Josias de Souza

Bastidores do poder

 

O nome dela é Tonhão

O nome dela é Tonhão

Depois de uma ausência de quase 30 anos, Batwoman voltará a freqüentar os telhados de Gotham City no mês de julho. A colega de Batman reencarnará na pele de uma dama da alta sociedade. Seu nome será Kathy Kane. Mas pode chamá-la de Tonhão. 

Kathy Kane será “uma lésbica socialite à noite e uma combatente do crime tarde da noite”. Ela volta ao universo dos quadrinhos em julho, numa revista chamada 52. É editada pela norte-americana DC (Detective Comics), a segunda maior editora de gibis de super-heróis do mundo.  

Quando de sua primeira aparição, em 1956, o nome que se escondia por trás da máscara de Batwoman também era Kathy Kane. Mas ela morreu em 1979, assassinada por um bandido, sem ter saído do armário. De volta, dividirá o tempo entre a luta contra o crime e os flertes com uma ex-policial chamada Renee Montoya.

 

O maior beneficiado com a novidade será Batman. Doravante, o "homem-morcego" não terá mais de explicar por que, tendo tanta formosura do seu lado, sempre insistiu em manter-se grudado em Robin, o "garoto" prodígio.

Escrito por Josias de Souza às 22h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Cozinheira liga Dirceu, Palocci e Okamoto a Arcanjo

A CPI dos Bingos, que parecia adormecida, voltou a ganhar ares apocalípticos nesta quarta-feira. Deu-se durante a inquirição de uma personagem que, em princípio, não despertara grande interesse. Chama-se Zildete Leite dos Reis. Ela foi cozinheira de João Arcanjo Ribeiro, o “comendador” do crime em Mato Grosso, informa Andreza Matais.

 

O depoimento da cozinheira Zildete foi temperado à base de veneno. De uma só fornada, ela ligou o comendador a três grão-petistas: os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci e o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto. Disse que os três freqüentaram a casa do criminoso. Disse mais e pior: teria visto Dirceu, Palocci e Okamoto saindo da malfadada residência portando malas de dinheiro.

 

Como se fosse pouco, Zildete ainda declarou ter visto o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acertar com o comendador Arcanjo a contratação de um pistoleiro para matar o ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel.

 

Confrontada com fotos dos personagens que mencionou em seu depoimento, Zildete reconheceu Dirceu, Palocci e Okamoto. Mas, curiosamente, não identificou o Sérgio ‘Sombra’ Gomes. Zildete trabalhou na casa de Arcanjo como cozinheira de um buffet de Cuiabá, que cuidava dos jantares do comendador. Alega que decidiu contar o que sabe porque seu irmão foi assassinado a mando de Arcanjo.

 

O próprio relator da CPI, o oposicionista Garibaldi Alves (PMDB-RN), recebeu ouviu o depoimento da cozinheira com um pé atrás: "As palavras dela precisam ser comprovadas. Não tenho dúvidas de que ela esteve na casa, de que preparava as comidas para as pessoas, mas o que ela falou tem que ser comprovado".

 

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), membro da comissão, propôs uma acareação de Zildete com Dirceu, Palocci e Okamoto. O requerimento vai a voto na próxima terça-feira. O relator Garibaldi, de novo, reagiu com reservas. Enxergou na idéia da acareação uma “tentativa de sensacionalismo".

Escrito por Josias de Souza às 19h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Déda, do PT, diz que vai se eleger em Sergipe

  José Cruz/ABr
O petista Marcelo Déda, ex-prefeito de Aracaju, considerou despropositada a avaliação eleitoral do seu partido, divulgada aqui, na parte que diz respeito a Sergipe. “Estou liderando as pesquisas há um ano. Na última sondagem, feita há menos de 30 dias pelo instituto local Dataform, eu estava com onze pontos de vantagem sobre o João Alves (candidato do PFL)”.

 

Déda compartilha da avaliação de que a situação do PT na maioria dos Estados contrasta com o desempenho de Lula nas pesquisas. Mas diz que, em Sergipe, o PT vai para a eleição em posição “confortável”.

 

“Não digo isso com felicidade. Se eu estivesse em situação difícil e o PT estivesse bem no resto do Brasil eu até sofreria na província e me rejubilaria no resto da nação. Mas o fato é que nós estamos numa situação privilegiada. Se a eleição fosse hoje, eu seria eleito no primeiro turno”.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Formalizada a coligação eleitoral de Alckmin

Orlando Brito/OBritoNews
 

PSDB e PFL formalizaram, finalmente, a aliança partidária em torno da chapa presidencial Geraldo Alckmin/José Jorge. A cerimônia foi marcada, como era previsível,  por discursos anti-Lula, informa Andreza Matais. E o PFL aproveitou a data para divulgar a sua plataforma de governo (leia).

Do lado do tucanato, os destaques foram as ausências. "O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não estava lá. José Serra, candidato do PSDB ao governo paulista e líder disparado nas pesquisas no Estado, não apareceu. Aécio Neves, franco favorito à reeleição ao governo de Minas, também não deu o ar de sua graça", realçou Kennedy Alencar.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Economia cresce 1,4% no primeiro trimestre

O IBGE divulgou nesta quarta-feira uma notícia que oferece a Lula mais uma arma no arsenal que reúne para enfrentar o tucano Geraldo Alckmin na campanha presidencial. A economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em comparação com os três últimos meses de 2005. É o melhor desempenho do PIB desde o terceiro trimestre de 2004, quando a expansão foi de 1,5%, informa Ivone Portes.

No ano passado, o PIB cresceu a uma taxa de míseros 2,3%. Em comparação com outros países, superou apenas o conflagrado Haiti (2%). Se o desempenho do primeiro trimestre deste ano fosse mantido até dezembro, a economia brasileira cresceria 5,7%. Mas nem o governo aposta na façanha. O ministro Guido Mantega previu uma taxa de 4,5%, relata Ana Paula Pinheiro. Gente que entende do riscado acha que mesmo esse percentual é exagerado.

 

Seja como for, o desempenho de 2006 será melhor do que o de 2005. O que, para Lula, já é um grande negócio. Permite sustentar o discurso de que, no primeiro mandato, arrumou-se a casa para que, no segundo, o país possa crescer a taxas mais viçosas. O problema é que a cena econômica é embalada por elementos que a Lula não é dado controlar. E as turbulências econômicas dos dias que corres não oferecem bons presságios. Leia relato de Vinicius Albuquerque. Resta ao PT, ao governo e a Lula acender algumas velas. E rezar.

 

Mercê das incertezas que turvam a cena financeira internacional, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) pisou no freio para reduzir o ritmo da queda dos juros. Nesta quarta-feira, podou a taxa básica de juros em apenas meio ponto percentual, para 15,25% ao ano. O corte é menor que os três anteriores, que foram de 0,75 ponto.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ACM volta à carga e Lembo revida

A pefelândia continua conflagrada. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) subiu há pouco à tribuna do Senado para espinafrar o “companheiro” de partido Cláudio Lembo, governador de São Paulo. Disse o seguinte:

 

“Essa figura está atrapalhando a vida pública de São Paulo. Desastres ocorridos naquela grande cidade foram fruto da incompetência de quem governa o Estado. Governa sem votos. E quando se governa sem votos não se tem responsabilidade”.

 

O blog ouviu Lembo. O governador não deixou por menos. Disse que ACM “é fruto direto do pecado original, aquele pecado que marca o ser humano e o torna degredado. Ele é o próprio pecado.”

 

O duelo verbal entre Lembo e ACM foi iniciado pelo senador, que dissera que o governo tem “cara de burro”. Em resposta, foi chamado de “senhor de engenho”. Da tribuna, ACM evocou sua “origem humilde” para refutar a pecha.

 

“Fui estudante pobre, filho de professor decente. Esse é o meu orgulho”, disse ACM. Não sou homem de engenho. Como também nunca fui empregado, como meu acusador, de banqueiro. Aliás, o banqueiro é decente, o empregado é que não é”.

 

O banqueiro a que se refere ACM é Olavo Setúbal, do Itau, a cujos quadros Lembo já pertenceu. Não passou despercebido ao governador o fato de o senador ter tomado o cuidado de preservar Setúbal em sua fala: “Ele sempre foi bajulador de banqueiros, embora não tenha conseguido preservar nem um banco sequer na Bahia”.

 

ACM insinuou que Lembo não tem fidelidade a Alckmin, sugeriu a extinção do cargo de vice e afirmou que seu histórico político o legitima a criticar membros de seu partido: “Fui deputados estadual, deputado federal, prefeito de Salvador, governador três vezes da Bahia, ministro de Estado, senador duas vezes eleito (...). É isso que me dá oportunidade de dizer ao meu partido que erra ao dar valor a quem não tem voto”.

 

E Lembo: “Com quem direito o representante de outro Estado se acha no direito de falar sobre São Paulo? Esse senhor deveria representar melhor o povo do seu Estado. E não se intrometer nos assuntos internos de São Paulo. Ele está desesperado pela derrota. Perdeu com o Zé Agripino (Maia). Apoiei publicamente o José Jorge (para a vaga de vice de Geraldo Alckmin). Eles fizeram tudo para ganhar e perderam”.

Escrito por Josias de Souza às 15h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula faz a corte ao ex-desafeto Quércia

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Para certos políticos, a folhinha funciona como lavanderia. O correr dos dias lava-lhes os prontuários. O esquecimento põe o ferro em cima. E o tempo passa. Assim é que Orestes Quércia, de biografia nova, vem sendo transformado em herói da resistência.

 

Assediado por tucanos e petistas, Quércia encontrou-se nesta quarta-feira com Lula, no Palácio do Planalto. Segundo a versão de Quércia, Lula ofereceu-lhe a oportunidade de indicar o vice dele próprio e o de Aloizio Mercadante, candidato ao governo paulista. De acordo com o ministro Tarso Genro, que, junto com Mercadante, também participou da conversa, a coisa não foi bem assim.

 

Seja como for à saída da conversa, Quércia disse que as supostas ofertas de Lula serão levadas em conta pelo PMDB, o partido mais partido do Brasil (leia). Concretamente, o encontro não alterou a cena peemedebista. O partido de Quércia tende a não se aliar nem a Lula nem a Geraldo Alckmin. Prefere ficar livre, para fazer nos Estados as composições eleitoralmente mais convenientes.

 

Em São Paulo, Mercadante disputa o apoio de Quércia com o tucano José Serra, que também já lhe ofereceu a possibilidade de indicar o vice de sua chapa e de concorrer ao Senado, se quiser. Quércia já disse aos seus que pende para Serra. Os entendimentos com o PT incluem a vaga de vice de Mercadante, mas excluem o Senado, que tem em Eduardo Suplicy o candidato "inegociável" do PT. 

 

O eventual acerto com o tucanato em São Paulo inviabilizaria um acordo de primeiro turno com Lula. Mas não impede a costura de um entendimento para o segundo turno. Se Lula obtiver o segundo mandato, o PMDB estará no seu governo. Se o vitorioso for Alckmin também. É certo como o nascer do sol a cada manhã.

Escrito por Josias de Souza às 15h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cesar Maia mantém ventilador ligado

A despeito das promessas, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), não parece lá muito disposto a guardar apenas para o circuito interno suas críticas à condução da campanha  tucano-pefelista. Ele manteve o ventilador nesta quarta-feira. Anotou o seguinte em seu boletim eletrônico, que ele chama de 'ex-blog':

 

“Ex-blog em fase de SUAVES SUGESTÕES!

Ô assessoria do Alckmin! Ir a Pernambuco, tirar foto com o governador Jarbas Vasconcelos e o coordenador da campanha Sergio Guerra, e não ter ninguém do PFL junto, não pega bem. Especialmente porque não foi possível fazer esta foto com o senador e vice José Jorge, no dia anterior, por falta de agenda.”

 

PS.: Depois de ler o despacho acima, Ennio Benning, assessor de imprensa de Jarbas Vasconcelos, entrou em contato com o signatário do blog. Disse que Cesar Maia “cometeu um erro primário”. A crítica do prefeito, disse Ennio, refere-se a uma foto publicada pelo Globo em sua edição de 30 de maio.

 

De fato, Alckmin aparece na imagem ao lado de Sérgio Guerra e José Jorge. Mas a foto não é nova. Foi tirada em 22 de janeiro de 2006. Deu-se “durante uma visita que Alckmin fez a Pernambuco (...), quando tanto ele quanto Jarbas ainda eram governadores”. Ennio acha que César Maia “deveria prestar mais atenção aos jornais da cidade que governa”. A data estava anotada logo acima da foto exibida no Globo.

Escrito por Josias de Souza às 12h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

 

- JB: Universidades perto do colapso

 

- Folha: Turbulência volta, e Bolsa despenca 4,5%

 

- Estadão: Bolsa cai 4,54%; BC segura alta do dólar

 

- Globo: Lula corre para dar aumento a servidor antes das eleições

 

- Correio: Aumento para mais 240 mil servidores

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gabeira promete a Renan ‘muitos coquetéis molotov’

Conforme o previsto, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) patrocinou uma manobra para sepultar a CPI que visava investigar os congressistas sanguessugas, aqueles que agiram em parceria com a máfia da compra superfaturada de ambulâncias. O movimento de Renan produziu uma reação acalorada dos proponentes da CPI.

 

Raul Jungmann (PPS-PE) cobrou explicações na sessão conjunta do Congresso desta terça-feira. Renan alegou que teria sido detectado um erro na lista de assinaturas do pedido de CPI. Fernando Gabeira (PV-RJ) subiu no caixote.

 

“Ao usar um artifício desses, Vossa Excelência está passando o trator por cima da minoria”, disse ele, dedo em riste, do microfone do plenário. “Pode esperar muitos coquetéis molotov, que é a forma de a minoria se defender.”

 

Gabeira acusou Renan de agir em defesa do PMDB, cujo líder no Senado, Ney

Suassuna, é um dos encrencados no escândalo das ambulâncias. Verde de raiva, o deputado classificou a manobra de Renan como um “ato de solidariedade com essa quadrilha”. O tempo fechou. E a sessão teve de ser encerrada.

Escrito por Josias de Souza às 01h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Favorito ao Planalto, PT prevê derrota nos Estados

Levantamento feito em segredo pelo PT indica que a engrenagem eleitoral do partido nos Estados roda em descompasso com a máquina nacional. Escorado em Lula, o partido considera-se franco favorito na disputa presidencial. Mas antevê derrotas indesejáveis nas disputas pelos governos de alguns dos principais Estados da federação.

No Nordeste, indica a análise, Lula prevalece sobre o tucano Geraldo Alckmin em todos os Estados. Sua taxa média de intenção de voto roça os 70%. Mas o prestígio do presidente não é transferido aos demais candidatos petistas. Em toda a região, só no Piauí o PT está certo de que fará o governador, renovando o mandato de Wellington Dias.

Em praças politicamente mais relevantes, como Bahia e Pernambuco, o otimismo desvanece. Na Bahia, tenta-se levar o ex-ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais) ao segundo turno, evitando que Paulo Souto (PFL), hoje com índices que ultrapassam os 55%, liquide a fatura no primeiro turno.

Em Pernambuco, dois ex-ministros de Lula dividem o eleitorado dito progressista: o petista Humberto Costa (Saúde) e o socialista Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia). A divisão facilita o trabalho do por ora favorito Mendonça Filho (PFL), aliado ao PMDB de Jarbas Vasconcelos (PMDB), candidato ao Senado.

Em Sergipe, não se exclui a hipótese de o petista Marcelo Déda passar ao segundo turno, contra o atual governador João Alves (PFL), candidato à reeleição. O PT dá como certas a derrotas dos petistas José Neto, na Paraíba, e Lenilda Lima, em Alagoas.

Sem nomes de vulto no Maranhão, o PT teve de contentar-se em indicar Teresinha Fernandes para vice de Edson Vidigal (PSB), candidato à derrota para Roseana Sarney (PFL). Também no Rio Grande do Norte, o PT teve de restringir-se à vice. Ruy Pereira deve compor a chapa com Wilma Maia (PSB), que mede forças com o relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves (PMDB). A fórmula do vice foi repetida no Ceará, onde o partido de Lula indicou Francisco Pinheiro para compor a chapa encabeçada por Cid Gomes (PSB). Avalia-se que o irmão de Ciro Gomes irá ao segundo turno, contra o tucano Lúcio Alcântara.

O drama petista se estende ao estratégico ‘triângulo das bermudas’, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país. Excetuando-se São Paulo, onde o partido ainda confia na hipotética capacidade de reação de Aloizio Mercadante diante do favorito José Serra (PSDB), em Minas e no Rio, os petistas Nilmário Miranda e Vladimir Palmeira são vistos como cartas fora do baralho.

Em Minas, o PT tenta construir pontes com o tucano Aécio Neves. No Rio, torce para que o “aliado” Marcelo Crivela (PRB), do partido do vice-presidente José Alencar, vá ao segundo turno contra Sérgio Cabral (PMDB), para que Lula mantenha até outubro um palanque em terras fluminenses.

Descendo até o canto do mapa, o PT antevê dias difíceis para o ex-ministro Olívio Dutra (Cidades) no Rio Grande do Sul. Acha que são limitadas as chances de ele derrotar Germano Rigoto (PMDB). Em Santa Catarina, a candidatura de outro ex-ministro, José Fritsch (Pesca) chega a irritar Lula. O presidente não se conforma com o fato de seu partido não ter celebrado ainda uma aliança com Luiz Henrique (PMDB).

O mesmo ocorre no Paraná, onde Lula defende uma aliança do petismo com Roberto Requião (PMDB). Para o presidente, os petistas do Sul deveriam guiar-se pelo exemplo dos companheiros de Goiás. Ali, por insistência do Planalto, o PT aliou-se à candidatura do senador Maguito Vilela (PMDB).

PS.: Leia aqui manifestação de Marcelo Déda, candidato do PT ao governo de Sergipe, sobre a análise feita pelo partido.

Escrito por Josias de Souza às 00h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e PFL encenam a dança da pacificação

Depois de transformar a campanha de Geraldo Alckmin num balé de elefantes, PSDB e PFL deram-se as trombas nesta terça-feira. Em reunião do alto comando, as duas legendas ensaiaram o ‘pax-de-deux’. Na saída, encenaram a dança da pacificação.

 

"Está tudo tranqüilo, céu de brigadeiro", disse Tasso Jereissati. "O que aconteceu passou. Vamos começar uma vida nova", ecoou Jutahy Magalhães Júnior. "Ninguém tratou do passado. Nós só falamos do futuro", reverberou Sérgio Guerra.

 

"O objetivo é criar o clima para que a campanha decole", explicou Tasso. "Estou absolutamente zen e animado com o trabalho", regozijou-se o próprio Geraldo Alckmin. "Sebo na canela e vamos à luta."

 

A idéia de começar tudo de novo –‘da capo’, como dizem os músicos diante da partitura—parece ter contagiado o tucanato e a pefelândia. A tal ponto que decidiram inverter a lógica da campanha. Antes da reunião, a prioridade era o Nordeste, onde Alckmin é menos conhecido. Agora, passou a ser as regiões Sul e Sudeste, onde a candidatura dele teria maior apelo.

 

Firmou-se no encontro do conselho político da campanha tucano-pefelista um pacto de boa convivência. Marcou-se para as 16h desta quarta-feira, no Congresso, a formalização da aliança dos dois partidos. Restou a impressão de que, se Alckmin dependesse apenas das boas intenções de seus aliados, estaria eleito. O que atrapalha o candidato são os fatos. Ou, por outra, a complicada travessia das intenções para os fatos.

Escrito por Josias de Souza às 23h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lembo chama ACM de 'senhor de engenho'

Lideranças do PSDB e do PFL ruminam em segredo a suspeita de que o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, perdeu o controle sobre a própria língua. Em sabatina promovida pela Folha, nesta terça-feira, a língua de Lembo voltou a dar demonstrações de rara independência. Ela atacou pefelistas e tucanos e, em dado instante, insurgiu-se contra integrantes da platéia, reunida no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis.

 

Lembo, 71 anos, esforçou-se para demonstrar que, em verdade, a língua segue o seu comando: “Os políticos costumam ser muito pouco claros no seu pensamento. Como eu estou velho, eu falo tudo que penso. Eu estou absolutamente lúcido e acho que a única coisa que posso fazer, politicamente, é ser lúcido e claro". A língua, porém, prevaleceu sobre o político durante toda a sabatina.

Referindo-se uma vez mais à falta de solidariedade do tucanato no auge da crise de segurança que teve de arrostar, a língua de Lembo voltou a ironizar o distanciamento estratégico de Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra: “Eu diria que, como toda ave, às vezes o tucano voa fora de hora". A despeito das críticas, a língua disse que votará em Alckmin para presidente e em Serra para governador de São Paulo.

 

Abespinhada com o fato de Antônio Carlos Magalhães, morubixaba da pefelândia baiana, ter dito que Lembo tem “cara de burro”, a língua tomou as dores de seu dono. Disse que ACM é um dos legítimos representantes do extrato que qualificou de “minoria branca”. Comparou-o a um “um senhor de engenho”. "O nosso senador é um homem de agressividade contínua. Felizmente, não tenho nada com ele".

 

Em nota, ACM respondeu assim: "O governador Cláudio Lembo é fruto do acaso e da pressão que o ilustre senador Marco Maciel (PFL-PE) exerceu no partido para alçá-lo, sem que mérito ele tivesse, à condição de vice-governador (de Geraldo Alckmin)".

 

Inquirida acerca da imagem de “esquerda” que seu linguajar vem imprimindo na testa de Lembo, a língua do governador disse ter enorme simpatia pela senadora Heloisa Helena, presidenciável do PSOL. Mas insinuou que o hábito da senadora de vestir-se ao estilo bicho-grilo a impede de aderir à causa: "Até por indumentária, seria injusto se eu fosse para o PSOL", disse a língua.

A língua de Lembo exaltou-se com integrantes da platéia quando questionada sobre a suspeita de que a polícia paulista tenha executado supostos integrantes do PCC.
"Não houve execuções. A polícia é equilibrada e racional", disse ela, arrancando risos da audiência. Dirigindo-se a um expectador, a língua desferiu, ferina: "E você, que está rindo, não tem coragem de ser polícia. No dia do pânico você estava dentro de sua casa".

Escrito por Josias de Souza às 17h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CGU descobre malfeitorias em mais 49 prefeituras

A CGU (Controladoria-Geral da União) divulgou nesta terça-feira o resultado da 18a rodada de fiscalizações feitas em municípios selecionados por sorteio. Varejaram-se as contas de 60 prefeituras. Desse total, 49 apresentaram irregularidades graves –de superfaturamentos à falsificação de documentos. Outras 11 praticaram falhas menores, classificadas como erros de forma (clica).

A auditoria foi feita em contratos que somam R$ 216,8 milhões extraídas da bolsa da Viúva. Entre os municípios encrencados 14 municípios foram pilhados cometendo irregularidades na compra de ambulâncias (leia). Está virando moda.

Escrito por Josias de Souza às 15h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula tonifica contracheques de 160 mil servidores

 

O Palácio do Planalto fez publicar no Diário Oficial da União, nesta terça-feira, uma Medida Provisória que deve adensar o cesto de votos de Lula. Ela reestruturou e concedeu gratificação para seis carreiras do serviço público. Beneficiou um contingente de cerca de 160 mil funcionários, ao custo de R$ 1,3 bilhão por ano.

 

E a coisa não vai ficar por aí. Até o final do junho, serão assinadas outras cinco medidas provisórias, beneficiando outros lotes de servidores do Estado. A despeito da aparente generosidade, nem todas as categorias contempladas ficaram satisfeitas. Queriam mais (leia).

Escrito por Josias de Souza às 15h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O PIB encontra Alckmin, FHC, Tasso e Serra

Geraldo Alckmin ainda não tem votos para vencer a eleição. Mas tudo indica que dinheiro para a campanha não vai lhe faltar. É o que indica uma seqüência de notas publicadas na coluna de Mônica Bergamo (na Folha assinantes):

Um jantar discreto, com 12 pessoas, reuniu no domingo a nata do PIB nacional com o PSDB, para discutir a sucessão presidencial. Daniel Feffer, do grupo Suzano, abriu as portas de sua casa para receber, em torno de Geraldo Alckmin, os principais empresários e banqueiros do país. O candidato foi ao evento com Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e José Serra. 

Estavam no jantar: Pedro Moreira Salles (Unibanco), Roberto Setúbal (Itau), José Ermírio de Moraes Neto (Votorantim), Victório de Marchi (AmBev) e Joseph Safra (Banco Safra). Ausência notada: Bradesco que, convidado, não compareceu.

Os tucanos passaram boa parte do jantar tentando convencer banqueiros e empresários de que Alckmin vai reagir nas pesquisas eleitorais e pode, sim, ganhar as eleições (...). Fizeram uma exposição a respeito das chances do candidato.

 

Tasso Jereissati afirmou que, assim como a rainha da Inglaterra teve o seu "annus horribilis", os tucanos viveram em maio o seu "Mês horribilis": o PT teve direito a várias inserções publicitárias na TV, exibiu seu programa eleitoral e o governo do candidato-presidente Lula ainda teve direito a uma avalanche publicitária, com destaque para a Petrobras. O comitê de campanha de Lula, disseram os tucanos, é do próprio Palácio do Planalto. Seu meio de transporte, o Aerolula. "A diferença é brutal", disse um tucano.

 

Com o início do horário eleitoral, o paraíso -ou seja, o Palácio do Planalto, em Brasília -ficará mais próximo, afirmaram os tucanos. Quase ao alcance das mãos.

 

E a campanha, por que não começa logo? Por que o PSDB está com estrutura tão pífia, perguntaram os empresários. Porque só poderá fazer campanha oficial a partir de 5 de julho e teme transgredir a lei.

 

Serra falou de segurança. Mostrou que o número de homicídios em SP diminuiu e que o número de presos, em compensação, aumentou (pulou de cerca de 50 mil para os 150 mil atuais). A polícia prendeu mais e a questão penitenciária explodiu. O PCC se fortaleceu. O problema da segurança é o mesmo. Só mudou de lugar.

 

Alckmin falou de economia e ajuste fiscal. Prometeu tempos duros de ajuste para o primeiro ano de seu eventual governo. Sobre juros, pouco se falou. Não seria assunto delicado diante de platéia formada por banqueiros, que lucraram como jamais com os juros petistas, e de industriais, que bombardeiam a política monetária.

 

Na saída, abraços fraternos e promessas de colaboração com a campanha. Diferentemente de outros eventos programados com empresários, digamos, menos "cotados" [ver nota ao lado], não houve cobrança de ingresso para ir ao jantar de Feffer. "A gente não paga na entrada", diz um empresário. "A gente paga é na saída". A família Feffer diz que pretende realizar encontros semelhantes com outros candidatos.

Chapelaria

Foi remarcado para hoje o jantar de R$ 3.000 o convite para empresários que queiram colaborar com a campanha de Geraldo Alckmin à Presidência. Vai ser no Oggy Gallery, nos Jardins. De acordo com Marcos Monteiro, que cuida das finanças do PSDB de SP, 220 ingressos já tinham sido vendidos até ontem -num total de R$ 660 mil arrecadados.

Exclusivo

Os recursos deverão ser destinados exclusivamente à campanha de Alckmin. José Serra, até ontem, não tinha confirmado presença no evento.

Escrito por Josias de Souza às 14h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Reforma agrária vira negócio

- Folha: Governo planeja conceder Bolsa-Família a acampados

- Estadão: Investimento brasileiro no exterior cresce 44%

- Globo: Laudos também mostram execução de policiais em SP

- Correio: Sai reajuste para 160 mil servidores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Zodíaco ideológico!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sem alternativa, Jefferson diz que vota em Alckmin

  André Porto/Folha Imagem
O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou à boca do palco nesta segunda-feira. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, encerrada no início da madrugada, ele anunciou que vai votar no candidato tucano Geraldo Alckmin.

 

"O PSDB representa a mão direita dos banqueiros e o PT, a mão esquerda, mas, a persistir este quadro, voto em Geraldo Alckmin", disse ele. Jefferson também afirmou que torce pelo surgimento de uma “terceira via”, que ofereça ao eleitor uma alternativa à polarização que se estabeleceu entre PSDB e PT;


Jefferson atribuiu a pizza do mensalão, materializada na seqüência de absolvições promovidas pelo plenário da Câmara, a um acordo entre PT e PSDB. Ele disse que o acordo foi reproduzido nos últimos dias, para evitar a convocação do banqueiro Daniel ‘encrenca’ Dantas, do Opportunity, pela CPI dos Bingos.

 

"Eu percebi, no acordo feito entre PT e PSDB, duas cabeças que desde o início rolariam. A minha e a do Zé Dirceu. Pela reputação e pelo passado do Pedro Corrêa e [José] Janene [ambos do PP], falei, vão junto. Eu creio que ainda o Janene possa ser cassado. Mas houve um grande acordo repetido agora na não-convocação do Daniel Dantas", disse o ex-deputado

 

Embora tenha repisado as acusações que deram origem ao escândalo do mensalão, Jefferson voltou a poupar Lula. "Se eu o acusasse, estaria mentindo. Eu não mantive com o presidente nenhum diálogo que pudesse permitir uma acusação contra ele. A meu ver, ele peca por omissão, pois o núcleo duro dele está todo envolvido com irregularidades."

 

Quem são os integrantes do “núcleo duro”? Para Jefferson, são os seguintes: os ex-ministros José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken, além de José Genoino, Silvio Pereira e Delúbio Soares, respectivamente ex-presidente, ex-secretário-geral e ex-tesoureiro do PT.


Em nova investida contra o petismo, Jefferson afirmou que o mais novo escândalo da República, protagonizado pelos deputados “sanguessugas” foi armado pelo PT com o objetivo de desgastar congressistas da base governista. O PT, disse ele, tencionava apresentar-se ao eleitorado como reserva moral. Pediria ao eleitorado que votasse em candidatos petistas, para livrar o país dos parlamentares retrógrados de outras legendas.

Segundo o raciocínio de Jefferson, o PT transformou o Congresso na “Geni” da política nacional. Questionou o fato de que, em relação ao Executivo, as investigações em torno da compra superfaturada de ambulâncias alcançaram apenas uma funcionária que estava no Ministério da Saúde “há seis meses”.

 

"Por que não investigaram os responsáveis pela liberação das verbas quando o PT administrava o Ministério da Saúde", na administração Humberto Costa?, fustigou. Para ele, a Polícia Federal age no governo Lula sob inspiração “partidária”.

Escrito por Josias de Souza às 02h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin usa programa na TV para atacar Lula

Notícia veiculada pela Folha (para assinantes):

"O PSDB utilizou seus programas regionais de TV ontem para se defender dos ataques do PT por conta da crise na segurança em São Paulo e mostrar realizações do presidenciável Geraldo Alckmin. O pré-candidato ao Planalto atacou a conduta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do mensalão. 'Não sou o tipo de governante que diz que não sabia, que convive com o crime e com a corrupção na sala ao lado.'

Já José Serra, candidato ao governo de São Paulo e ex-prefeito da capital que abriu o programa paulista, não comentou a crise (na área da segurança pública), desencadeada por ataques do PCC, e evitou críticas diretas ao PT. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado, Serra preferiu destacar realizações do período em que ocupou o Ministério da Saúde na gestão FHC, como os mutirões contra a catarata, e de seus 15 meses à frente da prefeitura.

Ele justificou sua renúncia para disputar a eleição: 'Muitas vezes, é um desafio que nos chama para a luta. Se é pelo bem comum, é uma luta que vale a pena'. Depois disso, um apresentador falou sobre os ataques. Defendeu a polícia e citou o 'aproveitamento político' do caso. 'Semana passada, o partido do presidente Lula usou este espaço para falar mal da polícia de SP. Logo o PT, do presidente Lula, que tem ministros afastados e cassados por corrupção. E os 40 envolvidos no mensalão continuam soltos.'

Alckmin fechou o programa com críticas a Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto. 'Não é justo que o presidente Lula, que nunca ajudou nosso Estado, venha agora atacar a polícia.' Em seguida, foi apresentado como 'a nova liderança que surge no Brasil'. Imagens do pré-candidato com o governador Mario Covas, morto em 2001, foram utilizadas para destacar os quase 12 anos em que o PSDB governou São Paulo".

Escrito por Josias de Souza às 02h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB de Jarbas formaliza apoio a Alckmin

O PMDB de Pernambuco oficializou nesta segunda-feira o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin. A decisão, referendada em reunião da Executiva Estadual do partido, significa, na prática, um xeque-mate na pretensão do senador Pedro Simon (PMDB-RS), de firmar-se como candidato do partido à presidência da República.

 

Em nota oficial, o PMDB pernambucano afirma que, “desde meados dos anos 90”, integra no Estado “uma aliança com o PFL e o PSDB.” Anota que as duas legendas ajudaram a eleger e sustentar, por “dois mandatos”, o governo do peemedebista Jarbas Vasconcelos.

 

Ao deixar o governo para concorrer ao Senado, Jarbas passou o comando ao vice-governador Mendonça Filho, do PFL, agora candidato à reeleição. Diz ainda a nota que os “aliados” PFL e PSDB “já compuseram a chapa de pré-candidatos” ao Planalto, “Geraldo Alckmin e o senador por Pernambuco José Jorge (PFL)”.

 

“Dessa forma”, conclui a nota, “a Comissão Executiva Estadual do PMDB de Pernambuco, reunida com a presença do ex-governador Jarbas Vasconcelos e analisando os dados políticos da atualidade, entendeu, por unanimidade, que o caminho mais adequado para o partido é a manutenção dessa aliança, para eleição do governador Mendonça Filho e respaldo à chapa federal (...)” Alckmin-José Jorge.

 

Jarbas Vasconcelos é a segunda liderança expressiva do PMDB a alinhar-se publicamente à candidatura Alckmin. Antes dele, Joaquim Roriz, que deixou o governo de Brasília para concorrer ao Senado, também declarara apoio ao candidato tucano.

 

Ao jogar para 29 de junho a convenção que decidirá se Simon será ou não candidato peemedebista ao Planalto, a Executiva Nacional do PMDB, majoritariamente contrária à candidatura própria ao Planalto, estimulou os diretórios regionais a estabelecerem livremente as alianças que lhe pareçam mais convenientes. Levantamento feito pela presidência do partido indica que em pelo menos 18 Estados os acertos devem ser feitos ora com o PFL ora com o PSDB, as duas legendas que dão suporte a Alckmin em âmbito nacional.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT e PMDB lulista resistem à idéia de Ciro na vice

  Sérgio Lima/Folha
Os planos de Lula de fazer do ex-ministro Ciro Gomes (PSB) seu companheiro de chapa nas eleições deste ano esbarraram na resistência de cardeais do PT e de integrantes da ala governista do PMDB. O receio é o de que, eleito como vice de Lula, Ciro se credencie automaticamente como candidato à presidência em 2010.

Na linha de frente à oposição ao nome de Ciro estão pelo PT: o senador Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo de São Paulo e  o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). E pelo PMDB lulista: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador José Sarney (PMDB-AP).

 

No PT, o movimento anti-Ciro vai muito além de Mercadante e Dirceu. A preocupação é a de que, se eleito como companheiro de chapa de Lula em 2006, Ciro prevaleça como alternativa presidencial para 2010, em detrimento de alternativas petistas. No PMDB, o receio é o de que Ciro, tachado nos bastidores de “personagem desagregador”, prejudique os esforços para atrair o apoio do peemedebismo para um eventual segundo governo de Lula.

 

Em diálogos reservados com lideranças do seu partido, o PSB, Ciro informou que não deseja ser vice de Lula. O próprio ex-ministro da Integração Nacional afirma que seu nome “não agrega valor” à chapa de Lula. Ele disse isso inclusive ao presidente.

 

Afora as resistências internas que começa a enfrentar, Ciro menciona o fato de que o grosso de sua base eleitoral está no Nordeste, uma região em que Lula não precisa de ajuda. É onde o presidente ostenta as maiores taxas de intenção de voto, ao redor de 70%. O melhor para Lula, diz Ciro, seira que o vice saísse da região Sul ou do Sudeste.

 

O aparente desinteresse de Ciro, comunicado ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, é visto pelo petismo como jogo de cena. Avalia-se que, se convidado formalmente por Lula, o ex-ministro aceitará prontamente o “desafio”.

 

A aversão interna ao nome de Ciro fez com que Lula e a cúpula do PT voltassem a considerar a hipótese de repetir em 2006 a mesma chapa de 2002, com a manutenção de José Alencar no posto de vice. Tenta-se agora convencer a ala governista do PMDB a “apadrinhar” o nome de Alencar.

 

A nova articulação prevê que Alencar, hoje filiado ao inexpressivo PRB, se transfira para o PMDB depois da eleição. Seria uma maneira de acomodar o PMDB na chapa, sem que o partido precise formalizar uma coligação com Lula no primeiro turno da eleição, ficando livre para fazer alianças com outras legendas nos Estados, inclusive com PSDB e PFL.

 

Quem conduz a articulação, em nome de Lula, é o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Mas o próprio presidente decidiu se envolver no processo. Já conversou com Renan Calheiros a respeito. Vai falar com Orestes Quércia, presidente do PMDB de São Paulo. E deseja procurar Michel Temer, presidente nacional do PMDB.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma raridade no sistema prisional

Prisão de banqueiro no Brasil é coisa rara. Manutenção de banqueiro preso na cadeia por mais de 48 horas é algo jamais visto. Pois nesta segunda-feira a desembargadora Ana Maria Pimentel, do TRF de São Paulo, negou pedido de habeas corpus formalizado pelos advogados de Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos. Manteve-o em cana (clica).

A decisão foi tomada nesta madrugada, durante o plantão da desembargadora. O pedido para que Edemar deixe a prisão, para onde foi levado na sexta, será agora redistribuído para outro juiz. A decisão pode, eventualmente, ser revista. Se for mantida, os advogados do preso ilustre recorrerão ao STJ, em Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 11h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

MST 'explode' em ano eleitoral

  Leonardo Wen/F.Imagem
A proximidade das urnas vitaminou o movimento dos trabalhadores rurais sem terra. Levantamento feito pelo governo indica que há cerca de 1 milhão de pessoas acampadas sob lonas pretas à beira das estradas brasileiras. Estão à espera de lotes do programa oficial de reforma agrária.

Em outubro de 2002, quando Lula foi eleito, havia 60 mil famílias acampadas. Hoje, conta Eduardo Scolese, há 230.813. Somando-se mulheres, homens e crianças chega-se ao número de 1 milhão de acampados.

