Josias de Souza - Nos bastidores do poder
Josias de Souza - Nos bastidores do poder
 

"Acho que vou ficar no Brasil", afirma Cesare Battisti

  José Cruz/ABr
Ao decidir não decidir, o STF reacendeu as esperanças de Cesare Battisti.

 

O ex-terrotista italiano parece não ter mais dúvidas:

 

"Acho que vou ficar no Brasil", disse Battisti, nesta terça (24).

 

Hóspede da penitenciária da Papuda, em Brasília, ele suspendeu a greve de fome.

 

Parara de comer havia dez dias. Mas decidiu atender aos apelos de Lula.

 

"Quando escutei o presidente Lula na TV, duas vezes, interpretei isso como uma mensagem boa...”

 

“...Senti vontade de viver e até de trabalhar. Estou começando a escrever outra vez e quero terminar o meu livro”.

 

Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti está na bica de ganhar o meio-fio.

 

O destino dele está nas mãos de Lula. Em privado, o presidente disse que pende para a decisão favorável a Battisti.

 

Grave precedente. Antes de lavas as mãos, o Supremo recomendara a extradição.

 

Em 200 anos de história do tribunal, será a primeira vez que um veredicto do gênero deixará de ser cumprido.

 

Em nenhuma outra oportunidade o direito do presidente da República à palavra final fora suscitado.

 

Fica no ar uma incômoda pergunta: Battisti vale a abertura do precedente?

Escrito por Josias de Souza às 20h33

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Fita nova na praça: Lulinha, o filho do filho do Brasil

  B.Mathur/Reuters
No instante em que vai às telas ‘Lula, o Filho do Brasil’, chega às páginas um enredo enviesado. Filmado, poderia chamar-se ‘Lulinha, o filho do filho do Brasil’.

 

No longa-metragem oficial, mostra-se a saga do menino que saltou da miséria nordestina para o triunfo brasileiro.

 

No curta-metragem não rodado, uma passagem da rotina do menino que emergiu do parentesco ilustre para a fortuna pessoal.

 

Deve-se à repórter Kátia Brasil a iluminação do enredo paralelo. Ela conta algo que se passou em 9 de outubro.

 

Envolve o itinerário de um jato da FAB, um Boeing 737. A aeronave estava a dez minutos de aterissar em Brasília.

 

Trazia militares a serviço da Aeronáutica. Vinham da cidade paulista de Gavião Peixoto. Súbito, o comandante recebeu uma ordem.

 

Deveria retornar a São Paulo. Recolheria, a pedido da Presidência da República, um lote de passageiros. Entre eles o presidente do BC, Henrique Meirelles.

 

O Boeing deu meia-volta. Desceu no aeroporto de Guarulhos às 19h. Foi reabastecido. De repente, nova ordem.

 

Os novos passageiros embarcariam em Congonhas, não em Guarulhos. Às 20h30, outra decolagem.

 

O pouso em Congonhas teve de ser retardado. De tanques cheios, o comandante não poderia pousar em Congonhas.

 

Viu-se compelido a voar a esmo por uma hora. Desperdiçado o combustível, enquadrou-se nas exigências de Congonhas. Às 21h30, desceu.

 

Os passageiros fardados foram ao fundo da aeronave. As poltronas da frente foram liberadas para os novos passageiros.

 

Embarcaram, além de Henrique Meirelles, outras 16 pessoas –Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e 15 acompanhantes dele.

 

Procurado, Henrique Meirelles mandou dizer, por meio da assessoria: de fato, requisitara o avião.

 

Mas só na hora do embarque soube que, "por solicitação da Presidência", Lulinha e mais 15 "aproveitariam o vôo da aeronave colocada à disposição do BC".

 

Ouvido, o Planalto informou: Lulinha e seus acompanhantes eram convidados de Lula.

 

"É normal o presidente da República convidar pessoas para se encontrar com ele em Brasília e oferecer transporte pelas aeronaves que servem à Presidência".

