Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Brasil adere ao imposto sobre passagens aéreas

  AFP
No rastro de uma decisão adotada pela França, o chanceler brasileiro Celso Amorim anunciou nesta terça-feira que o governo brasileiro vai propor ao Congresso Nacional a criação de um novo tributo, a ser cobrado dos usuários da aviação civil. A idéia é acrescer ao preço das passagens áreas internacionais uma taxa de US$ 2. O dinheiro será usado na compra de medicamentos que serão doados a países pobres.

 

O anúncio de Amorim foi feito em Paris, durante uma conferência internacional convocada para debater programas de auxílio às nações menos desenvolvidas do mundo. O ministro leu um discurso em nome de Lula. No texto, o presidente se compromete com a implementação da nova taxa. "Meu governo já tomou medidas visando a sua adoção definitiva", disse o presidente, por meio do chanceler. "Até que essas medidas estejam em vigor, contribuiremos por meio de fundos orçamentários, correspondentes à receita que se espera obter com tal mecanismo".

 

O imposto sobre passagens aéreas já foi instituído pela França. Começa a ser cobrado em julho. O presidente francês, Jacques Chirac, estima que serão arrecadados US$ 248 milhões por ano. O dinheiro será investido em programas de saúde na África. Em discurso feito durante a conferência, Chirac disse que “chegou o momento” de adotar medidas práticas para ajudar os países pobres. “A solução reside num mecanismo de financiamento que ajude a mobilizar uma parte dos frutos da globalização”.

 

Também presente ao encontro, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan (na foto ao lado de Chirac), disse que os recursos devem ser empregados na compra de medicamentos contra a Aids. “Peço a outros países que se somem aos esforços da França e Brasil para contribuir com a aquisição de remédios, os quais ajudariam a pacientes de Aids e pessoas contagiadas com o HIV”, disse Annan.

 

O encontro de Paris reuniu representantes de 95 países. Os EUA se opõem enfaticamente à idéia. O governo norte-americano ecoa reclamações da indústria aeronáutica, que receia pelos efeitos do novo imposto. Argumenta que, somada aos preços do petróleo, em alta, a taxa deve provocar uma queda no número de viajantes.

Escrito por Josias de Souza às 20h12

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Só magras têm vez na TV da Síria

O governo da Síria baixou uma ordem inusitada: para trabalhar na televisão estatal do país, já não basta às mulheres comprovar competência. É preciso, acima de tudo, que sejam magras. Sim, isso mesmo, as gordas serão banidas do vídeo a partir de 1o de abril.

 

Em comunicado oficial, o diretor geral da TV estatal anotou que serão vetadas todas as apresentadoras que fugirem “aos padrões de relação entre peso e estatuta”. Uma mulher que tenha, por exemplo, 1,60 metros de altura, terá de pesar não mais do que 60 quilos.

 

O objetivo, diz o ofício, é exibir aos telespectadores “apresentadoras em suas melhores condições.” As gordinhas só retornarão ao vídeo “depois que baixarem o peso”. Curiosamente, a ordem não faz menção aos apresentadores do sexo masculino.  

 

A providência faz lembrar uma ordem baixada por Saddam Hussein. Ao tempo em que ainda era o todo-poderoso do Iraque, o ditador editou um regulamento que fixava a estatura e o peso que deveriam ter os funcionários públicos iraquianos.

 

Decerto os gestores da TV síria querem que suas apresentadoras se aproximem dos padrões estéticos do presidente do país, Bashar al-Assad (na foto). O ditador não chega a ser um palito, como Marco Maciel. Mas é magro como um poste. Para sorte das funcionárias da Radiobrás, a TV estatal brasileira, Lula, a despeito de todo o regime, ainda exibe formas, digamos, roliças.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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Bush admite que Bin Laden ajudou a elegê-lo

George Bush admitiu, pela primeira vez, que o célebre atentado de 11 de setembro, que pôs abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, ajudou-o a derrotar, em 2004, o senador democrata John Kerry na disputa pela presidência dos EUA. Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda tornou-se um inesperado cabo eleitoral de Bush.

 

A admissão foi registrada pelo The Examiner, de Washington. Informa que, em entrevista para a publicação  do livro “Strategery”, Bush mencionou explicitamente os efeitos eleitorais de uma aparição de Bin Laden, num vídeo divulgado pouco antes das eleições de 2004.

 

Bush recorda que houve “enorme discussão” interna no seu comitê de campanha em torno do vídeo de 15 minutos, em que Bin Laden lhe dirigia duros ataques. Classificou a fita de “uma interessante aparição do nosso inimigo” na corrida presidencial.

 

“Que significa?”, disse Bush, evocando as reflexões feitas à época. “Vai ajudar, vai prejudicar? (...) Pensei que ia ajudar. Pensei que ajudaria a lembrar ao povo que, se Laden não queria que Bush fosse presidente, algo devia estar certo com Bush”.

Escrito por Josias de Souza às 18h35

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Alckmin planeja afastar-se de FHC na campanha

  Ana Ottoni/Folha Imagem
Alheio à preferência da cúpula do PSDB, que pende para o lado de José Serra, Geraldo Alckmin age como se já houvesse sido indicado candidato oficial do tucanato à presidência da República. Sob reserva, informou a interlocutores próximos que não pretende fazer a defesa do governo FHC (1995-2002) durante a campannha deste ano.

 

Na opinião de Alckmin, o PT tentará arrastar o PSDB para um jogo de comparações entre as gestões de Lula e de FHC. Alckmin diz que, se for o candidato do tucanato, fugirá dessa “armadilha”. Quer nortear o seu discurso de campanha pelos feitos que julga ter obtido como governador de São Paulo. "Tenho uma obra a mostrar", diz o governador de São Paulo.

 

Além disso, Alckmin pretende associar a sua imagem não à de Fernando Henrique Cardoso, mas à de Mario Covas, morto em 2001. A convite de Lila Covas, viúva do ex-governador, Alckmin participa na próxima segunda-feira, em Santos, de uma homenagem ao “amigo”, cuja morte fará aniversário de cinco anos.

 

Em público, Alckmin recolheu as baterias. Depois de assistir a parte do desfile das escolas de samba do Rio (na foto, ao lado da governadora fluminense Rosinha Garotinho), ele se refugiou em sua cidade natal, Pindamonhangaba (SP). Nesta quarta, estará de volta ao Palácio dos Bandeirantes. Aguarda pela decisão do partido.

 

Nos bastidores, Alckmin exibe, porém, a mesma disposição intransigente de sustentar a própria candidatura, em contraposição à do prefeito paulistano José Serra. Diz e repete que, se Serra quiser mesmo concorrer, terá de disputar com ele no partido.

 

Um correligionário de Alckmin leu na Folha desta terça-feira reportagem informando que o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, conversará na quinta-feira com Serra. Se o prefeito confirmar o interesse de concorrer à presidência, Tasso irá a Alckmin, para perguntar ao governador se abre mão de sua candidatura.

 

A resposta será “não”, informa o interlocutor de Alckmin. Ele diz que a saída para a resolução do impasse está no artigo número 151 do estatuto do PSDB, que prevê a realização de prévias. Algo que Tasso quer, a todo custo, evitar. Admite-se, no máximo, a transferência da decisão para um colegiado mais amplo do que o triunvirato FHC-Tasso-Aécio Neves. A Executiva do partido, por exemplo.

 

Enquanto a decisão não vem, Alckmin mantém a campanha. Viaja na terça-feira para João Pessoa. Ali, será recepcionado pelo governador tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima, um dos que preferem Alckmin a Serra.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Surfando na onda

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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As manchetes desta terça

 

- JB: Celebração às mulheres embala a Sapucaí

- Folha: Lula afirma que precisa descansar do sofrido 2005

- Estadão: Falta de álcool traz distorções de preço

- Globo: Beija-Flor bebe água do tetra

- Correio: Golpistas tentam achacar deputados

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h43

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O maior espetáculo da Terra

Marcelo Sayão/Efe
 

Segue no Rio de Janeiro o segundo dia do desfile das escolas de samba. A Beija Flor (na foto) levou ao sambódromo o enredo "Do 'Big Bang' aos dias atuais". Pressione na imagem para visitar a galeria de imagens do monumental espetáculo das agremiações cariocas.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Revista da Universal alveja Cesar Maia

A Igreja Universal do Reino de Deus, do autodenominado bispo Edir Macedo, elegeu um novo alvo. Chama-se Cesar Maia. O último número da revista da Universal, que tem o sugestivo nome de Arca, dedicou extensa reportagem ao prefeito do Rio.

 

O texto da Arca belisca o calcanhar da gestão do prefeito: a área da saúde pública. Anota que a “crise na saúde se agrava no município do Rio de Janeiro. Continua a falta de recursos humanos, materiais e de equipamentos nas unidades administradas pela Prefeitura”.

”O curioso”, prossegue a reportagem, “é que o prefeito Cesar Maia e o secretário Municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, dizem que faltam recursos para o setor, mas, ao que parece, estes sobram na área da cultura”.

 

A revista faz um contraponto com o empenho da gestão de Cesar Maia para viabilizar o show dos Rolling Stones. “A banda chegou ao Rio na madrugada do dia 17 de fevereiro com uma comitiva de 140 pessoas, para o show do dia 18, nas areias da praia de Copacabana, com o palco localizado entre as ruas Fernando Mendes e Rodolfo Dantas”, anota o texto da Arca.

 

“O promotor da passagem dos Rolling Stones pelo Rio, em parceria com empresas patrocinadoras e a Prefeitura, não divulgou o valor exato do evento, mas afirmou que a parte do município foi de R$ 1.684.500 (US$ 750 mil). O show foi gravado para ser lançado futuramente no DVD da turnê ‘A Bigger Band’.”

A revista realça que os Stones -Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts- “ocuparam todo o sexto andar do Copacabana Palace Hotel. Cada um ficou em uma suíte presidencial, com 140 metros quadrados, numa diária de R$ 5 mil, mais as taxas. Mick reservou uma suíte exclusiva para seu filho Lucas Jagger, de sete anos, que vive no Brasil com a mãe, a brasileira Luciana Gimenez. Foi montada uma cozinha apropriada para a gastronomia do grupo (...).”

No que diz respeito à banda, a saúde não foi desdenhada: “Como a saúde do grupo foi uma das prioridades dos organizadores do evento”, diz a reportagem, “uma equipe completa de médicos e duas UTIs móveis ficaram à disposição da banda durante todo o período de sua estada no Rio de Janeiro.”

 

A Universal, nunca é demais lembrar, apóia a candidatura ao governo do Rio do bispo licenciado e senador Marcelo Crivella, do minúsculo PRB. Maia, obviamente, faz oposição ferrenha às pretensões eleitorais de Crivella.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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PMDB X PMDB

Germano Rigotto, pré-candidato do PMDB à presidência da República, disse nesta segunda-feira que não receia eventuais manobras contra as prévias do partido, marcadas para 19 de março. Aqui se noticiou que, junto com peemedebistas vinculados ao governo, Lula trama para inviabilizar as prévias.

Uma das artimanhas sob análise prevê a apresentação de recursos na Justiça questionando a eleição interna do PMDB. “A base do partido não admite manobras deste gênero”, desdenha Rigotto. “Tenho certeza que teremos a presença maciça dos 22 mil eleitores em 19 de março e que ninguém conseguirá vencer a vontade da maioria do partido no tapetão.”

Rigotto tomou café da manhã com o outro candidato nas prévias do PMDB, o ex-governador fluminense Anthony Garotinho. Os dois se encontraram no Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio. Esfaqueados em praça pública por companheiros do próprio partido, mais interessados em compor com Lula ainda no primeiro turno, a dupla de pré-candidatos celebrou um acordo. Quem perder as prévias apoiará o outro.

Escrito por Josias de Souza às 23h33

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Dirceu decide recorrer ao STF para reaver mandato

Está decidido: o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) vai protocolar no STF, até o final de março, um recurso para tentar reaver o mandato. O advogado José Luiz Oliveira Lima já aprontou o texto da ação. Ele está em férias nos EUA. Retorna nos próximos dias para dar os últimos retoques na peça antes de levá-la ao Supremo.

 

Dirceu, que passa o Carnaval em Cuba, já deu o sinal verde para o advogado. Conforme foi noticiado aqui, o recurso vem sendo estudado desde o início de dezembro. Dirceu autorizara Oliveira Lima a consultar juristas de renome acerca das chances de êxito do novo recurso. Estava, porém, em dúvida quanto à conveniência da iniciativa.

 

Na entrevista que dera no dia seguinte à cassação, Dirceu dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Mudou de idéia. Está agora convencido de que tem chances de anular a sua cassação. No texto do recurso, o advogado Oliveira Lima faz um histórico do julgamento de seu cliente na Câmara.

 

Em determinado trecho, ele lembra que, ao autorizar a Câmara a dar seqüência ao julgamento de Dirceu, o STF ordenou que fosse retirado do processo contra o então deputado um dos depoimentos que haviam sido colhidos pelo Conselho de Ética: o da presidente do Banco Rural Kátia Rabelo.

 

Lembra ainda que o relator do processo contra Dirceu, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), teve de refazer o seu relatório. E afirma que o novo texto deveria ter sido publicado no Diário do Congresso. Na opinião de Oliveira Lima, a direção da Câmara deveria ter concedido duas sessões para que a defesa preparasse a sustentação oral que faria no plenário.

 

Porém, nada disso foi feito. O julgamento no plenário da Câmara ocorreu no mesmo dia da decisão do Supremo. Oliveira Lima recordará no recurso que, em sinal de protesto, se recusou a fazer a defesa de seu cliente da tribuna. Só Dirceu discursou. Alegará que houve cerceamento do direito de defesa.

 

Oliveira Lima sustentará também na ação que a representação que deu origem ao processo contra Dirceu, formulada pelo PTB, acusava-o de ser o mentor de um esquema de compra de votos de parlamentares que, em troca, votariam projetos de interesse do governo. Segundo o advogado, o relatório que motivou a cassação contém acusações diferentes daquelas formuladas pelo PTB. Em linguagem jurídica, não haveria “nexo causal” entre a petição inicial do partido do acusador Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o relatório de Júlio Delgado. Algo que seria vedado pelo Código de Processo Civil;

 

O advogado anota ainda no recurso que, no processo que motivou a cassação de Roberto Jefferson, o relator Jairo Carneiro (PFL-BA) sustentou que o ex-deputado não conseguira provar a existência do mensalão. No relatório de Júlio Delgado, ao contrário, sustentou-se que o mensalão existiu. Para Oliveira Lima, os pareceres de Carneiro e Delgado, aprovados pelo mesmo Conselho de Ética da Câmara, se anulam.

 

Oliveira Lima mencionará, por último, a absolvição pelo Conselho de Ética, em 9 de fevereiro, do deputado Pedro Henry (PP-PE). A exemplo de Dirceu, dirá o advogado, pesavam contra Henry apenas as acusações feitas por Roberto Jefferson. O arquivamento do caso de Henry seria uma evidência de que Dirceu foi mandado à guilhotina injustamente, sem provas.

Escrito por Josias de Souza às 15h19

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Lula queixa-se de 2005 e de feriado prolongado

Sérgio Lima/Folha Imagem

Lula disse na manhã desta segunda-feira que “tivemos um 2005 muito sofrido”. Embora não tenha mencionado o PIB, o presidente pareceu referir-se à baixa taxa de crescimento da economia no ano passado: 2,3% do Produto Interno Bruto.

Falando em seu programa radiofônico “Conversa com o Presidente”, gravado na última sexta, Lula disse que, durante o descanso do Carnaval, aproveitaria para refletir. “Vou pensar muito, porque tem muita coisa para fazer no ano de 2006”, disse. “Estou muito otimista com 2006”.

De folga na base da Marinha na Restinga da Marambaia, no Rio, Lula (na foto sentado sem camisa na proa de lancha da Marinha) saiu pescar na manhã desta segunda. Parecia animado. No rádio, o presidente disse que costuma ficar incomodado “quando tem um feriado prolongado de três ou quatro dias." O que o aborrece é o fato de "ter tanto tempo para descansar."

Então, tá! Para que o presidente se livre desse incômodo hediondo, sugere-se que volte ao trabalho imediatamente.

Escrito por Josias de Souza às 13h31

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Nem no Carnaval!

Caco Galhardo/Os Pescoçudos

"...Vou beijar-te agora

Não me leve a mal

Hoje é Carnaval..."

Escrito por Josias de Souza às 09h55

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Nova carta aos brasileiros

O ex-ministro da Educação Tarso Genro, já convidado por Lula para retornar ao primeiro escalão do governo, provavelmente numa pasta política, confirmou que o presidente está  preparando uma nova versão da “Carta ao Povo Brasileiro”. A notícia fora divulgada aqui em 28 de janeiro.

 

Na primeira versão da carta, lançada em junho de 2002, em plena campanha presidencial, Lula afagou o mercado. Acenou com um governo de não-ruptura econômica e respeito aos contratos. No segundo texto, o candidato à reeleição fará, segundo Tarso, uma análise do seu primeiro mandato. E traçará o rumo para um eventual segundo governo.

"O governo deverá dar solidez ao crescimento econômico e mostrar que os sacrifícios mais duros já foram feitos. Assim, 2006 será o ano da colheita de todas as medidas tomadas", disse Tarso.

Escrito por Josias de Souza às 09h24

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Uma mão lava a outra

 

 

Pode-se acusa a banca nacional de tudo, menos de ingratidão. Os bancos tornaram-se os principais doadore$ eleitorais do PT. Entre 2002 e 2004, as casas bancárias aumentaram em cerca de 1.000% suas doações às arcas do petismo nacional e de São Paulo. Saltou de R$ 520 mil para R$ 5,7 milhões o jabá dos bancos para o PT.

Em 2004, ano de eleições municipais, a coi$a melhorou ainda mais. Os bancos depositaram no caixa do PT uma quantia jamais vista: R$ 7,9 milhões. É quase o dobro dos R$ 4,1 milhões doados para a campanha do PSDB (Partido de Salvação dos Bancos). No ano seguinte, 2005, mercê dos juros proporcionados pelo PT (Partido da Taxa), a banca amealhou os maiores lucros da década.

Escrito por Josias de Souza às 08h58

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Lula Pierrô da Silva e senhora convidam

Angeli
 

Com que roupa você iria ao samba que o Lula te convidou?  

Escrito por Josias de Souza às 08h26

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As manchetes desta segunda

- JB: Mensalão é alvo de folia pré-eleitoral

- Folha: Doação de bancos a PT cresceu cerca de 1.000% desde 2002

- Estadão: Virada de Lula coincide com explosão da publicidade oficial

- Globo: Disparidades marcam universidades federais

- Correio: PT promove filiação em massa de sem-terra

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h07

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Vem aí um novo brinquedo militar

 

 

A Lockheed Martin’s, famosa por fabricar aviões espiões que voam alto o bastante para escapar aos radares inimigos, está tentando inovar na matéria. Trabalha numa aeronave que começa e termina as suas missões debaixo d’água. Sim, isso mesmo, um avião que sabe nadar. 

As asas do novo jato, chamado “Cormorant”, foram projetadas para dobrar, permitindo que o avião se esprema dentro de um tubo de grandes submarinos nucleares da Marinha dos EUA. Dali, o avião "decola" para missões aerotransportadas de reconhecimento e de bombardeio de alvos próximos da costa. Cumprida a missão, vira, de novo, um pequeno submarino, podendo refugiar-se em seu esconderijo submerso.

Estima-se já para setembro o término da fase de testes do novo brinquedo militar. Se funcionar, pode dar nova vida aos grandes submarinos norte-americanos, um tanto sub-utilizados desde o término da Guerra Fria.

Escrito por Josias de Souza às 20h37

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Acrílico sobre aço

Acrílico sobre aço

Yasushi Tanigushi
 

O artista plástico japonês Yasushi Taniguchi, 25, realiza sua primeira exposição individual no Brasil. Exibe pinturas de mulheres nuas sobre uma plataforma original: lâminas de serra. A mostra vai até 15 de março, na galeria Deco, situada no número 153 da rua dos Franceses, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O sítio “no mínimo” exibe dez das 20 peças que compõe a exposição de Taniguchi. Pressione sobre a imagem para conferir.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

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Lula manobra para inviabilizar prévias do PMDB

Sérgio Lima/Folha Imagem

Lula tenta acomodar do seu lado um candidato a vice do PMDB

 

Lula decidiu patrocinar uma manobra de última hora para tentar atrair para sua chapa nas eleições presidenciais deste ano um candidato a vice do PMDB. Em articulação com peemedebistas ligados ao governo, o presidente age para melar as prévias do PMDB, marcadas para 19 de março.

 

A estratégia contempla várias alternativas: do simples esvaziamento das prévias ao ajuizamento de ações judiciais pedindo a anulação do encontro, que se destina à escolha de um entre os dois pré-candidatos do PMDB já inscritos para a disputa: o governador gaúcho Germano Rigotto e o ex-governador fluminense Antony Garotinho.

 

O principal interlocutor de Lula no PMDB é o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL). Auxiliado pelo senador José Sarney (PMDB-AP), Renan tentou o quanto pôde evitar as prévias. Foi vencido. Parecia conformado. Porém, o crescimento de Lula nas pesquisas animou-o a arregaçar as mangas de novo.

 

Depois de um encontro reservado que manteve com Lula, Renan voltou a conspirar contra as prévias. Além do auxílio de Sarney, conta agora com a ajuda de Ney Suassuna (PMDB-PB), no Senado, e de Jader Barbalho (PMDB-PA), na Câmara.

 

O grupo avalia que, a essa altura, não é mais possível adiar as prévias. Passou-se a cogitar, então, a hipótese de apresentar mais um ou dois candidatos para disputar a preferência do partido com Garotinho e Rigotto. Imagina-se que a profusão de postulantes dividiria o partido de tal modo que nenhum candidato obteria maioria suficiente para sagrar-se vitorioso. O que empurraria a decisão para um segundo turno, no final de março.

 

Nesse meio tempo, o grupo governista do PMDB tramaria a apresentação de recursos judiciais contra a sistemática de contagem de votos nas prévias. Reunida no último dia 15 de fevereiro, a Executiva do partido adotou um dispositivo que fixou pesos diferenciados para os Estados na votação, conforme a proporcionalidade entre os votos obtidos pelo PMDB em cada unidade da federação e o total de votos do partido no país.

 

Definiu-se que o cálculo do coeficiente que ditará o peso que cada diretório estadual terá nas prévias levará em conta apenas os votos registrados nas eleições de 2002 para deputado federal e senador. A regra gerou enorme controvérsia entre os integrantes da Executiva, deixando no ar a perspectiva de que a questão fosse levada à Justiça.

 

O nome preferido de Lula para compor a chapa da reeleição como vice continua sendo o de Nelson Jobim, atual presidente do STF. Ele já anunciou que pedirá aposentadoria do Supremo até o final de março. Informou também que irá se filiar ao PMDB. Da boca para fora, não planeja concorrer a nenhum cargo eletivo. Mas a assinatura na ficha de filiação o credencia para um chamamento de Lula.

 

No limite, ainda que a ala dita “independente” do PMDB, liderada por Michel Themer (SP), presidente da legenda, consiga impedir que o partido caia no colo de Lula, a simples inviabilização das prévias já seria um grande negócio para o presidente. O Planalto avalia que, se o PMDB for às urnas de 2006 sem candidato à presidência, aumentam as chances de Lula vencer a disputa ainda no primeiro turno.

 

Algo que se tornaria mais difícil se o candidato do PMDB for Antony Garotinho. Visto como favorito nas prévias, Garotinho ostenta índices de até 15% nas pesquisas. O governo imagina que, sem o seu nome na cédula, a maioria desses votos iria para Lula.

Escrito por Josias de Souza às 16h30

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A privacidade por um chip

Muitos olham para os avanços tecnológicos do mundo desenvolvido e se sentem na periferia da vida. Pois saiba  você, caro leitor, que o infinito atraso pode muitas vezes ser uma grande vantagem. Duvida? Pois veja abaixo o que se passa acima do Equador.

 

Uma das últimas polêmicas tecnológicas nos EUA, noticiada em vários jornais, é o uso de micro-circuitos de identificação pessoal implantados no corpo humano. Servem para controlar a movimentação de empregados de grandes empresas e para ter acesso ao histórico médico de seus portadores.

 

Organizações de direitos civis consideram os tais “implantes” como um novo passo rumo à invasão da privacidade dos trabalhadores. A primeira empresa a utilizar os chips se chama Ctywatcher. Opera no ramo de vigilância. Alega que são necessários para controlar o acesso de seus empregados a zonas de segurança restrita da companhia.

 

Os micro-circuitos, inseridos sob a pele por meio de uma seringa, têm o tamanho de um grão de arroz. São fabricados pela empresa VeriChip, braço tecnológico da companhia Applied Digital Solutions, situada em Palm Beach, na Flórida. Em outubro de 2004, a firma obteve autorização do governo dos EUA para comercializar o produto.

 

Imagine se essa moda pega. Logo vai ter mulher e marido exigindo que o(a) parceiro(a) insira sob a pele um grão mágico que denuncie todos os seus movimentos. No que lhe diz respeito, o signatário do blog prefere que os pesquisadores norte-americanos gastem os miolos tentando inventar um liqüidificador ao contrário, capaz de transformar vitamina novamente em abacate. Pode não ter muita serventia. Mas pelo menos é inofensivo.    

Escrito por Josias de Souza às 09h21

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Voyeurismo grã-fino

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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“Estamos todos em estado de graça”

“Estamos todos em estado de graça”

No Planalto

No ano da graça de 2005, os bancos brasileiros festejaram a maior taxa de crescimento da última década. As 24 casas bancárias que já divulgaram os seus resultados acumularam no ano passado um lucro líquido de formidáveis R$ 19,975 bilhões. Equivale a 43,8% a mais do que os R$ 13,893 bilhões que o mesmo grupo amealhara em 2004. Os cálculos são da consultoria Austin Ratings.

Num cenário assim, nada mais natural que o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, abrisse a entrevista que concedeu aos jornalistas na última quarta-feira com o comentário reproduzido acima. Impossível evitar o “estado de graça”. Sobretudo considerando-se que, no caso da casa bancária dirigida por Cypriano, o lucro obtido em 2005 foi o maior de toda a sua história de 62 anos: R$ 5,514 bilhões.

Cevada pelos juros lunares praticados durante os oito anos de PSDB (Partido de Salvação dos Bancos), as empresas financeiras vêem-se agora ainda mais aquinhoada sob o PT (Partido das Taxas). Sob Lula, que prometera mudanças, as taxas de juros mantiveram-se na estratosfera. Lá se vão dez anos de estagnação econômica. Em 2005, informa o IBGE, o PIB esteve ao rés do chão -cresceu pífios 2,3%. Não fosse pelo Haiti, estaríamos na lanterninha da América Latina.

  

O governo não se dá por achado. Argumenta que os juros estão caindo. O problema é que se você, caro leitor, está endividado, isso importa muito pouco. Levantamento feito pelo próprio Banco Central demonstra que a redução não resulta em benefício para a clientela dos bancos. As instituições de crédito não reduziram os juros cobrados em seus guichês. Pior: aumentaram.

 

O comércio de dinheiro tornou-se um dos negócios mais rentáveis do país. Se você tem dinheiro para aplicar, a banca lhe paga remuneração de 16,5% ao ano. Se, ao contrário, precisa de um empréstimo, ela lhe cobra 46,1%. Quem entra no cheque especial paga taxas de mais de 140%. Um acinte.

 

A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) alega que os juros são altos porque a inadimplência é grande. Beleza. Para proteger-se do calote, o banqueiro prefere avançar no bolso de quem paga em dia a aprimorar os seus controles. O argumento, de resto, é falacioso. A inadimplência, informa o BC, afeta irrisórios 4,4% da carteira de empréstimos dos bancos. Um percentual que não justifica a abissal diferença entre a remuneração do dinheiro captado e o juro da grana emprestada.

 

Como se fosse pouco, o ministro Nelson Jobim, em voto proferido no STF na última quarta-feira, concluiu que serviços financeiros -empréstimos bancários, por exemplo- não estão sujeitos às regras fixadas no Código de Defesa do Consumidor. A decisão do Supremo só foi adiada porque um colega de Jobim, Eros Grau, pediu tempo para analisar melhor o processo.

 

Como se vê, só há um modo de arrefecer o secular problema da exclusão social no Brasil. Os excluídos devem declarar-se extintos como pessoas físicas e se reorganizar como bancos. É o único modo de atingir o “estado de graça” nesta terra de palmeiras, sabiás e juros altos. De resto, sempre que se falar doravante em assalto a bancos, convém adicionar uma pergunta: de fora para dentro ou de dentro para fora?

Escrito por Josias de Souza às 23h35

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As manchetes deste domingo

 

- JB: Lula rege bloco eleitoral com aumento a servidor

- Folha: Bolsa-Família impulsiona intenção de voto em Lula

- Estadão: Brasil tem meio milhão de cargos de confiança

- Globo: Classe média paga mais IR no Brasil

- Correio: Vem aí o servidor público do século 21

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 23h27

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A perfeição do exagero

Para aqueles que estão, digamos, enfadados da exibição de corpos “perfeitos” proporcionada pelo Carnaval, o signatário do blog oferece um programa distinto: a contemplação da beleza alternativa produzida pelo mestre colombiano Fernando Botero.

 

Nem todos gostam da pintura e das esculturas de Botero. Acham que ele faz a apologia do grotesco. Bobagem. O artista oferece, isso sim, uma releitura original dos ideais de beleza do Renascimento. De mais a mais, nada é tão variável quanto o conceito do belo.

O próprio Botero disse certa vez: “Eu busco a poesia na improbabilidade.’’ Pobre de quem não consegue enxergar graça nas formas volumosas e desproporcionais exibidas em quadros como esse aí acima –“O Banho”, de 1989.

Nascido em 1932, na cidade colombiana de Medelin, Botero começou a pintar ainda jovem. Em 1953, mudou-se para a Itália. Estudou na Academia Di San Marco, em Florença. Ali, teve contato com técnicas de afrescos, pintura mural e óleo sobre tela. Só a partir de 1956 Botero começou a injetar “gordura” em sua arte.

As mãos de Botero não produzem apenas plasticidade. Elas tornaram-se artesãs da sátira. Golpeiam, com raro senso de humor, políticos, militares, religiosos, músicos e a até a realeza. Pressionando na imagem, você será conduzido a uma página que traz a lista de alguns museus e galerias de várias partes do mundo que incluem em seus acervos obras de Botero. Bom proveito.

Escrito por Josias de Souza às 21h08

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Rainha nota dez

Almeida Rocha/Folha Imagem
 

 

Rainhas de bateria de escolas de samba costumam buscar mais a autopromoção, por meio da exibição de suas saliências e reentrâncias, do que a defesa das cores da agremiação. Neste sábado, porém, a bela Nani Moreira (na foto), madrinha de bateria da Mocidade Alegre, provou que é exceção à regra.

 

Ao fazer uma apresentação com fogo, rodeada por outros integrantes da escola, Nani viu incendiar-se o enfeite alegórico que equilibrava sobre a cabeça. Com a ajuda de bombeiros, que invadiram o sambódromo de São Paulo, ela se livrou da geringonça e continuou sambando.

 

Minutos depois, foi atendida numa ambulância que se encontrava no local. Enfaixou o braço e, de novo, voltou a se remexer na avenida, com o mesmo entusiasmo de antes. Terminado o desfile, foi internada com queimaduras de segundo grau no Hospital do Mandaqui, na zona norte de São Paulo. Exibia queimaduras no braço e na cabeça. Deve ter alta neste domingo. Nota dez para a moça, que sublimou a dor em benefício de sua escola.

 

Pressione na imagem para ter acesso a uma galeria de fotos do dia preparada pela FolhaOnline.

Escrito por Josias de Souza às 19h09

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Tasso articula lançamento de Serra em ato público

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), começou a organizar a cerimônia de lançamento da candidatura tucana à presidência da República. Pretende-se que o nome do adversário de Lula seja anunciado num grande ato público, provavelmente em Brasília, entre os dias 10 e 15 de março. Se depender da vontade da direção do partido, o candidato será o prefeito paulistano José Serra.

 

É isso o que Tasso vem dizendo nos últimos dias, em diálogos pessoais e por telefone, a políticos do PSDB e do PFL. Aliados potenciais do tucanato na corrida presidencial, os pefelistas também preferem Serra ao governador Geraldo Alckmin (São Paulo). Acham que o prefeito reúne melhores condições para enfrentar Lula, candidato não declarado à reeleição. Uma percepção que se solidificou com a última pesquisa DataFolha.

 

Um dos políticos com os quais Tasso vem dialogando é o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Ao relatar os contatos a um amigo, ACM disse que tudo se encaminha para uma definição em favor de Serra. O próprio senador baiano, que sempre demonstrou simpatia pelo nome de Alckmin, parece ter mudado de idéia. Pende agora para o lado de Serra.

 

O maior problema da cúpula do PSDB continua sendo a dificuldade de convencer Alckmin a abrir mão de sua candidatura em favor de Serra. O governador segue afirmando que se considera um candidato “mais natural” do que o prefeito. Tasso menciona em seus diálogos privados um compromisso que teria arrancado de Alckmin de curvar-se à decisão final do partido, fosse ela qual fosse.

 

De sua parte, Alckmin diz que, de fato, dispõe-se a ser “um soldado do partido”. Mas diz que, antes, os dirigentes tucanos terão de convencê-lo, com argumentos sólidos, de que o escolhido deve ser Serra. Algo que, segundo diz sob reserva, ainda não aconteceu.

 

Entre os argumentos que serão levados a Alckmin para tentar demovê-lo está a aliança com o PFL, vista como essencial. A preferência por Serra não se restringe a ACM. O sentimento disseminou-se entre os líderes pefelistas. Há uma unanimidade em torno da percepção de que, com Serra, são maiores as chances da oposição de derrotar Lula.

 

De resto, argumenta-se no PFL que a escolha de Serra é melhor negócio para o partido. Deixará como legado ao PFL a prefeitura de São Paulo. A cadeira de Serra passará a ser ocupada pelo vice pefelista Gilberto Kassab até 2008. O vice de Alckmin, Cláudio Lembo, também é do PFL. Mas o mandato do governador encerra-se no final deste ano.

 

Não é só: o prefeito do Rio, Cesar Maia, pré-candidato do PFL à presidência da República, continua sustentando nos bastidores que só abrirá mão de sua postulação se o candidato tucano for Serra. A desistência de Maia é pré-condição para que o partido possa indicar o candidato a vice na chapa tucana.

 

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen marcou uma conversa com Cesar Maia para o dia 20 de março. Os dois avaliaram que seria melhor acertar os ponteiros depois das prévias do PMDB, marcadas para 19 de março. Conhecidos os nomes dos candidatos do PSDB e do PMDB, tomariam a decisão sobre a retirada ou não da candidatura de Maia.

 

Em conversas suas conversas reservadas, Tasso Jereissati diz que a cerimônia em que será oficializado o nome do candidato tucano precisa ser representativa o bastante para passar à opinião pública a impressão de que o partido está unido. Se o candidato for Serra, como pretende a cúpula, a presença de Alckmin é vista como vital. Vê-se como essencial também a presença de todos os governadores do partido –seis, além de Alckmin- e de suas principais lideranças.

 

Durante o Carnaval, Tasso opera desde Fortaleza (CE). Cancelou uma viagem que havia programado, para dedicar-se às costuras de última hora. O tucanato trabalha contra o relógio. Atribui o crescimento de Lula nas pesquisas ao fato de o presidente estar, por ora, sozinho na disputa. 

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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How do you do?

Da coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes):

 

SALÕES : A rainha da Inglaterra começou a despachar os convites para o banquete que oferece a Lula no dia 7, no Palácio de Buckingham. Alguns detalhes: os homens, claro, vestirão fraque e as mulheres, vestido de noite; mas "trajes nacionais" serão permitidos; os motoristas ganharão um tíquete para jantar nas dependências do palácio; os convidados serão recebidos por uma espécie de mordomo; todos serão conduzidos a um salão verde e "apresentados" à rainha, ao presidente e à "senhora Lula da Silva"; a rainha deixará o jantar às 23h15. Em ponto.

Quem está de dieta ou tem alergia a algum tipo de alimento deve informar o palácio com antecedência.

Escrito por Josias de Souza às 08h16

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As manchetes deste sábado

 

- JB: O sumiço de Dalí e Picasso

- Folha: Brasil cresce 2,3% em 2005, metade da média mundial

- Estadão: PIB de 2,3% em 2005 causa decepção

- Globo: Economia cresce apenas 2,3%, metade do que Lula prometeu

- Correio: Decisão do STF favorece mil presos da Papuda

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h32

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Inocência carnavalesca

Paulo Stocker

Pressione na imagem para visitar o blog Stockadas, de Paulo Stocker, dono de fino traço.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Olha o bloco da Abin aí, gente!

Roberto Barroso/Folha Imagem

Era só o que faltava. Com o apoio da CUT a Asbin (Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência) promoveu nesta sexta-feira uma inusitada manifestação. Um grupo de cerca de 80 arapongas da Abin postaram-se diante da sede da agência, em Brasília, para reivindicar melhoria dos salários (45%) e das condições de trabalho.

O grupo adotou o novo símbolo da Abin, o carcará, como mote do protesto. Alguns ostentavam fantasia de demônio e de besta-fera. Cantarolaram uma marchinha-protesto eivada de ameaças. Diz a letra:

“Cuidado com o carcará, pois o segredo ele pode revelar. Não fica estrela nem tucano, nem general que não entre pelo cano.” O signatário do blog torce para que as reivindicações não sejam atendidas. O país só teria a ganhar se a ameaça fosse convertida em vazamento efetivo.

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Gaviões abre desfile em São Paulo

Tuca Vieira/Folha Imagem
 

 

A Gaviões da Fiel abriu nesta sexta-feira, às 23h25, a primeira noite de desfiles do Carnaval 2006 de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. Apresentou o enredo "Nas Asas da Fascinação". Homenageia o 14 Bis, exaltando o desejo que o homem tem de voar.

 

O desfile marca o retorno da Gaviões ao Grupo Especial. Em 2004, a escola havia sido rebaixada para o Grupo de Acesso. Foi a campeão nessa categoria em 2005, retornando ao primeiro time do Carnaval paulistano. Pressione na imagem acima para alcançar uma galeria com fotos do desfile.

Escrito por Josias de Souza às 23h40

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Brincando com fogo

  Periodista Digital
A jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci (na foto), conhecida por seus livros com críticas ácidas ao fanatismo islâmico, está na bica de patrocinar uma iniciativa que  pode adicionar lenha na fogueira acesa depois que jornais europeus publicaram um lote de charges tidas como ofensivas ao profeta. Fallaci está rabiscando, ela própria, um novo desenho do profeta.