Fica-se sem saber se o governo, que prometera assentar todas as famílias acampadas, é muito incompetente, ou se o MST, capaz de arrebanhar legiões cada vez maiores de seguidores, é eficiente demais. Em qualquer das hipóteses, tem-se a impressão de que, em plena era do agronegócio, o Brasil continua com um pé no século 19.

Escrito por Josias de Souza às 11h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

 

- Folha: País tem 1 milhão de sem-terra em acampamentos


- Estadão: Exportação deve cair, admite Meirelles

 

- Globo: Exportações se concentram em apenas 69 empresas

- Correio: Governo falha na distribuição de verba social

Escrito por Josias de Souza às 06h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Economia informal!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Itamaraty e PF liberam papéis secretos da ditadura

Itamaraty e PF liberam papéis secretos da ditadura

O Itamaraty e o Ministério da Justiça (Polícia Federal) transferiram para o Arquivo Nacional milhares de documentos secretos produzidos entre 1964 e 1975, sob a ditadura militar. Uma equipe de técnicos da repartição, ainda por nomear, vai catalogar os papéis. Depois, eles estarão disponíveis para consulta pública.

A liberação dessa nova leva de documentos secretos ocorre nas pegadas de providência semelhante adotada pelo governo no final do ano passado. Enviaram-se ao Arquivo Nacional, em dezembro, 13 arquivos de aço com dados colecionados por agentes do extinto SNI. Encontravam-se sob a guarda da Abin.

Diferentemente do que aconteceu com a abertura dos arquivos do SNI, anunciada com espalhafato pela ministra Dilma Rousseff (Gabinete Civil), o novo gesto foi cercado de discrição. O governo receia criar uma demanda por informações que, por ora, o Arquivo Nacional não está apto a atender.

 

Ainda às voltas com a digestão dos documentos que recebera em dezembro, o órgão não teve tempo de dedicar-se à nova montanha de documentos, cujos segredos desconhece. Os cerca de 30 funcionários que trabalham na Coordenação do Arquivo Nacional em Brasília suam a camisa para atender a uma média mensal de 120 requisições de pessoas interessadas em saber o que há a seu respeito ou sobre seus familiares nos arquivos do SNI.

 

Daí a preocupação em não fazer alarde em torno da abertura de mais dois armazéns de papéis da ditadura, o do Itamaraty e o da PF. O trabalho do Arquivo Nacional é, por ora, braçal. Tenta-se fechar uma parceria com a Unesco, que se dispôs a financiar a digitalização das informações do SNI.

 

Hoje, os dados estão armazenados em cerca de 220 mil microfilmes. Juntos, contém mais de 1 milhão de folhas de papel, sem contar os anexos (fotos e livros, por exemplo). Levado ao ambiente digital, o papelório poderá ser consultado com o auxílio da informática. Até lá, o Arquivo Nacional atende como pode às requisições. São formuladas majoritariamente por pessoas que movem ou planejam mover processos para obter indenizações do governo.

 

O último a obter documentos, na quinta-feira da semana passada, foi César Lamarca. Levou dados a seu respeito e de familiares, em especial seu pai, o guerrilheiro Carlos Lamarca, morto em 1971. Lamarca foi companheiro de armas da também guerrilheira Vanda, codinome que escondia a identidade de Dilma, hoje ministra.  

 

A transferência de documentos sigilosos da ditadura para o Arquivo Nacional é um notável avanço democrático. É indispensável lembrar, porém, que Fernando Henrique Cardoso baixou e Lula manteve legislação que dá ao Executivo o poder de manter sob sigilo eterno documentos ultra-secretos que, a seu juízo, ponham em risco a Segurança Nacional.

 

Trata-se de uma afronta ao bom-senso, à historiografia, aos valores democráticos e ao próprio espírito da Constituição. Escorados nessa legislação, os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não movem uma palha para abrir os seus arquivos, mesmo os que se encontram recobertos pela poeira da história.

Escrito por Josias de Souza às 23h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Cai a taxa de reprovação do Congresso

  Beto Barata/F.Imagem
A última pesquisa do Datafolha revela que a maioria (42%) dos eleitores ainda considera o desempenho do Congresso Nacional ruim ou péssimo. Mas a taxa de reprovação caiu, veja você, cinco pontos percentuais em um mês. A imagem do Legislativo pátrio não se deteriorou, eis a grande novidade. Melhorou.

Os eleitores de Lula são os mais satisfeitos com o Legislativo: 16% de aprovação, contra 34% de reprovação. A insatisfação é maior entre os simpatizantes de Geraldo Alckmin: 11% de aprovação e 47% de desaprovação. O azedume em relação ao Congresso atinge o ápice entre os admiradores de Heloisa Helena: 8% de aprovação e 57% de desaprovação.

 

Pensando bem, o eleitor deve ter razão. Não há mesmo razão para pessimismos exacerbados. Afinal, cerca de metade do Congresso não rouba. Até prova em contrário (clica).

Escrito por Josias de Souza às 16h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hebe sobre PCC: 'A elite é a mais prejudicada'

Ao lado de convidadas como Luana Piovani e Costanza Pascolato, e entre baldes de champanhe e edredons de penas de gogó de ganso que custam mais de R$ 7 mil, a apresentadora Hebe Camargo prestigiou o lançamento de um livro na loja de enxovais de luxo Trousseau, no shopping Iguatemi. Ela falou à coluna de Mônica Bergamo sobre os ataques do PCC (aqui, para assinantes da Folha):

  

- Como os ataques do PCC, que paralisaram a cidade na semana retrasada, afetaram a sua rotina? No dia daquela pane toda, foi suspensa a minha gravação porque eu não podia pôr em risco meus convidados.

- O que a senhora achou da declaração do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, sobre a "elite branca"? Achei aquilo de uma infelicidade! Ele devia estar muito nervoso, porque ele é uma pessoa de bem, de muito caráter. Estranhei. Quero crer que foi fruto do nervosismo que todo mundo estava vivendo.

- A senhora acha que existe uma "elite branca" responsável... Não, absolutamente! Que culpa tem a elite? O que que é isso? A elite é a mais prejudicada, é a mais intimidada, a mais cobrada! A elite não tem culpa, absolutamente. Gracinha!! [aperta o nariz da repórter, encerrando a entrevista].

Escrito por Josias de Souza às 15h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Simon diz que está 'difícil' sustentar candidatura

Não se deve confiar muito em políticos que se declarem candidatos à presidência da República pelo PMDB. Deve-se fazer como Pedro Simon (PMDB-RS), que não leva a menor fé na candidatura presidencial de Pedro Simon. “Estou achando muito difícil”, disse à Agência Nordeste (aqui, para assinantes). Abaixo, algumas das declarações do presidenciável que é sem ser:

- Senado ou Planalto? “O problema é que eles (Renan Calheiros e José Sarney) não vão deixar que o PMDB tenha candidato próprio a Presidência da República. 

 

- PMDB e candidatura própria: “Estou achando muito difícil. Eles vão fazer o que for necessário contra (a candidatura presidencial própria)”.

 

- Enxergando fantasmas: “Está ficando difícil, o Garotinho tinha 20%. Tiraram o Garotinho. Vou ser muito sincero. A Folha (Jornal Folha de S.Paulo) há meses que não colocava uma notícia minha. Em quatro dias colocaram quatro manchetes, uma maior que a outra. Como? A Folha não me bota no jornal e me bota na pesquisa? (...) Claro que é estratégia! Me tragam nos últimos seis meses onde eu saí na Folha...

 

- Lula: “Infelizmente, vou ser sincero, nós vivemos num regime presidencialista, o Lula faz o que ele quer. O Lula não está fazendo o programa do PT, o que eles estudaram, aquelas coisas todas.”

 

- O que faria se fosse presidente? “(...) No meu governo, roubou está na rua, não precisa nem provar. Saiu na televisão a notícia daquele cara pegando o dinheiro (referência ao ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, flagrado recebendo propina) está na rua! Parente, de jeito nenhum, e sobre dinheiro vamos estudar tostão por tostão onde seria aplicado.

 

- Made in Italy: “Faria também a Operação Mãos Limpas. E, no fim dos quatro anos, implantaria o parlamentarismo.

 

- Mãos limpas com Garotinho de vice? “Mas o Governo será meu. Atinja quem atingir. Estou falando daqui para diante”.

 

- PMDB, o partido mais partido: “(...) Tem quatro grupos no MDB: tem nós que queremos candidatura própria, tem um grupo que quer deixar o MDB livre, tem um grupo que quer apoiar o Lula e tem um grupo que quer apoiar o PSDB (...).”

 

- Vai sair em pré-campanha à presidência? “Não, mas vou até o dia 29 (de junho), na convenção (marcado inicialmente para 11 de junho, o encontro foi adiado depois de uma manobra da ala de Sarney e Renan)”.

Escrito por Josias de Souza às 15h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Masp em petição de miséria

Masp em petição de miséria

Atribui-se a Pablo Picasso (1881-1973) o seguinte ensinamento: “A arte é uma mentira que revela a verdade”. Pois o Masp (Museu de Arte de São Paulo), casa que mantém em seu acervo algumas das mais belas “mentiras” em exibição no país, está às voltas com uma verdade reveladora: a falta de pecúnia.

 

Deu-se na última quarta-feira um episódio constrangedor. Apagou-se a luz do Masp. Abespinhada com uma pendura que já alçava à casa dos R$ 3,39 milhões, a Eletropaulo cortou o fornecimento de energia do museu. A penumbra durou três dias. Só na sexta-feira restabeleceu-se a luz.

 

A direção do museu diz ter celebrado um acordo com a companhia de força. Prometeu liquidar o débito em 48 parcelas, o que dá algo como 70 mil mensais. Mas não esclareceu de onde virá o dinheiro.

 

Diz-se que a prefeitura pingará nos cofres do Masp R$ 1,12 milhão. Mas a liberação, informa a assessoria do alcaide Gilberto Kassab (PFL), está condicionada à apresentação de um projeto que esclareça como a verba será usada. E não há, por ora, vestígio de tal projeto.

 

Assim, a normalidade foi restabelecida no Masp apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. O signatário do blog sugere a seus 22 leitores que aproveitem o domingo para fazer uma visita virtual ao museu. Clique na imagem acima –'O Torso de Gesso', de Henri Matisse—, para ir até o sítio do Masp. Mas não deixe pra depois. Pode ser tarde demais.

Escrito por Josias de Souza às 03h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Batendo no teto!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Tráfico dá pão e remédio

- Folha: Kroll recorreu à CIA para espionar governo brasileiro

- Estadão: Auditoria aponta corrupção em 77% das prefeituras

- Globo: Cieps fazem 21 anos de expectativas e fracassos

- Correio: Lula aumenta em 65% os gastos do governo

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Vou acabar com as escolinhas do crime’, diz Lembo

  Bruno Miranda/F.Imagem
Acossado pelo PCC, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, acha que há pouco a fazer na área de segurança pública nos sete meses que lhe restam de mandato. Mas ele se auto-impôs uma meta. Assegura que irá concluir até o final do ano o ambicioso projeto de reestruturação da Febem. “Vou acabar com as escolinhas do crime”, disse Lembo ao blog.

 

Até dezembro, diz o governador, não haverá nenhuma instalação da Febem com mais de 40 menores infratores. Melhor: em cada uma das novas unidades, jura o governador, haverá 70 monitores –30 do Estado e 40 de ONGs.

 

Lembo não está inventando a roda. Na verdade, tenta concluir um projeto que foi idealizado sob Geraldo Alckmin. Em março de 2005, às voltas com mais uma rebelião de menores –a 20ª daquele ano—, Alckmin prometera construir em escassos 150 dias 41 novas e pequenas unidades da Febem, número que seria elevado mais tarde para 50.

 

Decorrido um ano e três meses, a promessa permanece irrealizada. Segundo Lembo, há ainda 20 prédios por erigir. Sua principal ambição é desativar a unidade do bairro do Tapuapé, na zona leste de São Paulo. Ali, encontram-se aprisionados 1.228 adolescentes infratores. “Serão todos distribuídos para as unidades menores”, compromete-se Lembo. “Vão para municípios do interior, conforme a origem de cada um”.

 

Em 29 de março deste ano, na véspera de deixar o governo para mergulhar na campanha à presidência da República, Geraldo Alckmin protagonizou uma pantomima. Assistiu à demolição de uma das 18 alas da mega-unidade da Febem do Tapuapé. Vendida como o início da desativação da encrenca, a cena não passou de empulhação de campanha.

 

Nenhuma das 50 novas instalações prometidas havia mais de um ano estava pronta. Dali a uma semana, já sob Cláudio Lembo, os adolescentes do Tapuapé promoveram mais uma de suas célebres sublevações. O motim produziu 62 feridos –44 funcionários e 18 internos. Os adolescentes fizeram reféns 40 funcionários. A confusão só teve fim com a interferência da Tropa de Choque da Polícia Militar.

 

Segundo Lembo, o projeto de reestruturação da Febem está custando ao Estado cerca de R$ 60 milhões. “O custo é alto, mas o resultado social será expressivo”, crê o governador. “Até dezembro, se Deus quiser, teremos desativado o complexo do Tapuapé. E a missão estará cumprida”.   

 

E quanto às cadeias, hoje dominadas pelo PCC? Bem, esse é um problema que Lembo, realista, acha que não há tempo para resolver. “Farei o que está ao meu alcance”, diz ele. “Estamos organizando um simpósio interno, para pelo menos mapear o problema”.

 

A idéia de Lembo é atrair para o tal simpósio, além de técnicos do Estado, especialistas da “sociedade civil”. “Estamos fazendo uma pauta mínima de temas. Precisamos ter uma amostra da realidade, saber como se encontram as penitenciárias do Estado. No início de junho faremos o encontro”, informa o governador.

Escrito por Josias de Souza às 01h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Emergência Eleitoral

Emergência Eleitoral

No Planalto

 

Tasso: Porta dianteira fechada.

FHC: Ok. Confere.

Tasso: Porta traseira...

FHC: Porta traseira fechada.

Tasso: Pressurização acionada.

FHC: Ok.

Tasso: Temperatura interna 22 graus.

FHC: 22 graus. Confere.

Tasso: Flaps da direita em ‘on’.

FHC: Confere.

Tasso: Flaps da esquerda...

FHC: Acionados.

Tasso: Então vamos levantar vôo.

FHC: As turbinas não respondem!

Tasso: Como?

FHC: Minha nossa! Como fomos embarcar nessa!

Tasso: O que houve?

FHC: Sabia que estava faltando algo.

Torre: Alô, tucano, câmbio.

Tasso: Tucano na escuta, câmbio.

Torre: Por que diabos o Alckmin não se move?

Tasso: Tivemos um imprevisto, câmbio.

Torre: Vocês precisam desocupar a pista, câmbio.

Tasso: Atenção, comissário!

Aécio: Na escuta, comandante.

Tasso: Peça uma gentileza ao PFL.

Aécio: Gentileza?

Tasso: Sim, preciso que desçam para empurrar.

Aécio: Mas, comandante...

Tasso: Não discuta, manda empurrar.

Pausa...

Aécio: Comandante, o PFL sugere a troca de aeronave.

Tasso: Agora? Não dá mais tempo.

FHC: Permita-me lembrar que temos o Serra no hangar.

Tasso: Serra? Não, não. Melhor empurrar.  

Aécio: O César Maia ameaça desembarcar.

Tasso: Diga a ele que agora é tarde. Melhor empurrar.

Escrito por Josias de Souza às 18h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Ex-secretário admite 'negociação' com PCC

Horas depois de deixar o comando do sistema carcerário de São Paulo, Nagashi Furukawa afirmou ao repórter Fábio Schivartche que o governo estadual "negociou", sim, com o PCC. Deu-se no instante em que permitiu a visita de uma advogada ao capo da facção criminosa, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A declaração do agora ex-secretário contradiz o discurso oficial da administração Cláudio Lembo (PFL), que nega ter havido qualquer tipo de negociação com o PCC. A despeito da admissão, Furukawa sustentou a versão de que não houve concessões aos criminosos.

 

"O Estado não cedeu. Mas decidiu que seria oportuno permitir que a advogada visitasse o preso [Marcola] e confirmasse que ele não foi agredido na prisão", disse Furukawa. Ele anunciou a intenção de escrever um livro sobre sua experiência de secretário (leia a entrevista aqui).

Escrito por Josias de Souza às 17h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo Lula é ‘propaganda enganosa’, diz Alckmin

Orlando Brito/OBritoNews
 

 

O candidato tucano Geraldo Alckmin tirou o sábado para fazer campanha em Santa Catarina, terra do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen. Para tentar demonstrar unidade com a pefelândia, estava acompanhado do seu candidato a vice (na foto), senador José Jorge (PFL-PE) e do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), além do próprio Bornhausen e do senador tucano Leonel Pavan (PSDB-SC).

 

Enquanto caminhava pelas ruas de Blumernau, Alckmin dedicou-se a espinafrar o governo Lula. Disse que se trata de uma gestão “de propaganda”. Uma propaganda que, segundo as suas palavras, “não existe”.

 

“É tudo propaganda”, disse Alckmin, segundo relato do repórter Thiago Reis. “Transposição do São Francisco não existe. Ferrovia Transnordestina não existe. Primeiro Emprego não existe. Banco Popular não existe. Fome Zero não existe”. O tucano disse ter visto na TV uma propaganda em que o PT alardeava o Fundeb, fundo de financiamento do ensino básico. “E nem a lei (do Fundeb) existe”, afirmou. “É mentira política.”

 

Alckmin desdenhou das pesquisas de opinião em que Lula figura como candidato favorito, em condições de vencer as eleições no primeiro turno. “É bom o PT achar que vai ganhar no primeiro turno”, declarou. Mostrou-se confiante de que haverá segundo turno. E acha que, ao jogar todas as fichas na primeira rodada da eleição, o petismo vai ao segundo ciclo num ambiente de derrota.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Doze deputados são citados em lista de propina

O Ministério Público Federal prepara o primeiro pacote de denúncias contra deputados da quadrilha de sanguessugas. Encabeçam a lista de candidatos a réus 12 deputados cujos nomes são mencionados explicitamente em documentos contábeis da Planam, a firma acusada de comandar o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Juntos, receberam pelo menos 985,2 mil entre 2001 e 2002.

 

Apreendidos pela Polícia Federal, os papéis da Planam irão compor a denúncia a ser remetida pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ao STF. Incluem repasses feitos em dinheiro e por meio de transferências bancárias. Além dos deputados, mencionam funcionários públicos e ex-parlamentares que teriam recebido dinheiro da quadrilha.

 

Entre os deputados, o campeão no recebimento de supostas propinas é Nilton Capixaba (PTB-RO), com R$ 378,8 mil. Ele integra a Mesa Diretora da Câmara. Ocupa o posto de segundo secretário. Há um outro dirigente da Câmara na relação. Chama-se João Caldas (PL-AL). É o quarto secretário da Mesa Diretora. Seu nome aparece nos papéis associado a repasses de R$ 52 mil.

 

São mencionados também nos documentos contábeis da Planam dois deputados que acabam de ser absolvidos pelo plenário da Câmara da acusação de terem se envolvido no escândalo do mensalão. Pedro Henry (PP-MT), o segundo maior beneficiário, teria recebido R$ 174,3 mil. Wanderval Santos (PL-SP), R$ 50 mil;

 

Os outros deputados mencionados nos documentos são, por ordem de valor supostamente recebido: Paulo Baltazar (PSB-RJ), R$ 87,5 mil; Teté Bezerra (PMDB-MT), R$ 72 mil;  Fernando Gonçalves (PTB-RJ), R$ 50 mil;  Lino Rossi (PP-MT), R$ 36,6 mil; Pastor Amarildo (PSC-TO), R$ 30 mil; Iris Simões (PTB-PR), R$ 22 mil; Benedito Dias (PP-AP), R$ 17 mil; e Paulo Feijó (PSDB-RJ), R$ 15 mil.

Embora estes sejam os parlamentares mais encrencados, podem não ser os únicos a amargar uma denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal e o Ministério Público aprofundam as investigações em relações a outros parlamentares.

 

A escrituração da Planam menciona repasses a vários assessores de congressistas. Os investigadores suspeitam que o dinheiro tenha sido destinado, na verdade, aos respectivos chefes. Os papéis mencionam também nomes de pessoas que receberam importâncias em dinheiro supostamente com o objetivo de repassar a deputados.

Escrito por Josias de Souza às 16h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Simon deixa Garotinho por Senado

- Folha: Crise da segurança derruba secretário de presídios de SP

- Estadão: Secretário sai e acusa cúpula da segurança

- Globo: Crise derruba secretário de penitenciárias em SP

- Correio: Escuta revela trama de máfia contra Itaipu

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jeitinho eleitoral!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ainda de olho no PMDB, Lula se reúne com Quércia

  Alan Marques/F.Imagem
Frustradas as tentativas de seduzir o PMDB por meio de intermediários, Lula decidiu recorrer ao charme pessoal. Chamou para uma conversa o ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Quércia aceitou o convite. Os dois se reúnem nesta segunda-feira.

 

O próprio Lula comunicou a um grupo de aliados que telefonara para Quércia. Deu-se na última quarta-feira, no Palácio da Alvorada, durante um jantar. Estavam à mesa o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais); o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP); e os presidente do PT, Ricardo Berzoini; do PSB, Eduardo Campos; e do PC do B, Renato Rabelo.

 

Lula informou aos comensais que não desistiu de buscar um entendimento com o PMDB. E, para sinalizar aos peemedebistas o grau de seu interesse, optou por procurar pessoalmente alguns líderes do partido, expandindo um diálogo que estava restrito a dois personagens: o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), lulistas de carteirinha.

 

Sem especificar a hora e o local, o presidente disse que se encontraria com Quércia na segunda-feira. Seu primeiro objetivo é tentar impedir que o manda-chuva do PMDB paulista se acerte com o PSDB de José serra, candidato favorito ao Palácio dos Bandeirantes. O segundo é tentar atraí-lo para uma aliança com o PT, ainda que informal.

 

Lula enviara dois emissários a Quércia. Em 4 de maio, Tarso Genro e Ricardo Berzoini reuniram-se com o ex-governador em São Paulo. Porém, o diálogo resultou infrutífero. Quércia estava, àquela altura, engajado na candidatura presidencial de Itamar Franco (PMDB-MG), frustrada dias depois.

 

Na semana seguinte, Quércia recebeu um telefonema de Aloizio Mercadante. Já na condição de candidato oficial do PT ao governo de São Paulo, Mercadante manifestou o desejo de reunir-se com o cacique peemedebista. A conversa foi afável, mas, de novo, improdutiva. Mercadante condicional os entendimentos a uma costura nacional.

 

Daí a decisão de Lula de eliminar os intermediários. O presidente aposta que Quércia, na verdade, não deseja concorrer a coisa nenhuma, nem ao governo de São Paulo nem ao Senado. Seu objetivo, imagina, é apenas o de influir no processo eleitoral. Quer saber, concretamente, o que foi oferecido pelo PSDB a Quércia, para tentar neutralizar os movimentos do adversário.

 

Lula dirá a Quércia algo que Tarso Genro já disse a Michel Temer, presidente do PMDB. Oferecerá ao PMDB a primazia na composição de seu governo num eventual segundo mandato, em sistema de coalizão. E dirá a Quércia que ele pode tornar-se um protagonista do processo.

 

Na visão do presidente, Quércia ganharia mais se concorresse à Câmara dos Deputados. Teria eleição assegurada. Ao contrário do que ocorreria se decidisse disputar o governo ou o Senado. Uma vez eleito para a Câmara, viraria ator central das articulações, podendo inclusive, em parceria com o governo, tornar-se presidente da Casa.

 

O diálogo de Lula não se limitará a Quércia. O presidente quer procurar outras lideranças do PMDB não-governista. Embora ache pouco provável que o partido venha a compor com ele uma aliança formal, quer levar a negociação ao limite. Continuará oferecendo ao PMDB a vaga de vice. Mas seu objetivo central é o de estabelecer parcerias nos Estados e plantar uma semente de acordo para o segundo turno. Uma ponte para a ansiada coalizão do segundo mandato.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Repatriado US$ 1 mi que fora desviado sob Pitta

O Ministério Público de São Paulo logrou um feito. Anunciou nesta sexta-feira que conseguiu repatriar US$ 1,011 milhão (R$ 2,335 milhões) que o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e a sua ex-mulher Nicéa Camargo haviam remetido ilegalmente para fora do país.
 
A grana será depositada numa conta bancária judicial aberta no Banco Nossa Caixa. Para que retorne aos cofres da municipalidade, informa o repórter João Novaes, basta agora que a prefeitura de São Paulo oficie à juíza da 14ª Vara da Fazenda Pública, Simone Casarotti.

 

A doutora Casarotti expedira, em janeiro passado, liminar para o bloqueio e a repatriação da verba. Os R$ 2,3 milhões encontravam-se depositados numa conta do Banco NYC, de Nova York. Antes, fez um impressionante passeio. Transitou pelo Commercial Bank, também de Nova York; Multcomercial Bank, da Suíça; Bank of Butterfield, da Ilha de Guernsey; Neue Bank, de Liechtenstein; e Multi Banking, das Ilhas Caymann.

De acordo com o Ministério Público, a fortuna foi desviada das obras da avenida Água Espraiada, iniciada em 1993, sob Paulo Maluf, e concluída em 2000, sob Pitta. Em nota oficial, Pitta informou, por meio de sua assessoria, que "desconhece este assunto, pois não teve acesso à documentação citada"

 

Pitta diz que a descoberta do dinheiro "pode ser ação de adversários que querem prejudicá-lo politicamente ou uma manobra para desviar a atenção da opinião pública dos recentes escândalos". Melhor assim. Pitta decerto não recorrerá contra a restituição à prefeitura de um dinheiro que diz não lhe pertencer.

Escrito por Josias de Souza às 01h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin: ‘serei o Geraldo paz, amor e trabalho’

Campanhas eleitorais costumam ser pontuadas por pregações vazias. Numa fase como a atual, definida como de pré-campanha, a inanidade do discurso é ainda mais pungente. Vive-se o ínterim entre a fala baldia e a promessa insubstancial.

 

Em meio ao vazio estéril do oco, Lula e Geraldo Alckmin protagonizaram nesta sexta-feira um embate retórico baldio. Pela manhã, o não-candidato petista dissera que, se for candidato, será o mesmo “Lulinha paz e amor” de 2002.

 

À tarde, em viagem a Minas Gerais, o pré-candidato tucano foi instado a responder ao rival. E saiu-se com essa: "Eu vou ser o Geraldo paz, amor e trabalho, que é o que está faltando no Brasil".

 

"Precisamos de menos discurso, menos história, [e mais] eficiência, gestão, desenvolvimento e empregos", disse Alckmin, antes de discursar e contar mais de suas histórias: "Sob o ponto de vista ético, [o governo] é uma lambança; sob o ponto de vista de gestão, não funciona."

 

Para Alckmin, o governo está "imobilizado" desde a crise política. Assim, paralisada, a administração do rival parece encantar mais ao eleitorado do que gostaria o candidato tucano, imóvel nas pesquisas. Imagine-se se a gestão petista estivesse andando. Leia mais de Alckmin aqui, num relato do repórter Paulo Peixoto.

Escrito por Josias de Souza às 00h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSB nega que tenha decidido coligar-se a Lula

O deputado Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB, informou ao blog que seu partido ainda não decidiu se vai dar suporte formal à candidatura de Lula à reeleição. “Defendo o apoio ao presidente, mas não tenho autorização do partido para transformar esse apoio numa coligação formal”.

 

O presidente do PSB jantou com Lula na última quarta-feira, no Palácio da Alvorada. Estavam também à mesa o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e os presidentes do PT, Ricardo Berzoini, e do PC do B, Renato Rabelo. 

 

Participantes do encontro divulgaram a versão de que fora selado um acordo do PT, PC do B e PSB. Mas Eduardo Campos diz que, no que diz respeito ao seu partido, não há decisão a respeito. Diz não ter assumido nenhum compromisso durante o jantar. Segundo ele, embora a maioria do PSB seja simpática à candidatura Lula, o partido tem dúvidas quanto à conveniência política de transformar essa preferência num casamento de papel passado com o PT.

 

“Precisamos analisar a realidade das coligações estaduais e a necessidade de cumprir a cláusula de barreira”, diz o deputado. A cláusula a que ele se refere é a regra que exige que os partidos obtenham pelo menos 5% dos votos para a Câmara dos Deputados em pelo menos nove Estados. As legendas que ficarem abaixo desse patamar perderão o acesso ao fundo partidário, um bolo de R$ 108 milhões em verbas públicas, cujas fatias são distribuídas segundo a proporcionalidade das urnas. Perderão também o direito ao horário gratuito no rádio e na TV.

 

Aliando-se formalmente a Lula, o PSB fica impedido de se coligar nos Estados com outras legendas que não o PT. O problema é que nem sempre a coligação com o petismo é a que rende mais votos. Daí a preocupação de Eduardo Campos. Antes de decidir pela formalização de uma aliança com Lula, o PSB precisa fazer as contas. O presidente do PSB também disse que Lula não conversou com ele a respeito da hipótese de vir a ser candidato a vice-presidente na chapa da reeleição, conforme ventilado nesta sexta por Tarso Genro.

Escrito por Josias de Souza às 22h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC provoca a primeira baixa no staff da segurança

O governador paralelo de São Paulo, Marcos Willians Herba Camacho, Sua Excelência o Marcola, deu início à reforma do setor de segurança da administração paulista. O capo do PCC levou à demissão, nesta sexta-feira, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa (na foto).

A saída de Furukawa, acertada em reunião com o governador oficial Cláudio Lembo, ocorre 15 dias depois de o governador paralelo Marcola ter determinado o início da onda de ataques e rebeliões que puseram São Paulo de joelhos por quase uma semana.

 

A ação do PCC interrompe um trabalho de sete anos. Furukawa geria os negócios penitenciários de São Paulo desde 1999. Assumiu o posto Luiz Carlos Catirse, um pedagogo, funcionário de carreira da secretaria.

 

Catirse conhece bem o poderio do governo paralelo do PCC. Ele já dirigiu a penitenciária de Casa Branca, a 240 km de São Paulo. Hoje, coordena unidades carcerárias do Vale do Paraíba e do litoral paulista. São estabelecimentos cujos hóspedes encontram-se submetidas às ordens ditadas pelo PCC.

Escrito por Josias de Souza às 18h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Mercadante, adversário de Serra é Alckmin

  Wilson Dias/ABr
Em campanha no município de Ribeirão Preto (SP), Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, fustigou o tucanato. Insinuou que o rival José Serra (PSDB) não estaria muito interessado no Palácio dos Bandeirantes. Continuaria acalentando o desejo de concorrer ao Palácio do Planalto.

"O verdadeiro adversário do Serra é o (Geraldo) Alckmin. A sociedade inteira sabe que ele só pensa naquilo (Presidência da República)", disse Mercadante, segundo relato do repórter Brás Henrique.

Mercadante disse que, diferentemente de Serra, está motivado para governar São Paulo. Tudo bem. Falta agora convencer o eleitorado que, a julgar pelas pesquisas, pode decretar a vitória de Serra ainda no primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 16h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chirac recomenda a Alckmin que ignore as pesquisas

  Sérgio Lima/F.Imagem
Geraldo Alckmin tomou café da manhã nesta sexta-feira com o presidente da França, Jacques Chirac (na foto). Depois, o candidato tucano contou aos jornalistas que Chirac aconselhou-o a dar de ombro para as pesquisas de opinião.

"Se eu dependesse de pesquisas nunca teria sido eleito na França, pois sempre estive atrás dos adversários", disse Chirac, conforme relato da repórter Cida Fontes. O presidente francês pediu a Alckmin que dê um braço em Fernando Henrique Cardoso, amigo dele.

Alckmin estará com FHC no domingo. Mas, a julgar pelo que anda dizendo o ex-presidente sobre o candidato do seu partido, o abraço encomendado por Chirac não há de ser dos mais afetuosos.

Escrito por Josias de Souza às 15h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Lulinha paz e amor’, em versão 2006

O tucanato anda impaciente com o lengalenga de Lula. Não se conforma com o fato de o presidente fazer campanha sem assumir-se como candidato. Lula dá de ombros para o adversário. Nesta sexta-feira, o não-candidato à reeleição disse o seguinte: "Se eu decidir ser o candidato, vou ser o Lulinha paz e amor que fui na outra eleição. Não tenho razão para estar nervoso".

 

Os repórteres tentaram arrancar de Lula uma análise acerca das últimas pesquisas eleitorais, nas quais figura como franco favorito. E ele: "Não me pergunta, porque eu não gosto de analisar a mim, aos outros. A pesquisa vai ser no dia da eleição. Ali quando o povo apertar o botãozinho, vai sair o resultado. Vocês sabem que pesquisa não me move", concluiu.

Escrito por Josias de Souza às 14h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Preso ex-dono do Banco Santos

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira o ex-dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira. Foi detido em casa, no bairro paulistano do Morumbi, por 15 agentes da Delegacia de Repressão Crimes Financeiros.

A prisão foi pedida pelo Ministério Público. Decretou-a o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, responsável pelo processo em que Cid Ferreira é acusado de crimes financeiros. O advogado do preso, Arnaldo Malheiros, já está providenciando o pedido de habeas corpus.

 

Simultaneamente, a Polícia Federal continua à caça dos sanguessugas. Já recapturou 30 dos 44 implicados. Nesse ritmo, os serviços da carceragem brasileira terão de ser incrementados. Não é todo dia que vão à garra tantos prisioneiros ilustres -ex-banqueiro, vendedores de ambulâncias superfaturadas, servidores graduados e ex-deputados. Convém introduzir um bom vinho no cardápio da hospedaria.

Escrito por Josias de Souza às 14h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dirceu vai ao STF, mas não é notificado

O ministro Joaquim Barbosa, que cuida do inquérito criminal contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão, queixou-se ontem à imprensa. Disse que os oficiais de Justiça do STF estavam tendo dificuldades para notificar quatro dos indiciados, entre eles o ex-ministro José Dirceu. O Ministério Público teria anotado no processo o antigo endereço de Dirceu, ainda dos tempos de Brasília.

 

De passagem pela capital da República, José Dirceu fez há pouco uma visita ao gabinete de Joaquim Barbosa. E, embora estivesse ali, em carne e osso, não foi notificado. Alegou-se, veja você, que o cartório do STF encontrava-se fechado para o almoço.

 

O ex-ministro deixou com Marco Aurélio Rodrigo, chefe de gabinete do juiz Barbosa, os endereços de sua residência e de seu escritório em São Paulo. Agora, os oficiais de Justiça só não o acham se não quiserem.

 

Assim funciona a lógica da Justiça: Dirceu foi denunciado como “chefe” da “quadrilha” do mensalão há dois meses. Deu no rádio e na televisão. Saiu nos jornais e nas revistas. O ex-ministro e seus advogados têm cópia da denúncia. Já leram a peça de frente pra trás e de trás pra frente. Porém, para efeitos processuais, Dirceu não tem ciência de coisa nenhuma. Precisa ser notificado. Até lá, o processo não anda.

 

PS.: Depois da visita de Dirceu, o STF veiculou em seu sítio na internet a notícia de que o ministro Joaquim Barbosa mandou notificá-lo com "urgência". Agora vai.  

Escrito por Josias de Souza às 12h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula sela acordo eleitoral com PT, PSB e PC do B

Lula, aquele que diz que ainda não decididiu se será candidato, selou uma aliança para a campanha eleitoral que não sabe se irá disputar. Acertou-se com PT, PSB e PC do B. O enlace se deu na quarta-feira, em torno da mesa de jantar do Palácio da Alvorada, informam Kennedy Alencar e Ranier Bragon (leia).

 

O não-candidato oficial pediu que sejam aceleradas as negociações para alianças nos Estados, montagem da coordenação de campanha e elaboração de programa de governo. Planeja assumir a candidatura à reeleição por volta de 15 de junho.

 

Foi a primeira reunião formal de Lula com os três partidos. Participaram os presidentes do PT, Ricardo Berzoini, do PSB, Eduardo Campos, e do PC do B, Renato Rabelo. Estiveram também à mesa do Alvorada o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Escrito por Josias de Souza às 06h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: Advogado do PCC é preso por desacato

- Folha: Serra perde votos, mas vence no 1º turno

- Estadão: Superávit é recorde e ajuda na recuperação dos mercados

- Globo: Advogado diz que deputados são malandros. E é preso

- Correio: STF não notifica nem prende Dirceu

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O crime de existir!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aliados de Alckmin desconfiam de Serra e Aécio

Daniel Kfouri/Folha Imagem
 

 

Partidários tradicionais do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) ruminam, em reserva, a suspeita de que José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estejam conspirando contra o êxito da candidatura presidencial do PSDB. Acham que, de olho em 2010, os dois estão privilegiando seus projetos pessoais em detrimento do interesse partidário.

 

O blog ouviu dois tucanos conhecidos por desfrutar da intimidade do presidenciável Alckmin. Um deles é deputado federal. O outro é deputado estadual. Ambos desconfiam da sinceridade do apoio de Serra e Aécio. Suspeitam que o ex-prefeito paulistano e o governador mineiro não deglutiram o fato de Alckmin ter prevalecido sobre eles na disputa pela vaga de candidato tucano à presidência.

 

Na avaliação dos aliados de Alckmin, Serra e Aécio apostam na reeleição de Lula. O discurso pró-Alckmin, que ostentam em público, seria mera fachada. Nos bastidores, os dois estariam bombardeando o companheiro de partido. Um dos deputados ouvidos pelo repórter chegou mesmo a insinuar que Aécio cultivaria uma política de boa vizinhança com Lula e com o PT.

 

Para os dois freqüentadores da copa e cozinha de Alckmin, Serra e Aécio receariam que, uma vez eleito, o ex-governador de São Paulo possa vir a pleitear a reeleição em 2010. O que postergaria em oito anos os projetos presidenciais alternativos do PSDB. Daí a suposta conspiração.

 

Ouvidos separadamente, pelo telefone, os dois aliados do presidenciável tucano desenvolveram raciocínios coincidentes. Avaliam que o suposto descaso de Serra e Aécio é mortal para Alckmin. Em vez de palanques fortes em São Paulo e Minas, Alckmin disporia de tablados virtuais nos dois principais colégios eleitorais do país.

