Feliz 2006!
Estamos todos muitos próximos daquele momento invisível que separa um ano do outro. O instante mágico em que são erguidos os copos, em que um lábio é premido contra o outro, em que os corpos se encontram num abraço.
Ao cruzar a linha imaginária que separa o velho do pseudonovo, continuaremos carregando as nossas aflições pessoais. Agora mesmo, nesse exato átimo de segundo, enquanto você separa uma roupa elegante para festejar o recomeço da vida, alguém pode estar saltando do décimo andar por considerar que não vale mais a pena.
No âmbito privado, as neuroses serão as mesmas. A despeito da virada do relógio, não desaparecerão as calvas à procura de perucas, as barrigas espetadas à cata da dieta ideal, os estômagos ermos correndo atrás do prato de sopa, os peitos pequenos em busca do silicone, os peitos grandes sonhando com o bisturi...
Na esfera pública, os dramas também serão os mesmos. Inocentes culpados. Culpados inocentes. Espertos superados pelos mais espertos. Cofres sitiados. Gestores ineptos. Contribuintes indefesos.
Mas não há de ser nada. O que seria da esperança se não existisse o desespero? Assim, sem perder de vista o fato de que o passar dos anos sempre rouba-nos algo, o importante, diria Pope (1688-1744), é tentar impedir que o tempo nos roube de nós mesmos. Vá em frente. Solte os seus fogos.
Ah, sim, já ia me esquecendo. Antes de vestir aquela roupa especial, dê uma passada AQUI para ver imagens dos festejos ao redor do mundo.
Escrito por Josias de Souza às 19h25
Para você que se prepara para os festejos do Réveillon, vai aqui um aviso: estudo publicado no British Medical Journal informa que nenhum dos tratamentos convencionais contra a ressaca funciona.
A pesquisa foi feita por uma equipe da Península Medical School. Testaram-se os medicamentos à disposição no mercado e uma série de preparados de ervas. Nada funcionou. Os remédios não servem nem como prevenção nem como cura para a bebedeira.
Os estudiosos viram-se compelidos a registrar uma conclusão desalentadora para os amantes do copo: o único remédio eficaz contra a ressaca é não beber. Ou beber moderadamente.
“A única coisa que se pode fazer com uma ressaca é deixar que seu corpo cure a si mesmo e aprender a lição que a natureza ensina: não faça de novo ou beba com moderação”, diz o professor de medicina Edgard Ernest, um dos responsáveis pelo estudo.
Recomenda-se às mulheres que tenham um cuidado ainda maior. Elas são menos resistentes ao álcool. Em condições normais, seus organismos suportam bem três doses, contra quatro dos homens. Pressione AQUI para ler reportagem da BBC (em espanhol).
Escrito por Josias de Souza às 19h10
O presidente Lula será notificado judicialmente nas próximas semanas, para que dê acesso aos familiares de vítimas da ditadura militar a documentos secretos que ajudem a localizar os corpos de seus parentes desaparecidos. O pedido consta de uma ação que tramita há dez dias na 8a Vara da Justiça Federal de Brasília.
O processo foi aberto a pedido do Ministério Público e da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Assinam a ação os procuradores Sergio Suiama e Eugênia Fávero, de São Paulo, e Lívia Tinocco, de Brasília. O advogado Fernando Camargo representa os familiares dos desaparecidos.
Guiando-se por dois decretos presidenciais –4.553 (2002) e 5.301 (2004), os autores da ação pedem que, além do presidente, sejam notificadas outras nove autoridades. São pessoas que, de acordo com os decretos, têm poder decisório sobre o destino dos papéis secretos produzidos durante o ciclo militar.
A lista inclui os seguintes nomes: 1) José Alencar, vice-presidente da República e Ministro da Defesa; 2) Dilma Roussef, chefe da Casa Civil da Presidência da República; 3) Jorge Armando Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência; 4) Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça; 5) Álvaro Augusto Ribeiro Costa, advogado-geral da União; 6) Mário Mamede, secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência; 7) Roberto Guimarães de Carvalho, comandante da Marinha; 8) Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército; e 9) Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica.
Os procuradores da República e o advogado da Comissão de Desaparecidos sustentam que a notificação judicial tornou-se necessária porque “o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, em sua 85ª Reunião, ocorrida em novembro de 2005, considerou insuficientes como forma de punição as indenizações pagas às vítimas da ditadura e seus familiares, tendo recomendado ao Brasil que considere outras formas de responsabilização, especialmente pessoal, e que torne públicos todos os documentos relevantes sobre abusos de Direitos Humanos, inclusive os documentos retidos de acordo com o decreto presidencial 4.553/02.”
Além de exigir que os familiares tenham acesso a dados sigilosos, a ação reivindica que também o Ministério Público possa manusear os documentos secretos, “para avaliar as medidas possíveis para responsabilizar as pessoas que violaram direitos humanos durante a Ditadura Militar.”
O crime de “ocultação de cadáver”, sustenta a ação, “não é abrangido pela tese da anistia ou pela prescrição, havendo também a possibilidade de responsabilizações no âmbito cível.” Os procuradores anotam que “as atuais autoridades brasileiras, que tenham qualquer parcela de poder em relação ao tema, não podem se omitir.”
Escrito por Josias de Souza às 17h47
Não é a primeira vez que o Ministério Público e os familiares dos desaparecidos tenta obter do governo informações sigilosas que permitam localizar os corpos das vítimas da ditadura. Em ocasiões anteriores, o governo ora negou acesso aos dados, ora sustentou que os documentos já não existem. Teriam sido incinerados.
O governo jamais exibiu, porém, uma prova da queima dos arquivos. Os manuais internos de contra-espionagem das Forças Armadas, em vigor desde a década de 70, estabelecem regras estritas para a incineração de documentos.
O Manual do Exército, atualizado em 1994, traz o seguinte título de capa: "Instruções Gerais de Contra-Inteligência para o Exército Brasileiro". Dedica um tópico à "segurança na destruição". Estipula que "a destruição de documentos sigilosos deve ser centralizada, de forma a evitar desvios".
Meticuloso, o texto recomenda que "os documentos sejam triturados e depois queimados". Anota ainda que a queima deve ser precedida da "lavratura de um termo de destruição". Sob Lula, o ex-ministro José Viegas, que antecedeu José Alencar no Ministério da Defesa, disse que os arquivos militares sobre a guerrilha do Araguaia (1972-1974), um conflito que produziu 61 desaparecidos políticos, foram ao fogo.
Viegas foi vago quanto às datas: "Imagino que isso tenha ocorrido nos anos 70 ou nos anos 80." Perguntado sobre os "termos de destruição", o então ministro disse que também teriam sido queimados. Um contrasenso que o governo Lula até hoje não conseguiu explicar.
Escrito por Josias de Souza às 17h44
David Gray/Reuter
Em alguns lugares do mundo, o ano já é novo. Em Sydney, na Austrália, 13 horas à frente do relógio oficial de Brasília, 2006 foi saudado por uma queima de fogos de onze minutos, na ponte Harbour (foto).
Escrito por Josias de Souza às 11h59
Reuter
Todas as pessoas, como se sabe, já nascem juradas de morte. Mesmo aquelas que se julgam cheias de vida. Talvez seja por isso que o cadáver chame tanto a atenção do ser humano, ele próprio um defunto esperando para acontecer. Não foi diferente em 2005.
Respondendo a uma enquete da Folha Online, os leitores elegeram a morte do papa João Paulo Segundo como o fato mais relevante do ano de 2005. Além de outras mortes individuais, foram guindados à condição de episódios marcantes os morticínios coletivos, decorrentes de catástrofes naturais.
Os conflitos no Iraque, que completaram mil dias, e o rebuliço no Oriente Médio também constam da lista de episódios marcantes de 2005. De novo, duas páginas banhadas de sangue. A enquete continua em aberto. Quer dar a sua opinião? Então clique aqui.
Escrito por Josias de Souza às 11h33
Se você domina o inglês, aprecia os temas científicos e não planeja soltar fogos na passagem do ano, vai aqui uma sugestão. Desperdice um naco do seu tempo com a leitura da última edição especial online da revista Science. Traz farto material sobre os principais avanços da pesquisa científica no ano de 2005. Bom proveito.
Escrito por Josias de Souza às 10h51
Periodista Digital
- JB: Pequeno empresário pagará menos imposto
- Folha: Cai imposto para 180 mil empresas
- Estadão: Ano eleitoral começa com R$ 440 milhões para estradas
- Globo: Lula promete recuperar estradas em seis meses
- Correio: 2006 aí vamos nós
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h40
“2005 deixará uma herança maldita para 2006?”, eis a pergunta feita pela Folha deste sábado em sua seção Tendências/Debates. Escalado para responder “NÃO” (para assinantes), o ministro Antonio Palocci (Fazenda) abre assim o seu artigo:
“Em 2005 , o país cresceu em muitos aspectos e se tornou mais forte e seguro de si. Está mais forte porque há três anos o governo federal tem mostrado que sua liderança pode dar condições para as empresas e os trabalhadores criarem um país que cresce com inflação baixa, contas públicas em ordem e um setor externo em expansão.
Além disso, aprendemos que, ao decidirmos não resolver problemas políticos relaxando os critérios de condução da economia, o país ganha e os problemas vão sendo resolvidos na medida em que são tratados nas instâncias próprias e com respeito aos processos institucionais.
Do ponto de vista técnico, as condições para o crescimento econômico são muito favoráveis nessa entrada de ano. O ambiente externo é positivo e a significativa criação de emprego nos últimos 26 meses dá um impulso à demanda interna, que irá suplementar aquele dado pelo aumento do crédito privado observado recentemente (...).”
Convidado para responder “SIM” (para assinantes), o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, iniciou o seu texto assim:
“O triênio Lula repetirá a débil média de crescimento dos últimos 15 anos. Nossos 2,5% só superam, no Novo Mundo, o crescimento de El Salvador, Haiti, Jamaica e Guiana. Na América Latina e Caribe, a média de 2005 será de 4,3%. Segundo a Cepal, neste ano, o pífio crescimento brasileiro só superará o do Haiti (1,5%). Os emergentes crescerão, neste ano, 6,4%; o mundo, 4,3%. O Brasil não emerge, rasteja. O presidente Lula disse: "É muito simplista comparar o Brasil com qualquer outro país. Tem que comparar com a nossa lógica." (???).
O crescimento em 2004 foi um típico vôo de galinha. É positiva a geração de novos empregos, mas o que cresce são os setores que pagam os menores salários. Em 2005, o rendimento real médio foi 11,2% inferior ao de 2002. O Bolsa-Família melhora a proteção social. No Nordeste, estão 46,9% das famílias pobres e são distribuídos 49,3% das bolsas. Entretanto, 8,7 milhões de famílias recebem aproximadamente 50 centavos/dia por membro da família assistida. É positiva a elevação do salário mínimo, que permanece, no entanto, insuficiente.”
E você, caro leitor, de que lado está?
Escrito por Josias de Souza às 03h27
Tremei George Bush: no próximo dia 17 de janeiro, a INB (Indústrias Nucleares Brasileiras) começa a enriquecer urânio em escala industrial (para assinantes do Estadão). A unidade de enriquecimento, situada em Resende (RJ), será formalmente inaugurada por Lula.
Pelos cálculos oficiais, a fábrica da INB alcançará em 2010 um nível de produção suficiente para abastecer as usinas de Angra 1 e 2. Os propósitos brasileiros são pacíficos. Mas, sob Bush, o governo norte-americano costuma traduzir o binômio “urânio enriquecido” como bomba. Some-se a isso a amizade de Lula com o presidente venezuelano Hugo Chavéz. É o suficiente para deixar eriçado o Império do Norte.
Escrito por Josias de Souza às 02h56
O presidente eleito da Bolívia iniciou nesta sexta-feira um périplo internacional. Adivinhe quais foram as primeiras terras que os pés de Evo Morales pisaram. Sim, isso mesmo. As da ilha de Cuba. Foi recebido com pompa pelo companheiro Fidel Castro.
Antes de tomar posse, em 22 de janeiro, Morales irá à Espanha, França, Bélgica, África do Sul, China e, por último, Brasil. Por aí se vê a importância que atribui às relações com Lula, o auto-intitulado líder político da América Latina.
Escrito por Josias de Souza às 01h03
Alan Marques/Folha Imagem
Reunido nesta sexta-feira com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo (na foto, à esquerda), e dos Transportes, Alfredo Nascimento (à direita), Lula decidiu deflagrar uma gigantesca operação tapa-buracos. Serão despejados sobre as estradas brasileiras R$ 440 milhões.
A coisa começa em 9 de janeiro. Até lá, todos os viajantes que se aventuram nas estradas nacionais neste recesso de final de ano já terão rogado contra o governo e o presidente as piores pragas. A buraqueira se espalha pelos 26.441 quilômetros de estradas federais. Um acinte.
“Como a gente chegou a uma situação dessas?”, questionou Lula na reunião com os ministros. A pergunta ficou flutuando no ar envenenado do gabinete presidencial, sem resposta.
É pena que Bernardo e Nascimento não tenham se dignado a satisfazer a curiosidade do chefe. Bastaria que pronunciassem uma expressão curta e direta: “Falta de planejamento.” Ou, por outra, os ministros poderiam ter dito um único vocábulo: “Incompetência”.
Em vez disso, o ministro dos Transportes preferiu transferir responsabilidades. Acusou governos estaduais de desviar para outros fins verbas federais repassadas para a manutenção das estradas. Lula comprou a desculpa. E mandou a investigar.
Escrito por Josias de Souza às 00h19
Boris Casoy não é mais o âncora do Jornal da Record. A emissora rescindiu antecipadamente o contrato do jornalista, que expiraria em novembro de 2006. Junto com Casoy, deixam a Record Dácio Nitrini, Selma Severo Lins e Salete Lemos, respectivamente diretor-executivo, editora-executiva e comentarista de economica do telejornal.
Escrito por Josias de Souza às 23h36
O governo do Peru encaminha nos próximos dias à Suprema Corte do Chile o pedido formal de extradição do ex-presidente Alberto Fujimori, detido em Santiago desde 6 de novembro. Entre as provas que fundamentam o pedido estão documentos e testemunhos que indicam que, para obter maioria no Congresso, Fujimori (1990-2000) subornou parlamentares com verbas públicas.
Nas eleições parlamentares de 2000, o partido de Fujimori, “Peru 2000”, não obteve maioria no Congresso. Montou-se, então, o esquema de compra de parlamentares, conduzido por um assessor direto do ex-presidente, chamado Vladimiro Montesinos.
Em conseqüência dos subornos, vários parlamentares migraram de legendas oposicionistas para o partido de Fujimori. Em seu terceiro mandado, o ex-presidente, que só contava com 42,6% dos votos do Parlamento peruano, obteve maioria congressual de 58%.
A Controladoria Geral da República peruana estima que Fujimori desviou de 1992 e 2000 entre US$ 43,2 milhões e US$ 59,4 milhões. O dinheiro era transferido de fundos públicos para o SIN (Serviço de Inteligência Nacional) do Peru, que classificava os gastos como secretos e não os contabilizava.
Em depoimento à Justiça peruana, o ex-ministro do Interior de Fujimori, general de Exército César Caicedo Sánchez, disse que o ex-presidente solicitou pessoalmente a transferência do dinheiro para o serviço secreto peruano. O ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, por sua vez, contou que Fujimori aprovava os gastos. Cabia a Montesinos a gerência das verbas secretas.
O próprio Montesinos contou à Justiça que os repasses a parlamentares foram feitos em dinheiro vivo, na sede do serviço secreto peruano. Parte das transações foi gravada em vídeo. Várias fitas foram recuperadas pelas autoridades peruanas. Estão anexadas aos processos.
Há ainda nos autos cópias de três tipos de documentos assinados pelos parlamentares que se venderam: uma carta de renúncia ao seu partido de origem; uma carta de filiação ao partido do governo; e um recibo do dinheiro recebido.
Preso no Chile, Fujimori se diz vítima de “perseguição política”. Alega que não há provas contra ele. Uma equipe do Human Rights Watch analisou os processos. Deteve-se em cinco casos pendentes de julgamento no Peru. Produziu um relatório de 23 páginas que desmonta a versão do ex-presidente.
Além do caso da compra de parlamentares, o documento contém evidências de as verbas secretas do SIN engordaram a fortuna pessoal de Fujimori, compraram o silêncio de meios de comunicação, bancaram a constituição de um grupo militar para eliminar opositores do regime e financiaram a montagem de um sistema de grampeamento clandestino de telefones.
Pressione AQUI para ler a íntegra do relatório da Human Rights Watch, escrito em espanhol. Se preferir a versão em inglês, clique AQUI.
Escrito por Josias de Souza às 20h47
A The Economist pôs na rua a sua aguardada edição especial de final de ano: “O Mundo em 2006”. Vale a leitura. Eis alguns dos textos cuja leitura o signatário do blog recomenda:
· * Paul Wolfowitz: Prioridades para o desenvolvimento mundial;
· * Amartya Sen: A estrela da Índia sobe;
· * Simon Long: A hora da Índia;
· Daniel Yergin: Futuro do mercado do petróleo;
· Daniel Franklin: As maiores economias do mundo.
Sugere-se ainda a leitura do artigo de Michel Reid, sob o título “Ano do voto na América Latina”. Informa o seguinte: nada menos que nove países da América Latina terão eleições presidenciais nos próximos 12 meses, a contar deste dezembro de 2005. A lista inclui Brasil e México, os dois gigantes da região, além de quatro países de médio porte: Chile, Colômbia, Peru e Venezuela.
Sobre o Brasil, diz que é mais fácil prever a vitória da seleção de canarinho na Copa da Alemanha do que adivinhar o resultado das eleições presidenciais. Anota que, no início de 2005, a reeleição de Lula parecia certa. Mas o escândalo político injetou dúvidas no cenário eleitoral.
Lula ainda pode ganhar um segundo mandato, acredita Reid, mas o partido de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tem enormes chances de reaver a presidência da República. Para a Economist, estão no páreo os tucanos José Serra, derrotado por Lula em 2002, e Geraldo Alckmin. Sobre este último, diz-se que é um tecnocrata funcional. Mas um candidato insosso. Pressione na imagem do calendário acima para ler a íntegra do artigo (em inglês).
Escrito por Josias de Souza às 15h10
Periodista Digital
- JB: Inflação tem menor índice em 16 anos
- Folha: Congresso sai de férias sem votar Orçamento
- Estadão: Mensalão foi 'facada nas costas', diz Lula
- Globo: Lula diz que escândalo foi uma 'facada nas costas'
- Correio: Passagens de ônibus sobem 21,5%
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h30
Perigo iminente!
Lula Marques/Folha Imagem
Há na entrada do Palácio do Planalto um detector de metais. É como aquelas geringonças instaladas nos aeroportos. Não chega a impedir que ministros entrem para audiências com o presidente munidos de idéias perigosas. Mas serve para deter visitantes armados. Ou servia.
Observe bem a foto. Note que, a poucos metros de Lula, está sentado um senhor munido de um tipo de artefato contra o qual o esquema de segurança do Planalto vem se revelando ineficaz.
Vai aqui um modesto alerta aos responsáveis pela integridade pessoal do presidente da República: convém precatar-se também contra certas armas brancas. Depois da imprensa livre, a coisa que mais ameaça o petismo no momento é a bengala. Na dúvida, perguntem ao José Dirceu.
Escrito por Josias de Souza às 02h44
Periodista Digital
Com o pé no palanque e a boca no microfone, o prefeito tucano José Serra (São Paulo) inaugurou como obra sua uma escola cuja construção foi iniciada na gestão da antecessora Marta Suplicy (PT). Enquanto Serra discursava, um eleitor emergiu do público com um incômodo cartaz: “Inaugurar o que já está quase pronto é fácil.”
Abespinhado, Serra subiu o tom: “A gestão passada deixou só 18% deste projeto feito. Quando você quer caminhar cem metros e anda apenas 18 centímetros não pode dizer que fez a caminhada. Faltou muito”, disse.
Depois, em contato com jornalistas, Serra comentou: "Isso é coisa organizada por bases petistas." É, pode ser. Mas algo que o petismo por certo não organizou foi a metodologia de cálculo do prefeito-economista. Dezoito por cento de cem metros dá 18 metros, não 18 centímetros.
Escrito por Josias de Souza às 01h54
Periodista Digital
Com o pé no palanque e a mão na caneta, o governador tucano Geraldo Alckmin (São Paulo) liberou nesta quinta-feira um pacote de providências para afagar o eleitorado. O embrulho inclui presentes como a redução de ICMS para produtos da cesta básica, anistia para devedores de IPVA e até redução de 65 anos para 60 anos na idade de mulheres que podem andar de trem e metrô de graça.
Ao propagandear o gesto, Alckmin recusou a comparação com a chamada MP do Bem de Lula, aquela que podou vários tributos para estimular setores produtivos da economia. “Não tem nada a ver com o governo Lula”, disse o governador. “É uma política do estado de São Paulo de redução de carga tributária, mostrando que é possível ter carga tributária menor e investir mais. Como é que se consegue cobrar menos imposto e fazer mais? Tendo mais eficiência no gasto público.” Ah, bom!
Escrito por Josias de Souza às 01h38
Deu-se o esperado: o Orçamento da União para 2006 não foi aprovado pelo Congresso. Frustrou-se nesta quinta-feira a derradeira tentativa de votar a matéria. O esforço esbarrou na resistência de parlamentares que reclamam a liberação de emendas para suas bases eleitorais.
A exemplo do que já ocorrera com o Conselho de Ética da Câmara, a Comissão Mista de Orçamento se autoconcedeu um descanso remunerado até 16 de janeiro. Prevê-se que o Orçamento só será votado em fevereiro.
O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) foi a estrela do dia no Congresso. Bateu o pé pela liberação de R$ 8 milhões para a compra de uma escada magirus (como essa exibida na foto) para o Corpo de Bombeiros de Teresina.
“Não é uma emenda pessoal, é de bancada”, esbravejou Heráclito. “Pode parecer pouco, uma escada magirus, mas se não resolverem esse problema crucial para Teresina, vou obstruir hoje, amanhã e sempre. O Orçamento vai subir no telhado. Tomara que num telhado sem fogo.”
Heráclito tanto fez que obteve a garantia do governo de que a grana para a escada seria liberada. Ainda assim, o Orçamento não desceu do telhado. Há muitas outras demandas por atender. Pedidos cujo atendimento foi dificultado pela desmobilização da Esplanada dos Ministérios.
“Há 17 ministros ausentes de Brasília”, contabilizou o senador José Agripino Maia (RN), líder do PFL. Para Agripino, se tivesse mesmo interesse em varar 2006 com um Orçamento nas mãos, Lula teria exercido sua autoridade para segurar os seus ministros na Capital.
Escrito por Josias de Souza às 01h17
No mesmo dia em que Lula referiu-se ao escândalo do mensalão como “uma facada nas minhas costas”, a Justiça Federal de Goiás deu uma facada no patrimônio de Delúbio Soares, pivô do escândalo. Tornou indisponível um Ômega 2004 do ex-tesoureiro.
O carro do ex-gestor das arcas petistas vale algo como R$ 54 mil. Será usado para restituir aos cofres do governo de Goiás uma grana que Delúbio recebeu indevidamente. Ele beliscou durante nove anos o salário de professor do Estado.
Nada demais, não fosse por um detalhe: o professor de matemática Delúbio residia em São Paulo. Não deu expediente em nenhuma sala de aula de estabelecimentos de ensino goianos. O automóvel não chega a cobrir toda a dívida, que alça a R$ 164,7 mil. Mas já ajuda. Um dos advogado do ex-tesoureiro avisou que recorrerá da decisão.
Escrito por Josias de Souza às 00h51
STF
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Nelson Jobim, comunicou oficialmente a Lula, em conversa reservada ocorrida antes do Natal, que deixará o Supremo no próximo mês de março. Jobim disse a Lula que pretende filiar-se a um partido político. O prazo final para a filiação partidária é o dia 3 de abril.
O comunicado de Jobim a Lula teve dois propósitos. O primeiro, de natureza funcional, foi o de liberar o presidente para selecionar um nome para a vaga a ser aberta no Supremo com o seu desligamento. O segundo, de ordem política, foi a de restabelecer um diálogo aberto há pouco mais de seis meses.
Antes do estouro da crise do mensalão, Jobim recebera de um emissário do presidente, uma sondagem sobre a hipótese de ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula na campanha à reeleição em 2006. O ministro mostrou-se receptivo à idéia. Informado a respeito, Lula incluiu a parceria com Jobim no seu cardápio de opções.
A explosão da crise política, na qual o Supremo teve papel ativo, acabou interditando as articulações. Nesse intervalo, o PMDB, partido ao qual Lula gostaria que Jobim se filiasse, reforçou a tendência de lançar uma candidatura própria à presidência da República. Sentindo o cheiro de queimado, o ex-governador do Rio, Antony Garotinho apressou-se em registrar a sua pré-candidatura presidencial pelo PMDB, inscrevendo-se para as prévias do partido.
Lula continua sonhando com uma aliança com o PMDB. Mas acha que a hipótese é, hoje, remota. Jobim tem diante de si duas alternativas: pode disputar as prévias do PMDB, tornando-se, ele próprio, um candidato à presidência. Ou pode filiar-se a outro partido, reativando a perspectiva de compor a chapa de Lula como candidato a vice.
O ministro, duas vezes deputado federal pelo PMDB do Rio Grande do Sul, ainda não definiu que caminho irá adotar. De concreto, decidiu apenas que tentará reativar a sua carreira política. Em seus diálogos privados, demonstra um certo enfado com a rotina do Supremo.
No plano funcional, Lula manuseia uma lista de onze candidatos ao STF. A relação foi elaborada inicialmente para preencher a vaga do ministro Carlos Velloso, que se aposentará compulsoriamente do STF ao completar 70 anos, no próximo dia 19 de janeiro. Agora, servirá também para o preenchimento do posto a ser aberto com a saída voluntária de Jobim.
Embora ainda não tenha definido os nomes dos dois novos ministros do Supremo, Lula revela sob reserva os perfis de sua predileção. Uma das vagas deve ser ocupada por um político vinculado ao PT. Para a outra, o presidente deve indicar uma mulher. Subirá para seis o número de ministros indicados por Lula na atual composição do STF. Os nomes terão de ser referendados pelo Senado.
Entre os políticos, três nomes emergem como favoritos da lista de onze nomes que repousa sobre a mesa de Lula: os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Sigmaring Seixas (PT-DF) e o ex-ministro da Educação e ex-presidente do PT Tarso Genro.
São três as mulheres que figuram na lista de Lula. Duas reúnem mais chances de obter a indicação: Maria Lúcia Karan, juíza aposentada e coordenadora do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais no Rio de Janeiro (IBCCcrim), e Misabel Abreu Machado Derzi, chefe da Procuradoria Geral da prefeitura de Belo Horizonte, hoje sob o comando do petista Fernando Pimentel.
Esta era a segunda vez na história que um presidente indica uma mulher para o Supremo. A primeira foi a ministra Ellen Gracie. Alçada ao tribunal sob Fernando Henrique Cardoso, ela passará a ocupar a presidência do STF com a saída de Jobim, cujo mandato como presidente só expiraria em junho de 2006.
Escrito por Josias de Souza às 23h58
“Uma facada nas minhas costas”, eis como Lula definiu nesta quinta-feira o escândalo do mensalão. Embora o raciocínio reforce a tese da traição, já esgrimida antes pelo presidente, ele recusou-se, uma vez mais, a nominar os aliados que o teriam apunhalado. “Não interessa se foi ‘A’, ou ‘B’ ou ‘C’. Todo o episódio foi uma facada nas minhas costas”, esquivou-se.
As frases de Lula foram pronunciadas durante entrevista concedida ao repórter Pedro Bial, da TV Globo. Gravada nesta quinta, a conversa vai ao ar no próximo domingo, durante o programa “Fantástico”.
Em dado instante da entrevista, Lula foi instado a falar sobre a participação de José Dirceu (PT-SP), seu ex-chefe da Casa Civil, na crise política que corroeu a imagem pública do governo. De novo, evitou atacar o ex-auxiliar. Disse que a CPI (dos Correios) vai mostrar se ele errou ou não.
Em entrevista anterior, concedida a um grupo de emissoras de rádio no início de dezembro, Lula saira em defesa de Dirceu. Chegou mesmo a dizer que não o excluiria de seu palanque caso decidisse ser candidato à reeleição em 2006. A Bial, o presidente negou ter formulado um convite a ao ex-ministro. Disse que apenas respondeu a uma pergunta.
Um pequeno trecho da entrevista de Lula a Pedro Bial pôde ser acompanhado por algumas pessoas a partir de um monitor que transmitia a conversa enquanto ela era gravada. Um dos “bisbilhoteiros” contou ao blog o que viu e ouviu. Decorridos cerca de cinco minutos de "espionagem", foi vetado o acesso ao monitor, instalado num caminhão do lado de fora do Planalto. A maior parte da entrevista permanece inédita.
Escrito por Josias de Souza às 15h25
Ao arrepio da lei, o banco estatal Nossa Caixa (para assinantes da Folha), gerida pelo governo paulista de Geraldo Alckmin (PSDB), pagou quase em dobro a duas agências de publicidade com contratou. Como se fosse pouco, as agências operaram por um ano e nove meses com os contratos vencidos.
A Nossa (?) Caixa serviu-se dos bons préstimos da Colucci & Associados Propaganda e da Full Jazz Comunicação e Propaganda. Contratou-as por R$ 28 milhões. Mas pagou R$ 54,92 milhões. Os contratos expiraram em setembro de 2003. Mas as contratadas operaram até junho deste ano.
O caso está sob investigação do promotor de Justiça da Cidadania Sérgio Turra Sobrane. Denúncia anônima remetida à Promotoria informa que deputados estaduais que apóiam a gestão Alckmin teriam sido favorecidos por meio de veiculação de publicidade da Nossa Caixa.
Os parlamentares seriam ligados a revistas e a emissoras de rádio e de televisão. Eles também receberam da Promotoria pedidos de explicação. Eis aí um episódio que, de fato, exige explicações. Uma interrogação desse tamanho não pode flutuar sobre o governo de alguém que se apresenta ao país como candidato à presidência da República.
Escrito por Josias de Souza às 09h04
Periodista Digital
Laudo do INC (Instituto Nacional de Criminalística) atestou a autenticidade do documento que descreve um suposto caixa dois de R$ 91,5 milhões (para assinantes da Folha) movimentados na campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 98.
Datado de 7 de junho de 2005, o documento traz rubricas e assinatura, com firma reconhecida em cartório, de Cláudio Mourão, ex-gestor das arcas da campanha de Azeredo. Foi entregue à Polícia Federal pelo lobista mineiro Nilton Monteiro.
Em três folhas de papel, aponta-se a origem e o destino da grana que transitou por baixo da mesa. Recorde-se que, segundo confissão do próprio Cláudio Mourão à CPI dos Correios, só R$ 8,5 milhões foram oficialmente declarados à Justiça Eleitoral.
Além de bancar a candidatura de Azeredo, que nega de pés juntos ter se beneficiado de um ceitil, parte da verba clandestina (R$ 4,5 milhões) teria impul$ionado as pretensões de 124 candidatos de 12 partidos. O documento cuja autenticidade é agora atestada informa: as legendas que mais se beneficiaram do caixa espúrio de Minas foram: PFL (R$ 1,3 milhão), PTB (R$ 1,1 milhão) e PT (R$ 880 mil).
Escrito por Josias de Souza às 08h34
Periodista Digital
- JB: Lula perde palanque
- Folha: BC aponta crescimento menor
- Estadão: Brasil vai crescer 4% em 2006, estima BC
- Globo: BC: Brasil cresce menos e inflação supera previsão
- Correio: Fogo atrasa em um ano cobrança a sonegadores
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h55
Rei caolho
Lula Marques/Folha Imagem
A Bíblia ensina em Êxodo (21, 23-24): “Mas se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”.
Abalroado pelas estripulias do PT, Lula padeceu no ano da graça de 2005 um “dano grave”. Ao dizer-se "traído", esboçou uma reação ao estilo “olho por olho, dente por dente.” Desistiu. Nem os nomes dos "traidores" dignou-se a comunicar.
Nesta quarta-feira, o presidente ostentou, em solenidade no Planalto, um olhar cansado. Para piorar, exibiu no olho direito uma estranha mancha vermelha. Tudo indica que se trata de conjuntivite. Péssimo presságio.
Se há algo que não convém a Luiz Inácio “Não Vi Nadinha” da Silva é entrar em 2006 com problemas oftalmológicos. Se com dois olhos o presidente portou-se como um cego, imagine-se com um só!
Tomara que o serviço médico do Planalto disponha de bons oculistas. Em terra de espertos, quem tem um olho não pode ser rei.
Escrito por Josias de Souza às 02h10
A mesa diretora do Congresso Nacional decidiu aprovar uma resolução para exibir na internet todas as verbas que os parlamentares recebem das arcas públicas, incluindo os salários. A partir de janeiro, qualquer cidadão terá acesso indiscriminado às cifras que chegam ao bolso dos congressistas. Animador, não? Só que o Congresso em questão não é o brasileiro. A novidade foi adotada na Espanha.
Escrito por Josias de Souza às 00h54
O fantasma da CPI do Banestado, aquela que terminou em impasse, ronda a CPI dos Correios. Contrariada com o teor do relatório parcial apresentado na semana passada pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), a bancada petista da comissão ameaça apresentar uma conclusão paralela.
O mesmo PT que se esforça para provar que o mensalão de Brasília não passaria de denuncismo barato não hesitou em denunciar no seu sítio na internet algo que chamou “mensalão tucano em São Paulo.” O que trava as investigações em torno do mensalão, seja ele petista ou tucano, é a rima com eleição.
Escrito por Josias de Souza às 00h14
Terminou em impasse, nesta quarta-feira, a nova tentativa de votar o Orçamento da União para 2006. Numa manobra de última hora, o governo tenta vitaminar o Programa Bolsa Família com mais R$ 3 bilhões. O problema é que esse “adicional” seria subtraído dos orçamentos do Ministério da Saúde (R$ 2,1 bilhões) e do Peti (R$900 milhões), o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
A oposição enxergou na manobra propósitos eleitoreiros: “O governo está se aparelhando para as eleições ao inflar um programa para buscar votos. É um programa que está sempre sob suspeição de fraudes e prática de assistencialismo político, e está cada vez mais flácido em relação às contrapartidas. Não aceitamos inflar tanto um programa que tem uma malha enorme para falcatruas eleitoreiras” disse, por exemplo, Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado.
Com a autoridade de quem apoiou vivamente a gestão FHC, o hoje vice-líder do governo Lula, senador Romero Jucá (PMDB-RR), rebateu Virgílio olhando pelo retrovisor: “É legitimo que o governo aja politicamente no Orçamento para melhorar seu desempenho e conseguir voto. A oposição faz isso também. Estamos aprovando um Orçamento para que o governo tenha capacidade de ação em 2006. O que vai acontecer é o reconhecimento do eleitor a essas ações”, disse o polivalente parlamentar.
Nos próximos dias, a Comissão de Orçamento do Congresso tentará superar o impasse. Sob a marola do Bolsa Família agita-se uma onda mais densa: deputados e senadores realizam uma romaria na Esplanada e no Planalto para tentar enganchar no Orçamento suas próprias emendas.
Escrito por Josias de Souza às 23h54
O Brasil chega ao final de 2005 em posição constrangedora entre os países da América Latina e do Caribe. Levantamento da Cepal informa que o país amargará o segundo pior índice de crescimento econômico da região: 2,5% do PIB. O Brasil só não é o lanterninha porque conseguiu superar o Haiti (1,5%), o país mais pobre do continente.
O desempenho da economia brasileira foi muito inferior ao da Venezuela (9%) e ao da Argentina (8,6%), os dois países que mais cresceram na região em 2005. Ficou abaixo também de nações como Chile, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai, que cresceram entre 5,5% e 7%. Perdeu ainda para Bolívia, Colômbia, Honduras e Nicarágua, que registraram crescimento ao redor de 4%.
Os dados constam de relatório anual que acaba de ser fechado pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), organismo da ONU. O trabalho foi elaborado a partir de informações oficiais dos países. Além de medir o desempenho de 2005, o trabalho fixou as perspectivas para 2006.
Em suas últimas manifestações públicas, Lula e o ministro Antonio Palocci (Fazenda) previram que o Brasil crescerá 5% em 2006. Nesta quarta-feira, o Banco Central projetou crescimento de 4%. Menos otimista, a Cepal avalia que a taxa não vai passar de 3%. Confirmada a previsão, o Brasil terá, de novo, o segundo pior desempenho da região. Superará apenas o índice de crescimento de El Salvador (2,5%).
Brasil (2,5%), El Salvador (também 2,5%) e Haiti (1,5%) puxaram para baixo em 2005 a média anual de crescimento da economia dos países da América Latina e do Caribe: 4,3%. Segundo a Cepal, este é o terceiro ano consecutivo de crescimento da região , beneficiada pelo “entorno favorável da economia mundial, que cresceu 3,3% em 2005”. Para 2006, a Cepal prevê que o crescimento médio da região será ligeiramente inferior: 4,1%.
Considerando-se o período de 2003 a 2006, o desempenho positivo da economia da América Latina e do Caribe se manterá “levemente superior a 4% por ano”. É pouco se for considerada a média registrada no mesmo período no conjunto dos países em desenvolvimento de todo o mundo: 5,7%.
No trecho dedicado especificamente ao Brasil, o documento da Cepal afirma que o crescimento estimado para 2005 (2,5%) é menor que o de 2004 (4,9%) por causa da política econômica restritiva, temperada a altas taxas de juros. O relatório menciona também a austeridade fiscal, que produziu um superávit de 5,9% do PIB entre janeiro e outubro de 2005, acima da meta oficial de 4,25%.
A desaceleração afetou os três grandes setores da economia brasileira, anota o estudo da Cepal. “Até o terceiro trimestre de 2005, o setor agrícola cresceu 1,5% (5,3% em 2004), a indústria 2,9% (6,2% em 2004) e o setor de serviços 2,1% (3,3% em 2004).”
Diante do comportamento da taxa de câmbio –valorização de 18% do real frente ao dólar nos 12 meses até outubro-, o bom desempenho das exportações brasileiras foi considerado “surpreendente”. O impacto do câmbio sobre o saldo da balança comercial, diz o relatório da Cepal, foi contido por dois efeitos que tendem a se esgotar: concessão de créditos que reduzem os riscos dos exportadores e comportamento cauteloso dos importadores.
Para ler a versão integral do documento da Cepal, em espanhol, pressione AQUI. Se preferir a versão resumida, em inglês, clique AQUI.
Escrito por Josias de Souza às 21h48
Considerando-se os últimos oito anos (1998 a 2005), o crescimento médio anual da economia brasileira foi de 2% do PIB. “Um desempenho medíocre”, nas palavras de um estudo do Ipea, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento. O documento trata da ressurreição de um tema incômodo para o governo: a renegociação das dívidas de Estados e municípios.
O endividamento dos governos estaduais e municipais tornou-se um problema nacional desde a década de 80. Para evitar a falência do modelo federativo, a União viu-se obrigada a refinanciar as dívidas, transferindo o desequilíbrio para a esfera federal. Foram três os pacotes de refinanciamento: em 1989, em 1993 e no período de 1996 a 2000.
Imaginava-se que esta última renegociação, feita sob Fernando Henrique Cardoso, seria definitiva. Estados e municípios comprometeram-se com um programa de reestruturação fiscal e financeira. Cortaram gastos e privatizaram estatais, incluindo bancos estaduais. De resto, concordaram em comprometer um percentual de suas arrecadações (entre 13% e 15%) com o pagamento das dívidas.
Embora bem sucedido, o programa já enfrenta os primeiros problemas. São dois os principais percalços:
1. os contratos de refinanciamento foram atrelados ao IGP-DI, que se descolou dos demais índices de preços ao consumidor, impondo às dívidas estaduais e municipais um acréscimo da taxa de juros;
2. na época da assinatura dos contratos, previa-se que a economia cresceria a taxas ao redor de 3% e 4%. Só em dois anos o desempenho mostrou-se satisfatório: em 2000 (4,4%) e em 2004 (4,9%). No mais, o PIB variou entre 1998 e 2005 em percentuais que oscilaram de 0,10% a 2,5%. A média anual ficou em 2%. O crescimento aquém do esperado puxou para baixo a arrecadação dos impostos estaduais e municipais.
A despeito de todos os esforços, o montante da dívida não decresceu no ritmo que se imaginava. Às voltas com débitos iguais ou superiores aos valores anotados na época da assinatura dos contratos com a União, vários governadores e prefeitos já propõem a rediscussão dos acordos. Querem, por exemplo, flexibilizar as regras que impõem limites ao endividamento de Estados e municípios. O tema, que parecia adormecido, deve retornar à pauta no ano eleitoral de 2006.
O problema é mais delicado, informa o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), na prefeitura de São Paulo e em seis Estados: Alagoas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Pressione AQUI para ler a íntegra do documento.
O trabalho foi escrito por Mônica Mora, diretora de Estudos Macroeconômicos do instituto e por Fabio Giambiagi, funcionário do BNDES cedido ao Ipea. Os dois defendem que o governo resista às pressões para alterar os contratos. Acham que eventuais mudanças, se ocorrerem, não podem alterar a essência da renegociação firmada entre 1996 e 2000.
Escrito por Josias de Souza às 21h46
O signatário do blog informa aos seus (poucos) leitores que desfrutará de imerecido repouso natalino. É com pesar que se anuncia que este espaço, inaugurado em outubro, permanecerá inativo por uma semana.
O que conforta o repórter é a impressão de que sua ausência não há de ser lamentada por todos. Aos amigos do blog, roga-se que tenham paciência. Aos inimigos, recomenda-se que sejam rápidos. Soltem logo os fogos porque, já no dia 29 de dezembro, a trincheira será reaberta.
A todos, indistintamente, deseja-se um belo Natal. E, para que não percam o hábito, sugere-se um passa-tempo: Lula vai comemorar o nascimento de Cristo em seu apartamento de São Bernardo (SP). Se você fosse convidado para a ceia, que presente levaria para o presidente? O que lhe desejaria para o ano da graça de 2006?
Até já.
Escrito por Josias de Souza às 08h18
Periodista Digital
- JB: Mensalão bancou troca de partido
- Folha: CPI divulga relatório e diz ter provado o "mensalão"
- Estadão: Relatório da CPI mostra os 4 caminhos do mensalão
- Globo: CPI: valerioduto financiou 'semanão' e troca de partidos
- Correio: CPI liga mensalão a troca de partidos
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h34
O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (para assinantes da Folha) disse nesta quarta que a pressão exercida sobre Lula para que ele assuma logo a candidatura à reeleição é coisa da oposição "politiqueira". A antecipação serviria só para "sabotar" o governo.
"A quem interessa essa coisa de tirar energia do governo da solução dos problemas do país é a uma oposição politiqueira. Há uma oposição honesta e respeitável e essa também sabe que não é a hora, tanto que está adiando a escolha de seus candidatos. Mas, infelizmente, há uma parcela da oposição que só quer sabotar", disse Ciro.
O diabo é que na noite passada um grupo de membros da Comissão Executiva Nacional do PT esteve na Granja do Torto e, em conversa com Lula, pressionou-o a anunciar já a candidatura às eleições de 2006. A prevalecer o raciocínio de Ciro, o naco dirigente PT aderiu à oposição “politiqueira”. Pior: sabota abertamente o governo Lula. É, pode ser.
Escrito por Josias de Souza às 02h32
Para receber os dois salários adicionais (R$ 25.694,40) pagos durante o período de autoconvocação extraordinária do Congresso, nada menos que 90 parlamentares do PT rasgaram o estatuto do partido. Ao todo, dez senadores e 78 deputados petistas ignoram o próprio estatuto.
O código interno que rege o funcionamento do Partido dos Trabalhadores proíbe expressamente o recebimento de remunerações extras. Mais do que isso: prevê que os parlamentares petistas devem combater com vigor esse tipo de anomalia. A vedação consta do item número três do artigo 69 do estatuto. Diz o seguinte:
Art. 69: Desde o pedido de indicação como pré-candidato a cargo legislativo, o filiado comprometer-se-á rigorosamente a:
(...)
III- se eleito, combater rigorosamente qualquer privilégio ou regalia em termos de vencimentos normais e extraordinários, jetons, verbas especiais pessoais, subvenções sociais, concessão de bolsas de estudo e outros auxílios, convocações extraordinárias ou sessões extraordinárias injustificadas das Casas Legislativas e demais subterfúgios que possam gerar, mesmo involuntariamente, desvio de recursos públicos para proveito pessoal, próprio ou de terceiros, ou ações de caráter eleitoreiro ou clientelista.
Por ora, quatro deputados petistas -Dr. Rosinha (PR), Walter Pinheiro (BA), Luciano Zica (SP) e Orlando Denconsi (RS)- e uma senadora do partido - Serys Slhessarenko(MT)- informaram que abriram mão de receber os salários adicionais da convocação extraordinária. Os outros 88 –10 senadores e 78 deputados- já receberam a primeira parcela (R$ 12.847,20). E devem embolsar a segunda parcela, de mesmo valor, prevista para fevereiro.
O deputado Dr. Rosinha decidiu enviar ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), ele próprio um transgressor do estatuto, um ofício exigindo a aplicação das normas internas da legenda. Provocado, o PT será obrigado a se posicionar.
Dr. Rosinha (leia entrevista na seção ao lado) pedirá também ao PT que volte onze anos no tempo. Deseja que seja ressuscitada a “carta compromisso” que todos os candidatos petistas eram obrigados a assinar em 1994. O documento abria assim:
“O PT é hoje uma alternativa real de governo, nos diferentes níveis. Isso aumenta o nosso grau de exigências e responsabilidades. O crescimento institucional do partido exige que nossos dirigentes partidários, nossas personalidades públicas e os detentores de mandatos eletivos tenham consciência de que sãi filiados com deveres superiores aos demais.”
Num instante em que o poder não é mais uma “alternativa”, mas uma realidade, o PT deixou para trás os compromissos com a “responsabilidade, ética, disciplinares e maior controle partidários”. Esqueceu também o compromisso de apesentar “projetos de lei e medidas judiciais para que o salário reflita o rendimento real, sem expedientes escusos, como sessões extraordinárias duplas, ajudas de custo indevidas, etc.”
