Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

"Empréstimos a Valério foram forjados"

Ele se chama Carlos Godinho. Trabalhou no Banco Rural. Foi superintendente da instituição. Contou à revista Época algo que muitos já suspeitavam: são “forjados” os empréstimos que o Banco Rural concedeu a Marcos Valério, braço financeiro do PT na época em que a tesouraria do partido era gerida por Delúbio Soares.

 

A direção do Rural, diz Godinho, recomendou que fossem sonegadas ao Banco Central informações relativas aos supostos empréstimos. A SMP&B, agência que tinha Valério no rol de sócios, conseguiu renovar quatro vezes seu empréstimo. E logrou obter novos créditos mesmo sem liquidar dívidas anteriores.

Em nota, o Rural afirmou que as declarações de Godinho são "mentirosas e irresponsáveis" e que "revelam um oportunismo perverso, tendo em vista que só vieram a público após o seu recente desligamento do banco". Leia os detalhes em depacho da FolhaOnline.

Escrito por Josias de Souza às 16h50

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O declínio do catolicismo

A América Latina converteu-se num problema para a Igreja Católica. Estima-se que a cada hora pelo menos 400 dos mais de 500 milhões de católicos do continente abandonam as fileiras da igreja de Roma. Filiam-se a credos que, mais pragmáticos, oferecem respostas imediatas, aqui mesmo na Terra, para as suas necessidades materiais e espirituais.

O cenário é avaliado num bom livro, lançado pela acadêmica mexicana Sanjuana Martínez. Chama-se “A cara Oculta do Vaticano. De Ratzinger a Bento 16: o papa inquisidor”.

Em entrevista à agência Efe, divulgada neste sábado no sítio espanhol Periodista Digital, Martínez disse que a disputa religiosa é mais renhida em duas praças: no Brasil e no México, os dois maiores países católicos da América Latina.

No México, os católicos digladiam com seitas de origem muçulmana e denominações protestantes com origem nos EUA. No Brasil, confrontam-se com confissões protestantes. Ela não diz, mas nós sabemos, que a Igreja vê com especial preocupação o avanço da Universal do bispo Edir Macedo.

Segundo Martinez, é no México que a guerra religiosa tem contornos mais vivos.  A especialista prevê que, em algumas décadas, o catolicismo pode entrar em colapso entre os latinos. Ali, os protestantes norte-americanos ultrapassam a fronteira religiosa para invadir a seara política.

Nada muito diferente do estilo de Edir Macedo, que acaba de lançar um novo partido político: o PMR, ao qual se filiou ninguém menos que o vice-presidente da República José Alencar.

Em terras mexicanas, protestantes e muçulmanos disputam especialmente as almas da região de Chiapas, habitada por comunidades indígenas. São os excluídos deles. Entre nós, a infiltração também se dá no seio das populações mais carentes.

Não há segredo: as seitas alternativas avançam sobre o catolicismo porque acenam com o progresso material aqui mesmo, neste mundo de meu Deus. Enquanto isso, a casa de Bento 16 continua prometendo o paraíso e a remissão no reino dos céus.

Escrito por Josias de Souza às 15h59

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Lula manda dizer

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a assessoria do Palácio do Planalto discou para o signatário do blog para dizer o seguinte:

"Diante de boatos, o presidente da República reafirma que não estuda mudanças na política econômica, que é de sua responsabilidade, nem na pessoa escolhida por ele para conduzi-la, o ministro Antonio Palocci."

Comentário do repórter: resta saber o que vai na cabeça do ministro da Fazenda. Conforme noticiado aqui em despacho anterior, das 4h28, "embora não deseje a troca de comando na economia, Lula acha que são ponderáveis as chances de Palocci deixar, por vontade própria, o governo". Por isso o presidente analisa com auxiliares muito próximos alternativas. Um desses auxiliares foi ouvido pelo repórter na noite passada.

Escrito por Josias de Souza às 15h06

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As manchetes deste sábado

- JB: Calvário do Planalto dura outras cinco estações

- Folha: Ação do governo fracassa e CPI é prorrogada até abril

- Estadão: Operação chefiada por Lula fracassa e CPI vai até abril

- Globo: PT ignora apelo de Lula e reforça críticas a Palocci

Leia aqui os destaques das capas dos jornais.

Escrito por Josias de Souza às 11h07

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Lula já discute alternativas a Palocci

Lula já discute alternativas a Palocci

Sem alarde, Lula começou a discutir com auxiliares de sua confiança nomes de eventuais substitutos para o ministro Antonio Pallocci (Fazenda). Embora não deseje a troca de comando na economia, acha que são ponderáveis as chances de Palocci deixar, por vontade própria, o governo.

 

Lula trabalha com dois cenários. O primeiro prevê a substituição de Palocci pelo atual secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal. Ou alguém com o seu perfil, conservador. O segundo contempla a escolha de alguém identificado com uma estratégia de baixa mais acentuada dos juros, visando taxas mais densas de crescimento do PIB. Para essa hipótese, Lula ainda não se fixou em nenhum nome. Se tem alguém na cabeça, não revelou.

 

Reservadamente, Lula se disse impressionado com o abatimento de Palocci. Acha que ele reagiu com exagero às críticas da colega Dilma Roussef (chefe do Gabinete Civil). Enxergou na reação um indício de que Palocci pode estar preparando o desembarque.

 

Antes um personagem blindado, Palocci foi sitiado pela crise política. Normalmente afável, mostra-se irritadiço. Incomoda-o a perspectiva de ter de sentar-se no banco da CPI dos Bingos. Avalia que, se isso vier a ocorrer, não será tratado como testemunha, mas como réu.

 

Alvejado por ex-assessores na prefeitura de Ribeirão Preto, Palocci diz, entre quatro paredes, que não compreende o que move a artilharia contra ele. Demonstra especial desalento com o comportamento de Rogério Buratti.

 

Nos bastidores, o primeiro escalão de Brasília comenta que Buratti tornou-se uma ameaça ambulante movido a ressentimentos pessoais. Na mais nova investida contra o ex-chefe, acusa-o de ter intermediado a doação ilegal de R$ 1 milhão de Casas de Bingo para a campanha de Lula em 2002.

 

Autorizado por Lula, Palocci mergulhou num recolhimento de quatro dias. Só volta a Brasília na quarta-feira. O presidente pediu que esfriasse a cabeça. Mas receia que o ministro retorne do descanso propenso a pedir demissão. Daí a análise de alternativas.

 

Numa eventual troca de cadeiras, Lula terá alguma dificuldade caso venha a se fixar no nome de Murilo Portugal. Fiel a Palocci, o ex-chefe do Tesouro Nacional da gestão FHC não trabalha com a hipótese de virar ministro.

 

Na última quarta-feira, um amigo brincou com Portugal na mesa de um restaurante. “Vai acabar sobrando pra você”. Ele ele: “De jeito nenhum”. Acha que Palocci resistirá à crise. De resto, acalenta o sonho de mudar-se para o Rio. Quer trabalhar na iniciativa privada. Programou-se para ficar em Brasília até o final de 2006, mas não como ministro.

 

Trazido diretamente do FMI, Portugal tornou-se admirador de Palocci. Conhecera-o ainda na fase de transição de governo, no final de 2002. Acha-o acima da média dos quadros petistas. Inveja-lhe a capacidade de contemporizar conflitos políticos. Uma qualidade que julga não possuir.

Escrito por Josias de Souza às 03h28

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Lula deixa digitais na operação abafa

O presidente viajara naquele dia Teófilo Otoni (MG). Mas sua cabeça ficou em Brasília. Assim retornou à Capital, por volta das 20h, rumou para o Planalto. Ali, conta a Folha (para assinantes) deste sábado, recebeu o ministro petebista Walfrido Mares Guia (Turismo).

 

Do gabinete presidencial, Walfrido mantinha-se em linha, pelo telefone, com o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE). Ouvia relatos e repassava instruções. Lula foi dormir com a vitória. Mas acordou abraçado à derrota.

 

Em diálogos com auxiliares próximos, confessou-se "cansado" por ter "tratado pessoalmente" da encrenca da CPI.

Sob condições normais, a movimentação do presidente já seria constrangedora. Levando-se em conta que Lula declarara quatro dias antes, em entrevista ao Roda Viva, que seu governo não agia para abafar investigações, o expediente dobrado no Planalto tornou-se vexatório.

Escrito por Josias de Souza às 02h26

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Jefferson: Lula é macaquinho de souvenir

Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou à ativa. Calma. Não reassumiu o mandato. Retomou a carreira de advogado criminalista. Deu-se na cidadezinha de Vera (MT), a 486 quilômetros de Cuiabá. Atuou como assistente de acusação contra o suspeito de mandar matar um ex-vereador.

 

Para não perder o traquejo político, falou sobre Lula. Disse, conforme relato da Folha (para assinantes), que o presidente é um "macaquinho de souvenir que não vê, não ouve e não sabe". Ele fez o comentário ao ser perguntado se Lula, afinal, sabia ou não do caixa dois do PT e do esquema do "mensalão".

 

Antes que o petismo pegue em armas, vai aqui uma consideração: Para alguém que funcionou na crise como um macaco em casa de louças, o comentário de Jefferson bem pode ser entendido como o elogio carinhoso de um aparentado.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Malan X Berzoini

Está na seção Radar, da revista Veja (para assinantes): “Pedro Malan não deixou passar batido a acusação que Ricardo Berzoini fez a ele recentemente. Quando tomava posse na presidência do PT, Berzoini afirmou que era "no mínimo estranho" que alguém que aprovara a venda do Banco Nacional para o Unibanco, "por um preço irrisório", tenha se tornado presidente do Conselho de Administração dessa instituição.”

“Rápido no gatilho, o ex-ministro da Fazenda de FHC o interpelou judicialmente no STF. É apenas uma medida ‘preparatória de futuras ações indenizatória e por crime de honra’. Na interpelação, que tem como relator o ministro Sepúlveda Pertence, Malan desafia Berzoini a provar o que disse. Na quinta-feira passada, o petista foi notificado e tem até segunda-feira para justificar suas acusações.”

Escrito por Josias de Souza às 01h32

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Jereissati: impeachment, só se o povo quiser

A um mês de assumir a presidência do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) começa a pronunciar em público raciocínios que guardava para as conversas entre quatro paredes. Ele soa bem menos tonitruante que outros generais do tucanato. Em entrevista a Veja (para assinantes), pronunciou o vocábulo impeachment com o cuidado de quem caminha sobre ovos.

Foi mais taxativo ao comentar os efeitos de uma eventual queda do ministro Antonio Palocci (Fazenda). “Para o governo, seria o fim”, disse. Conheça abaixo algumas das opinião de Tasso:

* Por que o PSDB poupa Lula?Não foi uma estratégia eleitoral. O que ocorre é que não compartilhamos da idéia de quanto pior melhor. Não achamos adequado dividir o país em uma luta em que a nação seria esgarçada ao limite. Não levaríamos a crise a um ponto em que não haveria possibilidade de manutenção do governo.”

* Impeachment: “Nós vamos levar às últimas conseqüências os erros cometidos por esse governo. As CPIs estão começando a chegar a conclusões. E essas conclusões têm se mostrado muito contundentes. Houve roubo no Banco do Brasil, por exemplo – isso agora se sabe. Outras conclusões tão graves como essa se aproximam. E, a partir daí, os instrumentos jurídicos darão seqüência ao trabalho das CPIs. Mas, do ponto de vista político, é preciso que haja um amadurecimento político para discutir a questão do impeachment, independentemente da questão jurídica.”

* Trocando em miúdos: “(...) É preciso que a população brasileira esteja, em sua grande maioria, querendo o impeachment. Nós não podemos querer o impeachment do presidente sem que a grande maioria da população esteja convencida, como esteve no caso Collor, de que está na hora de o presidente da República, eleito por ela, ser impedido (...). Não está claro que exista esse clima no Brasil. E tomar essa iniciativa sem que haja esse clima é uma irresponsabilidade.”

* E se Palocci cair? “Para o governo, seria o fim. O governo Lula só resiste por causa da economia. Basta olhar o discurso do Lula e dos outros ministros – tudo o que eles argumentam está baseado na economia. E o fiador da economia hoje não é o Lula, é o Palocci. Sua saída significaria a queda do único pilar que está sustentando o governo.”      

PSDB vai à guerra em 2006? “Justamente o contrário. O que o país espera é alguém que tenha condições de conciliar a sociedade e apresentar um projeto para o país. Então, o que se exige não é um candidato aguerrido ou carismático. Dessa coisa de carisma já estamos cansados.”

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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Palocci, os bingueiros e Lula

Quatro dias antes de comparecer pela terceira vez à CPI dos Bingos, na última quinta, Rogério Buratti, o explosivo ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda) na prefeitura de Ribeirão Preto, compareceu ao Ministério Público. Contou barbaridades.

Segundo revela Isto É Dinheiro em sua última edição, Buratti revelou perversões que, se verdadeiras, deixam Palocci em situação ainda mais delicada na Esplanada dos Ministérios. Complicam também a situação de Luiz “Não sei de Nada” Lula da Silva. Eis o resumo apresentado pela revista:

• Em meados de 2002, o empresário Roberto Carlos Kurzweill, que cede o carro blindado usado por Palocci e Delúbio Soares em São Paulo, teria intermediado a doação de R$ 1 milhão feita por dois donos de bingo ao PT. Seus nomes são José Paulo Teixeira Cruz Figueiredo, conhecido como “Vadim”, e José Valente de Oliveira Caio, o “Caio”. Embora sejam portugueses, os dois se apresentam como angolanos.

• O dinheiro teria sido entregue a Delúbio Soares e usado na campanha presidencial de Lula.

• Entre outubro e novembro de 2002, Palocci teria participado de um encontro no hotel Sofitel em São Paulo com os donos dos bingos, na presença de Valdomiro Diniz, o ex-assessor de José Dirceu que foi flagrado pedindo propina ao bicheiro Carlos Cachoeira. No encontro, Palocci teria prometido legalizar a atividade dos bingos.

• Quando Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, Buratti se associou com Rodrigo Cavalieri, dono da MC Consulting, com o objetivo de liberar empréstimos internacionais do Banco Mundial e BID para prefeituras petistas. Esses empréstimos dependiam de autorização da Comissão de Financiamento Externo (Cofiex), órgão vinculado ao ministério da Fazenda. Buratti indicou dois empréstimos que teriam saído de forma irregular. Um deles, o de Goiânia, não passou pelo Cofiex. Palocci teria entrado em ação. “Esse foi dele”, disse Buratti. O outro foi para Manaus. “Esse é do José Dirceu”, disse.

• Buratti também revelou que Jorge Yazigi, um ex-diretor da Leão Leão, empreiteira sempre citada nos escândalos de Ribeirão, foi indicado por Palocci para o cargo de vice-presidente da Visanet. Isso mesmo, a mesma Visanet que teria sido usada pelo Banco do Brasil para desviar R$ 10 milhões para o PT, através do esquema Marcos Valério.

• Ele contou ainda que tentou entrar em um esquema em Angola de concessões de obras e serviços públicos, como coleta de lixo. Buratti foi a Luanda em 13 agosto de 2003, para tentar um contrato para a Leão Leão, mas não conseguiu. Quem conseguiu, segundo Buratti, foi outro empreiteiro de Ribeirão Preto, José Roberto Colnaghi, o mesmo que teria emprestado o jatinho para transportar dólares cubanos. De acordo com Buratti, Colnaghi conseguiu o contrato com ajuda de Palocci.

Escrito por Josias de Souza às 00h21

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A ordem partiu de Gushiken

Acusado de autorizar o repasse de R$ 58,3 milhões para agências de publicidade que tinham Marcos Valério como sócio, o petista Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, começou a abrir o bico. “Se existia algo montado para favorecer o PT, era em escalões superiores, muito acima da diretoria de marketing”, disse Pizollato a Isto É Dinheiro. Acusou diretamente Luiz Gushiken, amigão de Lula: “Ele disse: vai lá e assina”. Lei abaixo o trecho inicial da entrevista de Pizzolato à revista:

– A CPMI dos Correios concluiu que o Banco do Brasil desviou R$ 10 milhões para o caixa dois do PT, usando verbas da Visanet, e o senhor foi apontado como o responsável. Procede?
HENRIQUE PIZZOLATO – De forma alguma. Quando eu assumi a diretoria de marketing do Banco do Brasil, no começo de 2003, essa decisão fugia totalmente à minha alçada. Agora, quando eu vi essa notícia nos jornais, meu mundo desabou mais uma vez.

– Quem decidiu?
PIZZOLATO – O Banco do Brasil tinha três conselheiros na Visanet. Na época, eram o ex-presidente Cássio Casseb, o vice-presidente Edson Monteiro e o diretor Fernando Barbosa. Eles decidiram contratar a DNA.

– Os membros da CPI dizem que o senhor decidiu antecipar os pagamentos, ou seja, antes da realização dos serviços.
PIZZOLATO – Isso não procede. Eu até estranhei aquilo. Chegaram para mim com o documento pronto para assinar. Já tinha até parecer de auditoria. Faltava o meu “de acordo”. E eles disseram que os outros bancos sócios da Visanet também faziam assim.

– O que o incomodava naquela operação?
PIZZOLATO – Assumi o cargo sabendo que eu tinha um orçamento de marketing do Banco do Brasil. Mas não sabia que havia um outro orçamento, indireto, com os recursos da Visanet. Eu então sugeri a eles que colocassem aquilo no orçamento interno do banco.

– Qual foi a resposta?
PIZZOLATO – Que isso iria criar problemas tributários. Haveria incidência de CPMF e de muitos outros impostos. Por isso, seria melhor transferir o dinheiro direto da Visanet para a agência de publicidade.

– Depois disso, o senhor então assinou o primeiro repasse de R$ 35 milhões, feito em março de 2003?
PIZZOLATO – Não. Como no dia seguinte eu tinha uma reunião na Secom [Secretaria de Comunicação] com o então ministro Luiz Gushiken, decidi levar os papéis para estudar no hotel em que morava e esperei para tomar a decisão no dia seguinte.

– E o que o ministro Gushiken lhe disse?
PIZZOLATO – Ele mandou assinar.

Vá ao sítio de Isto É Dinheiro para ler o resto da entrevista.

Escrito por Josias de Souza às 00h06

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Por que o PT poupa Azeredo?

O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR) já decidiu: irá mencionar em seu relatório final o duto financeiro que uniu Marcos Valério ao tucanato mineiro. Apontará a existência de caixa dois na campanha do tesoureiro Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 98.

 

Do ponto de vista jurídico, a menção tem pouca relevância. O crime eleitoral de que Azeredo é acusado, infelizmente, já prescreveu. É na seara política que o episódio se mostra relevante. Marcos Valério Montou em torno de Azeredo um esquema em tudo semelhante ao que foi estruturado em proveito do PT.

 

Serraglio fará menção ao depoimento de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro das arcas de Azeredo. Assim como Delúbio Soares, ele admitiu explicitamente que o tucanato mineiro serviu-se de caixa dois.

 

Azeredo só não vai à Comissão de Ética do Senado se o PT não quiser. Ali, pesa pouco o fato de o delito ter entrado em fase de decadência jurídica. O julgamento é político. Curiosamente, seguindo recomendação do Palácio do Planalto, o petismo evita bulir com Azeredo.

 

A cautela tem uma explicação. O Azeredo de 98 ocupa no escândalo mineiro uma posição análoga à do Lula de 2005. Ambos alegam que não sabiam das tramóias que uniram seus tesoureiros a Marcos Valério. Ou seja, os argumentos que justificariam a cassação de um serviriam de base para o pedido de impeachment do outro.

 

Curioso também é o prurido do PT em relação a outro tema: os repasses de verbas públicas do Ministério do Trabalho, sob FHC, para empresas de Marcos Valério. De novo, o silêncio do petismo só se justifica pela conveniência de evitar que se estabeleçam coincidências com a crise atual, temperada pelas primeiras descobertas de que recursos do Banco do Brasil irrigaram as contas das firmas de Valério.

 

O silêncio do PT vai ficando cada dia mais constrangedor. Em sua edição desta semana, Carta Capital volta a puxar o fio da meada que enleia o governo de FHC com os negócios de Valério. Clique aqui para ir ao sítio da revista.

Escrito por Josias de Souza às 23h49

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Caso encerrado

Chama-se Raimundo Carrero o funcionário a quem Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, delegou competência par administrar a encrenca da guerra de assinaturas pró e contra a prorrogação da CPI dos Correios até abril.

