Nada a ver
No Planalto

O governo não tem nada a ver com a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Os extratos saíram dos computadores da Caixa Econômica Federal, banco subordinado a Antonio Palocci e dirigido pelo petista Jorge Mattoso. O principal suspeito de ter vazado o papelório para a imprensa é um assessor direto de Palocci. Mas o governo não tem nada a ver com isso.
Os integrantes da “República de Ribeirão Preto” alugaram uma mansão no Lago Sul de Brasília, para promover negócio$ e festas. O caseiro Francenildo viu Antonio Palocci entrar na casa. O motorista Francisco das Chagas também viu. O ministro, antes enfático nos desmentidos, agora se esquiva de assuntos “baixos”. Natural. Ele não tem nada a ver com essa turma que o assessorou ao tempo em que era prefeito.
O caseiro migrou da condição de testemunha para a posição de investigado. O Coaf, órgão submetido ao comando de Palocci, suspeita que os R$ 25 mil em depósitos supostamente recebidos de um “pai não-contabilizado” configuram indício de “lavagem dinheiro”. A Polícia Federal quebrou os sigilos bancário, fiscal e telefônico do pobre. Justo, muito justo, justíssimo. Quem mandou um “simples caseiro” sair do anonimato para denunciar fatos com os quais nem Palocci nem o governo têm nada a ver?
Jorge Mattoso causou revolta ao pedir 15 dias para esclarecer, em rigorosa sindicância, a violação da conta do caseiro. Os modernos recursos da informática permitiriam que a coisa fosse desvendada em poucos minutos. A própria Caixa reconhece já ter identificado os dois operadores da máquina sob suspeição. A cautela quinzenal é, porém, mais do que justificável. Como nem Palocci nem Mattoso nem o governo têm nada a ver com a tentativa de desmoralizar o caseiro-algoz, é preciso considerar a hipótese de que os tais extratos tenham saltado dos computadores da Caixa por vontade própria. Só para complicar gente que não tem nada a ver com o peixe.
Aproveitando-se da crise que o governo fabricou, a oposição maledicente volta a cobrar a abertura das contas bancárias de Paulo Okamotto, o amigão que liquidou a dívida de R$ 30 mil que Lula tinha com o PT. Jogo de cena eleitoral. Todos sabem que Lula não tem nada a ver com essa dívida. Aliás, o Planalto já disse que o débito jamais existiu. Lula não tem culpa se Okamotto, generoso como ele só, resolveu sacar dinheiro vivo de suas próprias contas para liquidar uma dívida inexistente.
As almas puras e os espíritos desarmados têm a obrigação de acreditar que o governo, o presidente, o ministro, a assessoria do ministro e o presidente da Caixa Econômica não têm nada a ver com a confusão que sacode Brasília. Deve-se dar crédito à tese porque ela é coerente. Ora, se o governo não teve nada a ver com nada durante mais de três anos, por que teria justamente agora?
Para poupar a voz das autoridades que falam em nome do petismo, Lula deveria mandar instalar uma placa na frente dos prédios públicos, a começar do Planalto. Diria o seguinte: “O governo não tem nada a ver com nada disso.”
Escrito por Josias de Souza às 22h31
Quem dá mais?
Começou a ser exibido nesta semana em Londres o quadro “Dora Maar com um gato”, do mestre Pablo Picasso. A peça vai ao martelo em maio, num leilão que será promovido pela Sothebys em Nova York. O lance inicial será, veja você, de US$ 50 milhões.
Dora Maar foi uma das inúmeras amantes de Picasso, tão conhecido pela habilidade no manejo dos pincéis como pelo desassombro com que dava azo às suas pulsões sexuais. A moça desceu à tela em 1941.
O retrato de Dora Maar encontra-se em mãos privadas desde a década de 60. Se vier mesmo a ser leiloado pelo preço que se lhe atribui, entrará para a galeria dos dez quadros mais caros do mundo.
Aliás, a lista das obras mais valiosas já inclui quatro pinturas de Picasso. Entre elas “Menino com Cachimbo”, leiloado pela mesma Sothebys, há dois anos, em Nova York, pela bagatela de US$ 104 milhões.
Vincent van Gogh, outro mestre das artes universais, espetou na lista dos mais caros três quadros. O mais valioso, “Retrato do Doutor Gachet”, foi arrematado por um colecionador anônimo em 1990 por US$ 82 milhões. Se imaginasse que poderia valer tanto, o autor talvez tivesse passado na lâmina outros apêndices corporais além da orelha.
O que leva uma casa de leilões a orçar uma obra como Dora Maar em US$ 50 milhões?, se perguntam muitos. São os mistérios da subjetividade. Para a maioria, alguém que se disponha a desembolsar tal quantia padece de patologia ótica. Pode ser. Mas fique certo de uma coisa: não há de faltar ao felizardo adquirente anônimo um trocado para pagar a consulta do oftalmologista.
Escrito por Josias de Souza às 19h27
Além do ministro Antonio Palocci (Fazenda), Lula decidiu demitir o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso (na foto). Em conversa com um ministro neste sábado, o presidente disse que pretende agir rápido. Segundo disse, a resposta do governo à crise aberta com o vazamento ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa deve ser dada nesta segunda-feira, no máximo na terça-feira.
Lula pediu aos ministros que compõem o chamado comitê de governo que não faltem à reunião convocada para o início da manhã de segunda-feira. Deseja discutir as providências que pretende adotar para tentar estancar a crise. Sob influência dos ministros que lhe são mais próximos, o presidente convenceu-se de que não conseguirá reverter o prejuízo de imagem produzido pela violação da conta bancária do caseiro sem uma resposta à altura da gravidade do episódio.
O governo está de tal modo impressionado com a dimensão que a crise assumiu que há entre os auxiliares de Lula quem defenda que, além das demissões já programadas, o presidente faça um pronunciamento formal de repúdio à quebra ilegal do sigilo do caseiro. A idéia é dissociar o governo da atitude, caracterizando-a como uma infração praticada à margem do Estado.
Lula passou o sábado pendurado ao telefone. Havia solicitado pressa à Polícia Federal, incumbida de levantar os responsáveis pela bisbilhotice praticada contra Francenildo. Foi informado de que todos os indícios apontam para o envolvimento da cúpula da Caixa Econômica. Daí a decisão de demitir Jorge Mattoso, conduzido ao cargo por indicação da ex-prefeita paulistana Marta Suplicy.
Mattoso já foi informado de que terá de prestar depoimento formal à PF. A inquirição vai ocorrer já na tarde de segunda-feira. Embora o inquérito policial ainda possa durar mais alguns dias, Lula deve ter em mãos até terça-feira respostas conclusivas acerca do que ocorreu no eixo Ministério da Fazenda-Caixa Econômica.
Antonio Palocci continua sustentando, mesmos entre quatro paredes, que não teve envolvimento pessoal na quebra de sigilo do caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. Para irritação de alguns colegas de ministério, Palocci nega também a participação de sua assessoria pessoal no vazamento dos extratos da conta de Francenildo. O Planalto suspeita que os papéis tenham sido repassados a jornalistas por Marcelo Netto, assessor de imprensa de Palocci. Ele nega.
O maior problema de Lula no momento é a escolha do substituto de Palocci. A despeito da iminência do desfecho do caso, o nome ainda não está escolhido. O presidente realiza uma última rodada de consultas. Espera chegar a uma conclusão até esta segunda-feira.
Escrito por Josias de Souza às 16h55
Da Coluna de Mônica Bergamo, na Folha (para assinantes):
Vivendo...
Eriberto França, o motorista que ajudou a revelar a corrupção do governo Collor, tem sido procurado por jornalistas para comentar os testemunhos do caseiro Francenildo. Mas gato escaldado tem medo de água fria. Hoje funcionário da Radiobrás, ele não quer saber de papo.
...E aprendendo
"Não quero falar nada. Estou no governo, fica uma situação difícil para mim", diz Eriberto. "Veio até um cara de SP aqui [Brasília] para me entrevistar, mas não quero me envolver. Não quero saber se o caseiro "tá" certo, "tá" errado. Não tenho nada a dizer".
Escrito por Josias de Souza às 11h46

- JB: Caso do caseiro - Palocci reconhece: "Eu também errei"
- Folha: Palocci diz viver inferno e culpa eleitoral
- Estadão: Sigilo de caseiro foi violado em SP por ordem de chefia da Caixa
- Globo: Palocci: 'Temos de pagar pelos erros que cometemos'
- Correio: O inferno de Palocci
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h22
Jean
Escrito por Josias de Souza às 02h08
Lula Marques/Folha Imagem

