O presidente Lula e o ministro Antonio Palocci (Fazenda) conversaram por telefone neste sábado. Estão desolados. Avaliam que a história dos US$ 3 milhões supostamente enviados de Cuba para a campanha presidencial de Lula produzirá estragos incalculáveis na imagem do governo.
Mostraram-se menos preocupados com a acusação de que teriam pressionado o presidente do Banco Cental para atender a um pleito de Marcos Valério: a suspensão da liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. O que os transquiliza é o fato de que o pedido de Valério foi indeferido pelo BC.
Palocci falou também com colegas de ministério. A todos disse que jamais ouvira falar de que dinheiro enviado por Fidel Castro houvesse sido utilizado na campanha de Lula. “A reportagem [da revista Veja] é fantasiosa”, jurou.
O ministro da Fazenda está diretamente envolvido no noticiário. Os dólares vindos de Cuba teriam sido transportados no Brasil por dois ex-assessores seus na prefeitura de Ribeirão Preto: Vladimir Poleto e Ralf Barquete. Este último já falecido.
O que deixou Palocci mais desconsertado foi o fato de a reportagem de "Veja" estar escorada em depoimentos gravados. O primeiro entrevistado da revista, Rogério Buratti falou por duas horas e meia. O segundo, Vladimir Poleto, apresentado como uma das pessoas que manusearam a verba cubana, falou por quatro horas, confirmando sua participação no episódio.
O maior receio do governo, mencionado nas conversas telefônicas de Palocci com Lula e com os colegas de ministério, é o de que as fitas sejam repassadas a emissoras de televisão. “Se isso sair no Jornal Nacional, será devastador”, disse um dos interlocutores do ministro da Fazenda. Avaliou-se que os relatos gravados dão “verossimilhança” à história. Negativas oficiais terão pouca serventia.
Em seus diálogos privados, Palocci ouviu de um colega uma suspeita pessoal. Buratti teria concordado em falar porque estaria sendo vítima de uma chantagem envolvendo a mulher com quem passou a viver em Belo Horizonte, depois de desfazer um casamento de anos.
O repórter deixa de mencionar as ilações envolvendo Buratti por entender que, até prova em contrário, não têm interesse público. Quanto a Poleto, nem Palocci nem seus interlocutores fazem idéia das motivações que o levaram a confirmar à revista uma história que, segundo diz o ministro da Fazenda, é “falsa”.
Mais preocupado com os efeitos do que com as causas, Lula reservou uma parte do sábado para traçar a reação política do governo às novas revelações. Receia que o cinturão de proteção formado à sua volta tenha se rompido. Debaterá o tema em reunião já programada para segunda-feira.
Escrito por Josias de Souza às 18h34
Em resumo, a situação é a seguinte: a crise política, que ia de mal a pior, agora vai de pior a muito pior ainda. Se você é pessimista, se é um crisefóbico, cuide para não cometer suicídio.
Se você é otimista, se comunga das mesmas certezas que embalam a Velhinha de Taubaté -que Deus a tenha-, apegue-se a um consolo. Assim como uma manada de elefantes, toda crise passa. Depois será preciso ver em que estado ficou o gramado. Mas não há razões para antecipar o sofrimento.
Vai abaixo um kit de informações básicas para que você tire as suas próprias confusões sobre os últimos desdobramentos da crise:
* A revista “Veja” deste final de semana trouxe duas reportagens explosivas (veja despachos abaixo). A primeira informa que as arcas da campanha presidencial de Lula foram recheadas com US$ 3 milhões enviados de Cuba pelo ditador-companheiro Fidel Castro. A outra sustenta que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) e Lula intercederam por Marcos Valério num pleito dele junto ao Banco Central;
* O presidente do PT, Ricardo Berzoini, negou que a campanha de Lula tenha recebido verbas cubanas. “A revista Veja já disse que o PT recebeu dinheiro das Farc e até agora não provou nada. A revista virou órgão oficial do PSDB e do PFL", disse ele.
* De Paris, onde se encontra, o presidente do BC, Henrique Meirelles, também negou que Lula e Palocci tenham feito gestões para que o BC atendesse a pedidos de Valério. "Não recebi pressão do presidente, nem do ministro da Fazenda. Sempre o que recebi, em qualquer assunto, foi uma recomendação e apoio para tomar as decisões que o BC sempre julgar adequadas”, afirmou.
* Localizado por este blog em Manaus, ainda na madrugada em que a “Veja” começou a circular na internet, o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio, anunciou que se juntaria ao PFL para encaminhar uma representação ao Ministério Público Federal na próxima semana. Pedirão a investigação das contas de campanha de Lula. O presidente “torna-se agora um inelegível virtual. Não é possível que seja reeleito pelo voto. Tentaremos transformá-lo num inelegível legal", disse Virgílio. "A denúncia é muito grave e precisa ser investigada imediatamente pelo Ministério Público para que não se cometam leviandades e injustiças. Mas a lei é muito clara na proibição de os partidos receberem dinheiro do exterior. Se houve este fato, pode levar ao cancelamento do registro do PT, o que inviabiliza a candidaturas de todos os filiados do partido", ecoou Alberto Goldman, líder do PSDB na Câmara, na manhã deste sábado.
* Ricardo Berzoini, o presidente do PT, contra-atacou: "Se eles têm elementos para pedir o impeachment, devem avaliar. O fato é que o presidente Lula tem apoio popular e a economia está crescendo".
* Raul Jungmann (PE), primeiro vice-líder do PPS na Câmara, disse em primeira mão a este blog que o seu partido também ingressará no Ministério Público Federal e no Ministério Público Federal Eleitoral para pedir a abertura de investigação contra Lula. Mencionou o artigo 350 do Código Eleitoral, que reza que o candidato é o responsável pela prestação de contas do partido.
São esses, por ora, os eletrodos que injetam eletricidade numa crise que o Planalto imaginava, em sua vã esperança, que estivesse próxima do fim.
Escrito por Josias de Souza às 16h37
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) acaba de informar a este blog que também o PPS moverá ações contra Lula no Ministério Público. Em articulações que entrarão pelo domingo, o partido do deputado Roberto Freire tentará atrair outras legendas para a iniciativa -pelo menos o PV e o PDT.
Segundo Jungmann, serão acionados o Ministério Público Federal e o Eleitoral. A ambos o PPS pedirá que apure o suposto envio de recursos do exterior para a campanha presidencial de Lula e determine as responsabilidades do presidente da República.
Alega que, de acordo com o artigo 350 do Código Eleitoral, o candidato é o responsável pelas suas contas de campanha. O PPS é a terceira legenda a manifestr a intenção de acionar Lula na Procuradoria da República. O PFL e o PSDB farão o mesmo, em ação conjunto.
Escrito por Josias de Souza às 14h05
* Jornal do Brasil: Corte de salário ameaça deputados
* Folha de S.Paulo: Ação do STF acirra atrito com Congresso
* O Estado de S.Paulo: Oposição ameaça Lula e PT quer cassar Azeredo
* O Globo: Indiciamento joga governo Bush em sua maior crise
Laia todos os destaques das capas dos principais jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 08h42
Reunida na manhã desta sexta-feira em São Paulo, ainda sem saber do conteúdo explosivo que recheia as páginas da revista Veja deste final de semana (leia despachos abaixo), a Comissão Executiva Nacional do PT decidiu investir contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Ele é acusado de ter utilizado verbas clandestinas coletadas por Marcos Valério na campanha à reeleição para o governo de Minas em 98.
Sob a presidência de Ricardo Berzoini (PT-SP), a Executiva petista aprovou uma resolução defendendo “tratamento isonômico a todos os parlamentares do Congresso Nacional”. Assim como os petistas ameaçados de cassação por terem beliscado verbas sujas das contas de Valério no Banco Rural, Azeredo deve ser submetido ao julgamento do Conselho de Ética do Senado.
Berzoini afirmou após o encontro que irá discutir com a bancada do PT no Senado antes de formalizar uma representação contra Azeredo. "Tomamos a iniciativa de não impor uma decisão. É preciso que a bancada tenha a mesma posição", disse ele.
É urgente que Azeredo responda a algum processo no âmbito do Congresso. Mas se toda a munição de que dispõe o PT contra a oposição atende pelo nome de Azeredo, o melhor que Berzoini teria a fazer, à luz das novas revelações contra Lula e o PT, seria levantar uma bandeira branca. Leia a ÍNTEGRA da nota divulgada pelo PT no sítio do partido na internet.
Escrito por Josias de Souza às 02h20
Em telefonemas disparados na madrugada deste sábado, o repórter signatário deste blog logrou encontrar acordado o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM). Informado acerca do conteúdo das reportagens publicadas na edição deste final de semana da revista "Veja" (leia os dois despachos abaixo), Virgílio se disse "escandalizado". Declarou o seguinte:
* “O PSDB vai se associar ao PFL numa representação que será protocolada nesta semana no Ministério Público para que sejam investigadas as contas de campanha do presidente Lula”;
* “A partir dessas novas revelações, se não acontecer nada com o presidente Lula, o Palácio do Planalto terá aplicado uma mega-injeção de éter em toda a nação brasileira;”
* “Lula torna-se agora um inelegível virtual. Não é possível que seja reeleito pelo voto. Tentaremos transformá-lo num inelegível legal. Veremos o que vai acontecer;”
* “Sem nenhuma dúvida, esses episódios serão incorporados às investigações das CPIs dos Correios e dos Bingos. Isso é lavagem de dinheiro, um crime sério;”
* “Confirmadas as participações de auxiliares do ministro Antonio Palocci [Fazenda], ele está no chão;”
Virgílio disse ainda que conhece “muito bem” o ex-diplomata cubano Sérgio Cervantes, apontado por “Veja” como intermediário de uma remessa de US$ 3 milhões para as arcas da campanha de Lula.
“No tempo em que militávamos contra a ditadura, estive várias vezes com o Cervantes", disse o líder do PSDB. "Ele era interlocutor freqüente de Cuba com a esquerda brasileira. Ninguém melhor do que o Cervantes para atuar numa operação como essas. Se o assunto é dinheiro, ninguém mais credenciado do que o Cervantes.”
Escrito por Josias de Souza às 01h50
Eis os principais trechos da abertura da segunda reportagem de destaque de "Veja" deste final de semana. A íntegra do texto, do repórter Felipe Patury, pode ser lida no SÍTIO DA REVISTA (para assinantes):
"Em julho passado, uma reportagem de capa de VEJA revelou que o lobista Marcos Valério de Souza chantageou o governo. A matéria dizia que Valério exigira 200 milhões de reais para não revelar o inteiro teor de sua relação com os líderes do Partido dos Trabalhadores. Aquele valor, adiantava a reportagem, equivaleria ao prêmio que o lobista mineiro esperava obter caso fosse bem-sucedido em desembaraçar junto ao Banco Central uma antiga e grossa encrenca financeira: o encerramento da liquidação dos bancos Econômico e Mercantil de Pernambuco. Dependendo da forma como fosse encaminhada a operação, ela poderia dragar dos cofres públicos até 1 bilhão de reais. Valério empenhava-se em solucionar o caso a pedido do Banco Rural, que sonhava em comprar o controle do Mercantil. Empenhava-se também em nome do banqueiro Ângelo Calmon de Sá, do Econômico. Atuava ainda em nome próprio e no interesse financeiro do PT, que ficaria com parte da recompensa caso a transação fosse aprovada. "Valério disse que era capaz de resolver meu problema, que poderia fazer o Banco Central suspender a liquidação do Econômico. Disse ainda que não queria nada em troca para ele mesmo. Queria que eu contribuísse com o PT quando estivesse tudo resolvido. Concordei com essa proposta, é claro", disse Calmon de Sá a VEJA.
Pelo que se sabe hoje, Valério esteve à beira de conseguir seu intento. A operação de encerramento das liquidações dos bancos Mercantil e Econômico foi abortada depois que Valério se tornou uma figura nacional e passou a ser conhecido como "aquele carequinha mineiro que falava de dinheiro como se ele caísse do céu" – nas palavras do ex-deputado Roberto Jefferson, responsável pela súbita notoriedade do operador financeiro do PT. Começam agora a surgir detalhes de como Valério atuou dentro do Banco Central para conseguir aprovar o negócio. Ele esteve perto, muito perto de arrancar o 1 bilhão de reais dos cofres públicos.”
(...)
O salvamento dos bancos falidos e a recompensa que ele produziria para Valério e associados no negócio eram vitais para garantir a longevidade do projeto petista. A amigos, em diversas ocasiões, Henrique Meirelles, presidente do BC, atribuiu boa parte do "fogo amigo" que sofreu no cargo ao fato de sua equipe técnica ter resistido ao lobby de Marcos Valério(...). De uma fonte com acesso cotidiano aos principais personagens desse episódio, VEJA ouviu nesta semana relatos que dão conta de que Meirelles recebeu pressões bem mais qualificadas do que as originárias do "fogo amigo". Esses incentivos teriam partido de ninguém menos do que o presidente da República e de seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci(...). Palocci não escondia de Meirelles que agia a contragosto nesse episódio e teria chegado a revelar que recebera pressões do então colega de ministério José Dirceu para dar uma solução satisfatória à questão. Muitas vezes, quando encerrava suas conversas com Palocci sobre esse caso, Meirelles comentava em voz alta que o ministro insistia para ele analisar "com carinho". Em uma das ocasiões, Palocci teria usado com Meirelles a seguinte expressão: "Você sabe, não dá para ganhar todas".
A fonte de VEJA ouviu confidências de Meirelles pouco tempo depois de o presidente do BC ter saído do gabinete de Lula. A mesma fonte conta que, no segundo semestre de 2004, Meirelles foi convocado por Palocci para uma reunião a três com Lula no Planalto. Uma vez no Planalto, Meirelles descobriu que Palocci não iria mais à reunião (...). Meirelles confidenciou ter encontrado Lula aborrecido. Meirelles comentou em voz alta ter ouvido do presidente naquele dia a mesmíssima argumentação que ouvira do ministro da Fazenda a respeito da resistência técnica do BC ao pleito de Marcos Valério: "Não dá para vocês ganharem todas".
Escrito por Josias de Souza às 01h35
Eis a abertura da reportagem de capa de Veja, cuja íntegra, de autoria de Policarpo Jr., pode ser lida no SÍTIO DA REVISTA (para assinantes):
"A grande interrogação ainda não respondida sobre o escândalo que flagrou o governo e o PT num enorme esquema de corrupção é a seguinte: afinal, de onde veio o dinheiro que abasteceu o caixa dois do partido? Essa é a pergunta que intriga as comissões parlamentares de inquérito e as investigações policiais. Pode ser que os recursos clandestinos do PT tenham vindo de uma única fonte, mas o mais provável, dada a fartura do dinheiro, é que tenham origem em várias fontes. Uma investigação de VEJA, iniciada há quatro semanas, indica que uma das fontes foi Cuba. Sim, a ilha de Fidel Castro, onde o dinheiro é escasso até para colocar porta ou filtro de água nas escolas, despachou uma montanha de dólares para ajudar na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração de VEJA descobriu que:
• Entre agosto e setembro de 2002, o comitê eleitoral de Lula recebeu 3 milhões de dólares vindos de Cuba. Ao chegar a Brasília, por meios que VEJA não conseguiu identificar, o dinheiro ficou sob os cuidados de Sérgio Cervantes, um cubano que já serviu como diplomata de seu país no Rio de Janeiro e em Brasília.
• De Brasília, o dinheiro foi levado para Campinas, a bordo de um avião Seneca, acondicionado em três caixas de bebida. Eram duas caixas de uísque Johnnie Walker, uma do tipo Red Label e outra de Black Label, e uma terceira caixa de rum cubano, o Havana Club. Quem levou o dinheiro foi Vladimir Poleto, um economista e ex-auxiliar de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.
• Em Campinas, o dinheiro foi apanhado no Aeroporto de Viracopos por Ralf Barquete, também ex-auxiliar de Palocci em Ribeirão Preto. Barquete chegou a bordo de um automóvel Omega preto, blindado, dirigido por Éder Eustáquio Soares Macedo. De Viracopos, o carro foi para São Paulo, para deixar as caixas no comitê de Lula na Vila Mariana, Zona Sul da capital paulista, aos cuidados do então tesoureiro Delúbio Soares.