Carrero, como é conhecido, ocupa a função de secretário-geral da mesa diretora do Senado. Ele declarou que, por mais que os governistas esperneiem, são três os critérios adotados para dirimir a pendenga: "Legalidade, cronologia e conferência das assinaturas".

Vale, portanto, o que fora decidido pela manhã. A CPI está prorrogada. Considerou-se que a assinatura de Francisco Dornelles (PFL-RJ) não confere com a caligrafia do deputado assentada nos livros do Congresso.

Para os casos dos deputados Carlos Willian (PMDB-MG) e Wladimir Costa (PMDB-PA), vale o requerimento apresentado pela oposição um minuto antes do término do prazo. Ou seja, ainda que se digam contrários à prorrogação, passaram a compor o time da oposição.

Carrero informa que a prorrogação já foi inclusive encaminhada para publicação no Diário do Congresso. O petismo ainda está entrincheirado, mas uma eventual revisão da decisão já tomada exporia Renan Calheiros a uma execração que o presidente do Senado talvez não se disponha a arrostar.

Escrito por Josias de Souza às 16h41

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Sururu no Congresso

O signatário do blog acaba de chegar do Congresso. Verificou o seguinte: armou-se um sururu em torno da lista de assisnaturas que viabilizou, na manhã desta sexta, a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios até abril de 2006. Os governistas continuam agindo no tapetão. Eis o que está acontecendo:

- Francisco Dornelles (PP-RJ)  é um dos deputados que o governo diz ter desistido da prorrogação da CPI. O problema é que a suposta assinatura de Dornelles no documento que formaliza a desistência não bate com a caligrafia que o deputado registrou nos livros da Câmara ao tomar posse. Assim, sua exclusão não foi aceita. Dornelles, que está no Rio, ligou nesta manhã para Brasília. Confirmou que a assinatura é dele. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), insiste para que a desistência de Dornelles seja efetivada. Por ora, não foi atendido;

- Dois outros parlamentares, Carlos Willian (PMDB-MG) e Wladimir Costa (PMDB-PA) também desistiram da idéia de prorrogar a CPI dos Correios. Seus nomes constam da lista que o petista Arlindo Chinaglia entregou à mesa do Senado às 23h37 de ontem. Nenhum dos dois figurava, porém, na relação que havia sido protocolada pela oposição. Seus nomes foram, assim, ignorados.

- Às 23h59, um minuto antes do término do prazo, o oposicionista Alberto Goldman (PSDB-SP) adensou a lista pró-prorrogação. Ele entregou à mesa da Câmara uma nova relação de deputados favoráveis à causa, entre eles Carlos Willian e Waldimir Costa, aqueles dois que constavam da lista que Chinaglia entregara minutos antes. Seus nomes acabaram sendo mantidos na lista pró-prorrogação;

- Arlindo Chinaglia se empenha para convencer o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que a vontade de Carlos Willian e Wladimir Costa, manifestada antes que Goldman protocolasse a nova lista, deve prevalecer. Renan não deu as caras no Congresso. Diz-se que está em Alagoas. De lá, manda dizer que vai acatar a decisão que for tomada pela secretaria geral do Senado.

- Há, por último, um debate em torno de desistências que foram formalizadas por fax, enviados por deputados que se encontravam fora de Brasília. Foram recusadas. Em seguida, copiadas em equipamento de scanner, foram reenviadas por mensagem eletrônica. Nova recusa. Chinaglia defende que sejam aceitas;

- Como se vê, não se pode dizer, por ora, que a encrenca tenha tido um desfecho. Informado pelo telefone sobre o andamento da guerra das assinaturas, Lula recomendou que seus chapas no Congresso levem a coisa às últimas consequências. Quer porque quer encerrar a CPI dos Correios em dezembro.

Escrito por Josias de Souza às 14h41

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A lista dos deputados lambões

Segue, para registro histórico, a lista dos deputados que protagonizaram o mais novo fiasco do governo Lula. Cedendo à chantagem e aos encanto$ do Palácio do Planalto, retiraram seus nomes da lista de adesão ao requerimento que pedia a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios até abril de 2006.

 

Expuseram-se à toa os lambões. A CPI acabou sendo prorrogada nesta manhã. E Lula grudou em si uma imagem de abafador de CPIs que recusara na entrevista ao Roda Viva, concedida há escassos quatro dias. Leva a fama sem ter conseguido abafar. Pagou (ou prometeu fazê-lo) e não levou.

 

Aí vão, em dois lotes, os nomes dos lambões:

 

AFONSO HAMN PP-RS
ALEX CANZIANI - PTB-PR
ALEXANDRE MAIA - PMDB-MG
ALMERINDA DE CARVALHO - PMDB-RJ
ÁLVARO DIAS - PDT-RN 
ANN PONTES - PMDB-PA
ANTONIO CRUZ - PP-MS
ÁTILA LIRA - PSDB-PI
CABO JÚLIO - PMDB-MG
CORONEL ALVES - PL-AP
DILCEU SPERÁFICO - PP-PR
DR BENEDITO DIAS - PP-AP
DR FRANCISCO GONÇALVES - PTB-MG
DR. RODOLFO PEREIRA - PDT-RR
EDINHO MONTEMOR - PSB-SP
EDIMAR MOREIRA- PFL-MG
EDNA MACEDO PTB-SP
ERICO RIBEIRO - PP-RS
SEU ROSA - PP-ES
GILBERTO NASCIMENTO - PMDB-SP
INALDO LEITÃO - PL-PB
INOCENCIO OLIVEIRA - PL-PE
JAIR DE OLIVEIRA - PMDB-ES
JEFERSON CAMPOS - PTB-SP
JOÃO HERMANN NETO - PDT-SP
JOAQUIM FRANCISCO - PFL -PE
JORGE ALBERTO - PMDB-SE
JOSÉ CHAVES - PTB-PE
JOSÉ DIVINO -PMR-RJ
JOSÉ LINHARES PP-CE

Escrito por Josias de Souza às 12h22

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Os últimos lambões...

JOSIAS QUINTAL - PSB-RJ
JOSUÉ TENGSTON - PTB-PA
JULIO DELGADO - PSB-MG
JUNIOR BETÃO - PL-AC
LAEL VARELA - PFL-MG
LEONARDO MATOS - PV-MG
LINO ROSSI - PP-MT
LUIZ ANTONIO FLEURY - PTB-SP
MANATO - PDT-ES
MARCELO SIQUEIRA - PMDB-MG
MARCELO ORTIZ - PV SP
MARCONDES GADELHA - PSB-PB
MARCOS ABRAMO - PP-SP
MARIA LUCIA CARDOSO - PMDB-MG
MAURÍCIO QUINTELA LESSA - PDT-AL
MAURO BENEVIDES - PMDB-CE
MAURO LOPES - PMDB-MG
MAX ROSENANN - PMDB-PR
MILTON CARDIAS - PTB-RS
MOACIR MICHELETO - PMDB-PR
NELSON MARQUEZELLI - PTB-SP
NELSON TRADI - PMDB-MS
NILTON BAIANO - PP-ES
OSVALDO BIOLCHI - PMDB-RS
PASTOR REINALDO - PTB-RS
PEDRO IRUJO - PMDB-BA
PEDRO NOVAES - PMDB-MA
REINHOLD STEPHANES - PMDB-PR
RICARDO IZAR - PTB-SP
RONIVON SANTIAGO - PP-AC
ROSE DE FREITAS - PMDB-ES
SÉRGIO CAIADO - PP-GO
SEVERINO ALVES - PDT-BA
TACAIAMA - PMDB-PR
VIEIRA REIS - PMR-RJ
WILSON CIGNACHI - PMDB-RS

Escrito por Josias de Souza às 12h21

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Uma comédia de erros

Devagarinho, esse espetáculo exibido em Brasília vai se convertendo de drama em má comédia. O enredo é caricato. Improvisa-se em excesso. Os coadjuvantes do Congresso parecem deslocados de seus papéis originais. O protagonista do Planalto dissocia as falas do gestual --diz “A” e faz “B”.

 

Na última cena, rodada na calada da noite passada, Lula, cada vez mais parecido com os canastrões que o antecederam, ensaiou a derrubada do requerimento que prorrogava a CPI dos Correios até abril de 2006. Foi dormir imaginando-se vitorioso. Acordou derrotado.

 

Deu-se o seguinte: lido em plenário pela manhã, o requerimento de prorrogação contava com 218 assinaturas de deputados e 32 de senadores. Nos arredores da meia noite, escorregaram da relação de deputados 67 assinaturas. Restaram 170. Eram necessárias 171.

 

A poda de assinaturas foi obtida graças a uma estratégia que misturou brutalidade e afeto. Na fase bruta, o governo informou aos freqüentadores da lista que seriam tratados como inimigos irreconciliáveis. Na etapa doce, o Planalto afagou os desertores com cargos e verbas.

 

Na manhã desta sexta-feira, realizou-se no Congresso, como prevê o regimento, uma recontagem das assinaturas. Conta daqui, reconta dali, chegou-se a 171 deputados, o número mínimo exigido para que a CPI funcione até abril, e não até dezembro, como previsto inicialmente.

  

Lula produziu uma das derrotas mais caras de seu governo. Teve de engolir a prorrogação das investigações e ainda acomodou na porta de seu gabinete uma fila de 67 deputados-credores.

 

Cabe à Viúva, veneranda e indefesa senhora, o patrocínio de mais esta comédia. A derrama da noite passada apenas tonificou um borderô que já vai alto. O diabo é que, a despeito do cu$to da produção, o público acha menos graça a cada dia. 

Escrito por Josias de Souza às 11h02

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As manchetes desta sexta

- JB: Cai a blindagem de Palocci

- Folha: Lula pede fim da crise Dilma-Palocci

- Estadão: Lula comanda operação para segurar Palocci

- Globo: Lula cobra fim da divergência pública entre Palocci e Dilma

Leia os destaques das primeiras páginas dos jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h37

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Sentença do STF inibe doações eleitorais

Sentença do STF inibe doações eleitorais

Levada ao pé da letra, a decisão do STF que derrubou trechos da lei que regula a cobrança do PIS e da Cofins esvaziará de forma dramática os caixas das campanhas nas eleições de 2006. Os bancos, por exemplo, maiores provedores das arcas eleitorais, ficarão impedidos contribuir.

 

Em sentença proferida na terça-feira, o Supremo declarou inconstitucional o trecho da lei 9.718, de 98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da Cofins. Essas duas contribuições incidem sobre o faturamento das empresas.

 

Des de 99, o governo passara a conceituar atribuir faturamento como “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotadas para as receitas”.

 

Para STF, esse entendimento não tinha amparo na Constituição. Faturamento é apenas a receita proveniente da venda de produtos. Rendimentos de aplicações financeiras, por exemplo, não entram na conta.

 

Por analogia, o mesmo conceito deve estendido às doações das empresas para campanhas políticas, reguladas pela lei 9.504, de 97, que estabelece o seguinte:

 

Art. 81. As doações e contribuições de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais poderão ser feitas a partir do registro dos comitês financeiros dos partidos ou coligações.

 

§ 1º As doações e contribuições de que trata este artigo ficam limitadas a dois por cento do faturamento bruto do ano anterior à eleição.

 

Tomando-se o conceito de faturamento fixado pelo STF, os bancos, por exemplo, ficariam impedidos de injetar dinheiro nas eleições. O grosso de seu faturamento não vem da venda de produtos, mas da intermediação financeira.

 

A decisão do Supremo inquietou membros da comissão que o TSE constituiu para sugerir alterações às regras eleitorais. O primeiro a detectar a encrenca foi Everardo Maciel. Ex-secretário da Receita, ele integra o grupo do TSE. Cuida da redação das regras que tribunal planeja encampar.

 

Dois ministros do Supremo foram alertados ontem para o problema gerado pela sentença de terça-feira. Um deles, ministro Carlos Veloso, além de juiz no STF, é presidente do TSE.

Alertada para a contradição, a Procuradoria da Fazenda Nacional estudava na noite passada a hipótese de utilizar o exemplo das campanhas eleitorais em recurso que irá protocolar no STF contra a decisão relacionada ao PIS e à Cofins.

Escrito por Josias de Souza às 02h51

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O último suspiro de Dirceu

José Dirceu (PT-SP) protocolou ontem no STF mais um recurso pedindo a anulação do processo de cassação do seu mandato na Câmara. É a terceira vez que o ex-chefão da Casa Civil bate às portas do Supremo. O recurso inclui um pedido de liminar. Se for concedido, terá de ser adiada uma vez mais a sessão de degola de Dirceu, marcada para 23 de novembro.

Escrito por Josias de Souza às 02h46

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Lula enquadra Dilma e Palocci

Em reunião ontem na Granja do Torto, Lula falou grosso: "Não se discute economia pelos jornais. Não quero trombada pelos jornais. O governo nessa hora tem de ter uma posição de unidade."

 

Ao redor do presidente estavam os ministros os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), às turras nos últimos dias. A reprimenda foi uma encomenda de Palocci, conta Kennedy Alencar Folha de hoje (para assinantes.

 

Abespinhado com críticas feitas por Dilma nos jornais, Palocci chegara a dizer a Lula que, arrastado para o centro da crise política, poderia deixar o governo. Reclamou que Dilma o alvejara num momento em que, sob fogo cerrado da oposição, precisava de apoio, não de tiros disparados desde as trincheiras aliadas.

 

"Não sei se estou mais ajudando o país", dissera Palocci a Lula na terça-feira. Lula refutou a hipótese de sua saída. E passou a carraspana na reunião de ontem. Embora presente, Palocci sabia que o recado destinava-se a Dilma, não a ele.

 

A despeito dos movimentos de Lula, a debilidade da posição de Palocci é reconhecida por integrantes do próprio governo. Num instante em que o ex-todo-poderoso José Dirceu (PT-SP) está muito próximo da guilhotina na Câmara, a oposição guindou o ministro da Fazenda à condição de novo cristo. Começa a crucificá-lo.

 

Dois ex-assessores de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, Rogério Buratti e Vladimir Poleto, tornaram-se estrelas da CPI dos Bingos. Ambos depuseram ontem. Poleto amargou a aprovação de um pedido de prisão, encaminhado ao Ministério Público. É acusado de ter transportado dólares supostamente enviados de Cuba para a campanha presidencial de Lula em 2002.

 

Munido de habeas corpus do STF, Poleto mentiu à CPI. Foi, porém, desmascarado pela audição da fita de uma entrevista que concedera à revista Veja, autora da reportagem que pôs em cena o Cubagate.

 

O ministro Márcio Thomaz Bastos testemunhou a descompostura de Lula em Palocci e Dilma. Na seqüência, entraram também na sala o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). A reunião durou pouco mais de duas horas. De volta ao Senado, Mercadante pôs-se a defender Palocci. A oposição fez ouvidos moucos.

Escrito por Josias de Souza às 02h39

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Garotinho e Rosinha ainda elegíveis

O casal Anthony e Rosinha Garotinho foi salvo pelo gongo. O voto de minerva do presidente do TER carioca, Marlan de Moraes Marinho, devolveu-lhes os direitos políticos que haviam sido cassados em sentença da juíza de primeiro grau Denise Appolinária, da comarca de Campos (RJ). O plenário do TRE cindiu-se ao meio. Foram três votos contra os Garotinho e três a favor. Na dúvida, o juiz Marlan tomou as dores dos réus.

 

Anulada a sentença, que havia imposto a eles uma inelegibilidade de três anos, Garotinho e sua mulher, governadora do Rio, estão liberados para concorrer às eleições do próximo ano. Conforme informa o Globo de hoje, cabe ainda recurso contra a decisão no TSE. O advogado José Sad Junior anunciou irá recorrer.

Escrito por Josias de Souza às 02h14

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Maluf e Pitta inelegíveis

Em mais uma prova de que a culpa é proporcional às evidências, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou nesta quinta os direitos políticos dos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta, acusados de atentar contra o erário municipal de São Paulo. Os advogados de Maluf já anunciaram que vão recorrer da decisão. Leia os detalhes no Globo.

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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PT vai à guerra

Antecipando-se ao PSDB, seu maior rival, que anunciara a intenção de questionar a prestação de contas da campanha presidencial de Lula, o PT protocolou ontem na Corregedoria-Geral Eleitoral uma representação contra o tucanato.

 

O alvo do PT é o prefeito paulistano José Serra, adversário de Lula em 2002. O partido anota em sua denúncia: “Há recursos utilizados pelo PSDB na campanha sem declaração de origem e destinação na respectiva prestação de contas, portanto, recursos não contabilizados”.

 

Simultaneamente, a liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo apura eventuais irregularidades cometidas pelo governador do Estado, o também tucano Geraldo Alckmin. Os petistas acusam Alckmin de ter levado sua filha, Sofia, em viagem oficial a Israel e à Índia. Alckmin diz que ela está pagando as despesas.

O tempo vai fechar no Congresso. O tucanato, que já estava em pé de guerra, seleciona as armas que usará no contra-ataque. Ricardo Berzoini, presidente do PT, disse ao Globo que está apenas reagindo ao fogo inimigo.

“Constatamos que existem várias ações do PSDB contestando as prestações de contas do PT. Esta denúncia é uma resposta que estamos dando aos tucanos. Entramos na guerra das representações e vamos denunciar as irregularidades nas prestações de outros partidos da oposição”, disse ele, insinuando que o próximo alvo será o PFL.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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CPI pede prisão de Poleto

Vladimir Poleto, personagem central do Cubagate, continuando depondo na CPI dos Bingos. Os integrantes da comissão decidiram há pouco encaminhar ao Ministério Público um pedido de prisão do ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda).

Os parlamentares entenderam que a audição da fita que reproduz a entrevista dada por Poleto à revista Veja deixou claro que ele mente acintosamente em seu depoimento. Daí o pedido ao Ministério Público.

Diz-se que a mentira tem pernas curtas. As lorotas de Poleto já nasceram pernetas.

Escrito por Josias de Souza às 20h24

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Meirelles: "Pedido dos EUA não gera conseqüências"

Em entrevista a este blog, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a Promotoria Pública de Nova York só enviou ofício ao STF por influência de procuradores da República brasileiros. “Para mim, essa providência não gera conseqüências”.

 

Leia abaixo um resumo da entrevista:

 

- Por que a promotoria de Nova York está investigando o sr.?

Henrique Meirelles: O promotor americano está agindo por influência de procuradores da República brasileiros que estiveram com ele. E mais: ele está agindo segundo o entendimento de que seria por ordem do ministro Marco Aurélio [do STF].

- A interferência dos procuradores brasileiros é indevida?

Meirelles: Não vou falar sobre isso. Meus advogados acham isso. Mas eu não quero discutir esse assunto. Para mim, essa providência não gera conseqüência nenhuma. É irrelevante. Pode investigar o que quiser. 

- E quanto ao inquérito que corre no Brasil?

Meirelles: A Receita Federal já emitiu o seu parecer. O Banco Central também. Lá fora não se achou nada. Agora compete ao procurador geral decidir o que ele quer fazer com isso.

- O Ministério Público também pediu ao STF a quebra de sigilo de contas CC5. O que acha?

Meirelles: Isso não tem nada a ver comigo. Estão pedindo a quebra dos sigilos de contas CC5 do Bank Boston. O mesmo pedido também foi feito em outros processos. Se quebra ou não quebra, é algo que não me atinge.

- O sr. acha que o procurador-geral da República oferecerá denúncia após o encerramento do inquérito em que o sr. está sendo investigado?

Meirelles: sempre fiz tudo dentro da lei, paguei todos os impostos devidos. O imposto de Renda americano já havia concluído isso e agora o fisco brasileiro também concluiu. Eu e meus advogados não conseguimos ver o que possa ter de errado.

- Portanto o sr. acha que não será oferecida denúncia.

Meirelles: Não cabe a mim julgar. Ofereci todos os dados. Abri espontaneamente os meus dados bancários. O ministro Marco Aurélio considerou que nem seria necessário quebrar sigilos. O procurador-geral concordou. Então só posso concluir que está tudo correto. 

