Deixem o futebol fora disso
No Planalto
Os brasileiros estão condenados, desde 1994, a uma nefasta simultaneidade. O calendário político se entrecruzou com a folhinha futebolística. As eleições presidenciais passaram a ocorrer no mesmo ano da Copa do Mundo. E o país viu-se compelido a conviver com a indesejável mistura da bola com campanhas políticas.
Na manhã da última quinta-feira, ao ser informado de que o IBGE anunciaria um dado favorável ao seu governo –o crescimento de 1,4% do PIB no primeiro trimestre de 2006—, Lula disse ao portador da novidade: “Agora só falta a gente ganhar a Copa”.
A observação está eivada de segundas intenções. Dela se depreende que o candidato Lula não hesitará em aproveitar-se do eventual triunfo do escrete. Não titubeará em enrolar-se à bandeira nacional, para tentar associar o êxito nos gramados ao desempenho de um governo que ele julga bem-sucedido.
Em São Paulo, distribuíram-se tabelas dos jogos e a inscrição "Copa 2006 - Lula é show de bola". O ainda: "E o Brasil não pode andar pra trás. O povo sabe: Lula de novo é continuar construindo o futuro".
O expediente não chega a ser original. Em 1994, foi ensaiado contra Lula. Formuladores do Plano Real, principal cabo eleitoral de FHC, também vislumbraram nos movimentos da bola uma oportunidade para enganchar o patriotismo da torcida aos destinos da nova moeda, lançada no mês da Copa.
Parece improvável que os gols de Romário e de Bebeto tenham influído no triunfo do real e da candidatura de FHC. Se a seleção houvesse perdido aquela Copa, o plano econômico teria sucumbido? A resposta óbvia é “não”. Difícil aceitar a tese de que Roberto Baggio tenha mandado pelos ares o pênalti que deu o tetra-campeonato ao Brasil movido por um desconhecido sentimento tucano.
O absurdo não impede, porém, que, a cada quatro anos, surjam políticos interessados em vestir-se de verde e amarelo. A tática evoca um dos piores momentos da ditadura. Em 1970, ano em que a arte do time de Pelé contrastava com a rudeza do governo de Médici, muitos brasileiros viram-se tentados a torcer contra a seleção. Só para azedar os ímpetos patrióticos do general.
Não havia eleições naquela época. Estava em jogo algo bem pior: a perpetuação de um regime iníquo. Nestes tempos de normalidade democrática, o melhor que os candidatos têm a fazer é deixar o torcedor em paz. Lula manifestou o desejo de voar para a Alemanha caso a seleção chegue às finais. Foi desaconselhado por Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Que Sua Excelência aceite o conselho. O futebol é coisa séria demais para ser misturada à encrenca eleitoral.
Escrito por Josias de Souza às 19h39

- JB: Cesar Maia gasta sem fiscalização
- Folha: Lobby vence e CPI proporá legalização dos bingos
- Estadão: Polícia apura pagamento a advogado amigo de Dirceu
- Globo: Polícia proíbe entrada de carros em favela do Rio
- Correio: Devassa no concurso da Câmara legislativa
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h41
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h40
O PSDB começa a desfrutar na próxima quarta-feira da propaganda partidária a que tem direito neste mês de junho. Serão 45 minutos de inserções em rede nacional de rádio e TV. Há três dias, Lula desafiou a oposição a exibir cenas de CPI na televisão. O tucanato decidiu fazer diferente.
Em vez de atacar o adversário, preferiu usar o tempo de que dispõe em junho para “lapidar a imagem” de Geraldo Alckmin, o seu presidenciável. As cenas de CPI ficam para agosto, quando começa a oficialmente a fase de propaganda eleitoral.
A cúpula do PSDB espera que Alckmin, estacionado nas pesquisas de opinião num patamar que oscila entre 18% e 20%, suba de cinco a dez pontos percentuais na preferência dos eleitores depois da série de comerciais. Para jogar o rosto de seu candidato na casa dos 123 milhões de eleitores, o partido terá de fazer uma mágica.
Pela lei, os comerciais de junho só podem ser usados para difundir o ideário do partido. Em circular expedida no início do ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avisou que tiraria do ar peças que tivessem um cunho de promoção pessoal ou que fizessem campanha eleitoral antecipada.
No mês passado, o PT fez a apologia de Lula na TV. O PSDB obteve na Justiça Eleitoral uma liminar que tirou a propaganda do ar, obrigando a legenda adversária a refazer parte de seus comerciais. O petismo está decidido a dar o troco. Aguarda apenas a exibição dos anúncios tucanos para protocolar recurso no TSE.
Para dificultar a estratégia inimiga, a equipe que cuida das peças promocionais do PSDB evita antecipar o teor da publicidade. Não há dúvida de que Alckmin será a estrela. Busca-se, porém, uma forma de associá-lo à imagem do partido, de modo a evitar a censura da Justiça Eleitoral.
Lula não será o único personagem ausente da publicidade do PSDB. O tucanato se esquivará também de fazer menções ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O PT aposta na comparação entre a gestão de Lula e de FHC para minar o prestígio de Alckmin durante a eleição. Para não entrar no jogo do adversário, o PSDB decidiu focar a sua propagando no futuro, não no passado.
O PSDB tem direito a um tempo de 60 minutos no rádio e na TV e no rádio. As inserções estão distribuídas assim: um programa de 20 minutos, a ser exibido no horário nobre da noite do dia 22, e mais 40 minutos distribuídos em oito dias (cinco minutos por dia, fatiados em cinco peças de um minuto ou dez de 30 segundos).
O partido já utilizou abril três dos oito dias de propaganda de cinco minutos. Restam cinco datas. Esses comerciais restantes serão exibidos nos próximos dias 8, 13, 20, 27 e 29 de junho. Um detalhe preocupa a coordenação de campanha. Em pelo menos dois dias –13 e 22—Alckmin irá ao vídeo em datas que coincidem com jogos do Brasil na Copa. No primeiro, a seleção estréia contra a Croácia. No outro, enfrenta a Austrália.
A despeito da apreensão, os responsáveis pelo marketing partidário avaliam que, longe de prejudicar, a coincidência pode ajudar Alckmin. Analisando a audiência televisiva em Copas passadas, verificou-se que ela cresce em dias de jogos do Brasil. O telespectador permaneceria grudado à TV, para ver no noticiário sobre as partidas.
Escrito por Josias de Souza às 02h04
Folha Imagem
Fernando Henrique Cardoso respondeu nesta sexta-feira ao desafio feito por Lula para que a oposição exiba “toda hora” na propaganda televisiva as cenas das CPIs do Congresso. "Isto me parece uma atitude perigosa para alguém que é presidente da República” disse FHC. “Não acho que seja um bom exemplo mostrar a corrupção gerada por setores importantes de seu partido e de seu Governo".
Em viagem a Manaus, Lula afirmou ontem: "Quero que eles (a oposição) coloquem a CPI na televisão o dia todo, a toda hora. Quero que eles coloquem as torturas que fizeram com muitas pessoas lá".
E FHC: "Sobre esse desafio de repetir aquelas cenas tão vergonhosas, em que o partido dele mostrou a todo o país a participação tão grande na corrupção, não vejo por que possa pedir isso, como se fosse um fato sem importância".
Para FHC, "de salto alto". Mas "tem que ter cuidado porque quando o salto é muito alto a queda é maior". Falando à Agência Efe, o ex-presidente tucano disse que Lula "exagera" em seus comentários. Acha que o adversário deveria preservar a dignidade do cargo que ocupa. "Ele ainda não é candidato, é presidente da República, não deveria usar a posição de presidente para fazer desafios à oposição em matéria eleitoral", afirmou.
Escrito por Josias de Souza às 17h44
Tony Auth/The New York Times
Nas pegadas do noticiário acerca da execução de 24 civis –incluindo mulheres e crianças—por marines dos EUA na cidade iraquiana de Haditha, o premiê do Iraque, Nouri al Maliki, disse nesta sexta-feira o seguinte: ataques de soldados norte-americanos contra civis tornaram-se um fenômeno diário. Segundo ele, a soldadesca de George Bush "não tem nenhum respeito pelo povo iraquiano".
"Eles os massacram (civis) com veículos militares e os matam apenas por uma pequena suspeita", disse Maliki. "Ataques contra civis serão uma peça-chave na decisão sobre o período que as forças americanas ainda continuarão no Iraque".
Abriram-se dois inquéritos militares para investigar o massacre de Haditha. Oficiais norte-americanos e líderes do Congresso dos EUA suspeitam que os civis foram mortos sem nenhuma justificativa plausível. Nesta sexta, uma das sindicâncias concluiu pela inocência dos soldados (clica). A conclusão contrasta com os relatos de sobreviventes. Quem viu diz que homens, mulheres e crianças foram alvejados na cabeça e no peito a uma curta distância (leia).
Escrito por Josias de Souza às 17h11
A fundação alemã Bertelsmann realizou uma pesquisa em nove países para saber que nações serão potências mundiais no ano da graça de 2020. Entre os brasileiros, 15% afirmaram, veja você, que o Brasil já é um portento mundial. E 32% disseram que o país será uma potência Global daqui a 14 anos.
O ufanismo da brasileirada não é compartilhado pela população de outros países. Fora do Brasil, só 5% responderam que o país é, hoje, uma potência mundial. E 10% consideraram que o Brasil será uma potência em 2020. Batizada de “Potências mundiais no século 21”, a pesquisa informa que a maioria dos entrevistados crê num declínio do poderio dos EUA e na ascensão da China (clica).
Escrito por Josias de Souza às 15h50
Ao longo de seu governo, em São Paulo, Geraldo “Banho de Ética” Alckmin portou-se como um samurai. Passou na espada 65 CPIs. Agora, os fantasmas de todas as comissões não-instaladas surgem do nada para puxar-lhe o calcanhar.
O STF julga nos próximos dias uma ação em que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, pede a exumação das CPIs enterradas sob Alckmin na Assembléia Legislativa de São Paulo. O relator do processo é o ministro Eros Grau.
Na ação, Berzoini pede que seja declarado inconstitucional um trecho do regimento interno da Assembléia paulista. Prevê que, além das 33 assinaturas de deputados estaduais exigidas para a instalação de CPIs, os requerimentos precisam ser aprovados em plenário por uma maioria de pelo menos 48 votos. Um quorum que a oposição, em minoria, jamais consegue atingir.