A história acima, resumida em três tópicos, foi confirmada a VEJA por duas fontes altamente relevantes, dado o pleno acesso que tiveram aos detalhes do caso. A primeira foi o advogado Rogério Buratti, que também trabalhou na prefeitura de Ribeirão Preto na gestão de Palocci. Procurado por VEJA no dia 20 de outubro, uma quinta-feira, Buratti recebeu a revista no restaurante do hotel San Diego, em Belo Horizonte. A entrevista durou duas horas e meia. Reticente, Buratti não queria falar sobre o assunto, mas não se furtou a confirmar o que sabia. "Fui consultado por Ralf Barquete, a pedido do Palocci, sobre como fazer para trazer 3 milhões de dólares de Cuba", disse Buratti. Segundo ele, a consulta sobre a transação cubana ocorreu durante um encontro dos dois no Tennis Park, um clube de Ribeirão Preto onde Buratti e Barquete costumavam jogar tênis pela manhã. Buratti sugeriu internar o dinheiro cubano pela via que lhe parecia mais fácil. "Disse que poderia ser através de doleiros." O advogado relata que, depois disso, não teve mais contato com o assunto, mas dias depois foi informado de seu desfecho. "Sei que o dinheiro veio, mas não sei como." As declarações de Buratti foram gravadas com seu consentimento. VEJA relatou ao ministro Palocci a história contada à revista pelos seus ex-auxiliares. O comentário do ministro: "Nunca ouvi falar nada sobre isso. Pelo que estou ouvindo agora, me parece algo muito fantasioso".
Escrito por Josias de Souza às 00h57

Escrito por Josias de Souza às 00h45
A página mantida na internet pela revista “Primeira Leitura” informa: a revista Veja deste fim de semana traria duas reportagens com potencial para atrair de vez o presidente Lula para o epicentro da crise.
A primeira, destacada na capa, informaria que as arcas da campanha presidencial de Lula em 2002 teriam sido recheadas com US$ 3 milhões, enviados de Cuba pelo ditador-companheiro Fidel Castro. A grana teria aportado no Brasil acondicionada em caixas de bebida.
Acha pouco? Pois há mais: teriam participado da transação dois auxiliares diretos de ninguém menos que Antonio Palocci, à época prefeito de Ribeirão Preto e coordenador da elaboração do programa de governo de Lula.
A reportagem de Veja abriria assim:
"Pode ser que os recursos clandestinos do PT tenham vindo de uma única fonte, mas o mais provável, dada a fartura do dinheiro, é que tenham origem em várias fontes. Uma investigação de VEJA, iniciada há quatro semanas, indica que uma das fontes foi Cuba. Sim, a ilha de Fidel Castro, onde o dinheiro é escasso até para colocar porta ou filtro de água nas escolas, despachou uma montanha de dólares para ajudar na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração de VEJA descobriu que:
• Entre agosto e setembro de 2002, o comitê eleitoral de Lula recebeu 3 milhões de dólares vindos de Cuba. Ao chegar a Brasília, por meios que VEJA não conseguiu identificar, o dinheiro ficou sob os cuidados de Sérgio Cervantes, um cubano que já serviu como diplomata de seu país no Rio de Janeiro e em Brasília.
• De Brasília, o dinheiro foi levado para Campinas, a bordo de um avião Seneca, acondicionado em três caixas de bebida. Eram duas caixas de uísque Johnnie Walker, uma do tipo Red Label e outra de Black Label, e uma terceira caixa de rum cubano, o Havana Club. Quem levou o dinheiro foi Vladimir Poleto, um economista e ex-auxiliar de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.
• Em Campinas, o dinheiro foi apanhado no Aeroporto de Viracopos por Ralf Barquete, também ex-auxiliar de Palocci em Ribeirão Preto. Barquete chegou a bordo de um automóvel Omega preto, blindado, dirigido por Éder Eustáquio Soares Macedo. De Viracopos, o carro foi para São Paulo, para deixar as caixas no comitê de Lula na Vila Mariana, Zona Sul da capital paulista, aos cuidados do então tesoureiro Delúbio Soares."
Em outra reportagem, Veja informaria que Lula em pessoa teria feito gestões em favor de um pleito de Marcos Valério. O publicitário a quem Delúbio Soares terceirizou as finanças do PT ambicionava a liquidação do Banco Econômico, fechado há dez anos.
Brasília treme nesta madrugada à espera da revista. Se confirmadas, as reportagens têm potencial para mergulhar a crise numa atmosfera insondável.
Escrito por Josias de Souza às 00h30
Sempre que for a um banco, tome duplo cuidado. Antes de entrar, certifique-se de que a agência não está sendo assaltada. Antes de sair, verifique se a agência não o assaltou.
O jornal “Valor Econômico” traz hoje uma notícia incômoda. Informa que os bancos não estão repassando à clientela as quedas nas taxas de juros. Em setembro, os juros caíram de 19,75% para 19,5%. No mesmo mês, os bancos aumentaram:
* os juros do cheque especial (de 148,5% para 148,8% ao ano);
* a alíquota dos empréstimos às pessoas físicas (de 49,1% para 49,5% ao ano);
*a taxa média dos financiamentos de bens duráveis (de 53,7 para 59,9%).
Em resumo, fica demonstrado que numa agência bancária o assalto também pode acontecer de dentro pra fora.
Escrito por Josias de Souza às 17h37
Em baixa no Congresso, o PT tenta se revitalizar pela base. Na noite passada, algo como oito centenas de sindicalistas reuniram-se no pátio do Sindicato dos Bancários de São Paulo para espantar a “urucubaca”.
Entre os presentes estava João Felício, presidente nacional da CUT. Em meio a ataques à “mídia preconceituosa” e à “direita”, Felício disse o seguinte: “(...) Não vão conseguir acabar com a gente. O PT não é uma sigla, é um jeito de ser. O jeito de ser petista permanece no nosso coração e na nossa alma (...)”.
Na última reunião do diretório nacional do PT, há duas semanas, Felício foi contra a expulsão de Delúbio dos quadros do partido. Votou pela suspensão de três anos. Felício também é contra a punição de parlamentares que freqüentaram a caderneta de Marcos Valério.
É mesmo estranho, muito estranho, estranhíssimo “o jeito de ser” do companheiro Felício. Veja na página do PT na internet o comunicado oficial sobre o encontro da companheirada.
Escrito por Josias de Souza às 13h57
Na quarta-feira, Renan Calheiros (PMDB-AL) botou João Capiberibe (PSB-AP) porta afora do Senado sob o argumento de que tinha em mãos um ofício do presidente do STF, Nelson Jobim, determinando que fosse respeitada decisão do TSE, que cassara o registro eleitoral do senador do Amapá.
Pois bem, Capiberibe está de volta ao Senado. Sabe por ordem de quem? Do STF. Sim, sim, exatamente. O mesmo STF. O ministro Marco Aurélio achou que Capiberibe ainda tem direito a se defender no Congresso. Leia aqui a decisão.
Fica mal o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao expurgar Capiberibe, arrostou a ira dos colegas imaginando que rendia homenagens ao Judiciário. Marco Aurélio puxou-lhe a escada. Deixou-o no ar, com a broxa na mão.
O diabo é que Renan deu posse a Gilvan Borges (PMDB-AP), homem de José Sarney. O Senado terá agora de desempossá-lo. Capiberibe deve reassumir o posto ainda nesta sexta-feira.
Nesse ritmo, convém a Calheiros e a Aldo Rebelo (PC do B-SP), o presidente da Câmara, consultar o Supremo sempre que estiverem na iminência de tomar alguma decisão relevante. Vai ficando claro que os poderes são independentes, mas quem manda é o Supremo.
Escrito por Josias de Souza às 12h19
* Jornal do Brasil: Dirceu reage e ganha no tapetão
* Folha de S.Paulo: Congresso aprova redução de impostos
* O Estado de S.Paulo: Dirceu perde no Conselho de Ética, mas STF invalida decisão
* O Globo: Dirceu perde por 13 a 1 mas Supremo invalida a sessão
Leia os demais destaques das capas dos principais jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 07h09
Lula foi dormir preocupado na noite passada. Marcada pelos festejos de seu aniversário de 60 anos, a quinta-feira teve um desfecho que o presidente considerou pouco alvissareiro. Preocupado com a escalada de ataques que opõe o PT ao PSDB e ao PFL, Lula resumiu assim o que lhe vai na alma: “Acho que não é a melhor hora para armar os espíritos”.
O repórter ouviu o comentário de um auxiliar do presidente. Ele testemunhou o desassossego do chefe. Compartilha de suas preocupações. Num instante em que o Planalto tenta superar a crise, a artilharia que mobiliza governistas e oposicionistas não serve aos propósitos pacificadores.
Lula sonha com a retomada da agenda de votações do Congresso. Festejou a aprovação da medida provisória que ressuscitou a chamada “MP do Bem”. Mas enxerga pela frente uma conjunção que conspira contra a normalidade legislativa.
De um lado está o PT. Com a direção renovada, o partido acha que chegou a hora de virar o jogo. Quer sair do córner em que se encontra. E adotou o ataque como arma de defesa.
Na outra ponta do ringue está o PSDB. Abespinhado com a exposição negativa imposta a Eduardo Azeredo (MG), compelido a renunciar à presidência da legenda por conta do envolvimento com Marcos Valério, o tucanato também adotou a tática da agressão.
Artur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, protocolou na mesa diretora da Casa o requerimento de instalação da CPI do Caixa Dois. Seu alvo é Lula, cuja campanha presidencial de 2002 foi parcialmente financiada com dinheiro de má origem coletado pelo mesmo Marcos Valério que dera uma mãozinha a Azeredo.
O tucanato esperava que, acossado, o PT baixasse o tom. Deu-se o oposto. No programa televisivo que exibiu na noite passada, o partido de Lula dedicou-se a espinafrar a gestão de Fernando Henrique Cardoso.
Para complicar, segundo informa a Folha (para assinantes), valeu-se da manipulação de dados. Em telefonemas trocados depois do programa, o generalato do PSDB combinou que irá à forra.
Os esforços pacificadores de Lula encontram resistência no deputado Ricardo Berzoini, novo presidente do PT. Acossado pela base do petismo, Berzoini marcha na direção da oposição. Acha que chegou a hora de dar visibilidade aos equívocos alheios.
Lula receia que o petismo exagere no tom. Olhando para cima, enxerga um enorme telhado de vidro. Acha que a instalação da CPI do Caixa Dois reaproximaria a crise da rampa do Palácio do Planalto. As investigações seriam focadas na sua própria campanha.
A preocupação de Lula aumentou depois de conversas que manteve com Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente do Senado lhe disse que o arquivamento da nova CPI não é uma operação trivial. O requerimento conta com um número de assinaturas (38) que excede em muito o mínimo exigido pelo regimento da Casa (27).
Renan também a Lula um rol de pendências fez o seu rol de pendências que azedam as relações entre Congresso e Planalto. Atendê-las significa gastar dinheiro público. O jornal "Valor" traz nesta sexta um bom inventário das encrencas. Vão do aumento de salário para servidores do Legislativo à liberação de verbas para Estados.
Lula nomeou o ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) para a função de bombeiro. Arrostará uma missão espinhosa.
Escrito por Josias de Souza às 02h21
Sérgio Lima/Folha Imagem
José Dirceu nunca esteve tão só. Abandonado pelo governo, que sonha com o dia em que será cassado no plenário da Câmara, restou-lhe no Conselho de Ética o voto da companheira Ângela Guadagnin (PT-SP). Não fosse por ela, teria amargado uma derrota de 13 a zero.
A insistência com que defende o próprio mandato, um direito seu, só aumenta a ansiedade dos que esperam pela oportunidade de levar a sua cabeça à bandeja. Adiará a guilhotina o quanto puder.
Vai se virando como pode. Graças ao auxílio do ministro Eros Grau, do STF, ganhou alguma sobrevida. Com as portas dos gabinetes parlamentares a lhe baterem na cara, apela para intermediários improváveis.
De volta a Brasília, o ex-deputado Severino “Mensalinho” Cavalcanti decidiu emprestar-lhe solidariedade. Os dois se encontraram há duas semanas, num hotel de Brasília. Severino disse o seguinte ao jornal “O Globo”:
“Não acredito em mensalão. Não existia isso. Quero justiça, não quero outra coisa. Vou ajudar, vou pedir voto para todo mundo, inclusive para o Zé Dirceu”.
Deve estar mesmo desesperado o ex-chefão da Casa Civil. Com um aliado desses...
Escrito por Josias de Souza às 02h20
O repórter Kennedy Alencar revela na Folha de S.Paulo (para assinantes) desta sexta-feira: Marcos Valério e Delúbio Soares estão chantageando o governo e o PT. Querem dinheiro. Do contrário, podem abrir o bico. Revelariam “fatos novos” que agravariam a crise.
Valério reclama o pagamento de pelo menos parte dos empréstimos que diz ter feito a Delúbio. Chegou mesmo a estipular o preço do seu silêncio: R$ 20 milhões. Quanto a Delúbio, foi parcialmente atendido.
O PT, que lavara as mãos em relação à defesa pessoal de seu ex-tesoureiro, topou pagar as despesas que vem tendo com advogados. Delúbio, porém, quer mais. Pede ajuda financeira que assegure a sobrevivência de sua família.
O problema não está propriamente na chantagem. Delúbio e Valério já deixaram claro do que são capazes. O tamanho da encrenca será medida pela reação do chantageado.
Escrito por Josias de Souza às 01h51
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) acaba de divulgar no seu sítio na internet um estudo que vale um naco de sua atenção. Ajuda a explicar por que a China tornou-se o bicho-papão do comércio internacional, capaz de assombrar o sono até dos EUA.
O título do estudo, por abrangente, dá uma idéia da sua pretensão: “Dilemas do Desenvolvimento na China: Crescimento Acelerado e Disparidades Regionais (Da Revolução Comunista à Globalização)”.
Foi escrito por Aristides Monteiro Neto. Vem a ser um técnico da Diretoria de Estudos Regionais e Urbanos da repartição, vinculada ao Ministério do Planejamento. Se você está atrás de leitura leve, não perca o seu tempo. O texto, de 43 páginas, foi escrito em timbre técnico. Está recheado de estatísticas.
Vale a leitura porque o autor, além de soar lógico, rema contra a maré. Responde às grandes dúvidas sobre o boom da economia chinesa a partir de uma visão peculiar. Contesta, por exemplo, o lugar comum segundo o qual a virada da China ocorreu a partir de 1978, quando o país decidiu abrir as portas de sua economia para o intercâmbio com o Ocidente.
Mostra, de resto, que a guinada começou a ser esboçada três décadas antes, nas pegadas da revolução socialista de 1949. Ou seja, os comunistas chineses faziam algo além queimar livros, fuzilar opositores e controlar a natalidade.
Consolidaram uma estrutura produtiva que interrompeu a fase de prostração econômica experimentada entre 1820 e 1950. Armaram a catapulta que hoje lança produtos chineses ao redor do mundo.
Se você tem dúvidas em relação à importância da China ou se acha que o tema não interessa a essa terra de palmeiras e sabiás, converse com Paulo Skaf, o presidente da poderosa Fiesp. Ele vai lhe contar por que tornou-se um sem-indústria.
Dirá, com a voz impregnada de pesar, que a sua Skaf Indústria Têxtil Ltda. foi à breca na década de 90 porque não teve fôlego para enfrentar a concorrência dos produtos têxteis vindos da China. Se consegui convencê-lo, aventure-se agora no texto do Ipea.
Escrito por Josias de Souza às 01h36
Loucademia de encrencas
Ao contrário do que sua razão social faz supor, a Academia de Tênis de Brasília tornou-se um estabelecimento comercial em cuja estrutura as quadras do esporte que deu projeção a Gustavo Küerten têm relevância marginal. Quem a conhece sabe que a “academia” tornou-se um misto de tudo com qualquer coisa.
Abriga uma mega-casa de espetáculos, a maior de Brasília; arrenda restaurantes que oferecem pastos para todos os gostos –do chinês ao italiano-; administra um conjunto de cinemas; e gere um complexo de hotelaria que hospeda um sem-número de congressistas de todas as tendências ideológicas.
A família proprietária dessa miscelânea empresarial é uma das mais influentes da Capital da República. Atende pelo sobrenome Farani. Mercê do seu prestígio, logrou acomodar os seus negócios à sombra dos generosos guarda-chuvas da filantropia. Em português claro: era isenta do pagamento de tributos, embora jamais tivesse se notabilizado por sua vocação para a caridade.
Em visita aos livros contábeis dos Farani, a Receita Federal desencavou uma dívida tributária que alça à casa dos R$ 7 milhões. O débito, referente ao período de 92 a 95, encontra-se pendurado no Refis.
Rola há anos na Justiça Federal um processo em que a Academia de Tênis tenta contestar o débito. Pois nesta quinta-feira, o TRF de Brasília impôs aos Farani uma decisão acerba. Acatando parcialmente um parecer elaborado pelo Ministério Público, o tribunal apimentou penas que haviam sido impostas em decisão de primeira instância a José Farani, o patriarca da família.
Farani fora condenado por sonegação fiscal a dois anos e 11 meses de cadeia. Mas a cana havia sido adocicada, transformando-se em prestação de serviços à comunidade e doação de cestas básicas. Ainda inconformado, o réu recorreu ao TRF.
Discute daqui, argumenta dali, a nova sentença do tribunal tonificou a pena de Farani para quatro anos e um mês de prisão, mais multa de R$ 116 mil. Ajustaram-se também as penas de Flávio Rocha, responsável pela escrituração dos livros do estabelecimento, e de Nilson Vitorino, fornecedor de notas frias.
A decisão ainda comporta recurso. Leia no sítio do Ministério Público um texto que resume o despacho do Judiciário.
