Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Guadagnin dá a volta por cima

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Durou escassas 24 horas o afastamento da deputada Ângela ‘Pé de Valsa’ Guadagnin (PT-SP) do Conselho de Ética da Câmara. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP) desligara a deputada depois que o PPS fez uma representação contra ela. Porém, a decisão foi revertida pela direção da Câmara.

 

Entendeu-se que Guadagnin só poderia ter sido afastada se o PPS houvesse pedido em sua representação a pena máxima, ou seja, a perda de mandato. Como a pena encomendada foi mais leve --censura verbal ou escrita—entendeu-se que não há necessidade nem de abrir um processo formal contra a deputada nem de afastá-la de sua cadeira no Conselho de Ética .

 

Pelo regimento, caberia à mesa da Câmara, comandada por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidir se o bailado de Guadagnin merece ou não uma punição. Ao saber do retorno da deputada ao Conselho de Ética, o presidente do PPS, Roberto Freire (PE) subiu no caixote:

 

"O Aldo Rebelo, mais uma vez, desmoraliza as instituições. Aquele ato chocou a sociedade. A falta de compostura não é motivo para cassação, mas não pode ficar sem punição."

Ângela Guadagnin deve estar dançando de alegria.

Escrito por Josias de Souza às 20h34

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Vai ao lixo a palavra de Serra

  Almeida Rocha/F.Imagem
José Serra anunciou há pouco o que todos já sabiam: será mesmo candidato ao governo de São Paulo. "É a [decisão] mais difícil que tomei na minha vida. É uma decisão que, embora arriscada, é necessária. Estou convencido que é a decisão correta", disse Serra, em entrevista coletiva.

 

Com o seu gesto, o prefeito manda ao lixo o compromisso que assinara em 2004, prometendo exercer o mandato de prefeito até o último dia (veja cópia abaixo). "Eu quero mudar de endereço, de trabalho, mas não de cidade,” disse Serra. “Poderei continuar a fazer muito pela nossa capital. Acredito que o povo de São Paulo saberá compreender minhas razões".

 

O “povo de São Paulo” pode até “compreender” as palavras de Serra, se quiser. Seria mesmo difícil para o prefeito, tão bem-posto nas pesquisas, dar as costas para a eleição. Mas convém não tomar-lhe as palavras ao pé da letra. Serra diz que não quer mudar de cidade. Bobagem. Ele só não disputa um endereço em Brasília porque o Alckmin o engoliu.

 

Escrito por Josias de Souza às 17h15

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Roupa suja se lava em casa

  Folha Imagem
Mônica Bergamo revelou no último domingo que, enquanto Geraldo Alckmin dava “banho de ética” na administração de São Paulo, a mulher dele, Lu Alckmin (na foto), tomava “banho de loja”. O estilista Rogério Figueiredo contou que deu a ela de presente nada menos que 400 vestidos. Coisa fina –entre R$ 3.000 e R$ 5.000 cada peça. 

 

A encrenca teve desdobramentos. O deputado estadual Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP) enviou a Geraldo Alckmin, antes que ele deixasse o Palácio dos Bandeirantes, um requerimento pedindo explicações acerca dos “confortos proporcionados de graça à sua esposa”. Não recebeu, por ora, resposta.

 

Dona Lu faz o que pode para explicar-se sozinha. Sua assessoria diz que os vestidos que ela recebeu não atingem a soma de 400. Informa que “as poucas peças” efetivamente doadas pelo estilista foram depois doadas a uma entidade social chamada Fraternidade Irmã Clara.


O diabo é que a presidente da entidade, Elizabeth Teixeira, diz "não ter conhecimento" das doações. Conta que recebeu um telefonema de Lu Alckmin na última terça-feira, dia 28, dois dias depois de Bergamo ter trazido à tona a encrenca.

No telefonema temporão à casa de caridade, Lu Alckmin disse que faria uma doação. Segundo Elizabeth, "foram dez vestidos de festa", entregues no mesmo dia. "Que eu saiba, foi a primeira doação de vestidos", entregou a presidente da Fraternidade Irmã Clara.

Como se vê, não será por falta de matéria-prima que Geraldo Alckmin deixará de levar adiante a idéia de promover uma “lavagem ética”. Pode começar pela roupa suja doméstica. O estilista jura dispor de provas de que foram mesmo “mais de 400” os pedaços de pano doados à primeira-dama.

 

Alckmin não há de ter dificuldades para identificar o material. Como diz o aliado César Maia, “imagine o tamanho de um armário para guardar tudo isso!”

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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As manchetes desta sexta

- JB: Começa a campanha - Debandada no Planalto

- Folha: Palocci alega doença para não ir à PF

- Estadão: Lula tenta segurar ministros, mas 8 saem

- Globo: Governo ignora compromisso e peso de impostos volta a subir

- Correio: Palocci dribla a PF, Okamotto se esconde

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Gilberto ‘Vil’ desculpa-se com Hélio ‘Bosta’

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Um dia depois de ter recitado numa universidade carioca um cordel que rima Hélio Costa com “conversa bosta” (leia aqui), o ministro Gilberto “Vil” desculpou-se. Em nota, o titular da pasta da Cultura enviou ao colega de Esplanada uma pomba da paz. Disse que o conteúdo do cordel "não expressa sua opinião no debate governamental sobre a TV digital".

Diz a nota: "Fora do contexto, a leitura pode parecer uma indelicadeza com o ministro das Comunicações, Hélio Costa. No entanto, o ministro Gilberto Gil esclarece que não foi essa sua intenção e que não conhecia a íntegra do conteúdo do cordel".

 

Fora de contexto? Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Tragédia brasiliense!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Lula se diz só e vai coordenar a própria campanha

Folha Imagem

Em desabafo feito durante conversa que manteve com um auxiliar, Lula confessou que está se sentindo só. “Vou ter que ser o coordenador de mim mesmo”, disse o presidente, referindo-se ao comando de sua campanha à reeleição.

Três dias depois de ter sido obrigado a entregar a cabeça de Antonio Palocci, um ministro que planejava incorporar ao comitê de campanha, Lula ensaiou um último gesto para segurar em Brasília o coordenador político Jaques Wagner.

 

Acabou sendo convencido, meio a contragosto, de que Wagner prestará melhor serviço à cruzada da reeleição disputando o governo da Bahia. Lula não dispõe de um bom palanque em solo baiano, onde o governador Paulo Souto, do grupo do adversário Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), desponta como franco favorito à conquista de um segundo mandato.

 

Na mesma conversa, Lula queixou-se da perda de Ciro Gomes, que deixou a pasta da Integração Nacional para disputar uma vaga de deputado federal pelo PSB. Adversário do PT na campanha presidencial de 2002, Ciro tornou-se um dos principais confidentes do presidente, que se declara “viciado” nos conselhos do “amigo”.

 

Lula disse ter optado por soluções “técnicas” no preenchimento das oito vagas abertas com a debandada eleitoral de seu ministério porque não enxergou espaço para a nomeação de “nomões”. Lamentou a falta de intimidade com a grossa maioria dos novos ministros, içados das secretarias-executivas dos ministérios.

 

Considerou indispensável abrir uma exceção no caso do coordenador político. Para esse posto, frustrada a tentativa de segurar Jaques Wagner, nomeou o petista Tarso Genro. Acha que ele pode ajudar na costura de alianças para a reeleição. Mas receia confiar a tarefa integralmente ao novo ministro. Acha que terá de cuidar para que as opiniões pessoais de Genro, algumas delas “controvertidas”, não prevaleçam sobre a conveniência eleitoral.

 

Um dos setores em que Lula julga estar “a pé” é a tesouraria de campanha. Planejava destacar Antonio Palocci para fazer a ponte com o empresariado. Sem ele, ainda não sabe a quem recorrer. Retomou a antiga idéia de confiar a tarefa a um empresário que tenha afinidades com o PT. Embora traga na cabeça o perfil, não se fixou em nenhum nome que se encaixe no molde.

 

Outra área que o preocupa é a coordenação política da campanha. Privado da companhia de José Dirceu, comandante do comitê de 2002, Lula acha que será forçado a distribuir atribuições a vários personagens, acomodados num comitê de poderes diluídos. Daí o raciocínio de que, na prática, terá de ser o coordenador de si mesmo.

 

O presidente planeja incorporar ao time da reeleição, além de Tarso Genro, seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia; o presidente do PT, Ricardo Berzoini; e personagens que hoje trafegam pela periferia do petismo, como o governador do Acre, Jorge Viana.

 

Entre os sobreviventes do ministério, Lula se diz mais próximo de Marcio Thomaz Bastos (Justiça) e de Dilma Rousseff (Casa Civil). Confia cegamente em ambos. Mas acha-os inexperientes nas artes da política. Considera que podem ajudar mais na tarefa de tocar a máquina administrativa até o final do atual mandato.

 

Receoso das armadilhas que a oposição arma para ele no Congresso, Lula fez um apelo a Aloizio Mercadante para que continue dividindo o seu tempo entre a campanha pelo governo de São Paulo e a liderança do governo no Senado. Mercadante pediu ao presidente que o dispensasse das funções de líder. Refém da própria solidão, Lula disse “não”. E o senador, resignado, assentiu.     

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Relatório de Serraglio vai à faca

Como previsto, o bom relatório do esforçado deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) reforçou a cizânia na CPI dos Correios. Os governistas estão em pé de guerra. Querem passar na faca vários trechos do texto do relator.

 

A poda mais almejada é a do trecho em que Serraglio concluiu pela existência do mensalão. Empenhado em consagrar a tese de a dinheirama do valerioduto não passou de uma derrama eleitoral, o petismo quer porque quer arrancar do relatório o famigerado vocábulo cunhado por Roberto Jefferson.

 

Até o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), normalmente afinado com Serraglio, passou a advogar o “aperfeiçoamento” do texto final:

– A compra de consciência dos parlamentares para votarem com o governo não me parece uma definição ideal para essa prática. E isto é um entendimento de todos da comissão - disse Delcídio.

A bancada governista da CPI, que se diz majoritária, deseja escoimar do relatório de Serraglio também os nomes de alguns grão-petistas. Entre eles José Dirceu, Luiz Gushiken e José Genoíno.

 

De resto, a lista de indiciamentos propostos por Serraglio ‘contém’ uma ausência vista por muitos da CPI como imperdoável. Deixou de anotar o nome do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Formou-se na comissão um movimento suprapartidário pró-inclusão de Dantas.

Escrito por Josias de Souza às 00h06

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A última revoada

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As eleições de 2006 provocaram uma revoada de oito ministros do gabinete de Lula. As duas baixas mais doídas para o presidente foram as de Jaques Wagner, que deixa a coordenação política do governo para concorrer ao governo da Bahia, e a de Ciro Gomes, que sai da pasta da Integração Nacional para disputar uma cadeira de deputado federal.

 

O rol de substitutos é composto por uma penca de ilustres desconhecidos, pinçados do segundo escalão dos ministérios. A mais vistosa exceção é o petista Tarso Genro, que volta ao governo para ocupar a cadeira de coordenador político de Lula, de onde terá papel central na costura de alianças e na elaboração do programa de governo da reeleição.

 

Em sua penúltima reforma ministerial, Lula dissera que a equipe remanescente o acompanharia até o final do mandato. O presidente informara à nação que nenhum dos ministros disputaria eleições. Como se vê, a palavra do presidente não vale o papel em que é escrita.

Escrito por Josias de Souza às 23h26

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Galeria

Galeria

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

De tanto desperdiçar o presente negando o passado, Antonio Palocci tornou-se mais um petista sem futuro. Os tempos idos de Ribeirão Preto o transformaram num retrato pendurado na galeria de ex-ministros da Fazenda.  

Escrito por Josias de Souza às 22h47

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José 'Alma Penada' Dirceu

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Resultou em malogro a tentativa de José Dirceu de reaver no tapetão o mandato de deputado que perdeu em jogo já jogado. O ministro do Gilmar Mendes, do STF, negou nesta quinta-feira o pedido de liminar formulado na ação judicial em que o ex-chefão da Casa Civil pede que seja anulada a cassação da Câmara. Leia aqui a íntegra da decisão de Gilmar Mendes.

 

Resta ainda o julgamento do mérito, algo que nem Deus sabe quando vai ocorrer. Frustraram-se, assim, os planos de Dirceu de recuperar os direitos políticos, para concorrer a um novo mandato de deputado ainda neste ano. O ex-deputado segue desempenhando o único papel que lhe restou: o de alma penada do petismo.

Escrito por Josias de Souza às 22h19

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Lembo assume prometendo ‘continuidade’ em SP

O pefelista Cláudio Lembo, que assumiu há pouco o governo de São Paulo, promete dar “continuidade à obra” tucana de Geraldo Alckmin. Em entrevista ao blog, disse que, na disputa pela indicação do vice de Alckmin, prefere o senador José Jorge (PFL-PE).

 

Lembo dá como favas contadas a saída do tucano José Serra da prefeitura de São Paulo. Traça planos para estreitar as relações entre o Estado e a prefeitura, que será assumida pelo vice-prefeito Gilberto Kassab, também do PFL. “Vamos ter uma exposição maior”. Em 2010, quer ser candidato ao Senado. Abaixo, a entrevista:  

 

- Já é o novo governador?

Na prática, o governador Alckmin já renunciou. Estão levando nesse momento a carta para a Assembléia Legislativa. Creio que já deve ter chegado lá.

- Quais são os seus planos?

Vou prosseguir a obra do governador. Não será em nove meses que vamos alterar nada. Daremos seqüência a todos os projetos: metrô, Rodoanel, hospitais, presídios. Farei tudo com cuidado e imprimindo traços da minha personalidade.

- O tempo não é curto para imprimir traços pessoais ao governo?

Sempre defendi que político tem que ser pedagogo, fazer a pedagogia do civismo. Estarei realizado se conseguir isso.

- Quais são os seus planos políticos?

Aos 72 anos, continuo no partido que fundei, o PFL. Se um dia for necessário para o partido que eu dispute um cargo majoritário, estou pronto a aceitar.

- Que cargo majoritário?

Eventualmente o Senado. Fui candidato a senador em São Paulo contra o (Franco) Montoro e o Fernando Henrique. Fui vice do Aureliano (Chaves). Sempre entrei em situações difíceis.

- São planos para 2010?

Sim. Está tão longe, mas eu tenho muita esperança de vida.

- Quais são as chances de Alckmin na disputa com Lula?

São dois tipos de personalidade e duas visões de mundo bem diferentes. Acho que o Brasil deseja um administrador racional. Por isso acredito que o Alckmin vai ganhar.

- Para vice,  prefere José Agripino Maia ou José Jorge?

Respeito os dois. Mas não nego que tenho maior simpatia e vínculo mais estreito José Jorge. É com ele que tenho mais intimidade e diálogo.  

- Sua presença no governo ajuda o PFL de que maneira?

Eventualmente criando uma imagem nova de administração equilibrada e de bom senso, fiel à lei de responsabilidade fiscal e aos princípios morais e éticos.

- O fato de o PFL assumir também a prefeitura de São Paulo, com Gilberto Kassab, ajuda o partido?

Vamos ter uma exposição maior. Salvo nesse último ano, em que houve uma aproximação, o governo e a prefeitura de São Paulo sempre estiveram muito distantes. Minha idéia é fazer uma grande aproximação.

- Iniciará alguma obra nova?

Só os projetos que estão sendo elaborados há muitos anos. O principal deles é a obra do Rodoanel. Se não houver problemas de ordem judicial, começamos a obra em abril. Nada de novo, nada de aventuras. Tocaremos os projetos que estão em curso e que são racionais.

Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Tempo fechado!

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Concluída a reforma do Palácio da Alvorada, Lula voltou a residir na residência oficial nesta quinta-feira. A julgar pela imagem captada por Sérgio Lima, não foi um bom dia. O Alvorada encontra-se emoldurado por nuvens turvas. Para desassossego de Lula, a previsão oficial, vaticina que os ares de Brasília continuarão sujeitos a chuvas e trovadas nos próximos dias. A temperatura, com máximas na abafadiça casa dos 27 graus, não deve sofrer “mudanças significativas”.

Escrito por Josias de Souza às 18h18

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Okamotto brinca de gato e rato com CPI

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Nesta quinta-feira, o primeiro-amigo Paulo Okamotto tentou brincar de gato e rato com a CPI do Fim do Mundo, também conhecida como comissão dos Bingos. O presidente do Sebrae levou a pior.

 

Conforme relato do repórter Felipe Recondo, a CPI pôs no encalço de Okamotto o escrivão da Polícia Federal José Bráulio Rodrigues. Ele foi à sede do Sebrae para intimar o generoso japonês, que, entre outras despesas, pagou dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT e débito de R$ 26 mil de Lurian, filha do presidente.

 

Janaína Lopes, secretária de Okamotto, informou a Bráulio que o chefe estava viajando. Disse que Okamotto só retornaria na próxima semana. Resignado, o “gato” deixou cópia da intimação com a secretária. Quando saía do prédio do Sebrae, Bráulio se deu conta de que havia um erro no documento. Voltou para corrigi-lo.

 

Para surpresa do escrivão, Okamotto saiu, inadvertidamente, de sua toca. Bráulio relatou o flagrante ao presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB). Abespinhado, o senador disse que comunicará a manobra ao ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) e, principalmente, ao STF. "Vamos oficiar ao presidente do Supremo para mostrar qual é a vontade desse cidadão", disse Efraim.

A CPI tenta arrastar Okamotto para uma acareação com o ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau, que acusa o presidente do Sebrae de ser uma espécie de tesoureiro informal do petismo. O STF obstruiu a acareação. Mas a CPI enviará ao tribunal novos argumentos e confia na reversão da decisão.

 

Numa tentativa de corrigir o incorrigível, o advogado de Okamotto, Luís Justiniano de Arantes, encaminhou à CPI documentos para justificar o entrevero. Ele sustenta que  Okamotto teria comprado passagens para viajar para Belo Horizonte em dois horários diferentes: às 17h52 e às 18h35. E, no instante da visita do escrivão, a secretária Janaína imaginou que ele estivesse em pleno vôo. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 17h48

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Escolha do vice de Alckmin opõe Bornhausen a ACM

Reproduz-se nos subterrâneos do PFL uma disputa muito semelhante àquela que foi travada no PSDB entre José Serra e Geraldo Alckmin. Está em jogo agora a definição do nome de um candidato a vice-presidente, para compor a chapa oposicionista ao lado de Alckmin. O PFL perde-se numa divergência entre dois de seus principais caciques: Jorge Bornhausen (SC), o presidente da legenda, e Antonio Carlos Magalhães (BA), o morubixaba baiano.

ACM defende que o PFL indique para vice de Alckmin o seu líder no Senado, José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte (na foto à esquerda). Bornhausen manobra em favor de outro nome, o do senador José Jorge, de Pernambuco (na foto à direita). Como presidente do partido, coube a Bornhausen a atribuição de promover uma consulta aos governadores, parlamentares e membros da executiva do PFL. Nos bastidores, o grupo de ACM acusa Bornhausen de estar dirigindo a sondagem, supostamente para prejudicar Agripino.

A suspeita, que era tênue, adensou-se nas últimas horas. O grupo de ACM, que estava com um pé atrás em relação a Bornhausen, recuou os dois pés. A luz vermelha dos partidários da candidatura de Agripino Maia acendeu a partir de um telefonema de Bornhausen para o senador César Borges (PFL-BA), integrante do grupo de ACM.

Bornhausen fez uma série de perguntas a César Borges a respeito de detalhes pendentes dos acertos com o PSDB. Ao final da conversa, perguntou ao correligionário de ACM qual era a preferência dele para a vice. E Borges: “Tenho simpatia pelo Agripino.” Segundo relato que fez a amigos, Borges ficou surpreso com a ração de Bornhausen. “Me dê três nome alternativos”, pediu o presidente do PFL, segundo o relato de Borges.

Sentindo o cheiro de queimado, Agripino Maia adotou como tática o silêncio. Evita falar em público sobre o assunto. Nos bastidores, porém, intensificou os seus movimentos. Na última segunda-feira, esteve com o próprio Geraldo Alckmin. Visitou-o no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Saiu satisfeito da conversa. Mas, prudente, define o encontro como uma mera “visita de cortesia”.

Em conversa com o blog, um integrante do grupo político de Alckmin contou que o nome de Agripino é o preferido do candidato tucano. Porém, ele entende que não deve se meter na disputa interna do PFL. O próprio Agripino teria solicitado a Alckmin que mantivesse distância. Acha que a revelação da preferência tucana o prejudicaria no PFL. Seu nome precisa prevalecer como uma opção pefelista, não no do PSDB.

Privadamente, Agripino trabalha para consolidar o seu nome fora do círculo de influência de ACM. Nos diálogos que mantém com os colegas de partido, Agripino apresenta-se como “independente”. Argumenta que sempre atuou como “algodão entre cristais” apartando as brigas entre ACM e Bornhausen.

Agripino insinua que pretende resistir se da consulta de Bornhausen emergir um nome diferente do dele. Acena com a hipótese de exigir uma consulta formal ao partido. Entre quatro paredes, Bornhausen rechaça a suspeita de que esteja dirigindo a consulta. Diz que, como presidente do PFL, não pode restringir o leque de opções a apenas dois nomes.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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Começou o esconde-esconde

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Antonio Palocci começou a brincar de esconde-esconde com a Polícia Federal. Intimado a prestar depoimento, o ex-ministro deveria comparecer à sede da PF nesta sexta-feira. Pois o advogado de Palocci informou ao titular do inquérito, delegado Rodrigo Gomes Carneiro, que seu cliente pode não dar as caras. Foi subitamente acometido por um problema de saúde.

 

Para a PF, como recorda o repórter Felipe Recondo, o depoimento de Palocci é fundamental para o esclarecimento da operação que resultou na quebra do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso contou à polícia que entregou cópia do extrato da conta-poupança do caseiro nas mãos de Palocci.

O ex-ministro, decerto, traz na ponta da língua todas as explicações necessárias. Roga-se para que suas dificuldades de saúde, ainda desconhecidas, sejam efêmeras. Palocci precisa estar forte, muito forte, fortíssimo, para suportar a tempestade que lhe chove sobre a cabeça, agora desprovida do guarda-chuva do foro especial.

Escrito por Josias de Souza às 14h15

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PPS tira Guadagnin para 'dançar'

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A deputada Ângela ‘Pé de Valsa’ Guadagnin foi suspensa de suas funções no Conselho de Ética. Acolhendo representação do PPS, que acusa Guadagnin de quebrar o decoro, o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), teve de afastar a colega dançarina até que o caso seja julgado.

 

O PPS acha que Guadagnin precisa ‘dançar’. Avalia que aquele balé da pizza --ou “comemoração com o corpo inteiro”, na definição da companheira-coreógrafa-- reclama uma resposta. Não se está pedindo, informa Rose Ane Silveira, que a deputada pendure de vez as sapatilhas. Busca-se uma punição compatível com o deslize.

 

"Neste caso, a deputada Ângela pode receber uma repreensão verbal ou escrita, uma suspensão temporária do Conselho ou até mesmo permanente. Caberá ao relator definir a punição", explicou Ricardo Izar. Os colegas de Guadagnin ainda não se deram conta, mas podem estar tolhendo um talento emergente.

 

O Conselho de Ética aprovou nesta quinta-feira, por 9 votos a 4, relatório do deputado Nelson Trad (PMDB-MS). Recomenda que o mandato de José Mentor (PT-SP) seja passado na lâmina. O processo segue agora para o plenário. Havendo nova absolvição, o país talvez seja privado das expansões corporais de Guadagnin. Uma pena.

Escrito por Josias de Souza às 13h37

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As manchetes desta quinta

 

- JB: CPI dos Correios conclui: Empresas bancavam mensalão

 

- Folha: CPI poupa Lula, diz que mensalão existiu e que caixa dois do PT é farsa

 

- Estadão: CPI confirma mensalão, acusa 124 e poupa Lula

 

- Globo: CPI confirma mensalão, indicia 122 e poupa Lula

 

- Correio: CPI poupa Lula, mas confirma mensalão

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h44

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Sai a causa, fica o efeito

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Palocci combinou quebra de sigilo com Mattoso

A repórter Marta Salomon informa (para assinantes da Folha):

 

“A violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa na Caixa Econômica Federal foi discutida previamente pelo então ministro Antonio Palocci e o então presidente da estatal, indicam detalhes mantidos em sigilo do depoimento de Jorge Mattoso à Polícia Federal.

 

À PF Mattoso não contou apenas ter entregue os extratos bancários pessoalmente a Palocci na noite da quinta-feira, 16. De acordo com trechos não divulgados do depoimento, o ministro telefonou para Mattoso durante o jantar daquele dia, quando foi informado que os extratos confirmavam movimentações atípicas na conta-poupança do caseiro.

 

Antes disso, os dois haviam se encontrado à tarde em reunião no Palácio do Planalto (...). Foi ao retornar ao prédio da Caixa, após o encontro com Palocci no Planalto, que Mattoso deu a ordem para acessar a conta do caseiro.

 

Mattoso evitou atribuir a Palocci o pedido. Em nota oficial, escreveu que "na condição de presidente da Caixa" teve acesso a informações sobre movimentação atípica do caseiro. À PF narrou que a suspeita de movimentação atípica "havia sido levantada" quando ordenou a um assessor a verificação da conta.

Mas os depoimentos dados à PF deixam claro que o assunto não era novidade para o então ministro da Fazenda na noite de quinta-feira, quando Mattoso o encontrou em sua residência e fez a entrega dos extratos de Francenildo.

 

Antes de receber a encomenda, Palocci ligou para o então presidente da CEF, que jantava num restaurante de Brasília com dois assessores. Ali, pouco antes do telefonema do ministro, o ainda presidente da Caixa recebeu do consultor Ricardo Schumman a cópia dos extratos.

 

Mattoso informou na conversa telefônica a Palocci que comunicaria ao Coaf (Comitê de Controle de Atividades Financeiras) e ao Banco Central as movimentações bancárias atípicas -depósitos de R$ 25 mil feitos pelo suposto pai biológico do caseiro, como seria revelado depois.

Ao final do jantar, Mattoso dirigiu-se à residência de Palocci. Ele relatou na Polícia Federal ter ficado "no máximo cinco minutos" na casa do então ministro da Fazenda. Disse que achara "relevante" mostrar os extratos ao ministro naquela noite (...).”

 

Acréscimo do signatário do blog: Intimado ontem, Palocci prestará depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira. Não são negligenciáveis as chances de o ex-ministro deixar a sede da PF em Brasília já na condição de indiciado.

Escrito por Josias de Souza às 02h27

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Condenados, Serra e Malan buscam proteção no STF

Condenados, Serra e Malan buscam proteção no STF

  Tuca Vieira/Folha Imagem
Às vésperas de declarar-se candidato oficial do PSDB ao governo de São Paulo, o prefeito José Serra tornou-se protagonista de uma polêmica judicial. Condenado junto com outras autoridades a restituir aos cofres públicos R$ 200 milhões por conta de supostos prejuízos provocados por uma medida adotada durante o governo FHC, o prefeito é, junto com os ex-ministros Pedro Malan e Pedro Parente, estrela de um processo que tramita no STF. Busca-se anular a condenação.

A causa é antiga. Tramita pelos escaninhos do Judiciário desde 2002. Naquele ano, a 20ª Vara Federal de Brasília considerou procedente uma denúncia do Ministério Público contra Serra, Malan e Parente. Os três foram condenados, junto com outras autoridades, a ressarcir o erário por terem autorizado o pagamento, com recursos públicos, de prejuízos dos correntistas que tinham dinheiro em bancos que sofreram intervenção em 1995. A operação estava vinculada ao Proer, o programa de reestruturação do sistema financeiro.

A sentença é de 11 de abril de 2002. Serra, Malan e Parente foram alcançados porque integravam, na época da decisão considerada lesiva ao Tesouro, o CMN (Conselho Monetário Nacional. O conselho autorizou o governo a financiar o pagamento de até R$ 5.000,00 aos correntistas das instituições que sofreram intervenção em 95 _os bancos Econômico S.A, Mercantil S.A. e Comercial de São Paulo S.A.

O Ministério Público Federal considerou que a medida foi ilegal. Sustentou na ação que havia uma "vedação constitucional para aporte de recursos oriundos de reserva monetária (...) sem prévia autorização” do Senado Federal. Os responsáveis foram enquadrados na lei que pune os crimes de improbidade administrativa.

Aproveitando-se de uma decisão do STF que cancelara uma outra condenação que havia sido imposta ao também ex-ministro de FHC Ronaldo Sardenberg pelo uso de jatinhos da Força Aérea em viagens de turismo, os advogados de Malan foram ao Supremo. Pediram ao tribunal que avocasse o processo, anulando as decisões do juízo de primeira instância.

 

O recurso foi distribuído por sorteio ao ministro Gilmar Mendes, que ocupara o posto de Advogado-Geral da União na época em que Serra, Malan e Parente eram ministros de FHC. Invocando a liminar que beneficiara Sardenberg, proferida pelo ministro Nelson Jobim, também ele um ex-auxiliar de FHC –ocupara a pasta da Justiça-, Gilmar Mendes pôs por terra a condenação contra os ex-colegas.

 

A tese de Jobim, aproveitada por Mendes, é a de que a lei de improbidade, invocada para condenar Sardenberg, Serra, Malan e Parente, não pode ser aplicada contra "agentes políticos". Todos eles só poderiam ser julgados por "crime de responsabilidade". O que lhes garantiria o chamado foro privilegiado -presidentes da República, ministros, senadores e deputados federais só poderiam ser processados no STF; governadores, no STJ; deputados estaduais, prefeitos e vereadores, nos Tribunais de Justiça.

 

A prevalecer esse entendimento, conforme noticiado aqui em janeiro, podem ser anulados mais de 10 mil ações e inquéritos abertos contra gestores públicos pela prática de improbidade administrativa. A polêmica volta à baila agora, para infortúnio do candidato Serra, porque Gilmar Mendes incluiu o processo na pauta de julgamentos do STF. Significa dizer que a liminar concedida por Mendes em favor dos ex-ministros de FHC pode ser submetida aos demais juízes do Supremo a qualquer momento.

 

(Leia abaixo a posição defendida pelos advogados dos réus no processo). 

Escrito por Josias de Souza às 01h05

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Em 2002, Serra pediu que caso corresse em segredo

Em 2002, Serra pediu que caso corresse em segredo

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Logo que foram condenados em primeira instância a ressarcir o erário em R$ 200 milhões, os ex-ministros de FHC contrataram escritórios privados de advocacia para defendê-los. No caso de Serra, que disputava com Lula a presidência da República em 2002, época em que a sentença condenatória foi divulgada, um dos pedidos feitos pelos advogados foi para que o caso tramitasse em segredo de Justiça, para evitar explorações indevidas contra o candidato.

"O importante no processo é que ficou provado que os acusados não tiveram comportamento imoral, tirando proveito próprio do fato. Eles agiram no interesse público", disse na época o advogado Marco Antonio Meneghetti, defensor de José Serra. "O que existe é uma discussão doutrinária: o governo deveria ou não garantir as contas dos poupadores (dos bancos sob intervenção) até determinado valor?".

"O próprio STF já decidiu que o Proer foi constitucional, uma reação necessária diante da ameaça de uma crise sistêmica", afirmou o advogado Arnold Wald, contratado por Pedro Malan. Segundo Wald, os valores financiados aos correntistas teriam sido devolvidos ao Banco Central antes mesmo que ação de improbidade movida pelo Ministério Público começasse a tramitar.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

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Hélio 'Fala Bosta' X 'Gilberto Vil'

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Terminou em sururu o embate dos ministros Gilberto Gil (Cultura) e Hélio Costa (Comunicações) em torno da definição do padrão tecnológico da TV digital. Durante uma aula inaugural que ministrou na Escola Comunicação da UFRJ, Gil recitou um cordel escrito por uma jornalista de Recife, Luciana Rabelo. Na letra, o colega de Esplanada é brindado com o epíteto de “empresário boçal”. De resto, os versos rimam Hélio Costa com “conversa Bosta”. Diz o cordel, segundo relato da repórter Patrícia Zimmermann:

´Três modelos são usados

em países estrangeiros.

Falta agora o brasileiro

que já vem sendo estudado,

mas não é incentivado pelo ministro Hélio Costa

que com uma conversa bosta

só que saber da imagem

e do que traz de vantagem

o comércio de resposta.

Hélio já quer escolher

o modelo do Japão.

E nós, a população,

queremos compreender

por que não desenvolver

um modelo brasileiro

e trocar com o estrangeiro

a nossa experiência?

É preciso paciência,

não pode ser tão ligeiro.

Nossa tecnologia

poderá desenvolver

um modelo de TV

que nos dê soberania,

impulsione a economia

pra benefício geral

e a política industrial

tomará um novo impulso,

mas é preciso ter pulso

pro sonho virar real.’

 

Informado acerca da peripécia de Gil, Hélio costa devolveu-lhe a rima. Lamentou a “deselegância” do colega. “Não é à toa que alguns amigos dele o chamam de Gilberto Vil. Eu entendo agora a razão deles”, disse Costa. Desafiou o ministro “Vil” a reprisar a leitura do cordel “chulo” numa reunião do conselho de ministros que define os critério do modelo de TV digital a ser adotado no Brasil.

 
”Queria ver se ele consegue falar bosta na frente da ministra Dilma (Rousseff)”, coordenadora do conselho. Taí uma briga da qual Gil, como bom baiano, não deveria fugir. Sugere-se ao ministro que ponha música na letra, imprimindo ao cordel um ritmo de rap. Ao executá-lo, Gil pode estacionar na rima pobre. Como num disco arranhado. O rap do Costa, o 'bosta', vai virar um hit. A companheira Dilma, por durona, pode não gostar. Mas a próxima reunião do conselho vai ser um sucesso.

Escrito por Josias de Souza às 23h29

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O Brasil vai ao espaço

Shamil Zhumatov/Reuters
 

 

Teve início há pouco, às 23h29, a "Missão Centenário", que levará o primeiro astronauta brasileiro ao espaço. O tenente coronel Marcos Pontes (à esquerda na foto), 43, partiu rumo à ISS (sigla em inglês para Estação Espacial Internacional) a bordo da nave russa Soyuz TMA-8. O lançamento foi feito da base de Baikonur, no Cazaquistão.

O brasileiro e outros dois astronautas que participam da missão vão percorrer 350 km da base até a ISS. A Soyuz deve consumir cerca de dois dias para se atracar com a estação espacial. Leia mais detalhes aqui.

Escrito por Josias de Souza às 22h42

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Serraglio diz que mensalão existiu e isenta Lula

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

Como previsto, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) concluiu no relatório final da CPI dos Correios que o mensalão existiu e nada teve a ver com o propalado caixa dois de campanha. O repórter Felipe Recondo, que acompanha a leitura do texto de Serraglio, ainda em andamento, informa que relator (na foto ao lado de Delcidio Amaral, presidente da comissão) isentou Lula de responsabilidade.


"Não incide aqui, responsabilidade objetiva do Chefe Maior da Nação, simplesmente, por ocupar a cúspide da estrutura do Poder Executivo, o que significaria ser responsabilizado independentemente de ciência ou não”, anotou Serraglio. “Em sede de responsabilidade subjetiva, não parece que havia dificuldade para que pudesse lobrigar (perceber) a anormalidade com que a maioria parlamentar se forjava. Contudo, não se tem qualquer fato que evidencie haver se omitido".

Serraglio escreveu em seu texto que o dinheiro que abasteceu o chamado valerioduto proveio de arcas públicas e privadas. Mencionou fontes já conhecidas, tais como as verbas do Fundo Visanet, gerido pelo Banco do Brasil, e as empresas Brasil Telecom e a Usiminas. Os famosos empréstimos feitos em nome do PT por Marcos Valério (R$ 55 milhões) nos bancos Rural e BMG seriam, nas palavras de Serraglio, "mera formalidade contábil e financeira" para a montagem de "uma farsa", com o objetivo de "mascarar" a origem dos recursos.

Nas quase cinco mil páginas do relatório, incluindo anexos, Serraglio sugere o encaminhamento ao Ministério Público da proposta de indiciamento dos principais personagens investigados pela CPI. A lista anota mais de 150 nomes. Inclui desde Maurício Marinho, aquele funcionário de terceiro escalão dos Correios que foi filmado recebendo propina de R$ 3 mil, até José Dirceu, o ex-todo poderoso chefe da Casa Civil. Estão ainda na lista de "indiciáveis" Serraglio: Marcos Valério, Delúbio Soares, José Genoíno e Luiz Gushiken.

 

Serraglio implicou também toda a bancada mensaleira. Excluindo-se Dirceu, já mencionado, são, por ora, 18 os deputados e ex-deputados envolvidos no escândalo do mensalão. Entre eles Roberto Jefferson (PTB-RJ). O relator não poupou senador Eduardo Azeredo (MG), o ex-presidente do PSDB que, em 1998, montou em Minas, um “proto-valerioduto”. Leia aqui uma relação mais ampla dos personagens incriminados no relatório.

 

O texto alinhavado por Serraglio vai a voto na próxima terça-feira. A bancada governista da CPI, que ameaçava apresentar um “relatório paralelo”, parece ter recuado. Trabalha agora com a idéia de mexer no texto do relator por meio de emendas aditivas e supressivas. Quer, por exemplo, emagrecer o rol de candidatos a indiciamento, excluindo grão-petistas como Dirceu, Gushiken e Genoíno.

 

Também a oposição quer bulir no texto de Serraglio. Só que para apimentá-lo. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou que o tucanato proporá a responsabilização direta de Lula. No mínimo por ter se “omitido” quando foi informado da existência do mensalão.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Bisbilhotados reagem à violação de dados fiscais

O deputado Eunício Oliveira, um dos contribuintes cujos dados foram bisbilhotados nos computadores da Receita (leia notícia aqui), se disse “indignado”. “Não tenho preocupação com o meu Imposto de Renda, que entreguei ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Ceará. O que me preocupa é a violação da Constituição e dos direitos do cidadão.”

O ex-secretário da Receita Everardo Maciel suspeita que suas informações fiscais e as de seus familiares (mãe, filha e ex-mulher) tenham sido objeto de interesse por causa de “vingança pessoal”. Ele disse que, durante sua gestão à frente do fisco, um dos funcionários que agora se encontram sob investigação “foi denunciado pela prática de atividades ilegais na Receita”.

