Opinião Pública
No Planalto
Sempre que Brasília ganha uma aparência de caverna de Ali-Babá, seus atores costumam trazer à cena um personagem contraditório. Todos o conhecem. E, no entanto, ele não tem cara. Ele está em toda parte. Porém, ninguém o vê. Seu nome? Opinião Pública.
“Deus do céu, o que dirá de nós a Opinião Pública?”, pergunta um. “A Opinião Pública está irritadíssima”, constata outro. “Não podemos dar as costas à Opinião Pública”, ensina outro mais. “A resposta da Opinião Pública será implacável”, receiam alguns.
Nunca houve tanta preocupação com a Opinião Pública. Jamais o nome da Opinião Pública foi tão invocado. A tal ponto que, se não fosse invisível, se tivesse voz própria, a Opinião Pública decerto já teria reagido ao novo status que lhe atribuem:
“Ora, senhores, por favor, me digam: que conluios, que manobras, que mentiras, que patranhas foram canceladas em respeito a mim? De onde vem esse meu pseudoprestígio? Desde quando ‘euzinha’ tenho toda essa importância? Ora, francamente, me deixem em paz!”
De fato, as únicas opiniões que o Brasil de Brasília costuma levar em conta são as do travesseiro e a do espelho. E, como se sabe, travesseiros e espelhos têm uma enorme vocação para a indulgência. Relevam tudo, mesmo os pecados mais hediondos.
Em conseqüência, a Opinião Pública continua assistindo ao espetáculo em que sordidez vira galardão. Antes, a desonestidade escondia-se pelos cantos. Agora, exibe-se de peito aberto. Chega mesmo a ensaiar passos de dança no plenário da Câmara. O segredo deixou de ser a alma do negócio.
“Vossa Excelência sacou dinheiro do valerioduto?” “Saquei, sim, e daí?”. “Mas Vossa Excelência não pertence ao partido da ética?” “O caro colega não pode falar em ética. Valério é invenção do vosso partido. Não criamos o roubo, apenas demos continuidade à obra do grupo de Vossa Excelência.”
O país atravessa uma quadra de cinismo inaudito. Ministros bonzinhos ejaculam mentiras. O candidato cego só vê o que lhe convém. O candidato do “banho de ética” não lava o próprio quintal. Busca-se a igualdade na perversão, a semelhança na culpa.
A Opinião Pública está prestes a encontrar-se com o seu meio de expressão: a urna. É o seu maior alto-falante. Talvez o único. É por meio das urnas que ela, a Opinião Pública, indica aqueles que estarão autorizados a falar em seu nome.
A Opinião Pública não tem se expressado convenientemente nos últimos tempos. Devolve à vida personagens que pareciam mortos. Gente como Jader “Sudam” Barbalho, Severino “Mensallinho” Cavalcanti e um interminável etc. Vem daí todo o problema. Como pode ser respeitado alguém que não se dá ao respeito?
Escrito por Josias de Souza às 18h27
Folha Imagem
Liberado dos afazeres de governador, o candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, volta-se em tempo integral para a campanha. Atrás de Lula nas pesquisas de opinião, ele corre contra o relógio. Reúne-se nesta segunda-feira, em Brasília, com o coordenador de sua campanha, já escolhido. Será o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).
O nome de Sérgio Guerra foi sugerido pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), a Geraldo Alckmin, que o aprovou. Curiosamente, trata-se de um político que mantém vínculos estreitos com José Serra, agora candidato tucano ao governo de São Paulo. Será, nas palavras de Tasso, “o principal executivo da campanha” de Alckmin.
No encontro de segunda, do qual Tasso também vai participar, serão fixadas as primeiras metas da campanha tucano-pefelista. Sem desdenhar das regiões Sul e Sudeste, a prioridade é fazer com que Alckmin seja “conhecido” fora dos limites dos Estados mais desenvolvidos do país.
O foco principal é o Nordeste, onde Lula, beneficiado pela distribuição de dinheiro do Programa Bolsa Família, prevalece sobre Alckmin nas sondagens eleitorais. Pretende-se fixar um cronograma de viagens do candidato à região. As peregrinações terão primazia sobre os grandes eventos. A idéia é fazer com que Alckmin “gaste a sola do sapato”.
O próprio candidato recorre a uma metáfora forte para sinalizar a atenção que pretende dispensar ao Nordeste: “Quero morar lá”, exagera. Além do coordenador nordestino, o candidato informou ao PFL que quer ornar a sua chapa com um vice do Nordeste. Um modo sutil de alijar da disputa que vem sendo travada na seara pefelista o nome do presidente do PFL, o senador catarinense Jorge Bornhausen.
Sob reserva, Tasso diz que o nome preferido da direção do PSDB para a vice é o do senador José Agripino Maia (PFL-RN). O tucanato tem pressa. Mas não vai se envolver no processo de escolha do PFL, submetido à coordenação de Bornhausen. Mostra-se cioso da independência do parceiro. Tasso está mais preocupado em organizar os primeiros passos da campanha de Alckmin.
O presidente do PSDB quer pôr em prática uma idéia que teve ainda na fase em que Alckmin disputava com Serra a vaga de candidato oficial do partido. Deseja combinar as viagens de Alckmin pelas principais capitais do país com encontros programáticos. O objetivo é mobilizar “talentos” de fora do eixo Rio-São Paulo, com a pretensão de renovar o leque de idéias para desenvolver o país.
O coordenador Sérgio Guerra (na foto ao lado) é um entusiasta da proposta. Como ainda não foi oficializado no comando da campanha, Guerra esquiva-se das entrevistas. Limita-se a dizer que Tasso o convidou a se integrar na campanha, sem especificar, porém, quais seriam as suas atribuições. Reserva os seus planos às conversas com colegas de partido, travadas entre quatro paredes.
O signatário do blog conversou com um interlocutor freqüente de Sérgio Guerra. Contou que ele pretende retirar dos chamados “encontros programáticos”, que serão feitos em cerca de 15 capitais, o caráter acadêmico. Acha que o essencial é produzir idéias novas. Em relação ao Nordeste, por exemplo, considera saturada a tese de que o desenvolvimento da região depende de incentivos fiscais proporcionados pela Sudene. Alckmin, diz ele, funcionará como um “catalisador” de novas fórmulas.
Escrito por Josias de Souza às 17h44
O ministro Sergio Rezende (Ciência e Tecnologia) acha que os críticos da incursão brasileira no espaço padecem de visão curta. Argumenta que o valor pago pelo contribuinte brasileiro para pôr o astronauta Marcos Pontes em órbita (US$ 10 milhões) é irrisório: "Isso representa menos de 1% do orçamento anual do ministério. É um custo que o Brasil pode suportar tranqüilamente", diz.
Chegou-se à pechincha graças a um acordo firmado com o governo russo. A “passagem” de Marcos Pontes para o espaço custou menos da metade do que os russos costumam cobrar. Os US$ 10 milhões cobrem o treinamento do astronauta, o vôo até a Estação Espacial, o transporte da bagagem e o canal de voz usado nos contatos com o Brasil.
Pelas contas do ministro Rezende, o Brasil torra anualmente US$ 100 milhões no custeio de um “Programa Espacial Completo” iniciado em 1961. A despeito do nome, o programa brasileiro era, na opinião do ministro, incompleto. A nova missão espacial tornou-o pleno. "Agora sim temos um programa espacial completo”, rejubila-se Sergio Rezende.
Sabe-se pouco acerca dos avanços registrados nos experimentos espaciais brasileiros. O que dele teve maior realce foi o malogro de 2003. Naquele ano, um fiasco registrado na base de lançamento de Alcântara custou a vida de 22 brasileiros. Estima-se que a base voltará a operar em 2007.
Os experimentos do astronauta Marcos Pontes são bem menos arriscados. Ele analisará, por exemplo, os efeitos da ausência de gravidade em enzimas e proteínas. De resto, observará o desenvolvimento de sementes de feijão na estratosfera. Considerando-se a relação custo-benefício, parece pouco.
O ministro Rezende, porém, acha que devem ser consideradas outras vantagens: "O mais importante é que ele está produzindo toda essa atenção de milhões de telespectadores e jovens que, esperamos, sejam atraídos para a ciência e para a tecnologia. O Brasil precisa disso para se desenvolver". Então, tá! Ficamos combinados assim.
Escrito por Josias de Souza às 16h09

- JB: Poder paralelo - Traficantes fecham as portas de Copacabana
- Folha: Serra lança candidatura e acirra luta contra o PT
- Estado: Governo tenta jogar fora relatório da CPI
- Globo: Comandante exalta golpe de 1964 e ministro reage
- Correio: Aberta temporada de caça ao voto
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h56
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h50
A revista Veja (para assinantes) traz em sua última edição o resultado da reconstituição feita por sua equipe da quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Informa o seguinte:
* Jorge Mattoso recebeu pessoalmente de Antonio Palocci a ordem para quebrar o sigilo do caseiro. Deu-se na tarde de 16 de março, numa sala do Planalto. Palocci assistia pela TV ao depoimento de Fracenildo na CPI dos Bingos;
* Às 23h30 do mesmo dia, ao chegar à residência de Palocci para entregar um envelope contento o extrato do caseiro, Mattoso encontrou outros dois integrantes do governo: o assessor de imprensa do Ministério da Fazenda, Marcelo Netto, e o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, subordinado e braço direito do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Pouco antes, deixara a casa o chefe-de-gabinete de Bastos, Cláudio Alencar;
* O que faziam os auxiliares de Thomaz Bastos na casa? Foram chamados por Palocci, que queria deflagrar uma operação da Polícia Federal para desbaratar o que se acreditava ser uma armação política contra ele. Os alvos eram o caseiro Francenildo e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Alencar, o chefe de gabinete do ministro da Justiça, chegou a mandar um pedido formal de diligência policial sobre o caso. Um policial federal veterano da cúpula da corporação recebeu o pedido, examinou-o e respondeu que aquilo levaria quinze dias para produzir algum efeito prático;
* Na manhã seguinte, 17 de março, sem saber que o front policial estava parado, Palocci comentou com um ministro: "Vamos ter uma notícia boa hoje". No início da tarde, além de Palocci, outras autoridades do governo já tinham visto cópias do extrato de Francenildo Costa. Três dias antes, o senador Tião Viana (PT-AC) espalhava pelo Senado a informação de que um jardineiro ouvira Francenildo dizer que recebera um bom dinheiro e planeja comprar um terreno ou uma casa;
* Na noite em que recebeu o extrato do caseiro em casa, das mãos do presidente da Caixa, Palocci ouviu de uma das testemunhas da cena um alerta: embora o documento pudesse incriminar o caseiro, sua obtenção fraudulenta abria um telhado de vidro sobre a operação. Como fazer para encobrir a quebra do sigilo? Surgiu e prosperou a idéia de produzir uma reclamação contra o caseiro no âmbito do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
* A estratégia daria a impressão de que existia uma investigação legítima. Porém, impacientes, Palocci e seu assessor Marcelo Netto divulgaram o extrato logo no dia seguinte, antes mesmo de "esquentá-lo" com a farsa no Coaf.
* O jornalista Matheus Leitão, repórter da revista Época e filho do assessor Marcelo Netto, circulava pela CPI dos Bingos tentando confirmar se o número do CPF que aparecia no extrato retirado na Caixa Econômica Federal era o mesmo do caseiro Francenildo Costa. A CPI mantém o registro do CPF e do RG dos depoentes;
* Na noite daquele dia, Lula, que estava em viagem a Santa Catarina, foi informado por um assessor que a Época publicaria a matéria com base no extrato bancário de Francenildo Costa. Um pouco mais tarde, Márcio Thomaz Bastos, que vinha de uma viagem a Rondônia, fez um pouso na base aérea de Brasília, antes de decolar para São Paulo. Recebeu uma cópia da notícia, veiculada no blog da revista. Achou que se tratava de um fato alentador. Mudou de idéia no fim de semana, diante da comoção contra a violação.
* Daquele momento em diante, a estratégia de desacreditar o caseiro foi substituída, dentro do governo, por uma faxina destinada a apagar as provas do crime e preservar o então ministro Antonio Palocci e seu assessor Marcelo Netto.
* O governo tentou convencer Jorge Mattoso a assumir a responsabilidade pela violação. No dia 23 de março, uma quinta, Mattoso voltou à casa de Palocci. Encontrou o advogado Arnaldo Malheiros, amigo de Thomaz Bastos. Circulou a idéia de oferecer dinheiro vivo (R$ 1 milhão) a algum funcionário da Caixa que se dispusesse a assumir a culpa pela quebra do sigilo. Ouvido por Veja, o advogado confirma o encontro mas nega as discussões em torno da oferta financeira.
