Emergência Eleitoral
No Planalto
Tasso: Porta dianteira fechada.
FHC: Ok. Confere.
Tasso: Porta traseira...
FHC: Porta traseira fechada.
Tasso: Pressurização acionada.
FHC: Ok.
Tasso: Temperatura interna 22 graus.
FHC: 22 graus. Confere.
Tasso: Flaps da direita em ‘on’.
FHC: Confere.
Tasso: Flaps da esquerda...
FHC: Acionados.
Tasso: Então vamos levantar vôo.
FHC: As turbinas não respondem!
Tasso: Como?
FHC: Minha nossa! Como fomos embarcar nessa!
Tasso: O que houve?
FHC: Sabia que estava faltando algo.
Torre: Alô, tucano, câmbio.
Tasso: Tucano na escuta, câmbio.
Torre: Por que diabos o Alckmin não se move?
Tasso: Tivemos um imprevisto, câmbio.
Torre: Vocês precisam desocupar a pista, câmbio.
Tasso: Atenção, comissário!
Aécio: Na escuta, comandante.
Tasso: Peça uma gentileza ao PFL.
Aécio: Gentileza?
Tasso: Sim, preciso que desçam para empurrar.
Aécio: Mas, comandante...
Tasso: Não discuta, manda empurrar.
Pausa...
Aécio: Comandante, o PFL sugere a troca de aeronave.
Tasso: Agora? Não dá mais tempo.
FHC: Permita-me lembrar que temos o Serra no hangar.
Tasso: Serra? Não, não. Melhor empurrar.
Aécio: O César Maia ameaça desembarcar.
Tasso: Diga a ele que agora é tarde. Melhor empurrar.
Escrito por Josias de Souza às 18h09

Horas depois de deixar o comando do sistema carcerário de São Paulo, Nagashi Furukawa afirmou ao repórter Fábio Schivartche que o governo estadual "negociou", sim, com o PCC. Deu-se no instante em que permitiu a visita de uma advogada ao capo da facção criminosa, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
A declaração do agora ex-secretário contradiz o discurso oficial da administração Cláudio Lembo (PFL), que nega ter havido qualquer tipo de negociação com o PCC. A despeito da admissão, Furukawa sustentou a versão de que não houve concessões aos criminosos.
"O Estado não cedeu. Mas decidiu que seria oportuno permitir que a advogada visitasse o preso [Marcola] e confirmasse que ele não foi agredido na prisão", disse Furukawa. Ele anunciou a intenção de escrever um livro sobre sua experiência de secretário (leia a entrevista aqui).
Escrito por Josias de Souza às 17h45
Orlando Brito/OBritoNews
O candidato tucano Geraldo Alckmin tirou o sábado para fazer campanha em Santa Catarina, terra do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen. Para tentar demonstrar unidade com a pefelândia, estava acompanhado do seu candidato a vice (na foto), senador José Jorge (PFL-PE) e do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), além do próprio Bornhausen e do senador tucano Leonel Pavan (PSDB-SC).
Enquanto caminhava pelas ruas de Blumernau, Alckmin dedicou-se a espinafrar o governo Lula. Disse que se trata de uma gestão “de propaganda”. Uma propaganda que, segundo as suas palavras, “não existe”.
“É tudo propaganda”, disse Alckmin, segundo relato do repórter Thiago Reis. “Transposição do São Francisco não existe. Ferrovia Transnordestina não existe. Primeiro Emprego não existe. Banco Popular não existe. Fome Zero não existe”. O tucano disse ter visto na TV uma propaganda em que o PT alardeava o Fundeb, fundo de financiamento do ensino básico. “E nem a lei (do Fundeb) existe”, afirmou. “É mentira política.”
Alckmin desdenhou das pesquisas de opinião em que Lula figura como candidato favorito, em condições de vencer as eleições no primeiro turno. “É bom o PT achar que vai ganhar no primeiro turno”, declarou. Mostrou-se confiante de que haverá segundo turno. E acha que, ao jogar todas as fichas na primeira rodada da eleição, o petismo vai ao segundo ciclo num ambiente de derrota.
Escrito por Josias de Souza às 17h25
O Ministério Público Federal prepara o primeiro pacote de denúncias contra deputados da quadrilha de sanguessugas. Encabeçam a lista de candidatos a réus 12 deputados cujos nomes são mencionados explicitamente em documentos contábeis da Planam, a firma acusada de comandar o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Juntos, receberam pelo menos 985,2 mil entre 2001 e 2002.
Apreendidos pela Polícia Federal, os papéis da Planam irão compor a denúncia a ser remetida pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ao STF. Incluem repasses feitos em dinheiro e por meio de transferências bancárias. Além dos deputados, mencionam funcionários públicos e ex-parlamentares que teriam recebido dinheiro da quadrilha.
Entre os deputados, o campeão no recebimento de supostas propinas é Nilton Capixaba (PTB-RO), com R$ 378,8 mil. Ele integra a Mesa Diretora da Câmara. Ocupa o posto de segundo secretário. Há um outro dirigente da Câmara na relação. Chama-se João Caldas (PL-AL). É o quarto secretário da Mesa Diretora. Seu nome aparece nos papéis associado a repasses de R$ 52 mil.
São mencionados também nos documentos contábeis da Planam dois deputados que acabam de ser absolvidos pelo plenário da Câmara da acusação de terem se envolvido no escândalo do mensalão. Pedro Henry (PP-MT), o segundo maior beneficiário, teria recebido R$ 174,3 mil. Wanderval Santos (PL-SP), R$ 50 mil;
Os outros deputados mencionados nos documentos são, por ordem de valor supostamente recebido: Paulo Baltazar (PSB-RJ), R$ 87,5 mil; Teté Bezerra (PMDB-MT), R$ 72 mil; Fernando Gonçalves (PTB-RJ), R$ 50 mil; Lino Rossi (PP-MT), R$ 36,6 mil; Pastor Amarildo (PSC-TO), R$ 30 mil; Iris Simões (PTB-PR), R$ 22 mil; Benedito Dias (PP-AP), R$ 17 mil; e Paulo Feijó (PSDB-RJ), R$ 15 mil.
Embora estes sejam os parlamentares mais encrencados, podem não ser os únicos a amargar uma denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal e o Ministério Público aprofundam as investigações em relações a outros parlamentares.
A escrituração da Planam menciona repasses a vários assessores de congressistas. Os investigadores suspeitam que o dinheiro tenha sido destinado, na verdade, aos respectivos chefes. Os papéis mencionam também nomes de pessoas que receberam importâncias em dinheiro supostamente com o objetivo de repassar a deputados.
Escrito por Josias de Souza às 16h58