 

Lula tem algo como uma centena de parentes. No geral, os Silva permaneceram longe do Estado. Mantiveram o padrão de vida modesto.

 

Nesse grupo, Lulinha é exceção. O primeiro-filho é sócio da Gamecorp, uma empresa de vídeo brindada com um aporte milionário da Telemar, em 2005.

 

A operadora de telefonia (45% do capital pertencente ao BNDES e a fundos de pensão de estatais) borrifou R$ 5 milhões na caixa registradora da firma de Lulinha.

 

Empresário próspero, Lulinha, o filho do filho do Brasil, não precisaria bulir nas arcas da Viúva para voar de São Paulo para Brasília.

 

Ao embarcar no Boeing da veneranda e desprotegida senhora, naquela fatídica noite de 9 de outubro, o primeiro-filho prestou um serviço ao pai.

 

Lulinha mostrou ao Lulão os riscos da presidência imperial. O que diria Lula FHC mandasse asas oficiais buscarem um filho em São Paulo nas mesmas condições?

 

Talvez dissesse algo assim: "Num país em que brasileiros morrem na maca por falta de atendimento nos hospitais públicos...”

 

“...É inaceitável que o filho do príncipe e seus acompanhantes mobilizem um Boeing custeado com verbas dos patrícios em dia com os seus impostos”.

 

O que diabos foi fazer Lulinha em Brasília? A assessoria de Lulão diz que não fornece informações sobre familiares do filho do Brasil.

 

E quanto aos nomes dos acompanhantes? O Planalto e o BC não forneceram a lista. A FAB informou que não dispõe dos nomes.

 

De um presidente espera-se que dê exemplos de boa conduta aos súditos que lhe garantem os proventos, a geladeira cheia, o carro na garagem e o avião no hangar.

 

Nunca antes na história desse país um mandatário demonstrara tanto descaso com as vulgaridades que grassam ao seu redor. Pena.

 

Escrito por Josias de Souza às 18h47

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Onda de otimismo impulsiona desempenho de Dilma

Stock Images

 

Um devorador de estatísticas do PSDB se debruçou sobre o relatório da última pesquisa Sensus, divulgada nesta segunda (23).

 

Identificou no documento uma “onda de otimismo” a embalar o brasileiro. Atribui ao fenômeno a principal causa do crescimento de Dilma Rousseff.

 

Considera-o mais preocupante para a oposição do que o fato de José Serra ter perdido 14,7 pontos percentuais no intervalo de um ano.

 

Os números que chamaram a atenção do especialista tucano constam da página número 5 do relatório do instituto Sensus.

 

Estão assentados num quadro que revela a expectativa do eleitor em relação a temas diretamente relacionados ao seu cotidiano.

 

O noticiário deu atenção zero a esse pedaço da pesquisa. Um erro, na opinião do analista do PSDB.

 

Os pesquisadores do Sensus perguntaram ao eleitor, por exemplo, o que ele acha que vai acontecer com o emprego.

 

Em setembro, 59,6% dos pesquisados diziam que a situação iria melhorar nos próximos seis meses. Agora, esse índice foi a 62%.

 

Questionados sobre a “renda mensal”, 61,6% dos pesquisados disseram que a coisa vai melhorar. Em setembro, o índice era menor: 56,6%.

 

Sobre educação: 62,5% dos eleitores declararam que a situação do setor vai melhorar nos próximos seis meses. Em setembro, 57,9% davam a mesma resposta.

 

Mesmo nas áreas de saúde e segurança pública, que costumam inspirar mais críticas do que elogios, houve oscilação para o alto.

 

Em setembro, 53,8% dos eleitores achavam que haveria melhorias na saúde. Agora, o índice dos otimistas oscilou para 55,3%.

 

Em relação à segurança, 48,2% diziam em setembro que o quadro experimentaria melhora nos seis meses seguintes. Na nova pesquisa, o índice subiu para 52,2%.

 

Eis a conclusão do mastigador de pesquisas tucano: tomados em conjunto, esses dados tendem a favorecer a candidata de Lula.