Escrito por Josias de Souza às 02h23
Sérgio Lima/Folha Imagem
Antonio Palocci tornou-se o suspeito número um da Polícia Federal no caso da quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Sob reserva, os investigadores do caso dizem ter reunido indícios que apontam para o envolvimento direto do ex-ministro da Fazenda na encomenda da ilegalidade.
Afirmam estar próximos de provar que a participação de Palocci não se limitou ao recebimento do extrato do caseiro das mãos de Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A hipótese com que trabalha a PF é a de que Palocci tenha ordenado diretamente a violação dos dados bancários de Francenildo.
Na próxima semana, além de inquirir Palocci, a PF deseja interrogar novamente Mattoso. Os policiais acham que, confrontado com novos elementos reunidos durante a investigação, Mattoso talvez se anime a contar a verdade. Sim, diz-se abertamente na PF que Mattoso mentiu. Ou contou meias verdades.
O ex-presidente da Caixa deu a entender em seu depoimento que pedira o extrato de Francenildo por razões funcionais. Teria sido informado de que a conta do caseiro registraria movimentação atípica. Porém, inquirido pela polícia, um funcionário da Caixa disse ter ouvido Mattoso mencionar que os dados do caseiro seriam repassados à imprensa.
No mesmo dia em que o extrato de Francenildo foi extraído dos computadores da Caixa, 16 de março, Mattoso esteve duas vezes com Palocci. Uma antes da violação, à tarde, no Palácio do Planalto, e outra depois, à noite, na casa do ministro.
Na opinião da PF, Mattoso admitiu a existência dos encontros por saber que pelo menos um deles, o do Palácio do Planalto, deixou rastros que qualquer investigação descobriria. A passagem pela presidência remanesceu nos registros da portaria e na memória dos funcionários que testemunharam a presença de Mattoso no prédio.
De resto, a quebra de sigilos telefônicos demonstraria que Mattoso e Palocci mantiveram-se em contato no dia da quebra ilegal de sigilo do caseiro. Daí o ex-presidente da Caixa ter reconhecido as conversas com o então ministro. A PF considera a hipótese de que a versão tenha sido combinada previamente. A história, porém, não faz nexo.
Mattoso disse ter recebido o extrato de Fracenildo num restaurante de Brasília, onde jantava. Alcançado por Palocci, pelo telefone, foi levar o documento na casa do então ministro por julgar que o caso deveria ser submetido ao Coaf (Comitê de Controle de Atividades Financeiras) e ao Banco Central. Tudo mentira, na opinião da PF.
A movimentação do caseiro –R$25 mil— está aquém dos valores que costumam justificar as comunicações ao Coaf, um mínimo de R$ 100 mil. Nada justificaria, de resto, nem a correria fora do expediente bancário nem a comunicação pessoal ao Ministro da Fazenda. Muito menos a entrega em mãos de um extrato que, no dia seguinte, seria repassado à revista “Época”.
A PF receia que o pretexto usado por Palocci para retardar o depoimento desta sexta-feira para quarta-feira da próxima semana esconda o objetivo de ganhar tempo para um novo ajuste de versões. Os agentes envolvidos no caso acham que, até lá, terão reunido evidências capazes de limitar a margem de manobra do ex-ministro e de Mattoso.
Escrito por Josias de Souza às 00h14
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Durou escassas 24 horas o afastamento da deputada Ângela ‘Pé de Valsa’ Guadagnin (PT-SP) do Conselho de Ética da Câmara. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP) desligara a deputada depois que o PPS fez uma representação contra ela. Porém, a decisão foi revertida pela direção da Câmara.
Entendeu-se que Guadagnin só poderia ter sido afastada se o PPS houvesse pedido em sua representação a pena máxima, ou seja, a perda de mandato. Como a pena encomendada foi mais leve --censura verbal ou escrita—entendeu-se que não há necessidade nem de abrir um processo formal contra a deputada nem de afastá-la de sua cadeira no Conselho de Ética .
Pelo regimento, caberia à mesa da Câmara, comandada por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidir se o bailado de Guadagnin merece ou não uma punição. Ao saber do retorno da deputada ao Conselho de Ética, o presidente do PPS, Roberto Freire (PE) subiu no caixote:
"O Aldo Rebelo, mais uma vez, desmoraliza as instituições. Aquele ato chocou a sociedade. A falta de compostura não é motivo para cassação, mas não pode ficar sem punição."
Ângela Guadagnin deve estar dançando de alegria.
Escrito por Josias de Souza às 20h34
Almeida Rocha/F.Imagem
José Serra anunciou há pouco o que todos já sabiam: será mesmo candidato ao governo de São Paulo. "É a [decisão] mais difícil que tomei na minha vida. É uma decisão que, embora arriscada, é necessária. Estou convencido que é a decisão correta", disse Serra, em entrevista coletiva.
Com o seu gesto, o prefeito manda ao lixo o compromisso que assinara em 2004, prometendo exercer o mandato de prefeito até o último dia (veja cópia abaixo). "Eu quero mudar de endereço, de trabalho, mas não de cidade,” disse Serra. “Poderei continuar a fazer muito pela nossa capital. Acredito que o povo de São Paulo saberá compreender minhas razões".
O “povo de São Paulo” pode até “compreender” as palavras de Serra, se quiser. Seria mesmo difícil para o prefeito, tão bem-posto nas pesquisas, dar as costas para a eleição. Mas convém não tomar-lhe as palavras ao pé da letra. Serra diz que não quer mudar de cidade. Bobagem. Ele só não disputa um endereço em Brasília porque o Alckmin o engoliu.

Escrito por Josias de Souza às 17h15
Folha Imagem
Mônica Bergamo revelou no último domingo que, enquanto Geraldo Alckmin dava “banho de ética” na administração de São Paulo, a mulher dele, Lu Alckmin (na foto), tomava “banho de loja”. O estilista Rogério Figueiredo contou que deu a ela de presente nada menos que 400 vestidos. Coisa fina –entre R$ 3.000 e R$ 5.000 cada peça.
A encrenca teve desdobramentos. O deputado estadual Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP) enviou a Geraldo Alckmin, antes que ele deixasse o Palácio dos Bandeirantes, um requerimento pedindo explicações acerca dos “confortos proporcionados de graça à sua esposa”. Não recebeu, por ora, resposta.
Dona Lu faz o que pode para explicar-se sozinha. Sua assessoria diz que os vestidos que ela recebeu não atingem a soma de 400. Informa que “as poucas peças” efetivamente doadas pelo estilista foram depois doadas a uma entidade social chamada Fraternidade Irmã Clara.
O diabo é que a presidente da entidade, Elizabeth Teixeira, diz "não ter conhecimento" das doações. Conta que recebeu um telefonema de Lu Alckmin na última terça-feira, dia 28, dois dias depois de Bergamo ter trazido à tona a encrenca.
No telefonema temporão à casa de caridade, Lu Alckmin disse que faria uma doação. Segundo Elizabeth, "foram dez vestidos de festa", entregues no mesmo dia. "Que eu saiba, foi a primeira doação de vestidos", entregou a presidente da Fraternidade Irmã Clara.
Como se vê, não será por falta de matéria-prima que Geraldo Alckmin deixará de levar adiante a idéia de promover uma “lavagem ética”. Pode começar pela roupa suja doméstica. O estilista jura dispor de provas de que foram mesmo “mais de 400” os pedaços de pano doados à primeira-dama.
Alckmin não há de ter dificuldades para identificar o material. Como diz o aliado César Maia, “imagine o tamanho de um armário para guardar tudo isso!”
Escrito por Josias de Souza às 16h05

- JB: Começa a campanha - Debandada no Planalto
- Folha: Palocci alega doença para não ir à PF
- Estadão: Lula tenta segurar ministros, mas 8 saem
- Globo: Governo ignora compromisso e peso de impostos volta a subir
- Correio: Palocci dribla a PF, Okamotto se esconde
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h58
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Um dia depois de ter recitado numa universidade carioca um cordel que rima Hélio Costa com “conversa bosta” (leia aqui), o ministro Gilberto “Vil” desculpou-se. Em nota, o titular da pasta da Cultura enviou ao colega de Esplanada uma pomba da paz. Disse que o conteúdo do cordel "não expressa sua opinião no debate governamental sobre a TV digital".
Diz a nota: "Fora do contexto, a leitura pode parecer uma indelicadeza com o ministro das Comunicações, Hélio Costa. No entanto, o ministro Gilberto Gil esclarece que não foi essa sua intenção e que não conhecia a íntegra do conteúdo do cordel".
Fora de contexto? Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 02h15
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h59
Folha Imagem

Em desabafo feito durante conversa que manteve com um auxiliar, Lula confessou que está se sentindo só. “Vou ter que ser o coordenador de mim mesmo”, disse o presidente, referindo-se ao comando de sua campanha à reeleição.
Três dias depois de ter sido obrigado a entregar a cabeça de Antonio Palocci, um ministro que planejava incorporar ao comitê de campanha, Lula ensaiou um último gesto para segurar em Brasília o coordenador político Jaques Wagner.
Acabou sendo convencido, meio a contragosto, de que Wagner prestará melhor serviço à cruzada da reeleição disputando o governo da Bahia. Lula não dispõe de um bom palanque em solo baiano, onde o governador Paulo Souto, do grupo do adversário Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), desponta como franco favorito à conquista de um segundo mandato.
Na mesma conversa, Lula queixou-se da perda de Ciro Gomes, que deixou a pasta da Integração Nacional para disputar uma vaga de deputado federal pelo PSB. Adversário do PT na campanha presidencial de 2002, Ciro tornou-se um dos principais confidentes do presidente, que se declara “viciado” nos conselhos do “amigo”.
Lula disse ter optado por soluções “técnicas” no preenchimento das oito vagas abertas com a debandada eleitoral de seu ministério porque não enxergou espaço para a nomeação de “nomões”. Lamentou a falta de intimidade com a grossa maioria dos novos ministros, içados das secretarias-executivas dos ministérios.
Considerou indispensável abrir uma exceção no caso do coordenador político. Para esse posto, frustrada a tentativa de segurar Jaques Wagner, nomeou o petista Tarso Genro. Acha que ele pode ajudar na costura de alianças para a reeleição. Mas receia confiar a tarefa integralmente ao novo ministro. Acha que terá de cuidar para que as opiniões pessoais de Genro, algumas delas “controvertidas”, não prevaleçam sobre a conveniência eleitoral.
Um dos setores em que Lula julga estar “a pé” é a tesouraria de campanha. Planejava destacar Antonio Palocci para fazer a ponte com o empresariado. Sem ele, ainda não sabe a quem recorrer. Retomou a antiga idéia de confiar a tarefa a um empresário que tenha afinidades com o PT. Embora traga na cabeça o perfil, não se fixou em nenhum nome que se encaixe no molde.
Outra área que o preocupa é a coordenação política da campanha. Privado da companhia de José Dirceu, comandante do comitê de 2002, Lula acha que será forçado a distribuir atribuições a vários personagens, acomodados num comitê de poderes diluídos. Daí o raciocínio de que, na prática, terá de ser o coordenador de si mesmo.
O presidente planeja incorporar ao time da reeleição, além de Tarso Genro, seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia; o presidente do PT, Ricardo Berzoini; e personagens que hoje trafegam pela periferia do petismo, como o governador do Acre, Jorge Viana.
Entre os sobreviventes do ministério, Lula se diz mais próximo de Marcio Thomaz Bastos (Justiça) e de Dilma Rousseff (Casa Civil). Confia cegamente em ambos. Mas acha-os inexperientes nas artes da política. Considera que podem ajudar mais na tarefa de tocar a máquina administrativa até o final do atual mandato.
Receoso das armadilhas que a oposição arma para ele no Congresso, Lula fez um apelo a Aloizio Mercadante para que continue dividindo o seu tempo entre a campanha pelo governo de São Paulo e a liderança do governo no Senado. Mercadante pediu ao presidente que o dispensasse das funções de líder. Refém da própria solidão, Lula disse “não”. E o senador, resignado, assentiu.
Escrito por Josias de Souza às 01h23
Como previsto, o bom relatório do esforçado deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) reforçou a cizânia na CPI dos Correios. Os governistas estão em pé de guerra. Querem passar na faca vários trechos do texto do relator.
A poda mais almejada é a do trecho em que Serraglio concluiu pela existência do mensalão. Empenhado em consagrar a tese de a dinheirama do valerioduto não passou de uma derrama eleitoral, o petismo quer porque quer arrancar do relatório o famigerado vocábulo cunhado por Roberto Jefferson.
