Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

Serra fecha acordo com PFL para 2006

Serra fecha acordo com PFL para 2006

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), fechou uma aliança com o PFL para concorrer à presidência da República em 2006. O acerto foi viabilizado há uma semana, em almoço de Serra com o prefeito do Rio, César Maia. Presidenciável oficial do PFL, Maia disse que abrirá mão de sua postulação em favor do tucano.

 

Em entrevista ao blog, César Maia revelou que já comunicou a decisão à cúpula do seu partido. “A sensação do PFL é a de que o Serra é um candidato fortíssimo. Eu já disse oficialmente ao partido: não seria candidato contra o Serra em hipótese nenhuma”, afirmou o prefeito do Rio. A afinidade entre os dois é antiga. Conheceram-se nos tempos de exílio no Chile, na década de 60.

 

Em público, Serra faz mistério quanto às suas pretensões presidenciais. Na conversa que teve com Maia, porém, disse estar seguro de que o PSDB o escolherá como candidato oficial à Presidência, em detrimento dos governadores Geraldo Alckmin (São Paulo) e Aécio Neves (Minas), os outros dois tucanos que postulam o direito de disputar a sucessão de Lula.

 

Para César Maia, as chances de vitória com Serra são bem maiores do que com Alckmin. “Acho que a candidatura do Alckmin é muito frágil. Ele não participou de nenhuma campanha pesada. Não foi testado na sua capacidade de resistência.”

 

“A próxima campanha vai ser violenta”, prevê César Maia. “O PT não vai deixar passar isso. Vai bater forte, vai buscar tudo o que tem e o que não tem. O PSDB saiu salpicado nessas CPIs. Foi salpicado com o (Eduardo) Azeredo, vai ser salpicado nos fundos de pensão e ele vai apanhar muito. Uma coisa é um quadro testado como o Serra, que já foi candidato a presidente, candidato a prefeito de São Paulo, outra coisa é o Alckmin.”

 

Na opinião de César Maia, “Serra tem a pele mais grossa.” O mesmo raciocínio não se aplicaria ao atual governador de São Paulo. “Não sei qual é a textura da pele do Alckmin. Não gostaria de correr esse risco. Receio que ele apanhe na campanha eleitoral e não resista.” Quanto a Aécio, Maia avalia que pode disputar a presidência em eleições futuras.

 

O assédio do tucanato a César Maia é intenso. Além de Serra, estiveram com o prefeito do Rio nos últimos dias o próprio Alckmin e Aécio. A romaria é justificável. Integrantes da cúpula do PFL, entre eles os senadores Jorge Bornhausen, presidente da legenda, e o senador Antonio Carlos Magalhães, condicionam o fechamento da aliança com o PSDB à desistência da candidatura presidencial do prefeito, lançada formalmente no ano passado.

 

Ao informar à direção do PFL que abrirá de sua postulação em favor de Serra, César Maia deixou claro que não fará o mesmo se o candidato do PSDB for Alckmin. Acha que, num embate com o governador paulista, tem chances de chegar à frente.

 

“Se o Alckmin for o candidato, o PFL fica mais assanhado. Eu tenho tido em pesquisas em torno de 5%, o Alckimin tem 13%. De cinco para treze a diferença não é grande. Se você tirar São Paulo dele e tirar o Rio de mim, ele tem cinco pontos e eu tenho quatro. Estamos empatados fora de São Paulo e fora do Rio. Com a candidatura do Serra o PFL caminharia para se somar. O Serra era há algum tempo personagem difícil no PFL. Hoje não é mais.”

Escrito por Josias de Souza às 20h01

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Morangos e chocolate

A mulher francesa de 38 anos que se tornou a primeira pessoa a se submeter a um transplante facial recobrou a consciência. Suas primeiras palavras foram de agradecimento aos médicos que a operaram. Voltou a se alimentar. Comeu morangos e chocolate. A pedido da família, a identidade da paciente não foi divulgada. Ela deseja manter-se no anonimato.

 

A paciente teve o rosto parcialmente desfigurado pelo ataque de um cachorro. Ela tomara sedativos e encontrava-se dormindo no momento do ataque. Deu entrada no hospital na noite de domingo passado. A cirurgia a que se submeteu durou quatro horas.

 

O transplante foi parcial (veja imagem acima). Utilizaram-se tecidos de uma doadora com diagnóstico de morte cerebral. Além da pele, foram transplantados o tecido muscular, artérias e veias da doadora. Segundo os médicos, quatro horas depois da cirurgia, o sangue da paciente já corria pelo tecido transplantado.

 

A operação foi cercada por um debate moral. Os médicos que operaram a paciente dizem que superaram todas as dúvidas de natureza ética no instante em que constataram o seu estado. Integrante da equipe, Bernard Devauchelle disse que optou-se por realizar o transplante facial parcial porque a intervenção, para além dos efeitos estéticos, permitiu “restaurar a função do rosto da paciente.”

 

Leia mais detalhes sobre o caso no sítio espanhol Periodista Digital. Ou, se preferir, leia uma tradução feita pelo pessoal do UOL de uma notícia publicada no New York Times.

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Greenspan alerta para riscos do déficit dos EUA

“Se a deriva perniciosa rumo à instabilidade fiscal nos EUA e em outros países não for contida e se combinar com um retrocesso protecionista da globalização, o ajuste pode ser muito doloroso para a economia mundial.”

A frase acima consta de discurso feito nesta sexta-feira por Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, na 55a reunião dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G-7, grupo que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá). A reunião realizou-se em Londres.

Greenspan analisou em seu discurso os efeitos do chamado déficit gêmeo dos EUA (na balança comercial e fiscal). Disse que o déficit só não exerce maior pressão sobre o dólar poque vem sendo financiado por investimentos estrangeiros no mercado norte-americano, atraídos pela alta produtividade da economia dos EUA.

Esses investimentos, alertou Greenpan, “não podem persistir indefinidamente”. Ele previu que, em algum momento, os investidores se sentirão compelidos a interromper o financiamento da crescente dívida norte-americana. Isso vai acontecer de maneira mais acentuada no instante em que o retorno não se mostrar mais atraente.

Greenpan lembrou que os investidores estrangeiros vêm reduzindo significativamente, desde 2002, o estoque de papéis norte-americanos que mantêm em suas carteiras. Em conseqüência, disse ele, “temos observado uma queda no valor do dólar e uma redução da participação do dólar como moeda nas transações internacionais.” O que vem gerando, segundo as suas palavras, uma “dispersão de desequilíbrios”.

O discurso de Greenspan foi recebido pelas principias autoridades monetárias do mundo como uma espécie de testamento do presidente do Federal Reserve. Depois de 18 anos à frente do Banco Central dos EUA, ele se prepara para aposentar-se, no próximo mês.

Visto como uma espécie de oráculo em matérias econômicas, Greenspan vem alertando sistematicamente para a necessidade de redução do déficit americano. Esta foi a terceira vez que tocou no assunto em menos de três meses. O que dá uma medida da importância que atribui ao tema.

Na opinião de Greenspan, dependendo da forma como o déficit do EUA for gerenciado, pode exercer efeitos nefastos sobre a economia mundial, interrompendo um ciclo benfazejo que beneficia as economias de países emergentes como o Brasil.

A íntegra do discurso de Greenspan está no sítio mantido pelo Federal Reserve na internet. O repórter recomenda vivamente a leitura. Infelizmente, só está disponível na língua inglesa.

Escrito por Josias de Souza às 18h27

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Marta e Mercadante abrem campanha em SP

Marta Suplicy e Aloizio Mercadante assumiram publicamente a condição de candidatos ao governo de São Paulo em 2006. Deu-se neste sábado, num encontro estadual do PT. Marta foi mais explícita: "Assumo perante vocês minha pré-candidatura”, disse ela, diante de cerca de mil delegados petistas. Mercadante soou mais cauteloso quanto à candidatura, mas enfático em relação às chances de julga ter: "Se eu for candidato, eu ganho em São Paulo".

 

Marta e Mercadante travarão nos próximos meses uma disputa interna para conquistar o direito de concorrer pelo PT à sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na última quinta-feira, conforme antecipado aqui na noite passada, Lula reuniu líderes petistas no Planalto para pedir-lhes que tentem construir um acordo entre os dois candidatos.

 

Lula deseja evitar a disputa de uma eleição prévia no PT. Embora as prévias estejam previstas no estatuto do partido, o presidente acha que seria mais adequado e menos desgastante que o petismo chegasse a um consenso.

 

Em diálogos privados, o presidente manifestou preferência por Mercadante, mais bem posicionado em sondagens eleitorais manuseadas pela cúpula do PT. No discurso que fez neste sábado, Marta atuou para plantar uma dúvida na cabeça da audiência petista: “No início desta semana, estive com o companheiro Lula e só ouvi dele palavras de estímulo, sem que isso signifique qualquer tomada de partido a favor dessa ou daquela candidatura."

 

Em entrevista ao blog, Mercadante listou os motivos que o levam a crer que vencerá a eleição em São Paulo caso o PT opte pelo seu nome: “Tive 10,5 milhões de votos no Estado (na campanha para o Senado). Um em cada dois eleitores de São Paulo votou em mim. Isso é um patrimônio que o PT tem. Todas as pesquisas me colocam em primeiro lugar. Inclusive as pesquisas feitas pelo PSDB. O Instituto Opinião perguntou a 1.650 entrevistados quem deve ser o candidato do PT. Eu apareço com 51% e a Marta com 27%. O site Terra fez também uma consulta nessa semana em que eu apareço com 59% e ela com 11%.”

 

Mercadante apóia a proposta de Lula de construção de um consenso interno. Mas reconhece que o PT terá de realizar prévias caso Marta insista na disputa. “As prévias estão previstas no estatuto do partido. É um direito de qualquer candidato exigir que elas sejam realizadas.”

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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As manchetes deste sábado

-JB: Cofre vazio - Sem salário, servidores do PT fazem greve

- Folha: Lula diz que Brasil cresce no limite de suas possibilidades

- Estadão: Lula vai escolher onde gastar 9 bi no ano eleitoral

- Globo: Seis meses depois, Receita faz devassa na sede do PT

- Correio: Tragédia na faculdade

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 10h00

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Um assalto aos céus

Um assalto aos céus

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Nas páginas de "A Luta Contra a Ditadura", livro que escreveu em parceria com Vladimir Palmeira, José Dirceu anotou: "É difícil reproduzir o que foi o espírito de 68, mas posso dizer que havia uma poderosa força simbólica impulsionando a juventude (...). O mundo parecia estar explodindo. Na política, no comportamento, nas artes, na maneira de viver e de encarar a vida, tudo precisava ser virado pelo avesso. Para nós, o movimento estudantil era um verdadeiro assalto aos céus".


No poder, Dirceu também viu o mundo explodir à sua volta. A coisa, de fato, virou do avesso. Mas, mesmo depois de ter sido apeado de seu mandato, o ex-ministro diz não ter enxergado o assalto que, praticado à sua volta, conspurcou o sonho da juventude. O convívio com a luta armada parece não desenvolvido em Dirceu a dimensão da morte. Daí o fracasso da tentativa que empreende para mostrar-se como figurante em meio ao caos.


Dirceu tornou-se um dos inocentes mais culpados da história política brasileira. Por trás do cenho de fachada que passou a exibir, repousa a cara de um chefe escondido atrás da crise. Por sorte, a Câmara concedeu-lhe a ventura da ociosidade política. Livre do paletó e da gravata, dispõe agora tempo de sobra para expiar as culpas que diz não ter.

Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Falando como reeleito, Lula promete crescimento até 2010

Apenas 24 horas depois de ter admitido que o resultado acerbo do PIB (queda de 1,2% no terceiro trimestre de 2005) poderia produzir ajustes na política monetária, Lula pediu a cerca de 300 empresários de 28 países: não se preocupem com o PIB. E assegurou que o governo não fará mudanças na política econômica. Falando como se já houvesse sido eleito para um segundo mandato, assegurou que a economia crescerá de forma sólida até 2010.

“Não se preocupem com o índice do terceiro trimestre”, discursou Lula. “Não se preocupem porque, embora tenha me deixado chateado, porque sempre esperamos números altamente positivos, os indicadores demonstram que a economia vai crescer de forma sólida em 2006 e, se Deus quiser, em 2007, 2008, 2009 e 2010.”

Lula disse mais: “O Brasil não pode em nenhum momento permitir que, em função de ano eleitoral, e faço questão de reiterar isso na frente dos empresários e dos trabalhadores todas as vezes em que sou chamado para um debate, que não será tomada nenhuma posição do governo que possa colocar em risco o que conseguimos criar nesses três anos de sustentabilidade.”

Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Jobim: move-me o desejo de servir ao país

O presidente do STF, Nelson Jobim, concedeu entrevista ao Globo de hoje. Respondeu às críticas de que conduz politicamente uma corte que deveria ater-se à letra fria das leis. E esquivou-se de negar a propalada pretensão de concorrer à presidência da República. Eis alguns trechos da entrevista:

- Acusaram muito o Supremo de tentar interferir em decisões do Congresso.

Nelson Jobim: Além de autônomo, e justamente por ter a missão de guardar a Constituição, o Supremo é uma instituição que respeita um dos pilares da Carta: a independência entre os Poderes. É uma heresia falar em interferência do Supremo nos atos do Legislativo ou em pressão do Executivo sobre a corte.

- Acusam o senhor de ter politizado o Supremo. Seus críticos dizem que o senhor é uma espécie de líder do governo Lula no Supremo.

Jobim: Não vejo com bons olhos a leitura política que eventualmente se tenta fazer das decisões tomadas no tribunal. Isso não funciona. Eu, por exemplo, já fui chamado de líder do governo FH no STF. Hoje, de líder do governo Lula. É um raciocínio que não fecha. Não posso apagar minha história, meu passado no Legislativo e no Executivo. Orgulho-me dela. Já legislei, já executei e hoje meu papel é julgar. E julgar com eficiência e em tempo socialmente razoável, um dever do Judiciário. Dialogar, negociar, diagnosticar, buscar entendimento, opções políticas. Nesse sentido, sou mesmo político. Creio no diálogo e na negociação como instrumento para a evolução das instituições. O que não se deve é confundir política com política partidária.

- Isso tudo não se deve ao fato de o senhor ser considerado um potencial candidato à Presidência da República?

Jobim: Eu já ia falar disso. Também tenho sido objeto de comentários a respeito de hipotéticas pretensões eleitorais. As especulações que surgem, reconheço, são decorrentes de meu passado político. Do que me orgulho. Mas é importante frisar que as especulações são feitas por terceiros e por elas não posso responder. Não costumo fazer planos de longo prazo. Meu compromisso maior é o de exercer a presidência do Supremo. E venho tentando cumpri-lo, com ajuda de meus colegas ministros e em sintonia com a ministra Ellen Gracie e o ministro Gilmar Mendes, os próximos presidentes. Estabelecemos uma agenda de seis anos (o mandato de um presidente do STF é de dois anos) para que projetos não sejam interrompidos.

- Mas o senhor não se sente motivado a disputar a presidência da República?

Jobim: O que me move é o desejo de servir ao país. Tenho dito que devemos ocupar o lugar que a História nos reserva, sem ficar retaliando o passado. Temos avanços a contabilizar na estrutura do Poder Judiciário. A aprovação da reforma foi um passo importante. A criação do Conselho Nacional de Justiça, também no âmbito da reforma, já se mostra produtiva. Temos desafios na área administrativa. E o trabalho que desenvolvemos de formatação de um modelo e levantamento dos indicadores do Poder Judiciário vai subsidiar a tomada de decisões para modernizar a administração dos tribunais.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Receita varre escrituração do PT

Depois de ter se rendido à lascívia do poder, o PT padece agora as dores da perversão. Arrosta uma devassa da Receita Federal. Teve de entregar nesta sexta-feira os seus livros contábeis a auditores da Receita Federal, que visitaram a sede do partido em São Paulo.

O fisco varre a contabilidade petista referente ao período de 2000 a 2004. Se ficar constatada a existência de caixa dois, algo que a legenda já confessou publicamente, o PT perderá a isenção tributária concedida por lei a instituições filantrópicas e agremiações políticas. Será tratado como uma empresa qualquer. Terá de pagar os tributos sonegados no período.

Como se fosse pouco, o Partido dos Trabalhadores, nascido do sindicalismo do ABC, vê-se forçado agora a conviver com uma constrangedora greve de seus próprios trabalhadores. É a primeira em seus 25 anos de existência. Depois de promover um passaralho para enxugar os seus quadros, a legenda atrasou os salários de sua gente.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Novo PT vira um cadáver do velho

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Quando deixou o Ministério da Educação para presidir o PT, no alvorecer da crise, Tarso Genro prometeu “refundar o partido”. Candidato à presidência da legenda, não admitiu que José Dirceu compusesse a chapa. Tratou a coisa na base do “ele ou eu”.

Venceu “ele”. E Tarso abdicou de concorrer. O comando petista caiu no colo de Ricardo Berzoini, camarada de Dirceu. Mantido na chapa vitoriosa, Dirceu pode, a qualquer momento, assumir um posto na direção do PT. Reunida ontem em São Paulo, a Executiva Nacional do partido discutiu concretamente essa hipótese.

“Eu não sou do Campo Majoritário (corrente de Dirceu), mas se o Campo tiver qualquer dificuldade de ceder uma vaga, eu não tenho dificuldade de sair da executiva e dar essa vaga para José Dirceu”, disse Jilmar Tato, terceiro vice-presidente do PT.

Apeado do mandato, Dirceu (na foto rumando para o setor de embarque do aeroporto de Brasília) voltou nesta sexta para São Paulo. Participou de um ato em defesa do mandato de João Paulo Cunha, outro petista que se encontra com a lâmina no pescoço.

Discursando para uma platéia de 600 militantes, Dirceu pregou a volta do PT às ruas, para combater as forças conservadoras. “A direita está fazendo com o PT o que a ditadura militar fez com João Goulart e que fez no passado com Getúlio e JK. Primeiro dizem que é para acabar com a corrupção, mas o que eles querem é acabar com a esquerda. Agora, não querem só nossos mandatos, querem impedir a reeleição de Lula. Se não formos para as ruas agora, eles não vão parar. Querem desestabilizar nosso governo”, disse, sob ovação.

Como se vê, o novo PT não passa de um cadáver do velho. Em 2002, ao perceber que sua ideologia não estava dando certo, o partido, então comandado por Dirceu, trocou-a por outra em alta no mercado. Agora, o mesmo Dirceu volta a falar em direita, como se ainda pudesse encarnar a esquerda, depois de ter tricotado com Jeffersons, Janenes, Valdemares e outros azares. O ex-deputado manda a lógica às favas.

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Mulher de Lula obtém cidadania italiana

Marisa Letícia Lula da Silva pediu e obteve cidadania italiana. Como descendente direta de italianos, ela pôde requerer a dupla cidadania, que é extensiva aos filhos e netos do casal presidencial.

