Josias de Souza - Nos bastidores do poder
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Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Contrariando o que afirmam Lula e o PT, o relatório final da CPI dos Correios irá sustentar a tese de que o mensalão existiu. Em entrevista ao blog, o relator da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que já redigiu 60% do texto. “Ficou muito clara a existência do mensalão”, afirma. Abaixo, a entrevista:

 

- O relatório final fica pronto até 20 de março?

Sim. Entregaremos o relatório até esse dia para discussão dos membros da CPI.

Até o dia 11 de abril, tem que estar votado, para que a comissão não passe uma vergonha nacional.

- A redação do relatório final já está avançada?

O trabalho está bastante avançado. Diria que já preparamos uns 60% do texto.

- Já dá para dizer que a CPI não passará vergonha?

Tenho convicção disso. Vamos apresentar inclusive um histórico de fatos ocorridos em conseqüência da criação da CPI. Vamos arrolar contratos milionários que foram rescindidos, as licitações que foram suspensas no âmbito daquilo que estávamos investigando.

- Evitou-se o desvio de mais dinheiro?

Exatamente. Valores significativos. Tentaremos mensurar isso no relatório.

- Já há como dizer onde começou a promiscuidade?

Ela era produzida pelo Executivo. Para cooptar o Congresso, ele o corrompia.

- O governo diz que não houve mensalão, só caixa dois.  Seu relatório entra nessa questão?

Sim.

- Houve mensalão?

Sim. Era um sistema para irrigar o congresso. Os saques estão lá, os nomes também.

- Como vai provar o mensalão?

A CPI não foi constituída para investigar o mensalão, mas os Correios. Depois foi criada a CPI do Mensalão. Aí ficou carimbado que éramos incompetentes para isso. Então as pessoas perguntam: como é que se prova que houve mensalão? Muito recentemente, o Congresso contratou o sistema I-2, uma ferramenta de alta tecnologia usada em investigações complexas nos EUA e na Inglaterra. Esse sistema, alimentado por todos os dados que nós tínhamos, possibilitou a realização de cruzamentos. Ficou muito clara a existência do mensalão. Há pagamentos de valores até semanais, mas que, somados, resultam em importâncias mensais idênticas. São quantias redondas, claras, na seqüência de meses. Tem mensalão.

- Os R$ 55 milhões dos supostos empréstimos bancários foram para isso?

A soma das liberações creditadas nas contas de Marcos Valério dá R$ 51 milhões. Ele apresentou uma relação de pagamentos no total de R$ 55 milhões. Portanto, há outros valores que não correspondem apenas a esses supostos empréstimos. Além dos pagamentos a parlamentares, pelo menos R$ 10,5 milhões foram para a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça.

- Relatório terá mais de 500 páginas?

Já está com mais de 500 páginas. vai chegar próximo de mil. Talvez tenhamos que enxugar.

 

(Continua abaixo...).

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Lula pediu para ser excluído, mas será citado

Lula pediu para ser excluído, mas será citado

- A movimentação do esquema se limita a esses R$ 55 milhões?

Não. Quando você pega o sistema Visanet, a isso se acrescentam pelo menos R$ 20 milhões – R$ 10 milhões em 2004 e quantia idêntica em 2005. Só aí temos R$ 75 milhões.

- E ficou nesses R$ 75 milhões?

Não. Há outros detalhes que vamos acrescentar ao final. Mas não posso adiantar.

- Passa dos R$ 100 milhões?

Não posso falar em valores porque vira manchete. Tenho medo disso.

- E quanto às propostas de indiciamento, a lista  passa de cem pessoas?

Uma vez eu falei que daria mais de 50 indiciados. Virou manchete. Não entendo como pode chamar tanta atenção. Só no episódio ao transporte Aéreo Noturno dos Correios, dá mais de 20 pessoas. E estamos examinando mais de 50 contratos. Ora, é natural que dê mais de 100 indiciados.

- A lista de indiciados pessoas incluirá os parlamentares?

Sim. Parlamentares, empresas prestadoras de serviço, políticos, etc.

- O sr. disse que citaria Lula no relatório. O presidente chamou Delcídio Amaral. Depois, o presidente da CPI falou com o sr. e houve um recuo...

Não recuei um milímetro. Evidente que vou mencionar o presidente. Vou inserir no relatório a referencia testemunhal do Roberto jhefferson de que levou em duas oportunidades ao presidente a existência do mensalão.

- Ao mencionar o presidente não seria razoável que sugerisse providências?

O juízo que cheguei a fazer em publico foi o de que eu acho que o presidente chegou muito próximo da negligência. Depois se afirmou que eu dissera que ele era negligente. Se digo que ele está próximo, não digo que ele é.

- O sr. continua achando que Lula chegou próximo da negligência?

Sim.

- Isso não é como no caso da virgindade? Acha que pode haver meia negligência?

Por isso que eu não falei que ele é negligente. Eu disse que ele chegou próximo. Ele não é.

- Não que há que falar, portanto, em responsabilidade do presidente?

Não posso chegar a tanto por uma razão: não tenho condições jurídicas de exigir dele que ele me diga as providências que tomou. O relacionamento entre Executivo e Legislativo não permitem isso. Se fosse um ministro, eu teria condições inclusive de convocar para depor. Tenho referências de que ele determinou que o Aldo Rebelo (então Coordenador Político do governo) verificasse. Por isso digo que chegou próximo. Minimamente, alguma coisa ele fez. Pelo menos em uma das oportunidades. Na outra eu não sei.

- Não pode argüir o presidente por escrito?

Não. O que se pode fazer é, na seqüência da CPI, a partir dos dados que nós temos, se alguém que tenha legitimidade política -partidos políticos, por exemplo- entender que há a configuração da negligência, aí pode propor a abertura de um processo de impeachment. Ai sim, se pode ir às últimas conseqüências e exigir esclarecimentos.

- Esse passo então não será dado pela CPI?

Ela não tem competência.

 

(Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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Caixa dois do PSDB também estará no relatório

Caixa dois do PSDB também estará no relatório

- Em que medida os dados bancários de Duda Mendonça são essenciais à CPI?

Esses dados, que já se encontram no Brasil, ainda não foram disponibilizados para a CPI. O que se vai dizer depois, que não temos prova. Do ponto de vista fático, já temos os elementos. Precisamos apenas da inserção disso dentro do relatório da CPI.

-Seu relatório trará novidades em relação ao que já foi divulgado?

Alguma novidade vai ter.

- Pode contar alguma?

Não. Temos que tratar isso com responsabilidade, o que implica o sigilo. Mas os cruzamentos que estamos fazendo podem surpreender.

- Podem surgir novos parlamentares?

Sim.

- E quanto ao caso Furnas, será investigado?

A deputada Almerinda de Carvalho, do Rio, está coletando assinaturas para a constituição da CPI de furnas. Espero que isso aconteça, para que não se diga que a gente fugiu. Estamos há um mês do encerramento dos trabalhos. Se eu quebrar sigilos, entrar com tudo, não vou chegar a lugar nenhum dos mesmo jeito. Quebra há quebra de sigilos, não chega nada com menos de um mês.

- Mas não é estranho deixar algo no ar, sem investigação?

É claro que o caso vai constar do relatório. Diremos que tivemos a tal lista de Furnas, ouvimos fulano e beltrano. Aquele cidadão, o Nilton Monteiro, diz que quer ser ouvido. Põe nos jornais que tem recibos. Se tiver documentos, que apresente. Eu chamo em seguida. No instante em que uma autoridade constituída disser que a lista é verdadeira, eu parto para a pesada. Mas não posso investigar uma lista para macular as pessoas e depois dizer que não tinha consistência.

- O caixa dois de Eduardo Azeredo, na campanha de 2002, vai ao relatório?

Claro que sim. Não há hipótese de excluir. As pessoas dizem que está prescrito. Não é problema meu. O Ministério Público vai decidir sobre isso.

- Fará concessões ao PMDB, seu partido?

Também não. Tanto é que coloquei na lista o meu líder, o José Borba, que é do meu Estado (Paraná) e foi quem me indicou para relator da CPI.

- Não receia que um embate PT-PSDB inviabilize a votação do relatório?

Se eu fizer constar algum fato que não seja verdadeiro, me curvo e faço a correção. Mas não deixarei de mencionar nada. É o caso da citação ao presidente Lula, feita pelo Roberto Jefferson. Como posso excluir? Não vou fazer juízo de seleção, botar um, excluir outro. Jamais. Quem quiser votar contra, que vote. Depois arque com as conseqüências na eleição de outubro. O povo não é bobo.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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Falta de prática!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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As manchetes deste sábado

 

- JB: Rolling Stones - A mais quente noite na praia

- Folha: Lucro da Petrobras é o maior da história

- Estadão: Petrobras tem lucro recorde de R$ 23,7 bi

- Globo: Polícia se contradiz e não explica ausência na Rocinha

- Correio: Tribunais demitem mil até quarta-feira

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Em mesa tucana, Alckmin é jantado

Leonardo Wen/Folha Imagem
 

A cúpula tucana já não consegue disfarçar a preferência por José Serra na disputa travada pelo prefeito paulistano com o governador Geraldo Alckmin (São Paulo) pela vaga de candidato à presidência da República pelo PSDB. O último gesto do triunvirato que arrogou para si a tarefa de optar entre Serra e Alckmin foi, digamos, sintomático.

Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves arrastaram Serra para um jantar no restaurante Massimo, situado no finíssimo bairro dos Jardins. Saíram de um evento do qual participava também Geraldo Alckmin. Poderiam tê-lo convidado se quisessem. Mas não queriam.

À mesa do restaurante, entre goles de vinho Amarone della Valpolicella e beliscadas numa paleta de cordeiro, Alckmin foi, por assim dizer, jantado. Fernando Henrique disse: “O quadro nas pesquisas é reversível para partido que tem candidato forte, não para quem precisa construir a imagem”.

Traduzindo: só Serra, mais bem-posto nas pesquisas, poderia retomar a dianteira assumida por Lula. Alckmin, menos conhecido, não teria chances. Tasso e Aécio concordaram com o raciocínio. Em dúvida, Serra pediu tempo para pensar.

Inquirido pelos jornalistas ainda no interior do restaurante, FHC permitiu-se fazer pilhéria em torno da ausência de Alckmin. Eis o diálogo que travou com os repórteres:

— Onde está o governador?

— Está no palácio.

— O senhor o convidou?

— Ele disse que tinha de levantar cedo amanhã (risos).

— Estão festejando o quê?

— Ué, a eleição do líder (deputado Jutahy Junior, para a liderança do PSDB na Câmara).

— Mas o líder não está!

— O amor é tanto que a gente comemora até na ausência dele (gargalhada geral na mesa).

Na manhã seguinte, Serra tentou atenuar o significado político do jantar. “É claro que falamos da eleição, mas nem foi o principal”. Então, tá! Alckmin, se quiser, que acredite. O governador, a propósito, reafirmou sua disposição de deixar o Palácio dos Bandeirantes em 31 de março.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Na fronteira da insanidade humana

O que você faria se fosse responsável por um jornal ou uma emissora de TV e lhe caísse nas mãos um conjunto de fotos exibindo soldados norte-americanos barbarizando prisioneiros iraquianos? Publicaria ou levaria o material à gaveta?

 

Nesta semana, a emissora australiana Dateline teve acesso a novas imagens de brutalidades praticadas na prisão iraquiana de Abu Ghraib. E decidiu exibi-las ao público. Foi duramente criticada pelo governo dos EUA.

 

O gabinete de George Bush queixou-se de que a divulgação de imagens antigas, registradas há mais de dois anos, poderia incitar atos de violência contra seus soldados que ainda estão no Iraque. Disse, de resto, que os abusos já renderam 25 processos contra soldados norte-americanos.

 

De fato, o episódio não é novo. Foi muito bem relatado, por exemplo, numa pungente reportagem da revista The New Yorker, publicada em maio de 2004 sob o título “Tortura em Abu Ghraib”. A despeito disso, a revista Salon resolveu comprar a briga contra o governo Bush. Veiculou em seu sítio na internet, na última quinta-feira, uma reveladora galeria de fotos.

 

A Salon preocupou-se em explicar aos seus leitores os motivos que a levaram a expor as fotos. Anotou o seguinte no sobre-título da mensagem: “América –e o mundo- têm o direito de saber o que foi feito em nosso nome.”

 

Difícil negar razão aos editores que optaram por exibir o material. O próprio Donald Runsfeld, em depoimento ao Senado dos EUA, dissera em maio de 2004 que os atos de Abu Ghraib “só poderiam ser descritos como sádicos, cruéis e inumanos”. E não há melhor remédio contra a insensatez do que o pleno conhecimento dos limites que demarcam a fronteira da insanidade humana.

 

Se você tem bom estômago, pressione na imagem lá em cima para visitar a galeria da Salon. O signatário do blog avisa que as imagens não são recomendáveis para almas frágeis.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Deputado usa Câmara para divulgar negócio privado

O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) produziu em seu gabinete uma peça de propaganda de uma empresa privada. Utilizando mão-de-obra e material de escritório pagos com dinheiro público, Patriota redigiu uma carta na qual recomenda os serviços da Gráfica ABC BSB Ltda., para impressão de material de campanha eleitoral.

 

Patriota enviou cópia da carta para cada um de seus 512 colegas de Câmara dos Deputados. No texto, datado de 9 de fevereiro e escrito em papel timbrado da Câmara, o deputado apresentou-se como cliente da gráfica. “Ale da qualidade, o preço é o melhor do mercado”, anotou.

 

Junto com a carta (veja cópia abaixo), Patriota remeteu aos colegas uma amostra de uma peça eleitoral que ele próprio teria encomendado à Gráfica ABC BSB. Trata-se de uma tabela de jogos da Copa do Mundo com uma inscrição vazada sobre a foto do parlamentar. Diz o seguinte: “Junto a você na torcida por um Brasil campeão, Gonzaga Patriota – deputado federal”. 

 

 

Carta assinada por Gonzaga Patriota

 

O deputado Patriota sonegou na correspondência que endereçou aos demais deputados uma informação valiosa. Na verdade, ele não é mero “cliente” da gráfica. De acordo com o contrato social da ABC BSB Ltda, arquivado na Junta Comercial de Brasília, o deputado Patriota é dono da gráfica. Nilson Ribeiro, mencionado no texto como contato para os deputados que desejassem fazer “encomendas” é seu sócio.