Até o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), normalmente afinado com Serraglio, passou a advogar o “aperfeiçoamento” do texto final:
– A compra de consciência dos parlamentares para votarem com o governo não me parece uma definição ideal para essa prática. E isto é um entendimento de todos da comissão - disse Delcídio.
A bancada governista da CPI, que se diz majoritária, deseja escoimar do relatório de Serraglio também os nomes de alguns grão-petistas. Entre eles José Dirceu, Luiz Gushiken e José Genoíno.
De resto, a lista de indiciamentos propostos por Serraglio ‘contém’ uma ausência vista por muitos da CPI como imperdoável. Deixou de anotar o nome do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Formou-se na comissão um movimento suprapartidário pró-inclusão de Dantas.
Escrito por Josias de Souza às 00h06
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As eleições de 2006 provocaram uma revoada de oito ministros do gabinete de Lula. As duas baixas mais doídas para o presidente foram as de Jaques Wagner, que deixa a coordenação política do governo para concorrer ao governo da Bahia, e a de Ciro Gomes, que sai da pasta da Integração Nacional para disputar uma cadeira de deputado federal.
O rol de substitutos é composto por uma penca de ilustres desconhecidos, pinçados do segundo escalão dos ministérios. A mais vistosa exceção é o petista Tarso Genro, que volta ao governo para ocupar a cadeira de coordenador político de Lula, de onde terá papel central na costura de alianças e na elaboração do programa de governo da reeleição.
Em sua penúltima reforma ministerial, Lula dissera que a equipe remanescente o acompanharia até o final do mandato. O presidente informara à nação que nenhum dos ministros disputaria eleições. Como se vê, a palavra do presidente não vale o papel em que é escrita.
Escrito por Josias de Souza às 23h26
Galeria
Lula Marques/Folha Imagem
De tanto desperdiçar o presente negando o passado, Antonio Palocci tornou-se mais um petista sem futuro. Os tempos idos de Ribeirão Preto o transformaram num retrato pendurado na galeria de ex-ministros da Fazenda.
Escrito por Josias de Souza às 22h47
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Resultou em malogro a tentativa de José Dirceu de reaver no tapetão o mandato de deputado que perdeu em jogo já jogado. O ministro do Gilmar Mendes, do STF, negou nesta quinta-feira o pedido de liminar formulado na ação judicial em que o ex-chefão da Casa Civil pede que seja anulada a cassação da Câmara. Leia aqui a íntegra da decisão de Gilmar Mendes.
Resta ainda o julgamento do mérito, algo que nem Deus sabe quando vai ocorrer. Frustraram-se, assim, os planos de Dirceu de recuperar os direitos políticos, para concorrer a um novo mandato de deputado ainda neste ano. O ex-deputado segue desempenhando o único papel que lhe restou: o de alma penada do petismo.
Escrito por Josias de Souza às 22h19
O pefelista Cláudio Lembo, que assumiu há pouco o governo de São Paulo, promete dar “continuidade à obra” tucana de Geraldo Alckmin. Em entrevista ao blog, disse que, na disputa pela indicação do vice de Alckmin, prefere o senador José Jorge (PFL-PE).
Lembo dá como favas contadas a saída do tucano José Serra da prefeitura de São Paulo. Traça planos para estreitar as relações entre o Estado e a prefeitura, que será assumida pelo vice-prefeito Gilberto Kassab, também do PFL. “Vamos ter uma exposição maior”. Em 2010, quer ser candidato ao Senado. Abaixo, a entrevista:
- Já é o novo governador?
Na prática, o governador Alckmin já renunciou. Estão levando nesse momento a carta para a Assembléia Legislativa. Creio que já deve ter chegado lá.
- Quais são os seus planos?
Vou prosseguir a obra do governador. Não será em nove meses que vamos alterar nada. Daremos seqüência a todos os projetos: metrô, Rodoanel, hospitais, presídios. Farei tudo com cuidado e imprimindo traços da minha personalidade.
- O tempo não é curto para imprimir traços pessoais ao governo?
Sempre defendi que político tem que ser pedagogo, fazer a pedagogia do civismo. Estarei realizado se conseguir isso.
- Quais são os seus planos políticos?
Aos 72 anos, continuo no partido que fundei, o PFL. Se um dia for necessário para o partido que eu dispute um cargo majoritário, estou pronto a aceitar.
- Que cargo majoritário?
Eventualmente o Senado. Fui candidato a senador em São Paulo contra o (Franco) Montoro e o Fernando Henrique. Fui vice do Aureliano (Chaves). Sempre entrei em situações difíceis.
- São planos para 2010?
Sim. Está tão longe, mas eu tenho muita esperança de vida.
- Quais são as chances de Alckmin na disputa com Lula?
São dois tipos de personalidade e duas visões de mundo bem diferentes. Acho que o Brasil deseja um administrador racional. Por isso acredito que o Alckmin vai ganhar.
- Para vice, prefere José Agripino Maia ou José Jorge?
Respeito os dois. Mas não nego que tenho maior simpatia e vínculo mais estreito José Jorge. É com ele que tenho mais intimidade e diálogo.
- Sua presença no governo ajuda o PFL de que maneira?
Eventualmente criando uma imagem nova de administração equilibrada e de bom senso, fiel à lei de responsabilidade fiscal e aos princípios morais e éticos.
- O fato de o PFL assumir também a prefeitura de São Paulo, com Gilberto Kassab, ajuda o partido?
Vamos ter uma exposição maior. Salvo nesse último ano, em que houve uma aproximação, o governo e a prefeitura de São Paulo sempre estiveram muito distantes. Minha idéia é fazer uma grande aproximação.
- Iniciará alguma obra nova?
Só os projetos que estão sendo elaborados há muitos anos. O principal deles é a obra do Rodoanel. Se não houver problemas de ordem judicial, começamos a obra em abril. Nada de novo, nada de aventuras. Tocaremos os projetos que estão em curso e que são racionais.
Escrito por Josias de Souza às 19h24
Sérgio Lima/Folha Imagem
Concluída a reforma do Palácio da Alvorada, Lula voltou a residir na residência oficial nesta quinta-feira. A julgar pela imagem captada por Sérgio Lima, não foi um bom dia. O Alvorada encontra-se emoldurado por nuvens turvas. Para desassossego de Lula, a previsão oficial, vaticina que os ares de Brasília continuarão sujeitos a chuvas e trovadas nos próximos dias. A temperatura, com máximas na abafadiça casa dos 27 graus, não deve sofrer “mudanças significativas”.
Escrito por Josias de Souza às 18h18
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Nesta quinta-feira, o primeiro-amigo Paulo Okamotto tentou brincar de gato e rato com a CPI do Fim do Mundo, também conhecida como comissão dos Bingos. O presidente do Sebrae levou a pior.
Conforme relato do repórter Felipe Recondo, a CPI pôs no encalço de Okamotto o escrivão da Polícia Federal José Bráulio Rodrigues. Ele foi à sede do Sebrae para intimar o generoso japonês, que, entre outras despesas, pagou dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT e débito de R$ 26 mil de Lurian, filha do presidente.
Janaína Lopes, secretária de Okamotto, informou a Bráulio que o chefe estava viajando. Disse que Okamotto só retornaria na próxima semana. Resignado, o “gato” deixou cópia da intimação com a secretária. Quando saía do prédio do Sebrae, Bráulio se deu conta de que havia um erro no documento. Voltou para corrigi-lo.
Para surpresa do escrivão, Okamotto saiu, inadvertidamente, de sua toca. Bráulio relatou o flagrante ao presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB). Abespinhado, o senador disse que comunicará a manobra ao ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) e, principalmente, ao STF. "Vamos oficiar ao presidente do Supremo para mostrar qual é a vontade desse cidadão", disse Efraim.
A CPI tenta arrastar Okamotto para uma acareação com o ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau, que acusa o presidente do Sebrae de ser uma espécie de tesoureiro informal do petismo. O STF obstruiu a acareação. Mas a CPI enviará ao tribunal novos argumentos e confia na reversão da decisão.
Numa tentativa de corrigir o incorrigível, o advogado de Okamotto, Luís Justiniano de Arantes, encaminhou à CPI documentos para justificar o entrevero. Ele sustenta que Okamotto teria comprado passagens para viajar para Belo Horizonte em dois horários diferentes: às 17h52 e às 18h35. E, no instante da visita do escrivão, a secretária Janaína imaginou que ele estivesse em pleno vôo. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 17h48
Reproduz-se nos subterrâneos do PFL uma disputa muito semelhante àquela que foi travada no PSDB entre José Serra e Geraldo Alckmin. Está em jogo agora a definição do nome de um candidato a vice-presidente, para compor a chapa oposicionista ao lado de Alckmin. O PFL perde-se numa divergência entre dois de seus principais caciques: Jorge Bornhausen (SC), o presidente da legenda, e Antonio Carlos Magalhães (BA), o morubixaba baiano.
ACM defende que o PFL indique para vice de Alckmin o seu líder no Senado, José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte (na foto à esquerda). Bornhausen manobra em favor de outro nome, o do senador José Jorge, de Pernambuco (na foto à direita). Como presidente do partido, coube a Bornhausen a atribuição de promover uma consulta aos governadores, parlamentares e membros da executiva do PFL. Nos bastidores, o grupo de ACM acusa Bornhausen de estar dirigindo a sondagem, supostamente para prejudicar Agripino.
A suspeita, que era tênue, adensou-se nas últimas horas. O grupo de ACM, que estava com um pé atrás em relação a Bornhausen, recuou os dois pés. A luz vermelha dos partidários da candidatura de Agripino Maia acendeu a partir de um telefonema de Bornhausen para o senador César Borges (PFL-BA), integrante do grupo de ACM.
Bornhausen fez uma série de perguntas a César Borges a respeito de detalhes pendentes dos acertos com o PSDB. Ao final da conversa, perguntou ao correligionário de ACM qual era a preferência dele para a vice. E Borges: “Tenho simpatia pelo Agripino.” Segundo relato que fez a amigos, Borges ficou surpreso com a ração de Bornhausen. “Me dê três nome alternativos”, pediu o presidente do PFL, segundo o relato de Borges.
Sentindo o cheiro de queimado, Agripino Maia adotou como tática o silêncio. Evita falar em público sobre o assunto. Nos bastidores, porém, intensificou os seus movimentos. Na última segunda-feira, esteve com o próprio Geraldo Alckmin. Visitou-o no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Saiu satisfeito da conversa. Mas, prudente, define o encontro como uma mera “visita de cortesia”.
Em conversa com o blog, um integrante do grupo político de Alckmin contou que o nome de Agripino é o preferido do candidato tucano. Porém, ele entende que não deve se meter na disputa interna do PFL. O próprio Agripino teria solicitado a Alckmin que mantivesse distância. Acha que a revelação da preferência tucana o prejudicaria no PFL. Seu nome precisa prevalecer como uma opção pefelista, não no do PSDB.
Privadamente, Agripino trabalha para consolidar o seu nome fora do círculo de influência de ACM. Nos diálogos que mantém com os colegas de partido, Agripino apresenta-se como “independente”. Argumenta que sempre atuou como “algodão entre cristais” apartando as brigas entre ACM e Bornhausen.
Agripino insinua que pretende resistir se da consulta de Bornhausen emergir um nome diferente do dele. Acena com a hipótese de exigir uma consulta formal ao partido. Entre quatro paredes, Bornhausen rechaça a suspeita de que esteja dirigindo a consulta. Diz que, como presidente do PFL, não pode restringir o leque de opções a apenas dois nomes.
Escrito por Josias de Souza às 16h37
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Antonio Palocci começou a brincar de esconde-esconde com a Polícia Federal. Intimado a prestar depoimento, o ex-ministro deveria comparecer à sede da PF nesta sexta-feira. Pois o advogado de Palocci informou ao titular do inquérito, delegado Rodrigo Gomes Carneiro, que seu cliente pode não dar as caras. Foi subitamente acometido por um problema de saúde.
Para a PF, como recorda o repórter Felipe Recondo, o depoimento de Palocci é fundamental para o esclarecimento da operação que resultou na quebra do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso contou à polícia que entregou cópia do extrato da conta-poupança do caseiro nas mãos de Palocci.
O ex-ministro, decerto, traz na ponta da língua todas as explicações necessárias. Roga-se para que suas dificuldades de saúde, ainda desconhecidas, sejam efêmeras. Palocci precisa estar forte, muito forte, fortíssimo, para suportar a tempestade que lhe chove sobre a cabeça, agora desprovida do guarda-chuva do foro especial.
Escrito por Josias de Souza às 14h15
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A deputada Ângela ‘Pé de Valsa’ Guadagnin foi suspensa de suas funções no Conselho de Ética. Acolhendo representação do PPS, que acusa Guadagnin de quebrar o decoro, o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), teve de afastar a colega dançarina até que o caso seja julgado.