Uma das CPIs que a bancada de Alckmin obstruiu na Assembléia prevê a investigação da Febem, calcanhare da administração tucana. Outra pede a apuração de supostas irregularidades nas obras do Rodoanel, jóia da coroa da gestão Alckmin. Uma terceira trata de supostas impropriedades na execução de contratos de financiamento estrangeiro para as obras de despoluição do Tietê.
A candidatura presidencial de Alckmin guindou o problema paroquial paulista à condição de prioridade nacional do petismo. Daí Berzoini ter patrocinado a ação no Supremo. No final do ano passado, a bancada de Alckmin, num gesto de “boa vontade” chegou a concordar com a instalação de uma das 65 CPIs. Tratava da apuração de problemas ambientais no Estado. Mas o PT quis incluir no acordo a desobstrução de pelo menos uma outra comissão, a da Febem. E o tucanato, cuja maioria na Assembléia oscila entre 48 e 56 votos, decidiu manter a obstrução.
Dependendo do que vier a decidir o plenário do STF a tática de empurrar CPIs para baixo do tapete pode custar caro a Alckmin. Se a decisão dos juízes lhe for desfavorável, sempre que o candidato tucano abrir a boca para falar de ética e moralidade, o petismo esfregará no seu nariz a necropsia das investigações enterradas.
Escrito por Josias de Souza às 15h11

- JB: Lula desvia verba do Bolsa Família
- Folha: Lula desafia a oposição, e Alckmin o chama de cínico
- Estadão: Governo quer tornar permanente a CPMF
- Globo: Lula desafia oposição a usar cenas de CPI em campanha
- Correio: Governo antecipa Natal para aliados
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Escrito por Josias de Souza às 02h25
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h04
A caixa de correspondências da Câmara anda quase tão malcheirosa quanto os corredores da Casa. Foram enviadas a pelo menos nove deputados cartas de conteúdo inusitado. Continham uma substância que, pelo cheiro, não é senão cocô. Repetindo: fezes.
Encaminharam-se os envelopes para a análise do Laboratório Central de Brasília. Dada a complexidade do julgamento, o órgão informou que deve pedir o auxílio abalizado da Fiocruz. Só então se terá certeza se a coisa é o que aparenta ser.
As cartas foram postadas em São Paulo e Minas. Seis delas chegaram à Câmara nesta quinta-feira. Outras três, na semana passada. Difícil entender, pelos nomes dos destinatários, o objetivo dos remetentes. Postaram-se matérias fecais para uma bancada suprapartidária, que inclui tanto sacadores do mensalão quanto defensores da cassação dos implicados no valerioduto.
Eis a lista dos desafortunados destinatários: Gilmar Machado (PT-MG), João Fontes (PDT-SE), Vadão Gomes (PP-SP), Iara Bernardes (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Durval Orlato (PT-SP), Irineu Colombo (PT-PR), José Janene (PP-PR) e João Alfredo (PSOL-CE).
Embora nenhum senador tenha sido brindado com uma das malfadadas cartas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comentou o episódio: “O Congresso é um retrato da sociedade. Você tem pessoas boas e ruins. O importante é separar o joio do trigo. O que não pode haver é democracia sem Congresso, sem representação da sociedade. As pessoas que generalizam precisam primeiro pensar nisso" (clica).
Escrito por Josias de Souza às 00h59
Os ministros do STF decidiram nesta quinta-feira enviar ao Congresso um projeto reajustando os seus próprios salários. Passariam dos atuais R$ 24.500 para R$ 25.725 a partir de 1º de janeiro de 2007.
Argumenta-se que o aumento apenas repõe a inflação. Se aprovado, o valor passará a funcionar como novo teto das remunerações pagas em toda a administração pública. A proposta de aumento surge em meio a uma greve do Judiciário dos servidores do Judiciário, que vêm pressionando o Congresso para tonificar os seus contracheques.
Qual o assalariado que não gostaria de desfrutar do poder de reajustar os seus próprios vencimentos? Todos, decerto. Mas este é um privilégio restrito ao Judiciário e ao Legislativo.
Escrito por Josias de Souza às 00h35
O país ainda não notou, o governo finge que nada está acontecendo, mas os procuradores da Fazenda Nacional encontram-se em greve há quatro meses. Embora invisível, a paralisação já produziu um prejuízo bem visível. É estimado em R$ 1,4 bilhão.
É esta a cifra que deixou de entrar nos cofres do governo em função da greve na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional). A repartição pende do organograma do Ministério da Fazenda. É responsável pela cobrança da Dívida Ativa da União e pela defesa dos interesses financeiros do governo nos tribunais.
Nos quatro primeiros meses do ano passado, graças à ação dos procuradores fazendários, a PGFN arrecadara R$ 2,1 bilhões em cobranças judiciais de devedores do erário. Nos primeiros meses deste ano, sob os efeitos da paralisação dos procuradores, o trabalho da equipe da Procuradoria da Fazenda resultou numa arrecadação bem mais modesta: R$ R$ 683 mil.
Ou seja, entre janeiro e abril de 2005, ingressou nos cofres do Tesouro Nacional R$ 1,4 bilhão a mais do que o que foi apurado no primeiro quadrimestre de 2006. A queda na arrecadação foi de impressionantes 68%. A erosão na cobrança dos devedores do erário repetiu-se no mês de maio.
Por ora, os computadores do Ministério da Fazenda registram apenas a arrecadação da PGFN nos primeiros vinte dias de mais de 2006: R$ 96 milhões. Em 2005, no mesmo mês de maio, haviam sido apurados R$ 419 milhões. A diferença é, por enquanto, de R$ 323 milhões.
Os procuradores em greve são responsáveis pela cobrança dos devedores do governo que, por inadimplentes, foram inscritos no cadastro da dívida ativa. Somando-se tudo o que está pendente de cobrança, chega-se a cerca de R$ 340 bilhões.
Em função da greve, a maioria dos procuradores tem limitado sua atuação à representação do governo nas execuções judiciais. Ainda assim, atuam apenas naqueles processos em que há ameaça de perda de prazo para apresentação de recursos e contra-argumentos.
A principal motivação da greve é remuneratória. Os procuradores fazendários querem que o piso salarial da categoria seja elevado dos atuais R$ 7,8 mil para R$ 19,9 mil. O aumento seria escalonado em quatro anos. Para que isso ocorra, o governo precisa baixar uma medida provisória ou enviar um projeto de lei ao Congresso. Algo que não se dispôs a fazer até o momento.
Para complicar, as chefias do órgão se insurgiram contra a troca de comando promovida na PGFN pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Ele nomeou para o cargo de procurador-geral da Fazenda Nacional Luis Inácio Lucena Adams, em substituição a Manoel Felipe Brandão, que fora acomodado no posto pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Adams é rejeitado pela corporação. Entre chefes regionais, estaduais e de seções, colocaram os cargos à disposição 75 titulares de postos de comando da PGFN. Aguardam a publicação de suas exonerações no Diário Oficial para deixar os respectivos postos. A possibilidade de demissão em massa fora antecipada aqui no último dia 6 de abril.
Escrito por Josias de Souza às 23h50
De pesquisa em pesquisa, Geraldo Alckmin vai se transformando no candidato mais bem cotado para fazer de Lula o próximo presidente da República. Depois do Sensus e do Datafolha, chegou a vez do Ibope. Em pesquisa divulgada na noite desta quinta-feira, o instituto informa que, se a eleição fosse hoje, o petista venceria o tucano, qualquer que fosse o cenário, já no primeiro turno.
Num cenário com Pedro Simon (PMDB) e Roberto Freire (PPS), Lula arrebanharia 62% dos votos válidos (excluindo-se os brancos e os nulos). O percentual sobe para 63% quando Simon e Freire são excluídos da disputa.
Em qualquer hipótese, Lula teria um percentual de votos mais robusto do que aquele que o elegeu no segundo turno das eleições de 2002: 61,3%. Seria um feito notável. Sobretudo quando se considera a crise política que se acercou do governo no segundo semestre de 2005 e nos primeiros meses de 2006.
Fica cada vez mais evidente que a maioria dos eleitores se divide em duas categorias: os que acham que o presidente de fato não viu nada e os que acreditam que, ainda que tenha visto, não há alternativa melhor na praça.
A julgar pelas aparências, não será batendo em Lula que Alckmin conseguirá transpor o fosso que o separa da cadeira de presidente da República. Para usar um vocábulo bem ao gosto do ex-deputado Roberto Jefferson, propulsor da encrenca do mensalão, o povo parece ter “sublimado” a perversão ética.
Escrito por Josias de Souza às 22h32
Reunida nesta quinta-feira em Brasília, a Executiva do PPS decidiu retirar a candidatura do deputado Roberto Freire (na foto) à presidência da República. Decidiu também recomendar à convenção do partido o apoio à candidatura do presidenciável tucano Geraldo Alckmin.
A direção do PPS esquivou-se, porém, de dizer se o apoio a Alckmin será formal ou meramente político. Caberá ao diretório, que se reúne no próximo dia 16, decidir a esse respeito. A formalização dependerá das alianças que o partido vem costurando nos Estados.
Escrito por Josias de Souza às 17h50
Ricardo Stuckert/PR
Lula está cada vez mais à vontade dentro do uniforme de candidato à reeleição. Nesta quinta-feira, em viagem a Manaus, ele chegou mesmo a lançar um desafio aos seus opositores. Instou-os a usar na TV as imagens das CPIs que apuraram o escândalo do mensalão e outras malfeitorias.
"Quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora”, disse Lula. “Que coloquem as torturas que fizeram com muita gente lá". Falando a jornalistas, o presidente lembrou-lhes que foi ele quem vetou o artigo da lei eleitoral que proibia a exibição de cenas externas nos programas eleitorais de TV.
Informado acerca da manifestação de Lula, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin chamou o adversário de cínico. "O presidente passou da omissão para o cinismo. Primeiro ele dizia que de nada sabia, agora fala que corrupção não tem problema”, disse ele, em Brasília. "Agora, é cinismo mesmo que é mais imperdoável do que omissão."
Para Lula, o verdadeiro embate da eleição será travado na comparação entre o seu governo e a gestão do antecessor Fernando Henrique Cardoso, do mesmo partido que Alckmin. "Está chegando o momento do povo fazer uma aferição do que houve no Brasil", afirmou. "Na hora em que decidir ser candidato, vamos colocar o que nós fizemos neste país e vamos comparar com eles. Vamos colocar quatro (anos) contra oito (anos)".
