Josias de Souza

Bastidores do poder

 

É tempo de explicar, ensina Eclesiastes a Garotinho

Anthony Garotinho (PMDB) iniciou neste domingo, veja você, uma greve de fome. Foi a forma que escolheu para protestar contra o que chama de “campanha mentirosa e sórdida” que lhe movem “a mídia, o sistema financeiro e o governo de Lula.”

 

Às voltas com as denúncias de que sua pré-campanha à presidência da República foi bafejada com R$ 650 mil de má origem, Garotinho se diz vítima de preconceito. Evangélico, o candidato diz que suas “posições cristãs e éticas” vêm sendo ridicularizadas.

 

Como bom evangélico, Garotinho há de estar familiarizado com a Bíblia. Deve conhecer as lições de Eclesiastes (capítulo três, versículos um a oito). Ensina que tudo tem o seu tempo, a sua ocasião.

 

Há o tempo de nascer e o tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de erguer; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de abraçar e tempo de afastar; tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de calar e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

 

Garotinho já deveria ter entendido que a quadra que atravessa não condiz com o tempo de embromar. É tempo de explicar. As “empresas” que “doaram” recursos à sua rica campanha têm vínculo$ com o governo do Rio que, por inexplicáveis, não serão dissipados por meio da privação de alimentos.

 

Não é demais recordar que o governo fluminense é chefiado pela também evangélica Rosinha, mulher do candidato. Se quiser, o casal pode reunir um bom lote de explicações dignas de fé. A greve de fome pode até fazer bem a Garotinho. Afilando o físico, a mulher talvez deixe de chamá-lo, na intimidade, pelo apelido de “Bolinha”.

 

Mas a fome do candidato não saciará a fome da opinião pública, que é de outra natureza, descrita com precisão em Mateus, capítulo cinco, versículo seis: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque serão fartos”.

Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Crise é mais ‘grave’ que a do Collor, diz Busato

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

A uma semana da reunião do Conselho Federal da OAB que vai sobre a conveniência do pedido de impeachment de Lula, o presidente da entidade, Roberto Busato (na foto, em audiência com Lula na semana passada), diz que a crise ética que atinge o país hoje é “bem mais extensa e profunda que a do governo Collor”.

“Esta é a maior crise político-institucional que existiu desde o início da República”, disse Busato, em entrevista à Agência Nordeste (para assinantes). Para ele, “circunstâncias sociologicamente complexas” impedem que haja agora a mesma “mobilização de ruas” registrada na época do Collorgate.

 

Nada, porém, impedirá a OAB de deliberar sobre o impeachment no próximo dia 8 de maio. Abaixo, as principais declarações de Busato:

 

- Tamanho da crise: A crise é grave, gravíssima - e bem mais extensa e profunda que a do Governo Collor, sobretudo após a denúncia formal do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Mas, por circunstâncias sociologicamente complexas, não produz a mesma mobilização nas ruas. Não há caras-pintadas, nem ambiente popular de rejeição ao presidente. Ao contrário, ele continua liderando as pesquisas de opinião para sua sucessão.

- A OAB vai aprovar o impeachment? A decisão será dos conselheiros federais da OAB. A proposta foi encaminhada por um de nossos conselheiros e submetida a uma comissão técnica. O relator, o advogado Sérgio Ferraz, apresentará seu voto, que será submetido a um universo de 81 conselheiros. Nossa instituição é plural. Reflete a diversidade da sociedade brasileira. Pode dar qualquer resultado, mas penso que será apertado.

- Por que os partidos políticos não assumem  a dianteira do debate? Após a redemocratização, em face dos sucessivos escândalos políticos, os partidos perderam credibilidade e interlocução com a sociedade. E esta buscou em seu próprio âmbito referências mais confiáveis. Daí a presença de instituições como a nossa na cena política, ao lado de outras como CNBB, ABI e outras entidades.

- Se aprovar o impeachment, a OAB não vai pagar um preço político? Não há ônus político quando se joga limpo e sem segundas intenções. A OAB não aufere dividendos políticos com os seus ideais. Se a sociedade está dividida, é em função das contradições do jogo político brasileiro e do mau papel de grande parte de seus agentes. Nem todos os que denunciam os atuais escândalos têm folha corrida que os autorize a fazê-lo. E isso confunde o eleitor. Mas a Ordem pauta sua atuação por princípios claros, baseados na ética e no apartidarismo, e não permitirá o uso de sua imagem nos palanques eleitorais. Quem o fizer será denunciado.

- Optar pelo impeachment não é aderir ao golpismo? (...) A história da Ordem se mistura com a história da República do Brasil. E a OAB não construiu sua história com golpismo, com jogo baixo ou com influências político-partidárias. Ela sempre fez a sua história e a sua política na trincheira da luta democrática, tentando auscultar aquilo que a sociedade civil pensa e aquilo que os advogados entendem estar de acordo com o Estado Democrático de Direito.

- Não teme que o impeachment divida a sociedade? (...) Evidentemente, este é um momento difícil, em que temos que ter serenidade. Ninguém quer, eu particularmente não quero - e tenho visto isso na advocacia brasileira - uma situação de divisão do País como a que ocorreu na Venezuela. Nós, absolutamente, não apoiamos qualquer atitude sectária de divisão de classes no Brasil. O País não tem esse tipo de problema. O problema do Brasil é outro. O problema do Brasil é ético, de crise moral que contaminou dois poderes. E temos que resolver isso de forma serena, de forma democrática e absolutamente altaneira, como sempre foi a posição do Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 15h45

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PT adia para 2007 o debate de suas perversões

O PT vem tratando a golpes da barriga a punição dos petistas que montaram e/ou se serviram do valerioduto. O tesoureiro Delúbio Soares foi expulso. O secretário-geral Silvio Pereira jogou a toalha. E ficou nisso. Neste domingo, terceiro e último dia do seu 13º Encontro Nacional, o partido de Lula empurrou novamente a encrenca com a pança.

 

Embora certas alas minoritárias do partido achem que a impunidade de colegas mensaleiros tenha enchido o balde, a maioria do partido resolveu conviver por mais algum tempo com a goteira. O petismo aprovou uma moção adiando para 2007 o debate de suas perversões.

Diz o documento aprovado neste domingo: "O encontro considera fundamental evitar que o processo de apuração seja constrangido pela dinâmica eleitoral e/ou manipulado pela oposição de direita".

 

Se o objetivo do PT era o de evitar os ataques da “oposição de direita”, o melhor teria sido enfrentar o problema. Ao decidir não decidir, o petismo ofereceu aos adversários uma matéria-prima que se presta a todo tipo de “manipulação”.

Escrito por Josias de Souza às 15h08

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Um drama $hakespeareano

O PT ainda não decidiu entre fazer ou não fazer caixa dois em 2006. E quando decidir não vai informar à distinta platéia. Mas o partido de Lula já deliberou o seguinte: vai separar a tesouraria do partido das contas de campanha. Um rolo é um rolo, outro rolo é outro rolo.

"Temos a avaliação de que as finanças de campanha têm de ser separadas das contas do partido e vice-versa. Temos de tratar essa campanha como algo suprapartidário e que fique limitada ao tempo da própria campanha", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini, coordenador da campanha presidencial petista, conforme relato da repórter Tathiana Barbar.

Escrito por Josias de Souza às 11h45

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Contra o 'golpismo', o golpe do baú

Noticiou-se aqui, na semana passada, que entidades como CUT, UNE e MST estão prontas a sair às ruas em defesa do mandato de Lula caso vingue um pedido de impeachment. Neste domingo, os repórteres Marta Salomon e Rogério Pagnan mostram que as três entidades têm razoe$ de sobra para oferecer um escudo a Lula. Eis o texto: 

 

“Mobilizadas para reagir a um eventual pedido de impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva, entidades de trabalhadores, sem-terra e estudantes receberam mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos nos primeiros três anos de mandato do presidente. O maior volume de dinheiro foi destinado ao MST e à CUT, investigados pelo Tribunal de Contas da União por desvio de verbas federais.

A Folha pesquisou os repasses de dinheiro dos impostos arrecadados pela União às três principais ONGs ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que não tem personalidade jurídica, à Central Única dos Trabalhadores e à União Nacional dos Estudantes.

Representantes das entidades se reuniram com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, na última terça, e planejam para junho uma grande manifestação pró-Lula. Seria uma reação a um eventual pedido de impeachment do presidente analisado pela OAB.

Os números não levam em conta repasses feitos às entidades por estatais, que fogem ao controle do Siafi (sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais). Para a comemoração do Primeiro de maio, por exemplo, a CUT recebeu da Petrobras e da Caixa R$ 800 mil. Há dois anos, para promover os 20 anos da central, essas estatais investiram, com os Correios, R$ 760 mil.

Encarregado da interlocução com os movimentos sociais, o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) avalia que o governo Lula melhorou o diálogo com as entidades. "Mesmo aquelas dirigidas por adversários, como a CGT, tiveram interlocução maior." Dulci não opinou sobre o repasse de verbas públicas (...).”

Também, com tanto e$tímulo, não há diálogo e interlocução que resista. Continue lendo aqui.

Escrito por Josias de Souza às 11h18

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As manchetes deste domingo

- JB: CET-Rio só dá prejuízo

- Folha: Queda da renda é maior entre os mais instruídos

- Estadão: Gastos eleitorais do governo vêm para ficar

- Globo: Secretário de Rosinha deu milhões a ONG que dirigiu

- Correio: PT libera alianças para reeleger Lula

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Private Bank!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Envolvidos no escândalo do TRT vão a julgamento

O Tribunal Regional Federal de São Paulo julga na próxima quarta-feira os envolvidos no escândalo da obra do TRT paulista. O caso começou a freqüentar o noticiário em  em 1999. Apurou-se um desvio de R$ 169,5 milhões em verbas públicas. São réus no processo: o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto (na foto), o ex-senador Luiz Estevão e os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Correa Teixeira Ferraz.

Exceto por Nicolau, que já cumpre prisão domiciliar por ter sido sentenciado, em 2002, a 14 anos de reclusão em outro processo, por lavagem de dinheiro, Estevão, Barros Filho e Teixeira Ferraz correm o risco de ir para a cadeia caso venham a ser condenados. A pena máxima a que estão sujeitos é de 12 anos de prisão.

O Ministério Público acusa os quatro dos seguintes crimes: formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e corrupção (ativa no caso dos empresários e passiva no de Nicolau). Foram absolvidos em primeira instância, no ano de 2002, pelo juiz Cassem Mazloum, condenado posteriormente a três anos de prisão, depois de ter sido pilhado na chamada Operação Anaconda. Hoje, Mazloum encontra-se afastado da magistratura. A pena de prisão foi convertida em prestação de serviços.

Ainda em 2002, a autora da denúncia do caso do TRT, a procuradora da República Janice Ascari, recorreu da sentença de Mazloum, que imputara apenas a Nicolau apenas a prática de um crime do qual ela nem o havia acusado: tráfico de influência. Desde então, o processo desliza pelos escaninhos do Judiciário. O julgamento, agora marcado para daqui a quatro dias, vinha sendo protelado havia quatro anos.

Os acusados impetraram cerca de 70 recursos procrastinatórios. Os autos já passearam pela Justiça Federal, TRF, STJ e STF. Um detalhe "apressou" o julgamento: nesta quarta-feira estarão prescritos todos os crimes em relação a um dos acusados, o juiz Nicolau, ex-presidente do TRT de São Paulo. Havendo nova protelação, hipótese que não pode ser descartada, Nicolau terá de ser excluído do processo.   

O julgamento será feito por três dos quatro juízes que compõem a 5ª turma do TRF de São Paulo: Suzana Camargo, relatora do caso; Ramza Tartuce; e André Nekatschalow. Nicolau, hoje com 78 anos, consta do processo porque foi sob sua gestão na presidência do TRT paulista que foram licitadas e iniciadas iniciadas as obras superfaturadas de uma nova sede para o tribunal.

Os empresários Barros Filho e Teixeira Ferraz encrencaram-se porque eram sócios da Incal, empresa que venceu a licitação e tocou as obras até o dia em que foram embargadas. Ambos são apontados como beneficiários dos desvios, ao lado do ex-senador Estevão, proprietário do Grupo OK, ao qual, segundo o Ministério Público, se associaram. Todos negam que tenham cometido os crimes de que são acusados.

Por ora, de todo o dinheiro desviado, apenas US$ 870 mil retornaram aos cofres públicos. Deu-se em 2002, graças à venda de um apartamento tomado do juiz Nicolau em Miami (EUA). Há, de resto, uma conta bancária de Nicolau bloqueada na Suíça. Guarda cerca de US$ 4 milhões. O governo brasileiro tenta repatriar o dinheiro.

Escrito por Josias de Souza às 23h36

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Entregando os pontos

Entregando os pontos

No Planalto

 

  O Grito/Edvard Munch
Ser brasileiro é eleger um Fernando Henrique e ser governado por outro, é comprar um Lula e entalar com 40 sapos, é festejar a chegada da esquerda à sala de estar e lamentar que ela a tenha transformado em depósito de dejetos, é dormir com o Zé Dirceu e acordar com o Bob Jefferson, é ouvir o “não vi nada” e concluir que amarraram o dono à vontade do burro, é observar a pose de Júlio César e descrer que ele possa ter ignorado uma legião de Brutus, é cogitar o impeachment do impensável e lembrar que o vice é o imponderável, é recordar a velha freirinha oposicionista e lastimar que ela tenha caído na vida, é confiar a salvação ao Congresso e descobrir que os deputados salvaram primeiro a conta bancária, é sintonizar na TV Câmara para ver a guilhotina e dar de cara com a impunidade, é ligar a TV de novo e testemunhar a desfaçatez, é ligar a TV uma terceira vez e assistir à dança do escárnio, é pretender a ética e obter a falta de estética, é descobrir que estão querendo te fazer de idiota e se dar conta de que encontraram farto material, é verificar que a democracia está com a cabeça a prêmio e desistir de ligar a TV, é ouvir o ruído dos ovos quebrando e deplorar que só 40 tenham provado do omelete, é procurar um herói e observar que ninguém fugiu a tempo, é buscar um limite e encontrar o exagero, é reclamar competência e ver que todos fazem o pior o melhor que podem, é fitar o ministro e descobri-lo criminoso, é buscar proteção no Estado e obter violação, é observar a estatura do homem público e agachar-se à procura de alguma altivez, é analisar o novo ministério e perceber que só mudaram os cúmplices, é perscrutar o passado e enxergar o Serjão, é olhar novamente para trás e ver o Ricardo Sérgio, é recuar mais ainda no tempo e praguejar o Cabral, é apelar para as profundezas da memória e ter saudades daquela fase casta e imaculada de Sodoma e Gomorra, é ouvir o discurso emplumado da “lavagem ética” e descobrir na seqüência que a promessa tem conta na Nossa Caixa e veste prêt-à-porter, é mirar o futuro e antever a disputa do seis contra o meia dúzia, é divisar o futuro de novo e descobrir-se condenado à esperança, é especular sobre uma terceira via e cair no cruzamento que leva ao topete mineiro ou ao safadinho carioca, é procurar a luz no fim e constatar que roubaram o túnel, é dar meia-volta e flagrar-se no centro do insolúvel, é reler os dez mandamentos e concluir que resultaram em fabulosas idéias, é rezar e descobrir que Deus não merece existir, é apelar para a paciência e verificar que ela está furiosa, é buscar as próprias culpas e só enxergar o inferno nos outros, é sentar à mesa e notar que o diabo não amassou pão suficiente, é juntar os carnês e concluir que a vida está acima das suas possibilidades, é desfilar de carro e sentir vergonha do privilégio, é ver a pobreza no semáforo e subir o vidro, é fitar o menino miserável e não saber se ele é o seu problema ou se você é o problema dele, é ser assaltado e ficar em dúvida se foi a vítima ou o culpado, é chamar a polícia e verificar que ela é o ladrão, é gritar pela Justiça e se dar conta de que ela mora longe demais, é procurar um coelho no mato e descobrir que dali só sai raposa, é sonhar com um musical e acordar numa comédia de costumes, é despertar sobressaltado e ter saudades do pesadelo, é esperar por dias ruins e topar com dias piores, é procurar forças para reagir e entregar, finalmente, os pontos.

Escrito por Josias de Souza às 19h00

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PT aprova Berzoini para coordenar campanha de Lula

  Wilson Dias/ABr
Conforme antecipado aqui na madrugada de sexta-feira, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), será o coordenador nacional da campanha de Lula à reeleição. O nome de Berzoini, que já fora confirmado pelo próprio Lula, foi aprovado na tarde deste sábado pelo partido, que realiza em São Paulo o seu 13º Encontro Nacional.

 

Berzoini fará, junto com a Comissão Política do PT, uma proposta de coordenação a ser apresentada à direção nacional do partido. O plano vai incluir uma estratégia para a costura de alianças com outros partidos. A moção que consagrou Berzoini como coordenador anota o seguinte:

 

“O PT apóia a decisão do presidente Lula de priorizar neste momento seu mandato e o compromisso de governante, e tomar a decisão a respeito da candidatura no momento apropriado. Mas inicia a preparação da campanha eleitoral, com a convicção da responsabilidade política de construir a mobilização nacional em torno da continuidade das mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais que esses três anos e quatro meses propiciam ao país.”

Escrito por Josias de Souza às 17h50

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ACM trata aliança com PSDB como favas contadas

  Correio da Bahia
As páginas do Correio da Bahia, diário controlado pela família de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), trazem neste sábado uma evidência de que não passa de jogo retórico a suposta resistência do PFL a compor uma aliança com o tucano Geraldo Alckmin. Em campanha pelo interior do seu Estado, ACM dá a formalização da aliança como favas contadas.

O jornal do clã Magalhães noticia visita que ACM fez ao interior da Bahia na sexta-feira. Ele esteve nos municípios de Correntina, Rio das Contas e Jussiape. Discursando ao lado do governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição, o senador tratou a aliança com Alckmin como algo já consolidado. Disse o seguinte:

"Geraldo Alckmin já se decidiu e seu palanque na Bahia será o de Paulo Souto. Posso fazer esta afirmação porque, quando todos sabotavam a sua candidatura, inclusive integrantes de seu partido aqui na Bahia, eu a defendi e o apoiei, dentro dos princípios de seriedade que norteiam minha vida".

Sem mencionar o nome do deputado tucano Juthay Magalhães Jr., líder do PSDB na Câmara, refratário à composição com o PFL baiano, ACM alfinetou-o: "Os que desejam a retirada da candidatura de Alckmin, como alguns poucos baianos, estão perdendo tempo, como perderam tempo ao apoiar Lula contra FHC em 94". Ele disse ainda que a aliança do PSDB na Bahia será feita “com quem tem voto”. Acrescentou: “Não vamos perder tempo com quem não tem voto”.

O Correio da Bahia fustiga Juthay Jr. em outra reportagem publicada neste sábado. Traz como personagem central o líder do PSDB na Câmara Municipal de Salvador, vereador Jorge Jambeiro. Ele se declarou que Jutahy adota um “posicionamento individualista”.

Segundo o tucano Jambeiro nada menos que 21 dos 25 prefeitos do PSDB na Bahia explicitaram o “desejo de apoiar o governador Paulo Souto em sua campanha de reeleição. Ele disse mais: “Temos que trabalhar o projeto maior do partido, que é eleger o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como presidente do Brasil. Portanto, vamos apoiar na Bahia quem apoiar o candidato do nosso partido".

Consolida-se na Bahia uma dissidência tucana pró-reeleição de Paulo Souto. Exatamente como a direção nacional do PSDB prometera a ACM. Espera-se para os próximos dias uma declaração formal do deputado federal João Almeida (PSDB-BA) em favor de Souto, fustigando ainda mais a liderança de Jutahy Jr., que preside o partido na Bahia.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Irã diz que seu programa nuclear é 'irreversível'

  AP
Está feita a encrenca. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reafirmou neste sábado que não passa pela sua cabeça abrir mão do programa nuclear do país. Disse que a exploração da tecnologia nuclear para fins pacíficos é um “direito” do Irã.

 

As declarações de Ahmadinejad soam um dia depois de a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) da ONU ter anunciado que o Irã não cumpriu o prazo dado pelo Conselho de Segurança para suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

O Irã suspendeu as inspeções da ONU em fevereiro, depois que a AIEA decidiu encaminhar o caso ao Conselho de Segurança. "A república islâmica não negociará com ninguém seu absoluto direito de utilizar tecnologia nuclear para fins pacíficos. Este é o nosso limite e nós nunca vamos desistir dele", disse o presidente iraniano. Ele classificou o programa nuclear como “irreversível".

Os Estados Unidos e a União Européia acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares. Algo que Ahmadinejad refuta com veemência. Cresce no cenário internacional o receio de que os EUA bombardeiem instalações nucleares iranianas.

A decisão, porém, não é simples. Os "falcões" de Washington adorariam lançar umas bombas sobre a cabeça de Ahmadinejad. Mas a máquina de guerra dos EUA já está mobilizada no vizinho Iraque e no Afeganistão. Há um complicador: escaldado com a experiência do Iraque, que, ainda sob Saddam Hussein, teve uma usina nuclear aniquilada por Israel, o Irã tomou as suas precauções.

Os experimentos nucleares dos aiatolás são feitos em diferentes localidades, que incluem áreas rodeadas por populações civis e instalações subterrâneas. De resto, um bombardeio ao Irã sujeitaria os EUA e seus aliados à sanha de uma legião de fanáticos, prontos a praticar atos terroristas suicidas.

Escrito por Josias de Souza às 16h24

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Má notícia para os amantes dos Stones

O guitarrista da banda Rolling Stones, Keith Richards, em férias nas ilhas Fiji, caiu de uma palmeira e machucou a cabeça. Foi levado neste sábado a um hospital na Nova Zelândia. Uma porta-voz da banda disse que ele sofreu uma “leve concussão” (estado de inconsciência resultante de golpe na cabeça). Não foram fornecidos detalhes sobre as condições de saúde de Richards, de 62 anos.

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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PT aprova política de alianças ampla

Conforme desejava Lula, o PT aprovou neste sábado uma política de alianças ampla para as eleições deste ano. A decisão foi compartilhada pela ampla maioria dos cerca de 1.200 delegados que participam do 13º Encontro Nacional da legenda, em São Paulo. Proibiram-se apenas as coligações com PSDB e PFL. E restringiram-se os entendimentos com o PPS.

Com isso, os candidatos petistas aos governos estaduais têm agora liberdade para se coligar com um leque de partidos que inclui do PMDB às legendas do mensalão (PTB, PP e PL). O mesmo princípio se aplica à candidatura reeleitoral de Lula.

No plano federal, porém, o PT já parece conformado com a perspectiva de compor uma coligação enxuta. Por ora, só PC do B e PSB, aliados tradicionais do petismo, admitem integrar uma aliança formal de suporte a Lula.

Os outros partidos governistas tendem a evitar o compromisso com qualquer dos candidatos à presidência. O que lhes dá liberdade para costurar livremente nos Estados os acordos que se mostrarem mais convenientes.

De resto, a decisão tomada neste sábado pelo PT vai levar o partido a intensificar o assédio ao PMDB. Petistas e tucanos travam nos subterrâneos uma renhida disputa para atrair o partido de Ulysses Guimarães para os seus palanques estaduais.

Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) também tentam seduzir o PMDB para a formalização de um acordo nacional. Porém, todos consideram que, a essa altura, o mais provável é que os peemedebistas participem do primeiro turno das eleições deste ano sem candidato à presidência, nem próprio nem alheio. Parte-se, então, para os entendimentos que visam a antecipação de um acordo para o eventual segundo turno.

Escrito por Josias de Souza às 15h47

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As manchetes deste sábado

- JB: PT complica alianças regionais de Lula

- Folha: Irã acelerou programa nuclear, diz ONU

 

- Estadão: Para Lula, Casas Bahia é modelo e a oposição, golpista

 

- Globo: ONG condenada recebeu R$ 105 milhões do estado

 

- Correio: TJ aponta saída para legalizar condomínios

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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Ajuste de câmera!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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Para ter PFL, PSDB autoriza até dissidência interna

O candidato tucano Geraldo Alckmin aparou nas últimas 48 horas duas das principais pendências que vêm adiando a formalização da aliança do PSDB com o PFL. Ele informou à direção do tucanato que encaminhou a costura de entendimentos regionais em Sergipe e na Bahia. “A aliança está praticamente sacramentada”, diz o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Para chegar a um acordo que satisfizesse ACM, o PSDB autorizou até mesmo a abertura de uma dissidência interna. Desafiando a voz de comando do líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães Jr. (BA), refratário à aproximação com o grupo de ACM, o deputado João Almeida (PSDB-BA) deve abrir um cisma no tucanato baiano, declarando apoio formal ao governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição.

 

ACM se dá por satisfeito: “Tenho autoridade para falar sobre a candidatura Alckmin. Fui o primeiro a apoiá-lo no meu partido e na Bahia”, diz o senador. “De modo que não quero prejudicar. Acho que, diante da possibilidade de ter o João Almeida com uma grande dissidência do nosso lado, e com o apoio explícito que o Alckmin deu ao Paulo Souto, o assunto caminha para a solução”.

 

Em Sergipe, Alckmin julga ter convencido o tucano Albano Franco a desistir do desejo de concorrer a uma vaga no Senado. Uma exigência do governador João Alves (PFL), cuja mulher, a senadora Maria do Carmo (PFL-SE), é candidata favorita à renovação do mandato no Senado. Em troca, Albano indicará o candidato a vice na chapa de Alves, candidato à reeleição. O vice pode ser o próprio Albano.

 

Das “três feridas” regionais que mais incomodam o PFL resta o Maranhão. É o caso mais complicado. A candidata do PFL ao governo do Estado é a senadora Roseana Sarney. Personagem da qual o tucanato local quer distância. Pior: sob o comando do deputado Aderson Lago (PSDB-MA), os tucanos estimulam a formação de uma frente anti-Roseana.

 

Para desassossego de Alckmin, os tucanos maranhenses costuram um pacto de não-agressão entre os dois candidatos a governador que trabalham para desbancar o poderio da família Sarney: Jackson Lago (PDT) e Edson Vidigal (PSB). Este último, um ex-amigo de José Sarney, disputa o governo com o apoio do PT e do atual governador, José Reinaldo Tavares (PSB), outro ex-aliado que se converteu em desafeto dos Sarney.

 

No caso maranhense, Alckmin informou à direção do PFL que, se não sair um acordo, evitará subir nos palanques dos adversários de Roseana. Parece pouco, mas o PFL tende a aceitar, mesmo sob muxoxos de Roseana. Argumenta-se que o pai dela, José Sarney (PMDB-AP), com toda a proximidade que mantém com Lula, também não logrou arrastar o PT do Maranhão para o palanque da filha.

 

Em outras localidades menos estratégicas para os pefelistas, mas não menos problemáticas, tais como Goiás e Distrito Federal, onde o PFL disputará o governo respectivamente com os senadores Demóstenes Torres e Paulo Otávio, Alckmin compromete-se a subir em dois palanques –os do PFL e os do PSDB.

 

O esforço demonstrado por Alckmin é reconhecido, em reserva, até pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). “Ele é bom de dever de casa”, costuma dizer o presidente do PFL. Diante disso, uma corrente do partido já trabalha para apressar a formalização da aliança nacional. A data limite fixada por Bornhausen em diálogos com o próprio Alckmin e com Tasso Jereissati, presidente do PSDB, é 24 de maio. Entre quatro paredes, gente do peso de ACM diz que o acerto precisa sair bem antes disso.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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'Olê, olê, olê, oláááááááá, Lula, Lulaaaaaaaa!'

Deu-se o esperado. Depois de passar o dia dizendo que ainda não decidiu se será ou não candidato à reeleição, Lula foi saudado no 13º Encontro Nacional do PT com uma recepção de... candidato. Registrou-se uma única divisão. Faltou unidade aos petistas na escolha do jingle.

Parte dos presentes aclamou Lula assim: "Olê, olé, olé, oláááááááá, Lula, Lulaaaaaa!". Outra parte festejou-o assim: "1,2,3. É Lula outra vez". Conforme relata o repórter Epaminondas Neto, o petismo entoou também um bordão dedicado a um desafeto da oposição, o presidente do PFL: "Ô, Bornhausen, eu tô aqui. A nossa raça, você vai ter que engolir".

Ao discursar para os cerca de 1.200 delegados que compareceram ao encontro do PT, Lula, o não-candidato, falou como se estivesse conclamando a tropa para a guerra. Disse o seguinte, segundo o relato de Ricardo Amaral e César Bianconi:

"Se tivermos o PT unido com os partidos de esquerda e a sensibilidade de detectar na sociedade quem são nossos aliados, que venham (os adversários), porque estaremos prontos para rechaçá-los".

O presidente falou por uma hora e 15 minutos. “Eu quero saber do PT se nós temos mesmo um projeto nacional", cobrou. Lula não se furtou a mencionar pelo nome alguns dos grão-petistas enredados no escândalo do mensalão. Citou, sob aplausos, José Dirceu (presente à celebração) e José Genoino (ausente).

Lula foi aplaudido também ao referir-se a outro petista de primeira grandeza a ter a reputação tisnada por um escândalo, o ex-ministro Antonio Palocci (também ausnete), demitido do Ministério da Fazenda nas pegadas do caso de violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. “Aqui nesta sala falta um companheiro”, discursou Lula, “falta a paciência do companheiro Palocci".

Em dado momento de sua fala, Lula previu à audiência partidária que a campanha deste ano será dura. Acusou o PSDB e o PFL de fazerem uma oposição mais violenta do que o próprio PT costumava fazer no seu passado oposicionista. O presidente listou os “feitos” do seu governo e se disse ansioso por comparar o seu governo não apenas ao do predescessor Fernando Henrique, mas a todas as administrações anteriores, do Brasil e do mundo. Disse estar "louco para fazer comparações".

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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A nova moradia de Palocci

A nova moradia de Palocci

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O homem é feito das circunstâncias que o envolvem. Note-se, a propósito, o caso de Antonio Palocci. Ele é, hoje, um ser envolto em indícios. Aos oito indiciamentos criminais que lhe foram imputados pelas polícias Federal e Civil de São Paulo, soma-se agora mais um indício: o de que pode estar vivendo acima das suas possibilidades.

 

O ex-homem forte de Lula tem muitas razões para queixar-se da vida. Só não pode reclamar da moradia. Trocou a residência oficial de ministro da Fazenda, que já não era coisa ruim, pela casa exposta na foto acima, com a piscina ao fundo. Foi sacada pelo repórter Lula Marques, num sobrevôo de ultraleve. Fica num dos mais elegantes condomínios de Brasília, no Setor de Mansões Dom Bosco, no bairro do Lago Sul.

 

O aluguel de um teto como esses, cercado e protegido por guarita com vigia em tempo integral, pode chegar a R$ 10 mil. É mais do que Palocci, de quarentena, ainda recebe mensalmente do governo: R$ 8.200. O grão-petista, que há de possuir reservas monetárias, tem o direito de morar onde bem entender. Mas não custa lembrar-lhe de uma máxima de Bacon, inserida no ensaio “Da Construção”. Diz o seguinte: “As casas são construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas”. Se há algo de que Palocci não precisa no momento é de mais visibilidade.

Escrito por Josias de Souza às 19h31

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Lula confirma Berzoini na coordenação da campanha

Ricardo Stuckert/PR
 

Candidato não-declarado à reeleição, Lula mantém o jogo de esconde-esconde eleitoral. Em viagem a São Paulo, o presidente conservou o falso suspense em torno de sua candidatura. Mas confirmou algo que foi noticiado aqui na madrugada desta sexta-feira: o coordenador de sua campanha será o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).

Referindo-se à perda de seus dois auxiliares mais próximos –José Dirceu e Antonio Palocci--, engolidos pela crise, Lula declarou: "Simplesmente vamos ter que arrumar outros coordenadores e esse não é o problema, porque teve muita gente que coordenou minhas campanhas. Quem vai coordenar a campanha, se eu decidir ser candidato, será o presidente do partido".

Lula falou aos jornalistas depois de visitar o "2º Feirão Caixa da Casa Própria", em São Paulo. Um evento durante o qual, como bom candidato, não se furtou nem mesmo a carregar uma criancinha no colo (veja foto. Note o olhar de espanto da inocente criança). Logo mais, às 17h, o presidente fará um discurso no 13º Encontro Nacional do PT, que começou nesta sexta e vai até domingo.

Disse que espera que seu partido tenha compreensão quanto à necessidade de compor um leque amplo de alianças partidárias em todos os Estados: "Precisamos construir uma política de alianças com todos os Estados da Federação". Ele justificou a movimentação do partido: “(...) Eu tenho dito ao PT que não vou me definir pela candidatura antes do prazo limite, de 30 de junho. Agora, o PT não pode ficar parado, não pode ficar esperando eu me decidir".

Lula também falou sobre a encrenca da Varig e sobre as divergências entre o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o Banco Central em torno da velocidade na queda dos juros. Leia aqui a íntegra da entrevista de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 14h57

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Gracie: 'Existe, sim, uma sensação de impunidade'

  Alan Marques/F.Imagem
Primeira mulher a presidir o Supremo Tribunal Federal, a ministra Ellen Gracie concedeu nesta sexta-feira uma entrevista coletiva para marcar o início de sua gestão. Disse que planeja conversar regularmente com os jornalistas, uma novidade em se tratando de STF.

 

A ministra disse que o Supremo está aparelhado para “processar” a denúncia do mensalão, que envolve 40 pessoas. Um ponto de vista que contrasta com a opinião do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa. Ele dissera na semana passada que o STF não tem nem “vocação nem estrutura” para julgar o caso.

 

A despeito da diferença de opiniões, a nova presidente do STF deixou claro que cabe ao ministro Barbosa, como relator, decidir sobre a forma de lidar com o processo do mensalão. Disse que o colega pode, se desejar, delegar atribuições a outros magistrados.

 

Gracie reagiu com surpreendente naturalidade à idéia do senador José Jorge que, em projeto de lei já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tenta limitar os poderes dos ministros do STF. Se o projeto virar lei, os ministros não poderão mais derrubar decisões tomadas pelo Congresso por meio de liminares julgadas individualmente. Serão obrigados a compartilhar os julgamentos com os outros dez ministros que compõem o tribunal.

 

“Vejo com absoluta naturalidade a iniciativa do senador José Jorge”, disse Ellen Gracie. “O normal é que em um sistema colegiado, as decisões sejam tomadas de maneira coletiva.” Para ela, “não há por que tratar o assunto como uma interferência do Legislativo no Judiciário.”

 

A ministra empenhou-se durante toda a entrevista, de cerca de uma hora, para esvaziar a tese de que haveria risco de crise entre os poderes. Em tempos de CPIs, disse que a democracia brasileira enfrenta um teste de resistência. E, na sua opinião, está se saindo bem. Ela concordou com a avaliação daqueles que enxergam uma atmosfera de impunidade no país. Mas acha que o fenômeno afeta mais a esfera criminal.

 

“Existe, sim, uma sensação de impunidade. E não é de hoje”, afirmou Gracie. “Nós temos realmente uma processualística, principalmente na área criminal, muito rebuscada, tantas são possibilidades de recurso.” Acha que o problema pode ser atenuado por meio de aperfeiçoamentos da legislação. “O que não podemos é retroceder nas garantias democráticas do pleno direito de defesa, uma conquista da civilização que está inserida em todas as nossas Constituições e tem de ser respeitada”, ressalvou.

 

O STF levou ao sei sítio na Internet a íntegra da entrevista de sua presidente. Você pode ouvi-la. Se tiver interesse, pressione aqui.

Escrito por Josias de Souza às 14h04

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As manchetes desta sexta

- JB: A Serra Pelada dos canaviais

- Folha: Juro provoca atrito entre Mantega e BC

- Estadão: Palocci é indiciado por quatro crimes

- Globo: ONGs não explicam uso de R$ 254 milhões do estado

- Correio: Combustível eleitoral

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Guerra de gangues!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Uma chance para a estética

Uma chance para a estética

Vicente de Paulo/Ed.Símbolo
Para aqueles que procuram ética onde só há falta de estética, a coluna de Mônica Bérgamo (para assinantes da Folha) traz uma notícia, digamos, alentadora. Uma famosa revista dos EUA lembra-nos de que, a despeito da proliferação da feiúra, o belo sobrevive. Eis a nota:

 

“Está prometida para hoje (sexta-feira) a divulgação da lista da revista norte-americana "People" com as celebridades mais belas do mundo. A surpresa brasileira deve ficar por conta da atriz Juliana Paes, que foi informada pela publicação de que constará do ranking. A revista tem duas listas, a mundial e a latino-americana. Juliana foi informada de que entrou na primeira, diz seu empresário. A atriz, que chega ao público latino dos EUA em tramas como "América", aproveita para faturar. Será porta voz da L'Oréal/Garnier enquanto aguarda a estréia da novela "Pé na Jaca", de Carlos Lombardi, sua primeira das sete”.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Garotinho, o 'perseguido', enrola-se um pouco mais

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O que era apenas inexplicável vai ganhando contornos de inacreditável. Deve-se ao repórter Dimmi Amora a descoberta de novos detalhes acerca do método utilizado por Anthony Molequin..., digo Garotinho para fornir as arcas de sua pré-campanha à presidência da República. O esquema passa por empresas que têm laranjas como sócios e endereços fictícios. Passa, de resto, por ONGs bafejadas com verbas públicas saídas dos cofres do governo do Rio, comandado pela governadora “Garotinha”.

 

Só entre janeiro e março de 2005, migraram dos cofres do Estado para um grupo de 12 ONGs R$ 254 milhões. Em troca, as organizações não-governamentais deveriam prestar ajudar na formação de servidores públicos. Procuradas, porém, ou não funcionam nos endereços que informaram, ou não sabem explicar os serviços que alegam ter prestado.

 

Entre as 12 ONGs, três possuem como diretores personagens que figuram também como sócios de empresas que fizeram doaçõe$ a Garotinho. Desde o início da gestão da governadora Rosinha Garotinho, essas três entidades beliscaram R$ 112,5 milhões em verbas públicas confiadas ao governo carioca. A equipe de reportagem da Folha (para assinantes) -Elvira Lobato, Raphael Gomide e Sérgio Torres- também traz nesta sexta-feira notícias acerca do pântano que suga a imagem de Garotinho.  