O PPS acha que Guadagnin precisa ‘dançar’. Avalia que aquele balé da pizza --ou “comemoração com o corpo inteiro”, na definição da companheira-coreógrafa-- reclama uma resposta. Não se está pedindo, informa Rose Ane Silveira, que a deputada pendure de vez as sapatilhas. Busca-se uma punição compatível com o deslize.
"Neste caso, a deputada Ângela pode receber uma repreensão verbal ou escrita, uma suspensão temporária do Conselho ou até mesmo permanente. Caberá ao relator definir a punição", explicou Ricardo Izar. Os colegas de Guadagnin ainda não se deram conta, mas podem estar tolhendo um talento emergente.
O Conselho de Ética aprovou nesta quinta-feira, por 9 votos a 4, relatório do deputado Nelson Trad (PMDB-MS). Recomenda que o mandato de José Mentor (PT-SP) seja passado na lâmina. O processo segue agora para o plenário. Havendo nova absolvição, o país talvez seja privado das expansões corporais de Guadagnin. Uma pena.
Escrito por Josias de Souza às 13h37

- JB: CPI dos Correios conclui: Empresas bancavam mensalão
- Folha: CPI poupa Lula, diz que mensalão existiu e que caixa dois do PT é farsa
- Estadão: CPI confirma mensalão, acusa 124 e poupa Lula
- Globo: CPI confirma mensalão, indicia 122 e poupa Lula
- Correio: CPI poupa Lula, mas confirma mensalão
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h44
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h32
A repórter Marta Salomon informa (para assinantes da Folha):
“A violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa na Caixa Econômica Federal foi discutida previamente pelo então ministro Antonio Palocci e o então presidente da estatal, indicam detalhes mantidos em sigilo do depoimento de Jorge Mattoso à Polícia Federal.
À PF Mattoso não contou apenas ter entregue os extratos bancários pessoalmente a Palocci na noite da quinta-feira, 16. De acordo com trechos não divulgados do depoimento, o ministro telefonou para Mattoso durante o jantar daquele dia, quando foi informado que os extratos confirmavam movimentações atípicas na conta-poupança do caseiro.
Antes disso, os dois haviam se encontrado à tarde em reunião no Palácio do Planalto (...). Foi ao retornar ao prédio da Caixa, após o encontro com Palocci no Planalto, que Mattoso deu a ordem para acessar a conta do caseiro.
Mattoso evitou atribuir a Palocci o pedido. Em nota oficial, escreveu que "na condição de presidente da Caixa" teve acesso a informações sobre movimentação atípica do caseiro. À PF narrou que a suspeita de movimentação atípica "havia sido levantada" quando ordenou a um assessor a verificação da conta.
Mas os depoimentos dados à PF deixam claro que o assunto não era novidade para o então ministro da Fazenda na noite de quinta-feira, quando Mattoso o encontrou em sua residência e fez a entrega dos extratos de Francenildo.
Antes de receber a encomenda, Palocci ligou para o então presidente da CEF, que jantava num restaurante de Brasília com dois assessores. Ali, pouco antes do telefonema do ministro, o ainda presidente da Caixa recebeu do consultor Ricardo Schumman a cópia dos extratos.
Mattoso informou na conversa telefônica a Palocci que comunicaria ao Coaf (Comitê de Controle de Atividades Financeiras) e ao Banco Central as movimentações bancárias atípicas -depósitos de R$ 25 mil feitos pelo suposto pai biológico do caseiro, como seria revelado depois.
Ao final do jantar, Mattoso dirigiu-se à residência de Palocci. Ele relatou na Polícia Federal ter ficado "no máximo cinco minutos" na casa do então ministro da Fazenda. Disse que achara "relevante" mostrar os extratos ao ministro naquela noite (...).”
Acréscimo do signatário do blog: Intimado ontem, Palocci prestará depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira. Não são negligenciáveis as chances de o ex-ministro deixar a sede da PF em Brasília já na condição de indiciado.
Escrito por Josias de Souza às 02h27
Condenados, Serra e Malan buscam proteção no STF
Tuca Vieira/Folha Imagem
Às vésperas de declarar-se candidato oficial do PSDB ao governo de São Paulo, o prefeito José Serra tornou-se protagonista de uma polêmica judicial. Condenado junto com outras autoridades a restituir aos cofres públicos R$ 200 milhões por conta de supostos prejuízos provocados por uma medida adotada durante o governo FHC, o prefeito é, junto com os ex-ministros Pedro Malan e Pedro Parente, estrela de um processo que tramita no STF. Busca-se anular a condenação.
A causa é antiga. Tramita pelos escaninhos do Judiciário desde 2002. Naquele ano, a 20ª Vara Federal de Brasília considerou procedente uma denúncia do Ministério Público contra Serra, Malan e Parente. Os três foram condenados, junto com outras autoridades, a ressarcir o erário por terem autorizado o pagamento, com recursos públicos, de prejuízos dos correntistas que tinham dinheiro em bancos que sofreram intervenção em 1995. A operação estava vinculada ao Proer, o programa de reestruturação do sistema financeiro.
A sentença é de 11 de abril de 2002. Serra, Malan e Parente foram alcançados porque integravam, na época da decisão considerada lesiva ao Tesouro, o CMN (Conselho Monetário Nacional. O conselho autorizou o governo a financiar o pagamento de até R$ 5.000,00 aos correntistas das instituições que sofreram intervenção em 95 _os bancos Econômico S.A, Mercantil S.A. e Comercial de São Paulo S.A.
O Ministério Público Federal considerou que a medida foi ilegal. Sustentou na ação que havia uma "vedação constitucional para aporte de recursos oriundos de reserva monetária (...) sem prévia autorização” do Senado Federal. Os responsáveis foram enquadrados na lei que pune os crimes de improbidade administrativa.
Aproveitando-se de uma decisão do STF que cancelara uma outra condenação que havia sido imposta ao também ex-ministro de FHC Ronaldo Sardenberg pelo uso de jatinhos da Força Aérea em viagens de turismo, os advogados de Malan foram ao Supremo. Pediram ao tribunal que avocasse o processo, anulando as decisões do juízo de primeira instância.
O recurso foi distribuído por sorteio ao ministro Gilmar Mendes, que ocupara o posto de Advogado-Geral da União na época em que Serra, Malan e Parente eram ministros de FHC. Invocando a liminar que beneficiara Sardenberg, proferida pelo ministro Nelson Jobim, também ele um ex-auxiliar de FHC –ocupara a pasta da Justiça-, Gilmar Mendes pôs por terra a condenação contra os ex-colegas.
A tese de Jobim, aproveitada por Mendes, é a de que a lei de improbidade, invocada para condenar Sardenberg, Serra, Malan e Parente, não pode ser aplicada contra "agentes políticos". Todos eles só poderiam ser julgados por "crime de responsabilidade". O que lhes garantiria o chamado foro privilegiado -presidentes da República, ministros, senadores e deputados federais só poderiam ser processados no STF; governadores, no STJ; deputados estaduais, prefeitos e vereadores, nos Tribunais de Justiça.
A prevalecer esse entendimento, conforme noticiado aqui em janeiro, podem ser anulados mais de 10 mil ações e inquéritos abertos contra gestores públicos pela prática de improbidade administrativa. A polêmica volta à baila agora, para infortúnio do candidato Serra, porque Gilmar Mendes incluiu o processo na pauta de julgamentos do STF. Significa dizer que a liminar concedida por Mendes em favor dos ex-ministros de FHC pode ser submetida aos demais juízes do Supremo a qualquer momento.
(Leia abaixo a posição defendida pelos advogados dos réus no processo).
Escrito por Josias de Souza às 01h05
Em 2002, Serra pediu que caso corresse em segredo
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Logo que foram condenados em primeira instância a ressarcir o erário em R$ 200 milhões, os ex-ministros de FHC contrataram escritórios privados de advocacia para defendê-los. No caso de Serra, que disputava com Lula a presidência da República em 2002, época em que a sentença condenatória foi divulgada, um dos pedidos feitos pelos advogados foi para que o caso tramitasse em segredo de Justiça, para evitar explorações indevidas contra o candidato.
"O importante no processo é que ficou provado que os acusados não tiveram comportamento imoral, tirando proveito próprio do fato. Eles agiram no interesse público", disse na época o advogado Marco Antonio Meneghetti, defensor de José Serra. "O que existe é uma discussão doutrinária: o governo deveria ou não garantir as contas dos poupadores (dos bancos sob intervenção) até determinado valor?".
"O próprio STF já decidiu que o Proer foi constitucional, uma reação necessária diante da ameaça de uma crise sistêmica", afirmou o advogado Arnold Wald, contratado por Pedro Malan. Segundo Wald, os valores financiados aos correntistas teriam sido devolvidos ao Banco Central antes mesmo que ação de improbidade movida pelo Ministério Público começasse a tramitar.
Escrito por Josias de Souza às 00h55
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Terminou em sururu o embate dos ministros Gilberto Gil (Cultura) e Hélio Costa (Comunicações) em torno da definição do padrão tecnológico da TV digital. Durante uma aula inaugural que ministrou na Escola Comunicação da UFRJ, Gil recitou um cordel escrito por uma jornalista de Recife, Luciana Rabelo. Na letra, o colega de Esplanada é brindado com o epíteto de “empresário boçal”. De resto, os versos rimam Hélio Costa com “conversa Bosta”. Diz o cordel, segundo relato da repórter
Patrícia Zimmermann:
´Três modelos são usados
em países estrangeiros.
Falta agora o brasileiro
que já vem sendo estudado,
mas não é incentivado pelo ministro Hélio Costa
que com uma conversa bosta
só que saber da imagem
e do que traz de vantagem
o comércio de resposta.
Hélio já quer escolher
o modelo do Japão.
E nós, a população,
queremos compreender
por que não desenvolver
um modelo brasileiro
e trocar com o estrangeiro
a nossa experiência?
É preciso paciência,
não pode ser tão ligeiro.
Nossa tecnologia
poderá desenvolver
um modelo de TV
que nos dê soberania,
impulsione a economia
pra benefício geral
e a política industrial
tomará um novo impulso,
mas é preciso ter pulso
pro sonho virar real.’
Informado acerca da peripécia de Gil, Hélio costa devolveu-lhe a rima. Lamentou a “deselegância” do colega. “Não é à toa que alguns amigos dele o chamam de Gilberto Vil. Eu entendo agora a razão deles”, disse Costa. Desafiou o ministro “Vil” a reprisar a leitura do cordel “chulo” numa reunião do conselho de ministros que define os critério do modelo de TV digital a ser adotado no Brasil.
”Queria ver se ele consegue falar bosta na frente da ministra Dilma (Rousseff)”, coordenadora do conselho. Taí uma briga da qual Gil, como bom baiano, não deveria fugir. Sugere-se ao ministro que ponha música na letra, imprimindo ao cordel um ritmo de rap. Ao executá-lo, Gil pode estacionar na rima pobre. Como num disco arranhado. O rap do Costa, o 'bosta', vai virar um hit. A companheira Dilma, por durona, pode não gostar. Mas a próxima reunião do conselho vai ser um sucesso.
Escrito por Josias de Souza às 23h29
Shamil Zhumatov/Reuters
Teve início há pouco, às 23h29, a "Missão Centenário", que levará o primeiro astronauta brasileiro ao espaço. O tenente coronel Marcos Pontes (à esquerda na foto), 43, partiu rumo à ISS (sigla em inglês para Estação Espacial Internacional) a bordo da nave russa Soyuz TMA-8. O lançamento foi feito da base de Baikonur, no Cazaquistão.
O brasileiro e outros dois astronautas que participam da missão vão percorrer 350 km da base até a ISS. A Soyuz deve consumir cerca de dois dias para se atracar com a estação espacial. Leia mais detalhes aqui.
Escrito por Josias de Souza às 22h42
Lula Marques/Folha Imagem
Como previsto, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) concluiu no relatório final da CPI dos Correios que o mensalão existiu e nada teve a ver com o propalado caixa dois de campanha. O repórter Felipe Recondo, que acompanha a leitura do texto de Serraglio, ainda em andamento, informa que relator (na foto ao lado de Delcidio Amaral, presidente da comissão) isentou Lula de responsabilidade.
"Não incide aqui, responsabilidade objetiva do Chefe Maior da Nação, simplesmente, por ocupar a cúspide da estrutura do Poder Executivo, o que significaria ser responsabilizado independentemente de ciência ou não”, anotou Serraglio. “Em sede de responsabilidade subjetiva, não parece que havia dificuldade para que pudesse lobrigar (perceber) a anormalidade com que a maioria parlamentar se forjava. Contudo, não se tem qualquer fato que evidencie haver se omitido".