O passaporte da mulher de Lula causou polêmica. Na última quarta-feira, em entrevista ao “Corriere della Serra”, o mais influente jornal da Itália, o ex-primeiro-ministro Massimo D’Alema, amigo de Lula, reclamou das leis de imigração, que considera muito concessivas. Embutiu na crítica o caso de Marisa. Muy Amigo!

Escrito por Josias de Souza às 01h21

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Lula apóia Mercadante na sucessão de Alckmin

Lula apóia Mercadante na sucessão de Alckmin

Lula confidenciou a um auxiliar e a um dirigente do PT que o seu candidato ao governo de São Paulo será o petista Aloisio Mercadante, líder do governo no Senado. Pesquisas internas do PT indicam que ele é hoje o candidato mais competitivo da legenda no Estado. O presidente planeja anunciar publicamente a sua opção no início do próximo ano. Não quer melindrar a ex-prefeita Marta Suplicy, também pré-candidata do PT à sucessão do governador Geraldo Alckmin (SP).

 

Em almoço realizado ontem no Planalto Lula pediu ao generalato petista que evite a realização de prévias para a escolha do candidato em São Paulo. Quer que o nome de Mercadante seja viabilizado por consenso. O mecanismo das prévias está previsto no estatuto do PT. Marta defende a sua realização. Mercadante prefere evitar.

 

Entre os petistas que dividiram a mesa de almoço com Lula estavam o próprio Mercadante; os deputados Ricardo Berzoini (SP), presidente da legenda, e Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo na Câmara; e Paulo Frateschi, presidente do PT em São Paulo. Comprometeram-se a tentar um consenso que evite as prévias.

 

Ao argumentar contra as prévias, Lula citou o exemplo do Rio Grande do Sul. Em 2002, Olívio Dutra e Tarso Genro travaram renhida disputa pelo direito de disputar o governo gaúcho pelo PT. Sem acordo, foram às prévias. Genro venceu. Mas o partido foi às urnas dividido. E cedeu a Germano Rigoto, do PMDB, uma vitória que todos davam como certa. “Não podemos correr esse risco em São Paulo”, disse.

 

Candidato não-declarado à reeleição, Lula atribui grande importância a São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Quer que o PT apresente um candidato com chances reais de vitória. Enxerga em Mercadante “um bom puxador de votos”. Foi eleito para o Senado com 10,5 milhões de votos.

 

Ouvido pelo blog, Mercadante não quis se manifestar sobre a preferência eleitoral de Lula. “Sobre isso eu não falo”. Falou só sobre as présvias: “O presidente gostaria que chegássemos a um candidato por consenso, sem prévias. Ele argumenta que, muitas vezes, as paixões da disputa deixam fissuras que sacrificam a unidade partidária. Eu concordo com ele.”

 

“A prévia”, acrescentou Mercadante, “é um direito previsto no estatuto do PT. Mas avalio que, no momento que nós atravessamos, se construíssemos uma candidatura de unidade poderíamos contribuir mais para a vitória. Por isso acho que o presidente tem razão.”

 

Segundo Mercadante, o assunto começará a ser debatido neste final de semana, num encontro estadual do PT. Cerca de mil delegados de todo o Estado se reunirão no Sindicato dos Bancários, na capital. Passarão o sábado e o domingo debatendo conjuntura política e as questões relacionadas à disputa pelo governo do Estado, incluindo a forma de escolha do nome do candidato.

 

Além de Mercadante e Marta, o PT tinha um terceiro pretendente à sucessão de Alckmin: João Paulo Cunha. Foi engolfado, porém, pela crise do mensalão. Está mais preocupado agora em explicar o que fez com os R$ 50 mil que admite ter sacado das contas de Marcos Valério, para tentar escapar da cassação na Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 19h35

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Cerca à publicidade sexista... na Espanha

A notícia está sendo veiculada no sítio espanhol Periodista Digital: o Instituto da Mulher, um organismo que se diz autônomo, embora funcione vinculado à Secretaria Geral de Políticas de Igualdade do Ministério do Trabalho da Espanha, constituiu uma comissão para receber denúncias de exploração indevida da imagem feminina em peças publicitárias.

 

A iniciativa nasceu nas pegadas do Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, festejado há uma semana. Rosa Peris, diretora do Instituto da Mulher disse que a nova comissão começa a funcionar no início de 2006. Será integrada por representantes de agências de publicidade, empresas e associações de consumidores.

 

A comissão não terá poder de veto. Apelará para os mecanismos de auto-regulação do setor publicitário na Espanha. O objetivo é combater a publicidade de caráter “sexista”. Entende-se que serve de estímulo à violência contra a mulher.

 

A idéia da comissão espanhola é lutar pelo veto de peças como a exposta neste despacho, que visava a promoção turística e foi efetivamente proibida pelo governo. Imaginem se essa moda pega no Brasil. Apinhada de filmes que utilizam a imagem feminina como apelo de venda, a publicidade televisiva nacional ficaria sem ter o que mostrar.

Escrito por Josias de Souza às 17h04

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Alencar sobe de novo no caixote

O vice-presidente José Alencar resiste à idéia de descer do caixote. Na próxima segunda-feira, ele voa para Curitiba (PR). Vai participar de um encontro promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Será às 19h.

 

Alencar vai discursar para empresários paranaenses. Desnecessário especular sobre o teor de sua fala. Tocará o mesmo disco arranhado de sempre. Sentará a lenha na política monetário do governo.

Até bem pouco, Alencar cantava como solista. Depois que Lula e o próprio Antonio Palocci começaram a admitir publicamente que os juros precisam baixar de maneira mais acentuada, ele já se sente como maestro de um coro.

A queda do PIB no terceiro trimestre de 2005 (1,2%) deu ao vice-presidente ares de pitonisa.

Escrito por Josias de Souza às 15h13

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Serra encontra Jobim

José Serra não pára. Enquanto Geraldo Alckimin está colhendo milhos, ele já partilha as pamonhas. Há uma semana, Serra almoçou em segredo com Nelson Jobim, em Brasília.

Foi medir o tamanho da disposição do presidente do STF de apresentar-se como "terceira via" na corrida presidencial de 2006. Jobim disse duas coisas a Serra:

  • 1) está de saco cheiro da rotina do Supremo. Procura o que fazer;
  • 2) não será candidato à presidência da República.

A julgar pelo que anda contando aos amigos, Serra acreditou no que ouviu. Demonstra uma ingenuidade que não combina com a experiência política que ostenta.

Escrito por Josias de Souza às 14h36

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O que Dirceu precisa contar no livro?

Está programada para esta segunda-feira a viagem de José Dirceu para o refúgio litorâneo que dividirá com o escritor Fernando Morais. Os dois vão pôr no forno "Trinta Meses", o livro que conta a passagem de Dirceu pelo poder. Vai da eleição de Lula em 2002 à guilhotina da última quarta-feira.

Morais espremerá Dirceu durante dez dias. Os dois conversarão diante de um gravador por horas a fio. O escritor disse ao ex-ministro que o sucesso do empreendimento depende da sua disposição de contar segredos ainda não revelados.

Pois o signatário do blog faz um convite aos seus leitores. Depositem na caixinha de comentários aí abaixo as opiniões de vocês sobre o que Morais deveria perguntar a Dirceu. Informem aos dois o que o livro precisa contar para não virar "embrulho de peixe".

Digam a ambos, afinal, tudo o que vocês gostariam de saber e que nunca foi dito sobre os 30 meses em que a Casa Civil esteve sob o comando do ex-chefão José Dirceu. O escritor e o ex-ministro são consumidores de jornalismo online. As observações de vocês chegarão aos dois. Estejam certos. 

Escrito por Josias de Souza às 09h51

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Conexão tucana

A PF vai investigar a autenticidade de um conjunto de papéis entregue em Brasília pelo lobista mineiro Nilton Antônio Monteiro. O papelório aponta um suposto caixa dois de R$ 91,5 milhões na campanha de 98 para a reeleição do então governador de Minas, o tucano Eduardo Azeredo (para assinantes da Folha).

O dossiê com entregue ao delegado Luis Flávio Zampronha, que investiga o escândalo dos Correios. As principais peças do dossiê são três páginas com rubricas e assinatura atribuídas ao ex-tesoureiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão.


Os papéis apontam suposta origem e destino de cerca de R$ 100 milhões arrecadados para as arcas do tucanato mineiro. Só R$ 8,5 milhões foram declarados à Justiça Eleitoral. O dinheiro teria beneficiado, além da candidatura majoritária tucana, pelo menos 124 candidatos a deputado de diversos partidos: PSDB, PSN, PMDB, PSD, PFL, PRN, PTB, PSL, PSB, PDT, PP, PSC, PL, PST, PMN e PT.


Azeredo diz que o valor de R$ 100 milhões é "absurdo e fantasioso". O ex-tesoureiro Cláudio Mourão, que já reconhecera um caixa dois de R$ 11,5 milhões, disse que Monteiro "fabrica documentos" e negou a autenticidade dos últimos papéis entregues à PF.

Escrito por Josias de Souza às 07h54

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Usina de notas frias

A Polícia Federal informa: a DNA Propaganda e a SMPB Comunicação, agências das quais Marcos Valério era sócio, imprimiram 80 mil notas fiscais falsas (para assinantes da Folha). Pelo menos quatro foram emitidas para justificar o recebimento de recursos de órgãos e empresas públicas com as quais mantinham contrato, como o Banco do Brasil e a Eletronorte.


O laudo da PF, elaborado pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), anota que houve fraude na contabilidade das empresas. Além de impressão e emissão das notas frias, houve falsificação de assinaturas e de carimbos de servidores públicos para a obtenção de autorizações de impressão de documentos fiscais (AIDFs) falsas e alteração fraudulenta dos registros contábeis. Valério nega.

Escrito por Josias de Souza às 07h43

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As manchetes desta sexta

- JB: Uma equação perversa - Brasileiro vive mais e se aposenta com menos

- Folha: BC contesta queda do PIB e defende política de juros

- Estadão: Palocci admite rever dose do juro

- Globo: PIB em queda - Lula já fala em 'reparos' e Palocci em 'mudar a dose'

- Correio: Mais quatro na fila da cassação

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h27

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George "Guevara" Bush

  Houston White/AFP
O presidente Bush jogou um balde de água gelada sobre a cabeça daqueles que imaginavam que os EUA estão na bica de se dar o fora do Iraque. Falando a uma platéia de cadetes, o primeiro mandatário dos EUA saiu-se com uma tirada à Che Guevara. Disse que não há alternativa para o embate em solo iraquiano senão “a completa vitória”.

 

Segundo as palavras de Bush, enquanto ele for o comandante em chefe das Forças Armadas, os EUA não fugirão nem de "carros-bomba" nem de "assassinos". Bush posou de valente em discurso na Academia Naval de Annapolis, Maryland, bem longe do cenário de caos que sua obstinação impõe aos cidadãos americanos que vestem farda.

 

A valentia de Bush foi retratada no Newsblog, do londrino Guardian. Ali você vai encontrar também um link para o blog Wonkette!, que divulga fotos alusivas às falas grandiloqüentes de Bush. Ele costuma discursar à frente de painéis com dizeres como “Estratégia para a Vitória” e “Plano para a Vitória”. Uma vitória que, por ora, tem a cara da derrota.

 

  

Como se fosse pouco, Los Angeles Times  informa que o governo dos EUA, por meio do Pentágono, estaria pagando a jornais do Iraque por “reportagens” feitas de encomenda para melhorar a imagem do invasor norte-americano entre os iraquianos.

O suborno teria começado no início de 2005. De acordo com a notícia, os "artigos" são redigidos por membros da divisão de informação do Exército norte-americano. À medida em que dados como esses vêm à tona, Bush vai sendo confrontado com um inimigo mais feroz do que a resistência iraquiana. Chama-se contribuinte dos EUA.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Lula multado pelo TSE

O TSE condenou Lula, por 4 votos a 3,ao pagamento de uma multa de R$ 31,9 mil por propaganda eleitoral antecipada. As propagandas foram veiculadas em abril de 2005 em caráter institucional, com slogans como "Brasil, um país de todos como nunca se viu" e "A gente sabe que ainda tem muito a fazer, a gente sabe que pode contar com você".

Escrito por Josias de Souza às 00h37

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Petismo de luto

A cassação de José Dirceu, visto como principal general de todas as batalhas que o PT enfrentou nos últimos anos, deixou consternadas as principais lideranças petistas. Um dia depois da degola, o partido respirava uma atmosfera envenenada pela sensação de luto.

O sentimento foi resumido numa frase de Aloisio Mercadante (PT-SP), líder do governo no Senado. Saindo de um almoço com Lula, o senador, conhecido adversário de Dirceu na máquina petista, declarou: “Quero lamber minhas feridas. Meu sentimento profundo e sincero é de luto. Dirceu fez política toda a vida e vai ficar dez anos inelegível. É uma pena muito dura. Fui dormir arrasado.”

A sensação de “injustiça” permeou as declarações de outros dois pesos pesados do governo: Lula e o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) acentuaram que a punição a Dirceu foi sacramentada “sem provas”. Sustentaram que a pena foi “política”.

Outros governistas interpretaram a cassação de Dirceu como resultado de uma pressão da sociedade

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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PIB em queda aponta para poda da taxa de juros

  Roosewelt Pinheiro/ABr
Os sinais de desaquecimento da economia assustaram o governo. O país ficou sabendo na última quarta-feira que o PIB decresceu 1,2% no terceiro trimestre de 2005. Brasília esperava por uma queda. Mas não contava que seria desse porte. Discursando em recintos distintos, o presidente Lula e o ministro Antonio Palocci (Fazenda) acusaram o golpe. Ambos já acenam com ajustes na política monetária, até então considerada imutável.

Lula discursou em Brasília, numa reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Palocci falou no Rio, num almoço organizado pela Federação das Indústrias do Estado em sua homenagem. Leia abaixo as declarações que apontam para mudanças na política de juros:

De Lula:

* “Já esperava que fosse um trimestre ruim, mas não esperava o número que foi. Trabalho com a certeza de que o Brasil entrou num caminho de estabilidade e desenvolvimento que não tem retorno. Obviamente, sempre temos tempo de fazer os reparos naquilo que precisar ser reparado.”

* “O fato de o PIB ter decrescido é um alerta para nós. Vamos ver o que aconteceu, ver o que a crise política e a política de juros têm de incidência nisso. Há indícios na economia, no comportamento das pessoas, no BNDES de que isso vai acontecer (crescimento). Não podemos permitir que a gente não comece 2006 dando sinais para a sociedade de que nosso crescimento vai ser mais rigoroso, mais forte do que foi em 2005, 2004.”

* “Estamos conscientes e consistentes de que as coisas podem ser ajustadas aqui e ali. Mas estamos conscientes de que não há por que não continuar acreditando que o que plantamos é o que o Brasil precisa.”

De Palocci:

* “Quando as pessoas dizem que talvez a dose do remédio esteja exagerada, podemos debater. Não é um debate indesejável, ilegítimo, antipatriótico. É legítimo discutir se as doses são adequadas. Principalmente porque, se as doses não são adequadas, com o tempo elas são ajustadas. O Banco Central se reúne todo mês. Eventualmente, se a dose não for adequada, pode mudar essa dose.”

* “O que é inadequado é que, em todo momento que uma dificuldade aparece, entramos no velho debate, que no fundo é se vale a pena controlar a inflação ou não. É uma questão perigosa para o futuro da economia.”

Remando contra a maré mudancista, o Banco Central começa a espalhar que não acredita que o PIB tenha caído 1,2%. Em reuniões realizadas ontem com analistas de mercado, a alta cúpula do BC desqualificou a metodologia usada pelo IBGE (para assinantes da Folha). Questionou, por exemplo, a forma como é distribuída a produção agropecuária nos cálculos, ao longo do ano. O IBGE não quis comentar.

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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Descoberta movimentação de US$ 1,1 bilhão em dinheiro sujo brasileiro num banco dos EUA

Descoberta movimentação de US$ 1,1 bilhão em dinheiro sujo brasileiro num banco dos EUA

O escândalo do Banestado produziu um filhote. Investigações conjuntas do Ministério Público brasileiro e da promotoria dos EUA detectaram uma movimentação de recursos ilegais provenientes do Brasil de mais de US$ 1,1 bilhão. Transitaram por contas abertas por doleiros numa instituição chamada Merchants Bank. Funciona no número 275 da elegante Avenida Madison, em Manhattan, Nova York.

 

No momento, o Ministério Público tenta impedir o movimento de valores ainda depositados nas contas. Uma parte já foi retida pela Justiça dos EUA. Entre verbas já bloqueadas e importâncias por bloquear, autoridades brasileiras esperam pôr a mão em pelo menos US$ 30 milhões. Há uma semana, deram entrada na Justiça Federal do Paraná petições em que são oferecidas denúncias contra 17 brasileiros envolvidos no novo escândalo.

 

A conexão Merchants Bank foi detectada a partir das investigações em torno do Banestado. Com o auxílio da Polícia Federal e de autoridades norte-americanas, a Força Tarefa do Ministério Público que se dedica ao caso descobriu que doleiros brasileiros direcionaram os seus negócios para o novo banco depois que os EUA decretaram, em março de 99, o fim das atividades da sucursal do Banestado em Nova York.

 

Abriram-se no Merchants Bank duas contas. Chamam-se Braza e Best. Foram inauguradas respectivamente em 99 e 2002. Vinculam-se a outras cinco subcontas: Activel, Wipper, Taos, Durant e Watson. Juntas, movimentaram mais de US$ 1,1 bilhão. O dinheiro transitou por empresas sediadas nos EUA, Caribe, Uruguai, Brasil e Europa.

 

Só nas contas Braza e Best há um saldo de US$ 3,6 milhões. Foram bloqueados pela Justiça americana, que reivindica o “perdimento” dos valores em favor do Tesouro dos EUA. Por meio das ações abertas no Brasil, o Ministério Público tenta reverter os valores em favor do governo brasileiro.

 

O braço brasileiro da investigação teve o seu trabalho facilitado por apurações conduzidas nos EUA. O governo norte-americano começou a varejar o conduto de dinheiro sujo do Merchants Bank a partir de operação realizada em janeiro de 99 pelo DEA, o departamento norte-americano de investigação de crimes de tráfico de drogas.

 

Entre 2003 e 2004 recolheram-se documentos que agora embasam a apuração brasileira. Os papéis vieram para o Brasil graças a um tratado chamado MLAT (Mutual Legal Assistance Treaty). Prevê o intercâmbio de dados entre os governos brasileiro e norte-americano. A cooperação foi feita sob a chancela da Secretaria Nacional de Justiça, órgão da pasta chefiado por Márcio Thomaz Bastos (Justiça).

 

O conteúdo dos papéis é tonificado por depoimentos prestados pela gerente das contas nos EUA. Chama-se Maria Carolina Nolasco. É uma portuguesa naturalizada norte-americana. Concordou em colaborar com as investigações graças à legislação norte-americana de delação premiada.