 

Não é à toa que cresce no PMDB o movimento para encurtar as ambições presidenciais de Garotinho. O candidato prometeu devolver os R$ 650 mil de má origem que recebeu. Ele se diz “perseguido” por “forças poderosas”. E joga para sua mulher a responsabilidade pelas explicações sobre as relações estranhas mantidas com as empresas e ONGs.

 

A senhora “Menininha”, por sua vez, diz que não tem como controlar a relação societária das organizações que recebem dinheiro do Estado. E ficamos assim. Pelo menos até que o Ministério Público e a Polícia Federal consigam jogar um facho de luz sobre mais essa encrenca.

Escrito por Josias de Souza às 00h52

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Lula vai à TV no 1º de Maio

Kennedy Alencar informa em sua coluna na FolhaOnline que Lula fará um pronunciamento em cadeia de rádio e TV no próximo 1º de maio.

 

Na opinião do presidente, a crise política esfriou. E ele deseja agora faturar eleitoralmente o reajuste do salário mínimo, que foi de R$ 300 para R$ 350 em abril. De quebra, Lula fará um balanço dos 40 meses de seu governo. É desnecessário dizer que o balanço será otimista. 

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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Berzoini será o coordenador da campanha de Lula

Ricardo Stuckert/PR
 

 

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), será indicado neste final de semana para o posto de coordenador nacional da campanha de Lula à reeleição. Negociado previamente com o presidente da República, o nome de Berzoini será referendado pela ampla maioria do PT no 13º Encontro Nacional da legenda, que começa nesta sexta-feira e vai até domingo (leia a programação aqui). Ele desempenhará em 2006 o mesmo papel que foi atribuído em 2002 ao deputado cassado José Dirceu (SP), presidente do PT à época.

 

Além da oficialização de Berzoini na coordenação, o PT vai discutir e aprovar dois documentos diretamente relacionados à campanha de Lula. O primeiro contém diretrizes para o programa de governo de um eventual segundo mandato de Lula. O outro faz uma análise da conjuntura e fixa a tática eleitoral do partido para o pleito deste ano, incluindo a política de alianças com outros partidos.

 

Lula informou ao PT que deseja desfrutar de liberdade para se compor com todos os partidos que integram o consórcio governista no Congresso, incluindo do PMDB às legendas do mensalão (PTB, PP e PL). Em entrevista ao blog, Ricardo Berzoini esquivou-se de confirmar que irá assumir a coordenação nacional da campanha de Lula. Mas já falou como coordenador, antecipando os movimentos que fará depois do encontro deste final de semana. Leia a entrevista abaixo:

 

- É certo que o PT definirá o programa de governo e a política de alianças?

Sim. Haverá decisão sobre os dois temas. Quanto ao programa de governo, são apenas diretrizes, que serão depois desdobradas em trabalho de grupos. Será o programa do PT, que terá de ser discutido com os outros partidos. O outro documento contém deliberações sobre a política de alianças.

- O PT superou as divergências econômicas que tinha com o governo?

Foram colocadas da maneira correta. Houve uma leitura da imprensa de que havia divergências de fundo. Não há. As divergências são pontuais. Referem-se à tática adotada na política monetária (juros) e na execução orçamentária (superávit fiscal). Há plena concordância quanto à necessidade de termos metas de inflação e rigor fiscal. A divergência do partido está relacionada à dose. E o governo já fez uma inflexão tanto na questão monetária quanto na parte orçamentária.  

- Lula quer uma política de alianças ampla. Será atendido?

Creio que sim. Sinto que a tendência é de que essa posição prevaleça. Deve ser liberado para alianças com todos os partidos que compõem a base do governo hoje.

- Serão mesmo proibidos os acordos regionais com PSDB e PFL?

Sim. Isso está no documento, mas nem precisaria constar. Com a verticalização, não há como fazer aliança com esses partidos. Mesmo que se quisesse, o que não é o caso.

- Mas serão vedados mesmo os acordos informais?

Não é recomendável. A disputa nacional será acirrada. Haveria confusão. Embora no passado já tenha ocorrido. Foi o caso do (governador) Jorge Viana, no Acre. Ele foi eleito em 98 com o apoio do PSDB. Há também o caso da Bahia. Em outros momentos, o PSDB baiano se aproximou do PT, contra o Antonio Carlos Magalhães (PFL).

- Essa proximidade na Bahia está se repetindo agora, não?

A possibilidade de acordo é mais remota. A direção do PSDB também está restritiva com relação às alianças com partidos da base do governo, especialmente o PT.

- Pode haver um entendimento informal com os tucanos na Bahia?

Pode haver. Não é impossível, não.

(Leia a continuação da entrevista no texto abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 23h15

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Debate da crise do mensalão será adiado para 2007

Continuação da entrevista de Ricardo Berzoini:

 

-Há no PT quem queira definir a punição dos petistas que se envolveram no escândalo que resultou na denúncia do Ministério Público. Isso será tratado encontro nacional?

Tenho dito que essa é uma agenda que não ajuda agora. Temos um congresso em 2007, que vai fazer um balanço dos problemas partidários, dos erros que a direção do partido possa ter cometido. Nesse instante, a energia tem que ser concentrada na unidade partidária, na reeleição do Lula, dos deputados, senadores e governadores. Temos que priorizar o que nos une e não o que nos separa.

- A maioria do partido pensa assim?

É um sentimento amplamente majoritário no partido.

- Depois deste encontro nacional, quais serão os próximos passos?

Vamos aprofundar as conversas com outros partidos, PSB, PC do B. Os contatos estão bastante avançados para uma coligação. Há problemas regionais, que estamos trabalhando para resolver.

- PSB e PC do B se queixam de que o PT é exclusivista nos Estados.

Estamos conversando. Temos tempo para fechar isso. No Rio, o PT decidiu deixar aberta para a composição a vaga do Senado, que era reivindicada pela Benedita da Silva. Em Brasília, estamos dialogando. Em Pernambuco há uma complicação porque o nosso candidato (Humberto Costa) está na frente nas pesquisas. É complicado para quem lidera abrir para outro candidato. Em casos assim, devemos ter dois palanques (o outro será de Eduardo Campos, do PSB), costurando um pacto de não-agressão no primeiro turno e abrindo para o entendimento no segundo turno. No Ceará, fechamos com o Cid Gomes (irmão de Ciro Gomes, do PSB). E abrimos a vaga ao Senado para o Eunício Oliveira (PMDB) ou para o Inácio Arruda (PC do B). Há um clima de entendimento.

- E quanto aos aliados mais à centro-direita, como PTB, PL, PP?

Estamos conversando com eles também. Mas esses partidos têm uma dificuldade maior. Em vários Estados, para enfrentar a cláusula de barreia, eles vão precisar compor com partidos diferentes. Em alguns lugares com o PMDB. Em outros, com o PSDB e PFL. Mas o PL, por exemplo, já nos comunicou que apoiará o Lula nos 27 Estados, sem coligação formal. Será uma coligação informal. É natural, não tem outro jeito.

- E quanto ao PMDB?

Estamos conversando com várias lideranças. No PMDB, é sempre conveniente conversar com o máximo de gente possível. O sentimento que eu tenho é de que cresce a tendência de eles não terem candidato à presidência, uma solução que deixa todo mundo mais confortável. Acredito que o PMDB vai ter um processo de entendimento regional, como foi na eleição de 2002. Embora tivesse a Rita Camata como vice do (José) Serra, em vários Estados o PMDB apoiou o Lula desde o primeiro turno.

- Levantamento feito por Michel Temer indica que em pelo menos 18 Estados a aliança com Geraldo Alckmin é mais conveniente para o PMDB. Concorda?

Não tenho essa mesma apreciação. Diria que, na maioria nos Estados, as lideranças mais densas do PMDB têm mais simpatia pela candidatura Lula. Há conveniências regionais, que podem pesar. Mas não creio que chegue a 18 Estados. Mas o Temer é o presidente do PMDB e tem condições de fazer melhor avaliação do que nós.

- A hipótese de o PMDB indicar o vice de Lula está descartada?

Não está descartada, mas está muito distante.

- Diria que a maior possibilidade é a de repetir a chapa de 2002, mantendo José Alencar na vice?

É uma das possibilidades. Precisamos aguardar mais um pouco.

- Lula participará apenas da abertura do encontro do PT?

Sim. Ele fará um discurso. Não faria sentido que ele, como presidente da República, participasse do encontro todo.

Escrito por Josias de Souza às 23h14

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Nossa Caixa nega violação de sigilos

A propósito de despacho divulgado aqui na manhã desta quinta-feira, sob o título “Um Francenildo para Alckmin”, o signatário do blog recebeu do presidente da Nossa Caixa, o banco estatal do governo de São Paulo, uma carta de esclarecimento. Segue abaixo, para conhecimento dos 22 leitores deste espaço, a íntegra da correspondência:

 

“Ao menos na Nossa Caixa garanto a você que ‘a brincadeira de violar sigilos alheios’ não virou moda. A propósito de notícia da Folha de S. Paulo, reproduzida em seu blog, de que teria sido violado o sigilo bancário em procedimento interno da Nossa Caixa, afirmo que a instituição que presido observa rigidamente o que dispõe o art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001.

 

A quebra do sigilo bancário somente se materializa, como reiteradamente se manifestam os tribunais brasileiros, quando as informações abrigadas sob a regra do segredo ultrapassam os limites da instituição, sem autorização legal ou judicial, o que de forma alguma ocorreu na Nossa Caixa.

 

A propósito, trago, pela inteira aplicabilidade, excertos de decisão recente da 4ª Turma do TST, julgando recurso de empregado bancário que buscava a condenação de banco por danos morais devido ao acesso do empregador a sua conta funcional:

 

‘O sigilo bancário é a obrigação imposta aos bancos e a seus funcionários de não revelar a terceiros, sem causa justificada, os dados pertencentes a seus clientes que, como conseqüência das relações jurídicas que os vinculam, sejam de seu conhecimento’.

 

‘Se o banco tem total conhecimento da movimentação bancária de seus correntistas, impossível se torna a materialização do ilícito de quebra de sigilo em relação ao próprio banco. Apenas se houver exteriorização da informação é que a quebra se materializará’.

 

Atenciosamente”,

 

Carlos Eduardo da Silva Monteiro

Diretor-Presidente

Banco Nossa Caixa S.A.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Pré-candidatura de Garotinho vai à berlinda

  Folha Imagem
Subiu no telhado a pré-candidatura de Antony Garotinho à presidência da República. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), confirmou nesta quinta-feira que convocará a convenção extraordinária do partido para 13 de maio, assim que receber a solicitação firmada por 14 dos 27 diretórios nacionais do PT.

 

A convenção extraordinária, informa Ricardo Amaral, tentará sepultar a proposta de candidatura própria do partido. A novidade chega num instante em que Garotinho está sendo acossado pelas denúncias de que forrou as arcas de sua pré-campanha com verbas de má origem. O caso encontra-se sob investigação da Polícia Federal.

 

Lugar-tenente dos interesses de Lula no interior do PMDB, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), disse: "Vamos apresentar o documento solicitando a convenção extraordinária porque entendemos que a candidatura própria, no quadro atual, compromete os projetos eleitorais do PMDB na maioria dos Estados".

 

A Lula interessa que, não podendo se aliar formalmente à sua candidatura pela reeleição, o PMDB vá às urnas sem candidato à presidência. Todas as pesquisas de opinião indicam que, aos olhos de hoje, sem Garotinho a eleição pode ser definida ainda no primeiro turno em favor de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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CPI viaja para ouvir o 'comendador' Arcanjo

A CPI dos Bingos decidiu enviar a Cuiabá uma comitiva de seis senadores para ouvir o depoimento de João Arcanjo Ribeiro, o comendador do crime organizado. Deseja-se esclarecer com ele pontos ainda obscuros da investigação de Santo André, que passa pelo assassinato do ex-prefeito petista Celso Daniel, ocorrido em 2001.

 

A Cpi rumina a suspeita de que Arcanjo tenha sido sócio do empresário do setor de transportes Ronan Maria Pinto, acusado de participar de um esquema de propina na Prefeitura de Santo André. Arcanjo e Ronan teriam se utilizado de uma mesma off-shore no Uruguai para supostamente lavar dinheiro de má origem. Ronan diz que jamais enviou dinheiro ao exterior. 

Pretendia-se que Arcanjo fosse ouvido em Brasília. Mas o secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Célio Wilson, desaconselhou a viagem do comendador, recolhido a uma prisão daquele Estado depois de ter sido sentenciado a 44 anos de cárcere. Wilson considerou a operação temerária. Envolveria pelo menos 30 pessoas.

 

Prevaleceu o bom senso. Irão a Mato Grosso, informa Andreza Matais, os senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Sibá Machado (PT-AC), Wellington Salgado (PMDB-MG), Leomar Quintanilha (PC do B-TO), Juvêncio da Fonseca (PSDB-MS) e Álvaro Dias (PSDB-PR). O depoimento será marcado para os próximos dias.

Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Palocci indiciado por mais quatro crimes

 

 

Antonio Palocci foi inquirido nesta quinta-feira pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga a suspeita de corrupção em contratos firmados com empresas de lixo à época em que ele foi prefeito de Ribeirão Preto. Concluído o interrogatório, o ex-ministro da Fazenda adicionou mais quatro indiciamentos à sua coleção. Desta vez, foi indiciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato.

 

O depoimento foi colhido em Brasília. O delegado Benedito Valencise, que preside o inquérito em Ribeirão Preto, não pôde comparecer. Mas enviou uma carta precatória com as perguntas que deveriam ser feitas a Palocci. A oitiva do ex-ministro foi acompanhada pelo promotor Daniel de Angelis, informa o repórter Felipe Recondo.

 

Palocci, que já fora indicado pela Polícia Federal pela prática de quatro delitos na quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, carrega agora sobre os ombros um total de oito indiciamentos. No caso de Ribeirão, as investigações apontaram para a participação do ex-prefeito num esquema de desvio de verbas públicas para a empresa de varrição de rua Leão & Leão. Parte do dinheiro teria beneficiado as arcas do PT.

 

Assim como no caso da quebra ilegal do sigilo do caseiro, também no caso de Ribeirão Palocci nega todas as acusações. Seu advogado, José Roberto Batocchio, chamou os novos indiciamentos de "heresia jurídica". O ex-ministro deveria ter sido indiciado há mais tempo. Enquanto ocupou o cargo de ministro de Estado, porém, ele vinha sendo beneficiado pelo foro privilegiado, que o manteve fora do alcance da Polícia Civil paulista. Com as novas encrencas, Palocci, que julgava estar entre o terceiro e o quarto círculos do inferno de Dante, deve ter avançado mais algumas casas.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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As guerras estão sendo privatizadas

 

 

A guerra demonstrou-se um empreendimento lucrativo demais para ser confiada apenas a militares. A febre do liberalismo avança sobre o front. Privatizou-se, por assim dizer, a Guerra do Iraque. Para cada dez soldados dos EUA enviados ao Iraque há um funcionário de companhias de segurança privada. A proporção é dez vezes maior do que a verificada na Guerra do Golfo, em 1991, informa a BBC.

 

Depois do 11 de setembro e das invasões do Afeganistão e do Iraque, empresas privadas de segurança converteram-se num dos negócios mais rentáveis de Washington. Estima-se que o mercado privado das guerras movimente anualmente US$ 100 milhões. As companhias oferecem pessoal treinado para a manutenção de armamentos, proteção de autoridades e até interrogatório de prisioneiros.

 

As três empresas que mais vêm tirando partido do mercado da guerra são as norte-americanas DynCorp, Blackwater e Halliburton. Esta última já foi dirigida por ninguém menos do que Dick Cheney, atual vice-presidente dos EUA, a quem se acusou de favorecer a empresa com contratos milionários.

 

Não por acaso, as três companhias têm em comum o fato de que seus conselhos de administração são majoritariamente compostos de ex-servidores graduados do Departamento de Defesa dos EUA e de ex-diretores da CIA, a central de inteligência norte-americana.

 

Nesta quinta-feira, começou em Varsóvia uma conferência sobre a crescente privatização das guerras. Organizou-a o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Especialistas de diferentes partes do mundo foram à capital polonesa para debater a participação de companhias privadas nos conflitos armados.

 

Entre os tópicos que serão debatidos está a ausência de regras para a atuação dos “soldados privados”. Do ponto de vista jurídico, eles nem são militares nem estritamente civis. A Cruz Vermelha está preocupada com a ausência de limites à ação das empresas privadas, que nem sempre se pautam pelo respeito às leis humanitárias internacionais.

 

Interrogadores privados atuaram ostensivamente, por exemplo, na prisão iraquiana de Abu Grhaib, notória pelos casos de tortura e humilhações a prisioneiros. Investigações conduzidas pelo governo norte-americano constaram que os “soldados sem farda” estiveram presentes em pelo menos um terço dos interrogatórios que descambaram para o abuso. Nenhum deles foi processado. Também no Afeganistão registraram-se casos de ação privada imprópria.

Escrito por Josias de Souza às 15h48

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Saudades de Sodoma e Gomorra

Aos pouquinhos, vai ficando claro para onde leva a terceira via proposta pela candidatura do ex-governador Antony Molequin..., digo, Garotinho. Ela conduz à delegacia de polícia. A pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar os veementes indícios da prática de molecagen$ na montagem do esquema de financiamento da pré-campanha do presidenciável do PMDB.

 

Quer assombrar-se? Pois leia alguns detalhes aqui. E outros aquiComo se vê, todos os caminhos, mesmo os mais alternativos, parecem levar à perversão.  Vive-se no país uma fase em que as pessoas são incapazes de enxergar honestidade nos políticos. E eles são incapazes de demonstrá-la. Resta ao brasileiro cultivar uma ponta de saudade daqueles tempos em que a política era mais pura e inocente, com PC "Sodoma" Farias e Fernando "Gomorra" Collor.

Escrito por Josias de Souza às 08h33

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Um Francenildo para Alckmin

A brincadeira de violar sigilos alheiros parece ter virado moda. Veja o que informa o repórter Rogério Pagnan (na Folha, para assinantes):

 

“O ex-gerente de Marketing da Nossa Caixa, Jaime de Castro Júnior, disse em depoimento à Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa de São Paulo que teve acesso a documentos que provam a quebra de sigilo bancário de funcionários e de familiares dele pelo banco, sem autorização judicial.


Inicialmente nervoso, Castro Júnior, demitido pela Nossa Caixa por suspeita de irregularidades em contratos de publicidade, disse que as movimentações financeiras constavam de relatório da auditoria feita pelo banco em duas sindicâncias internas. ‘No próprio relatório da auditoria citam isso. Procedimentos verificaram a movimentação financeira, dados cadastrais, das pessoas a, b e c.’

Essas pessoas, segundo ele, seriam sua ex-secretária, o filho, a filha e a sobrinha dela, além da própria namorada de Castro. ‘Desconfiavam que ela tinha conta conjunta comigo. Dizem que fizeram isso para exaurir toda e qualquer dúvida de favorecimento’, afirmou.


A Nossa Caixa nega ter havido quebra de sigilo. O deputado Romeu Tuma Júnior (PMDB) pediu à presidência da comissão que solicite à Nossa Caixa uma cópia reservada dessas sindicâncias. ‘Em Brasília, a quebra de um sigilo derrubou um ministro. Aqui, não derruba nem um presidente de um banco’, disse Tuma. O peemedebista acha que há elementos suficientes para abrir uma CPI sobre o assunto (...)”.

Escrito por Josias de Souza às 08h02

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Caseiro, que caseiro?

Na noite desta quarta-feira, Lula esteve no lançamento brasiliense do livro “Brasil: Primeiro Tempo”, do senador Aloizio Mercadante. Falou rapidamente à imprensa. E irritou-se quando lhe perguntaram sobre a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa. "Não dou opinião. Isso a CPI vai julgar, a Polícia Federal vai julgar (...). Eu ando todo dia, converso com milhares de pessoas e ninguém nunca me perguntou isso."

Questionaram-lhe também sobre a candidatura à reeleição. E Lula: "Se eu disser que sou candidato, eu não posso fazer (inauguração). E se o partido (PT) fizer convenção (prevista para junho), vai ficar mais difícil (...). Estamos numa fase em que a única forma de as pessoas dizerem que eu não sou candidato é se eu ficar preso das 8 da manhã até as 10 da noite no meu gabinete e ninguém me ver. Se eu sair pra cumprimentar alguém, vão dizer eu sou candidato."

O presidente confirmou que comparecerá à abertura do encontro nacional do PT, programado para o próximo final de semana. Prometeu fazer um discurso “paz e amor”. Em dado momento da entrevista, comparou o seu partido a outras legendas: "Antigamente, no Brasil, o PT era tido como o partido que só brigava. Hoje eu fico vendo a situação do Renan (PMDB) e a situação do Alckmin (PSDB) e fico pensando: nossa, puxa vida, como o PT é tranqüilo."

Escrito por Josias de Souza às 07h44

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As manchetes desta quinta

- JB: Tiros e granada tumultuam o Rio

- Folha: Decisão do Senado limita ação do Supremo

- Estadão: Lula insiste no supergasoduto, que para Bolívia é 'maluquice'

- Globo: Conexão laranja - Estado repassou R$ 112 milhões para três doadores de Garotinho

- Correio: Vem aí o pacotaço trabalhista de Lula

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h45

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Seis X Meia Dúzia

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h38

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Relatório final da CPI dos Bingos vai poupar Lula

  Alan Marques/Folha Imagem
O relatório final da CPI dos Bingos já começou a ser elaborado. Deve ficar pronto até 20 de maio, bem antes da data-limite da CPI, cujo encerramento está prevista para 27 de junho. As pessoas envolvidas na redação do documento concluíram que não há, por ora, nenhum fato que justifique a incriminação de Lula. O único personagem do primeiro escalão cujo indiciamento será sugerido já deixou o governo: Antonio Palocci.

O relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) evita dar declarações públicas sobre o teor do relatório. Mas, em privado, comunicou aos líderes da oposição que não terá como incriminar Lula. As duas apurações que poderiam resvalar no presidente não avançaram. E é improvável que evoluam.

 

A primeira delas esbarrou na decisão do STF que impediu a CPI de ter acesso aos dados bancários do petista Paulo Okamotto. O presidente do Sebrae disse ter liquidado com dinheiro do seu bolso uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT. A oposição suspeita que o dinheiro tenha saído do valerioduto. Mas não tem como provar.

 

A outra picada aberta com o objetivo de chegar a Lula envolve Roberto Teixeira, compadre do presidente. Acusado de participar de um esquema de coleta de recursos para o PT na década de 90, Teixeira foi à CPI. E a oposição não conseguiu arrancar dele nada que pudesse comprometer Lula.

 

A CPI está dividida quanto a Okamotto. Parte acha que a comissão deveria aprovar de novo a quebra do sigilo bancário do amigo de Lula. O relator Garibaldi tem dúvidas. Em seus diálogos privados, afirma que a providência seria inócua. Sem uma fundamentação jurídica, a medida seria derrubada novamente no STF. De resto, a oposição já não está segura de que tem votos para aprovar o que bem entende. O governo agiu. Há três semanas, a oposição não consegue votar nada na CPI.

 

Entre quatro paredes, Garibaldi manifesta o receio de que talvez não consiga reunir elementos nem mesmo para sugerir o indiciamento de Okamotto. Não exclui a possibilidade. Mas acha que terá de quebrar a cabeça para justificá-la.

 

Outro que deve ficar ausente do rol de indiciados da CPI dos Bingos é o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Pretendia-se incriminá-lo no caso Gtech. Mas a comissão não logrou reunir nenhuma evidência de que Waldomiro Diniz, o ex-auxiliar de Dirceu, tenha agido em nome dele ao negociar o recebimento de vantagens da estatal norte-americana no processo de renovação de contrato com a Caixa Econômica.

 

Destrinchado num relatório preliminar de Garibaldi Alves, o caso Getch resultou em 37 sugestões de indiciamento ao Ministério Público. São 34 pessoas físicas e três empresas. Dirceu não está na lista. Os nomes mais vistosos da relação são três ex-presidentes da Caixa: Sérgio Cutolo e Emílio Carrazai (gestão FHC) e Jorge Mattoso (governo Lula).

 

A CPI caminha, assim, para o seu término. Afora Palocci, que será acusado de receber vantagens indevidas à época em que foi prefeito de Ribeirão Preto e de mandar violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, nenhum outro grão-petista será incluído na lista de indiciamentos daquela que foi chamada de CPI do Fim do Mundo.

 

A comissão ainda ensaia a aprovar dos últimos requerimentos que ainda remanescem em seus escaninhos. O único que tem potencial para mudar os rumos do relatório final é a nova quebra de sigilo bancário de Paulo Okamotto. Justamente a medida que, na opinião do próprio relator Garibaldi Alves, tem menos chances de prosperar.

Escrito por Josias de Souza às 19h10

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'Caseirogate': Justiça manda investigar Receita

Cumprindo uma ordem judicial, a Polícia Federal será obrigada a investigar se a Receita Federal bisbilhotou os dados fiscais do caseiro Francenildo Costa. A determinação é da juíza Maria de Fátima Pessoa, da 10ª Vara Federal em Brasília. Ela atendeu a um pedido feito pelo Ministério Público.

Os procuradores que acompanham o “caseirogate” desejam eliminar a suspeita de que partiu da Receita a informação sobre os depósitos feitos na conta do caseiro Francenildo na Caixa Econômica Federal. O fisco tem acesso aos dados do recolhimento da CPMF, o imposto sobre o cheque.

Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Por ora, só a opinião pública dançou

Corroborando sugestão da Corregedoria da Câmara, a Mesa Diretora da Casa decidiu nesta quarta-feira impor à deputada Ângela “Bailarina” Guadagnin (PT-SP) uma advertência verbal. Tentou-se durante a reunião agravar a censura à deputada, impondo-lhe uma advertência escrita. Mas a idéia não prosperou.

 

"Foi a decisão majoritária da Mesa de que este delito foi de menor gravidade”, resignou-se José Thomaz Nono, autor da proposta recusada. “Acho que não foi tão leve assim, pelo momento político muito incômodo que o Congresso passa. Ela merecia uma reprimenda maior. Não (quero) prender a moça pelo rebolado, mas merecia uma punição mais dura", disse Nono, vice-presidente da Câmara, conforme relato de Andreza Matais.

 

Como se recorda, Guadagnin bailou em plenário depois da absolvição do mensaleiro-companheiro João “R$ 120 mil” Magno (PT-MG). A censura oral não faz jus à indignação pública que se seguiu ao bailado. Mas o eleitor ainda pode fazer a deputada dançar uma última vez nas urnas de outubro. É só querer.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

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Câmara rejeita aposentadoria de Janene

A Mesa Diretora da Câmara rejeitou nesta quarta-feira o pedido de aposentadoria do deputado mensaleiro José “R$ 4,1 milhões” Janene (PP-PR). A decisão acompanha deliberação que havia sido tomada pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Entendeu-se que a aposentadoria não pode ser usada como pretexto para impedir o julgamento do parlamentar.

Janene está licenciado desde setembro do ano passado, informa Andreza Matais. Ele alega complicações cardíacas. A Mesa também decidiu, com atraso, dar posse ao suplente do deputado, Nelton Miguel Friedrich (PDT-PR). Houve uma única voz dissonante na Mesa.

 

Ciro Nogueira, o corregedor da Câmara, logo ele, posicionou-se favoravelmente à concessão da aposentadoria a Janene. “É um gesto de solidariedade partidária”, interpretou José Thomaz Nono (PFL-AL), vice-presidente da Câmara.

 

Resta saber se o plenário da Câmara também não será tomado por um surto de “solidariedade” no instante em que for julgar Janene por seu envolvimento no escândalo do mensalão. O corporativismo encontro neste caso uma justificativa que não se apresentou em nenhum outro: a desculpa da saúde.

Escrito por Josias de Souza às 16h42

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A última empulhação da Câmara

A Câmara decidiu “restringir” os gastos dos deputados com combustíveis. Dos R$ 15 mil que cada parlamentar recebe para o custeio das despesas de seus escritórios nos Estados, “só” R$ R$ 4.500 poderão ser usados para encher o tanque do carro.

 

O resto terá de ser aplicado em outros gatos: aluguel, telefone, contratação de consultorias e um imenso etcétera. A “restrição” foi aprovada nesta quarta-feira pela mesa diretora da Câmara.

 

Trata-se de uma reação à vereda aberta no noticiário pelos repórteres José Casado e Maria Lima. Deve-se aos dois a exposição da pantomima em que se transformaram as prestações de contas dos parlamentares, recheadas de notas geladas.

 

Em termos práticos, a providência da Câmara é uma empulhação. Não chega a impedir que o naco picareta da Casa continue espetando notas micadas na testa da Viúva. A diferença é que, doravante, terão de descolar comprovantes também de outros setores, não mais só dos postos de gasolina.

 

Se quiser de fato fazer algo útil, a Câmara deve abrir os seus arquivos, permitindo a qualquer cidadão o acesso às notas e recibos apresentados pelos deputados. Todo o resto é conversa fiada.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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As manchetes desta quarta

- JB: Prefeitura joga a toalha no trânsito

- Folha: Gasto federal cresce 14% no início do ano eleitoral

- Estadão: Renan enterra pedido para investigar Lula

- Globo: Ano eleitoral faz Lula gastar R$ 7,4 bi a mais no trimestre

- Correio: Alfabetização precisa de 396 mil professores

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Admirável mundo novo!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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De olho na eleição, Lula abre o cofre

Deu-se o esperado. No ano eleitoral de 2006, o governo abriu o cofre. O Tesouro Nacional gastou no primeiro trimestre deste ano R$ 7,4 bilhões a mais do que havia torrado no mesmo período do ano passado.

 

A verba extra foi derramada em gastos com pessoal, financiamento da máquina pública e benefícios assistenciais. Entre janeiro e março de 2005, o governo produzira um superávit primário –a economia feita para pagar os juros de sua dívida—de 3,89% do PIB. Agora, o superávit foi de 3,06%.

 

Economizaram-se nos primeiros três meses de 2006 R$ 14,607 bilhões, informa o repórter Henrique Gomes Batista. A cifra corresponde a R$ 2,432 bilhões a menos do que aquilo que havia sido poupado no mesmo período do ano passado. Registrou-se um crescimento das despesas da ordem de 14,5%. As receitas, em contrapartida, foram tonificadas em 9,2%.

 

Os números soam como música nos ouvidos do petismo. Há muito que o partido de Lula vem defendendo, inclusive em documentos oficiais, que o governo gaste mais. Mas o resultado vai provocar a elevação do tom da oposição, que acusa Lula de ceder à tentação da “irresponsabilidade fiscal” de olho nas urnas.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Mais uma chance!

  Lula Marques/F.Imagem
Mal foi absolvido pelo plenário da Câmara, o mensaleiro José “R$ 120 mil” Mentor (PT-SP) já está às voltas com um novo processo. A Corregedoria da Câmara abriu nesta terça-feira um procedimento contra Mentor. Destina-se a apurar denúncia de que teria recebido propina, para beneficiar um doleiro na CPI do Banestado, da qual foi relator.

 

A nova denúncia foi feita pelo doleiro Richard A. de Mol Van Otterloo. Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, ele disse que pagou R$ 300 mil a Mentor. Em troca, seu nome foi excluído do relatório final da CPI do Banestado. Mentor disse em nota oficial que não conhece o doleiro. Negou ter recebido dinheiro dele ou de qualquer outra pessoa para aliviar a barra na CPI.

O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), vai notificar Mentor para que apresente defesa. Terá um prazo de cinco sessões legislativas para fazê-lo. Em seguida, Nogueira terá de se pronunciar sobre o caso. Pode sugerir do arquivamento à abertura de processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Se houvesse passado o mandato de Mentor na lâmina, no julgamento da semana passada, a Câmara estaria livre de mais este constrangimento.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Relator discorda de limite a propaganda e pesquisas

Escalado como relator da nova lei eleitoral, aprovada pelo Senado na semana passada, o ministro José Gerardo Grossi, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), informou ao blog que deve posicionar-se contrário à limitação da propaganda eleitoral e à divulgação de pesquisas de intenção de voto 15 dias antes das eleições. Grossi aguarda que Lula sancione o projeto para elaborar o seu voto.

 

“Temos lido o projeto, pensado e trocado idéias, mas é preciso aguardar pela sanção do projeto. Por ora, o que se tem é uma intenção de lei. Temos que ver o que o presidente vai sancionar ou, eventualmente, vetar”, disse Grossi.

 

“Mas na minha opinião”, prosseguiu o ministro, “em todos os pontos em que essa lei interfere na propaganda eleitoral e na divulgação de pesquisas, ela fere a Constituição. Essa é a minha opinião, que representa a sétima parte da opinião do tribunal (o TSE é integrado por sete ministros)”.

 

Assim, a prevalecer a posição do relator, o TSE pode considerar inconstitucionais, por exemplo, os seguintes tópicos da lei:

 

·         Proibição de divulgação de pesquisas de opinião 15 dias antes da eleição;

·         Proibição de sowmícios e outdoors;

·         Proibição de exibição de cenas externas nos programas eleitorais de TV.

 

“Não será proibindo tomadas externas, imagens de arquivo e showmícios que se vai evitar os abusos na eleição”, diz Grossi. “Seria o mesmo que dizer o seguinte: queimem todas as camas do mundo que o adultério desaparecerá. Não creio que seja por aí.” De resto, afirma o ministro, a Constituição consagra o “direito à liberdade de expressão”, sem fazer distinção entre a publicidade comercial e a propaganda eleitoral.

 

Segundo Grossi, o TSE “tem a tradição de pôr de lado matérias que ele considere inconstitucionais”. Em outras ocasiões, “o tribunal já procedeu assim”. Em relação à proibição de pesquisas, o ministro-relator recuperou nos arquivos do TSE uma decisão de 1988.

 

Havia na época uma proibição de divulgação de pesquisas 30 dias antes das eleições. Ao julgar um mandado de segurança impetrado pela Folha, o tribunal acatou o argumento de que a proibição feria o artigo 220 da Constituição, que trata da liberdade de informação.

 

“É claro que isso será submetido a debate no tribunal. E essas são questões que, por envolver matérias constitucionais, podem ser objeto de recursos ao Supremo Tribunal Federal, a quem cabe a palavra final, à qual todos teremos de nos curvar”, diz Grossi.

 

Afora o aspecto constitucional, Grossi receia que as limitações impostas à propaganda e às pesquisas ferem também o princípio constitucional da anterioridade (artigo 16 da Constituição), que proíbe mudanças nas regras eleitorais a menos de um ano das eleições. Nesse ponto, Grossi tem pelo menos um aliado no TSE. Marco Aurélio de Mello, presidente do tribunal, já havia declarado que esse princípio não poderia ser ignorado.

 

De outra parte, Grossi considera que podem vigorar já na eleição deste ano os artigos da lei que tratam da gestão dos recursos de campanha. “Minha opinião pessoal é de que, nestes pontos, a lei pode entrar em vigor porque não interfere diretamente no processo eleitoral.”

 

Assim, ficariam de pé, por exemplo, as regras que obrigam os partidos a abrirem contas bancárias específicas para a campanha e proíbem a movimentação de recursos em espécie. Aliás, esses tópicos já constam de resolução aprovada pelo próprio TSE. Vigoraria também o artigo que prevê a prestação de contas na internet em 6 de agosto e 6 de setembro, sem mencionar os nomes dos doadores dos recursos.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

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Em carta, movimento social cobra e defende Lula

Reunidos na sede da CUT, em São Paulo, representantes de entidades sindicais, estudantis, sociais e de partidos governistas discutiram os termos de uma “carta ao povo brasileiro” que deve ser divulgada nesta quarta-feira. O documento fará “cobranças” ao governo. Mas também anotará que os movimentos sociais não admitirão as “tentativas de desestabilização” da gestão Lula.

 

Estiveram no encontro, entre outros, representantes da CUT, MST, UNE, UBES, Juventude Socialista, PT, PSB e PC do B. Na reunião, discutiu-se a hipótese de formalização de um pedido de impeachment de Lula. Sobre esse assunto, houve consenso em relação a dois pontos:

 

·         As chances de que uma ação por crime de responsabilidade contra Lula venha a prosperar são pequenas. Não haveria, na opinião dos presentes, ambiente político;

·         Se, a despeito disso, a idéia do impeachment vingar, o movimento social irá reagir, nos termos expostos em entrevista concedida ao blog pelo presidente da CUT.

 

A “carta” do movimento sindical começou a ser discutida no final de semana, em encontro ocorrido na cidade de Recife (PE). A idéia é cobrar de Lula compromissos mais explícitos com sua “base” tradicional.

 

O texto fará cobranças de natureza tão diversa quanto a legalização de terras quilombolas e a intensificação do programa de reforma agrária até a redução das metas de superávit primário da economia.

 

Os líderes reunidos hoje na sede da CUT decidiram se encontrar novamente em dez dias. Querem organizar um “calendário comum” de eventos. Pretende-se programar para junho uma mobilização nacional. Não por acaso, junho é o mês em que o presidente pretende anunciar a decisão de concorrer à reeleição.

Escrito por Josias de Souza às 20h22

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Garotinho não aprendeu nada com a crise

Em meio a uma crise política que tem no caixa dois eleitoral um de seus ingredientes mais apimentados, o pré-candidato do PMDB à presidência da República, Anthony Garotinho, oferece ao país o mais eloqüente exemplo de que a política é incapaz de de aprender com os próprios equívocos.

 

Os repórteres Sergio Torres e Elvira Lobato informam, veja você, que uma das empresas que doaram recursos à pré-campanha de Garotinho tem como sócio ninguém menos que um bandido que se encontra em cana. Eis a abertura da notícia:

 

“José Onésio Rodrigues Ferreira, assaltante que cumpre pena no complexo penitenciário de Bangu, é fundador da empresa Virtual Line Projetos e Consultoria de Informática, que teria doado R$ 50 mil à pré-campanha de Anthony Garotinho (PMDB) à Presidência. Seu nome saiu da sociedade neste mês. A doação ocorreu em fevereiro, quando Ferreira era sócio.”