Serraglio escreveu em seu texto que o dinheiro que abasteceu o chamado valerioduto proveio de arcas públicas e privadas. Mencionou fontes já conhecidas, tais como as verbas do Fundo Visanet, gerido pelo Banco do Brasil, e as empresas Brasil Telecom e a Usiminas. Os famosos empréstimos feitos em nome do PT por Marcos Valério (R$ 55 milhões) nos bancos Rural e BMG seriam, nas palavras de Serraglio, "mera formalidade contábil e financeira" para a montagem de "uma farsa", com o objetivo de "mascarar" a origem dos recursos.
Nas quase cinco mil páginas do relatório, incluindo anexos, Serraglio sugere o encaminhamento ao Ministério Público da proposta de indiciamento dos principais personagens investigados pela CPI. A lista anota mais de 150 nomes. Inclui desde Maurício Marinho, aquele funcionário de terceiro escalão dos Correios que foi filmado recebendo propina de R$ 3 mil, até José Dirceu, o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil. Estão ainda na lista de "indiciáveis" Serraglio: Marcos Valério, Delúbio Soares, José Genoíno e Luiz Gushiken.
Serraglio implicou também toda a bancada mensaleira. Excluindo-se Dirceu, já mencionado, são, por ora, 18 os deputados e ex-deputados envolvidos no escândalo do mensalão. Entre eles Roberto Jefferson (PTB-RJ). O relator não poupou senador Eduardo Azeredo (MG), o ex-presidente do PSDB que, em 1998, montou em Minas, um “proto-valerioduto”. Leia aqui uma relação mais ampla dos personagens incriminados no relatório.
O texto alinhavado por Serraglio vai a voto na próxima terça-feira. A bancada governista da CPI, que ameaçava apresentar um “relatório paralelo”, parece ter recuado. Trabalha agora com a idéia de mexer no texto do relator por meio de emendas aditivas e supressivas. Quer, por exemplo, emagrecer o rol de candidatos a indiciamento, excluindo grão-petistas como Dirceu, Gushiken e Genoíno.
Também a oposição quer bulir no texto de Serraglio. Só que para apimentá-lo. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou que o tucanato proporá a responsabilização direta de Lula. No mínimo por ter se “omitido” quando foi informado da existência do mensalão.
Escrito por Josias de Souza às 18h46
O deputado Eunício Oliveira, um dos contribuintes cujos dados foram bisbilhotados nos computadores da Receita (leia notícia aqui), se disse “indignado”. “Não tenho preocupação com o meu Imposto de Renda, que entreguei ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Ceará. O que me preocupa é a violação da Constituição e dos direitos do cidadão.”
O ex-secretário da Receita Everardo Maciel suspeita que suas informações fiscais e as de seus familiares (mãe, filha e ex-mulher) tenham sido objeto de interesse por causa de “vingança pessoal”. Ele disse que, durante sua gestão à frente do fisco, um dos funcionários que agora se encontram sob investigação “foi denunciado pela prática de atividades ilegais na Receita”.
O processo, afirmou Everardo, “foi obstruído na primeira instância do Judiciário e se encontra agora, em fase de recurso, pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal” de Brasília. “Eu me senti atingido pessoalmente como cidadão e como homem público”, disse o ex-secretário da Receita. “Espero que essas pessoas sejam punidas administrativamente, além de responsabilizadas civil e penalmente.”
O presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), José Nilton Pandelot, divulgou uma nota a respeito da notícia. Ele se declarou “estarrecido”. Lembra no seu texto que o direito à preservação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico é assegurado pela Constituição e pela legislação ordinária do país. E afirma:
“A notícia de que a situação fiscal de cerca de seis mil contribuintes foi devassada por servidores da Receita Federal vem se somar a outras de idêntica gravidade, expondo não apenas a ineficiência do Estado brasileiro na conservação do direito ao sigilo de tais dados como, principalmente, a ineficácia dos procedimentos repressivos até aqui adotados, o que termina por estimular práticas desse jaez”.
Escrito por Josias de Souza às 17h36
A Receita Federal divulgou nesta quarta-feira nota oficial a respeito de notícia veiculada aqui. O fisco confirma na nota que a Corregedoria da Receita investiga a suspeita de “acessos indevidos” à sua base de dados, para coleta irregular de informações protegidas por sigilo fiscal.
“Existem, hoje, análises em curso na Corregedoria-Geral sobre acessos realizados por dois servidores, iniciados há mais de 30 dias”, diz a nota. Conforme noticiado pelo blog, são três os funcionários que se encontram sob investigação, embora só a senha de dois deles tenha sido detectada nas consultas supostamente irregulares feitas ao sistema.
A nota da Receita informa que a apuração “tramita em sigilo”. Com uma frase de duplo sentido, o texto esquiva-se de confirmar o número de contribuintes que tiveram os seus dados consultados indevidamente. Somam 6.000, segundo apurou o blog junto a pessoas envolvidas na investigação.
“As informações divulgadas”, diz a nota, “não correspondem, necessariamente, aos trabalhos em andamento.” E por quê? A nota explica a seguir: “Apenas ao final das investigações é que se poderá identificar a quantidade de eventuais acessos indevidos”.
O texto da Receita faz uma distinção entre “acesso imotivado” aos dados fiscais e “violação do sigilo”. Conforme explicado na notícia do blog, embora os dois procedimentos sejam passíveis de punição, a violação só é caracterizada quando ocorre o vazamento dos dados.
Ratificando o que fora noticiado pelo blog, a nota da Receita reconhece que podem ter sido violadas as informações fiscais em pelo menos três casos. O texto informa que um dos processos abertos pela Corregedoria apura “possível acesso imotivado e suposta violação de sigilo fiscal de três contribuintes”. Os nomes que a nota se esquiva de mencionar são os do empresário Marcos Valério e os de suas duas agências de publicidade: SMP&B e DNA.
Escrito por Josias de Souza às 17h25
Bestgraph
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-AL), adiou em uma semana o julgamento em plenário do deputado mensaleiro João Paulo “R$ 50 mil” Cunha. A coisa ficou para quarta-feira da semana que vem.
Aldo informa que o adiamento foi necessário porque João Paulo não quis abrir mão do seu direito regimental de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara contra o relatório do Conselho de Ética que recomendou ao plenário que passe na lâmina o mandato do petista.
Termina nesta quarta-feira o prazo para o recurso de João Paulo. Assim, por mais sete dias, João Paulo vai continuar desfilando pelo Congresso como uma fatia da pizza esperando para ser encaixada na grande travessa nacional.
Escrito por Josias de Souza às 13h38

- JB: A implosão da mentira
- Folha: Mantega descarta mais abertura; Meirelles fica
- Estadão: Meirelles fica porque só Lula vai mandar nele
- Globo: Lula fortalece Meirelles para evitar atritos com Mantega
- Correio: Polícia Federal vai investigar Palocci
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h01
O tucano Aécio Neves formalizou nesta terça-feira sua candidatura à reeleição para o governo de Minas. A julgar pelas pesquisas de opinião, o neto de Tancredo Neves manterá a partir de 2007 os pés no Palácio da Liberdade. Aécio, porém, entra na campanha de olho num outro palácio. Um palácio que o destino e os germes oportunistas arrancaram da biografia de seu avô, o do Planalto.
Segundo informa Paulo Peixoto, Aécio declarou que, se reeleito, dará início a um projeto nacional, com o objetivo de levar maior "equilíbrio à federação", quebrando a hegemonia de São Paulo. Em 2010, será candidato à presidência da República. Os anseios de Aécio representam algo que Drummond, mineiros ilustre, chamaria de “pedra no caminho” de José Serra.
Preterido por Geraldo Alckmin, Serra também está de olho no Planalto. Na bica de abandonar a prefeitura paulistana para disputar o governo de São Paulo, Serra imaginava-se o primeiro da fila do PSDB para a cruzada presidencial de 2010. Aécio, como se vê, prepara-se para desempenhar o papel de Alckmin amanhã.
Escrito por Josias de Souza às 01h10
O governador Geraldo “Lavagem Ética” Alckmin conseguiu barrar mais uma CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em articulação capitaneada pelo PT, a oposição tentou inaugurar uma investigação para apurar irregularidades praticadas na Nossa Caixa, instituição financeira do governo paulista. O tucanato, porém, logrou evitar a manobra, informa Epaminondas Neto.
Deve-se ao repórter Frederico Vasconcelos a revelação dos fatos que açularam os adversários de Alckmin. Ele noticiou no último domingo que verbas de publicidade da Nossa Caixa foram repassadas a jornais, revistas e programas de rádio mantidos ou indicados pelos deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), "Bispo Gê" (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).
Alckmin diz que houve um erro formal na contratação das agências de publicidade responsáveis pela repartição das verbas. Mas que um funcionário já foi demitido por justa causa. Na opinião do candidato do PSDB à presidência da República, não haveria mais o que apurar. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 00h51
O caso da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi a gota d’água. O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), relator da CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida como comissão dos Bingos, decidiu pedir em seu relatório final o indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso. Serão acusados, informa Alan Gripp, de violação do sigilo funcional e falso testemunho.
Nesta quarta-feira, a CPI vai votar um requerimento de convocação de Jorge Mattoso. Porém, a proposta de indiciamento de Mattoso, a ser encaminhada ao Ministério Público, independe do que ele venha a declarar à CPI caso sua inquirição seja aprovada. Os integrantes da comissão consideram que o depoimento do ex-presidente da Caixa à PF, no qual reconheceu ter determinado a violação da conta do caseiro, já constitui evidência suficiente para encrencá-lo.
Escrito por Josias de Souza às 00h32
Auditores do fisco violam sigilo de seis mil pessoas
O caseiro Francenildo dos Santos Costa está longe de ser a única vítima de violação criminosa de dados sigilosos sob proteção do Estado. A Corregedoria da Receita Federal investiga um caso envolvendo a suspeita de acesso irregular aos dados fiscais de cerca de 6.000 pessoas físicas e jurídicas. A lista de vítimas inclui juízes, desembargadores, jornalistas, empresários e autoridades do governo.
A investigação foi aberta há pouco mais de um mês. Os primeiros resultados revelam que a lista de contribuintes que tiveram os seus sigilos bisbilhotados inclui o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); e duas empresas de Marcos Valério de Souza, as agências de publicidade SMP&B e a DNA.
A relação inclui também pelo menos onze juízes da Justiça Federal de Brasília e o procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional Tadeu Alencar. Anota ainda os nomes do ex-secretário da Receita Everardo Maciel, de sua empresa (Logus Consultoria) e de pessoas de sua família (mãe, filha e ex-mulher).
Há quatro processos disciplinares abertos na Corregedoria da Receita. Figuram como investigados três funcionários da Receita: Washington Afonso Rodrigues, Marco Antonio Macedo Pessoa, Cid Carlos Costa de Freitas. São os mesmos que, conforme noticiado aqui, foram destituídos no final de fevereiro da comissão de sindicância que apurava, desde 2003, supostas irregularidades praticadas na cúpula do Receita.
Washington, Marco Antonio e Cid, como os investigados são conhecidos, estavam lotados na Corregedoria da Receita Federal. Trata-se de uma repartição que não tem poderes para conduzir ações fiscais. Realiza apenas correições funcionais, para apurar delitos praticados por funcionários da própria Receita. Mesmo nos casos que envolvem investigações de servidores do fisco, o acesso aos dados fiscais precisa ser justificado.
Quanto aos contribuintes que nada têm a ver com a estrutura funcional da Receita, os agentes da Corregedoria não tinham poderes para pescar-lhes os dados fiscais no sistema da Receita. A bisbilhotice é expressamente desautorizada por lei. Deparando-se com alguma irregularidade praticada por um desses contribuintes, os auditores poderiam, no máximo, comunicar à Receita, a quem caberia investigar.
De acordo com os primeiros resultados da investigação, verificou-se que, em pelo menos três casos, além da coleta irregular de informações no sistema do fisco, houve vazamento dos dados para a imprensa. Envolvem o empresário Marcos Valério e suas duas agências de publicidade. Valério representou contra os vazamentos junto à Corregedoria. Suspeita-se que o mesmo possa ter ocorrido em relação aos dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central.
Chegou-se aos autores dos acessos suspeitos por meio das senhas que dão acesso aos computadores da Receita. Os números de identificação de dois deles ficaram gravados no sistema. Os funcionários investigados ainda não foram ouvidos nos processos disciplinares. Alegando problemas de saúde, pediram licença médica. Sabe-se que um deles, Marco Antônio, sofreu infarto. Quanto aos outros dois, Washington e Cid, suas dificuldades médicas são, por ora, desconhecidas.