 

Tudo isso num instante em que Lula reduz a desvantagem que o separa de Alckmin em São Paulo e consolida a vantagem que o distancia do adversário tucano em Minas. Alckmin nunca dependeu tanto do empenho de Serra, número um na preferência do eleitorado paulista para o Palácio dos Bandeirantes, e de Aécio, franco favorito à reeleição para o Palácio da Liberdade.

 

Não é só. Os amigos de Alckmin suspeitam que também o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estejam dinamitando Alckmin. Um deles disse ter sido informado de que, em reunião realizada na semana passada em Nova York, da qual também participou Aécio, os grão-tucanos criticaram a incapacidade de Alckmin de empolgar o eleitorado.

 

Os dois aliados de Alckmin evitaram informar se seus pontos de vista são compartilhados pelo candidato. “Isso é irrelevante”, disse um deles. “Não conversei com o governador a esse respeito”, desconversou o outro.

Escrito por Josias de Souza às 01h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Datafolha: Serra e Aécio podem vencer no 1º turno

O Datafolha divulgou na noite desta quinta-feira uma rodada de pesquisas eleitorais feitas nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas e Rio. Os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) mantêm o favoritismo em seus respectivos Estados. Bateriam os adversários no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Dá-se na eleição paulista o oposto do que ocorre na disputa presidencial. O petista Aloizio Mercadante está para Serra assim como Geraldo Alckmin está para Lula. Já na disputa mineira, Aécio não dispõe, por ora, de um adversário capaz de fazer-lhe sombra. 

Em São Paulo, ainda que Orestes Quércia (PMDB) decidisse concorrer ao governo do Estado –ele hoje pende para o Senado—, o favoritismo de Serra não seria abalado. O candidato tucano amealharia 52% dos votos (Em abril ele tinha 59%); Aloizio Mercadante, o segundo colocado, teria 15%. E Quércia, 9%. Excluindo-se os votos brancos e nulos, Serra teria 64% dos votos vários. Seria eleito, portanto, no primeiro turno.

 

Em Minas, a posição de Aécio é ainda mais cômoda. Seria reeleito no primeiro turno com folga. Ele aparece na pesquisa Datafolha com taxas de intenção de voto que variam entre 70% e 72%, dependo do cenário. O petista Nilmário Miranda, segundo colocado, pontua entre 6% e 7%.

 

No Rio, o Datafolha apurou um quadro de segundo turno. O senador Sérgio Cabral (PMDB), apoiado pelo casal Garotinho, líder com 35% das intenções de voto, disputaria com o senador Marcelo Crivella (PRB), com 18%. Vêm atrás a deputada Denise Frossard (PPS), com 10%; o deputado Eduardo Paes (PSDB), com 4%; e, empatados na lanterninha, Vladimir Palmeira (PT), Eider Dantas (PFL) e Milton Temer (PSOL), cada um com 2%.

Escrito por Josias de Souza às 23h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula e Chirac voltam a divergir sobre rodada Doha

Fotos:Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Chirac e Lula observam evoluções dos aviões da esquadrilha da fumaça

 

Retribuindo uma visita de Lula a Paris, o presidente da França, Jaques Chirac, cumpre nesta quinta-feira agenda oficial em Brasília. Em entrevista conjunta que concederam no Planalto, os dois presidentes voltaram a expor as divergências que separam o grupo de países emergentes G20 (Grupo dos 20) e a União Européia nos assuntos relacionados à Rodada Doha da OMC (Organização Mundial de Comércio).

 

De acordo com relato do repórter Ricardo Amaral, Chirac repisou a tecla de que "a chave do problema são os Estados Unidos, que não cederam nada na questão dos subsídios agrícolas". E Lula reafirmou que o G20 está disposto a abrir mercados para produtos e serviços. Mas quer em troca, além de um avanço dos Estados Unidos, a União Européia promova abertura em seu mercado agrícola.

 

Para Lula, o desfecho favorável da rodada de Doha "não depende mais de decisão econômica, é uma decisão política que os líderes políticos têm de tomar". Desde o final do ano passado que Lula vem propondo, por ora sem sucesso, que as negociações na OMC, hoje restritas a técnicos e diplomatas, passem a ser feitas por chefes de governo.

 

Chirac chegou a se irritar quando uma jornalista brasileira voltou ao tema, perguntando "que garantias a França poderia oferecer" de que melhoraria sua proposta, caso os países do G20 avancem na questão dos mercados de produtos manufaturados e de serviços.

 

A visita de Chirac foi pontuada por um incidente algo cômico. Um desavisado fotógrafo oficial da comitiva do presidente francês caiu, com equipamento e tudo, no espelho d’água do Palácio da Alvorada (veja foto ao lado).

 

De resto, Lula e Chirac anunciaram a assinatura de acordos bilaterais e acertaram uma parceria na idéia de produzir combustíveis alternativos em países pobres que hoje dependem do petróleo. A proposta será levada pelos dois à próxima reunião dos chefes de Estado dos sete países mais industrializados do mundo e da Rússia. Lula participará da reunião do G8 (Grupo dos Oito) como convidado.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sessão de CPI tem muito teatro e pouco resultado

  Sérgio Lima/F.Imagem
A CPI do Tráfico de Armas promoveu nesta quinta-feira uma acareação, para tentar elucidar detalhes do vazamento para o PCC de depoimentos secretos que dois delegados da polícia concederam à comissão. Houve muito espetáculo e pouco esclarecimento.

 

A primeira fase da sessão foi marcada por uma cena teatral. O advogado Sérgio Weslei Cunha estava sendo acareado com Arthur Vinicius Silva, o ex-prestador de serviços da Câmara que confessou ter vendido por R$ 200 reais dois CDs com o áudio da sessão que deveria ter sido secreta.

 

Em dado momento, Weslei Cunha foi inquirido em termos duros por Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Abespinhado com as respostas evasivas do advogado, o deputado provocou: "O senhor aprende rápido com a malandragem". Ouviu uma resposta atravessada: “A gente aprende rápido aqui”.

 

Seguiu-se um sururu. Os deputados entenderam que ao dizer “aqui” Weslei Cunha ofendera a CPI e o Congresso. O advogado ainda tentou ajeitar as coisas. “Aqui no Brasil, excelências”, disse ele. Não adiantou. Moroni Torgan (PFL-CE) deu-lhe voz de prisão. Acusou-o de ter incorrido no crime de ofensa a funcionário público no exercício de suas funções.

 

Em evidente absurdo, a polícia judiciária, que cuida da segurança nas dependências do Congresso, levou Weslei Cunha preso. Chegou mesmo a algemá-lo! E nada se disse em relação à argüição desrespeitosa de Faria de Sá.

 

Seguiu-se a acareação de Vinicius Silva, já afastado do quadro de terceirizados da Câmara, com a advogada

Maria Cristina Rachado. Defensora de Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, capo do PCC, a doutora Rachado tentou negar que houvesse remunerado o ex-operador de áudio da CPI em troca da obtenção dos CDs.

 

Caiu, porém, em contradição. Há dois dias, em seu primeiro depoimento à CPI, Rachado dissera que não havia discutido valore$ com Vinicius Silva. Nesta quinta, admitiu ter tratado do tema depois que o ex-funcionário pediu dinheiro em troca dos CDs. Mas continuou negando que a grana tenha saído da sua bolsa. Foi desmentida por Vinicius Silva, que sustentou ter recebido dela os R$ 200.

 

Afora a linearidade do depoimento de Vinicius Silva, que admite desde o primeiro momento que se deixou “corromper” pelos advogados, a acareação contribuiu muito pouco para elucidar os fatos. Na fase final da sessão, já livre das algemas, Weslei Cunha voltou à sala da CPI. E foi confrontado com a colega Rachado e com Vinicius Silva. Mantiveram-se as versões contraditórias.

 

Sob toda a pantomima, restou a impressão de que só Vinicius Silva disse algo de verdadeiro. E remanesceram as suspeitas de que os dois advogados compraram o áudio da sessão secreta da CPI para repassar os “segredos” da polícia para o PCC. O mesmo quadro que já se havia consolidado antes da acareação. Ou seja, muito teatro para pouco resultado.

Escrito por Josias de Souza às 18h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PT rebate tentativa tucana de vinculá-lo ao PCC

Baseando-se em notícia veiculada aqui há dois dias, os líderes do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), e no Senado, Arthur Virgílio (AM), mencionaram manuscrito do PCC recomendando voto no PT, contra o PSDB, para tentar vincular o petismo à facção criminosa. Nesta quinta-feira, o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana, levou os lábios ao megafone para rebater às “provocações”.

Na opinião de Fontana, o comportamento de Goldman e “ultrapassou o limite do razoável e configurou um total desrespeito à população brasileira”. Segundo ele, se os líderes tucanos quiserem falar sobre PCC devem começar explicando por que a organização criminosa ganhou tanta força em São Paulo, Estado governado pelo PSDB há doze anos.

“A atitude do senador e do deputado tucanos de envolver o PT com o PCC é uma mistura de oportunismo com irresponsabilidade”, disse Fontana. O gesto, disse ainda Fontana, “coincide com a queda das intenções de voto de Geraldo Alckmin”.

“Esse oportunismo irresponsável revela um desespero dos tucanos diante da ascensão das preferências de voto à candidatura do presidente Lula”, afirmou, antes de recomendar à oposição que eleve o nível da campanha, privilegiando as “questões programáticas”  e evitando “uso de baixarias sem limites”.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e PFL formam conselho para lavar roupa suja

Numa tentativa de espantar a zebra que ronda a candidatura tucana de Geraldo Alckmin, PSDB e PFL decidiram constituir um conselho político de campanha. Servirá para que os dois partidos acertem os seus ponteiros a portas fechadas, evitando que a roupa suja continue sendo lavada em público.

O conselho terá reuniões semanais. A primeira já foi marcada. Será na próxima segunda-feira, às 16h, em Brasília. “Na medida em que o conselho funcionar, quando houver divergências, elas serão expostas nessa instância e não na imprensa. E a palavra final tem que ser do candidato Alckmin”, disse ao blog o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen.

 

Ele não exclui a hipótese de que a “trepidação” continue pelo menos até 30 de junho. Acha que são “naturais”, em função de não terem sido definidas ainda todas as alianças nos Estados. Mas diz que os problemas “mais relevantes” serão agora levados ao conselho político de campanha.

 

Integrarão o conselho, além de Alckmin e do candidato a vice, José Jorge (PFL-PE), os presidentes das duas legendas, os líderes dos partidos na Câmara e no Senado e os dois coordenadores da campanha, os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI).

 

Nesta quinta-feira, o prefeito do Rio, César Maia (PFL), voltou a protagonizar uma nova “trepidação” nas relações tucano-pefelistas. Ele disse, em entrevista à rádio CBN, que as divergências em relação ao comando da campanha são apenas “fogos de artifício”. Escondem uma diferença mais profunda entre os dois partidos.

 

O problema real, disse o prefeito carioca, é que “o PFL não aceita mais” ficar “na garupa” do PSDB, a exemplo do que ocorreu, segundo a sua visão, “no governo Fernando Henrique Cardoso”. Não dá mais, afirmou César Maia, para “entrar na garupa, viabilizar a eleição, ganhar uns dois ministérios, não sei quantas diretorias, um espaçozinho aqui e ser traído depois”.

 

Para César Maia, é preciso que PSDB e PFL selem “uma concertación tipo chilena, em que os dois partidos estão verdadeiramente juntos no governo.” Nas entrelinhas da entrevista, o prefeito aponta fragilidades do candidato: “O Alckmin não é o Fernando Henrique, não se trata de uma personalidade internacional, que produza um quadro suprapartidário em torno dele mesmo, não é assim.”

 

As divergências de César Maia, transpostas para o cenário nacional pelas críticas de seu filho, o deputado Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL na Câmara, irritam a direção do PSDB. Por isso, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, tentou limitar a composição do novo conselho, que começa a funcionar na segunda.

 

Num primeiro momento, Tasso tentou excluir os líderes. Não o agradava a idéia de sentar-se à mesma mesa com Rodrigo Maia. Mas Alckmin, acionado pelo vice José Jorge, interveio. E, em telefonema a Tasso, convenceu-o a aceitar a formação proposta pelo PFL.

 

A depender dos resultados da reunião do conselho, na segunda, os dois partidos devem confirmar na quarta-feira da semana que vem a formalização da aliança eleitoral. A cerimônia ocorrerá em Brasília, e não mais em Recife, como fora programado inicialmente.

Escrito por Josias de Souza às 16h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Simon põe o pé na estrada e PMDB já joga óleo

Uma coisa é preciso reconhecer. A turma que defende a tese da candidatura presidencial própria do PMDB já tentou tudo. O problema é que tudo não quer nada com esse pessoal. Nesta quinta-feira, Pedro Simon (RS) registrou no partido sua candidatura ao Planalto. Anthony Garotinho figura na chapa como seu vice, informa Andreza Matais.

Pois bem, mal Simon pôs o pé na estrada e já começaram a derramar óleo na pista. Reunida em Brasília, a Executiva do PMDB decidiu adiar a convenção do partido do dia 11 para 29 de junho. Inspirada pela ala lulista do PMDB, a providência transforma a candidatura Simon numa iniciativa natimorta.

 

Até o final de junho, as lideranças regionais do PMDB já terão costurado nos Estados as alianças que bem entenderem. E darão uma banana para o projeto nacional de Simon e Garotinho. Os partidários da candidatura própria acenam com a possibilidade de trasnferir a batalha, uma vez mais, para a seara judicial.

 

Incluído num dos cenários da pesquisa Datafolha fechada ontem, Simon obteve 2% das intenções de voto. Não é um percentual que convide à adesão.

Escrito por Josias de Souza às 14h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Os mercados e os votos

Artigo publicado nesta quinta pelo sempre lúcido Clóvis Rossi (na Folha, para assinantes):

 

"O nervosismo nos mercados começa a provocar especulações sobre eventuais efeitos eleitorais. Mas é bom ter presente uma coisa, a única que se pode dizer com alguma segurança: quem espera uma repetição do quase caos de 2002 vai perder.

 

Primeiro, porque não há, desta vez, um único candidato inimigo dos mercados, como Lula parecia ser há quatro anos, para se revelar, depois, o amigo do peito deles. Segundo, porque as chances de distúrbios realmente sérios nos mercados financeiros são moderadas.

 

O dólar pode subir, como vem subindo, o risco-país idem, mas há espaço em tese para absorção sem traumas políticos. Até porque o jogo das finanças não atinge a massa de eleitores. A menos, é claro, que haja espetáculo especulativo, em que as notícias da crise levem insegurança ao público das arquibancadas.

 

O problema seria o efeito sobre a chamada economia real ou, mais exatamente, sobre o crescimento, que se pode dar de duas formas. Ou o Banco Central, já tarado pelo conservadorismo, breca os cortes de juros, com o inevitável efeito sobre as expectativas e, por extensão, sobre a dinâmica econômica. Ou ocorre crise séria nos Estados Unidos, com os inevitáveis efeitos sobre a economia global.

 

O problema seria o estouro da bolha imobiliária, pela seguinte razão: o valor total dos imóveis nas economias desenvolvidas subiu mais de US$ 30 trilhões (trilhões, repito) nos últimos cinco anos. Ou seja, só a valorização foi 37 vezes maior que toda a economia brasileira.

 

Imagine então o tamanho potencial do estouro se os juros continuarem aumentando. De todo modo, é mais provável que haja apenas um esvaziamento paulatino da bolha, não desastroso. Eleitoralmente, portanto, ainda parece que o leão é manso".

Escrito por Josias de Souza às 07h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Dólar chega a R$ 2,40 e Bolsa cai

- Folha: Cresce chance de Lula vencer no 1º turno

- Estadão: Pesquisa indica que Lula ganha no 1° turno

- Globo: Operação sanguessuga - Acusados são presos pelo STF; Congresso desiste de investigar

- Correio: Sanguessugas de volta para a cadeia

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

São Paulo num mato com cachorro!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin administra crise e Lula se diz ‘preocupado’

Animado com o sobe-desce detectado pela nova rodada de pesquisas –Sensus e Datafolha—, um petista amigo de Lula telefonou para o presidente à noite. Cumprimentou-o efusivamente. E assustou-se ao ouvir a seguinte resposta: “Estou preocupado com essas pesquisas”.

 

Atônito, o interlocutor do presidente reagiu com espanto: “Preocupado! Como assim?” E Lula: “Esse clima de já ganhou não me agrada”. O tom de gostosa “preocupação” permeou as análises que Lula fez das pesquisas.

 

A outro petista, integrante de seu governo, Lula usou imagens futebolísticas: “Ninguém ganha o jogo antes do apito final do juiz”, disse ele, conforme relato que seu interlocutor fez ao repórter. Referia-se, dessa vez, à pesquisa Sensus. Os dados do Datafolha ainda não haviam sido liberadas. Nas palavras do presidente, a hora não é de “festejar”, mas de “suar a camisa”, de “correr atrás da bola”.

 

Geraldo Alckmin também está preocupado. Mas sua inquietação tem outras razões. O candidato tucano tenta contornar a crise que ronda o seu comitê de campanha. Os conflitos internos, que pareciam tênues, acentuaram-se de modo avassalador.

 

Nesta quinta-feira, Alckmin planeja viajar a Brasília para tentar jogar água numa fervura que ameaça a unidade da aliança PSDB-PFL antes mesmo de sua formalização, adiada em meio à turbulência. As divergências, até aqui mantidas entre quatro paredes, transbordaram para além da porta.

 

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, insinuou publicamente que o problema da campanha tucana não está no candidato, mas na coordenação da campanha. O comandante geral Tasso Jereissati, presidente do PSDB, vestiu a carapuça. Primeiro, fez troça. Disse que as palavras de seu detrator só valeriam se fossem referendadas “pelo seu papa”, numa referência irônica ao prefeito do Rio, César Maia.

 

Depois, Tasso bateu pesado. Afirmou que se queixaria a Jorge Bornhausen, presidente do PFL. Disse que, a essa altura, não é mais possível aturar críticas de pefelistas a Alckmin e ao PSDB. É preciso saber, disse ele, se o PFL é ou não um “aliado de verdade”.

 

Para complicar, o suporte do “papai” ao filho Rodrigo Maia não tardou a aparecer. Em seu boletim eletrônico, o prefeito César Maia acusou Tasso de “trair o PSDB nacional” numa aliança com Ciro Gomes (PSB), cotado para vice na chapa de Lula. Disse que, a exemplo do que ocorreu na campanha presidencial de José Serra, em 2002, Tasso estaria fazendo “corpo mole” em relação a Alckmin. Em traição aberta ao governador cearense Lucio Alcântara (PSDB), candidato à reeleição, Tasso se acerta com Ciro para fazer do irmão dele, Cid Gomes, governador do Ceará.

 

Como se fosse pouco, Alckmin passou a lidar com o fogo amigo do seu próprio partido. Grão-tucanos do porte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Aécio Neves (Minas) fazem, em reserva, afirmações que contrastam com suas declarações públicas. Em essência, duvidam da capacidade de Alckmin de derrotar Lula.

 

O repórter conversou com um ex-ministro de FHC que disse ter ouvido dele o seguinte raciocínio: Lula trafega acima das denúncias de corrupção. Não adianta “bater nele”. O eleitor separa o presidente do PT. Disse, de resto, que o “carisma” de Lula só pode ser confrontado por um adversário que seja também “carismático”. Algo que, a seu juízo, Alckmin não é.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Datafolha também dá vitória de Lula no 1º turno

Confirmando a tendência verificada pela pesquisa Sensus, divulgada pela manhã, o Datafolha revelou na noite desta quarta os números de sua mais recente sondagem eleitoral, feita nos últimos dois dias. Se a eleição fosse hoje, Lula garantiria o segundo mandato já no primeiro turno.

Lula liquidaria o pleito na primeira rodada em dois dos cenários pesquisados, que são justamente os mais prováveis: sem uma candidatura presidencial do PMDB ou se o candidato peemedebista for o senador Pedro Simon (RS).

Datafolha

De todos, o cenário que mais se aproxima da realidade é aquele em que o PMDB vai às urnas sem candidato ao Planalto. Neste caso, Lula, que em abril tinha 43%, teria agora 45% dos votos. Geraldo ‘Picolé de Chuchumbo’ Alckmin, que tinha 23, oscila um ponto para baixo e fica com 22%.

Sem um peemedebista no páreo, a vantagem de Lula sobre Alckmin, que era de 20 pontos percentuais em abril, aumenta para 23 pontos nesta primeira sondagem eleitoral realizada depois da onda de ataques do PCC às forças de segurança do Estado de São Paulo. Excluindo-se os votos brancos e nulos, além dos eleitores que se declararam indecisos, Lula seria reeleito no primeiro turno com 54% dos votos válidos.

Mesmo que a candidatura Simon consiga ganhar musculatura partidária, o quadro mantém-se praticamente inalterado: Lula oscilaria um ponto para baixo, ficando com 44%. Alckmin conservaria os mesmos 22%. E Simon teria 2%. Neste caso, Lula arremataria 53% dos votos válidos. E, de novo, asseguraria a reeleição no primeiro turno.

Embora Anthony Garotinho (PMDB) tenha desistido de concorrer ao Planalto, apresentando-se agora como candidato a vice na chapa de Simon, a pesquisa inclui um cenário ainda com o nome do ex-governador fluminense. Lula aparece com 43%. Alckmin, com 21%. E Garotinho despenca de 15% para 7%. Lula ficaria com 51% dos votos válidos. Em tese, venceria no primeiro turno. Mas como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, a cautela e o rigor científico obrigam a informar que não dá para dizer com 100% de certeza que não haveria um segundo turno.

Embora Datafolha e Sensus tenham captado movimentos semelhantes no que diz respeito às intenções de voto, divergiram num ponto relevantíssimo: a taxa de rejeição dos candidatos. De acordo com a sondagem Sensus, 34,7% dos eleitores jamais votariam em Lula. A aversão a Alckmin seria ainda maior: 40,6%. A pesquisa Datafolha detectou dados que vão em sentido oposto: a rejeição do eleitorado a Lula (27%) seria praticamente o dobro da de Alckmin (14%). Se o Sensus estiver certo, o espaço para uma eventual reação de Alckmin seria bem menor.

Escrito por Josias de Souza às 00h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Absolvido Vadão 'R$ 3,7 milhões' Gomes

 

 

Quem ainda tem lágrimas que trate de derramá-las. O caso é mesmo de choro. O plenário da Câmara absolveu na noite desta quarta-feira mais um mensaleiro: Vadão “R$ 3,7 milhões” Gomes (PP-SP). Foi uma sessão deprimente. Convicto de que a lâmina passaria distante de seu pescoço, o deputado não achou necessário nem mesmo fazer a própria defesa. Tinha à disposição 40 minutos. Só usou cinco.

 

Dos 513 deputados que compõem a Câmara, só 425 compareceram à sessão. Foi o quorum mais baixo de todos os julgamentos da turma que se serviu dos duto$ de Marcos Valério. Votaram pela absolvição 243 deputados. Pela condenação, 161 contrários. Houve um voto nulo, quatro em branco e 16 abstenções.

 

Dos 19 mensaleiros pilhados com o bolso na botija só um ainda não foi julgado: José Janene (PP-PR). Dos 18 restantes, apenas três tiveram os mandatos passados na lâmina: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Todos os demais se livraram da cassação, ora pela via da renúncia ora pela generosidade corporativa do plenário. Veja aqui o quadro geral do vexame. E chore de raiva.

Escrito por Josias de Souza às 23h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mercado continua tenso

O chamado mercado, que respira uma atmosfera aziaga desde segunda-feira, segue tenso. Nesta quarta-feira, registraram-se sinais de fuga investimentos em ativos de risco. O receio que vai na alma dos investidores é movido pelo receio de que os EUA voltem a decretar uma subida dos juros, tornando menos atrativas as aplicações em mercados emergentes como o Brasil.

 

O dólar subiu quase 5%. Bateu em R$ 2,401. É a maior cotação desde agosto do ano passado. A Bovespa, que chegou a cair 3,3% ao longo do dia, fechou em queda de 0,88%, informam as repórteres Nathália Ferreira e Daniela Machado (leia).

Escrito por Josias de Souza às 18h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A humildade petista e o desespero tucano

Com a humildade que convém aos que estão no topo, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) driblou o triunfalismo ao comentar a nova pesquisa presidencial divulgada nesta quarta-feira. Ele disse o seguinte:

"O quadro não está fixado. O presidente sequer apresentou a candidatura e se apresentar, e creio que vai apresentar, o quadro ficará mais nítido. Uma vantagem neste momento é uma cosia boa para o presidente, mas não quer dizer vitória ou fixação de quadros".

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), admitiu, segundo relata Felipe Recondo, que não há uma estratégia do tucanato para minar a candidatura de Lula. Disse que, para tentar levar o Geraldo “Chuchumbo” Alckmin à vitória o PSDB vincular o presidente aos escândalos de corrupção.

Para Virgílio, Lula "tem teto" nas intenções de voto. Acha que o adversário não é imbatível. "O desafio não está tanto em se saber até onde vai Lula, mas saber como fazer o nosso candidato alçar vôo e atingir a maioria dos brasileiros que rejeitam Lula", disse.

Virgílio desenvolve o seguinte raciocínio: "Se não fossem os escândalos, teríamos um Lula com 60% das intenções de voto. Como temos um Lula alvejado pela crise ética e inoperante do ponto de vista administrativo, ele está estacionado em 40%. Isso não é um adversário difícil de ser batido".

 

Na opinião do governador tucano Aécio Neves (MG), nem tudo está perdido. Destoando do que anda dizendo entre quatro paredes, ele afirmou que “Chuchumbo” Alckmin sobe depois do mundo de futebol: "Acho que após a Copa do Mundo é o momento da candidatura que realmente avança, mas o nosso patamar de hoje não é ruim para quem está iniciando a campanha".

 

Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comissão do Senado aprova convocação de Dantas

  Lula Marques/F.Imagem
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira um requerimento de convocação do banqueiro Daniel “encrenca” Dantas, da irmã dele, Verônica Dantas, e do presidente do Citibank, Gustavo Marin. Eles serão ouvidos em sessão marcada para 7 de junho.

 

Os autores do requerimento são os líderes Arthur Virgílio (PSDB) e José Agripino Maia (PFL). Decidiram apresentá-lo depois que a CPI dos Bingos, agora dominada por maioria governista, mandou à gaveta um pedido de convocação de Dantas.

 

Virgílio e Agripino desejam que o banqueiro e os outros dois personagens prestem esclarecimentos sobre a suposta propina de “dezenas de milhões de dólares” que o PT teria exigido do Opportunity. A acusação consta de documento entregue pelos advogados do banco à Justiça de Nova York.

 

A senadora Ideli Salvati (SC), líder do PT, tentou evitar a votação do requerimento. Pediu adiamento. Mas, levado a voto, seu pedido foi rejeitado. Dantas será inquirido também sobre sua suposta participação na elaboração de dossiê publicado na revista Veja, acusando vários políticos de manter contas em paraísos fiscais. Entre eles Lula.

“Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio”, escreveu Veja há duas semanas, “Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais”.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

STF mantém prisão de ‘sanguessugas’

Durou menos de 24 horas a decisão judicial que mandava soltar 44 ‘sanguessugas’ encarcerados em Mato Grosso. Concedido ontem pelo TRF de Brasília, o habeas corpus que relaxava a prisão foi cassado nesta quarta-feira pela presidente do STF, Ellen Gracie (leia aqui a íntegra da decisão).

Foi ao lixo também a decisão do TRF que mandava subir da 2ª Vara Federal mato-grossense para o STF todo o processo que apura o desvio de verbas públicas para a compra de ambulâncias superfaturadas. Ellen Gracie manteve a coisa como estava. Entendeu que a parte dos autos que envolve parlamentares já foi enviada ao Supremo pelo Ministério Público (leia).

 

Também nesta terça-feira, a Câmara decidiu que não vai decidir coisa nenhuma em relação aos deputados ‘sanguessugas’, acusados de trocas emendas orçamentárias por propinas (clica). A direção da Casa achou melhor deixar a investigação por conta do Ministério Público. Sábia decisão. O atual Congresso, casa de todas as tolerâncias, não tem autoridade para investir-se nas funções de investigador de si mesmo.

 

No Senado, informa a repórter Andreza Matais, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) trama o arquivamento da CPI dos Sanguessugas. Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos idealizadores da comissão, cogita recorrer ao STF para assegurar a abertura da investigação parlamentar. Insinua que Renan está tentando proteger o colega de partido Ney Suassuna (PMDB-PB), por ora o único senador acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias (aqui).

 

PS.: Depois da decisão da ministra Ellen Gracie, a Polícia Federal foi à luta para tentar recapturar os sanguessugas libertados ontem. Por ora, só voltaram para a cana 12 dos 44 beneficiados pelo habeas corpus do TRF. 

Escrito por Josias de Souza às 15h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula levita e 'Chuchumbo' derrete

Saiu nesta quarta-feira mais uma pesquisa de opinião (clica). Foi feita pelo instituto Sensus. De essencial, mostra duas coisas: 1) Lula tonificar as chances de liquidar a fatura no primeiro turno da eleição; 2) a capacidade de reação de Alckmin, principal adversário do atual presidente, é cada vez menor.

Em um mês, a taxa de intenção de voto em Lula subiu de 37,5% para 40,5%. A de ‘Chuchumbo’ Alckmin caiu de 20,6% para 18,7% (leia). A diferença entre os dois, que era de 16,9 pontos em abril, agora é de 21,8 pontos percentuais.

 

Os formuladores da pesquisa ainda fizeram um grande favor a Alckmin: mantiveram na sondagem o nome de Antony Garotinho. O mundo sabe que, rifado pelo PMDB, o candidato ‘Molequinho’ está fora do páreo. Sabe também que, enquanto brincou de ser candidato, o ‘Menininho’ colecionou votos nas classes ‘D’ e ‘E’, que tendem a migrar para Lula.

 

Pois bem, mantido na refrega pelos técnicos do Sensus, Garotinho viu minguar as suas intenções de voto de 15% para 11,4%. A senadora Heloisa Helena (AL), candidata do PSOL, deu uma melhoradinha: foi de mínimos 4,3% para ainda inexpressivos 6,1%.

 

Num eventual segundo turno, cada vez menos provável, Lula amealharia 48,8% dos votos. ‘Chuchumbo’ amargaria 31,3%. A dianteira do candidato petista é, hoje, de 17,5 pontos percentuais. Há um mês, era de 11,8 pontos -Lula ostentava 45%, contra 33,2% atribuídos a Alckmin.

Um detalhe complica a vida de ‘Chuchumbo’, se é que isso é possível. Oscilou de 35,7% para 34,7% o percentual de eleitores que declararam que jamais votariam em Lula. Significa dizer que a taxa de rejeição dos eleitores a Lula ficou praticamente estável. No caso de Alckmin, a rejeição subiu dos 33,5% verificados em abril para 40,6%. Tudo indica que a imagem do 'Picolé' tucano foi tisnada pela ação do PCC em São Paulo (confira). 

Para o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, a rejeição de Alckmin, no nível em que se encontra, funciona como uma espécie de lápide de candidatura. "Verificamos empiricamente na eleição brasileira que quem tem até 35% no índice de rejeição está dentro do jogo político. Quem tem 40% ou mais, está fora", disse ele.


A reeleição de Lula é dada como favas contadas por praticamente metade do eleitorado pátrio –49% dos eleitores acham têm a expectativa de que o presidente a partir de 2007 será Lula. Só 13,7% ainda ruminam a expectativa de que ‘Chuchumbo’ pode levar o trono.

 

Tasso Jereissati, o presidente do PSDB, costuma irritar-se quando lhe perguntam se o tucanato pode trocar de candidato presidencial. Está cansado de dizer que não há a menor chance de uma substituição de Geraldo ‘Chuchumbo’ Alckmin por José ‘Preterido’ Serra. Convém a Tasso tomar um calmante. Muita gente há de repetir a pergunta nos próximos dias.

Escrito por Josias de Souza às 13h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

- JB: Municípios perdem R$ 66 bi por ano em operações ilegais

- Folha: Estado confirma que 31 mortos dos 110 mortos não têm ligação PCC

- Estadão: Nada fará mudar o câmbio ou a política fiscal, diz Lula

- Globo: Polícia diz que 31 mortos não agiram em ataques

- Correio: Justiça manda soltar 44 sanguessugas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na fronteira da dúvida!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Polícia paulista reduz número de mortos ‘suspeitos’

Premida pela exigência do Ministério Público para entregar, em 72 horas, a lista de supostos bandidos mortos em confronto com a polícia, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo promoveu nesta terça-feira um ajuste nas suas contas. Informa agora que são 79 –e não 109 como divulgado até agora—os cadáveres suspeitos de envolvimento com o PCC.

Pelas novas contas do secretário de Segurança Saulo de Castro, dos 79 considerados suspeitos, 55 já foram identificados. Desse total, disse ele, 49 têm antecedentes criminais e ligação comprovada com a facção criminosa.

Dos 79 mortos que continuam sendo classificados pela cúpula da polícia paulista como “suspeitos”, 62 morreram em confronto direto com a polícia em meio à onda de ataques. Outras 17 mortes foram classificadas como "preventivas".

 

De acordo com Saulo de Castro, há ainda 31 cadáveres que tombaram em casos de resistência considerados "normais" pela polícia. Significa dizer que foram mortes ocorridas em ocorrências policiais rotineiras. Assaltos, por exemplo.

Somando-se todos os números mencionados pelo secretário, chega-se à cifra de 110 mortos. Um a mais do que os 109 que a polícia vinha divulgando desde segunda-feira. "O mundo não parou em função do ataque", disse Castro.

O secretário disse que não planeja divulgar tão logo a lista com os nomes dos mortos. Ele afirmou que o governo atenderá à requisição do Ministério Público “no seu tempo". O tempo imposto pelo procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Roberto Pinho, expira na quinta-feira.


"Quando a informação vai chegar? Vai chegar quando ela estiver pronta", disse o secretário de Segurança. "Pode ser amanhã, pode ser em 72 [horas], pode ser em 90 horas, o que eu vou fazer?"

As declarações foram feitas na seqüência de uma reunião de cerca de quatro horas com o procurador-geral, da qual participou também o governador Cláudio Lembo. Logo depois do encontro, em entrevista ao blog, Lembro utilizou termos mais amenos ao referir-se à requisição do Ministério Público. Disse que concorda em liberar logo a lista de mortos desde que os promotores se comprometam a mantê-la em sigilo até a conclusão dos inquéritos policiais (leia aqui).

Escrito por Josias de Souza às 01h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin responsabiliza Lula por crise no meio rural

  Orlando Brito/OBritoNews
De passagem por Porto Alegre (RS), onde fez campanha nesta terça-feira, o candidato tucano Geraldo Alckmin responsabilizou Lula pela crise que infelicita a agricultura brasileira. Ele previu, conforme relata o repórter Léo Gerchmann, a diminuição da área plantada e a falta de produtos.

"Vai diminuir a área plantada, reduzir a produtividade e faltar produtos [grãos, esclareceu depois]", disse Alckmin, após um café da manhã com produtores rurais. Ele definiu a queda da renda no setor agrícola como "gravíssima" e "preocupante".

E prosseguiu: "Se ele [Lula] fizesse menos campanha e trabalhasse um pouco mais, a agricultura brasileira não estaria na situação grave que está hoje. O culpado por essa crise é o presidente Lula. Ele não tomou providências diante de uma crise que vem de dois anos."

Questionado sobre a crise na área da segurança em São Paulo, que lhe toca mais de perto, Alckmin afirmou que conversa "praticamente todos os dias" com o governador Cláudio Lembo (PFL). Só se for agora. Na semana passada, Lembo queixou-se publicamente da falta de solidariedade do tucanato, especialmente de Alckmin, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.

Alckmin se disse "até contente" pelo fato de Lula ter elogiado Lembo. E voltou a ironizar o presidente que, segundo ele, antes só elogiava "os 40 ladrões" –referência à “quadrilha” denunciada pelo Ministério Público ao STF por suposto envolvimento no escândalo do mensalão. "Agora, pelo menos, ele elogiou um homem sério", afirmou o candidato tucano.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comunicado do PCC prega voto no PT contra o PSDB

Em ofício sigiloso, a Polícia Federal repassou ao governo de São Paulo uma mensagem que o PCC fez circular pelos presídios paulistas dias antes de deflagrar a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo entre os dias 12 e 19 de maio. O texto, mantido sob sigilo, concitava os presos a promover levantes nas cadeias e continha uma inusitada mensagem política.

Recolhido pelo setor de inteligência da Polícia Federal, o texto do PCC é manuscrito. Ocupa meia folha de papel ofício. Leva o nome de “salva”, como os integrantes da facção criminosa se referem às ordens expedidas pelo comando. Desaconselha o voto no PSDB. E recomenda explicitamente o voto no PT. O documento foi repassado ao governo paulista por ordem do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que também tomou conhecimento do seu teor.

 

Nem o governo federal nem a administração de São Paulo deram importância à parte política do manuscrito. Num esforço para evitar a politização da crise, ativeram-se aos trechos que fazem referência às rebeliões nos presídios. Os levantes, conforme previsto no “documento” do PCC, sublevaram mais de oito dezenas de presídios paulistas.

 

Pelos cálculos da PF, o manuscrito do PCC foi redigido dias antes de o governo de São Paulo transferir para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau os principais líderes da facção. Entre eles Marcos Willians Herba Camacho, apontado pela política como líder do PCC e autor da ordem que resultou nas rebeliões dos cárceres e na onda de ataques às forças de segurança do Estado.

 

Informado acerca do conteúdo do manuscrito do PCC, Lula tampouco atribuiu importância ao seu conteúdo político. Desde o início da crise, o presidente vem se manifestando, em reuniões fechadas e em manifestações públicas, contra a exploração política da crise. Discurso semelhante vem sendo adotado pelo ministro Thomaz Bastos.

 

Já na primeira hora, o governo petista procurou traduzir o discurso em gestos concretos. Antes mesmo de conversar com Lula, que se encontrava em Viena no instante em que começaram as rebeliões e a onda de ataques, o ministro da Justiça discou para o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Ofereceu-lhe ajuda.

 

Ao chegar ao Brasil, no dia seguinte ao início da crise, o sábado 13, Lula aprovou a iniciativa de seu ministro ao ser informado dela pelo telefone. Na segunda 16, em reunião no Planalto, o presidente pediu a Thomaz Bastos que voasse para São Paulo. Em reunião com Lembo, o ministro reforçou a disposição do governo federal de colaborar. O governador recusou o emprego de unidades da Força Nacional de Segurança e de tropas do Exército. Mas aceitou de bom grado a colaboração da área de inteligência da Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula condena oposição por portar-se como o ex-PT

Em visita ao município de Aguiarnópolis (TO), Lula, candidato não-declarado à reeleição insinuou que há muitos tucanos travestidos de urubus sobrevoando o governo dele. Falando em timbre eleitoral, o presidente declarou que certos políticos torcem para que as coisas não dêem certo só para voltar ao poder.