 

Acha que o otimismo do brasileiro, por latente, joga água no moinho da continuidade, mola propulsora do projeto Dilma-2010.

 

O analista, que falou ao blog sob a condição do anonimato, atribuiu pouca importância aos índices dos candidatos.

 

Afirma que, a um ano da eleição, o retrato do que vai na alma do eleitor é mais relevante do que o percentual de intenção de votos.

 

De resto, avalia que a perspectiva de retomada do crescimento da economia vitaminará ainda mais a atmosfera benfazeja que rodeia Dilma.

 

O que a oposição deveria fazer? Segundo o tucano afeiçoado a estatísticas, não há senão a alternativa de fixar contrapontos a Dilma.

 

Algo que depende da definição da peleja interna travada entre Serra e Aécio Neves e da formulação de um programa alternativo ao de Lula.

 

Propostas sólidas, não intenções genéricas. Considera essencial que a oposição diga o que vai manter e o que vai modificar caso retorne ao Planalto.

 

De resto, acha que é vital desarmar a armadilha plebiscitária que Lula acomodou no caminho da oposição.

 

Como fazer? Repisando à exaustão a tecla de que a disputa de 2010 não será um duelo entre Lula e FHC.

 

Por quê? Além considerar a era Lula melhor do que o ciclo FHC (76%), o eleitor mantém nas alturas a aprovação do presidente (78,9%) e do governo dele (70%).

 

Pior: 49,3% declaram que não votariam num presidenciável apoiado por FHC. De novo, o PSDB teria de levar rapidamente um candidato à vitrine.

 

Para o analista tucano, a demora facilita a vida de Lula. Não havendo um candidato oficial da oposição, o presidente pode continuar centrando fogo em FHC, arrastando-o para o ringue.

Escrito por Josias de Souza às 05h30

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Brasil imita ONU e cria órgão de mudanças climáticas

Reuters

 

Será instalado nesta terça-feira (24), em Brasília, o PBMC (Painel Brasileiro de Mudança Climática).

 

Foi criado por meio de uma portaria (356/2009) conjunta de dois ministérios: Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente.

 

Segue o mesmo modelo do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU –IPCC, na sigla em inglês.

 

A função do novo organismo será a de municiar o governo de informações científicas sobre os riscos das alterações do clima no país.

 

A exemplo do IPCC da ONU, o PMBC brasileiro terá um conselho diretor e um comitê científico.

 

Presidirá o conselho Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

 

Pela presidência do comitê científico responderá Suzana Kahn Ribeiro, secretária de Mudanças Climáticas da pasta do Meio Ambiente.

 

Sob a dupla, funcionarão quatro grupos de trabalho. Juntos, reunirão algo como 100 pesquisadores e cientistas.

 

Todos especializados em clima e vinculados a instituições de pesquisa nacionais. Produzirão relatórios periódicos.

 

O que se deseja não é produzir pesquisas em Brasília, mas organizar a produção científica brasileira sobre clima, para guiar a ação do governo.

 

A instalação do novo órgão será anunciada no Ministério do Meio Ambiente, às 11h. Durante a solenidade, virá à luz um estudo que acaba de sair dos fornos do Inpe.

 

Chama-se “Estimativa das Emissões de CO2 por Desmatamento na Amazônia Brasileira".

 

Informa que a derrubada da mata amazônica contribuiu de forma expressiva para o aumento das emissões globais de CO2.

 

O CO2, como se sabe, é um dos gases-estufa. Sua emissão contribui para o chamado aquecimento global.

 

O governo se auto-impôs a meta de reduzir o desmatamento no país em 80% até 2020. É uma das cifras que o Brasil levará à cúpula do clima de Copenhague.

 

O estudo do Inpe esmiuça os dados escondidos por trás da meta. Dimensiona os efeitos do desmatamento sobre a emissão de CO2 até 2008.