 

A peça mostrará Maomé rodeado de suas nove mulheres, incluindo a filha com a qual casou aos 70 anos, suas 16 concubinas e um camelo vestindo uma burka. A simples divulgação da notícia já suscitou imediata crítica de líderes muçulmanos residentes na Itália. Alertam para o risco de que a iniciativa açule ainda mais a ira do islã.

 

“Fallaci é uma pessoa irresponsável, que não se dá conta do dano que pode causar. Esse tipo de comportamento só terminará beneficiando a causa dos extremistas”, disse, por exemplo, Hamza Roberto Piccardo, da União de Comunidades e Organizações Islâmicas da Itália.

Escrito por Josias de Souza às 23h19

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China censura cartoons estrangeiros

Programas infantis que misturam atores reais com desenhos animados serão banidos da televisão na China. O telespectador chinês ficará impedido de assistir, por exemplo, a produções como “Who Framed Rober Rabbit?”, em que o ator Bob Hoskins faz o papel de um detetive particular que contracena com vários personagens de desenho animado. No Brasil, o filme foi rebatizado de “Uma Cilada para Roger Rabbit”.

 

Baixada pelo órgão do governo chinês incumbido de regular a programação da televisão e do cinema, a medida deve alcançar também atrações em que atores adultos se travestem de personagens infantis. É o caso do programa inglês “Teletubbies”, que na China se chama “Tianxian Baobao”.

 

A ditadura de olhinhos puxados não deu maiores explicações sobre a proibição. Natural. Ditaduras não devem nada a ninguém. Muito menos explicação. Imagina-se que o objetivo seja o de conter a exibição de produções estrangeiras, já limitada a 40% da programação televisiva. Difícil saber também o que o povo chinês achou da medida. Se forem fazer uma pesquisa nas ruas, todos dirão em uníssono: “Não posso me queixar.”

Escrito por Josias de Souza às 22h49

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Lula manda equipe econômica reduzir superávit

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

A divulgação do índice de crescimento econômico do Brasil em 2005 (2,3% do PIB), feita nesta sexta-feira de Carnaval pelo IBGE, já provocou o primeiro efeito no governo. Em diálogo com um auxiliar na manhã desta sexta-feira, Lula disse que, neste ano de 2006, pretende conduzir a equipe econômica com “rédea curta”.

 

O presidente disse que não vai admitir que o superávit primário ultrapasse um centavo além da meta de 4,25% do PIB. Já teria repassado a determinação ao ministro Antonio Palocci (Fazenda). Em 2005, a economia feita pelo governo para o pagamento dos juros de sua dívida alçou à casa dos 4,84% do Produto Interno Bruto.

 

O superávit somou R$ 93,505 bilhões, um valor que excedeu a meta  do governo em R$ 10,755 bilhões. Algo que, segundo Lula, não pode se repetir neste ano.

 

Outro ponto que o presidente deixou claro na conversa desta manhã: os juros terão de baixar de modo consistente. Lula pareceu ao interlocutor aborrecido. Disse que qualquer taxa de crescimento abaixo de 5% do PIB em 2006 será inadmissível.

 

A decisão do presidente é uma derrota para a equipe de Palocci. Expoentes do time da Fazenda, entre eles o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal, vêm defendendo internamente a tese de que o governo precisa aumentar o seu superávit. Sob pena de não conseguir amortizar nem os juros da dívida. Muito menos o principal.

 

Foi o que aconteceu, aliás, em 2005. Embora o superávit tenha ficado acima da meta, os R$ 93,505 bilhões que o governo conseguiu economizar não foram suficientes para liquidar a totalidade dos juros da dívida, que somaram R$ 157,145 bilhões. Produziu-se um déficit nominal (receitas menos despesas, incluindo gastos com juros) de R$ 63,641 bilhões. Na opinião da equipe de Palocci, a disposição de Lula tende a agravar o problema.

 

O que mais aborreceu Lula em relação ao índice divulgado pelo IBGE (2,3%) foi o fato de que ele acabou ficando abaixo do que fora previsto pelo Banco Central no final do ano passado (2,6%). O presidente sabe que o crescimento reduzido servirá de munição para a oposição durante a campanha eleitoral. Daí o seu esforço para reverter o quadro.  

Escrito por Josias de Souza às 15h47

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Por trás do cartão de crédito

Bestgraph
A repórter Marta Salomon (na Folha, para assinantes) informa:

 

"Em auditoria sobre o uso de cartões da Presidência, aprovada em sessão sigilosa, o TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu cobrar explicações para a compra de bebidas alcoólicas e alimentos "refinados" para a Granja do Torto e o Palácio da Alvorada -residências oficiais do presidente.

Reunidos na denominação "gêneros de alimentação", esses itens consumiram pouco mais de R$ 608 mil no período de um ano e meio (2004 e primeiro semestre de 2005) e chamaram a atenção dos auditores do tribunal que analisaram os gastos -e sobretudo os saques em dinheiro- com os cartões, protegidos por sigilo.

(...)

 

A auditoria encontrou irregularidades, como o pagamento por serviços não prestados com aluguel de carros e a compra supostamente urgente de uniformes para funcionários da Granja do Torto por R$ 62 mil. Mas o trabalho não apresentou conclusões sobre a existência de notas frias entre os documentos apresentados para justificar os gastos e saques com cartões da Presidência.

O relatório aprovado pelo tribunal determina a abertura de nova auditoria para analisar as notas fiscais e rastrear um volume superior a R$ 3 milhões de despesas feitas no primeiro semestre de mandato de Lula, que ficaram de fora da análise iniciada em agosto do ano passado.

Entre a posse de Lula e o início da investigação do TCU, quase R$ 20 milhões haviam sido gastos com cartões da Presidência, sobretudo por meio de saques. Em um único mês, um dos portadores de cartões da Presidência sacou R$ 78 mil em dinheiro vivo. Em 2004, os saques representaram 60% dos gastos com cartões. À época, o tribunal já criticava a falta de transparência nos gastos.

No Planalto, um número restrito de funcionários, menos de 50, chamados de "ecônomos", usam os cartões em nome do presidente e demais autoridades.
Uma regra baixada em dezembro de 2003 pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência cercou de sigilo detalhes dos gastos com cartões, a pretexto de zelo com a segurança do presidente Lula e de sua família."

(...)

Escrito por Josias de Souza às 08h04

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Viva a campanha

Artigo desta sexta-feira de Clóvis Rossi (na Folha para assinantes):

"Por fim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou uma ao dizer que homem público faz campanha todos os dias e todas as noites de todos os anos. E é bom que seja assim: campanha é uma maneira de prestar contas ao público.
Se a campanha é feita de maneira honesta ou desonesta, aí é outra discussão.

Desonestos, por exemplo, são os resmungos do tucanato culpando o mecanismo da reeleição pelo fato de Lula ter recuperado popularidade, na medida em que faz campanha usando o cargo. Quem foi que inventou, no Brasil, a reeleição, inclusive comprando votos para aprovar o instituto?

É igualmente equivocada a queixa de que a reeleição permite o uso da máquina, conferindo ao titular do cargo uma vantagem indevida sobre os demais concorrentes. Lembra-se de Orestes Quércia? Não podia ser candidato à reeleição que inexistia, mas elegeu seu candidato, Luiz Antônio Fleury Filho, então virgem em disputas eleitorais, à custa da quebra do Banespa.

O problema não é a reeleição, mas os maus costumes políticos. Fernando Collor não ganhou porque usou a máquina, que não tinha, a não ser a do paupérrimo Estado de Alagoas. Ganhou porque usou toda a desonestidade propagandística possível, com conivência e/ou apoio de parte importante da mídia.

Mesmo Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994 sem inaugurar uma só obra, porque não havia o que inaugurar. Havia o Plano Real.

Que a reeleição favorece quem está no trono é óbvio. Nos Estados Unidos, por exemplo, nos últimos 70 anos, só dois presidentes eleitos não se reelegeram (Jimmy Carter e George Bush pai), além, é claro, de John Kennedy, assassinado no primeiro mandato.

A maioria do eleitorado é inerentemente conservadora. Prefere o conhecido, a não ser quando o acha calamitoso, ao novo. À oposição cabe, em vez de reclamar, provar que o presidente é uma calamidade."

Escrito por Josias de Souza às 07h43

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Expediente full-time

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 07h23

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Dias de folia - Samba, Carnaval...

- Folha: Conflito religioso mata 130 no Iraque em 1 só dia

- Estadão: Supremo, dividido, abranda a lei dos crimes hediondos

- Globo: Decisão do STF abranda a Lei de Crimes Hediondos

- Correio: É carnaval, mas nem tudo e festa - Álcool fica mais caro depois da folia

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h20

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CPI obtém acesso a conta de Duda nos EUA

A CPI dos Correios poderá, finalmente, deitar os olhos sobre a movimentação financeira de Duda Mendonça nos EUA. Depois de três meses de negociações, a Justiça norte-americana concordou em repassar para a comissão os documentos bancários do publicitário referentes à conta offshore Dusseldorf. Duda deve depor novamente na CPI.

Um comunicado conjunto assinado pela secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas, e pelo presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-SP), fixou as regras de consulta aos papéis. Delcídio, Osmar Serraglio (PMDB-PR), Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Maurício Rands (PT-PE) poderão compulsar os papéis apenas na sede da DRCI (Divisão de Recuperação de Ativos e Cooperação Judiciária Internacional). A CPI só poderá divulgar os dados que constarem do relatório final aprovado ao final dos seus trabalhos.

Escrito por Josias de Souza às 00h44

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STF abranda pena de crimes hediondos

 

Em decisão polêmica, o STF abriu nesta quinta-feira o caminho para que presos condenados por crimes hediondos obtenham abrandamento de suas penas. Por seis votos a cinco, os ministros do Supremo concederam hábeas-corpus ao pastor evangélico Oséas de Campos, condenado a 18 anos de prisão por molestar quatro crianças em Campos de Jordão.

A decisão garantiu ao pastor o direito de pedir à Justiça a progressão de regime, isto é, de cumprir o restante da pena em regime de prisão semi-aberta ou aberta. O resultado do julgamento do STF abre um precedente. Agora, outros condenados por crimes hediondos podem solicitar o mesmo benefício.

Escrito por Josias de Souza às 00h30

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Marco Aurélio vê confissão em frase de Lula

Marco Aurélio vê confissão em frase de Lula

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Marco Aurélio Mello, que estará na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante a campanha eleitoral deste ano, acha que Lula pode ter ultrapassado a fronteira que separa a gestão pública da campanha eleitoral no discurso que fez em Parnaíba (PI), na última quarta-feira. Em entrevista ao blog, o ministro afirmou: A levar a sério o que ele disse, que faz campanha 365 dias no ano, é uma confissão (....). A sinceridade é elogiável, mas ela tem limites. Dá impressão aos leigos de que ele tudo pode. Não é assim. A lei submete a todos.” Abaixo, a entrevista:  

- Cumprindo uma programação oficial no Nordeste, o presidente Lula disse que, com ou sem eleição, "um homem público faz campanha da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano”. Passou dos limites?

O dirigente que caminha para a reeleição tem de estar, mais do que qualquer outro candidato, atento. As coisas são muito fronteiriças -a publicidade educativa, que está prevista a Constituição federal, e a propaganda eleitoral. Acredito que o presidente tenha dito isso sem atentar para a formalidade técnica. Meu Deus do céu, o mandatário maior não poderia simplesmente dizer eu faço campanha eleitoral 365 dias por ano. A lei é categórica, propaganda só será autorizada a partir de 5 de julho. Campanha também.

- Do ponto de vista da Justiça Eleitoral, o presidente está correndo riscos?

Eu, no lugar dele, teria um cuidado maior. Sempre se aguarda aquele denominado jeitinho brasileiro, que o dito fique pelo não dito. Mas a quadra vivida pelo país é uma quadra alvissareira, em que se está procurando o aprimoramento da cultura. Não dá para transigir.

- A prática de inaugurar obras em solenidades seguidas de discursos, que vem sendo adotada pelo presidente, é abusiva?

Quase sempre, quando ele sai do script, ele parte para, meu Deus Céu, veiculação de idéias objetivando o êxito em outubro.

- O que pode o tribunal fazer?

Por ora, quando configurada a transgressão à lei, apenas impor multas. Quando já estivermos naquele espaço de tempo em que haverá candidaturas formalizadas, as conseqüências são muito mais sérias, podendo levar à cassação do registro do candidato.

-O PSDB já formalizou sete representações contra o presidente.  Esse tipo de ação terá tratamento prioritário?

Quando se trata de propaganda, até para exercer um papel pedagógico e inibidor, nós estamos dando preferência.

- A legislação que permite a presidentes, governadores e prefeitos concorrer à reeleição  sem deixar o cargo não é imperfeita?

Sim. Mas teria de haver modificação da própria Constituição. Está lá no artigo 14 parágrafo 5o. Considero que o sistema ficou capenga com essa permanência no cargo. É incoerente.

- Isso vem causando problemas?

As paixões prevalecem. A pessoa acaba exorbitando e indo alem do que pode ir. O presidente mesmo, nesse discurso. A levar a sério o que ele disse, que faz campanha 365 dias no ano, é uma confissão. E olha que ele tem dito que ainda não decidiu se vai ser candidato à reeleição. A sinceridade é elogiável, mas ela tem limites. Dá impressão aos leigos de que ele tudo pode. Não é assim. A lei submete a todos.  (Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 00h08

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Ministro já impôs multa a Lula

Ministro já impôs multa a Lula

- O sr. diz que o país vive uma quadra de aprimoramento. Como vem se comportando o TSE?

Temos analisado as representações com rigor. Houve uma, ajuizada pelo PSDB, da qual fui relator, que resultou na imposição de multa de R$ 30 mil para o presidente da República. Foi veiculada propaganda em horário nobre, na Globo, que continha até o chavão da campanha que o levou ao cargo. E ele fazia um apelo dizendo que havia muito mais coisas a realizar no Brasil e que ele precisava do apoio dos cidadãos, diga-se dos eleitores. E nos glosamos.

- O problema se restringe ao presidente Lula?

O tribunal está rigoroso com tudo o que lhe é apresentado. Agora mesmo analisamos uma questão envolvendo o Partido dos Aposentados do Brasil. Fez propaganda pró-Garotinho no horário gratuito em que deveria divulgar o programa partidário. Costumávamos impor como pena o corte de horário em tempo compatível ao da veiculação. Neste caso, chegamos à cassação de todo o tempo do partido no primeiro semestre de 2007, porque não havia mais propaganda em 2006. Ontem, também, dei uma liminar contra o Garotinho porque, lá perto de Maricá, no Rio, andaram colocando outdoor dizendo que o município apóia Garotinho para presidente. Não dizia presidente de quê. Mas, embaixo, tinha a sigla do PMDB. Dei liminar mandando tirar.

- As outras representações do PSDB contra Lula já estão em pauta?

Há um segundo caso que deve entrar em pauta. Hoje, me trouxeram uma fita, estou examinando para ver se pode haver a juntada agora. A representação trata de  propaganda eleitoral temporã.

- E  quanto a essa  frase polêmica do presidente?

Quanto a esse caso não sei se já está aqui. Mas vamos ouvir o representado (Lula) e a Procurador-Geral Eleitoral. Só então vai a julgamento.

- A tendência de sanções rigorosas é extensiva a todo o tribunal?

Sem dúvida nenhuma, hoje é uma tendência do tribunal. Principalmente em termos de propaganda eleitoral extemporânea. O que se busca é equilíbrio na disputa. Já há essa maior valia, porque, com a reeleição, se permanece no cargo. Que não descambe para o uso da máquina.

- Neste novo caso envolvendo Lula o julgamento será do plenário do tribunal?

Sim. Não irá a julgamento apenas pelo que ele disse que está em campanha 365 dias por ano. A análise será do fato completo: o discurso que ele fez, as palavras veiculadas, se teve simples inauguração de obras sem o objetivo de enaltecer a figura daquele que se apresentará como candidato. O partido que é antagônico trará, certamente, os dados.

- A defesa do presidente é feita pela Advocacia da União?

Ai está outra coisa que precisa ser questionada. Até aqui, quem vem defendendo o presidente nas representações é o advogado-geral da União. Isso aí, para mim, também é algo nebuloso. Não faz sentido. Uma coisa é defender o presidente em ato que ele haja praticado na atividade própria da presidência. Aí, muito bem, ele não tem que contratar um advogado particular. Agora, meu Deus do céu, se ele pratica um ato extravasando os limites da lei, na caminhada para uma eleição, por que o erário deve viabilizar essa defesa? Até aqui tem sido aceito. Não sei se continuará assim. Deve ser suscitada a questão para uma discussão maior.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

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Troco dois bonecos por uma boneca

Moacir Lopes Jr./Folha Imagem
 

 

Num instante em que a política oferece ao país o maior bloco de sujos de sua história, parece mais do que natural que as encrencas eleitorais acabem se imiscuindo no Carnaval. Mas um episódio que se desenrola em São Paulo acaba por levar o ridículo às suas últimas conseqüências.

 

Os vereadores do PT de São Paulo decidiram mover uma ação judicial para impedir que a escola de samba paulistana Leandro de Itaquera leve à avenida dois bonecos gigantes -um representando o prefeito José Serra. O outro, o governador Geraldo Alckmin. Serra e Alckmin são, como se sabe, os dois tucanos que se acotovelam pela vaga de candidato à presidência pelo PSDB.

 

O enredo da Leandro de Itaquera, parcialmente custeada com verbas da prefeitura de Serra, discorre sobre a suposta recuperação do Rio Tietê, menina dos olhos de Alckmin. Para Arselino Tatto, líder do petismo na Câmara de Vereadores, a exposição dos bonecos dos dois candidatos num carro alegórico da escola constitui “crime eleitoral”. Daí o pedido à Justiça para que vete a iniciativa.

 

Sem entrar no mérito da pendenga carnavalesco-eleitoral, o signatário do blog avalia que a Leandro de Itaquera prestaria um serviço à estética pública se trocasse os bonecos de Serra e Alckmin por modelos como Andréa Monteiro (na foto exibida lá em cima). A boneca é sub-destaque da co-irmã Gaviões da Fiel. Francamente, exibe, em tamanho natural, melhor figura do que Serra e Alckmin em formato gigante.  

Escrito por Josias de Souza às 18h07

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CNBB editará cartilha eleitoral

Até a CNBB, veja você, meteu a colher no debate em torno do uso eleitoral de máquinas públicas. O presidente da entidade, dom Geraldo Majella Agnelo, disse que é  natural que, em fim de mandato, inaugure as obras que logrou erigir. Mas acha que as cerimônias de inauguração não podem se converter em atos de cunho eleitoral.

Dom Geraldo evitou mencionar o nome de Lula.

 

Falando ao término da 20a Reunião do Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB, dom Geraldo informou que a CNBB editará uma cartilha para orientar os católicos. Uma das instruções da Igreja será a de que o eleitor deve negar o voto a candidatos enrolados com a prática do caixa dois. Perigosa a orientação. Se levada ao pé da letra, não haverá candidato digno de ser votado.

Escrito por Josias de Souza às 17h45

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Lula, a oposição e o uso da máquina

Ao afirmar, em viagem ao Nordeste, que faz campanha 365 dias por ano, Lula alvoroçou a oposição. O PSDB anuncia que entrará com novas representações contra o presidente na Justiça Eleitoral. Cogita também questionar o presidente na Comissão de Ética Pública, órgão vinculado à própria presidência da República.

 

O PFL engrossou o coro do tucanato. "Ele está dando um péssimo exemplo para os outros partidos", disse o senador José Jorge (PFL-PE). "Ele confessou que tem feito campanha 365 dias por ano. Isso pode ter um efeito cascata. Se não houver uma posição forte do TSE contra o presidente Lula, daqui a pouco os governadores estarão com palanque armado nos Estados", corroborou Efraim Morais (PFL-PB), presidente da CPI dos Bingos.

 

Por trás da reação de PSDB e PFL está o avanço de Lula nas pesquisas de opinião. A oposição enxerga nas viagens, inaugurações e discursos de Lula o principal tônico para a recuperação do prestígio eleitoral do presidente. Como que incorporando o estilo Jagger, Lula dá de língua para os adversários. Diz que não lhe passa pela cabeça interromper a “colheita” daquilo que plantou.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

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Serra: Lula não governa, faz marketing

O prefeito paulistano José Serra, candidato não-declarado à presidência da República pelo PSDB, disse nesta quinta-feira que a gestão Lula “É o governo em torno do qual se concentraram os maiores escândalos que se tem notícia no pós-guerra no Brasil.” Segundo ele, em vez de governar, Lula dedica-se ao marketing. Serra falou durante a inauguração de uma escola.

 

O prefeito se esquivou das perguntas sobre a disputa interna que trava com o governador Geraldo Alckmin pela vaga de candidato do PSDB à presidência. No mais, falando como candidato, esmerou-se nos ataques a Lula e ao governo. Disse o seguinte:

 

Política Econômica: “A política que se faz é regressiva, com desemprego e ganhos fantásticos para a área financeira, como estamos verificando, corrosão e diminuição do emprego na indústria, além da destruição de grande parte daquilo que se fez de bom na agricultura.”

 

* Fome Zero: Em dado momento da entrevista, Serra disse que a especialidade do governo Lula é o marketing. Atento, um dos assessores do prefeito perguntou se ele se falava de algum projeto específico. Diante da bola levantada, Serra chutou: “Do Fome Zero, que não existe. Quem não tem fome até acha que tem Fome Zero para os outros, quando, na verdade, não tem para ninguém. Aquele Primeiro Emprego também não tem, mas tem muita propaganda. O que tem nesse governo é propaganda paga. E noticiário também. Porque tudo o que o presidente faz é bastante coberto.”

 

* Política social infra-estrutura: para Serra, o governo não dispõe de política social consistente. Referiu-se ao Bolsa Família, como uma iniciativa para distribuir dinheiro. Disse que o governo dá de ombros para a infra-estrutura. “Não tem política social, fora a distribuição de dinheiro. A saúde foi para trás, não tem política para a educação, deixou a infra-estrutura ao deus-dará. E vem com frufru estilo biodiesel, como se fosse a chave do reino, em vez de fazer seu dever de casa.”

 

* Campanha 365 dias por ano: instado a comentar a frase de Lula segunda a qual “o homem público faz campanha” o ano todo, Serra disparou: “No contexto em que foi dita, (a frase) mostra eleitoralismo e marketing. O que o governo do PT faz bem é marketing, dá nó em pingo d´água. É o governo em torno do qual se concentraram os maiores escândalos que se tem notícia no pós-guerra no Brasil.”

 

* Por que, então, Lula sobe nas pesquisas? Na opinião de Serra, a recuperação ocorre se deve ser creditada, além do marketing, ao recesso das CPIs nas férias do Legislativo.

Escrito por Josias de Souza às 16h36

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Por R$ 3,99 pode-se virar de Lula a Severino

Neste Carnaval, informa a Agência Nordeste (para assinantes), você pode virar Lula, Roberto Jefferson, José Dirceu, Marcos Valério ou Severino Cavalcanti gastando irrisórios R$ 3,99. É esse o valor das máscaras dos protagonistas dos escândalos do mensalão e do mensalinho.

As caras da crise estão à venda em lojas populares de todo país. Custam menos do que uma máscara de mostro, orçada em R$ 12,99. Mais barato do que as “fachadas” de cachorro, gato ou porco, vendidas a R$ 9,99.

O preço, porém, nem sempre é o que mais pesa na hora de decidir. Tome-se o exemplo do senador Heráclito Fortes (PFL-PI). “Difícil ter de que escolher, mas se tivesse que fazer a opção eu ia de monstro”, diz o senador, dono de um dos semblantes, digamos, menos plásticos do Congresso. “Apesar de bem mais cara, é mais pura e autêntica”.

É, faz sentido!

Escrito por Josias de Souza às 15h17

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Pontificado de Bento 16 mostra a cara

  AP
O rumo do pontificado de Bento 16 foi insinuado ontem. Sem alarde, saiu a primeira fornada de cardeais do novo papa. São 15 ao todo. Assumem no próximo consistório, marcado para 24 de março. A estrela da lista é o arcebispo de Hong Kong, Joseph Zen Ze-Kiun (na foto).

 

O miúdo Zen Ze-Kiun fez-se gigante na cruzada que empreende em favor da liberdade religiosa na China. Ali, com um rebanho estimado em 12 milhões de fiéis, a Igreja é, do ponto de vista formal, uma ficção.

 

O governo chinês não tolera senão o funcionamento de uma tal Associação Católica Patriótica, a cujos freqüentadores não é permitido reconhecer a autoridade papal. São inexistentes as relações diplomáticas do Estado do Vaticano com o regime comunista da China.

 

Em vida, João Paulo 2o sonhou normalizar as relações com a China. Ao enfeitar o monsenhor Zen Ze-Kiun com os paramentos cardinalícios, Bento 16 informa a Pequim que não tem medo da cara feia dos comunistas.

 

Na Venezuela, o papa foi buscar o monsenhor Jorge Urosa Savino, que ascende ao Colégio de Cardeais nas pegadas da morte do cardeal Antonio Ignácio Velasco, em julho de 2003. A atuação de Savino será chave para o futuro das relações da Igreja com o governo de Hugo Chávez, hoje azedas. Expoentes da Igreja venuzuelana vêm criticando o que chamam de viés “autoritário” de Chávez. O presidente não deixa nada sem resposta. Bate duro.

 

Savino, o novo cardeal, advoga a tese de que a missão pastoral da Igreja deve prevalecer sobre a política. Diferentemente do caso Chinês, em que o papa mandou sinais para fora da Igreja, na escolha venezuelana Bento 16 fala para dentro. Diz aos sacerdotes que, sob seu pontificado, política é coisa para político.

 

O pacote de cardeais de Bento 16 inclui também o nome do arcebispo de Boston, Sean O'Malley. Vem a ser o escolhido de Roma para limpar a sacristia da Igreja nos EUA, apinhada de padres pedófilos. Aqui, de novo, o papa fala para dentro. Informa que sexo não combina com celibato. E sexo com crianças é coisa para devassos, nao para servos de Deus.

 

Por último, há que realçar a inclusão na lista de novos cardeais do nome de monsenhor Stanislaw Dziwisz, arcebispo da Cracóvia. Foi uma espécie de anjo da guarda de João Paulo 2o. Era, por assim dizer, a maçaneta que separava o mundo exterior de Karol Wojtyla, com quem trabalhou por quase quatro décadas, desde 1966.

 

Mal comparando, Dziwisz estava para Woytyla como madre Pasqualina esteve para o cardeal Pacelli (1939-1958), morto na pele de Pio 12. Antes de descer à cova –ou, se o leitor preferir, antes de subir para os braços do Senhor- Pacelli viu-se às voltas com doenças e alucinações. Pasqualina, misto de governanta e secretária, zelava pelo seu isolamento.

 

Suspeita-se que, por vezes, a madre tenha vocalizado recados que o papa jamais teve oportunidade de dar. João 23, o sucessor de Pio 12, cuidou de livrar-se dela. O que não impediu Pasqualina de descer à lenda com o apelido de “papisa”.

 

Dziwisz não chegou a tanto. Mas também administrou com mão de ferro o pórtico que dava acesso ao papa moribundo. Disse ter ouvido, no leito de morte de Wojtyla, as “últimas palavras” de um servo de Deus que muitos na Igreja suspeitavam que deixara de falar dias antes. Ao fazê-lo cardeal, Bento 16 demonstra grandeza de espírito. De resto, informa que, afora a crença nos dogmas divinos, não dá trela para lendas.

Escrito por Josias de Souza às 13h38

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Companheiros e companheiras verdes...

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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As manchetes desta quinta

 

- JB: Vitória do pulso - Consumidor ganha batalha do telefone

- Folha: Lula afirma que faz campanha 365 dias por ano

- Estadão: Em 3 anos de Lula, bancos já lucram mais que nos 8 de FHC

- Globo: Governo recua e cancela nova tarifa de telefones

- Correio: 20% dos juízes devem perder supersalários

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h31

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Serraglio quer apalpar contabilidade do PT

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Na reta final da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), o relator da comissão, decidiu arrostar uma encrenca cabeluda. Ele anunciou o desejo de propor a quebra do sigilo contábil do diretório nacional do PT. Significa dizer que, se aprovada pela CPI, a providência obrigará o partido de Lula a entregar os seus livros contábeis dos últimos cinco anos.

 

O petismo alvoroçou-se. Acusou Serraglio de agir com parcialidade. Os petistas lançaram no ar a seguinte pergunta: por que o relator não pede também a abertura dos livros do PSDB, que reconheceu ter praticado caixa dois na campanha para o governo de Minas em 1998? Espicaçado, Serraglio assentiu. Vai pedir a quebra do sigilo contábil do diretório tucano de Minas.

 

Os requerimentos vão a voto em sessão da CPI programada para depois do Carnaval. Desnecessário anotar que haverá intenso pugilato verbal. Antecipando-se ao debate, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, já subiu no caixote. Comparou o pedido de Serraglio ao relatório em que ACM Neto (PFL-BA) apontou suposta conexão entre investimentos malogrados de fundos de pensão com pagamentos do mensalão.

 

“Essa quebra de sigilo é falta de assunto. Isso é igual ao relatório do Grampinho. É peça política sem fundamento”, atacou Berzoini. “Grampinho” é o apelido que o petismo pespegou em ACM Neto, em alusão ao escândalo baiano dos grampos telefônicos, um caso em que ACM avô foi acusado de encomendar escutas clandestinas em telefones de inimigos políticos.

Escrito por Josias de Souza às 00h21

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Serra diz que não dará cotovelada por candidatura

  Alan Marques/Folha Imagem
O presidenciável José Serra recebeu há pouco mais de uma semana a visita de um governador do PSDB, o seu partido. Conversaram no gabinete do prefeito de São Paulo. A certa altura do diálogo, o visitante quis eliminar a dúvida que embatuca todo o tucanato. Afinal, vai ou não vai ser candidato à presidência da República?

 

Serra foi econômico nas palavras. Mas soou enfático: “Não vou acotovelar ninguém. Seria candidato se houvesse consenso. Não havendo, estou bem na prefeitura. Tenho um mandato a cumprir”, eis a resposta do prefeito, aqui reproduzida do modo como foi armazenada na memória de quem a ouviu.

 

O interlocutor de Serra deixou a prefeitura carregando duas impressões extraídas da audiência. A primeira: Serra deseja muito disputar a cadeira de presidente, que perdeu para Lula no segundo turno da eleição de 2002. A segunda: o prefeito condiciona a aceitação do desafio a uma espécie de chamamento do partido.

 

O mesmo governador conversou com o colega Geraldo Alckmin, que disputa com Serra a vaga de anti-Lula. Contou a ele o que ouvira de Serra. E Alckmin lhe disse algo que, no limite, transforma a unanimidade reclamada por Serra num fetiche inalcançável: “Minha candidatura eu não retiro”.

 

Terminada a reunião, o visitante cruzou o pórtico do Palácio dos Bandeirantes algo perplexo. Ruminaria sua perplexidade durante o vôo de volta para o seu Estado. Concluiu o seguinte: na fronteira de uma luta eleitoral que se insinua como duríssima, o PSDB estava na iminência de cindir-se.

 

Os piores receios do governador se confirmariam nos dias que se seguiram. Viu pelos jornais a foto do jantar do auto-convocado triunvirato tucano –Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves- com José Serra, no faustoso restaurante Massimo.

 

Ficou pasmo ao ler a troça que FHC permitira-se fazer ao ser inquirido por jornalistas acerca da ausência de Alckmin: “Ele tem que acordar cedo”. Pressentiu a reação do governador de São Paulo. O noticiário não tardou a reproduzir informações, recolhidas nos subterrâneos do tucanato, acerca da inamovível disposição de Alckmin de submeter a própria candidatura ao escrutínio do partido.

 

A isso se resume o drama do PSDB. A "Santíssima Trindade" do partido tramou a imposição do nome de Serra, mais bem-posto nas pesquisas, a Alckmin. O prefeito reconheceu à cúpula tucana o desejo de concorrer ao Planalto. Desde que o partido peça. O governador paulista, em contra-ataque calculado, até enxerga os méritos do adversário. Mas sustenta que suas pretensões também são legítimas. Algo que a ninguém é dado desconhecer. E pede uma avaliação segundo critérios que possam ser reconhecidos como justos.

 

Numa tentativa de remendar o que parece sem conserto, FHC, Tasso e Aécio almoçaram com Alckmin na segunda. Confirmaram o que até os neófitos em política já haviam farejado: a intransigência de Alckmin gerou um impasse.

 

Embora tenha admitido publicamente a hipótese de realização de prévias, Tasso Jereissati diz, sob reserva, que ainda confia no "entendimento". Serra segue aguardando o "chamamento" partidário. E Alckmin desdobra-se para seduzir o próprio partido, pré-condição para que possa ter a chance de jogar o seu charme de “chuchu” em direção ao eleitorado externo.

Nesta quarta-feira, deputados alinhados a Alckmin manuseavam no Congresso cópias xerográficas de um termo de compromisso que Serra assinou em 14 de setembro de 2004, em sabatina promovida pela Folha, comprometendo-se a cumprir o seu mandato na prefeitura até o último dia. O simples trânsito do papel (veja cópia abaixo) prenuncia que o entendimento pretendido por Tasso está longe de ser obtido. Enquanto isso, Lula, candidato não-declarado à reeleição, faz campanha.

 

Escrito por Josias de Souza às 22h50

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O direito ao prazer

  Divulgação
Lula não quer outra vida. Revigorado pelas pesquisas, ele abrandou a rotina frenética de anúncios e inaugurações com um passeio de última hora. Na escala piauiense da viagem que faz ao Norte e Nordeste, Lula foi à praia.

 

Decidido a esquivar-se do assédio, pulou da cama cedo: "Hoje eu levantei às 5h30h e às 6h30h eu fui para a praia sozinho tomar um banho de praia,” contou mais tarde.

 

O presidente defendeu o seu direito ao entretenimento: “Eu vou ao Rio de Janeiro há mais de 30 anos e nunca consegui colocar os pés na praia de Copacabana, porque é só reunião, reunião", disse ele. "Tem que ter uma hora de lazer, tem que ter uma hora de prazer, senão a gente morre. Mas sempre tem a primeira vez."


Aos risos, Sua Excelência disse que, da próxima vez, quando não for mais presidente, irá banhar-se em horário menos acerbo: "Aí eu vou entrar na praia às 10h e aí vou encontrar a praia cheia de gente."

 

O curioso no episódio é que Lula foi às águas incógnito, mas sua equipe apressou-se em divulgar as fotos dos seus instantes de "prazer". Os auxiliares do presidente devem estar orgulhosos de sua silhueta menos roliça, obtida à custa de rigoroso regime. Como disse noutro dia o ministro Luiz Furlan, nem beber ele bebe mais!

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Lula elege Alckmin como alvo do dia

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Em campanha pelo Nordeste, Lula, o candidato não-declarado à reeleição, está atento à movimentação do tucanato. Nesta quarta-feira, alvejou Geraldo Alckmin, o adversário tucano que esteve mais exposto no noticiário nas últimas 48 horas.

 

Lula criticou governadores de Estado que recebem dinheiro federal e não agradecem a ajuda. Esquivou-se de mencionar o nome de Alckmin, mas citou explicitamente o governo de São Paulo.

 

"Só de programas sociais o meu governo passa para o Estado de São Paulo R$ 2 bilhões por ano para cuidar dos pobres de São Paulo. Na maioria dos Estados, os governadores não têm programa social", afirmou o presidente-candidato, durante cerimônia em que anunciou um programa de interiorização da Universidade Federal do Piauí e expansão do campus de Parnaíba (PI).

"Tem muitos (governadores) espertos no Brasil que recebem dinheiro do governo federal e fazem propaganda na televisão como se o dinheiro fosse deles, como se a obra fosse deles, sem citar, sequer, o dinheiro do governo federal."

 

Sem querer, Lula comportou-se exatamente como os gestores que pretendeu criticar. O dinheiro que diz repassar não é nem do governador nem do presidente. É meu, é seu, é nosso. A Constituição da República proíbe expressamente o uso dos investimentos públicos para promoção pessoal dos governantes.

 

O presidente desdenhou dos adversários que o acusam de usar o cargo com fins eleitorais. Disse que

"um homem público não precisa de época de eleição para fazer campanha. Ele faz campanha do dia em que acorda, da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano. Se ele não fizer, os adversários farão, porque os adversários só se incomodam quando você está fazendo as coisas certas."

 

Em São Paulo, Alckmin tentou minimizar o resultado da pesquisa DataFolha, divulgada nesta quarta-feira. Bem atrás de Lula (48% ou 53%, considerando-se os dois principais cenários de segundo turno) e de Serra (43%), Alckmin (35%) disse o seguinte:

 

"Não teve grande alteração em relação às últimas pesquisas publicadas. [A queda dos tucanos] foi mínima. Foi só três pontinhos, é muito pequena. A realidade é que nós estamos fora da televisão. Quem está na televisão 'full time' é o presidente Lula".

 

Serra, por sua vez, deu as caras de surpresa em Brasília. A exemplo de Alckmin, tratou com menoscabo a dianteira de Lula na pesquisa. Relacionou a escalada do presidente às viagens que vem fazendo pelo país. "Deveriam perguntar para a opinião pública o que todo mundo acha. É óbvio que ele está fazendo campanha. E ele [Lula] ainda tem o cargo [de presidente]."

Escrito por Josias de Souza às 17h10

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Mais um governador do PSDB critica ação da cúpula

Em conversa com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, o governador tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima, criticou a maneira como a cúpula do partido está administrando a disputa interna entre os presidenciáveis Geraldo Alckmin e José Serra. Em entrevista ao blog, Cunha Lima disse que nem a escolha do papa é feita de modo tão centralizado.

 

“Eu disse ao Tasso que, até para a escolha do papa, a Santa Madre Igreja pode não ouvir coroinhas e diáconos, mas pelo menos escuta a opinião de 160 cardeais. Não me coloco na condição de cardeal. Mas, como governador eleito pelo partido, pelo menos bispo eu sou”, afirmou Cunha Lima.

 

Ele defende que a opção entre Alckmin e Serra seja feita mediante consulta formal ao partido. “Não precisa consultar todos os filiados, mas pelo menos as principais lideranças, os governadores, os parlamentares, essas precisam ser ouvidas”, diz o governador.

 

O governador prossegue: “Por mais respeito que mereçam Fernando Henrique (Cardoso), Tasso (Jereissati) e Aécio (Neves) essa decisão tem uma importância muito grande para ser tomada apenas por três pessoas. Nos podemos estar decidindo o nome do futuro presidente do Brasil.”