- JB: Simon deixa Garotinho por Senado
- Folha: Crise da segurança derruba secretário de presídios de SP
- Estadão: Secretário sai e acusa cúpula da segurança
- Globo: Crise derruba secretário de penitenciárias em SP
- Correio: Escuta revela trama de máfia contra Itaipu
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h49
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h43
Alan Marques/F.Imagem
Frustradas as tentativas de seduzir o PMDB por meio de intermediários, Lula decidiu recorrer ao charme pessoal. Chamou para uma conversa o ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Quércia aceitou o convite. Os dois se reúnem nesta segunda-feira.
O próprio Lula comunicou a um grupo de aliados que telefonara para Quércia. Deu-se na última quarta-feira, no Palácio da Alvorada, durante um jantar. Estavam à mesa o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais); o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP); e os presidente do PT, Ricardo Berzoini; do PSB, Eduardo Campos; e do PC do B, Renato Rabelo.
Lula informou aos comensais que não desistiu de buscar um entendimento com o PMDB. E, para sinalizar aos peemedebistas o grau de seu interesse, optou por procurar pessoalmente alguns líderes do partido, expandindo um diálogo que estava restrito a dois personagens: o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), lulistas de carteirinha.
Sem especificar a hora e o local, o presidente disse que se encontraria com Quércia na segunda-feira. Seu primeiro objetivo é tentar impedir que o manda-chuva do PMDB paulista se acerte com o PSDB de José serra, candidato favorito ao Palácio dos Bandeirantes. O segundo é tentar atraí-lo para uma aliança com o PT, ainda que informal.
Lula enviara dois emissários a Quércia. Em 4 de maio, Tarso Genro e Ricardo Berzoini reuniram-se com o ex-governador em São Paulo. Porém, o diálogo resultou infrutífero. Quércia estava, àquela altura, engajado na candidatura presidencial de Itamar Franco (PMDB-MG), frustrada dias depois.
Na semana seguinte, Quércia recebeu um telefonema de Aloizio Mercadante. Já na condição de candidato oficial do PT ao governo de São Paulo, Mercadante manifestou o desejo de reunir-se com o cacique peemedebista. A conversa foi afável, mas, de novo, improdutiva. Mercadante condicional os entendimentos a uma costura nacional.
Daí a decisão de Lula de eliminar os intermediários. O presidente aposta que Quércia, na verdade, não deseja concorrer a coisa nenhuma, nem ao governo de São Paulo nem ao Senado. Seu objetivo, imagina, é apenas o de influir no processo eleitoral. Quer saber, concretamente, o que foi oferecido pelo PSDB a Quércia, para tentar neutralizar os movimentos do adversário.
Lula dirá a Quércia algo que Tarso Genro já disse a Michel Temer, presidente do PMDB. Oferecerá ao PMDB a primazia na composição de seu governo num eventual segundo mandato, em sistema de coalizão. E dirá a Quércia que ele pode tornar-se um protagonista do processo.
Na visão do presidente, Quércia ganharia mais se concorresse à Câmara dos Deputados. Teria eleição assegurada. Ao contrário do que ocorreria se decidisse disputar o governo ou o Senado. Uma vez eleito para a Câmara, viraria ator central das articulações, podendo inclusive, em parceria com o governo, tornar-se presidente da Casa.
O diálogo de Lula não se limitará a Quércia. O presidente quer procurar outras lideranças do PMDB não-governista. Embora ache pouco provável que o partido venha a compor com ele uma aliança formal, quer levar a negociação ao limite. Continuará oferecendo ao PMDB a vaga de vice. Mas seu objetivo central é o de estabelecer parcerias nos Estados e plantar uma semente de acordo para o segundo turno. Uma ponte para a ansiada coalizão do segundo mandato.
Escrito por Josias de Souza às 02h30
O Ministério Público de São Paulo logrou um feito. Anunciou nesta sexta-feira que conseguiu repatriar US$ 1,011 milhão (R$ 2,335 milhões) que o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e a sua ex-mulher Nicéa Camargo haviam remetido ilegalmente para fora do país.
A grana será depositada numa conta bancária judicial aberta no Banco Nossa Caixa. Para que retorne aos cofres da municipalidade, informa o repórter João Novaes, basta agora que a prefeitura de São Paulo oficie à juíza da 14ª Vara da Fazenda Pública, Simone Casarotti.
A doutora Casarotti expedira, em janeiro passado, liminar para o bloqueio e a repatriação da verba. Os R$ 2,3 milhões encontravam-se depositados numa conta do Banco NYC, de Nova York. Antes, fez um impressionante passeio. Transitou pelo Commercial Bank, também de Nova York; Multcomercial Bank, da Suíça; Bank of Butterfield, da Ilha de Guernsey; Neue Bank, de Liechtenstein; e Multi Banking, das Ilhas Caymann.
De acordo com o Ministério Público, a fortuna foi desviada das obras da avenida Água Espraiada, iniciada em 1993, sob Paulo Maluf, e concluída em 2000, sob Pitta. Em nota oficial, Pitta informou, por meio de sua assessoria, que "desconhece este assunto, pois não teve acesso à documentação citada"
Pitta diz que a descoberta do dinheiro "pode ser ação de adversários que querem prejudicá-lo politicamente ou uma manobra para desviar a atenção da opinião pública dos recentes escândalos". Melhor assim. Pitta decerto não recorrerá contra a restituição à prefeitura de um dinheiro que diz não lhe pertencer.
Escrito por Josias de Souza às 01h12
Campanhas eleitorais costumam ser pontuadas por pregações vazias. Numa fase como a atual, definida como de pré-campanha, a inanidade do discurso é ainda mais pungente. Vive-se o ínterim entre a fala baldia e a promessa insubstancial.
Em meio ao vazio estéril do oco, Lula e Geraldo Alckmin protagonizaram nesta sexta-feira um embate retórico baldio. Pela manhã, o não-candidato petista dissera que, se for candidato, será o mesmo “Lulinha paz e amor” de 2002.
À tarde, em viagem a Minas Gerais, o pré-candidato tucano foi instado a responder ao rival. E saiu-se com essa: "Eu vou ser o Geraldo paz, amor e trabalho, que é o que está faltando no Brasil".
"Precisamos de menos discurso, menos história, [e mais] eficiência, gestão, desenvolvimento e empregos", disse Alckmin, antes de discursar e contar mais de suas histórias: "Sob o ponto de vista ético, [o governo] é uma lambança; sob o ponto de vista de gestão, não funciona."
Para Alckmin, o governo está "imobilizado" desde a crise política. Assim, paralisada, a administração do rival parece encantar mais ao eleitorado do que gostaria o candidato tucano, imóvel nas pesquisas. Imagine-se se a gestão petista estivesse andando. Leia mais de Alckmin aqui, num relato do repórter Paulo Peixoto.
Escrito por Josias de Souza às 00h47
O deputado Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB, informou ao blog que seu partido ainda não decidiu se vai dar suporte formal à candidatura de Lula à reeleição. “Defendo o apoio ao presidente, mas não tenho autorização do partido para transformar esse apoio numa coligação formal”.
O presidente do PSB jantou com Lula na última quarta-feira, no Palácio da Alvorada. Estavam também à mesa o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e os presidentes do PT, Ricardo Berzoini, e do PC do B, Renato Rabelo.
Participantes do encontro divulgaram a versão de que fora selado um acordo do PT, PC do B e PSB. Mas Eduardo Campos diz que, no que diz respeito ao seu partido, não há decisão a respeito. Diz não ter assumido nenhum compromisso durante o jantar. Segundo ele,
embora a maioria do PSB seja simpática à candidatura Lula, o partido tem dúvidas quanto à conveniência política de transformar essa preferência num casamento de papel passado com o PT.
“Precisamos analisar a realidade das coligações estaduais e a necessidade de cumprir a cláusula de barreira”, diz o deputado. A cláusula a que ele se refere é a regra que exige que os partidos obtenham pelo menos 5% dos votos para a Câmara dos Deputados em pelo menos nove Estados. As legendas que ficarem abaixo desse patamar perderão o acesso ao fundo partidário, um bolo de R$ 108 milhões em verbas públicas, cujas fatias são distribuídas segundo a proporcionalidade das urnas. Perderão também o direito ao horário gratuito no rádio e na TV.
Aliando-se formalmente a Lula, o PSB fica impedido de se coligar nos Estados com outras legendas que não o PT. O problema é que nem sempre a coligação com o petismo é a que rende mais votos. Daí a preocupação de Eduardo Campos. Antes de decidir pela formalização de uma aliança com Lula, o PSB precisa fazer as contas. O presidente do PSB também disse que Lula não conversou com ele a respeito da hipótese de vir a ser candidato a vice-presidente na chapa da reeleição, conforme ventilado nesta sexta por Tarso Genro.
Escrito por Josias de Souza às 22h43
O governador paralelo de São Paulo, Marcos Willians Herba Camacho, Sua Excelência o Marcola, deu início à reforma do setor de segurança da administração paulista. O capo do PCC levou à demissão, nesta sexta-feira, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa (na foto).
A saída de Furukawa, acertada em reunião com o governador oficial Cláudio Lembo, ocorre 15 dias depois de o governador paralelo Marcola ter determinado o início da onda de ataques e rebeliões que puseram São Paulo de joelhos por quase uma semana.
A ação do PCC interrompe um trabalho de sete anos. Furukawa geria os negócios penitenciários de São Paulo desde 1999. Assumiu o posto Luiz Carlos Catirse, um pedagogo, funcionário de carreira da secretaria.
Catirse conhece bem o poderio do governo paralelo do PCC. Ele já dirigiu a penitenciária de Casa Branca, a 240 km de São Paulo. Hoje, coordena unidades carcerárias do Vale do Paraíba e do litoral paulista. São estabelecimentos cujos hóspedes encontram-se submetidas às ordens ditadas pelo PCC.
Escrito por Josias de Souza às 18h04
Wilson Dias/ABr
Em campanha no município de Ribeirão Preto (SP), Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, fustigou o tucanato. Insinuou que o rival José Serra (PSDB) não estaria muito interessado no Palácio dos Bandeirantes. Continuaria acalentando o desejo de concorrer ao Palácio do Planalto.
"O verdadeiro adversário do Serra é o (Geraldo) Alckmin. A sociedade inteira sabe que ele só pensa naquilo (Presidência da República)", disse Mercadante, segundo relato do repórter Brás Henrique.
Mercadante disse que, diferentemente de Serra, está motivado para governar São Paulo. Tudo bem. Falta agora convencer o eleitorado que, a julgar pelas pesquisas, pode decretar a vitória de Serra ainda no primeiro turno.
Escrito por Josias de Souza às 16h40
Sérgio Lima/F.Imagem
Geraldo Alckmin tomou café da manhã nesta sexta-feira com o presidente da França, Jacques Chirac (na foto). Depois, o candidato tucano contou aos jornalistas que Chirac aconselhou-o a dar de ombro para as pesquisas de opinião.
"Se eu dependesse de pesquisas nunca teria sido eleito na França, pois sempre estive atrás dos adversários", disse Chirac, conforme relato da repórter Cida Fontes. O presidente francês pediu a Alckmin que dê um braço em Fernando Henrique Cardoso, amigo dele.
Alckmin estará com FHC no domingo. Mas, a julgar pelo que anda dizendo o ex-presidente sobre o candidato do seu partido, o abraço encomendado por Chirac não há de ser dos mais afetuosos.
Escrito por Josias de Souza às 15h50
O tucanato anda impaciente com o lengalenga de Lula. Não se conforma com o fato de o presidente fazer campanha sem assumir-se como candidato. Lula dá de ombros para o adversário. Nesta sexta-feira, o não-candidato à reeleição disse o seguinte: "Se eu decidir ser o candidato, vou ser o Lulinha paz e amor que fui na outra eleição. Não tenho razão para estar nervoso".
Os repórteres tentaram arrancar de Lula uma análise acerca das últimas pesquisas eleitorais, nas quais figura como franco favorito. E ele: "Não me pergunta, porque eu não gosto de analisar a mim, aos outros. A pesquisa vai ser no dia da eleição. Ali quando o povo apertar o botãozinho, vai sair o resultado. Vocês sabem que pesquisa não me move", concluiu.
Escrito por Josias de Souza às 14h54
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira o ex-dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira. Foi detido em casa, no bairro paulistano do Morumbi, por 15 agentes da Delegacia de Repressão Crimes Financeiros.
A prisão foi pedida pelo Ministério Público. Decretou-a o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, responsável pelo processo em que Cid Ferreira é acusado de crimes financeiros. O advogado do preso, Arnaldo Malheiros, já está providenciando o pedido de habeas corpus.
Simultaneamente, a Polícia Federal continua à caça dos sanguessugas. Já recapturou 30 dos 44 implicados. Nesse ritmo, os serviços da carceragem brasileira terão de ser incrementados. Não é todo dia que vão à garra tantos prisioneiros ilustres -ex-banqueiro, vendedores de ambulâncias superfaturadas, servidores graduados e ex-deputados. Convém introduzir um bom vinho no cardápio da hospedaria.
Escrito por Josias de Souza às 14h10
O ministro Joaquim Barbosa, que cuida do inquérito criminal contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão, queixou-se ontem à imprensa. Disse que os oficiais de Justiça do STF estavam tendo dificuldades para notificar quatro dos indiciados, entre eles o ex-ministro José Dirceu. O Ministério Público teria anotado no processo o antigo endereço de Dirceu, ainda dos tempos de Brasília.
De passagem pela capital da República, José Dirceu fez há pouco uma visita ao gabinete de Joaquim Barbosa. E, embora estivesse ali, em carne e osso, não foi notificado. Alegou-se, veja você, que o cartório do STF encontrava-se fechado para o almoço.
O ex-ministro deixou com Marco Aurélio Rodrigo, chefe de gabinete do juiz Barbosa, os endereços de sua residência e de seu escritório em São Paulo. Agora, os oficiais de Justiça só não o acham se não quiserem.
Assim funciona a lógica da Justiça: Dirceu foi denunciado como “chefe” da “quadrilha” do mensalão há dois meses. Deu no rádio e na televisão. Saiu nos jornais e nas revistas. O ex-ministro e seus advogados têm cópia da denúncia. Já leram a peça de frente pra trás e de trás pra frente. Porém, para efeitos processuais, Dirceu não tem ciência de coisa nenhuma. Precisa ser notificado. Até lá, o processo não anda.
PS.: Depois da visita de Dirceu, o STF veiculou em seu sítio na internet a notícia de que o ministro Joaquim Barbosa mandou notificá-lo com "urgência". Agora vai.
Escrito por Josias de Souza às 12h19
Lula, aquele que diz que ainda não decididiu se será candidato, selou uma aliança para a campanha eleitoral que não sabe se irá disputar. Acertou-se com PT, PSB e PC do B. O enlace se deu na quarta-feira, em torno da mesa de jantar do Palácio da Alvorada, informam Kennedy Alencar e Ranier Bragon (leia).
O não-candidato oficial pediu que sejam aceleradas as negociações para alianças nos Estados, montagem da coordenação de campanha e elaboração de programa de governo. Planeja assumir a candidatura à reeleição por volta de 15 de junho.
Foi a primeira reunião formal de Lula com os três partidos. Participaram os presidentes do PT, Ricardo Berzoini, do PSB, Eduardo Campos, e do PC do B, Renato Rabelo. Estiveram também à mesa do Alvorada o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
Escrito por Josias de Souza às 06h25

- JB: Advogado do PCC é preso por desacato
- Folha: Serra perde votos, mas vence no 1º turno
- Estadão: Superávit é recorde e ajuda na recuperação dos mercados
- Globo: Advogado diz que deputados são malandros. E é preso
- Correio: STF não notifica nem prende Dirceu
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h01
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h44
Daniel Kfouri/Folha Imagem
Partidários tradicionais do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) ruminam, em reserva, a suspeita de que José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estejam conspirando contra o êxito da candidatura presidencial do PSDB. Acham que, de olho em 2010, os dois estão privilegiando seus projetos pessoais em detrimento do interesse partidário.
O blog ouviu dois tucanos conhecidos por desfrutar da intimidade do presidenciável Alckmin. Um deles é deputado federal. O outro é deputado estadual. Ambos desconfiam da sinceridade do apoio de Serra e Aécio. Suspeitam que o ex-prefeito paulistano e o governador mineiro não deglutiram o fato de Alckmin ter prevalecido sobre eles na disputa pela vaga de candidato tucano à presidência.
Na avaliação dos aliados de Alckmin, Serra e Aécio apostam na reeleição de Lula. O discurso pró-Alckmin, que ostentam em público, seria mera fachada. Nos bastidores, os dois estariam bombardeando o companheiro de partido. Um dos deputados ouvidos pelo repórter chegou mesmo a insinuar que Aécio cultivaria uma política de boa vizinhança com Lula e com o PT.
Para os dois freqüentadores da copa e cozinha de Alckmin, Serra e Aécio receariam que, uma vez eleito, o ex-governador de São Paulo possa vir a pleitear a reeleição em 2010. O que postergaria em oito anos os projetos presidenciais alternativos do PSDB. Daí a suposta conspiração.
Ouvidos separadamente, pelo telefone, os dois aliados do presidenciável tucano desenvolveram raciocínios coincidentes. Avaliam que o suposto descaso de Serra e Aécio é mortal para Alckmin. Em vez de palanques fortes em São Paulo e Minas, Alckmin disporia de tablados virtuais nos dois principais colégios eleitorais do país.
Tudo isso num instante em que Lula reduz a desvantagem que o separa de Alckmin em São Paulo e consolida a vantagem que o distancia do adversário tucano em Minas. Alckmin nunca dependeu tanto do empenho de Serra, número um na preferência do eleitorado paulista para o Palácio dos Bandeirantes, e de Aécio, franco favorito à reeleição para o Palácio da Liberdade.
Não é só. Os amigos de Alckmin suspeitam que também o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estejam dinamitando Alckmin. Um deles disse ter sido informado de que, em reunião realizada na semana passada em Nova York, da qual também participou Aécio, os grão-tucanos criticaram a incapacidade de Alckmin de empolgar o eleitorado.
Os dois aliados de Alckmin evitaram informar se seus pontos de vista são compartilhados pelo candidato. “Isso é irrelevante”, disse um deles. “Não conversei com o governador a esse respeito”, desconversou o outro.
Escrito por Josias de Souza às 01h25