  

O blog teve acesso aos autos. Mencionam nomes de doleiros, empresários e correntistas usados como “laranjas”. Muitos têm residência em São Paulo. O repórter deixa de mencionar os nomes porque não conseguiu ouvi-los. Informada, a Receita Federal conduz auditorias para cobrar dos responsáveis impostos sonegados no Brasil.

Escrito por Josias de Souza às 23h16

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Trinta Meses em 80 horas

Vai se chamar “Trinta Meses” o livro que José Dirceu irá ditar para o escritor Fernando Morais. Embora o título faça alusão direta à gestão de Dirceu na Casa Civil da Presidência da República, o texto cobrirá um período mais amplo: da eleição de Lula à sessão da Câmara em que o mandato parlamentar do ex-homem forte do PT e do governo foi cassado. Ou seja, o livro tem a pretensão de cobrir o apogeu e a queda de Dirceu.

 

Conforme noticiado aqui na noite passada, Dirceu e Morais viajarão na próxima semana para uma praia no Estado do Rio. Passarão pelo menos dez dias juntos. Planejam produzir pelo menos oito horas de gravação por dia. Se conseguirem, Morais terá o equivalente a 80 horas de depoimentos de Dirceu para produzir o seu texto.

 

Dirceu contou a amigos que Morais lhe impôs condições: a mais relevante é a de que o ex-ministro não pode confundir o livro como uma peça de defesa. De resto, precisa contar segredos que despertem o interesse do público. Do contrário, a obra não servirá, disse Morais a Dirceu, nem para “enrolar peixe”.

 

Como espera aproveitar o livro para compor um pé de meia, Dirceu prometeu que irá se abrir. Uma promessa que leva desassossego ao Planalto. Lula preferia que seu ex-auxiliar guardasse silêncio. Receia que revele segredos que reacendam a crise.

 

Fernando Morais combinou com José Dirceu que irá seguir um modelo adotado por Gabriel García Márquez. Em 85, o escritor colombiano gravou um depoimento de 18 com Miguel Littín, um chileno que, exilado sob Pinochet, disfarçou-se para voltar ao Chile e produzir, durante três semanas, um documentário sobre a ditadura.

 

Partindo das fitas gravadas, García Márquez escreveu “A Aventura de Miguel Littín clandestino no Chile”. Fernando Morais planeja fazer o mesmo com o seu personagem. Reproduzirá as aventuras de Dirceu tal como ele as relatar nas fitas, cuidando para livrar o texto dos vícios da linguagem oral.

 

Se depender de Dirceu, o livro sai logo. Morais também tem pressa. Chama o novo trabalho de “instant book”, uma expressão inglesa usada para definir obras lançadas no mercado editorial nas pegadas de um fato com forte apelo jornalístico.

 

A preparação de “Trinta Meses” adia um projeto mais ambicioso de Morais. No início, pretendia escrever um livro sobre o Molipo (Movimento de Libertação Popular), grupo ao qual se filiou José Dirceu na época em que voltou ao Brasil, sob o codinome de “Comandante Daniel”, depois de receber treinamento militar em Cuba.

 

Morais chegou a acompanhar Dirceu numa visita a Cuba, no último Carnaval. Recolheu farta documentação. Mas, trocando idéias com o personagem, decidiu deixar o Molipo e o Comandante Daniel para mais tarde.

Escrito por Josias de Souza às 17h46

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Notícias boas e notícias ruins

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Lula participou nesta quinta de mais uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, um apêndice do governo que ninguém sabe muito bem para que serve. Foi para o encontro munido de anotações pessoais (veja foto).

 

O repórter Alan Marques clicou as notas do presidente. Continham dois itens: 1) “Tem demandas do Conselho que precisa ser discutido (sic)”; 2) “Notícias boas: Pnad; Notícias ruins: PIB - Zé Dirceu (na foto, o nome do ex-ministro está escondido sob os dedos do presidente)”.

 

Ao discursar, Lula seguiu o roteiro. Disse que a queda de 1,2% do PIB no terceiro trimestre deve servir para chamar a atenção do governo. "É um alerta para nós. Vamos ver o que aconteceu direitinho, vamos ver o que a crise política tem de incidência nisso, o que a política de juros tem de incidência nisso, vamos ver por que os empresários não fizeram os investimentos", disse.

Quanto à Pnad, a pesquisa do IBGE que mostrou uma redução nas desigualdades sociais que separam ricos de pobres, Lula voltou a “bater bumbo”. Disse que os dados o deixaram orgulhoso. "Não há razão nenhuma para que qualquer ser brasileiro não acredite que o Brasil vai continuar crescendo e pode crescer muito mais fortemente".

 

Ao discorrer sobre Dirceu, Lula lamentou que tenha sido punido “sem provas”. "Se ele errou ou não, a História vai julgar. O dado concreto é que poderiam, antes de julgá-lo, ter provado o que diziam do Zé Dirceu. E não fizeram isso ontem".

 

A julgar pela manifestação de alguns dos auxiliares do presidente, a notícia sobre a cassação de Dirceu não foi "ruim" como escreveu Lula. Acham que o sacrifício do ex-ministro finalmente empurrará a crise ladeira abaixo.

Escrito por Josias de Souza às 16h21

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Dirceu vai montar banca de advocacia

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Acabou há pouco a primeira entrevista coletiva concedida por José Dirceu já na condição de ex-deputado. Falou de poder, de PT e do futuro. Vai ganhar a vida como advogado. No depoimento que dará para Fernando Morais, que escreverá um livro sobre sua passagem pelo governo, contará “segredos que não comprometam a segurança do Estado.” Leia abaixo algumas das frases pronunciadas por Dirceu:

 

* Vai voltar ao poder? “Já cumpri um papel na vida política do país. Não acredito que venha a desempenhar mais esse papel. Sou um ex-presidente do PT, ex-ministro, ex-deputado. Sei que uma parte grande da sociedade brasileira me condena. Com humildade, tenho que reconstruir a minha vida. Isso vai me custar anos. Vou trabalhar, que preciso me sustentar.”

 

* Situação do governo e do PT: “Infelizmente, não sou mais ministro nem presidente do PT. Se fosse, a situação seria outra, sem falsa modéstia.”

 

* O que seria diferente? “Não vou responder. Na verdade, não deveria ter afirmado isso. Mas vocês têm experiência, me conhecem, podem fazer lá uma crônica.”

 

Vai pedir aposentadoria de deputado? Claro que não. Vou trabalhar, gente, o que é isso? Tenho 59 anos e vou me aposentar agora? Não teria cabimento. Vou transferir os 12 anos que tenho (de recolhimento como deputado) para o INSS.”

 

Qual será o teor do livro? “Vou fazer um livro no limite. Tudo o que é necessário relatar vou relatar (...). Vou gravar durante dez dias com o Fernando Morais e ele escrever. Não será um livro chapa branca. As informações confidenciais, as necessárias, eu vou revelar. Confidências políticas eu posso revelar. Não posso revelar os segredos de Estado. Precisa expor para o país as limitações e os erros de um dos melhores governos que o país já teve até para pedir o voto para um novo mandato, se o presidente Lula resolver concorrer. Espero lançar o mais cedo possível, porque preciso de renda.”

 

Cassação política: “Não existe cassação política na Constituição brasileira. Isso é uma aberração. Ninguém pode ser cassado sem provas. Mas a maioria da câmara decidiu. Decidiu está decidido. Acato. Tenho serenidade (...). Ao decidir me cassar politicamente, o Congresso deu um passo arriscado. Espero que esse passo não se volte contra a democracia. Mas eu pergunto: o Congresso fará a reforma política ou vai acabar com a verticalização (...). O que conta pro país agora é fazer uma reforma política.”

 

Está ajudando financeiramente o Delúbio Soares? “Não tenho dinheiro nem para pagar a pensão das minhas filhas no mês que vem. Delubio tem uma vida simples. É uma pessoa honesta, não é corrupta. Cometeu erros e esta pagando por eles. Se não consigo nem me sustentar, vou sustentar o Delubio.

 

Como vai ganhar a vida? “A partir de segunda-feira eu tenho que trabalhar. Trabalho desde os 14 nos. Nunca ninguém me sustentou (...). Vou advogar. Estou organizando um escritório em São Paulo. Vai ser um escritório associado à Lílian Ribeiro, que já foi minha sócia.”

Escrito por Josias de Souza às 15h21

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Cenário benigno;juros em queda

A ata do último Copom, divulgada nesta quinta, sinaliza para novas reduções nas taxas de juros. O documento faz uma defesa da política monetária, que "vem contribuindo de maneira importante para conter as pressões inflacionárias, desde setembro de 2004, e para consolidar um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos".

O texto também afirma que a atividade econômica deve se recuperar nos próximos meses, mas num ritmo que não pressione para cima as taxas de inflação. O mercado externo, crêem os oráculos do Copom, "permanece favorável". O Brasil está, portanto, diante de um “cenário benigno".

Escrito por Josias de Souza às 12h48

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Ponha as barbas de molho

O PIB encolheu 1,2% no terceiro trimestre do ano, graças à combinação de juros altos, real valorizado e crise política. É a menor taxa desde o início de 2003, ano em que o Brasil arrostou uma estagnação que o fez expandir irrisórios 0,5%.

Os investimentos na economia recuaram. Depois de um crescimento de 4,7% no segundo trimestre em relação ao primeiro, recuou 0,9% entre julho e setembro e 2,1% contra 2004. É o que informam as Contas Nacionais Trimestrais, divulgadas pelo IBGE. O juro alto novamente foi apontado como o principal culpado.

As vendas dos supermercados caíram pelo quarto mês consecutivo. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados mostram que em outubro as vendas do setor tiveram queda real de 2,99% em relação ao mesmo mês de 2004. Em setembro, o recuo fora de 1,39%. 

Escrito por Josias de Souza às 08h43

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Alfinetando Palocci

A CPI do Fim do Mundo (Bingos) aprovou três requerimentos para aporrinhar o ministro Antonio Palocci (Fazenda). Um deles determina a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor particular de Palocci.

Ademirson trocou, desde 2003, mais de 2.300 ligações com a “turma de Ribeirão”, como é chamada a equipe de ex-assessores de Palocci na prefeitura da cidade. Antes de trabalhar em Brasília, Ademirson foi caixa das arcas de Palocci nas eleições para deputado e para prefeito.

A CPI também aprovou uma acareação entre os integrantes da “turma de Ribeirão” e a convocação do motorista Eder Eustáquio Soares de Macedo, que confirmou ter dirigido o carro que transportou, em 2002, caixas contendo supostamente dólares enviados de Cuba para a campanha de Lula. Hoje, Eustáquio trabalha no Ministério da Fazenda.

Escrito por Josias de Souza às 08h27

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Um cheiro familiar

Conforme noticiado aqui no último sábado, o desembargador Elpídio Donizetti Nunes, do Tribunal de Justiça de Minas, é autor de ação que tramita no STF contra a resolução antinepotismo no Judiciário. Ele jurou ao blog que não agia em causa própria. “Não tenho parentes empregados.” Não é bem assim.

 

A mulher e a sogra de Elpídio trabalham, sim, na Justiça estadual mineira. "Nenhuma delas pode vir a ser alcançada pelo Conselho Nacional de Justiça, se o STF não suspender a resolução. Minha mulher é concursada", disse Nunes à Folha (para assinantes).

 

Vejamos primeiro o caso da mulher. De fato, fez concurso, mas para o cargo de escrevente. Depois, foi alçada a cargo comissionado no gabinete do desembargador Armando Pinheiro. Ali, informa-se a quem telefona que, na verdade, trabalha em casa.

 

Agora o caso da sogra, Igeni de Lourdes Freitas, foi contratada por meio de uma empresa de prestação de serviços. Trabalha num cartório do fórum do tribunal. Elpídio diz que ela foi contratada num período em que o tribunal não realizava concurso.

 

O blog lança no ar uma pergunta: por que será que o desembargador Elpídio esquivou-se de mencionar essas coisinhas na entrevista que concedeu ao signatário na noite de sábado? Pior: por que afirmou que não tinha parentes empregados no Judiciário? Coisa feia.

Escrito por Josias de Souza às 08h09

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Só falta avisar para o eleitor

Falando a um grupo de 370 empresários, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), disse estar “entusiasmado” com a possibilidade de candidatar-se à presidência e de ocupar a cadeira de presidente (para assinantes da Folha). Deu-se num coquetel organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).

 

Alckmin foi apresentado no evento como “o futuro presidente da República do Brasil”. Arrebanhou 90% dos votos dos presentes em consulta feita na hora. No eleitorado geral, o governador enfrenta posição menos cômoda.    

 

Segundo o Datafolha, os votos de Lula somam no primeiro turno algo entre 30% a 33%, dependendo da lista de adversários. Serra teria 27%. E Alckmin 16%. Ou seja, agora só falta ao governador entusiasmar o eleitor.

Escrito por Josias de Souza às 07h47

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Manchetes desta quinta

- JB: Economia tem maior queda em 30 meses

- Folha: Economia encolhe 1,2%, pior resultado em dois anos e meio

- Estadão: Recuo de 1,2% do PIB surpreende

- Globo: Câmara expulsa ex-capitão de Lula - Dirceu é cassado por 293 votos a 192

- Correio: Do mensalão à cassação

Leias os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h29

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Arena pós-moderna

Arena pós-moderna

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Com seu formato circular, o plenário da Câmara assemelha-se a uma daquelas arenas romanas em que os leões só entravam em cena para devorar pobres e indefesos cristãos.

 

Em meio à decadência do império brasiliense, o circo fugiu aos padrões. Nesta quarta-feira, os leões mastigaram um César. Ou um Zé Dirceu, o que, aqui entre nós, dá no mesmo.

Escrito por Josias de Souza às 02h31

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Objeto da moda

O título aí acima foi tomado de empréstimo de um crônica de Carlos Drumonnd de Andrade.  José Dirceu decerto teria escapado às bengaladas da última terça-feira se houvesse lido o texto, publicado na Folha da Tarde de 1o de de fevereiro de 73.

 

Ressuscitada num concurso para consultor legislativo do Senado em 2002, a crônica tem como personagem central justamente da bengala. Ou “maçaranduba”, como prefere Drumonnd. É um artefato que, “à falta de melhor argumento, na polêmica, ergue-se inopinadamente.” Leia a íntegra abaixo. E cuide-se.

 

"Um objeto estranho ameaça incorporar-se à elegância masculina. Seu aparecimento ocorreu na Itália, e sua presença já se faz sentir em outras cidades européias. É a maçaranduba. A primeira singularidade da maçaranduba consiste em que ela absolutamente não participa da sorte das demais peças do equipamento humano a que se junta. É que a maçaranduba fica perto do vestuário, sem se ligar a ele.

 

É ciosa de sua independência, ao contrário dos outros elementos que colaboram na apresentação do homem em público. Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém liberdade de movimentos. E exige de nossa parte atenções especiais, sob pena de abandonar-nos à primeira distração. Concorda em fazer-nos companhia, mas sem o compromisso de aturar-nos o dia inteiro. Dir-se-ia, mesmo, que nós é que a acompanhamos no seu ir e vir pretensiosa pelas ruas.

 

A maçaranduba está sempre à mostra, ostensiva e vaidosa. Sua tendência é para assumir a liderança do conjunto e exibir-se em evoluções fantasiosas, que exigem certas habilidades do portador. Assim, quando não tem o que fazer (e de ordinário não tem) descreve círculos e volteios que pretendem ser graciosos em sua gratuidade.

 

A maçaranduba parece ter mau gênio? Parece, não; tem. Já o demonstrou sempre que algum transeunte lhe despertou antipatia ou lhe recordou episódios menos agradáveis. Ela não é de suportar opiniões contrárias às suas. À falta de melhor argumento, na polêmica, ergue-se inopinadamente, avança como um raio e procura alcançar a parte doutrinária alheia nos pontos mais vulneráveis, desde o lombo até os óculos.

 

Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador pague a nota dos estragos.

A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não-compactas, o que lhe permite estocar recursos ofensivos de grande temibilidade. Ao vê-la aproximar-se, tome cuidado, pois sua ira não se satisfaz com simples equimoses.

 

A impertinência da maçaranduba, para não dizer arrogância, deve-se talvez ao fato de que em outras eras foi símbolo de poder e, sob formas diversas, esteve ligada à realeza e a seu irmão gêmeo, o absolutismo. Em mãos governamentais, era duplamente terrível: pela contundência material e pela espiritual.

 

Diga-se em favor da maçaranduba, para que o retrato não fique excessivamente carregado, que algumas espécies são inclinadas à generosidade, e se comprazem em ajudar pessoas encanecidas ou faltas de visão. Contudo, trata-se de exceção."

Carlos Drummond de Andrade. Folha da Tarde, 1.º/2/1973 (com adaptações).

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Dirceu se isola em praia para gravar depoimentos

O Palácio do Planalto está em estado de alerta. Lula foi informado de que José Dirceu (PT-SP) viajará no início da próxima semana com o amigo escritor Fernando Morais. Os dois pretendem se isolar durante pelo menos dez dias numa casa de praia do Rio. Dirceu vai gravar uma série de depoimentos que serão usados num livro de Morais sobre os 30 meses do edx-ministro na Casa Civil da Presidência da República.

 

O livro terá um caráter biográfico. O presidente e alguns de seus auxiliares receiam que Dirceu cometa indiscrições nos relatos que fará diante do gravador. Depois de Lula, ninguém conhece mais segredos do PT e do governo do que o ex-chefe da Casa Civil.

 

Sintomaticamente, o Planalto passou a cercar Dirceu de atenções nos últimos dias. O mesmo governo que abandonara o ex-ministro à própria sorte por cinco meses, passou a rodeá-lo de mimos. Insinuou-se a montagem de uma operação para salvar Dirceu em plenário. Coisa para inglês ver.

 

Lula em pessoa discou para Dirceu 15 minutos antes do início da sessão da degola. Disse que torcia por ele. Ouviu uma resposta resignada. Dirceu disse ao ex-chefe que estava pessimista. Dava a cassação como favas contadas.

 

O tom realista de Dirceu contrastava com o otimismo de parlamentares que o auxiliaram na contabilidade dos votos. O deputado mensaleiro Vadão Gomes (PMDB-GO), ele próprio acomodado na fila da guilhotina, previu que Dirceu venceria com uma margem de cem votos.

 

O deputado Eduardo campos (PSB-PE), ex-ministro da Ciência e Tecnologia, disse a Dirceu que o saldo seria menor -30 votos-, mas a vitória não lhe escaparia. Só Paulo Rocha (PT-PA) parecia compartilhar do pessimismo de Dirceu.

 

Ex-líder do PT, Paulo Rocha preferiu renunciar ao mandato a enfrentar o suplício que Dirceu vem arrostando. Ontem, integrou-se à tropa de choque do ex-ministro. Em diálogo com Dirceu, disse que ele precisava tomar cuidado com o “IT”.