 

Cunha Lima é o segundo governador tucano a se insurgir publicamente contra a ação da cúpula do PSDB. Antes dele, o governador de Goiás, Marcone Perillo, também queixara-se da “falta de democracia” no partido. Disse que não aceitaria que ninguém decidisse em seu nome.

 

“No momento em que vem a publico o fato de a decisão estar sendo tomada em âmbito tão restrito, é ruim para o partido e para suas lideranças”, ecoa Cunha Lima. “Na hora de a onça beber água, quando for fazer campanha em Goiás, vai ser com o Perillo que o candidato vai pedir votos. Na Paraíba, será comigo. E assim com os outros governadores. Aos nos excluir do processo, o partido nos enfraquece em nossos Estados. Mostra que temos pouca relevância.”

 

O governador paraibano disse que jamais esquece a mensagem que leu numa faixa exibida no ato de fundação do partido. Dizia o seguinte: “PSDB, um partido sem dono.” “Uma das razões da razões da formação do PSDB foi o inconformismo de Mario Covas e de outras lideranças paulistas com o controle que Ulysses (Guimarães) e (Orestes) Quércia tinham no PMDB. Desejava-se uma legenda nova, que desse oportunidade à participação de todos.”

 

Embora não declare publicamente, Cássio Cunha Lima alinha-se entre os tucanos que preferem Alckmin a Serra como candidato à presidência da República. Conforme revelado aqui na última segunda-feira (20-02), a maioria dos governadores tucanos fechou com Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 16h55

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A Simão o que é de Simão

Autor do apelido adotado como bordão da campanha de Geraldo "Picolé de Chuchu" Alckmin, José Simão exige o que lhe é de direito. Leia abaixo trecho do artigo desta quarta-feira do auto-proclamado “esculhambador-geral da República” (na Folha, para assinantes):

 

“(...) CÓPULA TUCANA! O Ninho das Serpentes! E o Alckmin, que vai basear sua campanha no apelido que eu dei pra ele? Picolé de Chuchu. A campanha vai ser assim: "Brasil vai crescer pra chuchu". "Emprego pra chuchu." E eu vou cobrar os meus direitos autorais. Eu virei o Duda Mendonça, é? Quero meus direitos.

 

Vou ganhar dinheiro PRA CHUCHU. Aliás, vou ganhar dinheiro DO CHUCHU! E depositado no Caribe! E um bom slogan seria esse: "Vai dar mais que chuchu atrás do Serra". Esse eu dou até de graça! Mas já que eu virei Duda Mendonça, eu tenho um bom slogan pro Serra Vampiro Anêmico: "Serra presidente, tomara que o nosso fiofó agüente". Rarará!


E eu já disse como vai ser a prévia tucana. Bota o Serra e o Alckmin em cima do muro. E ficam dando canelada um no outro. O primeiro que cair será o candidato! Ou então eles podiam fazer campeonato de ficar mostrando língua um pro outro. Quem mostrar a língua mais feia, sai candidato. Do PSDB. Partido dos Socialites Brasileiros.

 

E eu vi a foto do jantar das múmias tucanas, os faraós, no Massimo. Tavam jantando o Alckmin. Festival do Chuchu no Massimo. Tanto que o site Pumtantam fez uma foto montagem. Serra: "Eu quero um Alckmin todo cortadinho como tira-gosto". FHC: "Eu quero um Alckmin ao molho de trufas com codornas". Tasso: "O meu eu vou querer bem passado". Aécio: "Acho que eu vou ficar no pão de queijo mesmo". Rarará. Bem mineiro. É mole? É mole, mas sobe. Ou, como diz o outro: é duro, mas desce! (...)”

Escrito por Josias de Souza às 09h10

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As manchetes desta quarta

 

 

- JB: Com menos álcool - Sobe o preço da gasolina

- Folha: Lula supera Serra no 1° e no 2º turno

- Estadão: Fundos compensaram BMG e Rural, diz CPI

- Globo: Menos álcool na mistura vai encarecer a gasolina

- Correio: Guerra a usineiros encarece gasolina

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h13

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Eu também quero brincar!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 03h47

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Datafolha confirma favoritismo absoluto de Lula

A Folha (para assinantes) informa em sua ediçao desta quarta-feira o seguinte:

 

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser o candidato favorito na eleição presidencial de outubro deste ano. Lula hoje venceria o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), tanto no primeiro como no segundo turno de votação. Essa dupla vitória do presidente petista não era registrada pela série de pesquisas do Datafolha desde agosto do ano passado.


No Datafolha anterior, realizado há três semanas, o presidente Lula saíra da condição de candidato derrotado já no primeiro turno em especial graças aos eleitores que votam no Nordeste e aos mais pobres (que ganham menos de R$ 1.500 por mês).


O presidente assumiu a liderança da corrida eleitoral ainda devido aos votos dessas fatias do eleitorado. Mas foi entre os mais ricos que se registrou a maior reviravolta na opinião do eleitor: Lula dobrou sua votação entre os entrevistados que ganham mais de dez salários mínimos mensais (R$ 3.000).


Na pesquisa de intenção de voto espontânea, na qual não são apresentados os nomes dos candidatos ao eleitor entrevistado, Lula subiu de 23% das preferências para 30%, contra 11% de Serra (que tinha 9%) e 4% de Alckmin (que ficou na mesma).
Na corrida para a reeleição, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) atingia 19% das intenções de votos no mês de março de 1998.

A vantagem de Lula

Na pesquisa Datafolha realizada na segunda e na terça-feira, 39% dos eleitores votariam em Lula, contra 31% dos que escolheriam Serra, considerado o cenário de candidaturas mais disputado, no qual o candidato do PMDB é Anthony Garotinho, com 8% das preferências. O adversário de Garotinho no PMDB, Germano Rigotto, governador do Rio Grande do Sul, não passa de 3% em nenhum cenário do levantamento.

Na pesquisa anterior, realizada há três semanas, Lula e Serra empatavam no primeiro turno. No segundo turno, o prefeito ainda batia o presidente por 49% a 41%. Lula agora vence a rodada decisiva da eleição por 48% a 43% das intenções de voto.

O governador paulista, Geraldo Alckmin, o outro presidenciável tucano, que já chegou a empatar a disputa com Lula no segundo turno, em dezembro do ano passado, seria hoje derrotado por 53% a 35%. A vantagem do presidente sobre Alckmin no primeiro turno, que havia chegado ao mínimo de oito pontos percentuais em dezembro, é agora de 43% a 17% das intenções de voto.

Votos e renda

O eleitorado mais rico, aquele de renda superior a R$ 3.000, é minoria no país e, portanto, na amostra de eleitores do Datafolha, em que representa cerca de 5% dos entrevistados.

Neste universo, o desempenho dos tucanos ainda é melhor que o do presidente petista. Serra bate Lula por 35% a 31% das intenções de voto no primeiro turno, um quase empate se considerada a margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Mas há apenas três semanas, a vantagem do tucano era oito vezes maior, 49% a 16%.

Alckmin também vence Lula entre o eleitor de renda mais alta. Mas o governador paulista decaiu de uma vitória por 45% a 15% para uma vantagem agora mínima sobre o presidente, de 36% a 30%

O presidente da República supera Alckmin no primeiro turno por 29 pontos percentuais entre os mais pobres, cerca de 86% dos eleitores da amostra do Datafolha. Serra perde de 40% a 31%.

Garotinho, um dos postulantes peemedebistas, se beneficia marginalmente caso o candidato tucano seja Alckmin, situação em que teria 11% dos votos."

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Pesquisa acentua o drama do tucanato

Bestgraph
O resultado da nova pesquisa Datafolha confere ares de tragédia ao impasse em que se meteu o PSDB. José Serra, embora em desvantagem em relação a Lula, volta a pontificar como o presidenciável mais competitivo do tucanato. Para tornar-se candidato oficial, porém, o prefeito paulistano precisa remover do seu caminho uma pedra chamada Geraldo Alckmin.

 

O diabo é que Alckmin provou-se uma rocha mais dura do que supunham os seus companheiros de partido. Não será a água mole da pregação do triunvirato FHC-Tasso-Aécio que irá furar a obstinação do governador de São Paulo.

 

Para trespassar a pedreira privativa do PSDB, Serra teria de demonstrar disposição para encarar uma consulta formal às instâncias partidárias. Um desafio que, por ora, o prefeito não parece disposto a arrostar. Em sondagens privadas, Serra já constatou que, numa eventual disputa prévia com Alckmin, são enormes as chances de amargar uma derrota.

 

Em competente e silenciosa costura política, o governador de São Paulo colecionou adesões internas. Arrastou para o seu lado o apoio da maioria dos governadores tucanos. Obteve o apoio unânime da bancada tucana na Assembléia Legislativa paulista. Contabiliza a adesão de dois terços da bancada federal do partido.

 

De resto, Alckmin julga dispor do apoio de diretórios estaduais expressivos do partido. Pelas suas contas, estaria do seu lado, além do diretório de São Paulo, a maioria do tucanato do Rio Grande do Sul, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Como se fosse pouco, rachou ao meio os diretórios do Paraná e de Santa Catarina.

 

Nesse contexto, Alckmin bloqueou os planos da cúpula do partido de impor a ele a candidatura de Serra. Em vez de produzir consenso, a Santíssima Trindade tucana –FHC, Tasso Jereissati e Aécio Neves- criou divisão. Ao subestimar a pertinácia de Alckmin, antes visto como um personagem tímido e acomodatício, a cúpula tucana passou a flertar com o fiasco.

 

O "chuchu" mostrou-se mais espinhoso do que supunha o grão-tucanato. Ou Serra vai ao voto, o que parece a essa altura improvável, ou o PSDB está fadado a entrar na cruzada eleitoral de 2006 com um candidato que, a julgar pelas sondagens eleitorais, pode ser batido por Lula ainda no primeiro turno.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Eles só pensam naquilo

  Ricardo Stuckert/PR
Ao afirmar com avidez a própria candidatura, o tucano Geraldo Alckmin conseguiu um primeiro feito: já divide o noticiário com Lula, candidato não-declarado à reeleição. Os dois disputam cada centímetro do noticiário político desta quarta-feira.

Em programação de cunho nitidamente eleitoral, Lula (na foto) visitou cinco cidades nordestinas em um dia. Alckmin, por sua vez, consumiu a agenda em encontros políticos que foram da manhã à noite, em São Paulo e em Brasília.

Em discurso no município de Juazeiro (BA), Lula rogou ao povo que lhe dê mais tempo no governo. Disse que, desde a chegada das caravelas de Cabral à costa brasileira, ninguém fez tanto pelos pobres quanto ele.

Quanto a Alckmin, depois de uma noite em que provou até picolé de chuchu no programa de Ronnie Von, na TV Gazeta (veja ao lado), o governador amanheceu o dia recebendo o apoio da bancada tucana na Assembléia Legislativa paulista, encontrou-se com o adversário José Serra, almoçou com o triunvirato FHC-Tasso-Aécio e terminou o dia jantando com a bancada do PSDB na Câmara.

Ainda não se sabe se o governador prevalecerá sobre Serra no PSDB. Prevalecendo, não se pode dizer que baterá Lula na urna. Mas algo já se pode afirmar com certeza: se não se cuidar, Alckmin acabará engordando.

Escrito por Josias de Souza às 02h18

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PT cumpre promessa de processar FHC

  Wilson Dias/ABr
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (na foto) assinou, finalmente, a prometida queixa-crime contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O processo foi ajuizado nesta terça-feira na Vara Criminal do Foro da Lapa, em São Paulo. O partido de Lula acusa FHC de difamação por ter afirmado que “a ética do PT é roubar”. 

 

João Piza, advogado do PT, sustenta no texto da ação que FHC “extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação do pensamento, para atingir ilicitamente a honra do Partido dos Trabalhadores, ofendendo sua reputação perante todos os brasileiros e em especial os seus filiados”.

 

Em entrevista, Piza informou que o PT planeja mover uma segunda ação contra FHC, responsabilizando-o civilmente por supostos danos morais à legenda. O advogado não informou a data em que este segundo processo será ajuizado.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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CNJ abre guerra contra supersalários do Judiciário

  Sérgio Lima/F.Imagem
O presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Nelson Jobim (na foto), recebe nesta quarta-feira o texto de uma resolução que obriga o Poder Judiciário a podar os salários de magistrados que excedam ao teto legal de R$ 24,5 mil, valor dos vencimentos de ministros do Supremo. A norma será votada até 15 de março pelo CNJ. A tendência é de que seja aprovada.

 

A providência abrirá uma guerra corporativa ainda mais barulhenta do que aquela gerada pela resolução antinepotismo, validada em julgamento do STF no último dia 16 de fevereiro. Salários acima do teto são comuns nos Tribunais de Justiça dos Estados. Há casos extremos de vencimentos superiores a R$ 50 mil. Prevê-se que o embate, de novo, terminará no Supremo.

 

O texto da resolução que será entregue a Jobim, que preside também o STF, é enxuto. Tem uma lauda e meia. Em sua versão atual, a resolução abre apenas duas exceções. Prevê que não serão computados no cálculo do teto os vencimentos de magistrados que dão aulas em universidades públicas. Exclui também a gratificação de cerca de R$ 3 mil paga a ministros do STF que dão expediente também no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No mais, todos os salários acima do teto terão de ser reduzidos.

 

Em reuniões reservadas que vem mantendo com presidentes dos Tribunais de Justiça desde novembro, Jobim alertou sobre os planos do CNJ. O último encontro ocorreu na segunda-feira. Dessa vez, foram convidados a Brasília os presidentes de Tribunais de Contas, a quem caberá fiscalizar o cumprimento da norma.

 

Durante o encontro, um dos convidados informou a Jobim que há no Tribunal de Contas de Minas Gerais um conselheiro que recebe contracheque mensal de cerca de R$ 50 mil. O ministro riu. Em seguida, comentou: “É por isso que há tanta resistência ao teto.”

 

Na prática, a resolução do CNJ vai apenas disciplinar algo que já está previsto na Constituição e na legislação ordinária, mas que não vem sendo respeitado. Embora vise disciplinar o pagamento de salários no Judiciário, a norma do CNJ repercutirá sobre toda a administração pública. Por uma razão simples: a legislação que será agora regulada pelo CNJ estabelece que o teto de R$ 24,5 mil vale para os três Poderes.

 

Por isso, o CNJ preocupou-se em alertar também as autoridades dos ministérios do Planejamento e da Previdência acerca da resolução que deve ser aprovada em março. Sabe-se que há no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas e na folha de pensões da Previdência supersalários que, por analogia, também terão de ser reduzidos.

 

Dois artigos aparentemente conflitantes inseridos na Constituição de 88 dão aos conselheiros do CNJ a certeza de que a decisão abrirá uma guerra judicial. Em seu corpo permanente, a Constituição consagra o instituto da “irredutibilidade de vencimentos”. Nas disposições transitórias, porém, a mesma Constituição estabelece a obrigatoriedade da fixação do teto para os vencimentos pagos na administração pública e anota que, nos casos em que o limite for extrapolado, não se poderá argüir a tese do direito adquirido.

 

Na prática, o conflito já freqüenta a pauta de julgamentos do STF. Quatro ex-ministros do Supremo, que se aposentaram antes da aprovação de lei ordinária fixando o teto, tiveram incorporados aos seus salários uma gratificação de 20%. Esse adicional foi cortado. E eles recorreram ao STF, invocando justamente o princípio constitucional da irredutibilidade de vencimentos. O relator do processo é o ministro Sepúlveda Pertence. Os conselheiros do CNJ confiam que ele votará pela preservação do teto.

Escrito por Josias de Souza às 01h09

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Alckmin reafirma candidatura e pede pressa ao PSDB

Durante o almoço realizado nesta terça-feira no Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin disse o seguinte a Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves:

 

1) não abre mão de sua candidatura à presidência da República;

 

2) considera sua postulação “mais natural” que a de José Serra;

 

3) não acredita que Serra se disponha a “disputar” com ele a vaga;

 

4) se o prefeito quiser, porém, disputar, aceita qualquer critério de consulta que venha a ser estipulado pela direção do partido;

 

5) quer uma “definição rápida”.

 

O triunvirato que se auto-atribuiu a tarefa de escolher o nome do candidato do tucanato comprometeu-se com Alckmin a produzir uma definição até a primeira quinzena de março. O governador considerou o prazo “razoável”.

 

Conforme relato feito por Alckmin a um de seus correligionários, FHC, Tasso e Aécio lhe comunicaram sobre os resultados das pesquisas de opinião realizadas por encomenda do PSDB.  Deu-se numa reunião que antecedeu o almoço. Em todos os cenários, Serra exibe musculatura eleitoral mais viçosa que a do governador.

 

Alckmin não se deu por achado. Repetiu à trinca o que vem dizendo a todo mundo. Considera que os percentuais atribuídos a Serra são fruto de um “recall” da eleição presidencial de 2002. Quanto aos seus próprios índices, acha que são mais do que satisfatórios para o início da campanha. Confia que serão tonificados assim que começar a se expor no horário eleitoral gratuito. Apegou-se às taxas de aprovação de sua gestão em São Paulo, superiores a 60%.

 

Antes do almoço, Alckmin esteve a sós com o contendor Serra. Não se sabe sobre o quê falaram. Mas, na conversa com FHC, Tasso e Aécio -interlocutores que pendem claramente para o nome de Serra-, o governador disse estar convicto de que o prefeito não se animará a submeter-se a um processo formal de consulta às instâncias partidárias.

 

Os três interlocutores de Alckmin manifestaram o receio de que a ausência de consenso possa conduzir o partido a fissuras internas que teriam reflexos daninhos no processo eleitoral. Em resposta, o governador disse que considera “democrática” a audição do partido. Disse não ver outro modo de chegar a uma definição, na hipótese de Serra apresentar-se formalmente como candidato. Algo que, fez questão de pontuar Alckmin, ainda não ocorreu.

 

FHC, Tasso e Aécio deixaram a sede do governado paulista munidos de uma certeza: uma eventual candidatura Serra não nascerá do almejado consenso. Ouvido à saída do almoço, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, reconheceu algo que o ex-presidente FHC já admitira na véspera: a consulta ao partido pode ser inevitável. Os desejos de Alckmin vão, por ora, prevalencendo sobre os de Serra.

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Morre o "banqueiro de Deus"

  AP
Morreu o lendário monsenhor Paul Marcinkus, 84. Seu corpo foi encontrado ontem (20-02), na casa que mantinha na cidade norte-americana de Phoenix, Arizona. Comunicado oficial da Igreja informa que a causa da morte é “desconhecida”.

Para ventura da Santa Madre Igreja, o “banqueiro de Deus”, como Marcinkus era conhecido, leva para a cova os segredos do maior escândalo financeiro do Vaticano. Um caso em que os interesse$ da fé de Roma se entrecruzaram com a máfia e a morte.

Nascido em 1922, num subúrbio de Chicago, Marcinkus ordenou-se padre em 1947. Vestiu paramentos de arcebispo em 1969. E sentou-se na direção do banco do Vaticano em 1971, ainda sob Paulo 6o. Foi mantido no posto por João Paulo 2o. Ali ficou até o ano da graça de 1989, quando os malfeitos de sua gestão vieram à superfície.

Sob Marcinkus, produziu-se no banco do Vaticano um buraco estimado em US$ 250 milhões. Suspeita-se que algo como US$ 32 milhões tenham ido parar nas arcas do movimento polonês Solidariedade, liderado por Lech Walesa.

A encrenca injetou veneno na escrituração do Banco Ambrosiano, levando-o à breca. O Ambrosiano era uma casa bancária privada que tinha no Vaticano seu principal controlador. Em 18 de junho de 1982, Roberto Calvi, que fora acomodado no comando do Ambrosiano por Marcinkus, foi encontrado pendurado por uma corda, sob a ponte Blackfriar, em Londres.

Num primeiro momento, a polícia disse que Calvi suicidara-se. Depois, as investigações foram reabertas. Passou-se a suspeitar que fora, na verdade, assassinado pela máfia italiana, numa operação de queima de arquivo. Cinco pessoas ainda respondem a processo por conta da morte de Calvi.

A ação pouco ortodoxa do monsenhor Marcinkus assentou o Vaticano no enredo do “Poderoso Chefão”. O escândalo, de resto, passou a embalar todas as lendas construídas em torno da morte do papa João Paulo 1o.

Fora dos limites da ficção, o “banqueiro de Deus” livrou-se de todas as complicações jurídicas que o escândalo poderia lhe proporcionar, mercê da imunidade concedida a empregados do Estado do Vaticano. Morreu em silêncio o monsenhor Marcinkus. Para glória de Deus. Amém.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Uma ameaça ronda a Copa

A gripe aviária pôs a Alemanha em estado de alerta. O número de aves encontradas mortas na região nordeste do país aumentou para 103. Estavam infectadas pelo vírus H5N1, a cepa considerada mais perigosa para seres humanos.

 

A doença avança também para o Norte. No parlamento alemão, a presidente da Comissão de Agricultura, deputada Bärbel Höhn (PV), levantou uma bola para a qual poucos estão atentando. A depender das proporções que venha a assumir, o surto pode afetar a organização da Copa do Mundo.

 

Falando à emissora TV N24, Höhn alertou para a possibilidade de cancelamento de alguns jogos ou até, veja você, de toda a Copa do Mundo. Isso ocorreria, acha a deputada, caso a gripe aviária evoluísse para um estágio de pandemia. Improvável? Nem tanto.

 

Klaus Stöhr, coordenador do programa de combate a pandemias da OMS (Organização Mundial de Saúde) o risco aumenta com a disseminação da doença pela Europa. “Se tivermos uma pandemia na época da Copa, o governo vai ter que pensar muito bem no que fazer”, disse ele.

Escrito por Josias de Souza às 12h41

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As manchetes desta terça

- JB: Receita arrecada mais, bancos estatais faturam alto - Dinheiro transborda do cofre

- Folha: PF deve indicar diretores do Rural

- Estadão: Preço do álcool não pára de subir e alarma o governo

- Globo: Governo vai reduzir mistura do álcool à gasolina

- Correio: Agora, alvo são os supersalários

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h09

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Lula "Jagger" da Silva

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h22

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Vice de Aécio enrolado na CPI

A CPI dos Correios grudou o olho no vice-governador de Aécio Neves, Clésio Andrade. Ele caiu na malha de investigações por conta de dois depósitos nas contas do publicitário Duda Mendonça –R$ 100 mil cada um.

Os repasses foram feitos em julho e outubro de 2003 pela empresa Pampulha Transportes Ltda. Pertence a Andrade. Opera no ramo de transportes urbanos. Em sessão administrativa marcada para esta terça-feira, a CPI discutirá a hipótese de convocar o vice-governador de Minas para explicar a encrenca.

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Berzoini: tanto faz o chuchu ou a dengue

O deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, fez troça nesta segunda-feira da barafunda em que se transformou o processo de escolha do candidato do PSDB à presidência da República. Em alusão ao apelido de Geraldo “Picolé de Chuchu” Alckmin e à epidemia enfrentada pelo ex-ministro da Saúde José “Dengue” Serra, Berzoini espezinhou:

— Não importa se o candidato à sucessão vai ser chuchu ou ministro da dengue. O PT está organizando o time sem pensar na fraqueza do adversário.

O comandante do petismo disse também que seu partido ainda não desistiu da tentativa de costurar um acordo com o PMDB:

— Respeitamos as prévias do PMDB, mas não vamos parar de conversar. O diálogo com o PMDB é importante, mas nenhum partido deve se julgar imprescindível.

A propósito da criatividade zombeteira de Berzoini, cabe perguntar: quando, afinal, vai ajuizar aquele trombeteado processo contra FHC, por ter declarado que “a ética do PT é roubar”? Por ora, a ação judicial ficou na promessa.

Parece mais uma piada do presidente do PT, mas o advogado do partido, João Piza, diz que não pôde dar andamento à causa porque Berzoini ainda não colocou o jamegão na papelada (para assinantes do Estadão).

Escrito por Josias de Souza às 02h45

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Lula festeja divisão do PSDB: "Isso é ótimo pra nós"

Lula recebeu nesta segunda-feira um clipping com notícias de jornal a respeito da disputa travada entre José Serra e Geraldo Alckmin em torno da vaga de candidato oficial do PSDB à presidência da República. Em diálogos reservados, Lula saboreou a desavença que sacode a seara alheia: “Isso é ótimo pra nós”, disse.

 

O presidente revelou-se surpreso com a pertinácia do governador Geraldo Alckmin. Avalia que, seja qual for o candidato do PSDB, a discórdia atingiu um nível tal, que o seu principal rival entrará na campanha de 2006 tendo de administrar a divisão das fileiras internas. Daí a sua impressão de que a quizila que se instalou no tucanato termina por favorecê-lo.

 

Nenhum dos interlocutores de Lula –foram pelo menos dois- animou-se a discordar de sua avaliação. Ao contrário. Ecoaram os argumentos do presidente, aditando impressões que os reforçam. A julgar pelos receios que passaram a assombrar a cúpula do PSDB, o tucanato também compartilha da mesma opinião.

 

Em conversas pessoais e em telefonemas dispados desde domingo, os líderes do PSDB mostram-se, também eles, surpresos com a tenacidade exibida por Alckmin nas últimas horas. O presidente da legenda, Tasso Jereissati, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começam a temer pelo comprometimento da unidade partidária. Admitem que não será fácil impor a Alckmin o nome de José Serra, o tucano mais bem-posto nas pesquisas de opinião.

 

Caso Serra confirme a disposição de embrenhar-se na disputa, já cogitam a hipótese de estabelecer algum mecanismo formal de consulta ao partido. “Não podemos restringir uma decisão como essa a três pessoas”, disse FHC, pelo telefone, a um senador do PSDB. De sua parte, Alckmin diz duvidar que Serra troque a comodidade dos dois anos que lhe restam de mandato à frente da prefeitura de São Paulo por uma briga no voto com ele.

 

Acompanhados do governador Aécio Neves (Minas), FHC e Tasso almoçam nesta terça-feira com Alckmin. Vão ao Palácio dos Bandeirantes já sabendo o que os aguarda. Na noite passada, em conversa com o governador tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima, Alckmin reafirmou que dirá ao triunvirato que se arrogou a tarefa de escolher entre ele e Serra que a unidade do PSDB não será atingida à custa do sacrifício de sua candidatura.

 

Num esforço para dar às suas pretensões ares de fato consumado, Alckmin confirmou presença num jantar com os 54 deputados que compõem a bancada do PSDB na Câmara nesta terça-feira. Será na casa do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), no Lago Norte, bairro chique de Brasília. “Já estou temperando o chuchu”, brincou Gomes, em conversa com o blog.

 

Em verdade, não haverá chuchu no repasto desta noite. Será servido um churrasco, temperado pelo discurso que o convidado prometeu fazer, anunciando os seus planos presidenciais. Alckmin mostra-se interessado em dar publicidade máxima ao evento. Em conversa com o anfitrião, disse que não faz restrição à presença de jornalistas.

 

Visibilidade, aliás, é algo que o governador irá perseguir em sua passagem por Brasília. Trará a tiracolo sua mulher, Lu Alckmin. Ela vai autografar, num shopping da Capital, o livro ‘Seis Lições de Solidariedade’. Assinada por Gabriel Chalita, o secretário de Educação de Alckmin, a obra narra “histórias da vida e obra social” da primeira-dama. O governador, obviamente, estará presente.

 

De resto, Alckmin tenta esticar sua permanência em Brasília até quarta ou quinta-feira. Articula uma segunda refeição –jantar ou almoço- com os 12 integrantes da bancada do PSDB no Senado. Quer arrastar para a mesa integrantes da Executiva Nacional do partido.

 

Este segundo encontro ainda não havia sido agendado porque nem todos os senadores confirmaram presença. Na reunião com os deputados, uma ou outra ausência tende a diluir-se na multidão de cinco dezenas de pessoas. Entre os senadores, qualquer defecção pode ser interpretada como aversão ao “convidado”. Um risco que Alckmin, a essa altura, não parece disposto a correr.

Escrito por Josias de Souza às 02h02

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Bin Laden: vivo, não me pegam

Steve Bell/Guardian Unlimited

Bin Laden - "Eles jamais vão me pegar vivo"

 

Osama Bin Laden continua brincando de esconde-esconde com George Bush. Nesta segunda-feira, o terrorista mais procurado do planeta divulgou nova gravação por meio de um sítio islâmico na internet.

 

A nova fita, de autenticidade ainda não-comprovada, parece conter a fala integral de mensagem que fora parcialmente divulgada, há coisa de um mês, pela rede de TV Al Jazira. Num dos trechos da gravação, ouve-se a suposta voz de Bin Laden dizer:

 

"Eu jurei que só viveria livre. Mesmo que tenha que provar do gosto amargo da morte, não quero ser humilhado ou enganado".

Escrito por Josias de Souza às 00h36

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PF começa a abrir o caixa dois de Furnas

Reportagem de Vannildo Mendes (para assinantes do Estadão):

“De posse de grande volume de dados recolhidos com a quebra de sigilos fiscal e telefônico, determinada pela Justiça Federal do Rio, a Polícia Federal está concluindo uma devassa sobre os últimos oito anos do empresário Dimas Toledo como diretor de Furnas. As primeiras análises indicam que Dimas operava um esquema de cobrança de "pedágio" junto a construtoras e empresas que prestavam serviços à estatal. Parte do dinheiro era usada para financiar campanhas eleitorais com caixa 2.

O esquema, no qual estariam envolvidos três filhos de Dimas, consistia em induzir as empresas a contratarem uma consultoria de fachada junto a escritórios indicados por ele. Era a condição para que as empresas firmassem contratos com Furnas. Entre as achacadas pelo ex-diretor, conforme apurou a PF, estaria a JP Engenharia, forçada a pagar R$ 700 mil por uma consultoria para obter contrato de cerca de R$ 30 milhões.

Dimas é investigado por PF, CPI dos Correios e Ministério Público como suspeito de ser um dos abastecedores do mensalão e de ter operado esquema de caixa 2 para vários partidos, inclusive a cúpula do PSDB, em eleições anteriores. Os filhos do ex-diretor (dois homens e uma mulher) serão chamados para explicar se os contratos que tinham com Furnas eram de fachada, o que configuraria crime. Caso tenham sido favorecidos com contratos verdadeiros, fica configurado delito de tráfico de influência do pai.

O lobista mineiro Nilton Monteiro, um dos que estão enviando documentos sobre o suposto esquema de Dimas à PF, informou em depoimento que foi contratado pelo então diretor da JP Engenharia Reinaldo Conrad para abrir as portas de Furnas e reduzir ao máximo o "pedágio" que teria de pagar por contratos. Ele alega que durante algum tempo trabalhou em sintonia com Dimas, com quem rompeu recentemente.

Monteiro também entregou à PF uma lista com 156 nomes de políticos que teriam recebido doações de campanha com recursos de caixa 2 levantados por Dimas junto a empreiteiras e fornecedores da estatal. A autenticidade da lista ainda não foi confirmada e, até agora, só um dos listados, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) confessou ter recebido R$ 75 mil de Dimas. Todos os demais, ligados a PTB, PFL, PP, PL e PSDB, negaram envolvimento. (...)”

Conforme divulgado aqui na última terça-feira (14/2), as incursões de Dimas Toledo no universo monetário das campanhas tornou-se um segredo de polichinelo em Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 00h10

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Entre Rigotto e Garotinho, Renan é Lula

  Sérgio Lima/Folha
O PMDB tornou-se uma espécie de barco a três: a ala dita independente, a ala governista e, no meio das duas, os pré-candidatos do partido à presidência da República. Cada um olha para um lado. E rema na direção oposta.

 

Nesta segunda, discursando da tribuna do Senado, Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) uma definição em relação à tentativa do PMDB de colocar de pé uma candidatura presidencial. Renan e Sarney olham para as prévias, mas remam em direção a Lula.

 

Pois bem, em resposta a Simon, Renan deixou cair, por um instante, o manto diáfano da empulhação. Deixou-se flagrar olhando e remando para o mesmo lado. Revelou-se receoso de que, optando por candidato próprio, o PMDB termine protagonizando um “fiasco” eleitoral em 2006.

 

“Sempre defendi a candidatura própria”, exagerou o presidente do Senado. “Mas defendo um candidato digno desse nome, para que não se repita o fiasco que a gente teve no passado com o partido dividido, exposto. Em que candidato chegava na cidade e ninguém o recebia”. Ou seja, entre Germano Rigotto e Antony Garotinho, Renan fica com Lula.

Escrito por Josias de Souza às 23h50

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Maioria dos governadores tucanos prefere Alckmin

  Lula Marques/F.Imagem
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (na foto) informou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que a maioria dos governadores do partido prefere a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin à de José Serra. São sete os governadores tucanos. Um deles é o próprio Alckmin. Entre os outros seis, quatro manifestaram a Tasso uma preferência pelo colega de São Paulo. Quanto aos dois restantes, um defende o nome de Serra e outro está em cima do muro.

 

Pressionado por Alckmin, que cobra a abertura do leque de consultas às demais instâncias partidárias, Tasso ouviu informalmente os governadores nos últimos dias. Em público, todos eles evitam expor claramente a preferência. Adotam o discurso formal da defesa da unidade do partido. Nas conversas com Tasso, porém, abriram o jogo.

 

Entre todos, os mais ardorosos defensores da opção por Alckmin são Marconi Perillo, de Goiás, e Simão Jatene, do Pará. Outros dois –Otomar Pinto, de Roraima, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba-, embora menos enfáticos, também se revelaram mais simpáticos à escolha de Alckmin, em detrimento de Serra.

  

Só um governador é claramente favorável a Serra: Aécio Neves, de Minas Gerais, membro do triunvirato tucano a quem foi delegada a tarefa de escolher o nome do candidato oficial do PSDB à presidência da República. Completa a lista de governadores tucanos Lúcio Alcântara, do Ceará. Está em cima do muro, com leve tendência pró-Serra. Mas vai se alinhar à decisão que vier a ser tomada por Tasso, líder de seu grupo na política cearense.

 

Entre os governadores pró-Alckmin, prevalece o argumento de que o colega de São Paulo seria mais sensível a um programa de governo que contemplasse o desenvolvimento de regiões mais pobres do país. Alckmin já se declarou publicamente favorável, por exemplo, a uma reforma tributária que modifique a sistemática de cobrança do ICMs. Em vez de ser recolhido na origem, como ocorre hoje, o tributo seria pago no destino dos produtos. A mudança favoreceria a arrecadação de Estados que não têm o nível de industrialiação de São Paulo.

 

Alckmin, de resto, vem desenvolvendo há tempos uma política de aproximação com os demais governadores tucanos. Simão Jatene, por exemplo, está implantando no Pará  uma rede de hospitais de média e alta complexidade que não teria sido viabilizada não fosse a ajuda do colega de São Paulo.

 

Fica no município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, o principal hospital da rede. Só não foi inaugurado ainda porque Jatene aguarda que Alckmin encontre um espaço em sua agenda para viajar ao Pará. Ele faz questão da presença do colega de São Paulo. 

 

Todo o suporte operacional da rede de hospitais paraenses vem sendo assegurado por uma parceria firmada entre Jatene e Alckmin. A mão-de-obra que irá operar os hospitais está sendo treinada em São Paulo. Técnicos da Secretaria de Saúde do governo paulista orientaram o governo paraense na fase de aquisição de equipamentos de alta complexidade tecnológica.

 

Ao manifestar publicamente a insatisfação do partido com a “falta de democracia” exibida pelo PSDB na definição do seu candidato à presidência, o governador goiano Marconi Perillo não fala só. Ele vocaliza um sentimento que é crescente dentro do partido. Perillo ameaçou inclusive divulgar um manifesto em favor de Geraldo Alckmin. Foi, por ora, contido.

 

A despeito da sondagem feita entre os governadores, Tasso Jereissati continua avaliando, em diálogos privados, que o PSDB conseguirá preservar a sua unidade interna ainda que o escolhido seja Serra. Avalia que, uma vez definido o candidato, todo o partido se unificará em torno do propósito de derrotar Lula. Falta combinar com Geraldo Alckmin.

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Chuchu com gosto de pimenta

Aferrado à sua estratégia de dinamitar o complô que se arma contra sua candidatura no seio da Santíssima Trindade tucana –FHC, Tasso Jereissati e Aécio Neves-, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin pôs-se a distribuir afagos nos “excluídos do partido”. Nesta segunda-feira, derramou-se em elogios ao governador tucano de Goiás, Marconi Perillo.

 

Aliado de Alckmin, Perillo questiona a legitimidade do santíssimo triunvirato para dar a palavra final na definição do nome do candidato do partido à presidência da República. "O PSDB precisa dar uma demonstração de democracia”, diz Perillo. “Sou o mais antigo governador do PSDB. Não admito que decidam por mim. Esse modelo encheu o saco de todo o partido".

 

“O governador (Marconi Perillo) é de uma área importante do país”, afirmou Alckmin, ao comentar as declarações do colega. “É o único governador há oito anos no poder. Os governadores são parte importante desse processo”.

 

Irritado com a preferência da cúpula pelo nome do prefeito paulistano José Serra, conforme revelado aqui no domingo, Alckmin segue afirmando que não abrirá mão de sua candidatura em favor de quem quer que seja. Num recuo estratégico, passou a dizer que "talvez não haja necessidade de prévias”. Mas confia que “todos serão ouvidos”.

 

Para consumo interno, o governado declara aos seus aliados que, ao contrário do que Serra tenta fazer crer, o nome dele prevalece sobre o do prefeito no diretório nacional do PSDB. Reafirma que, se Serra quiser mesmo disputar a presidência da República, alguma modalidade de aferição terá de ser estabelecida.

Escrito por Josias de Souza às 16h45

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Se a moda pega...

  O Grito/Edvard Munch
Hugo Chávez, presidente da Venezuela disse neste domingo que pensa em propor um referendo, para consultar o povo venezuelano sobre a possibilidade de ele concorrer a novas eleições presidenciais. Quer renovar o mandato até 2012.

"Se não houver um candidato de oposição, eu consideraria assinar um decreto para convocar um referendo perguntando: 'Você concorda que Chávez devia poder concorrer a um novo mandato?'", disse o presidente, durante seu programa de TV dominical.

"É só uma idéia que eu ando trabalhando", acrescentou. Se puser a “idéia” em prática e lograr êxito, Chávez poderá ficar nada menos que 20 anos no poder. Foi eleito pela primeira vez em 1998. Foi reeleito, sob nova Constituição, em 2000, para um mandato de seis anos.