Escrito por Josias de Souza às 01h35
Se você mora em São Paulo e é estudante universitário, atenção: você pode estar sendo enganado. Há casas de ensino em funcionamento que não são dignas do nome. Ou operam na clandestinidade descarada ou começaram a funcionar antes de receber autorização do Ministério da Educação.
Não conte com os bons préstimos do governo. A julgar por uma ação movida pela Procuradoria da República, o MEC não exibe a menor disposição para defender os seus direitos. Leia no sítio do Ministério Público um resumo da ação judicial. Traz os nomes das faculdades que operam na clandestinidade.
Escrito por Josias de Souza às 01h32
Se você está lendo este despacho antes do café da manhã, passe adiante. Contém uma imagem escatológica. Foi embutida em mais um daqueles discursos de Lula. Deu-se num congresso de agências de viagens aberto nesta quinta-feira no Rio.
Os jornais o “O Globo” e Folha registram a frase do presidente. Falando para uma platéia em que se aglomeravam políticos, autoridades federais e estaduais, além de agentes de turismo, Lula entendeu que deveria alfinetar os pessimistas. Saiu-se com essa:
“Sempre tem gente contra, porque pessimista você encontra em qualquer lugar do mundo. Estou ficando velho e estou aprendendo que a gente tem que levantar, todo santo dia, e fazer uma reza profunda para que a gente deixe o otimismo (sic) no banheiro, dê descarga nele logo cedo, e saia para a rua pensando coisas boas, porque aí elas acontecem”.
Onde se lê “otimismo”, Lula quis dizer “pessimismo”. O equívoco de Sua Excelência foi corrigido na íntegra que o Planalto levou ao seu sítio. A frase em questão está no terceiro parágrafo da página três.
Escrito por Josias de Souza às 01h31
Parece incrível, mas o ministro Eros Grau, do STF, anulou a sessão do Conselho de Ética da Câmara que aprovou, por 13 votos contra um, nesta quinta-feira relatório recomendando ao plenário da Casa a cassação do mandato de José Dirceu (PT). A decisão de Grau atende a um pedido formulado pelos advogados do ex-chefão da Casa Civil.
A decisão do Supremo força a Comissão de Ética a realizar uma nova sessão, já convocada por seu presidente, deputado Ricardo Izar (PTB-SP). Eros Grau determinou que sejam refeitos todos os procedimentos referentes a provas que, na sua opinião, foram transferidas da CPI dos Correios para a Comissão de Ética de maneira imprópria.
Escrito por Josias de Souza às 17h51
A Câmara dos Deputados acaba de aprovar, por voto simbólico das lideranças, a medida provisória 255, que ressuscita os benefícios tributários da extinta "MP do Bem". O projeto aprovado beneficia mais de duas dezenas de operações e setores econômicos.
Graças a um acordo firmado entre os partidos, a Câmara expurgou da medida provisória as espertezas injetadas nas últimas horas pelo senador José Sarney (PMDB-AP) e pela bancada de senadores do Pará. Caíram três novas zonas francas que o Senado havia criado ontem: uma no Amapá e duas no Pará.
Escrito por Josias de Souza às 17h37
O senador Artur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, protocolou há pouco na mesa diretora do Senado o requerimento para abertura da “CPI do Caixa Dois”. O documento está escorado em 37 assinaturas –27 já bastariam para que a CPI fosse instalada.
Assim, o tucanato acomoda no colo de Lula a batata quente de uma investigação que o Planalto deseja, a todo custo, evitar. Quer evitar porque, se iniciada, desaguará inevitavelmente nas arcas presidenciais do próprio Lula, irrigadas com o dinheiro sujo coletado pela dupla Delúbio Soares/Marcos Valério.
Ailias, na mega-acareação promovida pela CPI do Mensalão nesta quinta-feira, que tem Delúbio e Valério como protagonistas, confirmou-se uma vez mais o caixa dois da campanha de Lula. Delúbio, por exemplo, reafirmou ter repassado R$ 457 mil para Márcio Lacerda, ex-assessor de Ciro Gomes. A grana foi usada para bancar a participação de Ciro no segundo turno da campanha de Lula.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), outro acareado, também reafirmou que os R$ 6,5 milhões que diz ter recebido do valerioduto foram integralmente empregados na campanha de Lula. Embora tenha dito que mandou entregar a Costa Neto mais dinheiro do que o ex-deputado admite (R$ 12 milhões), Delúbio também confirmou que a verba bancou despesas da campanha presidencial. “Foi um acordo político”, disse.
Neste momento, o pivô da acareação na CPI do Mensalão é Jacinto Lamas. Vem a ser o assessor da presidência do PL que, a mando de Costa Neto, recolheu envelopes com dinheiro e cheques das mãos de Marcos Valério e de sua funcionária Simone Vasconcelos. Lamas também declarou que a grana foi aplicada na campanha presidencial de 2002.
Em discurso no plenário do Senado, Artur Virgílio fez referência à acareação: “Três acareados admitiram dinheiro escuso na campanha de Lula”, disse o líder dos tucanos. “Estou apresentando requerimento [da CPI do Caixa Dois] para que as pessoas saibam que aqui não é o Senado do rabo preso”.
Virgílio está enganado. Ou, por outra, faz jogo político. O Senado, a Câmara e também o Planalto têm, sim, o rabo preso na encrenca do caixa dois. É por isso que a CPI do Caixa Dois já nasceu morta. A chance de que venha a ser instalada é próxima de zero. Lula já mexe os pauzinhos com Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso. Cabe a Renan instalar (ou não) a nova CPI.
Escrito por Josias de Souza às 16h22
Delúbio, Valério e Mister Wong
Lula Marques/Folha Imagem
Mario Quintana, o poeta gaúcho, ensinou que a alma humana é coabitada por três entidades: além do ponderado Doctor Jekyll e do destrambelhado Mister Hyde, há dentro de todas as pessoas um chinês desencanado: Mister Wong.
Mister Wong não é nem bom nem mau. É apenas gratuito. Num camarote de teatro, por exemplo, Doctor Jekyll, compenetrado, seria todo ouvidos; Mister Hyde esticaria o olhar até o decote da senhora vizinha; e Mister Wong, alheado, se poria a contar carecas na platéia.
Numa sessão de acareação de uma CPI como a do Mensalão, Doctor Jekyll decerto coraria de vergonha se estivesse sentado no banco dos suspeitos; Mister Hyde contemplaria os inquisidores com ar de despudorado desdém; e Mister Wong, nosso chinês aloprado, tiraria uma gostosa soneca.
Escrito por Josias de Souza às 14h38
Piada que corre a internet como rastilho de nêutrons: “Enfim uma boa notícia. Um de nossos congressistas contraiu febre aftosa. Por ordem da Defesa Sanitária, terá de ser abatido todo o rebanho”.
Que maldade!!!
Escrito por Josias de Souza às 12h48
O Conselho de Ética da Câmara acaba de aprovar, por 13 votos contra 01, o parecer do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que propõe a cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP). O processo vai agora ao plenário da Câmara. Ali, Dirceu será cassado. Foi de Angela Ghadagnin (PT-SP) o único voto a favor de Dirceu no Conselho de Ética.
Votaram contra Dirceu: Benedito de Lira (PP-AL); Carlos Sampaio (PSDB-SP), Cezar Schirmer (PMDB-RS), Chico Alencar (PSOL-RJ), Edmar Moreira (PFL-MG), Jairo Carneiro (PFL-BA), Josias Quintal (PMDB-RJ), Mendes Thame (PSDB-SP), Nelson Trad (PMDB-MS), Orlando Fantazzini (PSOL-SP), Pedro Canedo (PP-GO) e Robson Tuma (PFL-SP), além do relator Júlio Delgado.
Ricardo Izar (PTB-SP), o presidente do Conselho de Ética, absteve-se de votar. Só votaria em caso de necessidade de desempate. José Oliveira Lima, advogado de Dirceu, anunciou durante a sessão que vai pediu ao STF a anulação da votação desta quinta-feira.
Escrito por Josias de Souza às 12h30
Lula Marques/Folha Imagem
Já rola há quase uma hora a mega-acareação da CPI do Mensalão. Nada de novo sob o sol. Festival de repetecos. Nas declarações e no visual. Marcos Valério continua calvo. Delúbio Soares ostenta o mesmo olhar de peixe morto. Valdemar Costa Neto segue suando em bicas. O cinismo é geral e irrestrito. Desse mato não vai sair coelho.
Digna de nota, por ora, apenas a situação do ex-deputado Costa Neto (SP), que renunciou ao mandato para fugir da cassação. Ele jura que beliscou no valerioduto “apenas R$ 6,5 milhões”. Delúbio assegura que autorizou o repasse de “R$ 12 milhões”. E Valério garante que entregou ao ex-deputado “R$ 10,8 milhões".
Supondo que a cifra de Valério (R$ 10,8 milhões), mais modesta que a de Delúbio, seja a correta, sumiram R$ 4,3 milhões. Uma bagatela. Eis o grande problema do caixa dois: como o dinheiro é clandestino, jamais se saberá ao certo quanto foi para campanhas e quanto foi para o bolso dos candidatos.
Digníssima de nota também é a presença da ex-mulher de Costa Neto. Devotada ao ex-marido, Maria Cristina Mendes Caldeira acompanha no Congresso a ginástica verbal do presidente do PL para tentar explicar o curioso fenômeno da evaporação pecuniária. Algo desatenta, Maria Cristina se entretém cosendo e bordando uma linda cambraia.
Escrito por Josias de Souza às 11h06
Como havia prometido, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do Conselho de Ética da Câmara, brecou a nova tentativa da companheira Angela Guadagnin (PT-SP) de protelar a votação do parecer que recomenda a cassação do mandato de José Dirceu (PT-SP).
A menos que o STF beneficie Dirceu com uma liminar de última hora, será votado mesmo nesta quinta-feira o parecer de Júlio Delgado (PSB-MG) que acomoda o pescoço de Dirceu na guilhotina.
Escrito por Josias de Souza às 10h55
Em reunião com o novo presidente do PT, Ricardo Berzoini, Lula autorizou o seu partido a dar o ponta-pé inicial na campanha da reeleição. Embora só pretenda formalizar a sua candidatura reeleitoral no próximo ano, o presidente concordou com a tese de que o partido precisa agir antes, informa Raimundo Costa no “Valor” desta quinta-feira.
Berzoini foi autorizado a reunir-se com ministros e presidentes de estatais. Vai coletar dados para a montagem da plataforma eleitoral. Amanhã, durante a primeira reunião da comissão executiva partidária sob a presidência de Berzoini, o PT estabelece bases para a comparação que pretende fazer entre os governos Lula e FHC.
A polarização com o tucanato começa já na noite de hoje, informa Fábio Zanini na Folha. Em seu programa nacional de TV, a ser transmitido à noite, o PT intensificará a polarização com o PSDB. Haverá um festival de críticas à gestão FHC (1995-2002).
Escrito por Josias de Souza às 07h17
-Jornal do Brasil: Lula entrega Dirceu às feras
-Folha de S.Paulo: Procuradoria processa Dirceu e filho
-O Estado de S.Paulo: 'Gilberto, você era o elo do esquema', acusam irmãos
-O Globo: Dirceu enfrenta hoje maior teste da cassação sem apoio de Lula
Leia todas os destaques das capas dos principais jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 07h05
Prossegue nesta quinta-feira aquilo que José Dirceu chama de sua “Paixão” particular, numa imprópria referência à parte do Evangelho que trata do martírio de Jesus Cristo. O calvário nada sacro do ex-chefão da Casa Civil terá seqüência na Comissão de Ética da Câmara.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) lerá pela terceira vez o relatório em que recomenda a crucificação do mandato do neo-Cristo. O novo texto já exclui as provas que o ministro Eros Grau, do STF, disse que não poderiam ser utilizadas. São dados telefônicos e bancários que, a juízo de Grau, foram transferidos de maneira imprópria da CPI dos Correios para a Comissão de Ética.
A sempre companheira Angela Guadagnin (PT-SP) já anunciou a intenção de pedir, pela terceira vez consecutiva, vista do processo de Dirceu. O que adiaria o julgamento pela enésima vez.
Porém, o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), anunciou, num gesto cristão, a intenção de abreviar o sofrimento de Dirceu. Irá rejeitar a pretensão de Guadagnin. Levará o parecer de Delgado a voto. E ponto final.
A posição de Izar recoloca em cena os advogados de Dirceu. Para eles, todo o ritual do Conselho de Ética teria de ser repetido na sessão de hoje: novo relatório de Delgado, terceira leitura em plenário, nova autodefesa de Dirceu, mais uma submissão ao pedido de vista da camarada Guadagnin.
"Se isso não ocorrer, haverá uma ilegalidade, porque a decisão do STF é clara. Vamos pedir na Justiça a nulidade da sessão", disse José Oliveira Lima, advogado de Dirceu, à Folha.
Estima-se que algo como dez dos 14 membros do Conselho votarão pelo envio de Dirceu à cruz, já montada no plenário da Câmara. O ex-ministro, como sói, deve protocolar novo recurso no STF. Alegará que Izar está atropelando o “devido processo legal”.
A embromação de Dirceu já não sensibiliza nem o Palácio do Planalto. Recurso do deputado à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara foi rejeitado nesta quarta-feira pelo acachapante placar de 39 votos contra 15.
O governo é majoritário na CCJ. Mas, sob orientação do Planalto, também interessado em “minimizar” o sofrimento de Dirceu, “aliados” do PP, do PL e do PSB, com o informa “O Globo” em sua edição de hoje, ou votaram contra Dirceu ou se ausentaram do plenário. São mesmo acerbos os derradeiros dias de José “Cristo” Dirceu no Congresso Nacional.
Escrito por Josias de Souza às 01h39
Sérgio Lima/Folha Imagem
Não bastasse a cruz em que está na bica de ser pregado no plenário da Câmara, José Dirceu (PT-SP) acaba de ver acomodar-se sobre os seus ombros um novo fardo. O procurador da República Luciano Sampaio Gomes Rolim informou nesta quarta-feira que irá propor à Justiça Federal uma ação de improbidade contra o ex-chefão da Casa Civil.
Seguindo as pegadas esboçadas em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o procurador Rolim reuniu evidências de que, entre 2003 e 2004, numa fase em que ainda era o Todo-Poderoso do Planalto, Dirceu manobrou para azeitar a liberação de emendas parlamentares do interesse de Zeca Dirceu, seu filho, eleito posteriormente prefeito do município de Cruzeiro do Oeste (PR).
Além de Dirceu, a ação do Ministério Público alcançará o próprio Zeca e Waldomiro Diniz, o ex-assessor da Casa Civil, de triste memória. Rolim afirma que Diniz ajudou o ex-ministro a instalar na Esplanada dos Ministérios o duto que drenou recursos para o berço eleitoral de Zeca Dirceu.
Dirceu está indignado. Diz que o procurador Rolim não tem competência para propor ações contra parlamentares e prefeitos. Acusa-o de ser um “fantoche das forças políticas que trabalham dia e noite para cassar” o seu mandado.
Rolim dá de ombros para o esperneio de seu alvo. Afirma que a conclusão das investigações do Ministério Público coincidem com a tramitação do processo de cassação do ex-ministro por “mera coincidência”.
Escrito por Josias de Souza às 01h38
José Dirceu (PT-SP) já não está só na fila do patíbulo. O deputado Josias Quintal (PSB-RJ), relator do processo por quebra de decoro contra o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) no Conselho de Ética da Câmara recomendou a cassação do colega.
Queiroz é um dos 19 deputados listados no relatório conjunto das CPIs dos Correios e do Mensalão. Ele admitiu ter beliscado R$ 452,8 mil nas contas de Marcos Valério no Banco Rural. Alegou que R$ 350 mil foram repassados à tesouraria nacional do PTB. O resto teria sido repassado a candidatos petebistas.
O parecer de Josias Quintal foi lido na sessão do Conselho de Ética realizada nesta quarta-feira. Não pôde ser votado porque Nelson Marquezelli (PTB-SP), companheiro de partido de Queiroz, pediu vista do processo, adiando a análise para a próxima semana.
A manobra, semelhante àquela patrocinada pela companheira Angela Guadagnin (PT-SP) em favor de José Dirceu, protela a degola de Queiroz. Mas não livrará o parlamentar da lâmina que está sendo afiada no plenário da Câmara.
Escrito por Josias de Souza às 01h34
Será nesta quinta-feira o reencontro de Delúbio Soares com Marcos Valério. Estarão frente a frente em acareação na CPI do Mensalão. É a primeira vez que a dupla do mensalão será inquirida numa mesma sessão.