O processo, afirmou Everardo, “foi obstruído na primeira instância do Judiciário e se encontra agora, em fase de recurso, pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal” de Brasília. “Eu me senti atingido pessoalmente como cidadão e como homem público”, disse o ex-secretário da Receita. “Espero que essas pessoas sejam punidas administrativamente, além de responsabilizadas civil e penalmente.”

O presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), José Nilton Pandelot, divulgou uma nota a respeito da notícia. Ele se declarou “estarrecido”. Lembra no seu texto que o direito à preservação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico é assegurado pela Constituição e pela legislação ordinária do país. E afirma: 

“A notícia de que a situação fiscal de cerca de seis mil contribuintes foi devassada por servidores da Receita Federal vem se somar a outras de idêntica gravidade, expondo não apenas a ineficiência do Estado brasileiro na conservação do direito ao sigilo de tais dados como, principalmente, a ineficácia dos procedimentos repressivos até aqui adotados, o que termina por estimular práticas desse jaez”.

Escrito por Josias de Souza às 17h36

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Receita fala sobre investigação de quebra de sigilo

A Receita Federal divulgou nesta quarta-feira nota oficial a respeito de notícia veiculada aqui. O fisco confirma na nota que a Corregedoria da Receita investiga a suspeita de “acessos indevidos” à sua base de dados, para coleta irregular de informações protegidas por sigilo fiscal.

“Existem, hoje, análises em curso na Corregedoria-Geral sobre acessos realizados por dois servidores, iniciados há mais de 30 dias”, diz a nota. Conforme noticiado pelo blog, são três os funcionários que se encontram sob investigação, embora só a senha de dois deles tenha sido detectada nas consultas supostamente irregulares feitas ao sistema.

A nota da Receita informa que a apuração “tramita em sigilo”. Com uma frase de duplo sentido, o texto esquiva-se  de confirmar o número de contribuintes que tiveram os seus dados consultados indevidamente. Somam 6.000, segundo apurou o blog junto a pessoas envolvidas na investigação.

“As informações divulgadas”, diz a nota, “não correspondem, necessariamente, aos trabalhos em andamento.” E por quê? A nota explica a seguir: “Apenas ao final das investigações é que se poderá identificar a quantidade de eventuais acessos indevidos”.

O texto da Receita faz uma distinção entre “acesso imotivado” aos dados fiscais e “violação do sigilo”. Conforme explicado na notícia do blog, embora os dois procedimentos sejam passíveis de punição, a violação só é caracterizada quando ocorre o vazamento dos dados.

Ratificando o que fora noticiado pelo blog, a nota da Receita reconhece que podem ter sido violadas as informações fiscais em pelo menos três casos. O texto informa que um dos processos abertos pela Corregedoria apura “possível acesso imotivado e suposta violação de sigilo fiscal de três contribuintes”. Os nomes que a nota se esquiva de mencionar são os do empresário Marcos Valério e os de suas duas agências de publicidade: SMP&B e DNA.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Adiado julgamento de João Paulo

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O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-AL), adiou em uma semana o julgamento em plenário do deputado mensaleiro João Paulo “R$ 50 mil” Cunha. A coisa ficou para quarta-feira da semana que vem.

 

Aldo informa que o adiamento foi necessário porque João Paulo não quis abrir mão do seu direito regimental de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara contra o relatório do Conselho de Ética que recomendou ao plenário que passe na lâmina o mandato do petista.

 

Termina nesta quarta-feira o prazo para o recurso de João Paulo. Assim, por mais sete dias, João Paulo vai continuar desfilando pelo Congresso como uma fatia da pizza esperando para ser encaixada na grande travessa nacional.

Escrito por Josias de Souza às 13h38

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As manchetes desta quarta

- JB: A implosão da mentira

- Folha: Mantega descarta mais abertura; Meirelles fica

- Estadão: Meirelles fica porque só Lula vai mandar nele

- Globo: Lula fortalece Meirelles para evitar atritos com Mantega

- Correio: Polícia Federal vai investigar Palocci

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Passeio pelos círculos de Dante

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Aécio será o Alckmin de Serra amanhã

O tucano Aécio Neves formalizou nesta terça-feira sua candidatura à reeleição para o governo de Minas. A julgar pelas pesquisas de opinião, o neto de Tancredo Neves manterá a partir de 2007 os pés no Palácio da Liberdade. Aécio, porém, entra na campanha de olho num outro palácio. Um palácio que o destino e os germes oportunistas arrancaram da biografia de seu avô, o do Planalto.

 

Segundo informa Paulo Peixoto, Aécio declarou que, se reeleito, dará início a um projeto nacional, com o objetivo de levar maior "equilíbrio à federação", quebrando a hegemonia de São Paulo. Em 2010, será candidato à presidência da República. Os anseios de Aécio representam algo que Drummond, mineiros ilustre, chamaria de “pedra no caminho” de José Serra.

 

Preterido por Geraldo Alckmin, Serra também está de olho no Planalto. Na bica de abandonar a prefeitura paulistana para disputar o governo de São Paulo, Serra imaginava-se o primeiro da fila do PSDB para a cruzada presidencial de 2010. Aécio, como se vê, prepara-se para desempenhar o papel de Alckmin amanhã.

Escrito por Josias de Souza às 01h10

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Alckmin, o exterminador de CPIs

O governador Geraldo “Lavagem Ética” Alckmin conseguiu barrar mais uma CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em articulação capitaneada pelo PT, a oposição tentou inaugurar uma investigação para apurar irregularidades praticadas na Nossa Caixa, instituição financeira do governo paulista. O tucanato, porém, logrou evitar a manobra, informa Epaminondas Neto.

 

Deve-se ao repórter Frederico Vasconcelos a revelação dos fatos que açularam os adversários de Alckmin. Ele noticiou no último domingo que verbas de publicidade da Nossa Caixa foram repassadas a jornais, revistas e programas de rádio mantidos ou indicados pelos deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), "Bispo Gê" (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).

Alckmin diz que houve um erro formal na contratação das agências de publicidade responsáveis pela repartição das verbas. Mas que um funcionário já foi demitido por justa causa. Na opinião do candidato do PSDB à presidência da República, não haveria mais o que apurar. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Palocci e Mattoso encrencados na CPI

O caso da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi a gota d’água. O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), relator da CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida como comissão dos Bingos, decidiu pedir em seu relatório final o indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso. Serão acusados, informa Alan Gripp, de violação do sigilo funcional e falso testemunho.

 

Nesta quarta-feira, a CPI vai votar um requerimento de convocação de Jorge Mattoso. Porém, a proposta de indiciamento de Mattoso, a ser encaminhada ao Ministério Público, independe do que ele venha a declarar à CPI caso sua inquirição seja aprovada. Os integrantes da comissão consideram que o depoimento do ex-presidente da Caixa à PF, no qual reconheceu ter determinado a violação da conta do caseiro, já constitui evidência suficiente para encrencá-lo.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Auditores do fisco violam sigilo de seis mil pessoas

Auditores do fisco violam sigilo de seis mil pessoas

O caseiro Francenildo dos Santos Costa está longe de ser a única vítima de violação criminosa de dados sigilosos sob proteção do Estado. A Corregedoria da Receita Federal investiga um caso envolvendo a suspeita de acesso irregular aos dados fiscais de cerca de 6.000 pessoas físicas e jurídicas. A lista de vítimas inclui juízes, desembargadores, jornalistas, empresários e autoridades do governo.

 

A investigação foi aberta há pouco mais de um mês. Os primeiros resultados revelam que a lista de contribuintes que tiveram os seus sigilos bisbilhotados inclui o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); e duas empresas de Marcos Valério de Souza, as agências de publicidade SMP&B e a DNA.

 

A relação inclui também pelo menos onze juízes da Justiça Federal de Brasília e o procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional Tadeu Alencar. Anota ainda os nomes do ex-secretário da Receita Everardo Maciel, de sua empresa (Logus Consultoria) e de pessoas de sua família (mãe, filha e ex-mulher).

 

Há quatro processos disciplinares abertos na Corregedoria da Receita. Figuram como investigados três funcionários da Receita: Washington Afonso Rodrigues, Marco Antonio Macedo Pessoa, Cid Carlos Costa de Freitas. São os mesmos que, conforme noticiado aqui, foram destituídos no final de fevereiro da comissão de sindicância que apurava, desde 2003, supostas irregularidades praticadas na cúpula do Receita.

 

Washington, Marco Antonio e Cid, como os investigados são conhecidos, estavam lotados na Corregedoria da Receita Federal. Trata-se de uma repartição que não tem poderes para conduzir ações fiscais. Realiza apenas correições funcionais, para apurar delitos praticados por funcionários da própria Receita. Mesmo nos casos que envolvem investigações de servidores do fisco, o acesso aos dados fiscais precisa ser justificado.

 

Quanto aos contribuintes que nada têm a ver com a estrutura funcional da Receita, os agentes da Corregedoria não tinham poderes para pescar-lhes os dados fiscais no sistema da Receita. A bisbilhotice é expressamente desautorizada por lei. Deparando-se com alguma irregularidade praticada por um desses contribuintes, os auditores poderiam, no máximo, comunicar à Receita, a quem caberia investigar.

 

De acordo com os primeiros resultados da investigação, verificou-se que, em pelo menos três casos, além da coleta irregular de informações no sistema do fisco, houve vazamento dos dados para a imprensa. Envolvem o empresário Marcos Valério e suas duas agências de publicidade. Valério representou contra os vazamentos junto à Corregedoria. Suspeita-se que o mesmo possa ter ocorrido em relação aos dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central.

 

Chegou-se aos autores dos acessos suspeitos por meio das senhas que dão acesso aos computadores da Receita. Os números de identificação de dois deles ficaram gravados no sistema. Os funcionários investigados ainda não foram ouvidos nos processos disciplinares. Alegando problemas de saúde, pediram licença médica. Sabe-se que um deles, Marco Antônio, sofreu infarto. Quanto aos outros dois, Washington e Cid, suas dificuldades médicas são, por ora, desconhecidas.

 

O blog tentou ouvir os três auditores. Mas não os encontrou. A pena para o “acesso imotivado” aos computadores da Receita é a demissão por justa causa, “a bem do serviço público”. Para os casos em que ficar comprovado o vazamento dos dados, os responsáveis estão sujeitos a processos civis e criminais que podem levar à pena de prisão de um a quatro anos.

 

A Corregedoria da Receita será obrigada a informar aos 6.000 contribuintes bisbilhotados que os seus dados foram consultados indevidamente. A União estará sujeita a eventuais ações de reparação por danos morais. Espera-se concluir as investigações em 120 dias.

Escrito por Josias de Souza às 23h52

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Surge uma 'neo-Guadagnin'

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Na bica de amargar uma derrota no Conselho de Ética da Câmara, o deputado mensaleiro Josias “R$ 100 mil” Gomes (PT-BA) recebeu uma providencial ajuda da companheira Neyde Aparecida (PT-GO). Suplente da deputada Ângela “Samba no Pé”  Guadagnin, que se ausentou da sessão no instante em que a votação do pedido de cassação iria ocorrer, Neyde pediu vista do processo, adiando a decisão para a próxima terça-feira.

 

Quando o pedido de vista redentor foi formulado, o relator do caso, deputado Mendes Thame (PSDB-SP), já havia lido o seu relatório. Recomendou que o mandato de Josias Gomes seja passado na lâmina. Deu de ombros para a defesa do parlamentar, que alegou ter usado os caraminguás sacados das contas de Marcos “Mala” Valério para liquidar dívidas da campanha eleitora de 2002.

 

Guadagnin participou da primeira fase da reunião do Conselho. Fez questão de discursar. Tentou explicar a dança da impunidade. Disse que está sofrendo um "massacre". Considera-se vítima de preconceito da mídia por ser "gorda" e por "pintar os cabelos". Tentou negar o que foi filmado e fotografado: "Eu não estava cantando nem dançando", disse ela. Na sua própria definição, a deputada estava apenas se manifestando "com o corpo todo."  

Escrito por Josias de Souza às 17h05

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Lula: 'Às vezes temos que provar que não é verdade'

  Eraldo Peres/AP
Ao dar posse a Guido Mantega e despedir-se de Antonio Palocci, em solenidade que acaba de ocorrer no Planalto, Lula foi afetuoso com o ministro demitido. Chamou-o de “companheiro” durante todo o discurso. Ao final disse que companheiro pode ser mais do que um irmão. Mas não deixou de acentuar que o amigo tem coisas a explicar:

 

“Meu querido companheiro Palocci, a vida nossa é marcada por momentos extraordinários, do acúmulo de prazer e alegria. E a vida nossa é marcada por dissabores, por acusações, às vezes por leviandades. E às vezes acusações que nós temos que, humildemente, provar que não são verdadeiras. Mas creio que tudo significa mais uma lição, mais um aprendizado, que você encaixou na sua consciência. Você sabe melhor do que ninguém os passos que dará daqui pra a frente.”

 

Primeiro a discursar na solenidade, Palocci repisou a tecla de que é inocente no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Bem como de todas as outras suspeitas que lhe pesam sobre os ombros: "Jamais patrocinei nesses três anos de governo malfeitorias com os bens públicos e jamais atentei contra a Constituição ou a democracia brasileira." Mais cedo, em entrevista, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) dissera que Palocci será agora investigado pela Polícia Federal.

 

Em seu discurso, Lula ironizou um comentário feito pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), em discurso pronunciado na tribuna do Senado nas horas que se seguiram à queda de Palocci. “Me surpreendi com um senador que disse que ‘o Palocci é o maior ministro da Fazenda da história do Brasil’. É o caso de dizer: nem tanto. Mas, de qualquer forma, para quem é achincalhado num dia, no outro receber um elogio dessa envergadura...”

 

O presidente ainda afirmou, dirigindo-se diretamente ao demitido: “Possivelmente você não foi o melhor ministro da Fazenda do Brasil. Não sei quem o foi. Normalmente, quando as pessoas morrem costumam ficar melhores. Mas vou ter dizer uma coisa de presidente, de brasileiro de cidadão: penso que você, mais do que milhões e milhões de pessoas, tem motivos para se orgulhar.”

Na seqüência, Lula listou uma série de “feitos” de seu governo –da "recuperação da credibilidade internacional" à implantação do programa Bolsa Família. Empilhou em sua lista programas de pastas que, exceto pela dependência orçamentária, pouco têm a ver com o Ministério da Fazenda. E arrematou: “Você não era o ministro de tudo, mas todos nós, os mais críticos, os menos críticos, todos sabemos que um pouco disso nós e o Brasil devemos a você, pela serenidade com que conduziu o seu período no ministério (...).”

Em sua última intervenção, Lula disse a Palocci que o considera mais do que um simples companheiro. O presidente disse que tem o ex-auxiliar como a um "irmão". O comentário emocionou Palocci. Ao despedir-se do ex-chefe, o ministro demitido sapecou-lhe um "selinho" na bochecha, em flagrante captado pelo repórter Lula Marques (veja abaixo).

Lula Marques/Folha Imagem
 

Escrito por Josias de Souza às 16h02

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As manchetes desta terça

 

- JB: Sai Palocci, entra Guido Mantega - A implosão da mentira

 

- Folha: Palocci cai; Mantega assume

 

- Estadão: Escândalo derruba Palocci

 

- Globo: Palocci é incriminado por presidente da Casa e cai

 

- Correio: Acabou

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Peso morto!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Oposição elege Lula como novo 'sparring'

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Numa frenética troca de telefonemas entre os seus principais líderes, PSDB e PFL decidiram nesta segunda-feira manter o governo sob fogo cerrado até outubro, quando o país irá às urnas para decidir quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2007. Com a saída de Antonio Palocci, último anteparo de Lula, a oposição decidiu golpear de modo mais incisivo o próprio presidente da República.

 

PSDB e PFL tentam corrigir agora o que consideram ter sido o seu principal “erro” no ano passado. Depois da explosão do escândalo do mensalão, tucanos e pefelistas optaram por poupar Lula, centrando os seus ataques no PT e no ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Querem agora aproveitar o “escândalo Francenildo” para tirar o atraso. Reforçarão o discurso de que Lula é, em última análise, o responsável por todas as mazelas do governo.

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atuara como bombeiro no ano passado, agora exerce o papel de incendiário. Tornou-se um entusiasta da escalada rumo ao presidente da República. No PFL, os senadores Jorge Bornhausen (SC) e Antonio Carlos Magalhães (BA) desempenham papel análogo. Une-os a perspectiva de que os ataques a Lula tonificarão os índices de Geraldo Alckmin, candidato tucano à presidência, nas pesquisas.

 

Farejando o cheiro de queimado, o PT prepara a reação. Em diálogos reservados, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), ameaçou trazer para o plano federal o que chama de “mensalão do Geraldo Alckmin”. Refere-se ao caso noticiado pela Folha no domingo, envolvendo a Nossa Caixa, instituição financeira vinculada ao governo de São Paulo, e parlamentares da base de sustentação de Alckmin na Assembléia Legislativa de São Paulo.

 

Nesta segunda-feira, para tentar reduzir o impacto da denúncia, Alckmin aceitou pedido de demissão do jornalista Roger Ferreira, seu assessor de comunicação, pivô do novo caso. A cúpula do PSDB considerou equivocadas as primeiras manifestações do governador paulista sobre o episódio. Alckmin dissera no domingo que o episódio não seria investigado.

 

Também nesta segunda-feira, depois de um encontro com Tasso Jereissati, presidente do PSDB, Alckmin tentou emendar-se. Disse que, na verdade, o caso já foi investigado. Alckmin comete grave equívoco ao considerar como coisa do passado o episódio que compromete o seu discurso da “lavagem ética”.

 

A repórter Lilian Christofoletti informa na Folha (para assinantes) que o deputado estadual Afanasio Jazadji, vice-líder do PFL, afirmou ter recebido do próprio governador de São Paulo proposta de repasse de recursos publicitários da Nossa Caixa, para que deixasse de criticar o governo estadual.

 

"Ele nem esteve comigo”, reaagiu, irritado, o governador. “E Afanasio Jazadji é da oposição, faz oposição 24 horas por dia. Estranho, né? O governo está beneficiando a oposição?"

 

Seja como for, a movimentação de oposicionistas e petistas constitui o mais eloqüente prenúncio de que a campanha de 2006 será a mais suja dos últimos tempos.

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Governo tenta evitar debandada na Fazenda

Com a bruxa à solta na área econômica, o governo montou uma operação de emergência na noite desta segunda-feira para evitar a revoada coletiva de toda a equipe de assessores de Antonio Palocci. Lula telefonou pessoalmente para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Pediu-lhe que permanecesse no cargo.

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), discou para o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Ele está de malas prontas desde o final do ano passado. Vai ocupar a vice-presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O senador pediu-lhe que retardasse a saída. Levy não deve atendê-lo.

Mercadante telefonou também para Palocci. Rogou ao ministro demitido que encarecesse aos assessores para permanecer em seus cargos, ao menos até que a poeira assente. Além de Levy, havia o receio de que o secretário de Política Econômica, Bernardo Appy, pedisse demissão.

O governo não exclui a hipótese de promover ajustes no segundo escalão da Fazenda. Apenas tenta evitar a debandada em massa, que poderia provocar sobressaltos no mercado. O risco da saída massiva passou a ser considerado depois que o secretário-geral do ministério, Murilo Portugal, pediu demissão em caráter irrevogável.

Cotado para assumir o lugar de Palocci durante a crise, Portugal vinha sofrendo pressões familiares para trocar o governo pela iniciativa privada. Prometera em casa que, com ou sem a reeleição de Lula, não permaneceria na Esplanada um dia sequer além de 31 de dezembro de 2006. Enxergou na saída de Palocci uma oportunidade para antecipar os seus planos. Oscila entre mudar-se para o Rio ou para São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Mantega: 'Política econômica será mantida'

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

As primeiras palavras pronunciadas em público por Guido Mantega depois de ser nomeado para o Ministério da Fazenda foram endereçadas ao mercado. Ele disse em entrevista coletiva que a política econômica não pertence a nenhum ministro, mas ao presidente Lula. Por isso, não será alterada.

 

— Antes que vocês me perguntem, quero me antecipar e dizer que a política econômica não mudará. A política econômica que nós estamos praticando não é do ministro Palocci, da ministra Dilma ou do ministro Paulo Bernardo. É a política econômica do presidente Lula. Ele é seu fiador — disse o novo ministro.

 

Mantega previu que a economia brasileira crescerá em 2006 entre 4% e 4,5% do PIB. Crítico notório da política monetária que vinha sendo conduzida por Antonio Palocci, o novo ministro foi comedido ao discorrer sobre juros:

 

— Não fui para o Banco Central, fui para a Fazenda. Mas minha orientação é de que o Brasil já conseguiu controlar a inflação e isso permite uma redução sistemática da taxa de juros. Evidentemente que isso é competência do Copom, mas, agora, como membro do Conselho Monetário Nacional, vou interagir com o Copom. Faremos esforço para que crescimento se torne desenvolvimento sustentável.

 

Quanto à meta de superávit fiscal, disse que será mantida em 4,25% do PIB. Elogiou a equipe montada por Palocci, mas não excluiu a hipótese de promover substituições:  

 

— Em princípio, eu considero a equipe muito eficiente, mas não descarto mudanças — disse Mantega.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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MP deve processar Palocci por quebra de sigilo

  Folha Imagem
O Ministério Público Federal deve mover uma ação judicial contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. A hipótese começou a ser analisada nesta segunda-feira. Pretende-se responsabilizar civil e criminalmente Palocci pela quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa, um delito que sujeita o autor à pena de um a quatro anos de prisão.

O blog apurou que os procuradores da República destacados para acompanhar o caso da violação da conta do caseiro consideraram que o depoimento prestado por Jorge Mattoso à Polícia Federal tornou praticamente inevitável a abertura do processo contra Palocci.

 

Revelando-se uma espécie de anti-Delúbio, o petista Mattoso, também afastado nesta segunda-feira da presidência da Caixa Econômica Federal, entregou Palocci à polícia. Contou que entregou nas mãos do próprio ministro um envelope contendo o extrato da conta-poupança de Francenildo. O mesmo extrato que foi vazado depois para a revista “Época”. A exemplo de Palocci, Mattoso também deve figurar como réu na ação a ser movida pelo Ministério Público.

 

A Procuradoria da República considera essencial que Palocci seja intimado a depor no inquérito conduzido pela Polícia Federal. Sem as regalias concedidas a ministros de Estados, que têm a prerrogativa de escolher hora e local de sua conveniência para depor, Palocci terá de comparecer à sede da PF se vier a ser intimado. Corre o risco de deixar o prédio na condição de indiciado, exatamente como aconteceu com Mattoso.

 

Embora o inquérito policial tenha avançado na apuração do encadeamento de fatos que levaram à violação do sigilo de Francenildo no âmbito da Caixa Econômica, há ainda pontos nebulosos pendentes de esclarecimento. O principal mistério remanescente é a origem da ordem que levou Mattoso a determinar a bisbilhotice da conta do caseiro.

 

Mattoso disse à PF ter recebido a informação de que havia uma movimentação atípica na conta de Francenildo. Por isso pediu a emissão do extrato. De posse do documento, segundo a sua versão, telefonou para Palocci, que o teria convidado a ir até sua casa.  Ali, contou Mattoso, o extrato foi repassado ao ministro.

Suspeita-se que Mattoso tenha omitido uma ordem que teria recebido do próprio Palocci ou de um assessor dele. Em carta que enviou a Lula, Palocci reiterou o que vinha dizendo desde a semana passada. Disse que não teve participação nem na quebra do sigilo nem na divulgação do extrato.

 

O principal suspeito de entregar o extrato à revista Época é o assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto, que se demitiu nesta segunda-feira. O Ministério Público e a Polícia Federal consideram inverossímil a versão de que a Caixa Econômica tenha agido por conta própria.

 

Além da nova ação judicial que está prestes a arrostar, Palocci, agora despido do foro privilegiado de ministros de Estado –o STF- fica sujeito aos rigores da Justiça comum em outros processos que enfrenta em São Paulo. O maior receio do agora ex-ministro é o de que os seus investigadores requeiram a sua prisão.

Escrito por Josias de Souza às 00h18

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Thomaz Bastos guiou demissão de Palocci

  Luiz Carlos Murauskas/F.Imagem
Chama-se Márcio Thomaz Bastos o principal artífice do afastamento de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Nos instantes em que Lula hesitou, coube ao ministro da Justiça aconselhá-lo. Ele disse ao presidente que o sacrifício do amigo Palocci era necessário para salvar o que restava de imagem pública do governo.

 

Em todas as reuniões privadas de que participou, Thomaz Bastos vinha sustentando desde a semana passada que era indispensável descaracterizar a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa como um ato de governo. E o único modo de fazê-lo seria identificar os responsáveis, punindo-os sem vacilações.

 

Até quinta-feira da semana passada, Lula apegava-se à palavra de Palocci, que lhe assegurava estar limpo no episódio da quebra ilegal de sigilo do caseiro. Thomaz Bastos ouvia as palavras do colega da Fazenda com um pé atrás. Todos os indícios levantados pela PF indicavam que o crime não fora obra de pessoas subalternas.

 

À medida que a apuração foi avançando, Palocci foi ajustando a sua versão. A partir da tarde de quinta-feira, passou a admitir que o seu assessor de imprensa, o jornalista Marcelo Netto, estava por trás da divulgação dos extratos do caseiro. Disse, porém, que o auxiliar agira por conta própria, sem a sua anuência.

 

Durante todo o final de semana, Thomaz Bastos manteve-se em contato telefônico com Lula. Repassou ao presidente as informações que recebeu da PF. Dados que reforçavam a violação de sigilo como um crime ordenado pela cúpula. Já na tarde de sábado, o ministro da Justiça disse a Lula que, além de Palocci, também o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, não poderia deixar de ser demitido.

 

Nesta segunda-feira, coube a Thomaz Bastos informar a Lula acerca do teor do depoimento de Mattoso à PF. O presidente da Caixa declarou que entregou pessoalmente a Palocci, na casa dele, cópia do extrato bancário de Francenildo.

 

As revelações de Mattoso apenas cristalizaram uma decisão que estava tomada. Àquela altura, Palocci já estava fora do governo. Depois de ter hesitado no domingo, Lula telefonou na manhã de segunda-feira para Guido Mantega, presidente do BNDES. Pediu-lhe que voasse às pressas para Brasília. Seria oficializado como novo ministro.

 

A despeito as evidências, Palocci voltou a sustentar, na carta enviada a Lula nesta segunda-feira, que não ordenou nem a quebra de sigilo do caseiro nem a divulgação do extrato da conta-poupança de Francenildo na Caixa Econômica. Não há mais no Planalto quem dê crédito à versão do ministro afastado. A PF considera ter desvendado toda a cadeia de comando que levou à violação do sigilo de Francenildo na Caixa Econômica. Espera agora reunir provas que reforcem os fortes indícios que pesam contra Palocci e seu ex-assessor Marcelo Netto.

Escrito por Josias de Souza às 20h14

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Roriz, do PMDB, declara apoio a Alckmin

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Enquanto Lula está às voltas com uma crise que custou a cabeça de Antonio Palocci, o ministro mais importante do governo, Geraldo Alckmin acaba de ganhar um vistoso palanque no Distrito Federal. O governador de Brasília, Joaquim Roriz, estrela do PMDB, disse ao blog que decidiu apoiar o candidato do PSDB à presidência da República. É a primeira liderança de peso do PMDB a formalizar apoio a Alckmin.

 

A decisão de Roriz abre um dique na pré-candidatura peemedebista de Anthony Garotinho. Joga água também na fervura da articulação do grupo governista do PMDB que, sob a liderança dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), tenta arrastar o partido para o lado de Lula.

 

Afora o efeito político que irá provocar, o gesto de Roriz deve render dividendos eleitorais para Alckmin. Personagem controverso no meio político, o governador é dono de índices de popularidade incontroversos. De acordo com o instituto brasiliense Soma, os índices de aprovação de seu governo roçam a casa dos 80%. Para o Ibope, beiram os 70%.

 

A exemplo de Alckmin, Roriz deixa o governo nesta semana. Entrega a administração de Brasília à vice governadora tucana Maria de Lourdes Abadia. Embora ainda não admita, Roriz vai disputar uma cadeira no Senado. Entra na disputa como favorito. Seu apoio é disputado por nada menos que quatro candidatos ao Palácio do Buriti, a sede do governo brasiliense: o senador Paulo Otavio e o deputado José Roberto Arruda, do PFL; além do deputado Tadeu Filipelli e do ex-ministro do STF Mauricio Corrêa, do PMDB.

 

Abaixo, a entrevista que Roriz acaba de conceder ao blog:

 

- Por que o sr. decidiu apoiar Geraldo Alckmin?

Venho defendendo há muito tempo que o PMDB não deveria ter candidato à presidência da República. Com a manutenção da verticalização ficou ainda mais claro que o PMDB deve buscar um entendimento com o PSDB e o PFL, para apoiar o Alckmin. Os três partidos juntos ganham a eleição no primeiro turno. Não tenho dúvida disso.

- Mas por que Alckmin?

É o mais preparado. Foi vereador, foi bom prefeito (em Pindamonhangaba), foi deputado federal, foi vice-governador do (Mário) Covas e agora governa São Paulo, o maior Estado da federação, o mais rico e também o mais problemático. Governou com extrema competência, o que o credencia a ocupar a presidência da República. Minha posição é irreversível. Nós seremos vitoriosos.

- O sr. já comunicou sua decisão ao governador paulista?

Tenho falado com ele freqüentemente. Mas meu apoio é dado sem nenhuma negociação. Faço isso porque entendo que é o melhor para o meu país. Não farei nada escondido. Vou dizer para o PMDB e para todo mundo. Vou percorrer esse país defendendo o Alckmin.

- Uma ala do PMDB defende o apoio a Lula. O sr. discorda?

Respeito o ponto de vista de cada companheiro. Mas eu jamais entrarei nessa corrente. Sou contra isso. Vou para as ruas pelo Alckmin.

- O apoio do PMDB ao Alckmin deve ser formalizado?

É isso o que eu defendo. Estou convencido de que a maioria dos peemedebistas do Brasil querem isso. Não agüentamos mais esse estado de coisas que o país está vivendo. Alckmin está preparado para fazer uma administração com honradez e com ética, que é o que o país está precisando.   

Escrito por Josias de Souza às 18h09

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Última mentira de Palocci foi para Lula

  AFP
A última mentira de Antonio Palocci, agora ex-ministro da Fazenda, foi contada ao presidente da República. Palocci havia assegurado a Lula que nada teve a ver com a quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Em depoimento à Polícia Federal, encerrado há pouco, o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse que entregou “pessoalmente” o extrato do caseiro nas mãos do ministro.

 

Informado a respeito do resultado da inquirição de Mattoso, conduzida pelo delegado Rodrigo Carneiro, o ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça) repassou o teor de suas declarações a Lula. E o presidente, que já pendia para o afastamento de Palocci desde a última quinta-feira, viu-se compelido a afastá-lo. Ratificou também uma decisão tomada na última sexta-feira: a demissão de Jorge Mattoso. Está fora do governo também o assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto, que repassou o extrato do caseiro à revista Época.

 

Informado sobre o caráter irreversível da decisão do presidente, Palocci passou a encenar a pantomima do pedido de afastamento. Divulgou nota oficial dizendo que pedira o seu desligamento do governo. Foi, na verdade, demitido um dia depois de ter solicitado ao presidente que o poupasse.

 

Em telefonema ao senador Tião Viana (PT-AC), Palocci deu seqüência ao jogo de cena. Pediu ao companheiro de partido que informasse, dos microfones do Senado, o teor da sua “decisão”. Seguindo o script, o senador Viana, o mesmo que pedira ao STF aquela liminar que calou o caseiro Francenildo na CPI dos Bingos, deu curso à encenação.

 

Viana desinformou os seus pares. Disse-lhes que Palocci decidira deixar o cargo para evitar que problemas políticos contaminassem a estabilidade da economia. “O ministro agradece a confiança e o respeito que teve do Congresso em todos os momentos”.

 

As declarações de Viana desconsideraram o fato de que Palocci caiu em meio à desconfiança e à falta de respeito do Legislativo, de cujas tribunas pronunciaram-se nos últimos dias os mais duros discursos contra um ministro da Fazenda de que se tem notícia.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Palocci 'pede afastamento'; Mantega é o sucessor

Ueslei Marcelino/Folha Imagem
 

Antonio Palocci no quintal da residência oficial, em Brasília

 

O Ministério da Fazenda acaba de divulgar uma nota oficial em que informa que Antonio Palocci pediu o afastamento do cargo que ocupava havia 39 meses. O petista Guido Mantega, presidente do BNDES, passará a ocupar a pasta da Fazenda.

 

A nota divulgada pela Fazenda ocupa duas linhas e meia. Diz o seguinte: “O ministro Antonio Palocci decidiu solicitar ao presidente da República seu afastamento do cargo. O ministro está encaminhando ao presidente Lula carta explicando suas razões.”

 

Na prática, Palocci foi demitido. Ele não queria deixar o cargo. Em conversa com Lula, no domingo, negou que tivesse envolvimento na violação do sigilo de Francenildo dos Santos Costa, o caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. Tentou demonstrar que ainda reunia condições de permanecer no governo.

 

Porém, em reunião com os ministros que compõem o núcleo decisório do governo, Lula concluiu nesta segunda-feira que a manutenção de Palocci, até aqui seu braço direito no governo, comprometeria irremediavelmente a imagem do seu governo, com reflexos no seu projeto de reeleição. Palocci foi, então, instado a pedir o boné.

 

A escolha de Guido Mantega é uma opção pessoal de Lula. O presidente do BNDES desfruta da intimidade do presidente. Ao escolhê-lo, Lula informa ao mercado que Palocci sai, mas a política econômica permanece inalterada.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Dialética de sanitário!

Laerte

Escrito por Josias de Souza às 15h40

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Mattoso recebeu pessoalmente extrato ilegal

  Adriano Machado/FI.
A Polícia Federal já refez toda a trilha percorrida pelo extrato de Francenildo dos Santos Costa no interior da Caixa Econômica Federal. O último estágio do documento foi o gabinete de Jorge Mattoso, presidente da Caixa. Em depoimento à PF, um funcionário do banco oficial, cujo nome é mantido em sigilo, disse que entregou pessoalmente o extrato do caseiro ao petista Mattoso, informa Felipe Recondo.

 

A PF tenta agora seguir as pegadas deixadas pelo extrato ilegal no piso de mármore de um outro prédio, o Ministério da Fazenda. Mattoso presta depoimento nesse momento na sede da PF. Espera-se que explique como os dados bancários de Francenildo foram parar nas mãos do assessor de imprensa de Palocci, o jornalista Marcelo Netto.

Escrito por Josias de Souza às 15h33

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Tasso: 'Não dá mais para preservar o Lula'

 Lula Marques/F.Imagem
De volta de uma viagem ao exterior, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), reassume a negociação da aliança do tucanato com o PFL. Nesta segunda-feira, Tasso sinalizou que José Serra deve mesmo ser candidato ao governo de São Paulo. Disse que “as resistências” do prefeito “estão minando”. Em verdade, informam amigos e auxiliares de Serra, as “resistências” minaram há dias. Gostosamente.

 

Tasso esteve pela manhã com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República. O senador aproveitou o contato com jornalistas para tirar uma casquinha do governo, em meio aos desdobramentos do “caseirogate”. O senador defendeu a demissão do ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do presidente da Caixa Econômica Federal. Fez pior: escalou em direção a Lula.

 

“Falta de escrúpulo para o presidente Lula se manter no poder”, disse Tasso. "Não se pode mais preservar o presidente. De tudo se preserva o presidente. Ele precisa ser responsabilizado. Ele precisa pelo menos dizer: ‘eu errei e quero consertar isso’”, afirmou.

Escrito por Josias de Souza às 13h08

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Fazenda de todos os santos

Nesta fase em que seus colegas de ministério acham que ele já não tem futuro e o Ministério Público de Ribeirão Preto acredita que ele só tem passado, Antonio Palocci anda descrente dos santos de casa. Recorre cada vez mais a imagens de credos alternativos. É o que informa Mônica Bergamo em três notas de sua coluna, na Folha (para assinantes):   

 

CVV
Aécio Neves, governador de Minas, tem sido interlocutor constante de Antonio Palocci nesses tempos de crise. O ministro telefona sempre para ele.

CONSELHEIRO 1
Delfim Netto tem sido interlocutor constante de Lula nesses tempos de crise. Na semana passada, o deputado visitou o presidente no Palácio do Planalto. Saiu do gabinete dele e foi direto para a sala ao lado -onde Palocci despachava.

CONSELHEIRO 2
Delfim saiu com a impressão de que Palocci estava disposto a resistir. Não queria entregar a rapadura tão já.

Escrito por Josias de Souza às 07h45

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As manchetes desta segunda

 

- JB: Caso do caseiro - Governo prepara saída de Palocci

 

- Folha: Lula deve decidir hoje futuro de Palocci

 

- Estadão: Solução do caso Palocci não pode passar de hoje, diz Lula

 

- Globo: Depoimento abre semana decisiva de Palocci

 

- Correio: O dia da decisão

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h03

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Alturas e profundezas

Angeli

Escrito por Josias de Souza às 06h58

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Investigação em escândalo dos outros é refresco

Bestgraph
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin disse, veja você, que não será investigada a denúncia de que ele teria direcionado recursos de publicidade da Nossa Caixa, instituição financeira do governo paulista, para favorecer políticos aliados na Assembléia Legislativa. Acha que não há necessidade

 

"Conversei com o presidente da Nossa Caixa (Carlos Eduardo Monteiro). (A denúncia) Não tem a menor veracidade. O governo do Estado não interfere em banco público", disse Alckmin (para assinantes da Folha). Para sorte geral, o Ministério Público de São Paulo pensa de outro modo. Abriu, em dezembro, uma investigação. Algo que Geraldo “Banho de Ética” Alckmin parece apreciar somente no quintal dos outros.

Escrito por Josias de Souza às 06h53

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O epílogo da CPI dos Correios

  Folha Imagem
Não bastasse o barulho proporcionado pela nova crise --o “caso Francenildo”--, o governo Lula terá de conviver nesta semana com o ressurgimento dos antigos ruídos do “escândalo do mensalão”. O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR) apresenta nesta terça-feira o seu relatório final. Trará entre 130 e 150 pedidos de inciamento, informa Bernardo de la Peña.

  

A lista de candidatos a “indiciado” deve incluir os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. A presença dos dois no relatório de Serraglio motivará uma renhida disputa entre governistas e oposicionistas com assento na CPI. Parlamentares do PT não excluem a hipótese de apresentar à comissão um relatório paralelo.