O repórter Kennedy Alencar informa o seguinte na Folha deste sábado (para assinantes):
“O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, deverá deixar o governo em breve. A Folha apurou que há possibilidade de que seja substituído até segunda-feira. Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem à noite, ele admitiu que perdeu "as condições políticas", segundo suas próprias palavras, de permanecer na Fazenda.
A única possibilidade de Palocci continuar ministro seria um desfecho rápido da investigação da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa que mostrasse que a violação não teve envolvimento da assessoria da Fazenda.
A Polícia Federal, que faz essa investigação, já colheu indícios de que pelo menos o vazamento teria tido participação da assessoria do ministro .
´Palocci está comprando horas´, disse à Folha um integrante da cúpula do governo. Lula e os principais ministros avaliam que, mesmo que Palocci supere o episódio do caseiro, outros dissabores aparecerão, o enfraquecerão e contaminarão a popularidade do presidente e do governo.
Até quinta-feira à tarde, Lula estava disposto a segurar Palocci no cargo. Pesava a avaliação de que entregar sua cabeça seria dar uma vitória à oposição. No entanto, Lula recebeu ao final daquele dia informações sobre a apuração da quebra ilegal do sigilo. E ouviu que havia sido negativa a repercussão de que o caseiro passara de testemunha a investigado pela PF.
Em conversas reservadas, Lula disse que quem quebrou ilegalmente o sigilo do caseiro deve pagar e que esse episódio não foi decisão de governo. Mais: o presidente avalia que o governo perdeu a "batalha da comunicação" no caso e que não pode passar à história como conivente com quebra de direitos individuais.
Nesse contexto, aceitou na quinta à noite a possibilidade de substituir Palocci. E ouviu do próprio ministro que ele havia perdido "as condições políticas" e que estava abalado porque sua família sofre com o episódio. O caseiro disse que Palocci freqüentou casa alugada em Brasília por ex-auxiliares para fazer lobby e dar festas com garotas de programa. Palocci disse à CPI dos Bingos que nunca foi A casa. (...)
Segundo auxiliares, Guido Mantega, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é um forte candidato a substituir Palocci. Há sugestão para a escolha de um empresário com o perfil de Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar), mas a intimidade com o presidente é considerada um critério mais importante. Mantega tem essa proximidade.
Outros nomes, menos cotados, são: os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal (...).”
Escrito por Josias de Souza às 01h55
Em visita ao Porto de Vitória (ES), que completa 100 anos, Lula fez um prognóstico macabro. Disse que a campanha eleitoral de 2006 proporcionará aos eleitores cenas desagradáveis, com golpes abaixo da linha da cintura. A despeito disso, o presidente prometeu tratar a oposição com a “ternura” que um pai e uma mãe dispensam a um filho.
— Vocês não tenham dúvida de que este ano, se depender de alguns, não de todos, o jogo vai ser baixo. Mas eu não farei jogo rasteiro, que é para outro tipo de gente. Por mais leviano que forem os ataques, por mais graves que sejam os xingamentos, assumo o compromisso de me comportar como um pai e uma mãe se comportam com um filho. Não perderei, em momento algum, a ternura — disse, o presidente.
Lula foi além:
— Duvido que algum brasileiro tenha ouvido uma declaração minha contra um governador, contra um senador ou deputado. Mesmo quando fui atacado da forma mais rasteira, não deixei de me comportar como presidente da República.
Como bem lembra o repórter Carlos Orletti, o Lula do passado não era assim tão terno quanto o presidente tenta fazer crer. De uma tacada, apontou, na década de 90, a existência de “300 picaretas” no Congresso. Muitos compõem hoje o consórcio que proporciona suporte parlamentar ao governo.
O signatário do blog recua um pouco mais no tempo, para lembrar que, na década de 80, menos meigo do que hoje, Lula chamou José Sarney, presidente de então, de “ladrão”. Em 2003, no alvorecer do governo petista, o deputado João Fontes ousou trazer a público o áudio da ofensa. Indiscrição que lhe rendeu a expulsão do PT. Hoje refugiado no PSOL, Fontes dedica-se a defender em plenário a cassação dos “picaretas” que, sob a ternura do neo-Lula, serviram-se das arcas cladestinas providas pela dupla Delúbio/Valério.
Escrito por Josias de Souza às 01h40
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As cúpulas do PSDB e do PFL estão eufóricas. Reunidos em torno do presidenciável tucano Geraldo Alckmin, os dois principais partidos de oposição ao governo Lula avaliam que atravessam o seu melhor momento desde a explosão do escândalo do mensalão, em maio de 2005. Julgam ter devolvido Lula às cordas. E decidiram intensificar nos próximos dias os ataques ao governo.
Tucanos e pefelistas têm pressa. Receiam que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) seja afastado de seu cargo antes que consigam recriar em torno de Lula o mesmo ambiente de alegada degenerescência ética que roeu o prestígio do presidente e do governo no ano passado. Segundo raciocínio desenvolvido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso numa conversa telefônica ocorrida na quarta-feira, “a hora é de sangrar o adversário”.
Lula já farejou a tática rival. Acusa a oposição de patrocinar um “jogo rasteiro”. Uma tática que, para desassossego do presidente, começa a surtir efeito. Pesquisas de opinião feitas pelo telefone a pedido do Planalto indicam que a imagem de Lula começa a ser afetada pela crise que envolve Antonio Palocci. Para não dar mais munição ao inimigo, o governo guarda com enorme zelo os números, manuseados apenas por duas pessoas.
Nesta sexta-feira, Geraldo Alckmin manteve encontro a portas fechadas com o prefeito do Rio, César Maia. Oficializaram o que, na prática, já era mais do que oficial: a desistência de Maia, pré-candidato do PFL à presidência, em favor de Alckmin. Durante a conversa, Alckmin exalava otimismo. Mostrou-se esperançoso de que o episódio da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa empurre para cima os seus índices nas pesquisas de opinião.
Sem saber, Alckmin foi à mosca. De acordo com as sondagens telefônicas encomendadas pelo Planalto a invasão dos extratos do caseiro foi o que mais incômodo causou aos entrevistados. Mais até do que a denúncia de Francenildo de que Palocci freqüentou a “ mansão do lobby” que a “ República de Ribeirão Preto” mantinha em Brasília. Embora mais precária do que um levantamento de rua, a sondagem telefônica capta com eficiência a opinião de uma classe média que Lula se empenha em reconquistar.
As frinchas abertas na imagem de Lula são, por ora, tênues. Mas receia-se que aumentem se o governo permitir que prevaleça, como vem ocorrendo, a impressão de que o PT mobilizou o aparato do Estado para desmoralizar um “simples caseiro”, como Lula se referiu a Francenildo. Vêm daí as dúvidas que passaram a assediar Lula. Antes decidido a manter Palocci no cargo, o presidente agora balança.
Em parceria previamente acertada, os líderes do PSDB e do PFL na Câmara e no Senado se alternaram na tribuna ao longo da semana. Produziram discursos em timbre crescentemente agressivo. Do jogo de palavras, migraram para a ação: na Câmara, o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman (SP), protocolou ação em que pede o enquadramento de Palocci em crime de responsabilidade. No Senado, o líder Athur Virgílio (PSDB-AM) requereu à mesa investigação do Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras) contra Paulo Okamotto. Nos mesmos moldes do que foi feito contra o caseiro Francenildo (lavagem de dinheiro).
A oposição tira proveito máximo de uma seqüência de “erros” cometidos pelo governo: a série começou com o recurso ao STF para calar o caseiro na CPI dos Bingos, evoluiu para a quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo e culminou com a transformação do algoz de Palocci de vítima em investigado pela Polícia Federal. Em avaliações internas, Lula avalia que o governo vai perdendo para seus adversários o que chama de “batalha da mídia”. O presidente teme que, para sair do córner, tenha de entregar a cabeça de Palocci. Algo que não desejava fazer.
Escrito por Josias de Souza às 00h07
Lula Marques/Folha Imagem
Os procuradores da República Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento protocolaram na 10a Vara da Justiça Federal de Brasília um pedido de habeas corpus em favor de Francenildo dos Santos Costa. O objetivo da ação é barrar a investigação da Polícia Federal contra o caseiro, posto sob a suspeição de ter cometido o crime de “lavagem de dinheiro.”
O Ministério Público sustenta que, na parte que diz respeito ao caseiro, a investigação da Polícia Federal é irregular. O crime de lavagem de dinheiro está previsto na lei 9.613, editada em 1998. Para que alguém seja investigado sob esse tipo de acusação, é preciso que haja clara intenção de ocultar a origem de recursos obtidos supostamente de forma ilícita. Algo que, na opinião de Pessanha Velloso e Lívia Nascimento, não ocorreu no caso de Francenildo (na foto, ao lado do prédio da sede da Caixa Econômica, em cujas dependências seu sigilo bancário foi violado).
De resto, a lei traz uma relação dos delitos em que é possível apurar a prática de lavagem de dinheiro. Entre eles, por exemplo, terrorismo, seqüestro e crimes contra a administração pública. O caseiro não se enquadra em nenhuma das tipificações previstas na lei.
A ação dos procuradores pede uma decisão liminar (provisória), antes da análise do mérito. Assim, caso concorde com a argumentação do Ministério Público, a Justiça pode determinar o trancamento do inquérito da PF a qualquer momento.
A investigaçao policial foi iniciada na última terça-feira. O próprio ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, em ofício enviado ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, solicitara a indicação de procuradores para acompanhar o trabalho da PF. A decisão de transformar o caseiro de testemunha em investigado causou enorme surpresa ao Ministério Público.
Os procuradores argumentam na ação judicial que a PF não pode investigar Francenildo no mesmo inquérito que apura o vazamento do sigilo bancário de sua conta corrente. Afirmam que, por ora, não há nenhum elemento que possa justificar o enquadramento do caseiro na condição de investigado.
Para o Ministério Público, Francenildo não transgrediu a lei, “na medida em que em momento algum dissimulou ou ocultou a origem dos depósitos”. “(...) “Receber depósito em conta corrente própria é conduta que, a toda evidência, ao contrário de sugerir dissimulação ou ocultação, é revestida de absoluta transparência", anotam os procuradores.
Também não seria possível, na opinião de Pessanha Veloso e Lívia Nascimento, trabalhar com a hipótese de que Francenildo tenha agido como laranja, uma vez que “as justificativas apresentadas por ele foram comprovadas”.
Escrito por Josias de Souza às 19h20
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A deputada Angela “Pedido de Vista” Guadagnin (PT-SP) concedeu várias entrevistas nesta sexta-feira para pedir desculpas por ter executado a “dança da pizza” em plenário, depois que o companheiro João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG) livrou-se da guilhotina. A nobre parlamentar disse que não teve a intenção de tripudiar. Apenas manifestou, num “gesto espontâneo”, a sua “alegria”.
A caixa de mensagens eletrônicas de Guadagnin amanheceu atulhada de manifestações espontaneamente desaforadas. Daí os volteios retóricos da deputada. A cena do corpo roliço levantando-se do assento, balançando-se entre as poltronas, rumo à coreografia final no corredor do plenário chocou a opinião pública.
Difícil saber agora o que é mais repugnante, se a “alegria” do “gesto espontâneo” ou a tristeza do pedido de desculpas urdido em premeditada compunção. Se o eleitor tiver amor próprio, a companheira Guadagnin deve ser cassada nas urnas. Mas não há de ser nada. Com um pequeno regime, a virtual ex-deputada poderá candidatar-se ao posto de rainha de escola de samba.
Escrito por Josias de Souza às 17h26

Inferno de Dante: Palocci entre o cão de 3 cabeças e carregamento de pedras
Em sua primeira aparição pública desde que o caseiro Francelino dos Santos Costa o desdisse em entrevistas e em depoimento na CPI dos Bingos, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) criticou o ambiente de “exacerbação” e de “recurdescimento do quadro político”.
“Se não conseguirmos equilibrar esse processo político, vamos ter problemas”, disse o ministro. “Não na economia, que está com seus fundamentos sólidos. Mas podemos comprometer o próprio processo (eleitoral). O que seria uma pena, porque os candidatos que estão colocados são pessoas de alto nível, que podem dar ao Brasil um debate programático de altíssima qualidade”.
Para Palocci, há “dentro do jogo político pessoas que não têm limites entre investigar, o que é justo, e perseguir; que não vêem limites entre a crítica e o respeito às pessoas. Essas coisas estão presentes no atual momento. E vamos ter que ter serenidade. Corremos o risco de ter uma eleição muito agressiva, que vai acabar agredindo o eleitor”.
O ministro tentou separar o seu drama pessoal da gestão da economia. A economia, disse, está "no céu". Quanto a Palocci, julga estar “no terceiro ou no quarto círculo do inferno de Dante” (Retratado na obra-prima de Dante Alighieri, "A Divina Comédia", o inferno de Dante reproduz o martírio pelos nove círculos do inferno. No terceiro, ficam aqueles que cometeram o pecado da gula, condenados a uma perseguição eterna de Cérbero, o cão de três cabeças. O quarto é reservado aos avarentos e aos gastadores, que dividem o tempo entre a troca de insultos e o carregamento de pedras).
Falando como se tivesse certeza de que permanecerá no cargo de ministro, Palocci tentou passar segurança em relação a algo que parece fugir-lhe ao controle: “Por mais que neste momento eu enfrente um período de turbulência pessoal, vou buscar serenidade para não misturar isso com o meu trabalho. Quero dizer a vocês que fiquem tranqüilos, seguros. Não só o nosso trabalho, mas também o presidente Lula está vigilante em relação ao processo econômico”.
O ministro esquivou-se de oferecer respostas às dúvidas que o rodeiam. Admitiu o cometimento de erros – “Houve erros de todos os lados. Não sou daqueles que acham que só a oposição cometeu erros. O governo cometeu erros, meu partido cometeu erros, eu certamente cometi erros. E todos temos que pagar pelos erros, mas não se pode transformar o debate político em agressões pessoais. Quando isso acontece, eu me afasto”. Palocci acha que na sua posição, não pode “discutir todo tipo de acusação baixa”.
“A politica está cobrando o seu preço”, disse ele. “(...) Infelizmente, as forças políticas se encontram num momento extremamente negativo para o país. Não me recuso ao debate político, a discutir as coisas que me envolvem, como fiz quatro vezes (no Congresso). Mas as coisas que fazem parte de um ano político às vezes chegam a esse nível de exacerbação”.
Palocci se auto-classificou como “bombeiro”. De novo, falou como se estivesse imbuído da certeza de que seu cargo não está em jogo. Reafirmou que não está interessado em disputar cargo eleitivo. Anunciou que pretende “trabalhar para que a gente possa ter no país um debate equilibrado”. E ressalvou: “Mas não me parece que isso esteja garantido. O que o cenário aponta é de fato para um ano de muito conflito político”.
No encerramento de sua fala, que durou quase 40 minutos, o ministro afirmou: “É preciso que a gente busque os instrumentos para chegar a ambientes mais serenos. Acima de nós estão as instituições. E acima dos nossos interesses particulares está o Brasil. Não podemos nos perder em conflitos intermináveis. Vou tentar fazer tudo o que estiver ao meu alcance para isto acontecer”.
Escrito por Josias de Souza às 14h55
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Algo de estanho está se passando com o relatório final da CPI dos Correios. Primeiro, adiou-se em uma semana a divulgação, depois, arrancaram o nome de Luiz Gushiken do texto. Agora, o Painel da Folha (para assinantes) traz mais quatro novidades que, ora, francamente...
Ninguém sabe...
Evaporou-se a lista de novos mensaleiros que a CPI dos Correios promete há semanas. Parlamentares e assessores agora dizem não saber se há mesmo nomes a revelar. Os cruzamentos teriam sido "inconclusivos".
...ninguém viu
Também Silvio "Land Rover" Pereira poderá respirar aliviado. O subrelatório de contratos da CPI deverá apenas citar o ex-secretário-geral petista, sem pedir seu indiciamento, sob a alegação de que o episódio do carro não foi investigado "a fundo".
Veja bem
No esforço final para desidratar o texto de Osmar Serraglio (PMDB-PR), o relator-adjunto Maurício Rands (PT-PE) cumpre o papel de permanentemente alegar que não há "fundamentação técnico-jurídica" para indiciamentos. Já conseguiu suprimir um punhado de nomes.
Prazo vencido
A turma da pizza na CPI dos Correios até aceita o pedido de indiciamento dos mensaleiros, mas tipificado como "crime eleitoral". Ou seja, já prescrito.
O signatário do blog suspeita que, nesse ritmo, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) vai acabar sambando em cima do relatório de Osmar Serraglio.
Escrito por Josias de Souza às 07h44