Além dos dois, a CPI convocou para a acareação de hoje:
* Valdemar Costa Neto, o presidente do PL, que renunciou ao mandato para fugir da cassação;
* Jacinto Lamas, assessor da presidência do PL, que compareceu inúmeras vezes aos guichês do Banco Rural, para realizar saques a mando de Costa Neto;
* Emerson Palmieri, tesoureiro PTB de Roberto Jefferson, único cassado pela Câmara até o momento;
* João Cláudio Genu, assessor da liderança do PP e freqüentador do caixa do Banco rural na qualidade de preposto do deputado José Janene (PP-PR), na fila da guilhotina;
* Manoel Severino dos Santos, coletor das arcas do PT no Estado do Rio de Janeiro;
* Simone Vasconcelos, diretora financeira da SMPB que, como lugar-tenente de Marcos Valério distribuiu dinheiro a deputados mensaleiros em hotéis de Brasília.
Mesmo os membros da CPI do Mensalão têm poucas expectativas em relação à possibilidade de surgirem novas revelações na mega-acareação desta quinta. As esperanças tornaram-se ainda mais mirradas depois que o STF deferiu liminar em favor de Delúbio Soares.
Em despacho proferido nesta quarta-feira, o ministro Marco Aurélio de Mello decidiu que o ex-gestor das arcas do PT prestará depoimento na condição de “investigado”. Ou seja, tem o direito de calar-se ou de mentir para não se auto-incriminar. De resto, assegurou-se a Delúbio o direito de ser assistido por advogados durante a acareação.
Uma curiosidade: Em texto divulgado no seu sítio na internet, a assessoria de imprensa do Supremo ainda trata Delúbio como “petista”. O ex-tesoureiro, como se sabe, foi expulso dos quadros do PT no último sábado.
Escrito por Josias de Souza às 01h33
A Polícia Federal apreendeu nesta quarta-feira, em Brasília, duas malas de dinheiro. Continham R$ 1,2 milhão. Deu-se numa rodovia (BR-060), num entroncamento que conduz à cidade-satélite do Gama.
A operação era rotineira. Os policiais montaram uma barreira na rodovia com o objetivo de apreender contrabando. Súbito, deram de cara com as duas malas, recheadas com notas de R$ 50.
Em tempos de mensalão, às vésperas da acareação entre Delúbio Soares e Marcos Valério na CPI do Mensalão, a descoberta levou alvoroço à sede da PF. Descobriu-se, porém, que as notas são falsas. Suspeita-se que o portador, detido em flagrante, usaria a grana para aplicar golpes em empresários da praça de Brasília. Ah, bom!
Escrito por Josias de Souza às 01h31
O deputado Ronivon Santiago (PP-AC) está dando um baile na CPI do Mensalão. Seu depoimento, que deveria ter acontecido nesta quarta-feira, foi adiado pela terceira vez. Nas duas vezes anteriores, Santiago alegou problemas de saúde para faltar. Era mentira. Agora, mandou dizer que não tinha “condições psicológicas” de depor.
Ronivon foi intimado pela CPI por ter admitido, em gravação divulgada pela Folha de S.Paulo em 97, que recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permitiu a reeleição de FHC. Deve-se a uma nova malfeitoria do parlamentar a alegada debilidade psicológica que o impediu de comparecer à CPI.
Ronivon, que renunciara em 97 para livrar-se da cassação, está sendo acusado agora - pasmo (!!!)- de comprar votos na eleição que o reconduziu à Câmara em 2002. O TRE do Amapá cassou-lhe o mandato por “crime eleitoral”. Demora-se na Câmara porque seus pares –estupefação!!!- hesitam em cumprir a ordem judicial.
O expurgo de Ronivon do Parlamento deveria ter sido decidido em reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara nesta quarta. O parlamentar foi beneficiado, porém, pelo congestionamento da pauta. Ocupada em negar o enésimo recurso protelatório de José Dirceu (PT-SP), a CCJ adiou em um dia a decisão sobre Ronivon.
Cassando Ronivon, a Câmara dará posse ao seu suplente. Trata-se de Chicão Brígido (PMDB-AC). Brígido –assombro!!!- também aparece nas fitas de 97 como beneficiário da cota de R$ 200 mil que comprou votos para a reeleição de FHC.
A exemplo de Ronivon, Brígido também deveria ter prestado depoimento na CPI do Mensalão. Não deu as caras. Amir Lando (PMDB-R), presidente da comissão, avisa: "Acabou a brincadeira. Os dois terão de vir aqui. Ou serão acompanhados por agentes da Polícia Federal". Então, tá.
Escrito por Josias de Souza às 01h30
Alan Marques/Folha Imagem
Resultou em perda de tempo a acareação de Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, com os irmãos do prefeito assassinado Celso Daniel, João Francisco e Bruno Daniel.
Quem achava que Carvalho participou de um esquema de coleta de dinheiro sujo montado na prefeitura petista de Santo André continuou achando. Quem acreditava que os irmãos Daniel montaram uma pantomima para deixar mal o PT continuou acreditando.
João Francisco e Bruno repetiram a cantilena de que Carvalho contou a ambos, logo depois da morte de Celso Daniel, ter sido portador de R$ 1,2 milhão em verbas espúrias entregues a José Dirceu (PT-SP), à época coordenador da campanha presidencial de Lula.
Carvalho, por sua vez, acusou os Daniel de inventarem a história porque João Francisco, que apresnetou como “lobista”, teve rejeitados os pleitos que encaminhou à prefeitura em favor de uma empresa de ônibus de Santo André.
Kennedy Alencar informa na Folha de hoje que Lula considerou que seu secretário portou-se muito bem na CPI. Avaliou que “Gilbertinho”, como se refere ao auxiliar, foi "convincente" e "firme". A acareação não produziu, na opinião de Lula, nenhum novo embaraço para o seu governo. A opinião do presidente é compartilhada pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Espremendo-se a acareação, obtém-se como sumo a impressão do relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PFL-RN). Será dele, afinal, o parecer definitivo sobre a encrenca.
Embora admita que a acareação nada acrescentou às apurações, Garibaldi afirmou, segundo registro de “O Globo” de hoje, que está cada vez mais convencido de que o assassinato de Celso Daniel não foi um crime comum, mas coisa planejada. Ou seja, deve reservar chumbo grosso para o Planalto em seu relatório final.
A disposição belicosa de Garibaldi será tonificada por um lote de 42 fitas requisitadas à Justiça pelo senador Efraim Moraes, presidente da “CPI do Fim do Mundo”. As gravações foram coletadas em grampo telefônico que o governo classifica de “ilegal”.
O grampo captou as vozes dos personagens de Santo André, entre eles Gilberto Carvalho, em diálogos comprometedores. Falam de dinheiro, orientam testemunhos, e revelam o receio de que a família Daniel, especialmente João Francisco, abrisse o bico.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) obteve um lote das fitas. Pretendia fazer soar as vozes na sessão de ontem. Foi impedido por uma reação desesperada da bancada governista. Prenúncio dos temores do Palácio do Planalto. Dias leu trechos dos diálogos, resumidos em notícias de “O Globo” e da Folha.
Escrito por Josias de Souza às 01h28
O Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira a medida provisória 255, aquela que incluiu emendas de última hora para ressuscitar providências previstas na chamada “MP do Bem”, que perdera sua eficácia sem ser votada. O projeto institui incentivos a exportadores, a firmas do setor imobiliário e às pequenas empresas.
De carona, entrou também na proposta uma emenda sugerida pelo senador José Sarney, criando uma nova zona franca. No Amapá, evidentemente, Estado em que Sarney assentou o seu curral eleitoral depois de deixar a Presidência da República.
Para não ficar atrás, a bancada do Pará também injetou no projeto, entre a madrugada de terça e a manhã de quarta, conforme alerta divulgado neste blog, uma emendinha criando a sua própria zona franca, dessa vez nos municípios paraenses de Santarém, Almeirim e Barcarena. Foi uma festa.
Zonas francas, como se sabe, são usinas de isenções tributárias. Um convite à fraude. Fraudes como as que vêm sendo detectadas às pencas na Zona Franca de Manaus. A Receita Federal é frontalmente contra esse tipo de concessão.
O projeto vai a voto agora na Câmara. O presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP) dará à matéria um tratamento emergencial. Deve levá-la ao plenário ainda nesta quinta-feira. O governo trama a derrubada das zonas francas nesta nova rodada. Fracassando, há ainda a possibilidade de veto presidencial. É improvável, porém, que Lula ouse peitar Sarney.
Escrito por Josias de Souza às 01h24
Conforme previsto neste blog, está condenada à morte a recém-nascida “CPI do Caixa Dois”. A comissão natimorta foi proposta pelo senador Artur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, no calor das acusações que levaram o tucano Eduardo Azeredo (MG) a renunciar à presidência do partido.
Virgílio tirou a nova CPI da cartola sabendo que ela não decolaria. Não deu outra. O presidente Lula em pessoa entrou no circuito para enterrar a iniciativa. Incomodado com as paixões que eletrificam as relações do governo com a oposição, deu ordens à bancada governista no Congresso para que deixe Azeredo em paz.
Lula faz mais: em conversas com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, roga-lhe que dê um fim à “CPI do Caixa Dois”. Assim deve ser feito. Se tudo seguir como planejado, Renan deve mandar a proposta ao arquivo. Ensaia o argumento de que falta à proposta um objeto definido.
Objeto não falta. Há caixa dois de sobra nos subterrâneos da política. Começa em Azeredo e termina nas verbas clandestinas que pagaram o publicitário Duda Mendonça na campanha presidencial do próprio Lula. O que falta é disposição para arrostar essa nova encrenca pós-delubiana.
Escrito por Josias de Souza às 01h21
Partiu da liderança do PT na Câmara Legislativa de Brasília a mensagem eletrônica com o layout do cartaz ofensivo ao presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Foi elaborado por Marcos Wilson. Vem a ser o responsável pelo sítio mantido pela liderança do PT brasiliense na internet.
Utilizando o correio eletrônico da liderança do PT (marcos@ptcldf.org.br), Marcos Wilson remeteu o modelo de cartaz para Avel Alencar, diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Processamentos de Dados do DF, que encomendou a confecção dos cartazes.
Militante do PT há 17 anos, Avel avocou para si, em entrevista a este blog (veja despacho anterior, das 18h43) a responsabilidade exclusiva pelos “três mil cartazes” espalhados por Brasília, com a estampa de Bornhausen em trajes nazistas. Ele disse que pagou R$ 1,060, com um cheque pessoal.
O repórter ouviu há pouco a líder do PT na Câmara Legislativa do DF, deputada Érika Kokay. Ela diz que “o partido não tem responsabilidade” por esse episódio. O funcionário Marcos Wilson agiu “como cidadão, e terá de responder pelo seu ato.”
O PT vai punir o seu funcionário? “Vou discutir tudo isso com a bancada”, disse a deputada. “Fiquei sabendo dessas coisas todas agora há pouco”.
Marcos Wilson é design gráfico. Cuida da página da liderança petista na internet e de publicações do partido. Procurado em seu local de trabalho, Marcos Wilson já havia saído. O repórter ouviu o assessor de imprensa da liderança petista, Marcelo Xavier. Ele havia conversado com o colega mais cedo.
Segundo Xavier, Marcos utilizou indevidamente o e-mail do site da liderança. Não teria usado, porém, a estrutura do gabinete da liderança. O trabalho contra Bornhausen teria sido feito em sua casa, fora do horário de expediente. “Se tiver usado computador da liderança durante o expediente ele é passível de punição”, diz Érika Kokay.
A operação anti-Bornhausen, como se vê, foi coisa de amadores. A Polícia Civil de Brasília, que investiga o caso, não há de ter dificuldades para descobrir se a lambança está mesmo restrita ao baixíssimo clero da legenda ou se tem ramificações mais acima.
Escrito por Josias de Souza às 19h03
Chama-se Avel Alencar o responsável pelos cartazes em que o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) foi retratado em trajes nazistas. Militante do PT há 17 anos, ele é diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Distrito Federal, filiado à CUT.
Em conversa com este blog, Avel informou ter mandado confeccionar três mil cartazes. Custaram R$ 1.060. Diz que pagou do próprio bolso. Usou um cheque pessoal. “Ninguém tem nada a ver com isso, muito menos o ministro Luiz Marinho (Trabalho)”, disse o sindicalista.
Avel explicou o seu gesto como “um ato em legítima defesa”. Alegou que Bornhausen afirmara, referindo-se ao PT, que a crise do mensalão livraria o país dessa “raça” de políticos pelos próximos 30 anos. Daí ter comparado o senador a Adolf Hitler.
O repórter ouviu a presidente do sindicato da CUT a cuja diretoria Avel pertence. Chama-se Cristiane Arnaud. Ela disse: “Não estávamos sabendo de nada. Não temos nada a ver com isso. Essa coisa partiu do Avel. É coisa dele”.
Em contato com o Governo do Distrito Federal, o repórter soube que a Polícia Civil local já identificou duas pessoas envolvidas no caso dos cartazes. Além de Avel, estaria envolvido o seu irmão, chamado Avelmar Alencar.
Em discurso no Senado, Bornhausen chamou de “nazistas” os responsáveis pela agressão. Em sucessivos apartes, recebeu a solidariedade de vários dos senadores presentes.
Escrito por Josias de Souza às 17h43
O senador Geraldo Mesquita (AC) anunciou a decisão de deixar os quadros do P-SOL. Acusado de cobrar um mensalinho de até 40% sobre o salário de funcionários lotados em seu gabinete, Geraldinho, como o chamam os seus colegas, não resistiu às pressões internas de sua imaculada legenda. "Não temos o direito de permitir que nenhuma dúvida paire sobre nenhum parlamentar do P-SOL", disse a senadora Heloísa Helena (AL), estrela máxima do partido.
Escrito por Josias de Souza às 17h06
Debate daqui, debate dali, o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Moraes, fez um apelo ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR): não use o áudio das fitas. Mais cedo, Dias batera o pé. Não abria mão de tocar as gravações. Na hora “H”, cedeu.
Dias argüiu Gilberto Carvalho valendo-se de uma transcrição das fitas. O questionário do senador perdeu ênfase. A sessão ainda vai longe. Mas a perspectiva de reusltados é nula. Ficou a impressão de que os irmãos Daniel levaram a melhor.
Gilberto Carvalho sustenta que João Francisco e Bruno Daniel mentem. Mas não conseguiu apresentar nenhuma razão objetiva que justificasse o comportamento dos dois. Logo...
Escrito por Josias de Souza às 16h33
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) resumiu o se passa desde o início da tarde na CPI dos Bingos: “Alguém aqui, não sei quem, tem uma enorme frieza e capacidade de mentir”. Dirigindo-se a Gilberto Carvalho, Peres deu a entender que era ele o mentiroso: “Não sei quem está falando a verdade, mas há duas inverossimilhanças que não ó favorecem”.
Jefferson Peres provocou Carvalho: “Se não há razão pessoal de vingança nem interesse material, como o senhor mesmo já reconheceu aqui, por que esses dois irmãos inventam essas coisas monstruosas a seu respeito?”
E Gilberto Carvalho: “Em relação às razoes, não me compete avaliar o que mobiliza uma pessoa contra mim. Posso fazer cenários, imaginações”.
Peres: “Mas se houvesse razão específica o senhor”.
Carvalho: “Nós tivemos desavenças. Mas confesso que não me é simples explicar isso porque é subjetivo”.
O senador apontou o segundo ponto que, a seu juízo, deixa o secretário particular de Lula em situação delicada. “Suponha que vossa senhoria seja um homem idôneo. Vêm os seus conhecidos e, gratuitamente, inventa uma calúnia a seu respeito. Eles inventaram números: a quantia de R$ 1,2 milhão. Disseram o destinatário: José Dirceu. Por que não os processou?”
Gilberto Carvalho soou, de fato, inverossímil: “Decidi não apenas não processar, mas evitar o debate público na imprensa. Foi uma posição que tomei com responsabilidade. Não queria abrir um contencioso com a família de alguém que era muito importante para nós”.
Escrito por Josias de Souza às 16h25
José Dirceu foi derrotado há pouco na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O recurso que impetrou para tentar, pela enésima vez, fugir à guilhotina foi rejeitado por 39 votos a 15.
O ex-chefão da Casa Civil alegava que o processo contra ele deveria ter sido extinto pela Comissão de Ética da Câmara já que o PTB, partido que propôs a sua cassação, desistiu do pedido. O relator do recurso na CCJ, Darci Coelho (PP-TO), manifestou-se favoravelmente à pretensão de Dirceu.
Porém, Roberto Magalhães apresentou parecer avulso durante a sessão da CCJ. Defendeu o arquivamento do pedido de Dirceu. Depois de rejeitar o parecer de Coleho por 39 votos contra 15, os membros da CCJ aprovaram o de Magalhães em votação simbólica.
Os parlamentares governistas compõem a maioria da CCJ. Para quem ainda tinha dúvidas, fica mais uma vez evidenciado que o presidente Lula tem pressa em ver a lâmina descer sobre o pescoço de seu ex-chefe da Casa Civil.