Escrito por Josias de Souza às 23h51

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Palocci fala com Lula e tenta se manter no cargo

  Alan Marques/Folha Imagem
Num último movimento para tentar segurar-se no cargo, o ministro Antonio Palocci (Fazenda), cuja cabeça balança, conversou neste domingo com Lula. Em diálogo tenso, tentou convencer o chefe de que ainda reúne condições para permanecer no governo. Argumentou que sua eventual saída não reduzirá o "apetite" da oposição, que passaria a mirar diretamente em Lula.

Palocci repetiu para o presidente algo que vem dizendo internamente desde a semana passada: não teria tido nenhum tipo de participação na quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O problema do ministro são os indícios que apontam para Marcelo Netto, seu assessor de imprensa, como responsável pelo vazamento dos extratos do caseiro. Netto nega.

Depois de conversar com Palocci, Lula trocou impressões com auxiliares que lhe  são próximos. Alcançou-os pelo telefone. Ouvido pelo blog, um desses assessores contou ter ficado com a impressão de que a conversa com Palocci deixou Lula “balançado”. O presidente estaria condoído com o drama vivido pelo ministro, que migrou da condição de homem forte do governo para a de ministro mais frágil da Esplanada.

Na última sexta-feira, o presidente dissera ao mesmo assessor que estava decidido a afastar Palocci. Na nova conversa, não chegou a dizer que mudou de idéia. Mas não soou tão enfático quanto antes. Disse que deseja discutir o tema nesta segunda, em reunião com os ministros que compõem o "conselho da crise", no Planalto. Participarão do encontro os ministros Marcio Thomaz Bastos (Justiça), Dilma Rousseff (Gabinete Civil), Jaques Wagner (Coordenação Política), Ciro Gomes (Integração) e o próprio Palocci.

Pelo menos um dos ministros receia que a participação de Palocci na reunião acabe por constranger os colegas, inibindo a manifestação daqueles que não têm mais dúvidas quanto à conveniência do afastamento do ministro da Fazenda. Essa posição é hoje majoritária no núcleo do governo com poder para opinar sobre o tema junto a Lula.

O presidente voou à noite para Curitiba (PR). Participa na manhã desta segunda-feira da Conferência de Países-membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, que reúne representantes de mais de 170 países. Lula retorna a Brasília ainda nesta segunda, em tempo para debater a crise com ministros e encontrar-se com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), uma das pessoas cotadas para assumir o lugar de Palocci.

Também na tarde desta segunda-feira, o petista Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal, instituição na qual o caseiro Francenildo mantém a conta-poupança que teve o sigilo violado, presta depoimento à Polícia Federal. Segundo disse a Lula, Palocci espera que Mattoso, que também está com a cabeça a prêmio, assuma a responsabilidade pela sucessão de ordens que levou um funcionário do quarto escalão da Caixa a bisbilhotar a conta do caseiro.

 

Por ordem do ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça), a PF corre com o inquérito que apura os nomes dos responsáveis pela quebra ilegal de sigilo. Espera-se que todas as respostas estejam sobre a mesa de Lula entre esta segunda e terça-feira.

Escrito por Josias de Souza às 22h35

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Mercadante se diz ´pronto`

 

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), fez neste domingo um comentário sobre a hipótese de vir a substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. Disse o seguinte, conforme relato do repórter Maurício Simionato:


"Eu sempre coloquei o meu mandato à disposição do partido e do presidente Lula. Portanto, qualquer que seja a função que seja necessária ao partido ou ao presidente, eu estou pronto para desempenhar".

Prudente, o senador petista ressalvou que, a depender de sua vontade, continuaria ajudando Lula e o PT do lado de fora do governo: “Eu considero que a minha condição de líder do governo e pré-candidato ao governo de São Paulo é o melhor instrumento nesse momento para que a gente possa enfrentar esta conjuntura adversa".

 

Mercadante encontra-se com Lula na tarde desta segunda-feira, no Palácio do Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 21h46

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Re(a)fundação do Brasil

Karmo

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Polêmica marca elaboração de programa de Alckmin

  Folha Imagem
Mal foi lançado como candidato oficial do PSDB à presidência da República, o governador Geraldo Alckmin já tem um primeiro conflito de campanha para administrar. Reproduz-se sob Alckmin uma cilada que paralisou a gestão FHC: a disputa entre economistas de duas tendências, a monetarista e a desenvolvimentista.

O ITV (Instituto Teotônio Vilella), vinculado ao PSDB, inicia na próxima semana a elaboração do programa de governo que Alckmin defenderá na campanha eleitoral deste ano. Pretende-se buscar a contribuição de outras entidades, entre elas a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a FDC (Fundação Dom Cabral). Porém, o principal debate será travado entre economistas vinculados ao tucanato.

De um lado, a ala dita desenvolvimentista, capitaneada pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros e pelo economista Yoshiaki Nakano, defende o abrandamento da política fiscal praticada sob Fernando Henrique Cardoso e aprofundada sob Lula. De outro, a ala mais afinada com a ortodoxia monetária, representada pela chamada “turma da PUC do Rio”, reunida na Casa das Garças.

Embora batizada com o nome de uma ave ciconiforme, a Casa das Garças é um ninho de outra família, a das aves piciformes, mais conhecidas como tucanos. A lista de associados deste instituto de estudos econômicos é adornada por nomes como Armínio Fraga, André Lara Resende, Pérsio Arida e Edmar Bacha.

Numa tradução simplista, a teoria das garças-tucanas passa pela tese de que o equilíbrio das contas do Estado não será obtido senão por meio do aprofundamento do arrocho fiscal e dos cortes das despesas públicas. Na outra ponta, gente como Mendonça de Barros e Nakano, defende, de novo em leitura simplista, a utilização do orçamento público como mola propulsora do desenvolvimento nacional.

Mal comparando, o embate travado sob Alckmin é o mesmo que opôs, sob Lula, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) ao chefe da Casa Civil José Dirceu, numa primeira fase, e à ministra Dilma Rousseff, substituta de Dirceu, mais recentemente. Assim como Mendonça de Barros e Nakano, Dirceu e Dilma advogam a tese de que o investimento público deve prevalecer sobre o arrocho monetário. O crescimento econômico tonificaria a arrecadação de tributos e o equilíbrio das contas públicas viria como conseqüência.

Metido no meio das duas correntes, Alckmin terá de demonstrar suas habilidades de árbitro. O governador tem defendido em suas manifestações públicas o desejo de levar à campanha uma plataforma desenvolvimentista. Prega idéias que encantam o empresariado: redução da carga tributária e o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada, por exemplo.

O problema é que o governador precisa seduzir também o eleitorado. E, para isso, a velha cantilena de monetaristas versus desenvolvimentistas não chega a empolgar.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

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As manchetes deste domingo

 

- JB: Estradas privatizadas - Todas as viagens levam ao medo

 

- Folha: Nossa Caixa beneficia aliados de Alckmin

 

- Estadão: Crise complica reforma ministerial para Lula

 

- Globo: Petróleo: auto-suficiência não barateará combustíveis

 

- Correio: Anatomia de um crime

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Liames indecorosos!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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A lavanderia seletiva de Alckmin

Bestgraph
Em discurso proferido na cerimônia em que foi consagrado candidato oficial do PSDB à presidência da República, o tucano Geraldo Alckmin prometeu dar “um banho de ética no governo”. Reportagem de Frederico Vasconcelos (na Folha, para assinantes) mostra que Alckmin mergulha na campanha deixando para trás um naco de seu governo que não passou pela máquina de lavar. Diz o texto:

“O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa.

Documentos obtidos pela Folha confirmam que o Palácio dos Bandeirantes interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo "Bispo Gê" Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).

A cúpula palaciana pressionou o banco oficial para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de Rádio. Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista "Primeira Leitura", publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa.

O banho de ética anunciado pelo candidato tucano à Presidência da República torna-se uma ducha de água fria com o resultado de uma auditoria na área de publicidade da Nossa Caixa, que revela o descontrole nas contas, e com a investigação, pelo Ministério Público do Estado, a partir de denúncia anônima, sobre o uso político-partidário do banco oficial.

Entre setembro de 2003 e julho de 2005, as agências de propaganda Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda. continuaram prestando serviços sem amparo legal, pois o banco não renovara os contratos, conforme a Folha revelou em reportagem de dezembro último. O caso está sendo apurado pelo promotor de Justiça da Cidadania Sérgio Turra Sobrane.

Ao analisar 278 pagamentos às duas agências no período em que operaram sem contrato -no total de R$ 25 milhões-, a auditoria interna apontou irregularidades em 255 operações (91,73%).

Não foram localizados documentos autorizando pagamentos que somavam R$ 5,1 milhões. Em 35% dos casos, não havia comprovantes da realização dos serviços. Em 62,23%, os pagamentos não respeitaram o prazo mínimo legal de 30 dias. O patrocínio de campanhas de marketing direto era autorizado verbalmente.

A responsabilidade por esses pagamentos é atribuída ao ex-gerente de marketing Jaime de Castro Júnior, 48, ex-auditor do banco, com 28 anos de casa. Ele admitiu ter liberado pagamentos em valores acima dos limites que podia autorizar e, a partir de 2002, sem ter procuração para tal. "Reafirmo que assumi a responsabilidade pela liberação dos pagamentos, dados sua urgência e os interesses da instituição", afirmou à comissão de sindicância.

Ele foi demitido por justa causa, em dezembro, pelo presidente do banco, Carlos Eduardo Monteiro, sob a acusação de "mau procedimento", "desídia" e "indisciplina". O ex-presidente do banco Valdery Frota de Albuquerque também foi responsabilizado (...).”

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Nada a ver

Nada a ver

No Planalto

 

 

O governo não tem nada a ver com a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Os extratos saíram dos computadores da Caixa Econômica Federal, banco subordinado a Antonio Palocci e dirigido pelo petista Jorge Mattoso. O principal suspeito de ter vazado o papelório para a imprensa é um assessor direto de Palocci. Mas o governo não tem nada a ver com isso.

 

Os integrantes da “República de Ribeirão Preto” alugaram uma mansão no Lago Sul de Brasília, para promover negócio$ e festas. O caseiro Francenildo viu Antonio Palocci entrar na casa. O motorista Francisco das Chagas também viu. O ministro, antes enfático nos desmentidos, agora se esquiva de assuntos “baixos”. Natural. Ele não tem nada a ver com essa turma que o assessorou ao tempo em que era prefeito.

 

O caseiro migrou da condição de testemunha para a posição de investigado. O Coaf, órgão submetido ao comando de Palocci, suspeita que os R$ 25 mil em depósitos supostamente recebidos de um “pai não-contabilizado” configuram indício de “lavagem dinheiro”. A Polícia Federal quebrou os sigilos bancário, fiscal e telefônico do pobre. Justo, muito justo, justíssimo. Quem mandou um “simples caseiro” sair do anonimato para denunciar fatos com os quais nem Palocci nem o governo têm nada a ver?

 

Jorge Mattoso causou revolta ao pedir 15 dias para esclarecer, em rigorosa sindicância, a violação da conta do caseiro. Os modernos recursos da informática permitiriam que a coisa fosse desvendada em poucos minutos. A própria Caixa reconhece já ter identificado os dois operadores da máquina sob suspeição. A cautela quinzenal é, porém, mais do que justificável. Como nem Palocci nem Mattoso nem o governo têm nada a ver com a tentativa de desmoralizar o caseiro-algoz, é preciso considerar a hipótese de que os tais extratos tenham saltado dos computadores da Caixa por vontade própria. Só para complicar gente que não tem nada a ver com o peixe.

 

Aproveitando-se da crise que o governo fabricou, a oposição maledicente volta a cobrar a abertura das contas bancárias de Paulo Okamotto, o amigão que liquidou a dívida de R$ 30 mil que Lula tinha com o PT. Jogo de cena eleitoral. Todos sabem que Lula não tem nada a ver com essa dívida. Aliás, o Planalto já disse que o débito jamais existiu. Lula não tem culpa se Okamotto, generoso como ele só, resolveu sacar dinheiro vivo de suas próprias contas para liquidar uma dívida inexistente.

 

As almas puras e os espíritos desarmados têm a obrigação de acreditar que o governo, o presidente, o ministro, a assessoria do ministro e o presidente da Caixa Econômica não têm nada a ver com a confusão que sacode Brasília. Deve-se dar crédito à tese porque ela é coerente. Ora, se o governo não teve nada a ver com nada durante mais de três anos, por que teria justamente agora? 

 

Para poupar a voz das autoridades que falam em nome do petismo, Lula deveria mandar instalar uma placa na frente dos prédios públicos, a começar do Planalto. Diria o seguinte: “O governo não tem nada a ver com nada disso.”

Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Quem dá mais?

Quem dá mais?

Começou a ser exibido nesta semana em Londres o quadro “Dora Maar com um gato”, do mestre Pablo Picasso. A peça vai ao martelo em maio, num leilão que será promovido pela Sothebys em Nova York. O lance inicial será, veja você, de US$ 50 milhões.  

Dora Maar foi uma das inúmeras amantes de Picasso, tão conhecido pela habilidade no manejo dos pincéis como pelo desassombro com que dava azo às suas pulsões sexuais. A moça desceu à tela em 1941.

O retrato de Dora Maar encontra-se em mãos privadas desde a década de 60. Se vier mesmo a ser leiloado pelo preço que se lhe atribui, entrará para a galeria dos dez quadros mais caros do mundo.

Aliás, a lista das obras mais valiosas já inclui quatro pinturas de Picasso. Entre elas “Menino com Cachimbo”, leiloado pela mesma Sothebys, há dois anos, em Nova York, pela bagatela de US$ 104 milhões.

Vincent van Gogh, outro mestre das artes universais, espetou na lista dos mais caros três quadros. O mais valioso, “Retrato do Doutor Gachet”, foi arrematado por um colecionador anônimo em 1990 por US$ 82 milhões. Se imaginasse que poderia valer tanto, o autor talvez tivesse passado na lâmina outros apêndices corporais além da orelha.

O que leva uma casa de leilões a orçar uma obra como Dora Maar em US$ 50 milhões?, se perguntam muitos. São os mistérios da subjetividade. Para a maioria, alguém que se disponha a desembolsar tal quantia padece de patologia ótica. Pode ser. Mas fique certo de uma coisa: não há de faltar ao felizardo adquirente anônimo um trocado para pagar a consulta do oftalmologista.

Escrito por Josias de Souza às 19h27

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Além de Palocci, Lula demitirá presidente da CEF

Além do ministro Antonio Palocci (Fazenda), Lula decidiu demitir o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso (na foto). Em conversa com um ministro neste sábado, o presidente disse que pretende agir rápido. Segundo disse, a resposta do governo à crise aberta com o vazamento ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa deve ser dada nesta segunda-feira, no máximo na terça-feira.

Lula pediu aos ministros que compõem o chamado comitê de governo que não faltem à reunião convocada para o início da manhã de segunda-feira. Deseja discutir as providências que pretende adotar para tentar estancar a crise. Sob influência dos ministros que lhe são mais próximos, o presidente convenceu-se de que não conseguirá reverter o prejuízo de imagem produzido pela violação da conta bancária do caseiro sem uma resposta à altura da gravidade do episódio.

O governo está de tal modo impressionado com a dimensão que a crise assumiu que há entre os auxiliares de Lula quem defenda que, além das demissões já programadas,  o presidente faça um pronunciamento formal de repúdio à quebra ilegal do sigilo do caseiro. A idéia é dissociar o governo da atitude, caracterizando-a como uma infração praticada à margem do Estado.

Lula passou o sábado pendurado ao telefone. Havia solicitado pressa à Polícia Federal, incumbida de levantar os responsáveis pela bisbilhotice praticada contra Francenildo. Foi informado de que todos os indícios apontam para o envolvimento da cúpula da Caixa Econômica. Daí a decisão de demitir Jorge Mattoso, conduzido ao cargo por indicação da ex-prefeita paulistana Marta Suplicy.

Mattoso já foi informado de que terá de prestar depoimento formal à PF. A inquirição vai ocorrer já na tarde de segunda-feira. Embora o inquérito policial ainda possa durar mais alguns dias, Lula deve ter em mãos até terça-feira respostas conclusivas acerca do que ocorreu no eixo Ministério da Fazenda-Caixa Econômica.

Antonio Palocci continua sustentando, mesmos entre quatro paredes, que não teve envolvimento pessoal na quebra de sigilo do caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. Para irritação de alguns colegas de ministério, Palocci nega também a participação de sua assessoria pessoal no vazamento dos extratos da conta de Francenildo. O Planalto suspeita que os papéis tenham sido repassados a jornalistas por Marcelo Netto, assessor de imprensa de Palocci. Ele nega.

O maior problema de Lula no momento é a escolha do substituto de Palocci. A despeito da iminência do desfecho do caso, o nome ainda não está escolhido. O presidente realiza uma última rodada de consultas. Espera chegar a uma conclusão até esta segunda-feira.

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Nada a declarar!

Da Coluna de Mônica Bergamo, na Folha (para assinantes):

 

Vivendo...
Eriberto França, o motorista que ajudou a revelar a corrupção do governo Collor, tem sido procurado por jornalistas para comentar os testemunhos do caseiro Francenildo. Mas gato escaldado tem medo de água fria. Hoje funcionário da Radiobrás, ele não quer saber de papo.

...E aprendendo
"Não quero falar nada. Estou no governo, fica uma situação difícil para mim", diz Eriberto. "Veio até um cara de SP aqui [Brasília] para me entrevistar, mas não quero me envolver. Não quero saber se o caseiro "tá" certo, "tá" errado. Não tenho nada a dizer".

Escrito por Josias de Souza às 11h46

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As manchetes deste sábado

 

- JB: Caso do caseiro - Palocci reconhece: "Eu também errei"

 

- Folha: Palocci diz viver inferno e culpa eleitoral

 

- Estadão: Sigilo de caseiro foi violado em SP por ordem de chefia da Caixa

 

- Globo: Palocci: 'Temos de pagar pelos erros que cometemos'

 

- Correio: O inferno de Palocci

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Guinness do escândalo!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h08

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Fim da linha para Palocci

Lula Marques/Folha Imagem

 

 O repórter Kennedy Alencar informa o seguinte na Folha deste sábado (para assinantes):

 

“O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, deverá deixar o governo em breve. A Folha apurou que há possibilidade de que seja substituído até segunda-feira. Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem à noite, ele admitiu que perdeu "as condições políticas", segundo suas próprias palavras, de permanecer na Fazenda.


A única possibilidade de Palocci continuar ministro seria um desfecho rápido da investigação da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa que mostrasse que a violação não teve envolvimento da assessoria da Fazenda.
A Polícia Federal, que faz essa investigação, já colheu indícios de que pelo menos o vazamento teria tido participação da assessoria do ministro .

´Palocci está comprando horas´, disse à Folha um integrante da cúpula do governo. Lula e os principais ministros avaliam que, mesmo que Palocci supere o episódio do caseiro, outros dissabores aparecerão, o enfraquecerão e contaminarão a popularidade do presidente e do governo.

Até quinta-feira à tarde, Lula estava disposto a segurar Palocci no cargo. Pesava a avaliação de que entregar sua cabeça seria dar uma vitória à oposição. No entanto, Lula recebeu ao final daquele dia informações sobre a apuração da quebra ilegal do sigilo. E ouviu que havia sido negativa a repercussão de que o caseiro passara de testemunha a investigado pela PF.

Em conversas reservadas, Lula disse que quem quebrou ilegalmente o sigilo do caseiro deve pagar e que esse episódio não foi decisão de governo. Mais: o presidente avalia que o governo perdeu a "batalha da comunicação" no caso e que não pode passar à história como conivente com quebra de direitos individuais.

Nesse contexto, aceitou na quinta à noite a possibilidade de substituir Palocci. E ouviu do próprio ministro que ele havia perdido "as condições políticas" e que estava abalado porque sua família sofre com o episódio. O caseiro disse que Palocci freqüentou casa alugada em Brasília por ex-auxiliares para fazer lobby e dar festas com garotas de programa. Palocci disse à CPI dos Bingos que nunca foi A casa. (...)


Segundo auxiliares, Guido Mantega, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é um forte candidato a substituir Palocci. Há sugestão para a escolha de um empresário com o perfil de Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar), mas a intimidade com o presidente é considerada um critério mais importante. Mantega tem essa proximidade.

Outros nomes, menos cotados, são: os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal (...).”

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Lulinha Paz e Amor, versão 2006

Em visita ao Porto de Vitória (ES), que completa 100 anos, Lula fez um prognóstico macabro. Disse que a campanha eleitoral de 2006 proporcionará aos eleitores cenas desagradáveis, com golpes abaixo da linha da cintura. A despeito disso, o presidente prometeu tratar a oposição com a “ternura” que um pai e uma mãe dispensam a um filho.

 

— Vocês não tenham dúvida de que este ano, se depender de alguns, não de todos, o jogo vai ser baixo. Mas eu não farei jogo rasteiro, que é para outro tipo de gente. Por mais leviano que forem os ataques, por mais graves que sejam os xingamentos, assumo o compromisso de me comportar como um pai e uma mãe se comportam com um filho. Não perderei, em momento algum, a ternura — disse, o presidente.

 

Lula foi além:

 

— Duvido que algum brasileiro tenha ouvido uma declaração minha contra um governador, contra um senador ou deputado. Mesmo quando fui atacado da forma mais rasteira, não deixei de me comportar como presidente da República.

 

Como bem lembra o repórter Carlos Orletti, o Lula do passado não era assim tão terno quanto o presidente tenta fazer crer. De uma tacada, apontou, na década de 90, a existência de “300 picaretas” no Congresso. Muitos compõem hoje o consórcio que proporciona suporte parlamentar ao governo.

 

O signatário do blog recua um pouco mais no tempo, para lembrar que, na década de 80, menos meigo do que hoje, Lula chamou José Sarney, presidente de então, de “ladrão”. Em 2003, no alvorecer do governo petista, o deputado João Fontes ousou trazer a público o áudio da ofensa. Indiscrição que lhe rendeu a expulsão do PT. Hoje refugiado no PSOL, Fontes dedica-se a defender em plenário a cassação dos “picaretas” que, sob a ternura do neo-Lula, serviram-se das arcas cladestinas providas pela dupla Delúbio/Valério.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Oposição decide intensificar ataques ao governo

Bestgraph
As cúpulas do PSDB e do PFL estão eufóricas. Reunidos em torno do presidenciável tucano Geraldo Alckmin, os dois principais partidos de oposição ao governo Lula avaliam que atravessam o seu melhor momento desde a explosão do escândalo do mensalão, em maio de 2005. Julgam ter devolvido Lula às cordas. E decidiram intensificar nos próximos dias os ataques ao governo.

 

Tucanos e pefelistas têm pressa. Receiam que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) seja afastado de seu cargo antes que consigam recriar em torno de Lula o mesmo ambiente de alegada degenerescência ética que roeu o prestígio do presidente e do governo no ano passado. Segundo raciocínio desenvolvido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso numa conversa telefônica ocorrida na quarta-feira, “a hora é de sangrar o adversário”.

 

Lula já farejou a tática rival. Acusa a oposição de patrocinar um “jogo rasteiro”. Uma tática que, para desassossego do presidente, começa a surtir efeito. Pesquisas de opinião feitas pelo telefone a pedido do Planalto indicam que a imagem de Lula começa a ser afetada pela crise que envolve Antonio Palocci. Para não dar mais munição ao inimigo, o governo guarda com enorme zelo os números, manuseados apenas por duas pessoas.

 

Nesta sexta-feira, Geraldo Alckmin manteve encontro a portas fechadas com o prefeito do Rio, César Maia. Oficializaram o que, na prática, já era mais do que oficial: a desistência de Maia, pré-candidato do PFL à presidência, em favor de Alckmin. Durante a conversa, Alckmin exalava otimismo. Mostrou-se esperançoso de que o episódio da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa empurre para cima os seus índices nas pesquisas de opinião.

 

Sem saber, Alckmin foi à mosca. De acordo com as sondagens telefônicas encomendadas pelo Planalto a invasão dos extratos do caseiro foi o que mais incômodo causou aos entrevistados. Mais até do que a denúncia de Francenildo de que Palocci freqüentou a “ mansão do lobby” que a “ República de Ribeirão Preto” mantinha em Brasília. Embora mais precária do que um levantamento de rua, a sondagem telefônica capta com eficiência a opinião de uma classe média que Lula se empenha em reconquistar.

 

As frinchas abertas na imagem de Lula são, por ora, tênues. Mas receia-se que aumentem se o governo permitir que prevaleça, como vem ocorrendo, a impressão de que o PT mobilizou o aparato do Estado para desmoralizar um “simples caseiro”, como Lula se referiu a Francenildo. Vêm daí as dúvidas que passaram a assediar Lula. Antes decidido a manter Palocci no cargo, o presidente agora balança.

 

Em parceria previamente acertada, os líderes do PSDB e do PFL na Câmara e no Senado se alternaram na tribuna ao longo da semana. Produziram discursos em timbre crescentemente agressivo. Do jogo de palavras, migraram para a ação: na Câmara, o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman (SP), protocolou ação em que pede o enquadramento de Palocci em crime de responsabilidade. No Senado, o líder Athur Virgílio (PSDB-AM) requereu à mesa investigação do Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras) contra Paulo Okamotto. Nos mesmos moldes do que foi feito contra o caseiro Francenildo (lavagem de dinheiro).

 

A oposição tira proveito máximo de uma seqüência de “erros” cometidos pelo governo: a série começou com o recurso ao STF para calar o caseiro na CPI dos Bingos, evoluiu para a quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo e culminou com a transformação do algoz de Palocci de vítima em investigado pela Polícia Federal. Em avaliações internas, Lula avalia que o governo vai perdendo para seus adversários o que chama de “batalha da mídia”. O presidente teme que, para sair do córner, tenha de entregar a cabeça de Palocci. Algo que não desejava fazer.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Procuradoria pede fim do inquérito contra caseiro

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

Os procuradores da República Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento protocolaram na 10a Vara da Justiça Federal de Brasília um pedido de habeas corpus em favor de Francenildo dos Santos Costa. O objetivo da ação é barrar a investigação da Polícia Federal contra o caseiro, posto sob a suspeição de ter cometido o crime de “lavagem de dinheiro.”

 

O Ministério Público sustenta que, na parte que diz respeito ao caseiro, a investigação da Polícia Federal é irregular. O crime de lavagem de dinheiro está previsto na lei 9.613, editada em 1998. Para que alguém seja investigado sob esse tipo de acusação, é preciso que haja clara intenção de ocultar a origem de recursos obtidos supostamente de forma ilícita. Algo que, na opinião de Pessanha Velloso e Lívia Nascimento, não ocorreu no caso de Francenildo (na foto, ao lado do prédio da sede da Caixa Econômica, em cujas dependências seu sigilo bancário foi violado).

 

De resto, a lei traz uma relação dos delitos em que é possível apurar a prática de lavagem de dinheiro. Entre eles, por exemplo, terrorismo, seqüestro e crimes contra a administração pública. O caseiro não se enquadra em nenhuma das tipificações previstas na lei.

 

A ação dos procuradores pede uma decisão liminar (provisória), antes da análise do mérito. Assim, caso concorde com a argumentação do Ministério Público, a Justiça pode determinar o trancamento do inquérito da PF a qualquer momento.

 

A investigaçao policial foi iniciada na última terça-feira. O próprio ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, em ofício enviado ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, solicitara a indicação de procuradores para acompanhar o trabalho da PF. A decisão de transformar o caseiro de testemunha em investigado causou enorme surpresa ao Ministério Público.

 

Os procuradores argumentam na ação judicial que a PF não pode investigar Francenildo no mesmo inquérito que apura o vazamento do sigilo bancário de sua conta corrente. Afirmam que, por ora, não há nenhum elemento que possa justificar o enquadramento do caseiro na condição de investigado.

Para o Ministério Público, Francenildo não transgrediu a lei, “na medida em que em momento algum dissimulou ou ocultou a origem dos depósitos”. “(...) “Receber depósito em conta corrente própria é conduta que, a toda evidência, ao contrário de sugerir dissimulação ou ocultação, é revestida de absoluta transparência", anotam os procuradores.

Também não seria possível, na opinião de Pessanha Veloso e Lívia Nascimento, trabalhar com a hipótese de que Francenildo tenha agido como laranja, uma vez que “as justificativas apresentadas por ele foram comprovadas”.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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A dança do arrependimento

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A deputada Angela “Pedido de Vista” Guadagnin (PT-SP) concedeu várias entrevistas nesta sexta-feira para pedir desculpas por ter executado a “dança da pizza” em plenário, depois que o companheiro João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG) livrou-se da guilhotina. A nobre parlamentar disse que não teve a intenção de tripudiar. Apenas manifestou, num “gesto espontâneo”, a sua “alegria”.

 

A caixa de mensagens eletrônicas de Guadagnin amanheceu atulhada de manifestações espontaneamente desaforadas. Daí os volteios retóricos da deputada. A cena do corpo roliço levantando-se do assento, balançando-se entre as poltronas, rumo à coreografia final no corredor do plenário chocou a opinião pública.

 

Difícil saber agora o que é mais repugnante, se a “alegria” do “gesto espontâneo” ou a tristeza do pedido de desculpas urdido em premeditada compunção. Se o eleitor tiver amor próprio, a companheira Guadagnin deve ser cassada nas urnas. Mas não há de ser nada. Com um pequeno regime, a virtual ex-deputada poderá candidatar-se ao posto de rainha de escola de samba. 

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Palocci no ‘inferno’; economia no ‘céu’

Inferno de Dante: Palocci entre o cão de 3 cabeças e carregamento de pedras 

 

Em sua primeira aparição pública desde que o caseiro Francelino dos Santos Costa o desdisse em entrevistas e em depoimento na CPI dos Bingos, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) criticou o ambiente de “exacerbação” e de “recurdescimento do quadro político”.

 

“Se não conseguirmos equilibrar esse processo político, vamos ter problemas”, disse o ministro. “Não na economia, que está com seus fundamentos sólidos. Mas podemos comprometer o próprio processo (eleitoral). O que seria uma pena, porque os candidatos que estão colocados são pessoas de alto nível, que podem dar ao Brasil um debate programático de altíssima qualidade”.

 

Para Palocci, há “dentro do jogo político pessoas que não têm limites entre investigar, o que é justo, e perseguir; que não vêem limites entre a crítica e o respeito às pessoas. Essas coisas estão presentes no atual momento. E vamos ter que ter serenidade. Corremos o risco de ter uma eleição muito agressiva, que vai acabar agredindo o eleitor”.

 

O ministro tentou separar o seu drama pessoal da gestão da economia. A economia, disse, está "no céu". Quanto a Palocci, julga estar “no terceiro ou no quarto círculo do inferno de Dante” (Retratado na obra-prima de Dante Alighieri, "A Divina Comédia", o inferno de Dante reproduz o martírio pelos nove círculos do inferno. No terceiro, ficam aqueles que cometeram o pecado da gula, condenados a uma perseguição eterna de Cérbero, o cão de três cabeças. O quarto é reservado aos avarentos e aos gastadores, que dividem o tempo entre a troca de insultos e o carregamento de pedras).

 

Falando como se tivesse certeza de que permanecerá no cargo de ministro, Palocci tentou passar segurança em relação a algo que parece fugir-lhe ao controle: “Por mais que neste momento eu enfrente um período de turbulência pessoal, vou buscar serenidade para não misturar isso com o meu trabalho. Quero dizer a vocês que fiquem tranqüilos, seguros. Não só o nosso trabalho, mas também o presidente Lula está vigilante em relação ao processo econômico”.

 

O ministro esquivou-se de oferecer respostas às dúvidas que o rodeiam. Admitiu o cometimento de erros – “Houve erros de todos os lados. Não sou daqueles que acham que só a oposição cometeu erros. O governo cometeu erros, meu partido cometeu erros, eu certamente cometi erros. E todos temos que pagar pelos erros, mas não se pode transformar o debate político em agressões pessoais. Quando isso acontece, eu me afasto”. Palocci acha que na sua posição, não pode “discutir todo tipo de acusação baixa”.

 

“A politica está cobrando o seu preço”, disse ele. “(...) Infelizmente, as forças políticas se encontram num momento extremamente negativo para o país. Não me recuso ao debate político, a discutir as coisas que me envolvem, como fiz quatro vezes (no Congresso). Mas as coisas que fazem parte de um ano político às vezes chegam a esse nível de exacerbação”.

 

Palocci se auto-classificou como “bombeiro”. De novo, falou como se estivesse imbuído da certeza de que seu cargo não está em jogo. Reafirmou que não está interessado em disputar cargo eleitivo. Anunciou que pretende “trabalhar para que a gente possa ter no país um debate equilibrado”. E ressalvou: “Mas não me parece que isso esteja garantido. O que o cenário aponta é de fato para um ano de muito conflito político”.

 

No encerramento de sua fala, que durou quase 40 minutos, o ministro afirmou: “É preciso que a gente busque os instrumentos para chegar a ambientes mais serenos. Acima de nós estão as instituições. E acima dos nossos interesses particulares está o Brasil. Não podemos nos perder em conflitos intermináveis. Vou tentar fazer tudo o que estiver ao meu alcance para isto acontecer”.

Escrito por Josias de Souza às 14h55

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CPIzza?

  Bestgraph
Algo de estanho está se passando com o relatório final da CPI dos Correios. Primeiro, adiou-se em uma semana a divulgação, depois, arrancaram o nome de Luiz Gushiken do texto. Agora, o Painel da Folha (para assinantes) traz mais quatro novidades que, ora, francamente...

 

Ninguém sabe...
Evaporou-se a lista de novos mensaleiros que a CPI dos Correios promete há semanas. Parlamentares e assessores agora dizem não saber se há mesmo nomes a revelar. Os cruzamentos teriam sido "inconclusivos".

...ninguém viu
Também Silvio "Land Rover" Pereira poderá respirar aliviado. O subrelatório de contratos da CPI deverá apenas citar o ex-secretário-geral petista, sem pedir seu indiciamento, sob a alegação de que o episódio do carro não foi investigado "a fundo".

Veja bem
No esforço final para desidratar o texto de Osmar Serraglio (PMDB-PR), o relator-adjunto Maurício Rands (PT-PE) cumpre o papel de permanentemente alegar que não há "fundamentação técnico-jurídica" para indiciamentos. Já conseguiu suprimir um punhado de nomes.

Prazo vencido
A turma da pizza na CPI dos Correios até aceita o pedido de indiciamento dos mensaleiros, mas tipificado como "crime eleitoral". Ou seja, já prescrito.

 

O signatário do blog suspeita que, nesse ritmo, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) vai acabar sambando em cima do relatório de Osmar Serraglio.

Escrito por Josias de Souza às 07h44

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As manchetes desta sexta-feira

 

-JB: A ofensiva dos culpados

 

- Folha: Órgãos do governo investigam caseiro

 

- Estadão: PF já sabe quem violou sigilo, mas vai investigar o caseiro

 

- Globo: Caseiro sofre mais investigação do que os violadores do sigilo

 

- Correio: Polícia Federal começa a investigar caseiro

Escrito por Josias de Souza às 07h23

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Dedetização forçada!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Desabafo supremo!

Uma sessão do STF em que se julgava um mandado de segurança contra a CPI dos Correios transformou-se em plenária de descarrego dos ministros contra os métodos de investigação do Congresso. As relações entre os dois poderes, que já andavam pela bola sete, tendem agora a descer caçapa abaixo.

 

Deve-se à repórter Silvana de Freitas o relato mais completo do desabafo supremo (na Folha, para assinantes). Coube ao ministro Celso de Mello puxar o cordão de críticas: "As CPIs, tanto quanto os tribunais, estão sujeitas às limitações que a Constituição da República impõe".


Com um pé na política, Nelson Jobim meteu as eleições no meio: "Como estamos em uma sociedade midiática, fundamentalmente televisiva, o que emociona não é a razão, mas o fato, a imagem. A mensagem emociona pelo olho. Esses instrumentos absolutamente dignos (as CPIs) vão se transformando em instrumentos exclusivamente do processo eleitoral. Isso pode justificar esses abusos".


Carlos Ayres Brito batizou a encrenca de "fenômeno da espetacularização". Gilmar Mendes disse que o “desrespeito aos direitos fundamentais" já desborda das CPIs. Referindo-se à quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o ministro disse: "A par de todos esses abusos cometidos eventualmente por CPIs, verificamos que já há uma quebra de sigilo à brasileira, realizada pela CEF, segundo os jornais afirmam. Talvez porque as CPIs já não bastem".


Cezar Peluso defendeu a edição pelo STF de uma súmula para "cristalizar" o entendimento já existente de que é nulo o ato de CPI que quebre o sigilo bancário, fiscal ou telefônico do investigado sem fundamentação.


Em meio ao debate, os ministros do Supremo confirmaram, em decisão unânime, liminar que fora concedida por Celso de Mello suspendendo a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônica da corretora de seguros Alexander Forbes Brasil, que havia sido aprovada pela CPI dos Correios.

 

Como se vê, o STF está supremamente enfezado.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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O ringue do PMDB

O Congresso Nacional, definitivamente, não vive os seus melhores dias. Na noite da última quarta-feira, enquanto o plenário da Câmara acrescentava mais duas fatias à pizza do mensalão - João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG) e Walderval “R$ 150 mil” Santos (PL-SP)-, o PMDB promovia um quebra-quebra no gabinete da secretaria geral da direção da Casa.

 

A origem do sururu foi uma reunião para a escolha do novo líder do PMDB na Câmara. Produziu-se de tudo, menos um líder. Os repórteres Ilimar Franco e Maria Lima fizeram o inventário dos danos físicos e dos destroços:

 

“Folhas espalhadas pelo chão, copos quebrados, um computador e um relógio danificados, empurra-empurra, o deputado Max Rosennmann (PMDB-PR) teve uma mão cortada, a chefe de gabinete da Secretaria Geral da Mesa, Cláudia Alarcão, foi atingida no ombro direito por um safanão perdido e os deputados Hermes Parcianelo (PMDB-PR) e Nelson Bornier (PMDB-RJ) trocaram sopapos.”

 

As cenas de pugilato foram protagonizadas, de um lado, pela ala governista do PMDB e, de outro, pelo grupo oposicionista. Seguiu-se à refrega um embate retórico. “Houve troca de socos, mas ninguém chegou a ser atingido”, disse Nelson Bornier, recriando uma cena algo grotesca, em que os dois bandos confrontaram-se distribuindo socos ao vento.