O presidente empulhou os setores nos quais julga que sua gestão prevalece sobre a de FHC: "Vamos medir educação, saúde transporte, estradas, ferrovias, linhas de transmissão, energia e deixar o povo livremente julgar. Do outro lado, eles botam o que eles quiserem. Quem não tem argumento xinga."
Lula encontra-se viajou ao Amazonas para participar de inaugrações. Seu principal compromisso foi a abertura das obras do gasoduto Coari-Manaus (veja foto). O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) ironizou o gesto: “O presidente estreou uma modalidade nova de inauguração. Ele, que já vinha inaugurando até pedra fundamental, agora inaugura também pontos de solda”.
A altercação verbal desta quinta-feira sinaliza, na prática, o aquecimento definitivo da fase eleitoral. Ocorre, não por acaso, no primeiro dia do mês em que os partidos realizarão as convenções que formalizarão as candidaturas já definidas e oficializarão as coligações partidárias. A campanha começa da pior maneira. Os dois principais candidatos abriram a caixa de ferramentas.
Escrito por Josias de Souza às 17h23
A oposição voltou a reunir as assinaturas necessárias à instalação da CPI das Sanguessugas, destinada a investigar a máfia das ambulâncias. O pedido foi protocolado na Mesa Diretora do Congresso, nesta quinta-feira, pela segunda vez.
A primeira lista fora invalidada pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele argumentara que uma expressão incluída no cabeçalho do documento –“Lista de Apoiamento”—seria vedada pelo regimento interno do Senado.
Renan deu um prazo de cinco para que as legendas que encabeçam a iniciativa -PV, PPS e PSOL- tentassem recolher de novo as assinaturas. Dois dias foram suficientes. Reuniram-se 230 assinaturas de deputados (o regimento só exige 171) e 32 de senadores (27 já seriam o bastante).
Às voltas com a nova lista, Renan, que é contra a abertura da nova CPI, terá dificuldades para mandar o requerimento à gaveta. A comissão destina-se a apurar um “fato determinado”, como exige a Constituição. E o número mínimo de assinaturas, previsto nos regimentos da Câmara e do Senado, foi até ultrapassado.
“Vamos esperar até quinta-feira (da próxima semana). Se a CPI não for aberta, entraremos com um mandado de segurança no STF. Não há mais justificativa para postergar o início do trabalho de investigação”, disse Raul Jungmann (PPS-PE).
Instado a comentar a reapresentação do pedido de CPI, Renan voltou a sianalizar má vontade com a iniciativa. Não disse se vai arquivar ou não o pedido. Mas afirmou que é preciso tomar cuidado com o que chamou de "sanguessugas da mídia, de vampiros da mídia". Insinuou, assim, que os defensores da CPI estão mais interessados nos holofotes do que na apuração de ilícitos.
Escrito por Josias de Souza às 14h34

- JB: Universidade vai à rua contra crise
- Folha: PIB cresce 1,4% e BC reduz ritmo de queda dos juros
- Estadão: Consumo e investimento fazem PIB aumentar 1,4%
- Globo: Brasil volta a crescer mas BC segura juros
- Correio: O Brasil voltou a crescer
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h45
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h40
Lula Marques/Folha Imagem
Em encontro reservado com lideranças do PT, Lula fez um apelo ao partido. Pediu que a legenda abra espaço para o PMDB na disputa pelos governos estaduais. Disse que o entendimento é vital para assegurar a “governabilidade” de seu segundo mandato. E apelou para o exagero retórico ao insinuar que, se não houver “gestos concretos” do PT, pode “ir para casa”.
O encontro ocorreu há cerca de 15 dias. Deu-se na casa do presidente do PT, Ricardo Berzoini. Lula falou durante meia hora para uma platéia de cerca de 20 petistas. Fez uma avaliação do processo eleitoral. Qualificou de “confortável” a sua posição nas pesquisas. Repetiu que, doutrinariamente, continua sendo contra a reeleição. “Só serei candidato a um segundo mandato se for para fazer melhor do que o primeiro.” Cabe ao PT, disse ele, propiciar as condições políticas para que a nova gestão seja superior à atual.
Lula disse que julga ter feito um “bom governo”. Tratou a crise do mensalão como problema do partido. Diante de todo o abalo sofrido pelo PT, disse ele, o meu governo “sobreviveu”. Declarou-se “disposto” a disputar a reeleição. Mas disse que é preciso resolver o que chamou de “problema do PMDB”. Do contrário, argumentou, não valeria a pena concorrer. “Sou presidente. Estou bem. Vou para casa com índices de aprovação que considero confortáveis”.
O presidente queixou-se da intransigência do PT em compor com o PMDB em Estados nos quais não tem a menor chance de vencer a disputa de governador. Mencionou explicitamente Paraná e Santa Catarina, locais em que, na sua opinião, o entendimento com Roberto Requião e Luiz Henrique, peemedebistas que concorrem à reeleição, já deveria ter sido costurado.
“Todo mundo no PT diz que o PMDB é importante. Mas ninguém move uma palha para remover os obstáculos ao entendimento”, queixou-se. Para Lula, a relevância do PMDB não se restringe à montagem de palanques nos Estados. Acha que o partido será “essencial” para assegurar a maioria parlamentar durante o seu eventual segundo mandato.
Depois de discursar, Lula retirou-se da reunião. Berzoini assumiu o controle. Fez-se uma avaliação detalhada da situação do PT nos Estados. Concluiu-se, conforme já noticiado aqui, que o partido vive um dilema: é favorito na disputa presidencial e flerta com a derrota na grossa maioria dos embates para governador.
Avaliou-se que, dos 27 Estados, o PT só teria chances reais de êxito em três: Piauí, Sergipe e Acre. Em outros dois, São Paulo e Rio Grande do Sul, embora a situação seja de desvantagem, haveria capacidade de reação. Entre os presentes, estavam, além de Berzoini, o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência); o assessor especial do Planalto para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia; e o governador do Acre, Jorge Viana. Participou também João Santana, cotado para ser o marqueteiro da campanha de Lula.
Antes do encontro com Lula, o PT só havia encaminhado acordos com o PMDB em cinco unidades da federação: Bahia, Pará, Roraima, Tocantins e Amazonas. Depois do apelo de Lula, costurou-se um entendimento também em Goiás. Mas não houve, por ora, avanços nos dois Estados mencionados pelo presidente: Paraná e Santa Catarina.
A despeito da retórica de que ainda não decidiu se será candidato, sustentada até entre quatro paredes, Lula envolveu-se diretamente na articulação para atrair o PMDB. Nesta quarta-feira, o "não-candidato" usou as instalações do Planalto para tentar seduzir o peemedebista Orestes Quércia, com quem espera fechar pelo menos um acordo em São Paulo. O presidente trabalha com a perspectiva de que as principais pendências regionais com o PMDB estajam sanadas até meados de junho, quando planeja anunciar formalmente sua candidatura. Que já decidida, obviamente.
Escrito por Josias de Souza às 02h25
Lula Marques/F.Imagem
Eduardo Suplicy (PT-SP) não se cansa de ter idéias que, por inqualificáveis, são de simples qualificação. Nesta quarta-feira, veja você, o senador iniciou uma articulação para fazer de Pedro Simon (PMDB-RS), um dos mais ferozes críticos do governo, o vice na chapa reeleitoral de Lula. Levando-se a si mesmo absolutamente a sério, Suplicy posou de articulador durante todo o dia.
Ele expôs sua idéia aos lulistas Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), os dois maiores adversários da candidatura presidencial de Simon. Depois, discou para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).
Renan e Sarney, entre estupefatos e descrentes, não deram muita atenção a Suplicy. Genro, sempre educado, lembrou ao interlocutor que, para que sua idéia pudesse ser considerada, seria necessário obter o assentimento de Simon.
Suplicy expôs o seu plano também ao presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, que esteve com Lula no Planalto. Depois, o senador discorreu sobre os detalhes de sua perambulação no plenário do Senado.
Heráclito Fortes (PFL-PI) deu um conselho a Suplicy. Disse-lhe que não é recomendável “alimentar bicheira de cobra”. Opinou que “cobra, quando dá bicheira, é melhor deixar morrer”. E arrematou: “O Quércia está de olho na sua vaga para o Senado. É melhor não alimentar a cobra”.
Alheio à movimentação do amigo, Pedro Simon informou ao presidente do PMDB, Michel Temer, e ao próprio Quércia que não vai desistir de sua candidatura à presidência da República. Com o seu gesto, jogou água fria na fervura das costuras de Lula para fazer de um peemedebista o seu vice (clica).
A julgar por um comentário que fez à colega Heloisa Helena (na foto), presidenciável do PSOL, Simon sabe que sua cruzada em direção ao Planalto é vã. Ele disse à sua “oponente”, entre risos, que não está conseguindo empolgar nem os eleitores de sua própria casa. Contou que sua mulher declara-se eleitora de Heloisa Helena.
Escrito por Josias de Souza às 00h39
Contrariando pedidos expressos do governador Cláudio Lembo e de autoridades do setor de segurança do governo paulista, o Ministério Público de São Paulo divulgou nesta quarta-feira a lista com os nomes das 122 pessoas mortas de forma violenta durante a onda de ataques do PCC, ocorrida entre os dias 13 e 19 de maio.
Incluindo-se policiais, agentes penitenciários e guardas municipais, a lista de mortos sobe para 162. Os nomes constam dos boletins de ocorrência entregues ao Ministério Público pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Os documentos serão usados para apurar se a polícia cometeu abusos ao reprimir a ação dos crimininosos. Leia aqui a lista completa de nomes.
Escrito por Josias de Souza às 00h02
O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, encaminhou nesta quarta-feira ao STF um pedido de abertura de inquérito contra 15 congressistas "sanguessugas". São suspeitos de favorecer com emendas ao Orçamento da União a máfia que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras (leia).
O Ministério Público esquivou-se de divulgar os nomes dos parlamentares. Argumentou-se que o Supremo pode determinar que o processo corra em segredo de Justiça. Informou-se apenas que o procurador-geral identificou indícios de envolvimento dos 15 parlamentares com a máfia.
Não se exclui a hipótese de que outros parlamentares venham a ser denunciados. Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, a ex-funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, listou 283 congressistas que supostamente teriam agido para favorecer a quadrilha.
Escrito por Josias de Souza às 23h49
A deputada Denise Frossard (PPS-RJ) protocolou no Ministério da Justiça uma representação contra o delegado Tardelli Boaventura, da Polícia Federal. Ele é o responsável pela condução do inquérito que apura o escândalo da máfia das ambulâncias.
Frossard pede em sua representação providências contra a conduta do delegado.