 

Se você tiver estômago, pressione aqui para ler o resto da notícia. O Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu investigar a encrenca.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Renan, o bombeiro, arquiva CPI do Armagedon

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acaba de informar ao plenário que decidiu mandar ao arquivo o requerimento de abertura da CPI do Armagedon, que tinha o apoio de 35 senadores. Renan considerou que a CPI não tem “fato determinado”, como manda a Constituição.

 

De resto, Renan afirmou que a prerrogativa da investigação legislativa “não pode ser confundida com instrumentos persecutórios e inquisitoriais”. A existência do “fato determinado”, disse ele, “é essencial, sagrado”. Não basta “listar fatos difusos, desconexos ou pulverizados”.

 

Apresentado pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), em viagem à Suíça, o requerimento da nova CPI listava vários “fatos”. Entre eles o pagamento de dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, feito pelo petista Paulo Okamotto, presidente do Sebrae; e as atividades empresariais de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente, cuja empresa recebeu aportes de R$ 15 milhões da companhia telefônica Telemar.

 

Para Renan, “os temas listados no requerimento estão sendo ou já foram objeto de investigação em âmbitos distintos. A superposição ou redundância de investigações maculam uma das maiores conquistas da constituição de 88”, que concedeu ao Legislativo “poderes para proceder investigações”.

 

Embora a nova CPI tenha sido referendada por 35 senadores, uma única voz levantou-se em plenário para questionar a decisao de Calheiros. A senadora Heloisa Helena (Psol-AL) disse que não apôs sua assinatura ao requerimento movida por inspirações persecutórias. Na opinião da senadora, o documento contém “fatos determinados” e, por isso, não deveria ter sido enterrado. O protesto da senadora caiu no vazio.

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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Congresso dará às prefeituras reforço de R$ 1,4 bi

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

As prefeituras brasileiras estão na bica de receber um reforço de caixa. Ao discursar para os prefeitos que participam da Marcha em Defesa dos Municípios, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP), assumiu o compromisso de aprovar o projeto que eleva de 22,5% para 23,5% o repasse do Fundo de Participação dos Municípios.

 

A medida consta de um projeto de mini-reforma tributária que escorre pelos escaninhos do Congresso desde janeiro de 2004. Injetará no caixa dos municípios mais R$ 1,4 bilhão. A proposta já foi aprovada pelo Senado, cujo presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), também esteve na marcha dos prefeitos. Está pendente agora da análise da Câmara.

 

"Nós vamos votar e aprovar a ampliação do FPM, pelo menos. Tenho consciência do impacto, dessa medida para as prefeituras", disse Aldo aos prefeitos. "A votação é uma questão chave. Basta querer. A base aliada quer, grande parte da oposição quer. Temos que nos despir da relação partidária e compreender que esse é um passo importante para a consolidação da república democrática", ecoou o ministro Tarso Genro (Coordenação Política).

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Busato chama CUT, MST e UNE de ‘inconsequentes’

  •   OAB reafirma: decisão sobre impechment sai em maio

  Sérgio Lima/F.Imagem
O presidente da OAB, Roberto Busato,
considerou “radical” e “inconseqüente” a promessa dos movimentos sociais de reagir a um eventual pedido de impeachment contra Lula. Alcançado pelo repórter no Panamá, onde se encontra nesta terça-feira, Busato reagiu com vigor à entrevista que o presidente da CUT, João Felício, concedeu ao blog na noite passada.

 

Felício dissera o seguinte: “Se algum tresloucado do neoliberalismo avançar nessa direção (do impeachment), nós vamos reagir”. Referindo-se à Ordem dos Advogados do Brasil, o presidente da CUT delcarou: “Espero que a OAB não entre com uma proposta dessa natureza. Falar em impeachment do Lula é loucura. Vai dividir o país.”

 

“Divisão é esse radicalismo inconseqüente de movimentos tidos como sociais mas que estão derivando de sua posição”, rebateu Busato. “A Ordem continua do mesmo lado em relação à sociedade brasileira, na sua luta a favor da ética, da moral. E, infelizmente, vê hoje os movimentos sociais, que sempre foram abrigados por ela, tachá-la, por meio de seus dirigentes,  de tresloucada, de neoliberal, o que é um atentado a tudo que a Ordem dos Advogados do Brasil construiu a favor da República”.

 

Busato disse que a “reação radical” dos movimentos sociais apenas “coloca mais fervura dentro desse caldeirão que é a crise política brasileira”. Ele afirma que “a OAB não é nenhuma neoliberal, ela não é essa entidade tresloucada que leve a população a uma crise intransponível. Muito pelo contrário”.

 

O presidente da OAB recomenda aos líderes da CUT, do MST e da UNE, entidades “que não têm tanta história como a Ordem, que olhem para trás e vejam a história da Ordem”. Descobrirão, segundo diz, que “ela passa pela história do Brasil. A Ordem não construiu a sua história sendo neoliberal, ou sendo uma entidade absolutamente de esquerda.”

 

Busato diz que “esse pessoal da CUT e do MST” precisa lembrar que, “no tempo dos militares, a OAB foi tachada de subversiva, de entidade de esquerda, e mesmo assim ela fez a defesa de todos aqueles que estavam na trincheira da oposição do regime discricionário.” Ele lembrou que esteve com Lula na semana passada. “Explicamos a nossa posição, e não podemos ser tachados de entidade que leve o país a uma situação de divisão.”

 

O presidente da OAB reafirmou que a entidade vai discutir o impeachment de Lula em reunião do seu Conselho Federal, marcada para 8 de maio. O debate será feito, segundo ele, “sem qualquer intenção político-partidária. Eu disse isso ao presidente da República, claramente, e foi entendido por ele.”

 

“Eu disse ao presidente que, em relação a essa questão, ele poderia ter uma certeza: a entidade não transformará esse processo num palanque eleitoral, seja a favor dele, seja a favor da oposição. Nós não podemos aceitar qualquer tipo de patrulhamento, seja ele dos radicais, de que lado for, de que situação for”.

 

Para Busato, “o país não pode persistir nessa crise ética e moral que o vem assolando a praticamente dois anos”. Ele acrescentou: “Nós temos que dar fim a isso. E talvez seja a maneira da Ordem contribuir para o país, examinando o impeachment e dizendo se é caso ou não é caso impeachment, para que se tente de uma vez por todas apaziguar a nação brasileira nesse ponto e  para que tenhamos eleições que sejam absolutamente isentas, sem qualquer revanchismo de lado a lado”.

Escrito por Josias de Souza às 14h46

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No limiar do fim do mundo

Desde que o governo decidiu assediar os integrantes da CPI do Fim do Mundo, a oposição descobriu que senadores que lhe juravam amor sincero hoje escondem um amante no armário. Difícil saber a essa altura quem ainda professa a fé oposicionista.

 

Certos senadores se deram conta de que, embora Deus esteja em toda parte, é o Diabo quem controla o cofre e o organograma de cargos federais. Assim, não é desprezível o poder de sedução do Tinhoso. Note o tamanho da encrenca nas quatro notas a seguir, publicadas no Painel da Folha (para assinantes):

  

Se correr...
Ameaçado de ser tirado da CPI dos Bingos pela base governista, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) tem mandado recado ao PFL: quer apoio na sucessão em Roraima para votar com a oposição nessa reta final.

Se ficar...
Mozarildo enfrentará o governista Romero Jucá (PMDB), em disputa que tem ecoado na tribuna do Senado. O governo revida: além de ameaçar tirá-lo da CPI, fala em pedir de volta cargos no Dnit e no Incra.

Pito
Outro quinta-coluna, Augusto Botelho (PDT) foi chamado às falas pelo presidente de seu partido, Carlos Luppi, e pelo líder Osmar Dias (PR). Prometeu continuar com a oposição.

Ao que interessa
Embora enumerem motivos nobres para justificar a decisão de acabar mais cedo com a CPI do Fim do Mundo, os senadores da oposição, em privado, reconhecem: não querem estender a rotina de depoimentos intermináveis até a Copa.

Escrito por Josias de Souza às 08h11

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As manchetes desta terça

- JB: Clubes perderão R$ 12 milhões

- Folha: Ataques a balneário matam ao menos 23

- Estadão: Stédile e mais 36 são denunciados por 5 crimes

- Globo: Lula anuncia R$ 2 bi para agradar prefeitos

- Correio: Ministério investigará transplantes no DF

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h27

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Impeachm..., ou melhor, 'impizza'!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Lula acena com 'bondades' para municípios

Alan Marques/F.Imagem

Após reunir-se com um grupo de 40 prefeitos, Lula, candidato não-declarado à reeleição, anunciou nesta segunda-feira um pacote de bondades para beneficiar prefeituras de todo país. Entre as medidas está a abertura de linha de crédito do BNDES para a renovação da frota e de equipamentos dos municípios.

 

Para os municípios com até 50 mil habitantes, o empréstimo será de R$ 1,25 milhão. Cidades mais populosas, poderão contrair empréstimos de até R$ 3 milhões. O presidente prometeu aumentar também o repasse destinado ao custeio da merenda escolar. Vai subir dos míseros R$ 0,18 para ainda irrisórios R$ 0,22 por aluno da pré-escola.

 

Os prefeitos que estiveram com Lula participam da Marcha em Defesa dos Municípios, que vai esparrmar pelas ruas e gabinetes de Brasília nesta terça-feira cerca de 3.000 gestores municipais. Junto com Lula, estiveram com os prefeitos os ministros Tarso Genro (Coordenação Política) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Afora os empréstimos e a tonificação da verba da merenda, Lula comprometeu-se a apoiar no Congresso o projeto que prevê o aumento de 1% no FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

A pedido de Lula, Tarso Genro já começou a articular a aprovação do projeto. Reuniu-se nesta segunda com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). A idéia do governo é inserir a discussão do FPM numa mini-reforma tributária. Juntando-se todas as promessas feitas aos prefeitos, tem-se uma despesa adicional para o Tesouro Nacional de R$ 2 bilhões por mês.

Escrito por Josias de Souza às 23h18

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CUT, MST e UNE preparam reação ao impeachment

CUT, MST e UNE preparam reação ao impeachment

Tuca Vieira/Folha Imagem
 

 João Felício: Impeachment é coisa séria, não é como comprar rabanete na feira

 

Em reunião convocada pelo presidente da CUT, João Felício (na foto), líderes do movimento sindical e de entidades sociais discutem nesta terça-feira uma estratégia de reação a um eventual pedido de impeachment de Lula. “Se algum tresloucado neoliberal avançar nessa direção, nós vamos reagir”, avisa Felício. Leia abaixo a entrevista que o presidente de Central Única dos Trabalhadores concedeu ao blog:

 

- O que acha da tese do impeachment?

Não consigo nem imaginar que um pedido de impeachment prospere.

- Caso  prospere, haverá reação?

Se algum tresloucado do neoliberalismo avançar nessa direção, nós vamos reagir.

- A posição é consensual no movimento social?

A esmagadora maioria pensa assim. Não vamos aceitar isso pacificamente. Não seremos meros espectadores de ações golpistas, udenistas ou qualquer nome que se queira dar.

- A OAB analisa a viabilidade do impeachment. O que acha?

Espero que a OAB não entre com uma proposta dessa natureza. Falar em impeachment do Lula é loucura. Vai dividir o país.

- A denúncia do Ministério Público não repôs o tema em pauta?

Para pedir impeachment, precisa ter um fato muito concreto. Não pode ter ilação. Impeachment é coisa séria, não é como comprar rabanete na feira. Na denúncia do Ministério Público não aparece a responsabilização do Lula.

- Há uma articulação para se contrapor ao impeachment?

Nesta terça-feira, aqui na CUT, faremos uma reunião dos movimentos sociais. Estaremos nós, o MST, a UNE... Chamamos também presidentes de alguns partidos: o Ricardo Berzoini (PT), o Renato Rabelo (PC do B), o Eduardo Campos (PSB). É um encontro de análise da conjuntura política. E vamos tratar desse assunto. 

- A causa é forte o bastante para levar gente às ruas?

Tenho certeza absoluta. Não vamos aceitar que aqueles que têm saudade do poder retornem desse jeito. Quem quiser o poder que vá às urnas. O Lula tem suporte popular. Se for preciso, vamos provar isso. Quem tentar vai dar um tiro no pé.

- O feitiço do impeachment pode virar contra os feiticeiros? 

Vai virar. Vai ficar clara a tentativa de derrubar um presidente que tem um olhar para o social muito mais avançado do que qualquer outro presidente na história.

- Qual a capacidade de mobilização dos opositores do impeachment?

Só a CUT tem 3.300 sindicatos filiados. Temos uma base de associados de 7,2 milhões de trabalhadores. No nosso caso, não será uma reação da CUT, como instituição. Quem não aceita é a militância sindical.

- Até onde vai o apoio da CUT ao governo?

Ninguém determina as opções da CUT. As nossas postulações, a nossa agenda são determinadas pela CUT. Somos contra, por exemplo, o superávit fiscal do governo Lula. Mas achamos que, para chegar aonde a gente quer, o Lula é o mais adequado. No mundo do trabalho, ninguém vai nos provar que a coisa piorou. Temos provas concretas de que melhorou. O Lula, para o que a gente quer, é melhor do que o FHC ou o (Geraldo) Alckmin, que vai radicalizar o que o Fernando Henrique fez.

PS.: Após a veiculação da entrevista, o blog ouviu o presidente da OAB, Roberto Busato. Ele classificou os movimentos sociais de "inconseqüentes".

Escrito por Josias de Souza às 22h37

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Lula abre ofensiva para mudar agenda do Congresso

  Folha Imagem
Lula quer que o Congresso mude de assunto. Acha que o Legislativo já esgotou a sua pauta de investigações. Deseja agora que senadores e deputados se dediquem a aprovar as leis que, segundo diz, permitirão levar adiante os projetos do seu primeiro mandato.

“Não é possível que o Congresso continue funcionando como uma delegacia de polícia”, disse ao blog um auxiliar de Lula. “Há muitos projetos por votar. E o que havia para ser investigado já foi. Chegou a hora de permitir que o governo governe.” 

Nesta segunda-feira, em reunião com os ministros que integram o comitê de coordenação do governo, Lula decidiu encaminhar ao Congresso três projetos de lei: a reforma universitária; uma espécie de “lei Rouanet” de estímulo ao esporte amador; e a proposta que torna obrigatória a venda fracionada de medicamentos.

Além dos projetos novos, Lula encomendou uma articulação para destravar a tramitação legislativa de projetos que já se encontram no Congresso. Entre eles o do Fundeb e a Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas. Incumbiu da tarefa o ministro Tarso Genro (Coordenação Política).

O governo deseja mostrar-se aberto ao diálogo com a oposição. Na mesma linha do que foi feito para viabilizar a votação do Orçamento da União. Nas palavras de Lula, “o interesse eleitoral” não pode se sobrepor aos “interesses do país”.

Se houver resistências da oposição, Lula deve incluir em seus discursos menções ao que chama de “mesquinharia eleitoral”. Endereçará ataques ao PSDB e PFL. Dirá que esses partidos não atrapalham apenas a sua administração. Conspiram contra o país.

Simultaneamente à tentativa de fazer com que o Congresso retome a sua produção legislativa, o governo se move para abafar os últimos focos remanescentes de investigação no Congresso.

Tenta-se retirar da oposição a maioria de votos que inferniza o governo na CPI dos Bingos. Trabalha-se também para convencer Renan Calheiros, presidente do Senado, a mandar ao arquivo a CPI do Armagedon.

Por último, articula-se a rejeição do requerimento do PSDB que convoca Marcio Thomaz Bastos para prestar esclarecimentos no Senado sobre o “caseirogate”. O governo argumenta que o ministro da Justiça já disse o que tinha a dizer na sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na semana passada.

Em linha oposta à do Planalto, a oposição segue privilegiando a agenda investigativa. Nesta terça-feira, os oposicionistas tentam novamente aprovar na CPI do Fim do Mundo a quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto, presidente do Sebrae e amigo de Lula; e a convocão de Jorge Mattoso, o petista acusado de ter quebrado ilegamente o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Palocci deixa casa oficial, mas fica em Brasília

Você, caro leitor, não está mais custeando a moradia do ex-ministro Antonio Palocci em Brasília. Na semana passada, ele retirou suas coisas da casa oficial que ocupou por mais de três anos. E, nesta segunda-feira, devolveu as chaves ao governo.

 

Palocci, porém, continuará morando na Capital da República, informa o repórter Fausto Salvadori Filho. "Ele não sairá de Brasília porque seus filhos estão matriculados nas escolas de lá", esclareceu José Roberto Batochio, advogado de Palocci.

Na próxima quinta-feira, o ex-ministro começa a acertar contas com o seu passado. Ele vai depor no inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investiga suposto esquema de corrupção envolvendo empresas de coleta de lixo e a prefeitura de Ribeirão Preto.

 

Embora negue de antemão qualquer tipo de perver$ao, Palocci deve ser indiciado pela prática de três crimes: peculato (apropriação de dinheiro ou de bem público em função do exercício do cargo), falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Assim, serão sete os indiciamentos que passam a assediar a biografia do ex-ministro. Além dos três já mencionados, ele foi indiciado quatro vezes no inquérito do “caseirogate”, conduzido pela Polícia Federal. Nem parece que Palocci foi, até outro dia, o segundo homem da República.

Escrito por Josias de Souza às 16h43

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PT investe contra Alckmin na Assembléia de SP

Carlos Eduardo Monteiro, presidente da Nossa Caixa, o banco oficial do governo de São Paulo, deve comparecer nesta terça-feira à Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa de São Paulo. Fustigado pela bancada estadual do PT, ele terá de prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na distribuição de verbas publicitárias da casa bancária.

Autor das denúncias, Jaime de Castro Júnior, um ex-funcionário da Nossa Caixa, diz que parte do orçamento de publicidade da instituição foi usada em benefício de programas e veículos de comunicação ligados a deputados estaduais que davam suporte à gestão tucana de Geraldo Alckmin. Sustenta também que agências prestaram serviços à Nossa Caixa mesmo depois que já haviam expirado os contratos.

 

O banco nega as malfeitorias. Alckmin, em suas manifestações públicas, tem se limitado a dizer que houve apenas um "erro formal" na prorrogação dos contratos das agências publicitárias responsáveis pela aplicação das verbas da Nossa Caixa. O ex-governador diz que o caso já foi investigado em auditoria interna. Dá o episódio por encerrado.

 

O PT pensa de outro modo. Na mesma reunião em que Eduardo Monteiro será ouvido, a Comissão de Finanças vai votar requerimento do deputado estadual Renato Simões (PT), que pede a instalação de uma auditoria especial do TCU (Tribunal de Contas da União), para perscrutar as contas da Nossa Caixa.

Escrito por Josias de Souza às 15h17

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PSDB usa tempo na TV para mostrar Alckmin

O PSDB leva ao ar a partir desta terça-feira as primeiras peças de campanha eletrônica do partido depois da escolha de seu candidato à presidência da República. O tucanato aproveitará o espaço em rede nacional de rádio e TV para mostrar Geraldo Alckmin.

 

As primeiras inserções serão veiculadas nos dias 25, 27 e 29 de abril. Depois, só em junho, durante mais cinco dias. Antes, em maio, Alckmin deve dar as caras também em inserções publicitárias de alcance estadual.

 

As peças de campanha do PSDB vão ao ar no rastro da publicidade petista. O tucanato deve rebater os ataques recebidos da legenda adversária. Informa, porém, que não fará “ataques pesados” a Lula.

Escrito por Josias de Souza às 14h24

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Calmante social

Encerrou-se neste domingo (23-abr) o 2º Fórum Social Brasileiro. Deu-se em Recife. Reuniu representantes de mais de 300 organizações sociais e ONGs. Ao final, as "lideranças sociais" informaram que desejam ser acalmadas por Lula. Querem que o presidente redija um compromisso. Algo parecido com o que fez em 2002, com a Carta aos Brasileiros. Com uma diferença:

"A Carta ao Povo Brasileiro foi para acalmar o mercado, agora o governo deve acalmar os movimentos sociais", disse Antonio Carlos Spis, da direção nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), conforme relata a repórter Angela Lacerda (para assinantes do Estadão). A intenção dos movimentos sociais é a de ganhar as ruas neste ano eleitoral de 2006. 

Escrito por Josias de Souza às 07h41

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As manchetes desta segunda

- JB: Música - Piratas são os donos do mercado

- Folha: Bin Laden incita fiéis a guerrear no Sudão

- Estadão: Primeiro Emprego cumpre 0,5% da meta

- Globo: Câmara vai investigar suspeitos de fraudar gastos

- Correio: Falta de transplante mata 25% dos doentes renais

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h23

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Profissão de fé!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 06h16

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Briga pela vice de Alckmin opõe Bornhausen a ACM

A definição do nome do companheiro de chapa do presidenciável tucano Geraldo Alckmin converteu-se em queda-de-braço entre Jorge Bornhausen, presidente do PFL, e Antonio Carlos Magalhães (BA), um dos principais expoentes do partido. O pano de fundo é uma disputa pela hegemonia do PFL.

 

A sombra de Bornhausen está refletida na imagem do senador José Jorge (PFL-PE), um dos candidatos à vaga de vice de Alckmin. O vulto de ACM está espelhado na estampa de José Agripino Maia (PFL-RN), o outro senador que reivindica o posto.

 

Preferido de Alckmin, Agripino Maia tem em ACM um esteio e um estorvo. Dispõe dos votos que o senador baiano controla no partido. Mas atrai para si todo o estigma que marca a trajetória de ACM.

 

O grupo pró-José Jorge difunde na legenda o receio de que a escolha de Agripino tonificaria supostas pretensões de ACM de retomar a aura de “dono” do PFL, que ostentou até o ocaso do governo de Fernando Henrique Cardoso.

 

O poderio de ACM começou a ser desidratado em 2001. Naquele ano, ele presidia o Senado. E foi acusado de ter maquinado a violação do painel eletrônico durante a votação que se pretendia secreta da cassação do mandato do então senador Luiz Estevão. O episódio levou ACM à renúncia. ACM e Bornhausen se estranham desde então.

 

Bornhausen enxergou no episódio do painel a oportunidade para abrir frinchas na supremacia de ACM. O problema é que o senador catarinense lida com um adversário famoso pelo faro político. Na briga entre José Serra e Geraldo Alckmin, ACM ficou com o segundo. Bornhausen apostou em Serra. E perdeu.

 

A mira certeira rendeu a ACM um canal privilegiado com Alckmin. Os dois se falam pelo telefone pelo menos duas vezes por semana. O que permitiu ao morubixaba baiano desenvolver uma articulação paralela à de Bornhausen. ACM tricota também com Tasso Jereissati, presidente do PSDB e seu amigo de décadas.

 

É nesse terreno movediço que deslizam as postulações de José Jorge e Agripino Maia. Nenhum dos dois admite a hipótese de abrir mão em favor do outro. Um prenúncio de que a disputa terá de ser definida na urna, contra a vontade de Bornhausen.

 

O presidente do PFL realizou uma consulta a 94 líderes do partido. Em movimento calculado, providenciou para que a sondagem fosse aberta. Admitiu que cada um dos ouvidos mencionasse vários nomes. Obteve, assim, mais de 180 “votos”. Não sem motivo, o nome de Bornhausen (70 menções) emergiu como o mais “votado”. E o de seu preferido, José Jorge (55), ficou à frente do de Agripino Maia (43).

 

Sentindo o cheiro de queimado, Agripino diz entre quatro paredes que fez uma sondagem paralela, na qual teria prevalecido sobre José Jorge com uma dianteira de 55% em colégio semelhante ao que foi consultado por Bornhausen. Por isso não abre mão de uma aferição final, caso o consenso se mostre inviável.

 

José Jorge, por sua vez, diz que, como ficou à frente na consulta de Bornhausen, cabe a Agripino sugerir regras para a definição da pendenga. Os dois devem conversar nesta semana. Anfitrião de Alckmin, que acaba de visitar o seu Estado (Rio Grande do Norte), Agripino informou ao candidato que dispõe do apoio de “Estados inteiros”. Citou, por exemplo, os diretórios do PFL da “Paraíba, Piauí (exceto Heráclito Fortes, cuja posição é desconhecida), Mato Grosso e Maranhão (exceto Rosena Sarney, que também não tornou pública a sua preferência).”

Escrito por Josias de Souza às 20h23

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OAB diz que analisa impeachment com 'isenção'

  Sérgio Lima/F.Imagem
Reunido em Belo Horizonte desde sexta-feira, o colégio de presidentes das seccionais da OAB nos Estados produziu um documento no qual retoma o tema do impeachment de Lula. O texto afirma que, ao avaliar a hipótese de endossar uma ação contra o presidente da República, a entidade coloca “os instrumentos da democracia em favor do cidadão e da nação".

 

Chamado de “Carta de Belo Horizonte (leia aqui a íntegra), o documento afirma também que a discussão em torno do impeachment reforça a "necessidade de combate diuturno à corrupção, que, infelizmente, ainda se abate sobre o governo de nosso país, corroendo o regime democrático e desmerecendo as instituições".

 

A OAB tenta desvincular-se no texto das inspirações eleitorais: "A luta pela ética na política não está vinculada a qualquer interesse partidário ou a qualquer outro que não o do combate a desvios de conduta na gestão pública, que possam colocar em risco o regime democrático e as liberdades que o povo conquistou com tanto sacrifício na história recente do país".

 

Em entrevista, o presidente da OAB, Roberto Busato (na foto), disse que: “O impeachment será analisado de forma isenta, sem procurar a penalização a qualquer custo ou a inocência a um preço de sermos acusados de omissos”. Em reunião do Conselho Federal da OAB, marcada para o próximo dia 8 de maio, será votado relatório de um grupo nomeado pela entidade para analisar a viabilidade jurídica de uma ação por crime de responsabilidade contra Lula.

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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O Rio de Janeiro não merece!

  Márcia X
O CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) de Brasília receberá no próximo dia 15 de maio a exposição “Erótica – Os Sentidos na Arte”. Já esteve em São Paulo. Encontra-se agora no Rio. E deve ser exibida na Capital faltando pedacinhos. Arrancaram-lhe um par de falos.

 

Por mais surreal que possa parecer, entenderam de castrar o pênis numa exposição que homenageia o erotismo. Por ordem da direção do Banco do Brasil, arrancou-se da mostra a obra “Desenhando em Terços”, da artista plástica Márcia X. Trata-se de uma foto (veja aí ao lado). Mostra dois terços. Cada um molda, à maneira da artista, um órgão copulador masculino. Foram sobrepostos em formato de cruz.

 

A coisa passou despercebida pelo CCBB de São Paulo, onde foi “vista” por mais de 55 mil pessoas entre 12 de outubro de 2005 e 8 de janeiro deste ano. Deu-se a encrenca apenas no Rio, justamente a cidade brasileira onde o erotismo encontra a maior quantidade de matéria-prima para consumar-se. Ali, ouviram-se dezenas de reclamações, segundo exagero difundido pela direção do Banco do Brasil para justificar a castração.

  

Quis o destino, sempre irônico, que o queixoso mais visível fosse um ex-deputado. Logo um representante da classe política, pródiga em submeter a sociedade brasileira a estupros que, embora metafóricos, não são menos dolorosos. Chama-se Carlos Dias o nosso personagem. É pré-candidato ao governo do Rio pelo PTB do companheiro-delator Roberto Jefferson.

 

Católico, o ex-parlamentar chegou mesmo a dar parte na polícia. Protocolou uma queixa-crime contra a exposição no 1º Distrito Policial do Rio. Considerou o par de falos uma "afronta à fé católica". Numa era em que o Vaticano é confrontado com as notícias acerca de padres em conflito entre o voto de castidade e o mau uso da genitália, o ex-deputado achou que a foto representa uma “agressão à Igreja Católica”.

 

Resultado: ao ceder à idiotia censória de meia dúzia de puritanos, o Banco do Brasil pôs em primeiro plano uma peça que, de outro modo, talvez nem fosse notada. Como perceber uma banalidade dessas em meio aos mais de cem trabalhos que compõem a exposição? Coisas produzidas pela genialidade de Rodin, Gauguin, Anita Malfatti, Picasso...

 

Não demora e o ex-deputado Carlos Dias vai reclamar a censura a Pablo Picasso. Não fica bem exibir à família brasileira o trabalho de um pintor com um nome tão, digamos, obscenamente sonoro. O pior é que o carioca, às voltas com um candidato como esses, não pode nem revidar a grosseria. Impossível impor qualquer tipo de censura a quem não tem o que dizer.

Escrito por Josias de Souza às 15h52

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Jefferson: denúncia do mensalão poupa os tubarões

  Folha Imagem
O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) –aquele que, depois de experimentar da verba, decidiu abrir o verbo—,continua com a língua solta. Gostou da denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão, ele incluído. Mas acha que ficaram de fora os “tubarões”. Menciona explicitamente o ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional).

Segundo Jefferson, Ciro teve parte das despesas de sua campanha presidencial de 2002 liquidadas com recursos (R$ 500 mil) provenientes do valerioduto. Também os doadores do caixa dois estão sendo poupados, acusa Jefferson. O ex-deputado falou à Agência Nordeste (para assinantes). Eis os principais trechos:

 

- A denúncia do Ministério Público: “O relatório da Procurador-geral da República retrata 80% daquilo que foi denunciado por mim e apurado pela CPI dos Correios.”

 

- Não falta Lula? “O povo está dizendo isso. Eu tenho lido muitas cartas dos leitores aos jornais e sempre a figura que aparece como Ali Babá é a do presidente Lula. Já o José Dirceu é o chefe direto da quadrilha e do bando. Ele é chamado pelo procurador de chefe da quadrilha e bando. É assim mesmo, o que diz o Código Penal.”

 

– Impeachment: “Eu penso que o impeachment perdeu o seu momento político. Ele pode pedir o impeachment de maneira judicial, ainda, mas seria mais lento. O momento certo, a meu ver, para o impeachment, foi durante a confissão do publicitário Duda Mendonça, que disse, aos olhos atônicos do País, que recebera todas as contas da campanha do presidente Lula e dos senadores e deputados do PT em paraíso fiscal fora do Brasil (...). Ali era a hora do impeachment (...). Mas todo mundo quis preservar o Lula (...).”

 

– A oposição foi incompetente? “Foi incompetente ou julgou mal o episódio político. Não querendo uma luta aberta, mas radicalizada com o presidente Lula e o PT, a oposição esperou que ele sangrasse (...). Mas parece que ele está tendo um público muito forte lhe sustentando, de acordo com os resultados das pesquisas.”

 

- A blindagem do presidente: “Não consigo compreender (...) que ele se mantenha ainda em forma e distante do desgaste pela opinião pública e de um processo de responsabilidade criminal (...). O eleitorado, principalmente as classes mais baixas, tem uma visão de que todo político é ladrão (...). E agora o raciocínio é inteiramente pragmático: um dos nossos, um operário está sendo acusado de corrupção. Nos outros governos sempre houve isso. Por que vão jogar o nosso no chão agora? É um raciocínio simples, mas é que vem prevalecendo nas camadas mais humildes.”

 

– A pizza do mensalão: “O Congresso Nacional não julgou o crime de responsabilidade dos ministros. O Ciro Gomes tirou R$ 500 mil e foi o senhor Márcio Lacerda, seu então secretário executivo, que foi ao Banco Rural e assinou a retirada, e não houve nada contra ele. Não recebeu processo de improbidade administrativa e ficou por isso. Ele apenas demitiu o seu secretário executivo, o Márcio, que foi o seu tesoureiro na campanha presidencial. Essas coisas foram descobertas pela Polícia Federal, pela CPI e o Ciro ficou de fora. Ou seja, deixaram os tubarões de fora. Me admira a pressão para cassar o (Professor) Luizinho (PT-SP) com R$ 20 mil e o José Mentor (PT-SP) com R$ 120 mil, se os ministros levaram 25 vezes mais, 10 vezes mais, que esses que estão sendo acusados. Que há uma pizza há, mas nós já esperávamos isso desde o início.”

 

- Os doadores de campanha: “(...) Mais uma vez, se preservou a identidade dos doadores do caixa dois. Eles continuam encobertos (...). Os homens que fizeram o caixa dois, que depositaram na caixa do Delúbio, do Marcos Valério, continuam no anonimato e eu tenho a preocupação de que eles possam fazer caixa dois de novo nas eleições que se avizinham e um outro mensalão, se for (eleito) o Lula, porque ele vai ter muita dificuldade para governar e só fazendo outro mensalão para construir uma base parlamentar.”

Escrito por Josias de Souza às 12h45

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As manchetes deste domingo

- JB:Senhor da Guerra desafia Bush

- Folha: Lista de transplantes é ficção, diz TCU

- Estadão: Sob pressão, PSDB decide mudar campanha de Alckmin

- Globo: Gasto de deputados com gasolina daria 6 idas à Lua

- Correio: Sete milhões de famílias têm crianças miseráveis

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h57

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A cidade proibida!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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A farra da gasolina é o novo escárnio da Câmara

 

 

Reportagem de José Casado e Maria Lima informa o seguinte:

 

“Deputados federais receberam R$ 41 milhões da Câmara, no ano passado, como reembolso por supostos gastos com gasolina. É dinheiro suficiente para comprar 20,5 milhões de litros de combustível e rodar 2.560.000 quilômetros em carro médio que percorre oito quilômetros por litro.

 

A gasolina que os deputados informaram à Câmara ter adquirido — e pela qual  foram reembolsados —  é bastante para 64 voltas ao mundo. Ou para uma quilometragem equivalente a seis viagens à Lua, ou três de ida e volta à Terra. Nesse caso,  sobraria combustível para um trajeto extra de 220 mil quilômetros em solo terrestre."

 

A direção da Câmara se nega a exibir as notas fiscais que comprovariam os gastos. Informa que tampouco realiza uma checagem do papelório. O signatário do blog acha que esse pessoal está convencido de que o contribuinte é imbecil. E talvez eles tenham razão. 

Escrito por Josias de Souza às 00h55

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Governo dá verba a prefeitos que não prestam contas

Governo dá verba a prefeitos que não prestam contas

Em desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo federal vem liberando verbas orçamentárias a prefeituras que não prestam contas como deveriam dos seus gastos. Foi o que demonstrou uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União na Secretaria do Tesouro Nacional (processo número 010.711). A fiscalização foi aprovada pelo plenário do tribunal no último dia 30 de março.

Descobriram-se indícios de que, em 2004, de um total de 5.429 ordens de pagamento emitidas pelo governo, 4.961 (91,4%) podem ter beneficiado municípios com pendências nos computadores de Brasília. Em 2004, o fenômeno se repetiu em 2.101 (70,7%) das 2.972 ordens bancárias liberadas. Não há no relatório de auditoria uma quantificação das verbas liberadas.

Para atestar as suspeitas de irregularidade, os auditores consultaram um sistema informatizado que foi criado em 2001. Chama-se CAUC (Cadastro Único de Exigências para Transferências Voluntárias para Estados e Municípios). O CAUC é um subprograma do Siafi, o sistema que registra todas as despesas da administração pública federal.

Antes de liberar dinheiro para Estados e municípios, as repartições públicas deveriam verificar no CAUC se os governadores e prefeitos beneficiados não têm pendências nas suas prestações de contas. O cadastro anota exigências que incluem desde obrigações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal –a obrigatoriedade de limitar a 60% da receita os gastos com pessoal, por exemplo—,até informações sobre a regularidade das administrações estaduais e municipais com o fisco e com o INSS.

O problema é que a utilização do CAUC mostrou-se débil. “Verificou-se que muitas unidades gestoras não vêm realizando registro no CAUC nem consulta ao cadastro, sobretudo em relação a alguns itens específicos, para transferências voluntárias”, anota o relatório de auditoria do TCU. Os funcionários incumbidos de tais tarefas alegaram aos auditores que “não dispõem de capacidade técnica para tal verificação”.

Em todos os casos em que houve repasses irregulares –4.961 em 2004 e 2.101 em 2005—, os municípios beneficiados com a liberação de verbas previstas em convênios firmados com o governo registravam pelo menos uma pendência no cadastro oficial. Em casos assim, a lei obriga a interrupção dos repasses. Abre-se exceção apenas para recursos destinados a investimentos em educação, saúde, assistência social e segurança pública, itens que foram excluídos do levantamento do TCU.

Os auditores foram cuidadosos no texto levado ao plenário do TCU. Em função da fragilidade do cadastro, concluíram que, para atestar em definitivo a inadimplência dos municípios será perscrutar os convênios. Algo que será feito no exame das contas dos órgãos repassadores de verbas. Só assim será possível se estão anexados aos processos os dados que não constam do cadastro informatizado.

Outros órgãos de controle do governo atestaram as irregularidades nos repasses. Os auditores do TCU escreveram em seu relatório que “denúncias” nesse sentido “foram apuradas pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal e evidenciam as fragilidades do sistema”.

No final de 2005, a Secretaria do Tesouro promoveu mudanças no CAUC, contemplando ajustes recomendados pelo TCU. Para o tribunal, porém, remanesceram fragilidades no sistema. Decidiu-se, por sugestão do relator do caso, ministro Marcos Vilaça, realizar nova fiscalização no primeiro semestre de 2007.   

Escrito por Josias de Souza às 20h33

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O Petróleo é nosso. E do Irã também

O Petróleo é nosso. E do Irã também

No Planalto

 

O Brasil está em festa. A máquina marqueteira do governo foi acionada para faturar eleitoralmente a obtenção da auto-suficiência na produção de petróleo. Significa dizer que a Petrobras vai produzir em 2006 uma média diária de barris de óleo (1,9 milhão) superior à média de consumo nacional (1,8 milhão de barris por dia).   

 

Sem querer estragar os festejos, vai aqui um aviso aos navegantes: não há razão para tanto regozijo. Antes de soltar fogos, convém prestar atenção na encrenca que está sendo armada no mercado petrolífero mundial. Vale a pena, de resto, notar que o êxito brasileiro foi construído sobre os pilares do crescimento econômico medíocre.