Além de ssete petistas, recusaram os salários extras os deputados Chico Alencar (RJ) e Orlando Fantazini (SP), ambos do PSOL. Contam-se em 588 os congressistas que estão embolsando os adicionais. Incluindo os custos administativos e o pagamento do funcionalismo do Legislativo, a autoconvocação do Congresso sairá para o contribuinte por cerca de R$ 100 milhões.
Escrito por Josias de Souza às 01h23
Os seis meses de investigações da CPI dos Correios foram resumidos em 411 páginas. Informam que o Banco do Brasil e a Visanet foram os principais financiadores do valerioduto, o esquema irrigado com verbas do caixa dois petista, que bancou repasses a políticos do consórcio governista no Congresso.
O documento reproduz dados levantados por uma auditoria do próprio BB. Indica que, dos R$ 73,8 milhões em verbas publicitárias adiantadas pela Visanet à agência DNA entre 2003 e 2004, R$ 23,3 milhões ainda não foram acompanhados da contraprestação de serviços. Pelo menos R$ 19,7 milhões alimentaram diretamente o conduto financeiro gerido por Marcos Valério e Delúbio Soares, o ex-administrador das arcas petistas.
O esquema foi alimentado também com verbas privadas. Detectaram-se pagamentos feitos às agências de Valério pelas seguintes empresas, entre outras: Brasil Telecom, Amazônia Celular, Telemig, Cosipa e Usiminas. A dinheirama pública e privada bancou os repasses espúrios à bancada mensaleira.
Pressione AQUI para conhecer a lista dos maiores provedores do valerioduto.
Escrito por Josias de Souza às 01h15
Fiel a Lula até a medula, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) abandonou a discrição habitual. Em entrevista a um programa da TV Câmara, exibido na noite de terça-feira, ele investiu contra a política econômica gerida pelo ministro Antonio Palocci (Fazenda).
Para Aldo, o Brasil não pode continuar crescendo “a taxas medíocres como tem acontecido nos últimos 15 anos.” Acha que “o Brasil tem condições de crescer muito mais do que a China, do que a Índia, do que Rússia, do que a nossa vizinha Argentina.”
Escrito por Josias de Souza às 00h46
Nos últimos dois dias, o Congresso aprovou créditos suplementares que somam expressivos R$ 18,2 bilhões. Aproveitando-se da crise política, a oposição encostou a faca no peito do governo. Para votar as liberações orçamentárias, PFL e PSDB arrancaram do governo a promessa de liberar emendas individuais de seus parlamentares. Os valores oscilam de R$ 1,5 milhão a R$ 3 milhões. Para cada um.
De novo, os créditos não foram aprovados por todo o Congresso. Embora o parlamento esteja formalmente autoconvocado para trabalhar, a votação foi feita por uma comissão especial que só costuma funcionar em tempos de recesso. Um pequeno grupo de 25 congressistas decide em nome de 594.
Escrito por Josias de Souza às 00h34
Sérgio Lima/Folha Imagem
Nesta quarta-feira, foram finalmente transferidos para o Arquivo Nacional os documentos produzidos durante a ditadura militar. A maior parte dos papéis estava guardada nas instalações da Abin, no Setor Policial de Brasília.
A papelada foi acondicionada em caixas de papelão e transportada em caminhões do tipo baú. Os que estiverem datados de 1975 ou anos anteriores serão liberados para consulta pública. O acesso aos documentos com data posterior dependerá ainda de classificação. Os secretos só poderão ser liberados depois de 20 anos. Os ultra-secretos, depois de 30 anos.
“Os documentos estão deixando de ser parte do serviço de inteligência e passam a fazer parte da História. Serão um importante objeto de reflexão para a sociedade”, disse a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), escalada para anunciar a boa nova.
Escrito por Josias de Souza às 00h02
Em contato telefônico com o blog, Eduardo Gomide, diretor de Serviços Financeiros do escritório da Kroll no Brasil, disse que a empresa “não faz espionagem”. Segundo ele, o teor do memorando divulgado aqui na noite passada é fruto de “investigação legítima”.
Trata-se, segundo suas palavras de “uma análise do clima de jornais brasileiros em relação a um determinado assunto”, no caso o noticiário a respeito da atuação do banqueiro Daniel Dantas e do seu Opportunity.
Segundo Gomide, a Kroll “não faz escuta telefônica”. As informações contidas no relatório a respeito do faturamento publicitário do Jornal do Brasil foram obtidas por meio de “conversas normais”. Não podem ser caracterizadas como espionagem.
“Faturamento das empresas no Brasil, é o que eu costumo dizer a todos os meus clientes, deve levar em conta três balanços: aquele que é para o fisco, o do banqueiro, e o balanço que reflete a realidade da empresa. Não acho que seja espionagem industrial eu conversar com pessoas de dentro de uma empresa para saber como ela anda. É um trabalho de coleta de dados e inteligência. Não há nenhum dado obtido de forma ilegítima.”
Em carta enviada ao blog, Gomide diz que, depois que a Folha divulgou, no ano passado, reportagem que, segundo diz, “tem sua origem em um documento recebido anonimamente pela empresa Telecom Itália (...)”, “ficou valendo a versão de que a Kroll teria espionado políticos, executivos e jornalistas”. Algo que, diz Gomide, “não corresponde à realidade”.
Gomide anota na carta: “Foram divulgadas diversas matérias em que a Kroll apareceria como a empresa que faz grampos e que teve acesso a dados sigilosos. Recordo que a própria Folha divulgou que, após a busca e apreensão na sede da empresa, teria sido encontrado aparelho de grampo telefônico em franca operação, conforme afirmação de um delegado (...). Este equipamento já retornou à Kroll em meados de 2005, a partir de ordem judicial que destacava perícia da Polícia Federal indicando que o equipamento não se destinava a interceptação telefônica. (...) O dito equipamento destina-se exclusivamente a varreduras ambientais.”
Sobre o novo documento, cujo cabeçalho foi exibido no blog, Gomide escreveu: “Apesar de sua má qualidade de imprenssão, é importante notar que o segundo parágrafo do memorandum diz: (...) “Todas as informações contidas neste memo foram coletadas legalmente, de acordo com a lei brasileira, através de uma combinação de fontes públicas e privadas.”
Escrito por Josias de Souza às 16h54
Lula Marques/Folha Imagem
Em sessão da CPI dos Correios que acaba de ser encerrada, o relator Osmar Serraglio (PMDB-RJ) apresentou conclusão parcial que reforça a tese de pagamento de "mensalão". O texto define assim a mesada bancada pelo caixa dois do PT como um "fundo de recursos utilizados, especialmente, para atendimento a interesses político-partidários".
Serraglio reafirmou que as empresas de publicidade SMP&B e DNA apresentaram notas fiscais falsas ao receber o adiantamento feito pela Visanet. As notas foram apresentadas para justificar adiantamentos recebidos pelas agências --R$ 35 milhões em março de 2004; R$ 23,3 milhões em maio de 2003; e R$ 6,4 mil em novembro de 2003. As agências receberam também adiantamentos cuja contraprestação de serviço não foi comprovada.
O relator fez questão de dizer que, no caso envolvendo a Visanet, estava se limitando a reproduzir dados extraídos de auditoria feita pelo próprio Banco do Brasil. Segundo Serraglio, a aplicação financeira dos adiantamentos recebidos pela DNA gerou ganhos de mais de R$ 5 milhões à agência de Marcos Valério.
Escrito por Josias de Souza às 15h18
De Elio Gaspari, em artigo de hoje:
“O tucanato teve mais um surto de demofobia. Seu líder no Senado, Arthur Virgílio, sugeriu que o aumento do salário mínimo para R$ 350 está entre “meia dúzia de atos demagógicos” destinados a ajudar Lula a transpor o primeiro turno da eleição do ano que vem.
Aumentar o salário mínimo em cerca de 20% não é demagogia. Demagogia é votar um aumento para R$ 384, como fez em agosto um pedaço da bancada liderada por Virgílio. É demagogia no sentido mais puro da palavra, porque os trinta senadores que votaram a medida sabiam que ela seria derrubada na Câmara ou vetada por Lula.”
Escrito por Josias de Souza às 08h38
Seqüência de notas do Painel da Folha de hoje (para assinantes):
Sinal amarelo
O relatório do Coaf à Procuradoria-Geral da República sobre o depósito de R$ 1 milhão do PT na conta corrente da Coteminas cita depósitos anteriores registrados no órgão no total de R$ 2,2 milhões entre dezembro de 2003 e julho de 2005. Não há menção aos depositantes.
Ônus da prova
O Coaf registra que Abílio Pires de Brito Neto, funcionário da Coteminas, foi o "portador dos recursos", ou seja, fez o depósito de R$ 1 milhão, e informou que a importância "seria supostamente originária do PT". Coube à empresa de José Alencar afastar eventual suspeita de lavagem.
Às claras
"A empresa cumpriu a lei, faturou as camisetas por meio de 50 notas fiscais, depositou em conta corrente e identificou o depósito", diz Josué Gomes, presidente da Coteminas. O filho do vice-presidente atribui a menção a outros depósitos a um equívoco do Coaf.
Escrito por Josias de Souza às 08h32
Periodista Digital
- JB: De olho em 2006 - Lula acha pouco 4 anos de governo
- Folha: Valério vai à Justiça e cobra do PT R$ 100,6 mi
- Estadão: Lula diz que 4 anos de governo 'é pouco'
- Globo: Manobra no Congresso garante liberação de verbas
- Correio: "Quatro anos é muito pouco"
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 08h12
Espelho de lama
Sérgio Lima/Folha Imagem
Nesses dias de antoconvocação, o Congresso prova à sociedade brasileira que a democracia participativa é um sistema que, em certos momentos, funciona com rara perfeição. Na hora de pagar a conta, por exemplo, todos os filhos dessa terra, pobres ou ricos, são chamados a participar.
Assim, vai se consolidando a impressão de que, no Brasil, a democracia é um regime que permite a uma legião de imbecis votar livremente numa minoria de espertalhões que, uma vez eleitos, sentem-se desobrigados de fazer sentido. Convocam-se para trabalhar, ao custo de R$ 100 milhões, e aderem gostosamente ao absenteísmo.
Por sorte há gente trabalhando no Congresso. São os funcionários da limpeza. Nesta terça-feira, dedicaram-se à limpeza dos espelhos d’água que circundam o belo edifício projetado por Oscar Niemeyer. Observando-se a imagem acima, nota-se que a lama acumulada do lado de fora já foi removida. Se quiser, o eleitor pode agora remover o lodo incrustado do lado de dentro do prédio. É só votar diferente em 2006.
Escrito por Josias de Souza às 02h45
Novo relatório parcial da CPI dos Correios (para assinantes do Valor), a ser divulgado nesta quarta, deve reforçar indícios do mensalão. De acordo com Osmar Serraglio (PMDB-PR), o texto trará também mais dados a respeito da Visanet, operadora de cartão de crédito do Banco do Brasil que teria adiantado de forma irregular recursos para a DNA, agência de Marcos Valério.
Escrito por Josias de Souza às 02h23
Em reunião a ser realizada nesta quarta, membros da direção PT farão um apelo (para assinantes da Folha) a Lula para que se declare candidato à reeleição imediatamente. Os dirigentes do partido dirão ao presidente que é preciso deflagrar já uma reação à subida do PSDB nas pesquisas.
"O presidente tem todo o direito de querer mais tempo para se definir, mas vamos dizer que sua reeleição é fundamental para o projeto do partido e que não temos plano B", disse a deputada Maria do Rosário (RS), segunda-vice-presidente.
Escrito por Josias de Souza às 02h11
A Assembléia Legislativa do Ceará recusou nesta terça o pedido de cassação do deputado José Nobre Guimarães (PT), irmão do ex-presidente do partido José Genoino. É aquele personagem cujo assessor foi preso no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, com US$ 100 mil na cueca.
Simultaneamente, o ministro Antonio Palocci (Fazenda), transferiu para o PT a responsabilidade por ter viajado, em julho de 2003, em avião de Roberto Colnaghi. É aquele empresário que foi acusado de emprestar a aeronave para o suposto transporte de dinheiro de Cuba para o partido em 2002.
A alegação de Palocci foi apresentada à Comissão de Ética Pública do governo, em carta enviada no dia 12. A comissão analisou ontem as explicações, considerou-as satisfatórias e encerrou o caso. Vale lembrar que, em pronunciamento anterior, o ministro havia jurado de pés juntos que não utilizara o avião do amigo depois que chegou à Esplanada.
Escrito por Josias de Souza às 02h04
Em viagem a Macapá (AP), nesta terça-feira, Lula manteve uma conversa informal com um grupo de jornalistas. Disse que a hora é de crescer e gastar. “Alguém é doido de guardar dinheiro?”, perguntou, sobre a liberação de verbas orçamentárias. “A estabilidade, para nós, já é uma conquista. Agora, é crescer”.
Escrito por Josias de Souza às 01h54
Kroll espiona jornalistas a mando do Opportunity
Cabeçalho do relatório confidencial da Kroll

A pedido do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a empresa Kroll, multinacional do ramo da espionagem, bisbilhotou o cotidiano de vários jornalistas durante o ano de 2004. Os alvos da investigação foram repórteres e jornais que apuraram e publicaram informações contrárias aos interesses comerciais de Dantas.
O blog obteve cópia de dois dos relatórios produzidos pela Kroll. Compõem um dossiê guardado nos arquivos do Opportunity. Foram lidos pessoalmente por Dantas e pela executiva Carla Cico, destituída recentemente do comando da Brasil Telecom.
Os documentos foram redigidos em inglês. Um deles tem o seguinte título: “Manipulação da Imprensa no Brasil pela Telecom Itália”. O texto aponta a existência de uma suposta “campanha” da mídia para denegrir a imagem de Dantas, da Brasil Telecom e do Banco Opportunity.
No relatório, a Kroll acusa Nelson Tanure, controlador do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, de ser “um dos autores” da campanha. Anota que o empresário, que hoje tenta assumir também o comando da Varig, agiu por encomenda da Telecom Itália, grupo que se esforçava para minar o controle que Dantas exercia na Brasil Telecom.
Segundo a Kroll, valendo-se de seu “grupo de mídia” e de “uma rede de jornalistas e outros contatos”, Tanure promoveu, a partir de 2001, a publicação contínua de reportagens com o objetivo de prejudicar a imagem do Opportunity e do banqueiro Daniel Dantas.
Além de Tanure, diz o documento, a estratégia encomendada pela Telecom Itália envolveria “outras pessoas”. O texto menciona os nomes do empresário Paulo Marinho, ligado a Tanure, e de Luis Roberto Demarco, um ex-sócio de Daniel Dantas no Opportunity, com o qual o banqueiro trava uma batalha judicial.
Com o “suporte de elementos do establishment brasileiro”, diz o relatório, a “campanha de imprensa” visava produzir um escândalo de corrupção contra Dantas e seu grupo. Seria “o último de uma série de esforços” da Telecom Itália para destituir o banqueiro do controle acionário da Brasil Telecom.
Em troca dos supostos ataques deliberados a Dantas e ao Opportunity, o Jornal do Brasil, uma das publicações geridas por Nelson Tanure, teria recebido da TIM, empresa de telefonia celular controlada pela Telecom Itália, vários aportes financeiros na forma de anúncios publicitários. Entre agosto e dezembro de 2002, diz o relatório, a Tim teria despejado no JB R$ 1,2 milhão em anúncios. Em 2003, o jornal teria recebido mais R$ 1,18 milhão. E, entre janeiro e março de 2004, mais R$ 964,4 mil.
Citando dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação), a Kroll insinua que os investimentos publicitários da Tim no Jornal do Brasil seriam incompatíveis com a tiragem da publicação. O JB “publica uma média de 100 mil exemplares aos domingos e cerca de 70 mil em dias de semana”, diz o documento. “Vários executivos de publicidade disseram à Kroll que certos pagamentos publicitários feitos pela Tim (...) podem não ser justificáveis pela circulação do jornal”, anota o documento confidencial.
Escrito por Josias de Souza às 00h52
Relatório diz que Tanure inspeciona reportagens
No esforço para mapear os movimento de Nelson Tanure, a Kroll contou com o auxílio de funcionários do próprio Jornal do Brasil, uma das publicações controladas pelo empresário. Citando fontes anônimas do JB, o relatório da multinacional diz que Tanure requisitava pessoalmente a elaboração de reportagens contra Daniel Dantas e o Banco Opportunity. Depois, lia e autorizava as publicações.
“O repórter responsável por esses artigos é Gilberto Menezes Cortes”, diz o texto, “que age sob instruções explícitas de Tanure.” Outro jornalista “especializado em artigos anti-Opportunity é o colunista Ricardo Boechat, que foi admitido por Tanure em 17 de julho de 2001, depois de ser demitido pelo Globo (...)”.
Ouvido pelo blog, Tanure disse, por meio de sua assessoria, que nem sequer comparece à redação do Jornal do Brasil. Boechat classificou o relatório da Kroll de “uma bobagem monumental”. O repórter Menezes Cortes, colaborador eventual do JB, não foi localizado (leia texto abaixo).
Nos artigos e editorias do Jornal do Brasil, prossegue o relatório da Kroll, Daniel “Dantas é freqüentemente associado a adjetivos relacionados ao demônio”. O documento menciona um texto supostamente publicado em 20 de agosto de 200, sob o título “Dantas e seu inferno na Terra.” Pela contabilidade da Kroll, o JB publicou 38 textos sobre o banqueiro do Opportunity em 2002. Só um continha uma “visão positiva”.
Em 2003, teriam sido publicadas 30 “artigos”, todos contendo, segundo o documento, a mensagem de que Dantas seria “inescrupuloso”. O mesmo teria ocorrido com 18 textos impressos entre janeiro e maio de 2004. A cobertura da Gazeta Mercantil, avalia a Kroll, teria sido mais “equilibrada”.
Num segundo relatório confidencial obtido pelo blog, a Kroll faz pesadas acusações a um veículo de comunicação da internet. É gerido por uma pessoa que, segundo o relatório responde a processo judicial. Além disso, teria tentado vender para jornais brasileiros uma versão do chamado “Dossiê Caiman”, documento comprovadamente falso com acusações ao alto tucanato.
O mesmo personagem teria veiculado também informações sobre supostos vínculos empresariais da filha de um político do PSDB com o grupo Opportunity. Como não conseguiu ouvir o espionado, o signatário do blog se exime de citar-lhe o nome.
Escrito por Josias de Souza às 00h50
Citados refutam acusações da Kroll
O empresário Nelson Tanure disse ao blog, por meio de sua assessoria, que os investimentos publicitários da empresa de telefonia celular Tim no Jornal do Brasil são absolutamente normais. Classificou de “ridículas” e “improcedentes” as afirmações da Kroll de que ele fiscalizaria a execução das reportagens do jornalista Gilberto Menezes Côrtes, colaborador do jornal, sobre o Opportunity. Disse que nem mesmo comparece à redação.
Cortes Menezes, em mensagem eletrônica enviada ao blog, classificou o documento preparado pela Kroll de “um dossiê típico de arapongas”. A diferença entre os agentes da multinacional e os do extinto SNI, diz ele, é que os primeiros “são regiamente pagos em dólar.”
Quanto ao método de trabalho, diz ainda Menezes Côrtes, “é o mesmo: reúnem recortes de jornais e tentam construir uma história.” O repórter informa que vai “exigir da Kroll e do Opportunity uma retificação do que foi divulgado.” Caso não seja atendido, tomará as “medidas legais” para buscar reparação pelas “acusações mentirosas e desprovidas de qualquer fundamento.”
“Jamais em 33 anos de profissão recebi instruções de um dono de jornal de como deveria proceder em matérias que fiz. Quando muito, os editores (e foram vários e importantes em minha carreira) conversavam comigo dando boas dicas e discutindo a edição da matéria, mas a responsabilidade, na maioria dos casos, era minha”, afirma Menezes Côrtes. “Não seria, portanto, o senhor Nelson Tanure quem iria me orientar direta ou indiretamente sobre minhas matérias.”
Ricardo Boechat, o outro jornalista mencionado no relatório, hoje já desvinculado do JB, disse o seguinte: “Não sou especialista em grampos e espionagens. Se a Kroll está afirmando essas coisas, quem pagou para ela fazer isso é que deve explicar em que medida vê fundamento.”
“O que posso dizer”, acrescentou Boechat, “é que todas as notas que eu publiquei, em relação aos muitos conflitos nos quais o Opportunity ou o Daniel Dantas eram protagonistas, foram notas factuais. Quem tiver qualquer dúvida é só pegar os arquivos e verificar o que está lá.”
“Muitas dessas notas”, disse ainda Boechat, “constituíram-se em furos, com informações inéditas, que tiveram grande repercussão. Uma delas antecipou o rompimento do Citibank com o Opportunity. Assumi a chefia de redação do JB em 7 de setembro de 2001. Saí em outubro de 2002. Posso afirmar categoricamente que meus últimos contatos telefônicos com o Tanure se esgotam entre o fim de 2002 e a alvorada de 2003. Desde então não tenho nenhum contato com ele.”
Escrito por Josias de Souza às 00h47
Folha revelou espionagem da Kroll em 2004
O relatório da Kroll sobre Nelson Tanure e o jornalistas do Jornal do Brasil tem cinco páginas. É datado de 24 de setembro de 2004. Endereçado a Carla Cico, executiva do Oportunity que geria a Brasil Telecom, o documento foi redigido dois meses depois de a Folha de S.Paulo ter publicado, em 22 de julho de 2004, uma reportagem de Marcio Aith sobre outra operação de espionagem conduzida pela Kroll.
A notícia produzida por Aith relatou que a Kroll bisbilhotara os passos, as mensagens e as contas de funcionários do primeiro escalão do governo Lula. Baseada em documentos sigilosos, a reportagem revelou que a investigação, encomendada por Carla Cico, atingiu personagens do governo Lula e de administrações municipais controladas pelo PT.
Informou-se que a Kroll obteve mensagens eletrônicas do então ministro Luiz Gushiken, eleito em 2004 como alvo de "máxima prioridade" da operação de espionagem. Nesses e-mails, anteriores à posse do governo Lula, Gushiken trocou informações com Luiz Roberto Demarco, ex-sócio e desafeto de Daniel Dantas no Opportunity.
A reportagem de Aith informou também que a Kroll obteve dados pessoais e monitorou encontro secreto, em Portugal, do então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, com executivos da Telecom Italia.
“O monitoramento de Gushiken e de Casseb pela Kroll”, informou a notícia publicada na Folha, “deve-se ao fato de ambos terem formulado a orientação, já sob o governo Lula, para que os cinco fundos de pensão de estatais que são acionistas da Brasil Telecom (Sistel, Telos, Funcef, Petros e Previ) desfizessem, em outubro de 2003, os acordos de acionistas que permitem ao Opportunity controlar a companhia mesmo sendo Dantas apenas um sócio minoritário.”
Em decisão do último dia 21 de novembro, a juíza federal Margarete Sacristan censurou a divulgação, na Folha Online, do conteúdo da reportagem de 2004. Posteriormente, a juíza abrandou a sentença, limitando a censura aos conteúdos de interceptações telefônicas e de e-mails, além de dados bancários e fiscais contidos em processo judicial aberto depois da publicação da notícia.
O blog apurou que, além do relatório divulgado aqui nesta quarta-feira, foram produzidos outros documentos confidenciais com relatos sobre a atuação de jornalistas. Mencionam os nomes de profissionais de outros órgãos de imprensa, além do Jornal do Brasil. O repórter não logrou obter cópias desses relatórios.
Escrito por Josias de Souza às 00h45
O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) desistiu de reaver o mandato. Em fax enviado ao STF, seus advogados pedem que seja desconsiderado o recurso que havia sido protocolado com o objetivo de anular o processo que levou à cassação do denunciante do mensalão. Melhor assim. Atolado em processos, o Supremo não tem muito tempo disponível para tratar de asneiras.
Escrito por Josias de Souza às 19h22
Lula Marques/Folha Imagem

O Congresso aprovou nesta terça-feira R$ 9,8 bilhões em novos créditos e remanejamentos orçamentários. Mas não pense você que os congressistas deram as caras em Brasília. Não, não, absolutamente. A coisa só foi possível graças a uma manobra que os governistas costuraram sob as barbas da oposição. Com o beneplácito dos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros.
Deu-se o seguinte: o Orçamento da União para 2006, ainda pendente de votação, foi excluído da pauta de projetos a serem analisados durante a autoconvoção do Congresso. Assim, as emendas orçamentárias podem ser analisadas e aprovadas por uma “comissão representativa”, chamada a deliberar em períodos de recesso parlamentar. O quorum exigido para o funcionamento da tal comissão é apenas 17 deputados e sete senadores.
Ou seja, embora todos os congressistas estejam ganhando dois salários adicionais (R$ 25.694,40) para trabalhar em ritmo extraordinário, só um pequeno grupo de parlamentares trabalhou nesta terça-feira, no embalo de um recesso branco. Acha pouco? Pois tem mais.
Em reunião realizada também nesta terça, o Conselho de Ética da Câmara, aquele que insistia para que o Congresso fosse convocado para que os processos de cassação pudessem caminhar, decidiu que só irá decidir alguma coisa a partir de 9 de janeiro. Autoconcedeu-se um descanso de 20 dias.
No interior do Congresso (foto um), a atmosfera é de tal calmaria que as poltronas do salão verde da Câmara tornaram-se o melhor local do planeta para puxar um ronco. Do lado de fora (foto dois), funcionários da limpeza aproveitam a pasmaceira para limpar os espelhos d’água que circundam o prédio de Niemeyer. É grande a quantidade de lama que escorre pelos ralos.
Escrito por Josias de Souza às 18h51
Alan Marques/Folha Imagem
Em viagem a Macapá, onde visitou as obras de ampliação do aeroporto da capital do Amapá e inaugurou um hospital, Lula disse nesta terça-feira que o atual mandato do presidente da República, dos governadores e dos prefeitos é exíguo demais. "Quatro anos, para quem está governando, é muito pouco, mas para quem está na oposição é uma eternidade. Há sempre esse conflito", disse.
Na visita ao Amapá, Lula levou em sua comitiva o senador maranhense José Sarney, eleito por aquele Estado. Ao discursar, referiu-se especificamente aos mandatos de governadores. Disse que eles assumem tendo que administrar um orçamento definido pelo gestor anterior e ainda passam por um momento de paralisia durante as eleições municipais. "Uma eleição na capital é quase como uma eleição do Estado, porque envolve muitos interesses, muita disputa política. Praticamente é meio ano dedicado às eleições", afirmou.
Lula aproveitou para reforçar um plano que comunicou aos ministros na reunião de ontem, em Brasília. Vai iniciar no ano eleitoral de 2006 um ciclo de inauguração de obras. Sobre o aeroporto de Macapá, disse: "Ele tem que ser inaugurado ainda em 2006, porque nós precisamos colher aquilo que nós plantamos, não vamos deixar para ninguém colher a semente que nós botamos embaixo da terra."
Escrito por Josias de Souza às 16h56
Reconsiderando decisão que
havia tomado no último dia 14 de dezembro, o ministro Sepúlveda Pertence (STF)
derrubou a liminar que impedia a CPI dos Correios de usar as informações obtidas
por meio da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da Prece, fundo de
pensão da Cedae (Cia de Águas e Esgoto do Rio).
A nova
decisão de Pertence, assinada ontem, foi divulgada há pouco no sítio do Supremo na
internet. O ministro atendeu ao recurso impetrado pela CPI contra a decisão
anterior. No seu despacho, Pertence anotou que o STF tem “reconhecido, com apoio
na jurisprudência do Tribunal, a possibilidade de extensão dos trabalhos da
Comissão Parlamentar de Inquérito a fatos outros que se ligam, intimamente, com
os fatos principais”.
A
decisão é um golpe contra os interesses do ex-governador Antony Garotinho,
presidenciável do PMDB. Entre as operações sob investigação incluem-se negócios
realizados pelo fundo Prece durante as gestões de Garotinho e da mulher dele,
Rosinha, à frente do governo do Rio.
Escrito por Josias de Souza às 16h26
Lula Marques/F. Imagem
As empresas SMP&B Comunicação e Graffiti Participações, que têm Marcos Valério como sócio, entraram na Justiça para cobrar do PT os supostos empréstimos bancários de R$ 55,9 milhões feitos a pedido do partido nos bancos Rural e BMG. Incluindo juros e correção, Valério quer receber R$ 100,082 milhões.
Além das ações movidas por meio das empresas, o publicitário mineiro (na foto, ao lado de Delúbio Soares) protocolou na Justiça uma ação em caráter pessoal. Pede que o PT seja citado para pagar, em 15 dias, a quantia de R$ 500,769 mil. Refere-se à parcela que Valério teria quitado (R$ 351,508 mil, mais juros e correção) do empréstimo de R$ 2,4 milhões concedido pelo BMG diretamente ao PT, com o aval do empresário.
Todas as ações tramitam desde sexta-feira na Justiça Federal de Brasília. As da SMP&B e da Graffiti foram protocoladas na 11ª Vara Cível de Brasília. A de Valério, na 10a Vara Cível de Brasília. O advogado Rodolfo Gropen, autor das ações, informou ao blog que escolheu o foro da capital da República porque a sede do PT está localizada na cidade.
Gropen disse ainda que, antes de entrar com as ações, Valério e as empresas haviam notificado judicialmente o PT, para que o partido liquidasse os débitos. Deu-se à época em que o PT ainda era presidido por Tarso Genro. Como não houve nem resposta, optou-se por dar seqüência à cobrança judicial.
Segundo o advogado, a SMP&B e a Graffiti estão sendo acionadas pelo Banco Rural e pelo BMG no foro de Belo Horizonte. Os dois bancos cobram o pagamento dos empréstimos. “Meus clientes não têm patrimônio para liquidar as dívidas sem receber do Partido dos Trabalhadores”, disse.
Os supostos empréstimos foram feitos entre 21 de fevereiro de 2003 a 1 de outubro de 2004. Curioso que só agora, em 2005, os bancos e Valério estejam cobrando a dívida. O advogado de Valério sustenta nas ações que a os créditos foram pleiteados nas casas bancárias a pedido do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Para comprovar a sua tese, Rodolfo Gropen juntou aos processos cópias de depoimentos que Delúbio à CPI dos Correios, ao Ministério Público e à Polícia Federal. Em todos eles, o ex-caixa do PT admite ter solicitado os empréstimos. Reconhece também que foi ele quem informou a Valério a que parlamentares e partidos deveriam ser distribuídos os recursos.
A despeito dos depoimentos de Delúbio, a atual direção do PT não reconhece a dívida. Ainda que reconhecesse, o partido não teria como pagar. Os débitos da era Delúbio reconhecidos pelo PT roçam os R$ 50 milhões. Sem dinheiro nem mesmo para o pagamento dos salários de dezembro, o partido realiza uma campanha de arrecadação entre os seus filiados e militantes. Esperava arrecadar R$ 13 milhões até o último dia 13 de dezembro. Amealhou apenas R$ 706 mil. A coleta foi prorrogada.
Responsável pela investigação dos repasses financeiros das empresas de Valério ao PT, a CPI dos Correios trabalha com a hipótese de que tais empréstimos bancários são operações de fachada. Serviriam para encobrir negócios ilícitos das agências de Valério com o governo, por meio dos quais o caixa dois do PT teria sido irrigado.
Escrito por Josias de Souza às 15h19
Geraldo Alckmin e José Serra puseram-se a elogiar FHC e/ou a gestão dele nesta segunda-feira. Deu-se na inauguração da nova sede paulistana do PSDB (para assinantes da Folha). Num dia em que Lula, reunido com seus ministros, pediu-lhes que dessem entrevistas para comparar o seu governo ao do antecessor, que considera pior, a fala dos dois tucanos soou a coisa ensaiada. Não era.
Os dois só queriam mesmo era paparicar FHC. O ex-presidente é visto como uma espécie de eleitor número um do tucanato. O nome que pingar de sua boca tende a ser escolhido como candidato oficial do PSDB para o confronto com Lula. Daí a bajulação.
Alckmin, que chegou dirigindo seu próprio carro, uma Parati (Hummm, o que uma eleição não faz?!?!?!), disse que "o Brasil é outro depois do governo FHC". Também citou, por seis vezes, Mario Covas, morto em 2001. Segundo suas palavras, o país precisa crescer para completar o "ciclo que se iniciou com o governo FHC".
Serra também elogiou Covas. E adicionou à lista o ex-governador Franco Montoro e Sérgio Motta, que morreu em 1998. Como ministro das Comunicações, Motta “fez um processo de privatização das teles limpo, que serviu aos interesses do país e do setor, uma área super-espinhosa”, opinou o prefeito de São Paulo. Limpo?!?!? Há controvérsias. Controvérsias gravadas.
Escrito por Josias de Souza às 08h01
Periodista Digital
- JB: Tensão pré-eleitoral - Lula libera R$ 7,9 bilhões e cobra ação dos ministros
- Folha: Furlan e Palocci divergem sobre fórmula para crescer
- Estadão: Lula à equipe: gastem e defendam o governo
- Globo: Em reunião de ministros, Lula cobra de Palocci queda do PIB
- Correio: Governo declara guerra aos tucanos
Leia os destaques de capa dos principais jornais desta terça.
Escrito por Josias de Souza às 07h17
Ministério da Saúde
Com os olhos pregados na folhinha de 2006, Lula acompanha com preocupação os esforços empreendidos pelo Ministério da Saúde para tentar evitar que o país enfrente um novo surto de dengue no início do ano. No palanque, Lula deseja estabelecer um contraponto positivo entre o seu governo e o do antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
Sob FHC, o Brasil amargou uma epidemia de dengue. Deu-se no ano eleitoral de 2002. Houve 794,2 mil casos notificados da doença. Considerando-se que nem todas as vítimas foram catalogadas, os especialistas estimam que a doença pode ter afetado naquele ano uma legião de pelo menos quatro milhões de pessoas. O ministro da Saúde da época era o tucano José Serra.
É mais uma razão a justificar as atenções de Lula. Serra, hoje acomodado na prefeitura de São Paulo, emerge das pesquisas de opinião como o principal adversário do presidente na eleição do próximo ano. As últimas sondagens, divulgadas na semana passada, indicam que, se o pleito fosse hoje, o prefeito bateria o presidente nos dois turnos.
Atento às aflições do Planalto, o Ministério da Saúde, hoje gerido por Saraiva Felipe (PMDB), acompanha de perto a evolução da dengue no país. Montou uma estratégia para tentar conter o avanço da dengue. O plano é conduzido por Jarbas Barbosa da Silva Júnior. Trata-se de um funcionário versado na matéria. Está na pasta da Saúde desde 97. Vivenciou o flagelo da dengue em 2002.
"Sabemos que sempre há as questões políticas", disse Silva Júnior ao blog. "Mas a gente se preocupa mais com a questão médica." Ele conta que, em 2002, ainda se imaginava que seria possível erradicar o mosquito da dengue. Hoje, sabe-se que isso é impossível. Não resta senão combater o inseto em regime integral. "De janeiro a dezembro", diz Silva Júnior. "Independentemente de ser ou não ano eleitoral."
O governo desenvolveu uma nova metodologia para detectar o avanço da dengue. Permite identificar mais rapidamente os locais que estão sob maiores riscos. Está funcionando em 170 municípios. Os primeiros resultados, coletados entre o final de outubro e início de novembro, ficaram prontos há duas semanas. Revelam que a cidade do Rio de Janeiro, epicentro da epidemia de 2002, é novamente candidata a converter-se em problema.
A média de infestação de larvas do mosquito da dengue no Rio é de 7%. São consideradas zonas isentas de risco aquelas que exibem taxas abaixo de 1%. Em determinados bairros cariocas, a taxa chega a 16%. "Se está nesse patamar agora, entre janeiro e abril, com a chegada do calor, a taxa vai saltar para 25%, 30%", alerta Silva Júnior. "Por isso mandamos os dados para as prefeituras. Constituem uma ferramenta para a ação preventiva das prefeituras."
De acordo com as medições coordenadas pelo Ministério da Saúde, os Estados de Minas e São Paulo cruzaram 2005 sem notificações expressivas de dengue. Embora alvissareiro, o dado é também preocupante. Em anos anteriores, registraram-se em municípios do interior desses dois Estados casos de dengue tipo dois. Quem já foi infestado está imunizado. O problema é que o mosquito que mais preocupa no momento é o transmissor da dengue tipo três, para o qual não há imunização.
"Estimamos que algo como 44 milhões de pessoas residentes em grande cidades brasileiras ainda não tiveram contato com a dengue tipo três. Esse é o universo passível de ter problema. Por isso é importante manter o esforço que muitas prefeituras já vêm realizando com sucesso", diz Silva Júnior.
Escrito por Josias de Souza às 01h22
Nem só de más notícias vive Lula. O Brasil registrou superávit de US$ 1,737 bilhão nas transações correntes no mês passado. É o melhor resultado para meses de novembro desde o início da série histórica, em 1947. No acumulado do ano, o saldo estava em US$ 13,711 bilhões, outro recorde.
A balança comercial deve fechar 2005 com um superávit superior ao valor estimado pelo governo, de US$ 43 bilhões. De janeiro até a terceira semana de dezembro, as exportações superaram as importações em US$ 42,907 bilhões.
A arrecadação da Receita Federal bateu mais um recorde em novembro. Atingiu R$ 29,83 bilhões. O resultado - o maior da história para o mês - foi 9,09% superior ao arrecadado em novembro de 2004, em valores atualizados. A dívida externa brasileira (para assinantes do Estadão) atingiu a marca dos US$ 183,151 bilhões em setembro, o menor valor desde dezembro de 1996.
Escrito por Josias de Souza às 01h06
Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
No último sábado, almoçando com amigos num apartamento do Leblon (RJ), José Dirceu (PT-SP) vaticinou sobre as eleições presidenciais de 2006. Em relação ao prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), declarou o seguinte:
"Vocês acham que o 'establishment', o sistema, a Fiesp, a Febraban e a elite vão deixar o Serra ser presidente? Já não deixaram da outra vez e não vão deixar agora''.
Dirceu discorreu aos amigos, entre eles Gilberto Gil e Fernando Morais (com ele, na foto) sobre os motivos: ''Serra é muito independente. Eles querem um pau-mandado, um presidente dócil às regras do capital internacional. Eles não querem o Serra presidente muito mais pelas suas virtudes do que pelos defeitos, que são muitos."
Sobre as chances eleitorais de Lula, o ex-chefão da Casa Civil afirmou: "Ele tem que dizer ao povo o que quer com o segundo mandato. Ninguém vai votar nele só porque é o Lula. Aconteceu na outra vez, agora é diferente." Dirceu insinuou que Lula deve livrar-se de Antonio Palocci (para assinantes da Folha) e mudar a polític econômica.
Ao afirmar que Serra foi barrado pela plutocracia nas eleições passadas graças à sua "independência", Dirceu deixa no ar a impressão de que o "pau mandato" de 2002 foi Lula. Se estiver certo em suas previsões, o candidato que o "establishment" está disposto a consentir em 2006 tem a cara de Geraldo "Picolé de Chuchu" Alckmin. Resta saber se o eleitorado dirá "amém."
Escrito por Josias de Souza às 00h57
Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Antonio Palocci (Fazenda) experimentou momentos de constrangimento durante a quarta e última reunião ministerial de 2005. Lula repreendeu Palocci na frente de toda a equipe. Com cara de poucos amigos, revelou enorme contrariedade com a queda de 1,2% do PIB no terceiro trimestre do ano.
Palocci esboçou uma autodefesa. “Essa queda não é definitiva. Os números já mostram uma reação positiva e já há um crescimento da indústria. O quadro muda ainda este ano”, disse. De acordo com relatos de alguns dos presentes, Lula não se deu por achado: “Para mim foi uma decepção muito grande, a maior deste ano, os números do resultado do PIB. Foi um enorme impacto negativo”, reclamou.
Palocci ouviu críticas abertas (para assinantes da Folha) de alguns colegas de ministério. Os mais incisivos foram Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Luiz Marinho (trabalho) e Ciro Gomes (Integração Nacional). Em dado momento, Furlan disse: "A fase do antibiótico já passou. Agora é a hora de dar vitamina". Ouviram-se risos. Palocci constrangeu-se. Saindo em seu socorro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o "doente" está bem, mas ainda não está livre de uma recaída.
Eis as principais diretrizes estabelecidas por Lula durante o encontro, que durou arrastadas 11 horas:
1. os juros devem cair de modo mais consistente em 2006;
2. é preciso acelerar os gastos no primeiro semestre do ano. A pressa foi justificada pelo fato de que a lei determina que os gastos não-obrigatórios sejam interrompidos no final do primeiro semestre do ano eleitoral de 2006. Liberam-se créditos adicionais de R$ 7,9 bilhões;
3. todos os ministros terão de marcar ponto em Brasília já na primeira semana de janeiro;
4. os ministros foram proibidos de divergir em público. “Isso é inaceitável”, disse Lula. Em vez de das críticas paralelas, o presidente estimulou sua equipe a sair em defesa do governo. Quer que todos estabeleçam comparações com gestões passadas, especialmente a de Fernando Henrique Cardoso (para assinantes da Folha). Acha que os números comprovam a superioridade de sua gestão;
5. 2006 precisa ser, nas palavras do presidente, “um ano de realizações”. Segundo alguns dos presentes, Lula teria fixado o crescimento de 5% do PIB como meta para o próximo ano. De acordo com outros participantes do encontro, a exigência de crescimento foi explícita, mas não chegou a ser fixada uma meta;
De resto, Lula voltou a dizer aos ministros que ainda não decidiu se será candidato à reeleição. Só decidirá “no momento oportuno”. O presidente evitou fixar na reunião um prazo de saída do governo dos ministros que pensam em disputar cargos eletivos em 2006. Discutirá o assunto individualmente. Palocci é um dos ministros que terão um tête-à-tête com o presidente.
Escrito por Josias de Souza às 00h25
Lula Marques/Folha Imagem
Não chegam a encher os dedos de uma mão os parlamentares que recusaram o recebimento dos dois salários adicionais (R$ 25.694,40) pagos por conta da autoconvocação extraordinária do Congresso. Além de Dr. Rosinha (PT-PR), entrevistado pelo blog no domingo, recusaram os salários extras os seguintes deputados: Orlando Fantazzini (PSOL-SP) Vicentinho (PT-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ).
Ao contrário do que haviam prometetido, as mesas diretoras da Câmara e do Senado não vão nem mesmo controlar a presença dos congressistas. Os funcionários que costumavam fazer o controle das entrada dos parlamentares no prédio do Congresso encontram-se em férias. Seus postos de observação (na foto, o da Câmara) estavam vazios nesta segunda-feira.
A presença será “atestada” por meio da assinatura dos parlamentares num livro. Como deputados e senadores podem assinar o tal livro retroativamente, fica inviabilizado na prática o corte do ponto dos faltosos.
O Congresso encontrava-se, de novo, vazio nesta segunda. Contaram-se cerca de dez parlamentares presentes. Não compareceram nem mesmo os presidentes das duas casas --Aldo Rebelo, Câmara, e Renan Calheiros, Senado. O custo total da autoconvocação extraordinária, não custa lembrar, roça a casa dos R$ 100 milhões.
Escrito por Josias de Souza às 23h35
O advogado Cláudio Castello de Campos Pereira protocolou no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, seção São Paulo, um pedido de exclusão dos quadros da Ordem do colega José Dirceu (PT-SP).
Campos Pereira entende que a cassação do mandato parlamentar, ocorrida em 30 de novembro, corresponde a “um atestado de inidoneidade” do ex-chefão da Casa Civil. O que o impediria de exercer a atividade de advogado. Protocolado em 12 de dezembro, o pedido deve ser julgado no início de 2006.
Escrito por Josias de Souza às 23h02
Em decisão divulgada nesta segunda, o STF negou mais um pedido de liminar contra decisão tomada pela CPI dos Correios. O recurso negado fora impetrado pela Novinvest Corretora de Valores Mobiliários.
Sob investigação da subcomissão de Fundos de Pensão da CPI, a corretora pedira o cancelamento do ato que determinou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O pedido foi negado pelo ministro Carlos Ayres Brito. Pressione AQUI para conhecer a íntegra da decisão.
Escrito por Josias de Souza às 22h26
Em sua última sessão plenária do ano, o STF fez nesta segunda-feira um balanço de suas atividades no ano de 2005. Os números impressionam. Foram apresentados pelo presidente do Supremo, ministro Nelson Jobim.
A “carga de trabalho” de cada ministros do STF é de 23.688 processos. O estoque de causas por julgar em 2006 é de 173.970 processos. Em 2005, foram distribuídos no Supremo uma média mensal de 9.100 processos. No ano anterior, a média fora de 7.062 processos por mês.
Não é sem razão que o Judiciário é uma engrenagem lenta. Se no STF, tribunal dedicado apenas às causas que envolvem questões constitucionais, o atoleiro tem tais dimensões, imagine-se como não estarão os demais tribunais e as varas de primeira instância.
Escrito por Josias de Souza às 22h15
Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado pela Câmara em 14 de setembro, entrou com um recurso no STF para tentar reaver o mandato. Relator do caso, o ministro Carlos Velloso enviou nesta segunda-feira requerimentos de informações à direção da Câmara e ao Conselho de Ética e à Comissão de Constituição e Justiça.
São três os principais argumentos esgrimidos pelos advogados de Jefferson:
1. o direito de defesa do ex-deputado teria sido cerceado. Alega-se que o Conselho de Ética da Câmara incluiu fatos novos no processo num instante em que já havia sido vencida a fase do contraditório. Ou seja, teria sido negado a Jefferson o direito ao contraditório. O fato teria sido comunicado à Comissão de Constituição e Justiça;
2. os advogados afirmam que Jefferson foi cassado por ter denunciado a existência do mensalão. Algo que, como parlamentar, ele tinha tido o direito de fazer. Estaria coberto, sustenta a defesa, pelo princípio da inviolabilidade do mandato, que lhe facultaria o “direito-dever de denúncia.”
Roberto Jefferson já havia impetrado um primeiro mandado de segurança no Supremo. Deu-se no dia da sessão em que foi cassado. Foi indeferido pelo relator de então, Celso de Mello, antes mesmo de analisar o mérito do pedido.