A deputada argumenta que, embora tenha sido citada nos grampos telefônicos da “Operação Sanguessuga” como uma congressista de quem seria impossível conseguir medidas que beneficiassem a quadrilha das ambulâncias, o delegado não hesitou em incluir o nome dela numa lista de suspeitos de envolvimento no escândalo. Pior: permitiu “que tal lista fosse divulgada pela imprensa”.
Para a deputada, a PF portou-se com “absoluta irresponsabilidade”, misturando numa mesma lista “fraudadores com aqueles que seriam ‘vampirizados’ pelos ‘sanguessugas’, como foi o meu caso”. Julga-se “vítima” da máfia, jamais uma suspeita. Frossard esteve com o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça), de quem ouviu demonstrações de insatisfação com o vazamento da tal lista que mistura joio e trigo.
Leia aqui a íntegra da representação da deputada contra o delegado Tardelli Boaventura
Escrito por Josias de Souza às 23h29
O nome dela é Tonhão
Depois de uma ausência de quase 30 anos, Batwoman voltará a freqüentar os telhados de Gotham City no mês de julho. A colega de Batman reencarnará na pele de uma dama da alta sociedade. Seu nome será Kathy Kane. Mas pode chamá-la de Tonhão.
Kathy Kane será “uma lésbica socialite à noite e uma combatente do crime tarde da noite”. Ela volta ao universo dos quadrinhos em julho, numa revista chamada 52. É editada pela norte-americana DC (Detective Comics), a segunda maior editora de gibis de super-heróis do mundo.
Quando de sua primeira aparição, em 1956, o nome que se escondia por trás da máscara de Batwoman também era Kathy Kane. Mas ela morreu em 1979, assassinada por um bandido, sem ter saído do armário. De volta, dividirá o tempo entre a luta contra o crime e os flertes com uma ex-policial chamada Renee Montoya.
O maior beneficiado com a novidade será Batman. Doravante, o "homem-morcego" não terá mais de explicar por que, tendo tanta formosura do seu lado, sempre insistiu em manter-se grudado em Robin, o "garoto" prodígio.
Escrito por Josias de Souza às 22h42
A CPI dos Bingos, que parecia adormecida, voltou a ganhar ares apocalípticos nesta quarta-feira. Deu-se durante a inquirição de uma personagem que, em princípio, não despertara grande interesse. Chama-se Zildete Leite dos Reis. Ela foi cozinheira de João Arcanjo Ribeiro, o “comendador” do crime em Mato Grosso, informa Andreza Matais.
O depoimento da cozinheira Zildete foi temperado à base de veneno. De uma só fornada, ela ligou o comendador a três grão-petistas: os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci e o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto. Disse que os três freqüentaram a casa do criminoso. Disse mais e pior: teria visto Dirceu, Palocci e Okamoto saindo da malfadada residência portando malas de dinheiro.
Como se fosse pouco, Zildete ainda declarou ter visto o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acertar com o comendador Arcanjo a contratação de um pistoleiro para matar o ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel.
Confrontada com fotos dos personagens que mencionou em seu depoimento, Zildete reconheceu Dirceu, Palocci e Okamoto. Mas, curiosamente, não identificou o Sérgio ‘Sombra’ Gomes. Zildete trabalhou na casa de Arcanjo como cozinheira de um buffet de Cuiabá, que cuidava dos jantares do comendador. Alega que decidiu contar o que sabe porque seu irmão foi assassinado a mando de Arcanjo.
O próprio relator da CPI, o oposicionista Garibaldi Alves (PMDB-RN), recebeu ouviu o depoimento da cozinheira com um pé atrás: "As palavras dela precisam ser comprovadas. Não tenho dúvidas de que ela esteve na casa, de que preparava as comidas para as pessoas, mas o que ela falou tem que ser comprovado".
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), membro da comissão, propôs uma acareação de Zildete com Dirceu, Palocci e Okamoto. O requerimento vai a voto na próxima terça-feira. O relator Garibaldi, de novo, reagiu com reservas. Enxergou na idéia da acareação uma “tentativa de sensacionalismo".
Escrito por Josias de Souza às 19h29
José Cruz/ABr
O petista Marcelo Déda, ex-prefeito de Aracaju, considerou despropositada a avaliação eleitoral do seu partido, divulgada aqui, na parte que diz respeito a Sergipe. “Estou liderando as pesquisas há um ano. Na última sondagem, feita há menos de 30 dias pelo instituto local Dataform, eu estava com onze pontos de vantagem sobre o João Alves (candidato do PFL)”.
Déda compartilha da avaliação de que a situação do PT na maioria dos Estados contrasta com o desempenho de Lula nas pesquisas. Mas diz que, em Sergipe, o PT vai para a eleição em posição “confortável”.
“Não digo isso com felicidade. Se eu estivesse em situação difícil e o PT estivesse bem no resto do Brasil eu até sofreria na província e me rejubilaria no resto da nação. Mas o fato é que nós estamos numa situação privilegiada. Se a eleição fosse hoje, eu seria eleito no primeiro turno”.
Escrito por Josias de Souza às 19h05
Orlando Brito/OBritoNews
PSDB e PFL formalizaram, finalmente, a aliança partidária em torno da chapa presidencial Geraldo Alckmin/José Jorge. A cerimônia foi marcada, como era previsível, por discursos anti-Lula, informa Andreza Matais. E o PFL aproveitou a data para divulgar a sua plataforma de governo (leia).
Do lado do tucanato, os destaques foram as ausências. "O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não estava lá. José Serra, candidato do PSDB ao governo paulista e líder disparado nas pesquisas no Estado, não apareceu. Aécio Neves, franco favorito à reeleição ao governo de Minas, também não deu o ar de sua graça", realçou Kennedy Alencar.
Escrito por Josias de Souza às 18h13
O IBGE divulgou nesta quarta-feira uma notícia que oferece a Lula mais uma arma no arsenal que reúne para enfrentar o tucano Geraldo Alckmin na campanha presidencial. A economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em comparação com os três últimos meses de 2005. É o melhor desempenho do PIB desde o terceiro trimestre de 2004, quando a expansão foi de 1,5%, informa Ivone Portes.
No ano passado, o PIB cresceu a uma taxa de míseros 2,3%. Em comparação com outros países, superou apenas o conflagrado Haiti (2%). Se o desempenho do primeiro trimestre deste ano fosse mantido até dezembro, a economia brasileira cresceria 5,7%. Mas nem o governo aposta na façanha. O ministro Guido Mantega previu uma taxa de 4,5%, relata Ana Paula Pinheiro. Gente que entende do riscado acha que mesmo esse percentual é exagerado.
Seja como for, o desempenho de 2006 será melhor do que o de 2005. O que, para Lula, já é um grande negócio. Permite sustentar o discurso de que, no primeiro mandato, arrumou-se a casa para que, no segundo, o país possa crescer a taxas mais viçosas. O problema é que a cena econômica é embalada por elementos que a Lula não é dado controlar. E as turbulências econômicas dos dias que corres não oferecem bons presságios. Leia relato de Vinicius Albuquerque. Resta ao PT, ao governo e a Lula acender algumas velas. E rezar.
Mercê das incertezas que turvam a cena financeira internacional, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) pisou no freio para reduzir o ritmo da queda dos juros. Nesta quarta-feira, podou a taxa básica de juros em apenas meio ponto percentual, para 15,25% ao ano. O corte é menor que os três anteriores, que foram de 0,75 ponto.
Escrito por Josias de Souza às 17h23
A pefelândia continua conflagrada. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) subiu há pouco à tribuna do Senado para espinafrar o “companheiro” de partido Cláudio Lembo, governador de São Paulo. Disse o seguinte:
“Essa figura está atrapalhando a vida pública de São Paulo. Desastres ocorridos naquela grande cidade foram fruto da incompetência de quem governa o Estado. Governa sem votos. E quando se governa sem votos não se tem responsabilidade”.
O blog ouviu Lembo. O governador não deixou por menos. Disse que ACM “é fruto direto do pecado original, aquele pecado que marca o ser humano e o torna degredado. Ele é o próprio pecado.”
O duelo verbal entre Lembo e ACM foi iniciado pelo senador, que dissera que o governo tem “cara de burro”. Em resposta, foi chamado de “senhor de engenho”. Da tribuna, ACM evocou sua “origem humilde” para refutar a pecha.
“Fui estudante pobre, filho de professor decente. Esse é o meu orgulho”, disse ACM. Não sou homem de engenho. Como também nunca fui empregado, como meu acusador, de banqueiro. Aliás, o banqueiro é decente, o empregado é que não é”.
O banqueiro a que se refere ACM é Olavo Setúbal, do Itau, a cujos quadros Lembo já pertenceu. Não passou despercebido ao governador o fato de o senador ter tomado o cuidado de preservar Setúbal em sua fala: “Ele sempre foi bajulador de banqueiros, embora não tenha conseguido preservar nem um banco sequer na Bahia”.
ACM insinuou que Lembo não tem fidelidade a Alckmin, sugeriu a extinção do cargo de vice e afirmou que seu histórico político o legitima a criticar membros de seu partido: “Fui deputados estadual, deputado federal, prefeito de Salvador, governador três vezes da Bahia, ministro de Estado, senador duas vezes eleito (...). É isso que me dá oportunidade de dizer ao meu partido que erra ao dar valor a quem não tem voto”.
E Lembo: “Com quem direito o representante de outro Estado se acha no direito de falar sobre São Paulo? Esse senhor deveria representar melhor o povo do seu Estado. E não se intrometer nos assuntos internos de São Paulo. Ele está desesperado pela derrota. Perdeu com o Zé Agripino (Maia). Apoiei publicamente o José Jorge (para a vaga de vice de Geraldo Alckmin). Eles fizeram tudo para ganhar e perderam”.
Escrito por Josias de Souza às 15h53
Ricardo Stuckert/PR
Para certos políticos, a folhinha funciona como lavanderia. O correr dos dias lava-lhes os prontuários. O esquecimento põe o ferro em cima. E o tempo passa. Assim é que Orestes Quércia, de biografia nova, vem sendo transformado em herói da resistência.
Assediado por tucanos e petistas, Quércia encontrou-se nesta quarta-feira com Lula, no Palácio do Planalto. Segundo a versão de Quércia, Lula ofereceu-lhe a oportunidade de indicar o vice dele próprio e o de Aloizio Mercadante, candidato ao governo paulista. De acordo com o ministro Tarso Genro, que, junto com Mercadante, também participou da conversa, a coisa não foi bem assim.