Na mesma sexta-feira em que Lula, imitando o gesto de Getúlio Vargas, molhou as mãos de óleo na bacia de Campos (RJ), o perigo se insinuava nas cotações do mercado internacional. O petróleo negociado em Nova York fechou acima de US$ 75 o barril.

No mercado de Londres, referência na Europa, a cotação do barril bateu em US$ 73,18, um pequeno recuo em relação ao preço da véspera (US$ 74), o nono recorde consecutivo. A alta mundial do petróleo tem nome. Chama-se Mahmud Ahmadineyad.

Mercê de suas aspirações nucleares, o presidente do Irã, segundo maior produtor da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e quarto maior produtor do mundo, injeta nervosismo na cena internacional. A perspectiva de que a ONU imponha sanções ao Irã ou de que Washington resolva jogar bombas sobre a cabeça de Ahmadineyad, impregnam o futuro da economia global de dúvidas.

Admita-se que os novos patamares de produção da Petrobras acomodam o Brasil em posição de menor vulnerabilidade do que a que se encontrava na crise petrolífera dos anos 70. Mas só o desvirtuamento próprio de ambientes pré-eleitorais pode levar à desconsideração da evidência de que não estamos alheios ao risco.

Não é preciso ser economista para intuir que, caso os preços do petróleo atinjam patamares que prejudiquem os EUA, o crescimento do PIB global será posto em risco. Com impactos nefastos em países emergentes como o Brasil.

Entra-se, então, no segundo ponto ofuscado pelas comemorações. Graças aos méritos da Petrobras, a auto-suficiência viria cedo ou tarde. Veio mais cedo porque o crescimento econômico (média anual de 2,32% sob FHC e de 2,54% sob Lula) vem sendo ridículo. Uma evolução mais vigorosa do PIB resultaria em aumento do consumo de petróleo e a aclamada auto-suficiência cairia por terra em pouco tempo.

Ou seja, estamos estourando champanhe pela nossa desgraça. Celebramos os efeitos –a auto-suficiência—, sem reparar na causa –o desempenho medíocre da economia. De quebra, fechamos os olhos para o desastre que se arma lá fora. Um desatino que pode resultar em PIBs ainda mais constrangedores. Não há de ser nada. Crescendo menos, logo estaremos erguendo novos brindes pelo desempenho ainda mais vigoroso da Petrobras. O petróleo, afinal, é nosso.

Escrito por Josias de Souza às 18h06

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Dinheiro já tem; faltam os votos

Reunidos num aprazível resort da ilha baiana de Comandatuba, 179 executivos de empresas dos mais diversos setores –Citibank, ABN Amro, Daslu, Braskem e Casas Bahia, por exemplo—decidiram realizar uma enquete presidencial.

 

Deu Alckmin na cabeça, informa Epaminondas Neto. Com larga vantagem. O tucano prevaleceu sobre Lula com a impressionante marca de 91% das preferências, contra 3% de votos atribuídos ao candidato do PT. Garotinho amealhou 2%.

 

Embora numericamente inexpressiva, a sondagem serviu para demonstrar duas coisas: 1) Lula não deve ter dificuldades para pespegar em Alckmin a pecha de candidato da plutocracia; 2) Alckmin terá enorme facilidade para fornir as arcas de sua campanha.

 

O diabo é que o dinheiro, que em outras situações compra até amor verdadeiro, em termos eleitorais nem sempre traz felicidade. Pode comprar o jatinho, o marqueteiro, o estúdio e o cabo eleitoral. Mas não compra a consciência coletiva. Ou não deveria comprar.

Escrito por Josias de Souza às 17h33

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Irã é a mais nova prova de que Darwin errou

Certos lugares do mundo atravessam uma quadra antidarwinista. É o caso do Irã. Sob a presidência do amalucado Ahmadineyad, o país prepara-se para adotar um código moral que não passaria pelo crivo do mais primitivo dos símios.

 

Serão detidas todas as mulheres que forem às ruas sem o xador, aquela veste muçulmana que recobre do rosto ao tornozelo. Nada será permitido além de esconder o corpo todo. Nenhuma nesga de pele pode ficar à mostra.

 

A polícia da capital, Teerã, estará autorizada a deter as mulheres que ousarem se exibir, por exemplo, sem o hijab, um pedaço de pano que as mulheres utilizam para esconder a cabeça. Serão fechadas as companhias de táxis que transportarem passageiras trajadas de modo inadequado.

 

A partir da edição do pacote religioso-moral, noticiado pelo diário britânico The Guardian, os iranianos, homens e mulheres, serão proibidos também de passear com cachorros pelas ruas, um hábito que o governo considera anti-islâmico. 

 

A modernização do estilo de vestimenta feminina e a flexibilização dos cortes de cabelos masculinos eram duas fortes marcas simbólicas da gestão do presidente Khatami, predecessor de Ahmadineyad. O novo mandatário decidiu, porém, levar ao pé da letra o vocábulo árabe islã, que significa submissão.

 

É nas mãos deste descerebrado, movido a radicalismo religioso e a delírios atômicos, e daquele outro de Washington, regido a prepotência belicista, que se encontra o futuro da economia global. Vai mal a humanidade.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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As manchetes deste sábado

- JB: Lula molha a mão como Getúlio

- Folha: Em clima de campanha, Lula imita Vargas no Rio

- Estadão: Petróleo bate recorde no dia da festa da Petrobras

- Globo: Lula usa a Petrobras e imita Getúlio para fazer campanha

- Correio: Guerra do petróleo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Redução de custos!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h46

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Caça ao tesouro

As dores de cabeça daqueles que compõem o que o Ministério Público chamou de “quadrilha” do mensalão estão apenas começando. Além da denúncia coletiva já apresentada ao STF pelo procurador-geral da República Antônio Fernando de Sousa, estão sendo preparadas 40 ações de “improbidade administrativa”.

 

Serão processos individualizados, um para cada integrante da “quadrilha”. O objetivo do Ministério Público é tentar reaver nos tribunais os recursos supostamente desviados dos cofres públicos. Entre os processados, informa Bernardo de la Peña, estarão expoentes do grão-petismo. José Dirceu e Luiz Gushiken, por exemplo.  

Escrito por Josias de Souza às 00h43

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Lula-2006 repete Getúlio-1952

Fotos:Arquivo e Renato Pinheiro
 

 

Ao inaugurar, nesta sexta-feira, na bacia de Campos (RJ), a plataforma P-50, que marca a conquista da auto-suficiência brasileira na produção de petróleo, Lula imitou Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”. Repetindo o gesto de 1952, o presidente molhou as mãos no óleo e imprimiu as marcas no macacão de um funcionário da Petrobras.

  

A obtenção da auto-suficiência –o país produzirá mais petróleo (1,9 milhão diários de barris) do que consome (1,8 milhão de barris/dia)—não trará benefícios ao consumidor. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, apressou-se em informar: não haverá redução dos preços dos combustíveis no mercado interno.

Mas o país terá, segundo Gabrielli, mais facilidade para administrar as oscilações dos preços do petróleo no mercado internacional. Nas palavras de Lula, a auto-suficiência petrolífera significa "independência" e "estabilidade" para a economia brasileira num instante em que o preço do barril bate recordes no mercado internacional.

"A US$ 70 o barril e com as reservas em declínio, a auto-suficiência é um formidável triunfo de estabilidade e segurança econômica que a lucidez política adicionou ao nosso querido Brasil", disse o presidente. Enquanto Lula sujava as mãos em Campos, o petróleo batia um novo recorde na Bolsa Mercantil de Nova York. O preço do barril alçou à casa dos US$ 75,17. A continuar nessa toada, a Petrobras pode ser compelida a reajustar os preços do combustível no mercado interno.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

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Livro de Mercadante apresenta Lula como estadista

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O senador petista Aloizio Mercadante (SP) lança nesta segunda-feira o livro “Brasil: Primeiro Tempo”. Contém o pecado da adjetivação engajada. Lula, por exemplo, é apresentado como um “estadista”, cuja “autoridade e competência” é reconhecida pelo “mundo”. “Não há líder no planeta que não queira reunir-se com ele”, escreve Mercadante, “para trocar idéias e percepções sobre a construção do futuro”.

 

À margem dos vícios de retórica, a maior virtude do livro encontra-se em seus trechos mais enfadonhos. São nacos do texto que compõem um minucioso exame comparativo dos três primeiros anos de Lula com os oito anos de FHC. Mercadante promove em 286 páginas, levadas às prateleiras sob o selo da Editora Planeta, um exaustivo cotejo entre os dois governos.

 

É, nas palavras do autor, “a confrontação de dois modelos”. Um, “de inspiração neoliberal”, e outro, “progressista”. A obra coleciona informações e estatísticas das duas eras. O PSDB decerto terá dados diferentes a exibir. Segundo a lição de Disraeli (1804-1881), resgatada na autobiografia de Mark Twain, “há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”.

 

Assim, é razoável supor que, a partir da divulgação da "verdade" de Mercadante, o tucanato também apresente a sua "verdade". Terá de fazê-lo, porém, com números, a exemplo do senador petista. E o (e)leitor escolherá, entre as duas “verdades”, aquela que lhe pareça mais plausível. O que há de relevante no livro é que, ao dar contornos numéricos às gestões de Lula e de FHC, o trabalho introduz algo sólido num debate que, até aqui, perde-se em gasosos discursos eleitorais.

 

A julgar pelos números reunidos por Mercadante, um Lula de três anos (2003-2005) vale mais do que um FHC de oito (1995-2002). No levantamento composto pelo senador, a gestão atual prevalece sobre a anterior em todas as áreas, da política externa à econômica, passando pela social. Veja aqui um quadro comparativo, que foi inserido entre as páginas 229 e 233 do livro.

 

Eis alguns exemplos empilhados no texto de Mercadante: Sob Lula, a taxa anual de crescimento das exportações foi de 25,1%, contra 4,2% de FHC. O saldo comercial acumulado em três anos de Lula resultou em superávit de US$ 103,8 bilhões, contra um déficit de US$ 8,7 bilhões anotado nos oito anos de FHC. A taxa de “desemprego aberto”, que crescera 35% na gestão FHC, teria diminuído 9,83% sob Lula. Também a taxa média de crescimento do PIB teve desempenho menos constrangedor sob Lula (2,54%) do que sob FHC (2,31%).

 

Antecipando-se ao contra-ataque tucano, Mercadante anota na página 26: “Alguns críticos argumentam que o governo está aproveitando conjuntura internacional favorável. É verdade. Porém, as exportações brasileiras vêm crescendo num ritmo bem superior à média global. Nesses três anos do governo Lula, estima-se que as exportações mundiais tenham crescido cerca de 60%, ao passo que as exportações brasileiras aumentaram 96%”.

 

Entre 95 e 96, “auge do Plano Real”, anotou Mercadante, com “a economia internacional em expansão e os preços externos mais favoráveis”, as exportações brasileiras foram tonificadas em 9,6%, contra um incremento de 26% nas exportações mundiais.

 

Para Mercadante, o governo Lula mudou “a qualidade do nosso desenvolvimento”. “Não é tudo o que gostaríamos de ter feito”, escreve. “Mas não é pouco.” O senador dedica um capítulo à “redução” da inflação, iniciada sob FHC, e ao “controle” do flagelo da escalada de preços, assegurado sob Lula. A análise consta do capítulo número quatro, que você pode ler aqui, enquanto aguarda pelas “verdades” do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 23h06

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Senador prega ‘reposicionamento’ da pauta política

  Lula Marques/F.Imagem
Recomenda-se aos futuros leitores da obra de Aloizio Mercadante (R$ 29) que se acautelem ao percorrer o prefácio. Leva a assinatura de Lula. À altura do quarto parágrafo, o presidente escreve: “A análise de Aloizio não tem nada de condescendente. Ao contrário, é séria, rigorosa e, freqüentemente, autocrítica”. Não é bem assim. Quem estiver atrás de autocrítica, deve ler outra coisa.

 

Próximo da rabeira do livro há um capítulo, o décimo (página 213), dedicado à “transparência e combate à corrupção”. Ali, louva-se a Polícia Federal, engrandece-se o Ministério da Justiça, enaltece-se a Controladoria Geral da União. Mas foge-se da constatação de que todo esse aparato não logrou conter o assédio de personagens como Delúbio Soares, Marcos Valério e assemelhados aos cofres de órgãos públicos e empresas estatais.

 

Não se encontra no livro de Mercadante uma única menção ao neologismo mensalão. O objetivo declarado da obra é virar essa página. Mercadante avisa logo na apresentação: “Espero, com esse livro, contribuir para o esforço de reposicionamento da pauta política do país. Precisamos estimular o debate construtivo e qualificado, que permite tecer pontes de concórdia, amenizando o debate eleitoral, para permitir que avancem consensos mais produtivos.”

 

Num raro instante de penitência, o senador reconhece: “lamentavelmente cometemos erros importantes. Seguramento, o mais grave foi errar naquilo em que não tínhamos o direito de errar: o império da ética.” Mas Mercadante logo retoma a toada laudatória, para apontar a “maturidade e equilíbrio” do governo. E, antes de virar a página para a nova agenda, mais propositiva, tira suas lascas do PSDB.

 

“O que difere um de outro governo, talvez, seja a disposição inequívoca exibida de esquadrinhar suas próprias entranhas, como fez o atual governo, dispondo de seu aparato investigador –a Polícia Federal, por exemplo—e fornecendo, impessoalmente, argumentos para elucidar as denúncias, mesmo que se prestassem a arrebatamentos agressivos da oposição.”

 

Outros governos “fugiram dessas funções”, anotou Mercadante. “Foi o caso do governo federal antecedente (FHC) e do atual governo do Estado de São Paulo (Alckmin), onde mais de 60 CPIs pairam inertes na Assembléia Legislativa. Ambos adotaram como pratica recorrente o arquivamento de denúncias que lhes desagradassem.”

 

A despeito das estocadas, o que Mercadante deseja mesmo é mudar de assunto. Pelo menos foi o que disse ao signatário do blog: “Estou tentando com esse livro estimular um debate que está faltando. O Brasil não está discutindo o Brasil. Não nego que essa crise tem origem em erros graves e inaceitáveis. Tem que apurar e punir. Mas não podemos ter uma pauta monotemática. Não podemos passar a eleição discutindo só os vestidos de dona Lu (Alckmin) e o sigilo do caseiro (Francenildo).”

 

Segundo Mercadante, seu livro ajuda a explicar algo que a oposição e parte da imprensa ainda não entenderam. “Por que o Lula continua em alta nas pesquisas?”, pergunta Mercadante. “A resposta está no livro. Houve aumento do emprego, reajustes salariais acima da inflação, crédito consignado, melhor salário mínimo dos últimos 20 anos, cesta básica mais barata do que na época do Plano Real, bolsa família atingindo oito milhões de famílias. São coisas assim que precisamos debater, sem prejuízo da discussão ética”.

Escrito por Josias de Souza às 23h01

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Morte 1 X Telê inúmeros

Morte 1 X Telê inúmeros

Por mais partidas que joguemos, por mais dribles que sejamos capazes de dar, por mais gols que façamos, sabemos que, na partida final, aguarda-nos a inexorável derrota.

 

Estamos todos, mesmo os que ainda nos encontramos cheios de vida, jurados de morte. Porém, neste 21 de abril de 2006, Telê Santana venceu a derrota.

 

A morte o levou, não há dúvida. Mas matou-o de um a zero. Tendo vivido de goleada, o mestre do futebol conquistou o direito à volta olímpica eterna. Foi condenado a sobreviver na memória nacional. Telê deu, por assim dizer, um chapéu na maldita. Oooooooooooooooooolé!

Escrito por Josias de Souza às 14h49

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PF quer ouvir Lula sobre mensalão

Sérgio Lima/F.Imagem

A Polícia Federal pode ouvir Lula, informa Andréa Michael. Em relatório enviado ao STF, a PF diz que deseja ouvir quer ouvir todos os ‘agentes públicos’ que teriam sido informados pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ‘da existência de repasse de recursos para a base aliada’. E entre esses ‘agentes públicos’ está o presidente da República.

O pedido da PF subiu ao Supremo em 8 de março. Não menciona o nome do presidente. Apenas afirma que é conveniente, para continuar a investigação, ouvir os "agentes públicos que teriam sido comunicados" por Jefferson. Em junho do ano passado, em entrevista a Renata Lo Prete, Jefferson resumiu assim o seu contato com Lula:

 

"Quando eu contei [...] a reação do presidente foi de facada nas costas: ‘Que é isso?’. Eu contei, as lágrimas desceram dos olhos dele. Ele levantou, me deu um abraço e me mandou embora", afirmou. Depois, também em entrevistas, Lula negou que tenha chorado. Leia mais sobre os planos da PF aqui.

Escrito por Josias de Souza às 13h33

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As manchetes desta sexta

- JB: Uma conversa entre amigos

- Folha: Bastos nega ter acobertado Palocci

- Estadão: Bastos não convence oposição, mas Planalto comemora

- Globo: Lula: serviço de saúde no país é quase perfeito

- Correio: A minha, a sua, a nossa Brasília

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Entre o mar e o Apocalipse

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Três Estados emperram aliança de Alckmin com PFL

Lula Marques/F.Imagem

O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, informou ao candidato tucano Geraldo Alckmin e ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que, antes de anunciar a aliança nacional com o tucanato, quer ver “curadas” três “feridas abertas”. Localizam-se na Bahia, Sergipe e Maranhão. Nessas três unidades da federação, os tucanos locais resistem em formalizar alianças com os candidatos aos governos estaduais lançados pelo PFL, favoritos nas pesquisas eleitorais.

 

Bornhausen informou nesta quinta-feira à Executiva do PFL, reunida em Brasília, que vai se reunir com Alckmin nos próximos dias para acertar a data do anúncio do consórcio nacional entre PSDB e PFL. Discutirão os termos de um documento conjunto, a ser divulgado em solenidade pública. Antes, os pefelistas querem resolver as três “chagas”. As encrenca são as seguintes:

 

·         Bahia: o PFL quer reeleger o governador Paulo Souto, candidato de Antonio Carlos Magalhães. Adversário de ACM na política local, o PSDB acena com o apoio a João Durval (PDT), pai do prefeito de Salvador João Henrique (PDT). O PFL quer que a direção nacional do PSDB force o apoio a Souto. Admite uma solução alternativa: Alckmin declararia publicamente que Souto é o seu candidato. E assumiria o compromisso de não subir em nenhum outro palanque, ainda que Durval, um velho desafeto de ACM, cuja candidatura já foi lançada, retirada e ameaça ser relançada, se apresente com o respaldo do tucanato baiano;

·         Sergipe: o governador João Alves é candidato à reeleição pelo PFL. Sua mulher, a senadora Maria do Carmo, cujo mandato se encerra neste ano, candidatou-se à renovação da cadeira no Senado. Aí reside o problema. O PSDB também quer que a vaga de senador seja do ex-governador Albano Franco. O PFL exige que Albano saia do páreo. Admite entregar a ele a vaga de vice-governador na chapa de João Alves;

·         Maranhão: o tucanato maranhense destila ódio ao que chama de “oligarquia da família Sarney”. E recusa o apoio à candidata do PFL ao governo do Estado, Roseana Sarney filha do ex-presidente José Sarney. Os pefelistas exigem uma capitulação do PSDB do Maranhão.

 

Na conversa que terá com Alckmin, Bornhausen dirá também que o PFL decidiu adiar o anúncio do nome do seu candidato a vice-presidente da República para depois da solenidade pública que efetivará a aliança nacional em torno de Alckmin. A escolha do vice é outra “ferida aberta”. Mas, neste caso, a “cura” independe da ação do PSDB.

 

Realizada com o intuito de resolver a pendenga do vice, uma consulta interna conduzida por Bornhausen acabou aprofundando o problema. Ouvidos 94 lideranças do PFL, foram recolhidos mais de 180 manifestações. A discrepância entre um número e outro decorre do fato de que Bornhausen abriu às pessoas auscultadas a possibilidade de indicar mais de uma opção.  

 

De acordo com os números que Bornhausen pôs sobre a mesa, houve 70 manifestações a favor do nome dele; 55 favoráveis ao senador José Jorge (PE); 43 pró-José Agripino Maia (RN), líder do partido no Senado; e 22 pela indicação do deputado José Thomaz Nono, vice-presidente da Câmara.

 

Bornhausen retirou-se da disputa. E pediu a José Jorge e a Agripino Maia que decidam entre eles quem será o vice de Alckmin. Quer que a definição seja feita por consenso. Acha que não há tempo para a realização de prévias. Porém, o blog apurou que nenhum dos dois candidatos admite abrir mão da postulação em favor do outro. Combinaram de refletir durante o final de semana e de sentar nos próximos dias para definir o mecanismo de escolha. Ou seja, o PFL talvez não escape de uma disputa interna no voto.    

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Lula quer ir para o espaço

  AP Photo
Lula fez festa nesta quinta-feira para Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro. Recebeu-o em palácio, pendurou-lhe uma medalha no peito e rebateu aos que criticaram o governo por ter desembolsado US$ 10 milhões para mandá-lo ao espaço.

No calor do discurso, o presidente revelou à platéia um sonho. Disse que, a exemplo de Pontes, gostaria de entrar em órbita. "Eu teria vontade de estar no seu lugar. Sei que não tenho preparo físico... Quem sabe um dia, quando estiverem levando pessoas da terceira idade, eu possa ir até lá", disse Lula.

Em matéria de sonhos, fique-se com Proust (1871-1922): “Se um pouco de sonho é perigoso, não é menos sonho que há de curá-lo, e sim mais sonho, todo o sonho. É preciso conhecer inteiramente os nossos sonhos, para não mais sofrer com eles.”

Ora, o modo mais eficaz de conhecer por inteiro um sonho é realizando-o. Entusiasta do programa especial brasileiro, o signatário do blog acha que o país deveria continuar desbravando a picada aberta por Marcos Pontes. Por isso, pergunta aos seus 22 leitores: você concordaria em mandar Lula para o espaço?

Escrito por Josias de Souza às 22h30

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Só blablablá na CPI

 Adriano Machado/F.Imagem
Não fosse pelo barulho que o antecedeu, o depoimento do advogado Roberto Teixeira à CPI dos Bingos, não mereceria nem o registro. Embora estivesse protegido por habeas corpus do STF, autorizando-o a calar, o compadre de Lula respondeu o que lhe foi perguntado. Negou, negou e negou.

 

Negou ter participado de um suposto esquema de coleta de dinheiro nas prefeituras petistas para rechear as arcas do partido de Lula. "Jamais participei de qualquer esquema de arrecadação de recursos".

 

Negou que tenha sido proprietário ou advogado da Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios), empresa que o ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau acusa de ter servido de instrumento para a arrecadação de verbas para o PT na década de 90.

 

Negou que tivesse a intenção de desrespeitar os senadores ao cancelar, por duas vezes o depoimento à CPI. E ficou nisso. Os senadores não dispunham de nenhum dado que, recolhido em investigação própria, pudesse ser usado para confrontar o blablablá.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Fala de Bastos deixa crise do mesmo tamanho

  Lula Marques/F.Imagem
Terminou há pouco a sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que ouviu as explicações de Márcio Thomaz Bastos sobre o “caseirogate”. Durou oito horas. Confirmando as expectativas de Lula e do alto comando governista, o ministro da Justiça manejou com maestria o seu principal dote: a expressão oral. Mas, diferentemente do que esperava o Planalto, a crise ficou do mesmo tamanho.

 

Os parlamentares governistas continuam afirmando que Thomaz Bastos manteve durante toda a crise provocada pela violação do sigilo de Francenildo Costa um comportamento exemplar. E os oposicionistas seguem afirmando que ele confundiu o papel de ministro com o de advogado criminalista.

 

O ponto central da discórdia é o encontro que Thomaz Bastos manteve com Palocci, em 23 de março, numa fase em que o então ministro da Fazenda, sob investigação da Polícia Federal, preparava a sua defesa. O titular da Justiça sustenta que foi à casa de Palocci apenas para apresentar o colega Arnaldo Malheiros ao “amigo” Palocci. Diz não ter participado da elaboração de sua defesa.

 

A favor de Thomaz Bastos pesa o fato de que a PF tratou “com dureza” Palocci e o ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso, indiciando-os respectivamente como mandante e executor da ordem de quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro. O ministro realçou ainda o fato de que, a despeito de considerar-se amigo de Palocci e de Mattoso, suas relações pessoais não impediram que ambos fossem investigados com isenção, sob o acompanhamento do Ministério Público.

 

De concreto, a passagem de Thomaz Bastos pela Câmara afastou do horizonte próximo a possibilidade de afastamento dele da pasta da Justiça. O ministro reafirmou que o crime da violação foi desvendado. Teve o cuidado de preservar o presidente da República. Repetiu à exaustão que Lula teve, desde o início, a noção da gravidade do episódio. O que o ministro não logrou obter foi a reversão do ânimo da oposição. Assim como Lula jamais cogitou demitir Thomaz Bastos, também os oposicionistas foram à audição decididos a não ser convencidos. 

 

Para não deixar dúvidas quanto à leitura que a oposição faz do episódio, o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), encaminhou à Comissão de Ética Pública da Presidência da República uma representação contra o ministro da Justiça. Foi urdida antes mesmo do início das explicações de Thomaz Bastos. Pede a sua demissão por suposta quebra de decoro no exercício do cargo.

 

O líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães Jr. disse que Thomaz Bastos “perdeu as condições de permanecer no cargo”. Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou diretamente ao ministro que ele “perdeu a confiança” da sociedade. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que não abre mão do seu requerimento de convocação de Thomaz Bastos para dar explicações também no plenário daquela Casa. Considerou que, na Câmara, o ministro comportou-se “como advogado criminal de si próprio”.

 

Leia aqui algumas das principais frases ditas pelo ministro em sua exposição.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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PT tenta criar um Apocalipse para Alckmin em SP

A Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa de São Paulo está para Geraldo Alckmin assim como a CPI dos Bingos para Lula. Como os senadores de Brasília, os deputados estaduais paulistas esforçam-se para arrascar o candidato tucano para um apocalipse particular.

 

Nesta terça-feira, provocada pela bancada do PT, a comissão da Assembléia decidiu convocar para a próxima terça-feira o presidente e o diretor de Marketing da Nossa Caixa, respectivamente Carlos Eduardo Monteiro e Marli Martins. Os dois são obrigados a comparecer. Terão de se explicar sobre o suposto favorecimento a deputados estaduais com verbas publicitárias do banco.

Escrito por Josias de Souza às 16h17

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Quebrado sigilo do telefone da 'mansão do lobby'

A CPI dos Bingos decidiu empreender um último esforço para tentar perscrutar o que se passou por trás da porta da “mansão do lobby”, o reduto da República de Ribeirão Preto no Lago Sul de Brasília. Ali, pernas e negócios trançaram-se num ambiente ainda obscuro. Decidiu-se quebrar o sigilo do aparelho telefônico instalado na casa à qual o ex-ministro Antonio Palocci compareceu inúmeras vezes, de acordo com relatos do caseiro Francenildo Costa, que trabalhou na mansão.

Escrito por Josias de Souza às 15h05

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'Palocci e Mattoso continuam sendo meus amigos'

  Lula Marques/F.Imagem
Eis o roteiro da crise do caseirogate, de acordo com relato feito pelo ministro Marcio Thomaz Bastos à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara:

 

·         16 de março, quinta-feira: Viajei para Rondônia. Palocci pediu a Daniel Goldberg (secretário de Direito Econômico) que fosse à sua casa. Perguntou acerca da possibilidade de a PF investigar o caseiro, a partir de uma reportagem que seria publicada no Globo, mostrando que o caseiro teria dinheiro para comprar uma casa. Goldberg conversou com Cláudio Alencar (chefe de Gabinete do ministro), consultaram a PF e aquiesceram que, com base em rumores, não dava para investigar o caseiro.

 

·         17 de março, sexta-feira: Goldberg e Alencar foram à casa de Palocci. Comunicaram a ele que não dava para investigar o caseiro. Tive agenda em Rondônia. Eles me narraram o que sabiam, em ligações fragmentárias. Quando voltei, pedi ao Cláudio Alencar que fosse na Base Aérea (de Brasília), onde eu iria parar com o avião, antes de ir para São Paulo. Ele me narrou que havia essa vontade do Palocci de investigar o caseiro. E que isso não fora feito.

 

·         19 de março, domingo: Chamei o Daniel Goldberg à minha casa, em São Paulo. Ele me disse que, enquanto estava na casa do Palocci, tinha entrado o (Jorge) Mattoso. Entrou no escritório com Palocci, ficou alguns minutos com ele e saiu. Quando me contou isso, a revista Época já estava circulando. Liguei para o Paulo Lacerda (diretor da PF) e pedi que instaurasse o inquérito. Isso foi feito na segunda (dia 20 de março).

 

·         21 de março, terça-feira: Narrei os fatos na reunião de coordenação de governo. O presidente não se encontrava. Ressaltei a gravidade dos fatos. Ao final da reunião, o Palocci me pediu que indicasse um advogado e eu indiquei (Arnaldo Malheiros). À noite, o presidente me chamou. Eu disse que estávamos diante de um fato muito sério, institucionalmente relevante. E o presidente me disse que achava o episodio grave porque era o Estado violando o sigilo de um cidadão pobre. Aquilo precisava ser apurado.

 

·         23 de março,quinta-feira: O Arnaldo Malheiros me disse que ia à casa de Palocci e me pediu que fosse lá para apresentá-lo. Essa é uma questão que se pode dizer: será que o ministro da Justiça pode apresentar um advogado? Achei que era meu dever. O Palocci continua sendo meu amigo. O (Jorge) Mattoso também. Indiquei o advogado para que ele se aconselhasse. Fui à noite na casa dele. Estava lá o Mattoso. Fez-se uma exposição rápida sobre os aspectos legais dessa questão da quebra do sigilo. Depois, o Malheiros saiu da reunião com o Mattoso. E eu fui embora, trabalhar. Nesse mesmo dia, à noite, o presidente chama a mim e ao Palocci. Foi discutida nesse momento a possibilidade de saída do ministro Palocci.

 

·         De 24 de março, sexta-feira, a 27 de março, segunda-feira: Entre sexta e segunda, a PF, que vinha trabalhando em várias pistas, ouviu três testemunhas da Caixa Econômica. Desvendou-se a cadeia de comando que estava por trás da quebra de sigilo do caseiro. Na segunda feira, 27 de março, soube-se que o extrato havia sido entregue ao Jorge Mattoso. Eu chegava de São Paulo e fui ao Planalto, onde tivemos uma reunião da coordenação política. Depois, o presidente me chamou, foi relatada a ele a gravidade da situação, o Mattoso deporia depois do almoço. E o presidente me disse: quero falar com o Palocci. Aí o ministro já disse que queria pedir demissão. Eu presenciei essa conversa. Foi feito no próprio dia 27.

Escrito por Josias de Souza às 12h05

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Bastos: 'não estive aquém nem além da lei'

“Quem está aqui”, disse Marcio Thomaz Bastos à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, “é um ministro da Justiça que não maculou o seu mandato, que não maculou as suas obrigações, que não se deixou desviar pelos descaminhos da ilegalidade. Tudo o que fiz nessa crise da quebra do sigilo foi dentro das minhas atribuições estritras de ministro da Justiça (...). Todo o meu trabalho, toda a minha atuação pautou-se estritamente pelo cumprimento da lei. Não estive aquém dela, não estive além dela”.

 

Em sua exposição inicial, antes do início da fase de argüição dos deputados, Thomaz Bastos disse que está “com a consciência tranqüila”. “Determinei a investigação, determinei que fosse rápida, pedi que fosse uma investigação acompanhada pelo Ministério Público, passo a passo. Num tempo recorde, extremamente rápido, desvendou a cadeia de comando dos fatos que levaram à quebra de sigilo e à divulgação do sigilo do caseiro.”

 

O ministro disse também ter relatado a Lula, “minuciosamente, tudo o que ia acontecendo”. E acrescentou: “O que não fiz foi disseminar boatos, espalhar rumores. Agi com a tranqüilidade, com o comedimento e com a exação que se exige de um ministro da Justiça nessa hora.” Thomaz Bastos agora responde às questões formuladas pelos deputados.

Escrito por Josias de Souza às 09h58

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As manchetes desta quinta

- JB: Petrobras garante preços

- Folha: Câmara absolve 9º deputado do mensalão

- Estadão: Mantega ameaça bloquear gastos para atingir meta

- Globo: Nova lei poderá vetar cenas de CPIs na campanha de TV

- Correio: PF livra bastos e acusa Palocci

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h45

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Ossos do ofício!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Governo crê que oratória de Bastos abreviará crise

  Alan Marques/F.Imagem
O governo conta com a habilidade oratória Márcio Thomaz Bastos para superar um dos capítulos da crise que assedia o Palácio do Planalto. O ministro da Justiça prestará esclarecimentos na Câmara, nesta quinta-feira, sobre o envolvimento dele e de dois de seus assessores no “caseirogate”. Em conversa com um auxiliar, Lula disse: “Ele vai tirar de letra.”

 

A impressão do presidente é compartilhada por todo o alto comando do governo. Espera-se que a fala de Thomaz Bastos, por convincente, faça calar a oposição, que vem cobrando a sua demissão desde a revelação do encontro secreto que o ministro manteve com Antonio Palocci e Jorge Mattoso, apontados pela Polícia Federal como mandante e executor do crime da violação do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa.

 

A oposição não parece, porém, disposta a depor as armas. Às vésperas do depoimento do ministro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), avisou que continua “de pé” o seu requerimento para que Thomaz Bastos compareça também ao Senado. “Vamos ver se será necessário”, disse Virgílio. “Pode ser que ele já saia da Câmara como ex-ministro”.

 

PSDB e PFL estranharam que a PF tenha divulgado nesta quarta-feira, horas antes do depoimento do ministro da Justiça, o relatório parcial sobre o inquérito do “caseirogate”. O documento é duro com Palocci, Mattoso e Marcelo Netto, o ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda. Mas não faz menção nem a Thomaz Bastos nem aos seus dois auxiliares que estiveram na casa de Palocci: Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico, e Cláudio Alencar, chefe de gabinete do ministro.

 

Thomaz Bastos vai se explicar diante da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, um foro integrado por 61 deputados. A sessão está marcada para as 10h desta quinta-feira. Entre os temas que o ministro terá de elucidar, os mais espinhosos são os seguintes:

 

·        O que Daniel Goldberg fazia na casa de Palocci na noite de 16 de março, quando Jorge Mattoso entregou nas mãos do então ministro da Fazenda o extrato bancário de Francenildo, extraído ilegalmente dos computadores da Caixa Econômica?

·        Por que Goldberg retornou à casa de Palocci na manhã seguinte, 17 de março, desta vez acompanhado de Cláudio Alencar? O que discutiram com Palocci no mesmo dia em que os dados bancários do caseiro foram estampados num blog da revista Época?

·        Por que Thomaz Bastos em pessoa foi à casa de Palocci em 23 de março, três dias depois da abertura do inquérito da PF para apurar o caseirogate? O que o ministro discutiu com Palocci e Mattoso, os dois principais suspeitos da polícia, na conversa em que também esteve presente o criminalista Arnaldo Malheiros, seu amigo?

·        Como puderam Goldberg e Alencar participar de encontros com Palocci e Mattoso sem comunicar o fato a Thomaz Bastos, superior hierárquico de ambos? Em viagem a Rondônia, o ministro não poderia ter sido alcançado pelo telefone?

·        Por que Palocci convocou os subordinados do colega de ministério sem discar antes para Thomaz Bastos?

·        Por que Palocci só foi afastado do Ministério da Fazenda dez dias depois da violação do sigilo de Francenildo se o ministro da Justiça e seus auxiliares estavam tão inteirados dos acontecimentos? O que disso Thomaz Bastos a Lula à medida que foi tomando conhecimento do grau de envolvimento de Palocci e Mattoso com o crime da violação da conta bancária do caseiro?

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Nova lei eleitoral pode beneficiar o PT

Inspirada num projeto do proto-oposicionista Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL, a nova lei eleitoral contém uma regra que pode se converter em enorme benefício para Lula e o PT. Trata-se da proibição de cenas externas nos programas eleitorais que serão exibidos na TV a partir de agosto.

 

Caberá ao TSE interpretar a lei. E se o tribunal entender que a proibição se aplica também a imagens de arquivo, a oposição não poderá levar à TV as cenas de depoimentos de petistas nas CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos.

 

Entre as imagens de arquivo que a oposição planeja levar ao ar está, por exemplo, o depoimento em que Delúbio Soares reconheceu ter injetado nas arcas do PT “recursos não contabilizados”. E o rasgo de sinceridade de Duda Mendonça, que confessou ter recebido do caixa dois de Marcos Valério, em conta aberta no exterior, R$ 10,5 milhões.

 

Antes de se pronunciar sobre a abrangência da proibição das cenas externas, o TSE terá de decidir se a nova lei eleitoral poderá ser aplicada nas eleições deste ano. O presidente do tribunal, ministro Marco Aurélio de Mello, tem sérias dúvidas a esse respeito. “Temos o preceito maior, que é o artigo 16 da Constituição: não se muda regra no mesmo ano da eleição”, disse o ministro.

 

O artigo constitucional citado por Marco Aurélio obriga que as modificações nas regras do jogo das eleições sejam feitas no ano anterior à realização do pleito. Se levar o preceito ao pé da letra, o TSE pode decidir que as mudanças só valeriam para as próximas eleições. A essa altura, deve ter muito oposicionista rezando para que isso aconteça.

Escrito por Josias de Souza às 00h39

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Absolvido mais um mensaleiro; faltaram 16 votos

José Cruz/ABr
 

 

A Câmara acaba de absolver mais um mensaleiro. Livrou-se da lâmina o deputado José “R$ 120 mil” Mentor (PT-SP). Houve mais votos a favor da cassação (241) do que pela absolvição (175). Mas não foi atingido o número mínimo de votos necessários à perda de mandato (257).

 

Mentor foi salvo por pouco. Juntos, os deputados que votaram em branco (seis), os que anularam o voto (dois) e os que se abstiveram de votar (oito) somam 16. Era exatamente o que faltava para chegar aos 257 votos necessários à interrupção do mandato do companheiro Mentor.