"Tem um tipo de político no Brasil que por mais experiência que ele tenha, por mais mandatos que tenha, por mais cargos que eles tenham exercido, eles estão sempre torcendo para que as coisas não dêem certo no Brasil, para ver se eles voltam", disse Lula.

Ele foi além: "Neste país tem um tipo de político que não gosta de pobre, tem um tipo de político que não respeita os trabalhadores, que acha que a gente dar dinheiro para a pessoa comprar arroz e feijão para comer é assistencialismo".

Lula comparou-se, uma vez mais, a Juscelino Kubitschek, que deixou o Planalto sob um turbilhão de acusações. "O Juscelino Kubitschek, que hoje é tido como o mais importante presidente da história do país, é uma pena que vocês todos não tivessem nascido para ver como é que foi o mandato do Juscelino Kubitschek. Ele era chamado de ladrão todo dia, ele era provocado todo santo dia e ele não perdia a calma. As ofensas que faziam a ele, fazem pior a mim."

O presidente vistoriou as obras de um trecho da Ferrovia Norte-Sul. O trecho que liga Araguaína-Aguiarnópolises. Ele estava acompanhado do senador José Sarney, sob cujo governo a ferrovia foi iniciada. Dirigindo-se ao ex-presidente, Lula declarou: "Uma coisa eu tenho tranqüilidade, Sarney: nunca o ofendi, nunca lhe fiz uma provocação com uma palavra que eu não pudesse dizer publicamente. E eu sei o quanto este homem foi ofendido, eu sei como ele foi atacado."

Lula foi acometido de um lapso de memória. Na década de 80, brindou Sarney com impropérios de grosso calibre. O ex-petista João Fontes (SE), hoje no PSOL, provocou a ira do Planalto ao divulgar no início da atual gestão uma fita em que Lula aparece chamando Sarney de “ladrão”. Repetindo: “Ladrão”.

Escrito por Josias de Souza às 23h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Justiça livra das grades 44 ‘sanguessugas’

Estava demorando. O TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª região, sediado em Brasília, expediu nesta terça-feira um habeas corpus em favor do ‘sanguessuga’ Carlos Rodrigues, ex-deputado federal pelo PL do Rio. A providência deve beneficiar todos os outras 43 pessoas que foram ao cárcere por suposto envolvimento na máfia das ambulâncias Orçamento por meio da venda de ambulâncias superfaturadas.

O TRF decidiu, de resto, que não tem competência para julgar o caso. Alegou que, como há parlamentares no rolo do desvio de verbas orçamentárias para a compra de ambulâncias superfaturadas, os autos devem ser remetidos ao STF. A parte do processo que ainda se encontra na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso terá de ser enviada para Brasília, mesmo a parte que se refere às pessoas que não tem mandato eletivos –assessores parlamentares, empresários e funcionários públicos.

Escrito por Josias de Souza às 23h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Advogados não convencem CPI e serão acareados

Alan Marques e Sérgio Lima/F.Imagem
Poucas profissões são tão poéticas quanto a advocacia. Nenhum fazedor de versos costuma fantasiar a vida com tanta naturalidade quanto um homem de leis recria a verdade. Nesta terça-feira, a CPI do Tráfico de Armas ouviu dois profissionais do ramo: a doutora Maria Cristina de Souza Rachado e o doutor Sérgio Wesley da Cunha.

Os dois são suspeitos de ter subornado na semana passada um funcionário terceirizado da Câmara, Arthur Vinicius Silva, para obter cópias de dois CDs com o áudio de uma sessão secreta em que delegados paulistas discorreram sobre o PCC.

 

A doutora Rachado e o doutor Cunha pagaram R$ 200 pelos CDs. No dia seguinte, diz a polícia, a voz dos delegados era ouvida em aparelhos celulares dos presídios paulistas por meio de uma teleconferência. Dali para a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo foi um pulo.

 

Os depoimentos foram uma graça. A advogada Rachado foi às lágrimas. Queixou-se de ter lido nos jornais declarações de parlamentares tachando-na de “pilantra”. Disse qte tem 18 anos de profissãoe sentiu-se desrespeitada. Reconheceu que advoga para Marcos Willians Camacho, o Marcola, capo do PCC. Vendeu-o como um sujeito injustiçado, com marcas de maus tratos espalhados pelo corpo e sem vínculos com o PCC.

 

Ela admitiu ter conversado com o funcionário Vinicius Silva, responsável pela gravação do áudio da sessão que se pretendia secreta. Reconheceu tê-lo acompanhado a um shopping de Brasília, onde os CDs foram copiados. Mas disse que os acertos foram conduzidos pelo colega Cunha, que também foi ao shopping.

 

A causídica negou que os R$ 200 tenham saído de sua bolsa. Teria bancado apenas o táxi. E tentou fazer crer aos deputados que, embora o funcionário da Câmara lhe tenha repassado os tais CDs ela os devolveu. Teve dificuldades para explicar uma troca de e-mails com Vinicius Silva. Alegou, veja você, que acertara com o humilde funcionário responsável pelo equipamento de som da CPI o acompanhamento de processos judiciais nos tribunais de Brasília. Não colou. Moroni Torgan (PFL-CE), presidente da CPI disse que ela será indiciada.

 

Na sua vez de ser inquirido, o doutor Cunha, que traz na biografia uma condenação por furto –“Já estou reabilitado”—disse que, de fato, combinou a extração de cópias do áudio da sessão reservada com Vinícius Silva. Alegou ter imaginado que o funcionário agia com autorização do comando da CPI. E desdisse a colega Rachado. Os R$ 200, disse ele, não saíram do seu bolso –“Eu não tinha dinheiro”. A grana teria sido provida pela colega.

 

Cunha disse que se interessou porque queria para saber se os delegados Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, ouvidos em segredo, haviam feito alguma referência ao seu cliente. Vem a ser Leandro Lima de Carvalho, suposto membro do PCC. Foi recolhido ao cárcere em 1º de maio, sob a acusação de envolvimento numa suposta tentativa de resgate do companheiro Marcola. O curioso em toda história é que tanto a doutura Rachado quanto o doutor Cunha se abalaram de São Paulo para Brasília sem que seus respectivos clientes houvessem sido intimados a depor.

 

A CPI deseja agora acarear os advogados entre si e com o funcionário Vinicius Silva, que, em depoimento à comissão, confessou ter sido “subornado” por ambos. Diz-se que jamais se deve mentir para o médico, para o padre e para o advogado. Mas para uma CPI pode-se dizer qualquer coisa. Sobretudo quando se é advogado.

Escrito por Josias de Souza às 22h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lembo diz que dá lista de mortos a MP ‘sob sigilo’

Lembo diz que dá lista de mortos a MP ‘sob sigilo’

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Depois de se reunir com Rodrigo Pinho, procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, o governador Cláudio Lembo informou ao blog que não se opõe a repassar a lista de 109 suspeitos mortos pela polícia nos atentados liderados pelo PCC. Mas quer que os promotores mantenham os nomes sob sigilo até a conclusão dos inquéritos. “Se eu divulgo a lista, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites”, disse o governador.

 

Lembo disse que o governo não tem “nada a esconder”. “Cada cadáver”, disse ele, “vai ter o seu respectivo inquérito policial”. Mas não deseja impingir a todos os mortos a pecha de pertencerem ao PCC antes da conclusão dos inquéritos. Por ora, Rodrigo Pinho não se convenceu. Manteve a exigência de que a lista seja entregue ao Ministério Público em 72 horas, a contar de ontem.

 

Leia abaixo a entrevista do governador:

 

-Chegou-se a um acordo na reunião com o procurador-geral Rodrigo Pinho?

Ainda não. Nossa posição é a seguinte: não podemos, antes de concluir o inquérito policial, julgar todos os mortos como sendo do PCC.

- A lista de suspeitos mortos contém mesmo 109 nomes?

Isso mesmo.

- Mas, afinal, a lista será ou não divulgada?

Se eu divulgo, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites. Não temos nada a esconder. Cada cadáver vai ter o seu respectivo inquérito policial. Nosso problema é esse. Temos os nomes de todos os que foram mortos em confronto. São, em principio, do PCC. Mas estaríamos fazendo um juízo de exceção se julgássemos antes do inquérito acabar. Não podemos fazer isso.

- O procurador-geral concordou com o raciocínio?

Em tese sim, Mas não aceitou plenamente. Ele quer a lista. Então nós estamos pensando no que fazer dentro do prazo que nos foi dado. Nós não temos nada a esconder. O que a polícia fez é, dramaticamente, correto. Não tem nenhuma violência injustificada. Estamos esperando os três dias que ele nos deu para ver o que fazer. Nós podemos conceder a lista. Porém, não pode ser publicada. Podemos mandar para o Ministério Público, mas em segredo de Justiça.

- O procurador-geral concorda com o segredo de Justiça?

Ele pediu prazo para pensar. Mas acho que ficou sensibilizado com o argumento. Mas não fechou conosco. Teremos uma nova reunião.

- O governo, portanto, não exclui a hipótese de entregar a lista, mesmo antes da conclusão dos inquéritos, desde que ela seja mantida em sigilo?

Minha posição é essa. Estou preocupado em preservar os direitos humanos dos ascendentes e descendentes dos mortos. Imagine um menininho chegando à escola e os coleguinhas chamando o pai de bandido.

- Continua achando que pode  ter sido morto algum inocente?

Não posso dizer que não tem nenhum inocente. Se houver inocentes, vamos processar quem matou. Mas como é que o sujeito , no meio da guerra poderia agir de outro modo. Não dá para enviar o cerimonial do Palácio antes e perguntar se era do PCC ou não. Na troca de tiros não existe isso. É uma tragédia.

(Leia continuação abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 17h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

‘Sou adversário político do Lula, não sou inimigo’

‘Sou adversário político do Lula, não sou inimigo’

Leia abaixo a última parte da entrevista do governador Cláudio Lembo ao blog:

 

- Os atritos políticos com o PSDB estão superados?

Totalmente. No meio da guerra eu tinha que dizer o que eu penso. E não disse nenhuma grosseria. Só disse que fiquei solitário, o que é uma verdade. Mas isso passou. Nunca tive posição de antagonismo.

- Mas houve uma proximidade maior com Lula, não?

O governador precisa receber o presidente da República quando ele vem a São Paulo. Não tenho culpa de o Lula e eu termos um diálogo excepcionalmente bom. Eu o conheço desde 78, dos movimentos sindicais do ABC. Ele é meu adversário político, mas não é meu inimigo. Não sou inimigo do Lula.

- E o adversário, no auge da crise, esteve mais próximo do que os aliados.

Não tenho culpa. Mas eu não aceitei do adversário a intromissão do Exército em São Paulo.

Mas o ex-governador Alckmin disse que lhe telefonou diariamente.

Não quero estimular isso. Como disse, o problema está totalmente superado. Mas não existe a verdade absoluta. Cada um tem a sua.

- Na última reunião que o sr. teve com o ministro Márcio Thomaz Bastos, na sexta-feira, o que lhe foi oferecido?

Em primeiro lugar, abriu o canal para nos ligarmos a qualquer dificuldade. A polícia Federal está conosco sempre. E foi muito útil em todo episódio. Ele apenas nos ofereceu apoio. O Lula também disse para mim: ‘me ligue que a gente troca idéias’. Está tudo à disposição de São Paulo.

- Mas objetivamente o que o ministro ofereceu?

Colocou à disposição aquela Força Nacional de Segurança e dois batalhões do Exército.

- E a transferência de presos?

Ele ofereceu, mas só de quatro ou cinco. Nós temos 142 mil presos.

- Seriam transferidos o Marcola e mais três?

Isso mesmo. Mas nós temos 141 mil.

- O governo paulista vai aceitar?

Não. Em princípio não há necessidade. Eles já estão em regime de segurança máxima aqui em São Paulo. Mas se precisar, fazemos. Por ora, não há  necessidade.

- O que mais foi oferecido?

O ministro me telefonou depois e colocou à disposição de São Paulo, por empréstimo, uma central telefônica com capacidade para a realização de duas mil escutas simultâneas.

- E São Paulo não tem isso?

Temos duas centrais, mas são mais obsoletas. As nossas são de mil escutas cada uma. Ele vai mandar essa de duas mil escutas, que é caríssima. O governo federal adquiriu duas nos EUA e ele vai nos emprestar uma. Aceitamos de bom grado. Vai ser operada pela nossa Polícia Civil.

- Como avalia o atual estágio da crise?

A pior fase foi superada. Mas isso é de uma mutabilidade infernal. Temos 147 presídios. O sistema é muito grande. Porém, não há nenhum caso de turbulência nesse momento. Acho que superamos o pior.

Escrito por Josias de Souza às 17h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Entrevistas | PermalinkPermalink #

Renan arquiva mais uma CPI contra Lula

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou nesta terça-feira que mandará ao arquivo o pedido de criação de CPI para investigar as relaçõe$ de Lula com o bom amigo Paulo Okamotto, presidente do Sebrae.

 

A CPI foi proposta pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), o mesmo que propusera a CPI do Armagedon, também arquivada por Renan. Dessa vez, o presidente do Senado alegará que a Constituição não permite que presidentes sejam investigados senão por atos praticados no exercício do mandato.

 

"O presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções", disse Renan, referindo-se ao artigo 86, parágrafo 4º da Constituição.

A primeira CPI proposta por Almeida Lima fora à gaveta sob o argumento de que não apresentava um fato determinado a ser investigado. A segunda, será sepultada porque o fato que pretende investigar é específico demais.

Escrito por Josias de Souza às 16h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Delúbio nega tudo que possa resvalar em Lula

Delúbio Soares, ex-gestor das arcas clandestinas do PT, continua desfrutando dos prazeres de seu martírio. Empurra dia após dia a pedra de todas as culpas. Em depoimento à CPI dos Bingos, ele se esquivou de fazer qualquer tipo de comentário que pudesse ser usado contra Lula e o PT.

 

O ex-tesoureiro negou até mesmo que tenha havido caixa dois na campanha de Lula em 2002 ou em qualquer outra bancada pelo petismo. Alegou que recolheu na rede bancária empréstimos contabilizados, para liquidar dívidas não contabilizadas. O que não seria, a seu juízo, caixa dois.

 

Negou também que casas de bingo tenham feito doações ao PT. Negou que o partido tenha recebido dólares de Cuba. Negou que tenha pedido dinheiro ao Banco Oppotunity. Negou que sua parceria com Marcos Valério visasse amealhar R$ 1 bilhão. Negou, negou e negou.

 

De resto, repisou as mesmas parolas que pronunciara em depoimentos anteriores -foi a quarta vez que Delúbio compareceu a uma CPI. Disse ter conhecido Marcos Valério no final de 2002. Assegurou que ele nada teve a ver com as arcas da campanha de Lula. Reafirmou que obteve, por intermédio do companheiro-coletor, empréstimos de mais de R$ 50 milhões nos bancos Rural e BMG. Usou a grana para pagar despesas atrasadas de campanha de petistas e de políticos do consórcio governista. Nada a ver com a campanha de Lula. Etc, etc, etc.

 

O depoimento, como se vê, vai à vala das inutilidades. O PT parece ter escolhido bem o seu culpado. Aliás, é sempre mais conveniente escolher culpados do que procurá-los. Para completar o dia, a CPI dos Bingos, ex-comissão do Apocalipse, mandou ao arquivo os requerimentos de convocação de Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity; de Marcos Valério, o homem da mala; de Jorge Mattoso, o ex-presidente da Caixa Econômica; e alguns outros que não interessavam ao governo. Ficou claro que a oposição perdeu a maioria na comissão. Demorou, mas a turma do Planalto conseguiu assumir o controle.

Escrito por Josias de Souza às 15h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dolce & Gabbana comunista

  Divulgação
Os sobreviventes do comunismo não gostam de admitir. Mas certas ideologias, quando em desuso, também enferrujam. A julgar pela vestimenta exibida pela mulher de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Rita, no Jockey de São Paulo (veja foto), até aquela velha vermelhidão vai assumindo tons apaziguadoramente oxidados. Leia abaixo um conjunto de notas veiculadas na coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes): 

Mil garrafas de champanhe Chandon, o high society de chapéu e a elegância comunista marcaram o domingo no Jockey, durante o Grande Prêmio SP. A festa começou às 13h, com almoço elaborado pelo banqueteiro Charlô Whately, para 500 convidados. Entre eles, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o presidente da Câmara de Deputados, Aldo Rebelo, e sua esposa Rita Rebelo -com chapéu da Maison John & John, de Brasília, e casaco de pele amarelo, da Dolce & Gabbana.

 

"É pele sintética", diz Rita, cujo marido, Aldo, é militante histórico do PC do B, o Partido Comunista do Brasil.
 

"Comprei em Roma, em 93, 94... Mas, olha, sou uma pessoa super simples. Só acompanhei a tradição do evento, que tem esse formato de elite. Mas a gente não é disso, não", diz
 

Além da corrida houve leilão de cavalos. Um potro foi vendido por R$ 180 mil.

Escrito por Josias de Souza às 11h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

- JB: Bolsa cai 9,5% e dólar sobe 10% no mês

- Folha: Previsão sobre juro dos EUA derruba Bolsa e eleva dólar

- Estadão: Investidor foge do risco e mercados desabam

- Globo: Polícia tem 72 horas para apresentar lista de mortos

- Correio: Câmara fecha as portas a Marcola

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tirando o sofá da sala!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lei que manda preso estudar e trabalhar é ignorada

Lei que manda preso estudar e trabalhar é ignorada

Relatório de auditoria concluída em dezembro de 2002 e encaminhada ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Justiça no início da gestão Lula, em janeiro de 2003, ajuda a explicar por que facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) dominam os presídios. Elaborado por auditores do TCU, o documento informa que o Estado não cumpre a Lei de Execução Penal, de 1984. Ela prevê que os presos deveriam estudar e trabalhar. Mas é flagrantemente desrespeitada.

O desrespeito à lei contribui para um dos principais flagelos do sistema prisional brasileiro: de acordo com a auditoria, 70% dos presos recolhidos aos cárceres do país são reincidentes. Devolvidos ao convívio social sem receber o tratamento de “ressocialização” previsto em lei, os criminosos voltam a delinqüir e retornam para os presídios.

Na época em que a fiscalização foi realizada, havia em São Paulo 72.140 criminosos (40% do universo carcerário nacional). Só 12.500 (17%) estudavam. A qualificação profissional nos presídios paulistas "se aproxima de zero", anotaram os auditores do Tribunal de Contas da União. Hoje, a população carcerária do maior Estado da federação é de cerca de 140 mil pessoas. Não há vestígio de melhora no quadro detectado há quatro anos.

Os auditores do TCU analisaram dados relativos ao período de 2000 a 2002. Quem lê o trabalho, cuja íntegra está disponível aqui, percebe que a violência no Brasil não é fruto de improviso. As cadeias do país são estruturadas como escolas do crime. Eis alguns dos problemas detectados:

1) virou letra morta a Lei de Execução Penal. Contém normas de "prevenção" ao crime e "ressocialização" do criminoso. Estabelece os "direitos" do preso -educação e trabalho, por exemplo;

2) visitaram-se 18 cadeias em nove Estados. Entrevistaram-se 108 presos. Enviaram-se questionários a todas as prisões de regime fechado do país. As respostas indicam que 77% da população carcerária não estuda. Onde há ensino, ele é precário e descontinuado;

3) Em São Paulo que guardava em seus calabouços 72.140 criminosos (40% do universo carcerário nacional), só 12.500 (17%) estudavam. Registrou-se percentual idêntico no Distrito Federal, Ceará, Paraíba e Bahia. Em Estados como Espírito Santo, Acre, Rondônia, Goiás, Amazonas e Pará só 7% dos presos têm acesso a educação. O Paraná, campeão de civilidade, oferece ensino a míseros 31% de seus detentos. Seguem-se Minas (30%), Mato Grosso e Maranhão (ambos com 28%) e, mais atrás, Rio Grande do Sul, Amapá e Alagoas (todos com cerca de 20%);

4) a qualificação profissional é virtualmente inexistente. Em São Paulo, "se aproxima de zero". Nos Estados mais bem estruturados passa de 50% o número de presos mantidos no ócio. O "direito" ao trabalho converteu-se em "privilégio";

5) o preso-trabalhador deveria receber pelo menos 70% do salário mínimo. Nem sempre recebe. Contam-se nos dedos de uma mão as experiências positivas implantadas nos Estados. São programas oficiais, parcerias com entidades como o Sebrae e convênios com empresas. Mas "as boas práticas ainda não estão devidamente consolidadas".

A auditoria resultou numa série de recomendações do TCU ao governo. Realizaram-se duas inspeções posteriores para verificar se haviam sido cumpridas. Na primeira, registrou-se um tímido avanço. Na segunda, feita em março de 2005, verificou-se uma “involução” (leia documento aqui).

Escrito por Josias de Souza às 03h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Reportagens | PermalinkPermalink #

Comissão de ética isenta Thomaz Bastos

A Comissão de Ética Pública, órgão de assessoramento da Presidência da República, isentou o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) da acusação de ter ferido princípios éticos ao indicar e apresentar um advogado para o ex-colega Antonio Palocci, encrencado no caso da violação do sigilo bancário de Francenildo Costa. A representação contra Bastos fora protocolada pelo líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), em 20 de abril.

 

Maia alegara que o ministro ferira o artigo 3º do Código de Conduta da Administração Pública. Reza que, “nas relação entre suas atividades públicas e privadas”, autoridades do governo devem portar-se dentro dos padrões éticos, “de modo a prevenir eventuais conflitos de interesses”.

 

Para Maia, Bastos ultrapassou a fronteira que separa o público do privado ao participar de reunião com o advogado Arnaldo Malheiros e Palocci, num instante em que o hoje ex-ministro da Fazenda já se encontrava sob investigação da Polícia Federal. A Comissão de Ética Pública, porém, opinou em sentido contrário. E o deputado, embora contrariado, vai deixar a coisa por isso mesmo.

 

Nesta segunda-feira, o ministro voltou a freqüentar a berlinda. A oposição agora o critica por ter participado de uma reunião com o banqueiro Daniel “encrenca” Dantas na noite de terça-feira da semana passada. A exemplo de Palocci, Dantas também está sendo investigado pela PF. Apura-se o suposto envolvimento do banqueiro na encomenda de um dossiê que acusa políticos e autoridades do governo de esconder dinheiro em paraísos fiscais.

 

Entre os personagens mencionados no dossiê estão o próprio ministro da Justiça e o presidente Lula. Thomaz Bastos disse que não há nada de errado no fato de ter conversado com o dono do Opportunity. O encontro foi intermediado pelo deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e amigo do ministro. Ocorreu na casa do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), amigo de Dantas.

 

Segundo o ministro, Daniel Dantas queria apenas se explicar. Durante o encontro, o banqueiro entregou a Thomaz Bastos uma carta em que nega que tenha encomendado o tal dossiê. A reunião não rendeu apenas ataques de oposicionistas. Causou também mal-estar na Polícia Federal, subordinada do Ministro da Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 00h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mercado vive uma segunda-feira de péssimo agouro

 

 

Uma onda de pessimismo de dimensões planetárias varreu o mercado financeiro nesta segunda-feira. Provocou quedas nas principais bolsas de valores do mundo. E, como sói acontecer, engolfou também os negócios da bolsa de São Paulo, deixando os investidores com um pé atrás.

 

No seu momento de maior nervosismo, a bolsa brasileira chegou a despencar 5,5%. No final do dia, a queda maneirou, recuando para 3,27%. Foi o pior mergulho desde outubro do ano passado. Com os papéis da bolsa banhados pela onda de dúvida, o investidor nadou para um porto seguro: o dólar.

 

Resultado: a moeda americana deu um salto. Chegou a subir 4,97%. Nesse instante, cada dólar era vendido por R$ 2,317. Foi a primeira vez desde janeiro que o dólar ultrapassou a cifra de R$ 2,30. Depois, foi recuando até se fixar numa valorização de 3,57%, sendo comercializado a R$ 2,29.

 

E por que o mercado acordou de mal com a vida? A encrenca vinha se desenhando desde 10 de maio. Nesse dia, temendo altas indesejáveis na taxa de inflação norte-americana, o FED (Federal Reserve), o banco central dos EUA, aumentou em 0,25 ponto percentual a taxa de juros na terra de George Bush, que passou a ser de 5% ao ano. Foi a 16ª alta consecutiva. E pode não ser a última. E daí?

 

E daí que juros mais azedos levam a um refreamento dos pendores consumistas do cidadão norte-americano.

Numa leitura simplista, significa dizer que os companheiros do norte deixarão de comprar produtos feitos por lá e também os que são importados do resto do mundo. E, se a locomotiva desacelera, leva junto com ela os vagões que vêm atrás. Países ditos emergentes –China, Índia, Rússia e Brasil, por exemplo—podem vir a ser compelidos a pisar no freio. Não é só.

 

A perspectiva de desaceleração da economia global faz o investidor estrangeiro pensar vinte vezes antes de aplicar o seu dinheiro em mercados como o brasileiro. Aqui, pagam-se juros generosos. Mas o risco do investimento também é maior. E, nessas horas de incerteza, o dinheiro que não fala português não costuma portar-se como bobo. Entre precavido e medroso, ele prefere agarrar-se a uma âncora mais segura: os papéis do tesouro dos EUA.

 

Se a atmosfera aziaga perdurar, uma hipótese que não pode ser descartada, o dinheiro estrangeiro, que hoje é abundante em mercados como o brasileiro, pode dar no pé. A encrenca não é uma exclusividade do Brasil. Outras bolsas importantes despencaram nesta segunda. A da China caiu dez pontos. Mas a economia chinesa cresce a taxas de 10% ao ano. Tem mais gordura para queimar do que o Brasil, cujo PIB cresceu ridículos 2,3% em 2005.

 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que a economia brasileira é sólida o bastante para agüentar eventuais solavancos. De fato, o país está mais bem posicionado agora do que na crise do final da década de 90. Mas a nossa capacidade de resistência depende do tamanho do solavanco. É cedo para saber se esta segunda-feira significou um mero soluço ou o início de um novo ciclo.

 

O FED volta a se reunir nos dias 28 e 29 de junho. Tudo indica que vai elevar novamente a taxa de juros nos EUA. Antes disso, em 31 de maio, o organismo divulga a ata de sua última reunião. O documento costuma trazer sinalizações de decisões futuras. Convém cruzar os seus dedos.

Escrito por Josias de Souza às 23h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula grava para o PT no 'templo da burguesia'

Lula gravou nesta segunda-feira uma participação para um programa televisivo que o PT leva ao ar na próxima quinta-feira. Ele falou sobre “a importância da educação para o futuro do país”.

Uma curiosidade remeteu a gravação a um passado inglório do petismo. A fala de Lula foi colhida num local que, para o PT, é mal-assombrado: o Hotel Blue Tree Park, o mesmo que Delúbio Soares usava para fazer acertos espúrio$ com Marcos Valério.

 

O Blue Tree é uma das mais luxuosas hospedarias de Brasília. Foi usada pelo PT também para realizar o encontro em que foram expulsos do partido a senadora Heloisa Helena e mais três deputados insurretos que fundaram o PSOL. À época, Heloisa Helena lastimou: "Cortaram as nossas cabeças no templo da burguesia."

 

"Utilizamos o hotel porque fica próximo ao Palácio da Alvorada, facilitando o deslocamento do presidente, que não pode usar locais públicos para atividades partidárias", justificou-se o presidente do PT, Ricardo Berzoini. "Não vejo nenhum problema em termos usado aquele hotel, até porque os prédios não guardam as energias negativas do passado".

 

Leia aqui mais detalhes, em reportagem de Ricardo Amaral e Natuza Nery.

Escrito por Josias de Souza às 18h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

STF mantém depoimento de Delúbio à CPI

Convocado pela CPI dos Bingos para depor nesta terça-feira, Delúbio Soares, o ex-gestor das arcas cladestinas do PT, tentou fugir. Pediu ao STF a concessão de um hábeas corpus que o desobrigasse de comparecer à comissão. O Supremo acaba de negar o pedido.

A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio de Mello. Ele anotou em seu despacho que os cidadãos em geral devem colaborar com as autoridades constituídas na elucidação dos fatos e que deve ser preservada a independência da CPI em relação aos temas que serão abordados na inquirição.

Marco Aurélio negou também um pedido de Delúbio para que lhe fosse assegurado o direito de silenciar diante da argüição dos parlamentares. Disse que não se pode presumir que há "violências a serem perpetradas pela CPI dos Bingos". Afirmou também que reiteradas decisões do Supremo "direcionam a concluir que não há risco maior a justificar decisão judicial visando a garantir a presença dos advogados do paciente e, até mesmo, o direito deste último de permanecer em silêncio (...)".

Delúbio tem muito a explicar à CPI. Será inquirido, por exemplo, sobre o suposto repasse de R$ 1 milhão de casas de bingo para a campanha de Lula em 2002. Será questionado também sobre a suposta tentativa de achaque ao Banco Opportunity de Daniel “encrenca” Dantas.

Por último, será inquirido sobre a ambição arrecadatória da parceria que montou com o empresário Marcos Valério. Num surto verbal inesperado, Silvio “Land Rover” Pereira disse, em entrevista à repórter Soraya Aggege, que o esquema visava amealhar R$ 1 bilhão.

A despeito das expectativas, é improvável que Delúbio pronuncie na sessão desta terça, marcada para as 11h, comentários que causem problemas para a campanha reeleitoral de Lula. O ex-tesoureiro parece bem acomodado no papel de protagonista de todas as culpas.

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Marco Aurélio.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bombeiros do PFL atenuam o fogo de Lembo

A chiadeira de Cláudio Lembo surtiu efeito. Depois de atear fogo nas relações entre PSDB e PFL, o governador de São Paulo recebeu hoje uma comitiva de bombeiros. A missão foi comandada por Jorge Bornhausen, presidente do PFL.

 

Depois da visita, Lembo evitou jogar mais querosene às labaredas que acendeu na semana passada. Mas não retirou as críticas. Ao contrário, repisou-as. De acordo com o relato do repórter Epaminondas Neto, perguntaram a Lembo se houve falta de lealdade dos aliados.

 

E o governador: "No mundo sempre tem falta [de lealdade]. A todo momento, mas, felizmente, a semana passada passou. Ela [lealdade] sempre demora para chegar em determinadas pessoas. Quanto mais desenvolvida intelectualmente a pessoa, mais a lealdade demora a chegar."

Embora Lembo tenha se esquivado de mencionar novamente os nomes dos “intelectuais” que foram acometidos de um surto de lealdade retardada, sabe-se que ele se referia ao tucanato. Só no domingo ele recebeu visitas de solidariedade, por exemplo, de José Serra e Geraldo Alckmin.

 

Lembo referiu-se também aos elogios públicos que recebeu de Lula: “Elogio é sempre bom. Eu sou amigo do presidente Lula desde 1978". Aparentemente, a missão dos bombeiros pefelistas surtiu efeito. O governador disse que suas relações com o PSDB estão “ótimas”. Atribuiu o curto-circuito da semana passada a um lapso: "Houve ausência, talvez, de mais diálogo", afirmou.

Bornhausen, por sua vez, disse que a crise não afetou os rumos da aliança do PFL com o PSDB em torno da candidatura presidencial de Alckmin. Seguem, segundo ele, as costuras de alianças entre os dois partidos nos Estados. "Esse entendimento [nos Estados] não é simples. Pode haver sempre alguns conflitos entre lideranças locais."

Escrito por Josias de Souza às 17h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Polícia tem 72 horas para revelar nomes dos mortos

O Ministério Público Estadual de São Paulo deu prazo de 72 horas para que a polícia de São Paulo entregue a lista de pessoas mortas entre os últimos dias 13 e 19, durante os confrontos com bandidos do PCC, o Primeiro Comando da Capital. A requisição foi feita em ofícios enviados ao delegado-geral da Polícia Civil Marco Antonio Desgualdo e ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel Elizeu Éclair Teixeira Borges.

Os promotores investigam eventuais abusos praticados na ação policial. Além da lista de mortos, desejam receber também os boletins de ocorrência das mortes. O governo paulista reconhece que foram abatidos 109 suspeitos de envolvimento com a onda de 299 ataques do PCC. Mas até agora não divulgou os nomes. Revelaram-se apenas os nomes dos 41 policiais mortos.

Escrito por Josias de Souza às 16h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

STF arquiva ação de FHC contra Ciro Gomes

O ministro Celso de Mello, do STF, mandou ao arquivo a ação judicial em que Fernando Henrique Cardoso acusa o ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) de tê-lo injuriado e difamado. A decisão não põe fim ao processo. Significa apenas que o caso terá de descer à primeira instância do Judiciário, já que Ciro perdeu o foro privilegiado ao deixar, em março, o cargo de ministro de Estado.

FHC processou Ciro em função de declarações que ele fez em junho de 2005. O ex-ministro dissera que o ex-presidente "não possui preocupação com a ética". Disse que o governo Lula "é diverso do anterior, sendo nacional e ético, contra um governo entreguista e contemporizador com a ladroagem".

Ciro listara quatro casos em que "bilhões de reais em recursos públicos foram mal utilizados": a extinção da Sudam e da Sudene; o socorro aos bancos Marka e Fontecindam; o caso da suposta compra de votos no Congresso para aprovação da emenda da reeleição; e a privatização do sistema Telebrás.

Se quiser que o processo continue andando, FHC terá de informar ao STF para onde deseja encaminhar o inquérito. As declarações de Ciro foram publicadas em dois jornais: Folha e Globo. Pela lei de imprensa, o foro adequado para esse tipo de ação é a praça em que o jornal é editado. FHC poderá optar, portanto, pela remessa dos autos para São Paulo, onde é editada a Folha, ou para o Rio, onde o Globo é impresso.

Escrito por Josias de Souza às 15h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

TCU vai auditar patrocínios do Banco do Brasil

O Tribunal de Contas da União decidiu realizar uma auditoria nos gastos do Banco do Brasil com patrocínios a atletas e entidades esportivas. Será feita ao longo do segundo semestre de 2006. Os maiores beneficiários do suporte financeiro do banco são as entidades e esportistas do vôlei e do tênis.

 

Entre 2000 e 2005, o Banco do Brasil gastou R$ 200,9 milhões em 753 processos de patrocínios a setores diversos. Suspeita-se que alguns deles tenham resultado em procedimentos e gastos irregulares. Daí a auditoria, que vai abranger o período de 2001 a 2005.

 

Em inspeção preliminar, auditores do TCU dizem ter apurado “diversas irregularidades na condução de contratos de patrocínio celebrados com a Confederação Brasileira de Voleibol”. O foco da apuração não era, porém, a carteira de patrocínios, mas os gastos com publicidade e propaganda do Banco do Brasil.

 

Simultaneamente, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) protocolou no TCU um pedido de auditoria nos contatos de patrocínio do banco. Decidiu-se, então, aprofundar a inspeção também neste setor. Além dos gastos feitos na área esportiva, serão esquadrinhadas despesas com o patrocínio de eventos de entidades ligadas ao Poder Judiciário.

 

São 13 as “irregularidades” que os auditores do tribunal já detectaram nos contratos firmados entre o Banco do Brasil e a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Entre elas as seguintes: fragilidade no controle das exigências contratuais para a comprovação da utilização de recursos pela CBV; falta de comprovação da compatibilidade entre a natureza das despesas e a finalidade dos recursos; aquisição de produtos iguais, produzidos pela mesma empresa, por preços diferentes; pagamentos de serviços sem a comprovação de que foram devidamente executados; ressarcimento de despesas para a CBV não previstas contratualmente ou indevidamente comprovadas; etc.

 

Seguindo parecer da equipe técnica do tribunal, os ministros do TCU concluíram que a fiscalização “deve abranger os exercícios de 2001 a 2005 e todo o conglomerado Banco do Brasil, quer pela diversidade de empresas patrocinadoras, quer pelo envolvimento de empresas do grupo na intermediação dos patrocínio”.

 

“Ante ao grande número de processos, à expressiva materialidade e ao alto risco dos patrocínios realizados (...), torna-se inviável a análise deste tema por intermédio de diligências, ou mesmo inspeção, motivo pelo qual entendemos pertinente a realização de auditoria no banco, a fim de apurar as supostas irregularidades”, anota ainda o documento aprovado pelos ministros do TCU (leia a íntegra aqui).

Escrito por Josias de Souza às 15h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aumenta a expectativa de vida do brasileiro

É só o sujeito atingir a meia-idade para querer falsear o óbvio. A coisa tende a se agravar quando a idade, que era meia, vai ficando inteira. Mas tem um certo momento da vida em que já não adianta mentir a idade. Tudo em você, as pernas, a barriga, a coluna, o rosto, tudo exala cronologia. Nesta segunda-feira, o IBGE informou que aumentaram as chances de o relógio lhe conceder umas voltas adicionais do ponteiro.

 

A expectativa de vida da população brasileira, informa o instituto, aumentou em mais de três anos entre 1991 e 2000. Nesse período, a esperança de vida das mulheres passou de 70,9 anos para 74,1 anos. Para os homens, aumentou de 63,1 para 66,7 anos.

 

Não sei quanto a você, mas o signatário do blog implica com essas estatísticas que consideram as vírgulas numa matéria em que o relevante é o ponto final. Ainda assim, informa a quem de direito que, naquilo que lhe diz respeito, não abrirá mão nem do “,1” nem do “,7”. Deseja empurrar a pedra da existência até a última pausa ortográfica. Leia mais detalhes aqui.

Escrito por Josias de Souza às 12h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

- JB: Zona Sul - Desordem - Guarda ignora a própria lei

- Folha: Lula elogia atitude de Lembo e ataca Serra e César Maia

- Estadão: 1,5 milhão de paulistanos vão às ruas contra o medo

- Globo:Grupos vão à Justiça para obter nomes de mortos

- Correio: Papuda funciona no limite da segurança

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Soluções incendiárias!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Programa de Alckmin inclui Bolsa Família de Lula

A plataforma de governo do candidato tucano Geraldo Alckmin vai incluir um programa que Lula considera a principal iniciativa de sua gestão na área social: o Bolsa Família, que paga entre R$ 15 e R$ 95 para as famílias com renda mensal de até R$ 120 por pessoa. “Manteremos, sem dúvida nenhuma”, disse ao blog João Carlos de Souza Meirelles, coordenador do programa de governo de Alckmin.