 

“Esse rapaz (Hermes Parcianelo) é um despreparado, mau caráter, malandro de parque”, acusou Max Rosennmann, construindo um outro cenário. “Para garantir sua lista, ele quebrou o computador e o relógio para criar uma situação física, e ainda feriu todo mundo. Mais uma vez o governo utilizou todas as formas para garantir o controle da liderança com patrocínio de verbas e oferecimento de vantagens”.

 

Os peemedebistas foram aos punhos por uma lista. Os governistas, interessados em acomodar na liderança o deputado Wilson Santiago (PMDB-PB), recolheram 43 assinaturas. Os oposicionistas, partidários da manutenção do líder Waldemir Moka (PMDB-MS), tentaram arrancar da relação adversária dois nomes: os dos deputados Vicente Chelloti (PMDB-DF) e Cabo Júlio (PMDB-MG). Daí o rififi.

 

Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente da Câmara, mandou abrir sindicância na corregedoria da Casa. “O incidente será apurado e os responsáveis responderão por isso”, disse ele. Será?, perguntam-se todos. E quanto ao novo líder do PMDB? “Só será conhecido depois da checagem das listas”, diz Aldo.

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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Lula analisa nomes alternativos para a Fazenda

Folha Imagem
 

 

Depois de promover uma série de consultas entre seus auxiliares mais próximos, Lula começou a considerar a hipótese de ter de substituir o ministro Antonio Palocci (Fazenda). Os diálogos internos do governo já evoluíram para a análise de nomes alternativos a Palocci.

 

O blog apurou junto a um interlocutor de Lula três nomes que integram a lista de opções para a Fazenda. Dois são ministros: Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Paulo Bernardo (Planejamento). O outro é Murilo Portugal, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda.

 

Lula não decidiu substituir Palocci. Gostaria de mantê-lo. Mas concluiu que, dependendo da evolução da crise aberta com o depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa, talvez seja compelido a promover a troca de comando na economia.

 

O auxiliar do presidente ouvido pelo blog desenvolveu o seguinte raciocínio: “O governo seria irresponsável se, diante do atual quadro de crise, com desfecho imprevisível, não se preparasse para lidar com todas as alternativas. E a hipótese de saída do ministro, embora nenhum de nós deseje isso, está posta. Ele próprio pode concluir que talvez seja mais conveniente deixar o governo.”

 

Em conversas que manteve com Lula, Palocci disse ao presidente que a última coisa que gostaria é tornar-se um estorvo. Deixou o chefe à vontade para tomar a decisão que julgasse mais conveniente para o governo. Porém, diferentemente do que ocorreu no ano passado, Palocci não colocou o cargo à disposição. Lula, por sua vez, pediu-lhe apenas que mantivesse a serenidade.

 

A situação de Palocci se complicou com os desdobramentos do caso de quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que o desmentiu na CPI dos Bingos. A violação foi praticada na Caixa Econômica Federal, instituição subordinada ao ministro. Para complicar, há densas suspeitas de envolvimento direto da assessoria do ministro no vazamento dos dados para a imprensa.

 

Enquanto a crise se limitava à acusação de que Palocci esteve na chamada “mansão do Lobby”, alugada em Brasília por integrantes da “República de Ribeirão Preto”, havia certo consenso no governo de que seria possível preservá-lo. A evolução do caso da quebra do sigilo do caseiro dividiu o grupo mais próximo a Lula. Uma parte dos confidentes do presidente passou a recear que a permanência de Palocci acabe por impor um custo político muito alto ao governo e ao próprio Lula.

 

A vontade do presidente é a de preservar Palocci, ao menos até o arrefecimento da crise. Acha que o afastamento do ministro agora, sob fogo cerrado da oposição, além de desgastar um auxiliar de quem se julga devedor, ofereceria aos adversários um “troféu” incômodo para o governo.

 

Uma das razões que levaram Lula a abrir a discussão em torno dos nomes alternativos a ao de Palocci foi a proximidade do prazo de desincompatibilização dos ministros que vão concorrer às eleições deste ano, que vence no próximo dia 31. Palocci já negou publicamente que alimentasse pretensões eleitorais. Mas o presidente pretende ter com ele uma última conversa a esse respeito.

Escrito por Josias de Souza às 21h05

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Recusado parecer que inocentava Mentor

Bestgraph

Mantendo um comportamento rigoroso que contrasta com a frouxidão do plenário da Câmara, o Conselho de Ética rejeitou nesta quinta-feira, por oito votos contra seis, o parecer do deputado Edmar Moreira (PFL-MG) que recomendava o arquivamento do processo de cassação do mandato do mensaleiro José “R$ 60 mil” Mentor (PT-SP).

 

Moreira sustentou a tese de que não há provas que justifiquem a poda do mandato de Mentor. Rejeitado o seu parecer, o Conselho indicou o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) para produzir um novo relatório que, espera-se, propugnará pela cassação.


É pena que todo o esforço do Conselho de Ética não venha sendo reconhecido em plenário. Ali, os deputados não se pejam de compor, fatia por fatia, a pizza malcheirosa que conspurca a já combalida imagem da atual legislatura.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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Caseiro passa de denunciante a investigado

  Lula Marques/F.Imagem
O caseiro Francenildo dos Santos Costa passou de denunciante a investigado. O Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras), órgão subordinado ao ministro Antonio Palocci (Fazenda), apura, veja você, a suspeita de envolvimento do caseiro em crime de lavagem de dinheiro.

 

Francenildo foi ouvido nesta quinta-feira pela Polícia Federal. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do caso, informou ao caseiro a ao seu advogado, Wlício Chaveiro Nascimento, que ele estava sendo inquirido nem como testemunha nem como vítima. É um investigado. A PF pediu à Justiça autorização para quebrar-lhe os sigilos bancário e telefônico.

 

"Para nossa surpresa ele está na condição de investigado porque o Coaf requereu que se instaurasse inquérito para investigar uma movimentação que seria incompatível com a conta [renda] dele", afirmou o advogado Wlício Nascimento. Ele disse que o pedido do Coaf foi feito no dia último dia 20 de março.

Em seu depoimento, o caseiro ratificou a versão de que os R$ 24.990 que ingressaram em sua conta-poupança da Caixa Econômica Federal provieram de seu pai biológico, o empresário piauiense Eurípedes Soares da Silva.

Depois, numa entrevista coletiva, comentou a quebra ilegal de seu sigilo bancário. Irônico, sugeriu ter votado em Lula nas eleições de 2002: "Queria que eles investigassem o meu sigilo eleitoral, para ver que o simples caseiro votou em quem: se foi no simples operário que está lá em cima."


"Olha o troco que estou recebendo hoje", prosseguiu o caseiro. Ele responsabiliza Lula pelos dissabores que vem enfrentando. Sugere que o presidente estaria protegendo Palocci: “Se é ele que está escondendo o 'chefe' (Palocci)..."

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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PSDB acusa Palocci de crime de responsabilidade

O PSDB encaminhou nesta quinta-feira ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), uma denúncia em que pede a abertura de processo com o objetivo de enquadrar o ministro Antonio Palocci (Fazenda) em crime de responsabilidade. O documento foi assinado pelo deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), na condição de presidente interino do partido.

 

O tucanato acusa Palocci de ter se omitido diante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, esquivando-se de abrir um processo de investigação para identificar os responsáveis. Acusa-o também de ter mentido quando disse que não esteve na chamada “mansão do lobby”. Por último, levanta dúvidas quanto ao envolvimento pessoal de assessores diretos do ministro no vazamento dos extratos bancários do caseiro que desdisse o ministro na CPI dos Bingos.

 

Antes de instaurar o processo, o presidente da Câmara fará uma análise preliminar da denúncia do PSDB contra Palocci. Se julgar que ela é improcedente, Aldo Rebelo pode mandá-la ao arquivo. “Neste caso, recorreremos ao plenário da Casa”, avisa Alberto Goldman.

 

Se julgar que a abertura de processo é justificável, Aldo terá de constituir uma comissão especial de parlamentares para analisar as denúncias contra Palocci. A tramitação do processo é regulada pela mesma lei que prevê o afastamento de presidentes da República por crime de responsabilidade.

 

Há só uma diferença: nos casos envolvendo presidentes, o plenário da Câmara tem a prerrogativa de afastar o mandatário do cargo temporariamente. Cabe ao Senado o julgamento final do pedido de impeachment, como ocorreu no processo que envolveu o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Quando o acusado é ministro de Estado, a Câmara também pode determinar o seu afastamento. Mas caberá ao STF promover o julgamento final.

Escrito por Josias de Souza às 16h48

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Os mistérios da Caixa

A Caixa Econômica Federal informou nesta quinta-feira que afunilou-se em dois nomes a sindicância instaurada para descobrir os responsáveis pela quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Diz o seguinte a nota divulgada pela casa bancária que responde a Antonio Palocci:

 

"Os dois empregados usuários do equipamento (de onde foram extraídas as cinco folhas de extrato) foram convocados a prestar depoimentos, visando a identificação do responsável pela divulgação indevida das informações."

 

A apuração da responsabilidade pela quebra do sigilo, afirma ainda a nota da Caixa, "prosseguirá com toda a celeridade, observados os princípios constitucionais de ampla defesa e do contraditório, para que se chegue a elucidação dos fatos, aplicando-se as penalidades cabíveis".

O blog apurou que o Planalto já dispõe do nome do responsável. Mais: já conhece detalhes da cadeia de comando que se esconde atrás do terminal de computador da Caixa. Falta só trazer a coisa a público. A demora, neste caso, não é boa conselheira. Em casos do gênero, deve-se agir dez vezes antes de pensar.

Escrito por Josias de Souza às 13h14

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Triste com o Brasil? Calma, há coisa pior!

Abdul Rahman, 41, é personagem de um dos editoriais desta quinta-feira do prestigioso New York Times. O sujeito está sendo julgado no Afeganistão por haver se convertido ao cristianismo.

 

O promotor que o acusa, Abdul Wasi, pede à Justiça afegã que Rahman seja passado nas armas. Seria sentenciado à pena capital por abandono da fé islâmica. O NYT questiona o apoio da gestão George Bush a um regime que não se dispõe a respeitar direitos humanos básicos.

 

Rahman foi preso há duas semanas. Denunciou-o a própria família. Inquirido em juízo, disse que suas crenças religiosas mudaram há 16 anos, quando trabalhou para uma ONG cristã no Paquistão. O promotor ofereceu-lhe a oportunidade de livrar-se das acusações desde que voltasse a professar a fé muçulmana. O réu recusou a oferta.

 

“Teria sido perdoado", disse Abndul Wasi, o promotor, “Mas ele disse que é cristão e sempre será. Isso contradiz as nossas leis. Deve ser castigado com a pena de morte.” Por ora, não há sentença judicial. Se a insanidade do promotor contaminar o juiz, a pena de morte ainda terá de ser confirmada por um tribunal superior e pelo próprio presidente do Afeganistão, Hamid Karzai.

 

Emparedado pela sociedade dos EUA, cada vez mais impaciente com suas aventuras militares ao redor do mundo, Bush prometeu fazer gestões em favor da liberdade religiosa no Afeganistão.

No texto de seu editorial, o NYT anota que o país foi liberado da opressão imposta pelo regime taliban pelas tropas norte-americanas. Recorda que a tênue paz experimentada em solo afegão é garantida pelas mesmas tropas. E arremata: “Se o Afeganistão quer voltar aos seus dias de taliban, que faça sem a ajuda dos EUA.”

Escrito por Josias de Souza às 12h42

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A revolta do proletariado

 

 

Além do motorista Francisco das Chagas e do caseiro Francenildo, um outro par de olhos viu Antonio Palocci na “mansão do lobby”, “ou casa dos prazeres”, dependendo do ângulo que se observe. Chama-se Nelma, como informa o Painel da Folha (para assinantes), em duas notas:

 

Gato escaldado: A mulher de Francenildo dos Santos Costa, Nelma, resiste aos apelos do caseiro e da oposição para depor na CPI dos Bingos. Ela, que também trabalhava na casa alugada pela "República de Ribeirão", teme represálias.

Dois em um: Convocar Nelma seria uma forma de driblar o veto do STF ao depoimento de Nildo. Pefelistas e tucanos avaliam que, se mais um funcionário declarar ter visto Antonio Palocci na "casa do lobby", será o fim da linha para o ministro da Fazenda.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

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As manchetes desta quinta

 

- JB: Supremo decide - Proibido a farra das alianças

 

- Folha: STF proíbe coligações livre em 2006

 

- Estadão: STF derrota Congresso e limita aliança eleitoral

 

- Globo: Caixa poderia descobrir em minutos quem violou o sigilo

 

- Correio: Caixa sofre pressão por todos os lados

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Vem pra Caixa você também!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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Serra prepara candidatura ao governo de SP

  Alan Marques/Folha Imagem
O prefeito José Serra já costura a aliança para disputar o governo de São Paulo, informam os repórteres Catia Seabra e Conrado Corsalette, na Folha (para assinantes). Na última terça-feira, Serra recebeu o presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, e o deputado Geraldo Vinholi (PDT). Programada para tratar sobre um centro de solidariedade, a conversa desviou para a corrida ao governo de São Paulo.

 

Gente próxima ao prefeito aposta num anúncio até o fim de semana, após uma romaria a seu gabinete. "Serra disse que não tem como escapar. E não tem muito tempo", disse Paulinho, segundo o qual os dois discutiram uma eventual aliança, mesmo que apenas no segundo turno, caso o PDT decida manter a candidatura de Carlos Apolinário.

 

O secretário de Governo de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, já conversou o ex-governador e presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. Acenou com a possibilidade de Quércia concorrer ao Senado pela chapa de Serra. O PFL prefere que a candidatura ao Senado seja entregue a Guilherme Afif Domingos.

 

Costura-se, de resto, a indicação do presidente nacional do PMDB, Michel Temer, para a vaga de vice-governador. Programou-se para esta quinta-feira um ato em que os 22 deputados estaduais do PSDB oficializarão o apoio à candidatura Serra. O prefeito parece ter obtido em São Paulo o que não conseguiu em âmbito nacional: a ansiada unanimidade partidária.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Câmara inocenta mais dois mensaleiros

  Folha Imagem
Passava da meia noite quando o plenário da Câmara produziu o segundo vexame do dia: livrou-se guilhotina também o deputado mensaleiro João “R$ 325,9 mil” Magno (PT-MG), à direita na foto. Antes dele, já havia sido absolvido o deputado Walderval “R$ 150 mil” Santos (PL-SP), à esquerda.

 

As absolvições desta quarta-feira foram produzidas graças a uma nova tática do corporativismo parlamentar: a ausência em plenário. O quorum baixo conspirou com a descida da guilhotina.

 

Entre a vergonha Wanderval e o acinte Magno, tentou-se adiar a votação. Sob o argumento de que a Câmara estava prestes a investir contra a própria imagem, o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) propôs, com o apoio do líder do PSDB, Juthay Magalhães Jr. (BA), a suspensão da sessão. Levada a vota, a proposta foi rejeitada.

 

No caso de Wanderval, houve mais votos pela condenção (242) do que pela absolvição (179). Mas o quorum mínimo necessário à cassação do mandato do deputado (257 votos) não foi atingido. Afora as convenientes ausências, registraram-se 20 abstenções e três votos em branco.

 

No julgamento de Magno, a tese da absolvição (207 votos) prevaleceu sobre a lâmina (201). De novo, houve 10 abstenções, cinco votos em branco e três nulos. Com mais estas duas fatias, vai se completando, devagarinho, a temida pizza do mensalão.

 

Dos 19 deputados acusados, só três tiveram a cabeça apartada do pescoço: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Livraram-se, até aqui, onze mensaleiros.

 

Quatro contornaram o patíbulo pelo atalho da renúncia: Valdemar Costa Neto (PL-SP), José Borba (PMDB-PR), Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Paulo Rocha (PT-PA).

 

Outros sete, safaram-se graças à benevolência corporativa do plenário. Além de Wanderval e Magno foram poupados: Romeu Queiroz (PTB-MG), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Sandro Mabel (PL-GO) e Pedro Henry (PP-MT).

 

Encontram-se pendentes de julgamento outros cinco processos: João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP). Alguém se arrisca a dizer quantos serão condenados?

Escrito por Josias de Souza às 01h07

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Palocci perde unanimidade dentro do governo

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Antonio Palocci deixou de ser uma unanimidade no governo. Abriu-se uma divisão entre os auxiliares mais próximos de Lula, que compõem o núcleo decisório do governo. Uma parte acha que o presidente deveria afastar Palocci do Ministério da Fazenda.

 

Lula realizou nas últimas horas uma rodada de consultas entre ministros e assessores mais próximos sobre a situação de Palocci. Um dos consultados interpretou a iniciativa como uma evidência de que o próprio presidente está em dúvida quanto à conveniência de manter o ministro no governo.

 

Os defensores da saída de Palocci acham que a situação do ministro se complicou com o surgimento de evidências do envolvimento da Caixa Econômica Federal e do próprio Ministério da Fazenda na operação que resultou na quebra ilegal do sigilo bancário do Francenildo dos Santos Costa e no vazamento dos extratos do caseiro para a imprensa.

 

O governo já sabe quem extraiu os dados dos computadores da Caixa Econômica. Chegou-se ao nome em função dos rastros identificados nas cópias dos extratos. No meio da tarde desta quarta-feira, a Caixa prometeu que divulgaria os resultados de uma sindicância interna. Subitamente, o banco oficial recuou. As informações foram, porém, repassadas ao Palácio do Planalto.

 

Brasília respirou uma atmosfera envenenada durante todo o dia. Um boato desceu a Esplanada dos Ministérios em direção ao Congresso: Palocci teria pedido demissão. Levaria com ele o assessor de imprensa da Fazenda, Marcelo Netto, apontado por integrantes da CPI dos Bingos como responsável pelo vazamento dos dados bancários de Francenildo. Em público, Netto tem evitado falar sobre a acusação. Privadamente, nega participação no episódio.

 

À noite, duas pessoas próximas a Lula desmentiram ao blog que o ministro houvesse sido demitido. Palocci teve, de fato, uma longa conversa com o presidente, no Planalto. Disse a Lula que a última coisa que deseja é criar problemas para ele e para o governo. Os dois avaliaram juntos a conjuntura. Concluiu-se que é mesmo delicada a situação do ministro. Lula recomendou-lhe serenidade.

 

A principal preocupação do governo no momento é tentar evitar que a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo seja caracterizada como um crime de Estado. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse a Lula que é essencial individualizar responsabilidades e punir exemplarmente os envolvidos. O presidente deu razão ao auxiliar.

 

Ao retardar a divulgação dos dados já apurados pela Caixa Econômica, o Planalto ganha tempo, para unificar o discurso. A oposição aproveita para faturar. José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado, disse que o prazo de 15 dias solicitado pela Caixa para concluir a sindicância é um “escárnio”. “Estão tentando encontrar um Delúbio (Soares)”, diz ele, numa alusão ao fato de o ex-tesoureiro petista ter assumido todas as culpas no escândalo do mensalão.

 

Palocci está abatido. Há uma semana não comparece ao Ministério da Fazenda. Prefere despachar num gabinete do Palácio do Planalto. Ali, diferentemente do que ocorre no prédio da Fazenda, o ministro pode entrar pela garagem, evitando o contato com jornalistas. E por que o ministro, sempre afável com repórteres, desenvolveu essa súbita aversão à imprensa?

 

O próprio Palocci deu a resposta a um colega de ministério. Receia que, numa eventual entrevista, as perguntas resvalem para temas pessoais. Dá-se de barato no governo que Palocci esteve mesmo na “mansão do lobby”, aquela casa alugada por pessoas que o assessoraram na prefeitura de Ribeirão Preto para fazer negócios e promover festas.

 

Diz-se, porém, que Palocci não tomou parte dos encontros de lobby da casa. Suas visitas diriam respeito apenas ao cotidiano pessoal do ministro. Daí o receio do contato com os jornalistas. Em reunião promovida na última terça-feira no Planalto, em que se discutiu a estratégia de defesa de Palocci no Congresso, o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana, disse ao ministro que estava sustentando que ele não esteve na tal casa. E Palocci: “Você não deve dizer que eu não fui. Isso só eu posso dizer.”

 

Na mesma reunião, o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) e o deputado Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara, sustentaram a tese de que a ida de Palocci à casa da “República de Ribeirão”, foco da oposição no Congresso, deveria ser ignorada nas manifestações públicas dos aliados do governo. O importante a realçar seria o fato de que o ministro não tomou parte de nenhum negócio ilícito.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

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STF mantém a verticalização

Como previsto, o STF manteve nesta quarta-feira, por nove votos contra dois, a aplicação da regra da verticalização nas eleições deste ano. Essa regra proíbe os partidos de realizar nos Estados alianças políticas diferentes daquelas firmadas em torno dos candidatos à presidência da República. O julgamento do Supremo foi provocado por uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Com essa decisão, fica mais difícil a costura de alianças para a eleição presidencial. Partidos que antes tendiam a se aliar a um ou outro candidato presidencial passam a analisar a conveniência de não firmar a aliança nacional, ficando livres para costurar nos Estados os acertos partidários mais convenientes.

Escrito por Josias de Souza às 19h25

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Livra-se mais um mensaleiro

A Câmara acaba de absolver mais um deputado mensaleiro, Walderval “R$ 150 mil” Santos. Para que ele fosse passado na lâmina, seriam necessários 257 votos favoráveis à cassação. Só houve 242. Outros 179 deputados votaram pela absolvição. E 20 se abstiveram de votar. Na seqüência, a Câmara vai julgar João "R$ 425,9 mil" Magno (PT-MG). É mais uma absolvição esperando para acontecer.

 

O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) propôs à mesa da Câmara o adiamento da votação. Ele denuncia a absoluta falta de quórum para a análise de mais um processo de cassação. 

Escrito por Josias de Souza às 19h12

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Extrato ilegal de caseiro anota código da máquina

Ao manusear as cinco folhas dos extratos de Francenildo dos Santos Costa arrancadas ilegalmente dos computadores da Caixa Econômica Federal, investigadores do caso identificaram nesta quarta-feira uma pista que pode ser decisiva para a elucidação do mistério. Trata-se do código H4A00000, que identifica a máquina de cujas entranhas os segredos do caseiro que desdisse Antonio Palocci foram extraídos.

Quem vazou os extratos para a imprensa teve o cuidado de apagar a matrícula do funcionário que operou o terminal de computador. Mas, por descuido ou desconhecimento, manteve impresso em três das cinco folhas do extrato bancário de Francenildo o código do terminal. Combinando-se esse código com o horário em que o crime da violação ilegal foi cometido (20h58min21s), também registrado nos papéis, torna-se muito fácil rastrear a identidade do responsável. Ou da responsável.

Premida pela revelação da novidade, a Caixa Econômica, que havia prometido a conclusão de sua sindicância interna para daqui a 15 dias, pode ser forçada a apressar o seu trabalho. Soaria ridículo, com tamanhas evidências, usar todo o tempo previsto para a apuração. Incomodada com as suspeitas lançadas em sua direção, a Polícia Federal ameaça adiantar-se à instituição bancária oficial, impondo-lhe um constrangimento adicional.

Resta saber se, uma vez identificado(a), o(a) violador do sigilo de Francenildo revelará de onde partiu a ordem. Um integrante da CPI dos Bingos foi informado por um funcionário da Caixa que a determinação veio do gabinete da presidência da instituição. Obtidos os extratos, eles teriam sido enviados por fax a um assessor direto de Palocci. Partiu do Ministério da Fazenda o vazamento.

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Lula desafia o azar

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula assinou nesta quarta-feira decreto que cria a Comissão Nacional de Política Indigenista. Durante a cerimônia convocada para marcar o gesto, no Planalto, Sua Excelência deu bom dia para o azar.

 

O azar é, normalmente, apenas uma coisa que as pessoas colocam na cabeça. No caso de Lula, homem cuja sorte é comprovada pela própria trajetória, os sortilégios da vida nunca constituíram uma preocupação.

 

Talvez por isso, o presidente permitiu que um representante da tribo Rikbaktsa, de Mato Grosso, lhe acomodasse sobre a cabeça um vistoso cocar. Deve ser praga do velho Ulysses Guimarães, incomodado com o que Lula, em maquinações com Renan Calheiros e José Sarney, vem fazendo com o seu PMDB.

 

Ulysses, que as águas de Angra o tenham, sabe conhece bem o peso do aparato indígena. Ele ousou cometer a mesma extravagância agora praticada por Lula em 1988, ocasião em que era o homem mais poderoso da República –presidia a Constituinte e o PMDB, mandava e desmandava no governo Sarney. Viu-se compelido a acomodar sobre a calva um cocar recebido de índios que o visitaram na Câmara.

 

No ano seguinte, Ulysses embarcou numa candidatura presidencial. Queria dar ordens sem a intermediação incômoda de Sarney. Seu sonho, porém, não decolou. Faltaram-lhe o motor do apoio partidário e o combustível das graças do eleitor.

 

Lula leva sobre Ulysses a vantagem de ter fechado o corpo num ritual vodu a que se submeteu em sua última viagem à África. Mas como o Brasil, país de notória má sorte, não costuma render homenagens nem mesmo à lógica das crenças, convém ao presidente observar certas precauções.

 

Sugere-se a Lula, por exemplo, que transfira todos os seus despachos importantes para as sextas-feiras. Sob pena de terminar o seu mandato numa encruzilhada.

Escrito por Josias de Souza às 16h39

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Dirceu pede ao STF que lhe devolva o mandato

 

O deputado cassado José Dirceu vai ingressar nesta quinta-feira com um recurso para tentar reaver no STF o seu mandato, cassado em novembro de 2005 pelo plenário da Câmara. A ação será protocolada no Supremo às 14h desta quinta-feira pelo advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima.

 

No recurso, o ex-chefe da Casa Civil pede explicitamente ao STF que restitua o seu mandato. O advogado de Dirceu disse ao blog que a cassação de seu cliente foi um “fuzilamento político”. Para reforçar a tese de que o deputado sofreu perseguição, ele menciona no recurso a forma distinta com que a Câmara tratou outros parlamentares envolvidos no chamado escândalo do mensalão, absolvendo-os em plenário.

 

Na entrevista que dera no dia seguinte à cassação, Dirceu dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Mudou de idéia, conforme havia sido noticiado aqui em 27 de fevereiro. Agora avalia que o ambiente político lhe é favorável. Seus advogados convenceram-no, de resto, de que o recurso tem boas chances de prevalecer no campo jurídico.

 

O advogado Oliveira Lima não incluiu na ação nenhum pedido de liminar. Ou seja, o caso será julgado em termos definitivos, mediante análise do mérito. O ministro que for sorteado para receber a causa pode julgar sozinho ou levar o assunto para uma decisão do plenário do Supremo.

 

O blog conversou na manhã desta quarta-feira com um ministro do STF. Ele disse que considera difícil que Dirceu venha a ter êxito no Supremo. Esclareceu que falava em tese, sem conhecer o teor da ação.

Escrito por Josias de Souza às 15h35

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As manchetes desta quarta

 

- JB: O caso do caseiro - Governo investiga o governo

 

- Folha: Presidência da CEF ordenou quebra de sigilo, afirma CPI

 

- Estadão: PFL culpa Palocci por quebra de sigilo

 

- Globo: Presidente da CEF admite quebra ilegal de sigilo

 

- Correio: E, na peleja de Palocci com caseiro, sobrou para gerente...

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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Direção perigosa

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h00

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Limpe as lentes, governador!

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O tucano Geraldo Alckmin padece agora de um problema que o PSDB costuma imputar a Lula. Candidato oficial de seu partido à presidência da República, o governador segue “colhendo” as obras que “plantou”. Além de sujeitar-se à acusação de uso da máquina pública para fins eleitorais, Alckmin submete-se à reação da claque adversária.

Nesta terça-feira, Alckmin foi vaiado durante a inauguração de um posto do Poupatempo, em São Paulo. Em discurso, saiu-se com uma ironia: “Se a oposição não estivesse presente, seria chato. A democracia é assim e eu não tenho medo de cara feia.”

Em sua perambulação do dia, Alckmin responsabilizou Lula pela conduta de seus ministros. Referia-se, evidentemente a Antonio Palocci. Num esforço para estabelecer comparações, disse: “Em São Paulo não tem ladrão”. Lula, disse o governador, “é responsável por seus ministros. A qualidade do governo é a qualidade das pessoas que o compõem”.

Esquivando-se de mencionar nomes, o governador pontuou: “A gente vê por aí, em outros governos, dinheiro sendo roubado, desperdiçado. Aqui em São Paulo vocês podem ficar tranqüilos, porque aqui em São Paulo não tem ladrão. Em nosso partido, podemos olhar nos olhos de vocês”.

Alckmin há de ter esquecido as perversões que marcaram os oito anos da gestão tucana de FHC. Não custa refrescar-lhe a memória. Mencionem-se, por suficiente, apenas três episódios: a compra de votos da reeleição, o caso Sudam e as privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”.

Na foto acima, o governador traz os óculos embaçados pelo vapor que se desprendeu do café. De duas uma: ou está tomando café em excesso ou não vem limpando convenientemente as lentes que traz adiante dos olhos. Vá lá que Alckmin queira promover um "banho de ética". De fato, há muito por assear. A começar pelas lentes que impedem a visão panorâmica da lavanderia.

Escrito por Josias de Souza às 00h50

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Isto é Brasil!

Lembra daquele caso do comandante do Exército que fez um avião da TAM interromper a operação de decolagem para buscá-lo, junto com usa mulher na Quarta-feira de Cinzas? Pois é, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República divulgou nesta terça-feira o seu veredicto sobre a encrenca.

 

Concluiu-se que o general Francisco de Albuquerque recebeu tratamento privilegiado. Diz o texto produzido pela comissão: “... é forçoso reconhecer que, dada a importância e visibilidade do cargo público que (o general) ocupa, o tratamento que lhe é dispensado sempre receberá influência daquele cargo”.

 

Recomendou-se a autoridades que venham a ser expostas a situações como a vivida pelo general Albuquerque que se pautem pela “clareza de posições e decoro, para motivar o respeito e a confiança do público”. Quer saber qual foi a punição sugerida? Nenhuma. Repetindo: nenhuma.

 

Argumentou-se que não há nas notas da TAM e do Departamento de Aviação Civil e da Infraero elementos capazes de demonstrar que o general tenha se valido do cargo para receber o tal “tratamento privilegiado”.

 

Para a comissão, é difícil separar “o cidadão Francisco de Albuquerque do comandante do Exército, general Francisco de Albuquerque”. Então, tá! Isto é Brasil.  

Escrito por Josias de Souza às 00h21

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Vai sobrar para você!

Como sói acontecer, o contribuinte deve ficar com o mico na briga travada entre Francenildo dos Santos Costa e o governo. O empresário Eurípedes Soares da Silva, identificado pelo caseiro como seu pai biológico, planeja reclamar na Justiça uma indenização à União.

 

Dono da empresa piauiense de ônibus E. Soares, Eurípedes argumenta que, ao quebrar ilegalmente o sigilo bancário de Francenildo, o governo acabou expondo em âmbito nacional um drama que era privado: o questionamento de paternidade feito por Francenildo. Um problema que, segundo diz o empresário, era desconhecido de sua família e da comunidade onde vive, em Teresina.

 

Se bobear, os R$ 25 mil que Fracenildo diz ter recebido de Eurípedes como compensação pelo não-reconhecimento da paternidade acabarão sendo compensados com folga. Como diz o governo em relação às supostas visitas de Antonio Palocci à “mansão do lobby” não se deve mesmo bulir com assuntos pessoais.

Escrito por Josias de Souza às 23h56

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Fixados tetos salariais do Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça fixou nesta terça-feira os limites dos tetos salariais no âmbito do Judiciário. Desembargadores e funcionários dos tribunais nos Estados não poderão ganhar mais do que R$ 22.111,25. No Judiciário federal, o valor máximo é o salário dos ministros do STF: R$ 24.500.

Abriram-se quatro exceções. Não serão computados no cálculo do teto vencimentos recebidos por conta do exercício do magistério, gratificações pagas a juízes eleitorais, benefícios previdenciários e verbas indenizatórias (auxílio-mudança e auxílio-transporte, por exemplo).

 

No mais, os tribunais que estiverem pagando vencimentos acima do teto terão de podar o excesso em 90 dias. A exemplo do que ocorreu no caso do nepotismo, haverá muita chiadeira. Tem gente ganhando mais de R$ 50 mil por mês.

Escrito por Josias de Souza às 23h29

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Lula:quem quebrou sigilo de caseiro 'tem que pagar'

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em reunião reservada com um grupo de ministros na noite de segunda-feira, Lula determinou ao titular da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a identificação dos responsáveis pela quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. “Quem fez isso vai ter que pagar”, disse o presidente. "Não é justo que o governo como um todo pague." 

 

Lula quer descaracterizar o vazamento dos dados do caseiro como um ato de governo. Algo que também o ministro da Justiça acha essencial. Daí a preocupação em individualizar responsabilidades. O presidente cobrou pressa no inquérito aberto pela Polícia Federal e na sindicância iniciada na Caixa Econômica Federal, de onde saíram os extratos do caseiro.

 

Antes de viajar para a Bahia, Lula pediu a um grupo de ministros que ser reunisse, sob a coordenação de Dilma Rousseff (Casa Civil), na manhã desta terça-feira, com líderes do governo no Congresso. O encontro serviu para traçar uma estratégia de defesa de Antonio Palocci (Fazenda). O presidente continua decidido a manter no cargo o ministro da Fazenda, embora alguns de seus auxiliares já avaliem que talvez não seja possível.

 

A reunião encomenda por Lula aconteceu no Palácio do Planalto, sem a presença dele. Lá estavam, além de Thomaz Bastos, Dilma, os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional) e Antonio Palocci (Fazenda), o alvo de todas as denúncias. Participaram também os deputados Henrique Fontana e Arlindo Chinaglia, respectivamente líderes do PT e do governo na Câmara.

 

Palocci estava abatido. Falou pouco, só quando provocado. Armou-se durante o encontro a estratégia política que será adotada pelo governo em sua defesa. Acertou-se que a bancada do PT no Congresso tratará os ataques da oposição como “discurso eleitoral”, próprio de quem está em desvantagem nas pesquisas. Na linha do que dissera Lula na véspera, decidiu-se também tentar desvincular o governo da quebra do sigilo bancário do caseiro.

 

Esta segunda parte da estratégia vai se mostrando mais difícil de sustentar do que supunham os ministros e líderes do PT. Os desdobramentos registrados ao longo desta terça-feira mostraram que os dados bancários de Francenildo saíram mesmo da Caixa Econômica Federal. Quanto ao vazamento, integrantes do próprio governo e parlamentares suspeitam que tenha sido promovido pelo assessor de imprensa de Palocci, jornalista Marcelo Netto. O signatário do blog tentou ouvi-lo, sem sucesso. Em diálogos reservados, ele nega participação no episódio.

 

Um integrante da CPI dos Bingos informou ao blog ter recebido de um funcionário da Caixa Econômica as seguintes informações: partiu de um assessor da direção do banco oficial a ordem para que a Suare (Superintendência Nacional de Rede) emitisse os extratos de Francenildo. Os dados foram extraídos do Siuso, um sistema informatizado interno da Caixa, por uma gerente do sexo feminino. Os extratos foram, em seguida, repassados por fax para um auxiliar direto de Palocci.

 

Na tarde desta terça-feira, uma comitiva da CPI dos Bingos reuniu-se com a diretoria da Caixa. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos integrantes do grupo, exibiu na reunião uma cópia dos extratos vazados para a imprensa.  O parlamentar informou ao blog que, depois de manusear o documento, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso reconheceu que, “se for verdadeiro”, deixa claro tratar-se de algo que foi extraído do sistema por uma pessoa em nível de gerência. 

Escrito por Josias de Souza às 19h55

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Diário de campanha

  Lula Marques/F.Imagem
Em viagem à Bahia, Lula deu seqüência à “colheita” das "realizações" que “plantou”. O ambiente foi de campanha. No município de Cruz das Almas, Lula visitou o campus de uma universidade. Descerrou uma placa (veja foto abaixo) e anunciou investimentos de R$ 20 milhões, provenientes do programa de expansão das universidades federais.

 

Ao dirigir-se à platéia, encorpada por funcionários públicos liberados do expediente, Lula disse que não faria discurso porque toda vez que fala a oposição o acusa de fazer campanha. Feito o intróito, o presidente fez precisamente o que disse que não faria: discursou por 17 minutos.

 

Disse que a região do Recôncavo Baiano vai “mudar de cara”. Continuará produzindo fumo, mas, em uma década, estará exportando, além de tabaco, “a inteligência do povo baiano”. A audiência, nitidamente favorável a Lula, gritou palavras de ordem em favor da reeleição do presidente.

 

Havia, porém, um pequeno número de manifestantes hostilizando Lula. Vaiavam e faziam gestos como os expostos na foto acima: o polegar direito grudado à palma da mão esquerda, executando movimentos rotatórios. Uma alusão gestual à supressão indevida de pecúnia alheia, para ser delicado.

 

Lula Marques/Folha Imagem

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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Caseiro abre sigilo bancário à CPI

Francenildo dos Santos Costa encaminhou nesta terça-feira à CPI dos Bingos uma autorização para a quebra do seu sigilo bancário. O portador do documento foi seu advogado Wlício Chaveiro Nascimento.

 

A despeito da inocuidade da providência, uma vez que o sigilo do caseiro já foi quebrado ilegalmente, o gesto está carregado de simbolismo. A autorização foi lida no plenário do Senado pelo presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB).

 

Nas pegadas da leitura feita por Efraim, a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) desafiou Paulo Okamotto e Fábio Luiz Lula da Silva, respectivamente amigo e filho de Lula, a imitarem o caseiro. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fez o mesmo.

 

A oposição parece convencida de que Okamotto e Lulinha, como o filho do presidente é chamado, são os calcanhares de Lula. Os ossos calcâneos de Sua Excelência não serão mais deixados em paz.

Escrito por Josias de Souza às 17h27

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Pela ordem!

Peça auto-explicável produzida pela "Central de Outdoor".

Escrito por Josias de Souza às 16h43

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Senado arquiva processo contra Azeredo

O Conselho de Ética do Senado arquivou nesta terça-feira o processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado da prática de caixa dois. A representação contra Azeredo fora protocolada pelo PT, depois que o próprio senador tucano reconhecera, em depoimento espontâneo à CPI dos Correios, a utilização de verbas clandestinas em sua campanha para o governo de Minas em 2002.