 

O caso foi revelado nesta sexta-feira pela Agência Nordeste (para assinantes). Fazendo-se passar por secretária de um parlamentar interessado em confeccionar material de campanha, a repórter Andreza Matais discou para Nilson Ribeiro. Ele se disse “amigo” de Gonzaga Patriota. Inquirido acerca da qualidade das peças que imprime, recomendou: “Ligue para o Gonzaga que você vai ver o que ele irá falar.”

 

Ouvido, Patriota disse que a carta que enviou aos colegas “não é propaganda.” Afirmou o seguinte: “Eu sou deputado, tenho o direito de usar o meu papel timbrado, ele é meu. Eu comprei umas tabelinhas de Copa do Mundo, para distribuir para os meus eleitores. E acho que meus colegas não tinham a informação de que essa empresa tem essas tabelas da Copa por um preço bom. Então eu fiz uma carta para a maioria dos colegas (...)”.

 

Perguntou-se ao deputado por que deixou de informar aos colegas que a gráfica é de sua propriedade. E ele: “Não precisava dar essa informação. Apenas disse que essa gráfica tem esse material por um preço bom. A gráfica está quase quebrada essa coitada. Fica lá no Núcleo Bandeirantes (cidade satélite de Brasília)”.

 

Quanto ao fato de ter utilizado papel timbrado da Câmara, Patriota disse: “Isso aí não é nada demais”. Informado a respeito, o corregedor da Câmara dos Deputados, Ciro Nogueira (PP-PI), tem opinião diversa. Disse que o fato foi comunicado ao presidente da Casa, Aldo Rebelo (PcdoB-SP) e pode resultar na abertura de processo para verificar se Gonzaga Patriota faltou com o decoro.

 

Não é a primeira vez que Patriota se envolve em atividades controversas na Câmara. Conforme já noticiado aqui no dia 2 de novembro, ele é mencionado em inquérito aberto a pedido do Ministério Público para apurar o escândalo do mensalinho, aquele que resultou na renúncia de Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara. O deputado já foi inclusive ouvido pela Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

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Preso autor de ameaça contra Delcídio

Foi fácil como tomar pirulito de criança. A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira em Campo Grande o autor da carta anônima com ameaças à família do presidente da CPI dos Correios, Delcício Amaral (PT-MS). Ele se chama Marcos André Ávila de Oliveira. Vem a ser, veja você, um ex-segurança do próprio Delcídio. , 28, que prestava serviços de segurança pessoal para o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral. Pressione aqui para saber dos detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Impasse retarda acesso da CPI a dados de Duda

Um problema de última hora está retardando o acesso da CPI dos Correios aos documentos referentes à movimentação bancária do publicitário Duda Mendonça nos EUA. A Justiça norte-americana exige uma comprovação legal de que o Congresso brasileiro tem poderes para analisar os papéis.

 

O entrave foi comunicado no início da semana por Adam Kaufmann, promotor de Justiça de Nova York, ao diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Antenor Madruga. Enviou-se há dois dias para os EUA cópia da lei número 10.001, editada em 4 de setembro de 2000. Espera-se que a iniciativa consiga desatar o nó.

 

Está acontecendo o seguinte:

 

1. Em visita à Promotoria de Nova York, integrantes da CPI dos Correios obtiveram de Adam Kaufmann e de seu superior hierárquico, o Promotor-chefe Robert M. Morgenthau, a concordância quanto ao compartilhamento dos dados bancários de Duda Mendonça com o Congresso. As informações já se encontram no Brasil. Foram enviadas em novembro do ano passado. Mas só o Ministério Público e a Polícia Federal haviam tido acesso aos documentos;

 

2. A Promotoria de Nova York pediu formalmente à Justiça norte-americana autorização para sacramentar o acordo firmado com os parlamentares brasileiros. Foi quando a Corte de Nova York exigiu a comprovação de que a legislação brasileira permite ao Congresso ter acesso a dados recolhidos em investigação sigilosa;

 

3. A lei 10.001, enviada aos EUA , dispõe sobre a remessa de relatórios de investigações realizadas no Congresso ao Ministério Público e autoridades do Judiciário. Obrigada as autoridades a informar ao Congresso, por meio de relatórios semestrais, sobre o andamento de processos abertos em decorrência de descobertas feitas durante investigações conduzidas por CPIs;

 

4. A lei estabelece ainda que os membros do Ministério Público ou do Judiciário que deixarem de prestar informações ao Congresso ficam sujeitos a “sanções administrativas, civis e penais”;

 

5. Com essa lei, a CPI dos Correios e o o Ministério da Justiça esperam demonstrar às autoridades judiciais dos EUA que os congressistas brasileiros têm poderes que se sobrepõem aos do Ministério Público e da Polícia Federal. Imaginam que será o bastante para que os documentos relativos à movimentação bancária de Duda possam ser, finalmente, compartilhados com o Congresso; 

 

6. As informações são consideradas essenciais pela CPI porque, em depoimento à comissão, em agosto de 2005, Duda reconheceu ter recebido de Marcos Valério R$ 15,5 milhões em 2003. O dinheiro transitou pelo caixa dois. Referia-se ao pagamento de serviços que o publicitário prestara ao PT na campanha de 2002. Desse total, informou Duda à CPI, R$ 10,5 milhões foram depositados no BankBoston de Nova York, em nome de uma empresa offshore chamada Dusseldorf, aberta nas Bahamas. Os papéis enviados dos EUA servirão para dar consistência ao relatório final da CPI.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Boa notícia!

 

Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara, disse que vai colocar em votação no mês de março o projeto que proíbe o nepotismo nas três esferas de poder –Executivo, Legislativo e Judiciário. O anúncio ocorre menos de 24 horas depois de o STF ter decidido que é constitucional a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) -aquela que obriga os Tribunais de Justiça de todo país a demitir parentes de magistrados contratados sem concurso público.

 

O texto que o presidente da Câmara promete levar ao plenário é uma proposta de emenda à Constituição. Já foi inclusive aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Proíbe até a chamada contratação cruzada, mecanismo pelo qual um parlamentar contrata o parente do outro e vice-versa. Segundo Aldo, há concordância dos líderes partidários quanto à conveniência de submeter a proposta à apreciação dos parlamentares.

 

Alvíssaras! Agora, para que a notícia possa ser definitivamente festejada, basta que Suas Excelências aprovem o projeto.

Escrito por Josias de Souza às 14h00

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Escárnio for export!

Angeli
 

Inconformados com absolvição do coronel Ubiratan Guimarães, entidades de direitos humanos vão levar o caso Carandiru à OEA (Organização dos Estados Americanos). Além disso, o procurador Antonio Visconti tentará reverter a decisão na própria Justiça. Em 92, O coronel Ubiratan comandou a PM de São Paulo na invasão ao presídio, que resultou no extermínio de 111 detentos.

Escrito por Josias de Souza às 07h38

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As manchetes desta sexta

 

- JB: A guerra do Rio - Cidade sitiada

- Folha: STF determina que juízes têm de demitir parentes

- Estadão: Juízes têm de demitir parentes, decide STF

- Globo: Guerra na Rocinha - Por que a polícia não apareceu?

- Correio: STF termina com a farra do nepotismo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h21

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A prosperidade do filho de Lula

De Fernando Rodrigues, na Folha de hoje (para assinantes):

 

“Além de ter feito um aporte de capital de R$ 5 milhões na empresa de Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente da República, a Telemar, maior operadora de telefonia fixa brasileira, também gasta anualmente outros R$ 5 milhões com patrocínio e produção nos programas de TV da Gamecorp. O dinheiro é usado para comprar espaço nas emissoras e colocar a atração no ar.


O número exato do investimento de publicidade é de R$ 4,989 milhões. São R$ 415,75 mil mensais. Os valores são oficiais e fornecidos pela Telemar. O dinheiro é dividido entre programas transmitidos pela TV Bandeirantes e Mix TV -essa última uma emissora apenas captada em UHF (forma de transmissão de baixo alcance) ou em algumas operadoras de TV a cabo.

A Telemar argumenta que se trata de um investimento estratégico e com bom retorno. Visa atingir um público específico. São, ao todo, quatro programas de 30 minutos e um de três minutos. O que tem maior audiência pontuou 0,92 ponto no Ibope nacional (505.440 de pessoas sintonizadas) e 1,12 ponto na Grande São Paulo (197.960 pessoas). Os números são de janeiro.


A empresa de Telefonia não está sozinha no patrocínio da Gamecorp. Outras empresas de porte já fizeram propaganda nos programas de TV sobre videogames produzidos pela empresa do filho de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os que já anunciaram estão Gradiente e Sadia.


A Gradiente é do empresário Eugênio Staub, um dos primeiros homens de negócios de porte que manifestou apoio a Lula em 2002. A Sadia é a empresa onde fez carreira o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).


A Gamecorp passou a ter grande prosperidade depois que Lula chegou ao Palácio do Planalto. A entrada da Telemar se deu no final de 2004, tendo sido oficializado no início de 2005. O capital social da empresa está registrado com um valor de R$ 5,2 milhões. Desse total, R$ 5 milhões saíram da Telemar.


A entrada da Telemar na Gamecorp serviu para que a empresa deslanchasse. Antes, o filho de Lula já fazia um programa de TV modesto que era transmitido num horário comprado na TV Bandeirantes. Depois, expandiu sua programação para a Mix TV, -do empresário João Carlos Di Genio, dono de uma rede de escolas e faculdades.” (...)

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Garotinho convida senadora para vice

Alheio aos entendimentos do presidente do PMDB, Michel Temer, com outros partidos, o pré-candidato Antony Garotinho convidou a senadora Íris de Araújo (PMDB-GO) para compor a sua chapa como candidata a vice-presidente. Íris é mulher de Íris Rezende, ex-governador de Goiás, ex-senador, ex-ministro da Justiça e atual prefeito de Goiânia. Embora tenha pedido tempo para pensar, a senadora já emitiu sinais de que deve aceitar o convite de Garotinho.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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PMDB e PPS se unem para costurar a terceira via

PMDB e PPS fecharam nesta quinta-feira um entendimento que tem a pretensão de consolidar uma alternativa à polarização entre PSDB e PT na disputa presidencial de 2006. Aposta-se na viabilização da chamada “terceira via.”

 

Para marcar o início da articulação, os presidentes dos dois partidos, Michel Temer (PMDB) e Roberto Freire (PPS), acertaram a realização de um grande seminário. Tem o objetivo de debater projetos alternativos para o país.

 

O encontro será feito antes das prévias que definirão o nome do candidato oficial do PMDB, marcadas para 19 de março. Disputam a vaga o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e o ex-governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho.

 

Embora a data do seminário ainda não esteja fechada, o mais provável é que ocorra no próximo dia 8 de março, em Brasília. Ouvido pelo blog, Roberto Freire revelou as segundas intenções que se escondem por trás do encontro.

 

“É evidente que isso será mais do que um seminário. Desde o início que venho afirmando que o PMDB tem uma rara oportunidade de resgatar a sua história.” Articulador do encontro, o deputado Raul Jungmann (PE), eleito pelo PMDB e hoje filiado ao PPS, ecoa Freire: “Estamos diante da perspectiva de recomposição do velho MDB com as outras forças democráticas do país.”

 

O interesse pela construção de uma alternativa presidencial perpasse todo o entendimento: “O Brasil assiste a um disputa vexatória entre PT e tucanos, para saber qual dos dois governos é o mais corrupto”, diz Freire. “Não é possível que a eleição se resuma a isso. Temos de mostrar aos eleitores que há outras alternativas”.

 

Pretende-se atrair para o seminário governadores e lideranças dos dois partidos. O tema será “Desenvolvimento Econômico e Segurança Social”. Imagina-se realizar, depois das prévias peemedebistas, pelo menos mais dois encontros do gênero.

 

Candidato à presidência pelo PPS, Freire evita mencionar como seria composta a chapa da pretensa “terceira via” caso o namoro dos seminários resulte em casamento eleitoral. “Não tem que falar nisso agora. Até porque nossa idéia é atrair para o entendimento outros partidos, como PDT e PV. Se viermos a construir uma alternativa, precisamos ver se podemos lutar todos juntos. Qualquer discussão sobre nomes agora atrapalharia.”

 

Embora não verbalizem publicamente, tanto a ala do PMDB representada por Temer quanto o PPS revelam entre quatro paredes nítida preferência pelo nome de Germano Rigotto. Diz-se que o governador gaúcho, diferentemente de Garotinho, representaria melhor o chamado “PMDB histórico.”

 

Para a direção do PMDB, a demonstração de que é possível costurar alianças com outras legendas serviria para inibir o esforço da ala governista do partido para forçar uma aliança com o PT de Lula ainda no primeiro turno. Trabalha-se com a hipótese de que, à margem da disputa renhida entre Lula e o candidato que vier a ser definido pelo PSDB, pode-se construir uma alternativa eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

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Confusão no ninho

A bruxa baixou no ninho tucano. À medida que avançam as articulações internas do PSDB para definir o seu candidato à presidência da República, vai ficando claro que o tucanato tem um estilo peculiar de perseguir o consenso. Quanto mais conversam, menos se entendem.

 

Depois  de muito confabular com seus companheiros de plumagem, Tasso Jereissati, presidente do PSDB, decidiu apressar o passo. Contou para meio mundo que a escolha entre Geraldo Alckmin e José Serra seria feita até 10 de março.

 

Nesta quinta-feira, em São Paulo, Tasso revelou publicamente as suas aflições. Disse que a demora “está prejudicando o partido”. Eis o seu raciocínio: “É como se tivesse uma campanha com um só candidato aberto (Lula).”

 

Pois bem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ouvido sobre o mesmo tema. E o que disse? Ora, o oposto. Acha que o povo não tem a menor pressa. “A ansiedade é nossa, dos políticos, e de vocês, jornalistas", disse ele.

 

Não é só: munida de opiniões de especialistas em marketing político, a cúpula tucana concluiu que FHC deveria ter uma participação mais discreta na campanha. Concluiu-se que, ao polarizar pessoalmente com Lula, ele acaba ajudando o adversário.