O Datafolha divulgou na noite desta quinta-feira uma rodada de pesquisas eleitorais feitas nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas e Rio. Os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) mantêm o favoritismo em seus respectivos Estados. Bateriam os adversários no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Dá-se na eleição paulista o oposto do que ocorre na disputa presidencial. O petista Aloizio Mercadante está para Serra assim como Geraldo Alckmin está para Lula. Já na disputa mineira, Aécio não dispõe, por ora, de um adversário capaz de fazer-lhe sombra.
Em São Paulo, ainda que Orestes Quércia (PMDB) decidisse concorrer ao governo do Estado –ele hoje pende para o Senado—, o favoritismo de Serra não seria abalado. O candidato tucano amealharia 52% dos votos (Em abril ele tinha 59%); Aloizio Mercadante, o segundo colocado, teria 15%. E Quércia, 9%. Excluindo-se os votos brancos e nulos, Serra teria 64% dos votos vários. Seria eleito, portanto, no primeiro turno.
Em Minas, a posição de Aécio é ainda mais cômoda. Seria reeleito no primeiro turno com folga. Ele aparece na pesquisa Datafolha com taxas de intenção de voto que variam entre 70% e 72%, dependo do cenário. O petista Nilmário Miranda, segundo colocado, pontua entre 6% e 7%.
No Rio, o Datafolha apurou um quadro de segundo turno. O senador Sérgio Cabral (PMDB), apoiado pelo casal Garotinho, líder com 35% das intenções de voto, disputaria com o senador Marcelo Crivella (PRB), com 18%. Vêm atrás a deputada Denise Frossard (PPS), com 10%; o deputado Eduardo Paes (PSDB), com 4%; e, empatados na lanterninha, Vladimir Palmeira (PT), Eider Dantas (PFL) e Milton Temer (PSOL), cada um com 2%.
Escrito por Josias de Souza às 23h07
Fotos:Sérgio Lima/Folha Imagem
Chirac e Lula observam evoluções dos aviões da esquadrilha da fumaça
Retribuindo uma visita de Lula a Paris, o presidente da França, Jaques Chirac, cumpre nesta quinta-feira agenda oficial em Brasília. Em entrevista conjunta que concederam no Planalto, os dois presidentes voltaram a expor as divergências que separam o grupo de países emergentes G20 (Grupo dos 20) e a União Européia nos assuntos relacionados à Rodada Doha da OMC (Organização Mundial de Comércio).
De acordo com relato do repórter Ricardo Amaral, Chirac repisou a tecla de que "a chave do problema são os Estados Unidos, que não cederam nada na questão dos subsídios agrícolas". E Lula reafirmou que o G20 está disposto a abrir mercados para produtos e serviços. Mas quer em troca, além de um avanço dos Estados Unidos, a União Européia promova abertura em seu mercado agrícola.
Para Lula, o desfecho favorável da rodada de Doha "não depende mais de decisão econômica, é uma decisão política que os líderes políticos têm de tomar". Desde o final do ano passado que Lula vem propondo, por ora sem sucesso, que as negociações na OMC, hoje restritas a técnicos e diplomatas, passem a ser feitas por chefes de governo.
Chirac chegou a se irritar quando uma jornalista brasileira voltou ao tema, perguntando "que garantias a França poderia oferecer" de que melhoraria sua proposta, caso os países do G20 avancem na questão dos mercados de produtos manufaturados e de serviços.
A visita de Chirac foi pontuada por um incidente algo cômico. Um desavisado fotógrafo oficial da comitiva do presidente francês caiu, com equipamento e tudo, no espelho d’água do Palácio da Alvorada (veja foto ao lado).
De resto, Lula e Chirac anunciaram a assinatura de acordos bilaterais e acertaram uma parceria na idéia de produzir combustíveis alternativos em países pobres que hoje dependem do petróleo. A proposta será levada pelos dois à próxima reunião dos chefes de Estado dos sete países mais industrializados do mundo e da Rússia. Lula participará da reunião do G8 (Grupo dos Oito) como convidado.
Escrito por Josias de Souza às 18h57
Sérgio Lima/F.Imagem
A CPI do Tráfico de Armas promoveu nesta quinta-feira uma acareação, para tentar elucidar detalhes do vazamento para o PCC de depoimentos secretos que dois delegados da polícia concederam à comissão. Houve muito espetáculo e pouco esclarecimento.
A primeira fase da sessão foi marcada por uma cena teatral. O advogado Sérgio Weslei Cunha estava sendo acareado com Arthur Vinicius Silva, o ex-prestador de serviços da Câmara que confessou ter vendido por R$ 200 reais dois CDs com o áudio da sessão que deveria ter sido secreta.
Em dado momento, Weslei Cunha foi inquirido em termos duros por Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Abespinhado com as respostas evasivas do advogado, o deputado provocou: "O senhor aprende rápido com a malandragem". Ouviu uma resposta atravessada: “A gente aprende rápido aqui”.
Seguiu-se um sururu. Os deputados entenderam que ao dizer “aqui” Weslei Cunha ofendera a CPI e o Congresso. O advogado ainda tentou ajeitar as coisas. “Aqui no Brasil, excelências”, disse ele. Não adiantou. Moroni Torgan (PFL-CE) deu-lhe voz de prisão. Acusou-o de ter incorrido no crime de ofensa a funcionário público no exercício de suas funções.
Em evidente absurdo, a polícia judiciária, que cuida da segurança nas dependências do Congresso, levou Weslei Cunha preso. Chegou mesmo a algemá-lo! E nada se disse em relação à argüição desrespeitosa de Faria de Sá.
Seguiu-se a acareação de Vinicius Silva, já afastado do quadro de terceirizados da Câmara, com a advogada
Maria Cristina Rachado. Defensora de Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, capo do PCC, a doutora Rachado tentou negar que houvesse remunerado o ex-operador de áudio da CPI em troca da obtenção dos CDs.
Caiu, porém, em contradição. Há dois dias, em seu primeiro depoimento à CPI, Rachado dissera que não havia discutido valore$ com Vinicius Silva. Nesta quinta, admitiu ter tratado do tema depois que o ex-funcionário pediu dinheiro em troca dos CDs. Mas continuou negando que a grana tenha saído da sua bolsa. Foi desmentida por Vinicius Silva, que sustentou ter recebido dela os R$ 200.
Afora a linearidade do depoimento de Vinicius Silva, que admite desde o primeiro momento que se deixou “corromper” pelos advogados, a acareação contribuiu muito pouco para elucidar os fatos. Na fase final da sessão, já livre das algemas, Weslei Cunha voltou à sala da CPI. E foi confrontado com a colega Rachado e com Vinicius Silva. Mantiveram-se as versões contraditórias.
Sob toda a pantomima, restou a impressão de que só Vinicius Silva disse algo de verdadeiro. E remanesceram as suspeitas de que os dois advogados compraram o áudio da sessão secreta da CPI para repassar os “segredos” da polícia para o PCC. O mesmo quadro que já se havia consolidado antes da acareação. Ou seja, muito teatro para pouco resultado.
Escrito por Josias de Souza às 18h07
Baseando-se em notícia veiculada aqui há dois dias, os líderes do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), e no Senado, Arthur Virgílio (AM), mencionaram manuscrito do PCC recomendando voto no PT, contra o PSDB, para tentar vincular o petismo à facção criminosa. Nesta quinta-feira, o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana, levou os lábios ao megafone para rebater às “provocações”.
Na opinião de Fontana, o comportamento de Goldman e “ultrapassou o limite do razoável e configurou um total desrespeito à população brasileira”. Segundo ele, se os líderes tucanos quiserem falar sobre PCC devem começar explicando por que a organização criminosa ganhou tanta força em São Paulo, Estado governado pelo PSDB há doze anos.
“A atitude do senador e do deputado tucanos de envolver o PT com o PCC é uma mistura de oportunismo com irresponsabilidade”, disse Fontana. O gesto, disse ainda Fontana, “coincide com a queda das intenções de voto de Geraldo Alckmin”.
“Esse oportunismo irresponsável revela um desespero dos tucanos diante da ascensão das preferências de voto à candidatura do presidente Lula”, afirmou, antes de recomendar à oposição que eleve o nível da campanha, privilegiando as “questões programáticas” e evitando “uso de baixarias sem limites”.
Escrito por Josias de Souza às 16h53
Numa tentativa de espantar a zebra que ronda a candidatura tucana de Geraldo Alckmin, PSDB e PFL decidiram constituir um conselho político de campanha. Servirá para que os dois partidos acertem os seus ponteiros a portas fechadas, evitando que a roupa suja continue sendo lavada em público.
O conselho terá reuniões semanais. A primeira já foi marcada. Será na próxima segunda-feira, às 16h, em Brasília. “Na medida em que o conselho funcionar, quando houver divergências, elas serão expostas nessa instância e não na imprensa. E a palavra final tem que ser do candidato Alckmin”, disse ao blog o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen.
Ele não exclui a hipótese de que a “trepidação” continue pelo menos até 30 de junho. Acha que são “naturais”, em função de não terem sido definidas ainda todas as alianças nos Estados. Mas diz que os problemas “mais relevantes” serão agora levados ao conselho político de campanha.
Integrarão o conselho, além de Alckmin e do candidato a vice, José Jorge (PFL-PE), os presidentes das duas legendas, os líderes dos partidos na Câmara e no Senado e os dois coordenadores da campanha, os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI).
Nesta quinta-feira, o prefeito do Rio, César Maia (PFL), voltou a protagonizar uma nova “trepidação” nas relações tucano-pefelistas. Ele disse, em entrevista à rádio CBN, que as divergências em relação ao comando da campanha são apenas “fogos de artifício”. Escondem uma diferença mais profunda entre os dois partidos.
O problema real, disse o prefeito carioca, é que “o PFL não aceita mais” ficar “na garupa” do PSDB, a exemplo do que ocorreu, segundo a sua visão, “no governo Fernando Henrique Cardoso”. Não dá mais, afirmou César Maia, para “entrar na garupa, viabilizar a eleição, ganhar uns dois ministérios, não sei quantas diretorias, um espaçozinho aqui e ser traído depois”.
Para César Maia, é preciso que PSDB e PFL selem “uma concertación tipo chilena, em que os dois partidos estão verdadeiramente juntos no governo.” Nas entrelinhas da entrevista, o prefeito aponta fragilidades do candidato: “O Alckmin não é o Fernando Henrique, não se trata de uma personalidade internacional, que produza um quadro suprapartidário em torno dele mesmo, não é assim.”
As divergências de César Maia, transpostas para o cenário nacional pelas críticas de seu filho, o deputado Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL na Câmara, irritam a direção do PSDB. Por isso, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, tentou limitar a composição do novo conselho, que começa a funcionar na segunda.
Num primeiro momento, Tasso tentou excluir os líderes. Não o agradava a idéia de sentar-se à mesma mesa com Rodrigo Maia. Mas Alckmin, acionado pelo vice José Jorge, interveio. E, em telefonema a Tasso, convenceu-o a aceitar a formação proposta pelo PFL.
A depender dos resultados da reunião do conselho, na segunda, os dois partidos devem confirmar na quarta-feira da semana que vem a formalização da aliança eleitoral. A cerimônia ocorrerá em Brasília, e não mais em Recife, como fora programado inicialmente.
Escrito por Josias de Souza às 16h18
Uma coisa é preciso reconhecer. A turma que defende a tese da candidatura presidencial própria do PMDB já tentou tudo. O problema é que tudo não quer nada com esse pessoal. Nesta quinta-feira, Pedro Simon (RS) registrou no partido sua candidatura ao Planalto. Anthony Garotinho figura na chapa como seu vice, informa Andreza Matais.
Pois bem, mal Simon pôs o pé na estrada e já começaram a derramar óleo na pista. Reunida em Brasília, a Executiva do PMDB decidiu adiar a convenção do partido do dia 11 para 29 de junho. Inspirada pela ala lulista do PMDB, a providência transforma a candidatura Simon numa iniciativa natimorta.
Até o final de junho, as lideranças regionais do PMDB já terão costurado nos Estados as alianças que bem entenderem. E darão uma banana para o projeto nacional de Simon e Garotinho. Os partidários da candidatura própria acenam com a possibilidade de trasnferir a batalha, uma vez mais, para a seara judicial.
Incluído num dos cenários da pesquisa Datafolha fechada ontem, Simon obteve 2% das intenções de voto. Não é um percentual que convide à adesão.
Escrito por Josias de Souza às 14h32
Artigo publicado nesta quinta pelo sempre lúcido Clóvis Rossi (na Folha, para assinantes):
"O nervosismo nos mercados começa a provocar especulações sobre eventuais efeitos eleitorais. Mas é bom ter presente uma coisa, a única que se pode dizer com alguma segurança: quem espera uma repetição do quase caos de 2002 vai perder.
Primeiro, porque não há, desta vez, um único candidato inimigo dos mercados, como Lula parecia ser há quatro anos, para se revelar, depois, o amigo do peito deles. Segundo, porque as chances de distúrbios realmente sérios nos mercados financeiros são moderadas.
O dólar pode subir, como vem subindo, o risco-país idem, mas há espaço em tese para absorção sem traumas políticos. Até porque o jogo das finanças não atinge a massa de eleitores. A menos, é claro, que haja espetáculo especulativo, em que as notícias da crise levem insegurança ao público das arquibancadas.
O problema seria o efeito sobre a chamada economia real ou, mais exatamente, sobre o crescimento, que se pode dar de duas formas. Ou o Banco Central, já tarado pelo conservadorismo, breca os cortes de juros, com o inevitável efeito sobre as expectativas e, por extensão, sobre a dinâmica econômica. Ou ocorre crise séria nos Estados Unidos, com os inevitáveis efeitos sobre a economia global.
O problema seria o estouro da bolha imobiliária, pela seguinte razão: o valor total dos imóveis nas economias desenvolvidas subiu mais de US$ 30 trilhões (trilhões, repito) nos últimos cinco anos. Ou seja, só a valorização foi 37 vezes maior que toda a economia brasileira.
Imagine então o tamanho potencial do estouro se os juros continuarem aumentando. De todo modo, é mais provável que haja apenas um esvaziamento paulatino da bolha, não desastroso. Eleitoralmente, portanto, ainda parece que o leão é manso".
Escrito por Josias de Souza às 07h25

- JB: Dólar chega a R$ 2,40 e Bolsa cai
- Folha: Cresce chance de Lula vencer no 1º turno
- Estadão: Pesquisa indica que Lula ganha no 1° turno
- Globo: Operação sanguessuga - Acusados são presos pelo STF; Congresso desiste de investigar
- Correio: Sanguessugas de volta para a cadeia
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h01
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h54

Animado com o sobe-desce detectado pela nova rodada de pesquisas –Sensus e Datafolha—, um petista amigo de Lula telefonou para o presidente à noite. Cumprimentou-o efusivamente. E assustou-se ao ouvir a seguinte resposta: “Estou preocupado com essas pesquisas”.
Atônito, o interlocutor do presidente reagiu com espanto: “Preocupado! Como assim?” E Lula: “Esse clima de já ganhou não me agrada”. O tom de gostosa “preocupação” permeou as análises que Lula fez das pesquisas.
A outro petista, integrante de seu governo, Lula usou imagens futebolísticas: “Ninguém ganha o jogo antes do apito final do juiz”, disse ele, conforme relato que seu interlocutor fez ao repórter. Referia-se, dessa vez, à pesquisa Sensus. Os dados do Datafolha ainda não haviam sido liberadas. Nas palavras do presidente, a hora não é de “festejar”, mas de “suar a camisa”, de “correr atrás da bola”.
Geraldo Alckmin também está preocupado. Mas sua inquietação tem outras razões. O candidato tucano tenta contornar a crise que ronda o seu comitê de campanha. Os conflitos internos, que pareciam tênues, acentuaram-se de modo avassalador.
Nesta quinta-feira, Alckmin planeja viajar a Brasília para tentar jogar água numa fervura que ameaça a unidade da aliança PSDB-PFL antes mesmo de sua formalização, adiada em meio à turbulência. As divergências, até aqui mantidas entre quatro paredes, transbordaram para além da porta.
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, insinuou publicamente que o problema da campanha tucana não está no candidato, mas na coordenação da campanha. O comandante geral Tasso Jereissati, presidente do PSDB, vestiu a carapuça. Primeiro, fez troça. Disse que as palavras de seu detrator só valeriam se fossem referendadas “pelo seu papa”, numa referência irônica ao prefeito do Rio, César Maia.
Depois, Tasso bateu pesado. Afirmou que se queixaria a Jorge Bornhausen, presidente do PFL. Disse que, a essa altura, não é mais possível aturar críticas de pefelistas a Alckmin e ao PSDB. É preciso saber, disse ele, se o PFL é ou não um “aliado de verdade”.
Para complicar, o suporte do “papai” ao filho Rodrigo Maia não tardou a aparecer. Em seu boletim eletrônico, o prefeito César Maia acusou Tasso de “trair o PSDB nacional” numa aliança com Ciro Gomes (PSB), cotado para vice na chapa de Lula. Disse que, a exemplo do que ocorreu na campanha presidencial de José Serra, em 2002, Tasso estaria fazendo “corpo mole” em relação a Alckmin. Em traição aberta ao governador cearense Lucio Alcântara (PSDB), candidato à reeleição, Tasso se acerta com Ciro para fazer do irmão dele, Cid Gomes, governador do Ceará.
Como se fosse pouco, Alckmin passou a lidar com o fogo amigo do seu próprio partido. Grão-tucanos do porte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Aécio Neves (Minas) fazem, em reserva, afirmações que contrastam com suas declarações públicas. Em essência, duvidam da capacidade de Alckmin de derrotar Lula.
O repórter conversou com um ex-ministro de FHC que disse ter ouvido dele o seguinte raciocínio: Lula trafega acima das denúncias de corrupção. Não adianta “bater nele”. O eleitor separa o presidente do PT. Disse, de resto, que o “carisma” de Lula só pode ser confrontado por um adversário que seja também “carismático”. Algo que, a seu juízo, Alckmin não é.
Escrito por Josias de Souza às 02h12
Confirmando a tendência verificada pela pesquisa Sensus, divulgada pela manhã, o Datafolha revelou na noite desta quarta os números de sua mais recente sondagem eleitoral, feita nos últimos dois dias. Se a eleição fosse hoje, Lula garantiria o segundo mandato já no primeiro turno.
Lula liquidaria o pleito na primeira rodada em dois dos cenários pesquisados, que são justamente os mais prováveis: sem uma candidatura presidencial do PMDB ou se o candidato peemedebista for o senador Pedro Simon (RS).
Datafolha