 

A campanha de Azeredo foi uma espécie de avant-première do valerioduto. As arcas da coligação tucana em Minas foram nutridas por um esquema em tudo semelhante ao que foi montado pelo petismo. A diferença está no volume dos recursos e no nome do tesoureiro. O de Azeredo era Cláudio Mourão. O do PT, Delúbio Soares. O provedor de ambos era o mesmo: Marcos Valério.

 

Relator do caso de Azeredo na Comissão de Ética, o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), mandou o processo ao arquivo por entender que, na época em que o tucanato mineiro relacionou-se com Valério, Azeredo não era senador. Entendeu que, por essa razão, é impossível julgá-lo por quebra do decoro parlamentar. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h10

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Thomaz Bastos quer MP no caso do sigilo do caseiro

O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) acaba de assinar um ofício que será enviado nesta terça-feira ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa. No texto, o ministro pede ao procurador-geral que indique um representante do Ministério Público para acompanhar as investigações da Polícia Federal em torno do caso do vazamento ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

 

A assinatura do ofício foi precedida de um telefonema de Thomaz Bastos para Fernando de Sousa. O ministro concluiu que o acompanhamento do Ministério Público é essencial para que não pairem dúvidas quanto à isenção com que a Polícia Federal irá atuar neste caso. Trata-se de uma investigação delicada. Está sob suspeição o Ministério da Fazenda e, no limite, o próprio titular da pasta, Antonio Palocci.

 

Em declarações públicas que fizera na véspera, o ministro considerou “grave” o vazamento dos dados bancários do caseiro. Prometeu apuração. A quebra de sigilo da conta de poupança mantida por Francenildo na Caixa Econômica Federal ocorreu na última quinta-feira, mesmo dia em que o caseiro desmentiu Palocci em depoimento à CPI dos Bingos. Na sexta, os dados já haviam sido tornados públicos.

 

PS.: Após a publicação deste despacho, houve os seguintes desdobramentos: o Ministério Público designou dois procuradores da República para acompanhar as investigações da quebra de sigilo ilegal do caseiro Fracenildo. Eles se chamam Gustavo Peçanha e Lívia Tinoco. Além de atender ao pedido de Thomaz Bastos, os procuradores farão nos próximos 30 dias uma apuração própria, atendendo a ações protocoladas nesta terça-feira por três partidos políticos: PPS, PSDB e PFL. Na Polícia Federal, as investigações serão comandadas pelo delegado Rodrigo Carneiro Gomes.

Escrito por Josias de Souza às 10h48

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As manchetes desta terça

- JB: Supremo proíbe novo depoimento - O caseiro contra-ataca

- Folha: Sigilo de caseiro foi quebrado na CEF

- Estadão: Sob suspeita, PF investiga violação de sigilo de caseiro

- Globo: PF: só Caixa pode explicar a quebra ilegal do sigilo

- Correio: Pressão para esconder quem quebrou sigilo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h18

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Ideologia genérica

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Senado vive clima de guerra aberta

Numa dobradinha ditada pelos interesses eleitorais, PSDB e PFL decidiram aproveitar o episódio da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa para tentar reviver a atmosfera de crise moral que levou à queda de popularidade de Lula no ano passado. Na escalada em direção a Lula, a oposição elegeu como escada o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, amigo pessoal do presidente da República.

A estatégia de tucanos e pefelistas, traçada em diálogos privados de líderes dos dois partidos, foi facilitada nesta segunda-feira por uma iniciativa do PT. O senador petista Tião Viana, o mesmo que moveu ação no STF para calar Francenildo na CPI dos Bingos na semana passada, encaminhou à mesa do Senado um pedido formal de quebra do sigilo bancário do caseiro.

“Tenha paciência”, disse Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) a Tião Viana, da tribuna do Senado. “O governo já abriu (o sigilo do caseiro). Vossa Excelência está querendo abrir porta arrombada. Procure uma porta fechada. O PT tem muitas”.

Em resposta a Viana, ACM anunciou a apresentação de um requerimento renovando o pedido de quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto, já aprovado na CPI dos Bingos e suspenso por ordem do STF. A iniciativa recebeu o apoio imediato dos líderes do PSDB, Arthur Virgílio, e do PFL, José Agripino Maia.

Os líderes da oposição fizeram questão de redigir um requerimento idêntico ao de Tião Viana. Trocaram apenas o nome: nos trechos em que o petista escreveu Francenildo dos Santos Costa, PFL e PSDB anotaram Paulo Okamotto. Em discurso, Arthur Virgílio referiu-se a Okamotto como "assessor bombril". "Ele tem mil e uma utilidades", disse o senador, ironizando o fato de o presidente do Sebrae ter liquidado uma dívida de Lula junto ao PT de cerca de R$ 30 mil.

Respirou-se no plenário do Senado nesta segunda-feira uma atmosfera de guerra. O ambiente ficou ainda mais envenenado no instante em que o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), acusado pelo PT de receber verbas eleitorais de uma empresa de João Arcanjo, o comendador do crime de Mato Grosso, decidiu pedir também a quebra de sigilo de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente da República.

Antes do pedido de Antero, ACM já havia acusado “Lulinha”, como se referiu ao filho do presidente, de beneficiar-se de repasses financeiros da Telemar para a sua empresa, a Gamecorp. Disse que o presidente não se anima a defender o próprio filho em público. “Nesse ponto ele é precavido”, afirmou ACM. “Por que vou defender o menino se a coisa está errada?”

A líder do PT no Senado, Ideli Sanvatti (SC), considerou o pedido de abertura das contas do filho do presidente como uma “afronta”. Em meio ao embate verbal, num telefonema ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Francenildo deu uma resposta ao requerimento de Tião Viana.

 

O caseiro mandou dizer que seus dados bancários estão à disposição do Senado. Servindo-lhe de porta-voz, Álvaro Dias declarou: “Abre aspas: ‘espero que os poderosos que estão sendo investigados façam o mesmo’. É este o aparte do sr. Francenildo.”

Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Fazenda quebrou sigilo de caseiro, suspeita Planalto

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em reunião da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto, Lula cobrou do ministro Antonio Palocci (Fazenda) nesta segunda-feira uma posição sobre a quebra do sigilo da conta de poupança do caseiro Francenildo dos Santos Costa na Caixa Econômica Federal. A reação do ministro causou estranheza aos participantes do encontro.

 

De acordo com relato ouvido pelo blog, Palocci comportou-se com inusitada naturalidade. Disse não entender as razões de tanto barulho. Afirmou que, no Brasil, quebra-se o sigilo de todo mundo. Declarou não entender por que a divulgação dos dados do caseiro produziu tamanha crise. Lula pediu uma apuração do episódio. Mais tarde, a Caixa Econômica, que responde diretamente a Palocci, anunciou em nota oficial a abertura de sindicância interna.

 

A reação trivial de Palocci ao questionamento de Lula adensou uma preocupação que incomoda o presidente desde sexta-feira. Suspeita-se no Planalto que as informações bancárias do caseiro Francenildo tenham sido extraídas dos computadores da Caixa Econômica a pedido de alguém do Ministério da Fazenda. Em todas as suas aparições públicas nesta segunda-feira, Lula exibiu uma cara de poucos amigos (veja foto).

 

Lula foi informado de que, antes mesmo da divulgação dos extratos de Francenildo no blog de política da revista Época, pelo menos um assessor de Palocci já difundia a suspeita de que o caseiro poderia ter recebido dinheiro da oposição para acusar Palocci. A desconfiança aumentou depois que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou a Lula estar convencido de que o vazamento ilegal não é obra da Polícia Federal.

 

Reportagem de Marta Salomon e Kennedy Alencar informa que a violação do sigilo bancário de Francenildo ocorreu dentro da própria Caixa Econômica. “O formulário de extração de dados da movimentação bancária” do caseiro, diz o texto, “é exclusivo do sistema interno da estatal, ao qual nem clientes têm acesso.”

 

Premido pelas circunstâncias, Thomaz Bastos determinou à PF a abertura de inquérito para apurar o caso. Segundo apurou o blog, nos diálogos que manteve com autoridades do governo, o ministro considerou que a violação ilegal das informações bancárias do caseiro constitui um erro “gravíssimo”. Disse a Lula que, a depender do rumo das apurações, o fato pode gerar conseqüências nefastas para o governo.

 

Ao determinar a abertura de inquérito na PF, Thomaz Bastos apenas antecipou-se aos fatos. Três partidos políticos –PPS, PSDB e PFL—anunciaram a intenção de protocolar no Ministério Público pedidos de apuração do vazamento ilegal. O governo dá como favas contadas que os pedidos serão aceitos pela Procuradoria da República. Também Francenildo decidiu reagir à invasão de sua privacidade. Sob orientação do advogado Wlício Nascimento, o caseiro acionou nesta segunda-feira a Justiça Federal e o Ministério Público. Pede a apuração do caso.

 

Um detalhe complica a situação do Ministério da Fazenda. Acusada, a Polícia Federal tomou-se de brios. Para preservar a “boa imagem” que julga ter construído, a instituição quer levar a apuração às últimas conseqüências. “Podem ter certeza, quem tirou esse extrato vai ser punido”, disse nesta segunda-feira Wilson Damásio, coordenador de defesa institucional da PF. Para Damásio, a Caixa Econômica tem como explicar as circunstâncias que envolveram a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo.

 

De acordo com inscrições que podem ser lidas na cópia dos extratos do caseiro divulgados para a imprensa, o documento foi extraído dos computadores da Caixa Econôomica às 20h58min21s da última quinta-feira. Nesse horário, Francenildo encontrava-se na sede da PF em Brasília. Daí a determinação com que a polícia decidiu encarar o episódio.

Escrito por Josias de Souza às 23h35

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Oposição já cogita acareação de Palocci e caseiro

A oposição começou a trabalhar com a hipótese de convocar o ministro Antonio Palocci (Fazenda) para prestar um novo depoimento à CPI dos Bingos. Pior: já cogita propor à comissão uma acareação de Palocci com o caseiro Francenildo dos Santos Costa e com o motorista Francisco Chagas da Costa.

 

Francenildo e Francisco Chagas desmentiram o ministro, sustentando que ele, ao contrário do que dissera à CPI, esteve na “mansão do lobby”, como ficou conhecida a casa alugada por integrantes da chamada “República de Ribeirão Preto.

 

“As investigações serão levadas às últimas conseqüências, inclusive com a reconvocação do ministro e a acareação. Essas hipóteses não estão nem de longe afastadas. Não faltam justificativas para isso”, disse ao blog o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (na foto).

 

Para Agripino, “os fatos podem convergir para essa necessidade (de acareação). O senador afirma que “as coisas estão ficando tão sérias, e o esclarecimento é tão imperativo, que talvez não tenhamos outro caminho.” O líder do PFL receia que os procedimentos “mais duros” possam ser antecedidas pela queda de Palocci.

 

“Creio que, antes de chamarmos o Palocci de novo, e não faltam justificativas para isso, o ministro cai”, afirma Agripino Maia. “A única coisa que está sustentando o ministro no cargo é a necessidade de ele ter foro especial. Estamos diante de um absurdo. O caseiro Francenildo disse que o ministro foi à casa do lobby, o motorista Francisco das Chagas confirma. Será que está todo mundo mentindo?”

 

“Embora o presidente Lula esteja bravateando e insistindo em defender o homem, todo o mercado não tem mais a confiança que tinha no Palocci", avalia Agripino Maia. "As investigações vão seguir um cronograma. Agora vamos atrás de saber quem são os responsáveis pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Depois, vamos seguir os próximos passos. Está em jogo a nossa credibilidade e a do próprio Senado”.

 

O relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves (PMDB-RN), concorda com Agripino Maia no que diz respeito à fragilidade da situação do ministro da Fazenda. Ele também acha que, antes da eventual aprovação de uma acareção de Palocci com o caseiro e o motorista, o ministro deixaria o governo.

 

“Acho que se chegarmos à acareação, que seria uma medida extrema e bizarra, ela pode ser frustrada porque o ministro teria que deixar o cargo”, disse ao blog Garibaldi Alves, retido em seu Estado por uma conjuntivite. Para ele, "seria insustentável Palocci ir à comissão para uma acareação como essas.”

 

O líder do PSDB no Senado, Autur Virgílio (AM), faz coro com os colegas: "O simples fato de se estar falando em acareação mostra que o Palocci não é mais ministro da Fazenda. Creio que, antes de se chegar a uma coisa como essas, ele deixa o governo, seja por demissão indireta, saindo para disputar uma cadeira de deputado, seja por demissão direta ou por renúncia. Na prática, ele já não é ministro. Não discute mais economia."

 

Na opinião do relator da CPI, Palocci deveria vir a público para dar novas explicações, “como já fez em outras ocasiões”. Garibaldi Alves completa: “Eu estava absolutamente convicto de que o ministro não teria ido àquela casa. Hoje, tenho dúvidas que precisam ser esclarecidas. Que tipo de lobby é esse?” O senador espera que as os fatos sejam elucidados antes que seja necessário analisar a reconvocação do ministro.

 

Garibaldi Alves, que antes pensava em citar Palocci no relatório final da CPI sem sugerir ao Ministério Público o indiciamento do ministro, já não está tão convicto. “A situação evoluiu em função da gravidade da situação. A apuração ainda não terminou. Mas acho que evoluiu. Pode ser que eu tenha que sugerir (o indiciamento do ministro). Não quero me antecipar, mas também já não posso descartar”.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

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Thomaz Bastos: quebra de sigilo será apurada

  Folha Imagem
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou nesta segunda-feira que a Polícia Federal vai investigar a quebra clandestina de sigilo bancário do caseiro Francelino dos Santos Costa. “O governo é o maior interessado nesta apuração”, disse o ministro.

 

Conforme relato da repórter Claudia Rolli, Thomaz Bastos classificou como “séria” a violação do sigilo do caseiro que desmentiu Palocci na CPI dos Bingos. “Essa quebra de sigilo é séria, precisa ser apurada e vai ser apurada."

 

Na opinião do ministro, o problema de vazamento de informações tornou-se "uma praga" no Brasil. "É uma coisa terrível que precisa ser combatida e coibida e vamos combater isso. Ninguém está fora da legalidade. Ninguém está acima da lei. Isso vai ser investigado e depois de apurado temos certeza que os responsáveis serão punidos."

Escrito por Josias de Souza às 15h24

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EUA encontram a ‘boa’ Laden

Notícia para quem deseja fugir da leitura sobre a crise, ainda que por poucos segundos:

 

Os EUA ainda não lograram encontrar Osama bin Laden. Mas já acharam coisa melhor (veja na foto). Ela se chama Wafah Dufour Bin Laden. É sobrinha do famoso terrorista. A moça não usa as mesmas armas do tio. Mas, à sua maneira, também é um terror.

 

Filha de um irmão de Osama, Yeslama Bin Laden, com Carmen Dufour, Wafah Dufour nasceu nos EUA, passou parte da infância na Arábia Saudita e voltou para a América do Norte. Diferentemente do tio inflamável, que deu para esconder-se em cavernas desde que passou a figurar no topo da lista dos dez mais procurados do governo Bush, a sobrinha não quer senão exibir-se.

 

Wafah Dufour é estrela de um reality show nos EUA. Mostra-se Desfila diariamente diante das câmeras todas as suas inquietudes ocidentais --do amor à celulite. A moça quer explodir. No bom sentido, naturalmente. Deseja desvincular-se do sobrenome do pai e virar cantora.

 

Ela expressou o desejo pela primeira vez no ano passado, ao iniciar a sua “carreira artística” posando com pouca roupa para uma revista. Na falta de uma gravadora que se disponha a medir-lhe o potencial da voz, Wafah Dufour, a boa Laden, vai exibindo outras medidas.

Escrito por Josias de Souza às 13h25

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Flertando com o perigo

A quebra clandestina do sigilo bancário do caseiro Francenildo tornou-se um grande problema para o governo. Nesse brejo, já mais ninguém duvida, tem sapo. É batráquio corajoso. Do tipo que brinca com jacaré. A coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes) lança, em duas notas, os primeiros fachos de luz sobre o pântano:  

 

* Por dentro: A superintendência da CEF (Caixa Econômica Federal) do Piauí está na esfera de influência direta do PT. O governador do Estado, Wellington Dias, já foi funcionário do banco e presidente do Sindicato dos Bancários de Teresina (PI). Foi na CEF do Piauí que o empresário Eurípedes Soares da Silva fez depósitos em dinheiro para o caseiro Francenildo Santos da Costa. O caseiro teve as contas devassadas depois de depor na CPI contra o ministro petista Antônio Palocci Filho.

* Colaboração: A oposição acha que, além de Palocci -a quem a CEF é subordinada - e da Polícia Federal, que recebeu informações de contas bancárias do próprio Francenildo, também os petistas, dado o conhecimento que têm do banco, podem ajudar a esclarecer quem escarafunchou as contas do caseiro. Quebrar sigilo bancário é crime.

Escrito por Josias de Souza às 11h16

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As manchetes desta segunda

 

JB: Votação amplia impasse no PMDB

 

Folha: Para governador, Serra bate todos

 

Globo: Conta de caseiro foi invadida quando ele estava dentro da PF

 

Estadão: TCU mostra irregularidades em contratos da Petrobras

 

Correio: Planalto arma plano para saída de Palocci

 

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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Horti-passatempo

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Serra vence em SP no primeiro turno

Pesquisa Datafolha revela: se a eleição para o governo de São Paulo fosse hoje, José Serra seria eleito no primeiro turno. Segundo o Datafolha, o prefeito tucano obteve 58% das intenções de voto no cenário em que figura como candidato do PT o senador Aloizio Mercadante que, com 12%, fica 46 pontos atrás de Serra.

No cenário em que Mercadante é substituído por Marta Suplicy, Serra atinge a marca de 50% dos votos. A ex-prefeita, com 14%, fica 36 pontos atrás do adversário tucano. Computando-se apenas os votos válidos (excluídos os brancos, nulos e indecisos), Serra obtém 65% dos votos contra Mercadante e 57% na disputa contra Marta.

Com esse resultado, a pressão sobre o prefeito para que aceite disputar o governo de São Paulo, que já é grande, vai aumentar dentro do PSDB. O próprio candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, decidiu engajar-se ao movimento, conforme noticiado aqui.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Caseiro levanta suspeitas contra a PF

Francenildo Santos Costa diz que estava na Polícia Federal na hora em que foi emitido seu extrato bancário: 20h58min21s. Abaixo, a entrevista, concedida ao Globo:

- Onde você estava às 20h58m21s da última quinta-feira? Estava sob proteção da Polícia Federal. Eles estavam fazendo o processo (de inscrição no programa). Tirando cópias para eu poder assinar e entrar no programa. Numa sala lá.

- Você estava sozinho? Estávamos eu e algumas pessoas da Polícia Federal. Nunca estive só na sala. Estava sempre acompanhado de dois, três.

- Seus documentos estavam com você? A identidade e o CPF foram selecionados, para inscrever no processo do programa lá. Aí, na última hora, veio para pedir meu cartão de crédito (de banco). Me perguntou se tinha conta, disse que sim, aí pediu meu cartão e eu entreguei. Foi só isso.

- Isso foi que horas? Foi por volta dessa hora aí (cerca de 21h). Eu estava na proteção da polícia, num prédio da Polícia Federal, como vou sair para tirar um extrato? Não tem nada a ver. O extrato tira durante o dia, ? Quando a Caixa está aberta.

- O que eles diziam pra você? Que tava demorando por causa de uma máquina de xerox lá, para tirar (cópias) de três folhas.

- Não há nenhuma chance de você ter ido a um caixa eletrônico? Não. Isso eu posso afirmar. Nem sei se na Polícia Federal tem caixa eletrônico. Não estava precisando de dinheiro, deixei meus documentos todos com eles, até o meu celular eu entreguei.

- Quanto tempo você ficou esperando para tirar cópia dos documentos? Dez ou 20 minutos.

- Sua senha é fácil de gravar? Não. Tem a senha e ainda três palavras que tem que digitar. Isso eu estranhei (porque acabara de registrar letras de segurança de acesso aos dados). Um mês antes escolhi as três letras no Gilberto Salomão (centro comercial onde há uma agência da Caixa).

- Você não contou para ninguém a senha? Não, só dei meu cartão. Achei esquisito pedirem meu cartão da Caixa. Não vou dar minha senha, né? Eles pediram para tirar uma cópia, não para ir ao caixa eletrônico.

- Para onde você foi levado após se inscrever no programa? Eu estava sob proteção, dormi numa casa em que eles me levaram, mas não sei onde é.

Para o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, a quebra de sigilo bancário do caseiro, à revelia de um pronunciamento da Justiça, é um fato gravíssimo.

Escrito por Josias de Souza às 01h51

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Palocci volta a cogitar sua saída do governo

 

Lula diz que ele fica, sua assessoria nega que ele pense em sair, mas, a despeito de todas as negativas oficiais, Antonio Palocci balança no cargo. Abatido com as novas denúncias, o titular da Fazenda informou a pessoas que desfrutam de sua intimidade que está dividido quanto à conveniência de permanecer no governo. Sente-se desconfortável no posto. Receia que o tiroteio contra ele aumente no calor da disputa eleitoral, resvalando em Lula.

 

Embora a última palavra do ministro tenha sido de desmentido, não há mais dúvidas no Palácio do Planalto de que Palocci realmente esteve na “mansão do lobby”, como ficou conhecida a casa alugada em Brasília por ex-assessores do ministro ao tempo em que foi prefeito de Ribeirão Preto. Ou seja, Palocci não teria dito a verdade quando negou ter estado na casa, em depoimento à CPI dos Bingos.

 

Nos diálogos que mantêm entre quatro paredes, autoridades do governo alegam em defesa de Palocci que as visitas dele à casa dizem respeito apenas à sua vida pessoal. O ministro não teria participado das reuniões em que os integrantes da chamada “República de Ribeirão Preto” arquitetavam os seus negócios. Daí a negativa de Palocci no instante em que foi inquirido na CPI.

 

Apesar da ressalva, os principais auxiliares de Lula puseram-se de acordo em relação a um ponto: a oposição, especialmente PSDB e PFL, não vai mais dar trégua a Palocci. A equipe de Lula se divide, porém, quando o debate evolui para os efeitos de uma eventual saída do ministro da Fazenda do governo.

 

Uma parte acha que a saída de Palocci soaria como um reconhecimento de culpa. Algo que convém apenas à oposição. Outro grupo avalia que a permanência do ministro vai apenas prolongar a sua agonia. O desgaste migraria inevitavelmente da sala do ministro para o gabinete do presidente da República. De novo, a oposição é a maior beneficiária.

 

A nova crise que se formou em torno de Palocci deve ser debatida nesta segunda-feira em reunião da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto. Em diálogo que manteve com um ministro neste domingo, o presidente voltou a dizer que não abre mão de Palocci. Seu afastamento está, segundo diz, fora de questão. Quer que todo o governo saia em defesa do ministro que, por ora, não pediu para sair.

 

Lula alega que a vida íntima de Palocci é algo que só diz respeito a ele. Se não o afastou antes, não faria sentido demiti-lo agora. Quanto às tentativas da “República de Ribeirão Preto” de obter vantagens no governo, o presidente diz que, ao contrário do que insinua a oposição, foram rechaçadas por Palocci.

 

Para complicar a situação do ministro e do governo, a oposição reforçará nesta semana as cobranças em relação à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Ele teve os seus extratos bancários vazados da Caixa Econômica Federal, instituição que pende do organograma da pasta de Palocci, para a revista Época.

 

O PPS entra nesta segunda-feira com uma queixa-crime cobrando investigações do Ministério Público. Também o advogado de Francenildo, Wlício Chaveiro Nascimento, prepara uma ação judicial contra a Caixa Econômica. De resto, PFL e PSDB planejam aprovar na CPI dos Bingos um requerimento pedindo explicações ao governo sobre o vazamento.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Fim da novela: Garotinho levou

Terminou há pouco a reunião de emergência realizada na presidência do PMDB, no prédio da Câmara dos Deputados, para decidir o nome do vencedor das prévias informais realizadas pelo PMDB neste domingo. Depois de uma discussão de mais de três horas, o presidente do partido, Michel Temer, proclamou a vitória de Anthony Garotinho.

A reunião, realizada a portas fechadas, foi tensa. Germano Rigotto, que teve mais votos nas prévias, mas perdeu na contagem que leva em conta um peso diferenciado para cada Estado, ameaçou não reconhecer a vitória do oponente (veja despacho abaixo). Alegou desconhecimento dos critérios, embora tenha participado da reunião em que eles foram estabelecidos, no mês passado.

Em dado momento, Garotinho jogou pesado. Dispôs-se inclusive a aceitar a vitória de Rigotto, desde que ele assumisse integralmente a candidatura, renunciando ao governo do Rio Grande do Sul. Rigotto gaguejou, pigarreou e deu meia volta. “Então eu reconheço a sua vitória”, disse.

O gesto de Rigotto levou em conta a fragilidade das prévias realizadas hoje. Na prática, o processo, por informal, não tem validade legal. A escolha do partido foi feita à revelia do veto imposto por uma liminar do presidente do STJ, Edson Vidigal, que proibiu a realização das prévias.

O vitorioso de hoje não tem nenhuma garantia de que será o candidato oficial do partido. Se as prévias houvessem sido realizadas como previsto, sem questionamentos judiciais, o vencedor seria homologado pela convenção do partido. Do modo como foram feitas, porém, a convenção não tem nenhum compromisso de aceitar a indicação que será feita pela direção do PMDB.

De resto, a perspectiva de manutenção do princípio da verticalização, em julgamento que ainda vai ocorrer no STF, pode levar vários dos diretórios estaduais que participaram das prévias informais deste domingo à conclusão de que o melhor é não ter candidato próprio à presidência nas eleições deste ano. Ou seja, o risco para Rigotto seria enorme. Garotinho, que não ocupa nenhum cargo eletivo, não perde nada assumindo a candidatura presidencial, ainda que em caráter precário.

Os integrantes da ala governista do PMDB, que defendem uma aliança do partido com Lula, festejam a confusão em que se transformou a consulta interna do PMDB. O partido terá agora de convocar uma convenção nacional. Pela lei, pode fazê-lo até junho. Mas o encontro deve ser antecipado para abril.

O mais provável, admitem inclusive os partidários da candidatura própria, é que o partido participe das eleições sem um postulante ao cargo de presidente. Os diretórios nos Estados ficariam livres para fazer as composições que julgassem mais convenientes.

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Garotinho vence, mas Rigotto esperneia

Conforme antecipado pelo blog às 17h32 (leia aqui), o ex-governador do Rio Antony Garotinho venceu as prévias informais realizadas pelo PMDB neste domingo. Apuradas 98% das urnas, Garotinho amealhou, segundo o critério de voto ponderado adotado pelo PMDB, 56,6% dos votos, contra 43,4% atribuídos ao seu oponente, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto.

Porém, um contratempo impediu a direção do PMDB de proclamar o resultado. Germano Rigotto resolveu, na última hora, contestar os critérios que norteiam a apuração. Na ponta do lápis, o governador gaúcho teve mais votos. Ele perdeu para Garotinho na hora de ponderar o peso de cada Estado. 

As regras das prévias haviam sido definidas em reunião da comissão executiva do partido realizada em 16 de fevereiro. Houve enorme controvérsia, mas, ao final, os dois candidatos concordaram.

Ficou acertada a adoção de um dispositivo que fixou peso diferenciado para os Estados, conforme a proporcionalidade entre os votos obtidos pelo PMDB em cada unidade da federação nas eleições de 2002, combinada com o total de votos do partido no país. Definiu-se também que a ponderação levaria em conta apenas os votos do das eleições para deputado federal e senador.

Vem daí a confusão. Nas prévias informais de hoje, Rigotto teve, em termos absolutos, mais do que o dobro dos votos obtidos por Garotinho. Mas perdeu nas contas que levaram em conta o critério da ponderação entre os Estados.

Garotinho e Rigotto tentam superar o impasse em reunião com o presidente do partido, Michel Temer. O encontro está sendo realizado na Câmara dos Deputados. A julgar pelo tamanho da encrenca, a controvérsia deve se arrastar pela madrugada. Para deleite da ala do partido que trabalha pela inviabilização das prévias.

Escrito por Josias de Souza às 21h27

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Murdoch investe US$ 1 bi na internet

 

Rupert Murdoch, 75, o magnata das comunicações, prepara a sua “News Corporation” para o futuro. Com tantáculos planetários que alcançam o universo do cinema, audivisual e imprensa, a companhia acaba de investir US$ 1 bilhão em negócios voltados para a internet. O futuro, diz Murdoch, está na rede mundial de computadores.

 

O diário “La Vanguardia” traz neste domingo reportagem sobre palestra que Murdoch proferiu na semana passada, em Londres. Ele disse o seguinte: “Assistimos a uma era em que os meios de comunicação chegarão a converter-se em fast food”. Na opinião de Murdoch, os jornais terão de adotar “uma estratégia multimídia para sobreviver.”

 

As informações, diz ele, serão consumidas em todo tipo de aparato. E os jornais precisam oferecer aos seus leitores a possibilidade de acessar o conteúdo noticioso tanto nos meios tradicionais como nas novas mídias, tais como páginas na internet, MP3, telefones celulares ou qualquer outra plataforma.

 

O consumidor emergente, diz Murdoch, vai atenuar o poder da velha elite sobre a indústria da mídia, agora sob nova influência. “O poder", diz ele, "está nas mãos de uma nova audiência, que utiliza internet para informar-se, entreter-se e educar-se.”  Murdoch admitiu ter subestimado a internet. Erro que corrige agora com o investimento bilionário que acaba de fazer.

 

A mídia tradicional está à beira da morte? A resposta do magnata é “não”. Ele diz: “O rádio não destruiu os jornais, nem a televisão matou o rádio, nem todos os esses meios eliminaram os livros. As mudanças tecnológicas não eliminam os meios que nasceram em outra era, simplesmente forçam-nos a melhorar.”

Escrito por Josias de Souza às 18h45

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Garotinho deve vencer Rigotto na consulta do PMDB

  Folha Imagem
As primeiras parciais das prévias do PMDB, transformadas em consulta informal depois da decisão judicial que proibiu a sua realização, indicam que Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, deve vencer Germano Rigotto, governador do Rio Grando do Sul. Embora ainda não reconhecida formalmente, a tendência foi confirmada ao blog por um dirigente do PMDB.

A direção do partido espera concluir a apuração ainda na noite deste domingo. O primeiro Estado a fechar a contagem dos votos foi o Espírito Santo. Computaram-se 273 votos válidos. Garotinho amealhou 217. Rigotto obteve 56. A expectativa é a de que, levando-se em conta o critério da média ponderada, que atribui pesos diferenciados aos Estados, Garotinho levará a melhor.  

A ala governista do partido, favorável a uma composição com Lula, só conseguiu inviabilizar as prévias informais em cinco Estados: Alagoas, sob influência do senador Renan Calheiros; Amapá e Maranhão, comandados pelo senador José Sarney; Bahia, controlada pelo deputado Geddel Vieira Lima; e Pará, dominado pelo deputado Jader Barbalho.

A baixa expressão do boicote está sendo festejada pela direção do PMDB, que, até ontem, temia que a consulta fracassasse em 12 dos 22 Estados que participam do processo. Os partidários da candidatura própria acham que o partido deu uma demonstração de que deseja ter um candidato à presidência da República.

Garotinho montou um esquema pessoal para assegurar o comparecimento dos eleitores peemedebistas. Ele tem cabos eleitorais contratados em todos os Estados. Nas principais capitais, o ex-governador do Rio providenciou inclusive transporte para os eleitores. Foi o que aconteceu, por exemplo, em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Rio de Janeiro. 

Ouvido pelo blog, o presidente do PMDB, Michel Temer, disse que “a consulta foi um sucesso”. Estima que, “entre os mais de 20 mil peemedebistas com direito a voto, o comparecimento foi da ordem de 70%”. O que, na sua opinião, representa “uma vitória expressiva” dos partidários da candidatura própria. “Foi um gesto político muito claro”, ecoa o deputado Eliseu Padilha (RS).

 

No campo jurídico, porém, vai prevalecendo a posição da ala que deseja evitar o lançamento de candidato próprio, para costurar uma aliança com Lula. Na noite de sábado, os advogados do partido ingressaram com um pedido de reconsideração no STF, para tentar reverter a decisão do STJ. O pedido foi negado pelo ministro Eros Grau, sob o argumento de que o Supremo não pode atuar no caso enquanto não houver um julgamento definitivo do STJ. O PMDB ingressou, então, com novo recurso no STJ, ainda pendente de julgamento.  

 

Na prática, a situação do PMDB é a seguinte: se o partido houvesse realizado prévias formais, o nome do vencedor seria levado à convenção para ser homologado como candidato à presidência. Como a consulta teve um caráter informal, o vitorioso será apenas indicado à convenção, que não é obrigada a aceitar a indicação.

 

Para Temer, ainda que o nome não seja acatado, o partido deixou claro que não deseja se coligar em primeiro turno com nenhum candidato de outro partido. “A coligação tornou-se uma hipótese muito improvável, especialmente depois do que aconteceu neste domingo”, diz o presidente do PMDB. “Se a consulta tivesse sido um fracasso retumbante, eu diria que o desejo do partido era outro. Mas não foi o que aconteceu.”

Escrito por Josias de Souza às 16h32

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O risco Palocci

O risco Palocci

No Planalto

 

Para azar de Antonio Palocci, máquina do tempo é coisa que só existe na ficção científica. Não há como modificar os tempos idos. No passado, Palocci via o futuro. No presente, ele só vê o passado passando. Ilhado na sua Tróia fazendária, o ministro recebe visitas freqüentes de cavalos gregos enviados de sua Ribeirão Preto pretérita.

 

A julgar pelo que dizem a polícia e o Ministério Público de São Paulo, Palocci promoveu em Ribeirão uma $anta ceia. Agora, Rogério Buratti, o Judas particular do ministro, cobra-lhe a conta em separado. Não há trinta dinheiros que contenham a língua do ex-assessor no interior da boca. Movem-lhe razões sentimentais.

 

Curiosamente, o menor problema do ministro da Fazenda passou a ser a dívida pública de R$ 1.000.000.000.000,00. O trilhão cevado a juros é um desastre que o número dois da República petista pode dividir com Pedro Malan, o segundo homem da era tucana.

 

O que tonifica o risco Palocci são as acusações que o transformam de gato em onça pintada. Malfeitorias municipais, vôos em jatinhos de empresários-companheiros e visitas a uma mansão onde negócios e pernas se entrelaçavam são confusões que Palocci não tem com quem repartir. Malan não administrou Ribeirão, não tem um amigo chamado Roberto Colnaghi e prefere a leitura às festas.

 

A crise de confiança que desvaloriza Palocci decolou no instante em que se descobriu que, já ministro, Sua Excelência voou em jatinho privado. Levava a tiracolo José Genoino, ainda presidente do PT.

 

Pilhado, Palocci saiu-se com três patranhas. Primeiro, negou que estivesse a bordo. Desarmado, sustentou que viajara como carona de Genoino. O PT alugara o avião. Desmentido pelo dono da aeronave, apresentou-se como vítima de um equívoco lingüístico: "Recorri inadvertidamente à expressão alugou, sem me apegar à acepção estrita do termo".

 

Desde então, Palocci, Lula e todo o governo vêm enganando a si mesmos com a lorota de que as denúncias que se acercam do Ministério da Fazenda não passam de antecipação da campanha eleitoral. Bobagem. São ecos de um passado incestuoso. Pode-se acusar a oposição de amplificar a encrenca, mas não de tê-la criado.

 

As indiscrições de Buratti, agora ecoadas por caseiros e motoristas, apenas reforçam a impressão de que na Ribeirão Preto de Palocci operou-se um esquema que, comum a outras administrações municipais petistas, foi precursor das arcas delubianas.

 

Vem daí que a ampulheta do ministro, em vez de areia, derrama-lhe sobre a cabeça as espadas de um tempo que, embora decorrido, insiste em não passar. 

Escrito por Josias de Souza às 03h11

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'Vai que é sua, Palocci!'

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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As manchetes deste domingo

- JB: Disputa pelo governo do Rio: Cabral 35% - Crivella 29%

- Folha: Lula fica estável; Alckmin sobe

- Estadão: Contas do governo têm rombo de R$ 15,6 bilhões

- Globo: Meninas se prostituem por R$ 1,99

- Correio: PT, unido, sai em defesa de Palocci

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h16

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Vidigal suspende, de novo, as prévias do PMDB

  O Grito/Edvard Munch
Em poucas causas a Justiça revelou com tanta nitidez a sua face de loteria togada como na guerra de liminares que empana as prévias do PMDB. O presidente do STJ, Edson Vidigal, voltou a proibir na noite deste sábado o processo de escolha do candidato do partido à presidência da República.

 

Vidigal concedera na manhã de sexta-feira liminar suspendendo as prévias peemedebistas. Na noite da mesma sexta, outro ministro do STJ, Hamilton Carvalhido, expediu uma segunda liminar, dessa vez autorizando o PMDB a promover o certame interno em que se confrontam Anthony Garotinho e Germano Rigotto. Voltando à carga, Vidigal repôs de pé a proibição que o colega revogara.

 

Informado acerca da nova decisão de Vidigal, o presidente do PMDB, Michel Temer, prometeu ajuizar no STJ mais um recurso. Em entrevista que concedera mais cedo, farejando o cheiro de queimado, Temer dissera que o partido faria as prévias deste domingo de qualquer jeito, mesmo sob proibição judicial. Neste caso, o processo funcionaria como “uma consulta informal”.

 

O diabo é que os diretórios regionais controlados pelos governistas do PMDB, mais interessados em compor com Lula do que em lançar candidato próprio, informaram que manterão cerradas as portas das sedes do partido nos Estados. O boicote foi confirmado em cinco praças: Alagoas, Ceará, Bahia, Amapá e Pará. Mas pode se estender a um total de 12 Estados.

 

Os partidários da candidatura própria acusam o juiz Vidigal de agir como político. De fato, Vidigal é candidato declarado ao governo do Maranhão, com o apoio de Lula, hoje o maior beneficiário de um eventual malogro das prévias do PMDB.