Neste novo recurso, o ex-deputado pede que seja declarado extinto o processo que culminou com a sua cassação e, em conseqüência que lhe restituído o mandato de deputado federal. Três especialistas ouvidos pelo blog foram unânimes em afirmar que são escassas as chances de êxito de Jefferson.
Em decisão anterior, o próprio ministro Carlos Velloso já dispensou a Jefferson um tratamento de ex-deputado. Relator de uma queixa-crime movida contra ele pelo deputado José Janene (PP-PR), o ministro enviou o processo à primeira instância do Judiciário. Entendeu que, como Jefferson perdera o mandato parlamentar, perdera a prerrogativa de ser julgado no STF.
Escrito por Josias de Souza às 21h37
Prossegue a reunião ministerial no Palácio do Planalto. Dois ministros –Ciro Gomes (Integração Nacional) e Jaques Wagner (Coordenação Política)- saíram para fazer um resumo do encontro para os jornalistas. Espremendo-se o que disseram, tem-se que o governo considera que vai muito bem, obrigado.
Segundo Ciro, a gestão Lula fez, entre 2003 e 2005, mais do que qualquer outro governo nos últimos anos. “Em todos os números", fez questão de salientar o ministro. Como exemplo, ele citou o Programa Bolsa Família.
Os ministros disseram que o objetivo de Lula ao convocar a reunião era o de avaliar o cumprimento das metas para o ano de 2005. No debate realizado a portas fechadas foram abordados quatro temas: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, relações institucionais e políticas e infra-estrutura. Concluiu-se que há muito por fazer. Mas, ainda assim, o atual governo seria melhor do que os que o antecederam.
Sobre reeleição, Lula manteve o suspense. Disse que decidirá no momento oportuno. Sobre crise, nenhuma palavra. É um problema que cabe ao PT administar, alegou Jaques Wagner. Quanto à reforma ministerial, de novo, nada foi mencionado. O coordenador político prevê que o tema deve ser tratado diretamente entre os ministros e Lula.
Essa é a versão que os ministros combinaram dizer em público. Veremos o que será possível apurar mais tarde, depois que a reunião acabar. O signatário do blog falou há pouco, pelo celular, com um ministro que se encontra dentro do salão oval do Planalto. Ele não pôde dizer muita coisa. Mas insinuou que o debate não está sendo dos mais pacíficos.
Escrito por Josias de Souza às 18h29
O Grito
A Receita Federal divulgou nesta segunda-feira o tamanho da mordida do leão no penúltimo mês do ano. A arrecadação de novembro bateu novo recorde: R$ 29,835 bilhões. O valor é 9,09% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.
Considerando-se o valor acumulado do ano, a arrecadação do fisco bateu em R$ 327,142 bilhões –um aumento de 12,83% em relação a 2004.
Escrito por Josias de Souza às 16h26
Pela sétima vez consecutiva, os agentes do mercado reduziram as suas previsões para o crescimento do PIB em 2005. O Boletim Focus, do Banco Central, fechado na última sexta-feira e divulgado hoje, prevê que a estimativa de crescimento da economia caiu para 2,48%. Na semana passada, o mercado estimativa que o PIB cresceria 2,52%. O pessimismo do mercado é justificado pelo fraco desempenho da produção industrial.
Escrito por Josias de Souza às 16h08
Sérgio Lima/Folha Imagem
Iniciada com meia hora de atraso, às 9h30, prossegue no Palácio do Planalto a quarta e última reunião ministerial do ano. O encontro é realizado a portas fechadas. Não tem hora para acabar.
Lula escalou nove ministros para discursar sobre as áreas que considera mais importantes do governo. São eles: Antonio Palocci, Dilma Rousseff, Márcio Thomas Bastos, Luiz Furlan, Ciro Gomes, Patrus Ananias, Jaques Wagner, Roberto Rodrigues e Luiz Dulci.
Espera-se que, além de realizar um balanço do ano, o governo defina a lista de projetos que, por prioritários, receberão injeção de recursos. Estima-se que até o final do ano serão autorizados gastos adicionais de até R$ 2 bilhões. O Diário Oficial desta segunda-feira já informa sobre a liberação de R$ 540 milhões.
Lula será o último a discursar. Imaginou-se que as portas da reunião seriam abertas no instante em que o presidente começasse a falar. A assessoria do Planalto informa, porém, que todo o encontro deve transcorrer entre quatro paredes.
À noite, por volta das 21h, Lula oferecerá aos seus ministros e ministras um jantar de confraternização de final de ano na Granja do Torto. Foram convidados também os respectivos cônjuges.
Escrito por Josias de Souza às 15h18
Lula estenderá o ritmo de campanha até a véspera do Natal. Entre 23 e 24 de dezembro, ele vai entregar o cartão símbolo do Bolsa Família em Osasco (SP), participar de encontro com catadores de papel de rua em São Paulo e tomar parte da inauguração do Memorial do Corinthians. No sagrado dia do nascimento de Cristo, Lula estará em São Bernardo. Na segunda 26, volta para Brasília.
Escrito por Josias de Souza às 09h32
Da Coluna de Mônica Bergamo na Folha (para assinantes): "O presidente Lula anda popular, adivinhe onde, no site do deputado ACM Neto (PFL-BA). Uma enquete da página pergunta aos internautas: 'Você acha que Lula será reeleito presidente da República em 2006?'. Mais de 60% dos que navegam no site do deputado dizem que 'sim'."
Escrito por Josias de Souza às 09h16
Periodista Digital
- JB: Crescimento prometido por Lula traz risco de apagão
- Folha: OMC define suspensão de subsídios agrícolas
- Estadão: BB e tribunal do Rio renovam acordo para mais despesas
- Globo: Mundo marca data para fim de subsídios agrícolas
- Correio: Reunião ministerial em ritmo de campanha
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h31
Alan Marques/Folha Imagem
A julgar pelos desabafos que tem feito em diálogos com seus auxiliares mais próximos, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) planeja deixar o governo nos primeiros meses de 2006. Embora ainda não admita de público, Palocci revela na intimidade o desejo de disputar uma cadeira no Congresso Nacional.
Pela lei, os ministros candidatos precisam se desvincular de seus cargos até 30 de março. Mas Lula não tem a intenção de esperar até o último dia. Deseja reformar o ministério no máximo até o fim de fevereiro.
No mês passado, engolfado pela crise política, Palocci ameaçou, por mais de uma vez, pedir demissão. Insinuou o desejo de sair em três reuniões que manteve com Lula. Foi contido pelo presidente que, de resto, não o levou a sério.
Palocci estava desgostoso com a colega Dilma Rousseff (Casa Civil), que atacara a política econômica publicamente. Suas ameaças foram interpretadas como mero mecanismo de pressão para que Lula o prestigiasse. Foi bem sucedido.
Depois de uma série de pronunciamentos dúbios, Lula disse que Palocci permaneceria na pasta da Fazenda até o último dia do governo. A despeito do timbre afirmativo, o presidente já não exibe a mesma disposição de apelar a Palocci para que fique.
Se levar avante a idéia de oficializar a candidatura ao Legislativo, provavelmente para um mandato de deputado federal, Palocci deve ouvir palavras de estímulo de Lula. Reservadamente, o presidente utiliza uma expressão comum no rama da engenharia ao referir-se à atual gestão econômica: “Fadiga de material”.
Lula deseja dar novo impulso à economia. E avalia que Palocci talvez não seja a pessoa adequada para promover os ajustes que idealiza. A eventual saída de Palocci conduziria naturalmente a uma segunda mudança na equipe econômica. Junto com o ministro, pode deixar o governo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Meirelles cultiva um sonho. Quer ser governador de Goiás, o seu Estado. Para assumir o BC, ele renunciou à cadeira de deputado federal pelo PSDB, que conquistara nas eleições de 2002. Mas não abandonou os seus contatos no mundo da política. Entre as legendas que ambicionam a filiação de Meirelles está o PTB.
Lula ainda não sabe quem irá colocar no lugar de Palocci caso o ministro confirme a intenção de concorrer às eleições. Até o mês passado, o nome de sua predileção era o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Mas o líder do governo, num movimento sem volta, lançou sua pré-candidatura ao governo de São Paulo em encontro estadual do PT realizado há duas semanas.
Na cabeça de Lula, o novo ministro precisaria reunir duas qualidades aparentemente contraditórias. Teria de ser conservador o bastante para não assustar o mercado financeiro e ousado o suficiente para recolocar o Brasil na rota do desenvolvimento econômico.
A retomada do crescimento no ano eleitoral de 2006, imagina Lula, é algo que pode ser obtido sem alterações bruscas de rumo. Bastaria flexibilizar a execução orçamentária, administrando a torneira de investimentos públicos, e reduzir os juros mais aceleradamente nos próximos meses.
Escrito por Josias de Souza às 02h17
Conforme revelado aqui na madrugada de sábado, Lula considera que só a recuperação da economia pode salvar a sua reeleição. Nos seus diálogos reservados, ele diz que não admitirá um crescimento inferior a 5% do PIB em 2006. Pois pode faltar energia.
A depender da oferta de energia prevista para os próximos cinco anos, o PIB brasileiro está condenado a crescer a taxas inferiores a 4%. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquin, diz que, se for repetida a taxa de crescimento de 2004 (4,9%), o governo teria de realizar novos leilões de energia, em caráter emergencial.
Há mais e pior: segundo Tolmasquin, não haveria tempo hábil para viabilizar novos empreendimentos hidrelétricos para antes de 2009. Um negócio desse porte não fica pronto antes de quatro ou cinco anos.
Escrito por Josias de Souza às 01h03
Na reunião que terá com os seus ministros nesta segunda-feira, Lula deseja definir os programas que, por prioritários, receberão injeção de recursos. Estima-se que o governo anunciará investimentos de R$ 2 bilhões antes do final do ano.
Antecipando-se aos críticos, que enxergam na perspectiva de novos gastos um viés eleitoreiro, o ministro Jaques Wagner (Coordenador Político) assegura que o governo não abandonará o rigor fiscal.
“Na mesma linha de responsabilidade fiscal, se houver margem no Orçamento, porque a previsão da arrecadação foi superada, trabalharemos nas áreas impulsionadoras do crescimento”, disse Wagner. “O presidente fará a reunião apontando o futuro, no sentido de consolidação do projeto em curso. Cobrará unidade da equipe.”
Afora os gastos adicionais de R$ 2 bilhões, o governo prepara um pacote de providências para tentar recuperar a popularidade de Lula. As medidas vão do aumento do salário mínimo para R$ 350 à correção de pelo menos 7% na tabela do imposto de renda. A conta dos benefícios pode passar de R$ 10 bilhões, informa o Globo. Pode chegar a R$ 15 bilhões, acrescenta a Folha (para assinantes).
Lula discursará na abertura da reunião ministerial desta segunda. Se respeitar o script, falará por 45 minutos. Responderá às críticas da oposição. E dirá que o país está pronto para dar um “salto de qualidade” em 2006, com novo ciclo de crescimento (para assinantes do Estadão).
Escrito por Josias de Souza às 00h14
Terminou neste domingo a reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Hong Kong. Depois de seis dias de intenso lero-lero, os 150 países que tomaram parte do encontro aprovaram uma declaração que fixa o ano de 2013 como limite para a eliminação dos subsídios à exportação de produtos agrícolas. Para o caso do algodão, o prazo será 2006.
O Brasil referendou o documento. Em seu nome e em nome dos demais 19 países que compõem o G-20, grupo integrado por nações em desenvolvimento. Para Celso Amorim, o chanceler brasileiro, o resultado foi “Positivo, mas não extraordinário”.
Escrito por Josias de Souza às 21h19
Neste domingo, como você sabe, o povo boliviano foi às urnas para eleger um novo presidente. De acordo com os primeiros resultados das pesquisas de boca de urna, o líder cocalero Evo Morales será o novo presidente da Bolívia. É o candidato preferido de Lula. A exemplo de Hugo Chavéz, da Venezuela, ele adota um discurso de timbre anti-americano.
Na última semana de campanha, Evo Morales ameaçou retomar refinarias que a Petrobrás mantém em território boliviano. O governo brasileiro acha que a pregação é coisa de campanha. Confirmada a sua eleição, Morales não ousaria transformar discursos em atos concretos. Será?
Escrito por Josias de Souza às 20h14
Deputado recusa salário e vira alvo de piadas
Câmara
Florisvaldo Fier, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), recusa-se a receber os dois salários adicionais (R$ 25.600) da convocação extraordinária. Ele contou ao blog que se tornou alvo de piadas no Congresso Nacional.
- Por que o sr. recusou os dois salários adicionais?
Doutor Rosinha: Nunca recebi. É questão de princípio. Mando ofício pedindo que não seja feito o depósito.
- Todos poderiam fazer o mesmo?
Rosinha: Sim. Todos, sem exceção. A coisa é legal, mas entendo que é imoral. Por isso não recebo.
- Por que é imoral?
Rosinha: Já temos salários demais.
- Quantos salários recebe um deputado?
Rosinha: Doze, mais o 13o salário. Há mais uma coisa chamada convocação e desconvocação do período ordinário. Vai para 15. Com a convocação extraordinária, são mais dois salários. Vai para 17. Se houver convocação no meio do ano, sobe para 19.
-Não acha que os extras deveriam acabar?
Rosinha: Tem um projeto tramitando. O Aldo Rebelo (presidente da Câmara) disse que colocará em votação. Espero que coloque.
- Acha que vai ser aprovado?
Rosinha: Se tiver mobilização da imprensa e da sociedade civil há chances.
- O sr. comunicou à liderança do PT que não iria receber?
Rosinha: Na primeira vez, em 99, pedi reunião da bancada. Não convenci ninguém. Depois disso, nem comunico.
- O sr. se sente como um corpo estranho no Congresso?
Rosinha: Sim. Alguns fazem piada. Nessa semana mesmo, dois deputado vieram brincar. Dizem assim: 'Ah, você não quer? Dou o número da minha conta pra você depositar'. Não gostei.
- Quem brincou?
Rosinha: Não vou falar os nomes. Mas são deputados com certa liderança na Câmara.
Escrito por Josias de Souza às 19h34
A revista norte-americana Time desta elegeu as três personalidades do ano de 2005: o milionário Bill Gates, fundador da gigante Microsoft; a mulher de Gates, Mellinda; e o cantor de rock Bono. Foram escolhidos por sua atuação como “bons samaritanos”. Empenharam-se na luta contra a pobreza e contra a Aids.
A Time nomeou também dois ex-presidentes dos EUA - George Bush, o pai, e Bill Clinton - como “companheiros do ano”. Os dois lideraram uma campanha humanitária para auxiliar as vítimas da tsunami, na Ásia, e do furacão Katrina, nos EUA.
Bill Gates, o homem mais rico do planeta segundo a revista Forbes, e sua mulher foram selecionados pela Time por causa da atuação de ambos na Fundacão Gates, hoje a maior instituição de caridade do mundo. Bono, por sua vez, foi destacado pela Time por seu ativismo social. Conseguiu tornar “sexy”, diz a revista, até tese de redução das dívidas dos países pobres.
A Time elege a personalidade do ano desde 1927. Durante esse período, a revista já indicou algumas aberrações e anomalias. Em 1938, por exemplo, o escolhido foi Adolf Hitler. Em 1979, o título coube ao aiatolá Komeini. No ano passado, o eleito foi o presidente norte-americano George Bush, o filho. Em 2003, o título fora atribuído "ao soldado americano".
Escrito por Josias de Souza às 15h51
Sobre eleitores, formigas e Carnaval
No Planalto
As eleições têm produzido sucessivas deformações. O eleitor votou em FHC imaginando que elegeria um intelectual de esquerda. E a sociologia da USP uniu-se ao cangaço parlamentar. Votou em Lula esperando mudança e moralidade. A transformação associou-se à acomodação. E a ética deu as mãos à perversão.
Agora, as pesquisas de opinião indicam que José Serra bateria Lula. Animado, o prefeito de São Paulo prepara o desembarque de uma administração municipal que prometera gerir até o último dia.
Serra empenhou a palavra por escrito. Em setembro de 2004, ele assinou o seguinte compromisso: “Eu, José Serra, comprometo-me a, se eleito prefeito do município de São Paulo no pleito de 4 de outubro de 2004, a cumprir os quatro anos de mandato na íntegra, sem renunciar à prefeitura para me candidatar a nenhum cargo eletivo.”
Ou seja: o eleitor mostra-se disposto a votar num político que não honra a própria palavra. Ainda não inventaram um método mais adequado de escolha de dirigentes políticos do que as eleições. Assim, é preciso aceitar uma evidência desoladora: a democracia convive necessariamente com o ridículo.
Por meio das pesquisas, o eleitor está estimulando Serra a descumprir a própria palavra. Simultaneamente, ao informar que se dispõe a elegê-lo, sinaliza a intenção de acreditar em todas as promessas que ele fará na campanha de 2006. É ou não é ridículo?
O eleitor adota comportamento típico das formigas. Nos formigueiros como na sociedade há a elite que domina e as almas operárias. E na sociedade como nos formigueiros não há notícia de batalhão operário que tenha se insurgido contra métodos injustos de trabalho ou contra a lógica perversa do poder.
O eleitor-formiga é um altruísta. Comporta-se como se a acomodação e o sacrifício fossem duas imposições da natureza. Algo que só um milagre cívico poderia subverter.
Por sorte, a chegada do Natal prenuncia o Carnaval, fase em que macacão e o relógio de ponto são trocados pela roupa de fidalgo e pelo expediente frouxo da avenida. Bem verdade que, mesmo nos dias de folia, correm-se alguns riscos.
Nesses tempos modernos, não se deve excluir a hipótese de que a colombina, depois de dispensar o arlequim e o pierrô, acabe fugindo com outra colombina. Ou o risco de descobrir, depois de quatro dias de agitação, que a Colombina na verdade se chama Luizão.
De resto, convém não perder de vista o fato de que mesmo o Carnaval impõe uma lógica que reclama certa dose de abnegação. Enquanto a minoria aproveita os prazeres de uma terça-feira eternamente gorda, a maioria tem de se contentar com as cinzas de uma quarta-feira sem fim. Haja altruísmo.
Escrito por Josias de Souza às 15h08
Arte sem trapaças
Em tempos pré-eleitorais, o noticiário começa a ficar envenenado pela pregação de candidatos versados na arte de transformar conceitos concretos em vagas abstrações. Para livrar os seus (poucos) leitores dessa encrenca, o signatário do blog aproveita a lassidão do domingo para propor uma rápida imersão no mundo da arte genuína, sem trapaças.
A londrina Marlborough Fine Art, uma das mais prósperas casas de comércio de arte contemporânea do mundo, promove uma exposição de gravuras do mestre Pablo Picasso. Foi aberta em 15 de novembro. Vai até 7 de janeiro. Reúne 32 das cem peças que compõem a famosa Suíte Vollard, criada por Picasso entre setembro de 1930 e março de 1937.
O grosso da coleção, rabiscada na fase que antecede Guernica (1937), foi feita por encomenda do marchand Ambroise Vollard, morto num acidente de carro em julho de 1939. Daí o nome Suíte Vollard. O traço mais marcante da série de gravuras é a presença constante da silhueta de Marie-Thérèse Walter. Vem a ser a segunda mulher de Picasso. Aquela que despertou no artista sua mais voluptuosa paixão sexual.
Picasso conheceu Thérèse em Paris, no ano da graça de 1927. Loira, 17 anos, olhos celestes, ela conseguiu esnobá-lo por seis meses. Ao completar 18 anos, conheceu os famosos lençóis do pintor. Dali, migrou para 48 das cem gravuras da notável suíte. Gravuras como essa exposta aí acima.
A Suíte Vollard pertence à Fundação Bancaja, de Valência (Espanha). Passou por São Paulo em 1998. Foi exposta entre 11 de agosto e 11 de outubro na Pinacoteca do Estado. Se você perdeu e não tem dinheiro para ir até o número 6 da Albemarle Street, onde está sediada a Marlborough Fine Art, pressione na imagem lá no alto para visitar a exposição assentada em Londres.
A conexão o conduzirá a um texto com explicações sobre a Suíte Vollard. Infelizmente, foi escrito na língua inglesa. Descendo na barra de rolagem, você chegará às 32 gravuras. Clique sobre as imagens para ampliá-las. Bom proveito.
Escrito por Josias de Souza às 03h12
Site do Ministério
Aliado fiel do PT em todas as disputas presidenciais da fase pós-redemocratização (1989, 1994, 1998 e 2002), o PC do B ameaça abandonar Lula nas eleições de 2006. O presidente do partido, Renato Rabelo, revela: já está pensando em nomes alternativos. Menciona Ciro Gomes (PSB), ministro da Integração Nacional.
Em longa entrevista à Agência Nordeste (para assinantes), Rabelo disse que Lula paga caro pela crise do mensalão. E diz que o programa da legenda não coincide com o do governo. Leia abaixo algumas das declarações do dirigente do partido do presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP):
- Por que o PC do B ainda não fechou com Lula? (...) É que a evolução política (...) ainda está indefinida. Tem que haver uma resultante disso aí para 2006, que pode ser Lula ou não. Eu não sei, na verdade, qual será o desfecho.
- Dúvida: (...) Às vezes imaginamos que Lula é candidato, mas tem outros momentos que não vemos assim. Na conversa pessoal, o presidente não assume que é candidato. Se ele não assume que é candidato, nós vamos dizer que o nosso candidato é Lula? Acho que Lula ainda tem esperança de ser candidato. Agora, a realidade política é muito instável.
- Há alternativa? Um nome que sempre aparece como alternativa a Lula é o do ministro Ciro Gomes, do PSB, que está no nosso arco de alianças (...). Para nós, Ciro seria uma grande opção (...). Não posso dizer isso de antemão. Mas vejo Ciro com bons olhos. Temos, hoje, uma excelente relação com Ciro. Ele avançou muito, é hoje um homem muito mais maduro politicamente. O partido tem uma boa relação política com ele.
- Consórcio governista: Sem conseguir o apoio do PMDB, que se apresentava como o grande aliado, o presidente partiu para tentar criar um centro político. No meu entender, esse foi o seu maior erro, porque a busca desse centro político se deu em cima de forças da direita, do tipo PTB, PL e PP. O centro poderia ser o PMDB. Institucionalmente, seria o melhor caminho. Como isso não foi possível, acabaram forjando um centro político, que deu no que deu.
- Avaliação do governo: (...) É evidente que existem muitas opiniões divergentes entre o partido e o Governo, porque não têm o mesmo programa. Lula assumiu num ciclo em que o país já estava esgotado em termos de desenvolvimento, com mais de 20 anos de semi-estagnação. Então, qual é o grande anseio do povo brasileiro? Desenvolvimento. Acho que Lula teve grandes dificuldades de compreender isso (...). Lula deveria ter fixado meta para a retomada do desenvolvimento.
- A economia: Qual foi a sinalização que deram para Lula? Que a retomada do crescimento cria instabilidade. Pelo contrário. Para mim, não se trata apenas de política econômica, mas de uma falsa idéia de que crescer é sinônimo de desestabilizar a economia. Vieram com essa idéia, com essa sinalização falsa, que é ao contrário daquilo que deveria ter sido feito. Economia, para mim, é política, é opção. Claro que não se deve fazer aventuras, mas é uma opção.
Escrito por Josias de Souza às 00h54
Discursando em Pernambuco na sexta-feira, Lula disse que, se for candidato à reeleição, será para ganhar. E, para vencer, acha essencial que o PT formalize uma aliança ampla com outros partidos. É a sua maior preocupação no momento. Nada poderia representar melhor a atmosfera de dificuldades que ronda os planos de Lula do que a hipótese de vir a ser abandonado pelo PC do B, um aliado de todas as horas.
Sob reserva, Lula já reconhece que são escassas as chances de atrair o PMDB para a sua candidatura. O PTB já lhe informou que, mantida a regra que obriga os partidos a repetirem nos Estados a aliança nacional, não poderá apoiá-lo senão informalmente. A mesma dificuldade assedia o PL e o PP. Mas o risco de não contar com o PC do B é algo que jamais passou pela cabeça do presidente.
Conforme noticiado aqui na semana passada, Lula delegou ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, a tarefa de abrir as negociações partidárias para 2006. Na quarta-feira, Berzoini reuniu-se em Brasília com os presidentes do PC do B, Renato Rabelo, e do PSB, deputado Eduardo Campos (PSB).
Os dois potenciais aliados queixaram-se a Berzoini da intransigência do PT em relação ao projeto que prevê a derrubada da verticalização das alianças partidárias. Acossados pela exigência legal de obter pelo menos 5% de votos do eleitorado nas eleições parlamentares de 2006, as duas legendas querem liberdade para realizar nos Estados as alianças que demonstrarem maior potencial eleitoral. Com o PT ou sem ele.
Graças à resistência da bancada do PT, o projeto que punha fim à verticalização não pôde ser votado no Congresso. Os defensores da idéia dependem agora de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Provocado por uma legenda de aluguel, o PSL, o TSE pode decidir nesta semana se mantém ou se derruba a regra.
Escrito por Josias de Souza às 00h50
Periodista Digital
- JB: Roberto Jefferson acusa Lula e denuncia: fundos de pensão patrocinam impunidade
- Folha: Arrocho em 2005 é o maior desde 99
- Estadão: Em troca de depósito judicial, BB paga despesa de tribunais
- Globo: Ensino médio encolheu em 48% dos municípios
- Correio: Perigo nas estradas
Leia os destaques de capa dos jornais e das revistas.
Escrito por Josias de Souza às 00h45
O deputado cassado José Dirceu (PT-SP) desfruta dos seus primeiros dias longe do poder à beira mar. Alojado no apartamento do escritor Fernando Morais, a poucos metros das areias de Ipanema, ele divide o seu tempo entre a gravação de depoimentos para o livro “Trinta Meses” e a badalação.
Dirceu caminha pelo calçadão da praia, almoça na casa de amigos como o ministro Gilberto Gil (Cultura), freqüenta restaurantes badalados e vai a shows. Porém, nem tudo é diversão. Jantando numa famosa casa de pasto do Leblon, o ex-chefão da Casa Civil teve de ouvir o som da vaia produzido por outros comensais da casa. Caminhando à beira mar, foi chamado de “corrupto” por um passante.
Escrito por Josias de Souza às 00h35
Três meses depois de seu encontro com a guilhotina, no plenário da Câmara, o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) volta a dar as caras. Diz que ainda não sabe em quem vai votar para presidente. Trabalha, porém, com uma trinca de certezas: “No Lula, nunca mais. Tem três coisas que só se faz uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT.”
Comentando a absolvição do deputado mensaleiro Romeu Queiroz, ocorrida na última quarta-feira, o denunciante do mensalão fez uma previsão desoladora. Disse o seguinte:
“Desde o início, as duas cabeças escolhidas para serem cortadas foram a minha e a do José Dirceu. Não creio que haja nenhuma outra cassação. Eu, porque foi quem denunciou o mensalão e o Zé Dirceu porque é acusado de ser o chefe (...). O Romeu Queiroz, contra quem pesou uma acusação de receber em conta R$ 450 mil, saiu. Se ele saiu, como se cassa o Professor Luizinho por R$ 20 mil, o João Paulo Cunha por R$ 50 mil e o Mentor por R$ 150 mil? Acabou.”
Pressione aqui para ler a íntegra da entrevista, publicada no JB de hoje.
Escrito por Josias de Souza às 00h25
Amigo do presidente, assessor especial do Planalto e vice-presidente nacional do PT, Marco Aurélio Garcia acha que, se quiser vencer as eleições presidenciais de 2006, Lula terá de admitir publicamente que não fez “aquele governo dos sonhos.”
“A sociedade não dispõe de todas as informações sobre as realizações do governo”, diz Marco Aurélio, “No momento que tiver estar informações, ficará claro que este não é aquele governo dos sonhos, não é o governo que prometemos, mas é sem dúvida um grande governo, muito melhor que o governo anterior. Teremos que ter a franqueza de dizer que este governo está aquém das nossas expectativas e esperanças. O que teremos que dizer é que, cumprida esta etapa, estamos em condições de realizar as outras transformações para enveredar o país em uma rota de crescimento mais acelerado (...).”
Pressione aqui para ler a entrevista, publicada pelo Globo de hoje.
Escrito por Josias de Souza às 00h06
Lula comandará na segunda-feira a última reunião ministerial do ano. Em reportagem publicada pela Folha deste domingo (para assinantes), Kennedy Alencar informa o que o presidente pretende dizer aos ministros. São quatro os pontos principais:
1. Lula não quer mais saber de bate-boca público entre ministros. Em suas manifestações públicas, cada um deve ater-se à sua respectiva área, evitando fazer comentários sobre temas de pastas alheias. Em entrevistas e discursos, o presidente disse que considerava normais embates como o que opôs os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Mudou de opinião. Dirá que esse tipo de conflito mina a sua própria autoridade;
2. O presidente deve recomendar aos ministros que evitem associar as ações de suas pastas ao calendário eleitoral de 2006;
3. Seguindo a linha do que foi publicado aqui no blog neste sábado, Lula dirá aos seus auxiliares que confia na recuperação da economia no próximo ano. Acha que o cenário eleitoral vai se modificar. Confia que reassumirá a dianteira nas pesquisas de opinião, momentaneamente perdida para o tucano José Serra;
4. O presidente deve pedir aos ministros que desejam disputar eleições em 1º de outubro de 2006 que o avisem. Planeja promover uma troca de cadeiras na Esplanada dos Ministérios antes do prazo legal de desincompatibilização. Pela lei, os ministros candidatos teriam de deixar os seus cargos até 30 de março.
Escrito por Josias de Souza às 20h38
O bravo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) continua pessimista em relação aos resultados da reunião da OMC (organização Mundial do Comércio), em fase de conclusão em Hong Kong. Decorridos quatro dias de negociações, não há sinal de avanço. "Falta coragem da União Européia para tomar uma decisão", desabafou Amorim neste sábado. O encontro termina amanhã.
Escrito por Josias de Souza às 18h18
O serviço secreto do Exército está investigando a atuação de ONGs na Amazônia. A informação foi repassada pelo próprio comandante da força, general Francisco Albuquerque, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Ele acha natural que organizações não governamentais atuem na região. Mas está ressalva: “Precisamos entender o que há por trás disso."
Escrito por Josias de Souza às 18h09
Normalmente comedido, econômico nas palavras, o governador Geraldo Alckmin parece ter soltado a língua. Neste sábado, permitiu-se comentar, em conversa com jornalistas, as declarações de Lula de que a imprensa brasileira, como a venezuelana, aderiu ao “denuncismo.”
Para Alckmin, Lula “deveria agradecer à mídia.” Mais: “A mesma indignação que tem com a crítica, deveria ter com os fatos. Os fatos é que são graves.” O governo disse ainda que o presidente também não tem do que se queixar da oposição.
“O Lula deveria todo dia acordar cedo e agradecer à oposição, que é extremamente responsável, não é radical como no passado", disse ele, referindo-se ao comportamento do PT quando fazia oposição ao governo tucano de FHC.
Em resposta à pergunta de um jornalista, Alckmin disse considerar “natural” que Lula seja candidato à reeleição. Parodiando o presidente, o governo disse que, se for indicado pelo PSDB para concorrer à presidência da República, também entrará na campanha “para ganhar”. Antes, terá de ganhar de José Serra.
Escrito por Josias de Souza às 17h45
Periodista Digital
Notícia veiculada no sítio Blue Bus:
Números do Ibope eRatings divulgados ontem (quinta-feira) somente para os clientes, dão uma medida de como funciona a audiência real dos blogs políticos brasileiros. Fonte que vazou os números para Blue Bus compara resultados de Fernando Rodrigues, Josias de Souza e Ricardo Noblat. Seriam as 3 maiores audiências.
O quadro trata de visitantes únicos residenciais, o que poderia deturpar um pouco os números, mas, de todo modo, é esclarecedor:
* Em outubro, Fernando Rodrigues teve 185,2 mil usuários únicos. Em novembro foi para 325,7 mil.
* Josias teve, em outubro, 113,4 mil e pulou, em novembro, para 236,7 mil. Registra o maior crescimento, de 108,6%.
* Noblat teve, em outubro, 89,4 mil únicos. Caiu, em novembro, para 55 mil. Experimentou queda de 38,4%.
Escrito por Josias de Souza às 11h39
Terra Brasilis
Paulo Stocker
Recolho a “stockada” acima do blog de Paulo Stocker. Evoca a cena do descobrimento. Aquela em que Cabral veio dar nas costas desta terra de índios, palmeiras e sabiás por obra e graça do acaso.
Desde então, o brasileiro tornou-se um ser condenado a viver no país da esperança. Espera... Espera... Espera... Espera... Espera...
Escrito por Josias de Souza às 03h32
Notícia do Estadão deste sábado (para assinantes): “O comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, afirmou aos 25 Estados membros do bloco europeu que o endurecimento da posição adotada pelo Brasil nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) se deve em parte à crise política que vive o País diante dos escândalos de corrupção.
Numa reunião a portas fechadas com os ministros dos países que fazem parte da UE, o comissário relatou como estão as negociações nos últimos dias e tentou explicar por que um acordo com os demais países emergentes, principalmente com o Brasil, não consegue ser fechado. "A máscara do Brasil está caindo", afirmou a ministra de Comércio da França, Christine Lagarde, que há poucos dias afirmou que o Brasil estava querendo deixar a Europa nua.
(...)
Os franceses, espanhóis e italianos não querem que a UE faça nenhum tipo de concessões na área agrícola, ainda que pelo menos quatro países do bloco - Suécia, Dinamarca, República Tcheca e Holanda - já tenham indicado que estão dispostos a flexibilizar suas posições.
"Não vamos aceitar fazer uma concessão unilateral, como o estabelecimento de uma data para o fim dos subsídios à exportação", afirmou Lagarde, que esteve na reunião com Mandelson.
"As máscaras caem. Quanto mais o Brasil pede em agricultura, menos está disposto a aceitar abrir seu mercado para os produtos industriais e serviços. Ainda não há uma proposta brasileira na mesa sobre o corte de tarifas para o setor de manufaturados. Por isso, avaliamos que há um claro retrocesso", afirmou a ministra. "O Brasil nos acusou por dias por causa de nossa oferta agrícola. Mas, quando vemos de perto a posição brasileira, fica claro que o País é defensivo em temas como produtos industriais e serviços. A diferença é que nós, europeus, chegamos a Hong Kong sem máscaras."
Escrito por Josias de Souza às 03h06
Periodista Digital
- JB: Em campanha, Lula avisa: "Só entro para ganhar"
- Folha: Lula diz que oposição vai perder fôlego até a eleição
- Estadão: UE: Brasil agita OMC para abafar escândalo
- Globo: PT pode ter outro candidato a presidente, admite Lula
- Correio: Adivinha quem não foi trabalhar...
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 02h59
Em público, Lula desdenha dos números das últimas pesquisas eleitorais. Reservadamente, mostra-se incomodado com a ascensão do prefeito paulistano José Serra (PSDB). Em conversa com um auxiliar, ocorrida na quinta-feira, o presidente disse claramente que só vê uma maneira de recuperar o cacife eleitoral, erodido em seis meses de crise. “Temos que dar um impulso na economia. E vamos dar.”
Na mesma conversa, Lula desenvolveu o seguinte raciocínio: a ampliação do programa Bolsa Família, que hoje chega a pouco mais de oito milhões de residências pobres, pode assegurar-lhe os votos da camada mais humilde da população. Mas acha que, para assegurar a vitória em 2006, precisa reconquistar o voto da classe média que votou no PT em 2002. Algo que, na sua opinião, só vai ocorrer se houver o que chamou de “virada na economia”.
Nesta sexta-feira, em diálogo com um de seus ministros, Lula disse que não admitirá um crescimento inferior a 5% do PIB em 2006. Queixou-se do “excesso de conservadorismo” da equipe do ministro Antonio Palocci (Fazenda). Revelou-se inconformado com a “timidez” do Copom (Conselho de Política Monetária) do Banco Central.
Depois de uma reunião de dois dias, o Copom anunciou na quinta-feira uma redução de meio ponto percentual na taxa de juros, que passou a ser de 18% ao ano. A decisão não foi unânime. Dois dos oito funcionários do BC que participaram da reunião defenderam uma queda maior, de 0,75%. Para Lula, a redução poderia ter sido de até 1%.
A substituição de Antonio Palocci voltou a freqüentar os diálogos do presidente. Cauteloso, Lula não fala em demissão. Mas insinua que não receberia mal uma eventual decisão do ministro de se desincompatibilizar do cargo para disputar um mandato eletivo no próximo ano. Seria uma maneira de dissociar a troca de comando na economia dos desdobramentos da crise política.
Lula encomendou a um de seus assessores uma análise pormenorizada das duas pesquisas divulgadas nesta semana, a do Ibope, feita a pedido da CNI (Confederação Nacional da Indústria), e a do instituto Datafolha. Quer traçar uma estratégia para enfrentar José Serra. Acha que o prefeito paulistano do PSDB será o seu principal adversário na disputa de 2006.
Lula administra uma pressão de alguns dos seus colaboradores políticos. Ouve conselhos para formalizar imediatamente a candidatura à reeleição. Ele resiste. Fixou como data ideal para o lançamento o final do mês de fevereiro. Mas prometeu estudar o assunto.
Parte da equipe do presidente argumenta que, ao dizer publicamente que ainda não decidiu se concorrerá à reeleição, Lula estimula o crescimento dos adversários. Ele rebate a tese. Diz que Serra, o personagem que mais cresce nas pesquisas, também não oficializou a candidatura. De todo modo, o presidente prometeu estudar o assunto. Mas, antes, quer ver destrinchados os dados das pesquisas.
Escrito por Josias de Souza às 02h43
Alan Marques/Folha Imagem
Conforme noticiado aqui ontem, o primeiro dia da convocação extraordinária do Congresso Nacional teve corredores (foto) e salas vazios. Divulgou-se uma pauta de trabalho praticamente irrealizável.
Só quatro dos 594 parlamentares foram vistos circulando. Na Câmara, o plenário nem abriu. Não houve sessão -elas estão suspensas até 16 de janeiro. Até lá, em tese, apenas as CPIs, o Conselho de Ética e a Comissão Mista de Orçamento funcionarão.
Nesta sexta-feira, não houve nem mesmo o controle de entrada de deputados, feito pelas portarias. O funcionário responsável pelo controle estava de folga. Tornou-se impossível saber quantos parlamentares apareceram.
Apenas dois deputados federais foram vistos: o relator do Orçamento, Carlito Merss (PT-SC), e o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR). O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), também faltou. Diz-se que ele está gripado.
No Senado, apareceram dois senadores: Alvaro Dias (PSDB-PR) e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Está tudo errado, estamos contribuindo para o desgaste da instituição. A oposição queria a convocação para as CPIs e o Conselho de Ética. Podíamos encontrar uma forma de fazer isso sem ônus para o Congresso", afirmou Dias.
Discursando em Garanhuns (PE), sua cidade natal, Lula aproveitou para tirar uma casquinha do Congresso. Queixou-se de que os parlamentares não votam os projetos de interesse do governo. Ele falou durante a inauguração de uma escola do Senai.
No momento em que o público gritava o refrão "um dois três, Lula outra vez", o presidente atalhou: "Pelo amor de Deus, gente, se vocês ficarem gritando assim, aí é que eles não querem votar mesmo." (para assinantes do Estadão).
Escrito por Josias de Souza às 02h40
Do deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), em artigo publicado neste sábado pela Folha (para assinantes):
“Durante a sessão de 15/12 da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Aldo Rebelo, leu em plenário ato assinado por ele e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, convocando o Congresso Nacional para uma sessão extraordinária entre 16 de dezembro e 14 de fevereiro.
Creio que todos os deputados e senadores concordam que esse não é o melhor momento para uma convocação extraordinária. Mas é preciso identificar, desde logo, as razões que justificam a convocação e o que se poderá produzir de positivo durante esses dois meses de trabalho.
É importante esclarecer que a necessidade dessa convocação do Congresso é de exclusiva responsabilidade do Executivo. Há razões que respaldam essa afirmação. A pauta do Congresso esteve durante boa parte do ano bloqueada por medidas provisórias.”
Escrito por Josias de Souza às 02h32
Da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), em artigo publicado neste sábado pela Folha (para assinantes):
“Pelo menos R$ 15 milhões serão gastos com salários extras para deputados e senadores na convocação extraordinária. É pouco se comparado aos US$ 15,5 bilhões que o Brasil desembolsará como presente de natal ao FMI. Ao mesmo tempo, R$ 25 mil a mais para cada parlamentar é um escárnio contra a população, especialmente contra os que ganham salário mínimo e viram a promessa de Lula de dobrar o seu poder de compra em quatro anos se transformar em um aumento real de míseros 10%. Aliás, o PSOL vai cobrar esse compromisso, e apresentará um estudo demonstrando a viabilidade de cumpri-lo.
Mas, quando contestamos a legitimidade desse privilégio dos parlamentares na reunião de líderes do Congresso, nos responderam que é um "tema menor", uma "mesquinharia". Não creio que seja assim, nem que a maioria das brasileiras e brasileiros pense assim, sobretudo quando estamos falando do Congresso do "mensalão", totalmente desmoralizado, objeto de repúdio popular.”
Escrito por Josias de Souza às 02h28
O ministro Celso de Mello, do STF, defendeu em decisão preferida nesta sexta-feira a possibilidade de vazamento de informações sigilosas em poder das CPIs caso haja interesse público na divulgação. As palavras do juiz (para assinantes da Folha) soaram como música aos ouvidos dos integrantes da CPI dos Correios.
Ao negar uma liminar pedida pelo corretor de valores Renato Luciano Galli contra a CPI dos Correios, Celso de Mello anotou: "O que esta Suprema Corte tem censurado e desautorizado é a divulgação indevida, desnecessária, imotivada ou sem justa causa dos registros sigilosos."
Renato Galli protocolara mandado de segurança no Supremo para tentar impedir a divulgação de relatório parcial contendo dados sobre ele obtidos a partir da quebra de sigilos. Celso de Mello foi o relator do pedido. "A divulgação de relatórios parciais traduz a legítima expressão do necessário diálogo democrático", escreveu. Alvíssaras!
Escrito por Josias de Souza às 02h23
Um presente de Natal do TCU (para assinantes da Folha): por quatro votos a três, os ministros do Tribunal de Contas da União autorizaram na última terça-feira a incorporação de gratificações a salários de servidores da administração federal que ocupavam cargo de confiança -direção, chefia ou assessoramento- entre janeiro de 1998 e setembro de 2001.
A brincadeira pode custar ao erário a bagatela de R$ 2 bilhões. Num exemplo hipotético, um consultor legislativo da Câmara que tenha ocupado cargo de confiança entre 1998 e 2001 e receba R$ 16 mil passará a ter salário em torno de R$ 20 mil mensais. De quebra, ganhará uma bolada de mais de R$ 200 mil de parcelas atrasadas.
A decisão foi explicitamente contestada por um dos ministros do tribunal, Walton Alencar Rodrigues. Voto vencido, ele anotou: "A adoção do entendimento do relator, que considero absolutamente ilegal, causará imenso impacto orçamentário nos gastos públicos com pessoal." O voto vencedor foi proferido pelo ministro Lincoln Magalhães da Rocha.
Escrito por Josias de Souza às 02h15
O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira uma medida provisória criando 5.199 novos cargos públicos. Assinada por Lula, a medida também concedeu reajustes salariais aos funcionários das agências reguladoras.
Do total de vagas abertas, 4.225 serão preenchidas por concurso público ou por funcionários remanejados de outras áreas. As outras 974 serão entregues a funcionários comissionados.
A providência contraria uma promessa feita pelo governo no auge da crise do mensalão. O Planalto prometera reduzir os chamados cargos de confiança. Cargos que, no atual governo, vêm sendo ocupados preferencialmente por petistas de carteirinha.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que as novas vagas demorarão a ser preenchidas. “Não é para encher o governo de petistas. Esses cargos atendem a antigas reivindicações do setor produtivo e da Justiça e haverá um cronograma para preenchê-los”. Ah, bom!
Escrito por Josias de Souza às 01h56
Até Orestes Quércia (PMDB) ficou surpreso ao saber que Orestes Quércia lidera as pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Conforme demonstrou o Datafolha, o ex-governador está na frente em cinco de seis cenários pesquisados.
Quércia atribuiu o bom desempenho às críticas que faz à política econômica de Lula nos programas televisivos do PMDB. “A política econômica de Lula é a mesma de Fernando Henrique”, disse ele. “Por isso, a população de São Paulo, que deseja juros menores e condições melhores para o desenvolvimento do país, tem lembrado do meu nome para governar o Estado.”
O deputado estadual Jorge Caruso, da Executiva Estadual do PMDB de São Paulo, disse que a pesquisa ''foi uma injeção de ânimo no partido'' e que a sigla deve indicar o Quércia para sucessão estadual em 2006.
A possibilidade de concorrer à sucessão de Geraldo Alckmin foi admitida pelo próprio Quércia: "Pretendia esperar até março. Mas isso era antes da pesquisa. As circunstâncias estão me empurrando para a disputa" (para assinantes da Folha).
Escrito por Josias de Souza às 01h31
Em meio a uma convocação extraordinária que custará ao erário entre R$ 95 e R$ 100 milhões, o presidente Lula assinou uma medida provisória liberando verba adicional de R$ 363 milhões para o Congresso Nacional. Desse total, R$ 158 milhões destinam-se à Câmara. E R$ 115 milhões vão para o Senado.
O dinheiro será usado para pagar um reajuste salarial de 20% para os cerca de 20 mil servidores do Legislativo. Aprovado pelo Congresso, o aumento havia sido vetado por Lula. Mas deputados e senadores derrubaram o veto.
Por ordem de Lula, a Advocacia Geral da União protocolou no STF uma ação pedindo a anulação do aumento aos funcionários do Congresso. Agora, o presidente libera o dinheiro antes mesmo que o recurso tenha sido julgado.
Além da verba para o Congresso, a medida provisória baixada por Lula liberou dinheiro para a própria Presidência da República, e para os ministérios da Fazenda e da Integração Nacional. Foram beneficiados também Estados, municípios e o Distrito Federal. Tudo somado, a suplementação orçamentária prevista na medida provisória sorverá dos cofres do Tesouro Nacional R$ 825,908 milhões.
