- Em tempo: A inspiração para a charge veio do noticiário do dia. O colombiano Alvaro Uribe "deplorou" os comentários de Lula sobre a crise com a Venezuela. O colega brasileiro deu de orelhas. E a encrenca prossegue.
Quando um quer, dois brigam. Quando dois querem, aí mesmo é que se estabelece a pancadaria.
Um dia depois de ter sido açoitado verbalmente pelo grão-petê Marco Aurélio Garcia, o presidenciável tucano José Serra foi à forra:
"Acho troglodita de direita quem apoia [Mahmoud] Ahmadinejad [presidente do Irã]...”
“...Um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores".
Na véspera, o assessor internacional de Lula e redator do programa de Dilma Rousseff previra um “fim de carreira melancólico” para Serra.
Lamentara que o ex-companheiro de exílio –os dois se avistaram no Chile— tenha deslizado para a “direita”.
A resposta de Serra veio numa sabatina organizada pelo portal R7. Aproveitou para remoer os vínculos do PT de Marco Aurélio com a narcoguerrilha.
"Todo mundo sabe da ligação do PT com as Farc. As Farc são uma força do narcotráfico...”
“...O PT errou ao tratar como força política, sendo que é, na verdade, do narcotráfico".
Definiu-se como político “de esquerda”. Cudou de adjetivar o seu esquerdismo, distanciando-o do de Marco Aurélio:
"Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos e ter ações realmente populares, e não ficar fazendo jogo de grupos econômicos".
A despeito da sequência de golpes abaixo da linha da cintura, Serra disse que seu objetivo é outro: "Eu vivo o tempo inteiro querendo discutir teses".
Para não perder a viagem, reesfregou na face do petismo o MST. Definiu-o como movimento "político, socialista revolucionário”.
Reforma agrária? Mero instrumento retórico, do qual o MST se serve para ter acesso às burras do Tesouro.
Instado a comentar as multas que o TSE impôs a ele e à rival, Serra insinuou que, na gincana do desrespeito à lei eleitoral, apenas seguiu a trilha aberta por Dilma:
"Aquele que não segue tem vantagem porque a multa é pequena", disse.
Em novo comício, dessa vez em Porto Alegre, Lula e Dilma Rousseff fizeram a tabelinha do adeus com as boas-vindas.
Dilma discursou primeiro. Transmitida ao vivo pela web, levantou a bola:
"Eu trabalhei com o presidente Lula. Sei quanto será duro ver o presidente descendo a rampa do Palácio do Planalto... Eu sei a obra e o tamanho da obra feita por ele".
Lula foi ao microfone por último. Recordou o comício que fizera na capital gaúcha em 2002, ano em que prevalecera sobre José Serra. Disse ter chorado.
Depois, voltando-se para a pupila, voz embargada, chutou a pelota que Dilma deixara quicando:
“Faltam apenas cinco meses e dois dias”.
Noutra tabela, Dilma chutou a oposição: "Eles têm duas caras. Uma nas eleições e a outra na hora de governar. Eles governam para um terço da população".
Lula mataria a bola no peito a seguir: "Foram oito anos de provocações, de ataques e de infâmias".
Numa evidência de que absorveu a tática dos treinamentos de marketing, a candidata mimetizou o discurso do cabo eleitoral.
Lula costuma dizer que, depois de eleito, não teve direito ao erro. Se falhasse, ele afirma, nunca mais um operário poderia sonhar com a Presidência.
No palanque gaúcho, Dilma ajustou o lero-lero. Trocou o operário pela mulher. E manteve, em oratória precária, a lógica do palanfrório original:
"Eu também não posso errar, porque as mulheres desse país tem de seguir sendo, tendo como uma das suas oportunidades, ser presidente da República".
A apropriação da popularidade de Lula como ferramenta de campanha é uma das principais estratégias da marquetagem petista.
É coisa estudada, escorada em pesquisas. No comício noturno desta quinta (29), a tática ganhou forma e método. Habitue-se. Haverá muitos repetecos.