De todos, o cenário que mais se aproxima da realidade é aquele em que o PMDB vai às urnas sem candidato ao Planalto. Neste caso, Lula, que em abril tinha 43%, teria agora 45% dos votos. Geraldo ‘Picolé de Chuchumbo’ Alckmin, que tinha 23, oscila um ponto para baixo e fica com 22%.
Sem um peemedebista no páreo, a vantagem de Lula sobre Alckmin, que era de 20 pontos percentuais em abril, aumenta para 23 pontos nesta primeira sondagem eleitoral realizada depois da onda de ataques do PCC às forças de segurança do Estado de São Paulo. Excluindo-se os votos brancos e nulos, além dos eleitores que se declararam indecisos, Lula seria reeleito no primeiro turno com 54% dos votos válidos.
Mesmo que a candidatura Simon consiga ganhar musculatura partidária, o quadro mantém-se praticamente inalterado: Lula oscilaria um ponto para baixo, ficando com 44%. Alckmin conservaria os mesmos 22%. E Simon teria 2%. Neste caso, Lula arremataria 53% dos votos válidos. E, de novo, asseguraria a reeleição no primeiro turno.
Embora Anthony Garotinho (PMDB) tenha desistido de concorrer ao Planalto, apresentando-se agora como candidato a vice na chapa de Simon, a pesquisa inclui um cenário ainda com o nome do ex-governador fluminense. Lula aparece com 43%. Alckmin, com 21%. E Garotinho despenca de 15% para 7%. Lula ficaria com 51% dos votos válidos. Em tese, venceria no primeiro turno. Mas como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, a cautela e o rigor científico obrigam a informar que não dá para dizer com 100% de certeza que não haveria um segundo turno.
Embora Datafolha e Sensus tenham captado movimentos semelhantes no que diz respeito às intenções de voto, divergiram num ponto relevantíssimo: a taxa de rejeição dos candidatos. De acordo com a sondagem Sensus, 34,7% dos eleitores jamais votariam em Lula. A aversão a Alckmin seria ainda maior: 40,6%. A pesquisa Datafolha detectou dados que vão em sentido oposto: a rejeição do eleitorado a Lula (27%) seria praticamente o dobro da de Alckmin (14%). Se o Sensus estiver certo, o espaço para uma eventual reação de Alckmin seria bem menor.
Escrito por Josias de Souza às 00h45
Quem ainda tem lágrimas que trate de derramá-las. O caso é mesmo de choro. O plenário da Câmara absolveu na noite desta quarta-feira mais um mensaleiro: Vadão “R$ 3,7 milhões” Gomes (PP-SP). Foi uma sessão deprimente. Convicto de que a lâmina passaria distante de seu pescoço, o deputado não achou necessário nem mesmo fazer a própria defesa. Tinha à disposição 40 minutos. Só usou cinco.
Dos 513 deputados que compõem a Câmara, só 425 compareceram à sessão. Foi o quorum mais baixo de todos os julgamentos da turma que se serviu dos duto$ de Marcos Valério. Votaram pela absolvição 243 deputados. Pela condenação, 161 contrários. Houve um voto nulo, quatro em branco e 16 abstenções.
Dos 19 mensaleiros pilhados com o bolso na botija só um ainda não foi julgado: José Janene (PP-PR). Dos 18 restantes, apenas três tiveram os mandatos passados na lâmina: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Todos os demais se livraram da cassação, ora pela via da renúncia ora pela generosidade corporativa do plenário. Veja aqui o quadro geral do vexame. E chore de raiva.
Escrito por Josias de Souza às 23h43
O chamado mercado, que respira uma atmosfera aziaga desde segunda-feira, segue tenso. Nesta quarta-feira, registraram-se sinais de fuga investimentos em ativos de risco. O receio que vai na alma dos investidores é movido pelo receio de que os EUA voltem a decretar uma subida dos juros, tornando menos atrativas as aplicações em mercados emergentes como o Brasil.
O dólar subiu quase 5%. Bateu em R$ 2,401. É a maior cotação desde agosto do ano passado. A Bovespa, que chegou a cair 3,3% ao longo do dia, fechou em queda de 0,88%, informam as repórteres Nathália Ferreira e Daniela Machado (leia).
Escrito por Josias de Souza às 18h25
Com a humildade que convém aos que estão no topo, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) driblou o triunfalismo ao comentar a nova pesquisa presidencial divulgada nesta quarta-feira. Ele disse o seguinte:
"O quadro não está fixado. O presidente sequer apresentou a candidatura e se apresentar, e creio que vai apresentar, o quadro ficará mais nítido. Uma vantagem neste momento é uma cosia boa para o presidente, mas não quer dizer vitória ou fixação de quadros".
Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), admitiu, segundo relata Felipe Recondo, que não há uma estratégia do tucanato para minar a candidatura de Lula. Disse que, para tentar levar o Geraldo “Chuchumbo” Alckmin à vitória o PSDB vincular o presidente aos escândalos de corrupção.
Para Virgílio, Lula "tem teto" nas intenções de voto. Acha que o adversário não é imbatível. "O desafio não está tanto em se saber até onde vai Lula, mas saber como fazer o nosso candidato alçar vôo e atingir a maioria dos brasileiros que rejeitam Lula", disse.
Virgílio desenvolve o seguinte raciocínio: "Se não fossem os escândalos, teríamos um Lula com 60% das intenções de voto. Como temos um Lula alvejado pela crise ética e inoperante do ponto de vista administrativo, ele está estacionado em 40%. Isso não é um adversário difícil de ser batido".
Na opinião do governador tucano Aécio Neves (MG), nem tudo está perdido. Destoando do que anda dizendo entre quatro paredes, ele afirmou que “Chuchumbo” Alckmin sobe depois do mundo de futebol: "Acho que após a Copa do Mundo é o momento da candidatura que realmente avança, mas o nosso patamar de hoje não é ruim para quem está iniciando a campanha".
Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 16h38
Lula Marques/F.Imagem
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira um requerimento de convocação do banqueiro Daniel “encrenca” Dantas, da irmã dele, Verônica Dantas, e do presidente do Citibank, Gustavo Marin. Eles serão ouvidos em sessão marcada para 7 de junho.
Os autores do requerimento são os líderes Arthur Virgílio (PSDB) e José Agripino Maia (PFL). Decidiram apresentá-lo depois que a CPI dos Bingos, agora dominada por maioria governista, mandou à gaveta um pedido de convocação de Dantas.
Virgílio e Agripino desejam que o banqueiro e os outros dois personagens prestem esclarecimentos sobre a suposta propina de “dezenas de milhões de dólares” que o PT teria exigido do Opportunity. A acusação consta de documento entregue pelos advogados do banco à Justiça de Nova York.
A senadora Ideli Salvati (SC), líder do PT, tentou evitar a votação do requerimento. Pediu adiamento. Mas, levado a voto, seu pedido foi rejeitado. Dantas será inquirido também sobre sua suposta participação na elaboração de dossiê publicado na revista Veja, acusando vários políticos de manter contas em paraísos fiscais. Entre eles Lula.
“Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio”, escreveu Veja há duas semanas, “Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais”.
Escrito por Josias de Souza às 16h08
Durou menos de 24 horas a decisão judicial que mandava soltar 44 ‘sanguessugas’ encarcerados em Mato Grosso. Concedido ontem pelo TRF de Brasília, o habeas corpus que relaxava a prisão foi cassado nesta quarta-feira pela presidente do STF, Ellen Gracie (leia aqui a íntegra da decisão).
Foi ao lixo também a decisão do TRF que mandava subir da 2ª Vara Federal mato-grossense para o STF todo o processo que apura o desvio de verbas públicas para a compra de ambulâncias superfaturadas. Ellen Gracie manteve a coisa como estava. Entendeu que a parte dos autos que envolve parlamentares já foi enviada ao Supremo pelo Ministério Público (leia).
Também nesta terça-feira, a Câmara decidiu que não vai decidir coisa nenhuma em relação aos deputados ‘sanguessugas’, acusados de trocas emendas orçamentárias por propinas (clica). A direção da Casa achou melhor deixar a investigação por conta do Ministério Público. Sábia decisão. O atual Congresso, casa de todas as tolerâncias, não tem autoridade para investir-se nas funções de investigador de si mesmo.
No Senado, informa a repórter Andreza Matais, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) trama o arquivamento da CPI dos Sanguessugas. Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos idealizadores da comissão, cogita recorrer ao STF para assegurar a abertura da investigação parlamentar. Insinua que Renan está tentando proteger o colega de partido Ney Suassuna (PMDB-PB), por ora o único senador acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias (aqui).
PS.: Depois da decisão da ministra Ellen Gracie, a Polícia Federal foi à luta para tentar recapturar os sanguessugas libertados ontem. Por ora, só voltaram para a cana 12 dos 44 beneficiados pelo habeas corpus do TRF.
Escrito por Josias de Souza às 15h25
Saiu nesta quarta-feira mais uma pesquisa de opinião (clica). Foi feita pelo instituto Sensus. De essencial, mostra duas coisas: 1) Lula tonificar as chances de liquidar a fatura no primeiro turno da eleição; 2) a capacidade de reação de Alckmin, principal adversário do atual presidente, é cada vez menor.
Em um mês, a taxa de intenção de voto em Lula subiu de 37,5% para 40,5%. A de ‘Chuchumbo’ Alckmin caiu de 20,6% para 18,7% (leia). A diferença entre os dois, que era de 16,9 pontos em abril, agora é de 21,8 pontos percentuais.
Os formuladores da pesquisa ainda fizeram um grande favor a Alckmin: mantiveram na sondagem o nome de Antony Garotinho. O mundo sabe que, rifado pelo PMDB, o candidato ‘Molequinho’ está fora do páreo. Sabe também que, enquanto brincou de ser candidato, o ‘Menininho’ colecionou votos nas classes ‘D’ e ‘E’, que tendem a migrar para Lula.
Pois bem, mantido na refrega pelos técnicos do Sensus, Garotinho viu minguar as suas intenções de voto de 15% para 11,4%. A senadora Heloisa Helena (AL), candidata do PSOL, deu uma melhoradinha: foi de mínimos 4,3% para ainda inexpressivos 6,1%.
Num eventual segundo turno, cada vez menos provável, Lula amealharia 48,8% dos votos. ‘Chuchumbo’ amargaria 31,3%. A dianteira do candidato petista é, hoje, de 17,5 pontos percentuais. Há um mês, era de 11,8 pontos -Lula ostentava 45%, contra 33,2% atribuídos a Alckmin.
Um detalhe complica a vida de ‘Chuchumbo’, se é que isso é possível. Oscilou de 35,7% para 34,7% o percentual de eleitores que declararam que jamais votariam em Lula. Significa dizer que a taxa de rejeição dos eleitores a Lula ficou praticamente estável. No caso de Alckmin, a rejeição subiu dos 33,5% verificados em abril para 40,6%. Tudo indica que a imagem do 'Picolé' tucano foi tisnada pela ação do PCC em São Paulo (confira).
Para o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, a rejeição de Alckmin, no nível em que se encontra, funciona como uma espécie de lápide de candidatura. "Verificamos empiricamente na eleição brasileira que quem tem até 35% no índice de rejeição está dentro do jogo político. Quem tem 40% ou mais, está fora", disse ele.
A reeleição de Lula é dada como favas contadas por praticamente metade do eleitorado pátrio –49% dos eleitores acham têm a expectativa de que o presidente a partir de 2007 será Lula. Só 13,7% ainda ruminam a expectativa de que ‘Chuchumbo’ pode levar o trono.
Tasso Jereissati, o presidente do PSDB, costuma irritar-se quando lhe perguntam se o tucanato pode trocar de candidato presidencial. Está cansado de dizer que não há a menor chance de uma substituição de Geraldo ‘Chuchumbo’ Alckmin por José ‘Preterido’ Serra. Convém a Tasso tomar um calmante. Muita gente há de repetir a pergunta nos próximos dias.
Escrito por Josias de Souza às 13h42

