em especial os homens de gabinete. Eis um trecho do diário:

 

"Nunca é muito agradável submeter-se à insolência de homens de escritório, mas aos brasileiros, que são tão desprezíveis mentalmente quanto são miseráveis as suas pessoas, é quase intolerável! Contudo, a perspectiva de florestas selvagens zeladas por lindas aves, macacos e preguiças, lagos, roedores e oligatores fará um naturalista lamber o pó até da sola dos pés de um brasileiro”.

 

Darwin percebeu, já naquela época, o flagelo brasileiro: "Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados”.

 

Pois bem, se a Darwin fosse dado retornar à vida e ao Brasil, encontraria um país muito parecido com aquele que preservou em seu diário. Não veria as mesmas florestas, hoje devastadas. Mas encontraria uma intacta selva de homens.

 

Em visita ao Congresso, perceberia que o homem brasileiro parou de evoluir. Ou, por outra, começou a “involuir”. Nesta segunda-feira, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza informou ao presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que irá requisitar ao STF a abertura de inquérito contra mais 30 deputados devoradores de verbas orçamentárias.

 

Somando-se os novos casos aos 15 processos já abertos, chega-se a um número de 45 congressistas sob investigação. Darwin seria compelido a concluir que, fracassando no homem brasileiro, a teoria da “evolução das espécies” saltou o estágio dos macacos. E conduziu a raça humana ao estágio das sanguessugas, eleitas regularmente por seres incapazes de distinguir um homem de um verme.

 

PS.: Deve-se a Caetano Waldrigues Galindo uma bela tradução para o português de "O Diário do Beagle". Tem 526 páginas. Foi editado pela Universidade Federal do Paraná.

Escrito por Josias de Souza às 23h46

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Mercadante recusa o epíteto de ‘pau-mandado’

 

 

Difícil saber, por ora, o que farão por São Paulo os candidatos José Serra (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT) caso um deles venha a ser eleito governador de São Paulo. Sabe-se, porém, o que os dois farão na campanha: trocarão desaforos.

 

Nesta segunda-feira, Mercadante respondeu às provocações que Serra lhe dirigiu no domingo. Na convenção em que foi homologado como candidato, o tucano dissera que "São Paulo não é um brinquedo para amadores. Um governador não pode querer pegar carona nem andar na garupa de ninguém. Não é nem pode ser um aprendiz nem pau-mandado".

 

Mercadante não vestiu nem a carapuça de caroneiro nem a de pau-mandado. Disse que seus vínculos políticos com Lula vêm de antes da formação do PT. Quem “pegou carona”, disse ele, foi Serra. Acusou o tucano de utilizar a prefeitura de São Paulo como trampolim.

 

"Mais uma vez [Serra] usou a cidade em função de seu projeto pessoal", afirmou Mercadante. "Ele não cumpriu nem o que disse e nem o que escreveu", completou, referindo-se ao compromisso assumido por Serra de manter-se na prefeitura até o último dia do mandato.

Mercadante aproveitou para alvejar Gilberto Kassab, o vice-prefeito do PFL que herdou a administração do maior e mais importante município do país. "Portanto, 'aprendiz' e 'pau-mandado' é o prefeito que a cidade tem e não sabe hoje nem o nome, e que é conseqüência de um homem público que não cumpre o que promete, não cumpre o que fala e nem o que escreve e assina".

Começa enviesado o debate eleitoral no Estado de São Paulo. Uma pena. O eleitor merecia algo mais conseqüente. Dá-se algo semelhante no âmbito federal. Nessa esfera, o debate entre tucanos e petistas chegou ao galinheiro. Nesta segunda-feira, em resposta a FHC, que acusou Lula de “cacarejar” ovos alheios, o ministro Tarso Genro disse que Lula não pretende responder a comentários “avícolas”.

Escrito por Josias de Souza às 19h57

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Alckmin reabre negociações com PMDB em SP

  Folha Imagem
PSDB e PMDB reabriram formalmente as negociações para tentar costurar um acordo em São Paulo. Os entendimentos foram retomados numa conversa do presidenciável tucano Geraldo Alckmin com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Tenta-se, de novo, acomodar um peemedebista na chapa de José Serra, que concorre ao governo de São Paulo.

Qualquer tipo de acordo passa obrigatoriamente por Orestes Quércia. Presidente do diretório paulista do PMDB, Quércia queria ser o vice de Serra. Seu nome foi, porém, vetado pelo tucanato na semana passada. Abespinhado, Quércia lançou sua própria candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Busca-se agora a costura de um acordo que ofereça compensações a Quércia. Ele não teria a vice, mas indicaria pessoas de sua confiança para secretarias de Estado num eventual governo Serra. Os espaços seriam definidos imediatamente. Em contrapartida, Quércia indicaria o nome de Michel Temer, o preferido de Serra, para o posto de vice na chapa tucana.

 

Depois de conversar com Temer, Alckmin ficou de procurar José Serra. Em seguida, um dos dois tentaria se entender com Quércia. Embora a candidatura de Quércia ao governo paulista já tenha sido homologada pelo PMDB, em convenção realizada no sábado, ela pode ser retirada até 30 de junho. Desde que haja, evidentemente, um acordo. Acordo para o qual Quércia diz não estar mais aberto. "Só se eles quiserem indicar o nosso vice", ironizou.

 

Ao homologar o nome de Serra, no domingo, o PSDB esquivou-se de definir o nome do vice. Delegou a tarefa para a Executiva estadual do partido, na esperança de atrair o PMDB. Em diálogos privados que manteve depois de dialogar com Alckmin, Temer disse que o entendimento não é impossível, mas reconheceu que é muito difícil de ser concretizado. A hipótese de que Quércia venha a indicar outro nome para vice de Serra é rejeitada pelo deputado.

 

Temer argumenta que seu nome acabou sendo exposto na mídia como o preferido de Serra. Não oporia resistências se o tucanato aceitasse Quércia como vice. Mas a escolha de qualquer outro nome passaria à opinião pública a idéia de que ele foi vetado. Algo que considera inconcebível. Não crê, de resto, que Quércia tenha interesse em indicar alguém.

 

Alckmin interveio na negociação porque receia que, candidatando-se ao governo, Quércia acabe fazendo o jogo de Lula. Além de empurrar para o segundo turno uma eleição que Serra poderia vencer no primeiro, Quércia pode abrir em São Paulo um segundo palanque para Lula, além do de Aloizio Mercadante.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Mercadante escolhe mulher comunista para vice

  Piti Reali
Chama-se Nádia Campeão, 50, a candidata a vice-governadora de São Paulo na chapa do petista Aloizio Mercadante. A escolha de Nádia foi anunciada nesta segunda-feira. Além da importância regional, o gesto do PT abre caminho para que o PC do B anuncie, no âmbito federal, uma composição formal com Lula.

 

Quem é Nádia Campeão? Filiou-se ao PC do B em 1978, época em que o partido ainda operava na clandestinidade. Mas recentemente, foi secretária de Esportes na gestão petista de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Ganhou o cargo como resultado de composições políticas. Exceto pelo fato de ter jogado tênis na juventude, ela não tinha afinidade com a área esportiva. É formada em agronomia pela USP.

 

A despeito da ideologia, Nádia não é avessa ao pragmatismo. Como secretária, buscou parcerias com a iniciativa privada para recuperar as instalações do autódromo de Interlagos e do estádio do Pacaembu.

Na adolescência, vivida em Rio Claro (SP), Nádia cultivou o sonho de tornar-se marinheira. Viu-se, porém, compelida a abandonar a idéia. A Marinha não aceitava mulheres em suas fileiras à época. Daí a opção pela agronomia.

 

Entre 1980 e 1990, Nádia empregou-se como agrônoma no município maranhense de Santa Luzia. Conciliou as atividades profissionais com a militância política. Em 1984, sob José Sarney, os comunistas foram tirados da clandestinidade. E Nádia participou do grupo que organizou a legalização do PC do B.

 

Na hipótese, hoje improvável, de que Mercadante seja eleito governador de São Paulo, Nádia é candidata a fazer história. De olho na presidência da República em 2010, Mercadante vai se desincompatibilizar do cargo para concorrer ao Planalto. E a comunista terá a oportunidade de governar o maior Estado da federação por pelo menos um ano.

 

A vice de Mercadante tem algo em comum com o adversário tucano José Serra. Assim como Serra ela também é torcedora do Palmeiras.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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Sem PSB, Lula perde 1min 48seg de tempo na TV

No mesmo sábado em que a candidatura reeleitoral de Lula foi tirada do armário, o PSB decidiu que não vai mesmo se coligar ao PT. Com isso, Lula perdeu 1 minuto e 48 segundos de propaganda eleitoral no rádio e na TV. O presidente reza para que o PC do B não siga o mesmo caminho.

 

Com o PC do B, dono de 50 segundos no horário eleitoral, Lula disporia de um tempo total de 6 minutos e 34 segundos. Sem ele, ficaria com 5 minutos e 44 segundos. Geraldo Alckmin, que cavalga duas legendas graúdas –PSDB e PFL—, vai dispor de 9 minutos e 2 segundos. A diferença parece pequena. Mas não é. Em campanha, os segundos de TV valem ouro.

Escrito por Josias de Souza às 15h02

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As manchetes desta segunda

 

- JB: Itamaraty - Ex-espião será diplomata na África

 

- Folha: FHC diz que Lula ganha em 'corrupção'

 

- Estadão: FHC: Lula é bom de garganta e apenas ganha em corrupção

 

- Globo: Rio aumenta em 65% os gastos com terceirização

 

- Correio: DF, Goiás e Minas fazem pacto para tratar doentes

 

- Valor: Fundos 'private' abrem um novo ciclo de investimentos

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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Segurança nacional!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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FHC diz que Lula ‘cacareja’ sobre ovos alheios

Apenas 24 horas depois de Lula ter dito, no primeiro discurso como candidato, que seu governo tem mais a mostrar que a administração do antecessor –“Fizemos em 42 meses mais do que eles em oito anos”— o tucano FHC decidiu cantar de galo. 

Falando na convenção que homologou a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo, o ex-presidente provocou: “Eles estão cacarejando sobre os ovos postos por outros. Não temo a comparação. Venham com qualquer tema. Chega de bazófia, de garganta. E esse presidente fala muito e, quando tem de fazer, deixa para os outros”.

 

A alcunha de falador foi uma das mais suaves que Fernando Henrique pespegou em Lula. Brindou o sucessor com adjetivos bem mais depreciativos: “corrupto” e “incompetente”, por exemplo (clica).

 

Lula tem dito que não pretende deslizar para a baixaria. Há poucos dias, chegou mesmo a dizer que responderá à ira dos adversários com carinho, amor e trabalho. A disposição do presidente será testada nesta segunda-feira. É preciso verificar como ele vai reagir quando for informado de que a conversa da campanha chegou ao galinheiro.

 

Para FHC, de fato, a gestão de Lula fez mais do que a sua em pelo menos dois pontos: "Eu quero a comparação (...) Teve coisas que eles fizeram mais do que nós: muita corrupção, os escândalos, aí ganharam. Também gastaram muito. É muita publicidade, é muita propaganda, é muita palavra para encobrir o nada. Aí, ganharam”.


FHC listou alguns dos “ovos” botados por seu governo e que agora estariam sendo “cacarejados” por Lula. Disse que foi na sua administração que o governo começou a conceder aos brasileiros mais pobres benefícios como o Bolsa Escola e o Vale-Gás. "Eles juntaram tudo isso e aumentaram", emendou, referindo-se ao Bolsa Família, carro-chefe da campanha de Lula na área social.

 

Ao falar sobre a gestão econômica, FHC tachou o governo Lula de “incompetente". Ele disse: "É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um "boom" econômico no mundo todo. Incompetentes."

Escrito por Josias de Souza às 01h25

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Lula costura agora a base congressual de 2007

Lula não vai esperar passar as eleições para compor o consórcio parlamentar com o qual pretende governar ao longo dos quatro anos do segundo mandato. Ao falar sobre o tema, entre quatro paredes, o presidente não chega a cantar vitória. Mas comporta-se como se já mirasse 2007.

 

As relações entre Executivo e Legislativo tornaram-se uma obsessão para Lula. Ele acha que os adversários do PSDB e do PFL utilizarão durante a campanha o que chamou de “terrorismo congressual”.

 

A expressão foi usada por Lula na sexta-feira, em conversa com um amigo petista. “Na eleição passada”, disse o presidente, “eles diziam que a gente ia tocar fogo na economia. Agora, estão dizendo que o PT vai encolher, que não vamos aprovar nada no Congresso, que vamos apelar para o populismo”.

 

Na mesma conversa, Lula disse que pretende “vacinar” sua futura administração contra crises políticas, mudando o padrão do relacionamento entre Executivo e Legislativo. Sem descer a detalhes, mencionou o novo bordão do governo: “coalizão política”. E disse que não vê razão para postergar os entendimentos para depois das eleições.

 

“O maior erro que poderíamos cometer num segundo governo seria repetir os erros do primeiro”, afirmou Lula, conforme relato ouvido pelo blog. Ele disse ter errado ap menosprezar o apoio do PMDB no início da atual gestão, em janeiro de 2003. Acha que, apesar dos defeitos, o PMDB tornou-se essencial para a obtenção da estabilidade parlamentar. Não citou as outras legendas com as quais pretende negociar.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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(((X+Y+S)/2)x((T+I+2B)/4))+(V/2)-1

(((X+Y+S)/2)x((T+I+2B)/4))+(V/2)-1

Sérgio Porto, o notável Stanislaw Ponte Preta, dizia que “no futebol a cabeça é o terceiro pé”. Um grupo de matemáticos da Universidade John Moores, de Liverpool (Reino Unido), decidiu levar a máxima às últimas conseqüências. Informam que a equação acima conduz ao pênalti perfeito.

 

A fórmula para chegar ao pênalti dos sonhos inclui o número de passos, o tempo de chute, a velocidade do tiro e a posição do pé na hora de tocar a bola. O estudo foi encomendado pela casa de apostas londrina Ladbrokes, que prevê uma probabilidade de 3/1 de que a Inglaterra seja eliminada nos pênaltis durante a Copa.

 

O pênalti irrepreensível, concluíram os estudiosos, segue o padrão da cobrança feita pelo jogador inglês Alan Shearer em partida contra a Argentina, na segunda fase do Mundial de 98. Uma partida, convém lembrar, que a Inglaterra perdeu nos pênaltis.

 

Os matemáticos ingleses anotam que a velocidade ideal da bola é de 25 a 29 metros por segundo. O número de passos ideal antes do chute é de quatro a seis. A distância ideal entre o jogador e a bola é de 10 metros. O tempo da cobrança deve ser de três segundos ou menos.

 

O estudo foi remetido ao técnico da seleção inglesa, Sven-Goran Eriksson. “Recomendamos à equipe que realize muito treinamento considerando essas diretrizes e talvez possamos terminar com a maldição (dos pênaltis)”, disse David Lewis, um dos matemáticos responsáveis pelos cálculos.

 

Tudo muito bem. Mas, considerando-se o fato de que o futebol, assim como o tempo gasto com bobagens, padece de falta de lógica, conviria ao técnico Seven-Goran Eriksson mandar para casa o atacante David Beckham, substituindo-o pelo matemático David Lewis.

 

A propósito, Parreira privilegiou no treino deste domingo o ensaio de cobranças de pênalti. Em 25 tentativas, os jogadores converteram 19. Dida defendeu quatro. Duas foram para fora.

 

Entre os que desperdiçaram cobranças estão, veja você, três dos principais craques do escrete: Kaká, Ronaldo e Juninho. Os zagueiros Juan e Lúcio (dois infortúnios) completam a lista. Nenhum deles sabe fazer contas como o time da Universidade John Moores. Nem precisam. As contas que interessam, as bancárias, só conhecem um tipo de operação: a de somar.

Escrito por Josias de Souza às 18h20

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PSDB lança Serra e adia definição do vice

  Edson Silva/Folha Imagem
O PSDB homologou neste domingo a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo. E deixou aberta a vaga de vice. A idéia de compor uma chapa puro-sangue foi postergada. Decidiu-se tentar até 30 de junho, último dia para composição das chapas, fechar uma negociação com outro partido. Leia-se PMDB.

 

Os peemedebistas lançaram ontem (24-06) a candidatura de Orestes Quércia. Até o dia 30, podem mudar de idéia. Mas a hipótese parece remota. O velho Gustavo Capanema (1900-1985) dizia que “na política, como em tudo mais, precisamos contar com uma parcela de energia e com outra de jeito”. Serra negociou o apoio do PMDB com energia demais e jeito de menos.

 

Quércia queria ser o vice de Serra. Mas foi vetado pelo candidato tucano que, bem-posto nas pesquisas, imagina-se a última bolacha do pacote. Quércia até admitia privadamente a hipótese de indicar pessoas de sua confiança para o posto. Alda Marcoantônio ou Marcelo Barbieri, por exemplo. Mas Serra quis impor o seu preferido: Michel Temer.

 

E Quércia, sentindo doer os calos, bateu o pé. Ou era ele ou não era ninguém. E lançou-se candidato. Entrando no jogo, reduziu as chances de vitória de Serra no primeiro turno. Beneficiou, em conseqüência, o candidato petista Aloizio Mercadante, segundo colocado nas pesquisas.

 

O tucanato tentou, nas últimas horas, substituir a energia pelo jeito. Quércia foi, de novo, consultado. Agora, admite-se a entrada em cena de Alda Marcoantônio. Mas Quércia deu de ombros. Para complicar, tem gente demais do lado de Serra querendo ser vice –pelo menos quatro tucanos.

 

O PSDB tem lá as suas razões para manter um pé atrás em relação a Quércia. O partido, que completa 18 anos neste sábado, nasceu justamente de uma dissidência do PMDB. Uma dissidência que contestava, entre outras coisas, a liderança e a biografia de Quércia, na qual enxergavam nódoas irremovíveis.

 

Em discurso, Serra distribuiu estocadas no PT durante a convenção. “Para mim, não é o poder que corrompe os homens. São os homens, alguns homens, que corrompem o poder. Aliás, aqueles envolvidos nas piores práticas de corrupção do poder, que até há pouco tempo se consideravam os únicos incorruptíveis da nação, as vestais guardiãs do templo da moralidade, hoje se defendem dizendo que todos os politicos são iguais. Isto é tão falso quanto uma nota de três reais”, disse ele.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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As manchetes deste domingo

 

- JB: Fraude - Corrupção institucional empobrece o Brasil

 

- Folha: Lula ataca anos FHC e diz ser caluniado

 

- Estadão: Candidato, Lula quer governo mais social

 

- Globo: Rio perde R$ 4,4 bi por ano com a informalidade

 

- Correio: Governo será o maior cabo eleitoral de Lula

 

- Valor: Meta de inflação de 4,5% evitará choques de juros

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Apartheid televisivo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Gestão Lula é 2ª mais corrupta, diz pesquisa do PT

Gestão Lula é 2ª mais corrupta, diz pesquisa do PT

Pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, constatou que o brasileiro considera que o governo Lula (39%) é o que teve mais casos de corrupção depois da gestão de Fernando Collor de Mello (71%). No ranking das administrações vistas como mais corruptas, a de Fernando Henrique (32%) vem em terceiro lugar, seguida dos governos chefiados por José Sarney (17%) e por Itamar Franco (10%).

 

Para 50% das pessoas ouvidas pela fundação petista, Lula sabia que o seu partido deu dinheiro para deputados no Congresso. Só 29% acham que ele não sabia. Outros 19% disseram não ter conhecimento se Lula sabia ou não. Escassos 2% dos entrevistados acreditam que o PT não deu dinheiro a deputados.

 

É expressivo o percentual de pessoas que afirmam estar informadas sobre as denúncias de corrupção: 69%. O levantamento também mostra que não colou a alegação do PT de que dinheiro distribuído a parlamentares era caixa dois para campanhas eleitorais. Só 10% acreditaram nessa versão.

 

A maioria (51%) crê que houve tanto mensalão quanto caixa dois. E não vê diferença entre as duas modalidades de perversão. Outros 25% acham que houve apenas mensalão e que o PT estava mesmo comprando deputados para votar projetos de interesse do governo.

 

Por que, apesar de tantos números negativos para o PT e o governo, Lula desponta em todas as sondagens eleitorais como franco favorito na corrida presidencial? A pesquisa traz várias informações que podem ajudar a decifrar a charada. Eis uma delas: 69% dos entrevistados acham que “tem corrupção em todos os governos, até mais nos governos dos outros partidos”.

 

O capítulo do levantamento dedicado a perscrutar a imagem que eleitores fazem dos partidos traz outros indicadores que ajudam a explicar o favoritismo de Lula. Para 54% dos entrevistados o PT é o partido que “defende mais os pobres”. Só 6% pensam o mesmo do PSDB de Geraldo Alckmin. Para 23%, o PT “faz melhores governos”. Só 11% enxergam a mesma qualidade no PSDB.

 

A pesquisa ouviu 2.379 simpatizantes de todos os partidos em 25 Estados. Foi realizada entre os dias 10 e 16 e março. É um dos mais alentados levantamentos sobre os humores do eleitorado depois da crise do mensalão. Analisando-se os dados (veja você mesmo aqui), percebe-se claramente que a oposição não vai conseguir desbancar Lula adotando o discurso da pancadaria.

 

Só 19% dos entrevistados acham que surgiram mais denúncias de corrupção agora porque o número de malfeitorias aumentou sob Lula. Para a maioria (41%), o nível de corrupção atual é igual ao que havia antes. E outros 31% acham que as revelações ocorrem em maior número agora porque a atual gestão é a que mais combateu a corrupção.

 

A pesquisa também mostra que o eleitor que se dispõe a reeleger Lula no primeiro tem uma noção bem realista acerca do comportamento do PT diante da crise. Somando-se os que não sabem se houve mudanças no PT depois da crise (52%) aos que acreditam que o partido não mudou nada (28%) chega-se ao notável percentual de 80%. Só 17% acham que o PT mudou.

 

Embora 50% avaliem que o PT deveria “escolher melhor” os seus aliados, 47% acham que o partido fez bem ao buscar o apoio de outros partidos para obter maioria no Congresso. A pesquisa traz, de resto, um dado que indica que o eleitorado não estranharia uma eventual guinada de Lula rumo ao populismo. Para 73% das pessoas consultadas, o presidente “não teria ficado tão dependente de acordos com outros partidos se tivesse apostado mais no apoio popular que tinha quando foi eleito”.    

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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PSOL homologa candidatura de Heloisa Helena

  Valter Campanaro/ABr
Depois que o ex-PT reformou a sua ideologia – tingiu-a de outra cor, pregou uns babados na manga direita e mandou alargar os bolsos — restaram poucas opções presidenciais ditas de esquerda. Uma delas é a senadora Heloisa Helena.

 

Nascido em 2004 de uma dissidência do PT, o PSOL homologou neste sábado a candidatura de Heloísa à presidência da República. Escolheu-se um pedaço emblemático de Alagoas, Estado da senadora, para realizar a convenção.

 

A candidata foi aclamada por cerca de 600 pessoas no município de União dos Palmares (AL). Previra-se que o evento ocorreria no topo da Serra da Barriga, local onde, no século 17, foi assentado o quilombo dos Palmares. Mas a chuva não colaborou.

 

O acesso à serra é feito por uma estrada de barro que, encharcada, tornou-se intransitável para os caminhões que levariam a estrutura da convenção. O PSOL decidiu reunir-se, então, num galpão montado pela prefeitura de União dos Palmares para os festejos juninos.

 

Embora mesmo as ideologias mais radicais tenham de basear os seus propósitos num orçamento, Heloisa avisou, em discurso e em entrevista, que não vai aceitar doações de empresas para a sua campanha. Pretende correr a sacolinha apenas entre pessoas físicas. Mesmo assim, aquelas que se identifiquem com o seu programa de governo, disponível no sítio do partido na internet.

 

É mais fácil Heloisa Helena passar a freqüentar o Senado de mini-saia e salto agulha do que o PSOL chegar à presidência da República. É justamente nessa certeza de derrota que reside o principal mérito da candidatura da senadora. Ela trocou o conforto de uma reeleição para o Senado pelo suplício do fracasso em nome da causa. Merece respeito.

 

Numa fase em que o mundo parece ter descoberto que a ideologia é o caminho mais longo entre um projeto e sua realização, Heloisa não vai à presidência. Mas já seduziu algo como 6% do eleitorado. Ocupa nas pesquisas um honroso terceiro lugar. Mas não ignora que tornou-se neste sábado candidata a voltar a dar aulas na Universidade Federal de Alagoas, emprego do qual se encontra licenciada.

Escrito por Josias de Souza às 23h18

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Fisiologia e Shakespeare

Fisiologia e Shakespeare

No Planalto

 

  Othello e Desdêmona/T. Chassériau
Comece-se pedindo de desculpas. Vai-se misturar o profano – a fisiologia — ao sublime — a literatura do bardo. Deslizou-se para essa tentação por conta de um descuido (ou licenciosidade poética) de Shakespeare. Deu-se na famosa última frase de Desdêmona.

 

Algumas linhas depois de ter sido sufocada por Othello, Desdêmona ganha sobrevida. É como se o autor desejasse dar-lhe uma última fala digna antes de arrancá-la de de cena. Ela protesta contra a própria morte, se despede e, só então, morre definitivamente.

 

Algo parecido se dá com a fisiologia. Todo novo Othello que assume o poder apressa-se em anunciar o seu sufocamento. Porém, alguns capítulos depois do início do governo – qualquer governo — ela revive.

 

A comparação, evidentemente, só vale até certo ponto. Diferentemente da Desdêmona original, a fisiologia não morre. Ela estrebucha, também protesta contra a própria morte, mas, em seguida, pede novos cargos e ganha sobrevida eterna.

 

Em 1996, em visita ao Nordeste, Fernando Henrique Cardoso anunciou a morte da fisiologia. A platéia ficou em dúvida: o presidente saíra da realidade ou desviara-se para o cinismo? A tragédia implícita na primeira opção fez com que a maioria ficasse com a segunda.

 

Agora, na bica de obter um segundo mandato, Lula ensaia o mesmo discurso. Depois de conviver durante três anos e meio com um consórcio parlamentar remunerado à base de cargos e oportunidade$, proclama um segundo ciclo diferente.

 

Informa-se que, em 2007, a maioria congressual será obtida por meio de um “governo de coalizão”. O naco governista do PMDB testa, desde já, os limites do “novo” modelo. Encaminhou a Lula uma petição de cargos –do ministro da Saúde, à direção dos Correios e de Furnas, além de um incômodo etc.

 

Recorra-se a outro personagem de Shakespeare, o rei Ricardo III. Preparava-se para a batalha de sua vida. O exército de Henrique, o conde de Richmond, marchava contra suas tropas. O embate determinaria o novo monarca da Inglaterra.

 

O rei requisitou a preparação de seu cavalo preferido. Envolto num esforço para ferrar os cavalos da tropa real, o ferreiro alegou que precisaria de tempo para providenciar novas ferraduras. Impaciente com o avanço do inimigo, o cavalariço de Ricardo pediu pressa. E deu-se o desastre.

 

Ajustadas as três primeiras ferraduras, verificou-se que faltavam dois pregos para a fixação da quarta. Na correria, a peça foi ajustada na galega. E, no fervor da batalha, desprendeu-se. O animal caiu. O rei foi ao chão. “Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!”, bradou Ricardo III. Por conta de um par de pregos, perdeu-se um trono.

 

No embate entre os governos e o Legislativo, a encrenca começou com Sarney. Sentido o chão fugir-lhe dos pés, o presidente gritou: “Meu reino! Meu reino! Uma base de sustentação pelo meu reino!” E nasceu o PFL. E o PMDB. E PTB, o PP, o PL... Desde então, o país vai galopando em trote de cavalo manco. Perde uma batalha atrás da outra.

Escrito por Josias de Souza às 18h12

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César Maia desqualifica programa de TV do PSDB

O prefeito pefelista do Rio, César Maia, continua estrelando o seu papel preferido: é um urubu do PFL sobrevoando o ninho tucano. Utiliza o seu boletim eletrônico, distribuído por e-mail a um seleto grupo de leitores, para atirar contra o front "aliado". Neste sábado, ele desqualificou o programa que o PSDB levou ao ar, em rede nacional de TV, na noite de quinta-feira. Eis a avaliação cáustica do prefeito:

1. Os publicitários continuam não entendendo direito como medir a audiência dos programas partidários de vinte minutos. Eles seguem a metodologia do Ibope, de medição a cada momento e de desenho da curva correspondente. Então falam de picos, piso e média de audiência. Raciocínio errado para política. Poucos conseguem assistir continuamente um programa político de vinte minutos. Levantam, tomam um copo d’água, vão ao banheiro, reclamam do filho, perguntam algo ao marido ou a mulher,...Nas novelas isso é feito no intervalo comercial. Nos programas partidários isso é feito durante o programa. Por isso os programas desenhados como novela, como história, ou fatiados em que aparecem muitas pessoas, tem uma audiência -efetiva- ainda menor do que a indicada pelo Ibope.

Nos programas partidários o que interessa é a AUDIÊNCIA AGREGADA. Ou seja, quantas pessoas entram -por cinco ou dois minutos para assistir o programa. Bem, para isso é necessário que os vinte minutos sejam ocupados pelo personagem central, continuamente, em respostas que se bastem em até uns dois minutos. Com isso quem não assistiu uma, porque foi tomar água, assiste a outra. O personagem não deve fazer um discurso formal, mas falar como se estivesse na sala. Pode até olhar para a câmera, mas isso é dispensável. Um programa desenhado desta forma tem a mesma audiência do JN ou da novela, só que picada. Estas audiências viram o personagem falar por dois minutos ou quatro minutos, embora em momentos diferentes do programa. E comentam com a família ou amigos ao lado. Se deve trabalhar com duas câmeras coladas, uma fechada e outra aberta de forma que a passagem, de uma para outra, não tenha corte. 

2. O publicitário do PSDB quis tratar do problema de um maior conhecimento do Alckmin Geraldo. Então contou a sua história durante uns 13 minutos. Depois, nuns três minutos, apresentou a convenção do PSDB e o candidato falando em diagonal -do púlpito- suas prioridades de governo. É impossível alguém se lembrar de alguma delas. Finalmente um discurso formal, quadrado, ascético, de uns 4 minutos, esperando que na volta da audiência para ver a Copa no JN, pudesse ganhar visibilidade. Um programa muito bem feito, para guardar e mostrar como numa festa de casamento. Mas sem foco no aumento da visibilidade/conhecimento do Alckmin Geraldo e sem entrar nos corações.

Com um aliado assim, quem precisa de inimigos?

Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Lula: ‘Fizemos mais do que eles em oito anos’

Antônio Cruz/ABr
 

 

Lula assumiu, finalmente, a candidatura reeleitoral em convenção nacional do PT. Leia aqui a íntegra do discurso. E veja abaixo os principais pontos:

 

- Tirando a candidatura do armário: Hoje eu estou aqui para dizer a vocês que o sonho não acabou e a esperança não morreu (...). Hoje eu estou aqui para anunciar que sou, mais uma vez, candidato à Presidência da República.

 - Continuísmo: Volto a ser candidato porque o Brasil, hoje, está melhor do que o Brasil que encontrei três anos e meio atrás, mas pode --e precisa-- melhorar muito mais.
 
- Adversários: Hoje, as vozes do atraso estão de volta. E como não têm uma boa obra no passado e nem propostas para o futuro, fazem da agressão e da calúnia as suas principais armas (...). Nos lares, nas praças, nas fábricas e nos campos, o povo está dizendo que não os quer de volta. Mas eles nunca escutaram a voz do povo, e, obviamente, não vão querer escutá-la agora.

- Baixaria: Por mais que nos provoquem, não usaremos os mesmos métodos, pois temos armas limpas e poderosas. Uma delas é a comparação do que eles fizeram em oito anos de governo com o que nós estamos fazendo em apenas três anos e meio.