Seja como for à saída da conversa, Quércia disse que as supostas ofertas de Lula serão levadas em conta pelo PMDB, o partido mais partido do Brasil (leia). Concretamente, o encontro não alterou a cena peemedebista. O partido de Quércia tende a não se aliar nem a Lula nem a Geraldo Alckmin. Prefere ficar livre, para fazer nos Estados as composições eleitoralmente mais convenientes.
Em São Paulo, Mercadante disputa o apoio de Quércia com o tucano José Serra, que também já lhe ofereceu a possibilidade de indicar o vice de sua chapa e de concorrer ao Senado, se quiser. Quércia já disse aos seus que pende para Serra. Os entendimentos com o PT incluem a vaga de vice de Mercadante, mas excluem o Senado, que tem em Eduardo Suplicy o candidato "inegociável" do PT.
O eventual acerto com o tucanato em São Paulo inviabilizaria um acordo de primeiro turno com Lula. Mas não impede a costura de um entendimento para o segundo turno. Se Lula obtiver o segundo mandato, o PMDB estará no seu governo. Se o vitorioso for Alckmin também. É certo como o nascer do sol a cada manhã.
Escrito por Josias de Souza às 15h15
A despeito das promessas, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), não parece lá muito disposto a guardar apenas para o circuito interno suas críticas à condução da campanha tucano-pefelista. Ele manteve o ventilador nesta quarta-feira. Anotou o seguinte em seu boletim eletrônico, que ele chama de 'ex-blog':
“Ex-blog em fase de SUAVES SUGESTÕES!
Ô assessoria do Alckmin! Ir a Pernambuco, tirar foto com o governador Jarbas Vasconcelos e o coordenador da campanha Sergio Guerra, e não ter ninguém do PFL junto, não pega bem. Especialmente porque não foi possível fazer esta foto com o senador e vice José Jorge, no dia anterior, por falta de agenda.”
PS.: Depois de ler o despacho acima, Ennio Benning, assessor de imprensa de Jarbas Vasconcelos, entrou em contato com o signatário do blog. Disse que Cesar Maia “cometeu um erro primário”. A crítica do prefeito, disse Ennio, refere-se a uma foto publicada pelo Globo em sua edição de 30 de maio.
De fato, Alckmin aparece na imagem ao lado de Sérgio Guerra e José Jorge. Mas a foto não é nova. Foi tirada em 22 de janeiro de 2006. Deu-se “durante uma visita que Alckmin fez a Pernambuco (...), quando tanto ele quanto Jarbas ainda eram governadores”. Ennio acha que César Maia “deveria prestar mais atenção aos jornais da cidade que governa”. A data estava anotada logo acima da foto exibida no Globo.
Escrito por Josias de Souza às 12h13

- JB: Universidades perto do colapso
- Folha: Turbulência volta, e Bolsa despenca 4,5%
- Estadão: Bolsa cai 4,54%; BC segura alta do dólar
- Globo: Lula corre para dar aumento a servidor antes das eleições
- Correio: Aumento para mais 240 mil servidores
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h02
Conforme o previsto, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) patrocinou uma manobra para sepultar a CPI que visava investigar os congressistas sanguessugas, aqueles que agiram em parceria com a máfia da compra superfaturada de ambulâncias. O movimento de Renan produziu uma reação acalorada dos proponentes da CPI.
Raul Jungmann (PPS-PE) cobrou explicações na sessão conjunta do Congresso desta terça-feira. Renan alegou que teria sido detectado um erro na lista de assinaturas do pedido de CPI. Fernando Gabeira (PV-RJ) subiu no caixote.
“Ao usar um artifício desses, Vossa Excelência está passando o trator por cima da minoria”, disse ele, dedo em riste, do microfone do plenário. “Pode esperar muitos coquetéis molotov, que é a forma de a minoria se defender.”
Gabeira acusou Renan de agir em defesa do PMDB, cujo líder no Senado, Ney
Suassuna, é um dos encrencados no escândalo das ambulâncias. Verde de raiva, o deputado classificou a manobra de Renan como um “ato de solidariedade com essa quadrilha”. O tempo fechou. E a sessão teve de ser encerrada.
Escrito por Josias de Souza às 01h30
Levantamento feito em segredo pelo PT indica que a engrenagem eleitoral do partido nos Estados roda em descompasso com a máquina nacional. Escorado em Lula, o partido considera-se franco favorito na disputa presidencial. Mas antevê derrotas indesejáveis nas disputas pelos governos de alguns dos principais Estados da federação.
No Nordeste, indica a análise, Lula prevalece sobre o tucano Geraldo Alckmin em todos os Estados. Sua taxa média de intenção de voto roça os 70%. Mas o prestígio do presidente não é transferido aos demais candidatos petistas. Em toda a região, só no Piauí o PT está certo de que fará o governador, renovando o mandato de Wellington Dias.
Em praças politicamente mais relevantes, como Bahia e Pernambuco, o otimismo desvanece. Na Bahia, tenta-se levar o ex-ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais) ao segundo turno, evitando que Paulo Souto (PFL), hoje com índices que ultrapassam os 55%, liquide a fatura no primeiro turno.
Em Pernambuco, dois ex-ministros de Lula dividem o eleitorado dito progressista: o petista Humberto Costa (Saúde) e o socialista Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia). A divisão facilita o trabalho do por ora favorito Mendonça Filho (PFL), aliado ao PMDB de Jarbas Vasconcelos (PMDB), candidato ao Senado.
Em Sergipe, não se exclui a hipótese de o petista Marcelo Déda passar ao segundo turno, contra o atual governador João Alves (PFL), candidato à reeleição. O PT dá como certas a derrotas dos petistas José Neto, na Paraíba, e Lenilda Lima, em Alagoas.
Sem nomes de vulto no Maranhão, o PT teve de contentar-se em indicar Teresinha Fernandes para vice de Edson Vidigal (PSB), candidato à derrota para Roseana Sarney (PFL). Também no Rio Grande do Norte, o PT teve de restringir-se à vice. Ruy Pereira deve compor a chapa com Wilma Maia (PSB), que mede forças com o relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves (PMDB). A fórmula do vice foi repetida no Ceará, onde o partido de Lula indicou Francisco Pinheiro para compor a chapa encabeçada por Cid Gomes (PSB). Avalia-se que o irmão de Ciro Gomes irá ao segundo turno, contra o tucano Lúcio Alcântara.
O drama petista se estende ao estratégico ‘triângulo das bermudas’, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país. Excetuando-se São Paulo, onde o partido ainda confia na hipotética capacidade de reação de Aloizio Mercadante diante do favorito José Serra (PSDB), em Minas e no Rio, os petistas Nilmário Miranda e Vladimir Palmeira são vistos como cartas fora do baralho.
Em Minas, o PT tenta construir pontes com o tucano Aécio Neves. No Rio, torce para que o “aliado” Marcelo Crivela (PRB), do partido do vice-presidente José Alencar, vá ao segundo turno contra Sérgio Cabral (PMDB), para que Lula mantenha até outubro um palanque em terras fluminenses.
Descendo até o canto do mapa, o PT antevê dias difíceis para o ex-ministro Olívio Dutra (Cidades) no Rio Grande do Sul. Acha que são limitadas as chances de ele derrotar Germano Rigoto (PMDB). Em Santa Catarina, a candidatura de outro ex-ministro, José Fritsch (Pesca) chega a irritar Lula. O presidente não se conforma com o fato de seu partido não ter celebrado ainda uma aliança com Luiz Henrique (PMDB).
O mesmo ocorre no Paraná, onde Lula defende uma aliança do petismo com Roberto Requião (PMDB). Para o presidente, os petistas do Sul deveriam guiar-se pelo exemplo dos companheiros de Goiás. Ali, por insistência do Planalto, o PT aliou-se à candidatura do senador Maguito Vilela (PMDB).
PS.: Leia aqui manifestação de Marcelo Déda, candidato do PT ao governo de Sergipe, sobre a análise feita pelo partido.
Escrito por Josias de Souza às 00h52
Depois de transformar a campanha de Geraldo Alckmin num balé de elefantes, PSDB e PFL deram-se as trombas nesta terça-feira. Em reunião do alto comando, as duas legendas ensaiaram o ‘pax-de-deux’. Na saída, encenaram a dança da pacificação.
"Está tudo tranqüilo, céu de brigadeiro", disse Tasso Jereissati. "O que aconteceu passou. Vamos começar uma vida nova", ecoou Jutahy Magalhães Júnior. "Ninguém tratou do passado. Nós só falamos do futuro", reverberou Sérgio Guerra.
"O objetivo é criar o clima para que a campanha decole", explicou Tasso. "Estou absolutamente zen e animado com o trabalho", regozijou-se o próprio Geraldo Alckmin. "Sebo na canela e vamos à luta."
A idéia de começar tudo de novo –‘da capo’, como dizem os músicos diante da partitura—parece ter contagiado o tucanato e a pefelândia. A tal ponto que decidiram inverter a lógica da campanha. Antes da reunião, a prioridade era o Nordeste, onde Alckmin é menos conhecido. Agora, passou a ser as regiões Sul e Sudeste, onde a candidatura dele teria maior apelo.
Firmou-se no encontro do conselho político da campanha tucano-pefelista um pacto de boa convivência. Marcou-se para as 16h desta quarta-feira, no Congresso, a formalização da aliança dos dois partidos. Restou a impressão de que, se Alckmin dependesse apenas das boas intenções de seus aliados, estaria eleito. O que atrapalha o candidato são os fatos. Ou, por outra, a complicada travessia das intenções para os fatos.
Escrito por Josias de Souza às 23h38
Lideranças do PSDB e do PFL ruminam em segredo a suspeita de que o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, perdeu o controle sobre a própria língua. Em sabatina promovida pela Folha, nesta terça-feira, a língua de Lembo voltou a dar demonstrações de rara independência. Ela atacou pefelistas e tucanos e, em dado instante, insurgiu-se contra integrantes da platéia, reunida no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis.
Lembo, 71 anos, esforçou-se para demonstrar que, em verdade, a língua segue o seu comando: “Os políticos costumam ser muito pouco claros no seu pensamento. Como eu estou velho, eu falo tudo que penso. Eu estou absolutamente lúcido e acho que a única coisa que posso fazer, politicamente, é ser lúcido e claro". A língua, porém, prevaleceu sobre o político durante toda a sabatina.
