Fabricante de papel higiênico leva o PAC ao banheiro
Foi ao ar na noite passada uma publicidade radiofônica que converteu o PAC em mote de campanha de papel higiênico.
Na peça, um imitador de Lula chama a “ministra” para falar sobre o “pack”. Uma novidade “que vai trazer mais economia para os brasileiros”.
Ouve-se ao fundo uma voz que macaqueia o timbre de Dilma: “Alfreeeeeeeeeeeeeeedo”.
Alfredo é um mordomo, velho personagem dos comerciais da logomarca Neve, fabricante do papel higiênico de mesmo nome.
“A ministra está em conferência com o Alfredo”, diz o falso Lula, antes de enaltecer o “pack econômico de Neve, com 16 rolos".
O comercial é arrematado com o bordão do presidente: “Nunca antes na história desse país o povo teve tanta maciez”.
Cabe um acréscimo: Nunca antes na história desse país a imagem de um governo migrara da seara pública para a privada.
- Em tempo: O áudio do comercial está disponível aqui.
Escrito por Josias de Souza às 07h11
Planalto admite:vôo de Lulinha não tem amparo legal
Ao pegar carona, junto com 15 acompanhantes, num Boeing da FAB, Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente, embarcou numa ilegalidade.
A Presidência da República reconhece que não há na legislação em vigor um mísero artigo que dê respaldo ao vôo.
A despeito disso, o Planalto considerou “normal” a carona. Invoca um argumento extralegal: o costume.
Eis o teor da manifestação oficial da secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto:
“A possibilidade de o presidente da República convidar pessoas para deslocamentos em aviões oficiais baseia-se numa prerrogativa tradicionalmente exercida no Brasil: foi assim em governos anteriores, tem sido assim no atual”.
Deve-se à repórter Kátia Brasil a notícia sobre a apropriação privada das asas da FAB por Lulinha, como é conhecido o filho do presidente.
O primeiro-filho e seus acompanhantes serviram-se do Boeing da FAB em 9 de outubro. Voaram de São Paulo para Brasília.
As circunstâncias do vôo conferem ao caso um quê de extravagância. O Boeing foi deslocado em pleno ar. Estava a dez minutos de pousar em Brasília. Transportava militares recolhidos no interior de São Paulo.
Súbito, o comandante da aeronave recebeu ordem para retornar a São Paulo. Oficialmente, buscaria o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
O avião pousou em Cumbica, no município de Guarulhos. Foi reabastecido. Descobriu-se que Meirelles e os caronas se encontravam em Congonhas.
Nova decolagem, seguida de uma hora de sobrevôo, para gastar o combustível. Aterrissagem em Congonhas. Embarque coletivo.
Meirelles mandou dizer que não sabia que Lulinha e comitiva dividiriam com ele os assentos do Boeing. A Aeronáutica disse que não dispunha da lista de passageiros.
Agora, o reconhecimento oficial de que o avião da FAB voou à margem da lei, equilibrando-se apenas nos velhos costumes.
Os vôos da Força Aérea estão regulamentados num decreto. Leva o número 4.244. Foi editado em 2002, sob Fernando Henrique Cardoso.
A normatização foi feita nas pegadas de uma anomalia. Descobrira-se que sete autoridades haviam como que “privatizado” as asas da FAB.
Usaram aviões da Viúva para realizar viagens de turismo. A maior parte delas para a aprazível ilha de Fernando de Noronha.
Afora os familiares, o rol de passageiros incluía seis ministros: Ronaldo Sardenberg, Pedro Malan, Paulo Renato, Sérgio Amaral, Raul Jungmann e Alberto Cardoso.
Além dos ministros, voara de FAB, a passeio, o procurador-geral da República de então, Geraldo Brindeiro. O PT, então uma aguerrida legenda de oposição, fez barulho inaudito.
Um dos ministros, Ronaldo Sardenberg, chegou a arrostar uma condenação judicial. A sentença seria anulada, porém, no STF. Decisão do presidente do tribunal, Nelson Jobim, hoje ministro da Defesa, a pasta que manda na FAB.
O que diz o decreto 4.244? Afora o presidente, só podem requisitar aviões da FAB ministros, presidentes da Câmara e do Senado, presidente do STF e comandantes militares. A requisição é admitida em três circunstâncias:
1. “Por motivo de segurança e emergência médica”.
2. “Em viagens a serviço”.
3. Nos “deslocamentos para o local de residência permanente”.
O decreto anota: “As autoridades [...] informarão a situação da viagem e a quantidade de pessoas que eventualmente as acompanharão“.
Ficou entendido que os acompanhantes eventuais deveriam ter relação com a segurança, a emergência médica ou a missão de serviço.