- Legado maldito: Todos se lembram do final do governo deles, quando a economia encolhia, o emprego diminuía e a pobreza aumentava. Era o tempo da instabilidade e da vulnerabilidade econômica. Era a época da insensibilidade social e do sucateamento da infra-estrutura. Era o tempo dos grandes apagões. Era o final da sanha privatista que dilapidou o patrimônio público. Era a época da desesperança e da baixa estima. Começamos a trabalhar sem tréguas.

- FHC X Lula: Para não cansá-los com outros números, resumo o restante numa frase: fizemos em 42 meses mais que eles em 8 anos. Porém, mesmo que tivéssemos feito o dobro, ainda seria pouco, frente a imensa dívida social deixada por séculos de descaso com os mais pobres deste país.

- Responsabilidade fiscal: Se reeleitos, continuaremos fazendo um governo de seriedade, responsabilidade e equilíbrio. Continuaremos honrando nossos acordos e cumprindo, de forma sagrada, nossos compromissos nacionais e internacionais.

 - Reforma política: Não poderá mais ser adiada. Ela é fundamental para aperfeiçoarmos nossa vida institucional e corrigir graves defeitos que ainda persistem (...). Terá por base a fidelidade partidária (...).

- Mensalão: Nunca enfrentamos uma crise como a que se abateu sobre nós no ano passado (...). Tentaram se aproveitar de algumas situações, para passar a falsa idéia de que nosso governo compactuava com atos ilícitos (...). Repito aqui o que já disse antes: depois de apurar todas as responsabilidades, a Justiça deve punir quem tiver culpa comprovada. Eu serei o primeiro a apoiar e aplaudir.

- Nem vítima nem herói: Não quero posar de vítima ou de herói. Quero apenas poder cumprir com meu dever, honrar a confiança do povo e terminar meu governo em paz. E, se os brasileiros quiserem, continuar aprofundando o trabalho de mudança do nosso querido Brasil.

- Governo de coalizão: O PT sabe, melhor do que ninguém, que precisamos fazer um segundo governo melhor do que o primeiro e buscar coalizões sólidas para dar sustentação, sem indecisões, ao programa de governo.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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PMDB paranaense impede candidatura de mensaleiro

O PT, como se sabe, abriu a porteira para que todos os deputados mensaleiros se sirvam da legenda para disputar novos mandatos nas eleições deste ano. Sempre que questionados a respeito, os figurões do petismo saem-se com o lero-lero de que cabe ao eleitor julgar os malfeitores.

Pois o PMDB do Paraná deu, veja você, uma lição aos ex-senhores da ética. Recusando a conversa mole, o partido impediu o mensaleiro José “R$ 2,1 milhões” Borba de disputar a eleição sob o guarda-chuva da agreminação.

Borba renunciou ao mandato para fugir ao julgamento do plenário da Câmara. Preservou os seus direitos políticos. E tentou inscrever sua candidatura a deputado federal. O diretório paranaense do PMDB disse não. Alvíssaras.

Escrito por Josias de Souza às 16h04

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As manchetes deste sábado

 

- Folha: Crianças e jovens acima do peso são 5,9 milhões

 

- Estadão: TGV não paga e justiça anula leilão da Varig

 

- Globo: Obesidade de jovens cresce e preocupa

 

- Correio: Polícia Civil radicaliza e paralisa as delegacias

Escrito por Josias de Souza às 07h38

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Vôo cego!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Do odor do mensalão ao perfume da reeleição

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Era 12 de agosto de 2005. Nuvens escuras emolduravam os palácios. Brasília fazia lembrar a Capital do ocaso do governo Collor. Duda Mendonça falara na véspera à CPI dos Correios. À fornalha inaugurada pelas denúncias de Roberto Jefferson, o publicitário adicionara um feixe de revelações explosivas. Mencionara, por exemplo, que parte das despesas de marketing de cinco campanhas do PT, incluindo a de Lula, haviam sido bancadas com dinheiro de caixa dois depositado nas Bahamas.

 

Lula, que vinha ruminando seus temores em silêncio havia 91 dias, decidiu dizer algo aos brasileiros acerca do escândalo do mensalão. Falando em rede nacional de TV, desde a Granja do Torto, o presidente soou inconvincente: “Quero dizer a vocês, com toda franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país. O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política”.

 

O PT parecia, então, uma legenda irreversivelmente implodida. O governo encontrava-se de joelhos. O presidente da República entrara na linha de tiro. A oposição falava abertamente em impeachment. Decorridos escassos dez meses, a hipótese de deposição do presidente deslizou para fora da agenda. Lula, que chegou a confidenciar que iria para casa depois de encerrado o mandato, emerge como candidato franco favorito à própria sucessão.

 

O constrangimento dissipou-se. Os “traidores” de ontem, alguns deles denunciados pelo Ministério Público como integrantes de uma “quadrilha”, confraternizarão com Lula na convenção deste sábado. Aguarda-se inclusive a presença de José Dirceu, o “traidor-mor”. Junto com ele, pretendem misturar-se aos cerca de 4 mil presentes algumas estrelas do mensalão: João Paulo Cunha (SP), Paulo Rocha (PA), João Magno (MG), Professor Luizinho (SP) e José Mentor (SP), por exemplo. Apeado do governo por outros escândalos, o ex-ministro Antonio Palocci não havia confirmado presença esta sexta-feira.

 

O PT que vai às urnas de 2006 é bem diferente do partido que se apresentou como alternativa ética em 2002. Ex-borboleta da política brasileira, a legenda de Lula protagonizou uma inusitada volta ao casulo. A experiência de poder rendeu-lhe uma aparência de lagarta. Rasteja pelo cenário político como todas as demais agremiações. Carrega atrás de si um rastro pegajoso de perversões.

 

Quanto a Lula, o eleitor emite sinais de que ainda o enxerga como uma vistosa borboleta. Embora seu partido conviva com o risco de eleger uma bancada menor que a de 2002, o presidente não encontra, por ora, adversários com potencial para devolvê-lo ao apartamento de São Bernardo. Nas pegadas do depoimento de Duda Mendonça, PSDB e PFL cogitaram apresentar um pedido de impeachment contra Lula. Desistiram. Avaliaram que seria mais conveniente sangrar o adversário em praça pública até as eleições. A cada nova pesquisa de opinião, o erro de avaliação torna-se mais pungente.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Lula prega continuidade e diz que fez mais que FHC

  Sérgio Lima/Folha Imagem
A candidatura de Lula à reeleição será, finalmente, formalizada neste sábado, em convenção nacional do PT. O encontro custou aos cofres do partido R$ 600 mil. O ponto alto será o discurso do presidente. Falando para uma platéia estimada em 4 mil pessoas, e
le dirá que quer ser reeleito para completar a obra que iniciou.  

 

Antecipando o que será a tônica de sua campanha, Lula vai comparar a sua gestão à de Fernando Henrique Cardoso. Julga ter feito em quatro anos mais e melhor do que aquilo que o predecessor foi capaz de apresentar em oito anos.

 

Indiretamente, Lula tenta grudar na imagem de Geraldo Alckmin, seu principal adversário, a pecha de ser um prolongamento de FHC. Isso dois dias depois de Alckmin ter sido apresentando no programa televisivo do PSDB como um político com biografia própria.

 

O Lula de 2002 foi ao palanque para combater dois inimigos: o adversário –à época o tucano José Serra— e a fama de esquerdista descompromissado com os valores do mercado. O Lula de 2006 já não é visto como ameaça à livre iniciativa. Não precisa mais guerrear contra a própria sombra. Preocupa-se apenas com o oponente, agora Geraldo Alckmin.

 

Em vez de mudança, prega o aprofundamento de sua obra. Aproveitará o discurso para rebater uma das acusações que a oposição lhe tem feito: a de que estaria abrindo irresponsavelmente o cofre. Apresentará o controle da inflação e a prudência fiscal como pontos de honra de seu governo, dos quais não pretende se dissociar. Nem na atual nem na próxima gestão.

 

Dirá também que o tucanato deixou-lhe um legado ruinoso, marcado pelo endividamento e pelo descontrole inflacionário. Julga ter arrumado a casa. Acha que o país encontra-se agora em condições de iniciar um ciclo de desenvolvimento econômico longevo. Ele vai mencionar projetos já iniciados e que têm o objetivo de melhorar a infra-estrutura necessária ao crescimento.

 

Lula dará especial realce a um ponto que julga ser uma das principais marcas de sua gestão: a prioridade aos pobres. Nessa matéria, enfatizará, fez bem mais do que aqueles que o precederam. Reconhecerá que há muito por fazer. Daí a disposição para concorrer a um segundo mandato.

 

O discurso que será lido por Lula foi escrito a quatro mãos pelos ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). O texto incorporou sugestões de outros assessores. Não se exclui a possibilidade de que o presidente venha a injetar improvisos na peça. Mas as linhas mestras, discutidas com ele próprio, não devem sofrer alterações. 

 

Embora a candidatura reeleitoral de Lula saia do armário ainda sem uma coalizão partidária que lhe dê suporte, o PT teve o cuidado de convidar para a sua festa líderes do PSB, do PC do B e da ala governista do PMDB. E o presidente, cuja gestão foi tisnada pelas crises de relacionamento com o Legislativo, incluindo a encrenca do mensalão, fará menção no discurso à necessidade de promover uma reforma política.

 

Lula repetirá em público o que vem sustentando em privado: se eleito, deseja compor o que chama de “governo de coalizão”, inaugurando o que imagina ser uma nova fase no relacionamento entre o Executivo e o Legislativo, menos sujeita a perversões. Deixará explícito que pretende governar não apenas com o PT, mas com um consórcio pluripartidário.

Escrito por Josias de Souza às 22h22

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Depois de humilhado, Alencar vira ‘caminho natural’

  Wilson Dias/ABr
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), confirmou nesta sexta-feira que Lula repetirá nas eleições deste ano a mesma chapa de 2002. Terá o empresário José Alencar como candidato a vice. É o “caminho mais natural”, disse Berzoini.

"É total a confiança do PT e do presidente Lula no José Alencar”, completou o deputado. “Não havia razão nenhuma para mudar a chapa". O curioso é que, tendo do seu lado uma opção assim tão “natural” e "confiável”, Lula tenha queimado pestanas durante seis meses tentando articular uma alternativa.

Primeiro, tricotou o nome de Nelson Jobim. O esfacelamento do PMDB, o partido mais partido do Brasil, impediu a amarração final do crochê. Depois, ofereceu a vaga a Ciro Gomes. A ciumeira do PT e o desejo do PSB de transformar o ex-ministro numa locomotiva de votos no Ceará fizeram descarrilar a iniciativa.

Por último, tentou-se acomodar do lado de Lula o presidente do PSB, Eduardo Campos. Com a corda da cláusula de barreira a apertar-lhe o pescoço, o deputado tratou de afastar-se da armadilha. Antes, até numa conversa com Orestes Quércia, recebido no Planalto, a vaga de vice foi à mesa. E nada.

Depois de uma humilhação que se arrastou por todo o primeiro semestre, Alencar não se parece com um “caminho natural”. Assemelha-se mais a uma trilha de emergência, dessas que o sujeito toma quando se encontra num mato sem cachorro. Em viagem a Santa Catarina, Lula agora diz que não mexeria "em time que está ganhando".

Berzoini reconheceu que dificilmente o PT irá coligar-se ao PSB. Avaliou que as chances de um acordo com o PC do B ainda não se esgotaram. Seja como for, não receia que, num eventual segundo reinado, Lula venha a padecer de falta de suporte no Congresso. "A governabilidade se dá em acordos programáticos ainda no processo eleitoral ou depois da definição do Parlamento", disse o presidente do PT.

Acordos programáticos? Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h12

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Mantega antevê o futuro da economia mundial

Economistas do mundo inteiro estão, há semanas, com os cabelos hirtos. A bruma de imprevisibilidade que envolve a gestão da política monetária dos EUA turvou-lhes a visão. O mercado financeiro caminha sobre ovos. Os investidores comportam-se como se o momento do salve-se quem puder fosse iminente.

Não há, porém, motivo para tanto desassossego. Ao menos é o que acha Guido Mantega. Nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda previu que o ambiente de pré-pânico que tomou conta do mercado financeiro internacional tem data para acabar. Vai só até agosto.

Para Mantega, o Federal Reserve, banco central dos EUA, vai elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, alteando-a para 5,25% ao ano. Até aí, o ministro apenas papagueia o que se diz no mercado. Mas ele vai além.

Na reunião seguinte do FED, em agosto, a taxa sofrerá nova alta de 0,25 ponto percentual, antecipa Mantega. “Depois disso”, antevê o ministro, “não haverá mais elevações e já haverá uma acomodação dos capitais em escala internacional. Então, eu acho que a turbulência, na minha opinião, deve durar no máximo até agosto".

O ministro está certíssimo. É mesmo provável que o FED promova só mais dois aumentos de 0,25 ponto percentuais nos juros americanos, na hipótese de as taxas não subirem ainda mais. E a turbulência do mercado pode mesmo ser estancada em agosto, desde que o ambiente não descambe para o desespero.

De resto, as antevisões de Mantega estão sujeitas a inúmeros imprevistos. Mas o imprevisível, há de convir o leitor, não pode ser previsto. O signatário do blog aproveita para fazer as suas próprias previsões.

Se Lula, reeleito, decidir trocar o ministro da Fazenda em janeiro de 2007, o desespero de Mantega não vai durar até fevereiro. O grão-petista trocará a Esplanada por uma tenda de adivinho. Não vê quem não quer.

Escrito por Josias de Souza às 15h34

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Ronaldo, Ronaldo

 

- Folha: Renda real do trabalhador cresce 7,7% em um ano

 

- Estadão: Apareceu o time do bom futebol

 

- Globo: Enfim, o Brasil

 

- Correio: Viva o gordo!

 

- Valor: Meta de inflação de 4,5% evitará choques de juros

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Campanha neolítica!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h40

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PSDB exalta na TV méritos do ‘novo líder Geraldo’

Conforme noticiado aqui, o PSDB utilizou o programa televisivo que foi ao ar no horário nobre desta quinta-feira para exaltar as qualidades de seu candidato, Geraldo Alckmin. Diferentemente do que fizera o PFL na semana passada, o tucanato esquivou-se de criticar Lula.

 

Alckmin foi apresentado como um homem batalhador, honesto e competente. Em vez de atacar o adversário,m o PSDB preferiu vender Alckmin como "Geraldo", uma "nova liderança que surge no país". Um país que ainda o desconhece (clica).

A expectativa do comando de campanha de Alckmin é a de que a exposição televisiva de junho renda ao candidato entre cinco e dez pontos percentuais nas pesquisas. Espera-se que o candidato salte dos atuais 20% para algo entre 25% e 30% nas intenções de voto.

 

Confirmadas as expectativas, Alckmin chegaria ao dia 15 de agosto, data do início oficial da propaganda de rádio e TV em condições de concorrer com Lula, mais bem posto nas pesquisas –entre 40% e 45%. Do contrário, a atmosfera de desânimo que se espraia pela coligação tucano-pefelista tende a evoluir para o desespero.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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PT lança Lula sem PSB e PC do B; Alencar é o vice

  Alan Marques/F.Imagem

O PT tentou. O Palácio do Planalto também se esforçou. Mas a candidatura reeleitoral de Lula será homologada neste sábado sem a formalização de um consórcio partidário que lhe dê suporte. Para atenuar o constrangimento, os principais líderes do PSB e do PC do B, os dois aliados ainda cobiçados por Lula, comprometeram-se a comparecer à convenção que o aclamará como candidato a um segundo mandato.

 

De resto, a cúpula do PT convenceu Lula a formalizar, já neste sábado, a reedição da chapa de 2002, com a manutenção de José Alencar no posto de vice. Convidado à noite, Alencar, que já estava irritado com o constrangimento a que vinha sendo submetido, aceitou repetir a dobradinha, abrindo espaço para que o PT se coligue imediatamente pelo menos ao inexpressivo PRB, partido do vice. Lula abandou de vez a pretensão de ter um representante do PSB na sua chapa.

 

Antes, fez uma última tentativa de atrair o PSB para um casamento de papel passado. Reuniu-se nesta quinta-feira com três dos principais líderes do partido: os dois socialistas que eram cobiçados para a vice –deputado Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB e Ciro Gomes, ex-ministro da integração-e o ex-ministro Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia). O esforço do presidente, testemunhado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, foi em vão.

 

O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, antes do jogo Brasil X Japão. Ciro reafirmou ao presidente que não seria candidato a vice. Disputará uma vaga de deputado federal pelo Ceará. E Eduardo Campos, candidato ao governo de Pernambuco, informou que, se o partido fosse obrigado a se pronunciar sobre a coligação antes da convenção do PT, a resposta seria “não”.

 

“Se a decisão tivesse de ser tomada hoje, seria obrigado a dizer que as dificuldades que temos em pelo menos sete Estados são insuperáveis e que, portanto, não poderia haver aliança formal (com o PT)”, disse Eduardo Campos ao blog depois de assistir à vitória do Brasil sobre o Japão ao lado de Lula. Diante das dificuldades, ele considerou "natural" a repetição da chapa Lula-Alencar. 

 

A convenção nacional do PSB está marcada para quarta-feira da semana que vem, dia 28 de junho. Premidos pela necessidade de compor alianças nos Estados, muitas delas com partidos distintos do PT –PDT e PSDB, por exemplo— líderes regionais do PSB pressionam Eduardo Campos por uma definição rápida. O deputado acha que não vai conseguir postergar a decisão por muito tempo. 

 

O repórter ouviu também o presidente do PC do B, Renato Rabelo. Na semana passada, ele informara ao blog que a aliança com o PT subira no telhado. Mencionou dificuldades de composição com o petismo em três localidades: Brasília, Tocantins e Ceará. Nesta quinta-feira, Rabelo afirmou que o quadro não se alterou.

 

“Há um esforço por parte do PT de tentar fechar uma posição até sábado (dia da convenção que homologará a candidatura de Lula). Mas é praticamente impossível. Teríamos só esta sexta-feira. Acho difícil sair um acordo”, disse Renato Rabelo. “Nós jogamos a nossa convenção para o dia 29 (de junho) justamente para ver se resolvemos essas pendências.”

 

Nem PSB nem PC do B põem em dúvida o apoio político a Lula. O que está em questão é a conveniência de transformar esse suporte numa aliança formal. Lula dá de barato que, no caso do PC do B, os problemas regionais não impedirão a aliança. Quanto ao PSB, o presidente parece conformado com os impedimentos à aliança. Um estímulo para que convide, finalmente, Alencar para o posto de vice. 

 

Afora os danos políticos, a eventual ausência dos socialistas vai privar Lula de um minuto e 50 segundos de tempo de televisão. O presidente terá de se contentar com um tempo de propaganda de 6 minutos e 36 segundos. Quase três minutos a menos que o adversário tucano Geraldo Alckmin, que tem nove minutos e dois segundos. O PSDB aposta na propaganda televisiva para elevar os índices de Alckmin nas pesquisas.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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Quércia formaliza candidatura ao governo de SP

  Alan Marques/Folha Imagem
Agora é oficial: Orestes Quércia anunciou nesta quinta-feira que será mesmo candidato ao governo de São Paulo. Queria ser candidato a vice-governador na chapa de José Serra (PSDB). Mas foi rejeitado pelo tucanato, que queria uma composição com o PMDB, mas vetou a inclusão de Quércia na chapa.

 

A entrada de Quércia no jogo é uma péssima notícia para Serra. Se tivesse feito acordo com o PMDB, o candidato tucano teria agregado ao seu tempo de TV oito minutos e 40 segundos. Mas esse não é o único prejuízo.

 

Sem Quércia, Serra reuniria maiores chances de vencer a eleição no primeiro turno, derrotando o adversário petista Aloizio Mercadante. Com Quércia, crescem as chances de a disputar escorregar para o segundo turno. Mercadante festejou o desfecho. Certo de que vai ao segundo turno com Serra, ele já conta com o apoio futuro do PMDB.

 

Em entrevista, Quércia ironizou o veto do tucanato ao seu desejo de dividir a chapa com José Serra. "Imagina amanhã o Serra ser candidato a presidente e o Quércia, como vice, assume o governo e é candidato à reeleição. É esse o problema maior: 2010, quando o PSDB terá de deixar o governo nas mãos do PMDB", disse ele.

Escrito por Josias de Souza às 15h00

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Na TV, PSDB prefere exibir Alckmin a atacar Lula

Uma semana depois de o PFL ter transformado sua propaganda partidária num libelo eletrônico contra Lula, o PSDB leva ao ar, na noite desta quinta-feira, um programa dedicado à exaltação da biografia de Geraldo Alckmin. Serão 20 minutos de exposição em horário nobre, no meio do Jornal Nacional.

 

No programa do PFL, Lula foi apresentado como principal beneficiário do escândalo do mensalão. Na propaganda do PSDB, o presidente é ignorado. Preferiu-se utilizar a rede nacional de TV para difundir a imagem de Alckmin. Busca-se fazê-lo mais conhecido, tentado tonificar os seus índices nas pesquisas de opinião.  

 

O programa do tucanato segue a mesma linha das inserções que vêm sendo veiculadas na TV ao longo do mês. As peças do PSDB dedicam-se a vender um Alckmin experimentado na vida pública –foi vereador, prefeito, deputado, vice-governador e governador. Pessoas comuns irrompem no vídeo para elogiar o candidato, passando a impressão de que os eleitores que o conhecem o aprovam.

 

A aceitação dos programas foi testada em pesquisas qualitativas. Reuniram-se grupos de eleitores que, embora pendam para o lado de um ou de outro candidato, ainda não definiram o seu voto. Submetidas às peças publicitárias do PSDB, as cobaias reagiram com um misto de simpatia e surpresa diante de detalhes desconhecidos da trajetória de Alckmin –o fato de ele ser médico, por exemplo.

 

Os estrategistas do tucanato trabalham como se estivessem diante de uma escada. Acham que, até o final de junho, terão subido o primeiro degrau, que visa sedimentar uma imagem positiva de Alckmin. Avaliam que, se conseguirem convencer o eleitor de que o candidato tem méritos, farão com que eles passem a considerá-lo como uma alternativa eleitoral, prestando atenção à sua mensagem.

 

As próximas pesquisas de opinião dirão se a estratégia surtiu efeitos. Até aqui, a despeito de uma seqüência de viagens de Alckmin pelo país -ele já percorreu todos os Estados da região Nordeste-, o candidato continua estacionado nas sondagens eleitorais em patamares que oscilam de 18% a 20%. Bem atrás de Lula, cujos percentuais de intenção de voto variam de 40% a 45%.

Escrito por Josias de Souza às 14h28

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As manchetes desta quinta

- JB: Acaba a farra dos reajustes

- Folha: Comprador admite não ter dinheiro para a Varig

- Estadão: Lula enfrenta TSE e garante reajuste

- Globo: Bando roubava gasolina no Rio direto de tanques da Petrobras

- Correio: Brasília fica sem polícia nas ruas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Fadiga de material!

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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PMDB quer que Lula faça ‘coalizão’ imediatamente

Roosewelt Pinheiro/ABr
 

 

O PMDB governista decidiu testar a sinceridade do discurso de Lula. O presidente diz que, se for reeleito, vai compor um ‘governo de coalizão’ com o PMDB, confiando ao partido a gerência de setores inteiros do governo. O PMDB lulista não quer esperar pelo segundo mandato. Deseja que Lula dê, imediatamente, uma prova de suas intenções.

 

Os senadores Renan Calheiros e José Sarney (na foto), capitães do time governista do PMDB, entregarão nos próximos dias a Lula um pacote de nomes que gostariam de ver nomeados para cargos de relevo no governo. Querem que as nomeações ocorram até 30 de junho.

 

A cereja da lista é o posto de ministro da Saúde. Mas não é só. A relação inclui também, entre outras pretensões, apadrinhados para dois nacos da administração pública que estrelaram o escândalo do mensalão: a empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Furnas Centrais Elétricas.

 

Por ora, Lula não deu indicações de que pretenda atender aos pedidos. Alega que a anunciada ‘coalizão’ se daria apenas no próximo mandato. O problema é que o PMDB governista enxergou no vocábulo ‘coalizão’ uma espécie de neologismo para ‘cargos públicos’. E quer ocupar já os postos que julga merecer.

 

Entregue ao petista Humberto Costa no início da gestão Lula, em 2003, a pasta da Saúde tornou-se um feudo de petistas. Com a saída de Humberto, hoje candidato ao governo de Pernambuco, o posto foi confiado ao deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG). Mas o grosso da engrenagem montada pelo PT foi preservada.

 

Depois, Saraiva deixou o ministério para tentar renovar nas eleições deste ano o seu mandato de deputado federal por Minas Gerais. Para o seu lugar, Lula nomeou o secretário-executivo do ministério, Agenor Álvares. De novo, os principais feudos do petismo foram preservados. O que o PMDB lulista deseja é substituir Agenor e ganhar autonomia para recompor como bem entender a máquina da Saúde.

 

A bancada do PMDB na Câmara defende a nomeação de Paulo Lustosa para ministro da Saúde. Lustosa dirige no momento a Funasa (Fundação Nacional da Saúde). Antes, foi secretário-executivo do Ministério das Comunicações, na gestão do deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE).

 

Renan e Sarney já tentaram transformar Lustosa em presidente da Anatel, a agência reguladora do setor de telecomunicações. Mas o atual ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG) bombardeou a indicação. E Lula mandou o nome de Lustosa à gaveta.

 

Quanto aos Correios e a Furnas, os governistas do PMDB reclamam que, embora as estruturas estejam subordinadas a ministérios controlados por peemedebistas –a pasta das Comunicações (Hélio Costa) e a das Minas e Energia (Silas Rondeau)—encontam-se sob o comando de pessoas alheias ao partido. Querem ver cumprida a promessa de confiar ao PMDB a estrutura integral dos ministérios.

 

Os principais expoentes do PMDB governista são, além de Sarney e Renan, os deputados Eunício Oliveira (CE) e Jader Barbalho (PA); e o senador Ney Suassuna (PB). Começam a se incorporar ao grupo políticos que, até aqui, perfilavam do lado dito independente do PMDB. Entre os neo-governistas, o nome mais expressivo é o do deputado Wellington Moreira Franco (RJ).

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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PSB quer que Eduardo Campos seja vice de Lula

Dirigentes do PSB estiveram com o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Informaram a ele que o PSB admitiria ingressar na coligação partidária que dará suporte a Lula caso o presidente da legenda, Eduardo Campos (na foto), fosse escolhido como candidato a vice-presidente na chapa reeleitoral.

 

Há dois dias, o próprio Tarso dissera que três nomes compunham o leque de opções para vice de Lula. Um dos que mencionou foi justamente o de Eduardo Campos. Os outros dois são o atual vice-presidente José Alencar e o ex-ministro Ciro Gomes, também do PSB.

 

Ciro é o nome preferido de Lula. Mas o PSB prefere Campos, informa Andreza Matais. Candidato a deputado federal pelo Ceará, Ciro é um dos principais puxadores de voto do PSB no esforço que o partido empreende para tentar ultrapassar a cláusula de barreira –regra que condiciona a sobrevivências dos partidos à obtenção de 5% dos votos do eleitorado na eleição para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em pelo menos nove Estados.

 

Aceitando o nome de Campos, Lula e o PT poderiam obter, além do casamento de papel passado com o PSB, um ganho adicional. Campos é, hoje, candidato ao governo de Pernambuco. Incorporado à chapa de Lula, deixaria a disputa, em benefício do candidato petista Humberto Costa, com quem divide a mesma faixa do eleitorado.

Escrito por Josias de Souza às 23h29

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Vetado pelo PSDB, Quércia ameaça disputar governo

Orestes Quércia e Michel Temer reúnem-se no final da manhã desta quinta-feira para tentar chegar a um acordo que torne viável a coligação do PMDB, partido de ambos, com o PSDB de José Serra, candidato ao governo de São Paulo.

 

Quércia condiciona o entendimento à aceitação do seu nome como vice na chapa de Serra. O tucanato prefere que o posto seja ocupado por Temer. Como alternativa, sugere Almino Affonso, desafeto de Quércia. Sentindo-se rejeitado, Quércia ameaça lançar a sua própria candidatura ao governo de São Paulo. É isso o que ele vai dizer a Temer no encontro desta quinta-feira.

 

Procurado por Serra, Quércia lhe disse o que fora noticiado aqui na noite passada: deseja ser, ele próprio, o companheiro de chapa do candidato tucano. A conversa foi pelo telefone.

 

Serra fez ver ao interlocutor que seu nome enfrenta resistências no PSDB. Instou-o a considerar outras hipóteses. Ficaram de voltar a conversar até esta sexta-feira. Mas Quércia já disse a interlocutores que não aceita vetos. Daí a sua propensão a se lançar candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Quércia sabe da preferência de Serra por Temer. A reunião de hoje entre os dois é vista como decisiva para o desfecho da articulação conduzida por Serra. Um aliado do candidato revelou ao blog que é grande o receio no PSDB de que Quércia decida mesmo se lançar candidato ao governo paulista, como já havia ameaçado antes.

 

A entrada de Quércia no páreo atenuaria as chances de Serra derrotar o candidato petista Aloizio Mercadante no primeiro turno da eleição. De resto, o tucanato deixaria de somar no seu tempo de propaganda no rádio e na TV os oito minutos e 40 segundos a que o PMDB tem direito.

 

Na noite passada, Temer foi festejado num restaurante de Brasília como virtual companheiro de chapa de Serra. Ele dividia a mesa com outros três deputados: Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL na Câmara; Wellington Moreira Franco (PMDB-RJ) e Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Este último, além de correligionário, é amigo e Serra.

 

O motivo do jantar era a comemoração do aniversário de Rodrigo Maia. Mas um dos temas que preponderaram à mesa foi o desejo de Serra de fazer de Temer o seu candidato a vice, fechando um acordo com o PMDB paulista. Um dos presentes contou ao blog que, embora cortejado, Temer disse que nada estava decidido. Informou que Quércia reivindicava para si a primazia, o que deixava a questão em suspenso.

 

Serra tem pressa. Deseja fechar a negociação com o PMDB até esta sexta. Empenha-se por um acordo. Mas, caso o entendimento malogre, cogita compor uma chapa puro-sangue. Escolheria para seu vice um político do próprio PSDB. O nome do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) ocupa o topo da lista.

 

O segundo mais cotado é o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). O terceiro é o ex-ministro da Educação Paulo Reanto. Atento aos desdobramentos da negociação com o PMDB, o PFL, já coligado a Serra, também reivindica o posto de vice para o empesário Guilherme Afif Domingos. O mais provável, porém, é que Afif ocupe na chapa a vaga de candidato ao Senado.

Escrito por Josias de Souza às 22h32

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PFL confirma união com PSDB e volta a malhar Lula

Alan Marques/Folha Imagem
 

Em convenção morna, o PFL homologou nesta quarta-feira a coligação com o PSDB. O nome do senador José Jorge (PFL-PE) foi aprovado por aclamação para compor a chapa do tucano Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.

Afora a atmosfera tépida, a convenção da pefelândia foi marcada pelos ataques a Lula. Alckmin disse que o governo Lula é uma "mentira política". José Roberto Arruda, candidato do PFL ao governo de Brasília, insinuou que Lula bebe demais. Antonio Carlos Margalhães chamou o presidente de ladrão. E José Jorge tachou-o de traidor do Nordeste.

Alckmin subiu à tribuna ao som do tema da vitória, aquela musiquinha que era tocada nas transmissões da Rede Globo sempre que Ayrton Senna vencia uma corrida de Fórmula 1. Além de tachar a gestão Lula de "mentira política", criticou a fúria inauguratória do aversário: "Agora se inaugura pedra fundamental até no final de governo".