 

Adivinha o que pensa FHC sobre esse ponto? Não está nem aí. "Isso não é problema meu”, disse ele. “Eu vou continuar a falar sobre o Brasil". De duas uma: ou o grão-tucanato está completamente errado em suas análises de conjuntura, ou FHC decidiu dar uma mãozinha para ao Lula.

O alto tucanato esteve todo reunido nesta quinta-feira em São Paulo. As principais lideranças do partido participaram de um debate organizado pelo Instituto Teotônio Vilela, vinculado ao PSDB, e pelo Iedi, entidade empresarial dirigida por Josué Gomes, filho do presidente José Alencar.

Principal debater do encontro, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, fez uma defesa enfática da política econômica do governo Lula que, para ele, dá continuidade à do governo anterior. “A estrada não está pavimentada, mas está na direção certa”, disse Fraga. Avaliou que “as condições para a queda da taxa (de juros) são excelentes.”

Os empresários presentes cobraram idéias inovadoras. FHC tratou de defender as teses de Fraga. E os dois pré-candidatos do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin e José Serra, embora lá estivessem, não abriram o bico.

O curioso, veja você, é que o nome do encontro era “Renovar Idéias – Política Monetária e Crescimento Econômico do Brasil.” Na saída, Serra arriscou uma crítica ao atual governo: “O Lula dizia que os juros eram altos, na época do Fernando Henrique, por causa dos bancos. E ele jogou os juros mais para cima ainda. O PT diz uma coisa e, na prática, faz outra (...).”

O diabo é que as pessoas que assistiram ao debate ficaram sem saber o que o PSDB, de volta ao poder, fará, afinal, de diferente.

Escrito por Josias de Souza às 22h20

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Sururu no Fim do Mundo

PT e PSDB voltaram a se estranhar nesta quinta-feira. Deu-se durante uma reunião da CPI dos Bingos, aquela que o governo chama de comissão do “Fim do Mundo”. De fato, o ambiente ficou de tal forma conturbado que, para evitar o Apocalipse, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), teve de encerrar a sessão antes do tempo.

 

O embate opôs o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e o deputado José Mentor (PT-SP). Os dois foram, respectivamente, presidente e relator da CPI do Banestado. Protagonizaram à época uma rivalidade que acabou por envenenar os trabalhos da comissão, que resultou em fiasco. Concluiu os seus trabalhos sem aprovar um relatório final.

 

A desavença foi reavivada nesta quinta por conta do depoimento do juiz Julier Sebastião da Silva, da Justiça Federal de Mato Grosso, Estado de Antero. O magistrado foi convocado para falar sobre as relações de Ronan Pinto, empresário de ônibus de Ribeirão Preto, com João Arcanjo Ribeiro, o “comendador” do crime organizado de Mato Grosso.

 

Súbito, o depoimento do juiz descambou para o bate-boca entre petistas e tucanos. Mentor acusa Antero de ter utilizado R$ 240 mil em verbas sujas do “comendador” Arcanjo no caixa dois de sua campanha eleitoral. Responsável pelo julgamento de processos que resultaram na condenação do “comendador”, o juiz Julier confirmou à CPI ter recebido de Mentor e da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) cópia de um relatório com acusações de envolvimento de Antero com o crime organizado.

 

O juiz disse à CPI que, tendo recebido o relatório dos petistas, mandou que fosse anexado aos autos do processo contra o "comendador". Fez mais: encaminhou a papelada ao Ministério Público, em função das menções feitas a um senador da República. Antero abespinhou-se. Disse que processará o juiz. Chamou-o de “mentiroso”. Foi então que se instalou o sururu. Pressione aqui para ler os detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 19h14

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Supremo ordena fim do nepotismo no Judiciário

Bestgraph
O STF acaba de tomar uma decisão histórica, digna de festejos. Por nove votos a um, os ministros do Supremo consideraram constitucional a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que proíbe o nepotismo no Judiciário. O único voto contrário foi do ministro Marco Aurélio de Mello.

 

Com isso, a partir da publicação da decisão do STF, todos os tribunais de Justiça do país estarão obrigados a demitir os parentes de magistrados que entraram na folha de salários do Estado pela janela, sem concurso público.  

Em entrevista que acaba de conceder, o ministro Nelson Jobim, que preside o Supremo e é também presidente do CNJ, disse que estarão sujeitos a processos por improbidade administrativa os presidentes de tribunais que continuarem autorizando o pagamento de salários de parentes de magistrados.

É preciso agora que a sociedade se mobilize para que a proibição se estenda também aos Poderes Executivo e Legislativo. 

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Bornhausen admite composição PSDB-PMDB-PFL

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, admitiu, em entrevista ao blog, a hipótese de sentar-se à mesa para articular uma composição a três para as eleições presidenciais de 2006, unindo PSDB, PFL e PMDB. “Acho que quem quer ganhar eleição não pode deixar de examinar todas as hipóteses”, disse o senador. “A meta tem que ser derrotar o Lula. O país não agüenta mais quatro anos de incompetência.”

 

Abaixo, as principais declarações de Borhausen:

 

- Em reunião com um líder do PMDB, FHC sondou o partido sobre o interesse de oferecer o vice na chapa do PFL. O que acha? A decisão é do PSDB. Até aqui, eles sempre colocaram a hipótese de compor com o PFL. Mas eu não sou obstáculo. Para ganhar uma eleição, é preciso examinar todas as fórmulas. O problema não é esse tipo de espaço, de vice ou não vice. O problema é ganhar a eleição.

 

- Participaria de um entendimento a três, com PSDB, PFL e PMDB? Acho que quem quer ganhar não pode deixar de examinar a melhor hipótese. A meta tem que ser derrotar o Lula. O país não agüenta mais 4 anos de incompetência.

 

- O PFL já definiu quem será o vice na chapa com o PSDB? O cronograma do partido não pode começar por aí. Temos um compromisso com o César Maia, que terá de responder até março (se é candidato a presidente ao não). Antes disso, nenhuma palavra pode ser dada. Combinei com ele que iríamos conversar após a definição do PSDB e do PMDB. Calculo que ali pelo dia 20 ou 21 (de março) a gente tenha essa conversa. Se César Maia informar que não é candidato, temos de reunir o partido para saber se desejamos ter outro candidato ou se vamos encaminhar a negociação da coligação com o PSDB. Essa é a segunda etapa, que se dará após a conversa com César Maia. Autorizada a conversa com o PSDB, tem que começar pelas questões estaduais. O que é importante numa eleição é ganhar. E, para ganhar, é preciso compor bem os Estados.

 

- José Agripino já disse publicamente que os dois nomes para a vice são o dele e o seu. Não é isso? É evidente que, quando chegarmos a essa etapa, lá para o mês de maio, tem que conversar com o candidato a presidente para saber que perfil ele deseja. Não adianta querer colocar um candidato que não tenha um bom relacionamento e um perfil adequado. Preenchido esse perfil, é livre a manifestação, cada um pode apresentar a sua candidatura. Não estou preocupado com isso no momento. Temos que cumprir o cronograma para fazer o melhor para ganhar a eleição.

 

- Por que ACM se opõe ao seu nome? Não considero que ele tenha aberto baterias contra mim. Ele não me falou nada pessoalmente. Como isso não está na pauta para mim, sobre essa questão não tenho nada a comentar.

 

- Seu nome está ou não no tabuleiro? Coloco o meu nome à disposição para disputar a presidência da República. Se o partido quiser ter candidatura própria e o César não quiser, eu coloco o meu nome à disposição. Mas a candidatura a vice não é uma questão de colocar o nome. Ninguém é candidato a vice. Ou você é candidato a presidente ou o partido deseja, para complementar uma chapa, nomear A, B ou C. Meu nome está à disposição, se o César Maia não quiser, para disputar a presidência.

 

Leia mais no despacho abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Se PSDB lançar Alckmin, PFL irá de César Maia

Jorge Bornhausen informa que César Maia, prefeito do Rio e pré-candidato do PFL à presidência da República, mantém a intenção de só abrir mão da própria candidatura se for em favor do tucano José Serra. E não há hipótese de Maia vir a ser atropelado pelos pefelistas. “Compromisso é compromisso. Precisa ser cumprido. Se ele disser que vai ser candidato, ele vai ser candidato.”

 

Continue lendo abaixo a entrevista do presidente do PFL: 

 

Lula subiu nas pesquisas. A está errando? “Não acho que estejamos incorrendo em erros. Acho que o processo de modificação que se iniciou em dezembro foi fruto de uma estratégia acertada do governo. Começou no momento em que ele provocou uma convocação (extraordinária do Congresso) esdrúxula. Viraram-se as baterias contra o Congresso. E isso aliviou muito para o Lula. Essa convocação foi examinada politicamente pelo presidente, não tenho dúvida disso. Aquela absolvição do deputado Romeu Queiroz também contribuiu para que as baterias se virassem contra o Congresso. E houve uma massiva propaganda do governo. Tudo isso facilitou o momento para o crescimento da candidatura do Lula. Mas quando terminar junho, você não tem mais propaganda oficial, a mídia tem que ser igual entre os candidatos. Aí vai começar a descida, porque ele não reconquistou aqueles que ganham a eleição, que são os eleitores de classe média. A gente não pode errar é pra frente.

 

- Postergar a definição do nome do candidato da oposição seria um erro? A definição do candidato vai ser rápida. Os próprios candidatos estão ansiosos por uma definição. Até 10 de março isso está resolvido. Depois disso, se a intenção for de formalizar uma composição com o PSDB, o candidato vai ter que agir nos casos urgentes. Um deles é o Rio de Janeiro. Não temos nem por parte do PFL nem do PSDB um candidato forte no Estado, que é um dos principais do país. Essas ações não podem ser exercidas pelas cúpulas. Podemos ajudar, mas é o candidato que precisa agir.

 

- César Maia só desiste da candidatura se o candidato do PSDB for o Serra? Essa foi a manifestação dele para mim. Combinei com ele que, a partir dessas definições do PSDB e do PMDB iria procurá-lo. Acho importante esperarmos a decisão do PMDB. A gente vê o perfil do candidato que vai sair. Além disso, se a votação nas prévias for expressiva, é uma coisa. Se for uma votação pífia, é outra.

 

- Mas se o PSDB optar por Geraldo Alckmin, o PFL não pode atropelar o César Maia? Não há hipótese. Compromisso é compromisso. Precisa ser cumprido. Se ele disser que vai ser candidato, ele vai ser candidato. Já imaginou o prefeito do Rio renunciar e o partido deixá-lo sem candidatura? Impossível. A homologação da pré-candidatura dele foi aprovada por unanimidade.

 

- Acha que isso vai pesar na definição dos tucanos? Tudo isso pesa. Acho que eles têm uma tarefa difícil. Mas não quero importar para dentro do PFL um problema que não é nosso. Bastam os problemas que eu já tenho.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Consulta às bases

Da coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes):

 

Um grupo de banqueiros e economistas pesos-pesados deve se reunir amanhã, no Rio, com o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. O convite ao governador de SP partiu da Casa das Garças, da qual fazem parte Edmar Bacha, Armínio Fraga e André Lara Rezende, entre outros.

Escrito por Josias de Souza às 07h28

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As manchetes desta quinta-feira

 

- JB: A guerra do Rio - Tráfico aprisiona a cidade

- Folha: Justiça inocenta coronel do massacre no Carandiru

- Estadão: MP vai reduzir rolagem da dívida rural e Congresso reage

- Globo: Sem polícia, guerra do tráfico volta à Rocinha

- Correio: R$ 95 milhões jogados fora

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Justiça seja feita

Glauco
 

Nada menos que 76% dos parentes de juízes e desembargadores que entraram na máquina do Poder Judiciário pela janela, sem concurso, ainda não foram demitidos. Isso a despeito de ter vencido na terça-feira o prazo fixado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para que toda a parentela dos magistrados fosse posta no olho da rua.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Rigotto pede licença para mergulhar na campanha

Lula Marques/Folha Imagem
 

Germano Rigotto pediu nesta quarta-feira licença não-remunerada do cargo de governador do Rio Grande do Sul. O pedido foi endereçado à Assembléia Legislativa gaúcha. Vale para o período compreendido entre os dias 26 fevereiro a 20 de março.

Pré-candidato do PMDB às eleições presidenciais, o governador gaúcho quer se desvencilhar dos afazeres administrativos para dedicar-se exclusivamente à campanha para as prévias do partido, marcadas para 19 de março. Rigotto tem muito trabalho pela frente.

Seu adversário no PMDB, o ex-governador do Rio Antony Garotinhos dedica-se há meses à tarefa de fazer contato pessoal com os convencionais do partido. Nesta quarta-feira, os peemedebistas definiram as regras que irão vigorar nas prévias.

O ponto que despertou maior controvérsia na reunião da executiva do partido, da qual participaram os dois postulantes (na foto, ao lado de Michel Themer), o debate em torno do dispositivo que fixa peso diferenciado para os Estados, conforme a proporcionalidade entre os votos obtidos pelo PMDB em cada unidade da federação e o total de votos do partido no país. Definiu-se que serão computados apenas os votos computados nas eleições para deputado federal e senador.

Embora os cálculos ainda não tenham sido feitos, sabe-se desde logo que São Paulo terá um peso específico maior na definição do índice. Algo que, em tese, favorece Rigotto, formalmente apoiado pelo ex-governador Orestes Quércia, que deteria o controle da máquina partidária no Estado.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Pesquisas do PSDB apontam para Serra

Os primeiros resultados das pesquisas de opinião encomendadas pelo PSDB indicam aquilo que todos os institutos já vinham apontando: o prefeito paulistano José Serra é o tucano mais competitivo para a disputa contra Lula.

Nova rodada de pesquisas será concluída antes do final de semana. Aposta-se que confirmarão o cenário que desfavorece a opção pelo governador Geraldo Alckmin (São Paulo). Nesta quarta-feira, a cúpula do partido reuniu-se em Brasília com o cientista político Antonio Lavareda, do instituto de consultoria MCI.

Para desassossego do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que propusera uma auditoria nos números da pesquisa CNT-Sensus, Lavareda informou que também as pesquisas feitas por encomenda do partido detectam uma recuperação da popularidade de Lula. Atribuiu a tendência à intensificação da propaganda oficial do governo à exposição a que Lula vem sendo submetido.