-JB: A ofensiva dos culpados
- Folha: Órgãos do governo investigam caseiro
- Estadão: PF já sabe quem violou sigilo, mas vai investigar o caseiro
- Globo: Caseiro sofre mais investigação do que os violadores do sigilo
- Correio: Polícia Federal começa a investigar caseiro
Escrito por Josias de Souza às 07h23
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h23
Uma sessão do STF em que se julgava um mandado de segurança contra a CPI dos Correios transformou-se em plenária de descarrego dos ministros contra os métodos de investigação do Congresso. As relações entre os dois poderes, que já andavam pela bola sete, tendem agora a descer caçapa abaixo.
Deve-se à repórter Silvana de Freitas o relato mais completo do desabafo supremo (na Folha, para assinantes). Coube ao ministro Celso de Mello puxar o cordão de críticas: "As CPIs, tanto quanto os tribunais, estão sujeitas às limitações que a Constituição da República impõe".
Com um pé na política, Nelson Jobim meteu as eleições no meio: "Como estamos em uma sociedade midiática, fundamentalmente televisiva, o que emociona não é a razão, mas o fato, a imagem. A mensagem emociona pelo olho. Esses instrumentos absolutamente dignos (as CPIs) vão se transformando em instrumentos exclusivamente do processo eleitoral. Isso pode justificar esses abusos".
Carlos Ayres Brito batizou a encrenca de "fenômeno da espetacularização". Gilmar Mendes disse que o “desrespeito aos direitos fundamentais" já desborda das CPIs. Referindo-se à quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o ministro disse: "A par de todos esses abusos cometidos eventualmente por CPIs, verificamos que já há uma quebra de sigilo à brasileira, realizada pela CEF, segundo os jornais afirmam. Talvez porque as CPIs já não bastem".
Cezar Peluso defendeu a edição pelo STF de uma súmula para "cristalizar" o entendimento já existente de que é nulo o ato de CPI que quebre o sigilo bancário, fiscal ou telefônico do investigado sem fundamentação.
Em meio ao debate, os ministros do Supremo confirmaram, em decisão unânime, liminar que fora concedida por Celso de Mello suspendendo a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônica da corretora de seguros Alexander Forbes Brasil, que havia sido aprovada pela CPI dos Correios.
Como se vê, o STF está supremamente enfezado.
Escrito por Josias de Souza às 02h16
O Congresso Nacional, definitivamente, não vive os seus melhores dias. Na noite da última quarta-feira, enquanto o plenário da Câmara acrescentava mais duas fatias à pizza do mensalão - João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG) e Walderval “R$ 150 mil” Santos (PL-SP)-, o PMDB promovia um quebra-quebra no gabinete da secretaria geral da direção da Casa.
A origem do sururu foi uma reunião para a escolha do novo líder do PMDB na Câmara. Produziu-se de tudo, menos um líder. Os repórteres Ilimar Franco e Maria Lima fizeram o inventário dos danos físicos e dos destroços:
“Folhas espalhadas pelo chão, copos quebrados, um computador e um relógio danificados, empurra-empurra, o deputado Max Rosennmann (PMDB-PR) teve uma mão cortada, a chefe de gabinete da Secretaria Geral da Mesa, Cláudia Alarcão, foi atingida no ombro direito por um safanão perdido e os deputados Hermes Parcianelo (PMDB-PR) e Nelson Bornier (PMDB-RJ) trocaram sopapos.”
As cenas de pugilato foram protagonizadas, de um lado, pela ala governista do PMDB e, de outro, pelo grupo oposicionista. Seguiu-se à refrega um embate retórico. “Houve troca de socos, mas ninguém chegou a ser atingido”, disse Nelson Bornier, recriando uma cena algo grotesca, em que os dois bandos confrontaram-se distribuindo socos ao vento.
“Esse rapaz (Hermes Parcianelo) é um despreparado, mau caráter, malandro de parque”, acusou Max Rosennmann, construindo um outro cenário. “Para garantir sua lista, ele quebrou o computador e o relógio para criar uma situação física, e ainda feriu todo mundo. Mais uma vez o governo utilizou todas as formas para garantir o controle da liderança com patrocínio de verbas e oferecimento de vantagens”.
Os peemedebistas foram aos punhos por uma lista. Os governistas, interessados em acomodar na liderança o deputado Wilson Santiago (PMDB-PB), recolheram 43 assinaturas. Os oposicionistas, partidários da manutenção do líder Waldemir Moka (PMDB-MS), tentaram arrancar da relação adversária dois nomes: os dos deputados Vicente Chelloti (PMDB-DF) e Cabo Júlio (PMDB-MG). Daí o rififi.
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente da Câmara, mandou abrir sindicância na corregedoria da Casa. “O incidente será apurado e os responsáveis responderão por isso”, disse ele. Será?, perguntam-se todos. E quanto ao novo líder do PMDB? “Só será conhecido depois da checagem das listas”, diz Aldo.
Escrito por Josias de Souza às 00h50
Folha Imagem
Depois de promover uma série de consultas entre seus auxiliares mais próximos, Lula começou a considerar a hipótese de ter de substituir o ministro Antonio Palocci (Fazenda). Os diálogos internos do governo já evoluíram para a análise de nomes alternativos a Palocci.
O blog apurou junto a um interlocutor de Lula três nomes que integram a lista de opções para a Fazenda. Dois são ministros: Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Paulo Bernardo (Planejamento). O outro é Murilo Portugal, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
Lula não decidiu substituir Palocci. Gostaria de mantê-lo. Mas concluiu que, dependendo da evolução da crise aberta com o depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa, talvez seja compelido a promover a troca de comando na economia.
O auxiliar do presidente ouvido pelo blog desenvolveu o seguinte raciocínio: “O governo seria irresponsável se, diante do atual quadro de crise, com desfecho imprevisível, não se preparasse para lidar com todas as alternativas. E a hipótese de saída do ministro, embora nenhum de nós deseje isso, está posta. Ele próprio pode concluir que talvez seja mais conveniente deixar o governo.”
Em conversas que manteve com Lula, Palocci disse ao presidente que a última coisa que gostaria é tornar-se um estorvo. Deixou o chefe à vontade para tomar a decisão que julgasse mais conveniente para o governo. Porém, diferentemente do que ocorreu no ano passado, Palocci não colocou o cargo à disposição. Lula, por sua vez, pediu-lhe apenas que mantivesse a serenidade.
A situação de Palocci se complicou com os desdobramentos do caso de quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. A violação foi praticada na Caixa Econômica Federal, instituição subordinada ao ministro. Para complicar, há densas suspeitas de envolvimento direto da assessoria do ministro no vazamento dos dados para a imprensa.
Enquanto a crise se limitava à acusação de que Palocci esteve na chamada “mansão do Lobby”, alugada em Brasília por integrantes da “República de Ribeirão Preto”, havia certo consenso no governo de que seria possível preservá-lo. A evolução do caso da quebra do sigilo do caseiro dividiu o grupo mais próximo a Lula. Uma parte dos confidentes do presidente passou a recear que a permanência de Palocci acabe por impor um custo político muito alto ao governo e ao próprio Lula.
A vontade do presidente é a de preservar Palocci, ao menos até o arrefecimento da crise. Acha que o afastamento do ministro agora, sob fogo cerrado da oposição, além de desgastar um auxiliar de quem se julga devedor, ofereceria aos adversários um “troféu” incômodo para o governo.
Uma das razões que levaram Lula a abrir a discussão em torno dos nomes alternativos a ao de Palocci foi a proximidade do prazo de desincompatibilização dos ministros que vão concorrer às eleições deste ano, que vence no próximo dia 31. Palocci já negou publicamente que alimentasse pretensões eleitorais. Mas o presidente pretende ter com ele uma última conversa a esse respeito.
Escrito por Josias de Souza às 21h05
Bestgraph
Mantendo um comportamento rigoroso que contrasta com a frouxidão do plenário da Câmara, o Conselho de Ética rejeitou nesta quinta-feira, por oito votos contra seis, o parecer do deputado Edmar Moreira (PFL-MG) que recomendava o arquivamento do processo de cassação do mandato do mensaleiro José “R$ 60 mil” Mentor (PT-SP).
Moreira sustentou a tese de que não há provas que justifiquem a poda do mandato de Mentor. Rejeitado o seu parecer, o Conselho indicou o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) para produzir um novo relatório que, espera-se, propugnará pela cassação.
É pena que todo o esforço do Conselho de Ética não venha sendo reconhecido em plenário. Ali, os deputados não se pejam de compor, fatia por fatia, a pizza malcheirosa que conspurca a já combalida imagem da atual legislatura.
Escrito por Josias de Souza às 18h10
Lula Marques/F.Imagem
O caseiro Francenildo dos Santos Costa passou de denunciante a investigado. O Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras), órgão subordinado ao ministro Antonio Palocci (Fazenda), apura, veja você, a suspeita de envolvimento do caseiro em crime de lavagem de dinheiro.
Francenildo foi ouvido nesta quinta-feira pela Polícia Federal. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do caso, informou ao caseiro a ao seu advogado, Wlício Chaveiro Nascimento, que ele estava sendo inquirido nem como testemunha nem como vítima. É um investigado. A PF pediu à Justiça autorização para quebrar-lhe os sigilos bancário e telefônico.
"Para nossa surpresa ele está na condição de investigado porque o Coaf requereu que se instaurasse inquérito para investigar uma movimentação que seria incompatível com a conta [renda] dele", afirmou o advogado Wlício Nascimento. Ele disse que o pedido do Coaf foi feito no dia último dia 20 de março.
Em seu depoimento, o caseiro ratificou a versão de que os R$ 24.990 que ingressaram em sua conta-poupança da Caixa Econômica Federal provieram de seu pai biológico, o empresário piauiense Eurípedes Soares da Silva.
Depois, numa entrevista coletiva, comentou a quebra ilegal de seu sigilo bancário. Irônico, sugeriu ter votado em Lula nas eleições de 2002: "Queria que eles investigassem o meu sigilo eleitoral, para ver que o simples caseiro votou em quem: se foi no simples operário que está lá em cima."
"Olha o troco que estou recebendo hoje", prosseguiu o caseiro. Ele responsabiliza Lula pelos dissabores que vem enfrentando. Sugere que o presidente estaria protegendo Palocci: “Se é ele que está escondendo o 'chefe' (Palocci)..."
Escrito por Josias de Souza às 17h26
O PSDB encaminhou nesta quinta-feira ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), uma denúncia em que pede a abertura de processo com o objetivo de enquadrar o ministro Antonio Palocci (Fazenda) em crime de responsabilidade. O documento foi assinado pelo deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), na condição de presidente interino do partido.
O tucanato acusa Palocci de ter se omitido diante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, esquivando-se de abrir um processo de investigação para identificar os responsáveis. Acusa-o também de ter mentido quando disse que não esteve na chamada “mansão do lobby”. Por último, levanta dúvidas quanto ao envolvimento pessoal de assessores diretos do ministro no vazamento dos extratos bancários do caseiro que desdisse o ministro na CPI dos Bingos.
Antes de instaurar o processo, o presidente da Câmara fará uma análise preliminar da denúncia do PSDB contra Palocci. Se julgar que ela é improcedente, Aldo Rebelo pode mandá-la ao arquivo. “Neste caso, recorreremos ao plenário da Casa”, avisa Alberto Goldman.
Se julgar que a abertura de processo é justificável, Aldo terá de constituir uma comissão especial de parlamentares para analisar as denúncias contra Palocci. A tramitação do processo é regulada pela mesma lei que prevê o afastamento de presidentes da República por crime de responsabilidade.
Há só uma diferença: nos casos envolvendo presidentes, o plenário da Câmara tem a prerrogativa de afastar o mandatário do cargo temporariamente. Cabe ao Senado o julgamento final do pedido de impeachment, como ocorreu no processo que envolveu o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Quando o acusado é ministro de Estado, a Câmara também pode determinar o seu afastamento. Mas caberá ao STF promover o julgamento final.
Escrito por Josias de Souza às 16h48
A Caixa Econômica Federal informou nesta quinta-feira que afunilou-se em dois nomes a sindicância instaurada para descobrir os responsáveis pela quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Diz o seguinte a nota divulgada pela casa bancária que responde a Antonio Palocci:
"Os dois empregados usuários do equipamento (de onde foram extraídas as cinco folhas de extrato) foram convocados a prestar depoimentos, visando a identificação do responsável pela divulgação indevida das informações."
A apuração da responsabilidade pela quebra do sigilo, afirma ainda a nota da Caixa, "prosseguirá com toda a celeridade, observados os princípios constitucionais de ampla defesa e do contraditório, para que se chegue a elucidação dos fatos, aplicando-se as penalidades cabíveis".
O blog apurou que o Planalto já dispõe do nome do responsável. Mais: já conhece detalhes da cadeia de comando que se esconde atrás do terminal de computador da Caixa. Falta só trazer a coisa a público. A demora, neste caso, não é boa conselheira. Em casos do gênero, deve-se agir dez vezes antes de pensar.
Escrito por Josias de Souza às 13h14
Abdul Rahman, 41, é personagem de um dos editoriais desta quinta-feira do prestigioso New York Times. O sujeito está sendo julgado no Afeganistão por haver se convertido ao cristianismo.
O promotor que o acusa, Abdul Wasi, pede à Justiça afegã que Rahman seja passado nas armas. Seria sentenciado à pena capital por abandono da fé islâmica. O NYT questiona o apoio da gestão George Bush a um regime que não se dispõe a respeitar direitos humanos básicos.
Rahman foi preso há duas semanas. Denunciou-o a própria família. Inquirido em juízo, disse que suas crenças religiosas mudaram há 16 anos, quando trabalhou para uma ONG cristã no Paquistão. O promotor ofereceu-lhe a oportunidade de livrar-se das acusações desde que voltasse a professar a fé muçulmana. O réu recusou a oferta.
“Teria sido perdoado", disse Abndul Wasi, o promotor, “Mas ele disse que é cristão e sempre será. Isso contradiz as nossas leis. Deve ser castigado com a pena de morte.” Por ora, não há sentença judicial. Se a insanidade do promotor contaminar o juiz, a pena de morte ainda terá de ser confirmada por um tribunal superior e pelo próprio presidente do Afeganistão, Hamid Karzai.
Emparedado pela sociedade dos EUA, cada vez mais impaciente com suas aventuras militares ao redor do mundo, Bush prometeu fazer gestões em favor da liberdade religiosa no Afeganistão.
No texto de seu editorial, o NYT anota que o país foi liberado da opressão imposta pelo regime taliban pelas tropas norte-americanas. Recorda que a tênue paz experimentada em solo afegão é garantida pelas mesmas tropas. E arremata: “Se o Afeganistão quer voltar aos seus dias de taliban, que faça sem a ajuda dos EUA.”
Escrito por Josias de Souza às 12h42
Além do motorista Francisco das Chagas e do caseiro Francenildo, um outro par de olhos viu Antonio Palocci na “mansão do lobby”, “ou casa dos prazeres”, dependendo do ângulo que se observe. Chama-se Nelma, como informa o Painel da Folha (para assinantes), em duas notas:
Gato escaldado: A mulher de Francenildo dos Santos Costa, Nelma, resiste aos apelos do caseiro e da oposição para depor na CPI dos Bingos. Ela, que também trabalhava na casa alugada pela "República de Ribeirão", teme represálias.
Dois em um: Convocar Nelma seria uma forma de driblar o veto do STF ao depoimento de Nildo. Pefelistas e tucanos avaliam que, se mais um funcionário declarar ter visto Antonio Palocci na "casa do lobby", será o fim da linha para o ministro da Fazenda.
Escrito por Josias de Souza às 07h30