- JB: Municípios perdem R$ 66 bi por ano em operações ilegais
- Folha: Estado confirma que 31 mortos dos 110 mortos não têm ligação PCC
- Estadão: Nada fará mudar o câmbio ou a política fiscal, diz Lula
- Globo: Polícia diz que 31 mortos não agiram em ataques
- Correio: Justiça manda soltar 44 sanguessugas
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h17
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h11
Premida pela exigência do Ministério Público para entregar, em 72 horas, a lista de supostos bandidos mortos em confronto com a polícia, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo promoveu nesta terça-feira um ajuste nas suas contas. Informa agora que são 79 –e não 109 como divulgado até agora—os cadáveres suspeitos de envolvimento com o PCC.
Pelas novas contas do secretário de Segurança Saulo de Castro, dos 79 considerados suspeitos, 55 já foram identificados. Desse total, disse ele, 49 têm antecedentes criminais e ligação comprovada com a facção criminosa.
Dos 79 mortos que continuam sendo classificados pela cúpula da polícia paulista como “suspeitos”, 62 morreram em confronto direto com a polícia em meio à onda de ataques. Outras 17 mortes foram classificadas como "preventivas".
De acordo com Saulo de Castro, há ainda 31 cadáveres que tombaram em casos de resistência considerados "normais" pela polícia. Significa dizer que foram mortes ocorridas em ocorrências policiais rotineiras. Assaltos, por exemplo.
Somando-se todos os números mencionados pelo secretário, chega-se à cifra de 110 mortos. Um a mais do que os 109 que a polícia vinha divulgando desde segunda-feira. "O mundo não parou em função do ataque", disse Castro.
O secretário disse que não planeja divulgar tão logo a lista com os nomes dos mortos. Ele afirmou que o governo atenderá à requisição do Ministério Público “no seu tempo". O tempo imposto pelo procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Roberto Pinho, expira na quinta-feira.
"Quando a informação vai chegar? Vai chegar quando ela estiver pronta", disse o secretário de Segurança. "Pode ser amanhã, pode ser em 72 [horas], pode ser em 90 horas, o que eu vou fazer?"
As declarações foram feitas na seqüência de uma reunião de cerca de quatro horas com o procurador-geral, da qual participou também o governador Cláudio Lembo. Logo depois do encontro, em entrevista ao blog, Lembro utilizou termos mais amenos ao referir-se à requisição do Ministério Público. Disse que concorda em liberar logo a lista de mortos desde que os promotores se comprometam a mantê-la em sigilo até a conclusão dos inquéritos policiais (leia aqui).
Escrito por Josias de Souza às 01h53
Orlando Brito/OBritoNews
De passagem por Porto Alegre (RS), onde fez campanha nesta terça-feira, o candidato tucano Geraldo Alckmin responsabilizou Lula pela crise que infelicita a agricultura brasileira. Ele previu, conforme relata o repórter Léo Gerchmann, a diminuição da área plantada e a falta de produtos.
"Vai diminuir a área plantada, reduzir a produtividade e faltar produtos [grãos, esclareceu depois]", disse Alckmin, após um café da manhã com produtores rurais. Ele definiu a queda da renda no setor agrícola como "gravíssima" e "preocupante".
E prosseguiu: "Se ele [Lula] fizesse menos campanha e trabalhasse um pouco mais, a agricultura brasileira não estaria na situação grave que está hoje. O culpado por essa crise é o presidente Lula. Ele não tomou providências diante de uma crise que vem de dois anos."
Questionado sobre a crise na área da segurança em São Paulo, que lhe toca mais de perto, Alckmin afirmou que conversa "praticamente todos os dias" com o governador Cláudio Lembo (PFL). Só se for agora. Na semana passada, Lembo queixou-se publicamente da falta de solidariedade do tucanato, especialmente de Alckmin, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
Alckmin se disse "até contente" pelo fato de Lula ter elogiado Lembo. E voltou a ironizar o presidente que, segundo ele, antes só elogiava "os 40 ladrões" –referência à “quadrilha” denunciada pelo Ministério Público ao STF por suposto envolvimento no escândalo do mensalão. "Agora, pelo menos, ele elogiou um homem sério", afirmou o candidato tucano.
Escrito por Josias de Souza às 01h23
Em ofício sigiloso, a Polícia Federal repassou ao governo de São Paulo uma mensagem que o PCC fez circular pelos presídios paulistas dias antes de deflagrar a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo entre os dias 12 e 19 de maio. O texto, mantido sob sigilo, concitava os presos a promover levantes nas cadeias e continha uma inusitada mensagem política.
Recolhido pelo setor de inteligência da Polícia Federal, o texto do PCC é manuscrito. Ocupa meia folha de papel ofício. Leva o nome de “salva”, como os integrantes da facção criminosa se referem às ordens expedidas pelo comando. Desaconselha o voto no PSDB. E recomenda explicitamente o voto no PT. O documento foi repassado ao governo paulista por ordem do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que também tomou conhecimento do seu teor.
Nem o governo federal nem a administração de São Paulo deram importância à parte política do manuscrito. Num esforço para evitar a politização da crise, ativeram-se aos trechos que fazem referência às rebeliões nos presídios. Os levantes, conforme previsto no “documento” do PCC, sublevaram mais de oito dezenas de presídios paulistas.
Pelos cálculos da PF, o manuscrito do PCC foi redigido dias antes de o governo de São Paulo transferir para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau os principais líderes da facção. Entre eles Marcos Willians Herba Camacho, apontado pela política como líder do PCC e autor da ordem que resultou nas rebeliões dos cárceres e na onda de ataques às forças de segurança do Estado.
Informado acerca do conteúdo do manuscrito do PCC, Lula tampouco atribuiu importância ao seu conteúdo político. Desde o início da crise, o presidente vem se manifestando, em reuniões fechadas e em manifestações públicas, contra a exploração política da crise. Discurso semelhante vem sendo adotado pelo ministro Thomaz Bastos.
Já na primeira hora, o governo petista procurou traduzir o discurso em gestos concretos. Antes mesmo de conversar com Lula, que se encontrava em Viena no instante em que começaram as rebeliões e a onda de ataques, o ministro da Justiça discou para o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Ofereceu-lhe ajuda.
Ao chegar ao Brasil, no dia seguinte ao início da crise, o sábado 13, Lula aprovou a iniciativa de seu ministro ao ser informado dela pelo telefone. Na segunda 16, em reunião no Planalto, o presidente pediu a Thomaz Bastos que voasse para São Paulo. Em reunião com Lembo, o ministro reforçou a disposição do governo federal de colaborar. O governador recusou o emprego de unidades da Força Nacional de Segurança e de tropas do Exército. Mas aceitou de bom grado a colaboração da área de inteligência da Polícia Federal.
Escrito por Josias de Souza às 01h01
Em visita ao município de Aguiarnópolis (TO), Lula, candidato não-declarado à reeleição insinuou que há muitos tucanos travestidos de urubus sobrevoando o governo dele. Falando em timbre eleitoral, o presidente declarou que certos políticos torcem para que as coisas não dêem certo só para voltar ao poder.
"Tem um tipo de político no Brasil que por mais experiência que ele tenha, por mais mandatos que tenha, por mais cargos que eles tenham exercido, eles estão sempre torcendo para que as coisas não dêem certo no Brasil, para ver se eles voltam", disse Lula.
Ele foi além: "Neste país tem um tipo de político que não gosta de pobre, tem um tipo de político que não respeita os trabalhadores, que acha que a gente dar dinheiro para a pessoa comprar arroz e feijão para comer é assistencialismo".
Lula comparou-se, uma vez mais, a Juscelino Kubitschek, que deixou o Planalto sob um turbilhão de acusações. "O Juscelino Kubitschek, que hoje é tido como o mais importante presidente da história do país, é uma pena que vocês todos não tivessem nascido para ver como é que foi o mandato do Juscelino Kubitschek. Ele era chamado de ladrão todo dia, ele era provocado todo santo dia e ele não perdia a calma. As ofensas que faziam a ele, fazem pior a mim."
O presidente vistoriou as obras de um trecho da Ferrovia Norte-Sul. O trecho que liga Araguaína-Aguiarnópolises. Ele estava acompanhado do senador José Sarney, sob cujo governo a ferrovia foi iniciada. Dirigindo-se ao ex-presidente, Lula declarou: "Uma coisa eu tenho tranqüilidade, Sarney: nunca o ofendi, nunca lhe fiz uma provocação com uma palavra que eu não pudesse dizer publicamente. E eu sei o quanto este homem foi ofendido, eu sei como ele foi atacado."
Lula foi acometido de um lapso de memória. Na década de 80, brindou Sarney com impropérios de grosso calibre. O ex-petista João Fontes (SE), hoje no PSOL, provocou a ira do Planalto ao divulgar no início da atual gestão uma fita em que Lula aparece chamando Sarney de “ladrão”. Repetindo: “Ladrão”.
Escrito por Josias de Souza às 23h56
Estava demorando. O TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª região, sediado em Brasília, expediu nesta terça-feira um habeas corpus em favor do ‘sanguessuga’ Carlos Rodrigues, ex-deputado federal pelo PL do Rio. A providência deve beneficiar todos os outras 43 pessoas que foram ao cárcere por suposto envolvimento na máfia das ambulâncias Orçamento por meio da venda de ambulâncias superfaturadas.
O TRF decidiu, de resto, que não tem competência para julgar o caso. Alegou que, como há parlamentares no rolo do desvio de verbas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas, os autos devem ser remetidos ao STF. A parte do processo que ainda se encontra na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso terá de ser enviada para Brasília, mesmo a parte que se refere às pessoas que não tem mandato eletivos –assessores parlamentares, empresários e funcionários públicos.
Escrito por Josias de Souza às 23h29
Alan Marques e Sérgio Lima/F.Imagem
Poucas profissões são tão poéticas quanto a advocacia. Nenhum fazedor de versos costuma fantasiar a vida com tanta naturalidade quanto um homem de leis recria a verdade. Nesta terça-feira, a CPI do Tráfico de Armas ouviu dois profissionais do ramo: a doutora Maria Cristina de Souza Rachado e o doutor Sérgio Wesley da Cunha.
Os dois são suspeitos de ter subornado na semana passada um funcionário terceirizado da Câmara, Arthur Vinicius Silva, para obter cópias de dois CDs com o áudio de uma sessão secreta em que delegados paulistas discorreram sobre o PCC.
A doutora Rachado e o doutor Cunha pagaram R$ 200 pelos CDs. No dia seguinte, diz a polícia, a voz dos delegados era ouvida em aparelhos celulares dos presídios paulistas por meio de uma teleconferência. Dali para a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo foi um pulo.
Os depoimentos foram uma graça. A advogada Rachado foi às lágrimas. Queixou-se de ter lido nos jornais declarações de parlamentares tachando-na de “pilantra”. Disse qte tem 18 anos de profissãoe sentiu-se desrespeitada. Reconheceu que advoga para Marcos Willians Camacho, o Marcola, capo do PCC. Vendeu-o como um sujeito injustiçado, com marcas de maus tratos espalhados pelo corpo e sem vínculos com o PCC.
Ela admitiu ter conversado com o funcionário Vinicius Silva, responsável pela gravação do áudio da sessão que se pretendia secreta. Reconheceu tê-lo acompanhado a um shopping de Brasília, onde os CDs foram copiados. Mas disse que os acertos foram conduzidos pelo colega Cunha, que também foi ao shopping.
A causídica negou que os R$ 200 tenham saído de sua bolsa. Teria bancado apenas o táxi. E tentou fazer crer aos deputados que, embora o funcionário da Câmara lhe tenha repassado os tais CDs ela os devolveu. Teve dificuldades para explicar uma troca de e-mails com Vinicius Silva. Alegou, veja você, que acertara com o humilde funcionário responsável pelo equipamento de som da CPI o acompanhamento de processos judiciais nos tribunais de Brasília. Não colou. Moroni Torgan (PFL-CE), presidente da CPI disse que ela será indiciada.
Na sua vez de ser inquirido, o doutor Cunha, que traz na biografia uma condenação por furto –“Já estou reabilitado”—disse que, de fato, combinou a extração de cópias do áudio da sessão reservada com Vinícius Silva. Alegou ter imaginado que o funcionário agia com autorização do comando da CPI. E desdisse a colega Rachado. Os R$ 200, disse ele, não saíram do seu bolso –“Eu não tinha dinheiro”. A grana teria sido provida pela colega.
Cunha disse que se interessou porque queria para saber se os delegados Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, ouvidos em segredo, haviam feito alguma referência ao seu cliente. Vem a ser Leandro Lima de Carvalho, suposto membro do PCC. Foi recolhido ao cárcere em 1º de maio, sob a acusação de envolvimento numa suposta tentativa de resgate do companheiro Marcola. O curioso em toda história é que tanto a doutura Rachado quanto o doutor Cunha se abalaram de São Paulo para Brasília sem que seus respectivos clientes houvessem sido intimados a depor.
A CPI deseja agora acarear os advogados entre si e com o funcionário Vinicius Silva, que, em depoimento à comissão, confessou ter sido “subornado” por ambos. Diz-se que jamais se deve mentir para o médico, para o padre e para o advogado. Mas para uma CPI pode-se dizer qualquer coisa. Sobretudo quando se é advogado.
Escrito por Josias de Souza às 22h54
Lembo diz que dá lista de mortos a MP ‘sob sigilo’
Sérgio Lima/Folha Imagem
Depois de se reunir com Rodrigo Pinho, procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, o governador Cláudio Lembo informou ao blog que não se opõe a repassar a lista de 109 suspeitos mortos pela polícia nos atentados liderados pelo PCC. Mas quer que os promotores mantenham os nomes sob sigilo até a conclusão dos inquéritos. “Se eu divulgo a lista, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites”, disse o governador.
Lembo disse que o governo não tem “nada a esconder”. “Cada cadáver”, disse ele, “vai ter o seu respectivo inquérito policial”. Mas não deseja impingir a todos os mortos a pecha de pertencerem ao PCC antes da conclusão dos inquéritos. Por ora, Rodrigo Pinho não se convenceu. Manteve a exigência de que a lista seja entregue ao Ministério Público em 72 horas, a contar de ontem.
Leia abaixo a entrevista do governador:
-Chegou-se a um acordo na reunião com o procurador-geral Rodrigo Pinho?
Ainda não. Nossa posição é a seguinte: não podemos, antes de concluir o inquérito policial, julgar todos os mortos como sendo do PCC.
- A lista de suspeitos mortos contém mesmo 109 nomes?
Isso mesmo.
- Mas, afinal, a lista será ou não divulgada?
Se eu divulgo, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites. Não temos nada a esconder. Cada cadáver vai ter o seu respectivo inquérito policial. Nosso problema é esse. Temos os nomes de todos os que foram mortos em confronto. São, em principio, do PCC. Mas estaríamos fazendo um juízo de exceção se julgássemos antes do inquérito acabar. Não podemos fazer isso.
- O procurador-geral concordou com o raciocínio?
Em tese sim, Mas não aceitou plenamente. Ele quer a lista. Então nós estamos pensando no que fazer dentro do prazo que nos foi dado. Nós não temos nada a esconder. O que a polícia fez é, dramaticamente, correto. Não tem nenhuma violência injustificada. Estamos esperando os três dias que ele nos deu para ver o que fazer. Nós podemos conceder a lista. Porém, não pode ser publicada. Podemos mandar para o Ministério Público, mas em segredo de Justiça.
- O procurador-geral concorda com o segredo de Justiça?
Ele pediu prazo para pensar. Mas acho que ficou sensibilizado com o argumento. Mas não fechou conosco. Teremos uma nova reunião.
- O governo, portanto, não exclui a hipótese de entregar a lista, mesmo antes da conclusão dos inquéritos, desde que ela seja mantida em sigilo?
Minha posição é essa. Estou preocupado em preservar os direitos humanos dos ascendentes e descendentes dos mortos. Imagine um menininho chegando à escola e os coleguinhas chamando o pai de bandido.
- Continua achando que pode ter sido morto algum inocente?
Não posso dizer que não tem nenhum inocente. Se houver inocentes, vamos processar quem matou. Mas como é que o sujeito , no meio da guerra poderia agir de outro modo. Não dá para enviar o cerimonial do Palácio antes e perguntar se era do PCC ou não. Na troca de tiros não existe isso. É uma tragédia.
(Leia continuação abaixo...)
Escrito por Josias de Souza às 17h52
‘Sou adversário político do Lula, não sou inimigo’
Leia abaixo a última parte da entrevista do governador Cláudio Lembo ao blog:
- Os atritos políticos com o PSDB estão superados?
Totalmente. No meio da guerra eu tinha que dizer o que eu penso. E não disse nenhuma grosseria. Só disse que fiquei solitário, o que é uma verdade. Mas isso passou. Nunca tive posição de antagonismo.
- Mas houve uma proximidade maior com Lula, não?
O governador precisa receber o presidente da República quando ele vem a São Paulo. Não tenho culpa de o Lula e eu termos um diálogo excepcionalmente bom. Eu o conheço desde 78, dos movimentos sindicais do ABC. Ele é meu adversário político, mas não é meu inimigo. Não sou inimigo do Lula.
- E o adversário, no auge da crise, esteve mais próximo do que os aliados.
Não tenho culpa. Mas eu não aceitei do adversário a intromissão do Exército em São Paulo.
Mas o ex-governador Alckmin disse que lhe telefonou diariamente.
Não quero estimular isso. Como disse, o problema está totalmente superado. Mas não existe a verdade absoluta. Cada um tem a sua.
- Na última reunião que o sr. teve com o ministro Márcio Thomaz Bastos, na sexta-feira, o que lhe foi oferecido?
Em primeiro lugar, abriu o canal para nos ligarmos a qualquer dificuldade. A polícia Federal está conosco sempre. E foi muito útil em todo episódio. Ele apenas nos ofereceu apoio. O Lula também disse para mim: ‘me ligue que a gente troca idéias’. Está tudo à disposição de São Paulo.
- Mas objetivamente o que o ministro ofereceu?
Colocou à disposição aquela Força Nacional de Segurança e dois batalhões do Exército.
- E a transferência de presos?
Ele ofereceu, mas só de quatro ou cinco. Nós temos 142 mil presos.
- Seriam transferidos o Marcola e mais três?
Isso mesmo. Mas nós temos 141 mil.
- O governo paulista vai aceitar?
Não. Em princípio não há necessidade. Eles já estão em regime de segurança máxima aqui em São Paulo. Mas se precisar, fazemos. Por ora, não há necessidade.
- O que mais foi oferecido?
O ministro me telefonou depois e colocou à disposição de São Paulo, por empréstimo, uma central telefônica com capacidade para a realização de duas mil escutas simultâneas.
- E São Paulo não tem isso?
Temos duas centrais, mas são mais obsoletas. As nossas são de mil escutas cada uma. Ele vai mandar essa de duas mil escutas, que é caríssima. O governo federal adquiriu duas nos EUA e ele vai nos emprestar uma. Aceitamos de bom grado. Vai ser operada pela nossa Polícia Civil.
- Como avalia o atual estágio da crise?
A pior fase foi superada. Mas isso é de uma mutabilidade infernal. Temos 147 presídios. O sistema é muito grande. Porém, não há nenhum caso de turbulência nesse momento. Acho que superamos o pior.
Escrito por Josias de Souza às 17h51
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou nesta terça-feira que mandará ao arquivo o pedido de criação de CPI para investigar as relaçõe$ de Lula com o bom amigo Paulo Okamotto, presidente do Sebrae.
A CPI foi proposta pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), o mesmo que propusera a CPI do Armagedon, também arquivada por Renan. Dessa vez, o presidente do Senado alegará que a Constituição não permite que presidentes sejam investigados senão por atos praticados no exercício do mandato.
"O presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções", disse Renan, referindo-se ao artigo 86, parágrafo 4º da Constituição.
A primeira CPI proposta por Almeida Lima fora à gaveta sob o argumento de que não apresentava um fato determinado a ser investigado. A segunda, será sepultada porque o fato que pretende investigar é específico demais.
Escrito por Josias de Souza às 16h00
Delúbio Soares, ex-gestor das arcas clandestinas do PT, continua desfrutando dos prazeres de seu martírio. Empurra dia após dia a pedra de todas as culpas. Em depoimento à CPI dos Bingos, ele se esquivou de fazer qualquer tipo de comentário que pudesse ser usado contra Lula e o PT.
O ex-tesoureiro negou até mesmo que tenha havido caixa dois na campanha de Lula em 2002 ou em qualquer outra bancada pelo petismo. Alegou que recolheu na rede bancária empréstimos contabilizados, para liquidar dívidas não contabilizadas. O que não seria, a seu juízo, caixa dois.
Negou também que casas de bingo tenham feito doações ao PT. Negou que o partido tenha recebido dólares de Cuba. Negou que tenha pedido dinheiro ao Banco Oppotunity. Negou que sua parceria com Marcos Valério visasse amealhar R$ 1 bilhão. Negou, negou e negou.
De resto, repisou as mesmas parolas que pronunciara em depoimentos anteriores -foi a quarta vez que Delúbio compareceu a uma CPI. Disse ter conhecido Marcos Valério no final de 2002. Assegurou que ele nada teve a ver com as arcas da campanha de Lula. Reafirmou que obteve, por intermédio do companheiro-coletor, empréstimos de mais de R$ 50 milhões nos bancos Rural e BMG. Usou a grana para pagar despesas atrasadas de campanha de petistas e de políticos do consórcio governista. Nada a ver com a campanha de Lula. Etc, etc, etc.
O depoimento, como se vê, vai à vala das inutilidades. O PT parece ter escolhido bem o seu culpado. Aliás, é sempre mais conveniente escolher culpados do que procurá-los. Para completar o dia, a CPI dos Bingos, ex-comissão do Apocalipse, mandou ao arquivo os requerimentos de convocação de Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity; de Marcos Valério, o homem da mala; de Jorge Mattoso, o ex-presidente da Caixa Econômica; e alguns outros que não interessavam ao governo. Ficou claro que a oposição perdeu a maioria na comissão. Demorou, mas a turma do Planalto conseguiu assumir o controle.
Escrito por Josias de Souza às 15h41
Divulgação
Os sobreviventes do comunismo não gostam de admitir. Mas certas ideologias, quando em desuso, também enferrujam. A julgar pela vestimenta exibida pela mulher de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Rita, no Jockey de São Paulo (veja foto), até aquela velha vermelhidão vai assumindo tons apaziguadoramente oxidados. Leia abaixo um conjunto de notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes):
Mil garrafas de champanhe Chandon, o high society de chapéu e a elegância comunista marcaram o domingo no Jockey, durante o Grande Prêmio SP. A festa começou às 13h, com almoço elaborado pelo banqueteiro Charlô Whately, para 500 convidados. Entre eles, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o presidente da Câmara de Deputados, Aldo Rebelo, e sua esposa Rita Rebelo -com chapéu da Maison John & John, de Brasília, e casaco de pele amarelo, da Dolce & Gabbana.