Meirelles diz que não há constrangimentos do tucanato em inserir no programa de Alckmin uma das principais peças de propaganda da campanha de Lula à reeleição. “Fomos nós que criamos”, diz o auxiliar de Alckmin, lembrando o fato de que o Bolsa Família resulta, na verdade, da fusão e ampliação de programas que haviam sido lançados na gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. Entre eles o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás.

“Vamos manter, melhorar e ampliar o programa onde ele for necessário. Só que o nosso viés será outro. Como o governo Lula vem fazendo? Ele dá o Bolsa Família, o que é 100% correto. Mas não cria nenhum programa de desenvolvimento econômico nos bolsões de miséria, o que está 100% errado”.

Meirelles prossegue: “O Bolsa Família, repito, é um belíssimo programa. Mas não foi feito nenhum investimento na criação de trabalho e renda para que as famílias não precisem ficar a vida inteira submetidas à humilhação de estar recebendo um favor do Estado. Nós vamos fazer diferente. Vamos identificar os bolsões de pobreza, o que é muito fácil fazer a partir dos dados à disposição, e criar condições para que os atuais beneficiários possam dispensar o benefício”.

O Bolsa Família será um dos pilares sociais também da plataforma que Lula vai defender na campanha por um segundo mandato no Planalto. A iniciativa consta das diretrizes aprovadas pelo PT em seu 13º Encontro Nacional. É mencionada no item número 5 do documento, cuja redação final foi fechada na última sexta-feira por Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de governo de Lula.

“O Programa Fome Zero e, dentro dele, em especial, o Bolsa Família, permitiu que, até agora, mais de 30 milhões de brasileiros pudessem se beneficiar desse mecanismo de transferência de renda”, diz o documento do PT. “Mesmo  tendo impacto menor do que políticas sociais como o SUS e a Previdência Social, a Bolsa Família constitui importante instrumento de distribuição de renda. Além de suas conseqüências sociais no plano da saúde e da educação, revelou-se meio eficaz para dinamizar a constituição de um grande um mercado de bens de consumo de massas”.

A crítica feita por Meirelles, o articulador do programa de Alckmin, já freqüenta as preocupações do atual governo. Planeja-se impor um prazo máximo de permanência dos beneficiados no programa, criando o que os técnicos chamam de “portas de saída”. Por exemplo: famílias inscritas no Bolsa Família cujos filhos atingissem o nível universitário passariam a se beneficiar do Prouni, que concede bolsas em faculdades particulares. Famílias com filhos matriculados no ensino médio migrariam para o Pro-jovem, que financia a qualificação profissional.

Ao apropriar-se de uma arma do seu principal rival, Alckmin tenta atenuar a vantagem que Lula abre sobre ele nas regiões mais pobres do país, sobretudo no Nordeste. Ali, o prestígio do presidente é vitaminado pela distribuição de dinheiro a famílias que flertam com a miséria e a fome.

Leia mais sobre os programas dos dois candidatos aqui. E aqui.

Escrito por Josias de Souza às 01h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula sobre Lembo: ‘Ele não podia fazer mais...’

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Lula elogiou neste domingo a forma como o governador de São Paulo administrou a crise provocada pela onda de ataques do PCC. "Eu quero aqui, de público, dar a minha solidariedade ao governador Cláudio Lembo pela postura que ele teve. Ele não podia fazer mais do que fez, não podia fazer", disse o presidente, durante cerimônia de inauguração da sede do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

 

O comentário de Lula, que conversou com Lembo ao chegar em São Paulo, condiz com a estratégia que traçara no início da semana. Impressionado com o abandono a que PFL e PSDB submeteram Lembo, Lula dissera que seria mais solidário com o governador do que seus próprios aliados.

 

Lula e Lembo encontraram-se no Aeroporto de Congonhas. Ao relatar o encontro, o presidente disse que, uma vez mais, pôs o governo federal à disposição de São Paulo: "Ainda há pouco estive com ele no aeroporto e disse para ele: 'Cláudio, o que você precisar, não se faça de rogado. Nós estamos dispostos a ajudar com o que a gente tiver para ajudar'".

Nos últimos dias, Lembo vem destilando ironias no noticiário contra os seus aliados tucanos. Não gostou do fato de Alckmin ter dito que, se ainda fosse governador, não teria recusado auxílio federal. Gostou menos ainda de FHC ter insinuado, desde Nova York, que a polícia paulista teria feito acordo com o PCC para pôr fim à onda de ataques.

Lula voltou a responsabilizar a carência de investimentos em educação pelo recrudescimento da violência. Mencionou também as dificuldades econômicas do país. Falava, naturalmente, dos governos anteriores: "Quando a gente fizer discurso no futuro, nós temos que lembrar que nós começamos este século com duas décadas perdidas. Nós temos que lembrar que passamos 20 anos, de 1980 a 2000, foram praticamente 20 anos perdidos neste país".

 

Aproveitou para alfinetar o ex-prefeito José Serra (PSDB), de São Paulo, e o prefeito César Maia (PFL), do Rio. Presente à inauguração da sede do Sindicato dos Comerciários, Gilberto Kassab (PFL), que assumiu a prefeitura paulistana no lugar de Serra, pôde ouvir as críticas.

 

Lula mencionou o programa federal Pró-Jovem, que oferece bolsa de R$ 100 a jovens de 17 a 24 anos matriculados em cursos profissionalizantes. Insinuou que os prefeitos deram de ombros para a iniciativa. "No ano passado, o Kassab não era o prefeito, era vice-prefeito (de Serra), nós oferecemos para a cidade de São Paulo, e oferecemos para a cidade do Rio de Janeiro... o equivalente a 30 mil vagas", disse o presidente. "Por problema político, meu caro Kassab, a cidade de São Paulo, até agora, só preencheu 7.000 dos 30 mil colocados, e a cidade do Rio de Janeiro não preencheu nem os 7 mil".

Escrito por Josias de Souza às 16h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula passou a temer pelo futuro do Mercosul

Em seu discurso de posse, pronunciado em janeiro de 2003, Lula disse que a grande prioridade de sua política externa seria "a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida (...)”. Algo que dependia de “uma ação decidida de revitalização do Mercosul (...)”.

A sete meses do final do governo, Lula revela-se, em diálogos privados, desanimado com o futuro do Mercosul.

 

Acha que o projeto de mercado comum latino-americano pode estar definhando. Foi informado pelo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, de que os governos paraguaio e uruguaio vão pedir formalmente, até o final de junho, autorização para celebrar tratados de livre-comércio com países que não integram o Mercosul.

 

De acordo com as normas do Mercosul, os países que o integram –Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai—são proibidos de firmar os chamados TLCs (Tratados de Livre Comércio) com outras nações. O pedido a ser encaminhado por Paraguai e Uruguai significa, na prática, a falência do Mercosul como bloco econômico.

 

Lula enxerga as digitais da administração George Bush por trás da iniciativa dos dois parceiros. Acha que os EUA forçam a porta do Mercosul para dobrar Brasil e Argentina nas negociações para a formalização da ALCA, o Mercado de Livre Comércio das Américas. Washington desejaria demonstrar que, prevalecendo as resistências à ALCA, conduzirá negociações compartimentadas, de país para país, dando de ombros para o Mercosul.

 

Paraguai e Uruguai sempre se consideraram como espécies de “primos pobres” do Mercosul. Lula e Néstor Kirshner, o presidente da Argentina, iniciaram uma articulação para atrair o presidente venezuelano Hugo Chávez para o bloco econômico. Parece que conseguiram, mas não se deram conta de que parcerias tradicionais esboroavam à sua volta.

 

Como disse Lula em seu discurso de posse, “o Mercosul, assim como a integração da América do Sul em seu conjunto, é, sobretudo, um projeto político. Mas esse projeto repousa em alicerces econômico-comerciais que precisam ser urgentemente reparados e reforçados". Paraguai e Uruguai passaram a avaliar que, do ponto de vista econômico, o Mercosul proporciona-lhes muito pouco. E querem partir para novas parcerias.

 

Lula avalia que o desafio à unidade chega em péssima hora. Um instante em que os países latino-americanos deveriam estar unidos no esforço que vem sendo travado na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os subsídios que os governos da Europa e dos EUA pagam a seus agricultores.

 

Não bastasse tudo isso, Lula ainda se vê às voltas com a encrenca do gás, causada pelos arroubos nacionalistas do boliviano Evo Morales, e com as espertezas do venezuelano Hugo Chávez, que usa os seus petrodólares para distribuir gentilezas aos países vizinhos e confrontar a suposta liderança natural do Brasil. O sonho do continente "unido" ficou no discurso.

Escrito por Josias de Souza às 14h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

'Salvem os brasileiros'

'Salvem os brasileiros'

Alessia Pierdomenico/Reuters
 

 

Os peladões acima são militantes do grupo PETA, uma sigla que, em inglês, significa “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”. Neste domingo, em Londres, eles tiraram a roupa por uma causa nobre. Protestaram contra os chapéus usados pelos guardas do Palácio de Buckingham, que são feitos, veja você, de pele de urso.

 

Por sorte, não temos no Brasil os luxos e as afetações da realeza britânica. É pena nao termos também os ursos. Se eles habitassem as nossas matas decerto diriam: “Salvem primeiro os brasileiros”. Outra coisa que nos distingue do Reino Unido: aqui não há manifestantes pelados. Só os reis estão nus.

 

PS.: Clique na foto para ver uma galeria de imagens do domingo pelo mundo.

Escrito por Josias de Souza às 12h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Da lavanderia do PCC, polícia só viu a espuma

Para quem está na cadeia, o dinheiro não traz felicidade. Mas essa não chega a ser uma questão financeira que o pessoal do PCC leve muito a sério. O negócio do crime, por organizado, é faturar.

 

A política de São Paulo tenta rastrear as contas bancárias do empreendimento gerido por dom Marcola. Estima-se que o PCC possua pelo menos cem contas, pelas quais escoariam mensalmente coisa de R$ 700 mil.

No ano passado, foi preso Deivid Surur, apontado como tesoureiro do PCC. Tinha consigo um livro-caixa. Foi a partir dele que a polícia começou a farejar a contabilidade do PCC, informam André Caramante e Gilmar Penteado (leia).

Escrito por Josias de Souza às 11h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O muro não é um lugar seguro

Devagar, bem devagarinho, o tucanato paulista vai descendo do muro. Geraldo Alckmin já telefonou para Cláudio Lembo. E José Serra já se anima até a escrever sobre o flagelo da segurança pública. Candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, Serra publicou artigo na Folha (para assinantes). Tem um título óbvio -“O inimigo é o crime”- e um conteúdo tímido. Eis alguns dos principais trechos:

 

* Média com a polícia: “(...) qualquer manifestação sobre os graves episódios que acometeram São Paulo deve, de saída, prestar a imediata solidariedade à polícia e aos policiais e suas respectivas famílias, tanto àqueles que tombaram no cumprimento do seu dever como àqueles que se arriscam diuturnamente para fazer valer o Estado de Direito. Eles são o braço da sociedade na luta contra o crime e a primeira muralha que protege o regime democrático. E, mais do que nunca, devem ser valorizados.”

* Afago no voto: “A solidariedade deve estender-se à população de São Paulo, que trabalha, paga (muitos) impostos e quer a proteção necessária para viver em paz enquanto trava a difícil luta por melhores oportunidades na vida para seus filhos. Atravessou momentos angustiantes, aflitivos, que pude bem avaliar nas reiteradas conversas com meus familiares e amigos.”

 

* Recado para Lula, que viu na falta de escola a origem do problema: “Não existe, por exemplo, uma contradição ou uma oposição entre escolas e presídios. Estabelecê-la é criar uma falsa relação de causa e efeito entre a pobreza e o crime. Os pobres, à diferença do que pensam os seus falsos tutores, são dotados de uma severa moralidade. E a esmagadora maioria escolhe o caminho da luta incansável para sobreviver, não o da delinqüência.”

 

* Sobre a politização: “Não, os inimigos da sociedade não são os promotores, não são os policiais, não são os agentes penitenciários, não são as operadoras de telefonia, não são os secretários de Estado, não são os governadores, não são os ministros, não são os políticos de partidos adversários. Se nos entregarmos a esta disputa fratricida, ganha o inimigo verdadeiro: o crime organizado. O uso político ou eleitoral desta guerra só fortalece os bandidos e só compete para solapar o Estado de Direito. Não custa lembrar que, do lado das quadrilhas, há coesão.”

 

* Na falta de coisa melhor...: “(...) urge que a sociedade e todos os homens públicos comprometidos com a democracia dêem seu integral e irrestrito apoio ao pacote de medidas já aprovado pelo Senado. Não resolve tudo, não é uma panacéia, não substitui a ação decidida de todas as autoridades, mas é um conjunto positivo de medidas. (...) Merece menção especial a que permite que pessoas ligadas ao crime organizado fiquem em regime de segurança máxima por até 1.440 dias, a obrigação das concessionárias de telefonia de instalar bloqueadores nos presídios e a consideração de que a posse de celulares ou outros instrumentos de comunicação pelos presos passe a ser uma falta grave. (...) Sugiro outras duas (providências): aumento da pena mínima para crimes praticados contra policiais, procuradores, agentes penitenciários, juízes e promotores, quando no exercício da função, bem como daquela aplicada a quaisquer desses servidores quando flagrados em associação com criminosos”.

 

* Vale por um telefonema: “Em São Paulo, o empenho e a franqueza do governador Lembo, cuja integridade moral é bem reconhecida, facilita e até estimula o debate, as cobranças e a mobilização (...).”

Escrito por Josias de Souza às 11h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Governo paralelo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 10h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

- JB: Guarda de César mata o trabalho

- Folha: PCC monta rede financeira no Estado

- Estadão: Polícia pode ter matado inocentes, admite Lembo

- Globo: Facção de SP negocia armas e drogas com tráfico do Rio

- Correio: Bandidos fazem dois furtos a cada hora no DF

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terra em transe 2

Terra em transe 2

No Planalto

 

Imagem aérea da Avenida Paulista. Deserto. Corta para a entrada do Shopping Iguatemi. Ermo. Fecha no pórtico do restaurante Fasano. Cerrado. Um cachorro vira-latas esparge urina na calçada defronte.

 

Voz do capo Marcola, em off, com o som nasal de celular: “Só a violência salva o Brasil. O crime não é o problema. É a solução. O PCC é o caos, matéria-prima para o recomeço. A delinqüência é o início da solução, a verdadeira renascença”.

 

O roteiro do longa-metragem sem título –‘São Paulo em Transe’?—escorre ininterrupto dos lábios de Marcola. As palavras saem-lhe em catadupas. Entregue ao isolamento da solitária de segurança máxima, o Glauber Rocha do mal dita os movimentos ao seu exército de atores invisíveis.

 

Câmera fechada no torso de um PM. Tiro no peito. A lente vai abrindo lentamente. Rosto. Outro tiro. Na testa. Corpo recostado no banco de uma viatura velha. Sangue espirrado. Nos vidros. No forro do teto.

 

A câmera continua abrindo. Plano geral. Ônibus em chamas ao fundo. Três bandidos gargalham. Pistolas de uso exclusivo do Exército. Cheiro de inépcia. Para a polícia, armas velhas e salário baixo. Para o tráfico, fronteiras abertas e dinheiro graúdo.

 

Close-up num nariz. Branco. Enorme. Bem-nascido. Câmera gira pelo ambiente. Sala decorada com esmero. Três carreiras de cocaína no centro de uma a bandeja. Fecha numa TV. Sintonizada no Jornal Nacional. Willian Bonner, de São Paulo, ao vivo: “A cidade vive dia de pânico”. O nariz gigante, bordas avermelhadas, balbucia: “Que horror!”

 

Corta para os lábios de Marcola, no celular. Voz pausada. Mas firme. “Não há existência fora da mídia. A sociedade nos vê agora. Cansamos do departamento de figurantes do mal. Somos protagonistas.”

 

Plano aéreo sobre o Palácio dos Bandeirantes. Corta para o gabinete de Cláudio Lembo. Olhos grudados no telefone. Alckmin não liga. Serra não liga. FHC não liga. A política só é solidária na divisão verbas e cargos.    

 

Plenário do Senado. Bocas de senadores rindo. Barrigas imensas. Discursos histriônicos. “A culpa é do PSDB, que governa São Paulo há 12 anos”, diz um. “Não, não. A culpa é do PT, que segurou as verbas”, contradiz outro.

 

Locução de Marcola, em off, sobre imagens de ambulâncias superfaturadas, deputados contando dinheiro. “A Casa Grande não aprende”, diz o cineasta do mal. Ele dita as últimas ordens ao celular: “Matem, queimem, barbarizem”. Exércitos de negros e cafuzos marcham sob o sereno de São Paulo. A cidade converte-se no insolúvel levado às últimas conseqüências.

Escrito por Josias de Souza às 19h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

No papel, Alckmin e Lula prometem o crescimento

Os eleitores que estiverem em dúvida entre o tucano Geraldo Alckmin e o petista Lula terão dificuldades para fazer uma opção se forem basear o seu voto apenas no programa de governo dos dois candidatos. Ambos vão prometer um ciclo de vigoroso desenvolvimento econômico.

“O Brasil não pode deixar de almejar um crescimento de tigre asiático, entre 9% e 10% do PIB. Não se chega a isso de um dia para o outro. Mas precisamos inocular o vírus do crescimento econômico no país inteiro”, diz o engenheiro João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo de Alckmin.

“A política econômica do governo Lula conduziu o país a um patamar de solidez que permite inaugurar uma nova fase. Vamos crescer. E crescer muito. Bem mais do que os patamares das últimas duas décadas e até do atual governo”, afirma o professor de história Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Lula.

Elaborado em cooperação com o PFL, o primeiro esboço do programa de governo do PSDB, chamado de “termos de referência”, fica pronto em 10 de junho. Nesse dia, o partido realiza a convenção nacional que homologará o nome de Alckmin como candidato à presidência. Depois, o texto será submetido a outros partidos que queiram se aliar ao tucanato. A idéia é fechar o projeto até o final de julho, antes do início da propaganda eleitoral de rádio e TV, que começa em 15 de agosto.

O programa de Lula encontra-se em estágio mais avançado. As “diretrizes” (leia a íntegra aqui) foram aprovadas no 13º Encontro Nacional do partido, em 29 de abril. Serão agora debatidas com os partidos que se dispõem a firmar aliança com Lula –o PC do B e, talvez, o PSB.

Meirelles diz que a diferença entre Alckmin e Lula está na forma. “O governo Fernando Henrique tinha uma política monetária que foi seguida rigorosamente pelo governo Lula. Mas tinha também, certa ou errada, uma política fiscal e cambial. Lula só tem política monetária. Na parte fiscal, estamos vendo o aumento dos gastos permanentes com custeio e redução assombrosa dos investimentos. Na parte cambial, o que se vê é a inação. Não há país no mundo desenvolvido ou em desenvolvimento que não atue sobre cambio.”

Num eventual governo Alckmin, diz Meirelles, o câmbio flutuante será mantido. Mas haverá ferramentas de intervenção para trazê-lo a patamares “competitivos”. Quais? “Os especialistas dirão. Não será nada de autoritário, de cambio regulado. Serão mecanismos que outros países adotam”. Quanto à parte fiscal, o programa tucano pregará “racionalização da máquina administrativa” e privilégio para os investimentos.

Garcia diz que as políticas fiscal, monetária e cambial praticadas sob FHC produziram uma herança que, quando Lula assumiu, aproximava o Brasil do descontrole inflacionário e da insolvência na rolagem da dívida interna.  “Um dos grandes méritos do nosso governo foi, além de impedir a catástrofe, o de criar condições de estabilidade que nos permitem crescer nesse segundo momento. Ao final do ano, teremos resultados que, embora ainda modestos, serão invejáveis se comparados com períodos anteriores.”

O coordenador do programa petista afirma que o Brasil está pronto para desfrutar de “uma nova equação econômica”, que combina "crescimento e distribuição de renda”. Os detalhes, diz ele, serão definidos no programa, que ficará pronto até o final de julho. “O essencial é que faremos isso sem sacrificar o equilíbrio macroeconômico, uma conquista que não podemos desperdiçar”.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e PT terão programa de segurança semelhante

A crise deflagrada pelos ataques do PCC provocou uma batalha retórica. De um lado, os tucanos. Do outro, os petistas. Acusam-se mutuamente de responsabilidade. O blog conversou com os responsáveis pela elaboração do programa de governo dos candidatos Geraldo Alckmin e Lula. Descobriu-se que, em matéria de segurança pública, PSDB e PT pensam a mesma coisa.

 

O tucano João Carlos Meirelles (ao lado), que coordena a estruturação do programa de governo de Alckmin, chega mesmo a dizer que, na parte relativa à segurança, “o programa do governo Lula (apresentado na campanha de 2002) é excelente, foi muito bem elaborado.” O problema, diz ele, é que “não foi executado”.

O repórter perguntou a Meirelles, ex-secretário de Ciência e Tecnologia de Alckmin no governo de São Paulo, se as idéias do documento do PT podem ser incorporadas ao programa do PSDB. E ele: “Por que não? Não vamos politizar esse tema. Tudo o que o Lula estiver fazendo corretamente, nesta e em outras áreas, tem que ser continuado. Não há razão para desmontar só porque foi ele quem fez.”

 

Pelo lado do PT, a coordenação do programa de governo para um eventual segundo mandato de Lula foi confiada a Marco Aurélio Garcia (à direita), assessor especial do Planalto para assuntos internacionais. Ele também acha que as propostas apresentadas pelo partido em 2002 são “muito boas”. Prevê que o novo programa “provavelmente não vai trazer muita coisa diferente.” Diferentemente de Meirelles, Garcia diz que “boa parte do programa saiu do papel.”

 

Surge, então, uma pergunta inevitável: se o programa de Lula (leia íntegra aqui) é tão bom e Garcia assegura que “boa parte” dele foi implementada, por que o crime organizado continua prevalecendo sobre o Estado? Orça-se o que diz o coordenador do programa petista: “Há problemas que transcendem a segurança. Estão ligados à federação. Hoje, é muito difícil implantar uma política de segurança verdadeiramente nacional. Os grandes vetores da segurança estão espalhados entre a União, os Estados e até os municípios”.

 

Meirelles, o coordenador de Alckmin, realça a necessidade de “promover a articulação das polícias, organizar um cadastro nacional único e assegurar investimentos contínuos para a área de segurança”. Todas essas providências estão contempladas no programa de governo que Lula defendeu nos palanques de 2002. Mas as polícias não foram unificadas, o cadastro único é desatualizado e ineficaz e as verbas da área de segurança vêm sendo continuamente podadas. De resto, a ação coordenada entre União e Estado de que fala Garcia inexiste.

 

O resultado é que o crime, cada vez mais organizado, vai ganhando a guerra contra um Estado que não consegue organizar-se nem nas questões mais comezinhas. A unidade de propósitos não consegue transpor os limites do papel. Embora os dois lados enfatizem a necessidade de “despolitizar” as questões de segurança, a batalha retórica se repete entre os dois coordenadores de programas de governo.

 

“Acho que o que aconteceu em São Paulo é uma demonstração de fracasso da política de segurança que vem sendo seguida lá há muito tempo (12 anos, se considerados os mandatos dos tucanos Mario Covas e Geraldo Alckmin). Eles não privilegiaram a questão da inteligência policial”, dispara Garcia.

 

“Eles que não venham nos culpar”, devolve Meirelles. “A violência que assistimos em São Paulo não foi praticada nem com estilingue, mas com armas poderosíssimas. Ora, a quem compete fiscalizar e inibir o tráfico de armas? Ao governo federal. A droga que financia o crime também não é plantada aqui. Vem de fora. Não buscando culpados, mas que também não nos culpem”.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

 

- JB: Planos de saúde sobem 9%

 

- Folha: Estado restringe visitas a presídios

 

- Estadão: Celulares mudos e cadeia sem visita: cerco ao PCC

 

- Globo: A guerra do tráfico paulista (8° dia) - Cresce pressão sobre governo de SP por listagem de mortos

 

- Correio: Plano de saúde sobe mais que a inflação

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCB, Primeiro Comando Branco!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tasso prefere denegrir Lula a enaltecer Alckmin

   Adriano Machado/FI.      

Em palestra nos EUA, nesta sexta-feira, o presidente do PSDB, revelou detalhes da estratégia eleitoral do tucanato. Passa menos pela construção da imagem de Alckmin e mais pela destruição da de Lula. Eis o que ele disse, em relato da repórter Leila Suwwan (na Folha, para assinantes):   

 

“O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ontem a empresários e investidores nos Estados Unidos que o foco da campanha presidencial tucana será abalar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsabilizá-lo pelos escândalos de corrupção que derrubaram seus amigos no governo. ‘Teremos de fazer uma grande campanha negativa para mostrar que ele [Lula] estava ciente da corrupção.’

Segundo Tasso, só assim será possível eleger Geraldo Alckmin (PSDB), que avaliou ser um candidato sem carisma e que terá profundos problemas para contornar o impacto da crise de segurança em São Paulo.


Para Tasso, os ataques do crime organizado afetaram o ‘cartão de visitas’ de Alckmin, a gestão no governo de São Paulo. ‘Será um profundo problema na campanha a partir de agora, mas não é algo que não possamos resolver. Não é um problema só de São Paulo (...). Precisamos encarar não só como problema social, mas de polícia e Legislativo", disse, lembrando haver indicações de que Lula também é considerado responsável pela crise. "Parece haver uma identificação da população entre o PT e a desordem.’

Declarando-se ‘muito preocupado’ com os efeitos dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado, Jereissati disse, porém, que já está definida a estratégia para minimizar o efeito negativo perante o eleitorado: focar na questão como problema nacional e internacional, alimentado por falhas federais no controle das fronteiras e do narcotráfico e nas deficiências da legislação penal.

Segundo ele, o crime organizado está em estágios ‘pré-mafiosos’ e não pode ser simplesmente associado à pobreza ou à falta de programas sociais do governo estadual. Além disso, a campanha tucana voltará a defender proposta antiga de unificação das polícias Civil e Militar. Tasso considerou ‘ineficiente’ a divisão atualmente em vigor.

O tucano insistiu na importância de que as camadas mais pobres associem a corrupção a Lula, que até agora tem feito papel de vítima traída. ‘Todos os seus amigos [de Lula] foram responsabilizados. Lula não pode ficar impune. Alckmin só poderá ganhar se isso aparecer", disse. "A imagem do PT foi totalmente danificada. Vão conseguir talvez dois governos. Mas Lula ainda é carismático, é difícil mudar isso na classe baixa. Estamos tentando tudo. Faremos o melhor possível.’

‘Lula foi hábil, conseguiu botar a culpa nos outros e fez papel de vítima. Derrubou um a um: José Dirceu, José Genoino, Antonio Palocci, Delúbio Soares, Silvinho Pereira. Queremos mostrar que é impossível o sujeito ser vítima de todos os amigos, é mais fácil que as vítimas sejam os amigos.’

Questionado pelo público sobre o carisma do candidato tucano, Tasso respondeu que "Alckmin não é" carismático, o que provocou risos no grupo de cerca de 40 convidados no Conselho das Américas, em Nova York, e gerou certo constrangimento. Chegou a ser questionado se o PSDB pensava em trocar de candidato. ‘Não há a menor chance’, respondeu (...)”.

Escrito por Josias de Souza às 02h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Orçamento participativo

Nota da seção Radar (na Veja, para assinantes):

 

'No fim do ano passado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, andou reclamando muito do governo. Parou depois que a Medida Provisória nº 270, editada em 15 de dezembro, destinou 70 milhões de reais ao abastecimento de água de Maceió. A obra está sendo tocada pela Gautama, que pertence a um amigo de Renan, Zuleido Veras. Renan nega qualquer participação. Eles sempre negam'.

Escrito por Josias de Souza às 01h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Simon pode virar candidato a presidente pelo PMDB

Num movimento surpreendente, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho abriu mão nesta sexta-feira de sua pré-candidatura à presidência da República. Quer ser agora candidato a vice-presidente, numa chapa encabeçada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS).

 

Em público, Simon dá declarações hesitantes. Mas, em privado, disse aos peemedebistas que o procuraram, que gostou da idéia de se lançar na disputa presidencial, numa última tentativa de pôr de pé a o projeto da candidatura própria do PMDB. Simon recebeu o sinal verde do presidente da legenda, Michel Temer.

 

Em diálogo telefônico com Itamar Franco, o outro pré-candidato do PMDB, Simon obteve o compromisso de apoio. Os dois são velhos amigos. Itamar propôs a Simon que sua candidatura seja oficializada na próxima segunda-feira, em Minas Gerais. Nesse dia, o ex-presidente anunciará a desistência à sua pré-candidatura em favor da chapa Simon-Garotinho.

 

Renasce, assim, o projeto da terceira via peemedebista. Uma tentativa de oferecer ao eleitorado alguma opção à polarização entre o tucano Geraldo Alckmin e o petista Lula. Surpreendida pela costura da nova candidatura, a ala governista do PMDB já se movimenta.

 

Liderado pelo presidente do Senado, o lulista Renan Calheiros (PMDB-AL), o grupo contrário à candidatura presidencial do PMDB tenta coletar assinaturas para convocar a Executiva do partido. Pretende aprovar na reunião o adiamento ou até o cancelamento da convenção peemedebista, marcada para junho.

 

Com o eventual cancelamento da convenção, ficaria valendo a decisão da pré-convenção realizada na semana passada, na qual ficou decidido, por maioria simples, que o PMDB não concorreria ao Planalto. As articulações prosseguem no final de semana. Para que prosperem, precisam, primeiro, do ok definitivo de Simon. Depois, da empolgação de um naco do partido. Expressivo o bastante para deter o boicote da ala lulista.

Escrito por Josias de Souza às 17h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cenário de guerra

O IML de São Paulo convive com um monturo inusual de corpos. O fenômeno da superlotação cadavérica começou no último dia 12, junto com o ciclo de ataques patrocinados pelo PCC. O diretor-geral do instituto, Hideaki Kawata, admite dificuldades sanitárias para conservar os cadáveres em decomposição.

Por ora, a polícia paulista admite ter matado 107 supostos criminosos. Até ontem, nada menos que 75 corpos permaneciam nas unidades do IML nos bairros paulistanos de Pinheiros e na Vila Leopoldina. Pelo menos 28, veja você, não haviam sido nem sequer identificados. “Até agora, estamos proibidos de enterrar quem não foi identificado", diz Kawata.

Escrito por Josias de Souza às 15h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

São Paulo: sob o império da lei ou da bandidagem?

Marcos Willians Herba Camacho, governador paralelo e plenipotenciário de São Paulo, conseguiu um feito notável. Graças ao estrepitoso sucesso de sua última iniciativa, o Estado mais rico do Brasil virou notícia no mundo inteiro. Ganhou destaque inclusive na revista britânica The Economist, espécie de bíblia do capitalista moderno.

 

Ao jogar areia nas engrenagens que movem o “motor da economia brasileira”, Marcola, como o governador informal é chamado por seus colaboradores mais próximos, deixou no ar uma dúvida. Segundo a Economist, não se sabe se São Paulo “é regida pelas leis ou por bandidos”.

 

Uma impressão recolhida da reportagem ajuda a elucidar o mistério. “Durante vários dias”, anotou a Economist, “os paulistanos não puderam sequer assegurar que sua cidade era mais segura do que Bagdá".

A notícia sobre a onda de fúria que engolfou São Paulo é parte da reportagem de capa da revista: “A batalha pela alma da América do Sul”. São vários textos. Abordam do surto nacionalista de Evo Morales à situação sócio-econômica dos países da região.

Na abertura do texto principal, Economist rememora um raciocínio que o ex-presidente norte-americano Richard Nixon teria desenvolvido em diálogo com Donald Rumnsfeld, atual secretário de Defesa dos EUA. "A América Latina não importa... as pessoas não dão a mínima para a América Latina", teria dito Nixon.

"Nixon estava certo - até agora”, escreve a revista. “De repente, a América Latina atraiu a atenção mundial". Economist menciona um elenco de razões para a súbita visibilidade do Continente. Nenhum deles é, digamos, alvissareiro.

Diz, por exemplo, a reportagem: “Depois de a região ter dado a impressão de que abraçara a democracia liberal e o capitalismo de mercado, algo de essencial está mudando". Para a Economist, a mudança passa pela "luta que vem sendo travada entre liberais democratas e populistas autoritários".

A revista lembra que a restauração da democracia na América Latina custou “muito sangue”. E afirma que é preciso levar isso em conta para "não jogar no lixo suas conquistas". Ao tratar da situação sócio-econômica da região, Economist conclui que a coisa vai “bem”. Mas poderia ir muito melhor.

O crescimento econômico da América do Sul, anota a revista, é puxado pela recuperação de países como Argentina e a Venezuela. O texto faz um contraponto: “As economias do Brasil e do México, as duas maiores da região, tiveram desempenhos mais modestos".

Em meio ao pessimismo, uma gota de otimismo: Os programas de combate à pobreza do Brasil, México e Colômbia estão começando a surtir efeito. "Contrariando a lenda”, diz a revista, “a distribuição de renda no Brasil é a menos desigual nos últimos 30 anos".

Há muito a fazer na América Latina, porém, em relação aos sistemas de saúde e de ensino. E, para que os leitores não se esqueçam de que estão correndo os olhos por um texto da bíblia do capital, os redatores repisam a velha tecla de que tais mudanças não virão senão por meio das famosas reformas de Estado.

Nessa matéria, o signatário do blog tem a impressão de que o companheiro Marcola, gestor do Estado paralelo da delinqüência, conduz as suas reformas em ritmo mais agressivo. Natural. O crime, afinal, é organizado.

Escrito por Josias de Souza às 15h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

 

- JB: Balanço da trégua: 70 mortos

 

- Folha: PM diz que não matou inocentes

 

- Estadão: Políticos também seriam alvo do PCC, revela gravação

 

- Globo: A guerra do tráfico em São Paulo (7° dia) - Polícia assume 107 motes mas resiste a divulgar lista de

nomes

 

- Correio: Investigação liga PCC à máfia dos concursos

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC, Primeiro Comando Celular!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 07h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois de criticado, Alckmin defende governo Lembo

Orlando Brito/OBritoNews
 

 

Menos de 24 horas depois da entrevista em que Cláudio Lembo criticou os aliados, entre os quais o seu antecessor, o candidato tucano Geraldo Alckmin derramou-se em declarações elogiosas à ação da polícia paulista e do atual governador de São Paulo. Deu-se em Belém (PA), segunda escala da visita que realiza à regiao Norte. Antes, estivera em Macapá (AP).

 

Conforme o relato do repórter Luiz Francisco (na Folha, para assinantes), Alckmin disse que a polícia de São Paulo agiu corretamente ao matar "mais de 90 criminosos" em situações de confronto. Acha que o único modo de coibir os ataques é o enfrentamento.

 

"Foi isso que o governo de São Paulo fez. Nos últimos cinco dias foram encarceradas mais de 138 pessoas, mais de 90 criminosos [foram] mortos nos embates com a polícia (na verdade, foram 107). E a polícia de SP é competente e o governo não retrocede nem um milímetro", declarou Alckmin.

Disse que a segurança pública é uma "questão do Brasil e não deve ser partidarizada". Acha que "é muito mesquinho, muito pequeno, querer tirar casquinha política em cima de uma tragédia, nós [o PSDB] não faremos isso."

 

Em seguida, tirou uma “casquinha” de Lula. Disse que sua primeira atitude, se for eleito presidente, será liberar os recursos dos fundos penitenciário e de segurança e reforçar a vigilância na fronteira. "Este governo [Lula] não cumpre acordos, e política é acordo. Vou descontingenciar as verbas para combater com firmeza a criminalidade no Brasil", disse.

Em nova “casquinha”, declarou: "O principal problema [do Brasil] é o tráfico de armas, e essa é uma tarefa federal, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que é atribuição federal. Hoje tem dinheiro na mala, dinheiro na cueca, dinheiro onde quiser."

Escrito por Josias de Souza às 03h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula dá a Lembo solidariedade que Alckmin ‘não deu’

Lula orientou os ministros que integram a coordenação do governo para que prestem “solidariedade irrestrita” ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), na guerra que trava contra o crime organizado. A pedido do presidente, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) voltou a procurar Lembo. Ofereceu-lhe, de novo, suporte federal.

 

O presidente declarou-se, em reserva, impressionado com a entrevista concedida pelo governador à colunista Mônica Bergamo. Enxergou nas palavras de Lembo a manifestação de um gestor abandonado pelos próprios aliados (PSDB e PFL), que, de olho apenas nas urnas, hesitariam em se aproximar da crise.

 

Lula quer que seu governo tenha um comportamento inverso. Deseja parecer mais aliado de Lembo do que os próprios aliados do governador. Quer dar a ele a solidariedade que, segundo diz, o alto comando do tucanato (Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra) supostamente ‘‘não deu”.   

 

O governo age em duas frentes: refuta o que chama de tentativa de tucanos e pefelistas de transferir para a esfera federal a responsabilidade pela onda de violência deflagrada em São Paulo. Simultaneamente, coloca-se à disposição de Lembo para ajudá-lo “no que for necessário”. Lula quer que a oferta de auxílio seja constantemente reiterada, ainda que Lembo a rejeite.

 

Renovou-se ao governador, por exemplo, o oferecimento de transferência para fora de São Paulo de líderes do PCC, o Primeiro Comando da Capital. Entre eles Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. Os criminosos ficariam sob a guarda da Polícia Federal, pelo tempo que fosse necessário. Por ora, Lembo não deu indicações de que vá aceitar a gentileza.

 

Lula também pediu a lideranças do PT que evitem o bate-boca eleitoral em torno da crise que se instalou na segurança pública de São Paulo. Para o presidente, o petismo deve adotar, por ora, uma tática defensiva, limitando-se a responder aos ataques da oposição. Lula diz que será inevitável discutir o tema na campanha presidencial. Mas avalia que a antecipação do debate constituiria um grave erro. Um equívoco que traria mais prejuízos do que benefícios eleitorais.

 

A opinião do presidente é compartilhada pelo ministro da Justiça. Desde o início dos ataques do crime organizado contra as forças de segurança de São Paulo Thomaz Bastos vem sustentando nas reuniões de coordenação de governo que a “politização” da crise seria um equívoco.