No caso do Congresso, a verba extra vinha sendo solicitada desde o início de novembro. O ministro Paulo Bernardo jurava que o dinheiro não sairia. O próprio Lula batia o pé. A resistência deixou abespinhado o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Renan chegou a travar com o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) um diálogo de rispidez incomum entre políticos. De um lado da linha, o senador reclamou do fato de não ter sido avisado de que o Planalto recorreria à Justiça contra o aumento dos servidores do Congresso. Do outro lado, o ministro respondeu que não sabia do recurso. E Renan: "Então é pior do que eu pensava."
Ouvido na ocasião pelo blog, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-AL), reagiu com mais tranqüilidade. Disse que o setor administrativo da Casa estava tratando do problema com a pasta do Planejamento. Parecia não ter dúvidas de que o dinheiro seria liberado. "Eles sempre mandam," declarou. Estava certo.
Escrito por Josias de Souza às 21h25
O
Tribunal de Justiça da Bahia declarou guerra ao senador Atonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Pelo menos 24 dos 30 desembargadores baianos decidiram processar ACM. A revolta se deve a um discurso proferido pelo senador. Ele disse da tribuna do Senado que o Judiciário baiano está "prostituído" e "desmoralizado".
O contencioso entre ACM e o tribunal tonificou-se depois que o desembargador Benito Figueiredo foi guindado à presidência do TJ da Bahia. Figueiredo bateu outros dois postulantes ao posto, entre eles o colega Eduardo Jorge Mendes de Magalhães, irmão do morubixaba pefelista.
Escrito por Josias de Souza às 21h01
Ricardo Stuckert/PR
"Vai ter um momento em que eu vou decidir e quero que vocês saibam que o dia que eu decidir, se for para ser candidato, é para ganhar as eleições... Se decidir não ser candidato, iremos escolher um companheiro para ganhar as eleições".
A frase acima foi pronunciada por Lula em Pernambuco. O presidente acrescentou: "Não irei precipitar nenhuma decisão, não sou candidato antes do tempo, não farei o jogo rasteiro de meus adversários, não jogarei pequeno, não baixarei o nível da campanha política."
Lula estava ao lado de Hugo Chavéz, presidente da Venezuela. Participaram do lançamento da pedra fundamental das obras de uma refinaria no porto pernambucano de Suape. Será construída graças a uma parceria firmada entre os dois.
No curto espaço de uma semana, é a segunda vez que Lula encontra Chavéz. De novo, a companhia virou-lhe a cabeça. O presidente da República comparou a imprensa brasileira à venezuelana, freqüentemente apontada por Chavéz como “golpista”.
"Nunca imaginei que em um país a imprensa poderia fazer o que a imprensa venezuelana fez com você”, disse Lula. “Agora estamos vivendo no Brasil algo semelhante. Primeiro se publica depois se investiga. Não tem a preocupação de saber se é verdade ou não o que se publica."
"Aprendi a ser mais paciente, mais tolerante, haverá um dia em que verdade vai aparecer", disse Lula, para quem não há provas nas denúncias publicadas nos últimos seis meses sobre corrupção no governo e no PT.
O signatário do blog faz uma pergunta aos leitores: vocês também acham que a entrevista-bomba de Roberto Jefferson, as confissões de Delúbio Soares, Marcos Valério e Duda Mendonça, a fila de mensaleiros diante do gruichê do Banco Rural e um infindável etc... são fruto de denuncismo da imprensa?
Escrito por Josias de Souza às 16h12
Alan Marques/Folha Imagem
Sexta-feira, 16 de dezembro. Ano da graça de 2005. Primeiro dia da convocação extraordinária do Congresso Nacional. Não foi um dia como outro qualquer.
Houve uma expressiva mudança em Brasília. Poucos perceberam. Aconteceu longe de olhares curiosos, no recôndito das contas bancárias dos 513 deputados e 81 senadores.
Cada um recebeu a quantia de R$ 12.800. Refere-se à primeira parcela do adicional a que fazem jus pelo suor que derramarão de hoje até 14 de fevereiro, quando receberão a segunda cota –mais R$ 12.800.
A faina parlamentar ainda não começou. Num ponto, os congressistas são muito zelosos. Têm grande apreço pelas tradições do Parlamento. Dão a vida para conservá-las.
Só quatro parlamentares estiveram no Congresso nesta sexta-feira: os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Álvaro Dias (PSDB-PR) e os deputados Carlito Merss (PT-SC) e Osmar Serraglio (PMDB-PR).
O plenário exibido na foto acima, tirada no final da manhã desta sexta, é o da Câmara. O paletó que pende da poltrona é de um dos seguranças da Casa.
Se o ambiente estivesse às moscas, o segurança ao menos teria companhia. Mas nem insetos da família dos dípteros havia no local. Estava só o pobre homem.
Pensando bem, é melhor assim. Antes só do que...
Escrito por Josias de Souza às 15h19
Quando Tarso Genro trocou o Ministério da Educação pela presidência do PT, em outubro, ameaçou negar legenda aos mensaleiros que renunciassem e afastar da legenda os que fossem cassados. Agora, decorridos dois meses, tudo é confraternização no petismo.
Sob a presidência de Ricardo Berzoini, o partido de Lula realiza neste sábado um ato em defesa do mandato de José Mentor (PT-SP). Além de mensaleiro –beliscou R$ 120 mil nas contas espúrias de Marcos Valério-, Mentor traz na biografia o título de coveiro da CPI do Banestado.
O ato de apoio a Mentor reunirá a nata do petismo paulista. Já confirmaram presença o próprio Berzoini; Paulo Frateschi, presidente do PT em São Paulo; e a ex-prefeita Marta Suplicy. Embora convidados, o ex-presidente petista José Genoíno e os senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy ainda não confirmaram se darão as caras.
Escrito por Josias de Souza às 12h48
Periodista Digital
- JB: Processos de cassação - Pizzas chegam à mesa da Câmara
- Folha: Quércia lidera corrida para governador de SP
- Estadão: Governo zera IPI de produtos e corre para gastar R$ 12 bi
- Globo: Acordão entre partidos livrou deputado e pode ser repetido
- Correio: Mordomia antecipada
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 06h41
O eleitor brasileiro é mesmo um ser incorrigível. Está na Folha desta sexta (para assinantes): “Frustrando a expectativa de quem aposta na polarização PT versus PSDB para o governo de São Paulo, o peemedebista Orestes Quércia é hoje o favorito na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A primeira pesquisa Datafolha sobre a eleição no Estado mostra que, com 24% a 33% das intenções de voto, Quércia lidera a corrida em cinco dos seis cenários apresentados pelo instituto.
Em somente um deles há empate técnico, no qual Quércia (24%) divide a liderança com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (23%), do PSDB, com apenas um ponto de vantagem. Nesse quadro -o mais disputado dos seis-, o líder do Governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT), está logo atrás, com 20% das intenções de voto.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Nessa simulação, votos em branco, nulos e de indecisos somam 24%, o mesmo índice de apoio a Quércia. Mas, em outros cenários, a soma pode chegar a até 29% dos votos -mais de um quarto do eleitorado.
Para o diretor-presidente do Datafolha, Mauro Paulino, o alto índice de votos nulos, em branco e de indecisos expressa que "essa é uma eleição aberta". "As taxas de intenção de votos podem mudar muito. Não estão consolidadas, cristalizadas", disse ele, afirmando que há espaço para crescimento de candidatos já lançados e de novos nomes.
Para Paulino, a explicação para a liderança de Quércia "se dá mais por rejeição aos outros do que por preferência" a ele. "É mais por exclusão. Marta e Mercadante pagam o preço da crise política [que afeta o PT]. Fernando Henrique carrega o peso de oito anos de governo." Essa pesquisa, diz ele, "tem um componente de protesto em relação aos dois partidos dominantes, PT e PSDB".
Hoje afastado do noticiário e dedicando-se, além da política estadual, à produção de café, Quércia aparece em situação confortável -pelo menos cinco pontos à frente do segundo colocado- nos cinco cenários em que lidera.
Foram seis as simulações apresentadas aos eleitores pelo Datafolha, com diferentes candidatos do PSDB e do PT, partidos em que a situação é mais indefinida. Além de FHC, foram submetidos os nomes dos dois tucanos que já se lançaram formalmente na disputa: o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza e o líder do governo na Câmara Municipal, o vereador José Aníbal.
Pelo PT, foram apresentados os nomes de Mercadante e da ex-prefeita Marta Suplicy, também pré-candidatos declarados. Além de Quércia, o pedetista Carlos Apolinário e o pefelista Guilherme Afif Domingos figuram em todos os cenários. FHC desponta como o mais competitivo dos tucanos (...).”
Escrito por Josias de Souza às 02h13
Tsunami de Lama
Lula Marques/Folha Imagem


Brasília esteve sob intenso temporal durante toda a tarde desta quinta-feira. O dilúvio invadiu a garagem do prédio do Congresso na forma de uma mini-tsunami de lama.
Era como se na natureza tentasse corrigir o grande erro de Noé, que permitiu o ingresso na famosa arca de um casal de ratos. Funcionários abnegados suaram para conter a enxurrada.
A despeito do esforço, parte da lama logrou invadir as dependências da garagem do Senado. Mas não chegou a escalar os salões da Câmara e do Senado, no primeiro andar do prédio de Niemeyer. Ainda não foi dessa vez.
Escrito por Josias de Souza às 01h59
Para Geraldo Alckmin (São Paulo), as pesquisas de opinião que dão vitória ao colega de partido José Serra nos dois turnos contra Lula em 2006 são retratos do passado. O governador de São Paulo acha que o único fato novo que emergiu das sondagens eleitorais é a candidatura dele próprio.
Escrito por Josias de Souza às 01h23
Quase termina em tragédia uma desocupação de terras invadidas por índios guarani-caiuá em Antonio João, a 300 quilômetros de Campo Grande (MS). Fazendeiros haviam obtido a reintegração de posse das áreas.
Deu-se por meio de uma decisão do presidente do STF, Nelson Jobim. Ele suspendeu os efeitos de um decreto de homologação da terra indígena Cerro Marangatu, que fora assinado por Lula em 29 de março.
Cerca de 150 policiais federais e militares concluíam a desocupação nesta quinta-feira, quando, subitamente, os fazendeiros decidiram atear fogo nos barracos deixados pelos índios. A ação gerou uma reação dos guarani-caiuá.
Munidos de arcos e flechas, os índios ameaçaram iniciar um confronto. A polícia interveio, para interromper a queima dos barracos. E a tragédia, por ora, foi evitada.
A Conferência Regional dos Povos Indígenas Do Pará, Maranhão e Amapá enviou a Brasília uma moção de repúdio. O texto afirma que a decisão de Jobim “afronta a Constituição. Foi endereçado, entre outros, ao próprio Jobim, a Lula, aos presidentes da Câmara e do Senado e ao ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Escrito por Josias de Souza às 01h16
De Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa: "Dois dos maiores ícones da imprensa mundial, o The New York Times e o The Washington Post, acabam de jogar a toalha no ringue da internet. Depois de muita desconfiança e velada animosidade, os dois jornalões americanos aderiram à moda dos blogs, seguindo uma tendência na qual o jornal carioca O Globo foi um dos precursores..."
Escrito por Josias de Souza às 00h47
Conforme comentado aqui na noite passada, incluindo despesas de custeio e salários de funcionários do Legislativo, o custo da convocação extraordinária do Congresso roça a casa dos R$ 100 milhões. Nesta quinta, fixou-se a data de vigência da convocação: vai de hoje até 14 de fevereiro.
Cada deputado e cada senador receberá dois salários adicionais de R$ 12,8 mil. A primeira parcela pinha na conta nesta sexta. Contando com os salários regulares, os congressistas receberão até fevereiro a bagatela de R$ 102,7 mil, o equivalente a oito salários, contando com o décimo terceiro.
Nesta primeira fase, a maioria receberá sem trabalhar. Até 13 de janeiro, estarão dispensados de comparecer ao Congresso nada menos que 310 congressistas. Até lá, só vão “funcionar” as CPIs e o Conselho de Ética. Produziu-se um acinte.
Escrito por Josias de Souza às 00h32
A CPI dos Correios protocolou no STF, nesta quinta-feira, uma representação pedindo que sejam reconsideradas três liminares que suspenderam a quebra de sigilo do fundo de pensão Prece, da Cedae (Cia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro), da corretora Royster e de seu proprietário José Roberto Funaro.
Se a representação for indeferida, a CPI deve entrar na semana que vem com ação pedindo ao presidente do STF, Nelson Jobim, a suspensão ao menos da liminar concedida à Prece. Na próxima semana, o Judiciário estará de recesso. E Jobim, como presidente, terá a prerrogativa de decidir sozinho.
Escrito por Josias de Souza às 00h19
Alan Marques/Folha Imagem
Agora não há mais dúvidas. Ao absolver o deputado Romeu Queiroz (na foto), na noite de quarta, o plenário da Câmara provou que Legislativos também se suicidam. No caso específico, o suicídio é coletivo.
Começam a surgir as primeiras evidências do acordão montado na Câmara para livrar a cara de parlamentares mensaleiros. Vêm aí novas absolvições, num movimento que o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) chamou de “valerioindulto”.
Deu-se em clima de vale-tudo o julgamento de Romeu Queiroz. Não bastasse o acórdão, aliados do deputado promoveram uma espécie de arrastão. Recolheram cédulas no interior das cabines de votação. Preencheram-nas com um “não”. E distribuíram para os colegas que aguardavam na fila a hora de votar.
Uma vez constatado que a Câmara não inspira confiança, os olhares do brasileiro se voltam para o Ministério Público. Ouvido nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa anunciou que planeja denunciar em bloco, antes das eleições de 2006, todos os integrantes da suprapartidária bancada do mensalão. E quanto a Lula? Contra o presidente, há indícios. Mas ainda não se chegou à prova irrefutável, diz Fernando de Sousa.
Escrito por Josias de Souza às 00h09
Carlos Rudiney/Senado
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) promoveu na noite de quarta-feira, na residência oficial da presidência do Senado, uma festa de amigo oculto entre os senadores. Ninguém brilhou mais do que Heloisa Helena (PSOL-AL), aquela senadora enfezada que costuma comparecer ao Congresso metida num uniforme invariável: calça jeans e camiseta.
A Heloisa da festa em nada lembrava a Heloisa do plenário. Desfilou por entre as mesas envergando um vestidinho preto, do tipo tomara-que-caia, barra acima dos joelhos. Distribuía sorrisos. Atônito, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) não se conteve: "A Heloisa Helena saiu do armário"
Ao final da troca de presentes, a senadora ganhou um agrado extra dos colegas: uma peixeira. Reza-se agora para que a cabra da peste não leve o mimo a sério. Os colegas esperam que deixe o artefato em casa sempre que for para o Senado.
Escrito por Josias de Souza às 18h03
Incra
Um informe confidencial do setor de inteligência do Exército, elaborado há uma semana, alerta para um “grave” problema político, de “desdobramentos imprevisíveis”, no Estado de Roraima. A confusão foi provocada, informa o documento, por uma portaria do Incra, editada em 19 de outubro de 2005.
Assinada pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart (na foto), a portaria leva o número 466. Instituiu um grupo de trabalho composto de oito procuradores do órgão. Foram designados para instruir processos e entrar com ações de retomada de terras públicas griladas no Norte do país.
O plano de trabalho envolve seis Estados da chamada Amazônia Legal (Mato Grosso, Pará, Acre, Amapá e Amazonas). Só em Mato Grosso, já foram encaminhadas à Justiça 46 ações de retomada de terras.
No Amapá, conforme já noticiado aqui, ajuizou-se por ora uma ação contra o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado estadual Jorge Amanajás (PSDB). Estão ainda na mira do Incra mais um deputado estadual, um deputado federal, um procurador de Justiça aposentado e um juiz de direito. Todos teriam se apropriado ilegalmente de terras pertencentes à União.
É em Roraima, objeto do relatório confidencial do Exército, que a situação está mais tensa. Ali, o Incra propôs ações de retomada de terras contra onze pessoas. Entre elas o deputado federal Francisco Rodrigues (PFL) e o desembargador Robério Nunes dos Anjos, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima.
Há três dias, realizou-se na Associação Comercial de Boa Vista um encontro da fina flor da política roraimense. Lá estavam os senadores Romero Jucá (PMDB), Augusto Botelho (PDT) e Mozarildo Cavalcanti (PFL); os deputados Franscisco Rodrigues (PFL), Luciano Castro (PFL) e Rodolfo Pereira (PDT); e o vice-governador Erci de Moraes (PDT). Organizaram um movimento de oposição ao Incra.
As vozes mais exaltadas na reunião eram as do senador Romero Jucá e do deputado Chico Rodrigues. O primeiro ameaçou devolver ao Planalto o título de vice-líder do governo no Senado caso o Incra não seja contido. O segundo falou até em “resistência armada.”
Acertou-se na reunião da Associação Comercial a elaboração de um documento a ser entregue nos próximos dias ao presidente Lula. O texto está sendo elaborado dentro da Casa Civil do governo de Roraima, com o apoio explícito do governador Ottomar Pinto (PSDB), que só não compareceu à reunião por estar convalescendo de uma cirurgia.
No documento, a bancada de Roraima acusará o Incra de tentar travar o desenvolvimento do Estado. Pedirá a revogação da portaria do instituto e a retirada das ações judiciais. A redação está sendo supervisionada por advogados.
Amapá e Roraima reivindicam a transferência de todas as terras pertencentes à União para o controle dos Estados. O pedido chegou a ser analisado por um grupo de trabalho constituído por Lula no Gabinete Civil da Presidência. Porém, o prazo de funcionamento do grupo expirou no mês passado sem que se tivesse chegado a um consenso sobre o tema.
Escrito por Josias de Souza às 17h16
Ouvido pelo Blog, o Incra defende a portaria editada em outubro. Afirma que o seu objetivo é garantir a “legalidade e a estabilidade jurídica na ocupação das terras públicas federais.” A procuradoria do instituto diz que está agindo “rigorosamente dentro da lei.” Na maioria dos casos, as providências foram solicitadas pelo Ministério Público.
Receosa de que pudesse haver algum tipo de recuo no esforço para a retomada de terras, a superintendente do Incra no Amapá, Maria Cristina do Rosário Almeida, esteve em Brasília na última terça-feira. Em conversa com o presidente do órgão, Rolf Rackbart, obteve a garantia de que não haverá retrocesso no plano de retomada de terras.
Cristina, como é chamada a superintendente, deveria participar de um encontro do Incra em Goiânia. Porém, foi mandada de volta ao Acre com ordens expressas para organizar um programa de visita a assentamentos rurais para o presidente da República. Lula deve visitar o Amapá em 20 de dezembro. Sob atmosfera tensa, entregará 200 títulos de regularização de propriedades rurais.
Para tentar serenar os ânimos em Roraima, o presidente do Incra despachou para o Estado, na quinta-feira da semana passada, um procurador do instituto lotado em Brasília. Reuniu-se com autoridades do Ministério Público e do Judiciário local. Explicou que o objetivo das onze ações de retomada de terras abertas em Roraima não é o de perseguir pessoas. Busca-se restabelecer direitos da União, supostamente usurpados por pessoas que se apossaram de terras ilegalmente.
Simultanemante às ações judiciais, o Incra desenvolve um plano de regularização de titulação de terras com até 500 hectares. A possibilidade foi aberta graças a um artigo que entrou de carona na chamada MP do Bem, aprovada no mês passado. Antes, o Incra só estava autorizado a regularizar propriedades com no máximo 100 hectares.
Escrito por Josias de Souza às 17h13
Alvo de uma ação judicial para retomada de uma propriedade de 700 hectares, o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RR) chama de “irresponsável” o presidente do Incra, Rolf Hackbart. Acusa-o de tentar “transformar Roraima numa Cuba”. Diz que, valendo-se de “instrumentos sorrateiros”, o Incra “quer tirar das terras do Estado quem está produzindo, com dezenas de empregados.”
Rodrigues ameaça: “Vamos jogar toda a população do Estado contra o Incra e contra o governo. Vão encontrar resistência armada da população. Aquilo vai virar um Iraque. O governo vai aprender a ter juízo. Já alertei os segmentos militares. Até porque sou membro da Comissão de Defesa (da Câmara). Já disse para o comandante do Exército, para o ministro da Defesa e para o Comandante da Aeronáutica.”
Antes de tentar retomar terras, o governo deveria, na opinião do deputado, “mandar investigar o Incra.” Ele diz ter obtido, em reunião da bancada do PFL na Câmara realizada na última terça-feira, “o compromisso de apoiar uma CPI para investigar o Incra.” Trata-se, nas palavras de Rodrigues, de “um órgão caquético”. É “uma das grandes fragilidades do governo Lula.”
Segundo Rodrigues, a bancada de Roraima havia obtido um compromisso do presidente da República de repassar as terras hoje pertencentes à União para o Estado. “Tivemos uma reunião com Lula no dia 4 de janeiro de 2005. Toda a bancada e o governador. Quando o presidente viu o mapa, disse: ‘Isso é um absurdo. Para quê o Incra quer tanta terra?” Para o depurado, Rolf Rackbart estaria “passando por cima da autoridade do presidente da República.”
Rodrigues diz que sua propriedade, agora ameaçada pela ação do Incra, foi adquirida de pessoas que detinham o direito à exploração das terras. “Pagavam regularmente todas as taxas e impostos ao Incra. Eu continuei pagando. E eles nunca reclamaram.”
O parlamentar afirma ainda que sobre a área abrangida pelas onze ações movidas pelo Incra pastam “em torno de 80 mil cabeças de gado”. Volta a atacar o presidente do Incra: “Esse elemento nunca administrou uma pipoqueira. Era garoto de recados da bancada do PT aqui no Congresso. A companheirada assumiu o governo e pensa que isso aqui é uma Cuba. Metem esses caras para ocupar cargos dessa importância.”
Escrito por Josias de Souza às 17h12
Do deputado Afonso Camargo (PSDB-PR), para o prefeito José Serra (São Paulo):
"Com a experiência dos meus 76 anos de idade, 50 anos de política, recomendo ao Serra que pergunte ao Pimenta da Veiga (PSDB-MG) o que aconteceu com ele depois que renunciou à prefeitura de Belo Horizonte para concorrer ao governo de Minas. A rejeição do eleitorado foi imensa."
Escrito por Josias de Souza às 15h05
O PFL encostou a faca no peito do prefeito paulistano José Serra. Está condicionando o avanço das tratativas em torno de uma aliança presidencial para 2006 à garantia de que terão a cabeça da chapa na disputa de pelo menos dez Estados. Entre eles, para desassossego de Serra, São Paulo.
Embora ainda não disponha de um nome de peso para a disputa da sucessão do tucano Geraldo Alckmin, a hipótese de abrir mão de São Paulo, seu reduto tradicional, é coisa que não passa pela cabeça do generalato do PSDB. Serra tenta articular a composição de dois palanques. Seguem as negociações.
Em tom ameaçador, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), acena com a hipótese de lançar uma candidatura presidencial própria. Mas não apresenta um nome alternativo ao do prefeito do Rio, Cessar Maia, que abriu mão em favor de Serra numa entrevista a este blog.
O falatório de Bornhausen é visto pelos seus próprios pares como jogo de cena para valorizar o passe. A grossa maioria do PFL segue apostando num acerto com o PSDB para a disputa presidencial. Bem-posto nas pesquisas, Serra é o nome que o partido considera ideal para derrotar o presidente Lula, que já articula abertamente a própria reeleição.
Escrito por Josias de Souza às 14h57
História contada há pouco por Marco Aurélio, sócio do restaurante Piantella, o preferido dos políticos em Brasília, ao deputado Delfim Netto (PMDB-SP): "Liguei para o Zé Dirceu. Ele está lá no Rio, gravando os depoimentos com o Fernando Morais. Eu disse: 'Pô, Zé, a Câmara já tá absolvendo os outros.' Ele me respondeu: 'Eles só queriam a minha cabeça. As outras não interessam'." Delfim ouviu calado.
Escrito por Josias de Souza às 14h18
A CPI dos Correios já decidiu: vai recorrer contra a liminar concedida pelo ministro Sepúlveda Pertence, do STF, ao fundo de pensão Prece, da Cedae (Cia. de Água e Esgoto do Rio). Graças à decisão de Pertence, o deputado ACM Neto (PFL-BA), relator da sub-comissão que investiga os fundos, ficou impedido de divulgar a lista dos beneficiários das operações na BM&F que teriam provocado perdas aos fundos.
O próprio ACM Neto informou há pouco a colegas que encontrou em plenário que o recurso da CPI dará entrada no Supremo na próxima terça-feira. Segundo ele, mantida a linha concessiva do tribunal em relação aos fundos, a investigação estará irremediavelmente comprometida.
Escrito por Josias de Souza às 13h24
Periodista Digital
- JB: De olho em 2006 - Pesquisa aponta perdas de Lula
- Folha: Serra cresce e passa Lula no 1° turno
- Estadão: Ibope coloca Serra à frente de Lula já no primeiro turno
- Globo: PMs suspeitos de ajudar traficantes em seqüestro
- Correio: Dia de festa e noite de pizza no Congresso
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h25
Só falta a juba
Alan Marques/Folha Imagem
José Alencar reinou absoluto nesta quarta-feira. Em viagem à Colômbia, Lula ausentou-se momentaneamente da selva. E o leão interino investiu contra sua presa habitual:
“O regime de juros não atende ao interesse nacional”, bramiu ao final do dia, durante a solenidade de posse da nova diretoria da CNA (Confederação Nacional de Agricultura). Pela manhã, no Congresso, havia se referido à política monetária como um "crime".
Dessa vez o rugido soou mais pretensioso. "Nunca houve uma palavra minha contra o Copom (Conselho de Política Monetária). O Copom é um órgão eminentemente técnico. E a decisão não é técnica, é política. Você pode delegar autoridade a um ministro ou ao Copom, mas não transfere a responsabilidade pelos resultados”, urrou Alencar.
Ou seja, o alvo do leão dos juros não foi, dessa vez, a equipe de ovelhas da Fazenda e do Banco Central. Ele mirou no Tarzan do Planalto, a quem cabe “delegar autoridade”. Nesta quinta-feira, o homem-macaco estará de volta a esta selva de palmeiras e sabiás.
É improvável que Alencar se atreva a tentar devorá-lo. No tête-à-tête, o leão de fábula do Palácio do Jaburu sempre mia como gatinho domesticado. Falta-lhe juba para o exercício da caça aberta e franca. Moral: leão que muito ruge não morde.
Escrito por Josias de Souza às 01h31
Vai custar cerca de R$ 100 milhões a convocação extraordinária do Congresso anunciada nesta quarta-feira pelos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O pagamento de dois salários adicionais aos 513 deputados e 81 senadores custará R$ 15,2 milhões. O resto, estima a assessoria do Congresso, será consumido em despesas de custeio –material de escritório, telefone e energia elétrica, por exemplo- e na remuneração dos 20 mil servidores do Legislativo.
Escrito por Josias de Souza às 00h27
Oposicionistas e governistas fizeram leituras diversas dos números das pesquisas. O PSDB comemorou o resultado das pesquisas. Não sem motivo. O prefeito de São Paulo, José Serra, venceria as eleições no primeiro e no segundo turnos contra Lula. E o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, teve um crescimento de seis pontos percentuais em relação a outubro, subindo de 14% para 20% das intenções de voto.
Já os petistas consideraram natural o desempenho de Lula. Apostam na recuperação política do presidente. O vice-presidente José Alencar, por sua vez, disse o seguinte: “O presidente Lula tem uma sensibilidade social muito grande. É um homem de bem. Isso é apenas um momento.”
Escrito por Josias de Souza às 00h07
Periodista Digital
A juíza Margarete Morales Simão Martinez Sacristan determinou nesta quarta-feira que 13 sítios mantidos na internet, entre eles os do Palácio do Planalto e do Ministério do Planejamento, retirem do ar informações referentes ao caso em que a Kroll Associates é investigada por espionar integrantes do governo a mando da Telecom Itália e do banqueiro Daniel Dantas.
A Folha Online e a Polícia Federal já haviam sido obrigados a retirar de seus endereços virtuais informações sobre o caso. A juíza argumenta que as informações correm sob sigilo de Justiça e não podem ser divulgadas. No ofício enviado aos responsáveis pelos sítios, ela limita a decisão a dados sobre interceptações telefônicas e telemáticas e ao sigilo fiscal e bancário dos investigados. A divulgação de entrevistas com os envolvidos no caso, antes incluídas na proibição, foram liberadas.
A Kroll foi acusada de realizar investigações ilegais a pedido da Telecom Itália e de Daniel Dantas. Foram espionadas inclusive autoridades do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken. Algumas informações estavam na internet desde abril.
Escrito por Josias de Souza às 23h55
Alan Marques/Folha Imagem
Aldo Rebelo (PC do B), presidente da Câmara, acaba de anunciar o resultado do julgamento do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), na foto. Ele foi absolvido por 250 votos contra 162. Houve 22 abstenções, oito votos em branco e um nulo. No total, computaram-se 443 votos.
Queiroz é o segundo deputado envolvido no escândalo do mensalão a escapar da cassação. Antes dele, a Câmara já havia absolvido Sandro Mabel (PL-GO). Outros dois deputados - Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) - foram cassados.
Deputados governistas e oposicionistas acreditam que o julgamento de hoje serve de baliza para os que estão por vir. Diz-se abertamente nos corredores da Câmara que foi firmado um acordo entre os partidos que ardem na fogueira do mensalão: PT, PL, PP e PTB. Algo na seguinte linha: proteja os meus que projeto os seus.
Queiroz era acusado de receber R$ 452 mil de Marcos Valério. Desse total, R$ 350 mil foi sacado por um preposto do deputado nos guichês do Banco Rural de Belo Horizonte. Outros R$ 102 mil foram repassados pela SMPB, agência de publicidade que tinha Marcos Valério como sócio.
Ao apresentar a sua defesa no Conselho de Ética, Queiroz sustentou, em 6 de outubro, que estava fora de Belo Horizonte quando os repasses foram feitos. A pedido de Roberto Jefferson, então presidente do PTB, apenas indicou prepostos para transferir o dinheiro aos seus reais destinatários.
Segundo ele, R$ 350 mil teriam sido entregues a Emerson Palmieri, tesoureiro nacional do PTB, em Brasília. Os R$ 102 mil restantes, supostamente doados pela Usiminas por meio da SMPB, teriam sido destinados ao financiamento de campanhas do partido em Minas Gerais.
Por analogia, raciocinavam ontem deputados ouvidos pelo blog, deputados que receberam importâncias inferiores às repassadas a Queiroz teriam de ser igualmente absolvidos. Entre eles os petistas João Paulo Cunha e Professor Luzinho, ambos de São Paulo.
João Paulo recebeu de Valério R$ 50 mil. Também alega que a verba teve destinação partidária. Teria financiado uma pesquisa eleitoral em Osasco (SP). Luizinho amealhou do valerioduto ainda menos: R$ 20 mil. A exemplo de Queiroz, jura que não tem nada a ver com o saque. Reconhece que um assessor de seu gabinete esteve no Banco Rural. Mas diz que agiu por conta própria. Usou o dinheiro para auxiliar vereadores petistas em campanha.
Ao término da votação desta quarta-feira, Aldo Rebelo esquivou-se de fazer comentários: "Minha obrigação é a de conduzir as sessões de maneira isenta", disse. Reservadamente, porém, o presidente da Câmara manifesta o receio de que uma seqüência de absolvições acabe por tisnar de maneira irreversível a imagem da atual legislatura.
Encontram-se ainda na fila da guilhotina da Câmara onze deputados. Além de João Paulo e Luzinho, estão postados diante do patíbulo: João Magno (PT-MG), José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Roberto Brant (PFL-MG), Vadão Gomes (PP-SP) e Walderval Santos (PL-SP).
Escrito por Josias de Souza às 22h23
Como previsto, a Câmara dos Deputados acaba de absolver o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG). A apuração ainda prossegue. Mas Queiroz já obteve 217 votos a seu favor. Não é mais possível obter os 257 votos necessários à cassação.
Há mais e pior: a votação desta quarta-feira sinaliza para os outros casos de cassação ainda por votar. Dissemina-se na Câmara a sensação de que outros parlamentares mensaleiros irão se livrar da guilhotina.
Escrito por Josias de Souza às 22h12
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) acaba de dar por encerrada a votação do relatório que propõe a cassação do mandato de Romeu Queiroz (PTB-MG). Será iniciada agora a contagem manual dos 443 votos depositados na urna.
O signatário do blog farejou no plenário da Câmara um leve cheiro de pizza. Dissemina-se entre os parlamentares a impressão de que Queiroz pode ter se safado. Dentro de mais uma hora, uma hora e meia no máximo, saberemos se a suspeita procede ou não. Reze para que os líderes ouvidos pelo repórter estejam equivocados.
Escrito por Josias de Souza às 21h32
Pesquisa
Datafolha que será divulgada na edição desta quinta-feira da Folha de S.Paulo mostra que, pela primeira vez, o prefeito paulistano José Serra (PSDB), lidera a disputa eleitoral contra Lula já no primeiro turno. Se as eleições fossem hoje, Lula teria 29% dos votos, contra 36% de Serra. Num eventual segundo turno, Serra venceria com 50% dos votos, contra 36% de Lula.
No último levantamento do Datafolha, realizado em outubro, Lula tinha 30% das intenções de voto contra 27% do prefeito. A pesquisa ouviu 3.636 pessoas em 154 municípios de todo o país entre ontem e hoje. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Se o opositor de Lula fosse o governador Geraldo Alckmin, Lula venceria o primeiro turno com 30% dos votos contra 22% do adversário. No segundo turno, haveria empate técnico entre Lula e Alckmin. O presidente amealharia 41% dos votos. O governador, 40%.
Escrito por Josias de Souza às 20h31
A Câmara realiza neste momento sessão plenária para votar o processo de cassação de mais um deputado mensaleiro: Romeu Queiroz (PTB-MG). Ele recebeu, por meio de um assessor, R$ 350 mil sacados nas contas de Marcos Valério. Recebeu também R$ 102 mil em verbas repassadas diretamente pela SMPB, agência que tinha Valério como sócio.
Queiroz alega em sua defesa que não se beneficiou diretamente dos repasses. Diz que entregou o dinheiro ao partido, que o teria utilizado em campanhas eleitorais. O Conselho de Ética recomendou ao plenário a cassação do mandato do parlamentar. Para que Queiroz perca o mandato, são necessários pelo menos 257 votos.
Aldo Rebelo, prsidente da Câmara, acaba de anunciar o encerramento da fase de discussões. Vai começar a votação. É coisa demorada, feita manualmente, por meio de cédulas. Depois, serão contados os votos, um a um. Assim que for proclamado, o resultado será noticiado aqui.
Escrito por Josias de Souza às 20h21
Em reunião com o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), o PPS e o PC do B condicionaram o fechamento de uma aliança pela reeleição de Lula ao apoio dos petistas à proposta de fim do princípio da verticalização. Informaram que, mantida a regra, não terão condições de compor oficialmente a aliança pró-Lula.
A verticalização obriga os partidos a repetirem nas disputas pelos governos estaduais as mesmas coligações fechadas em âmbito federal. Algo que os potenciais aliados de Lula querem evitar a todo custo.
PSB e PC do B têm contra si a chamada cláusula de barreira, outra exigência da legislação eleitoral. Precisam amealhar pelo menos 5% dos votos do eleitorado nas eleições para deputado. Sob pena de perderem o direito a tempo no rádio e na TV e o dinheiro do fundo partidário. De resto, passariam a ter no Congresso uma existência vegetativa. Perderiam a prerrogativa de indicar líderes de bancada e de participar dos trabalhos das comissões.
Realizado a pedido de Lula, o encontro desta quarta-feira, antecipado aqui na noite passada, foi o primeiro de uma série. Berzoini tem pressa em fechar uma aliança partidária voltada às eleições de 2006. A exemplo do PSB e do PC do B, todas as outras legendas que hoje compõem o consórcio governista defendem o fim da verticalização: PP, PL, PTB e PMDB.
A direção do PT trava uma luta interna para convencer os integrantes de sua bancada a rever a posição contrária à mudança da regra. Oficialmente, diz-se que apenas 20 dos 82 deputados petistas admitem votar a favor do fim da verticalização. Os outros partidos, porém, avaliam que o número de petistas favoráveis à idéia não chegaria a dez.
Lula empenha-se pessoalmente para virar votos no PT. Em seus diálogos privados, ele diz que, com sua intransigência, o partido demonstra enorme falta de visão política. Participaram da reunião de ontem, além de Berzoini, o presidente e o líder do PSB na Câmara, respectivamente Eduardo Campos (PE) e Renato Casa Grande (ES); e o presidente do PC do B, Renato Rabelo.
Escrito por Josias de Souza às 20h13
O Copom (Conselho de Política Monetária) do Banco Central acaba de anunciar a queda de meio ponto percentual na taxa de juros. O novo índice é de 18%. A decisão não foi unânime. Havia sete diretores presentes, mais o presidente do BC, Henrique Meirelles. Seis votaram a favor da queda de 0,5%. E dois diretores, cujos nomes não foram divulgados, queriam uma queda maior, de 0,75%. Foram derrotados.
Escrito por Josias de Souza às 19h29
O STF suspendeu há pouco o julgamento de um pedido de extensão da quebra de sigilo bancário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que responde a inquérito sob a acusação de evasão de divisas. O pedido fora formulado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa.
O procurador-geral solicitara a quebra de sigilo de todas as contas CC-5, que autorizam o enviam de recursos para o exterior, movimentadas pelo BankBoston, instituição da qual Meirelles foi presidente internacional. Relator do processo, o ministro Marco Aurélio de Mello posicionou-se contrário ao pedido.
Marco Aurélio argumentou que a providência implicaria a quebra do sigilo “não do indiciado (Meirelles), mas de inúmeros clientes de um certo banco (BankBoston)”. Uma quebra assim, linear, alcançando contas CC-5 de titularidade variada, seria inadequada.
“O inquérito visa apurar o envolvimento de um certo cidadão (Meirelles) em atos passíveis de serem enquadrados como delitos, e com isso, o ato extremo de quebra de sigilo bancário há de ficar a ele limitado”, disse ainda Marco Aurélio.
O julgamento foi suspenso porque outro ministro, Joaquim Barbosa, pediu vista do processo. O tema só volta à pauta depois que Barbosa analisar o processo. Antes do pedido de vista, um terceiro ministro, Eros Grau, acompanhou a posição do relator.
Em decisão anterior, Marco Aurélio já havia negado a quebra do sigilo do presidente do BC. Ele desconsiderou também, por considerar impróprio, um pedido da Promotoria de Nova York no mesmo sentido. O ministro argumenta que Meirelles disponibilizou espontaneamente os seus dados bancários. O que dispensaria a ordem judicial.
Marco Aurélio tem afirmado que já há nos autos dados suficientes para que o Ministério Público decida se irá ou não formalizar denúncia contra Meirelles. O ministro se queixa de que o pedido de extensão da quebra de sigilo às contas CC-5 foi feito sem que os dados já disponíveis no processo tenham sido devidamente analisados pelos investigadores.
Escrito por Josias de Souza às 18h19
Ricardo Stuckert/PR
Discursando em Bogotá (Colômbia), ao lado do prefeito da cidade, Luis Eduardo Garzón, Lula cobriu-se de auto-elogios. "Eu fui um dirigente sindical muito razoável no Brasil. Por ausência de outros, até me tornei muito importante. Mas, em nenhum momento da minha passagem na vida do sindicalismo brasileiro, nós geramos a quantidade de emprego dos últimos 36 meses", disse.
Lula voltou a bater bumbo em cima da pesquisa divulgada há coisa de duas semanas pelo IBGE. Aquela que constatou uma redução das desigualdades sociais no Brasil. Disse que há muito por fazer:
"Todos os índices sociais melhoraram. Sem exceção. Essa é uma demonstração de que temos muito que fazer. Afinal, não consertaremos séculos de erros com mandato de quatro anos. Mas, sem dúvida, estamos escolhendo a pedra correta para edificar uma América Latina mais próspera e com mais justiça social."
Lula, na foto com o presidente colombiano Álvaro Uribe, recebeu as chaves da cidade de Bogotá. Entregou-a o prefeito Eduardo Garzón. Assim como Lula, ele é ex-sindicalista. Algo que Lula fez questão de realçar: "Com profunda emoção, me recordo de nossa trajetória: você à frente da central unitária de trabalhadores e eu à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Agora, em cargos de grande responsabilidade, renovamos o compromisso histórico de lutar pelo direito de nossos concidadãos."
Escrito por Josias de Souza às 17h52
Alan Marques/F.Imagem
Como previsto aqui em despacho de ontem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), anunciou nesta quarta-feira que o Congresso será mesmo convocado extraordinariamente durante o recesso. Assim, os parlamentares terão de “trabalhar” entre os dias 15 de janeiro e 15 de fevereiro.
A decisão leva desassossego ao Planalto que, como disse Renan Calheiros (PMDB-AL), preferia "dar férias à crise." A exemplo de Aldo, Renan também oficializou, em comunicado lido no plenário do Senado, a suspensão do recesso parlamentar.
Com isso, seguem normalmente os trabalhos das CPIs dos Correios e dos Bingos e do Conselho de Ética da Câmara, ocupado com o julgamento da bancada de deputados mensaleiros. Abre-se a perspectiva para que o plenário julgue processos de cassação já em janeiro.
A convocação custará caro ao contribuinte. Cada parlamentar receberá um extra de R$ 25.694. Equivale a dois salários. Um deles será pago no início da convocação e o outro no final. Entre deputados e senadores, há no Congresso 594 parlamentares. Ou seja, a brincadeira sairá por pelo menos R$ 15.262.236,00.
A conta ainda não inclui as outras despesas. Gastos que incluem, por exemplo, a remuneração dos 20 mil servidores do Legislativo. É coisa salgada, que o repórter ainda está apurando e se compromete a informar mais tarde.
O PPS apresentou nesta quarta-feira um decreto legislativo que propõe o cancelamento da remuneração adicional. A chance de uma coisa como essa vir a ser aprovava é nula.
Escrito por Josias de Souza às 17h11
Sob investigação da CPI dos Correios, os fundos de pensão partiram para o contra-ataque. Liminar concedida nesta quarta-feira pelo ministro Sepulveda Pertence, do STF, à Prece (fundo de pensão dos funcionários da Cedae, a Cia de Água e Esgoto do Rio), impediu que o deputado ACM Neto (PFL-BA) divulgasse a lista dos beneficiários das operações na BM&F que teriam provocado perdas às instituições.
Outras duas decisões do Supremo golpearam as investigações da CPI. Obtiveram liminares a empresa Royster e o investidor José Roberto Funaro. Há ainda oito pedidos de suspensão de quebra de sigilo e proibição de divulgação de dados. Foram impetrados por pessoas físicas e corretoras. Um eventual deferimento dos recursos inviabilizará as apurações em curso na CPI.
A direção da comissão receia que as decisões já tomadas pelo Supremo animem outros fundos de pensão a recorrem ao Judiciário contra as decisões da comissão. Estuda-se a hipótese de recorrer. Enquanto isso, não restou a ACM Neto senão resignar-se: "O fato é que, até haver clareza de quais são as medidas que podem reverter essa decisão, nós iremos embargar a divulgação de qualquer tipo de informação a respeito das investigações com os fundos de pensão", disse.
Como se recorda, o parecer de ACM Neto anota que operações feitas pelos fundos resultaram em prejuízos de R$ 730 milhões para 14 instituições nos últimos cinco anos, sob os governo FHC e Lula. O relatório não logrou estabelecer vinculações entre os supostos prejuízos e o famigerado valerioduto.
Escrito por Josias de Souza às 16h37
Lula Marques/Folha Imagem
Chicão Brígido (PMDB-AC), suplente de deputado, perdeu a paciência. Num gesto de desespero, acorrentou-se a uma cadeira no plenário da Câmara. Como não tem direito a falar nos microfones do plenário, ele nomeou a colega Rose de Freitas (PMDB-ES) como sua porta-voz. Ela informou que Brígido só sairá do plenário depois que for empossado pela mesa diretora da Câmara.
Brígido cobiça a vaga de Ronivon Santiago (PP-AC). Uma vaga que, de direito, já lhe pertence. Mas que ainda não usufrui. Cassado pela Justiça eleitoral em 2002, sob acusação de ter comprado votos, Santiago ia se segurando bem na Câmara até a semana passada. O STF deu um basta.
Acionado por Brígido, que não vê a hora de tomar a cadeira do conterrâneo, o Supremo manteve a sentença da Justiça Eleitoral que cassara o mandato de Ronivon Santiago. A decisão obriga a mesa da Câmara a, finalmente, despachar Ronivon de volta para o Acre. É tudo o que deseja o acorrentado Brígido.
A perspectiva de que Ronivon possa receber no lugar dele os dois salários extras da convocação extraordinária do Congresso levou Brígido ao desespero. Daí ter recorrido às correntes.
A direção da Câmara alega que ainda não devolveu Ronivon ao Acre porque precisa “cumprir os prazos regimentais”. O deputado ainda disporia de cinco sessões legislativas para se defender. Entranho, muito estranho. Que defesa ainda pode apresentar um parlamentar condenado em todas as instâncias, inclusive na corte suprema?
Ronivon é aquele deputado que renunciara em 97 depois de ter admitido, em diálogo gravado, que recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição de FHC. O acorrentado Chicão Brígido, não custa lembrar, também renunciou naquele ano, pilhado na mesma gravação da compra de votos. Ou seja, como já foi dito aqui dias atrás, sai um e entra o outro. Mas a taxa de (i)moralidade da Câmara não se altera.
Escrito por Josias de Souza às 16h18
Pela primeira vez em uma pesquisa de opinião, o prefeito paulistano José Serra (PSDB) ultrapassa Lula nas projeções para o primeiro turno das eleições de 2006. A pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quarta-feira, aponta que Lula teria 31% das intenções de votos contra 37% de Serra. No segundo turno, a vantagem do prefeito de São Paulo sobe para 13 pontos percentuais. Lula teria 35% das intenções de votos contra 48% de Serra.