A Constituição venezuelana permite apenas uma reeleição, mas desconsidera o pleito de 1998, disputado sob regras anteriores. Assim, pelas leis atuais, Chávez pode disputar a reeleição neste ano, mas dependeria de uma mudança constitucional para concorrer novamente em 2012.

Escrito por Josias de Souza às 12h28

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Não desencarnou!

Do Painel da Folha (para assinantes):

 

* Programa de governo
Em palestra a mais de 500 petistas em Florianópolis no fim de semana, José Dirceu aderiu à onda do "já ganhou" que domina o PT com a subida de Lula nas pesquisas. O ex-deputado desfiou um receituário do que deveria ser o "nosso segundo mandato". Foi aplaudido de pé.

* Coordenador informal
A estabilidade, disse Dirceu, foi importante no primeiro mandato, mas deve ser substituída no próximo período pelo foco no desenvolvimento. Sobre se irá ao palanque de Lula, disse que, sim, se convidado, mas que já trabalha por conta própria.

* Reforço externo
O ex-coordenador da campanha de 2002 aconselhou Lula a usar a integração latino-americana como mote da reeleição. "Alguém aqui consegue imaginar Alckmin ou Serra dando continuidade a esse processo, ao lado de Evo Moralez e Chávez?"

Escrito por Josias de Souza às 08h43

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Tratamento VIP!

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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As manchetes desta segunda

 

- JB: Governo perde dinheiro

- Folha: Lula reduz custos com empregado doméstico

- Estadão: Fechado acordo para quitação de precatórios

- Globo: Bono & Lula, tietagem em Brasília

- Correio: Como fugir das armadilhas na compra da casa própria

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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Wonderful World!

Wonderful World!

Martin Rowson/Guardian Unlimited
 

"Como eu ia dizendo... A democracia não é maravilhosa?"

Escrito por Josias de Souza às 01h26

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Colheita eleitoral

Enquanto o tucanato troca bicadas, Lula segue em ritmo de colheita. Candidato não declarado à sucessão, o presidente não tira mais o pé do avião. Entre terça e quarta-feira visitará nada menos que sete Estados.

 

A agenda segue uma lógica eleitoral. Lula vai às regiões Norte e Nordeste, onde seu potencial de votos é maior. Lançará obras em seis universidades federais. Afaga, assim, o eleitorado jovem e esclarecido, numa tentativa de qualificar o seu prestígio nas naquelas regiões, mais forte entre os eleitores mais pobres e menos escolarizados.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Alckmin diz a PSDB que não renuncia por Serra

Dono de um temperamento ponderado, o governador Geraldo Alckmin (São Paulo) está irreconhecível. Em seus diálogos privados, parece a ponto de estourar. Exibe irritação incomum. O alvo do destempero é a cúpula do PSDB. Em tom categórico, Alckmin avisa: “Não estou aqui para facilitar a vida do Serra.” Ele informou a Fernando Henrique Cardoso e a Tasso Jereissati que não cogita renunciar à sua candidatura presidencial em favor do prefeito paulistano José Serra.

 

Ao comunicar a sua “decisão amadurecida” a integrantes do grupo político que o apóia, Alckmin disse: “Quer dizer que o Serra quer unanimidade? Para ele ser candidato eu tenho que renunciar à minha candidatura? Pois então ele não será candidato. Não abro mão de disputar”. Se quiser concorrer à presidência, diz Alckmin, Serra terá de disputar com ele a preferência do partido.

 

Alckmin julga-se desrespeitado pela cúpula do PSDB. Acha que o ex-presidente Fernando Henrique e o presidente do partido, Tasso Jereissati, estão negociando com Serra como se ele não existisse. Reclama um comportamento imparcial. Lembra que o tucanato nasceu a partir de uma dissidência do PMDB, que não suportava mais "o caciquismo" exercido pelo ex-governador Orestes Quércia.

 

O governador anda aborrecido também com a presença do colega Aécio Neves (Minas), um “serrista enrustido”, nos encontros de cúpula para a escolha do candidato tucano. “Por que não chamam o Marconi Perillo?”, pergunta Alckmin, referindo-se ao governador tucano de Goiás, favorável à sua candidatura.

 

Nos diálogos com seus correligionários, Alckmin desenvolve o seguinte raciocínio: Se a pré-condição de Serra para assumir a própria candidatura é a “unanimidade” partidária, então o PSDB só tem um candidato, que é ele mesmo. “O que estão esperando para decidir? Deus do céu, querem me fazer recuar? Isso não vai acontecer”, diz e repete Alckmin.

 

Para ele, se a disputa que trava com Serra desbordasse da cúpula para as demais instâncias partidárias, venceria o prefeito com folga. Na ponta do lápis, Alckmin julga ter o apoio de diretórios estaduais expressivos do PSDB. Pelas suas contas, estaria do seu lado a maioria dos tucanos de São Paulo, Rio Grande do Sul, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os diretórios do Paraná e de Santa Catarina estariam divididos meio a meio entre ele e Serra.

 

Se o critério da cúpula partidária for o desempenho nas pesquisas de opinião, Alckmin julga-se, também neste quesito, apto para a disputa. Afirma que o percentual a ele atribuído nas sondagens eleitorais, em torno de 20%, é “um piso”. Os índices de Serra, acima dos 30%, representariam “um teto”, resultado do “recall” da eleição de 2002, quando o prefeito disputou a presidência com Lula.

 

Nesta semana, FHC e Tasso convidarão Alckmin para um jantar. Tentarão conter os arroubos do governador. Farão um apelo em favor da unidade partidária. É crescente entre os partidários do governador o receio de que Alckmin se insurja contra uma decisão de cúpula que o exclua da disputa presidencial.

 

Alheio à movimentação da direção partidária, Alckmin mantém a rotina de candidato. Desde sexta-feira esteve no Rio, Florianópolis (SC), Torres (RS) e Jundiaí (SP). Neste domingo, chegou a cunhar o lema de sua campanha: "O Brasil vai crescer pra chuchu", disse Geraldo "Picolé de Chuchu" Alckmin, tentando fazer limonada do apelido que lhe foi dado pelo colunista José Simão, da Folha.

Escrito por Josias de Souza às 17h36

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Bono troca rock por biodiesel

  Lula Marques/F.Imagem
Lula recebeu neste domingo o cantor vocalista do U2, Bono Vox. Ao chegar para um almoço na Granja do Torto, acompanhado pelo ministro Gilberto Gil (Cultura), Bono disse: "Em toda a minha vida sonhei conhecer Brasília". Declarou-se orgulhoso de estar com Lula, um presidente que “luta não só contra a pobreza no Brasil, mas também contra a pobreza no mundo, como na África”.

Foi o segundo encontro de Lula com o vocalista da banda irlandesa. Os dois já haviam se encontrado no ano passado, no Fórum Econômico Mundial, na cidade de Davos (Suíça). Durante o almoço, Lula contou a Bono detalhes do Programa Nacional de Biodiesel. Bono veio ao Brasil para duas apresentações do U2, na segunda e na terça, no Morumbi, em São Paulo.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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Bond, desdentado Bond

Periodista Digital
 

 

O ator Daniel Craig (na foto) teve um péssimo começo como novo James Bond. Em sua primeira briga com os bandidos, o agente de Sua Majestade perdeu dois dentes frontais. Na pele de 007, Craig rodava cenas de Casino Royale na cidade de Praga. Súbito, foi golpeado no rosto.

 

Observando as contorções do ator e o sangue que lhe descia dos lábios a equipe de filmagem impressionou-se com o realismo da cena. Imaginou-se que acabara de ser rodada uma peça genuína de bom cinema. Logo se percebeu, porém, que Bond não estava fingindo.

 

O contratempo foi relatado na edição deste domingo do londrino Sunday Mirror. Rod McNeil, dentista de Craig, 37, teve de voar às pressas de Londres para a República Tcheca. Implantou dois dentes postiços na boca do cliente ilustre.

Escrito por Josias de Souza às 16h14

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A culpa não é de Brasília

A culpa não é de Brasília

No Planalto

   Oscar Niemeyer
Responda rápido: você já tem candidato a deputado federal? Já sabe em quem vai votar para senador? Se você disse sim, saiba que muitos desconfiarão da sinceridade da resposta. A maioria dos eleitores não tem candidato. Pior: não sabe quem são os candidatos. Muito pior: não se lembra nem mesmo em quem votou nas últimas eleições. Muitíssimo pior: não está se importando com nada disso. 

O eleitor brasileiro tem hediondo desinteresse pelas eleições para o Senado, Câmara e Assembléias Legislativas. O fenômeno, já confirmado por várias pesquisas de opinião, tem influência direta na qualidade dos legislativos federal e dos Estados. Uma coisa não vai mudar sem que a outra também se altere.

 

O eleitor tende a concentrar as suas atenções na eleição para presidente. Agora mesmo, a julgar pelo resultado das pesquisas, produz-se uma polarização antecipada entre PT e PSDB. É mais fácil acompanhar esse Fla-Flu do que pescar naquele mar de caras que daqui a pouco vai inundar a tela da televisão um semblante confiável para enviar à Câmara ou ao Senado.

 

Algo precisa mudar na percepção do eleitorado em 2006. As pessoas imaginam que a escolha do chefe do Executivo é mais importante do que a seleção do time de congressistas. É um erro. Note-se que, na disputa pelo Planalto, PT e PSDB travam um campeonato em que um partido tenta impingir ao outro o troféu de maior ladrão da história republicana. Perceba-se também que, na raiz de todos os escândalos está o sistema de escambo que permeia as relações do Executivo com o Legislativo.

 

Sob os efeitos do escândalo do mensalão, o regime da “propinocracia” obteve uma visibilidade jamais vista. Aquilo que se insinuara no caso da compra de votos para a reeleição de FHC, em que foram pilhados cinco parlamentares do Acre, agora chegou a um paroxismo vulcânico. Ou seja, convém ao eleitor escolher –ou tentar escolher- candidatos que lhe pareçam honestos. Algo que não combina com o descuido.

 

Não é fácil. Mas o descuido torna a coisa ainda mais difícil. Se o eleitor dispensar à eleição para o Congresso metade da atenção que dispensará à Copa do Mundo, o país já estará diante de um belo começo.

 

O eleitor não é, diga-se, o único culpado. No esforço para avaliar os candidatos, ele não conta com nenhuma ajuda dos meios de comunicação. A mídia se exime da tarefa de auxiliar os consumidores de notícia a selecionar, entre as tantas vozes que se lançam ao pleito legislativo, aquelas que soam mais confiáveis. O resultado é que, em meio à algaravia da eleição, termina-se não ouvindo ninguém.

 

Ou todos se unem para corrigir essa encrenca, ou logo estaremos rendidos ao mais comum dos hábitos nacionais: a lamentação depois do fato. Não demora e o país estará pondo a culpa, de novo, em Brasília. Como se o regime do "separa aí os meus 15%" tivesse começado com a chegada das máquinas das grandes empreiteiras ao cerrado.

 

Não, a culpa não é de Brasília. Puxe pela memória. Tente se lembrar do nome do deputado e do senador a quem você deu o seu voto. Você talvez se descubra um cúmplice. Expie as suas culpas e abra o olho.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Stones, que Stones?

Angeli/Chiclete com Banana

Escrito por Josias de Souza às 02h42

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As manchetes deste domingo

 

- JB: Deputados custam R$ 1 milhão por ano

- Folha: PF vai indiciar 18 bancos suspeitos de remessa ilegal

- Estadão: Dólar baixo afugenta as multinacionais

- Globo: Negócios no Brasil com a Copa somam R$ 6 bilhões

- Correio: 8111-7197 - um telefone importante demais

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Lula começa a compor comitê da reeleição

Lula abriu a temporada de negociações para compor o comitê de campanha da reeleição. Haverá uma diferença estratégica em relação à cruzada de 2002. Na falta de um homem forte, personagem que na eleição passada era personificado na figura adstringente de José Dirceu, o presidente vai se cercar de um colegiado.

Eis os nomes cotados para compor o time da reeleição:

- Ricardo Berzoini: o presidente do PT deve representar os interesses do partido no comitê da reeleição;

- Luiz Dulci: o secretário-geral da Presidência deve funcionar como elo do presidente com o comitê de campanha;

- Jorge Viana: Lula quer que o governador petista do Acre tenha atuação na área política, participando dos contatos com legendas aliadas;

- Tarso Genro: o ex-ministro da Educação e ex-presidente do PT deve coordenar a elaboração do programa de governo para o segundo mandato;

- Marco Aurélio Garcia: o assessor especial de Política Externa da Presidência deve participar da elaboração do programa de governo. Tem grande afinidade com Tarso Genro;

- Fernando Pimentel: o prefeito de Belo Horizonte deve ter participação na área política e contribuir na formulação do programa de governo;

- Paulo Ferreira: substituto de Delúbio Soares na gestão da tesouraria do PT, ele deve participar do time de coleta de fundos para a campanha. Lula planeja integrar a esse grupo empresários identificados com o PT.

Conforme já divulgado aqui em 4 de fevereiro, o mais provável é que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) seja mantido em seu cargo por Lula. Ao longo da campanha, Palocci pode licenciar-se do cargo para participar de eventos pontuais de campanha. Mas sua participação seria mais incisiva no governo.

Lula gostaria de integrar ao comitê reeleitoral também o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política). Mas Wagner deseja concorrer ao governo da Bahia. Se ajudar na campanha, será de modo informal.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Contrariando o que afirmam Lula e o PT, o relatório final da CPI dos Correios irá sustentar a tese de que o mensalão existiu. Em entrevista ao blog, o relator da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que já redigiu 60% do texto. “Ficou muito clara a existência do mensalão”, afirma. Abaixo, a entrevista:

 

- O relatório final fica pronto até 20 de março?

Sim. Entregaremos o relatório até esse dia para discussão dos membros da CPI.

Até o dia 11 de abril, tem que estar votado, para que a comissão não passe uma vergonha nacional.

- A redação do relatório final já está avançada?

O trabalho está bastante avançado. Diria que já preparamos uns 60% do texto.

- Já dá para dizer que a CPI não passará vergonha?

Tenho convicção disso. Vamos apresentar inclusive um histórico de fatos ocorridos em conseqüência da criação da CPI. Vamos arrolar contratos milionários que foram rescindidos, as licitações que foram suspensas no âmbito daquilo que estávamos investigando.

- Evitou-se o desvio de mais dinheiro?

Exatamente. Valores significativos. Tentaremos mensurar isso no relatório.

- Já há como dizer onde começou a promiscuidade?

Ela era produzida pelo Executivo. Para cooptar o Congresso, ele o corrompia.

- O governo diz que não houve mensalão, só caixa dois.  Seu relatório entra nessa questão?

Sim.

- Houve mensalão?

Sim. Era um sistema para irrigar o congresso. Os saques estão lá, os nomes também.

- Como vai provar o mensalão?

A CPI não foi constituída para investigar o mensalão, mas os Correios. Depois foi criada a CPI do Mensalão. Aí ficou carimbado que éramos incompetentes para isso. Então as pessoas perguntam: como é que se prova que houve mensalão? Muito recentemente, o Congresso contratou o sistema I-2, uma ferramenta de alta tecnologia usada em investigações complexas nos EUA e na Inglaterra. Esse sistema, alimentado por todos os dados que nós tínhamos, possibilitou a realização de cruzamentos. Ficou muito clara a existência do mensalão. Há pagamentos de valores até semanais, mas que, somados, resultam em importâncias mensais idênticas. São quantias redondas, claras, na seqüência de meses. Tem mensalão.

- Os R$ 55 milhões dos supostos empréstimos bancários foram para isso?

A soma das liberações creditadas nas contas de Marcos Valério dá R$ 51 milhões. Ele apresentou uma relação de pagamentos no total de R$ 55 milhões. Portanto, há outros valores que não correspondem apenas a esses supostos empréstimos. Além dos pagamentos a parlamentares, pelo menos R$ 10,5 milhões foram para a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça.

- Relatório terá mais de 500 páginas?

Já está com mais de 500 páginas. vai chegar próximo de mil. Talvez tenhamos que enxugar.

 

(Continua abaixo...).

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Lula pediu para ser excluído, mas será citado

Lula pediu para ser excluído, mas será citado

- A movimentação do esquema se limita a esses R$ 55 milhões?

Não. Quando você pega o sistema Visanet, a isso se acrescentam pelo menos R$ 20 milhões – R$ 10 milhões em 2004 e quantia idêntica em 2005. Só aí temos R$ 75 milhões.

- E ficou nesses R$ 75 milhões?

Não. Há outros detalhes que vamos acrescentar ao final. Mas não posso adiantar.

- Passa dos R$ 100 milhões?

Não posso falar em valores porque vira manchete. Tenho medo disso.

- E quanto às propostas de indiciamento, a lista  passa de cem pessoas?

Uma vez eu falei que daria mais de 50 indiciados. Virou manchete. Não entendo como pode chamar tanta atenção. Só no episódio ao transporte Aéreo Noturno dos Correios, dá mais de 20 pessoas. E estamos examinando mais de 50 contratos. Ora, é natural que dê mais de 100 indiciados.

- A lista de indiciados pessoas incluirá os parlamentares?

Sim. Parlamentares, empresas prestadoras de serviço, políticos, etc.

- O sr. disse que citaria Lula no relatório. O presidente chamou Delcídio Amaral. Depois, o presidente da CPI falou com o sr. e houve um recuo...

Não recuei um milímetro. Evidente que vou mencionar o presidente. Vou inserir no relatório a referencia testemunhal do Roberto jhefferson de que levou em duas oportunidades ao presidente a existência do mensalão.

- Ao mencionar o presidente não seria razoável que sugerisse providências?

O juízo que cheguei a fazer em publico foi o de que eu acho que o presidente chegou muito próximo da negligência. Depois se afirmou que eu dissera que ele era negligente. Se digo que ele está próximo, não digo que ele é.

- O sr. continua achando que Lula chegou próximo da negligência?

Sim.

- Isso não é como no caso da virgindade? Acha que pode haver meia negligência?

Por isso que eu não falei que ele é negligente. Eu disse que ele chegou próximo. Ele não é.

- Não que há que falar, portanto, em responsabilidade do presidente?

Não posso chegar a tanto por uma razão: não tenho condições jurídicas de exigir dele que ele me diga as providências que tomou. O relacionamento entre Executivo e Legislativo não permitem isso. Se fosse um ministro, eu teria condições inclusive de convocar para depor. Tenho referências de que ele determinou que o Aldo Rebelo (então Coordenador Político do governo) verificasse. Por isso digo que chegou próximo. Minimamente, alguma coisa ele fez. Pelo menos em uma das oportunidades. Na outra eu não sei.

- Não pode argüir o presidente por escrito?

Não. O que se pode fazer é, na seqüência da CPI, a partir dos dados que nós temos, se alguém que tenha legitimidade política -partidos políticos, por exemplo- entender que há a configuração da negligência, aí pode propor a abertura de um processo de impeachment. Ai sim, se pode ir às últimas conseqüências e exigir esclarecimentos.

- Esse passo então não será dado pela CPI?

Ela não tem competência.

 

(Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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Caixa dois do PSDB também estará no relatório

Caixa dois do PSDB também estará no relatório

- Em que medida os dados bancários de Duda Mendonça são essenciais à CPI?

Esses dados, que já se encontram no Brasil, ainda não foram disponibilizados para a CPI. O que se vai dizer depois, que não temos prova. Do ponto de vista fático, já temos os elementos. Precisamos apenas da inserção disso dentro do relatório da CPI.

-Seu relatório trará novidades em relação ao que já foi divulgado?

Alguma novidade vai ter.

- Pode contar alguma?

Não. Temos que tratar isso com responsabilidade, o que implica o sigilo. Mas os cruzamentos que estamos fazendo podem surpreender.

- Podem surgir novos parlamentares?

Sim.

- E quanto ao caso Furnas, será investigado?

A deputada Almerinda de Carvalho, do Rio, está coletando assinaturas para a constituição da CPI de furnas. Espero que isso aconteça, para que não se diga que a gente fugiu. Estamos há um mês do encerramento dos trabalhos. Se eu quebrar sigilos, entrar com tudo, não vou chegar a lugar nenhum dos mesmo jeito. Quebra há quebra de sigilos, não chega nada com menos de um mês.

- Mas não é estranho deixar algo no ar, sem investigação?

É claro que o caso vai constar do relatório. Diremos que tivemos a tal lista de Furnas, ouvimos fulano e beltrano. Aquele cidadão, o Nilton Monteiro, diz que quer ser ouvido. Põe nos jornais que tem recibos. Se tiver documentos, que apresente. Eu chamo em seguida. No instante em que uma autoridade constituída disser que a lista é verdadeira, eu parto para a pesada. Mas não posso investigar uma lista para macular as pessoas e depois dizer que não tinha consistência.

- O caixa dois de Eduardo Azeredo, na campanha de 2002, vai ao relatório?

Claro que sim. Não há hipótese de excluir. As pessoas dizem que está prescrito. Não é problema meu. O Ministério Público vai decidir sobre isso.

- Fará concessões ao PMDB, seu partido?

Também não. Tanto é que coloquei na lista o meu líder, o José Borba, que é do meu Estado (Paraná) e foi quem me indicou para relator da CPI.

- Não receia que um embate PT-PSDB inviabilize a votação do relatório?

Se eu fizer constar algum fato que não seja verdadeiro, me curvo e faço a correção. Mas não deixarei de mencionar nada. É o caso da citação ao presidente Lula, feita pelo Roberto Jefferson. Como posso excluir? Não vou fazer juízo de seleção, botar um, excluir outro. Jamais. Quem quiser votar contra, que vote. Depois arque com as conseqüências na eleição de outubro. O povo não é bobo.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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Falta de prática!

Jean
 

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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As manchetes deste sábado

 

- JB: Rolling Stones - A mais quente noite na praia

- Folha: Lucro da Petrobras é o maior da história

- Estadão: Petrobras tem lucro recorde de R$ 23,7 bi

- Globo: Polícia se contradiz e não explica ausência na Rocinha

- Correio: Tribunais demitem mil até quarta-feira

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h22

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Em mesa tucana, Alckmin é jantado

Leonardo Wen/Folha Imagem
 

A cúpula tucana já não consegue disfarçar a preferência por José Serra na disputa travada pelo prefeito paulistano com o governador Geraldo Alckmin (São Paulo) pela vaga de candidato à presidência da República pelo PSDB. O último gesto do triunvirato que arrogou para si a tarefa de optar entre Serra e Alckmin foi, digamos, sintomático.

Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves arrastaram Serra para um jantar no restaurante Massimo, situado no finíssimo bairro dos Jardins. Saíram de um evento do qual participava também Geraldo Alckmin. Poderiam tê-lo convidado se quisessem. Mas não queriam.

À mesa do restaurante, entre goles de vinho Amarone della Valpolicella e beliscadas numa paleta de cordeiro, Alckmin foi, por assim dizer, jantado. Fernando Henrique disse: “O quadro nas pesquisas é reversível para partido que tem candidato forte, não para quem precisa construir a imagem”.

Traduzindo: só Serra, mais bem-posto nas pesquisas, poderia retomar a dianteira assumida por Lula. Alckmin, menos conhecido, não teria chances. Tasso e Aécio concordaram com o raciocínio. Em dúvida, Serra pediu tempo para pensar.

Inquirido pelos jornalistas ainda no interior do restaurante, FHC permitiu-se fazer pilhéria em torno da ausência de Alckmin. Eis o diálogo que travou com os repórteres:

— Onde está o governador?

— Está no palácio.

— O senhor o convidou?

— Ele disse que tinha de levantar cedo amanhã (risos).

— Estão festejando o quê?

— Ué, a eleição do líder (deputado Jutahy Junior, para a liderança do PSDB na Câmara).

— Mas o líder não está!

— O amor é tanto que a gente comemora até na ausência dele (gargalhada geral na mesa).

Na manhã seguinte, Serra tentou atenuar o significado político do jantar. “É claro que falamos da eleição, mas nem foi o principal”. Então, tá! Alckmin, se quiser, que acredite. O governador, a propósito, reafirmou sua disposição de deixar o Palácio dos Bandeirantes em 31 de março.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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Na fronteira da insanidade humana

O que você faria se fosse responsável por um jornal ou uma emissora de TV e lhe caísse nas mãos um conjunto de fotos exibindo soldados norte-americanos barbarizando prisioneiros iraquianos? Publicaria ou levaria o material à gaveta?

 

Nesta semana, a emissora australiana Dateline teve acesso a novas imagens de brutalidades praticadas na prisão iraquiana de Abu Ghraib. E decidiu exibi-las ao público. Foi duramente criticada pelo governo dos EUA.

 

O gabinete de George Bush queixou-se de que a divulgação de imagens antigas, registradas há mais de dois anos, poderia incitar atos de violência contra seus soldados que ainda estão no Iraque. Disse, de resto, que os abusos já renderam 25 processos contra soldados norte-americanos.

 

De fato, o episódio não é novo. Foi muito bem relatado, por exemplo, numa pungente reportagem da revista The New Yorker, publicada em maio de 2004 sob o título “Tortura em Abu Ghraib”. A despeito disso, a revista Salon resolveu comprar a briga contra o governo Bush. Veiculou em seu sítio na internet, na última quinta-feira, uma reveladora galeria de fotos.

 

A Salon preocupou-se em explicar aos seus leitores os motivos que a levaram a expor as fotos. Anotou o seguinte no sobre-título da mensagem: “América –e o mundo- têm o direito de saber o que foi feito em nosso nome.”

 

Difícil negar razão aos editores que optaram por exibir o material. O próprio Donald Runsfeld, em depoimento ao Senado dos EUA, dissera em maio de 2004 que os atos de Abu Ghraib “só poderiam ser descritos como sádicos, cruéis e inumanos”. E não há melhor remédio contra a insensatez do que o pleno conhecimento dos limites que demarcam a fronteira da insanidade humana.

 

Se você tem bom estômago, pressione na imagem lá em cima para visitar a galeria da Salon. O signatário do blog avisa que as imagens não são recomendáveis para almas frágeis.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Deputado usa Câmara para divulgar negócio privado

O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) produziu em seu gabinete uma peça de propaganda de uma empresa privada. Utilizando mão-de-obra e material de escritório pagos com dinheiro público, Patriota redigiu uma carta na qual recomenda os serviços da Gráfica ABC BSB Ltda., para impressão de material de campanha eleitoral.

 

Patriota enviou cópia da carta para cada um de seus 512 colegas de Câmara dos Deputados. No texto, datado de 9 de fevereiro e escrito em papel timbrado da Câmara, o deputado apresentou-se como cliente da gráfica. “Ale da qualidade, o preço é o melhor do mercado”, anotou.

 

Junto com a carta (veja cópia abaixo), Patriota remeteu aos colegas uma amostra de uma peça eleitoral que ele próprio teria encomendado à Gráfica ABC BSB. Trata-se de uma tabela de jogos da Copa do Mundo com uma inscrição vazada sobre a foto do parlamentar. Diz o seguinte: “Junto a você na torcida por um Brasil campeão, Gonzaga Patriota – deputado federal”. 

 

 

Carta assinada por Gonzaga Patriota

 

O deputado Patriota sonegou na correspondência que endereçou aos demais deputados uma informação valiosa. Na verdade, ele não é mero “cliente” da gráfica. De acordo com o contrato social da ABC BSB Ltda, arquivado na Junta Comercial de Brasília, o deputado Patriota é dono da gráfica. Nilson Ribeiro, mencionado no texto como contato para os deputados que desejassem fazer “encomendas” é seu sócio.

 

O caso foi revelado nesta sexta-feira pela Agência Nordeste (para assinantes). Fazendo-se passar por secretária de um parlamentar interessado em confeccionar material de campanha, a repórter Andreza Matais discou para Nilson Ribeiro. Ele se disse “amigo” de Gonzaga Patriota. Inquirido acerca da qualidade das peças que imprime, recomendou: “Ligue para o Gonzaga que você vai ver o que ele irá falar.”

 

Ouvido, Patriota disse que a carta que enviou aos colegas “não é propaganda.” Afirmou o seguinte: “Eu sou deputado, tenho o direito de usar o meu papel timbrado, ele é meu. Eu comprei umas tabelinhas de Copa do Mundo, para distribuir para os meus eleitores. E acho que meus colegas não tinham a informação de que essa empresa tem essas tabelas da Copa por um preço bom. Então eu fiz uma carta para a maioria dos colegas (...)”.

 

Perguntou-se ao deputado por que deixou de informar aos colegas que a gráfica é de sua propriedade. E ele: “Não precisava dar essa informação. Apenas disse que essa gráfica tem esse material por um preço bom. A gráfica está quase quebrada essa coitada. Fica lá no Núcleo Bandeirantes (cidade satélite de Brasília)”.

 

Quanto ao fato de ter utilizado papel timbrado da Câmara, Patriota disse: “Isso aí não é nada demais”. Informado a respeito, o corregedor da Câmara dos Deputados, Ciro Nogueira (PP-PI), tem opinião diversa. Disse que o fato foi comunicado ao presidente da Casa, Aldo Rebelo (PcdoB-SP) e pode resultar na abertura de processo para verificar se Gonzaga Patriota faltou com o decoro.

 

Não é a primeira vez que Patriota se envolve em atividades controversas na Câmara. Conforme já noticiado aqui no dia 2 de novembro, ele é mencionado em inquérito aberto a pedido do Ministério Público para apurar o escândalo do mensalinho, aquele que resultou na renúncia de Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara. O deputado já foi inclusive ouvido pela Polícia Federal.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

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Preso autor de ameaça contra Delcídio

Foi fácil como tomar pirulito de criança. A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira em Campo Grande o autor da carta anônima com ameaças à família do presidente da CPI dos Correios, Delcício Amaral (PT-MS). Ele se chama Marcos André Ávila de Oliveira. Vem a ser, veja você, um ex-segurança do próprio Delcídio. , 28, que prestava serviços de segurança pessoal para o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral. Pressione aqui para saber dos detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Impasse retarda acesso da CPI a dados de Duda

Um problema de última hora está retardando o acesso da CPI dos Correios aos documentos referentes à movimentação bancária do publicitário Duda Mendonça nos EUA. A Justiça norte-americana exige uma comprovação legal de que o Congresso brasileiro tem poderes para analisar os papéis.

 

O entrave foi comunicado no início da semana por Adam Kaufmann, promotor de Justiça de Nova York, ao diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Antenor Madruga. Enviou-se há dois dias para os EUA cópia da lei número 10.001, editada em 4 de setembro de 2000. Espera-se que a iniciativa consiga desatar o nó.

 

Está acontecendo o seguinte:

 

1. Em visita à Promotoria de Nova York, integrantes da CPI dos Correios obtiveram de Adam Kaufmann e de seu superior hierárquico, o Promotor-chefe Robert M. Morgenthau, a concordância quanto ao compartilhamento dos dados bancários de Duda Mendonça com o Congresso. As informações já se encontram no Brasil. Foram enviadas em novembro do ano passado. Mas só o Ministério Público e a Polícia Federal haviam tido acesso aos documentos;

 

2. A Promotoria de Nova York pediu formalmente à Justiça norte-americana autorização para sacramentar o acordo firmado com os parlamentares brasileiros. Foi quando a Corte de Nova York exigiu a comprovação de que a legislação brasileira permite ao Congresso ter acesso a dados recolhidos em investigação sigilosa;

 

3. A lei 10.001, enviada aos EUA , dispõe sobre a remessa de relatórios de investigações realizadas no Congresso ao Ministério Público e autoridades do Judiciário. Obrigada as autoridades a informar ao Congresso, por meio de relatórios semestrais, sobre o andamento de processos abertos em decorrência de descobertas feitas durante investigações conduzidas por CPIs;

 

4. A lei estabelece ainda que os membros do Ministério Público ou do Judiciário que deixarem de prestar informações ao Congresso ficam sujeitos a “sanções administrativas, civis e penais”;

 

5. Com essa lei, a CPI dos Correios e o o Ministério da Justiça esperam demonstrar às autoridades judiciais dos EUA que os congressistas brasileiros têm poderes que se sobrepõem aos do Ministério Público e da Polícia Federal. Imaginam que será o bastante para que os documentos relativos à movimentação bancária de Duda possam ser, finalmente, compartilhados com o Congresso; 

 

6. As informações são consideradas essenciais pela CPI porque, em depoimento à comissão, em agosto de 2005, Duda reconheceu ter recebido de Marcos Valério R$ 15,5 milhões em 2003. O dinheiro transitou pelo caixa dois. Referia-se ao pagamento de serviços que o publicitário prestara ao PT na campanha de 2002. Desse total, informou Duda à CPI, R$ 10,5 milhões foram depositados no BankBoston de Nova York, em nome de uma empresa offshore chamada Dusseldorf, aberta nas Bahamas. Os papéis enviados dos EUA servirão para dar consistência ao relatório final da CPI.

Escrito por Josias de Souza às 18h39

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Boa notícia!

 

Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara, disse que vai colocar em votação no mês de março o projeto que proíbe o nepotismo nas três esferas de poder –Executivo, Legislativo e Judiciário. O anúncio ocorre menos de 24 horas depois de o STF ter decidido que é constitucional a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) -aquela que obriga os Tribunais de Justiça de todo país a demitir parentes de magistrados contratados sem concurso público.

 

O texto que o presidente da Câmara promete levar ao plenário é uma proposta de emenda à Constituição. Já foi inclusive aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Proíbe até a chamada contratação cruzada, mecanismo pelo qual um parlamentar contrata o parente do outro e vice-versa. Segundo Aldo, há concordância dos líderes partidários quanto à conveniência de submeter a proposta à apreciação dos parlamentares.

 

Alvíssaras! Agora, para que a notícia possa ser definitivamente festejada, basta que Suas Excelências aprovem o projeto.

Escrito por Josias de Souza às 14h00

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Escárnio for export!

Angeli
 

Inconformados com absolvição do coronel Ubiratan Guimarães, entidades de direitos humanos vão levar o caso Carandiru à OEA (Organização dos Estados Americanos). Além disso, o procurador Antonio Visconti tentará reverter a decisão na própria Justiça. Em 92, O coronel Ubiratan comandou a PM de São Paulo na invasão ao presídio, que resultou no extermínio de 111 detentos.

Escrito por Josias de Souza às 07h38

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As manchetes desta sexta

 

- JB: A guerra do Rio - Cidade sitiada

- Folha: STF determina que juízes têm de demitir parentes

- Estadão: Juízes têm de demitir parentes, decide STF

- Globo: Guerra na Rocinha - Por que a polícia não apareceu?

- Correio: STF termina com a farra do nepotismo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h21

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A prosperidade do filho de Lula

De Fernando Rodrigues, na Folha de hoje (para assinantes):

 

“Além de ter feito um aporte de capital de R$ 5 milhões na empresa de Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente da República, a Telemar, maior operadora de telefonia fixa brasileira, também gasta anualmente outros R$ 5 milhões com patrocínio e produção nos programas de TV da Gamecorp. O dinheiro é usado para comprar espaço nas emissoras e colocar a atração no ar.


O número exato do investimento de publicidade é de R$ 4,989 milhões. São R$ 415,75 mil mensais. Os valores são oficiais e fornecidos pela Telemar. O dinheiro é dividido entre programas transmitidos pela TV Bandeirantes e Mix TV -essa última uma emissora apenas captada em UHF (forma de transmissão de baixo alcance) ou em algumas operadoras de TV a cabo.

A Telemar argumenta que se trata de um investimento estratégico e com bom retorno. Visa atingir um público específico. São, ao todo, quatro programas de 30 minutos e um de três minutos. O que tem maior audiência pontuou 0,92 ponto no Ibope nacional (505.440 de pessoas sintonizadas) e 1,12 ponto na Grande São Paulo (197.960 pessoas). Os números são de janeiro.


A empresa de Telefonia não está sozinha no patrocínio da Gamecorp. Outras empresas de porte já fizeram propaganda nos programas de TV sobre videogames produzidos pela empresa do filho de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os que já anunciaram estão Gradiente e Sadia.


A Gradiente é do empresário Eugênio Staub, um dos primeiros homens de negócios de porte que manifestou apoio a Lula em 2002. A Sadia é a empresa onde fez carreira o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).


A Gamecorp passou a ter grande prosperidade depois que Lula chegou ao Palácio do Planalto. A entrada da Telemar se deu no final de 2004, tendo sido oficializado no início de 2005. O capital social da empresa está registrado com um valor de R$ 5,2 milhões. Desse total, R$ 5 milhões saíram da Telemar.


A entrada da Telemar na Gamecorp serviu para que a empresa deslanchasse. Antes, o filho de Lula já fazia um programa de TV modesto que era transmitido num horário comprado na TV Bandeirantes. Depois, expandiu sua programação para a Mix TV, -do empresário João Carlos Di Genio, dono de uma rede de escolas e faculdades.” (...)

Escrito por Josias de Souza às 01h50

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Garotinho convida senadora para vice

Alheio aos entendimentos do presidente do PMDB, Michel Temer, com outros partidos, o pré-candidato Antony Garotinho convidou a senadora Íris de Araújo (PMDB-GO) para compor a sua chapa como candidata a vice-presidente. Íris é mulher de Íris Rezende, ex-governador de Goiás, ex-senador, ex-ministro da Justiça e atual prefeito de Goiânia. Embora tenha pedido tempo para pensar, a senadora já emitiu sinais de que deve aceitar o convite de Garotinho.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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PMDB e PPS se unem para costurar a terceira via

PMDB e PPS fecharam nesta quinta-feira um entendimento que tem a pretensão de consolidar uma alternativa à polarização entre PSDB e PT na disputa presidencial de 2006. Aposta-se na viabilização da chamada “terceira via.”

 

Para marcar o início da articulação, os presidentes dos dois partidos, Michel Temer (PMDB) e Roberto Freire (PPS), acertaram a realização de um grande seminário. Tem o objetivo de debater projetos alternativos para o país.

 

O encontro será feito antes das prévias que definirão o nome do candidato oficial do PMDB, marcadas para 19 de março. Disputam a vaga o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e o ex-governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho.

 

Embora a data do seminário ainda não esteja fechada, o mais provável é que ocorra no próximo dia 8 de março, em Brasília. Ouvido pelo blog, Roberto Freire revelou as segundas intenções que se escondem por trás do encontro.

 

“É evidente que isso será mais do que um seminário. Desde o início que venho afirmando que o PMDB tem uma rara oportunidade de resgatar a sua história.” Articulador do encontro, o deputado Raul Jungmann (PE), eleito pelo PMDB e hoje filiado ao PPS, ecoa Freire: “Estamos diante da perspectiva de recomposição do velho MDB com as outras forças democráticas do país.”