Abespinhado com uma notícia que o incluiu no rol dos políticos alagoanos com “ficha suja”, Fernando Collor telefonou para a redação da revista IstoÉ.
Veio ao telefone o repórter Hugo Marques, autor do texto. Ele está lotado em Brasília. Collor foi ao ataque:
"Se eu lhe encontrar, vai ser pra enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta..."
"...Você vai ter que colocar aí, dizendo que você, como mau jornalista...“
O ex-presidente, hoje candidato ao governo alagoano, não teve tempo de completar a frase.
O interlocutor achou melhor interromper a ligação no nascedouro.
Ouvido pelo repórter Eduardo Neco, do portal Imprensa, Hugo Marques disse: "Eu não queria ouvir insultos e nem responder...”
“...Fico preocupado de ele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada".
Divulgação A pretexto de recolher dos internautas sugestões para um programa de governo de José Serra, o comitê tucano mantém na web a página “Proposta Serra”.
Sob o título, um enunciado com cara novidade: “Um programa de governo colaborativo”.
Pois bem. A colaboração dos que se animaram a participar da iniciativa pode resultar em decepção.
O Quartel General da campanha de Serra cogita agora nem divulgar uma proposta para a eventual gestão do candidato.
Quem admite é Francisco Graziano Neto, o tucano que se ocupa da filtragem das sugestões.
"Eu gostaria de apresentar 100 propostas para mudar o Brasil, mas não sei se isso vai ser feito, nem sei se vai ser divulgado", disse Graziano.
Afora as idéias que lhe chegam pela internet, Graziano percorre o país para ouvir as proposições dos políticos pró-Serra.
Curiosamente, ele reconheceu que o tucanato pode não trazer à luz o programa num dos estágios de sua peregrinação.
Falou em Pernambuco, para onde se deslocara a pretexto de recolher as sugestões do comitê de Jarbas Vasconcelos (PMDB), candidato ao governo do Estado.
Mas por que o programa de Serra pode não vir a público? Graziano saiu-se com uma justificativa prosaica: “A turma da Dilma copia”.
Graziano chegou mesmo a citar um exemplo. Disse que Serra dera publicidade à proposta de reduzir os tributos cobrados de empresas de saneamento.
A redução, hoje de 3%, passaria a ser de 7,6%. Depois, disse o colaborador de Serra, Dilma Rousseff anunciou a mesma meta.
Dias atrás, Graziano incomodara-se com uma notícia veiculada aqui no blog. Dizia que, a exemplo do PT, o tucanato também redigia uma nova versão de programa.
Em contato com o repórter, Graziano dissera que não se tratava de versão nova. Era um “detalhamento” das diretrizes que Serra protocolara no TSE.
Em verdade, o “programa” levado por Serra ao tribunal eleitoral resume-se a um par de discursos pronunciados por ele em atos de campanha.
Graziano dissera que o programa, depois de detalhado, seria exposto na internet em pedaços, um setor após o outro. E nada.
Agora, a platéia é informada de que a peça que esmiuçaria as intenções de Serra pode permanecer na gaveta.
Na bica de deixar a Presidência, Lula ainda não se conformou com o fato de que os governos devem sujeitar-se às auditorias.
Em Porto Alegre, voltou a implicar com a “máquina de fiscalização” que tenta conter os malfeitos que pululam nas manchetes como pulgas em dorso de vira-lata.
Podendo tratar do tema com a seriedade que seu cargo exige, Lula preferiu fazer graça. Recordou uma pinimba ambiental que parou a construção de um túnel.
Coisa ocorrida numa rodovia federal assentada no Rio Grande do Sul, a BR-101. No dizer de Lula, a obra foi paralisada por conta do surgimento de uma “perereca”.
"Coloca-se o Brasil todo a serviço das pererecas. Nós sabemos da importância das pererecas, mas não pode parar o Brasil".