Além de Virgílio, participaram da reunião com Lavereda o presidente e o secretário-geral do PSDB, respectivamente Tasso Jereissati (CE) e Eduardo Paes (RJ). Ouviram de Lavareda a avaliação de que outros dois fatores pesaram a favor de Lula: as últimas ações do governo e o distanciamento das denúncias que provocaram, no ano passado, a queda de popularidade do presidente.

Conforme divulgado aqui ontem, o tucanato passou a discutir internamente o papel de Fernando Henrique Cardoso na disputa eleitoral de 2006. Concluiu-se que os ataques desferidos pelo ex-presidente contra Lula e o PT podem ter gerado uma espécie de “efeito bumerangue”, surtindo efeito inverso do que era esperado. 

Avalia-se abertamente que a campanha do partido deve se dissociar da imagem de FHC. Mais: seria conveniente que FHC se distanciasse da cena política, reservando suas opiniões ao público interno. Falta definir o nome do tucano com um bico rijo o bastante para enjaular o gato.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Lula planeja repetir em 2006 estilo “paz e amor”

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em conversa com um de seus ministros, Lula expôs na última terça-feira detalhes da estratégia que pretende adotar nas eleições presidenciais deste ano. Disse que não vai aceitar provocações de adversários. Pretende reeditar em 2006 o padrão “Lulinha paz e amor” que adotou na campanha de 2002, quando derrotou o tucano José Serra.

 

Recordando os ensinamentos de Duda Mendonça, o marqueteiro do qual teve de se afastar em função do escândalo do mensalão, o presidente disse que acusações não ganham eleição. O povo estaria mais interessado em ouvir propostas. Nessa matéria, já tem clareza do que irá dizer: precisa de um segundo mandato para completar a sua obra, recolocando o país na trilha do desenvolvimento econômico.

 

De resto, apostará na comparação do seu governo com a gestão do antecessor Fernando Henrique Cardoso. Julga que o confronto lhe é amplamente favorável, tanto nos resultados econômicos quanto na evolução dos indicadores sociais. A exposição dos dados, acredita, irá conferir ao candidato do PSDB, seja ele quem for, a incômoda aparência de retorno a um passado que o povo rejeitou em 2002.  

 

Lula disse não ter dúvidas de que o candidato tucano, seja o prefeito José Serra ou o governador Geraldo Alckmin, partirá para o ataque, acusando o PT e o seu governo de corrupção. Se isso se confirmar, pretende transferir para o partido a responsabilidade de dar as devidas respostas.

 

O presidente avalia que a estratégia reforça a linha que vem adotando até aqui, que é a de tentar circunscrever as irregularidades já detectadas ao âmbito partidário, preservando a sua figura e a instituição da presidência. Por esse raciocínio, os problemas teriam ocorrido à sua revelia. Quando informado, tomou as providências que estavam ao seu alcance. A Polícia Federal, afirma, “nunca trabalhou com tanta liberdade nesse país.”

 

Para Lula, mesmo o PT deve administrar com parcimônia os ataques aos adversários. O partido se limitaria a responder as provocações. Continuaria sustentando a tese de que o mensalão não foi provado. Os deslizes do partido teriam se restringido à prática do caixa dois, comum a todos os partidos. Achou correta a iniciativa anunciada pelo deputado Ricardo Berzoini de processar FHC por ter dito que “a ética do PT é roubar”.

 

Durante a conversa, Lula revelou uma ponta de preocupação com a possibilidade de surgirem novas denúncias nos próximos meses. Disse, por exemplo, ter sido informado de que uma revista semanal planejaria publicar reportagem contra um de seus filhos. Receia também pelo conteúdo do relatório final da CPI dos Correios. Está apreensivo, de resto, com o novo depoimento que Duda Mendonça prestará à CPI.

 

Outro foco de tensão é a investigação que vem sendo conduzida pelo Ministério Público. O presidente foi informado de que o resultado, quando divulgado, causará enorme impacto. Disseram-lhe, porém, que a apuração trará dores de cabeça para vários parlamentares, mas nada teria sido levantado contra ele.

 

Em relação à definição do candidato do PSDB, Lula acha que a conjuntura aponta para a escolha de Geraldo Alckmin. Aposta que, num cenário de risco, José Serra não se animará a deixar a prefeitura de São Paulo. Algo que lamenta. Julga que Serra seria um adversário mais fácil de ser batido. Ex-ministro de FHC, Serra facilitaria a comparação que pretende estabelecer com a gestão anterior. Alckmin, na sua opinião, tem mais cara de novidade.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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CPI acaba até 20 de março, diz Delcídio

  Lula Marques/F.Imagem
Acaba de terminar o depoimento de Dimas Toledo na CPI dos Correios. Antes de dar a reunião por encerrada, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que não vai permitir que a inclusão de última hora da "lista de Furnas" no rol de temas investigados pela CPI provoque o adiamento da conclusão dos trabalhos. "Concluiremos a votação do relatório final até o dia 15, 20 de março", afirmou.

Delcídio declarou que, a seu ver, o essencial em relação ao novo caso é comprovar se a tal lista, que traz os nomes de 156 políticos supostamente beneficiados com um caixa dois de R$ 40 milhões em 2002, é autêntica. "Nesse sentido, é fundamental um posicionamento da Polícia Federal, para que não fiquemos trabalhando em cima de coisas que não tenham validade."

Para Delcídio, a depender das conclusões finais da CPI dos Correios, "pode-se resgatar a imagem de um instrumento importante à disposição do Congresso." As últimas comissões de inquérito, disse ele, não contribuíram para a credibilidade das investigações conduzidas por parlamentares.

"Temos que chegar a um relatório que não brigue com os fatos", disse o senador. Além de responsabilizar os "verdadeiros envolvidos", a CPI deve ter a "coragem de isentar pessoas que eventualmente tenham sido envolvidas injustamente com os espísódios divulgados."

Mais cedo, Delcídio (na foto) foi às lágrimas ao receber a solidariedade massiva dos integrantes da CPI em função da carta anônima que sua mulher encontrou na caixa de correspondências da casa do senador em Mato Grosso do Sul. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou que ordenou à Polícia Federal que investique o episódio, com o objetivo de identificar o autor da ameaça.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

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Virgílio lê na CPI ata de reunião com super-heróis

Num esforço para desqualificar a chamada “lista de Furnas”, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), leu durante a sessão da CPI dos Correios, a mesma em que Dimas Toledo está sendo inquirido, a “ata” de um encontro fictício. O papel estava autenticado em cartório.

 

O encontro ficcional teria reunido políticos governistas, entre eles a líder do PT, Ideli Salvatti, e personagens de histórias em quadrinhos –Clark Kent (Super-Homem) e Bruce Wayne (Batman), por exemplo. No encontro, teriam sido decididos vários disparates. Por exemplo: deslocamento em um quilômetro e meio “o Oceano Atlântico” e proibição de que o peixe-serrote “freqüentasse o oceano Pacífico”.

 

“Precisamos ter um comportamento responsável e institucional”, disse Virgílio. Argumentou que a ata que acabara de ler demonstrava como era fácil forjar documentos, registrando-os em cartório. Virgílio disse ainda que alguém colocara “por baixo da porta” de seu gabinete uma nova lista. Acrescentaria 35 nomes, todos do PT, aos 156 que já constavam na relação que está sendo investigada pela Polícia Federal.

 

Analisando a “nova lista” trazida à baila por Virgílio, o deputado Carlos Abcalil (PT-MT) constatou que se tratava, na verdade, de uma relação antiga, vinculada ao caixa dois da campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 98. Virgílio argumentou que a relação tinha a mesma “matriz” da atual. Fora divulgada pelo lobista mineiro Nilton Monteiro. Um personagem que o senador classificou como “embusteiro”, “estelionatário” e “falsário”, entre outros adjetivos.

 

A líder petista Ideli Sanvatti aproveitou para defender a marcação do depoimento de Nilton Monteiro, aprovada pela CPI em agosto do ano passado. Virgílio disse que não se opõe, desde que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) compareça à CPI antes, para dizer se a “lista de Furnas” é falsa ou verdadeira. “Ele pode vir aqui para dizer que meus argumentos são tolos. Mas o silêncio, nessa hora, não é um bom conselheiro para o ministro."

 

No rastro de Virgílio, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) também leu na CPI um documento com a sua própria assinatura, reconhecida em cartório do Rio, responsabilizando-se integralmente pelo escândalo do mensalão. Insinuou que a assinatura era falsa. Disse que encaminharia o "documento" à direção da CPI. José Eduardo Cardozo (PT-SP) interveio. Disse que Paes acabara de expôr um crime. Requisitou à mesa diretora a abertura de inquérito para apurar o episódio. Em recuo estratégico, Paes não entregou o documento como prometera. 

Coube ao próprio Eduardo Cardozo, o petista mais ponderado a intervir no debate, repor a discussão nos seus devidos termos. Ele afirmou que a “lista de Furnas” é secundária no contexto das apurações. O que justifica a inclusão do tema no rol de itens que merecem investigação da CPI são as afirmações do deputado cassado Roberto Jefferson. “Ele disse que recebeu R$ 75 mil do suposto caixa dois de 2002 e que negociou repasses da estatal em troca da manutenção do sr. Dimas Toledo na diretoria de Furnas. Isso nos obriga a investigar.”

Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, tentou constranger o colega. Disse que, se as declarações de Jefferson fossem levadas ao pé da letra, a CPI teria de voltar a considerar a hipótese de pedir o impeachment de Lula. Eduardo Cardoso não se deu por achado. Disse que, diferentemente de outros parlamentares, disse desde o início que as acusações de Jefferson, verdadeiras ou falsas, deveriam ser investigadas. 

Escrito por Josias de Souza às 22h57

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Dimas diz à CPI que lista de Furnas é falsa

  Lula Marques/F.Imagem
Em depoimento à CPI dos Correios, iniciado há pouco, o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo disse que a chamada “lista de Furnas” é “uma montagem”, “uma falsificação”. Disse que foi forjada com o objetivo de “manchar a imagem de pessoas e empresas.”

 

“Nunca ajudei financeiramente a nenhum parlamentar ou pessoa ali (na lista) nominada. Quero inclusive me solidarizar com todos os envolvidos, pelo transtorno que essa farsa possa estar provocando.”

 

Repetindo declarações que já fizera em depoimento à Polícia Federal, Dimas Toledo disse que jamais se encontrou com o lobista mineiro Nilton Monteiro, responsável pela divulgação da “lista de Furnas”. “Não tenho a menor idéia de por que esse cidadão fez isso.”

 

Em seguida, o ex-diretor de Furnas disse que Monteiro dirigiu-se à estatal para defender interesses de uma empresa chamada JP Engenharia, de São Paulo. As gestões não prosperaram. Por isso, insinuou Dimas, o lobista pode estar agindo por vingança.

 

“No início de 2004, fevereiro ou março, ele (Monteiro) telefonou para Furnas três ou quatro vezes, querendo falar comigo”, disse Dimas. “Não atendi porque estava ocupado. Num dos telefonemas, ele me ameaçou. Disse a minha secretária que ele iria, como membro do Partido Trabalhista (depois esclareceu tratar-se do PT), iria procurar o presidente Lula e pedir a minha demissão. Mandei dizer a ele que ficasse à vontade.”

 

Dimas Toledo negou também acusações feitas pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O ex-presidente do PTB sustenta ter recebido os R$ 75 mil a ele atribuídos na "lista de Furnas" das mãos do próprio Dimas. “Isso nunca aconteceu. Eu só conheci o deputado em 2005.”

 

O ex-diretor de Furnas reconheceu ter visitado Jefferson, no apartamento dele, na noite de 13 para 14 de abril do ano passado. O ex-deputado diz que, nesse encontro, Dimas formalizou uma proposta que previa a divisão do caixa dois de Furnas –“R$ 3 milhões”- entre PT e PTB -R$ 1,5 milhão por mês para cada partido.

 

Dimas nega. Disse ter comparecido ao encontro a convite de Jefferson. Soube, pelos jornais, que o governo havia atribuído ao então presidente do PTB a prerrogativa de substitui-lo na diretoria de Furnas. E foi ao deputado para “tentar convencê-lo a indicar alguém do quadro técnico de Furnas.” Segundo as palavras de Dimas, Jefferson mentiu.

 

Perguntou-se também a Dimas se conhece Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. "Sim", disse ele. "Conheci o Delúbio Soares no final de 2002, quando as eleições já estavam definidas. Ele queria saber o que fazia Furnas. Tivemos uma conversa muito boa." Tratou-se de verbas para campanhas? "Não, de jeito nenhum." Disse ter sido visitado em Furnas também por Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, que queria se informar sobre os cargos disponíveis em Furnas, no início do governo Lula.

 

O depoimento suscita a quem o acompanha algumas inquietações. O expectador fica sabendo, por exemplo, que a substituição de um diretor técnico de estatal foi debatida na calada da noite no apartamento de um deputado que, hoje, declara abertamente que estava atrás de compensações financeiras. Descobre-se também que o tesoureiro do partido oficial, antes mesmo da posse, peregrinava por gabinetes de estatais para saber "o que faziam". E o secretário-geral do mesmo partido dirige-se ao diretor de engenharia de Furnas para saber que cargos poderia barganhar politicamente. É tudo estranho, muito estranho, estranhíssimo.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Enquanto Dimas não chega...

 

 

A noite será longa. Previsto para as 11h, o depoimento de Dimas Toledo, o homem de Furnas, foi adiado para as 16h30. Horário que, de novo, foi descumprido, em função da cerimônia de reabertura do ano legislativo, ainda em curso no plenário da Câmara.

 

Assim, como lenitivo para a sujeira que está por vir, o signatário do blog oferece a seus (poucos) leitores a oportunidade de contemplar a estrela da edição especial da revista Sports Illustrated, dedicada aos trajes de banho.

 

Neste ano, a revista escolheu como modelo a tenista russa María Sharapova. No ranking da ATP, ela figura em quarto lugar. Vendo as fotos, muitos haverão de considerá-la a número 1. Às leitoras, sugiro que reparem nos trajes da jovem. São um luxo. Pressione na imagem para ir até o sítio da revista.

Escrito por Josias de Souza às 16h20

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Líderes do PSDB querem FHC longe da cena eleitoral

Lideranças do PSDB começam a defender internamente a tese de que Fernando Henrique Cardoso passe a ter uma participação mais discreta na cena política. Acham que a superexposição a que o ex-presidente vem se submetendo nas últimas semanas está influindo na recuperação de Lula nas pesquisas.