O blog tentou ouvir os três auditores. Mas não os encontrou. A pena para o “acesso imotivado” aos computadores da Receita é a demissão por justa causa, “a bem do serviço público”. Para os casos em que ficar comprovado o vazamento dos dados, os responsáveis estão sujeitos a processos civis e criminais que podem levar à pena de prisão de um a quatro anos.
A Corregedoria da Receita será obrigada a informar aos 6.000 contribuintes bisbilhotados que os seus dados foram consultados indevidamente. A União estará sujeita a eventuais ações de reparação por danos morais. Espera-se concluir as investigações em 120 dias.
Escrito por Josias de Souza às 23h52
Bestgraph
Na bica de amargar uma derrota no Conselho de Ética da Câmara, o deputado mensaleiro Josias “R$ 100 mil” Gomes (PT-BA) recebeu uma providencial ajuda da companheira Neyde Aparecida (PT-GO). Suplente da deputada Ângela “Samba no Pé” Guadagnin, que se ausentou da sessão no instante em que a votação do pedido de cassação iria ocorrer, Neyde pediu vista do processo, adiando a decisão para a próxima terça-feira.
Quando o pedido de vista redentor foi formulado, o relator do caso, deputado Mendes Thame (PSDB-SP), já havia lido o seu relatório. Recomendou que o mandato de Josias Gomes seja passado na lâmina. Deu de ombros para a defesa do parlamentar, que alegou ter usado os caraminguás sacados das contas de Marcos “Mala” Valério para liquidar dívidas da campanha eleitora de 2002.
Guadagnin participou da primeira fase da reunião do Conselho. Fez questão de discursar. Tentou explicar a dança da impunidade. Disse que está sofrendo um "massacre". Considera-se vítima de preconceito da mídia por ser "gorda" e por "pintar os cabelos". Tentou negar o que foi filmado e fotografado: "Eu não estava cantando nem dançando", disse ela. Na sua própria definição, a deputada estava apenas se manifestando "com o corpo todo."
Escrito por Josias de Souza às 17h05
Eraldo Peres/AP
Ao dar posse a Guido Mantega e despedir-se de Antonio Palocci, em solenidade que acaba de ocorrer no Planalto, Lula foi afetuoso com o ministro demitido. Chamou-o de “companheiro” durante todo o discurso. Ao final disse que companheiro pode ser mais do que um irmão. Mas não deixou de acentuar que o amigo tem coisas a explicar:
“Meu querido companheiro Palocci, a vida nossa é marcada por momentos extraordinários, do acúmulo de prazer e alegria. E a vida nossa é marcada por dissabores, por acusações, às vezes por leviandades. E às vezes acusações que nós temos que, humildemente, provar que não são verdadeiras. Mas creio que tudo significa mais uma lição, mais um aprendizado, que você encaixou na sua consciência. Você sabe melhor do que ninguém os passos que dará daqui pra a frente.”
Primeiro a discursar na solenidade, Palocci repisou a tecla de que é inocente no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Bem como de todas as outras suspeitas que lhe pesam sobre os ombros: "Jamais patrocinei nesses três anos de governo malfeitorias com os bens públicos e jamais atentei contra a Constituição ou a democracia brasileira." Mais cedo, em entrevista, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) dissera que Palocci será agora investigado pela Polícia Federal.
Em seu discurso, Lula ironizou um comentário feito pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), em discurso pronunciado na tribuna do Senado nas horas que se seguiram à queda de Palocci. “Me surpreendi com um senador que disse que ‘o Palocci é o maior ministro da Fazenda da história do Brasil’. É o caso de dizer: nem tanto. Mas, de qualquer forma, para quem é achincalhado num dia, no outro receber um elogio dessa envergadura...”
O presidente ainda afirmou, dirigindo-se diretamente ao demitido: “Possivelmente você não foi o melhor ministro da Fazenda do Brasil. Não sei quem o foi. Normalmente, quando as pessoas morrem costumam ficar melhores. Mas vou ter dizer uma coisa de presidente, de brasileiro de cidadão: penso que você, mais do que milhões e milhões de pessoas, tem motivos para se orgulhar.”
Na seqüência, Lula listou uma série de “feitos” de seu governo –da "recuperação da credibilidade internacional" à implantação do programa Bolsa Família. Empilhou em sua lista programas de pastas que, exceto pela dependência orçamentária, pouco têm a ver com o Ministério da Fazenda. E arrematou: “Você não era o ministro de tudo, mas todos nós, os mais críticos, os menos críticos, todos sabemos que um pouco disso nós e o Brasil devemos a você, pela serenidade com que conduziu o seu período no ministério (...).”
Em sua última intervenção, Lula disse a Palocci que o considera mais do que um simples companheiro. O presidente disse que tem o ex-auxiliar como a um "irmão". O comentário emocionou Palocci. Ao despedir-se do ex-chefe, o ministro demitido sapecou-lhe um "selinho" na bochecha, em flagrante captado pelo repórter Lula Marques (veja abaixo).
Lula Marques/Folha Imagem
Escrito por Josias de Souza às 16h02

- JB: Sai Palocci, entra Guido Mantega - A implosão da mentira
- Folha: Palocci cai; Mantega assume
- Estadão: Escândalo derruba Palocci
- Globo: Palocci é incriminado por presidente da Casa e cai
- Correio: Acabou
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h48
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h34
Bestgraph
Numa frenética troca de telefonemas entre os seus principais líderes, PSDB e PFL decidiram nesta segunda-feira manter o governo sob fogo cerrado até outubro, quando o país irá às urnas para decidir quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2007. Com a saída de Antonio Palocci, último anteparo de Lula, a oposição decidiu golpear de modo mais incisivo o próprio presidente da República.
PSDB e PFL tentam corrigir agora o que consideram ter sido o seu principal “erro” no ano passado. Depois da explosão do escândalo do mensalão, tucanos e pefelistas optaram por poupar Lula, centrando os seus ataques no PT e no ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Querem agora aproveitar o “escândalo Francenildo” para tirar o atraso. Reforçarão o discurso de que Lula é, em última análise, o responsável por todas as mazelas do governo.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atuara como bombeiro no ano passado, agora exerce o papel de incendiário. Tornou-se um entusiasta da escalada rumo ao presidente da República. No PFL, os senadores Jorge Bornhausen (SC) e Antonio Carlos Magalhães (BA) desempenham papel análogo. Une-os a perspectiva de que os ataques a Lula tonificarão os índices de Geraldo Alckmin, candidato tucano à presidência, nas pesquisas.
Farejando o cheiro de queimado, o PT prepara a reação. Em diálogos reservados, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), ameaçou trazer para o plano federal o que chama de “mensalão do Geraldo Alckmin”. Refere-se ao caso noticiado pela Folha no domingo, envolvendo a Nossa Caixa, instituição financeira vinculada ao governo de São Paulo, e parlamentares da base de sustentação de Alckmin na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Nesta segunda-feira, para tentar reduzir o impacto da denúncia, Alckmin aceitou pedido de demissão do jornalista Roger Ferreira, seu assessor de comunicação, pivô do novo caso. A cúpula do PSDB considerou equivocadas as primeiras manifestações do governador paulista sobre o episódio. Alckmin dissera no domingo que o episódio não seria investigado.
Também nesta segunda-feira, depois de um encontro com Tasso Jereissati, presidente do PSDB, Alckmin tentou emendar-se. Disse que, na verdade, o caso já foi investigado. Alckmin comete grave equívoco ao considerar como coisa do passado o episódio que compromete o seu discurso da “lavagem ética”.
A repórter Lilian Christofoletti informa na Folha (para assinantes) que o deputado estadual Afanasio Jazadji, vice-líder do PFL, afirmou ter recebido do próprio governador de São Paulo proposta de repasse de recursos publicitários da Nossa Caixa, para que deixasse de criticar o governo estadual.
"Ele nem esteve comigo”, reaagiu, irritado, o governador. “E Afanasio Jazadji é da oposição, faz oposição 24 horas por dia. Estranho, né? O governo está beneficiando a oposição?"
Seja como for, a movimentação de oposicionistas e petistas constitui o mais eloqüente prenúncio de que a campanha de 2006 será a mais suja dos últimos tempos.
Escrito por Josias de Souza às 02h08
Com a bruxa à solta na área econômica, o governo montou uma operação de emergência na noite desta segunda-feira para evitar a revoada coletiva de toda a equipe de assessores de Antonio Palocci. Lula telefonou pessoalmente para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Pediu-lhe que permanecesse no cargo.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), discou para o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Ele está de malas prontas desde o final do ano passado. Vai ocupar a vice-presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O senador pediu-lhe que retardasse a saída. Levy não deve atendê-lo.
Mercadante telefonou também para Palocci. Rogou ao ministro demitido que encarecesse aos assessores para permanecer em seus cargos, ao menos até que a poeira assente. Além de Levy, havia o receio de que o secretário de Política Econômica, Bernardo Appy, pedisse demissão.
O governo não exclui a hipótese de promover ajustes no segundo escalão da Fazenda. Apenas tenta evitar a debandada em massa, que poderia provocar sobressaltos no mercado. O risco da saída massiva passou a ser considerado depois que o secretário-geral do ministério, Murilo Portugal, pediu demissão em caráter irrevogável.
Cotado para assumir o lugar de Palocci durante a crise, Portugal vinha sofrendo pressões familiares para trocar o governo pela iniciativa privada. Prometera em casa que, com ou sem a reeleição de Lula, não permaneceria na Esplanada um dia sequer além de 31 de dezembro de 2006. Enxergou na saída de Palocci uma oportunidade para antecipar os seus planos. Oscila entre mudar-se para o Rio ou para São Paulo.
Escrito por Josias de Souza às 01h31
Lula Marques/Folha Imagem
As primeiras palavras pronunciadas em público por Guido Mantega depois de ser nomeado para o Ministério da Fazenda foram endereçadas ao mercado. Ele disse em entrevista coletiva que a política econômica não pertence a nenhum ministro, mas ao presidente Lula. Por isso, não será alterada.
— Antes que vocês me perguntem, quero me antecipar e dizer que a política econômica não mudará. A política econômica que nós estamos praticando não é do ministro Palocci, da ministra Dilma ou do ministro Paulo Bernardo. É a política econômica do presidente Lula. Ele é seu fiador — disse o novo ministro.
Mantega previu que a economia brasileira crescerá em 2006 entre 4% e 4,5% do PIB. Crítico notório da política monetária que vinha sendo conduzida por Antonio Palocci, o novo ministro foi comedido ao discorrer sobre juros:
— Não fui para o Banco Central, fui para a Fazenda. Mas minha orientação é de que o Brasil já conseguiu controlar a inflação e isso permite uma redução sistemática da taxa de juros. Evidentemente que isso é competência do Copom, mas, agora, como membro do Conselho Monetário Nacional, vou interagir com o Copom. Faremos esforço para que crescimento se torne desenvolvimento sustentável.
Quanto à meta de superávit fiscal, disse que será mantida em 4,25% do PIB. Elogiou a equipe montada por Palocci, mas não excluiu a hipótese de promover substituições:
— Em princípio, eu considero a equipe muito eficiente, mas não descarto mudanças — disse Mantega.
Escrito por Josias de Souza às 00h57
Folha Imagem
O Ministério Público Federal deve mover uma ação judicial contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. A hipótese começou a ser analisada nesta segunda-feira. Pretende-se responsabilizar civil e criminalmente Palocci pela quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa, um delito que sujeita o autor à pena de um a quatro anos de prisão.
O blog apurou que os procuradores da República destacados para acompanhar o caso da violação da conta do caseiro consideraram que o depoimento prestado por Jorge Mattoso à Polícia Federal tornou praticamente inevitável a abertura do processo contra Palocci.
Revelando-se uma espécie de anti-Delúbio, o petista Mattoso, também afastado nesta segunda-feira da presidência da Caixa Econômica Federal, entregou Palocci à polícia. Contou que entregou nas mãos do próprio ministro um envelope contendo o extrato da conta-poupança de Francenildo. O mesmo extrato que foi vazado depois para a revista “Época”. A exemplo de Palocci, Mattoso também deve figurar como réu na ação a ser movida pelo Ministério Público.
A Procuradoria da República considera essencial que Palocci seja intimado a depor no inquérito conduzido pela Polícia Federal. Sem as regalias concedidas a ministros de Estados, que têm a prerrogativa de escolher hora e local de sua conveniência para depor, Palocci terá de comparecer à sede da PF se vier a ser intimado. Corre o risco de deixar o prédio na condição de indiciado, exatamente como aconteceu com Mattoso.