Referindo-se uma vez mais à falta de solidariedade do tucanato no auge da crise de segurança que teve de arrostar, a língua de Lembo voltou a ironizar o distanciamento estratégico de Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra: “Eu diria que, como toda ave, às vezes o tucano voa fora de hora". A despeito das críticas, a língua disse que votará em Alckmin para presidente e em Serra para governador de São Paulo.
Abespinhada com o fato de Antônio Carlos Magalhães, morubixaba da pefelândia baiana, ter dito que Lembo tem “cara de burro”, a língua tomou as dores de seu dono. Disse que ACM é um dos legítimos representantes do extrato que qualificou de “minoria branca”. Comparou-o a um “um senhor de engenho”. "O nosso senador é um homem de agressividade contínua. Felizmente, não tenho nada com ele".
Em nota, ACM respondeu assim: "O governador Cláudio Lembo é fruto do acaso e da pressão que o ilustre senador Marco Maciel (PFL-PE) exerceu no partido para alçá-lo, sem que mérito ele tivesse, à condição de vice-governador (de Geraldo Alckmin)".
Inquirida acerca da imagem de “esquerda” que seu linguajar vem imprimindo na testa de Lembo, a língua do governador disse ter enorme simpatia pela senadora Heloisa Helena, presidenciável do PSOL. Mas insinuou que o hábito da senadora de vestir-se ao estilo bicho-grilo a impede de aderir à causa: "Até por indumentária, seria injusto se eu fosse para o PSOL", disse a língua.
A língua de Lembo exaltou-se com integrantes da platéia quando questionada sobre a suspeita de que a polícia paulista tenha executado supostos integrantes do PCC. "Não houve execuções. A polícia é equilibrada e racional", disse ela, arrancando risos da audiência. Dirigindo-se a um expectador, a língua desferiu, ferina: "E você, que está rindo, não tem coragem de ser polícia. No dia do pânico você estava dentro de sua casa".
Escrito por Josias de Souza às 17h06
A CGU (Controladoria-Geral da União) divulgou nesta terça-feira o resultado da 18a rodada de fiscalizações feitas em municípios selecionados por sorteio. Varejaram-se as contas de 60 prefeituras. Desse total, 49 apresentaram irregularidades graves –de superfaturamentos à falsificação de documentos. Outras 11 praticaram falhas menores, classificadas como erros de forma (clica).
A auditoria foi feita em contratos que somam R$ 216,8 milhões extraídas da bolsa da Viúva. Entre os municípios encrencados 14 municípios foram pilhados cometendo irregularidades na compra de ambulâncias (leia). Está virando moda.
Escrito por Josias de Souza às 15h56
O Palácio do Planalto fez publicar no Diário Oficial da União, nesta terça-feira, uma Medida Provisória que deve adensar o cesto de votos de Lula. Ela reestruturou e concedeu gratificação para seis carreiras do serviço público. Beneficiou um contingente de cerca de 160 mil funcionários, ao custo de R$ 1,3 bilhão por ano.
E a coisa não vai ficar por aí. Até o final do junho, serão assinadas outras cinco medidas provisórias, beneficiando outros lotes de servidores do Estado. A despeito da aparente generosidade, nem todas as categorias contempladas ficaram satisfeitas. Queriam mais (leia).
Escrito por Josias de Souza às 15h29
Geraldo Alckmin ainda não tem votos para vencer a eleição. Mas tudo indica que dinheiro para a campanha não vai lhe faltar. É o que indica uma seqüência de notas publicadas na coluna de Mônica Bergamo (na Folha assinantes):

Um jantar discreto, com 12 pessoas, reuniu no domingo a nata do PIB nacional com o PSDB, para discutir a sucessão presidencial. Daniel Feffer, do grupo Suzano, abriu as portas de sua casa para receber, em torno de Geraldo Alckmin, os principais empresários e banqueiros do país. O candidato foi ao evento com Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e José Serra.

Estavam no jantar: Pedro Moreira Salles (Unibanco), Roberto Setúbal (Itau), José Ermírio de Moraes Neto (Votorantim), Victório de Marchi (AmBev) e Joseph Safra (Banco Safra). Ausência notada: Bradesco que, convidado, não compareceu.

Os tucanos passaram boa parte do jantar tentando convencer banqueiros e empresários de que Alckmin vai reagir nas pesquisas eleitorais e pode, sim, ganhar as eleições (...). Fizeram uma exposição a respeito das chances do candidato.

Tasso Jereissati afirmou que, assim como a rainha da Inglaterra teve o seu "annus horribilis", os tucanos viveram em maio o seu "Mês horribilis": o PT teve direito a várias inserções publicitárias na TV, exibiu seu programa eleitoral e o governo do candidato-presidente Lula ainda teve direito a uma avalanche publicitária, com destaque para a Petrobras. O comitê de campanha de Lula, disseram os tucanos, é do próprio Palácio do Planalto. Seu meio de transporte, o Aerolula. "A diferença é brutal", disse um tucano.

Com o início do horário eleitoral, o paraíso -ou seja, o Palácio do Planalto, em Brasília -ficará mais próximo, afirmaram os tucanos. Quase ao alcance das mãos.
E a campanha, por que não começa logo? Por que o PSDB está com estrutura tão pífia, perguntaram os empresários. Porque só poderá fazer campanha oficial a partir de 5 de julho e teme transgredir a lei.
Serra falou de segurança. Mostrou que o número de homicídios em SP diminuiu e que o número de presos, em compensação, aumentou (pulou de cerca de 50 mil para os 150 mil atuais). A polícia prendeu mais e a questão penitenciária explodiu. O PCC se fortaleceu. O problema da segurança é o mesmo. Só mudou de lugar.
Alckmin falou de economia e ajuste fiscal. Prometeu tempos duros de ajuste para o primeiro ano de seu eventual governo. Sobre juros, pouco se falou. Não seria assunto delicado diante de platéia formada por banqueiros, que lucraram como jamais com os juros petistas, e de industriais, que bombardeiam a política monetária.

Na saída, abraços fraternos e promessas de colaboração com a campanha. Diferentemente de outros eventos programados com empresários, digamos, menos "cotados" [ver nota ao lado], não houve cobrança de ingresso para ir ao jantar de Feffer. "A gente não paga na entrada", diz um empresário. "A gente paga é na saída". A família Feffer diz que pretende realizar encontros semelhantes com outros candidatos.
Chapelaria
Foi remarcado para hoje o jantar de R$ 3.000 o convite para empresários que queiram colaborar com a campanha de Geraldo Alckmin à Presidência. Vai ser no Oggy Gallery, nos Jardins. De acordo com Marcos Monteiro, que cuida das finanças do PSDB de SP, 220 ingressos já tinham sido vendidos até ontem -num total de R$ 660 mil arrecadados.
Exclusivo
Os recursos deverão ser destinados exclusivamente à campanha de Alckmin. José Serra, até ontem, não tinha confirmado presença no evento.
Escrito por Josias de Souza às 14h40

- JB: Reforma agrária vira negócio
- Folha: Governo planeja conceder Bolsa-Família a acampados
- Estadão: Investimento brasileiro no exterior cresce 44%
- Globo: Laudos também mostram execução de policiais em SP
- Correio: Sai reajuste para 160 mil servidores
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h56
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h48
André Porto/Folha Imagem
O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou à boca do palco nesta segunda-feira. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, encerrada no início da madrugada, ele anunciou que vai votar no candidato tucano Geraldo Alckmin.
"O PSDB representa a mão direita dos banqueiros e o PT, a mão esquerda, mas, a persistir este quadro, voto em Geraldo Alckmin", disse ele. Jefferson também afirmou que torce pelo surgimento de uma “terceira via”, que ofereça ao eleitor uma alternativa à polarização que se estabeleceu entre PSDB e PT;
Jefferson atribuiu a pizza do mensalão, materializada na seqüência de absolvições promovidas pelo plenário da Câmara, a um acordo entre PT e PSDB. Ele disse que o acordo foi reproduzido nos últimos dias, para evitar a convocação do banqueiro Daniel ‘encrenca’ Dantas, do Opportunity, pela CPI dos Bingos.
"Eu percebi, no acordo feito entre PT e PSDB, duas cabeças que desde o início rolariam. A minha e a do Zé Dirceu. Pela reputação e pelo passado do Pedro Corrêa e [José] Janene [ambos do PP], falei, vão junto. Eu creio que ainda o Janene possa ser cassado. Mas houve um grande acordo repetido agora na não-convocação do Daniel Dantas", disse o ex-deputado
Embora tenha repisado as acusações que deram origem ao escândalo do mensalão, Jefferson voltou a poupar Lula. "Se eu o acusasse, estaria mentindo. Eu não mantive com o presidente nenhum diálogo que pudesse permitir uma acusação contra ele. A meu ver, ele peca por omissão, pois o núcleo duro dele está todo envolvido com irregularidades."
Quem são os integrantes do “núcleo duro”? Para Jefferson, são os seguintes: os ex-ministros José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken, além de José Genoino, Silvio Pereira e Delúbio Soares, respectivamente ex-presidente, ex-secretário-geral e ex-tesoureiro do PT.
Em nova investida contra o petismo, Jefferson afirmou que o mais novo escândalo da República, protagonizado pelos deputados “sanguessugas” foi armado pelo PT com o objetivo de desgastar congressistas da base governista. O PT, disse ele, tencionava apresentar-se ao eleitorado como reserva moral. Pediria ao eleitorado que votasse em candidatos petistas, para livrar o país dos parlamentares retrógrados de outras legendas.
Segundo o raciocínio de Jefferson, o PT transformou o Congresso na “Geni” da política nacional. Questionou o fato de que, em relação ao Executivo, as investigações em torno da compra superfaturada de ambulâncias alcançaram apenas uma funcionária que estava no Ministério da Saúde “há seis meses”.
"Por que não investigaram os responsáveis pela liberação das verbas quando o PT administrava o Ministério da Saúde", na administração Humberto Costa?, fustigou. Para ele, a Polícia Federal age no governo Lula sob inspiração “partidária”.
Escrito por Josias de Souza às 02h44
Notícia veiculada pela Folha (para assinantes):
"O PSDB utilizou seus programas regionais de TV ontem para se defender dos ataques do PT por conta da crise na segurança em São Paulo e mostrar realizações do presidenciável Geraldo Alckmin. O pré-candidato ao Planalto atacou a conduta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do mensalão. 'Não sou o tipo de governante que diz que não sabia, que convive com o crime e com a corrupção na sala ao lado.'