 

Pelo menos um dos integrantes da cúpula do PSDB defende uma posição ainda mais radical. Acha que a discrição de FHC não bastaria. Acredita que ele ajudaria mais se concordasse em se afastar em definitivo do noticiário, restringindo suas opiniões ao público interno.

 

O tucanato encomendou uma rodada de pesquisas qualitativas para auxiliar na escolha do candidato do PSDB à presidência. Além de buscar dados sobre a imagem dos dois contendores –o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra-, incluíram-se nas sondagens perguntas que permitirão aferir o prestígio de FHC.

 

Começa a se disseminar entre os tucanos a sensação de que, ao radicalizar o debate com o PT, FHC reproduz o ambiente da eleição de 2002. Algo que ajudaria o adversário. Lula foi eleito em 2002, recorda um dos líderes ouvidos pelo blog, justamente porque a sociedade buscava algo diferente de FHC.

 

Desgastado à época pelos efeitos do poder longevo –estava à frente do governo havia oito anos-, FHC chegou a ser considerado em 2002 como uma influência negativa para a campanha de José Serra, candidato derrotado por Lula em segundo turno.

 

FHC vem pontificando no noticiário com expressões fortes. Numa oportunidade, aconselhou aos seus companheiros de partido que chamassem o PT “para a briga”. Noutra, disse que “a ética do PT é roubar”.

 

Na opinião de uma parte da cúpula do PSDB, o timbre agressivo teria passado à opinião pública a impressão de que, a exemplo do que ocorreu em 2002, a eleição de 2006 reproduziria o embate FHC X Lula. O que seria um erro estratégico.

 

Para os críticos da efervescência discursiva do ex-presidente, o partido precisa virar a página da era FHC. Defendem que, sem abandonar a linha do ataque aos erros do governo Lula, o partido passe a centrar o discurso de campanha numa plataforma propositiva, escorada no desenvolvimento econômico.

 

Os mesmos críticos acham que FHC erra também ao promover articulações políticas à margem da direção formal do partido. Causou irritação no partido notícia divulgada aqui a respeito de encontro com um líder do PMDB, no qual FHC ofereceu a vaga de vice na chapa tucana. Uma vaga que já está prometida ao PFL.

 

Pressionado pelos colegas, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), deve assumir a dianteira das articulações nas próximas semanas. Até sexta-feira, Tasso vai comunicar formalmente a Alckmin e Serra a decisão de antecipar a definição do candidato do partido às eleições presidenciais. A data limite, conforme foi noticiado aqui, é 10 de março.

Escrito por Josias de Souza às 14h37

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Família de Delcídio ameaçada por carta

O telefone despertou o senador Delcídio Amaral (PT-MS) bem cedo nesta quarta-feira. Tocou por volta das 6h30. Era a mulher dele, chamando de Campo Grande. Apressou-se em comunicar-lhe sobre um envelope que acabara de encontrar na caixa de Correio. Continha ameaças à integridade física da família.

 

Pai de três filhos, Delcídio mandou reforçar a segurança de sua residência. O conteúdo da carta revela que o autor conhece detalhes da rotina da família. O texto, escrito em computador, tem erros de português e palavrões.

 

Para Delcídio, a ameaça não está relacionada à sua atividade como presidente da CPI dos Correios. Acredita que a motivação é política e tem inspiração local. O senador oficializou no último final de semana sua candidatura ao governo de Mato Grosso do Sul. E não se mostra disposto a recuar: “É uma coisa suja, nojenta, mas eu vou enfrentar.”

Escrito por Josias de Souza às 13h18

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Bomba bêbada

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 07h35

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As manchetes desta quarta

 - JB: Juros e tarifas - Bancos lucram sete vezes mais que a inflação

- Folha: Convocação acaba sem votar cassações e Orçamento 2006

- Estadão: Pesquisa mostra recuperação de Lula; oposição fala em fraude

- Globo: Rio cobra do governo federal verba contra desabamentos

- Correio: Orçamento contempla reajuste de servidor

Leia os destaques de capa dos jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h29

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Ecos da pesquisa

Embora esteja dando saltos de satisfação com os resultados da última pesquisa do Instituto Sensus, que o coloca dez pontos percentuais à frente de José Serra, seu principal oponente, Lula recomendou a seus ministros e a lideranças do PT que reajam com humildade. O recado do presidente foi traduzido pelo ministro Jaques Wagner (Coordenação Política).

“Pesquisa boa é sempre recebida com satisfação, mas muita cautela. Àqueles que nos apóiam, eu recomendaria humildade, obstinação e trabalho. Essa é a palavra do presidente Lula. Qualquer prognóstico é precipitado, disse o ministro.”

No ninho tucano, os dois postulantes ao papel de anti-Lula, Serra e Geraldo Alckmin, reagiram de modo distinto. O Prefeito preferiu ironizar um comentário de Lula, feito em discurso na véspera, de que “ninguém vai fazer o PT abaixar a cabeça”:

“Não precisa ninguém mandar o PT abaixar a cabeça. O PT já está de cabeça baixa e, se está, não é porque alguém mandou. Os erros fizeram o PT abaixar a cabeça, muitas vezes de vergonha, disse Serra.”

Quanto ao governador de São Paulo, preferiu festejar os patamares que vem ostentando nas pesquisas –entre 18% e 20%. É “um bom piso para começar”, disse Alckmin. “É preciso usar as sandálias da humildade, sem salto alto, porque já vi muito político calçar salto alto e perder a eleição (...). Recebo com otimismo porque estou fora dos meios de comunicação de massa.”

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Até FHC e Lula admitem caixa dois de Furnas

  Clovis Campos/O Tempo
O caixa dois de Furnas tornou-se um segredo de polichinelo. Entre quatro paredes, longe de câmeras e microfones, onze em cada dez políticos admitem que a estatal despejou verbas clandestinas em campanhas eleitorais. O fato é reconhecido inclusive pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente Lula.

 

Todos duvidam da autenticidade da chamada “lista de Furnas”, aquelas cinco páginas de papel que anotam o nome de 156 políticos supostamente beneficiados com R$ 40 milhões de má origem. Mas ninguém ousa negar que, por trás da lista, esconde-se um conhecido operador de verbas eleitorais espúrias: Dimas Toledo (na foto).

 

Ex-diretor de Furnas, Toledo operou durante o governo de FHC. Herdado pela gestão Lula, continuou operando até meados de 2005. Só foi afastado porque o escândalo do mensalão o arrancou da zona de sombras em que atuava. Sua exposição forçou Lula a demiti-lo.

 

FHC reconheceu a pelo menos dois interlocutores que sabia da atividade coletora desenvolvida por Dimas em Furnas. Revelou que manteve o funcionário na estatal sobretudo graças a pedidos que recebeu de dois políticos mineiros: o governador tucano Aécio Neves e o ex-presidente Itamar Franco. O ex-presidente mencionou na conversa pelo menos mais um nome, o do ex-deputado mineiro Odelmo Leão.

 

Também Lula, em diálogo privado, disse ter recebido no início de sua gestão pressões de Aécio e de Itamar em favor da manutenção de Dimas. Sobrevivente da era tucana, o então diretor de Furnas incluiu na sua agenda nomes de dirigentes do PT. Despachou inúmeras vezes com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, nas dependências de Furnas.

 

Há duas semanas, embalados pela perspectiva de arrastar o tucanato para o centro da crise política, parlamentares petistas pressionaram o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), para pôr em votação um requerimento de convocação de Dimas. Não viam a hora de inquiri-lo sobre a “lista de Furnas.”

 

Delcídio concordou. Mas fez um aviso: “É bom vocês não esquecerem que o cara não operou só para o PSDB. Ele operou para o PT também”, disse Delcídio, segundo apurou o repórter com um dos interlocutores do presidente da CPI.

 

Logo que a “lista de Furnas” ganhou ares de encrenca, um preocupado Aécio Neves procurou Márcio Thomaz Bastos. Queria que o ministro da Justiça, superior hierárquico da Polícia Federal, que investiga o caso, atestasse a falsidade da lista. Depois, Aécio disse a colegas de partido que Bastos lhe dissera que a lista era mesmo falsa.

 

O ministro conta outra história. Disse, em diálogo com um colega de ministério, que apenas procurou tranqüilizar Aécio. Afirmou ao governador que, pessoalmente, até achava que o papelório poderia ser falso. Mas não poderia dizer nada conclusivo até que as investigações fossem concluídas.

 

Nos gabinetes do Congresso, o caixa dois de Furnas virou tema obrigatório. Em encontro com colegas de partido, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse, por exemplo, que não há dúvida de que a estatal foi convertida num centro de coleta de fundos partidários. Sustenta, porém, que a “lista de Furnas”, com seus 156 nomes, é falsa. “Os culpados não passam de quatro ou cinco”, diz ACM.  

 

O repórter conversou com uma autoridade da PF diretamente envolvida na apuração de Furnas. Contou que, a essa altura, a veracidade da lista importa menos do que se imagina. O documento de autenticidade duvidosa está sendo periciado. Porém, independentemente de ser autêntico ou da falso, a polícia julga já ter colecionado indícios veementes de que, sob Furnas, praticaram-se crimes que, por ora, todos negam.

Escrito por Josias de Souza às 22h05

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Esquema sobreviveu à transição política

  Lula Marques/F.Imagem
Na semana passada, em entrevista ao blog, o deputado cassado Roberto Jefferson, único a admitir publicamente a existência de perversões em Furnas, explicou como Dimas Toledo conseguiu sobreviver à transição do governo FHC para a gestão Lula. O caixa dois da estatal, com potencial de arrecadação de “R$ 4 milhões mensais”, foi herdado pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, disse Jefferson.

 

O ex-deputado revelou que o esquema beneficiava inclusive um contingente conhecido como “Grupo dos 12”. Era integrado por congressistas do PSDB que, na troca de governo, bandearam-se para a base de apoio da administração do PT. Jefferson mencionou três nomes: Luiz Pihayilino (PE), Osmânio Pereira (MG) e Salvador Zimbaudi (SP). Os três eram, de fato, do PSDB. Hoje, encontram-se filiados respectivamente ao PDT, PTB e PSB.

 

A esse respeito, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (na foto), contou ao blog o seguinte: nos primeiros meses de 2003, no limiar do governo Lula, reuniu-se em seu gabinete com um grupo de parlamentares tucanos que ameaçava abrir uma dissidência pró-Lula no seio do tucanato. Entre eles Pihauylino, Pereira e Zimbaudi.

 

Na reunião com Virgílio, os tucanos rebeldes mencionaram explicitamente o interesse por Furnas e o nome de José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Com uma ponta de ironia, Virgílio disse que entendia “o espírito patriótico” dos colegas em relação a Furnas. Mas avisou que o PSDB não admitiria o convívio com uma ala dissidente.

 

Virgílio mostrou ao grupo a porta de saída do partido. “Dissidência vocês não vão abrir. Antes disso, o partido os expulsa. Embora compreenda o interesse patriótico de vocês, recomendo que deixem o partido.”

 

Depois do encontro, Virgílio subiu à tribuna do Senado. Disse, em discurso arquivado nos anais do Senado, que Dirceu prestava um serviço ao PSDB. Livre de suas “gorduras”, o partido ficaria mais “rijo” e “combativo”. Mas aconselhou o então ministro a retirar “suas patas de cima do PSDB.”

 

De fato, o PSDB não tardou a sentir os efeitos da lipoaspiração partidária. Embora apelidado de “Grupo dos 12”, o contingente rebelde revelou-se maior. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), contabiliza a saída não de uma dúzia, mas de “mais ou menos 20” parlamentares.

 

Nesta quarta-feira, Dimas Toledo prestará o ansiado depoimento à CPI dos Correios. Inquirido por oposicionistas e por governistas, repetirá o que disse em interrogatório da Polícia Federal: a “lista de Furnas” é falsa; conhece cerca de 30 políticos de vários partidos, mas jamais operou caixa dois eleitoral. Muitos dos ouvintes simularão  credulidade. No fundo, porém, todo o Congresso sabe que algo de muito irregular se passou em Furnas nos últimos anos.

 

Para piorar a situação, Dimas obteve nesta terça-feira no STF liminar que llhe dá o direito de permanecer calado na CPI (leia notícia abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 22h02

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STF autoriza Dimas a calar na CPI

  STF
Dimas Toledo, o ex-diretor de Furnas que depõe nesta quarta-feira na CPI dos Correios, ganhou ontem do STF uma liminar que lhe dá o direito de calar diante de perguntas que possam incriminá-lo. Ele já não estava disposto a dizer muito coisa. Agora, então...

 

Relator  do processo, o ministro Joaquim Barbosa (na foto) anota em sua decisão que Dimas já está sendo investigado pela Polícia Federal. E o Supremo, lembra ele, vem concedendo liminares para reconhecer o direito das pessoas de não se  auto-incriminar.

 

"Nessa medida”, escreveu o ministro, “entendo que o paciente poderá invocar a garantia contra a auto-incriminação para não prejudicar sua defesa em eventual ação penal resultante do inquérito mencionado." Pressione aqui para ler a íntegra da decisão do ministro.

Também nesta terça-feira, a CPI dos Correios esquivou-se, uma vez mais, de marcar o depoimento do lobista mineiro Nilton Monteiro. É ele o responsável pela divulgação da "lista de Furnas". Entregou cópias à Polícia Federal e políticos do PT de Minas. Embora seja um personagem controvertido, Monteiro teve, sob Dimas Toledo, trânsito em Furnas.

A PF trata as afirmações do lobista com um pé atrás. Dispensa a ele um tratamento de "cachorrinho". É como são chamados, na gíria policial, os informantes que, embora ostentem uma reputação duvidosa e façam acusações com interesses particulares, parecem dispor de dados que, se investigados sob coleira aperta e guia curta, podem conduzir à verdade. Ou a parte dela.

Em declarações públicas, Nilton Toledo diz e repete que deseja depor na CPI. Alega que tem informações relevantes a prestar. Já se dispôs inclusive a participar de uma acareação com Dimas Toledo. Porém, PSDB e PFL alegam que, por suspeito, o lobista não teria credibilidade para ser inquirido pelos congressistas.