 

Vidigal, porém, não se deu por achado. Ele não nega a candidatura ao governo maranhense. Mas alega que, por ora, embora tenha pedido sua aposentadoria do STJ, continua sem filiação partidária. Tecnicamente, portanto, não pode ser considerado como político. “Sou ministro do Judiciário”, diz ele. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Alckmin quer Serra em SP e vice do Nordeste

  Folha Imagem
Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República, dirá à direção do PFL que seu candidato ao governo de São Paulo é o prefeito paulistano José Serra. Informará também que prefere que o PFL indique para compor a chapa presidencial com ele um vice do Nordeste.

 

Alckmin decidiu engajar-se no movimento que se formou no interior do tucanato para convencer Serra a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Concluiu que a entrada de Serra na disputa ajuda a sua candidatura presidencial. Facilita os entendimentos com o PFL e impede que Lula tenha em São Paulo --com Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante-- um palanque mais forte que o dele.

 

De resto, a candidatura Serra seria, na opinião de Alckmin, um atrativo a mais para o PFL, seduzido pela perspectiva de herdar a prefeitura de São Paulo, que cairia no colo do vice-prefeito pefelista Gilberto Kassab. Evitaria que o PFL tentasse impor em São Paulo o nome de Guilherme Afif Domingos. Em seus diálogos reservados, o presidenciável do PSDB mostra-se convencido de que Serra terminará aceitando assumir a candidatura a governador, hoje uma quase unanimidade no partido.

 

No que diz respeito ao vice nordestino, a preocupação de Alckmin, segundo disse a um deputado tucano engajado na sua campanha, é também a de estabelecer um contraponto com Lula. Ele acha que seria uma maneira de prestigiar uma região do país onde ele ainda é pouco conhecido e na qual o pernambucano Lula leva nítida vantagem nas sondagens eleitorais. Alckmin toma como modelo a bem-sucedida dobradinha que Fernando Henrique Cardoso compôs com Marco Maciel (PFL-PE).

 

Em almoço com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, neste domingo, Alckmin não manifestará preferência por nenhum nome. Dirá que, assim como os pefelistas respeitaram a decisão do PSDB, também ele acatará a opção a ser feita pelo parceiro. Fixado o critério de que o vice deve sair do Nordeste, aceitará o nome que vier a ser escolhido pelo PFL.

 

Embora a opção pelo vice do Nordeste envolva questões de estratégia eleitoral, a preferência de Alckmin esconde um segundo objetivo. O governador deseja inibir a hipótese de o próprio Bornhausen colocar-se como candidato. Uma hipótese que é rejeitada enfaticamente pelo senador pefelista Antonio Carlos Magalhães (BA), o mais notório aliado de Alckmin dentro do PFL.

 

No embate que travou com José Serra para tornar-se o candidato oficial do PSDB, Alckmin enfrentou resistências dentro do PFL. O grupo de Bornhausen preferia que Serra tivesse sido o escolhido. ACM jogou um papel decisivo nessa fase. Assegurou ao próprio Alckmin e ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que se o governador prevalecesse sobre o prefeito, como acabou ocorrendo, o PFL fecharia com ele.

 

No momento, a preferência de ACM na disputa pela vaga de vice recai sobre o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). Há pelo menos mais dois nomes no páreo: o senador José Jorge (PE) e o deputado José Thomaz Nonô (AL).

 

Alckmin tem pressa em formalizar a aliança com o PFL. Mas, pragmático, dirá que respeita o tempo do aliado. Em encontro que manteve com Bornhausen, o prefeito do Rio, César Maia, pré-candidato do PFL à presidência, pediu um prazo máximo de dez dias para dizer se retira sua postulação em favor de Alckmin. O governo sabe que é jogo de cena. Em entrevistas, o próprio Maia já disse que nao disputará a presidência. Mas não pretende interferir. Vai esperar o tempo que for necessário. Acha que tudo deve estar definido até a primeira quinzena de abril.  

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Reunião do PT vira ato pró-Palocci

A reunião do diretório nacional do PT, neste sábado, converteu-se em ato de defesa do ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do governo Lula. Conforme antecipado aqui, adiou-se para abril a discussão e votação de documento cobrando mudanças na política econômica.

 

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), traduziu o ânimo que move os petistas no momento. Ele disse que a tentativa da oposição de desgastar Palocci tem o objetivo de criar um ambiente de crise e instabilidade. “Todos conhecem o papel fundamental do ministro Palocci na credibilidade econômica do país”, disse Berzoini.

 

Em decisão quase unânime –-houve apenas dois votos contrários entre os 80petistas presentes--, o diretório do PT aprovou uma resolução em que convoca o petismo para reagir “contra o processo denuncista” articulado pela oposição, especialmente PSDB e PFL.

 

A resolução condena explicitamente a CPI do Bingos, onde a oposição detém a maioria. Segundo o documento aprovado pelo diretório, a comissão tornou-se um instrumento da oposição na “tentativa desesperada” de criar fatos políticos negativos contra o governo e o PT.

 

“Apostando na idéia de que Lula e o PT chegariam muito enfraquecidos a 2006, o PSDB e o PFL foram surpreendidos com a capacidade de recuperação da nossa ofensiva”, anota o texto da resolução do PT. “Por isso, retomaram a fúria denuncista, tentando levar novamente as atenções para esse campo, pois avaliam que perdem no campo programático e na comparação de governos”.

 

Momentaneamente unido, o PT teceu loas às “realizações” do governo Lula. E lembrou o fato de que o presidente desponta como favorito às eleições presidenciais em todas as pesquisas de opinião. “O Partido dos Trabalhadores e o governo do presidente Lula enfrentaram e superaram o cerco político movido pela oposição, em 2005, chegando ao ano eleitoral de forma muito positiva”, diz a resolução em seu primeiro parágrafo.

 

A resolução petista condena o processo que resultou na escolha de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB: “Recentemente, a oposição conduziu o processo de escolha do candidato tucano à Presidência da República, processo que demonstrou a natureza conservadora e antidemocrática do PSDB.”

 

“Geraldo Alckmin e José Serra expressam as mesmas opções programáticas fundamentais”, diz a resolução em outro trecho. “(...) Aliás, durante doze anos à frente deste governo estadual, o PSDB reduziu os investimentos sociais, sucateou a saúde e a educação, privatizou empresas públicas, demitiu 195 mil funcionários públicos e impediu a instalação de nada mais, nada menos, do que 65 Comissões Parlamentares de Inquérito.”

 

Como se vê, a CPI dos Bingos conseguiu uma proeza notável: uniu as diversas alas que compõem o PT.

Escrito por Josias de Souza às 20h06

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PPS faz ação para apurar quebra de sigilo de caseiro

O PPS vai protocolar no Ministério Público um pedido de abertura de um inquérito contra a Caixa Econômica Federal, para investigar as circunstâncias que envolveram a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos. A queixa-crime está sendo redigida neste final de semana. E será protocolada na segunda-feira.

“Avaliamos que este episódio é gravíssimo”, disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) ao blog. Ele fala em nome do partido. “Podemos estar diante da ressurreição do Estado policialesco. Praticou-se um grave desrespeito às normas democráticas.”

Após uma discussão entre os seus dirigentes, o PPS concluiu que o vazamento dos dados bancários do caseiro é até “mais grave do que as denúncias feitas contra o ministro Antonio Palocci (Fazenda).

Para o PPS um outro detalhe impõe a interferência do Ministério Público: os dados bancários de Francenildo vazaram da Caixa Econômica, uma instituição bancária que pende do organograma do Ministério da Fazenda. Pasta que tem como titular o principal alvo das denúncias do caseiro. “Queremos que tudo seja muito bem investigado”, disse Jungmann.

Em depoimento à CPI dos Bingos, na última quinta, o caseiro Francenildo, conhecido pelo apelido de Nildo, desmentiu Antonio Palocci. Repetindo o que já dissera em entrevistas, revelou que o ministro da Fazenda era freqüentador assíduo da “mansão do lobby”, uma casa em que ex-assessores de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto arquitetavam negócios com o governo e promoviam festas.

Palocci dissera à CPI que jamais estivera na mansão. Daí a importância do depoimento do caseiro, interrompido pelo meio graças a uma liminar expedida pelo ministro Cezar Peluso, do SPT, em atenção a um pedido formulado, por orientação do Planalto, pelo senador petista Tião Viana (AC).

O caseiro Nildo teve seus dados bancários expostos sem que houvesse contra ele nenhum pedido de quebra de sigilo. A revista Época revelou que ele movimentou numa caderneta de poupança aberta na Caixa Econômica R$ 38.860 entre janeiro e março.

Em entrevista, Nildo disse ter recebido o dinheiro de um empresário piauiense chamado Eurípedes Soares da Silva. Disse que os depósitos somam R$ 25 mil e não R$ 38.860. O caseiro seria filho bastardo de Eurípedes. O empresário confirmou que é o autor dos depósitos.

Escrito por Josias de Souza às 18h37

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Datafolha: Alckmin cresce e Lula estaciona

  Folha Imagem
A principal novidade da última pesquisa Datafolha (na Folha, para assinantes) é o avanço do candidato tucano Geraldo Alckmin. No principal cenário da pesquisas, o governador de São Paulo passou de 17% para 23%, um crescimento de seis pontos. Lula se manteve estagnado. Sua posição oscilou para baixo em um ponto –de 43% para 42%. A despeito de ter crescido em comparação com o levantamento anterior, realizado em fevereiro, Alckmin ainda está 19 pontos atrás de Lula. Anthony Garotinho, incluído na sondagem como candidato do PMDB, oscilou para cima –de 11% para 12%.

 

Esta é a primeira sondagem eleitoral feita depois da formalização de Alckmin como candidato do oficial do PSDB, principal adversário de Lula. De acordo com os números coletados pelo Datafolha, Lula continua abrindo larga vantagem em relação ao governador de São Paulo num hipotético segundo turno. Mas a diferença diminuiu.

 

Numa aferição do primeiro turno, as intenções de voto atribuídas a Lula caíram de 53% para 50%. As de Alckmin subiram de 35% para 38%. Ou seja, com Serra fora do páreo, a diferença entre os dois, que era de 18 pontos, caiu para 12.

 

Alckmin leva vantagem sobre Lula no quesito rejeição, que ajuda a medir o potencial de crescimento dos candidatos. Entre as pessoas ouvidas pelo Datafolha, 33% disseram que não votariam em Lula, contra 16% que afirmaram que não votariam em Alckmin.

 

Eis as principais conclusões que podem ser extraídas dos números:

 

1. Alckmin tem potencial para encurtar a diferença que o separa de Lula. Mas ainda não dá para saber se crescerá o bastante para fazer sombra a Lula, ainda favorito. O crescimento registrado nesta nova pesquisa decorre menos do desempenho de Alckmin e mais de intenções de voto herdadas do prefeito tucano José Serra, agora excluído do jogo. Convém notar, porém, que o legado de Serra não foi transferido integralmente para Alckmin;

 

2. Impossível negar que, aos olhos de hoje, Lula segue sendo o franco favorito nas eleições deste ano, que podem ser definidas no primeiro turno. Mas a pesquisa mostra que o presidente não pode amarrar o burro na sombra. O fato de não ter crescido nesta nova pesquisa indica que pode ter batido no seu teto. Mostra também que o presidente não beliscou votos de Serra. A alta taxa de rejeição (33%) inibe o seu crescimento. Um problema que é menor no caso de Alckmin (rejeiçao de 16%).

Escrito por Josias de Souza às 18h09

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As manchetes deste sábado

- JB: Lula sustenta Palocci - Tem sempre gente trabalhando contra

- Folha: Palocci não sai nem se pedir, diz Lula

- Estadão: Lula passa o dia na defesa de Palocci; MP quer ministro fora

- Globo: Lula diz que não aceita saída de Palocci: 'Devo muito a ele'

- Correio: Lula segura Palocci

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h40

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'Queima de arquivo'

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 03h38

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Motorista também viu Palocci na 'mansão do lobby'

  José Cruz/Ag.Senado
O repórter Leonardo Souza (na Folha, para assinantes), informa: Estimulado pelo depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa à CPI dos Bingos, o motorista Francisco Chagas da Costa (na foto), 56 anos, resolveu contar, segundo diz, tudo o que viu e ouviu durante os onze meses em que trabalhou para a "república de Ribeirão", formada por ex-assessores do ministro Antonio Palocci (Fazenda) na Prefeitura de Ribeirão Preto.

A exemplo do caseiro, o motorista diz ter visto o ministro "muitas vezes" na casa do Lago Sul alugada por Vladimir Poleto, um dos ex-assessores de Palocci em Ribeirão. A casa foi descrita pelo advogado Rogério Buratti, outro integrante da "república de Ribeirão", como uma central de encontros de lobistas e empresários com negócios de interesse no governo Lula.

Leia trechos da entrevista:

- Quando eles (os integrantes da ’República de Ribeirão’) falavam sobre o ministro Palocci, referiam-se a ele como chefe? O chefe.

- Sobre o que conversavam quando se referiam ao "chefe"? Falavam que "o chefe vai hoje na casa". Falavam que tinha que organizar. O Vladimir [Poleto] gostava muito de falar que tinha que acionar a casa, "porque o chefe vai hoje".

- Quando eles falavam em acionar a casa para o "chefe" era dia de semana, final de semana? Variava muito. Final de semana, meio de semana.

- Eles levavam "o chefe" freqüentemente à casa? Quase toda semana.

- O ministro, então, mantinha sempre contato com eles? Com certeza, todos os dias.

- Todos os dias? Quando estavam aqui, né? O Buratti vinha por um dia só, né? Sempre quando vinha, tinha contato.

 - Sempre que o Buratti vinha a Brasília ele se encontrava com Palocci?
Francisco -
Quando não se encontravam, se falavam no telefone.

- O sr. presenciou encontros de Palocci com Buratti? Às vezes em que se encontraram era na casa.

- Quantas vezes eles se encontraram na casa? Não sei, muitas vezes. Se eu falar dez vezes, quatro vezes, estou mentindo, né? Muitas vezes.

- O sr. viu Palocci na casa?  Eu vi ele entrando na casa. Ele ia de carro.

Folha - Em que carro?
Francisco -
Um Peugeot prata, de propriedade do Ralf Barquete.

(Leia continuação abaixo)

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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‘Não contei, só vi os pacotes’

Além de confirmar ter visto Antonio Palocci na “mansão do lobby”, o motorista Francisco Chagas da Costa ratificou também a informação do caseiro Francenildo dos Santos Costa segundo a qual um envelope recheado de dinheiro foi entregue a Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor especial de Palocci na pasta da Fazenda

O motorista diz que a entrega, feita por ordem de Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, ocorreu no estacionamento do ministério. O caseiro Francenildo dissera que havia de R$ 5 mil a R$ 7 mil no envelope. Francisco não soube precisar o valor.

- O sr. entregou dinheiro para alguém a pedido do Poleto? Isso aí é uma coisa que eu não tinha relatado, mas eu me lembro. Nós fomos ao Ministério [da Fazenda] e tinha um envelope, acho que possivelmente seria dinheiro, que eu levei com o [caseiro] Nildo. Nildo levou, segurando, eu dirigindo, e levamos ao ministério. Chegando lá, eu liguei para doutor Ademirson, ele desceu e nós passamos para ele.

- Havia bastante dinheiro no envelope? É, bastante.

- Era só dinheiro? Só dinheiro.

- Como foi o pedido do Poleto? "Faz essa entrega para o Ademirson. Chegando lá, você liga para ele, dá um toque que ele desce."

- O sr. ligou no celular dele?  Liguei no celular dele, aí ele veio na portaria.

- Na portaria do ministério? Do lado, onde ficam os carros dos visitantes.

- O sr. fez outras entregas de dinheiro para o Ademirson? Não, a única entrega de dinheiro foi essa no ministério.

- Voltando à entrega do dinheiro ao Ademirson, o Francenildo disse que era por volta de uns R$ 7 mil. Era esse valor? Essa base, mais ou menos. Não contei, só vi os pacotes dentro do envelope.

Escrito por Josias de Souza às 03h33

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Lula pede e PT veta crítica a Palocci no diretório

  Wilson Dias/Abr
O presidente Lula fez um pedido formal à direção do PT. Quer que o partido evite a todo custo as críticas ao ministro Antonio Palocci (Fazenda). O PT reúne o seu diretório nacional neste sábado e domingo, em São Paulo. Entre os temas previstos na pauta estava, conforme revelado aqui, a discussão e votação de um documento cobrando mudanças na política econômica. Articula-se agora o adiamento do debate para o final do mês de abril.

 

Em vez de cobranças, lideranças do PT articulam, sob o comando de Ricardo Berzoini (na foto), presidente do partido, a aprovação no diretório de uma resolução de apoio ao governo. Seria uma reação à tentativa do PSDB e do PFL de ressuscitar o ambiente de denúncias que levou ao declínio do prestígio de Lula e do governo no ano passado.

 

O PT havia constituído comissões internas para elaborar documentos sobre a política de alianças para as eleições deste ano e diretrizes para o programa de governo a ser defendido na campanha para a reeleição de Lula. O texto de teor programático cobra expressamente a alteração nos rumos da política econômica implementada por Palocci e sua equipe. Menciona, por exemplo, a necessidade de reduzir os juros e as metas de superávit fiscal.

 

Membro do diretório, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), já havia se preparado inclusive para fazer no encontro deste final de semana a defesa da manutenção da “responsabilidade fiscal”. O senador talvez nem precise gastar o seu latim defender. As alas mais à esquerda do petismo, capitaneadas pelo secretário-geral Raul Pont (RS), vinham adotando um tom mais agressivo de cobranças (leia aqui), mostram-se agora dispostas a concordar com o adiamento do debate.

 

O cerco da oposição ao ministro Palocci, com cobranças explícitas de demissão do ministro produziram uma momentânea coesão no interior do PT. As diferentes alas do partido convergem para a conclusão de que o acirramento do debate agora desgastaria Lula e o governo num instante em que o presidente desponta como favorito nas pesquisas eleitorais. Seria o mesmo que fazer o jogo da oposição.

 

A solução que deve ser adotada na reunião do diretório é o encaminhamento dos documentos para os diretórios estaduais do PT. O pretexto é a necessidade de aprofundar os debates, para uma discussão mais amadurecida, a ser feita num encontro nacional do partido previsto para o final de abril. Acordo nesse sentido foi esboçado ao longo da sexta-feira.

 

Adia-se, assim, um embate interno que havia sido iniciado no final do ano passado. Em reunião do diretório, com a mesma composição do encontro deste final de semana, o PT aprovara resolução que incluiu críticas à política de Palocci. Em meio a ataques ao PSDB, o texto anotou o seguinte:

 

“Consideramos fundamental reduzir de forma significativa e sustentada as taxas de juros (...)”, anota a resolução. “Estimamos imprescindível acelerar a execução orçamentária, ampliar os investimentos em infra-estrutura e nas políticas sociais, acelerar a reforma agrária e melhorar o funcionamento do conjunto do governo. O caminho do crescimento permite reduzir a relação dívida/PIB, sem os sacrifícios resultantes das metas de superávit primário, que devem ser reduzidas.”

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Derrubada liminar que impedia prévias do PMDB

Num mundo em que os tribunais são a única maneira de obter “justiça”, aquilo que é justo pela manhã pode não sê-lo à noite. Assim, o mesmo STJ que cancelara as prévias do PMDB pouco depois do nascer do Sol voltou a autoriza-las no instante em que os céus de Brasília já se encontravam rendidos à Lua.

 

A liminar da manhã fora expedida pelo ministro Edson Vidigal, presidente do STJ. A liminar da noite, que anulou a primeira, é da lavra do ministro Hamilton Carvalhido. Um ministro desautorizando o outro em decisão individual é coisa rara de ver. Carvalhido deve ter achado estranha, muito estranha, entranhíssima a o despacho do colega.

 

Enquanto não sai nenhuma outra liminar, as prévias do PMDB estão marcadas para este domingo. O partido escolherá o seu candidato à presidência. São dois os pré-candidatos: Anthony Garotinho e Germano Rigotto.

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Caseiro movimentou R$ 38 mil no banco, diz revista

Extratos da conta de poupança de Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, revelam uma movimentação financeira em volume incompatível com a renda de um caseiro. O blog de política da revista Época informa que ele recebeu no início do ano R$ 38,860 mil.

Nildo ganhou notoriedade ao desmentir o ministro Antonio Palocci (Fazenda). Afirmou que, ao contrário do que dissera, o ministro esteve, sim, na casa de lobby em que integrantes da República de Ribeirão Preto promoviam negócios e festas.

Em texto assinado por Gustavo Krieger e Andrei Meirelles, o blog da revista informa que o caseiro mantém uma conta de poupança na Caixa Econômica Federal. No início do ano, a conta ostentava saldo de R$ 24,76. Entre 6 de janeiro e 6 de março, recebeu cinco depósitos em dinheiro. Somados, resultam na quantia de R$ 38,600 mil. Ouvido, Nildo diz que se trata de doação familiar.

O advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que acompanhou o caseiro em seu depoimento à CPI dos Bingos, comentou: “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”. Telefonou para o caseiro. Depois, informou que Nildo reconhecera a existência dos depósitos. Disse que o dinheiro veio de seu pai.

“Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina”, afirmou o advogado. “O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”. Euripedes Soares reconheceu ter feito os depósitos. Mas negou que seja pai de Francenildo. Disse que só vai explicar o repasse do dinheiro "depois de conversar com um advogado".

Sob o impacto da notícia, o caseiro deu entrevista na noite desta sexta-feira. Exibiu os extratos. Mostrou que as remessas vieram, de fato, do Piaui. O total, segundo disse, não é de R$ 38,6 mil, mas de R$ 25 mil. Repisou a tecla de que o depositante, Eurípedes Soares, é seu pai. Ele conversaria com a imprensa em Teresina.

O curioso é que o sigilo bancário de Nildo não havia sido quebrado. Como surgiram, então, os extratos? Em entrevista na noite desta sexta-feira, o caseiro deixou antever que suspeita da Polícia Federal.

Depois de reafirmar tudo o que declarara em relação a Palocci, Nildo contou o seguinte: na noite de quinta-feira, esteve na sede da PF em Brasília. Foi pedir proteção policial. Ao puxar da carteira o documento de identidade e o CPF, o cartão da Caixa Econômica foi visto. Um delegado teria solicitado o cartão. Ele o entregou. Diz que a PF o reteve por cerca de 20 minutos.

“(...) Mexeram nas minhas contas, o que posso esperar mais? (...) Eu confiei na polícia. E fazem isso aqui. Como eu posso me sentir?”

Suspeita-se que a documentação bancária do caseiro já estava circulando por mãos governistas antes de ele prestar depoimento à CPI dos Bingos. Auxiliares de Lula já difundiam a suspeita de que as entrevistas e o depoimento do caseiro pudessem ter sido provocados por um estímulo financeiro.

A suspeição lançada sobre o caseiro dá ao governo um discurso novo para se contrapor à oposição, que pede a cabeça de Palocci. Embaralha-se o jogo. Desce a um plano secundário algo que deveria ser essencial: afinal, Palocci esteve ou não esteve na tal mansão? O ministro continua devendo essa resposta.

Escrito por Josias de Souza às 18h59

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Delúbio quer que governo o indenize em R$ 200 mil

  Sérgio Lima/F.Imagem
Delúbio Soares está processando o governo. Em ação judicial que protocolou na 8a Vara da Justiça Federal de Brasília no último dia 23 de fevereiro, o ex-gestor das arcas clandestinas do PT reivindica da União o pagamento de uma indenização de R$ 200 mil.

 

O ex-tesoureiro do PT julga-se credor de uma reparação moral. Reclama da inclusão de uma questão ofensiva à sua honra na prova de um concurso público promovido pela Procuradoria da Fazenda Nacional nos dias 11 e 12 de fevereiro.

 

A pergunta que deixou Delúbio incomodado é a seguinte:

 

“Delúbio, funcionário público, motorista do veículo oficial – Placa OF2/DF, indevidamente, num final de semana, utiliza-se do carro a fim de viajar com a família. No domingo à noite, burlando a vigilância, recolhe o carro na garagem da Repartição.  Delúbio cometeu crime de:”

 

a) peculato

 

b) apropriação indébita

 

c) peculato de uso

 

d) peculato-desvio

 

e) furto

 

Delúbio argumenta na ação que essa pergunta, inserida no item número 86 da prova para ingresso na carreira de Procurador da Fazenda, deu margem a comentários irônicos contra ele entre os cerca de 10 mil candidatos que participaram do concurso. Reclama do fato de ter sido apresentado como responsável pela prática de crime contra a administração pública.

 

A ação movida por Delúbio será julgada pelo juiz Iran Velasco Nascimento, titular da 8a Vara de Brasília. Em seu primeiro despacho, Velasco Nascimento enviou à Advocacia Geral da União um ofício em que pede ao governo que responda à reclamação do ex-tesoureiro petista. Os advogados da União ainda não se manifestaram.

Escrito por Josias de Souza às 15h45

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Lula: 'Devo muito a um homem chamado Palocci'

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Dando seqüência à “colheita” eleitoral das obras que “plantou”, Lula voou nesta sexta-feira pra Santa Catarina. Em visita às obras de modernização do porto de São Francisco do Sul, injetou em seu discurso palavras em defesa do principal alvo da oposição no momento: Antonio Palocci.

 

Em meio a elogios ao “êxito” econômico de seu governo, Lula afirmou: "Eu devo muito, devo muito, mas muito de tudo que nós fizemos a um homem chamado Antonio Palocci. Não é economista, é médico, por isso, ele ganhou respeitabilidade no mundo inteiro pela sobriedade e pela seriedade no trato das questões econômicas".

O presidente sugeriu que seus opositores são açodados e curtos de inteligência: "É justo fazer oposição, é democrático fazer oposição, mas política tem que ser feita com sabedoria, inteligência e serenidade. Permitam que a gente conclua o nosso trabalho. Não atrapalhem. Não atrapalhem porque quem vai perder é o povo trabalhador desse país".

Para Lula, o objetivo da oposição seria inviabilizar a sua administração: "Resolveram mexer com a economia brasileira. Eu só posso entender que esse tipo de comportamento é para dizer o seguinte: 'Estes meninos não podem dar certo até o final do ano. Nós temos que chegar no final do ano com o Brasil numa situação muito ruim'."


Ao presidente é dado achar o que bem entender. À oposição, é permitido adotar a estratégia que julgar mais conveniente. As urnas logo dirão o que acha a sociedade de toda essa encrenca. Por ora, o que mais incomoda é a mudez ensurdecedora do ministro da Fazenda. Retratado como mentiroso no noticiário, Palocci não tem o direito, como homem público, ao silêncio.

Escrito por Josias de Souza às 14h35

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Suspensas as prévias do PMDB

Lula Marques/Folha Imagem

O PMDB vive dias bem, digamos, peemedebistas. Ou, se preferir, dias confusos. Ora diz-se que as prévias do partido mais partido do país estão confirmadas para o próximo dia 19. Ora afirma-se que uma das partes do partido mais partido --aquela parte que negocia à parte com Lula a manutenção de sua parte no butim estatal-- conseguirá empanar a disputa que anima a parte antigovernista do partido, dividida em duas partes: a parte que está fechada com Anthony Garotinho e a parte que dá suporte a Germano Rigotto.

 

Como se fosse pouco, nesta sexta-feira uma novidade injetou mais peemedebismo a uma cena que já parecia suficientemente confusa. O ministro Edson Vidigal (na foto), do STJ, concedeu uma liminar suspendendo as prévias do PMDB a três dias de sua realização. Atendeu a um pedido formulado por advogado constituído pela parte pró-Lula, para desassossego da parte antigovernista do partido mais partido.

 

Vai aqui uma tentativa de explicação à Drummond: ...o juiz Vidigal, candidato ao governo do Maranhão, que é amigo íntimo do morubixaba maranhense José Sarney, que é aliado de Renan Calheiros, que adoraria juntar-se a Lula, que deseja escantear Anthony Garotinho, que supostamente teria a maior parte do partido mais partido nas suas mãos.

 

Michel Temer, o presidente do partido mais partido entre todos os partidos, anunciou que a parte que não negocia à parte com Lula recorrerá contra a decisão judicial que prejudicou os interesses da parte que defende a candidatura própria. É preciso que a parte anti-Lula do partido prevaleça sobre a outra parte para que se possa saber, nas prévias do próximo domingo, qual das duas partes em que se subdivide a parte antigovernista vai vencer a briga pela candidatura própria, se a parte que está com Garotinho ou a parte que se alia a Rigotto. Uma parte dos diretórios estaduais decidiu peitar a liminar de Vidigal. Farão as prévias no peito e na raça. 

 

O signatário do blog torce para que seus 22 leitores tenham entendido as partes do texto em que pretendeu ser didático. No entanto, se você não entendeu patavina, não se incomode. O PMDB não é mesmo coisa fácil de ser compreendida. Talvez seja a parte mais incompreensível de toda a cena política nacional.

Escrito por Josias de Souza às 13h59

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As manchetes desta sexta

- JB: Supremo intervém no Congresso

- Folha: Oposição pede demissão de Palocci; Lula resiste

- Estadão: Supremo pára CPI, abre crise e oposição pede saída de Palocci

- Globo: Situação de Palocci se agrava apesar de interferência do STF

- Correio: STF cala caseiro e enfurece CPI

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h15

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Conservador pra chuchu!

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h49

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Mais uma absolvição vai ao forno

  Alan Marques/F.Imagem
Nesta quinta-feira, mais um deputado mensaleiro deu um passo decisivo rumo à absolvição. Em decisão que deixou a impressão de que continua de pé o acerto subterrâneo entre PT e PFL, o relator do caso do deputado José “120 mil” Mentor (PT-SP), Edmar Moreira (PFL-MG) recomendou ao Conselho de Ética da Câmara a absolvição do colega.

Acusado de receber R$ 120 mil da empresa S2 Participações, de Marcos Valério, Mentor alegara em sua defesa que o dinheiro referiu-se a serviços que prestara como advogado. Teria realizado “estudos” por encomenda da firma de Valério. O relator comprou a versão.

O curioso é que Edmar Moreira havia passado aos demais integrantes do Conselho de Ética a impressão de que passaria mentor na lâmina.  “No depoimento (de Mentor), a construção do relator indicava para um lado e hoje veio para o outro”, estranhou Júlio Delgado (PSB-MG), autor do relatório que levou José Dirceu à cassação.

Delgado e o deputado Moroni Trogan (PFL-CE) pediram vista do relatório de Edmar Moreira. Por isso, o julgamento foi adiado para a quinta-feira da semana que vem. Presente à sessão, Mentor farejou a própria absolvição: “Tenho fé na verdade. Tenho fé na justiça. É por isso que não renunciei”, disse ele.

Escrito por Josias de Souza às 00h41

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Decisão de Serraglio irrita ACM Neto

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Um sururu de última hora sacode os subterrâneos da CPI dos Correios em sua reta final. ACM Neto (PFL-BA) abespinhou-se com uma decisão de Osmar Serraglio (PMDB-PR). O relator confiou a Maurício Rands (PT-PE) a incumbência de promover ajustes técnicos para compatibilizar as informações levadas à comissão pelos fundos de pensão e com o teor de um relatório preparado por ACM Neto.

Julgando-se desrespeitado, ACM Neto, relator da subcomissão de Fundos de Pensão,   desistiu de entregar a Serraglio a versão final de seu texto, já redigido. Embarcou para a Bahia afirmando que não irá disponibilizar as suas conclusões enquanto não houver um acordo.

A decisão que irritou o deputado baiano foi tomada por Serraglio depois de uma reunião do relator com representantes dos três maiores fundos de pensão do país: Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica). Eles contestam os critérios usados por ACM Neto. O encontro foi intermediado pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), que não integra a CPI.

“Não posso aceitar uma coisa dessas”, disse ACM Neto. “Seria como dar o relatório final ao Duda (Mendonça) ou ao Marcos Valério antes do fim da CPI. Não estou comparando, mas os fundos foram investigados por mim. Osmar e Delcídio (Amaral, presidente da CPI) têm o direito de fazer o que quiserem com o relatório. Mas Rands não. Eu preciso de bedel? Uma banana! Rands não foi a uma reunião da subcomissão. Ele vai entregar o relatório aos fundos.”

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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Em ofício à CPI, Dirceu cobra novas investigações

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

O deputado cassado José Dirceu encaminhou à CPI dos Correios nesta quinta-feira um ofício pedindo que a comissão convoque para depor Roberto Jefferson Camoeiras Gracindo Marques. Trata-se de um ex-motorista do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele admitiu, em gravação, que, identificando-se como Roberto Marques, realizou saque na conta bancária que nutriu o valerioduto.

 

Dirceu enxerga na aparição do novo personagem a oportunidade de livrar-se da acusação de que um amigo seu, também chamado Roberto Marques, seria o autor do saque de R$ 50 mil referente ao cheque número 414270, emitido pela SMP&B, agência de publicidade que tem Marcos Valério como sócio.

 

O ofício de Dirceu foi entregue pessoalmente ao presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS). Levou-o o advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima. O documento é assinado por dois advogados: o próprio Oliveira Lima e Rodrigo Dall’acqua.

 

Com o seu movimento, Dirceu tenta, na última hora, interferir no conteúdo do relatório final da CPI, que está sendo concluído pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O ex-chefe da Casa Civil não acha justo que, sem investigar a nova suspeita, a comissão continue a apresentá-lo como beneficiário de saques que, segundo diz, seu amigo jamais realizou.

 

Após a divulgação da fita auto-incriminadora, o Roberto Marques ligado a Romero Jucá foi inquirido pela Polícia Federal. No depoimento, reconheceu que é mesmo dele a voz ouvida na gravação. Alegou, porém, que o conteúdo não expressa a realidade. Sem saber que estava sendo gravado, ele teria apenas lido um texto a pedido de um inimigo político de Jucá, chamado Joaquim Pinto Souto Maior Neto. Vem a ser o secretário adjunto da Casa Civil do governo de Roraima.

 

Segundo a versão do novo Roberto Marques, Souto Maior Neto teria lhe oferecido R$ 350 mil para assumir a autoria do saque na conta da empresa de Marcos Valério. Depois de ler o texto, disse o acusado à PF, ele teria recusado a oferta. Depois da divulgação da fita, a suposta armação foi denunciada pelo senador Romero Jucá em discurso na tribuna do Senado.

 

Em seu ofício à CPI, Dirceu pede, por meio de seus advogados, que sejam inquiridos, além do Roberto Marques vinculado a Jucá: Souto Maior Neto, o funcionário do governo de Roraima, e Renato Tadeu Pereira Torres, que seria o responsável pela gravação. As mesmas providências já haviam sido solicitadas por Jucá.

 

No texto preparado por seus advogados, Dirceu endossa outros pedidos feitos por Jucá à CPI dos Correios. Por exemplo: exame grafotécnico da assinatura do responsável pelo saque e verificação dos registros de entrada no prédio onde funciona a agência do Banco Rural em que o dinheiro teria sido retirado.

 

Dirceu pede também que a CPI requisite à PF cópia do depoimento do ex-motorista de Romero Jucá, da fita em que ele assume a realização do saque e do laudo de perícia técnica que teria sido feito pela polícia na gravação. Delcídio Amaral comprometeu-se a submeter o assunto à CPI. A comissão não trabalhava mais com a hipótese de realizar novas inquirições.

Escrito por Josias de Souza às 23h34

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O primeiro encontro

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Em meio ao rififi que envenena a atmosfera de Brasília nesta quinta-feira, Lula, candidato não-declarado à reeleição, encontrou-se com seu principal rival, o tucano Geraldo Alckmin. Deu-se no STF. O mesmo Supremo de onde partiu a ordem para a suspensão do depoimento que prestava à CPI dos Bingos o caseiro Francenildo dos Santos Costa, novo algoz do ministro Antonio Palocci (Fazenda).

 

Lula e Alckmin foram ao STF para prestigiar a posse do ministro Enrique Ricardo Lewandowski, que ocupa a vaga aberta com a aposentadoria de Carlos Velloso. Na chegada, o presidente brincou com os fotógrafos: “Ah, eu sei a foto que vocês estão esperando.”

 

Na seqüência, Lula empenhou-se para proporcionar às lentes fotográficas a cena que ansiavam. Postado na fila de cumprimentos ao lado de sua mulher, Marisa, e do presidente do STF, Nelson Jobim, Lula impacientou-se com a demora de Alckmin. Imaginou que o governador estivesse no final da fila. Alckmin, porém, já havia saído por uma porta lateral do Supremo.

 

Lula chamou um auxiliar e deu uma ordem que foi ouvida pelos fotógrafos: “Meu caro, vai ver onde está o Alckmin. Traga ele aqui porque eu tenho de ir embora (...). Pega o governador e traz aqui, porque, se eu sair sem cumprimentar, a imprensa vai dizer que não quis cumprimentá-lo.”

 

Passaram-se cinco minutos. E nada de Alckmin. Jobim pediu a uma assessora que fosse chamar o governador. Àquela altura, Alckmin concedia entrevista do lado de fora do prédio do STF. Deixando uma resposta pelo meio, foi ao encontro de Lula. Dirigiu-se à primeira-dama. Beijou-lhe as faces. Depois, para deleite de fotógrafos e cinegrafistas, cumprimentou Lula.

 

“Essa é a civilidade. Política precisa ser feita com civilidade, respeito”, comentaria Alckmin depois. Em seguida, o presidenciável tucano visitou o Congresso. Chegou ao plenário do Senado pouco depois de o líder do PSDB ter proferido um discurso em que pediu a demissão de Antonio Palocci.

Escrito por Josias de Souza às 19h47

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Casca de Banana

Millôr
 

Pressione na imagem para visitar o sítio "Millôr online".

Escrito por Josias de Souza às 18h23

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Para Lula, oposição usa Palocci para chegar a ele

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Um assunto que parecia superado --a permanência de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda-- voltou a ser tema de debate no interior do governo. Lula discute com auxiliares próximos as repercussões das últimas denúncias contra o seu ministro mais importante. Num desses diálogos, ocorrido no início da tarde desta quinta-feira, o presidente disse que pretende manter Palocci no cargo. Acha que a oposição está usando o ministro como peça de campanha. O objetivo seria atingir a autoridade do presidente.

 

As novas denúncias deixaram Palocci abatido. Sob reserva, o ministro disse que receia que acabe se transformando num estorvo para o presidente. Acha que se tornou o principal alvo da oposição. O desalento do ministro é de tal ordem que alguns de seus auxiliares passaram a temer que a ele peça para deixar o governo. Na noite desta quinta-feira, em evento público, perguntou-se a Lula se o ministro ficaria no governo. E o presidente: "Fica. Fica".