Apelidado pelo finado Leonel Brizola de “sapo barbudo”, Lula disse que, antes de vestir o pijama, vai inaugurar o tal túnel.
E não haverá perereca que o segure: "Eu vou passar embaixo daquele túnel nem que eu tiver que me 'atarracar' com aquela perereca lá...”
“...Peça para a perereca sair de perto, porque eu vou vir meio nervoso". Do chiste, Lula evoluiu para a bobagem.
Apoiado no Congresso por uma maioria remunerada à base de cargos e verbas, atribuiu à oposição as leis que travam as obras.
Disse que os antagonistas de sua gestão "se esquecem" de que podem voltar a ser governo um dia.
Por isso, a oposição "cria o maior número possível de obstáculos para as coisas não funcionarem".
Lero vai, lero vem, misturou gracejos e afirmações sem nexo num mesmo caldeirão eleitoral:
"Nós que fazemos lei temos que fazê-las com mais responsabilidade. Não é porque há disputa eleitoral que vale tudo".
O diabo é que, a despeito das leis e das pererecas, a “máquina de fiscalização” caminha, no Brasil, sempre dez passos atrás dos malfeitores.
Os pedágios cobrados nas rodovias paulistas transitam pela campanha de 2010 como peças de artilharia do PT contra o PSDB.
No plano nacional, são atirados contra José Serra. Na cena estadual, são disparados na direção de Geraldo Alckmin.
Nesta quinta (29), Alckmin, favotiro na corrida pelo governo de São Paulo, foi inquirido sobre o tema na sabatina Folha-UOL.
Limitou-se a defender o “modelo” que leva à construção das praças de pedágio.
Perguntado uma, duas, três vezes sobre o valor das tarifas, esquivou-se de responder.
Insinuou que pode rever contratos. Deixou no ar a hipótese de abrir mão de “recebíveis” do Estado em troca da redução de tarifas.
De resto, acenou com a possibilidade de rever valores nas localidades em que o motorista percorre pequenos trechos e é obrigado a pagar a tarifa cheia.
Na dianteira ds pesquisas, Alckmin vem realizando menos eventos públicos do que seus contendores. Entre eles Aloizio Mercadante (PT).
Questionado a respeito, o tucano negou que o favoritismo o tenha convertido em fujão. Disse que, aberta a campanha, já percorreu 28 cidades do Estado.
Numa delas, fez até um comício, “coisa fora de moda”. Reuniu, segundo disse, platéia maior que a do comício de Lula e Dilma Rousseff, no Rio.
Alckmin atravessou a sabatina defendendo-se das críticas de seus rivais em áreas como educação e segurança.
Acusado de conspirar contra 69 CPIs que a oposição propôs na Assembléia Legislativa quando era governador, Alckmin disse que não controlava o legislativo. Lorota.
Sobre política nacional, exibiu alinhamento com José Serra. Durante a sabatina, não contemplou a hipótese de vitória de Dilma Rousseff.
Inquirido sobre as relações que, eleito, pretende manter com o Planalto, deiscorreu sobre o tema sempre a partir da premissa de que o sucessor de Lula será Serra.
Só na saída, em entrevista, disse que, se a eleita for Dilma, manterá com ela "relação republicana”. Como fez com Lula, em sua última passagem pelo governo.
Porém, mesmo nessa entrevista, Alckmin encerrou a resposta alinhado com Serra –“Será eleito”.
- Serviço: Aqui, o vídeo com a íntegra da sabatina de Alckmin. Aviso: a peça tem 1h42min47s de duração.
Lula se encontra eem Porto Alegre (RS). Cumpre compromissos “administrativos”. Mas enganchou a agenda a um evento eleitoral.
À noite, será a estrela de mais um comício da campanha de Dilma Rousseff, o primeiro em solo gaúcho.
Em pleno expediente, ainda às voltas com os afazeres de presidente, Lula vestiu o uniforme que mais lhe apraz, o de cabo eleitoral.