 

Com mais esta fatia, vai se completando, a pizza do mensalão. Dos 19 deputados acusados, só três tiveram a cabeça apartada do pescoço: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Livraram-se, até aqui, treze mensaleiros.

 

Quatro contornaram o patíbulo pelo atalho da renúncia: Valdemar Costa Neto (PL-SP), José Borba (PMDB-PR), Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Paulo Rocha (PT-PA).

 

Outros nove, safaram-se graças à benevolência corporativa do plenário. Além de Mentor, foram poupados: João Paulo Cunha, Wanderval Santos (PL-SP, João Magno (PT-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Sandro Mabel (PL-GO) e Pedro Henry (PP-MT).

 

Encontram-se pendentes de julgamento apenas mais três processos: Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP).

Escrito por Josias de Souza às 19h39

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Juros caem a patamares de cinco anos atrás

 

 

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa de juros em 0,75 ponto percentual. Com isso, os juros caíram para 15,75% ao ano. O índice recuou ao mesmo patamar de cinco anos atrás. A decisão do Copom foi unânime. Em nota, o Banco Central escreveu:

 

"Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da Política monetária iniciada na reunião de setembro de 2005, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 15,75% ao ano, sem viés, e acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

 

Leia os detalhes aqui, em relato da repórter na Paula Ribeiro.

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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EUA informam que têm dados sobre caso Gtech

  Alan Marques/F.Imagem
Em correspondência enviada no dia 8 de fevereiro ao Ministério da Justiça, o governo dos EUA informou que dispõe de dados “relevantes” relacionados ao caso Gtech. O documento menciona o nome de Waldomiro Diniz, o ex-assessor do Gabinete Civil da Presidência que foi acusado de tentar beneficiar a empresa em negócios com a Caixa Econômica Federal em troca de propina.

 

A carta foi endereçada ao DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos) do Ministério da Justiça. Enviou-a a Securities and Exchange Comission, um órgão equivalente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) brasileira. Informada acerca da novidade pelo diretor do DRCI, Antenor Madruga, a cúpula da CPI dos Bingos negociou por mais de 60 dias a obtenção dos dados.

 

Porém, o governo norte-americano informou que não pretende repassar documentos à CPI. Diz que não há previsão legal. Concordou em entregar os dados apenas à Polícia Federal e ao Ministério Público. Em discurso que acaba de fazer da tribuna do Senado, o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Moraes (PFL-PB), pediu a interferência do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

“Nesse momento, não me cabe outra atitude senão a de instar o Senado, na figura do seu presidente, Renan Calheiros, a tomar as atitudes cabíveis junto às autoridades brasileiras e americanas, visando o compartilhamento das informações sigilosas. O que está em jogo não é apenas o alcance dos objetivos da CPI dfos Bingos, é a soberania do Congresso Nacional”.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Para FMI e Cepal, Brasil crescerá 3,5% em 2006

O FMI (Fundo Monetário Nacional) e a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) acabam de divulgar suas perspectivas de crescimento econômico para 2006 e 2007. As taxas previstas pelas duas instituições jogam água fria nas previsões do governo brasileiro.

 

Contra um crescimento superior a 4% previsto pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) –ou de 5%, nas palavras de Lula—, FMI e Cepal prognosticam para 2006 um crescimento de 3,5% do PIB brasileiro. Para 2007, o Fundo prevê, de novo, um incremento econômico de 3,5%. Para a Cepal, o Brasil crescerá 3,7% em 2007.

 

A se confirmarem os prognósticos, a economia do Brasil crescerá bem menos do que a média mundial, que, para o FMI, será de 4,9%. O desenvolvimento brasileiro ficará aquém também da média latino-americana –4,6%, em 2006, conforme o estudo da Cepal.

 

No mundo, o Brasil segue perdendo terreno para países como China, Índia e Rússia, cujos PIBs crescerão em 2006, segundo o FMI, 9,5%, 7,3% e 6% respectivamente.

 

Na América Latina, o desempenho do PIB brasileiro só conseguirá superar neste ano o do Haiti (2,3%), do Equador (3%), do Paraguai (3%) e da Bolívia (3,3%). O campeão do continente será a Argentina (7,5% em 2006 e 5,5% em 2007, segundo a Cepal).

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Reunidas assinauras para a CPI do Armagedon

O senador Almeida Lima (PMDB-SE) já conseguiu reunir as assinaturas necessárias para a instalação de mais uma CPI. O requerimento será entregue nesta terça-feira ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Contém 34 assinaturas, sete a mais do que o mínimo necessário (27).

 

O objetivo da nova CPI pode ser resumido em duas palavras: incomodar Lula. São dois os principais degraus da escada que leva ao presidente: Paulo Okamotto, o bom amigo, e Luiz Fábio Lula da Silva, o Lulinha. Para que a encrenca comece a funcionar, o relatório precisa ser lido em plenário. A iniciativa surge nas pegadas de uma articulação do Planalto para tentar sufocar a CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida como comissão dos bingos.

Escrito por Josias de Souza às 15h48

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Estilista diz que Lu pedia roupas

Como previsto, o estilista Rogério Figueiredo depôs ontem ao Ministério Público. Ele confirmou que doou peças de roupa a Maria Lúcia Alckmin, a Lu. Disse que era a própria mulher de Geraldo Alckmin quem solicitava os mimos, ora pessoalmente ora por meio da assessoria.

 

Mas Figueiredo deu um passo atrás em relação ao que dissera à colunista Mônica Bergamo. Em  entrevista gravada, o estilista havia declarado que dera “mais de 400 peças" a Lu Alckmin entre 2001 e 2005. Ao Ministério Público, ele afirmou que não tem como quantificar os modelitos que coseu para recobrir as espaldas da mulher do candidato tucano.

 

Vinicius Abrão, advogado de Figueiredo, disse: "Não houve uma quantificação. O Rogério é um criador, um artista, ele não sabe quantificar o número de peças. Nem ‘cerca de’. Muito menos a regularidade". De acordo com Abrão, seu cliente mencionara “mais de 400 peças” por “força de expressão”.

 

Em 12 de abril, a assessoria de imprensa de Geraldo Alckmin informou que a mulher dele recebera de Figueiredo 49 peças de roupa. Vestiu-as e, depois, doou-as, anonimamente, a favelas de São Paulo, bazares beneficentes e à entidade Fraternidade Irmã Clara. Não se sabe, por ora, o que fizeram os favelados, carentes e assemelhados com os exemplares de alta-costura e prêt-à-porter que lhe chegaram às mãos, mercê da generosidade de Lu. Decerto fizeram bom proveito.

Escrito por Josias de Souza às 15h11

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PF aponta Palocci como mandante no caseirogate

  Sérgio Lima/F.Imagem
A Polícia Federal envia nesta quarta-feira à Justiça documento com as conclusões parciais do inquérito que investiga o caseirogate. O texto, lido pela Reuters,  aponta Antonio Palocci como mandante da quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo Costa.

A PF aponta como co-autores do crime Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa de Palocci na Fazenda. O relatório foi redigido pelo delegado Rodrigo Carneiro Gomes.

O delegado indiciou o ex-ministro da Fazenda pela suposta prática de quatro crimes: violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário, prevaricação e denunciação caluniosa. Se condenado, Palocci pode pegar até dez anos de reclusão.

Mattoso foi indiciado pelos crimes de violação de sigilo funcional e quebra de sigilo bancário, este último também imputado a Marcelo Netto. O delegado Carneiro Gomes pede à Justiça a prorrogação do inquérito por mais 30 dias. Entre os pontos que deseja investigar melhor está a origem dos R$ 25 mil depositados na conta do caseiro Francenildo entre janeiro e março de 2006.

Escrito por Josias de Souza às 13h42

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Vem mai$ por aí!

O caseirogate parece ter desenvolvido em Francenildo um irrefreável senso de oportunidade. Não escapa do seu furor reparatório nem mesmo o empresário que o tratou como filho não-contabilizado. Leia o que informa Mônica Bergamo em sua coluna (para assinantes da Folha):

 

USINA 1
O caseiro Francenildo Costa vai pedir indenização também ao ex-ministro Antônio Palocci Filho e a Jorge Mattoso, ex-presidente da CEF que admitiu ter participado da quebra de sigilo do caseiro -ainda que não do vazamento das informações. A indenização sugerida, porém, vai ser menor do que os R$ 17,5 milhões que ele quer da CEF, já que o patrimônio de Palocci e Mattoso não permitiria o pagamento de valor tão alto.

USINA 2
O advogado do caseiro, Wlício Nascimento, diz que o valor da indenização contra Palocci e Mattoso pode se basear, por exemplo, no dinheiro que o grupo teria sugerido pagar, de acordo com informações da revista "Veja", para que um funcionário da CEF assumisse a quebra do sigilo -R$ 1 milhão. Wlício já trabalha na ação contra Mattoso. A de Palocci deve ficar para o fim das investigações, já que o ex-ministro nega participação no escândalo.

DNA
Francenildo vai ajuizar também ação contra seu suposto pai, Eurípedes Soares. De acordo com o advogado, os dois estavam tentando um entendimento para o reconhecimento da paternidade, mas ele não foi adiante.

Escrito por Josias de Souza às 07h39

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Os receios do amigo Okamotto

  Lula Marques/F.Imagem
Reportagem de Marta Salomon, publicada na Folha (para assinantes):

 

“O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, teme que a abertura de suas contas bancárias estimule a oposição a deflagrar o processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu amigo, apurou a Folha.

Mais de oito meses após assumir a responsabilidade pelo pagamento de uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, Okamotto não indicou à CPI dos Bingos as datas e os valores dos saques que teria feito para quitar essa dívida.

Ontem, ele disse à Folha que sacou R$ 45 mil de suas contas num período de seis meses, dentro do qual teria sido paga a dívida de Lula. Okamotto insistiu que dispunha de meios para quitar os débitos lançados pelo PT na prestação de contas de 2003.

‘À época da restituição dos valores ao PT, recebi remuneração superior a R$ 130 mil, provenientes de salários e aposentadorias, bem como efetuei saques na ordem de R$ 45 mil entre setembro de 2003 e março de 2004, que me permitiram realizar os pagamentos’, afirmou. A dívida foi paga em quatro parcelas, entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004.

O amigo de Lula se negou a abrir dados de suas contas bancárias à CPI: ‘Mantenho meu entendimento de que a abertura de meu sigilo bancário em nada contribuirá para satisfazer o objeto e o fato determinado da CPI’. O Congresso investiga se a dívida de Lula foi paga com dinheiro do caixa dois mantido pelo PT.

A Folha apurou que Okamotto reuniu dados que indicariam dois saques na conta da empresa Red Star Ltda. em datas próximas ao pagamento da primeira parcela da dívida, no valor de R$ 12 mil, em 30 de janeiro de 2003. A empresa está, desde junho de 2003, em nome da mulher e da filha.

Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, Okamotto listou saques que teriam sido usados para quitar as demais três parcelas, mas cujos valores e datas não coincidem com os pagamentos. Há dúvida entre pessoas consultadas por Okamotto, nos últimos dias, sobre as chances de a contabilidade convencer a CPI.

Essa polêmica se arrasta desde quando a Folha publicou que a prestação de contas do PT registrava dívida em nome de Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente demorou 21 dias para explicar como a dívida havia sido paga. Em 9 de agosto do ano passado, Okamotto se apresentou como responsável pelo pagamento, na condição de procurador legal do presidente na rescisão do contrato trabalhista que manteve com o PT até a eleição para o Planalto.

Nessa ocasião, a CPI dos Correios já investigava a suspeita de que a dívida teria sido paga com dinheiro do caixa dois. Em depoimento à CPI, o ex-tesoureiro Delúbio Soares foi questionado se recursos providenciados pelo publicitário Marcos Valério de Souza haviam sido usados para saldar a dívida. Delúbio não respondeu.

Ao depor na CPI dos Bingos, em novembro, Okamotto não apresentou datas e valores dos saques que teria feito com o objetivo de pagar a dívida. A CPI chegou a quebrar o sigilo bancário para checar a versão dele, mas teve a abertura das contas bloqueada por uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal.”

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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As manchetes desta quarta

- JB: Invadida conta do amigo de Lula

- Folha: Governo cede e Orçamento é aprovado

- Estadão: Planalto cede à oposição para aprovar orçamento

- Globo: Tesoureiros continuarão impunes por caixa dois

- Correio: Cala-boca para oposição

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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'Não vi nada, não sei de nada!'

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Congresso mantém aberta porta do caixa dois

Em votação realizada na noite desta terça-feira, o Senado aprovou a proposta de reforma da legislação eleitoral. As medidas já haviam sido aprovadas pelos senadores. Mas, enviadas à Câmara, sofreram modificações. Por isso voltaram ao Senado, para a votação final.

 

Há dúvidas quanto à data de vigência do pacote eleitoral. Caberá ao TSE decidir se as mudanças poderão ser aplicadas já nas eleições deste ano. O projeto aprovado inclui medidas absurdas, como a que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem as eleições.

 

Num prenúncio de que não planejam abandonar a abominável prática do caixa dois, os senadores esquivaram-se de aprovar a prestação de contas em tempo real na internet, prevista na proposta original. Preferiram adotar uma solução canhestra: as contas só serão exibidas na rede mundial de computadores em agosto, em setembro e depois das eleições. Só nesta última oportunidade serão mencionados os nomes dos doadore$.   

 

Foram retirados do projeto original também os dispositivos que previam a responsabilização criminal de tesoureiros e doadores que se envolverem com verbas eleitorais clandestinas. Abaixo, uma relação das principais mudanças que foram aprovadas:

 

·         Proibição da divulgação de pesquisas 15 dias antes da eleição;

·         Proibição de distribuição de camisetas e brindes aos eleitores;

·         Proibição de realização de showmícios;

·         Proibição de outdoors;

·         Proibição da exibição de cenas externas nos programas eleitorais de televisão;

·         Obrigatoriedade de prestação de contas na internet em 6 de agosto, 6 de setembro e depois das eleições. Serão exibidas apenas as relações de receitas e despesas. Os nomes dos doadores só serão revelados depois do pleito.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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OAB informa a Lula que discute o impeachment dele

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula recebeu nesta terça-feira a incômoda visita de integrantes do Conselho Federal da OAB. Liderados pelo presidente da entidade, Roberto Busato, os advogados trataram de vários assuntos com o presidente. Entre eles o impeachment.

 

A OAB vem discutindo, desde o ano passado, a viabilidade técnica de uma ação por crime de responsabilidade contra Lula. A entidade destacou uma comissão de advogados para estudar o assunto.

 

Conforme noticiado aqui, a OAB guarda em seus arquivos um texto sigiloso no qual o advogado Sérgio Ferraz, relator do grupo, conclui pela viabilidade do impeachment. Ferraz prepara um segundo texto, incorporando informações recolhidas na CPI dos Correios e na recente denúncia do Ministério Público contra a “quadrilha” do mensalão.

 

Esse segundo texto será votado pelo Conselho Federal da OAB em reunião marcada para 8 de maio. Busato informou a Lula sobre a votação. Disse ao presidente que a entidade não age movida por interesses político-eleitorais.

 

Conforme relatos ouvidos pelo signatário do blog, Lula respondeu que não interfere nem no trabalho do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, nomeado por ele. Portanto, não teria razões para meter-se com os assuntos da OAB.

 

Durante a conversa, o presidente queixou-se da atuação das CPIs. Disse que, por vezes, as comissões de inquérito do Congresso extrapolam de suas atribuições. Acha que é preciso aprovar medidas que regulem melhor o funcionamento das investigações realizadas no âmbito do Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Lula comanda cruzada contra CPI dos Bingos

Lula decidiu jogar todo o peso do governo numa estratégia para tentar inviabilizar os trabalhos da CPI dos Bingos, apelidada no Planalto de comissão do Fim do Mundo. Convencido de que a CPI busca elementos que possam viabilizar o seu impeachment, o presidente decidiu agir.

O primeiro objetivo do governo é evitar a aprovação na CPI de novos requerimentos contrários aos seus interesses. O principal deles prevê a quebra de sigilo bancário do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Amigo de Lula, Okamotto pagou uma dívida do presidente com o PT no valor de R$ 29,4 mil.

 

Em depoimentos à própria CPI, Okamotto disse ter liquidado a dívida com recursos próprios, sacados de suas contas bancárias. A oposição suspeita que ele esteja mentindo. Aposta que o dinheiro saiu do valerioduto. Se verdadeira, a hipótese vincularia diretamente Lula com o caixa dois amealhado pela dupla Delúbio Soares/Marcos Valério.

 

Okamotto mandou recados preocupantes a Lula. Disse ter feito uma análise minuciosa de seus extratos bancários. E teria constatado que não há nos papéis saques em datas e valores coincidentes com o pagamento, em quatro parcelas, da dívida com o PT. A incongruência entre a versão oral de Okamotto e o registro dos seus extratos não chega a provar que o dinheiro que pagou a dívida saiu do valerioduto. Mas tonifica uma dúvida capaz de jogar gasolina na fogueira do impeachment, que, por ora, arde em chamas brandas.

 

O Planalto age para retirar da oposição seu principal trunfo na CPI: a maioria. Até aqui, o bloco oposicionista vem aprovando na comissão o que bem entende. Na briga pelo voto, o governo vinha conseguindo chegar, quando muito, ao empate. Conta com a simpatia parcial do senador Augusto Botelho (PDT-RR).

 

Em comportamento ciclotímico, Botelho vota ora com o governo ora com a oposição. Mas, em situações de empate, cabe ao presidente da CPI, Efraim Moraes (PFL-PB) o voto de minerva. E Efraim, oposicionista roxo, desempata invariavelmente contra o governo.

 

PSDB e PFL ruminam a suspeita de que o governo tenha cooptado outro senador integrante da CPI. Chama-se Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Ele, que sempre votou com a oposição, vem ajudando o governo nos últimos dias de um modo peculiar: ausentando-se das sessões. O fenômeno da ausência de Mozarildo voltou a se repetir nesta terça-feira.

 

Mozarildo justifica a ausência. Diz estar em missão do Senado em seu Estado. Participa das negociações para tentar solucionar o impasse que envolve a expulsão dos não-índios da reserva Raposa Serra do Sol. Quer que o governo defina os locais para onde serão transferidos os moradores da reserva.

 

Efraim pretendia pôr em votação justamente a quebra de sigilo de Okamotto. A providência, já adotada pela CPI, foi barrada por uma liminar do STF. Mas os dados bancários do amigo de Lula já chegaram à CPI. Estão guardados no cofre da comissão, num envelope lacrado. A idéia era aprovar de novo a quebra sigilo e abrir o envelope antes que Okamotto conseguisse obter nova liminar no Supremo.

 

Em diálogos que manteve com líderes da tropa oposicionista na CPI, Efraim informou que achou melhor cancelar a votação. Convenceu-se de que a oposição amargaria uma derrota. Viu-se forçado também a postergar a análise de outros requerimentos que o governo deseja evitar a todo custo. Prevêem a convocação de Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica, e de Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

 

Mattoso e Goldberg são personagens centrais do episódio que resultou na quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O Planalto receia especialmente o depoimento de Mattoso. Foi informado de que o ex-presidente da Caixa estaria atravessando uma fase de fragilidade emocional. Ele acha que, no episódio da violação do sigilo do caseiro, foram-lhe imputadas responsabilidades que não seriam suas.

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Aprovado, finalmente, o Orçamento de 2006

  Sérgio Lima/F.Imagem
Com atraso de quase cinco meses, o Congresso aprovou na noite desta terça-feira, finalmente, o Orçamento da União para o ano de 2006. Deu-se perto da meia-noite.

 

Durante os últimos quatro meses, governo e oposição acusaram-se mutuamente de irresponsáveis. E a aprovação do orçamento acabou saindo, veja você, por acordo de lideranças. Por trás do entendimento está o ministro Tarso Genro (Coordenação Política).

 

Desde que retornou ao primeiro escalão do governo, Genro vinha tentando reconstruir pontes de contato com a oposição. O acordo desta noite de terça esteve a um passo do fracasso. Justamente por causa de uma ponte.

 

O governador de Sergipe, João Alves (PFL), voou às pressas para Brasília. E ameaçava melar o entendimento caso não fossem liberados R$ 85 milhões do BNDES para a construção de uma ponte no seu Estado.

 

O Ministério da Fazenda batia o pé contra. Alegava que Alves descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que inabilita Sergipe para o recebimento de empréstimos oficiais. Pelo telefone, Genro comprometeu-se a destravar a liberação do dinheiro. Em troca, o governador assumiu o compromisso de ajustar as contas do Estado em oito meses (!).

 

Antes, Tarso Genro já patrocinara outras concessões à oposição. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), por exemplo, arrancou verbas da Petrobras para a construção de um gasoduto do município de Cocari à capital Manaus. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) reivindicava dinheiro para um projeto de irrigação na Bahia. Não levou. Mas encaixou no Orçamento R$ 181 milhões para que o governador Paulo Souto, seu aliado, invista em saúde e educação.

 

Foi assim, em meio a reuniões e telefonemas pontuados por concessões, que Tarso Genro logrou, com o auxílio dos líderes governistas e do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PNMDB-AL), arrancar um Orçamento que deveria estar votado desde 31 de dezembro do ano passado.

 

Com isso, vão à lata do lixo as medidas provisórias que o governo já havia editado e que ainda pretendia editar para liberar verbas orçamentárias à revelia do Congresso. Vão à gaveta também as ações judiciais que a oposição prometia ajuizar no STF contra as medidas provisórias de Lula. 

 

O governo ganhou um Orçamento. E a oposição, um interlocutor instalado no coração do Palácio do Planalto. Em pleno ambiente de pré-campanha eleitoral, não é pouca coisa. Leia aqui um texto da repórter Andreza Matais com mais detalhes sobre os valores do Orçamento aprovado.

Escrito por Josias de Souza às 23h34

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Congresso amacia com Thomaz Bastos

Primeiro, informou-se que Márcio Thomaz Bastos prestaria esclarecimentos sobre o “Caseirogate” no plenário do Senado. Depois, apregoou-se que seria ouvido no plenário da Câmara. Em seguida, espalhou-se que poderia falar em sessão conjunta das duas casas. Morde daqui, sopra dali, o ministro levou a melhor.

 

Decidiu-se nesta terça-feira que Thomaz Bastos falará a um foro diminuto, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Será nesta quinta-feira, véspera de feriado, às 10h. Após uma polêmica de duas semanas, a coisa foi acertada por meio de um entendimento do governo com a sua bancada e com os líderes do PSDB e PFL, os dois maiores partidos da oposição.

 

Tucanos e pefelistas exibiram um grau de compreensão incompatível com a agressividade exibida nos últimos dias. Para fechar o acordo, passaram por cima de pequenos partidos de oposição. Autor do requerimento de convocação de Thomaz Bastos, o PPS concordara em transformá-lo num “convite”, sob o compromisso de que a audição ocorresse em plenário, diante de todos os deputados. Ao que parece, o prestígio do ministro da Justiça no Congresso é maior do se imagina.

Escrito por Josias de Souza às 22h49

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Ideli denuncia roubo de lap-top da CPI dos Bingos

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), acaba de informar ao plenário da Casa que recebeu um telefonema “preocupante” de um delegado da Polícia Civil de Brasília, Miguel Lucena. Segundo a senadora, o delegado informou que está investigando o roubo de um lap-top pertencente a um assessor da CPI dos Bingos, a comissão do Fim do Mundo.

 

O roubo teria sido, disse a senadora, notificado à polícia nesta terça-feira. Desinformado a respeito, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que encaminharia o caso à Corregedoria do Senado, chefiada pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP).

 

Ouvido, o presidente da CPI, Efraim Moraes (PFL-PB), disse que tampouco recebera qualquer informação acerca do roubo informado por Ideli. Mas disse estar tranqüilo. Não crê que informações sigilosas, protegidas por decisão judicial, possam estar disponíveis em computadores pessoais de assessores da CPI. “Esse tipo de dado está lacrado nos cofres da comissão, imune a vazamentos”, diz Efraim.

 

Entre as informações que, segundo Efraim, encontram-se “seguras” no cofre, estão os dados bancários de Paulo Okamotto, o bom amigo que pagou a dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT. Não é sem motivo que o petismo está em polvorosa com a informação levada ao plenário pela líder do partido.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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Palocci retarda acerto de contas com o passado

  AFP
Antonio Palocci está brincando de esconde-esconde com a Polícia Civil de Ribeirão Preto. O delegado Benedito Valencise tenta, há semanas, ouvir o ex-ministro da Fazenda. Ele preside um inquérito que apura suposto esquema de corrupção na varrição das ruas de Ribeirão durante a gestão de Palocci na prefeitura do município.

 

Palocci sabe que será indiciado após a inquirição do delegado Valencise. Por isso adia o quanto pode o encontro com mais essa encrenca. Nesta terça-feira, José Roberto Batochio, o advogado do ex-ministro, prometeu avistar-se com Valencise para agendar o depoimento de seu cliente.

 

O delegado deseja que a audiência ocorra na próxima semana. Dispõe-se a ouvir Palocci onde for mais conveniente para o ex-ministro, em Ribeirão ou em Brasília. Espera-se que consiga. Por mais conturbado e obscuro que seja o seu presente, o ex-ministro não pode escapar a este acerto de contas com o seu passado, não menos alvoroçado e falto de luz.    

Escrito por Josias de Souza às 16h04

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Executiva do PPS decide apoiar impeachment

  Tuca Pinheiro
O PPS decidiu nesta terça-feira, em reunião de sua comissão Executiva Nacional, apoiar o pedido de impeachment de Lula. Pela lei, o partido não pode mover ação por crime de responsabilidade contra o presidente. Por isso, o PPS decidiu apoiar eventual ação que venha a ser movida sob inspiração de entidades da sociedade civil.

 

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por exemplo, agendou para o próximo dia 8  de maio uma discussão sobre o tema em reunião do seu Conselho Federal, integrado por 81 advogados. Em nota oficial (leia a íntegra aqui), o PPS anotou:

 

"Com a responsabilidade histórica que sempre pautou seus atos em 84 anos de existência, (o PPS) conclama a sociedade brasileira a se mobilizar em torno do impeachment, instrumento democrático e constitucional de resolução de crises e de defesa das instituições republicanas, hoje enxovalhadas por práticas indecentes e criminosas".

Assinado pelo presidente do PPS, Roberto Freire (na foto), o documento menciona a denúncia encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, contra 40 pessoas. Foram acusadas de integrar uma “organização criminosa”.

"Lula está presente em todo o processo”, diz a nota do PPS, “como comandante maior de um governo corrupto. No presidencialismo, a responsabilidade pelos atos políticos e administrativos é do presidente da República, enquanto chefe de Estado e de governo (...). Cabe, portanto, a Lula responder pela ação criminosa praticada dentro do aparelho estatal --até porque a quadrilha era formada pelos seus principais ministros e por dirigentes nacionais de seu partido. É impossível excluir o presidente."

Em reação ao posicionamento do PPS, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse: “É improvável que haja fundamento no pedido de impeachment. Isso é medo das urnas”. Roberto Freire ironiza: "A preocupação que temos em relação às urnas é com a necessidade de cumprir a cláusula de barreiras. Já o PT está mais preocupado com as barras dos tribunais."

O ministro Tarso Genro (Coordenação Política) já havia declarado ontem que o governo não está preocupado com o debate em torno do impechment. Para o ministro, falta “racionalidade” jurídica e política à proposta.

Escrito por Josias de Souza às 15h23

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Corregedor sugere censura verbal para Guadagnin

O corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), já concluiu a análise da representação contra a deputada bailarina Angela Guadagnin (PT-SP). O PPS pedira a punição da parlamentar, pilhada bailando em plenário após  a absolvição do mensalista-companheiro João Magno (PT-MG).

 

Ciro Nogueira concluiu que Guadagnin merece receber uma advertência verbal. Baseou-se no inciso II do artigo 5o do Código de Ética da Câmara. Ali está escrito que atenta contra o decoro parlamentar aquele que “praticar atos que infrinjam as regras de boa conduta nas dependências da Casa”. 

 

O relatório do corregedor segue agora para a mesa diretora da Câmara. Cabe a esse colegiado decidir se acata ou não a recomendação. Suponha, caro leitor, que a sugestão de censura verbal seja aprovada. Quem passará a carraspana em Guadagnin? O que dirá à deputada? Ora, francamente!

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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Uma questão de tempo

Duas notas do Painel da Folha (para assinantes):

 

Medidas extremas
Se tudo correr conforme o roteiro traçado pela oposição, a CPI dos Bingos aprovará hoje, pela terceira vez, a quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto. A diferença é que, agora, os dados do amigo de Lula estão no cofre da comissão, lacrados.

É só pegar
No entender da oposição, a liminar que impede a consulta a essas informações se refere à quebra de sigilo anterior do presidente do Sebrae. Uma vez aprovada novamente, o acesso às informações seria imediato. Expediente semelhante foi utilizado na CPI da Terra.

Escrito por Josias de Souza às 11h41

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As manchetes desta terça

- JB: PT usa FH contra Alckmin

- Folha: Ex-assessor de Palocci no caso do sigilo

- Estadão: MST fecha estradas, invade e saqueia em oito estados

- Globo: Processo do mensalão deve durar mais de 2 anos no STF

- Correio: Caseiro mostra a conta á Caixa: R$ 17,5 milhões

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Ética de sanitário!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Estilista depõe sobre os vestidos de Lu

O Ministério Público vai colher nesta terça-feira o depoimento de Rogério Figueiredo. Vem a ser aquele estilista que, em entrevista à colunista Mônica Bergamo, contou ter dado de presente a Maria Lúcia Alckmin, a Lu, nada menos que 400 peças de roupa.

 

Abespinhado com a resposta da mulher do candidato tucano Geraldo Alckmin –ela admitiu ter recebido “apenas” 49 vestidos—, Figueiredo promete provar o que disse. Teria juntado croquis e fotos dos modelitos doados a Lu entre 2001 e 2005.

 

A mulher de Alckmin assegurou, por meio de sua assessoria, que não restou em seus cabides nenhum vestígio dos panos que recebeu de Figueiredo. Jura tê-los doado a instituições de caridade. Difícil saber a utilidade que modelos do melhor estilo prêt-à-porter possam ter tido para os beneficiários carentes da generosidade de Lu.

 

Figueiredo cometeu as inconfidências que infelicitam a campanha de Geraldo “Banho de Ética” Alckmin porque estava magoado com Lu. Depois de ter construído um novo estilo para a ex-primeira dama de São Paulo, o estilista teria sido abandonado pela “cliente”. Ela teria passado a vestir-se na Daslu, a butique mais cara do país, onde trabalhava uma filha do casal Alckmin.

 

O candidato tucano paga agora, na forma de desgaste eleitoral, o preço da “ingratidão” de sua mulher. Um preço que, não podendo ser calculado em reais, talvez não chegue a cobrir os mais de R$ 2 milhões que teriam custado as roupas de Figueiredo se Lu houvesse pagado por elas.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Veredicto do caso do mensalão só daqui a 2 anos

  Alan Marques/F.Imagem
Recomenda-se aos que desejam uma condenação rápida dos 40 integrantes da “quadrilha” do mensalão que retirem rapidamente o cavalinho da chuva. O ministro Joaquim Barbosa (na foto), relator do caso no STF, informa que o julgamento deve arrastar-se pelo menos por dois anos. Repetindo: dois anos.

Receoso da má repercussão que a demora deve ter na opinião pública, Barbosa apressou-se em explicar os detalhes da encrenca que lhe caiu sobre a mesa. Disse que o processo terá de percorrer três fases:

 

·         Análise da denúncia: antes de dizer se aceita ou não a denúncia do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, o Supremo precisa notificar os 40 acusados. Todos terão amplo acesso aos autos –cinco mil páginas de inquérito policial, mais 65 volumes de anexos. Os acusados podem apresentar documentos em sua defesa. Podem também interpor recursos para tentar trancar o processo. A cada documento, a cada recurso, o STF tem de ouvir o Ministério Público. É coisa eu não se resolve em menos de 600 dias, ou seja, mais de um ano e meio.

·         Pronunciamento sobre a denúncia: vencida a primeira fase, Joaquim Barbosa levará o caso ao plenário do Supremo. Terá de dizer se aceita ou não a denúncia do Ministério Público, uma decisão que precisa ser compartilhada com os demais dez ministros que compõem o tribunal. Uma vez aceita a denúncia, os acusados serão  novamente notificados. E Barbosa terá de interrogá-los, um a um. Pretende priorizar a inquirição dos deputados. Depois, terá de ouvir todas as testemunhas de defesa e de acusação. Coisa de 362 pessoas. Para complicar, os réus podem pedir a realização de perícias ou pedir novas diligências. Tudo concluído, cada réu vai dispor de 15 dias para apresentar as suas alegações finais.

·         Julgamento: descascado todo o abacaxi, daqui a dois anos ou mais, o Supremo estará pronto para realizar o julgamento. A sessão será longa. Os advogados de cada um dos 40 réus têm o direito de fazer sustentação oral no plenário do Supremo.

 

Perguntou-se a Joaquim Barbosa se há alguma chance, ainda que remota, de o STF atender aos apelos dos congressistas que pedem um julgamento dos deputados incluídos na denúncia do Ministério Público antes das eleições deste ano. A hipótese foi descartada pelo ministro. “Que mudem a Constituição”, disse Joaquim Barbosa. “Que acabem com o foro privilegiado”.

 

Graças ao foro privilegiado, políticos detentores de mandatos federais só podem ser processados no STF. Arrastam com eles todos os réus que não têm mandato. Para Barbosa, trata-se de uma anomalia: “Sou totalmente a favor do fim do foro privilegiado. É uma excrescência tipicamente brasileira. É uma racionalização da impunidade. O problema é cultural. Faz parte do jeitinho brasileiro”.

 

A opinião do ministro não o desobriga de cumprir rigorosamente todos os prazos previstos em lei. “Não há como fugir dessa delonga, sob pena de nulidade do processo e absolvição”, disse Joaquim Barbosa.

 

Ou seja, a sobrevivência dos políticos incluídos na denúncia do mensalão está nas suas mãos, caro leitor. Com o seu voto, você pode se antecipar ao julgamento do Supremo. A propósito, se ainda não leu a denúncia do procurador Antonio Fernando de Sousa, ainda está em tempo. Eis aqui o documento.

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Lula prepara contra-ataque a Alckmin no Nordeste

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula organiza uma contra-ofensiva para neutralizar a estratégia de campanha do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Incomodado com a intensificação das viagens do oponente a Estados nordestinos, o presidente vai priorizar, também ele, as visitas à região. Considera que o Nordeste é a sua principal cidadela nas eleições deste ano. E está decidido a defendê-la.

De acordo com as sondagens eleitorais feitas por encomenda do Palácio do Planalto, Lula detém pouco mais de 60% dos votos dos eleitores do Nordeste. Atrás dele vêm Anthony Garotinho, do PMDB, com cerca de 20%, e Alckmin, com pouco mais de 10%. Na opinião de Lula, Alckmin acerta ao priorizar a região nos seus deslocamentos de campanha. E fará o que puder para atrapalhá-lo, apresentando-se como contraponto.

Parte da assessoria de Lula acha que ele deveria dar atenção prioritária ao Sudeste,  onde Alckmin está mais bem-posto nas pesquisas. Lula concorda parcialmente com o raciocínio. Avalia que São Paulo é hoje o seu calcanhar de Aquiles. Mas não quer correr o risco de deixar Alckmin percorrer o Nordeste sozinho. "Vou a toda parte", disse ele, "mas não posso cometer o erro de deixar de lado o Nordeste." 

O presidente segue com atenção as pegadas do adversário. Ficou impressionado com o relato que ouviu de um amigo de Pernambucano acerca da acolhida efusiva que o tucano teria tido no seu Estado natal. A despeito dos resultados das últimas pesquisas, que indicaram a manutenção do seu favoritismo, Lula continua afirmando que Alckmin é um adversário “perigoso”. Diz que não se pode “baixar a guarda”. Eleição, ele repete insistentemente, “não se ganha de véspera”.

Lula foi informado também de que não é retórica a promessa de Alckmin de visitar pelo menos um Estado nordestino por semana. Antes de Pernambuco, o tucano visitara o Piauí. E o presidente soube que o adversário já programa para os próximos dias uma viagem ao Rio Grande do Norte. Disseram-lhe ainda que, nas semanas subseqüentes, Alckmin deve ir à Bahia e ao Ceará. Daí a sua preocupação. Avalia que Alckmin, por desconhecido, pode crescer nas pesquisas a partir da superexposição.

Além de intensificar as viagens ao Nordeste, Lula quer que o PT dê mais realce em seu discurso às iniciativas governamentais voltadas para os brasileiros miseráveis dos Estados da região, em especial o Programa Bolsa Família. As pesquisas encomendadas pelo Planalto corroboram a idéia de que é principalmente graças aos efeitos da distribuição de dinheiro proporcionada pelas bolsas sociais que o prestígio de Lula se mantém em alta entre os eleitores nordestinos.

O presidente considera essencial também que o petismo tente grudar em Alckmin a pecha de “candidato das elites”, em contraposição à sua própria imagem, mais associada à idéia de benfeitor dos pobres.

De resto, Lula caminha em sentido oposto ao de Alckmin na definição do seu companheiro de chapa. Enquanto o candidato tucano se prepara para anunciar um vice nordestino, Lula quer um lugar-tenente do Sul ou do Sudeste, de preferência do PMDB. Tentou, sem sucesso, viabilizar o nome do gaúcho Nelson Jobim. Por meio do deputado cassado José Dirceu (PT-SP), amargou novo insucesso em sondagem feita ao mineiro Itamar Franco. Resta-lhe, por ora, a repetição da parceria com o também mineiro José Alencar.

Escrito por Josias de Souza às 00h10

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Intimado, compadre de Lula diz que não vai à CPI

 

Deve ser de péssima qualidade o cafezinho servido aos depoentes na CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida como comissão dos Bingos. É cada vez maior a resistência com que as pessoas reagem ao serem convocadas para prestar esclarecimentos aos cavaleiros do apocalipse. Só pode ser aversão ao café.