 

Para Lula e alguns de seus ministros, PSDB e PFL estão incorrendo no erro da politização. No afã de culpar Brasília pelos transtornos impostos à população de São Paulo, tucanos e pefelistas estariam adotando um comportamento que Lula qualifica de “mesquinho”, deixando em plano secundário a cooperação para a superação da crise.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Polícia mata 107 ‘bandidos’ e não revela nomes

·         A guerra sem precedentes que opõe o crime organizado à polícia de São Paulo tornou-se uma usina de cadáveres. Em sete dias, tombaram 152 pessoas. Desse total, 107 integrariam as fileiras do crime. As forças policiais assumem que foram mortos. Mas se negam a revelar-lhes os nomes.

 

Godofredo Bittencourt, diretor do Deic (Departamento de Investigações Criminais), limita-se a dizer que os policiais paulistas não mataram nenhum inocente. O massacre fora previsto pelo delegado Rui Ferraz, da Polícia Civil, na quinta-feira da semana passada, véspera do início da onda de ataques que virou São Paulo de ponta-cabeça.

 

Ferraz recebera um telefonema anônimo. Do outro lado da linha, o interlocutor apresentara-se como integrante do PCC, o poderoso Primeiro Comando da Capital. Fez questão de dizer que falava de dentro de um presídio. Reproduziu ao telefone trechos do depoimento que o delegado prestara no dia anterior, em sessão que se pretendia secreta, na CPI do Tráfico de Armas da Câmara.

 

Ainda sob o impacto da ligação, o delegado Ferraz discou para um parlamentar em Brasília: “Vai começar o morticínio”, previu, profético. O teor do depoimento, vendido pelo funcionário terceirizado da Câmara Arthur Vinicius Silva por R$ 200, caíra nas mãos de Marcola, o capo do crime organizado de São Paulo. E fora transmitido, por meio de teleconferência, a pelo menos 40 bandidos do PCC.

 

No depoimento, que teve trechos vazados ontem, Godofredo Bittencorut e Rui Ferraz anteciparam aos parlamentares que o chefão Marcola seria encarcerado numa solitária. E relataram detalhes do funcionamento do PCC. A organização criminosa, disseram, é dividida em células, supostamente inspiradas pelos ensinamentos de Vladimir Lênin, suposta fonte de inspiração de Marcola, que seria admirador também de Leon Trotsky e Karl Marx.

 

De acordo com os policiais, Marcola implantou no PCC um modelo descentralizado de gestão. A facção teria seis tesoureiros. Recolheriam mensalmente R$ 750 mil. O dinheiro viria de uma espécie de franquia de venda de drogas. Os pontos de comércio assentados nas ruas remunerariam o PCC em R$ 550 mensais. As bocas de fumo plantadas dentro dos presídios pagariam R$ 50 por mês.

 

O grupo utiliza o serviço público dos Correios para transportar mercadorias para dentro das prisões. Servindo-se do Sedex, o PCC enviou um carregamento de armas para uma das cadeias. Foi descoberto por acaso. Um fuzil, pesado, rompeu o lacre da embalagem. Para outra cadeia, o PCC remeteu 60 aparelhos de TV, para que os presos possam assistir às partidas da Copa do Mundo.

 

Marcola planejaria criar um braço político do PCC. De resto, a quadrilha pagaria cursos de advocacia –as mensalidades de universidades estão registradas em livro apreendido pela polícia—e estimularia simpatizantes a prestar concurso para a carreira de agente penitenciário. Os tentáculos do PCC alcançariam outros seis Estados além de São Paulo: Paraná, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Escrito por Josias de Souza às 01h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Genro não pede desculpas e duvida que Senado pare

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse ao blog que não vai pedir desculpas ao candidato tucano Geraldo Alckmin ou ao PSDB. “Não ofendi ninguém”. E não crê que o tucanato leve adiante a ameaça de obstruir as votações no Senado. “Não acredito que um debate político, por mais duro que seja, vá impedir o Congresso de cumprir o seu dever constitucional de trabalhar. Seria ruim para a oposição, para o governo e para a sociedade. Mas essa possibilidade não é real. O congresso não vai sonegar a prestação do trabalho parlamentar à sociedade”.

 

A promessa de obstrução legislativa foi feita ontem pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE) e pelo líder do partido no Senado, Arthur Virgílio. Tasso condicionou as votações a um pedido de desculpas ou à demissão de Tarso Genro. Ele considerou as declarações do ministro “levianas e irresponsáveis”.

 

“Não vou fazer nenhum pedido de desculpas”, disse Tarso Genro. “Faria, humildemente, se houvesse ofendido alguém. Mas não ofendi. Acho inclusive que as declarações do Alckmin a respeito do presidente Lula foram quatro, cinco vezes mais duras do que as minhas. Eu não fiz nenhuma alusão de comportamento criminoso a ninguém. E o Alckmin fez em relação ao Lula. É só ler a nota que ele divulgou. Ele diz que o Lula convive pacificamente com quadrilhas, ou coisa parecida. Tem ofensas duras ali.”

 

“Eu disse duas coisas”, prosseguiu o ministro. “O Alckmin está tentando transferir responsabilidades. Temos que nos unir em torno da segurança publica, para solucionar as grandes questões. Mas parece que o governo paulista, o governo do sr. Alckmin, foi o que eu coloquei, ele quer transferir responsabilidades. E segundo está sendo divulgado pela imprensa, preferiu negociar com os criminosos. Foi isso o que eu disse.”

 

Para Tarso Genro, “não há nenhuma ofensa” em suas declarações. “Inclusive porque”, disse ele, “a negociação está reconhecida hoje pelo (governador Cláudio) Lembo. Está nos jornais. O que o Lembo diz? Se não tivesse diálogo não tinha tido solução. Eu acho até que, em situação de estado de necessidade, isso é uma categoria do direito penal, em situação de estado de necessidade, um governante pode fazer uma negociação, para salvaguardar o interesse público. Se houve ou não salvaguarda do interesse público, a Procuradoria do Estado de São Paulo vai apurar. Já abriram uma sindicância.”

 

Segundo o ministro, governo e oposição não podem “continuar com esse bate-boca, com esse tipo de disputa política”. Uma disputa que, diz ele, o governo “não teme fazer”. Mas, se for feita agora, antecipando o calendário eleitoral, “vai perder o país”. A hora, na opinião de Tarso Genro, é de “tomar um chá caseiro” e serenar os ânimos. “Vamos todos conversar pensando no país. Pensar de que maneira podemos trabalhar, de forma cooperada, para encontrar soluções. O governo já deixou claro que não admite assumir responsabilidades pelo que ocorreu lá (em São Paulo). Estava sendo tentada uma transferência. Isso foi bloqueado por nós. A oposição respondeu. Está no seu papel. Para mim, é um caso encerrado”.

 

O debate eleitoral sobre segurança pública vai ocorrer, disse o ministro, “no momento próprio”. “Quando começar o calendário eleitoral, vamos discutir, sim, segurança publica. E vamos ver quem é que fez mais, não tem problema. Os partidos os candidatos vão fazer esse debate. Agora, o que precisa ser feito, é uma ação cooperada para resolver o problema e, inclusive, impedir que ele se alastre para outros Estados.”

Escrito por Josias de Souza às 17h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mercadante quer deixar a liderança do governo

Ao escolher na semana passada o senador Aloizio Mercadante como seu candidato ao governo de São Paulo, o PT causou uma dor de cabeça para Lula. Em conversa que deve ocorrer no início da próxima semana, Mercadante pedirá ao presidente que o libere das atribuições de líder do governo no Senado.

 

Atrás do rival tucano José Serra nas pesquisas de opinião, Mercadante deseja dedicar-se em tempo integral à sua campanha. No final de março, quando ainda disputava a legenda com a ex-prefeita Marta Suplicy, o senador já pedira a Lula que o substituísse na liderança. Não foi atendido.

 

O governo estava às voltas com o escândalo da violação da conta bancária do caseiro Francenildo Costa, que levou à demissão do então ministro Antonio Palocci (Fazenda). Agora, com a superação da crise e a proximidade do recesso parlamentar, Mercadante espera, segundo disse a um amigo, que Lula o libere.

 

Na prática, a liderança do governo vem sendo exercida, há cerca de duas semanas, pelo vice-líder Romero Jucá (PMDB-RR). Mas Lula hesita em oficializá-lo na função. Jucá foi ministro da Previdência e teve de ser afastado em meio a denúncias de seu envolvimento com desvios de verbas públicas em Roraima.

 

Alternativa mais plausível para o governo seria a indicação do senador Tião Viana (PT-AC). Ele vem sendo uma espécie de "pau-pra-toda-obra" do governo no Senado. Topou até patrocinar ação no STF para interromper o depoimento do caseiro Francenildo Costa na CPI dos Bingos. Há, porém, um problema. Viana é vice-presidente do Senado. Para tornar-se líder, precisaria deixar o posto. Algo que não parece muito disposto a fazer.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

José Jorge é o vice de Alckmin

Orlando Brito/OBritoNews
 

 

O senador José Jorge (PFL-PE) derrotou o colega José Agripino Maia (PFL-RN) e é o candidato a vice na chapa do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. A decisão foi tomada em eleição secreta da qual participaram 96 pefelistas.

 

Jorge prevaleceu sobre o oponente com uma dianteira de seis cabeças. Amealhou 51 votos, contra 45 dados a Agripino. Sua vitória fortalece o grupo de Jorge Bornhausen, presidente do PFL, que o apoiou, contra o grupo de Antonio Carlos Magalhães, partidário de Agripino.

 

Alckmin e a cúpula tucana preferiam o nome de Agripino. Mas aceitará José Jorge de bom grado. Assumira o compromisso de não interferir na escolha do parceiro. Assim, os dois partidos estão agora prontos para formalizar a aliança eleitoral em torno de Alckmin. O que deve ser feito na próxima semana.

Escrito por Josias de Souza às 13h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo

  O Grito/Edvard Munch
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, foi entrevistado por Mônica Bergamo. Fez declarações do barulho. Criticou os ‘aliados’ FHC e Geraldo Alckmin, afagou o ‘inimigo’ Lula e esculhambou a ‘elite branca’ paulista, culpando-a pela violência. Leia abaixo trechos da entrevista:

 

- Houve uma matança em São Paulo na madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma vingança? A polícia está totalmente sob controle (...). Todas as noites há confrontos nas ruas da cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não (...).

- O que pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? (...) Tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil e a perda... (de qualquer) regramento religioso (...). Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

- Que ficou assustada nos últimos dia. E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar (...).

- Onde o senhor responsabiliza essas pessoas? Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala (...). O cinismo nacional mata o Brasil (...). O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos (...). A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.

- FHC a possibilidade de acordo com os criminosos para cessar a violência. (...) Fernando Henrique poderia ter ficado silencioso (...). Pode ser que eventualmente ele tenha precedente sobre acordos. Eu não tenho.

- Alckmin telefonou para prestar solidariedade? Dois telefonemas (...). Acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...

- E o José Serra? Não telefonou (...).

- As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC estava desmantelado. Enganaram os paulistanos? Não saberia responder. Eu não engano. Ganhamos uma situação mas é um grande risco. Temos que ficar muito atentos.

- Pode dizer que o PCC acaba até o fim de seu governo? Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência (...).

- O Fernando Henrique não telefonou? Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi muito elegante comigo (...).

Escrito por Josias de Souza às 08h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Governo se rende ao poder dos bandidos e dos policiais

- Folha: Lembo culpa ‘elite branca” por violência

- Estadão: PCC obteve relato secreto por R$ 200; celular terá bloqueio

- Globo: A guerra do tráfico em São Paulo - Segredo da remoção de chefes de quadrilha vazou na Câmara

- Correio: R$ 200 - O suborno que desencadeou o terror em São Paulo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC, Primeiro Comando do Congresso!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Agripino diz ao PSDB que vencerá disputa pela vice


O eleitorado brasileiro vai conhecer nesta quinta-feira o nome do companheiro de chapa do candidato tucano Geraldo Alckmin. Em eleição secreta, o PFL decidirá entre os senadores José Agripino Maia (RN) e José Jorge (PE).

 

Em conversa que manteve nesta quarta-feira com um integrante do alto comando da campanha do PSDB, Agripino Maia (na foto ao lado), líder do PFL no Senado, previu que baterá o seu contendor com uma vantagem de dez a 15 votos. A estimativa foi recebida com reservas. Considerou-se que a margem é estreita demais para um colegiado que reúne apenas 96 integrantes da pefelândia.

 

O colégio com direito a voto incorpora os governadores, prefeitos de capitais, deputados, senadores, membros da Executiva Nacional sem mandato e dois suplentes do PFL. A urna foi instalada na sede do partido, no Edifício Anexo I do Congresso Nacional. A votação começa às 9h.

 

Estima-se que todos terão votado até o meio-dia. Em seguida será feira a contagem dos votos. Pretende-se anunciar o nome do vencedor antes do final da tarde. Conhecido o vice pefelista, o próximo passo será a formalização da aliança PSDB-PFL.

 

O acordo entre os dois partidos será selado na próxima semana. A data mais provável é o dia 26, uma sexta-feira. A confirmação depende apenas de conveniências da agenda de Alckmin. As negociações prevêem que o “casamento” será celebrado no Estado do vice –Rio Grande do Norte, se o vitorioso for Agripino Maia, ou Pernambuco, se for José Jorge.

 

Alckmin e toda a cúpula do tucanato torcem para que Agripino esteja certo em suas previsões. O vice preferido do PSDB era o ex-governador pernambucano Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Mas as negociações esbarraram na balbúrdia peemedebista e na recusa de Jarbas, candidato favorito a uma vaga no Senado.

 

Na falta de um acerto com Jarbas, o tucanato sinalizou, em reserva, sua preferência por Agripino. Mas terá de engolir José Jorge se ele prevalecer nas urnas desta quinta. Em nome da boa convivência, o PSDB decidiu não interferir na decisão do parceiro.

 

A disputa divide o PFL. Jorge Bornhausen (SC), presidente do partido, e Marco Maciel (PE) trabalham por José Jorge (na foto à direita). Antonio Carlos Magalhães (BA), faz campanha por Agripino Maia.

 

Sabendo das inimizades internas que ACM colecionou nos últimos anos, Agripino vende-se como candidato independente. Em telefonemas aos correligionários, escorou sua “campanha” na própria biografia. Argumenta que o fato de ter governado o seu Estado por duas vezes e de ocupar a liderança do partido o tornam mais credenciado que o adversário.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB reage a críticas do PT com barricada no Senado

O melhor que os 22 leitores deste retângulo virtual têm a fazer é buscar refúgio. Sob pena de ser alcançado por uma bala perdida. Ao tiroteio entre criminosos do PCC e a polícia paulista seguiu-se uma troca de tiros retóricos entre PT e PSDB.

 

O tucanato ‘pegou em armas’ ao tomar conhecimento de declarações dadas na manhã desta quarta-feira por Lula e pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Ambos aproveitaram o noticiário acerca do suposto acordo firmado pelo governo paulista com a bandidagem do PCC para disparar contra a trincheira inimiga.

 

Para não dispersar a munição, a tropa tucana se dividiu. Ao presidenciável Geraldo Alckmin coube responder à artilharia de Lula. Os senadores Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio miraram em Tarso Genro.

 

Alckmin armou-se de uma nota oficial. Nela, anotou que, em vez de condenar o crime organizado, Lula atacou a polícia de seu Estado. “Policiais de São Paulo foram mortos pelas costas. E o que faz o presidente? Lula preserva as quadrilhas criminosas e vem atacar a polícia paulista. É inadmissível".

 

Já Tasso e Virgílio recorreram à barricada parlamentar. Anunciaram que PSDB e PFL não votam nenhuma matéria de interesse do governo no Senado enquanto Tarso Genro não depuser as armas, por meio de um pedido formal de desculpas.

Nesta quarta-feira, foram freadas pela barreira tucano-pefelista três medidas provisórias, a indicação da procuradora Carmem Lúcia Antunes para uma vaga no STF e a homologação de 12 novos embaixadores do Brasil no exterior.

Tasso considerou os comentários de seu quase homônimo Tarso “irresponsáveis e levianos”. Exigiu que Lula o obrigue a retratar-se ou o demita. Virgílio disse que as provocações do ministro petista vêm de longe. Lembrou comentário que Tarso fizera na semana passada. Ele dissera que Alckmin "não sabe nem dos vestidos que a mulher tem no armário".

“Este não é o diálogo de alto nível que o ministro (Tarso Genro) nos propôs quando esteve reunido conosco. Nunca falei dos R$ 15 milhões recebidos pela Gamecorp, empresa do filho do Lula, e ele vem falar em vestidos da mulher do ex-governador".

 

Como se vê, embora Alckmin diga que a campanha só começa depois de julho e Lula não reconheça nem a própria candidatura, a guerra já está declarada. A julgar pelo resultado de pesquisa feita pelo Datafolha, a platéria acha que os contendores são muito parecidos.

 

No caso dos ataques que convulsionaram São Paulo, os paulistanos atribuem a Alckmin (37%) e a Lula (39%) praticamente o mesmo grau de responsabilidade. Ou seja, no conflito de Brasília, o sujo briga contra o mal lavado, num conflito em que, sabe-se de antemão, perdem a lógica e o interesse público.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Obtidas as assinaturas para a CPI das Sanguessugas

Oscar Niemeyer
 

 

Os proponentes da “CPI das Sanguessugas” já obtiveram as assinaturas necessárias à instalação da comissão. O pedido será entregue na manhã desta quinta-feira ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Na Câmara, foram recolhidas 190 assinaturas (o regimento exige um mínimo de 171 apoios). No Senado, coletaram-se 29 assinaturas (seria necessárias 27). Iniciado por três partidos –PPS, PV e PSOL—, o movimento pró-CPI atraiu o apoio do PFL. O objetivo da nova comissão é apurar o envolvimento de parlamentares com a chamada "máfia das ambulâncias".

 

Pretende-se que o senador Jefferson Peres (PDT-AM) seja o presidente da comissão. Para relator, cogita-se o nome do deputado Antonio Biscaia (PT-RJ). “Os dois estão acima de qualquer suspeita”, diz Raul Jungmann (PPS-PE), um dos responsáveis pela coleta de assinaturas favoráveis à abertura da CPI.

 

A despeito do ambiente de pré-campanha que permeia as atividades do Congresso, Jungmann diz que “há tempo de sobra” para a realização de mais esta investigação parlamentar. “Ainda temos nove meses de mandato. E uma CPI não dura mais do que 180 dias”.

 

O deputado lembra que a Polícia Federal não tem poderes para investigar parlamentares, exceto quando solicitado pelo Ministério público e autorizado pelo STF. “Se abrirmos mão da auto-investigação, estaremos contribuindo para a desmoralizar ainda mais uma legislatura já bastante comprometida.”

 

São alvos potenciais da nova CPI nada menos que 283 congressistas. Seus nomes constam de uma lista elaborada pela ex-funcionária do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, presa pela Polícia Federal sob a suspeita de facilitar a liberação de verbas orçamentárias para a compra superfaturada de ambulâncias.

Escrito por Josias de Souza às 20h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Funcionário da Câmara vendeu segredos ao PCC

  Lula Marques/F.Imagem
A onda de violência que transtornou o cotidiano de São Paulo pode ter tido origem, veja você, na Câmara dos Deputados. Dois CDs contendo a íntegra de depoimento secreto prestado pelos delegados da Polícia Civil de São Paulo Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), foram vendidos por um funcionário do Legislativo a advogados do PCC (Primeiro Comando da Capital).

 

O depoimento dos delegados foi colhido, a portas fechadas, pela CPI do Tráfico de Armas. Deu-se na quarta-feira da semana passada, dois dias antes da deflagração da onda de ataques e rebeliões em presídios que convulsionaram São Paulo. Durante a audiência, os delegados informaram aos deputados que integram a CPI que a polícia paulista iria transferir e isolar um grupo de presos do PCC considerados de alta periculosidade.

 

Os delegados informaram também que tinham conhecimento do plano dos criminosos de promover uma mega-rebelião no domingo, Dia das Mães. A audiência deveria ter sido aberta. Mas as portas da CPI foram cerradas no instante em que os representantes da polícia paulista identificaram no recinto a presença de advogados vinculados ao PCC.

 

Cauteloso, o presidente da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE) chegou mesmo a tapar os vãos das portas com papel. Esforço vão. Terminada a sessão, os advogados procuraram um funcionário da Câmara. Chama-se Arthur Vinicius Silva (na foto acima). Ofereceram-lhe R$ 200 pelos CDs com a gravação integral da fala dos delegados. Em depoimento à CPI, nesta quarta-feira, o funcionário reconheceu ter negociado os CDs.

 

De posse dos “segredos” revelados pela dupla de delegados, os advogados do PCC teriam repassado as gravações para criminosos que, por meio de tele-conferência, transmitiram o teor dos depoimentos para celulares de bandidos presos. Entre eles o líder do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. Daí a explosão de violência que resultou em 251 ataques a forças de segurança, 80 rebeliões de prisões e mais de uma centena de cadáveres.

"Não tive conhecimento do que tratava o CD”, disse Vinicius Silva, o funcionário da Câmara. “Me ofereceram grana. A idéia do dinheiro me tentou. Infelizmente, não ganho bem. Fui corrompido". O funcionário terceirizado da Câmara recebe salário mensal de R$ 1.300. A CPI decidiu pedir à Justiça a prisão dos dois advogados que o subornaram. 

 

Era só o que faltava. Nesse ritmo, só há uma solução. Sua Excelência Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, todo-poderoso do crime organizado paulista, precisa mandar instalar bloqueadores de celulares em torno do Congresso Nacional.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para Lula, ‘sociedade’ é responsável pela violência

Ricardo Stuckert/PR
 

Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra que o paulistano considera Lula tão responsável quanto Geraldo Alckmin pelos ataques criminosos que viraram a cidade de ponta-cabeça por quatro. Em viagem ao interior de Goiás, Lula foi instado a comentar o assunto. E tratou de ampliar o rol de responsáveis:

"Todos nós somos responsáveis”, disse o presidente. “Toda a sociedade brasileira tem responsabilidade. Todo o ser humano brasileiro tem responsabilidade. (...) Agora o problema é que o governo federal só pode atuar no Estado se houver o pedido do governador para isso, senão seria intervenção."

Lula criticou o suposto acordo do governo de São Paulo com líderes do PCC. "Foi grave (o que aconteceu em São Paulo) porque mostra o peso do crime organizado”, disse o presidente. “Pelas reportagens que eu vi ontem, parece que havia mancomunação entre policiais e bandidos. Acordos e não-acordos. O que precisa ficar muito claro é que a parte que o governo federal poderia fazer nós oferecemos", afirmou, referindo-se à oferta de mobilizar forças federais (Exército e Força Nacional de Segurança), rejeitada pelo governador Cláudio Lembo.

O presidente voltou a repisar a tecla de que a falta de prioridade à educação está na raiz da criminalidade. "A verdade é que essas pessoas que estão presas, todas elas, a maioria jovens de 20 a 30 anos de idade, a maioria, na década de 80, eram crianças de 4 anos de idade", afirmou Lula. Se lhes tivesse sido permitido estudar, acha Lula, talvez não houvessem enveredado pela trilha do crime.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para atacar Alckmin, Tarso finge que Lembo inexiste

  Sérgio Lima/F.Imagem
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) reagiu nesta quarta-feira às acusações do candidato tucano Geraldo Alckmin de que o governo federal teria responsabilidade pela onda de violência em São Paulo por ter repassado ao governo de São Paulo menos dinheiro do que deveria na área de segurança. Tarso referiu-se a Alckmin como se ele ainda fosse governador de Estado. 

Dando de ombros para Cláudio Lembo (PFL), o vice que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, o ministro disse que Alckmin preferiu negociar com integrantes PCC o fim dos ataques e das rebeliões em presídios que convulsionaram São Paulo a aceitar a ajuda do governo federal.

"Agora, segundo vocês estão informando, o governo Alckmin, o governo paulista, preferiu negociar com criminosos a aceitar a ajuda do governo. Então, não é correto o que ele está fazendo", disse Tarso.

O ministro disse mais, segundo relata Felipe Recondo: "Ele [Alckmin] tem o direito de não aceitá-la [oferta de ajuda do governo federal], mas ninguém tem o direito de transferir responsabilidades e declinar de sua responsabilidade diante do povo de São Paulo, justamente alguém que disse ter dado um choque de gestão".

Para Tarso Genro, "a crise não começou agora, mas com as rebeliões da Febem, e o Estado não deu a devida atenção. Nós temos, neste momento, que despolitizar, tirar o caráter eleitoral dessa questão. Se não, não trataremos com seriedade essa questão. Parece que ele [Alckmin] está querendo exatamente fazer isso".

Escrito por Josias de Souza às 15h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

IBGE: quase 14 milhões de brasileiros passam fome

O IBGE revela: 13,921 milhões de pessoas passaram fome no Brasil em 2004. O dado resulta de um trabalho complementar à Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita dois anos atrás.

Os pesquisadores do IBGE visitaram, em 2004, 52 milhões de residências. Verificaram que, em 6,5% delas moravam pessoas que padeciam de “insegurança alimentar grave”.  Em português claro: passavam fome.

Somando-se os brasileiros famintos àqueles que apenas manifestam o receio de ficar sem alimentos –incluídos na categoria “insegurança alimentar moderada”—, a legião de patrícios que flertavam com a panela vazia em 2004 sobe para 39,5 milhões de pessoas.

 

Leia aqui, em texto da repórter Ivone Portes, mais detalhes sobre a pesquisa. E pressione aqui para ir à página do IBGE com os resultados integrais do estudo sobre segurança alimentar.

 

Se tivesse voz e pudesse prounciar meia dúzia de palavras, o estômago desses 13,921 milhões de brasileiros famintos talvez dissesse algo assim:

 

“Vocês que comem todos os dias não me conhecem direito. Moro onde o olho não me alcança, no ermo das entranhas. Sou ferida exposta que não se vê. Sou espaço baldio entre o esôfago e o duodeno.

 

Trago das origens uma certa vocação para a tragédia. Não deve ser por outra razão que venho do grego: "stómachos". Se pudesse dar entrevista, resumiria assim o oco de minha existência: "É dura a vida de víscera."

 

Às vezes, senhoras e senhores, invejo o coração que, quando sofre, é de amor. Eu, pobre tripa flagelada, jamais tive tempo para sentimentos abstratos. Perdoem-me o pragmatismo estomacal. Mas só tenho apreço pelo concreto: o feijão, o arroz, a carne... Meu projeto de vida sempre foi arranjar comida. 

 

Meu mundo cabe no intervalo entre uma refeição e outra. Meu relógio, caprichoso, só tem tempo para certas horas: a hora do café, a hora do almoço, a hora do jantar... Sem comida, caros amigos, meu relógio ficou louco. Passou a anunciar a chegada de cada novo segundo aos gritos.

 

Nunca tive grandes ambições. Não quero dormir com a Luana Piovani. Não me interessa ganhar a Sena acumulada. Só quero a compaixão de um grão escorregando faringe abaixo. Ardem-me as paredes, bombardeadas por jatos de suco gástrico.

 

Mas já não sofro tanto. Sem alimento desde 2004, encontrei a paz na melancolia da fome. De modo que devo dizer-lhes muito obrigado. Estou na bica de trocar o inferno da privação alimentar pelo paraíso. E sei que Deus não se atreverá a pôr em meu céu senão uma cozinha como a do Palácio da Alvorada, tão farta que me propicie uma fome de rico, dessas que a gente resolve simplesmente abrindo a geladeira.”

Escrito por Josias de Souza às 15h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quércia pende para um acerto com PSDB em SP

  Joel Silva/F.Imagem
Os planos do PT para atrair o PMDB estão prestes a sofrer um revés numa praça que Lula elegera como estratégica: São Paulo. Assediado por uma trinca de petistas –Ricardo Berzoini, Aloizio Mercadante e Tarso Genro—o ex-governador Orestes Quércia informou a um correligionário que pende para um acerto com o PSDB de José Serra.

 

Frustrada a tentativa de lançar o ex-presidente Itamar Franco como candidato do PMDB à presidência da República, Quércia abandonou a idéia de concorrer ao governo de São Paulo. Declara-se agora mais propenso a disputar uma cadeira no Senado. E não crê que o PT vá sacrificar a candidatura de Eduardo Suplicy, hoje o candidato a senador mais bem-posto nas sondagens eleitorais.

 

Disposição inversa foi manifestada por José Serra, que concorre ao Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB. Em conversas com Quércia, Serra e emissários dele ofereceram-lhe a vaga de candidato ao senado e acenaram até com a hipótese de que venha a compor a chapa do PSDB como candidato a vice-governador.

 

Na semana passada, o senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, telefonou para Quércia. Manifestou o desejo de agendar uma conversa para depois da convenção do PMDB ocorrida no último sábado. O partido de Quércia sepultou nesse encontro o projeto da candidatura própria.

 

Depois do diálogo telefônico com Quércia, Mercadante disse a amigos que o acordo com o PMDB em São Paulo está condicionado ao projeto reeleitoral de Lula. E deu indicações de que não toparia patrocinar nenhum acerto que passe pelo sacrifício da candidatura de Suplicy ao Senado. Mesmo com todas as fendas que Suplicy abriu dentro do partido, não faria sentido, disse ele, trocar um petista “histórico” por Quércia.

 

Antes do diálogo telefônico com Mercadante, Quércia reunira-se com Ricardo Berzoini, presidente do PT, e com o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Durante a conversa, falou-se da vaga ao Senado. Mas em nenhum momento ela foi oferecida formalmente a Quércia.

 

Em encontro com representantes do PC do B e do PSB, ocorrido depois da reunião com Quércia, Berzoini listou os candidatos que o PT acha que vai eleger para o Senado em 2006. O nome de Suplicy foi um dos que ele mencionou. “Esse nós vamos eleger, mas não vamos ter”, disse Berzoini.

 

A despeito da ironia embutida na frase, uma referência à ação solitária de Suplicy, por vezes contrária aos interesses do Palácio do Planalto, o presidente do PT também não pareceu disposto a patrocinar a candidatura de Quércia em detrimento da postulação do companheiro problemático.

 

De novo, a situação é inversa no PSDB. Embora esteja à frente de Mercadante nas pesquisas de opinião, Serra diz internamente que não se considera eleito. E acha essencial que o tucanato faça o que for preciso para obter a composição com Quércia. A deputada tucana Zulaiê Cobra, que planejava concorrer ao Senado, talvez tenha que adiar o projeto.

Escrito por Josias de Souza às 02h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quarta

 

 

- JB: CV assalta mais para pagar dívida de R$ 2 milhões ao PCC

 

- Folha: Polícia prende 24 e mata 33 em 12 horas

 

- Estadão: Cidade se acalma; advogada foi a Marcola em avião da PM

 

- Globo: No quinto dia, a vingança - Polícia reage com matança em SP

 

- Correio: O novo golpe dos sanguessugas

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cláudio 'Blindado' Lembo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ninguém fica bem na foto do combate à violência

O Datafolha saiu às ruas de São Paulo nesta terça-feira para saber quem são, na opinião dos paulistanos, os responsáveis pela onda de ataques que paralisou a cidade. Ouviram-se 553 pessoas. Os números mostram que a utilização política do episódio pode não ser um bom negócio. Ninguém ficou bem na foto:

 

Eis os principais resultados, extraídos de texto do repórter Mario César Carvalho (na Folha, para assinantes):

 

- Para 55% dos entrevistados, o Judiciário tem “muita responsabilidade” pelos ataques do PCC;

 

- Os presidenciáveis do PT e do PSDB aparecem praticamente empatados. Acham que Lula tem “muita responsabilidade” pela encrenca 39% dos pesquisados. Geraldo Alckmin aparece com 37%; O índice atribuído ao atual governador, Cláudio Lembo (PFL), foi responsabilizado por 30%;

 

- Para 65% dos entrevistados, o governo paulista negociou com o PCC. Algo que foi reprovado por 42% das pessoas consultadas. Outros 21% acharam que o governo fez muito bem em se entender com os bandidos.

- Na opinião de 73% dos entrevistados, Cláudio Lembo deveria ter aceitado a oferta do governo federal de enviar tropas do Exército para São Paulo. Em resposta a uma pergunta sobre a forma como Lembo administrou a crise, 56% o avaliaram como ruim ou péssimo. Só 12% consideram que seu desempenho foi ótimo ou bom; 26% acharam que ele teve atuação regular.

- Na avaliação de 46% dos paulistanos o governo Lula não está empenhado em resolver o problema da criminalidade nas cidades brasileiras. Só 17% dos paulistanos dizem que Lula está "muito empenhado" em descascar o abacaxi.

- Em pesquisa realizada no ano de 2000, a situação do então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso era ainda pior: 58% achavam que ele não estava empenhado em resolver a questão da violência nas grandes cidades.

- A onda de ataques do PCC manteve praticamente inalterado o percentual dos que defendem a pena de morte: 56%. Em dezembro de 2003, eram 59%. Em 1989, 73%.

- A imagem da Polícia Militar também não se alterou: 56% têm mais medo do que confiança na instituição depois dos ataques do PCC. Em 2003, eram 54%. O recorde desse índice nas pesquisas feitas pelo Datafolha é de 1997, quando 74% dos entrevistados diziam ter mais medo do que confiança na polícia.

- Entre os entrevistados pelo Datafolha, 18% dizem ter mais medo da polícia do que dos bandidos, enquanto 57% afirmam o inverso. Já 18% dos paulistanos dizem ter medo da polícia e dos bandidos na mesma proporção. Só 6% afirmam não ter medo de nenhum dos dois.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em 12 horas, polícia mata 33 suspeitos em SP

Na madrugada de segunda para terça-feira, período em que os confrontos de rua amainaram em São Paulo, mercê da ordem expedida da cadeia por líderes do PCC, a polícia paulista matou 33 suspeitos de envolvimento com os ataques patrocinados pelo crime organizado. A ação é descrita pelo repórter André Caramante (para assinantes da Folha). O texto começa assim:

 

“Na guerra declarada à facção criminosa PCC, a polícia de São Paulo matou 71 pessoas. Apenas entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, em cerca de 12 horas, foram 33 mortes.

 

Apesar de não revelar a identificação dos mortos, a Secretaria da Segurança Pública afirma que todos eles tinham ligação com o grupo criminoso ou estavam relacionados diretamente aos atentados nos últimos dias.

 

Na noite de segunda, quando o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, fez um pronunciamento em que pediu calma à população, o número de pessoas mortas sob a acusação de participação em ataques às forças de segurança era de 38. De segunda para terça, em pouco mais de 12 horas, houve um aumento de 87% nas mortes cometidas pelas polícias em todo o Estado de São Paulo.

 

Ainda segundo o governo, até segunda-feira 91 pessoas haviam sido presas por suspeita de ligação com a onda de violência; ontem, esse número era de 115. Isso significa que as polícias, em apenas 12 horas, realizaram 21% do total de prisões efetuadas em todos os dias anteriores de violência (sexta, sábado, domingo e segunda), enquanto as mortes subiram 87%.

 

Segundo a contabilidade oficial, os mortos já chegam a 115 (71 acusados de ligação com a facção, 23 PMs, seis policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro cidadãos). Em rebeliões, houve 17 mortos, o que totaliza 132.

 

Desde domingo, a Folha pede à Segurança Pública a lista completa com os nomes e a ficha criminal das pessoas que, segundo o próprio órgão, tinham participação nos ataques e foram mortas pela polícia. Até a conclusão desta edição, a resposta foi a mesma: "Estamos consolidando os dados, que serão divulgados em breve".

 

Ontem, a reportagem pediu um pronunciamento do secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, sobre a letalidade policial. Segundo seus assessores, ele não falaria sobre o aumento de mortos pelas polícias "para evitar o uso político de uma fala dele".

Até agora, passadas mais de 24 horas após o PCC ter determinado, de dentro de prisões de segurança máxima e com o uso do telefone celular, o fim da afronta ao Estado, a Segurança Pública não responde também às seguintes questões: o local exato de cada uma das 71 mortes nos "confrontos", como elas ocorreram, se os feridos pela polícia foram encaminhados a hospitais ou se os corpos ficaram nos locais dos embates para a realização de perícia, quantas armas de policiais e de acusados foram apreendidas para exame de balística e a ficha de antecedentes criminais dos mortos. (...)”

Escrito por Josias de Souza às 01h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cessar-fogo em SP veio após reunião com bandido

O cessar-fogo decretado pelo crime organizado na guerra que travava desde sexta-feira com a polícia de São Paulo foi precedido de um inusitado encontro. Representantes do Estado reuniram-se com o manda-chuva do PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. Deu-se nas dependências do presídio de “segurança máxima” de Presidente Bernardes.

Em entrevista concedida nesta terça-feira, o secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, reconheceu a existência do encontro. Relatou-o até certo ponto. O ponto de interrogação. Disse o seguinte, conforme relato da repórter Gabriela Manzini:

 

1. Iracema Vasciaveo, advogada e ex-delegada, entrou em contato com a polícia. Disse que poderia obter o fim da conflagração que subverteu a ordem de São Paulo se pudesse atestar a integridade física do bandido Marcola e se obtivesse a garantia de que não haveria revanche contra presos do PCC;

 

2. Marcola era o rosto escondido atrás da anarquia que tomara as ruas de São Paulo, espalhando pânico por meio de 251 ataques, dos quais resultaram mais de uma centena de cadáveres. No último domingo, a advogada Iracema foi embarcada num avião da PM;

 

3. A aeronave oficial voou de São Paulo para Presidente Bernardes. Junto com a porta-voz da bandidagem, viajaram ninguém menos que o comandante da PM, Ailton Araújo Brandão; um representante da Secretaria de Administração Penitenciária, o corregedor Antônio Ruiz Lopes; e o vice-diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos, delegado José Luiz Cavalcante;

 

4. Chegando ao presídio de Presidente Bernardes, foram à presença de Sua Excelência Marcola, o delinqüente. Conversaram com a autoridade do crime por cerca de duas horas. Não se sabe ao certo sobre o que falaram. Daí o ponto de interrogação que ficou boiando na atmosfera espessa que envolveu a entrevista do secretário Furukawa;

 

5. De concreto, tem-se que, menos de 24 horas depois dessa reunião, estabeleceu-se um armistício na guerra que infelicitava São Paulo desde a sexta-feira anterior. “Não houve acordo”, disse Furukawa, repetindo uma jura pronunciada por todas as autoridades que se dispuseram a tratar do tema em público, a começar do governador Cláudio Lembo;

 

6. Transferido para Presidente Bernardes no sábado, o bandido Marcola encontrava-se submetido ao RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Estava proibido de receber visitas por pelo menos dez dias. Não podia falar nem mesmo com seus advogados. O secretário Furukawa disse que o governo abriu uma exceção por conta da “situação especial” que se verificava no Estado.