Escrito por Josias de Souza às 19h49

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Leia ofício dos EUA que pede quebra de sigilo de Meirelles

Leia ofício dos EUA que pede quebra de sigilo de Meirelles

Cabeçalho do ofício da Promotoria de Nova York
 

 

 

Assinatura do promotor Adam Kaufmann

Conforme noticiado aqui às 3h34 a Promotoria de Nova York pediu a quebra do sigilo bancário de Henrique Meirelles, presidente do BC. O ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, desconsiderou o pedido. O blog obteve há pouco cópia do ofício, extraída dos autos do processo que tramita no Supremo. Abaixo, a íntegra de tradução feita pelo Ministério Público, também extraída do processo do STF.

 

26 de maio de 2005

 

À Sua Excelência

O senhor Ministro Marco Aurélio de Mello

 

Senhor ministro,

 

Meu nome é Adam Kaufmann. Eu sou um promotor de Justiça na repartição do Sr. Robert M. Morgenthau, promotor de Justiça do Condado de Nova York, Estado de Nova York. No ano passado, tive a satisfação de trabalhar com procuradores da República e delegados da Polícia Federal do Brasil investigando envolvimento de doleiros em crimes de lavagem de dinheiro no Brasil e em Nova York. Por meio dessa cooperação e troca de informações, nós atingimos o objetivo com sucesso e denunciamos pessoas envolvidas em condutas criminosas internacionais.

 

Eu escrevo sobre o inquérito relativo às atividades do sr, Henrique Meirelles. Consoante decisão proferida por Vossa Excelência, meu escritório também iniciou uma investigação preliminar sobre os negócios do sr. Meirelles. Para esse fim, nós quebramos o sigilo bancário com acesso a registros dos bancos e instituições financeiras envolvidas em transações efetuadas pelo sr. Meirelles e seus sócios. Por meio de discussões com os procuradores da República designados para a investigação do sr. Meirelles, concluímos que é evidente que a quebra de sigilo bancário no Brasil será importante para determinar se o sr. Meirelles participou de condutas financeiras ilegais. Por isso, respeitosamente, requeiro de Vossa Excelência determine ao Banco de Boston no Brasil que encaminhe aos procuradores da República os extratos bancários necessários. Com os registros bancários, obtidos em conjunto com a quebra de sigilo bancário promovida nos Estados Unidos por meu órgão, nós poderemos determinar se a conduta criminosa ocorreu.

 

Por favor, entre em contato se necessário para maiores esclarecimentos desse e de outros assuntos.

 

Respeitosamente,

 

Adam S. Kaufmann

Promotor de Justiça

Escrito por Josias de Souza às 19h19

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Fita de Veja desmascara Poleto

A CPI dos Bingos acaba de ouvir trechos da gravação da entrevista que Vladimir Poleto concedeu à revista Veja. No áudio, Poleto confirma ao repórter Policarpo Jr. que transportou dólares vindos de Cuba de Brasília para São Paulo. Diz ter agido a pedido de Ralph Barquete, outro ex-auxiliar de Palocci. Menciona a importância de US$ 1,4 milhão.

Diferentemente do que dissera momentos atrás aos integrantes da CPI, a voz de Poleto soa nítida e clara na fita. Não há evidências de que estivesse embriagado. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sugeriu o indiciamento imediato de Poleto pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A presidência da mesa pediu ao senador tucano que formalize por escrito o pedido.

O próprio senador Tião Viana (PT-AC), um dos mais ardorosos defensores do governo na CPI, declarou que a audição da fita destoa inteiramente do que Poleto acabara de declarar. Pediu ao ex-assessor de Palocci que voltasse a se manifestar. 

E ele: "Não vi na fita nada que destoe do que eu falei. Não falei que levei dinheiro. Está evidente na fita. Não estou ouvindo nenhuma contradição do meu depoimento com o que se encontra na fita. Reafirmo a minha história. Esse é o meu ponto de vista."

Poleto voltou a dizer que estava bêbado. Tire as suas próprias conclusões. Clicando aqui, você será direcionado para o sítio da revista Veja. Ali há uma conexão que permite ouvir as fitas.

Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Cubagate: Buratti confirma; Poleto nega

Vladimir Poleto, o ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda) que teria transportado US$ 3 milhões supostamente doados por Cuba à campanha presidencial de Lula em 2002, está depondo nesse momento na CPI do Fim do Mundo, também conhecida como comissão dos Bingos.

Ele disse: “Jamais ouvi falar na história do dólar ou da origem em Cuba”. Poleto negou o teor da notícia de Veja, primeira a noticiar o suposto aporte cubano às arcas eleitorais do PT. Disse ter declarado ao autor da reportagem, jornalista Policarpo Jr. que os dados eram “fictícios”.

 

Curiosamente, Poleto admitiu que Veja pode dispor de uma gravação contendo a sua voz. Mas declarou que, no instante em que falou ao repórter, estava bêbado. Bebera cachaça. E, no instante da entrevista, continuou bebendo chope. Nem se recorda, alegou, se fez ou não alguma declaração. Caso tenha feito, são “falsas e inverídicas”.

 

Poleto disse ter sido “coagido” pelo jornalista. Integrantes da CPI já anunciaram que irão requisitar à revista Veja cópias das gravações. Irão também convocar o repórter Policarpo Jr. para prestar depoimento.

 

Depondo antes de Poleto, o advogado Rogério Buratti, adotou comportamento inverso ao de Poleto. Confirmou integralmente a entrevista que deu a Veja. Disse ter ouvido de Ralph Barquete que as caixas de bebida transportadas por Poleto de Brasília para Campinas continham, na verdade, dólares cubanos. Barquete, também ex-assessor de Palocci, morreu em 2004.

 

"Fui consultado pelo Ralf dizendo ser a pedido do ministro Palocci", relatou Buratti no depoimento à CPI . O auxiliar de Palocci o teria procurado para consultá-lo sobre a melhor maneira de trazer US$ 3 milhões de Cuba. Em contato posterior, Barquete lhe teria informado que a operação havia sido concretizada.

 

Poleto confirma que transportou caixas de bebida num avião Sêneca. Embora estivesse sozinho com o piloto na aeronave, disse que pegou uma carona. E voltou a negar que as caixas estivessem recheadas de dólares.        

Escrito por Josias de Souza às 17h52

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Thomaz Bastos e Delcídio enviam ofício aos EUA

Reunidos nesta quinta-feira, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e o senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios, decidiram tentar, uma vez mais, obter autorização do governo dos EUA para que os dados bancários de Duda Mendonça no exterior possam ser entregues ao Congresso Nacional.

 

Enviados ao Brasil na semana passada, os dados do marqueteiro da campanha presidencial de Lula foram repassados apenas à Polícia Federal e ao Ministério Público. Por exigência da Promotoria Pública de Nova York, os papéis não puderam ser entregues à CPI dos Correios.

 

Thomaz Bastos e Delcídio assinaram juntos um ofício endereçado ao Departamento de Justiça dos EUA. Em três parágrafos, invocam os termos do acordo de cooperação mútua firmado entre os dois países e pedem que seja autorizado o compartilhamento dos dados com a CPI.

 

O documento já foi entregue ao Itamaraty. Seguirá, por mala diplomática, para a embaixada brasileira em Washington, a quem caberá conduzir as negociações. O ministro e o senador pediram tratamento prioritário.

Cabeçalho da carta enviada aos EUA

Assinaturas de Thomaz Bastos e Delcídio
 

Escrito por Josias de Souza às 17h28

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CPI acerca-se de Lula

A CPI do Fim do Mundo, também conhecida como comissão dos Bingos, marcou para quarta-feira da semana que vem o depoimento do petista Paulo Okamoto. Ele é presidente do Sebrae. Funcionou, em campanhas passadas de Lula, como tesoureiro das arcas eleitorais.

 

Está sendo convocado para explicar as razões que o levaram a pagar, supostamente com recursos próprios, um empréstimo que o PT fizera a Lula. A suspeita da CPI é de que os recursos foram providos por Marcos Valério. Algo que Okamoto e o Planalto negam de pés juntos.

Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Vem aí um prêmio à sonegação

Este blog pescou no sítio mantido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) na internet uma proposta que cheira a encrenca. A entidade deflagrou um lobby para injetar na medida provisória da Super-Receita uma esperteza fiscal que merece a sua atenção, caro leitor.

A CNI quer plantar na proposta um “novo programa de parcelamento de débitos tributários para o setor empresarial”. Algo assemelhado ao Refis. Ou seja, uma nova mamata.

O que está sendo tramado é um refresco para empresas penduradas na Receita e no INSS. Um parcelamento de tributos e contribuições sociais cobradas pelo governo. A idéia é encabeçada pelo presidente da CNI, Armando Monteiro Neto.

Ele já pediu socorre a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Obteve “receptividade”. Aprovada na Câmara, a proposta da Super-Receita terá que ser votada pelos senadores. 

O texto divulgado pela CNI é explícito a mais não poder. Anota: “O relator no Senado da medida provisória que cria a Super-Receita ainda não foi escolhido, mas Monteiro Neto adiantou que, assim que surgir o nome, ele também irá procurá-lo para discutir o assunto”.

Se você é empresário e está em dia com o fisco, fique de olho. Vão premiar, pela enésima vez, os sonegadores. Se você atende pelo apelido de “pessoa física”, arregale ainda mais os olhos.

Quanto se trata de negar a correção da tabela do Imposto de Renda dos assalariados, o governo ruge como leão. Mas quando lida com pleitos de empresários, financiadores de campanhas eleitorais, ele mia como gatinho.

Leia com os seus próprios olhos, já esbugalhados, o comunicado da CNI.

Escrito por Josias de Souza às 11h30

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Palocci faz que vai, mas acaba ficando

Logo que o mundo de José Dirceu (PT-SP) caiu, há coisa de quatro meses, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) riscou o Palácio do Planalto da sua lista de preocupações. Imaginou que Dilma Roussef, a nova chefona da Casa Civil, embora tivesse um passado guerrilheiro mais belicoso que o de Dirceu, não se animaria a alvejá-lo. Pois deu chabu. 

 

Ontem, informa Kennedy Alencar na Folha (para assinantes), Palocci foi queixar-se a Lula. Ameaçou deixar o governo. Disse estar "cansado". Reclamou de "jornada dupla". Além de gerenciar a economia, se ocupa da crise política. E ainda leva tiro da companheira Dilma. Acha que passou dos limites. Lula pôs panos quentes. Rebarbou a ameaça de demissão do auxiliar. E prometeu mandar Dilma baixar a bola.


O próprio Palocci, conta Kennedy, teve um tête-à-tête com Dilma. Disse que ela agravara a crise política e a sua situação em particular ao criticá-lo publicamente. O que revolta Palocci é que as críticas da colega soaram num instante em que ele está sob bombardeio oposicionista. Dilma falara em "atoleiro". Para sair dele, defendera uma queda na taxa de juros.

 

Dilma já está enquadrada. Palocci já retirou a ameaça de bater em retirada. Mas a oposição prepara uma chuva de balas para o ministro da Fazenda. E não serão balas de coco. Recomenda-se a Palocci que vista um colete blindado.

Escrito por Josias de Souza às 08h12

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As manchetes desta quinta

- JB: Acusados tentam escapar de cassação - Ministros viram arma de defesa

- Folha: Terror mata 53 em hotéis na Jordânia

- Estadão: Governo é derrotado no STF e vai perder até R$ 29 bilhões

- Globo: CPI: Valério deu nota fria a empresa ligada ao BB

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 07h13

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Promotoria dos EUA pede quebra de sigilo de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

Promotoria dos EUA pede quebra de sigilo de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

Em ofício encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Promotoria Pública de Nova York pede à Justiça brasileira que determine a quebra do sigilo bancário de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. Os dados serviriam para esclarecer dúvidas em inquérito que apura crime de lavagem de dinheiro nos EUA.

O processo que corre nos EUA envolve pessoas físicas e empresas brasileiras que enviaram dólares para o exterior de forma supostamente irregular. O pedido que se refere a Meirelles foi formulado pelo promotor norte-americano Adam Kaufmann, o mesmo que autorizou o envio para o Brasil de 15 mil cópias de documentos com informações bancárias recolhidas nos EUA.

 

A papelada inclui a movimentação financeira do publicitário Duda Mendonça, marqueteiro de Lula na campanha presidencial de 2002, na conta Dusseldorf, aberta no Bank Boston de Miami. Acondicionados em 15 caixas, os documentos foram repassados na segunda-feira à Polícia Federal e ao Ministério Público.

 

Para pedir a quebra de sigilos bancários de Meirelles o promotor dos EUA valeu-se da intermediação do Ministério Público Federal brasileiro. Traduzida para o português, a requisição foi enviada ao Supremo pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza.

 

A requisição caiu sobre a mesa do ministro Marco Aurélio de Mello, relator de um processo que investiga Meirelles e suas empresas. Aberto em maio, o inquérito tramita no Supremo porque o presidente do Banco Central, graças a uma medida provisória assinada por Lula e aprovada pelo Congresso, ganhou status de ministro de Estado. E ministros, pela lei, só podem ser processados no STF.

 

Este blog apurou que Marco Aurélio já deu um despacho no pedido formulado pela promotoria norte-americana. Ele negou provimento. Considerou imprópria a maneira como a petição foi feita. Interpretou-a como uma interferência indevida de um órgão estrangeiro no Poder Judiciário do Brasil. Uma questão de soberania.

 

Na opinião de Marco Aurélio, o pedido não poderia ter sido formulado diretamente pela promotoria norte-americana. O organismo desfruta, no ordenamento jurídico dos EUA, de status análogo ao do Ministério Público no Brasil. Para o ministro, os promotores deveriam ter recorrido ao Judiciário dos EUA que, concordando com o pedido, despacharia para a Justiça brasileira uma “carta rogatória” solicitando os dados bancários de Meirelles.

 

O Ministro Marco Aurélio já havia negado pedido Ministério Público de quebra dos sigilos de Meirelles e de suas empresas. Achou que a providência seria desnecessária, já que o próprio presidente do Banco Central remeteu ao Supremo os seus dados bancários. Meirelles nega que tenha cometido irregularidades. Diz que sua vida é pautada pela “lei e pela ética”.

 

Diante da nova decisão de Marco Aurélio, o Ministério Público pode agir de duas maneiras: ou protocola no STF um recurso ou orienta a promotoria de Nova York a refazer o pedido, dessa vez por meio do Judiciário norte-americano.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Volta às origens

Volta às origens

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara, foi homenageado nesta quarta-feira por um grupo de repentistas nordestinos. Enfiaram-lhe na cabeça um chapéu de vaqueiro. Por um instante, voltou às origens.

 

Aldo nasceu numa fazenda da pequena Viçosa, na zona da mata alagoana. Pelo gosto do pai, José Figueiredo Lima, estaria até hoje laçando bois.

 

Foi salvo pela providência divina, que plantou uma escola na fazenda onde veio ao mundo, uma antiga propriedade do velho Teotônio Vilela. Mercê do empenho pessoal, o menino tornou-se cabra da peste. Tendo se livrado dos bois, hoje tange deputados.

 

Há de lhe bater em certas horas um arrependimento arretado.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Até tu, PT!

Depois de perder a virgindade ética, o PT dinamitou ontem a sua última cidadela. Aderiu à reengenharia administrativa. Três dias depois de Lula ter festejado, em entrevista, a supremacia sobre FHC na geração de empregos, o partido do presidente anunciou que irá promover um pacote de demissões.

 

Em reunião com os 125 trabalhadores empregados no diretório nacional do PT, o secretário-geral adjunto da legenda, Joaquim Soriano, informou que 37 deles serão postos no olho da rua. O partido persegue, informa o Globo de hoje, uma economia mensal de R$ 400 mil com a folha de pagamento.

 

Estima-se que as demissões anunciadas proporcionarão um corte mensal de R$ 118.400. Ou seja, o passaralho petista está apenas começando.

 

Conforme revelado aqui no início da noite de ontem (despacho das 18h03), o presidente e o tesoureiro do PT, respectivamente Ricardo Berzoini e Paulo Ferreira, anunciarão nesta sexta-feira o lançamento da “Campanha Militante de Arrecadação.”

 

O partido vai correr a sacolinha entre a militância entre os dias 13 de novembro e 13 de dezembro. Apelando ao “espírito solidário” dos petistas, o PT espera amealhar R$ 13 milhões.

 

Este blog está interessado em iluminar os caminhos do partido de Lula em sua nova e espinhosa empreitada. Por isso, renova aos seus 22 leitores a questão de múltipla escolha proposta no despacho de ontem. Responda: além de apelar ao bolso de seus militantes, o PT deveria:

 

* a) pedir a ajuda a Delúbio Soares, cujo caixa particular parece estar fornido, como demonstrou ao comprar um carro blindado;

 

* b) recorrer a Sílvio Pereira, que vendeu o seu Land Rover e talvez tenha guardado um dinheirinho;

 

* c) apelar a Duda Mendonça, que talvez tenha, no exterior, algumas economias;

 

* d) Ajoelhar-se diante do filho de Lula. Quem sabe algum trocado dos R$ 5 milhões recebidos da Telemar não possam ir para o PT. Tudo legalmente, nos conformes;

 

* e) todas as respostas anteriores.

Escrito por Josias de Souza às 01h47

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Esperteza de Palocci dribla CPI do Fim do Mundo

Aqui se revelou na noite de terça-feira (despacho das 23h21) uma manobra do governo para tentar evitar a convocação do ministro Antônio Palocci pela CPI dos Bingos.

 

Informou-se que o ministro se dispunha a comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A pretexto de falar sobre economia, se colocaria à disposição dos senadores para tratar de temas relacionados à crise política –da suposta mesada mensal de R$ 50 mil paga pela firma Leão & Leão, de Ribeirão Preto, ao Cubagate, estrelado por dois ex-assessores de Palocci.

Pois a azáfama teve um desfecho ontem. Marcou-se para 22 de novembro o comparecimento de Palocci à tal comissão do Senado. Lideranças da oposição renderam-se à esperteza. Vão aguardar pelas explicações do ministro. Se ele for convincente, pode mesmo livrar-se do constrangimento de ter de sentar num banco de CPI.

Por ora, a esperança crônica do governo prevaleceu sobre os seus medos agudos.  

Escrito por Josias de Souza às 00h47

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Lula, para variar, não sabia de nada

O presidente da República praticou um delito. Em viagem de Moscou para o Brasil, rodou no aparelho de DVD do Aerolula uma cópia pirata do filme “2 Filhos de Francisco”, que retrata a vida dos cantores Zezé Di Camargo e Luciano.

 

Reza a lei que pirataria é crime. Mas, ao admitir a falta nesta quarta-feira, o Palácio do Planalto informou que Lula, de novo, não sabia de nada. Os culpados da vez são os ajudantes de ordens da Presidência, militares vinculados ao Gabinete de Segurança Institucional. Evitou-se a revelação de nomes.

 

Devagarinho, o alheamento de Lula vai assumindo proporções descomunais. Não demora e o presidente aparece em público de sapatos trocados.

Escrito por Josias de Souza às 00h35

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Governo pode ter de engolir prorrogação de CPI

Em articulações que entraram pela madrugada, lideranças do governo penduraram-se ao telefone. Tentavam convencer parlamentares a retirarem suas assinaturas de um requerimento que pede a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios até abril de 2006.

 

Em manobra desfechada na manhã de ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, encerrou uma sessão conjunta do Congresso sem ler o documento em plenário. A leitura oficializaria a prorrogação.

 

O governo ganhou um dia inteiro para cabalar a retirada de assinaturas. À noite, quando haveria nova sessão do Congresso, Renan foi salvo pelo congestionamento da pauta da Câmara, ocupada com a votação do processo em que Sandro Mabel (PL-GO) livrou-se da degola e com a conclusão da apreciação da medida provisória que institui a Super-Receita.

 

Cancelada a segunda sessão conjunta do Congresso, o governo ganhou a madrugada para esvaziar o requerimento de prorrogação da CPI. Até o meio da noite, informa o Globo de hoje, os esforços mostravam-se infrutíferos.

 

O documento era referendado por 252 assinaturas --222 de deputados e 30 de senadores. O governo conseguiu convencer três deputados a saltar da lista. Mas a oposição obteve a adesão de mais 16 deputados e dois de senadores.

 

Renan será forçado a ler o documento na sessão do Congresso desta quinta-feira. Se patrocinar nova manobra, a oposição promete obstruir a pauta de votações. Uma encrenca que o governo talvez prefira não arrostar. A medida provisória da Super-Receita, cuja votação foi concluída na Câmara, precisa ser votada no Senado até 18 de novembro. Do contrário, perderá a eficácia.