- JB: Supremo decide - Proibido a farra das alianças
- Folha: STF proíbe coligações livre em 2006
- Estadão: STF derrota Congresso e limita aliança eleitoral
- Globo: Caixa poderia descobrir em minutos quem violou o sigilo
- Correio: Caixa sofre pressão por todos os lados
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h39
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 02h18
Alan Marques/Folha Imagem
O prefeito José Serra já costura a aliança para disputar o governo de São Paulo, informam os repórteres Catia Seabra e Conrado Corsalette, na Folha (para assinantes). Na última terça-feira, Serra recebeu o presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, e o deputado Geraldo Vinholi (PDT). Programada para tratar sobre um centro de solidariedade, a conversa desviou para a corrida ao governo de São Paulo.
Gente próxima ao prefeito aposta num anúncio até o fim de semana, após uma romaria a seu gabinete. "Serra disse que não tem como escapar. E não tem muito tempo", disse Paulinho, segundo o qual os dois discutiram uma eventual aliança, mesmo que apenas no segundo turno, caso o PDT decida manter a candidatura de Carlos Apolinário.
O secretário de Governo de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, já conversou o ex-governador e presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. Acenou com a possibilidade de Quércia concorrer ao Senado pela chapa de Serra. O PFL prefere que a candidatura ao Senado seja entregue a Guilherme Afif Domingos.
Costura-se, de resto, a indicação do presidente nacional do PMDB, Michel Temer, para a vaga de vice-governador. Programou-se para esta quinta-feira um ato em que os 22 deputados estaduais do PSDB oficializarão o apoio à candidatura Serra. O prefeito parece ter obtido em São Paulo o que não conseguiu em âmbito nacional: a ansiada unanimidade partidária.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Folha Imagem
Passava da meia noite quando o plenário da Câmara produziu o segundo vexame do dia: livrou-se guilhotina também o deputado mensaleiro João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG), à direita na foto. Antes dele, já havia sido absolvido o deputado Walderval “R$ 150 mil” Santos (PL-SP), à esquerda.
As absolvições desta quarta-feira foram produzidas graças a uma nova tática do corporativismo parlamentar: a ausência em plenário. O quorum baixo conspirou com a descida da guilhotina.
Entre a vergonha Wanderval e o acinte Magno, tentou-se adiar a votação. Sob o argumento de que a Câmara estava prestes a investir contra a própria imagem, o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) propôs, com o apoio do líder do PSDB, Juthay Magalhães Jr. (BA), a suspensão da sessão. Levada a vota, a proposta foi rejeitada.
No caso de Wanderval, houve mais votos pela condenção (242) do que pela absolvição (179). Mas o quorum mínimo necessário à cassação do mandato do deputado (257 votos) não foi atingido. Afora as convenientes ausências, registraram-se 20 abstenções e três votos em branco.
No julgamento de Magno, a tese da absolvição (207 votos) prevaleceu sobre a lâmina (201). De novo, houve 10 abstenções, cinco votos em branco e três nulos. Com mais estas duas fatias, vai se completando, devagarinho, a temida pizza do mensalão.
Dos 19 deputados acusados, só três tiveram a cabeça apartada do pescoço: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Livraram-se, até aqui, onze mensaleiros.
Quatro contornaram o patíbulo pelo atalho da renúncia: Valdemar Costa Neto (PL-SP), José Borba (PMDB-PR), Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Paulo Rocha (PT-PA).
Outros sete, safaram-se graças à benevolência corporativa do plenário. Além de Wanderval e Magno foram poupados: Romeu Queiroz (PTB-MG), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Sandro Mabel (PL-GO) e Pedro Henry (PP-MT).
Encontram-se pendentes de julgamento outros cinco processos: João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP). Alguém se arrisca a dizer quantos serão condenados?
Escrito por Josias de Souza às 01h07
Alan Marques/Folha Imagem
Antonio Palocci deixou de ser uma unanimidade no governo. Abriu-se uma divisão entre os auxiliares mais próximos de Lula, que compõem o núcleo decisório do governo. Uma parte acha que o presidente deveria afastar Palocci do Ministério da Fazenda.
Lula realizou nas últimas horas uma rodada de consultas entre ministros e assessores mais próximos sobre a situação de Palocci. Um dos consultados interpretou a iniciativa como uma evidência de que o próprio presidente está em dúvida quanto à conveniência de manter o ministro no governo.
Os defensores da saída de Palocci acham que a situação do ministro se complicou com o surgimento de evidências do envolvimento da Caixa Econômica Federal e do próprio Ministério da Fazenda na operação que resultou na quebra ilegal do sigilo bancário do Francenildo dos Santos Costa e no vazamento dos extratos do caseiro para a imprensa.
O governo já sabe quem extraiu os dados dos computadores da Caixa Econômica. Chegou-se ao nome em função dos rastros identificados nas cópias dos extratos. No meio da tarde desta quarta-feira, a Caixa prometeu que divulgaria os resultados de uma sindicância interna. Subitamente, o banco oficial recuou. As informações foram, porém, repassadas ao Palácio do Planalto.
Brasília respirou uma atmosfera envenenada durante todo o dia. Um boato desceu a Esplanada dos Ministérios em direção ao Congresso: Palocci teria pedido demissão. Levaria com ele o assessor de imprensa da Fazenda, Marcelo Netto, apontado por integrantes da CPI dos Bingos como responsável pelo vazamento dos dados bancários de Francenildo. Em público, Netto tem evitado falar sobre a acusação. Privadamente, nega participação no episódio.
À noite, duas pessoas próximas a Lula desmentiram ao blog que o ministro houvesse sido demitido. Palocci teve, de fato, uma longa conversa com o presidente, no Planalto. Disse a Lula que a última coisa que deseja é criar problemas para ele e para o governo. Os dois avaliaram juntos a conjuntura. Concluiu-se que é mesmo delicada a situação do ministro. Lula recomendou-lhe serenidade.
A principal preocupação do governo no momento é tentar evitar que a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo seja caracterizada como um crime de Estado. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse a Lula que é essencial individualizar responsabilidades e punir exemplarmente os envolvidos. O presidente deu razão ao auxiliar.
Ao retardar a divulgação dos dados já apurados pela Caixa Econômica, o Planalto ganha tempo, para unificar o discurso. A oposição aproveita para faturar. José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado, disse que o prazo de 15 dias solicitado pela Caixa para concluir a sindicância é um “escárnio”. “Estão tentando encontrar um Delúbio (Soares)”, diz ele, numa alusão ao fato de o ex-tesoureiro petista ter assumido todas as culpas no escândalo do mensalão.
Palocci está abatido. Há uma semana não comparece ao Ministério da Fazenda. Prefere despachar num gabinete do Palácio do Planalto. Ali, diferentemente do que ocorre no prédio da Fazenda, o ministro pode entrar pela garagem, evitando o contato com jornalistas. E por que o ministro, sempre afável com repórteres, desenvolveu essa súbita aversão à imprensa?
O próprio Palocci deu a resposta a um colega de ministério. Receia que, numa eventual entrevista, as perguntas resvalem para temas pessoais. Dá-se de barato no governo que Palocci esteve mesmo na “mansão do lobby”, aquela casa alugada por pessoas que o assessoraram na prefeitura de Ribeirão Preto para fazer negócios e promover festas.
Diz-se, porém, que Palocci não tomou parte dos encontros de lobby da casa. Suas visitas diriam respeito apenas ao cotidiano pessoal do ministro. Daí o receio do contato com os jornalistas. Em reunião promovida na última terça-feira no Planalto, em que se discutiu a estratégia de defesa de Palocci no Congresso, o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana, disse ao ministro que estava sustentando que ele não esteve na tal casa. E Palocci: “Você não deve dizer que eu não fui. Isso só eu posso dizer.”
Na mesma reunião, o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) e o deputado Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara, sustentaram a tese de que a ida de Palocci à casa da “República de Ribeirão”, foco da oposição no Congresso, deveria ser ignorada nas manifestações públicas dos aliados do governo. O importante a realçar seria o fato de que o ministro não tomou parte de nenhum negócio ilícito.
Escrito por Josias de Souza às 23h55
Como previsto, o STF manteve nesta quarta-feira, por nove votos contra dois, a aplicação da regra da verticalização nas eleições deste ano. Essa regra proíbe os partidos de realizar nos Estados alianças políticas diferentes daquelas firmadas em torno dos candidatos à presidência da República. O julgamento do Supremo foi provocado por uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil.
Com essa decisão, fica mais difícil a costura de alianças para a eleição presidencial. Partidos que antes tendiam a se aliar a um ou outro candidato presidencial passam a analisar a conveniência de não firmar a aliança nacional, ficando livres para costurar nos Estados os acertos partidários mais convenientes.
Escrito por Josias de Souza às 19h25
A Câmara acaba de absolver mais um deputado mensaleiro, Walderval “R$ 150 mil” Santos. Para que ele fosse passado na lâmina, seriam necessários 257 votos favoráveis à cassação. Só houve 242. Outros 179 deputados votaram pela absolvição. E 20 se abstiveram de votar. Na seqüência, a Câmara vai julgar João "R$ 425,9 mil" Magno (PT-MG). É mais uma absolvição esperando para acontecer.
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) propôs à mesa da Câmara o adiamento da votação. Ele denuncia a absoluta falta de quórum para a análise de mais um processo de cassação.
Escrito por Josias de Souza às 19h12
Ao manusear as cinco folhas dos extratos de Francenildo dos Santos Costa arrancadas ilegalmente dos computadores da Caixa Econômica Federal, investigadores do caso identificaram nesta quarta-feira uma pista que pode ser decisiva para a elucidação do mistério. Trata-se do código H4A00000, que identifica a máquina de cujas entranhas os segredos do caseiro que desdisse Antonio Palocci foram extraídos.
Quem vazou os extratos para a imprensa teve o cuidado de apagar a matrícula do funcionário que operou o terminal de computador. Mas, por descuido ou desconhecimento, manteve impresso em três das cinco folhas do extrato bancário de Francenildo o código do terminal. Combinando-se esse código com o horário em que o crime da violação ilegal foi cometido (20h58min21s), também registrado nos papéis, torna-se muito fácil rastrear a identidade do responsável. Ou da responsável.
Premida pela revelação da novidade, a Caixa Econômica, que havia prometido a conclusão de sua sindicância interna para daqui a 15 dias, pode ser forçada a apressar o seu trabalho. Soaria ridículo, com tamanhas evidências, usar todo o tempo previsto para a apuração. Incomodada com as suspeitas lançadas em sua direção, a Polícia Federal ameaça adiantar-se à instituição bancária oficial, impondo-lhe um constrangimento adicional.
Resta saber se, uma vez identificado(a), o(a) violador do sigilo de Francenildo revelará de onde partiu a ordem. Um integrante da CPI dos Bingos foi informado por um funcionário da Caixa que a determinação veio do gabinete da presidência da instituição. Obtidos os extratos, eles teriam sido enviados por fax a um assessor direto de Palocci. Partiu do Ministério da Fazenda o vazamento.
Escrito por Josias de Souza às 17h47
Sérgio Lima/Folha Imagem
Lula assinou nesta quarta-feira decreto que cria a Comissão Nacional de Política Indigenista. Durante a cerimônia convocada para marcar o gesto, no Planalto, Sua Excelência deu bom dia para o azar.
O azar é, normalmente, apenas uma coisa que as pessoas colocam na cabeça. No caso de Lula, homem cuja sorte é comprovada pela própria trajetória, os sortilégios da vida nunca constituíram uma preocupação.
Talvez por isso, o presidente permitiu que um representante da tribo Rikbaktsa, de Mato Grosso, lhe acomodasse sobre a cabeça um vistoso cocar. Deve ser praga do velho Ulysses Guimarães, incomodado com o que Lula, em maquinações com Renan Calheiros e José Sarney, vem fazendo com o seu PMDB.
Ulysses, que as águas de Angra o tenham, sabe conhece bem o peso do aparato indígena. Ele ousou cometer a mesma extravagância agora praticada por Lula em 1988, ocasião em que era o homem mais poderoso da República –presidia a Constituinte e o PMDB, mandava e desmandava no governo Sarney. Viu-se compelido a acomodar sobre a calva um cocar recebido de índios que o visitaram na Câmara.
No ano seguinte, Ulysses embarcou numa candidatura presidencial. Queria dar ordens sem a intermediação incômoda de Sarney. Seu sonho, porém, não decolou. Faltaram-lhe o motor do apoio partidário e o combustível das graças do eleitor.
Lula leva sobre Ulysses a vantagem de ter fechado o corpo num ritual vodu a que se submeteu em sua última viagem à África. Mas como o Brasil, país de notória má sorte, não costuma render homenagens nem mesmo à lógica das crenças, convém ao presidente observar certas precauções.
Sugere-se a Lula, por exemplo, que transfira todos os seus despachos importantes para as sextas-feiras. Sob pena de terminar o seu mandato numa encruzilhada.
Escrito por Josias de Souza às 16h39