 

O que é isso?, quis saber Dirceu. "É índice de traição", explicou Rocha. Em outras palavras: como o voto na sessão de ontem foi sectreto, muitos deputados que prometeram absolver Dirceu na verdade votaram pela cassação.

 

Depois que retornar do retiro na praia com Morais, Dirceu cuidará dos preparativos finais para uma viagem que fará aos EUA. Passará uma temporada na prestigiosa universidade de Harvard, em Boston. Ganhou uma bolsa de estudos que começa em janeiro de 2006.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Dirceu decide até domingo se recorre de novo ao STF

José Dirceu (PT-SP) marcou para o final de semana uma reunião com o seu advogado José Luis Oliveira Lima. Os dois decidirão juntos se vão ou não protocolar um novo recurso no STF, dessa vez pedindo a anulação da sessão em que o mandato de Dirceu foi cassado na noite passada.

 

O blog apurou que Oliveira Lima aconselhou Dirceu a recorrer. O ex-ministro hesita. Acha que o recurso pode ser uma perda de tempo. Mas aceitou seguir a estratégia traçada por seu advogado.

 

Reunidos uma hora antes do início da sessão da Câmara, os dois combinaram que só Dirceu falaria em nome da defesa. Embora dispusesse de 25 minutos para discursar da tribuna, Oliveira Lima achou melhor não se pronunciar. O silêncio reforça a tese que planeja esgrimir num eventual recurso ao Supremo.

 

O recurso, na verdade, já está esboçado. Argumenta-se no rascunho que o advogado não pôde defender o seu cliente porque só teve acesso ao novo relatório de Julio Delgado (PSB-MG), relator do processo de Dirceu, minutos antes da sessão da Câmara.

 

O STF ordenara na tarde desta quarta que o Conselho de Ética excluísse dos autos o depoimento da presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo. Por isso o relatório de Delgado teve de ser refeito. Distribuíram-se cópias entre os deputados. Mas Oliveira Lima alega que só teve acesso ao texto em cima da hora.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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Placar final: 293 X 192

Eis o placar final da votação em que foi cassado há pouco no plenário da Câmara o mandato de José Dirceu (PT-SP): 293 votos a favor da cassação, 192 contra, oito abstenções, um voto branco e um nulo. No total, foram consideradas 495 cédulas, incluindo a branca e a nula.

Os 293 votos contra Dirceu excederam em 36 o número mínimo exigido para a cassação do mandato: 257. O ex-chefe da Casa Civil teve melhor desempenho do que Roberto Jefferson (PTB-SP), cassado por 313 votos contra 156.

Escrito por Josias de Souza às 23h32

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Lula para Dirceu: estou contigo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para José Dirceu (PT-SP) às 18h 50 desta quarta-feira. O deputado encontrava-se no gabinete da liderança do PT na Câmara. Os dois conversaram durante cerca de três minutos. Lula disse ao seu ex-chefe da Casa Civil que torcia por sua absolvição no julgamento que estava marcado para dali a 15 minutos. "Estou contigo, amigo".

Lula Recomendou a Dirceu que recebesse com "serenidade" o resultado, fosse ele favorável ou negativo. Dirceu respondeu que estava pessimista. Achava que seria cassado, o que de fato aconteceu. Telefonaram também para José Dirceu os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Os dois se solidarizaram com o ex-colega de Esplanada.

Escrito por Josias de Souza às 23h19

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Cassado José Dirceu

O plenário da Câmara acaba de cassar, em votação secreta, o mandato do deputado federal José Dirceu (PT-SP), 69. A apuração dos votos prossegue, mas 257 deputados já votaram contra o ex-chefe da Casa Civil, número suficiente para determinar a perda do mandato.

 

Dirceu é o segundo parlamentar a ser cassado por conta da crise política iniciada há cinco meses. Antes dele, a Câmara já havia podado o mandato de Roberto Jefferson (PTB-RJ). Outros quatro parlamentares –Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR)– renunciaram para fugir à cassação. E um sétimo deputado foi absolvido por “falta de provas”: Sandro Mabel (PL-GO).

 

A cassação impôs a José Dirceu a perda dos direitos políticos. Ele ficará inelegível até 2015. Só poderá concorrer a eleições novamente, se quiser, no pleito municipal de 2016. Dirceu não esperou pelo anúncio do resultado. Votou às 22h59 e deixou o prédio da Câmara.

 

A crise que ceifou o mandato de Dirceu foi iniciada em 6 de junho. Nesse dia, a Folha publicou uma entrevista-bomba do deputado Roberto Jefferson. Então aliado do governo, ele denunciou o esquema do mensalão, suposto pagamento de mesada a parlamentares para que votassem projetos de interesse do governo no Congresso.

 

Dirceu fora apontado por Jefferson como “chefe do mensalão”. Deixou a Casa Civil 48 horas depois que o denunciante pronunciou, em depoimento na Comissão de Ética da Câmara, o seguinte repto: “Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, você vai fazer réu um homem inocente, o presidente Lula. Dirceu saiu.

 

Nos próximos dias, Dirceu planeja viajar para uma praia deserta, para descansar. “Estou exausto”, queixou-se ontem. Ele será acompanhando pelo amigo e escritor Fernando Morais, a quem prestará depoimentos para um livro.

Escrito por Josias de Souza às 23h02

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Iniciada a apuração dos votos

Aldo Rebelo, presidente da Câmara acaba de declarar encerrada a votação do processo de cassação do mandato de José Dirceu. Estavam presentes à Câmara 501 dos 513 deputados, dos quais 405 votaram. Começa agora a apuração dos votos. É coisa demorada. Os deputados votaram em cédula. Serão contadas uma a uma.

Joosé Dirceu votou em favor da própria absolvição exatamente às 22h59. Em seguida, deixou a Câmara. Um prenúncio de que talvez não esteja esperando que o resultado lhe seja favorável. Uma curiosidade: questionado por Alberto Goldman (SP), líder do PSDB, Aldo Rebelo disse que decidiu abster-se de votar. "Creio que, levando em conta a jurisprudência da magistratura, como estou presidindo a sessão, creio que possa declinar do direito de voto", afirmou Aldo.

Escrito por Josias de Souza às 22h18

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Dirceu: não peço clemência, peço justiça

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O deputado José Dirceu (PT-SP) acaba de encerrar o seu discurso de defesa. Abaixo, algumas as principais frases do discurso:

 

* “Não há provas contra mim. Não quebrei o decoro parlamentar. Nunca fui processado na minha vida. Fiquei 30 meses na Casa Civil e não tenho nenhuma ação contra mim.”

 

* “Nunca me neguei a ser investigado. Não é verdade que fui aos tribunais para ganhar mais tempo. Quero repelir. Não temo o julgamento dos meus pares. Acredito que é um dever meu, como cidadão e homem público, ser investigado.”

 

* “Não é verdade que essa casa votou as reformas do ano de 2003 a partir de compra de votos.”

 

* “O PT, errou, e meu partido já assumiu os seus erros, já pediu desculpas ao país. Não há nenhuma prova de que há recursos públicos, são recursos de empréstimos tomados pelas empresas de publicidade nos bancos BMG e Rural e repassados ao PT e do PT aos partido aliados. Não participei de nenhuma decisão. Se tivesse participado teria assumido no primeiro dia (...). Não sou cidadão de negar o que eu pratiquei.”

 

* “Não vou assumir aquilo que não fiz. Quem fez está respondendo na Justiça comum e eleitoral. Não tive nenhuma participação em repasses de recursos para campanhas eleitorais. Quais as acusações que me fazem? Que eu deveria saber. Mas essa acusação não pode ser aceita por nenhum tribunal.”

 

* “Não há mais cassação por razões políticas. Não posso ser cassado porque fui presidente do PT, porque coordenei a campanha do presidente Lula, porque fui ministro do governo Lula, não posso ser cassado por causa da minha história. É preciso prova material.”

 

* “Degola política existia na República Velha. Não podemos permitir que essa Casa se transforme num tribunal de degolas políticas (...). Não podemos transformar essa Casa em tribunal de exceção. Não pode haver relaxamento processual. Não pode haver rito sumário. Não podemos agir por pressão da opinião publicada, que exigia que fossem cassados os deputados acusados, o mais rápido possível, sem o devido processo legal.”

 

* Não quero misericórdia nem clemência. Quero justiça. Que cada deputado e deputada vote com a sua consciência.” (aplausos).”

 

* “Tenho compromisso com a luta contra a corrupção. Não há nada na minha vida que prove o contrário. Em todos os cargos que ocupei combati a corrupção. Não fui omisso, não prevariquei, muito menos participei”

* “Essa casa está me julgando, mas está também enfrentando um auto-julgamento.”

Escrito por Josias de Souza às 20h06

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Questionada autoridade de Aldo

José Cruz/ABr
 

 

O deputado Alceu Colares (PDT-RS) formulou uma questão de ordem questionando da tribuna a autoridade de Aldo Rebelo (PcdoB-SP) para presidir a sessão. Alegou que, tendo prestado depoimento ao Conselho de Ética como testemunha de José Dirceu, ele não poderia dirigir a sessão.

 

Abespinhado, Aldo (na foto, ao centro) discursou por dez minutos para rebater a suspeição invocada pelo colega. Falou em timbre enfático. “Não admito, como presidente da Câmara, como deputado, como homem público, como cidadão, que a honradez, o equilíbrio e o espírito de justiça e de rigor com que sempre pautei a minha vida seja posto em dúvida numa hora dessas. Por isso, indefiro a questão de ordem”.

 

A sessão prossegue. Fala agora o deputado José Dirceu. Ele ocupará todo o tempo da defesa. Dispensou a fala de seu advogado. Terá direito a 50 minutos.

Escrito por Josias de Souza às 19h26

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Relator defende a cassação

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, acaba de anunciar que há no plenário da Câmara 260 deputados. É pouca gente. Mas atingiu-se o quorum mínimo, que é de 257. Assim, Aldo passou a palavra a Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra José Dirceu no Conselho de Ética. Delgado falará por 25 minutos.

Depois, acontecerá o seguinte:

1. O advogado José Luis Oliveira Lima, defensor de Dirceu, ocupará a tribuna por 25 minutos;

2. José Dirceu, o acusado, também disporá de 25 minutos para discursar da tribuna;

3. Em seguida, os microfones serão abertos ao plenário. Falarão todos os deputados que quiserem. Se quiserem, os líderes podem propor à mesa a interrupção dos discursos. Mas a decisão depende da vontade do plenário;

4. Concluída a fase dos discursos, passa-se à fase de votação, feita com cédulas de papel. O voto será secreto. É preciso pelo menos 257 votos para cassar ou absolver Dirceu.

José Delgado já começou o seu discurso. Nada de novo. Apenas repete os argumentos que já expôs em três votações no Conselho de Ética. Fala das relações de Dirceu com Delúbio Soares; dos supostos favores de Marcos Valério a Angela Saragosa, ex-mulher de Dirceu; das visitas de Valério ao Gabinete Civil... E vai por aí.

Escrito por Josias de Souza às 18h46

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Aberto o julgamento de Dirceu

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) acaba de abrir a sessão extraordinária convocada para votar o processo de cassação do mandato de José Dirceu (PT-SP). Resta saber se a estratégia de Dirceu de esvaziar o plenário dará resultados. É preciso que estejam presentes pelo menos 257 dos 513 deputados. Tudo indica que haverá quorum.

Escrito por Josias de Souza às 18h10

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Palocci esperava queda menor do PIB

Falando de Puerto Iguazú (Argentina), o ministro Antonio Palocci (Fazenda) disse ter ficado surpreso com a queda do PIB. Esperava pelo tombo no terceiro trimestre. Mas a queda de 1,2% "foi um pouco acima do previsto".

 

Não há de ser nada, disse Palocci. "Olhando a continuidade do aumento das vendas e a continuidade do aumento da renda, vemos que o crescimento não vai parar", disse o ministros. "Não há crescimento em nenhum ciclo importante e longo que não tenha momentos de queda".

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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STF não sabe somar!

  Lula Marques/Folha Imagem
A decisão que o STF tomou na tarde desta quarta-feira, desfavorável a José Dirceu (PT-SP), deixou no ar uma interrogação: se o placar estava empatado em cinco a cinco, como proclamara Nelson Jobim na semana passada, o voto de Sepúlveda Pertence, a favor do adiamento do processo, não deveria ter liquidado a questão? Pois, curiosamente, não liquidou.

 

Súbito, descobriu-se que a palavra de Pertence, aguardada por uma semana como suposto voto Minerva, não definiu a parada. E o resultado, que parecia favorável a Dirceu, tornou-se contrário ao ex-ministro.

 

Depois que Pertence proferiu o seu voto, Nelson Jobim fez um resumo da divisão que se estabelecera no plenário. Cinco indeferiram integralmente o recurso de Dirceu: Joaquim Barbosa, Carlos Brito, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Carlos Veloso. Opinaram pelo prosseguimento do processo.

 

Um sexto ministro, Cezar Peluso, acolheu apenas parcialmente as alegações da defesa. Posicionou-se favoravelmente à exclusão dos autos de um depoimento questionado pelos advogados de Dirceu, o de Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural. Feita a supressão, o julgamento poderia, na sua opinião, prosseguir normalmente.

 

Ora, tinha-se, portanto, já na semana passada, um número de seis ministros, e não apenas cinco, favoráveis ao prosseguimento do processo. Só quatro votaram pela devolução dos autos ao Conselho de Ética, para reinquirição de testemunhas: Marco Aurélio de Mello, Celso de Melo, Eros Grau e o próprio Nelson Jobim.

 

Ou seja, o julgamento de Dirceu não deveria ter sido adiado. A fatura fora liquidada já na sessão do STF da semana passada. Mas, curiosamente, o voto de Peluso foi usado para engrossar a soma dos que defendiam a reinquirição de tesmunhas. Aguardou-se pela manifestação de Sepúlveda Pertence desnecessariamente.

 

É curioso notar como até a matemática do Supremo tem as suas peculiaridades.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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Aldo mantém julgamento para hoje

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB) acaba de assinar um despacho negando o pedido formulado há pouco pela defesa do deputado José Dirceu. Ou seja, está mantida para daqui a pouco, às 19h05, a sessão especial em que será julgado o processo de cassação do mandato do ex-chefe da Casa Civil.

Em seu despacho, Aldo argumenta que a decisão do STF foi muito clara. Para que o processo prossiga, basta que dele seja retirado o depoimento de Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural, e todos os trechos que façam referência a ele. O que já foi feito.

Encontram-se à disposição dos 513 deputados, no setor de avulsos da Câmara, cópias do parecer do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo de Dirceu no Conselho de Ética. Já estão sem o depoimento cuja supressão foi ordenada pelo Supremo.

Confirmado o julgamento, Dirceu manobra agora para tentar esvaziar a sessão de logo mais. Conta com o auxílio do PT. O Palácio do Planalto também move as suas engrenagens para tentar ajudar o ex-ministro. A maioria da Câmara aposta que, a despeito de todos os esforços de última hora, a lâmina deve descer sobre o pescoço de Dirceu.

Escrito por Josias de Souza às 16h37

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Defesa avalia que julgamento será mantido

O blog apurou que o advogado José Luis Oliveira Lima disse ao deputado José Dirceu (PT-SP), seu cliente ilustre, que acha improvável que Aldo Rebelo (PCdoB-SP) adie a sessão extrarodinária da Câmara marcada para as 19h05. Oliveira Lima discutirá agora com Dirceu se convém ou não recorrer ao STF contra eventual cassação do mandato do ex-chefe da Casa Civil.

"Isso ainda não decidimos", disse Oliveira Lima há pouco, em diálogo telefônico com um amigo. Por precaução, o advogado de Dirceu leva consigo um recurso já redigido. Concentra-se agora na preparação da defesa oral que fará em plenário, caso Aldo Rebelo mantenha a sessão de logo mais, como parece provável.

Escrito por Josias de Souza às 16h18

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Dirceu pede a Aldo que adie julgamento

Este blog acaba de obter uma cópia da petição que os advogados de José Dirceu entregaram há pouco ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP), para tentar adiar a sessão marcada para as 19h05. No documento, a defesa do ex-chefe da Casa Civil, sustenta que a supressão de um depoimento do processo, determinada pelo STF, impede que o julgamento ocorra hoje.

 

O documento tem cinco páginas. É assinado pelos dois advogados que defendem o ex-chefe da Casa Civil: José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dalla’acqua. Em síntese, eles afirmam o sequinte:

 

1. O Supremo determinou que seja retirado do processo o depoimento de Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural. A supressão provoca “expressiva alteração no parecer” do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo no Conselho de Ética. Na prática, “criou-se um novo parecer, significativamente diferente daquele que foi confeccionado pelo relator (...)”

 

2. O “novo parecer” deve ser “submetido à apreciação, discussão e votação pelo Conselho de Ética.” Além disso, a presidência da Câmara teria de providenciar “nova publicação” do parecer do Diário do Congresso;

 

3. Ates de ser lido em sessão plenária da Câmara, o parecer precisa ser conhecido pelos deputados que irão julgar Dirceu e pela própria defesa do ex-ministro, para que possa se preparar. Seria “absurdo”, sustenta a petição, que os defensores só tivessem ciência do novo parecer “instantes antes da realização da defesa em plenário”.

 

4. Ao final, os advogados pedem a Aldo Rebelo que devolva o processo ao Conselho de Ética. O que inviabilizaria a sessão de logo mais.

 

O presidente da Câmara deve ouvir a sua assessoria jurídica. É grande a pressão para que ignore a petição dos advogados de Dirceu, mantendo o julgamento para as 19h05. Neste caso, a defesa do ex-ministro promete apresentar novo recurso ao STF, pedindo que a eventual cassação do mandato seja anulada.

 

Pressione AQUI para ler a íntegra da petição redigida pelos advogados de José Dirceu.

Escrito por Josias de Souza às 15h13

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Dirceu perde no STF: 6 X 5

O STF acaba de autorizar a Câmara a dar prosseguimento ao julgamento do processo de cassação de José Dirceu (PT-SP). Houve divisão do plenário. Ao final, por seis votos contra cinco, prevaleceu a posição defendida pelo ministro Cezar Peluso. Será retirado do processo o depoimento da presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo. E a Câmara poderá dar seqüência ao julgamento.

 

Votaram em favor do prosseguimento do processo, além de Peluso, os ministros Joaquim Barbosa, Carlos Brito, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Carlos Veloso. Foram votos vencidos os ministros Eros Grau, Celso de Melo, Marco Aurélio de Mello, Sepúlveda Pertence e Nelson Jobim.

 

Os ministros derrotados defendiam a suspensão do processo, que teria de ser devolvido ao Conselho de Ética. Ali, seriam reinquirições de testemunhas. O procedimento seria necessário porque o conselho, segundo reclamam os advogados de Dirceu, inverteu a ordem de audição das testemunhas. Ouviram-se primeiro as de defesa e, depois, as de acusação. A defesa teria sido impedida de exercer o direito ao contraditório.