No vôo do dia 9 de outubro, a única autoridade presente no Boeing era Henrique Meirelles, que nem sequer sabia da companhia ilustre de que desfrutaria.
Ao invocar a tradição para qualificar de “normal” a carona de Lulinha, a assessoria de Lula arrasta para a encrenca uma filha de FHC, Luciana Cardoso.
Secretária pessoal do pai-presidente, Luciana utilizou-se de uma aeronave da FAB (modelo Xingu), para viajar de Brasília até Buritis (MG), em março de 2002.
Luciana foi à fazenda Córrego da Ponte. Uma propriedade dos Cardoso, que havia sido invadida por militantes do MST.
Alegou-se que era preciso inventariar os estragos. O Ministério Público abriu um inquérito. Mexe daqui, esquadrinha dali, a coisa foi ao arquivo.
Sob Lula, um novo episódio: em fevereiro de 2004, José Viegas, à época ministro da Defesa, voou de FAB, para fazer turismo com a família no Pantanal. O caso foi à Comissão de Ética Pública da Presidência. Deu em nada.
Noves fora um pedido de informações da Comissão de Fiscalização da Câmara, não há, por ora, vestígio de ação contra a carona de Lulinha.
Se vier, será perda de tempo. Como diz a assessoria de Lula, “foi assim em governos anteriores, tem sido assim no atual”. Às favas o contribuinte.
Escrito por Josias de Souza às 06h25
Secretario é investigado no caso de tortura de presos
Surgiu uma novidade no caso do vídeo que expôs cenas de tortura a presos recolhidos à maior cadeia de Santa Catarina.
Em depoimento ao Ministério Público e à Polícia Civil, uma testemunha complicou a vida do secretário de Justiça do Estado, Justiniano Pedroso.
A testemunha contou que entregara ao secretário Justiniano cópia do vídeo com as cenas torturantes.
Acusou-o de não tomar providências. Pior: disse que Justiniano teria mandado “sumir com as imagens”.
O vídeo que abriu uma crise no pedaço do governo catarinense que cuida da gestão de presídios veio à luz há um mês.
Foi exibido em rede nacional, numa reportagem do Fantástico, da TV Globo (assista lá no alto).
Exibe agentes penitenciários desferindo socos e pontapés em hóspedes da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.
Além de apanhar, os presos foram arrastados a um banheiro. Algemados, tiveram as cabeças enfiadas num vaso sanitário.
As cenas são de fevereiro de 2008. Procurado pela reportagem da TV, o secretário Justiniano fizera cara de espanto.
Dissera que o Estado não compactuava com as práticas criminosas. E prometera apuração.
Em seu depoimento, a testemunha, cujo nome é mantido em segredo, diz ter levado a fita ao secretário um ano antes da veiculação no Fantástico.
Ouvido, o secretário de Justiça disse que são “mentirosas” as afirmações da testemunha. Repetiu que só soube dos malfeitos ao ser procurado pela TV.
Responsáveis pelo inquérito que apura as agressões a presos, os promotores César Augusto Grubba e Raul Rabello disseram que Justiniano será intimado a depor.
Um problema a mais para o governador catarinense Luiz Henrique (PMDB). Num primeiro momento, ele determinada o afastamento de um agente prisional.
Providência tímida, já que o vídeo mostra três torturadores. Num segundo lance, o governador afastou um servidor graúdo.
Mandou ao meio-fio o diretor do Deap (Departamento de Administração Prisional), Hudson Queiroz, que estivera na cadeia no dia da tortura.
Ao invadir o gabinete do secretário de Justiça, o caso escala a penúltima escala da hierarquia do sistema prisional, logo abaixo de Luiz Henrique.
O diretor de imprensa do gabinete de Luiz Henrique, José Gayoso, disse ser pouco provável que o secretário de Justiça tenha visto previamente as imagens.
Afirmou que o governo vai aguardar a conclusão das investigações, sem fazer pré-julgamentos.
A testemunha que jogou gasolina na crise foi inscrita no programa de proteção a testemunhas.
A investigação do Ministério Público deveria terminar em 3 de dezembro. Mas os promotores vão pedir à Justiça a prorrogação do prazo.
Escrito por Josias de Souza às 04h05
Rigotto sai de cena e facilita planos de Fogaça no RS
O ex-governador gaúcho Germano Rigotto, do PMDB, veio aos holofotes para informar que não tentará retornar ao cargo nas eleições de 2010.
Rigotto soou categórico. Disse que a hipótese de ir às urnas como candidato a governador está afastada “definitiva e irrevogavelmente”.