Na pesquisa anterior, divulgada em setembro, o presidente ainda mantinha a liderança das pesquisas com 33% dos votos contra 30% do prefeito de São Paulo. "A dianteira do candidato tucano se verifica no interior do país e na periferia das grandes cidades, chegando a um empate técnico nas capitais. José Serra lidera a pesquisa nos municípios de pequeno e médio porte, exatamente onde o governo Lula consegue sua melhor avaliação administrativa", informa o texto da pesquisa, feita sob encomenda da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A pesquisa foi feita entre os dias entre 3 e 7 de dezembro. Ouviram-se 2.002 pessoas em 143 municípios de todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
O Ibope realizou sondagens eleitorais com outros cenários, nos quais Lula lidera com folga. Se em vez de Serra o candidato do PSDB fosse Geraldo Alckmin, Lula teria 32% das intenções de voto, contra 20% do governador de São Paulo. Neste cenário, Anthony Garotinho (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro, aparece empatado com Alckmin, com 20% das intenções de voto.
Excetuando-se Serra, Lula bateria todos os demais candidatos num eventual segundo turno. Contra Geraldo Alckmin, o placar seria de 41% contra 37%. Contra Anthony Garotinho (PMDB), Lula venceria com 41% dos votos, contra 33% atribuídos ao ex-governador do Rio. Numa disputa com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), o placar ficaria em 43% contra 29%.
A pesquisa revelou também:
- Avaliação do governo: permaneceu estável. O governo é avaliado como ótimo ou bom por 29% dos entrevistados. É o mesmo percentual registrado na última pesquisa, feita em setembro. Repetiu-se agora também o índice dos que acham que o governo é ruim ou péssimo: 32%.
- Avaliação de Lula: caiu três pontos percentuais o índice de aprovação do presidente. Foi de 45% em setembro para 42% em dezembro. A desaprovação subiu de 49% para 52%. O saldo entre aprovação e desaprovação ficou negativo pela segunda vez. A diferença é de 10 pontos percentuais, contra os quatro pontos registrados em setembro.
Não espere pelos jornais de amanhã. Pressione aqui para ler, direto da fonte, o relatório CNI/Ibope com todos os resultados da pesquisa.
Escrito por Josias de Souza às 11h14
Alan Marques/Folha Imagem

A “A Chamada Global para a Ação Contra a Pobreza” é uma aliança mundial lançada no V Fórum Social Mundial de Porto Alegre. O movimento ainda não conseguiu mobilizar o planeta para a sua causa. Mas já diminuiu momentaneamente a penúria de um magote de pobres de Brasília, contratados para desfilar a bordo de carroças e no comando de carrinhos de mão na Esplanada dos Ministérios. Logo, logo o mundo abrirá os olhos. Questão de tempo. É só esperar, esperar, esperar...
Escrito por Josias de Souza às 08h34
Não vale uma nota de três reais a assinatura de Tarso Genro na representação em que o PT pediu a poda do mandato de Onyx Lorenzoni (PFl-RS) no Conselho de Ética da Câmara. É o que atesta laudo do perito criminal Domingos Tocchetto (para assinantes da Folha).
É falsa a assinatura atribuída a Tarso, diz o perito. O especialista é o segundo a emitir semelhante parecer. Curiosamente, em resposta ao primeiro laudo, publicado pela revista Veja há coisa de três semanas, Tarso jurara que era sua a caligrafia aposta à representação, apresentada na época em que ele ainda presidia o PT.
Por ora, o processo contra Lorenzoni encontra-se suspenso. Antes de julgar o comportamento ético de Lorenzoni, acusado de vazar dados sigilosos de José Dirceu (PT-SP), o Conselho de Ética deseja certificar-se de que o PT não procedeu de modo aético.
Escrito por Josias de Souza às 07h52
Periodista Digital
- JB: Brasil antecipa pagamento de R$ 15,5 bilhões - Lula zera dívida com o FMI
- Folha: País quita dívida de US$ 15,5 bi com FMI
- Estadão: Brasil antecipa US$ 15,4 bi e zera dívida com o FMI
- Globo: Críticas à política econômica dividem o Ministério de Lula
- Correio: Governo quita dívida com FMI antes do prazo
Leias os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h27
A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou nesta terça-feira parecer que pede o envio ao Ministério Público de São Paulo de documento que aponta indícios de crimes cometidos pela ex-prefeita Marta Suplicy na contratação de um empréstimo adicional para o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (para assinantes da Folha).
O texto agora segue para aprovação em plenário. Até que o caso seja resolvido, a CAE não poderá analisar futuros empréstimos pedidos pelo município de São Paulo. Nota técnica redigida pela consultoria do Senado indica que a ex-prefeita deveria ter pedido autorização da Câmara dos Vereadores e do Ministério da Fazenda para fazer o empréstimo. Esses procedimentos não foram cumpridos.
Marta teve um defensor inusitado na discussão da CAE: o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que disputa com a ex-prefeita o direito de disputar o governo de São Paulo pelo PT em 2006. Mercadante redigiu um parecer alternativo, que inocentava Marta. O documento não prosperou.
Escrito por Josias de Souza às 02h01
Numa tentativa de se contrapor às resistências de EUA e União Européia na questão dos subsídios agrícolas, o G-20, liderado pelo Brasil, fechou ontem uma aliança com os países em desenvolvimento que defendem proteção a produtos sensíveis, o G-33.
Comprometeu-se a apoiar a proposta de redução lenta e gradual das tarifas de 20% dos itens agrícolas hoje comercializados no mundo. Com isso, o G-20 espera que o G-33 ajude a pressionar os países ricos a estabelecerem na reunião da OMC, em Hong Kong, uma data-limite para a total eliminação dos subsídios às exportações agrícolas. Seria um forma de livrar a reunião do fiasco total.
Escrito por Josias de Souza às 01h44
Na noite da última segunda-feira, enquanto o governador Geraldo Alckmin assumia publicamente a condição de candidato à presidência da República, o prefeito paulistano José Serra dava seqüência à sua estratégia para barrar as pretensões do colega tucano. Alckmin falou contra a idéia de acabar com o estatuto da reeleição no Roda Viva, da TV Cultura. Serra falou a favor, no programa da Hebe Camargo, no SBT.
Assim falou Serra: “Sou a favor da não-reeleição. Acho que o presidente da República tem que ter mandato de cinco anos, como era antigamente, e acabou. O que acontece hoje é que o sujeito se elege e não é só o presidente da República: fica pensando na reeleição e só caminha nessa direção. É uma fuga para diante. Só faz campanha. Sinceramente eu acho melhor a gente reconhecer que não deu certo, com toda a humildade, e corrigir isso, se tiver acordo. Mas valendo a reeleição só para depois do ano que vem, para não se imaginar que está se mudando a regra do jogo no meio da partida. Então, a partir de 2007 não valeria mais a reeleição. No atual jogo essa regra ainda estará valendo, mas depois modificaria.”
Conforme antecipado aqui na semana passada, Serra espera com sua pregação atrair o apoio de outro governador tucano, Aécio Neves (Minas), isolando Alckmin na briga interna do PSDB. Por ora, vai dando certo. Aécio, virtualmente reeleito para o governo de Minas, aderiu à idéia que Alckmin recusa.
Escrito por Josias de Souza às 01h37
O Ministério Público do Rio e o Ministério Público do Trabalho entraram com ação civil pública contra o ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à presidência da República. Reivindicam a suspensão de seus direitos políticos pelo período de três a cinco anos.
Garotinho é acusado de ter-se beneficiado de meninões de Nova Iguaçu (RJ). Teria se aproveitado politicamente, na eleição municipal do ano passado, do Programa Jovens pela Paz”. Houve “desvirtuamento” do projeto, acusam os promotores. Os jovens beneficiados pelo programa teriam se convertido em cabos eleitorais.
A ação civil anota: o Jovens Pela Paz “se desvia patentemente de seu objetivo, aliciando mão-de-obra com vistas ao exercício coativo de atividades político-partidárias”.
O programa foi lançado quando Garotinho era governador. E foi mantido pela governadora Rosinha Garotinho (PMDB), que nomeou para coordená-lo Wilson Sombra, namorado de sua filha Clarissa Matheus, presidente regional da Juventude do PMDB.
No front político, sentindo o chão se abrir sob os pés, Garotinho pronunciou nesta terça-feira o mais duro ataque ao PMDB desde que ingressou no partido, há dois anos. Disse que uma parte dos dirigentes peemedebistas integram o ''partidos dos traidores''. Afirmou que parte da cúpula peemedebista tenta sabotar as prévias que indicarão em março o candidato da legenda à sucessão presidencial de 2006.
Escrito por Josias de Souza às 01h28
Em reunião nesta terça-feira, Lula alçou o salário mínimo à condição de prioridade. Determinou que, até a semana que vem, o governo faça as contas, para viabilizar o maior aumento possível. O valor passará dos atuais R$ 300 para R$ 350 ou, na pior das hipóteses, para R$ 340.
Escrito por Josias de Souza às 01h04
Dando seqüência à tática de fazer oposição a si mesmo, o governo mobilizou-se nesta terça-feira para comentar declarações que o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) fizera na véspera. De Hong Kong, onde se encontra para participar da reunião da OMC, Furlan dissera que a gestão Lula padece de falta de objetivos e metas. Reclamou de uma certa “sensação geral de desânimo”.
O colega Antonio Palocci (Fazenda) como que vestiu a carapuça. Em entrevista, disse o seguinte: “Fiquei preocupado de o ministro Furlan se confessar um pouco desanimado. Vou pedir para não perder o ânimo, porque ele é um grande incentivador dos projetos que fizemos este ano.” Referia-se ao aumento das exportações, um êxito que atribui à pasta de Furlan. “Ele é um ás de ouro deste governo”.
Sucederam-se em outras afirmações, ora para contemporizar ora para refutar a fala de Furlan, o ministro Luiz Marinho (Trabalho); o presidente do BNDES, Guido Mantega; e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). A oposição, por sua vez, aproveitou para tirar mais um casquinha do governo.
Reservadamente, Lula demonstrou contrariedade com as declarações de Furlan, um auxiliar que costuma elogiar publicamente. Informado da repercussão de seu desabafo, o ministro do Desenvolvimento discou para o Planalto para informar que suas declarações foram descontextualizadas pelos jornalistas. Sempre eles... Em nota, Furlan declarou-se “o ministro mais otimista da Esplanada.”
De concreto, restou uma vez mais a impressão de que o governo é um barco lotado em que cada um rema para um lado.
Escrito por Josias de Souza às 00h56
O Grito
O Senado aprovou na noite passada projetos que recriam a Sudam e a Sudene, dois organismos de triste memória. Como sofreram alterações, os projetos precisam ser ratificados pela Câmara. Se confirmados, serão reabertos dois guichês que se notabilizaram pela fraude.
A pretexto de promover projetos de desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, patrocinaram, sob FHC, desvios bilionários de verbas públicas. Só na Sudam, os prejuízos detectados são contabilizados na casa dos R$ 3 bilhões. Um dinheiro que o Estado ainda não conseguiu reaver.
Escrito por Josias de Souza às 00h34
O FED (Federal Reserve), Banco Central dos EUA, elevou em 0,25 ponto percentual a taxa de juros norte-americanos. É a 13a elevação dos juros desde junho de 2004. O novo índice, 4,25% ao ano, é o mais alto desde 2001.
Em nota, o FED sinaliza a intenção de promover novos aumentos dos juros. Argumenta que, a despeito da elevação nos preços da energia e dos efeitos dos furacões, a expansão da atividade econômica exibe sinais de solidez. A inflação, prossegue o comunicado do FED, conserva-se relativamente baixa nos últimos meses. E há a expectativa de que continue contida no longo prazo.
Apesar disso, informa o Banco Central dos EUA, a perspectiva de novos gastos e a continuidade na elevação dos preços da energia podem pressionar para cima as taxas de inflação. Daí a nova alta dos juros.
Esta foi a penúltima reunião do FED sob a presidência de Alan Greenspan, que se aposenta em 31 de janeiro. Antes de passar o bastão para Bem Bernanke, chefe da consultoria econômica do presidente George Bush, Greenspan comandará a reunião de janeiro, quando deve ser decretado novo ajuste dos juros. A julgar pelas últimas decisões, deve situar-se, de novo, na casa de 0,25 ponto percentual.
Os ajustes promovidos até aqui, na avaliação do FED, não prejudicam o crescimento da economia dos EUA que, no último trimestre registrou expansão de 4,3%. De outro lado, considera-se que o ajuste dos juros mantém a inflação sob controle, uma prioridade de Greespan.
Falando ao Congresso dos EUA no início de novembro, Greespan dissera que identifica no momento "mais incertezas em relação à inflação do que sobre as perspectivas econômicas de longo prazo, que continuam favoráveis".
No Brasil, o Copom deve anunciar nesta quarta-feira uma nova queda na taxa de juros. A se confirmarem as expectativas do mercado, a redução deve ser de meio ponto percentual. Em sua última reunião, no mês passado, o Copom reduzira a taxa para 18,50%. Assim, o novo índice deverá ser de 18%. Um percentual que, a despeito da alta verificada nos EUA, ainda mantém os juros de Palocci mais atraentes para o capital especulativo do que os de Greenspan.
Pressione aqui para ler a íntegra do comunicado divulgado pelo FED nesta terça-feira. Infelizmente, só está disponível na língua inglesa.
Escrito por Josias de Souza às 22h35
A pedido de Lula, o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente nacional do PT, começou a costurar uma aliança partidária para a campanha presidencial de 2006. Marcou para esta quarta-feira a primeira reunião.
Berzoini vai sentar-se à mesa com os presidentes do PSB, Eduardo Campos (PE), e do PC do B, Renato Rabelo. São, no momento, as duas legendas mais próximas do Palácio do Planalto. O encontro será em Brasília, na presidência do PSB, às 14h30
Há uma semana, em diálogo com Lula, o deputado Eduardo Campos, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, recém empossado na presidência do PSB, perguntara se não seria a hora de abrir as conversações eleitorais. Será que agüentamos esperar até março?, perguntou.
Lula respondeu que não pretendia esperar tanto. Disse que desejava abrir o diálogo antes do final do ano. Receberá uma comitiva do PSB na Granja do Torto. Ficaram de marcar a data ainda nesta semana.
Reunido com Lula na última sexta-feira, Berzoini recebeu a incumbência de aplainar o terreno. Daí a reunião desta quarta. Conforme noticiado aqui na semana passada, Lula acha que estão atrasadas as articulações em torno de sua reeleição.
O presidente espantou-se com a desenvoltura de movimentos do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que considera seu virtual oponente na corrida presidencial. Avalia que já estão avançados os entendimentos de Serra com o PFL. E lamenta não ter conseguido até o momento atrair para sua candidatura uma legenda do mesmo porte. Refere-se especificamente ao PMDB, que ameaça lançar um candidato próprio.
Embora tendam a se compor com Lula, PSB e PC do B impõem uma condição. Querem que o PT abandone a idéia de criar obstáculos à votação que derruba o princípio da verticalização. A verticalação é aquela regra que obriga os partidos a repetirem nos Estados a coligação feita em nível nacional.
Partidos de estrutura modesta, PSB e PC do B têm sobre suas cabeças a espada da cláusula de barreira. Precisam obter nas próximas eleições os votos de pelo menos 5% do eleitorado. Por isso querem acabar com a verticalização. Desejam ter liberdade para compor nos Estados as alianças que se mostrarem mais viáveis do ponto de vista eleitoral. E em muitos Estados o PT é visto como um parceiro inconveniente.
Preocupados com a campanha nacional, Lula e Berzoini são favoráveis ao fim da verticalização. Mas a maioria do PT bate o pé. Na ponta do lápis, só 20 dos 82 deputados da bancada petista na Câmara admitem a hipótese de votar a favor da proposta. Por isso a votação vem sendo protelada pelo presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
Ao marcar a reunião desta quarta-feira, Berzoini estipulou uma pauta aberta. Quer discutir com os potenciais parceiros a correlação de forças para 2006. Deseja também ouvir avaliações sobre o governo Lula. E admite discutir a verticalização. Simultaneamente, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), trabalha para tentar vencer as resistências do petismo à liberalização das alianças estaduais.
Escrito por Josias de Souza às 21h36
A CPI do Fim do Mundo vai se transformando numa espécie de Éden para o ministro Antonio Palocci. Ameaça daqui, constrange dali, a comissão dos Bingos desistiu de convocar o ministro da Fazenda. Apenas renovou o convite para que compareça, quando der, para prestar esclarecimentos.
Graças a uma articulação que contou com o apoio de dois generais da "oposição" -ACM e Tasso Jereissati-, o requirimento de convocação de Palocci nem foi a voto. O presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB) notou que, se insistisse na idéia de votar a convocação, seria constrangido por uma derrota.
Mais cedo, o ministro da Fazenda enviara à CPI uma carta. Disse no texto que está à disposição. Mas só mais tarde. Problemas de agenda o impediriam de comparecer à CPI agora. Ou seja, fica para 2006. E estamos conversados.
Escrito por Josias de Souza às 16h42
O governo Lula decidiu antecipar o pagamento de uma parcela da dívida do Brasil com o FMI. Até o final do ano, serão pagos ao Fundo US$ 15,5 bilhões. São dívidas que venceriam nos próximos dois anos. Antecipando a quitação, o Brasil livra-se das inspeções de monitoramento impostas pelo FMI.
Segundo o ministro Antonio Palocci (Fazenda), a antecipação dos pagamentos resultará numa economia para o país de US$ 900 milhões em juros. Ele explicou que a decisão de pagar adiantado ao FMI só foi possível porque houve um crescimento das reservas internacionais.
Escrito por Josias de Souza às 15h27
O juiz Nicolalau, aquele dos desvios do TRT paulista, foi condenado de novo. A nova sentença prevê reclusão de 7 anos e 6 meses, em regime fechado. O crime cometido foi o de sonegação fiscal. No momento, Lalau, que já fora condenado anteriormente, encontra-se detido em regime de prisão domiciliar. Com a nova sentença, ele pode ter de voltar para uma cela convencional.
Escrito por Josias de Souza às 15h23
Oficialmente, a decisão só sai nesta quarta-feira. Informalmente, porém, os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reconhecem que o Congresso deve mesmo se autoconvocar no recesso.
Em reunião na manhã desta terça-feira, Renan e Aldo ouviram líderes partidários e representantes das CPIs dos Correios, dos Bingos e da Comissão de Ética da Câmara. Não houve consenso, mas a maioria dos presentes manifestou-se a favor da suspensão das férias dos parlamentares.
O presidente do Senado falou a favor. O da Câmara, silenciou. A convocação custará aos cofres públicos pelo menos R$ 15.262 milhões em salários extras para os congressistas. Cada senador e deputado receberá dois salários adicionais.
Escrito por Josias de Souza às 14h03
Periodista Digital
- JB: Saúde precária - Investigado abuso de planos
- Folha: Empresário compra Varig por US$ 112 mi
- Estadão: Governo está sem objetivos, diz Furlan
- Globo: Preço da gasolina deixará de seguir mercado externo
- Correio: Palocci sob pressão
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h49
Eis o que informa o repórter Hudson Corrêa: Além dos R$ 795,7 mil pagos pela campanha do petista Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, a empresa Santorine Comercial e Distribuidora também recebeu dinheiro do PSDB de Mato Grosso e das campanhas a deputado federal do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT-MG), e de José Dirceu (PT), cujo mandato foi cassado no dia 30 passado.
A informação é do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No domingo, a Folha revelou que a Santorine -embora tenha recebido da campanha de Lula por serviço de "propaganda e publicidade"- possuía como objeto social declarado o ramo atacadista de alimentos e bebidas. Três sócias, cujos nomes constam na Junta Comercial do Estado de São Paulo, negaram ter participação na Santorine. Uma é dona-de-casa e outra está desempregada.
A empresa, criada em abril de 2000 e fechada em fevereiro de 2003, citou dois endereços de funcionamento em Campinas (SP). Um era um terreno baldio, depois ocupado por uma oficina mecânica. No outro, um galpão, não há registro de contratos de aluguel em nome da empresa.
Segundo o TSE, o comitê financeiro estadual do PSDB de Mato Grosso pagou R$ 30.187,50 à Santorine em 6 de setembro de 2002. A campanha de Patrus Ananias, eleito deputado federal, desembolsou R$ 28.922,50 -sendo R$ 18.055 em 11 de setembro daquele ano e mais R$ 10.867,50 no dia 19. José Dirceu teve despesa de R$ 3 mil paga no dia 3 de outubro de 2002.
Escrito por Josias de Souza às 02h15
O partido de Lula acaba de lançar uma edição especial do seu “PT Notícias”. Encontra-se no sítio da legenda na internet. A publicação é só elogios. Destaca: “Os resultados da pesquisa do IBGE comprovam que o governo Lula reduziu as desigualdades sociais, aumentando o nível de emprego, diminuindo a concentração de renda e melhorando as condições de vida dos brasileiros.”
Mas o que mais chama a atenção na página virtual que conduz ao “PT Notícias” é uma conexão inserida no canto superior direito. Leva a um artigo de Tarso Genro, o ex-ministro da Educação que assumiu a presidência da legenda prometendo refundá-la e teve de sair de fininho diante das resistências que enfrentou.
Em seu artigo, Genro destrói o “mito” de “grande estrategista” que se formou em torno de José Dirceu (PT-SP). Muito já se escreveu sobre a trajetória do deputado cassado. Mas nenhum texto foi tão devastador quanto o artigo do “companheiro” Genro.
Pressione aqui para ler o texto na íntegra. É leitura obrigatória. Se você estiver com pressa, despreze os primeiros cinco parágrafos. Concentre-se no trecho que vai do intertítulo “Cassação de José Dirceu” até a expressão que antecede o ponto final: “uma estratégia menor”. Boa leitura.
Escrito por Josias de Souza às 01h58
Às vésperas do início da 6a Reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio), que se desenrolará pelos próximos seis dias, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), exala pessimismo. “Agora ficou claro que, a menos que ocorra um milagre, não teremos um acordo final em Hong Kong”, disse.
Escrito por Josias de Souza às 01h38
Envolvido em onze de cada dez encrencas expostas no noticiário, o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, meteu-se em mais um rolo. Suas relações com a Brasil Telecom serão investigadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Nesta segunda-feira, a nova diretoria da empresa de telefonia entregou à comissão uma representação contra Dantas. Acusa-o de supostos desmandos que teriam resultado em prejuízos de R$ 361 milhões. Busca-se o ressarcimento. Conheça o rol de acusações.
Escrito por Josias de Souza às 01h27
Líderes e autoridades do PT reagem à resolução aprovada no sábado pelo diretório nacional do PT. E reagem com uma rispidez que denota o tamanho do desconforto gerado pela críticas à política econômica inseridas no documento.
A resolução aprovada no encontro petista pede explicitamente a redução da meta de superávit fiscal do governo. Veio do petista Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, a reação mais enfática: “É um equívoco grave (do PT)”, disse ele. “O superávit é um componente importante da política econômica.”
Houve contrariedade também no Palácio do Planalto. Lula esperava debater os rumos da economia com seu partido apenas no ano que vem, ao fixar as balizas para o programa a ser defendido na campanha à reeleição. Considerou equivocada a antecipação do debate. O presidente reagiu com resignação: “Este é o PT. Se não fosse assim, este não seria o PT”.
Em diálogo com um ministro, Lula amenizou as críticas de sua legenda: “O partido tem que ter suas bandeiras”, disse ele. “Quer ser institucionalmente mais autônomo, o que não significa dizer que vai se descolar do presidente.”
Ouvido sobre a encrenca gerada pelo documento do PT, Ricardo Berzoini, presidente do partido, disse o seguinte (para assinantes da Folha): "Nós abrimos o debate, vamos discutir com o governo e com os aliados. O que está por trás da resolução é o novo programa de governo (da campanha de 2006). É necessário avançar no segundo mandato do presidente Lula. Nosso desafio é acelerar a velocidade do crescimento econômico." Ah, bom.
Escrito por Josias de Souza às 01h05
O tucanato começa a desfraldar em público a bandeira do fim do estatuto da reeleição. Conforme noticiado aqui na semana passada, a idéia traz as digitais do prefeito de São Paulo, José Serra.
Visa atrair para sua candidatura presidencial o apoio do governador Aécio Neves (Minas), isolando na disputa interna travada no PSDB o governador Geraldo Alckmin (São Paulo). Serra, Alckmin e Aécio disputam o título de candidato oficial da legenda.
Aécio já declarou publicamente que apóia o fim da reeleição, com a fixação do mandato presidencial em cinco anos. Alckimin, ao contrário, manifestou-se contrário à idéia.
Sentindo o cheiro de queimado, o governador paulista disse na noite passada, em entrevista ao programa Roda Viva, que “é cedo” para concluir que a reeleição não deu certo (leia detalhes em despacho anterior).
No Congresso, um dos maiores defensores da mudança de regras é o tucano Jutahy Júnior (BA). Serrista de quatro costados, ele afirma: “O fim da reeleição facilita dentro do PSDB a escolha do candidato para as eleições presidenciais. Mas essa mudança facilita as coisas para todas as forças políticas.”
O senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, realiza consultas para avaliar a conveniência da iniciativa. Já conversou com Serra, Alckmin, Aécio e com outros governadores eleitos pela legenda.
Escrito por Josias de Souza às 00h46
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o governador Geraldo Alckmin (São Paulo), assumiu formalmente a condição de candidato à presidência da República. Disse que está “errada” a política econômica do governo Lula. Prometeu alterá-la. E desdenhou daqueles que o desmerecem, chamando-o de “picolé de chuchu”.
-- O chuchu aqui teve 12 milhões de votos. Sou ganhador de eleições.
A primeira pergunta do programa foi direta: “O senhor é candidato à presidência da República. Alckmin respondeu com um monossílabo enfático: “Sou”. Quanto ao seu principal adversário dentro do PSDB, o prefeito paulistano José Serra, repetiu que não o considera candidato:
-- Ele tem dito repetidas vezes que não é candidato. Não há nenhuma razão para achar que ele não está sendo verdadeiro.
Alckmin fez um ataque frontal à política econômica do governo Lula. “Está errada”, disse. E acrescentou:
-- Como (o governo do PT) não tem credibilidade, não tem confiança, (a política econômica) está sendo monitorada de hora em hora e erra. O governo Lula é o governo de perda de oportunidades. Perdeu todas as oportunidades.
O governador esboçou uma plataforma de campanha de cunho desenvolvimentista. Acenou com a redução da taxa de juros e da carga tributária. Fez uma profissão de fé em favor da inflação baixa. Disse, porém, que não considera o sistema de metas de inflação adotado pelo governo Lula como um “dogma”. Acha que “pode ser rediscutido”.
Sobre privatizações, afirmou que não as considera essenciais. O importante, disse, é criar um ambiente econômico que estimule investimentos privados. Declarou-se favorável ao estabelecimento de parcerias entre o Estado e a iniciativa privada.
Para Alckmin, o governo atual padece de descontrole dos gastos. Acha que o problema da dívida pública se resolve, em grande medida, pelo corte de gastos públicos. Evitou especificar em que áreas os cortes poderiam ser feitos. Mas disse que “há um enorme campo” para a ação governamental.
Freqüentemente tachado de “tímido”, o governador disse que está preparado para a “campanha suja” prenunciada pela rispidez retórica que marca o embate entre PT e PSDB. “Não tenho medo de cara feia”, declarou. “Os carismáticos todos perderam eleições”, acrescentou mais adiante. “A gente não deve ocupar espaço na cotovelada (...). Não se vence uma campanha com denúncias. É preciso dizer o que precisa ser feito,” encerrou.
Inquirido a respeito da pecha de que seria mais conservador do que a média do tucanato, Alckmin declarou:
"Não sou arraigado a idéias atrasadas dos anos 50. Meu compromisso é com o futuro: reforma, reforma, reforma".
De resto, Alckmin declarou-se favorável a alterações no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente); disse que apóia a comercialização de produtos transgênicos; postou-se do lado da reforma agrária, desde que “sem invasões”; e insinuou posição contrária à ampliação do direito ao aborto --“o problema se resolve pelo planejamento familiar”.
Perguntado se não se sente constrangido por ter uma filha trabalhando na butique Daslu, acusada de contrabando e sonegação de tributos, Alckmin respondeu negativamente. "Minha filha é apenas empregada", disse. Afirmou ainda que os fisco estadual, a exemplo da Receita Federal, atua no caso. E defendeu a ação do Ministério Público.
Leia mais detalhes sobre a entrevista nos quatro despachos abaixo, escritos no decorrer do programa da TV Cultura.
Escrito por Josias de Souza às 23h48
Segue a entrevista de Geraldo Alckmin no Roda Viva. Um jornalista disse ao governador que a próxima campanha se prenuncia como uma cruzada suja. “Diz-se que o senhor, que é chamado de picolé chuchu, não seria o candidato mais indicado para enfrentar essa campanha”.
-- Não tenho medo de cara feia. Os carismáticos todos perderam eleição. E o chuchu aqui teve 12 milhões de votos. Sou ganhador de eleições.
Outro repórter realçou a timidez de Alckmin. Mencionou o seu perfil excessivamente vinculado a São Paulo, o que constituiria um ponto fraco numa eventual campanha presidencial. O governador respondeu:
-- Primeiro, sobre a timidez: a gente não deve ocupar espaço na cotovelada. Fui vice-governador e tive a cautela de observar que o titular é que comanda o processo. Quando assumi o comando, foi para valer. Você não precisa fazer gritaria quando você tem argumentos para convencer. Sobre o perfil paulista: Nasci em São Paulo, em Pindamonhangaba. Mas meus ancestrais, minha família é baiana. Quando chegou da Espanha, entrou pela Bahia, foi para Carinhanha, no vale do são Francisco. Depois subiu e foi para o Norte de Minas. Meu avô já nasceu no Sul de Minas. Tem uma fábrica de doces na região que chama Alckminas. Estou viajando a maioria dos Estados brasileiros. O que ouço em Sergipe, no Ceará, no país todo é o seguinte: meu irmão mora em são Paulo, minha mãe vive em São Paulo, há vínculos fortes com o Estado.
Escrito por Josias de Souza às 22h56
Até aqui, o ponto da entrevista de Geraldo Alckmin que o deixou mais contrafeito foi a rodada de perguntas sobre segurança pública, considerado o principal ponto fraco da gestão do governador no Estado de São Paulo. Alckmin adotou a estratégia de transferir responsabilidades.
No ápice do ping-pong entre entrevistadores e entrevistado, o governador jogou para o Congresso parte da culpa pela encrenca da internação de menores em unidades da Febem. Disse que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) precisa ser alterado.
-- Em qualquer país do mundo, um condenado com mais de 18 anos vai para uma prisão comum. Aqui, se tiver 17 anos, 11 meses e 29 dias, vai para a Febem. E pode ficar lá até os 21 anos. Está errado. Propus ao Congresso: completou 18 anos, é preciso analisar. Se estiver em condições de ser liberado, libera. Se não estiver, vai para uma cadeia normal. Mas nada anda no Congresso. Fiz várias propostas. Primeira: completou 18 anos, vai para cadeia. Segunda: é preciso definir prazo. O menor não sabe o período de internação. Pode ficar na Febem por três meses ou três anos. Ele fica revoltado. Temos 77 unidades da Febem. Ouve-se falar de uma, de duas. As outras, que funcionam bem, não viram notícia. Só é notícia a unidade do Tatuapé. Quando for desativada, a questão estará resolvida.
Escrito por Josias de Souza às 22h40
Na entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, ainda em curso, Geraldo Alckimin atacou duramente a estratégia econômica do governo Lula. “A política econômica esta errada”, disse, em tom peremptório. “Como (o governo do PT) não tem credibilidade, não tem confiança, está sendo monitorada de hora em hora e erra. O governo Lula é o governo de perda de oportunidades. Perdeu todas as oportunidades.”
-- Mas a política do ministro Antonio Palocci não é a continuidade da de Pedro Malan?, perguntou-se a Alckmin.
-- O presidente Fernando Henrique primeiro estabilizou a moeda, plantou uma árvore. Além disso, enfrentou quatro crises internacionais. Era preciso dar continuidade. Temos um círculo vicioso. Juros altos, carga tributária alta, problema fiscal, problema de câmbio e outros que conhecemos. Para ter confiança, sinalizar no curto, médio e longo prazos, é obvio que tem que fazer as reformas. Entendo que a taxa de juros está errada. Há um custo PT. A dose tem que ser maior para obter um resultado menor. Não tem credibilidade, não tem confiança. Isso tem um custo. Você passa 25 anos pregando uma coisa e depois faz outra coisa. Tem um custo.
Em tom provocativo, um dos entrevistadores disse que Alckmin investe na imagem pública de “bom gerente”. Perguntou: "Para ser presidente da República não é necessário bem mais do que ser um bom gerente." E o governador:
-- Essa história de gerente foi lançada por um amigo numa convenção, um amigo da onça. Achou que gerente rimava com presidente. Tenho experiência acumulada. Não se pode pilotar um airbus sem antes passar pelo monomotor. Fui prefeito com 23 anos de idade (...). Fui deputado estadual e federal. Fui co-piloto de um grande comandante, Mario covas. Depois de seis anos como co-piloto, pilotei o Estado por seis anos. São Paulo é maior que a Argentina, tem uma população de mais de 40 milhões de pessoas. Nós temos a prática, nós fizemos. O Estado estava falido em janeiro de 95. Hoje reduz impostos e vai investir R$ 9 bilhões.
Escrito por Josias de Souza às 22h23
-- O sr. é candidato a presidente da República?
-- Sou.
Assim começou, há pouco, a entrevista do governador Geraldo Alckmin (São Paulo), no programa Roda Vida desta segunda-feira.
Mais adiante, perguntou-se a Alckmin o que achava da candidatura do prefeito paulistano José Serra, que disputa com ele a legenda do PSDB. E ele:
-- O Serra responde por ele. Ele tem dito repetidas vezes que não é candidato. Não há nenhuma razão pra achar que ele não está sendo verdadeiro.”
Alheio à movimentação de Serra, que articula freneticamente uma composição partidária em torno de si, Alckmin disse que é cedo para a definição do nome do candidato.
-- Entendo que o PSDB deva decidir juricamente no mês de julho, mês das convenções. Mas há uma data anterior, a data da desincompatibilização. Diria que até março o PSDB deve definir a sua candidatura. Não há razão para fazê-lo agora.
Outro jornalista insistiu: “O senhor diz que o prefeito tem dito que não é candidato. Os senhores têm se reunido com muita freqüência. O que ele tem dito ao senhor?” Alckmin escorregou:
-- Não posso falar pelo prefeito. Estive ontem com ele, já fizemos várias parcerias aqui em São Paulo. Temos excelente relacionamento. Entendo que é natural que alguém que foi candidato, que está bem nas pesquisas, mantenha o seu nome em evidência. Aqueles que apostarem numa briga no PSDB vão errar. O partido vai ficar unido. Não temos só o prefeito Serra. Há também o governador Aécio (Neves), de Minas Gerais. Temos bons quadros. Na hora certa vamos definir.
Alckmin também bombardeou a tese do fim da reeleição, lançada nos bastidores por Serra com o objetivo de atrair o apoio Aécio Neves. Ele disse:
-- Acho muito cedo para concluirmos se a reeleição foi boa ou ruim. Tivemos só um presidente reeleito. É muito cedo para tirar conclusão. Reeleição não obriga a reeleger ninguém. A reeleição dá ao eleitor um direito. Precisa ser um grande governo para ser reeleito (...). Nos EUA, o presidente é eleito por oito anos praticamente. E o eleitor confirma na metade do período, se considerar que o governo está sendo bom.
Sobre o fato de ser um personagem desconhecido fora de São Paulo, Alckmin disse que o problema se resolve com a exposição no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. É no horário eleitoral, disse ele, que o brasileiro se familiariza com os candidatos. Na opinião do governador, o eleitorado só começa a fazer as suas opções "depois da parada de 7 de Setembro".
Com metade das intenções de voto atribuídas a José Serra nas pesquisas de intenção de voto --algo como 13% contra 32%--, Alckmin diz que as sondagens atuais refletem "uma fotografia do passado". É natural, disse, que pessoas que beneficiadas por um "recall" de campanhas passadas figurem melhor nas pesquisas.
Escrito por Josias de Souza às 22h09
A idéia de convocar extraordinariamente o Congresso no recesso de final de ano, que parecia morta, ressuscitou. Lula é contra. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP) também. Mas Renan Calheiros (PMDB-AL), às turras com o Planalto, passou a defender a convocação. E ela pode mesmo sair. Sobretudo por conta da necessidade de votar o Orçamento da União para 2006.
Uma eventual convocação do Congresso custará caro ao contribuinte. Cada parlamentar receberá um extra de R$ 25.694. Equivale a dois salários. Um deles será pago no início da convocação e o outro no final. Entre deputados e senadores, há no Congresso 594 parlamentares. Ou seja, a brincadeira sairá por R$ 15.262.236,00.
A conta não inclui os adicionais de salário que terão de ser pagos aos funcionários do Legislativo por conta da jornada extra. A experiência de convocações anteriores demonstra que, a despeito dos contracheques adicionais, os parlamentares não costumam lotar o Congresso. A maioria comparece apenas às sessões deliberativas, que são poucas, muito poucas.
Renan Calheiros não parece preocupado com a despesa: "O custo maior, e o preço político maior, seria não convocar", diz ele. Rernan alega que é preciso dar continuidade ao trabalho das CPIs dos Correios e dos Bingos. Invoca também a necessidade de votar o orçamento. Para o presidente do Senado, o governo se opõe à idéia porque deseja "dar férias à crise."
O assunto será decidido numa grande reunião marcada para esta terça-feira. Participam, além de Renan e Aldo, os líderes partidários, membros do Conselho de Ética da Câmara e relatores das duas CPIs em funcionamento no Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 17h58
O Banco Central divulga nesta segunda no seu sítio na internet o resultado de sua pesquisa semanal de mercado. A Pesquisa Focus, como é chamada, informa que o mercado financeiro exala pessimismo. Reduziu pela sexta semana consecutiva as suas previsões para a taxa de crescimento da economia em 2005. Estava em 2,66% do PIB e caiu para 2,52%.
Quanto ao IPCA, o mercado estima que ficará em 5,68%. Acima, portanto, da meta estipulada pelo governo, de 5,1%. De resto, o mercado estima que o Copom reduzirá a taxa de juros em meio ponto percentual na reunião que começa amanhã e termina na quarta-feira.
Escrito por Josias de Souza às 16h22
Começa amanhã a última reunião do ano do Copom (Conselho de Política Monetária). Dura dois dias. Na quarta, o Banco Central anuncia a nova taxa de juros. É certo que vai cair.
A dúvida é quanto ao tamanho da queda. Na última reunião, foi de meio ponto percentual. O mercado aposta que a dose será repetida. O Planalto, porém, quer mais. O PT, a julgar pela resolução que aprovou no último sábado, também.
Em sua última reunião, no mês passado, o Copom reduziu a taxa de juros para 18,50%. Entre aquele encontro e o que começa amanhã, o IBGE divulgou o desempenho do PIB no terceiro trimestre do ano. Caiu 1,2%. Uma queda mais ambiciosa agora viria a calhar.
Escrito por Josias de Souza às 15h39
A produção industrial registrou queda em oito dos 14 locais pesquisados em outubro, segundo dados divulgados há pouco pelo IBGE. O resultado compara o desempenho de outubro com o de igual mês do ano passado. Este é o segundo mês seguido que a pesquisa registra queda em oito regiões.
Escrito por Josias de Souza às 10h37
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve elevar o salário mínimo em 2006 para R$ 350, informa a Folha (para assinantes). Será um reajuste de 16,7% em relação ao valor atual de R$ 300 mensais.
Só falta uma reunião do presidente com as centrais sindicais para oficializar esse valor. O encontro com os sindicalistas, que será agendado pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, deverá acontecer até o dia 20.
Na proposta de Orçamento para 2006 enviada ao Congresso, o salário mínimo foi fixado em R$ 321. Com a elevação para R$ 350 a partir de 1º de maio de 2006, Lula terá dado o maior aumento real do mínimo durante o seu governo.
Garantirá, assim, um aumento real (acima da inflação) de cerca de 11%. Ao longo de seu mandato, Lula terá alcançado uma média de reajuste real do salário mínimo de 5,4% por ano. Nos oito anos de FHC, a média foi de 4,7% de reajuste real por ano.
Para os brasileiros mais pobres, o ideal seria que todo ano fosse como 2006. Brasília teria mais olhos para o Brasil se vivêssemos um ano eleitoral eterno.
Escrito por Josias de Souza às 08h19
Cérebro
O artigo do economista João Sayad, na Folha de hoje, vale o desperdício de um naco tempo. Como muitos não têm acesso à versão eletrônica do jornal, vedada a não-assinantes, o signatário do blog presenteia o leitor com a íntegra do texto. Com votos de boa reflexão. Aí vai:
"Nada é absolutamente falso nem absolutamente verdadeiro", declarou Harold Pinter ao receber o Prêmio Nobel de Literatura para a língua inglesa. Depois, chamou o governo americano de mentiroso.
Verdade é como um corpo de mulher, envolto por um vestido largo e solto. O artista puxa os panos do vestido para desvendar as formas que esconde. Puxa para trás para perceber o formato dos seios. Estica para frente para desvendar a forma dos quadris e das pernas.
Acaba por inventar uma mulher linda e sensual a partir de um saco de pano que cobria um travesseiro.
Cientistas esticam e puxam modelos. Nos anos 60, a Força Aérea Americana queria um avião muito rápido e com grande autonomia de vôo. Contratou três firmas de projetos.
A primeira projetou avião com o maior alcance de vôo possível, sem levar em conta a velocidade. A segunda, um avião que voasse a alta velocidade sem levar em conta a autonomia de vôo. A terceira fez um projeto equilibrado, levando em conta os dois objetivos ao mesmo tempo. A solução da terceira firma foi medíocre.
A melhor solução foi a combinação dos dois projetos radicais, que resultou num avião mais rápido e com mais autonomia do que o projeto equilibrado. Cientistas são "poetas fortes".
O exemplo real foi apresentado por Albert Hirschman ao defender a idéia de que o desenvolvimento econômico, para ser desenvolvimento, é necessariamente desequilibrado. Há 20 anos, o Brasil e toda a América Latina procuram o desenvolvimento equilibrado -equilíbrio macroeconômico, economias abertas, apoio à pequena e média empresa, sistema jurídico confortável para o investidor estrangeiro. Crescemos 2,5% ao ano.
O crescimento na China é obra de um equilibrista que mantém três pratos girando na ponta de bengalas, uma em cada mão e a terceira no queixo -um país sem sistema jurídico amigável para investimentos, exporta mais do que importa, tem reservas cambiais absurdamente altas, sistema bancário insolvente e cresce mais do que 9% ao ano.
A evidência não modifica uma vírgula dos discursos dos ministros de economia e dos economistas politicamente corretos que apresentam o caso chinês como um exemplo de suas propostas.
Arte e ciência rasgam as roupas da língua, das formas de expressão consagradas e da lógica recebida em busca da liberdade e da verdade, que acabam inventando. Embora a verdade não exista, a mentira existe. Mentir é poder.
Harold Pinter atacou o discurso americano. Que fala em implantação de democracia no Iraque e no mundo inteiro e é acusado de ter presídios clandestinos na Europa Oriental, onde pratica a tortura. Não perdoou nada. Lembrou do apoio americano aos governos militares da América Latina, aos Contras nas guerras civis da América Central, à Guerra do Vietnã. A Secretária Condoleezza Rice viaja pela Europa dizendo que tudo é mentira.
Harold Pinter não se conforma com o que ele mesmo descobriu. Política é poder e políticos são mentirosos.
A economia brasileira "cresce" baseada em sólidos "fundamentos" (um travesseiro). Economia é política. Política é irritante.”
Escrito por Josias de Souza às 07h52
Periodista Digital
- JB: Planos vetam pessoa física
- Folha: Lula quer elevar mínimo a R$ 350
- Estadão: Europa acena com concessões na OMC
- Globo: Críticas à economia afastam o PT de Lula
- Correio: Servidor Público promete onda de greve em 2006
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h37
Incra acusa autoridades de grilagem
O Incra está promovendo uma cruzada para tentar reaver terras da União ocupadas ilegalmente na região Norte do país. Na última sexta-feira, foi protocolada na Justiça Federal do Amapá uma ação para retomar terras supostamente griladas por Jorge Emanuel Amanajás Cardoso. Ele é deputado estadual do PSDB. Preside a Assembléia Legislativa do Amapá.
Nas próximas semanas, o Incra vai ajuizar novas ações. Relatório reservado de 231 páginas aponta como supostos ocupantes irregulares de nacos de terra da União um outro deputado estadual, Elder Pena (PDT-AP); um deputado federal, Gervásio Oliveira (PMDB-AP); um procurador de Justiça aposentado, Hernandes Lopes Pereira; e um juiz de direito, César Augusto Scapin.
O blog obteve cópia da ação movida contra o presidente da Assembléia Legislativa do Amapá. Os planos do Incra em relação aos demais personagens foram confirmados pela superintendente do instituto no Amapá, Maria Cristina do Rosário Almeida.
Os acusados de grilagem de terras contestam as informações do governo. Alegam ter comprado as propriedades, em transações registradas em cartório. Transações que, para o Incra, são "irregulares" e foram feitas graças à conivência de funcionários da repartição. A direção do Incra em Brasília deslocou para o Amapá um procurador especialmente destacado para cuidar do caso. Chama-se Nezio Néri de Andrade.
A operação no Amapá repete procedimentos adotados nos Estados do Pará e Rondônia, onde políticos e empresários também estão sendo acusados de grilagem. As investigações vêm sendo conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
O problema de grilagem de terras públicas na região Norte é antigo. Ali, o governo é o maior proprietário de terras. Só no Amapá, a União detém 34,5% das território do Estado. De acordo com os arquivos do Incra, as terras públicas amapaenses estão divididas assim: 14% para assentamentos de trabalhadores sem-terra; 8% em poder de posseiros cujos títulos de propriedade encontram-se em fase de regularização; 3% em áreas de quilombos; e 9,5% em “terras a destinar”.
As “terras a destinar” esparramam-se por 1,359 milhão de hectares. São propriedades que deveriam estar desocupadas, para uso no projeto de reforma agrária. Mas não estão. O governo briga para reavê-las. Tenta desocupar também propriedades adquiridas irregularmente de posseiros que, pela lei, estavam proibidos de vender fazendas ainda em fase de regularização.
