Chegada de Maddona em hotel do Rio. Nesta quarta, ela encontra Serra em São Paulo
O não-candidato José Serra levou à sua agenda de governador um compromisso com cheiro de campanha.
O presidenciável tucano recepcionará em São Paulo a estrela pop Madonna.
O próprio Serra confirmou o compromisso no twitter, de madrugada:
Em resposta a uma de suas seguidoras, Serra anotou: “Vou receber a Madonna amanhã, sim”.
Para quê? “A pauta é o trabalho da ONG dela, Success for Kids, que também atua em São Paulo”, Serra acrescentou.
Maddona desembarcou no Rio na manhã desta terça (9). Chegou acompanhada das filhas. Encontrou o namorado brasileiro, o modelo Jesus Luz.
No final de semana, ela assistirá aos desfiles das escolas de samba. Vai ao camarote da prefeitura do Rio, pilotado pelo alcaide Eduardo Paes (PMDB), um ex-tucano.
A passagem de Maddona por São Paulo está prevista para a tarde desta quarta (10). Além do encontro com Serra, ela deve visitar a ONG Meninos do Morumbi.
O braço brasileiro da Success for Kids, entidade patrocinada por Madonna e por doadores arregimentados por ela, presta assistência a cerca de 600 crianças.
A região Sul converteu-se num pesadelo político para o tucano José Serra, presidenciável da oposição.
Os palanques que o tucanato idealizara para Serra no Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão em vias de desmoronar.
No Paraná, uma queda-de-braço entre as duas principais lideranças do PSDB no Estado –Alvaro Dias e Beto Richa— estende-se além do conveniente.
Chama-se José Fogaça o mais novo problema de Serra. Prefeito de Porto Alegre, Fogaça vai às urnas como candidato do PMDB ao governo gaúcho.
Serra via em Fogaça um aliado estratégico. Porém, o prefeito pemedebê já cogita apoiar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Ouça-se o que disse Fogaça numa entrevista à Rádio Gaúcha, nesta terça (9):
“Se o PMDB nacional tomar essa decisão [de apoio a Dilma], não há como o partido regionalmente assumir, de maneira formal, uma outra decisão...”
“...Esta tem de ser a linha do partido aqui no Estado, seguir a linha adotada nacionalmente”.
As palavras de Fogaça têm cheiro de reviravolta. Soam depois de reunião privada que o prefeito manteve com a própria Dilma, na última sexta-feira (5).
O vaivém do prefeito está amarrado a uma conveniência local. Ele precisa do apoio do PDT-RS. Se fechar com Serra, corre o risco de perder o aliado.
Deve-se o estabelecimento da pré-condição ao ministro Carlos Lupi (Trabalho), mandachuva nacional do PDT.
Ou Fogaça abre o seu palanque para Dilma ou o PDT gaúcho cairá no colo de seu principal rival na disputa pelo governo, o petista Tarso Genro.
Assim, Dilma está prestes a obter no Rio Grande do Sul dois palanques: o do PMDB e o do PT, dois velhos e renhidos rivais na política gaúcha.
O apoio do PMDB a Dilma não é pacífico. Escute-se o presidente do diretório do PMDB em Porto Alegre, Fernando Záchia:
“Fogaça pode até ter vontade de se aliar a Dilma, mas é um processo muito difícil de construir internamente”.
Taticamente, Fogaça se diz fechado, por ora, com a candidatura presidencial do pemedebê Roberto Requião. Sabe que se trata de uma quimera.
E advoga que o PMDB gaúcho siga a decisão da convenção nacional, muito mais próxima do apoio a Dilma. Para desassossego de Serra, Fogaça avisa:
“[...] A convivência com a ministra Dilma foi altamente produtiva e boa para a cidade de Porto Alegre. Minha relação com Dilma e com Lula é muito boa”.
Fechando-se a equação favorável a Dilma, restará para Serra o palanque reeleitoral da governadora tucana Yeda Crusius, que as pesquisas indicam estar micado pelas denúncias de corrupção.
Em Santa Catarina, o tormento do tucanato também gira ao redor de uma denúncia de corrupção. Ali, o alvo é o vice-governador tucano Leonel Pavan.
Antes sólida, a tríplice aliança catarinense pró-Serra –PMDB, PSDB e DEM— se liquefez depois que Pavan foi denunciado à Jutiça pelo Ministério Público.