O deputado cassado José Dirceu vai ingressar nesta quinta-feira com um recurso para tentar reaver no STF o seu mandato, cassado em novembro de 2005 pelo plenário da Câmara. A ação será protocolada no Supremo às 14h desta quinta-feira pelo advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima.
No recurso, o ex-chefe da Casa Civil pede explicitamente ao STF que restitua o seu mandato. O advogado de Dirceu disse ao blog que a cassação de seu cliente foi um “fuzilamento político”. Para reforçar a tese de que o deputado sofreu perseguição, ele menciona no recurso a forma distinta com que a Câmara tratou outros parlamentares envolvidos no chamado escândalo do mensalão, absolvendo-os em plenário.
Na entrevista que dera no dia seguinte à cassação, Dirceu dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Mudou de idéia, conforme havia sido noticiado aqui em 27 de fevereiro. Agora avalia que o ambiente político lhe é favorável. Seus advogados convenceram-no, de resto, de que o recurso tem boas chances de prevalecer no campo jurídico.
O advogado Oliveira Lima não incluiu na ação nenhum pedido de liminar. Ou seja, o caso será julgado em termos definitivos, mediante análise do mérito. O ministro que for sorteado para receber a causa pode julgar sozinho ou levar o assunto para uma decisão do plenário do Supremo.
O blog conversou na manhã desta quarta-feira com um ministro do STF. Ele disse que considera difícil que Dirceu venha a ter êxito no Supremo. Esclareceu que falava em tese, sem conhecer o teor da ação.
Escrito por Josias de Souza às 15h35

- JB: O caso do caseiro - Governo investiga o governo
- Folha: Presidência da CEF ordenou quebra de sigilo, afirma CPI
- Estadão: PFL culpa Palocci por quebra de sigilo
- Globo: Presidente da CEF admite quebra ilegal de sigilo
- Correio: E, na peleja de Palocci com caseiro, sobrou para gerente...
Leia os destaques de capa dos principais jornais do país.
Escrito por Josias de Souza às 07h31
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h00
Sérgio Lima/Folha Imagem
O tucano Geraldo Alckmin padece agora de um problema que o PSDB costuma imputar a Lula. Candidato oficial de seu partido à presidência da República, o governador segue “colhendo” as obras que “plantou”. Além de sujeitar-se à acusação de uso da máquina pública para fins eleitorais, Alckmin submete-se à reação da claque adversária.
Nesta terça-feira, Alckmin foi vaiado durante a inauguração de um posto do Poupatempo, em São Paulo. Em discurso, saiu-se com uma ironia: “Se a oposição não estivesse presente, seria chato. A democracia é assim e eu não tenho medo de cara feia.”
Em sua perambulação do dia, Alckmin responsabilizou Lula pela conduta de seus ministros. Referia-se, evidentemente a Antonio Palocci. Num esforço para estabelecer comparações, disse: “Em São Paulo não tem ladrão”. Lula, disse o governador, “é responsável por seus ministros. A qualidade do governo é a qualidade das pessoas que o compõem”.
Esquivando-se de mencionar nomes, o governador pontuou: “A gente vê por aí, em outros governos, dinheiro sendo roubado, desperdiçado. Aqui em São Paulo vocês podem ficar tranqüilos, porque aqui em São Paulo não tem ladrão. Em nosso partido, podemos olhar nos olhos de vocês”.
Alckmin há de ter esquecido as perversões que marcaram os oito anos da gestão tucana de FHC. Não custa refrescar-lhe a memória. Mencionem-se, por suficiente, apenas três episódios: a compra de votos da reeleição, o caso Sudam e as privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”.
Na foto acima, o governador traz os óculos embaçados pelo vapor que se desprendeu do café. De duas uma: ou está tomando café em excesso ou não vem limpando convenientemente as lentes que traz adiante dos olhos. Vá lá que Alckmin queira promover um "banho de ética". De fato, há muito por assear. A começar pelas lentes que impedem a visão panorâmica da lavanderia.
Escrito por Josias de Souza às 00h50
Lembra daquele caso do comandante do Exército que fez um avião da TAM interromper a operação de decolagem para buscá-lo, junto com usa mulher na Quarta-feira de Cinzas? Pois é, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República divulgou nesta terça-feira o seu veredicto sobre a encrenca.
Concluiu-se que o general Francisco de Albuquerque recebeu tratamento privilegiado. Diz o texto produzido pela comissão: “... é forçoso reconhecer que, dada a importância e visibilidade do cargo público que (o general) ocupa, o tratamento que lhe é dispensado sempre receberá influência daquele cargo”.
Recomendou-se a autoridades que venham a ser expostas a situações como a vivida pelo general Albuquerque que se pautem pela “clareza de posições e decoro, para motivar o respeito e a confiança do público”. Quer saber qual foi a punição sugerida? Nenhuma. Repetindo: nenhuma.
Argumentou-se que não há nas notas da TAM e do Departamento de Aviação Civil e da Infraero elementos capazes de demonstrar que o general tenha se valido do cargo para receber o tal “tratamento privilegiado”.
Para a comissão, é difícil separar “o cidadão Francisco de Albuquerque do comandante do Exército, general Francisco de Albuquerque”. Então, tá! Isto é Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 00h21
Como sói acontecer, o contribuinte deve ficar com o mico na briga travada entre Francenildo dos Santos Costa e o governo. O empresário Eurípedes Soares da Silva, identificado pelo caseiro como seu pai biológico, planeja reclamar na Justiça uma indenização à União.
Dono da empresa piauiense de ônibus E. Soares, Eurípedes argumenta que, ao quebrar ilegalmente o sigilo bancário de Francenildo, o governo acabou expondo em âmbito nacional um drama que era privado: o questionamento de paternidade feito por Francenildo. Um problema que, segundo diz o empresário, era desconhecido de sua família e da comunidade onde vive, em Teresina.
Se bobear, os R$ 25 mil que Fracenildo diz ter recebido de Eurípedes como compensação pelo não-reconhecimento da paternidade acabarão sendo compensados com folga. Como diz o governo em relação às supostas visitas de Antonio Palocci à “mansão do lobby” não se deve mesmo bulir com assuntos pessoais.
Escrito por Josias de Souza às 23h56
O Conselho Nacional de Justiça fixou nesta terça-feira os limites dos tetos salariais no âmbito do Judiciário. Desembargadores e funcionários dos tribunais nos Estados não poderão ganhar mais do que R$ 22.111,25. No Judiciário federal, o valor máximo é o salário dos ministros do STF: R$ 24.500.
Abriram-se quatro exceções. Não serão computados no cálculo do teto vencimentos recebidos por conta do exercício do magistério, gratificações pagas a juízes eleitorais, benefícios previdenciários e verbas indenizatórias (auxílio-mudança e auxílio-transporte, por exemplo).
No mais, os tribunais que estiverem pagando vencimentos acima do teto terão de podar o excesso em 90 dias. A exemplo do que ocorreu no caso do nepotismo, haverá muita chiadeira. Tem gente ganhando mais de R$ 50 mil por mês.
Escrito por Josias de Souza às 23h29
Sérgio Lima/Folha Imagem
Em reunião reservada com um grupo de ministros na noite de segunda-feira, Lula determinou ao titular da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a identificação dos responsáveis pela quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. “Quem fez isso vai ter que pagar”, disse o presidente. "Não é justo que o governo como um todo pague."
Lula quer descaracterizar o vazamento dos dados do caseiro como um ato de governo. Algo que também o ministro da Justiça acha essencial. Daí a preocupação em individualizar responsabilidades. O presidente cobrou pressa no inquérito aberto pela Polícia Federal e na sindicância iniciada na Caixa Econômica Federal, de onde saíram os extratos do caseiro.
Antes de viajar para a Bahia, Lula pediu a um grupo de ministros que ser reunisse, sob a coordenação de Dilma Rousseff (Casa Civil), na manhã desta terça-feira, com líderes do governo no Congresso. O encontro serviu para traçar uma estratégia de defesa de Antonio Palocci (Fazenda). O presidente continua decidido a manter no cargo o ministro da Fazenda, embora alguns de seus auxiliares já avaliem que talvez não seja possível.
A reunião encomenda por Lula aconteceu no Palácio do Planalto, sem a presença dele. Lá estavam, além de Thomaz Bastos, Dilma, os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional) e Antonio Palocci (Fazenda), o alvo de todas as denúncias. Participaram também os deputados Henrique Fontana e Arlindo Chinaglia, respectivamente líderes do PT e do governo na Câmara.
Palocci estava abatido. Falou pouco, só quando provocado. Armou-se durante o encontro a estratégia política que será adotada pelo governo em sua defesa. Acertou-se que a bancada do PT no Congresso tratará os ataques da oposição como “discurso eleitoral”, próprio de quem está em desvantagem nas pesquisas. Na linha do que dissera Lula na véspera, decidiu-se também tentar desvincular o governo da quebra do sigilo bancário do caseiro.
Esta segunda parte da estratégia vai se mostrando mais difícil de sustentar do que supunham os ministros e líderes do PT. Os desdobramentos registrados ao longo desta terça-feira mostraram que os dados bancários de Francenildo saíram mesmo da Caixa Econômica Federal. Quanto ao vazamento, integrantes do próprio governo e parlamentares suspeitam que tenha sido promovido pelo assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto. O signatário do blog tentou ouvi-lo, sem sucesso. Em diálogos reservados, ele nega participação no episódio.
Um integrante da CPI dos Bingos informou ao blog ter recebido de um funcionário da Caixa Econômica as seguintes informações: partiu de um assessor da direção do banco oficial a ordem para que a Suare (Superintendência Nacional de Rede) emitisse os extratos de Francenildo. Os dados foram extraídos do Siuso, um sistema informatizado interno da Caixa, por uma gerente do sexo feminino. Os extratos foram, em seguida, repassados por fax para um auxiliar direto de Palocci.
Na tarde desta terça-feira, uma comitiva da CPI dos Bingos reuniu-se com a diretoria da Caixa. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos integrantes do grupo, exibiu na reunião uma cópia dos extratos vazados para a imprensa. O parlamentar informou ao blog que, depois de manusear o documento, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso reconheceu que, “se for verdadeiro”, deixa claro tratar-se de algo que foi extraído do sistema por uma pessoa em nível de gerência.
Escrito por Josias de Souza às 19h55
Lula Marques/F.Imagem

Em viagem à Bahia, Lula deu seqüência à “colheita” das "realizações" que “plantou”. O ambiente foi de campanha. No município de Cruz das Almas, Lula visitou o campus de uma universidade. Descerrou uma placa (veja foto abaixo) e anunciou investimentos de R$ 20 milhões, provenientes do programa de expansão das universidades federais.
Ao dirigir-se à platéia, encorpada por funcionários públicos liberados do expediente, Lula disse que não faria discurso porque toda vez que fala a oposição o acusa de fazer campanha. Feito o intróito, o presidente fez precisamente o que disse que não faria: discursou por 17 minutos.
Disse que a região do Recôncavo Baiano vai “mudar de cara”. Continuará produzindo fumo, mas, em uma década, estará exportando, além de tabaco, “a inteligência do povo baiano”. A audiência, nitidamente favorável a Lula, gritou palavras de ordem em favor da reeleição do presidente.
Havia, porém, um pequeno número de manifestantes hostilizando Lula. Vaiavam e faziam gestos como os expostos na foto acima: o polegar direito grudado à palma da mão esquerda, executando movimentos rotatórios. Uma alusão gestual à supressão indevida de pecúnia alheia, para ser delicado.
Lula Marques/Folha Imagem

Escrito por Josias de Souza às 18h51
Francenildo dos Santos Costa encaminhou nesta terça-feira à CPI dos Bingos uma autorização para a quebra do seu sigilo bancário. O portador do documento foi seu advogado Wlício Chaveiro Nascimento.
A despeito da inocuidade da providência, uma vez que o sigilo do caseiro já foi quebrado ilegalmente, o gesto está carregado de simbolismo. A autorização foi lida no plenário do Senado pelo presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB).
Nas pegadas da leitura feita por Efraim, a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) desafiou Paulo Okamotto e Fábio Luiz Lula da Silva, respectivamente amigo e filho de Lula, a imitarem o caseiro. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fez o mesmo.
A oposição parece convencida de que Okamotto e Lulinha, como o filho do presidente é chamado, são os calcanhares de Lula. Os ossos calcâneos de Sua Excelência não serão mais deixados em paz.
Escrito por Josias de Souza às 17h27