Arruda valeu-se de uma analogia para trazer de novo à tona os alegados abusos etílicos de Lula. "Sinceramente, eu não o convidaria a ser meu companheiro de boteco. Pois o Brasil é um grande avião e eu não gostaria de encontrar como piloto um antigo companheiro de boteco", disse Alckmin. Na semana passada, José Jorge dissera que Lula “trabalha pouco, viaja muito e bebe demais”.

Nesta quarta-feira, o vice de Alckmin preferiu tentar desqualificar Lula de outro modo. Nordestino como o presidente, o senador disse que Lula “traiu” a sua gente. Tornou-se, segundo as suas palavras, "um conterrâneo mal aculturado" no Sul.

"Não sou um nordestino desnaturado como Lula, que nem ao menos respeita sua extraordinária saga de emigrante, recheada de tragédias", afirmou José Jorge. As referências regionais do senador não nasceram do nada. É no Nordeste que Lula prevalece sobre Alckmin de maneira mais acachapante. O presidente desponta na região com uma média de 70% da preferência do eleitorado.

Coube a ACM proferir o ataque mais incisivo contra o presidente. "Hoje, o Palácio do Planalto tem que ser higienizado...”, disse ele. “Temos que mostrar o verdadeiro Lula. Não o Lula que paga publicidade para a imprensa e para televisão, mas o Lula ladrão".

Embora as sondagens eleitorais o acomodem em posição de franca desvantagem em relação a Lula, Alckmin tentou ostentar em seu discurso um timbre triunfante. Convidou os presentes a subirem com ele a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2007. Agora só falta convencer os eleitores.  

Escrito por Josias de Souza às 17h34

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A Presidência vai à feira

Da coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):

A Presidência da República abriu licitação para o fornecimento de hortifrutigranjeiros por seis meses ao Palácio do Planalto. As frutas devem ser "de elevada qualidade, sem defeitos, bem desenvolvidas e maduras". Não serão permitidas "manchas ou defeitos na casca". As verduras devem ser "frescas", isentas de "odor e sabor estranhos". Bactérias do grupo "coliforme de origem fecal" podem estar presentes "2 x 102/g", de acordo com o edital. Gasto estimado: R$ 27.347,00, ou R$ 4.557 por mês. Confira alguns preços abaixo:

ABACAXI PÉROLA
800 unidades - (R$ 3,90/un) R$ 3.120,00
ALFACE ROXA
50 maços - (R$ 1,30/mç) - R$ 65,00
BANANA PRATA
300 kg - (R$ 1,75/kg) - R$ 525,00
CEBOLA
50 kg- (R$ 1,75/kg) - R$ 87,50
GOIABA
600 kg - (R$ 3,90/kg) - R$ 2.340,00
LARANJA PÊRA
2.500 kg - (R$ 1,45/kg) - R$ 3.625,00
LIMÃO
100 kg - (R$ 2,50/kg) - R$ 250,00
MAÇÃ GALA
600 kg - (R$ 4,50/kg) - R$ 2.700,00
MAMÃO PAPAYA
200 kg - (R$ 2,90/kg) - R$ 580,00
MELANCIA
800 kg - (R$ 1,25/kg) - R$ 1.000,00
OVOS TIPO EXTRA
50 dúzias - (R$ 2,90/dz) - R$ 145
UVA RUBI
362 kg - (R$ 6,90/kg) - R$ 2.497

Escrito por Josias de Souza às 14h51

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Perguntado, Alckmin desconversa sobre reeleição

Geraldo Alckmin encontra-se na seguinte sinuca: é, por ora, o candidato favorito a transformar Lula em presidente da República pela segunda vez. Entregue a um cronograma de viagens pelo país, Alckmin até poderia pedir socorro. Mas receia que, gritando, acabe atraindo alguém do PSDB.

 

Como se sabe, o tucanato é um grupo de amigos integralmente composto de inimigos. Quanto mais juntos, mais separados. Tome-se o exemplo de Aécio Neves e José Serra. Diz-se que, de olho em 2010, se desinteressaram por 2006.

 

Um modo de conquistar ao menos a neutralidade de Aécio e Serra seria Alckmin declarar-se, cabal e peremptoriamente, contrário ao instituto da reeleição. O candidato teve a oportunidade de fazê-lo nesta quarta-feira. Inquirido sobre o tema, portou-se como um acrobata na cama elástica. Pula daqui, rodopia dali, ele desconversou (clica).

Escrito por Josias de Souza às 14h13

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As manchetes desta quarta

- JB: Varig faz pouso forçado

- Folha: CPI pede indiciamento de amigo de Lula

- Estadão: CPI poupa Dirceu e Carvalho no relatório

- Globo: Governo redistribui rotas internacionais da Varig

- Correio: Policiais ameaçam entrar em greve hoje

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h31

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Muito circo e pouco pão!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Quércia quer ser vice de Serra, mas PSDB o rejeita

  Tuca Vieira/F.Imagem
José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, intensificou nas últimas horas as negociações para incluir o PMDB na coligação partidária que lhe dará suporte na eleição. Mantém de pé a oferta do cargo de vice-governador a um peemedebista. Mas o acerto emperrou num ponto.

 

Orestes Quércia, presidente do diretório paulista do PMDB, passou a reivindicar para si o posto de vice. O problema é que Serra e seu grupo preferem outra pessoa: o deputado Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB. Afora as diferenças pessoais que mantém com Quércia, Serra avalia que, aceitando-o como vice, provocaria uma rebelião no tucanato. O nome de Temer, ao contrário, não enfrenta resistências.

 

Informado acerca da preferência de Serra, Michel Temer finge-se de morto. Um deputado do PMDB contou ao blog que Quércia disse a Temer que deseja ser, ele próprio, o vice na chapa do PSDB. Conhecido pelo estilo lhano que costuma imprimir aos seus diálogos, Temer limitou-se a assentir. Disse que só passaria a considerar a hipótese de tornar-se vice de Serra caso o nome do “companheiro” de partido não vingasse.

 

Favorito nas pesquisas, que o atribuem um volume de intenções de voto suficiente para liquidar a eleição no primeiro turno, Serra trabalha para concluir os entendimentos com o PMDB paulista até sexta-feira. A obsessão para atrair o partido para a sua coligação tem uma motivação bem concreta: o PMDB agregaria à sua campanha nada menos que oito minutos e 40 segundos de propaganda no rádio e na televisão.

 

Serra se dispõe a abrir espaços num eventual futuro governo para pessoas indicadas por Quércia. Dispõe-se também a acomodar Quércia na vaga de candidato ao Senado de sua coligação. Sabe que a oferta causa problemas com o PFL, que deseja fazer do empresário Guilherme Afif Domingos o candidato ao Senado. Mas acha que conseguiria compensar o PFL com "espaços", neologismo para cargos na administração pública, caso venha a ser eleito.

 

A questão é que Quércia resiste em disputar uma vaga de senador. Avalia que a disputa ao Senado é uma causa perdida. Acha que, nesse campo, ninguém tira, em São Paulo, a vitória do petista Eduardo Suplicy, esboçada em todas as sondagens eleitorais. Daí o empenho para tornar-se vice de Serra.

 

A resistência do PSDB ao nome de Serra remonta à história da formação do partido. O tucanato surgiu justamente de uma dissidência peemedebista que contestava a liderança e o estilo de Quércia. Expoentes como o próprio Serra, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro e Mario Covas levantavam também dúvidas quanto à idoneidade moral de Quércia. Aceitá-lo agora como vice, para além das conveniências políticas, seria o mesmo que rasgar o manifesto de constituição do PSDB. Uma incoerência que Serra não parece disposto a arrostar.

 

O grupo de Serra avalia que o nome de Temer não é identificado com o chamado quercismo. Poder-se-ia esticar a corda, forçando o PMDB a decidir, em convenção, entre Temer e Quércia. A hipótese é rejeitada, porém, pelo próprio Temer. O presidente nacional do PMDB disse a uma pessoa que priva da sua intimidade que não faria sentido levar à chapa de Serra um PMDB dividido. Se seu nome não emergir do entendimento político, prefere ir às urnas como candidato à renovação do seu mandato de deputado federal.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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PFL oficializa união ao PSDB em clima de desavença

O PFL realiza na manhã desta quarta-feira, no Senado, a convenção nacional que vai homologar a coligação com o PSDB em torno da candidatura de Geraldo Alckmin. O nome do senador José Jorge (PFL-PE) para a vice-presidência será aprovado por aclamação. Prevê-se a presença maciça dos 347 convencionais do partido.

 

A despeito da aparente conciliação, o vulcão que permeia as relações de PFL e PSDB voltou a cuspir lava nas ultimas 48 horas. A convenção se realiza em meio a uma atmosfera de irritação da pefelândia com o tucanato. Líderes do partido queixam-se do fato de Tasso Jereissati, presidente do PSDB, não tê-los convidado para uma reunião do comando de campanha, realizada na última segunda-feira. Julgam-se vítimas de uma descortesia.

 

Participaram da reunião privativa do PSDB, além de Tasso, o senador Sérgio Guerra (PE), coordenador da campanha; o marqueteiro Luiz González, coordenador de comunicação; João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo; e Eduardo Jorge, coordenador-adjunto da campanha. Discutiram-se temas relacionados à infra-estrutura e o cronograma de viagens do candidato e às finanças.

 

A exclusão do PFL tonificou as críticas dos aliados de Alckmin à desorganização do tucanato e à falta de rumos da campanha. O caldeirão só não ferveu em público porque o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) cuidou de tampar a panela.

 

Coube a César Maia, o indomável prefeito do Rio, vocalizar o descontentamento. Maia voltou a disparar contra o PSDB num boletim eletrônico que distribui por e-mail. Chama-o de “ex-blog”. "Sem interação não há motivação”, anotou o prefeito. “Sem motivação não há participação".

 

Cesar Maia acrescentou: "Parece que o PSDB não leu direito o resultado da eleição (municipal) de 2004. Retirando São Paulo, ou seja, nos 78% restantes do eleitorado, ganhou o PMDB, com alguma folga. Em segundo, empatados, PFL e PT, e em quarto lugar, lá atrás, o PSDB. O PFL sempre elege uma bancada federal maior que a do PSDB, pois tem muito mais capilaridade. Mas o PSDB acha que sabe tudo. E não sabe."

 

Como se vê, PSDB e PFL, embora formalmente coligados, precisam estreitar suas inimizades. A despeito da confirmação da aliança na convenção desta quarta, o PFL reclama da falta de discernimento do tucanato nas composições para a formação de chapas em diversos Estados. É uma encrenca que precisa ser resolvida até o dia 30 de junho. Do contrário... 

Escrito por Josias de Souza às 23h52

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Lula compara seu governo à seleção brasileira

  Domingos Tadeu/PR
Lula deu seqüência nesta terça-feira à maratona de viagens que tanta irritação causa ao tucanato. O presidente percorreu municípios paranaenses e gaúchos. Em Araucária (PR), festejou a primeira produção de diesel H-Bio, processado a partir de tecnologia inédita desenvolvida pela Petrobras. Ao discursar, comparou seu governo à seleção brasileira.

 

O presidente afirmou que, "mesmo que seja de 1x0, o importante é que a gente ganhe todas até chegar à final". Em seguida, disse que as mudanças implementadas por seu governo são visíveis atualmente porque após um período de ajustes "as coisas começam a acontecer sem precisar fazer muito barulho".

 

"Nós, muitas vezes, somos exigentes demais, eu nunca vi um povo mais exigente do que nós”, disse ainda Lula. “A nossa seleção ganhou de 1x0 (da Croácia), ganhou de 2x0 (da Austrália), mas nós não nos contentamos, nós queríamos é que ganhasse de seis, sete".

 

Lula prosseguiu: "O que nós estamos fazendo neste país, neste momento, eu diria que é um momento meio mágico para a cultura brasileira. Porque quando nós cobramos muito de nós mesmos, nós nos esquecemos que este país passou praticamente 20 anos estagnado".

 

O presidente aproveitou para responder às críticas do candidato tucano Geraldo Alckmin. Seu adversário dissera na véspera que o governo pratica "populismo cambial", impondo uma sobrevalorização do real. "O Brasil mudou de patamar”, redargüiu Lula. “Só não enxerga quem não quer ver. Eu me lembro que quando eu ganhei as eleições o Brasil era obrigado a vender dólar para poder baratear o preço do dólar. Hoje, nós compramos para poder encarecer um pouco o dólar".

 

Lula manteve o jogo de esconde-esconde eleitoral. Em diálogo com jornalistas, recusou-se a confirmar o nome do vice de sua chapa. Esquivou-se até mesmo de retirar a candidatura reeleitoral do armário: "A questão político-eleitoral eu só discuto depois que houver a convenção, depois que houver uma definição minha", disse.

 

Para desassossego do tucanato, Lula confirmou que continuará percorrendo o país mesmo depois da homologação de sua candidatura, que ocorrerá no sábado. "Os que criticam gostariam que eu ficasse em casa ou gostariam que eu ficasse dentro do meu gabinete. A vida de um presidente da República, que governa um país de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, é viajar o país", afirmou.

Alckmin fez campanha em Goiânia (GO). Provocado por repórteres, referiu-se assim à estratégia do oponente: "Não vejo problema em um candidato ir a um canteiro de obras. O que não pode é inaugurar. E, principalmente, inaugurar pedra fundamental. Ainda mais pedra fundamental de obra que nem sequer esteja licitada, obra que ainda não tem licença ambiental ou terreno liberado. Isso é que não pode".

Escrito por Josias de Souza às 23h17

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PMDB mineiro troca o certo pelo (in)duvidoso

Antes de retirar-se para o seu descanso, Ulysses Guimarães, que as águas de Angra o tenham, entendeu de ressuscitar a exortação do general Pompeu (106-48 a.C.) aos tripulantes das embarcações romanas: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

 

Pois o PMDB de Minas Gerais decidiu levar ao pé da letra a metáfora içada pelo velho timoneiro. Sobretudo a segunda parte. A legenda acaba de trocar o transatlântico do governador Aécio Neves (PSDB), candidato à reeleição com mais de 70% das intenções de voto, pela canoa furada de Nilmário Miranda (PT), menos de 4% nas pesquisas.

 

Instado a manifestar-se, Aécio foi cortês: "Desejo que eles tenham boa sorte". Ao saltar em alto-mar o PMDB deixou o ex-presidente Itamar Franco sem bóia. Itamar acertara com Aécio que, celebrada a coligação, a candidatura ao Senado seria sua. Com Nilmário, o jogo foi zerado. Itamar terá de provar que pode nadar mais do que Zaire Resende e Newton Cardoso, os outros dois postulantes à vaga do Senado.

 

Quanto a Aécio, livrou-se da sobrecarga moral que personagens como Newton Cardoso impunham ao seu navio. Mas o alívio é ínfimo. Restaram a bordo, além do PDT e do PPS, o PFL e toda a sopa de letras resgatada das águas do mensalão: PTB, PL PP...

Escrito por Josias de Souza às 22h24

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CPI dos Bingos acaba; e o mundo não chega ao fim

O Palácio do Planalto está em festa. Terminou a CPI dos Bingos. E o mundo não acabou. Aprovou-se, por 12 votos contra dois, o texto do relator Garibaldi Alves (PMDB-RN). Ele não contém nada que possa impor constrangimentos incontornáveis para Lula, o alvo que a CPI do Fim do Mundo não conseguiu atingir.

 

O relatório de Garibaldi será agora enviado ao Ministério Público. Sugere o indiciamento de quatro empresas e 79 pessoas. Entre elas Paulo Okamotto, que pagara dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT. O presidente não tem, porém, com o que se preocupar.

 

Okamotto foi ao rol de candidatos a indiciamento não por causa da generosidade que exibiu ao liquidar a dívida de Lula com recursos cuja origem a comissão não pôde investigar. Acusaram-no de outras coisas: lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária.

 

Documento enviado à CPI pelo Coaf, órgão do Ministério da Fazenda que monitora movimentações financeiras suspeitas, detectou operações atípicas feitas em nome de uma empresa de Okamotto. A comissão pediu à procuradoria que aprofunde as investigações.

 

Garibaldi excluiu da lista de indiciamentos o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, acusado em depoimentos de ter levado para José Dirceu dinheiro obtido em negócios supostamente escusos da prefeitura de Santo André. Tampouco Dirceu foi mencionado na lista. Alegou-se falta de provas em elação a ambos.

 

Antes do início da sessão, a bancada governista na CPI descobriu-se em minoria. Perderia a votação por, pelo menos, um voto. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que vinha mantendo posição dúbia, disse que votaria a favor do texto de Garibaldi. Diante disso, os governistas optaram pelo mal menor.

 

Aprovou-se o relatório de Garibaldi, inclusive com votos de governistas, para evitar a votação de um texto alternativo, do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Os escritos de Dias incluíam na lista de indiciáveis Gilberto Carvalho e José Dirceu.

 

Havia um segundo relatório alternativo, do senador Magno Malta (PL-ES). Esse texto, por açucarado, era o preferido do governo. Não sugeria o indiciamento de ninguém. Porém, o relatório de Álvaro Dias, apresentado antes do de Malta, teria precedência na ordem de votação. E seria aprovado. Daí o governo ter optado por descarregar votos no relatório de Garibaldi Alves, a meio caminho entre o amargor de Dias e a água com açúcar de Malta.

Escrito por Josias de Souza às 17h49

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Argentina julga agentes da repressão militar

A Justiça da Argentina começou a julgar nesta terça-feira o policial aposentado Miguel Etchecolatz. Trata-se de um ex-integrante das forças de segurança. É acusado de detenção ilegal, tortura, desaparecimentos e seis homicídios praticados durante o período de repressão militar (1976-1983).

 

Etchecolatz, de 76 anos, é o primeiro ex-oficial a ser julgado desde que a Suprema Corte derrubou as leis de anistia, no ano passado. "Finalmente estamos vendo os resultados da decisão histórica da Suprema Corte", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas do Human Rights Watch. "Depois de anos de impunidade, o indiciamento dos responsáveis por esses crimes pelo menos está avançando."

 

Enquanto isso, no Brasil, um país em que a repressão militar não alcançou os níveis de brutalidade da Argentina, os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica recusam-se até mesmo a abrir os seus arquivos. Negam aos brasileiros o acesso à sua história.

 

A ministra Dilma Rousseff (Gabinete Civil) pediu aos militares que enviassem ao Arquivo Nacional papéis secretos cuja divulgação já não representa riscos à segurança nacional. E as autoridades de farda informaram que os documentos foram incinerados.

 

Pelas regras ditadas pelos próprios comandos, nenhuma folha de papel vai à fogueira sem a emissão de um termo de destruição. Instados a exibir tais termos, os militares alegam que também eles foram destruídos. Se os militares brasileiros reagem assim à mera tentativa de trazer à luz documentos empoeirados, imagine-se o que fariam se seus agentes tivessem de sentar no banco dos réus, como ocorre na Argentina.

Escrito por Josias de Souza às 17h00

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Inquérito contra Palocci termina até o fim do mês

  Lula Marques/Folha Imagem
O delegado Benedito Valencise, da Polícia Civil de Ribeirão Preto, espera concluir até o final do mês o inquérito que apura irregularidades em contratos de varrição de rua da cidade à época em que o petista Antonio Palocci era prefeito.

O processo caminha para a conclusão de que, sob Palocci, desviaram-se verbas públicas. Além da encrenca municipal, Palocci é réu em processo federal. A Polícia Federal o responsabiliza por ter ordenado a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

 

A despeito das suspeitas que rondam a biografia de Palocci, o PT deu-lhe legenda para concorrer a deputado federal nas eleições deste ano. Elegendo-se, Palocci volta a dispor de foro privilegiado. Só poderá ser processado perante o STF. A decisão está agora nas mãos do povo de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 14h54

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As manchetes desta terça

 

- JB: Jogo contra o Japão vira duelo de reservas

- Folha: Juiz aprova venda da Varig a funcionários

- Estadão: Varig: juiz aceita oferta, mas fixa prazo de pagamento

- Globo: Juiz aceita proposta de empregados pela Varig

- Correio: Varig fica com os funcionários

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Surfe pós-moderno!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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PT lançará Lula sem definir o nome do vice

  Adriano Machado/Folha Imagem
As dificuldades para atrair o PC do B e o PSB para uma coligação em torno de Lula, levará o PT a homologar a candidatura reeleitoral do presidente no próximo sábado sem definir o nome do candidato a vice-presidente. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) reconheceu nesta segunda-feira que dificilmente a costura da aliança estará fechada até o próximo final de semana.

A repórter Andreza Matais informa que Tarso voltou a dizer que são três os nomes cotados para compor a chapa ao lado de Lula: o atual vice-presidente, José Alencar (PRB), o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos (PE), e o ex-ministro Ciro Gomes, também do PSB. "Não sei qual (dos três) está mais próximo de ser (o vice)", disse o ministro.

Embora Tarso tenha se esquivado de admitir, José Alencar é, por ora, o mais cotado. O oferecimento da vice ao PSB é uma tentativa do petismo de demover as resistências ao casamento formal com Lula. Os socialistas reúnem sua Executiva nesta terça-feira.

A menos que ocorra uma reviravolta, é improvável que o PSB evolua para a aliança formal. A maioria do partido apóia Lula. Mas receia que o casamento de papel passado impeça a legenda de fazer alianças estaduais que facilitariam a ultrapassagem da cláusula de barreira, regra que impõe aos partidos a obtenção de 5% dos votos do eleitorado na eleição para a Câmara dos Deputados e 2% dos votos em nove Estados.

Em entrevista na Bahia, Lula falou sobre as articulações para a formação do consórcio partidário que dará suporte à sua candidatura. Disse estar confiante num entendimento com o PC do B. Mas não fez referência ao PSB. Sem a aliança com os socialistas, Lula perderá um minuto e 50 segundos de tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão. Ficará com seis minutos e 36 segundos. É bem menos que os nove minutos e dois segundos de que irá dispor o adversário Geraldo Alckmin. 

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Lula viaja, inaugura e reclama da lei eleitoral

  Domingos Tadeu/PR
A seis dias da convenção que homologará a sua candidatura à reeleição, Lula dedicou-se nesta segunda-feira à atividade que mais o apraz: viajar. Em sua 48ª viagem do ano, ele foi à Bahia. Na terra de Antonio Carlos Magalhães (PFL), o presidente entregou-se à prática mais corriqueira de sua gestão em 2006: inaugurar.

 

Primeiro, Lula foi ao município de Santo Amaro da Purificação. Ali, inaugurou um centro de ensino técnico. Posou para fotografias ao lado da moradora mais ilustre da cidade: dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia (veja foto).

 

Depois, Lula foi ao povoado de Paiaiá, a 150 quilômetros de Salvador. Ao lado de Luiza Conceição, moradora do Sítio Santa Rita, o presidente acendeu, pela primeira vez, uma lâmpada elétrica na casa da propriedade. Com esse gesto, festejou a marca de 3,3 milhões de pessoas atendidas pelo programa "Luz Para Todos", uma das peças de sua campanha.

 

Os repórteres perguntaram a Luiza Conceição, viúva, mãe de cinco filhos, se seu voto irá para Lula em outubro. E ela: "Ôche!" Para que não restasse dúvidas quanto à sua opção eleitoral, deu um abraço em Lula, defronte da casa iluminada.

 

Mantendo o jogo de esconde-esconde que vem protagonizando nos últimos meses, Lula esquivou-se de reconhecer a condição de candidato, a ser ratificada pelo PT, em convenção marcada para sábado. De acordo com relato do repórter Ricardo Amaral, o presidente deitou falação contra a lei eleitoral que, em tese, limitará os seus movimentos a partir de julho.  

 

"Eu acho que o Presidente da República não pode ficar trancado no gabinete porque é um ano eleitoral", disse Lula. "O presidente tem de andar o país inteiro e fazer as coisas acontecerem." O presidente acrescentou: "Se nós trabalhamos para fazer as coisas, vamos inaugurar, vamos dizer o que tem. O problema é que tem muita gente que queria que no Brasil estivesse tudo dando errado e que a minha amiga dona Luiza tivesse continuado na escuridão."

 

Em verdade, o presidente já encontrou uma forma de continuar “andando o país inteiro” mesmo depois que o PT oficializar a sua candidatura. Ele vai se embrenhar por uma brecha da lei eleitoral (leia o despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Lula usa brecha da lei para manter obras na agenda

Sérgio Lima/Folha Imagem

 

O presidente Lula encontrou uma maneira de manter na sua agenda as visitas a obras que ajudarão o candidato Lula a colecionar votos. Em campanha pela reeleição, Lula não irá mais “inaugurar” obras, algo que a lei proíbe expressamente. Ele agora vai “inspecionar” obras, uma alternativa que a lei, por omissa, não veda.

 

A fenda na legislação foi detectada pela assessoria de Lula. Em reunião realizada nesta segunda-feira com os ministros que compõem o comitê gestor do governo, Lula informou que não se furtará a utilizar as brechas da lei. Alega que, em 1998, o tucano Fernando Henrique Cardoso adotou a mesma prática. Candidato à releição, FHC chamava as vistorias às obras de "visitas". 

 

Ouvido pelo blog, o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE reconheceu, depois de consultar a legislação, que o “acompanhamento” de obras públicas “é algo que não está disciplinado na lei.” A partir de julho, o presidente-candidato estará proibido de “inaugurar” obras, mas ninguém poderá impedi-lo de “inspecioná-las”. Marco Aurélio explicou que o comparecimento de Lula a solenidades de inauguração o sujeitaria à perda do registro de candidato. A regra vale para todos os candidatos e, “com maior razão”, diz o ministro, para aqueles que estão no cargo”. Mas o presidente do TSE ressalvou:

 

“Como a lei traz um preceito (a proibição de inaugurações) que impõe sanção (a cassação do registro), ele só pode ser interpretado de forma estrita. O juiz só pode julgar a partir do que está contido na lei”. Assim, reconhece o ministro, é “verdadeira a premissa” de que o “acompanhamento de obras” não está proibido. Marco Aurélio apenas espera que o presidente “não considere como acompanhamento aquilo que, na verdade, se está inaugurando”.

 

O candidato tucano Geraldo Alckmin vem acusando Lula de fazer campanha usando recursos públicos. Dizia que isso mudaria depois que o adversário virasse um candidato formal. Na prática, porém, a rotina de viagens oficiais de Lula não vai se alterar. Nos primeiros cinco meses de 2006, Lula passou 47 dias fora de Brasília. Participou de 52 pseudo-inaugurações.

 

Submetidos à letra fria da lei, muitos dos eventos nem sequer podem ser tachados de inaugurações. Na semana passada, por exemplo, o presidente discursou para 4 mil pessoas, no Rio, a pretexto de lançar a pedra fundamental de um novo pólo petroquímico. Se fosse candidato, seus adversários não poderiam acusá-lo de inaugurar coisa nenhuma. Não havia obra, mas um projeto de obra.

Outro exemplo: no início do ano, Lula esteve em Recife para “inaugurar” uma ala nova do aeroporto da capital pernambucana. Cerca de 40 dias depois, voltou à cidade para “inaugurar” outra ala do mesmo aeroporto. Se sua candidatura já tivesse sido homologada, bastaria a Lula dizer que foi a Pernambuco não para inaugurar, mas para inspecionar as obras de um aeroporto em reforma.

Por razões de segurança, o candidato Lula terá de usar o Aerolula mesmo nas viagens de cunho eleitoral. Só que o PT será obrigado a ressarcir as despesas ao erário. Na reunião desta segunda-feira, no Planalto, decidiu-se que as viagens do candidato Lula serão feitas apenas nos finais de semana.

Em tese, busca-se separar os compromissos do candidato da agenda do presidente. Na prática, porém, uma coisa está mesclada à outra. Quando Lula, na pele de presidente, deixar Brasília para “inspecionar” obras ele não estará senão cavando votos. A diferença é que, nessas ocasiões, o PT não terá de desembolsar um único níquel. De novo, Lula alega que, em 1998, FHC fez o mesmo. Alega, de resto, que a reeleição é obra do tucanato. E lembra que sempre foi contra a aprovação do instituto.

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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PDT confirma candidatura presidencial de Cristovam

Carlos Eduardo/Folha Imagem

O PDT confirmou nesta segunda-feira o nome do senador Cristovam Buarque como seu candidato à presidência da República. A decisão foi tomada com folgada maioria –236 votos a favor e 97 contra.

 

Na semana passada, 12 deputados e três senadores do PDT assinaram manifesto contrário ao lançamento da candidatura presidencial. Argumentaram que as pretensões de Cristovam ameaçam a sobrevivência do partido, que fica, por força da verticalização, manietado nas coligações estaduais.

 

Em entrevista ao blog, no sábado, Cristovam contestou o ponto de vista. Disse que, além de ajudar a difundir nacionalmente o projeto do PDT, sua candidatura é importante para levar a eleição presidencial, hoje polarizada entre Lula e Alckmin, ao segundo turno. Vencendo em primeiro turno, acredita Cristovam, Lula ficará tentado a ceder a um populismo à moda de Hugo Chávez. 

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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Transparência Brasil: ‘Não vote em mensaleiros’

A Transparência Brasil divulgou nesta segunda-feira um manifesto que exorta o eleitor brasileiro a “não votar” em congressistas “mensaleiros, sanguessugas e implicados em outros escândalos”. O texto realça os riscos da recondução de parlamentares que respondem a processos judiciais.

 

“Alvos de processos movidos pelo Ministério Público, indivíduos responsáveis tanto pela distribuição quanto pela recepção de subornos buscam na reeleição proteção contra a Justiça”, diz o documento. “Caso venham a ser eleitos, para que possam vir a ser processados será necessário que seus pares o autorizem. Contudo, não é sensato esperar que uma Câmara dos Deputados que absolveu virtualmente todos os mensaleiros venha de repente mudar de comportamento”.

 

O manifesto prossegue: “Para essas pessoas - e para os partidos que as acolhem - a eleição funcionará como salvo-conduto para escapar do julgamento pelos seus atos. Cabe ao eleitor barrar-lhes essa saída, negando-lhes o voto, até que sejam julgados. Caso inocentados, então poderão apresentar-se de cara limpa ao eleitorado”. Leia a íntegra do documento aqui.

Escrito por Josias de Souza às 17h20

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PPS decide não formalizar aliança com Alckmin

Contrariando os desejos do candidato tucano Geraldo Alckmin e as previsões do deputado Roberto Freire, o PPS decidiu nesta segunda-feira não formalizar uma aliança presidencial com o PSDB. O apoio a Alckmin será informal. A deliberação foi aprovada por aclamação na convenção nacional do PPS, realizada no Rio.

 

É uma má notícia para Alckmin, que contava com a incorporação do PPS à aliança PSDB-PFL. À luz da decisão tomada hoje, teria sido melhor que Roberto Freire mantivesse sua candidatura presidencial. Quanto menos candidatos na disputa, maiores as chances de uma vitória de Lula em primeiro turno.

 

O PPS esquivou-se do casamento formal com Alckmin por conveniência eleitoral. Manteve-se livre para compor alianças com qualquer legenda nos Estados em que concorre ao governo. São sete: Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Acre, Mato Grosso, Roraima e Piauí.

 

Freire afirmou que, embora informal, o apoio a Alckmin será "firme e decidido". Presidente do PPS, Freire representará o partido no conselho de campanha do PSDB. Dará palpites no programa de governo do candidato tucano.

 

Simultaneamente ao encontro nacional, o PPS realizou a convenção estadual que formalizou a candidatura da deputada Denise Frossard ao governo do Rio. Frossard é apoiada pelo PFL do prefeito César Maia.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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FMI vê economia do Brasil menos vulnerável

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou nesta segunda-feira sua avaliação sobre a economia brasileira no ano de 2006. O texto traz uma conclusão que reforça o discurso de fundo da campanha reeleitoral de Lula.