Escrito por Josias de Souza às 15h05
De Gilberto Carvalho, em resposta a uma pergunta do senador José Jorge (PFL-PE): “Sobre a minha permanência [no cargo de secretário particular de Lula] cabe ao presidente tomar a decisão. Ao longo da história temos muitas acusações que depois se revelaram falsas. O caso mais notório é o da Escola Base, de São Paulo. A pessoa ser acusada não quer dizer que é culpada. Nenhuma dessas acusações me torna culpado. Estou, com muita honra, servindo como chefe de gabinete do presidente. Enquanto for da vontade dele, estarei a servir ao povo e ao meu país”.
Escrito por Josias de Souza às 14h46
Novo sururu na CPI dos Bingos. Envolve o conteúdo dos grampos telefônicos que captaram diálogos de petistas depois da morte do prefeito Celso Daniel. Efraim Moraes, presidente da CPI, disse ter requisitado as gravações à Justiça. “Chegam até o final da semana”, disse.
Porém, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que já dispõe das fitas. E pretende exibir os diálogos no instante em que for inquirir Gilberto Carvalho. O secretário particular do presidente tremeu: “Tenho todo interesse em que essas fitas venham à tona. Mas nada pior do que uma edição parcial.”
A bancada governista na CPI contesta os poderes de Álvaro Dias para inquirir Gilberto Carvalho com base em fitas extra-oficiais. Efraim Moraes afirmou que não irá cercear nenhum senador. "Não cabe a esse presidente dizer a um senador o que pode e o que não pode perguntar".
“Assumo toda a responsabilidade. O que pretendo é formular perguntas em cima de diálogos que separei”, disse Álvaro Dias. Ele é o 13O senador inscrito. Criou-se enorme expectativa entre os presentes em relação ao teor dos diálogos que ele diz possuir.
Escrito por Josias de Souza às 14h03
A temperatura subiu na CPI dos Bingos.
João Francisco Daniel: “Vamos acabar com essa palhaçada. Ou o senhor acha que eu vim aqui achando que o senhor iria falar a verdade? Vamos fazer de uma vez um teste de polígrafo [detector de mentiras] em organismo internacional”.
Gilberto Carvalho: “Não se trata de palhaçada. Estamos numa CPI”
João Francisco: “A palhaçada é o que o senhor está dizendo, não a CPI”.
Gilberto Carvalho acusou os irmãos do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, de servirem a “interesses políticos”.
Bruno Daniel interveio: “A que interesses você se refere?”
E o secretário de Lula: “Não sejamos ingênuos. É natural da democracia que existam contradições no mundo da política. E as forças que se opõe ao atual governo têm interesse nesse processo”.
João Francisco alteou a voz: “Isso é um absurdo”.
Abespinhado, o senador Artur Virgílio, líder no Senado do PSDB, um dos principais partidos da oposição, disse: “Compreendemos que o momento é de nervosismo. Mas é preciso manter a serenidade. A oposição não aceita ser arrolada num processo no qual ela é mera expectadora”.
Bruno Daniel sustenta que Carvalho tenta fugir do foco central da acareação: o esquema de corrupção de Santo André. Refere-se ao fato de o secretário de Lula ter mencionado na acareação o suposto lobby de João Francisco em favor de uma empresa de ônibus de Santo André.
Carvalho fez menção ao fato de a família do ex-prefeito ter deixado ao desamparo suposta filha que Celso Daniel teria tido com sua namorada. "No quê isso é relevante para a apuração dos fatos? ", questiona Bruno.
Gilberto Carvalho repisou: “Eu não entreguei dinheiro ao deputado José Dirceu. Nem disse nada disso a esses senhores”.
Escrito por Josias de Souza às 13h23
Gilberto Carvalho tenta dividir os irmãos de Celso Daniel. Disse que, tão logo João Francisco fez as suas primeiras denúncias, em junho de 2002, procurou Bruno. “E o Bruno manifestou estupefação em relação ao gesto do irmão. Junto com a mulher, Marilena, pediu compreensão”.
Bruno Daniel refutou: “De fato, houve um encontro de nossa parte com o Gilberto Carvalho. Mas não foi para negar o que o João Francisco tinha dito ao Ministério Público. O que dissemos é que não concordávamos que o João Francisco tivesse revelado o teor de uma conversa que era reservada. Depois, o José Dirceu acionou judicialmente o João Francisco. E não podíamos mais ficar calados”.
João Francisco disse que decidiu expor o que ouvira de Gilberto Carvalho depois de se reunir com o secretário de Lula e com o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). “Vocês me disseram que o crime do Celso tinha sido um crime comum. Se eu não tivesse falado, teria ficado assim. Não me arrependo de absolutamente nada. Digo mais: em 27 de junho de 2003, eu disse em entrevista à Folha de S.Paulo que temia pela vida de testemunhas. Eu me recusei a dar os nomes, para evitar que sofressem retaliações.”
Gilberto Carvalho disse considerar “legítimo” o esforço da família na “busca da verdade em torno da morte de Celso Daniel”. O problema, na sua opinião, é que conduta dos irmãos “está servindo para um grande jogo político. “Estão manchando a imagem do irmão de vocês. A imagem que está ficando do Celso, que não está aqui para se defender, é a de um homem comprometido com a corrupção. Não podemos admitir”.
Bruno Daniel, de novo, refutou: “Esquemas de arrecadação de recursos em Santo André já estavam claros. E ficaram mais claros ainda. Por exemplo: o depoimento da antiga empregada do Celso, que relata a existência de recursos no apartamento dele. Outro exemplo: “Todo o inquérito que corre em Santo André, que aponta irregularidades em licitações (...) relacionadas ao levantamento de fundos para campanhas do PT. Celso não era corrupto. Ele achava que arrecadação de recursos era um mal necessário, para viabilizar a expansão do Pt”.
Segue a acareação.
Escrito por Josias de Souza às 12h53
Depois de ouvir de João Francisco a reiteração de que o irmão Bruno dissera há poucos instantes, Gilberto Carvalho pronunciou as suas primeiras palavras na acareação da CPI dos Bingos. “Eu não falei a estes senhores que transportei dinheiro. Trata-se de uma mentira. Não levei dinheiro para o deputado José Dirceu.”
O secretário particular de Lula confirmou que teve encontros com os familiares de Celso Daniel. “Eu fui mobilizado pelo respeito que a gente tinha ao nosso prefeito Celso Daniel. Fui fazer um acompanhamento do processo para me colocar à disposição da família, fazer uma interligação, mantendo a família informada. Em momento nenhum falei em transporte de dinheiro”.
“Essa denúcia, o sr. João Francisco Daniel apresentou alguns meses depois. Não sou responsável por essa criação do sr. João Francisco. Compreendo a posição do Bruno, de irmão. Não levei dinheiro para o deputado José Dirceu”.
Escrito por Josias de Souza às 12h11
Deu-se o primeiro sururu. Parte dos senadores desejavam que João Francisco e Bruno Daniel ficassem cara a cara com Gilberto Carvalho. Em acareação anterior, realizada na mesma CPI, os depoentes foram dispostos frente a frente. Efraim Moraes chegou a mandar que a assessoria providenciasse cadeiras. Houve protestos. Manteve-se o formato inicial.
O senador Efraim Morais deu a palavra a Gilberto Carvalho. Ele não quis falar. Bruno Daniel é o primeiro a se manifestar. Conta ter ouvido de Gilberto Carvalho, logo após a missa de sétimo dia de Celso Daniel, que levava para José Dirceu recursos ilícidos amealhados em esquema de desvios montado na prefeitura de Santo André.
Bruno provocou: "Sabemos que o Gilberto Carvalho tem aqui o direito constitucional de não falar a verdade. Nós estamos aqui justamente para o contrário. Para sustentar a verdade". Segundo o relato reproduzido por Bruno, Carvalho teria mencionado a cifra que levou a Dirceu: R$ 200 mil.
João Francisco, o outro irmão de Celso Daniel, começou a falar.
Escrito por Josias de Souza às 11h52
Acabam de entrar na sala da CPI dos Bingos os irmãos do ex-prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. João Francisco e Bruno Daniel não ficaram tête-à-tête com Gilberto Carvalho. Passaram por ele. Cumprimentaram-no. E sentaram-se na outra ponta da mesa. Efraim Morais, presidente da CPI, acaba de declarar aberta a sessão.
Efraim comunicou à comissão que enviou ofício à quarta Vara da Justiça Federal de São Paulo solicitando o envio à CPI do lote de 42 fitas mencionadas ontem pelo juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos. O presidente da CPI disse mais: as fitas já foram copiadas. Chegam a Brasília amanhã.
Escrito por Josias de Souza às 11h31
O secretário particular de Lula, Gilberto Carvalho, acaba de se sentar à mesa da CPI dos Bingos. Ele foi do Palácio do Planalto até o Congresso a pé. Aguarda-se a chegada dos irmãos João Francisco e Bruno Daniel. A acareação está próxima do seu início.
Escrito por Josias de Souza às 11h27
Nesta terça-feira, durante convenção do PRB (Partido do Reverendo Edir Mace..., ou melhor, Republicano Brasileiro), o vice-presidente José Alencar danou a disparar críticas indiretas ao PT e a Lula.
"Não vamos fazer discurso de que todo brasileiro tem direito a isso e aquilo; não precisamos da política para viver, mas para trabalhar pelo país", alfinetou o vice, segundo o jornal “Valor”. Na véspera, Lula dissera, em almoço com empresários, que ficaria satisfeito se, no fim do seu mandato, todo brasileiro estiver comendo três vezes ao dia.
Sem citar o PT, Alencar, uma estrela no firmamento do noviço PRB, disse que o partido não veio ao mundo para "locupletar-se" com o poder. Bateu novamente na política econômica de Antonio Palocci, sua especialidade.
Com um vice desses, quem precisa de oposição?
Escrito por Josias de Souza às 08h12
Está na Folha (para assinantes) de hoje: Paulo Maluf deve seguir até sexta-feira para Campos do Jordão (SP). Ali, os Maluf têm uma mansão de inverno. Amigos informam que ele repousará por uma ou duas semanas. Depois, estuda a hipótese de conceder uma entrevista coletiva. Maluf continuaria abalado. Sente-se culpado sobretudo pela prisão do filho. Os dois dividiram uma cela na Polícia Federal de São Paulo por 40 dias.
Escrito por Josias de Souza às 07h41
-Jornal do Brasil: Secretário do presidente enfrenta os irmãos Daniel - Exército de Lula vai à luta
-Folha de S.Paulo: Dirceu vence no STF, mas processo segue
-O Estado de São Paulo: Juiz acusa assessor de Lula de tentar abafar caso Celso Daniel
-O Globo: Caixa 2 e ligação com Valério derrubam presidente do PSDB
Leia os demais destaques das capas dos jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 07h06
Todos os olhos do Palácio do Planalto estarão voltados hoje para a CPI dos Bingos, a comissão do “Fim do Mundo”. De um lado, Gilberto Carvalho. De outro, João Francisco e Bruno Daniel, irmãos do prefeito Celso Daniel (Santo André), assassinado em janeiro de 2002.
A acareação mobilizou a assessoria de Lula, conforme conta o “Jornal do Brasil” em sua edição de hoje. A eletricidade aumentou depois que, em depoimento à CPI, o juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos, adensou as suspeitas em torno da atuação de Gilberto Carvalho no chamado “Caso Santo André” (leia despacho anterior deste blog, veiculado às 17h desta terça-feira.
Rocha Mattos sugeriu à CPI que requisite à Justiça Federal de São Paulo um lote de 42 fitas. Têm origem num megagrampo telefônico feito pela PF. Traria diálogos comprometedores de Gilberto Carvalho & Cia. A Folha (para assinantes) informa, na seção "Painel", que o Planalto voltou a falar em recorrer ao STF contra a CPI do Apocalipse.
Segundo “O Globo” Gilberto Carvalho passou o dia ontem se preparando para a acareação. Foi auxiliado por ninguém menos que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Preocupado, Lula cancelou a viagem que faria hoje à região Sul, para acompanhar a acareação, marcada para as 11h.
Escrito por Josias de Souza às 00h33
Desenrola-se hoje na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara mais um round da luta que opõe o deputado José Dirceu ao Conselho de Ética. Majoritário na CCJ, o governo recomendou aos seus aliados que evitem meter a colher no processo contra Dirceu, informa o “Jornal do Brasil”. Ou seja, abandonado à própria sorte pelo Planalto, Dirceu arrisca-se a colecionar mais uma derrota. Pelas contas da oposição, o ex-chefão da Casa Civil deve perder de de 35 a 15. O Placar, informa a Folha (para assinantes), foi esboçado em contas feitas pelo deputado ACM Neto (PFL-BA).
No STF, o ministro Eros Grau negou o pedido de liminar feito por Dirceu pedindo, pela enésima vez, o trancamento do processo de cassação de seu mandato. Porém, informa “O Globo”, Grau proibiu que o Conselho de Ética utilize dados telefônicos e fiscais repassados pela CPI dos Correios. A decisão pode desaguar em nova batalha jurídica.
Eros Grau, 65, recorda a Folha, foi o quarto ministro do STF nomeado sob Lula. Tomou posse em junho de 2004. No primeiro julgamento importante de que participou votou a favor da cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos, medida que o Planalto considerava vital. Grau é conterrâneo de Nelson Jobim, o presidente do Supremo.
Escrito por Josias de Souza às 00h32
A CPI dos Correios quebrou nesta terça-feira os sigilos bancário, fiscal e telefônico de 14 fundos de pensão. Suspeita-se que tenham contribuído para fornir o Caixa dois do PT. Para desassossego do PSDB, informa o “Jornal do Brasil”, a CPI decidiu também investigar ex-diretores do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil). Trabalharam no órgão durante a gestão FHC. Teriam produzido, em 2002, um prejuízo estimado em US$ 5,4 milhões.
Eis a relação dos fundos de pensão que tiveram os seus sigilos quebrados: Previ (Banco do Brasil); Petros (Petrobras); Funcef (Caixa Econômica Federal); Postalis (Correios); Eletros (Eletrobras); Real Grandeza (Furnas); Centrus (Banco Central); Geap (servidores públicos federais); Portus (Companhia Docas); Sistel (antiga Telebrás); Refer (Rede Ferroviária); Núcleos (Eletronuclear); Serpros (Serpro) e Prece (Cedae).
A CPI dos Correios referendou também, informa “O Globo”, a já anunciada viagem de membros da comissão aos EUA. Vão tentar obter cópias de documentos relativos à movimentação da conta Dusseldorf, do publicitário Duda Mendonça. Foi aberta nas Bahamas para receber recursos do caixa dois amealhado por Marcos Valério.
Escrito por Josias de Souza às 00h32
O ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) discou nesta terça-feira para a sala em que lideranças do tucanato convenciam o senador Eduardo Azeredo (MG) a renunciar à presidência do PSDB. Falando em nome do governo, disse que o PT não alvejaria Azeredo no Congresso. Em troca, pediu calma aos tucanos. Tomando o telefone das mãos de Azeredo, o líder Artur Virgílio (PSDB-AM) travou o seguinte diálogo com o ministro, conforme relato de “O Globo”.
Jaques Wagner: “Não perseguimos vocês. Nossos partidos são como primos”.
Artur Virgílio: “Sim, são como árabes e israelenses. Não tem problema algum primos guerrearem”.
A atmosfera entre tucanos e governistas manteve-se turva. À noite, na sessão em que Azeredo anunciou ao plenário do Senado a sua decisão de afastar-se da direção do PSDB, o tucano Tasso Jereissati chegou mesmo a falar em “impeachment” de Lula (veja despacho abaixo, das 22h33).
Escrito por Josias de Souza às 00h30
Abespinhado com a negativa de incluir zonas francas para o Pará na versão ressuscitada da "MP do Bem", o senador Luiz Otávio (PMDB-PA) acaba de pedir verificação de quórum na sessão que se desenrola no plenário do Senado. Contaram-se os senadores. Havia escassos 31 presentes. A sessão acaba de caiu. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, convocou nova sessão para a tarde desta quarta-feira.
A Folha de S.Paulo (para assinantes) desta quarta-feira traz detalhes sobre o conteúdo desta medida que movimentou a madrugada do Senado. Para reavivar os benefícios tributários previstos na extinta "MP do Bem", o governo topou ampliar as vantagens concedidas às micro e pequenas empresas.
Contra a vontade da Receita Federal, o Congresso incluiu no projeto sob análise a duplicação do teto para a definição de pequena empresa, que passou a R$ 2,4 milhões de receita bruta anual. Assim, multiplicam-se as empresas com direito a ser tributadas pelo Simples, pagando menos imposto. As zonas francas representam o gato na tuba dos entendimentos.
Escrito por Josias de Souza às 00h03
O senador José Sarney (PMDB-AP) tenta nesse instante, na calada da noite, injetar numa medida provisória costurada para ressuscitar a chamada "MP do Bem", em votação no Senado, uma emenda criando uma nova zona franca. No Amapá, evidentemente. Um Estado que Sarney transformou em seu curral eleitoral depois de deixar a presidência da República.
A bancada do paraense tenta levar a mesma mamata para o Pará. Zona franca significa isenção de tributos. A de Manaus se notabiliza pelos desvios. Deu-se um sururu no plenário. Os senadores alegam que não estão suficientemente informados para votar a encrenca.