O argumento é frágil. As CPIs já ouviram até criminosos sentenciados. Mas a oposição ameaça convocar o ministro da Marcio Thomaz Bastos (Justiça) se os governistas insistirem em acomodar Nilton Monteiro no banco de testemunhas da CPI dos Correios. Algo que, conforme já divulgado aqui, o governo fará tudo para evitar

Em meio à polêmica, vai-se adiando a inquirição de uma testemunha cuja convocação já foi inclusive aprovada pela comissão. Só falta marcar a data.

Escrito por Josias de Souza às 21h42

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Críticas levam governo a mudar projeto do grampo

A má repercussão do projeto que reformula a legislação do grampo telefônico, divulgado aqui, fez com que o governo reformulasse a proposta. Um dos pontos mais polêmicos foi extirpado do projeto (na Folha, para assinantes).

 

O texto original previa a punição de jornalistas que divulgassem o conteúdo de grampos, mesmo os autorizados judicialmente. Estipulava penas de um a três anos de prisão, além de multa.


Vista como uma providência que cercearia a liberdade de imprensa no país, a pena de prisão foi retirada do projeto, em fase final de elaboração. Foi o que informou nesta segunda-feira o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).

 

Questionado depois de uma palestra a estudantes da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) acerca de um eventual retorno à censura, o ministro disse: "De jeito nenhum (...). A censura é um mal terrível, é proibida constitucionalmente."


Bastos continua achando que os jornalistas devem ser responsabilizados por eventuais abusos que cometerem. Mas diz que a coisa deve se dar de modo "civilizado", depois da divulgação da reportagem.

 

O governo pretendia enviar o projeto do grampo ao Congresso ainda em fevereiro. Porém, em função das alterações que estão sendo feitas, o texto só será submetido à apreciação dos congressistas em março. Não se sabe, por ora, se as críticas formuladas pelo Ministério Público, também reveladas aqui, produziram outras modificações no texto original.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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(In)coerência à moda tucana

Em Brasília, o tucanato queixa-se de que Lula está usando a máquina pública em benefício eleitoral. O PSDB protocola na Justiça eleitoral uma representação atrás da outra contra o suposto abuso do presidente da República.

 

Pois em São Paulo, a ética tucana parece escorar-se em valores distintos daqueles entoados em Brasília. É o que se depreende do texto produzido pelo repórter Fabio Schivartche (na Folha, para assinantes):

 

“Um ônibus da Prefeitura de São Paulo foi utilizado na tarde de ontem (segunda-feira) para transportar moradores da zona leste da cidade para um evento público do prefeito José Serra -cotado para disputar a Presidência da República pelo PSDB na eleição de outubro.

O evento era uma pré-inauguração, segundo palavras do próprio prefeito, e as pessoas foram trazidas pela Subprefeitura de Itaquera de um posto de assistência social para aplaudir e engrossar o coro de agradecimentos a Serra.


Em meio a faixas confeccionadas por entidades de bairro e ao som de uma fanfarra organizada pela obra social Dom Bosco, que tem convênios com a gestão tucana, esses moradores ovacionaram o prefeito diversas vezes, antes, durante e depois de seu discurso.

A Folha entrevistou três pessoas desse grupo, que optaram por não informar seus nomes. Uma dona-de-casa que levava seu filho de dois anos no colo disse que estava no posto da prefeitura para retirar leite em pó quando foi abordada por funcionários.
Eles a convidaram a participar do evento e ofereceram condução no ônibus oficial da subprefeitura, com placas BYG 0688.

Um homem que também estava no posto da prefeitura diz que lhe ofereceram uma cesta básica para ir ao evento. Uma outra mulher disse que nem sabia para onde estava sendo levada. Mas que aceitou entrar na condução após insistentes pedidos dos servidores do posto da prefeitura.

Na noite de ontem, a assessoria do prefeito afirmou que ele se mostrou surpreso com o uso de um veículo oficial para transportar pessoas para o evento e que isso não condiz com a prática de sua administração (...).”

 

Surpreso? Então, tá! O contribuinte aguarda pelas providências de Serra contra os responsáveis pelos descalabros que tanta surpresa lhe causaram.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Pesquisa faz PSDB apressar escolha do anti-Lula

Sob o impacto da última pesquisa do Instituto Sensus, que indica uma vitória de Lula (47,6%) sobre José Serra (37,6%) no segundo turno da eleição presidencial, consolidou entre integrantes da cúpula do PSDB a conclusão de que o partido precisa abreviar a definição do nome de seu candidato oficial. Caminha-se para um consenso em torno do dia 10 de março como prazo limite para a escolha.

 

O tucanato avalia que o prolongamento da disputa interna entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra favorece Lula, que estaria fazendo campanha sozinho. Na opinião dos líderes tucanos, embora Lula não tenha reconhecido formalmente que disputará a reeleição, ninguém tem dúvidas quanto à sua condição de candidato. O PT não dispõe de nome alternativo.

 

Enquanto isso, o PSDB perde-se numa renhida disputa entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra. A divisão, concluiu o grão-tucanato serve ao jogo do adversário. Daí a necessidade de pôr um ponto final na disputa.

 

A pressa conspira contra os interesses de Geraldo Alckmin. Foram por terra as pressões do governador em favor da realização de prévias. Caminha-se mesmo para uma decisão de cúpula, na qual a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso será decisiva.

 

Para aplacar os ânimos de Alckmin, a direção do PSDB argumenta que, ainda que informalmente, as principais instâncias partidárias estão sendo ouvidas –dos governadores às bancadas no Congresso. Ou seja, tenta-se fazer valer a falsa impressão de que a escolha não levará em conta apenas os dados das pesquisas.

 

Exceto pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que, mesmo privadamente, diz estar em dúvida, a direção do partido pende majoritariamente para Serra. FHC afirma que o partido não pode entrar na disputa eleitoral senão para vencer. “Quero um nome que derrote o Lula”, diz ele, insinuando que o tal nome seria Serra.

 

O que mais chamou a atenção dos tucanos na pesquisa Sensus, feita sob encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), foi a possibilidade de uma vitória de Lula ainda no primeiro turno caso o candidato do PSDB seja Alckmin. Se a opção por Serra já não oferece a segurança de vitória, a escolha de Alckmin apresenta-se, na conjuntura atual, como um temerário flerte com a derrota.

 

Na simulação em que o anti-Lula é Alckmin, o candidato do PT obtém 42,2% das intenções de voto. Somando-se os votos de dos adversários –Alckmin (17,4%), Antony Garotinho (14,4%) e Heloísa Helena (5,1%)-, chega-se a 36,9%. Como os votos brancos e nulos são desprezados no cômputo final, Lula amealharia votos suficientes para ultrapassar a barreira dos 50% mais um de votos necessários para liquidar a fatura no primeiro turno.

Os dados reforçam a tendência em favor do prefeito de São Paulo. Há um único e decisivo problema. Serra sinaliza que só deixará a prefeitura se for ungido pelo partido. O que implicaria o reconhecimento por parte de Alckmin de que ele é o melhor candidato. Algo que, por ora, o governador não parece disposto a admitir.

Pressione AQUI para ter acesso ao relatório com todos os dados da pesquisa CNT-Sensus.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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As manchetes desta terça

 

- JB: Aniversário do PT - Lula festeja com os pecadores

- Folha: Álcool sobe apesar de acordo com usineiros

- Estadão: Dólar é o mais baixo desde 2001

- Globo: Efeito Morales deixa o gás mais caro para brasileiros

- Correio: Arrastão varre Câmara e STF contra nepotismo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Porrada de primeiro mundo

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Lobista de Furnas quer acareação com Dimas

Bestgraph
A CPI dos Correios ainda não decidiu se vai ou não ouvi-lo, mas o lobista mineiro Nilton Monteiro não vê a hora de falar sobre o seu assunto preferido: a “lista de Furnas”. Responsável pela divulgação da lista, cuja autenticidade a Polícia Federal tenta comprovar, Monteiro se oferece inclusive para ser acareado com Dimas Toledo, o ex-diretor de Furnas que teria gerido um caixa dois de notáveis R$ 40 milhões nas eleições de 2002.

“Quero ir à CPI e falar tudo. Se quiserem, vou para uma acareação”, disse o lobista. Se a CPI tiver interesse e paciência para dar-lhe ouvidos, Monteiro diz ter muito a dizer. Jura que dispõe de informações sobre malfeitorias tais como tráfico de influência, fraude em licitações e transações suspeitas com corretoras. A CPI só não ouve o sujeito se não quiser.

Escrito por Josias de Souza às 23h57

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Lula pede ao PT que tenha "vontade de brigar"

José Cruz/ABr
 

 

Comparando-se a Juscelino Kubitschek, “hoje reconhecido”, mas que já “sofreu duas tentativas de golpe e duas tentativas de cassação”, Lula disse há pouco: “Eu adoro adversidade, adoro debate, adoro disputa. Por isso não precisamos ter pressa.”

 

Discursando durante o jantar em comemoração aos 26 anos do PT, em Brasília, o presidente disse o que espera dos militantes do partido: “Nada de tristeza, nada de euforia, mas nada de pessimismo. Maturidade política, bom senso e vontade de brigar. É o que não pode faltar a um petista nesse momento histórico”.

 

Lula reafirmou sua intenção de adiar ao máximo o anúncio da candidatura à reeleição. Com um sorriso nos lábios, disse que o PT “não tem por que decidir se vai ter candidato agora ou não.” Ele acrescentou:

 

“Não posso deixar de governar para entrar numa campanha porque os adversários querem que eu entre na campanha. Vou governar até o limite da lei. Vou viajar esse país. Fui eleito para fazer o que estou fazendo. E vou fazer. Não espero reconhecimento dos meus adversários. Até porque eles não esperavam o meu reconhecimento quando governaram (...). Todo mundo sabe como é a história brasileira. Não é feita de pétalas de rosas.” 

O presidente arrancou risos da platéia, composta por cerca de 1.000 pessoas, ao reproduzir uma frase que dissera ao presidente do PT, Ricardo Berzoini: “Eu disse pro Berzoini: ‘Se vocês tiverem a necessidade de apresentar algum candidato apresentem. O que não posso é priorizar a campanha. Tenho que priorizar o meu governo, porque foi por isso que eu cheguei aqui. O PT tem todo tempo do mundo.”

Referindo-se às acusações que pesam contra o PT e o governo, Lula admitiu a existência de equívocos. Sem mencioná-los, disse que “pedir desculpas é uma grandeza, não é uma fraqueza. Sobretudo quando a gente pede desculpas para o povo e para os nossos entes queridos, para a nossa companheira e o nosso companheiro de partido.”

 

Numa referência indireta aos deputados petistas acusados de envolvimento no escândalo do mensalão, Lula disse que não se deve “execrar aqueles que erraram. Há grupos que erraram antes. E você só tropeça se der um passo. Se ficar parado pode morrer parado.” "Errar", disse o presidente, "é humano."

 

“Já cometemos erros e muitos acertos. Os acertos não são lembrados, os erros são. Tudo isso não pode permitir que a gente tenha dúvida de onde partimos, de onde estamos e de onde precisamos chegar,” acrescentou Lula. “Imagine se o mar não tivesse marola, se não tivesse ondas, seria uma tranqüilidade, mas seria tão chato que ninguém agüentaria ficar na praia por mais de 20 minutos.”

 

Sem mencionar o nome de FHC, Lula alfinetou o antecessor: “Nos governamos esse país há 37 meses, contra 500 anos que os outros governaram. E isso causa inquietações. Em nós, porque muitas vezes temos expectativas que nós mesmos sabemos que não podem ser cumpridas no curto prazo, e nos outros porque sabem que, por menos que a gente faça, vamos fazer muito mais do que eles fizeram na história desse país.”

 

Lula referiu-se ao PT como um “partido maduro que, aos de 26 anos, não teve tempo de ser adolescente. Viramos adultos precocemente. Na história do Brasil, nenhum partido conseguiu dar os passos com a pressa que demos. Com apenas nove anos de idade, esse partido quase ganha a presidência em 1989. Éramos um menino prodígio.”

 

Logo depois de discursar, Lula deixou o jantar, que se realiza na Associação Atlética do Banco do Brasil. O presidente foi tratado como candidato. Sua fala foi seguidamente interrompida por aplausos. Num dado momento, foi saudado com um refrão de campanhas passadas: "Olê, olê, olê, olááááá, Lula, Lulaaaa...", gritou a platéia, para deleite do candidato não-declarado à reeleição.  

Escrito por Josias de Souza às 22h10

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Lula ultrapassa Serra, indica pesquisa

Não é só a toada do Casa De Farinha, grupo independente de Brasília, que embala a festa de aniversário do PT, iniciada há pouco. Transmitida de boca em boca entre os cerca de 1.000 petistas presentes, uma notícia soa como música aos ouvidos presentes. Lula ultrapassou José Serra em pesquisa eleitoral, eis a novidade da noite.

 

Pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes), apontaria vantagem de 10 pontos percentuais de Lula  sobre Serra na preferência do eleitorado. Na sondagem anterior, Lula perdia para Serra no segundo turno. Apareceria agora na frente. Os dados serão divulgados às 11h desta terça.

 

O jornalista Alon Feuerwerker antecipa os números em seu blog. Lula cresceu 14 pontos percentuais em relação à última pesquisa Sensus. Se a eleição fosse hoje, o presidente seria reeleito com 47,6% dos votos, contra 37,6% atribuídos a Serra.

 

“Isso mostra que o presidente tem musculatura e é um forte candidato. A pesquisa confirma a tendência que vinha desde o Ibope", disse o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política), um dos petistas presentes ao jantar em comemoração aos 26 anos do PT.

 

Embalado pela nova pesquisa, o jantar do PT vai se transformando em ato de pré-lançamento da campanha à reeleição de Lula. Ao chegar à festa, há pouco, o presidente viu-se forçado a cumprimentar quatro deputados "mensaleiros": Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Mentor e Paulo Rocha. O ex-ministro José Dirceu, um dos fundadores da legenda, preferiu não dar as caras. 

Escrito por Josias de Souza às 21h26

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PT em dia de festa

O PT comemora nesta segunda-feira o seu aniversário de 26 anos, completados na última sexta-feira. Será durante um jantar na Associação Atlética do Banco do Brasil, em Brasília. Além do repasto, os comensais serão brindados com discursos de Lula e Ricardo Berzoini, presidente do PT.