Peça auto-explicável produzida pela "Central de Outdoor".
Escrito por Josias de Souza às 16h43
O Conselho de Ética do Senado arquivou nesta terça-feira o processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado da prática de caixa dois. A representação contra Azeredo fora protocolada pelo PT, depois que o próprio senador tucano reconhecera, em depoimento espontâneo à CPI dos Correios, a utilização de verbas clandestinas em sua campanha para o governo de Minas em 2002.
A campanha de Azeredo foi uma espécie de avant-première do valerioduto. As arcas da coligação tucana em Minas foram nutridas por um esquema em tudo semelhante ao que foi montado pelo petismo. A diferença está no volume dos recursos e no nome do tesoureiro. O de Azeredo era Cláudio Mourão. O do PT, Delúbio Soares. O provedor de ambos era o mesmo: Marcos Valério.
Relator do caso de Azeredo na Comissão de Ética, o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), mandou o processo ao arquivo por entender que, na época em que o tucanato mineiro relacionou-se com Valério, Azeredo não era senador. Entendeu que, por essa razão, é impossível julgá-lo por quebra do decoro parlamentar. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 16h10
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) acaba de assinar um ofício que será enviado nesta terça-feira ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa. No texto, o ministro pede ao procurador-geral que indique um representante do Ministério Público para acompanhar as investigações da Polícia Federal em torno do caso do vazamento ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
A assinatura do ofício foi precedida de um telefonema de Thomaz Bastos para Fernando de Sousa. O ministro concluiu que o acompanhamento do Ministério Público é essencial para que não pairem dúvidas quanto à isenção com que a Polícia Federal irá atuar neste caso. Trata-se de uma investigação delicada. Está sob suspeição o Ministério da Fazenda e, no limite, o próprio titular da pasta, Antonio Palocci.
Em declarações públicas que fizera na véspera, o ministro considerou “grave” o vazamento dos dados bancários do caseiro. Prometeu apuração. A quebra de sigilo da conta de poupança mantida por Francenildo na Caixa Econômica Federal ocorreu na última quinta-feira, mesmo dia em que o caseiro desmentiu Palocci em depoimento à CPI dos Bingos. Na sexta, os dados já haviam sido tornados públicos.
PS.: Após a publicação deste despacho, houve os seguintes desdobramentos: o Ministério Público designou dois procuradores da República para acompanhar as investigações da quebra de sigilo ilegal do caseiro Fracenildo. Eles se chamam Gustavo Peçanha e Lívia Tinoco. Além de atender ao pedido de Thomaz Bastos, os procuradores farão nos próximos 30 dias uma apuração própria, atendendo a ações protocoladas nesta terça-feira por três partidos políticos: PPS, PSDB e PFL. Na Polícia Federal, as investigações serão comandadas pelo delegado Rodrigo Carneiro Gomes.
Escrito por Josias de Souza às 10h48

- JB: Supremo proíbe novo depoimento - O caseiro contra-ataca
- Folha: Sigilo de caseiro foi quebrado na CEF
- Estadão: Sob suspeita, PF investiga violação de sigilo de caseiro
- Globo: PF: só Caixa pode explicar a quebra ilegal do sigilo
- Correio: Pressão para esconder quem quebrou sigilo
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 08h18
Angeli
Escrito por Josias de Souza às 01h49
Numa dobradinha ditada pelos interesses eleitorais, PSDB e PFL decidiram aproveitar o episódio da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa para tentar reviver a atmosfera de crise moral que levou à queda de popularidade de Lula no ano passado. Na escalada em direção a Lula, a oposição elegeu como escada o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, amigo pessoal do presidente da República.
A estatégia de tucanos e pefelistas, traçada em diálogos privados de líderes dos dois partidos, foi facilitada nesta segunda-feira por uma iniciativa do PT. O senador petista Tião Viana, o mesmo que moveu ação no STF para calar Francenildo na CPI dos Bingos na semana passada, encaminhou à mesa do Senado um pedido formal de quebra do sigilo bancário do caseiro.
“Tenha paciência”, disse Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) a Tião Viana, da tribuna do Senado. “O governo já abriu (o sigilo do caseiro). Vossa Excelência está querendo abrir porta arrombada. Procure uma porta fechada. O PT tem muitas”.
Em resposta a Viana, ACM anunciou a apresentação de um requerimento renovando o pedido de quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto, já aprovado na CPI dos Bingos e suspenso por ordem do STF. A iniciativa recebeu o apoio imediato dos líderes do PSDB, Arthur Virgílio, e do PFL, José Agripino Maia.
Os líderes da oposição fizeram questão de redigir um requerimento idêntico ao de Tião Viana. Trocaram apenas o nome: nos trechos em que o petista escreveu Francenildo dos Santos Costa, PFL e PSDB anotaram Paulo Okamotto. Em discurso, Arthur Virgílio referiu-se a Okamotto como "assessor bombril". "Ele tem mil e uma utilidades", disse o senador, ironizando o fato de o presidente do Sebrae ter liquidado uma dívida de Lula junto ao PT de cerca de R$ 30 mil.
Respirou-se no plenário do Senado nesta segunda-feira uma atmosfera de guerra. O ambiente ficou ainda mais envenenado no instante em que o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), acusado pelo PT de receber verbas eleitorais de uma empresa de João Arcanjo, o comendador do crime de Mato Grosso, decidiu pedir também a quebra de sigilo de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente da República.
Antes do pedido de Antero, ACM já havia acusado “Lulinha”, como se referiu ao filho do presidente, de beneficiar-se de repasses financeiros da Telemar para a sua empresa, a Gamecorp. Disse que o presidente não se anima a defender o próprio filho em público. “Nesse ponto ele é precavido”, afirmou ACM. “Por que vou defender o menino se a coisa está errada?”
A líder do PT no Senado, Ideli Sanvatti (SC), considerou o pedido de abertura das contas do filho do presidente como uma “afronta”. Em meio ao embate verbal, num telefonema ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Francenildo deu uma resposta ao requerimento de Tião Viana.
O caseiro mandou dizer que seus dados bancários estão à disposição do Senado. Servindo-lhe de porta-voz, Álvaro Dias declarou: “Abre aspas: ‘espero que os poderosos que estão sendo investigados façam o mesmo’. É este o aparte do sr. Francenildo.”
Escrito por Josias de Souza às 00h56
Sérgio Lima/Folha Imagem
Em reunião da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto, Lula cobrou do ministro Antonio Palocci (Fazenda) nesta segunda-feira uma posição sobre a quebra do sigilo da conta de poupança do caseiro Francenildo dos Santos Costa na Caixa Econômica Federal. A reação do ministro causou estranheza aos participantes do encontro.
De acordo com relato ouvido pelo blog, Palocci comportou-se com inusitada naturalidade. Disse não entender as razões de tanto barulho. Afirmou que, no Brasil, quebra-se o sigilo de todo mundo. Declarou não entender por que a divulgação dos dados do caseiro produziu tamanha crise. Lula pediu uma apuração do episódio. Mais tarde, a Caixa Econômica, que responde diretamente a Palocci, anunciou em nota oficial a abertura de sindicância interna.
A reação trivial de Palocci ao questionamento de Lula adensou uma preocupação que incomoda o presidente desde sexta-feira. Suspeita-se no Planalto que as informações bancárias do caseiro Francenildo tenham sido extraídas dos computadores da Caixa Econômica a pedido de alguém do Ministério da Fazenda. Em todas as suas aparições públicas nesta segunda-feira, Lula exibiu uma cara de poucos amigos (veja foto).
Lula foi informado de que, antes mesmo da divulgação dos extratos de Francenildo no blog de política da revista Época, pelo menos um assessor de Palocci já difundia a suspeita de que o caseiro poderia ter recebido dinheiro da oposição para acusar Palocci. A desconfiança aumentou depois que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou a Lula estar convencido de que o vazamento ilegal não é obra da Polícia Federal.
Reportagem de Marta Salomon e Kennedy Alencar informa que a violação do sigilo bancário de Francenildo ocorreu dentro da própria Caixa Econômica. “O formulário de extração de dados da movimentação bancária” do caseiro, diz o texto, “é exclusivo do sistema interno da estatal, ao qual nem clientes têm acesso.”
Premido pelas circunstâncias, Thomaz Bastos determinou à PF a abertura de inquérito para apurar o caso. Segundo apurou o blog, nos diálogos que manteve com autoridades do governo, o ministro considerou que a violação ilegal das informações bancárias do caseiro constitui um erro “gravíssimo”. Disse a Lula que, a depender do rumo das apurações, o fato pode gerar conseqüências nefastas para o governo.
Ao determinar a abertura de inquérito na PF, Thomaz Bastos apenas antecipou-se aos fatos. Três partidos políticos –PPS, PSDB e PFL—anunciaram a intenção de protocolar no Ministério Público pedidos de apuração do vazamento ilegal. O governo dá como favas contadas que os pedidos serão aceitos pela Procuradoria da República. Também Francenildo decidiu reagir à invasão de sua privacidade. Sob orientação do advogado Wlício Nascimento, o caseiro acionou nesta segunda-feira a Justiça Federal e o Ministério Público. Pede a apuração do caso.
Um detalhe complica a situação do Ministério da Fazenda. Acusada, a Polícia Federal tomou-se de brios. Para preservar a “boa imagem” que julga ter construído, a instituição quer levar a apuração às últimas conseqüências. “Podem ter certeza, quem tirou esse extrato vai ser punido”, disse nesta segunda-feira Wilson Damásio, coordenador de defesa institucional da PF. Para Damásio, a Caixa Econômica tem como explicar as circunstâncias que envolveram a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo.
De acordo com inscrições que podem ser lidas na cópia dos extratos do caseiro divulgados para a imprensa, o documento foi extraído dos computadores da Caixa Econôomica às 20h58min21s da última quinta-feira. Nesse horário, Francenildo encontrava-se na sede da PF em Brasília. Daí a determinação com que a polícia decidiu encarar o episódio.
Escrito por Josias de Souza às 23h35
A oposição começou a trabalhar com a hipótese de convocar o ministro Antonio Palocci (Fazenda) para prestar um novo depoimento à CPI dos Bingos. Pior: já cogita propor à comissão uma acareação de Palocci com o caseiro Francenildo dos Santos Costa e com o motorista Francisco Chagas da Costa.
Francenildo e Francisco Chagas desmentiram o ministro, sustentando que ele, ao contrário do que dissera à CPI, esteve na “mansão do lobby”, como ficou conhecida a casa alugada por integrantes da chamada “República de Ribeirão Preto.
“As investigações serão levadas às últimas conseqüências, inclusive com a reconvocação do ministro e a acareação. Essas hipóteses não estão nem de longe afastadas. Não faltam justificativas para isso”, disse ao blog o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (na foto).
Para Agripino, “os fatos podem convergir para essa necessidade (de acareação). O senador afirma que “as coisas estão ficando tão sérias, e o esclarecimento é tão imperativo, que talvez não tenhamos outro caminho.” O líder do PFL receia que os procedimentos “mais duros” possam ser antecedidas pela queda de Palocci.
“Creio que, antes de chamarmos o Palocci de novo, e não faltam justificativas para isso, o ministro cai”, afirma Agripino Maia. “A única coisa que está sustentando o ministro no cargo é a necessidade de ele ter foro especial. Estamos diante de um absurdo. O caseiro Francenildo disse que o ministro foi à casa do lobby, o motorista Francisco das Chagas confirma. Será que está todo mundo mentindo?”
“Embora o presidente Lula esteja bravateando e insistindo em defender o homem, todo o mercado não tem mais a confiança que tinha no Palocci", avalia Agripino Maia. "As investigações vão seguir um cronograma. Agora vamos atrás de saber quem são os responsáveis pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Depois, vamos seguir os próximos passos. Está em jogo a nossa credibilidade e a do próprio Senado”.
O relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves (PMDB-RN), concorda com Agripino Maia no que diz respeito à fragilidade da situação do ministro da Fazenda. Ele também acha que, antes da eventual aprovação de uma acareção de Palocci com o caseiro e o motorista, o ministro deixaria o governo.
“Acho que se chegarmos à acareação, que seria uma medida extrema e bizarra, ela pode ser frustrada porque o ministro teria que deixar o cargo”, disse ao blog Garibaldi Alves, retido em seu Estado por uma conjuntivite. Para ele, "seria insustentável Palocci ir à comissão para uma acareação como essas.”
O líder do PSDB no Senado, Autur Virgílio (AM), faz coro com os colegas: "O simples fato de se estar falando em acareação mostra que o Palocci não é mais ministro da Fazenda. Creio que, antes de se chegar a uma coisa como essas, ele deixa o governo, seja por demissão indireta, saindo para disputar uma cadeira de deputado, seja por demissão direta ou por renúncia. Na prática, ele já não é ministro. Não discute mais economia."
Na opinião do relator da CPI, Palocci deveria vir a público para dar novas explicações, “como já fez em outras ocasiões”. Garibaldi Alves completa: “Eu estava absolutamente convicto de que o ministro não teria ido àquela casa. Hoje, tenho dúvidas que precisam ser esclarecidas. Que tipo de lobby é esse?” O senador espera que as os fatos sejam elucidados antes que seja necessário analisar a reconvocação do ministro.
Garibaldi Alves, que antes pensava em citar Palocci no relatório final da CPI sem sugerir ao Ministério Público o indiciamento do ministro, já não está tão convicto. “A situação evoluiu em função da gravidade da situação. A apuração ainda não terminou. Mas acho que evoluiu. Pode ser que eu tenha que sugerir (o indiciamento do ministro). Não quero me antecipar, mas também já não posso descartar”.
Escrito por Josias de Souza às 18h05
Folha Imagem
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou nesta segunda-feira que a Polícia Federal vai investigar a quebra clandestina de sigilo bancário do caseiro Francelino dos Santos Costa. “O governo é o maior interessado nesta apuração”, disse o ministro.
Conforme relato da repórter Claudia Rolli, Thomaz Bastos classificou como “séria” a violação do sigilo do caseiro que desmentiu Palocci na CPI dos Bingos. “Essa quebra de sigilo é séria, precisa ser apurada e vai ser apurada."
Na opinião do ministro, o problema de vazamento de informações tornou-se "uma praga" no Brasil. "É uma coisa terrível que precisa ser combatida e coibida e vamos combater isso. Ninguém está fora da legalidade. Ninguém está acima da lei. Isso vai ser investigado e depois de apurado temos certeza que os responsáveis serão punidos."
Escrito por Josias de Souza às 15h24
Notícia para quem deseja fugir da leitura sobre a crise, ainda que por poucos segundos:
Os EUA ainda não lograram encontrar Osama bin Laden. Mas já acharam coisa melhor (veja na foto). Ela se chama Wafah Dufour Bin Laden. É sobrinha do famoso terrorista. A moça não usa as mesmas armas do tio. Mas, à sua maneira, também é um terror.
Filha de um irmão de Osama, Yeslama Bin Laden, com Carmen Dufour, Wafah Dufour nasceu nos EUA, passou parte da infância na Arábia Saudita e voltou para a América do Norte. Diferentemente do tio inflamável, que deu para esconder-se em cavernas desde que passou a figurar no topo da lista dos dez mais procurados do governo Bush, a sobrinha não quer senão exibir-se.
Wafah Dufour é estrela de um reality show nos EUA. Mostra-se Desfila diariamente diante das câmeras todas as suas inquietudes ocidentais --do amor à celulite. A moça quer explodir. No bom sentido, naturalmente. Deseja desvincular-se do sobrenome do pai e virar cantora.
Ela expressou o desejo pela primeira vez no ano passado, ao iniciar a sua “carreira artística” posando com pouca roupa para uma revista. Na falta de uma gravadora que se disponha a medir-lhe o potencial da voz, Wafah Dufour, a boa Laden, vai exibindo outras medidas.
Escrito por Josias de Souza às 13h25
A quebra clandestina do sigilo bancário do caseiro Francenildo tornou-se um grande problema para o governo. Nesse brejo, já mais ninguém duvida, tem sapo. É batráquio corajoso. Do tipo que brinca com jacaré. A coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes) lança, em duas notas, os primeiros fachos de luz sobre o pântano:
* Por dentro: A superintendência da CEF (Caixa Econômica Federal) do Piauí está na esfera de influência direta do PT. O governador do Estado, Wellington Dias, já foi funcionário do banco e presidente do Sindicato dos Bancários de Teresina (PI). Foi na CEF do Piauí que o empresário Eurípedes Soares da Silva fez depósitos em dinheiro para o caseiro Francenildo Santos da Costa. O caseiro teve as contas devassadas depois de depor na CPI contra o ministro petista Antônio Palocci Filho.
* Colaboração: A oposição acha que, além de Palocci -a quem a CEF é subordinada - e da Polícia Federal, que recebeu informações de contas bancárias do próprio Francenildo, também os petistas, dado o conhecimento que têm do banco, podem ajudar a esclarecer quem escarafunchou as contas do caseiro. Quebrar sigilo bancário é crime.
Escrito por Josias de Souza às 11h16