O governador pemedebê Luiz Henrique, candidato ao Senado, costurava uma candidatura única à sua sucessão.
Pelo PSDB, o nome cogitado era o de Pavan. Pelo DEM, o senador Raimundo Colombo. Pelo PMDB, Eduardo Pinho, presidente da legenda no Estado.
Nas últimas semanas, Luiz Henrique passou a admitir a hipótese de três candidaturas. Cada partido seguiria o seu caminho.
Significa dizer que o apoio a Serra, antes vitaminado pelo palanque tríplice, se pulverizaria. Pior: optando por Pavan, o tucanato iria à campanha local com a cara do malfeito.
Programou-se para esta quarta (10), uma reunião dos dirigentes catarinenses do PSDB, PMDB e DEM. Tentam colar os cacos do projeto inicial. Talvez já não disponham de goma.
No Paraná, Serra tenta pôr em pé a candidatura do prefeito tucano de Curitiba, Beto Richa. Mas o senador Alvaro Dias, também tucano, diz que o nome dele é melhor.
Na última sexta (5), sob mediação de Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, os dois contendores tucanos desceram ao pano verde. Alvaro Dias puxou as suas fichas.
Disse que as pesquisas o favorecem. Levou ao seu blog a última sondagem do Vox Populi. Argumentou que, prevalecendo Richa, a vida de Dilma será facilitada no Paraná.
Por quê? Irmão de Alvaro, o senador Osmar Dias ensaia o lançamento de sua candidatura ao governo paranaense pelo PDT. Daria palanque a Dilma.
Mas Osmar informou a Sérgio Guerra e à própria Dilma que se o irmão for candidato, ele disputará o Senado, não o governo. E a candidata de Lula perderia o palanque.
Beto Richa não se deu por achado. Levou ao twitter uma pesquisa que lhe sorri. Foi feita por um instituto pouco conhecido fora do Paraná, o Radar.
Nesta quarta (10), Sérgio Guerra deve mediar novo encontro entre Dias e Richa. A hipótese de acordo é improvável.
Ou Alvaro Dias depõe as armas ou a disputa vai para a convenção, em junho. Nessa hipótese, prevalecerá Beto Richa, que detém o controle da máquina do PSDB-PR.
Embora tenha dado prazo ao irmão, a paciência do pedetista Osmar Dias tem limites. Prometeu aguardar até o final desta semana. Sobrevivendo o impasse, vai à disputa. E fechará com Dilma.
Assim, a formação dos palanques do Sul, que parecia um sonho dourado para a oposição, converteu-se num pesadelo que atormenta Serra e adoça as noites de Dilma Rousseff.
Ciete Silvério/Divulgação A 51 dias de trocar a cadeira de governador pelo palanque, José Serra reajustou o salário mínimo regional pago aos trabalhadores de São Paulo.
O reajuste foi de 10,89%, maior do que o aumento de 9,68% que Lula concedera ao salário mínimo nacional.
No resto do Brasil, o mínimo passou de R$ 465 para 510. Em São Paulo, onde há três faixas salariais, a coisa ficou assim depois do aumento:
A faixa mais baixa passou de R$ 505 para R$ 560. A intermediária, de R$ 530 para R$ 570. E a mais foi de R$ 545 a R$ 580.
Pelas contas de Serra, o reajuste vai beneficiar algo como 1 milhão de trabalhadores. “É uma medida que tem um alcance social muito importante", jactou-se.
Comparou-se a Lula: "Com relação ao mínimo nacional, o piso do Estado, que é o salário mínimo estadual, está R$ 50 acima com relação ao novo salário mínimo”.
Os repórteres fizeram a Serra a pergunta óbvia: O reajuste teve inspiração eleitoral?
E o presidenciável tucano: "Nada a ver, não estamos em uma gincana. Estamos governando".
Antes que Serra subisse ao palco para anunciar a boa nova, a Secretaria de Emprego distribuíra aos repórteres um documento de conteúdo curioso.
No texto, informava-se que o mínimo paulista seria tonificado em 8,90%. Abaixo, portanto, dos 9,68% servidos por Lula ao resto do país.
Ao trazer à luz o percentual maior (10,89%), Serra negou que a mudança resultasse de uma mexida de última hora:
"Digitaram para a imprensa com o cenário errado", disse o governador-candidato. Segundo ele, a coisa já estava decidida há mais tempo.