Repisou uma tecla que pressionara há duas semanas, num comício realizado no Rio. Sem nominar os bois, declarou:
"Tem gente que quer me tirar da campanha, mas tenho obrigação de participar e escolher quem será meu candidato ou candidata".
Aparentemente, Lula se refere ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral, cuja atuação já lhe rendeu meia dúzia de multas por transgressões à lei eleitoral.
Nada capaz de inibi-lo, contudo. Às queixas adicionou um lote de críticas ao antecessor tucano.
Sem declinar o nome de FHC, disse: "Quando cheguei à Presidência, nem agenda do ex-presidente a gente achava".
Afirmou que pretende se portar de modo diverso. Deixará para o sucessor um inventário dos investimentos, para orientá-lo.
De resto, repetiu algo que dissera na semana passada. Ao virar ex-presidente, arregaçará as mangas pela reforma política.
Anunciou que pretende se portar como um “leão” na defesa dessa reforma. O curioso é que, nessa matéria, Lula passou oito anos de mandato miando como gatinho.
O comitê de campanha de José Serra montou um “esquadrão anti-boato”. Integram-no 15 equipes de repórteres e cinegrafistas.
Correm o país à procura de “boatos”. Encontrando-os, informam ao núcleo demarketing da campanha, sob o comando do jornalista Luiz Gonzalez.
Convencidos de que o petismo espalha rumores para miná-lo, Serra decidiu ocupar-se, ele próprio, da desmontagem das supostas aleivosias.
Em sua edição desta quinta (29), a Folha traz uma notícia produzida pelo signatário do blog a respeito do tema.
O texto relata que, na madrugada de quarta (27), pendurado no microblog, Serra rebateu, em resposta a um internauta, um dos “boatos” que considera mais recorrentes:
O candidato tucano anotou no twitter: “É claro que não é verdade. Privatização do Banco do Brasil é puro terrorismo eleitoral”.
Antes, na terça (26), num ato de campanha realizado em Palmas (TO), Serra acusara “cabos eleitorais petistas” de promoverem “mentiras, insultos e truques”.
Citara o “boato” de que, eleito, privatizaria a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), vinculada ao Ministério da Agricultura:
"É tudo cabo eleitoral, não é gente que entende de abastecimento. Quem vai perder o emprego é esse pessoal, que está lá por nomeação política e não entende nada do assunto".
O repórter ouviu o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Integrante do comitê de Dilma Rousseff, o deputado reagiu às acusações com ironia.
“Parece piada. Como falta discurso ao Serra, eles vem agora com essa história de boatos. Isso não existe nem é necessário”.
Acrescentou: “O que inspira a desconfiança em Serra é o comportamento do candidato. Quando ele diz que vai dobrar os investimentos do Bolsa Família, ninguém acredita...”
“...Nas reuniões com empresários, aparece outra dúvida frequente. Eles não sabem o que o Serra faria com o Banco Central e o câmbio”.
Alheio às negativas, o comitê de Serra age para anular os efeitos de “boatos” que, segundo informa, já foram detectados pelos “repórteres” espalhados pelo país.
O blog ouviu de um dos responsáveis pela operação tucana de “contraboataria” dois exemplos. Um recolhido no Nordeste. Outro, na Amazônia.
No primeiro, uma gerente de agência da Caixa Econômica Federal teria dito a uma beneficiária do Bolsa Família que, prevalecendo Serra, o programa seria extinto.
No segundo, um partidário de Dilma teria apregoado que, se eleito, o candidato tucano extinguiria os concurcos públicos e demitiria servidores.
“Essa história de central de boatos não cola”, repisa Vaccarezza. “Estão querendo insinuar que fazemos atividades subterrâneas. Não precisamos disso”.
Quem se vale de “jogo rasteiro”, afirma Vaccarezza, é a campanha de Serra. “Nós não entraremos nesse jogo. Vamos manter a nossa linha, que é a de discutir os rumos do país, o programa de governo”.
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