Escrito por Josias de Souza às 00h20

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STF impõem derrota ao governo

O governo sofreu nesta quarta-feira uma dura derrota no STF. Em decisão apertada –seis votos a quatro--, os ministros do Supremo consideraram inconstitucional a lei baixada em 98, ainda sob FHC, que ampliara a base de cálculo do PIS e da Cofins.

 

Em conseqüência da decisão, além de tributar menos, o governo terá de devolver às empresas importâncias cobradas indevidamente nos últimos oito anos. Técnicos do Ministério da Fazenda debruçaram-se sobre máquinas de calcular. Estima-se que a brincadeira possa custar ao governo a bagatela de R$ 26,8 bilhões.

 

Leia no Globo de hoje reportagem sobre o assunto. E, no sítio do STF, um resumo da decisão do tribunal.

Escrito por Josias de Souza às 23h57

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Mabel absolvido: 340 X 108

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP) acaba de anunciar o resultado final da votação do processo de cassação do mandato de Sandro Mabel (PL-GO). O parlamentar foi inocentado por 340 votos contra 108. Houve 17 abstenções. Nenhum voto em branco.

 

Mabel (ao centro na foto) é o primeiro parlamentar da bancada mensaleira a ser absolvido. Nesse momento, sorridente, recebe cumprimeiros dos colegas no centro do plenário. 

Escrito por Josias de Souza às 19h23

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"É irresponsabilidade, mas estou pagando"

  Lula Marques/Folha Imagem
O ex-ministro dos Transportes de Lula, Anderson Adauto (PL), homem do vice-presidente José Alencar, admitiu nesta quarta-feira ter feito caixa 2 em todas as nove campanhas que disputou e nas duas em que atuou como coordenador.

Adauto ocupou uma cadeira na Esplanada de janeiro de 2003 a março de 2004. Deixou o governo para concorrer às últimas eleições municipais. Elegeu-se prefeito de Uberaba (MG).

 

O ex-ministro veio a Brasília para prestar depoimento à CPI do Menssalão. Antes mesmo de ser inquirido pelos membros da comissão, confirmou aos jornalistas que beliscou R$ 410 mil nas contas de Marcos Valério, o empresário a quem o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares terceirizou as finanças do PT.

Segundo Adauto, a grana foi usada para pagar dívidas de sua campanha de 2002, na qual elegeu-se deputado federal. Não foram, naturalmente, registradas na prestação de contas encaminhada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Em todas eleições você fica com dívida para trás. Isso é natural. Eu fechei a campanha de 2002 como fechei as outras oito campanhas que disputei", disse o ex-ministro. "Não quero me eximir da responsabilidade, mas é cinismo quem disser que não é assim. É claro que isso é irresponsabilidade, mas eu estou pagando por isso."

Já acomodado na cadeira de depoente, Adauto declarou, num rasgo de sinceridade, que poderia ter resolvido os seus problemas de caixa eleitoral recorrendo aos fornecedores do Ministério dos Transportes. "Mas não fiz isso", jurou. Disse ter preferido pedir socorro a Delúbio Soares, então tesoureiro do PT.

Escrito por Josias de Souza às 18h05

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Hummmm! Não cheira bem!

Mais uma manobra malcheirosa perpetrada nesta quarta-feira no Senado: a sub-relatoria de movimentação financeira da CPI dos Correios cancelou o depoimento que seria prestado por Soraya Garcia.

 

Soraya é uma ex-assessora do PT de Londrina (PR). Fora convocada depois que denunciou que o caixa dois do petismo paranaense tinha as digitais do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e de Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula. Bernardo e Carvalho negam as acusações. 

 

Intimida, Soraya abalou-se até Brasília. Foi surpreendida com o cancelamento. Por ora, a CPI não deu nenhum tipo de explicação pública. Não há tampouco notícia de que uma nova data tenha sido marcada para a inquirição. Com a palavra, Gustavo Fruet (PSDB-PR), que dirige os trabalhos da sub-relatoria.

Escrito por Josias de Souza às 17h50

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Começa a votação

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara, acaba de declarar aberto o processo de votação do processo de cassação do deputado Sandro Mabel (PL-GO). Todas as indicações apontam para um resultado favorável a Mabel.

Escrito por Josias de Souza às 17h18

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Ajude o PT a recuperar as suas finanças

O presidente e o tesoureiro do PT, respectivamente Ricardo Berzoini e Paulo Ferreira, concederão na próxima sexta-feira, uma entrevista coletiva. Será ao meio-dia, na sede do PT em São Paulo. Os dois vão anunciar o lançamento da “Campanha Militante de Arrecadação” do PT.

 

O partido de Lula passará a sacolinha entre os militantes no período de 13 de novembro e 13 de dezembro. Espera-se amealhar R$ 13 milhões, para arrancar a legenda da crise financeira em que se encontra mergulhada.

 

O PT fixou-se no cabalístico 13 porque esse é o número que identifica a legenda nas cédulas eleitorais. Berzoini apelará ao “espírito solidário” dos petistas. "Se cada liderança do partido arrecadar R$ 1 mil, será possível atingirmos a meta", diz Berzoini.

 

Interessado em auxiliar o PT em sua campanha arrecadatória e inspirado pela sugestão de um grande amigo, o repórter propõe aos seus 22 leitores uma questão de múltipla escolha. Além de apelar ao bolso de seus militantes, o PT deveria:

 

* a) pedir a ajuda a Delúbio Soares, cujo caixa particular parece estar fornido, como demonstrou ao comprar um carro blindado;

 

* b) recorrer a Sílvio Pereira, que vendeu o seu Land Rover e talvez tenha guardado um dinheirinho;

 

* c) apelar a Duda Mendonça, que talvez tenha, no exterior, algumas economias;

 

* d) Ajoelhar-se diante do filho de Lula. Quem sabe algum trocado dos R$ 5 milhões recebidos da Telemar não possam ir para o PT. Tudo legalmente, nos conformes;

 

* e) todas as respostas anteriores.

Escrito por Josias de Souza às 17h03

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A defesa de Mabel

Sandro Mabel (PL-GO) acaba de discursar na sessão da Câmara que deve insentá-lo da acusação de tentativa de subornar a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Abaixo, os principais trechos da defesa:

 

* “Os postulados do direito nortearam a decisão do Conselho de Ética. Tenho certeza de que também nortearão a decisão deste plenário”.

 

* “O fim do processo do Conselho de Ética minimizou a minha dor. Voltei a poder andar de cabeça erguida. Nas ruas, as pessoas agora me cumprimentam com alegria (...). Domingo, quando eu estive na igreja, senti a felicidade das pessoas que fizeram orações por mim e viram o resultado sendo alcançado. As pessoas que trabalham pra mim no Brasil inteiro tiveram que escutar: 'aí, heim, seu chefe tá lá no mensalão'. Agora, respiram aliviadas.”

 

* “É duro, gente, é humilhante, é triste. De uma hora pra outra, meus 33 anos de trabalho, quando carreguei até saco de farinha para ajudar meu pai, caíram por terra de um dia para o outro. Minha honra e minha honestidade foram postas em dúvida. Foram 153 dias. Submeto a minha honra, a minha dignidade ao julgamento dos meus pares”.

 

* “Confio o meu destino político a todos os colegas aqui presentes, com a certeza de que todos reconhecerão a minha inocência. O contrário seria instituir a indústria da denúncia sem prova. Muitas delas baseadas apenas em disputas regionais. Que o princípio da presunção de inocência seja o norte a orientar a consciência dos colegas.”

 

* “Tenho absoluta certeza de que o julgamento isento do plenário ressuscitará a minha honra e a minha dignidade. A longa tortura que passei cessará. Todos à minha volta vivenciaram momentos de constrangimento e humilhação (...). Peço com simplicidade que os caros colegas votem sim, confirmando a opinião unânime do Conselho de Ética de que não me cabe nenhuma parcela de culpa.”

Escrito por Josias de Souza às 16h33

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Íntegra da entrevista de Lula

A quem interessar possa: o Palácio do Planalto disponibilizou no sítio que mantém na internet a íntegra da entrevista concedida por Lula ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite da última segunda-feira. Pressione aqui para ter acesso à entrevista. 

Escrito por Josias de Souza às 16h16

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Receita pesca nota fria de Valério

No mesmo dia em que Paulo Sérgio de Abreu e Silva, o advogado de Marcos Valério, perambula pelo Congresso com documentos que, segundo diz, comprovam a lisura dos negócios do seu cliente com o Banco do Brasil, a CPI dos Correios recebeu um relatório da Receita Federal que atesta a existência de notas fiscais na contabilidade da agência de publicidade DNA. Entre as notas carunchadas, há uma emitida em nome da Visanet. Estampa o impressionante valor de R$ 6 milhões. Leia os detalhes em texto da FolhaOnline.

Escrito por Josias de Souza às 16h11

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Plenário inicia julgamento de Mabel

Já começou a sessão do plenário da Câmara que julga o pedido de cassação do deputado Sandro Mabel (PL-GO). Absolvido pela Comissão de Ética, Mabel deve ser poupado também pelo plenário. Alega-se que não há elementos para comprovar que o deputado ofereceu R$ 1 milhão à colega Raquel Teixeira (PSDB-GO) para trocar de partido.

Forçada a depor contra Mabel depois que o governador de Goiás, Marconi Pirillo (PSDB), tornou público o assédio de Mabel, Raquel ficará em situação constrangedora depois que for confirmada, ainda nesta quarta-feira, a absolvição de Mabel. Puxaram-lhe a escada.

Escrito por Josias de Souza às 15h55

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Mercadante discursa contra prorrogação de CPI

No rastro da manobra de Renan Calheiros (PMDB-AL), que se eximiu de ler em plenário o pedido de prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios de 15 de dezembro até 15 de abril, o líder do governo no Senado, Aloisio Mercadante (PT-SP) acaba de explicitar, em discurso feito da tribuna, a posição do governo sobre o tema.

 

Mercadante insinuou que a oposição recolheu 252 assinaturas de parlamentares favoráveis à prorrogação porque está de olho no “calendário eleitoral” de 2006. “Se for inevitável, devemos reconsiderar e construir uma solução. Mas devíamos tentar concluir os trabalhos [da CPI]”, disse.

 

O líder do governo insinuou também que a longevidade das investigações conspira contra a tramitação de projetos importantes no Congresso: Mercadante listou as matérias pendentes de votação: reformas tributária, eleitoral e do Judiciário. Mencionou também a lei do Fundeb, programa que recupera os salários dos professores do ensino básico.

 

“Há uma sobrecarga de trabalho”, acrescentou Mercadante. “Temos que ter uma agenda. Deveríamos dialogar com racionalidade e com argumentos para verificar se de fato não podemos concluir os trabalhos de investigação”.

 

O repórter recomenda a Mercadante que tente dialogar com o seu colega de partido Delcídio Amaral (MS), presidente da CPI dos Correios. Ouvirá dele que não há hipótese de concluir a investigação das inúmeras transgressões produzidos sob Lula até dezembro. O governo pode espernear como quiser. O sucesso da trama contra a prorrogação cheirará a tentativa de abafar escândalos. Algo que, em público, Lula diz que não deseja.

Escrito por Josias de Souza às 15h44

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Aprovada cassação de Queiroz no Conselho de Ética

O Conselho de Ética da Câmara acaba de aprovar, por 12 votos contra dois, o relatório que recomenda a cassação do mandato do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG). O caso vai agora ao plenário da Casa, que deve confirmar a degola.

 

Coube a Josias Quintal (PSB-RJ) a relatoria do processo contra Queiroz. Sustentou que o colega não “embolsou dinheiro”. Mas recebeu, em nome do PTB, R$ 452 mil em verbas coletadas por Marcos Valério, o empresário a quem o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares terceirizou a tesouraria do PT.

 

Ao defender-se diante do Conselho, Queiroz embargou a voz. “O próprio relator reconheceu que não embolsei nenhum tostão. O mais importante foi isso. A honra, a dignidade, poder olhar para meus filhos. Não aceito qualquer pena. Não aceito cassação, suspensão de mandato, advertência. Não aceito porque eu não errei. Pelo menos intencionalmente.”

 

Aceitando ou não, Queiroz amargou uma derrota que só não foi unânime porque dois deputados goianos --Pedro Canedo (PP) e Neyde Aparecida (GO). Os demais membros do Conselho de Ética fizeram ouvidos moucos para os argumentos de Queiroz. Ele alegou que foi mero intermediário do recebimento dos recursos.

 

Segundo Queiroz, R$ 350 mil foram repassados à tesouraria nacional do PTB. Outros R$ 152 mil teriam sido repassados a candidatos do partido às eleições municipais de 2004. "Não cabia a mim fazer a prestação de contas desse dinheiro, já que eu não o recebi", disse Queiroz.

 

Conforme antecipado aqui, em despacho das 2h 02, Pedro Canedo, um dos deputados que votaram contra a cassação de Queiroz, é relator de um outro processo de cassação. O processo que envolve o petista Professor Luizinho (SP). Sua posição foi interpretada pelos colegas do Conselho de Ética como um indício de que Canedo irá sugerir em seu relatório a absolvição de Luzinho, beneficiário de R$ 20 mil das contas espúrias de Marcos Valério.  

Escrito por Josias de Souza às 15h07

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Sobre amizades, manobras e coerência

No meio de uma madrugada fria, o melhor amigo do homem é um prato de sopa quente. Em meio a um cenário político febril, o melhor amigo de Lula é um governista tépido na direção do Congresso.

 

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e do Congresso, exerce nesta quarta-feira o papel de ponta-de-lança de mais uma manobra do governo. Visa obstruir a investigação em curso na CPI dos Correios.

 

Renan deveria ter lido na sessão matutina do Congresso um requerimento pluripartidário que pede a prorrogação dos trabalhos da CPI de 15 de dezembro, quando deveria ser encerrada, até 15 de abril de 2006. O documento é assinado por 252 parlamentares.

 

O Congresso não precisa votar o requerimento. Reza o regimento interno que a simples leitura oficializa a prorrogação. Renan não leu sob o pretexto de que era necessário conferir as assinaturas. Bobagem. Na verdade, quer dar tempo para que o governo convença deputados e senadores a pularem fora do documento.

 

Na última segunda-feira, na entrevista ao Roda Viva, Lula bateu palmas para as CPIs. “Temos três. Se quiserem abrir uma quarta não vejo problemas.” Quem percorre os corredores do Congresso nesta quarta-feira percebe o quanto o presidente da República foi sincero.

 

A pressão é grande. Renan talvez seja forçado a ler o requerimento de prorrogação da CPI dos Correios em plenário ainda hoje.

Escrito por Josias de Souza às 14h33

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Jibóia adormecida

De um auxiliar de Lula, em conversa com o chefe, ao comentar a decisão da França de decretar estado de emergência –incluindo toque de recolher--, para deter os distúrbios sociais naquele país: “Ainda bem que a nossa jibóia está adormecida”. Onde se lê “jibóia”, leia-se a bugrada desamparada desta terra de palmeiras e sabiás.

 

Escrito por Josias de Souza às 11h36

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As manchetes desta quarta

- JB: Fernando Henrique contrapõe Lula - Campanha presidencial acirra embate político

- Folha: França restringe direitos civis para conter violência

- Estadão: Dilma descarta ajuste fiscal defendido pelo Planejamento

- Globo: França entra em estado de emergência

Leia os destaques de capa dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h40

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Túnel do Tempo

Túnel do Tempo

Lula Marques/Folha Imagem
 

 

José Dirceu (PT-SP) saboreava nos corredores do Congresso a entrevista de seu ex-chefe ao Roda Viva. Acha que as palavras de Lula reforçaram o discurso de que não há provas que justifiquem a sua cassação.

 

A comemoração de Dirceu é impalpável como o vento. Os elogios que recebeu de Lula deram-lhe argumentos para o enredo da inocência. Mas não acrescentaram à sua existência parlamentar um único minuto. O próprio presidente foi taxativo ao dizer que o ex-chefão da Casa Civil será degolado.

 

A despeito do palavrório que desfiou nas sucessivas entrevistas que concedeu no dia seguinte à entrevista de Lula, Dirceu segue a vida pensando na morte política que o aguarda no plenário da Câmara. A data está marcada: 23 de novembro.

 

Na foto do repórter Lula Marques, Dirceu faz sinal de positivo ao percorrer um corredor conhecido no Congresso como "Túnel do Tempo". No seu caso, convém que cuide bem dos minutos. As horas já passaram. O seu já está prestes a se transformar em agora.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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Contas de Duda ao alcance da CPI

Contas de Duda ao alcance da CPI

É grande o esforço empreendido nos bastidores para evitar que os documentos fornecidos pela Promotoria de Nova York sobre a movimentação financeira de Duda Mendonça no exterior cheguem à CPI dos Correios. A manobra, porém, tem tudo para fracassar. Um atalho permitirá à comissão apalpar o papelório até o final deste mês.

 

Passa por Curitiba (PR) a trilha que encurtará o caminho que separa a CPI dos dados bancários do marqueteiro da campanha presidencial de Lula em 2002. O Ministério Público ajuizará no Paraná, antes do final do mês, uma ação contra o Trad Link, braço do Banco Rural nos EUA. Assim que a que a ação for protocolada na Justiça, os documentos serão considerados públicos. É o que reza a lei.

 

A ação a ser proposta em Curitiba nada tem a ver com Duda Mendonça. O alvo é o Trad Link e os gestores do Banco Rural que movimentaram recursos espúrios no exterior. Mas parte da grana repassada a Duda por Marcos Valério transitou pelo Trad Link. E os documentos referentes a essa movimentação serão anexados ao processo paranaense.

 

Ou seja, os membros da CPI, assim como qualquer brasileiro interessado no caso, poderão ter livre acesso aos dados. Os procuradores responsáveis pela análise dos dados compõem uma força tarefa constituída especialmente para investigar o escândalo que ficou conhecido como “Casa Banestado”. O grupo será destituído no final de novembro. Daí a pressa em ajuizar a ação.

 

Os papéis obtidos em Nova York foram remetidos nesta terça-feira pela secretária Nacional de Justiça, Cláudia Chagas, à Polícia Federal e ao Ministério Público. Recheiam oito caixas. São cerca de 15 mil documentos. Revelam o rastro do dinheiro do caixa dois petista que pingou na conta da Dusseldorf, a empresa de Duda Mendonça.

 

A conta da Dusseldorf encontra-se assentada no BankBoston de Miami. Recebeu de Marcos Valério, a mando do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, R$ 10 milhões. Suspeita-se que os recursos se refiram aos serviços prestados por Duda à campanha presidencial de Lula em 2002.

 

Impedida de acessar os documentos, a CPI dos Correios tentou agendar uma reunião com os promotores de Nova York. A comissão recorreu à Embaixada dos EUA em Brasília. Chegou a comprar os bilhetes de viagem de três de seus membros, entre eles o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS).

 

Os promotores novaiorquinos, porém, deram de ombros. Alegam que o Congresso desrespeitou compromissos de confidencialidade que envolviam documentos enviados no ano passado para uma outra CPI, a do Banestado. E a viagem de Delcído, que se faria acompanhar da senadora Ideli Sanvatti (PT-SC) e do deputado Gustavo Friet (PSDB-PR) teve de ser cancelada.

 

O atalho paranaense apresenta-se agora como o caminho mais curto para que os papéis aportem no Congresso. Haveria ainda a possibilidade de um recurso do Congresso ao STF (Supremo Tribunal Federal). Mas a decisão seria mais demorada do que o desejável. Informados pelo repórter sobre a janela prestes a se abrir no Paraná, integrantes da comissão disseram que farão contato com os procuradores do Ministério Público encarregados da investigação.

Escrito por Josias de Souza às 02h30

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Valério se diz credor do BB

Desembarca nesta quarta-feira em Brasília Paulo Sérgio de Abreu e Silva. Vem a ser o advogado de Marcos Valério. Traz de Belo Horizonte uma pasta de documentos. Serão entregues às CPIs dos Correios e do Mensalão. Escorado no papelório, Abreu e silva tentará convencer os parlamentares-investigadores de que seu cliente não é devedor do Banco do Brasil.

 

Ao contrário, diz o advogado, Marcos Valério seria seria credor de verbas remanescentes do contrato com a Visanet, que previa a realização de campanhas publicitárias para a divulgação de cartão de crédito do bancão oficial.