"É pele sintética", diz Rita, cujo marido, Aldo, é militante histórico do PC do B, o Partido Comunista do Brasil.

"Comprei em Roma, em 93, 94... Mas, olha, sou uma pessoa super simples. Só acompanhei a tradição do evento, que tem esse formato de elite. Mas a gente não é disso, não", diz

Além da corrida houve leilão de cavalos. Um potro foi vendido por R$ 180 mil.
Escrito por Josias de Souza às 11h04

- JB: Bolsa cai 9,5% e dólar sobe 10% no mês
- Folha: Previsão sobre juro dos EUA derruba Bolsa e eleva dólar
- Estadão: Investidor foge do risco e mercados desabam
- Globo: Polícia tem 72 horas para apresentar lista de mortos
- Correio: Câmara fecha as portas a Marcola
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h59
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 03h53
Lei que manda preso estudar e trabalhar é ignorada
Relatório de auditoria concluída em dezembro de 2002 e encaminhada ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Justiça no início da gestão Lula, em janeiro de 2003, ajuda a explicar por que facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) dominam os presídios. Elaborado por auditores do TCU, o documento informa que o Estado não cumpre a Lei de Execução Penal, de 1984. Ela prevê que os presos deveriam estudar e trabalhar. Mas é flagrantemente desrespeitada.
O desrespeito à lei contribui para um dos principais flagelos do sistema prisional brasileiro: de acordo com a auditoria, 70% dos presos recolhidos aos cárceres do país são reincidentes. Devolvidos ao convívio social sem receber o tratamento de “ressocialização” previsto em lei, os criminosos voltam a delinqüir e retornam para os presídios.
Na época em que a fiscalização foi realizada, havia em São Paulo 72.140 criminosos (40% do universo carcerário nacional). Só 12.500 (17%) estudavam. A qualificação profissional nos presídios paulistas "se aproxima de zero", anotaram os auditores do Tribunal de Contas da União. Hoje, a população carcerária do maior Estado da federação é de cerca de 140 mil pessoas. Não há vestígio de melhora no quadro detectado há quatro anos.
Os auditores do TCU analisaram dados relativos ao período de 2000 a 2002. Quem lê o trabalho, cuja íntegra está disponível aqui, percebe que a violência no Brasil não é fruto de improviso. As cadeias do país são estruturadas como escolas do crime. Eis alguns dos problemas detectados:
1) virou letra morta a Lei de Execução Penal. Contém normas de "prevenção" ao crime e "ressocialização" do criminoso. Estabelece os "direitos" do preso -educação e trabalho, por exemplo;
2) visitaram-se 18 cadeias em nove Estados. Entrevistaram-se 108 presos. Enviaram-se questionários a todas as prisões de regime fechado do país. As respostas indicam que 77% da população carcerária não estuda. Onde há ensino, ele é precário e descontinuado;
3) Em São Paulo que guardava em seus calabouços 72.140 criminosos (40% do universo carcerário nacional), só 12.500 (17%) estudavam. Registrou-se percentual idêntico no Distrito Federal, Ceará, Paraíba e Bahia. Em Estados como Espírito Santo, Acre, Rondônia, Goiás, Amazonas e Pará só 7% dos presos têm acesso a educação. O Paraná, campeão de civilidade, oferece ensino a míseros 31% de seus detentos. Seguem-se Minas (30%), Mato Grosso e Maranhão (ambos com 28%) e, mais atrás, Rio Grande do Sul, Amapá e Alagoas (todos com cerca de 20%);
4) a qualificação profissional é virtualmente inexistente. Em São Paulo, "se aproxima de zero". Nos Estados mais bem estruturados passa de 50% o número de presos mantidos no ócio. O "direito" ao trabalho converteu-se em "privilégio";
5) o preso-trabalhador deveria receber pelo menos 70% do salário mínimo. Nem sempre recebe. Contam-se nos dedos de uma mão as experiências positivas implantadas nos Estados. São programas oficiais, parcerias com entidades como o Sebrae e convênios com empresas. Mas "as boas práticas ainda não estão devidamente consolidadas".
A auditoria resultou numa série de recomendações do TCU ao governo. Realizaram-se duas inspeções posteriores para verificar se haviam sido cumpridas. Na primeira, registrou-se um tímido avanço. Na segunda, feita em março de 2005, verificou-se uma “involução” (leia documento aqui).
Escrito por Josias de Souza às 03h46
A Comissão de Ética Pública, órgão de assessoramento da Presidência da República, isentou o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) da acusação de ter ferido princípios éticos ao indicar e apresentar um advogado para o ex-colega Antonio Palocci, encrencado no caso da violação do sigilo bancário de Francenildo Costa. A representação contra Bastos fora protocolada pelo líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), em 20 de abril.
Maia alegara que o ministro ferira o artigo 3º do Código de Conduta da Administração Pública. Reza que, “nas relação entre suas atividades públicas e privadas”, autoridades do governo devem portar-se dentro dos padrões éticos, “de modo a prevenir eventuais conflitos de interesses”.
Para Maia, Bastos ultrapassou a fronteira que separa o público do privado ao participar de reunião com o advogado Arnaldo Malheiros e Palocci, num instante em que o hoje ex-ministro da Fazenda já se encontrava sob investigação da Polícia Federal. A Comissão de Ética Pública, porém, opinou em sentido contrário. E o deputado, embora contrariado, vai deixar a coisa por isso mesmo.
Nesta segunda-feira, o ministro voltou a freqüentar a berlinda. A oposição agora o critica por ter participado de uma reunião com o banqueiro Daniel “encrenca” Dantas na noite de terça-feira da semana passada. A exemplo de Palocci, Dantas também está sendo investigado pela PF. Apura-se o suposto envolvimento do banqueiro na encomenda de um dossiê que acusa políticos e autoridades do governo de esconder dinheiro em paraísos fiscais.
Entre os personagens mencionados no dossiê estão o próprio ministro da Justiça e o presidente Lula. Thomaz Bastos disse que não há nada de errado no fato de ter conversado com o dono do Opportunity. O encontro foi intermediado pelo deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e amigo do ministro. Ocorreu na casa do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), amigo de Dantas.
Segundo o ministro, Daniel Dantas queria apenas se explicar. Durante o encontro, o banqueiro entregou a Thomaz Bastos uma carta em que nega que tenha encomendado o tal dossiê. A reunião não rendeu apenas ataques de oposicionistas. Causou também mal-estar na Polícia Federal, subordinada do Ministro da Justiça.
Escrito por Josias de Souza às 00h19
Uma onda de pessimismo de dimensões planetárias varreu o mercado financeiro nesta segunda-feira. Provocou quedas nas principais bolsas de valores do mundo. E, como sói acontecer, engolfou também os negócios da bolsa de São Paulo, deixando os investidores com um pé atrás.
No seu momento de maior nervosismo, a bolsa brasileira chegou a despencar 5,5%. No final do dia, a queda maneirou, recuando para 3,27%. Foi o pior mergulho desde outubro do ano passado. Com os papéis da bolsa banhados pela onda de dúvida, o investidor nadou para um porto seguro: o dólar.
Resultado: a moeda americana deu um salto. Chegou a subir 4,97%. Nesse instante, cada dólar era vendido por R$ 2,317. Foi a primeira vez desde janeiro que o dólar ultrapassou a cifra de R$ 2,30. Depois, foi recuando até se fixar numa valorização de 3,57%, sendo comercializado a R$ 2,29.
E por que o mercado acordou de mal com a vida? A encrenca vinha se desenhando desde 10 de maio. Nesse dia, temendo altas indesejáveis na taxa de inflação norte-americana, o FED (Federal Reserve), o banco central dos EUA, aumentou em 0,25 ponto percentual a taxa de juros na terra de George Bush, que passou a ser de 5% ao ano. Foi a 16ª alta consecutiva. E pode não ser a última. E daí?
E daí que juros mais azedos levam a um refreamento dos pendores consumistas do cidadão norte-americano.
Numa leitura simplista, significa dizer que os companheiros do norte deixarão de comprar produtos feitos por lá e também os que são importados do resto do mundo. E, se a locomotiva desacelera, leva junto com ela os vagões que vêm atrás. Países ditos emergentes –China, Índia, Rússia e Brasil, por exemplo—podem vir a ser compelidos a pisar no freio. Não é só.
A perspectiva de desaceleração da economia global faz o investidor estrangeiro pensar vinte vezes antes de aplicar o seu dinheiro em mercados como o brasileiro. Aqui, pagam-se juros generosos. Mas o risco do investimento também é maior. E, nessas horas de incerteza, o dinheiro que não fala português não costuma portar-se como bobo. Entre precavido e medroso, ele prefere agarrar-se a uma âncora mais segura: os papéis do tesouro dos EUA.
Se a atmosfera aziaga perdurar, uma hipótese que não pode ser descartada, o dinheiro estrangeiro, que hoje é abundante em mercados como o brasileiro, pode dar no pé. A encrenca não é uma exclusividade do Brasil. Outras bolsas importantes despencaram nesta segunda. A da China caiu dez pontos. Mas a economia chinesa cresce a taxas de 10% ao ano. Tem mais gordura para queimar do que o Brasil, cujo PIB cresceu ridículos 2,3% em 2005.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que a economia brasileira é sólida o bastante para agüentar eventuais solavancos. De fato, o país está mais bem posicionado agora do que na crise do final da década de 90. Mas a nossa capacidade de resistência depende do tamanho do solavanco. É cedo para saber se esta segunda-feira significou um mero soluço ou o início de um novo ciclo.
O FED volta a se reunir nos dias 28 e 29 de junho. Tudo indica que vai elevar novamente a taxa de juros nos EUA. Antes disso, em 31 de maio, o organismo divulga a ata de sua última reunião. O documento costuma trazer sinalizações de decisões futuras. Convém cruzar os seus dedos.
Escrito por Josias de Souza às 23h07