 

Prevalecendo a posição de Peluso, a Câmara está agora autorizada a dar seqüência ao processo. A sessão de julgamento está marcada para a sessão extraordinária das 19h05. Os defensores de Dirceu tentarão agora adiar a decisão para a semana que vem (veja despacho abaixo).

Escrito por Josias de Souza às 14h39

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Voto de Pertence é pró-Dirceu

  Lindomar Cruz/ABr
O ministro Sepúlveda Pertence (na foto) acaba de desempatar a votação no STF em favor de José Dirceu (PT-SP). Ou seja, decidiu que o processo deve ser devolvido ao Conselho de Ética, para que sejam reinquiridas as testemunhas.

 

O presidente do Supremo fez, então, um resumo do quadro: os ministros Joaquim Barbosa, Ellen Gracie, Gilmar Mendes e Carlos Veloso indeferiram totalmente a liminar. Outros cinco ministros -Marco Aurélio, Eros Grau, Celso de Mello, Sepúlveda Pertence e o próprio Jobim concedem a liminar, determinando a suspensão do processo, para reinquirição das testemunhas. 

 

Outro ministro, Cezar Peluso, concedeu a liminar. Mas não concordou com a suspensão do processo. Em vez de determinar a reinquirição das testemunhas, acha que a simples supressão de um depoimento do processo, o da presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, seria suficiente para eliminar os vícios apontados pela defesa de Dirceu.

 

"Temos cinco votos na linha do relator, indeferindo. Temos cinco votos deferindo em parte a liminar. E, considerando-se o voto do ministro Peluso, temos seis votos deferindo em parte a liminar"resumiu Jobim. "Há divergência quanto ao conteúdo do deferimento. A questão é saber qual é o voto médio que temos. Faço uma analise matemática (...). Entendo que a média seria favorável à supressão do depoimento de uma testemunha e a continuidade do processo. Submeto essa avaliação ao plenário".

 

Os ministros agora discutem o que fazer. A prevalecer a análise "matemática" de Jobim, o processo contra Dirceu vai prosseguir, dispensando-se a reinquirição de testemunhas.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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Começa sessão do STF

Acaba de começar a sessão do STF em que o ministro Sepúlveda Pertence desempatará a votação em relação ao recurso de José Dirceu (PT-SP). Antes de proferir o voto, Pertence protestou contra insinuações publicadas no noticiário de que teria se ausentado na sessão da semana passada por conveniência. Entrou agora na análise do caso.

Escrito por Josias de Souza às 13h23

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Dirceu pedirá suspensão da sessão da Câmara

  José Cruz/ABr
Informado de que o Conselho de Ética da Câmara providencia, a toque de caixa, a publicação de um novo relatório sugerindo a sua cassação, José Dirceu (PT-SP) arma o contra-ataque. Já está pronta a petição que o advogado José Luís Oliveira Lima (na foto) entregará a Aldo Rebelo (PcdoB-SP), presidente da Câmara, caso o STF decida autorizar, daqui a pouco, o prosseguimento do julgamento de Dirceu. Pede 
o adiamento da sessão marcada para as 19h05. Se o pedido for negado, Oliveira Lima irá ainda hoje ao Supremo, dessa vez para pedir a anulação do julgamento.

 

O blog acaba de ouvir o advogado de Dirceu. Eis a entrevista:

 

- O que o sr. fará se o STF autorizar o julgamento para hoje?

José Luís Oliveira Lima - Caso saia a solução Peluzo, entro com uma petição na presidência da Câmara.

- O que o sr. chama de solução Peluzzo?

Oliveira Lima - Me refiro à posição do ministro Cezar Peluzo, que defende que seja suprimido do voto do deputado Júlio Delgado (relator do processo no Conselho de Ética) o depoimento da senhora Kátia Rabelo (presidente do Banco Rural). Se prevalecer essa posição no Supremo, autorizando o prosseguimento do processo, entregarei a petição ao presidente Aldo Rebelo.

- Ainda hoje?

Oliveira Lima – Saio do Supremo e vou direto para o presidente da Câmara. Entregarei uma petição dizendo que a decisão do STF obriga a publicação de um novo relatório do Conselho de Ética. Esse parecer precisa ser publicado no Diário do Congresso e a defesa tem que ter acesso. Só depois, o processo poderia ser submetido ao plenário. Portanto, não pode ser hoje.

- Como deveria ser a nova tramitação?

Oliveira Lima - Depois da nova publicação, teríamos que ter um prazo de duas sessões. O julgamento só poderia ocorrer em 7 de dezembro, semana que vem.

- O julgamento ainda hoje prejudicaria a defesa?

Oliveira Lima – Claro que sim. Como é que podemos ir a plenário, para fazer a defesa do deputado Dirceu, com toda a amplitude que o caso requer, se tivermos acesso ao novo relatório minutos antes da sessão. Isso seria inacreditável.

- E se Aldo Rebelo não acatar a sua petição?

Oliveira Lima – Neste caso, entro com novo mandado de segurança no Supremo.

- Ainda hoje?

Oliveira Lima – Sim, hoje ainda.

- Neste novo mandado de segurança, o sr. argumentaria o quê?

Oliveira Lima – Mais uma vez o argumento seria o de que foi violado o direito de defesa.

- O sr. não acha que o Congresso tem as suas razões para apressar o julgamento?

Oliveira Lima- Não há no mundo uma justificativa para rasgar a Constituição, violando os direitos individuais.

- Suponha que o STF não julgue o seu mandato de segurança hoje e que a sessão da Câmara casse o mandato de José Dirceu. O que fazer?

Oliveira Lima – Nós pediremos, em liminar, a suspensão da sessão. Caso não haja tempo para julgar, depois, ao analisar o mérito do recurso, o Supremo pode anular o julgamento de hoje.

- Esses novos recursos já estão prontos?

Oliveira Lima- Estamos com a petição à presidência da Câmara pronta. O novo mandado de segurança ao STF está no forno.

Escrito por Josias de Souza às 12h16

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PIB em queda

A economia teve retração de 1,2% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores. O dado acaba de ser divulgado pelo IBGE. Trata-se da maior queda em dois anos e meio. No primeiro trimestre de 2003, a queda fora de 1,3%.

Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve expansão de 1% no PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país). No acumulados dos nove primeiros meses de 2005, a alta é de 2,6%.

Escrito por Josias de Souza às 09h12

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O tempo fechou

Brasília amanheceu com céu fechado nesta quarta-feira, dia em que José Dirceu (PT-SP) joga o mandato no STF e na Câmara. A previsão do tempo acomoda sobre a cabeça do ministro, ontem golpeada por uma bengala insensata, nuvens carregadas.

O CEPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) prevê que o tempo permanecerá nublado, com chuvas na maior parte do dia. Há previsão de pancadas fortes em algumas localidades -no STF? Na Câmara? 

Seja como for, perdendo ou ganhando, sob chuva ou sob Sol, o ex-chefe da Casa Civil não deve se preocupar. Afinal, em dois ou três mil anos, todos seremos fósseis.

Escrito por Josias de Souza às 08h56

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As manchetes desta quarta

- JB:Tensão no campo - Invadir terra agora é crime hediondo

- Folha: Planalto e PT atuam para tentar salvar José Dirceu

- Estadão: Para juízes, Supremo faz o jogo do Executivo

- Globo: Controle externo - Conselho manda tribunal julgar já caso de 38 anos

- Correio: O inferno de Dirceu

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 08h30

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Novela Dirceu: último capítulo?

José Dirceu pode ser, finalmente, julgado hoje no plenário da Câmara. A sessão está marcada para as 19h05. Antes, à tarde, o STF concluirá o julgamento do último recurso de Dirceu.

 

Brasília acalenta a expectativa de que o Supremo opte por uma solução que dê razão parcial aos advogados de Dirceu, mas não a ponto de determinar o adiamento do encontro do deputado com o cadafalso.

Nas conversas que manteve ontem, Dirceu disse que seu destino não seria selado hoje. Acha que o julgamento só ocorrerá em 7 de dezembro. De qualquer modo, uniu-se a uma tropa de choque de petistas e amigos de outros partidos num corpo a corpo em busca de votos contra a cassação.

O Palácio do Planalto emitiu nas últimas horas sinais diferentes dos que começara a disparar quatro meses atrás. O governo parece já não estar tão empenhado em ver Dirceu cassado (para assinantes da Folha).

O ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) tem manifestado em diálogos com líderes de partidos aliados que a cassação de Dirceu não é mais boa notícia para o Planalto. Essa avaliação estimulou a cúpula do PT a fazer uma operação de última hora para tentar salvar o deputado.

A articulação do governo e do PT consiste em pedir que setores das legendas que apóiam o governo não compareçam à sessão em que será votada a cassação do mandato do deputado. Acusado de ser um dos responsáveis pelo esquema do "mensalão", Dirceu nega, dizendo não haver provas.

Escrito por Josias de Souza às 03h08

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Ordem e Progresso

O signatário do blog preparou para seus leitores uma seqüência de textos biográficos sobre o personagem do dia, o deputado José Dirceu. São passagens extraídas do livro "Abaixo a Ditadura" (Editora Garamond, 1998). Foi escrito pelo próprio Dirceu, em parceria com Vladimir Palmeira.

O Zé Dirceu do livro transcende o quadro social e familiar em que foi criado. Nasceu em 16 de março de 46, nas pegadas da bomba atômica, jogada sobre Hiroshima e Nagasaki sete meses antes. Vem de lar católico de Passa Quatro (MG).

Integrava "uma pequena gangue de garotos". Identificavam-se por um assobio. "Que acabou se tornando o terror da cidade." Amarravam barbante em rabo de cachorro, roubavam frutas nos quintais... "Eu era o pior."

Ouça-se o que diz o próprio Dirceu: "Quando se falava de um menino insuportável, desses que ninguém agüenta na escola, diziam: "Esse aí parece o Zé Dirceu". Quando saí da cidade, as professoras e as mães soltaram fogos, se alegraram: "Estamos livres do Zé Dirceu"."

Dono de uma tipografia chamada Ordem e Progresso, seu Castorino, o pai de Zé Dirceu, era udenista. O sócio dele, João Mota, do PTB getulista. Travavam fervorosas polêmicas, seguidas com atenção pelo pequeno Zé Dirceu.

Escrito por Josias de Souza às 02h36

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O cofre do Ademar

Em 61, aos 15 anos, José Dirceu mudou-se para São Paulo. Espremia-se com sete rapazes numa quitinete. Decorridos oito meses, foi expulso. "Eu aprontava muito."

Empregou-se como "office-boy" numa imobiliária. O dono, Nicola Avalone, era deputado estadual pelo PDC. A convivência com Avalone lhe rendeu um "curso prático de política".

Ia diariamente à Assembléia Legislativa de São Paulo. "Presenciei acordos e articulações, vi o Ademar de Barros governar, soube do famoso dr. Rui -apelido que ele dava à amante, de cuja casa a guerrilha levaria um cofre de dólares."

Embora menor, frequentava cabarés. "Eu podia ter virado um trombadinha". Estudava à noite no Colégio Paulistano. Sob Jango, reunia-se com colegas para ler Marx e Lenin.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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A primeira cana

Em 64, ano do golpe, José Dirceu levou bomba na USP. Passou na PUC, curso de direito. Adorava história e geografia. Detestava matemática, física e química.

Integrou-se à "Turma da Canalha", que se insurgia contra hábitos impostos pela direção da PUC. Exigiram que homens e mulheres, antes separados, passassem a se misturar em sala de aula.

Sentava-se à mesa do professor, acomodava os pés sobre as carteiras... Virou sensação. Em 65, filiou-se ao PCB. Em 66, a primeira prisão tonificou-lhe a fama.

Morava só. Namorava a "deslumbrante" Iara Iavelberg, que mais tarde viveria com Carlos Lamarca e, como ele, seria assassinada na Bahia. Simultaneamente, dividia colchões com Ivone, uma bailarina espanhola.

Certa noite, policiais invadiram o apartamento. Levaram-no preso. Franco Montoro, professor na PUC, depôs a seu favor. Solto, descobriu a razão da cana.

Afeiçoara-se a dois vizinhos italianos, também detidos. Eram militantes de uma célula clandestina e militarizada da ALN. "Entrei de gaiato na história. Convenci a polícia de que só queria sair com as meninas, curtir a vida."

Escrito por Josias de Souza às 02h32

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Jornalista frustrado

Em 67, José Dirceu já dirigia a União Estadual dos Estudantes. Vinculou-se à Dissidência, corrente que se descolou do PCB, "aburguesado". Opunha-se, porém, à luta armada.

Tentou virar articulista de jornal. Entregou um texto a Cláudio Abramo. Queria vê-lo publicado na Folha. Abramo leu, amassou e jogou no lixo.

"Você gosta de ler? Então continua lendo. Depois, escreve de novo e traz outro artigo". Manteve o relacionamento com Abramo. Mas não ousou um segundo texto. "Entendi o recado."

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Antro do Zé

São Paulo , 1968. Tempo de Beatles, de Tropicália, de amor livre, de culto a Che Guevara, de ebulição universitária, de repressão militar... A USP, parcialmente tomada por estudantes, fervilhava. Uma das salas, antes voltada ao ensino de grego, passou a chamar-se "antro do Zé Dirceu".

Era ali que o líder da estudantada, cabeludo boa-pinta, tenros 22 anos, extravasava as pulsões sexuais. Heloísa, 19, bela morena com quem saía havia dias, deixara-se conduzir ao "antro". No instante em que se despiam, Zé Dirceu, cujo nome já vinha precedido de fulgurante legenda, acomodou sobre uma mesinha o 22 que trazia na cintura.

Súbito, Heloísa apossou-se do revólver. Soltou a trava e abriu a arma. Tal foi a sua destreza que Zé Dirceu farejou algo suspeito. Olhos grudados no dorso de Heloísa, pensou: "Que pena, essas costas tão lindas..." Pediu que esperasse. Foi ter com os companheiros que zelavam por sua segurança.

"Podem ir lá, acho que a menina é da polícia." Detiveram-na. Numa incursão pelo apartamento dela, deram com relatórios recheados de nomes e um organograma do movimento estudantil.

Escrito por Josias de Souza às 02h23

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Queda de Ibiúna

A descoberta do cavalo de tróia de saias que a polícia infiltrara na sala de grego havia indicado a José Dirceu que a repressão preparava o bote. Deu-se em outubro de 68, num sítio de Ibiúna (SP), durante o célebre congresso estudantil.

Reuniram-se 800 estudantes. Elegeriam o presidente da UNE. Zé Dirceu concorreria. Surpreendidos pela polícia, foram à garra. Ficharam-se todos. Liberou-se a maioria.
Oito líderes foram levados ao Forte Itaipu, em Santos. Beneficiados por habeas corpus, quatro saíram. O resto ficou no xilindró. Entre eles, Zé Dirceu. Coisa moderada, sem tortura.

Foram libertados em 7 de setembro de 69, junto com um grupo de políticos, trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick. Zé Dirceu rumou para Cuba. Recebeu-o Fidel Castro. Abrigou-se na "casa dos 28", ninho de treinamento de guerrilha.

Escrito por Josias de Souza às 02h20

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Operação plástica

José Dirceu entrou de volta no Brasil em 71, como integrante do Molipo (Movimento de Libertação Popular). Um equívoco que poderia ter-lhe custado o pescoço. Voltou a Cuba no mesmo ano, fez plástica no rosto com médicos chineses e, em 75, retornou ao Brasil.

Vivendo clandestinamente em Cruzeiro do Oeste (PR), sob falsa identidade, na pele de dono de alfaiataria, virou mito. Casou-se com uma dona de butique, teve um filho e só emergiu depois da anistia, com o rosto reconstituído por nova plástica cubana. Elegeu-se deputado estadual e federal. Apossou-se da máquina do PT.

Hoje, 60, cabelos ralos, levemente nevados, Dirceu escreve o mais dramático capítulo de sua biografia. Depois de ter ocupado o posto de segundo homem da República, caiu sob a acusação de chefiar um esquema de perversões.

Joga agora o mandato no plenário da Câmara. Vencendo ou perdendo, não terá o futuro que o inquieto estudante Zé Dirceu pleiteava para si. Talvez não haja mais clandestinidade capaz de livrá-lo de um epílogo azedo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

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Justiça lenta, muito lenta, lentíssima

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tomou ontem a decisão inédita: deu prazo de 60 dias para que seja julgado e tenha sentença publicada um processo que tramita há 38 anos em Goiás. Sim, é isso mesmo. Você não leu errado. Há em Goiás um processo judicial que tramita sem sentença a quase quatro décadas.

Iniciada em 1967, a causa envolve uma disputa por demarcação de terras. Até hoje, o Judiciário goiano não se dignou nem mesmo a indicar um juiz para cuidar do caso. Impressionados, os integrantes do CNJ determinaram a indicação imediata do magistrado.

Escrito por Josias de Souza às 01h17

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BB decide em plebiscito como gastar R$ 5,846 bi

O Banco do Brasil e a Previ, maior fundo de pensão do país, adotaram uma novidade gerencial: estão decidindo por meio de um plebiscito como gastar R$ 5,846 bilhões. Iniciada em 21 de novembro, a votação terminou ontem à tarde. À noite, o resultado já se insinuava: os funcionários inativos do BB estão na bica de receber um generoso reajuste de suas aposentadorias.

 

O reajuste custará R$ 3,703 bilhões. Em troca, a Previ será forçada a repassar ao BB R$ 2,143 bilhões. Daí o custo de R$ 5,846 bilhões. Abaixo, um resumo do que está acontecendo:

 

1. o BB tem 59 mil inativos. Cerca de 17 mil, que penduraram a gravata depois de 97, reclamam de defasagem na aposentadoria, provocada por mudanças nas leis e nos estatutos da Previ;

 

2. a Previ tem sobra de caixa de R$ 14 bilhões. Poderia usá-la para bancar o reajuste, Há, porém, um problema;

 

3. a exemplo dos bancários ativos, os inativos do BB contribuem para o caixa da Previ. Para cada real que entregam ao fundo, o BB é obrigado a aportar outro real. Assim, um reajuste na aposentadoria levará a um aumento nos aportes que o banco é obrigado a fazer;

 

4. Vem daí que o BB condicionou o reajuste a uma contrapartida de R$ 2,143 bilhões. O dinheiro ficará na Previ. Mas será posto à disposição do BB, que o utilizará para abater contribuições futuras que terá de fazer ao caixa da própria Previ;

 

5. a manobra foi tentada em 2002, sob FHC. Mas houve resistência dos representantes dos trabalhadores no conselho da Previ. O tucanato interveio no fundo de pensão. E três sindicatos de bancários –São Paulo, Rio e Brasília-, vinculados à CUT, foram à Justiça;

 

6. o sindicalismo venceu o primeiro round. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,273 bilhões. Atualizados monetariamente, somam hoje R$ 5,846. É esse dinheiro que Previ e BB resolveram partilhar, agora sob surpreendentes aplausos dos sindicatos da CUT, que acenam com a retirada da ação judicial;

 

7. as primeiras parciais do plebiscito indicavam na noite passada que mais de 70% dos bancários do BB disseram “sim” à negociação. Não têm outra alternativa. A direção do BB, leia-se o governo, tem o voto de minerva no conselho da Previ, o que lhe dá o direito de proferir sempre a palavra final;

 

8. deputados petistas como José Pimentel (CE), que no governo passado atacavam em panfletos a tentativa do BB de apoderar-se de recursos da Previ, hoje calam-se. Um dos funcionários que FHC nomeou como interventor da Previ em 2002, Carlos Eduardo Esteves Lima, é hoje assessor do Gabinete Civil de Lula. Trabalha na Subchefia de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais, sob Dilma Rousseff. 