 

O interesse pela construção de uma alternativa presidencial perpasse todo o entendimento: “O Brasil assiste a um disputa vexatória entre PT e tucanos, para saber qual dos dois governos é o mais corrupto”, diz Freire. “Não é possível que a eleição se resuma a isso. Temos de mostrar aos eleitores que há outras alternativas”.

 

Pretende-se atrair para o seminário governadores e lideranças dos dois partidos. O tema será “Desenvolvimento Econômico e Segurança Social”. Imagina-se realizar, depois das prévias peemedebistas, pelo menos mais dois encontros do gênero.

 

Candidato à presidência pelo PPS, Freire evita mencionar como seria composta a chapa da pretensa “terceira via” caso o namoro dos seminários resulte em casamento eleitoral. “Não tem que falar nisso agora. Até porque nossa idéia é atrair para o entendimento outros partidos, como PDT e PV. Se viermos a construir uma alternativa, precisamos ver se podemos lutar todos juntos. Qualquer discussão sobre nomes agora atrapalharia.”

 

Embora não verbalizem publicamente, tanto a ala do PMDB representada por Temer quanto o PPS revelam entre quatro paredes nítida preferência pelo nome de Germano Rigotto. Diz-se que o governador gaúcho, diferentemente de Garotinho, representaria melhor o chamado “PMDB histórico.”

 

Para a direção do PMDB, a demonstração de que é possível costurar alianças com outras legendas serviria para inibir o esforço da ala governista do partido para forçar uma aliança com o PT de Lula ainda no primeiro turno. Trabalha-se com a hipótese de que, à margem da disputa renhida entre Lula e o candidato que vier a ser definido pelo PSDB, pode-se construir uma alternativa eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

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Confusão no ninho

A bruxa baixou no ninho tucano. À medida que avançam as articulações internas do PSDB para definir o seu candidato à presidência da República, vai ficando claro que o tucanato tem um estilo peculiar de perseguir o consenso. Quanto mais conversam, menos se entendem.

 

Depois  de muito confabular com seus companheiros de plumagem, Tasso Jereissati, presidente do PSDB, decidiu apressar o passo. Contou para meio mundo que a escolha entre Geraldo Alckmin e José Serra seria feita até 10 de março.

 

Nesta quinta-feira, em São Paulo, Tasso revelou publicamente as suas aflições. Disse que a demora “está prejudicando o partido”. Eis o seu raciocínio: “É como se tivesse uma campanha com um só candidato aberto (Lula).”

 

Pois bem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ouvido sobre o mesmo tema. E o que disse? Ora, o oposto. Acha que o povo não tem a menor pressa. “A ansiedade é nossa, dos políticos, e de vocês, jornalistas", disse ele.

 

Não é só: munida de opiniões de especialistas em marketing político, a cúpula tucana concluiu que FHC deveria ter uma participação mais discreta na campanha. Concluiu-se que, ao polarizar pessoalmente com Lula, ele acaba ajudando o adversário.

 

Adivinha o que pensa FHC sobre esse ponto? Não está nem aí. "Isso não é problema meu”, disse ele. “Eu vou continuar a falar sobre o Brasil". De duas uma: ou o grão-tucanato está completamente errado em suas análises de conjuntura, ou FHC decidiu dar uma mãozinha para ao Lula.

O alto tucanato esteve todo reunido nesta quinta-feira em São Paulo. As principais lideranças do partido participaram de um debate organizado pelo Instituto Teotônio Vilela, vinculado ao PSDB, e pelo Iedi, entidade empresarial dirigida por Josué Gomes, filho do presidente José Alencar.

Principal debater do encontro, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, fez uma defesa enfática da política econômica do governo Lula que, para ele, dá continuidade à do governo anterior. “A estrada não está pavimentada, mas está na direção certa”, disse Fraga. Avaliou que “as condições para a queda da taxa (de juros) são excelentes.”

Os empresários presentes cobraram idéias inovadoras. FHC tratou de defender as teses de Fraga. E os dois pré-candidatos do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin e José Serra, embora lá estivessem, não abriram o bico.

O curioso, veja você, é que o nome do encontro era “Renovar Idéias – Política Monetária e Crescimento Econômico do Brasil.” Na saída, Serra arriscou uma crítica ao atual governo: “O Lula dizia que os juros eram altos, na época do Fernando Henrique, por causa dos bancos. E ele jogou os juros mais para cima ainda. O PT diz uma coisa e, na prática, faz outra (...).”

O diabo é que as pessoas que assistiram ao debate ficaram sem saber o que o PSDB, de volta ao poder, fará, afinal, de diferente.

Escrito por Josias de Souza às 22h20

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Sururu no Fim do Mundo

PT e PSDB voltaram a se estranhar nesta quinta-feira. Deu-se durante uma reunião da CPI dos Bingos, aquela que o governo chama de comissão do “Fim do Mundo”. De fato, o ambiente ficou de tal forma conturbado que, para evitar o Apocalipse, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), teve de encerrar a sessão antes do tempo.

 

O embate opôs o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e o deputado José Mentor (PT-SP). Os dois foram, respectivamente, presidente e relator da CPI do Banestado. Protagonizaram à época uma rivalidade que acabou por envenenar os trabalhos da comissão, que resultou em fiasco. Concluiu os seus trabalhos sem aprovar um relatório final.

 

A desavença foi reavivada nesta quinta por conta do depoimento do juiz Julier Sebastião da Silva, da Justiça Federal de Mato Grosso, Estado de Antero. O magistrado foi convocado para falar sobre as relações de Ronan Pinto, empresário de ônibus de Ribeirão Preto, com João Arcanjo Ribeiro, o “comendador” do crime organizado de Mato Grosso.

 

Súbito, o depoimento do juiz descambou para o bate-boca entre petistas e tucanos. Mentor acusa Antero de ter utilizado R$ 240 mil em verbas sujas do “comendador” Arcanjo no caixa dois de sua campanha eleitoral. Responsável pelo julgamento de processos que resultaram na condenação do “comendador”, o juiz Julier confirmou à CPI ter recebido de Mentor e da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) cópia de um relatório com acusações de envolvimento de Antero com o crime organizado.

 

O juiz disse à CPI que, tendo recebido o relatório dos petistas, mandou que fosse anexado aos autos do processo contra o "comendador". Fez mais: encaminhou a papelada ao Ministério Público, em função das menções feitas a um senador da República. Antero abespinhou-se. Disse que processará o juiz. Chamou-o de “mentiroso”. Foi então que se instalou o sururu. Pressione aqui para ler os detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 19h14

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Supremo ordena fim do nepotismo no Judiciário

Bestgraph
O STF acaba de tomar uma decisão histórica, digna de festejos. Por nove votos a um, os ministros do Supremo consideraram constitucional a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que proíbe o nepotismo no Judiciário. O único voto contrário foi do ministro Marco Aurélio de Mello.

 

Com isso, a partir da publicação da decisão do STF, todos os tribunais de Justiça do país estarão obrigados a demitir os parentes de magistrados que entraram na folha de salários do Estado pela janela, sem concurso público.  

Em entrevista que acaba de conceder, o ministro Nelson Jobim, que preside o Supremo e é também presidente do CNJ, disse que estarão sujeitos a processos por improbidade administrativa os presidentes de tribunais que continuarem autorizando o pagamento de salários de parentes de magistrados.

É preciso agora que a sociedade se mobilize para que a proibição se estenda também aos Poderes Executivo e Legislativo. 

Escrito por Josias de Souza às 18h04

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Bornhausen admite composição PSDB-PMDB-PFL

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, admitiu, em entrevista ao blog, a hipótese de sentar-se à mesa para articular uma composição a três para as eleições presidenciais de 2006, unindo PSDB, PFL e PMDB. “Acho que quem quer ganhar eleição não pode deixar de examinar todas as hipóteses”, disse o senador. “A meta tem que ser derrotar o Lula. O país não agüenta mais quatro anos de incompetência.”

 

Abaixo, as principais declarações de Borhausen:

 

- Em reunião com um líder do PMDB, FHC sondou o partido sobre o interesse de oferecer o vice na chapa do PFL. O que acha? A decisão é do PSDB. Até aqui, eles sempre colocaram a hipótese de compor com o PFL. Mas eu não sou obstáculo. Para ganhar uma eleição, é preciso examinar todas as fórmulas. O problema não é esse tipo de espaço, de vice ou não vice. O problema é ganhar a eleição.

 

- Participaria de um entendimento a três, com PSDB, PFL e PMDB? Acho que quem quer ganhar não pode deixar de examinar a melhor hipótese. A meta tem que ser derrotar o Lula. O país não agüenta mais 4 anos de incompetência.

 

- O PFL já definiu quem será o vice na chapa com o PSDB? O cronograma do partido não pode começar por aí. Temos um compromisso com o César Maia, que terá de responder até março (se é candidato a presidente ao não). Antes disso, nenhuma palavra pode ser dada. Combinei com ele que iríamos conversar após a definição do PSDB e do PMDB. Calculo que ali pelo dia 20 ou 21 (de março) a gente tenha essa conversa. Se César Maia informar que não é candidato, temos de reunir o partido para saber se desejamos ter outro candidato ou se vamos encaminhar a negociação da coligação com o PSDB. Essa é a segunda etapa, que se dará após a conversa com César Maia. Autorizada a conversa com o PSDB, tem que começar pelas questões estaduais. O que é importante numa eleição é ganhar. E, para ganhar, é preciso compor bem os Estados.

 

- José Agripino já disse publicamente que os dois nomes para a vice são o dele e o seu. Não é isso? É evidente que, quando chegarmos a essa etapa, lá para o mês de maio, tem que conversar com o candidato a presidente para saber que perfil ele deseja. Não adianta querer colocar um candidato que não tenha um bom relacionamento e um perfil adequado. Preenchido esse perfil, é livre a manifestação, cada um pode apresentar a sua candidatura. Não estou preocupado com isso no momento. Temos que cumprir o cronograma para fazer o melhor para ganhar a eleição.

 

- Por que ACM se opõe ao seu nome? Não considero que ele tenha aberto baterias contra mim. Ele não me falou nada pessoalmente. Como isso não está na pauta para mim, sobre essa questão não tenho nada a comentar.

 

- Seu nome está ou não no tabuleiro? Coloco o meu nome à disposição para disputar a presidência da República. Se o partido quiser ter candidatura própria e o César não quiser, eu coloco o meu nome à disposição. Mas a candidatura a vice não é uma questão de colocar o nome. Ninguém é candidato a vice. Ou você é candidato a presidente ou o partido deseja, para complementar uma chapa, nomear A, B ou C. Meu nome está à disposição, se o César Maia não quiser, para disputar a presidência.

 

Leia mais no despacho abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Se PSDB lançar Alckmin, PFL irá de César Maia

Jorge Bornhausen informa que César Maia, prefeito do Rio e pré-candidato do PFL à presidência da República, mantém a intenção de só abrir mão da própria candidatura se for em favor do tucano José Serra. E não há hipótese de Maia vir a ser atropelado pelos pefelistas. “Compromisso é compromisso. Precisa ser cumprido. Se ele disser que vai ser candidato, ele vai ser candidato.”

 

Continue lendo abaixo a entrevista do presidente do PFL: 

 

Lula subiu nas pesquisas. A está errando? “Não acho que estejamos incorrendo em erros. Acho que o processo de modificação que se iniciou em dezembro foi fruto de uma estratégia acertada do governo. Começou no momento em que ele provocou uma convocação (extraordinária do Congresso) esdrúxula. Viraram-se as baterias contra o Congresso. E isso aliviou muito para o Lula. Essa convocação foi examinada politicamente pelo presidente, não tenho dúvida disso. Aquela absolvição do deputado Romeu Queiroz também contribuiu para que as baterias se virassem contra o Congresso. E houve uma massiva propaganda do governo. Tudo isso facilitou o momento para o crescimento da candidatura do Lula. Mas quando terminar junho, você não tem mais propaganda oficial, a mídia tem que ser igual entre os candidatos. Aí vai começar a descida, porque ele não reconquistou aqueles que ganham a eleição, que são os eleitores de classe média. A gente não pode errar é pra frente.

 

- Postergar a definição do nome do candidato da oposição seria um erro? A definição do candidato vai ser rápida. Os próprios candidatos estão ansiosos por uma definição. Até 10 de março isso está resolvido. Depois disso, se a intenção for de formalizar uma composição com o PSDB, o candidato vai ter que agir nos casos urgentes. Um deles é o Rio de Janeiro. Não temos nem por parte do PFL nem do PSDB um candidato forte no Estado, que é um dos principais do país. Essas ações não podem ser exercidas pelas cúpulas. Podemos ajudar, mas é o candidato que precisa agir.

 

- César Maia só desiste da candidatura se o candidato do PSDB for o Serra? Essa foi a manifestação dele para mim. Combinei com ele que, a partir dessas definições do PSDB e do PMDB iria procurá-lo. Acho importante esperarmos a decisão do PMDB. A gente vê o perfil do candidato que vai sair. Além disso, se a votação nas prévias for expressiva, é uma coisa. Se for uma votação pífia, é outra.

 

- Mas se o PSDB optar por Geraldo Alckmin, o PFL não pode atropelar o César Maia? Não há hipótese. Compromisso é compromisso. Precisa ser cumprido. Se ele disser que vai ser candidato, ele vai ser candidato. Já imaginou o prefeito do Rio renunciar e o partido deixá-lo sem candidatura? Impossível. A homologação da pré-candidatura dele foi aprovada por unanimidade.

 

- Acha que isso vai pesar na definição dos tucanos? Tudo isso pesa. Acho que eles têm uma tarefa difícil. Mas não quero importar para dentro do PFL um problema que não é nosso. Bastam os problemas que eu já tenho.

Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Consulta às bases

Da coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes):

 

Um grupo de banqueiros e economistas pesos-pesados deve se reunir amanhã, no Rio, com o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. O convite ao governador de SP partiu da Casa das Garças, da qual fazem parte Edmar Bacha, Armínio Fraga e André Lara Rezende, entre outros.

Escrito por Josias de Souza às 07h28

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As manchetes desta quinta-feira

 

- JB: A guerra do Rio - Tráfico aprisiona a cidade

- Folha: Justiça inocenta coronel do massacre no Carandiru

- Estadão: MP vai reduzir rolagem da dívida rural e Congresso reage

- Globo: Sem polícia, guerra do tráfico volta à Rocinha

- Correio: R$ 95 milhões jogados fora

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Justiça seja feita

Glauco
 

Nada menos que 76% dos parentes de juízes e desembargadores que entraram na máquina do Poder Judiciário pela janela, sem concurso, ainda não foram demitidos. Isso a despeito de ter vencido na terça-feira o prazo fixado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para que toda a parentela dos magistrados fosse posta no olho da rua.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Rigotto pede licença para mergulhar na campanha

Lula Marques/Folha Imagem
 

Germano Rigotto pediu nesta quarta-feira licença não-remunerada do cargo de governador do Rio Grande do Sul. O pedido foi endereçado à Assembléia Legislativa gaúcha. Vale para o período compreendido entre os dias 26 fevereiro a 20 de março.

Pré-candidato do PMDB às eleições presidenciais, o governador gaúcho quer se desvencilhar dos afazeres administrativos para dedicar-se exclusivamente à campanha para as prévias do partido, marcadas para 19 de março. Rigotto tem muito trabalho pela frente.

Seu adversário no PMDB, o ex-governador do Rio Antony Garotinhos dedica-se há meses à tarefa de fazer contato pessoal com os convencionais do partido. Nesta quarta-feira, os peemedebistas definiram as regras que irão vigorar nas prévias.

O ponto que despertou maior controvérsia na reunião da executiva do partido, da qual participaram os dois postulantes (na foto, ao lado de Michel Themer), o debate em torno do dispositivo que fixa peso diferenciado para os Estados, conforme a proporcionalidade entre os votos obtidos pelo PMDB em cada unidade da federação e o total de votos do partido no país. Definiu-se que serão computados apenas os votos computados nas eleições para deputado federal e senador.

Embora os cálculos ainda não tenham sido feitos, sabe-se desde logo que São Paulo terá um peso específico maior na definição do índice. Algo que, em tese, favorece Rigotto, formalmente apoiado pelo ex-governador Orestes Quércia, que deteria o controle da máquina partidária no Estado.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Pesquisas do PSDB apontam para Serra

Os primeiros resultados das pesquisas de opinião encomendadas pelo PSDB indicam aquilo que todos os institutos já vinham apontando: o prefeito paulistano José Serra é o tucano mais competitivo para a disputa contra Lula.

Nova rodada de pesquisas será concluída antes do final de semana. Aposta-se que confirmarão o cenário que desfavorece a opção pelo governador Geraldo Alckmin (São Paulo). Nesta quarta-feira, a cúpula do partido reuniu-se em Brasília com o cientista político Antonio Lavareda, do instituto de consultoria MCI.

Para desassossego do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que propusera uma auditoria nos números da pesquisa CNT-Sensus, Lavareda informou que também as pesquisas feitas por encomenda do partido detectam uma recuperação da popularidade de Lula. Atribuiu a tendência à intensificação da propaganda oficial do governo à exposição a que Lula vem sendo submetido.

Além de Virgílio, participaram da reunião com Lavereda o presidente e o secretário-geral do PSDB, respectivamente Tasso Jereissati (CE) e Eduardo Paes (RJ). Ouviram de Lavareda a avaliação de que outros dois fatores pesaram a favor de Lula: as últimas ações do governo e o distanciamento das denúncias que provocaram, no ano passado, a queda de popularidade do presidente.

Conforme divulgado aqui ontem, o tucanato passou a discutir internamente o papel de Fernando Henrique Cardoso na disputa eleitoral de 2006. Concluiu-se que os ataques desferidos pelo ex-presidente contra Lula e o PT podem ter gerado uma espécie de “efeito bumerangue”, surtindo efeito inverso do que era esperado. 

Avalia-se abertamente que a campanha do partido deve se dissociar da imagem de FHC. Mais: seria conveniente que FHC se distanciasse da cena política, reservando suas opiniões ao público interno. Falta definir o nome do tucano com um bico rijo o bastante para enjaular o gato.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Lula planeja repetir em 2006 estilo “paz e amor”

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Em conversa com um de seus ministros, Lula expôs na última terça-feira detalhes da estratégia que pretende adotar nas eleições presidenciais deste ano. Disse que não vai aceitar provocações de adversários. Pretende reeditar em 2006 o padrão “Lulinha paz e amor” que adotou na campanha de 2002, quando derrotou o tucano José Serra.

 

Recordando os ensinamentos de Duda Mendonça, o marqueteiro do qual teve de se afastar em função do escândalo do mensalão, o presidente disse que acusações não ganham eleição. O povo estaria mais interessado em ouvir propostas. Nessa matéria, já tem clareza do que irá dizer: precisa de um segundo mandato para completar a sua obra, recolocando o país na trilha do desenvolvimento econômico.

 

De resto, apostará na comparação do seu governo com a gestão do antecessor Fernando Henrique Cardoso. Julga que o confronto lhe é amplamente favorável, tanto nos resultados econômicos quanto na evolução dos indicadores sociais. A exposição dos dados, acredita, irá conferir ao candidato do PSDB, seja ele quem for, a incômoda aparência de retorno a um passado que o povo rejeitou em 2002.  

 

Lula disse não ter dúvidas de que o candidato tucano, seja o prefeito José Serra ou o governador Geraldo Alckmin, partirá para o ataque, acusando o PT e o seu governo de corrupção. Se isso se confirmar, pretende transferir para o partido a responsabilidade de dar as devidas respostas.

 

O presidente avalia que a estratégia reforça a linha que vem adotando até aqui, que é a de tentar circunscrever as irregularidades já detectadas ao âmbito partidário, preservando a sua figura e a instituição da presidência. Por esse raciocínio, os problemas teriam ocorrido à sua revelia. Quando informado, tomou as providências que estavam ao seu alcance. A Polícia Federal, afirma, “nunca trabalhou com tanta liberdade nesse país.”

 

Para Lula, mesmo o PT deve administrar com parcimônia os ataques aos adversários. O partido se limitaria a responder as provocações. Continuaria sustentando a tese de que o mensalão não foi provado. Os deslizes do partido teriam se restringido à prática do caixa dois, comum a todos os partidos. Achou correta a iniciativa anunciada pelo deputado Ricardo Berzoini de processar FHC por ter dito que “a ética do PT é roubar”.

 

Durante a conversa, Lula revelou uma ponta de preocupação com a possibilidade de surgirem novas denúncias nos próximos meses. Disse, por exemplo, ter sido informado de que uma revista semanal planejaria publicar reportagem contra um de seus filhos. Receia também pelo conteúdo do relatório final da CPI dos Correios. Está apreensivo, de resto, com o novo depoimento que Duda Mendonça prestará à CPI.

 

Outro foco de tensão é a investigação que vem sendo conduzida pelo Ministério Público. O presidente foi informado de que o resultado, quando divulgado, causará enorme impacto. Disseram-lhe, porém, que a apuração trará dores de cabeça para vários parlamentares, mas nada teria sido levantado contra ele.

 

Em relação à definição do candidato do PSDB, Lula acha que a conjuntura aponta para a escolha de Geraldo Alckmin. Aposta que, num cenário de risco, José Serra não se animará a deixar a prefeitura de São Paulo. Algo que lamenta. Julga que Serra seria um adversário mais fácil de ser batido. Ex-ministro de FHC, Serra facilitaria a comparação que pretende estabelecer com a gestão anterior. Alckmin, na sua opinião, tem mais cara de novidade.

Escrito por Josias de Souza às 00h59

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CPI acaba até 20 de março, diz Delcídio

  Lula Marques/F.Imagem
Acaba de terminar o depoimento de Dimas Toledo na CPI dos Correios. Antes de dar a reunião por encerrada, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que não vai permitir que a inclusão de última hora da "lista de Furnas" no rol de temas investigados pela CPI provoque o adiamento da conclusão dos trabalhos. "Concluiremos a votação do relatório final até o dia 15, 20 de março", afirmou.

Delcídio declarou que, a seu ver, o essencial em relação ao novo caso é comprovar se a tal lista, que traz os nomes de 156 políticos supostamente beneficiados com um caixa dois de R$ 40 milhões em 2002, é autêntica. "Nesse sentido, é fundamental um posicionamento da Polícia Federal, para que não fiquemos trabalhando em cima de coisas que não tenham validade."

Para Delcídio, a depender das conclusões finais da CPI dos Correios, "pode-se resgatar a imagem de um instrumento importante à disposição do Congresso." As últimas comissões de inquérito, disse ele, não contribuíram para a credibilidade das investigações conduzidas por parlamentares.

"Temos que chegar a um relatório que não brigue com os fatos", disse o senador. Além de responsabilizar os "verdadeiros envolvidos", a CPI deve ter a "coragem de isentar pessoas que eventualmente tenham sido envolvidas injustamente com os espísódios divulgados."

Mais cedo, Delcídio (na foto) foi às lágrimas ao receber a solidariedade massiva dos integrantes da CPI em função da carta anônima que sua mulher encontrou na caixa de correspondências da casa do senador em Mato Grosso do Sul. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) informou que ordenou à Polícia Federal que investique o episódio, com o objetivo de identificar o autor da ameaça.

Escrito por Josias de Souza às 23h37

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Virgílio lê na CPI ata de reunião com super-heróis

Num esforço para desqualificar a chamada “lista de Furnas”, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), leu durante a sessão da CPI dos Correios, a mesma em que Dimas Toledo está sendo inquirido, a “ata” de um encontro fictício. O papel estava autenticado em cartório.

 

O encontro ficcional teria reunido políticos governistas, entre eles a líder do PT, Ideli Salvatti, e personagens de histórias em quadrinhos –Clark Kent (Super-Homem) e Bruce Wayne (Batman), por exemplo. No encontro, teriam sido decididos vários disparates. Por exemplo: deslocamento em um quilômetro e meio “o Oceano Atlântico” e proibição de que o peixe-serrote “freqüentasse o oceano Pacífico”.

 

“Precisamos ter um comportamento responsável e institucional”, disse Virgílio. Argumentou que a ata que acabara de ler demonstrava como era fácil forjar documentos, registrando-os em cartório. Virgílio disse ainda que alguém colocara “por baixo da porta” de seu gabinete uma nova lista. Acrescentaria 35 nomes, todos do PT, aos 156 que já constavam na relação que está sendo investigada pela Polícia Federal.

 

Analisando a “nova lista” trazida à baila por Virgílio, o deputado Carlos Abcalil (PT-MT) constatou que se tratava, na verdade, de uma relação antiga, vinculada ao caixa dois da campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 98. Virgílio argumentou que a relação tinha a mesma “matriz” da atual. Fora divulgada pelo lobista mineiro Nilton Monteiro. Um personagem que o senador classificou como “embusteiro”, “estelionatário” e “falsário”, entre outros adjetivos.

 

A líder petista Ideli Sanvatti aproveitou para defender a marcação do depoimento de Nilton Monteiro, aprovada pela CPI em agosto do ano passado. Virgílio disse que não se opõe, desde que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) compareça à CPI antes, para dizer se a “lista de Furnas” é falsa ou verdadeira. “Ele pode vir aqui para dizer que meus argumentos são tolos. Mas o silêncio, nessa hora, não é um bom conselheiro para o ministro."

 

No rastro de Virgílio, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) também leu na CPI um documento com a sua própria assinatura, reconhecida em cartório do Rio, responsabilizando-se integralmente pelo escândalo do mensalão. Insinuou que a assinatura era falsa. Disse que encaminharia o "documento" à direção da CPI. José Eduardo Cardozo (PT-SP) interveio. Disse que Paes acabara de expôr um crime. Requisitou à mesa diretora a abertura de inquérito para apurar o episódio. Em recuo estratégico, Paes não entregou o documento como prometera. 

Coube ao próprio Eduardo Cardozo, o petista mais ponderado a intervir no debate, repor a discussão nos seus devidos termos. Ele afirmou que a “lista de Furnas” é secundária no contexto das apurações. O que justifica a inclusão do tema no rol de itens que merecem investigação da CPI são as afirmações do deputado cassado Roberto Jefferson. “Ele disse que recebeu R$ 75 mil do suposto caixa dois de 2002 e que negociou repasses da estatal em troca da manutenção do sr. Dimas Toledo na diretoria de Furnas. Isso nos obriga a investigar.”

Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, tentou constranger o colega. Disse que, se as declarações de Jefferson fossem levadas ao pé da letra, a CPI teria de voltar a considerar a hipótese de pedir o impeachment de Lula. Eduardo Cardoso não se deu por achado. Disse que, diferentemente de outros parlamentares, disse desde o início que as acusações de Jefferson, verdadeiras ou falsas, deveriam ser investigadas. 

Escrito por Josias de Souza às 22h57

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Dimas diz à CPI que lista de Furnas é falsa

  Lula Marques/F.Imagem
Em depoimento à CPI dos Correios, iniciado há pouco, o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo disse que a chamada “lista de Furnas” é “uma montagem”, “uma falsificação”. Disse que foi forjada com o objetivo de “manchar a imagem de pessoas e empresas.”

 

“Nunca ajudei financeiramente a nenhum parlamentar ou pessoa ali (na lista) nominada. Quero inclusive me solidarizar com todos os envolvidos, pelo transtorno que essa farsa possa estar provocando.”

 

Repetindo declarações que já fizera em depoimento à Polícia Federal, Dimas Toledo disse que jamais se encontrou com o lobista mineiro Nilton Monteiro, responsável pela divulgação da “lista de Furnas”. “Não tenho a menor idéia de por que esse cidadão fez isso.”

 

Em seguida, o ex-diretor de Furnas disse que Monteiro dirigiu-se à estatal para defender interesses de uma empresa chamada JP Engenharia, de São Paulo. As gestões não prosperaram. Por isso, insinuou Dimas, o lobista pode estar agindo por vingança.

 

“No início de 2004, fevereiro ou março, ele (Monteiro) telefonou para Furnas três ou quatro vezes, querendo falar comigo”, disse Dimas. “Não atendi porque estava ocupado. Num dos telefonemas, ele me ameaçou. Disse a minha secretária que ele iria, como membro do Partido Trabalhista (depois esclareceu tratar-se do PT), iria procurar o presidente Lula e pedir a minha demissão. Mandei dizer a ele que ficasse à vontade.”

 

Dimas Toledo negou também acusações feitas pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O ex-presidente do PTB sustenta ter recebido os R$ 75 mil a ele atribuídos na "lista de Furnas" das mãos do próprio Dimas. “Isso nunca aconteceu. Eu só conheci o deputado em 2005.”

 

O ex-diretor de Furnas reconheceu ter visitado Jefferson, no apartamento dele, na noite de 13 para 14 de abril do ano passado. O ex-deputado diz que, nesse encontro, Dimas formalizou uma proposta que previa a divisão do caixa dois de Furnas –“R$ 3 milhões”- entre PT e PTB -R$ 1,5 milhão por mês para cada partido.

 

Dimas nega. Disse ter comparecido ao encontro a convite de Jefferson. Soube, pelos jornais, que o governo havia atribuído ao então presidente do PTB a prerrogativa de substitui-lo na diretoria de Furnas. E foi ao deputado para “tentar convencê-lo a indicar alguém do quadro técnico de Furnas.” Segundo as palavras de Dimas, Jefferson mentiu.

 

Perguntou-se também a Dimas se conhece Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. "Sim", disse ele. "Conheci o Delúbio Soares no final de 2002, quando as eleições já estavam definidas. Ele queria saber o que fazia Furnas. Tivemos uma conversa muito boa." Tratou-se de verbas para campanhas? "Não, de jeito nenhum." Disse ter sido visitado em Furnas também por Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, que queria se informar sobre os cargos disponíveis em Furnas, no início do governo Lula.

 

O depoimento suscita a quem o acompanha algumas inquietações. O expectador fica sabendo, por exemplo, que a substituição de um diretor técnico de estatal foi debatida na calada da noite no apartamento de um deputado que, hoje, declara abertamente que estava atrás de compensações financeiras. Descobre-se também que o tesoureiro do partido oficial, antes mesmo da posse, peregrinava por gabinetes de estatais para saber "o que faziam". E o secretário-geral do mesmo partido dirige-se ao diretor de engenharia de Furnas para saber que cargos poderia barganhar politicamente. É tudo estranho, muito estranho, estranhíssimo.

Escrito por Josias de Souza às 17h41

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Enquanto Dimas não chega...

 

 

A noite será longa. Previsto para as 11h, o depoimento de Dimas Toledo, o homem de Furnas, foi adiado para as 16h30. Horário que, de novo, foi descumprido, em função da cerimônia de reabertura do ano legislativo, ainda em curso no plenário da Câmara.

 

Assim, como lenitivo para a sujeira que está por vir, o signatário do blog oferece a seus (poucos) leitores a oportunidade de contemplar a estrela da edição especial da revista Sports Illustrated, dedicada aos trajes de banho.

 

Neste ano, a revista escolheu como modelo a tenista russa María Sharapova. No ranking da ATP, ela figura em quarto lugar. Vendo as fotos, muitos haverão de considerá-la a número 1. Às leitoras, sugiro que reparem nos trajes da jovem. São um luxo. Pressione na imagem para ir até o sítio da revista.

Escrito por Josias de Souza às 16h20

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Líderes do PSDB querem FHC longe da cena eleitoral

Lideranças do PSDB começam a defender internamente a tese de que Fernando Henrique Cardoso passe a ter uma participação mais discreta na cena política. Acham que a superexposição a que o ex-presidente vem se submetendo nas últimas semanas está influindo na recuperação de Lula nas pesquisas.

 

Pelo menos um dos integrantes da cúpula do PSDB defende uma posição ainda mais radical. Acha que a discrição de FHC não bastaria. Acredita que ele ajudaria mais se concordasse em se afastar em definitivo do noticiário, restringindo suas opiniões ao público interno.

 

O tucanato encomendou uma rodada de pesquisas qualitativas para auxiliar na escolha do candidato do PSDB à presidência. Além de buscar dados sobre a imagem dos dois contendores –o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra-, incluíram-se nas sondagens perguntas que permitirão aferir o prestígio de FHC.

 

Começa a se disseminar entre os tucanos a sensação de que, ao radicalizar o debate com o PT, FHC reproduz o ambiente da eleição de 2002. Algo que ajudaria o adversário. Lula foi eleito em 2002, recorda um dos líderes ouvidos pelo blog, justamente porque a sociedade buscava algo diferente de FHC.

 

Desgastado à época pelos efeitos do poder longevo –estava à frente do governo havia oito anos-, FHC chegou a ser considerado em 2002 como uma influência negativa para a campanha de José Serra, candidato derrotado por Lula em segundo turno.

 

FHC vem pontificando no noticiário com expressões fortes. Numa oportunidade, aconselhou aos seus companheiros de partido que chamassem o PT “para a briga”. Noutra, disse que “a ética do PT é roubar”.

 

Na opinião de uma parte da cúpula do PSDB, o timbre agressivo teria passado à opinião pública a impressão de que, a exemplo do que ocorreu em 2002, a eleição de 2006 reproduziria o embate FHC X Lula. O que seria um erro estratégico.

 

Para os críticos da efervescência discursiva do ex-presidente, o partido precisa virar a página da era FHC. Defendem que, sem abandonar a linha do ataque aos erros do governo Lula, o partido passe a centrar o discurso de campanha numa plataforma propositiva, escorada no desenvolvimento econômico.

 

Os mesmos críticos acham que FHC erra também ao promover articulações políticas à margem da direção formal do partido. Causou irritação no partido notícia divulgada aqui a respeito de encontro com um líder do PMDB, no qual FHC ofereceu a vaga de vice na chapa tucana. Uma vaga que já está prometida ao PFL.

 

Pressionado pelos colegas, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), deve assumir a dianteira das articulações nas próximas semanas. Até sexta-feira, Tasso vai comunicar formalmente a Alckmin e Serra a decisão de antecipar a definição do candidato do partido às eleições presidenciais. A data limite, conforme foi noticiado aqui, é 10 de março.

Escrito por Josias de Souza às 14h37

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Família de Delcídio ameaçada por carta

O telefone despertou o senador Delcídio Amaral (PT-MS) bem cedo nesta quarta-feira. Tocou por volta das 6h30. Era a mulher dele, chamando de Campo Grande. Apressou-se em comunicar-lhe sobre um envelope que acabara de encontrar na caixa de Correio. Continha ameaças à integridade física da família.

 

Pai de três filhos, Delcídio mandou reforçar a segurança de sua residência. O conteúdo da carta revela que o autor conhece detalhes da rotina da família. O texto, escrito em computador, tem erros de português e palavrões.

 

Para Delcídio, a ameaça não está relacionada à sua atividade como presidente da CPI dos Correios. Acredita que a motivação é política e tem inspiração local. O senador oficializou no último final de semana sua candidatura ao governo de Mato Grosso do Sul. E não se mostra disposto a recuar: “É uma coisa suja, nojenta, mas eu vou enfrentar.”

Escrito por Josias de Souza às 13h18

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Bomba bêbada

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 07h35

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As manchetes desta quarta

 - JB: Juros e tarifas - Bancos lucram sete vezes mais que a inflação

- Folha: Convocação acaba sem votar cassações e Orçamento 2006

- Estadão: Pesquisa mostra recuperação de Lula; oposição fala em fraude

- Globo: Rio cobra do governo federal verba contra desabamentos

- Correio: Orçamento contempla reajuste de servidor

Leia os destaques de capa dos jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h29

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Ecos da pesquisa

Embora esteja dando saltos de satisfação com os resultados da última pesquisa do Instituto Sensus, que o coloca dez pontos percentuais à frente de José Serra, seu principal oponente, Lula recomendou a seus ministros e a lideranças do PT que reajam com humildade. O recado do presidente foi traduzido pelo ministro Jaques Wagner (Coordenação Política).

“Pesquisa boa é sempre recebida com satisfação, mas muita cautela. Àqueles que nos apóiam, eu recomendaria humildade, obstinação e trabalho. Essa é a palavra do presidente Lula. Qualquer prognóstico é precipitado, disse o ministro.”

No ninho tucano, os dois postulantes ao papel de anti-Lula, Serra e Geraldo Alckmin, reagiram de modo distinto. O Prefeito preferiu ironizar um comentário de Lula, feito em discurso na véspera, de que “ninguém vai fazer o PT abaixar a cabeça”:

“Não precisa ninguém mandar o PT abaixar a cabeça. O PT já está de cabeça baixa e, se está, não é porque alguém mandou. Os erros fizeram o PT abaixar a cabeça, muitas vezes de vergonha, disse Serra.”

Quanto ao governador de São Paulo, preferiu festejar os patamares que vem ostentando nas pesquisas –entre 18% e 20%. É “um bom piso para começar”, disse Alckmin. “É preciso usar as sandálias da humildade, sem salto alto, porque já vi muito político calçar salto alto e perder a eleição (...). Recebo com otimismo porque estou fora dos meios de comunicação de massa.”

Escrito por Josias de Souza às 00h07

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Até FHC e Lula admitem caixa dois de Furnas

  Clovis Campos/O Tempo
O caixa dois de Furnas tornou-se um segredo de polichinelo. Entre quatro paredes, longe de câmeras e microfones, onze em cada dez políticos admitem que a estatal despejou verbas clandestinas em campanhas eleitorais. O fato é reconhecido inclusive pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente Lula.

 

Todos duvidam da autenticidade da chamada “lista de Furnas”, aquelas cinco páginas de papel que anotam o nome de 156 políticos supostamente beneficiados com R$ 40 milhões de má origem. Mas ninguém ousa negar que, por trás da lista, esconde-se um conhecido operador de verbas eleitorais espúrias: Dimas Toledo (na foto).

 

Ex-diretor de Furnas, Toledo operou durante o governo de FHC. Herdado pela gestão Lula, continuou operando até meados de 2005. Só foi afastado porque o escândalo do mensalão o arrancou da zona de sombras em que atuava. Sua exposição forçou Lula a demiti-lo.

 

FHC reconheceu a pelo menos dois interlocutores que sabia da atividade coletora desenvolvida por Dimas em Furnas. Revelou que manteve o funcionário na estatal sobretudo graças a pedidos que recebeu de dois políticos mineiros: o governador tucano Aécio Neves e o ex-presidente Itamar Franco. O ex-presidente mencionou na conversa pelo menos mais um nome, o do ex-deputado mineiro Odelmo Leão.

 

Também Lula, em diálogo privado, disse ter recebido no início de sua gestão pressões de Aécio e de Itamar em favor da manutenção de Dimas. Sobrevivente da era tucana, o então diretor de Furnas incluiu na sua agenda nomes de dirigentes do PT. Despachou inúmeras vezes com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, nas dependências de Furnas.