 

Mais cedo, em conversa com o blog, um auxiliar do presidente falou sobre o ressurgimento das denúncias contra Palocci. Disse, sob o compromisso de que seu nome fosse preservado, que PSDB e PFL se utilizam da CPI dos Bingos como palco eleitoral. Num instante em que Lula se recupera nas pesquisas de opinião, afirmou, a oposição tenta reavivar a atmosfera de denúncias que minou o prestígio do presidente no ano passado.

 

Palocci seria, na visão que prevalece no Planalto, mera escada da oposição para atingir Lula e o seu governo. Um “gesto de desespero” em função da posição de inferioridade que o candidato tucano Geraldo Alckmin ostenta nas sondagens eleitorais. O interlocutor de Lula disse que a inspiração eleitoral da movimentação oposicionista teria sido explicitada em discursos feitos pelos líderes do PSDB e do PFL na Câmara e no Senado.

 

A escalada, acha o governo, começou ontem, “não por acaso” no mesmo dia em que pesquisa CNI/Ibope indicou que, contra Alckmin, Lula pode vencer a eleição presidencial ainda no primeiro turno. Aproveitando-se da audiência proporcionada pelo julgamento de dois deputados acusados no escândalo do mensalão -–Pedro Henry e Pedro Corrêa--, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Jr. subiu à tribuna para pedir o afastamento de Palocci.

 

Nesta quinta-feira, Authur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, repetiu o gesto. Pediu, também da tribuna, o afastamento de Palocci. "Ministro que precisa calar um caseiro não pode ser ministro", disse Virgílio. Na seqüência, o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), investiu duramente contra o ministro da Fazenda, chamando-o de “mentiroso”.

 

O auxiliar de Lula recorda que Palocci sempre contou com a benevolência da oposição no Congresso. PSDB e PFL colocavam o trabalho do ministro na condução da política econômica acima das tentativas de atingi-lo. Esse ambiente de colaboração, diz o assessor do presidente, não mudou por acaso. Marcaria o início de uma fase mais franca do processo eleitoral.

 

Chega-se a levantar no Planalto a suspeita de que o caseiro Francenildo dos Santos Costa tenha sido “agenciado” pela oposição. O assessor ouvido pelo blog disse que não vê como mero acaso o fato de o mais novo acusador de Palocci ter surgido na mesma semana em que o PSDB lançou formalmente o seu candidato à presidente e que veio a público mais uma pesquisa favorável a Lula. 

Escrito por Josias de Souza às 17h47

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STF manda o caseiro calar

Por ordem do ministro Cezar Peluso (na foto), do STF, foi suspenso há pouco o depoimento em que o caseiro Francenildo dos Santos Costa fazia revelações contra o ministro Antonio Palocci (Fazenda) na CPI dos Bingos. Efraim Moraes (PFL-PB), presidente da comissão, recebeu liminar do Supremo determinando a interrupção do depoimento.

 

O pedido fora encaminhado ao STF pelo senador petista Tião Viana. Ele alegou que a CPI estaria exorbitando de suas atribuições, investigando coisas que não teriam relação com o “fato determinado” que motivou a sua formação: o funcionamento das casas de bingo.

 

No instante em que a inquirição foi suspensa, aquilo que o PT desejava evitar já não era mais evitável. O que disse o caseiro enquanto lhe foi permitido falar já foi o suficiente para tisnar de modo indelével a imagem do ministro da Fazenda (leia despacho abaixo). Nildo chegou mesmo a dizer que presenciou a entrega de dinheiro a um assessor de Palocci. 

 

Antes mesmo que o caseiro abrisse a boca, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), baseando-se em declarações que Nildo dera à imprensa, recomendou a Palocci que pedisse licença do cargo até a conclusão das apurações. Lembrou que foi graças ao depoimento de um outro brasileiro humilde, o motorista Eriberto França, que se pôde abrir o processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor.

A despeito da decisão do STF, criou-se nesta quinta-feira em Brasília uma situação pouco cômoda para o governo. Tem-se, de um lado, Palocci, o segundo homem da República. Do outro, um humilde caseiro. Quem observa de longe fica com a impressão de que há mais verdade na planície do que no planalto. Pressione aqui para ler a íntegra da decisão do ministro Peluso. 

Escrito por Josias de Souza às 14h50

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Caseiro desmente Palocci na CPI

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O caseiro Francenildo dos Santos Costa (na foto), 24 anos, está prestando neste momento um depoimento devastador contra o ministro Antonio Palocci na CPI dos Bingos. Falando de forma pausada e firme, ele confirmou que Palocci, ao contrário do que dissera à CPI, era freqüentador da “mansão dos prazeres”, como ficou conhecida em Brasília a casa alugada por Vladimir Poletto, ex-assessor do ministro na prefeitura de Ribeirão Preto, para fazer lobby e promover festas.

 

Nildo, como o caseiro é conhecido, identificou os demais freqüentadores da casa pelo nome: além de Poletto, que pagava os salários dos empregados e provia as despesas da casa, ele mencionou Rogério Buratti, ex-assessor de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto; Ademirson Ariovaldo da Silva, atual assessor especial do ministro da Fazenda; e Ralf Barquete, ex-assessor especial da Caixa Econômica.

 

Garibaldi Alves (PFL-RN), o relator da CPI, perguntou ao caseiro quem era o seu patrão ao tempo em que trabalhou na casa. E ele: “Lá, eu tinha que receber as ordens de todos eles. Todos mandavam. Rogério Buratti, Vladimir Poletto e (Ralf) Barquete. Quem pagava, quem dava o dinheiro, era o Vladimir. Trazia numa maleta dele.”

 

E quanto a Palocci? Era chamado, segundo Nildo, de “chefe”. “A primeira vez que ele veio na casa, eles falaram: o chefe vem hoje”, contou o caseiro aos integrantes da CPI. “Eu fiquei curioso, fiquei de mutuca, escondido, o carro chegou, entrou. No outro dia eu comentei com o motorista: o chefe é o Palocci? Ele disse que era.”

 

De acordo com o depoimento do caseiro, Palocci “chegava na casa num Peugeot prata, quatro portas, o carro que o dr. Ralf (Barquete) andava. Ele vinha dirigindo. Umas vezes era o dr. Ademirson que acompanhava ele. Vinha por volta de seis e meia, sete horas da noite (...). Tinha vez que saía dez e meia, onze horas. Eu via porque tinha que apagar as luzes e fechar a casa”.

 

Em resposta a uma pergunta da senadora Heloisa Helena (PSOL-AL), Nildo desdisse Palocci em outro ponto. Quando depôs na CPI, além de negar que houvesse freqüentado a mansão de lobby, o ministro disse que não se considerava amigo de Rogério Buratti, de quem se encontrava afastado há muito tempo. O caseiro diz outra coisa. “Ave Maria, se não era amigo, então era o quê?”

 

Nildo revelou à comissão um detalhe que pode explicar por que Buratti, ex-homem de confiança de Palocci, tornou-se um de seus principais detratores. O caseiro disse ter tido conhecimento de que os dois haviam brigado. “Foi por causa de mulher”, contou.

 

Há um acordo tácito entre os membros da CPI para tentar evitar que o depoimento de Nildo descambe para a vida pessoal de Palocci. O caseiro conhece detalhes das festas promovidas na mansão, animadas por garotas de programa agenciadas pela já famosa Jeane Mary Corner.

 

No geral, o acerto vai sendo respeitado. Mas por vezes Nildo avança o sinal. Contou, por exemplo, que, quando ia à casa, Palocci era aguardado por uma “menina”. “Ele sempre ficava lá com ela. Ela chegava na frente.” A certa altura, Heloisa Helena perguntou ao caseiro se tinha ciência da importância das revelações que estava fazendo. E ele: “Eu confirmo isso até morrer”.

 

Antes do início do depoimento, a bancada governista defendeu a tese de que Nildo deveria falar em sessão secreta. Após um debate que consumiu mais de uma hora, o presidente da CPI, Efraim Moraes (PFL-PB) decidiu que a reunião seria aberta.

Escrito por Josias de Souza às 13h23

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As manchetes desta quinta

- JB: Petrobras diminui o preço da gasolina em até 16%

- Folha: CPI derrota governo com 3 votações

- Estadão: Eleitor esquece o mensalão e volta a aprovar o governo

- Globo: Lula teria hoje mais que o dobro dos votos de Alckmin

- Correio: Câmara cassa presidente do PP

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h24

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Violência domesticada

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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CPI transforma-se em inferno de Palocci

A CPI do Fim do Mundo, vulgarmente conhecida comissão dos Bingos, não larga o calcanhar de Antonio Palocci (Fazenda). A depender do ânimo da oposição, o ministro da Fazenda não vai para o céu quando o Apocalipse chegar.

 

Nesta quarta-feira, os integrantes do inferno particular de Palocci decidiram convocar para depor o seu mais novo curinga, o caseiro Francenildo Santos Costa. Vem a ser o personagem que, contradizendo Palocci, atestou que o número um do governo petista freqüentava a casa dos prazeres que a “República de Ribeirão Preto” abriu em Brasília.

 

Nildo, como é conhecido o novo algoz de Palocci, falará à CPI nesta quinta-feira, às 10h. Se repetir o que disse ao Estadão, deixará o ministro, literalmente, em maus lençóis. Segundo o caseiro, Palocci era, sim, freqüentador da mansão brasiliense em que seus ex-assessores na prefeitura de Ribeirão azeitavam negócio$, dividiam pacotes de dinheiro e deleitavam-se com as meninas de madame Jeany Mary Corner.

 

Para irritação do Palácio do Planalto e da representação petista na sucursal do inferno, a convocação de Nildo foi assegurada pelo voto do senador petista Eduardo Suplicy. A votação foi apertada: sete votos a seis. O voto de Suplicy enfureceu os colegas petistas. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC) deu um soco na mesa. O senador Tião Viana (PT-AC) vociferou: “Ele confundiu tudo!” Será?

 

Como se fosse pouco, a CPI do Juízo Final aprovou também a realização de uma acareação entre Paulo Okamotto, presidente do Sebrae e amigo do peito de Lula, com Paulo de Tarso Venceslau, o ex-militante petista que acusou o doador universal Okamotto de capitanear um esquema de caixa dois no PT nos idos da década de 90.

Escrito por Josias de Souza às 01h53

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Lula: 'Alckmin foi difícil para Serra'

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em viagem à capital Aracaju e ao município de Itabaiana, em Sergipe, Lula foi questionado por jornalistas acerca da opção presidencial do PSDB. Conforme relato da repórter Heliana Frazão, perguntou-se ao presidente se ele considera Geraldo Alckmin um adversário difícil. Negaceando a avaliação que fez entre quatro paredes, Lula disse, entre risos:

— Ele foi um adversário difícil para o Serra.

Abstraindo-se a ironia, Lula foi generoso com Alckmin. Considerou-o um candidato à altura da disputa presidencial:

— Tenho uma boa relação com ele, há muito tempo. Mas é uma decisão do PSDB. Eu só tenho que dar os parabéns, disse, em meio a uma série de visitas a obras de habitação e infra-estrutura, em clima de campanha eleitoral.

Lula disse mais:  

— Tenho profundo respeito e uma relação de amizade e convivência democrática com o governador Alckmin. Quem governa São Paulo pode se candidatar a qualquer outro cargo.  

Perguntou-se ainda ao presidente o que falta para que ele se declare formalmente como candidato à reeleição. E ele, peremptório:

— Nada.

Para Lula, o presidente, bafejado pelo benefício legal de poder manter-se no cargo, não precisa ter pressa para se decidir. Repisou a patranha de que ainda não decidiu se vai tentar a reeleição. Afirmou que tem mais com o que se preocupar:  

— Até junho minha preocupação é viajar o Brasil, tenho muita coisa a fazer e no meio de tudo isso está o dia 21 de abril, quando se dará a consagração da auto-suficiência da Petrobras, que tive a felicidade de ser no meu mandato.

Vê-se pela foto acima, um flagrante captado em Iatabaiana (SE), que essa história de que Sua Excelência está em campanha explícita não passa mesmo de veneno da oposição maledicente.

Escrito por Josias de Souza às 01h22

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PFL quer apoio do PSDB à candidatura Afif em SP

Ao discutir com o PSDB a formalização de uma aliança em torno da candidatura presidencial de Geraldo Alckmin, o PFL vai reivindicar o apoio dos tucanos à candidatura de Guilherme Afif Domingos ao governo de São Paulo.

 

Em entrevista ao blog, Jorge Bornhausen, presidente do PFL, diz: “Há um candidato em São Paulo, o (José) Serra, que, se aceitar a disputa, passa a ser candidato natural (...).” Sem Serra, “queremos colocar o nome do (Guilherme) Afif em igualdade de condições com os demais.” Leia abaixo a entrevista:

 

- Quais serão agora os passos do PFL?

Comuniquei ao (Geraldo) Alckmin e ao Tasso (Jereissati), que me telefonaram, que iniciaria um processo de consultas internas. Começo pelo prefeito Cesar Maia, numa reunião nesta quinta-feira. É meu dever, como presidente do partido, ouvi-lo sobre a resposta em relação à manutenção ou não da candidatura dele. A partir dessa resposta, irei fazer o restante das consultas. Vou ouvir os parlamentares, governadores e membros da executiva do partido.

- O prefeito Cesar Maia já disse ao blog que abre mão da candidatura dele também em favor de Alckmin.

Tenho que fazer isso de maneira formal. Não posso deixar de conversar com ele. Num momento em que o PFL vivia uma divisão e ele tinha sido o grande vitorioso da eleição de 2004, ele assumiu uma candidatura presidencial para unir o partido. Ele tem preferência no partido para essa reposta inicial.

- Na negociação com o PSDB, o que será pleiteado pelo PFL?

Temos dez candidatos a governador. É preciso expor esse quadro ao candidato à presidência, para ver onde ele se encaixa e onde ele não se encaixa.

- O sr. inclui São Paulo nessa lista de dez Estados?

Sim, inclusive São Paulo, onde temos o (Guilherme) Afif. Percorrendo o mapa, temos candidatos no Amazonas, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina.

- O apoio do PSDB nesses Estados é pré-condição para a aliaança?

Não é uma pré-condição, até porque tem Estados em que eles podem reivindicar espaço. Não pode ser uma discussão na base de ou tudo ou nada. Tem que ter racionalidade.

- Na escolha do candidato de São Paulo, a primazia teria de ser do PFL?

Há um candidato em São Paulo, o (José) Serra, que, se aceitar a disputa, passa a ser candidato natural. Se for ele, não temos dúvida de compor a chapa de outra maneira. É o Mesmo caso do Aécio (Neves), em Minas. Não temos dúvida de compor a chapa sem pleitear o governo do Estado. Onde o PSDB tiver candidatos com essa potencialidade, acima dos nossos, não seremos nós que vamos atrapalhar.

- Em São Paulo, não sendo o Serra...

Aí queremos colocar o nome do (Guilherme) Afif em igualdade de condições com os demais.

- Os srs. dispõem de pesquisas com a aferição do potencial do Afif?

Não temos sondagens eleitorais, mas vejo que ele tem um potencial muito forte.

- Maior que o dos candidatos tucanos?

Creio que sim. Sem o Serra, é preciso considerar a hipótese de ele ser o candidato da coligação em São Paulo, com a composição que for a melhor.

- Na conversa que teve com Serra, perguntou se ele seria candidato?

Não cometeria essa descortesia. Ela apenas me deu as razões, já conhecidas, de sua desistência de concorrer à presidência. Mais nada.

 

(Leia continuação abaixo...).

Escrito por Josias de Souza às 23h32

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‘Escolha do vice é último assunto a ser tratado’

Segundo Jorge Bornhausen, a escolha do candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Geraldo Alckmin será “o último assunto a ser tratado” nas negociações. As conversas com o governador de São Paulo começam depois do encontro que Bornhausen terá nesta quinta-feira com o prefeito Cesar Maia, do Rio. “A partir daí, o governador poderá me chamar. Irei com o máximo prazer”, diz o presidente do PFL. Ele prevê o encerramento das negociações para abril.

 

- Há divergências no PFL em relação ao nome do candidato a vice numa eventual chapa com o PSDB. Já foi superada?

Esse é o último assunto a ser tratado. É evidente que, vencidas as dificuldades estaduais, precisa haver a complementação do entendimento. Vamos apresentar alguns itens que desejamos incluir no programa de governo. Temos feito seminários desde 2004. Aí partiremos para a solução da questão do vice. Vamos procurar o perfil de um vice que não venha a prejudicar o candidato.

- Os nomes mais fortes são o seu e o do senador José Agripino Maia?

Não diria isso porque não ouvi ainda o partido. Cada um vai exprimir as suas opções.

- O sr. se colocará como alternativa?

Nunca me coloquei como alternativa. Eu me coloquei como alternativa na oportunidade de o partido desejar uma candidatura presidencial própria, se o Cesar Maia não quisesse concorrer. Eu acho que não existe essa figura de candidato a vice. É preciso procurar uma solução que não traga prejuízos ao candidato.

- Já marcou reunião com o Alckmin?

Ele me telefonou e eu me coloquei à disposição dele para conversar depois de ouvir o Cesar Maia. A partir daí, o governador poderá me chamar. Irei com o máximo prazer.

- Prevê para quando o fechamento dos entendimentos?

Acho que isso vai se resolver no curso do mês de abril. Temos ainda o julgamento da questão da “desverticalização”.

- Parece claro que a verticalização será mantida pelo STF, não?

Nessas coisas sou pragmático. Quero ver o julgamento. Isso pode produzir efeitos inclusive antes do julgamento. Veja o caso do PMDB.

- Seo PMDB não lançar candidato à presidência, pode ficar prejudicada a possível aliança do PFL com o PSDB?

O cenário de aliança com o PSDB independe da posição do PMDB. Acho que a tendência do PMDB é a de ficar fora do processo. Logo teremos algo mais concreto. Progride no PMDB a tese de não ter prévias.

- Isso ajuda ou atrapalha?

Acho que isso traz mais responsabilidade na nossa composição. Torna a eleição plebiscitária, com enormes possibilidades de definição já no primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 23h30

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Duda e os 'Três Macacos Sábios'

Lula Marques/Folha Imagem

 

Na segunda fase de seu “depoimento” à CPI dos Correios, fechada à imprensa, Duda Mendonça repetiu a estratégia que adotara na parte pública da inquirição desta quarta-feira. Limitou-se a dizer “não vou responder”.

 

Abespinhado, o relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), anunciou a intenção de recomendar em seu relatório final o indiciamento do publicitário por “obstrução das investigações.” Leia mais detalhes no texto do repórter Felipe Recondo.

 

Com o “depoimento” de hoje, Duda deixou gravadas no histórico da CPI dos Correios semblantes que evocam a imagem dos “Três Macacos Sábios”, como são conhecidos os símios que decoram o pórtico do Estábulo Sagrado, templo japonês situado na cidade de Nikko. Note a incômoda semelhança entre as fotos magistrais clicadas pelo repórter Lula Marques (acima) e as outras famosas imagens (abaixo).   

 

Conhecidos como “Mizaru” (o que tapa os olhos), “Kikazaru” (o que tapa os ouvidos) e “Iwazaru (o que veda a boca), os três macaquinhos japoneses simbolizam um provérbio segundo o qual não se deve “ouvir o mal”, “falar o mal” ou “ver o mal”.

 

No caso de Duda, o mal foi ouvido e foi feito. Mas, por orientação dos advogados do publicitário, não foi falado. Graças a um habeas corpus expedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, a sociedade foi brindada com o mico do silêncio desrespeitoso.

 

Escrito por Josias de Souza às 22h38

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Câmara cassa Pedro ‘700 mil’ Corrêa

Adriano Machado/Folha Imagem
 

 

Acaba de ser cassado pelo plenário da Câmara, por 261 votos contra 166, o deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Houve 19 abstenções e cinco votos em branco. Corrêa tornou-se, assim, o terceiro personagem do escândalo do mensalão a ser submetido à guilhotina. Os outros dois, como se sabe, foram Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP).

 

Corrêa foi acusado de sacar, por meio de um assessor (João Cláudio Genu), R$ 1,4 milhão das contas de Marcos Valério, o empresário mineiro a quem Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, terceirizou a tesouraria do partido de Lula. Dessa importância, o deputado admitiu o recebimento de R$ 700 mil.

 

Corrêa alegara não ter se apropriado do dinheiro. Usou-o, segundo disse, para pagar os advogados de defesa do ex-deputado Ronivon Santiago, que teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por ter comprado votos no Acre.

 

O Conselho de Ética da Câmara deu de ombros para a defesa de Corrêa. Aprovou o relatório do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), recomendando a cassação do mandato do parlamentar. Recomendação que acaba de ser seguida pelo plenário.

Ao passar Pedro Henry na lâmina, uma decisão acertada, a Câmara expõe a ausência de critérios que envenena os julgamentos dos deputados que integram a bancada do mensalão. Parlamentares acusados do mesmo delito (o recebimento de verbas provenientes do valerioduto), tais como Romeu Queiroz (PTB-MG), Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brant, lograram conservar as respectivas cabeças sobre os pescoços.

Fica a impressão de que Corrêa foi à guilhotina porque não colecionou o número de amigos necessários à absolvição. Legítimo representante do baixo clero parlamentar, o deputado não foi alcançado, de resto, pela parceria PFL-PT, que salvou na semana passada Brant e Luizinho.

No primeiro julgamento desta quarta-feira, a Câmara absolvera o deputado Pedro Henry (PP-MT), contra quem o Conselho não conseguiu reunir provas além das acusações de Roberto Jefferson. Veja os detalhes no despacho abaixo. 

Escrito por Josias de Souza às 21h56

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Câmara absolve mais um: Pedro Henry

  Adriano Machado/Folha
A Câmara acaba de absolver, por 255 votos contra 176, o deputado Pedro Henry (PP-MT). Ele havia sido acusado pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de envolvimento no escândalo do mensalão. Houve 20 abstenções e dois votos em branco. Com mais essa absolvição, sobe para cinco o número de deputados poupados pelo plenário da Câmara.

 

Jefferson acusara Henry de ser um dos responsáveis pela distribuição do mensalão na bancada do PP e de oferecer vantagens financeiras a parlamentares. O Conselho de Ética, porém, recomendou o arquivamento do processo por falta de provas. Recomendação que foi agora acatada pelo plenário da Câmara.

 

Ainda na noite desta quarta-feira, o plenário vai votar o parecer relativo ao caso do deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Neste caso, a recomendação é favorável à cassação. Corrêa foi acusado de receber R$ 1,4 milhão do valerioduto. Admitiu o recebimento, por meio de um assessor chamado João Cláudio Genu, de R$ 700 mil. Alegou que o dinheiro foi usado para pagar advogados que defenderam um ex-deputado do seu partido, Ronivon Santiago, acusado de comprar votos no Acre.

Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Contra Alckmin, Lula pode vencer no 1º turno

Pesquisa CNI/Ibope que acaba de ser divulgada revela que, se a eleição presidencial fosse hoje, Lula teria chances de vencer ainda no primeiro turno. Amealharia 43% dos votos, contra 19% atribuídos a Geraldo Alckmin, o candidato do PSDB. Antony Garotinho, do PMDB, teria 14% dos votos. E Heloisa Helena, do PSOL, 5%. Os votos brancos e nulos e de eleitores que não quiseram ou não souberam responder à pesquisa somam 19%. Na hipótese de o PMDB não ter candidato, o cenário de definição no primeiro turno é tonificado.

 

Realizada entre os dias 8 e 11 de março, quando o candidato do PSDB ainda não havia sido escolhido, a sondagem CNI/Ibope incluiu um cenário em que o prefeito paulistano José Serra figura como candidato do tucanato. Serra, agora fora do páreo, continua ostentando o título de candidato mais competitivo da oposição. Ele aparece em desvantagem em relação a Lula no primeiro turno –40% contra 31%. Mas, com 40% das intenções de voto, estaria em situação de empate técnico com Lula (44%) num eventual segundo turno.

 

Alckmin, ao contrário, aparece 18 pontos atrás de Lula num hipotético segundo turno. Lula derrotaria o seu principal opositor por com 49% dos votos, contra 31% atribuídos a Alckmin. Pressione aqui para ler mais detalhes sobre a pesquisa num texto da repórter Ana Paula Ribeiro. Ou clique aqui para ter acesso à íntegra do relatório divulgado pela CNI.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Duda Mendonça à CPI: 'Não vou responder'

Lula Marques/Folha Imagem

 

Descambou para a pantomima a última sessão da CPI dos Correios antes da redação do relatório final do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). A reunião foi convocada para ouvir, pela segunda vez, o publicitário Duda Mendonça. Pode-se resumir o depoimento em uma frase: “Não vou responder”.

 

A sentença é curta. Nem é preciso ter memória prodigiosa para retê-la. Ainda assim, para não correr riscos, o advogado de Duda, Tales Castelo Branco, deitou-a sobre uma folha de papel e colocou-a sobre a bancada da CPI, bem à frente de seu cliente (veja foto acima).

 

Protegido por um habeas corpus do Supremo que lhe assegurou o direito de silenciar diante de perguntas que pudessem levar à auto-incriminação, Duda, réu em inquérito conduzido pela Polícia Federal, optou pelo caminho mais simples. Calou-se.

 

A tática  do silêncio foi decidida em reunião do publicitário com seu advogado, que se estender até as três da madrugada desta quarta-feira. Nos pouquíssimos momentos em que se permitir fugir do script, logo na abertura do depoimento, Duda fez alusão ao primeiro tête-à-tête que teve com os parlamentares, quando compareceu espontaneamente à CPI, no ano passado:

 

"Minha intenção era vir aqui e responder as perguntas da mesma forma. Gosto das coisas francas e abertas. Meus advogados me convenceram a não falar, dizendo que falei uma vez e me dei mal e que qualquer coisa que eu dissesse iria comprometer a minha defesa", disse ele.

A nova estratégia pode ser de grande utilidade para o advogado. Vai facilitar-lhe o trabalho na fase de defesa judicial. Mas, para Duda, sempre tão engenhoso na manipulação do verbo e na lapidação de imagens alheias, a tática foi devastadora. O silêncio roeu o pouco que lhe restava de boa estampa.

 

Ficou flutuando na atmosfera da sala da CPI a impressão de que, em seu primeiro depoimento, o publicitário dissera apenas meias verdades. E, em relação a certos episódios, contou apenas a metade mentirosa. Por isso tornou-se um réu tão dependente do encarceramento da própria língua. 

 

Terminou há pouco a primeira fase do depoimento, aberta à imprensa. Vai começar a segunda fase, sigilosa. Duda será inquirido agora sobre os dados bancários sigilosos que foram enviados ao Brasil pela Justiça dos EUA. Referem-se à movimentação bancária da off-shore Dusseldorf, aberta por Duda para receber no exterior mais de R$ 10 milhões provenientes do caixa dois do PT.

 

Incomodado com as provocações que ouviu de vários parlamentares, o publicitário disse que analisaria com seu advogado a conveniência de alterar a tática do bico fechado. É improvável, porém, que venha a dizer algo aproveitável.

 

Lula Marques/Folha Imagem

Duda Mendonça e seu advogado Tales Castelo Branco

Escrito por Josias de Souza às 15h44

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Entendimento furta-cor

 

Cerca daqui, bloqueia dali, o Exército acabou utilizando uma metodologia de ação inusitada para recuperar as armas roubadas de um de seus quartéis no Rio: a briosa corporação verde oliva negociou com desprendidos líderes do Comando Vermelho. O repórter Raphael Gomide (na Folha para assinantes) dá detalhes do conclave furta-cor. Escreve ele:

 

“Integrantes do Exército negociaram sigilosamente com a facção criminosa Comando Vermelho a recuperação de dez fuzis e uma pistola roubados de um quartel do Rio, em São Cristóvão (zona norte), no dia 3 de março, segundo relatos feitos à Folha por pessoas envolvidas. As armas já estavam em posse do Exército desde domingo à noite.


Elas estão com a numeração raspada em três diferentes lugares. Um comboio de 12 carros descaracterizados, com homens fortemente armados do Exército transportou, no domingo à noite, os fuzis e a pistola até uma unidade da instituição. Militares celebraram o sucesso da operação no mesmo dia.


Às 19h40 de ontem, o Exército anunciou oficialmente a recuperação das armas. Informou que foram encontradas em um local em São Conrado, bairro vizinho à Rocinha.


Apesar de já estar com o armamento desde domingo, o Exército realizou uma megaoperação ontem na Rocinha. Havia feito o mesmo anteontem na favela do Dendê, na Ilha do Governador, e na Vila dos Pinheiros, na Maré, ambas na zona norte.


A operação sigilosa para recuperar as armas, cuja negociação ocorreu entre a sexta-feira, dia 10, e o domingo, 12, envolveu um líder da facção criminosa Comando Vermelho que não está preso.


Ele negociou a devolução do material a fim de livrar favelas da facção da operação de asfixia do Exército, que reduziu drasticamente o lucro da venda de drogas nas áreas ocupadas. O negociante da facção assumiu que o Comando Vermelho fez o assalto e manteve as armas escondidas até o fim de semana em uma favela plana (o que não é o caso da Rocinha), na qual a venda de droga está sob seu controle, como a Folha informou no dia 9.

O acordo
Para devolver as armas ao Exército, o negociador apresentou três pré-condições:
1) fim das operações de asfixia das tropas do Exército nas favelas do Rio -o que aconteceu entre domingo e segunda-feira;

2) apresentação pública das armas como se tivessem sido apreendidas em uma favela na qual a venda de drogas estivesse sob domínio da facção inimiga, a ADA (Amigos dos Amigos);

3) transferência de um líder do CV do presídio Bangu 1 para Bangu 3 ou 4. Essa transferência pode demorar algum tempo para acontecer, para não aparentar ligação com a operação e por depender da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio." (...)

Se esse foi o meio encontrado pelo verde para prevalecer sobre o vermelho, é porque a coisa está mesmo preta. O Exército negou que tenha negociado com criminosos. Mas até agora não se sabe muito bem como as armas foram encontradas numa trilha próxima à favela da Rocinha.

Escrito por Josias de Souza às 08h47

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Talento emergente

Nem sempre o bom escritor é medido apenas pelo talento. Às vezes, é preciso medir-lhe o tamanho do outdoor. Note-se o caso do secretário de Educação do governo paulista de Geraldo Alckmin. Você talvez ainda não tenha lido uma linha escrita por ele. Mas não perde por esperar. A julgar pelas dimensões da propaganda, Chalita é mesmo um Paulo Coelho esperando para acontecer.

 

Abaixo, duas notas da coluna de Mônica Bergamo (para assinantes da Folha):    

 

* Biblioteca Eleitoral 1: Antes da editora Gente, que publicou anúncio de uma página com o retrato de Gabriel Chalita para "agradecer" sua nomeação para a Academia Paulista de Letras, o secretário de Educação de SP já tinha recebido tratamento especial de editoras. A Rocco espalhou outdoors por SP, no ano passado, com o retrato de Chalita, para anunciar o lançamento de seu livro "A Ética do Rei Menino". Como diz o prefeito do Rio, Cesar Maia, "nem Paulo Coelho" mereceu tanto. Para Coelho, a Rocco fez anúncios em ônibus na Bienal do ano passado.

* Biblioteca Eleitoral 2: Já a editora Saraiva reservou a Chalita, no mês passado, lugar de honra nas vitrines e prateleiras de todo o Brasil com o livro "Seis Lições de Solidariedade", com histórias da primeira-dama de SP, Lu Alckmin. "Por ser quem era", explica a assessoria da Saraiva, a editora imaginou que o livro "venderia muito". A obra, aliás, será lançada esta semana em Goiânia. Como no lançamento no Rio, quem tiver convite leva o livro de graça.

Escrito por Josias de Souza às 08h15

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União umbilical

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 07h34

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As manchetes desta quarta

 

- JB: Exército vasculha a Rocinha - E as armas aparecem

- Folha: Alckmin será o candidato do PSDB

- Estadão: Alckmin enfrentará Lula

- Globo: Exército recupera armas mas permanece nas ruas

- Correio: Constrangido, PSDB desce do muro e vai de Alckmin

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h29

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João Paulo flerta com a bandeja

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

A cabeça de João Paulo “50 mil” Cunha aproximou-se um pouco mais da bandeja nesta terça-feira. O Conselho de Ética aprovou, por nove votos a cinco, o parecer de deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), que recomenda a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara.

Imaginava-se que o placar seria mais elástico. Votaram pela absolvição de João Paulo os colegas Ângela Guadagnin (PT-SP), Sandes Júnior (PP-GO), Edmar Moreira (PFL-MG), João Bosco Costa (PSDB-SE) e Benedito de Lira (PP-GO).

João Paulo foi à lista do mensalão por ter sacado R$ 50 mil nas contas de Marcos Valério numa agência do Banco Rural em Brasília. O saque foi feito pela mulher do deputado, Márcia Regina.

Logo que foi pilhado, no ano passado, o deputado alegou que sua mulher fora ao Rural para pagar uma conta de TV a cabo. Mas a exibição de documentos deu uma rasteira na versão falaciosa. E João Paulo viu-se forçado a reconhecer o capilé.

 

Passou a alegar que o dinheiro foi empregado no pagamento de pesquisas de opinião para a campanha do PT em Osasco, seu berço eleitoral. Disse que, se soubesse da origem espúria dos recursos, não teria mandado sua própria mulher recolher o numerário.

A maioria do Conselho de Ética não engoliu o novo lero-lero do deputado, desmontado pelo relatório de Shirmer. Resta saber se o plenário da Câmara fará descer a lâmina ou mandará o processo ao arquivo, como é do seu feitio.

Nesta quarta-feira, o plenário terá mais duas oportunidades para exercitar os seus instintos "absolvicionistas". Vão a voto os pareceres do Conselho de Ética sobre os casos de mais dois mensaleiros: Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE). O primeiro veio do Conselho com recomendação de arquivamento por falta de provas. O outro, traz enganchado um relatório propugnando a cassação.

Escrito por Josias de Souza às 22h41

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Para Lula, Alckmin é mais ‘perigoso’ do que Serra

  Alan Marques/F.Imagem 

Ao analisar com assessores a escolha feita pelo PSDB nesta terça-feira Lula disse claramente que preferia ter como adversário o prefeito José Serra. Para o presidente, o governador Geraldo Alckmin é um oponente “mais perigoso”.

 

Lula considera que Serra, batido por ele nas eleições presidenciais de 2002, se encaixaria melhor na estratégia de campanha que idealizou, baseada na comparação de sua gestão com a de Fernando Henrique Cardoso.

 

Pesquisas de opinião feitas por encomenda do Planalto informam que FHC tem hoje um alto grau de rejeição junto ao eleitorado. Lula está, de resto, convencido de que seu governo exibe indicadores sociais e econômicos mais vistosos que os do antecessor. Daí a intenção de jogar com a comparação.

 

Seria mais fácil grudar a imagem de FHC em Serra do que em Alckmin, avalia Lula. Serra foi ministro do governo anterior. Geriu as pastas do Planejamento e da Saúde. Alckmin, ao contrário, está mais vinculado à imagem do ex-governador Mario Covas, morto há cinco anos.

 

Recordou-se a Lula que Serra era crítico da política econômica ditada à época pela equipe de Pedro Malan, o Antonio Palocci de FHC. E o presidente: O povo não tem noção dessas coisas.

 

Divergindo de alguns de seus auxiliares, Lula não atribui grande importância ao fato de Alckmin estar em terceiro lugar nas sondagens eleitorais, atrás dele e de Serra. Recomendou cautela. Avalia que o governador, menos conhecido, tem potencial de crescimento. Torce para que demore a crescer.

 

Lula lembrou também que, a julgar pelas pesquisas, a administração de Alckmin é bem avaliada pela população de São Paulo. O governador ostenta índices de aprovação superiores a 60%. O PT começou a preparar um levantamento sobre os principais calcanhares da gestão Alckmin.

 

Lula classifica Alckmin como um candidato “imprevisível”. E, por isso mesmo, “mais perigoso”. Acha que a aura de “bom moço” que paira sobre o governador pode seduzir parte do eleitorado de classe média. Um eleitorado que o presidente se esforça para reconquistar. Em contra-partida, espera que a divisão partidária produzida pela disputa que travou com Serra o prejudique.

 

O presidente mostra-se algo ansioso para conhecer os números das próximas pesquisas de opinião. Foi informado de que a CNI deve divulgar uma nova rodada do Ibope nesta quarta-feira. Espera escalar mais alguns degraus na preferência do eleitorado. Receia que Alckmin também cresça. De antemão, recomenda à sua equipe que evite soltar fogos. Acha que a hora é de arregaçar as mangas. Eleição, diz Lula, não se ganha de véspera.

Escrito por Josias de Souza às 21h56

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Com Alckmin, PSDB opta pelo ‘menor risco’

Análise

  

Ao escolher o governador Geraldo Alckmin para enfrentar Lula nas eleições presidenciais deste ano, o PSDB fez uma opção pelo “menor risco”. A expressão foi recolhida pelo signatário do blog em conversa com um líder do tucanato.

 

O raciocínio é o seguinte: a dianteira de Lula nas pesquisas de opinião índica que a eleição não será um passeio para o PSDB. Longe disso. Se o escolhido tivesse sido José Serra, o partido teria de abdicar da prefeitura de São Paulo, terceiro maior orçamento da República, sem dispor da certeza de que levaria em troca o Palácio do Planalto.

 

Os tucanos acham que, com Alckmin, corre-se “risco zero”. Depois de cumprir dois mandatos no Palácio dos Bandeirantes, o governador terá mesmo de deixar o governo de São Paulo. Chegando ao Planalto, acrescenta ao ativo partidário a retomada do poder central. Perdendo, impõe à legenda um prejuízo menor do que a eventual derrota de Serra.

 

A despeito da conotação derrotista embutida no cálculo do PSDB, o partido julga que entra na disputa com chances de êxito. Seus dirigentes avaliam que boa parte das intenções de voto atribuídas a Serra vai migrar “por gravidade” para Alckmin, tonificando-lhe os índices nas pesquisas. Polarizando com Lula, o governador tenderia a atrair para si a maior parte dos votos que expressam oposição ao governo petista.

 

A análise rósea desconsidera dois fatores essenciais:

 

1. Graças a uma armadilha montada sob FHC, Lula disputa a reeleição sem deixar o cargo. Tem a seu dispor uma engrenagem administrativa capaz de despejar sobre o noticiário uma interminável seqüência de gentilezas aos eleitores.