Os deputados estaduais Jorge Amanajás e Elder Pena teriam dividido entre si a Fazenda Lagoa Azul, reclamada agora pelo Incra. A propriedade mede cerca de 5 mil hectares. É utilizada para extração de madeira e plantio de soja.
O deputado federal Gervásio Oliveira, o procurador Lopes Pereira e juiz Scapin controlariam, segundo o Incra, terras localizadas numa área que havia sido adquirida ilegalmente pela Amcel (Amapá Celulose), braço da multinacional norte-americana International Paper. Acionada, a empresa devolveu as terras ao governo. Descobriu-se, porém, que há na área outros “intrusos”, que o Incra briga para desalojar.
Escrito por Josias de Souza às 01h53
Periodista Digital
A CPI dos Correios está na bica de ampliar os seus alvos. Uma pasta de documentos reunidos por um técnico do Banco Central destacado para auxiliar a comissão indica o seguinte: o economista Lúcio Bolonha Funaro sacou, em 2001, R$ 13 milhões em dinheiro vivo de uma conta do BCN em São Paulo.
O técnico do BC rumina a suspeita de que parte da grana alimentou partidos políticos que fazem oposição ao governo, entre os quais PSDB e o PFL. Chegou-se ao saque graças à quebra do sigilo bancário de Funaro, um dos alvos da CPI dos Correios. Ele é fundador da Guaranhuns, aquela empresa usada por Marcos Valério para repassar R$ 6,5 milhões do butim espúrido do PT para a legenda mensaleira do PL.
Escrito por Josias de Souza às 00h55
O Grito
Estudo feito pela Consultoria de Orçamento do Congresso Nacional informa: a equipe econômica errou na estimativa de arrecadação de tributos federais para 2005.
Ao contrário do que prometera o governo, a carga tributária deste ano ficará acima do que foi cobrado em 2002, último ano da gestão FHC. Estão metendo a mão no seu bolso.
Pressione aqui para conhecer o tamanho da encrenca.
Escrito por Josias de Souza às 00h37
Há um cheiro de queimado no ar. A chama foi acesa no último sábado. No centro da fogueira está a política econômica do governo, criticada abertamente em resolução aprovada pelo diretório nacional do PT.
Conforme divulgado aqui na noite do próprio sábado, a resolução petista vociferou contra o “neoliberalismo” econômico e defendeu a redução do superávit fiscal do governo, uma tese que produz urticária no ministro Antonio Paclocci (Fazenda).
O PT tornou-se uma voz autônoma em relação ao governo Lula, eis o recado emitido pelo diretório. Não fosse por intervenções isoladas do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, Palocci e sua política teriam ficado indefesos.
“Ficou claro agora que Lula perdeu a hegemonia. Vai ter que ser feita uma negociação interna e um pacto com o presidente, de modo que possamos acertar o passo para a campanha (eleitoral de 2006)”, diz Francisco Campos, secretário-adjunto de Organização do PT.
Eximiram-se de defender o governo na reunião de sábado petistas próximos a Lula. Tão próximos como o assessor especial de assuntos internacionais do governo, Marco Aurélio Garcia, que também é o primeiro-vice-presidente do PT; o secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci; e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa.
Marco Aurélio acha que está-se fazendo “tempestade em copo d’água”. “O próprio presidente Lula”, diz o assessor internacional do Planalto, “queria uma posição mais firme do PT. Embora a gente esteja perto do Natal, o PT não pode se comportar como vaca de presépio.” Lula, como se vê, está bem servido de amigos.
Escrito por Josias de Souza às 00h20
Um conjunto de documentos reservados demonstra que o Banco Central vem medindo desde 2003, primeiro ano da era Lula, os passos de Marcos Valério e das casas bancárias mineiras que o socorreram. A despeito disso, deu no que deu.
Um dos papéis é um relatório de fiscalização do BC. Está datado de 23 de junho de 2003. Lendo-o, percebe-se que a instituição farejou encrenca num "empréstimo" de R$ 12 milhões do BMG à SMPB, agência publicitária que tinha Valério como sócio. Auditores alertaram para o risco de que a operação resultasse em prejuízo para o BMG.
Há cinco meses, em 8 de julho de 2005, época em que o escândalo do mensalão já viera à tona, o BC notificou de novo o BMG. Baseando-se no resultado de uma inspeção feita por seus auditores em maio passado, mirou dessa vez no suposto empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG para o PT. Considerou-o de alto risco.
Escrito por Josias de Souza às 23h59
Ante-sala de 2006
No Planalto
O PT “precisa aprender a apanhar”, disse Lula na quarta-feira, em entrevista a emissoras de rádio. “Bateu muito. Agora, não tem do que reclamar.” Deu a entender que a oposição cumpre o papel dela.
Na mesma quarta-feira, outro Lula soou no Planalto. Dessa vez, em entrevista à Carta Capital. Comparou a oposição brasileira à da Venezuela. Ambas estariam agindo “sem respeitar o jogo da democracia”.
Dali a 48 horas, esse segundo Lula encontrou-se com Hugo Chávez em pessoa, em Montevidéu. Os jornalistas perguntaram-lhe sobre a declaração que dera à revista. E Lula repetiu o raciocínio.
Fez pior: pespegou na oposição brasileira a pecha de golpista. Os “adversários”, disse, “tentando fazer golpismo.” Com três palavras, empurrou a oposição na vala do golpe. Perdeu uma grande oportunidade de perder uma oportunidade.
PSDB e PFL têm sido duros com Lula. Por vezes até oportunistas. Criticam perversões nas quais são doutores. Mas daí até a merecerem o epíteto de golpistas, vai uma distância.
Se houve trama, foi para segurar Lula no Planalto. Na verdade, quem o golpeia é o petismo. Assim como não vem sendo agradável assistir ao strip-tease moral do PT, também não é agradável perceber que o presidente não consegue atravessar um par de semanas sem dizer algo que soe tolo.
A coisa tende a piorar. Devagarinho, a campanha de 2006 vai sendo arrastada para a folhinha de 2005. PT e PSDB estocam sujeira para jogar um no outro. O eleitor merecia um debate mais altivo.
Escrito por Josias de Souza às 20h17
Periodista Digital
Estudo da Transparência Internacional, elaborado a partir de uma pesquisa feita pelo Gallup em 69 países, constata: numa escala de um a cinco - em que um significa sem corrupção e cinco quer dizer extremamente corrupta -, as instituições vistas pela sociedade como as mais corruptas do mundo são, pela ordem, os partidos políticos (4), os Parlamentos (3,7), a polícia (3,6), o sistema judiciário (3,5) e as corporações empresariais (3,4). ONGs (2,8) e organizações religiosas (2,6) são enxergadas como as menos corruptas.
Ouviram-se cerca de 55 mil pessoas entre maio e outubro de 2005. É o terceiro ano consecutivo em que a pesquisa foi realizada. Também nos levantamentos anteriores os partidos políticos encabeçavam a lista dos mais corruptos. Em 48 dos 69 países pesquisados -o Brasil não está na lista-, a maioria da população considera que a corrupção aumentou nos últimos três anos. Para 48% dos entrevistados, ela aumentará ainda mais no próximo triênio. Outros 30% acham que ficará nos mesmos níveis. Só 19% acreditam que vai diminuir.
Na opinião de 75% dos entrevistados, a corrupção afeta mais o cotidiano político do que os negócios e a vida pessoal e familiar. Para 65%, o setor mais afetado é o dos negócios. E para 58%, é na vida pessoal e familiar que os efeitos da corrupção são mais sentidos.
Em seis países – Dinamarca, Holanda, Noruega, Hong Kong, Singapura e Etiópia – os grupos corporativos e o setor privado lideraram o ranking de instituições vistas como as mais corruptas. A situação do Judiciário é pior na Europa Oriental e Central e na América Latina. Nessas regiões, a Justiça é vista como uma das três instituições mais corruptas.
O Paraguai é um dos países onde as pessoas mais pagam propina. Nada menos que 43% dos entrevistados reconheceram que pagaram algum tipo de suborno no ano passado. Entre os paraguaios, o valor médio da propina é US$ 36.
Batizado de Barômetro Global da Corrupção, o estudo da Transparência Internacional (ONG sediada em Berlim), foi fechado em 9 de dezembro, sexta-feira passada. Uma data inscrita no calendário da ONU como o “Dia Mundial Anti-Corrupção”. Ao comentar os resultados, Huguette Labelle, representante da Transparência Internacional, disse o seguinte:
“A nova sondagem mostra que as pessoas acreditam que a corrupção está profundamente assentada em seus países.”
A íntegra do estudo sobre corrupção no mundo está disponível no sítio da Transparência Internacional. Infelizmente, não há versão em português. O texto pode ser lido em inglês francês e espanhol.
Escrito por Josias de Souza às 16h27
Periodista Digital
- JB: Meninos do tráfico, o emprego da morte
- Folha: PT usou notas de empresa de laranja
- Estadão: Investimento do governo Lula é o menor em 25 anos
- Globo: Débito em folha leva bancos a guerra por contas oficiais
- Correio: Ministros brigam por R$ 1 bi no orçamento
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 03h16
Entre 2001 e 2004, Marcos Valério, o homem da mala do petismo, desembolsou pelomenos R$ 100 mil em presentes. A lista de agraciados, informam Rubens Valente e Marta Salomon na Folha (para assinates), inclui 23 políticos e executivos de Minas e Brasília. Conheça alguns dos integrantes da lista de felizardos, extraída da contabilidade do mago do caixa dois:
1. Departamento Financeiro do PT: o presente, não especificado, foi comprado na prestigiosa joalheria mineira Manoel Bernardes. Custou R$ 17,2 mil. Suspeita-se que o agraciado tenha sido Delúbio Soares, então tesoureiro das arcas petistas;
2. Agnelo Queiroz (PC do B-DF), ministro dos Esportes: ganhou de aniversário, em novembro de 2004, um mimo de R$ 237,40. A SMPB, agência que tinha Valério como sócio, tem contrato de R$ 10 milhões com a pasta gerida por Agnelo. O Código de Conduta da Alta Administração Federal proíbe servidores de receber presentes de valor superior a R$ 100;
3. Lars Grael: ganhou em fevereiro de 2002, época em que respondia pela Secretaria Nacional de Esportes, um presente de R$ 509,40. Hoje, Grael é secretário da Juventude, Esporte e Lazer do governo tucano de Geraldo Alckmin (São Paulo). Ele nega ter recebido o agrado;
4. Joaquim Roriz, governador de Brasília: celebra o aniversário no mês de agosto. Foi lembrado por Valério em 2003 e 2004. Um dos presentes, de R$ 1.000, foi uma sela para montaria. Sobre a natureza do outro, de R$ 3.700, não há pistas na escrituração contábil;
5. Hélio Doyle, secretário de Articulação Institucional do governo Roriz: ganhou 12 CDs do cantor e compositor Chico Buarque. Achou que era um presente pessoal de Eliane Lopes, então representante de Valério em Brasília. Na última sexta-feira, se deu conta de que fora presenteado pela SMPB, que mantém negócios publicitários com o governo de Brasília;
6. Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural: no Natal de 2002, ganhou um presente de R$ 2.900. Seis meses depois, outro mimo, adquirido na loja Louis Vuitton ao preço de R$ 1.400. Além de dirigir a casa bancária mais notória do mensalão, a banqueira Kátia reconheceu em Valério, ao depor no Conselho de Ética da Câmara, um "facilitador" nos negócios com o governo;
7. Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações na gestão tucana de FHC: emerge da contabilidade valeriana como beneficiário de um casaco de couro adquirido por R$ 2.680;
8. Andréa Neves, irmã do governador Aécio Neves (Minas) e gestora de fato da comunicação social do governo mineiro: recebeu dois "brindes". Juntos, saíram por R$ 800.
Escrito por Josias de Souza às 03h01
Alan Marques/Folha Imagem
“Uma empresa que tinha como capital social R$ 20 mil, cujas sócias dizem nunca ter tido participação na companhia e que tem como objeto social declarado o ramo de atacadista de alimentos e bebidas, recebeu R$ 795,7 mil da campanha a presidente de 2002 do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva a título de "propagandas e publicidade".”
“A informação”, revela Chico de Gois na Folha (para assinantes), “consta da prestação de costas oficial do candidato, entregue ao TSE em 2002. O PT informou que o pagamento aconteceu por conta da "fabricação de 267.500 faixas plásticas e 675.000 bandeirinhas" para a campanha. O partido apresentou notas fiscais para comprovar que o serviço foi feito. Pela descrição do objeto social da companhia, porém, não está em sua incumbência fabricar esse tipo de material.”
”Apesar de ser uma empresa não-especializada em serviços de propaganda e recém-aberta no mercado, a Santorine Comercial e Distribuidora Ltda., que funcionou durante dois anos e dez meses, faturou bem com o material para a campanha de Lula.
O valor pago a ela corresponde a cerca de 10% do que o PT informou oficialmente ao TSE ter gasto com a agência de Duda Mendonça para fazer a campanha presidencial -foram R$ 7,080 milhões.”
“Ou seja, uma empresa pouco conhecida, criada originalmente para outra finalidade e com sócios que dizem não saber que eram donos da companhia, recebeu quase R$ 800 mil da campanha do presidente.”
”A Santorine foi criada em abril de 2000 e encerrou suas atividades em fevereiro de 2003, quatro meses depois das eleições. Nos registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo e da Secretaria Estadual da Fazenda, ela anota dois endereços, em Campinas.”
Em seis meses, a empresa trocou de sócios, mudou de endereço e fechou as portas. Em sua defesa, o PT exibiu notas fiscais. Em nota (para assinantes da Folha), disse que a transação está "dentro dos trâmites legais." Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 02h17
Alan Marques/Folha Imagem
Da coluna deste domingo do sempre lúcido Elio Gaspari:
"Antonio Palocci tornou-se um título de baixa credibilidade. Três episódios ocorridos em menos de um mês mostram isso. Relacionam-se com sua credibilidade econômica, política e pessoal.
Começando pela economia. No dia 11 de novembro, falando no Senado, Palocci disse o seguinte:
— Nós estamos entrando neste momento — não tenho nenhuma dúvida de afirmar isto — em um dos mais importantes e longos ciclos de crescimento que a economia brasileira experimentou nas últimas décadas. Ele se iniciou no segundo semestre de 2003, apresenta crescimento do processo de produção há oito trimestres consecutivos.
Dezenove dias depois, o IBGE divulgou que no terceiro trimestre, aquele que terminara em setembro, o PIB contraíra-se em 1,2%. Palocci não mentiu aos senadores, apenas propagou o triunfalismo de “Nosso Guia”.
Na mesma reunião o ministro disse que “não me furtarei, em qualquer instância que for, a prestar o esclarecimento que for necessário”. Repetiu o raciocínio mais duas vezes, recorrendo sempre ao incômodo verbo furtar. Convidado a comparecer à CPI dos Bingos, furtou-se. Em seguida, manobrou o furto de sua convocação. Vale lembrar que, convocado, não poderia furtar-se. Quem acreditou na cleptomania verbal do ministro comprou um mico.
Palocci chutou sua credibilidade pessoal quando desmentiu que tivesse voado num avião-companheiro. Disse assim: “Fala-se também que eu utilizei um avião particular para ir a uma feira na minha cidade (...). Ofereci aos órgãos de imprensa uma comprovação da FAB, (…) mas infelizmente não fui ouvido.”
Foi ouvido. Seu desmentido de que tivesse usado o jato Citation do empresário Roberto Colnaghi para ir ao Agrishow em Ribeirão Preto foi publicado na “Folha de S. Paulo”. Nele Palocci dizia que “não pegou carona no avião”. Não pegou naquela ocasião.
Colnaghi admitiu que Palocci usou seu avião para fazer o percurso Brasília-Ribeirão Preto-Brasília em companhia de José Genoino, então presidente do PT. Genoino confirmara à repórter Catia Seabra que “fiz essa viagem a convite de Palocci”. O ministro sempre poderá dizer que não foi ao Agrishow no avião que em 2002 fora usado para transportar as misteriosas caixas confiadas a Vladimir Poleto.
Isso não reduz a questão central: como ministro, Palocci usou o avião de Colnaghi para brincar de dono dos ares.
Em nenhum dos três casos Palocci mentiu. O problema não é dele, é das pessoas que nele acreditam. Ficou difícil para Palocci se submeter ao teste universal de credibilidade: uma relação de confiança é iníqua sempre que é melhor não confiar do que confiar."
Escrito por Josias de Souza às 02h00
Periodista Digital
A Justiça brasileira tomou duas decisões extremamente perniciosas ao pleno exercício da liberdade de imprensa. Em São Paulo, o juiz Silvio Luis Ferreira da Rocha determinou à FolhaOnline a retirada da internet de reportagens da Folha sobre o processo criminal que apura a contratação da empresa Kroll, pela Brasil Telecom, para espionar a concorrente Telecom Italia.
No Espírito Santo, a pretexto de investigar o assassinato de um magistrado, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, autorizou a polícia a grampear telefones usados jornalistas e funcionários da Rede Gazeta de Comunicações - engloba a CBN capixaba, o jornal Gazeta e a TV Gazeta, afiliada da Globo.
Falando sobre o caso que envolve a FolhaOnline, os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Marco Aurélio de Mello (STF) criticaram a decisão judicial. As sentenças foram criticadas também pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).
Escrito por Josias de Souza às 01h37
Sérgio Lima/Folha Imagem
José Dirceu, quem diria (?!?!?!), exerce um papel de curinga na escolha do petista que disputará o governo de São Paulo. Os dois pré-candidatos, Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, cortejam o deputado cassado.
Os outros três petistas paulistas candidatos à guilhotina na Câmara – João Paulo Cunha, Professor Luzinho e José Mentor- também não são carta fora do baralho na disputa que antecede as prévias para a escolha do candidato, marcadas para sete de maio.
O cassado e os cassáveis “têm um mundaréu de votos” na estrutura interna do PT, explica o presidente da legenda em São Paulo, Paulo Fratechi. Se é assim, fazer o quê...
Escrito por Josias de Souza às 01h06
Economia pode reeleger Lula, diz Mercadante
Em entrevista ao blog, Aloizio Mercadante concordou com Lula: a economia pode, sim, crescer 5% do PIB em 2006. O que recolocaria o presidente no páreo para um segundo mandato. Quanto à sua campanha para o governo de São Paulo, o líder do governo no Senado segue buscando o consenso com Marta Suplicy. E se não der? “Vou trabalhar para vencer”.
*
- O sr. defende que Lula se candidate à reeleição?
Aloizio Mercadante: Sim. Ele é um candidato muito forte.
- A crise não o enfraqueceu?
Mercadante: Trouxe prejuízos, mas em pouco tempo é possível virar um quadro a partir de poucas variáveis: o crescimento, com inflação baixa e aumento da oferta de emprego. Com esses fatores é possivel chegar à reeleição.
- Lula prevê crescimento de 5% em 2006. É possível?
Mercadante: Em 2004, crescemos 4,9%. Não há porque não repetir. Há desafios a vencer, mas os cenários interno e externo são muito favoráveis.
-Abandonou a idéia da candidatura de consenso em São Paulo?
Mercadante- Vou continuar trabalhando para isso.
- E se a unidade com Marta Suplicy não for possível?
Mercadante: Tem uma prévia marcada para 7 de maio. Vou trabalhar para vencer. Tive 10,5 milhões de votos, três milhões a mais que o Alckmin. É um patrimônio do partido que me coloca em posição muito competitiva.
- Não pensa em deixar a liderança do governo para fazer campanha?
Mercadante: À medida que a eleição se aproxima, vou ter que me desvincular. Mas enquanto o presidente precisar de mim, estarei lá. São Paulo tem um papel importante para o PT e para a eventual campanha à reeleição. Mas o prazo é do presidente, que ainda não me liberou.
- Como vai enfrentar a baixaria de campanha?
Mercadante: Minha vida é o meu patrimônio. No mais, estou preparado para defender o governo e o PT. O que implica reconhecer que erramos onde não podíamos, na ética, e devemos pedir desculpas.
- Como vai manter o caixa limpo?
Mercadante: Defendo que receitas e despesas sejam colocadas em tempo real na internet. Espero fazer tudo com transparência e com muito mais austeridade. O maior custo é o de TV. É preciso reduzir os gastos nessa área, usando mais a criativide
- Vai aceitar ajuda do caixa presidencial, como em 2002?
Mercadante: Acho possível que a campanha presidencial ajude as estaduais. Mas agora quero acompanhar diretamente todas as despesas que digam respeito à minha campanha. A gente aprende.
- Lula disse que José Dirceu pode subir no palanque dele. No seu também?
Mercadante:O Zé Dirceu tem história no PT. Acho que no processo dele, a política prevaleceu sobre o devido processo legal. A militância dele está assegurada. Ele pode contribuir para a campanha. E espero que o faça.
- Qual será a sua plataforma de campanha?
Mercadante: Darei prioridade ao desenvolvimento econômico, emprego, segurança pública e políticas sociais vinculadas à educação e saúde.
Escrito por Josias de Souza às 00h27
O signatário do blog pediu uma entrevista com a ex-prefeita Marta Suplicy, pré-candidata do PT ao governo de São Paulo. Atendido por dois assessores, o repórter explicou que entrevistaria também o senador Aloizio Mercadante, o outro pré-candidato petista à sucessão de Geraldo Alckmin. Achava que prestaria um serviço mais completo aos leitores se lhe fosse facultado ouvir os dois postulantes. Marta, porém, preferiu o silêncio.
Escrito por Josias de Souza às 00h09
Apenas 24 horas depois de Lula ter acusado a oposição de apelar para o “golpismo” a direção do PT partiu para o ataque contra o PSDB e o PFL, as duas legendas que mais se opõem ao petismo. Em resolução aprovada neste sábado, o diretório nacional do PT cobrou a apuração de malfeitorias dos opositores.
“O PT não teme as investigações, pois não tem nada a perder com a verdade”, diz o texto da resolução”. “Por isso mesmo, aliás, exigimos que estas investigações se estendam ao PSDB, ao PFL, ao governo FHC e ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).”
Além de Azeredo e FHC, o documento lista as irregularidades que o PT deseja ver apuradas. São três as principais:
1. “o caixa 2 na campanha de José Serra, objeto de uma ação na justiça federal de R$ 32 milhões relativas à agência de publicidade”;
2. “as conexões de organização criminosa do Comendador Arcanjo, que já está preso no Uruguai, suspeito de ter repassado R$ 5,7 milhões para as campanhas eleitorais de Dante de Oliveira e do senador Antero Paes de Barros, além dos seus vínculos com Cícero Lucena (membro da executiva nacional do PSDB e secretário do governo do PSDB da Paraíba), envolvido em outros graves ilícitos já investigados pelo Ministério Público e Polícia Federal”;
Embora a resolução não repita a qualificação “golpista” utilizada por Lula em entrevista concedida na sexta-feira, em Montevidéu (Uruguai), o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), corroborou, em entrevista, a expressão de Lula.
Na opinião de Fontana, há “desrespeito evidente” à figura do presidente. Ele acha que setores da oposição pensaram num ambiente golpista quando cogitaram a hipótese de pedir o impeachment de Lula.
Na parte dedicados ao embate político partidário, a resolução aprovada pelo diretório do PT, cujos integrantes foram eleitos em 18 de setembro, aponta para uma “brutal ofensiva conservadora”.
Um movimento que, na opinião da direção petista, foi traduzido “no resultado do plebiscito sobre comercialização de armas de fogo, no relatório aprovado pela CPMI da Terra, na atuação das comissões parlamentares de inquérito e nos propósitos que movem setores da direita, quando tentam cassar o mandato de vários deputados petistas e criminalizar o PT”.
Escrito por Josias de Souza às 20h59
Em reunião de seu diretório nacional, o PT aprovou neste sábado uma resolução que defende a redução da meta de superávit primário do governo, hoje fixada em 4,25% do PIB. Num acalorado debate travado a portas fechadas, prevaleceu a tese de que a estratégia econômica do ministro Antonio Palocci (Fazenda) impõe ao governo Lula uma "camisa de força" que limita os investimentos públicos.
Aprovada por 60 dos 68 membros do diretório petista, a resolução estabelece como “principal tarefa” do partido para 2006 a reeleição de Lula. O texto defende a reaproximação do PT com suas bases sociais históricas, que ainda anseiam por “mudanças na política, na sociedade e na economia.” Em relação a este último item, além da menção à necessidade de reduzir o superávit, defende-se a queda dos juros e o aumento dos gastos públicos em investimentos.
“Consideramos fundamental reduzir de forma significativa e sustentada as taxas de juros (...)”, anota a resolução. “Estimamos imprescindível acelerar a execução orçamentária, ampliar os investimentos em infra-estrutura e nas políticas sociais, acelerar a reforma agrária e melhorar o funcionamento do conjunto do governo. O caminho do crescimento permite reduzir a relação dívida/PIB, sem os sacrifícios resultantes das metas de superávit primário, que devem ser reduzidas.”
"(...)"Nosso país não pode e não vai ficar prisioneiro da receita de juros altos como o único remédio para combater a inflação. É possível crescer distribuindo renda e riqueza, com inflação e juros compatíveis com uma sociedade livre da ditadura dos interesses financeiros", diz ainda o texto da resolução. "Recusamos em absoluto a proposta de 'déficit zero', o que necessitamos é aprimorar a gestão do Estado para ampliar os investimentos públicos e os gastos sociais."
A tese da redução do superávit vai em sentido oposto ao que vem sendo trilhado pelo equipe econômica do governo Lula. Em reuniões reservadas com o presidente, Palocci também defende mudança na meta de superávit. Só que para cima. Em vez de 4,25%, quer um arrocho de pelo menos 4,5% do PIB.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP) foi derrotado no debate travado há pouco na reunião do diretório. Ele tentou suprimir do texto a menção ao superávit, defendida em emenda assinada inclusive pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini. Valter Pomar, outro integrante do diretório, discursou pela manutenção. A divergência foi dirimida no voto. E Mercadante perdeu por 35 votos contra 34.
Em entrevista, Berzoini disse que “o debate livre e democrático” não deve ser confundido com falta de apoio ao governo. Ele disse: “O partido tem posições políticas, defende pontos de vista. O governo tem o direito de interagir com elas, acatá-las ou não, porque o governo não é um governo só do PT, mas de diversos partidos. E o PT tem que defender as suas opiniões.”
Na prática, o superávit, que é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública, tem extrapolado a meta de 4,25% do PIB. Nos dez primeiros meses de 2005, o governo economizou R$ 95,055 bilhões. A cifra excede em R$ 12,3 bilhões a meta. Em vez dos 4,25%, o superávit alçou a 5,97% do PIB. Sem mencionar Palocci e sua equipe, a resolução ataca duramente a linha “neoliberal” que tem prevalecido na gestão da economia.
Escrito por Josias de Souza às 19h10
Citando notícia da Folha (para assinantes), o blog noticiou há dois dias que a ex-prefeita prefeita Marta Suplicy, candidata a governadora de São Paulo, está preparando um jantar de adesão. Coisa fina, a realizar-se no próximo dia 16, no Fasano, a casa de pasto mais cara da capital paulista. Para sentar-se à mesa com Marta, cada comensal terá de desembolsar R$ 2.500. A lista de "convidados" inclui entre 100 e 120 pessoas.
A notícia gerou um movimento espontâneo. Deu-se na área destinada a recolher comentários dos leitores do blog. A leitora Helena, de São Carlos, propôs a realização de um “panelaço” à frente do Fasano. “Nada de brigas”, anotou. “Só barulho e vaias”. E foi ganhando adesões.
O primeiro a manifestar-se foi um leitor que se assina “Velhinho da Bengala”: “O Clube da Bengala de Ribeirão Preto adotou a bengala como instrumento de repúdio. Estaremos no evento, empunhando nossas bengalas. E nos comportaremos sem nenhuma demonstração de agressividade, apenas protesto.”
“Helena e Bengala, contem comigo e meus amiguinhos”, entusiasmou-se Heloisa, de São Paulo. “Estaremos lá, de panelas e negalas em punho (...)”. “Sou amiga da Helena e vou ao panelaço”, ecoou Thaís, também de São Paulo. Outra leitora que promete comparecer ao protesto é Maria Chaves. Para sorte de Marta Suplicy, ela reside em Nova York. “A idéia do panelaço-bengalaço é deveras original e estou 100% de acordo.”
O debate prossegue no blog. Difícil saber se o protesto ocorrerá ou não. Mas, como o ministro Antonio Palocci (Fazenda) já confirmou presença no jantar de Marta Suplicy, não se deve descartar nem mesmo a hipótese de que José “Juros Baixos” Alencar venha a postar-se diante do Fasano, munido de bengala. De concreto, tem-se por ora apenas o embrião de um panelaço pacífico, o primeiro organizado a partir de um blog. Modernidade pura.
Escrito por Josias de Souza às 10h35
Periodista Digital
- JB: Lula acusa oposição de golpismo
- Folha: Oposição é golpista como na Venezuela, afirma Lula
- Estadão: Lula chama a oposição de golpista e diz que não é Chávez
- Globo: Lula: oposição brasileira é golpista como a Venezuela
- Correio: Hexa neles, Brasil
Leia os detaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 03h42
Periodista Digital
Irritado com a imprensa espanhola, Vanderlei Luxemburgo, demitido do prestigioso cargo de treinador do Real Madrid, despediu-se da Espanha com uma inusitada entrevista coletiva. Ele não admitiu perguntas.
“Agradeço aos meios de comunicação a compreensão que demonstraram (...). Àqueles que me criticaram e elogiaram segundo critérios jornalísticos, só posso agradecer e demonstrar meu respeito e admiração”, disse Luxa. “Aos que confundiram jornalismo com perseguição, simplesmente desejo muita sorte.”
Escrito por Josias de Souza às 02h47
Notícia da revista Isto É desta semana:
“Arremessada para o anonimato pelos escândalos que consomem a agenda do Congresso, uma CPI pouco conhecida trabalha quase silenciosamente para desvendar os negócios das quadrilhas que traficam armas no Brasil. Criada em março, a CPI do Tráfico de Armas passa longe das denúncias de mensalão, mas pode contribuir para alargar o número de cassações de mandatos numa das legislaturas mais conturbadas da história da Câmara. O mandato que está em risco é de um integrante da própria CPI do Tráfico de Armas, o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), peça-chave de um enredo que mistura ameaça, chantagem, tentativa de suborno, tiros e vazamento de informações sigilosas.”
“Pompeo de Mattos é acusado de fazer chegar às mãos de um investigado a cópia de um depoimento secreto prestado à CPI. Na semana passada, o presidente da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), enviou ofício ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que pode complicar a vida de Pompeo. No documento de quatro páginas, com a tarja de confidencial, Moroni destrincha a confusão em que o pedetista se meteu. Aldo já mandou o caso para a Corregedoria da Câmara, que abrirá sindicância para investigar o episódio. Assim como os colegas mensaleiros, Pompeo de Mattos poderá ter o mesmo fim: o Conselho de Ética.”
Escrito por Josias de Souza às 02h25
Assentamentos da seção Radar, de Veja (para assinantes):
- Uma idéia ousada: Acredite se quiser: o governo fez uma consulta informal a um advogado para saber se o cassado José Dirceu poderia ocupar novamente um cargo no governo. A resposta foi "sim".
-Palácio novo: A Presidência da República orçou em 160.000 reais os gastos com as novas cortinas do Palácio da Alvorada. E já mandou comprá-las.
- Toga de Juiz, cabeça de Político: José Dirceu já foi cassado, seu processo é coisa do passado, mas é necessário um registro para a história: em outubro, numa das vezes em que foi derrotado no STF (perdera, então, de 7 a 3), o petista recebeu um esdrúxulo telefonema de solidariedade. Do outro lado da linha estava Nelson Jobim, presidente do Supremo, que telefonou para consolá-lo. Difícil imaginar uma atitude mais fora de ordem na vida institucional de um país.
- Ele tinha estilista: A auditoria feita pelos novos controladores da Brasil Telecom tem revelado coisas do arco-da-velha na empresa, nos tempos em que era gerida pela turma de Daniel Dantas. Descobriu-se, por exemplo, que Dantas contratou um "personal stylist" pago pela companhia telefônica por módicos 72.000 reais mensais. Pelo menos foi assim que Eduardo Gomes, o "Dudu", se apresentou quando foi chamado pelos auditores para explicar o que fazia na empresa. Deve ser o personal stylist mais bem pago do mundo.
Escrito por Josias de Souza às 02h15
Sob o título “Um vice cara-de-pau”, a revista Veja desta semana (para assinantes) informa que, enquanto vociferava contra os juros estabelecidos pelo governo que integra, José Alencar foi beneficiário de empréstimos do BNDES a taxas camaradas, bem abaixo dos valores de mercado.
Nos três anos do governo Lula, a Coteminas, empresa de Alencar, beliscou no bancão oficial R$ 421 milhões em empréstimos corrigidos por juros subsidiados. “Foram R$ 221 milhões em crédito rural, na modalidade EGF – matéria-prima, cuja taxa é tabelada, por lei, em 8,75% ao ano”, informa a notícia. “Os outros R$ 200 milhões foram liberados pelo BNDES, com taxas entre 12,25% e 14%.”
“A empresa já recebia empréstimos como esses no governo anterior, é importante registrar”, anota Veja. “Mas o volume aumentou 35% sob o governo petista, nas duas modalidades de créditos. Em 2001 e 2002, a Coteminas recebeu 241 milhões de reais; em 2003 e em 2004, o valor subiu para 324,3 milhões.”
“As taxas cobradas da empresa são realmente muito baratas”, diz ainda a notícia. “Só para efeito de comparação, a Selic, criticada por Alencar, está hoje em 18,5% ao ano. Já as taxas cobradas pelos bancos, das empresas sem vice-presidente da República, ficam acima de 30% ao ano, em média.”
Escrito por Josias de Souza às 02h02
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), subiu o tom nas acusações aos fundos de pensão. Diferentemente dos seus colegas de investigação, Serraglio foi peremptório ao afirmar onde foi parar a grana resultante de “perdas” dos fundos estatais:
“O destino foi a alimentação de uma campanha milhardária (do PT) a que vocês assistiram nas últimas eleições”, disse o relator. Os fundos de pensão acenam com a possibilidade de levar a CPI às barras dos tribunais. Serraglio parece dar de ombros.
Escrito por Josias de Souza às 01h42
Alan Marques/Folha Imagem
Acusada de “golpista” por Lula, a oposição reagiu indignada. O ataque do presidente, feito em Montevidéu (Uruguai), soou quase simultaneamente a uma reunião que se realizava em Brasília. O ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) sentou-se à mesa com dois integrantes da cúpula do tucanato: Tasso Jereissati e Arthur Vrigílio, respectivamente presidente e líder do PSDB no Senado.
A fala de Lula jogou areia no esforço negociador. Irritados, os oposicionistas mantiveram de pé a ameaça de não votar o Orçamento da União. De quebra, acenaram com a suspensão da trégua que vem impedindo a convocação do ministro Antonio Palocci (Fazenda) pela CPI do Fim do Mundo (Bingos).
- Tasso Jereissati: “Cada vez mais o presidente parece estar confuso, intranqüilo, com idéias desencontradas e pouco claras em relação ao governo, às explicações sobre economia e política e sobre o entendimento da crise. Parece o Chacrinha, que nos velhos tempos dizia: ‘Vim aqui para confundir, não para explicar’.”
- Arthur Virgílio: “Se pudesse mandar um recado para Lula, diria: não seja ridículo! Que golpismo é esse? Nem sequer o impeachment a oposição pediu, apesar de tantos indícios de seu conhecimento do esquema de corrupção endêmica, epidêmica e sistêmica”.
- José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado: “Quem quer dar o golpe? Marcos Valério? Roberto Jefferson? José Dirceu? O golpe a que ele se refere é o que os dele querem dar. Cumprimos nosso dever de investigar e não vamos recuar. Lula, no exterior, vê fantasmas. Quando sai, toma uma dose do efeito Chávez e diz coisas sem nexo, mesmices e repete argumentos que não colam.”
- Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL: “Tenho pena de nós, brasileiros, que teremos de aturar por mais um ano essa lenga-lenga do irresponsável presidente, o mais incompetente de nossa História republicana.”
- Alberto Goldman (SP), líder do PSDB na Câmara: “Ninguém acredita que estamos fazendo golpismo. Na Venezuela, a oposição derrubou Chávez. Após alguns movimentos, ele retornou. Aqui nunca fizemos qualquer movimento para tirar o presidente do poder. E ele bem que merecia. Mas achamos melhor esperar pela eleição, quando vamos afastá-lo em definitivo e democraticamente.”
- José Carlos Aleluia (BA), líder do PFL na Câmara: “O presidente está perdendo a compostura que o cargo exige. Ele começa a falar coisas que fazem as pessoas perderem o respeito por ele. Se houvesse a menor intenção da oposição de agir de forma golpista, ele já teria sofrido o impeachment.”
Escrito por Josias de Souza às 01h08
Foi um retumbante fiasco a “Campanha Militante de Arrecadação” do PT. Lançada em 11 de novembro pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini, previa a arrecadação de R$ 13 milhões entre os 315 mil filiados até o dia 13 de dezembro. A quatro dias do término do prazo, arrecadaram-se irrisórios R$ 550 mil.
É pouco, muito pouco diante da dívida em atraso do PT, que soma R$ 42 milhões. Sem contar os R$ 55 milhões relativos aos supostos empréstimos bancários feitos pelo empresário Marcos Valério. Uma dívida que, como não foi contabilizada nos seus livros, o PT decidiu desconhecer.
Por ora, a tesouraria do PT não tem dinheiro nem para pagar a segunda parcela do 13o salário dos seus 92 funcionários, que vence no próximo dia 20 de dezembro. Ao lançar a "Campanha Militante", Berzoini exalava otimismo.
“A militância vai responder”, disse Berzoini em 11 de novembro. “O sentimento de que o PT é um patrimônio que não pode ser colocado em risco é muito forte na militância. Conversei com muita gente, mais de 500 pessoas. No máximo três ou quatro manifestaram ceticismo. Os demais ficaram entre a aprovação e o entusiasmo.”
O dia 13 de dezembro não foi escolhido por acaso. Treze é o número do PT na cédula eleitoral. Na contramão da crença popular, o petismo enxerga o número como símbolo de sorte. Deu zebra. O ceticismo venceu o entusiasmo. Contatado pelo partido por meio de seu secretário particular, Gilberto Carvalho, nem mesmo o protopetista Lula, filiado número zero da legenda, contribuiu com a campanha.
Na última quarta-feira, em entrevista a emissoras de rádio, o presidente da República disse que, em meio à crise política, passou a ter “mais orgulho” de ser petista. O sentimento, porém, ainda não foi traduzido em cifras. As contribuições regulares de Lula –cerca de R$ 1.700 mensais- estão rigorosamente em dia. Mas espera-se que ele doe à campanha pelo menos R$ 10 mil.
Tampouco os 94 parlamentares da bancada federal do PT – 82 deputados e 12 senadores – demonstraram entusiasmo pela cruzada coletora montada pelo partido. Só 20 congressistas comprometeram-se formalmente a cooperar. Mas poucos transformaram a palavra em reais. De acordo com a meta estipulada pelo PT, cada um teria de desembolsar em dezembro pelo menos R$ 10 mil, além da contribuição regular de R$ 1.600 mensais. Esperava-se recolher junto à bancada R$ 1 milhão.
A maior parte dos R$ 550 mil já amealhados veio dos diretórios estaduais do PT. O dinheiro está sendo usado para pagar as dívidas em atraso. O maior credor é a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar. Além do pagamento clandestino feito pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares (R$ 1 milhão), a empresa não recebeu um tostão. O débito remanescente soma R$ 11 milhões, se considerados os números do PT. Ou R$ 12 milhões, pelas contas de Josué Gomes da Silva, filho de Alencar e presidente da Coteminas.
Os dados aterradores serão expostos neste sábado aos integrantes do diretório nacional do PT, que se reúnem na sede do partido, em São Paulo. Ouvirão apelos dramáticos. Sem os R$ 13 milhões da campanha arrecadatória, a tesouraria do partido entrará em colapso.
Como não dispõe de fundos nem cultiva simpatias partidárias, o signatário do blog presta ao PT a solidariedade que está ao seu alcance: se você é filiado ao partido e deseja contribuir, clique na imagem acima.
Escrito por Josias de Souza às 00h12
Sérgio Lima/F. Imagem
Delúbio Soares confirmou em depoimento à Polícia Federal o que dissera em nota oficial divulgada há dois dias: veio do valerioduto o dinheiro (RS 1 milhão) que o PT repassou à Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar, para amortizar parte de um débito de R$ 12 milhões.
O ex-gestor das arcas petistas acrescentou no depoimento um detalhe que torna mais espetacular a sua versão. Ele não apenas pagou a dívida em dinheiro vivo como disse ter guardado a grana durante arrastados sete meses. Não depositou em nenhum banco, alegou, porque a verba viera do caixa dois e não podia ser contabilizada.
A grana teria sido mantida num cofre. Delúbio disse à PF que, pressionado pela Coteminas, telefonou para Solange Pereira, sua secretária no PT. Mandou que tirasse R$ 1 milhão do cofre e entregasse a Marice Corrêa Lima, que levou o dinheiro para a Coteminas.
Delúbio esteve na sede da PF, em Brasília, na tarde desta sexta-feira. A foto acima mostra o ex-tesoureiro petista no instante em que chegava ao prédio. Seu depoimento durou cerca de quatro horas. Saiu sem dar um pio para os jornalistas. Também... falar o quê!
Escrito por Josias de Souza às 20h32
Leia abaixo algumas declarações feitas por Lula em entrevista à Carta Capital, que chegou nesta sexta-feira às bancas:
- Reeleição: Vamos deixar isso para fevereiro ou março do ano que vem. Eu tenho muitas ressalvas ao instituto da reeleição. Por isso, votei contra na Constituinte de 88 (...). Espero que em 2006 possamos discutir uma reforma política para que, a partir de 2011, o presidente possa gozar de um mandato maior, sem reeleição. Aliás, no Brasil era assim. E estava bom assim. Não fosse a vaidade de determinadas pessoas (...) Qual é a hipótese que um candidato à reeleição tem de fazer? (...) Só pode ser candidato se, em primeiro lugar, tiver uma convicção muito forte de que o segundo mandato será melhor do que o primeiro. Segundo, se para ser candidato não tiver que vender a alma ao diabo nas suas alianças políticas. Caso contrário, se ganhar é vitória de Pirro, ganha e não governa. Então, eu medito muito, penso muito para tomar uma decisão. ”.
- Será candidato? "(...) Sei que a minha candidatura é importante para o PT (...) e para uma parcela imensa da sociedade e para alguns partidos que estão conosco. Mas, por ora, só posso dizer que ainda não decidi. Certo é que eu gostaria de mostrar o que está acontecendo no Brasil, num debate com esses que já estiveram no poder por tantas e tantas décadas, tantos e tantos séculos."
- Candidato do PSDB: "Parece-me que tudo caminha para ser o (Geraldo) Alckmin (...) Eu acho que mais que o (José) Serra. Até porque o Serra pagaria um preço enorme por abandonar São Paulo depois de um ano e quatro meses na prefeitura."
- Medo do Lula: "Em 1994, no mês de março, eu estava acima de 40% nas pesquisas de opinião. Então, inventaram uma lei que não somente reduzia o tempo na televisão de imagens externas, mas também reduzia o mandato presidencial para quatro anos. Medo de que o Lula ganhasse as eleições. Acontece que eu não ganhei as eleições, aí, aprova-se a reeleição, que é um instituto muito mais pernicioso do que o mandato de cinco anos.”
- Críticas de FHC: “Não sei como um presidente da República pode ficar fazendo comentários sobre outro presidente sem olhar o telhado dele. Depois que você chega à presidência da República de um país você não precisa ser mais nada. Você pode voltar para sua vida, cuidar da família, pode fazer uma palestra aqui e outra ali, pode ser conselheiro (...). Jamais cabe ao presidente da República ficar insinuando o que o outro deveria fazer, o que o outro fez de certo ou fez de errado. Por uma questão de educação, por uma questão de respeito, e por outra ainda: toda a vez em que você der palpite sobre o que o outro está fazendo, você tem de olhar o que você fez”.
- Herança maldita do tucanato: “A máquina pública brasileira estava desmontada. Totalmente desmontada (...). Muitos ministérios não funcionavam, a nossa credibilidade no exterior era ruim, muito ruim. E aí eu acho que foi uma coisa importante que aconteceu, que foi a nossa opção pela ousadia na política internacional (...). Conseguimos uma coisa importante, recuperar a credibilidade do país (...). Hoje o Brasil não é mais coadjuvante.”
- 2005, ano consagrado ao antipetismo: “Foi um massacre. Eu certamente não posso dizer, como presidente da República, tudo o que penso a respeito do que aconteceu em 2005. Sou favorável a que todas as denúncias sejam apuradas (...). Agora, em alguns momentos, me pareceu claro que pouco importava a verdade para alguns setores. Qualquer coisa que fosse contra o governo vamos dar destaque, porque o objetivo é desgastar o governo. Essas e outras coisas que muitas vezes me deixam muito magoado (...)”
Escrito por Josias de Souza às 16h57
Ricardo Stuckert/PR
Em viagem a Montevidéu (Uruguai), onde participa da Cúpula do Mercosul, Lula disse que a oposição brasileira está “tentando fazer golpismo”. Em entrevista que concedeu à Carta Capital, que começou a circular nesta sexta-feira, o presidente afirma que a oposição o trata do mesmo modo que Chavéz é tratado pela Fedecámara (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela), uma espécie de Fiesp da venezuelana.
Um dos jornalistas que acompanham Lula em Montevidéu perguntou-lhe porque comparou a sua situação à de Chávez. E o presidente, aos risos: “Por que é verdade. Tem alguns que ficam dizendo que eu, quando vou fazer um ato público, ajo como se fosse o Chávez. Eu digo sempre: eu não estou agindo como o Chávez. Agora, os meus adversários estão agindo como agiu a Fedecámara contra o Chávez, ou seja, tentando fazer golpismo”.