Lula gravou nesta segunda-feira uma participação para um programa televisivo que o PT leva ao ar na próxima quinta-feira. Ele falou sobre “a importância da educação para o futuro do país”.
Uma curiosidade remeteu a gravação a um passado inglório do petismo. A fala de Lula foi colhida num local que, para o PT, é mal-assombrado: o Hotel Blue Tree Park, o mesmo que Delúbio Soares usava para fazer acertos espúrio$ com Marcos Valério.
O Blue Tree é uma das mais luxuosas hospedarias de Brasília. Foi usada pelo PT também para realizar o encontro em que foram expulsos do partido a senadora Heloisa Helena e mais três deputados insurretos que fundaram o PSOL. À época, Heloisa Helena lastimou: "Cortaram as nossas cabeças no templo da burguesia."
"Utilizamos o hotel porque fica próximo ao Palácio da Alvorada, facilitando o deslocamento do presidente, que não pode usar locais públicos para atividades partidárias", justificou-se o presidente do PT, Ricardo Berzoini. "Não vejo nenhum problema em termos usado aquele hotel, até porque os prédios não guardam as energias negativas do passado".
Leia aqui mais detalhes, em reportagem de Ricardo Amaral e Natuza Nery.
Escrito por Josias de Souza às 18h24
Convocado pela CPI dos Bingos para depor nesta terça-feira, Delúbio Soares, o ex-gestor das arcas cladestinas do PT, tentou fugir. Pediu ao STF a concessão de um hábeas corpus que o desobrigasse de comparecer à comissão. O Supremo acaba de negar o pedido.
A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio de Mello. Ele anotou em seu despacho que os cidadãos em geral devem colaborar com as autoridades constituídas na elucidação dos fatos e que deve ser preservada a independência da CPI em relação aos temas que serão abordados na inquirição.
Marco Aurélio negou também um pedido de Delúbio para que lhe fosse assegurado o direito de silenciar diante da argüição dos parlamentares. Disse que não se pode presumir que há "violências a serem perpetradas pela CPI dos Bingos". Afirmou também que reiteradas decisões do Supremo "direcionam a concluir que não há risco maior a justificar decisão judicial visando a garantir a presença dos advogados do paciente e, até mesmo, o direito deste último de permanecer em silêncio (...)".
Delúbio tem muito a explicar à CPI. Será inquirido, por exemplo, sobre o suposto repasse de R$ 1 milhão de casas de bingo para a campanha de Lula em 2002. Será questionado também sobre a suposta tentativa de achaque ao Banco Opportunity de Daniel “encrenca” Dantas.
Por último, será inquirido sobre a ambição arrecadatória da parceria que montou com o empresário Marcos Valério. Num surto verbal inesperado, Silvio “Land Rover” Pereira disse, em entrevista à repórter Soraya Aggege, que o esquema visava amealhar R$ 1 bilhão.
A despeito das expectativas, é improvável que Delúbio pronuncie na sessão desta terça, marcada para as 11h, comentários que causem problemas para a campanha reeleitoral de Lula. O ex-tesoureiro parece bem acomodado no papel de protagonista de todas as culpas.
Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Marco Aurélio.
Escrito por Josias de Souza às 17h47
A chiadeira de Cláudio Lembo surtiu efeito. Depois de atear fogo nas relações entre PSDB e PFL, o governador de São Paulo recebeu hoje uma comitiva de bombeiros. A missão foi comandada por Jorge Bornhausen, presidente do PFL.
Depois da visita, Lembo evitou jogar mais querosene às labaredas que acendeu na semana passada. Mas não retirou as críticas. Ao contrário, repisou-as. De acordo com o relato do repórter Epaminondas Neto, perguntaram a Lembo se houve falta de lealdade dos aliados.
E o governador: "No mundo sempre tem falta [de lealdade]. A todo momento, mas, felizmente, a semana passada passou. Ela [lealdade] sempre demora para chegar em determinadas pessoas. Quanto mais desenvolvida intelectualmente a pessoa, mais a lealdade demora a chegar."
Embora Lembo tenha se esquivado de mencionar novamente os nomes dos “intelectuais” que foram acometidos de um surto de lealdade retardada, sabe-se que ele se referia ao tucanato. Só no domingo ele recebeu visitas de solidariedade, por exemplo, de José Serra e Geraldo Alckmin.
Lembo referiu-se também aos elogios públicos que recebeu de Lula: “Elogio é sempre bom. Eu sou amigo do presidente Lula desde 1978". Aparentemente, a missão dos bombeiros pefelistas surtiu efeito. O governador disse que suas relações com o PSDB estão “ótimas”. Atribuiu o curto-circuito da semana passada a um lapso: "Houve ausência, talvez, de mais diálogo", afirmou.
Bornhausen, por sua vez, disse que a crise não afetou os rumos da aliança do PFL com o PSDB em torno da candidatura presidencial de Alckmin. Seguem, segundo ele, as costuras de alianças entre os dois partidos nos Estados. "Esse entendimento [nos Estados] não é simples. Pode haver sempre alguns conflitos entre lideranças locais."
Escrito por Josias de Souza às 17h28
O Ministério Público Estadual de São Paulo deu prazo de 72 horas para que a polícia de São Paulo entregue a lista de pessoas mortas entre os últimos dias 13 e 19, durante os confrontos com bandidos do PCC, o Primeiro Comando da Capital. A requisição foi feita em ofícios enviados ao delegado-geral da Polícia Civil Marco Antonio Desgualdo e ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel Elizeu Éclair Teixeira Borges.
Os promotores investigam eventuais abusos praticados na ação policial. Além da lista de mortos, desejam receber também os boletins de ocorrência das mortes. O governo paulista reconhece que foram abatidos 109 suspeitos de envolvimento com a onda de 299 ataques do PCC. Mas até agora não divulgou os nomes. Revelaram-se apenas os nomes dos 41 policiais mortos.
Escrito por Josias de Souza às 16h13
O ministro Celso de Mello, do STF, mandou ao arquivo a ação judicial em que Fernando Henrique Cardoso acusa o ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) de tê-lo injuriado e difamado. A decisão não põe fim ao processo. Significa apenas que o caso terá de descer à primeira instância do Judiciário, já que Ciro perdeu o foro privilegiado ao deixar, em março, o cargo de ministro de Estado.
FHC processou Ciro em função de declarações que ele fez em junho de 2005. O ex-ministro dissera que o ex-presidente "não possui preocupação com a ética". Disse que o governo Lula "é diverso do anterior, sendo nacional e ético, contra um governo entreguista e contemporizador com a ladroagem".
Ciro listara quatro casos em que "bilhões de reais em recursos públicos foram mal utilizados": a extinção da Sudam e da Sudene; o socorro aos bancos Marka e Fontecindam; o caso da suposta compra de votos no Congresso para aprovação da emenda da reeleição; e a privatização do sistema Telebrás.
Se quiser que o processo continue andando, FHC terá de informar ao STF para onde deseja encaminhar o inquérito. As declarações de Ciro foram publicadas em dois jornais: Folha e Globo. Pela lei de imprensa, o foro adequado para esse tipo de ação é a praça em que o jornal é editado. FHC poderá optar, portanto, pela remessa dos autos para São Paulo, onde é editada a Folha, ou para o Rio, onde o Globo é impresso.
Escrito por Josias de Souza às 15h50
O Tribunal de Contas da União decidiu realizar uma auditoria nos gastos do Banco do Brasil com patrocínios a atletas e entidades esportivas. Será feita ao longo do segundo semestre de 2006. Os maiores beneficiários do suporte financeiro do banco são as entidades e esportistas do vôlei e do tênis.
Entre 2000 e 2005, o Banco do Brasil gastou R$ 200,9 milhões em 753 processos de patrocínios a setores diversos. Suspeita-se que alguns deles tenham resultado em procedimentos e gastos irregulares. Daí a auditoria, que vai abranger o período de 2001 a 2005.
Em inspeção preliminar, auditores do TCU dizem ter apurado “diversas irregularidades na condução de contratos de patrocínio celebrados com a Confederação Brasileira de Voleibol”. O foco da apuração não era, porém, a carteira de patrocínios, mas os gastos com publicidade e propaganda do Banco do Brasil.
Simultaneamente, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) protocolou no TCU um pedido de auditoria nos contatos de patrocínio do banco. Decidiu-se, então, aprofundar a inspeção também neste setor. Além dos gastos feitos na área esportiva, serão esquadrinhadas despesas com o patrocínio de eventos de entidades ligadas ao Poder Judiciário.
São 13 as “irregularidades” que os auditores do tribunal já detectaram nos contratos firmados entre o Banco do Brasil e a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Entre elas as seguintes: fragilidade no controle das exigências contratuais para a comprovação da utilização de recursos pela CBV; falta de comprovação da compatibilidade entre a natureza das despesas e a finalidade dos recursos; aquisição de produtos iguais, produzidos pela mesma empresa, por preços diferentes; pagamentos de serviços sem a comprovação de que foram devidamente executados; ressarcimento de despesas para a CBV não previstas contratualmente ou indevidamente comprovadas; etc.
Seguindo parecer da equipe técnica do tribunal, os ministros do TCU concluíram que a fiscalização “deve abranger os exercícios de 2001 a 2005 e todo o conglomerado Banco do Brasil, quer pela diversidade de empresas patrocinadoras, quer pelo envolvimento de empresas do grupo na intermediação dos patrocínio”.
“Ante ao grande número de processos, à expressiva materialidade e ao alto risco dos patrocínios realizados (...), torna-se inviável a análise deste tema por intermédio de diligências, ou mesmo inspeção, motivo pelo qual entendemos pertinente a realização de auditoria no banco, a fim de apurar as supostas irregularidades”, anota ainda o documento aprovado pelos ministros do TCU (leia a íntegra aqui).
Escrito por Josias de Souza às 15h11
É só o sujeito atingir a meia-idade para querer falsear o óbvio. A coisa tende a se agravar quando a idade, que era meia, vai ficando inteira. Mas tem um certo momento da vida em que já não adianta mentir a idade. Tudo em você, as pernas, a barriga, a coluna, o rosto, tudo exala cronologia. Nesta segunda-feira, o IBGE informou que aumentaram as chances de o relógio lhe conceder umas voltas adicionais do ponteiro.
A expectativa de vida da população brasileira, informa o instituto, aumentou em mais de três anos entre 1991 e 2000. Nesse período, a esperança de vida das mulheres passou de 70,9 anos para 74,1 anos. Para os homens, aumentou de 63,1 para 66,7 anos.
Não sei quanto a você, mas o signatário do blog implica com essas estatísticas que consideram as vírgulas numa matéria em que o relevante é o ponto final. Ainda assim, informa a quem de direito que, naquilo que lhe diz respeito, não abrirá mão nem do “,1” nem do “,7”. Deseja empurrar a pedra da existência até a última pausa ortográfica. Leia mais detalhes aqui.
Escrito por Josias de Souza às 12h29