O governo paulista adotou neste ano da graça das eleições um critério distinto: em vez de levar em conta a variação do PIB brasileiro, serviu-se do PIB paulista.
Daí o percentual mais generoso. Serra esmerou-se na comparação: "No ano retrasado (2008), a economia paulista cresceu mais que a nacional".
Em Brasília, reajuste do auxílio-alimentação de 514 mil servidores públicos. Em São Paulo, aumento do mínimo.
O eleitor deve estar perguntando aos seus botões: por que diabos não fazemos eleições todos os anos no Brasil?
João Wainer/Folha Neste alvorecer de ano eleitoral, o governo decidiu afagar o bolso e o estômago de 514,4 mil servidores.
Degustarão, já no contracheque de fevereiro, um reajuste do auxílio-alimentação. Coisa expressiva: entre 88% e 141%.
Servidores de todo país passarão a levar ao bolso R$ 304,00 por mês. Uma despesa adicional para o Tesouro de R$ 950 milhões anuais.
Afora o reajuste, o governo decidiu promover a unificação dos valores do auxílio-alimentação.
Antes, havia quatro cifras. Variavam conforme o Estado. O maior benefício, de R$ 161,99, era pago ao funcionalismo do DF. Nesse caso, o reajuste foi de 88%.
Servidores de 14 Estados (MA, PI, TO, RN, PB, AL, SE, ES, GO, MT, MS, PR, SC e RS) recebiam auxílio-alimentação mais baixo: R$ 161,99. Beliscaram reajuste de 141%.
Os servidores lotados nos Estados do AC, AM, RO, RR, AP, PA, CE, PE e BA, que auferiam R$ 126,00, foram brindados com reajuste de 128%.
De resto, o funcionalismo de SP e MG, antes aquinhoado com auxílio-alimentação de 143,99%, obteve reajuste de 111%.
O aumento e a unificação eram velhas reivindicações da corporação estatal. O último reajuste havia sido concedido há seis anos, em 2004.
A providência será publicada na edição desta quarta (10) do Diário Oficial, em portaria que traz a assinatura do ministro Paulo Bernardo (Planejamento).
Como previsto, o presidente e sua pupila levaram a campanha eleitoral a Minas. Desde janeiro, a terceira visita da dupla ao segundo colégio eleitoral do país.
Sob os efeitos dos ataques que receberam do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma adicionaram veneno no pudim.
Dilma reforçou a tática do plebiscito: "Se quiserem comparar, nós vamos comparar. Número por número, casa por casa, obra por obra".
Em entrevista a rádios da cidade de Governador Valadares, Lula cuidou de aquecer a atmosfera. Disse que, sem discurso, os rivais tentam impedi-lo de jogar:
"Quando um partido de oposição não tem o que propor, não tem discurso, fica difícil a situação e eles tentam impedir que o outro time jogue...”
“...Vou continuar viajando até 31 de dezembro, meia-noite. E vou fazer muita força para eleger minha sucessora, para depois ir para casa desligado e não dar palpite no governo".
Um programa que prevê maior participação do Estado na economia. Conversa das décadas de 50 e 60, Lula ironizou. O governo, disse ele, não crê em Estado mínimo (assita abaixo).
Chamada por FHC de “boneco” manipulado pelo “ventróloquo” Lula, Dilma declarou:
“Nós temos orgulho do nosso governo e temos orgulho do líder que nos lidera nesse governo, que é o presidente Lula".
FHC também dissera que Dilma "pode até vir a ser, mas por enquanto ela não é líder. Por enquanto, é reflexo de um líder".
Líder mesmo, FHC enfatizara, é "O Serra”, que já “mostrou que faz". Sem citar Serra, Dilma o fustigou:
"Quando ocorre um alagamento, quando ocorre um desbarrancamento, o pessoal fica espantado porque quem morre são os mais pobres..."
"...Morrem os mais pobres porque não teve uma política habitacional nesse país que fizesse com que essas pessoas não fossem obrigadas a morar na beira do córrego, na beira do rio, na beira da lagoa, num fundo de vale ou na encosta de um morro".
A ministra-candidata plantou em solo mineiro duas gafes que não contribuem para o seu esforço de obter votos.