 

Para o FMI, é bastante reduzida a vulnerabilidade da economia do Brasil. As dívidas interna e externa e as reservas internacionais do país estariam em níveis confortáveis. O documento, que reflete a visão dos diretores da instituição, diz que eles “vêem esses avanços como pilares para maior estabilidade e crescimento de longo prazo".

 

A análise coincide com a pregação de Lula e do PT. O presidente e seu partido vêm propagando a tese de que, num eventual segundo mandato de Lula, a economia cresceria de forma mais vigorosa, aproveitando-se do ambiente de estabilidade obtido na atual gestão. O FMI previu em seu comunicado que o PIB brasileiro deve crescer 3,5% neste ano.

 

À margem da visão moderadamente otimista, o comunicado do Fundo alerta para a necessidade de o governo brasileiro manter-se em estado de alerta. Menciona a atmosfera de turbulência que vem mantendo o mercado global de cabelo em pé em relação a economias ditas emergentes, como a brasileira. E prega a necessidade de levar adiante a pauta de reformas

 

O texto do FMI relaciona o êxito no controle da inflação ao rigor fiscal do Ministério da Fazenda e ao aperto monetário do Banco Central. Diz que o elevado superávit primário ajudou o governo a reduzir a dívida interna e a política de juros conteve a inflação dentro das metas oficiais, com taxas que convergem para 4,5% ao ano.

 

Coincidindo com a tônica das plataformas de governo de Lula e do tucano Geraldo Alckmin, também o FMI avalia que o maior desafio do Brasil é dar vazão ao seu potencial de crescimento. Algo que, a médio prazo, estaria condicionado à “consolidação da estabilidade macroeconômica". Leia aqui a íntegra do texto do FMI. Infelizmente, foi escrito em língua inglesa. 

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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Sapo enfeitado

No rastro de tantos escândalos, o eleitor de 2006 precisa acautelar-se. Batráquio que vira príncipe é coisa de história da dona carocha. Na vida real, quando você vê um sapo, há enorme probabilidade de que ele seja só isso mesmo. Ainda que esteja bronzeado e que tenha camuflado a velha língua presa atrás de acessórios dentários. Veja o que informa Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):

MORENO
O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho vai enfrentar a eleição para deputado de visual novo. Ele está mais queimado de sol e colocou aparelho nos dentes.

OPINIÃO
O semi-isolamento de Palocci só tem sido eventualmente quebrado pela visita de amigos como Delfim Netto e José Dirceu. Palocci também já deu palpites sobre economia ao presidente Lula depois que deixou a Fazenda.

Escrito por Josias de Souza às 08h16

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Quem paga?

Sob o disfarce de presidente em dúvida quanto à própria reeleição, Lula percorre o país nas asas da Viúva. O tucano Geraldo Alckmin pavoneava-se de só se deslocar em vôos de carreira. Agora, vai usar jatinho privado. Sua campanha, informam as notas abaixo, do Painel (para assinantes da Folha), será profissionalizada. A dúvida é: quem paga?  

Agora é jogo -A equipe de Geraldo Alckmin dá início hoje (19/06) ao que chama de "profissionalização" da disputa presidencial. Numa reunião pilotada por Tasso Jereissati em Brasília, da qual participarão o marqueteiro Luiz Gonzalez e os coordenadores da campanha e do plano de governo, será definida a agenda do tucano para as próximas semanas, seguindo critérios mais claros.

A ordem é visitar os chamados "centros irradiadores de votos" e locais, mapeados pelos aliados, onde Fernando Henrique Cardoso costumava ser bem votado mas que foram perdidos pelo PSDB. Alckmin passará a se deslocar de jatinho e, até o fim da semana, deve ser anunciada toda a estrutura do comitê financeiro, que ficará sob o comando de Miguel Reale Jr.

Elixir -Um pefelista de proa diz que, se Alckmin não subir nas pesquisas até julho, quando começa a campanha, não terá apoio dos caciques regionais: "É como moça rica: à medida que aumenta o dote, aumenta também a beleza".

Escrito por Josias de Souza às 07h28

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As manchetes desta segunda

- JB: Nova geração de milionários aposta na filantropia para mudar o mundo.

- Folha: Governo tem R$ 40 bilhões em despesas pendentes

- Estadão: Aumentos reais do mínimo custaram R$ 250 bilhões

- Globo: Gastos da União subiram R$ 24 bi de janeiro a maio

- Correio: PDT decide hoje se lança Cristovam

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h33

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O pio X ópio

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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Lula simula dúvida sobre candidatura até o fim

Alertado por sua assessoria jurídica de que, uma vez oficializado como candidato, não poderá mais participar de inaugurações de obras públicas, Lula decidiu encenar até a véspera da convenção do PT o papel do presidente em dúvida quanto à conveniência de disputar a reeleição.

A convenção que irá aclamar Lula como candidato está marcada para o próximo sábado. Na véspera, ele realizará uma viagem a Santa Catarina. Irá, naturalmente, como presidente, não como candidato. Antes, vai também à Bahia, nesta segunda-feira, e ao Paraná e Rio Grande do Sul, na quarta-feira.

 

Entre uma inauguração e outra, Lula cuidará dos detalhes de sua participação no encontro do PT. Quer que seu partido feche de uma vez a coligação pelo menos com o PC do B. E, se for possível, também com o PSB. O presidente deseja saber até quinta-feira quem estará do seu lado além do PT e do inexpressivo PRB do vice José Alencar.

 

Para Lula, o muxoxo do PC do B não passa de jogo de cena. Ele avalia que, embora reclamem da falta de solidariedade do PT em composições estaduais, os comunistas estarão no seu palanque. Quanto ao PSB, está ciente de que o acerto é mais complicado. Ainda assim, decidiu insistir.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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O divino está sentado no banco

  AFP
O primeiro tempo de Brasil X Austrália foi exasperador. A virgindade do placar contrastou com a biografia das chuteiras. O Brasil de sonho que os jornais penduraram nas manchetes da fase pré-Copa não entrou em campo. O maciço favoritismo verde-amarelo foi abatido pelas caneladas dos cangurus pernas-de-pau.

 

O torcedor voltou para o segundo tempo com a alma espremida. Via-se compelido a aceitar compensações compulsórias. Ronaldo, o gordo, ao menos já se movia. Deu meia dúzia de passos a mais do que na estréia. E, justiça se lhe faça, assinou o passe que resultou no gol de Adriano. Alívio.

 

A classificação parecia a caminho. Mas a partida seguiu em ritmo de velório. A cada salto dos cangurus à frente da área de Dida, uma agonia. O virtuosismo, não havia mais dúvidas, não dera as caras em Munique. A partida resvalara para o convencional. Ronaldinho portou-se como um qualquer. Kaká ainda cabeceou no travessão. Mas a bola recusou-se a premiar a mediocridade.

 

Quando a batalha já se aproximava do final, Parreira arrancou Robinho da trincheira. Mandou-o ao front. E o menino, em poucos minutos, ligou a partida ao sobrenatural. Ele eletrificou o time. Aos 42 minutos do segundo tempo, entrou em campo outro moleque: Fred.

 

O torcedor de ocasião, um tipo que só tem olhos para o futebol em tempos de Copa, há de ter-se perguntado: Fred, mas quem é Fred? Súbito, o "desconhecido" passa para Robinho, que chuta na trave. Na sobra, Fred faz o que parecia improvável: o segundo gol. Deu-se aos 44, escassos dois minutos depois de sua entrada. Terminada a peleja, o nome de Fred, antes ignorado, passou a ser pronunciado de maneira mais enfática.

 

A classificação justifica os fogos. No futebol, importa a vitória, não os meios utilizados para obtê-la. Mas restou a impressão de que a arte brasileira não está entre os titulares vitalícios. O divino está sentado no banco.    

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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As estrelas sumiram

  Divulgação
Coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha)

Vestido de branco, Chico Buarque (foto) segura uma bandeirinha do PT. A atriz Cristina Pereira entoa: "Lula lá/ Brilha uma estrela...". Tássia Camargo continua: "Lula lá..."; e Cláudia Abreu: "Cresce a es-pe-ran-ça". Abraçadas, Gal Costa e Elba Ramalho, de lenço vermelho no pescoço, cantam: "Lula lá..."; e Malu Mader completa: "Com sin-ce-ri-da-de..."

 

As cenas, da campanha presidencial do PT em 1989, estão no site You Tube, em que é possível encontrar vídeos curiosos de eleições passadas buscando por palavras-chave como os nomes dos candidatos, por exemplo. O ator José Mayer -com camiseta do candidato Leonel Brizola, que apoiou Lula no segundo turno- também está no vídeo. A coluna telefonou para o celular dele.
 
 

José Mayer - Mas eu apareço? [Pausa] Ah, é... [Risos]

- O senhor se lembra? 
Mayer
- Olha, querida, eu estou no meio de uma gravação. Cena séria, complicada, de festa, cheia de gente. E não gosto de falar nisso. É passado.

- O que o motivou a participar da campanha? 
Mayer
- Há 17 anos, era uma obrigação para a classe artística fazer aquilo. Ou era Lula ou era [Fernando] Collor. E o pressentimento dos artistas era de que o Collor seria ruim. Foi um pressentimento certo.

- Em quem o senhor pretende votar neste ano?
Mayer
- Olha, querida, já estão me chamando para a gravação. [Grita para alguém ao lado] Já vooou!! [Despede-se e desliga o telefone].

 

Neste ano, deverá ser assim: os eleitores que quiserem ver o primeiro time do estrelato nacional em campanhas eleitorais terão que se contentar com sites como o You Tube. Ao menos entre os militantes que aparecem nos vídeos do site, poucos têm planos de voltar ao palanque. Muitos mudaram o voto; alguns nem querem mais saber de política.
 

Elba Ramalho é um exemplo. Cabo-eleitoral eclética, a cantora apoiou Collor contra Lula em 1989 e mudou de lado no meio da campanha. Em 2002, voltou ao horário eleitoral para defender a candidatura do tucano José Serra à Presidência. Hoje, diz sua assessoria de imprensa, "ela não quer mais se envolver em política".
 
 

A lista de desiludidos é longa. Aracy Balabanian, que apoiou Lula, "está desencantada com a política", segundo sua assessoria, e não quer falar sobre o assunto. O ator Felipe Camargo é outro ex-Lula. "Estou pensando em votar nulo. Ou então naquela moça..." Heloísa Helena? "É, na Heloísa Helena. Mas campanha não faço mais."
 
 

Regina Duarte também pulou fora. Ela aparece em pelo menos dois vídeos do You Tube: pede votos para Mário Covas em 1989 e diz, na campanha de Serra de 2002, que tem "medo" da vitória de Lula. Sua assessoria diz que ela não "quer mais falar disso".
 

Ex-malufista de carteirinha, a apresentadora Hebe Camargo protagoniza outra cena desenterrada pela internet, em que pede aos eleitores do patrão Silvio Santos, que havia tido sua candidatura impugnada, que votem em Paulo Maluf. "Já que você não pode votar no Silvio, por que não votar em Paulo Maluf, como eu?", defendia. Passados os anos, Hebe diz que o episódio é coisa do "passado" e que nem é mais amiga de Paulo Maluf. "A amizade era interesseira", já declarou.
 

A debandada geral de artistas dos programas políticos motivou declarações polêmicas do cantor Fagner. No ano passado, para fúria dos colegas, declarou: "[A classe artística] é um bando de "Maria-vai-com-as-outras", que fala o que mandam falar... Ficam gritando "Lula lá!", "Lula lá!", "Lula lá!" e, depois que o Lula faz essa cagada toda, não aparece quase ninguém para comentar."
 

O ator Paulo Betti discorda de Fagner. "Seria pretensão achar que as pessoas não têm discernimento. Gosto de dar minha opinião."
 

Da campanha de 1989, Betti diz guardar boas lembranças. "Era emocionante. Quero ver esse vídeo. Qual é o site?", diz ele, que também deve ficar de fora dos programas do PT neste ano. "Provavelmente não participe porque devo estar no ar [em alguma novela]". Ele se refere à orientação da TV Globo, reiterada recentemente em carta a todo o elenco, para que os artistas que estejam na programação não façam campanha na TV. "Mas declaro meu voto em Lula. O Brasil está melhor com ele."
 
 

Paulo Betti não está só. A sambista Beth Carvalho, que apoiou Brizola no primeiro turno das eleições de 1989 e Lula no segundo, mantém o voto. "Agora eu vou votar no Lula desde o princípio. A outra opção [Geraldo Alckmin] é inviável. PSDB, FHC e Alckmin, Deus me livre!", diz ela. "Mas minha campanha é dizer a quem eu puder para votar no Lula." Chico Buarque diz o mesmo: vota em Lula, mas quer distância dos palanques.
 
 

Já Tássia Camargo encheu sua página no Orkut [sim, ela está no site] de comunidades como "Lula lá sem medo de ser feliz", "Realizações - Lula presidente" e até "O Mapa da Corrupção de FHC", criada por ela.
 
 

Malu Mader e Cláudia Abreu, duas das mais eloqüentes no vídeo do "Lula lá", estão entre os artistas que não responderam aos telefonemas da coluna. A assessoria das atrizes disse que enviaria um fax para ambas com perguntas sobre o assunto, mas não houve resposta. O ator Lima Duarte, que fez campanha para Mário Covas, também não retornou. Gal Costa, diz sua assessoria, não pôde responder porque está viajando.
 
 

A atriz Joana Fomm faz questão de contar sua desilusão. No vídeo de Lula, ela veste a camisa do Partido Verde, pró-PT no segundo turno em 1989. "Aquela coisa dos artistas em torno do Lula foi o último respiro do nosso idealismo. Agora acabou. Fiz por convicção, pelo Lula, e entrei pelo cano. Eu acreditava naquilo, sabe? Agora não tenho coragem de interferir na opinião de ninguém".

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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As manchetes deste domingo

- JB: Paraná - Os segredos do primeiro presídio federal

- Folha: Lula distribui concessões de TV a políticos

- Estadão: Turbulência já significou perda de US$ 186 bi

- Globo: Lula já deu meio bilhão a ONGs ligadas a sem-terra

- Correio: Sob suspeita

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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Mais uma chance!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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PMDB lulista diz que Quércia vai se unir a Serra

Lula recebeu de integrantes da ala governista do PMDB uma notícia que o deixou desalentado. Disseram-lhe que Orestes Quércia está próximo de fechar um acordo com o tucano José Serra, candidato favorito ao governo de São Paulo. São escassas as chances de que ele venha a fazer o jogo de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes.

 

De acordo com a informação repassada a Lula, Quércia intensificou nos últimos dias as negociações com o tucanato. Seu objetivo é indicar o candidato a vice-governador na chapa de Serra. O cacique do PMDB paulista pôs sobre a mesa dois nomes: o do ex-deputado Marcelo Barbieri e o da ex-secretária do Menor de São Paulo Alda Marcoantonio.

 

Informou-se ainda a Lula que o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), conduz uma negociação paralela com Serra. Temer deseja ser, ele próprio, o vice do candidato tucano. Serra preferiria essa hipótese. Mas Temer não teria densidade política para se contrapor a Quércia, dono da maioria dos votos do diretório paulista do PMDB.

 

Foi com uma dose de satisfação que o PMDB governista levou ao presidente os dados sobre a movimentação de Quércia. Lula recebera Quércia em seu gabinete no final de maio. A aproximação foi vista com desagrado pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), capitães do time governista do PMDB.

 

Sarney e Renan consideram-se interlocutores cativos de Lula no PMDB. Os dois viram na tentativa do Planalto de estabelecer uma conexão direta com Quércia a perspectiva de abertura de uma interlocução alternativa que não serve aos seus propósitos. Por isso celebram o aparente malogro das articulações de Lula.

 

Uma semana depois de ter pisado o carpete do gabinete de Lula, Quércia realizou um movimento que indicara que se deixara seduzir pelo PT. Em reunião da Executiva paulista do PMDB, informou que voltara a considerar a hipótese de disputar o governo de São Paulo. O projeto serviria aos planos de Mercadante. A entrada de Quércia na sucessão paulista dividiria o eleitorado. E conspiraria contra as chances de Serra de vencer a eleição no primeiro turno, uma hipótese esboçada nas pesquisas de opinião.

 

Porém, a julgar pelo que disseram os governistas do PMDB a Lula, Quércia jamais considerou a sério a idéia de concorrer ao governo de São Paulo. A sinalização feita na reunião da Executiva teria visado apenas a valorização do seu passe nas negociações com o PSDB. Interessado em evitar a candidatura de Quércia ao governo, Serra seria mais maleável nos entendimentos com o morubixaba do PMDB paulista.

 

Animado com a notícia de que o PMDB lulista prepara um manifesto em favor da sua campanha à reeleição, Lula quis saber se Quércia assinará o documento. Foi informado de que isso não deve acontecer. Quércia pode até fazer jogo duplo, disseram os governistas ao presidente. Tentaria manter um pé na canoa de Serra em São Paulo e outro na de Lula no plano nacional. Mas não se dispôs, por ora, a apor sua firma no manifesto pró-Lula.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Gol de mão

Gol de mão

No Planalto

 

Cartões/Quadro de Jô Soares

 

Ronaldinho Gaúcho faz fila. Dribla o primeiro, entorta o segundo, dá uma caneta no terceiro... De repente, na entrada da grande área, o craque pega a bola com as mãos. Arremessa-a para Kaká que, também com as mãos, acerta o ângulo da meta adversária. O locutor grita: Gooooool! Os jogadores põem-se a festejar, uns pulando sobre os outros.

 

O juiz, entre irritado e estupefato, mostra o cartão vermelho a Ronaldinho e Kaká. Embora expulsos, os dois permanecem em campo. Deslizam sobre a grama como se nada tivesse acontecido. O árbitro os persegue, apitando incessantemente. E nada. O jogo segue o seu curso.

 

A cena descrita jamais acontecerá. No futebol, há regras. E elas são respeitadas. Aqui e ali, um ou outro jogador tenta enganar o juiz. Alguns até conseguem. Maradona, por exemplo, fez o seu gol de mão. “Foi a mão de Deus”, diria depois. Mas, quando pilhados em falta, jogadores costumam aceitar, ainda que contrafeitos, a punição.

 

Na política, dá-se o oposto. Jogadores faltosos continuam jogando. Mesmo quando flagrados. Há regras e juízes também na política. Mas elas, as regras, são ignoradas. E eles, os juízes, mostram-se impotentes para restabelecer a ordem em campo. Os jogadores fazem as suas próprias regras.   

 

Agora mesmo, a Receita Federal realiza uma auditoria fiscal em nove partidos políticos. Constam da lista PSDB, PFL, PMDB, PT, PTB, PP e PL. Em princípio, seriam investigadas apenas as legendas envolvidas no escândalo do mensalão. Mas, iniciado o trabalho, os auditores do fisco se deram conta de que há indícios de irregularidades nas contas de praticamente todas as legendas.

 

Santo Agostinho ensinou que os criminosos, quando tomados isoladamente, não representam um risco à sociedade. O crime é algo intrínseco à alma humana. Mas quando o número de infratores, por exagerado, foge ao controle do Estado, estabelece-se um poder paralelo, com leis próprias, que conduzem à impunidade.

 

Não há, por ora, indicações de que a recente superexposição de malfeitorias tenha servido para estabelecer uma rotina civilizada nas campanhas eleitorais e no relacionamento entre partidos e governos. O país não se havia refeito da descoberta dos “recursos não contabilizados” de Delúbio Soares quando veio à luz a notícia das verbas de má origem da frustrada pré-campanha presidencial de Anthony Garotinho. A poeira levantada pelas CPIs resultantes do mensalão ainda não assentou e o Congresso já ensaia a instalação da comissão das sanguessugas.

 

O STF manuseia a denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão. A Receita diz que, concluída a sua auditoria, enviará ao TSE os nomes dos partidos que praticaram delitos fiscais. São duas oportunidades para que os juízes esbocem uma tentativa de impor algum tipo de autoridade no jogo político. Cartão amarelo já não resolve. Só o vermelho. A alternativa é a sociedade continuar perdendo de goleada. Uma goleada de gols de mão.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Ex-petista e ex-ministro do governo do PT, o senador Cristovam Buarque acha que, se eleito em primeiro turno, Lula vai sofrer uma “forte tentação autoritária”. Pode governar valendo-se de um misto de “populismo e chavismo”, referência ao estilo do presidente venezuelano Hugo Chávez.

 

Cristovam ostenta algo como 1% nas pesquisas. Em manifesto, 12 deputados e três senadores do PDT posicionaram-se contra sua candidatura. Ainda assim, Cristovam diz que não vai desistir. O embate será resolvido na convenção nacional do PDT, marcada para segunda-feira. Leia abaixo a entrevista do senador ao blog:

 

- Vai retirar a candidatura?

Não há hipótese.

- E quanto ao manifesto contrário?

A candidatura própria não atrapalha o cumprimento da cláusula de barreira. A direção do partido acha que nossa bancada vai aumentar de 21 deputados para 30.

- O manifesto não o preocupa?

Ao contrário. Estou aliviado. O debate vai levar à reflexão. E os convencionais tomarão uma decisão amadurecida.

- Por que disputar se as pesquisas indicam que não vai vencer?

Um partido só se consolida nacionalmente se tiver um programa nacional. Se desistirmos da candidatura, abrimos mão de seis minutos diários de televisão.

- E o que dizer na TV?

Alckmin e Lula não vão propor nenhuma mudança. Vão propor mais crescimento, mais infra-estrutura, continuar essa melhorazinha na educação. Nenhuma ruptura. A minha ruptura vai ser na educação.

- Mas as chances de vitória do PDT são próximas de zero.

Se tivermos poucos candidatos –só Alckmin, Lula, Heloisa Helena e Zé Maria Eymael—não tem segundo turno. E tenho uma preocupação.

- Que preocupação?

Se Lula ganha no primeiro turno, com expressiva maioria, tendo minoria no Congresso, vai sofrer forte tentação autoritária. Alguém que chega ao governo com 60 milhões de votos e fica com 60 deputados ou menos na Câmara, qual é a tentação dele? Convocar plebiscitos, convocar uma nova constituinte.

- Refere-se a um populismo à Hugo Chávez?

Sim, populismo e chavismo juntos. Lula terá um grande aliado, que é a desmoralização do Congresso. Se ele propuser um plebiscito para cancelar os mandatos dos deputados e fazer outra eleição, vai passar.

-Acha que Lula seria capaz?

Não creio que ele esteja arquitetando isso, como fez o Chávez. Mas não tenho dúvida de que ele cederia à tentação. O PT tentou controlar a imprensa e o Ministério Público.

- Parte do PDT o acusa de neoliberal. O que acha?

Veja a contradição. Alguns que não querem a minha candidatura falam contra o consenso de Washington. E querem se aliar ao PSDB nos Estados! Vou continuar defendendo a responsabilidade fiscal. O neoliberalismo provocou um retrocesso tão grande que, hoje, estou mais próximo de Joaquim Nabuco do que de Carlos Prestes. Meu líder hoje é Mandela. E Mandela não fez revolução na economia. A gente tem é que acabar o apartheid social. E o caminho é a educação.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

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Alckmin diz que tem ‘obsessão pelo crescimento’

  Orlando Brito/OBritoNews
Em campanha por municípios gaúchos, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin privilegiou neste sábado a divulgação de sua plataforma eleitoral. Repetindo um bordão que consta de suas diretrizes de governo, divulgadas no último dia 11, o candidato disse que tem “obsessão pelo crescimento” econômico.

Ao enumerar os setores que necessitariam de impulso, Alckmin ateve-se aos ramos que têm peso decisivo para a economia gaúcha: “É preciso voltar nossa atenção à agricultura, especialmente a de grãos”, disse ele. Listou ainda os setores as indústrias têxtil, calçadista, de móveis e máquinas.

Em entrevista, Alckmin foi instado a falar sobre segurança pública. O tema tornou-se uma espécie de nervo exposto de sua candidatura depois que o PCC deu mostras de que, se quiser, pode virar São Paulo de ponta-cabeça. O candidato tenta transferir o debate do plano Estadual para o federal.

Reportando-se a pontos inscritos nas diretrizes de seu programa, Alckmin disse que “é preciso rever a legislação federal”. De resto, disse que, se eleito, irá liberar as verbas do Fundo Penitenciário no primeiro mês de governo.

Não há na pregação do candidato nenhuma idéia empolgante, capaz de reverter as curvas das pesquisas de opinião, hoje favoráveis ao adversário Lula. Mas pelo menos Alckmin pendurou, por um instante, as luvas de boxe. Luvas que, nas últimas 48 horas, vinham prevalecendo sobre o conteúdo programático. Alckmin visitou os municípios de Rio Grande, Pelotas e Bagé.

Escrito por Josias de Souza às 17h52

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Morre na Alemanha o humorista Bussunda

Morreu na manhã deste sábado, na cidade alemã de Munique, o humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda do programa Casseta & Planeta. Ele teve um infarto. 

Bussunda completaria 44 anos no próximo dia 25. Seu corpo será trasladado para o Brasil ainda neste sábado. Outros três integrantes do Casseta & Planeta, que realizavam junto com Bussunda gravações para o programa na Copa do Mundo, também retornam para o Brasil neste sábado.

Escrito por Josias de Souza às 08h28

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As manchetes deste sábado

- JB: Tango arrasador

- Folha: Oposição não tem caráter e faz jogo rasteiro, diz Lula

- Estadão: Importação sustenta crescimento do comércio

- Globo: Mundo tem 1/3 da população urbana em favelas

- Correio: Crise na Varig atinge segurança dos vôos

Leia os destaques de capa dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Traje típico!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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O arraial do Torto

  Alan Marques/Folha Imagem
Lula promoveu na noite passada a festa junina da Granja do Torto, um hábito que introduziu na corte brasiliense desde sua chegada ao poder, em 2003. Nesta terceira edição, o arraial do casal Silva foi mais animado do que o do ano passado, ocorrido nas pegadas do escândalo do mensalão.

 

Vitaminado pelas pesquisas que o colocam em posição confortável na disputa contra o adversário tucano Geraldo Alckmin, Lula recebeu amigos, auxiliares e respectivos familiares de alma leve. Ouvido pelo blog, um dos participantes dos festejos contou que o presidente não se furtou a bebericar algumas doses de quentão.

 

Aos risos, Lula fez troça da provocação de José Jorge (PFL), candidato a vice de Alckmin, que o acusara na véspera de "beber muito": “Essa vai em homenagem aos meus opositores desesperados”, brincou, antes do primeiro gole.

 

A festa deste ano foi marcada por uma outra peculiaridade: a ausência de grão-petistas como José Dirceu e Antonio Palocci, cujas cabeças foram ceifadas pelos escândalos. Além de personagens conhecidos, como o vice-presidente José Alencar, Lula viu-se rodeado de auxiliares inexpressivos. Entre eles o ministro dos Esportes (na foto), o desconhecido Orlando Silva e seu colega da Previdência, Nelson Machado.

 

Atendendo a uma recomendação expressa no convite, que traz a foto de Lula e Marisa em trajes caipiras, parte dos convivas do presidente vestiu-se a caráter. Na entrada, os convidados cruzaram um pórtico em forma de arco, feito de varas de bambu. No trajeto entre a portaria e a sede do Torto, percorreram cerca de duzentos metros de bandeirolas verdes e amarelas, as cores do selecionado brasileiro na Copa do Mundo.

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Lula fará ‘aliança branca’ com PMDB já no 1º turno

  Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Às voltas com o risco de não ter do seu lado nem o PC do B nem o PSB, Lula informou a um dirigente do PT que decidiu fazer uma “aliança branca” com o PMDB ainda no primeiro turno da eleição presidencial. A convite do presidente, a ala governista do PMDB indicará um representante para o staff político de sua campanha. Participará do comitê da reeleição com direito a opinar nas decisões estratégicas. O nome ainda não foi escolhido.

 

O naco lulista do PMDB designará também pessoas para participar da formulação do programa de governo de um eventual segundo mandato de Lula. O documento está em fase de elaboração, sob a coordenação do petista Marco Aurélio Garcia, professor de história e assessor da presidência para assuntos internacionais.  

 

A decisão de Lula foi comunicada também aos líderes da ala governista do PMDB: os senadores Renan Calheiros (AL), José Sarney (AP) e Ney Suassuna (PB); e os deputados Jader Barbalho (PA) e Wilson Santiago (PB). O acerto informal é uma resposta do presidente à decisão desse grupo de divulgar um manifesto de apoio à sua candidatura.

 

Em reunião realizada há três dias, no Palácio do Planalto, Lula alinhavou os últimos pontos do acerto com o PMDB. Numa última tentativa de viabilizar uma aliança formal com o partido, o presidente instou os aliados a tentar aprovar em convenção a indicação de um vice para a sua chapa. Sarney e Renan disseram-lhe que dispõem de maioria para evitar a lançamento de um candidato do PMDB à presidência, mas não têm votos suficientes impor ao partido uma coligação formal com o PT.

 

Lula lamentou: “Se soubesse que chegaríamos a isso, eu teria dado um jeito para acomodar o Nelson Jobim em outro partido”. Jobim era o vice dos sonhos de Lula. Ele renunciou à presidência do STF e pediu aposentadoria da magistratura para filiar-se ao PMDB. Mas a divisão do partido impediu o avanço da articulação para fazê-lo vice.

 

Em contrapartida, Renan e Sarney informaram a Lula acerca da decisão de divulgar um manifesto de apoio à sua reeleição. Otimista, Sarney disse que o documento trará a assinatura de representantes de 21 diretórios estaduais do PMDB. Lula recebeu o número com um pé atrás. Sua confiança não é despropositada. Por ora, só 14 diretórios se dispõem a apoiar o manifesto pró-Lula.

 

Seja como for, Lula considerou que a iniciativa do manifesto é o bastante para legitimar a participação do PMDB no seu comitê de campanha e na discussão do seu programa de governo. Com esse gesto, espera seduzir todo o partido para a coalização que tenciona compor para um eventual segundo ciclo de governo. Acha que, depois de eleito, as parcelas do PMDB que, por conveniências regionais, preferem manter distância virão para o seu lado por gravidade, atraídas pela perspectiva de integrar o governo.

 

Os peemedebistas que se compuseram com o presidente tencionam planejam divulgar o manifesto logo depois da oficialização do nome de Lula como candidato à presidência pelo PT, na convenção marcada para daqui a uma semana. Até lá tentarão colecionar novas adesões ao documento. Esperam atrair para o manifesto diretórios que, nos Estados, farão coligação com PSDB e PFL, partidos comprometidos com a candidatura do tucano Geraldo Alckmin.

 

O PMDB governista invoca o exemplo de Renan e Sarney. O primeiro, a despeito de estar associado à candidatura do tucano Teotônio Vilella Filho ao governo de Alagoas, assinará o manifesto. O segundo, aliado à candidatura da filha Roseana Sarney (PFL) ao governo do Maranhão, também firmará o documento.

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Lula reage a ataques com ‘carinho, alegria e amor’

  Bruno Miranda/Folha Imagem
Em viagem a Recife, Lula reagiu nesta sexta-feira aos ataques que recebeu na véspera de adversários do PSDB e do PFL. O presidente evitou mencionar os nomes de seus críticos. Limitou-se a dizer que “tem gente nervosa” no cenário político.
"Todo dia aparece alguém para me agredir”.

Lula disse que não entrará no “jogo rasteiro”, informa a Agência Nordeste (para assinantes). Vai se limitar a "transmitir mais carinho" e “trabalhar mais”. Discursando para uma platéia de moradores de palafitas beneficiados por programas de reurbanização do governo federal, Lula disse, sob aplausos:

"A resposta é a gente trabalhar mais, é a gente mostrar mais amor com o povo desse país, é mostrar mais alegria, porque na verdade estão torcendo é que a gente fique nervoso e faça o jogo rasteiro que estão fazendo. Eu não vou fazer isso porque o povo merece respeito, merece ser tratado com dignidade e é por isso que eu estou aqui hoje. Onde eles estão? Eu estou aqui, no meio de vocês".