JB: Votação amplia impasse no PMDB
Folha: Para governador, Serra bate todos
Globo: Conta de caseiro foi invadida quando ele estava dentro da PF
Estadão: TCU mostra irregularidades em contratos da Petrobras
Correio: Planalto arma plano para saída de Palocci
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h31
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h20
Pesquisa Datafolha revela: se a eleição para o governo de São Paulo fosse hoje, José Serra seria eleito no primeiro turno. Segundo o Datafolha, o prefeito tucano obteve 58% das intenções de voto no cenário em que figura como candidato do PT o senador Aloizio Mercadante que, com 12%, fica 46 pontos atrás de Serra.
No cenário em que Mercadante é substituído por Marta Suplicy, Serra atinge a marca de 50% dos votos. A ex-prefeita, com 14%, fica 36 pontos atrás do adversário tucano. Computando-se apenas os votos válidos (excluídos os brancos, nulos e indecisos), Serra obtém 65% dos votos contra Mercadante e 57% na disputa contra Marta.
Com esse resultado, a pressão sobre o prefeito para que aceite disputar o governo de São Paulo, que já é grande, vai aumentar dentro do PSDB. O próprio candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, decidiu engajar-se ao movimento, conforme noticiado aqui.
Escrito por Josias de Souza às 02h06
Francenildo Santos Costa diz que estava na Polícia Federal na hora em que foi emitido seu extrato bancário: 20h58min21s. Abaixo, a entrevista, concedida ao Globo:
- Onde você estava às 20h58m21s da última quinta-feira? Estava sob proteção da Polícia Federal. Eles estavam fazendo o processo (de inscrição no programa). Tirando cópias para eu poder assinar e entrar no programa. Numa sala lá.
- Você estava sozinho? Estávamos eu e algumas pessoas da Polícia Federal. Nunca estive só na sala. Estava sempre acompanhado de dois, três.
- Seus documentos estavam com você? A identidade e o CPF foram selecionados, para inscrever no processo do programa lá. Aí, na última hora, veio para pedir meu cartão de crédito (de banco). Me perguntou se tinha conta, disse que sim, aí pediu meu cartão e eu entreguei. Foi só isso.
- Isso foi que horas? Foi por volta dessa hora aí (cerca de 21h). Eu estava na proteção da polícia, num prédio da Polícia Federal, como vou sair para tirar um extrato? Não tem nada a ver. O extrato tira durante o dia, né ? Quando a Caixa está aberta.
- O que eles diziam pra você? Que tava demorando por causa de uma máquina de xerox lá, para tirar (cópias) de três folhas.
- Não há nenhuma chance de você ter ido a um caixa eletrônico? Não. Isso eu posso afirmar. Nem sei se na Polícia Federal tem caixa eletrônico. Não estava precisando de dinheiro, deixei meus documentos todos com eles, até o meu celular eu entreguei.
- Quanto tempo você ficou esperando para tirar cópia dos documentos? Dez ou 20 minutos.
- Sua senha é fácil de gravar? Não. Tem a senha e ainda três palavras que tem que digitar. Isso eu estranhei (porque acabara de registrar letras de segurança de acesso aos dados). Um mês antes escolhi as três letras no Gilberto Salomão (centro comercial onde há uma agência da Caixa).
- Você não contou para ninguém a senha? Não, só dei meu cartão. Achei esquisito pedirem meu cartão da Caixa. Não vou dar minha senha, né? Eles pediram para tirar uma cópia, não para ir ao caixa eletrônico.
- Para onde você foi levado após se inscrever no programa? Eu estava sob proteção, dormi numa casa em que eles me levaram, mas não sei onde é.
Para o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, a quebra de sigilo bancário do caseiro, à revelia de um pronunciamento da Justiça, é um fato gravíssimo.
Escrito por Josias de Souza às 01h51

Lula diz que ele fica, sua assessoria nega que ele pense em sair, mas, a despeito de todas as negativas oficiais, Antonio Palocci balança no cargo. Abatido com as novas denúncias, o titular da Fazenda informou a pessoas que desfrutam de sua intimidade que está dividido quanto à conveniência de permanecer no governo. Sente-se desconfortável no posto. Receia que o tiroteio contra ele aumente no calor da disputa eleitoral, resvalando em Lula.
Embora a última palavra do ministro tenha sido de desmentido, não há mais dúvidas no Palácio do Planalto de que Palocci realmente esteve na “mansão do lobby”, como ficou conhecida a casa alugada em Brasília por ex-assessores do ministro ao tempo em que foi prefeito de Ribeirão Preto. Ou seja, Palocci não teria dito a verdade quando negou ter estado na casa, em depoimento à CPI dos Bingos.
Nos diálogos que mantêm entre quatro paredes, autoridades do governo alegam em defesa de Palocci que as visitas dele à casa dizem respeito apenas à sua vida pessoal. O ministro não teria participado das reuniões em que os integrantes da chamada “República de Ribeirão Preto” arquitetavam os seus negócios. Daí a negativa de Palocci no instante em que foi inquirido na CPI.
Apesar da ressalva, os principais auxiliares de Lula puseram-se de acordo em relação a um ponto: a oposição, especialmente PSDB e PFL, não vai mais dar trégua a Palocci. A equipe de Lula se divide, porém, quando o debate evolui para os efeitos de uma eventual saída do ministro da Fazenda do governo.
Uma parte acha que a saída de Palocci soaria como um reconhecimento de culpa. Algo que convém apenas à oposição. Outro grupo avalia que a permanência do ministro vai apenas prolongar a sua agonia. O desgaste migraria inevitavelmente da sala do ministro para o gabinete do presidente da República. De novo, a oposição é a maior beneficiária.
A nova crise que se formou em torno de Palocci deve ser debatida nesta segunda-feira em reunião da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto. Em diálogo que manteve com um ministro neste domingo, o presidente voltou a dizer que não abre mão de Palocci. Seu afastamento está, segundo diz, fora de questão. Quer que todo o governo saia em defesa do ministro que, por ora, não pediu para sair.
Lula alega que a vida íntima de Palocci é algo que só diz respeito a ele. Se não o afastou antes, não faria sentido demiti-lo agora. Quanto às tentativas da “República de Ribeirão Preto” de obter vantagens no governo, o presidente diz que, ao contrário do que insinua a oposição, foram rechaçadas por Palocci.
Para complicar a situação do ministro e do governo, a oposição reforçará nesta semana as cobranças em relação à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Ele teve os seus extratos bancários vazados da Caixa Econômica Federal, instituição que pende do organograma da pasta de Palocci, para a revista Época.
O PPS entra nesta segunda-feira com uma queixa-crime cobrando investigações do Ministério Público. Também o advogado de Francenildo, Wlício Chaveiro Nascimento, prepara uma ação judicial contra a Caixa Econômica. De resto, PFL e PSDB planejam aprovar na CPI dos Bingos um requerimento pedindo explicações ao governo sobre o vazamento.
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Terminou há pouco a reunião de emergência realizada na presidência do PMDB, no prédio da Câmara dos Deputados, para decidir o nome do vencedor das prévias informais realizadas pelo PMDB neste domingo. Depois de uma discussão de mais de três horas, o presidente do partido, Michel Temer, proclamou a vitória de Anthony Garotinho.
A reunião, realizada a portas fechadas, foi tensa. Germano Rigotto, que teve mais votos nas prévias, mas perdeu na contagem que leva em conta um peso diferenciado para cada Estado, ameaçou não reconhecer a vitória do oponente (veja despacho abaixo). Alegou desconhecimento dos critérios, embora tenha participado da reunião em que eles foram estabelecidos, no mês passado.
Em dado momento, Garotinho jogou pesado. Dispôs-se inclusive a aceitar a vitória de Rigotto, desde que ele assumisse integralmente a candidatura, renunciando ao governo do Rio Grande do Sul. Rigotto gaguejou, pigarreou e deu meia volta. “Então eu reconheço a sua vitória”, disse.
O gesto de Rigotto levou em conta a fragilidade das prévias realizadas hoje. Na prática, o processo, por informal, não tem validade legal. A escolha do partido foi feita à revelia do veto imposto por uma liminar do presidente do STJ, Edson Vidigal, que proibiu a realização das prévias.
O vitorioso de hoje não tem nenhuma garantia de que será o candidato oficial do partido. Se as prévias houvessem sido realizadas como previsto, sem questionamentos judiciais, o vencedor seria homologado pela convenção do partido. Do modo como foram feitas, porém, a convenção não tem nenhum compromisso de aceitar a indicação que será feita pela direção do PMDB.
De resto, a perspectiva de manutenção do princípio da verticalização, em julgamento que ainda vai ocorrer no STF, pode levar vários dos diretórios estaduais que participaram das prévias informais deste domingo à conclusão de que o melhor é não ter candidato próprio à presidência nas eleições deste ano. Ou seja, o risco para Rigotto seria enorme. Garotinho, que não ocupa nenhum cargo eletivo, não perde nada assumindo a candidatura presidencial, ainda que em caráter precário.
Os integrantes da ala governista do PMDB, que defendem uma aliança do partido com Lula, festejam a confusão em que se transformou a consulta interna do PMDB. O partido terá agora de convocar uma convenção nacional. Pela lei, pode fazê-lo até junho. Mas o encontro deve ser antecipado para abril.
O mais provável, admitem inclusive os partidários da candidatura própria, é que o partido participe das eleições sem um postulante ao cargo de presidente. Os diretórios nos Estados ficariam livres para fazer as composições que julgassem mais convenientes.
Escrito por Josias de Souza às 00h45

Conforme antecipado pelo blog às 17h32 (leia aqui), o ex-governador do Rio Antony Garotinho venceu as prévias informais realizadas pelo PMDB neste domingo. Apuradas 98% das urnas, Garotinho amealhou, segundo o critério de voto ponderado adotado pelo PMDB, 56,6% dos votos, contra 43,4% atribuídos ao seu oponente, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto.
Porém, um contratempo impediu a direção do PMDB de proclamar o resultado. Germano Rigotto resolveu, na última hora, contestar os critérios que norteiam a apuração. Na ponta do lápis, o governador gaúcho teve mais votos. Ele perdeu para Garotinho na hora de ponderar o peso de cada Estado.
As regras das prévias haviam sido definidas em reunião da comissão executiva do partido realizada em 16 de fevereiro. Houve enorme controvérsia, mas, ao final, os dois candidatos concordaram.
Ficou acertada a adoção de um dispositivo que fixou peso diferenciado para os Estados, conforme a proporcionalidade entre os votos obtidos pelo PMDB em cada unidade da federação nas eleições de 2002, combinada com o total de votos do partido no país. Definiu-se também que a ponderação levaria em conta apenas os votos do das eleições para deputado federal e senador.
Vem daí a confusão. Nas prévias informais de hoje, Rigotto teve, em termos absolutos, mais do que o dobro dos votos obtidos por Garotinho. Mas perdeu nas contas que levaram em conta o critério da ponderação entre os Estados.
Garotinho e Rigotto tentam superar o impasse em reunião com o presidente do partido, Michel Temer. O encontro está sendo realizado na Câmara dos Deputados. A julgar pelo tamanho da encrenca, a controvérsia deve se arrastar pela madrugada. Para deleite da ala do partido que trabalha pela inviabilização das prévias.
Escrito por Josias de Souza às 21h27