A Fedecámara é uma entidade antichavista. Em abril de 2002, liderou um golpe que tirou Hugo Chávez do poder por 48 horas. O movimento foi liderado por Carmona Estanga, que presidia a federação à época. Chávez, a propósito, está com Lula e Nestor Kirshner em Montevidéu (veja foto). A Venezuela formalizou o pedido para tornar-se sócia efetiva do Mercosul. Em discurso, o presidente venezuelano disse que continua enfrentando articulações golpistas.
Escrito por Josias de Souza às 15h29
Lula deu entrevista à revista Carta Capital, que começou a circular nesta sexta-feira. O presidente afirmou que o governo deve crescer 5% ou mais no ano que vem.” Completou: “Economista é que faz prognóstico, mas tenho dito para todo mundo que não tem por que o Brasil não crescer 5%, ou acima de 5%, em 2006, não tem por quê.”
A entrevista ocupa 12 páginas. Lula disse que trabalha com a perspectiva de um ciclo duradouro de desenvolvimento. Acha que as condições para isso já foram obtidas. Menciona o controle da inflação, o fortalecimento do comércio exterior e a alforria do Brasil em relação ao FMI.
Veja algumas das declarações do presidente à revista:
- Bases para o crescimento: “Talvez estejamos ainda longe do que o Brasil precisa. Mas para crescer é preciso construir bases sólidas. Na história recente, se você considerar os últimos 20 ou 30 anos, vai perceber que o Brasil tem uma história sui generis, ou seja, toda vez que o Brasil decidiu crescer economicamente, cresceu com inflação alta. E toda vez que o Brasil decidiu exportar, asfixiou o mercado interno. O que nós estamos provando? Que é possível você crescer com inflação baixa e que é possível exportar sem asfixiar o mercado interno (...).”
Comportamento do PIB: “Concordo, foi uma notícia péssima o PIB (ter caído 1,2% no terceiro trimestre). Eu esperava que não caísse tanto, esperava que até chegasse a zero. Mas hoje pego os dados da Anfavea: as exportações de carro vão crescer 30%, a produção cresceu quase 11%, o licenciamento aumentou 15,5%. O setor de embalagens também vai bem, um sinal muito importante.
Não sou de fazer prognóstico, porque não sou economista. Economista é que faz prognóstico, mas tenho dito para todo mundo que não tem por que o Brasil não crescer 5%, ou acima de 5%, em 2006, não tem por quê. Condições? A inflação está controlada. Temos reservas comerciais, portanto, a nossa credibilidade para o comércio exterior está garantida. Não temos mais pressão do FMI vindo aqui e dizendo o que temos de fazer.
Temos, portanto, de ser o fiel da balança no crescimento econômico mundial. O Brasil pode crescer e pode crescer bem no próximo ano. E eu trabalho com a idéia de que a gente cresça por alguns anos seguidos, para recuperar as décadas perdidas.”
Escrito por Josias de Souza às 14h12
Da Coluna de Mônica Bergamo na Folha (para assinantes): “O PFL e o PMDB intensificaram conversas em torno da sucessão de Lula. Jorge Bornhausen, presidente do PFL, e Michel Temer, presidente do PMDB, têm se falado com freqüência e até jantaram juntos recentemente na casa de Moreira Franco (PMDB-RJ) em Brasília.
Para valorizar o passe junto ao PSDB, com quem deve marchar na sucessão, uma ala do PFL está soltando o balão de ensaio: pode abandonar os tucanos e apoiar um candidato do PMDB à sucessão. Desde que ele não seja Anthony Garotinho”.
Escrito por Josias de Souza às 08h18
A despeito do blábláblá de Lula na última entrevista a emissoras de rádio, na quarta, o presidente quer, sim, ajustar a política econômica. Sem tirar Antonio Palocci do comando, informa a Folha de hoje (para assinantes).
Reservadamente, o ministro da Fazenda dá sinais de que aceita alguma inflexão. Desde que não soe a derrota. Publicamente, porém, Palocci vem sustentando que está no cargo para executar a política econômica que aí está.
Nas palavras de quem conversou com Lula, ele deseja "mudar o mínimo possível, mas o suficiente para retomar o crescimento" da economia em 2006, ano em que pretende disputar a reeleição.
Escrito por Josias de Souza às 08h14
Está na Folha de hoje (para assinantes): “Cerca de 50 dos 200 beneficiários das supostas perdas de R$ 729,2 milhões em fundos de pensão de empresas estatais são fundos de investimento de capital estrangeiro, segundo relatório preparado pela BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). Embora nem todos esses 50 fundos estrangeiros estejam entre os maiores beneficiários do esquema, a CPI suspeita que parte das perdas causadas aos fundos de pensão possa ter sido remetida para o exterior.
A área técnica que trabalha na investigação recebeu essas informações ontem em um CD. O arquivo contém os nomes dos beneficiários das operações que teriam provocado perdas aos 14 fundos de pensão entre 2000 e 2005.
A BM&F verificou que um quarto dos beneficiários dos lucros das operações são fundos de investimento de capital estrangeiro que atuam no mercado de valores no Brasil -ou seja, têm facilidade para remeter lucros para fora do país. O CD com os nomes dos beneficiários é oficial e foi preparado com os dados das 630 mil operações investigadas.
A divulgação completa dessas informações deve ocorrer na semana que vem, depois que os dados forem analisados. Segundo a CPI dos Correios, o rombo total dos 14 fundos de pensão chegou a R$ 784,1 milhões no período investigado: R$ R$ 729,2 milhões com operações na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e outros R$ 54,9 milhões com títulos públicos. Os nomes de beneficiários recebidos ontem se referem às operações no mercado futuro.”
Escrito por Josias de Souza às 07h52
Periodista Digital
- JB: Agora a devassa é no futebol
- Folha: CPI suspeita que dinheiro de fundos foi para o exterior
- Estadão: Venezuela no Mercosul. Com voz, mas sem direito a voto
- Globo: CPI investiga omissão do BC na fiscalização do Rural
- Correio: Sujos na Receita...
Leia os destaques de capa dos jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h46
Nem com reza
Alan Marques/Folha Imagem
O Congresso realizou nesta quinta-feira a sua tradicional missa de final de ano. O parlamento foi representado na homilia pelo comunista Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara, e pelo ex-comunista Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado.
Aldo é ateu. Renan, egresso do mesmo PC do B, já perambulou por outras legendas. Foi do PRN de Collor ao PMDB de Sarney. Não se sabe, porém, se aderiu ao catolicismo.
Não há dúvida de que o Congresso precisa de muita reza para exorcizar de seu corpo os mensaleiros infiéis. Mas a pregação desta quinta deve ter soado inútil para Aldo e Renan.
Partindo-se do pressuposto de que cada um carrega uma cruz nesse mundo de meu Deus, os presidentes da Câmara e do Senado, por incréus, devem trazer os ombros leves. Alguém há de estar carregando duas cruzes. Deve ser o eleitor.
Escrito por Josias de Souza às 02h34
Geraldo Alckmin decidiu intensificar o ritmo de sua campanha à presidência da República. Incomodado com a movimentação do prefeito paulistano José Serra, que disputa com ele a legenda do PSDB, o governador de São Paulo planeja viajar mais pelo país. Tornando-se conhecido em outros Estados, acha que irá melhorar os seus índices nas pesquisas de opinião.
O blog conversou com dois correligionários de Alckmin, um secretário de governo e um parlamentar tucano da base de sustentação do governador na Assembléia Legislativa de São Paulo. Ambos identificaram na inanição exibida por Alckmin nas sondagens eleitorais a sua maior fragilidade.
Alckmin exibe nas pesquisas índices que oscilam entre 13% e 16%. Sua assessoria avalia que, exposto em rede nacional de televisão, o governador saltaria para patamares mais confortáveis. O problema é que, com as taxas atuais, Alckmin não conseguirá se impor como candidato do PSDB. E, em conseqüência, também não terá a oportunidade de exibir-se no horário eleitoral gratuito.
Nos diálogos que mantém com lideranças do PFL, para detalhar a coligação partidária para 2006, José Serra apresenta como seu maior trunfo justamente as pesquisas de opinião. Ostenta percentuais que lhe dão mais do que o dobro de votos de Alckmin no primeiro turno –entre 30% e 33%. De quebra, as sondagens dos institutos de pesquisa apontam-no, por ora, como o único candidato em condições de bater Lula num eventual segundo turno.
Daí a decisão de Alckmin de correr o país. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é apontado por todo o tucanato como “eleitor qualificado” na disputa que vem sendo travada no interior do PSDB. E FHC diz em todos os seus diálogos privados que o partido não pode entrar na eleição para perder. Insinua que o candidato de sua predileção será aquele que estiver mais bem posicionado nas pesquisas.
Nas conversas que mantém com interlocutores do PFL, Serra dá o apoio de FHC ao seu nome como favas contadas. Mais do que isso: assegura que o PSDB ratificará o seu nome como candidato oficial. O “assanhamento” de Serra, segundo a definição de um dos auxiliares de Alckmin, é “desrespeitoso” com o colega de partido.
A equipe do governador argumenta que o candidato do PSDB terá de ser definido por consenso, já que o partido não pretende realizar prévias eleitorais. E esse consenso depende de unidade interna. Uma unidade que estaria ameaça pelo apetite de Serra. O que se diz em torno de Alckmin é que o prefeito de São Paulo está atropelando as instâncias partidárias ao arvorar-se a fechar antecipadamente acordos eleitorais.
De resto, a assessoria de Alckmin argumenta que o partido terá menos a perder se optar pelo seu nome. Seu mandato termina em 2006. O de Serra vai até 2008. Com ele, uma eventual derrota para Lula não significaria prejuízo.
O problema é que FHC, o “eleitor privilegiado”, quer entrar na disputa para ganhar. Não trabalha com a hipótese da derrota. E onde a turma de Alckmin enxerga o risco de prejuízo, Serra vê um trunfo. Seu vice na prefeitura, Gilberto Kassab, é filiado ao PFL. Coligando-se com ele, os pefelistas terão dois anos de mandato à frente da cidade de São Paulo, cujo orçamento é superior ao da maioria dos Estados brasileiros.
Escrito por Josias de Souza às 02h06
Alan Marques/Folha Imagem


Eis como se encontravam no meio do expediente desta quinta-feira os plenários da Câmara e do Senado: ermos. Por um lado é bom. Do nada não vem nada. O que, em se tratando do Congresso, pode ser boa coisa. Por outro lado é ruim. Você paga os salários dos parlamentares -coisa de R$ 12 mil por mês- para que trabalhem.
Resignado com o ócio parlamentar, o signatário do blog interrompe aqui este despacho. O vácuo da cena requer um gesto de silêncio ensurdecedor. O repórter transfere para os eleitores o direito ao sagrado barulho do voto.
Escrito por Josias de Souza às 01h15
A votação no Congresso do Orçamento da União para 2006 virou um nó que Lula não está conseguindo desatar. Até as lideranças governistas dizem que a peça não vai a voto a tempo de ser sancionado antes do final do ano. Uma hipótese que submete Lula a uma encrenca que gostaria de evitar.
Sem orçamento, o governo só poderá realizar na entrada de 2007 os gastos obrigatórios. Pagamento da folha e pensões da Previdência, por exemplo. Lula não estará autorizado a realizar investimentos. O que, em ano eleitoral, não é pouca coisa para um presidente que só pensa na reeleição.
O diabo é que, ao tentar manietar Lula vetando-lhe o acesso ao cofre, a oposição pode estar mirando o próprio pé. Orçamento é coisa séria. É coisa que não deve ser usada como objeto de picuinhas partidárias e eleitorais. O maior prejudicado não será Lula, mas o país. Juízo, senhores.
Escrito por Josias de Souza às 00h54
O líder licenciado do PP na Câmara, José Janene, está brincando de esconde-esconde com o Conselho de Ética. Procuram-no há 52 dias, para entregar-lhe uma notificação. Ele responde a processo de cassação. É um gigante do mensalão.
O deputado alega que padece de graves problemas de saúde. Mas, embora esteja de licença médica, apresentou a bagatela de R$ 5 milhões em emendas ao Orçamento da União. A presença invisível de Janene na Câmara começa a irritar a direção do Conselho de Ética.
Escrito por Josias de Souza às 00h33
Ao pegar carona no avião do empresário Roberto Colnaghi, Antonio Palocci sobrevoou o Código de Conduta da Administração Federal. Autoridades públicas, anota o código, estão proibidas de “receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre sua probidade ou honorabilidade.”
Cabe à Comissão de Ética da Presidência da República punir as infrações ao código. A tal comissão tem reunião marcada para o próximo dia 20. Alguns de seus integrantes admitem que a análise do caso que envolve o ministro da Fazenda tornou-se inevitável. Você acha que Palocci será punido?
Escrito por Josias de Souza às 00h23
A cúpula da CPI dos Correios ficou tiririca com o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa. Ele descartou sem ler o pedido de prisão de Marcos Valério encaminhado à Polícia Federal pelo relator da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR).
“O Ministério Público se precipitou ao desqualificar o meu pedido”, disse Serraglio. “Ele não deve ter tido acesso ao laudo da Polícia Federal. Do jeito que vai, a Polícia Federal não vai chegar a lugar algum.”
Eduardo Paes (PSDB-RJ) falou num tom acima. Comparou Fernando de Sousa ao ex-procurador-geral Geraldo Brindeiro, de triste memória:
“O procurador contesta de forma tão rápida, eloqüente e efetiva o nosso pedido, que até parece que ele já estava com uma opinião preconcebida. Parece que existe uma ordem para não prender as pessoas envolvidas no caso. Ele é um engavetador-geral da República.”
Escrito por Josias de Souza às 00h09
Alan Marques/Folha Imagem
A CPI dos Correios decidiu investigar o Banco Central. Suspeita que a instituição foi negligente ao fiscalizar o Banco Rural, a casa bancária que concedeu supostos empréstimos ao PT e a empresas de Marcos Valério.
Conforme já noticiado aqui, Roberto Godinho (na foto), ex-superintende do Rural, informou aos integrantes da CPI que auditores do BC fiscalizaram o Rural entre setembro de 2004 e agosto de 2005. Tiveram acesso a dados que demonstrariam que os empréstimos são, na verdade, operações de fachada. A despeito disso, nada foi feito. O BC ainda não se pronunciou sobre as acusações.
Escrito por Josias de Souza às 23h45
Há no sítio do PT na internet um texto que vale a leitura. Foi escrito por Tarso Genro. É aquele petista que desceu do Ministério da Educação para a presidência do PT e teve tolhida sua ânsia de refundar a legenda, abandonando a tarefa antes do início.
Um dos mais argutos teóricos do petismo, Tarso Genro ataca com rispidez setores da imprensa e da oposição ao PT. Na imprensa, personifica suas criticas nos articulistas Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor. No espectro partidário, menciona Jarbas Passarinho, Fernando Henrique Cardoso e Jorge Bornhausen.
“A síntese de todos estes ataques”, diz o ex-presidente do PT, “não é a defesa de um programa, sequer de combate à corrupção ou da defesa de uma reforma política, mas uma tentativa de descredenciamento absoluto da esquerda como possibilidade política e do PT em particular, para que ele passe a ser visto como inventor da corrupção e da imoralidade pública no Brasil.”
Pressione aqui para ler a íntegra do artigo. Chama-se "A Crise Política na Revolução Democrática". Pode-se concordar ou discordar do que escreveu Tarso Genro. Mas convém proporcionar ao autor o debate que ele pede. Não deixe o texto passar em branco. Depois da leitura, informe ao blog o que você achou dos argumentos do ex-ministro de Lula.
Escrito por Josias de Souza às 23h12
José Dirceu (PT-SP) deu uma entrevista à revista Fórum. Foi há coisa de 20 dias. Antes, portanto, de sua cassação. Falou sobre os rumos do governo e sobre os motivos que o levaram a confrontar-se com a guilhotina.
Nesta quinta-feira, o Estadão publicou trechos da entrevista. Dirceu estrilou. Achou que a edição de suas falas deixou no ar a impressão de que ele dissera que o governo Lula acabou. Não foi bem isso. Mas chegou perto.
Em operação conjunta, as assessorias de Dirceu e do PT apressaram-se em divulgar trechos mais completos da entrevista do ex-chefão da Casa Civil. Ele diz coisas assim:
“Eu sou só um símbolo. Na verdade, não sobrou nada no governo. Luiz Gushiken, Gilberto Carvalho, Antonio Palocci, José Dirceu; no PT, o presidente da Câmara (João Paulo Cunha), o líder do governo (Professor Luizinho), José Genoino... Eles querem criminalizar o PT, a esquerda não pode governar, como disse o Thales Alvarenga (articulista de Veja), que falou que isso era mais uma prova de que a esquerda não sabe governar, são ignorantes, corruptos. Outro lado é caracterizar o governo Lula como corrupto, eles não querem o debate, por que perdem. Por mais que esse governo tenha problemas, que não tenha avançado em questões importantes, é o melhor governo que o Brasil teve desde 1985. Comparado com FHC, ganhamos de longe a disputa
política."
Clique aqui para ler os outros trechos divulgados no sítio do PT.
Escrito por Josias de Souza às 22h13
Apache Futebol Clube e Unidos da Vila disputam neste sábado, no estádio do Morumbi (SP), a final da Taça Brahma. Trata-se de um campeonato de várzea que mobilizou, nos últimos sete meses, 510 times.
A grande final passaria em branco não fosse por um detalhe: o prefeito de São Paulo, José Serra, informou aos organizadores do certame que estará presente ao estádio. Palmeirense roxo, não se sabe se Serra soltará rojões pelo Apache ou pelo Unidos da Vila. Sabe-se apenas que está atrás de votos. Todos os que puder amealhar.
Escrito por Josias de Souza às 16h42
Carlos Godinho, ex-superintendente do Banco Rural, declarou à CPI dos Correios nesta quinta-feira que foi orientado a excluir de relatórios internos informações referentes aos empréstimos concedidos ao PT e à SMPB, empresa que tinha Marcos Valério como sócio. O falseamento dos relatórios visava omitir dados da fiscalização do Banco Central.
Godinho era o responsável pela elaboração dos tais relatórios de controle interno. Têm periodicidade semestral e servem para que o BC verifique se a instituição financeira está seguindo as normais oficiais. Ele contou que as dívidas da agência de Valério nunca eram cobradas. Embora a empresa dispusesse de saldo em conta, os empréstimos eram sistematicamente renovados.
As contas mantidas no Rural, contou Godinho à CPI, são submetidas a um sistema de informática que faz uma “análise de risco”. No caso das contas da SMPB, o sistema detectou o que o ex-superintendente chamou de “indícios de lavagem de dinheiro”.
A movimentação chegou a atingir um volume dez a 15 vezes superior ao faturamento declarado pela agência em seus balanços. Os dados foram repassados à direção do banco que, pela lei, deveria ter informado o fato ao BC.
Godinho disse que, a despeito da maquiagem dos relatórios internos do Rural, o BC poderia ter detectado as irregularidades. Auditores da instituição inspecionaram a casa bancária mineira. A fiscalização começou em setembro de 2004. E foi concluída em agosto de 2005. Quatro meses depois, portanto, do estouro do escândalo do mensalão, em maio passado.
Segundo o ex-superintendente do Rural, a equipe do BC recebeu informações que teriam permitido a descoberta das anomalias que maculam os supostos empréstimos ao PT e à SMPB. A fiscalização foi, nas palavras de Godinho “muito rigorosa”. Ele acrescentou: “O que me surpreendeu foi o resultado”.
Godinho já havia antecipado parte das revelações que fez à CPI em entrevista à revista Época. Por isso ele foi convocado. A direção do Rural negou as acusações na ocasião. Abriu um processo judicial contra o ex-funcionário.
Além do depoimento desta quinta no Congresso, Godinho já foi ouvido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Suas declarações tonificam a impressão de que os alegados empréstimos que rechearam as arcas clandestinas do PT são, na verdade, operações de fachada.
Escrito por Josias de Souza às 16h03
O ex-líder petista Professor Luizinho (SP) arrumou um anteparo para protegê-lo no Conselho de Ética da Câmara. José Nilson dos Santos, assessor do deputado, isentou-o integralmente de responsabilidades pelo saque de R$ 20 mil na conta de Marcos Valério no Banco Rural.
Embora trabalhe para Luzinho, Nilson dos Santos diz que tinha os seus próprios interesses eleitorais. Pensava em candidatar-se a deputado estadual em 2006. Daí ter procurado Delúbio Soares. Pediu dinheiro para três pré-candidatos a prefeituras do grupo político que o apoiava.
O grupo do assessor Nilson dos Santos, diz ele, não é o mesmo que apóia Luizinho. Ah, bom. Estão tá certo. Ficamos assim. Lavrem-se as atas.
Escrito por Josias de Souza às 13h12
A petista Marta Suplicy, candidata a governadora de São Paulo, está preparando um jantar (Folha, para assinantes). A coisa não é para qualquer um. Quem quiser sentar-se à mesa com Marta terá de desembolsar R$ 2.500. Acha que não vai ninguém? Engano. A lista de "convidados" da ex-prefeita inclui entre 100 e 120 pessoas.
A janta será servida no dia 16, no Fasano. Trata-se da casa de pasto mais cara da capital paulista. Mas a grana não descerá à caixa registradora. Vai para o Instituto São Paulo de Política Pública, uma instituição constituída para divulgar os feitos de Marta. A ex-prefeita espera amealhar pelo menos R$ 250 mil. Diz-se que Antonio Palocci já confirmou presença. A amiga não há de exigir-lhe R$ 2.500 pela boquinha.
Escrito por Josias de Souza às 08h15
Periodista Digital
- JB: Procurador livra Valério de prisão pela segunda vez
- Folha: Processos de cassação ficam para 2006
- Estadão: Superávit já não é intocável, indica Dilma
- Globo: 'Mais orgulhoso', Lula diz que PT precisa aprender a apanhar
- Correio: Turma do mensalão ganha bônus de Natal
Leia os principais destaques de capa dos jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h36
Os humores do tempo
Lula Marques/Folha Imagem
Política, ensinava Magalhães Pinto, a velha raposa felpuda de Minas, é como nuvem. No momento, Lula torce para que os ventos levem para longe as nuvens turvas que pairam sobre o Planalto há quase seis meses. Nesta quarta-feira, porém, o repórter Lula Marques traduziu em foto os humores do tempo. Os céus parecem tentados a aderir às causas oposicionistas. Para complicar, a depender da previsão do tempo, os ares de Brasília continuarão conspurcados por “muitas nuvens”.
Escrito por Josias de Souza às 01h26
Sérgio Lima/Folha Imagem
Horas depois de ter afirmado, em entrevista a emissoras de rádio, que agora está “mais orgulhoso” de ser petista, Lula investiu contra uma tese cara ao seu partido. Deu-se durante a solenidade de posse do novo presidente do PSB, o deputado Eduardo Campos (PE). Lula compareceu ao evento acompanhado do vice José Alencar (foto).
O presidente criticou a verticalização partidária. Uma regra que meio Congresso quer alterar e que o PT luta para preservar. “A verticalização não é minha paixão”, disse Lula. “Eu acho que casamento tem que ser por amor, não pode ser obrigatório. As pessoas casam quando querem casar.”
A verticalização é aquele princípio que obriga os partidos a repetirem nos Estados a mesma coligação partidária feita em âmbito federal. A mudança da regra está em discussão no Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 01h03
Antonio Palocci experimentou nesta quarta-feira duas sensações bem distintas. Foi do céu ao inferno no intervalo de poucas horas. Pela manhã, o ministro da Fazenda festejou o fracasso da tentativa do presidente da CPI do Fim do Mundo (Bingos), Efraim Morais, de impor pelo voto a sua convocação. À tarde, lamentou o depoimento de um amigo na mesma comissão.
O empresário Roberto Colnaghi deixou Palocci em maus lençóis. Revelou que o ministro viajou em seu jatinho particular em pelo menos três ocasiões. Aquele mesmo avião que foi usado para transportar as caixas de bebida que supostamente continham dólares vindos de Cuba para a campanha presidencial de Lula em 2002.
Duas das viagens de Palocci ocorreram depois que ele já exercia o cargo de Ministro da Fazenda. Um acinte, se for considerado o detalhe de que ministros dispõem de uma frota de jatinhos da Força Aérea Brasileira para os seus deslocamentos.
As declarações de Colnaghi desmentem uma nota oficial que fora divulgada por Palocci no mês passado, quando o Cubagate veio à tona. O ministro sustentara que jamais se utilizara do avião do empresário nos anos de 2003 e 2004, quando já se encontrava acomodado na Esplanada dos Ministérios.
Escrito por Josias de Souza às 00h36
Aqui se revelou há dois dias que o prefeito de São Paulo, José Serra, iniciara uma articulação para acabar com o instituto da reeleição. O objetivo de Serra é atrair para sua candidatura presidencial a simpatia do governador Aécio Neves (Minas). Pois a pregação de Serra parece que começou a surtir efeito.
Nesta quarta-feira, de passagem pela Câmara, Aécio fez coro a favor do fim da reeleição. Admitiu que o seu partido (PSDB) pode ter cometido um erro ao propor, em 97, a emenda que permitiu ao então presidente Fernando Henrique Cardoso disputar um segundo mandato.
A exemplo de Serra, Aécio defendeu que o mandato presidencial seja de cinco anos, e não mais de quatro, como previsto na Constiuição. O que o governador não disse é que, aprovada a mudança, ele será um dos principais beneficiários.
Bem-posto nas pesquisas, Aécio é visto por todos como virtual governador reeleito de Minas. Eliminada a reeleição, poderia concorrer ao Planalto em 2010 ou 2011 sem correr o risco de ter como adversário o sucessor de Lula. É precisamente o que defende Serra no seu esforço para isolar o governador Geraldo Alckmin (São Paulo) na briga interna pela definição do candidato do PSDB à presidência.
Também como previra Serra em seus diálogos privados, Aécio enxerga grandes perspectivas de atrair Lula para a tese. O governador mineiro contou que, na última conversa que teve com o presidente, dias atrás, ambos reconheceram que a experiência da reeleição não foi boa para o país.
Em entrevista a emissoras de rádio, na manhã desta quarta, Lula voltou a lembrar que foi contra a reeleição desde o início. Ou seja, vai se formando, devagarinho, um consenso em torno do fim da reeleição. Se a articulação vingar, Lula será último presidente a desfrutar do privilégio de disputar um segundo mandato consecutivo.
Escrito por Josias de Souza às 00h14
Marcos Valério de Souza livrou-se pela segunda vez da cana. Nesta quarta-feira, a CPI dos Correios pediu à Polícia Federal que formulasse um pedido de encarceramento do provedor das arcas espúrias do PT.
Porém, antes mesmo de receber a petição, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, declarou que não tem a menor intenção de acatar a solicitação. Não vê nem “motivos” nem “elementos” para pedir ao STF a prisão preventiva de Marcos Valério.
Acompanhado do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR) visitaram Luiz Flávio Zampronha, o delegado da Polícia Federal que conduz o inquérito do mensalão. Encomendaram a prisão de Valério, sob o argumento de que ele estaria atrapalhando os trabalhos da comissão.
O delegado Zampronha, que já tivera uma primeira solicitação idêntica negada pelo Ministério Público, disse aos dois parlamentares que tinha elementos para formular um novo pedido. Mas o procurador-geral matou a iniciativa no nascedouro.
“Essa questão de tem de prender, tem de prender, acaba por criar clima ruim para a condução do inquérito. A sugestão da CPI nesse caso não importa, é irrelevante”, disse Antonio Fernando de Sousa.
Escrito por Josias de Souza às 23h46
Busto da Justiça
O deputado cassado José Dirceu (PT-SP) autorizou seu advogado a formular um novo recurso ao STF, para tentar reaver o mandato. Na entrevista que dera na semana passada, após a cassação, o ex-chefe da Casa Civil dissera que não recorreria mais ao Judiciário. Pois está a um passo de mudar de idéia.
Com o consentimento de Dirceu, o advogado José Luiz Oliveira Lima já contatou três juristas de renome. Os nomes são mantidos em sigilo. Redigirão pareceres sustentando a tese de que a sessão da Câmara que cassou Dirceu violou direitos constitucionais do ex-ministro.
Até o último final de semana, Dirceu mantinha o firme propósito de evitar um novo recurso ao Supremo. Entre o sábado e o domingo, porém, trocou três telefonemas com Oliveira Lima. O advogado argumentou que há fortes argumentos jurídicos para fundamentar um mandado de segurança pedindo a anulação da sessão da Câmara.
Dirceu pediu prazo ao advogado. Disse que consultaria algumas pessoas. Na última segunda-feira, voou de São Paulo para Brasília. E, em novo telefonema a Oliveira Lima, autorizou-o a fazer contato com os juristas e a elaborar o novo recurso.
Pela lei, Dirceu tem um prazo de 180 dias para protocolar o novo recurso no STF. A tendência é a de que mantenha o suspense por mais algumas semanas. Até lá, vai analisar os pareceres encomendados e a petição de Oliveira Lima. Deseja também fazer novas consultas. Há hoje uma forte tendência de que o ex-ministro siga o conselho de seu advogado.
São três as principais teses jurídicas que serão sustentadas no novo recurso, em fase de preparação:
1. Ao autorizar a Câmara a dar seqüência ao julgamento de Dirceu, o STF ordenou que fosse retirado do processo contra o então deputado um dos depoimentos que haviam sido colhidos pelo Conselho de Ética: o da presidente do Banco Rural Kátia Rabelo. O relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), teve de refazer o seu relatório. Oliveira Lima sustenta que o novo texto deveria ter sido publicado no Diário do Congresso. E a defesa disporia de duas sessões para preparar a sustentação oral que faria no plenário. Nada disso foi feito. O julgamento se deu no mesmo dia da decisão do Supremo. E o advogado se recusou a fazer a defesa de seu cliente. Só Dirceu discursou;
2. A representação que deu origem ao processo contra Dirceu, formulada pelo PTB, acusava-o de ser o mentor de um esquema de compra de votos de parlamentares que, em troca, votariam projetos de interesse do governo. Segundo Oliveira Lima, o relatório que motivou a cassação contém acusações diferentes daquelas formuladas pelo PTB. Em linguagem jurídica, não haveria “nexo causal” entre a petição inicial do partido do acusador Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o relatório de Júlio Delgado. Algo que seria vedado pelo Código de Processo Civil;
3. No processo que motivou a cassação de Roberto Jefferson, o relator Jairo Carneiro (PFL-BA) sustentou que o ex-deputado não conseguiu provar a existência do mensalão. No relatório de Júlio Delgado, ao contrário, sustentou-se que o mensalão existiu. Para Oliveira Lima, os pareceres de Carneiro e Delgado, aprovados pelo mesmo Conselho de Ética, se anulam.
José Dirceu está em Brasília. Continua ocupando o apartamento funcional de deputado. Tem 60 dias para devolvê-lo à Câmara. Nesta quinta-feira, ele voa para o Rio de Janeiro. Vai encontrar-se com o escritor Fernando Morais. Os dois ficarão juntos pelos próximos dez dias. Gravarão os diálogos que servirão de base para o livro "Trinta Meses", um relato da experiência de poder de Dirceu, da eleição de Lula à cassação.
Escrito por Josias de Souza às 23h10
O STF manteve nesta quarta-feira a sentença da Justiça Eleitoral que cassou o mandato do deputado Ronivon Santiago (PMDB-AC). A decisão obriga a mesa da Câmara a despachar Ronivon de volta para o Acre.
Ronivon é aquele deputado que renunciara em 97 depois de ter admitido, em diálogo gravado, que recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição de FHC. Ele voltou à Câmara em 2002. E teve o mandato cassado sob a acusação, veja você, de compra de votos de eleitores.
O Supremo interveio no caso porque a Câmara vem se esquivando de cumprir a decisão da Justiça eleitoral. Ansioso para assumir uma cadeira na Câmara, o suplemente ingressou com recurso no STF. Daí a decisão de hoje.
Chama-se Chicão Brígido (PMDB-AC) o suplente. Assim como Ronivon, ele já esteve na Câmara. Renunciou, não custa lembrar, também para fugir da cassação. Foi pilhado no mesmo caso de compra de votos em favor da reeleição de FHC. Ou seja, sai um e entra o outro. Mas a taxa de (a)moralidade da Câmara não se altera.
Escrito por Josias de Souza às 22h32
Luiz Gushiken, ex-chefe da Secom, enviou para o signatário do blog uma nota em que comenta o depoimento de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, que terminou há pouco na CPI dos Correios. Leia abaixo a íntegra da manifestação de Gushiken:
“Lamento que, no afã de apresentar resultados, alguns parlamentares buscam, sem amparo na fala do depoente, envolver o meu nome em atos fora da alçada legal da Secom e sobre os quais prestei amplos esclarecimentos no plenário da própria CPMI e em entrevistas para a imprensa.
Para que não fiquem dúvidas em relação ao depoimento do Sr. Henrique Pizzolato, hoje na CPMI dos Correios, afirmo, de forma cabal e peremptória, que jamais sugeri, jamais soube ou tomei qualquer decisão sobre antecipação de recursos para a DNA ou qualquer outra agência de publicidade, sejam financiados, ou não, por recursos da Visanet ou de qualquer outra empresa coligada do Banco do Brasil.
Toda orientação que a Secom expressou foi a de que as campanhas de publicidade que tivessem a marca Banco do Brasil, ou de outra estatal ou entidade federal, fossem encaminhadas para a Secom para serem aprovadas do
ponto de vista do conteúdo, com o objetivo de assegurar a unidade da comunicação e a sintonia com as políticas públicas do Governo Federal. Essa é uma exigência legal e com base nessa legislação o relacionamento da Secom
com as áreas de comunicação do Sistema de Comunicação do Poder Executivo Federal é rotineiro, o que não comporta nenhuma ilação de má-fé ou suspeições.”
Luiz Gushiken
Núcleo de Assuntos Estratégicos - NAE
Brasília (DF), 07/12/2005
Escrito por Josias de Souza às 19h36
O petista Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, continua complicando a situação de Luiz Gushiken. Pior: já arrasta até o presidente Lula para a cena da CPI dos Correios, onde continua prestando depoimento.
Pizzolato, um funcionário de carreira do Banco do Brasil, disse ter tido um encontro com Lula durante a campanha eleitoral de 2002. O então candidato teria lhe perguntado sobre suas pretensões no banco.
Depois da eleição, informou Pizzolato à CPI, recebeu um telefonema de Cássio Casseb, então presidente do BB, convidando-o para o posto de diretor de Marketing. A influência de seus amigos no PT ajudaram?, questionou Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP). E Pizzolato:
“É provável. Mas acredito que o processo de escolha se deveu basicamente às restrições que o cargo oferecia. Exigia que fosse funcionário de carreira do banco, que tivesse algum conhecimento. Aí, talvez, tenha se afunilando no meu nome.”
Pizzolato disse que não considerou a nomeação para a diretoria de Marketing do BB como um prêmio, mas como “um sacrifício”. Disse que, sob Fernando Henrique Cardoso, desempenhou funções mais prestigiosas, como conselheiro do Banco. “Eu ocupava um gabinete e tinha onze assessores.”
Além do contato com Lula, Pizzolato acabou admitindo que desfrutava da intimidade de Gushiken. Há pouco, ele dissera à CPI que tinha “relações formais” com o ex-chefe da Secom. Mas, inquirido por Pannunzio, reconheceu que chegou mesmo a dividir um apartamento com Gushiken por cerca de seis meses, na época em que o ex-titular da Secom era deputado federal.
Pizzolato disse ter conhecido Gushiken, hoje acomodado numa assessoria de Lula, sem status de ministro, na época de militância no movimento sindical. Na seqüência do questionamento, o ex-diretor do Banco do Brasil disse que desconhecia as relações promíscuas do PT com Marcos Valério.
Pannunzio, então, perguntou: “O sr. foi usado?” E Pizzolato: “Tudo indica que eu fui um inocente útil.” O depoimento prossegue.
Escrito por Josias de Souza às 18h30
Desabafo que acaba de ser preferido, com a voz embargada, por Henrique Pizolatto, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, em depoimento na CPI dos Correios:
"Prefiro ser torturado no pau de arara a passar o que estou passando. Nesse tipo de tortura, sei que vou sofrer por 15 minutos, meia hora, uma hora. O que estou passando agora é uma tortura constante. Não quero que nenhum ser humano passe pelo que eu estou passando. É um calvário, é um inferno, é um purgatório. Está sendo muito difícil segurar essa barra. Não consigo descer o elevador do meu prédio. Peço a Deus que seja feita justiça. Nao quero mais nada da vida. Quero que um dia as pessoas reconheçam que foram precipitadas."
Escrito por Josias de Souza às 17h40
Lula está operando nos bastidores para evitar a convocação extraordinária do Congresso. Avalia que, numa conjuntura envenenada pelas investigações que tisnam o PT e o governo, a presença de parlamentares em Brasília no período do recesso –23 de dezembro a 15 de fevereiro- não interessa ao Planalto.
A convocação vem sendo defendida pelo presidente da Comissão de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). Ele alega que a suspensão do recesso é indispensável para apressar a tramitação dos 12 processos de cassação de mandatos parlamentares ainda pendentes de julgamento.
Ouvido, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo deu declarações que vão na linha do desejo do governo. Disse que prefere interromper os trabalhos do Conselho de Ética a convocar o Congresso. O que jogará para o próximo ano a tramitação da maioria dos processos.
Lula ordenou ao ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) que articule para assegurar a manutenção do recesso. Em reunião com parlamentares na noite passada, convocada para discutir a pauta de votações do Congresso, Wagner foi explícito. Disse que o governo não concorda com a convocação extraordinária. Ou seja, o Congresso deve mesmo entrar em recesso na data marcada.
Escrito por Josias de Souza às 17h12
Antonio Palocci venceu a queda-de-braço com a CPI do Fim do Mundo (Bingos). O presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), prometera levar a voto nesta quarta o requerimento de convocação do ministro da Fazenda. Pressentindo uma derrota de oito votos contra seis, Efraim amarelou.
Tenta-se agora agendar o depoimento de Palocci para a próxima terça-feira, como convidado. O ministro ainda não disse se concorda. Continua achando que o melhor seria jogar o comparecimento na CPI para o ano que vem. Seja como for, seu comparececimento, se ocorrer, não será na condição de convocado, como desejava Efraim.
Escrito por Josias de Souza às 16h33
Josué Gomes da Silva, filho do vice-presidente José Alencar e presidente da empresa da família, a Coteminas, realiza hoje um périplo pelo Congresso. Conversa com lideranças partidárias. Pretende encontrar-se também com a direção da CPI dos Correios. Planeja também comparecer espontaneamente à Polícia federal ainda nesta quarta.
Gomes da Silva está munido de documentos que, segundo diz, comprovam que o depósito de R$ 1 milhão recebido do PT está devidamente escriturado nos livros da Coteminas. “Se o PT tem caixa dois, nós só temos caixa um”, disse ele.
Em entrevista, José Alencar ecoou o filho: “A Coteminas não tem caixa dois”. O vice-presidente, porém, não se julga traído pelo PT. “O PT não me traiu. Tudo o que atinge o PT me atinge também”, disse. “Não fui eleito para o cargo de vice. Ninguém vota no vice. Fui eleito pelo PT”.
Escrito por Josias de Souza às 16h19
Lula Marques/Folha Imagem
O depoimento de Henrique Pizolatto à CPI dos Correios, ainda em curso, vai complicando a situação de Luiz Gushiken, assessor e amigo de Lula. Respondendo a perguntas formuladas por César Borges (PFL-BA), o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil reafirmou que recebeu ordens expressas de Gushiken para antecipar um pagamentos relativos a um contrato Visanet/BB para a DNA, agência que tinha Marcos Valério como sócio.
Pizzolato já havia feito essa declaração em entrevista à revista Isto É Dinheiro. Em resposta, Gushiken o chamara de “metiroso”. Pois ele acaba de reiterar a “mentira” diante dos parlamentares da CPI. “E o ministro sabia que esse dinheiro era repassado para o caixa dois do PT?”, perguntou César Borges. “Eu não tenho esse tipo de informação”, esquivou-se Pizzolato.
O ex-diretor de Marketing voltou a complicar Gushiken ao informar que se reunia regularmente com o amigo de Lula no Planalto, na época em que ele comandava a Secom (Secretaria de Comunicação do Governo). Em depoimento à CPI, Gushiken dissera que não controlava os gastos publicitários de estatais.
“Minha relação com o ministro (Gushiken) era formal. Tínhamos reuniões periódicas, algumas com a participação do ministro. Outras, de seus assessores. O ministro recebia mensalmente informações de acompanhamento e uma planilha de todos os gastos realizados com o orçamento do banco e com os recursos da Visanet.”
Eduardo Paes (PSDB-RJ), inquiridor que se seguiu a Cesar Borges, voltou a questionar Pizzolato a respeito da interferência de Gushiken na liberação do pagamento à agência de Valério. E o petista: "Ele me disse que era para assinar a nota."
Só para recordar, Pizzolato aposentou-se do Banco do Brasil, a toque de caixa, depois que se descobriu que recebera R$ 326 mil em verbas espúrias providas por Marcos Valério. Foi ele também quem organizou, com verbas do BB, o show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano que se destinava a angariar recursos para a construção de uma nova sede para o PT.
Escrito por Josias de Souza às 15h24
O petista Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, está depondo neste momento na CPI dos Correios. O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) apertou-o para que revelasse quem autorizou repasses de recursos da Visanet para a DNA, aquela agência de Marcos Valério. Serraglio refere-se especificamente a dois montantes: R$ 23 milhões e R$ 35 milhões.
Pizolatto comporta-se como peixe ensaboado. Escorrega daqui, desliza dali, vai se esquivando. Alega que não era a sua diretoria que controlava a liberação da grana. O assunto era conduzido por um conselho integrado por representantes da Visanet e do Banco do Brasil.
Serraglio pediu a Pizolatto que especificasse as campanhas realizadas com a verba. O petista mencionou algumas, entre elas o patrocínio de um torneio de tênis na Costa do Suaípe, no litoral baiano; de duplas de vôlei de praia -Shelda e Adriana e Ricardo e Emanuel-, além de outros "atletas olímpicos", cujos nomes não declinou.
Já meteram a empresa do vice-presidente da República na encrenca. Agora, arrastam os pobres atletas. Só a menção do nome numa reunião de CPI já representa um constrangimento inaudito.
Escrito por Josias de Souza às 14h57
Em nova entrevista a emissoras de rádio, Lula defendeu a política econômica do governo e a idoneidade de José Dirceu (PT-SP). Disse que levaria o ex-chefão da Casa Civil para o seu palanque. “Ele não cometeu nenhum delito”.
Sobre economia: "Estamos vivendo um círculo muito virtuoso na economia brasileira." E especificamente sobre os juros: "Você não pensa que o Palocci quer juros mais baixos? Você não pensa que o Meirelles quer juros mais baixos? Que eu não quero? É logico que eu quero. Mas essas coisas não serão decididas em função de um ano eleitoral."
Assim como Palocci, Meirelles e Lula, o signatária do blog também quer. E você, não quer? Pressione aqui para ler mais sobre a entrevista.
Escrito por Josias de Souza às 12h13
A CPI dos Correios encaminhou à PF um pedido de prisão de Marcos Valério. "Estamos preocupados com a movimentação do Marcos Valério. Estamos pedindo providências mais enérgicas", disse Osmar Serraglio (PMDB-PR), presidente da comissão. "Ele atrapalha a investigação e isso precisa ser estancado. Uma das formas é a detenção dele".
Escrito por Josias de Souza às 11h56
A Câmara aprovou a prorrogação, por 90 dias, dos 12 processos de cassação ainda pendentes de julgamento. "É uma prorrogação preventiva, porque o prazo da maioria deles terminaria em 17 de janeiro", explicou o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), à Folha (para assinantes).
Com isso, abriu-se o debate sobre a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso no recesso parlamentar, de 23 de dezembro a 15 de fevereiro. Se houver convocação, cada um dos 594 deputados e senadores vai receber dois salários a mais: R$ 25.694,40.
Escrito por Josias de Souza às 08h40
Periodista Digital
- JB: Rombo chega a R$ 729 milhões
- Folha: Delúbio afirma que 'valerioduto' pagou empresa de Alencar
- Estadão: Ipea reduz para 2,3% previsão para o PIB
- Globo: Delúbio diz que dinheiro para empresa do vice era de Valério
- Correio: O vai-não-vai da economia
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 08h26
Um diagnóstico dos movimentos sociais constata que Lula deixou de cumprir as suas principais promessas. A crítica consta do “Relatório Direitos Humanos no Brasil 2005”, divulgado nesta terça. Trata de temas caros ao petismo: combate à fome, reforma agrária, alfabetização, política indígena, habitação urbana e geração de empregos, por exemplo.
O documento anota que não há mais tempo para reverter o quadro. E prevê que o governo Lula deixará como legado para o presidente que irá assumir em 2007, seja ele quem for, uma situação explosiva. Como contraponto, registraram-se avanços apenas no combate ao trabalho escravo. Endossam o documento movimentos sociais simpáticos a Lula e ao PT, entre eles o MST. O governo rebate as críticas.
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Antonio Palocci discou nesta terça para o presidente da CPI do Fim do Mundo (Bingos), Efraim Morais (PFL-PB). Em nome da preservação da tranqüilidade da economia, propôs que seu depoimento à comissão fosse protelado para o ano da graça de 2006. A sugestão melou a negociação para que o ministro da Fazenda comparecesse à CPI na condição de convidado.
Rechaçando a proposta de adiamento, que lhe soou imprópria, Efraim prometeu pôr em votação nesta quarta o requerimento de convocação de Palocci. Para vencer no voto, o governo, minoritário na CPI, depende da boa vontade de parlamentares oposicionistas.
Escrito por Josias de Souza às 01h20
O dinheiro de caixa dois (R$ 1 milhão) que pingou numa conta bancária da Coteminas saiu das arcas espúrias fornidas pelo empresário Marcos Valério. Palavra de Delúbio Soares.
É a segunda versão que Delúbio dá para o caso em três dias. Antes, dissera que a verba era legal e estava contabilizada na escrituração do PT. Desmentido pelo partido, Delúbio viu-se forçado a reconhecer na nota que divulgou nesta terça-feira:
“Quando perguntado sobre esse pagamento, lembrei-me de sua ocorrência, mas me equivoquei, achando que tinha sido feito com recursos contabilizados. Na verdade o pagamento foi feito em espécie, com dinheiro que tinha origem nos empréstimos feitos por Marcos Valério ao PT. Trata-se do valor que, daqueles empréstimos, foi reservado para despesas do diretório nacional do partido”.