"Não temos consciência plena do que estamos votando", disse Artur Virgílio (AM), líder do PSDB. Sarney, ao microfone, defendeu enfaticamente a sua idéia. Aloisio Mercadante (PT-SP), líder do governo também fez a defesa da proposta. "Esse incentivo ajuda o Brasil inteiro." Alega, de resto, que a medida provisória não trata apenas das zonas francas.
Inclui providências como o barateamento dos preços de computadores e a construção de casas populares. "Acho grave essa medida provisória não ser votada hoje. Amanhã ela perde a validade". Acusa a bancada do Pará de tentar pegar "carona" na última hora. "Isso não é sério".
Heloísa Nelena (AL), líder do P-Sol, disse que vários artigos caíram de pára-quedas na medida provisória na última hora. "Se vamos discutir a cadeia produtiva, precisamos incluir também o Nordeste". Alguns senadores ameaçam pedir verificação de quórum. Como há poucos senadores em plenário, a sessão será encerrada se forem contados os senadores presentes.
Tasso Jereissati (PSDB-CE) propõem a transferência do debate sobre zonas francas para a Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado. "Tem muita coisa que está entrando aí [na medida provisória] sem explicação. Tem aí, por exemplo, uma isenção milionária para a indústria naval, que já quebrou várias vezes. Há também incentivos justificáveis para a indústria de Nafta. Numa discussão normal, eu não votaria a favor dessas coisas. Isso precisa ser discutido dentro de um contexto maior."
Escrito por Josias de Souza às 22h28
Terminou neste instante o discurso de Eduardo Azeredo. E com ele o mandato do senador como presidente do PSDB. Vai ficar nisso. Não há dospinição nem da CPI dos Correios e nem da CPI do Mensalão de moer as contas de campanha do ex-governador de Minas na máquina de investigação. O penúltimo senador petista a aparteá-lo foi o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).
Mercadante disse ter dedicado os últimos 25 anos de sua vida ao PT. Afirmou ter lutado muito para que Lula vencesse as eleições presidenciais. Acrescentou: "Tenho orgulho desse projeto e acredito muito nele. Não compartilho das críticas feitas hoje aqui nesse plenário". Foi tudo o que disse em defesa do presidente da República e do seu governo. De resto, Mercadante cobriu Azeredo de elogios.
O último aparte petista a Azeredo foi feito pela senadora Ana Júlia (PT-PA). "Quero dizer que sou testemunha da sua postura sempre correta e favorável ao Brasil. Sei o que é sofrer perseguição política. Como políticos quase todos aqui já sofreram em algum momento das suas vidas acusações, muitas absolutamente injustas. Todos são inocentes até prova em contrário. Quero me solidarizar com Vossa Excelência". Nenhuma palavra em defesa de Lula.
Escrito por Josias de Souza às 22h03
Alan Marques/Folha Imagem
Quem está prostrado na sessão do Senado, que segue acesa a despeito do avançar da hora, é Eduardo Azeredo. Mas quem apanha é Lula. E, pior, não há quem se disponha a sair em sua defesa.
A pretexto de prestar solidariedade a Azeredo, que renuncia à presidência do PSDB, senadores tucanos espancam Lula e seu governo. Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi quem mais desceu a lenha. Chegou mesmo a falar em “impeachment”.
“Seu exemplo, senador Azeredo, é bom para o presidente da República”, disse Tasso, voltando-se para Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), à sua direita. “Veja se estou errado, senador Antônio Carlos. Estão crucificando o Azeredo pelo fato de Marcos Valério ter apanhado recursos para financiar a campanha dele, para a qual não foi eleito.”
Tasso prosseguiu: “O que dizer do presidente Lula, que teve dinheiro do Valério numa campanha presidencial da qual saiu eleito? Tem que ter no mínimo o impeachment. Ora, o Valério, patrão do Delúbio Soares, fez a campanha do Lula. Quem apedreja o senador Azeredo deveria estar pedindo nesse momento o impeachment do Lula”.
Dois petistas falaram durante a sessão: Ideli Salvati (SC) e Eduardo Suplyci. Nenhum dos dois se dignou a levantar a voz em defesa de Lula. Em reunião com um grupo de ministros na semana passada, o presidente reclamou que freqüentemente tem a impressão de que está indefeso no Congresso. Tem razão.
Escrito por Josias de Souza às 21h33
O senador Eduardo Azeredo (MG) discursa neste momento da tribuna do Senado. Ele está anunciando a renúncia ao posto de presidente nacional do PSDB. Será substituído por José Serra, que se licenciara da presidência do PSDB para assumir a prefeitura de São Paulo. Em 18 de novembro, Serra transferirá o posto ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Em aparte a Azeredo, o senador Artur Virgílio (AM), líder dos tucanos no Senado, acaba de anunciar que 30 congressistas já assinaram a proposta de criação da "CPI do caixa dois" (veja despacho abaixo, das 17h15). Para que a CPI fosse instituída seriam necessárias 27 assinaturas. Ou seja, se fosse pra valer, a comissão já poderia ser instalada.
Escrito por Josias de Souza às 20h01
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acaba de comunicar que rejeitou recurso do senador João Capiberibe (PSB-AP) contra decisão do TSE, confirmada pelo STF, que levou à cassação de seu mandato. Acusam-no de ter comprado, junto com sua mulher, a deputada Jenate Capiberibe (PSB-AP), dois votos nas últimas eleições. Custaram R$ 26 cada um.
Capiberibe alega que não lhe foi assegurado o direito à "ampla defesa". Pediu que o caso fosse remetido à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Escudado em parecer da assessoria jurídica do Senado, Renan afirmou que não cabe ao Congresso senão cumprir a decisão judicial. Disse que o direito de defesa de Capiberibe foi exercido no curso do processo judicial. Ou seja, Capiberibe está fora do Senado. Será substituído por Gilvan Borges (PMDB-AC), aliado do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).
Escrito por Josias de Souza às 16h45
O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM) está discursando neste momento na tribuna da Casa. Acaba de informar que o tucanato colhe assinaturas para a proposição de uma nova CPI. A “CPI do caixa-dois eleitoral”.
“Vamos afastar de uma vez por todas a cortina de fumaça que tentam lançar para atrapalhar as investigações da CPI dos Correios”, disse Virgílio. Segundo ele, o caixa-dois merece uma apuração exclusiva.
Entre as campanhas que devem ser investigadas, Virgílio mencionou a do senador Eduardo Azeredo (MG), que deixará a presidência nacional do PSDB ainda nesta terça-feira. Mencionou também, em contrapartida, a campanha presidencial de Lula e a arrecadação feita pelo PT para suas campanhas nos Estados, incluindo São Paulo e Santa Catarina.
Segundo Virgílio, no caso específico de Lula, o depoimento do publicitário Duda Mendonça deixou claro que foi irrigada “com recursos vindos inclusive do exterior”. Algo suficiente “até para cassar o registro partidário” do PT.
Embora Virgílio não tenha mencionado, ao incluir as campanhas de São Paulo e Santa Catarina entre as que são passíveis de investigação, sua intenção é mandar um recado para os senadores Aloísio Mercadante (PT-SP) e Ideli Sanvati (PT-SC), supostamente beneficiados com recursos de má origem coletados pela dupla Delúbio Soares e Marcos Valério.
Quem vê de longe, imagina que o circo esteja pegando fogo. Bobagem. A chance de uma investigação como a proposta por Virgílio prosperar é próxima de zero. O caixa dois é algo tão disseminado na política que não há no Congresso a menor disposição para aprofundar apurações.
Escrito por Josias de Souza às 16h15
Lula Marques/Folha Imagem
Como previsto, o juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos, pilhado vendendo sentenças judiciais e preso desde 2003, depôs nesta-terça-feira na CPI dos Bingos, a comissão do “Juízo Final”. Ele jogou gasolina na fogueira do caso Santo André.
Rocha Mattos disse, em resumo, o seguinte:
* Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, participou, junto com André Klinger Luiz, ex-secretário da prefeitura de Santo André, de um esquema de arrecadação ilegal de recursos de empresas na cidade. Visava engordar o caixa dois do PT;
* “O Gilberto Carvalho era o contato do José Dirceu. Era o Gilberto quem coordenava a parte jurídica do esquema”;
* Num conjunto de 42 fitas, fruto de escutas telefônicas feitas pela PF, há várias menções aos irmãos de Celso Daniel, João Francisco e Bruno, que serão acareados na quinta-feira com Gilberto Carvalho;
* Rocha Mattos disse ter ouvido as gravações. Deixariam clara a preocupação com declarações que os irmãos do ex-prefeito poderiam fazer publicamente;
* As 42 fitas, que se imagiva tivessem sido apagadas, encontram-se na 4a. Vara da Justiça Federal de São Paulo. Rocha Mattos sugeriu que a CPI dos Bingos as requisite;
* As escutas telefônicas foram feitas depois do assassinato de Celso Daniel, ocorrido em janeiro de 2002. Nelas, segundo disse Rocha Mattos, há um diálogo de Gilberto Carvalho com Klinger Luiz em que combinam que a namorada de Celso Daniel, Ivone Santana, deveria se “comportar como uma viuvinha sofrida”;
* Gilberto Carvalho não demonstraria nas fitas “nenhum sofrimento” com a morte de Celso Daniel. “Era um morto muito pouco querido”, disse Rocha Matos;
* As fitas registrariam ainda a voz de Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra. Ele é acusado pelo Ministério Público de ser o mandante do assassinato de Celso Daniel;
* “Eles já suspeitavam que houvesse grampos telefônicos”, disse Rocha Mattos à CPI. “A única preocupação era que a imagem do partido fosse desgastada”;
Uma síntese do depoimento de Rocha Mattos já chegou às mãos de Lula. Aumentou a preocupação do presidente com o comparecimento de seu secretário particular na CPI dos Bingos.
Em discursos no plenário do Senado, parlamentares do PFL, entre eles Antônio Carlos Magalhães (BA) classificam de “muito graves” as declarações de Rocha Mattos. Criticam as tentativas do Palácio do Planalto de interferir no andamento da CPI dos Bingos.
Escrito por Josias de Souza às 16h00
O ministro Luiz Marinho (Trabalho) acaba de enviar a este blog, por meio de sua assessoria, uma nota oficial. O texto critica o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Diz que foi uma “irresponsabilidade” a afirmação em que o presidente do PFL associou o ministro aos cartazes ofensivos distribuídos por Brasília nesta terça-feira (veja despacho abaixo, das 12h 52).
Eis a íntegra da nota do ministro:
“O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, considera uma irresponsabilidade a afirmação do senador Jorge Bornhausen a respeito dos cartazes afixados hoje (25/10) em Brasília. O senador fez alusão a uma fala do ministro que, na semana passada, se referiu à postura discriminatória do PFL.
O ministro considera os cartazes um desrespeito ao senador da República e afirma que não pactua com atitudes criminosas.”
Assessoria de Imprensa
Ministério do Trabalho e Emprego
Escrito por Josias de Souza às 14h13
Em encontro com a cúpula do tucanato, o senador Eduardo Azeredo (MG) foi gentilmente informado de que terá de desocupar a cadeira de presidente nacional do PSDB. Os interlocutores de Azeredo ficaram com a impressão de que ele entendeu o recado. O senador pediu tempo. Seus correligionários esperam que ele exiba alguma rapidez de raciocínio.
Escrito por Josias de Souza às 13h35
Lula Marques/Folha Imagem
Brasília amanheceu nesta terça-feira apinhada de cartazes com ataques ao presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Foram afixados ao longo do Eixo Monumental, uma das principais avenidas da cidade, no Setor Comercial Sul, área de grande movimentação, e até na Esplanada dos Ministérios. Os cartazes exibem um Bornhausen vestindo uniforme nazista.
Ao lado da foto, os seguintes dizeres: "Vamos acabar com 'este' raça. Preto, pobre e operário nunca mais!" Nesse momento, Bornhasen está almoçando com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz. Ele pede providências para que a polícia local identifique os seus detratores.
O personagem retratado no cartaz traz na mão um exemplar da revista "Veja", sob o título "Juntos contra o PT". Sob o cartaz, foi aposta a qualificação "Herr Bornhausen".
"O curioso é que, na semana passada, o ministro do Trabalho (Luiz Marinho) referiu-se a mim, numa solenidade no Itamaraty, como alguém que tem saudades de Hitler. É óbvio que isso é coisa orquestrada. Posso dizer que não foi o PFL que orquestrou", disse Bornhausen a este blog minutos atrás.
A declaração a que se refere Bornhausen foi feita pelo ministro do Trabalho na última quinta-feira. Marinho, que deixou a presidência da CUT para ingressar no governo do amigo Lula, disse o seguinte: “Bornhausen tem saudades do Hitler. Eles [o PFL] querem se tornar o judiciário universal do país. Não sabem o que fazem, estão perdidos”.
Procurado há pouco pelo repórter, o ministro Luiz Marinho ainda não se manifestou.
Escrito por Josias de Souza às 11h52
Na época em que o regime era regido por três poderes atípicos –Exército, Marinha e Aeronáutica-, eram ásperas as relações entre os militares e a imprensa. As Forças Armadas enxergavam o ambiente das redações como ninhos de comunistas. Jornalistas foram censurados, presos, torturados e até assassinados.
Festeja-se nesta terça-feira a memória de um personagem que evoca os horrores desta fase: Vladimir Herzog, jornalista morto em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi de São Paulo.
Decorridos 30 anos, em vez de caçar jornalistas, os militares esforçam-se para entendê-los. É o que se depreende de um documento obtido pelo repórter. Trata-se de cartilha elaborada pelo Centro de Comunicação Social do Exército sob FHC.
"Era da Comunicação Social"

O texto ensina aos oficiais: “A melhor maneira de se sentir à vontade quando se fala à imprensa é faze-lo freqüentemente. Generais que passaram suas vidas falando diante de centenas e milhares de homens recusam-se a falar (...) com um grupo hostil de repórteres. Não há necessidade de se colocar na defensiva. Eles nada mais são do que os elos que nos ligam ao público nacional”.
O Exército reconhece que as relações com a mídia continuam envenenadas por “reflexos do período de exceção”. A cartilha pergunta: “Prevenção?, Preconceito?, Desmoralização?” E responde: “Acreditamos ser mais evidente a primeira idéia e, de modo mais acentuado, na instituição militar em relação à mídia.”
A “prevenção” contra os jornalistas transformou o Exército, diz o documento, num “grande mudo”. Algo que precisa ser superado. Daí a elaboração da cartilha.
Como "enfrentar a imprensa"

Há no documento uma lista de 24 “orientações” a ser observadas pelos militares nos contatos com jornalistas. Eis algumas delas:
* “Evite ao máximo falar em off”. A entrevista “off the record” é aquela em que o entrevistado presta informações sob a condição de que sua identidade não seja revelada;
* “Não cultive relações extra-profissionais com os jornalistas para os quais o presente e a mordomia não substituem a notícia”;
* “Responda às perguntas direta e objetivamente, procurando inserir nas respostas todas as idéias de seu interesse (...)”;
* “Nunca minta a um repórter. Não só você pode vir a ficar em dificuldades, como também pode diminuir a credibilidade de todo o Exército”.
"Absoluta transparência"

O Exército dará provas definitivas da franqueza de suas intenções no dia em que se dispuser a tornar públicos, com “absoluta transparência”, os arquivos da repressão. Algo que, por ora, nega-se a fazer.
Escrito por Josias de Souza às 11h16
Frei Betto escreve em Tendências/Debates, na Folha (para assinantes), um belo artigo. Chama-se “Herzog, memória subversiva”. Começa assim: “São 30 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura militar. A foto é nítida em minha memória: a cabeça pendente, o pescoço asfixiado, o corpo derramado rente à parede. E eles supunham que tinham todo o poder. Poder sobre a vida dele e sobre a nossa memória, essa obcecada ilusão (...)”.
(...)“Todo poder detém o monopólio da violência. Mas, quando não há nenhum outro poder que lhe imponha limites, como ocorre nas ditaduras, a violência extravasa do corpo da lei para o capricho necrófilo do algoz”, diz Frei Betto em outro trecho. “As regras do direito são subvertidas pela impunidade que protege a ação direta de quem age em nome do Estado(...)”.
(...)“Pensavam que, com o tempo, tudo cairia no olvido. Com a anistia, o passado não retornaria como os fantasmas de Shakespeare. Ora, sentimentos não têm cronologia. Pergunte-se à mãe que perdeu o filho há 20 ou 30 anos. O que se ama eterniza-se.
O caso Herzog tornou-se emblemático, símbolo da luta contra o arbítrio e a injustiça. Morto, ele incomoda os vivos (...).”