Com esse gesto, deixou o palco livre para as evoluções do prefeito pemedebê de Porto Alegre, José Fogaça, com quem media forças.
Ao baixar as cortinas de sua quase candidatura, Rigotto lecionou: “Quem tem dois candidatos, não tem nenhum. Essa é a lição da experiência política”.
Acha que Fogaça “tem a capacidade” de costurar as “parcerias” políticas necessárias a devolver o PMDB ao Piratini, sede do governo gaúcho.
O Rio Grande do Sul é um dos Estados em que a dobradinha PMDB-PT, ensaiada no plano nacional, não irá se reproduzir.
Ali, a tribo dos pemedebês é representada por uma etnia que olha para o petismo com o fígado, embalada por instintos canibais.
O PSDB nacional rodeia o caldeirão gaúcho com pretensões de firmar com o PMDB local uma aliança que dê ao presidenciável tucano um bom palanque.
O tucanato sempre preferiu Fogaça. Mas demora-se em apreender a lição de Rigotto: “Quem tem dois candidatos não tem nenhum”.
Não bastasse esticar a queda-de-braço entre José Serra e Aécio Neves, o PSDB demora-se em enquadrar Yeda Crusius.
Enredada por denúncias, a governadora tucana do Rio Grande do Sul tornou-se um farrapo político. A despeito disso, cultiva um projeto reeleitoral.
Para abrir negociações com Fogaça, o PSDB terá, primeiro, de ultrapassar a fase do "dois em nenhum". Depois, precisará enquadrar Yeda.
De resto, ao retirar-se para as coxias, Rigotto deixou sobre o tablado um prenúncio de encrenca para o ministro Tarso Genro (Justiça).
Candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso tenta arrastar para dentro de sua coligação o PDT.
O diabo é que o PDT ocupa, sob Fogaça, a vice-prefeitura de Porto Alegre. Talvez se anime a reeditar a parceria com o PMDB na cruzada estadual.
Algo que, se confirmado, terá um gosto de ironia, já que Dilma, uma cristã nova do PT, é egressa justamente dos quadros do PDT gaúcho.
Escrito por Josias de Souza às 03h05
As manchetes desta sexta

- Globo: Ministro de Lula ataca projeto do governo que enfraquece TCU
- Folha: Brasil não vai reconhecer as eleições em Honduras
- Estadão: Superávit sobe, mas meta está ameaçada
- JB: China rouba a cena em Copenhague
- Correio: Calote em Dubai assusta mercados
- Valor: R$ 726 milhões do BB vão reforçar o caixa de Kassab
- Jornal do Commercio: 13º: R$ 600 milhões na economia
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.
Escrito por Josias de Souza às 02h13
Chávez e Ahmadinejad esculacham EUA em Caracas
Depois de passar pelo Brasil e pela Bolívia, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad chegou à Venezuela.
É a quarta visita dele a Caracas. Celebrou acordos com Hugo Chávez. Algo que, no dizer do anfitrião, converteu a relação Irã-Venezuela numa parceria “modelo”.
No mais, a dupla dedicou-se a espinafrar um inimigo comum. Atribuíram aos EUA a responsabilidade pelos conflitos que grassam ao redor do mundo.
Ahmadinejad disse que a verdadeira ameaça mundial não é o programa atômico do Irã, mas "o arsenal nuclear e químico" dos EUA.
Escrito por Josias de Souza às 19h50
Sarney passa mal, é medicado e mandado para casa
José Cruz/Ag.Senado
O presidente do Senado, José Sarney, teve de interromper o expediente mais cedo nesta quinta (26).
Passou mal pela manhã. Deu-se no instante em que recebia um visitante chinês. Sentia dores abdominais.
Levaram-no ao posto médico de emergência do Senado. Apalpa daqui, escuta dali, diagnosticaram-lhe uma gastroenterite.
Por segurança, Sarney foi enviado ao departamento médico do Senado. Conduziu-o um zeloso séquito (veja foto).
Fez exames complementares. Um raio-x e uma ecografia abdominal. Medicado, ficou em observação.
Depois de algo como quatro horas, Sarney foi mandato para casa. Informou-se que passa bem.
Escrito por Josias de Souza às 18h05
Serra usa web, rádio e TV como palanque eletrônico
Sempre que inquirido sobre a sucessão presidencial de 2010, José Serra, governador tucano de São Paulo, diz que ainda não é candidato.
Serra critica a “antecipação” da campanha eleitoral e diz que só em março vai decidir se entrará ou não na disputa pelo Planalto.
A movimentação do candidato desmente o lero-lero do não-candidato. Serra converteu em palanque eletrônico a web, o rádio e a TV.