 

Há duas semanas, embalados pela perspectiva de arrastar o tucanato para o centro da crise política, parlamentares petistas pressionaram o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), para pôr em votação um requerimento de convocação de Dimas. Não viam a hora de inquiri-lo sobre a “lista de Furnas.”

 

Delcídio concordou. Mas fez um aviso: “É bom vocês não esquecerem que o cara não operou só para o PSDB. Ele operou para o PT também”, disse Delcídio, segundo apurou o repórter com um dos interlocutores do presidente da CPI.

 

Logo que a “lista de Furnas” ganhou ares de encrenca, um preocupado Aécio Neves procurou Márcio Thomaz Bastos. Queria que o ministro da Justiça, superior hierárquico da Polícia Federal, que investiga o caso, atestasse a falsidade da lista. Depois, Aécio disse a colegas de partido que Bastos lhe dissera que a lista era mesmo falsa.

 

O ministro conta outra história. Disse, em diálogo com um colega de ministério, que apenas procurou tranqüilizar Aécio. Afirmou ao governador que, pessoalmente, até achava que o papelório poderia ser falso. Mas não poderia dizer nada conclusivo até que as investigações fossem concluídas.

 

Nos gabinetes do Congresso, o caixa dois de Furnas virou tema obrigatório. Em encontro com colegas de partido, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse, por exemplo, que não há dúvida de que a estatal foi convertida num centro de coleta de fundos partidários. Sustenta, porém, que a “lista de Furnas”, com seus 156 nomes, é falsa. “Os culpados não passam de quatro ou cinco”, diz ACM.  

 

O repórter conversou com uma autoridade da PF diretamente envolvida na apuração de Furnas. Contou que, a essa altura, a veracidade da lista importa menos do que se imagina. O documento de autenticidade duvidosa está sendo periciado. Porém, independentemente de ser autêntico ou da falso, a polícia julga já ter colecionado indícios veementes de que, sob Furnas, praticaram-se crimes que, por ora, todos negam.

Escrito por Josias de Souza às 22h05

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Esquema sobreviveu à transição política

  Lula Marques/F.Imagem
Na semana passada, em entrevista ao blog, o deputado cassado Roberto Jefferson, único a admitir publicamente a existência de perversões em Furnas, explicou como Dimas Toledo conseguiu sobreviver à transição do governo FHC para a gestão Lula. O caixa dois da estatal, com potencial de arrecadação de “R$ 4 milhões mensais”, foi herdado pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, disse Jefferson.

 

O ex-deputado revelou que o esquema beneficiava inclusive um contingente conhecido como “Grupo dos 12”. Era integrado por congressistas do PSDB que, na troca de governo, bandearam-se para a base de apoio da administração do PT. Jefferson mencionou três nomes: Luiz Pihayilino (PE), Osmânio Pereira (MG) e Salvador Zimbaudi (SP). Os três eram, de fato, do PSDB. Hoje, encontram-se filiados respectivamente ao PDT, PTB e PSB.

 

A esse respeito, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (na foto), contou ao blog o seguinte: nos primeiros meses de 2003, no limiar do governo Lula, reuniu-se em seu gabinete com um grupo de parlamentares tucanos que ameaçava abrir uma dissidência pró-Lula no seio do tucanato. Entre eles Pihauylino, Pereira e Zimbaudi.

 

Na reunião com Virgílio, os tucanos rebeldes mencionaram explicitamente o interesse por Furnas e o nome de José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Com uma ponta de ironia, Virgílio disse que entendia “o espírito patriótico” dos colegas em relação a Furnas. Mas avisou que o PSDB não admitiria o convívio com uma ala dissidente.

 

Virgílio mostrou ao grupo a porta de saída do partido. “Dissidência vocês não vão abrir. Antes disso, o partido os expulsa. Embora compreenda o interesse patriótico de vocês, recomendo que deixem o partido.”

 

Depois do encontro, Virgílio subiu à tribuna do Senado. Disse, em discurso arquivado nos anais do Senado, que Dirceu prestava um serviço ao PSDB. Livre de suas “gorduras”, o partido ficaria mais “rijo” e “combativo”. Mas aconselhou o então ministro a retirar “suas patas de cima do PSDB.”

 

De fato, o PSDB não tardou a sentir os efeitos da lipoaspiração partidária. Embora apelidado de “Grupo dos 12”, o contingente rebelde revelou-se maior. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), contabiliza a saída não de uma dúzia, mas de “mais ou menos 20” parlamentares.

 

Nesta quarta-feira, Dimas Toledo prestará o ansiado depoimento à CPI dos Correios. Inquirido por oposicionistas e por governistas, repetirá o que disse em interrogatório da Polícia Federal: a “lista de Furnas” é falsa; conhece cerca de 30 políticos de vários partidos, mas jamais operou caixa dois eleitoral. Muitos dos ouvintes simularão  credulidade. No fundo, porém, todo o Congresso sabe que algo de muito irregular se passou em Furnas nos últimos anos.

 

Para piorar a situação, Dimas obteve nesta terça-feira no STF liminar que llhe dá o direito de permanecer calado na CPI (leia notícia abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 22h02

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STF autoriza Dimas a calar na CPI

  STF
Dimas Toledo, o ex-diretor de Furnas que depõe nesta quarta-feira na CPI dos Correios, ganhou ontem do STF uma liminar que lhe dá o direito de calar diante de perguntas que possam incriminá-lo. Ele já não estava disposto a dizer muito coisa. Agora, então...

 

Relator  do processo, o ministro Joaquim Barbosa (na foto) anota em sua decisão que Dimas já está sendo investigado pela Polícia Federal. E o Supremo, lembra ele, vem concedendo liminares para reconhecer o direito das pessoas de não se  auto-incriminar.

 

"Nessa medida”, escreveu o ministro, “entendo que o paciente poderá invocar a garantia contra a auto-incriminação para não prejudicar sua defesa em eventual ação penal resultante do inquérito mencionado." Pressione aqui para ler a íntegra da decisão do ministro.

Também nesta terça-feira, a CPI dos Correios esquivou-se, uma vez mais, de marcar o depoimento do lobista mineiro Nilton Monteiro. É ele o responsável pela divulgação da "lista de Furnas". Entregou cópias à Polícia Federal e políticos do PT de Minas. Embora seja um personagem controvertido, Monteiro teve, sob Dimas Toledo, trânsito em Furnas.

A PF trata as afirmações do lobista com um pé atrás. Dispensa a ele um tratamento de "cachorrinho". É como são chamados, na gíria policial, os informantes que, embora ostentem uma reputação duvidosa e façam acusações com interesses particulares, parecem dispor de dados que, se investigados sob coleira aperta e guia curta, podem conduzir à verdade. Ou a parte dela.

Em declarações públicas, Nilton Toledo diz e repete que deseja depor na CPI. Alega que tem informações relevantes a prestar. Já se dispôs inclusive a participar de uma acareação com Dimas Toledo. Porém, PSDB e PFL alegam que, por suspeito, o lobista não teria credibilidade para ser inquirido pelos congressistas.

O argumento é frágil. As CPIs já ouviram até criminosos sentenciados. Mas a oposição ameaça convocar o ministro da Marcio Thomaz Bastos (Justiça) se os governistas insistirem em acomodar Nilton Monteiro no banco de testemunhas da CPI dos Correios. Algo que, conforme já divulgado aqui, o governo fará tudo para evitar

Em meio à polêmica, vai-se adiando a inquirição de uma testemunha cuja convocação já foi inclusive aprovada pela comissão. Só falta marcar a data.

Escrito por Josias de Souza às 21h42

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Críticas levam governo a mudar projeto do grampo

A má repercussão do projeto que reformula a legislação do grampo telefônico, divulgado aqui, fez com que o governo reformulasse a proposta. Um dos pontos mais polêmicos foi extirpado do projeto (na Folha, para assinantes).

 

O texto original previa a punição de jornalistas que divulgassem o conteúdo de grampos, mesmo os autorizados judicialmente. Estipulava penas de um a três anos de prisão, além de multa.


Vista como uma providência que cercearia a liberdade de imprensa no país, a pena de prisão foi retirada do projeto, em fase final de elaboração. Foi o que informou nesta segunda-feira o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).

 

Questionado depois de uma palestra a estudantes da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) acerca de um eventual retorno à censura, o ministro disse: "De jeito nenhum (...). A censura é um mal terrível, é proibida constitucionalmente."


Bastos continua achando que os jornalistas devem ser responsabilizados por eventuais abusos que cometerem. Mas diz que a coisa deve se dar de modo "civilizado", depois da divulgação da reportagem.

 

O governo pretendia enviar o projeto do grampo ao Congresso ainda em fevereiro. Porém, em função das alterações que estão sendo feitas, o texto só será submetido à apreciação dos congressistas em março. Não se sabe, por ora, se as críticas formuladas pelo Ministério Público, também reveladas aqui, produziram outras modificações no texto original.

Escrito por Josias de Souza às 17h57

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(In)coerência à moda tucana

Em Brasília, o tucanato queixa-se de que Lula está usando a máquina pública em benefício eleitoral. O PSDB protocola na Justiça eleitoral uma representação atrás da outra contra o suposto abuso do presidente da República.

 

Pois em São Paulo, a ética tucana parece escorar-se em valores distintos daqueles entoados em Brasília. É o que se depreende do texto produzido pelo repórter Fabio Schivartche (na Folha, para assinantes):

 

“Um ônibus da Prefeitura de São Paulo foi utilizado na tarde de ontem (segunda-feira) para transportar moradores da zona leste da cidade para um evento público do prefeito José Serra -cotado para disputar a Presidência da República pelo PSDB na eleição de outubro.

O evento era uma pré-inauguração, segundo palavras do próprio prefeito, e as pessoas foram trazidas pela Subprefeitura de Itaquera de um posto de assistência social para aplaudir e engrossar o coro de agradecimentos a Serra.


Em meio a faixas confeccionadas por entidades de bairro e ao som de uma fanfarra organizada pela obra social Dom Bosco, que tem convênios com a gestão tucana, esses moradores ovacionaram o prefeito diversas vezes, antes, durante e depois de seu discurso.

A Folha entrevistou três pessoas desse grupo, que optaram por não informar seus nomes. Uma dona-de-casa que levava seu filho de dois anos no colo disse que estava no posto da prefeitura para retirar leite em pó quando foi abordada por funcionários.
Eles a convidaram a participar do evento e ofereceram condução no ônibus oficial da subprefeitura, com placas BYG 0688.

Um homem que também estava no posto da prefeitura diz que lhe ofereceram uma cesta básica para ir ao evento. Uma outra mulher disse que nem sabia para onde estava sendo levada. Mas que aceitou entrar na condução após insistentes pedidos dos servidores do posto da prefeitura.

Na noite de ontem, a assessoria do prefeito afirmou que ele se mostrou surpreso com o uso de um veículo oficial para transportar pessoas para o evento e que isso não condiz com a prática de sua administração (...).”

 

Surpreso? Então, tá! O contribuinte aguarda pelas providências de Serra contra os responsáveis pelos descalabros que tanta surpresa lhe causaram.

Escrito por Josias de Souza às 17h26

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Pesquisa faz PSDB apressar escolha do anti-Lula

Sob o impacto da última pesquisa do Instituto Sensus, que indica uma vitória de Lula (47,6%) sobre José Serra (37,6%) no segundo turno da eleição presidencial, consolidou entre integrantes da cúpula do PSDB a conclusão de que o partido precisa abreviar a definição do nome de seu candidato oficial. Caminha-se para um consenso em torno do dia 10 de março como prazo limite para a escolha.

 

O tucanato avalia que o prolongamento da disputa interna entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra favorece Lula, que estaria fazendo campanha sozinho. Na opinião dos líderes tucanos, embora Lula não tenha reconhecido formalmente que disputará a reeleição, ninguém tem dúvidas quanto à sua condição de candidato. O PT não dispõe de nome alternativo.

 

Enquanto isso, o PSDB perde-se numa renhida disputa entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra. A divisão, concluiu o grão-tucanato serve ao jogo do adversário. Daí a necessidade de pôr um ponto final na disputa.

 

A pressa conspira contra os interesses de Geraldo Alckmin. Foram por terra as pressões do governador em favor da realização de prévias. Caminha-se mesmo para uma decisão de cúpula, na qual a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso será decisiva.

 

Para aplacar os ânimos de Alckmin, a direção do PSDB argumenta que, ainda que informalmente, as principais instâncias partidárias estão sendo ouvidas –dos governadores às bancadas no Congresso. Ou seja, tenta-se fazer valer a falsa impressão de que a escolha não levará em conta apenas os dados das pesquisas.

 

Exceto pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que, mesmo privadamente, diz estar em dúvida, a direção do partido pende majoritariamente para Serra. FHC afirma que o partido não pode entrar na disputa eleitoral senão para vencer. “Quero um nome que derrote o Lula”, diz ele, insinuando que o tal nome seria Serra.

 

O que mais chamou a atenção dos tucanos na pesquisa Sensus, feita sob encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), foi a possibilidade de uma vitória de Lula ainda no primeiro turno caso o candidato do PSDB seja Alckmin. Se a opção por Serra já não oferece a segurança de vitória, a escolha de Alckmin apresenta-se, na conjuntura atual, como um temerário flerte com a derrota.

 

Na simulação em que o anti-Lula é Alckmin, o candidato do PT obtém 42,2% das intenções de voto. Somando-se os votos de dos adversários –Alckmin (17,4%), Antony Garotinho (14,4%) e Heloísa Helena (5,1%)-, chega-se a 36,9%. Como os votos brancos e nulos são desprezados no cômputo final, Lula amealharia votos suficientes para ultrapassar a barreira dos 50% mais um de votos necessários para liquidar a fatura no primeiro turno.

Os dados reforçam a tendência em favor do prefeito de São Paulo. Há um único e decisivo problema. Serra sinaliza que só deixará a prefeitura se for ungido pelo partido. O que implicaria o reconhecimento por parte de Alckmin de que ele é o melhor candidato. Algo que, por ora, o governador não parece disposto a admitir.

Pressione AQUI para ter acesso ao relatório com todos os dados da pesquisa CNT-Sensus.

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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As manchetes desta terça

 

- JB: Aniversário do PT - Lula festeja com os pecadores

- Folha: Álcool sobe apesar de acordo com usineiros

- Estadão: Dólar é o mais baixo desde 2001

- Globo: Efeito Morales deixa o gás mais caro para brasileiros

- Correio: Arrastão varre Câmara e STF contra nepotismo

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Porrada de primeiro mundo

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Lobista de Furnas quer acareação com Dimas

Bestgraph
A CPI dos Correios ainda não decidiu se vai ou não ouvi-lo, mas o lobista mineiro Nilton Monteiro não vê a hora de falar sobre o seu assunto preferido: a “lista de Furnas”. Responsável pela divulgação da lista, cuja autenticidade a Polícia Federal tenta comprovar, Monteiro se oferece inclusive para ser acareado com Dimas Toledo, o ex-diretor de Furnas que teria gerido um caixa dois de notáveis R$ 40 milhões nas eleições de 2002.

“Quero ir à CPI e falar tudo. Se quiserem, vou para uma acareação”, disse o lobista. Se a CPI tiver interesse e paciência para dar-lhe ouvidos, Monteiro diz ter muito a dizer. Jura que dispõe de informações sobre malfeitorias tais como tráfico de influência, fraude em licitações e transações suspeitas com corretoras. A CPI só não ouve o sujeito se não quiser.

Escrito por Josias de Souza às 23h57

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Lula pede ao PT que tenha "vontade de brigar"

José Cruz/ABr
 

 

Comparando-se a Juscelino Kubitschek, “hoje reconhecido”, mas que já “sofreu duas tentativas de golpe e duas tentativas de cassação”, Lula disse há pouco: “Eu adoro adversidade, adoro debate, adoro disputa. Por isso não precisamos ter pressa.”

 

Discursando durante o jantar em comemoração aos 26 anos do PT, em Brasília, o presidente disse o que espera dos militantes do partido: “Nada de tristeza, nada de euforia, mas nada de pessimismo. Maturidade política, bom senso e vontade de brigar. É o que não pode faltar a um petista nesse momento histórico”.

 

Lula reafirmou sua intenção de adiar ao máximo o anúncio da candidatura à reeleição. Com um sorriso nos lábios, disse que o PT “não tem por que decidir se vai ter candidato agora ou não.” Ele acrescentou:

 

“Não posso deixar de governar para entrar numa campanha porque os adversários querem que eu entre na campanha. Vou governar até o limite da lei. Vou viajar esse país. Fui eleito para fazer o que estou fazendo. E vou fazer. Não espero reconhecimento dos meus adversários. Até porque eles não esperavam o meu reconhecimento quando governaram (...). Todo mundo sabe como é a história brasileira. Não é feita de pétalas de rosas.” 

O presidente arrancou risos da platéia, composta por cerca de 1.000 pessoas, ao reproduzir uma frase que dissera ao presidente do PT, Ricardo Berzoini: “Eu disse pro Berzoini: ‘Se vocês tiverem a necessidade de apresentar algum candidato apresentem. O que não posso é priorizar a campanha. Tenho que priorizar o meu governo, porque foi por isso que eu cheguei aqui. O PT tem todo tempo do mundo.”

Referindo-se às acusações que pesam contra o PT e o governo, Lula admitiu a existência de equívocos. Sem mencioná-los, disse que “pedir desculpas é uma grandeza, não é uma fraqueza. Sobretudo quando a gente pede desculpas para o povo e para os nossos entes queridos, para a nossa companheira e o nosso companheiro de partido.”

 

Numa referência indireta aos deputados petistas acusados de envolvimento no escândalo do mensalão, Lula disse que não se deve “execrar aqueles que erraram. Há grupos que erraram antes. E você só tropeça se der um passo. Se ficar parado pode morrer parado.” "Errar", disse o presidente, "é humano."

 

“Já cometemos erros e muitos acertos. Os acertos não são lembrados, os erros são. Tudo isso não pode permitir que a gente tenha dúvida de onde partimos, de onde estamos e de onde precisamos chegar,” acrescentou Lula. “Imagine se o mar não tivesse marola, se não tivesse ondas, seria uma tranqüilidade, mas seria tão chato que ninguém agüentaria ficar na praia por mais de 20 minutos.”

 

Sem mencionar o nome de FHC, Lula alfinetou o antecessor: “Nos governamos esse país há 37 meses, contra 500 anos que os outros governaram. E isso causa inquietações. Em nós, porque muitas vezes temos expectativas que nós mesmos sabemos que não podem ser cumpridas no curto prazo, e nos outros porque sabem que, por menos que a gente faça, vamos fazer muito mais do que eles fizeram na história desse país.”

 

Lula referiu-se ao PT como um “partido maduro que, aos de 26 anos, não teve tempo de ser adolescente. Viramos adultos precocemente. Na história do Brasil, nenhum partido conseguiu dar os passos com a pressa que demos. Com apenas nove anos de idade, esse partido quase ganha a presidência em 1989. Éramos um menino prodígio.”

 

Logo depois de discursar, Lula deixou o jantar, que se realiza na Associação Atlética do Banco do Brasil. O presidente foi tratado como candidato. Sua fala foi seguidamente interrompida por aplausos. Num dado momento, foi saudado com um refrão de campanhas passadas: "Olê, olê, olê, olááááá, Lula, Lulaaaa...", gritou a platéia, para deleite do candidato não-declarado à reeleição.  

Escrito por Josias de Souza às 22h10

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Lula ultrapassa Serra, indica pesquisa

Não é só a toada do Casa De Farinha, grupo independente de Brasília, que embala a festa de aniversário do PT, iniciada há pouco. Transmitida de boca em boca entre os cerca de 1.000 petistas presentes, uma notícia soa como música aos ouvidos presentes. Lula ultrapassou José Serra em pesquisa eleitoral, eis a novidade da noite.

 

Pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes), apontaria vantagem de 10 pontos percentuais de Lula  sobre Serra na preferência do eleitorado. Na sondagem anterior, Lula perdia para Serra no segundo turno. Apareceria agora na frente. Os dados serão divulgados às 11h desta terça.

 

O jornalista Alon Feuerwerker antecipa os números em seu blog. Lula cresceu 14 pontos percentuais em relação à última pesquisa Sensus. Se a eleição fosse hoje, o presidente seria reeleito com 47,6% dos votos, contra 37,6% atribuídos a Serra.

 

“Isso mostra que o presidente tem musculatura e é um forte candidato. A pesquisa confirma a tendência que vinha desde o Ibope", disse o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política), um dos petistas presentes ao jantar em comemoração aos 26 anos do PT.

 

Embalado pela nova pesquisa, o jantar do PT vai se transformando em ato de pré-lançamento da campanha à reeleição de Lula. Ao chegar à festa, há pouco, o presidente viu-se forçado a cumprimentar quatro deputados "mensaleiros": Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Mentor e Paulo Rocha. O ex-ministro José Dirceu, um dos fundadores da legenda, preferiu não dar as caras. 

Escrito por Josias de Souza às 21h26

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PT em dia de festa

O PT comemora nesta segunda-feira o seu aniversário de 26 anos, completados na última sexta-feira. Será durante um jantar na Associação Atlética do Banco do Brasil, em Brasília. Além do repasto, os comensais serão brindados com discursos de Lula e Ricardo Berzoini, presidente do PT.

 

Os festejos têm tudo para se transformar num ato pró-reeleição. Lideranças do partido, entre elas o ministro Antonio Palocci (Fazenda), pressionaram Lula para que assumisse, de uma vez por todas, sua candidatura à reeleição. Mas o presidente fez ouvidos de mercador. Acha que a melhor hora é lá para junho. “Quem tem pressa é a oposição”, diz Lula.

 

Participarão do jantar cerca de 1.000 petistas. Compraram o assento à mesa por valores que variaram de R$ 200 a R$ 5 mil. A festa começa às 20h. Será embalada ao som de um grupo musical de Brasília, o “Casa de Farinha”.

 

Para tentar empanar a festa, a liderança do PSDB no Senado divulgou uma nota oficial. No texto, sugere que o 13 de fevereiro seja transformado em “Dia Nacional da Impunidade”. Pressione AQUI para ler a integra da nota tucana.

Escrito por Josias de Souza às 16h59

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Renan: PMDB não indicará vice de ninguém

  Sérgio Lima/Folha
Governista de quatro costados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) disse nesta segunda-feira que o PMDB não está aberto a composições com outros partidos na eleição de 2006. A legenda trabalharia com cenário de uma nota só: o lançamento de candidatura própria. O candidato será escolhido em 19 de março, nas prévias que marcarão o confronto entre Germano Rigoto e Antony Garotinho.

 

"Falam no PMDB indicar um vice. Isso não existe nem em relação ao PT nem ao PSDB. O PMDB administra cenário único de candidatura própria. Fora disso é só especulação", disse Renan.

 

A sinceridade das palavras de Renan não é comprada nem mesmo por seus correlegionários. O PMDB, como se sabe, faz jus ao vocábulo “partido”. Encontra-se cindido em pelo menos dois pedaços. A ala lulista, representada pelo próprio Renan e pelo senador José Sarney (PMDB-AP), e a ala pseudo-independente, capitaneada por Michel Themer, presidente da legenda.

 

Se dependesse de Renan e Sarney, o PMDB já estaria no colo de Lula há tempos. Na semana passada, o Renan disse a um deputado a seguinte frase: “Se o Lula continuar crescendo (nas pesquisas) essa história de candidatura própria será implodida.”

 

Farejando os riscos de um acerto com Lula ainda no primeiro turno, o PSDB entrou na briga. Conforme já noticiado aqui, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso convidou para uma conversa em seu apartamento uma liderança de primeira grandeza do PMDB.

 

FHC sondou o interlocutor sobre a possibilidade de o PMDB indicar o candidato a vice na chapa tucana. Diante de uma resposta negativa, o ex-presidente abriu caminho para uma composição no segundo turno. Tudo isso, a despeito de o PFL já estar preparando as malas para desembarcar na chapa presidencial do PSDB.

Escrito por Josias de Souza às 16h06

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Berzoini: Serra terá de se explicar à sociedade

O deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, disse que o prefeito paulistano José Serra terá de se explicar à sociedade caso venha a deixar o cargo de prefeito para candidatar-se à presidência da República pelo PSDB. A declaração foi feita em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Foi gravado na manhã desta segunda-feira e vai ao ar logo mais às 22h30.

 

Na saída do programa, falando a jornalistas que assistiam à gravação como convidados, Berzoini explicou-se melhor. Disse que Serra será cobrado por ter descumprido a promessa, feita em documento escrito, de permanecer na prefeitura até o último dia do mandato. 

 

“Evidentemente, isso será um fato político”, afirmou Berzoini. “E não será sequer o PT que vai cobrar. A própria opinião pública vai cobrar, porque a palavra é algo muito valorizado hoje, não só hoje, mas de maneira geral, em relação aos políticos. Portanto, qualquer tipo de incoerência pode ser cobrado.”

 

O que Berzoini não sabe é que Serra traz a resposta na ponta da língua. O grão-petista Antonio Palocci, eleito prefeito de Ribeirão Preto, registrou em cartório um documento em que jurava que cumpriria todo o mandato. Guindado à presidência da República, Lula convidou-o a ocupar a pasta da Fazenda. E Palocci rasgou o compromisso, assim como Serra está a um passo de fazer. Leia abaixo algo do que disse Berzoini no Roda Viva:

 

- O PT está preparado para perder? “Eleições, alguns vencem e outros perdem. O PT tem que estar preparado (...). O fato de nós termos essa consciência e essa seriedade não quer dizer que o PT não seja um partido competitivo.”

 

- O PT deu a volta por cima? “Conseguimos superar essa crise, não sem arranhões e feridas.

 

- Como o partido enfrentará as acusações na campanha? “Há um debate na ética. Queremos debater e também comparar.”

 

- A corrupção no governo é sistêmica? “Não há um sistema de corrupção no governo federal. Há focos, que devem ser tratados com responsabilidade.”

 

- O mensalão existiu? “Os problemas que ocorreram foram identificados. Em relação ao mensalão, a denúncia colocada por (Roberto) Jefferson não foi comprovada.”

 

Berzoini também reafirmou que o PT vai mesmo processar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por ter declarado que “a ética do PT é roubar”. A frase, disse Berzoini, ofendeu a “pessoas honestas”. Referia-se aos militantes do PT que não participaram dos erros cometidos por “diversos membros” do partido.

 

Há uma semana, em entrevista ao próprio Roda Viva, FHC dissera que, uma vez processado, vai requerer à Justiça a “exceção da verdade”, instrumento jurídico que permite a alguém acusado de injúria e difamação provar que aquilo que disse é a expressão da verdade.

Escrito por Josias de Souza às 15h32

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Jefferson quer de volta a presidência do PTB

O deputado cassado Roberto Jefferson quer retomar o controle formal do PTB. Sem alarde, ele protocolou no STF uma ação em que pede a anulação do processo que resultou na cassação do seu mandato. Interpretação do TSE sustenta que pessoas com os direitos políticos cassados não podem exercer a presidência  de partidos.

 

“Se eu recuperar os direitos políticos, quero voltar a presidir o meu partido”, contou Jefferson ao blog. Licenciado da presidência do PTB graças ao escândalo do mensalão, o ex-deputado ainda exerce forte influência sobre a executiva petebista, composta por ele. Mas deseja reassumir formalmente a direção partidária.

 

Jefferson já havia recorrido ao STF. No entanto, retirou a ação, dando a impressão de que houvesse desistido do processo. Em dezembro, durante o recesso do Judiciário, ele voltou a apresentar o mesmo recurso ao Supremo.

 

O ex-deputado explica assim o vaivém: “Quando entrei pela primeira vez no Supremo, o recurso caiu na mão do ministro (Carlos) Veloso, que estava para se aposentar. Se eu mantivesse com ele, teria de esperar pelo substituto dele. E o processo só seria redistribuído lá para junho. Por isso retirei. Depois, entrei de novo. Agora o processo caiu na mão do ministro (Cezar) Peluso. Vai andar mais rápido.”

 

De fato, Peluso já requisitou informações ao Congresso para instruir o processo de Jefferson. Obteve reposta da Mesa da Câmara. Aguarda os dados de outras duas instâncias do Legislativo: o Conselho de Ética e a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

 

Jefferson tem pressa. Espera que a decisão de Peluso saia até março. Jura que não deseja reassumir a cadeira na Câmara: “Se vencer no Supremo, vou ao plenário agradeço e renuncio. Rompi com a Casa e a Casa rompeu comigo. Não quero impor a minha presença a ninguém nem quero conviver com certas pessoas.”

 

Assegura também que seu objetivo não é concorrer de novo à Câmara nas próximas eleições: “Não volto para o Congresso nem morto. Naquele dia a dia de Câmara, sob essa patrulha intensa, você ganha dez mil réis de salário e passa por vagabundo nacional. Não quero mais isso. Não agüentaria mais ficar tomando medida provisória na cara. Nem legislar os deputados legislam. Viraram homologadores da vontade do Executivo. Deixo a Câmara para a minha filha, Cristiane, que será candidata a deputada.”

 

No recurso ao STF Jefferson argumenta que teve o seu direito de defesa cerceado. Diz que, depois de acusá-lo de ter mentido sobre o mensalão, o relator de seu processo no Conselho de Ética, Jairo Carneiro (PFL-BA), aditou em plenário a acusação de que recebera R$ 4 milhões do valerioduto em nome do PTB. “Não tive a oportunidade de me defender sobre isso. Esses julgamentos no Legislativo são maleáveis, mas não pode chegar a tanto”, diz Jefferson.

 

Reassumindo ou não a direção do PTB, Jefferson planeja influir no debate que vem sendo travado no interior da legenda sobre a conveniência de firmar nova aliança com Lula na campanha de 2006. O ex-deputado diverge do ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), que se declara favorável à coligação com o presidente.

 

“Não creio que tenhamos que definir isso agora”, diz Jefferson. “Ou então eu não sei mais o que é política. Tenho visto que o mercado financeiro quer polarizar de novo as suas duas mãos, a mão direita e a mão esquerda. Os bancos querem São Paulo versos São Bernardo outra vez. Lula e (José) Serra. Vão querer fazer o jogo em casa, dentro dos bancos outra vez? Querem preservar o cofre? Não vai dar. Pode surgir uma terceira via. Se o PMDB fechar em torno de uma candidatura, vai dar trabalho.”

 

Na opinião de Jefferson, “se o Walfrido for o vice (de Lula) aí o argumento pela aliança é muito forte. Mas se o vice for outro, a luta dentro do partido vai ser muito grande. Talvez a gente fique numa posição independente”, ele aposta.

Escrito por Josias de Souza às 11h37

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Lula Kubitschek da Silva

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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As manchetes desta segunda

 

- JB: Real rende mais dólares no caixa dos bancos

- Folha: Lula privilegia petistas com verbas

- Estadão: Lula pede mudanças nas decisões da OMC

- Globo: Déficit da Previdência na década é de R$ 1 tri

- Correio: Tributaristas condenam IPTU em condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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A volta dos que não vieram

Termina na quarta-feira a famigerada convocação extraordinária do Congresso. Foi aprovada sobretudo para votar o Orçamento da União e apressar os processos de cassação dos deputados mensaleiros. Não ocorreu nem uma coisa nem outra.

Porém, graças à pressão social a que se viu submetido, o Congresso produziu algo de útil. Destacam-se duas providências: a aprovação do fim do pagamento de salários extras em futuras convocações extraordinárias e a poda do recesso parlamentar de 90 para 55 dias. Não chegam a justificar o gasto de cerca de R$ 100 milhões que o contribuinte teve com a convocação extraordinária. Mas são avanços palpáveis.  

De volta às "atividades normais", os congressistas terão de arregaçar as mangas se quiserem limpar a pauta antes de mergulhar de vez na campanha eleitoral. Além do trabalho atrasado, a pauta de votações inclui tópicos da relevância da fixação do novo salário mínimo, a correção da tabela do impostos de renda.

Escrito por Josias de Souza às 00h21

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Governo age para evitar convocação de Bastos

O governo vai deflagrar nesta segunda-feira uma operação para tentar evitar que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) seja convocado a prestar esclarecimentos no Congresso sobre a investigação da “lista de Furnas”. Em telefonema na noite de sábado, Lula determinou, desde a África, que o Planalto mobilize a base governista no Congresso para conter o que chamou de “manobra da oposição.” Lula desembarca em Brasília à 1h10 desta madrugada.

Aquilo que o presidente chama de “manobra” é uma articulação capitaneada por dois partidos: PSDB e PFL. Ameaçam convocar Thomaz Bastos caso a CPI dos Correios insista em chamar para depor o lobista Nilton Monteiro.

Foi Monteiro quem divulgou a “lista de Furnas”, um conjunto de cinco páginas, que traz uma relação de 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). A maioria integrava a base de sustentação do governo FHC. Teriam se beneficiado de repasses de um caixa dois de R$ 40 milhões amealhado junto a fornecedores da estatal Furnas nas eleições de 2002.

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS) revelou a intenção de marcar para esta terça-feira o depoimento do lobista, cuja convocação já foi inclusive aprovada pela comissão. Em conversa com Delcídio, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) avisou: “Não vamos aceitar. Esse Nilton é um escroque. Se insistirem em chamá-lo, teremos de ouvir antes o ministro da Justiça.”

Em reposta, Delcídio argumentou: “Quantos escroques já foram inquiridos na CPI? Quando se trata de investigar o PT, a oposição acha importante convocar os escroques. Contra vocês os escroques não valem?” Delcídio age com cautela. Receia que um embate entre governo e oposição acabe por invializar a aprovação do relatório final da CPI, em março. O receio não é infundado. "Aquilo pode virar uma Bósnia", diz, por exemplo, o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).

No sábado, Delcídio conversou por telefone com Thomaz Bastos. Revelou ao ministro uma impressão pessoal: “Na CPI dos Correios sua convocação não passa. Se for a voto, será rejeitada.” Virgílio diz que, se for assim, o PSDB apresentará um requerimento de convocação do ministro na CPI dos Bingos, onde a oposição seria majoritária.

O governo duvida. O próprio Thomaz Bastos disse a Delcídio que, pelas informações de que dispõe, um requerimento pedindo a sua convocação “não passa nem na CPI dos Bingos.” O ministro conta com amigos na oposição. Entre eles o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Membro da CPI do Fim do Mundo, como o governo se refere à comissão, ACM é contra a convocação.

“O ministro não virá como convocado”, diz ACM. O senador admite, no máximo, que Thomaz Bastos compareça ao plenário do Senado, como “convidado”. Ainda assim, considera essencial que a providência, se adotada, seja “combinada” com o ministro.

A oposição deseja que Thomaz Bastos diga publicamente que a “lista de Furnas” é falsa. Algo que o ministro diz não ter condições de fazer, já que as investigações da Polícia Federal ainda não foram encerradas.

Em viagem do Pará para Brasília, na última sexta-feira, Thomaz Bastos disse a um auxiliar que o acompanhava que não tem “o menor receio” de comparecer ao Congresso. “Sou treinado em debate”, disse ele. O ministro até já esboçou a linha da apresentação que pretende fazer.

Se convocado, dirá aos parlamentares que tem “orgulho” do trabalho que a Polícia Federal vem realizando sob sua gestão. “Vou fazer uma exposição sobre tudo o que a PF fez. Pegou todo mundo: juiz, PFL, PT, PSDB. Nunca me meti no trabalho, embora tenha sofrido enormes pressões. Não seria agora que iria mudar essa conduta”, disse o ministro ao auxiliar que o acompanhava no avião.

Escrito por Josias de Souza às 19h43

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O direito à irreverência

O escritor Mario Vargas Llosa meteu sua colher no angu das charges de Maomé. Ele publica neste domingo um interessante artigo sobre a polêmica. Está nas páginas de opinião do diário espanhol El Pais (para assinantes). Sob o título “O Direito à Irreverência”, Vargas Llosa defende a liberdade de expressão, critica a covardia dos jornalistas ocidentais, a tibieza da União Européia e o silêncio cúmplice dos progressistas.

 

No primeiro parágrafo do artigo, o escritor faz um resumo da gênese da encrenca: “Como um editor dinamarquês não conseguiu ilustradores para um livro infantil dedicado a Maomé, Fleming Rose, editor de Cultura do Jyllands-Posten, importante diário da Dinamarca, suspeitando que entre os artistas gráficos de seu país se praticava a auto-censura, encomendou a um grupo de desenhistas uma série de vinhetas nas quais retrataram a figura de Maomé da melhor forma que lhes pareceu. Entre as 12 vinhetas publicadas pelo diário dinamarquês havia duas particularmente beligerantes: uma mostra Maomé com um turbante em forma de bomba e, em outra, o profeta exorta uma fila de terroristas a pôr fim aos suicídios ‘porque já não há virgens’ no paraíso para premiá-los.”    

 

Vargas Llosa prossegue: “É compreensível que o duvidoso bom gosto dessas sátiras tenha ofendido os crentes de uma religião que, além de ser intolerante como sói acontecer com quase todas, é iconoclasta e considera um sacrilégio a representação em imagem de Maomé, Alá e todos os profetas. Mas ninguém imaginou que o protesto contra aquelas vinhetas satíricas alcançaria as proporções que tiveram em todo o mundo islâmico (...)” 

 

“Há no mundo muçulmano setores suficientemente sensatos para medir a desproporção fragrante entre as vinhetas e a quase declaração de Jihad ou guerra santa contra o Ocidente desatada por aquelas caricaturas?”, pergunta Vargas Llosa. Ele mesmo responde: “Evidente que há, e a melhor e mais valorosa prova disso foi dada, em Amã, pelo muçulmano Yihad Momani, editor do semanário jordaniano Shihan, que se atreveu a reproduzir três das vinhetas blasfemas, para mostrar o excesso da reação contra o que, ao fim e ao cabo, não eram mais que umas figurinhas de estúpido mau gosto.” A ousadia custou caro a Momani. Foi destituído no ato.

 

Em seu texto, Vargas Llosa espanta-se com a submissão da Europa. “Com exceção da França e do Reino Unido, nenhum outro governo europeu mostrou de maneira inequívoca sua solidariedade com a Dinamarca.” Classifica de “patética” a omissão. Algo semelhante ocorreu com os meios de comunicação. Uma dezena de jornais reproduziram as charges em solidariedade ao dinarquês Jyllands-Posten. Vasgas Llosa anota: “Mas, que são poucos são, numa Europa onde milhares de publicações de todas as tendências gozam do privilégio de poder opinar e criticar o que queiram, sem outras limitações senão as que firam o código penal.”

 

O escritor arremata o seu artigo com um lamento: “Quando se pensa que a esquerda esteve na Europa na vanguarda da luta para conseguir aquela liberdade de expressão e crítica que hoje em dia é questionada pelo fanatismo e se compara com a de nossos dias, dá vontade de chorar.”