Nesta quinta-feira, durante convenção do PFL de Brasília, o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), disse que Lula é preguiçoso e bebe muito. "Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira". Alckmin completou: "Vamos tratar de trabalhar e acabar com a roubalheira".

 

Para Lula, os ataques dos adversários não são motivados nem por suas viagens nem pelo suposto excesso de bebida nem pela alegada roubalheira. Ele acha que está sendo alvejado “possivelmente porque essas pessoas estão perguntando assim: ‘Puxa vida, nós estamos governando aqui desde que Cabral pôs os pés e nós não conseguimos fazer, por que esse metalúrgico está fazendo?’" O presidente respondeu a si mesmo: "Esse metalúrgico está fazendo porque esse metalúrgico tem uma coisa que eles não têm. Esse metalúrgico tem caráter".

Antes de enveredar pela troca de desaforos que vem marcando este princípio de campanha, Lula realçou a “importância” dos programas de reurbanização financiados com recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Ele foi a Recife para anunciar a liberação de R$ 74 milhões desse fundo, aprovado no ano passado pelo Congresso, depois de uma tramitação de 13 anos.

Lula não perdeu a oportunidade de criticar o descaso de governos anteriores com o saneamento básico. "Durante muitos e muitos anos não se investiu em saneamento nesse país. Porque político nesse país muitas vezes não gosta de gastar dinheiro em tubo que vai embaixo da terra porque não dá pra colocar o nome da mãe, o nome do tio, o nome do parente que vai homenagear. Preferem construir ponte e viaduto".

Lula, como se vê, não esqueceu os ensinamentos de Duda Mendonça. Reza a cartilha do marqueteiro que ataques pessoais não ganham eleição. Funcionou para Lula em 2002. E, a julgar pelas pesquisas, vai funcionando também em 2006.

PS.: No atual estágio da política nacional, para começar uma briga, basta uma palavra. Ou qualquer outra. No caso do líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), a palavra que o deixou hirto de cólera foi "caráter". Virgílio achou que, ao dizer que os adversários o desancam porque sabem que ele tem caráter, Lula quis insinuar que falta caráter à oposição. E o tucano pôs-se a bicar (leia). 

Escrito por Josias de Souza às 15h17

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Ai que inveja!

Nada mais conveniente do que os sonhos. No curto intervalo de uma noite, pobre fica rico, cego volta a enxergar, feio transa com beldades, gordos emagrecem, etc. O brasileiro, desde o início da Copa, vem contando carneirinhos. São 22 –onze titulares e onze reservas. Todos magros, lépidos e saudáveis.

 

Súbito, acorda-se pela manhã sob o impacto de um pesadelo: a Argentina produziu uma vistosa goleada. Seis a zero. Fora o baile. Vai-se à internet e descobre-se que o PIB da Argentina cresceu 8,6% no primeiro trimestre do ano. No Brasil, só 3,4%. Dá uma inveja! E uma vontade de voltar a dormir!

Escrito por Josias de Souza às 14h26

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Brasil terá 55 milhões de favelados em 2020

  BBC
Relatório da ONU divulgado nesta sexta-feira estima que, em 2020, haverá 55 milhões de brasileiros –25% da população—morando em favelas. Embora o número seja desalentador, o estudo anota que a taxa de crescimento das favelas no Brasil, hoje na casa de 0,34% ao ano, está praticamente estabilizada. No ano passado, os moradores de favelas somavam 52,3 milhões. Ou 28% da população.

 

Ou seja, a despeito do crescimento do número absoluto de habitantes de favelas, eles representam um percentual cada vez menor da população do Brasil. O relatório chama-se “O Estado das Cidades do Mundo 2006-2007”. Foi elaborado pelo programa Habitat. Informa que quem mora em favelas passa mais fome, tem menos acesso à educação e menores chances de conseguir emprego formal.

 

O Brasil é citado no documento como exemplo em políticas de urbanização, saneamento básico e orçamento participativo. A par dos elogios, o texto afirma que as condições de vida dos moradores das favelas brasileiras continuam piorando (clica). Numa dessas felizes coincidências, enquanto a ONU divulgava o seu relatório, em Londres, Lula comandava, em Pernambuco, uma cerimônia de liberação de R$ 74,9 milhões do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social para urbanização de palafitas e outros assentamentos precários (leia).

Escrito por Josias de Souza às 13h42

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As manchetes desta sexta

- JB: "Ninguém merece essa pressão"

- Folha: Vice de Alckmin diz que Lula só viaja e bebe muito

- Estadão: Bolsas dos EUA sobem com fala de Bernanke

- Globo: Meio ambiente mata 13 milhões por ano

- Correio: Ultimato a Ronaldo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Gordo, eu?!?!?!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

A Receita Federal realiza em segredo uma devassa nas contas dos mais importantes partidos políticos do país. Encontram-se sob auditoria nove agremiações. Entre elas  PSDB, PFL, PT, PMDB, PTB, PL e PP. Busca-se comprovar a prática de caixa dois.

 

A investigação foi aberta a partir de iniciativa do senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin. Em 22 de agosto de 2005, quando Alckmin ainda não era candidato, José Jorge encaminhou um ofício ao secretário da Receita, Jorge Rachid. Seu alvo era o partido de Lula.

 

José Jorge mencionou apenas o PT. Anotou no texto que o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares reconhecera a existência de um caixa dois de R$ 55 milhões no Partido dos Trabalhadores. E pediu providências.

 

O fisco abriu a sindicância em setembro de 2005. Por sua conta, incluiu na lista, conforme já noticiado, outras três legendas envolvidas no mensalão: PTB, PP e PL. A novidade é que, depois, os fiscais detectaram indícios de irregularidades em outras cinco legendas, inclusive na do denunciante. Foi então que, entre outros, PSDB, PFL e PMDB foram postos também sob auditoria fiscal. O procedimento é inédito. O fisco jamais fiscalizara partidos políticos antes. E decidiu agir à grande.

 

Se os indícios detectados pelos fiscais –de movimentações bancárias atípicas a fraudes contáveis—forem caracterizados como delitos fiscais, os partidos perderão a imunidade tributária. E a Receita terá de comunicar os ilícitos à Justiça Eleitoral que, pela lei, é obrigada a cassar os registros que autorizam o funcionamento dos infratores.

 

A Receita baseia a sua ação numa legislação que, até hoje, só havia sido aplicada na parte que beneficia os partidos. A Constituição Federal proíbe, no parágrafo 6º do artigo 150, a cobrança de impostos de organizações de assistência social, templos religiosos, sindicatos e partidos políticos.

 

Mas, para fazer jus à imunidade, tais entidades têm de seguir três regras previstas no artigo 14 do Código Tributário Nacional, uma lei de 1966. São elas: 1) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; 2) aplicar os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 3) manter escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

 

Suspeita-se que os partidos tenham infringido pelo menos a terceira regra. Seus livros contábeis não resistiriam a uma inspeção. A ser verdade, terão de pagar, com multa de 150%, todos os tributos que deixaram de recolher, por força da imunidade constitucional, no período sob investigação: de 2000 a 2005.

 

A auditoria está mais avançada em relação às quatro legendas que começaram a ser investigadas no ano passado: PT, PTB, PL e PP. O PT, inclusive, já foi intimado a dar explicações ao fisco, conforme noticiado aqui há dois dias. Mas, para evitar que seu trabalho seja usado politicamente, a direção da Receita decidiu que o resultado da apuração só será divulgado depois que o trabalho tiver sido esgotado em relação a todos os partidos. O que só irá ocorrer depois das eleições de outubro. Talvez depois da posse do próximo presidente.  

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Ronaldinho entra no rol de celebridades da Forbes

Ronaldinho entra no rol de celebridades da Forbes

A revista norte-americana Forbes acaba de divulgar a sua lista anual das 100 celebridades mais poderosas do planeta. O craque Ronaldinho Gaúcho estréia no ranking. Ocupa o 53º lugar. Seu faturamento anual é estimado pela revista em notáveis US$ 26 milhões.

 

O Brasil está representado na lista com outros dois nomes. A modelo Gisele Bündchen, que no ano passado ocupava o 77º lugar, avançou seis casas. Agora é a 77ª celebridade mais poderosa do mundo. Fatura anualmente, segundo a Forbes, os mesmos US$ 26 milhões atribuídos a Ronaldinho.

 

A bela Bündchen ganhou a companhia de outra formosura nacional. A modelo Adriana Lima entra pela primeira vez no ranking. É a 99ª colocada. Em primeiríssimo lugar está o ator Tom Cruise –faturamento anual estimado em US$ 67 milhões.

 

Cruise desbancou a apresentadora de TV Oprah Winfrey. A despeito de faturar mais –US$ 225 milhões por ano—, ela caiu da 1ª para a 3ª colocação. No 2º lugar está a banda de rock dos Rolling Stones, que não figurava na lista do ano passado. Os Stones faturam, segundo a Forbes, US$ 90 milhões por ano.

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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Vice de Alckmin diz que Lula não trabalha e bebe

Nesta quinta-feira dedicada à celebração do corpo de Cristo, a dobradinha Geraldo Alckmin (PSDB)-José Jorge (PFL) dedicou-se crucificar Lula. Pregaram na candidatura do adversário adjetivos pouco condizentes com o dia santo.

 

Deu-se em Brasília, durante a convenção em que o PFL lançou para o governo local a chapa puro-sangue composta pelo deputado José Roberto Arruda (governador) e pelo senador Paulo Octávio (vice-governador). Discursando para uma platéia estimada em 30 mil pessoas, José Jorge (PFL-PE) disse que Lula é preguiçoso e bebe muito.

"Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira", afirmou o vice do candidato tucano.

Geraldo Alckmin manteve o tom. "Vamos tratar de trabalhar e acabar com a roubalheira", discursou, com a voz alterada. Aproveitando-se da presença de Ana Cristina Kubitschek, neta do ex-presidente Kubitschek e mulher de Paulo Octávio, Alckmin disse que, se chegar ao Planalto, “o Brasil voltará a reviver o sonho do Juscelino: trabalho, emprego, desenvolvimento”.

Depois da convenção, retomando o timbre ameno, Alckmin disse, em entrevista, que vai privilegiar durante a campanha as propostas em detrimento dos ataques pessoais. "O tom da campanha é projeto, é trabalho", disse ele. A tônica propositiva do tucanato é mesmo perceptível.

No último domingo, em Belo Horizonte, ao discursar na convenção nacional do PSDB, Alckmin insinuou que Lula é ladrão. Agora diz que vai acabar com a “roubalheira”. Seu vice afirma que Lula “bebe muito”. Haja proposta!

Só há um problema: Lula foi à cruz no ano passado, depois que Roberto Jefferson (PTB-RJ) revelou que o milagre da maioria congressual estava escorado no pecado do mensalão. A despeito dos ataques, a maioria do eleitorado vê Lula como um Cristo, não como um Lázaro. Tudo indica que a reiteração dos ataques não é a melhor tática para evitar o fenômeno da ressurreição do mandato.

PS.: Informado de que José Jorge dissera que Lula não trabalha, só viaja e bebe muito, o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), classificou a declaração como algo “algo típico do PFL, um partido de pessoas arrogantes e autoritárias, que não toleram ver um trabalhador na Presidência e muito menos o apoio do povo brasileiro a esse trabalhador”. O nervosismo de José Jorge, disse Berzoini, deve-se ao fato de que ele “é vice numa chapa que não tem a confiança do povo brasileiro.” Depois, no horário nobre da TV, o PFL usou os onze minutos de que dispunha para alvejar Lula e seu governo.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Morales ameaça ir às ‘armas’ contra o ‘império’

 

 

A pretexto de festejar o 78º aniversário de nascimento de Che Guevara, o presidente Evo Morales (Bolívia) viajou à localidade de La Higuera, onde o guerrilheiro lendário foi executado, em 1967. Em discurso, Morales disse estar disposto a ir às “armas” para defender o seu país, a Venezuela e Cuba de eventuais ataques do “império” norte-americano.

 

Segundo Morales, diferentemente do que ocorria à época de Che, “agora não são os povos que levantam as armas contra o império. O que estamos vendo é que o império é que levanta as armas contra os povos”. E bravateou: “Se o fizerem em Cuba, Venezuela ou Bolívia, estamos dispostos a enfrentar e a defender também com armas a pátria e os recursos naturais e outras transformações sócias”.

 

Referindo-se ao seu próprio triunfo nas urnas e à ação do presidente venezuelano Hugo Chávez, Morales lembrou que, há dez anos, previra que, em pouco tempo, haveria “muitas Cubas na América Latina”. Ele completou: “Se antes quase todos os países estavam submetidos a um império, a um modelo econômico, agora estamos em outros tempos, em tempos de mudança, em tempos de liberação.”

 

Morales fez troça de expressão cunhada pelo presidente George Bush, dos EUA. Em alternativa ao “eixo do mal” propôs que se passe a falar em “eixo da humanidade”. Em seguida agradeceu a ajuda que Cuba e Venezuela vêm prestando à Bolívia ns áreas de educação e saúde.

 

De resto, o presidente boliviano informou que estará em Havana no próximo dia 13 de agosto, para os festejos do aniversário de 80 anos de Fidel Castro. Levará um presente especial para o companheiro-ditador: um pastel feito à base de folhas de coca.

 

A essa altura, Bush há de estar tremendo. Às voltas com a ameaça atômica do Irã, o “império” terá agora de preparar-se para o eventual embate com as “armas” da Bolívia. Era só o que faltava.

 

Num ponto o companheiro-índio tem razão. Não há propriamente um “eixo do mal” na América Latina. A trinca Chávez-Fidel-Morales constitui no máximo um eixo do humor. Não fosse pela má qualidade das piadas, rivalizaria com outra trinca: Moe, Larry e Curly.

Escrito por Josias de Souza às 15h58

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PFL pratica tiro ao 'Lulalvo' na TV

Seqüência de notas da Coluna Painel (para assinantes da Folha):

 

Na testa - O programa do PFL que vai ao ar hoje (15/06) em rede nacional é um petardo com um único alvo: Lula. Toda a peça foi costurada para mostrar as relações, descritas como íntimas e pessoais, entre o presidente, os denunciados no escândalo do mensalão e um novo personagem: o petista Bruno Maranhão, incluído na última hora depois da invasão do MLST à Câmara.


Estão lá imagens de Lula chamando o ex-tesoureiro petista de "nosso Delúbio", Palocci de "mais que irmão" e fotos do presidente ao lado de outros da "quadrilha dos 40", denunciada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando. O PFL aponta, ainda, uma antiga sociedade entre Lula e Paulo Okamotto, que diz ter pago dívida do presidente com o PT.

Compacto - O programa pefelista terá 11 minutos, e não os 20 habituais. O partido perdeu o restante por decisão da Justiça Eleitoral. No final, os produtores gostaram do formato mais curto: acham que, em tempos de Copa, pode agradar ao telespectador.

Platéia - A pesada propaganda do PFL foi exibida ontem na reunião do conselho político de Geraldo Alckmin. O coordenador da campanha, Sérgio Guerra, vibrou. O presidenciável não comentou.

Escrito por Josias de Souza às 09h54

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As manchetes desta quinta

- JB: Crateras afundam o Rio

- Folha: Estrangeiros tiram R$ 1 bi da Bovespa em dez dias

- Estadão: Juiz negocia para tentar salvar a Varig

- Globo: Juiz adia solução para Varig, agora sem prazo

- Correio: Sinal verde para 166 condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h59

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Banho de sangue!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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PC do B rediscute apoio ao PT e Lula pode ficar só

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

A nove dias da convenção que vai oficializar o seu nome como candidato à reeleição, Lula ainda não atraiu para a sua chapa nenhum partido político. Corre o risco de disputar a eleição com o apoio solitário do PT. O PC do B, única legenda que admitira a hipótese de coligar-se à sua candidatura, ameaça dar meia-volta.

 

Nesta quarta-feira, o presidente do PC do B, Renato Rabelo, informou ao blog que seu partido decidiu rediscutir o casamento de papel passado com Lula. Sente-se desprestigiado pelo PT. Alega ter reivindicado a reciprocidade do “parceiro” em três localidades –Brasília, Tocantins e Ceará. Não foi atendido em nenhuma das três solicitações. Rabelo travou com o blog o seguinte diálogo:

 

- Essas pendências podem levar o PC do B a não se coligar com Lula?

Adiamos a nossa convenção (de 14 para 29 de junho) em parte por isso. O risco existe.

- A resolução das pendências é pré-condição para o acerto com Lula?

É essa a questão que temos levantado. Em toda aliança tem que haver reciprocidade. Não pode existir só bônus ou ônus para um dos lados. Os ganhos têm que ser recíprocos. Por isso adiamos a convenção, para ver que posição adotar.

- Lula pode disputar a eleição só com o PT?

Esse risco existe.

 

Para o governo de Brasília, o PC do B pediu o apoio do PT à candidatura do ex-ministro Agnelo Queiroz (Esportes). O “aliado” preferiu lançar o nome da petista Arlete Sampaio, deputada distrital. Para o governo de Tocantins, o PC do B lançou o senador Leomar Quintanilha. Sem candidato, o PT preferiu associar-se à campanha do governador Marcelo Miranda (PMDB), candidato à reeleição.

 

No Ceará, PT e PC do B patrocinam a candidatura a governador de Cid Gomes (PSB). O PC do B quer que a vaga de senador seja entregue ao deputado Inácio arruda, dos seus quadros. Mas o PT prefere apoiar para o Senado o nome do ex-ministro Eunício Oliveira (Comunicações), do PMDB.

 

Por razões diversas, também o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos (PE), informou a Lula, em reunião realizada na segunda-feira, que seu partido não deve participar da coligação nacional com o PT. “Precisamos ter atenção para a realidade dos Estados e para a necessidade de cumprir a cláusula de barreira”, disse Campos.

 

A exemplo do PC do B, o PSB reclama da falta de disposição do PT para se compor nos Estados. Entre eles Pernambuco, onde Campos disputa o governo local. A pedido de Lula, o presidente da CNI, Armando Monteiro, que concorria ao governo pernambucano pelo PTB, renunciou em favor do candidato petista Humberto Costa. O gesto envenenou as relações do PSB com o Planalto.

 

A julgar pelas pesquisas de opinião, com ou sem PC do B e PSB, Lula pode bater o adversário tucano Geraldo Alckmin ainda no primeiro turno. O problema é que, coligado ao PFL, Alckmin dispõe de 9 minutos e 2 segundos para fazer campanha no rádio e na TV a partir de 15 de agosto. Aliando-se aos comunistas e aos socialistas, Lula já teria um tempo menor: 8 minutos e 22 segundos. Concorrendo só com o PT, o tempo de propaganda do presidente cai para 5 minutos e 44 segundos, quase quatro minutos a menos que Alckmin.

 

No início do ano, Lula planeja disputar a reeleição coligado a seis partidos além do PT: PC do B, PSB, PTB, PP, PL e PMDB. Em encontro nacional realizado no final de abril, o PT aprovou resolução favorável a uma política ampla de alianças. Abriu-se inclusive a possibilidade de composição com as legendas do mensalão.

 

Porém, a resolução não foi seguida de uma estratégia capaz de casar o interesse nacional com as conveniências regionais. E Lula desdobra-se agora para salvar ao menos o acordo com o PC do B, uma legenda que o apoiou em todas as suas quatro campanhas presidenciais anteriores. De resto, se Lula confirmar José Alencar como seu vice em 2006, somará ao apoio do PT o suporte do insignificante PRB, partido de seu provável companheiro de chapa.  

Escrito por Josias de Souza às 00h06

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‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

  Alan Marques/F.Imagem
Convidado a integrar o comitê financeiro da campanha presidencial do PSDB, o advogado Miguel Reale Júnior diz que não será nem tesoureiro nem coletor de verbas eleitorais. “Serei uma espécie de auditor”, afirmou.

 

Ao convidá-lo, Geraldo Alckmin lhe assegurou que não fará caixa dois. “A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise”, disse Reale. Leia abaixo a entrevista que ele concedeu ao blog:  

 

- Já aceitou o convite?

Aceitei.

- E o risco do caixa dois?

Na conversa que teve comigo, o Geraldo (Alckmin) disse que não fará, em nenhuma hipótese, caixa dois. Não se vai comprar, na expressão do Geraldo, nem um grampo que seja pelo caixa dois. Será tudo pela contabilidade oficial, devidamente registrada.

- Como garantir que isso ocorra?

Todos os gastos, qualquer que seja a natureza, mesmo o pagamento de uma pessoa, só serão feitos com nota fiscal ou com recibo. São cuidados mínimos. E se não houver saída por fora, não há justificativa para ter entrada por fora.

- Já tem noção do custo da campanha?

Não. O partido só deve fixar esse montante quando requerer o registro da candidatura.

- Vai atuar como tesoureiro?

Não. Haverá um grupo de técnicos que fará esse trabalho de contabilidade.

- Vai captar recursos para a campanha?

Não serei captador de recursos. Serei uma espécie de auditor. Vou supervisionar as contas.

- Vai pôr as contas da campanha na internet?

Tem que colocar, até porque a lei exige.

- Mas a lei exige apenas duas prestações de contas.

Se houver condições técnicas gostaria de ter uma periodicidade menor.

- Diária?

Acho que isso é tecnicamente difícil de ser viabilizado. Ma se puder ter uma prestação de contas quinzenal seria conveniente.

- Ao aceitar a incumbência, não receia legitimar a acusação de que pregou o impeachment de Lula apenas para servir à causa do PSDB?

Não. Chega um momento que há uma opção eleitoral a ser feita. Se nosso movimento luta por transparência nas eleições, no momento em que aparece uma oportunidade de dar efetividade a isso, seria contraditório que eu me abstivesse. Seria uma covardia.

- A crise serviu para alguma coisa?

A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise. A crise gera, de um lado, a impunidade do presidente. Mas, de outro, gera comportamentos positivos. A crise tem dois lados.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Lula compara Petrobras a Ronaldinho

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em viagem ao Rio de Janeiro, Lula esforçou-se, uma vez mais, para fixar vínculos entre o ufanismo que envolve a seleção brasileira e supostos êxitos de seu governo. Discursando durante o lançamento da pedra fundamental de um novo pólo petroquímico da Petrobras, em Itaboraí (RJ), Lula comparou a estatal ao craque Ronaldinho, o magro.

 

Para Lula, a Petrobras é "um filho que todo mundo gostaria de ter, ela é uma espécie de 'Ronaldinho' da indústria brasileira". Ele disse que a empresa teve de ser “reeducada” durante a sua gestão. Antes, por “orientação não sei de que governo”, a empresa só investia na prospecção de petróleo, disse o presidente. Agora, investe também no desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como o biodiesel.

 

O presidente aproveitou a passagem pelo Rio para lançar uma intriga na seara do adversário tucano Geraldo Alckmin. Mencionou elogios que teria recebido do prefeito carioca César Maia (PFL) que, embora integrado à campanha de Alckmin, tem se notabilizado pelas críticas ao comportamento de líderes do PSDB.

 

"O prefeito César Maia é do PFL”, disse Lula, “mas já me mandou duas cartas e já fez uns dez discursos dizendo que nos últimos 36 meses, no meu mandato, a cidade do Rio de Janeiro recebeu mais dinheiro do que nos 20 anos antes de eu ser presidente da República".

 

Na cerimônia da Petrobrás, Lula posou para fotos segurando uma camisa verde-amarela com o mais famoso dos Salmos: “O Senhor é o meu pastor. Nada me faltará”. Difícil saber se Deus é mesmo o pastor de Sua Excelência. Mas não há dúvidas de que nada lhe tem faltado. Sobretudo, a julgar pelas pesquisas, votos.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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‘Que país é esse?’

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) lamentou há pouco, da tribuna do Senado, que o povo brasileiro tenha energias para se mobilizar para a Copa do Mundo e não demonstre a mesma disposição para reagir “à corrupção e aos desmandos que infelicitam o país.”

 

“Que país é esse?”, perguntou o senador. “Entusiasmar-se com a seleção, torcer, sofrer, tudo bem. Mas é lamentável que o povo brasileiro não tenha a mesma energia e responsabilidade para mudar o país. Importante mesmo é a Copa. Valerioduto, mensalão, absolvição de mensaleiros, essas coisas são relegadas a plano secundário”.

 

Jefferson Peres atribuiu à “prostração” da sociedade o fato de Lula figurar nas pesquisas de opinião como favorito à reeleição. Segundo ele, todos sabem que houve corrupção. Sabem também que o presidente teve conhecimento dos malfeitos. Mas não se dispõem a agir.

 

“As pessoas enchem as ruas para acompanhar a seleção, mas contra o presidente ninguém protesta. O lula é o tal. Vai ficar mais quatro anos aí, com o PT enfraquecido, desmoralizado, dependendo do PMDB, que vai ao palácio, mais uma vez, para negociar cargos. Presidente que recebe partido para isso... Vai ficar dependendo do fisiologismo do Congresso por mais quatro anos. O que vai fazer, sem poder realizar as reformas de que o país precisa? Vai ficar na barganha, na troca de favores, relacionando-se com políticos da pior espécie, que são os políticos que tem esse país.”

 

Não fosse pela TV Senado, que transmitiu o seu discurso, Jefferson Peres teria falado para as paredes. Há poucas almas no Congresso. Ele próprio realçou o oco do parlamento em sua fala.

 

“Ontem, fiquei desolado na Comissão de Assuntos Econômicos (do Senado). Seis diretores do Banco Central, inclusive o seu presidente (Henrique Meirelles), estiveram aqui, convidados por nós, para falar sobre a política de juros. E só havia cinco senadores na comissão. Havia mais diretores do Banco Central do que senadores. Por que? Ora, porque havia um jogo de futebol à tarde. E vejam que a sessão da comissão era de manhã. O mesmo se repete agora. Só há dez senadores aqui presentes (no plenário do Senado)”.

 

“Sou torcedor de futebol, apaixonado pelo Botafogo do Rio, adoro futebol”, prosseguiu Jefferson Peres, “mas causa-me perplexidade que os três Poderes da República estejam esvaziados por causa da Copa do Mundo. A Câmara não obteve quorum para votar. Está parada. O Fundeb (fundo destinado ao ensino básico) está parado aqui no Senado. Mas os olhos estão postos na Alemanha. E por isso não se pode trabalhar. Não conheço outro país do mundo que fique paralisado por causa do futebol. Que país é esse? É por isso que o Lula está aí em cima!”

Escrito por Josias de Souza às 16h10

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PT gasta R$ 600 mil em convenção nacional

A convenção nacional do PT que irá confirmar o nome de Lula como candidato à reeleição vai custar ao partido R$ 600 mil. O dinheiro sairá dos cofres do partido. O encontro está marcado para o próximo dia 24 de junho, um sábado.

 

Os organizadores do encontro petista festejam o fato de o borderô ter ficado aquém do custo da convenção do PSDB, realizada em Belo Horizonte, no último domingo. O tucanato gastou cerca de R$ 1 milhão no evento que ratificou as candidaturas de Geraldo Alckmin (Presidência) e de Aécio Neves (governo de Minas).

 

Equacionadas as questões financeiras, o PT tenta agora aparar as pendências políticas. A principal delas é o fechamento da coligação partidária que dará suporte à candidatura Lula. O petismo esperava atrair pelo menos mais dois partidos para a aliança em torno de Lula, o PC do B e o PPS.

 

Por ora, só o PC do B indicou que deve integrar a coligação. O PPS, ao contrário, sinaliza a intenção de participar das eleições sem se atrelar a nenhuma candidatura presidencial. A convenção dos comunistas está marcada para o próximo dia 29. A dos socialistas será na véspera, dia 28.

Escrito por Josias de Souza às 14h29

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CPI das Sanguessugas começa a andar

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-RS), leu agora há pouco, no plenário do Senado, o requerimento de criação da CPI das Sanguessugas. O gesto é o primeiro passo para a instalação da nova comissão.

 

Agora, os líderes partidários terão uma semana para indicar os seus representantes na CPI. Serão 11 deputados e 11 senadores. Se alguma legenda descumprir o prazo, caberá a Calheiros escolher, a seu talante, os nomes.

 

A comissão vai investigar malfeitorias patrocinadas por congressistas que injetaram no orçamento da União verbas que, depois, foram desviadas em compras superfaturadas de ambulâncias para prefeituras. Os autores das emendas agiram em troca de propinas.

 

Pretende-se que a CPI conclua suas atividades em, no máximo, 60 dias. É pouco tempo para muita lambança. A essa altura, é improvável que, faltando poucos meses para o fim da legislatura, algum sanguessuga venha a ser cassado. Por sorte, o Ministério Público já está cuidando da matéria.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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As manchetes desta quarta

 

- JB: Kaká Brasil

 

- Folha: Justiça dos EUA dá tempo para Varig para achar comprador

 

- Estadão: Brasil estréia com uma vitória suada

 

- Globo: Uma vitória magra na largada

 

- Correio: Se não fosse Kaká...

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Bola cheia!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Lula confunde Congresso e torcida

Artigo de Elio Gaspari (na Folha, para assinantes):

 

“Lula está construindo uma relação imperial e desrespeitosa com o Congresso. Disse o seguinte na semana passada, um dia depois de uma decisão da Câmara que estendeu aos aposentados o reajuste de 16,6% concedido aos trabalhadores que ganham salário mínimo:

 

'Eu digo sempre, a votação do salário mínimo no Congresso Nacional, ontem, não foi uma coisa séria, porque o que estava lá para ser votado era um acordo que tinha sido feito pela primeira vez na história do Brasil, com todas as centrais sindicais e todos os aposentados, representados pelas centrais sindicais'.

 

Lula oferece um reajuste de 5% aos 13 milhões de aposentados do INSS. Os 16,6% da Câmara custariam R$ 8 bilhões anuais. A maior parte desse dinheiro iria para cidadãos que ganham menos de R$ 500 por mês. Nada a ver com o Bolsa-Ditadura de Nosso Guia (R$ 4.294 mensais, em maio passado). Há fortes argumentos contra o novo índice de reajuste, e o presidente da República dispõe do poder de veto para esterilizar a iniciativa.

 

Como o próprio Lula diz, 'quando a gente é oposição, pode gargantear, pode blefar'. Quando a mesma gente é governo, o presidente não deve dizer que uma votação da Câmara 'não foi uma coisa séria'. Nem mesmo quando os deputados absolvem seus companheiros do mensalão.

 

Lula tem 30 anos de vida pública, 27 dos quais na oposição. Só ele sabe quanto tempo consumiu garganteando e blefando. Parolagens e mistificações não são atributos exclusivos do governo (como achava Lula) nem da oposição (com acha Nosso Guia). As 53 palavras do seu discurso carregam um entendimento desordenado do que é o Congresso e do que são as entidades que defendem interesses de corporações.

 

'O que estava lá para ser votado' não era um acordo. Era uma medida provisória do Poder Executivo. O Congresso não vota acordos, nem de centrais sindicais, nem de torcidas organizadas. As centrais sindicais não representam 'todos os aposentados'. Representam, quando muito, os sindicatos a elas filiados. Quem representa aposentados, vendedores de rapadura e donos de oficinas mecânicas é o Congresso, poder republicano estabelecido para isso.

 

Lula abusa da proteção da inimputabilidade cultural. Quando revela que Napoleão foi à China e Oswaldo Cruz inventou a vacina da febre amarela, pode-se fingir que isso não tem importância. Contudo, quando o presidente da República, formado nas mumunhas do sindicalismo, sugere que um acordo de centrais sindicais é uma peça legislativa, o erro deixa de ser banal. É confusão funcional. Chama-se fascismo a organização política na qual o Poder Executivo embaralha centrais sindicais e Poder Legislativo. O Brasil viveu esse sonho de governantes e pelegos durante o Estado Novo.