Primeiro, chamou Governador Valadares de Juiz de Fora. Depois, em visita a uma localidade chamada Vila Palmeiras, rebatizou-a de Vila Palmares.
Elza Fiúza/ABr Uma tecnicalidade partidária pode custar o mandato a José Roberto Arruda. O Ministério Público Eleitoral protocolou no TRE-DF ação contra o governador.
A petição sustenta que a alegação de Arruda para deixar o DEM, em dezembro, não tem respaldo na lei.
Sob ameaça de ser expulso do partido, Arruda antecipou-se. Desfiliuou-se do DEM. Invocou razões pessoais.
Uma justificativa que, segundo a Procuradoria, não está prevista na resolução do TSE que fixou, em 2007, as regras da fidelidade partidária.
Por isso, a Procuradoria requer a perda do mandato de Arruda por infidelidade partidária.
Pelas mesmas razões, pede que seja passado na lâmina o mandato do deputado Leonardo ‘Pé-de-meia’ Prudente.
A essa altura, qualquer iniciativa que vise apartar Arruda e Cia. dos cofres públicos é bem-vinda. Porém...
Porém, diante de tudo o que já veio à luz, será cômico se o escalpo de Arruda for servido na bandeja de uma ação escorada na legislação eleitoral.
É como se, depois de fartar-se de panetone$, o governaedor entalasse com uma uva passa.
Divulgação A assessoria de Dilma Rousseff levou à página da Casa Civil na web uma notícia encharcada de 2010.
Datado desta segunda (8), o texto relata a participação da candidata de Lula num encontro realizado na Assembléia Legislativa gaúcha.
Coisa organizada pelo prefeito petista do município de São Leopoldo, Ary Vanazzi. Aconteceu no sábado (5).
O mesmo dia em que, num seminário com prefeitos e vereadores tucanos, FHC dissera que Dilma é um “boneco” e Lula seu “ventríloquo”.
“O PAC e o Futuro do Brasil”, eis o título da palestra proferida por Dilma.
Ouviram-na cerca de 600 pessoas, entre prefeitos, vereadores e deputados.
Dilma repisou dados que apresentara na semana passada, no balanço do PAC. E anunciou que virá mesmo à luz, em março, o PAC 2.
Nesse ponto, sem citar o nome do rival tucano José Serra, Dilma injetou no discurso um tema que atormenta São Paulo há dois meses: as enchentes.
Disse que a segunda versão do PAC, a vigorar a partir de 2011, vai priorizar a resolução “problemas urbanos”.
A candidata espetou: “Nós temos clareza que no PAC 2, uma das linhas de investimentos mais fortes, é a questão da drenagem no Brasil...”
“...Porque não dá mais para as pessoas viverem com medo toda vez que chove, por causa dos alagamentos e daquelas cenas tristes e horríveis que vemos...”
Cenas “...como desabamentos, queda de encostas, água entrando nas casas. Não dá mais”.
Dilma perguntou a si mesma: “Sabe qual é o programa que ajuda na drenagem?”
Ao responder, a candidata pôs-se a exaltar outro programa que serve de pilar à sua candidatura: O Minha Casa, Minha Vida.
De cambulhada, arrastou a era FHC para dentro do problema. Insinuou que o programa habitacional de Lula significa uma mudança de paradigma:
“Acaba com a prática que existia no Brasil de olhar para a população mais pobre, que ganha até três salários mínimos, por exemplo, e deixá-la entregue a si mesma...”
“...Essa população não tinha saída, mas agora tem. Estamos construindo um milhão de moradias populares e com isso estamos mostrando que é possível investir nesse setor e atender aos mais carentes...”
“...São necessárias mais seis milhões de moradias, mas o primeiro passo está dado, com esse um milhão que estamos fazendo”.
Dilma superfaturou o número de casas. O milhão de que falou só existe em promessa. Por ora, foram contratadas 298 mil unidades.
Mas a presidenciável do PT mirou o futuro. Um futuro que, espera, lhe sorria: “Nós podemos fazer muito mais, com certeza”.
Numa de suas peças mais célebres, o dramaturgo Nelson Rodrigues pendurou no pescoço de Otto Lara Resende uma frase que não desgrudaria mais do escritor: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer”.