 

A propósito, mais de 50 mil pessoas foram às ruas neste domingo, na Turquia,  para protestar contra as charges de Maomé.

Escrito por Josias de Souza às 18h14

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PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

Vladimir Palmeira, candidato do PT ao governo do Rio, disse ao blog que foi consultado e aprovou os entendimentos de Lula com Marcelo Crivella (PRB), seu adversário na eleição estadual. Na campanha presidencial, Lula terá “dois palanques” no Estado. Eis a entrevista:  

 

- Quando sua candidatura será oficializada?

Temos convenção em abril. Em novembro, o diretório me lançou por aclamação. Não vai haver problema.

- O acerto de Lula com Marcelo Crivella (PRB) não atrapalha?

Sempre defendemos que a prioridade é a eleição do presidente. Não vemos problema em que ele tenha dois palanques no Rio.

- Não teme a repetição de 98, quando sua candidatura foi vetada?

Não há o menor risco. Em 98, a direção nacional procurava impor uma política de alianças, nos obrigando a ter só uma candidatura no Rio (de Anthony Garotinho, então no PDT). A diferença agora é que é do interesse de Lula que haja mais de um palanque.

- O sr. foi consultado sobre os entendimentos com Crivella?

Fui avisado.

- Quem avisou?

Prefiro não dizer. Fui consultado sobre se haveria problemas. Respondi que não.

- Como se dará essa campanha de duplo palanque?

Não sei. Nunca tivemos essa experiência. Sabemos apenas que o presidente, aqui, vai ter dois palanques. Como vai ser, ainda não discutimos.

- O acerto com Crivella pressupõe compromisso para o segundo turno?

Bom, isso não está acordado.

- Pode vir a ser acordado?

Não sei. Não houve discussão sobre isso. Vamos ver qual vai ser a política de alianças do Lula. Vai depender de arranjos nacionais, que não dependem de nós.

- Como fará para sair das últimas colocações nas pesquisas?

Quando fui convidado para ser candidato, disse que só queria saber de pesquisas em setembro. Sem o horário eleitoral não tem graça. A campanha não começou.

- Como fará para lidar com a exploração da crise nacional do PT?

Se chamado a debater a questão federal, farei com prazer. Não vou negar o óbvio. Houve crise moral no partido? Sim, todo mundo sabe. Houve caixa dois? Claro. Teve problemas graves de corrupção? Claro, tá lá provado. Mas o governo tem que ser julgado pelo conjunto da obra. Lula está senso o melhor presidente dos últimos 50 anos.

- Não receia ser vinculado a José Dirceu, companheiro de  movimento estudantil?

Não tem como. Sempre fomos adversários dentro do PT, a despeito da amizade. Vão fazer um ataque generalizado ao PT. Mas se centrarem o debate nisso, vão perder. No Rio, o que vai definir a eleição é a questão estadual.

- Que proposta tem para a área da segurança?

A sociedade vê a polícia como mais uma quadrilha. Vou limpar a polícia. Não será de forma radical, mas tem que limpar. E vou preparar uma polícia mais centrada na investigação. Hoje, botam a PM para subir o morro, pegam uma maconha, uma pistola velha. E a quadrilha fica lá. Nosso problema é desmontar o governo paralelo exercido por grupos armados que controlam bairros pobres do Rio. Meu compromisso é começar a quebrar a espinha dorsal do crime organizado, para que o Estado volte a ter condições de prestar serviço público.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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Disque Maomé

Angeli
 

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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As manchetes deste domingo

 

- JB: 10 mil homens da Força Nacional chegam para ficar

- Folha: Salário de migrantes supera o de locais

- Estadão: Consumo da classe C cresce 50% em 4 anos

- Globo: Justiça impede o fim do nepotismo no Judiciário

- Correio: No Centro-Oeste, 70% das empresas vão contratar

Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h33

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Indignação seletiva

Indignação seletiva

No Planalto

Stephen Dedalus, do Joyce, disse: "A História é um pesadelo do qual eu estou tentando acordar." O brasileiro poderia dizer algo semelhante. O Brasil, não é de hoje,  tornou-se um pesadelo perene, do qual vem sendo impossível despertar.

O sono anda tão conturbado que se passou a adotar o princípio da indignação seletiva. Em meio a tantos escândalos, uns se sucedendo aos outros, o país relega a um plano secundário as perversões supostamente “menores”.

Foi o que aconteceu na semana passada com um episódio envolvendo o deputado Inocêncio Oliveira (PMDB-PE). Em julgamento realizado na última terça-feira, o TRT do Maranhão condenou-o a indenizar 53 trabalhadores mantidos numa fazenda de sua propriedade em condições análogas à de escravos.

Embora bombástico, o episódio teve repercussão de traque. A imprensa o noticiou burocraticamente. E foi cuidar de outros escárnios. Inocêncio continuou deslizando os sapatos pelos corredores da Câmara como se nada tivesse acontecido.   

O episódio demonstra os perigos a que está sujeita uma sociedade imersa em pesadelo eterno. Súbito, o país se descobre em estágio de abulia profunda. O anormal vai ganhando ares de hedionda normalidade.

Inocêncio não é um qualquer. Tem assento na mesa diretora da Câmara, Casa que já presidiu. Sob FHC, chegou mesmo a responder interinamente pela presidência da República, na qualidade de substituto constitucional, por nove vezes entre 93 e 94.

A senzala de Inocêncio foi estourada em 2002, numa visita de fiscais do Trabalho à fazenda Caraíbas, que o deputado mantinha nos fundões do Maranhão. Francisco Dornelles (PFL-RJ), ministro do Trabalho de então, apressou-se em esclarecer que não havia “elementos que caracterizassem a existência de trabalho escravo” na Caraíbas.

Inocêncio disse à época que, "como em toda fazenda da região e do Brasil", os serviços temporários são gerenciados por um "gato", que contrata mão de obra avulsa. "Não tenho relação com esse processo", disse. Ou seja, o deputado estava para a senzala de sua fazenda assim como Lula está para o descalabro do mensalão.

Inocêncio desfez-se da propriedade. E o Brasil foi descascar outros escândalos. Num país em que dois empregados de uma fazenda de FHC só tiveram a carteira assinada no dia seguinte ao lançamento de sua candidatura à Presidência, em 1994, aquele era um deslize menor.

O diabo é que a Justiça continuou debruçada sobre a encrenca. Inocêncio foi condenado em primeira e segunda instância. Não contasse agora com o benefício da indignação seletiva, o deputado estaria padecendo o seu pelourinho particular.

Fica-se a imaginar o que seria do Brasil se o brasileiro tivesse voz, se pudesse protestar contra o que lhe fazem, se tivesse acesso à tribuna da Câmara para pronunciar discursos indignados acerca das mentiras que lhe dizem, se dispusesse de canais para reclamar tudo que lhe vem sendo negado. Se o brasileiro não estivesse condenado ao silêncio, esse país decerto seria bem menos “Inocêncio”.

Escrito por Josias de Souza às 02h13

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Todos querem a mão do PMDB

O PMDB, veja você, tornou-se a grande noiva da eleição de 2006. Não é lá um primor de formosura. Mas não falta quem o assedie. Todos querem pedir-lhe a mão em casamento. Se possível as duas mãos, aquela representada pela ala "oposicionista" de Michel Themer, e a outra, personificada pelo governismo atávico de Renan Calheiros e José Sarney.

O tucano Fernando Henrique Cardoso dá suas bicadas no PMDB (leia despacho abaixo, veiculado às 20h48 de sexta-feira). Mas é o PT que desfere os beliscões mais assanhados. Para tentar pavimentar a trilha de Lula na caminhada federal, o petismo mostra-se disposto a abrir avenidas para o PMDB nos Estados. Não é preciso ir longe para dar aos 22 leitores do blog uma idéia da ânsia com que o PT cobiça o PMDB. Basta citar um exemplo.

Para ter o partido do velho Ulysses Guimarães ao lado de Lula, o petismo admite, veja você, impedir a candidatura de Eduardo Suplicy ao Senado, entregando a vaga a ninguém menos que Orestes Quércia. Não, você não leu errado. Cogita-se trocar o velho e bom Suplicy pelo neocompanheiro Quércia.

Como explicar tamanha devassidão? Simples. O que torna o PMDB atraente não é apenas a conveniência do matrimônio, mas a certeza do patrimônio que vem junto. Dono de uma das maiores bancadas no Congresso, o partido é detentor de generosos minutos no horário eleitoral gratuito. Algo que, como se vê, não tem preço.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

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Casa da Mãe Joana

Bestgraph
O Judiciário brasileiro, todos sabem, é um ninho de nepotismo. Era desconhecido, porém, o número de filhotes do privilégio que se aninham sob as asas do erário. A repórter Carolina Brígido animou-se a contar. Pesquisando nos 27 tribunais de Justiça do país, obteve informações em 25. Somou 1.148 parentes. Ingressaram na folha de salários do Estado pela janela, voando.

Por decisão do Conselho Nacional de Justiça, deveria ser postos no olho da rua até terça-feira. Porém, 449 já garantiram, por meio de liminar judicial, a preservação da mamata. Outros tantos serão mantidos nos empregos porque vários tribunais decidiram não mover uma palha até que o STF julgue uma ação contrária às demissões.

Um dos tribunais que irá descumprir a resolução do Conselho Nacional de Justiça é o do Maranhão. Por sugestão de um grupo de desembargadores, o tribunal reúne-se extraordinariamente nesta segunda para sacramentar a decisão. Chama-se Nelma Sarney uma das desembargadoras que articularam a reunião.

Curioso a mais não poder, o repórter Chico Otavio decidiu perscrutar a composição do gabinete da juíza Nelma. Relatou assim o que descobriu: “Até recentemente, Nelma mantinha como funcionários de seu gabinete o marido, Ronald Augusto Furtado Sarney, irmão do senador e ex-presidente José Sarney; as duas filhas, Andréa e Aline Silva Sarney Costa, o genro, Edilésio Gomes da Silva Júnior, uma sobrinha, Carolina Raissa Menezes de Araújo, e o cunhado, Gabriel Ahid Costa.”

O repórter prossegue: “A desembargadora disse que, do grupo, já afastou o marido e uma das filhas, Aline. Nelma afirma que, embora apóie o descumprimento da resolução até o julgamento da ação no STF, é contra a prática de nepotismo: “No passado, houve muito abuso. Defendo o fim desta prática, mas é preciso aguardar o que o Supremo vai decidir a respeito, antes de tomar qualquer iniciativa.”

Pode?!?!?

Escrito por Josias de Souza às 00h46

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Voracidade atômica

Da coluna de Elio Gaspari:

“Lula recebe R$ 3.900 mensais como aposentado da ditadura que, em 1980, prendeu-o por 51 dias e tomou-lhe a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. O governo japonês paga a cada um dos 300 mil sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki uma pensão de US$ 1.120 (R$ 2.400). Para arrebentar o Japão foram necessárias duas bombas atômicas. Para detonar o Erário brasileiro, basta a voracidade.”

Escrito por Josias de Souza às 00h12

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STF devolve à Universal R$ 10 mi retidos pela PF

O STF decidiu devolver à Igreja Universal do Reino de Deus os R$ 10,2 milhões apreendidos pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília em 11 de julho do ano passado. No instante da apreensão, o dinheiro estava sendo transportado em sete malas pelo deputado federal João Batista Ramos (SP). Ele foi expulso do PFL depois da ação da PF.

 

A pedido do Ministério Público, a PF abriu um inquérito para investigar a origem do dinheiro. Suspeita-se que seria trocado por dólares, para ser enviado ilegalmente para fora do país. O ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo, decidiu devolver os R$ 10,2 milhões depois que a igreja do bispo Edir Macedo ofereceu em garantia um imóvel localizado no centro de São Paulo.

 

Munido de parecer favorável do Ministério Público, Ayres Brito determinou à PF a nomeação de um perito para avaliar o imóvel. A Universal diz que vale R$ 15 milhões. A perícia da PF deve ser concluída nos próximos dias. A decisão do STF não interrompe a investigação, que está longe de ser concluída.

 

A Universal alega que o dinheiro seria fruto da coleta de dízimos dos seus fiéis. No instante em que foi apreendido, estaria sendo transportado, em avião próprio, para São Paulo, onde a igreja manteria uma contabilidade centralizada. Dali, argumenta a Universal nos autos, são emitidos os cheques que bancam as despesas de uma rede de mais de 4.000 templos espalhados pelo país, incluindo os salários de cerca de 20 mil pastores e funcionários.

 

A retenção do dinheiro rendeu enorme dor de cabeça à PF. Os R$ 10,2 milhões foram guardados inicialmente no Departamento de Meio Circulante do Banco Central. Na seqüência, teve de ser depositado numa conta judicial remunerada da Caixa Econômica Federal.

 

Para transportar as sete malas recheadas de cédulas do BC para a CEF, a polícia tentou contratar a empresa de transporte de valores Confederal, pertencente ao deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro das Comunicações de Lula. Eunício informou que, por segurança, sua empresa não transportaria mais do que R$ 1 milhão em cada carro-forte.

 

Seriam necessários, portanto, dez veículos. A empreitada foi orçada em R$ 350 mil. Como não dispunha de dinheiro em caixa, a PF teve de transportar, ela própria, os milhões da Universal. Armou-se em Brasília um esquema de guerra que mobilizou duas dezenas de agentes armados.

 

Chegando à CEF, o dinheiro teve de ser contado. O trabalho mobilizou os funcionários da agência central da instituição por arrastadas onze horas. Toda essa movimentação foi utilizada pela Universal ao defender no Supremo, com sucesso, a tese de que o melhor seria devolver os R$ 10,2 milhões à igreja.

Escrito por Josias de Souza às 22h13

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Delcídio oficializa candidatura ao governo de MS

  Alan Marques/F.Imagem
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios, oficializou neste sábado sua candidatura ao governo de Mato Grosso do Sul. Apoiado pelo presidente Lula, Delcídio informou ao blog que articula a composição de uma ampla coligação política. Tentará juntar num mesmo palanque PT, PL, PDT e até o PFL.

 

Delcídio vinha adiando o lançamento de sua candidatura porque aguardava por uma definição do governador petista Zeca do PT. Nesta semana, Zeca, que planejava candidatar-se ao Senado, anunciou a intenção de permanecer no cargo até o final do mandato. Abriu-se, então, a possibilidade de Delcídio oferecer ao PFL a vaga ao Senado em sua coligação.

 

O candidato do PFL ao Senado chama-se Murilo Zauith. Ele hoje ocupa uma cadeira de deputado federal. O apoio de Zauith é disputado por Delcídio e pelo principal adversário do PT na corrida pelo governo de Mato Grosso do Sul, o ex-prefeito de Campo Grande André Pucinelli, do PMDB.

 

Pucinelli já havia prometido a vaga ao Senado a Zauith. Mas ameaça entregá-la à ex-deputada federal Marisa Serrano. O que abre a perspectiva de entendimento entre Delcídio e Zauith.

 

O blog apurou que Delcídio tenta agora convencer a direção nacional do PFL a não aprovar nenhuma resolução que proíba composições de pefelistas com o PT nos Estados. Já conversou a respeito com o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, e com o líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN).

 

Ainda que não consiga atrair o PFL para sua coligação, Delcídio logrará um tento se conseguir amarrar um acordo com o PL e o PDT. Junto com o PT, os dois partidos controlam cerca de 50 das 78 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Escrito por Josias de Souza às 20h53

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Agripino Maia assume pré-candidatura a vice

Líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN) já se apresenta como pré-candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo presidenciável do PSDB, seja ele Geraldo Alckmin ou José Serra. Agripino revela ainda que, também em relação à definição do vice, há dois nomes no páreo: além dele próprio, disputa a vaga o senador Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL.

 

“Tanto ele (Bornhausen) como eu temos responsabilidade partidária e sabemos que acima de tudo é preciso preservar o patrimônio construído ao longo de 20 anos, que é a unidade do partido”, diz Agripino Maia. “Não pode haver pretensão pessoal inamovível. Temos que ter consciência de que o vice tem que suprir as deficiências do candidato a presidente. O vice terá que ser figura acreditada e que complemente eleitoralmente as deficiências do candidato a presidente. Se esse desenho recair sobre Bornhausen serei eu o primeiro a empunhar a bandeira. Mas se for o contrário, espero a recíproca dele.”

 

As declarações de Agripino Maia foram feitas à Agência Nordeste (para assinantes). É a primeira vez que uma liderança do PFL expõe publicamente, de modo tão explícito, os contornos da disputa pela vaga de vice na provável coligação com o PSDB. Agripino recusa o uso do vocábulo “disputa”. Aposta no consenso.

 

Sob reserva, Agripino Maia costuma dizer que a escolha recairá sobre ele porque o candidato do PSDB, partido que tem bases mais sólidas em São Paulo, precisará firmar parceria com um nome da região Nordeste. O raciocínio valeria tanto para Alckmin como para Serra.

 

Alheio à movimentação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em diálogo com um líder do PMDB, sondou o partido sobre o interesse de indicar o candidato a vice na chapa tucana, o PFL age como se a formalização da aliança com o tucanato fosse uma questão de tempo.

 

Falando ao blog, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que a dobradinha PSDB-PFL é a única capaz de derrotar Lula na eleição presidencial de 2006. Agripino diz o mesmo reservadamente. Mas, em público, realça os aspectos formais do processo.

 

O líder pefelista no Senado diz que a aliança “só acontecerá se o PFL desistir da candidatura própria que tem, que é César Maia (prefeito do Rio), e se o partido também não partir para outra candidatura própria. Não tendo isso, partimos para desenhar a geografia das composições.”

 

O senador lembra que, além da composição em âmbito nacional, os acertos com o PSDB precisam contemplar interesses do PFL nos Estados. “Não podemos fazer composição com o PFL brigando com o PSDB na Bahia, em Sergipe, em Pernambuco. Temos que ter os partidos somando. E não o PSDB se somando com o PT. Desenhada essa geografia, vamos para a composição da aliança.”

Escrito por Josias de Souza às 15h53

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Enfim, a caixa própria

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h25

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As manchetes deste sábado

 

- JB: Vigie o Imposto de Renda

- Folha: Risco-país cai ao menor nível da história

- Estadão: Risco-país despenca e chega a nível histórico

- Globo: Vans já tomaram 255 do mercado de ônibus no Rio

- Correio: MP pressiona GDF para licitar condomínios

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Palocci para Lula: acho junho um pouco tarde

  Tuca Veira/Folha Imagem
Notícia publicada na Folha deste sábado (para assinates):

 

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, se disse contrário à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de anunciar só em junho uma provável candidatura à reeleição. Negou também que deixará o cargo para assumir a coordenação da campanha ou outro posto no governo, assegurando que fica à frente da economia até o final da gestão, a menos que Lula não queira.


Trata-se do primeiro integrante do chamado núcleo duro do governo a discordar abertamente da decisão do presidente de retardar ao máximo a divulgação sobre a disputa de outubro.


”O presidente insiste que antes de junho ele não quer saber dessa conversa. Falei com ele na semana passada: ‘Olha, presidente, o sr. tem que olhar a questão da candidatura com naturalidade, organizar isso, até porque muitos ministros vão deixar o governo’. Ele disse que não quer falar antes de junho", disse Palocci em Moscou, onde participa, como convidado, do encontro dos ministros das finanças do G8 (os sete países mais ricos do mundo e a Rússia).


"Eu acho junho um pouco tarde, mas ele tem esse estilo, que não quer fazer nada antes de junho", completou o ministro.

Escrito por Josias de Souza às 02h10

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Lula "corpo fechado" da Silva

Há coisa de um mês e meio, Lula queixara-se de que seu governo vinha sendo alvo de “urucubaca”. Pois Sua Excelência tratou de aproveitar a visita à África para “fechar o corpo.” De passagem pelo vilarejo de Ouidá, no litoral do Benin, o presidente tomou parte de um ritual vodu.

 

Lula tinha ao fundo o “Portal do Não Retorno”. Vem a ser um monumento erguido em 1995. O nome evoca o sentimento que ia na alma dos escravos que dali partiram, empilhados em navios negreiros, rumo sobretudo ao Brasil. Terminado o ritual, Lula disse que se sentia “mais leve.”

Escrito por Josias de Souza às 00h40

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FHC oferece ao PMDB vaga de vice na chapa tucana

A convite de Fernando Henrique Cardoso, um líder da cúpula do PMDB esteve no apartamento do ex-presidente, no bairro paulistano de Higienópolis, na última sexta-feira. Conversaram por mais de duas horas. Durante o diálogo, FHC sondou o interlocutor sobre o interesse do PMDB de indicar o candidato a vice na chapa do PSDB.

 

A sondagem surpreendeu o líder peemedebista, que via como praticamente definida a coligação do tucanato com o PFL. Ligado à vertente do partido que deseja que o PMDB lance um candidato próprio, ele respondeu a FHC que, a essa altura, com prévias marcadas para 19 de março, não há como retroceder.

 

O interlocutor de FHC disse-lhe, porém, que há uma ala do PMDB, representada pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), que continua trabalhando com a hipótese de compor com um candidato de outro partido ainda em primeiro turno. Esse grupo dá preferência, porém, a Lula.

 

Só uma disparada do candidato tucano nas pesquisas, seja ele Geraldo Alckmin ou José Serra, avaliou o peemedebista durante o diálogo, atrairia o naco governista do PMDB para o lado dos tucanos. Passou-se, então, a analisar as chances de composição no segundo turno.

 

De novo, disse o peemedebista a FHC, o partido tende a manter a divisão interna. Prevalecendo a polarização entre PT e PSDB, a ala que hoje se alinha à tese da candidatura própria defenderá uma composição com o tucanato. Prefere José Serra. Mas não oporá resistências se o candidato for Geraldo Alckmin. A outra ala, mais vinculada a Lula, irá se compor com o PT.

 

Personagem central do processo de escolha do candidato do PSDB, FHC estreitou nas últimas semanas os contatos com o PMDB, partido que integrou o consórcio de apoio ao seu governo no Congresso. Conversa amiúde com quatro pessoas. São recebidas sempre separadamente.

 

Nos encontros, FHC mostra-se convencido de que o PMDB tornou-se peça chave no xadrez eleitoral de 2006. Parece decidido a impedir que a legenda -ou uma parte dela- se componha com Lula. Informados acerca da articulação do ex-presidente, dois líderes tucanos ouvidos pelo blog revelaram-se surpresos. Receiam que, a pretexto de dificultar a vida de Lula, FHC acabe por jogar areia nas boas relações do tucanato com o PFL.

 

As negociações com os pefelistas encontram-se em estágio avançado. Não passa pela cabeça de nenhum dos integrantes da direção do PFL a hipótese de não indicar o candidato a vice. Ao contrário. Deseja-se apressar a definição do cabeça de chapa, para iniciar a costura dos palanques nos Estados. A questão do vice é tratada como favas contadas.

 

Os dois grão-tucanos ouvidos pelo blog preferem acreditar que as sondagens disparadas por FHC em direção ao PMDB visem apenas à composição no segundo turno. Do contrário, avaliam, ele enfrentará resistências internas.

Escrito por Josias de Souza às 19h48

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Dimas diz à PF que lista é forjada

  Folha
Numa antecipação do que deve ocorrer na CPI dos Correios na próxima semana, o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo (na foto) negou nesta sexta-feira, em depoimento à Polícia Federal, a autenticidade da “lista de Furnas”. Dimas depôs durante cinco horas sobre o suposto caixa dois de cerca de R$ 40 milhões que teria beneficiado 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB) nas eleições de 2002.

Rogério Marcolini, advogado de Dimas Toledo, resumiu assim o depoimento de seu cliente: "Ele nega categoricamente qualquer divisão de caixa dois de Furnas ou qualquer doação de recursos para qualquer que seja." Sobre a lista, o advogado afirmou: "O documento é uma fraude, é uma montagem."

Durante o depoimento, Dimas admitiu conhecer 31 políticos (na Folha, para assinantes), de partidos como PSDB, PP, PFL, PMDB e PL, cujos nomes são mencionados na lista. Algo no mínimo curioso para um ocupante de cargo técnica de uma estatal. O ex-diretor também reconheceu nomes de empresas que prestaram serviços a Furnas.

Na avaliação da PF, o depoimento foi contraditório em relação às declarações de Roberto Jefferson, de um tabelião e de um escrivão que prestaram depoimento ontem. Jefferson confirmou ter recebido das mãos de Dimas os R$ 75 mil mencionados na lista. Os funcionários do cartório confirmaram que o documento que lhes foi exibido pela PF é uma cópia fiel (sem montagem) de uma lista original apresentada para autenticação.

Escrito por Josias de Souza às 17h32

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A imagem do ano

A imagem do ano

Finbarr O'Reilly/Reuters
 

 

A imagem acima retrata a fome no Níger. Mostra a mão de um menino tapando os lábios de sua mãe, em impressionante resumo cênico do drama. Foi escolhida nesta sexta-feira como a Foto do Ano de 2005 do World Press Photo.

 

O autor da peça é o fotógrafo canadense Finbarr O'Reilly, da Reuters. Clicou-a em agosto passado, num centro de alimentação de urgência. O World Press é um dos mais prestigiosos prêmios de foto-jornalismo do planeta. Esta foi a 49a vez que o júri internacional se reuniu em Amsterdã (Holanda) para escolher a melhor foto do ano.

A foto do canadense concorreu com outras 83.044 imagens feitas por 4.448 profissionais de 122 países. Premiaram-se 63 fotógrafos de 25 países. Clique sobre a imagem do alto para ver uma galeria com os trabalhos agraciados.

 

Sediada em Amsterdã, a Fundação World Press Photo, que realiza anualmente o concurso, está comemorando 50 anos de existência neste 2006. Para marcar a data, disponibilizou em seu sítio as 50 fotos que marcaram a história do fotojornalismo nas últimas cinco décadas. Pressione sobre a seqüência abaixo para contemplar os trabalhos.

Escrito por Josias de Souza às 12h11

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As manchetes desta sexta

 

- JB: Fuga no corredor da morte

- Folha: Conselho contraria relator e inocenta ex-líder do PP

- Estadão: Mensalão de Furnas iria para PTB, PT e tucanos diz Jefferson

- Globo: Reitores: universidades não estão preparadas para cotas

- Correio: Moralização eleitoral dura apenas 24 horas

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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A crise viajou

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Parabéns pra você

O PT está em festa. Como se sabe, a legenda festeja nesta sexta-feira seu aniversário de 26 anos. Como Lula encontra-se em terras africanas, marcou-se para a próxima segunda o rega-bofe que marcará a ocasião. Será, como já noticiado aqui, um jantar de adesão, com direito a discurso de Lula.

O partido informa em seu sítio na internet: “Até a manhã desta quinta-feira, já haviam sido vendidos 700 convites.” No total, disponibilizaram-se 1.000 entradas. Têm preços diferenciados -R$ 200, R$ 500, R$ 1.000, R$ 2.000 e R$ 5.000. O petismo não informa quanto amealhou até aqui. Diz apenas que se encontram “esgotados” os convites de R$ 200.

“Esse interesse em participar do jantar revela a volta por cima do PT”, rejubila-se o secretário de Finanças do PT, Paulo Ferreira. “Há um sentimento de que o que nos ocorreu no ano passado está sendo superado. As pessoas se convenceram de que foi um acidente de percurso e que estamos conseguindo dar a volta por cima.”

Além de Lula, discursará durante a sessão de repasto o presidente do PT, Ricardo Berzoini. De resto, diferentemente da fase delubiana, em que evento semelhante foi embalado ao som de Zezé Di Camargo e Luciano, agora contratou-se um grupo musical de Brasília.

Chama-se “Casa de Farinha”. Sem demérito às quatro cantoras que o integram, afinadíssimas, o nome não evoca imagem das mais alvissareiras. Faz lembrar que, em meio ao festival suprapartidário de denúncias, o PT, longe da pretendida “volta por cima” ainda não conseguiu afastar de si a pecha de ter-se transformado em “farinha do mesmo saco.”

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Conselho absolve Pedro Henry

  Alan Marques/F.Imagem
O Conselho de Ética da Câmara tomou nesta quarta-feira uma decisão que flerta com a falta de ética. Graças a um acordo entre PFL, PP, PT e até PSDB, livrou-se do cadafalso o mensaleiro Pedro Henry (PP-MT). Pela primeira vez, o Conselho derrotou um relatório que recomendava a cassação de um deputado envolvido no escândalo do mensalão.

 

Mesmo absolvido no Conselho, Henry terá de passar pelo crivo do plenário da Câmara. Ali, só será cassado se 257 deputados votarem contra o arquivamento do processo. Algo visto como muito improvável.

 

Reforçando o cheiro de acordo que impregna os ares do Congresso, a união suprapartidária em favor de Henry foi vista como uma gentileza em troca do apoio do PP aos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP). Pressione AQUI para saber como votaram os conselheiros.

Escrito por Josias de Souza às 00h40

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Lobista fala de Furnas à CBN Vitória

Em entrevista ao programa CBN Vitória, o lobista mineiro Nilton Monteiro, responsável pela divulgação da chamada “lista de Furnas”, fez um alentado relato sobre o modo como teve acesso aos papéis que informam acerca do suposto caixa dois de R$ 40 milhões montado na estatal. Personagem considerado “controverso” pela cúpula da CPI, Monteiro já teve sua convocação aprovada pela comissão. Mas seu depoimento, por ora, não foi marcado. Pressione AQUI para ler a íntegra da entrevista, divulgada pelo sítio capixaba Gazeta Online.

Escrito por Josias de Souza às 00h11

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Lula articula apoio de evangélicos para a reeleição

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Lula disse a dois auxiliares com os quais costuma conversar sobre política que buscará nos próximos meses uma aproximação com o eleitorado evangélico. Revela-se preocupado com o desempenho de Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB, nas pesquisas de opinião. Diz que, com taxas que variam entre 10% a 15%, Garotinho não ameaça a sua reeleição, mas lhe rouba votos que farão falta no embate decisivo que espera travar com o adversário do PSDB, seja ele Geraldo Alckmin ou José Serra.

 

Vendo escapar-lhe a possibilidade de compor a chapa com um candidato a vice do PMDB, Lula começou a esboçar o que chama de “Plano B”. Voltou a considerar a hipótese de reeditar a chapa vitoriosa de 2002, mantendo José Alencar na posição de segundo da chapa. Em agosto do ano passado, Alencar (na foto acima, ao lado do presidente) trocou o PL pelo PRB, um partido novo, fortemente vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus.

 

Mantendo Alencar como vice, Lula imagina que conseguiria atrair o PRB para sua coligação, enfiando uma cunha no mundo evangélico, hoje francamente dominado por Garotinho. O presidente ficou impressionado ao ser informado de que o ex-governador do Rio mantém um programa diário de rádio, voltado ao público evangélico, que é retransmitido por 400 emissoras de todo país.

 

Lula acha que, com sua retórica de assimilação fácil, Garotinho passou a disputar com ele a simpatia do naco mais pobre do eleitorado. Daí a sua decisão de aproximar-se dos evangélicos. O primeiro aceno nessa direção foi o início de um “namoro” com o senador Marcelo Crivela, principal liderança política do PRB.

 

Candidato ao governo do Rio, Crivela tornou-se um assíduo freqüentador do Palácio do Planalto. Acompanha Lula no avião presidencial em todas as viagens que o presidente faz ao Rio. O próprio Lula lhe informou que articulará para que o PT o apóie no Rio, em detrimento da candidatura do petista Vladimir Palmeira.

 

Mercê de sua proximidade com o presidente, Crivela virou alvo de piadas no Congresso. Na última quarta-feira, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), seu adversário político no Rio, saiu-se com o seguinte comentário: “Pô, Crivela, o Lula está tão interessado no apoio de vocês que até já parou de beber.”

 

Ouvido pelo blog, Crivela confirmou a aproximação com Lula. “A gente tinha a esperança de que o vice (José Alencar) se animasse a fazer uma campanha a presidente. Mas ele acha que pode prestar melhor serviço à nação sendo convidado para compor novamente a chapa com o Lula”, disse ele.

 

“Se isso acontecer, o anseio do meu partido é o de condicionar nosso apoio à candidatura Lula não a cargos ou a ministério no novo governo, mas a uma mudança  na política econômica. É com essa perspectiva que a gente consegue vislumbrar uma participação do PRB nessa disputa.”

 

Segundo Crivela, frustradas as chances de composição com o PMDB, “o presidente Lula, com a inteligência política que tem, não vai abrir a vaga de vice para uma briga fratricida entre os partidos aliados da base. Ele deve oferecê-la ao vice Alencar. Aí, acho que o PRB vai prestar realmente um papel muito importante ao presidente Lula. Temos uma penetração muito importante no meio evangélico.”

Escrito por Josias de Souza às 23h31

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Sem alternativa, evangélicos fecham com Garotinho

  Lula Marques/F.Imagem
Com a experiência de quem é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, o senador Marcelo Crivela (PRB-RJ) afirma que “o eleitorado evangélico vai votar em peso no ex-governador (Antony) Garotinho, se nenhuma alternativa lhe for apresentada, inclusive os da minha igreja.”

 

Não é pouco voto. Segundo Crivela, o IBGE informa que o público evangélico corresponde a cerca de 20% da população brasileira. “Hoje, somos algo como 40 milhões de evangélicos, talvez um pouco menos.”

 

O senador já repassou a Lula a sua avaliação acerca do domínio de Garotinho junto a esse público. “Encontro muito com o presidente Lula, sou da base do governo, sou líder do meu partido, sempre temos encontros de trabalho no Planalto, sempre trocamos uma palavra ou outra, quando ele vai inaugurar alguma coisa no Rio vou junto no avião. Falamos dessas coisas todas.”

 

"O presidente tem pavor (da influência de Anthony Garotinho no meio evangélico)", conta Crivela. “Ele acha que o Garotinho tira voto na faixa em que ele é forte, que é a população mais carente.”

 

Na opinião de Crivela, “O PRB será muito mais fundamental em 2006 para o presidente Lula do que foi em 2002 o PL (antigo partido de José Alencar). Ele tirará votos do Garotinho na área evangélica tendo o nosso apoio.”

 

Crivela esboça planos para o futuro: “Esperamos fazer parte do eventual novo governo, mas dentro de uma política de diretrizes importantes. Nossa preocupação não é com cargos, mas com a perspectiva de mudar a realidade brasileira, o que só vai acontecer se houver uma troca da política econômica.”

Escrito por Josias de Souza às 23h30

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Alckmin reafirma: lista de Furnas é falsa

O governador Geraldo Alckmin (São Paulo) reafirmou nesta quinta-feira que a “lista de Furnas” é falsa. Ele cobrou da Polícia Federal a identificação do autor da lista. “Isso aí é coisa gravíssima, e há a necessidade de identificar quem é que cometeu o crime. E rapidamente", disse Alckmin. "Não é possível que não se consiga checar a autoria dessa atividade criminosa. Já tivemos o tal do dossiê Cayman. Levou anos e anos para poder se comprovar a fraude e o crime.”

Escrito por Josias de Souza às 18h32

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Jefferson: Dimas ofereceu R$ 1,5 milhão ao PTB

Jefferson: Dimas ofereceu R$ 1,5 milhão ao PTB

  Wilson Dias/ABr
Falando ao blog, o deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) disse que, em abril de 2005, Dimas Toledo esteve em sua casa. Ofereceu uma mesada de R$ 1,5 milhão do caixa dois de Furnas para o PTB. Quantia idêntica seria entregue ao PT. O “esquema” de Dimas, que já operava durante a gestão de FHC, foi “herdado” pelo ex-ministro José Dirceu. Eis a entrevista:

 

- O sr. disse que, ao tentar substituir o Dimas, vários políticos da lista de Furnas lhe telefonaram. Quem ligou?

Não vou dar nomes, mas metade da lista ligou. Me ligaram uns 40 deputados e senadores. Diziam: ‘Roberto, o Dimas é uma boa pessoa. Quero te aproximar dele. O que teve de gente querendo me aproximar do Dimas foi uma grandeza (risos).

- De onde vinha a influência de Dimas Toledo?

Ele cobria o PSDB. O PSDB mineiro inteiro, o PFL mineiro inteiro, o PMDB mineiro inteiro. A pressão que eu recebi, até do... Não vou falar. Mas foi muita pressão que eu recebi.

- Mas a lista contém vários nomes de São Paulo.

Claro, São Paulo também é coberto por Furnas. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás...

- As cifras mencionadas na lista têm lógica política?

Não vou acusar amigos. No que me toca (R$ 75 mil), a lista é verdadeira. No resto, ela tem total lógica política e se assemelha à verdade.

- Quem era o padrinho de Dimas Toledo?

O Dimas não tinha um controlador. Ele não trabalhava com grupo pequeno, só com grupo grande. Três, quatro governadores poderosos. Aquela cadeira era forte demais para um só. Ela foi o principal motivo para o Zé Dirceu botar a Abin no meu calcanhar.

- O José Dirceu herdou o esquema?

Herdou. Eu já falei sobre isso à Folha e à CPI (dos Correios). Aquela era uma cadeira muito poderosa.

- O Dirceu chegou a propor uma partilha ao senhor?

Dava R$ 4 milhões – R$ 1 milhão ficaria para despesas de diretoria que o Dimas teria,  R$ 1,5 milhão iria para o PTB e R$ 1,5 milhão para o PT todo mês. Fora os grandes contratos que, sempre que assinados, teria uma parcela.

- O sr. chegou a conversar sobre isso com o próprio Dimas?

Sim. Ele esteve em minha casa entre meia noite e meia e uma da madrugada, em abril do ano passado, a pedido do Zé Dirceu.

- Ele queria o quê?

Formalizar o acordo da partilha. Me disse que ficaria para o PTB R$ 1,5 milhão por mês e para o PT R$ 1,5 milhão. Ele reforçou a conversa que o Zé Dirceu já havia acertado. Eu voltei ao Zé, contei os termos e perguntei: tá fechado? Ele disse: ‘Fechado’. Foi quando o Lula deu pra trás. Disse: não, esse cara é um traidor. Ele é tucano. Batamos R$ 1,5 milhão na Cemig, para fazer o Programa Luz para Todos nas favelas e ele só botou placa do governo do Aécio (Neves).   

- A proposta de partilha foi feita para que o sr. concordasse com a manutenção do Dimas?

Exato. Quem ficava com tudo naquela época era o Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT). Tinha também um ‘grupo dos 12’, do PSDB, que ficava com R$ 600 mil por mês. Três eu sei com certeza: (Luiz) Pihayilino (PE), Osmânio Pereira (MG) e Salvador Zimbaud (SP) [ex-integrantes do PSDB, os três estão hoje respectivamente no PDT, PTB e PSB].