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Ele não vai

Lula mandou dizer aos responsáveis por sua segurança que não irá a Goiânia (GO) no próximo domingo. Corintiano roxo, o presidente cogitara comparecer ao Serra Dourada, para assistir à partida entre Corinthians e Goiás. Desistiu. Melhor assim. 

Escrito por Josias de Souza às 21h17

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José Dirceu agredido

 

José Dirceu (PT-SP) saía do plenário da Câmara. Exibia o semblante leve de quem acha que as coisas nem sempre são tão ruins quanto parecem. Súbito, descobriu que às vezes são piores.

 

Yves Hublet, 67, um sujeito com cara de Papai Noel, marchou na direção de Dirceu (veja reproduções de TV aciam e abaixo). Antes que pudesse ser contido, deu duas bengaladas na cabeça do ex-chefão da Casa Civil. E Dirceu: “Ai.”

 

O agressor, detido pela polícia da Câmara, é escritor de livros infanto-juvenis. Mora em Curitiba (PR). Entre as obras que escreveu está “A Grande Guerra de Dona Baleia”. Que Dirceu está mesmo metido numa grande guerra, disso ninguém duvida. Mas o ex-ministro traz a silhueta em dia. Nada em sua aparência faz lembrar o mamífero da família dos cetáceos.

 

"É inaceitável", disse Dirceu, depois do susto. "Mas nada me intimida." Ele enxerga na atmosfera hostil um reflexo de gestos da oposição. "Quando se fala em dar uma surra no presidente e quando se chama o presidente de bandidão, cria-se um caldo de cultura que não contribui em nada para o país", afirmou.

 

Chama-se Arthur Virgílio (AM) o senador que ameaçou dar uma surra em Lula. É líder do PSDB no Senado. Também o deputado ACM Neto (PFL-BA) ameaçou estapear Sua Excelência. Chama-se Zulaiê Cobra (PSDB-SP) a deputada que chamou o presidente de "bandidão".

 

Para Dirceu, é como se Virgílio, ACM Neto e Zualiê tivessem ajudado Yves Hublet a segurar a bengala que lhe desceu sobre cabeça.  

 

Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Lula quer governo batendo bumbo

O presidente da República baixou uma ordem na manhã desta terça-feira: ministros e parlamentares aliados devem “bater bumbo” em torno dos resultados de duas pesquisas: uma do IBGE e outra da FGV. A primeira constatou o estreitamento do fosso que separa pobres e ricos. A outra detectou queda no nível de miséria no país.

 

Lula “está eufórico”, disse um auxiliar direto dele, ouvido há pouco pelo blog. Acha que o governo não está faturando as duas pesquisas como deveria. Enxerga nos dados uma chance de virar o disco da crise. “O governo entra em 2006 tendo o que apresentar”, diz. “Os números estão aí. Agora precisamos espalhar pelos quatro ventos.”

 

O próprio presidente encarregou-se de dar início ao que o seu assessor chamou, entre risos, de “operação quatro ventos”. Falando numa reunião do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), Lula deu os primeiros sopros:

 

"Nossos adversários do mundo político ficaram surpresos com os dados da Pnad (IBGE). E os dados da Pnad só não foram melhores porque nós tivemos, em 2003, um ano muito apertado. Era o primeiro ano do nosso governo. Muita gente ficou surpresa."

 

Lula bateu no bumbo com entusiasmo. Disse que os indicadores demonstram a “melhoria de qualidade de vida” dos brasileiros. “Significa que as pessoas estão comendo mais”. Aproveitou para propagandear o Bolsa Família, programa que considera o grande trunfo social de sua gestão. Disse que até o final do ano haverá 8,7 milhões de famílias assistidas.

 

Antes que os governistas fiquem roucos de tanto mencionar os índices virtuosos, o IBGE deve soltar na praça, nesta quarta-feira, dados menos alentadores. Referem-se ao comportamento do PIB no terceiro trimestre de 2005. Prevê-se no mercado uma queda de até meio ponto percentual. A conferir.

Escrito por Josias de Souza às 16h18

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Mais um de Ribeirão na CPI do Apocalipse

  Sérgio Lima/Filha Imagem
A CPI do Fim do Mundo (Bingos) ouve nesse instante o depoimento de Ademirson Ariovaldo da Silva, secretário particular do ministro Antonio Palocci (Fazenda). A quebra do sigilo telefônico dos personagens da crise mostrou que ele trocou mais de centenas de telefonemas com Vladimir Poleto e Ralph Barquete, este último morto em 2004.

 

Com Barquete, Ademirson manteve 841 diálogos telefônicos entre 2002 e 2004. Com Poleto, trocou 1.411 telefonemas no mesmo período. O secretário de Palocci disse à CPI tratou nas ligações de assuntos privados, “de cunho de amizade”. Completou: “Admito que são muitas ligações, mas não tratamos de negócios.” Como se vê, era mesmo muito estreita essa amizade que unia os ex-assessores de Palocci em Ribeirão Preto.

Escrito por Josias de Souza às 13h04

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Palocci promete verba para creches

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Antonio Palocci (Fazenda) está, de novo, depondo no Congresso. Dessa vez, fala à comissão que analisa o projeto de criação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica. Palocci está leve e solto.

 

De cara, para adoçar a boca dos parlamentares, o ministro disse que o Fundeb terá mais R$ 200 milhões em verbas federais. O dinheiro será aplicado na construção de creches para crianças de até 3 anos.

O Fundeb foi proposto pelo governo. Vai substituir o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério), voltado apenas ao ensino fundamental. Para Palocci, é essencial planejar a educação pensando no longo prazo -da creche ao ensino fundamental, num total de 14 anos.

 

Por ora, ninguém perguntou a Palocci nada sobre a turma de Ribeirão Preto. Cumpre-se o combinado previamente. Só se fala de Educação.

Escrito por Josias de Souza às 12h42

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Na ponta do lápis

Da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de hoje (para assinantes):

 

“O grupo que auxilia José Dirceu (PT-SP) a cabalar votos para tentar escapar da cassação no Congresso computava ontem 200 votos "possíveis" a favor dele. É pouco. Dirceu precisaria de mais uns 80 para ter situação relativamente confortável. De acordo com o mapa dos eventuais votos, a situação dele é considerada "péssima" no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro -e na Bahia, terra do senador ACM.”

(...)


ACM e Dirceu tomam café da manhã quase toda semana juntos. O resultado do empenho do senador a favor dele, no entanto, não tem sido assim uma Brastemp. ACM, aliás, não confirma, nem nega, que esteja ajudando Dirceu. ‘Sobre esse assunto, não falo’. Ele só admite os encontros matutinos com Dirceu. ‘Quando vai à minha casa, ele toma café, sim’”, afirma.

Escrito por Josias de Souza às 07h59

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Manchetes desta terça

- JB: Lula reage a boicote: Rosinha é implicante

- Folha: Governo decide acelerar gastos no ano eleitoral

- Estadão: Lula decide: superávit será de 4,25%

- Globo: Palocci e Dilma acertam trégua cobrada por Lula

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h39

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Negócios de telefonia celular efetuados durante governo de FHC deixaram dívida de R$ 1,1 bilhão

Negócios de telefonia celular efetuados durante governo de FHC deixaram dívida de R$ 1,1 bilhão

Quatro empresas de telefonia celular foram condenadas a recolher aos cofres públicos R$ 1,1 bilhão por conta de negócios irregulares feitos durante o governo FHC. A irregularidade foi detectada pelo TCU em 1997. Vem sendo confirmada em sucessivos julgamentos. Mas não há sinal de liquidação da dívida.

A encrenca envolve quatro empresas: BCP, Americel, BSE e Maxitel. As três primeiras são controladas pela Claro. A última pertence à TIM. As empresas não reconhecem a  dívida.

 

Aconteceu assim:

 

1. em 1997, o Ministério das Comunicações, gerido por Sérgio Motta, promoveu licitações para escolher as companhias que explorariam o serviço da banda B de telefonia celular;

 

2. o edital previa que os vencedoras pagariam 40% de entrada e 60% em três parcelas anuais. Fixou-se como índice de correção o IGP-DI, mais 1% de juros;

 

3. ao elaborar os contratos, porém, o governo incluiu uma cláusula permitindo às empresas pagar tudo de uma vez, um ano após a assinatura do contrato. Sem correção;

 

4. em decisão de 1997, o TCU entendeu que as regras do edital não poderiam ter sido alteradas. Concluiu que houve benefício indevido às empresas, em prejuízo ao erário;

 

5. a essa altura, só um contrato havia sido assinado, o da Americel. Não havia ainda prejuízos ao erário. O TCU determinou que o contrato fosse alterado, incluindo a cobrança das correções. Ordenou  regra fosse observada também nos contratos futuros;

 

6. o governo, porém, recorreu da decisão. O recurso foi negado em novo julgamento do TCU, de 1999. Àquela altura, além do contrato com a Americel, outros três já haviam sido firmados com a BCP, BSE e Maxitel. Todos sem correção;

 

7. de novo, o TCU ordenou a cobrança, agora à Anatel, que herdara da pasta das Comunicações a gestão dos negócios de telefonia. A agência cumpriu a ordem, mas só nas concessões acertadas depois de 1999. Os contratos anteriores, já quitados, ficaram como antes;

 

8. em novo julgamento, realizado em 2002, o tribunal ratificou a ordem. Houve novo recurso. E, de novo, o TCU manteve, em acórdão de 2004 (disponível em papel), as determinações anteriores;

 

9. os débitos, que somavam na origem do problema R$ 377 milhões, hoje alçam a R$ 1,1 bilhão. Não há, por ora, nenhum vestígio de pagamento. Em agosto passado, o TCU reiterou a determinação para que o governo efetue a cobrança.

Escrito por Josias de Souza às 02h29

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Nova versão para a morte de Celso Daniel

Uma nova testemunha ouvida ontem em São Paulo pela Polícia Civil, Ministério Público e CPI do Fim do Mundo (Bingos) trouxe uma versão inédita para o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André. O nome da testemunha, uma mulher, foi mantido em sigilo.

Ela contou que Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, ex-segurança de Daniel, teria encomendado o seqüestro do prefeito com o objetivo de amealhar R$ 3 milhões. Metade da grana seria usada para reembolsar um donativo eleitoral que teria sido injetado na contabilidade da campanha municipal de Daniel em 2000.

O traficante teria feito a doação sob a condição de que, depois de eleito, o prefeito liberaria o transporte feito por lotações de vãs. O prefeito, porém, desconheceria a promessa. E não a cumpriu. O que teria levado o traficante a exigir de Sombra a devolução da contribuição que fizera à campanha: R$ 1,5 milhão.

Celso Daniel teria sido assassinado porque reconheceu um dos seqüestradores, chamado Cabo Lima. A testemunha secreta realiza trabalhos sociais em uma favela da Zona Sul de São Paulo. Pela CPI dos Bingos, participaram da inquirição os senadores Magno Malta (PL-ES), Romeu Tuma (PFL-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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CPI interveio em sub-relatoria

A direção da CPI dos Correios decidiu intervir na sub-relatoria que investiga as denúncias de corrupção no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil). O relator do caso, Carlos William (PTC-MG), aliado do ex-governador Anthony Garotinho, foi acusado de achacar corretoras sob investigação.

Embora não haja comprovação das acusações, o presidente e o relator da CPI, respectivamente Delcídio Amaral (PT-MS) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), acharam mais prudente assumir o controle da sub-comissão, para contrariedade de Carlos William.

Escrito por Josias de Souza às 00h43

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Julgamento de Dirceu mantido para quarta

  Sérgio Lima/Folha Imagem
Tudo parece conspirar contra as manobras protelatórias de José Dirceu (PT-SP). O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP) marcou uma sessão extraordinária só para possibilitar a subida de Dirceu ao cadafalso. Será, como previsto, na quarta-feira, a partir das 17h ou 18h.

A Câmara ainda aguarda a decisão do STF em relação ao último recurso de Dirceu. A expectativa é de que o tribunal adote a posição defendida pelo ministro Cezar Peluso. Prevê que seja retirado do processo um depoimento que foi dado ao Conselho de Ética da Câmara por Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural.

A prevalecer esse ponto de vista, Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo de Dirceu, leria no próprio plenário da Câmara um novo relatório, excluindo os trechos que se basearam no depoimento extirpado. Manteria a recomendação de que Dirceu seja cassado. E a decisão iria, finalmente, a voto.

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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Palocci vence briga; arrocho aumenta

No encontro realizado na manhã de ontem no Planalto, em que comunicaram a Lula a pacificação celebrada na véspera, os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) combinaram o seguinte: farão um esforço para gastar até o final do ano o dinheiro que, embora liberado pela equipe econômica, não vem sendo transformado em investimentos.

Após o encontro, o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) informou aos jornalistas que a discussão em torno da meta de superávit fiscal, fixada em 4,25% do PIB, não está aberta. A meta, disse ele, continuaria a mesma.

Não é bem assim. Por exigência de Palocci, a meta será aumentada para pelo menos 4,5% do PIB. O governo apenas não assumirá oficialmente o novo índice, para não causas ruídos desnecessários.

No momento, a meta se situa em 5,97% do PIB, conforme números revelados nesta segunda pelo Banco Central (veja despacho abaixo, veiculado às 18h25 da noite passada, sob o título “Palocci economizou R$ 12,3 bi além do necessário”).

A despeito da decisão tomada ontem, tanto a Casa Civil quanto o Ministério da Fazenda admitem que, mesmo que o governo gaste à farta, o superávit de 2005 ficará entre 4,6% e 4,7%. Acima, portanto, do percentual exigido por Palocci (4,5%).

Assim será nos meses subseqüentes. A meta oficial será formalmente mantida em 4,5% do PIB. Mas a Fazenda continuará mirando mais acima. Palocci e sua equipe consideram o esforço adicional essencial para reduzir a relação dívida pública/PIB.

Escrito por Josias de Souza às 00h17

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Lula ganha munição para 2006

Uma notícia para Lula festejar em praça pública: o índice de miséria no Brasil caiu 8% de 2003 para 2004. O país tem hoje a menor proporção de miseráveis desde 1992. A redução da taxa foi um reflexo da diminuição da distância entre os ricos e pobres no Brasil, registrada em três anos consecutivos.

 

São esses os principais dados de um estudo chamado “Miséria em queda – Mensuração, Monitoramento e Metas”. É elaborado por técnicos do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) a partir dos dados da Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE.

O coordenador do estudo da FGV, Marcelo Néri, disse o seguinte: "Ainda não é possível dizer que a redução do abismo entre ricos e pobres é uma tendência de longo prazo, mas o fato da queda ter acontecido por três anos consecutivos é inédito na história brasileira dos últimos 30 anos, além de ter passado por governos diferentes e de uma maneira muito forte."

Néri também atribuiu a queda da pobreza ao crescimento econômico do país. Ele listou outros fatores: estabilidade da inflação, reajuste do salário mínimo, recuperação do mercado de trabalho, aumento da geração de empregos formais e programas de transferência de renda do Estado para a sociedade. O aumento da taxa de escolarização da população também contribuiu para a redução da desigualdade entre ricos e pobres.

"Há uma nova geração de programas sociais que está fazendo a sociedade brasileira enxergar que é preciso dar mais a quem tem menos e entre os exemplos estão o programa Bolsa Família e o programa de aposentadoria rural", disse Néri. "A cobertura destes dois programas alcança os bolsões de pobreza das zonas mais distantes dos grandes centros, reduzindo bastante a miséria no país".

Combinando-se esse tipo de dado com uma retomada do crescimento em 2006, Lula ganha um discurso consistente para apresentar em sua campanha reeleitoral. Para desespero do tucanato.

Escrito por Josias de Souza às 22h24

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Móveis e utensílios

Móveis e utensílios

Antonio Palocci vai se transformando no que Mario Quintana chamaria de ministro-cômoda. Uma incômoda cômoda. Com muitas gavetas. Do tipo que ocupa bastante espaço. E que tem o ar aristocrático das pessoas ricas. Nas gavetas guarda coi$as de toda a Esplanada só para si. Assim é o ministro-cômoda: gordo, fechado, egoísta.  

Escrito por Josias de Souza às 18h38

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Palocci economizou R$ 12,3 bi além da meta

Nos dez primeiros meses de 2005, o país economizou R$ 95,055 bilhões para o pagamento de juros da dívida pública. A cifra excede em R$ 12,3 bilhões a meta de superávit fiscal fixada pelo governo. Em vez dos 4,25% fixados na meta, o superávit alçou a 5,97% do PIB.

 

Os números, divulgados pelo Banco Central, são de deixar causar calafrios na ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), crítica do arrocho desnecessário imposto pela equipe do ministro Antonio Palocci (Fazenda). O próprio presidente Lula tem se queixado da economia “desnecessária”, que extrapola as metas.

 

Sob tiroteio, o time da Fazenda e do Banco Central saboreia os dados. Graças a esse superávit, a relação dívida pública/PIB passou de 51,4% para 51,1%. É pouco. Sobretudo quando se considera que os gastos com o pagamento de juros da dívida entre janeiro e outro deste ano –R$ 133,491 bilhões- já supera os R$ 128,256 bilhões gastos durante todo o ano de 2004.

Escrito por Josias de Souza às 17h25

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ACM: o culpado pela pizza será o STF

Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) acaba de fazer da tribuna do Senado duros ataques ao STF. Disse que o Supremo está aviltando os poderes do Congresso. Cobrou uma reação dos presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aldo Rebelo (PcdoB-SP).

 

Nada a ver com o caso de José Dirceu (PT-SP), a quem ACM vem tentando ajudar. “Não estou tratando aqui de Zé Dirceu, um caso que também é complicado, mas sobre o qual se pode ter interpretações jurídicas de um lado e de outro,” avisou.

 

O que inquieta ACM são as sucessivas liminares concedidas por ministros do STF suspendendo quebras de sigilos bancário e fiscal de empresas sob investigação nas CPIs, especialmente na dos Correios.  “Temos de reagir", bradou. "Essas liminares impedem que se cheque à verdade em relação à roubalheira dos fundos de pensão." O responsável pela subcomissão que investiga os fundos de pensão na CPI dos Correios é o deputado ACM Neto que, como o nome indica, é neto do senador.