Embora o inquérito policial tenha avançado na apuração do encadeamento de fatos que levaram à violação do sigilo de Francenildo no âmbito da Caixa Econômica, há ainda pontos nebulosos pendentes de esclarecimento. O principal mistério remanescente é a origem da ordem que levou Mattoso a determinar a bisbilhotice da conta do caseiro.
Mattoso disse à PF ter recebido a informação de que havia uma movimentação atípica na conta de Francenildo. Por isso pediu a emissão do extrato. De posse do documento, segundo a sua versão, telefonou para Palocci, que o teria convidado a ir até sua casa. Ali, contou Mattoso, o extrato foi repassado ao ministro.
Suspeita-se que Mattoso tenha omitido uma ordem que teria recebido do próprio Palocci ou de um assessor dele. Em carta que enviou a Lula, Palocci reiterou o que vinha dizendo desde a semana passada. Disse que não teve participação nem na quebra do sigilo nem na divulgação do extrato.
O principal suspeito de entregar o extrato à revista Época é o assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto, que se demitiu nesta segunda-feira. O Ministério Público e a Polícia Federal consideram inverossímil a versão de que a Caixa Econômica tenha agido por conta própria.
Além da nova ação judicial que está prestes a arrostar, Palocci, agora despido do foro privilegiado de ministros de Estado –o STF- fica sujeito aos rigores da Justiça comum em outros processos que enfrenta em São Paulo. O maior receio do agora ex-ministro é o de que os seus investigadores requeiram a sua prisão.
Escrito por Josias de Souza às 00h18
Luiz Carlos Murauskas/F.Imagem
Chama-se Márcio Thomaz Bastos o principal artífice do afastamento de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Nos instantes em que Lula hesitou, coube ao ministro da Justiça aconselhá-lo. Ele disse ao presidente que o sacrifício do amigo Palocci era necessário para salvar o que restava de imagem pública do governo.
Em todas as reuniões privadas de que participou, Thomaz Bastos vinha sustentando desde a semana passada que era indispensável descaracterizar a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa como um ato de governo. E o único modo de fazê-lo seria identificar os responsáveis, punindo-os sem vacilações.
Até quinta-feira da semana passada, Lula apegava-se à palavra de Palocci, que lhe assegurava estar limpo no episódio da quebra ilegal de sigilo do caseiro. Thomaz Bastos ouvia as palavras do colega da Fazenda com um pé atrás. Todos os indícios levantados pela PF indicavam que o crime não fora obra de pessoas subalternas.
À medida que a apuração foi avançando, Palocci foi ajustando a sua versão. A partir da tarde de quinta-feira, passou a admitir que o seu assessor de imprensa, o jornalista Marcelo Netto, estava por trás da divulgação dos extratos do caseiro. Disse, porém, que o auxiliar agira por conta própria, sem a sua anuência.
Durante todo o final de semana, Thomaz Bastos manteve-se em contato telefônico com Lula. Repassou ao presidente as informações que recebeu da PF. Dados que reforçavam a violação de sigilo como um crime ordenado pela cúpula. Já na tarde de sábado, o ministro da Justiça disse a Lula que, além de Palocci, também o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, não poderia deixar de ser demitido.
Nesta segunda-feira, coube a Thomaz Bastos informar a Lula acerca do teor do depoimento de Mattoso à PF. O presidente da Caixa declarou que entregou pessoalmente a Palocci, na casa dele, cópia do extrato bancário de Francenildo.
As revelações de Mattoso apenas cristalizaram uma decisão que estava tomada. Àquela altura, Palocci já estava fora do governo. Depois de ter hesitado no domingo, Lula telefonou na manhã de segunda-feira para Guido Mantega, presidente do BNDES. Pediu-lhe que voasse às pressas para Brasília. Seria oficializado como novo ministro.
A despeito as evidências, Palocci voltou a sustentar, na carta enviada a Lula nesta segunda-feira, que não ordenou nem a quebra de sigilo do caseiro nem a divulgação do extrato da conta-poupança de Francenildo na Caixa Econômica. Não há mais no Planalto quem dê crédito à versão do ministro afastado. A PF considera ter desvendado toda a cadeia de comando que levou à violação do sigilo de Francenildo na Caixa Econômica. Espera agora reunir provas que reforcem os fortes indícios que pesam contra Palocci e seu ex-assessor Marcelo Netto.
Escrito por Josias de Souza às 20h14
Sérgio Lima/Folha Imagem
Enquanto Lula está às voltas com uma crise que custou a cabeça de Antonio Palocci, o ministro mais importante do governo, Geraldo Alckmin acaba de ganhar um vistoso palanque no Distrito Federal. O governador de Brasília, Joaquim Roriz, estrela do PMDB, disse ao blog que decidiu apoiar o candidato do PSDB à presidência da República. É a primeira liderança de peso do PMDB a formalizar apoio a Alckmin.
A decisão de Roriz abre um dique na pré-candidatura peemedebista de Anthony Garotinho. Joga água também na fervura da articulação do grupo governista do PMDB que, sob a liderança dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), tenta arrastar o partido para o lado de Lula.
Afora o efeito político que irá provocar, o gesto de Roriz deve render dividendos eleitorais para Alckmin. Personagem controverso no meio político, o governador é dono de índices de popularidade incontroversos. De acordo com o instituto brasiliense Soma, os índices de aprovação de seu governo roçam a casa dos 80%. Para o Ibope, beiram os 70%.
A exemplo de Alckmin, Roriz deixa o governo nesta semana. Entrega a administração de Brasília à vice governadora tucana Maria de Lourdes Abadia. Embora ainda não admita, Roriz vai disputar uma cadeira no Senado. Entra na disputa como favorito. Seu apoio é disputado por nada menos que quatro candidatos ao Palácio do Buriti, a sede do governo brasiliense: o senador Paulo Otavio e o deputado José Roberto Arruda, do PFL; além do deputado Tadeu Filipelli e do ex-ministro do STF Mauricio Corrêa, do PMDB.
Abaixo, a entrevista que Roriz acaba de conceder ao blog:
- Por que o sr. decidiu apoiar Geraldo Alckmin?
Venho defendendo há muito tempo que o PMDB não deveria ter candidato à presidência da República. Com a manutenção da verticalização ficou ainda mais claro que o PMDB deve buscar um entendimento com o PSDB e o PFL, para apoiar o Alckmin. Os três partidos juntos ganham a eleição no primeiro turno. Não tenho dúvida disso.
- Mas por que Alckmin?
É o mais preparado. Foi vereador, foi bom prefeito (em Pindamonhangaba), foi deputado federal, foi vice-governador do (Mário) Covas e agora governa São Paulo, o maior Estado da federação, o mais rico e também o mais problemático. Governou com extrema competência, o que o credencia a ocupar a presidência da República. Minha posição é irreversível. Nós seremos vitoriosos.
- O sr. já comunicou sua decisão ao governador paulista?
Tenho falado com ele freqüentemente. Mas meu apoio é dado sem nenhuma negociação. Faço isso porque entendo que é o melhor para o meu país. Não farei nada escondido. Vou dizer para o PMDB e para todo mundo. Vou percorrer esse país defendendo o Alckmin.
- Uma ala do PMDB defende o apoio a Lula. O sr. discorda?
Respeito o ponto de vista de cada companheiro. Mas eu jamais entrarei nessa corrente. Sou contra isso. Vou para as ruas pelo Alckmin.
- O apoio do PMDB ao Alckmin deve ser formalizado?
É isso o que eu defendo. Estou convencido de que a maioria dos peemedebistas do Brasil querem isso. Não agüentamos mais esse estado de coisas que o país está vivendo. Alckmin está preparado para fazer uma administração com honradez e com ética, que é o que o país está precisando.
Escrito por Josias de Souza às 18h09
AFP
A última mentira de Antonio Palocci, agora ex-ministro da Fazenda, foi contada ao presidente da República. Palocci havia assegurado a Lula que nada teve a ver com a quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Em depoimento à Polícia Federal, encerrado há pouco, o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse que entregou “pessoalmente” o extrato do caseiro nas mãos do ministro.
Informado a respeito do resultado da inquirição de Mattoso, conduzida pelo delegado Rodrigo Carneiro, o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) repassou o teor de suas declarações a Lula. E o presidente, que já pendia para o afastamento de Palocci desde a última quinta-feira, viu-se compelido a afastá-lo. Ratificou também uma decisão tomada na última sexta-feira: a demissão de Jorge Mattoso. Está fora do governo também o assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto, que repassou o extrato do caseiro à revista Época.
Informado sobre o caráter irreversível da decisão do presidente, Palocci passou a encenar a pantomima do pedido de afastamento. Divulgou nota oficial dizendo que pedira o seu desligamento do governo. Foi, na verdade, demitido um dia depois de ter solicitado ao presidente que o poupasse.
Em telefonema ao senador Tião Viana (PT-AC), Palocci deu seqüência ao jogo de cena. Pediu ao companheiro de partido que informasse, dos microfones do Senado, o teor da sua “decisão”. Seguindo o script, o senador Viana, o mesmo que pedira ao STF aquela liminar que calou o caseiro Francenildo na CPI dos Bingos, deu curso à encenação.
Viana desinformou os seus pares. Disse-lhes que Palocci decidira deixar o cargo para evitar que problemas políticos contaminassem a estabilidade da economia. “O ministro agradece a confiança e o respeito que teve do Congresso em todos os momentos”.
As declarações de Viana desconsideraram o fato de que Palocci caiu em meio à desconfiança e à falta de respeito do Legislativo, de cujas tribunas pronunciaram-se nos últimos dias os mais duros discursos contra um ministro da Fazenda de que se tem notícia.
Escrito por Josias de Souza às 17h45
Ueslei Marcelino/Folha Imagem
Antonio Palocci no quintal da residência oficial, em Brasília
O Ministério da Fazenda acaba de divulgar uma nota oficial em que informa que Antonio Palocci pediu o afastamento do cargo que ocupava havia 39 meses. O petista Guido Mantega, presidente do BNDES, passará a ocupar a pasta da Fazenda.
A nota divulgada pela Fazenda ocupa duas linhas e meia. Diz o seguinte: “O ministro Antonio Palocci decidiu solicitar ao presidente da República seu afastamento do cargo. O ministro está encaminhando ao presidente Lula carta explicando suas razões.”
Na prática, Palocci foi demitido. Ele não queria deixar o cargo. Em conversa com Lula, no domingo, negou que tivesse envolvimento na violação do sigilo de Francenildo dos Santos Costa, o caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. Tentou demonstrar que ainda reunia condições de permanecer no governo.
Porém, em reunião com os ministros que compõem o núcleo decisório do governo, Lula concluiu nesta segunda-feira que a manutenção de Palocci, até aqui seu braço direito no governo, comprometeria irremediavelmente a imagem do seu governo, com reflexos no seu projeto de reeleição. Palocci foi, então, instado a pedir o boné.
A escolha de Guido Mantega é uma opção pessoal de Lula. O presidente do BNDES desfruta da intimidade do presidente. Ao escolhê-lo, Lula informa ao mercado que Palocci sai, mas a política econômica permanece inalterada.
Escrito por Josias de Souza às 16h28
Laerte
Escrito por Josias de Souza às 15h40
Adriano Machado/FI.
A Polícia Federal já refez toda a trilha percorrida pelo extrato de Francenildo dos Santos Costa no interior da Caixa Econômica Federal. O último estágio do documento foi o gabinete de Jorge Mattoso, presidente da Caixa. Em depoimento à PF, um funcionário do banco oficial, cujo nome é mantido em sigilo, disse que entregou pessoalmente o extrato do caseiro ao petista Mattoso, informa Felipe Recondo.
A PF tenta agora seguir as pegadas deixadas pelo extrato ilegal no piso de mármore de um outro prédio, o Ministério da Fazenda. Mattoso presta depoimento nesse momento na sede da PF. Espera-se que explique como os dados bancários de Francenildo foram parar nas mãos do assessor de imprensa de Palocci, o jornalista Marcelo Netto.
Escrito por Josias de Souza às 15h33
Lula Marques/F.Imagem

De volta de uma viagem ao exterior, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), reassume a negociação da aliança do tucanato com o PFL. Nesta segunda-feira, Tasso sinalizou que José Serra deve mesmo ser candidato ao governo de São Paulo. Disse que “as resistências” do prefeito “estão minando”. Em verdade, informam amigos e auxiliares de Serra, as “resistências” minaram há dias. Gostosamente.