Rupert Murdoch, 75, o magnata das comunicações, prepara a sua “News Corporation” para o futuro. Com tantáculos planetários que alcançam o universo do cinema, audivisual e imprensa, a companhia acaba de investir US$ 1 bilhão em negócios voltados para a internet. O futuro, diz Murdoch, está na rede mundial de computadores.
O diário “La Vanguardia” traz neste domingo reportagem sobre palestra que Murdoch proferiu na semana passada, em Londres. Ele disse o seguinte: “Assistimos a uma era em que os meios de comunicação chegarão a converter-se em fast food”. Na opinião de Murdoch, os jornais terão de adotar “uma estratégia multimídia para sobreviver.”
As informações, diz ele, serão consumidas em todo tipo de aparato. E os jornais precisam oferecer aos seus leitores a possibilidade de acessar o conteúdo noticioso tanto nos meios tradicionais como nas novas mídias, tais como páginas na internet, MP3, telefones celulares ou qualquer outra plataforma.
O consumidor emergente, diz Murdoch, vai atenuar o poder da velha elite sobre a indústria da mídia, agora sob nova influência. “O poder", diz ele, "está nas mãos de uma nova audiência, que utiliza internet para informar-se, entreter-se e educar-se.” Murdoch admitiu ter subestimado a internet. Erro que corrige agora com o investimento bilionário que acaba de fazer.
A mídia tradicional está à beira da morte? A resposta do magnata é “não”. Ele diz: “O rádio não destruiu os jornais, nem a televisão matou o rádio, nem todos os esses meios eliminaram os livros. As mudanças tecnológicas não eliminam os meios que nasceram em outra era, simplesmente forçam-nos a melhorar.”
Escrito por Josias de Souza às 18h45
Folha Imagem
As primeiras parciais das prévias do PMDB, transformadas em consulta informal depois da decisão judicial que proibiu a sua realização, indicam que Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, deve vencer Germano Rigotto, governador do Rio Grando do Sul. Embora ainda não reconhecida formalmente, a tendência foi confirmada ao blog por um dirigente do PMDB.
A direção do partido espera concluir a apuração ainda na noite deste domingo. O primeiro Estado a fechar a contagem dos votos foi o Espírito Santo. Computaram-se 273 votos válidos. Garotinho amealhou 217. Rigotto obteve 56. A expectativa é a de que, levando-se em conta o critério da média ponderada, que atribui pesos diferenciados aos Estados, Garotinho levará a melhor.
A ala governista do partido, favorável a uma composição com Lula, só conseguiu inviabilizar as prévias informais em cinco Estados: Alagoas, sob influência do senador Renan Calheiros; Amapá e Maranhão, comandados pelo senador José Sarney; Bahia, controlada pelo deputado Geddel Vieira Lima; e Pará, dominado pelo deputado Jader Barbalho.
A baixa expressão do boicote está sendo festejada pela direção do PMDB, que, até ontem, temia que a consulta fracassasse em 12 dos 22 Estados que participam do processo. Os partidários da candidatura própria acham que o partido deu uma demonstração de que deseja ter um candidato à presidência da República.
Garotinho montou um esquema pessoal para assegurar o comparecimento dos eleitores peemedebistas. Ele tem cabos eleitorais contratados em todos os Estados. Nas principais capitais, o ex-governador do Rio providenciou inclusive transporte para os eleitores. Foi o que aconteceu, por exemplo, em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Rio de Janeiro.
Ouvido pelo blog, o presidente do PMDB, Michel Temer, disse que “a consulta foi um sucesso”. Estima que, “entre os mais de 20 mil peemedebistas com direito a voto, o comparecimento foi da ordem de 70%”. O que, na sua opinião, representa “uma vitória expressiva” dos partidários da candidatura própria. “Foi um gesto político muito claro”, ecoa o deputado Eliseu Padilha (RS).
No campo jurídico, porém, vai prevalecendo a posição da ala que deseja evitar o lançamento de candidato próprio, para costurar uma aliança com Lula. Na noite de sábado, os advogados do partido ingressaram com um pedido de reconsideração no STF, para tentar reverter a decisão do STJ. O pedido foi negado pelo ministro Eros Grau, sob o argumento de que o Supremo não pode atuar no caso enquanto não houver um julgamento definitivo do STJ. O PMDB ingressou, então, com novo recurso no STJ, ainda pendente de julgamento.
Na prática, a situação do PMDB é a seguinte: se o partido houvesse realizado prévias formais, o nome do vencedor seria levado à convenção para ser homologado como candidato à presidência. Como a consulta teve um caráter informal, o vitorioso será apenas indicado à convenção, que não é obrigada a aceitar a indicação.
Para Temer, ainda que o nome não seja acatado, o partido deixou claro que não deseja se coligar em primeiro turno com nenhum candidato de outro partido. “A coligação tornou-se uma hipótese muito improvável, especialmente depois do que aconteceu neste domingo”, diz o presidente do PMDB. “Se a consulta tivesse sido um fracasso retumbante, eu diria que o desejo do partido era outro. Mas não foi o que aconteceu.”
Escrito por Josias de Souza às 16h32
O risco Palocci
No Planalto
Para azar de Antonio Palocci, máquina do tempo é coisa que só existe na ficção científica. Não há como modificar os tempos idos. No passado, Palocci via o futuro. No presente, ele só vê o passado passando. Ilhado na sua Tróia fazendária, o ministro recebe visitas freqüentes de cavalos gregos enviados de sua Ribeirão Preto pretérita.
A julgar pelo que dizem a polícia e o Ministério Público de São Paulo, Palocci promoveu em Ribeirão uma $anta ceia. Agora, Rogério Buratti, o Judas particular do ministro, cobra-lhe a conta em separado. Não há trinta dinheiros que contenham a língua do ex-assessor no interior da boca. Movem-lhe razões sentimentais.
Curiosamente, o menor problema do ministro da Fazenda passou a ser a dívida pública de R$ 1.000.000.000.000,00. O trilhão cevado a juros é um desastre que o número dois da República petista pode dividir com Pedro Malan, o segundo homem da era tucana.
O que tonifica o risco Palocci são as acusações que o transformam de gato em onça pintada. Malfeitorias municipais, vôos em jatinhos de empresários-companheiros e visitas a uma mansão onde negócios e pernas se entrelaçavam são confusões que Palocci não tem com quem repartir. Malan não administrou Ribeirão, não tem um amigo chamado Roberto Colnaghi e prefere a leitura às festas.
A crise de confiança que desvaloriza Palocci decolou no instante em que se descobriu que, já ministro, Sua Excelência voou em jatinho privado. Levava a tiracolo José Genoino, ainda presidente do PT.
Pilhado, Palocci saiu-se com três patranhas. Primeiro, negou que estivesse a bordo. Desarmado, sustentou que viajara como carona de Genoino. O PT alugara o avião. Desmentido pelo dono da aeronave, apresentou-se como vítima de um equívoco lingüístico: "Recorri inadvertidamente à expressão alugou, sem me apegar à acepção estrita do termo".
Desde então, Palocci, Lula e todo o governo vêm enganando a si mesmos com a lorota de que as denúncias que se acercam do Ministério da Fazenda não passam de antecipação da campanha eleitoral. Bobagem. São ecos de um passado incestuoso. Pode-se acusar a oposição de amplificar a encrenca, mas não de tê-la criado.
As indiscrições de Buratti, agora ecoadas por caseiros e motoristas, apenas reforçam a impressão de que na Ribeirão Preto de Palocci operou-se um esquema que, comum a outras administrações municipais petistas, foi precursor das arcas delubianas.
Vem daí que a ampulheta do ministro, em vez de areia, derrama-lhe sobre a cabeça as espadas de um tempo que, embora decorrido, insiste em não passar.
Escrito por Josias de Souza às 03h11
Glauco
Escrito por Josias de Souza às 02h21

- JB: Disputa pelo governo do Rio: Cabral 35% - Crivella 29%
- Folha: Lula fica estável; Alckmin sobe
- Estadão: Contas do governo têm rombo de R$ 15,6 bilhões
- Globo: Meninas se prostituem por R$ 1,99
- Correio: PT, unido, sai em defesa de Palocci
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 02h16
O Grito/Edvard Munch
Em poucas causas a Justiça revelou com tanta nitidez a sua face de loteria togada como na guerra de liminares que empana as prévias do PMDB. O presidente do STJ, Edson Vidigal, voltou a proibir na noite deste sábado o processo de escolha do candidato do partido à presidência da República.
Vidigal concedera na manhã de sexta-feira liminar suspendendo as prévias peemedebistas. Na noite da mesma sexta, outro ministro do STJ, Hamilton Carvalhido, expediu uma segunda liminar, dessa vez autorizando o PMDB a promover o certame interno em que se confrontam Anthony Garotinho e Germano Rigotto. Voltando à carga, Vidigal repôs de pé a proibição que o colega revogara.
Informado acerca da nova decisão de Vidigal, o presidente do PMDB, Michel Temer, prometeu ajuizar no STJ mais um recurso. Em entrevista que concedera mais cedo, farejando o cheiro de queimado, Temer dissera que o partido faria as prévias deste domingo de qualquer jeito, mesmo sob proibição judicial. Neste caso, o processo funcionaria como “uma consulta informal”.
O diabo é que os diretórios regionais controlados pelos governistas do PMDB, mais interessados em compor com Lula do que em lançar candidato próprio, informaram que manterão cerradas as portas das sedes do partido nos Estados. O boicote foi confirmado em cinco praças: Alagoas, Ceará, Bahia, Amapá e Pará. Mas pode se estender a um total de 12 Estados.
Os partidários da candidatura própria acusam o juiz Vidigal de agir como político. De fato, Vidigal é candidato declarado ao governo do Maranhão, com o apoio de Lula, hoje o maior beneficiário de um eventual malogro das prévias do PMDB.
Vidigal, porém, não se deu por achado. Ele não nega a candidatura ao governo maranhense. Mas alega que, por ora, embora tenha pedido sua aposentadoria do STJ, continua sem filiação partidária. Tecnicamente, portanto, não pode ser considerado como político. “Sou ministro do Judiciário”, diz ele. Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 01h56
Folha Imagem
Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República, dirá à direção do PFL que seu candidato ao governo de São Paulo é o prefeito paulistano José Serra. Informará também que prefere que o PFL indique para compor a chapa presidencial com ele um vice do Nordeste.
Alckmin decidiu engajar-se no movimento que se formou no interior do tucanato para convencer Serra a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Concluiu que a entrada de Serra na disputa ajuda a sua candidatura presidencial. Facilita os entendimentos com o PFL e impede que Lula tenha em São Paulo --com Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante-- um palanque mais forte que o dele.
De resto, a candidatura Serra seria, na opinião de Alckmin, um atrativo a mais para o PFL, seduzido pela perspectiva de herdar a prefeitura de São Paulo, que cairia no colo do vice-prefeito pefelista Gilberto Kassab. Evitaria que o PFL tentasse impor em São Paulo o nome de Guilherme Afif Domingos. Em seus diálogos reservados, o presidenciável do PSDB mostra-se convencido de que Serra terminará aceitando assumir a candidatura a governador, hoje uma quase unanimidade no partido.
No que diz respeito ao vice nordestino, a preocupação de Alckmin, segundo disse a um deputado tucano engajado na sua campanha, é também a de estabelecer um contraponto com Lula. Ele acha que seria uma maneira de prestigiar uma região do país onde ele ainda é pouco conhecido e na qual o pernambucano Lula leva nítida vantagem nas sondagens eleitorais. Alckmin toma como modelo a bem-sucedida dobradinha que Fernando Henrique Cardoso compôs com Marco Maciel (PFL-PE).
Em almoço com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, neste domingo, Alckmin não manifestará preferência por nenhum nome. Dirá que, assim como os pefelistas respeitaram a decisão do PSDB, também ele acatará a opção a ser feita pelo parceiro. Fixado o critério de que o vice deve sair do Nordeste, aceitará o nome que vier a ser escolhido pelo PFL.
Embora a opção pelo vice do Nordeste envolva questões de estratégia eleitoral, a preferência de Alckmin esconde um segundo objetivo. O governador deseja inibir a hipótese de o próprio Bornhausen colocar-se como candidato. Uma hipótese que é rejeitada enfaticamente pelo senador pefelista Antonio Carlos Magalhães (BA), o mais notório aliado de Alckmin dentro do PFL.
No embate que travou com José Serra para tornar-se o candidato oficial do PSDB, Alckmin enfrentou resistências dentro do PFL. O grupo de Bornhausen preferia que Serra tivesse sido o escolhido. ACM jogou um papel decisivo nessa fase. Assegurou ao próprio Alckmin e ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que se o governador prevalecesse sobre o prefeito, como acabou ocorrendo, o PFL fecharia com ele.
No momento, a preferência de ACM na disputa pela vaga de vice recai sobre o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). Há pelo menos mais dois nomes no páreo: o senador José Jorge (PE) e o deputado José Thomaz Nonô (AL).
Alckmin tem pressa em formalizar a aliança com o PFL. Mas, pragmático, dirá que respeita o tempo do aliado. Em encontro que manteve com Bornhausen, o prefeito do Rio, César Maia, pré-candidato do PFL à presidência, pediu um prazo máximo de dez dias para dizer se retira sua postulação em favor de Alckmin. O governo sabe que é jogo de cena. Em entrevistas, o próprio Maia já disse que nao disputará a presidência. Mas não pretende interferir. Vai esperar o tempo que for necessário. Acha que tudo deve estar definido até a primeira quinzena de abril.
Escrito por Josias de Souza às 01h20
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