Já José Serra, candidato ao governo de São Paulo e ex-prefeito da capital que abriu o programa paulista, não comentou a crise (na área da segurança pública), desencadeada por ataques do PCC, e evitou críticas diretas ao PT. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado, Serra preferiu destacar realizações do período em que ocupou o Ministério da Saúde na gestão FHC, como os mutirões contra a catarata, e de seus 15 meses à frente da prefeitura.
Ele justificou sua renúncia para disputar a eleição: 'Muitas vezes, é um desafio que nos chama para a luta. Se é pelo bem comum, é uma luta que vale a pena'. Depois disso, um apresentador falou sobre os ataques. Defendeu a polícia e citou o 'aproveitamento político' do caso. 'Semana passada, o partido do presidente Lula usou este espaço para falar mal da polícia de SP. Logo o PT, do presidente Lula, que tem ministros afastados e cassados por corrupção. E os 40 envolvidos no mensalão continuam soltos.'
Alckmin fechou o programa com críticas a Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto. 'Não é justo que o presidente Lula, que nunca ajudou nosso Estado, venha agora atacar a polícia.' Em seguida, foi apresentado como 'a nova liderança que surge no Brasil'. Imagens do pré-candidato com o governador Mario Covas, morto em 2001, foram utilizadas para destacar os quase 12 anos em que o PSDB governou São Paulo".
Escrito por Josias de Souza às 02h13
O PMDB de Pernambuco oficializou nesta segunda-feira o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin. A decisão, referendada em reunião da Executiva Estadual do partido, significa, na prática, um xeque-mate na pretensão do senador Pedro Simon (PMDB-RS), de firmar-se como candidato do partido à presidência da República.
Em nota oficial, o PMDB pernambucano afirma que, “desde meados dos anos 90”, integra no Estado “uma aliança com o PFL e o PSDB.” Anota que as duas legendas ajudaram a eleger e sustentar, por “dois mandatos”, o governo do peemedebista Jarbas Vasconcelos.
Ao deixar o governo para concorrer ao Senado, Jarbas passou o comando ao vice-governador Mendonça Filho, do PFL, agora candidato à reeleição. Diz ainda a nota que os “aliados” PFL e PSDB “já compuseram a chapa de pré-candidatos” ao Planalto, “Geraldo Alckmin e o senador por Pernambuco José Jorge (PFL)”.
“Dessa forma”, conclui a nota, “a Comissão Executiva Estadual do PMDB de Pernambuco, reunida com a presença do ex-governador Jarbas Vasconcelos e analisando os dados políticos da atualidade, entendeu, por unanimidade, que o caminho mais adequado para o partido é a manutenção dessa aliança, para eleição do governador Mendonça Filho e respaldo à chapa federal (...)” Alckmin-José Jorge.
Jarbas Vasconcelos é a segunda liderança expressiva do PMDB a alinhar-se publicamente à candidatura Alckmin. Antes dele, Joaquim Roriz, que deixou o governo de Brasília para concorrer ao Senado, também declarara apoio ao candidato tucano.
Ao jogar para 29 de junho a convenção que decidirá se Simon será ou não candidato peemedebista ao Planalto, a Executiva Nacional do PMDB, majoritariamente contrária à candidatura própria ao Planalto, estimulou os diretórios regionais a estabelecerem livremente as alianças que lhe pareçam mais convenientes. Levantamento feito pela presidência do partido indica que em pelo menos 18 Estados os acertos devem ser feitos ora com o PFL ora com o PSDB, as duas legendas que dão suporte a Alckmin em âmbito nacional.
Escrito por Josias de Souza às 01h40
Sérgio Lima/Folha
Os planos de Lula de fazer do ex-ministro Ciro Gomes (PSB) seu companheiro de chapa nas eleições deste ano esbarraram na resistência de cardeais do PT e de integrantes da ala governista do PMDB. O receio é o de que, eleito como vice de Lula, Ciro se credencie automaticamente como candidato à presidência em 2010.
Na linha de frente à oposição ao nome de Ciro estão pelo PT: o senador Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo de São Paulo e o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). E pelo PMDB lulista: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador José Sarney (PMDB-AP).
No PT, o movimento anti-Ciro vai muito além de Mercadante e Dirceu. A preocupação é a de que, se eleito como companheiro de chapa de Lula em 2006, Ciro prevaleça como alternativa presidencial para 2010, em detrimento de alternativas petistas. No PMDB, o receio é o de que Ciro, tachado nos bastidores de “personagem desagregador”, prejudique os esforços para atrair o apoio do peemedebismo para um eventual segundo governo de Lula.
Em diálogos reservados com lideranças do seu partido, o PSB, Ciro informou que não deseja ser vice de Lula. O próprio ex-ministro da Integração Nacional afirma que seu nome “não agrega valor” à chapa de Lula. Ele disse isso inclusive ao presidente.
Afora as resistências internas que começa a enfrentar, Ciro menciona o fato de que o grosso de sua base eleitoral está no Nordeste, uma região em que Lula não precisa de ajuda. É onde o presidente ostenta as maiores taxas de intenção de voto, ao redor de 70%. O melhor para Lula, diz Ciro, seira que o vice saísse da região Sul ou do Sudeste.
O aparente desinteresse de Ciro, comunicado ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, é visto pelo petismo como jogo de cena. Avalia-se que, se convidado formalmente por Lula, o ex-ministro aceitará prontamente o “desafio”.
A aversão interna ao nome de Ciro fez com que Lula e a cúpula do PT voltassem a considerar a hipótese de repetir em 2006 a mesma chapa de 2002, com a manutenção de José Alencar no posto de vice. Tenta-se agora convencer a ala governista do PMDB a “apadrinhar” o nome de Alencar.
A nova articulação prevê que Alencar, hoje filiado ao inexpressivo PRB, se transfira para o PMDB depois da eleição. Seria uma maneira de acomodar o PMDB na chapa, sem que o partido precise formalizar uma coligação com Lula no primeiro turno da eleição, ficando livre para fazer alianças com outras legendas nos Estados, inclusive com PSDB e PFL.
Quem conduz a articulação, em nome de Lula, é o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Mas o próprio presidente decidiu se envolver no processo. Já conversou com Renan Calheiros a respeito. Vai falar com Orestes Quércia, presidente do PMDB de São Paulo. E deseja procurar Michel Temer, presidente nacional do PMDB.
Escrito por Josias de Souza às 00h59
Prisão de banqueiro no Brasil é coisa rara. Manutenção de banqueiro preso na cadeia por mais de 48 horas é algo jamais visto. Pois nesta segunda-feira a desembargadora Ana Maria Pimentel, do TRF de São Paulo, negou pedido de habeas corpus formalizado pelos advogados de Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos. Manteve-o em cana (clica).
A decisão foi tomada nesta madrugada, durante o plantão da desembargadora. O pedido para que Edemar deixe a prisão, para onde foi levado na sexta, será agora redistribuído para outro juiz. A decisão pode, eventualmente, ser revista. Se for mantida, os advogados do preso ilustre recorrerão ao STJ, em Brasília.
Escrito por Josias de Souza às 11h48
Leonardo Wen/F.Imagem
A proximidade das urnas vitaminou o movimento dos trabalhadores rurais sem terra. Levantamento feito pelo governo indica que há cerca de 1 milhão de pessoas acampadas sob lonas pretas à beira das estradas brasileiras. Estão à espera de lotes do programa oficial de reforma agrária.
Em outubro de 2002, quando Lula foi eleito, havia 60 mil famílias acampadas. Hoje, conta Eduardo Scolese, há 230.813. Somando-se mulheres, homens e crianças chega-se ao número de 1 milhão de acampados.
Fica-se sem saber se o governo, que prometera assentar todas as famílias acampadas, é muito incompetente, ou se o MST, capaz de arrebanhar legiões cada vez maiores de seguidores, é eficiente demais. Em qualquer das hipóteses, tem-se a impressão de que, em plena era do agronegócio, o Brasil continua com um pé no século 19.
Escrito por Josias de Souza às 11h14

- Folha: País tem 1 milhão de sem-terra em acampamentos
- Estadão: Exportação deve cair, admite Meirelles
- Globo: Exportações se concentram em apenas 69 empresas
- Correio: Governo falha na distribuição de verba social
Escrito por Josias de Souza às 06h14
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 06h08
Itamaraty e PF liberam papéis secretos da ditadura
O Itamaraty e o Ministério da Justiça (Polícia Federal) transferiram para o Arquivo Nacional milhares de documentos secretos produzidos entre 1964 e 1975, sob a ditadura militar. Uma equipe de técnicos da repartição, ainda por nomear, vai catalogar os papéis. Depois, eles estarão disponíveis para consulta pública.
A liberação dessa nova leva de documentos secretos ocorre nas pegadas de providência semelhante adotada pelo governo no final do ano passado. Enviaram-se ao Arquivo Nacional, em dezembro, 13 arquivos de aço com dados colecionados por agentes do extinto SNI. Encontravam-se sob a guarda da Abin.
Diferentemente do que aconteceu com a abertura dos arquivos do SNI, anunciada com espalhafato pela ministra Dilma Rousseff (Gabinete Civil), o novo gesto foi cercado de discrição. O governo receia criar uma demanda por informações que, por ora, o Arquivo Nacional não está apto a atender.
Ainda às voltas com a digestão dos documentos que recebera em dezembro, o órgão não teve tempo de dedicar-se à nova montanha de documentos, cujos segredos desconhece. Os cerca de 30 funcionários que trabalham na Coordenação do Arquivo Nacional em Brasília suam a camisa para atender a uma média mensal de 120 requisições de pessoas interessadas em saber o que há a seu respeito ou sobre seus familiares nos arquivos do SNI.
Daí a preocupação em não fazer alarde em torno da abertura de mais dois armazéns de papéis da ditadura, o do Itamaraty e o da PF. O trabalho do Arquivo Nacional é, por ora, braçal. Tenta-se fechar uma parceria com a Unesco, que se dispôs a financiar a digitalização das informações do SNI.
Hoje, os dados estão armazenados em cerca de 220 mil microfilmes. Juntos, contém mais de 1 milhão de folhas de papel, sem contar os anexos (fotos e livros, por exemplo). Levado ao ambiente digital, o papelório poderá ser consultado com o auxílio da informática. Até lá, o Arquivo Nacional atende como pode às requisições. São formuladas majoritariamente por pessoas que movem ou planejam mover processos para obter indenizações do governo.