Funciona assim: Serra participa, gostosamente, de programas populares veiculados em emissoras de rádio e de televisão.
Depois, propaga no microblog que mantém no twitter (143,4 mil seguidores) trechos de suas entrevistas radiofônicas e televisivas.
Tome-se, por eloquente, o exemplo mais recente. Na última terça (24), Serra foi ao Programa do Ratinho, do SBT (audiência estimada em cerca de 300 mil pessoas).
Falou durante 15 minutos. Na noite da mesma terça, Serra pendurou no microblog que mantém no twitter dois trechos da entrevista.
No primeiro, reproduzido no vídeo lá do alto, Ratinho pergunta a Serra: Se eleito, vai acabar com o Bolsa Família?
E Serra: “Não, de jeito nenhum”. Diz que, além de manter a iniciativa mais popular da era Lula, vai “reforçá-la”.
Preocupou-se em realçar que a coisa não nasceu no atual governo. "O Lula pegou os programas que já existiam...”
Empilhou iniciativas da era FHC que foram unificadas sob o selo do Bolsa Família: “...O Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação - que eu criei quando era ministro da Saúde, o Vale Gás etc.”.
Reconheceu os méritos de Lula: Ele “juntou no Bolsa Família e expandiu. Fez bem, correto. Ele pegou o negócio e melhorou”.
Acrescentou: “É o que eu vou fazer. Se eu for presidente, eu pego isso e melhoro. Solidifico".
No segundo trecho destacado por Serra no twitter, Ratinho lhe pergunta se é candidato à Presidência.
Sob aplausos da platéia, Serra soou como se respondesse aos partidários do PSDB e do DEM que o fustigam a entrar no ringue imediatamente.
"Eu posso vir a ser. Neste momento, eu sou governador. Eu tô concentrado no meu trabalho”.
Serra cita tópicos de sua agenda da véspera: inauguração de nova linha do metrô, aula num curso de enfermagem e reunião sobre ensino técnico.
Acrescenta: “Não vou parar de fazer isso para fazer campanha tão antecipadamente. Se antecipou muito campanha eleitoral no Brasil...”
“...No ano que vem, quando faltar seis meses para a eleição, a gente vai ver. Por enquanto, é concentrar no trabalho que a população te delegou através do voto”.
Na mesma terça em que levou a cara ao Programa do Ratinho, Serra concedera entrevista a duas emissoras de rádio, uma de São Paulo e outra de Fortaleza.
Em dias anteriores, levara o rosto ao programa do Datena, na TV Bandeirantes, e de Hebe Camargo, do SBT. Falara também ao programa do Silvio Santos, dono e apresentador do SBT.
De resto, Serra exibira o semblante de "não-candidato" em outras duas janelas observadas por platéias de conformação popular: o programa de Ronnie Von, na TV Gazeta, e o 'Manhã Maior', da Rede TV.
Ou seja: Serra encontrou no universo eletrônico –web, rádio e TV— um nicho no qual se dedica a fazer algo que critica ferozmente nos rivis: campanha eleitoral extemporânea.
À sua maneira, Serra repete exatamente o que condena mos rivis Lula e Dilma.
Escrito por Josias de Souza às 05h56
Câmara requisita informações sobre o vôo de Lulinha
B.Marthur/Reuters
A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara decidiu endereçar um requerimento de informações ao Ministério da Defesa.
No texto, a comissão pede esclarecimentos sobre uma carona dada, em Boeing da FAB, a Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.
O primeiro-filho voou de São Paulo para Brasília, em 9 de outubro, acompanhado de 15 pessoas. Requisitaram-se os nomes dos passageiros.
O pedido de informações teve origem num requerimento apresentado por Duarte Nogueira (PSDB-SP).
O deputado propusera a convocação de dois ministros: Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência).
No debate travado na comissão, colegas de Duarte ponderaram que o Congresso está na bica de inaugurar o recesso de final de ano.
E o deputado concordou em converter a convocação dos ministros em requerimento de informações.
Reza o parágrafo 2º do artigo 50 da Constituição que Jobim dispõe de 30 dias para enviar as informações à Câmara, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade.
Deve-se à repórter Kátia Brasil a notícia sobre a carona concedida a Lulinha e seus 15 acompanhantes.
Ela revelou que, a dez minutos de pousar em Brasília, o comandante do Boeing da FAB recebeu ordem para dar meia-volta, rumando para São Paulo.
Oficialmente, buscaria na capital paulista o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Junto com Meirelles, porém, embarcaram Lulinha e as outras 15 pessoas. Tenta-se agora saber se a carona infringiu a lei.
Escrito por Josias de Souza às 04h12