Escrito por Josias de Souza às 10h06
- Jornal do Brasil: Governo reage a referendo: Segurança é com Estados
- Folha de S.Paulo: PSDB discute afastar Azeredo
- O Estado de S.Paulo: Câmara e TCU querem controle de gasto abusivo
- O Globo: Temporal - o caos se repete
Leia os demais destaques de capa dos principais jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 06h16
A moda lançada pelo bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, parece que veio para ficar. Nas pegadas do frei da transposição do São Francisco, a dona de casa Benedita de Lima Vasconcelos, 60, acorrentou-se nesta segunda-feira a uma placa defronte do prédio do Ministério da Saúde. Ela diz que fará greve de fome até ser recebida por Lula.
Carioca, moradora de Padre Miguel, Benedita afirma que o seu protesto é contra a corrupção. Acha que o instrumento da greve de fome deveria ser adotado por mais gente. É, na opinião dela, uma boa maneira de mostrar aos políticos a insatisfação da sociedade.
Por sorte, Benedita condiciona o fim da greve a uma audiência com o presidente, que diz ter conhecido num comício da campanha presidencial de 2002. Se ela exigisse o fim da corrupção no país, provavelmente morreria de fome.
Escrito por Josias de Souza às 01h01
Alan Marques/Folha Imagem
O senador Geraldo Mesquita Júnior (P-SOL-AC) tentou explicar-se nesta terça-feira em pronunciamento no Senado. Não conseguiu. Acusado de cobrar pedágio de até 40% sobre os salários de funcionários lotados em seu gabinete, pôs a culpa na oposição.
Segundo Geraldinho, como é conhecido, o governador petista do Acre, Jorge Viana, é quem está por trás das acusações que o infelicitam. O senador ainda ensaiou uma saída à Lula. Insinuou que a cobrança, comprovada em gravações feitas por um ex-funcionário, era feita sem o seu conhecimento.
A colega Heloísa Helena (P-SOL-AL) não deixa por menos. Autora de uma representação contra o colega no Conselho de Ética do Senado, ela avisa: ou Geraldinho explica direitinho esse seu mensalinho ou será convidado a cruzar a portinha de saída do partidinho, constituído a partir de uma dissidência do enlameado PT.
Escrito por Josias de Souza às 00h21
Conforme noticiado neste blog, um acordo de cavalheiros que une PSDB e PT segue mantendo o senador Eduardo Azeredo à salvo de um aprofundamento das investigações nas CPIs dos Correios e do Mensalão em torno das relações financeiras que o unem a Marcos Valério.
Nesta segunda-feira, relata “O Globo” em sua edição de hoje, as duas CPIS meteram-se num constrangedor jogo de empurra. Uma joga a encrenca para a outra. E a batata de Azeredo que, por todas as razões, já deveria estar assando no forno de uma investigação criteriosa, permanece incólume.
Escrito por Josias de Souza às 00h10
É grande a tensão de Lula com a participação de seu secretário particular, Gilberto Carvalho, na sessão da CPI dos Bingos marcada para esta quarta-feira. Mal sucedido na operação, noticiada aqui, para tentar reverter a convocação de Carvalho, Lula pediu ao ministro Jaques Wagner (Coordenação Política) que interceda junto a membros da comissão para convencê-los ao menos a evitar o exploração de nome na sessão da CPI.
Segundo reportagem publicada hoje em “O Globo”, Lula não descarta a hipótese de afastar Gilberto Carvalho do Planalto caso ele exiba na CPI um desempenho insatisfatório. Carvalho será acareado com João Francisco e Bruno Daniel, irmãos de Celso Daniel, o prefeito assassinado de Santo André.
Os dois sustentam ter ouvido de Gilberto Carvalho a revelação de que teria entregue a José Dirceu (PT-SP), então coordenador da campanha presidencial de Lula em 2002, verbas amealhadas em esquema de corrupção montado na prefeitura petista de Santo André. Carvalho nega. Em conversa com Lula, ele disse estar “tranqüilo”. Acha que se sairá bem na acareação.
Antes da acareação de Carvalho com os irmãos Daniel, a CPI ouvirá o depoimento do juiz João Carlos da Rocha Matos, preso por ter sido pilhado vendendo sentenças nas investigações da “Operação Anaconda”. Rocha Matos, como lembra o “Jornal do Brasil” em sua edição de hoje, acusa o secretário de Lula de ter agido para atrapalhar as apurações do assassinato de Celso Daniel. Outra imputação que Carvalho nega.
Escrito por Josias de Souza às 23h54
Azeredo está pela bola sete no PSDB
De Brasília, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) falava pelo celular com o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que se encontrava Belo Horizonte. A certa altura da conversa, Paes disse: “Agora que o senhor está saindo da presidência do partido...” Azeredo não deixou que o colega terminasse a frase. Atalhou-o: “Não estou saindo não”.
Ao ouvirem de Paes um relato sobre o diálogo, líderes tucanos foram tomados de desalento. A operação para apear Azeredo do posto de presidente nacional do PSDB, montada nesta segunda-feira, será mais custosa do que imaginavam os seus mentores. Azeredo pode resistir. Mas seu destino está traçado.
A cúpula do PSDB decidiu que continuará fazendo o que estiver ao seu alcance para poupar o ex-governador de Minas nas investigações das CPIs dos Correios e do Mensalão. Mas não ele conseguirá conservar o posto de presidente do PSDB. Terá de entregá-lo ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Ao desembarcar nesta quarta-feira em Brasília, Azeredo será envolvido por uma atmosfera envenenada. Já não conta nem com o apoio do prefeito José Serra (SP), a cujo grupo pertence. De olho numa provável candidatura à presidência da República em 2006, Serra enxerga na troca emergencial do comando partidário uma oportunidade para aparar em definitivo as arestas que ainda o separam de Tasso Jereissati.
Ouvido por telefone, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também deu o seu aval às articulações para a troca de Azeredo por Tasso. Para não impor um desgaste ainda maior a Azeredo, o PSDB não fará nenhuma reunião formal. Mas o senador mineiro será claramente intimado a desocupar a presidência da legenda.
Nos contatos telefônicos que manteve com Brasília nesta segunda-feira, Azeredo tentou tranqüilizar o tucanato. Disse ter obtido do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, seu amigo pessoal, o compromisso de manter uma conversa com Lula.
Segundo Azeredo, Walfrido, que foi seu vice no tempo em que governou Minas, obteria do Palácio do Planalto o compromisso de que a bancada governista no Congresso não o hostilizaria. O tucanato ouviu-o sem dar-lhe crédito. Tachou-o de ingênuo.
O acordo de cavalheiros que mantém Azeredo à margem das investigações tem a simpatia do PT porque Lula receia que os tucanos reabram o debate sobre o financiamento de sua campanha em 2002 -parcialmente bancada com recursos amealhados por Marcos Valério e repassados ao publicitário Duda Mendonça.
Mas nada impede que Azeredo seja alfinetado, a pretexto de atrair o PSDB para o lamaçal que se formou a partir da descoberta da movimentação de Marcos Valério. No início, o tucanato manteve Azeredo na presidência do PSDB para evitar que fosse estigmatizado. Mas a descoberta de que recebeu um cheque de R$ 700 mil de Valério em 2002 pôs fim à paciência de seus colegas.
Escrito por Josias de Souza às 23h14
A CPI dos Bingos, que deveria concluir os seus trabalhos nesta quarta-feira, foi prorrogada. Para desassossego de Lula, que a chama de “CPI do Fim do Mundo”, a comissão vai funcionar até abril de 2006.
Também a CPI dos Correios deve invadir o ano eleitoral. Seus principais integrantes duvidam que o trabalho possa ser encerrado antes do final de março. E Lula, reunido com ministros na semana passada, falava sobre a necessidade de retomar imediatamente o “ritmo normal” do Legislativo.
Escrito por Josias de Souza às 21h24
Alan Marques/Folha Imagem
Como que exausto de sua própria esterilidade, o plenário da Câmara encontrava-se assim nesta segunda-feira. Baldio, ermo, abandonado e, sobretudo, omisso.
Graças à invisibilidade do quorum, o deputado José Dirceu (PT-SP) pôde rechear o oco do seu mandato com o ínterim de mais um dia.
Marcada para esta terça-feira, a reunião da Comissão de Ética da Câmara, aquela em que os colegas finalmente encaminharão o ex-ministro para a guilhotina do plenário, teve de ser adiada para quarta-feira. Um, dois, três, quatro adiamentos.
Diferentemente dos parlamentares, os advogados de Dirceu trabalham como mouros. Protocolaram outro recurso no STF. Pedem, de novo, a anulação do processo de cassação do ex-ministro.
Dessa vez, o recurso de Dirceu caiu no colo do ministro Eros Grau, um dos três que, em julgamento na semana passada, votaram a favor da extinção do processo de cassação do ex-chefão da Casa Civil.
Escrito por Josias de Souza às 18h20
Planalto tem munição contra CPI
Na guerra que empreende contra a CPI dos Bingos, o governo encontrou nos arquivos do Congresso algo que classifica como “munição” contra o senador Efraim Morais (PFL-PB), o presidente da comissão. Trata-se de um documento assinado por Efraim há três anos, em 21 de maio de 2002.
Efraim era deputado federal na época. Ocupava o posto de vice-presidente da Câmara e respondia interinamente pela presidência da Casa. Respondendo a uma questão de ordem formulada em plenário, anulou uma decisão tomada pela CPI do Banespa, que apurava supostas irregularidades praticadas no período em que a instituição esteve sob intervenção do Banco Central.
O autor da questão de ordem chamava-se Julio Semeghini. Questionara a convocação de pessoas que, na opinião dele, nada tinham a ver com os fatos investigados pela CPI do Banespa. Entre os convocados estava Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil durante o governo FHC. Sua intimação, alegava Semeghini, feria o objeto da comissão.
Efraim respondeu à questão de ordem por escrito. Anotou: “Os fatos sobre os quais se pretende ouvir as testemunhas arroladas ocorreram em período anterior àquele abrangido no requerimento de constituição da CPI, ou seja, em desatendimento ao requisito constitucional de restringir-se a investigação a fato determinado”.
Disse mais: “Considerando que a criação de CPI depende de juízo prévio da Presidência com relação a esse requisito, assiste-lhe, em conseqüência, a competência de zelar pela observância dos limites constitucionais de atuação desse tipo de Comissão. Dessa forma dou provimento à questão de ordem, tornando (...) nula a convocação das testemunhas”.
O Palácio do Planalto acusa a CPI dos Bingos justamente de estar extrapolando as suas prerrogativas. Estaria se imiscuindo em coisas que não lhe dizem respeito. Foi convocada para apurar apenas a ação das casas de bingo e as denúncias contra Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil durante a gestão de José Dirceu (PT-SP).
Lula está especialmente irritado com a convocação de seu secretário particular, Gilberto Carvalho. Ele será acareado na próxima quarta-feira com os irmãos do prefeito assassinado Celso Daniel.
Em testemunhos ao Ministério Público e à própria CPI dos Bingos, João Francisco Daniel e Bruno Daniel disseram ter ouvido de Gilberto Carvalho a revelação de que fora portador de dinheiro arrecadado ilicitamente na prefeitura de Santo André. Entregou-o, segundo os dois irmãos, a José Dirceu, então coordenador da campanha de Lula à presidência. Carvalho nega.
Para o governo, a decisão do Efraim de 2002, comprova a “má fé” do Efraim de 2005. Embora tenha ciência da ilegalidade da ação da CPI que dirige, o senador sacrifica a coerência em nome de uma “oposição inconseqüente” ao governo. A briga promete.
Escrito por Josias de Souza às 15h24
Delúbio Soares, o tesoureiro expulso, mostrou ao PT que dinheiro não é tudo na vida. Paulo Ferreira, o novo gestor das arcas petistas, se empenha para mostrar ao partido que tudo é a falta de dinheiro.
Foi-se Delúbio, ficou a encrenca. O PT não tem dinheiro nem para pagar os salários de seus empregados. As folhas de novembro e dezembro encontram-se a descoberto. O partido passará o pires entre os filiados nos próximos dias.
Escrito por Josias de Souza às 13h04
A denúncia de que participou de suposta orgia financiada pela Volks, na Alemanha, avariou Luiz Marinho num instante em que se preparava para alçar vôo mais altos. O jornal Valor desta segunda conta que o ministro do Trabalho tornou-se um dos principais interlocutores de Lula. Se sobreviver ao escândalo, será peça-chave na linha de montagem que tenta pôr de pé a reeleição de Lula em 2006.
Escrito por Josias de Souza às 09h55
- Jornal do Brasil: Referendo 2005 - Recado do medo e da descrença
- Folha de S.Paulo: Brasil não proíbe venda de arma
- O Estado de S.Paulo: Maioria dos brasileiros diz 'não' à proibição das armas
- O Globo: Por um Brasil com armas
- Correio Braziliense: E o povo disse "Não"
Leia o teor de todos os destaques das capas dos jornais na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 06h40
Pesquisa Datafolha revela: a reprovação popular ao Congresso se mantém elevada. Mas parou de cair. Ouviram-se 2.537 pessoas. Para 46%, o desempenho dos congressistas é ruim ou péssimo. Pesquisa feita no início de agosto revelara reprovação um pouco maior: 48%. A variação está dentro da margem de erro. Os números da pesquisa estão na Folha (para assinantes) desta segunda-feira.
Escrito por Josias de Souza às 02h07
Nas pegadas de um referendo que, na opinião de oposicionistas e mesmo de governistas, respinga em seu governo, Lula esforçou-se para mudar de assunto na noite passada.
Em discurso na abertura do Salão Internacional do Transporte, acompanhado pela Folha (para assinantes), o presidente previu um ciclo de crescimento econômico no Brasil com duração de 15 a 20 anos.
Lula vocalizou o sonho de integrar o G-8, grupo que reúne os países mais ricos do planeta. Disse que trabalha com a idéia de que "a gente dê uma chance a nós mesmos para os próximos 15 a 20 anos, porque somente assim vamos poder nos orgulhar de um dia ser convidados para participar do G8". Então, ta!!!
Escrito por Josias de Souza às 02h01
A saga Delúbio Soares não chegou ao fim com a expulsão dos quadros do PT, formalizada no sábado. Na próxima quinta-feira, ele participará de uma acareação na CPI do Mensalão. Ficará frente a frente com o empresário Marcos Valério de Souza.
Além de Delúbio e Valério, participarão da acareação Simone Vasconcelos, funcionária da agência SMPB; o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), que renunciou para fugir à cassação; Jacinto Lamas, assessor da presidência do PL; e o Emerson Palmieri, tesoureiro do PTB.
Para desassossego do tucanato, a CPI também investirá nesta semana na apuração da compra de votos da emenda que possibilitou a Fernando Henrique Cardoso disputar um segundo mandato. Estão marcados para terça-feira os depoimentos dos ex-deputados Chicão Brígido e Osmir Lima, do Acre.
Na quarta-feira, será inquirido o deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Brígido Lima e Santiago confessaram em gravação ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da emenda da reeleição de FHC. Santiago deveria ter sido ouvido na semana passada. Mas alegou que estava doente. Era mentira.
Escrito por Josias de Souza às 01h33
Alan Marques/Folha Imagem
Em solenidade promovida pela Aeronáutica, na sexta-feira, Lula manuseou bandeiras que traziam na ponta uma lança. Não imaginava que o final de semana lhe reservasse uma seta bem mais pontiaguda.
Para os oposicionistas e até para alguns governistas, o “não” do eleitor à proibição do comércio de armas foi extensivo ao governo Lula. Para os mais chegados ao Palácio do Planalto, a tentativa de jogar o presidente, notório defensor do “sim”, no balaio de insatisfação popular com a insegurança é coisa que não faz sentido. Leia as declarações registradas em “O Globo”:
* José Serra (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato não-declarado à presidência: “Muitos que votaram “Não” protestaram contra as precárias condições de segurança no Brasil”.
* Deputado Raul Jungmann (PPS-PR): “Foi uma manipulação, mas pegou. Virou um plebiscito contra a política de segurança e contra o governo”.
* Senador Renan Calheiros (PMD-AL), presidente do Congresso: “Não tenho como avaliar se a votação foi um plebiscito contra o governo. Mas sei que a União é voluntariamente omissa na segurança. Faz pirotecnia e não investimentos”.
* Deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP): “Não é um plebiscito sobre o governo. Mas o governo se envolveu sem necessidade e vai pagar o preço de uma derrota que não precisaria. A vitória do ‘Não’ é um atestado da falência da política de segurança pública do governo federal”.
* Marcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça: “Não vejo como isso possa ser um plebiscito a favor ou contra o governo. A eleição que vai julgar o governo será no ano que vem”.
* Deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara: “Não se pode dizer que o aumento do “Não” é uma resposta da população ao governo.”
* Deputado José Dirceu (PT-SP), ex-chefe da Casa Civil: “Esse não é um julgamento do governo. É um julgamento se o Brasil deve ou não proibir o comércio de armas”.
Escrito por Josias de Souza às 01h11
Fechada a apuração do referendo, o “não” bateu o “sim” pela retumbante diferença de 64% contra 36%. O resultado aponta para uma conclusão óbvia: o governo federal e as administrações estaduais precisam atentar, urgentemente, para o setor da segurança pública.