A peça é “Bonitinha, mas ordinária”. Ganhou os palcos e o cinema. Antes de morrer, Otto foi conferir, num teatro do Rio, em 1991. Narrou o fato numa coluna de jornal, reimpressa no livro “Bom dia para nascer”. Anotou: “Saí [do teatro] como se tivessem me pregado um rabo de papel”.
Assistindo ao vídeo lá do alto, você vai entender o porquê do “rabo de papel”. Na cena, dois personagens –Peixoto e Edgar— tramam um casamento. Na verdade, um golpe. A moça, “milionária”. O pretendente, “pé rapado”. A frase atribuída a Otto é repetida à exaustão.
Nelson Rodrigues injetou-a na cena como justificativa moral para a imoralidade urdida diante dos olhares da platéia:
— O mineiro só é solidário no câncer, é ou não é?
— Só no câncer.
— Portanto, já sabe. Eu arranjo tudo, certo? Ela entra com o dinheiro e você com o resto.
— Ôba.
— Ainda por cima é linda, linda rapaz, uma coisinha...
— Eu topo. Eu caso. Caso imediatamente, eu caso já...
— Mau caráter!
Corta para a cena política de Minas Gerais. Às turras, PT e PMDB disputam a honraria de levar à refrega pelo governo do Estado um candidato apoiado por Lula. O PMDB sugere Hélio Costa. No PT, medem forças Fernando Pimentel e Patrus Ananias.
Subitamente, uma novidade escalou as manchetes. Em desvantagem nas pesquisas, o petismo mineiro passou a nutrir jucunda solidariedade por José Alencar. O vice-presidente da República ganhou ares de alternativa do consórcio governista para o governo de Minas.
Em outubro, mês da eleição, Alencar terá 79 anos. Os entusiastas da candidatua evitam comentar, mas ele carrega no abdômen um sarcoma. É um câncer agressivo e recidivo, diagnosticado em 2006. Há pouco mais de dois anos, os médicos informaram a Alencar que sua doença é incurável.
O vice-presidente já passou pela mesa de cirugia várias vezes. Na última operação, realizada em julho do ano passado, Alencar ganhou a companhia incômoda de uma colostomia -desvio que liga o intestino a uma saída aberta na lateral da barriga, onde são acomodadas bolsas plásticas.
Cinco meses atrás, Alencar contou numa entrevista que a colostomia mudara “drasticamente” a sua rotina:
“Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever. Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza, e a Jaciara [enfermeira da Presidência] para me auxiliarem com a colostomia...”
“...Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu. Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto. Sem drama nenhum”.
Alencar leva seu drama à vitrine com galhardia incomum. “Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence”.
Nos últimos meses, Alencar animou-se com a notícia de que o tumor que o atormenta reduzira de tamanho. Efeito da quimeoterapia.
O vice de Lula passou a cogitar a hipótese de comparecer às urnas de 2010. Almejava o Congresso, não o governo de Minas. Mas o PT mineiro cuidou de empurrá-lo para o epicentro da sucessão do tucano Aécio Neves.
Alencar iria à cabeça da chapa. Na vice, o petê Ananias. Para o Senado, o pemedebê Hélio Costa. E o outro petê, Pimentel, iria ao comitê de Dilma Rousseff.
Nesta segunda-feira (8), Alencar esteve em Belo Horizonte. Visitou Aécio. E degustou um par de homenagens. Do petismo mineiro, recebeu o título de “militante honorário”.
A Câmara de Vereadores brindou-o com um diploma de "honra ao mérito". Em discurso de saudação a Alencar, o petê Ananias evocou o samba “Andanças”, de Beth Carvalho: “Mestre, por onde você for, quero ser seu par".
Dono de biografia respeitável, Alencar parece observar a cena de esguelha: Disse aos repórteres: "Peço sempre a Deus que as manifestações de apreço não me subam à cabeça, para que não me torne um besta...”
“...Se resolver me candidatar, prefiro um cargo no Legislativo, não necessariamente no Senado. Também há eleição para a Câmara dos Deputados".
Postergou a definição para 17 de março, quando se submeterá a nova avaliação médica. Ficaram boiando no ar duas frases. Uma do próprio Alencar, na entrevista de setembro: “Um homem público com cargo eletivo não se pertence”.
A outra, da peça de Nelson Rodrigues: “O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer”. O PT torna a assertiva atual, muito atual, atualíssima. Como nunca antes na história desse país.
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