 

Intimado a comparecer à CPI às 11h desta terça-feira, o advogado Roberto Teixera, amigo e compadre de Lula, mandou dizer que não vai. Alega que a intimação, que lhe foi entregue às 17h30 desta segunda, chegou muito em cima da hora.

 

Argumenta também que, tendo se submetido a uma cirurgia cardíaca recente, precisa consultar os médicos para saber se está em condições de encarar uma CPI. Por último, diz que não se considera envolvido em nenhuma “atividade ilegal”, muito menos do tipo que “motivou a instauração da CPI dos Bingos.”

 

Ele nega que tenha participado de qualquer "atividade ilegal", Muito menos do tipo que motivou a "instauração da CPI dos Bingos". Acha que sua convocação não encontra respaldo na Constituição.

Roberto Teixeira diz ainda em nota (leia a íntegra aqui) que, a julgar pelo teor das declarações de certos parlamentares, sua convocação visa apenas "criar fatos políticos com base na relação de amizade e compadrio" que mantém com Lula.

 

Teixeira pode ter razão. Mas, como advogado, sabe que uma CPI é dotada de poder de polícia. Pode mandar buscá-lo “debaixo de vara”, como se diz. Aconselha-se ao compadre do presidente que busque o amparo do Judiciário.

 

Do contrário, terá, sim, de sorver o café amargo da CPI, enquanto responde às acusações de que teria montado na década de 90 um esquema para desviar recursos de prefeituras petistas.

Escrito por Josias de Souza às 22h08

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Tese do impeachment ganha adesões no Congresso

Devagarinho, a pregação em favor do impeachment de Lula vai abandonando o ambiente restrito dos gabinetes para ecoar nas tribunas do Congresso. Nesta segunda-feira, dois senadores defenderam a abertura de processo contra o presidente pela prática de suposto crime de responsabilidade: Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Álvaro Dias (PSDB-PR).

 

ACM, que vinha fazendo coro com a maioria oposicionista contrária ao impeachment, parece ter mudado de idéia. Disse que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, só não incluiu Lula no rol de 40 indiciados ao STF por envolvimento no escândalo do mensalão “por gentileza”. “Mas eu não tenho obrigação de ser gentil”, afirmou o senador.

 

Para ACM, o processo de impeachment precisa ser proposto mesmo que não haja condições de apreciá-lo. “Por muito menos, por um Fiat Elba, o presidente Collor foi posto para fora”, disse ele.

 

Álvaro Dias também se valeu da denúncia do Ministério Público para defender o impeachment de Lula. Classificou de “exemplar” a ação do procurador Antonio Fernando. E disse que ela precisa gerar conseqüências também contra o presidente da República.

 

O presidente do PPS, Roberto Freire (PE) adiou para amanhã a reunião da Executiva do seu partido, que foi convocada com o propósito exclusivo de discutir o impeachment de Lula. Freire também acha que o processo contra o presidente deve ser aberto mesmo que seja apenas para ficar “registrado na história que um grupo de brasileiros não ficou passivo diante dos desmandos de Lula”.

 

O ministro Tarso Genro (Coordenação Política) disse que a pregação em torno do impeachment não leva desassossego ao governo. Referindo-se especificamente ao encontro da Executiva do PPS, ele declarou: "O governo não está preocupado com isso. Alguns setores acham que é golpismo político, mas acho que o PPS tem o direito de discutir. Acho que (um pedido de impeachment) não tem racionalidade jurídica nem política."

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Governo tenta conter eletrificação do ambiente

O governo opera em duas frentes para tentar abrandar a eletricidade que conspurca a conjuntura política. Em reunião da cúpula do governo, no Planalto, acertou-se para quinta-feira o depoimento do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) no Congresso. No mesmo encontro, decidiu-se que o ministro Tarso Genro (Coordenação Política) buscaria um entendimento com a oposição para tentar aprovar, finalmente, o Orçamento da União.

 

A decisão tomada em relação a Thomaz Bastos foi comunicada aos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros. Resta agora definir se o ministro dará suas explicações no plenário da Câmara, que aprovou requerimento na semana passada, ou em sessão conjunta com o Senado. Para o governo, o melhor seria restringir a audição de Thomaz Bastos à Câmara, uma Casa que o Planalto considera menos hostil.

 

Quanto ao Orçamento da União, Tarso Genro já abriu negociações com a oposição. Acena com a hipótese de o governo aceitar a inclusão de despesas reivindicadas pelo PSDB e PFL. Entre essas despesas estão um projeto de irrigação na Bahia, reclamado por Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e um gasoduto no Amazonas, exigido por Arthur Virgílio (PSDB-AM).

 

Ao mesmo tempo em que participam dos entendimentos, tucanos e pefelistas ameaçam recorrer à Justiça contra medidas provisórias orçamentárias editadas por Lula. Uma delas, no valor de R$ 1,8 bilhão, já foi publicada no Diário Oficial. Outra, de cerca de R$ 26 bilhões, foi anunciada na última quinta-feira.

 

Renan Calheiros, o presidente do Congresso, quer porque quer pôr o orçamento em votação nesta terça-feira. Arthur Virgílio avisa que, sem acordo, a oposição usará todos os mecanismos ao seu alcance para obstruir a votação.

 

Para complicar, o relator do orçamento, deputado Carlito Merss (PT-SC), diz que a Petrobras identificou no projeto do gasoduto amazônico, defendido por Virgílio, indícios de “superfaturamento”. Se depender de Merss, o dinheiro do gasoduto não sai.

Escrito por Josias de Souza às 17h50

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Mentor vai a julgamento na quarta

Alan Marques/F.Imagem

A Câmara volta a montar nesta quarta-feira o cadafalso do mensalão. O primeiro na fila do cadafalso é José “R$ 120 mil” Mentor (PT-SP). O Conselho de Ética aprovou parecer recomendando que o mandato de Mentor seja passado na lâmina. O que não quer dizer absolutamente nada.

 

Pareceres do Conselho de Ética têm sido pisoteados sem constrangimento no plenário da Câmara. Assim, não será surpresa se Mentor vier a se transformar numa nova fatia da enorme pizza assada nas cabines que escondem os votos secretos da corporação legislativa.

 

Os R$ 120 mil que Mentor recebeu do valerioduto foram-lhe repassados por Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério. O deputado alega em sua defesa que a grana se refere a pagamento por três pareceres jurídicos produzidos por seu escritório advocatício, supostamente a pedido de Tolentino.

Escrito por Josias de Souza às 17h06

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Lula articula desistência de Marta em São Paulo

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em articulação iniciada a pedido de Lula, o PT tenta convencer a ex-prefeita Marta Suplicy a abrir mão de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, apoiando o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante. Para Lula, o PT deve empenhar-se para evitar a realização de prévias entre Marta e Mercadante.

 

O movimento deixou Marta irritada. Ela diz que, em visita a Lula, recebeu estímulo para disputar o Palácio dos Bandeirantes. E acha incompreensível que o presidente queira agora lhe puxar o tapete num instante em que as pesquisas a colocam em posição mais vantajosa do que Mercadante numa eleição que tem como favorito o tucano José Serra.

 

Para não deixar dúvidas quanto à sua preferência, Lula exibiu-se com Mercadante a tiracolo em viagem ao interior de São Paulo, na semana passada (veja foto acima). No esforço para convencer Marta a abandonar a disputa, emissários de Lula argumentam que o apoio do deputado mensaleiro João Paulo Cunha (PT-SP) à pré-candidatura de Mercadante minou as chances de vitória da ex-prefeita nas prévias.

 

Mercadante controlaria agora a maioria dos diretórios petistas no interior do Estado na região metropolitana da capital paulista. João Paulo preparava-se para disputar, ele próprio, o governo paulista. Foi compelido a desistir depois que se descobriu que sacara R$ 50 mil no valerioduto. Continua exercendo influência, porém, sobre seis prefeitos, doze diretórios municipais petistas e oito pelo menos deputados estaduais.

 

Os votos de Marta numa eventual prévia petista estariam concentrados, sobretudo, no município de São Paulo e nos colégios de Diadema e São Bernardo do Campo, que respondem por 40% do colégio eleitoral interno do PT. A despeito da suposta inferioridade, a ex-prefeita ainda não emitiu, por ora, nenhum sinal de que vá jogar a toalha.

 

Entre quatro paredes, Lula declara o apoio a Mercadante desde o início do ano. Decidiu arregaçar agora as mangas pelo pupilo como forma de compensá-lo pelo esforço que vem fazendo no papel de líder do governo. No mês passado, em reunião com Lula, Mercadante pediu que o presidente o liberasse do exercício da liderança.

 

O senador queria dedicar-se integralmente à campanha. Lula pediu a Mercadante que continuasse se dividindo entre São Paulo e Brasília. Mercadante assentiu. E o presidente se sente em dívida com ele.

 

PS.: Após a divulgação deste despacho, Marta Suplicy divulgou uma nota na qual reafirma a sua candidatura. “Conversei em várias oportunidades com o presidente Lula e não ouvi dele manifestação a favor de qualquer candidatura”, diz a ex-prefeita. “Espero ser escolhida pela militância, pelas bases do PT, em sintonia com a vontade da população do Estado.”

Escrito por Josias de Souza às 16h25

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Caseiro pede indenização milionária

Francenildo dos Santos Costa orçou em R$ 21,7 milhões o preço de sua humilhação. É esse o valor da indenização que o caseiro vai cobrar da Caixa Econômica (R$ 17,5 milhões) e da revista Época (R$ 4,2 milhões) por terem quebrado e divulgado ilegalmente os dados do seu sigilo bancário.

 

As ações, preparadas pelo advogado Wlicio Chaveiro, serão protocoladas ainda nesta segunda-feira na 4ª Vara da Justiça Federal de Brasília. A soma de tudo o que Francenildo deseja receber corresponde a 62 mil salários mínimos. É grana suficiente para que ninguém mais chame o caseiro assim: “Ei, você aí”.

 

Num país capaz de produzir presidentes cegos e ministros da Fazenda delinqüentes, tudo parece possível. Mas o signatário do blog enxerga um certo exagero no pedido de Francenildo. Uma pena. Enfraquece-se sempre tudo o que se exagera.

Escrito por Josias de Souza às 15h21

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Mais um indiciado no "caseirogate"

  Sérgio Lima/F.Imagem
Marcelo Netto, o ex-assessor de imprensa de Antonio Palocci, foi indiciado pela Polícia Federal, nesta segunda-feira. É acusado de ter cometido o crime de quebra do sigilo bancário. A PF suspeita que foi Netto quem repassou à revista Época cópia do extrato bancário de Francenildo dos Santos Costa.

 

O jornalista depôs durante cerca de quatro horas na sede da PF, em Brasília. Entrou e saiu do prédio calado. Segundo Eduardo Toledo, advogado de Marcelo Netto, seu cliente negou qualquer tipo de participação no episódio que resultou na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro.

 

Aliás, se levados ao pé da letra, os depoimentos de todos os personagens da crise formam o mosaico de um crime sem culpados. Leia aqui, em texto de Andreza Matais, mais detalhes sobre o depoimento de Marcelo Netto.

Escrito por Josias de Souza às 14h44

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Lula queixa-se do Congresso no rádio

Lula declarou há pouco no rádio, em tom queixoso, que está preocupado com o atraso na votação de projetos importantes no Congresso. Mencionou o Orçamento da União de 2006, que deveria ter sido votado até dezembro do ano passado. Disse que o governo está liberando recursos por medida provisória porque o país "não pode parar”.

 

"A gente deu um sinal agora de que vai administrar o país, independentemente de qualquer coisa", disse Lula no programa Conversa com o Presidente. "Foi para isso que nós fomos eleitos, por isso fizemos a medida provisória".

 

Além do orçamento, o presidente mencionou a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e a criação da Super Receita. "São coisas importantes para modernizar o Brasil, para tornar o Brasil mais produtivo, mais ágil", afirmou Lula no seu programa radiofônico semanal (leia a íntegra aqui).

 

Lula acha que os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros, devem estar tão preocupados quanto ele. É, pode ser.

Escrito por Josias de Souza às 07h29

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As manchetes desta segunda

- JB: Valério: mil anos de cadeia

- Folha: Lula passa a ser o alvo principal, diz oposição

- Estadão: Maquiagem nas contas amplia gastos com o funcionalismo

- Globo: Legião de suicidas do Irã ameaça retaliar EUA

-Correio:  PFL recua, mas PSDB vai torpedear Bastos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h12

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Será que decola?

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Acupunturista de Alckmin se considera ‘usado’

Em entrevista à repórter Tatiana Farah, o acupunturista de Geraldo Alckmin diz que está sendo “usado” por oposicionistas de seu cliente nas agulhadas que desferem contra o candidato tucano à presidência da República. O chinês Jou Eel Jia afirmou:

--Estou triste por ser usado contra um paciente. Tenho pacientes pertencentes a outros partidos e me sentiria do mesmo modo se fosse usado contra qualquer um deles.

 

Jou alega que os cursos que ministra a professores da rede estadual de ensino de São Paulo, em convênio iniciado na gestão Alckmin, são gratuitos. Diz que tinha um convênio de 15 anos com a prefeitura de São Paulo, para ensinar acupuntura aos médicos, gratuitamente. Deu-se, então, o seguinte:

   

--(...) Dona Lu (Alckmin) era minha paciente e comentei com ela o que estava fazendo. Aí ela disse que eu precisava ensinar isso aos professores da rede estadual. Achei ótima idéia (...). Ela falou com o secretário Chalita (Gabriel Chalita, ex-secretário de Educação) e começamos o trabalho (...). Nunca recebi e nunca me foi oferecido nenhum tostão para fazer qualquer curso.

 

Jou reconhece, porém, que os professores a quem ministra cursos hospedam-se num spa de sua propriedade, o Ch´an Tao. Dos 1.880 hóspedes que já abrigou, 864 eram professores da rede estadual paulista. Prevê-se que hospedará pelo menos mais 640. Tudo pago pela Secretaria de Educação de São Paulo.

 

--Eu ofereço o spa, a estadia e as refeições. (...) Não cobro nada pelo curso nem pelas palestras. A diária normal custa R$ 165 e, dos professores, eu cobro preço de custo, que é de R$ 70.

 

Sobre a empresa que sua filha Suelyen mantém em sociedade com Thomaz, o filho do casal Alckmin, Jou diz que é “minúscula”. Trata-se de um comércio de ervas medicinais. Entre os clientes da casa figura o spa Ch´an Tao. De acordo com Jou, a exemplo dos pais, Thomaz também é seu paciente. Tomou gosto pelas ervas medicinais. E, tendo feito amizade com sua filha, decidiram abrir o comércio.

 

--Filho a gente só controla quando pequenos.

Escrito por Josias de Souza às 01h30

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Governo quer depoimento de Bastos na quinta

Oscar Niemeyer
 

O principal fato político da semana será o depoimento do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) no Congresso. Ele vai tentar explicar o seu envolvimento pessoal e o de dois assessores no episódio que resultou na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Numa articulação iniciada no sábado, o governo tenta empurrar a ida de Thomaz Bastos ao Congresso de terça para quinta-feira. Na semana passada, a Câmara aprovou, por acordo de lideranças, um “convite” para que o ministro compareça ao plenário da Casa às 14h desta terça. Mas o Senado também deseja ouviu-lhe as explicações. Daí o esforço para transferir o depoimento para quinta, em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

O ministro classifica de impróprio o termo “depoimento”. Prefere dizer que está indo ao Congresso, por iniciativa própria, para prestar “esclarecimentos”. Na prática, porém, receberá da oposição um tratamento de “suspeito”. Foi guindado pelos oposicionistas a essa condição depois da revelação de que participou, em 27 de março, junto com o advogado criminalista Arnaldo Malheiros, de uma reunião na casa de Palocci, à qual estavam presentes o ex-ministro da Fazenda e o ex-presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso.

Antes desse encontro, dois assessores de Thomaz Bastos –o secretário de Direito Econômico Daniel Goldberg e o chefe de Gabinete Cláudio Alencar—também haviam comparecido à casa de Palocci em 16 e 17 de março, dias em que o sigilo do caseiro foi quebrado ilegalmente e divulgado para a imprensa.

Integrantes da CPI dos Bingos gostariam de inquirir na comissão Goldberg, Alencar e Mattoso antes da audição de Thomaz Bastos no plenário do Congresso. Porém, é improvável que consigam. Os requerimentos para a convocação dos três ainda precisam ser aprovados na CPI. Isso pode acontecer ao longo da semana. Mas não haveria tempo de ouvi-los antes do ministro.

Lula e seus auxiliares diretos esperam que Thomaz Bastos consiga deixar o epicentro da crise depois do encontro com os parlamentares. Avaliam que a versão que o ministro vai contar aos parlamentares é convincente. Ele dirá que foi à casa de Palocci por duas razões: para apresentar o advogado Malheiros ao então ministro da Fazenda e para inteirar-se de fatos que estavam sob investigação da Polícia Federal.

Quanto à participação de seus auxiliares, o ministro dirá que os dois foram chamados por Palocci, que desejava sondá-los sobre a possibilidade de a PF investigar o caseiro, sob a alegação de que ele o estava acusando porque teria recebido dinheiro de oposicionistas. Depois de ouvir a PF, Goldberg e Alencar teriam respondido a Palocci que a investigação seria infactível.

Um detalhe, porém, intriga a oposição: a despeito da negativa, a PF dispensou a Francenildo um tratamento de investigado. Munida de ofício que recebera de um órgão submetido a Palocci –o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)—, a polícia solicitou ao Judiciário a quebra formal do sigilo bancário do caseiro, sob a alegação de que ele poderia ter cometido o crime de “lavagem de dinheiro”. Uma hipótese que sabia ser absurda.

Escrito por Josias de Souza às 00h42

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Telefonemas de assessores podem complicar Bastos

A Polícia Federal receia que a quebra dos sigilos telefônicos dos personagens envolvidos no “caseirogate” possa complicar a situação de Márcio Thomaz Bastos. Suspeita-se que tenha havido uma intensa troca de ligações entre o ministro da Justiça e os dois assessores dele que se reuniram com Antonio Palocci: Daniel Goldberg e Cláudio Alencar.

 

Não se exclui a hipótese de que Thomaz Bastos tenha falado com o próprio Palocci nos dias em que o sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa foi violado e seu extrato entregue para a revista Época. A abertura do sigilo das ligações telefônicas foi solicitada ao Judiciário no último dia 4 de abril. O pedido não partiu da PF, subordinada a Thomaz Bastos. Foi feito pelo Ministério Público, que realiza uma investigação paralela à da polícia.

 

Os dois procuradores da República envolvidos no caso, Gustavo Pessanha e Lívia Tinoco, incluíram cinco nomes na lista da quebra de sigilo telefônico:

 

·         Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda;

·         Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal;

·         Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda;

·         Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça;

·         Cláudio Alencar, chefe de Gabinete de Márcio Thomaz Bastos.

 

Para a PF, Thomaz Bastos é o alvo principal dos procuradores, embora seu nome não conste da relação. O ministro encontrava-se em viagem a Rondônia em 16 de março, a quinta-feira em que o sigilo do caseiro foi quebrado ilegalmente. De acordo com a versão oficial, só soube da violação no final da tarde de 17 de março, a sexta-feira em que, a caminho de São Paulo, pousou na Base Aérea de Brasília e foi informado de que  os extratos de Francenildo haviam sido estampados no blog da revista Época.

 

Na opinião dos investigadores da própria PF, a abertura dos sigilos telefônicos dos protagonistas da crise pode derrubar a versão de Thomaz Bastos. Seu assessor Daniel Goldberg esteve na casa de Palocci na noite de 16 de março. Testemunhou a chegada de Jorge Mattoso com o envelope que continha cópia do extrato de Francenildo. Acredita-se que seja improvável que Goldberg tenha ido se encontrar com Palocci sem um contato telefônico prévio com Thomaz Bastos.

 

Na manhã de 17 de março, Goldberg voltou à casa de Palocci. Dessa vez, estava acompanhado de Cláudio Alencar, o chefe de Gabinete do ministro da Justiça. De novo, considera-se inverossímil que os dois tenham agido sem contatar previamente o chefe. A PF acha bastante palusível também que o próprio Palocci tenha discado para o colega de ministério antes de convocar os dois funcionários da Justiça à sua casa.

 

O pedido dos procuradores inclui os aparelhos celulares dos suspeitos e também aparelhos fixos usados por eles nos ministérios da Justiça e Fazenda, além da Caixa Econômica. Nesta semana, a PF deve encaminhar à Justiça um pedido de quebra de sigilo apenas dos telefones de Marcelo Netto, o ex-assessor de imprensa de Palocci.

 

A curiosidade da polícia parece, a essa altura, mais seletiva do que a do Ministério Público. Além de chegar atrasada, a PF desdenha dos telefonemas trocados por outros quatro personagens da crise, dois deles ligados diretamente ao ministro Márcio Thomaz Bastos.

Escrito por Josias de Souza às 23h51

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As dores do crescimento

O ser humano tem uma dificuldade hedionda de entender o outro. E, para um ocidental, ninguém personifica melhor o outro do que um oriental. Vem daí que a China há séculos embaralha os miolos dos que, não sendo chineses, tentam decifrá-la.

 

A coletivização da China pelos comunistas, por exemplo, sempre foi vista como um malefício a serviço do exotismo oriental. A partir da gradativa abertura da China para o Ocidente, os economistas que não têm olhinhos puxadinhos passaram a apregoar que o que estava acontecendo lá nem era tão exótico nem tão maléfico.

 

Verificou-se que o empreendimento chinês, cruel nos seus métodos, é realista nos seus objetivos. A economia chinesa cresceu no ano passado a uma taxa de 10%. No primeiro trimestre de 2006, o índice foi de 10,2%. A prosperidade é tanta que o governo já pensa em pisar no freio.

 

Neste domingo, o presidente da China, Hu Jintao, manifestou preocupação com o superaquecimento da economia do seu país. Passou a considerar até os riscos de uma devastação do meio ambiente. Ou seja, a China deu tão certo que começa a dar errado. Convive agora com os efeitos da “catástrofe” do crescimento, um tipo de desastre com o qual o Brasil vem sonhando há anos.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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As manchetes deste domingo

 

- JB: Políticos lucram com Saúde

 

- Folha: Lula cria 37,5 mil cargos em 3 anos

 

- Estadão: Brasileiro trabalha 5 meses e meio para pagar juro e imposto

 

- Globo: Metade dos cariocas deixaria o Rio por medo da violência

 

- Correio: O que esperar de Lula, Alckmin e Garotinho

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 03h26

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Páscoa-companheira!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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'Por favor, leia o relatório do Procurador'

Começa assim o artigo de Elio Gaspari deste domingo:

"O relatório do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que denunciou os 40 integrantes da quadrilha-companheira que saqueou as arcas públicas é uma peça que merece respeito. Todas as pessoas que já praguejaram contra as pizzas da Câmara dos Deputados e duvidaram do vigor das instituições nacionais devem tentar lê-lo. É um cartapácio de 52 mil palavras, equivale a três vezes e meia o tamanho do conto "O Alienista", de Machado de Assis. Falta-lhe o estilo da história de Simão Bacamarte, mas não é daqueles textos em dialeto juridiquês.


Chama o que foi "núcleo duro" de "quadrilha" e "organização criminosa". "Caixa dois", "dívidas de campanha" e outros eufemismos são designados pelo que foram: "desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio político".


Quem se ofendeu com o exibicionismo de alguns parlamentares nas CPIs deve a atenção da leitura aos servidores que agiram longe dos holofotes. Quem se considerou insultado pelas manobras-companheiras, pelos depoentes emudecidos e pelas mentiras deslavadas, vê a história contada como ela foi, com início, meio e (quase) fim. Faz bem ao cidadão."

 

Por favor, não deixe de ler aqui o resto do artigo de Gaspari. E não deixe de atender ao apelo do colunista, entretendo-se aqui com a denúncia da quadrilha do mensalão. Vale o desperdício de um naco do seu domingo.

Escrito por Josias de Souza às 03h19

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Okamotto: ‘Depois de PC Farias ficou uma maldição’

  Sérgio Lima/F.Imagem
Paulo Okamotto, o bom amigo, anda angustiado. Concedeu uma entrevista a Soraia Aggege. E chorou no instante em que falou do assédio da CPI do Fim do Mundo às suas contas bancárias. Confirmou ter liquidado, com dinheiro do próprio bolso, a dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT. E disse que jamais assumiria de novo o posto de tesoureiro de campanha. “Depois do Collor e do PC Farias, ficou uma maldição”, disse. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

 

- Por que não autoriza a quebra do seu sigilo bancário?

Não há dificuldade de a CPI obter informações do meu sigilo. Só que o processo está errado. Como está montado, para uma devassa em minhas contas, é uma coisa que, como cidadão, não quero discutir.

- Por que não?

(Às lágrimas) Sabe o que acontece? Eu tenho uma trajetória de luta. Na época das greves, você era detido e o cara ameaçava: ‘você aí, cala a boca, fica aí, quietinho de pé, ou vai ficar preso.Presenciei muitas cenas assim, de autoritarismo. Foi uma humilhação permanente. A gente que tem uma trajetória mais popular pensa: por que querem quebrar o meu sigilo? Tem dinheiro de empresa, de Valério na minha conta?

- Mas tem o pagamento de uma conta do presidente...

Claro que tem. Eu tenho salário para fazer isso.

- Há suspeitas de uso de dinheiro do valerioduto. Amigos seus dizem que sua renda não permitiria tal generosidade.

(...) Tenho uma pequena empresa de brindes que tem receita, tenho uma aposentadoria também. Ganhou R$ 24 mil no Sebrae, mais a aposentadoria, a empresa. Creio que tenho uns R$ 30 mil brutos por mês.

- Como foi o pagamento da conta do Lula?

Fui cuidar da rescisão do Lula (no PT) e o pessoal levantou todas as pendências dele, desde 97. Eram lançamentos para viagem (...). As despesas de dona Marisa também foram lançadas para o nome do Lula.

- A situação estava irregular?

Bom, como já estava lançado e a contabilidade do partido tem que ser aprovada pelo Tribunal Eleitoral, e como estava aprovada, não quiseram mexer naquilo e ficaram insistindo na cobrança. E eu não queria criar um constrangimento entre o tesoureiro (Delúbio Soares), o partido e o presidente da República (...). E a única forma de resolver isso era fazer o ressarcimento ao partido em nome do Lula. Ainda que ele não pudesse dar o dinheiro. Mas ele (Delúbio) disse que para fazer isso tinha que ser em dinheiro (...). Então eu resolvi pagar do jeito que eu podia. Arrumei os recursos, juntei, saquei, peguei dinheiro que pedi para minha mulher retirar lá. Fiz as parcelas e paguei.

- Pagou também contas da Lurian (filha de Lula)?

É folclore. Dizem que sou contador do Lula. Não sou, não.

- O sr. Já foi tesoureiro. Como vê a atuação de Delúbio?

Fui tesoureiro da Frente Brasil, em 89, e do sindicado. Depois, não fui mais. Mas acho que as campanhas políticas levam as pessoas a fazerem dívidas (...).

- O presidente pode escolhê-lo para as finanças desta campanha?

Não voltaria porque isso precisa ser feito por quem tem mais relações (...).

- O cargo seria um problema?

Acho que há uma maldição dos tesoureiros. Depois do Collor e do PC Farias, ficou uma maldição. Já estou afastado desde 92 e não me disponho, não.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Collor sobre Lula: 'Quadrilha quem montou foi ele!'

A Rádio Mix (106,3 FM) transmite a sua programação para uma rede de 14 emissoras espalhadas pelo país. Registra seus melhores índices de audiência durante o “Programa do Mução”, um comunicador de timbre nordestino, cujas principais características são o humor e a irreverência.

 

Mução entrevistou o ex-presidente Fernando Collor Mello. Durante a conversa, rodou uma entrevista que Lula concedera em 1992, pouco depois do impeachment de Collor. À época sem mandato, Lula disse que tinha pena de Collor. Acusou-o de formar uma “quadrilha”, movido pela “ganância” e pela “vontade de roubar e de praticar corrupção”.

 

Instado por Mução a comentar as declarações de Lula, Collor deu o troco. Disse ter sido vítima de um “golpe parlamentar”, do qual participaram, entre outros, os então deputados José Genoino e José Dirceu, hoje “enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação”. Em outro ponto da entrevista, citou Luiz Gushiken, também deputado à época do impechment.

 

Sobre Lula, Collor declarou: "Quadrilha quem montou foi ele". Citou na seqüência, entre outros, os nomes de Antonio Palocci -"a quem ele (Lula) chama de irmão"-, Paulo Okamotto –“o pagador de suas contas”-, e Fábio Luiz Lula da Silva -"recebendo R$ 15 milhões de uma companhia telefônica, como se o filho dele fosse um gênio". E arrematou: “Isso sim é quadrilha, isso sim é roubar”.

 

A despeito das críticas, Collor declara-se contrário ao impeachment de Lula. Diz que os deputados mensaleiros, que chama de “ladrões”, não têm autoridade para julgar ninguém. "Só ao povo”, diz ele, “é dado o direito de colocar ou tirar alguém do governo”. Ouça aqui a entrevista.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Em 31 anos, só Collor enfrentou mais CPIs que Lula

Em 31 anos, só Collor enfrentou mais CPIs que Lula

  • FHC foi o menos investigado do período democrático

Sérgio Lima/Folha Imagem

Lula enfrentou em três anos só uma CPI a menos que FHC em oito anos   

 

Nas últimas três décadas (1974-2005), foram criadas no Congresso 135 CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) –uma a cada três meses, em média. Considerando-se a duração de cada gestão, Fernando Collor de Mello (27 CPIs) e Luiz Inácio Lula da Silva (24) foram, nessa ordem, os governos que mais amargaram investigações parlamentares.

 

Sob Collor (1990-1992), a taxa mensal de criação de CPIs foi de 0,89. Ou seja, quase uma CPI por mês. Durante os três primeiros anos de Lula (2003-2005), o índice mensal foi de 0,66 - mais de uma comissão de inquérito a cada dois meses.

 

Os dados constam de uma publicação da Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado. Foram recolhidos em pesquisa nos bancos de dados do Congresso, sob a coordenação do analista legislativo Nerione Nunes Cardoso Jr. A pesquisa não inclui as CPIs da Câmara. Contabiliza apenas as CPIs do Senado e as comissões mistas das duas casas legislativas.

 

O levantamento confirma a fama de abafador de CPIs atribuída ao tucano Fernando Henrique Cardoso. Sob os oito anos de FHC (1995-2002) criaram-se 25 CPIs, uma taxa mensal de 0,26. Ou uma nova CPI a cada quatro meses. Só Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo (1974-1985), com uma taxa mensal de criação de CPIs de 0,16 (uma a cada seis meses) foi menos investigado.

 

Em números absolutos, criaram-se nos primeiros 36 meses de Lula (24 CPIs), só uma comissão a menos do que nos 96 meses da era FHC (25 CPIs). Sob Collor, foram criadas 27 CPIs. Juntos, Geisel e Figueiredo (1974-1984), arrostaram 21 CPIs; José Sarney (1985-1989), 26; e Itamar Franco (1992-1994), 12.

 

Intitulada de “CPI - Guia de Referência Rápida das Comissões no Senado Federal e no Congresso Nacional”, a publicação se exime de fazer uma análise qualitativa das investigações abertas em cada gestão. Uma retrospectiva histórica, porém, demonstra que também neste quesito Collor e Lula se distinguem dos demais presidentes.

 

Collor amargou a “CPI do PC Farias”. Aberta para investigar o tesoureiro da campanha collorida, a comissão deu origem ao Collorgate, cujo resultado prático foi o impeachment do presidente da República. Lula está às voltas com duas CPIs de teor igualmente explosivo.

 

A CPI dos Correios, recém-concluída, acomodou no rol dos indiciados todo o antigo núcleo dirigente do PT e figuras destacadas da primeira fase do governo Lula, entre eles os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. A comissão dos Bingos, ainda em curso, mira no próprio Lula. Não é sem razão que o Planalto apelidou-a de “CPI do Fim do Mundo”.

 

Sessenta das 135 CPIs criadas nos últimos 31 anos produziram relatórios finais. A produtividade (46%) contrasta com a impressão generalizada de que comissões do gênero resultam em pizza. A produtividade foi mais alta na fase que vai de Geisel a Collor. Nesse período, 57% das CPIs aprovaram relatórios conclusivos. Sob Itamar Franco, o índice decaiu para 33%. Durante a era FHC, a produtividade foi de 44%. E nos três primeiros anos de Lula, minguou para 15%.

Escrito por Josias de Souza às 00h02

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Bem e mal

Bem e mal

No Planalto

 

Todo santo traz o tinhoso enterrado dentro de si. O poeta gaúcho Mario Quintana, que se autodefinia como ''herege de todas as religiões'', lançou no ar, ou melhor, no papel, uma pergunta instigante: ''Mas quem sabe se o diabo não será o mister Hyde de Deus?''

Há na Bíblia uma passagem que reforça as suspeitas de Quintana: o episódio da expulsão dos vendilhões do templo. A pretexto de defender a casa de Deus, Jesus pôs para correr os que dela se serviam como praça de comércio. Chicote em punho, o Cristo estava como que tomado por um espírito maligno.

 

Mas por que diabos se está a invocar o lado Hyde de Deus numa semana dedicada à consagração de seu filho? Não há aqui o sentido da ofensa aos que têm fé. Está-se apenas tentando demonstrar quão difícil é separar o bem do mal. Se nem Deus nem o seu filho estão à salvo da desconfiança, quem estará?

 

Na seara política, a dificuldade de distinguir o médico do monstro é ainda maior. O PT, por exemplo, se esforça para demonstrar que não há bem-aventurança além das fronteiras do seu governo. Lula comporta-se como um deus, portador da verdade suprema, único capaz de conduzir a nação à excelsa glória. “Ninguém nunca fez tanto por esse país nos últimos 500 anos”.

 

Porém, diferentemente do Deus autêntico, o Todo-Poderoso do petismo não é dotado do dom da onipresença. A julgar pelo que diz, Lula “Não Sabia de Nadinha” da Silva não viu os malfeitos que seus discípulos praticaram à sua volta.

 

Pouco magnânimo, o Senhor do PT tenta acomodar toda a vilania nos ombros do Congresso, como se o Executivo estivesse limpo. Esquece-se de que foram os seus 40 apóstolos que alimentaram a sem-vergonhice e a fisiologia, remunerando-as regiamente.

 

Bem verdade que o hábito da cenoura não foi introduzido na cena nacional por Lula. Quando ele chegou ao olimpo, os coelhos do Congresso já estavam habituados à ração farta. O PSDB de Geraldo Alckmin, que agora se apresenta como candidato à restauração moral, foi, sob FHC, um propulsor da imoralidade.

 

O tucanato já teve a sua oportunidade de inaugurar o moderno. Preferiu, porém, chafurdar no arcaico. Pseudo-salvador, FHC desfilou pelo reino de mãos dadas com o atraso. Como Lula, avaliou que nada o atingiria. A ousadia custou ao PSDB um preço que agora é imposto também ao PT: a perda do apuro, da elegância. Ontem como hoje, os soberanos vêm sendo submetidos a formidáveis déficits estéticos.

 

Há tempos que a rotina brasiliense concentra-se no escândalo. O tilintar de verbas e cargos já não consegue deter a corrosão. Logo o eleitorado há de perceber que o diabo não está mais nem à esquerda nem à direita. Ele está no meio de nós, em toda parte. Num cenário que já não pode ser esquematicamente dividido segundo os critérios do dogmatismo ideológico, mister Hyde apossou-se em definitivo da alma de mister Jekyll.

Escrito por Josias de Souza às 19h22

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Sátira pascal

“South Park”, aquele desenho animado norte-americano que satiriza deus e todo mundo, enfrentou um contratempo: a cadeia de TV que exibe a série proibiu a veiculação de um episódio que explorava a imagem de Maomé.

 

Em resposta, os criadores do desenho, Matt Stone e Trey Parker, refizeram o episódio. Foi exibido nesta semana. Em vez de Maomé, mostrou uma caricatura de Jesus Cristo defecando na cabeça de George Bush e na bandeira dos EUA. Dessa vez, não foram censurados.

 

Sobre o veto a Maomé, um porta-voz da rede de TV disse: “À luz dos recentes eventos mundiais, creio que tomamos a decisão correta.” Ele se referia à onda de distúrbios ocorridos em países muçulmanos depois que jornais europeus publicaram uma série de charges do profeta.  

Escrito por Josias de Souza às 18h50

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A pré-história do mensalão

O PSDB anda assanhado com a denúncia que expôs a “quadrilha” do PT-Babá e seus 40 lambões. A sanha, porém, logo, logo tende a arrefecer.

 

Está pelas bordas o balde de água fria que o Ministério Público prepara para jogar na fervura tucana. Vem aí a denúncia contra o protovaleriano Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

 

O Ministério Público vai mostrar que Azeredo é uma espécie de tiranossauro do valerioduto. Pertence à pré-história do mensalão. Viveu nos primórdios da era publicitário-delubiana.

 

Abaixo, duas notas do Painel da Folha (para assinantes):

 

Na mesa
O STF enviou no dia 20 de março ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o inquérito sobre irregularidades na eleição para governador do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998.

Mais elementos
Na primeira parte da denúncia do mensalão, Antonio Fernando cita "serviços delituosos" prestados ao PSDB por Marcos Valério, mas não denuncia Azeredo. Agora, com o inquérito em mãos, o procurador pode incluir o tucano na segunda fase.

Escrito por Josias de Souza às 09h31

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As manchetes deste sábado

 

- JB: Engavetador do mensalão sob suspeita

 

- Folha: Fundo da Varig tem rombo de R$ 1,66 bi

 

- Estadão: Falta de orçamento ameaça o superávit, alerta secretário

 

- Globo: Herdeiros do jogo do bicho compram proteção policial

 

- Correio: Viver no DF custa quatro vezes mais

 

Leia os destaques dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h11

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Ilusão de ética!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 08h03

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Tarso Genro inicia costura da aliança da reeleição

  Eduardo Knapp/Folha Imagem
Sob o impacto da divulgação da denúncia do Ministério Público contra 40 personagens do mensalão, o ministro Tarso Genro (Articulação Política) inicia nesta semana uma reaproximação com os partidos que compõem o consórcio governista. Deseja lançar as bases para uma futura aliança em torno da campanha à reeleição de Lula.