 

Na semana passada, o relator da CPI dos Correios, Osmar Seraglio (PMDB-PR) informara que restara comprovado que pelo menos R$ 10 milhões pagos pela Visanet para a DNA, empresa da qual Valério era sócio, teriam ido para as contas do PT e seus aliados. O Banco do Brasil, disse Serraglio, informara que os serviços não haviam sido prestados. Valeria teria de restituir a verba recebida irregularmente.

 

As CPIs não dão crédito à papelada enviada por Valério. Alegam que a contabilidade das empresas do provedor das arcas petistas está carunchada. De resto, o advogado de Valério não chega a Brasília num bom dia.

 

Reportagem publicado no Globo de hoje informa que o novo relatório parcial que a CPI dos Correios, a ser divulgado até quinta-feira identificará todas as empresas públicas e privadas, além de pessoas físicas, que alimentaram as contas de nove empresas de Valério nos últimos cinco anos.

 

Um levantamento preliminar indica que o Banco do Brasil, suas subsidiárias, como a Visanet, BB Administradora de Cartões de Crédito, Brasilprev, Companhia de Seguros Aliança do Brasil, Banco Popular e BBtur Viagens e Turismo Ltda, e ainda a Caixa de Assistência dos Funcionários do BB (Cassi) e a Fundação Banco do Brasil foram responsáveis por um terço dos créditos registrados entre 2001 e 2005 nas contas do empresário mineiro, que totalizam R$ 1,2 bilhão.

Escrito por Josias de Souza às 01h29

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Queiroz a um passo da guilhotina

  Alan Marques/Folha Imagem
O Conselho de Ética da Câmara espera concluir nesta quarta-feira a votação do relatório que sugere a cassação do mandato do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG). Ele é acusado de ter recebido R$ 452 mil em verbas de má origem coletadas por Marcos Valério

 

A análise do caso, iniciada nesta terça-feira, teve de ser suspensa em função do início da sessão deliberativa do plenário da Câmara, à qual todos os deputados são obrigados a comparecer.

 

No instante em que a reunião do Conselho de Ética foi interrompida, a votação era desfavorável a Queiroz (na foto). Dos cinco deputados que haviam votado, quatro manifestaram-se pela cassação. São necessários oito votos para que o parecer do relator, Josias Quintal (PSB-RJ), favorável à degola, seja aprovado.

 

Coube a Pedro Canedo (PP-GO) o único voto proferido, por ora, contra a cassação de Queiroz. Ele alegou que não ficaria em paz com a sua consciência se votasse a favor da degola do colega.

 

O diabo é que Canedo é relator no Conselho de Ética de um outro processo de cassação, o do petista Professor Luizinho (SP). Ele é beneficiário de um saque de R$ 20 mil nas contas de Marcos Valério no Banco Rural.

 

Ou seja, se Canedo considerou injusta a cassação de Queiroz, aplicará o mesmo raciocínio ao caso de Luizinho. Significa dizer que está no forno mais uma absolvição de deputado mensaleiro.

 

Antes de Queiroz, deve ser poupado Sandro Mabel (PL-GO). Absolvido na Comissão de Ética, por “falta de provas”, ele será julgado hoje pelo plenário da Câmara. São grandes, enormes, as chances de que consiga livrar-se da guilhotina.

Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Patriota diz à PF que é inocente

Aqui se noticiou que o escândalo do mensalinho, aquele que apeou o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) da cadeira de presidente da Câmara, ainda vive (leia despacho de 2 de novembro, às 2h57). Informou-se que o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) fora intimado pela Polícia Federal a prestar esclarecimentos sobre suposta suposta propina paga pelo empresário Sebastião Buani, ex-concessionário de um restaurante na Câmara.

 

O nome de Patriota chegou a ser mencionado no auge do escândalo. Mas, depois da renúncia de Severino, o deputado mergulhou em momentâneo esquecimento. Buani anotou em documento anexado ao processo –“A História de um Mensalinho”- que pagou, por baixo da mesa, em 2002, R$ 40 mil para ter renovada a concessão para explorar o restaurante da Câmara. O dinheiro teria sido dividido meio a meio entre Severino e Patriota. Este último, segundo o empresário, teria redigido o documento que consumou a renovação de contrato.

 

Patriota já depôs na PF, eis a novidade que se deseja relatar. Compareceu perante o delegado Valmir Oliveira no dia 3 de novembro. Alegou inocência. Disse que era mero cliente do restaurante de Buani. Admitiu ter orientado o empresário sobre como requerer a renovação do contrato com a Câmara. E só. Diz que não recebeu nada em troca.

Em ofício encaminhado ao blog, Patriota informa que Izeilton Carvalho, ex-gerente do restaurante de Buani, isentou-o de culpa. Na verdade, Izeilton disse em depoimento à PF, o seguinte: “Com relação ao Deputado Gonzaga Patriota, o depoente afirma que não tem conhecimento, nem por ouvir dizer ou presenciado qualquer fato concernente ao pagamento de propina”.

Patriota afirma também que outras testemunhas ouvidas pela PF, entre elas a filha de Buani, Gisele, e José Carlos Albuquerque, servidor da Câmara responsável pelo setor de contratos dos restaurantes, não o envolveram no caso. O inquérito policial prossegue.

Escrito por Josias de Souza às 00h22

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Super-Receita passa na Câmara

Acaba de ser encerrada a sessão da Câmara, iniciada no meio da tarde, em que estava sendo concluída a votação da medida provisória 258, que cria a Super-Receita. Na fase final da votação, os líderes celebraram um acordo transferindo para a manhã desta quarta a conclusão da análise do projeto.

 

Na prática, a medida provisória já está aprovada. Passou por 250 votos contra 29. Houve duas abstenções. Analisam-se agora os destaques apresentados por parlamentares para votação em separado. Destinam-se a modificar artigos da proposta.

 

Dois destaques já foram rejeitados. Na sessão desta manhã, serão votadas as últimas sete propostas de ajustes à medida original. Deve prevalecer o texto proposto pelo governo. A conclusão da votação na Câmara leva alívio momentâneo ao Planalto. A medida provisória, que ainda precisa passar pelo crivo do Senado, perde sua eficácia no dia 18 de novembro. Se os senadores quiserem criar caso, o governo estará encrencado.

Escrito por Josias de Souza às 23h53

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Ronivon nega o inegável

  Alan Marques/Folha Imagem
Depois de dar uma canseira na CPI do Mensalão, Ronivon Santiago (PP-AC) prestou finalmente, nesta terça-feira, um depoimento que fora adiado por três vezes. O deputado (veja foto) sentou-se no banco da CPI por ter admitido
, em gravação divulgada pela Folha em 97, que recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permitiu a reeleição de FHC.

 

Ouvido, negou tudo. Chegou a reconhecer que a voz que se ouve na fita de 97 é mesmo sua. Mas alegou que a gravação, feita por um “inimigo político” que não soube ou não quis identificar, foi “montada”. Trata-se de uma inverdade. A Folha guarda até hoje a gravação. Foi submetida a perícia técnica. Não há vestígio de montagens.

 

Os inquiridores da CPI demonstraram imperdoável despreparo para arrancar a verdade de Ronivon. O relator da comissão, Ibrahim Abi Ackel chegou a referir-se à fita como uma gravação telefônica. Na verdade, a voz de Ronivon foi captada por um gravador preso à roupa de seu interlocutor, chamado à época pela Folha de “Senhor X”.

 

O ex-deputado Chicão Brígido (PMDB-AC), outro que teve a voz registrada na fita dos R$ 200 mil, também foi ouvido pela CPI nesta terça. A exemplo de Ronivon, negou tudo. E ficou por isso mesmo.

 

Ronivon, que renunciara em 97 para livrar-se da cassação, está sendo acusado agora  de comprar votos na eleição que o reconduziu à Câmara em 2002. O TRE do acreano cassou-lhe o mandato por “crime eleitoral”. Permanece como deputado por incúria da Câmara, que demora-se em despachá-lo.

 

Seu caso deve ser discutido em sessão da Comissão de Constituição e Justiça, nesta quarta. Se for afastado, será substituído pelo suplente. Seu nome? Chicão Brígido. Sim, o mesmo Chicão da fita de 97. Durma-se com um barulho desses.

Escrito por Josias de Souza às 23h20

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PT se arma para 2006

Lula disse que ainda não decidiu se será candidato à reeleição. Seu partido o desmente. O PT já monta a sua máquina eleitoral. Em contato com os ministérios, o presidente da legenda, Ricardo Berzoini, recolhe elementos para compor um dossiê com os “êxitos” da era Lula.

 

Simultaneamente, o PT põe de pé um tal de GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral). Será chefiado por Gleber Naime. Seu objetivo é mobilizar a militância que deu as caras no último processo de eleições diretas do PT. As eleições que acomodaram Berzoini na presidência do partido.

 

Leia no sítio do PT uma entrevista de Gleber. É meio chapa-branca. Mas dá uma idéia das pretensões do petismo para 2006. Busca-se a mobilização eleitoral em todos os Estados.

Escrito por Josias de Souza às 22h54

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O cerco a Palocci

A CPI dos Bingos, aquela que flerta com o “fim do mundo”, aprovou nesta terça-feira requerimento de convocação de Rogério Buratti, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda), ao tempo em que era prefeito de Ribeirão Preto.

 

Buratti terá de comparecer à CPI nesta quinta-feira. No mesmo dia, será inquirido Vladimir Poleto, outro ex-assessor de Palocci em Ribeirão. De ambos serão cobradas explicações sobre o Cubagate. Em entrevistas gravadas, os dois contaram à revista Veja que a campanha eleitoral de Lula teria sido irrigada com US$ 3 milhões enviados pelo companheiro-ditador Fidel Castro.

 

Em caso de contradições, a direção da CPI não exclui a hipótese de submeter Buratti e Poleto a uma acareação. Poleto, que disse à revista ter transportado de Brasília para Campinas caixas de bebida contendo os supostos dólares cubanos, comparecerá à CPI munido de hábeas corpus do STF que lhe faculta o silêncio.

 

Farejando a encrenca que se arma na CPI do Juízo Final, o ministro Palocci movimenta-se nos bastidores. Aconselhado pelo Planalto, entrou em contato com líderes do governo no Senado. Dispôs-se a comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos da Casa.

 

Como o próprio nome indica, a comissão na qual Polocci deseja marcar presença destina-se à discussão de temas vinculados à gestão econômica. Mas o ministro informa que está aberto a questões relacionadas à crise política.

 

Trama-se para o final do mês a “convocação” de Palocci para a Comissão de Assuntos Econômicos. Mas, para desassossego do ministro, morubixabas da CPI dos Bingos ouvidos pelo repórter nesta terça-feira, não se mostraram dispostos a dispensar a audição de Palocci, vista como inevitável.

 

Enxergam nos subterrâneos de Ribeirão um regaço de perversões que vão do mensalinho de R$ 50 mil supostamente pago a Palocci pela firma Leão & Leão aos dólares cubanos. Avaliam que o ministro tem muito a explicar.

Escrito por Josias de Souza às 22h31

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Beijaço

  Lula Marques/Folha Imagem
Um grupo de cerca de 300 militantes da causa gay manifestou-se-se nesta terça-feira em frente ao Congresso. Promovem um “beijaço”. Foi um protesto contra a decisão da TV Globo de censurar o beijo gay que deveria ter sido exbido no último capítulo da novela América. Beijaram-se a mais não poder.

 

Munidos de bandeiras do arco-íris, símbolo do movimento gay, os líderes da manifestação foram recebidos pelo presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), um cabra macho do sertão alagoano. Reivindicaram a inclusão de dois projetos na pauta de votações.

 

O primeiro, de autoria da ex-deputada Marta Suplicy (PT-SP), institui no país a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O outro, de Iara Bernardi (PT-SP), fixa punições para atos de discriminação de gênero e de orientação sexual.

 

O movimento gay já havia se reunido com o antecessor de Aldo, o deputado fujão Severino “Mensalinho” Cavalcanti (PP-PE), notório inimigo da causa. A reivindicação era a mesma. E nada de votação. Espera-se que Aldo tenha mais "atitude".

Escrito por Josias de Souza às 21h54

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Lula dará mais entrevistas

Uma boa notícia: Lula informou a auxiliares nesta terça-feira que deseja conceder entrevistas coletivas regulares à imprensa. Quer espantar a fama de que tem medo do tête-à-tête com jornalistas. Falta definir a periodicidade.

 

Entrevistas presidenciais são próprias de democracias dignas do nome. Servem para que os governantes, valendo-se da mediação dos veículos de comunicação, prestem contas à sociedade. Excetuando-se a entrevista concedida ao Roda Viva, Lula só reuniu toda a imprensa uma vez em três anos.

 

Ontem, cercado por um grupo de ministros e pelo vice-presidente José Alencar, Lula ouviu elogios à sua atuação no Roda Viva. Aliás, só ouviu louvores. Nenhuma crítica soou no ambiente.

 

Lula viu-se rodeado de panegiristas, encomiastas e louvaminheiros. Como não tinha um dicionário ao alcance das mãos, não se deu conta de que estava apenas sendo bajulado. Convenceu-se de que arrasara na entrevista. Não sabe a falta que faz um subordinado sincero!

Escrito por Josias de Souza às 21h28

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Generalato do PSDB em Brasília

O prefeito José Serra e o governador Geraldo Alckmin perambulam por Brasília nesta terça-feira. Por ora, têm evitado declarações políticas. Encontram-se reunidos neste instante com a bancada tucana no Congresso. Selecionam as emendas que querem ver inseridas no Orçamento da União para o próximo ano. Num 2006 eleitoral, quanto mai$ melhor.

Escrito por Josias de Souza às 16h58

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Nem aí...

De malas prontas para uma viagem que fará amanhã do Rio para Mato Grosso, onde retoma suas atividades de advogado criminal, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que, nas palavras de Lula, "prestou um desserviço ao país", disse o seguinte sobre a entrevista do presidente ao Roda Vida: "Não vi e não gostei". Então, tá.

Escrito por Josias de Souza às 16h38

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O sonho de Gabeira

Em pronunciamento que acaba de fazer na tribuna da Câmara, Fernando Gabeira (PV-RJ) disse o que espera da eleição presidencial de 2006. “O desafio é encontrar uma coalizão que consiga governar decentemente o Brasil. Uma coalizão que não compre ninguém, que seja capaz de perder uma votação. Ganhar ou perdeu é a própria essência da política”.

 

“Setores da centro-esquerda estão separados”, prosseguiu Gabeira. “Ao juntar-se à direita, aproximam-se do fisiologismo. A população não aceita mais isso. Esperamos que o Brasil encontre outra perspectiva.”

 

É, faz sentido. O diabo é que não se vislumbra semelhante coalizão no horizonte político de 2006.

Escrito por Josias de Souza às 15h36

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O olhar seletivo de FHC

Certos crepúsculos, quando se pronunciam, estão apenas tentando cavar um verbete mais suave na enciclopédia. É o caso de FHC. Falando à CBN na manhã desta terça-feira, ele rebateu a acusação de Lula de que abafou CPIs no Congresso.

 

Disse que o PT queria “fazer investigação sobre o nada”. Mas “isso não pode”, afirmou. “Tem que ter fato determinado.” Ora, o tucanato, na pessoa de Tasso Jereissati (PSDB-CE), é ator ativo da CPI dos Bingos, a “comissão do fim do mundo”. Ali, o “fato determinado” aponta para o infinito.

 

FHC mencionou duas CPIs que teve de arrostar: a do Proer e a do Sivam. Não são bons exemplos. A do Proer foi manipulada pelo consórcio governista de então. Teve como relator o bom amigo Alberto Goldman (PSDB-SP). A do Sivam foi pilotada por uma legenda aliada, o PFL.

 

O ex-presidente, de resto, se esqueceu de mencionar as CPIs que não teve de enfrentar. Mencionem-se, por eloqüentes, duas: a da compra de votos e a das privatizações. Foram, sim, abafadas.

 

Para quem não se lembra: o instituto da reeleição foi arrancado numa sessão que, descobriu-se depois, contou com os votos de deputados que venderam suas consciências por R$ 200 mil. As estatais telefônicas foram ao martelo em leilões trançados no “limite da irresponsabilidade”.

 

FHC aproveitou a entrevista de Lula ao Roda Viva para tirar uma casquinha do sucessor. Disse: “Ele assumiu a posição de que é solidário com os companheiros dele. Do ponto de vista do companheirismo, é bonito. Mas, como disse que é o maior responsável por tudo, Lula se colocou numa posição delicada”.

 

No mais, FHC alegou que Lula festejou em sua entrevista resultados econômicos que só foram possíveis porque o PT manteve a política econômica dele. Algo que Lula, reclama, evita reconhecer em público. Acha que o petismo apenas colhe os frutos de árvores que o tucanato plantou.

Escrito por Josias de Souza às 14h16

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Os números de Mercadante

A assessoria de Aloizio Mercadante (PT-SP) envia ao blog pronunciamentos feitos pelo senador a respeito dos gastos de sua última campanha. Custou R$ 710 mil, informados à Justiça Eleitoral em sua prestação de contas pessoal, mais R$ 3,414 milhões em verbas do PT, reportadas ao TRE paulista na contabilidade do partido.

Deu-se na CPI dos Correios um dos pronunciamentos de Mercadante. Interveio na sessão em que Duda Mendonça revelou ter recebido verbas de Marcos Valério no exterior. Disse, a certa altura:

“Nunca vocês discutiram valor, contrato, Marcos Valério ou pagamento no exterior comigo. Nunca! Em nenhuma circunstância. Por isso eu queria dar esse depoimento. Estarei à disposição da CPI, a hora que quiserem, para discutir o que quiserem em relação à minha campanha e a tudo o mais que diga respeito à minha vida pública”.

 

Falando antes de Mercadante, Duda dissera que a campanha do senador fora “baratinha”. Segundo o marqueteiro, aproveitara-se em benefício do senador a estrutura montada em torno do candidato à presidência. Vem daí que a campanha de Mercadante saiu, nas palavras de Duda, “de graça”.

 

Sugere-se à equipe de Mercadante o envio do material também ao companheiro José Dirceu. Talvez ele se anime a esclarecer porque insiste em empurrar toda a sujeira do caixa dois do petismo para baixo do tapete das campanhas estaduais, eximindo o comitê nacional, que se encontrava sob sua responsabilidade (leia despacho abaixo). Isso é briga de petista grande. O repórter só assiste. E reporta.

Escrito por Josias de Souza às 11h32

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Só com água e sabão

Em entrevista concedida há pouco à Rádio CBN, José Dirceu (PT-SP) repisou a tese de que nada sabia a respeito da grana suja coletada por Marcos Valério a mando de Delúbio Soares. Disse que o dinheiro choveu na horta dos partidos da chamada base aliada depois que ele já havia deixado a direção do PT para ser chefe da Casa Civil.

Quanto à campanha de Lula, da qual foi coordenador geral, Dirceu disse que "não teve caixa dois". E a dinheirama que Duda Mendonça admitiu ter recebido de Valério? "Foi para pagar despesas de campanhas estaduais", disse Dirceu.

Entre as campanhas que contaram com a marquetagem de Duda afora a de Lula estão as de Jose Genoino (governo de São Paulo) e Aloisio Mercadante (Senado). Será que Dirceu insinua que os dois é que devem explicações à Justiça?

Em casos assim, em que a sujeira é muita, não há tapete grande o bastante para esconder. Puxa de um lado, a encrenca aparece do outro. Só lavando, desinfetando e abrindo todas as janelas, para a entrada do sol. Não tem outro jeito.

Escrito por Josias de Souza às 07h40

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Manchetes desta terça-feira

- JB: Lula diz o que pensa da crise pela primeira vez

- Folha: Lula defende Dirceu e condena caixa 2

- Estadão: Lula crê na cassação de Dirceu e diz que caixa 2 é inaceitável

- Globo: Lula não cita quem o traiu mas agora acha caixa 2 intolerável

Leia os destaques das capas dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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PF começa a puxar o novelo de Duda

O rastro do dinheiro enviado ao exterior para Duda Mendonça, marqueteiro da campanha presidencial de Lula, começa a aparecer. Os documentos bancários recebidos dos EUA pelo Ministério da Justiça revelam que o consultor financeiro Jader Kalid Antonio é dono da conta Kanton, uma das seis que fizeram remessas de dinheiro para Duda.