 

Lula vem cozinhando uma reforma sindical que tunga os trabalhadores e amplia o poder das centrais. Ele sabe o que está fazendo. Fortalecer agrupamentos amigos é hábito antigo.

 

Em 1979, o governo federal e a indústria paulista louvaram um acordo feito pela Federação dos Metalúrgicos. Ela representava 29 sindicatos. O de São Bernardo pulou, foi à greve e projetou nacionalmente a imagem de um sindicalista que inebriava a multidão no estádio de Vila Euclides. Foi a primeira experiência de Lula com o êxtase do fracasso, mas essa é uma história velha.”

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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TSE pede explicações a Lula sobre propaganda

A Justiça eleitoral decidiu notificar Lula para que ele preste esclarecimentos sobre os gastos do governo em publicidade nos últimos três anos. O Planalto terá cinco dias para responder, a contar da data do recebimento da notificação.

A decisão foi tomada pelo ministro Carlos Ayres Brito, do TSE. Ele é relator de uma ação movida pelo PSDB e pelo PFL no último dia 31 de maio. Os partidos levantam a suspeita de que o governo tenha tonificado os gastos em propaganda nesta fase pré-eleitoral.

 

Conforme noticiado aqui na semana passada, levantamento feito por técnicos a serviço do tucanato estima que o governo gastou R$ 5 milhões por dia em publicidade nos primeiros quatro meses de 2006. A decisão de notificar Lula não significa que Ayres Brito tenha concordado com a suspeita dos opositores de Lula. O ministro explica, segundo a repórter Isabel Braga, que apenas está assegurando a Lula o direito ao contraditório e à ampla defesa.

 

Também nesta terça-feira, o TSE concedeu uma liminar pedida pelo PT para retirar do sítio do PFL na internet mensagens ofensivas a Lula e a um grupo de petistas. O ministro Marcelo Ribeiro entendeu que as menções feitas pelo PFL configuram propaganda eleitoral antecipada. Entre as frases que os pefelistas terão de retirar de sua página virtual está a seguinte: “Chega de corrupção! Em 2006, Lula não!”

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Intimado, PT responde ao fisco e pode ser autuado

A Receita Federal intimou o PT a prestar esclarecimentos sobre irregularidades fiscais detectadas em auditoria feita na contabilidade do partido. A secretaria de Finanças do PT já encaminhou ao fisco um rol de explicações. Deu-se há pouco mais de um mês. Às voltas com um esforço para equacionar uma dívida de cerca de R$ 45 milhões em suas contas, a legenda de Lula aguarda agora a palavra final da Receita.

 

A auditoria na contabilidade do PT foi aberta pelo fisco em setembro do ano passado, nas pegadas das confissões de Delúbio Soares. Em depoimentos ao Ministério Público e às CPIs dos Correios e dos Bingos, o ex-tesoureiro do partido reconheceu ter movimentado R$ 55 milhões pelo caixa dois, que ele preferiu chamar de “recursos não contabilizados.”

 

Os fiscais trabalharam durante um período na sede do PT, em São Paulo. Em dezembro, recolheram livros contábeis da legenda. No início de janeiro de 2006, conforme noticiado aqui, a direção da Receita foi informada de que haviam sido descobertas impropriedades na escrituração do partido. Envolviam valores movimentados entre 2002 e 2005. Daí o pedido de explicações.

 

Ouvido pelo blog, o secretário nacional de Finanças do PT, Paulo Ferreira, disse: “Fomos notificados e respondemos. Justificamos tudo o que foi pedido. Estamos convencidos de que, à luz da legislação, não cometemos nenhuma irregularidade fiscal. Agora, estamos aguardando para saber o que eles (os auditores) acharam das nossas respostas”.

 

Segundo Ferreira, o partido está “preocupado”, mas tem tranqüilidade quanto à “legalidade de seus procedimentos”. Ele diz que, “se a Receita vier a autuar o PT”, a legenda ainda terá a “oportunidade de se defender.” Afirma que “são defensáveis todos os gastos da instituição”.

 

Além de lidar com a Receita, o PT esforça-se para equacionar a dívida herdada da fase em que sua tesouraria esteve sob a responsabilidade de Delúbio Soares. O passivo encontra-se hoje na casa dos R$ 45 milhões. O montante não inclui os R$ 100 milhões que o empresário Marcos Valério cobra na Justiça (leia). Essa dívida o PT não reconhece. Questiona sua legitimidade na Justiça, em processo ainda pendente de julgamento.

 

Depois de um processo de enxugamento que envolveu a demissão de funcionários o cancelamento de contratos de serviços, o PT conseguiu equilibrar seus gastos correntes. Mas não arrecada o suficiente para abater a dívida. Tenta negociar com seus credores os valores e a forma de pagamento.

 

A receita média mensal do PT é de cerca de R$ 3,2 milhões, para um gasto de R$ 2,1 milhões. Ou seja, sobra mensalmente cerca de R$ 1,1 milhão, quantia insuficiente para liquidar as dívidas. Assim como as demais agremiações políticas, o PT terá de encaminhar em 15 de julho uma prestação de contas à Justiça Eleitoral. Até lá, espera ter acertado com todos os seus credores um plano de reescalonamento da dívida.

 

A exemplo do PT, também o PP, o PL e o PTB, legendas envolvidas no escândalo do mensalão, encontram-se sob auditoria da Receita. O escândalo resultou na abertura de 98 fiscalizações. Por ora, foram encerradas 14 auditorias. Lavraram-se autos de infração que somam R$ 16 milhões. Foram punidas 500 pessoas físicas e jurídicas, entre políticos, empresários e funcionários públicos. E a fiscalização ainda está longe de acabar.

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Em seleção de Ronaldos, brilha o Dida

Em seleção de Ronaldos, brilha o Dida

Em Gool!, quadro de Maria Bonomi

 

O signatário do blog pede licença aos seus 22 leitores para falar de futebol. Se, na véspera, alguém perguntasse quem seria o destaque do jogo de estréia contra a Croácia, o Brasil cairia na mais ignara das perplexidades se alguém ousasse pronunciar o nome “Dida”. A menção soaria absurda. Não encontraria nenhuma acústica. Seria abafada pelos risos.

 

Não que Dida não seja conhecido e que sua competência não seja reconhecida. Não, não. Absolutamente. Mas o arqueiro do escrete é um desses conhecidos que a torcida desconhece. Fátima Bernardes perguntou a Dida outro dia se ele se considera um ídolo. E o goleiro, de bate pronto, como a isolar uma bola em tiro de meta: “Não”. Ídolos, disse ele, entre tímido e constrangido, são Ronaldo, Ronaldinho...

 

Pois vejam as ironias do futebol. Numa seleção de Ronaldos cintilantes, brilhou um Dida obscuro. A linha dos sonhos produziu um mísero gol, obra da chuteira esquerda de Kaká. E, não fosse pela ação da torre de ébano, que agarrou, com unhas e dentes, três ou quatro petardos croatas, o Brasil estaria amargando agora o constrangimento de um pesadelo inaugural.

 

Numa partida em que todos só tinham olhos para os pés milionários, o destaque foi o um par de mãos. Diz-se que o Brasil é favorito. De fato, é o que dita a lógica. Mas o caneco dificilmente virá se a seleção de Ronaldos continuar escorada em Dida nas próximas partidas.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

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Meirelles defende tese rejeitada pelo PT

  Antônio Cruz/ABr
Uma fatia considerável do PT jamais aturou o presidente do Banco Central. Mas Henrique Meirelles sempre teve em Antonio Palocci um anteparo a resguardá-lo de dardos petistas. Expurgado do Ministério da Fazenda depois de ordenar a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci deixou o subordinado à mercê dos críticos.

 

Nesta terça-feira, Meirelles foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Convocaram-no para que falasse acerca da atuação do Copom, aquele conselho integrado por diretores do BC que joga para cima ou para baixo as taxas de juros. Mas o tema que mais constrangeu Meirelles foi uma declaração feita na véspera pelo grão-petista Ricardo Berzoini.

 

O presidente do PT dissera que o partido não vai incluir em seu programa de governo a independência do Banco Central, uma tese das mais caras à equipe que hoje dirige a instituição. Instado a comentar o assunto, Meirelles não se furtou a defender a autonomia da autoridade monetária. Acha que facilitaria a gestão do sistema de metas de inflação. "É importante que se dê autonomia e que se cumpra a meta de inflação estabelecida pela Conselho Monetário Nacional", disse ele, conforme relato da repórter Ana Paula Ribeiro.

 

Abriu-se a oportunidade para que os senadores argüissem Meirelles e os diretores do BC que o acompanharam. Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, preferiu destilar sarcasmo. “Aconselho todos vocês a procurarem emprego em caso de vitória de Lula, porque a base do governo não está satisfeita com a política conduzida pelos senhores”, disse Jereissati, insinuando que Meirelles e seus auxiliares receberão cartão vermelho num eventual segundo mandato de Lula.

 

Não houve quem quisesse recordar, mas Meirelles tem origens tucanas. Em 2002, elegeu-se deputado federal pelo PSDB de Goiás. Convidado a integrar a equipe de Lula, desfiliou-se do partido. Mas não abandonou as velhas amizades. Há cerca de dois meses, esteve em Goiânia, para o aniversário do governador tucano Marconi Perillo, hoje candidato ao Senado. Sentiu-se à vontade no antigo ninho. E retornou a Brasília a bordo do jato particular de Jereissati.

 

É lícito supor que, se Geraldo Alckmin virasse presidente, Meirelles nem precisaria procurar emprego, como sugeriu Jereissati. Teria lugar garantido no novo governo. O diabo é que, para azar do tucano infiltrado -ou petista convertido, conforme o ponto de vista-, o candidato ‘chuchumbo’ não se mexe nas pesquisas. E quando se mexe, oscila para baixo.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Em 7 meses, Lula ganhou 16 pontos; Alckmin parou

Em nova pesquisa, o Ibope informa que, se as eleições fossem realizadas hoje, Lula derrotaria Geraldo ‘chuchumbo’ Alckmin no primeiro turno. Teria 48% das intenções de voto , contra 19% atribuídos ao adversário. Uma diferença de 29 pontos.

 

A pesquisa foi divulgada pela CNI. Considerando-se a série das últimas três pesquisas feitas pelo Ibope por encomenda da Confederação das Indústrias, verifica-se que Lula ganhou 16 pontos percentuais em sete meses. Saiu de um patamar de 32% em dezembro de 2005 para 48% neste mês de junho de 2006.

 

Quanto a Alckmin, manteve-se em situação de incômoda estabilidade no mesmo período. Em dezembro de 2005, desfrutava de 20% da preferência do eleitorado. Agora, tem 19%. A nova pesquisa foi feita entre 5 e 7 de junho. Ouviram-se 2.002 eleitores em 143 municípios.

 

A imobilidade de Alckmin nas pesquisas inquieta o tucanato. Para tentar fazer o seu candidato alçar vôo, o PSDB transformou-o em estrela de sua publicidade institucional. Em 2006, o partido tem direito a 60 minutos no rádio e na TV.

 

As inserções estão distribuídas assim: um programa de 20 minutos, a ser exibido no horário nobre da noite do dia 22 de junho, e mais 40 minutos distribuídos em oito dias (cinco minutos por dia, fatiados em cinco peças de um minuto ou dez de 30 segundos).

 

O PSDB já utilizou em abril três dos oito dias de propaganda de cinco minutos. Restaram cinco datas: 8, 13, 20, 27 e 29 de junho. Sem contar o programa mais extenso (20 minutos), do dia 22.

 

O campo da pesquisa Ibope foi fechado na véspera do início da exibição das peças publicitárias do PSDB. A publicidade do PT foi usada pelo partido em maio. Se Alckmin não crescer nas próximas sondagens, a inquietação do tucanato evoluirá para o desespero.

Escrito por Josias de Souza às 14h14

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As manchetes desta terça

 

- JB: Chegou a hora

 

- Folha: Varig cancela vôos à espera de decisão da Justiça

 

- Estadão: Juiz adia por 48 horas desfecho do caso Varig

 

- Globo: Crime tem no Rio até 150 motos em ação

 

- Correio: Haja coração

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

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A hora do gordo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Sem alternativa, Lula pode manter Alencar na vice

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Sentindo-se rejeitado por Lula na composição da chapa que disputará o segundo mandato, o vice-presidente José Alencar tentou, na última hora, pôr de pé uma candidatura ao Senado. Mas, em viagem a Minas Gerais, seu Estado, ele se deu conta de que o jogo das composições políticas mineiras já está jogado.

 

Estimulado por Lula, Alencar esteve, há cerca de duas semanas, com o governador tucano de Minas, Aécio Neves. Perguntou-lhe se haveria espaço para o lançamento do seu nome ao Senado no “chapão” suprapartidário que se formou em torno de Aécio, franco favorito à reeleição, com mais de 70% das intenções de voto. O governador respondeu que a vaga de senador estava compromissada com o PMDB. O candidato deve ser o ex-presidente Itamar Franco.

 

Informado a respeito, Lula condoeu-se. Disse a um político que priva da sua intimidade que não se sentiria bem se deixasse o “velho” – como se refere, na informalidade, a Alencar — “na chuva”. Sem a possibilidade de uma composição nacional com o PMDB e diante das resistências internas ao nome de Ciro Gomes (PPS), reconheceu que talvez tenha mesmo de repetir a dobradinha de 2002.

 

Em articulação que contou com a ajuda do Planalto, tentou-se convencer o PMDB a apoiar Alencar. Acenou-se com a hipótese de o atual vice-presidente, hoje no minúsculo PRB, transferir-se para o PMDB depois das eleições. As gestões resultaram, porém, em fracasso. O PMDB nacional e o de Minas deram de ombros para Alencar.

 

Assim, não resta agora ao atual vice-presidente senão confiar na propensão de Lula de abrigá-lo sob o guarda-chuva da chapa reeleitoral de 2006. Do contrário, ele se verá na contingência de voltar para casa, já que a hipótese de disputar uma vaga de deputado federal não lhe passa pela cabeça.     

 

Lula prometera, em reserva, que tiraria sua candidatura à reeleição do armário nesta quarta-feira, 14 de junho. Discursando como convidado de honra na convenção nacional do PC do B, o presidente assumiria publicamente a condição de candidato. Porém, o PC do B decidiu, há uma semana, adiar a convenção para o dia 29 de junho.

 

E a esperada assunção do Lula candidato foi postergada mais uma vez. Se depender do petismo, Lula admite a própria candidatura no início da próxima semana. O presidente, porém, ainda não de indicações de que pretenda fazê-lo. Até a tarde de segunda, planejava resguardar-se até 24 de junho, data da convenção nacional do PT.

 

Lula disse que concordara em revelar-se candidato no dia 14 apenas porque o PC do B formalizaria na convenção o apoio à sua reeleição. E não faria sentido que a legenda aliada apoiasse uma candidatura fantasma. Entende que o adiamento do encontro dos comunistas livrou-o do compromisso. Ganhou pelo menos mais dez dias para decidir o que fazer com Alencar.

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Alckmin convida Reale Jr. para comitê financeiro

  Alan Marques/F.Imagem
Por indicação de Geraldo Alckmin, o advogado Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso, vai integrar o comitê tripartite que cuidará das finanças da campanha presidencial do PSDB. Os outros dois nomes podem ser indicados pelo PFL.

 

O início da montagem do comitê financeiro de Alckmin ocorre no instante em que a Polícia Federal se prepara para inquirir os responsáveis pelo caixa dois na campanha do senador tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Serão ouvidas cerca de 80 pessoas, informa o repórter Jailton Carvalho.

 

Em meio às definições dos nomes que irão atuar no seu comitê de campanha, Alckmin informa que irá propor o fim do estatuto da reeleição. É uma maneira de atrair o apoio efetivo de dois grão-tucanos, José Serra e Aécio Neves, ambos de olho na presidência em 2010. Eis o que informa a repórter Catia Seabra (para assinantes da Folha):

 

“Geraldo Alckmin declarou ontem que incluirá o fim da reeleição, com mandato de quatro anos, na proposta de reforma política que enviará ao Congresso caso seja eleito. A medida interessaria aos tucanos Aécio Neves e José Serra, apontados como pré-candidatos ao Planalto. O texto seria apresentado no início de 2007.

Ao longo do processo de escolha do candidato tucano, Alckmin concordou com a idéia logo após uma visita a Aécio, em Minas. Dias depois, disse que a decisão caberia ao Congresso. Agora, num momento em que depende do apoio dos dois, Alckmin reafirmou a defesa do fim da reeleição. Sua proposta de governo incluirá também a fidelidade partidária e o voto distrital misto.

Pelo menos três colaboradores do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) vão participar do comando central da campanha de Alckmin. Segundo desenho traçado ontem por Alckmin e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, a coordenação administrativa ficará a cargo de José Lucena Dantas, chefe de gabinete de FHC.

A coordenação financeira ficará por conta do ex-ministro da Justiça de FHC Miguel Reale Junior. Como integrante do comitê financeiro, ele deverá ser o responsável pela prestação de contas da campanha. O PSDB estaria com dificuldade de definir outros dois voluntários para compor o comitê.

Já o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas ocupará uma subcoordenação, possivelmente a de logística, da área operacional.

Para a coordenação operacional, Tasso deverá convidar um antigo colaborador do Ceará. O jornalista Luiz Gonzalez comandará a coordenação de comunicação, que deverá reunir cerca de 20 empresas, incluindo quatro diferentes institutos de pesquisa. Para assumir a função, ele se desligará de sua empresa, a Lua Branca.

Coordenador-geral da campanha, Sérgio Guerra deverá acumular a coordenação política. Pelo organograma de Tasso, Guerra está subordinado apenas ao conselho político formado por líderes e presidentes de partidos. Sob seu comando estão as coordenações e três assessorias diretamente vinculadas: a jurídica, chefiada pelos advogados Ricardo Penteado e Eduardo Alckmin; a de agenda,de Felipe Sigollo; e a de programa de governo, exercida por João Carlos Meirelles (...)”. 

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Vem aí o bolsa-privilégio

Acontece freqüentemente à maioria dos deputados não pensar em nada. O que, convenhamos, já é um avanço se considerarmos que muitos deles simplesmente não pensam. Mas, para infortúnio do erário, há também os deputados que pensam. Ou, por outra, pensam que pensam quando, na verdade, estão apenas rearrumando os seus privilégios.

 

Deu-se que, de tanto matutar, o grupo que pensa que pensa terminou pensando uma idéia. Pior: constituiu um grupo técnico com o objetivo de transformar o pensamento em ação. Resultado: a Mesa Diretora da Câmara está na bica de agir sem pensar.

 

Pretende-se, veja você, instituir uma espécie de bolsa-privilégio. Cada deputado receberia mensalmente, além do salário, uma verba de R$ 38.500, para gastar como bem entendesse. A iniciativa surge nas pegadas da revelação de que muitos deputados estavam desviando para outros fins uma verba mensal de R$ 15 mil que recebem para encher os tanques de seus carros.

 

O signatário do blog pensou em qualificar a idéia. Mas lembrou-se de Descartes. E concluiu: Penso, logo desisto. Leia aqui detalhes sobre a novidade. E pense por si mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 23h50

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Programa do segundo mandato de Lula sai em agosto

O eleitor indeciso terá dificuldades para optar entre Geraldo Alckmin e Lula se for basear o seu voto apenas na plataforma de governo dos dois candidatos. No rastro da divulgação das diretrizes do programa do presidenciável do PSDB, dirigentes do PT falaram nesta segunda-feira sobre as idéias que irão nortear a campanha do partido à reeleição. A idéia mestra será a promoção do “crescimento econômico com distribuição de renda”. A mesma tese de fundo do ideário do tucanato.

As intenções do petismo foram esboçadas em entrevista do deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, e Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente para assuntos internacionais e coordenador da elaboração do programa de governo. Eles informaram, segundo relato do repórter Ricardo Amaral, que o documento, cujo conteúdo está sendo negociado com PC do B e PSB, será divulgado na segunda quinzena de agosto.

Berzoini e Garcia ironizaram pontos da plataforma do adversário. Entre eles os que prevêem a extinção de contribuições e tributos, a redução de gastos públicos e a diminuição do número de ministérios.  

"A oposição precisa dar mais seriedade e consistência a suas propostas. Isso me parece um choque de gestão de apenas dez volts", desdenhou Garcia. "Propor corte de impostos agora é voltar à velha fórmula liberal, depois da forte elevação da carga tributária nos oito anos de governo Fernando Henrique, aumento que foi insignificante no governo Lula".

"O país tem problemas mais sérios para se preocupar além de reformas cosméticas", continuou Garcia. Ele não excluiu, porém, a hipótese de que o próprio Lula venha a enxugar a Esplanada caso seja reeleito: "Extinguir ministérios é algo que poderemos fazer ou não." Berzoini ecoou Garcia: "A oposição precisa largar essa esquizofrenia: ou quer cortar ministérios ou quer criar novos".

Quanto à idéia de cortar gastos públicos, o presidente do PT afirmou: "Corte de custeio no Brasil, historicamente, tem significado diminuir os gasto sociais". O PT, segundo Berzoini, trabalha com a perspectiva de que os juros reais estejam "entre 7,5 por cento e 8 por cento" no próximo quadriênio, o que não exigiria um aperto fiscal maior que a meta em vigor (4,25 por cento de superavit primário).

"Essa política tem nos permitido enfrentar as necessidades de redução da dívida pública brasileira em relação ao PIB", disse o presidente do PT. "Pode haver divergências quanto à intensidade, mas revertemos o quadro da economia neste governo".

Ainda segundo Berzoini, a reforma política será guindada à condição de prioridade num eventual segundo mandato de Lula. "Vamos propor três eixos: fidelidade partidária rigorosa; finaciamento público de campanhas para a eleição por meio de listas partidárias e não de candidatos individualmente; e maior controle público sobre a atividade política".

Escrito por Josias de Souza às 17h21

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O bolerão do PMDB continua na vitrola

A maneira mais divertida de lidar com o PMDB é lançando mão do ceticismo. Pode-se, por exemplo, brincar com a tese da candidatura própria do partido à maneira da roleta russa. Sabe-se que o projeto está completamente descarregado de sinceridade.

 

Nesta segunda-feira, a Executiva do PMDB reuniu-se para decidir, pela enésima vez,  se terá ou não candidato à Presidência da República. Adivinha o que ficou acertado? Sim, isso mesmo. O partido não terá candidato.

 

De início, a decisão deveria ter sido referendada em convenção marcada para o último domingo. Mas na última reunião da Executiva, há 15 dias, adiara-se a convenção para 29 de junho. E, nesta segunda, cancelou-se de vez o encontro. Avaliou-se que é desnecessário reunir a instância máxima do partido para deliberar sobre algo que não existe.

 

Os 22 leitores do blog já devem estar de saco cheio dessa lengalenga do PMDB. Mas vai aqui um aviso: a coisa ainda não acabou. Pedro Simon (RS), o último presidenciável da legenda, está na bica de jogar a toalha. Mas Anthony Garotinho, o penúltimo, ameaça manter na vitrola o mesmo velho disco arranhado de sempre.

 

O grupo de Garotinho anuncia a intenção de recorrer à Justiça. Já havia obtido uma liminar mantendo a data da convenção para o próximo dia 22. O PMDB deu de ombros para a decisão. Michel Temer, presidente da agremiação, disse que vai recorrer. Alega que não cabe à Justiça decidir sobre questões da economia doméstica do partido.

 

A turma de Garotinho não dá o braço a torcer. Assim, o bolerão da candidatura própria vai continuar soando em Brasília pelo menos até o final do mês. Ignore-o. Preste atenção apenas aos Estados. Ali, os caciques regionais do PMDB já dançam em outro ritmo. O ritmo de um funk que extrapola Tim Maia. É o vale-tudo das alianças para os governos estaduais. Vale até dançar homem com homem e mulher com mulher.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Lula já planeja pacote de reformas do 2º mandato

Em encontro privado que manteve com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro, Lula falou como se considerasse a eleição para o segundo mandato como favas contadas. Disse que, depois de eleito, planeja enviar ao Congresso um pacote de reformas constitucionais.

O blog apurou que, sem detalhar as propostas, o presidente mencionou a Monteiro três itens que constarão do seu cesto de reformas. Ele quer mexer na legislação trabalhista, na configuração tributária e, de novo, na Previdência Social. Em meio à exposição, Lula fez um pedido a Armando Monteiro.

 

Candidato ao governo de Pernambuco pelo PTB, o presidente da CNI ouviu de Lula um apelo para que abdique da pretensão em favor de um outro candidato: o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, do PT. Lula o "intimou" a concorrer a uma vaga de deputado federal. “Preciso de uma bancada forte no Congresso, para votar as reformas”, disse.

 

O pedido do presidente da República será atendido ainda nesta segunda-feira. Os sismógrafos de Pernambuco já começam a captar os tremores políticos. Monteiro anunciará publicamente três decisões:

 

1. desistiu de concorrer ao governo pernambucano;

 

2. apoiará a candidatura de Humberto Costa;

 

3. disputará uma vaga de deputado federal.

 

Ou seja, tudo o que Lula lhe pediu. Na avaliação do presidente da República e do PT, o apoio de Monteiro, que tem entre 5% e 7% nas pesquisas de opinião, praticamente coloca Humberto Costa no segundo turno da disputa pelo governo de Pernambuco, contra o adversário Mendonça Filho, do PFL.

 

Se o petismo estiver certo, o maior prejudicado Eduardo Campos, amigo e aliado de Lula. O deputado Campos, presidente do PSB, também concorre ao governo de Pernambuco. Mede forças com Humberto Costa para tentar passar à disputa de segundo turno conta Mendonça Filho.

 

Ouvido pelo blog, Eduardo Campos declarou: "Não acredito que o presidente tenha tomado partido aqui em Pernambuco. Ouvi dele que, embora ele quisesse um candidato único, não interferiria no processo se houvesse mais de uma candidatura." 

 

O comando de campanha do presidente do PSB está debruçado sobre a máquina de calcular. Pelas primeiras contas, a interferência de Lula pode render novas adesões a Eduardo Campos. Dos dez deputados estaduais que apoiavam Armando Monteiro -dois do PMN, dois do PDT e seis do PTB- pelo menos seis rejeitam a hipótese de apoiar o PT de Humberto Costa. 

Escrito por Josias de Souza às 10h35

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Para presidente da República, o sanduíche!

Molière (1622-1673) ensinou numa de suas memoráveis peças (Anfitrião) que “todos os discursos são tolices, quando ditos por gente sem brilho; e seriam palavras deliciosas se fossem ditos por gente ilustre”.

 

Na convenção que ratificou de Geraldo 'chuchu' Alckmin como candidato do PSDB à presidência da República, o mais saboroso não foi o discurso do candidato. Foi o sanduíche. Veja abaixo o que informa a Folha (para assinantes):

 

“A maioria das pessoas que empunhavam bandeiras de Geraldo Alckmin na convenção admitiu ter ouvido o nome do candidato tucano à Presidência pela primeira vez. Levadas a Belo Horizonte de ônibus, disseram que a viagem foi motivada pelas promessas de lanche grátis e de emprego na campanha.

 

A distribuição dos lanches, que começou às 9h, por pouco não causou um grande problema: ela foi interrompida por volta das 11h, para que as pessoas voltassem ao pavilhão para acompanhar os discursos. A paralisação gerou reclamações, xingamentos, empurra-empurra e bate-boca entre os organizadores. Após 30 minutos, a distribuição dos lanches foi retomada.

 

Segundo a empresa Anjos da Guarda, que prestou segurança ao evento, a convenção reuniu 6.000 pessoas. O presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, falou em 15 mil. O custo das convenções nacional e estadual foi de R$ 1 milhão, segundo o PSDB.

 

Os ônibus fretados pelos diretórios tucanos -a reportagem contou cerca de 200- começaram a chegar a Belo Horizonte às 8h. Uma hora depois teve início a convenção estadual do PSDB, que referendou o nome do governador Aécio Neves à reeleição.

 

Foram confeccionadas 10 mil bandeiras com o rosto de Alckmin. A Folha ouviu pelo menos 20 pessoas que carregavam essas bandeiras nas filas das barracas que distribuíam feijão tropeiro, sanduíche de pernil, espetinho de porco, cachorro-quente e refrigerante. Nenhuma conhecia Alckmin. Esse "desconhecimento" também era visível nas faixas penduradas no local, que grafavam seu nome de várias formas.

 

‘Eu não o conheço nem nunca vi na TV’, disse Laura Gomes, 43, atraída ao local pela promessa de trabalho. ‘Foi a primeira vez agora’, disse Nilvânia da Silva, 34. Os adolescentes Shirlene Basílio, 17, e Jéssico Emílio Simão, 21, afirmaram que, além dos sanduíches, receberiam R$ 10 cada um na volta para casa. O presidente do PSDB mineiro negou o pagamento: ‘O PSDB ofereceu lanche e transporte, não existe nada sobre pagamento’”.

Escrito por Josias de Souza às 07h50

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As manchetes desta segunda

- JB: FH foi a estrela na festa da candidatura Alckmin

- Folha: Assalto do BC pagou ataques do PCC, afirma Polícia Federal

- Estadão: Números mostram que ajuste fiscal é frágil

- Globo: Rio terá força-tarefa contra a sonegação

- Correio: Alckmin: "Onde está o chefe dos 40 ladrões?"

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h16

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Programa Bolsa Copa!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Fazenda ignora textos que dificultam leilão da Varig

 

A Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu em 7 de junho, às vésperas do leilão da Varig, um parecer que isenta o eventual comprador da companhia de responsabilidade por um passivo tributário bilionário. O documento contraria frontalmente outros três textos redigidos pela mesma Procuradoria da Fazenda.

 

O blog obteve cópias dos documentos que, embora tenham sido elaborados para subsidiar a decisão da Fazenda Nacional sobre a dívida da Varig, acabaram sendo ignorados. Sustentam a tese de que quem arrematar a Varig levará junto o passivo tributário. É o oposto do que foi consignado no parecer oficial do órgão.

 

A Varig deve cerca de R$ 7,9 bilhões ao governo e a empresas estatais e privadas. Só os débitos inscritos no cadastro da Dívida Ativa da União, que se encontram em fase de cobrança judicial, somam cerca de R$ 2 bilhões. O passivo era um entrave à venda da companhia.

 

Na última quinta-feira, dia do leilão, o juiz Luiz Roberto Ayoub, que conduz a tentativa de recuperação da Varig, distribuiu entre os candidatos à compra o parecer que a Fazenda Nacional emitira na véspera. Foi uma tentativa de dar aos interessados a certeza de que, batido o martelo, não herdariam o passivo tributário da Varig.

 

No documento, assinado por Luis Inácio Lucena Adams, procurador-geral da Fazenda, o governo informa que a divisão da Varig em duas companhias –uma antiga, que manteria a dívida, e outra nova, a ser leiloada—não caracteriza uma “cisão” empresarial, “(...) não havendo que se falar (...) em sucessão tributária”.

 

Os pareceres ignorados pelo procurador-geral Lucena Adams anotam entendimento bem diferente. Um deles diz o seguinte: “Em que pese não estar consignado no referido plano o termo ‘cisão’, a operação a que se reporta a ‘Velha’ Varig está (...) caracterizada como tal”.

 

A “cisão resultará na responsabilidade solidária da Nova Varig pelos débitos tributários da sucedida (‘Velha’ Varig), por força da determinação legal (...)”, conclui o documento, datado de 10 de outubro de 2005. Os outros dois textos que foram ignorados pelo procurador foram redigidos, respectivamente, em 15 de setembro e 17 de outubro de 2005.

 

Nessa época, o procurador-geral da Fazenda era Manoel Felipe Brandão. Ele deixou o posto antes que pudesse se manifestar formalmente sobre a responsabilidade solidária das dívidas tributárias da Varig. Foi substituído por Lucena Adams, procurador da confiança do ministro Guido Mantega (Fazenda).