 

7. A interrupção da onda de violência foi ordenada por asseclas de Marcola, pelo celular, de dentro de um presídio paulista. A exemplo das autoridades governamentais, também a advogada Irene, guindada à condição de voz informal do PCC, disse que não houve propriamente um acordo. Define o encontro com Marcola à sua maneira: “Entendo que isto foi uma demonstração de boa vontade [do governo]".

Como se vê, na relação com o PCC, a facção mais bem-estruturada do crime organizado pátrio, o governo paulista fez papel de marionete. Os criminosos, porém, não perdem por esperar. Ganham. Assim como terminou, a balbúrdia pode recomeçar a qualquer momento. Basta que o governo paralelo do PCC baixe um novo decreto.

Escrito por Josias de Souza às 23h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vice de Lula será Alencar ou Ciro

O processo de escolha do companheiro de chapa de Lula nas eleições de 2006 afunilou-se em dois nomes: o do atual vice-presidente José Alencar (PRB-MG) e o do ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador nacional da campanha reeleitoral de Lula, disse a Ricardo Amaral que a definição sai por volta de 10 de junho.

 

Lula e o PT desistem, assim, do projeto de alçar um político do PMDB à condição de candidato a vice. "Alencar e Ciro são dois grandes nomes, conhecidos nacionalmente, de reconhecida experiência política e leais aliados", disse Berzoini. "Vamos nos definir por um deles levando em conta as necessidades da coligação e a densidade eleitoral de cada um", acrescentou.

Escrito por Josias de Souza às 18h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Troca de tiros em São Paulo 'acorda' o Congresso

O Congresso Nacional, lento como ele só, guarda em suas gavetas um sem-número de projetos relacionados à área de segurança pública. Nesta terça-feira, os parlamentares decidiram se mexer. E passaram a fazê-lo com incontido frenesi. Sambam ao som da troca de tiros que ainda ressoa nos ouvidos dos cidadãos de São Paulo.

 

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado constituiu uma subcomissão, para vasculhar as gavetas legislativas da Casa. Em exíguas 48 horas, o grupo vai apresentar um pacote de medidas emergenciais de combate à criminalidade. Foram incumbidos de produzir o milagre os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM), Aloizio Mercadante (PT-SP) e Pedro Simon (PMDB-RS), sob a coordenação de Demóstenes Torres (PFL-GO).

 

Ao saber da novidade, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) reagiu com um pé atrás. Disse que iniciativas do gênero, surgidas no calor de pressões conjunturais, podem resultar em malogro. Na opinião do ministro, esse tipo de “legislação do pânico” traz “o risco da desarmonização do sistema penal”, com a conseqüente “perda da lógica interna”.

 

É, faz sentido. Nesse ritmo, o Congresso não irá senão protagonizar mais um daqueles sambas do crioulo doido. Ou, para ser politicamente correto, samba do afro-descendente privado momentaneamente de sua sanidade mental.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin defende 'mutirão contra criminalidade'

  Sérgio Lima/F.Imagem
O candidato tucano Geraldo Alckmin, finalmente, deu as caras. Encontra-se em Brasília. Inquirido há pouco sobre a onda de violência que conturbou São Paulo por quatro dias, ele disse que não deseja “politizar essa questão”. Propôs a organização de um “mutirão contra a criminalidade”. Um movimento que, segundo disse, tem que ser “suprapartidário”.

 

Insistiu-se para que Alckmin fizesse uma avaliação sobre a sua própria gestão à frente do governo de São Paulo. Ele disse que o Estado sempre esteve às voltas com o “crime organizado”. Evitou assumir responsabilidade pelo problema. Afirmou que enfrentou “com firmeza”, duas crises semelhantes à atual, em 2001 e 2003. Não fez reparos à atuação do governador Cláudio Lembo (PFL) no enfrentamento do PCC (Primeiro Comando da Capital).

 

Alckmin também disse que o que aconteceu em São Paulo não tem “nada a ver” com a sua campanha eleitoral. Nada a ver? Então, tá! Aguarde-se pelas próximas pesquisas de opinião. Logo saberemos que avaliação faz o eleitor a respeito da forma “dura” como o tucanato lidou com o crime organizado nos 12 anos (Mario Covas + Alckmin) em que esteve no comando de São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PCC devolve São Paulo aos paulistas

Os ataques da criminalidade às forças de segurança de São Paulo cessaram do mesmo modo que haviam começado: de uma hora para outra. Brigando contra as evidências, o delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, nega que o Estado tenha negociado com a bandidagem do PCC.

 

A contabilidade dos quatro dias violência não deixa margem a dúvidas: São Paulo viveu uma guerra. Morreram 128 brasileiros, entre bandidos, policiais e civis. Eis os números da encrenca:

 

- Ataques: 251 ataques (80 a ônibus);

- Suspeitos mortos: 71, (19 na madrugada desta terça);

- PMs mortos: 23;

- Policiais civis mortos: 6;

- Guardas municipais mortos: 3;

- Agentes penitenciários mortos: 8;

- Civis mortos: 4;

- Presos assassinados em rebeliões: 13;

- Feridos: 22 PMs, 6 policiais civis, 8 guardas municipais, 1 agente

penitenciário, 16 civis;

- Suspeitos presos: 115;

- Armas apreendidas: 113.

 

São Paulo retomou a normalidade. Aparentemente porque a criminalidade quis estabelecer uma trégua. Os responsáveis pela Segurança Pública proclamam que a ação do Estado foi ótima. Significa dizer que, na hipótese de reinício da guerra, o desfecho será terrível. Os bandidos não perdem por esperar. Ganham.

Escrito por Josias de Souza às 16h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula só sai da toca em 23 de junho

Lula deve manter o jogo de esconde-esconde por mais de um mês. O PT marcou só para 23 de junho a convenção nacional que vai oficializar o nome do seu candidato à presidência. Até lá, Lula pode continuar fingindo que ainda não decidiu se vai ou não concorrer à reeleição, camuflando-se ora de presidente ora de candidato em "dúvida". Na mesma convenção, o PT aprovará o nome do vice na chapa de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 14h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta terça

 

- JB: Desgoverno - Crime organizado mostra quem manda em São Paulo e paralisa a maior cidade do país.

 

- Folha: Medo de ataques pára São Paulo

 

- Estadão: PCC suspende rebeliões, mas pânico e boatos paralisam SP

 

- Globo: No quarto dia - Crime e medo param São Paulo

 

- Correio: Medo de atentados pára a maior cidade do Brasil

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Caos ordenado!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cessam rebeliões e ataques; cheiro de acordo no ar

O texto abaixo reproduz os principais trechos de reportagem publicada na Folha desta terça-feira (para assinantes). Foi escrito por Gilmar Penteado, André Caramante e Cristiano Machado:

 

“A cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) deu ordem ontem para cessar os atentados e rebeliões em São Paulo, após dois dias de negociações com representantes do governo do Estado.

 

A Folha apurou que, por telefone celular, líderes da facção criminosa determinaram a presos e membros do PCC do lado de fora das cadeias que interrompessem a onda de violência. A trégua foi mais rápida nas cadeias.

 

No começo da noite, não havia mais nenhuma rebelião em andamento no Estado. O dia começou com 55 presídios amotinados -foram 82 unidades rebeladas (73 presídios e nove cadeias públicas) desde o início das ações. A maior parte das rebeliões terminou quase simultaneamente, a partir das 16h.

 

Segundo o que a Folha apurou, o preso Orlando Mota Júnior, 34, o Macarrão, foi um dos principais interlocutores do governo. Ele e outros líderes do PCC deram a ordem de cessar os atentados.

 

Nas conversas com representantes da Secretaria da Administração Penitenciária, a facção condicionou o fim dos ataques a benefícios a presos transferidos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km de SP) e à não entrada da Tropa de Choque da PM nos presídios rebelados. Na quinta-feira, 765 detentos -todos membros do PCC- foram levados para a penitenciária.

 

Na pauta estava o banho de sol. Os presos estão trancafiados, por medida de segurança, desde a transferência. O PCC pediu que os presos levados a Presidente Venceslau não sejam submetidos ao regime de observação. (...)

 

Houve outras reivindicações, mais ousadas. Entre elas, segundo agentes penitenciários, está o pedido de visita íntima e de televisores no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). O sistema mais rígido proíbe esses dois benefícios.

 

Marcola e outros quatro líderes da facção foram levados provisoriamente para o RDD em Presidente Bernardes (589 km de SP) no sábado. Segundo agentes penitenciários, homens da SAP estiveram no domingo em Presidente Bernardes para conversar com o líder máximo do PCC.

O governo nega a negociação com a organização. 'Não se negocia com bandido', afirmou ontem o diretor do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), Godofredo Bittencourt. Mas ele afirma que o plano de isolar os líderes do PCC em Presidente Venceslau surgiu quando os presos passaram a fazer pedidos fora da lei.

 

'Eles [os líderes do PCC] fizeram reivindicações junto à Secretaria da Administração Penitenciária que não eram permitidas. Chegou a um ponto que o secretário [Nagashi Furukawa] achou que eles estavam pedindo aquilo que não se poderia permitir e poderia acontecer alguma coisa', afirmou o diretor do Deic." (...)

Escrito por Josias de Souza às 02h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A locomotiva parou!

A locomotiva parou!

Pânico provocado pelos ataques do PCC deixa Avenida Paulista deserta, às 20h 

 

À sua maneira, São Paulo sempre foi uma cidade feliz. Tinha consciência de que sua felicidade era um sentimento escorado no vocábulo “não”. Mas era feliz.

 

São Paulo sorria quando não dava de cara com o trânsito congestionado da Avenida Paulista, quando não morria afogada numa enchente do Anhangabaú, quando não lhe encostavam um revólver na nuca, quando não...

 

São Paulo não era uma cidade. Transformara-se em entidade. Soturna, não vestia mais cor-de-rosa. Elegera o cinza como cor preferida. Rendida às contingências, não amava o belo, mas feio e o caótico, que sempre corresponderam à afeição.

 

Contraditória, morava na fartura, mas não se horrorizava diante da janela com vista para a miséria. Conformada, passeava de Mercedes, vidro fechado, metida em roupas chiques, mas não se constrangia com a mão estendida do menino miserável no sinal de trânsito, símbolo do fracasso do capitalismo à brasileira.

 

Orgulhosa da condição de locomotiva nacional, São Paulo não dormia. Súbito, decidiu recolher-se no meio da noite. Parece ter caído em si. Deu-se conta de que, de tanto praticar roleta-russa, estourou os próprios miolos.

 

São Paulo já não reage. Rendida à sua própria imprudência, foi dormir mais cedo nesta segunda-feira. O trânsito da Paulista não estava bloqueado, como de hábito. Mas não havia quem se atrevesse à travessia. São Paulo não resistiu ao crime que o seu caos organizou.

Escrito por Josias de Souza às 01h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

PT espera crise esfriar para atacar PSDB e Alckmin

   El Roto/El Pais
A inédita onda de ataques criminosos contra as forças de segurança de São Paulo será uma das principais armas eleitorais do PT contra o PSDB e o candidato tucano Geraldo Alckmin. A cúpula do petismo decidiu adiar os ataques mais incisivos para depois do esfriamento da crise. Mas, desde logo, a segurança pública já foi alçada à condição de tema obrigatório da campanha de 2006.

 

Em conversa com o signatário do blog, o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) deu o tom: “O governo do presidente Lula age com acerto ao colocar as forças federais à disposição do governo de São Paulo. Todos precisamos ajudar a debelar a crise. Mas a discussão do tema durante a campanha, até pelas proporções que a crise assumiu, tornou-se inevitável”.

 

Sob a condição do anonimato, um ministro petista complementou o raciocínio do líder Chinaglia: “A hora é de prestar irrestrita solidariedade ao governo de paulista. É nosso dever institucional. Mas pareceríamos lunáticos se, diante de tudo o que está ocorrendo, não discutíssemos a segurança pública de São Paulo na campanha presidencial e na eleição para o governo do Estado. O assunto não será imposto pelo PT. Será uma exigência da sociedade”.

 

Nesta segunda-feira, em reunião com Lula, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse que “exploração eleitoral” da crise paulista seria um “erro”. O presidente pôs-se inteiramente de acordo. Acha que sua obrigação, no momento, é mostrar-se solidário com governo de São Paulo, colocando à disposição do Estado o aparato repressivo do governo federal.

 

Porém, em diálogo telefônico com um senador petista, Lula também concordou com a tese de que será inevitável o debate da segurança pública para fustigar Alckmin ao longo da campanha. Avalia que a desenvoltura do PCC (Primeiro Comando da Capital) pôs em xeque o discurso do adversário de que arrumou São Paulo. Somando-se as gestões de Mario Covas e de Alckmin, o tucanato governou o maior Estado da federação por 12 anos.

 

Uma decisão tomada por Lula antes do desabrochar da onda de violência em São Paulo terminou beneficiando o PT. Ao sancionar a nova lei eleitoral aprovada pelo Congresso, o presidente vetou o artigo que proibia a exibição de cenas externas nos programas eleitorais de TV. Facultou, assim, a reprodução de depoimentos prestados por petistas nas CPIs do Congresso. Mas também abriu brecha para a exibição das cenas de barbárie produzidas na São Paulo das últimas 72 horas.

 

O comando de campanha do PSDB fará, até o final da semana, uma reunião para avaliar os efeitos da crise da segurança sobre a candidatura de Alckmin. Um tucano ouvido pelo blog disse vai sugerir a realização de uma pesquisa de opinião para medir os humores do eleitorado paulista. Receia que os efeitos sejam “devastadores”. A onda de violência, disse ele, veio em péssima hora. Um momento em que a vantagem de Alckmin sobre Lula em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, vem sendo encurtada.

 

Para tentar reduzir o prejuízo, o PSDB ensaia uma resposta aos previsíveis ataques do PT. O grão-tucanato faz um levantamento do repasse de verbas do governo federal para os Estados. Pretende demonstrar que, sob Lula, houve redução drástica redução das transferência do Fundo Nacional de Segurança Pública. Enfatizará, de resto, o argumento de que o governo federal não consegue deter nas fronteiras a entrada do armamento que municia o crime organizado.

Escrito por Josias de Souza às 00h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bastos se reúne com Lembo para oferecer ajuda

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

A pedido do presidente da República, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) voou para São Paulo. Marcou uma reunião para o início da noite desta sexta-feira com o governador paulista Cláudio Lembo.

 

Pela manhã, em telefonema ao governador, Lula reiterou uma oferta que fora feita por Thomaz Bastos na tarde de sábado. Pôs à disposição o Exército e a Força Nacional de Segurança, informa o repórter Felipe Recondo (clique).

 

Antes de viajar para São Paulo, Bastos concedeu uma entrevista no Palácio do Planalto. Ele acabara de se reunir com Lula. Disse que os 4.000 mil homens da Força Nacional estão de prontidão. Quanto às tropas militares, declarou: "Do Exército, podemos enviar aquilo [quantidade] que for necessário."

A ajuda federal está condicionada a um pedido formal de Lembo. Porém, o governo paulista julga que tem a situação sob controle. O único auxílio que aceitou até agora foi a troca de informações com o setor de inteligência da Polícia Federal.

 

medida voltou a ser cogitada no encontro de hoje entre Bastos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ajuda, entretanto, está condicionada a um pedido formal de envio de tropas federais por parte do Estado de São Paulo.

"Nós respeitamos o princípio federativo”, disse Thomaz Bastos. “Não se trata de intervenção. Temos plena confiança que o governo de São Paulo vai controlar isso. O governo federal quer ajudar, vai ajudar e levará essa ajuda até o último limite."

 

Lula também falou sobre a crise de segurança em São Paulo. Disse que o problema não será resolvido com soluções mirabolantes. E rechaçou a hipótese de exploração eleitoral do episódio: "Não acho que haja um mesquinho nesse país que queira tratar uma questão como essa como eleitoral. Até porque há muitas vítimas. Nessa hora é preciso que a gente feche os olhos para a baixeza e pense na solidariedade de toda a sociedade."

 

PS.: Após a publicação deste despacho, o ministro da Justiça teve, como previsto, o encontro com o governador de São Paulo. Cláudio Lembo voltou a recusar o auxílio do Exército e da Força Nacional de Segurança (leia). Recomenda-se ao governador que, antes de dormir, reze bastante na noite desta segunda para que São Paulo não tenha a sua quarta madrugada de violência. Do contrário... 

Escrito por Josias de Souza às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contabilidade da violência em SP já soma 81 mortos

André Porto/Folha Imagem
 

 

De acordo com o balanço atualizado da crise de segurança em São Paulo, a onda violência sem precedentes iniciada na última sexta-feira já contabiliza 180 ataques de criminosos. Resultaram, por ora, em 81 mortos. Entre eles 22 policiais militares, seis policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro civis.

 

Morreram também, em confrontos com a polícia, 38 suspeitos de ataques. Considerando-se o número de presos executados em presídios sublevados, 13 ao todo, sobe para 94 o número de mortos. Esse dado, porém, ainda não foi confirmado oficialmente.

 

A onda de violência produziu também 49 feridos –19 PMs, seis policiais civis, oito guardas municipais, um agente penitenciário e 15 civis. Até o momento, a polícia paulista prendeu 91 suspeitos.

Continuam rebeladas 29 unidades prisionais. No total, ainda são mantidas como reféns 120 pessoas. Em Jaboticabal, os prisioneiros insurretos atearam fogo ao corpo do delegado Adelson Taroco, 39. Ele está internado em estado grave.

Pelo menos 68 ônibus foram incinerados. Instalou-se uma atmosfera de medo entre os empresários do setor de transportes urbanos. Pelo menos dez empresas retiveram os seus ônibus na garagem nesta segunda-feira.

Deixaram de comparecer às aulas 30% dos alunos da rede pública de ensino. Duas escolas particulares tradicionais da reugião central da capital paulista –Rio Branco e o Sion—reforçaram a segurança em seus quarteirões. Parte do comércio fechou as portas. Até o Judiciário paulista decidiu encurtar o expediente nesta segunda.

 

A despeito das evidências em contrário, o governador Cláudio Lembo diz que a situação está "sob controle". Pressione sobre a foto que ilustra este despacho para ver uma galeria de fotos da onda de violência.

Escrito por Josias de Souza às 16h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Intelectual do crime’ comanda a desordem em SP

  Reuters
Era fevereiro de 2002. A Penitenciária Augustino de Oliveira Jr., no município mineiro de Unaí, jamais recebera um prisioneiro tão recomendado. Viera de Brasília, distante 230 quilômetros, com a advertência de que deveria ser trancafiado numa solitária.

 

Além de um sobrenome inusual, o preso Marcos Willians Herbas Camacho (na foto) carregava uma bagagem atípica. Algumas peças, listadas num relatório policial, chamaram a atenção de autoridades judiciárias que se envolveram na operação de transferência do prisioneiro. Eram livros.

 

Os títulos indicavam um gosto editorial tão eclético quanto refinado: ‘Estação Carandiru’, do médico brasileiro Drauzio Varella; ‘Cai o Pano’, da romancista britânica Agatha Christie; e ‘A Arte da Guerra’, do filósofo chinês Sun Tzu.

O preso não esquentaria lugar em Unaí. Seria logo devolvido ao sistema carcerário de São Paulo, sua origem. Ali, Willian Herbas Camacho era conhecido não pelo nome, mas pelo apelido: Marcola, um expoente de uma das organizações criminosas mais bem-estruturas do país: o PCC (Primeiro Comando da Capital).

No final daquele mesmo ano de 2002, Marcola assumiria o comando do PCC. Ele prevaleceu sobre dois outros líderes da organização: José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Roriz, o Cesinha.

Decorridos quatro anos, Marcola é o rosto escondido por trás da onda de violência que vira São Paulo de ponta-cabeça. Ele desafia as forças de segurança do Estado há 72 horas. Nesta segunda-feira, foi citado em reunião na sala do presidente Lula. Roda o mundo desde sexta-feira como personagem do noticiário de jornais e da TV.

Em contatos com dois promotores de Justiça e um delegado de São Paulo e com um juiz de Brasília, o blog descobriu detalhes da biografia de Marcola. Um dos promotores o definiu como “intelectual do crime”. Outro disse que se trata de uma pessoa “prepotente e inteligentíssima”.

Marcola fez carreira no crime. Em menino, batia carteiras e roubava toca-fitas de automóveis no centro de São Paulo. Virou freguês da Febem. Migrou para o assalto a mão armada e o roubo a bancos. E tornou-se hóspede do sistema carcerário paulista. Acumula penas que somam mais de 40 anos de reclusão.

 

Comanda o PCC desde a jaula, seu habitat durante mais da metade dos seus 38 anos de idade. Comunica-se com a rua por meio de celulares. No início do ano, foi fotografado por um companheiro de cela manuseando um telefone (veja foto ao lado e leia reportagem aqui). Serve-se também de uma rede de pombos-correios que inclui mulheres de presos, advogados e policiais corruptos.

 

Marcola casou-se com a advogada Ana Maria Olivatto. Em 2002, ela foi assassinada com dois tiros na nuca. O crime foi supostamente encomendado por Aurinete Félix da Silva, mulher de César Roriz, o Cesinha, um dos que disputaram com Marcola o comando do PCC. O assassino de Ana Maria, conhecido como Ceará, “subiu” por ordem de Marcola. No linguajar do PCC, fazer uma pessoa “subir” significa matá-la.

 

O ‘intelectual do crime’ tem o primeiro grau completo. Concluiu a 8ª série na cadeia. Gaba-se de ter lido dezenas de livros. É educado com os companheiros, implacável com os adversários e arrogante com autoridades públicas.

 

Transferido no último sábado para o presídio de Presidente Bernardes (SP), Marcola disse, ao chegar: “Aqui eu não fico”. Sobre a onda de desordem iniciada na véspera, afirmou: "Só há uma solução para isso acabar: Deixem a gente em paz". As frases foram reproduzidas por um agente pebnitenciário ao repórter Cristiano Machado (aqui, para assinantes da Folha).

Escrito por Josias de Souza às 14h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

'Tudo sob controle'

  Fernando Donasci/Folha Imagem
Segundo o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, a situação da segurança pública no Estado encontra-se “sob controle”. Que alguém está controlando, não há dúvida. E não parece ser o governo paulista.

 

Na terceira madrugada desde o início da onda de violência, foram incendiados pelo menos 61 ônibus. Atacaram-se, de resto, dez agências bancárias. Embora as informações ainda sejam desencontradas, estima-se que o número de mortos já tenha ultrapassado a casa dos 70.

Escrito por Josias de Souza às 08h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta segunda

 

- Folha: “PCC faz mais de 150 atentados e provoca 80 motins; 74 morrem”

- Estado: “PCC ataca alvos civis e queima 34 ônibus na Capital. Guerra faz 77 mortos”

- Globo: “Mortos já são 72 e presos se rebelam em mais dois estados”

- Correio:“PCC espalha o terror em São Paulo”  

Escrito por Josias de Souza às 06h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tempo fechado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula convoca reunião sobre onda de ataques em SP

  André Porto/Folha Imagem
De volta de Viena (Áustria), Lula convocou uma reunião do conselho de coordenação do governo para discutir a onda de ataques do crime organizado contra as forças de segurança do Estado de São Paulo. Quer que Brasília faça tudo o que estiver ao seu alcance para auxiliar o governo paulista. Deu ordens para que o assunto seja tratado "sem politização".

"Vamos ajudar de todas as formas", disse ao blog o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Ele viaja na noite deste domingo para Brasília. Na reunião do Planalto, fará uma exposição sobre a crise da segurança pública paulista ao presidente e aos colegas que integram o conselho de coordenação do governo.

A idéia de Lula é colocar todo o aparato repressivo federal à disposição do governo paulista. São cerca de 3.000 soldados da Força Pública do Exército e 4.000 mil homens da Força Nacional de Segurança, um grupamento civil integrado por policiais de vários Estados. É preciso que haja, porém, uma solicitação do governador paulista, Cláudio Lembo (PFL). Que, por ora, nada pediu.

 

Pelo telefone, Thomaz Bastos informou a Lula sobre o contato que fez, no início da tarde de sábado, com o governador Lembo (PFL). Ofereceu-lhe a ajuda da Polícia Federal. Disse que a direção da PF entraria em contato com a Secretaria de Segurança paulista.

 

Lembo, que foi colega de turma de Bastos, disse que a situação estava “sob controle”. Mas não se mostrou refratário à ajuda. Mas, por ora, o auxílio não passou da troca de informações. Neste domingo, o setor de inteligência da PF já compartilhava informações com a polícia de São Paulo.

 

O governo federal imagina poder auxiliar também de outra modo. Até o final de junho, ficarão prontos para entrar em operação dois dos cinco novos presídios que integrarão um sistema penitenciário federal, cada um com capacidade para receber até 200 prisioneiros. Estão assentados na cidade de Catanduvas (Paraná) e Campo Grande (Mato Grosso do Sul), justamente nos dois Estados que registraram neste domingo rebeliões relacionadas à onde de violência de São Paulo.

 

A idéia do governo é transferir para os dois novos presídios lideranças das principais facções criminosas em ação no país, retirando-os da área de influência das respectivas quadrilhas. Entre os criminosos que podem ser transferidos estão Marcos Willian Herba Camacho, o Marcola, do PCC (Primeiro Comando da Capital) e Fernandinho Beira Mar, do CV (Comando Vermelho).

 

Neste domingo, os criminosos diversificaram os ataques em São Paulo. Vinham promovendo rebeliões em presídios, alvejando instalações da polícia e eliminando policiais e até bombeiros. Passaram agora a incendiar ônibus. Queimaram pelo menos dez veículos. Atearam fogo também a um banco e metralharam um prédio comercial.

 

A polícia paulista pôs sob investigação 10 mil criminosos que receberam autorização judicial para visitar suas famílias no final de semana. O número de mortos já chega a 60. Nem no Iraque (40 mortos) o final de semana produziu tantos cadáveres.

 

Enquanto a polícia e o Corpo de Bombeiros, sob "toque de silêncio", choravam os seus mortos, Ancelmo Neves Maia, advogado do PCC, amigo do bandido Marcola, líder da agremiação criminosa, dizia que a repressão policial não conseguirá deter a onda de violência. Haja desfaçatez!

Escrito por Josias de Souza às 20h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O triunfo do caos

 

O caldeirão de São Paulo continua fervendo neste deste domingo. Iniciada na última sexta-feira, a maior onda criminosa contra as forças de segurança já ocorrida no Estado produziu, por ora, a impressionante marca de 52 mortos e 50 feridos. Há presos sublevados em 57 casas de detenção. Mantêm 27 pelo menos reféns. Os números demonstram que São Paulo tornou-se o lugar ideal para recomeçar um Brasil inteiramente novo. Caos não falta. Mercê da desordem, o país virou notícia no mundo sem precisar nem do Carnaval nem do futebol.

Escrito por Josias de Souza às 09h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Até aqui, tudo bem!

A candidatura de Geraldo ‘Picolé de Chuchumbo’ Alckmin funciona como o salto de um edifício de 20 andares. Embora em queda, o tucano ainda não se estatelou no chão. O que leva o tucanato a respirar aliviado: “Até aqui, tudo bem”. Leia abaixo a seqüência de notas publicadas no Painel da Folha (para assinantes):

 

Volta de vantagem
Resultado de pesquisa Ibope encomendada pela Vale do Rio Doce, feita nos Estados de SP, MG, BA e MA: Lula, 44%; Alckmin, 19%; Garotinho, 10%.

Casa do adversário 1
Outra pesquisa recém-concluída indica que Lula continua a crescer no interior de SP, fortaleza do PSDB em anos recentes.

Casa do adversário 2
Também fora de São Paulo o presidente colhe boas notícias. Em Goiás, onde o governo do tucano Marconi Perillo terminou com elevada aprovação e Geraldo Alckmin já esteve na frente, agora é Lula quem lidera.

Escrito por Josias de Souza às 08h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste domingo

 

- JB: Jovens trocam aula por bingo

 

- Globo: Bandidos matam 30 em ataques à polícia de SP

 

- Estadão: Guerra do PCC espalha terror e deixa 32 mortos


- Folha: Ataques do PCC deixam 30 mortos


- Correio: 10 deputados gastam R$ 13mi em ambulâncias

Escrito por Josias de Souza às 08h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dantas nega Veja, mas confirma a$$édio de Delúbio

O banqueiro Daniel “encrenca” Dantas falou à repórter Janaina Leite (aqui, para assinantes da Folha). Negou possuir documentos sobre contas bancárias de petistas no exterior. Mas confirmou que Delúbio Soares, ex-gerente das arcas petistas, pediu US$ 50 milhões ao seu Opportunity. Não levou. E o grupo, diz Dantas, foi “discriminado” pelo governo. Eis os principais trechos da entrevista:

- O sr. contratou detetives para descobrir contas de integrantes do governo lá fora? Não, nem soube da existência de qualquer tipo de investigação desse tipo. Tive conhecimento posterior (...).

- O que exatamente informaram ao sr.? Disseram-me que havia o número das contas no exterior de pessoas ligadas ao governo, inclusive do presidente Lula. Mas não vou falar quem me disse, pois não dei a menor credibilidade.

- Obteve documentos sobre essas contas? Não, nem passei esse material à revista "Veja" (...). Na verdade não tenho a menor idéia se existem essas contas ou não. "Veja" mente quando diz que tinha um compromisso comigo para preservar meu nome como fonte, caso essas contas fossem verdadeiras. Isso nunca existiu. (...)

- Quem foi o petista que procurou representantes do Opportunity para pedir dinheiro? O PT abordou Carlos Rodenburg dizendo que eles tinham dificuldades. Na época, pelo que me lembro, Carlos me reportou que Delúbio Soares teria dito a ele que o partido era uma coisa separada do governo. Que, na verdade, existia uma necessidade financeira do partido, de uns US$ 50 milhões, decorrente de despesas e coisas que o valham, e que isso não tinha nada a ver com o governo. Ele entendeu -não sei se o sr. Delúbio Soares disse ou não- que era possível que nós pudéssemos "ser úteis" a essas dificuldades, que eles poderiam tentar diminuir as hostilidades que vínhamos sofrendo do governo.

- Se pagasse ao PT, o Opportunity deixaria de ter dificuldades junto ao governo? Esse resumo que você está fazendo, e que a "Veja" tentou fazer, não aconteceu. Ele [Delúbio] nunca disse que, se nós pudéssemos (...) ajudar nas dificuldades [do PT], que de forma automática cessariam as hostilidades. (...)

- Foi extorquido pelo PT ou representantes do governo? Não.

- Mas isso não contradiz sua defesa no processo em Nova York? A linguagem da Corte tem de ser uma linguagem mais forte, mais firme.

- Perdoe-me, mas ou o sr. foi extorquido ou não foi? (...) O que aconteceu é que foi "sugerida" a contribuição e o pagamento não foi feito, exatamente como está nos documentos. Tínhamos contratos que foram descumpridos, colocaram pressão contra nós e fomos discriminados. Fato é que fomos prejudicados.

- Nas CPIs, em 2005, o sr. negou a extorsão. Voltaria a negar agora com a mesma veemência? Não, porque agora tenho novos elementos.

- Quais? Estou proibido de falar, por conta do processo em Nova York. Há cerca de 1 milhão de documentos por lá. Eles só podem ser usados para o processo, estão sob sigilo. Eu gostaria muito que eles se tornassem públicos.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gás no paralelo!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula: PMDB será ‘parceiro número um’ do 2º mandato

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Lula decidiu oferecer ao PMDB a condição de “parceiro número um” de seu governo caso seja reeleito. O PMDB merecerá a distinção mesmo que não formalize com o PT uma aliança no primeiro turno das eleições. Nas palavras de Lula, o PMDB será, num eventual segundo mandato, “a legenda mais importante depois do PT”.

 

O presidente reconhece, em privado, que um dos principais erros que cometeu no início de seu governo, em 2003, foi o de ter menosprezado o PMDB, privilegiando a composição de uma base congressual pulverizada. Viu-se às voltas com legendas de menor porte –PTB, PL e PP—, que, de concessão em concessão, mergulharam o governo no escândalo do mensalão.

 

Lula arrepende-se também de ter prestigiado lideranças individuais –José Sarney e Renan Calheiros, por exemplo—no instante em que decidiu, “com atraso”, incorporar à Esplanada dos Ministérios representantes do PMDB. Num eventual segundo período à frente do Planalto, quer trocar a cooptação individual pela negociação coletiva.

 

Sonha em implantar um “governo de coalizão”, fundado em “princípios programáticos”. Quer que os acordos tenham uma formatação “institucional”, privilegiando a negociação com a direção partidária em detrimento dos acertos com caciques regionais.

 

O presidente se diz disposto a abrir o seu programa de governo para que o PMDB injete nele objetivos partidários. Não exclui da discussão nem mesmo da estratégica área econômica. Em contrapartida, deseja que o PMDB se incorpore ao governo de “corpo inteiro”, responsabilizando-se pelas áreas específicas que vier a administrar.

 

O “novo” modelo foi exposto pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (PT). E será detalhado, nos próximos dias, em novo encontro, dessa vez com o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador nacional da candidatura não-declarada de Lula à reeleição.

 

Em Viena (Áustria) Lula foi informado, pelo telefone, do andamento da convenção do PMDB, realizada neste sábado. Soube, de antemão, que o partido pendia para o sacrifício da candidatura própria à presidência da República. Antes de viajar, já havia sido cientificado dessa tendência pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Na opinião de Lula, a ausência de um candidato do PMDB à presidência serve aos seus interesses eleitorais. Receava pela formalização da candidatura Anthony Garotinho, que, imagina, lhe rouba votos de eleitores mais pobres e menos esclarecidos.

 

Taticamente, Lula continua oferecendo a vaga de vice em sua chapa a um peemedebista. Mas sabe que o partido não deve reforçar o seu palanque. Pelo menos não no primeiro turno. Foi avisado por Renan de que o PMDB prefere ir às urnas sem candidato presidencial, conservando-se livre para costurar nos Estados acordos com múltiplas legendas, os que forem mais convenientes.

 

O objetivo central de Lula passou a ser o acerto com o PMDB no segundo turno. Antes, quer que o PT entre na briga com PFL e PSDB para arrastar os peemedebistas para o maior número possível de palanques nos Estados. Levantamento feito por Michel Temer indica que em pelo menos 18 unidades da federação as alianças que mais servem aos interesses do PMDB são com pefelistas e tucanos. Lula quer que o PT trabalhe para subverter esse cálculo.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PMDB rifa o próprio projeto presidencial

Nem Anthony Garotinho nem Itamar Franco. Como previsto, o PMDB, reunido em convenção neste sábado, varreu do cenário eleitoral de 2006 o projeto da candidatura presidencial própria. O placar foi mais apertado do que imaginavam os governistas: de um total de 657 votos, 351 foram contra a candidatura (imaginava-se que passariam de 400), 303 a favor, 1 nulo e 2 em branco.

 

Em tese, o resultado beneficia mais a Lula do que Alckmin. Se Garotinho levasse a legenda, roubaria votos de Lula nas classes “C” e “D”. Sem ele, cresce a chance de o presidente beliscar o segundo mandato ainda no primeiro turno. Como tudo no PMDB, a decisão não é definitiva. O próprio presidente do partido, Michel Temer, prevê que o resultado pode ser questionado na justiça (leia).

Escrito por Josias de Souza às 22h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes

No Planalto

 

Decorrido mais de um ano do escândalo do mensalão, Delúbio Soares mantém-se em obsequioso silêncio. Trancado em seus rancores, carrega sozinho todas as culpas –as particulares e as alheias.

É eloqüente a mudez de Delúbio. Convém dar ouvidos ao seu silêncio. Apurando-se os tímpanos, pode-se escutar a denúncia embutida na ausência de manifestação do ex-gerente de arcas.

 

Há virtude no silêncio de Delúbio. As palavras que ele não diz gritam que o país foi governado sem método. Alardeiam o uso de meios que não justificam os fins. Bradam o emprego de táticas vis.

Silvinho Pereira, um sub-Delúbio, ousou triscar os lábios no trombone. Um emissário do politburo chamou-o à razão. E ele se fez de doido. Melhor assim. Os 53 milhões de eleitores vitoriosos em 2002 não suportariam a condição de cúmplices involuntários.

 

Há utilidade no silêncio de Delúbio. Sua quietude ajuda a amplificar pequenos rumores. Ruídos como o que foi produzido no último encontro nacional do PT. De tudo o que já foi dito acerca das perversões do petismo, nada soou mais desconcertante do que a decisão de adiar sine die o julgamento dos que conspurcaram a legenda.

 

O desaparecimento da voz de Delúbio pôde berrar ainda mais alto. Proclama que a história não-contabilizada do PT conduz o governo petista da prometida Canaã ética para algum obscuro inferno de depravações.

 

Há compaixão no silêncio de Delúbio. É graças a ele que o país pode conviver com a figura inacreditável do presidente cego. Mais do que nunca, entende-se a profunda grandeza das respostas que Delúbio vem calando há mais de 12 meses.

 

A mensagem invisível de Delúbio, expressada no silêncio de dezenas de entrevistas negadas, é cristalina. Informa que remoer o escândalo significaria trazer à tona um Luiz Inácio indigno do velho e bom Lula da Silva.

Há sabedoria no silêncio de Delúbio. Sem ele, a nação teria de conviver com a imoralidade do presidente conivente. Teria de enfrentar o escárnio do governo inaceitável. Teria de encarar a vergonha do Estado ocupado por saqueadores.

Há higiene no silêncio de Delúbio. Com sua mania deletéria de espiar pelas frestas de fatos idos, jornalistas, procuradores e outros desocupados apenas tentam remoer lixo. Não há do outro lado senão cenas de uma película sem mocinhos. Um filme cuja reprise inspiraria ânsia de vômito.

Um brinde, portanto, à insanidade de Silvinho! Uma salva de palmas às meias-verdades de Marcos Valério! Loas ao silêncio de Delúbio, a cada dia mais ensurdecedor!