Em depoimento na CPI dos Correios, no início do mês, Kalid Antonio dissera que desconhecia a conta Dusseldorf, cujo titular é Duda. Para essa conta enviaram-se R$ 10,5 milhões em verbas de má origem.


Segundo revela a Folha de hoje, a papelada que chegou ao Brasil na última sexta-feira indica que outras pessoas físicas e jurídicas fizeram transações com a Dusseldorf de Duda. A relação inclui Leonildo José Ramad e Luiz de Oliveira, além da empresa Big Time Group.


Nesta terça-feira, a documentação vinda dos EUA será enviada ao Ministério Público e à Polícia Federal. Analisando-se os documentos que o próprio Duda entregou à CPI dos Correios, a Kanton (provavelmente um trocadilho com o nome de seu dono, Kalid Antonio) fez uma única remessa para a Dusseldorf: US$ 131,83 mil. Deu-se em junho de 2003. A grana saiu de uma conta no Israel Discount Bank, em Nova York.


A PF ouvirá Kalid Antonio em Belo Horizonte Kalid. Irá inquirir também Glaucio Diniz Duarte, presidente da empresa GD International, uma das seis que alimentaram a Dusseldorf. Duarte está no exterior.


A PF já ouviu, na última sexta-feira, o vice-presidente da firma GD. Chama-se Alexandre Aguilar. Ele é ex-funcionário do BankBoston. Contou que, em 1999, em sociedade com Duarte, abriu a GD, uma empresa dedicada à transferência de valores para fora do país, com base de atuação ria nos EUA.

Escrito por Josias de Souza às 03h12

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Complica-se a situação de Palocci

A Folha (para assinantes) revela em sua edição desta terça-feira: Depoimento colhido ontem pela CPI dos Bingos aponta o empresário Roberto Carlos Kurzweil como o responsável pela captação de parte dos recursos da campanha de Lula. Agiu em nome de ninguém menos que o ministro Antonio Palocci (Fazenda).


O depoimento foi sigiloso. A testemunha inquirida é ligada ao PT. E atribui a Kurzweil o papel de coletor de verbas eleitorais doadas por casas de bingo. Contou que teria sido amealhada doação de R$ 1 milhão de dois empresários angolanos, donos de bingos em São Paulo.

 

O acerto da doação ocorreu num jantar promovido por Kurzweil em Ribeirão Preto, à época em que Palocci era prefeito do município. Ele próprio teria recepcionado os bingueiros angolanos.


O valor da doação coincide com o que fora apontado por Rogério Buratti, um ex-assessor de Palocci, em depoimento à CPI. A divergência está no nome do "operador". Buratti apontara ex-secretário de Fazenda de Palocci em Ribeirão, Ralf Barquete, morto no ano passado. Na nova versão, Barquete teria apenas coletado a grana. Entregou-a depois ao ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.


Kurzweil é personagem manjado. Alugou um Omega blindado que, segundo reportagem da Veja, teria sido utilizado em 2002 para transportar os supostos US$ 3 milhões enviados de Cuba para a campanha de Lula. O Omega foi cedido a Palocci.


O motorista que teria transportado os dólares cubanos até diretório do PT em São Paulo, Éder Eustáquio Soares Macedo, também foi cedido a Palocci por Kurzweil. Em Ribeirão, na primeira administração do hoje ministro da Fazenda, Kurzweil venceu, junto com um consórcio de empresas uma concorrência de cerca de R$ 400 milhões. Destinava-se à implantação do serviço de tratamento de esgoto no município até 2018.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Acidente em Assis

  Lúcio Coelho/Voz da Terra
A terça-feira na presidência da República foi emoldura por uma tragédia. Um acidente com um carro de apoio da comitiva de Lula produziu três mortos. O acidente ocorreu no km 442 da rodovia Raposo Tavares (SP). A comitiva presidencial deslocava-se do aeroporto de Assis à subestação da concessionária Transmissora de Energia no município. O motorista do carro, um Meriva, sofreu um infarto. Daí o acidente. O carro chocou-se contra um barranco.


O sargento do Exército Everaldo Bastos Rodrigues e o tenente Vlanderni do Nascimento, que fariam a segurança de Lula, morreram no Hospital Regional de Assis (SP).
O motorista Louremir Luciano Carneiro, contratado pelo Planalto, também chegou morto ao hospital. Informado das mortes enquanto discursava, Lula lamentou a morte do "companheiro motorista" e do sargento Rodrigues. A morte de Vlanderni do Nascimento foi confirmada mais tarde
.

Escrito por Josias de Souza às 02h35

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Lula foi dez na forma e zero no conteúdo

Na forma, a entrevista de Lula ao Roda Viva foi impecável. Ele se mostrou à vontade. Falou de modo pausado. Soou compreensível. Deu-se no conteúdo o grande fiasco. O presidente fugiu da principal pergunta: Quem o traiu? E enrolou ao responder à segunda questão mais importante: Houve caixa dois na sua campanha?

 

Inquirido sobre a “traição” que mencionara em pronunciamento à nação no auge da crise, Lula disse: “Não vou citar nomes porque espero o resultado final das apurações. As CPIs vão investigar, o Ministério Público vai encaminhar à Justiça, o Judiciário vai julgar. Todos aqueles que cometeram práticas condenáveis traíram princípios que o PT tinha colocado em prática nesse país.” Ora, os nomes sonegados era tudo o que a audiência queria ouvir.

 

Quanto ao dinheiro de má origem que foi canalizado para sua campanha, o presidente ensaiou um tom mais enfático: “Você acredira nisso?” Disse que as verbas repassadas a legendas aliadas por ordem de Delúbio Soares destinaram-se a campanhas municipais.

 

O diabo é que os entrevistadores mencionaram a confissão de Duda Mendonça de que recebeu dinheiro sujo de Marcos Valério no exterior. E Duda não fez senão a campanha de Lula. O presidente embatucou-se. Deu uma resposta em que o nada se misturou a coisa nenhuma.

 

Disse: “Não posso responder pelo dinheiro do Duda. O PT teve uma coordenação de campanha que fez acordos com todo mundo, do menino que servia cafezinho ao Duda. O Delúbio vai prestar contas, o Duda vai prestar contas. Depois vamos saber o que aconteceu".

 

Se o presidente, responsável legal pelas contas da campanha não pode responder, quem poderá? Todos sabem o que aconteceu. Duda foi parcialmente remunerado com dinheiro sujo coletado por Valério. Falta esclarecer o trânsito da grana. Algo que repousa no papelório que o Ministério da Justiça acaba de receber da promotoria de Nova York. Logo tudo virá à tona.

 

Em resposta à primeira pergunta do programa, Lula reconheceu: “O presidente da República tem toda a responsabilidade. Não tem como o presidente dizer que não tem responsabilidade. Sabendo ou não sabendo tem responsabilidade (...).” O problema é que Lula passou toda a entrevista fugindo às suas responsabilidades.

 

Repetindo a tática adotada pelo PT, acomodou toda a culpa sobre os ombros do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Como se a direção do PT e o coordenador de sua campanha presidencial, o deputado José Dirceu, não existissem.

 

Lula reconheceu o óbvio: “O Zé Dirceu será cassado”. Mas empenhou-se em livrar-lhe a cara. Disse que a decisão da Câmara será “eminentemente política.” E limitou-se a ecoar a defesa do deputado: “Até agora não existe nenhuma prova que condene o Zé Dirceu”. Soou preocupado com eventuais retaliações do ex-auxiliar.

 

No mais, Lula saiu-se bem. É incompreensível que não dê entrevistas coletivas regulares. Comprometeu-se, aliás, em rever essa posição. Empilhou os feitos na economia -da inflação baixa aos êxitos na balança comercial-, repisou a prioridade ao bolsa família, e despejou reações represadas. Queixou-se com atraso, por exemplo, das críticas à compra do Aerolula. “O avião não é meu, é da presidência”.

 

Voltou a soar falso no momento em que tratou da reeleição. Embora candidatíssimo, disse que ainda não decidiu se será disputará o novo mandato em 2006. Recusou-se a eleger o melhor adversário (José Serra ou Geraldo Alckimin). Privadamente, porém, prepara-se para enfentar Serra.

Escrito por Josias de Souza às 02h12

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Entrevista divide leitores do blog

Lula dividiu os leitores do blog com sua entrevista. Leia abaixo algumas reações recolhidas no espaço destinado aos comentários:

 

Maria Izabel (Caxias do Sul-RS): “Gostei. Claro, objetivo, convincente. Dirimiu muitas das minhas dúvidas. Há muito tempo deixei de ler a revista Veja. Penso que a Veja emburreceu. Ultimamente, pelo que tenho ouvido na imprensa, sobre suas reportagens denuncistas, me lembra os tablóides ingleses, que vivem de escândalos com a família real”.

 

Rodrigo F. (Juiz de Fora-MG): “O presidente saiu-se bem. Embora tenha repetido várias vezes que as CPIs vão apurar e que é preciso esperar o veredicto final, não houve hesitação e, a meu ver, Lula foi bastante sensato em suas respostas. Como era de esperar, ele citou feitos de seu Governo - apesar da crise lamentável, há coisas sendo feitas no país - e falou com veemência em determinados momentos. Além disso, ressaltou a importância da imprensa (...)”.

 

Alex Viana (Brasília-DF): “Passou sinceridade. Acredito no Lula. Respondeu tudo com calma e foi convincente. Uma entrevista histórica”.

 

Gustavo (Rio de Janeriro-RJ): “O presidente deveria dar mais entrevistas porque é muito claro. A oposição está raivosa porque sabe de seu potencial. Admiro uma pessoa que não tem diploma saber se expressar tão bem”.

 

Mauzoom (Cascavel-PR): “Essas viagens são realmente ótimas para fazer turismo, pois ‘elle’ vive quebrando a agenda para conhecer os pontos turísticos por onde passa. É isso aí vamos incentivar o turismo”.

 

Mister Kilmister (São Paulo-SP): “Ansiosamente esperei para assistir à entrevista do presidente Lula no programa Roda Viva. Achei fraca a atuação (sim, ele é um ator!) frente às perguntas. Por vários momentos o presidente não soube ou não quis responder as perguntas de maneira direta como o povo esperava. Em algumas perguntas, principalmente as do Heródoto Barbeiro, era visível o nervosismo e o despreparo que, a meu ver, não conseguia tirar o peso da culpa dos próprios ombros! É inegável que Lula, junto com o PT, está atolado em mentiras e corrupção! Outra piada foi o presidente defender "o passado de luta de José Dirceu". Ora, não somos tolos! (...).”

 

Franziskus (Florianópolis-SC): “Em 80% da entrevista pode-se dizer que o Lula se saiu bem. Foi hábil e ágil, mesmo diante de colocações mais provocativas. Os 20% restantes, porém, foram um desastre. Exatamente quando se entrou nessa parte do caixa dois. Foi como a mãe apanhar o menino com a mão no doce proibido: a mentira fluía tão desavergonhada que o Lula parecia encabulado consigo mesmo. Queria porque queria explicar o inexplicável (...) Foi muito feio. Igual comportamento para tentar explicar o desvio do dinheiro do Banco do Brasil. Fiquei decepcionado com um presidente que tem um lado tão bom (o lado da economia) contraposto a outro tão deplorável (a ética).”

 

Aluízio (Florianópolis-SC): “Essa entrevista é furada. E tem até um aspecto de pronunciamento oficial, com aquelas bandeiras ao fundo. Não acrescenta nada.”

 

Bip (São Paulo-SP): “Eu só estou esperando a hora em que o Lula vai dizer que tem dez dedos nas mãos.”

 

Licovy (Itajubá-MG): Interessante observar que em todas as respostas,durante todo o programa,o Presidente,quando não estava minimizando a crise,estava em plena campanha eleitoral.”

Escrito por Josias de Souza às 00h52

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"Valeu a pena"

Acabou a entrevista de Lula no Roda Viva. As duas últimas perguntas foram: 1) o que aconteceu com o PT?; 2) Valeu a pena?

 

Sobre o PT, Lula disse: Confesso que não sei porque as pessoas trilharam por esse caminho. O tempo vai se encarregar de fazer com que nós tenhamos a verdade. O que levou um dirigente como o Delúbio a terceirizar as finanças? Isso vai ser apurado. O que vai acontecer com o PT nós vimos no último PED [a eleição interna da legenda]. Imaginavam que o PT tava morto e mais de 300 mil pessoas participaram. O partido tem mais arranque do que o Carlitos Tevez [atacante do Corinthians]. O militante sabe que quem cometeu os equívocos foram alguns companheiros, não foi o partido. Isso me deixou feliz. O partido tá vivo. Aqueles que erraram pagarão dentro do PT. Quando o PT tinha oito deputados, afastamos cinco por causa do Colégio Eleitoral [em que Tancredo Neves foi eleito pelo voto indireto]. O PT precisava voltar a ser exemplo das boas práticas. Do jeito que tá aí, se pudesse ter candidatura fora dos partidos políticos, íamos ter um grande banzé na eleição do ano que vem. É preciso que a gente pense numa reestruturação séria da política.

 

Sobre a experiência no poder, declarou: Valeu [a pena]. Eu sou um homem que, a  minha vida inteira, o único legado que quero deixar pros meus filhos é o direito de andar de cabeça erguida, poder olhar pra frente. Quero ser chamado de companheiro e chamar os outros de companheiro. Estamos há 36 meses no governo. Só posso comparar com aqueles que assumi depois deles. Tenho razões de sobra [para comemorar]. O país que conseguiu feitos na economia, que gerou empregos, que fez a bolsa família, que vê risco [país] decrescer todo santo dia, que tá colocando a parte pobre da população na agenda, um país que, com o Prouni, abriu 108 mil novas vagas nas universidades... Tô com a minha consciência tranqüila de que estamos cumprindo o nosso dever. Tô consciente também de que ser presidente é ter problemas. Mas temos condições de resolver. Não há problema sem solução.

Escrito por Josias de Souza às 00h00

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Cubagate: "Não posso acreditar"

Sobre a denúncia de que Fidel Castro teria enviado US$ 3 milhões para a sua campanha presidencial em 2002, Lula declarou o seguinte: Eu não posso acreditar, não tem como acreditar. Eu conheço o miserê que Cuba tá vivendo, a pobreza de Cuba. Temos linha de crédito pra Cuba só para financiar compra de soja, de leite. É o tipo de acusação que acho tão inverossímil! Um cidadão fala que veio aqui, que levou bebida, depois ficou sabendo que era dinheiro. Não dá. Do coração, não posso acreditar que Cuba tenha dinheiro pra dar pra qualquer partido político em qualquer lugar da Terra.

Escrito por Josias de Souza às 23h44

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"Nunca trabalhei tanto"

Lula disse o seguinte sobre a crítica de que trabalha pouco e viaja demais: Eu nunca tinha viajado de avião antes de ser dirigente sindical. E os meus inimigos já diziam que eu só viajava de primeira classe. Nunca trabalhei tanto como na presidência da República. Sabia de presidente que ia embora às seis horas da tarde. Sabia de presidente que só ia trabalhar depois do almoço. Somente alguma pessoa irresponsável, que não sabe o que é uma viagem de presidente, acha que ele não trabalha quando está em viagem. É só você pegar a balança comercial do Brasil. Nosso comércio com a América do Sul cresceu 80%. E vai crescer mais. Saímos de uma balança comercial de US$ 60 bilhões para US$ 114 bilhões. Saímos de um superávit de US$ 13 bilhões em 2002, para superávit de US$ 41 bilhões neste ano. Essas viagens são extremamente importantes.

Escrito por Josias de Souza às 23h25

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Reeleição: "Ainda não decidi"

Veja o que Lula disse sobre a hipótese de concorrer novamente à prtesidência em 2006: Eu, em tese, sempre fui contra a reeleição. Pra você ser candidato é preciso que tenha algumas condicionantes. Não pode ser candidato e acontecer o mesmo que aconteceu com o Fernando Henrique Cardoso. Ele poderia ter terminado o seu primeiro mandato bem e terminou o segundo sufocado. Tem o exemplo do Bush. Vários governadores estão em situação difícil em seu segundo mandato. Não tenho que tomar a decisão agora. Só posso ser candidato se tiver consistência de que posso fazer o segundo mandato melhor do que o primeiro. E se puder fazer uma aliança que me dê maioria concreta  no Congresso.

Escrito por Josias de Souza às 22h59

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Caixa dois presidencial: "Você acredita nisso?"

A entrevista ao Roda Viva prossegue. Questionado sobre a possibilidade de utilização de verbas do caixa dois do PT na campanha presidencial de 2002, Lula reagiu: "Você acredita nisso?" Sustentou que os recursos repassados por Delúbio Soares aos partidos aliados foram empregados nas campanhas para prefeituras municipais.

Os entrevistadores lembraram a Lula que o próprio Duda Mendonça, marqueteiro de sua campanha, reconheceu ter recebido recursos de Marcos Valério, a mando de Delúbio Soares. E ele: "Não posso responder pelo dinheiro do Duda. O PT teve uma coordenação de campanha que fez acordos com todo mundo, do menino que servia cafezinho ao Duda. O Delúbio vai prestar contas, o Duda vai prestar contas. Depois vamos saber o que aconteceu".

Escrito por Josias de Souza às 22h44

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Celso Daniel: "foi crime comum"

Sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, Lula disse: Fico constrangido e magoado. Celso era um irmão, o mais competente administrador público deste país em se tratando de prefeitura. Estaria trabalhando comigo. Você já tem o resultado da Polícia Civil de São Paulo. Tem o resultado da Polícia Federal, que eu pedi ao Fernando Henrique Cardoso para investigar. Tanto a PF quanto a Polícia Civil deram o caso por encerrado, dizendo que foi crime comum. Sempre que se aproxima uma eleição o caso volta à tona, tentando tratar a vítima como algoz. Não conheço a família. Pelo que me consta, fui amigo do Celso por quase 25 anos da minha vida, não tive nenhuma convivência com os irmãos dele. Significa que não eram muito próximos dele.

Escrito por Josias de Souza às 22h24

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"Zé Dirceu será cassado"

O presidente afirmou: O Zé Dirceu foi acusado de montar uma quadrilha pra pagar mensalão. Tô esperando que o Congresso nacional dê à sociedade brasileira o veredito final. Tenho certeza de que não teve. Eu tomei a iniciativa em 2003, para votar as duas coisas mais importantes do governo, a reforma tributária e a da previdência, fizemos um pacto com 27 governadores e acertamos a votação conjunta. Esse negócio de mensalão me cheira a folclore. Pode ter outra coisa. Não acredito que tenha mensalão.

 

(...)

 

Dirceu: Se for analisar pelo conjunto de informações que nos temos até aqui, o Zé Dirceu será cassado por uma decisão eminentemente política da Câmara. Se for por conta de provas, até agora não existe nenhuma prova que condene o Zé Dirceu. Como a sociedade vai entender, depois de cinco meses de investigação, que não casse o Zé Dirceu? Só quero dizer que até agora não vi nenhuma prova que possa justificar. Politicamente o congresso está condenado a cassar o Zé Dirceu.

Escrito por Josias de Souza às 22h21

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Primeiras declarações de Lula

As primeiras declarações de Lula:

 

Responsabilidade do presidente: O presidente da República tem toda a responsabilidade. Não tem como o presidente dizer que não tem responsabilidade. Sabendo ou não sabendo tem responsabilidade e tem que mandar apurar. Roberto Jefferson foi cassado justamente porque não provou o que disse no que diz respeito aos mensalões. O que ele provou é que o PT adotou práticas de financiamento incompatíveis. E isso esta sendo apurado nas CPIs.”

 

O choro: Não cheguei a chorar [quando Roberto Jefferson informou sobre o mensalão].

 

CPIs: Estamos com três CPIs funcionando. Não há ingerência do governo. O povo tem que aproveitar que estou na presidência para denunciar o que tiver que ser denunciado Tenho um sonho de que um dia vamos possamos passar o Brasil a limpo, como na Itália, que fez a operação mãos limpas

 

Impeachment: Não sei se o PFL tem autoridade política para pedir impeachment ou argumento para pedir. Vocês são testemunhas da declaração do presidente do PFL [Jorge Bornhausen], que deixou na sociedade atônita. Disse que era preciso acabar com essa raça do PT por 30 anos.