- JB: Zona Sul - Desordem - Guarda ignora a própria lei
- Folha: Lula elogia atitude de Lembo e ataca Serra e César Maia
- Estadão: 1,5 milhão de paulistanos vão às ruas contra o medo
- Globo:Grupos vão à Justiça para obter nomes de mortos
- Correio: Papuda funciona no limite da segurança
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h14
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h36
A plataforma de governo do candidato tucano Geraldo Alckmin vai incluir um programa que Lula considera a principal iniciativa de sua gestão na área social: o Bolsa Família, que paga entre R$ 15 e R$ 95 para as famílias com renda mensal de até R$ 120 por pessoa. “Manteremos, sem dúvida nenhuma”, disse ao blog João Carlos de Souza Meirelles, coordenador do programa de governo de Alckmin.
Meirelles diz que não há constrangimentos do tucanato em inserir no programa de Alckmin uma das principais peças de propaganda da campanha de Lula à reeleição. “Fomos nós que criamos”, diz o auxiliar de Alckmin, lembrando o fato de que o Bolsa Família resulta, na verdade, da fusão e ampliação de programas que haviam sido lançados na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. Entre eles o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás.
“Vamos manter, melhorar e ampliar o programa onde ele for necessário. Só que o nosso viés será outro. Como o governo Lula vem fazendo? Ele dá o Bolsa Família, o que é 100% correto. Mas não cria nenhum programa de desenvolvimento econômico nos bolsões de miséria, o que está 100% errado”.
Meirelles prossegue: “O Bolsa Família, repito, é um belíssimo programa. Mas não foi feito nenhum investimento na criação de trabalho e renda para que as famílias não precisem ficar a vida inteira submetidas à humilhação de estar recebendo um favor do Estado. Nós vamos fazer diferente. Vamos identificar os bolsões de pobreza, o que é muito fácil fazer a partir dos dados à disposição, e criar condições para que os atuais beneficiários possam dispensar o benefício”.
O Bolsa Família será um dos pilares sociais também da plataforma que Lula vai defender na campanha por um segundo mandato no Planalto. A iniciativa consta das diretrizes aprovadas pelo PT em seu 13º Encontro Nacional. É mencionada no item número 5 do documento, cuja redação final foi fechada na última sexta-feira por Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de governo de Lula.
“O Programa Fome Zero e, dentro dele, em especial, o Bolsa Família, permitiu que, até agora, mais de 30 milhões de brasileiros pudessem se beneficiar desse mecanismo de transferência de renda”, diz o documento do PT. “Mesmo tendo impacto menor do que políticas sociais como o SUS e a Previdência Social, a Bolsa Família constitui importante instrumento de distribuição de renda. Além de suas conseqüências sociais no plano da saúde e da educação, revelou-se meio eficaz para dinamizar a constituição de um grande um mercado de bens de consumo de massas”.
A crítica feita por Meirelles, o articulador do programa de Alckmin, já freqüenta as preocupações do atual governo. Planeja-se impor um prazo máximo de permanência dos beneficiados no programa, criando o que os técnicos chamam de “portas de saída”. Por exemplo: famílias inscritas no Bolsa Família cujos filhos atingissem o nível universitário passariam a se beneficiar do Prouni, que concede bolsas em faculdades particulares. Famílias com filhos matriculados no ensino médio migrariam para o Pro-jovem, que financia a qualificação profissional.
Ao apropriar-se de uma arma do seu principal rival, Alckmin tenta atenuar a vantagem que Lula abre sobre ele nas regiões mais pobres do país, sobretudo no Nordeste. Ali, o prestígio do presidente é vitaminado pela distribuição de dinheiro a famílias que flertam com a miséria e a fome.
Leia mais sobre os programas dos dois candidatos aqui. E aqui.
Escrito por Josias de Souza às 01h08
Ricardo Stuckert/PR
Lula elogiou neste domingo a forma como o governador de São Paulo administrou a crise provocada pela onda de ataques do PCC. "Eu quero aqui, de público, dar a minha solidariedade ao governador Cláudio Lembo pela postura que ele teve. Ele não podia fazer mais do que fez, não podia fazer", disse o presidente, durante cerimônia de inauguração da sede do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.
O comentário de Lula, que conversou com Lembo ao chegar em São Paulo, condiz com a estratégia que traçara no início da semana. Impressionado com o abandono a que PFL e PSDB submeteram Lembo, Lula dissera que seria mais solidário com o governador do que seus próprios aliados.
Lula e Lembo encontraram-se no Aeroporto de Congonhas. Ao relatar o encontro, o presidente disse que, uma vez mais, pôs o governo federal à disposição de São Paulo: "Ainda há pouco estive com ele no aeroporto e disse para ele: 'Cláudio, o que você precisar, não se faça de rogado. Nós estamos dispostos a ajudar com o que a gente tiver para ajudar'".
Nos últimos dias, Lembo vem destilando ironias no noticiário contra os seus aliados tucanos. Não gostou do fato de Alckmin ter dito que, se ainda fosse governador, não teria recusado auxílio federal. Gostou menos ainda de FHC ter insinuado, desde Nova York, que a polícia paulista teria feito acordo com o PCC para pôr fim à onda de ataques.
Lula voltou a responsabilizar a carência de investimentos em educação pelo recrudescimento da violência. Mencionou também as dificuldades econômicas do país. Falava, naturalmente, dos governos anteriores: "Quando a gente fizer discurso no futuro, nós temos que lembrar que nós começamos este século com duas décadas perdidas. Nós temos que lembrar que passamos 20 anos, de 1980 a 2000, foram praticamente 20 anos perdidos neste país".
Aproveitou para alfinetar o ex-prefeito José Serra (PSDB), de São Paulo, e o prefeito César Maia (PFL), do Rio. Presente à inauguração da sede do Sindicato dos Comerciários, Gilberto Kassab (PFL), que assumiu a prefeitura paulistana no lugar de Serra, pôde ouvir as críticas.
Lula mencionou o programa federal Pró-Jovem, que oferece bolsa de R$ 100 a jovens de 17 a 24 anos matriculados em cursos profissionalizantes. Insinuou que os prefeitos deram de ombros para a iniciativa. "No ano passado, o Kassab não era o prefeito, era vice-prefeito (de Serra), nós oferecemos para a cidade de São Paulo, e oferecemos para a cidade do Rio de Janeiro... o equivalente a 30 mil vagas", disse o presidente. "Por problema político, meu caro Kassab, a cidade de São Paulo, até agora, só preencheu 7.000 dos 30 mil colocados, e a cidade do Rio de Janeiro não preencheu nem os 7 mil".
Escrito por Josias de Souza às 16h15
Em seu discurso de posse, pronunciado em janeiro de 2003, Lula disse que a grande prioridade de sua política externa seria "a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida (...)”. Algo que dependia de “uma ação decidida de revitalização do Mercosul (...)”.
A sete meses do final do governo, Lula revela-se, em diálogos privados, desanimado com o futuro do Mercosul.
Acha que o projeto de mercado comum latino-americano pode estar definhando. Foi informado pelo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, de que os governos paraguaio e uruguaio vão pedir formalmente, até o final de junho, autorização para celebrar tratados de livre-comércio com países que não integram o Mercosul.
De acordo com as normas do Mercosul, os países que o integram –Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai—são proibidos de firmar os chamados TLCs (Tratados de Livre Comércio) com outras nações. O pedido a ser encaminhado por Paraguai e Uruguai significa, na prática, a falência do Mercosul como bloco econômico.
Lula enxerga as digitais da administração George Bush por trás da iniciativa dos dois parceiros. Acha que os EUA forçam a porta do Mercosul para dobrar Brasil e Argentina nas negociações para a formalização da ALCA, o Mercado de Livre Comércio das Américas. Washington desejaria demonstrar que, prevalecendo as resistências à ALCA, conduzirá negociações compartimentadas, de país para país, dando de ombros para o Mercosul.
Paraguai e Uruguai sempre se consideraram como espécies de “primos pobres” do Mercosul. Lula e Néstor Kirshner, o presidente da Argentina, iniciaram uma articulação para atrair o presidente venezuelano Hugo Chávez para o bloco econômico. Parece que conseguiram, mas não se deram conta de que parcerias tradicionais esboroavam à sua volta.
Como disse Lula em seu discurso de posse, “o Mercosul, assim como a integração da América do Sul em seu conjunto, é, sobretudo, um projeto político. Mas esse projeto repousa em alicerces econômico-comerciais que precisam ser urgentemente reparados e reforçados". Paraguai e Uruguai passaram a avaliar que, do ponto de vista econômico, o Mercosul proporciona-lhes muito pouco. E querem partir para novas parcerias.
Lula avalia que o desafio à unidade chega em péssima hora. Um instante em que os países latino-americanos deveriam estar unidos no esforço que vem sendo travado na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os subsídios que os governos da Europa e dos EUA pagam a seus agricultores.
Não bastasse tudo isso, Lula ainda se vê às voltas com a encrenca do gás, causada pelos arroubos nacionalistas do boliviano Evo Morales, e com as espertezas do venezuelano Hugo Chávez, que usa os seus petrodólares para distribuir gentilezas aos países vizinhos e confrontar a suposta liderança natural do Brasil. O sonho do continente "unido" ficou no discurso.
Escrito por Josias de Souza às 14h03
'Salvem os brasileiros'
Alessia Pierdomenico/Reuters
Os peladões acima são militantes do grupo PETA, uma sigla que, em inglês, significa “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”. Neste domingo, em Londres, eles tiraram a roupa por uma causa nobre. Protestaram contra os chapéus usados pelos guardas do Palácio de Buckingham, que são feitos, veja você, de pele de urso.
Por sorte, não temos no Brasil os luxos e as afetações da realeza britânica. É pena nao termos também os ursos. Se eles habitassem as nossas matas decerto diriam: “Salvem primeiro os brasileiros”. Outra coisa que nos distingue do Reino Unido: aqui não há manifestantes pelados. Só os reis estão nus.
PS.: Clique na foto para ver uma galeria de imagens do domingo pelo mundo.
Escrito por Josias de Souza às 12h39
Para quem está na cadeia, o dinheiro não traz felicidade. Mas essa não chega a ser uma questão financeira que o pessoal do PCC leve muito a sério. O negócio do crime, por organizado, é faturar.
A política de São Paulo tenta rastrear as contas bancárias do empreendimento gerido por dom Marcola. Estima-se que o PCC possua pelo menos cem contas, pelas quais escoariam mensalmente coisa de R$ 700 mil.
No ano passado, foi preso Deivid Surur, apontado como tesoureiro do PCC. Tinha consigo um livro-caixa. Foi a partir dele que a polícia começou a farejar a contabilidade do PCC, informam André Caramante e Gilmar Penteado (leia).
Escrito por Josias de Souza às 11h56
Devagar, bem devagarinho, o tucanato paulista vai descendo do muro. Geraldo Alckmin já telefonou para Cláudio Lembo. E José Serra já se anima até a escrever sobre o flagelo da segurança pública. Candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, Serra publicou artigo na Folha (para assinantes). Tem um título óbvio -“O inimigo é o crime”- e um conteúdo tímido. Eis alguns dos principais trechos:
* Média com a polícia: “(...) qualquer manifestação sobre os graves episódios que acometeram São Paulo deve, de saída, prestar a imediata solidariedade à polícia e aos policiais e suas respectivas famílias, tanto àqueles que tombaram no cumprimento do seu dever como àqueles que se arriscam diuturnamente para fazer valer o Estado de Direito. Eles são o braço da sociedade na luta contra o crime e a primeira muralha que protege o regime democrático. E, mais do que nunca, devem ser valorizados.”
* Afago no voto: “A solidariedade deve estender-se à população de São Paulo, que trabalha, paga (muitos) impostos e quer a proteção necessária para viver em paz enquanto trava a difícil luta por melhores oportunidades na vida para seus filhos. Atravessou momentos angustiantes, aflitivos, que pude bem avaliar nas reiteradas conversas com meus familiares e amigos.”
* Recado para Lula, que viu na falta de escola a origem do problema: “Não existe, por exemplo, uma contradição ou uma oposição entre escolas e presídios. Estabelecê-la é criar uma falsa relação de causa e efeito entre a pobreza e o crime. Os pobres, à diferença do que pensam os seus falsos tutores, são dotados de uma severa moralidade. E a esmagadora maioria escolhe o caminho da luta incansável para sobreviver, não o da delinqüência.”
* Sobre a politização: “Não, os inimigos da sociedade não são os promotores, não são os policiais, não são os agentes penitenciários, não são as operadoras de telefonia, não são os secretários de Estado, não são os governadores, não são os ministros, não são os políticos de partidos adversários. Se nos entregarmos a esta disputa fratricida, ganha o inimigo verdadeiro: o crime organizado. O uso político ou eleitoral desta guerra só fortalece os bandidos e só compete para solapar o Estado de Direito. Não custa lembrar que, do lado das quadrilhas, há coesão.”
* Na falta de coisa melhor...: “(...) urge que a sociedade e todos os homens públicos comprometidos com a democracia dêem seu integral e irrestrito apoio ao pacote de medidas já aprovado pelo Senado. Não resolve tudo, não é uma panacéia, não substitui a ação decidida de todas as autoridades, mas é um conjunto positivo de medidas. (...) Merece menção especial a que permite que pessoas ligadas ao crime organizado fiquem em regime de segurança máxima por até 1.440 dias, a obrigação das concessionárias de telefonia de instalar bloqueadores nos presídios e a consideração de que a posse de celulares ou outros instrumentos de comunicação pelos presos passe a ser uma falta grave. (...) Sugiro outras duas (providências): aumento da pena mínima para crimes praticados contra policiais, procuradores, agentes penitenciários, juízes e promotores, quando no exercício da função, bem como daquela aplicada a quaisquer desses servidores quando flagrados em associação com criminosos”.
* Vale por um telefonema: “Em São Paulo, o empenho e a franqueza do governador Lembo, cuja integridade moral é bem reconhecida, facilita e até estimula o debate, as cobranças e a mobilização (...).”
Escrito por Josias de Souza às 11h15
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 10h24

- JB: Guarda de César mata o trabalho
- Folha: PCC monta rede financeira no Estado
- Estadão: Polícia pode ter matado inocentes, admite Lembo
- Globo: Facção de SP negocia armas e drogas com tráfico do Rio
- Correio: Bandidos fazem dois furtos a cada hora no DF
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 01h57
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