 

“Devemos nos impor, presidentes Renan e Aldo. O Aldo, inclusive, tem a responsabilidade de não deixar que se tenha saudades de Severino Cavalcanti. Conseqüentemente tem o dever de defender a Casa que preside. Eu o conheço. É um homem simples e bom. Mas sua bondade não pode ir ao ponto em atender aos pedidos da presidência da República, em detrimento da Câmara.”

 

“Na hora em que não se apurar coisa alguma, quando todos vierem dizer que é pizza, ninguém irá dizer que o Supremo é responsável pela pizza", disse ACM. "Se os nossos dirigentes, com o nosso apoio, não tomarem uma providência enérgica, o Congresso vai valer muito pouco diante da opinião pública nacional. Minha voz é pouco ouvida. Mas quero dizer aqui: se as CPIs não chegarem a resultados, o culpado será o Supremo.”

Escrito por Josias de Souza às 17h09

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Tremei, gaviões!

Corintiano roxo, Lula considera a hipótese de comparecer ao Estádio Serra Dourada no próximo domingo. Quer assistir ao jogo entre Corinthians e Goiás. Dependendo do resultado, o Corinthians pode sagrar-se campeão brasileiro. 

Confirmando-se a intenção, é bom que Lula reze por uma vitória. A derrota grudará em sua biogafia uma fama de pé frio que pode lhe custar os votos de toda a torcida corintiana, uma das maiores do Brasil. Diante de um eventual infortúnio, os gaviões da fiel saberão ensinar a Lula com quantas penas se reveste uma legião de aves de mau agouro. O presidente terá saudades dos tucanos. 

Escrito por Josias de Souza às 16h05

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Palocci fuma cachimbo da paz com Dilma

Pacificaram-se os ânimos entre os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Cilvil) na reunião realizada com Lula, na manhã desta segunda, no Planalto. O presidente recomendou a ambos que evitem novas divergências públicas. Acha que o embate em praça pública serve apenas aos interesses da oposição.

O encontro de hoje serviu para formalizar uma pacificação que já fora selada no domingo. Palocci e Dilma reuniram-se na casa da segunda, a pedido do primeiro. A conversa foi testemunhada por um olheiro de Lula. Enviado pelo presidente ao encontro, o secretário particular de Lula, Gilberto Carvalho, incumbiu-se de transmitir os resultados da conversa ao chefe.

Na leitura dos auxiliares mais próximos de Lula, Palocci venceu a queda de braço com Dilma. Mas os ingredientes que engrossaram o caldo da crise ainda compõem o sopão de interesses contrariados que Lula tenta administrar. O presidente continua interessado em incrementar os investimentos públicos, como deseja Dilma. E concordou em fazê-lo à moda Palocci, sem comprometer as metas de superávit fiscal.

Nos próximos dias, o conflito será revivido na mesa do Comitê Gestor do governo, que define a execução do Orçamento da União. Em reunião que contará com a presença de Palocci e Dilma, serão definidas os projetos considerados prioritários. Lula avisou a Palocci que não aceitará nova ausência do ministro nas reuniões do comitê. Para evitar confrontar-se com Dilma, ele faltara deliberadamente a duas reuniões na semana passada.

O Lula que dirigiu a reunião desta manhã no Planalto era um presidente mais sorridente que o habitual. Degustou os ministros os número da Pnad, divulgados pelo IBGE na última sexta. A pesquisa mostrou que, sob Lula, reduziram-se as desigualdades no país. "É uma grande notícia", festejou Lula.

Para o público externo, o Planalto informou que a reunião tratou do projeto da Super-Receita. Anunciou-se como novo algo que já era sabido: o governo enviará ao Congresso um projero de lei para substituir a medida provisória que caducou sem ter sido votada no Senado. O projeto tramitará em regime de urgência.

Escrito por Josias de Souza às 14h45

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Afastado ministro da Economia da Argentina

O presidente argentino Néstor Kirchner afastou há pouco o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna. Ele será substituído pela presidente da maior instituição financeira do país, o Banco Nación, Felisa Miceli. Lavagna fora nomeado ministro em 2002, ainda no governo de Eduardo Duhalde, antecessor de Kirchner.

 

A substituição ocorreu depois de uma semana marcada por rumores sobre a queda do ministro. Lavagna denunciara um suposto esquema de cartelização de empresas contratadas para realizar obras públicas. A acusação respingara em outro ministro do Planejamento, Julio De Vida, que mantém ótimo relacionamento com Kirchner e com quem Lavagna vinha se desentendendo abertamente.

 

A indicação de Fellisa Miceli para a pasta da Economia foi uma surpresa. O nome dela não freqüentava as listas dos mais cotados para o cargo. É a primeira mulher a ocupar o Ministério da Economia na Argentina. Seus primeiros desafios são: a renegociação com o FMI, em curso; e a contenção da inflação, em alta.

 

Além da troca no comando da economia, Kirchner substituiu outros três ministros que haviam sido eleitos para o Legislativo argentino no pleito realizado em outubro. Jorge Taiana substituirá a Rafael Bielsa no posto de chanceler. No Ministério da Defesa, Nilda Garré entra no lugar de José Pampuro. Para a pasta do Desenvolvimento Social, foi nomeado Carlos Nadalich. Ele substituirá a Alicia Kirchner, irmã do presidente.

 

Esta mini-reforma ministerial já estava prevista. A surpresa foi a inclusão do nome de Roberto Lavagna. O ministro da Economia vinha se desentendendo há meses com o presidente Kirchner. Sua situação ficou mais complicada na terça-feira da semana passada.

Discursando num evento organizado pelo setor da construção civil, Lavagna disse insinuou que grupos empresariais haviam se organizado para superfaturar obras financiadas pelo governo. Apontou a existência de uma “cartelização nas obras públicas do país”.

Abespinhado, Kirchner passou uma carraspana no ministro, insuflando os rumores de que poderia trocá-lo. As desavenças entre os dois datam do ano passado. Na ocasião, Lavagna criticara a gestão da política energética argentina. Na última sexta-feira, o ministro deu uma de Antonio Palocci. Questionado sobre sua permanência no cargo, afirmou: “Depende do presidente e do espaço que tenha para continuar o meu trabalho”.

Em princípio, a saída de Lavagna não serve aos interesses do Brasil. O ministro tinha ótimas relações com o governo brasileiro, em especial com o colega Antonio Palocci (Fazenda). Será preciso ver agora como se comporta a nova titular, Felisa Micele, por exemplo, em relação ao Mercosul. Leia aqui um mini-perfil da nova ministra.

A saída de Lavagna ocorre justamente num instante em que Lula faz as malas para uma visita à Argentina. Ele viaja na próxima quarta. Participa de uma solenidade com Kirchner, para marcar os 20 anos de existência do Mercosul.

Escrito por Josias de Souza às 13h08

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Os brutos também choram

Barbara Plett, correspondente da BBC, foi punida por haver reconhecido, numa transmissão radiofônica, que chorou ao assistir ao embarque de Yaser Arafat num helicóptero, em 2004, quando deixou a Cisjordânia numa maca, em estado terminal. Ele voou para a morte, ocorrida em 11 de novembro, num hospital militar de Paris.

 

A repórter fez a confissão numa crônica para um programa chamado “Do Nosso próprio Correspondente”. Disse o seguinte: “Quando o helicóptero que transportava o frágil ancião decolou do edifício em ruínas, comecei a chorar.” Entendeu-se que as lágrimas de Plett comprometeram a sua imparcialidade jornalística.

Escrito por Josias de Souza às 11h27

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Disco arranhado 1

Falando nesta manhã num evento organizado pela Fiesp, em São Paulo, o vice-presidente José Alencar disse que o Brasil vive "há muitos anos" um processo de desindustrialização e empobrecimento da economia. A causa? Ora, caro leitor, é a de sempre: a taxa de juros.

De novo, Alencar espancou a a política econômica do governo que integra. "A grande razão brasileira da desindustrialização prematura tem sido o regime de juros que tomou conta do Brasil", disse Alencar. 

"Quando falo em mudança dessa economia, mudança dessa política monetária, não significa mudança para adotar a irresponsabilidade fiscal. Eu entendo por responsabilidade fiscal, a responsabilidade orçamentária, equilíbrio orçamentário. Nós não estamos praticando responsabilidade fiscal, ao contrário, temos administrado uma irresponsabilidade fiscal. Porque temos construído um déficit que faz crescer a nossa dívida".

O signatário do blog acha que Lula não é grande entendido em aves. Com um espécime desses do seu lado, não precisaria procurar mau agouro no poleiro da oposição. O repórter também acha que Lula tem sorte de ser presidente da República. Se fosse presidente da Coteminas, a indústria de José Alencar, talvez já tivesse sido demitido.

Escrito por Josias de Souza às 10h33

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Disco arranhado 2

Lula dedicou o seu programa semanal de rádio aos dois projetos que se tornaram a sua obsessão: o biodiesel e a transporsição das águas do São Francisco. São as duas meninas dos olhos do presidente. Só fala nisso e na necessidade de retomada do desenvolvimento econômico.

Escrito por Josias de Souza às 10h08

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A hora das provas

Lula anda dizendo pelos quatro cantos que as CPIs não provaram nada de nada. O mensalão, disse ele, já virou ate marchinha de Carnaval sem que tenha sido demonstrado. Pois o presidente terá de arrumar outro mote para seus discursos.

O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem à Folha (para assinantes) que apresentará novo relatório parcial sobre as investigações da comissão, entre os dias 10 e 15 de dezembro. Apontará no texto "as razões" da CPI para "ratificar" a existência do "mensalão". Segundo Serraglio, a CPI “já disse que tem o esquema do mensalão e vai confirmar".

Em entrevista à mesma Folha (para assinantes), o presidente da CPI do Fim do Mundo (Bingos), Efraim Moraes (PFL-PB), diz ter a confirmação de pagamento de propina na prorrogação do contrato de R$ 650 milhões da Caixa com a multinacional GTech.

Lula terá agora de escolher entre dois caminhos: pode refutar as acusações que as CPIs dizem ter comprovado ou pode continuar fingindo que nada é com ele. Se optar por esta última alternativa, os observadores mais atentos serão compelidos a concluir que, sob essa fachada meio nonsense do presidente se esconde um dissimulado completo.

Escrito por Josias de Souza às 08h04

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A Manchetes desta segunda

- JB: Rosinha comanda boicote a Lula

- Folha: Relator diz que CPI vai demonstrar 'mensalão'

- Estadão: Justiça e MP resistem ao controle externo

- Globo: Lula convoca Dilma e Palocci para encontro frente a frente

Leia os destaques de capa dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 08h00

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Lula de bem com os fundões do país

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Pesquisas de opinião encomendadas pelo Planalto indicam que concenta-se nas classes “D” e “E”, as mais pobres, o grande trunfo eleitoral de Lula para a campanha reeleitoral de 2006. Pessoas como as retratadas na foto aí acima.

 

São moradores de Aneiroz, um município encravado no sertão do Ceará. Na última sexta, engoliram poeira ao longo de 12 quilômetros só para ouvir Lula discursar, em solenidade de inaguração de um açude.

 

Vem daí que Lula planeja intensificar as viagens aos fundões do país. Quer cultivar esse eleitorado de baixíssima renda. O diabo é que o problema eleitoral de Lula concentra-se numa outra faixa da população. O extrato representado por uma classe média crescentemente insatisfeita com o governo.

 

Foram os eleitores de classe média que possibilitaram a Lula extravazar o teto de 30% de votos que, em eleições anteriores, mostrou-se insuficiente para dar-lhe a vitória. Lula acha que irá reconquistar esse público em 2006, tonificando a economia. Antonio Palocci prometeu entregar-lhe uma taxa de crescimento de 5% do PIB. A ver.

Escrito por Josias de Souza às 01h24

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Pont festeja popularidade do presidente

Em entrevista ao portal do PT na internet, o secretário-geral do partido de Lula festejou o crescimento da popularidade do presidente... Referiu-se a Hugo Chávez, da Venezuela, não a Lula. Ah, bom.

 

Pont comparou o comportamento da mídia brasileira e da venezuelana. A nossa é mais daninha: “Eu acho que a imprensa daqui bate até mais em nós. A imprensa de lá tenta meio que simplesmente ignorar. A nossa é mais radical contra o PT e o governo do que a imprensa da Venezuela contra o Chávez.”

Escrito por Josias de Souza às 01h00

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Palocci e Dilma frente a frente

O tête-à-tête entre os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) acontecerá finalmente na manhã desta segunda, no Planalto. Lula em pessoa convocou os dois em contatos no final de semana. Disse a ambos que deseja pôr um ponto final às rusgas.

Na reunião, informa o Globo de hoje, Lula repetirá o que disse a interlocutores no sábado e no domingo: deseja manter Dilma e Palocci, mas não aceita mais a lavação de roupa suja em público. “Chega! O estrago dos últimos dias foi enorme”, disse Lula.

Privadamente, os dois ministros se encontraram ontem, informa Kennedy Alencar. Deu-se na casa funcional de Dilma, na Esplanada dos Ministros, no bairro brasiliense do Lago Sul. Coube a Palocci a iniciativa de pedir a conversa.

Lula vinha demonstando impaciência com o compartamento de Palocci, que considera inadequado. Além da reunião desta manhã, Lula quer que os ministros da Fazenda e da Casa Civil sentem-se juntos à mesa da Junta Orçamentária do governo, ainda nesta semana. Palocci faltou deliberadamente a duas reuniões da Junta, na semana passada.

Além de Lula, Palocci e Dilma, participam da reunião desta manhã no Planalto os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Jaques Wagner (Coordenação Política) e Ciro Gomes (Integração Nacional). Integram o grupo batizado informalmente de “comitê da crise”. Reune-se regularmente há cinco meses.

Escrito por Josias de Souza às 00h33

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Bancada do mensalão em apuros

Para onde foi a grana que Marcos Valério entregou à bancada mensaleira do Congresso? Os deputados beneficiados dizem que o dinheiro foi usado para pagar despesas de campanhas eleitorais. Dizem mas não provam. Tanto os que renunciaram ao mandato para fugir da cassação como os que ainda respondem a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara não estão conseguindo convencer investigadores e relatores. A ausência de comprovação pode complicar ainda mais a situação dos envolvidos, informa o Globo de hoje.

Escrito por Josias de Souza às 00h16

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Mais uma ação pró-nepotismo no STF

Aqui se noticiou na noite de sábado (despacho das 23h36) que a Anamages (Associação Nacional dos Magistrados) ingressara com ação no STJ contra o dispositivo antinepotismo aprovado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Pois há uma segunda ação no Supremo com o mesmo objetivo.

O autor se chama Clésio Monteiro Alves. É movido por interesse pessoal. Empregou-se, sem concurso, no gabinete do pai, o desembargador José Alves Neto, do Tribunal de Justiça de Sergipe. É, portanto, beneficiário direto do nepotismo que se deseja combater.

A prevalecer a resolução do CNJ, aprovada em 18 de outubro, Clésio teria de ser demitido em 90 dias. Ou seja, estaria no olho da rua até janeiro de 2006. Daí a ação no Supremo. No texto, Clésio argumenta que o CNJ não tem competência para regular o provimento de cargos nos tribunais. Pede que a resolução seja tornada nula.

Os advogados de Clésio argumentam ainda na ação ele trabalha no Tribunal de Justiça de Sergipe desde 98. Exaltam-lhe as qualidades: “ampla experiência e dedicação na área jurídica, tendo concluído o curso de Direito na Universidade Federal de Sergipe, inclusive participando de diversos cursos visando o seu aprimoramento”.

Por fim, alegam que a resolução do CNJ viola o princípio da igualdade, “porquanto faz distinção completamente destoada de razoabilidade e proporcionalidade, tratando iguais desigualmente”. Neste ponto, o argumento pode ser usado em sentido inverso.

Mantido no posto de assessor do papai Alves Neto, Clésio estará sendo tratado de forma mais igual do que outros seres iguais a ele. Ou melhores do que ele, quem sabe. Pessoas que, à falta de concurso público, não têm a chance de provar a sua capacitação para cargos nos tribunais.

Ainda sobre nepotismo: O CNJ reune-se nesta terça para analisar um questionamento do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça. Contrário à resolução antinepotismo, o conselho pediu explicações ao CNJ.

Quer saber qual é o grau de parentesco que o CNJ considera como nepotismo. A resolução do dia 18 de outubro é clara a esse respeito. Determina que sejam demitidos os parentes até o terceiro grau. Pergunta ainda se a proibição impediria a nomeação de servidores concursados para cargos de assessor ou diretor, caso tenham parentes no Judiciário. De novo, não parece haver dúvidas a esse respeito. Servidores concursados não podem ser tachados de nepotistas. A pecha se aplica àqueles que entraram pela janela.

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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Tropa de Dirceu inclui Sarney e ACM

  Sérgio Lima/Folha Imagem
No esforço para tentar salvar o próprio mandato, o deputado José Dirceu aliou-se a dois personagens que, no passado, hostilizava. Os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) são hoje os mais ativos agentes da operação montada nos subterrâneos do Congresso para ajudar o ex-chefe da Casa Civil.

 

ACM ainda se preocupa em negar em público o socorro que presta a Dirceu. Sarney, nem isso. Juntos, os dois controlam uma bancada parlamentar estimada em duas dezenas de deputados e senadores. Cabalam votos para evitar a degola de Dirceu.

 

O terceito operador clandestino da operação “salva Dirceu” é o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo). Curiosamente, Mares Guia é “general” de uma tropa que, pela lógica, deveria estar perseguindo o escalpo de Dirceu. Ele é estrela do PTB, o partido de Roberto Jefferson (RJ), a legenda que denunciou Dirceu ao Conselho de Ética da Câmara.

 

Dirceu tem passado boa parte de seu tempo no “aparelho”. É como chama, em alusão aos esconderijos da juventude esquedista, o escritório improvisado num dos quartos do apartamento funcional de deputado. Ali mantém um enorme mapa com os nomes de todos os deputados federais. São 513 ao todo. A filha do ex-presidente Sarney, Roseana Sarney (PFL-MA) ajuda Dirceu na tarefa de atualizar o quadro com a evolução dos votos.

 

Diariamente, faz as contas. Acha que ainda não salvou o mandato. Mas estima já ter virado muitos votos. Há um mês, achava que nem o PT o absolveria. Entre os 82 deputados do seu partido, contabilizava escassos 40 votos a seu favor. Hoje, acha que só dez petistas votarão a favor da sua cassação.

 

O voto em plenário é secreto. Muitos dos que prometem a Dirceu que irão absolvê-lo podem trai-lo no interior da cabine de votação. Mas o deputado acha que, com mais dois ou três meses, poderia evitar o desastre de uma cassação que o inabilitará para a vida pública por oito anos.