 

Os festejos têm tudo para se transformar num ato pró-reeleição. Lideranças do partido, entre elas o ministro Antonio Palocci (Fazenda), pressionaram Lula para que assumisse, de uma vez por todas, sua candidatura à reeleição. Mas o presidente fez ouvidos de mercador. Acha que a melhor hora é lá para junho. “Quem tem pressa é a oposição”, diz Lula.

 

Participarão do jantar cerca de 1.000 petistas. Compraram o assento à mesa por valores que variaram de R$ 200 a R$ 5 mil. A festa começa às 20h. Será embalada ao som de um grupo musical de Brasília, o “Casa de Farinha”.

 

Para tentar empanar a festa, a liderança do PSDB no Senado divulgou uma nota oficial. No texto, sugere que o 13 de fevereiro seja transformado em “Dia Nacional da Impunidade”. Pressione AQUI para ler a integra da nota tucana.

Escrito por Josias de Souza às 16h59

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Renan: PMDB não indicará vice de ninguém

  Sérgio Lima/Folha
Governista de quatro costados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) disse nesta segunda-feira que o PMDB não está aberto a composições com outros partidos na eleição de 2006. A legenda trabalharia com cenário de uma nota só: o lançamento de candidatura própria. O candidato será escolhido em 19 de março, nas prévias que marcarão o confronto entre Germano Rigoto e Antony Garotinho.

 

"Falam no PMDB indicar um vice. Isso não existe nem em relação ao PT nem ao PSDB. O PMDB administra cenário único de candidatura própria. Fora disso é só especulação", disse Renan.

 

A sinceridade das palavras de Renan não é comprada nem mesmo por seus correlegionários. O PMDB, como se sabe, faz jus ao vocábulo “partido”. Encontra-se cindido em pelo menos dois pedaços. A ala lulista, representada pelo próprio Renan e pelo senador José Sarney (PMDB-AP), e a ala pseudo-independente, capitaneada por Michel Themer, presidente da legenda.

 

Se dependesse de Renan e Sarney, o PMDB já estaria no colo de Lula há tempos. Na semana passada, o Renan disse a um deputado a seguinte frase: “Se o Lula continuar crescendo (nas pesquisas) essa história de candidatura própria será implodida.”

 

Farejando os riscos de um acerto com Lula ainda no primeiro turno, o PSDB entrou na briga. Conforme já noticiado aqui, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso convidou para uma conversa em seu apartamento uma liderança de primeira grandeza do PMDB.

 

FHC sondou o interlocutor sobre a possibilidade de o PMDB indicar o candidato a vice na chapa tucana. Diante de uma resposta negativa, o ex-presidente abriu caminho para uma composição no segundo turno. Tudo isso, a despeito de o PFL já estar preparando as malas para desembarcar na chapa presidencial do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 16h06

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Berzoini: Serra terá de se explicar à sociedade

O deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, disse que o prefeito paulistano José Serra terá de se explicar à sociedade caso venha a deixar o cargo de prefeito para candidatar-se à presidência da República pelo PSDB. A declaração foi feita em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Foi gravado na manhã desta segunda-feira e vai ao ar logo mais às 22h30.

 

Na saída do programa, falando a jornalistas que assistiam à gravação como convidados, Berzoini explicou-se melhor. Disse que Serra será cobrado por ter descumprido a promessa, feita em documento escrito, de permanecer na prefeitura até o último dia do mandato. 

 

“Evidentemente, isso será um fato político”, afirmou Berzoini. “E não será sequer o PT que vai cobrar. A própria opinião pública vai cobrar, porque a palavra é algo muito valorizado hoje, não só hoje, mas de maneira geral, em relação aos políticos. Portanto, qualquer tipo de incoerência pode ser cobrado.”

 

O que Berzoini não sabe é que Serra traz a resposta na ponta da língua. O grão-petista Antonio Palocci, eleito prefeito de Ribeirão Preto, registrou em cartório um documento em que jurava que cumpriria todo o mandato. Guindado à presidência da República, Lula convidou-o a ocupar a pasta da Fazenda. E Palocci rasgou o compromisso, assim como Serra está a um passo de fazer. Leia abaixo algo do que disse Berzoini no Roda Viva:

 

- O PT está preparado para perder? “Eleições, alguns vencem e outros perdem. O PT tem que estar preparado (...). O fato de nós termos essa consciência e essa seriedade não quer dizer que o PT não seja um partido competitivo.”

 

- O PT deu a volta por cima? “Conseguimos superar essa crise, não sem arranhões e feridas.

 

- Como o partido enfrentará as acusações na campanha? “Há um debate na ética. Queremos debater e também comparar.”

 

- A corrupção no governo é sistêmica? “Não há um sistema de corrupção no governo federal. Há focos, que devem ser tratados com responsabilidade.”

 

- O mensalão existiu? “Os problemas que ocorreram foram identificados. Em relação ao mensalão, a denúncia colocada por (Roberto) Jefferson não foi comprovada.”

 

Berzoini também reafirmou que o PT vai mesmo processar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por ter declarado que “a ética do PT é roubar”. A frase, disse Berzoini, ofendeu a “pessoas honestas”. Referia-se aos militantes do PT que não participaram dos erros cometidos por “diversos membros” do partido.

 

Há uma semana, em entrevista ao próprio Roda Viva, FHC dissera que, uma vez processado, vai requerer à Justiça a “exceção da verdade”, instrumento jurídico que permite a alguém acusado de injúria e difamação provar que aquilo que disse é a expressão da verdade.

Escrito por Josias de Souza às 15h32

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Jefferson quer de volta a presidência do PTB

O deputado cassado Roberto Jefferson quer retomar o controle formal do PTB. Sem alarde, ele protocolou no STF uma ação em que pede a anulação do processo que resultou na cassação do seu mandato. Interpretação do TSE sustenta que pessoas com os direitos políticos cassados não podem exercer a presidência  de partidos.

 

“Se eu recuperar os direitos políticos, quero voltar a presidir o meu partido”, contou Jefferson ao blog. Licenciado da presidência do PTB graças ao escândalo do mensalão, o ex-deputado ainda exerce forte influência sobre a executiva petebista, composta por ele. Mas deseja reassumir formalmente a direção partidária.

 

Jefferson já havia recorrido ao STF. No entanto, retirou a ação, dando a impressão de que houvesse desistido do processo. Em dezembro, durante o recesso do Judiciário, ele voltou a apresentar o mesmo recurso ao Supremo.

 

O ex-deputado explica assim o vaivém: “Quando entrei pela primeira vez no Supremo, o recurso caiu na mão do ministro (Carlos) Veloso, que estava para se aposentar. Se eu mantivesse com ele, teria de esperar pelo substituto dele. E o processo só seria redistribuído lá para junho. Por isso retirei. Depois, entrei de novo. Agora o processo caiu na mão do ministro (Cezar) Peluso. Vai andar mais rápido.”

 

De fato, Peluso já requisitou informações ao Congresso para instruir o processo de Jefferson. Obteve reposta da Mesa da Câmara. Aguarda os dados de outras duas instâncias do Legislativo: o Conselho de Ética e a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

 

Jefferson tem pressa. Espera que a decisão de Peluso saia até março. Jura que não deseja reassumir a cadeira na Câmara: “Se vencer no Supremo, vou ao plenário agradeço e renuncio. Rompi com a Casa e a Casa rompeu comigo. Não quero impor a minha presença a ninguém nem quero conviver com certas pessoas.”

 

Assegura também que seu objetivo não é concorrer de novo à Câmara nas próximas eleições: “Não volto para o Congresso nem morto. Naquele dia a dia de Câmara, sob essa patrulha intensa, você ganha dez mil réis de salário e passa por vagabundo nacional. Não quero mais isso. Não agüentaria mais ficar tomando medida provisória na cara. Nem legislar os deputados legislam. Viraram homologadores da vontade do Executivo. Deixo a Câmara para a minha filha, Cristiane, que será candidata a deputada.”

 

No recurso ao STF Jefferson argumenta que teve o seu direito de defesa cerceado. Diz que, depois de acusá-lo de ter mentido sobre o mensalão, o relator de seu processo no Conselho de Ética, Jairo Carneiro (PFL-BA), aditou em plenário a acusação de que recebera R$ 4 milhões do valerioduto em nome do PTB. “Não tive a oportunidade de me defender sobre isso. Esses julgamentos no Legislativo são maleáveis, mas não pode chegar a tanto”, diz Jefferson.

 

Reassumindo ou não a direção do PTB, Jefferson planeja influir no debate que vem sendo travado no interior da legenda sobre a conveniência de firmar nova aliança com Lula na campanha de 2006. O ex-deputado diverge do ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), que se declara favorável à coligação com o presidente.

 

“Não creio que tenhamos que definir isso agora”, diz Jefferson. “Ou então eu não sei mais o que é política. Tenho visto que o mercado financeiro quer polarizar de novo as suas duas mãos, a mão direita e a mão esquerda. Os bancos querem São Paulo versos São Bernardo outra vez. Lula e (José) Serra. Vão querer fazer o jogo em casa, dentro dos bancos outra vez? Querem preservar o cofre? Não vai dar. Pode surgir uma terceira via. Se o PMDB fechar em torno de uma candidatura, vai dar trabalho.”

 

Na opinião de Jefferson, “se o Walfrido for o vice (de Lula) aí o argumento pela aliança é muito forte. Mas se o vice for outro, a luta dentro do partido vai ser muito grande. Talvez a gente fique numa posição independente”, ele aposta.

Escrito por Josias de Souza às 11h37

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Lula Kubitschek da Silva

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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As manchetes desta segunda

 

- JB: Real rende mais dólares no caixa dos bancos

- Folha: Lula privilegia petistas com verbas

- Estadão: Lula pede mudanças nas decisões da OMC

- Globo: Déficit da Previdência na década é de R$ 1 tri

- Correio: Tributaristas condenam IPTU em condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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A volta dos que não vieram

Termina na quarta-feira a famigerada convocação extraordinária do Congresso. Foi aprovada sobretudo para votar o Orçamento da União e apressar os processos de cassação dos deputados mensaleiros. Não ocorreu nem uma coisa nem outra.

Porém, graças à pressão social a que se viu submetido, o Congresso produziu algo de útil. Destacam-se duas providências: a aprovação do fim do pagamento de salários extras em futuras convocações extraordinárias e a poda do recesso parlamentar de 90 para 55 dias. Não chegam a justificar o gasto de cerca de R$ 100 milhões que o contribuinte teve com a convocação extraordinária. Mas são avanços palpáveis.  

De volta às "atividades normais", os congressistas terão de arregaçar as mangas se quiserem limpar a pauta antes de mergulhar de vez na campanha eleitoral. Além do trabalho atrasado, a pauta de votações inclui tópicos da relevância da fixação do novo salário mínimo, a correção da tabela do impostos de renda.

Escrito por Josias de Souza às 00h21

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Governo age para evitar convocação de Bastos

O governo vai deflagrar nesta segunda-feira uma operação para tentar evitar que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) seja convocado a prestar esclarecimentos no Congresso sobre a investigação da “lista de Furnas”. Em telefonema na noite de sábado, Lula determinou, desde a África, que o Planalto mobilize a base governista no Congresso para conter o que chamou de “manobra da oposição.” Lula desembarca em Brasília à 1h10 desta madrugada.

Aquilo que o presidente chama de “manobra” é uma articulação capitaneada por dois partidos: PSDB e PFL. Ameaçam convocar Thomaz Bastos caso a CPI dos Correios insista em chamar para depor o lobista Nilton Monteiro.

Foi Monteiro quem divulgou a “lista de Furnas”, um conjunto de cinco páginas, que traz uma relação de 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). A maioria integrava a base de sustentação do governo FHC. Teriam se beneficiado de repasses de um caixa dois de R$ 40 milhões amealhado junto a fornecedores da estatal Furnas nas eleições de 2002.

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS) revelou a intenção de marcar para esta terça-feira o depoimento do lobista, cuja convocação já foi inclusive aprovada pela comissão. Em conversa com Delcídio, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) avisou: “Não vamos aceitar. Esse Nilton é um escroque. Se insistirem em chamá-lo, teremos de ouvir antes o ministro da Justiça.”

Em reposta, Delcídio argumentou: “Quantos escroques já foram inquiridos na CPI? Quando se trata de investigar o PT, a oposição acha importante convocar os escroques. Contra vocês os escroques não valem?” Delcídio age com cautela. Receia que um embate entre governo e oposição acabe por invializar a aprovação do relatório final da CPI, em março. O receio não é infundado. "Aquilo pode virar uma Bósnia", diz, por exemplo, o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).

No sábado, Delcídio conversou por telefone com Thomaz Bastos. Revelou ao ministro uma impressão pessoal: “Na CPI dos Correios sua convocação não passa. Se for a voto, será rejeitada.” Virgílio diz que, se for assim, o PSDB apresentará um requerimento de convocação do ministro na CPI dos Bingos, onde a oposição seria majoritária.

O governo duvida. O próprio Thomaz Bastos disse a Delcídio que, pelas informações de que dispõe, um requerimento pedindo a sua convocação “não passa nem na CPI dos Bingos.” O ministro conta com amigos na oposição. Entre eles o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Membro da CPI do Fim do Mundo, como o governo se refere à comissão, ACM é contra a convocação.

“O ministro não virá como convocado”, diz ACM. O senador admite, no máximo, que Thomaz Bastos compareça ao plenário do Senado, como “convidado”. Ainda assim, considera essencial que a providência, se adotada, seja “combinada” com o ministro.

A oposição deseja que Thomaz Bastos diga publicamente que a “lista de Furnas” é falsa. Algo que o ministro diz não ter condições de fazer, já que as investigações da Polícia Federal ainda não foram encerradas.

Em viagem do Pará para Brasília, na última sexta-feira, Thomaz Bastos disse a um auxiliar que o acompanhava que não tem “o menor receio” de comparecer ao Congresso. “Sou treinado em debate”, disse ele. O ministro até já esboçou a linha da apresentação que pretende fazer.