O último a obter documentos, na quinta-feira da semana passada, foi César Lamarca. Levou dados a seu respeito e de familiares, em especial seu pai, o guerrilheiro Carlos Lamarca, morto em 1971. Lamarca foi companheiro de armas da também guerrilheira Vanda, codinome que escondia a identidade de Dilma, hoje ministra.
A transferência de documentos sigilosos da ditadura para o Arquivo Nacional é um notável avanço democrático. É indispensável lembrar, porém, que Fernando Henrique Cardoso baixou e Lula manteve legislação que dá ao Executivo o poder de manter sob sigilo eterno documentos ultra-secretos que, a seu juízo, ponham em risco a Segurança Nacional.
Trata-se de uma afronta ao bom-senso, à historiografia, aos valores democráticos e ao próprio espírito da Constituição. Escorados nessa legislação, os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não movem uma palha para abrir os seus arquivos, mesmo os que se encontram recobertos pela poeira da história.
Escrito por Josias de Souza às 23h42
Beto Barata/F.Imagem
A última pesquisa do Datafolha revela que a maioria (42%) dos eleitores ainda considera o desempenho do Congresso Nacional ruim ou péssimo. Mas a taxa de reprovação caiu, veja você, cinco pontos percentuais em um mês. A imagem do Legislativo pátrio não se deteriorou, eis a grande novidade. Melhorou.
Os eleitores de Lula são os mais satisfeitos com o Legislativo: 16% de aprovação, contra 34% de reprovação. A insatisfação é maior entre os simpatizantes de Geraldo Alckmin: 11% de aprovação e 47% de desaprovação. O azedume em relação ao Congresso atinge o ápice entre os admiradores de Heloisa Helena: 8% de aprovação e 57% de desaprovação.
Pensando bem, o eleitor deve ter razão. Não há mesmo razão para pessimismos exacerbados. Afinal, cerca de metade do Congresso não rouba. Até prova em contrário (clica).
Escrito por Josias de Souza às 16h10
Ao lado de convidadas como Luana Piovani e Costanza Pascolato, e entre baldes de champanhe e edredons de penas de gogó de ganso que custam mais de R$ 7 mil, a apresentadora Hebe Camargo prestigiou o lançamento de um livro na loja de enxovais de luxo Trousseau, no shopping Iguatemi. Ela falou à coluna de Mônica Bergamo sobre os ataques do PCC (aqui, para assinantes da Folha):
- Como os ataques do PCC, que paralisaram a cidade na semana retrasada, afetaram a sua rotina? No dia daquela pane toda, foi suspensa a minha gravação porque eu não podia pôr em risco meus convidados.
- O que a senhora achou da declaração do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, sobre a "elite branca"? Achei aquilo de uma infelicidade! Ele devia estar muito nervoso, porque ele é uma pessoa de bem, de muito caráter. Estranhei. Quero crer que foi fruto do nervosismo que todo mundo estava vivendo.
- A senhora acha que existe uma "elite branca" responsável... Não, absolutamente! Que culpa tem a elite? O que que é isso? A elite é a mais prejudicada, é a mais intimidada, a mais cobrada! A elite não tem culpa, absolutamente. Gracinha!! [aperta o nariz da repórter, encerrando a entrevista].
Escrito por Josias de Souza às 15h23
Não se deve confiar muito em políticos que se declarem candidatos à presidência da República pelo PMDB. Deve-se fazer como Pedro Simon (PMDB-RS), que não leva a menor fé na candidatura presidencial de Pedro Simon. “Estou achando muito difícil”, disse à Agência Nordeste (aqui, para assinantes). Abaixo, algumas das declarações do presidenciável que é sem ser:
- Senado ou Planalto? “O problema é que eles (Renan Calheiros e José Sarney) não vão deixar que o PMDB tenha candidato próprio a Presidência da República.
- PMDB e candidatura própria: “Estou achando muito difícil. Eles vão fazer o que for necessário contra (a candidatura presidencial própria)”.
- Enxergando fantasmas: “Está ficando difícil, o Garotinho tinha 20%. Tiraram o Garotinho. Vou ser muito sincero. A Folha (Jornal Folha de S.Paulo) há meses que não colocava uma notícia minha. Em quatro dias colocaram quatro manchetes, uma maior que a outra. Como? A Folha não me bota no jornal e me bota na pesquisa? (...) Claro que é estratégia! Me tragam nos últimos seis meses onde eu saí na Folha...
- Lula: “Infelizmente, vou ser sincero, nós vivemos num regime presidencialista, o Lula faz o que ele quer. O Lula não está fazendo o programa do PT, o que eles estudaram, aquelas coisas todas.”
- O que faria se fosse presidente? “(...) No meu governo, roubou está na rua, não precisa nem provar. Saiu na televisão a notícia daquele cara pegando o dinheiro (referência ao ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, flagrado recebendo propina) está na rua! Parente, de jeito nenhum, e sobre dinheiro vamos estudar tostão por tostão onde seria aplicado.
- Made in Italy: “Faria também a Operação Mãos Limpas. E, no fim dos quatro anos, implantaria o parlamentarismo.
- Mãos limpas com Garotinho de vice? “Mas o Governo será meu. Atinja quem atingir. Estou falando daqui para diante”.
- PMDB, o partido mais partido: “(...) Tem quatro grupos no MDB: tem nós que queremos candidatura própria, tem um grupo que quer deixar o MDB livre, tem um grupo que quer apoiar o Lula e tem um grupo que quer apoiar o PSDB (...).”
- Vai sair em pré-campanha à presidência? “Não, mas vou até o dia 29 (de junho), na convenção (marcado inicialmente para 11 de junho, o encontro foi adiado depois de uma manobra da ala de Sarney e Renan)”.
Escrito por Josias de Souza às 15h08
Masp em petição de miséria
Atribui-se a Pablo Picasso (1881-1973) o seguinte ensinamento: “A arte é uma mentira que revela a verdade”. Pois o Masp (Museu de Arte de São Paulo), casa que mantém em seu acervo algumas das mais belas “mentiras” em exibição no país, está às voltas com uma verdade reveladora: a falta de pecúnia.
Deu-se na última quarta-feira um episódio constrangedor. Apagou-se a luz do Masp. Abespinhada com uma pendura que já alçava à casa dos R$ 3,39 milhões, a Eletropaulo cortou o fornecimento de energia do museu. A penumbra durou três dias. Só na sexta-feira restabeleceu-se a luz.
A direção do museu diz ter celebrado um acordo com a companhia de força. Prometeu liquidar o débito em 48 parcelas, o que dá algo como 70 mil mensais. Mas não esclareceu de onde virá o dinheiro.
Diz-se que a prefeitura pingará nos cofres do Masp R$ 1,12 milhão. Mas a liberação, informa a assessoria do alcaide Gilberto Kassab (PFL), está condicionada à apresentação de um projeto que esclareça como a verba será usada. E não há, por ora, vestígio de tal projeto.
Assim, a normalidade foi restabelecida no Masp apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. O signatário do blog sugere a seus 22 leitores que aproveitem o domingo para fazer uma visita virtual ao museu. Clique na imagem acima –'O Torso de Gesso', de Henri Matisse—, para ir até o sítio do Masp. Mas não deixe pra depois. Pode ser tarde demais.
Escrito por Josias de Souza às 03h10
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 03h05

- JB: Tráfico dá pão e remédio
- Folha: Kroll recorreu à CIA para espionar governo brasileiro
- Estadão: Auditoria aponta corrupção em 77% das prefeituras
- Globo: Cieps fazem 21 anos de expectativas e fracassos
- Correio: Lula aumenta em 65% os gastos do governo
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 01h54
Bruno Miranda/F.Imagem
Acossado pelo PCC, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, acha que há pouco a fazer na área de segurança pública nos sete meses que lhe restam de mandato. Mas ele se auto-impôs uma meta. Assegura que irá concluir até o final do ano o ambicioso projeto de reestruturação da Febem. “Vou acabar com as escolinhas do crime”, disse Lembo ao blog.
Até dezembro, diz o governador, não haverá nenhuma instalação da Febem com mais de 40 menores infratores. Melhor: em cada uma das novas unidades, jura o governador, haverá 70 monitores –30 do Estado e 40 de ONGs.
Lembo não está inventando a roda. Na verdade, tenta concluir um projeto que foi idealizado sob Geraldo Alckmin. Em março de 2005, às voltas com mais uma rebelião de menores –a 20ª daquele ano—, Alckmin prometera construir em escassos 150 dias 41 novas e pequenas unidades da Febem, número que seria elevado mais tarde para 50.
Decorrido um ano e três meses, a promessa permanece irrealizada. Segundo Lembo, há ainda 20 prédios por erigir. Sua principal ambição é desativar a unidade do bairro do Tapuapé, na zona leste de São Paulo. Ali, encontram-se aprisionados 1.228 adolescentes infratores. “Serão todos distribuídos para as unidades menores”, compromete-se Lembo. “Vão para municípios do interior, conforme a origem de cada um”.
Em 29 de março deste ano, na véspera de deixar o governo para mergulhar na campanha à presidência da República, Geraldo Alckmin protagonizou uma pantomima. Assistiu à demolição de uma das 18 alas da mega-unidade da Febem do Tapuapé. Vendida como o início da desativação da encrenca, a cena não passou de empulhação de campanha.
Nenhuma das 50 novas instalações prometidas havia mais de um ano estava pronta. Dali a uma semana, já sob Cláudio Lembo, os adolescentes do Tapuapé promoveram mais uma de suas célebres sublevações. O motim produziu 62 feridos –44 funcionários e 18 internos. Os adolescentes fizeram reféns 40 funcionários. A confusão só teve fim com a interferência da Tropa de Choque da Polícia Militar.
Segundo Lembo, o projeto de reestruturação da Febem está custando ao Estado cerca de R$ 60 milhões. “O custo é alto, mas o resultado social será expressivo”, crê o governador. “Até dezembro, se Deus quiser, teremos desativado o complexo do Tapuapé. E a missão estará cumprida”.
E quanto às cadeias, hoje dominadas pelo PCC? Bem, esse é um problema que Lembo, realista, acha que não há tempo para resolver. “Farei o que está ao meu alcance”, diz ele. “Estamos organizando um simpósio interno, para pelo menos mapear o problema”.
A idéia de Lembo é atrair para o tal simpósio, além de técnicos do Estado, especialistas da “sociedade civil”. “Estamos fazendo uma pauta mínima de temas. Precisamos ter uma amostra da realidade, saber como se encontram as penitenciárias do Estado. No início de junho faremos o encontro”, informa o governador.
Escrito por Josias de Souza às 01h35
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