 

A despeito do quadro ainda adverso, Dirceu é hoje uma alma mais leve. Conta aos amigos que, há dois meses, as pessoas lhe viravam a cara na rua, no avião e nos restaurantes. Há duas semanas, porém, foi assediado num restaurante do Rio. Pediram-lhe um autógrafo. Deu-se no Gero, homônimo da casa de pasto paulistana.

 

Ainda que venha a ser cassado, Dirceu acha que as barricadas que montou nos fronts político e jurídico deram-lhe um discurso. Imagina que, expurgado da Câmara, já não soará patético quando se apresentar como vítima de uma violência política. “Metade do Supremo Tribunal Federal já disse que houve violações ao meu direito de defesa na Câmara”, dizia o deputado na última quinta-feira.

 

Enquanto espera pelo julgamento do plenário da Câmara, Dirceu percorre o país. Já participou de atos de desagravo em São Paulo, Santos, Belo Horizonte, Cuiabá e Brasília. Neste último, emocinou-se com a presença do vice-presidente José Alencar (veja foto).

 

Depois, disse reservadamente que Alencar mostrou-se capaz de uma solidariedade que Lula lhe sonega. Continua se achando abandonado pelo presidente.

Escrito por Josias de Souza às 19h37

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Boa notícia

A Fundação Getúlio Vargas lança nesta segunda a pesquisa Miséria em Queda – Mensuração, Monitoramento e Metas. Os primeiros dados trazem mais uma boa notícia para Lula: a taxa de miséria no país atingiu o seu nível mais baixo desde o lançamento da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio do IBGE, em 1992.

A FGV foi a primeira instituição a revelar o aumento da pobreza ocorrido em 2003. "Houve uma queda espetacular no índice de pobreza em 2004, movida pelo aumento da ocupação, redução da desigualdade de renda do trabalho e pelo aumento de transferências focalizadas do estado", afirma agora o economista Marcelo Néri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da fundação.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Militares britânicos também "brincam"

 

A TV Globo exibiu no Fantástico do último dia 13 de novembro as cenas chocantes de trotes aplicados a sargentos novatos num quartel do Exército em Curitiba (PR). Os responsáveis disseram que tudo não passou de “brincadeira”.

Reportagem do jornal britânico News of The World deste domingo (em inglês) mostra que também a Marinha do Reino Unido é dada à prática dessas “brincadeiras” de gosto duvido. O suplício imposto a novos recrutas foi filmado. O jornal manteve no anonimato o autor da filmagem.

Deu-se em maio passado, na base militar de Plymounth, ao sul da Inglaterra. As cenas exibem novos recrutas, todos nus, enfrentado-se em meio a um lodaçal. Um deles ousou queixar-se da humilhação. Foi golpeado no rosto e caiu inconsciente. 

Uma cópia do vídeo foi entregue ao ministério britânico da Defesa, que prometeu investigar o caso. A fonte do News of The World informou que esse tipo de cerimônia de iniciação é comum nas Forças Armadas de Sua Majestade.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

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Gato escaldado

 

 

Tem toda razão o Paulo Stocker. Com o humor que lhe é peculiar, demonstra nessa tirinha que publicou no seu blog Stockadas, que, nesses tempos bicudos, nem mesmo os bichinhos domésticos da família dos felídeos estão a salvo.

 

Mahatma Gandhi dizia que, se Deus tiver de aparecer para os famintos, não se atreverá a aparecer em outra forma que não seja a de um prato de comida. Na falta do prato e da comida, vale o espeto e o gato.

Escrito por Josias de Souza às 16h03

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Até tu, Quércia?

O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) saiu da toca. Apontado pelo PT como um dos mais vistosos corruptos da República, vinga-se em entrevista à Agência Nordeste (para assinantes): “Se eles tivessem conseguido provar 1% do que fizeram no Brasil, eu teria sido enforcado em praça pública.” Abaixo, trechos da entrevista:  

 

  • O petismo no poder: “O PT é uma grande decepção para todo mundo em matéria de corrupção, de assaltos aos cofres públicos. Se eles (os petistas), que sempre foram meus adversários aqui em São Paulo, tivessem conseguido provar na Justiça 1% do que fizeram no Brasil, eu teria sido enforcado em praça pública. Foi tanta guerra contra mim, depois que deixei o Governo de São Paulo, sem nenhuma razão de ser. Na época que fui governador, o Gushiken (Luiz Gushiken, assessor de Lula) entrava todos os dias com uma acusação na Justiça contra mim. Ele, aliás, tinha um escritório especializado nisso – e o José Dirceu também.” 
  • Quantos processos ainda responde? “Nenhum (...). Eles não conseguiram provar nada contra mim. Todos os processos foram arquivados.”   
  • Por que apoiou Lula em 2002, contra José Serra? “Na época, era a alternativa nossa (...). Eu imaginava que esse pessoal era capaz de ajudar o País a resolver os seus problemas. Mas, era uma grande ilusão. Lula se cercou de gente absolutamente incompetente nas mais importantes posições da máquina administrativa. O PT aparelhou o Estado. Lula não se preocupou em trazer quadros importantes das universidades. Foi atrás de gente nos sindicatos, sem experiência e qualificação na esfera da administração pública.”  
  • Lula Sabia? “Acho impossível que o presidente nada soubesse. Com experiência política, você conversa com as pessoas e sabe tudo. No meio que você convive, que trabalha, você, se não sabe tudo, sabe de muita coisa, isso está mais do que evidente.” 
  • Lula ainda tem chances? “No começo, imaginava que Lula estaria arrebentado, mas as pesquisas ainda mostram que ele tem gorduras para queimar. No meu entender, ele está arrebentado. Aqui em São Paulo, por exemplo, Lula não ganha. Lula faz um governo para agradar as elites. Eu diria que, se ele viesse a ser reeleito, as elites iriam ficar muito felizes (...)” 
  • Já existe um anti-Lula? “Não vejo. Acho que (José) Serra é um candidato forte para enfrentar Lula, mas o PSDB está muito desgastado também. O Serra talvez tenha melhores chances do que o (Geraldo) Alckmin. Uma terceira alternativa que viesse do PMDB talvez fosse a melhor solução para o País. Infelizmente, acho que nós, do PMDB, não vamos chegar a essa alternativa. Marcamos as prévias e o (Anthony) Garotinho tem muitas chances de ganhar. Respeito muito o Garotinho, mas gostaria que o PMDB tivesse um outro candidato que somasse mais, porque ele não soma, não agrega. Mas, aparentemente, ele é um lutador e por isso chegou aonde chegou e pode ser o candidato, mas com poucas chances de se eleger presidente.” 
  • Vai concorrer ao governo de São Paulo? “(...) Para mim, hoje, é difícil pensar numa candidatura a governador. Posso até mudar de opinião, conforme as circunstâncias. Mas, em princípio, não tenho vontade de disputar.”

Escrito por Josias de Souza às 15h13

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ACM: ministro protege empreiteira do Land Rover

De Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ao jornal O Liberal, do Pará: O ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) “claramente protege” a empreiteira baiana GDK, aquela que deu um Land Rover a Silvinho Pereira, o ex-secretário-geral do PT. Wagner, diz ACM, tem uma filha empregada na empresa.

Na entrevista, o morubixaba do PFL critica Lula e defende Palocci. Leia algumas de suas frases:

·         Lula sabia? “Sabia tudo, tudo, tudo, tudo. E mais alguma coisa que nós não sabemos, mas que vamos saber um dia, para desmoralizar mais ainda a sua atuação como Presidente da República.”

·         Antonio Palocci sai ou fica? “Acho que se ele ficasse na pasta não seria mal. Agora, ficar na pasta fritado, desmoralizado, atacado pela chefe da Casa Civil, é melhor ir embora, porque do contrário ele se desmoraliza e no fim vai dar nisso mesmo: ele vai embora. Então, eu acho que o papel do Palocci é resistir. E nós temos ajudado o quanto puder.”

·         Por que Jacques Wagner não o procura? “Ele não me procurou e não tem motivos para me procurar. Até porque eu tenho feito denúncias sobre a GDK (empreiteira baiana que possui grandes contratos com a Petrobrás, cujo dono deu de presente um Land Rover ao ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira), que ele claramente protege. Ele (Wagner) tem até uma filha trabalhando lá, de modo que ele é responsável por essas coisas, de modo que faz todo o sentido que não me procure.” 

·         Qual será a herança da era Lula? “(...) O legado que vai ficar para os nossos filhos é a história de um governo corrupto.”

Escrito por Josias de Souza às 14h31

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Uma entrevista inédita com Deus

Uma entrevista inédita com Deus

No Planalto

 

Deus falou ao repórter com exclusividade. Eis a entrevista:

 

- Que análise o Senhor faz da Sua obra?

Deus Nosso Senhor: Cá de cima, todos os dias contemplo a minha obra. E me pergunto: por que fui tão irresponsável? Por que sete dias se tinha a eternidade?

- Por que teve tanta pressa?

Nosso Senhor: Acho que foi excesso de confiança. Já naquela época me chamavam de Todo-Poderoso.

- Quem lê a Bíblia não fica com a impressão de que houve toda essa dificuldade.

Nosso Senhor: No começo, quando fiz o céu e as águas, de fato achei mesmo tudo muito fácil. Tirei de letra também os peixes, as árvores, os animais... A coisa começou a desandar no homem. Ao ver aquilo, disse a Mim mesmo: isso não vai acabar bem.

- Pensou em desistir?

Nosso Senhor: Quase desisti. Mas já tinha ido longe demais. E entregar tudo para Deus equivaleria, no meu caso, a jogar o abacaxi no meu próprio colo. Tive que improvisar.

- Como assim?

Nosso Senhor: Arranquei a costela daquele ser imperfeito e... bem, você conhece essa história. Dessa vez cuidei de cada detalhe: cabelo, nariz, boca, curvas, seios... Caprichei tanto que terminei piorando as coisas.

- O Senhor acha que foi aí que a coisa desandou?

Nosso Senhor: Exatamente. Ainda tentei contemporizar, cobrindo-lhes as partes com folhas de figueira. Prometi-lhes o paraíso eterno. Mas optaram pela maçã, com tudo o que vinha embutido na polpa da fruta: do sexo às outras perversões.

- O senhor, com tanto poder, não poderia ter contornado a crise?

Nosso Senhor: Na última hora, tentei uma cartada final. Criei uma versão melhorada do homem. Chamei-o de petista.

- O que tornava o petista especial?

Nosso Senhor: Eu acalentava o desejo de que o petista, ao defrontar-se com os defeitos do mundo, pudesse me ajudar a remendá-los. Reconheço que talvez buscasse um milagre. Mas, se eu não tivesse fé em mim mesmo, quem mais teria?

- O petista não deu certo?

Nosso Senhor: Hoje, digo que me arrependo de tê-lo criado. Muitos petistas me renegam. Outros pensam que são Deus. O Lula parece mais apegado a mim. Creio que ele já aceita Deus, digo já me aceita. Aceita também o PTB, o PL e o PP. Cedo ou tarde, ele acaba aceitando a realidade.

Escrito por Josias de Souza às 12h45

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Arte uterina

Arte uterina

 

 

Diz-se que arte é vida. E a vida o que é? Um filme encenado desde o nascimento. O roteiro tem produção quase sempre independente. Não comporta happy-end. Pois enquanto a sua morte não chega, aproveite um naco de seu domingo para descobrir um tipo diferente de arte. Uma arte que, por uterina, tem origem na vida. Clique aqui para ver outras peças como a que foi exposta aí no alto. São produções feitas a partir de ultra-sonografias.

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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As manchetes deste domingo

- JB: Vazio político domina eleição

- Folha: Governo engaveta investimentos

- Estadão: Governo não usou nem 50% das verbas de obras

- Globo: Comércio usa escolta em 70% das entregas no Rio

Leia os destaques de capa dos principais jornais e das revistas deste domingo.

Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Esplanada chora de cofre cheio

Levantamento feito por Marta Salomon e publicado na Folha de hoje mostra que os ministros choram por dinheiro de cofres cheios. Sobram no caída da Esplanada R$ 8,8 bilhões. É grana para investimento. Está liberadinha da silva. Mas, por incompetência, o governo não consegue gastar.

 

O dinheiro seria suficiente para fazer duas vezes a transposição do rio São Francisco, obra com que Lula gostaria de marcar seu mandato. Fica claro, anota a notícia, “que o principal problema enfrentado no governo Lula não é o bloqueio de gastos imposto pelo ajuste fiscal -pivô da divergência entre os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil)-, mas a dificuldade para tirar os investimentos públicos do papel.”

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Jobim, o supremo candidato

Em entrevista ao Estadão deste domingo (para assinantes), Renan Calheiros (PMDB-AL) abre, finalmente, o jogo. A legenda da velho e bom Ulysses Guimarães está mesmo pensando em lançar candidato próprio às eleições presidenciais de 2006. E Nelson Jobim, o presidente do STF, é uma das alternativas. A julgar pelas alternativas mencionadas por Renan –Jarbas Vasconcelos, Germano Rigotto, Roberto Requião, Itamar Franco e Anthony Garotinho, Jobim é, por assim dizer, pule de dez.

 

Veja o que disse Renan na entrevista:

 

  • Jobim: "Jobim, neste cenário revolto de crise, pode emprestar seu talento para uma candidatura alternativa".
  • Cacife: "Jobim colabora para que a crise, que é política, não seja institucional. Ele tem mostrado bom senso, equilíbrio e responsabilidade para não transformarmos as pequenas fagulhas em um grande incêndio". 
  • Alagoas: "Já disse que jamais serei candidato a vice. É uma figura decorativa tentando disfarçar o ócio com declarações em cerimônias laudatórias. Minha intenção é disputar o governo de Alagoas, mas isto não depende da minha exclusiva vontade".

Ao explicitar em público algo que só era sussurrado nos subterrâneos de Brasília, Renan deixa Jobim em posição delicada. É a primeira vez em toda a sua história que o Supremo é presidido por alguém que mede os seus gestos pela régua tortuosa da política. Uma coisa, definitivamente, não combina com a outra.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Lula procura um tesoureiro para 2006

Escaldado com o estrago produzido por Delúbio Soares, Lula já opera para entregar as arcas de sua campanha reeleitoral de 2006 a mãos mais qualificadas. O presidente procura um empresário para gerir o seu caixa de campanha, informa a Folha de hoje (para assinantes). Quer distância do partido.

 

O nome escolhido terá autonomia em relação ao PT. Passará o chapéu sem subordinação com a tesouraria petista, hoje gerida por Paulo Ferreira, o sucessor de Delúbio. Não terá de dar satisfações nem mesmo a Ricardo Berzoini, o presidente do PT.

 

Sob FHC, fez-se coisa parecida. Na segunda campanha presidencial do tucano, a tesouraria foi confiada ao insuspeito Luiz Carlos Bresser Pereira. No final das contas, porém, a coleta foi obra coletiva. Participaram desde Ricardo “no Limite da irresponsabilidade” Sérgio até Andréa Matarazzo.

 

Bresser armazenou numa planilha eletrônica o resultado das incur$õe$. A Folha pôs a mão num disquete com fragmentos das anotações do tesoureiro relativas à campanha presidencial de 98. Publicou-a no final de 2000. A notícia deu conta de um caixa dois tucano de pelo menos R$ 10,12 milhões.

Escrito por Josias de Souza às 02h15

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Palocci e Meirelles prometem 2006 róseo a Lula

O ministro Antonio Palocci (Fazenda) e o presidente do BC, Henrique Meirelles, cometeram uma temeridade. Prometeram entregar a Lula no ano eleitoral de 2006 um crescimento econômico de 5% do PIB, informa a Folha deste domingo. Os resultados, disseram ambos ao presidente, já poderão ser detectados em setembro, um mês antes das eleições presidenciais. Eleições que terão na cédula o nome de um Lula ávido por demonstrar ao eleitor os resultados de sua gestão.

 

Cobrados por Lula, Palocci e Meirelles amaciaram-lhe o humor dizendo que o desaquecimento econômico registrado do terceiro trimestre de 2005 foi reflexo da crise política e da alta dos juros iniciada em setembro de 2004. Asseguraram que a partir do final do ano a economia será fortemente tonificada.

 

Lula acreditou na promessa de Palocci e Meirelles. Que pode tranqüilamente ser cumprida. Ou não. De fato, pode acontecer que a economia cresça, se não decrescer. O cenário internacional também pode continuar favorecendo o desenvolvimento interno, desde que não desande. A alta do PIB é absolutamente previsível, caso não ocorram imprevistos. O futuro, como se vê, está ao alcance de qualquer palpite.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Mais de mil palhaços no salão

Fragmento do artigo deste domingo do sempre lúcido Elio Gaspari:

“Na quarta-feira, o IBGE divulgará os números do comportamento da economia durante o terceiro trimestre. O Brasil fechará o ano patinando na faixa dos 3% de expansão do PIB.

O “espetáculo do crescimento” prometido por Lula é apenas uma prorrogação da ruína tucana. O companheiro diz que “o ano que vem vai ser muito melhor, muito melhor”. É o modelo Zé Keti de empulhação, tipo “este ano não vai ser igual àquele que passou”. Trocam-se lorotas por promessas para enganar “mil palhaços no salão”.

Revisitando-se empulhações passadas, evita-se acreditar em novas. Em 1996, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, previa que se a emenda da reeleição fosse aprovada, a economia poderia crescer entre 7% e 9% ao ano. A emenda pa$$sou, FFHH teve mais quatro anos e neles a economia cresceu a taxas inferiores a 2% anuais.

Se os çábios parassem de prever o progresso futuro e discutissem as causas da ruína do presente, todo mundo teria a ganhar, inclusive Lula.”

Escrito por Josias de Souza às 00h37

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Em meio à crise, o fausto de Valério

“Seis meses depois do início da crise que abalou o governo Lula, o homem que operou o valerioduto e todo o esquema de pagamentos a políticos com a cúpula do PT ainda usufrui do conforto de sua vida de milionário”, informa o Globo deste domingo.

“Apesar de ter uma conta com R$ 1,8 milhão na agência mineira do Banco de Boston bloqueada por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Marcos Valério Fernandes de Souza está fazendo uma grande reforma em sua casa no bairro Castelo, em Belo Horizonte, andando pela cidade em carros importados e gastando verdadeira fortuna com os cinco advogados que contratou, entre os mais famosos e mais caros de Minas.”

“Valério perdeu todos os contratos de publicidade com estatais como Banco do Brasil e Correios, suas galinhas dos ovos de ouro, mas do ponto de vista financeiro aparentemente não sofreu abalos. Na verdade, até ampliou seus gastos após o escândalo: contratou a firma de segurança de um delegado de polícia de Uberaba (MG) para proteger a casa no luxuoso condomínio Retiro do Chalé, a 40 quilômetros de Belo Horizonte, onde mora com a mulher Renilda e os dois filhos.”

Escrito por Josias de Souza às 00h25

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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