Escrito por Josias de Souza às 21h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Colunas | PermalinkPermalink #

Chávez, Evo e Fildel, os 'meninos do mal'

Os presidentes-companheiros Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela) participaram neste sábado do encerramento da Cúpula Social, um encontro paralelo à reunião de líderes europeus e latino-americanos realizada em Viena. Estavam acompanhados de Carlos Lage, vice-presidente de Cuba, informa a agência espanhola Europa Press (aqui).

Chávez empolgou a platéia ao desancar os EUA. Anunciar que Bolívia, Venezuela e Cuba estão dispostos a continuar desempenhando o papel de “meninos do mal do império”. Referiu-se a Havana, La Paz e Caracas como o verdadeiro “eixo do mal”.

A fala do presidente venezuelano foi entrecortada por aplausos entusiásticos. Uma multidão estimada em 1.500 pessoas pôs-se a gritar: “Evo, Evo!”. Ou: “Uh, ah, Chávez no se va”. Ou ainda: El pueblo unido jamás será vencido”. ,  

Durante a cerimônia, os oradores mascaram folhas de coca, para deleite de Morales. “Coca não é cocaína”, disse Chávez, anunciando que Venezuela e Cuba começaram a importar folhas da Bolívia. Com coca, disse, pode-se fazer pão, chá, dentifrício ou medicamentos. “Que saborosa está a coca, Evo”, disse, enquanto mascava. “Mande-me mais”.

Em seu discurso, Morales disse que vai mudar a Bolívia, “mas sob a democracia”. Repetiu palavras que diz ter ouvido do companheiro-ditador Fidel Castro: “Não façam o que eu fiz. Façam o que foi feito por Hugo Chávez, derrotar o imperialismo na democracia.” Foi aplaudido ao referir-se à decisão de nacionalizar as reservas de gás e petróleo da Bolívia.

O presidente boliviano relatou à platéia passa horas ao telefone com Fidel Castro. Disse que a conta de telefone lhe sai cara. Desceu a detalhes. Disse que certas ligações são tão demoradas que chega a tomar dez cafés enquanto fala. Outra curiosidade: Morales disse que costuma disfarçar-se com uma peruca para misturar-se ao povo boliviano.

Quanto a Chávez, dedicou a maior parte de suas intervenções –num total de três—às críticas aos EUA. “Terminaremos rompendo o império como se rompe o papel e surgirá livre o povo de Abraham Lincoln e Luther King.” Dirigindo-se ao governo de Washington, declarou: “Chegou o sábado de vocês, senhores porcos.”

Em timbre de catástrofe, Chávez disse que se aproxima “a quarta guerra mundial”. Disse que Cuba, Venezuela e Bolívia estarão na linha de frente (tremei, Bush!). “Se o império se atreve, nós o faremos moder o polvo da derrota no Caribe e na América Latina. Referindo-se ao Tratado de Livre Comércio das Américas, disse: “A Alca ao caralho”.

Como se vê, Lula está bem arranjado com os parceiros preferenciais de sua política externa para a América Latina.

Escrito por Josias de Souza às 19h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula reage a denúncia de Dantas, exposta em Veja

Montagem/Revista Veja
 

Lula está uma arara com a Veja. Clovis Rossi informa, de Viena, que o presidente acusou a revista da prática de “crime”. Disse, de resto, que Veja chegou ao “limite da podridão” (aqui). A razão do asco presidencial é uma reportagem escrita por Márcio Aith e publicada na edição deste final de semana da revista.

Diz que o banqueiro Daniel “encrenca” Dantas “está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da ‘organização criminosa’ que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país” (aqui, para assinantes de Veja). Segundo o texto de Aith, “para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes.”

“A mais explosiva”, prossegue a notícia de Veja, “é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais. Entre eles estão o presidente Lula, os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Secom), o atual titular da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e o senador Romeu Tuma (PFL-SP).”

“A lista”, diz a revista “é fruto de um trabalho de investigação feito pelo americano Frank Holder, ex-diretor da agência internacional de espionagem Kroll. Ela apresenta uma série de números de contas, seus titulares, os nomes dos bancos e os saldos referentes ao primeiro trimestre de 2004.”

A própria revista reconhece não ter conseguido comprovar a veracidade dos papéis que fundamentam a reportagem. Diante disso, alega ter optado por “quebrar” um “acordo” que firmara com Dantas, para preservar-lhe o nome, “caso se pudesse comprovar a veracidade das contas”. Acha que a decisão “viabilizará que investigações oficiais sejam abertas” e “impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições”.

 

Veja traz também uma entrevista do próprio Daniel Dantas a Diogo Mainardi (aqui, para assinantes de Veja). Começa assim:

 

- O PT pediu propina ao Opportunity?

O que houve foi uma sugestão de que, se déssemos uma quantia expressiva ao partido, eles poderiam nos ajudar a resolver as dificuldades que estávamos tendo com o governo.

- (...) Quem pediu o dinheiro?

Delúbio Soares.

- Qual a quantia?

Entre 40 e 50 milhões de dólares. Era a necessidade de recursos que eles tinham. E Delúbio queria saber se poderíamos ajudá-los.

 

Segundo Dantas, o dinheiro não foi pago porque o Citibank, de Nova York, foi contra. Além de Lula, outros expoentes do petismo reagiram à reportagem em timbre indignado. Anunciam a inteção de processar a revista e Dantas (aqui).  

Escrito por Josias de Souza às 18h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crime Organizado X Polícia Desorganizada

 

 

O PCC (Primeiro Comando da Capital) promoveu, entre a noite de sexta e a manhã de deste sábado, 55 ataques a policiais (aqui). Somando-se as vítimas –PMs, policiais civis, guardas da prefeitura, bandidos e civis—chega-se à impressionante cifra de 30 mortos.

 

Como se fosse pouco, promoveram-se rebeliões concomitantes em 22 presídios e centros de detenção (clique). Resultaram em 100 reféns. Tudo se deu em resposta à decisão do governo paulista de isolar comandantes do crime, entre eles Marcos Willian Herba Camacho, o Marcola. Ele está para o PCC assim como Fernandinho Beira Mar está para o Comando Vermelho, no Rio (leia).

 

As cenas da barbárie paulista têm tudo para se transformar em peça de campanha eleitoral. Contém um forte apelo anti-tucanato. Considerando-se as administrações de Mario Covas e de Geraldo Alckmin, a polícia paulista vem sendo comandada pelo PSDB há 12 anos. Lula comentou a encrenca em Viena, informa Tânia Monteiro (clique).

 

Enquanto o caldeirão fervilhava no seu quintal, Alckmin colhia votos na horta eleitoral de Antonio Carlos Magalhães (PFL). Neste sábado, o candidato tucano passeou pelo interior da Bahia. Na foto abaixo, aparece numa caminhada em Feira de Santana. Acompanham-no expoentes da pefelância, entre eles o próprio ACM e o governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição.

 

Sempre que confrontado com questões relacionadas à área de segurança pública, afeta aos Estados, Alckmin costuma dividir responsabilidades com o governo federal, que, segundo diz, não consegue deter, nas fronteiras, o ingresso das armas e drogas que robustecem o crime organizado. O problema, porém, não parece ser de crime organizado, mas de polícia desorganizada. 

 

Orlando Brito/OBritoNews

Escrito por Josias de Souza às 16h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula viu o Evo

Alan Marques/Folha Imagem
 

Neste sábado, Lula viu o Evo (clique). Nota-se pela foto do repórter Alan Marques –um de cara virada e outro mirando o chão—que deve ter sido um diálogo e tanto. Oficialmente, diz-se que os ânimos foram apaziguados.

Evo atribuiu o barulho da semana aos jornalistas. "Estamos sendo vítimas de meios de comunicação que buscam nos confrontar. Não vão conseguir. Somos grandes aliados". Ele tem razão. Todo jornalista que se preza costuma render tributos ao maligno.

Lula pôs panos quentes (aqui). "Tinha muita fumaça e pouco fogo", disse. Pode ser. Mas convém lembrar as palavras do Duque de Clarence, no quarto ato de Henrique VI, de Shakespeare: “Um pequeno fogo, que se apaga com facilidade, quando tolerado, nem por rios se deixa extinguir”.

Um dos problemas de bater boca com um néscio é a platéia não distinguir com nitidez quem é quem. É precisamente o que acontece neste caso.   

Escrito por Josias de Souza às 15h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes deste sábado

- JB: Pressão européia força Morales a recuar e negociar com Petrobras

- Folha: Morales recua e diz que Petrobrás é sócia

 

- Estadão: Evo diz que não falou o que falou e se reúne com Lula

 

- Globo: Brasil já tem plano para substituir gás boliviano

 

- Correio: Brasil, enfim, reage e Morales baixa o tom

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Efeito Morales!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alckmin sob a sombra de ACM

Orlando Brito/OBritoNews
 

 

A passagem de Geraldo Alckmin pela Bahia nesta sexta e sábado não deixa margem para dúvidas: se o candidato tucano vier a tornar-se presidente da República, uma hipótese que as pesquisas de opinião apontam como improvável, Antonio Carlos Magalhães voltará a dar as cartas.

 

Às voltas com o poder desde que o acaso trouxe as caravelas de Cabral para as costas da Bahia, ACM converteu-se no principal fiador da aliança do PFL com o PSDB. Com Fernando Henrique Cardoso, a coisa também começou assim. E terminou em rompimento, depois de uma fase em que ACM parecia mais presidente do que o titular.

 

De novo, ACM não deixa por menos. Alckmin deveria ter sido a estrela da visita. O coadjuvante seria Paulo Souto (à direita na foto), candidato à reeleição. Mas o jornal Correio da Bahia, de propriedade da família Magalhães, não hesitou em acomodá-los sob a sombra de ACM. “Carlismo mostra sua força e consolida aliança PSDB/PFL”, anota, neste sábado, a manchete do sítio da publicação na internet.

 

Recomenda-se a Alckmin que, antes de deixar a Bahia, reze para o Senhor do Bomfim. Chegando a São Paulo, deve fazer uma visita ao apartamento de Fernando Henrique Cardoso. Não para falar com o ex-presidente, mas com a mulher dele. Dona Ruth há de dar-lhe meia dúzia de conselhos sobre como lidar com ACM.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O mistério da hospedagem de Silvinho em Brasília

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Além dos mistérios insondáveis que cercam o recuo verbal de Silvio Pereira, que depois de conceder uma entrevista rumorosa, fez-se de desequilibrado em depoimentos à CPI dos Bingos, à Polícia Federal e ao Ministério Público, um novo enigma ronda o ex-secretário-geral do PT. Envolve a sua hospedagem em Brasília.

 

Intimado pela CPI do Fim do Mundo, Silvinho tinha à sua disposição uma reserva no Hotel Nacional de Brasília. Não deu as caras no estabelecimento. Intrigado, o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), perguntou-lhe por que rejeitara a hospedagem custeada pela Viúva. E Silvinho: “Prefiro ficar na casa de amigos”.

 

Efraim quis saber quem eram os amigos. Silvinho limitou-se a dizer que se tratava de um casal. O senador perguntou se trabalhavam para o governo. Ouviu uma resposta negativa. E ficou por isso mesmo. Deu-se seqüência à inquirição, que seria definida depois como uma "pahaçada" por Iberê Bandeira de Mello, o advogado do ex-dirigente petista.

 

No dia seguinte, depois de uma maratona de inquirições na Polícia Federal e no Ministério Público, Silvinho, moído, foi descansar. Era noite. Curiosamente, não foi para a casa de amigos. Tampouco dirigiu-se à hospedaria que lhe fora reservada pela CPI. Foi flagrado pelo repórter Sérgio Lima no instante em que entrava no hotel Kubitschek Plaza, bem mais luxuoso do que o Nacional, que rejeitara.

 

Desviou-se da placa que avisava acerca do piso escorregadio e dirigiu-se para os seus aposentos. Deixou para trás algumas indagações: sem emprego, tendo declarado na CPI que recorrerá à família para custear os advogados, por que diabos Silvinho foi abrigar-se sob um dos tetos mais caros da Capital? E por que ludibriou o senador Efraim Morais?

Escrito por Josias de Souza às 01h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Só o minúsculo PC do B deseja se coligar com Lula

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Reunidos há duas semanas em São Paulo, 1.200 delegados petistas de todo país aprovaram uma política de alianças ampla. Exceto as coligações com PSDB e PFL, tudo o mais seria permitido nas eleições de 2006. Deu-se, porém, algo inusitado. Ninguém quer se associar formalmente à candidatura Lula. Ou quase ninguém.

 

Só o PC do B, aliado de todas as horas, manifestou o desejo de casar de papel passado com Lula. O partido, por minúsculo, não chega a constituir um reforço expressivo –possui apenas um senador e 12 deputados. Mas é só o que Lula, candidato favorito em todas as pesquisas, conseguiu arrastar, por ora, para o seu palanque.

 

Numa seqüência frenética de encontros e telefonemas, Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT e coordenador nacional da candidatura Lula, tenta adensar o palanque petista. Mas vai colecionando insucessos. A última conversa infrutífera ocorreu há dois dias.

 

Berzoini reuniu-se, em Brasília, com os presidentes do PC do B, Renato Rabelo, e do PSB, deputado Eduardo Campos (PE), que se fez acompanhar do líder de seu partido na Câmara, Renato Casagrande (PSB-ES). Berzoini saiu do encontro como entrou: com o apoio do PC do B. Quanto ao PSB, verificou-se que pode até apoiar Lula informalmente. Mas dificilmente entregará o seu tempo de televisão ao presidente.

 

Premido pela necessidade de cumprir a chamada cláusula de barreia, que o obriga a obter pelo menos 5% dos votos do eleitorado, o PSB concluiu que pode ser melhor negócio participar das eleições solteiro. Juntando-se a Lula, teria de repetir a aliança nos Estados. O que diminuiria o seu cesto de votos.

 

Em pelo menos quatro Estados estratégicos para o PSB, o acerto com outras legendas revela-se mais promissor: Em Minas, o partido ganha mais se der as mãos ao PSDB; no Mato Grosso, ao PPS e ao PSDB; no Mato Grosso do Sul, ao PMDB; e em Pernambuco ao PDT. Em São Paulo, terá candidato próprio ao governo, o advogado Sérgio Sérvulo.

 

Também as três principais legendas do mensalão –PTB, PL e PP—querem distância do palanque de Lula. A exemplo do PSB, os três partidos governistas preferem desfrutar de liberdade para costurar nos Estados alianças eleitoralmente mais vantajosas do que as oferecidas pelo PT.

 

Numa tentativa de estabelecer um contraponto com o PSDB, em vias de formalizar uma aliança com o PFL, Berzoini e o ministro petista Tarso Genro (Relações Institucionais) empreenderam um último esforço para atrair o PMDB. Ampliando um diálogo que antes estava restrito aos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), estacas “lulistas” fincadas no PMDB, procuraram o presidente do partido, Michel Temer (SP) e lideranças do peso de Orestes Quércia e Itamar Franco.

 

A Temer ofereceram a possibilidade de indicar o vice na chapa de Lula. Com Quércia, impossibilitados de rifar a candidatura do petista Eduardo Suplicy, a conversa esbarrou na vaga ao Senado. Com Itamar, nem chegaram a sentar à mesa. Candidato a presidente pelo PMDB, ele preferiu adiar o encontro para segunda-feira, depois da convenção peemedebista, marcada para este sábado.

 

A essa altura, o PT já se dará por satisfeito se o PMDB sepultar o projeto da candidatura própria. Vingando o nome de Anthony Garotinho, adversário de Itamar, Lula perderia um bom naco de votos das classes “D” e “E”. Sem Garotinho, crescem as chances de Lula vencer a eleição em primeiro turno. Mas o Planalto já dá de barato que, não tendo candidato, o que parece mais provável, o PMDB tampouco pretende se aliar a Lula ou a Geraldo Alckmin. Vai à eleição solteiro. Trabalha-se agora por um acordo com vistas à participação peemedebista num eventual segundo ciclo de governo.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lula repisa tecla do combate à fome em Viena

  Alan Marques/Folha Imagem
Discursando em Viena, na abertura 4ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da América Latina, Caribe e União Européia, Lula voltou a defender um esforço mundial para o combate à fome. Mencionou medidas adotadas no Brasil, mas disse que, para atacar o problema “de frente” é preciso aprofundar a liberalização do comércio no mundo.

Lula fez um apelo aos países ricos. Pediu que dêem impulso às negociações multilaterais de comércio internacional. Segundo relato da repórter Inaê Riveras, Lula avaliou que, sem suporte das nações ricas, não se chegará a nenhum acordo na Rodada de Doha, da OMC (Organização Mundial do Comércio).

A cidadã argentina Angelina Cardoso, militante do Greenpeace, roubou a cena na abertura do encontro de cúpula de Viena. Burlando a segurança, ela desfilou diante dos chefes de Estado, que posavam para a foto oficial. Empunhava uma faixa de protesto contra a poluição causada por indústrias de celulose do Uruguai.

O desfile foi rápido. Para infortúnio dos presentes, um segurança apressou-se em conduzir a jovem beldade para fora do recinto. Mas houve tempo suficiente para que as autoridades grudassem os olhos na grata surpresa. Até Lula, que nada vê, viu. Levaram a melhor os que não perderam tempo com a faixa ou com o biquíni. O que havia em volta da peça era bem mais, digamos, digno de admiração.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

STF aborta tentativa de melar convenção do PMDB

Num reconhecimento explícito de que sua pré-candidatura à presidência tornou-se uma vaca a caminho do brejo, Anthony Garotinho jogou pesado para tentar inviabilizar a pré-convenção do PMDB, marcada para este sábado. Ele protocolou na Justiça nada menos que seis ações para melar o encontro, no qual o PMDB pretende decidir, finalmente, se vai ou não ter candidato próprio ao Planalto.

 

Para desassossego de Garotinho, o ministro Joaquim Barbosa mandou ao arquivo uma das ações, que fora impetrada no STF pelo deputado Nelson Bournier (RJ), partidário de Garotinho. Assim, ainda que haja decisões diferentes em instâncias inferiores do Judiciário, é improvável que a convenção do PMDB venha a ser anulada.

 

Farejando o cheiro de queimado, Garotinho aposta agora no plano “B”. Esforça-se para esvaziar a convenção, evitando que haja quorum para deliberação. Um quórum, aliás, que a direção do partido ainda precisa decidir, na noite desta sexta-feira, se será de dois terços ou de maioria simples.

 

Garotinho disputa a vaga de presidenciável do PMDB com o ex-presidente Itamar Franco. Tampouco as pretensões de Itamar parecem animar o partido. O ex-governador paulista Orestes Quércia, principal cabo eleitoral de Itamar, já joga a toalha em diálogos reservados. Avalia que o partido deve mesmo arquivar, por ampla maioria, o projeto de candidato próprio.

Escrito por Josias de Souza às 17h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apocalipse já!

Apocalipse já!

Fotos: Sérgio Lima, Lula Marques e Alan Marques
 

 

A linha sucessória no Brasil tornou-se uma trilha de armadilhas. Na hipótese de impedimento o inacreditável (Lula), assumiria o impensável (Zé Alencar). Impedido este, viria o indesejável (Aldo Rebelo). E, depois dele, o absurdo (Renan Calheiros).

 

Em viagem a Viena, o inacreditável arrastou para fora do país o impensável e o indesejável, que fogem da cadeira presidencial para não perder o direito de concorrer às próximas eleições. Premiado pelas circunstâncias, foi à interinidade do Planalto o absurdo, que tem mandato de senador até 2010 e não precisa ir às urnas de 2006.

 

Nesta sexta-feira, Renan recebeu em Palácio Itamar Franco. O ex-lamentável foi informar ao absurdo que não abre mão de tentar neste ano, pelo PMDB, um retorno à cadeira de presidente. O diálogo foi testemunhado pelo Cristo, que pende da parede da sala do presidente.

 

Reza a teoria cristã que o Jesus Cristo voltará à Terra. Virá no dia do Juízo Final. Por ora, Ele não se animou a dar as caras de novo. É explicável. Submetido ao incrível vaivém do gabinete presidencial, o filho do Todo-Poderoso deve ter caído em si. Deu-se conta de que o homem não precisa de sua ajuda para organizar o Apocalipse.

Escrito por Josias de Souza às 15h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Alckmin: 'governo Lula é fraquinho, fraquinho...'

Orlando Brito/ObritoNews
 

Em visita à Bahia, o candidato tucano Geraldo Alckmin criticou o comportamento do administração petista diante da decisão da Bolívia de nacionalizar suas reservas de gás e de petróleo. "O governo Lula é violento com o caseiro (Francenildo Costa), para acobertar a corrupção e fraquinho, fraquinho para defender os interesses do Brasil", disse Alckmin à repórter Christiane Samarco.

Alckmin visitou as obras sociais de Irmã Dulce, em Salvador (na foto). Levou a tiracolo o governador baiano Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição, e o senador Antonio Carlos Magalhães, além de um cordão de pefelistas.

Escrito por Josias de Souza às 14h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A penúltima da Bolívia

A ofensa, quando reiterada e não respondida à altura, acaba por fazer do ofendido um merecedor do ultraje. Não é sem razão que as autoridades bolivianas passaram a se referir ao Brasil num tom próprio de quem está sempre duas doses acima do normal.

 

No seu esforço diário para arrombar a porta verde e amarela, o governo boliviano escalou nesta sexta-feira o ministro de Hidrocarbonetos, Andres Soliz Rada. Ele disse que a Bolívia não vai participar do Gasoduto do Sul se houver a participação da Petrobras.

 

"Para que o Gasoduto do Sul funcione é preciso que seja executado por empresas estatais. Há um grave problema com a Petrobras, porque 60% das suas ações estão nas mãos de transnacionais", disse o ministro. "Vamos investir enormes somas de dinheiro para beneficiar as transnacionais sócias da Petrobras?"

Em Viena, o chanceler brasileiro Celso Amorim ironizou as declarações de Soliz Rada. Disse que, se a Petrobras não participar, "simplesmente não haverá Gasoduto do Sul". Sem a estatal brasileira, disse Amorim, o empreendimento "vai ter que dar uma volta tão grande que vai virar o Gasoduto do Oeste".

Perguntou-se a Amorim se o Brasil cogitaria chamar de volta o seu embaixador em La Paz por conta do tratamento desrespeitoso que vem recebendo. E ele: "Prefiro não discutir todos os meios que pretendemos usar. Acho que isso não é produtivo. Tudo tem que ser analisado".

 

Amorim prosseguiu: "Acho que não vamos retirar o embaixador simplesmente pelo que ainda está sendo discutido. Mas, evidentemente, se verificarmos que não há dialogo possível, nós vamos examinar as opções que existem". Então, tá!

 

Seja como for, Evo Morales amenizou o tom nesta sexta-feira. E disse que terá encontro com Lula amanhã.

Escrito por Josias de Souza às 14h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Brasil e Bolívia na era do gelo

São sobretudo domésticas as razões que explicam a tentativa de Evo Morales de guardar no freezer as relações diplomáticas com o Brasil. Pesquisa noticiada no Painel da Folha (para assinantes) indica que, pelo menos até julho, o vizinho tende a conservar no gelo o apreço que nutre pelo companheiro Lula:

Gás total
Pesquisa feita na Bolívia pelo instituto Ipsos, em parceria com a empresa de análise de risco Eurasia Group, indica que Evo Morales conseguiu o que queria ao nacionalizar o gás: 88% da população aprovam o decreto presidencial, e 76% acham que o país está no rumo certo.

Quero mais
Segundo o levantamento, feito entre 6 e 9 de maio, os bolivianos defendem que a nacionalização seja estendida a setores como mineração (77%), terras em poder de estrangeiros (74%) e serviços bancários (72%).

No embalo
Os pesquisadores projetam resultado favorável a Evo Morales -cujo respaldo popular vinha caindo antes do decreto de 1º de maio- nas eleições legislativas de 2 de julho. Acreditam que ele não terá dificuldade em obter os dois terços necessários para reformar a Constituição

Escrito por Josias de Souza às 07h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta sexta

- JB: "Silvinho mentiu"

- Folha: Morales acusa Petrobras e ataca Brasil

- Estadão: Evo acusa Petrobrás de contrabando e sonegação

- Globo: Morales radicaliza contra o Brasil e preocupa Lula

- Correio: Morales afronta o Brasil. Lula silencia

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Múltplica escolha!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Coaf levanta saque$ atípicos de firma ‘sanguessuga’

A Polícia Federal recebeu no último mês de março um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) informando que a empresa Planam realizou três movimentações bancárias no valor de R$ 600 mil (um total de R$ 1,8 milhão) entre 2005 e 2006.

 

A Planam é comandada por Darci Vedoin, apontado pela PF e pelo Ministério Público como comandante da máfia das ambulâncias. Há mais: segundo informa o repórter Jailton de Carvalho, Vedoin sacou, em novembro de 2005, R$ 150 mil em dinheiro vivo numa agência bancária do Setor Comercial Sul de Brasília. Em janeiro de 2006, ele retornou à mesma agência para retirar, de novo em espécie, mais R$ 110 mil.

 

Em depoimento prestado há dois dias, Maria da Penha Lino, funcionária demitida do Ministério da Saúde, informou que era justamente numa agência do Setor Comercial de Brasília que os donos da Planam sacavam o dinheiro que se convertia em propinas para parlamentares. A grana entrava no Congresso, segundo ela, acondicionada até em meias, cuecas e paletós.

 

Enquanto os investigadores tentam checar se há conexão entre os saques e os pagamentos aos congressistas, instalou-se no Congresso uma rebelião. Partidos governistas –PT, PTB, PMDB, PSB e PL—cobram de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara, a devolução de uma nova lista de 81 parlamentares "sanguessugas" enviada ao Legislativo pela PF.

 

Os nomes dos supostos envolvidos em desvios de verbas orçamentárias foram mencionados no depoimento de Maria da Penha, a servidora da pasta da Saúde que se encontra encarcerada em Cuiabá (MT). Os líderes governistas acham que, antes de enviar a relação ao Congresso, a PF deveria investigar, para saber quem é realmente culpado. Em resposta, a PF diz que enviou a lista por ordem judicial.

 

Os partidos do governo, segundo informa a repórter Maria Lima, querem que Aldo assuma a defesa do Parlamento, valendo-se inclusive de um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV. Rebelo ainda não informou se pretende enfiar a mão nessa cumbuca malcheirosa.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

PSDB e PFL acertam data do anúncio da coligação

  Sérgio Lima/F.Imagem
O tucano Geraldo Alckmin acertou a data do anúncio formal da coligação do PSDB e do PFL em torno de sua candidatura. Será no próximo dia 26 de maio, uma sexta-feira, ou 29 de maio, uma segunda. Decidiu-se também o local: será no Estado do candidato a vice de Alckmin, a ser escolhido na próxima quinta-feira, em eleição prévia do PFL.

Se o vitorioso nas prévias pefelistas for o senador José Agripino Maia, líder do PFL no Senado, a aliança será celebrada no Rio Grande do Norte. Se for o senador José Jorge, o anúncio ocorrerá em Pernambuco. Em qualquer das hipóteses, contará com a presença de Alckmin e das principais lideranças dos dois partidos.

 

As deliberações foram negociadas por Alckmin com os senadores Tasso Jereissati (CE) e Jorge Bornhausen (SC), respectivamente presidentes do PSDB e do PFL. Fica sepultada, assim, a hipótese de o companheiro de chapa de Alckmin vir de outro partido que não o PFL.

 

Serão intensificadas as negociações com PMDB, PDT, PPS e PV. Mantém-se o desejo de atrair essas legendas para um acordo formal com Alckmin. Porém, o posto de vice não está mais sobre a mesa.

 

Nesta quinta-feira, conforme havia sido antecipado aqui, a Executiva Nacional do PFL aprovou a realização da prévia para a escolha do vice. Referendou-se a data levada por Bornhausen. A escolha será mesmo na próxima quinta.

 

Ao colégio de 94 pefelistas que fora acertado entre os contendores Agripino Maia e José Jorge, foram acrescidos dois suplentes de parlamentares. Assim, terão direito a voto 96 políticos do PFL. Além dos suplentes acrescidos de última hora, votam governadores, prefeitos de capitais, deputados, senadores e integrantes da Executiva Nacional. A votação será secreta e o resultado sai no mesmo dia.

 

Nesta sexta-feira, Alckmin estará na Bahia do senador Antonio Carlos Magalhães. Vai tornar público o acordo que foi selado num gabinete de Brasília na semana passada. Contra a vontade do presidente do diretório baiano do PSDB, Jutahy Magalhães Jr., que também é líder do partido na Câmara, Alckmin tornará explícito seu apoio ao governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição.

Escrito por Josias de Souza às 21h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Desgoverno atinge espelho d'água do Planalto

Desgoverno atinge espelho d'água do Planalto

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

No “Sermão de Santo Antônio”, o padre Antônio Vieira (1608-1697) pontificou: “Falando dos peixes, Aristóteles diz que só eles, entre todos os animais, se não domam nem domesticam... Os autores comumente condenam esta condição dos peixes, e a deitam à pouca docilidade, ou demasiada bruteza; mas eu sou de mui diferente opinião. Não condeno, antes louvo muito aos peixes este seu retiro, e me parece que se não fora natureza, era grande prudência. Peixes! Quanto mais longe dos homens, tanto melhor; trato e familiaridade com eles, Deus vos livre.”

 

A foto acima, captada pelo repórter Lula Marques, mostra que o bom padre estava mesmo com a razão. O Palácio do Planalto não está conseguindo governar convenientemente, veja você, nem o espelho d’água que o circunda. Pobres dos peixes que Deus não conseguiu manter longe dos homens que cuidam da manutenção do principal prédios público de Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 17h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Secos & Molhados | PermalinkPermalink #

Garotinho anuncia fim da greve de fome

Para tristeza de seus opositores, Anthony Molequin..., digo Garotinho, não honrou a promessa de levar “até o fim” a sua greve de fome, iniciada em 30 de abril. Interrompeu a privação alimentar nesta quinta-feira, onze dias depois de ter iniciado a aventura anti-gastronômica.

 

Em anúncio feito ao lado de sua mulher, a governadora Rosinha, o pré-candidato presidencial do PMDB disse que seus objetivos foram alcançados. Não há, porém, notícia de que a OEA tenha enviado observadores eleitorais ao Brasil. Tampouco há sinais de recuo da imprensa em relação às denúncias que se acercaram das arcas de Garotinho.

 

O candidato festeja decisões judiciais que teriam assegurado a ele a publicação de direito de resposta na revista Veja e no jornal O Globo. "Quando iniciei a greve de fome, havia dito que estava fazendo isso em defesa da minha honra, que tinha sido atacada de forma cruel e desonesta", disse Garotinho. "Hoje considero que a minha honra está sendo lavada pela Justiça."

 

Às voltas com suspeitas de que Garotinho tenha feito refeições não-contabilizadas no período de greve, sua assessoria informa que ele teria emagrecido 6,7 quilos. Algo que, no seu caso, não chega a saltar aos olhos. Mais eloqüente foi o definhamento político de Garotinho, que testará o seu prestígio na pré-convenção do PMDB, marcada para o próximo sábado.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Congresso recebe lista de mais 81 'sanguessugas'

O Congresso Nacional recebeu na noite passada uma nova lista de parlamentares “sanguessugas”, supostamente envolvidos no roubo de verbas públicas destinadas à compra de ambulâncias. A relação contém 81 nomes. Foram fornecidos à PF e ao Ministério Público por Maria da Penha Lino, recolhida ao cárcere na semana passada e demitida em seguida da função de confiança que desempenhava no Ministério da Saúde.

 

Os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros, hoje no exercício da presidência da República, remeteram a lista às corregedorias das duas Casas, informa Andreza Matais. A Corregedoria da Câmara decidiu. Nesta quinta-feira, que ouvirá os responsáveis pelas investigações, delegado Tardelli Boaventura e procurador Mário Lúcio Avelar, antes de decidir o que fazer com a nova lista. Será ouvida também a prisioneira Maria da Penha.

 

Em articulação paralela, PV, PPS e PSOL, recolhem assinaturas para a abertura de uma “CPI das Sanguessugas”. Seria uma comissão mista. Reuniria deputados e senadores. Para que seja aberta, é preciso que 171 deputados e 27 senadores apóiem a iniciativa. PSDB e PFL torcem o nariz. Renan Calheiros diz que é contra.

Escrito por Josias de Souza às 15h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Silvinho repete na PF a pantomima da CPI

Silvio Pereira, o ex-secretário-geral do PT, depôs nesta quinta-feira ao delegado Luiz Flávio Zampronha, da Polícia Federal. Manteve, em linhas gerais, a linha que adotara na véspera ao ser inquirido na CPI dos Bingos. Ou seja, poupou Lula, o governo, o Pt e a si próprio.

 

Silvinho, como o chamam seus ex-companheiros, disse ao delegado que, “em tese”, teve mesmo a rumorosa conversa com a repórter Soraya Aggege, que o trouxe de volta à boca do palco. Inaugurou, assim, um tipo dialético de entrevista. A entrevista “em princípio”, o diálogo jornalístico “em teoria”.

 

A exemplo do que fizera na CPI, Silvinho esgueirou-se pelos desvãos da mente humana para desdizer o que dissera à repórter. Questionado, por exemplo, sobre o suposto esquema de Marcos Valério para cavar R$ 1 bilhão em negócios escusos com o Estado, o ex-dirigente petista disse ter recolhido a cifra de uma reportagem da revista Veja. Ele está sendo ouvido agora pelo Ministério Público.

 

Para o delegado Zampronha, segundo informa Felipe Recondo, Silvinho quis, com sua entrevista, apenas fazer "pressão" sobre o PT. E conseguiu. A despeito dos esforços que empreende para atenuar sua própria relevância –apresentou-se à PF como mero “tarefeiro”—o ex-secretário-geral sabe muito acerca das perversões que tisnaram a imagem casta do PT. Vêm daí as atenções petistas de que Silvinho passou a ser alvo.

Escrito por Josias de Souza às 15h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Morales diz que Petrobras operava na 'ilegalidade'

  Alan Marques/F.Imagem
O presidente índio-companheiro-grouchomarxista Evo Morales, da Bolívia, continua fazendo graça com o Brasil. Ele disse nesta quinta-feira, em Viena, que a Petrobras operava em território boliviano com base em contratos que, firmados “secretamente”, eram “ilegais” e “inconstitucionais.”

 

"Dos mais de 70 contratos, nenhum foi ratificado pelo Congresso e, portanto, são inconstitucionais", disse Morales. Ele também disse que seu governo não tenciona indenizar as empresas que tiveram seus negócios afetados pela nacionalização das reservas de petróleo e gás da Bolívia.

 

"Não há nenhum motivo para que pensemos em compensação", disse Morales. "Se tivéssemos expropriado bens ou tecnologia teríamos de providenciar compensação, mas neste caso não estamos expropriando."

 

Morales também acomodou o Brasil no rol de “saqueadores” de seu país. "Por mais de 500 anos nossos recursos naturais foram saqueados e nossas matérias-primas exportadas. Isto tem de acabar agora". Ele disse ter tentado conversar com Lula antes de baixar a medida nacionalizadora. Mas foi "bloqueado" por assessores do Planalto.

 

O presidente boliviano está em Viena para participar da reunião de cúpula de líderes europeus e latino-americanos. Lula também já chegou à capital austríaca. Logo será questionado sobre o palanfrório do companheiro Morales.

 

Para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), o alvo da escalada retórica de Evo Morales não é o Brasil, mas o eleitorado boliviano, que elege em julho uma Assembléia Constituinte. O chanceler Celso Amorim disse que o governo brasileiro "estranhou profundamente" as declarações do presidente boliviano.  

 

Seja como for, na semana passada, Lula revelou-se extremamente afavável com o agressivo companheiro. Disse que "é preferível ser carinhoso a agir com dureza" no caso boliviano. Se mantiver o discurso, acaba recebendo do índio Morales um apito. Recomenda-se ao morubixaba brasileiro que inverta a ordem do seu raciocínio, ajustando-o à máxima de Che Guevara: "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!"

Escrito por Josias de Souza às 14h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As manchetes desta quinta

- JB: Energia nuclear é a alternativa para crise do gás

- Folha: Câmara inocenta 36 acusados de fraude

- Estadão: Bolívia acusa a Petrobrás e ameaça não indenizar

- Globo: Silvio se contradiz, alega esquecimento e irrita CPI

- Correio: Câmara investigará apenas 16 deputados

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Telelama!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Petistas envolvidos em escândalos vão às urnas

Sob estímulos da direção do PT e com a aprovação de Lula, toda a bancada petista pilhada no escândalo do mensalão recebeu sinal verde para tentar a sorte nas urnas no próximo mês de outubro. Terão à disposição a legenda e a estrutura partidária.

 

Já estão preparando as respectivas campanhas os deputados João Paulo Cunha (SP), Professor Luizinho (SP), José Mentor (SP) e João Magno (MG), absolvidos pelo plenário da Câmara; e Paulo Rocha (PA), que renunciou antes do julgamento.

 

Também o ex-deputado Jose Genoino (SP) está sendo estimulado a disputar uma cadeira na Câmara. Ele presidiu o partido na fase em que o ex-tesoureiro Delúbio Soares associou-se a Marcos Valério para rechear as arcas petistas com verbas de má origem.

 

Não é só: em conversa que manteve com o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda), na semana passada, Lula instou-o a concorrer à Câmara. Demitido em 27 de março, depois que ficou evidenciado o seu envolvimento na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci preservou o direito de disputar as eleições. Deixou o governo três dias antes do prazo legal de desincompatibilização imposto a ocupantes de cargos públicos.

 

O único petista encrencado em escândalos que não poderá concorrer a cargo eletivo é José Dirceu. Cassado pela Câmara em novembro do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil terá de amargar um jejum eleitoral de oito anos. Quanto aos demais, apenas Genoino e Palocci ainda hesitam em atender ao chamamento do partido.

 

No auge da crise do mensalão, o atual ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que deixara a pasta da Educação para assumir um mandato-tampão na presidência do PT, prometera “refundar” o partido. Defendia à época que o PT negasse legenda aos congressistas mensaleiros. O projeto foi integralmente abandonado.

 

Em seu último encontro nacional, realizado há duas semanas, o PT adiou para 2007 a discussão no conselho de ética partidário do caso dos mensaleiros. A cessão da legenda para que os envolvidos no escândalo disputem as eleições é o mais eloqüente sinal de que não haverá punição para nenhum deles.

 

Os únicos petistas punidos pelo partido foram o ex-tesoureiro Delúbio Soares, expulso da legenda, e o ex-secretário-geral Silvio Pereira, que se desfiliou voluntariamente antes que fosse expurgado dos quadros do partido.