 

E faz projeções até 2020. Num dos cenários, o estudo estima o que vai acontecer caso o governo cumpra a meta de reduzir a poda de árvores em 80%.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

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As manchetes desta terça

 

- Globo: Paes reclama que morador do Rio suja demais a cidade

 

- Folha: Lula defende programa nuclear do Irã

 

- Estadão: Irã tem direito a energia nuclear, defende Lula

 

- JB: Manobra dá fôlego ao caixa do Fisco

 

- Correio: Sob protestos, Brasil declara apoio ao Irã

 

- Valor: Na crise, BB colocou R$ 6,7 bi para socorrer bancos e Sadia

 

- Jornal do Commercio: Bagunça no concurso da PM ainda é mistério

 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Escrito por Josias de Souza às 01h40

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Neocompanheiros!

Paixão

Via Gazeta do Povo.

Escrito por Josias de Souza às 01h34

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Em meio à queda de Serra, PSDB almoça com o DEM

Christian Parente/UOL

 

Os presidentes do PSDB e do DEM –Sérgio Guerra e Rodrigo Maia—almoçam nesta terça (24), em Brasília.

 

Vão rediscutir, sob atmosfera adversa, a estratégia da oposição para a eleição presidencial de 2010.  

 

O encontro ocorre sob o impacto da pesquisa que revela um estreitamento da distância que separa Dilma Rousseff de José Serra.

 

Participam do repasto os líderes tucanos e ‘demos’ na Câmara e no Senado. O objetivo central é passar a impressão de unidade.

 

Nas últimas semanas, PSDB e DEM andaram se estranhando pelo noticiário. Rodrigo Maia queixou-se do calendário.

 

Revelou-se impaciente com a demora de José Serra em admitir a condição de candidato. De quebra, manifestou simpatias por Aécio Neves.

 

Nas pegadas das declarações do filho, o ‘demo’ Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, pespegou em Serra um adjetivo atravessado: “caudilho”.

 

Quis dizer que Serra não tem o direito de condicionar um projeto coletivo à sua vontade pessoal. Também se bandeou para o lado de Aécio.

 

Os Maia apenas vocalizaram uma irritação que contamina a maioria do DEM. Contagia também o grosso do PSDB.

 

A diferença é que, entre os tucanos, as críticas ao comportamento de tartaruga de Serra são feitas entre quatro paredes.

 

No repasto desta terça, pretende-se aplacar a idéia de que o diz-que-diz pode descambar para a desunião.

 

Marcou-se o almoço para o Piantella, um dos restaurantes mais freqüentados de Brasília.

 

Mais do que ver uns aos outros, tucanos e ‘demos’ desejam ser vistos juntos. Querem garantir a foto.

 

Nada de autocríticas. Nas entrevistas, realçarão a unificação de propósitos. Concluíram o óbvio: a desunião favorece o inimigo.

 

Resta saber o que serão capazes de produzir além da foto.

Escrito por Josias de Souza às 21h00

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Lula defende o ‘direito’ do Irã de enriquecer o urânio

Lula e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, encontraram-se em Brasília.

 

Firmaram acordos de cooperação em cinco áreas: energia; indústria e comércio; ciência e tecnologia; segurança alimentar e monetária.

 

Celebraram também um acordo de isenção de vistos para passaportes diplomáticos. Vale para o período de 2009 a 2012.

 

Lula e Ahmadinejad discursaram. O presidente brasileiro teve a sabedoria de mencionar temas caros ao Brasil, frequentemente negligenciados no Irã.

 

Por exemplo: Lula defendeu a paz no Oriente Médio e o respeito aos direitos humanos e à diversidade. Condenou o terrorismo.

 

Depois, a dupla deu rápida entrevista. No miolo das manifestações, a política nuclear do Irã.

 

Lula defendeu o direito do Irã de enriquecer urânio para fins pacíficos, do mesmo modo que faz o Brasil.

 

Ahmadinejad retribuiu apoiando o acesso do Brasil a uma cadeira de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

 

De resto, o presidente iraniano disse apoiar a participação do Brasil como mediador dos conflitos no Oriente Médio.