Veja algumas das reações ao resultado, registradas na edição de hoje de “O Globo”:
* Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), relator do Estatuto do Desarmamento e defensor do “Sim”: “Foi acachapante. Creio que 90% da população não gosta, tem medo, foge das armas, mas ao dizer que não pode proibir, indica que não se sente segura em relação aos organismos de segurança pública”.
* Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), um dos coordenadores da Frente Parlamentar Pela Legítima Defesa: “A população entendeu perfeitamente que não deveria abrir mão de seu direito. A maioria silenciosa que não apareceu nas pesquisas estava a favor da liberdade de opção”.
* Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Frente Brasil sem Armas: “Arrombamos a porta do faz-de-conta. União, estados e municípios fingiam que a questão da segurança não era com eles. Não há mais a menor possibilidade de um candidato à Presidência deixar de propor um programa eficaz de segurança”.
* Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da Frente Brasil sem Armas: “O conjunto de forças políticas de centro-esquerda está se apartando da sociedade civil. Se não houver, do centro para a esquerda, uma reciclagem, o Brasil pode dar uma guinada para a direita”.
Escrito por Josias de Souza às 00h47
O Ministério Público está com a pulga atrás da orelha. Procuradores de todo país acompanham com um pé atrás a movimentação do Ministério da Justiça para regulamentar a legislação que injetou no ordenamento jurídico do país o instrumento da “delação premiada”.
É por meio da “delação” que criminosos pilhados em malfeitorias obtêm reduções de pena ou perdão judicial quando concordam em colaborar com os investigadores. Embora se declare favorável ao instrumento, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) acha que ele deveria ser usado com mais parcimônia.
Thomaz Bastos pretende enviar ao Congresso um projeto regulamentando a “delação premiada”. Encomendou estudos a duas entidades: IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) e IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais). O ministro é fundador do IDDD, segundo informa o seu perfil oficial, divulgado no sítio da Agência Brasil.
O que inquieta os procuradores é o perfil dos dois institutos. São integrados por advogados criminalistas, habituados a atuar na defesa de réus encrencados. Argumenta-se que não teriam a necessária isenção para propor alterações à lei da “delação premiada”. O Ministério da Justiça contra-argumenta que qualquer mudança será precedida de ampla discussão pública. Não haveria riscos de retrocesso.
Escrito por Josias de Souza às 20h10
Vai ser de lavada. Por ora, com 81,3% das urnas apuradas, o “não” vai batendo o “sim” por 64,4% contra 35,5%. Acompanhe o passo a passo da apuração na página da FolhaOnline.
Escrito por Josias de Souza às 19h30
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acaba de informar a este blog que dará uma entrevista coletiva entre 21h e 22h para informar sobre o resultado final do referendo da venda de armas. A votação transcorreu como fora programada pelo tribunal, exceto no Pará.
Segundo Veloso, o número de abstenções no Pará será bem acima dos patamares normais. A seca que infelicita a região Amazônica impediu que muitos eleitores, cujo único meio de transporte é o fluvial, se deslocassem até as respectivas zonas eleitorais.
Autoridades do Estado chegaram a consultar o TSE, na tarde deste domingo, sobre a possibilidade de o tribunal editar uma resolução emergencial flexibilizando as regras de justificativa de voto para os cidadãos paraenses. Veloso considerou mais prudente aguardar o término da apuração.
“Se houver um recurso formal do TER (Tribunal Regional Eleitoral) do Pará, nós analisaremos com o devido cuidado”, afirmou Veloso. Nas demais regiões do país, segundo ele, “tudo transcorreu dentro da normalidade”.
Escrito por Josias de Souza às 17h17
Alan Marques/Folha Imagem
A se confirmar o prognóstico das pesquisas –a vitória do “não” no referendo deste domingo-, a consulta terá servido tão somente para projetar nacionalmente políticos obscuros. Tão desconhecidos quanto o ex-policial militar Alberto Fraga (PFL-DF), estrela da frente parlamentar do “não”, que foi à urna acompanhando do filho Thiago.
No mais, o referendo terá servido para torrar R$ 250 milhões em verbas públicas e para proporcionar aos adversários do governo a oportunidade de tirar uma casquinha de Lula. O presidenciável José Serra (PSDB-SP), por exemplo, disse o seguinte depois de votar no “sim”:
“Muita gente que votou 'não' protesta contra as precárias condições de segurança no Brasil”. Sua manifestação foi registrada no sítio da revista “Primeira Leitura”. Serra decerto se esquece de que o flagelo da (falta) de segurança no Brasil é histórico. No poder, o tucanato nada fez para alterar o quadro.
Lula, a propósito, também declarou voto no “sim”: "Eu acho que uma pessoa comum ter armas não vai dar segurança, por isso eu votei no 'sim'. Agora, a vontade do povo é soberana". O vice-presidente José Alencar, para quem uma eventual vitória do "sim" iria "encorajar os bandidos", preferiu abster-se de votar. Permaneceu em Brasília neste domingo. Seu domicílio eleitoral é Belo Horizonte.
Provocado, Serra falou ainda sobre o estreitamento da diferença que o separava de Lula num eventual segundo turno entre os dois em 2006. Conforme pesquisa do Datafolha, divulgada neste domingo pela Folha (para assinantes), Serra, antes à frente, está agora tecnicamente empatado com Lula.
“Pesquisas são fotografias do momento, registros de determinado instante. Estão sujeitas a oscilações estatísticas”, disse Serra. O que o prefeito não disse é que, em avaliações internas do tucanato, Lula, que chegou a ser considerado como carta fora do baralho presidencial, voltou com força ao jogo.
Escrito por Josias de Souza às 16h48
Governo esquiva-se de corrigir um erro que cometeu
Uma das coisas que se poderia esperar do PT se o partido autêntico houvesse chegado ao poder seria a abertura dos arquivos da ditadura. O país tem todo o direito de conhecer a sua história. Mas o PT inautêntico que chegou ao poder pensa diferente.
Sentado sobre os papéis secretos do ciclo militar, o governo contenta-se em protagonizar, de tempos em tempos, manobras diversionistas. Uma delas foi patrocinada, em maio, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O órgão era chefiado à época pelo petista Nilmário Miranda. Ele anunciou, com alarde e pompa, que haviam sido localizados no Chile os restos mortais de Jane Vanini, uma militante da ALN (Ação Libertadora Nacional) morta em 1974 num confronto com agentes da polícia secreta do ditador Augusto Pinochet.
Além de alardear para a imprensa a suposta descoberta, veiculada por vários jornais, Nilmário discou para a família de Vanini. Informou que o governo providenciaria a repatriação da ossada da guerrilheira que, antes de exilar-se no Chile, militara também no Molipo (Movimento de Libertação Popular), uma dissidência da ALN que tinha em seus quadros o ex-ministro José Dirceu.
Era tudo o que os familiares de Vanini queriam ouvir. Aguardavam há três décadas pelo dia em que poderiam proporcionar a Vanini um enterro cristão. Pois bem, lá se vão seis meses. E nada da ansiada chegada dos ossos.
Deu-se o seguinte: Nilmário propagandeou uma falácia. O corpo encontrado no Chile não era de Vanini. A família foi informada do erro. Mas a sociedade brasileira não mereceu a mesma consideração. Foi tratada de modo desrespeitoso pelo governo.
Desalojado da Secretaria de Direitos Humanos na última reforma ministerial, Nilmário não se dignou a corrigir publicamente o equívoco, fruto de uma precipitação. Sonegou ao país uma informação de que dispõe desde maio.
Escrito por Josias de Souza às 15h51
Depois de 15 anos, TCU absolve Rosane (!!!)
No Planalto
O ano era 1991. José Dirceu, na oposição, não sonhava que se tornaria o todo-poderoso da Casa Civil. Nem supunha que, demitido, enfrentaria processo de cassação.
O Dirceu de 15 anos atrás se dedicava a aporrinhar Fernando Collor, que ascendera à Presidência derrotando Lula em 89. Enxergou em Rosane Collor um alvo atraente. Protocolou no TCU ação contra a primeira-dama.
Presidente da LBA, Rosane era acusada de desvios estimados em US$ 16 milhões. O TCU receberia outras 13 representações contra ela. Cozinhou-as em banho-maria por uma década e meia.
Depois de um vaivém de decisões contraditórias, o TCU resolveu o caso no último mês de maio. Em decisão ainda inédita, aprovou as contas de Rosane, isentando-a. Não por falta de provas.
Há nos processos evidências dos desvios. Rosane alegou que ocorreram à sua revelia. A mesma linha de defesa adotada pelo Dirceu de 2005, que também alega não ter visto o mensalão.
No caso de Rosane, a tese da cegueira não resiste aos fatos. Entre dezembro de 90 e maio de 91, a Associação Pró-Carente de Canapi, terra da ex-primeira dama, recebeu da LBA Cr$ 110 milhões (R$ 1,032 milhão, em dinheiro de hoje).
Era dirigida por Maria Auxiliadora Brandão, cunhada de Rosane. Depois, foi comandada por Luiz Walter Silva, motorista de Rosita Malta, mãe de Rosane, em cuja residência a entidade “funcionava”.
Em julgamento de 2002, Valmir Campelo, ex-senador do PFL, anotou: “A ineficácia da associação jamais poderia ser atribuída” aos gestores da LBA, muito menos a Rosane. Vencido, Benjamin Zymler apresentou voto em separado. Para ele, houve “o propósito específico de desviar recursos públicos em benefício de pessoas ligadas a Rosane Collor (...)”.
Extinta em 1995, a LBA voltou à sala de julgamentos do TCU em maio passado. Discutiam-se as contas de 91. Relator do caso, Ubiratan Aguiar propusera a “rejeição”. Porém, em voto revisor, que acabou aprovado, Guilherme Palmeira considerou-as “regulares, com ressalvas”. Nada de punições.
Em julgamento anterior, Palmeira, alagoano como Rosane, declarara-se “impedido” de atuar. Além de Canapi, isentou-se Rosane de acusações que vão do desvio de mantimentos ao pagamento de passagens aéreas a pessoas estranhas aos quadros da LBA. Produziu-se no TCU um acinte.
Escrito por Josias de Souza às 09h21
Escândalo de beleza
Sérgio Lima/Folha Imagem

Movido pelo desejo de inaugurar o moderno, Juscelino acabou fundando a sede do arcaico. A lama dos canteiros de obras já prenunciava o desastre.
Cercado de Brasil por todos os lados, aquele não seria um lugar para almas ingênuas. Não, não, absolutamente. Seria um lugar para tratores, Serjões e Dirceus.
Ali, o incômodo daria origem ao absurdo, que geraria o impensável, que produziria o inacreditável, que traria à luz o...
Interrompa-se, por incômoda, a escalada autofágica, para apresentar ao brasileiro um naco de uma Brasília que ele não conhece. Assim como a outra, também é marcada por escândalos. Escândalos como este escancarado na foto acima.
Esculpido pelo mineiro Alfredo Ceschiatti (1918-1989), o anjo adorna o interior da Catedral de Brasília. Quem o vê, ainda que ateu, fica tentado a admitir que Deus talvez mereça existir.
Só para que, a pretexto de cultuá-lo, as pessoas tenham a oportunidade de contemplar o escândalo que pende do teto da Catedral. Um escândalo do belo.
Escrito por Josias de Souza às 02h37
Numa nota curta, publicada em sua coluna deste domingo, Elio Gaspari (para assinantes da Folha) explica porque Lula inflou a causa do “NÃO” ao defender o “SIM” em artigos e entrevistas. Diz Gaspari:
“Lula levou urucubaca para o referendo. Neste ano, seu governo dispôs de R$ 413 milhões para investir no Sistema Único de Segurança Pública. Só administrou R$ 22 milhões (5%, dez centavos para cada brasileiro).
Noutra conta, durante os últimos 17 anos, o carnê Bolsa-Ditadura de Lula custou à Viúva R$ 1,8 milhão, em valores corrigidos. (São R$ 8.862,57 mensais, R$ 106 mil anuais, livres de imposto de renda).
Como diria o companheiro: "Damos um exemplo ao mundo cuidando dos nossos superaposentados: Em 20 anos, uma dúzia deles recebe o equivalente a todos os investimentos federais em segurança num ano".
Escrito por Josias de Souza às 02h21
- Folha de S.Paulo: Avaliação do governo mantém queda - Continua em queda a avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com uma pesquisa Datafolha realizada na quinta e na sexta-feira. A taxa dos que consideram o governo Lula ótimo ou bom é agora de 28%, ante 31% no levantamento do dia 10 de agosto e 35% em 21 de julho. Já os que acham a administração petista ruim ou péssima são também 28%, contra 26% em agosto e 23% em julho. A avaliação do prestígio pessoal de Lula também caiu: 40% consideram seu desempenho ótimo ou bom, contra 51% em julho, quando a pergunta foi feita pela última vez. Para 20%, o desempenho é ruim ou péssimo, ante 12% há três meses. Cresceu a percepção de que Lula é responsável pelos casos de corrupção no governo. De agosto a outubro, os que lhe atribuem muita responsabilidade foram de 29% para 33%. Apesar desses números, diminuiu a desvantagem de Lula em relação a José Serra (PSDB) na simulação de segundo turno da eleição presidencial. Hoje, 45% dos brasileiros votariam em Serra no segundo turno, e 41%, em Lula, no limite do empate técnico - a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em agosto, o prefeito paulistano bateria o presidente por 48% a 39%.
-O Estado de S.Paulo: Governo gasta R$ 1 bi em diárias - Levantamento feito pelo "Estado" mostra que o governo Lula já gastou mais de R$ 1 bilhão com diárias para funcionários públicos, mantendo a elevada média da gestão FHC. O dinheiro gasto nesse item é cinco vezes maior do que o orçamento do Ministério da Cultura e 44 vezes maior do que o total investido no programa Primeiro Emprego em 2005. O levantamento não inclui despesas com diárias de militares nem os custos das passagens aéreas. O ápice dos gastos aconteceu no ano passado, quando a União bancou R$ 404 milhões em diárias para seus servidores civis. É o maior valor já pago pelo governo. O salto em relação a 2003, primeiro ano do governo Lula, é considerável. Naquele ano, desembolsou R$ 317 milhões. Desde então, os gastos só crescem. Os órgãos campeões de pagamentos de diárias defenderam os gastos. O Ministério da Fazenda afirmou que as despesas estão previstas no orçamento e que a Controladoria-Geral da União (CGU) fiscaliza os pagamentos.
- O Globo: Endurecimento da lei penal já começa a ser discutido - Redução da maioridade penal, prisão perpétua e até a pena de morte são temas que deverão ocupar lugar de destaque em 2006, como conseqüência do debate provocado pelo referendo da venda de armas, dizem partidários das duas frentes. Seja qual for o resultado de hoje, o discurso pelo endurecimento da legislação penal saiu fortalecido. O sucesso do referendo pode levar a novas consultas. Na Câmara, 25 projetos de referendo tramitaram nos últimos 16 anos, mas apenas quatro ainda podem ser aprovados.
- Jornal do Brasil: Referendo 2005 - 122 milhões de brasileiros decidem a venda de armas e munições.
Leia as demais chamadas de capa dos jornais e revistas deste domingo na SINOPSE da Agência Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 00h52
José Dirceu chama de “calvário” o suplício a que vem sendo submetido no corredor de sua provável morte política, a ser decretada com a cassação de seu mandato no plenário da Câmara. “Esta é a minha `Paixão’, o meu martírio”, diz o ex-chefão do Gabinete Civil, numa imprópria alusão a Jesus Cristo.
A “Paixão” de Dirceu é descrita em reportagem de “O Globo” deste domingo. Conta que o ex-ministro paga agora a fatura da arrogância com que tratou os colegas de Parlamento durante os 30 meses em que foi o Todo-Poderoso do governo Lula.
Dirceu peregrina de deputado em deputado. Pede socorro. Estima-se que já tenha falado com cerca de 300 dos 513 parlamentares. Muitos o tratam com incontido desprezo. “Ele nunca me atendeu, por que vou atendê-lo agora?”, questiona-se, por exemplo, o José Prianti (PMDB-PA).
Max Rosenmann (PMDB-PR) devolveu ao gabinete de Dirceu uma carta que recebera do colega. Junto, mandou um bilhete nos seguintes termos: “O senhor nunca atendeu às ligações. Sempre foi de um silêncio indelicado. Nunca tive uma resposta do senhor. No meu gabinete, não aceito a sua defesa”.
“Eu sei qual é a ajuda que Dirceu vai ter de mim. Vou ajudar a empurrá-lo ladeira abaixo”, reverbera Oliveira Lima (PL-PR). “Se ele me telefonar para pedir o meu voto, vou mandar ele procurar ajuda com o senador ACM, que era o seu amigo na Bahia”, ecoa Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).
Por tudo isso, onze em cada dez parlamentares apostam na cassação de Dirceu. Chega-se mesmo a prever que ele ultrapassará o já cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em número de votos.
Escrito por Josias de Souza às 00h10
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