Escrito por Josias de Souza às 22h05

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Começa o Roda Viva

Acaba de começar o Roda Viva. Se você está interessado em acompanhar a entrevista de Lula, sintonize o seu televisor na TV Cultura. Em Brasília, o programa está sendo exibido pela Radiobrás. Nos Estados, pelas emissoras educativas. A entrevista foi gravada nesta segunda-feira no Palácio do Planalto.

A banca de entrevistadores é composta por ex-âncoras do Roda Viva, que comemora nesta segunda-feira 19 anos ininterruptos no ar. São eles: Augusto Nunes, Rodolfo Konder, Matinas Suzuki, Roseli Tardeli e Heródoto Barbeiro. A mediação é feita por Paulo Markun.

Escrito por Josias de Souza às 21h35

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PT X Veja

O PT protocolou nesta segunda-segunda o prometido processo judicial contra Veja. O caso corre no Fórum Distrital de Pinheiros, na capital paulista. O partido de Lula reclama da Editora Abril, responsável pela publicação da revista, indenização por “danos imateriais”.

Alega que Veja ofende sistematicamente a legenda por meio de reportagens que “não têm apoio na realidade”. Embora tenha sido motivado pela notícia que tratou da suposta remessa de US$ 3 milhões de Cuba para a campanha presidencial de Lula, a ação do PT lista oito capas de Veja que, na opinião da legenda, têm conteúdo difamatório e injurioso.

Leia nota do partido a respeito do assunto.

Escrito por Josias de Souza às 21h02

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STF autoriza testemunha do Cubagate a silenciar

O STF concedeu na noite desta segunda-feira liminar que dá a Vladimir Poleto, convocado para depor na CPI dos Bingos, o direito de permanecer calado durante a inquirição. Para não se auto-incriminar, Poleto poderá inclusive prestar falso testemunho. Munido da decisão do Supremo, assinada pelo ministro Marco Aurélio, Poleto não precisará nem mesmo assinar o termo de compromisso de só dizer a verdade.

O economista Vladimir Poleto é ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda) na prefeitura de Ribeirão Preto. A CPI o convocou para que preste esclarecimentos sobre o Cubagate. Em entrevista à revista Veja, ele reconheceu ter transportado no Brasil os supostos R$ 3 milhões enviados de Cuba para a campanha presidencial de Lula em 2002.

Oleto deveria depor nesta terça-feira. Mas a CPI adiou a inquirição para quinta. Leia a íntegra da decisão do STF que beneficiou Poleto.

Escrito por Josias de Souza às 20h31

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Lula se explica a Dirceu

Lula pediu a um assessor que telefonasse para José Dirceu (PT-SP) no final da tarde. O presidente estava preocupado com eventuais reações do ex-chefão da Casa Civil à entrevista que concedeu ao programa Roda Viva. A versão que chegara aos ouvidos de Dirceu era a de que Lula dissera não ter dúvidas de que ele seria cassado na Câmara. O informante do Planalto recomendou a Dirceu que visse a entrevista antes de tirar conclusões. Esclareceu que Lula fizera uma ressalva durante o programa: a cassação será política. Não há, segundo Lula, provas de que o ex-auxiliar tenha delinqüido. Ah, bom!

Escrito por Josias de Souza às 19h50

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CPIs no rastro de Daniel Dantas

As CPIs dos Correios e do Mensalão voltaram a acalentar o sonho de pôr as mãos na memória do computador do Banco Opportunity, apreendido em São Paulo. O banqueiro Daniel “Todos os Rolos” Dantas havia pedido ao STF que bloqueasse o acesso dos parlamentares aos seus dados. A ministra Ellen Gracie pediu às CPIs que justifiquem a importância do disco rígido do computador de Dantas para as apurações.

O computador do Opportunity foi apreendido pela Polícia Federal, que conduz inquérito contra Dantas. Confiscou-se ainda a lista de todos os cotistas do Opportunity Fund, sediado nas ilhas Cayman. As duas CPIs requisitaram os dados à PF porque suspeitam que Daniel Dantas pode ser uma das fontes do caixa dois amealhado pela dupla Delúbio/Valério.

O caso subiu ao STF graças a um recurso de Dantas. Em decisão liminar, A ministra Gracie sustara a remessa dos dados ao Congresso. Determinou que permanecessem sob a guarda da polícia. Agora, pede que as CPIs demonstrem os indícios que ligariam o Opportunity às agências de que Valério era sócio: DNA e SMP&B. Leia aqui a íntegra da decisão da ministra.

Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Lula agora acha caixa dois "intolerável"

Destoando do que dissera na célebre entrevista parisiense, no auge da crise do mensalão, Lula condenou há pouco a prática do caixa dois eleitoral. Classificou-a de "intolerável". Foi durante a gravação do programa Roda Viva, que será exibido pela TV Cultura logo mais, às 22h 30.

Lula disse que jamais imaginou que Delúbio Soares, que privava de sua amizade, fosse "terceirizar as finanças do PT". Recusou-se a responder a pergunta que todo brasileiro se faz: quem, afinal, o traiu? Lula disse que, ao se dizer traído, referia-se a práticas que o PT adotou e que jamais poderia ter adotado.

Na opinião de Lula, o "mensalão" não foi comprovado. Lembrou que o único cassado até agora foi Roberto Jefferson (PTB-RJ), o denunciante. Acha que José Dirceu (PT-SP), seu ex-chefe da Casa Civil, também será cassado. Mas por razões políticas, não por causa de transgressões à lei. 

O presidente ironizou o Cubagate. A principal testemunha, disse ele, é um morto: Ralph Barquete, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda) na prefeitura de Ribeirão Preto. Lula disse que a notícia de que sua campanha foi tonificada com US$ 3 milhões vindos de Cuba é inverossímil.

Classificou de crime comum o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André. Tratou-se, na sua opinião, de mero sequestro seguido de morte. Essa é a posição sustentada pela Polícia Civil de São Paulo. Para a família do morto, o crime foi político.

Lula declarou-se favorável às investigações das CPIs do Congresso, desde que feitas sem precipitações. Negou que tivesse tentado impedir a instalação da CPI dos Correios. Disse que era sob FHC que esse tipo de coisa costumava acontecer. No governo do seu antecessor, acusou, abafaram-se várias investigações.

Escrito por Josias de Souza às 15h08

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Assaltada casa de Dirceu

A casa de José Dirceu (PT-SP) num condomínio de Vinhedo (a 79 km de São Paulo), foi assaltada na madrugada de ontem. Não havia ninguém no imóvel. Os ladrões arrombaram uma das janelas da casa. Levaram uma TV grande, uma tela de plasma, charutos e guloseimas, informa o delegado de Vinhedo, Alvaro Santucci Noventa Júnior. Pressione aqui para saber mais detalhes.

Escrito por Josias de Souza às 08h23

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Gilberto Carvalho: "Lula nunca entrou em detalhes"

Em entrevista a Kennedy Alencar, na Folha de hoje, Gilberto Carvalho, amigo e chefe-de-gabinete de Lula diz que o chefe ficou magoado com FHC. Acha que o antecessor "começou a tirar proveito na crise como alguém interessado em aprofundá-la". O processo de reeleição de Lula será, diz Carvalho, “doloroso”. Veja abaixo destaques da

- Corrupção em prefeituras do PT: Todo processo humano tem isso. A diferença do PT é que historicamente combate seus erros e os reconhece em público.

- Dinheiro para Dirceu:  Não disse [aos irmãos João Francisco e Bruno Daniel] que levava dinheiro ao Zé Dirceu porque nunca levei dinheiro ao Zé Dirceu.

Assassinato de Celso Daniel: (...) Seqüestro comum. Não há indicação de que houve mandante. Qualquer fato diferente que surgir, estarei aberto.

Por quem o presidente se sente traído?  Por aqueles que faltaram com a verdade, que tiveram posturas que colocaram o governo nessa crise.

Por que Lula não sabia?  As informações que o presidente recebeu eram de que a campanha tinha recolhido fundos para ser quitada integralmente. Nunca entrou em detalhes.

José Dirce: Não se pode atribuir a Zé Dirceu os erros do Delúbio. É um erro achar que Delúbio agia sob orientação do Zé Dirceu.

Reeleição: Não será fácil. Será doloroso.

O que dizer ao eleitor?  No momento em que pudermos mostrar ao povo brasileiro os detalhes de tudo o que realizamos, não tenho dúvida de que venceremos.

O pior momento da crise: Me recordo especificamente da sexta-feira em que teve aquele episódio do rapaz que tentou levar dólares para o Ceará [na cueca]. Foi um dos momentos em que o vi mais quebrado, mais decepcionado, mais triste. Abaixou a cabeça, colocou as mãos no cabelo e disse: "Não é possível. Parece um pesadelo. O que está acontecendo?".

Ataques de FHC: Só ficou magoado quando percebeu que FHC começou a tirar proveito na crise como alguém interessado em aprofundá-la. Achou indevido. Disse que não podia jogar lenha nesse tipo de fogueira.

Diálogo com a oposição: O presidente está interessado num diálogo verdadeiro, em que se definam as armas da batalha com clareza e fique fora tudo aquilo inadequado para uma disputa civilizada. Mas diz: "Para a gente fazer a paz, não dá para a gente só receber pancadas e ficar quieto. Tem de reagir".

Escrito por Josias de Souza às 07h53

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As manchetes desta segunda

- JB: Zona Sul se mobiliza por ordem

- Folha: Lula cobra mais abertura de Bush

- Estadão: Bush e Lula deixam divergências de lado

- Globo: Bush poderá usar canal de diálogo de Lula com Chávez

Clique aqui para ler os destaques das capas dos principais jornais.

Escrito por Josias de Souza às 06h34

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A ditadura do breu

A ditadura do breu

Sérgio Lima/Folha Imagem
 

 

Uma legião de corpos privados de luz espreita as cuias da Câmara e do Senado. Projetam sobre as estruturas do Congresso os reflexos do poder irrefletido.

 

São reflexos sombrios. Precisam ceder lugar à reflexão. Sob pena de implantar-se em Brasília uma nova e incômoda ditadura: o absolutismo do breu.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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O jogo duplo de Serra

 

O prefeito de São Paulo, José Serra, faz jogo duplo em relação à sua provável candidatura à presidência da República. Há menos de um mês, em encontro com um ministro de Lula, mostrou-se hesitante. Ontem, falou em timbre de candidato.

 

Ao ministro, Serra revelou o receio de que o eleitorado de São Paulo não o perdoe caso abandone o mandato de prefeito pela metade. Mencionou um compromisso que assumiu, ainda em campanha, durante uma sabatina promovida pela Folha de S.Paulo.

 

Referia-se a um documento que assinou durante o evento promovido pelo jornal (veja reprodução acima). Deu-se no dia 14 de setembro de 2004. O texto que rubricou anota: “Eu, José Serra, comprometo-me a, se eleito prefeito (...) no pleito de outubro de 2004, cumprir os quatro anos de mandato na íntegra, sem renunciar à prefeitura para concorrer a nenhum outro cargo eletivo.”

 

Ontem, Serra não parecia tão preocupado com o compromisso escrito. Falando numa convenção estadual do PSDB, mirou no PT e no governo federal com ganas de quem não vê a hora de confrontar-se com Lula em 2006 (veja despacho abaixo, das 21h54).

 

O governo Lula é "o maior estelionato eleitoral da história da América Latina e um dos maiores do mundo", disse Serra. As palavras ouvidas pelo ministro dias atrás como que perderam o sentido. Serra quer porque quer a presidência da República. Pela cadeira de Lula, parece disposto a rasgar qualquer compromisso.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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De saída, Bush pede fim da corrupção

Falando a um grupo de empresários antes de deixar o Brasil rumo ao Panamá, George Bush deu uma inesperada alfinetada no governo do anfitrião Lula. O presidente norte-americano disse o seguinte: "Os governos têm de ser fortes, ouvir os seus povos e não podem desperdiçar recursos. Os governos em todo o hemisfério têm que se livrar da corrupção". Embora Bush não seja o portador mais autorizado, o recado faz sentido.

Escrito por Josias de Souza às 00h41

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Cubagate na CPI dos Bingos

A CPI dos Bingos ouve nesta terça-feira o depoimento do economista Vladimir Poleto. Ex-assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda) à época em que era prefeito de Ribeirão Preto, Poleto é apontado como uma das pessoas que manusearam a suposta remessa de R$ 3 milhões de Cuba para a campanha presidencial de Lula em 2002.

Segundo reportagem publicada na semana passada pela revista Veja, Poleto teria confirmado que ajudou a transportar os dólares vindos de Cuba. Na última sexta-feira, Poleto protocolou no STF um pedido de hábeas corpus. Se for concedido, ele poderá mentir ou sonegar informações à CPI para não se auto-incriminar.

Escrito por Josias de Souza às 00h27

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Em 99, Lula vetou repórter no Roda Viva

A entrevista que Lula concederá hoje ao Roda Viva foi precedida de seis arrastados meses de negociações. Os termos das tratativas são desconhecidos. Em negociação semelhante, realizada em outubro de 1999, pelo menos um segredo vazou.

 

Os auxiliares de Lula vetaram o nome de um dos jornalistas convidados pela produção do programa para compor a banca de entrevistadores. O profissional barrado em 99 chama-se Luiz Maklouf. O mediador do Roda Viva à época era Heródoto Barbeiro, hoje âncora do noticiário matutino da rádio CBN e apresentador do Jornal da Cultura.

 

Na abertura do programa, como de praxe, Barbeiro anunciou os nomes dos entrevistadores. Em seguida, avisou: "Gostaríamos também de registrar que o jornalista Luiz Maklouf foi convidado pela produção para participar da bancada dos entrevistadores. A assessoria de Lula vetou a participação de Maklouf em nosso programa."

 

Ricardo Noblat, um dos jornalistas convidados da noite, interveio: “(...) Como eu nunca vi isso no Roda Viva, pelo menos publicamente, eu gostaria de entender porque houve o convite e o nome do jornalista foi vetado".

 

E Lula: "Eu estava em Paris, voltei sábado à noite e domingo de manhã fiquei sabendo do veto. E eu concordo com o veto. Porque o problema meu com o Maklouf é um problema pessoal, não é um problema político. E eu acho que a minha assessoria agiu corretamente."

 

Lula não tinha relação pessoal com Maklouf. Seu problema era outro. O jornalista escrevera várias reportagens que o desagradaram. Fora o primeiro a noticiar, por exemplo, que Lula tinha uma filha fora do casamento: Lurian. Fizera também uma entrevista com Paulo de Tarso Venceslau, um ex-petista que denunciou tráfico de influência de Roberto Teixeira, compadre de Lula, em prefeituras comandadas pelo PT.

 

Maklouf prepara-se para lançar, no final de novembro, pela Geração Editorial, um livro chamado “Já vi esse filme - Reportagens (e polêmicas) sobre Lula e o PT (1984-2005)". Terá 600 páginas. Um dos capítulos conta a história do veto de Lula à sua presença no programa da TV Cultura.

 

Hoje, Lula será entrevistado por ex-âncoras do Roda Viva, que comemora 19 anos no ar. São eles: Augusto Nunes, Rodolfo Konder, Matinas Suzuki, Roseli Tardeli e Heródoto Barbeiro. A mediação será feita por Paulo Markun. Não há notícia de que Lula tenha imposto vetos.

 

Diferentemente do que costuma ocorrer, o programa não será ao vivo, mas gravado. A gravação ocorrerá nesta segunda-feira, em Brasília.

Escrito por Josias de Souza às 23h52

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Serra e Alckmin em campanha

O governo Lula é "o maior estelionato eleitoral da história da América Latina e um dos maiores do mundo". A frase foi pronunciada pelo prefeito de São Paulo, José Serra, em discurso no encerramento da convenção estadual do PSDB, neste domingo.

 

Falando no mesmo encontro, o governador paulista Geraldo Alckmin ecoou Serra. Classificou as relações do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, com o empresário Marcos Valério de Souza como a "primeira parceria público-privada” do governo Lula.

 

Para Serra, Lula deve explicações ao país. Na opinião do prefeito, a versão de que o caixa dois do PT destinava-se ao financiamento de campanhas eleitorais ruiu. “Ficou claro que essa explicação não é verdadeira”, disse.

 

O prefeito, que andava meio recolhido, bateu duro no PT. Disse que, no passado, o partido de Lula julgava-se superior aos demais. Agora, tenta sustentar a tese de que é igual a todos. “Nós não somos iguais ao PT. O PSDB é um partido de ética.”

Durante a convenção, utilizada como palanque por Serra e Alckimin, os dois mais fortes presidenciáveis do tucanato, o PSDB elegeu o deputado estadual Sidney Beraldo para presidir o seu diretório regional. O encontro deixou claro que, do ponto de vista do PSDB, 2006 é agora.

Escrito por Josias de Souza às 20h54

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O que o povo quer saber de Lula

Na última quarta-feira, o signatário deste blog abriu uma janela para que seus 22 leitores formulassem as perguntas que gostariam que os jornalistas fizessem a Lula amanhã, no Roda Viva. Comprometeu-se a escolher as 20 melhores.

 

Num esforço notável, que há de ter envolvido parentes e vizinhos dos 22 leitores, enviaram-se 513 questões e comentários. Uma pergunta foi reiterada por 21 leitores: “Quem, afinal, traiu Lula?”

 

O repórter sabe que sua seleção não contentará a todos. Sobretudo levando-se em conta que não conseguiu encontrar entre as questões enviadas nenhuma que soasse improcedente. Mas o trato previa a escolha de apenas duas dezenas. Serão enviadas à produção do Roda Viva. Quem sabe aproveitam alguma.

 

Segue o primeiro lote de dez. Adiante de cada uma, informa-se o nome (ou pseudônimo) do autor e sua cidade de origem:

 

1. O senhor jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? - Cecília (São Paulo-SP);

2. Em pronunciamento à nação, o senhor disse que se sente traído. O país todo que saber: quem o traiu? – Senador (Brasília-DF);

3. O que o senhor sabia? - Paulo (São Paulo-SP);

 

4. Palocci afirmou em entrevista que, como prefeito, não havia hipótese de não saber o que se passava à sua volta. O senhor, como presidente, não sabia mesmo de nada do que se passou? É inocente, inepto, conivente ou omisso? Henrique (Rio de Janeiro- RJ)

 

5. José Dirceu repetiu, há duas semanas no Roda Viva, que nunca fez nada sem o conhecimento do senhor. Verdade? Eduardo Horácio (Goiânia-GO)

6. Qual foi a sua reação quando seu filho lhe disse que havia acabado de ganhar R$ 5 milhões [da Telemar] para produzir jogos de telefone celular? - Marcelo (São Paulo-SP)

7. O que o seu irmão Genival, o Vavá, fará com o escritório aberto por ele após [eventual] derrota do senhor em 2.006? Joaquim Silvério dos Reis (São Paulo–SP)

8. O senhor afirmava que existiam pelo mesno 300 picaretas no Congresso. Qual é a sua opinião agora? - Marcelo (Macaé-RJ)

9. Se tudo isso que está acontecendo fosse no governo FHC, qual seria a sua atitude? -Adeilton Silva (Caruaru-PE)

 

10. Qual governo é mais corrupto, o seu ou o de FHC? Cláudio (Salvador-BA)

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Mais perguntas...