 

Sob Lucena Admans, as notas, pareceres e relatórios que embasariam a palavra final do antecessor Manoel Felipe foram à gaveta. E sobreveio o novo parecer, que isenta o eventual comprador da “nova” Varig da encrenca tributária. O documento anota que, qualquer que seja o resultado da recuperação da Varig, “serão obrigatoriamente mantidos” na companhia “ativos e meios operacionais suficientes para, em conjunto com o valor mínimo em moeda corrente nacional estipulado para a alienação judicial, proporcionar meios para o integral pagamento dos credores (...)”.

 

Um dos pareceres desconsiderados diz coisa distinta. Informa que o patrimônio da Varig, avaliado em 257,7 milhões, é “manifestamente insuficiente” para quitar a dívida da empresa inscrita em dívida ativa (R$ 2 bilhões), “sem considerar aqueles débitos sob administração da Receita Federal e do INSS”. O juiz Luiz Roberto Ayoub ficou de dar uma palavra final sobre a venda da Varig nesta segunda-feira. No dia do leilão, só o consócio de trabalhadores da Varig se animou a fazer uma oferta pela companhia: R$ 1,01 bilhão.

Escrito por Josias de Souza às 01h19

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PT lança Mercadante e deputados mensaleiros

O senador Aloizio Mercadante foi confirmado neste sábado, em convenção do PT paulista, como candidato oficial do petismo ao governo de São Paulo. Na mesma convenção, o partido homologou os nomes de seu candidato ao Senado, Eduardo Suplicy, e dos concorrentes à Câmara dos Deputados.

 

Para a Câmara, o PT lançou vários nomes cujas biografias foram tisnadas por escândalos. Entre eles os deputados mensaleiros João Paulo Cunha, Professor Luizinho e José Mentor (na foto-montagem).

 

Também disputarão mandatos de deputado federal o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente do PT José Genoino. Palocci foi afastado do Ministério da Fazenda depois que se descobriu que ele ordenou a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Genoino renunciou à presidência do PT após a descoberto de que assinara um dos empréstimos contraídos por Marcos Valério no Banco Rural a pedido de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido (clica).

Escrito por Josias de Souza às 15h37

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Alckmin sugere que Lula é ‘líder dos 40 ladrões’

Marcelo Botelho
 

 

Discursando em Belo Horizonte, logo depois de ter sido confirmado como candidato à presidência pela convenção nacional do PSDB, Geraldo Alckmin referiu-se ao governo Lula como um período “que não tem paralelo na história” do país. “Nunca houve tanta desfaçatez e tanto banditismo em esferas tão altas da República”, afirmou. Alckmin insinuou que Lula é “o líder dos 40 ladrões”.

 

“Que tempos são esses, em que um procurador-geral da República denuncia uma quadrilha de 40 criminosos e no meio da lista estão ministros, auxiliares do presidente, amigos do presidente?”, perguntou o candidato. “Que tempos são esses, no Brasil, em que a cada vez que ouvem uma notícia sobre a quadrilha dos 40, os brasileiros pensam automaticamente, em silêncio: e o chefe? Onde está o chefe, o líder dos 40 ladrões?”

 

Alckmin se auto-atribuiu a missão de “restaurar a confiança dos brasileiros no Governo da República. Devolver dignidade e seriedade ao cargo”. E, por meio de um jogo de palavras, montado com o nítido propósito de esquivar-se de processos judiciais, deu a entender que Lula é corrupto, mentiroso, preguiçoso, omisso, enganador, e cínico. Eis o que declarou o candidato tucano:

 

“O povo brasileiro não é corrupto. O povo brasileiro não é mentiroso. O povo brasileiro não é preguiçoso. O povo brasileiro não é omisso. O povo brasileiro não é enganador.O povo brasileiro não é cínico. O seu presidente também não pode ser”.

 

Alckmin discursou diante da platéia de convencionais que inclui os principais líderes do tucanato, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o presidente do PSDB, Tasso Jereissati; o ex-prefeito José Serra; e o governador Aécio Neves (Minas). A tônica de todas as manifestações foi o anti-lulismo.

 

Alckmin disse que deseja “ser um presidente à altura do Brasi”. E voltou a ironizar Lula: “Um líder verdadeiro, um presidente como o Brasil precisa e merece, não pode se omitir; não pode dizer que ‘não sabia’; não pode fingir que não tem responsabilidade sobre as coisas; não pode achar que nada é com ele. Não sou assim. Não serei assim na presidência”.

 

Num dos mais incisivos ataques à gestão de seu rival, Alckmin afirmou que “o aparelho de Estado foi tomado de assalto por quem deveria geri-lo”. Ele pronunciou uma lista de escândalos. Incluiu mesmo os que não restaram comprovados, como a denúncia dos dólares supostamente vindos de Cuba, para a campanha de Lula. Dólares que teriam sido transportados em caixas de bebidas de Brasília para São Paulo.

 

Eis a relação: “Mensalão, corrupção nas estatais, dólar na cueca, dólar em caixa de bebida, malas de dinheiro, propinas, compra de deputados, sanguessugas do dinheiro público”. Ao dizer que o “Estado foi tomado de assalto”, Alckmin valeu-se de um complemente que remete às cores do PT: “(...) especialmente por um partido político que deixou o Brasil vermelho de vergonha”.

 

Os ataques a Lula e ao PT foram reservados para a parte final do pronunciamento. Antes, o candidato discorrer sobre a sua plataforma de governo. Leia a íntegra aqui. As diretrizes do programa de governo de Alckmin foram detalhadas pelo blog em quatro despachos anteriores: um, dois, três e quatro.

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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As manchetes deste domingo

- JB: Polícia Federal investiga fraude na urna eletrônica.

- Folha: Lula cria 'renda chinesa', mas reduz investimentos

- Estadão: Alckmin promete devassa da gestão Lula

- Globo: Imposto sobre consumo cresce 89% em 10 anos

- Correio: Campanha com dinheiro público

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 03h13

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O Lula e o polvo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Alckmin promete cortar gastos e extinguir tributos

Daniel Kfouri/Folha Imagem
 

 

Chama-se “Caminhos para o Desenvolvimento” o documento que expõe as diretrizes do programa de governo de Geraldo Alckmin. Será divulgado neste domingo, em Belo Horizonte. Prevê a extinção de ministérios e órgãos públicos. Promete também a simplificação do “sistema tributário” por meio da eliminação de “muitas contribuições e impostos”, para “reduzir custos e facilitar a vida das empresas”. 

 

O documento, obtido pelo blog, não informa que “contribuições e impostos” seriam extintos. Quanto à estrutura administrativa, informa que será eliminado, “no mínimo, o mesmo número de ministérios e de órgãos que foram criados pelo atual governo”.

 

Ao tomar posse, em 2003, Lula criou nove novas pastas, incluindo as secretarias com status de ministério. O número de postos de primeiro escalão, que era de 26 ao final do governo Fernando Henrique, foi elevado para 35. Ao longo de seu mandato, porém, o próprio Lula eliminou três deles.

 

Um dos lemas da plataforma de Alckmin é: “Mais crescimento econômico com mais oportunidades”. Informalmente, os formuladores do programa de governo do tucanato mencionam o objetivo de atingir um nível de crescimento “chinês”.

 

Não há no texto, porém, nenhuma meta numérica. Tampouco há indicações objetivas que permitam concluir como Alckmin irá lograr a façanha de fazer com que o PIB do Brasil alcance o da China. As previsões mais otimistas indicam que a economia brasileira crescerá em torno de 3,5% em 2006. O crescimento chinês oscila entre 9% e 10%.

 

A plataforma do tucanato promete, em timbre ufanista, “reinventar o Estado brasileiro”. Informa que, se eleito, Alckmin irá “propor, negociar e aprovar no Congresso Nacional um novo ciclo de reformas institucionais”, capazes de dotar o país de “uma política econômica maiúscula”. O texto menciona, sem oferecer maiores detalhes, a intenção de promover o “enxugamento da gordura clientelista da máquina administrativa”.

  

Como complemento à eliminação de tributos, promete-se o “corte de gastos irrelevantes”, reduzindo “o peso da máquina pública inútil”, definindo “prioridades na alocação dos recursos”. Diz o documento: “À medida que o gasto (público) for sendo racionalizado, o ônus tributário será reduzido, contribuindo para estimular ainda mais o crescimento”.

 

Ao definir o papel do Estado numa eventual gestão Alckmin, o documento anota que o novo governo não cederá nem à tentação do “estatismo” nem à defesa do “fundamentalismo de mercado”. Reconhecerá “as funções do Estado” como “regulador e estimulador da atividade econômica e promotor da justiça social”. “A livre empresa”, diz ainda o texto, “deve ser o motor do crescimento e da inovação”.

 

Alckmin promete, de resto, “repensar o modelo de desenvolvimento regional” e “definir marcos regulatórios apropriados, que estimulem os investimentos”. O documento informa que, se o eleitor devolver a presidência ao tucanato, o governo vai transferir para Estados e Municípios os “serviços e ações” que eles “puderem executar”. Junto com os encargos, diz texto, serão enviados a governadores e prefeitos “os recursos” financeiros.

 

O documento será homologado neste domingo na mesma convenção que vai oficializar o nome de Alchimin como candidato do PSDB à presidência. Nase semanas seguintes, o texto, por ora um mero rol de inteções, será adensado em discussões com o PFL, que já decidiu se coligar ao tucanato, e com o PPS, que acena com a intenção de fazer o mesmo (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h05

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Programa de Alckmin incorpora teses caras a Lula

As diretrizes do programa de governo de Geraldo Alckmin (PSDB) incorporam, na área social, idéias presentes também na plataforma de Lula (PT), seu maior rival nas eleições presidenciais deste ano. A principal delas é o Bolsa Família, que paga entre R$ 15 e R$ 95 para famílias com renda mensal de até R$ 120 por pessoa.

 

O primeiro documento formal com as metas de governo de Alckmin promete: “Continuaremos e ampliaremos os programas de proteção social, como as bolsas.” O texto diz que a iniciativa não é de Lula, mas de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. As bolsas “são criaturas do PSDB”, diz o programa tucano.

 

O documento realça uma preocupação também presente no discurso do PT: a necessidade de emancipar as pessoas que hoje recebem o auxílio governamental. “Não queremos condenar as famílias eternamente à ajuda do governo (...)”, anota o texto. “A rede de proteção social representa um avanço importantíssimo mas por si só não responde ao desafio da inclusão”.

 

“Pobreza não é só falta de renda”, prossegue o documento. “É falta de renda e de trabalho, habitação, segurança, educação, saúde e saneamento. Dificilmente a situação de uma família pobre vai melhorar significativamente por receber uma bolsa do governo. Pior ainda, a bolsa não romperá a armadilha da pobreza se as crianças continuarem a receber educação de má qualidade e se não forem criadas ― por meio do crescimento econômico ― oportunidades para trabalhar e empreender”.

 

Alckmin promete manter um outro programa caro a Lula: o Pronaf, que financia com empréstimos públicos subsidiados a agricultura familiar. Diz o texto: “Os agricultores familiares continuarão a receber apoio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar”. De novo, o documento preocupa-se em esclarecer que o benefício não é obra de Lula. Foi “criado pelo PSDB”, sob FHC.  

 

Sem mencionar explicitamente o quebra-quebra promovido pelo MLST nas dependências da Câmara dos Deputados e as invasões de terras feitas pelo MST, o programa do tucanato dá uma estocada em Lula. Diz que um eventual governo Alckmin não descuidará da reforma agrária. Mas ela “não será feita sob o acicate (espora de um só aguilhão) de pressões que desvelam para a violência e desrespeito às instituições democráticas. Seremos intransigentes com a violência no campo e não admitiremos a ilegalidade como meio de ação”.

 

Em nova estocada na gestão Lula, às voltas com críticas dos grandes produtores rurais, Alckmin promete “fortalecer” o “agronegócio”. “Não apenas para produzir alimentos para o mercado doméstico e mundial como também para gerar a energia do futuro, limpa e renovável, que, aos poucos, substituirá o petróleo e seus derivados”. Mais uma similitude com a plataforma de Lula, que não se cansa de defender o biodiesel como fonte alternativa de energia (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Na educação, prioridade para o ensino fundamental

Num eventual governo chefiado pelo tucano Geraldo Alckmin, o Ministério da Educação dará prioridade ao nível intermediário do ensino. “Os recursos federais”, diz o documento com as diretrizes do candidato, “devem ser destinados primeiro a melhorar a qualidade do ensino fundamental”.

 

O texto relaciona, em termos genéricos, um elenco de objetivos: “Qualificar e remunerar melhor os professores da rede pública; estender progressivamente o turno escolar, começando pelas áreas mais pobres e expostas à violência; completar a informatização das escolas e facilitar o acesso pessoal dos seus professores à internet; abrir as portas das escolas às famílias dos alunos e à comunidade local; melhorar a gestão escolar incorporando processos de avaliação e incentivos focados no aproveitamento dos estudantes”.

 

Alckmin se propõe também a “expandir” o ensino médio. Dará ênfase “tanto à formação do cidadão quanto à capacitação do trabalhador”. Uma capacitação capaz de responder “às necessidades da economia em rápida transformação e encarar o trabalhador como empreendedor, um agente da inovação, seja na condição de autônomo, empregado ou empregador”.

 

Sob Alckmin, as universidades federais serão “estimuladas a se engajar crescentemente no desenvolvimento do ensino básico”, por meio da “formação e aperfeiçoamento de professores e instrutores”. O documento menciona também o “ensino técnico” que, segundo Lula, foi “desmontado” durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

 

Diz o documento: “No Brasil o ensino técnico desviou-se de sua missão primordial e foi principalmente utilizado como meio apenas para o ingresso dos estudantes no ensino superior. As escolas técnicas não podem ser vistas como concorrentes ou substitutas do ensino médio, mas como complementar e voltadas para qualificar os jovens e permitir sua inserção ao mercado cada vez mais exigente em termos de capacitação técnica”.

 

“Para Geraldo Alckmin”, prossegue o texto, “educação para o emprego é, de imediato, instrumento prioritário de inclusão social dos jovens. Também abre novas perspectivas e oportunidades de progresso e ascensão profissional e social para aqueles que busquem dar continuidade ao processo educacional” (Leia mais no despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Alckmin promete ‘indulgência zero’ com impunidade

Nas pegadas da onda de ataques do PCC às forças de segurança de São Paulo, Geraldo Alckmin incluiu no documento que expõe as suas diretrizes de governo uma espécie de "pacote anti-Marcola" de combate ao crime organizado. “Mais do que a severidade da pena”, diz o texto, “é a certeza da punição que pode desencorajar a prática do crime”. Para o candidato tucano, o exemplo precisa vir de cima.

 

“Geraldo Alckmin vai praticar a indulgência zero, começando pelos políticos”, anota o texto do PSDB. Como que desejoso de atenuar as responsabilidades do governo paulista, gerido pelo PSDB por 12 anos, pela ação do PCC, o tucanato anotou em sua plataforma de governo o seguinte: “O primeiro passo para enfrentar a crise é cada nível de governo, começando pelo federal, assumir com clareza suas responsabilidades específicas pela segurança pública”.

 

No trecho dedicado à segurança pública, a plataforma do PSDB é permeada de alfinetadas na gestão Lula: “O governo federal, na gestão Geraldo Alckmin, vai fazer sua parte: tirar do papel as penitenciárias prometidas e não construídas pelo atual governo; descontingenciar os recursos do Fundo Penitenciário Nacional para os Estados; apoiar junto ao Congresso as mudanças necessárias na Lei de Execução Penal, para cortar a comunicação entre chefes criminosos presos e seus comandados nas ruas”.

 

O documento não poupa nem mesmo a Polícia Federal, orgulho do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Afirma que o órgão “tem mostrado mais êxito contra a corrupção do que contra o tráfico de drogas e armas”. E completa: “É preciso reforçar a inteligência da Polícia Federal e estreitar sua cooperação com outros órgãos federais (Receita, Banco Central, COAF, Abin, Forças Armadas), as polícias estaduais e o Ministério Público". E, para não soar displicente com o enfrentamento dos escândalos, complementa: "O combate à corrupção será intransigente, mesmo porque é por meio dela que o crime organizado se infiltra no aparelho do Estado”.

 

O texto do PSDB lembra que “o capítulo de segurança pública da Constituição prevê duas leis que até hoje não foram aprovadas: uma para definir a competência da Polícia Federal em relação às ‘infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme’; outra que ‘disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades’”.

 

“Geraldo Alckmin”, anota o esboço de programa de governo, “dará urgência à elaboração dessas leis, visando criar uma base jurídica sólida para integrar e dar foco às ações dos órgãos federais e estaduais de segurança no combate ao crime organizado. E levará adiante a atualização do Código de Processo Penal com vistas a desburocratizar e tornar mais expeditas a investigação e julgamento dos delitos”.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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O Maligno domina a política

O Maligno domina a política

No Planalto

 

Na última terça-feira o Maligno freqüentou o calendário. A data –6/6/06—formou o número da Besta do Apocalipse: 666. É uma boa oportunidade para analisar o papel do Demo no cotidiano político.

 

São múltiplas as feições do Tinhoso. Uma de suas faces mais espetaculares foi descrita por Dante. Na Divina Comédia, o Satanás é esboçado com três caras e seis asas. Asas em constante agitação, dotadas de olhos, que tudo vêem.

 

No Brasil, sempre novidadeiro, o Diabo ganhou cara nova e peculiar –um feitio partidário. Reza a boa técnica do marketing que tudo pode ser vendido desde que personalizado. É preciso dar um rosto ao produto. No mercado político, a regra foi levada às últimas conseqüências. Os candidatos se vendem como a encarnação do Bem e satanizam os adversários. O Demônio do PT é o PSDB. E o Satã do PSDB é o PT. 

 

Curiosamente, não há no Brasil duas legendas mais próximas uma da outra do que PT e PSDB. A semelhança foi tonificada com a experiência de governo de Lula, cuja ação suavizou o discurso socialista do PT, aproximando-o da social-democracia à brasileira. Ao qualificarem-se mutuamente como a própria personificação do Mal, PT e PSDB vêem-se compelidos a buscar, quando eleitos, o suporte de outras legendas diabólicas. São PPs, PLs, PTBs e assemelhados. Nutrem-se dos negócios e das oportunidades proporcionados pelo exercício do poder. Foi assim sob FHC. Deu-se o mesmo sob Lula.

 

Misturando-se ao atraso, o Bem presumido, seja petista ou tucano, converte-se em Mal absoluto. Satã passa a reger, soberano, o espetáculo. Ora assume a cara da fisiologia ora se imiscui na execução orçamentária, desvirtuando-a. Tenta-se justificar a aliança com o Lúcifer multifacetado como único meio de atingir a governabilidade, num modelo que evoca o pacto celebrado por Fausto, o famoso personagem da literatura.

 

Ao acertar-se com o Demo, Fausto foi brindado com dons variados: da ubiqüidade à faculdade de falar línguas estrangeiras. Viu-se às voltas com um cotidiano de maravilhas, permeado de iguarias e boas roupas. Até que, vencido o prazo do pacto –24 anos—o Beiçudo veio cobrar a conta. Matou Fausto e levou-o consigo. O pacto de Fausto que embala a política brasileira cobra o seu preço em bases diárias, nas dobras de uma seqüência interminável de escândalos. A tática de escolher um Demônio de ocasião para o qual transferir as próprias culpas pode aliviar a consciência. Ajuda também a desconversar. Mas é só.

 

Entregando-se ao atraso, PSDB e PT imaginam possuir o Demônio. Mas, em verdade, são possuídos por Ele. É hora do grande exorcismo. Passada a eleição, seja quem for o vitorioso, a política deveria considerar a hipótese de firmar um pacto com a decência.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Alckmin diz que Lula comanda ‘lambança ética’

Embora cavalgue um PSDB que, quando esteve no Planalto, viu-se tisnado por escândalos em série –compra de votos, privatizações trançadas ‘no limite da irresponsabilidade’, Sudam, Sudene, etc—o presidenciável Geraldo Alckmin sentiu-se à vontade para dizer neste sábado que o país vive uma fase de "lambança ética".

 

Alckmin prestigiou a convenção do PFL em São Paulo. Além de dizer que a crise do mensalão resultou numa “roubalheira que enche lista telefônica", responsabilizou o governo do adversário pelo quebra-quebra promovido na Câmara pela turba do MLST.

 

"A invasão na Câmara dos Deputados mostra que falta autoridade a este governo. Essas coisas não acontecem de forma espontânea. Elas só acontecem quando há ausência de autoridade, que é o que está acontecendo hoje no Brasil com esse governo", disse o candidato tucano.

 

Impossível discordar de Alckmin. Ele, aliás, é especialista na matéria. Foi sob a ausência de autoridade do Estado que proliferou, nos 12 anos de gestões tucanas em São Paulo, o poder paralelo do PCC. Um poder que prevaleceu sobre as forças de segurança enquanto quis (clica).

Escrito por Josias de Souza às 15h38

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Lula diz que herdou um Brasil ‘desmontado’

 

 

Quando as caravelas do PT aportaram, em janeiro de 2003, no Lago Paranoá, na costa brasiliense, Lula avistou um Brasil por fazer. Foi o que insinuou o presidente neste sábado, em discurso que celebrou o início da construção de um gasoduto, no Espírito Santo.

 

"Quando eu tomei posse, (...) o Brasil já existia, as fábricas já existiam, o povo já existia, mas a impressão que eu tinha é que eu estava diante de um Brasil feito aqueles brinquedos ‘Lego’, desmontado”, disse Lula. “Era um quebra-cabeça para a gente consolidar".

 

Algum desavisado que passasse e ouvisse o presidente dizendo aquelas coisas poderia comentar com seus botões: “Quando Lula tomou posse, a fisiologia já existia, o caixa dois já existia, os 300 picaretas do Congresso já existiam, mas a impressão que se tinha era a de que o PT desmontaria o quebra-cabeça da desfaçatez. Qual nada! Consolidou-o”.

 

Na pele de Cabral pós-pós, Lula acha que seu governo avançou na armação –no bom sentido, claro—do Lego imaginário que vem manuseando há três anos e seis meses. "Hoje eu posso estar vivendo esse dia 10 de junho de 2006 com a alma mais branda, com a alma feliz, porque, finalmente, nós estamos numa situação sólida", afirmou (clica).

Escrito por Josias de Souza às 14h57

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Baderneiro diz que destino do MLST era o Planalto

Em depoimento à Polícia Legislativa, Arildo Joel da Silva, um dos militantes do MLST que tomaram parte do quebra-quebra na Câmara, disse que o destino original da turba era, na verdade, o Palácio do Planalto.

"[Os manifestantes] iriam até o Palácio do Planalto, onde iriam ‘botar pressão’, o que significa fazer ocupação", disse Arildo. E por que queriam ‘botar pressão’ no palácio onde despacha Lula? Para forçar o governo a reconhecer o movimento e liberar terras para assentamentos, disse.

 

Conforme relato da repórter Andréa Michael, Arildo disse ter sido "enganado pelos líderes do movimento, que inicialmente disseram que iriam ao Palácio do Planalto, mas conduziram todos para a Câmara".

 

A suposta mudança de rota não parece, porém, ter desanimado Arildo. Ele foi flagrado atirando uma pedra contra um segurança da Câmara. Bruno Maranhão, o petista que liderou a invasão à Câmara, desdisse o liderado.

 

Segundo Maranhão, o ponto de encontro do grupo era mesmo o salão verde da Câmara, que dá acesso ao plenário. Essa versão condiz mais com os fatos. Fita de vídeo apreendida pela Polícia Legislativa mostra uma reunião do MLST em que se faz menção explícita à Câmara como alvo dos distúrbios (leia).

Escrito por Josias de Souza às 09h37

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As manchetes deste sábado

- JB: Recuperado da febre, Ronaldo ironiza Lula

- Folha: Justiça adia para segunda a decisão sobre Varig

- Estadão: Juíza deixa presos 42 líderes de sem-terra

- Globo: PF investiga se verba pública foi usada para invadir Câmara

- Correio: Promessa de aumento evita greve da polícia

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Palpite infeliz!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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60% dos eleitores do tucano Aécio votam em Lula

  Lula Marques/Folha Imagem
O PSDB formaliza neste domingo, em convenção a ser realizada em Belo Horizonte, a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. A escolha de Minas Gerais como palco do evento não é casual. Trata-se de um esforço para tentar colar a imagem de Alckmin à de Aécio Neves no segundo maior colégio eleitoral do país.

Candidato à reeleição com 72% das intenções de voto, o governador mineiro tem em mãos uma pesquisa que anota dados desalentadores para o tucanato. O levantamento revela que 60% dos eleitores de Aécio votam para presidente da República não em Alckmin, mas no petista Lula. E 83% dos eleitores de Lula votam em Aécio. Daí o esforço para drenar ao menos parte do prestígio do governador mineiro para o presidenciável tucano.

 

Aécio prometeu à direção do PSDB levar à convenção algo entre 10 mil e 12 mil pessoas. A audiência não irá propriamente para prestigiar Alckmin. Junto com o encontro nacional, será realizada a convenção estadual, na qual o nome de Aécio será sacramentado como candidato do PSDB a um segundo mandato no Palácio da Liberdade. Providenciou-se para que a decoração do encontro associe a imagem dos dois candidatos.

 

O tucanato tenta dar à convenção deste domingo ares de “marco zero” da campanha de Alckmin. Espera-se que, com a exposição que terá nas inserções televisividas do PSDB ao longo de junho, o ex-governador de São Paulo consiga, finalmente, alçar vôo nas pesquisas de opinião.

 

O próprio Aécio disse, primeiro entre quatro paredes e depois em público, que, “para entrar no páreo” da sucessão presidencial, Alckmin precisa chegar ao dia 15 de agosto com algo em trono de 30% nas sondagens eleitorais. Hoje, o candidato encontra-se estacionado em patamares que variam entre 18% e 22%. Lula oscila entre 42% e 45%.

 

Preocupado com a atmosfera de letargia que domina a campanha de Alckmin, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, telefonou para as principais lideranças do partido, entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra, candidato ao governo de São Paulo. Rogou que não faltassem à convenção. Obteve o compromisso da presença. Assegurou-se a ambos espaço para discursar.

 

Aécio também discursará. Mas espera-se que o ápice da convenção seja o discurso de Alckmin. Envolvidos na elaboração do texto, auxiliares do candidato informaram ao blog que haverá ataques pontuais à gestão Lula. Mas o forte do pronunciamento será o seu “caráter propositivo”. O candidato dará especial ênfase às propostas econômicas e sociais.

 

Uma das principais críticas que tucanos e pefelistas fazem a Alckmin é a suposta incapacidade do candidato de entusiasmar o eleitorado. Falta-lhe, dizem todos, dizer a que veio. A expressão “marco zero”, usada internamente por líderes do PSDB, refere-se mais ao candidato do que ao seu entorno. Lideranças como FHC, Tasso e o anfitrião Aécio torcem para que Alckmin adote um timbre mais enfático, capaz de fixá-lo no imaginário do eleitor como uma alternativa a Lula.

 

Estarão também em Minas integrantes da cúpula do PFL. Confirmaram presença, entre outros, o presidente da legenda, José Bornhausen, o futuro candidato a vice na chapa de Alckmin, José Jorge (PE), e Antonio Carlos Magalhães (BA).  

 

Depois do susto provocado pelo vaivém do TSE, que endureceu as regras da verticalização partidária e depois voltou atrás, o PFL mantive de pé a promessa de se coligar nacionalmente com o PSDB. O acordo será sacramentado no dia 21 de junho, na convenção que aprovará formalmente a escolha de José Jorge para vice de Alckmin.

 

Além de oficializar o nome de Alckmin, o tucanato apreciará na convenção deste domingo as diretrizes do programa de governo do candidato. Aprovará também uma resolução delegando à comissão Executiva do partido poderes para aprovar a inclusão de outros partidos na aliança tucano-pefelista. Prevê-se a incorporação à caravana de Alckmin pelo menos do PPS. Negociam-se ainda os apoios do PDT e do PV.

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Ciro diz que ‘tinha tudo’ para disputar o Planalto

O ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) concedeu nesta sexta-feira uma entrevista à rádio Povo-CBN, de Fortaleza. Entregue à campanha por uma cadeira de deputado federal pelo PSB do Ceará, Ciro deu a entender que preferiria alçar vôo mais largo. E não estava falando da hipótese de ser vice de Lula.

 

“Tinha tudo para ser candidato a presidente. O povo não quer a volta do pessoal do Fernando Henrique Cardoso e o presidente Lula passa por dificuldades. Mas não sou oportunista e resolvi me candidatar sim a deputado federal, para ajudar na reeleição do presidente Lula”, disse ele, conforme relato da Agência Nordeste (para assinantes).

 

Ciro disse que ficará a maior parte do seu tempo em Fortaleza. Mas dará as caras em Brasília de vez em quando: “(...) Montei um escritório que divulgo agora. O meu telefone para contato que é 3268.4013. O quarenta do PSB e o 13 do PT. Mas estarei em alguns momentos em Brasília, para ajudar na campanha da reeleição do presidente Lula”.

Escrito por Josias de Souza às 19h28

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Justiça manda soltar parte dos baderneiros

A Justiça Federal de Brasília mandou soltar nesta sexta-feira 459 dos 501 baderneiros do MLST que foram à garra depois do quebra-quebra na Câmara. O pedido de libertação foi feito pelo Ministério Público.

 

Permanecem em cana 42 desordeiros. O grupo inclui os líderes da turba e aqueles que foram pilhados em gestos de depredação explícita do patrimônio público. Entre os que continuarão atrás das grades está o companheiro-desordeiro Bruno Maranhão, informa Andreza Matais.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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O gordo e o bêbado!

Em seu primeiro contato vídeo-fônico com o escrete, Lula pisou nas bolhas de Ronaldo. “Afinal de contas, ele está gordo ou não está gordo?”, perguntou Sua Excelência a Parreira. E o técnico: “Ele está muito forte, presidente. Ele mudou o biotipo dele, não é mais aquele garotinho de 94, fininho, ele está muito forte.”

 

Nesta sexta-feira, os repórteres cutucaram Ronaldo. Primeiro, o craque soprou. Disse não ter ficado chateado com a natureza da curiosidade de Lula. Depois, mordeu: "Todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo, como deve ser mentira que ele bebe pra caramba".

Para Ronaldo, a culpa é da imprensa. "Acho que o presidente talvez tenha sido mal influenciado justamente pela falta de responsabilidade (da imprensa) na hora de informar. Não estou chateado", disse ele. "Eu também tenho coisas pra perguntar pra ele, mas avisaram a gente que era terminantemente proibido perguntar coisas para o presidente."

Ao dirigir-se a Parreira, Lula deu a escalação do time que estava do seu lado do vídeo. “Eu estou aqui com o ministro do Esporte, com o Orlando, companheiro que substituiu o Agnelo. Estou aqui com a minha esposa Marisa, para não deixar eu falar nenhuma bobagem para vocês (...)”.

 

Como se vê, a culpa foi de Marisa. Escalada para livrar o marido de suas próprias bobagens, ela teve uma atuação apagada em campo. Permitiu que o marido, metido a atacante nas peladas da Granja do Torto, entrasse na canela de Ronaldo como um Tonhão de time de várzea. Tomou o troco.

 

Por sorte, todo o país bem sabe que tudo não passa mesmo de intriga de jornalista. Nem Ronaldo exagera nos sólidos nem Lula se esbalda nos líquidos. É pura fofoca. Restou ao signatário do blog uma única dúvida: o que será que o magro tanto deseja perguntar ao sóbrio?