Se convocado, dirá aos parlamentares que tem “orgulho” do trabalho que a Polícia Federal vem realizando sob sua gestão. “Vou fazer uma exposição sobre tudo o que a PF fez. Pegou todo mundo: juiz, PFL, PT, PSDB. Nunca me meti no trabalho, embora tenha sofrido enormes pressões. Não seria agora que iria mudar essa conduta”, disse o ministro ao auxiliar que o acompanhava no avião.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

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O direito à irreverência

O escritor Mario Vargas Llosa meteu sua colher no angu das charges de Maomé. Ele publica neste domingo um interessante artigo sobre a polêmica. Está nas páginas de opinião do diário espanhol El Pais (para assinantes). Sob o título “O Direito à Irreverência”, Vargas Llosa defende a liberdade de expressão, critica a covardia dos jornalistas ocidentais, a tibieza da União Européia e o silêncio cúmplice dos progressistas.

 

No primeiro parágrafo do artigo, o escritor faz um resumo da gênese da encrenca: “Como um editor dinamarquês não conseguiu ilustradores para um livro infantil dedicado a Maomé, Fleming Rose, editor de Cultura do Jyllands-Posten, importante diário da Dinamarca, suspeitando que entre os artistas gráficos de seu país se praticava a auto-censura, encomendou a um grupo de desenhistas uma série de vinhetas nas quais retrataram a figura de Maomé da melhor forma que lhes pareceu. Entre as 12 vinhetas publicadas pelo diário dinamarquês havia duas particularmente beligerantes: uma mostra Maomé com um turbante em forma de bomba e, em outra, o profeta exorta uma fila de terroristas a pôr fim aos suicídios ‘porque já não há virgens’ no paraíso para premiá-los.”    

 

Vargas Llosa prossegue: “É compreensível que o duvidoso bom gosto dessas sátiras tenha ofendido os crentes de uma religião que, além de ser intolerante como sói acontecer com quase todas, é iconoclasta e considera um sacrilégio a representação em imagem de Maomé, Alá e todos os profetas. Mas ninguém imaginou que o protesto contra aquelas vinhetas satíricas alcançaria as proporções que tiveram em todo o mundo islâmico (...)” 

 

“Há no mundo muçulmano setores suficientemente sensatos para medir a desproporção fragrante entre as vinhetas e a quase declaração de Jihad ou guerra santa contra o Ocidente desatada por aquelas caricaturas?”, pergunta Vargas Llosa. Ele mesmo responde: “Evidente que há, e a melhor e mais valorosa prova disso foi dada, em Amã, pelo muçulmano Yihad Momani, editor do semanário jordaniano Shihan, que se atreveu a reproduzir três das vinhetas blasfemas, para mostrar o excesso da reação contra o que, ao fim e ao cabo, não eram mais que umas figurinhas de estúpido mau gosto.” A ousadia custou caro a Momani. Foi destituído no ato.

 

Em seu texto, Vargas Llosa espanta-se com a submissão da Europa. “Com exceção da França e do Reino Unido, nenhum outro governo europeu mostrou de maneira inequívoca sua solidariedade com a Dinamarca.” Classifica de “patética” a omissão. Algo semelhante ocorreu com os meios de comunicação. Uma dezena de jornais reproduziram as charges em solidariedade ao dinarquês Jyllands-Posten. Vasgas Llosa anota: “Mas, que são poucos são, numa Europa onde milhares de publicações de todas as tendências gozam do privilégio de poder opinar e criticar o que queiram, sem outras limitações senão as que firam o código penal.”

 

O escritor arremata o seu artigo com um lamento: “Quando se pensa que a esquerda esteve na Europa na vanguarda da luta para conseguir aquela liberdade de expressão e crítica que hoje em dia é questionada pelo fanatismo e se compara com a de nossos dias, dá vontade de chorar.”

 

A propósito, mais de 50 mil pessoas foram às ruas neste domingo, na Turquia,  para protestar contra as charges de Maomé.

Escrito por Josias de Souza às 18h14

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PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

Vladimir Palmeira, candidato do PT ao governo do Rio, disse ao blog que foi consultado e aprovou os entendimentos de Lula com Marcelo Crivella (PRB), seu adversário na eleição estadual. Na campanha presidencial, Lula terá “dois palanques” no Estado. Eis a entrevista:  

 

- Quando sua candidatura será oficializada?

Temos convenção em abril. Em novembro, o diretório me lançou por aclamação. Não vai haver problema.

- O acerto de Lula com Marcelo Crivella (PRB) não atrapalha?

Sempre defendemos que a prioridade é a eleição do presidente. Não vemos problema em que ele tenha dois palanques no Rio.

- Não teme a repetição de 98, quando sua candidatura foi vetada?

Não há o menor risco. Em 98, a direção nacional procurava impor uma política de alianças, nos obrigando a ter só uma candidatura no Rio (de Anthony Garotinho, então no PDT). A diferença agora é que é do interesse de Lula que haja mais de um palanque.

- O sr. foi consultado sobre os entendimentos com Crivella?

Fui avisado.

- Quem avisou?

Prefiro não dizer. Fui consultado sobre se haveria problemas. Respondi que não.

- Como se dará essa campanha de duplo palanque?

Não sei. Nunca tivemos essa experiência. Sabemos apenas que o presidente, aqui, vai ter dois palanques. Como vai ser, ainda não discutimos.

- O acerto com Crivella pressupõe compromisso para o segundo turno?

Bom, isso não está acordado.

- Pode vir a ser acordado?

Não sei. Não houve discussão sobre isso. Vamos ver qual vai ser a política de alianças do Lula. Vai depender de arranjos nacionais, que não dependem de nós.

- Como fará para sair das últimas colocações nas pesquisas?

Quando fui convidado para ser candidato, disse que só queria saber de pesquisas em setembro. Sem o horário eleitoral não tem graça. A campanha não começou.

- Como fará para lidar com a exploração da crise nacional do PT?

Se chamado a debater a questão federal, farei com prazer. Não vou negar o óbvio. Houve crise moral no partido? Sim, todo mundo sabe. Houve caixa dois? Claro. Teve problemas graves de corrupção? Claro, tá lá provado. Mas o governo tem que ser julgado pelo conjunto da obra. Lula está senso o melhor presidente dos últimos 50 anos.

- Não receia ser vinculado a José Dirceu, companheiro de  movimento estudantil?

Não tem como. Sempre fomos adversários dentro do PT, a despeito da amizade. Vão fazer um ataque generalizado ao PT. Mas se centrarem o debate nisso, vão perder. No Rio, o que vai definir a eleição é a questão estadual.

- Que proposta tem para a área da segurança?

A sociedade vê a polícia como mais uma quadrilha. Vou limpar a polícia. Não será de forma radical, mas tem que limpar. E vou preparar uma polícia mais centrada na investigação. Hoje, botam a PM para subir o morro, pegam uma maconha, uma pistola velha. E a quadrilha fica lá. Nosso problema é desmontar o governo paralelo exercido por grupos armados que controlam bairros pobres do Rio. Meu compromisso é começar a quebrar a espinha dorsal do crime organizado, para que o Estado volte a ter condições de prestar serviço público.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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Disque Maomé

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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As manchetes deste domingo

 

- JB: 10 mil homens da Força Nacional chegam para ficar

- Folha: Salário de migrantes supera o de locais

- Estadão: Consumo da classe C cresce 50% em 4 anos

- Globo: Justiça impede o fim do nepotismo no Judiciário

- Correio: No Centro-Oeste, 70% das empresas vão contratar

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Indignação seletiva

Indignação seletiva

No Planalto

Stephen Dedalus, do Joyce, disse: "A História é um pesadelo do qual eu estou tentando acordar." O brasileiro poderia dizer algo semelhante. O Brasil, não é de hoje,  tornou-se um pesadelo perene, do qual vem sendo impossível despertar.

O sono anda tão conturbado que se passou a adotar o princípio da indignação seletiva. Em meio a tantos escândalos, uns se sucedendo aos outros, o país relega a um plano secundário as perversões supostamente “menores”.

Foi o que aconteceu na semana passada com um episódio envolvendo o deputado Inocêncio Oliveira (PMDB-PE). Em julgamento realizado na última terça-feira, o TRT do Maranhão condenou-o a indenizar 53 trabalhadores mantidos numa fazenda de sua propriedade em condições análogas à de escravos.

Embora bombástico, o episódio teve repercussão de traque. A imprensa o noticiou burocraticamente. E foi cuidar de outros escárnios. Inocêncio continuou deslizando os sapatos pelos corredores da Câmara como se nada tivesse acontecido.   

O episódio demonstra os perigos a que está sujeita uma sociedade imersa em pesadelo eterno. Súbito, o país se descobre em estágio de abulia profunda. O anormal vai ganhando ares de hedionda normalidade.

Inocêncio não é um qualquer. Tem assento na mesa diretora da Câmara, Casa que já presidiu. Sob FHC, chegou mesmo a responder interinamente pela presidência da República, na qualidade de substituto constitucional, por nove vezes entre 93 e 94.

A senzala de Inocêncio foi estourada em 2002, numa visita de fiscais do Trabalho à fazenda Caraíbas, que o deputado mantinha nos fundões do Maranhão. Francisco Dornelles (PFL-RJ), ministro do Trabalho de então, apressou-se em esclarecer que não havia “elementos que caracterizassem a existência de trabalho escravo” na Caraíbas.

Inocêncio disse à época que, "como em toda fazenda da região e do Brasil", os serviços temporários são gerenciados por um "gato", que contrata mão de obra avulsa. "Não tenho relação com esse processo", disse. Ou seja, o deputado estava para a senzala de sua fazenda assim como Lula está para o descalabro do mensalão.

Inocêncio desfez-se da propriedade. E o Brasil foi descascar outros escândalos. Num país em que dois empregados de uma fazenda de FHC só tiveram a carteira assinada no dia seguinte ao lançamento de sua candidatura à Presidência, em 1994, aquele era um deslize menor.

O diabo é que a Justiça continuou debruçada sobre a encrenca. Inocêncio foi condenado em primeira e segunda instância. Não contasse agora com o benefício da indignação seletiva, o deputado estaria padecendo o seu pelourinho particular.

Fica-se a imaginar o que seria do Brasil se o brasileiro tivesse voz, se pudesse protestar contra o que lhe fazem, se tivesse acesso à tribuna da Câmara para pronunciar discursos indignados acerca das mentiras que lhe dizem, se dispusesse de canais para reclamar tudo que lhe vem sendo negado. Se o brasileiro não estivesse condenado ao silêncio, esse país decerto seria bem menos “Inocêncio”.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Todos querem a mão do PMDB

O PMDB, veja você, tornou-se a grande noiva da eleição de 2006. Não é lá um primor de formosura. Mas não falta quem o assedie. Todos querem pedir-lhe a mão em casamento. Se possível as duas mãos, aquela representada pela ala "oposicionista" de Michel Themer, e a outra, personificada pelo governismo atávico de Renan Calheiros e José Sarney.

O tucano Fernando Henrique Cardoso dá suas bicadas no PMDB (leia despacho abaixo, veiculado às 20h48 de sexta-feira). Mas é o PT que desfere os beliscões mais assanhados. Para tentar pavimentar a trilha de Lula na caminhada federal, o petismo mostra-se disposto a abrir avenidas para o PMDB nos Estados. Não é preciso ir longe para dar aos 22 leitores do blog uma idéia da ânsia com que o PT cobiça o PMDB. Basta citar um exemplo.

Para ter o partido do velho Ulysses Guimarães ao lado de Lula, o petismo admite, veja você, impedir a candidatura de Eduardo Suplicy ao Senado, entregando a vaga a ninguém menos que Orestes Quércia. Não, você não leu errado. Cogita-se trocar o velho e bom Suplicy pelo neocompanheiro Quércia.

Como explicar tamanha devassidão? Simples. O que torna o PMDB atraente não é apenas a conveniência do matrimônio, mas a certeza do patrimônio que vem junto. Dono de uma das maiores bancadas no Congresso, o partido é detentor de generosos minutos no horário eleitoral gratuito. Algo que, como se vê, não tem preço.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Casa da Mãe Joana

Bestgraph
O Judiciário brasileiro, todos sabem, é um ninho de nepotismo. Era desconhecido, porém, o número de filhotes do privilégio que se aninham sob as asas do erário. A repórter Carolina Brígido animou-se a contar. Pesquisando nos 27 tribunais de Justiça do país, obteve informações em 25. Somou 1.148 parentes. Ingressaram na folha de salários do Estado pela janela, voando.

Por decisão do Conselho Nacional de Justiça, deveria ser postos no olho da rua até terça-feira. Porém, 449 já garantiram, por meio de liminar judicial, a preservação da mamata. Outros tantos serão mantidos nos empregos porque vários tribunais decidiram não mover uma palha até que o STF julgue uma ação contrária às demissões.

Um dos tribunais que irá descumprir a resolução do Conselho Nacional de Justiça é o do Maranhão. Por sugestão de um grupo de desembargadores, o tribunal reúne-se extraordinariamente nesta segunda para sacramentar a decisão. Chama-se Nelma Sarney uma das desembargadoras que articularam a reunião.

Curioso a mais não poder, o repórter Chico Otavio decidiu perscrutar a composição do gabinete da juíza Nelma. Relatou assim o que descobriu: “Até recentemente, Nelma mantinha como funcionários de seu gabinete o marido, Ronald Augusto Furtado Sarney, irmão do senador e ex-presidente José Sarney; as duas filhas, Andréa e Aline Silva Sarney Costa, o genro, Edilésio Gomes da Silva Júnior, uma sobrinha, Carolina Raissa Menezes de Araújo, e o cunhado, Gabriel Ahid Costa.”

O repórter prossegue: “A desembargadora disse que, do grupo, já afastou o marido e uma das filhas, Aline. Nelma afirma que, embora apóie o descumprimento da resolução até o julgamento da ação no STF, é contra a prática de nepotismo: “No passado, houve muito abuso. Defendo o fim desta prática, mas é preciso aguardar o que o Supremo vai decidir a respeito, antes de tomar qualquer iniciativa.”

Pode?!?!?

Escrito por Josias de Souza às 00h46

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Voracidade atômica

Da coluna de Elio Gaspari:

“Lula recebe R$ 3.900 mensais como aposentado da ditadura que, em 1980, prendeu-o por 51 dias e tomou-lhe a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. O governo japonês paga a cada um dos 300 mil sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki uma pensão de US$ 1.120 (R$ 2.400). Para arrebentar o Japão foram necessárias duas bombas atômicas. Para detonar o Erário brasileiro, basta a voracidade.”

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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