 

O problema é que, do ponto de vista diplomático, a simpatia de Ahmadinejad por Lula e pelo Brasil parece atrapalhar mais do que ajudar.

 

Ahmadinejad é conhecido pela perseguição a homossexuais e a opositores. Nega o holocausto e desconsidera o Estado de Israel.

 

Houve manifestações em Brasília. No meio-fio (contra e a favor) e no Congresso (só contra). Por sorte, a visita foi rápida.

 

O visitante incômodo desembarcou em Brasília na manhã desta segunda (23) e dá no pé na noite desta mesma segunda.

 

Segue para dois destinos onde será bem mais festejado: a Bolívia de Evo Morales e a Venezuela de Hugo Chávez, parceiro preferencial do Irã na América Latina.

 

Tomado pela importância econômica, o Irã é um parceiro irrisório do Brasil. As transações entre os dois países somam menos de US$ 2 bilhões anuais. Uma cifra que se pretende elevar.

Escrito por Josias de Souza às 19h52

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Em um ano, Serra emagreceu 15 pontos percentuais

Moacyr Lopes Jr./Folha

 

A candidatura presidencial do tucano José Serra passa por um processo de lipoaspiração.

 

Em movimento inverso, o projeto Dilma Rousseff-2010 vem ganhando massa muscular.

 

Em dezembro de 2008, o instituto Sensus atribuía a Serra 46,5% das intenções de voto.

 

Dilma era, nessa época, uma candidata raquítica. Amealhava irrisórios 10,5% da preferência dos eleitores.

 

Pois bem. Os pesquisadores do Sensus voltaram ao meio-fio entre os dias 16 e 20 de novembro.

 

Constatou-se o seguinte: Serra dispõe agora de 31,8%. Dilma arrasta a preferência de 21,7% dos eleitores.

 

Na ponta do lápis: Serra perdeu 14,7 pontos percentuais de gordura. Dilma adensou em 11,2 pontos a sua musculatura.

 

Dito de outro modo: a diferença que separa Dilma de Serra era, há um ano, de 36 pontos percentuais. Agora, é de 10,1 pontos.

 

Nessa última rodada do Sensus, Ciro Gomes aparece atrás de Dilma, com 17,5%. Marina Silva belisca 5,9%.

 

Por que Serra definha? Pode-se intuir que a resistência do tucano em retirar a candidatura do armário tenha alguma influência.

 

De resto, a pesquisa confirma, em números, algo de que já se suspeitava: FHC tira votos dos candidatos em que toca.

 

Nada menos que 49,3% dos eleitores informam que não votariam num presidenciável apoiado por FHC.

 

Por que Dilma se tonifica? Levada à vitrine com antecedência inaudita, a ministra passeia a candidatura pelo país.

 

Afora a superexposição, Dilma é carregada por um cabo eleitoral poderoso. O potencial de transferência de votos de Lula é estimado em 51,7%. O de FHC, em 17,2%.

 

O índice dos que declaram que jamais votariam num candidato de Lula caiu de 20,2% para 16%.

 

Por que Lula é um eleitor mais vigoroso do que FHC?  A resposta está na comparação entre os governos dos dois.

 

Entre os entrevistados, 76% consideram que a gestão de Lula é melhor do que a administração FHC.

 

Se o PSDB optar por Aécio Neves em vez de Serra, Dilma assume a liderança da pesquisa. Ela com 27,9%. Ele com 20,7%. Marina Silva fica com 10,4%. Nesse cenário, o nome de Ciro foi excluído.

 

O Sensus também mediu o potencial dos candidatos em hipotéticos cenários de segundo turno.

 

Hoje, Serra prevaleceria em todos os cenários. Venceria Dilma com 46,8% dos votos contra 28,2% da rival. Em setembro, o placar era de 49,9% a 25%.

 

Numa queda-de-braço com Aécio, Dilma venceria o segundo turno –36,6% contra 27,9%. Em setembro, dava 35,8% contra 26%.