Abaixo, as últimas dez perguntas selecionadas entre as 513 enviadas pelos leitores do blog, a propósito da entrevista de Lula no Roda Viva:

 

1. O cheque em branco ao [Roberto] Jefferson e a condecoração ao Severino [Cavalcanti] não foram um acinte ao povo brasileiro? – José Henrique (S.J.Calçado-ES)

 

2. Quem pagou o empréstimo que o senhor tomou junto ao PT? – Eduardo Elizeu (Divinópolis-MG)

3. Os prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT eram seus amigos. Porque o senhor não mandou a melhor equipe da Polícia Federal investigar os dois crimes? De que verdade o senhor tem medo? - Jose Sepúlveda (São Caetano do Sul-SP)

 

4. O senhor admitiu em [entrevista em] Paris que o PT fez caixa dois e que isto é habitual no país. O ministro da Justiça disse que caixa dois é coisa de bandido. Quem tem razão? - Pedro (Sao Paulo-SP)

 

5. Já que o senhor entende que caixa dois é mero deslize e não crime [como disse aos deputados do PT], porque não assina um decreto autorizando a Receita a deixar de autuar o caixa dois mantido por empresas? - Luiz (São Paulo-SP)

 

6. Sempre votei no PT. Agora, com o PT e o senhor no poder, não consigo diferenciar a prática política de sua administração da de governos anteriores. Que argumentos eu teria para continuar votando no PT e no senhor nas próximas eleições? - Luciano Lima (Mogi Guaçu-SP)

 

7. O senhor prometeu que abriria os arquivos da ditadura e não cumpriu. O que tem a dizer a respeito desta faceta do estelionato eleitoral em que se transformou o governo do PT? - Ze Pretinho (Rio de Janeiro-RJ)

8. Por que o senhor se orgulha tanto de não ter estudado, apesar de ter tido todas as oportunidades? Ligia Godoy (São Paulo-SP)

9. Na sua campanha o senhor criticou muito o lucro dos bancos. Em seu governo, os bancos tiveram lucros recordes. O que aconteceu? Beto (Piracaba-SP)

 

10. Se pudesse voltar no tempo qual engano ou erro o senhor não cometeria? - Ricardo Demarco (Ribeirão Preto-SP)

Escrito por Josias de Souza às 19h57

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Pergunte ao Lula

Um dos 22 leitores deste blog, Hugo Antunes dos Santos Barros, informou à TV Cultura sobre a janela aberta aqui, na última quarta-feira, para que as pessoas formulassem as perguntas que gostariam que os jornalistas fizessem a Lula no Roda Viva de amanhã. Sugeriu que a emissora fizesse o mesmo.

 

Santos Barros foi avisado de que sua sugestão foi aceita. Fernando Lima, da TV Cultura, disse que seria aberto no sítio da emissora um link para o envio de perguntas a Lula. Em visita à página do Roda Viva, o repórter constatou que o tal link já se encontra disponível.

 

Assim, se você deseja perguntar algo ao presidente da República, pressione aqui para ir à página do Roda Viva. Logo mais, serão divulgadas aqui as 20 perguntas que o repórter selecionou entre as 513 encaminhadas ao blog. Serão remetidas à produção do Roda Viva.

Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Lula: relações com EUA vivem grande momento

Antes do churrasco oferecido à delegação norte-americana na Granja do Torto, Bush e Lula se reuniram por mais de uma hora. Após o encontro, Lula disse que as relações entre Brasil e EUA atravessam “um dos melhores momentos de sua história.”

O ponto central da discussão entre os dois presidentes girou em torno da reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio), marcada para o próximo mês, em Hong Kong. Lula repisou a techa de que o Brasil defenderá no encontro o fim dos subsidios dos países ricos aos produtos agrícolas, que inibem as exportações brasileiras. Bush comprometeu-se a reduzir os subsidios nos EUA caso a União Européia faça o mesmo.

Os dois presidentes minimizaram as divergências que emperram a implantação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Assumiram o compromisso de reativar as conversações no ano que vem.

Em público, nem Bush nem Lula mencionaram o nome de Hugo Chávez. Provadamente, Lula acenou com a possibilidade de atuar como mediador entre EUA e Venezuela. Amigo pessoal de Lula, o presidente venezuelano é hoje o mais notório adversário de Bush na América Latina.

Bush elogiou as reformas econômicas feitas no Brasil. Agradeceu a acolhida que teve no Brasil. Disse ter se sentido “em casa”. Antes de deixar Brasília, rumo ao Panamá, ele deve fazer um pronunciamento público em que defenderá a importância da democracia no continente.

Leia os detalhes em despacho da Agência Efe, no sítio madrilhenho Periodista Digital (em espanhol). No sítio da FolhaOnline você encontra um despacho em português.

Escrito por Josias de Souza às 14h50

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Bush lamenta visão latina sobre EUA

  Wilson Dias/ABr
O presidente dos EUA, George Bush acusou o golpe. Em encontro com jovens brasileiros do meio acadêmico e empresarial, ele lamentou a visão “incorreta” que prevalece na América Latina em relação ao seu país.

Por onde passa, Bush assiste a manifestações de repúdio à sua presença. Ele se disse favorável às manifestações. Mas declarou aos jovens, em encontro realizado na manhã deste domingo, em Brasília, que espera esclarecer melhor os seus pontos de vista, de modo a reduzir a antipatia que as pessoas nutrem em relação a ele. Neste momento, Bush continua na Granja do Torto, em reunião com Lula. Chegou acompanhado de uma comitiva de 25 carros.

Para não perder o hábito, deu de cara com uma manifestação hostil na entrada do Torto. Em meio aos manifestantes estava o deputado Babá (PSOL-PA), ferrenho adversário da política externa de Bush. A principal faixa do protesto trazia a seguinte inscrição: "Fora Bush Imperialismo Assassino". A letra S do nome de Bush é grafada como uma suástica.

Para detalhes sobre a chegeda à Granja do Torto, leia texto da FolhaOnline.

Escrito por Josias de Souza às 14h23

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FHC para governador

O governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, está à procura de um sucessor. Não há na sua equipe ninguém capaz de empolgar o eleitorado. Ontem, assim como quem não quer nada, lançou o nome de Fernando Henrique Cardoso.

 

Um ex-presidente da República para governador de São Paulo? Sim, isso mesmo. FHC é o “melhor nome”, acha Alckimin. Seria, disse ele na Folha (para assinantes), uma "solução Rodrigues Alves". Referia-se ao brasileiro que presidiu o país entre 1902 a 1906 e, depois, foi eleito governador paulista para o mandato de 1912 a 1916.


Para Alckimin, FHC “é hors-concours. Se quiser ser candidato a presidente da República, tem toda prioridade. Se quiser ser candidato a governador, da mesma forma. Ele é o grande condutor desse processo. É um dos melhores nomes para o governo, mas depende dele."

As declarações do governador foram feitas no Piaui. Participou do 7º Encontro Regional sobre Políticas Públicas em Teresina (PI). A partir de agora, o governador se deslocará mais que caixeiro viajante. Candidato à presidência do país, quer fazer-se conhecido fora de São Paulo. E provar a FHC que pode ser mais querido do que José Serra.

Escrito por Josias de Souza às 08h37

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As idéias do azarão de 2006

As idéias do azarão de 2006

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) é o mais novo presidenciável da praça. Lançou sua pré-candidatura na semana passada. Ouvido pelo blog, revelou o seu slogan de campanha: “Política econômica conservadora, para uma política social transformadora”. Planeja fixar diferenças em 
relação a Lula: “Ética na gestão pública e tolerância zero com a corrupção”. Promete fazer uma “revolução educacional” no país. Eis a entrevista:

 

- Porque resolveu ser candidato?

Jefferson Peres: Penso que o PDT deve ter candidato. Parte do eleitorado está decepcionada com o PT e não tem saudades do PSDB. Esta à procura de uma alternativa. Pode muito bem ser um nome do PDT.

- O PDT está longe de ter maioria no Congresso. Como governaria se eleito?

Peres: O clima está envenenado entre PT e PSDB. Se o eleito for um tucano ou o Lula, vai enfrentar uma guerra no Congresso. Terá de fazer concessões ao fisiologismo. Eu sou originário do tucanato e com boas relações com a fatia limpa do PT, apesar de fazer oposição ao Lula. Se eleito, eu isolaria os que barganham votos por favores, cerca de 200 parlamentares. Não quero o apoio deles. E conversaria institucionalmente com os partidos grandes. Me dou bem com todos. Se necessário, faria alianças sem fisiologismo. Todos me respeitam. Sabem que não faço concessões éticas e morais.  - - O que faria de diferente na economia?

Peres: Meu slogan seria: política econômica conservadora, para uma política social transformadora. Garantiria a estabilidade e reduziria sistematicamente os juros. Sem populismo monetário. Perseguiria o déficit nominal zero. Isso garantiria um crescimento anual em torno de 5%.

- Tudo isso soa a Palocci, não?

Peres: Palocci foi obrigado a ser ultraconservador por conta da perspectiva ruim que o PT gerou antes da eleição. Eu não assumiria o governo com essa expectativa. Comigo os mercados estariam bastante calmos. Eu poderia fazer uma política menos conservadora do que a do Palocci.

- O que é política social transformadora?

Peres: Passa por uma revolução educacional, da pré-escola à pós-graduação. A omissão nessa área foi o maior erro do Lula. Isso é básico. Ninguém pense que esse país irá mudar se não houver igualdade de oportunidades na educação. Hoje, não há igualdade entre o meu neto e o neto de uma família de flagelados.

- Que marcos diferenciariam o seu governo do de Lula?

Peres: Primeiro, a ética na gestão pública e a tolerância zero com a corrupção. Depois, a revolução educacional.

- Porque o PDT preferiria o seu nome ao do senador Cristovam Buarque?

Peres: Sou mais antigo. Estou há seis anos no partido. Ele só tem dois meses. E o candidato do PDT tem que ter discurso de oposição. O Cristovam serviu a esse governo como ministro e votou com ele no Senado.

- O senhor conversou com Cristovam sobre seus planos presidenciais?

Peres: Não. Antes de entrar no partido ele me procurou. Perguntou a minha opinião. Eu disse: te recebo com alegria. Perguntei: você entra no PDT para disputar a presidência da República. E ele: ‘Não entro com essa pretensão. Acabei de deixar o PT. Pareceria oportunismo.     

Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Para Chauí, com estima

Para Chauí, com estima

A protopetista Marilena Chauí voltou a vociferar contra a mídia (leia despacho das 12h33 de sábado). Acusou-a de usar táticas da Inquisição. "A Igreja católica operava pela produção visível, direta e clara do medo", afirmou. "Já a mídia opera não só por meio da destruição de instituições e da destruição de pessoas. Ela opera pela acusação sem provas." Vai abaixo, em homenagem à filosofia torta, um amontoado de (contro)versos:

 

Jornal

 

Papel pintado

Pra guerra

Rascunho do dia

Passado a sujo

 

Vira-letra sarnento

Fuça estrumeira

Rosna a esmo

Destila fel

 

Pé-de-vento

De mão em mão

Arranca véus

Fabrica réus

 

Criatura única

Custa um níquel

Prende por uma hora

Dura um sol

 

Cedo, é malsão

À tardinha, ancião

À noite, despetala-se

Malmequer, malmequer

 

Cruza do instante

Com o circunstante

Flerta com o erro

Não cabe na estante

 

Chauí o acha fútil

Ora, não se queixe

Logo será útil

Enrolará peixe

Escrito por Josias de Souza às 03h02

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Um ministério sem rosto

Um ministério sem rosto

No Planalto

 

O livro se chama “De Notícias e não-Notícias faz-se a Crônica”. Foi escrito há 18 anos por Drummond. Traz na página 69 o conto “Serás Ministro”. Começa com um diálogo:

 

-- Esse vai ser ministro, disse o pai, logo que o garoto nasceu.

-- E você, com esse ordenado mixo de servente, tem lá poder pra fazer nosso filho ministro?, duvidou a mãe.
-- Então, só porque meu ordenado é mixo ele não pode ser ministro?”


No batizado, o pai, orgulhoso, proclamou o nome do garoto: "Ministro". E o padre: "Como?". Repetiu: "Ministro, sim senhor". A mulher tentou intervir: "Tonzinho, não foi Antônio de Fátima que a gente combinou?" Era tarde. O menino tornara-se “Ministro”.

 

Agora responda rápido: Como se chama o ministro da Saúde de Lula? Qual é o nome do ministro da Educação? Quem ocupa a pasta da Ciência e Tecnologia? Não sabe? Acalme-se. Pouca gente sabe.

 

Lula prometera compor um “ministério de notáveis.” Comanda uma Esplanada de anônimos. Seus ministros personificam o nada. Inútil tentar enxergá-los. O olhar vai bater no couro do espaldar da poltrona.

 

O primeiro escalão de Lula tinha dois rostos: Palocci (Fazenda) e Dirceu (Casa Civil). O mundo de Dirceu caiu. Restou Palocci. Os demais, com raríssimas exceções, são gestores do efêmero.

 

A política de cintos apertados de Palocci impõe à Esplanada um modelo de gestão peculiar: o método da barriga. Funciona assim: faltou dinheiro para aumentar o salário de professores em greve? Empurre-se o problema com a barriga; Não há verbas para reajustar a tabela do SUS? Barriga. Estradas esburacadas? Barriga.

 

Graças à gestão abdominal dos problemas, o governo gastou, até o último dia 15 de outubro, só 51,62% do orçamento de R$ 1,61 trilhões previsto para 2005. É o que informa o Inesc, ONG voltada ao acompanhamento de políticas públicas.

 

Resta ao governo o papel de protagonista de escândalos. Já não há pais como o da crônica de Drummond. Quem seria louco de desejar para o filho uma sorte de ministro?

Escrito por Josias de Souza às 02h52

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As manchetes deste domingo

- JB: Reféns da insegurança - Medo impõe toque de recolher ao carioca

- Folha: BNDES avalia mal empréstimos, diz BC

- Estadão: MP e CPI obtêm provas do mensalinho do PT em Ribeirão

- Globo: Arrecadação piora e estado depende mais do petróleo

Clique aqui para ler os destaques das capas dos jornais e das revistas.

Escrito por Josias de Souza às 02h07

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Lula na brasa

Da coluna do Agamenon, no Globo deste domingo:

"Eu, Agamenon Mendes Pedreira, fui o único jornalista convidado a participar do churrasco antiimperialista que Luiz Inácio Cuba da Silva ofereceu ao presidente George W. C. Bush. Disfarçado de lingüiça, fiquei na grelha observando os dois maiores estadistas que o Cego Jatobá e o Steve Wonder já viram.

Ali, assando e correndo o risco de ser comido por algum petista do Fome Zero, pude constatar que Lula e Bush têm muito em comum, afinal de contas os dois são direita e adeptos do neoliberalismo assassino. Além do mais, os dois grandes líderes se sentem à vontade em churrascos, uma vez que ambos estão queimados juntos à opinião pública. Um outro traço une os dois grandes bestadistas mundiais: Lula, assim como Bush, também não sabe falar inglês."

Escrito por Josias de Souza às 02h01

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Aviso amigo

Está na coluna de Elio Gaspari deste domingo: 

"A turma do mensalão sindical acha que o caso dos cartazes que mostravam o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, no corpo de Hitler será varrido para baixo do tapete.

Falso. Puxando-se o fio da meada de Avel Alencar, diretor do Sindicato dos Trabalhadores de Informática de Brasília, chega-se ao cofre Fundo de Amparo do Trabalhador".

A versão integral da coluna de Gaspari pode ser lida na Folha e no Globo. Pressionando aqui, você irá ao segundo jornal, cujo sítio é aberto.  

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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À mesa com Bush

  Elza Fiúza/Arquivo ABr
Na mesa do almoço deste domingo na Granja do Torto haverá algo mais além de boa picanha brasileira. George Bush quer aproveitar o contato com Lula para estreitar as inimizades que seu governo cultiva na América Latina.

 

Não é a primeira vez que um Bush visita o Brasil. Papai George Bush esteve com o então colega Fernando Collor, no Palácio do Planalto, em 1990 (veja foto). Decorridos 15 anos, tonificou-se a animosidadade dos povos latinos em relação aos EUA, vistos como uma nação cada vez mais prepotente e beligerante.

 

O Globo de hoje relaciona os temas que devem ser abordados entre Lula e Bush filho:

 

* Hugo Chávez: Bush desejaria que Lula atuasse como mediador nas suas conturbadas relações com o presidente venezuelano, hoje o maior inimigo dos EUA na América Latina. Em troca, ofereceria vantagens ao Brasil. Do ponto de vista da diplomacia brasileira, uma posição menos inflexível em relação às pretensões brasileiras de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU estaria de bom tamanho; 

 
* O lado brasileiro aprecisaria também que Bush anunciasse a permanência do Brasil no Sistema Geral de Preferências (SGP). Trata-se de um mecanismo que facilita o acesso ao mercado americano de produtos exportados por nações em desenvolvimento;

* Acena-se também com uma aliança entre Brasil e EUA nas negociações da Organização Mundial do Comércio contra os subsídios agrícolas impostos pela União Européia e pelo Japão;

* De resto, Lula enxerga na reunião a perspectiva de tonificar a sua posição de “líder na região” latino-americana. Nessa matéria, a visita de Bush ou uma eventual declaração do presidente norte-americano significa muito pouco. O que ameaça a suposta liderança de Lula é o cinturão de amoralidades que envolve o seu governo.

 

Bush chegará à Granja do Torto às 11h10. Conversará a sós com Lula, novesfora a presença de um tradutor, por 35 minutos. Do churrasco, participarão 20 pessoas. Espera-se para o início da tarde a divulgação de um comunicado conjunto.

Escrito por Josias de Souza às 01h41

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Os segredos de Dirceu

Se tudo correr como previsto, José Dirceu (PT-SP) será cassado em 23 de novembro. Amargará uma clandestinidade eleitoral de oito anos. Descerá para o cotidiano dos cidadãos sem mandato levando consigo os segredos da era Lula. Para desassossego do “amigo” presidente, ameaça contá-los em livro, informa o Globo deste domingo.

 

São tantos os segredos ocultos, que a ânsia literária de Dirceu comporta três livros. O primeiro será escrito por Fernando Morais, o autor de Olga e Chatô, entre outras obras. O ex-chefão da Casa Civil hesita em contar tudo a Morais. O escritor tenta vencer-lhe as resistências.

 

Logo depois da sessão da Câmara em que a lâmina descerá sobre o pescoço do ex-homem forte do PT, Dirceu e Morais se isolarão numa praia deserta. Conversarão diante de um gravador durante oito horas diárias. Treimei, Lula.

Escrito por Josias de Souza às 01h00

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Berzoini: "Oposição passa dos limites"

Berzoini: "Oposição passa dos limites"

Em entrevista ao Globo deste domingo, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, voltou a atirar pedras na oposição. Quanto às transgressões do PT, voltou a acomodar nos ombros de Delúbio Soares toda a responsabilidade. Abaixo, os principais trechos:

 

- Como o senhor avaliou as ameaças de surra no presidente Lula?
RICARDO BERZOINI: Acho patético. Parlamentares que têm respeito pelo eleitor não devem nunca usar esse linguajar. Evidentemente, isso revela o desespero da oposição. (...) Estão passando dos limites.
- Parece que a sua paciência também está no limite, não?
BERZOINI: É que paciência não é complacência. Não vamos permitir que a honra e a história do PT sejam achincalhadas por pessoas ligadas a governos antidemocráticos ou governos que sempre operaram para impedir investigações.
- O PT usará esse tom na campanha para 2006?
BERZOINI: Não será o tom que o PSDB quer. Será um tom sóbrio, equilibrado, mas, ao mesmo tempo, mostrando a verdade. O PT recuperou o Brasil que os tucanos quebraram. E o PFL também. O PFL foi o responsável pelo apagão.
- O PT até hoje não conseguiu explicar bem o seu caixa dois. Como vai estar em condições de pedir votos ou mesmo de fazer ataques à oposição?
BERZOINI: O caixa dois não é um problema do PT, mas da política brasileira. Ao crescer e disputar em igualdade de condições, acabou, de maneira equivocada, tomando decisões equivocadas por causa do ex-tesoureiro Delúbio Soares.
- Mas pouco se apurou internamente. O senhor não acha que faltam explicações?
BERZOINI: O Delúbio foi expulso do partido.
- Somente ele. Mas e o esquema dele, foi extinto?
BERZOINI: O senador Eduardo Azeredo foi apenas afastado da presidência (PSDB-MG). Não quero comparar partidos, mas o PT tem prazos em seu estatuto para examinar cada caso.
- Mas os deputados suspeitos podem ser candidatos já em 2006, não?
BERZOINI: É preciso separar a situação no Congresso e no partido. O erro de cada um deve ser examinado segundo sua história. O PT não vai ser mais realista que o rei.
- Marcos Valério declarou esta semana que o PT tem mais arrecadadores. Isto não o assusta?
BERZOINI: Não. Mas, no grau de irresponsabilidade que ele e Delúbio agiram, duvido que existam similares.
- O senhor acha que a verdade virá à tona? Quem alimentou afinal o caixa dois? Ou o PT vai pôr uma pedra no assunto?
BERZOINI: Não é pedra no assunto. Internamente não há como investigar, não há mecanismos. Delúbio afirma que foram empréstimos. E as operações não fazem parte da nossa contabilidade. É ilegalidade pura.
- E essa estrutura não pode persistir no partido?
BERZOINI: Só se houver leniência no partido. E eu como presidente não aceitarei.

Escrito por Josias de Souza às 00h43

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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