- Um grupo do PSDB continuou recebendo sob o PT?

Sim. Houve acordo. O Zé Dirceu montou uma série de grupinhos.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

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Convocada a dupla DD, Duda e Dimas

  Folha Imagem
A CPI dos Correios aprovou nesta quinta-feira, por unanimidade, a convocação do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo e reconvocação do publicitário Duda Mendonça e de seus sócios Zilmar Fernandes (na foto, entre Duda e Dimas) e Armando Correia Ribeiro.

De Duda e seus sócios serão cobradas novas explicações acerca da dinheirama das campanhas eleitorais remetida para o estrangeiro. Quanto a Dimas Toledo, cujo depoimento deve ocorrer já na próxima semana, será espremido para falar sobre a agora célebre “lista de Furnas”.

 

E já que o fio do novelo começou a ser puxado, a CPI não terá como deixar de ouvir também o lobista mineiro Nilton Monteiro. Depois de divulgar a “lista de Furnas”, ele vira e mexe diz ter coisas relevantes a contar à CPI. É preciso ouvir logo o sujeito. Para o bem ou para o mal.

Escrito por Josias de Souza às 13h48

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Policial ajuda menino a cheirar cola

Fernando Donasci/Folha Imagem
 

 

Deu-se na cidade de São Paulo, este naco de terra sem lei. A foto não deixa dúvidas. Tampouco o texto dos repórteres Fernando Donasci e Fabio Schivartche (na Folha, para assinantes):

“Dois meninos de rua, uma garrafa com cola de sapateiro, ou algum tipo de entorpecente semelhante, e um homem da Guarda Civil Metropolitana. O que poderia ser uma ação cotidiana de repressão ao consumo de drogas revelou-se uma cena surpreendente na tarde de ontem, no centro de São Paulo, a cidade mais rica do país: um guarda ajudando adolescentes a se drogar no meio da rua.


Eram 12h54 quando a Folha começou a acompanhar o trajeto desses meninos. Eles estavam com outros amigos na ladeira da Memória, a poucos metros do Vale do Anhangabaú, nadando em um lago, junto a um monumento construído no local.
Guardas que normalmente fazem a segurança da região apareceram e expulsaram os meninos de lá -que correram com medo de serem detidos. Dois garotos do grupo, aparentando ter entre 10 e 14 anos, permaneceram no local. E um deles solicitou ajuda a um dos guardas.


Ele entregou uma garrafa ao GCM que continha uma substância solidificada no fundo. O guarda virou a garrafa de ponta-cabeça e, com um isqueiro aceso, esquentou o fundo -a fim de derreter o produto e facilitar a inalação do vapor, que produz a sensação de alucinação.

A ação durou poucos segundos. Depois, o guarda devolveu a garrafa para o menino e, sem nenhum tipo de aconselhamento ou retenção do produto, os observou descerem a ladeira da Memória.

A Prefeitura de São Paulo, responsável pelo gerenciamento da Guarda Civil Metropolitana diz que vai investigar o caso a partir das fotos feitas pela Folha. A cidade tem hoje cerca de 6.000 guardas-civis. A principal missão deles é preservar os bens públicos e auxiliar o policiamento junto a escolas municipais.”

Escrito por Josias de Souza às 08h00

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As manchetes desta quinta

- JB: Brasil veta carne Argentina

- Folha: CPI decide ouvir suposto autor da lista de Furnas

- Estadão: Aftosa na Argentina faz Brasil fechar divisa

- Globo: Câmara apressa cotas raciais para universidades federais

- Correio: Após caixa 2, Congresso quer moralizar eleições

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h13

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Cardápio eleitoral

Chiclete com Banana, de Angeli, na Folha (para assinantes):

Angeli

Escrito por Josias de Souza às 02h11

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Jobim: Sou candidato a advogado

  Alan Marques/F.Imagem
O presidente do STF, Nelson Jobim, esclareceu, finalmente, as dúvidas que o assediam há meses. Disse nesta quarta-feira que não planeja candidatar-se a coisa nenhuma nas eleições deste ano. Confirmou que pretende pedir aposentadoria do STF em 19 de março. Mas assegurou que vai dedicar-se à ''vida privada.''

Jobim falou durante audiência pública promovida pela comissão especial que analisa no Congresso uma proposta de reforma constitucional . Abordado na saída, disse que é ''candidato a advogado.'' Deixou em aberto, porém, a hipótese de filiar-se a um partido político, decisão que só pretende revelar em março.

Ao deputado Michel Themer (SP), presidente do PMDB, Jobim disse que reingressará no PMDB, partido pelo qual elegeu-se deputado Constituinte, em 1º de abril. Um dia, convenhamos, que não rende homenagens à verdade.

Filiando-se ao PMDB, Jobim mantém o seu nome flutuando na atmosfera política como alternativa à vice-presidência na chapa de Lula caso naufrague a tentativa do partido de fazer decolar uma candidatura própria.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Câmara sacramenta fim da verticalização

A Câmara aprovou nesta quarta-feira, em segundo turno de votação, a emenda constitucional que fulmina o princípio da verticalização. O placar eletrônico registrou 329 votos a favor e 142 contra. Como já  havia sido aprovada pelo Senado, a emenda será agora promulgada. Assim, ressuscitou-se no país o vale-tudo partidário. As legendas não serão mais obrigadas a reproduzir nos Estados a coligação feita em nível federal.

 

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Mentira ou equívoco?

Em depoimento à CPI dos Bingos, no dia 26 de janeiro, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) admitiu que, numa fase em que já se encontrava na Esplanada dos Ministérios, voou para Ribeirão Preto em aeronave privada, pertencente ao empresário-companheiro José Roberto Colnaghi.

Alegou que não poderia ter usado um jatinho oficial da Aeronáutica porque a viajara para participar de um evento partidário. O avião, dissera o ministro, fora alugado pelo PT. Em declarações a jornalistas e em carta à CPI, o amigo Colnaghi desdisse Palocci. Disse não ter recebido um único níquel do PT.

Nesta quarta-feira, em correspondência à CPI, Palocci tentou ajeitar as coisas. Anotou: “Ao reafirmar que o PT disponibilizara um avião para o meu transporte, recorri inadvertidamente à expressão alugou, sem me apegar à acepção estrita do termo.”

O ministro agora alega que desconhecia as condições e os detalhes da organização da viagem, que teria ficado sob a responsabilidade do PT. “Reafirmo integralmente o que disse em meu depoimento: utilizei os meios disponibilizados pelo PT para comparecer àquele evento político”.

Palocci mentiu deslavadamente ou cometeu um escorregão vocabular? Tire a sua própria conclusão, caro leitor.

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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Alckmin rejeita decisão de cúpula e cobra de Tasso definição de candidato em consulta formal ao PSDB

Em conversa reservada com Tasso Jereissati, presidente do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cobrou o estabelecimento de um mecanismo formal de consulta às instâncias partidárias, para a definição do nome do candidato tucano à presidência da República. Disse claramente que não considera justo o modo como o processo vem sendo conduzido. Afirmou que a palavra final não pode ficar restrita a dois ou três membros da direção nacional.

 

No diálogo com Tasso, Alckmin evitou utilizar a palavra prévia. Mas é precisamente o que ele deseja. Quer disputar com o prefeito paulistano José Serra no voto, em convenção nacional do PSDB. Sustenta que o mecanismo das prévias, além de não ser estranho à tradição tucana, está previsto nos estatutos do partido.

 

O governador decorou o artigo número 151 do estatuto do PSDB. Recita-o de cor, sem titubeios: “Os diretórios Nacional, Estaduais e Municipais poderão aprovar, por proposta da respectiva Comissão Executiva, a realização de eleições prévias para a escolha de candidatos a cargos eletivos majoritários sempre que houver mais de um candidato disputando a indicação do Partido.”

 

Alckmin liberou todo o seu grupo dentro do partido para enaltecer o caráter democrático das prévias. Ofereceu munição aos aliados. Conta que, em 1989, mesmo sendo candidato único à presidência pelo PSDB, Mario Covas, morto em 2001, fez questão de que seu nome fosse referendado em votação dos diretórios do partidos.

 

O governador conta aos aliados que teve de viajar à sua cidade, Pindamonhangaba, sob “forte chuva”, só para votar em Covas. “E ele era uma unanimidade dentro do partido. Coisa que não ocorre agora”, diz Alckmin a seus correligionários.

 

Entre quatro paredes, o governador é cáustico nos comentários sobre o adversário José Serra. Conta que, em 1993, Covas era o candidato natural do PSDB às eleições que definiriam, no ano seguinte, o governador de São Paulo. “E o Serra espalhou que também desejava concorrer.”

 

“Ficou aquela dúvida”, relata o governador. “O Serra quer, o Serra não quer.” Dirigente regional do tucanato à época, Alckmin deu um xeque-mate em Serra. Marcou para 18 de dezembro daquele remoto ano de 1993 o início das inscrições dos candidatos que desejassem disputar prévias. “O Covas se inscreveu. E cadê o Serra? Não apareceu”, relembra Alckmin.

 

“Em 2004”, continua o governador, “o Serra decidiu que queria disputar a prefeitura. Havia outro candidato. Eu o chamei e fiz com que desistisse. Depois, ajudei o Serra a vencer. Por que não há reciprocidade?”

 

Pressentindo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem se atribui a palavra final na definição do nome do candidato, pende para Serra, Alckmin revolta-se nos diálogos privados. “Nós deixamos o PMDB para fundar o PSDB justamente porque o (Orestes) Quércia tinha tomado conta do partido.”

 

O governador desdenha do peso que a cúpula partidária atribui às pesquisas de opinião, nas quais o adversário Serra está mais bem-posto. “Isso é puro recall”, diz ele. “Em pouco tempo, já  cresci muito, continuo crescendo e vou crescer mais depois que começar o horário eleitoral gratuito.”

Escrito por Josias de Souza às 23h52

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Oposição ameaça convocar Thomaz Bastos

  Oscar Niemeyer
Irritados com a exploração política que o PT vem fazendo da chamada “lista de Furnas”, PSDB e PFL ameaçam convocar o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) para prestar depoimento no Congresso. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) informou ao blog que, a continuar esse movimento, apresentará requerimento para que o ministro compareça ao plenário do Senado.

 

Depois de uma consulta aos líderes do seu partido, o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), um dos representantes do PSDB na CPI dos Correios, apresentou requerimento de convocação do ministro da Justiça para depor na comissão. Defenderá a proposta em reunião administrativa da CPI, nesta quinta-feira. Falando agora há pouco no plenário, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, disse: “O ministro (Thomaz Bastos) precisa dizer se essa lista (de Furnas) é falsa ou verdadeira. Ele não vai poder posar de ministro coluna do meio. Não vamos permitir.”

 

O senador ACM manteve ontem um encontro reservado com Thomaz Bastos. Disse ao ministro que os partidos de oposição não irão aceitar o uso político de uma lista que, nas palavras dele, “todos sabem ser falsa”. O ministro comprometeu-se a acelerar as investigações, para poder dar uma resposta definitiva sobre o caso.

 

ACM acha que o eventual comparecimento de Thomaz Bastos ao Congresso não deve ser feito como uma imposição. Se necessário, o ministro deve ser, na sua avaliação, “convidado.”

 

O tucano Pannunzio é mais taxativo: "Ele deve vir por convocação." Antes de apresentar o requerimento à CPI, nesta quarta-feira, o deputado esteve com o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, subordinado do ministro da Justiça. Pediu acesso ao inquérito da PF que investiga a "lista de Furnas." Seu nome está mencionado no documento, ao lado da cifra de R$ 150 mil. Um dinheiro que o deputado diz jamais ter recebido. Lacerda recomendou a Pannunzio que fizesse o pedido por escrito.

 

A "lista de Furnas", um conjunto de cinco folhas de papel cuja autenticidade a PF tenta comprovar, anota os nomes de 156 políticos de 12 partidos que, em 2002, davam suporte ao governo FHC. Teriam se servido de um caixa dois de R$ 40 milhões, fornido com recursos de empresas fornecedoras de Furnas.

 

Além da convocação de Thomaz Bastos e do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, cuja assinatura aparece no documento sob investigação, o deputado Pannunzio defende que a CPI dos Correios colha o depoimento do atual presidente da estatal, José Pedro Luiz de Oliveira, personagem de um segundo requerimento protocolado nesta quarta-feira na CPI.

Escrito por Josias de Souza às 19h31

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O caixa dois do PT em Londrina

  Alan Marques/F.Imagem
Soraia Garcia, ex-assessora financeira do PT no município paranaense de Londrina, repetiu nesta quarta-feira, em depoimento à CPI dos Bingos, o que dissera à imprensa e ao Ministério Público: houve caixa dois na campanha à reeleição do prefeito petista Nedson Micheleti.

 

A campanha teria custado, informou Soraia à CPI, algo como R$ 6,5 milhões. Mas a contabilidade oficial só registrou, segundo ela, R$ 1,3 milhão. A ex-assessora petista voltou a fazer acusações contra o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT-SP).

 

Sobre Bernardo, contou o seguinte: a campanha petista em Londrina teria mobilizado 2.000 cabos eleitorais para o trabalho de boca de urna. Um dos coordenadores do comitê de Nedson Micheleti teria consultado Paulo Bernardo, por telefone, sobre a possibilidade de o partido pagar R$ 100 por dia a cada um deles. E o ministro, que na época ocupava a cadeira de deputado federal, teria assentido. “Ele disse que tinha lastro”, afirmou Soraia .

 

Sobre Dirceu, Soraia relatou: “Ele participou de um evento que eu ajudei a organizar. O tesoureiro da campanha, Augusto Dias Junior, disse: 'Faz esse evento bem bonito para agradar o José Dirceu porque ele vai trazer o dinheiro'. No dia 20 de setembro (dois dias depois), apareceram R$ 300 mil em notas de R$ 100 novas com selo do Banco do Brasil.” Em declarações anteriores, Soraia dissera que o próprio Dirceu transportara o dinheiro. “Não sei de onde veio todo o dinheiro, a única coisa que ouvi foi o tesoureiro Augusto falar que foram quatrocentas 400 pilas de Itaipu.”

 

Bernardo e Dirceu negam as acusações feitas por Soraia. O ex-chefe da Casa Civil chega mesmo a dizer que ela “está louca”. Terminado o depoimento, o relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que a ex-assessora petista foi firme. Mas enxergou nas suas palavras um quê de exagero.

Escrito por Josias de Souza às 18h31

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Alckmin sobre prévias: disputo em qualquer âmbito

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O governador Geraldo Alckmin (São Paulo) emitiu hoje o primeiro sinal público de que deseja a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato do partido à presidência da República. Disse que disputará a indicação do partido “em qualquer âmbito que seja colocado”.

 

O tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, afirmou que a escolha entre Alckmin e o prefeito paulistano José Serra, o outro presidenciável do PSDB, deve se dar por consenso. Mas referiu-se às prévias como “uma possibilidade que não pode ser descartada.”

 

Alckmin e Aécio encontraram-se num evento público, na Bolsa de Valores de São Paulo. Participaram da cerimônia de lançamento de ações da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) na Bovespa. Ambos declararam-se confiantes em que o PSDB conseguirá emergir da disputa interna travada entre Alckmin e Serra com a unidade partidária intacta.

 

Nos últimos dias, o embate entre os dois presidenciáveis tucanos se intensificou. Conforme revelado aqui no último domingo, Alckmin exibe certa irritação em seus diálogos privados. Queixa-se de um suposto comportamento desleal de Serra. Acusa a assessoria do prefeito de vazar para a imprensa notinhas contra ele.

 

Num desses diálogos, Alckmin ameaçou “bater chapa” com Serra. Significa dizer que exigiria da cúpula do PSDB a definição do candidato à presidência por meio de votação na convenção nacional do partido. Algo que o grão-tucanato gostaria de evitar. Os partidários de Alckmin já articulam abertamente em favor das prévias.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Alencar declara apoio à reeleição de Lula

                                                                                                                                                     Dizia-se que ele estava agastado com Lula. Mas o vice-presidente José Alencar, hoje no exercício da presidência da República, declarou-se, nesta quarta-feira, confiante na reeleição do companheiro de governo: “Ele é um gigante e tem todos os méritos. Não tenho dúvidas de que ele será reeleito.”

 

Alencar derramou-se em elogios a Lula. Para justificar a melhoria dos índices de popularidade do presidente, afirmou: “Ele tem condições excepcionais no campo de sensibilidade social, de espírito cívico e público e também de sentimento nacional. O brasileiro quer apoiar um candidato assim.”

 

Para Alencar, o fato de Lula conservar-se vivo nas sondagens eleitorais, a despeito de todas as denúncias que sitiam o governo e o PT, demonstra que o povo deseja renovar-lhe o mandato. “O Lula se sustenta. E essa é a prova de que o povo o recomenda”, comentou.

 

Na ausência de Lula, em viagem à Argélia, o presidente em exercício representou-o num almoço promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China. O apoio a Lula foi explicitado depois que jornalistas lhe perguntaram se achava que a economia ajudaria Lula na campanha eleitoral.

 

Recetemente, Alencar trocou o PL pelo PRB, partido erigido à sombra da Igreja Universal do Reino de Deus, do auto-proclamado bispo Edir Macedo. Chegou-se a especular que ele poderia concorrer à presidência. Os rumores aumentaram depois que o vice anunciou a intenção de desincompatibilizar-se da pasta da Defesa até o final de março. Ele até pode ser candidato a alguma coisa. Mas, pelo jeito, não será ao Palácio do Planalto.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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Sobre Lula, viagem, briga e bebida

Reuters
 

Lula chegou nesta quarta-feira à Argélia. É o primeiro estágio de sua quinta visita à África. Dessa vez, irá também ao Benin, Botswana e África do Sul. Pressione AQUI para ler mais sobre a viagem.

Antes de embarcar para a Argélia, Lula esteve com o lutador baiano Popó. Recebeu dele um presente muito apropriado para essa temporada pré-eleitoral: um par de luvas de boxe.

Lula não hesitou em calçá-las. Entre risos, fez com Popó o que FHC sugeriu ao PSDB que faça com o PT –chamou-o para a briga. O tucanato que se cuide. Diz-se nas cercanias do presidente que ele está se cuidando.

Nesta quarta-feira, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento Industrial) contou que Sua Excelência não põe uma gota de álcool na boca há consideráveis 40 dias. "Ele só toma Coca-light. E a gente tem que acompanhar", disse Furlan. Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 16h26

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Serraglio abriu o olho

Durou menos de 24 horas a insensatez de Osmar Serraglio (PMDB-PR). Depois de dizer que a lista de Furnas não era assunto para a CPI dos Correios, ele voltou atrás nesta quarta-feira. Agora diz que levará a voto o requerimento que pede a convocação de Dimas Toledo. Antecipando-se ao resultado, informa que o ex-diretor de Furnas deve ser ouvido na quarta da próxima semana. Falta só marcar a inquirição do lobista Nilton Monteiro. Já foi até aprovada pela CPI. Mais um empurrãozinho e Serraglio chega lá.

Escrito por Josias de Souza às 11h28

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Final feliz

Final feliz

Reuters
 

 

O amor, como se sabe, é aquele sentimento nobre que começa em harmonia e termina em guerra. No caso do presidente dos EUA e do líder da Al Qaeda a coisa se inverteu. Começou pelo final.

 

Ainda assim, o cartaz acima, afixado num bar da cidade mexicana de Guadalajara a propósito do Dia dos Namorados, que nos EUA é festejado em fevereiro, parece apostar num final feliz. Improvável. Os idealizadores da peça não se deram conta de que amor não é coisa para amadores como Bush e Bin Laden.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Carregadores de piano

Glauco
 

Escrito por Josias de Souza às 02h55

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As manchetes desta quarta

- JB: Candidato Lula promete casa própria para todos

- Folha: Pacote reduz impostos para a construção civil

- Estadão: Indústria dá sinais de reação

- Globo: Pacote do governo pode estimular a favelização

- Correio: Condomínios têm licitação suspensa

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Tucanato encosta Serra contra a parede

O PSDB cansou de brincar de esconde-esconde com José Serra. Nos próximos dias, integrantes da cúpula do partido, entre eles Fernando Henrique Cardoso, vão procurar o prefeito paulistano. Querem que ele assuma, de uma vez por todas, a condição de candidato à presidência da República.

Se Serra disser o que todos já sabem, ou seja, que é, sim, candidato, o tucanato começará a procurar uma saída honrosa para o governador Geraldo Alckmin. O partido parece inclinado a antecipar para depois do Carnaval um anúncio que estava previsto apenas para o final de março.

Apenas para que o prefeito e os eleitores não se esqueçam, o signatário do blog reproduz abaixo, uma vez mais, o compromisso assinado por José Serra, em sabatina promovida pela Folha. Prometeu que exerceria o mandato de prefeito de São Paulo até o último dia. Decerto já dispõe de uma boa justificativa para rasgar o papel.

Escrito por Josias de Souza às 02h37

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Sujo X Mal lavado

A guerra pré-eleitoral proporcionou nesta terça-feira um edificante embate verbal entre governo e oposição no plenário do Senado. De um lado, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP). Do outro, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

Virgílio desferiu o primeiro golpe. Anunciou a apresentação de um requerimento de informações sobre irregularidades ao Ministério do Trabalho e Emprego, às voltas com a suspeita de corrupção.

Mercadante contra-golpeou com os índices da última pesquisa Datafolha, que atesta a recuperação dos índices de popularidade de Lula. Desfiou um rosário de indicadores econômicos e sociais da gestão petista. E procovou:

— Vamos comparar o que fez Fernando Henrique e o que fez Lula de concreto para a vida da população em todas as áreas.

Virgílio recusou o convite:

— Não se discute aqui saúde, educação e economia porque nunca se roubou tanto neste país.

No instante em que Mercadante disse que FHC tem hoje um terço das intenções de voto de Lula, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) interveio com um grito, disparado do meio do plenário:

— Serra (José Serra) derrotará Lula no primeiro e segundo turnos, disse ACM, traindo a preferência do PFL na disputa entre o prefeito paulistano e o governador Geraldo Alckmin.

Mercadante não se deu por achado:

— Um governo Alckmin ou um governo Serra, em qualquer política pública deste país, significa dizer que os oito anos de Fernando Henrique voltarão.

E Virgílio:

— A reeleição de Lula significaria a volta de José Dirceu, Delúbio Soares e Silvio “Land Rover” Pereira.

Quem assistiu a troca de ofensas ficou com a incômoda sensação de que, nas eleições deste ano, o eleitorado terá a dura tarefa de escolher entre o sujo e o mal lavado. Triste, muito triste, tristíssimo.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Lobista reafirma: lista de Furnas é autêntica

Reapareceu nesta terça-feira o lobista mineiro Nilton Monteiro, aquele sujeito cuja convocação a CPI dos Correios já aprovou, mas que o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) não quer ouvir. Ele reafirmou que tem coisas relevantes para contar.

 

Responsável pela divulgação da chamada "lista de Furnas", Monteiro rebateu as afirmações de que o conjunto de papéis tem erros e inconsistências. Disse que guarda consigo, além dos originais da lista, os recibos dos pagamentos que a estatal teria feito, por baixo da mesa, a políticos que integravam a base de apoio de Fernando Henrique Cardoso.

Só para recordar: a "lista de Furnas" é composta por cinco folhas de papel cuja autenticidade a Polícia Federal tenta comprovar. Anota os nomes de 156 políticos de 12 partidos diferentes, do PSDB ao PTB, passando pelo PFL e pelo PMDB. C
oncorreram às eleições de 2002. Teriam se servido de um caixa dois fornido com grana obtida junto a fornecedores de Furnas. Tudo somado, as arcas clandestinas da estatal teriam irrigado os caixas de campanha com notáveis R$ 40 milhões.

Nilton Monteiro reafirmou que recebeu a lista do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, cuja assinatura está no papel, com autenticação em cartório "por semelhança". Dimas nega o conteúdo e a autoria do documento. Com um barulho desses batendo às portas da campanha de 2006, a CPI não terá como se eximir da audição de Monteiro e Toledo.

Para desassossego de Osmar Serraglio, até líderes do PFL e do PSDB disseram nesta terça-feira que exigirão que a CPI ouça Dimas Toledo. Nada disseram sobre Nilton Monteiro. Mas decerto não se oporão a que também ele seja inquirido. A essa altura a sociedade cobra pratos limpos. Bem limpinhos.

Escrito por Josias de Souza às 01h56

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SUS utiliza medicamento condenado por médicos

SUS utiliza medicamento condenado por médicos

O Sistema Único de Saúde vem utilizando há mais de dois anos um medicamento cuja eficácia é questionada pela comunidade médica de todo país. Chama-se Prosigne. Trata-se de uma “toxina botulínica” produzida por um laboratório da China chamado Lan Zhou.

 

Esse tipo de droga é utilizada principalmente por pacientes com paralisia cerebral, inclusive crianças. Serve para inibir contrações musculares involuntárias. Sua ação promove o relaxamento muscular, diminuindo as dores e reduzindo a necessidade de intervenções cirúrgicas.

 

No caso do Prosigne, a APCB (Associação de Paralisia Cerebral do Brasil) afirma que não há elementos que confirmem a segurança do uso e a eficácia dos resultados do medicamento. A ABN (Academia Brasileira de Neurologia) diz que “não há evidências suficientes, em publicações na literatura médica, para definir com precisão a eficácia terapêutica no tratamento das distonias e o perfil de segurança da droga quanto ao seu potencial em produzir efeitos colaterais.”

 

Médicos que utilizaram a droga reportam efeitos colaterais tais como dor e reações alérgicas no local de aplicação. Queixam-se também da suposta ineficácia do remédio. A comercialização do Prosigne no Brasil foi autorizada em 2003 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Ministério da Saúde. O processo atropelou normas estipuladas pelo próprio governo.

 

Deixou-se de elaborar, por exemplo, um documento chamado “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.” Trata-se de um estudo oficial feito pelo Ministério da Saúde, para garantir a “prescrição segura e eficaz” dos medicamentos. Não foi observada também a resolução número 80 da Anvisa. Obriga a análise de novas drogas pela Ceteme (Câmara Técnica de Medicamento), o que não foi feito. O governo, de resto, aceitou o “certificado de boas práticas de fabricação” emitido pelas autoridades sanitárias da China, sem realizar inspeção técnica na fábrica.

 

Há duas semanas, o Ministério Público do Distrito Federal ajuizou uma ação civil pública que pede a suspensão imediata da comercialização do Prosigne em todo território nacional até que seja comprovado que não oferece riscos aos pacientes. Assina a ação o procurador Peterson de Paula Pereira.

 

O procurador anota na ação: “Cabe ao Poder Judiciário (...), fazer cessar essa situação de alto risco que está na iminência de vitimar as pessoas que precisam de tratamentos, as quais tornaram-se verdadeiras ‘cobaias’ de uma indústria farmacêutica sem compromisso com os usuários de seus remédios, bem como de uma autarquia pública (Anvisa) indulgente no seu mister, cujo papel é da mais extrema relevância para a saúde pública.”

 

Figuram como réus na ação a Anvisa e o laboratório paulista Cristália, que distribui o Prosigne no Brasil. O caso chegou também ao Congresso Nacional. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) organiza audiências públicas para ouvir a comunidade científica a respeito dos riscos envolvidos na utilização do medicamento.

Escrito por Josias de Souza às 01h19

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Anvisa alega indisponibilidade de técnicos

Anvisa alega indisponibilidade de técnicos

Antes de protocolar a ação judicial contra o uso do medicamento Prosigne, o Ministério Público intimou a Anvisa a explicar-se. O órgão do Ministério da Saúde respondeu por escrito. Disse que aceitou o “certificado de boas práticas de fabricação” emitido pela China “devido à não disponibilidade de técnicos especializados para realizar a inspeção na fábrica produtora da toxina butolínica na ocasião do registro.”

 

“Quanto aos estudos técnicos-laboratoriais”, anota o documento, “a ANVISA e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) estão trabalhando no sentido de elaboração e implementação de técnicas de laboratório para controle de qualidade em produtos biotecnológicos.” Ou seja, reconheceu-se explicitamente que o medicamento foi liberado sem a devida análise técnica.

 

“Essa situação vem preocupando os médicos, que não se sentem seguros em utilizar um medicamento sem a devida comprovação de sua eficácia e segurança e os pacientes que têm seus quadros patológicos piorados devido à falta de tratamentos adequados”, diz o procurador Peterson de Paula Pereira no texto de sua ação.

 

O uso da toxina botulínica foi liberado no Brasil em 1992, por decisão da Anvisa. Antes da entrada no mercado brasileiro do Prosigne, o medicamento chinês do laboratório Lan Zhou, utilizavam-se apenas duas drogas, o Botox e o Dysport. O primeiro é produzido pelo laboratório Allergan, dos EUA. O segundo é um produto franco-irlandês, do laboratório Aché.

 

As toxinas botulínicas são mais conhecidas do público por sua utilização cosmética, em tratamentos de rejuvenescimento da face. Mas é no enfrentamento de patologias musculares que o seu uso é considerado mais relevante.

 

O Botox o Dysport vêm sendo aplicados há mais de uma década. Segundo a comunidade médica, têm resultado na melhoria das condicões dos pacientes. Com a aprovação do Prosigne pela Anvisa, o laboratório Cristália, distribuidor da droga chinesa no Brasil, credenciou-se para participar de licitações públicas promovidas pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde.

 

No ano passado, o governo paulista, por exemplo, adquiriu 70 mil doses do medicamento por cerca de R$ 34 milhões. O Prosigne ganhou as prateleiras de estabelecimentos de saúde da importância do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

O médico Lucio Coelho David, presidente da APCB (Associação de Paralisia Cerebral do Brasil) ajuizou, em 3 de agosto de 2005, uma ação popular na Justiça Federal de São Paulo contra a aquisição do medicamento chinês pelo governo de São Paulo. O processo encontra-se pendente de julgamento.

 

Avolumaram-se as queixas dos médicos contra a nova droga. Questionam os estudos chineses que foram aceitos pelo Ministério da saúde. Afirmam que, embora o Prosigne vença licitações oferecendo preços menores que os de seus concorrentes, exige dosagens maiores no curso dos tratamentos. O que anularia a aparente vantagem financeira para o Estado.

 

O laboratório Cristália disponibilizou em seu sítio na internet um documento em que fala dos “mitos e verdades” acerca da utilização da toxina botulínica de origem chinesa. O texto defende a eficácia do produto. Pressione AQUI para ler a íntegra.

Escrito por Josias de Souza às 01h03

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Maluf adia de novo acesso a contas de Jersey

  Rogério Cassimiro/Folha
Os advogados do ex-prefeito Paulo Maluf conseguiram adiar pela segunda vez menos de três meses a assinatura de um protocolo de cooperação judicial entre o governo brasileiro e a promotoria de Jersey. O acordo permitirá que sejam enviados ao Brasil documentos bancários de empresas off-shore pertencentes à família Maluf.

Em novembro, Maluf já havia obtido, por meio de seus advogados, uma liminar sobrestando a celebração do acordo. A Justiça de Jersey daria uma decisão final sobre o caso em janeiro. A partir da sentença, o promotor de Jersey Willian Baillach estaria livre para liberar os dados bancários requisitados pelo Brasil. Mas Maluf interpôs novo recurso, adiando de novo a decisão, prevista agora para 14 de março.

Os defensores contratados pelas empresas da família Maluf requisitaram à Justiça de Jersey, em janeiro, autorização para ver o pedido de acordo formulado pelo governo brasileiro. O pedido foi negado. Daí a apresentação do recurso, chamado tecnicamente de “aplication”. É um tipo de recurso que tem “efeito suspensivo”. Por isso o promotor Willian Baillach viu-se impedido, uma vez mais, de liberar a documentação.  

Estima-se que os Maluf mantenham em bancos de Jersey, uma ilha britânica situada no Canal da Mancha, cerca de US$ 200 milhões em verbas supostamente desviadas de obras públicas. O dinheiro está bloqueado. O Ministério da Justiça, o Ministério Público e a Prefeitura paulistana tentam repatriá-lo. Por isso tentam pôr a mão nos dados bancários. Servirão para instruir processos que tramitam no Brasil.

Embora não possa se manifestar nos autos, o Ministério da Justiça, autor do pedido de cooperação com Jersey, acompanha de perto o desfecho do caso. Os interesses do Brasil são representados também por um escritório de advocacia de Londres -Lawrence Graham-, contratado pela Secretaria dos Negócios Jurídicos da prefeitura de São Paulo.

De acordo com os dados anotados nos processos que Maluf e seus familiares respondem no Brasil, o ex-prefeito teria mandado ilegalmente para fora do país US$ 446 milhões. Desse total, além dos US$ 200 milhões de Jersey, estão bloqueados os seguintes valores: US$ 15 milhões na França; US$ 14 milhões no grão-ducado de Luxemburgo, país da Europa ocidental; e 1,9 milhão de euros, também na França. Os Maluf têm ainda contas também nos EUA. Localizaram-se por ora cerca de US$ 160 milhões.

Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Da apatia à homeopatia eleitoral

Ricardo Stuckert/PR
 

 

Lula segue administrando, em conta-gotas, a dosagem de bondades eleitorais. Ontem, foi o plano de carreiras para os professores. Hoje, o pacote de incentivos para facilitar a compra de imóveis por meio da redução de impostos e do aumento da oferta de crédito para os compradores.

A generosidade do dia prevê a liberação pela rede bancária de R$ 18,7 bilhões para habitação e construção civil no ano eleitoral de 2006. A providência, frise-se, é mais do que necessária. Pena que o governo não tenha enxergado isso em 2003. Ou em 2004. Ou ainda em 2005. Pena.

 

O reconhecimento de que o problema é velho salta do próprio discurso feito por Lula ao anunciar as novas medidas: “Eu acho que essa medida é extremamente importante porque demonstra claramente que nós estamos com disposição de resolver um déficit habitacional que, eu me lembro que desde 1974, quando se começou a colocar a habitação como prioridade, naquela campanha que o dr. Ulisses Guimarães fez do anti-candidato, depois na campanha de 1974, aparecia um déficit habitacional de 6,5 milhões de casas. Ou seja, de lá para cá já se construiu tantas casas e o déficit ainda continua sendo, sem número exato obviamente, por volta de 6 ou 6 milhões. Nós precisamos em algum momento zerar esse déficit.”

Zerou-se, por ora, não o déficit habitacional, mas o IPI de 13 itens que compõem a cesta básica da construção civil. Reduziu-se o IPI de outros 28 produtos. Eliminou-se o imposto de importação cobrado sobre o cimento. Submetida à concorrência externa, as cimenteiras nacionais serão forçadas a puxar para baixo os seus preços.

Não é só: o governo promete ampliar os recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Criado em 2005, o fundo destina-se ao financiamento de moradias populares. Agora o volume de dinheiro do fundo chegará a R$ 1 bilhão

  Alan Marques/F.Imagem
As medidas foram anunciadas em solenidade no Planalto. A presença de uma claque organizada emprestou ao evento uma conveniente coloração eleitoral. Algo que não passou despercebido aos olhos da oposição.

O PSDB, autor de um lote de ações na Justiça Eleitoral contra Lula, analisa a hipótese de adensar o processo com mais uma ação.

Escrito por Josias de Souza às 16h09

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Haiti vai às urnas

Marcelo Casal Jr./ABr
 

O Haiti realiza nesta terça-feira, sob atmosfera de tumulto, suas ansiadas eleições presidenciais. Alguns pontos de votação não abriram no horário previsto. A aglomeração de grande número de eleitores descambou rapidamente para a encrenca. Por ora, contabilizaram-se dois mortos e vários feridos.

Marcada pela tensão, esta é a primeira eleição desde 2002, quando o então presidente Jean Bertrand Aristide abandonou o país, arrasado pela violência. O povo haitiano vai às urnas movido pela esperança de reverter uma realidade marcada pela pobreza e pela ação de bandos armados.

Por obra e graça da grandiloqüência da política externa brasileira, o Exército desta terra de palmeiras e sabiás continua no centro da confusão do Haiti. Note que, na foto acima, o soldado que empunha a arma traz na manga do uniforme a bandeira brasileira.

Nos subterrâneos do governo, segue acalorado o debate sobre o destino das tropas brasileiras. A cúpula das Forças Armadas defende o retorno breve. O Itamaraty prevê o alongamento da missão. Com os olhos ainda voltados para uma cadeira de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, Lula inclina-se pela posição da chancelaria.

Enquanto isso, muitas favelas brasileiras vivem o seu Haiti sem que os governos -Estadual e federal- consigam prover aos brasileiros de bem um mínimo de segurança. Aqui, o Exército argumenta que não está preparado para a conteção da violência urbana. Lá, não faz outra coisa.

Escrito por Josias de Souza às 15h26

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Dimas, que Dimas?

  Lula Marques/F.Imagem
A CPI dos Correios foge da lista de Furnas como Belzebu do crucifixo. O relator da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse nesta terça-feira que não planeja inquirir nem o lobista mineiro Nilton Monteiro nem o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo.

 

Serraglio destoou de Delcídio Amaral. Na semana passada, o presidente da CPI dissera que o depoimento  de Monteiro, já aprovado pela CPI, seria marcado. Quando ao de Dimas, seria levado a voto, junto com o requerimento que prevê a reconvocação de Duda Mendonça.

 

Para Serraglio, “esse assunto” de Furnasduto “nunca foi objeto” da CPI. Quem quiser investigá-lo que recolha 171 assinaturas de congressistas e abra outra CPI. “Acabaria a CPI dos Correios e eles começariam a outra.”

 

A bancada governista na CPI não vai, evidentemente, aceitar de cabeça baixa o “veredicto” de Serraglio. Na quinta-feira, a comissão vota requerimento da senadora Ana Júlia (PT-PA), pedindo a audição de Dimas, ex-diretor de Furnas.

 

Homem de sete instrumentos, Dimas Toledo operou em Furnas para a turma de FHC e para o petismo. Sua casa caiu no ano passado, por obra e graça de Roberto Jefferson. A lista de Furnas, essa que Serraglio não quer ver nem pintada de ouro, refere-se à fase tucana de Dimas.

 

O papelório, de autenticidade por comprovar, anota 156 nomes. Todos associados ao consórcio que, em 2002, dava suporte ao Clube de Regatas FHC. Teriam beliscado R$ 40 milhões nos subterrâneos de Furnas. FHC disse na noite passada que o tema deve mesmo ser investigado. Para dar concretude às suas palavras, o ex-presidente deveria mobilizar o tucanato para arrastar Dimas até banco da CPI.

Escrito por Josias de Souza às 14h51

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As manchetes desta terça

 

- JB: Candidato Lula vai à escola