 

Sob a luz fria dos números, a estratégia adotada por Lula revela-se precisa. Esforça-se para associar a candidata a si mesmo e ao seu governo.

 

E tenta estabelecer uma disputa de projetos. De um lado, a era Lula. Do outro, o ciclo FHC. Presente X Passado. No popular: “Nós contra eles”.

 

Para complicar a vida do tucanato, o Sensus informa que melhorou a avaliação do governo Lula.

 

Em setembro, a gestão de Lula era aprovada por 65,4% dos eleitores. Hoje, 70% avaliam o governo como ótimo ou bom.

 

Subiu também a avaliação pessoal de Lula. Foi de 76,8% para 78,9%. Não retornou aos 80% do início do ano. Mas continua nas nuvens.

 

Parece óbvio que, se quiser conservar a aura de favorito, Serra terá de promover uma reviravolta em sua estratégia.

 

Fala que só vai assumir a candidatura em março de 2010. Parece discurso de quem prepara a rota de fuga.

 

- Serviço: Pressionando aqui, você chega ao relatório da pesquisa, feita por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes.

Escrito por Josias de Souza às 18h30

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Novo tesoureiro do PT preside uma entidade suspeita

  Divulgação
Chama-se João Vaccari Neto o novo Delúbio Soares do PT. Será empossada, em fevereiro, na função de tesoureiro do partido.

 

Vaccari vai comandar as arcas petistas nas eleições de 2010. A repórter Ana Flor levou às páginas da Folha uma notícia, digamos, inquietante.

 

Ela conta que o novo senhor das finanças do PT preside, desde 2004, uma entidade chamada Bancoop.  

 

Trata-se de uma cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo. Encontra-se sob investigação do Ministério Público estadual.

 

A Bancoop convive com um rombo estimado em R$ 100 milhões. Tenta buscar no bolso dos associados dinheiro para saldar o débito.

 

Como se formou o buraco? O promotor José Carlos Blat, que conduz a investigação, diz que de que a Bancoop desviou recursos.

 

Para onde? Para empresas ligadas a alguns de seus dirigentes, que repassaram as verbas para campanhas do PT. O tema tem frequentado o noticiário.

 

O inquérito do Ministério Público foi aberto em 2007. O promotor Blat chega mesmo a dizer que a Bancoop é "uma organização criminosa" com objetivos "político-partidários".

 

Desde o mensalão, um escândalo de 2005, a tesouraria do PT é vista –ou deveria ser— como uma zona de alta sensibilidade.

 

Delúbio Soares foi o único petista expurgado da legenda por conta da parceria valeriana que injetara nos cofres do PT verbas de má origem.

 

Sucessor de Delúbio, o petista Paulo Ferreira gerenciou a caixa registradora do partido sem deixar máculas.

 

O problema é que o estatuto do PT veda a recondução de Paulo Ferreira à tesouraria. Daí a troca de comando.

 

Vaccari desfruta da confiança do atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, também ele um fundador e ex-presidente da Bancoop.

 

Ex-secretário-geral da CUT e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Vaccari é, hoje, segundo suplente do senador Aloizio Mercadante.

 

No alvorecer do governo Lula, de cuja amizade tem o privilégio de desfrutar, Vaccari chegou a ser cogitado para a presidência da Caixa Econômica Federal.

 

Lula preferiu acomodá-lo em posição de menor realce, o Conselho de Administração de Itaipu. Procurado pela reportagem, Vaccari não telefonou de volta.

 

Mas, noutras oportunidades, ele sempre negou que a Bancoop esconda malfeitos em suas escriturações. O amigo Berzoini acusa o Ministério Público de promover uma investigação política.

 

Como o inquérito da Bancoop é coisa ainda inconclusa, sempre se poderá argumentar que Vaccari e a entidade que preside têm a seu favor o benefício da dúvida.

 

Mas, ao acomodar a interrogação numa tesouraria de triste memória, o PT revela-se uma legenda irremediavelmente afeiçoada ao risco.

Escrito por Josias de Souza às 07h07

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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