Tasso esteve pela manhã com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República. O senador aproveitou o contato com jornalistas para tirar uma casquinha do governo, em meio aos desdobramentos do “caseirogate”. O senador defendeu a demissão do ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do presidente da Caixa Econômica Federal. Fez pior: escalou em direção a Lula.
“Falta de escrúpulo para o presidente Lula se manter no poder”, disse Tasso. "Não se pode mais preservar o presidente. De tudo se preserva o presidente. Ele precisa ser responsabilizado. Ele precisa pelo menos dizer: ‘eu errei e quero consertar isso’”, afirmou.
Escrito por Josias de Souza às 13h08
Nesta fase em que seus colegas de ministério acham que ele já não tem futuro e o Ministério Público de Ribeirão Preto acredita que ele só tem passado, Antonio Palocci anda descrente dos santos de casa. Recorre cada vez mais a imagens de credos alternativos. É o que informa Mônica Bergamo em três notas de sua coluna, na Folha (para assinantes):
CVV
Aécio Neves, governador de Minas, tem sido interlocutor constante de Antonio Palocci nesses tempos de crise. O ministro telefona sempre para ele.
CONSELHEIRO 1
Delfim Netto tem sido interlocutor constante de Lula nesses tempos de crise. Na semana passada, o deputado visitou o presidente no Palácio do Planalto. Saiu do gabinete dele e foi direto para a sala ao lado -onde Palocci despachava.
CONSELHEIRO 2
Delfim saiu com a impressão de que Palocci estava disposto a resistir. Não queria entregar a rapadura tão já.
Escrito por Josias de Souza às 07h45

- JB: Caso do caseiro - Governo prepara saída de Palocci
- Folha: Lula deve decidir hoje futuro de Palocci
- Estadão: Solução do caso Palocci não pode passar de hoje, diz Lula
- Globo: Depoimento abre semana decisiva de Palocci
- Correio: O dia da decisão
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h03
Angeli

Escrito por Josias de Souza às 06h58
Bestgraph
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin disse, veja você, que não será investigada a denúncia de que ele teria direcionado recursos de publicidade da Nossa Caixa, instituição financeira do governo paulista, para favorecer políticos aliados na Assembléia Legislativa. Acha que não há necessidade
"Conversei com o presidente da Nossa Caixa (Carlos Eduardo Monteiro). (A denúncia) Não tem a menor veracidade. O governo do Estado não interfere em banco público", disse Alckmin (para assinantes da Folha). Para sorte geral, o Ministério Público de São Paulo pensa de outro modo. Abriu, em dezembro, uma investigação. Algo que Geraldo “Banho de Ética” Alckmin parece apreciar somente no quintal dos outros.
Escrito por Josias de Souza às 06h53
Folha Imagem
Não bastasse o barulho proporcionado pela nova crise --o “caso Francenildo”--, o governo Lula terá de conviver nesta semana com o ressurgimento dos antigos ruídos do “escândalo do mensalão”. O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR) apresenta nesta terça-feira o seu relatório final. Trará entre 130 e 150 pedidos de inciamento, informa Bernardo de la Peña.
A lista de candidatos a “indiciado” deve incluir os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. A presença dos dois no relatório de Serraglio motivará uma renhida disputa entre governistas e oposicionistas com assento na CPI. Parlamentares do PT não excluem a hipótese de apresentar à comissão um relatório paralelo.
Escrito por Josias de Souza às 23h51
Alan Marques/Folha Imagem
Num último movimento para tentar segurar-se no cargo, o ministro Antonio Palocci (Fazenda), cuja cabeça balança, conversou neste domingo com Lula. Em diálogo tenso, tentou convencer o chefe de que ainda reúne condições para permanecer no governo. Argumentou que sua eventual saída não reduzirá o "apetite" da oposição, que passaria a mirar diretamente em Lula.
Palocci repetiu para o presidente algo que vem dizendo internamente desde a semana passada: não teria tido nenhum tipo de participação na quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O problema do ministro são os indícios que apontam para Marcelo Netto, seu assessor de imprensa, como responsável pelo vazamento dos extratos do caseiro. Netto nega.
Depois de conversar com Palocci, Lula trocou impressões com auxiliares que lhe são próximos. Alcançou-os pelo telefone. Ouvido pelo blog, um desses assessores contou ter ficado com a impressão de que a conversa com Palocci deixou Lula “balançado”. O presidente estaria condoído com o drama vivido pelo ministro, que migrou da condição de homem forte do governo para a de ministro mais frágil da Esplanada.
Na última sexta-feira, o presidente dissera ao mesmo assessor que estava decidido a afastar Palocci. Na nova conversa, não chegou a dizer que mudou de idéia. Mas não soou tão enfático quanto antes. Disse que deseja discutir o tema nesta segunda, em reunião com os ministros que compõem o "conselho da crise", no Planalto. Participarão do encontro os ministros Marcio Thomaz Bastos (Justiça), Dilma Rousseff (Gabinete Civil), Jaques Wagner (Coordenação Política), Ciro Gomes (Integração) e o próprio Palocci.
Pelo menos um dos ministros receia que a participação de Palocci na reunião acabe por constranger os colegas, inibindo a manifestação daqueles que não têm mais dúvidas quanto à conveniência do afastamento do ministro da Fazenda. Essa posição é hoje majoritária no núcleo do governo com poder para opinar sobre o tema junto a Lula.
O presidente voou à noite para Curitiba (PR). Participa na manhã desta segunda-feira da Conferência de Países-membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, que reúne representantes de mais de 170 países. Lula retorna a Brasília ainda nesta segunda, em tempo para debater a crise com ministros e encontrar-se com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), uma das pessoas cotadas para assumir o lugar de Palocci.
Também na tarde desta segunda-feira, o petista Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal, instituição na qual o caseiro Francenildo mantém a conta-poupança que teve o sigilo violado, presta depoimento à Polícia Federal. Segundo disse a Lula, Palocci espera que Mattoso, que também está com a cabeça a prêmio, assuma a responsabilidade pela sucessão de ordens que levou um funcionário do quarto escalão da Caixa a bisbilhotar a conta do caseiro.
Por ordem do ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça), a PF corre com o inquérito que apura os nomes dos responsáveis pela quebra ilegal de sigilo. Espera-se que todas as respostas estejam sobre a mesa de Lula entre esta segunda e terça-feira.
Escrito por Josias de Souza às 22h35

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), fez neste domingo um comentário sobre a hipótese de vir a substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. Disse o seguinte, conforme relato do repórter Maurício Simionato:
"Eu sempre coloquei o meu mandato à disposição do partido e do presidente Lula. Portanto, qualquer que seja a função que seja necessária ao partido ou ao presidente, eu estou pronto para desempenhar".
Prudente, o senador petista ressalvou que, a depender de sua vontade, continuaria ajudando Lula e o PT do lado de fora do governo: “Eu considero que a minha condição de líder do governo e pré-candidato ao governo de São Paulo é o melhor instrumento nesse momento para que a gente possa enfrentar esta conjuntura adversa".
Mercadante encontra-se com Lula na tarde desta segunda-feira, no Palácio do Planalto.
Escrito por Josias de Souza às 21h46
Karmo
Escrito por Josias de Souza às 18h04
Folha Imagem
Mal foi lançado como candidato oficial do PSDB à presidência da República, o governador Geraldo Alckmin já tem um primeiro conflito de campanha para administrar. Reproduz-se sob Alckmin uma cilada que paralisou a gestão FHC: a disputa entre economistas de duas tendências, a monetarista e a desenvolvimentista.
O ITV (Instituto Teotônio Vilella), vinculado ao PSDB, inicia na próxima semana a elaboração do programa de governo que Alckmin defenderá na campanha eleitoral deste ano. Pretende-se buscar a contribuição de outras entidades, entre elas a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a FDC (Fundação Dom Cabral). Porém, o principal debate será travado entre economistas vinculados ao tucanato.
De um lado, a ala dita desenvolvimentista, capitaneada pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros e pelo economista Yoshiaki Nakano, defende o abrandamento da política fiscal praticada sob Fernando Henrique Cardoso e aprofundada sob Lula. De outro, a ala mais afinada com a ortodoxia monetária, representada pela chamada “turma da PUC do Rio”, reunida na Casa das Garças.
Embora batizada com o nome de uma ave ciconiforme, a Casa das Garças é um ninho de outra família, a das aves piciformes, mais conhecidas como tucanos. A lista de associados deste instituto de estudos econômicos é adornada por nomes como Armínio Fraga, André Lara Resende, Pérsio Arida e Edmar Bacha.
Numa tradução simplista, a teoria das garças-tucanas passa pela tese de que o equilíbrio das contas do Estado não será obtido senão por meio do aprofundamento do arrocho fiscal e dos cortes das despesas públicas. Na outra ponta, gente como Mendonça de Barros e Nakano, defende, de novo em leitura simplista, a utilização do orçamento público como mola propulsora do desenvolvimento nacional.
Mal comparando, o embate travado sob Alckmin é o mesmo que opôs, sob Lula, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) ao chefe da Casa Civil José Dirceu, numa primeira fase, e à ministra Dilma Rousseff, substituta de Dirceu, mais recentemente. Assim como Mendonça de Barros e Nakano, Dirceu e Dilma advogam a tese de que o investimento público deve prevalecer sobre o arrocho monetário. O crescimento econômico tonificaria a arrecadação de tributos e o equilíbrio das contas públicas viria como conseqüência.
Metido no meio das duas correntes, Alckmin terá de demonstrar suas habilidades de árbitro. O governador tem defendido em suas manifestações públicas o desejo de levar à campanha uma plataforma desenvolvimentista. Prega idéias que encantam o empresariado: redução da carga tributária e o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada, por exemplo.
O problema é que o governador precisa seduzir também o eleitorado. E, para isso, a velha cantilena de monetaristas versus desenvolvimentistas não chega a empolgar.
Escrito por Josias de Souza às 17h14

- JB: Estradas privatizadas - Todas as viagens levam ao medo
- Folha: Nossa Caixa beneficia aliados de Alckmin
- Estadão: Crise complica reforma ministerial para Lula
- Globo: Petróleo: auto-suficiência não barateará combustíveis
- Correio: Anatomia de um crime
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h19
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h13
Bestgraph
Em discurso proferido na cerimônia em que foi consagrado candidato oficial do PSDB à presidência da República, o tucano Geraldo Alckmin prometeu dar “um banho de ética no governo”. Reportagem de Frederico Vasconcelos (na Folha, para assinantes) mostra que Alckmin mergulha na campanha deixando para trás um naco de seu governo que não passou pela máquina de lavar. Diz o texto:
“O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa.
Documentos obtidos pela Folha confirmam que o Palácio dos Bandeirantes interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo "Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).
A cúpula palaciana pressionou o banco oficial para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de Rádio. Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista "Primeira Leitura", publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa.
O banho de ética anunciado pelo candidato tucano à Presidência da República torna-se uma ducha de água fria com o resultado de uma auditoria na área de publicidade da Nossa Caixa, que revela o descontrole nas contas, e com a investigação, pelo Ministério Público do Estado, a partir de denúncia anônima, sobre o uso político-partidário do banco oficial.
Entre setembro de 2003 e julho de 2005, as agências de propaganda Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda. continuaram prestando serviços sem amparo legal, pois o banco não renovara os contratos, conforme a Folha revelou em reportagem de dezembro último. O caso está sendo apurado pelo promotor de Justiça da Cidadania Sérgio Turra Sobrane.
Ao analisar 278 pagamentos às duas agências no período em que operaram sem contrato -no total de R$ 25 milhões-, a auditoria interna apontou irregularidades em 255 operações (91,73%).
Não foram localizados documentos autorizando pagamentos que somavam R$ 5,1 milhões. Em 35% dos casos, não havia comprovantes da realização dos serviços. Em 62,23%, os pagamentos não respeitaram o prazo mínimo legal de 30 dias. O patrocínio de campanhas de marketing direto era autorizado verbalmente.
A responsabilidade por esses pagamentos é atribuída ao ex-gerente de marketing Jaime de Castro Júnior, 48, ex-auditor do banco, com 28 anos de casa. Ele admitiu ter liberado pagamentos em valores acima dos limites que podia autorizar e, a partir de 2002, sem ter procuração para tal. "Reafirmo que assumi a responsabilidade pela liberação dos pagamentos, dados sua urgência e os interesses da instituição", afirmou à comissão de sindicância.
Ele foi demitido por justa causa, em dezembro, pelo presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, sob a acusação de "mau procedimento", "desídia" e "indisciplina". O ex-presidente do banco Valdery Frota de Albuquerque também foi responsabilizado (...).”
Escrito por Josias de Souza às 02h00
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