 

Genro disse a um amigo que não fará “nenhum tipo de exclusão”. Significa dizer que vai buscar o diálogo inclusive com as legendas que, junto com o PT, estão no epicentro do escândalo. Se dependesse apenas do desejo do ministro e do Planalto a composição partidária de 2006 seria mais ampla do que a de 2002.

 

Entre os partidos que o ministro planeja procurar estão: PC do B, PSB, PTB, PP, PL e PMDB. Dessa lista, apenas o PC do B pende, por ora, para a aliança formal com Lula. Os demais ou trabalham com a hipótese concorrer às eleições sem se vincular a nenhum presidenciável (PSB, PTB, PP e PL) ou discutem a alternativa de ter candidato próprio (PMDB).

 

Em suas manifestações públicas, Genro é cauteloso ao referir-se à candidatura Lula. Seus comentários são sempre acompanhados de um aposto condicional: “Se o presidente for candidato...” Privadamente, porém, o ministro diz que passa da hora de rearticular as forças políticas para 2006. Uma tarefa que, segundo diz, está entre as suas “obrigações”.

 

Recém-empossado no posto de coordenador político do governo, Genro já elaborou o discurso que levará aos partidos. Segundo apurou o blog, ele dirá o seguinte:

 

1. para evitar a repetição dos erros que desembocaram nas perversões expostas na denúncia do Ministério Público, os acordos de 2006 terão de ser programáticos;

 

2. a plataforma de governo para um eventual segundo mandato de Lula será diferente do programa do PT, cujas diretrizes foram divulgadas no sítio do partido. “O presidente não adotará o programa de um partido só”, diz, reservadamente, o ministro;

 

Nas conversas com o PMDB, Genro adotará um discurso de respeito à economia doméstica do partido. Lula deseja ter o PMDB do seu lado ainda no primeiro turno. Mas o ministro dirá que, ainda que a legenda opte por lançar um candidato próprio ao Planalto, o presidente deseja pavimentar o caminho de um eventual acordo para o segundo turno e para o futuro governo.

 

Tarso Genro ignora a movimentação do ex-chefe do Gabinete Civil José Dirceu (PT-SP). Em diálogo telefônico que manteve na última quinta-feira, o ministro disse, de acordo com a apuração do blog, que não estava informado acerca de nenhuma delegação de Lula a Dirceu para negociar com o PMDB. A delegação, porém, existe. Conforme noticiado aqui, Dirceu reuniu-se com Lula no último dia 5 de abril.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Um falcão com a cabeça a prêmio nos EUA

O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, está com a cabeça a prêmio. Dá-se com ele algo semelhante ao que aconteceu no Brasil com Antonio Palocci. Assim como Lula nos dias que antecederam à queda do ministro da Fazenda, o presidente dos EUA, George Bush, derrama-se em elogios ao auxiliar e assegura que ele está firme no posto. É o sinal mais eloqüente de que o chefão do Pentágono balança.

 

A gestão de Rumsfeld enfrenta o questionamento de sete militares dos EUA que passaram à reserva. Seis deles cobram a demissão do ex-chefe, a quem acusam de ter produzido desastres na guerra contra o Iraque. Acusam-no, por exemplo, de manter no Iraque um contingente menor do que o que seria necessário.

Um dos críticos mais mordazes é o general Thomas White, ex-secretário-geral do Exército dos EUA. Ele disse ao New York Times que Rumsnfeld “desdenhou das opiniões dos comandantes militares desde que assumiu o cargo de secretário da Defesa.”

 

Em comunicado divulgado no sítio da Casa Branca, Bush pôs-se ao lado do auxiliar: “Conversei hoje com Don Rumsfeld sobre as operações militares em marcha na guerra global contra o terrorismo”, anotou o presidente. “Reiterei meu forte respaldo à sua gestão durante este período histórico e difícil da nossa nação”.

Falando ao The Washington Times, outro general da reserva, Robert Scales, ex-comandante do Colégio de Guerra do Exército norte-americano, disse que a infantaria da Marinha e as unidades militares de operações especiais necessitaria de mais 100 mil soldados.

 

Ciente da sua insignificância, o signatário do blog sabe que sua opinião tem serventia nula para a resolução da pendenga de Washington. Mas torce para que o pescoço de Rumsfeld seja passado na lâmina. O mundo ficaria melhor se ele não detivesse tanto poder.

Escrito por Josias de Souza às 18h09

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PFL anuncia nome do vice de Alckmin em dez dias

O PFL anunciará em dez dias o nome do candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano Geraldo Alckmin. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo senador José Jorge (PFL-PE), na foto. Ele disputa a vaga com o senador José Agripino Maia (PFL-RN). “O presidente nacional (do PFL) Jorge Bornhausen (SC) deve terminar nesta semana a consulta interna aos líderes, para chegar à conclusão do indicado”, disse José Jorge.

 

O senador esteve Geraldo Alckmin, em visita de dois dias a Pernambuco, informa a Agência Nordeste (para assinantes). Disse que vai se engajar “de corpo e alma” na campanha de Alckmin ainda que venha a ser preterido na disputa interna que vem sendo travada no PFL. “Independentemente dessa questão de vice, vou me engajar na campanha. Temos que melhorar no Nordeste, onde o nível de informação (sobre Alckmin) é menor”, disse ele.

 

Embora revele, entre quatro paredes, uma preferência pelo nome de Agripino Maia, Alckmin evitou posicionar-se de público. Em entrevista coletiva que concedeu no início da tarde desta sexta-feira, no Hotel Summerville, em Porto de Galinhas, o candidato perdeu-se no gerúndio e no tom evasivo: "Os nomes do PFL são ótimos e vamos estar trabalhando pelo país. O nome sairá do entendimento conjunto. É uma construção coletiva. Destaco, particularmente, José Jorge e José Agripino".

 

Depois da visita ao Summerville, onde almoçou, Alckmin visitou a casa de veraneio de José Jorge. Ali, de novo, foi escorregadio como os peixes que os pescadores pernambucanos recolhem das água que banham o litoral Sul do Estado, onde está situada a aprazível praia de Porto de Galinhas: o vice será do Nordeste, disse.

 

Alckmin também desdenhou das pesquisas de opinião, que, dependendo do cenário, apontam para a possibilidade de uma vitória de Lula ainda no primeiro turno. Segundo a visão do candidato tucano, sua candidatura só deve "decolar" no segundo semestre, depois do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. "A campanha só começa em agosto", disse.

 

Ao discorrer sobre o seu plano de governo, Alckmin limitou-se a empilhar uma série de platitudes que, aqui e ali, também costumam freqüentar o discurso do adversário Lula: "Temos que buscar emprego e renda. O trabalho realiza o ser humano. O Brasil tem que voltar a ser um país de oportunidades. Nossa prioridade é o desenvolvimento e a educação tem que estar no centro deste processo".

 

Sobre a gestão de seu rival, Alckmin disse: “É um Governo fraco. Não é possível nos conformarmos com o crescimento econômico brasileiro, sendo o Brasil um país vocacionado a crescer.” Quanto às suspeitas de malfeitorias que rondam a sua própria administração no governo de São Paulo, tentou minimizá-las. Disse, por exemplo, que foi detectado na Nossa Caixa, acusada de remunerar ilegalmente agências de publicidade e de beneficar políticos aliados na Assembléia Legislativa, apenas “um erro formal”.

 

Em meio às críticas a Lula, Alckmin vou-se forçado a reconhecer-lhe alguns acertos. Prometeu dar continuidade a projetos iniciados sob Lula em Pernambuco, entre eles o Complexo Industrial e Portuário de Suape e a refinaria de petróleo a ser erigida em parceria com a PDVSA, estatal petrolífera da Venezuela.

 

Em campanha aberta, decidido a visitar o Nordeste pelo menos uma vez por semana, o candidato do “banho ético” deve ao distinto público uma satisfação acerca da origem do dinheiro que custeia a sua peregrinação. A mordacidade da crítica do tucanato a Lula e ao PT premiaria a coerência se disponibilizasse na internet, em tempo real, uma planilha de custos da pré-campanha de Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 17h08

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Depois da Guerra Fria, a Guerra Quente

Houve um tempo em que o nosso futuro era decidido numa sala de um prédio público de Washington. Mas isso acabou. A coisa hoje é bem diferente. Agora nossos destinos são esboçados num gabinete de Pequim.

Nesta sexta-feira, enquanto estamos aqui aproveitando o nosso santo feriado, outros trabalham por nós. China e EUA concluíram uma rodada de conversações formais sobre a América Latina.

Um dos participantes do encontro foi Thomas Shannon, secretário-assistente de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental. Ele contou que ficaram falando sobre nós, latino-americanos, durante dois dias.

Acertaram maneiras de “trabalhar” na América Latina “para garantir a estabilidade política e garantir que o tipo correto de decisão econômica seja tomado.” E o que seria uma decisão correta? Shannon explicou: aquelas que ajudem a criar ambientes favoráveis aos investimentos e ao comércio.  

Depois de prevalecer sobre a velha União Soviética na Guerra Fria, os EUA enfrentam uma Guerra Quente com a China. A luta agora é econômica. Ganha aquele que for capaz de fincar a sua bandeira na maior quantidade de mercados alheios.

O avanço das “tropas” chinesas na América Latina, antes um quintal exclusivo dos EUA, vem deixando Washington em polvorosa. A China, por assim dizer, descobriu coisas como o petróleo venezuelano, o cobre chileno, e a soja brasileira.

Daí a tentativa dos EUA de estabelecer um armistício com o novo inimigo. Thomas Shannon informou também que, durante as negociações de Pequim, os chineses “deixaram claro que seu envolvimento com a região (América Latina) concentrava-se principalmente nas questões econômicas e de comércio. Não eram de natureza política.”

Ou seja, estamos com sorte. Parece que o presidente da República eles ainda estão dispostos a consentir que nós mesmos escolhamos. O que, no caso brasileiro, não faz grande diferença. A julgar pelas últimas pesquisas, estamos entre Lula e Alckmin. Nenhum dos dois provoca sobressaltos na sala do prédio público de Washington ou no gabinete de Pequim.

Escrito por Josias de Souza às 14h52

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Morre Miguel Reale

  Ana Ottoni/F.Imagem
Morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 95 anos, o jurista Miguel Reale. Ele sofreu um enfarte em sua casa, no bairro paulistano dos Jardins. 
Seu corpo está sendo velado em casa. O enterro ocorrerá daqui a pouco, às 16h. Será no Cemitério São Paulo, situado na zona oeste da capital paulista. Lula divulgou uma nota lamentando a morte de Reale. Leia mais detalhes aqui.

Escrito por Josias de Souza às 13h39

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Governo inclui até aventura espacial

 

- Folha: Sem Orçamento, governo libera R$ 26 bi por MP

 

- Estadão: Governo libera R$ 26 bi por MP e oposição reage

 

- Globo: Governo afrouxa controle sobre gastos e aumento de impostos

 

- Correio: Tragédia a caminho de Caldas Novas

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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Um presidente de arrasar!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Conheça o lado inexplorado de Vênus

Conheça o lado inexplorado de Vênus

 

 

A Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês) divulgou nesta quinta-feira as primeiras imagens do pólo Sul do Planeta Vênus, que jamais havia sido fotografado. As imagens foram captadas pela nave Vênus Express, que se encontra na órbita daquele planeta desde 11 de abril, para estudar-lhe a atmosfera e o clima.

 

As fotos de Vênus, considerado o planeta mais quente do Sistema Solar, foram tiradas em 12 de abril, a uma distância de 206.452 quilômetros da superfície. Para registrar as imagens, utilizou-se um equipamento chamado VIRTIS. Trata-se de um espectrômetro, instrumento que permite registrar um feixe de partículas, separando aquelas que têm uma determinada energia e analisando-lhes a constituição.

 

Os cientistas envolvidos no projeto ficaram especialmente intrigados com um obscuro torvelinho que se observa acima do pólo Sul de Vênus. Avaliam que a estrutura se assemelha às nuvens do Pólo Norte da Terra.

 

Uma das imagens divulgadas no sítio da Agência Espacial Européia mostra Vênus de dia. Outra, à noite. Um dos cientistas envolvidos na missão, Hakan Svedhem, informa que, nos próximos dias, à medida que a nave Vênus Express se aproximar do planeta considerado “irmão da Terra”, devem ser obtidas imagens com mais qualidade e com detalhes sem precedentes.

 

A Vênus Express deixou a Terra em 9 de novembro do ano passado. Percorreu 400 milhões de quilômetros até chegar ao seu destino, convertendo-se na primeira nave européia a alcançar Vênus, um planeta que ainda conserva os seus mistérios, a despeito de ter sido explorado por missões da Rússia e dos EUA em 20 ocasiões desde 1964.        

 

A nave européia leva a bordo sete instrumentos científicos. Além de espectrômetros, há outros captadores de imagens e um analisador de plasma para perscrutar a atmosfera de Vênus. A sonda orbitará o segundo planeta do Sistema Solar a uma altitude que irá variar entre 250 e 66.000 mil quilômetros acima de seus pólos.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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José Dirceu: 'Não devo explicações de minha vida'

Bestgraph
Quer ver o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) irritado? Pergunte a ele quem pagou o jatinho que usou para voar ao encontro de Itamar Franco, em Juiz de Fora (MG). Dirceu fica tiririca.

 

Na intimidade, o ex-chefão da Casa Civil diz que o avião, um jatinho Citation, pertence a um empresário que o teria contratado para prestar “consultoria”. Teria viajado a trabalho até Belo Horizonte. A caminho da capital mineira, desceu em Juiz de Fora.

 

O repórter Germano Oliveira arriscou-se a perguntar a Dirceu quem diabos pagou o fretamento do jatinho. E Dirceu, em timbre ríspido:

 

“Estou indignado com essa invasão de minha privacidade. Não sou ministro e nem deputado. Não devo explicações de minha vida privada. Sou advogado, consultor de empresas. Tenho dinheiro para pagar o fretamento de um avião. Essa foi a primeira viagem em cinco meses, desde que deixei Brasília. E fui visitar o Itamar, que é meu amigo. Vocês querem que eu pare de fazer política? Agora, como paguei o avião é um problema meu. Faço minhas declarações de renda todo ano e não vou explicar como viajo, como freqüento restaurantes.”

 

Dirceu tem razão quando diz que sua “privacidade” de “advogado e consultor de empresas” não interessa a ninguém. O problema é que, se deseja continuar “fazendo política”, o ex-Todo Poderoso envereda por uma seara que é pública. E atores públicos tornam-se devedores de “explicações” públicas. Sobretudo quando executam, conforme noticiado aqui, missões confiadas pelo presidente da República.

 

Foi justamente a ausência de “explicações” plausíveis que acomodou Dirceu na incômoda posição de “chefe de quadrilha”, epíteto com que foi brindado na denúncia que o Ministério Público acaba de protocolar no STF. Se não for capaz de levar ao Supremo um bom lote de “explicações”, talvez convenha a Dirceu dedicar-se exclusivamente à vida de “advogado e consultor de empresas”. E não terá mais de explicar-se senão ao fisco.  

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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Para alcançar Lula, Alckmin vai ‘morar’ no Nordeste

  Sérgio Lima/Folha
Em acerto com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e com o coordenador nacional de sua campanha, Sérgio Guerra (PE), o candidato tucano à presidência decidiu realizar pelo menos uma viagem por semana à região Nordeste. De acordo com uma metáfora que ele próprio cunhou, Alckmin vai praticamente “morar” naquela região.

 

Nesta Sexta-feira Santa, Alckmin encontra-se em Pernambuco. Percorrerá o Estado durante dois dias. Retorna a São Paulo só na tarde de sábado. Segundo o senador Sérgio Guerra, a idéia é que o candidato “veja” e “seja visto”. Alckmin verá empreendimentos turísticos e industriais. E será visto pelos eleitores, pela imprensa e por políticos locais.

 

A escolha de Pernambuco para dar início à peregrinação que marcará a nova fase da campanha de Alckmin, com ênfase no Nordeste, não foi aleatória. Trata-se do Estado natal de Lula. Dono de um perfil assemelhado ao de Miguel Arraes, o ex-governador pernambucano que, mesmo depois de morto, desfruta de enorme prestígio entre os eleitores pobres, Lula é franco favorito no Estado.

 

Por inspiração de Sérgio Guerra, Alckmin apenas tangenciará a pobreza nordestina nesta incursão por Pernambuco. Serão privilegiadas as experiências “bem sucedidas” do Estado. Iniciativas que possam ser aproveitadas no programa de governo do candidato. Em companhia de Guerra e do governador Mendonça Filho (PFL), Alckmin visitará, por exemplo, o Porto de Suape, um dos mais importantes da região.

 

O candidato irá também a duas localidades que, segundo Sérgio Guerra, “orgulham” os pernambucanos: o município de Caruaru, considerado um pólo comercial do Estado, e a região de Toritama. Ali, em meio ao agreste de Pernambuco, foram assentadas várias fábricas de confecção de roupas. “É uma experiência fantástica. Precisa ser vista por qualquer um que pretenda tornar-se presidente da República”, diz Sérgio Guerra.

 

Alckmin será apresentado também a pontos turísticos de Pernambuco. O turismo é outro tópico que o tucanato planeja realçar no programa de governo a ser exibido por seu candidato. Hospedado na aprazível Praia de Boa Viagem, o presidenciável tucano fará um sobrevôo pelas praias pernambucanas. Aterrissará no município de Porto de Galinhas.

 

Levando ao pé da letra a parte da estratégia que prevê que ele “seja visto”, o católico Alckmin assistira a um dos eventos mais “vistos” do país numa Sexta-feira Santa: a encenação do espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova. Antes de retornar para São Paulo, na tarde de sábado, Alckmin participará de um mega-almoço com políticos pernambucanos.

 

O candidato dividirá a mesa caciques estaduais e lideranças regionais (prefeitos e vereadores. Será uma refeição pluripartidária. Sérgio Guerra reservou assentos à mesa para políticos do PSDB, PFL, PPS, PV e PMDB.

 

Antes de dar seqüência ao plano de “mudar-se” para o Nordeste, Alckmin terá de pacificar duas de suas novas “moradas”. No Ceará, terá de contornar uma briga que opõe o governador Lúcio Alcântara ao senador Tasso Jereissati. Na Bahia, terá de aplainar a ira do aliado Antonio Carlos Magalhães (PFL), inconformado com a decisão do PSDB baiano de apoiar a candidatura de seu desafeto João Durval, contra o carlista Paulo Souto, candidato à reeleição.

Escrito por Josias de Souza às 00h43

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'Grande irmão' é candidato a oito anos de cadeia

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Depois que teve a cabeça levada à bandeja sob elogios de Lula, que se despediu dele chamando-o de “grande irmão”, Antonio Palocci está na bica de ser indiciado pela Polícia Federal sob a suspeita de ter cometido mais dois crimes: prevaricação e denunciação caluniosa.

A invasão da conta bancária de Francenildo dos Santos Costa já rendera ao ex-homem  forte da economia dois indiciamentos: por quebra de sigilo funcional e violação de sigilo bancário. No total, portanto, Palocci colecionará quatro indiciamentos.

As acusações conta Palocci, informa o repórter Áureo Germano, constam de relatório que está sendo finalizado pelo delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que preside o inquérito da PF sobre a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que desmentira Palocci em depoimento à CPI dos Bingos.

Para o delegado, Palocci prevaricou ao deixar de comunicar à PF que recebera o extrato de Francenildo das mãos do então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. Palocci sabia que o documento fora extraído dos computadores da Caixa de modo criminoso.

Ainda de acordo com a opinião do delegado Carneiro Gomes, Palocci incorreu no crime de denunciação caluniosa ao solicitar a abertura de inquérito contra Francenildo mesmo sabendo-o inocente. Em diálogo com o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, Palocci acusou o caseiro de ter recebido dinheiro para pronunciar denúncias contra ele.

Uma eventual condenação de Palocci pode render-lhe até oito anos de cadeia. Quanto a Francenildo, será isentado da falsa acusação de lavagem de dinheiro. Entre janeiro e março deste ano, o caseiro registrou movimentação bancária de R$ 38 mil. Receberá depósitos de R$ 25 mil de um empresário piauiense. Uma compensação pelo fato de ter-se recusado a assumi-lo como seu filho.

O advogado de Palocci afirma que as acusações da PF são improcedentes. O Ministério Público pensa de modo diferente. O ex-ministro da Fazenda será levado às barras dos tribunais.

Escrito por Josias de Souza às 23h16

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PPS convoca Executiva para discutir impeachment

O PPS convocou para a noite de segunda-feira uma reunião extraordinária de sua Comissão Executiva. Há um único item na pauta: o impeachment de Lula. A intenção do partido, dono de uma bancada de 17 deputados federais, é deflagrar um movimento pela abertura de ação por crime de responsabilidade contra o presidente da República.

 

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), vinha afirmando há dias que passa da hora de a oposição propor o afastamento de Lula. A apresentação da denúncia do Ministério Público contra 40 personagens envolvidos no escândalo do mensalão levou-o a concluir que a idéia está agora mais do que madura.

 

Freire não ignora que são pequenas as chances de que um pedido de impeachment venha a prosperar. O processo é político. Tem de ser protocolado na Câmara. Julgando-o improcedente, o presidente da Casa pode mandá-lo ao arquivo.

 

“O Aldo (Rebelo, presidente da Câmara) tem se mostrado bastante subserviente ao governo. Mas ele que assuma o ônus de arquivar”, diz Freire. “O que não pode é deixar de fazer. Do contrário, vai ficar para a história a impressão de que todo mundo concordou com essa bandalheira que Lula e o PT fizeram no governo.”

 

Pela lei, partidos políticos não têm legitimidade para propor ações acusando o presidente da República da prática de crime de responsabilidade. Se desejar mesmo levar a idéia adiante, o PPS terá de encontrar uma pessoa ou um grupo de pessoas que se disponha a patrocinar o processo.

 

Além de convocar a Executiva do partido para discutir o impeachment, o presidente do PPS prepara um discurso a ser proferido da tribuna da Câmara nos próximos dias. A fala terá um tom de desagravo à esquerda. Freire dirá que a esquerda brasileira já cometeu muitos erros, mas nenhum de seus representantes havia vilipendiado os valores éticos e morais, como fez, na opinião dele, o Partido dos Trabalhadores.

Escrito por Josias de Souza às 22h16

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Dirceu foi a Itamar como enviado de Lula

Ao visitar o ex-presidente Itamar Franco (PMDB) em Juiz de Fora (MG), o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) cumpriu uma missão que lhe foi atribuída pelo presidente da República. Depois de uma série de conversas por telefone, Lula e Dirceu tiveram um encontro reservado no último dia 5 de abril, uma quarta-feira. O presidente incumbiu o ex-chefe da Casa Civil de defender os seus interesses junto ao PMDB.

 

Dirceu esteve em Brasília no mesmo dia em que a CPI dos Correios aprovou o seu relatório final. Seis dias antes, o Ministério Público encaminhara ao STF a mega-denúncia em que Dirceu figura como chefe da “quadrilha” do mensalão. Sem saber da nova encrenca, o ex-homem forte do governo discutiu com colegas de partido o plano para retirar o seu nome do rol de indiciados da CPI. A estratégia, como se sabe, malogrou.

 

Na mesma data, Dirceu esteve com Lula. Conversaram por quase duas horas. O presidente pediu ao ex-auxiliar que acionasse os seus contatos no PMDB. Lula ainda acalenta o sonho de formalizar uma aliança com os peemedebistas. Mantém de pé a oferta da candidatura ao posto de vice-presidente.

 

Se a parceria em primeiro turno mostrar-se inviável, Lula quer melar a candidatura de Anthony Garotinho. Prefere que o PMDB participe das eleições sem candidato ao Planalto. Imagina que, com Garotinho fora do páreo, crescem as suas chances de vencer as eleições em primeiro turno.

 

Por ora, Dirceu não revelou nem aos amigos mais chegados o teor de sua conversa com Itamar. De modo que não se sabe o que o emissário de Lula ofereceu ao ex-presidente. De concreto, sabe-se apenas que o grupo de Garotinho enxergou as digitais de Dirceu no anúncio da candidatura presidencial de Itamar.

 

Os partidários do ex-governador do Rio suspeitam que Itamar tenha entrado no jogo apenas para tumultuar o já conflagrado ambiente do PMDB. Na última hora, abandonaria a candidatura presidencial e concorreria a uma cadeira no Senado.

 

No encontro com Dirceu, desconfia o grupo de Garotinho, Itamar teria sido sondado para compor a chapa de Lula como candidato a vice. E teria respondido que prefere que Lula confirme o atual vice-presidente José Alencar como seu companheiro de chapa em 2006, evitando que o dono da Coteminas dispute com ele a cadeira de senador por Minas Gerais.

 

José Dirceu foi a Minas Gerais a bordo de uma aeronave particular, o jatinho Citation 500 PT-WBY. Contou a um amigo que o avião pertence a um “cliente”, que o teria contratado para prestar um “serviço de consultoria.” Disse ter voado a Belo Horizonte a trabalho. A caminho da capital mineira, aproveitou para pousar na Juiz de Fora de Itamar. De olho na movimentação de Dirceu, a oposição investiga o nome do dono do avião e o custo da viagem.

Escrito por Josias de Souza às 19h17

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Orçamento acirra ânimos entre governo e oposição

Por ordem de Lula, o ministro Guido Mantega (Fazenda) concedeu há pouco uma entrevista para desdizer o que dissera na véspera. Mantega dera por encerrada a negociação com os governadores e com a oposição para viabilizar a votação do Orçamento de 2006 no Congresso. Insinuou que, sem orçamento, Brasília governaria por meio de medidas provisórias. Agora, o ministro diz que o entendimento prossegue.

 

A meia-volta retórica de Mantega foi provocada por uma articulação comandada, desde Belo Horizonte, pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB). Pendurado ao telefone, Aécio discou para os colegas dos principais Estados. Negociava os termos de uma nota com duros ataques ao governo. O texto reservaria menções desairosas a Mantega.

 

Informado sobre a movimentação do governador tucano de Minas, que colecionava adesões à sua declaração de guerra, o Planalto entrou no circuito, ordenando a Mantega que amenizasse o tom. Em conseqüência, Aécio parece der dado meia-trava na nota que pretendia divulgar ainda nesta quinta-feira. Ele recebeu um telefonema do próprio ministro da Fazenda. Guido Mantega assegurou-lhe que a negociação está de pé.

 

Sob a coordenação de Aécio, os governadores puseram-se em pé de guerra por conta de uma decisão tomada no rastro das primeiras declarações de Mantega. O governo anunciou nesta véspera de Sexta-feira Santa que vai editar uma medida provisória liberando a bagatela de R$ 24 bilhões do Orçamento da União.

 

A dinheirama vai para empresas estatais. O grosso (80%) beneficiará a Petrobras. O resto será dividido entre Eletrobras, Banco do Brasil e outras estatais. Na prática, a decisão reforça a estratégia do governo de executar o Orçamento de 2006, ainda pendente de votação no Congresso, por meio de medidas provisórias.

 

Além da articulação de Aécio, que esteve na terça-feira no Congresso junto com mais oito governadores de Estado, houve reação imediata da oposição. O líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães (BA), declarou guerra ao governo.

 

"O governo demonstra que não quer acordo para aprovar o Orçamento e vai ter que arcar com as conseqüências”, disse Juthay. “Nós vamos criar um ambiente de beligerância absoluta no Congresso. Se depender de minha posição na bancada, a MP não será aprovada".

 

O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), que ontem recebera, em missão de paz, uma visita do ministro Tarso Genro (Coordenação Política), declarou: “Isso demonstra a incapacidade do governo de negociar". Para Agripino, o governo não tem interesse em aprovar o Orçamento porque está sem recursos para cumprir promessas como o reajuste do salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda e o aumento do Bolsa Família. "O governo criou essas despesas, não tem fonte para arcar com elas e agora joga a culpa na oposição", alfinetou.

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Conselho de Ética, o mico do ano

O plenário da Câmara fez gato-sapato do Conselho de Ética. Tanto fez que o foro, antes prestigioso, tornou-se um mico. Há cinco vagas no Conselho. Decorrem da renúncia de deputados desgostosos com série de absolvições mensalistas. Não está sendo fácil arranjar quem se disponha a substitui-los, informa Andreza Matais.

 

Donos de duas das cinco vagas, PPS e PSDB mandaram dizer à direção da Câmara que não vão indicar ninguém. Não se trata de um protesto. Não, não. Absolutamente.  O problema é que ninguém quer abraçar o mico.

 

"Estamos com dificuldades”, reconhece o presidente do PPS, Roberto Freire. “Ninguém está querendo (...). Não está sendo uma honraria participar do Conselho, mas um constrangimento".

 

O líder do PSDB, deputado Juthay Magalhães (BA), também informa que não há no seu partido uma única alma disposta ao sacrifício. Na falta  de voluntários, caberá ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) indicar os novos titulares do Conselho de Ética. Os inimigos de Aldo devem estar em polvorosa.

Escrito por Josias de Souza às 15h09

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As manchetes desta quinta

- JB: Varig - Governo dos trabalhadores prejudica trabalhadores

- Folha: Justiça do Rio bloqueia bens da Varig

- Estadão: Planalto rompe acordo com estados

- Globo: Mensalão - Procuradoria já prepara novo pacote de denúncias

- Correio: Aumenta a incerteza sobre futuro da Varig

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h18

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Vôo por instrumentos!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Genoino receberá indenização do governo

Escassas 24 horas depois de ter sido denunciado pelo Ministério Público por suposto envolvimento no escândalo do mensalão, José Genoino teve um pedido de indenização aprovado pela Comissão de Anistia do governo. O ex-presidente do PT receberá da União uma indenização de R$ 100 mil, informa o repórter Evandro Éboli. Aprovaram-se também outros 11 pedidos de indenização formulados por ex-guerrilheiros que, como Genoino, participaram da Guerrilha do Araguaia.

Escrito por Josias de Souza às 01h10

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Itamar Franco desce do muro

Ziemer
A cada novo movimento do PMDB, descobre-se que o problema do partido mais partido do Brasil é que ele tem excesso de cabeças e escassez de miolos. Nesta quarta-feira, no esforço que vem empreendendo para estreitar certas inimizades, Anthony Garotinho visitou Itamar Franco, que, curiosamente, acabara de receber o ex-ministro José Dirceu (PT-SP). Deu-se o inusitado.

 

Embora nascido a bordo de um navio que singrava as costas da Bahia, Itamar costuma comportar-se como bom político mineiro. Assim, sabendo que Garotinho ainda não é o que parece ser, candidato à presidência, Itamar procurava não parecer o que de fato é, candidato à presidência.

 

Em meio à conversa com Garotinho, Itamar cometeu, porém, um rasgo de sinceridade: declarou-se, finalmente, candidato à presidência. E o PMDB, que tem uma ala tricotando com Lula e outra trançando com Alckmin, vê-se agora às voltas com dois políticos que almejam a pompa do Planalto e tropeçam nas suas próprias circunstâncias. Leia os detalhes aqui.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

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Ex-gerente reafirma denúncias contra Nossa Caixa

Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, Jaime de Castro, ex-gerente de marketing da Nossa Caixa, casa bancária do governo de São Paulo, confirmou o que vinha dizendo a respeito de supostas malfeitorias praticadas na casa bancária do governo de São Paulo.

 

Coube ao promotor Sérgio Turra relatar aos jornalistas o teor do depoimento. Ele contou o seguinte, segundo informa o repórter Epaminondas Neto:

 

1. o ex-gerente confirmou que houve interferência política na repartição de verbas publicitárias do banco estadual. Disse que Roger Fereira, ex-assessor de Comunicação Social de Geraldo Alckmin indicou programas e veículos de comunicação que deveriam receber aportes publicitários. Alguns deles eram vinculados a deputados estaduais da Assembléia Legislativa de São Paulo;

 

2. castro confirmou também que agências de publicidade continuaram servindo à Nossa Caixa mesmo depois que seus contratos já haviam expirado. Um fato classificado pelo promotor Turra como "gravíssimo”. “Isso mostra que o banco operou e recebeu serviços de empresas de publicidade sem cobertura contratual por mais de um ano e meio", disse o promotor.

 

Em nota oficial, a Presidência da Nossa Caixa rebateu as acusações de seu ex-gerente. Disse que seu depoimento dele ao Ministério Público é contraditório em relação às informações que prestara em sindicância interna do banco. Segundo o presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, Jaime de Castro “faltou com a verdade”.

 

Sempre que inquirido sobre o caso, o candidato tucano Geraldo "Banho de Ética" Alckmin costuma dizer que as denúncias contra a Nossa Caixa já foram suficientemente apuradas na sindicância interna do banco. Pelo jeito, há ainda muito por esclarecer.

Escrito por Josias de Souza às 23h47

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Lula pede que PT deixe família Alckmin em paz

Em diálogo telefônico com uma liderança do PT, Lula disse que deseja ver o partido longe do que chama de “baixaria” eleitoral. Condenou as investidas de petistas contra Lu e Thomaz Alckmin, respectivamente mulher e filho do candidato tucano Geraldo Alckmin. “Família”, disse o presidente, “não é assunto para campanha”.

 

Lula expressou opinião semelhante em contatos com auxiliares que têm algum tipo de interferência na cena política. Ao ministro Tarso Genro (Coordenação Política), afirmou que a busca da retaliação, envolvendo inclusive questões familiares, serve apenas para envenenar a conjuntura. Acha que o PT e o governo devem priorizar o debate programático, com ênfase nos projetos –Bolsa Família e Agricultura Familiar, por exemplo— e iniciativas do governo –recuperação do salário mínimo e investimentos em educação.

 

Ao líder petista com quem conversou pelo telefone, Lula manifestou o receio de que o PT esteja se deixando enredar no que chama de “jogo da oposição”. Ao ministro Genro afirmou que espera que o partido e os membros do governo, sem recusar o debate ético, privilegiem em suas intervenções a discussão de projetos para o desenvovimento do país.

 

Chamou especial atenção de Lula o noticiário a respeito de uma articulação encabeçada pelo PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, para convocar Thomaz, o filho de Alckmin. Daí o telefonema ao líder do PT.

 

O petismo da Assembléia paulista quer inquirir Thomaz a respeito da sociedade que ele mantém numa empresa de produtos naturais com Suelllen Jou. Ela é filha do  acupunturista de Alckmin, Jou Eeol Jia, apontado como beneficiário de repasses financeiros do governo de São Paulo.

 

Lula argumenta o seguinte: do mesmo modo que se opõe à exploração política dos negócios da empresa de seu filho, Fábio Luiz, com a Telemar, não pode aceitar que o PT transforme Thomaz Alckmin em alvo eleitoral. Se houver algo de errado com a firma do filho do candidato tucano, diz o presidente, o problema é do Ministério Público, não do PT.

 

Para Lula, o PT deve manter distância também do guarda-roupa de Lu Alckmin. Em entrevista à repórter Mônica Bergamo, o estilista Rogério Figueiredo disse ter doado 400 vestidos à mulher de Alckmin, numa época em que ele ainda respondia pelo governo de São Paulo.

 

Na opinião do presidente o cabideiro de Lu Alckmin é outro tema que não serve à elevação do debate eleitoral. No início do governo petista, em 2003, Marisa, a mulher de Lula, também foi acusada de rechear o porta-jóias com peças tomadas de “empréstimo” de joalheiros nacionais.

 

O PT e o governo têm mais a ganhar, avalia Lula, se o debate eleitoral for conduzido para a comparação entre a sua gestão e a de Fernando Henrique Cardoso. O presidente acha que prevalece sobre o antecessor em todas as áreas. Por isso quer priorizar a discussão programática.

Escrito por Josias de Souza às 23h12

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Governo visita oposição

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

O ministro Tarso Genro (Coordenação Política) visitou nesta quarta-feira os dois principais líder da oposição no Senado, José Agripino Maia (PFL-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). A iniciativa, louvável, visa reconstruir pontes de diálogo institucional entre o governo e seus opositores.

 

Os contatos foram combinados com Lula. “Comuniquei ao presidente que faria isso e ele aprovou”, contou Genro ao blog. “Disse a ele que faria a visita aos líderes da oposição, uma obrigação institucional. Informei que não faria nenhum pedido de complacência ou de diminuição da postura crítica, mas ia me propor a fazer um debate político, a iniciar um diálogo, para elevar o nível da disputa eleitoral inclusive.”

 

No início da noite, Genro fez um relato dos encontros ao presidente. Disse que se colocou à disposição dos líderes oposicionistas, para estabelecer “um canal de diálogo, para regular a ação do governo no Legislativo de maneira republicana.”

 

A oposição considerou positiva a iniciativa de Genro. Manteve, porém, o timbre alterado. Nas palavras de José Agripino Maia: “Continuaremos denunciando tudo o que aparecer de errado no governo”.

Escrito por Josias de Souza às 23h00

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Vem aí a CPI do Armagedon

  Bestgraph
Aqueles que se assustam com os arroubos da CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida como comissão dos Bingos, devem pensar em construir abrigos subterrâneos. Vem aí a CPI do Armagedon. O senador Almeida Lima (PMDB-SE) começou a coletar nesta quarta-feira assinaturas para a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito. O foco é Lula.

 

Almeida Lima propõe, segundo informa a repórter Andreza Matais, o aprofundamento  das apurações em relação aos seguintes temas:

 

1. relaçõe$ entre Lula e o bom amigo Paulo Okamotto, presidente do Sebrae;

 

2. ligaçõe$ da Telemar com Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

3. o epi$ódio envolvendo o deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE). Vem a ser aquele irmão de José Genoíno, ex-presidente do PT, pilhado no aeroporto de São Paulo com dólares enxertados na cueca;

 

Por ora, apenas seis senadores assinaram o requerimento de constituição da nova CPI: Arthur Virgílio (PSDB-AM), Heloísa Helena (PSOL-AL), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Mão Santa (PMDB-PI) e João Batista Motta (PSDB-ES), além do próprio Almeida Lima.