 

2. o tucanato entra numa campanha que promete ser renhida com seus exércitos divididos. A disputa entre Serra e Alckmin deixa feridas de difícil cicatrização. Repete-se agora um fenômeno que prejudicou o tucanato em 2002. Naquele ano, o papel hoje atribuído a Alckmin foi desempenhado por Tasso Jereissati, que disputou com José Serra a vaga de presidenciável do partido. A diferença é que o Serra de 2002 venceu o embate. A semelhança é que, ontem como hoje, a disputa deixou como subproduto o germe da desagregação.

Escrito por Josias de Souza às 19h07

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Alckmin promete 'banho de ética no governo'

Eduardo Knapp/Folha Imagem
 

 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acaba de ser investido na condição de candidato oficial do PSDB à presidência da República. Em seu primeiro discurso como candidato, prometeu dar “um banho de ética no governo brasileiro”. Ele disse: “O Brasil não agüenta mais essa onda de corrupção que assolou o país”.

 

Sem mencionar o nome de Lula, Alckmin atacou o presidente da República, candidato não-declarado à reeleição e seu principal adversário na corrida presidencial. Em alusão à recente entrevista de Lula à revista britânica "The Economist", em que o presidente disse que o país não tinha pressa para retomar o crescimento econômico, o governador declarou:

 

“O Brasil tem pressa, sim. Pressa de crescimento, pressa de emprego, pressa de renda, pressa de salário, para que os filhos possam ter uma vida melhor que a dos seus pais. É esse desafio que me estimula a esse trabalho.”

 

A maior evidência de que o processo de escolha do candidato tucano deixa seqüelas no partido foi a ausência do prefeito José Serra na cerimônia de sagração do nome de Alckmin. O prefeito permaneceu na sede da administração municipal. Planejava dar uma entrevista coletiva. Terminou emitindo apenas uma nota oficial, na qual explica as razões de sua desistência e declara apoio formal a Alckmin. No início da noite, vencedor e vencido tiveram um encontro rápido.

 

Num primeiro gesto para tentar curar as feridas partidárias, Alckmin cobriu o oponente de afagos retóricos: “Quero dizer uma primeira palavra em homenagem ao grande companheiro José serra”, disse o governador. “Homenagem a alguém que é um dos mais preparados homens públicos desse país. Com um gesto de desprendimento, ele nos permite hoje iniciarmos uma grande mobilização nacional pela mudança. Recebo essa indicação com humildade para ser instrumento do povo para a mudança.”

 

Serra foi acarinhado também nos discursos dos outros dois oradores da cerimônia, Tasso Jereissati, presidente do PSDB, e Aécio Neves, governador de Minas Gerais. “Apesar da falta de credulidade de muita gente, que dizia que não seria possível chegar ao entendimento, eu dizia: vamos chegar ao entendimento (...)”, disse Tasso. “Isso será possível por uma razão simples: estamos lidando com dois homens de altíssimo nível e de alto espírito publico. José Serra abriu mão de disputar, para que não houvesse divisão no partido.”

 

Discursando em nome dos governadores tucanos, Aécio dedicou a Serra uma “palavra de admiração”. Disse que o prefeito “fará parte dessa campanha na linha de frente.” E acrescentou: “O seu gesto estará inscrito na história do partido. Prevaleceu o que dizíamos nós, o interesse maior do país e a nossa responsabilidade com a unidade do PSDB.”

 

Alckmin disse que não fará campanha “contra qualquer pessoa ou partido, mas no sentido de construir o grande projeto nacional de desenvolvimento, com ousadia e grandeza, à altura do nosso povo brasileiro.” Ele listou as “bandeiras” que planeja “empunhar” na campanha:

 

“A bandeira da ética e a bandeira da eficiência, fechando todas as torneiras do desperdício.” Disse que “a tarefa não é individual, mas coletiva.” Fez um chamamento “não só ao PSDB, mas a outros partidos. E especialmente à nossa população. Vamos falar ao nosso povo no sentido da união nacional, necessária a alcançarmos o grande sonho.”

Escrito por Josias de Souza às 16h47

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Alckmin é o candidato do PSDB

  Bruno Miranda/F.Imagem

Confirmando a tendência antecipada aqui na noite passada, o PSDB oficializará daqui a pouco o nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como seu candidato oficial à presidência da República. A recusa do prefeito José Serra em disputar prévias com o oponente levou à definição em favor de Alckmin. O anúncio será feito por Tasso Jereissati (CE), presidente nacional do partido, em cerimônia na sede do PSDB em São Paulo.

 

Em reunião que terminou na madrugada desta terça-feira, José Serra informou ao chamado triunvirato do PSDB -Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, e Aécio Neves- que mantinha a decisão, anunciada horas antes, de não disputar com Geraldo Alckmin, por meio de prévias, a preferência do partido. Reafirmou o desejo de concorrer à presidência. E transferiu a decisão para os três interlocutores.

 

FHC, Tasso e Aécio sustentaram no encontro uma posição uniforme. Os três opinaram no sentido de que a decisão de Serra não deixava ao PSDB senão a alternativa de entregar a candidatura presidencial a Alckmin. O triunvirato sentou-se para conversar com Serra com a opinião já formada. Conforme informado aqui na madrugada de domingo para segunda, Tasso Jereissati passara o final de semana dizendo a todos os interlocutores com os quais conversou que, sem disputa, Serra não prevaleceria sobre Alckmin.

 

O triunvirato pôs-se em consenso em relação a um segundo ponto: Serra demorara demais a assumir-se como candidato. Disseram ao prefeito que sua hesitação permitiu que Alckmin colecionasse apoios na máquina partidária. Numa eventual disputa interna, os riscos de o prefeito amargar uma derrota não seriam negligenciáveis.

 

Ao final da reunião, que durou cerca de quatro horas, Serra jogou a toalha. Disse que, não sendo o candidato do consenso partidário, preferia manter-se na prefeitura de São Paulo. Alckmin foi informado, ainda de madrugada, acerca do desfecho. Pela manhã, esteve na prefeitura para uma conversa decisiva com Serra. O prefeito confirmou que abriria caminho para o rival.

 

Depois da conversa com Serra, Alckmin confirmou o desfecho da "novela" aos correligionários que lhe telefonaram. Pediu que mantivessem discrição, que evitassem confirmar a notícia antes de sua oficialização. Não queria tripudiar sobre o adversário.

 

Jogando à luz do Sol, Alckmin suplantou uma articulação que Serra vinha costurando à sombra desde o ano passado. Mais bem-posto do que o governador nas pesquisas de opinião, o prefeito apostou que, na hora decisiva, a candidatura presidencial cairia no seu colo sem disputa. Errou.

 

Mercê de sua pertinácia, Alckmin colecinou apoios entre os governadores tucanos, avançou sobre diretórios do partido nos Estados, conquistou a maioria das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado e "pendurou" na parede um manifesto da unanimidade da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa de São Paulo.

 

Como se fosse pouco, Alckmin invadiu a última cidadela de Serra: o PFL. Auxiliado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, fez dissipar-se a percepção de que os pefelistas só formalizariam uma aliança com o PSDB se o candidato fosse Serra. O último empecilho ruiu na sexta-feira. Em entrevista ao blog, o prefeito Cesar Maia, pré-candidato do PFL à presidência, admitiu que abriria mão de sua candidatura mesmo se a cabeça de chapa da coligação PSDB-PFL fosse ocupada por Alckmin.

 

Nesta terça-feira, depois de ratificada a opção do PSDB por Alckmin, José Serra telefonou para o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen. Comunicou a ele que decidiu permanecer na prefeitura. Frustraram-se, assim, as esperanças do PFL de assumir, com o vice-prefeito Gilberto Kassab, a administração municipal de São Paulo até 2008.

 

Formalmente, Bornhausen evita dar à coligação de seu partido com o PSDB ares de favas contadas. Diz que vai fazer consultas antes de tomar qualquer decisão. Entre quatro paredes, porém, ACM diz que tudo não passa de jogo de cena. Diz que o PFL formalizará, sim, a aliança com o tucanato.

 

Pressione aqui para ler um mini-perfil de Geraldo Alckmin. 

Escrito por Josias de Souza às 13h55

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Caseiro contradiz versão de Palocci

 

Você, caro leitor, já deve ter ouvido falar de uma famosa mansão, localizada no Lago Sul, bairro chique de Brasília, onde ex-assessores de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, supostamente sob coordenação de Vladimir Poleto, faziam negócios. É aquela propriedade em que costumavam ser promovidas as famosas festas animadas pelas garotas de Jeany Mary Corner.

O ministro da Fazenda já disse e repetiu que jamais esteve na tal casa. Pois agora surge um senhor, Francenildo Santos Costa, contando coisa bem diferente. Nildo, como é conhecido, trabalhou como caseiro na propriedade. Ele disse à repórter Rosa Costa (no Estadão, para assinantes) que a casa era usada para partilha de dinheiro.

Nildo contou mais: Palocci, disse ele, freqüentava o local assiduamente. Ali, era chamado de "chefe". Outro que costumava aparecer com freqüência era Ariosvaldo da Silva, secretário particular do ministro.

Ouvido a respeito, Palocci voltou a negar que seus sapatos tenham pisado o mármore da famigerada mansão. As declarações do caseiro Nildo servirão de combustível contra o ministro e o governo na CPI do Fim do Mundo (Bingos).

Escrito por Josias de Souza às 08h15

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As manchetes desta terça

- JB: Comando militar do Leste reconhece: Ninguém sabe, ninguém viu as armas?

- Folha: Serra quer candidato, mas sem prévia

- Estadão: Papéis dos EUA mostram seis novas contas secretas de Duda

- Globo: Após 10 dias, Exército troca 'asfixia' por 'mobilidade'

- Correio: Tucanos chegam à hora de decisão ainda indecisos

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h41

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'Tsulama'

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h21

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Triunvirato ouve Serra e faz mistério sobre decisão

Bestgraph
Terminou na madrugada desta terça-feira, por volta de 1h10, a reunião do triunvirato tucano -Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves- com o prefeito paulistano José Serra. O encontro, ocorrido num hotel da capital paulista, durou mais de quatro horas.

À saída, Aécio Neves disse que "houve entendimento" em relação à disputa entre Serra e Geraldo Alckmin pela vaga de candidato tucano à presidência da República. O governador mineiro negou-se, porém, a informar os termos do acerto. Limitou-se a dizer que a decisão será comunicada nesta terça por Tasso Jereissati, o presidente do PSDB. 

O triunvirato entrou para a reunião com posições unificadas. Combinaram que levariam à mesa duas alternativas:

 

1. Se Serra se dispusesse a disputar a vaga com Alckmin, convocariam a reunião de um foro ampliado do partido, provavelmente o diretório nacional. Ganharia a vaga de candidato à presidência aquele que amealhasse a maioria dos 213 votos do diretório;

 

2. Se Serra se recusasse a participar do processo seletivo, a direção do tucanato tendia a oficializar Alckmin como candidato oficial do PSDB;

 

A chance de o nome de Serra prevalecer sobre o de Alckmin sem nenhum tipo de disputa interna, acalentada pelo prefeito, era nula. Em declaração feita no final da tarde desta segunda-feira, Serra admitiu, pela primeira vez em público, que é candidato à presidência. Mas declarou-se contrário à realização de prévias.  

 

Na hipótese de o prefeito ter se animado a disputar, o PSDB tem como apressar a convocação do diretório. O encontro poderia ocorrer no próximo dia 19 de março, um domingo. Se, ao contrário, Serra continuar recusando as prévias, será rifado.  

Escrito por Josias de Souza às 01h13

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Candidatura própria vai prevalecendo no PMDB

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

Favorável a uma aliança do PMDB com Lula ainda no primeiro turno das eleições presidenciais, Renan Calheiros (PMDB-AL) abandonou a discrição. Nesta segunda-feira, informa Felipe Recondo, o presidente do Senado defendeu em público a suspensão das prévias do PMDB, marcadas para domingo.

Para Renan, o PMDB deveria esperar até que o STF decida, no próximo dia 23, se a regra da verticalização vai valer ou não para as eleições deste ano. "O ideal era que o PMDB aguardasse a decisão do Supremo. Inicialmente, prudentemente, aguardaríamos a decisão do STF", disse o senador.

O problema é que a ala contrária à candidatura própria do PMDB, informa Ilimar Franco, ainda não logrou obter a maioria da comissão executiva do PMDB -nove votos num total de 16-, indispensável à aprovação do cancelamento ou adiamento das prévias do partido. A tese da ala governista conta, por ora, com escassos cinco votos na executiva peemedebista.

Em maioria, o grupo do deputado Michel Temer (SP), age com celeridade. Nesta segunda-feira, informa Rose Ane Silveira, foi realizado o sorteio que escolheu a posição na cédula dos dois pré-candidatos peemedebistas – Germano Rigotto e Antony Garotinho. Ficou acertado que o nome de Rigotto virá em primeiro lugar.

Escrito por Josias de Souza às 00h20

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Câmara julga mais dois nesta quarta-feira

 

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP), confirmou que vai colocar em votação no plenário, nesta quarta-feira, mais dois processos envolvendo deputados mensaleiros. Referem-se aos casos de Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE).

 

Os dois Pedros chegam ao plenário em condições bem distintas. Henry foi absolvido no Conselho de Ética da Câmara, por falta de provas. Corrêa tem contra si um relatório em que os integrantes do Conselho recomendam aos colegas a cassação do mandato.

 

Ainda sob os efeitos das absolvições dos deputados Roberto “R$ 102 mil” Brant e Professor “R$ 20 mil” Luizinho, Aldo defendeu nesta segunda-feira o fim do voto secreto nas votações de poda de mandatos.

 

“Por princípio, sou a favor do voto aberto”, disse o presidente da Câmara, de acordo com relato da repórter Rose Ane Silveira. O diabo é que dificilmente uma providência como essas será aprovada na atual legislatura. Não parece haver nem tempo nem disposição.

No Conselho de Ética, será votado nesta terça-feira o relatório do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), que pede a cassação de João Paulo Cunha, acusado de receber R$ 50 mil do valerioduto. A deputada Angela Guadagnin (PT-SP) pretende apresentar um voto em separado, propondo a absolvição de João Paulo. A expectativa é de que seja aprovado o relatório de Schirmer.

Escrito por Josias de Souza às 23h21

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STF autoriza Duda a silenciar na CPI

  Lula Marques/F.Imagem
Em decisão liminar assinada pelo ministro Gilmar Mendes, o STF reconheceu o direito de Duda Mendonça de calar durante o depoimento que prestará à CPI dos Correios, agendado para esta quarta-feira. O publicitário também não será obrigado a assinar o termo de compromisso, que o obrigaria a só dizer a verdade.

 

Seguindo a mesma linha de decisões anteriores do Supremo, Gilmar Mendes disse que o direito ao silêncio é “pedra angular do sistema de proteção dos direitos individuais.” Consagra o conceito segundo o qual ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo.

 

Diante da decisão, dirigentes da CPI já cogitam dispensar o novo depoimento de Duda. Avalia-se que pode resultar em perda de tempo. Pressione aqui para ler a íntegra da decisão de Gilmar Mendes.

Em meio a essa atmosfera envenenada, o repórter Diego Escosteguy (no Estadão, para assinantes) revela detalhes sobre o incômodo conteúdo de documentos sigilosos vindos dos EUA. Informam que  Duda tem escondido no exterior mais seis contas das quais não se havia tido notícia.  

Escrito por Josias de Souza às 22h27

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Serra desiste de prévias; PSDB tende a confirmar Alckmin como seu candidato oficial à presidência

José Serra decidiu não disputar com Geraldo Alckmin eleições prévias para a escolha do candidato do PSDB à presidência da República. Resolveu transferir para a direção do partido a definição final. Diz, pela primeira vez de forma clara, que é candidato. Mas não quer tomar parte de uma disputa interna. A tendência é de que o tucanato confirme nesta terça-feira o nome de Alckmin como seu candidato oficial.

 

Um detalhe tonifica essa tendência. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), comunicou há pouco a colegas de bancada e a lideranças do PFL que, informada por Serra da disposição de não disputar a preferência do partido, a direção do tucanato já prepara o anúncio do nome de Alckmin. Ouvido formalmente pelo blog, o senador se disse irritado com a demora do partido em tomar uma decisão. Mas recusou-se a confirmar que tivesse feito comentários com os colegas. "Estou fugindo desse assunto. Não estou falando com ninguém", disse.

 

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati voou de Fortaleza para São Paulo. Aécio Neves também se deslocou de Belo Horizonte para a capital paulista. Junto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, eles conversam com Serra ainda na noite desta segunda-feira. O prefeito confidenciou a auxiliares que reafirmará ao chamado triunvirato tucano que quer concorrer à presidência. Mas sem prévias.

 

No final de semana, Tasso dissera a todos os interlocutores com os quais conversou que, se Serra não se dispusesse a participar de uma disputa interna, o partido daria por encerrada a contenda que o imobiliza, anunciando a escolha de Alckmin. Não haveria mais espaço para excluir do processo o governador de São Paulo.

 

Tasso deixou claro em seus diálogos que sua opinião era compartilhada por FHC e Aécio. Os três avaliam que não convém postergar ainda mais a definição. Se Serra se dispusesse a disputar com Alckmin, marcariam um encontro partidário para optar por um dos dois, provavelmente uma reunião do diretório nacional. Do contrário, o melhor seria confirmar o nome do governador paulista. 

 

Há cerca de 40 minutos, um senador tucano telefonou para Alckmin. Ouviu dele que mantém a mesma disposição de concorrer. Não abre mão de disputar a presidência. O governador se disse "muito tranquilo". Disse que, na sua opinião, o partido já dispõe de todos os elementos de que precisa para tomar uma decisão. Declarou que aguarda com "serenidade" a palavra final da cúpula do PSDB, que espera lhe seja favorável.

 

Na noite da última quinta-feira, Serra dissera a Tasso Jereissati que queria concorrer à presidência. Reafirmou o desejo no dia seguinte, dessa vez numa reunião em que, além de Tasso, estavam presentes FHC e Aécio. Terminado o encontro, Tasso informou em entrevista, que a decisão seria anunciada nesta terça-feira.

 

Deu-se, desse modo, um prazo para que Serra refletisse acerca da conveniência de embrenhar-se na disputa com Alckmin. O prefeito jantou na noite de sábado com três pessoas de sua confiança: o secretário de governo da prefeitura de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira e os deputados Juthay Magalhães Jr. e Alberto Goldman.

 

Durante o jantar, Serra revelou-se preocupado com os efeitos de uma queda-de-braço entre ele e Alckmin. Disse acreditar que, mesmo que saísse vitorioso do embate, mergulharia numa campanha eleitoral duríssima tendo atrás de si um partido irremediavelmente dividido.

 

No domingo, Serra ouviu de um amigo estímulos para que aceitasse a disputa com Alckmin. Sua resposta pintou com cores dramáticas as preocupações externadas no jantar da véspera: “Se eu for para a disputa, teremos duas semanas sangrentas”, disse o prefeito. O processo, por atribulado, favoreceria Lula, principal adversário do PSDB nas eleições deste ano.

 

Serra ainda tenta postergar a definição. Partidários do prefeito espalham a informação de que uma nova pesquisa de opinião seria divulgada nesta semana. Argumentam que não conviria ao partido decidir antes de conhecer os números. Mas, a julgar pelas manifestações privadas de Tasso Jereissati, a única maneira de adiar o desfecho do caso seria a eventual disposição de Serra de concorrer com Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 18h00

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CIA 'guarda' segredos na internet

 

 

O diário norte-americano Chicago Tribune impôs à CIA um sério constrangimento. Mostrou, em reportagem publicada neste domingo, que o serviço secreto da maior potência militar do planeta não é tão secreto assim.

 

Recorrendo a ferramentas acessíveis a qualquer usuário da internet, o jornal logrou compor uma lista de 2.653 funcionários da Cia, incluindo agentes “secretos”. Levantou também a localização de dezenas de instalações que o órgão de inteligência dos EUA operava sob pretenso sigilo.

 

A julgar pela reação da CIA, são autênticos os dados colecionados pelo Chicago Tribune (o acesso é gratuito, mas exige registro prévio). A pedido do serviço secreto dos EUA, o jornal deixou de publicar os nomes e endereços que levantou na internet. Ou seja, contou o milagre sem dar o nome do santo.

 

“Estar encoberto é um assunto complexo. E é ainda mais complexo na idade da internet”, tentou justificar-se uma porta voz da CIA, Jennifer Dyck. “Há coisas que funcionaram antes e que já não funcionam mais.” Segundo ela, o diretor da CIA, Porter Goss, “está comprometido” com mudanças capazes de preservar a segurança dos “oficiais que fazem trabalhos perigosos.”

 

A reportagem do Chicago Tribune surge nas pegadas da decisão do governo Bush de abrir investigações para identificar os funcionários do governo que vazaram deliberadamente a identidade da agente da CIA Valerie Plame.

 

Se você se interessa pela história e quer fugir do inglês, a BBC publica um resumo da encrenca em espanhol. O sítio Periodista Digital também traz detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 09h04

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TCU vê desvios em Furnas

A repórter Marta Salomon informa: “Auditoria em Furnas constatou pagamento indevido de R$ 10,3 milhões em apenas um dos negócios investigados na estatal, alvo de denúncias de pagamento de propinas a políticos. O relatório encaminhado pelo TCU à CPI dos Correios menciona indícios graves de fraudes em licitações, assim como irregularidades na contratação de serviços que teriam beneficiado dois filhos do ex-diretor de Engenharia da estatal Dimas Toledo.

O relatório é o primeiro resultado de uma força-tarefa que devassa Furnas. No texto de mais de 200 páginas, o tribunal contesta a auditoria independente contratada por Furnas à Ernest & Young para apurar o desvio de dinheiro para atividades político-partidárias. A Ernest & Young concluiu que nada foi encontrado de relevante nas operações acima de R$ 500 mil registradas no primeiro semestre de 2005. De acordo com o TCU, a auditoria não teria checado informações fornecidas por Furnas e, portanto, "a opinião emitida pode estar enviesada".

A estatal passou a ser alvo de investigação a partir de acusações feitas pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de desvio de dinheiro e repasse a políticos. A Polícia Federal também investiga denúncia de caixa dois supostamente operado por Dimas Toledo. Faltando menos de dez dias para a entrega do relatório final, a CPI dos Correios não deve aprofundar as investigações sobre Furnas.”

Escrito por Josias de Souza às 07h51

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As manchetes desta segunda

- JB: Tropas desocupam quatro favelas - Retirada estratégica

- Folha: TCU aponta desvio de R$ 10 mi em Furnas

- Estadão: Operação tapa-buraco é teste para escoamento da safra

- Globo: Exército deixa morro do Centro sem achar armas

- Correio: Lula ignora orçamento e só governa com MPs

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h20

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Habeas-Câmara

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Se quiser ser candidato, Serra terá de disputar

Só há um modo de José Serra tornar-se o candidato oficial do PSDB à presidência da República. Ele terá de disputar com Geraldo Alckmin a preferência do partido. Foi o que informou Tasso Jereissati, presidente da legenda, às pessoas com as quais conversou privadamente no final de semana.

 

A posição nas pesquisas de opinião, trunfo de Serra, não é mais o fator determinante do processo. A cúpula do tucanato convenceu-se de que não tem como negar a Alckmin, atrás de Serra nas sondagens eleitorais, o direito de postular a presidência.

 

Ao evitar assumir-se publicamente como candidato, Serra permitiu que Alckmin avançasse sobre a máquina partidária. O Ceará de Tasso tornou-se, por exemplo, uma eloqüente evidência de que o governador de São Paulo não pode mais ser considerado como um candidato de si mesmo.

 

Não é sem razão que Tasso comportou-se durante as negociações como um ioiô -era Alckmin no começo, migrou para Serra no meio e voltou a pender para Alckmin nesta reta final. Em conversa com um amigo, o governador tucano Lúcio Alcântara, aliado incondicional do presidente do PSDB, contou que, entre os cearenses, Alckmin prevalece sobre Serra.

 

No Estado de Tasso, o PSDB elegeu nove deputados federais. Oito desejam que a candidatura presidencial do partido seja confiada a Alckmin: Antonio Cambraia, Gonzaga Motta, Léo Alcântara, Manoel Salviano, Marcelo Teixeira, Raimundo Gomes de Matos, Vicente Arruda e Antenor Naspolini.

 

Chama-se Bismarck Maia o único deputado cearense pró-Serra. Foi secretário-geral do PSDB na fase em que o partido era presidido por Serra. São, de fato, muito próximos. Mas, formalmente, Bismarck não assume sua preferência em público. Sempre que questionado a respeito, diz que aposta na unidade. Elogia os dois candidatos. Evita externar suas simpatias, segundo diz, para evitar que uma manifestação sua possa ser confundida com a opinião de Tasso Jereissati, de quem é amigo íntimo.

 

A julgar pelas informações recolhidas pela cúpula tucana, o avanço de Alckmin não se deu apenas no Ceará. Contaminou outros Estados. Daí a convicção de que, caso Serra confirme a disposição de concorrer à presidência, terá de cavar a vaga no voto, ainda que em disputa informal, não caracterizada como uma prévia.

 

Congressistas tucanos aliados de Serra o estimularam à disputa no fim de semana. Embora reconheçam que Alckmin conquistou nacos do partido, acham que o governador blefa ao apregoar que dispõem de maioria. Na guerra de nervos em que se transformou a negociação tucana, os partidários de Alckmin ainda apostam que o prefeito, no final das contas, não topará disputar com o governador.

 

Ao mesmo tempo em que alardeiam a impressão de que Serra fugirá da raia, os correligionários de Alckmin avançam no debate acerca dos critérios da eventual disputa. Receiam que o triunvirato tucano –FHC, Tasso e Aécio Neves- opte por submeter a escolha a um colegiado restrito –a Executiva do partido, por exemplo.

 

Para Alckmin, julgam os seus apoiadores, o ideal seria que a disputa, se houver, deságüe pelo menos numa reunião do diretório nacional do partido. Um “diretório ampliado”, como dizem, incorporando governadores, parlamentares e lideranças regionais do partido.

 

Nesse ambiente, o PSDB só conseguiria cumprir a promessa de anunciar formalmente o nome de seu candidato nesta quarta-feira em duas hipóteses: ou a direção impõe o nome de Serra a Alckmin, algo que não está disposta a fazer, ou o prefeito desiste de concorrer à presidência, entregando a vaga a Alckmin por WO. A terceira hipótese é a disputa, cuja organização consumiria alguns dias . Qualquer que seja a solução, o PSDB flerta com a divisão que pretendia evitar.

 

Ainda interessado em contornar a disputa, o triunvirato já não se mostra tão convencido de que Serra é a melhor alternativa presidencial do partido. A dúvida não é uma exclusividade de Tasso. Até FHC, até bem pouco o maior defensor da opção Serra, agora acha que o melhor caminho para o prefeito seria a candidatura ao governo de São Paulo, uma alternativa que o ex-presidente pôs sobre a mesa.

Escrito por Josias de Souza às 01h55

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Segue a novela

O PSDB continua a procura de critérios para a definição do seu candidato à presidência. Kennedy Alencar informa que José Serra mantém as mangas arregaçadas.

 

Ouvidos pelo blog, partidários de Geraldo Alckmin informam que, neste caso, só há uma maneira de dirimir a pendenga: por meio do voto, num colegiado ampliado do partido.

 

Alckmin não arreda o pé. Acha que derrubou a última cidadela de Serra: o apoio incondicional do PFL. Diz ter reunido densos apoios na pefelândia, antes majoritariamente ao lado de Serra. Avalia, de resto, que rachou o triunvirato (FHC, Tasso Jereissati e Aécio Neves).

 

O governador desfia dados segundo as quais a maioria do partido PSDB estaria do seu lado. Se Serra quiser concorrer, terá de pagar para ver. Resta saber se uma encrenca desse tamanho pode ser resolvida em 48 horas. Como se recorda, Tasso Jereissati prometeu uma definição até esta terça-feira. Será?

Escrito por Josias de Souza às 21h12

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Tribunal reduz jornada de trabalho e mantém salários

Em afronta à lógica e à moralidade, alguns tribunais de Justiça estão reduzindo a carga horária de seus funcionários. Pela lei, deveriam trabalhar 40 horas por semana. No Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por exemplo, a jornada semanal foi reduzida para 35 horas. Os salários mantiveram-se inalterados.

 

Em representação protocolada no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o Ministério Público Federal pede a anulação do ato que podou em cinco horas semanais o expediente dos funcionários do tribunal do DF. A representação classifica a decisão como um desrespeito aos princípios da “legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência”, previstos no artigo 37 da Constituição.

 

Em condições normais, a jornada de 40 horas semanais dos funcionários públicos já representa um privilégio em comparação com as 44 horas impostas aos trabalhadores da iniciativa privada. O Ministério Público anota em sua representação que a redução de jornada é uma velha reivindicação do sindicalismo privado.

 

“Cumpre lembrar que as 40 horas semanais fixadas representam manifesta distinção ao funcionalismo, pois que beneficiado com tratamento mais benéfico que aquele conferido ao trabalhador da iniciativa privada, submetido a 44 horas semanais”, diz ainda o texto. Os procuradores da República realçam também o fato de que os empregados de empresas privadas recebem, na sua maioria, “salários e benefícios trabalhistas significativamente inferiores aos trabalhadores do setor público ...”.

 

De acordo com a representação, a redução de jornada do Tribunal de Justiça, em vigor desde 2004, impõe “claro” prejuízo ao erário. Primeiro porque, mesmo trabalhando menos, os funcionários continuam recebendo salários integrais. Segundo porque o aumento da demanda pelos serviços judiciários, já deficientes, obriga a realização de novos concursos públicos para contratação de pessoal, onerando a folha salarial paga com recursos públicos.

 

Ou seja, a sociedade paga mais por um serviço historicamente ineficiente. Um atentado contra os objetivos da reforma do Poder Judiciário, aprovada pelo Congresso em dezembro de 2004. “Há um verdadeiro descompasso com o propósito reformista instituído pela legislação constitucional e infra-legal, visando a agilizar os serviços judiciários na busca de uma Justiça mais expedita e, em conseqüência, mais eficaz”, afirma o texto da representação do Ministério Público.

 

Não é a primeira vez que tribunais tentam impor à sociedade reduções de jornada de trabalho. Em decisão de 1995, o Tribunal de Contas da União obrigou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul a rever decisão que reduzira a carga de trabalho de seus funcionários para 30 horas semanais.

 

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina tentou o mesmo artifício. Foi barrado pelo STF. Relatora do caso, a ministra Ellen Gracie afirmou em seu voto: “Numa época em que cada vez maior número de pessoas bate às portas da Justiça, não faz realmente nenhum sentido que se reduza o horário de expediente forense”.

 

Cabe ao Conselho Nacional de Justiça realizar o “controle externo” dos atos administrativos do Poder Judiciário. Daí a representação do Ministério Público contra o Tribunal de Justiça do DF. Assinam o documento cinco procuradores: Eliana Pires Rocha, Ana Paula Mantovani Siqueira, Anna Carolina de Azevedo Maia, Raquel Branquinho e Wellington Divino de Oliveira.

Escrito por Josias de Souza às 19h51

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Teleguiados!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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As manchetes deste domingo

- JB: O sonho e o drama de ser soldados no morro

- Folha: Ensino médio é melhor no interior

- Estadão: Acusados do mensalão ainda controlam os melhores cargos

- Globo: General diz que Exército está pronto para a guerra no Rio

- Correio: Regras mais simples para condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 01h14

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Ele foi antes da hora

 

 

O irmão mais velho de Slobodan Milosevic, o ex-presidente da Ioguslávia encontrado morto em sua cela neste sábado, atacou o tribunal das Nações Unidas que o julgava.  Borislav Milosevic diz que a morte do irmão foi apressada porque o tribunal rejeitou o pedido para que ele fosse submetido a tratamento médico em uma clínica de Moscou.

"No dia 4 de novembro passado, um grupo de médicos independentes da Rússia, França e Belgrado examinou Slobodan e concluiu que sua condição era crítica e que ele precisava de tratamento médico urgente. O tempo passou e eles não moveram um dedo para ajudá-lo", acusa Borislav.

 

Compreende-se a manifestação do irmão, mas o lamentável nesse episódio é o fato de Milosevic ter passado desta para pior antes que houvesse sido julgado pelos crimes que cometeu. Acusado de genocídio e outras barbaridades de guerra pelo nefasto papel que desempenhou nos conflitos da Croácia e Bósnia (1991-1995) e em Kosovo (1998-1999), o bom homem desceu às profundezas sem ouvir uma sentença à altura de seus desatinos. Suas milhares de vítimas não mereciam isso.

Escrito por Josias de Souza às 22h48

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Ministério Público prepara nova ação contra Maluf

O Ministério Público de São Paulo prepara um novo inquérito contra Paulo Maluf. O procedimento se baseia em informações sigilosas obtidas nos EUA. Indicam que o ex-prefeito paulistano movimentou em instituições bancárias norte-americanas uma quantia superior aos US$ 161 milhões já rastreados no curso das investigações que envolvem Maluf e sua família.

 

Informado acerca de novos documentos obtidos pela Promotoria de Nova York, o Ministério Público requisitou a papelada. Uma parte já chegou a São Paulo. Está sendo traduzida do inglês para o português. Espera-se que a Justiça norte-americana autorize o envio de um novo lote de papéis, requisitados no mês passado.

 

Os novos dados contra Maluf foram obtidos graças a uma investigação que vem sendo conduzida em Nova York pelo promotor de Justiça Adam Kaufman, o mesmo que, em intercâmbio com autoridades brasileiras, investiga as conexões do caso Banestado e a movimentação bancária do publicitário Duda Mendonça nos EUA.

 

O teor dos novos papéis que, na opinião do Ministério Público, vão complicar a situação de Maluf, já foi repassado informalmente para a Promotoria de São Paulo. As informações são tratadas sob sigilo, para não prejudicar a cooperação costurada entre o Brasil e os EUA. Só serão divulgadas depois da abertura do novo inquérito.

 

A ramificação norte-americana das investigações em torno de Paulo Maluf avançaram no ano passado graças a depoimentos prestados ao Ministério Público pelo doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi. Beneficiado com o instituto da delação premiada, Birigüi revelou detalhes das remessas financeiras ilegais que fez para o exterior a pedido de Maluf e seu filho Flávio.

 

A despeito das evidências levantadas contra ele, Paulo Maluf considera-se vítima de “perseguição política”. Conforme noticiado aqui em 23 de janeiro, Maluf se diz “inocente.” Repete que não tem contas no exterior. Para rebater a acusação de que se beneficiou de recursos públicos, afirma: “Estou muito menos rico.”  

 

O ex-prefeito insinua que o dinheiro rastreado nos EUA não seria dele, mas do doleiro Birigüi, seu algoz. Ele diz que a imprensa e o Ministério Público o escolheram para “boi de piranha”. De acordo com os dados anotados nos processos abertos contra Maluf, o ex-prefeito teria enviado ilegalmente para outros países US$ 446 milhões. Como também foi noticiado aqui, Maluf se prepara para disputar um cargo eletivo no pleito deste ano.

Escrito por Josias de Souza às 22h01

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'Sucessivos casos de absolvição ocorrerão'

'Sucessivos casos de absolvição ocorrerão'

Promotor de Justiça há 19 anos, Carlos Sampaio (PSDB-SP), deputado federal e membro do Conselho de Ética da Câmara, diz: o comportamento do plenário da Casa “leva a crer que sucessivos casos de absolvição ocorrerão” no julgamento dos deputados envolvidos no escândalo do mensalão. Abaixo, a entrevista:

 

- Pode haver a renúncia do Conselho de Ética?

Nunca ouvi essa posição de renúncia coletiva. O que há é indignação coletiva. Enquanto aprofundamos a análise dos casos concretos, o plenário vota com base no relacionamento.

- Como promotor, sua revolta é maior?

Fui relator do caso do deputado Pedro Correia, presidente do PP. Todas as provas foram reunidas. A cassação foi aprovada no Conselho por 11 a 3. No caso do deputado Pedro Henry, também do PP, fiz um voto em separado contrário à cassação. Não se tinha uma única prova, exceto a acusação do Roberto Jefferson. Ele foi absolvido no Conselho por nove a cinco. Uma evidência de que não agimos partidariamente.

- Há partidarismo no plenário?

No caso do (Roberto) Brant, as pessoas me diziam: ‘Você não o conhece, o Brant é gente boa’. De fato, não o conheço. Mas não estamos julgando se ele é gente boa ou não. Julgo pelas provas dos autos. Daí a indignação.

- Seu partido, o PSDB, também votou pela absolvição, não?

Sem dúvida. Meu partido agiu mal. Expressou o seu voto tendo como fundamento a biografia do Brant. O fundamento deveria ser a análise do processo.

- O que fazer para evitar novas absolvições?

Esse episódio envolvendo o Brant acabou ditando a ocorrência de conversas de bastidores entre PT e PFL. Seria leviandade dizer que isso não ocorreu. Tenho a impressão de que, nos outros casos, que envolvem PT, PP e PL, não haverá interferência em relação à amizade. O plenário tem de se pautar pelos relatórios do Conselho, que analisa com profundidade os casos. Do contrário, que se extinga o Conselho de Ética.

- Mas os relatórios do Conselho têm sido lidos em plenário.

Nos casos do Brant e do (Professor) Luizinho, não tinha ninguém ouvindo. Foram lidos por mera obrigação regimental. Na hora dos discursos de defesa dos deputados, fez-se silêncio e houve aplausos. Ninguém bate palmas para a conduta do Conselho.

- Não lhe parece que há um movimento para a absolvição generalizada?

O proceder do plenário, de fato, nos leva a crer que sucessivos casos de absolvição ocorrerão. O ânimo do plenário é para a absolvição, independentemente da análise das provas. Isso é péssimo. Pensei que, em termos de prejuízo de imagem, a Câmara tivesse chegado ao seu limite, mas estão conseguindo achincalhar ainda mais a Casa. É desalentador. Chego a me indagar se vale continuar na vida pública.

Escrito por Josias de Souza às 19h33

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Elegia dos 'novos' tempos

Elegia dos 'novos' tempos

  Banana/Antônio Henrique Amaral
Foram-se as ilusões

os sonhos e os ideais

vieram os mensalões

o alpiste e os pardais

 

Nada era o que parecia

nem puros nem vestais

o bicho-papão era a tia

de todos os carnavais

 

Jeffersons e Valdemares

Sarneys e Renans

Azares e Calabares

sapos e rãs