Os empréstimos a que se refere o ex-gestor da tesouraria petista são aqueles mesmos que a CPI dos Correios suspeita terem sido forjados, para ocultar supostos repasses obtidos em contratos governamentais.
Tem-se, portanto, mais um episódio inusitado: o partido do presidente da República repassou à empresa do vice-presidente da República verbas de origem confessadamente ilegal. Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas e filho de José Alencar, diz que o depósito, feito em moeda sonante, é "coisa normal". Durma-se com uma algazarra dessas.
Escrito por Josias de Souza às 00h51
No mesmo dia em que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, condenou, em discurso enfático, os críticos da política monetária, Lula voltou a admitir a possibilidade de promover adaptações na economia. Deu-se depois de uma cerimônia no Planalto. Acercando-se do presidente, uma repórter lhe perguntou se vai mesmo haver ajustes econômicos. Lula foi curto e enfático: “Vai, vai...”
Mais tarde, diante do alvoroço que a declaração provocou, a assessoria de imprensa de Lula esclareceu que o chefe se referia a ajustes naturais. O PIB, por exemplo, já estaria crescendo no quarto trimestre do ano, depois de uma queda de 1,2% no terceiro trimestre. Ah, bom!
Escrito por Josias de Souza às 00h39
Luiz Inácio Lula da Silva marcou a data para oficializar a sua candidatura a um segundo mandato na presidência da República. Será entre o fim de fevereiro e início de março de 2006. O presidente decidiu também acelerar as consultas para a composição de um staff de campanha e deslanchar a costura da aliança partidária a ser formada em torno do PT.
Em diálogo com um ministro ouvido pelo blog, Lula demonstrou preocupação com a desarticulação de sua candidatura. Mostrou-se surpreso com a antecipação do debate eleitoral. Espantou-se com o noticiário sobre a movimentação daquele que considera seu principal adversário na eleição de 2006: o tucano José Serra.
Lula avalia que, diferentemente de Serra, que já detalha os entendimentos para uma aliança estratégica com o PFL, ele está longe de dispor de um consórcio partidário capaz de dar solidez à sua candidatura. Não sabe nem mesmo se irá contar com as legendas tisnadas pelo escândalo do mensalão: PL, PP e PTB. De certo mesmo, conta por ora com o inexpressivo PC do B, aliado de todas as horas.
O presidente revelou o desejo de atrair para a sua campanha o PMDB. Dispõe-se a entregar ao partido a vaga de vice em sua chapa. Mas reconhece que a idéia não encontra amparo na realidade. Com prévias marcadas para março, o PMDB caminha para uma candidatura própria. Pior: uma ala do partido já ensaia uma composição com Serra num eventual segundo turno.
Para complicar, o diálogo com a cúpula governista do PMDB encontra-se interditado por uma picuinha. Envolve a nomeação do cearense Paulo Lustosa para a direção da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Lustosa é apadrinhado de dois caciques do PMDB: os senadores Renan Calheiros (AL), presidente do Congresso, e José Sarney (AP).
Há cerca de dois meses Lula prometeu que nomearia Lustosa, temporariamente acomodado na presidência da Funasa (Fundação Nacional da Saúde). E, até agora, nada. A demora irrita especialmente Renan. O pior é que a principal resistência a Lustosa está no interior do próprio PMDB. Representante do partido na Esplanada, o ministro Hélio Costa (Comunicações) armou barricadas contra a nomeação.
Lula está aborrecido com outra pendenga conjuntural que o afasta do PMDB. Refere-se à proposta que prevê o fim da verticalização partidária, que obriga as legendas a reproduzirem nos Estados a mesma coligação feita no plano nacional. O PMDB é um dos maiores defensores da eliminação da regra. O PT é contra. O que, na opinião de Lula, reflete uma miopia estratégica de seu partido.
Outro problema de Lula é a dificuldade para compor uma equipe de campanha. Ainda não encontrou uma pessoa para substituir o deputado cassado José Dirceu (PT-SP), coordenador da campanha de 2002. Pensou em Luiz Gushiken. Mas foi desaconselhado. Argumentou-se que a situação de Gushiken, personagem da CPI dos Correios, pode se complicar com o avanço das apurações em torno dos fundos de pensão de estatais.
Outro nome que veio à cabeça de Lula foi o de Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT. Gostaria, porém, de entregar a coordenação da campanha a alguém desvinculado da estrutura partidária. O presidente procura também uma pessoa “acima de qualquer suspeita” que possa desempenhar a função de tesoureiro. Não há nome definido. Há apenas um perfil tido como “ideal”: o de um empresário.
Escrito por Josias de Souza às 00h15
A Mazda Motor Corporation, quarta maior fabricante de automóveis do Japão, sediada em Hiroshima, ofereceu um prêmio inusitado aos seus 20 mil funcionários. Vai pagar um adicional de salário àqueles que se dispuserem a ir ao trabalho a pé.
O alvo principal é o contingente que mora a dois quilômetros do trabalho. Se toparem caminhar quatro quilômetros diários durante pelo menos 15 dias, vão embolsar US$ 12. Os funcionários que forem trabalhar de ônibus ou de trem também podem se credenciar ao adicional, desde que andem uma distância equivalente.
A providência é admirável, sobretudo partindo de uma companhia fabricante de carros. O diabo é que US$ 12 equivale a cerca de R$ 30. É menos do que os trocados oferecidos pelo bolsa família. Você toparia deixar o carro em casa por essa bagatela?
Escrito por Josias de Souza às 23h10
A propósito da reunião da Organização do Comércio que se realiza neste mês em Hong Kong, Foreign Affairs preparou uma edição especial, exclusiva para internet, com artigos de especialistas na matéria. É leitura obrigatória, imperdível mesmo, para quem deseja entender a encrenca que se avizinha. Infelizmente, os textos foram escritos na língua inglesa.
Escrito por Josias de Souza às 22h39
Menos de dois meses depois de ter sido editada, a resolução que fixou prazo de 90 dias para a demissão de parentes de juízes e desembargadores já foi flexibilizada. Em reunião realizada nesta terça-feira, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) abriu várias brechas que, na prática, conservam o nepotismo em inúmeros casos.
Uma das exceções mantém na folha de salários do Judiciário, por exemplo, os ex-cônjuges nomeados durante o casamento. Ou seja, se um magistrado ou magistrada nomeou o marido ou a mulher para sua assessoria, poderá manter a nomeação se tiver se separado. Em tese, abre-se o caminho para separações de fachada.
Conheça abaixo outras “janelas” abertas pelo CNJ:
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Parentes contratados por meio de empresas que prestam serviços a tribunais de Justiça não precisam ser demitidos imediatamente. Só ao final dos contratos. Há casos em que os contratos têm cinco anos de vigência. A tática de contratar parentes por meio de firmas terceirizadas é usual nos tribunais;
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Não precisarão ser afastados também os maridos ou mulheres de juízes e desembargadores que tenham sido nomeados sem concurso antes do casamento;
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Salvaram-se ainda os parentes que entraram no Judiciário pela janela antes da Constituição de 1988. Entendeu-se que a Constituição deu-lhes estabilidade no emprego;
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Por último, manterão o emprego os parentes empregados graças à influência de juízes e desembargadores que já estejam mortos.
A resolução que proíbe o nepotismo no Judiciário foi aprovada no dia 18 de outubro. Estipulava que, a partir da data de sua publicação, os tribunais teriam 90 dias para demitir os parentes abrigados em suas folhas salariais. A publicação ocorreu em 14 de novembro. Portanto, os parentes devem ser exonerados até 13 de fevereiro de 2006.
As brechas abertas nesta terça não estavam previstas no texto original. As mudanças foram provocadas por consultas encaminhadas ao CNJ por duas entidades: o Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho e o Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça.
Abrigam-se sob essas instituições magistrados que resistem em cumprir a determinação do CNJ. Elas questionam a legitimidade do conselho. Alegam que só o Congresso Nacional poderia legislar sobre a matéria.
Escrito por Josias de Souza às 22h00
O Conselho Federal da OAB adiou para o início do ano que vem a conclusão dos trabalhos do grupo que recolhe provas ~que fundamentem um pedido de impeachment contra o presidente Lula. O advogado Orlando Maluf Haddad, coordenador da comissão, disse ao blog que planeja concluir a análise entre o final de fevereiro e o início de março.
Maluf Haddad explicou ao conselho da Ordem que a comissão ainda não reuniu todos os dados de que precisa para formular um eventual pedido de impeachment. Requisitaram-se informações às CPIs dos Correios e dos Bingos e ao Ministério Público.
A CPI dos Correios abriu os seus arquivos para a OAB. O mesmo ainda não foi feito pela comissão dos Bingos. Quanto ao Ministério Público, o procurador-geral Antonio Fernando de Souza ainda não respondeu ao ofício que a Ordem enviou-lhe no dia 16 de novembro.
“Temos autoridade política”, disse Maluf Haddad, “mas não temos poder formal para requisitar documentos. Alguns são sigilosos. Dependemos da boa vontade das instâncias que estão realizando as investigações”.
Suponha que a OAB conclua a sua análise entre fevereiro e março, como previsto. Imagine que a conclusão seja a favor do pedido de impeachment. Nessa hipótese, Lula entrará na campanha presidencial com um pedido de impedimento a rondar-lhe o palanque.
Escrito por Josias de Souza às 18h12
Abrindo a janela
Periodista Digital/Espanha
Você está de saco cheio da crise? Não suporta mais as composições entre Serra e PFL? Não entende de política monetária? Não gostou da lista dos fundos de pensão bichados? Pois o signatário do blog abre aqui uma janela para que você tome uma lufada de ar.
O sítio espanhol Periodista Digiltal divulga nesta terça-feira uma lista diferente daquela que foi apresentada pelo deputado ACM Neto. Traz os nomes das dez atrizes mais bem remuneradas do cinema nos EUA. Foi recolhida pelo Hollywood Reporter. A campeã é Julia Roberts (na foto).
Abaixo, os nomes das top ten, seguidos das cifras que cobram para apor a assinatura num contrato:
1. Julia Roberts: US$ 20 milhões;
2. Nicole Kidman: US$ 17 milhões;
3. Reese Whiterspoon: US$ 15 milhões;
4. Drew Barrymore: US$ 15 milhões;
5. Renee Zellweger: entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões;
6. Angelina Jolie: entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões;
7. Cameron Diaz: entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões;
8. Jodie Foster: US$ 12 milhões;
9. Charlize Theron: US$ 10 milhões;
10. Jennifer Aniston: US$ 9 milhões.
Escrito por Josias de Souza às 17h55
Alan Marques/Folha Imagem
Entre 2000 e 2005 (governos FHC e Lula), os fundos de pensão investigados pela CPI dos Correios amargaram prejuízos de R$ 730 milhões. O mais afetado foi o fundo Prece (da Companhia de Água e Esgotos do Rio de Janeiro), que teve perdas de R$ 309 milhões.
Os dados constam do relatório entregue nesta terça-feira à comissão pelo sub-relator de Fundos de Pensão, Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Embora mencione os prejuízos dos fundos, o documento tem uma fragilidade. Não estabelece uma conexão entre a suposta malversação e o conduto por onde passaram as verbas de má origem que aportaram na tesouraria do PT.
Abaixo, a lista dos fundos que, na visão da CPI, apresentam indícios de fraudes em suas operações:
- Centrus (Banco Central): R$ 2,075 milhões;
- Eletros (Eletrobrás): R$ 3,2 milhões;
- Funcef (Caixa Econômica): R$ 50 milhões;
- Geap (fundação de seguridade social): R$ 24,8 milhões;
- Nucleos (Eletronuclear): R$ 34,6 milhões;
- Petros (Petrobras): R$ 64,8 milhões;
- Portus (antiga Portobrás): R$ 347 mil;
- Postalis (Correios): R$ 41,9 milhões;
- Prece (Cedae, companhia de saneamento do Rio): R$ 309 milhões;
- Real Grandeza (Furnas): R$ 37 milhões;
- Refer (ferroviários): R$ 3 milhões;
- Serpros (Serpro): R$ 4 milhões;
- Sistel (trabalhadores em telecomunicações): R$ 153 milhões.
O relatório de ACM Neto lista também dez corretoras que supostamente deram prejuízos de mais de R$ 1 milhão: Laeta DTVM; Novinvest; Cruzeiro do Sul; Fator Doria Atherino; Bônus-Banval; São Paulo; Click Trade; Planner; Socopa; e Walpires.
“Todos esses prejuízos saíram de operações realizadas no mesmo dia, atípicas e com claro objetivo de causar prejuízo para os fundos e trazer algum benefício para agente privado, corretora ou pessoa física”, disse Eduardo Paes (PSDB-RJ), membro da CPI dos Correios.
Para ter acesso à integra do relatório elaborado por ACM Neto a respeito dos fundos de pensão, visite o blog do jornalista Fernando Rodrigues. Ele colocou lá uma conexão que conduz ao documento.
Escrito por Josias de Souza às 16h46
Lindomar Cruz/ABr
Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, despejou em público, nesta terça-feira, um ressentimento que vem destilando privadamente há semanas. Falando num seminário do BC, em Brasília, Meirelles reclamou do “entorno pouco propício ao bom funcionamento da política monetária”.
Meirelles lamentou que a estratégia monetária do governo venha sendo alvo de “ataques contínuos” a despeito de ter logrado manter a inflação em queda por três anos seguidos. Disse que as críticas abalam a credibilidade da política em curso. E podem conduzir a uma encruzilhada perversa: para obter “os mesmos resultados” no combate à inflação, pode ser necessário impor “maiores esforços”.
O curioso é que, no momento, o principal crítico da política que Meirelles defende se chama Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente reconheceu publicamente que é preciso ajustar a dosagem da política monetária. Está convencido de que a o nível dos juros impostos pela equipe do Banco Central foi exagerado.
A convicção do presidente foi tonificada com a divulgação dos dados do IBGE que atestaram uma queda de 1,2% do PIB no terceiro trimestre de 2005. Ontem, o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política), disse, após reunião do Conselho Gestor do governo, que Lula convocaria uma reunião ainda nesta semana para discutir “ajustes” na política econômica.
O sentimento de Lula foi bem traduzido pelo seu amigo Guido Mantega, presidente do BNDES. Em entrevista publicada na Folha do último domingo, Mantega culpou o BC pela queda do PIB. Por ordem de Meirelles, divulgou-se uma nota lamentando que “integrantes do governo utilizem a imprensa para criticar políticas do próprio governo”.
No discurso desta terça, Meirelles disse que as críticas à política de juros ocorrem em “duas frentes”. A primeira se materializa na forma de uma "eterna especulação sobre a real convicção do governo no sentido de apoiar os esforços do BC para controlar a inflação". A segunda se traduz numa visão de que a política monetária no Brasil é ineficaz. As duas vertentes são, na opinião do presidente do BC, negadas pelos fatos.
Em vez de criticar, disse Meirelles, o país deveria estar “celebrando” as “conquistas” obtidas no controle da inflação. Lamentou que estejam sendo utilizados “os mesmos argumentos do passado para minar a credibilidade da política monetária” atual. Meirelles fez uma defesa enfática da meta de inflação de 5,1% fixada pelo BC. Disse que, sem ela, o controle inflacionário teria sido dificultado.
O que Meirelles se eximiu de dizer no discurso foi o fato de que os críticos mais incômodos à política que ele defende estão no interior do governo. Além de Lula e Mantega, há pelo menos outras duas vozes divergentes. Uma é mais notória: a do vice-presidente José Alencar. Outra é mais discreta: a do líder do governo no Senado, o economista Aloizio Mercadante (SP).
Como se fosse pouco, o Ipea, instituto vinculado ao Ministério do Planejamento, revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia neste ano. A estimativa caiu de 3,5% para só 2,3%.
Escrito por Josias de Souza às 15h33
Alan Marques/Folha Imagem
Deu-se em janeiro de 2003, no limiar da era petista. A jornalista Mara Gabrilli (na foto), filha do empresário do setor de ônibus urbanos Luiz Alberto Ângelo Gabrielli, esteve no apartamento dos Lula da Silva em São Bernardo. Foi recebida pelo próprio Lula e pela mulher dele, Marisa. Conversaram por 40 minutos.
Mara contou a um Lula recém-empossado na presidência sobre a existência de um esquema de cobrança de propinas na prefeitura de Santo André, durante a gestão do petista assassinado Celso Daniel. Seu pai, contou ela ao presidente, fora um dos achacados.
O contato com Lula foi relatado por Mara Gabrilli, nesta terça-feira, em depoimento à CPI do Fim do Mundo (Bingos). Ela disse ter sido muito bem recebida. Contou que o presidente lhe fez “muitas perguntas”. Prometeu “tomar providências”. E disse que, depois, faria novo contato. “Mas ele nunca me procurou”, lamentou Mara aos senadores, num depoimento em que foi às lágrimas.
Ou seja, essa o Lula sabia. Mas preferiu fingir-se de morto.
Escrito por Josias de Souza às 14h17
O PFL deu um ultimato a Antonio Palocci. Se o ministro quiser comparecer à CPI do Fim do Mundo (Bingos) como convidado, convém interromper o esconde-esconde. Há dias o presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB) tenta fazer contato com Palocci. E nada. Ontem, Efraim rodou a baiana. O ministro tem até quinta para informar o dia em que deseja comparecer à CPI. Do contrário, será convocado na marra, anota a Folha de hoje (para assinantes).
Escrito por Josias de Souza às 08h18
- JB: César Maia divide PFL e PSDB
- Folha: Alencar culpa PT por depósito
- Estadão: CPI aponta perda de R$ 400 milhões nos fundos de pensão
- Globo: PT reconhece pagamento ilegal à empresa do vice
Leia os demais destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 08h02
Só faltava essa: “A quadrilha envolvida com o tráfico de cocaína presa no fim de semana na divisa de Tocantins com Pará”, informa o Globo, “usava o avião de um político do PSDB ligado ao grupo do ex-governador Siqueira Campos.”
“A Polícia Federal apreendeu 505 quilos da droga numa pista clandestina às margens do Rio Xingu, no município de Santana do Araguaia. O avião pertence a Misilvan Chavier dos Santos, candidato a prefeito de Tupiratins (TO) pelo PSDB em 2004 e candidato a deputado estadual pelo PSL em 2002. Os dois partidos são ligados à União do Tocantins, comandada por Siqueira Campos e por seu filho, o senador Eduardo Siqueira Campos, ambos do PSDB.”
Escrito por Josias de Souza às 01h09
Deu-se o esperado: o PT admitiu nesta segunda-feira que o depósito de R$ 1 milhão em moeda sonante que entrou numa conta bancária da Coteminas, a empresa do vice-presidente José Alencar, proveio das arcas clandestinas fornidas pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares.
“Não é nada novo. É caixa dois. Tem a ver com as práticas informais da gestão anterior”, disse, sem constrangimentos, Paulo Ferreira, o sucessor de Delúbio na tesouraria petista.
O PT divulgou uma nota (pressione na estrela para ler a íntegra). Em dado trecho, afirma o seguinte: “Não há registro, em nossa contabilidade, do pagamento de R$ 1 milhão à Coteminas em maio deste ano ou de qualquer outro pagamento relativo ao abatimento da referida dívida”. Assinam o documento o tesoureiro Ferreira e o presidente do partido Ricardo Berzoini (SP).
Segundo Berzoini, o débito do PT junto à Coteminas não é de R$ 12 milhões, como chegou a afirmar o presidente da empresa, Josué Gomes da Silva, filho de Alencar. A dívida seria de R$ 11 milhões, supostamente decorrente da compra de camisetas para a campanha municipal de 2004. O partido de Lula propôs à Coteminas um parcelamento do débito em 48 meses.
O envolvimento com a tesouraria petista vai impor constrangimentos ao filho do vice-presidente. Josué terá de depor na Polícia Federal, que decidiu pedir ao STF a quebra do sigilo fiscal e contábil da direção do PT e da Coteminas. Busca-se rastrear a origem do dinheiro. Suspeita-se que o depósito tenha sido feito por Solange Oliveira, ex-secretária de Delúbio.
Escrito por Josias de Souza às 00h42
O procurador da República Bruno Caiado Acioly patrocina uma ação inusitada. Pediu à 10a Vara da Justiça Federal, em Brasília, a quebra do sigilo telefônico de dois jornalistas da revista Veja e de outro do Estadão, para aprofundar investigações do caso Marka-FonteCindam. Ele quer rastrear os telefonemas dos repórteres, para descobrir quem foram as suas fontes. O pedido foi rejeitado.
Nesta segunda-feira, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) lembrou ao procurador uma obviedade: os jornalistas têm direito de preservar a identidade de suas fontes. Um direito inscrito, aliás, na Constituição.
“Sou absolutamente contra”, disse Thomaz Bastos. “O sigilo da fonte está assegurado na Constituição. Isso faz parte de um grande movimento contra o qual temos que reagir. Nos EUA há um problema semelhante, em que jornalistas foram para a cadeia porque se recusaram a revelar suas fontes.”
“É dever da imprensa, dos cidadãos e dos poderes defender a liberdade de imprensa, que tem como condição fundamental proteger o sigilo da fonte”, encerrou o ministro da Justiça.
Escrito por Josias de Souza às 00h22
O governo bateu o martelo: vai liberar R$ 2,1 bilhões em recursos do Orçamento de 2005 para despesas de custeio e investimentos, sendo que R$ 1,1 bilhão será destinado a emendas de parlamentares. A deliberação foi adotada em reunião da Junta Orçamentária, no Planalto.
O governo trava uma corrida contra o relógio. Tenta executar todas as despesas previstas para 2005. A despeito disso, a despesa autorizada ficou bem aquém do que vinha sendo reivindicado pelos ministérios: R$ 7,4 bilhões.
Além dos R$ 2,1 bilhões em gastos autorizados, há mais R$ 700 milhões disponíveis. A aplicação desse adicional ainda não foi decidida. A verba será rateada entre as pastas que exibirem maior capacidade de gasto até o final do ano.
Escrito por Josias de Souza às 00h09
Os dois candidatos mais fortes do PSDB à presidência –o prefeito paulistano José Serra e o governador Geraldo Alckmin (São Paulo)- se encontraram nesta segunda-feira. Deu-se num evento educacional. Foi nítido o mal-estar entre os dois.
Questionado sobre a movimentação de Serra, que já costura alianças para 2006, Alckmin resumiu o seu desconforto numa frase, que soou em tom de irritação:
— O Serra tem dito que não é candidato. Mas eu não posso falar por ele. Perguntem a ele.
Inquirido, o prefeito agradeceu o apoio que recebeu do colega do Rio, Cesar Maia. Serra disse, com um sorriso nos lábios:
— É uma opinião importante do grande administrador da cidade do Rio. É uma opinião pessoal dele, no que se refere a mim. Agradeço os comentários positivos. Isso não significa que tenhamos uma candidatura lançada ou um acordo entre partidos, é coisa de entendimento entre partidos mais adiante.
A intensificação dos movimentos de Serra constrange o PSDB. E a publicidade que se deu às gestões subterrâneas que vem empreendendo com o PFL incomodam também o parceiro.
Na mesma linha de Alckimin, o governador Aécio Neves (Minas), o terceiro presidenciável do PSDB, comentou com certo estranhamento os entendimentos travados por Serra. Ao referir-se ao apoio explícito do pefelista Cesar Maia, Aécio insinuou que ele chega antes do tempo:
— Fica claro que o prefeito Cesar Maia sinaliza que o PFL apoiará uma candidatura do PSDB. Mas ele sabe que há um tempo certo para essa discussão e que caberá ao PSDB escolher seu candidato que, creio, terá o apoio e o mesmo entusiasmo do prefeito, qualquer que seja a decisão.
Escrito por Josias de Souza às 23h52
José Serra está tão certo de que será o candidato oficial do PSDB à presidência da República que já negocia com o PFL a vaga de vice em sua chapa. Comprometeu-se a aceitar o nome que o parceiro indicar. O mais cotado é José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado. Há um segundo nome: Paulo Souto, governador da Bahia. Mas reúne menos chances de emplacar.
Serra negocia também com o PFL a composição dos palanques nos Estados. A eleição para a escolha dos governadores será simultânea à de presidente. O blog apurou que Jorge Bornhausen, presidente do PFL, atribui às composições estaduais a mesma importância que confere à escolha do candidato a vice-presidente.
Convencido de que a composição com uma legenda de grande porte é vital para o êxito de sua campanha, Serra adota um timbre concessivo em suas conversações. Nesta segunda-feira, o prefeito de São Paulo teve de administrar um ruído inesperado.
O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), do grupo serrista, mostrou-se incomodado com o avanço das negociações com o PFL. Disse publicamente que não irá se compor com o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Ao saber das declarações de Jutahy, ACM, abespinhado, telefonou para Serra. Disse ao prefeito que o comportamento de seu correligionário não contribui para os entendimentos. Serra prometeu tomar providências.
Pelo lado do PFL, Bornhausen e o próprio ACM ficaram contrariados com as declarações do prefeito do Rio, Cesar Maia, publicadas neste blog na noite de sábado. Uma semana depois de almoçar com Serra, Maia revelou que abdicará de sua candidatura à presidência em favor do prefeito de São Paulo.
A retirada da candidatura de Cesar Maia já está acertada internamente no PFL. Mas a cúpula pefelista avaliou que, ao tornar pública a decisão, o prefeito do Rio deu à composição com Serra uma aparência de favas contadas que enfraquece o partido na negociação dos detalhes da aliança.
De resto, o generalato pefelista concluiu que a “precipitação” de Cesar Maia deixou no ar a impressão de que o PFL deseja forçar o PSDB a apressar a definição do nome de Serra como candidato tucano. É o que ocorre na prática. Mas os pefelistas acham que não convém explicitar o desejo publicamente.
Numa troca de telefonemas ocorrida no domingo, os líderes do PFL combinaram o seguinte: 1) diriam publicamente que, do ponto de vista do partido, Maia ainda é candidato; 2) se ele desistir, o partido buscará outro nome próprio; 3) a aliança com o PSDB vem em terceiro plano. Na noite do mesmo domingo, Cesar Maia encontrou-se com Bornhausen no Piaui. Foi pressionado a desdizer o que dissera e a reafirmar a candidatura. Nesta segunda, discurou como candidato em evento partidário em Teresina.
São declarações de fachada. Na prática, seguem avançados os entendimentos com Serra. Nas conversas, o prefeito de São Paulo assegura que o PSDB fechará em torno do nome dele.
Serra assegura também que tem o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Justifica a inevitabilidade de sua escolha pela posição que ostenta nas pesquisas de opinião, que o acomodam na condição de único candidato capaz de bater Lula num eventual segundo turno.
A boa colocação nas pesquisas é precisamente o que une Serra ao pragmatismo do PFL. Os pefelistas mantêm também tratativas protocolares com Alckmin e Aécio. Mas informam que não estão dispostos a entrar na campanha para perder.
Escrito por Josias de Souza às 22h20
Além dos entendimentos que mantém com o PFL, José Serra negocia com o PMDB. Seu interlocutor mais freqüente é Michel Temer (SP), presidente da legenda. Moram próximos um do outro, no bairro paulistano de Alto de Pinheiros. O prefeito de São Paulo recolheu das conversas a impressão de que tem chances de obter o apoio do PMDB, mas só num eventual segundo turno das eleições de 2006.
Cindido ao meio, o PMDB divide-se entre a ala governista, que advoga uma composição com o PT de Lula, e o setor oposicionista, que defende a candidatura própria. Temer disse a Serra que o PMDB não abre mão de lançar um candidato. É o único modo de neutralizar os movimentos dos peemedebistas pró-Lula.
A opção pela candidatura própria foi aprovada pela comissão executiva do partido. E, depois, referendada em convenção nacional. Liderados pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), os governistas tentaram anular o resultado da convenção na Justiça. Mas foram derrotados. Agora, o próprio Renan rende-se a tese do candidato próprio, uma opção que defendeu nesta segunda-feira.
Na faria sentido agora, avaliam Temer e seu grupo, fechar um acordo com Serra já para o primeiro turno. Sob pena de desmoralização. Estão abertas, porém, as perspectivas de um acerto no segundo turno, caso a eleição desemboque numa disputa entre Serra e Lula, como insinuam as últimas pesquisas.
Por ora, o PMDB só tem um candidato, Anthony Garotinho, ex-governador do Rio. Não é bem-visto por nenhuma das alas do partido. O blog apurou que o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigoto, informou a Temer que oficializará sua pré-candidatura em janeiro. Disse que está disposto a disputar as prévias partidárias com Garotinho.
Tampouco a candidatura Rigoto empolga o PMDB. O partido tenta viabilizar uma alternativa nova. Segue intenso o assédio ao presidente do STF, ministro Nelson Jobim. Exceto por Garotinho e Rigoto, a alternativa Jobim agrada à maioria dos líderes do PMDB. Imagina-se que há espaço para uma “terceira via” na eleição.
Decidido a cercar todas as frentes, José Serra voou para Brasília há uma semana e meia. Almoçou com Jobim. O ministro disse a ele que, de fato, anda aborrecido com a rotina do STF. Planeja deixar o tribunal até abril. Mas assegurou que não seria candidato a presidente.
Nos contatos com a cúpula do PMDB, Jobim não exprime a mesma certeza. Ao contrário, mantém um suspense providencial. Antes do encontro com Serra, havia almoçado com o governador peemedebista de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Saíram do almoço em dúvida.
Jobim citou para Jarbas e Geddel um raciocínio que disse ter ouvido de seu avô: seja qual for a decisão a tomar, o importante é não se arrepender dela mais tarde. Gaúcho, o ministro disse que, antes de decidir, conversaria com o governador Germano Rigoto. Ficou de dar uma resposta definitiva entre os dias 10 e 15 de dezembro.
Escrito por Josias de Souza às 22h19
Em reuniões privadas e contatos telefônicos mantidos nas últimas semanas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso demonstra uma inclinação pelo nome de José Serra como alternativa presidencial do PSDB para 2006. FHC diz que seu partido deve entrar na campanha “para ganhar”. E dá a entender que o candidato de sua predileção é o mais bem-posto nas pesquisas eleitorais. Ou seja, o prefeito de São Paulo.
FHC referenda os entendimentos que vêm sendo mantidos com o PFL. Avalia que o candidato tucano deve compor em torno de si uma aliança semelhante à que o levou a obter duas vitórias eleitorais, em 94 e 98. Afirma que o tempo de televisão é vital para o êxito da campanha. Daí a necessidade de se unir a outras legendas de grande porte.
Na opinião de FHC, o ideal seria atrair para a aliança também o PMDB. Algo que ele próprio admite ser muito difícil de costurar no momento. Sobretudo por conta do apetite exibido pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho.
Peemedebista mais bem colocado nas pesquisas, Garotinho apressou-se em oficializar a sua pré-candidatura à Presidência. Ao inscrever-se para as prévias, tornou inevitável a candidatura própria. Uma candidatura que o partido anuncia neste momento, em inserções da publicidade partidária na televisão.
Para não melindrar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, FHC continua estimulando-o a intensificar a sua campanha à presidência. O ex-presidente disse a Alckmin que ele precisa reforçar a sua musculatura nas pesquisas de opinião. Privadamente, porém, desdenha da hipótese de que o governador venha a lograr êxito.
O principal aliado de Alckmin dentro do PSDB é o novo presidente da legenda, Tasso Jereissati (CE). Foi empossado em 18 de novembro. Em seguida, viajou para os EUA, para realizar uma bateria de exames médicos. Ainda não teve tempo nem sequer de reunir a comissão executiva do partido. Nas próximas semanas, deve agir para tentar institucionalizar as negociações com outras legendas, hoje conduzidas pessoalmente pelos candidatos.
Tasso e FHC concordam num ponto: acham que Alckmin fez ótima gestão em São Paulo. Mas o ex-presidente acha que a “boa imagem” do governador não se espraiou para o resto do país. Seria um personagem excessivamente preso a São Paulo, em contraposição a Serra, um nome “mais nacional”.
Quanto ao governador Aécio Neves (Minas), outro presidenciável tucano, FHC acha que a vez dele ainda não chegou. Considera mais razoável que se candidato à reeleição em Minas, credenciando-se para disputas futuras.
Escrito por Josias de Souza às 22h17
O STF indeferiu a ação ajuizada pela Anamages (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais), pedindo a anulação da resolução antinepotismo baixada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O ministro Cezar Peluso, relator do processo, entendeu que a Anamages não tem legitimidade para propor a ação.
A entidade representa a magistratura estadual. Não poderia, na visão de Peluzo, propor no Supremo uma ação direta de inconstitucionalidade contra medida que tem um alcance muito maior, afetando todo o Judiciário. “Não se pode, portanto, reconhecer à autora (da Adin) o requisito da ampla representatividade do conjunto de todas as pessoas às quais a norma atacada se aplica”, anotou o ministro em sua decisão.
A Anamages havia pedido ao Supremo que declarasse inconstitucional a resolução do CNJ que proíbe em todo o Judiciário a contratação de parentes até o terceiro grau. A resolução impõe um prazo de 90 dias para que a demissão dos parentes já empregados. Peluzo não chegou a analisar o mérito da ação.
Escrito por Josias de Souza às 18h01
Lula encontrará Hugo Chávez, presidente da Venezuela, no dia 16 de dezembro. Será em Pernambuco. Inicialmente previsto para o próximo sábado, o encontro foi adiado. A pedido de Lula, Gilberto Carvalho, secretário particular do presidente, discou para o governador Jarbas Vasconcelos (PE), para informar-lhe sobra a nova data.
Lula e Chávez vão assentar a pedra fundamental da refinaria erigida no complexo industrial e portuário de Suape, informa a Agência Nordeste (para assinantes). O empreendimento nasceu de uma parceria entre a Petrobras e a PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo.
Escrito por Josias de Souza às 16h34
Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) acenou há pouco com a hipótese de Lula intervir na disputa entre Marta Suplicy e Aloizio Mercadante em São Paulo. A ex-prefeita e o senador brigam pelo direito de concorrer ao governo do Estado pelo PT. Lula receia que a disputa esfacele o partido no maior colégio eleitoral do país. Se sentir que a coisa foge ao controle, deve se mexer.
“O presidente pode chamar os dois para uma negociação se a disputa se acirrar, mas por enquanto ele não vai interferir”, disse Jaques Wagner. O mesmo raciocínio se aplica, segundo o ministro a outros Estados em que haja petistas disputando a legenda. A opinião de Lula é a de que o partido deveria definir os seus candidatos, sempre que possível, por consenso.
Jaques Wagner falou na seqüência de uma reunião do Conselho de Gestão do governo. Sobre economia, disse que Lula vai se reunir ainda nesta semana com sua equipe econômica, para promover “ajustes”.
Lula está abespinhado com a queda do PIB no terceiro trimestre do ano (1,2%). Acha essencial fazer alguma coisa. “Se necessário”, disse Wagner, “serão feitos os ajustes na dosagem que forem recomendáveis”. Para evitar especulações, o ministro deixou claro que Lula não vai mudar a política econômica.
“Não se cogita tomar decisões que passem por mudanças do modelo atual, mas há uma grande pressão da sociedade a ser considerada”, disse ele.
Escrito por Josias de Souza às 14h10
O Ministério Público concluiu que o dinheiro transportado na cueca e em uma mala pelo ex-assessor petista José Adalberto Vieira da Silva era propina de um contrato de financiamento de R$ 300 milhões do Banco do Nordeste para o consórcio Alusa/STN (Sistema de Transmissão do Nordeste), informa a Folha de hoje.
Os procuradores Márcio Andrade Torres e Alexandre Meireles Marques denunciaram, por suposta improbidade administrativa, o presidente do banco, Robert Smith, e outros quatro dirigentes da instituição. Também foram denunciados o ex-assessor especial da presidência do BNB, Kennedy Moura e o deputado estadual José Nobre Guimarães (PT), irmão de José Genoino. Por último, virou réu o Vieira da Silva, o sujeito pilhado em São Paulo com US$ 100 mil na cueca e R$ 209 mil numa mala.
Escrito por Josias de Souza às 07h46
- JB: Natal de Lula vale 2,2 bilhões
- Folha: Maia diz que PFL apóia Serra
- Estadão: Dirceu vai depor no caso Daniel
- Globo: CPI investiga conta de empresa do vice de Lula
- Correio: Brasil faz continente crescer menos
Leia os destaques de capa dos principais jornais.
Escrito por Josias de Souza às 07h32
O PT de São Paulo deu de ombros para o desejo de Lula. Conforme noticiado aqui na noite de sexta-feira, Lula pedira a lideranças petistas que evitassem a realização de prévias para a escolha do candidato do partido ao governo de São Paulo em 2006. Receia que Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, os dois postulantes, enveredem por uma disputa sangrenta.
Sob aplausos efusivos de Marta, os dirigentes petistas de São Paulo rejeitaram neste domingo proposta do prefeito de Guarulhos, Elói Pietá, cabo eleitoral de Mercadante, para que não fosse fixada a data da prévia no PT. A escolha do candidato foi programada para 7 de maio, informa a Folha desta segunda (para assinantes).
Abespinhada com a revelação de que Lula apóia Mercadante, também feita aqui no sábado, Marta desdenhou da ingerência presidencial. "Ele (Lula) já teve a oportunidade dele. E não fez", disse ela, ao ser perguntada se abriria mão da candidatura a pedido do presidente: "Fui lá. Coloquei que estava me candidatando. Ele ouviu, deu palavras de estímulo e vai se manter na expectativa".
Marta disse que Lula prometera "manter-se à distância". "No partido, não vai bem imposição. A gente já viu várias prévias quando ocorre. E o presidente, da mesma maneira que sabe que prévia pode virar uma coisa sangrenta, também sabe que é preciso ter respeito pelo partido".
As entrevistas de Mercadante trilharam rumo oposto. Disse que "São Paulo vai ter papel decisivo na disputa nacional". E atribuiu peso à posição de Lula. “Ele sempre opinou", disse. "A opinião dele, tenho certeza, será considerada pelo respeito, prestígio e liderança que tem no partido".
O signatário do blog rumina uma dúvida: o apoio de Lula ajuda ou atrapalha?
Escrito por Josias de Souza às 02h28
Procurado por toda mídia neste domingo, o prefeito do Rio, Cesar Maia, confirmou o que o blog publicara na noite de sábado. Reafirmou que abrirá mão de disputar a eleição para presidente da República em 2006 em favor do presidenciável José Serra, do PSDB. Serra “é um candidato fortíssimo”, repetiu Maia.
Em público, dirigentes do PFL afirmam que as negociações prosseguem. Privadamente, reúnem-se com Serra para acertar os detalhes da aliança eleitoral para 2006. O signatário do blog conversou na noite passada com dois integrantes do generalato pefelê. Disseram que a coisa agora está nas mãos de Serra.
Nos contatos privados, o prefeito paulistano diz que a maioria do o PSDB está com ele. Assegura que tem o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se conseguir a chancela do tucanato, como promete, Serra terá o PFL.
Escrito por Josias de Souza às 02h05
Lula reúne-se nesta manhã com ministros para programar os gastos do governo. Só para emendas de parlamentares, serão liberados R$ 1,1 bilhão. Entre os participantes do encontro estão os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rouseff (Casa Civil). Com o recuo de 1,2% do PIB no terceiro trimestre a pesar-lhe sobre os ombros, Palocci entra na reunião com os joelhos arqueados.
Escrito por Josias de Souza às 01h53
O governo planeja gastar no ano eleitoral de 2006 R$ 326,3 milhões em publicidade. É 46,5% a mais do que o que foi gasto em 2004: R$ 222,7 milhões. Só em publicidade institucional, voltada às realizações governo Lula serão torrados R$ 156,5 milhões. As peças ditas de “utilidade pública” consumirão outros R$ 169,8 milhões. Os valores constam da proposta de orçamento que está sendo analisada pelo Congresso.
Escrito por Josias de Souza às 01h43
A CPI dos Correios irá investigar o depósito de R$ 1 milhão em dinheiro feito pelo PT numa das contas da Coteminas, empresa têxtil do vice-presidente José Alencar. O sub-relator de movimentações financeiras da comissão, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse que vai enviar nesta segunda-feira um ofício ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) e ao Bradesco, banco onde a Coteminas tem a conta, pedindo detalhes do depósito.
Fruet disse que o repasse não consta da contabilidade do PT, como foi divulgado ontem pela Folha. Com a quebra de sigilo, as 16 contas bancárias do PT foram analisadas pela CPI dos Correios e o depósito não aparece. Mesmo assim, Fruet foi cauteloso e disse que é cedo para afirmar que o dinheiro entregue a Alencar é proveniente de caixa dois do PT.
“É preciso primeiro confirmar o repasse. Mas se o depósito existiu e não está registrado nas contas do PT, isto provaria que Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT) não contou à CPI tudo o que sabia”, disse Fruet ontem.
Escrito por Josias de Souza às 01h34
Depois de alinhavar um acordo com o PFL para disputar as eleições presidenciais de 2006, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), prepara um segundo movimento: quer que o tucanato patrocine no Congresso uma emenda constitucional prevendo o fim do estatuto da reeleição. Defende que o próximo presidente tenha cinco anos de mandato, sem direito a disputar uma segunda eleição consecutiva.
A proposta de Serra está impregnada de segundas intenções. A tese embute o desejo de atrair para sua candidatura o apoio de Aécio Neves, isolando Geraldo Alckmin no PSDB. Os governadores Aécio (Minas) e Alckmin (São Paulo) disputam com Serra o direito de concorrer à sucessão de Lula pela legenda tucana.
Bem-posto nas pesquisas eleitorais realizadas em seu Estado, Aécio é visto como virtual governador reeleito de Minas. Ainda assim, ele se insinua também na esfera federal. Diz que seu nome não pode ser retirado da lista de presidenciáveis do PSDB.
Ao advogar o fim da reeleição, Serra sinaliza para Aécio o propósito de cumprir apenas um mandato de presidente caso venha a ser eleito. Abrir-se-ia o caminho para que Aécio disputasse a presidência da República ao término de seu segundo mandato no Palácio da Liberdade, como é chamada a sede do governo mineiro.
Em vez de esperar por mais oito anos, o prazo de mais dois mandatos, Aécio poderia concorrer já na sucessão do próximo presidente. Que, na cabeça de Serra, será em 2011 caso prevaleça a tese de que o sucessor de Lula deve ter cinco anos de mandato, em vez dos quatro previstos atualmente na Constituição.
O blog conversou com dois interlocutores de Serra, um do PFL e outro do próprio PSDB. Ambos disseram que o prefeito está preocupado em afastar de sua proposta qualquer tipo de associação golpista. Ele enfatiza que a idéia de pôr fim à reeleição não afetaria o “direito adquirido” de Lula a disputar um segundo mandato. Valeria apenas para os próximos presidentes.
Em suas articulações, Serra manifesta o desejo de atrair o próprio PT para a sua idéia. Lembra que Lula vem se posicionando contra a reeleição. O presidente também defende que o mandato seja de cinco anos.
O princípio da reeleição foi inscrito no texto constitucional, graças a uma emenda patrocinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, tucano como Serra. Na época, Lula foi contra.
A emenda foi aprovada no Congresso em meio a uma atmosfera de forte suspeição. Em gravações publicadas pela Folha em maio de 97, dois deputados –Ronivon Santiago e João Maia- admitiram ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da reeleição.
Nas gravações, Santiago e Maia diziam que outros três deputados -Chicão Brígido, Osmir Lima e Zilá Bezerra- também haviam recebido dinheiro em troca de seus votos. Os deputados são todos do Acre.
Escrito por Josias de Souza às 22h13
Kamil Yavuz/Turquia
Está cada vez mais difícil a vida dos fumantes. A Organização Mundial da Saúde, um dos maiores empregadores do mundo, proibiu o ingresso de fumantes nos seus quadros, informa o Newsblog, do londrino Guardian. A partir de agora, os anúncios de emprego da organização trarão um aviso: “Não empregamos fumantes”.
Ao ser entrevistado, o candidato a uma vaga na OMS será questionado: “Você é fumante?” Se a resposta for positiva, terá de responder a uma segunda pergunta: “Pretende continuar fumando caso seja contratado”. Em caso afirmativo, a vaga lhe será negada.
Para uma organização como a OMS, esse tipo de proibição até pode parecer razoável. Mas imagine se a regra se espraiar. Logo o seu chefe estará cheirando as suas roupas à procura de vestígios de nicotina. É mesmo dura a vida dos fumantes.
Escrito por Josias de Souza às 21h04
“Um trocadilho virou motivo de discórdia entre o templo de luxo paulistano e a boca do lixo carioca”, informa reportagem de Luiz Antonio Ryff. “É que, quando resolveu criar uma confecção que gerasse uma renda para as prostitutas da Lapa carioca, a escritora Gabriela Leite teve a idéia de batizar a grife de Daspu. Mas na marginal Pinheiros, em São Paulo, na loja mais famosa do Brasil, ninguém riu. E a Daslu resolveu brigar na Justiça para impedir que o trocadilho batize as roupas feitas para vestir mulheres que ganham a vida se despindo.”
”A Daslu entregou uma notificação extrajudicial para a ONG Davida, que bancaria a confecção, para que o nome Daspu não seja utilizado. ‘Não há nenhum tipo de preconceito contra a atividade da ONG’, declara Rui Fragoso, advogado da loja paulistana. Ele afirma que esse é um procedimento padrão de defesa da marca: ‘Ocorre sempre que surge uma empresa com um nome similar ao da Daslu e que possa causar confusão’”.
Então, tá!
Escrito por Josias de Souza às 20h09
Os venezuelanos foram às urnas neste domingo. Os aliados do presidente Hugo Chávez devem obter maioria dos 167 assentos de deputado da Assembléia Nacional da Venezuela. A oposição declarou boicote ao pleito. Com 79,1% dos votos apurados, a abstenção já alcança impressionantes 75%.
Chávez criticou o boicote da oposição. Disse que os partidos políticos que decidiram não participar das eleições legislativas estão "acelerando sua morte". Os adversários do presidente venezuelano retiraram suas candidaturas sob a alegação de que faltou “transparência” ao pleito.
Em seu artigo deste domingo, o sempre lúcido Elio Gaspari enxergou cheiro de golpismo no boicote da oposição às eleições parlamentares venezuelanas.
Escrito por Josias de Souza às 19h37