 

"Comecei a colher hoje as assinaturas. Acho que até a próxima semana vamos conseguir as 27 necessárias", diz o autor da proposta. Se estiver certo, a comissão terá 180 dias para concluir os seus trabalhos. É encrenca para durar até outubro, mês em que os eleitores irão às urnas.

Escrito por Josias de Souza às 16h44

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Denúncia do Ministério Público sobe o palanque

A política assemelha-se a uma guerra. Com uma diferença: na guerra política pode-se morrer mais de uma vez. No ano passado, logo que explodiu o escândalo do mensalão, os oposicionistas anunciaram a morte da candidatura Lula. De fato, a popularidade do presidente minguou. Imaginou-se que definhava rumo ao ocaso.

 

Lula, porém, foi sendo gradativamente ressuscitado pelas pesquisas. Hoje, é o favorito de todas as sondagens. Em algumas delas, dependendo do cenário, leva no primeiro turno. E a oposição enxergou na mega-denúncia do Ministério Público uma oportunidade para “matar” Lula uma segunda vez.

 

Nesta quarta-feira, discursando no plenário do Senado, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (na foto), disse que Lula é o genuíno chefe da “quadrilha e organização criminosa” que, conforme o Ministério Público, operou o mensalão.

 

Em aparte, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também tirou a sua casquinha: “O grande responsável pela formação da quadrilha é o presidente. É isso que está dito de uma maneira explícita, politicamente, na denúncia do procurador (Antonio Fernando de Sousa)”, disse Virgílio.

 

Pedro Simon (PMDB-RS) também meteu a sua colher no debate: Disse que o Ministério Público não incluiu Lula na denúncia porque não quis. “Mas ele é o grande responsável, sim. Tudo isso aconteceu em volta dele, e parece que ele não sabe o que acontece em volta dele”. Tamanho alheamento, disse Simon, é digno de uma “análise psiquiátrica”.

 

Tasso e Virgílio se eximiram de mencionar, por conveniente, as referências acerbas feitas na denúncia do Ministério Público em relação ao senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG). A procuradoria identificou na campanha de Azeredo ao governo de Minas, em 98, a origem das relações promíscuas do operador Marcos Valério com as arcas eleitorais. Informou que as malfeitorias de Azeredo são objeto de um processo que corre em separado. Ou seja, o tucanato não perde por esperar.

 

A líder do PT, Ideli Salvati (SC), ouviu as ofensas a Lula em silêncio. Só bem mais tarde subiu à tribuna. Trocou o nome do procurador-geral da República, rebatizando-o de “Fernando Rodrigues”. Disse que, diferentemente de Geraldo Brindeiro, que mandou à gaveta vários processos contra o governo FHC, o novo procurador, escolhido por Lula, não é um “engavetador”, mas um “encaminhador”. “As instituições estão funcionando”, festejou Ideli.

 

De resto, a líder petista disse que denúncia não é condenação. Os acusados terão agora direito de se defender. “Só depois que o processo tiver transitado em julgado as pessoas podem ser consideradas culpadas”, disse ela.

 

A denúncia do Ministério Público, não resta dúvida, vai subir o palanque. Resta saber se a escalada surtirá os efeitos imaginados pela oposição. Até aqui, o eleitor parece dar de ombros para os ataques a Lula. Parece haver na sociedade uma vontade inaudita de isentar o presidente de todas as estripulias praticadas pelo Ali-PT e os seus 40 lambões.

Escrito por Josias de Souza às 15h51

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Marco Aurélio assume TSE

Como já era previsto, o ministro Marco Aurélio de Mello foi eleito nesta quarta-feira presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Comandará o tribunal nesta quadra eleitoral de 2006. Promete rigor na fiscalização da propaganda de campanha e das tesourarias dos partidos. A verificar.

 

Marco Aurélio substitui o ministro Gilmar Mendes. Na presidência do TSE desde janeiro, Mendes teve de deixar o posto para assumir a vice-presidência do STF (Supremo Tribunal Federal).

Escrito por Josias de Souza às 14h59

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Mecadante recebe apoio do impensável

Em política, nada se perde, nada se transforma, tudo se arranja. Agora mesmo, o deputado João Paulo “R$ 50 mil” Cunha declara apoio à candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. E este o recebe de braços abertos.

 

Mercadante terá de disputar prévias partidárias com Marta Suplicy. E João Paulo, veja você, ainda tem poder dentro do PT. Vem daí que, como bom político, o candidato aceita apoio até do impensável. Talvez Mercadante ignore tudo o que se sabe. Ou, mais provável, talvez saiba do que se ignora.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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'Operação Mattoso'

Deu no Painel da Folha (para assinantes):

 

Tudo...
A ordem no PT é evitar a todo custo o depoimento de Jorge Mattoso à CPI dos Bingos. A primeira iniciativa é convencer o ex-presidente da Caixa a ir ao STF. Se não tiver sucesso, o próprio partido vai recorrer.

...menos isso
O estado emocional de Mattoso é de "total desequilíbrio", segundo um petista, o que só faz crescer o interesse da oposição em seu depoimento.

Escrito por Josias de Souza às 07h22

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As manchetes desta quarta

 

- JB: O pesadelo dos escândalos - Supremo julga 40 do mensalão

 

- Folha: Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa

 

- Estadão: MP: PT formou organização criminosa para manter o poder

 

- Globo: Mensalão - Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha

 

- Correio: Procurador acusa os 40 do mensalão

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Liquidação de princípios!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Botaram a família no meio

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Os filhos de Lula, Fábio Luis, e de Geraldo Alckmin, Thomaz, viraram joguete no festival de acusações em que se transformou a campanha eleitoral. O PT quer arrastar Thomaz para um depoimento na Assembléia Legislativa de São Paulo. E o PSDB ameaça retaliar convocando Lulinha para depor na CPI do Fim do Mundo, no Senado.

 

Em sessão tumultuada da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia paulista, o tucanato evitou nesta terça-feira a convocação do filho de Alckmin. O petismo deseja que ele explique a sociedade que mantém com Suelllen Jou, filha do acupunturista Jou Eeol Jia, apontado como beneficiário de repasses financeiros do governo de São Paulo, realizados sob Alckmin.

 

Protagonizando um papel que no plano federal costumava ser reservado à deputada  Ângela Guadagnin (PT-SP), o deputado estadual Vaz de Lima (PSDB) pediu vista do requerimento de convocação de Thomaz, postergando a votação. Conforme reportagem de Caio Junqueira (para assinantes do Valor), houve intensa troca de desaforos.

 

De um lado do ringue, postou-se Renato Simões, do PT. No outro córner, posicionou-se Edson Aparecido, do PSDB. Lugar-tenente de Alckmin na Assembléia, Aparecido chamou de “ladrões” e “corruptos” os petistas. Em meio ao sururu, integrantes do sindicato dos bancários de São Paulo realizavam um protesto anti-Alckmin.

 

Em Brasília, o tucanato, que já tramava a convocação de Lulinha para depor na comissão do Apocalipse, renovou as ameaças. De passagem pela Capital, Alckmin reagiu com resignação. Perguntado sobre o envolvimento do filho no tiroteio eleitoral, declarou que "vida pública é pública". E defendeu Thomaz: "(É) um menino sério. (Tem uma) microempresa, (está) trabalhando. Não tem nenhuma relação com o governo (...). O povo não é bobo. A População sabe separar o joio do trigo."

Escrito por Josias de Souza às 01h57

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Caixa conclui que está limpa no 'caseirogate'

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Você encontrará nos jornais desta quarta-feira, caro leitor, uma notícia capaz de provocar reações tão dicotômicas como o riso e o choro. Decorridos 27 dias da quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa, a Caixa Econômica Federal concluiu, veja você, que nenhum de seus funcionários é responsável por coisa nenhuma.

 

"Agiram no cumprimento de determinação de superior hierárquico, não considerada ilegal", afirma a nota divulgada pela casa bancária oficial. "A comissão examinou os procedimentos funcionais dos empregados diretamente envolvidos no episódio, concluindo pela inexistência, em seus comportamentos, de infração à lei e às normas internas da Caixa", conclui o texto.

 

Leia aqui a íntegra da nota da Caixa Econômica e os detalhes da rigorosa sindicância que, prometida para 15 dias, consumiu quase um mês.

Escrito por Josias de Souza às 01h24

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Ministério Público busca agora prova contra Lula

A apresentação da mega-denúncia contra 40 envolvidos no escândalo do mensalão não encerrou o caso. O Ministério Público inicia depois da Páscoa a segunda fase, que culminará com a apresentação de novas denúncias. O blog apurou que um dos alvos da Procuradoria da República é Luiz Inácio Lula da Silva.

Os procuradores envolvidos na apuração do caso julgam ter detectado no inquérito uma lacuna que pode levar à responsabilização direta do presidente da República. Mantendo a discrição que marcou a primeira fase das investigações, o Ministério Público guarda suas suspeitas em segredo.

 

Por meio do STF, o Ministério Público solicitou à Polícia Federal que aprofunde as investigações em torno de pontos que considera ainda pendentes de elucidação. A exemplo do que ocorreu na primeira fase da apuração, os procuradores não excluem a hipótese de realizar apurações por conta própria.

 

Não é boa a relação entre as equipes da PF e da Procuradoria destacadas para atuar no caso do mensalão. A polícia acusa os procuradores de precipitação. A PF havia pedido ao STF um prazo de 30 dias para concluir a apuração. Alega que várias perícias contábeis ainda estão pendentes de conclusão. Acha que parte das denúncias, por “inconsistente”, pode ser rejeitada pelo Judiciário.

 

Os procuradores dão de ombros para as queixas da PF. Dizem que não havia razão para postergar a formalização das primeiras quatro dezenas de denúncias. Sustentam que são “consistentes”, fundadas em “provas sólidas”. De resto, afirmam que, onde havia lacunas, o desfecho foi adiado para a segunda fase, a ser iniciada agora.

 

Um dos tópicos que intrigam o Ministério Público é o timbre peremptório empregado pela PF nos trechos de seus relatórios em que isenta Lula de qualquer tipo de envolvimento em todo o escândalo. Os procuradores avaliam que, em pelo menos um caso, há no inquérito indícios de responsabilidade direta do presidente. É um dos pontos nos quais desejam ver as apurações aprofundadas.

 

Ao anunciar a formalização da superdenúncia, nesta terça-feira, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, fez questão de frisar que Lula não constava do rol de denunciados. Não mencionou, por precaução de ofício, as suspeitas que rondam Lula. O destino do presidente está agora na dependência do rumo que as investigações irão tomar.

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Para defensor de Dirceu, denúncia é ‘ficção’

  Sérgio Lima/F.Imagem
O advogado José Luiz Oliveira Lima, defensor do ex-ministro José Dirceu, qualificado pelo MInistério Público como "chefe da quadrilha" do mensalão, disse ao blog que a denúncia contra seu cliente é “uma peça de ficção, com contornos partidários”. Ele foi além: “É inadmissível que o procurador-geral da República, autoridade máxima do Ministério Público Federal, patrocine uma acusação tão grave com um feitio de panfleto.”

Para Oliveira Lima, “o que era pó virou prova contra José Dirceu. E o que era prova a favor do ex-ministro virou pó.” Em linha direta com Dirceu, pelo telefone, o advogado fez serão na noite desta terça-feira em seu escritório. Perscrutou a denúncia nos trechos que dizem respeito ao ex-homem forte do governo Lula. Concluiu a análise por volta da meia-noite. Julga ter detectado várias incongruências. São as seguintes:

 

1. “A denúncia acusa o meu cliente de formação de quadrilha. Sustenta que ele tinha uma relação estreita com Marcos Valério. No entanto, foram quebrados os sigilos das contas telefônicas do ex-ministro e do Valério. E não foi encontrada uma única ligação feita entre os dois. Além disso, a análise da agenda do Gabinete Civil mostra que foram pouquíssimos os encontros entre ambos”;

 

2. “O Ministério Público fala do empréstimo e do emprego concedido à senhora Ângela, ex-mulher de José Dirceu. Mas não menciona em nenhum momento as notas formais emitidas pelos bancos BMG e Rural desvinculando o ex-ministro desses episódios”;

 

3. “A denúncia sustenta que José Dirceu tinha profundo conhecimento dos empréstimos bancários concedidos ao PT por intermédio de Marcos Valério. E esquece de levar em conta os inúmeros depoimentos dados por lideranças do PT afirmando justamente o contrário. Foram desconsiderados depoimentos de José Genoíno, Delúbio Soares, Silvio Pereira...”;

 

4. “O procurador-geral dá todo crédito às acusações que foram feitas por Roberto Jefferson contra o ex-ministro. Mas se esquece de que Jefferson foi cassado pela Câmara precisamente por ter mentido”;

 

5. “A denúncia relaciona o meu cliente inclusive no repasse supostamente irregular feito pelo Banco do Brasil, por meio da Visanet, à agência de publicidade de Marcos Valério. Mas em nenhum momento a peça de acusação individualiza a conduta ilegal que teria sido praticada por José Dirceu. Fala de outras pessoas –Henrique Pizzolato, Luiz Gushiken—, mas não especifica a irregularidade que teria sido praticada pelo ex-chefe da Casa Civil”;

 

6. “Por último, José Dirceu é denunciado como corruptor ativo na relação com os deputados aliados do governo. Acontece que todos os deputados, sem exceção, negam qualquer tipo de participação dele nessa situação.”

 

O advogado de Dirceu espera pela oportunidade de se manifestar nos autos. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, terá de ouvir os acusados antes de dizer se aceita ou não a denúncia. “Estou certo de que a denúncia contra José Dirceu será rejeitada”, disse Oliveira Lima ao blog. “Confio no Supremo e na serenidade do ministro Joaquim Barbosa.”

Escrito por Josias de Souza às 00h03

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Thomaz Bastos entra na roda

Lula disse nesta terça-feira que irá manter Márcio Thomaz Bastos no cargo. Afirmou que o ministro da Justiça “está muito tranqüilo e está seguro de que não fez nada de errado”. O presidente arrematou: “Eu não vou fazer o jogo da oposição".

O próprio ministro da Justiça recebeu em seu gabinete, em conversas separadas, um grupo de jornalistas. Disse ter ido à casa de Antonio Palocci apenas para apresentar-lhe o criminalista Arnaldo Malheiros, informa a Reuters.

Embora se considere “abatido, golpeado e ferido”, Thomaz Bastos disse que permanece no governo por lealdade a Lula. Acha que é o último escudo do presidente. Se sair, a oposição passará a mirar diretamente em Lula.

Trocando-se o nome de Thomaz Bastos pelo de Antonio Palocci, notícias como essa aí acima foram veiculadas à saciedade no auge da crise que consumiu o que restava do prestígio do ex-ministro da Fazenda. A cabeça de Palocci foi à bandeja dias depois de Lula ter jurado que ele ficaria no cargo. De nada valeu o argumento de Palocci, depois de José Dirceu, era o último anteparo de Lula.

Escrito por Josias de Souza às 23h17

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Câmara 'convida' Bastos para explicar-se na terça

Acaba de ser aprovado no plenário da Câmara, por acordo de lideranças, o requerimento apresentado pelo PPS convocando o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) para dar explicações sobre o seu envolvimento e o de sua pasta no “caseirogate”. O ministro terá de comparecer ao plenário da Câmara, em sessão marcada para as 14h da próxima terça-feira.

 

Com essa decisão, a Câmara se antecipa ao Senado, cujo presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL) vem retardando desde o início da semana o agendamento de uma data para que Thomaz Bastos compareça ao Congresso. Em carta enviada na última segunda-feira a Renan e ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o ministro havia solicitado que sua ida ao Legislativo fosse marcada ainda para esta semana. Pressionado por líderes do PSDB e do PFL, Renan esquivou-se, porém, de marcar a data. Disse apenas que a sessão ocorreria depois da Páscoa.

 

Havia dois requerimentos pedindo a convocação de Thomaz Bastos. Um deles fora apresentado no Senado pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O outro, agora aprovado, fora protocolado na Câmara pela bancada do PPS. Em telefonema a Aldo Rebelo, na manhã de segunda-feira, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), primeiro signatário do requerimento da Câmara, manifestara o receio de que os deputados fossem excluídos da audição do ministro, articulada pelo Senado.

 

O receio contaminou as lideranças de todos os partidos, que se uniram para aprovar a convocação proposta pelo PPS. Os líderes governistas endossaram a iniciativa porque interessa ao Palácio do Planalto abreviar as explicações do ministro da Justiça. O gesto da Câmara é carregado de simbolismo. Os deputados deram de ombros para o oferecimento de Thomaz Bastos.

 

Julgaram essencial que ele comparecesse à Câmara na condição de convocado. Por exigência do PT, o termo convocação foi substituído por "convite". Uma concessão retórica que, feita para viabilizar a aprovação, não retira da decisão o recado embutido pela oposição. A menos que haja um acordo com o Senado, o ministro arrisca-se a repetir duas vezes as mesmas explicações. O senador Arthur Virgílio diz que não abre mão do seu requerimento. Manda o bom senso que deputados e senadores se entendam.

 

A situação do ministro complicou-se no último final de semana. Reportagem da revista Veja informou que Thomaz Bastos participou de uma reunião na casa do então ministro Antonio Palocci três dias depois de a Polícia Federal ter iniciado um inquérito para apurar os responsáveis pelo crime de violação do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Além de Palocci e Thomaz Bastos, participaram do encontro o advogado criminalista Arnaldo Malheiros e o então presidente da Caixa Econômica, Jorge Matosso.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Superdenúncia desmoraliza Lula, PT e a Câmara

A superdenúncia encaminhada pelo Ministério Público ao STF deixa em situação vexatória o presidente da República, o partido dele e a Câmara dos Deputados. Lula desmoraliza-se pela cegueira. O PT pelo vexame de tentar acomodar sobre os ombros de Delúbio Soares uma perversão que foi urdida pela direção partidária. E a Câmara vai à sarjeta pela pizza que produziu ao inocentar o impensável.

 

Ao denunciar 40 personagens envolvidos no escândalo do mensalão, o Ministério Público atestou a formação de uma quadrilha que tinha entre os seus objetivos primordiais a perpetuação do PT no poder e a compra de consciências no Congresso. Algo tramado nas dependências do Palácio do Planalto. A peça acusatória ressuscita uma pergunta perturbadora: como pode o presidente continuar sustentando que não sabia da ação do Ali-PT e seus 40 lambões?

 

Quanto ao PT, é preciso recordar que, exceto pela expulsão de Delúbio Soares, o Judas solitário, nenhum dos parlamentares que se serviram do valeriodito foi punido pela legenda. O vexame foi tonificado pela tentativa canhestra e, por sorte, infrutífera da bancada governista de arrancar do relatório da CPI dos Correios os nomes dos ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken.

 

A Câmara vai ao limbo por submeter julgamentos que deveriam ser técnicos a critérios que oscilam entre a conveniência política e a amizade pessoal. Ao incluir os deputados mensaleiros em sua denúncia, o Ministério Público reforça a impressão de que o plenário da Câmara converteu-se em palco do escárnio.

 

A ação do Ministério Público devolve à sociedade um alento. Repõe no horizonte próximo uma perspectiva de punição que parecia distante. Espera-se agora que o Judiciário tenha a grandeza de julgar os acusados com a celeridade que o escândalo exige.

Escrito por Josias de Souza às 18h40

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Ministério Público denuncia 40 no caso do mensalão

  Elza Fiuza/ABr
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa (na foto), informou há pouco que enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma mega-denúncia contra 40 personagens envolvidos no escândalo do mensalão. Conforme antecipado aqui na madrugada desta terça-feira, entre os acusados está o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, acusado de chefiar uma "quadrilha". Foi denunciado também o ex-ministro Luiz Gushiken. A denúncia, que confirma a existência do mensalão, não atinge o presidente Lula.

 

O Ministério Público protocolou o lote de ações no Supremo no último dia 30 de março. Leia a íntegra aqui. A superdenúncia descreve a prática de vários crimes, entre eles formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, além de peculato. O Ministério Público dividiu a denúncia em três partes:

 

* Parte um: descreve a existência de uma “organização criminosa” composta por três núcleos. O primeiro núcleo é chamado de “político-partidário”. Almejava “garantir a continuidade do projeto de poder do PT mediante a compra e suporte político de outros partidos e do financiamento das suas próprias campanhas” eleitorais. Era composto pelos seguintes denunciados: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira

 

O segundo núcleo, chamado na denúncia de “publicitgário-financeiro”, era integrado pelos sócios e funcionários das empresas de Marcos Valério. Seu objetivo era o de “receber vantagens indevidas” do governo. “Quando delineada a vitória eleitoral do PT, em 2002, o senhor Marcos Valério ofereceu os préstimos da sua quadrilha ao núcleo político-partidário”, diz o texto. Além de Valério, foram denunciados: Rogério Tolentino, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos e Geiza Dias.

O terceiro núcleo, chamado na denúncia de “financeiro” era integrado pelos donos e executivos do Banco Rural. Foram denunciados: Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane. O Rural “ingressou na organização criminosa em busca de vantagens indevidas de integrantes do governo federal”.

* Parte dois: neste trecho da denúncia, o Ministério Público descreve os crimes praticados pelos envolvidos na montagem do esquema do mensalão. Além de ter sido denunciado pelo recebimento de R$ 50 mil do valerioduto, João Paulo Cunha (PT-SP) foi processado por ter contratado como presidente da Câmara os serviços da SMPB de Marcos Valério.

A antecipação indevida de recursos do Banco do Brasil por meio do contrato Visanet à agência de Valério rendeu ação judicial contra o petista Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do BB. Foi denunciado também o ex-ministro Luiz Gushiken, apontado por Pizzolato como responsável pela ordem que deu origem aos repasses.

 

* Parte três: neste trecho da denúncia, o Ministério Público descreve os “crimes praticados pelos beneficiários do esquema” do mensalão. Inclui parlamentares e seus assessores. Inclui também o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes.

 

Pelo PP, foram denunciados os deputados José Janene, Pedro Corrêa e Pedro Henry. Do PL, entrou na denúncia o ex-deputado Valdemar Costa Neto. Do PTB: Roberto Jefferson. Do PMDB: José Borba. Do PT: Paulo Rocha, João Magno e Professor Luzinho.

 

A denúncia reserva referências duras ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Informa que nasceu na campanha de Azeredo para o governo de Minas, em 98, o relacionamento promíscuo de Marcos Valério com o universo das campanhas eleitorais. O caso, anota a denúncia, é objeto de inquérito específico, em tramitação no STF.

 

Diante da formalização do primeiro lote de denúncias do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa decretou o fim do sigilo que envolvia o inquérito. Mandou, de resto, notificar os acusados para que apresentem suas defesas.

Escrito por Josias de Souza às 16h57

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Se você ainda tem apetite, outra pesquisa!

Mal digeriu os números da última pesquisas, o eleitor já tem diante de si uma nova sopa de números, agora servidos pela pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira. Esta sondagem, informa Felipe Recondo, atesta uma diminuição da vantagem de Lula sobre Geraldo Alckmin. A diferença, que era de 24,8 pontos em fevereiro, caiu para 16,9 pontos.

Se a eleição fosse hoje, Lula amealharia 37,5% dos votos, contra 20,6% atribuídos a Alckmin. Na pesquisa anterior, Lula tinha 42,2%. E Alckmin 17,4%. Garotinho manteve-se praticamente estável: oscilou de 14,4% para 15%. Leia aqui, em texto de Felipe Recondo, mais detalhes sobre a pesquisa, inclusive os dados sobre segundo turno. E aqui os números sobre a avaliação do governo, que atinge o seu nível mais alto desde setembro.

Escrito por Josias de Souza às 13h10

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Antonio 'Palocchio' Filho

  Rogerio Doki
O repórter Mario Cesar Carvalho foi ouvir novamente Rogério Buratti, o expoente mais buliçoso da República de Ribeirão Preto. A leitura da entrevista não deixa dúvidas: Antonio Palocci adora mesmo pronunciar verdades que esqueceram de acontecer, diria Mário Quintana. O sujeito é um tremendo mentiroso, afirma o signatário do blog, que não tem a elegância vernacular do memorável poeta gaúcho.

 

Eis parte do que disse Buratti:

 

- O caseiro Francenildo diz que viu o sr. e Palocci jogando tênis na "casa do lobby". Isso ocorreu?

- Ocorreu uma vez, num sábado. Estávamos eu, Ralf [Barquete, ex-assessor de Palocci morto em 2004] e Palocci.

- Quantas vezes o sr. encontrou o ex-ministro naquela casa?
-
Três vezes, no máximo.

- Que tipo de assunto o sr. e Palocci discutiam na casa?
-
Assuntos gerais, principalmente de Ribeirão Preto. Ele queria ouvir o que estava acontecendo. E a mim interessava, como representante da Leão Leão, verificar a possibilidade de participar de obras ou de projetos do governo, no que, infelizmente, nunca obtive êxito.

- O sr. sabe que empresas tiveram sucesso nessa empreitada?
-
Até o ponto que acompanhei o movimento da casa nenhuma empresa tinha tido êxito nos negócios com o governo federal (...).

- O caseiro contou ter visto festas com garotas de programa.

- As pessoas que freqüentavam a casa à noite, como amigos, levavam acompanhantes boa parte das vezes. Isso não significa que havia festas e que as festas tinham objetivos comerciais. Essa foi uma das grandes dificuldades para admitir a existência da casa. Acabou parecendo que era a casa dos prazeres (...).

- Isso não tinha a ver com lobby? Quem pagava as garotas?
-
Cada pessoa que freqüentava a casa e resolvia levar uma garota de programa ou não para dentro da casa se responsabilizava pelo pagamento da garota. Na verdade, está sendo revelada por meio da casa uma atividade cotidiana em Brasília. As meninas que freqüentavam aquela casa hoje continuam freqüentando outros lugares em Brasília e fazendo a mesma coisa. Não existe um antes e depois da "casa do lobby".

- O sr. já disse que pagava parte das despesas da casa com a verba que recebia da Leão Leão. Que outras empresas ajudavam a sustentar a casa?
-
Todas as empresas que usaram a casa devem ter contribuído (...).

- Por que o ministro não reconhece que freqüentou a casa?
-
Porque a casa ganhou contornos morais. As negativas dele devem ter a ver com esse aspecto moral. Eu sempre neguei na CPI que tivesse visto o ministro na casa porque isso criou um constrangimento muito importante na minha vida. Até hoje as pessoas falam que minha atual namorada é uma menina que freqüentava a casa em Brasília, e não é verdade. Essa questão, como me incomoda muito até hoje por invadir a privacidade, deve ter incomodado o ministro.

Escrito por Josias de Souza às 08h16

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Lula deveria dormir mais cedo

Está na Folha (para assinantes):

 

“No mesmo dia em que se reuniram na casa do então ministro Antonio Palocci para definir estratégias de sua defesa, Márcio Thomaz Bastos e o próprio Palocci estiveram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as 22h.

 

Já outros participantes da reunião na casa de Palocci, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e o advogado Arnaldo Malheiros, seguiram para um encontro com a cúpula da estatal num apartamento da Asa Sul, em Brasília.”

 

Como sabem os 22 leitores do blog, em reunião de criminalistas com criminosos não se discute senão o crime. Se fosse viva, a mãe de Lula decerto o teria mandado para a cama mais cedo na fria noite daquele fatídico 23 de março. Mães costumam farejar de longe as más companhias.

Escrito por Josias de Souza às 07h44

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Ovinho personalizado!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 06h22

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As manchetes desta terça

 

- JB: Eleições 2006 - PT estimula bicadas entre tucanos

 

- Folha: PF descarta ouvir Bastos sobre violação do sigilo

 

- Estadão: PF não chama Bastos e devassa vida do caseiro

 

- Globo: Plano diretor - Barra pode ter mais obras; e favelas, maior controle

 

- Correio: PF alivia Bastos, mas amplia cerco a caseiro

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h18

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Pacote de denúncias do mensalão incluiu Dirceu

O Ministério Público Federal já concluiu o primeiro pacote de ações judiciais contra os envolvidos no escândalo do mensalão. Serão acomodados no banco dos réus deputados absolvidos pela Câmara, entre eles João Paulo Cunha (PT-SP). Vão também ao assento de acusados parlamentares que  tiveram os seus mandatos cassados. A grande surpresa é a inclusão de José Dirceu (na foto), ex-chefe da Casa Civil, na lista de processados.

 

Responsável pelo inquérito de onde está sendo retirada a maioria dos dados que inspiram as ações da Procuradoria da República, a Polícia Federal alardeava desde o final do ano passado que não encontrara "provas materiais" que pudessem incriminar Dirceu.

 

O Ministério Público pensa de modo diverso. Acha que há, sim, nos autos evidências que justificam a abertura de processo contra o ex-homem forte de Lula. As ações contra Dirceu, cassado pela Câmara em novembro do ano passado, estão prontas. O mesmo ocorre com os casos envolvendo os outros dois únicos deputados cassados pela Câmara: Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE).

 

Esse primeiro lote de ações não esgota o trabalho do Ministério Público. Os procuradores que trabalham no caso vão pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) o aprofundamento das investigações da PF em relação a episódios que julgam pendentes de elucidação. A idéia é propor novas ações judiciais numa segunda fase.

 

A investigação do mensalão está submetida à supervisão do Supremo porque envolve parlamentares. Pela lei, deputados só podem ser processados no STF. O ministro que acompanha o caso é Joaquim Barbosa. A decisão do Ministério Público de apresentar o primeiro lote de ações judiciais antes do encerramento do inquérito irritou a Polícia Federal.

 

Em ofício endereçado ao ministro Joaquim Barbosa, a PF pediu, na primeira semana de março, prazo de 30 dias para concluir o seu trabalho. Alegou que perícias técnicas encomendadas ao Instituto de Criminalística não haviam sido concluídas. Barbosa enviou os autos ao Ministério Público, para manifestação do procurador-geral da República Antônio Fernando de Sousa.

 

O Ministério Público que, familiarizado com detalhes do inquérito, já trabalhava na elaboração do primeiro lote de ações, reteve o processo. Daí a irritação da PF. Os investigadores da polícia acham que o grupo de procuradores destacado pelo chefe do Ministério Público para atuar no caso está se precipitando. A PF não dispunha, porém, da informação de que os procuradores decidiram reservar o segundo lote de ações para depois do encerramento do inquérito.

 

Conforme noticiado aqui em 4 de março, além de destacar que os indícios levantados contra Dirceu são frágeis, a PF isentou Lula de responsabilidade no escândalo do mensalão. O nome do presidente da República, de fato, não consta desta primeira leva de ações do Ministério Público. Mas as ações contra Dirceu, para contrariedade da PF, foram preparadas.

 

O procurador-geral Antônio Fernando de Sousa evita dar declarações públicas sobre o desfecho do escândalo do mensalão. Ele impôs a lei do silencio também aos procuradores que destacou para trabalhar no caso. Em diálogos privados, porém, tanto Fernando de Sousa quanto seus pupilos afirmam que a sociedade se surpreenderá com a abrangência e com a consistência das ações judiciais do mensalão.

Escrito por Josias de Souza às 00h30

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PF dá meia-volta

Até bem pouco, a Polícia Federal parecia ansiosa por escancarar a conta bancária de Francenildo dos Santos Costa. Embora o sigilo bancário do caseiro já houvesse sido violado ao arrepio da lei, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes pediu formalmente à Justiça autorização para quebrar-lhe o sigilo.

 

O delegado Carneiro dera vazão à suspeita levantada pelo Coaf de que Francenildo poderia ter cometido o crime de lavagem de dinheiro. Pois soube-se nesta segunda-feira que, antes do final de semana, a Justiça autorizou a PF a levar adiante o seu plano. Mas Carneiro, agora tomado de súbita cautela, decidiu dar meia-volta.

 

A PF já não tem pressa em apalpar oficialmente os dados bancários do caseiro. O delegado Carneiro, informa Fausto Salvadori Filho, passou a achar que o mais conveniente é aguardar até que a Justiça decida sobre um outro pedido, formulado pelo Ministério Público.

 

Partindo do entendimento de que a investigação contra Francenildo é, além de ilegal, um atentado contra a lógica, os procuradores Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento pediram o trancamento do inquérito policial. Na última sexta-feira, o delegado Carneiro já havia emitido os primeiros sinais de que passou a enxergar a investigação contra o caseiro de um modo diferente.

 

Depois da revelação de que a ação do Coaf foi inspirada em encontros suspeitíssimos, alguns deles com a participação de funcionários do Ministério da Justiça, o delegado enviou ao Ministério da Fazenda um pedido de explicações. Quer saber como nasceram as suspeitas de que Francenildo opera uma lavanderia de dinheiro. Alvíssaras.

Escrito por Josias de Souza às 23h08

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'petistóides' X 'tucanóides'

Shakespeare já ensinava em Henrique VIII: “Não acendas para teu inimigo fornalha tão quente que te venha a queimar também”. Desde maio do ano passado, o tucanato não faz outra coisa senão jogar lenha no forno em que são assadas as denúncias contra Lula e seu governo. Agora, Geraldo Alckmin sente o ardor das primeiras fagulhas que lhe saltam sobre a pele.

 

Nesta segunda-feira, em viagem a Teresina (PI), Alckmin reagiu da pior maneira às acusações que vem sofrendo. É coisa de “petistóides”, disse ele, como se do seu lado não houvesse uma legião de “tucanóides”. "Adversário não manda flores”, acrescentou Alckmin. “Mas não tem problema, não tenho medo de cara feia e não me escondo, não sou omisso, assumo responsabilidade".

 

É bom que Geraldo ‘Banho de Ética’ Alckmin esteja disposto a assumir responsabilidades. O Ministério Público e a Promotoria de São Paulo encontraram indícios de supostas impropriedades praticadas à sua volta. Abriram-se meia dúzia de investigações. Logo Alckmin saberá qual é o tamanho da sua responsabilidade.

 

O caso mais recente diz respeito à sociedade do filho de Alckmin, Thomaz, com Suellen, a filha do acupunturista Jou Eel Jia, beneficiado com repasses de verbas do governo paulista. Leia aqui, em texto de Kamila Fernandes, o que disse Alckmin a respeito do assunto.

Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Grupo suprapartidário discute impeachment de Lula

O Pró-Congresso, movimento parlamentar suprapartidário, começou a debater internamente a conveniência de abertura de um processo de impeachment contra Lula. A pedido do coordenador do grupo, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), o advogado mineiro Leonardo Canabrava Turra produziu um documento no qual concluiu que há justificativas jurídicas e técnicas para a abertura de uma ação por crime de responsabilidade contra o presidente da República.

O documento (leia íntegra aqui) foi distribuído a integrantes do grupo Pró-Congresso, composto por cerca de 150 parlamentares. O texto foi debatido em reuniões reservadas de deputados que participam do movimento. Houve consenso quanto à sustentação técnica do processo. Mas há uma divisão em relação à conveniência política e à data para a deflagração do pedido de impeachment.

 

“A tendência é de que a gente aguarde a posição formal que será tomada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)”, disse ao blog Rafael Guerra. Outro integrante do Pró-Congresso, Fernando Gabeira (PV-RJ), disse que o processo “está no horizonte”, mas não há “decisão a respeito”. Um terceiro deputado, Roberto Freire (PPS-PE), acha que a ação por crime de responsabilidade precisa ser proposta mesmo que as condições políticas indiquem que ela não tem chances de prosperar.

 

“O processo teria de ser aceito pelo presidente da Câmara. Não creio que o Aldo Rebelo aceite. Ele tem demonstrado uma posição de subserviência em realção a Lula e ao governo”, disse Freire. “Mas acho que é preciso propor a ação de qualquer jeito, pelo menos para que fique registrado para a história que Lula cometeu crimes. Do contrário, vai ficar parecendo que ele foi um presidente impoluto”.

 

Pela lei, partidos políticos não podem propor o impeachment do presidente. Por essa razão, o Pró-Congresso tem discutido o tema com o jurista Miguel Reale Jr., líder do movimento “Da Indignação à Ação”, que reúne entidades da sociedade civil. Reale é visto pelos parlamentares como pessoa credenciada para patrocinar o processo contra Lula.

 

No último domingo, em entrevista ao blog, Reale disse que há, do ponto de vista jurídico, “elementos de sobra” para a abertura de uma ação acusando Lula da prática de crime de responsabilidade. Mas avaliou que a Câmara, às voltas com sucessivas absolvições de deputados mensaleiros, não demonstra capacidade para julgar um processo contra o presidente. “Não há juiz em Brasília”, disse Reale Jr..

 

Além da inapetência da Câmara, o deputado Fernando Gabeira enxerga uma “tolerância” da opinião pública em relação à “promiscuidade” do governo. Ele cita a última pesquisa Datafolha. “Ficou demonstrado que, embora esteja informada sobre o episódio da quebra de sigilo do caseiro, a sociedade tem enorme tolerância. Caminhamos para uma situação ainda mais grave. Se uma ilegalidade como essa é tolerada, o governo pode entender que pode cometer atrocidades ainda maiores”.

 

Na opinião de Roberto Freire, a violação do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa apenas reforça a necessidade de abertura do processo de impeachment. “Dizem que se isso ocorrer o Lula vai mobilizar a sociedade. Ele que faça o que bem entender. Mas não podemos fechar os olhos para um crime de Estado. Estão envolvidos os ministros da Fazenda e da Justiça. Não podemos engolir passivamente o argumento de que o Lula, nosso presidente mamulengo, não saiba de nada. Ele precisa ser responsabilizado."

Escrito por Josias de Souza às 18h03

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Bastos só vai ao Congresso depois da Páscoa

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), farão daqui a pouco reunião para decidir como o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) será ouvido pelo Congresso. Devem indicar o plenário do Congresso, reunido em sessão conjunta das duas Casas, como palco das explicações. A audição ficará mesmo para depois da Páscoa.

 

Embora o ministro tenha enviado carta ao Congresso nesta segunda pedidndo para que sua ida fosse marcada ainda para esta semana, não houve consenso entre os líderes. A oposição bateu o pé. Não quer que Bastos compareça ao Congresso em plena Semana Santa, período de quorum baixo. Manteve-se, então, a idéia de chamá-lo na próxima semana, em data a ser acertada na