 

PS.: Numa tentativa de desfazer o bololô que se formou no meio do campo político-futebolístico, Lula enviou uma carta a Ronaldo. No texto, reafirma o carinho pelo jogador. E diz que só fez a pergunta a Parreira para pôr um ponto final nas especulações sobre a forma física do jorgador. Então, tá.

 

Aproveitando-se da situação, o PFL divulgou em seu sítio na internet uma "notícia" cujo título extrapola às declarações do craque da camisa 9, descambando para o terreno da ilação: "Lula tem fama é de grande cachaceiro, diz jogador Ronaldo". 

Escrito por Josias de Souza às 14h06

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As manchetes desta sexta

- JB: Começa o grande jogo do planeta

- Folha: EUA mata número 1 da Al Qaeda no Iraque

- Estadão: TSE volta atrás e libera aliança eleitoral ampla

- Globo: Alianças eleitorais - Pressionado por políticos, TSE admite erro e recua

- Correio: União deu R$ 5 mi ao líder da baderna

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h52

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Mundo imundo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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Agenda do MLST indica que baderna custou R$ 83 mil

A investigação do quebra-quebra promovido pelo MLST na Câmara foi transferida para a Polícia Federal. Nesta quinta-feira, repassaram-se à PF documentos apreendidos pela Polícia Legislativa do Congresso. Entre eles uma agenda supostamente pertencente ao petista Bruno Maranhão, líder do movimento.

 

A agenda anota o custo da algazarra: R$ 83 mil. Foram gastos com pedágios, transporte, alimentação e hospedagem da turba, informa Andreza Matais. Uma outra anotação revela a provável origem da grana: "A União financia".

 

O documento traz também um recado de Maranhão para Raquel, apontada pela polícia como secretária do companheiro-baderneiro: "Fechar os números do PT e o orçamento de passagens para R$ 6.000", diz o manuscrito. "Dependo, inclusive, saber se foram depositados R$ 5.000 de março e os serviços de vale-refeição e transporte", afirma em outro trecho.

 

Levantamento feito pela ONG Contas Abertas indica que você, caro leitor, vem bancando o MLST. Dados recolhidos do Siafi, o sistema eletrônico que armazena informações sobre os gastos públicos, indicam que, entre 1999 e 2006 (governos FHC e Lula), a Viúva repassou a bagatela de R$ 5,7 milhões a uma cooperativa ligada ao movimento encrenqueiro. A entidade beneficiária dos repasses é presidida por Bruno Maranhão, sempre ele.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Amigo de Lula, Requião fecha com Alckmin no PR

Rose Brasil/ABr
 

 

Em reunião reservada realizada na última quarta-feira, em Brasília, o PMDB de Roberto Requião, candidato favorito à reeleição para o governo do Paraná, estabeleceu um acordo com o candidato tucano Geraldo Alckmin. Requião seduziu o tucanato oferecendo a vaga de vice e a candidatura ao Senado na sua chapa.

 

O político mais cotado para ocupar a vice de Requião é o deputado estadual tucano Hermas Brandão (PSDB), presidente da Assembléia Legislativa do Paraná. O candidato ao Senado será o também tucano Álvaro Dias. Desafeto de Requião –os dois não se falam há quatro anos—, o senador Álvaro Dias tenta renovar o seu mandato em 2006.

 

O movimento de Requião rumo à chapa de Alckmin é o mais duro revés sofrido por Lula no esforço que empreende para celebrar nos Estados alianças do PT com o PMDB. O presidente dava como provável um acerto com Requião, de quem se diz amigo fraternal. Mas a decisão do governador paranaense parece irreversível. Já foi comunicada inclusive ao presidente do PMDB, Michel Temer.

 

Para acertar os detalhes da junção do PMDB paranaense com o PSDB, Requião enviou a Brasília o chefe do Gabinete Civil do seu governo, Rafael Iatauro. Fez-se acompanhar de uma comitiva de tucanos paranaenses. Reuniram-se com Alckmin e com os senadores Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB; e Sérgio Guerra PE), coordenador da campanha tucana.

 

Falando em nome de Requião, Iatauro formalizou a oferta da vice e da vaga ao Senado. Tasso chamou para a reunião o senador Álvaro Dias. E Iatauro repetiu diante do senador tucano que, a despeito das diferenças que ele tem com Requião, o PMDB deixará de lançar candidato ao Senado para apoiá-lo. Álvaro afirmou que não contempla a hipótese de fazer campanha ao lado de Requião, mas não se opôs ao acordo.

 

Ouvido pelo blog, Álvaro Dias reproduziu a posição que sustentou no encontro: “O que eu disse é que, embora eu não concorde com a tese, não me aponho a ela. Até porque não tenho participado da direção do partido no Paraná”. De fato, quem manda no diretório paranaense do PSDB, que dará a palavra final sobre a coligação, é a bancada estadual do partido, coordenada por Hermas Brandão, o provável vice de Requião.

 

Há dois anos, PSDB e PFL haviam se comprometido a apoiar para o governo do Paraná a candidatura do senador Osmar Dias (PDT), irmão de Álvaro. Mas Osmar não parece disposto a disputar com Requião. Ficou de dar a palavra final no próximo dia 19. Tudo indica que dirá “não”, abrindo espaço para a celebração do acordo tucano-peemedebista no Paraná. Negocia-se também a inclusão no acordo também do PFL, uma legenda apinhada de desafetos de Requião no Paraná.

 

As relações de Requião com o tucanato de seu Estado são acerbas. O governador preferiria um acerto com o PT. Mas age movido pelo pragmatismo. Pesquisa encomendada pelo próprio PSDB indica que ele dispõe de 43% das intenções de voto. Unindo-se ao tucanato local, pode vencer a eleição no primeiro turno. Por ora, há apenas mais dois candidatos no páreo: Rubens Bueno, do PPS (cerca de 12% nas pesquisas) e Flávio Arns, do PT (4%).

 

Lula estabelecera como prioridade para o PT obter coligações com Requião e com Luiz Henrique, governador licenciado de Santa Catarina, que também disputa a reeleição pelo PMDB. Requião preferiu Alckmin. Luiz Henrique, conforme já noticiado aqui, também.

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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TSE restabelece o vale-tudo das coligações

Sérgio Lima/Folha Imagem

Durou pouco a valentia do TSE. Escassas 48 horas depois de ter endurecido os critérios da verticalização partidária, o tribunal eleitoral restabeleceu o vale-tudo nas eleições de 2006. Partidos que não lançarem candidato à presidência nem apoiarem presidenciáveis de outras legendas continuam autorizados a se aliar nos Estados às agremiações que bem entenderem (leia aqui sobre os meandros da polêmica).

 

Os melhores erros são os mais curtos. Não há dúvida a esse respeito. Mas o vaivém relâmpago do TSE deixou boiando no ar espesso de Brasília uma dúvida nefasta: a de que os juízes da corte eleitoral deixaram-se seduzir pela pressão política.

 

Mentor do endurecimento, o ministro Marco Aurélio de Melo (na foto) foi também o arquiteto do recuo. Entre uma decisão e outra, o presidente do TSE conversou com uma dezena de congressistas. E, na noite desta quinta-feira, desdisse tudo o que dissera há dois dias. "Não posso me substituir ao Congresso Nacional e insistir na verticalização pura", alegou.

 

Se não pode agora, já não podia 48 horas atrás. Ou houve imperícia na origem ou a pressão dos políticos surtiu efeito. O ministro jura que não se rendeu à choradeira dos partidos. Dando-lhe crédito, resta a primeira alternativa. E a constatação desalentadora de que a barbeiragem foi coletiva. O endurecimento da verticalização prevaleceu no plenário do TSE por seis votos contra um. O recuo obteve endosso unânime dos sete juízes.

 

Em meio ao vexame, ouviram-se fogos. O Congresso festejou o restabelecimento da orgia das coligações como se o Brasil houvesse vencido a Copa do Mundo. Só o Planalto fez muxoxo. Lula viu, em poucas horas, nascer e morrer uma articulação que jogaria no seu colo quatro partidos que, com as velhas regras, devem dar-lhe de novo as costas.

Escrito por Josias de Souza às 22h57

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Em diálogo com Lula, Zagalo vira cabo eleitoral

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Deu-se na tarde desta quinta-feira aquilo que muitos já esperavam. Lula enganchou a Copa do Mundo com a política. O presidente manteve uma conversa virtual, em videoconferência, com Parreira, Zagalo e as estrelas do escrete.

 

Em dado momento, Zagalo, travestido de cabo eleitoral, pespegou: "Vamos estrear no dia 13. É o 13 do PT, presidente, rumo à vitória". O Brasil, como se sabe, estréia na Copa em partida contra a Croácia, no próximo dia 13, que vem a ser, além do número da sorte de Zagalo, o algarismo que identifica o PT nas eleições.

 

Era só o que faltava. O torcedor já não pode nem mesmo torcer em paz. Essa bola, aliás, já havia sido levantada aqui. Quer saber dos detalhes da conversa? Então clica. Deseja ler a íntegra da videoconferência? Boa leitura.

Escrito por Josias de Souza às 18h48

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Mensaleiros voltam a cogitar a aliança com Lula

Ao endurecer as regras da verticalização partidária, o TSE fez com que três legendas do mensalão –PP, PL e PTB—voltassem a considerar a hipótese de se coligar formalmente à candidatura de Lula. Deflagrada há 24 horas, a articulação está condicionada às decisões que serão tomadas pelo TSE, que volta a se reunir na noite desta quinta-feira.

 

A iniciativa partiu do PP. Reunidos na noite passada na casa do presidente do partido, deputado Nélio Dias (RN), a cúpula do PP concluiu que uma das alternativas de sobrevivência eleitoral para os pequenos partidos seria a aliança de um grande bloco partidário em torno de Lula, franco favorito na eleição presidencial.

 

O “blocão”, como passou a ser chamada a junção partidária, reuniria PP, PL, PTB, PT, PC do B e PSB. Avaliou-se que a união ofereceria aos partidos um número maior de alternativas de composições nos Estados. A outra alternativa, considerada menos vantajosa, seria a junção apenas de PP, PL, PTB e PSB –sem o PT de Lula e o PC do B, que já se definiu pela coligação com o presidente.

 

Coube a Nélio Dias e ao deputado Ciro Nogueira (PP-PI), segundo vice-presidente da Câmara, procurar lideranças de outros partidos. Ele conversou logo cedo com o presidente do PSB, Eduardo Campos (PE), que se mostrou simpático à idéia do “blocão” de apoio a Lula. Ao longo do dia foram contatados também líderes do PL e do PTB. Ninguém rejeitou a idéia.

 

Toda a articulação está condicionada, porém, à decisão final do TSE. O presidente do tribunal, Marco Aurélio de Melo, sinalizou, em encontros e em telefonemas com congressistas do PFL e do PMDB, que o endurecimento da verticalização poderia ser abrandado ou até revisto. A palavra final será do plenário do TSE, que se reúne a partir das 19h.

 

Se o tribunal optar por restabelecer as regras que vigoraram na eleição de 2002 –partidos sem candidato à presidência podem promover nos Estados as alianças que bem entenderem—, as legendas do mensalão manterão a tendência atual de não se vincular nacionalmente nem a Lula nem ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Se as novas regras forem apenas amainadas, os líderes das pequenas legendas pretendem retomar o diálogo para avaliar de novo a conjuntura.

 

Informado sobre a movimentação dos partidos que integram o consórcio governista no Congresso, Lula afirmou há pouco, em conversa que manteve com um de seus ministros, que o melhor que poderia lhe acontecer no momento seria o TSE manter o endurecimento da verticalização. Ele acredita que a providência adensaria a sua chapa, que, por ora, conta apenas com o PT e o PC do B. E, de quebra, poderia empurrar o PFL para fora da chapa de Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 17h16

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CPI do Apocalipse acaba em céu para o governo

  Roosewelt Pinheiro/ABr
O apocalipse insinuado no auge da CPI dos Bingos vai se convertendo em céu para o governo. O relator da comissão, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), apresentou nesta quinta-feira o seu relatório final. Sugeriu o indiciamento de 79 pessoas.

 

Alvo permanente da comissão, Lula não consta da lista. O presidente é mencionado no relatório em três pontos. Em nenhum deles há juízo de valor que possa incriminá-lo, informa Felipe Recondo. A exclusão de Lula, antecipada aqui em 26 de abril, não foi a única boa notícia para o governo.

 

Garibaldi retirou da lista também o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, e o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Em pronunciamento marcado pelo timbre do desabafo, o relator refutou, com a voz embargada, a acusação de que aliviara o seu relatório por pressão.

 

O relator da CPI disse ter retirado Carvalho e Dirceu da lista porque não enxergou nas apurações da CPI fatos que justificassem a incriminação dos dois. Agiu, segundo disse, por “convicção”, não por “pressão”.

 

O único personagem diretamente ligado a Lula cujo indiciamento foi sugerido é Paulo Okamotto, presidente do Sebrae. Ainda assim, a sugestão, a ser encaminhada ao Ministério Público, não se deve ao fato de Okamotto ter liquidado dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT.

 

Okamotto foi à lista em função de um relatório do Coaf, o órgão de monitoramento de movimentações financeiras do Ministério da Fazenda. O relatório da CPI recomenda que sejam aprofundadas as investigações acerca de movimentações bancárias atípicas que o Coaf atribuiu a uma empresa de Okamotto.

 

Quanto ao pagamento da dívida de Lula, a comissão viu-se impedida de avançar em função de liminares expedidas pelo STF impedindo a quebra do sigilo bancário de Okamotto.

Outro personagem de realce incluído no rol de indiciamentos é o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda). O relator considerou que Palocci tem responsabilidade pelo esquema de desvio de verbas públicas montado na prefeitura petista de Ribeirão Preto.

 

O texto de Garibaldi não foi a voto. Membros da CPI pediram vista do relatório. E a votação foi adiada para o próximo dia 20. Em ação coordenada com a bancada governista, o senador Magno Malta (PL-ES) anunciou a intenção de sugerir a exclusão de todos os fatos que não digam respeito ao funcionamento das casas de bingo, objeto da CPI.

 

E o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) vai sugerir o endurecimento do relatório. Quer que sejam incluídos na lista de indiciamentos o ex-ministro Dirceu e Gilberto Carvalho, o chefe de Gabinete de Lula. A oposição, antes majoritária na CPI, agora está em minoria. É mais fácil a comissão terminar sem relatório do que o texto de Garibaldi sofrer um endurecimento.

Escrito por Josias de Souza às 16h07

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Superintendente do Incra condena prisão do MLST

Num governo aparelhado como o do PT, todo órgão público é difícil de ser governado. Só o Incra é impossível. Vem de Pernambuco a mais recente evidência da ingovernabilidade da repartição agrária.

 

Maria Oliveira, superintendente do Incra em Pernambuco, atribuiu ao Congresso, não ao MLST, a responsabilidade pela baderna que espantou a nação. Ela disse que a segurança do Legislativo não soube lidar com os integrantes do “movimento social".

 

"O quadro social é grave e ultimamente o poder de Estado tem se comportado de uma forma muito difícil. Vejo pouca habilidade do Congresso ao não ter um grupo de negociação. Poderiam ter chamado a Ouvidoria Agrária Nacional em Brasília. São incompetentes nisso", disse a chefona do Incra de Pernambuco ao repórter André Duarte, do Diário de Pernambuco (para assinantes).

 

Na opinião de Lula, teoricamente chefe do governo, o deputado Aldo Rebelo agiu com acerto ao mandar prender os baderneiros do MLST. Para Maria de Oliveira, aparentemente insubordinada, a detenção foi um “ato de agressão”. E a transferência dos presos para o presídio da Papuda evoca os tempos da “repressão” militar.

 

"(...) Não concordo com o que aconteceu, mas eu tenho certeza que Bruno Maranhão (o petista que comandou o ataque à Câmara) não faria isso se ele não tivesse perdido o controle. O que não pode é mandar sem-terra para a Papuda", disse Maria de Oliveira.

 

Para Lula, a ação do MLST na Câmara foi injustificável. Para Maria de Oliveira, nem tanto. "O Congresso deixou de fazer a votação da lei orçamentária, contribuindo para o esfacelamento social do país, inclusive na reforma agrária”, disse ela. “Enquanto isso, somos obrigados a ver uma pesada bancada ruralista. Hoje o Incra está sem dinheiro e em greve".

 

Filho de uma tradicional família de usineiros pernambucanos, Bruno Maranhão é freqüentador assíduo do gabinete de Maria de Oliveira. Não é difícil entender as razões que o levaram a imaginar que a bandalheira ficaria impune. 

Escrito por Josias de Souza às 14h20

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As manchetes desta quinta

 

- JB: Ataque ao Congresso foi ação premeditada

 

- Folha: Vídeo mostra que invasão da Câmara foi premeditada

 

- Estadão: Sem-terra premeditaram o vandalismo na Câmara

 

- Globo: TSE muda regra de alianças e embola eleições

 

- Correio: Bandernaço premeditado

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h36

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MLST, Movimento de Libertação dos Sem-Tino!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h30

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Para PSDB, Lula gasta R$ 5 mi por dia em propaganda

Levantamento realizado por especialistas ligados ao PSDB estima que o governo Lula gastou uma média de R$ 5 milhões por dia em publicidade nos primeiros quatro meses do ano de 2006. A suspeita baseia-se em dados recolhidos no mercado publicitário. Incluem desembolsos da administração direta e das estatais.

Foi inspirado nesse levantamento que o PSDB e o PFL protocolaram no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma ação para que o governo informe, em caráter oficial, o montante dos seus desembolsos com publicidade. E o candidato tucano Geraldo Alckmin vem incluindo em seus ataques a Lula a suposta farra publicitária do governo.

 

Uma das medições utilizadas pelos técnicos a serviço do tucanato foi o Ibope Monitor. Trata-se de um estudo realizado mensalmente pelo Ibope. É vendido para agências de publicidade e empresas interessadas em acompanhar os movimentos do mercado publicitário.

 

O levantamento indica que, entre janeiro e abril, o governo federal gastou cerca de R$ 350 milhões em publicidade veiculada em âmbito nacional. O que equivale a um gasto diário de R$ 2,9 milhões. A essa cifra acrescentou-se uma estimativa dos gastos com a propaganda de alcance regional, que não é plenamente captada pelo Ibope Monitor.

 

De acordo com a aferição do PSDB, o governo teria feito uma rodada de propaganda regional no início do ano, abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país. Depois, teria realizado uma nova rodada, dessa vez em Estados da região Nordeste, onde Lula exibe o seu mais vistoso potencial eleitoral, com índices de intenção de voto em torno de 70%.

 

Parte dos gastos em mídia regional foi usada para propagandear feitos do governo por meio de outdoors. Só em São Paulo, há cerca de 15 mil placas do gênero. Para que uma campanha seja considerada bem-sucedida, é necessário cobrir pelo menos 150 outdoors. Por uma exibição de 15 dias, cada placa custa entre R$ 1.200 e R$ 1.500.

 

Ou seja, uma campanha de quinzenal nos outdoors da praça de São Paulo sairia por, pelo menos R$ 180 mil. E a mensal, R$ 360 mil. Para chegar à média diária de R$ 5 milhões, fez-se uma projeção nos gastos com outdoors e outros tipos de mídia nos demais Estados.

 

A suspeita do PSDB, compartilhada pelo PFL, é a de que a propaganda oficial esteja ajudando a tonificar os índices de intenção de voto em Lula. A requisição feita ao TSE visa caracterizar os gastos oficiais em publicidade como propaganda eleitoral disfarçada.

 

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República faz segredo dos “investimentos” em propaganda da administração direta e das estatais. Ouvido pelo blog, um assessor de Lula disse que as alegações do tucanato não passam de desespero do adversário, que tenta justificar, por meio de acusações descabidas, o desempenho pífio de Geraldo Alckmin nas pesquisas de opinião.

 

Faz sentido. Mas o contribuinte brasileiro ganharia se o governo abrisse o seu borderô de gastos com publicidade. Tenham ou não um caráter eleitoral, são feitos com dinheiro público. E o pagador de tributos tem o direito de saber como o seu dinheiro está sendo aplicado.

Escrito por Josias de Souza às 00h29

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Renan ouve líderes e se rende à nova CPI

Meia a contragosto, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) anuncia nesta quinta-feira a abertura de mais uma CPI. Destina-se a investigar os congressistas que trocaram emendas orçamentárias por propinas. Em princípio, funcionará por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Renan teve de render-se à vontade dos líderes partidários.

 

De cócoras, a atual legislatura precisaria adquirir meio quilo de dignidade para que se acreditasse na sua capacidade de levar adiante mais esta auto-investigação. Comece-se por observar a escolha do presidente e do relator da comissão. Pela estatura dos nomes será possível dimensionar o tamanho da disposição para arrostar, à beira das eleições, mais essa encrenca (leia).

Escrito por Josias de Souza às 22h43

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STF submete bancos ao código do consumidor

Assaltos de bancos, como se sabe, há de dois tipos: de fora para dentro e de dentro para fora. O primeiro tipo, que atinge o guichê, a polícia consegue, de raro em raro, coibir. O segundo, que afeta a clientela, sempre ficou impune.

 

Nesta quarta-feira, o STF tomou uma decisão alvissareira. As relações dos correntistas com os bancos também estão sujeitas às regras do Código de Defesa do Consumidor. A banca recorrera ao Supremo para tentar fugir dos rigores do código. Deu-se mal (clica).

Escrito por Josias de Souza às 22h14

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Decisão do TSE empurra lulista Renan para Alckmin

  Folha Imagem
Nenhum outro político simboliza melhor a hecatombe que se abateu sobre o Congresso depois que o TSE decidiu, na noite passada, endurecer as regras da verticalização partidária do que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A reviravolta pode impor a Renan, um fervoroso defensor dos interesses de Lula dentro do PMDB, um entendimento compulsório com Geraldo Alckmin.

 

O lulista Renan associou-se em Alagoas à candidatura do tucano Teotônio Villela Filho. A prevalecer a nova ordem do TSE, a junção só será possível se o PMDB de Renan coligar-se nacionalmente com o PSDB de Teotônio. Isso porque o tribunal pôs fim à festa que permitia aos partidos sem candidato à presidência, como o PMDB, fazer nos Estados as coligações que bem entendessem.

 

O mesmo fenômeno atormenta outro lugar-tenente de Lula dentro do PMDB: o senador José Sarney. Na disputa pelo governo do Maranhão, Sarney defende a candiatura de sua filha, Roseana Sarney, que é do PFL. Ele tramava a adesão do PMDB maranhense à chapa da filha. Agora, o acerto só será possível se o PMDB se coligar nacionalmente com Alckmin, a quem o PFL de Roseana está associado.

 

Ao decidir que partidos solteiros na eleição presidencial não podem mais se amasiar livremente nas eleições regionais, o TSE implodiu inúmeros palanques nos Estados, eis o resumo da encrenca. Há uma atmosfera de luto e perplexidade no Congresso. Vários partidos planejam protocolar no Tribunal Eleitoral pedidos de explicação. Acham que as novas determinações precisam ser mais esmiuçadas.

 

Ninguém se entende em meio à algaravia. Quem não tinha candidato à presidência, como o PMDB, passou a cogitar a hipótese de ter. Quem se alinhou à candidatura presidencial de outra legenda, como o PFL, começou a considerar a alternativa de se desalinhar. Em suma, o jogo foi como que zerado.

 

A julgar pelo caráter suprapartidário da contrariedade, a confusão gerada pelo TSE não serve, em princípio, aos interesses de nenhum partido. Há prejuízos para as duas candidaturas presidenciais mais bem-postas nas pesquisas, a de Lula e a de Geraldo Alckmin.

 

Foi cancelado o jantar que Lula teria nesta quarta-feira com a ala governista do PMDB. Sem rumo, os peemedebistas não teriam o que dizer ao presidente, que pretendia costurar alianças do PT com o PMDB nos Estados. Em reunião de sua Executiva nacional, o PMDB decidiu ouvir os governadores do partido na próxima segunda-feira.

 

Ainda às voltas com a candidatura presidencial de Pedro Simon (RS), o PMDB deve concorrer aos governos de pelo menos 18 Estados. Em cerca de 11 deles, os candidatos do partido costuram entendimentos com o PSDB ou com o PFL. Ou seja, com as mudanças impostas pelo TSE, o partido estaria mais bem servido, pela lógica, se formalizasse uma aliança com Alckmin. Mas como política e lógica nem sempre caminham juntas...

 

No PFL, a tendência é de manutenção da aliança nacional com o PSDB de Alckmin. Mas o preço a ser cobrado vai aumentar. Nos próximos dias, a pefelândia vai encostar a faca na garganta do tucanato. O partido quer definições rápidas e claras em relação à reprodução da aliança em vários Estados onde o acerto permanece em aberto.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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PT afasta Bruno Maranhão de sua Executiva

  Ag. Câmara
A direção do PT afastou nesta quarta-feira da Executiva Nacional do partido o petista Bruno Maranhão, que liderou a invasão do MLST à Câmara dos Deputados. Ele ocupava na Executiva a função de secretário Nacional de Movimentos Populares.

 

Bruno Maranhão encontra-se preso desde ontem. Prestou depoimento à polícia durante a noite, num ginásio de esportes de Brasília. Nesta quarta, foi transferido para a penitenciária da Papuda.

 

Em nota, o PT informa que, depois que for solto, Maranhão “terá a oportunidade de prestar contas de sua atuação perante as instâncias partidárias”. Por ora, embora afastado da Executiva, ele continua integrando os quadros do PT. Não foi expulso.

 

Em entrevistas que concedera logo depois da arruaça promovida pelo MLST na Câmara, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), dissera que era preciso aguardar as apurações antes de decidir o que fazer com Bruno Maranhão. A situação do dirigente petista se complicou, porém, depois da apreensão de uma fita de vídeo que não deixa dúvidas quanto à premeditação da arruaça.


A fita tem uma hora e 20 minutos de duração. Foi recolhida pela polícia em poder de um cinegrafista amador que acompanhava a turba do MLST. Registra uma reunião em que a invasão às dependências da Câmara foi meticulosamente planejada.

 

A reunião foi realizada no auditório da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). As imagens mostram Antonio Arruti Baqueiro, companheiro de Bruno Maranhão e também líder da baderna, repassando orientações a cerca de 60 membros do MLST.

 

A fala de Arruti Baqueiro está impregnada de alusões eleitorais. "Nós somos uma turma organizada, que sabe o que quer, tem coragem e vai lá dar o recado", diz ele na na gravação. "Vamos dizer para o Brasil que tipo de reforma agrária a gente quer. Vamos dizer o que esta corja do PFL e PSDB está fazendo com o Congresso quando deixou de votar o Orçamento e só foi aprovado em maio."

O líder do MLST insinua que a estratégia da oposição teria o objetivo de desestabilizar o governo. Sem resultados: "E o Lula continua aí, tranqüilo, com 63%... O Lula vai que nem cavalo de sete de setembro, cagando e andando e os outros olhando."

Durante o encontro, a invasão é tratada como "a festa". E o Salão Verde da Câmara, que dá acesso ao plenário, como "salão de festas". Há ainda na fita imagens de visitas que representantes do MLST fizeram à Câmara na última segunda-feira. Disfarçados de turistas, eles perscrutaram o ambiente, como a identificar os pontos mais vulneráveis.

Escrito por Josias de Souza às 15h15

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Lula condena baderna e cala sobre baderneiro-mor

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Lula estava ausente de Brasília no instante em que Bruno Maranhão, membro da Executiva Nacional do PT, comandava a arruaça na Câmara dos Deputados. Nesta quarta-feira, já de volta ao Planalto, o presidente condenou o quebra-quebra do MLST.

 

“O que vimos ontem não foi cena de democracia e sim de vandalismo”, disse ele, durante cerimônia pública. “Quem pratica vandalismo responderá por seus atos”. Não se ouviu do presidente nenhuma referência ao companheiro-baderneiro Bruno Maranhão.

 

Mais cedo, em encontro com líderes do consórcio governistas no Congresso, Lula aprovou a conduta do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que mandou prender os baderneiros. De novo, não pronunciou nenhuma palavra sobre o companheiro-arruaceiro Bruno Maranhão.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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O preço do vandalismo

Um cálculo preliminar feito pela direção da Câmara estima em pelo menos R$ 150 mil o prejuízo causado pela tsunami de vandalismo que engolfou ontem o Legislativo. O número de feridos é de cerca de 60 pessoas. Detidos em flagrante, interrogados e retidos num ginásio esportivo de Brasília, 496 vândalos do MLST foram transferidos nesta quarta-feira para o presídio da Papuda.

Escrito por Josias de Souza às 12h59

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As manchetes desta quarta

 

- JB: Líder do PT comanda invasão do Congresso

 

- Folha: Sem-terra invadem e depredam Câmara

 

- Estadão: Sem-terra invadem Câmara, depredam e deixam 24 feridos

 

- Globo: Vandalismo no Congresso

 

- Correio: Afronta

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Mercado das pulgas!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h24

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TSE endurece a regra da verticalização

O TSE tomou uma decisão na noite desta terça-feira que vai virar a cabeça dos partidos, sobretudo do PMDB. A mudança foi noticiada assim pela Folha (para assinates):

“O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tornou mais dura a regra da verticalização das coligações partidárias e restringiu as possibilidades de aliança, principalmente para o partido que decidir não participar da disputa presidencial.


Os ministros responderam ontem à noite a uma consulta do PL sobre a aplicação dessa regra neste ano. A decisão tem caráter administrativo, não judicial, mas servirá de referência para o registro de candidaturas.


O principal atingido pela decisão é o PMDB, que até agora tendia a ficar fora da disputa presidencial. Dessa forma, ele teria plena liberdade para formar diferentes alianças nos Estados, conforme as conveniências locais.
A nova orientação do TSE proíbe o partido que estiver fora da campanha presidencial de se aliar, nos Estados, com siglas que apóiam candidatos. Ele só poderá se coligar com partidos que também estiverem excluídos da disputa nacional.


A decisão deverá estimular o PMDB a aderir formalmente à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva ou à de Geraldo Alckmin ou ainda a lançar candidato próprio a presidente.

Inovação

 

Outra novidade adotada ontem pelo tribunal, também no sentido de tornar a regra da verticalização mais dura, é que, se quatro partidos se coligarem na disputa presidencial, terão de repetir essa aliança em cada Estado ou cada partido terá de disputar a eleição estadual isoladamente.

A verticalização foi instituída pelo TSE em 2002. Ela exige que as alianças nacionais sejam reproduzidas nos Estados. Há quatro anos, entretanto, a aplicação da regra foi mais flexível.
Naquele momento, o PFL, não disputou a eleição presidencial e teve liberdade de fazer coligações diversas nos Estados.

Da mesma forma, quatro partidos que se uniram em torno de um candidato a presidente puderam se dividir em duas coligações em um determinado Estado.

O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, foi o principal defensor da mudança de orientação. 'Ou a verticalização existe ou não existe, ela não pode ser algo de fachada', disse após a decisão. O partido 'não se coligou lá em cima, mas não pode se coligar com quem já está coligado lá em cima. Não pode se coligar com partido coligado para a eleição presidencial', declarou Marco Aurélio."

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Alckmin, candidato para quê? Para nada

Artigo de Elio Gaspari (na Folha, para assinantes)

"O grão-tucano Geraldo Alckmin acredita que seu desempenho como candidato a presidente mudará de qualidade a partir de 15 de agosto, quando começa o horário gratuito na televisão. Pode ser, mas isso não muda o fato de que até agora, com três meses de exposição, Alckmin encarna um desastre partidário, administrativo e individual.

O desastre partidário antecede ao aparecimento de sua candidatura. Ele ocorreu em julho do ano passado, quando o grão-tucanato acreditou que poderia denunciar as malfeitorias petistas sem prestar contas da relação de seu presidente, Eduardo Azeredo, com as arcas de Marcos Valério. Deram ao PT o direito de dizer que